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Autora: Mariana Garcia
Status: Em Andamento
Revisada por: Vê Inamonico
Categoria: Danny Fics
Sub-Categoria: LongFic - Romance
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There's only 1 thing 2 do, 3 words 4 you... I LOVE YOU.

Capítulo 1

O verão passou rápido demais, isso é um fato. Minhas férias acabaram e eu terei que voltar aquela escola infernal, com aqueles colegas infernais, com aquelas aulas infernais, mas nem tudo é ruim, certo? Só falta menos de um ano e estarei na faculdade. Sra. Swift, minha diretora, falou que com minhas notas, faculdades caíram como penas em cima de mim, ou seja, não preciso me preocupar
(...)
Primeiro dia de aula, Thomas está vindo me buscar. Ele é meu melhor e único amigo daquele inferno. Ele chegou.
- Tom! Como foram as férias?
- Normal... É, bem, isso bem...
Ele estava nervoso, alguma coisa o incomodava.
- O que aconteceu? Você tá estranho.
Ele ligou o carro e começou a dirigir em silêncio.
- Eu te fiz uma pergunta - Falei, emburrada.
- Aconteceu uma coisa... Uma pessoa na verdade...
- O que? Para de fazer suspense!
- Uma menina... Eu estou... Namorando.
- Era isso? - Eu ri. Quer dizer que ele que achava eu que ia me incomodar que ele estivesse namorando?
- É... Algum problema com isso?
- Claro que não, Tom, até estou feliz por você! Quem é?
- É a... Lindsay.
QUEM? A LINDSAY STUART? AQUELA MENINA...
- A Lindsay... Ela é bem... Legal.
- Você acha que isso pode nos afastar, ?
- Claro que vai, ué, agora você vai ter que se dedicar ao seu amor pela loira oxigenada... - Tom semicerrou o olhar e eu me calei.
- Eu acho que estou apaixonado por ela, de verdade.
- Bem, que bom - Sorri, ou tentei.
(...)
Chegamos, finalmente. E Tom foi encontrar Lindsay, sua nova namorada e a menina mais ridícula do mundo, não por ela ser a namorada do meu melhor amigo, e sim por ser... Ela. Sabe aquele tipo de pessoa... Insuportável? É ela.
MERDA. Esbarrei em alguém, de novo, será que dá pra ser menos desastrada, ?
- Desculpa, eu vivo esbarrando nas pessoas, desculpa!
Nem olhando pra cima para saber quem é, me agachei e comecei a catar meus livros, quando vi aquela mão me ajudando, e junto com ela, grandes e lindos olhos azuis se encontraram com os meus.
- Me desculpe você, eu não devia sair correndo assim... Prazer, Daniel. Ou Danny, se preferir.
Aquela mão tão perfeita me entregou o resto dos meus livros e se estendeu, tentando fazer algum tipo de amizade.
- , ou... , se você preferir.
- Você é nova aqui? Eu sou, quer dizer, não só eu, eu e esses dois patetas!
Eu não tinha percebido, mas outros dois meninos estavam atrás de Danny, um loiro com cabelo na cara, com uma camisa da Hurley e bermuda muito abaixo da cueca e outro meio careca, com uma camisa xadrez sorriam pra mim.
- Meu nome é Dougie, mas não vale se apaixonar, ok? - O loiro beijou minha mão de uma forma cavalheira e engraçada, que me fez rir.
- Tentarei então... Womanizer.
O outro garoto chegou mais perto de mim, já rindo da minha piadinha muito sem graça e estendeu a mão.
- Harry, prazer.
- Hei, somos novos aqui, como eu já disse, você pode ajudar achar nossa sala? - Danny falou, com aquela linda voz dele, meu Deus, que sexy.
- Qual é o ano de vocês?
- Acabamos de entrar no terceiro - Harry respondeu.
- Número da sala, ou turma...? - COMO EU QUERIA QUE ELES FALASSEM QUE SERÃO DA MINHA SALA!
- Dude... Eu acho que é... Turma B, certo, Dougie?
- Danny, olha minha cara que se importa com isso – Dougie fez uma careta tão feia que eu tive que rir, MUITO. ELES SÃO DA MINHA SALA, NÃO ENLOUQUEÇA, .
- Bem... Vocês são da minha sala, me acompanhem!
No caminho, fomos conversando e nos conhecendo melhor. Descobri que eles são de Londres, capital e se mudaram para cá, Liverpool, porque os pais deles tinham sido transferidos juntos. Os pais deles eram como irmãos e trabalhavam juntos há mais de 20 anos e eles nasceram praticamente juntos. Eu ria das besteiras deles, tentando fazer piadinhas, ao longo da conversa, tentando me enturmar, e parece que eu estava conseguindo.
- Que sorte nossa ter uma garota como você na nossa sala... – Danny sorriu. QUE SORRISO LINDO. QUE GAROTO, GRRRRRR.
- E como é uma garota como eu?
- Sabe, tem uma fama horrível nessa escola, que só tem garotas... Hum, fáceis, nós gostamos disso, claro, tipo aquela ali se agarrando com aquele menino loiro. – Harry respondeu, apontando para o canto. E eu vi o Tom se agarrando com a Lindsay, e algo dentro de mim me acertou como uma flecha entrando no meu peito e envenenando todo meu sangue. Eu nunca tinha me incomodado ver o Tom com outra garota, sempre íamos a shows e ele acabava com alguém no canto e eu no outro, e voltávamos pra casa juntos, rindo de cada pessoa e comentando as músicas, mas era diferente. Eu estava incomodada. Eu queria ir lá e separá-los. Eu queria BEIJAR o Tom, o que está acontecendo comigo?
- Ei, o que foi? Você meio que paralisou – Dougie falou, tocando no meu ombro.
- Eu conheço aquele garoto, ele é meu melhor amigo, até onde eu sei.
- E você gosta dele? – Danny disse, parecendo até interessado.
- Não... Não. – Sorri meio sem graça. Será que naqueles poucos minutos ele já estaria interessado em mim? Quer dizer, eu não sou o ser mais interessante do mundo. Eu não tinha um estilo bem aceito por todo mundo (leia-se, meu colégio). Eu estava com uma regata branca e um moletom listrado marrom e bege, grande demais pra mim e calça skinny jeans, com um all star branco, o que há de sensual nisso? Whatever...
- Vamos pra sala? – Perguntei, tentando me livrar daquela cena que tinha acabado de presenciar.
- Claro! Eu posso...? – Harry disse, passando o braço pelos meus ombros.
- Pode sim – Sorri, nunca tive amigos, além do Tom, e ele não era bem um amigo, como dizer... de afeto físico.
- Também quero, ! – Dougie passou o braço por cima do meu ombro, fazendo um pouco de peso, mas nada que incomodasse. Passei as mãos na cintura dos dois, tentando me apoiar um pouco melhor. Danny riu da cena. E eu ouvi algum barulho ao fundo, algo como a voz de Tom indignada. E assim fomos para a sala, aos tropeços e risos. Sentamos nas cadeiras do fundo e no canto, formando um quadrado. Dougie na minha frente, Danny ao meu lado e Harry a sua frente. Tom entrou de mãos dadas com Lindsay e acenou pra mim com a outra mão livre. Dei um sorrisinho e me virei para conversar com Harry de novo. Eu sentia algo me encarando, e era o Tom. Ele parecia estar ver algum problema nos meus amigos. RÁ, E EU VEJO PROBLEMA NA SUA NAMORADA, BEIJOS. Ele se levantou e veio até mim.
- Você vai voltar comigo hoje, ?
- A Lindsay não vai? – Falei, apontando com a cabeça para ela do outro lado da sala.
- Não... Ela vai ao shopping com as amigas.
- E eu sou a segunda opção pra você não ficar sozinho?
- , velho, você disse que não ia ficar irritada comigo em relação à Lind.
- E eu não me importo, mas você não ta vendo que eu tenho novos amigos? – Apontei para o Dougie, que estava com a cabeça afundada nos braços na mesa, parecendo estar dormindo, para Danny e Harry, que conversavam animadamente sobre futebol.
- Eles? Seus... Amigos? – Tom deu ênfase na última palavra, com uma certa surpresa.
- É estranho me ver com outros amigos, não é?

