Direction Mansion

Autoras: Emy e Isa
Status: Em Andamento
Revisada por: Isa
Categoria: One Direction
Sub-Categoria: Comédia/Romance - LongFic



01. When Everything Change


São Paulo, 20h48min


quase tropeçou em seus próprios pés quando saiu correndo de casa, ainda não acreditando no que havia lhe contado. Já era de noite, ela estava de pijamas no conforto da sua casa e a única coisa que deu tempo de fazer foi colocar a primeira roupa que encontrou pela frente e uma sapatilha velha que estava praticamente virando chinelo. Agradecia mentalmente que havia se lembrado de pegar sua bolsa com seus documentos e o celular dentro, senão não sobreviveria pelas ruas de São Paulo.
Desceu as escadas do metrô correndo, praguejando a melhor amiga por morar quatro estações longe de sua casa. Mas se o que havia lhe contado na ligação fosse verdade, isso iria mudar em pouco tempo.
Contornou as centenas de pessoas e entrou no metrô antes que a porta se fechasse com ela no meio. Comemorou que havia um lugar vago e não era preferencial, o que significava que ela poderia respirar um pouco. Sentou-se de uma vez, suspirando profundamente e pegando o celular dentro da bolsa. O visor avisava que havia uma nova mensagem de .

"VEM LOGO, SENÃO EU VOU MORRER."

rolou os olhos e sorriu, clicando para responder a mensagem. A primeira estação tinha acabado de ficar para trás.
"Vai nada, você não ia conseguir ficar sem mim. Tô chegando." Clicou em enviar e então percebeu que não havia sinal. Lógico que não tem sinal, você está embaixo da terra, pensou. Bloqueou o celular e o segurou em mãos, balançando a perna em movimentos repetitivos, ficando nervosa por estar embaixo da terra e sem comunicação. Imaginou como é que as pessoas que não tinham celular ou que moravam isoladas da civilização sobreviviam. Quando percebeu, já havia passado da terceira estação e levantou-se rapidamente, ficando na porta esperando. Passou as mãos pelos cabelos, olhando seu reflexo na porta do metrô, vendo que pelo menos a blusa e a calça que usava não eram as piores do seu guarda-roupa. E nem o seu pijama. A voz que avisava a próxima estação ecoou pelo vagão, fazendo com que o coração da garota acelerasse e ela sorrisse também. Assim que a porta abriu, saiu correndo sem pensar duas vezes, conseguindo chegar à rua rapidamente. Enquanto andava a passos largos, enviou a mensagem que já havia escrito para , entrando na rua da garota e voltando a correr. Assim que avistou sua casa, atravessou a rua, quase sendo atropelada por um fusca. Nem pra morrer com classe, . Tocou a campainha três vezes e segurou nas grades do portão. Uma de pantufas do Frajola apareceu na porta da sala, correndo para abrir o portão.
- Que cena maravilhosa, queria ter uma câmera agora! - zombou , vendo lhe mostrar o dedo do meio. - Fofa.
- Já te vi em situações piores, não começa a falar mal das minhas pantufas. - mostrou a língua, entrando na casa assim que o portão foi aberto. Abraçou ao cumprimentá-la e foi em direção à porta da sala, onde era possível ouvir a TV ligada.
- Então, me conta melhor a história para ver se eu entendi direito. - Sentou-se no sofá com os pés em cima do mesmo, deixando a bolsa de lado e pegando uma almofada para colocar em seu colo. sentou-se ao seu lado assim que trancou a porta da sala, olhando sorridente para a amiga.
- Tô rica. - as duas começaram a rir. ficou séria e entendeu que era pra falar sério agora. - Lembra da minha avó, mãe da minha mãe, que se mudou para Londres com o namorado quando eu era bebê? - assentiu - Pois bem, eu fui para lá visitá-la algumas vezes-
- As quais você quase morreu do coração porque acreditava que a casa dela era mal assombrada. - completou .
- Isso, isso mesmo. Enfim, e depois que o meu vodrastro morreu e que nenhum neto mais ligava para ela por ela estar longe, eu fui a única que continuou mantendo contato. - olhava atentamente para a amiga, torcendo uma das pontas da almofada em seu colo. - E bom, eu te falei semana passada que ela faleceu. Quando foi hoje de manhã, eu recebi uma carta da Inglaterra com uma documentação, onde dizia que aquela mansão que minha avó morava, agora era minha.
- Tá, mas como você sabe que isso é verdade e não é um daqueles golpes que a gente recebe mensagem no celular, dizendo que ganhamos o Avião do Faustão e no fim temos de comprar vinte recargas de celular para um presidiário? - começou a rir e levou um tapa de - É sério, eu prezo pelo seu bem!
- Eu também pensei nisso, por isso liguei para o meu tio que é advogado, sabe? - Aquele que é pai do seu primo? - olhou incrédula para , que mantinha a expressão normal. - Que foi?
- Se é meu primo, , óbvio que é filho meu tio. - disse como se fosse óbvio e então percebeu o que havia dito, começando a rir.
- Ah, desculpa, eu não concluí a frase! - respirou profundamente - Aquele que é pai do seu primo que eu acho bonito.
- Qual dos? - ergueu uma das sobrancelhas e abriu a boca algumas vezes para responder, desistindo.
- Esquece, continue a contar. - rolou os olhos.
- Então, eu falei com ele e pedi para ele ligar e averiguar se a documentação estava correta e era confiável. E ele me certificou que está tudo certo e que eu posso usufruir da herança assim que eu quiser! - pulou no sofá - Não é demais, ? Agora só falta você responder a minha proposta!
- Ok, deixa eu assimilar as coisas. Você quer que eu vá morar com você na Inglaterra em uma mansão, largue meu emprego miserável e tranque a matrícula na faculdade para começar outra lá?
- Isso! Então, o que me diz?
- Mas é óbvio que eu vou, . O que eu tenho a ganhar ficando aqui?
- Nossa, que sem coração. - recebeu um soquinho de . - Mas sério mesmo que você vai? - disse com os olhos brilhando de empolgação.
- Verdade verdadeira! Só preciso informar meus pais, avisar no emprego, trancar a matrícula na faculdade, comprar roupa de frio, comprar umas malas gigantes, cortar o cabelo e comprar Guaraná.
- Comprar o quê?
- Guaraná, lá não tem e eu não posso ficar sem! - começaram a rir e deitaram no sofá, uma para cada lado.
- Parece mentira, . Isso realmente está acontecendo? - perguntou , balançando o braço caído para fora do estofado.
- Não sei, mas tomara que sim, porque agora eu quero muito ir. - soltou uma risadinha, jogando a almofada para cima.
- Ai, ai. Casa em Londres nós já temos. Só falta um emprego legal e ser amiga de alguns britânicos...
- Você quer dizer: Ser amiga do One Gayrection. - riu da própria piada porque sabia que ficaria irritada.
- Cala a boca, ! Já começaram as piadinhas com meus meninos. - rolou os olhos e agradeceu por estar longe do alcance dos braços de para não levar um soco.
- Ok, mas é inevitável.
- E nem vem porque você vive cantando "What Makes You Beautiful" por aí.
- Ficar cantando é uma coisa, querer o corpo nu dos cinco ao mesmo tempo é outra completamente diferente, ok? - tirou a pantufa do pé e jogou no rosto de .
- Tira esse chulé daqui! - jogou a pantufa do outro lado da sala - Tem coisa pra comer, aí? - levantou-se do sofá e ignorou a amiga, pegando a pantufa e indo para a cozinha. - Falei com você, ignorância! - gritou e não obteve resposta. - Se ela não respondeu, é porque tem comida. - disse para si mesma e levantou-se também, indo atrás da amiga. Se elas já eram assim não morando juntas, imagina dentro de uma mansão o que poderia acontecer.

××

Algumas semanas depois - Inglaterra, 06h17min


suspirou, abrindo os olhos quando sentiu a oscilação do avião indicar que estavam pousando. Olhou pela janela e viu um novo dia nascendo, e aquele dia era um dia especial. Um amanhecer em Londres! Deixou um sorriso escapar dos lábios, apanhando seu celular e tirando uma foto da visão que tinha naquele momento.
Olhou para o lado para fazer algum comentário com , e encontrou a amiga dormindo agarrada com o seu bichinho de pelúcia, o vaqueiro Woody. Se pensou no Woody de Toy Story, seu palpite foi certeiro. riu porque percebeu que a amiga estava com a boca levemente aberta e, sem perder a oportunidade - porque sabia que faria a mesma coisa, se estivesse no seu lugar - tirou algumas fotos dela. Depois de guardar o celular seguramente na bolsa, cutucou , que acordou num pulo.
- ESTAMOS CAINDO, MEU DEUS, ADEUS VIDA!
assustou-se e deu um grito, chamando a atenção de alguns passageiros e da aeromoça que passava pelo corredor. Sorriu como se pedisse desculpas, dando um tapa no ombro de .
- Já vai começar a pagar mico em terras britânicas? - disse brava, mas querendo rir. Suas bochechas estavam quentes. - Olha o vexame!
- M-mas, ma-mas você, você...
- Pára de cantar Lady Gaga e levanta a bunda daí, já chegamos!
- Você é má, . - comentou, mas fazendo o que a amiga tinha pedido educadamente. - Muito má.
Apanharam suas bagagens de mão e seguiram o fluxo de passageiros que desembarcavam. fazia comentários alheios sobre as pessoas que passavam por elas no aeroporto e complementava.
Pararam para tomar um café na Starbucks, gratas por não terem que lidar mais com a comida com gosto de plástico que serviram no avião.
- E agora, o que vamos fazer? - perguntou para , enquanto mordia sua torta. olhava alguns papeis e mapas que colocara sobre o balcão. - A casa da sua avó é muito longe daqui?
- Pelo que eu me lembre não.
- Temos dinheiro para pagar um táxi, né? Porque eu realmente não estou a fim de andar de ônibus logo no primeiro dia! - comentou um pouco rabugenta. riu. - O que? Você acha que iríamos conseguir andar com quinhentos mil quilos de bagagem?
- Relaxa, nós vamos pegar um táxi! - Terminou de ver as anotações e rabiscou o endereço da nova casa delas e pagou o lanche. - Vamos nessa?
concordou com um enorme sorriso, saindo na frente empurrando o carrinho com suas malas. observou o seu carrinho, não sabendo qual das duas tinha mais bagagem e divagou se caberia tudo num carro só.
Com cuidado e certa dificuldade, as duas conseguiram alcançar o lado externo do aeroporto, localizando táxis próximos a saída.
Um senhor muito simpático atendeu as amigas, ajudando a colocar as malas dentro do carro. Por pouco não deu. entregou o pedaço de papel com o endereço, agradecendo novamente pela ajuda.
No caminho, tirava fotos da paisagem e de . Até uma foto do senhor de bigodes engraçados ela tirou.
- Isso é realmente incrível! - comentou, olhando para a paisagem. - Nem em todos os meus sonhos eu pensei que Londres pudesse ser tão magnífica!
- Espera só até você ver a nossa casa!
sorriu ao reconhecer o caminho; de um lado, campos que se perdiam da vista com um agrupamento de casas aqui e acolá, ora ou outra um emaranhado de árvores apareciam também. Do outro, era possível ver bem distante, um pedaço do oceano. sempre achou aquele lugar mágico.
Por fim, depois de uma curva sinuosa, a pequena vila onde a casa de sua avó - ela tinha que se acostumar a chamar aquele lugar agora de sua casa - se localizava apareceu no horizonte.
- Estamos chegando! - O senhor anunciou e pediu que ele repetisse. Gostava do sotaque britânico. também gostava, mas naquele momento estava se perdendo em lembranças da infância. - E... Chegamos.
O táxi parou numa rua de pouco movimento, com casas bem afastadas umas das outras. e desceram do carro, procurando pela casa.
- E então, cadê a mansão de que você tanto me falava?
- Não pode ser... Deve estar havendo algum engano. - franziu as sobrancelhas, olhando em volta e reconhecendo o lugar. Só não reconhecia a casa que deveria ser majestosa. - Esse é o lugar certo, mas... Não é essa a casa.
apontou para a construção acabada, e não pôde conter um murmúrio de desaprovação. As janelas dos três andares estavam sujas com o acúmulo de poeira e era quase impossível enxergar alguma coisa do lado de dentro. A pintura vermelha estava descascando e havia muitas plantas mortas no jardim.
Se já tinha medo antes, agora estava apavorada.
- Caramba. - comentou, coçando a nuca. - Quero dizer, caramba.
- É, eu sei. Isso tá destruído!
- O que vamos fazer agora? - perguntou deixando com que uma das malas escorregasse por seu braço até o chão.
- Acho que não temos muitas alternativas a não ser entrar. - sorriu sem graça e deu um passo em direção à porta de entrada. pagou o taxista e, com a ajuda dele, tirou todas as malas de dentro do pequeno carro preto, vendo que a amiga já estava no degrau da porta.
- Muito obrigada, tenha um ótimo resto de dia. - agradeceu ao taxista e pegou duas malas de rodinhas, andando até . - E então, não vai abrir, corajosa? - zombou e resolveu ignorar, colocando a chave na fechadura e girando-a. Após alguns estalos que deram a impressão de que a casa desmoronaria, a porta foi destrancada. olhou no mesmo instante para , que ergueu as duas mãos na defensiva. - Nem vem, eu não vou primeiro. A avó era sua, se era algum tipo de bruxa, vampira ou macumbeira o problema não é meu!
- E aquela história de melhores amigas, onde você não deixaria que nada de ruim acontecesse comigo? - fez drama.
- Agradeça que eu estou aqui do seu lado, porque eu já reparei que mais atrás tem uma árvore que eu poderia muito bem estar escondida atrás, ok? - bufou - Abre logo essa porta! - fazendo o que sua amiga havia lhe pedido gentilmente, girou a maçaneta e esperou que morcegos, ratazanas, baratinhas e companhia saíssem de lá.
- Estamos vivas ainda? - disse agachada atrás de uma das malas. olhou aquela cena e não aguentou segurar o riso, em partes era um riso de nervoso.
- Estamos sim. E parece que as coisas não estão tão ruins dentro da casa. - parou para analisar a casa por dentro. Deu mais alguns passos, entrando finalmente. Apesar de estar um pouco escuro por conta de todas as janelas estarem fechadas, a decoração ainda parecia ser a mesma desde a última vez que estivera lá: Antiga e horripilante, com um toque sutil que caracterizava aquele lugar como "casa de vó".
- Nossa, hein, imagina se estivesse muito ruim! - disse irônica ao avançar um pouco para dentro da casa, ainda agachada atrás da mala de rodinhas.
- Levanta daí, ! - ainda receosa, levantou-se, porém permanecendo atrás da mala. - Da última vez que eu vim aqui, as coisas estavam nos mesmo lugares que estão agora. - caminhou pela sala, tocando no bar rústico que havia logo ao lado da porta. - Só que com um pouco menos de poeira. - passou a mão pela superfície de madeira e uma camada espessa de pó ficou em suas mãos.
- Parece que vamos ter um trabalho e tanto para limpar essa casa enorme. - disse olhando ao seu redor. A sala já era imensa, com um conjunto de módulos gigantesco ao centro. Também era possível enxergar a sala de jantar logo ao lado e uma passagem que dava para a cozinha. Do outro lado do ambiente, uma grande porta de madeira estava fechada e, ao centro da sala, uma grande escadaria com um tapete sujo levava ao andar de cima. - Quanta madeira para uma casa só. - rolou os olhos.
- Alguns comentários você poderia deixar guardados no seu cérebro e não compartilhar com ninguém, . - mostrou o dedo do meio para e riu logo em seguida. - Bom, vamos trazer as malas aqui para dentro antes que nos roubem. Temos muito trabalho pela frente. - concordou e saiu da casa logo atrás de . Duas malas já estavam dentro de casa, junto com suas mochilas, só faltavam mais duas com rodinhas e outras três de mão. Isso porque foi um sacrifício ter de deixar algumas coisas para trás no Brasil.
- Vou pegar a última mala! - gritou para , que olhava atentamente para alguns porta-retratos na mesa lateral do conjunto de módulos. Assim que saiu da casa, viu um garoto correndo do outro lado da rua, escondendo-se atrás de um carro. Pensou que provavelmente ele deveria ter se metido em confusão e estava fugindo de alguém. continuou caminhando pelo gramado baixo e um pouco sujo, tendo sua atenção direcionada a outro garoto correndo, escondendo-se junto com o primeiro. A garota parou de andar assim que alcançou a mala, colocando suas mãos na cintura e franzindo a sobrancelha. Eles pareciam ter sua idade e, se não tivessem cobertos por toucas, capuzes dos casacos que usavam e óculos de sol, poderia dizer que seus rostos não lhe eram estranhos. deu de ombros e, assim que se abaixou para pegar a mala, ouviu alguns gritos ao longe. Levantou-se na mesma hora e viu que os dois garotos estavam olhando para o final da rua desesperados.
- Vocês precisam de ajuda? - perguntou vendo a preocupação estampada no rosto deles. Os garotos se entreolharam e acenaram para mais três que se aproximavam correndo, juntamente com os gritos que ficavam cada vez mais altos.
- Precisamos de um lugar para nos esconder. - o mais alto dos dois perguntou com um sotaque tipicamente britânico. viu que o outro chegou a repreendê-lo, mas o primeiro alegou que era a única chance que eles tinham.
- Tudo bem, vocês podem entrar na casa se quiserem. - disse assim que os outros três garotos, também cobertos por toucas e óculos de sol, alcançaram os dois que estavam atrás do carro.
- Vamos nos esconder naquela casa ali, rápido! - o mesmo menino que pediu por ajuda disse para os outros do "plano". Eles entraram correndo imediatamente, sem nem ao menos olhar para no gramado. A garota chacoalhou a cabeça e pegou a mala, colocando a alça em seus ombros.
- , SOCORRO! - ouviu gritando dentro da casa e imaginou o susto que ela deveria ter tomado, não conseguindo evitar uma risadinha ao pensar na cena. Quando ia voltar para dentro da casa e socorrer a amiga, viu que no mínimo umas setenta adolescentes estavam paradas a encarando.
- Er... Oi? - disse com certo receio.
- Oi, você por acaso viu cinco garotos passarem correndo por aqui? - a menina loira que estava mais a frente perguntou, segurando uma câmera fotográfica em suas mãos. pensou por alguns instantes antes de responder.
- Não vi, não. Tem certeza que eles vieram por aqui? - fingiu não saber de nada. Os cinco garotos encapuzados pareciam ser mais inofensivos do que as setenta adolescentes, pelo menos.
- Hm... Agora não sei, mas obrigada de qualquer forma. - a menina sorriu docemente - Vamos voltar, eles devem ter entrado na outra rua. - e então todas voltaram a correr e gritar ao mesmo tempo. piscou algumas vezes tentando assimilar o que tinha acabado de acontecer, lembrando-se de dentro da casa, que provavelmente deveria estar escondida dentro do armário da cozinha. Apressou o passo e entrou na casa, deixando a mala no chão da sala. A cena que viu era a última que esperava ver na sua vida. estava sentada no braço esquerdo do módulo, com os pés apoiados no assento. A garota fazia o que mais sabia fazer melhor: Estava dando risada sobre alguma coisa que um dos garotos estava contando. E eles estavam espalhados pelo módulo, sentados confortavelmente pelo que parecia, sem suas toucas e sem os óculos de sol. não conseguia movimentar nenhuma parte do seu corpo e nem ao menos raciocinar direito. Como é que ela não tinha reparado no rosto deles antes?
- ! O que aconteceu? Você tá branca! - disse levantando-se do sofá e indo em direção à amiga. Os cinco garotos pararam de falar e ficaram olhando para ela. mantinha o olhar fixo em um deles. Isso não poderia ser verdade. Quando estava próxima o suficiente, sussurrou para que somente escutasse. - Como é que você conseguiu fazer com que o One Gayrection entrasse correndo na casa? - foi então que conseguiu piscar e olhou para . Era verdade, então. havia acabado de convidar o One Direction para entrar na mansão empoeirada que havia recebido de herança de sua avó.