Capítulo 2

Ele se levantou e revirou os olhos. E a senhora Collins, nossa nova professora de História entrou na sala, fazendo Tom ir para seu lugar. Cutuquei Dougie para ele acordar e ver a professora.
- BOM DIA, meu nome é Professora Collins, e este ano ensinarei História a vocês. – Falou, escrevendo seu nome no quadro.
- Seu nome é “professora” mesmo? – Eu olho para o lado e era Danny, tentando dar uma de engraçadinho, e conseguiu, mais da metade da turma ria baixinho.
- Não, meu nome é Elisabeth, não que isso lhe interesse, senhor...?
- Daniel, Daniel Alan David Jones, ou Danny, para os mais íntimos, como a senhora...
- Engraçadíssimo senhor Danny, quero dizer, Daniel! Vou começar fazendo a chamada, por favor, quem não for dessa sala, se retire e prestem atenção, senão eu darei um F de FALTA bem grande logo no primeiro dia!
Abri meu caderno, rasguei um pedaço da última folha e escrevi: “Tentando puxar o saco da professora no primeiro dia de aula, isso que é necessidade” e joguei em cima da mesa de Danny, que leu, pegou uma caneta no estojo e escreveu no verso da folha e me passou de novo.
“Eu tenho outras necessidades...”
Retribui com um sorriso amarelo e tentei prestar atenção na chamada, mesmo com Dougie apertando meus joelhos. CARA, COMO ELES ERAM LEGAIS!
Depois de aulas massacrantes, professores chatos e legais, finalmente hora do almoço! Sai da sala com MEUS três meninos (como Dougie já dissera na aula de Biologia, meu marido, ele no caso, e meus dois amantes). Eu sentia a inveja nos olhos das meninas e ria disso. Uma loser com os três meninos mais lindos do colégio, só pra quem pode, beijos. Chegamos ao refeitório, nos servimos e sentamos em uma mesa ao canto (percebeu que adorávamos cantos?) e começamos uma conversa animada sobre Beatles.

(...)

Dias se passaram e a cada hora que passava eu estava mais amiga de Dougie, Danny e Harry. Já tinha sido apresentada a mãe de Harry e ao pai de Danny, já tinha ido à casa de Dougie e eles já tinham ido a minha casa e até conhecido meus pais. E enquanto isso, Tom estava cada vez mais distante de mim, e cada vez que eu o via com a Lindsay eu sentia aquele veneno corroer minhas veias aos poucos. Agora era Danny que me pegava em casa, graças a minha preguiça de tirar a carteira, eu sempre pegava carona. E isso me dava mais tempo sozinha com ele, e Danny era o que eu mais me dava bem. Tínhamos tantas coisas em comum, já completávamos frases um do outro, cantávamos músicas juntos, fazíamos duplas em trabalhos.
- Bom dia, princesinha do meu castelo!
- Princesinha do meu castelo, Danny? – Eu TIVE que rir e ele riu junto.
- Eu trouxe café para você, quer? – Ele apontou para o porta-copo do carro dele (que era perfeito, diga-se de passagem) e lá estavam dois copos de café para viagem do Fran’s Coffee.
- Você é um AMOR! Cadê o do Dougie e do Harry?
- Se eu der café para o Dougie imagina como ele fica! Nem dorme, fica elétrico, e Harry não gosta de cafeína, nem Coca-Cola!
- Como um ser humano normal não toma Coca-Cola? – disse dando um gole no meu café.
Ele riu e colocou nossa música favorita, Born To Run – Bruce Springsteen, e logo estávamos em frente à casa de Dougie, que estava sentado na calçada com Harry, eles eram vizinhos.
- Bom dia, minhas delícias! – disse Danny, piscando e rindo para Harry.
- Bom dia, gostosos. – Dougie pulou pela janela do carro (ele não gostava muito de portas) e apertou os meus ombros. Harry entrou pelo outro lado e Danny ligou o carro.
- Bom dia, bebês.
- Bebês, ? – Danny riu. – Que coisinha mais fofinha... – disse, soltando uma mão do volante e apertando minha bochecha.
- Se você soltar a mão do volante, a gente vai bater, e vamos todos morrer, aí vão encontrar nossos corpos juntos, e sua mão no meu rosto, ai vão colocar a culpa em mim, e suas famílias vão ficar contra a minha, e tudo isso vai gerar infelicidade.
- Ok, você inventou isso durante ou depois de acordar? – Dougie disse, entre os risos de Danny e Harry.
- Vão rindo... – disse, cruzando meus braços, fazendo bico e me afundando no banco. Danny estacionou o carro, Harry e Dougie saíram, deixando mais uma vez eu e Danny sozinhos.
- Pelo menos vamos morrer juntos. – Disse Danny, sorrindo e passando a mão delicadamente no meu rosto. Sorri sem graça e saí do carro correndo. Por que ele estava, sei lá... me seduzindo daquele jeito? Eu era fraca, vai. Eu sei que ele só estava brincando, brincando...
- HEY, ! – Ouvi a voz de Tom atrás de mim e não pude conter o sorriso. Eu estava mesmo a-p-a-i-x-o-n-a-d-a pelo TOM? Cara... É o TOM, menino que me conhecia desde a quinta série. O menino que me acompanhara em tudo, que dividia comigo seus segredos, e agora eu estava aqui, querendo-o como nunca.
- E aí, vamos voltar juntos hoje? Vamos jantar lá em casa, minha mãe diz que sente sua falta todo santo dia!
- E a Lindsay, ela vai te tirar da coleira?
- Quando seus novos cachorrinhos saírem do seu pé, sua besta.

Capítulo 3

- Não fale assim deles... Sim, aonde nos encontramos? – sorri, finalmente íamos estar juntos, como nos velhos tempos.
- O lugar de sempre, na hora de sempre. Na árvore atrás do ginásio, às 15h, quando acabarem as aulas, você sabe e ainda pergunta! – ele sorriu, me deu um beijo na bochecha e saiu, olhando para trás e rindo, como sempre fazia.
- O que ele queria? – disse Dougie, atrás de mim. O que esses meninos tinham que ficavam falando atrás de mim?
- AI QUE SUSTO, DOUG. – disse, virando e o abraçando.
- O que ele queria, ?
- Meu maridinho lindo, meu amorzinho, ele queria que eu fosse para a casa dele depois da aula, posso? – sorri e o larguei.
- Está bem... Eu DEIXO. – sorriu, fazendo uma pose de macho. Eu ri e fomos para a sala. Danny e Harry já estavam no lugar de sempre e Tom acenou para mim com um sorriso de orelha a orelha. Ai, esses meninos me amam demais...
A aula de Filosofia começou e Dougie começou a dormir, novamente. MEU DEUS, o que ele fazia de madrugada para ficar com tanto sono? Harry anotava tudo com bastante atenção, o mais disciplinado, enquanto Danny... Bem, ele acabara de jogar um papel na minha mesa.
“Quer sair comigo hoje depois da aula? Quero falar com você... Tipo, sozinhos”
Ele deveria querer falar de alguma menina que viu por aí e queria que eu arranjasse os dois, típico. Escrevi na linha de baixo e joguei para ele de novo.
“Desculpe, vou jantar na casa do Tom” Ele fez uma cara de criança mimada quando lhe é recusada alguma coisa, escreveu e jogou para mim de novo.
“Sou melhor que ele”
Ri e escrevi.
“Quem te disse?”
“Eu disse. Você nunca me teve pra saber como é”
“Não tive nenhum dos dois”
“Ainda.”
“O que você quer dizer com isso?”
“Esqueça. Vá para a casa do Tom e seja feliz.”
Eu li e fiz uma cara de quem não entendeu, porque não entendera mesmo.
“HÃM?”
E joguei para ele, ele só leu, amassou, se levantou e jogou o papel no lixo. Ai, que saco, eu queria uma explicação. A aula acabou e Danny saiu correndo para fora, fui atrás dele, mas ele entrou correndo no banheiro. Que infantil. ARGH.

(...)

As aulas do dia acabaram e eu fui para o lugar marcado com o Tom, e ele estava lá, com o carrinho que ele tinha ganhado no aniversário de 17 anos. Sorriu e entramos no carro em silêncio. Não falamos uma palavra, o que foi realmente estranho, então eu me afundei nos meus pensamentos. Danny me evitara o dia inteiro, não dera um pio no almoço, não respondia meus bilhetes, me ignorava, o que estava acontecendo? Eu tentei perguntar ao Dougie, só que ele era besta demais para perceber qualquer coisa e Harry jurou que não sabia de nada, o que era muito estranho também. Será que ele... Não, não era possível.
- E aí, é com qual? – Tom disse, focalizando meus olhos quando paramos no sinal.
- Hãm? – disse, cortando minha linha de pensamento.
- Com qual deles você ‘ta ficando? O loiro abestalhado, o sardento engraçadinho ou o moreno idiotinha?
- Primeiro não fale assim deles, segundo, nenhum deles, eu não estou ficando com ninguém, certo? E mesmo que eu ficasse, você seria o primeiro a saber.
- Seria? – ele engatou o carro de novo, tirando os olhos de mim.
- Claro, ué. E além do mais, eu não quero ficar com nenhum deles.
- Não? – disse ele, dando uma risadinha.
- Ai, que saco você, não quero não.
- E com quem você quer ficar?
Como eu queria dizer “COM VOCÊ”, mas não, primeiro: meu amigo, o melhor. Segundo: ele tinha namorada. Terceiro, amor não-correspondido era fo-da.
- Não estou afim de ninguém no momento, desculpe estragar suas esperanças.
Ele riu e estacionou. Chegamos. Entramos na casa dele, a tão conhecida casa dele. A Sra. Fletcher veio até mim, me enchendo de beijos. Subimos ao seu quarto e eu tirei meus tênis e me joguei na cama dele. Ele ligou o computador e o plano de fundo era ele e Lindsay se beijando, ECA.
- Acho que estou com náuseas, vou por meu almoço para fora.
- Me faça rir...
Meu celular tocou e mostrou “Dougie, meu marido mais lindo e gostoso”, posto por ele mesmo. Tom tomou o celular da minha mão, viu o visor, riu e ATENDEU.
- Desculpe, não pode atender, pois estamos nos agarrando agora, desculpe acabar com seus sonhos... , não tire minha camisa... Sem chantilly... Agora não, querida, estou no seu celular. Bem, tchau, tchau!
- AI MEU DEUS, VOCÊ É DOIDO? – não pude conter o riso e me joguei por cima dele, tentando pegar meu celular. Consegui pegar e disquei o numero do Dougie. Ele atendeu.
- ALÔ... ?
- Dougie, me desculpe pelo Tom! – disse, muito sem graça, e o Tom rindo descontroladamente.
- Ah, sem problemas, eu até ri! Que horas você vai sair daí? Hoje é sexta, podemos sair para algum lugar, não é?
- Claro, você pode vir me buscar aqui umas... Oito e meia, nove horas?
- Vou mandar o Danny ir, nos encontramos no YAH, ok? – YAH era um tipo de bar, meio pub meio boate, que todos iam.
- Ok, beijos, te amo.
- Te amo também! – e desligou.
- Hei, vamos fazer o dever? – disse, me dirigindo a Tom, que estava deitado na cama, lendo alguma revista que não reconheci. Agachei-me perto dele, sorrindo para ele, que passou a mão na minha cabeça e se sentou na cama, e nossos rostos ficaram bem próximos. Sentia sua respiração quente no meu rosto, algo que já tinha acontecido outras vezes, mas eu queria, queria beijá-lo. Levantei-me em um ato de força e peguei meu livro de Física. Sentei-me na escrivaninha e tentei resolver algumas questões. Tom pegou o livro de Biologia e começou a fazer um resumo no caderno deitado na cama.

(...) Capítulo 4

O relógio já marcava oito horas, Sr. Fletcher já tinha chegado e estávamos jantando, comentando da escola e sobre os professores novos. Meu celular tocou, me desculpei e fui até a cozinha atender. Era Danny.
- Oi, Danny!
- Oi, , me passe o endereço da casa do Thomas, porque daqui a pouco eu estou saindo aqui.
- Corregon Street, 409, sabe onde é?
- Acho que sei... Ok, preciso desligar, beijo!
- Beijo, te am... – ele não me deixou terminar a frase e desligou.
Voltei à mesa e acabamos de jantar. Eu e Tom ajudamos a lavar a louça e quando eu vi, já eram oito e quarenta e cinco, e uma buzina tocava do lado de fora.
- Ai, o Danny chegou, tenho que ir, pode pegar minhas coisas lá em cima enquanto eu me despeço dos seus pais, Tom?
- Aham. – murmurou Tom, que logo me entregou minhas coisas e me levou até a porta, desci as escadas da frente, acenando para ele e entrei no carro. Danny estava lindo, lindo como eu nunca tinha visto.
Vestia uma camisa branca com gola em “V”, uma jaqueta de couro, calças jeans e all star branco, seu sorriso parecia maior, seu perfume se espalhava pelo ar e se tornava como uma droga, era impossível não parar de senti-lo e seu olhar estava mais... sexy.
- Boa noite! – ele disse, sorrindo para mim com aqueles olhos azuis que estavam me comendo viva. Eu o queria, estava atraída por ele de algum jeito. Nunca o tinha imaginado assim. Ok, ele era maravilhoso, mas... Ai, eu me esquecera do Tom, de tudo, agora, eu o queria.
- Oi, oi, oi. Ai, eu to nojenta, passei o dia inteiro com a mesma roupa e você ai, bonitão.
- Você continua linda, certo? – e sorriu de novo. Ele deu a partida no carro e eu afundei no banco, fechando os olhos e deixando aquele cheiro penetrar nas minhas narinas.
Alguns minutos depois abri meus olhos e percebi que o carro tinha parado e estávamos estacionados no meio do... nada. Estávamos em um campo vazio, fora dos limites da cidade.
- Está meio longe do YAH, não é? – ri e levantei para analisar o que havia fora do carro. Estava escuro, exceto pela luz da lua. Liguei a luzinha do carro e vi aqueles grandes olhos azuis em cima de mim.
- Você gosta mesmo do Tom, não é? – Danny disse, com um olhar desapontado para mim.
- Eu estou começando a sentir uma atração bem grande por ele... Por quê?
- É... É... – E ele me beijou com calma e ansiedade ao mesmo tempo. Eu não resisti e cedi aos braços dele. Ele me puxou para perto e me sentou em seu colo, me olhou nos olhos mais uma vez, sorriu e me beijou com mais vontade, até que as línguas se tocaram, formando uma química perfeita.
Encaixávamo-nos tão bem, nunca havia beijado ninguém assim, não que eu houvesse beijado muitos garotos, mas... Como era bom estar com ele, sentir aquele toque doce e sensível que só ele possuía. Perdemos o fôlego e encostamos nossas testas e nossos narizes um no outro, olhando fixamente nos olhos.
- Por... Por quê? – eu sorri, continuando a encarar aqueles olhos.
- Eu estou apaixonado por você desde o primeiro dia em que te vi... Desde que esbarrei em você, desde que te toquei pela primeira vez, e eu não consigo evitar, você é tão perfeita que eu... Precisei fazer isso, me desculpe.
Afastei-me para examinar seu rosto melhor. Ele sorria sem graça e sem fôlego, e eu encaixei minha mão entre seu queixo e sua bochecha, enquanto ele passou a mão na minha cintura, me puxando para ainda mais perto dele.
- Eu estou confusa. – foi a única coisa que eu consegui dizer naquele momento, a única verdade que eu podia pronunciar. E ele sorriu.
- Eu sei disso. E eu vou te dar o que tempo que você quiser para se organizar, eu vou te esperar, juro que vou... – como ele podia ser tão perfeito? Como ele podia quebrar a barreira da perfeição de Tom? Aquele rosto, aquele sorriso... Tudo era o que eu queria.
Ele se juntou de novo a mim e me beijou novamente. Por que ele me escolhera? Por que ele estava apaixonado por mim? Eu era tão loser e quando eu perdera o meu melhor amigo apareceram três garotos na minha vida, e o mais perfeito estava apaixonado... por mim!
Por que minha vida tinha virado de cabeça para baixo tão rápido e eu não queria que isso acabasse? Essas perguntas rolavam na minha cabeça sem nexo enquanto meu corpo estava colado ao dele, formando uma sincronia sem fim. Perdemos o fôlego novamente e eu voltei ao meu lugar. Ele sorria pra mim e eu mordia meu lábio inferior. Ele segurou minha mão, e depois soltou, para ligar o carro. Ficamos em silêncio e um alívio entrava no meu peito, uma sensação boa, que só de olhar pra ele eu já ficava relaxada e feliz.
Chegamos à porta do YAH e eu saí na frente, enquanto ele ia estacionar, eu estava quase entrando quando ele me pegou pela cintura e sussurrou no meu ouvido.
- Eu apostei uma coisa com os meninos. Eu não podia esperar, e nem sei se você ia querer... Aqui. Bem, eu apostei com eles que eu chegaria em você na frente deles, bem aqui. Então... Finja que nada aconteceu, e se perguntarem pelo atraso, diga que o pneu furou.
- Você não presta. – disse, entre dentes.
Entramos e procuramos pela mesa dos meninos, até que os achamos, sentados no bar, cada um com uma cerveja na mão e admirando as meninas que passavam.
- Vocês estão pensando em me trair? – Fiz um bico e Harry veio até mim e me deu beijo no rosto, que ficou fedendo a cerveja.
- Nunca, meu amorzinho... – disse Dougie, ainda sentado. – quer algo para beber?
- Água, ‘ta? – Eu não bebia álcool, nem uma gota .
- Água que passarinho não bebe ou água potável? – disse Danny, sentando-se ao lado de Dougie. Ele se virou para o garçom e pediu outra cerveja e uma água.
- E aí, o que vamos fazer agora? – disse, quebrando o “silêncio”, embora já houvesse a música agitada explodindo nossos ouvidos.
- Vamos... Dançar? – Danny era um péssimo ator, fato. Dougie e Harry se entreolharam e riram. Se eu não soubesse o que estava acontecendo, eu estava mais perdida que filho da puta em dias dos pais. Danny ficou em pé e me puxou pela mão. Tocava uma música animada que eu não sabia o nome.
Ele me puxou pela cintura para mais perto dele, me fazendo sentir sua respiração acelerada. Afastei meu rosto e o virei para o lado, mas ele, com a outra mão livre, puxou-o novamente para perto dele. Vi pelo canto do olho que Dougie e Harry meio que “admiravam” a cena, rindo e bebendo suas cervejas.
- Agora? – Danny disse, sussurrando no meu ouvido. Ri, olhando de novo em seus olhos. Ele nos encaminhou a um canto mais vazio e escuro, me colocou contra a parede e me beijou. O mesmo sentimento me invadiu. Eu precisava dele, era isso. Eu o queria mais do que tudo, mais do que ao Tom. Eu podia ouvir os gritos de Dougie e Harry, as risadas altas. Coloquei meus braços ao redor do pescoço dele e me deixei levar. Depois de algumas perdas de fôlego, voltamos ao bar.
- Eu já sabia, eu já sabia, eu já sabia... – cantarolou Dougie, batendo palmas. Sorri amarelo, e Danny segurou minha mão de novo, sorrindo.
- Está na hora de te levar para casa, não é hora de menina direita estar fora de casa. – disse, entre risos.
- Você quer levá-la pra casa mesmo? A sua ou a dela? – Harry disse, com um olhar malicioso direcionado a Danny, que revirou os olhos. Eu senti meu rosto corar.
- Eu quero ficar mais, e aí? – disse, tentando persuadir Danny para ficar mais um pouco.
- A única coisa que te interessa aqui vai te levar pra casa. – ele disse, com um ar de superior.
- Sério que o Tom vai me levar para casa? – MERDA. Eu não devia ter falado isso. O rosto dele se desmanchou em... Decepção? - Eu to brincando... Desculpa. – e segurei a mão dele. Ele riu meio sem graça, nos despedimos dos meninos, que garantiram que iriam voltar sozinhos. Fomos até o carro de mãos dadas e entramos em silêncio. Danny engatou, fez a manobra, ligou o som e ficou em silêncio.
- Desculpa, Danny... Eu não queria ter falado aquilo. – achei que o motivo do silêncio teria sido isso. E para minha surpresa, ele riu.
- Calma, eu já te falei, eu te esperarei, mas eu sei que vou ganhar... – ri da irônica modéstia dele e ficamos em silêncio. Chegamos logo a minha casa, nos despedimos com um beijo rápido e entrei em casa. Meus pais já deviam estar dormindo, deixei um bilhete na cozinha escrito: “Desculpe o atraso, mãe, eu estava na casa do Tom e depois saí com os meninos”, subi, tomei banho, escovei os dentes e capotei na cama.