02. The New Roommates


- Água!!! Tragam água!!! - gritou para os meninos, que ficaram sem saber onde encontrar o que a garota pedia. - !!! ACORDA, MULHER!!!
A cena era cômica, um tanto trágica. , ao perceber que estava diante dos seus meninos, entrou em estado de choque. Não do tipo que fica histérica, mas do tipo que desmaia e fica parecendo um cadáver estirado no chão, deixando sua melhor amiga preocupada. - Hey, isso acontece com frequência? - perguntou, temendo pela saúde da menina que acabara de conhecer. - Ela não foi em direção das luzes, não é?
- , não seja idiota! - replicou. - , cadê aquela garrafa de água que você estava segurando?
- Acho que deixei cair enquanto fugia... Meu Deus! Vocês não têm água aqui?
- Nós acabamos de chegar de viagem, não temos nem noção do tempo, quem dirá água! - abanava , que ainda permanecia apagada. - Amiga, aconteça o que acontecer, NÃO VÁ PARA A LUZ!
não conseguiu segurar o riso, porque dissera sem perceber a mesma coisa que ele. abriu a boca para replicar com ela também, mas preferiu não ser rude com alguém que acabara de conhecer. Rolou os olhos ao perceber que sorria feito bobo para a garota, que agora dava leves tapas no rosto da amiga apagada no chão.
lembrou-se então que havia visto uma garrafa dentro de sua mochila... Não sabia há quanto tempo ela estava lá, mas torcia para que tivesse água. Ou qualquer coisa que fosse líquida. Retirou com certo desespero o seu moletom amarrotado, sua carteira e seu celular de dentro da mochila, jogando tudo no chão. Percebendo que não estava conseguindo encontrá-la com a rapidez que precisava, virou-a e a chacoalhou, fazendo moedas rolaram para todos os cantos e algumas balas quicarem e irem parar embaixo do sofá. Por último, a garrafa caiu em seus pés e ele logo a apanhou, girando a tampa com urgência.
- Licença, me dê licença!
afastou e que estavam ao lado direito de , sendo observado por e , que se alternavam entre abanar o rosto de ou de verificar seu pulso. Bom, estava verificando o pulso como se estivesse em um plantão médico. Realmente havia uma garrafa dentro de sua mochila, mas não era de água.
Sem pensar muito, jogou o líquido no rosto de , que acordou imediatamente. suspirou de alívio, segurando pelos ombros, abraçando-a com certo drama e exagero. Coisas típicas de . Quando conseguiu focalizar a imagem da amiga, a encarou com os olhos esbugalhados.
- ! Eu tive o sonho mais esquisito de toda minha vida! Eu sonhei que o One Direction tinha invado nossa casa e eu acho que tinha uma piscina com refresco de laranja e... E...
foi deixando sua voz morrer quando percebeu que segurava o riso. Ela identificou o aroma de laranja e percebeu que o cheiro vinha dela. E ela estava ensopada. Já se arrependendo por ter falado demais, ergueu os olhos lentamente, encontrando os cinco rapazes alinhados ombro a ombro, a fitando num misto de preocupação e diversão.
- Eu juro que se você desmaiar de novo, eu vou fazer questão de te afogar!
- Er, oi. - Os meninos disseram em conjunto. - Você está melhor? - pronunciou-se primeiro.
fez uma rápida inspeção mental do seu estado: Molhada e melecada, cheirando a laranja e coberta de pó... E claro, ela simplesmente despencou como uma banana podre na frente da sua banda favorita. Claro, , melhor impossível!
- Aham. - Ela balbuciou, sem forças para olhá-lo nos olhos. - Tô sim.
- Desculpa, acho que a culpa é nossa! - disse, apontando para ele e para os outros. - Ou a culpa é toda do e da feiura dele!
- Ah, não fala assim dele, coitadinho! - defendeu em tom de brincadeira, mas não pôde deixar de sorrir para ele. - A que é dramática mesmo. Não é?
- É... É. - respondeu, sustentando o olhar deles por menos de dois segundos. - Acho que é.
- Você sempre fala tanto assim? - brincou e as bochechas da garota tomaram uma forte coloração escarlate. - , certo?
- Ah, mas é claro, que falta de educação a nossa! - deu um tapa em sua própria testa, sorrindo para as garotas em seguida. - Eu sou , este é o , aqueles são e , e esse daí é o !
- Nós sabe... - deu um sutil beliscão no braço de , que reclamou com a amiga. - OUTCH!
- Eu me chamo e essa é . - Não sabe como conseguiu se levantar tão depressa e falar coerentemente ao mesmo tempo, mas ficou grata por não ter caído ou gaguejado. - e , se preferirem. Vocês não me parecem estranhos... Por acaso vocês...
- Participamos do X-Factor! - respondeu prontamente e sorriu internamente. Sabia que ele seria o primeiro a cair naquele joguinho.
- Ah claro! One Direction! É esse o nome da banda de vocês, não é?
ainda olhava sem entender a reação da amiga, mas a julgar pela maneira como lhe lançou um breve olhar de súplica, preferiu não comentar. Não ainda.
- Me desculpe por te sujar com suco. - riu, apontando para os cabelos molhados de . - Mas é que era uma emergência.
- Tudo bem... - não pôde acreditar que estava mesmo diante deles, conversando com eles e claro, sendo molhada com suco de laranja por ! - Sem problemas!
E tinha como haver problemas com um sorriso lindo daqueles? pensou.
estava se divertindo observando a cena, mas nem se deu conta de que agia mais ou menos da mesma forma; observando enquanto ela estava distraída conversando com os outros e desviando o olhar quando ela olhava em sua direção.
Aos poucos, foi voltando ao seu estado natural. Depois de desculpar , que insistia em se sentir culpado, eles se misturaram com o restante do pessoal, que agora estavam sentados no grande sofá em forma de "U". Muitos móveis ainda estavam cobertos com lençóis brancos.
seguiu até a cozinha, onde havia deixado sua bolsa. Procurou por seu squeeze, sentindo as bochechas corarem violentamente quando se lembrou que era um squeeze personalizado com as fotos deles. Tratou de jogar o restante de água que tinha ali dentro, limpando seu rosto e uma parte dos seus cabelos. Torcia para que ninguém tenha reparado nela naquele momento.
- , o que você tá fazendo aí? - gritou e ela voltou correndo para a sala, antes que a amiga arranjasse uma forma de zoá-la na frente deles.
- Estava... Lavando o rosto. - Sentou-se entre e , ficando de frente para , , e . Prometeu-se mentalmente que não ia pagar mais mico naquele dia.
- Ficamos preocupados com você, . - virou-se para ela, sorrindo. E sentiu as fibras de seu corpo se dissolverem. Achou que ia desmaiar de novo, mas se recompôs, desviando o olhar e encontrando com o de . Desviou e topou com o de ... E assim por diante.
- Er, mas sobre o que vocês falavam? - Resolveu mudar o foco da conversa.
- Eles estavam contando como vieram parar aqui e quase matar você do coração. - gargalhou e teve que acompanhar.
- E como foi?
- A gente só queria comer sem chamar muita atenção... - disse fazendo bico. - Mas aí nossos disfarces foram descobertos e começaram a nos perseguir!
- Mas eu não entendo... Não tem tantas garotas daquele jeito por aqui... Quero dizer, parecia o dobro da quantidade de moradores daqui!
- É porque nós viemos do shopping. - respondeu e arregalou os olhos para ele. - É, imagine o quanto nós corremos.
- Vocês correram quase cem quilômetros! - observou ainda atônita. abriu a boca num grande O. - Como vão voltar agora?
- Não pensamos nisso ainda. - respondeu. Os outros pareceram repentinamente desanimados. - Mas eu sei que não dá pra ir andando nem pegar um táxi. Eu aposto que elas ainda estão pela redondeza. Algumas fãs são bem... Fanáticas.
engasgou com o ar, sendo auxiliada por tapas gentis de em suas costas. Ela se enquadrava naquilo por ter um squeeze com eles? Ou por ter centenas e milhares de fotos deles em seu iPod? Ou por sonhar com eles quando está acordada ou dormindo? Não queria pensar. Mudou de assunto, porque era o que ela mais sabia fazer o tempo todo e em qualquer situação que a deixava acuada.
- Vocês ainda estão com fome? Porque eu certamente estou. - Se levantou, procurando pelo celular. E lembrou-se que não ia adiantar, porque ainda não tinha um número local. E também não tinha telefone instalado na casa. - Er, alguém pode me emprestar um telefone?
Prontamente o de , e surgiram na sua frente. gargalhou, e todos se voltaram para ela, observando que fora mais rápido e já ligava para uma pizzaria pela qual eles passaram mais cedo.
Depois da pequena discussão de qual sabor de pizza pedir e quantas, - insistia que dez pizzas eram suficientes, enquanto brigava com ele alegando que ia ser desperdício de comida - os sete estavam sentados no estofado em silêncio, cada um olhando para um lado da mansão. As garotas haviam acabado de contar o motivo de terem se mudado para a Inglaterra.
- Então quer dizer que essa casa é mal assombrada? - comentou, abraçando uma das almofadas.
- Teoricamente. - disse - Pelo menos é o que a diz, mas levando em consideração o exagero dela, nós não podemos ter certeza. - acabou levando um soquinho de no ombro - Vamos descobrir hoje à noite quando tudo estiver escuro e em silêncio - fez uma voz macabra e sussurrante, falando bem próxima ao ouvido de . A garota não sabia, mas por baixo da jaqueta, o garoto se arrepiou inteiro.
- Ok, isso não é tão legal quanto parece. - comentou , agarrando outra almofada.
- Awn, os bebês estão com medinho, é? - apertou as bochechas de e apertou as de .
- Por falar em noite, vocês têm como voltar para a casa? - perguntou preocupada, já que eles estavam longe do centro da cidade e a pé. Os garotos se entreolharam. desviou o olhar de e concentrou-se em olhar a almofada em seu colo. fingiu que amarrava o tênis enquanto parecia entretido em ver o amigo fazer isso. pegou o celular no bolso e começou a fingir que estava digitando uma mensagem. olhou para os amigos e bufou.
- Tudo eu nessa banda, tudo eu! - passou a mão pelos cabelos e as duas garotas suspiraram. controlou-se para não tweetar que arrumou o cabelo na sua frente, e beliscou-se e disse para si mesma parar com a viadagem. - Bom, nós estamos com outro problema além desse. - coçou a nunca e sorriu amarelo para as garotas - É uma longa história.
- Pode falar sem medo, , nós aguentamos. - disse com um falso drama na voz. Quando ia começar a falar, a campainha estrondosa soou, fazendo com que todos tomassem um leve susto. Menos , que quase caiu do sofá e gritou feito uma menininha. - Só um minutinho que nós vamos pegar a pizza. - saiu do sofá se arrastando, literalmente, e foi correndo até sua mochila procurar a carteira.
- Hey, vocês por acaso acham que vão pagar tudo sozinhas? - tirou a almofada do colo e levantou-se.
- É... A gente acha... Ou achava, até uns minutos atrás! - disse, fechando sua carteira. Tinha usado o resto do seu dinheiro para pagar a sua parte do táxi.
- Pára de pedir dinheiro, ! - a beliscou e olhou para em seguida - Não precisam se incomodar, . - disse sincera, mas o garoto insistiu.
- Nós estamos invadindo a casa de vocês, nada mais justo. - dessa vez também argumentou. - Aliás, vocês nem deveriam pagar.
- Também acho. - quando ia abrir a boca para retrucar e listar diversos motivos para elas pagarem, percebeu que os garotos se entreolhavam diabolicamente. A campainha soou de novo e foi quando tudo aconteceu. e saíram correndo e agarraram pelos braços, levando-a para a cozinha da mansão. A garota começou a gritar e ameaçou que falaria que estava sendo sequestrada, imaginando que seria salva pelo entregador de pizza logo em seguida. Já estava escurecendo e a casa havia ficado bem mais sombria. sentou-se ao lado de e os dois começaram a rir da cena, enquanto e foram pagar e pegar as pizzas. não tinha dinheiro mesmo e não sabia se seu cartão já estava validado no país, não seria tão mal se eles pagassem. e se olharam e soltaram assim que fechou a porta, deixando as cinco caixas de pizza em cima da mesa de centro empoeirada.
- Achei que iam me trancar no armário. - voltou andando emburrada, ajeitando o cabelo. Parou ao lado de e com a mão na cintura, reparando que ele tinha olhos bonitos.
- Nunca! - defendeu-se e olhou a menina ao seu lado, sorrindo torto. concluiu que ele não deveria mais fazer isso, ou ela acabaria igual a .
- Não tem luz aqui? - questionou olhando para o lustre no centro da sala.
- A gente não conseguiu verificar isso ainda. - sorriu amarelo e olhou para .
- Só precisamos achar a caixa de energia, eu sei mexer. - disse - Quem vem comigo?
- Eu posso ir. - e disseram juntas. Com os olhos semicerrados, elas se entreolharam.
- Até tu, Brutos? - disse em português, os meninos entortaram as bocas por não entender o que elas estavam falando.
- Eu não sabia que ele era seu favorito. Achava que era o de azul. - respondeu em português também, fazendo menção a .
- Que seja. EU vou com ele e você fica aqui com o boy magia que quer o seu corpo nu.
- Er... Vocês podem voltar a falar em inglês? - pediu com certo receio.
- Desculpa, , foi a tensão. - disse - Vamos, . - antes que pudesse dizer alguma coisa, puxou pelo braço em direção à cozinha.
- VADIA! - voltou a falar em português. virou-se para trás e sorriu.
- O mundo é dos espertos. - e entrou na cozinha atrás de . - Então, - agora em inglês - você sabe onde essa caixa pode estar? No Brasil elas ficam na cozinha ou na lavanderia. Ou no quintal.
- Aqui também, você pode procurar lá fora e eu procuro aqui dentro? - perguntou sorrindo.
- Claro! - lutou com o trinco da porta dos fundos e conseguiu abrir depois de algumas tentativas. - Esse lugar definitivamente precisa de uma faxina. - disse tirando o pó de suas mãos. saiu da casa, escutando a madeira ranger. Assim que olhou para a parede ao seu lado, encontrou a caixa de força. - , acho que encontrei! - gritou do lado de fora e o garoto prontamente apareceu.
- Vamos ver, vamos ver... - esfregou suas mãos e abriu a portinha, deparando-se com vários botões enferrujados. - Ok, a que eu sei mexer geralmente é mais nova do que essa. - sorriu sem graça e forçou a vista para enxergar melhor, mas estava muito escuro já. Lembrou-se do celular no bolso da calça e o entregou para , que o olhava atentamente. - Se importa de segurar para mim? - sorriu. pegou o celular da mão dele imediatamente. Tinha como falar não para um sorriso desses? iluminou todas as chaves no painel e passou o dedo por elas, tirando um pouco da poeira. O garoto abriu um sorriso de contentamento assim que achou o que procurava. Ergueu a pequena alavanca e então a casa iluminou-se por completo, revelando um outro lado que eles não imaginavam que poderia existir. Ali onde estavam, na parte do fundo da mansão, um jardim até que bem cuidado era possível ser visto. Com bancos que já tinham sua tinta branca um tanto quanto descascada, luminárias redondas ficavam fixadas no chão, iluminando todo o lugar sutilmente. Mais ao lado, um deck de madeira abandonado com uma casinha de piscina que tinha metade do telhado quebrado. Bem no meio, era possível ver uma grande piscina com água da chuva acumulado no fundo e limo nas laterais. Ao redor da piscina, três espreguiçadeiras estavam espalhadas, uma delas até estava tombada para o lado. Uma grande árvore ficava mais ao fundo, seus galhos eram tão grandes que atingiam as janelas do sótão, o que acabava dando um ar sombrio para o jardim que deveria ser lindo se melhor cuidado.
- Uau! - os dois disseram juntos e se olharam ao mesmo tempo, rindo. - Cara, essa casa deveria ser linda antigamente. - comentou , dando alguns passos para frente para poder observar melhor.
- Quando a me disse que a família dela era um pouco rica, eu não imaginei que fosse o suficiente para comprar um lugar desses. - completou , fechando a caixa de força e andando até o lado do garoto. - Não vejo a hora de arrumar tudo isso. - a garota sorriu sincera e ficou olhando-a. tinha toda razão, o sorriso dela era lindo. Chacoalhou a cabeça, tirando esses pensamentos dali. havia visto primeiro, afinal.
- Meu Deus, o que aconteceu com esse lugar? - ouviram a voz de e viraram-se para trás. A garota encarava o jardim de boca aberta, parecendo que ia chorar a qualquer instante.
- Eu não sei o que aconteceu, mas eu sei que ele precisa de uma Extreme Makeover Home Edition! - apareceu atrás de , abraçando-a de lado pelos ombros. congelou e tentou controlar sua respiração.
- E eu de uma Extreme Makeover Stomach Edition - os quatro ali presentes olharam para com a mão na barriga - Sério, eu tô com fome. - todos riram e voltaram para dentro da mansão juntos. - Eu e o achamos esses pratos e talheres, e o ofereceu-se para lavar gentilmente. - apontou para com um avental vermelho e verde amarrado na cintura.
- Hey, vocês acharam o avental comemorativo de Natal também! - observou, fazendo com que todos dessem risada, menos , que lavava os pratos forçadamente porque perdeu no jockey pow para .
- Enquanto o lava os pratos, por que o não continua a contar o probleminha que vocês têm? - disse, sentando-se na bancada que havia no meio da cozinha.
- Verdade, fiquei curiosa. - fez o mesmo, sentando-se ao seu lado. Olharam sorrindo uma para outra. Não conseguiam ficar muito tempo bravas.
- Bom, como eu ia dizer, nós temos um problema para voltar para casa porque nós não podemos voltar para casa. - iniciou . - Resumidamente, Simon queria que nós fôssemos para o Japão em uma espécie de retiro de férias, pra ver se as notícias mentirosas sobre nós parassem um pouco. - as meninas escutavam atenciosamente. sabia quem era Simon e quais mentiras eram essas, do tipo que eles estavam traficando cocaína para fãs menores de idade e levando-as para trabalhar no circo como jantar de Leão. chacoalhava sua cabeça em concordância, mas perguntava-se se Simon era um dos esquilos de Alvin e os Esquilos.
- E nós não queríamos ir. - continuou , fazendo com que todos voltassem sua atenção para ele. O garoto andou até a pia, ficando de frente para as garotas - Então o comentou que seria legal se nós conseguíssemos nos esconder. E foi aí que a ideia pareceu realmente boa e nós bolamos um plano.
- Contratamos cinco garotos parecidos com a gente e pedimos para que eles fossem no nosso lugar. Como nenhum de nossos seguranças iria nos acompanhar, seria fácil enganar os que foram contratados para isso, exatamente para não chamar a atenção - completou, enxugando os talheres com um pano de prato de galinhas.
- Enquanto eles iam para o Japão e fingiam ser a gente, nós ficaríamos aqui na Inglaterra, vivendo como garotos normais. Brilhante, né? - gabou-se, abraçando e pelo pescoço.
- Mas aí o teve uma ideia de jegue de irmos almoçar no shopping. - disse empilhando os pratos que enxugava - Achamos que se estivéssemos disfarçados ninguém nos reconheceria. Mas infelizmente meu capuz caiu bem na hora que três adolescentes passavam por mim.
- Acho que o resto vocês conseguem imaginar e como viemos parar aqui, certo? - concluiu a frase, cruzando os braços e desviando das mordidas que lhe queria dar.
- Certo... Eu acho - disse , mordendo o lábio.
- Mas por que vocês não podem voltar para casa? - perguntou ainda não entendendo essa parte.
- Paul, nosso segurança, mandou uma mensagem em nossos celulares perguntando que história era essa de confusão no shopping, se nós estávamos no Japão. Então eu menti e disse que realmente estávamos lá. - disse enquanto tirava o avental. - Mas nós conhecemos Paul e temos certeza que ele deve estar montando ronda em frente de nossas casas para garantir que não apareceremos por lá. - as meninas pareceram agora finalmente entender, entreolhando-se logo em seguida. Não precisavam dizer nenhuma palavra para saber que estavam pensando a mesma coisa.
- Bom, acho que para mim e para não há nenhum problema se vocês permanecerem aqui o tempo que precisaram até conseguirem voltar para a casa de vocês. - falou sorrindo e sorriu ainda mais quando viu que os meninos pareciam felizes com o convite.
- De verdade? - perguntou olhando nos olhos de .
- Aham!
- Se importa se discutirmos isso por um instante? - perguntou adquirindo uma falsa expressão séria. As meninas concordaram e os cinco formaram uma rodinha perto da geladeira.

- O que vocês acham sobre isso? Acham que é seguro? - perguntou baixo para que as garotas não escutassem e todos começaram a rir. e suas piadas, como sempre. - Eu tô falando sério, seus animais. A desmaiou quando nos viu, já deu pra perceber que ela é nossa fã.
- O tem razão, e se ela quiser nosso DNA ou algo do tipo? Aquele lance do eu conheço vocês de algum lugar não me convenceu muito. - perguntou e recebeu um soco de na barriga.
- Eu não vejo nenhum problema, elas parecem ser bem legais. - defendeu e concordou com a cabeça.
- Vamos pensar seriamente por apenas um segundo, por favor? - pronunciou-se. - só as acham legais porque tem um bichinho de pelúcia do Woody e concordou porque ele tá vidrado na . tem medo até de sair sozinho de casa e tá nervosinho por causa da namorada chata. - todos os outros quatro ficaram quietos, não tendo como discordar com porque em partes era verdade. - Pensando no perigo que a gente corre em voltar, ficar aqui é nossa melhor opção. - e iam abrir a boca para reivindicar, mas os impediu - Olhem para elas, elas são inofensivas - apontou para as garotas sentadas no balcão. balançava as pernas e cantarolava alguma música, enquanto abria e fechava uma lata repetidas vezes. estava de pé em cima do balcão tentando tirar o lençol que estava no lustre. A cozinha ficou mais clara assim que ela conseguiu, voltando a sentar-se novamente como se tivesse feito a coisa mais normal do mundo.
- Er... Ok, voltando para a decisão. - disse enquanto ajeitava sua jaqueta. - Eu concordo com e acho que é melhor ficarmos.
- Dois votos para ficarmos. - disse logo em seguida, erguendo sua mão direita.
- Três votos. - disse fazendo com hi-five com .
- Quatro e cinco. - votou por ele e , que não fez nenhuma objeção sobre isso. - Ok, vamos dar a notícia para elas.

- Nós vamos ficar. - disse antes mesmo dos outros se virarem.
- Yay! - as duas bateram palmas e desceram do balcão. - Mais gente pra limpar a casa! - disse e todos começaram a rir. Pegaram os talheres e os pratos e levaram até a sala.
- Vocês só queriam escravos o tempo todo, né? - aproximou-se de , falando baixo para que somente ela ouvisse. A garota apenas sorriu, porque se abrisse a boca para falar alguma coisa, falaria sobre o que tinha acabado de comentar com enquanto eles discutiam; que tê-los como escravos sexuais não seria uma má ideia.


03. Bedtime


Se algum dia alguém dissesse para que ela ganharia uma mansão em Londres e conheceria o One Direction, ela certamente mandaria internar a pessoa.
Se algum dia alguém contasse para que ela gostaria tanto de uma boyband, ela certamente morreria de tanto rir.
Mas ali estavam as duas, tendo as provas necessárias para perceberem que a vida não é tão previsível quanto achavam que ela era.
Mas se tinha uma coisa totalmente previsível - pelo menos para - era que e deveriam estar apavorados com o boato de a casa ser mal assombrada. Eram os mais medrosos da banda. sabia disso e de muitas outras coisas. Como por exemplo, qual a cor preferida de cada um e qual a mania singular dos cinco meninos, que agora devoravam a pizza marguerita como se não houvesse amanhã. especialmente.
segurou-se para não parar tudo o que estava fazendo e ficar observando o movimento de cada um deles. Segurava-se muito mais para não enlouquecer ou pular no pescoço de toda vez que ele sorria para ela.
estava rindo de alguma piada de e depois das primeiras horas de convivência, já se sentia íntima da banda.
Os meninos, no geral, não se sentiam ameaçados. Havia algo na maneira de agir daquelas garotas que os deixavam a vontade para serem eles mesmos.
Mas, ora ou outra se perguntava se elas não eram psicopatas. Ouvira dizer certa vez que os assassinos em série nem sempre parecem suspeitos. Algumas vezes eles podem até ter centenas de amigos, constroem uma família...
- ? - tocou gentil em seu ombro, mas ainda assim ele se assustou, derrubando seu pedaço de pizza em sua blusa branca. - Ai, me desculpa!
- Ave Maria, eu achei que fosse morrer agora. - Ele disse num sopro, encarando os olhos castanhos escuros de brilharem singelamente. - Você me assustou de verdade!
- Desculpe, mas é que você de repente ficou vidrado. Parecia em choque! Pensei que ia desmaiar que nem eu!
- Você achou que nós fossemos assassinos em série? - deixou escapar sem pensar. - Er...
- Hã? - arqueou as sobrancelhas, não entendendo o que ele quis dizer.
- Nada! Onde fica o banheiro? Preciso limpar isso antes que manche!
riu com o certo desespero do garoto, levantando-se da roda que eles fizeram no chão ao redor da mesa de centro, agora limpa para comer. Podia jurar que sentiu os olhos de um deles a acompanhar, mas dispersou o pensamento.
Pediu que a seguisse, saltitando alegremente pela escada que levava ao segundo andar. Enquanto caminhava dedilhando suavemente o corrimão empoeirado, sentiu-se inundada pelas lembranças de sua infância; das poucas - porem inesquecíveis - vezes que estivera ali. O primeiro Natal com neve, as férias de Julho e o 78º aniversário de sua avó, três anos antes dela vir a falecer.
queria ter tido mais tempo com ela. Afastou os pensamentos saudosos quando percebeu que haviam parado no meio da escada, algumas lágrimas formando-se em seus olhos.
- Esse aqui é o banheiro. - sorriu sem mostrar os dentes, apontando para a porta à frente. - Se precisar, é só gritar.
- Ahn... Vai soar muito estranho se eu te pedir para... Er... Me esperar?
piscou lentamente, associando aos poucos o que acabara de ouvir. Era um pedido um tanto inusitado vindo de um garoto.
Ah, mas é claro. Aquele não era um garoto qualquer. Aquele era e sua total falta de coragem! tentou, mas não conseguiu segurar o riso. logo aderiu um tom vermelho tomate berrante, mas riu junto com a garota, que dizia em meio à crise de riso que estaria esperando-o bem ali.
- Você é mais medroso do que eu pensei! - se recriminou no mesmo segundo. - Quero dizer, você parece ser bem medroso! Não que eu saiba essas coisas... - A cada palavra, se sentia mais e mais perdida.
- Disse alguma coisa? - perguntou enquanto torcia a camiseta. achou que ia desmaiar de novo. - Desculpe por isso, precisei tirar a camiseta pra lavar... - Não por isso. - ficou vermelha quando percebeu que havia notado que ela estava secando-o. - Quer uma camisa emprestada? Acho que devo ter uma que serve em você!

- Ué... Vocês perceberam que a sala ficou um tanto quanto menos barulhenta? - parou de falar, fazendo com que todos ficassem quietos também, em apreensão. arregalou os olhos, assustado. - Cadê a ?
- O também sumiu! - observou sem maldade, mas logo estava esboçando um largo sorriso malicioso. - Vocês estão pensando a mesma coisa que eu?! Danadinhos, esses dois!
- Difícil alguém acompanhar seus pensamentos estranhos, . - respondeu um pouco mais impaciente do que gostaria.
- Vai, vamos ver o que eles estão fazendo! - sussurrou, puxando pela mão, acenando para que os outros os seguissem em silêncio. - Acho que eles estão no segundo andar!
- O andar dos quartos? - novamente usou o tom malicioso, segurando-se para não gritar. - Quem te viu, quem te vê, hein, ?!
- Calem a boca! - tentou não rir. - Silêncio...
Pé ante pé, os cinco conseguiram chegar até o corredor superior. Todas as portas estavam fechadas. Menos uma, observou depois de um segundo. Era a porta de um dos quartos. Abriu a boca num pequeno "o", querendo gritar alucinadamente - em português, para que ninguém além de entendesse, é claro - que ela era uma sem vergonha. Com a mesma cautela, guiou a trupe até o cômodo em questão, preparando-se para abrir a porta e pegar os dois no flagra. Mas, antes que pudesse fazer isso, foi surpreendida por gritos e uma pancada na cabeça. Demorou algum tempo para se dar conta de que e riam das expressões assustadas de todos, munidos de travesseiros postos como armas. - GUERRA DE TRAVESSEIROS! - Anunciou , atacando ferozmente os amigos indefesos. - ATACAR!
batia em , em e em revezadamente, já que e estavam sendo massacrados por . Aos comandos de , os desarmados correram em direção ao primeiro andar, onde havia as almofadas que serviram de apoio enquanto eles comiam.
Gritos e risadas ecoavam pela casa. e agora atacavam , que tentava proteger de e ao mesmo tempo em que tentava não ser acertado pela tampa da caixa de pizza que apanhara.
Em determinado ponto da brincadeira, onde já não se sabia quem estava do lado de quem, tropeçou em seus próprios pés, segurando-se naquele que estava mais próximo de suas mãos. foi pego desprevenido, não tendo tempo de sustentar o peso repentino e ambos caíram no sofá. encontrava-se nesse momento deitada sob o tronco de .
- VOCÊ NÃO PERDE TEMPO MESMO, HEIN, AMIGA? - riu e disse na língua que só as duas naquele recinto conseguiam entender. - VAI COM TUDO, !
- Cala a boca, . - respondeu em inglês mesmo, saindo com certo desespero daquela posição. - Bandeira branca, eu me rendo!
- Mas já? Agora que eu estava pronto para dizimar todos vocês? - disse, mas jogou-se ao lado de no chão, apoiando sua testa suada no ombro da garota. - Me rendo também.
- Você não ia muito longe com aquele pedaço de papelão, ! - gargalhou. gostou da risada dela. E para fazê-la rir mais ainda, começou a fazer cócegas na garota. - , SOCORRO!
E o que era para ser uma pausa, acabou virando outra bagunça generalizada na sala. Se antes havia muita coisa para arrumar, depois daquilo haveria muito mais. e ainda não tinham conversado sobre os últimos acontecimentos, mas naquele instante dividiam o mesmo pensamento: nunca se sentiram tão ligadas a alguém como se sentiam com aqueles meninos.
Poderia até parecer algo clichê, mas todos eles sentiam que ali nascia algo que poderia se tornar duradouro.
- Tudo bem, crianças, - disse, amarrando os cabelos cacheados num coque. - está chegando a hora de dormir! Divisão de quartos! Como eu e a somos as únicas garotas - houve um protesto de nesse momento que todos resolveram ignorar - obviamente vamos dividir o mesmo quarto.
- Eu fico com o e com o ! - se prontificou a responder, correndo para abraçar ambos os mencionados.
- Parece que somos só eu e você, baby . - afagou teatralmente os cabelos de , que rolou os olhos.
- Ahn, na verdade... Só temos mais dois quartos disponíveis. E um deles só comporta quatro de vocês. - disse com simplicidade, e se assustou quando viu os cinco garotos subirem correndo para o andar dos dormitórios. - O outro fica no sótão! - foi então que os cinco garotos se olharam e a discussão começou.
- Agora eu entendo porque você é louca por eles. - disse para que só escutasse, com um sorriso bobo nos lábios. De alguma maneira, a jaqueta de estava em seus ombros.
- Ahn, posso te pedir uma coisa? - segurou pelo pulso, parando brevemente na escada.
- O que quiser, docinho!
- Não conte nada para eles. Sobre eu ser fã e tal.
- Mas que mal há em ser fã deles?
- Nenhum, mas eu não quero que eles fiquem achando que eu sou uma psicótica paranoica! - olhou-a como se dissesse "mas você é!" a fuzilou com os olhos. - Sério, isso importa muito pra mim e está sendo tão legal ter eles assim, agindo como se fôssemos pessoas normais! Não quero estragar isso!
percebeu o certo desespero da amiga e compreendeu. Aliás, ela achava que era a única que conseguia entender exatamente do jeito que ela era. Meio doida, confusa e sentimental, mas conseguia entender sem muito esforço.
Assim como ela tinha certeza de que também a entendia.
E se aquilo importava para , importava para ela também.
- Ok, nada de deixar os meninos saberem que você é fanática e tem até uma calcinha com a foto deles!
- Eu não tenho... Ah, deixa pra lá! - rolou os olhos quando percebeu que a amiga estava brincando. - Agora vamos ver o porquê da gritaria!