Capítulo 5

- , acorde, já é meio dia... – ouvi a voz da minha mãe me acordando. Levantei-me, cambaleando até a porta do banheiro.
- Querida, vou preparar o café-da-manhã, tome seu banho. – disse minha mãe, saindo pela porta. Eu beijei o Danny. O Danny me ama. Eu havia sonhado isso, certo? Tirei meu pijama e lá estavam as... Marcas? DEUS, eu estava cheio de pequenas marquinhas roxas, chupões? Isso não era um sonho... MEU DEUS, EU FIQUEI COM O DANNY. Mas... Eu ainda quero... O Tom. Que merda é essa?

(...)

Logo depois do café-da-manhã eu decidi dar um passeio por aí, sem rumo. Peguei meu celular, chaves de casa, dei um beijo nos meus pais e saí. Velho, como estava frio. Coloquei o capuz do casaco na minha cabeça pra ver se esquentava um pouco mais. Andei sem direção e cheguei a uma pequena praça perto da escola. Ela era tão familiar...
Foi naquela praça que eu conhecera o Tom. Tínhamos em torno de 10 anos e era nosso primeiro dia na escola. Nossas mães conversavam, a família de Tom era nova na rua e minha mãe estava se apresentando. Logo viramos amigos, assim, de cara. Era tudo tão pacífico até Tom começar a namorar a Lindsay, até eu conhecer os meninos, até eu perceber que era completamente apaixonada pelo Tom, até o Danny estar apaixonado por mim...
Começou a chover, que beleza. Agora eu estava com frio, molhada e sentada em um banco de uma praça molhada, sozinha e mais molhada. Decidi continuar minha caminhada, já que eu já estava... MOLHADA. Senti nojo de mim mesma.
- Alguém me explica qual é seu problema? – me viro em um impulso e vejo Dougie, parado com um guarda-chuva, com algumas sacolas de supermercado e rindo, de mim, claro.
- Uma menina não pode mais andar na chuva, sem guarda-chuva, toda molhada, por aí, sem rumo? Isso é um crime? – perguntei, indo em direção a ele.
- Em alguns países deve ser! – disse, entre risos. Ele esticou mais o guarda-chuva, me protegendo da chuva. Fomos até a casa dele.
- Ei, eu tenho que te dar alguma roupa seca, vá para a cozinha e deixe essas sacolas lá. – disse Dougie, subindo as escadas correndo. Ele deveria estar sozinho em casa, comentou que seus pais iriam viajar para Londres para visitar a irmã dele, que continuara lá para terminar a faculdade. Examino as sacolas, procurando algo interessante, mas só acho salgadinhos e cerveja. Dougie morreria solteiro, não podia ser possível.
- A coisa mais apertada que tenho é essa camisa que ganhei no Natal passado e essa calça que nunca usei, que é bem velha, aceita uma meia? – Dougie desceu as escadas com uma camisa branca com gola em “V”, uma calça preta de tecido macio e meias da Nike.
- Você é uma graça e eu te amo! – peguei as roupas e fui até o banheiro. Tirei minha roupa e coloquei a camisa. Meu sutiã ainda estava molhado, deixando um pouco transparente, e a calça ficou ótima, folgada, mas ótima. Saí com as meias ainda na mão, sentei-me em uma cadeira na cozinha e as vesti. Peguei uma maçã na geladeira, afinal adorava essa coisa de intimidade entre amigos, eu abria a geladeira quando bem entendesse.
- , ESTAMOS NO MEU QUARTO, SUBA! – ouvi Dougie gritar. Como assim “estamos”? A não ser que...
Danny apareceu no pé da escada, sem camisa e rindo para mim. Fui até seu encontro, admito, correndo. Abracei-o e ele me carregou, fazendo meus pés saírem do chão. É sério, por que eu não conseguia me apaixonar por ele? Ele me deixou no chão e passou as duas mãos no meu rosto. Seus lábios chegaram mais perto, tendo aquela química como a de ontem. A risadinha baixa de Harry invadiu meus ouvidos me fazendo desgrudar de Danny. Quando eu viro para trás, dou de cara com Harry só de CUECA.
- AAAH – minha primeira reação foi gritar e me virei de novo para Danny, que passou seus braços em torno de mim.
- Opa, foi mal, tinha esquecido! – Harry disse, voltando para o quarto, provavelmente de Dougie, logo voltando com calças e vestindo uma camisa.
- Só me digam o que vocês três estão fazendo sem camisa, dentro de um quarto, sozinhos em casa... – disse, passando a mão na barriga de Danny, acho que isso o fizera estremecer e entrei no quarto. Sim, era de Dougie, e o mesmo estava deitado na cama, bebendo cerveja, olhando para a TV enquanto a mesma estava ligada.
- Nem queira saber – disse Dougie, me dando espaço pra sentar. Sentei e me encolhi, abraçando meus joelhos. Danny e Harry se sentaram no chão e pegaram os controles do vídeo game, retomando a partida. Típico. Revirei os olhos e peguei uma revista ao lado de Dougie. Olhando o conteúdo, vamos dizer... Impróprio, joguei-a para longe.
- Vocês não se desgrudam não?
- ‘Tá com ciúmes, lindinha? – disse Harry, virando a cabeça e voltando de novo a tela.
- Talvez sim, talvez não... Não temos outros amigos aqui para jogar videogame só de cueca e beber cerveja, mas se quiser fazer, é só tirar a roupa e pegar uma latinha... – disse Dougie, rindo. Joguei um travesseiro nele.
- Super programa o de vocês, hein? Gente, por favor! Hoje é sábado, poderíamos fazer alguma coisa realmente legal? – disse, massageando os ombros de Danny por trás. – Onde vocês querem ir? Hein? Eu topo qualquer coisa!
- Mas... Mas sábado é dia... De vídeo game! – disse Harry, pausando o jogo e se virando para a cama.
- Danny, por favor... – falei, beijando seu pescoço, ainda por trás e o abracei, como um... CASAL. Deus do céu...
- Dougie, Harry, só um sábado não vai doer em ninguém! – disse Danny, virando-se para a cama.
- Onde tenha cerveja então! – Dougie pronunciou-se, levantou-se, pegou mais uma lata e abriu com vontade.
- DEEEEEUS, parem de beber, vocês não percebem o quanto isso faz mal? – disse, levantando, tomando a cerveja da mão de Dougie e a jogando pela janela. – Onde vocês dormiram? Deveriam estar tão bêbados...
- E quem disse que dormimos? Viramos a noite com nosso assunto favorito do momento. – Harry falou, se jogando no chão, provavelmente procurando seu sapato.
- E qual é o assunto favorito de vocês?
- Você, claro – Harry virou-se para mim, rindo. Danny se jogou em cima dele, tentando enforcá-lo. RÁ, eu era o assunto favorito? POR QUE ISSO HEIN?
“In the day we sweat it out in the streets of a runaway American dream…” Meu celular tocou logo após meu último pensamento. Peguei-o no bolso e vi “Tom chamando”, saí do quarto para o corredor, me sentei no chão e levei o aparelho ao ouvido.
- Alô?
- Onde você está? – disse Tom, na voz de calma de sempre.
- Por que quer saber, meu Love?
- Vamos fazer alguma coisa... Boliche? Cavern?
Boliche... Há quanto eu não ia até lá?

Capítulo 6

A última vez que eu havia ido fora... Último dia de aula do ano passado. Enquanto a maioria havia ido“curtir” nas casas alheias, regados a bebida e meninas fáceis, eu e Tom fomos ao boliche e acabamos com 2 litros de Coca-Cola.
- E aí, vamos? – disse Tom, percebendo que eu tinha me perdido nos meus pensamentos.
- Eu estou... Acompanhada.
- Poynter, Judd e Jones? Leve-os, ué.
- SÉRIO? – não acredito. Tom era realmente perfeito. Enquanto eu estava morrendo de raiva da sua namorada e do seu novo grupinho, lá estava ele, totalmente receptível.
- , vamos?
- Vou falar com eles e te ligo em um minuto.
Desliguei e fui até o quarto. Os três já estavam vestidos, só sentados na cama em silêncio.
- Hei, vamos ao boliche?
- Quem era no telefone? – Danny retrucou, como um namorado (?) ciumento.
- Perguntei primeiro.
- Vamos então – Harry levantou e foi saindo do quarto fazendo sinal com a cabeça para Dougie acompanhá-lo, nos deixando a sós. Sentei ao lado dele sem dizer uma palavra.
- - ele começou – eu sei que você gosta dele, mas sair eu e ele juntos? Ele sabe da gente?
- Danny, calma. Você disse que ia me dar um tempo para digerir tudo isso. Se você quiser que a gente pare com tudo isso e quiser me deixar colocar a cabeça no lugar, beleza, mas você não pode querer que eu me distancie do meu amigo por isso. E o que tem vocês saírem juntos? Você iria adorá-lo. E não, ele não sabe.
Danny levantou-se e me puxou junto. Passou o braço em torno da minha cintura e juntos nossos rostos.
- Eu não quero parar com “isso”, porque ontem à noite e hoje eu estou sentindo coisas que nunca pensei que ia sentir na minha vida, mas parece que você não entende. Quer ficar do lado dele, sempre tentando eu não sei, conquistá-lo e não percebe que eu estou aqui, do seu lado.
Meu rosto estava formigando. Eu queria chorar. Acho que era a TPM, ficávamos mais sensíveis. Agora eu estava chorando, na frente do Danny, que ótimo.
Ele enxugou uma lágrima que insistiu em saltar dos meus olhos e me beijou.
- Acho que eu também vou chorar, Harry! – ouvi a voz de Doug baixinho. Paramos e rimos da cena patética que havia na porta. Dougie com as mãos no rosto e Harry segurando-se para não cair em cima dele.
- Vamos logo! – Danny disse, entrelaçando seus dedos nos meus. Corremos até o carro e Danny engatou. Peguei meu celular no bolso e disquei a chamada rápida número 1, Tom.
- Capitão Typho falando.
- Cresça, Thomas. – ri baixinho e ele percebeu que era eu no outro lado da linha.
- Venha logo, eu já estou aqui.
- Já estou... Estamos a caminho! - Então eles vêm mesmo?
- Sim, meu abacaxizinho.
- Qual foi o da fruta? To esperando, tchau!
Desliguei o celular e coloquei no bolso e percebi que eu estava RIDÍCULA.
- Podemos passar na minha casa para trocar de roupa? POR FAVOR?
E logo estávamos na porta da minha humilde residência, namorar o dono do carro tinha suas vantagens... NAMORAR????
Entrei e meus pais estavam no quintal. Dei um tchau de longe e subi. Joguei a roupa de Doug no chão e vesti uma calça skinny qualquer, tênis coloridos, uma regata branca e desci. Dei tchau novamente aos meus pais e saí.
Fomos em silêncio, a não ser pelos arrotos de Dougie e risadinhas abafadas de Harry. Tom estava na entrada, nos viu e veio em nossa direção. Danny passou o braço pela minha cintura e me puxou para perto dele, proporcionalmente à medida que Tom se aproximava.
- E aí... – Tom deu um sorriso sem graça. Não me segurei e o abracei. Senti Danny dar uma tossida em reprovação; Apertei Tom por mais alguns segundos e depois fiquei ao lado dele e fomos à pista.

(...)

Harry só podia estar de brincadeira. DUPLAS? Não sabia contar? Ele estava propondo DUPLAS.
- Doug, você é comigo, gostoso! – Harry apertou a bunda de Dougie, fazendo até Thomas rir.
- Somos cinco, babaca – tentei acabar com aquela situação tensa.
Virei e vi o rosto de Danny um pouco incomodado com a situação, sorri para ele, que retribuiu apertando a minha mão.

(...)

Ok, eu era uma idiota. Como eu fizera dupla com o Tom? Como eu deixara o Danny jogar sozinho? Eu era a pior... – seja o que eu for – do mundo.

Capítulo 7

A tarde fora um desastre. Agora, por isso, estava sozinha. Sem Daniel.
- Querida, estamos indo jantar com sua avó, quer ir? – Eu não tinha nada melhor para fazer mesmo.
- Claro, mamãe. – sorri, levantei e coloquei um vestido qualquer. Programão o meu, sábado de noite com a minha avó. Quer dizer, eu a amo, mas... Era uma situação deprimente.
Eu e meus pais estávamos a caminho da casa da minha avó, que vivia um pouco fora da cidade. Desde que meu avô morrera, ela andava um pouco solitária demais.
Olhei meu celular novamente... Nenhuma mensagem, nem ligação perdida. Chegamos a casa, jantamos e conversamos sobre um único assunto, EU.
Vovó conhecia Tom, porque ele fora o único que me ajudara a superar a dor da perda do meu avô, e ela ainda achava que eu iria me casar com ele.
- Mamãe, você não sabe! Sua neta agora tem outros amigos. – OLHA A FALA DA MINHA MÃE, ERA COMO SE EU FOSSE A EMO DA VIDA. – Três melhores amigos que não se desgrudam mais!
- Querida, se forem tão bons, bonitos e inteligentes quanto Thomas, traga-os aqui. – vovó disse, tomando mais um gole do seu chá.
- Bem, vovó, eles são ótimos. Harold, Dougie e... Daniel – ri abobalhada sem querer.
- Então, finalmente, foi o Danny que conquistou o coração da minha filha. – papai passou o braço sobre meus ombros e me chacoalhou. Ele era o melhor pai do mundo.

(...)

Já estava pronta para dormir e NENHUMA ligação. Não iria ligar, não iria ligar...

(...)

- Danny? – minha voz trêmula atravessou o celular.
- Oi, . - e eu ouvi a voz que sempre enchia meus ouvidos.
- Onde você está?
- Em casa, sozinho. Meus pais foram a Bolton, visitar minha irmã.
- A gente pode se ver?
- Claro, – animando a voz e parecendo sorrir. – venha para cá.
- Já vou então...
- Ok!
- Beijo.
- ...
- Oi!
- Eu te amo!
- Eu... Também.

(...)

Vesti uma roupa qualquer, peguei minhas chaves e saí em silêncio. Comecei a andar pelas ruas escuras sozinha.
Estava dando esperanças a ele, eu não podia fazer isso. Ele era meu amigo antes de tudo. Eu amava o Tom – tá, ele era meu amigo antes também – estava confusa, eu o queria. Queria estar com ele, beijá-lo, sentir o calor dele, mas eu amava o Tom, o menino que eu queria para me fazer feliz.
Cheguei à casa de Danny e toquei a campainha um pouco receosa. A porta se abriu e logo vieram aqueles olhos e aquele sorriso para mim. Entrei, atirei meu casaco no sofá e sentei-me lá. Ele fechou a porta e veio até mim. Abracei meus joelhos com força e ele se sentou ao meu lado e fez uma cara “e aí, e agora?” e depois uma cara de cachorro sem dono que me fez rir.
- Mesmo você sendo assim, só fazendo besteira e gostando do Thomas, eu te amo, certo? – passou os braços pela minha cintura e meio que ficando em cima de mim, me fazendo dar uma leve arrepiada.
- Você me ama tanto assim? – encarei os olhos dele pela primeira vez.
- O que você acha? – ele sorriu de lado e beijou meu pescoço.
- Me faça acreditar.

(...)

Eu o amava! Eu o amava! Eu o amava!
Eu o queria para sempre!
Era incrível que só uma noite, um punhado de palavras e alguns beijos pudessem mudar as coisas.
Ok, alguns não. Muitos.

(...)