- EU NÃO VOU DORMIR SOZINHO!
- Que foi? - perguntou aos risos, vendo um muito emburrado parado no meio do corredor. - O que há, ?
- Eles me trancaram do lado de fora e não querem me deixar entrar!
- Bom, parece que alguém vai dormir no sótão! - apontou para o teto, de onde pendia um cordão. Se puxassem, uma escada retrátil surgiria. E sabe-se mais o que, pensou , mas preferiu não externar os pensamentos.
- Tudo bem, , lá em cima costumava ser meu observatório quando eu era criança! É um lugar bem bacana, a janela pega metade do teto, você pode adormecer olhando as estrelas!
- Não quero ver estrelas. Não sozinho.
- Ih, acho que isso foi uma indireta pra você, amorzinho. - olhou confuso para . Odiava não entender o que elas falavam! - Bom, eu vou arrumando minha cama. Boa noite pra vocês!
parecia realmente preocupado enquanto observava entrar no quarto. Não queria demonstrar o quanto estava apavorado, mas também não queria ficar lá em cima sozinho. Não depois de ouvir os boatos sobre assombrações do lugar.
- Meu Deus, , não tem porque ficar com medo! É só um quarto no sótão! - É fácil pra você falar isso, vai dormir com companhia! - cruzou os braços, fazendo bico. realmente não sabia o que fazer e, agindo por impulso, o abraçou.
- Calma, , é só por essa noite. Amanhã você conversa direito com os garotos e vocês podem revezar em dormir lá no sótão, está bem? - soltou o abraço e viu o garoto concordar como se fosse uma criança de cinco anos. - Vamos conhecer o seu quarto, então?
- Já que não tem alternativa. - de ombros e observou enquanto analisava a situação.
- Er, precisamos de alguém mais alto do que eu.
- Melhor chamar um dos traidores dentro desse quarto aí - disse apontando com a cabeça para a porta ao seu lado, com desprezo. concordou e deu três batidas na porta.
- Sai fora, , nós já decidimos quem vai dormir no sótão e é você. - gritou de dentro do quarto.
- Sou eu, . Preciso de uma pequena ajuda. - gritou de volta e após um tempo de silêncio, abriu a porta, sorrindo.
- Em que posso ajudá-la?
- Preciso de um rapaz alto, forte e corajoso para abrir o sótão. - apontou para o teto - Eu não alcanço, sabe como é.
- Vou chamar o . - fechou a porta novamente e não demorou muito para que aparecesse, fechando-a atrás de si logo em seguida.
- É só puxar a cordinha? - os lábios de separaram-se um pouco, porém nenhum som saiu de lá. havia tirado seu moletom, ficando apenas com uma camisa xadrez aberta, que revelava uma regata branca colada ao corpo. Sua calça estava um pouco caída, mostrando o elástico de sua boxer. perguntou-se como nunca havia reparado no corpo escultural que tinha. , seu "favorito" até então, tinha acabado de ficar no chinelo. nem se importava mais com o fato de ter demonstrado algum tipo de interesse por . Pelo menos por aqueles exatos segundos, era o cara mais gostoso do planeta. - ? Planeta Terra chamando?! - estalou os dedos em frente ao rosto da garota, que pareceu despertar de um repentino transe.
- Isso, só puxar a cordinha. - passou as mãos pelo cabelo sem graça, dando um passo para trás para que conseguisse alcançar a corda. O garoto a puxou, fazendo com que e se assustassem um pouco. Uma grande nuvem de poeira encobriu o corredor. A escada deslizou rapidamente, quase acertando em cheio. Por sorte, ele percebeu a tempo de afastar-se. começou a tossir e os dois garotos abanavam o ar para fazer com que a poeira sumisse.
- Tá tudo bem? Quanta poeira! - Eles ouviram perguntar, mas não conseguiam enxergar a garota. - Esperem aí que eu tive uma ideia. - voltou para dentro do quarto no mesmo instante em que a porta do quarto dos garotos foi aberta.
- Que porra é essa? Cadê vocês? - agora era possível ouvir a voz de , seguido de murmúrios de e . - Tá todo mundo aí? - os seis assustaram-se quando ouviram um barulho estrondoso vindo do quarto que dividiria com . A porta foi aberta novamente e a poeira começou a espalhar-se pelo ambiente, finalmente abaixando. O barulho cessou e todos agora olhavam para , com um secador na mão.
- Gama Italy com fio alongado. - assoprou o secador como se fosse uma pistola, fazendo com que todos rissem. - E então, prontos para ver o que tem nesse sótão? - todos se entreolharam. foi o primeiro a dar de ombros, andando em direção à escada.
- Vamos descobrir de uma vez por todas. - subiu o primeiro degrau e esperou que alguém o acompanhasse. deixou o secador no chão do quarto e voltou correndo para perto da escada.
- Esse é dos meus. - piscou para o garoto e começou a subir logo atrás de , que sorria vitorioso por ter conseguido a atenção da garota.
- Tem doido pra tudo nesse mundo mesmo. - chacoalhou a cabeça e foi logo atrás de , sendo seguido por , , e , que ainda reclamava porque iria dormir sozinho.
- Tá escuro aqui, alguém tá com o celular? - pronunciou-se assim que chegou ao sótão.
- Tem um interruptor na parede da direita! - gritou. não disse nada, mas deu para perceber que ele achou o interruptor assim que a luz foi acesa. Cada um que entrava não dizia sequer uma palavra, só ficavam observando o local.
já tinha um sorriso nos lábios. Aquele costumava ser seu local preferido da casa. Assim que entrou, todos começaram a olhar ao seu redor e a caminhar pelo sótão. Do lado esquerdo, algumas pilhas de caixas de papelão estavam encostadas em um canto, algumas cobertas por um lençol amarelo desgastado. O chão vermelho estava empoeirado, mas não tanto como imaginariam estar. Do lado direito, uma cama ao lado de uma janela deixava o ambiente aconchegante, sem contar que a vista das estrelas era a mais bonita que todos ali já haviam visto. No meio do sótão, um tapete redondo servia de apoio para um grande baú que nunca tivera coragem para abrir. Percebeu que agora ele encontrava-se sem o cadeado habitual de anos atrás.
- Admita, , não será tão difícil dormir aqui, vai. - disse abraçando o amigo de lado. - É só você se concentrar nas estrelas que não terá nenhum problema. - e murmuraram um "awn" pela fofura de . , e rolaram os olhos e começaram murmúrios de lamentação, alegando que aquela tinha sido a cena mais gay que presenciaram na vida deles.
- É, é, parece que não. - deu um meio sorriso e foi sentar-se no colchão ao lado da janela. - A cama parece ser macia, afinal.
- Tá tudo muito bom, tá tudo muito lindo, mas nós realmente precisamos nos mexer se quisermos dormir essa noite. - disse cortando o clima - Vou procurar vassouras e panos para podermos limpar um pouco os quartos, não quero ninguém reclamando de gripe amanhã. - ninguém ousou fazer uma objeção à ordem de - , precisamos de lençol, cobertores e travesseiros.
- Certo, espero que ainda estejam no local que eles sempre estiveram. - Bom, quem me ajuda com as vas-
- Eu te ajudo! - interrompeu antes mesmo de ela terminar de falar. A garota segurou uma risadinha e agradeceu, descendo as escadas do sótão, seguida por .
- , você precisa de ajuda? - ofereceu-se, tirando uma bolinha de pó da camiseta da garota.
- E-eu... Eu preciso sim, . Obrigada. - ambos sorriram e saíram do sótão em seguida. coçou seu queixo e ficou observando aquela cena. e entreolharam-se sem entender a cara que fazia. - Engraçado... - começou - E pensar que há algum tempo atrás as duas estavam disputando para ver quem ficaria com o corpo do . - suspirou, colocando a mão no ombro de - É, cara, melhor rever suas armas de sedução. - balançou a cabeça em lamentação. deu um soco na barriga de e rolou os olhos, indo sentar-se ao lado de . - Não posso nem falar a verdade mais! - massageou o local que fora atingido e sentou-se em cima do velho baú.
- Você é louco de sentar aí em cima? - levantou-se em um pulo, apontando freneticamente para e o baú.
- Qual é o problema, ? - cruzou as pernas, demonstrando despreocupação.
- Sei lá, mas... Vai saber o tem aí dentro. - olhou para , para ver o que ele achava disso tudo. O garoto deu de ombros, sentando-se mais confortavelmente na cama, com os pés em cima do colchão.
- Por enquanto a casa não demonstrou nenhum indício de que é mal assombrada... - opinou - Mas que esse baú é meio sinistro, isso eu não posso negar. - olhou para o baú em que estava sentado. Toda sua extensão era talhada com desenhos indecifráveis, um tanto abstrato. Conforme corria seus olhos pelo objeto, observou que havia um nome talhado na ponta do baú. Várias coisas passaram por sua cabeça e levantou-se em um pulo.
- Acho que eu vou ficar em pé mesmo. - sorriu amarelo, colocando as mãos nos bolsos da calça. suspirou, imaginando que seria uma longa noite.


04. A Horror Story

A primeira manhã em Londres.
rolou na cama, checando o relógio pela terceira vez. Seis e cinco da manhã e ela completamente sem sono, mesmo tendo indo dormir às três da manhã. Limpar o quarto de deu mais trabalho do que ela pensou, não tanto pela sujeira, mas pelos meninos, que não ajudavam muito ao fazer ela e rirem até perderem o fôlego.
Parecia que eles gostavam daquilo. De fazê-las rir, de sentarem todos em círculo para contar coisas do passado ou planos do futuro.
sempre acompanhou a banda, desde que eles saíram do X-Factor. Já os amavam tanto antes quando nem sonhava em conhecê-los fora do mundo dos sonhos, - no qual ela passava a maior parte do tempo - mas agora era diferente, ela percebeu. Antes, ela os amava como seus ídolos, como aqueles que cantavam as canções que ela se identificava. Agora, passava a admirá-los como pessoas e, de certa maneira, o encanto foi deixando de ser extraordinário, para se tornar algo saudável. Se perguntassem para o que ela faria se os conhecesse há um tempo atrás, ela responderia sem hesitar que os sequestraria e os manteriam escondidos numa ilha deserta.
Não que essa ideia não passasse mais por sua cabeça, mas agora ela começava a entender que para amar uma banda - ou até mesmo uma pessoa - é preciso ter limites. Se não há limites, não há sintonia. E sem sintonia nada dura.
E o que ela mais queria nesse momento, era que aquele momento durasse para sempre. Não o momento em que o One Direction está em sua casa, mas o momento em que , , , e são seus amigos.
(Embora pareça querer algo além da amizade de ).
achou aquilo incrível. Virou-se na cama para observar a amiga dormindo, e pensou na sorte que ela estava tendo. nem era fã da banda, mas agora tinha um fã que era integrante da banda. Irônico, pensou. Pena que eu não tenho a mesma sorte, concluiu o pensamento. A garota sequer tinha percebido que ela tinha a mesma sorte sim, que um dos rapazes - mesmo que ele não demonstrasse descaradamente - gostava do modo que ela sorria quando terminava de contar alguma coisa muito simples, ou em como ela sempre parecia estar de bom humor.
abriu os olhos, encontrando uma andando pelo quarto limpando o que não puderam limpar no dia anterior.
- O que tá fazendo? - Perguntou sonolenta, checando o relógio. - São seis horas da manhã, volta pra cama.
afundou sob os edredons, cobrindo a cabeça com o travesseiro. não sabia ser silenciosa. A amiga continuou espanando os móveis, arrancando os lençóis que estavam sobre a cômoda e arrastando as malas para perto do grande guarda-roupa. bufou, arremessando um travesseiro na direção da cabeça da amiga.
- Ai, desculpa! É que eu não consigo dormir! - bufou, parando de limpar os móveis. - Sofro de insônia, se esqueceu?
- Isso é insônia, ou tem algo a ver com o fato dos meninos do One Gayrection estarem dormindo do outro lado do corredor? - sorriu sugestivamente e desmanchou o semblante emburrado instantaneamente. - Pode falar a verdade pra sua amiga!
olhou para baixo, desfiando a pontinha do pano velho e sujo. Mordeu o lábio inferior, remoendo-se com muitos pensamentos ao mesmo tempo. gargalhou, apertando as bochechas da amiga em seguida.
- A tá toda apaixonadinha, tá apaixonadinha! - cantarolou, e recebeu um dedo do meio de . - O quê? Vai dizer que eu estou mentindo?
- Você me faz parecer como uma pré-adolescente de treze anos! - ralhou, jogando o pano no rosto de . - Não estou apaixonadinha. Eu só... É que... Enfim, eu vou comprar pão.
Drasticamente, calçou seus tênis e saiu do quarto, deixando rindo sozinha na cama. Ajeitou-se confortavelmente sob as cobertas, decidindo que ficaria um pouco mais ali. Durante a madrugada mal conseguiu respirar direito, tanto pela quantidade de pó que tinha no sótão quanto pelas palhaçadas de e . Dificilmente dava o braço a torcer, mas ela tinha que admitir: Eles eram uns amores. Meneou a cabeça, achando que aquilo tudo já estava ficando muito gay pro gosto dela. Não demorou em voltar a adormecer.
Enquanto isso, caminhava distraidamente pelas ruas, tentando lembrar o caminho até a padaria que costumava ir quando criança. Poucas coisas mudaram por ali; ainda existia a floricultura que sua avó costumava comprar flores e o laguinho na praça onde costumava ter as festas típicas de cidades pequenas para arrecadar lucros. Mas parecia que não faziam aquilo há um bom tempo, a julgar pelas condições precárias do lugar. Ficou um pouco triste ao perceber que, por mais que a maioria das coisas continuassem iguais, já não havia aquele encanto de antes. Era como se a cidade tivesse sido esquecida.
Aos poucos foi se lembrando e sorriu satisfeita quando depois de três quarteirões ela se deparou com a grande panificadora, deixando os pensamentos tristes de lado. Talvez a cidade não fosse mais encantadora porque os tempos eram outros agora.