Eu nunca fui tão feliz, tão realizada em toda minha vida. Entre eu e Danny não havia nada mais. Estávamos perfeitamente perfeitos. Não que estivéssemos namorando, oficialmente, mas era tudo tão... Sem TOM! E nisso, acabara de perceber que era a primeira vez, em semanas, que eu estava pensando no Thomas. Eu continuava meio obcecada por ele (leia-se apaixonada), mas por que não o tirava da cabeça? Agora sim, ótimo.

Capítulo 8

- Matando aula só para ficar sentada?
Ele riu e se sentou ao meu lado, passando seu braço quente em volta dos meus ombros. Logo vieram Dougie e Harry e se sentaram ao nosso lado com latinhas de cerveja. Novidade.
- Na boa, vocês me fazem matar aula e, ainda, para ficar bebendo?
- Eu acho que as intenções do Danny de matar aula são outras, hein. – disse Harry abrindo uma latinha com um grande gole, dando um arroto depois. Senti meu rosto corar. Por mais que nas últimas duas semanas eu tenha me acostumado com a ideia de estar saindo de verdade com Danny, ainda ficava constrangida quando os meninos tocam nesse assunto. Principalmente em tom de brincadeira.
Danny parecia não se importar, tanto que levantou e me puxou junto, me arrastando para longe do campo de visão deles e dando uma última piscada a eles, que riram. Fomos até uma parte abandonada do complexo do colégio, onde antigamente era o ginásio. Ele me encostou contra a parede e sorriu para mim.
Mas eu não conseguia tirar a imagem de Thomas dos meus pensamentos.
- Danny, você sabe que eu odeio quando os meninos brincam em relação a nós e você ainda dá corda, isso é realm... – e ele me beijou.
- Você é muito boba . - disse ele , com uma voz sem fôlego, mas risonha. Ele me beijou no pescoço, me fazendo estremecer. Coloquei meus braços em volta do seu pescoço e ele passou os braços em torno da minha cintura.
- Eu não estou brincando, Daniel! – fingi fazer uma careta de emburrada que o fez rir.
- O que te incomoda, hein? – roçou seu nariz no meu.
- Ah... – E minha mente se conectou a Tom sem razão.
- , me fala, o que foi? Os meninos? – Só um menino me incomoda.
Infiltrei cada vez mais profundamente nos meus pensamentos e comecei a sussurrar palavras em vão, como uma doente.
- Tom, Thomas... – a voz de Danny desapareceu dos meus ouvidos. Pensei em Tom com Lindsay, onde estariam nesse momento. Pensei como eu não ouvia a voz dele há duas semanas, como eu nunca tinha brigado com ele por mais de um dia, e agora eram mais de 15, eu nem sequer havia tentado. Pensei na hipótese dele me amar e não querer falar comigo por que eu estava ficando com Danny. E logo...
Eu não estou apaixonada por ele. Nunca estive. Estar apaixonada é o que eu sinto pelo Daniel. Aquela química, aquilo tudo que eu sentia. Aquela confiança que eu encontrava nos braços dele, aquela necessidade dos olhos dele todos os dias.
Aquilo sim era estar apaixonada.
E de repente me deparei com uma luz forte.
Pronto, MORRI.
Na verdade era Danny chutando a porta e me deixando lá, sozinha. Com razão. Levantei-me e sai correndo atrás dele. Alcancei-o e o puxei pelo braço. Ele me olhou com um rosto simplesmente indecifrável.
- O que é? – sua voz tinha mudado. Agora estava grossa e curta.
- Ah... – tentei imaginar um monte de coisas. Um monte mesmo.
- Legal. Eu estava lá contigo, puta que pariu, a gente na boa e você pensando no Thomas? De boa, eu pensei que você tinha o esquecido, mas eu estava errado. Será que você tem alguma noção do quanto eu estou apaixonado por ti? E você não pode fazer um esforço e fingir que gosta de mim? Eu sou humano também, porra, eu tenho auto-estima, eu tenho sentimentos.
- E sabe o que é mais irônico? Eu te amo mesmo.
As lágrimas quentes correram meu rosto. Então eu percebi que eu o amava cada segundo que passava. Eu só tinha uma pequena fixação pelo Tom. Eu estava tão miseravelmente apaixonada e dependente do Daniel que isso chegava a doer. Eu estava sendo uma completa idiota. Eu não podia mais suportar o olhar de desaprovação dele. Andei na direção contrária e corri para pegar minha mochila onde Dougie e Harry dormiam.
Ótimo. Agora eu estava sem rumo, sozinha e chorando.
Pensei em tantos lugares. Minha casa, claro que não, meus pais iriam perceber que eu estava faltando à aula. Comecei a andar sem rumo e parei na mesma praça de sempre. Sentei-me em um banco e abracei meus joelhos.
Porque eu estava chorando? Quer dizer, ele gostava de mim também, certo? Será que o perdi? Oh, merda.
Eu amava mesmo aquele idiota de olhos azuis. Eu me enganava e me iludia por ser mais fácil amar o Tom, mas era só um pretexto para não perceber que aquele cara maravilhoso estava ao meu lado. E agora eu estava lá, chorando sem razão. Quer dizer, ele gostava MESMO de mim, não é?
Meu celular tocou e era Harry.
- Alô? – tentei disfarçar minha voz de choro - Onde você e o Danny estão? Já fomos a tudo que é lugar e não achamos!
- Você mente muito mal! – eu podia ouvir a voz de Danny gritando “OH VELHO, PERGUNTA ONDE ELA TÁ E VAMOS LOGO!”
- Onde você tá, porra? – Dougie tomou o celular da mão de Harry com voz de irritado. E olha que ele nunca ficava irritado. Só quando o acordavam com barulho.
- Eu posso falar com o Daniel, Dougie? – tentei fazer uma voz calma, sem sucesso.
- , eu preciso te ver, é sério. – sua voz parecia ansiosa.
- Danny, o que eu te falei, er... É sério, e acabo de me dar conta disso...
- , eu preciso te ver, não quero ouvir isso com briga ou por telefone. Onde?
Eu dei uma fungada. Ele não iria fugir. Por que eu estava chorando? Por que eu tinha corrido? Por que esse tempo todo eu não me dera conta do quanto ele era importante para mim? Eu só prendia o Tom na minha cabeça porque tinha medo de perdê-lo. E isso nunca esteve tão claro como agora.
- , não me ignore mais uma vez, eu imploro. – a voz de Danny atravessou a linha.
- Hãm... Pegue o carro e me encontre na frente da YAH, tá? – me levantei, enxuguei minhas lágrimas e com a mão livre peguei minha mochila.
- Em 5 minutos. – e desligou. Até desligando na minha cara eu o amava.
Andando sozinha, nas ruas vazias, seguia até o YAH. Eu o amava de forma diferente. Era um sentimento novo e totalmente auto-destrutivo. Comia-me por dentro de ansiedade e agonia, mas me deixava leve. Eu não me importava em mudar para agradá-lo, no fundo eu sabia que ele me entenderia. Eu estava segura pela primeira vez na minha vida.
Cheguei na porta do YAH que era perto de onde eu estava. Sentei-me no meio-fio e peguei meu celular no bolso. As fotos, Danny agora era tão presente e eu me apaixonara por ele, como ele esperara, como ele prometera. Fazia pouco mais de sete meses que eles haviam entrado em minha vida e tudo estava bagunçado. Comecei a analisar minha vida.
Meus pais estavam felizes desde que a carta da Oxford havia chegado em casa, a convite para matrícula e visitação. Eu realmente queria ir para a melhor universidade do Reino Unido, queria mesmo. Já me imaginava alguma coisa importante na área de saúde. Mas agora com Danny, Hazz e Doug... Eles não entrariam na Oxford, talvez Harry, mas não Danny. Tom já tinha recebido a carta desde a última visita que fizera, há um tempo.
- A gatinha quer uma carona? – o vidro do carro abaixou e Dan apareceu. Entrei no carro e sentei-me ao seu lado. Ele engatou e ficamos em um silêncio profundo. Continuei mexendo no celular e vendo as fotos e mensagens. Logo após uns 20 minutos, estávamos no mesmo lugar em que ele dissera que estava apaixonado por mim. Os olhos dele grudaram em mim.
- Sim, – ele parou o carro calmamente. – repita.