foi o primeiro dos garotos a acordar. Não porque ele estava com insônia como ou porque queria de fato acordar cedo; os raios de sol não encontraram nenhuma barreira entre a janela e o seu rosto, e era meio incômodo ficar com a cabeça debaixo das cobertas.
Desistindo de tentar encontrar uma posição que escondesse seu rosto dos raios solares, vestiu a camiseta que havia lhe emprestado, sorrindo imediatamente ao ver o bom gosto da garota.
Empurrou a escada para baixo, descendo com cuidado para não cair. Quando chegou ao primeiro andar, constatou que dormir no sótão não fora tão ruim quanto ele imaginou que seria. E (e de certa forma , que dissera aquilo só pra ganhar pontos com a menina) estava certa a respeito da vista.
Como sempre, sentiu o estômago resmungar. Ficou indeciso sobre o que fazer a respeito, já que não queria ficar fuçando nas coisas dos outros, mas ele estava realmente com fome. Seguiu até a cozinha, torcendo para que tivesse sobrado algo das pizzas do dia anterior.
Não pôde deixar de se lamentar quando percebeu que não havia nada além das caixas vazias. Queria sair para comprar algo para comer, mas sabia que não podia arriscar ser visto.
- Vou morrer de fome. - murmurou, sentando-se no banco diante do balcão, encostando a testa no mármore frio. - Adeus, vida cruel.
- Que drama é esse, menino ? - sorriu ao ver as bochechas brancas de tomarem uma forte coloração avermelhada. - Insônia?
- Sol. - Ele respondeu, meneando a cabeça. - E fome.
- Bom, seus problemas acabaram! - Ela ergueu as sacolas, fazendo alargar seu sorriso. rolou os olhos. - Me ajuda a preparar o café da manhã?
- Só se for agora!
foi retirando as coisas de dentro das sacolas enquanto procurava por panelas e xícaras nos incontáveis armários da cozinha.
- E então, qual é a história dessa casa? - perguntou, sentando-se no balcão exatamente como fizera antes, brincando com uma lata de ervilha. - Quero dizer, para você achar que ela é mal assombrada.
- Pensei que tivesse medo dessas coisas. - disse sem olhar para ele, prestando atenção nos ovos mexidos.
- Medo eu tenho, mas sabe como é, curiosidade sempre fala mais alto.
hesitou. Remexeu um pouco mais no conteúdo da frigideira, perdendo-se em pensamentos e lembranças por alguns longos minutos. Um arrepio percorreu sua espinha e imediatamente ela meneou a cabeça, desligando o fogão. Virou-se para encontrar um em expectativa e certo receio, e não pôde deixar de rir da situação. Pediu que ele a ajudasse a levar as coisas para a mesa na sala de jantar, se assustando quando deixou dois copos caírem.
- Meu Deus, você está bem, ?! - conseguiu socorrê-lo depois de colocar a jarra de suco e a frigideira em cima da mesa. - Ai, você tá sangrando!
- Desculpa, eu sou meio desajeitado. - sorriu sem graça. - Meu Deus, eu dou um jeito de repor os copos depois!
- Para de ser bobo! Vem cá, me deixa cuidar desse corte!
guiou de volta à cozinha, onde ela havia deixado uma maleta de primeiros socorros estrategicamente a postos na primeira gaveta. Ela costumava se machucar sempre que estava naquele cômodo, então achou sensato que ele ficasse ali. Não demorou muito para que as vozes de e chegassem afobados até a cozinha.
- O que aconteceu aqui?! - Uma descabelada levava uma mão ao peito enquanto a outra se apoiava no ombro de . - Que barulho foi esse?!
- Foi apenas o . - deu de ombros, ignorando a pontinha de ciúmes que sentiu, se concentrando em limpar o corte na mão de . - Tomem cuidado para não pisarem no...
- OUTCH! - Os quatro presentes na cozinha se viraram em direção à sala de jantar, de onde o grito de partiu.
- Vidro. - concluiu a frase, deixando os ombros caírem em desânimo. - Pronto, vão me processar por ferir dois integrantes do One Direction!
- Quem foi o inútil que deixou esses cacos de vidro no chão?! - esbravejou enquanto entrava mancando no recinto, engolindo em seco quando encontrou uma choramingando enquanto limpava o machucado do amigo. - Ah.
- Acho que vou vomitar. - não aguentava ver sangue, então resolveu que seria melhor recolher os cacos antes que mais alguém se machucasse. Mas a ideia não pareceu tão boa quando ela percebeu que havia um rastro de sangue por onde havia passado. - Tudo bem, , você pode cuidar disso pra mim?
concordou, procurando a vassoura e a pá que ele havia deixado em algum lugar na lavanderia. subiu correndo para o banheiro, esbarrando acidentalmente em .
- Hey, o que houve? Que barulheira é essa?
- , copos quebrados, sangue. - Ela respondeu sentindo o estômago virar. - Essas coisas.
- Você tá bem? - segurou delicadamente pelos ombros, sentindo o contato de suas peles provocarem uma onda de calor inexplicável por seu corpo.
- Só preciso de um pouco de ar. - Ela respondeu, mas não sabia se fazia referência ao enjoo ou ao contato dos dois. - Vai descendo, o café já tá na mesa.
Ele concordou, não conseguindo esconder o sorriso ao perceber o efeito que ele havia causado nela. Ao chegar à sala de jantar, se deparou com uma farta mesa de café da manhã a postos. terminava de varrer o que ele presumiu ser o copo que quebrou, e logo avistou o mesmo saindo da cozinha com a mão enfaixada.
- Tinha que ser o . - rolou os olhos, abraçando pelo pescoço. - O que temos de bom pra comer?
limitou-se a rolar os olhos, acompanhando até a mesa.
E na cozinha, travava uma verdadeira batalha com , que se recusava a deixar a garota tirar o pedaço de vidro que estava na sola do seu pé. Era uma cena cômica: estava ajoelhada diante de , que tentava manter o seu pé machucado longe dela, contorcendo-se na cadeira.
- , pela décima vez, - bufou impaciente, usando um tom baixo, como se conversasse com uma criança teimosa. - não vai doer!
- Não sei disso não!
- , isso pode infeccionar! - tentou segurar seu pé. Outra vez em vão. - Me deixa ver, por favor?
- Promete que não vai doer? - encostou-se no batente da porta. Essa ele queria ver.
- Prometo que vai ser rápido. E tenho certeza que você já fez machucados piores. - conseguiu segurar o pé de , vendo que o garoto parou para pensar em todos os seus machucados na vida.
- Teve uma vez que eu quebrei o pé jogando basquete. Ele ficou torto. - soltou uma risada nasalada e cruzou os braços - E teve uma vez também que eu achei que conseguia voar, e pulei do segundo andar da casa dos meus avós, foi divertido. - sorriu lembrando. - Mas qual criança nunca fez uma coi... - parou de falar quando viu segurando o caco de vidro que estava em seu pé na sua mão. Não era maior do que dois centímetros. - Como... Você... Quando...
- Sou ótima em distrair as pessoas! Agora continua quietinho enquanto eu enfaixo seu pé, o corte foi pequeno, não vai precisar de ponto. - explicou .
- Você seria uma ótima médica, . - disse sincero enquanto relaxava o corpo. Não conseguiu evitar um sorriso ao ver que ela sorriu tímida. Sem dúvidas nenhuma, aquele era o sorriso mais lindo que ele já havia visto na face da Terra.
- Que nada, não tenho muito estômago pra isso. - deu de ombros, destampando um vidro de álcool. arregalou os olhos e sorriu amarelo.
- Onde você pensa que vai colocar isso? - o garoto levantou o pé, tirando de perto de . Olhou para o lado e viu que estava chorando de rir.
- Er... , me dá uma ajudinha aqui. - não precisou explicar muito para que entendesse que deveria manter na cadeira enquanto ela colocava álcool no corte.
- Vocês estão bem loucos? Eu não vou deixar você colocar isso no meu pé, vai arder mais do que... Mais do que... Mais do que a coisa que mais arde no mundo! - os outros dois rolaram os olhos, colocando o plano em ação. sorriu diabolicamente enquanto segurava os ombros de , pressionando-os para baixo. olhou desesperado para , que sorriu docemente.
- Você confia em mim? - a garota perguntou. Instantaneamente relaxou seus ombros e abriu um sorriso.
- Claro que confio.
- Então fica tranquilo que vai ser rápido. - concordou e fechou os olhos, preparando-se para a dor. segurou o pé de e tentou controlar o riso. Pensou em quantas adolescentes não pagariam milhões para estarem no lugar dela naquele momento, segurando o de . jogou um pouco do álcool e escutou xingar baixinho, mordendo o lábio inferior. - Pronto, pronto, já passou. - abriu os olhos lentamente e sorriu para , murmurando um "obrigado". saiu silenciosamente da cozinha, morrendo de vontade de contar para alguém o que havia acontecido.
- Viu? Disse que ia ser rápido! - terminou de enfaixar o pé do garoto e colocou algumas tiras de esparadrapo para prender. - Prontinho, novo em folha! - a garota levantou-se e guardou tudo o que usou dentro da bolsinha de primeiros socorros. colocou o pé cuidadosamente no chão, apoiando a mão no balcão para levantar-se, onde acabou se desequilibrando. Por sorte, estava em pé ao seu lado e conseguiu dar apoio para que ele não caísse. - Devagar aí, campeão. - espalmou uma das mãos no tórax de , enquanto a outra estava segurando seu braço esquerdo. Não conseguiu evitar notar que tudo ali era muito bem definido. Os olhares dos dois se encontraram, fazendo com que qualquer noção de fala desaparecesse.
- Obrigado, . - quando ia abrir a boca pra agradecer, a voz de e a gargalhada de soaram na cozinha.
- Caramba, pra cuidar do meu corte a não demorou tanto assim... - parou de falar assim que percebeu o que estava acontecendo. - Opa.
- Viu, eu disse que não ia doer nada! - Com certo desespero, tirou as mãos de , enfiando-as dentro dos bolsos de seu jeans. Virou-se para e , que seguravam o riso. - Então, vocês não comeram toda a comida, né?
Sem esperar por uma resposta definitiva, saiu rapidamente da cozinha, sentindo a pressão em sua caixa torácica diminuir.
- Ela é sempre assim? - perguntou para , aceitando a ajuda da garota para caminhar.
- Você ainda não viu nada. - riu, meneando a cabeça.
Assim que viu se aproximar, cedeu o seu lugar para a garota, sorrindo galante. Típico de , pensou a garota enquanto se sentava, exibindo um sorriso divertido para ele. rolou os olhos, preocupando-se em comer seu pão com Nutella antes que o roubasse. De novo.
Depois de dois minutos inteiros, sentou-se de frente para , sendo ladeado por e , que procurava pelo seu copo de suco, encontrando-o vazio. Reclamou com , que não conseguiu esconder por muito tempo que fora o responsável por aquela travessura.
Naquele momento, estava com uma forte sensação de dejá-vù. A cena a fez se recordar dos jantares que ocorreram ali, que eram sempre daquela mesma forma: sempre cheia de gente, com muitas piadas e conversas descontraídas. A única diferença agora era que ao invés dos primos chatos, a mesa estava preenchida pelo One Direction.
- Mas então, você não me contou o que ia contar mais cedo, ! - comentou de boca cheia. - Sabe, antes de eu quebrar seus copos.
- Ah. - A garota murmurou também de boca cheia, trocando um sorriso cúmplice com quando percebeu que agiram da mesma forma. - A história de terror?
No mesmo segundo parou de mastigar o seu pedaço de bolo, engolindo em seco. Lançou um olhar suplicante para , que deu de ombros e assentiu para a garota, que ajeitou a postura na cadeira. Todos ficaram tensos e largaram garfos e copos, menos , que parecia entretida com os talheres.
já ouvira aquela história antes, mas foi há tanto tempo que já havia se esquecido dos detalhes. Não tinha certeza se queria lembrar então preferiu manter-se ocupada, caçando ervilhas dentro de sua torta.
- Olha, foi o que eu ouvi da minha avó, então eu não sei explicar direito como tudo começou. - certificou-se que todos estavam ouvindo e deu um chute na canela de por debaixo da mesa ao perceber que ela era a única que não prestava atenção. Bom, ela achou que era a canela da , porque quem reclamou foi , que estava sentado ao lado de . Desculpou-se e pediu que prestasse atenção nela. A contra gosto, ela obedeceu. - Essa casa é muito antiga e está na família do finado marido da minha finada avó Lucinda há séculos. Segundo o pai do meu vodrasto, a esposa dele faleceu aqui. Meu vodrasto era criança na época e vocês sabem o que dizem sobre criança terem mais sensibilidade com essas coisas do além, né? Então, era comum meu vodrasto mencionar que viu a mãe ou que falou com ela. E isso durou muitos anos, mesmo depois que ele entrou na adolescência e até quando ele se casou com vovó Lucinda.
Todos ficaram em silêncio, e todos sentiram um arrepio correr pela espinha. Inconscientemente, apertou o braço de por debaixo da mesa, que instintivamente se aproximou um pouco mais da garota.
- Mas você já a viu? A mãe do seu vodrasto? - perguntou, sentindo os pelos de sua nuca se eriçar de um jeito desagradável.
- Nunca vi. - Foi possível ouvir o suspiro de alívio de todos os presentes. Mas a sensação durou poucos segundos. - Mas já senti como se estivesse sendo observada. O que é assustador da mesma maneira. Mas acho que era só o meu psicológico - sorriu amarelo, tentando amenizar o clima. Além do mais, ela não queria assustar seus convidados de honra. - Sabe como é, eu sou bem dramática.
- Isso é um fato! - concordou, se dando conta da grande proximidade do seu corpo ao de aos poucos. Mais cautelosa do que fora na cozinha com , ela voltou à sua posição inicial, preferindo não olhar diretamente para ele. - Acho que você é a única a achar que pedras vão se revoltar com você caso você as atire num lago!
- Hey, eu tenho que me preocupar com os objetos inanimados! Eles vivem se colocando no meu caminho, como eu vou saber se eles não vão querer se vingar mais cedo ou mais tarde? - disse muito séria, mas todos riram, afastando de vez o clima sombrio que havia se instalado sobre eles. - O quê? Eu tô falando sério!
rolou os olhos e voltou a se concentrar na comida. e começaram a conversar sobre quantas calorias tinham naquele pão que cada um comia, enquanto pegava de dentro do saco seu segundo pão para comer, cantarolando alguma coisa. e ainda discutiam sobre os benefícios de ter algum tipo de aparelho que te avisasse sobre a aproximação de objetos, até que espirrou e bateu o braço sem querer no seu copo de suco, derrubando o líquido na mesa que escorreu até molhar a calça de .
- MINHA CALÇA! - afastou sua cadeira rapidamente, ficando de pé e olhando para a mancha na coxa. - MINHA CALÇA! - olhou desesperado para as pessoas na mesa, que o olhavam sem dizer nenhuma palavra. - TÁ SUJA, MINHA CALÇA TÁ SUJA! - levantou-se e, calmamente, colocou as mãos no ombro de e o fez sentar-se novamente na cadeira.
- Fica calmo, , não é o fim do mundo. - argumentou, passando a mão pelo cabelo de , que se desvencilhou no mesmo instante.
- Você fala isso porque não é você que vai ficar com a calça suja pro resto da sua existência. - todos soltaram um murmúrio de reprovação, ignorando o drama de . soltou uma risadinha; eles tinham muita coisa em comum.
- Acho que esse drama de princesinha do serviu pra me lembrar de uma coisa... - tomou o último gole de seu suco - Já que nós vamos ficar por aqui até o dia em que temos que teoricamente voltar do Japão, nós precisamos de roupas. Porque temos uma semana ainda e eu tenho certeza que as roupas das garotas não servem muito bem na gente. - fez uma careta e segurou na beirada da mesa para não levantar e apertar as bochechas dele.
- Olha só, tendo ideias pertinentes. - zombou enquanto voltava a se sentar.
- Tá, e quem vai buscar? - perguntou de boca cheia - Eu não quero correr o risco de ser morto pelo Paul.
- Nem eu. Já basta minha calça molhada por hoje. - se pronunciou, recostando-se na cadeira. pegou uns guardanapos e pediu para que ele colocasse na mancha.
- Eu posso ir, se vocês quiserem. - ofereceu ajuda e todos a olharam ao mesmo instante - Mas preciso que um de vocês venha comigo, porque eu corro sérios riscos de me perder.
- Eu vou com você. - e disseram ao mesmo tempo. olhou sugestivamente para na mesma hora, o que fez com que corasse um pouco.
- Deixa que eu vou, , tô precisando respirar um pouco. - argumentou.
- Eu conheço a casa de todos vocês, você é distraído e é capaz de esquecer as coisas, . Eu vou, sem problemas. - retrucou e semicerrou os olhos.
- Eles sempre fazem isso? - perguntou para , que tinha um sorriso no rosto vendo a discussão.
- Sempre - respondeu sem tirar o olho da briga. já estava em pé argumentando. - O problema é que eles pensam da mesma maneira. não admite perder e ter argumento pra tudo. Quando estamos em turnê isso é o ápice da nossa viagem. - o garoto olhou para sorrindo, vendo que ela o olhava de maneira engraçada. Percebendo que notou usa expressão, chacoalhou a cabeça e pigarreou.
- Acho melhor você lavar essa mancha da sua calça antes que você não consiga mais usá-la. - encarou a grande mancha de suco de uva na sua perna e olhou em dúvida para .
- E eu vou usar o que enquanto seca? - sorriu.
- Vem cá. - levantou-se e saiu puxando pela mão, que andava sorrindo atrás da garota por causa do contato. levou até o banheiro do quarto que dividia com . Soltou da mão do garoto e abriu uma das portas de um grande armário antigo que tinha no quarto. observou que tirou uma toalha de lá e estendeu para . - Tira a calça e coloca isso na cintura. - ergueu uma sobrancelha e ficou encarando .
- Tá doida? - bufou.
- Quer fazer o favor de colocar isso na cintura? Ou prefere ficar com uma mancha enorme na calça?
- Tá, tá. Mas o que você vai fazer? - perguntou enquanto fechava a porta do banheiro.
- Vou tirar a mancha da sua calça. Ou pelo menos tentar. - ouviu a risada abafada de vindo detrás da porta. tirou a calça e enrolou a toalha vermelha na cintura, olhando para seu corpo logo em seguida. Que menininha, pensou. - ? - bateu na porta.
- Eu não quero que você me veja desse jeito, . - choramingou e começou a gargalhar do lado de fora.
- Por quê?
- Eu tô ridículo!
- Tenho certeza que não, isso é impossível. - colocou a mão na boca, xingando-se mentalmente por ter dito aquilo. não conseguiu evitar que um sorriso largo - e convencido - aparecesse no seu rosto. - Quer dizer... Tenho certeza que não deve estar ruim, é só uma toalha, né? Né? ? - começou a bater na porta desesperadamente, imaginando que depois do que ela havia dito, ele teria se dado descarga. Ouviu a porta sendo destrancada e viu um de toalha vermelha amarrada na cintura. Segurou o riso e olhou para o garoto, que suspirou profundamente.
- Eu falei que estava ridículo. - disse saindo do banheiro e sentando-se na cama. desviou o olhar da barra da toalha.
- Não tá ridículo, você só tá parecendo um... - mordeu o lábio antes de falar.
- Pode falar, eu aguento.
- Um ator pornô. - após um instante em silêncio, os dois começaram a gargalhar, o que até resultou em lágrimas nos olhos de . - Ai, minha barriga. - a garota voltou rindo para o banheiro para pegar a calça de e começar a lavar na pia. - Cruze seus dedinhos para que sua calça não fique pior do que já está. - preferiu não contrariar e cruzou os dedos das duas mãos. Ele realmente gostava daquela calça.
, por incrível que pareça, conseguiu tirar a mancha da calça de . Secou a parte molhada com o secador e parecia que nada havia acontecido com ela. disse zilhões de vezes que retribuiria o favor da melhor maneira possível, e dizia que não precisava, apesar de pensar em várias maneiras de ele retribuir.
e voltaram para a sala e depararam-se com uma cena um tanto quanto inusitada, perguntando-se o porquê de e estarem rolando no chão e por que ria enquanto fazia tranças - desajeitadas, diga-se de passagem - nos cabelos de , que por sua vez estava mais vermelha do que uma plantação inteira de tomates.
- O que perdemos? - perguntou depois de rir de , que puxava os cabelos de . jogou-se sobre os dois amigos que ainda estavam no chão, gritando "montinho" e atraindo a atenção de e , que se juntaram aos outros três. - O que tá acontecendo aqui?
- e ainda estavam disputando para ver quem vai buscar as roupas deles.
- E quem ganhou?
- . - deu de ombros, recuperando o fôlego depois de rir por incontáveis minutos e ignorando completamente o fato de ter se arrepiado quando mencionou o nome dele. - Acho que o não gosta muito de perder.
riu, lembrando-se do que havia falado para ela mais cedo.
- Convenhamos, o não quer perder a sua atenção pro . - riu quando engasgou com o ar, ficando mais vermelha do que já estava antes. Se é que isso era humanamente possível. - Se bem que o não gosta de perder a atenção de ninguém.
- Isso nós não podemos negar. - riu quando percebeu que olhava com um sorriso bobo para , que agora pedia socorro porque estava sentado em cima de suas costas. - E você e o , hein? Tá rolando maior clima!
- Você acha? Quero dizer, ele é bem legal.
- E bonito e charmoso. - completou, recebendo um soquinho de em seu ombro. - Ok, tudo bem, nada de roubar o namorado das amigas!
- Como você é boba. - rolou os olhos, mas não pôde deixar de abrir o sorriso com aquele comentário. - Você vai com o , então?
- Quê?
- Buscar as roupas. Não era por isso que os dois mocinhos estavam brigando? Para saber quem vai ter a atenção da mocinha?
- Ah, é. Acho que sim. - corou. gargalhou e voltou para perto delas, deitando sua cabeça na perna de e jogando as pernas em cima das pernas de . - Folgado é pouco, né, menino ?
- Vocês me amam, fala sério.
- Convencido. - deu a língua, recebendo um beliscão de .
- Chata.
- Bobo.
- Vocês dois parem com essa DR, eu não aguento essas coisas. - deu um tapa na testa de , fazendo-o choramingar teatralmente. - Quieto, ! Alguns segundos depois, os meninos se jogaram exaustos no sofá, cada um rindo e fazendo comentários aleatórios. não pôde deixar de notar que sentou-se ao seu lado e que seus braços se roçavam levemente, provocando um tipo de corrente elétrica pelo corpo dela que ela não conseguia explicar.
- , você pode pegar meu iPod? E minha escova de dente? - começou a falar quando todos ficaram em silêncio, assustando a garota que estava perdida em pensamentos. - E o carregador do meu celular. Acho que vai estar tudo na primeira gaveta da minha cômoda!
- Você guarda sua escova de dente dentro da gaveta? - arqueou a sobrancelha, achando aquilo muito inusitado, até mesmo para .
- Eu esqueço de levar para o banheiro. - Ele deu de ombros, achando aquela uma justificativa adequada. E certamente não era mentira; tinha aquela mania de deixar as coisas em lugares inusitados. Como da vez que ele guardou uma camiseta dentro da geladeira. - Posso fazer uma lista?
- Você deve fazer uma lista, . - rolou os olhos, recebendo um cutucão brincalhão de em suas costelas. - só não esquece a cabeça porque está grudada no pescoço!
E depois disso o caos estava feito: , e ladearam a menina, falando tudo ao mesmo tempo, pedindo centenas de coisas que esquecia um segundo depois de achar que tinha decorado. divertia-se com o semblante de , que ia de diversão a desespero e ele pegou-se sorrindo sozinho. Resolveu que era melhor parar de agir feito um bobo e ir ajudá-la, acalmando os ânimos dos companheiros de banda.
- Tudo bem, por que vocês não fazem uma lista como a sugeriu? - sorriu agradecida para , sussurrando um obrigado que o fez alargar o sorriso de minutos atrás. Tolo, ele pensou consigo mesmo, mas sem conseguir desfazer o semblante alegre - Eu vou pegar meu celular e minha blusa, espera aí!
- Espera, espera aí, ! - levantou-se do chão, ficando de frente para . que ficara momentaneamente sozinha levantou-se também e foi para a cozinha procurar algo. O que era ela não sabia. - Você não pode sair vestido assim. Quero dizer, nada contra suas roupas, mas é que vão te reconhecer em questão de segundos! - Putz. - Ele bateu em sua testa, fechando os olhos. Não tinha pensado naquilo. - Eu não tinha pensado nisso. - Externou o pensamento, fitando com desânimo. - E agora?
- Bom, sorte a sua que eu sou um gênio. - deixou um sorriso travesso moldar seus lábios, e por um momento achou que parecia estar em outro mundo. - Vem comigo! pegou na mão de e era o primeiro contato direto entre os dois. Pela terceira vez, se sentiu como um garotinho de cinco anos que se apaixona pela professora. Não que ele estivesse apaixonado, pensou. Mas conseguia provocar reações estranhas nele. Perguntou-se se ela também sentia algo parecido, mas resolveu que era melhor não se ater a esses fatos. Não por enquanto. não tinha se dado conta de como a mão de era macia e muito menos de que o garoto segurava em sua mão com doçura. Naquele momento, ela estava em êxtase por ter tido a grandiosa ideia que permitiria sair sem ser reconhecido.
Seguiram até o segundo andar, onde apontou para a corda no teto. prontamente a puxou, agora ciente de que a escada despencava do teto pronto para acertar os mais desavisados.
- Eu tenho algo aqui que pode ajudar a gente! - subiu na frente, sumindo rapidamente pela passagem no teto. Meio segundo depois de sumir, ainda estava no primeiro degrau e se assustou quando colocou a cabeça para fora, apressando-o depois de soltar uma risada infantil. - Anda logo, !
- Você é ligada no 320, não é possível! - riu, terminando de subir as escadas. Bateu as mãos na calça para retirar o pó. No mesmo instante, viu empurrando o grande baú misterioso e agitou as mãos em direção a ela, fazendo-a parar quando começou a falar. - Ei, Ei! Aonde você pensa que vai com isso aí?!
- Relaxa, , eu só vou subir nele pra pegar aquela caixa. - apontou para a última prateleira, fazendo com que soltasse um suspiro de alívio. Ela achou graça, mas não podia negar que aquele objeto também a assustava um pouco. negou a ajuda de para apanhar a caixa em questão, e o garoto encontrava-se numa situação um pouco embaraçosa agora. estava na ponta dos pés e o movimento de esticar os braços fez sua camiseta subir um pouco e revelar parte do seu quadril, onde descobriu haver uma pequena tatuagem. Queria perguntar o que era, mas achou melhor não dizer nada, já que naquele momento encontrava-se sem voz. Engoliu em seco e procurou focar o olhar em outro lugar antes que ela percebesse seu momento de perversão.
- Aqui! - Ela saltou e correu até , trazendo consigo uma caixa empoeirada. deixou a caixa no chão e abriu sem muita cerimônia, tirando e jogando as roupas que se encontravam ali dentro sobre o carpete. - São roupas do meu vodrasto, Charlie.
- Não entendi. - franziu as sobrancelhas, sentando-se ao lado de , observando-a remexer nas roupas que - por incrível que pareça - tinham um leve aroma de lavanda. Bem cheiro de avô, ele pensou. - Acho que algumas até servem em mim, mas não sei se os meninos vão querer usar essas coisas. - apanhou uma camisa com estampas de chiuauas, largando-a com certa repulsa. - Nada contra.
- Não, seu bobinho. - rolou os olhos, dando um tapa leve na testa de . - Você vai se vestir de Charlie e ninguém vai suspeitar que você é você. Até porque não dá pra imaginar usando essas coisas.
Os dois riram juntos e o clima ficou instantaneamente mais leve. Mesmo que ela se esforçasse para agir normalmente com , muitas vezes não sabia o que dizer. Parecia que nada do que ela falava fazia sentido, então preferia não ficar muito tempo sozinha com ele. E era engraçado porque parecia tão fácil estar com e , ou até mesmo com e . (Embora esse último ainda consiga roubar o fôlego de quando sorria). ficou internamente satisfeito ao perceber que a barreira que existia entre os dois começara a dar indícios de desmoronamento. Não entendia porque agia distante quando ficavam sozinhos, mas ao que parecia, as coisas iam mudar. E ele gostava disso.
- Viu, você coloca essa boina... - ficou apoiada nos joelhos, ajeitando o acessório na cabeça de , escondendo os cabelos que insistiam em ficar de fora com cuidado. Sem que percebesse, fechou os olhos com o contato. - Usa esses óculos e essas roupas. Ninguém vai te reconhecer! Aposto que nem o vai.
- Isso não é muito difícil. não bate muito bem das ideias. - sorriu. - Posso me trocar, então?
- Ah, claro! Eu vou descer e você me chama quando terminar! Mas não tranque a porta porque senão eu não vou ouvir!
entortava a boca e murmurava o quão ridículo ele estava ficando, se desculpando depois, com medo dos boatos de assombrações serem verdadeiros e Charlie se sentir ofendido e voltar para puxar o pé dele. Um calafrio percorreu sua espinha e estar sozinho no sótão não era muito agradável. Sentiu compaixão de e querendo sair logo dali, vestiu a calça cáqui cor de laranja e colocou o colete de lã por cima da camisa social roxa de qualquer jeito, praticamente correndo para fora. Só parou de correr quando estava no segundo andar, parando bruscamente quando viu sentada no chão, encostada na parede. tentou fingir que estava tudo normal, mas a julgar pelo modo como deixou um riso divertido escapar, ficou meio evidente de que ele estava apavorado.
- Oi, vovô! - se levantou, indo até , ajeitando a gola da camisa enquanto ainda ria. - Você está realmente se parecendo com meu avô.
- Não sei se aceito isso como um elogio ou não. - fez uma careta, mas rindo logo em seguida porque estava bem perto, ajeitando suas roupas. Pensou em usar aquela tática em outros momentos também, já que reparou que a menina tinha aquela mania. Não que ele estivesse reparando nela o tempo todo, disse para si mesmo, como se precisasse se justificar.
- É claro que é um elogio, Charlie era realmente muito bonito. É fácil entender porque minha avó largou tudo no Brasil e veio ficar com ele. - disse simplesmente, sorrindo enviesada. - Depois eu mostro uma foto dele pra você!
- Eu vou cobrar essa sessão fotografia!
- Certo. - pigarreou se afastando para ver se estava tudo certo. Exibiu um sorriso satisfeito ao perceber que o disfarce estava perfeito. - Você está com a lista dos meninos?
- Está tudo comigo. - rolou os olhos, ainda tentando entender pra que tinha pedido seu travesseiro. - Vamos nessa?
concordou, descendo na frente. estava jogando um travesseiro para o alto, , e estavam conversando animados e estava deitado no sofá, beirando um cochilo. - Bom, nós estamos indo. - sorriu para os meninos, que pareciam em expectativa. abriu os olhos e ainda parecia um pouco emburrado. meneou a cabeça, achando aquilo engraçado. - Vocês vão ficar bem?
- Eu acho que vou morrer de tanta saudade. - brincou, apoiando-se em , fingindo chorar em seu ombro. - Mas eu supero!
- Até porque o não vai te deixar ficar triste. - comentou e todos caíram na gargalhada, menos e , que faltaram abrir um buraco no chão para se esconderem. - , não se esqueça da minha escova!
- Primeira gaveta da cômoda. - Ela sorriu, assentindo para os outros. - Qualquer coisa... Liguem para o porque eu ainda tô sem celular.
- Pobre. - zombou, recebendo língua da garota. - Vão pela sombra e juízo.
- Como vocês vão chegar lá? - perguntou antes que eles saíssem. - Digo, nós estamos meio longe...
- Hm, de táxi...? - riu pelo nariz, observando rolar os olhos e dar um tapa em sua própria testa. - Nós estamos na civilização, . E dessa vez, - se virou para , usando um tom sério. - Eu pago.
- Essa é a minha garota! - uivou e recebeu um olhar de reprovação de sem que percebesse. - Ou não.