Capítulo 9

- Eu te amo – sorri abobalhada. Ele me beijou.
E lá estávamos nós. Felizes e juntos. Algo vibrou em meu colo. Não. Meu celular. Danny ouviu o toque, parou, afastou-se e fez um sinal com a cabeça para eu atender. Saí do carro e atendi o telefone meio ofegante.
- Alô?
- , hei.
ÓTIMO. Tom me ligando.
- Oi, Tom!
- Você tá lembrada da nossa visitação a Oxford, não é? Lembra que nossos pais marcaram juntos?
Merda. É mesmo.
- AAAH, claro, vamos, né?
- Meus pais acabaram de ligar para os seus. Vamos no carro do meu pai. Passamos na sua casa às 10h da manhã, ok? É uma viagem de umas 3 horas.
- Ah, tá bom. Obrigada por me lembrar!
- Você tá doente?
- Não, por quê?
- Você faltou à aula.
- Eu meio que... Matei.
- E depois diz que o Daniel te faz bem. Tchau.
E desligou. Virei para voltar ao carro e vi Danny fora dele, sentando no capô.
- O que você ouviu?
- O bastante para saber que o Thomas te ligou e que vocês vão fazer algo importante.
- Visitação de faculdade.
- Qual? – ele parecia um pouco aborrecido. Um pouco?
- Oxford.
- Longe, hein. A melhor.
- É, mais eu volto amanhã mesmo.
- E por que juntos? – Aí sim ele estava aborrecido.
- Nossos pais marcaram juntos.
- Ah, tá.
- Você passou em alguma universidade, Danny?
- Há uns três meses. Já fomos fazer visitação e matrícula. Eu, Hazz e Doug.
- Eu posso saber qual?
- Oxford. – ele fez uma cara irônica e eu sorri sem perceber.
- Mas... Suas notas...
- Eu não posso prestar atenção à aula, mas estudo.
- Dougie?
- Por que você acha que ele não mostra as notas de Física dele? Ele gabarita tudo.
- E você vai fazer curso de que? – sorri, chegando mais perto dele.
- Administração – eu TIVE que rir. Danny? Administração?
- Ah, qual é, Daniel!
- Eu tenho que fazer, meu pai me obrigou!
Eu não tinha tocado nesse pequeno assunto. A família Jones era um pouco – leia-se muito – rica.
- E você? Vai fazer o que? – ele sorriu, passando os braços em torno da minha cintura.
- Eu queria fazer Música, só que meus pais nunca deixariam! Eu vou fazer Medicina.
- Harry também! Doug vai fazer Física, dá pra acreditar? – ele me puxou para perto dele e beijou meu pescoço.
- Uau! Eu e Hazz colegas!
- E... Thomas? Vai fazer o que?
- Letras e Literatura.
- Isso é coisa de gay.
- Não é.
- É e ponto. – ele me beijou. Mas nunca tinha sido assim. Estávamos... Seguros. Eu não sei, era diferente. Era como precisar dele.
- Eu te amo. – foi a única coisa que eu pude dizer ao perdemos o fôlego, ele precisava saber disso.
Ele sorriu e passou as mãos no meu rosto. Estavam muito, muito quentes.
- Eu também... Muito. – e sorriu mais uma vez.
- Acho melhor irmos, já são 16h e minha mãe vai enlouquecer.
Soltei-me dos braços dele com dificuldade e abri a porta do carro. Ele beijou minha mão que ainda estava na dele e entramos no carro. Mais uma vez eu fechei os olhos e estava na frente de minha casa.
- Por acaso você voa?
- Por quê? Você dormiu, !
- O que?! Eu não dormi! – e fiz uma careta.
- Dormiu e ainda roncou! – sorriu e passou a mão quente no meu rosto novamente.
- Depois dessa eu vou entrar. – Te vejo domingo?
- Sábado de noite eu vou estar já te esperando na porta de casa.

(...)

Capítulo 10

Bom dia, sol! Bom dia, nuvens! A minha vida era tão linda, não era? Eu e Danny nos dando muitíssimo bem, visitaria a faculdade dos meus sonhos com meu melhor amigo, até onde eu sabia... Era melhor levantar e ir tomar café.

(...)

Lá estava eu, deitada na sala esperando a família Fletcher.
A campainha tocou, meu pai levantou devagar e foi até a porta.
- Ei, queridas, vamos!
Levanto-me rapidamente e tento desamassar minha roupa. Sim, minha mãe me mandou colocar uma roupa... Arrumada. Um pulôver cinza, uma camisa social por dentro e uma calça preta justa, mas, claro, com meu all star branquinho e... LAVADO. É, mamãe gosta de me dar sustos.
Tom sorri e vem a meu encontro. A roupa dele também tinha sido escolhida pela mamãe. E ele tinha cortado o cabelo. Tinha trocado sua velha franja jogada de qualquer jeito por um topete anos 50, e estava ótimo nele, ficaria uma porcaria em qualquer outro, mas perfeito nele. Ó, raiva... Ele estava com uma pólo de marca, um jeans escuro, quase preto e sapatos sociais.
- EEEEEEI, , você ta parecendo a senhora Collins. – ele disse, entre risos ao me olhar de baixo pra cima.
- Fale mais uma vez isso e vai desejar nunca ter nascido!
Assim, nunca tínhamos brigado, por ele.
Entramos no carro, meus pais no banco do meio, os pais de Tom no banco de motorista e carona e eu e Tom no fundão, como sempre gostávamos, quase na mala. Começamos a conversar sobre a faculdade, era uma viagem praticamente.
- E... O que vai fazer quando formos para Oxford? Os seus... Amigos.
- Eles vão para Oxford também. – E o queixo de Tom caiu.
- Como assim? Eles não eram, sei lá, perdidos?
- Ah, não, não... – tentei ser natural, tipo “ah, eu já sabia, estava escondendo com eles”. - o Doug é um gênio da Física, Danny vai por indicação da empresa dos pais dele, Direito, Harry foi chamado para representar o futebol, mas vai fazer Medicina lá.
- Então... Não vamos nos livrar deles? – ele tentou rir, mas parecia que falava sério.
- Acho que ainda não! – tentei parecer engraçada também.
- Enfim... – Tom abaixou o tom de voz. – você e o Jones, hein?
- É... – eu tenho certeza que fiquei vermelha, meu rosto estava ardendo.
- Eu acabei com a Lindsay, ela disse que não queria que eu voltasse a falar contigo, aí brigamos e decidimos acabar logo, você sabe, ela talvez repita o último ano, e acho que nem eu nem ela íamos agüentar ela ainda no terceiro e eu na Oxford!
- Ela vai repetir? – eu TIVE que rir.
- Não ri, , coitada! – ele bateu no meu braço e riu junto.
- Desculpe, desculpe... – peguei o folheto da faculdade no meu bolso e começamos a analisar o mapa.
- Nossos dormitórios vão ser juntos, eles sempre colocam gente da mesma escola perto, mas eu to preocupado com você, sem nenhuma menina para dividir, será aleatoriamente!
- Não se preocupe comigo, eu me viro, enfim, olhe os prédios, são separados por área, exatas, humanas, ciências, tecnologia e esportes.
- Deixe-me ver, – tomou o folheto da minha mão. – eu, nas humanas, Dougie nas exatas, quem diria, você e Harold nas ciências, onde fica Direito? Humanas?
- Acho que sim, heeeeeein...
- Só me falta dividir o quarto com ele... – e ele não parecia feliz com isso.
- Sabe de mais alguém que vá para lá?
- Ainda não, mas acho que ninguém que a gente conheça!
- Que saco, grrrrrr. Mudando de assunto, você acabou de ver minhas temporadas de That’s 70 Show? Eu quero ver tudo de novo!

(...)

Chegamos, AI MEU DEUS, era PERFEITO aqui, as pessoas espalhadas pela grama verde, os prédios de tijolos antigos, as pessoas correndo nos campos. Estacionamos na frente de um prédio imponente com letreiros grandes “REITORIA”. Saltamos e eu fui para perto dos meus pais e Tom dos dele. Entramos no prédio e uma secretária nos dirigiu a uma sala ampla e pouco iluminada, com um velho de ar simpático sentado atrás da mesa. Ele tinha um pouco mais de 70, cabelos brancos e ralos e se vestia bem.
- Vocês devem ser a família Fletcher e , olá, olá! Sentem-se, por favor, posso servir alguma coisa? Eu sou o reitor Meyer, e vou mostrar toda a estrutura e como tudo funciona.
Nossos pais se sentaram nos sofás ao lado e nos fizeram sentar na cadeira de frente para o reitor.
- Devem ser Thomas e , olá, olá! Estão animados para vir logo?
- Ah, claro. – sorri, envergonhada.
- Reitor, você sabe de outras pessoas do nosso colégio que vem para cá no mesmo semestre? – disse Tom, em uma voz despreocupada.
- Ah, sim, claro, claro, – cara, ele precisava parar com a cafeína. – tenho tudo anotado! – num pulo, o reitor levantou-se e foi até um armário cinza e pegou uma pasta, sentando-se novamente.
- Hãm, deixe-me ver, Harold Mark Christopher Judd, Juliet Christine Caputto, Robert Joseph McCartney, James Elliot Bourne, Dougie Lee Poynter, Mary Jane Jackson, Daniel Alan David Jones, Francesca Sandford, algum nome familiar?
- Sim, meus amigos virão também. – sorri e ele retribuiu.
- Extraordinário, querida! Vamos visitar nossos dormitórios, sabem como eles são espalhados, certo?
- Hãm... Não. – Tom disse, sem graça.
- Bem, vamos que eu explico no caminho. Esta parte não deve interessar muito aos seus pais, que tal o Sr. e a Sra. Fletcher juntos com o Sr. e a Sra. irem até a vice reitora, Srta. McPhil para completarem seus cadastros?