Depois de algumas recomendações de e de , eles saíram. certificou-se de que a boina e os óculos escuros escondiam o rosto de e só depois eles seguiram a pé até o centro da pequena vila, onde eles poderiam encontrar um táxi. Por sorte, havia um parado em frente ao velho ponto de ônibus e correu até o motorista, pedindo que agisse como um velho. E ela teve que se controlar para não rir, porque ele realmente estava agindo como um, reclamando numa voz forçada que "ela deveria esperar pelos mais velhos e incapacitados."
ainda atuando muito bem, passou o endereço para o motorista, observando rir. Durante a viagem os dois não conversaram e não precisaram combinar isso; sabiam que se ficassem conversando, iam acabar estragando tudo.
colocou os fones de ouvido e encostou a cabeça na janela, vendo a paisagem passar por eles. fez o mesmo, mas volta ou outra olhava para a garota ao seu lado, sorrindo ao perceber que ela acabara adormecendo.
Quase cinquenta minutos depois, cutucou , dizendo que eles haviam chegado. Por meio segundo ela se perguntou quem era aquele velho e o que ela fazia com ele dentro de um táxi diante de um condomínio aparentemente deserto.
As casas estendiam-se grandiosas por todo quarteirão e todas elas tinham o mesmo tom de salmão.
- Wow. - Ela deixou um silvo baixo escapar dos lábios, e sorriu torto. Quando o táxi foi embora, ela semicerrou os olhos e deu um soco moderado no ombro de , que a fitou sem entender. - Você pagou o táxi!
gargalhou e foi reprimido por , pois duas adolescentes se aproximavam.
- Vem tio, vamos continuar com sua caminhada. O médico disse que é bom pro seu intestino funcionar! - As garotas passaram pelos dois no mesmo momento, fazendo caretas enojadas. esperou as garotas sumirem de vista, respirando aliviada. - Essa foi por pouco. Anda, , qual dessas é a casa de vocês?
- Aquela é a minha, do e do . - apontou para a casa mais distante. - E aquela é a do e do . Mas, tecnicamente, todos nós moramos na casa do .
- E tecnicamente, - observou depois de absorver as informações. Em alguma parte congelada no fundo do seu ser, a extremamente fanática gritava. Ela ia entrar na casa dos seus ídolos! Por sorte ela estava se acostumando com eles, então não fazia tanta diferença assim - aquele é o Paul? - forçou a vista e deixou um silvo baixo escapar por entre os lábios. Sua suspeita estava correta, afinal. Paul estava acampado - literalmente - diante da casa de e não tinha como dar a volta. Não sem passar por ele.
- Que droga.
- Relaxa, , eu tenho a solução. - com o habitual sorriso travesso puxou para mais perto, sussurrando em seu ouvido. não sabia, mas isso causou arrepios pelo corpo de . - Eu vou até ele, e o distraio. Você entra na casa e pega tudo que precisa pegar.
- E depois? Como vou sair carregando um monte de mochila sem ser percebido?
- Depois... Bem, depois eu dou um jeito! - mordiscou o canto do lábio inferior, pensando. Meneou a cabeça, empurrando com um sorriso divertido nos lábios. Ela estava adorando a sensação de agir como uma espiã - Vai logo!
Ainda se divertindo com a situação, deu inicio ao seu plano "distraindo o segurança do One Direction".

Enquanto isso na mansão...

- Vocês se conhecem há quanto tempo? - perguntou à , apontando para a foto onde ela e riam segurando bexigas coloridas. Ele instantaneamente começou a rir também.
- Desde o primário. - começou a falar enquanto guardava suas roupas na parte limpa do guarda-roupa. Ela e arranjaram um tempo para pelo menos deixar o quarto arrumado e dividiram o espaço do guarda-roupa. agradeceu mentalmente por ter guardado suas peças íntimas antes dos meninos se oferecem para ajudá-la. - Eu colei chiclete sem querer no cabelo da . - Ela riu com a lembrança, lembrando-se do desespero que sentiu. - Eu pensei que a fosse começar a chorar ou até fosse me bater. Mas ela começou a rir e cortou o pedaço do cabelo que estava com o chiclete. Depois disso nós viramos melhores amigas.
- Santo chiclete. - comentou, andando pelo quarto sem saber exatamente o que fazer. Já fazia algumas horas desde que e saíram. - E você fazia o que lá antes de vir pra cá? Sabe, lá no Brasil?
- Bom, eu trabalhava numa agência de viagens e fazia faculdade...
- E você deixou alguém lá? - perguntou tentando não demonstrar muito interesse, mas era meio óbvio para , e que ele queria saber se havia concorrência por lá. - Quero dizer, você com certeza deve ter deixado muitos amigos, e sua família também, né?
- É, tinha a turma da faculdade que era bem legal. - deu de ombros, fechando a porta do guarda-roupa, grata por ter guardado tudo. Colocou as mãos na cintura, olhando para cada um dos meninos espalhados no quarto, como sempre, demorando-se mais do que o necessário em . Ao perceber a deixa, passou a recolher as malas vazias, empurrando-as para baixo da cama, voltando a falar. - Ah, mas os que realmente importam que ficaram lá são meus pais e o Zac.
- Zac? - perguntou, segurando-se para não rir da cara de .
- É, sinto falta de dormir com ele todos os dias. - Ela disse distraída, só percebendo o que tinha dito depois de ver as expressões incrédulas dos quatro rapazes. - Ah, não! Não, pelo amor de Deus, não é isso que vocês estão pensando! Zac é o meu cachorro!
Murmúrios de compreensão vieram de , e no segundo depois todos estavam rindo. A campainha estrondosa soou e, mais uma vez, acabou indo para o chão. Isso não ajudou muito , que não conseguia parar de rir. Quando a campainha soou mais uma vez, ela deixou o quarto, ainda ouvindo a risada contagiante dos meninos ecoarem pelo corredor.
Enxugou as lágrimas que escorriam pelo canto dos olhos, tomando fôlego antes de abrir a porta. Estranhou quando não encontrou ninguém na frente da mansão. Desceu os degraus com receio, olhando para a rua deserta, perguntando-se se alguma criança correria o bastante para tocar a campainha e ir parar na cidade vizinha em menos de meio segundo.
Distraída com seus pensamentos, se assustou quando sentiu alguém cutucar seu ombro. Levou uma mão ao peito e outra à boca, sentindo o coração bater acelerado. Encarou o homem calvo e de barba por fazer, perguntando-se se já deveria começar a gritar ou a rezar.
- Precisa de alguém para limpar o jardim? - Ele perguntou com sotaque arrastado, apontando para a fachada da mansão por sobre o ombro. - Eu posso fazer o trabalho por cinco libras.
- Ahn, não, na verdade, tá tudo bem. - sorriu amarelo, querendo estar logo na segurança do seu quarto. - Muito obrigado mesmo assim.
- Tem certeza? Eu posso fazer sem problemas.
- É... Aham, se eu precisar... Pode deixar que eu chamo você.
Despediu-se com ansiedade, fechando a porta e passando o trinco, apenas por precaução. ficou olhando o homem sumir pela fresta da cortina e, quando viu que ele estava longe o bastante, começou a rir. Ela podia jurar que a casa estava começando a dar indícios de que era assombrada de verdade.
Meneou a cabeça, subindo as escadas ainda rindo, pronta para dividir o momento susto com os meninos. Pela segunda vez, estranhou não encontrar ninguém onde deveria haver quatro pessoas.
Procurou nos quartos vizinhos, achando que eles estavam brincando com ela.
- Olha, se querem me assustar, podem parar com isso. Eu sei que vocês estão escondidos em algum lugar! - gritou, procurando-os pelos dormitórios. - Tudo bem, vocês querem brincar de esconde-esconde, é isso?
v Começou a estranhar quando percebeu que a casa continuava em silêncio. não conseguiria ficar tanto tempo sem rir. Muito menos . E a casa estava realmente silenciosa, como se não houvesse nada e nem ninguém além de .
Perguntou-se se era possível eles terem fugido. Mas eles não fariam isso, ela pensou, afastando aquela hipótese de uma vez. Até porque, eles estão se escondendo ali, querendo ou não, eles não têm para onde ir.
começou a procurá-los com certo desespero, gritando pelo nome de cada um. Chegou até a ir para a frente da casa, gritando pelo nome deles. Três garotas que estavam sentadas na calçada da casa da frente levantaram a cabeça em direção a , olhando para os lados certamente procurando por eles.
- Desculpe, estou procurando meus gatos! - sorriu amarelo, recebendo caretas de reprovação. Fez nota mental de que tinha que comentar aquilo com depois. - Cadê esses moleques?
Voltou para dentro da mansão, olhando uma terceira vez em cada cômodo possível. Entrou no quarto, jogando-se na cama, beliscando-se algumas vezes. Aquilo doeu e ela se deu conta de que não, ela não estava tendo um pesadelo. Levou as duas mãos ao rosto, afastando os cabelos que pinicavam seu pescoço.
Ficou instantaneamente em alerta quando ouviu o som da porta da frente sendo aberta e a voz alegre de gritando um "chegamos!" ecoar.
O seu desespero se tornou em nervosismo. O que ela ia dizer?!
gritava alguma coisa lá debaixo e percebeu que estava subindo, seguindo em direção à porta do quarto, chamando por seu nome. Prendeu a respiração e só soltou quando a maçaneta girou.
- , nós temos um problema. - disse assim que entrou no quarto. estava em pé, estralando os dedos da mão e mordendo o lábio inferior apreensiva. Desde quando ela estralava os dedos? pensou . Então o problema era grave, principalmente porque a casa estava silenciosa.
- Que problema, ? Cadê os meninos? - disse olhando para o corredor.
- Eu perdi os meninos.
- O quê?
- Eu perdi os meninos. - abriu a boca diversas vezes. Respirou e inspirou profundamente.
- Como assim? Não dá pra perder uma pessoa... Ainda mais quatro pessoas! - choramingou e sentou-se na cama de , olhando para a amiga como se pedisse piedade.
- Eu sei, eu sei! Mas eles estavam aqui em um minuto - apontou para sua cama - e depois não estavam mais! Eu procurei em todos os lados.
- , você não vai acreditar! ? ? - ouviram gritando do corredor e fez cara de desespero. - Vocês viram o ? - perguntou entrando no quarto.
- A perdeu o . E o , o e o também. - piscou duas vezes.
- Quê? - bufou. - Como você consegue perder quatro pessoas, ? - perguntou indignado, oferecendo m&m's para as garotas.
- Eu já disse. Nós estávamos aqui conversando, aí a campainha tocou e eu fui atender. Quando eu voltei não tinha mais ninguém aqui!
- Quem era na campainha? - perguntou enquanto colocava alguns m&m's dentro da boca.
- Um homem querendo cortar a grama. - deu de ombros. - Mas isso não vem ao caso.
- Você procurou em todos os lugares? Todos mesmo? - perguntou sentando-se ao lado de .
- Procurei, , procurei. - disse já sem paciência.
v - Então vamos procurar de novo. - saiu do quarto e começou a gritar o nome dos garotos.