(...)

(...)

Eu preciso morar aqui, é uma questão de precisar. As salas de estudo, os dormitórios, as salas de convivência, até os banheiros... É tudo necessário. Os dormitórios eram separados por semestre – ficaríamos com novatos, como nós, e com os prédios da última turma que estava se formando. Eram aleatórios, recebíamos os nomes ou escolhíamos os nomes dos colegas de quarto e íamos ocupando, eram prédios diferentes para feminino e masculino, mas tinha grandes salas de convivência e uma praça enorme no centro.
- Todos os prédios têm conexão um com o outro por corredores, e também aos anexos! – o reitor falava mais rápido do que pensava, com certeza.
- Anexos? – Tom estava interessado em tudo, tudo mesmo.
- Ah, claro, claro! Os anexos são as salas de música, biblioteca e todas essas coisas maravilhosas, claro! E o refeitório, claro, claro... Há vários refeitórios espalhados pelo campus, servindo junk food com aquelas máquinas que vocês adoram. Os intervalos entre as aulas são no meio da manhã, no horário de almoço e no meio da tarde, as aulas começam às 8h da manhã e termina às 16h, alguma pergunta?
- No folheto mostra que os prédios das aulas são separados por áreas...
- Certamente, senhorita! Nosso campus é um círculo, em sentido horário: humanas, ciências, exatas, tecnologia e esportes. Mas a área de esportes é liberada a qualquer aluno que queira praticar esportes, claro, claro!
- Ei, ouviu, nossos prédios são juntos! – Tom disse em tom baixo, cutucando meu braço – parece tudo perfeitamente explicado, reitor Meyer! – Tom prosseguiu, virando-se para o reitor, que andava mais a nossa frente.
- Ah, ótimo, ótimo, alguma pergunta? – virou-se para nós e parou.
- Não. – sorri gentilmente.
- Ótimo! Vamos voltar ao meu escritório, preciso de um copo d’água.

(...)

Já estávamos voltando para casa. Estava anoitecendo e a estrada ia ficando alaranjada ao pôr-do-sol.
- Ansiosa? – Tom olhou para mim, tirando os sapatos.
- Claro, me livrar daquela escola idiota... – minha mãe virou-se para mim e olhou-me com aquele olhar reprimindo pelo palavreado e virou-se de novo.
“I wake up every evening with a big smile on my face...”
Tirei o celular do bolso e vi no visor: DANNY. Vi que estava sorrindo abobalhada sem querer e atendi.
- Alô?
- Já chegou? Já chegou? Já chegou?
- Acabei de sair da faculdade, chego aí em pouco tempo!
- Vem aqui pra casa direto, Doug e Hazz estão aqui, e estão dizendo que estão morrendo de saudades, estão até chorando!
Ri abobalhada.
- Não, né, Daniel, eu tenho que ir para casa, peraí.
Cutuquei minha mãe e ela virou-se mais uma vez.
- Mamãe, linda do meu coração, dona da minha vida, posso ir para casa do Daniel depois de tomar uma banhinho e um jantarzinho com você e papaizinho lindo?
- Tudo bem, claro, só acho bom você voltar antes das 11h. Por que você não leva o Tom? Ele conhece os meninos? Umas graças eles, Tom!
- Quer ir, Tom? – eu sabia que a resposta ia ser não.
- Ah... Que tal vocês irem lá para casa? Meus pais vão a uma peça de teatro agora, não é, mããããe? – Tom gritou para mãe que respondeu positivamente. Eu coloquei o telefone no ouvido de novo, sem reação.
- Você ouviu, Dan?
- Ahãm, e nós vamos.
- Meninos são estranhos, tchau.
- Eu te amo – e eu ouvi Doug rindo, e um estrondo, talvez Hazz batendo nele.
- Também! – e desliguei.
- Eu não estava brincando, vocês vão mesmo, não é?
- Eu não acredito, você nem gosta deles. – eu ainda estava incrédula.
- Já que vamos ter que te dividir e dividir a mesma faculdade é bom que eu comece a conviver com eles.
- Você é o cara mais legal do mundo! – disse, abraçando-o.

(...)

A família Fletcher havia nos deixado na porta de casa. Entramos e fui direto ao meu quarto, e corri para entrar no banho, enquanto meus pais estavam preparando algum jantar rápido.

(...)

Desci depois de uma hora, mais ou menos, eu tinha tomado um banho bem, bem demorado e, ok... Eu demorei para escolher a roupa, eu não queria parecer arrumada nem a desajeitada de sempre. Eu estava com meu melhor jeans skinny, meu all star amarelo, uma camisa em gola V branca LIMPA e um moletom listrado preto e branco justo. Fui à sala e me deitei no sofá, esperando o jantar.
- Querida, aqui fora! Seu pai fez hambúrger!
Tá bom, eu saí correndo. Meu pai nunca cozinha, mas quando ele faz alguma coisa, vale à pena a espera. Sentei-me à mesa de madeira que ficava no quintal e minha mãe me serviu meu poço pessoal de calorias que, com certeza, eu me arrependeria depois.

(...)

Lá estava eu, na sala novamente, com a cabeça no colo do meu pai, assistindo TV, esperando algum sinal de vida de alguém.
E finalmente meu celular tocou, nem vi quem era e atendi.
- Saia! – e a voz engasgada de Doug atravessou a linha e desligou.
Dei um beijo nos meus pais e saí de casa. Lá estavam Doug, Danny e Harry, encostados no carro de Danny. Fui ao encontro deles em um pulo nos quatro degraus que nos separavam. Abracei os três e entramos no carro.
- Você não está nem um pouquinho cansada da viagem? – Harry debruçou-se na fenda do banco do motorista e carona.
- Não, eu acho, hum. E vocês fizeram o que o dia inteiro?
- Envolve videogames e cuecas – Doug passou os braços em volta do meu banco, como um abraço pelas costas e... Arrotou no meu ouvido. Ha Ha Ha.
- Não gosto de imaginar a cena. Enfim, POR QUE ESTAMOS INDO PARA A CASA DO THOMAS? – eu tinha que perguntar isso.
- Ué, ele não é seu amigo? – Danny abriu a boca pela primeira vez, dando aquele sorriso lindo dele.
- É, mas... Vocês não gostam dele.
- Não confunda “não gostar” com “não conhecer”. – Danny falou sem tirar os olhos da rua. Por algum motivo Danny me fez sentir como Bella, de Crepúsculo, e ele o meu Edward.
- E, além do mais, ouvimos dizer que ele tem a coleção completa de tudo de Star Wars. – Harry falou com brilhos nos olhos.
- Não me digam que vocês gostam daquela porcaria! – e eu pensando que só tinha que agüentar Tom com toda essa porcaria de Guerra nas Estrelas.
- Porcaria? STAR WARS FOI UMA REVOLUÇÃO NO MUNDO! – Doug falou, com uma voz de ofendido.
- Primeiro: quem falou isso a vocês? Era um segredo dele! E, segundo: é uma merda SIM.
- AAAH, sabe, andamos conversando com as amigas da Lindsay... – Harry sorriu – belas garotas, belas garotas. Eles acabaram e ela ficou bem irritada e espalhou uns segredinhos do Thomas entre elas, coisa de menina, tipo que ele gosta de ficar em casa assistindo Back to the Future tomando sorvete de morango aos domingos à tarde.
Tipo, só eu e os pais dele sabíamos dessas coisas. E ele tinha contado tudo a Lindsay. E agora, certamente, a escola sabia.
- Chegamos. – Danny saltou do carro e fizemos a mesma coisa. Ele passou o braço sobre o meu ombro e disse no meu ouvido “podemos conversar depois de sairmos daqui?” e eu respondi positivo com a cabeça. Harry saiu na frente e tocou a campainha de Tom, o qual apareceu com calças de pijama xadrez e uma camisa já desgastada escrito Back to The Future, ele gostava MUITO desse filme, mesmo.
- Ei, entrem! – Tom deu espaço e nós quatro entramos. Ele nos guiou até o quarto dele – como se eu não soubesse onde era – e fez sinal para entrarmos.
Dava para ver que os meninos estavam sem graça. Sentei na cama de Tom e peguei um travesseiro, enquanto Tom se sentava na cadeira do computador. E eles continuavam em pé. Eles estavam em uma área desconhecida.
Tom era totalmente diferente deles, era um nerd por trás de tudo. Seu quarto era cheio de bonequinhos de desenho animado e pôsteres de filmes antigos, com vários jogos de videogame espalhados pelas prateleiras, uma guitarra vermelha ao canto que ele tocava raramente, e uma escrivaninha cheia de livros antigos. - Você gosta mesmo de videogames, hein? – Harry estava estupefato com tantas fitas e CDs de videogame. – Posso dar uma olhada?
- Ué, claro, senta aí na cama e dá uma olhada! Os melhores são os da direita! Harry deu um pulo e foi até o primeiro da direita.



CONTINUA


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