Enquanto isso no sótão...

- Você é muito burro. - disse sentando-se no chão, dobrando os joelhos e apoiando os braços neles. - Muito burro.
- Tá, , desculpa se eu nasci, então. - perdeu a paciência e chutou o grande baú que ficava no centro do cômodo - Cacete! - reclamou pela dor que sentiu ao fazer aquilo. riu fraco, colocando as mãos na cintura e chacoalhando a cabeça.
- Vamos aceitar os fatos, todos nós somos culpados - apontou para seu peito e logo em seguida para , e , que tentava abrir a janela travada. Ainda com o dedo apontado, começou a descrever sobre o ocorrido - Primeiro, o não tinha o porquê de vir correndo aqui pegar um moletom porque estava com frio, tinha um na sala. Segundo, ainda culpando o e o seu medo, não precisávamos vir juntos para acompanhar você, nada iria acontecer. E terceiro, eu e fomos idiotas o suficiente para querer "trancar" você aqui dentro, sendo que nós também estávamos aqui dentro. - e ficaram em silêncio absorvendo a informação. xingou porque entrou uma farpa em seu dedo.
- Ok, mas isso não tira o fato de ter emperrado o trinco. - continuou .
- Mas eu só fui tentar abrir, ! - passou a mão meu cabelo - E quem foi o idiota que pensou em construir uma casa onde o sótão é a prova de som? Ninguém vai nos ouvir aqui!
- Uma hora vão sentir nossa falta. - disse desistindo de tentar sair pela janela. Não era uma coisa muito inteligente, afinal.
- Eu só sei que estou descobrindo uma claustrofobia. - começou a andar de um lado para o outro, respirando profundamente. Arregaçou as mangas curtas da camiseta que usava.
- Uau, sessão particular de stripper. - fez uma voz afetada. rolou os olhos e esticou suas pernas.
- Porra, , eu que tiro a roupa aqui com facilidade. - comentou.
- Então quer dizer que você tira a roupa pra qualquer um que te pede? - não perdeu a oportunidade de fazer piada com a situação.
- Cala a boca, . E eu tô passando mal de verdade. - tirou a camiseta e foi para perto da janela, para ver se olhar a rua o acalmava.
- Gays... - comentou .
- Cara, olha só isso daqui... - os chamou para verem a casa da frente, onde três garotas estavam de short lavando um carro. e assobiaram ao mesmo instante.
- Parece que o não se contenta só com a . - comentou assim que um barulho veio da escada. Os quatro olharam para trás e viram as subindo. - GRAÇAS A DEUS NOS ACHARAM! - comemorou e correu para abraçar . - Muito obrigado por salvar minha vida.
- Vocês estavam aqui o tempo todo? - apareceu em seguida, gesticulando sem parar, olhando furiosamente para cada um deles. Demorou um pouco mais do que o necessário em . - Não passou pela cabeça de nenhum de vocês em responder quando eu chamei por seus nomes feito uma louca? HEIN?
- O sótão é a prova de som. - defendeu.
- Que pessoa constrói uma casa onde o sótão é a prova de som? - repetiu as palavras de e o menino sorriu. Era a segunda vez que isso acontecia. suspirou, ajeitando a sua blusa. - Que seja, o importante é que vocês estão inteiros.
- Agora a gente pode sair daqui? Muito tempo fechado com homens no mesmo cômodo... - comentou enquanto andava em direção as escadas, dando uma piscadinha para e . , que acabara de entrar no sótão, e , o fulminaram com o olhar.
- Pronto. Feliz? - abraçou de lado enquanto eles se direcionavam para a escada. rolou os olhos. e desceram logo atrás, onde contava o porquê do sótão ser a prova de som.
- Tá tudo bem, ? - perguntou realmente preocupada. colocou a camiseta em volta do pescoço e a garota teve de reaprender a respirar.
- Só passei um pouco mal, não gosto muito de lugares tão fechados assim. - explicou com um sorriso tímido dos lábios. mostrou os dentes em uma tentativa de sorriso, e até chegou a pronunciar algumas coisas com o intuito de serem palavras. Mas não funcionou muito bem. A proximidade dos dois era grande e também perdeu um pouco do seu controle.
- Vamos... Vamos... - começou .
- Vamos...? - nos casar e ter lindos filhos? balançou a cabeça, tirando esses pensamentos antes que eles se tornassem um tanto quanto perigosos.
- Vamos descer - sorriu e saiu rapidamente da frente do garoto. Se toda vez que ela perdesse e na hora em que o encontrasse ele sempre estivesse sem camiseta, ela ia cogitar a possibilidade de brincar de esconde-esconde diariamente com os garotos.


05. You Better Run, Better Run


- Cadê minha escova de dente? , você esqueceu minha escova de dente? - dizia desesperado enquanto virava sua mochila do avesso.
- Não olhe para mim com esses grandes olhos, quem entrou para pegar as coisas foi o ! - defendeu-se assim que saiu do quarto dos meninos, trombando com segurando uma escova de dente.
- Essa escova não é minha, é de alguém?
- MINHA ESCOVA! - correu até e agarrou sua preciosa escova de dente.
- Eu, hein. - murmurou para , que deu de ombros, dobrando suas camisetas.
- Esse moletom é meu? - ergueu um moletom azul marinho, olhando em dúvida.
- Larga meu moletom, ! - entrou no quarto carregando sua mochila vazia nos ombros, empilhando suas roupas devidamente dobradas em suas mãos.
- Cadê minhas cuecas? - gritou no mesmo instante que entrou no quarto carregando uma sacola em mãos.
- Acho que eu encontrei caídas no corredor... - ergueu a sacola um pouco sem graça. - Apesar de ter o nome de na sacola. - tanto como foram em direção à para averiguar a sacola. foi o primeiro a olhar e negou com a cabeça.
- Nada do que tá aí é meu. As minhas estão na mochila que me entregou. - disse . vasculhava a sacola e bufou.
- Também não são minhas. - olhou irritado para . pegou a sacola da mão de e olhou dentro.
- São minhas! - pegou algumas que estavam espalhadas em cima da cama e entregou para - Acho que essas são suas, . - O garoto sorriu satisfeito, guardando suas peças íntimas.
- Ok, essa vai entrar pra minha lista de momentos mais constrangedores para se passar antes dos trinta anos. - disse antes de sair do quarto, no mesmo minuto que voltou carregando um shampoo. alargou o sorriso assim que reconheceu.
- Meu shampoo! Agora meu cabelo não vai mofar.
- Tem um celular tocando. - voltou no quarto com um celular em mãos. reconheceu como sendo o dele e congelou seus movimentos assim que leu o nome na tela.
- É o Paul. - olhou apreensivo para os garotos e todos pararam o que estavam fazendo, inclusive que estava levantando da cama e parou na metade do movimento.
- Desliga! - gritou .
- Não, atende! É pior se desligar. - contrariou.
- Mas se ele atender vai falar o quê? Ele pode começar com um monte de perguntas. - observou enquanto dobrava um short.
- Ele desligou - disse olhando o visor.
- Liga de volta. - comentou ao sentar-se na cama.
- NÃO! - insistiu em sua opinião.
- Ele tá ligando de volta. - avisou .
- Se ninguém atender a porcaria desse celular logo, eu vou jogar pela janela e aí ninguém mais vai falar com qualquer outra pessoa! - disse sem paciência, indo para perto de . O garoto ergueu uma das mãos e atendeu o celular. - Paul! Quais as novidades? - fingiu animação e todos colocaram a mão no rosto.
- A gente tá ferrado, o não sabe disfarçar nada. - lamentou-se com as mãos na cintura.
- Hã? A casa do está diferente? Como assim? - todos começaram a suar frio. - Mas como alguém ia entrar? O quê? Você tá montando ronda na casa dele? Aham. Sei. Uma garota te distraiu? - olhou sorrindo para - Sei. Olha, Paul, acredito que não tenha sido nada. Mas vou avisar o . Ok, tchau. - desligou e olhou para os garotos. - O Paul é mais esperto do que eu pensava.
- Mas o que aconteceu lá afinal? Ninguém contou para a gente ainda. - protestou. suspirou e olhou para .
- Quando chegamos lá, Paul estava sentado na frente da casa de , juntamente com uma barraca atrás de si. - começou a explicar.
- Caramba! Quando o Paul disse que no contrato dele estava escrito que era pra ele fazer qualquer coisa para nos proteger, era qualquer coisa mesmo. - comentou.
- E como vocês fizeram para pegar as coisas? - perguntou curiosa.
- Bom, nós bolamos um plano... - então continuou a contar a história.

Flashback On: Duas horas antes

POV


Assim que fingiu uma dor nas costas e foi para a rua que dava nos fundos da casa de , continuei caminhando normalmente, incorporando o papel que me propus a fazer. Paul me avistou de longe e levantou-se da sua cadeira de praia listrada, colocando o binóculo que estava pendurado em seu pescoço nos olhos. Fingi uma distração e comecei a olhar as casas ao meu redor.
- Hey, você aí! - a voz grossa de Paul soou estrondosa e eu olhei em sua direção.
- Eu?! - apontei o dedo para meu peito e Paul concordou.
- É, você mesmo. Algum problema por aqui? - perguntou imponente e eu não respondi nada, apenas continuei caminhando até ele. Conforme me aproximava, percebia que Paul ia dobrando de tamanho. Ele era bem maior do que eu imaginei.
- Pois não, senhor? - perguntei para ganhar tempo. Primeiro passo concluído. Consegui fazer com que Paul ficasse de costas para a casa de .
- Você é surda, garota? - retrucou com a voz altamente alta. Esquivei um pouco a cabeça e sorri docemente.
- Desculpe, senhor, eu estava distraída olhando ao meu redor e não prestei atenção no que falou para a minha pessoa. - nota mental: usar todas as palavras do seu vocabulário em uma única sentença quando quiser ganhar tempo e enrolar alguém. Percebi que isso irritou Paul.
- Eu perguntei se tem algum problema por aqui. - ele cruzou os braços fortes na altura do peito e me olhou seriamente.
- Não, nenhum problema! - sorri, mudando minha expressão logo em seguida assim que vi correndo atrás da casa para entrar nela. - Er... Quer dizer, estou com um pequeno problema sim. Sabe o que é? Minha avó faleceu há pouco tempo, e ela adorava caminhar por aqui, para ver as flores, as árvores, o céu azul, escutar os passarinhos cantando, sentir a brisa matinal, dar risada com as crianças brincando... Ela era encantadora, sabe? E hoje acordei sentindo uma imensa falta dela, e resolvi caminhar por aqui, para ver as flores, as árvores, o céu-
- Tá, tá, tá. Já entendi o que sua avó gostava por aqui. - Paul rolou os olhos, mas percebi que sua expressão séria havia diminuído um pouco.
- O senhor tem avó? - perguntei e ele me olhou confuso. - Eu perguntei se o senhor tem avó, senhor... Como é mesmo o seu nome? - cocei meu queixo, fingindo lembrar de seu nome.
- Eu não te disse meu nome.
- Como pude ser tão mal educada em não me apresentar? - bati em minha própria testa e estendi minha mão logo em seguida. - Muito prazer, sou Elizabeth. - claro que menti meu nome. Paul olhou em dúvida para minha mão, mas acabou cedendo e a apertou.
- Paul. - segurei sua mão enorme com minhas duas mãos, chacoalhando-a. Olhei para a casa de novamente e vi que acenava do quintal desesperadamente. Arregalei meus olhos e tentei disfarçar, como se um cisco tivesse entrado ali. Paul tentava soltar sua mão da minha, mas eu continuava chacoalhando-a sem parar. Olhei para no quintal, que tentava equilibrar cinco mochilas nos seus ombros.
"Vou ter que ir na casa do " - consegui ler seus lábios e agradeci mentalmente por ter boa visão. Então percebi o problema de . A casa de era na frente da casa de , exatamente para onde Paul estava olhando. Então fiz a primeira coisa me veio em mente.

POV

Comecei a correr como nunca havia corrido na minha vida.
Ok, mentira. Havia corrido mais rápido no dia anterior, quando fugia das fãs no shopping e fui parar na casa das garotas. Mas naquele momento, eu corria muito rápido. Quem visse de longe ia achar estranho um idoso correndo daquele jeito.
Aquelas roupas disfarçavam bem pra caramba, afinal.
Não fazia ideia se estava se saindo bem em distrair Paul, mas sei que cheguei na porta dos fundos da casa de sem ser descoberto. Peguei a chave reserva que ficava dentro de um vaso e abri a porta, entrando rapidamente. Dei um longo suspiro e voltei a agir contra o tempo. Subi as escadas correndo e entrei em disparada no quarto de . Agradeci que duas mochilas estavam caídas em um canto e as peguei. Abri o armário de e peguei quatro camisetas, duas calças, dois casacos e uma bermuda. Soquei tudo em uma das mochilas ao mesmo tempo em que abria sua cômoda e pegava algumas cuecas, achando aquela situação um tanto quanto nojenta. E ainda tinha mais três montes de cuecas alheias para pegar. Afastei aqueles pensamentos que não iam me ajudar em nada e peguei uma caneta permanente e escrevi na alça da mochila. Entrei no seu banheiro e peguei sua escova de dente e seu shampoo, item que constava na lista.
- Vamos ver quem é o próximo... - peguei a lista no meu bolso e vi as exigências de . Corri para o quarto ao lado carregando a mochila cheia de e a vazia, pegando as roupas espalhadas de em um dos quartos de hóspedes. Na sua lista tinha o nome de um monte de produto pra cabelo e umas coisas eletrônicas. Peguei um shampoo, um secador e seu iPod. Dava pra ele sobreviver assim. Abri o armário daquele quarto e peguei minha mochila e outras duas que estavam guardadas ali. Sorte que não tinha tirado quase nada da minha mochila quando fui pra casa de naquela semana, então só precisei fechá-la e escrever o nome de na outra. Fui para o quarto da frente e puxei a mala de rodinhas que estava embaixo da cama com as coisas de . Peguei um punhado de coisas e joguei dentro de outra mochila, junto com uma sacola cheia de boxers que estava jogado no canto do quarto. Não entendi porque o nome de estava na sacola, mas peguei da mesma maneira. Ok, agora só faltava ...
E claro que tinha que surgir um problema. não tinha levado nada para a casa de ainda. Olhei pela fresta da cortina do quarto e vi que estava segurando a mão de Paul. Corri para o lado de fora e comecei a acenar para ela, torcendo para que ela me visse logo.
- Vou ter que ir na casa do . - disse lentamente para que ela entendesse pela distância. Percebi que ela havia ficado um pouco desesperada, mas sorriu novamente, olhando para Paul logo em seguida. Quando ela começou a chorar, quase saí correndo para ver se estava tudo bem, mas aí percebi que era parte do plano. Ela conseguiu fazer com que Paul virasse para o lado oposto da casa de , então voltei a correr.

POV

- Sabe, é muito triste isso! - comecei a fingir que estava chorando e continuei segurando a mão de Paul - Você entende como é perder alguém? - me movi e puxei Paul comigo, fazendo com que ele ficasse de costas para a casa de . Agradeci que havia sumido a tempo. Paul tentava puxar sua mão, mas eu depositei toda a força que tinha - e que não sabia que tinha - e prendi sua mão entre as minhas. - É realmente muito difícil olhar para todas essas árvores e pensar que sua maior admiradora não está mais aqui pra visitá-las. Veja como é belo! - Apontei para as árvores ao lado da casa e Paul ficou observando de boca aberta, sem conseguir dizer nada. Ou aquele brutamontes era sensível ou ele buscava alguma compreensão no lugar mais profundo de seu cérebro.
- Não chore, garota. - Paul disse após um suspiro. - Sua avó deve estar observando as árvores do céu. - o grandalhão ao meu lado me confortou com um afago nos cabelos. Até que ele não era má pessoa.
- Mas vamos falar de outra coisa. O que você faz aqui sozinho, Paul? - enxuguei as poucas lágrimas que consegui derrubar falsamente e olhei sorrindo para o homem de camiseta e bermuda ao meu lado.
- Eu... Bem... Er... É uma longa história, menina.
- Ah, que bom! Eu tenho tempo. - abri um largo sorriso e ficamos nos encarando por um longo tempo. Aproveitei para olhar para a casa de e vi que estava saindo com as mochilas novamente. No mesmo instante em que Paul fez menção de virar para o outro lado. Entrei em desespero e não sabia o que fazer, então gritei.
- Menina, você está bem? - Paul parou o movimento na mesma hora e me olhou confuso.
- Estou ótima, só estava extravasando as emoções. - sorri. olhou para mim uma última vez antes de sair correndo em direção ao final da rua, onde Paul não pudesse mais vê-lo. Fiquei com pena dele carregando aquelas malas, correndo desajeitado e ainda por cima com aquela roupa. - Eu fico assim quando conheço pessoas novas, sabe. É muita informação para o meu cérebro processar e meu coração anseia por liberdade e atenção. Então eu tenho esses espasmos, mas eles são inofensivos, não se preocupe comigo, eu sou uma pessoa normal. - Paul olhava para mim sem piscar e eu já estava começando a ficar com pena dele. Olhei por cima de seus ombros e não enxerguei mais . Hora de ir para casa. - Olha, Paul, a nossa conversa está ótima, mas acho melhor eu ir andando. - comecei a dar alguns passos, contornando seu corpo. Paul virou-se lentamente, ainda com um grande ponto de interrogação no seu rosto. - Foi um prazer, passar bem! - andava de costas enquanto acenava para ele. Paul deu um aceno receoso antes que eu virasse e começasse a correr. Se nada der certo, eu viro atriz.

POV

Novamente estava correndo e dessa vez percebi meu fôlego indo embora. Droga, sabia que deveria ir mais para a academia. Fui para os fundos da casa de e peguei a chave reserva embaixo do tapete. Acho que eu era o único que não tinha uma chave reserva. Preciso rever meus conceitos, pois nunca se sabe quando alguém vai precisar entrar na minha casa para uma emergência, tipo essa que estou enfrentando sozinho enquanto meus amigos fazem uma festa na piscina em uma mansão. Ok, nada desses pensamentos longos agora.
Assim que entrei na cozinha gigante de , fui em direção ao seu quarto e quase não consegui andar por causa da bagunça aterrorizante de seu quarto. Fazia bem uns dois meses que aquilo não era arrumado. Coitada da empregada dele, eu não queria ser ela. Abri a gaveta do criado-mudo e encontrei a escova de dente e todo o resto das coisas que ele queria. Coloquei as mochilas em cima de sua cama e percebi que a mochila de alguém havia furado. Não temos tempo para isso, mochilinha. Olhei pela cortina e vi que Paul estava ameaçadoramente perto, então comecei a correr. Não sei bem qual era a mochila de quem mais, então fui dividindo as coisas em quatro mochilas. Assim que terminei, achei uma outra mochila no chão e comecei a separar as coisas de novo, me confundindo um pouco.
Quem é que gosta de listras?
Quem usa jaquetas varsity?
De quem é essa camiseta do Ramones?
Meu Deus, esse moletom escrito BRIT estava em qual mochila?
E esse boné é de quem, mesmo?

Definitivamente eu não funciono sobre pressão. Era bem capaz de se me perguntarem meu nome, eu responder que me chamo ou então . Isso não é bom, não é nada bom.
Suspirei fundo e procurei manter a calma, colocando a escova de dente de em uma das mochilas, a qual eu acreditava fielmente ser a dele. Equilibrei as mochilas nos meus ombros e me certifiquei de que todas estavam bem presas e que não iriam cair conforme eu corria. Então lá estava eu novamente, correndo feito um pateta. Saí da casa de e parei um pouco de correr, andando receosamente até a parte da frente, me certificando de que Paul não estava me vendo. Olhei nos olhos de e senti uma calma me preencher. Uma calma ótima e que durou pouco, porque tive que voltar a correr mais rápido do que antes para chegar ao final da rua e sair dessa. Aquela rua nunca fora tão grande e eu precisava lembrar de cobrar esse favor dos meus queridos amigos pro resto da existência deles.

Flashback Off

- E foi assim, meus queridos amigos - sorriu para cada um dos meninos que estavam espremidos numa das camas do quarto deles. e conversavam alguma coisa em português, então não prestou muito atenção nelas. Era frustrante não saber o que elas diziam. - que vocês acabam de ficar me devendo uma pro resto da vida de vocês.
- Devendo pra você uma ova. - disse, levantando-se e juntando suas coisas, ocupando a primeira gaveta da grande cômoda que havia no quarto. - Você não pegou nada certo, fez a maior bagunça e não trouxe minha escova de cabelos!
- Hey, queria ver se você conseguiria se estivesse no meu lugar!
- Mas é claro que eu conseguiria, foi por isso que eu me ofereci para ir!
- Tudo bem, sem brigas! - interveio, rindo das expressões de e . - O importante é que todo mundo tem roupa, todo mundo tem cueca, e todo mundo pode tomar um banho agora! Não é uma maravilha?!
- Nossa, ! Sua sinceridade me comove! - gargalhou, levantando-se também e imitando o gesto de , ocupando a segunda gaveta. Parecia que ela sempre estivera ali esperando por eles, pois tinha a quantidade certa de gavetas para que cada um guardasse suas coisas. Pena que não podia dizer o mesmo ao que dizia respeito sobre a quantidade de camas. - Sou o primeiro a tomar banho, já que eu ainda estou cheirando a uva. - Olhou acusador para , que correu e se escondeu atrás de . - , você pode me arranjar uma toalha?
- Você pode usar aquela vermelha! - começou a rir assim que terminou a frase, sendo acompanhada por quase que imediatamente. Os outros cinco presentes não entenderam nada. saiu do quarto ainda rindo.
- Ih, eles já começaram com as piadinhas internas. - rolou os olhos.
Levantou-se, deixando e na cama, espreguiçando-se. resolveu que guardaria suas roupas depois, então ao invés de ir ate a cômoda, seguiu até , exibindo um grande sorriso infantil. - Sou o segundo a tomar banho! Me empresta uma toalha?
- Sou o terceiro! - empurrou , que fez menção de se levantar e foi em direção de também. - E eu também preciso de uma toalha.
pensou em pedir ajuda para , mas percebeu nesse momento que ela não estava mais ali. parecia ocupado demais em separar suas camisas das camisas dos outros meninos, então ela voltou a olhar para e , que permaneciam diante dela esperando por uma resposta.
- Quarto! - se levantou, entregando uma cueca que estava perto dele para . - E preciso dizer que eu também preciso de toalha? Esqueci de colocar isso na lista.
rolou os olhos, agradecendo mentalmente por ter trazido todas as suas toalhas de banho. Ela possuía um amor incondicional por corujas e caveiras, então, sempre que via algo com um desses dois elementos, ela comprava. Isso resultou num total - desnecessário, segundo - de onze toalhas de banho. E incontáveis chaveiros. E centenas de adesivos. E milhares... Bem, isso não vem ao caso agora. pediu que os meninos a acompanhassem até o seu quarto, abrindo a sua parte do guarda-roupa, apanhando as toalhas e distribuindo entre eles.
- Potter! - abriu a toalha que recebera, sorrindo feito criança. - Maneiro.
- Você gosta de corujas mesmo. - sorriu, achando graça.
- São bichinhos carismáticos. - Ela justificou. Observou ameaçar chicotear e com a ponta da toalha, e os três saíram correndo pelo corredor. era o que mais gritava feito mulherzinha e aquilo fez gargalhar. - Você ficou por último, mas se quiser trocar de roupa agora, pode ficar a vontade! franziu as sobrancelhas, mas depois se lembrou que ainda estava disfarçado, rindo divertido ao se lembrar do ocorrido de duas horas atrás. Na hora ele estava apreensivo, mas agora tudo parecia muito engraçado. Especialmente as caras de Paul. E a história de .
- Bom, acho que eu vou... Descer e ver se faço alguma coisa pra gente comer. - sorriu sem mostrar os dentes. - Essa loucura toda me deixou com fome.
- Quer que eu te ajude?
- Ahn, não! Que isso, não precisa se incomodar. Pode... Ficar aqui e guardar suas roupas, tá tudo bem! Obrigada, mesmo assim.
concordou, seguindo até o corredor, indo em direção ao quarto que dividia com os outros e foi em direção ao primeiro andar, de onde a voz de soava no que ela achava ser uma canção.
- O que você tá fazendo? - riu ao ver que a amiga estava rodopiando pelo salão com uma vassoura em seus braços. - Ficou maluca?
- Nossa casinha ainda tá toda bagunçada! - parou de dançar, olhando ao redor com o queixo apoiado na ponta da vassoura. seguiu seu olhar e concordou com um murmúrio preguiçoso. - Precisamos dar um jeito nisso tudo daqui.
- Bom que podemos contar com a ajuda dos meninos, né? - apoiou seu braço no ombro de , que acabara de se juntar as duas garotas.
- Ajuda no quê?
- Faxina! - e disseram juntas, como se tivessem ensaiado para aquilo. Riram, já acostumadas com aqueles momentos de sincronização. - Vamos lá, , pode começar a varrer. - entregou a vassoura para , saindo da sala para procurar por outra.
- Então tá, né. - deu de ombros, começando a varrer, sendo atrapalhado por sem querer. - , para de ficar colocando o pé na frente da vassoura!
- Você que fica varrendo onde eu vou pisar! - deu um passo pro lado direito, e acabou indo na mesma direção, acertando a cabeça dela com a ponta da vassoura. Rindo e sentindo a testa doer, deu um soco no ombro de , como estava acostumada a fazer com . - Isso doeu!
- Me desculpe, me desculpe, me desculpe! - largou a vassoura no chão, e e entraram na sala no mesmo momento, cada um vindo de um lugar diferente. Vendo que estava sentada no chão com as mãos na testa e agachado ao seu lado, ambos correram até os dois, para saber o que havia acontecido. - Acertei a cabeça da com a vassoura!
- Meu Deus, , a menina já não tem muitos neurônios e você ainda fica assassinando os que restam! - replicou usando um tom sério enquanto averiguava o local atingido que só estava um pouco avermelhado, e levou um soco de também. - AI, EMY!
- Não liga pra eles. - tirou as mãos de da testa de , e com cuidado, passou a ponta do dedo indicador no local, depositando um beijo singelo depois. - Pronto, agora vai sarar!
- Que gay! - Dessa vez, e disseram juntos.
- Não culpem por ele não ser tão insensível que nem vocês. - abraçou pela cintura, encostando sua cabeça no peito dele, podendo ouvir as batidas ritmadas do seu coração. - Obrigada, menino .
- Er... - pigarreou, olhando para de uma forma engraçada. percebeu que os olhos de iam dela para algum ponto em suas costas, e parecia que ela queria dizer algo. Afastou-se do abraço de , olhando para trás e encontrando parado no último degrau da escada com uma careta estranha. - Então, pessoas, já que estamos todos aqui, vamos limpar, né? - quis desfazer o clima meio estranho que se instalou e ao estender a vassoura para , também acabou acertando que estava se levantando do chão com a ajuda do garoto.
- Que foi que eu fiz de errado, senhor?! - choramingou, sendo abraçada por , que pedia desculpas enquanto os meninos riam. por fim acabou rindo também, desferindo tapas em e para que eles parassem de rir. não ria tanto quanto os outros dois então não havia precisão de bater nele, segundo a lógica de .

- Cansei, não quero mais brincar de limpar. - disse jogando a vassoura no chão, assustando , que acabou escorregando no chão molhado. - Desculpa.
- Tudo bem. - os dois começaram a rir logo em seguida. - Acho que por aqui não temos mais trabalho a fazer. - enxugou o suor da testa com o dorso de sua mão e olhou para a cozinha limpa. Ele e tinham ficado encarregados de limpar a cozinha, já que precisava de bastante esforço físico e eles ainda não haviam tomado banho. e ficaram responsáveis por limpar a sala de jantar, a de estar e a biblioteca que eles acharam atrás da porta trancada na sala. começou a limpar os quartos com a ajuda de , que depois fora substituído por quando o mesmo saiu do banho.
- É, missão cumprida, ! - estendeu a mão para fazer um hi-five com o garoto. - Vamos guardar os produtos de limpeza e ver se os outros já terminaram. - concordou e pegou o balde cheio de água do chão, indo atrás de em direção à lavanderia.
- Acho que precisamos fazer outro mutirão só para arrumar esse jardim. - concluiu ao ver o estado que o jardim estava. amarrou os cabelos em um coque no alto da cabeça e concordou com o garoto.
- Mas isso fica para amanhã, hoje eu só quero tomar banho, jantar e dormir. - soltou uma risada nasalada e percebeu que estava sendo observada por , ficando um pouco constrangida - Que foi? - perguntou timidamente.
- Seu cabelo fica legal assim. - disse com um sorriso sincero. retribuiu o sorriso e, quando ia agradecer o elogio, ouviu alguém tossindo atrás de si. Tanto ela, como , viraram-se rapidamente e encontraram de cara amarrada segurando duas vassouras nas mãos.
- A pediu para eu trazer isso aqui pra baixo. Onde eu coloco? - perguntou secamente.
- Pode me dar que eu guardo. - sorriu para , mas esse continuou de cara fechada. andou até o armário de vassouras e começou a pendurá-las. Como não estava muito longe, conseguiu ouvir e conversando, mesmo com eles sussurrando.
- Foi só um elogio, cara, sem segundas intenções. - comentou e sentiu seu coração disparar imediatamente.
- Ah, não sei o que se passa na sua cabeça, né. - continuou relutante com o ocorrido, e não conseguiu evitar que um sorriso enviesado surgisse em seus lábios.
- Fica frio, . Eu tenho namorada e já entendi o lance entre vocês. - lance? perguntou-se mentalmente, derrubando sem querer uma vassoura. A conversa dos garotos cessou e tratou logo de guardar a vassoura que havia caído e fechar o armário. Passou sorrindo pelos dois no caminho de volta a cozinha, e sentiu o olhar de em cima dela. Lance, pensou novamente. Que lance? Precisava comentar isso com urgentemente.

- , ajuda aqui. - estava tentando se equilibrar em cima da cadeira, enquanto tentava colocar de volta alguns livros na prateleira mais alta da biblioteca.
- Me devolve os livros. - estendeu os braços para que lhe entregasse os mesmos. entrou no ambiente no mesmo instante, gritando de felicidade quando viu a biblioteca arrumada. Por causa disso, perdeu o pouco equilíbrio que lhe restara, deixando que os livros caíssem todos em cima de , indo para o chão logo em seguida. colocou a mão na boca e correu para ajudar os dois garotos.
- Me desculpem, me desculpem! - a garota implorava por desculpas e retirava os livros de cima de , que também havia caído no chão. - Não foi minha intenção, eu juro!
- Relaxa, . Só nos ajude a levantar. - sorriu e esticou a mão para que o ajudasse. A garota agarrou a mão dele, sentindo aquele mesmo arrepio que sentira mais cedo naquele dia. Aquilo estava tornando-se habitual demais pro gosto dela. Quando levantou-se, a proximidade dos dois era maior do que eles esperavam, sentindo suas respirações colidirem ao mesmo passo que aumentavam de intensidade.
- Você se machucou? - perguntou, não se dando conta de que suas mãos ainda estavam entrelaçadas.
- Não, eu tô bem... Você tá bem? - perguntou olhando nos olhos de . - Estou...
- É, mas eu não, porque eu caí de uma cadeira, sabe? - disse ainda no chão, com a cadeira em cima dele. e olharam no mesmo instante e correram para ajudar . - Valeu, hein. - soltou uma risadinha enquanto levantava a cadeira com a ajuda de . estava certa quando disse que não gostava de perder a atenção de ninguém.
- Mas é uma garotinha mesmo. - zombou enquanto levantava do chão.
- Vai se ferrar, . - mostrou o dedo do meio e esfregou sua nuca, fazendo cara de dor.
- Bateu a cabeça, ? Tá doendo? - preocupou-se com ele e a culpa voltou a atingi-la.
- Só um pouco, já vai passar. - sorriu daquele jeito que somente ele conseguia, fazendo com que se arrepiasse um pouco. O lado fãzinha dela estava se acendendo.
- Er... Então tá. - sorriu e saiu de perto de .
- Precisa de ajuda com alguma coisa lá em cima, ? - perguntou enquanto terminava de guardar os livros que haviam caído.
- Não, só falta colocar umas roupas no lugar, fica tranquilo. - sorriu e saiu da biblioteca antes que se trancasse lá dentro com os dois e nunca mais saísse, somente para ficar observando a beleza dos dois. Assim que saiu da biblioteca, viu descendo as escadas.
- Onde pensa que vai, menino ? Temos mais coisas pra arrumar lá em cima! - zombou da cara de tristeza que fizera e entrelaçou seu braço no dele, conforme subiam a escada juntos. vendo - e ouvindo - aquilo de dentro da biblioteca, apertou as mãos em punho. o olhou estranho e achou que era melhor voltar a arrumar o local.

Já se passava das onze da noite e o silêncio predominava na casa. O cansaço falara mais alto, e nenhum dos sete atuais residentes da mansão conseguiu ficar em pé por muito tempo. fora o primeiro a render-se para o sono, cochilando no tapete da sala enquanto jogavam UNO. o acordou gentilmente e o convenceu a ir para seu quarto no sótão; dessa vez ele nem protestou e subiu as escadas rapidamente. Todos haviam combinado mais cedo que deixariam a escada do sótão sempre abaixada para evitar eventuais problemas.
e já haviam superado a crise de ciúmes - por aquele dia - e estavam agindo normal com os outros garotos. até deu um beijo de boa noite na testa de . foi o segundo a desistir de ficar acordado e dirigiu-se para o quarto, dando um beijo em e em . Os cinco restantes perderam logo a vontade de continuar jogando e ficaram na sala para arrumar as cartas, colocar a mesa de centro no lugar e recolher as almofadas do chão. subiu as escadas tropeçando nos seus próprios pés de tanto sono que sentia. teve que sair correndo atrás dele para evitar que ele voltasse para a sala rolando; mas não saiu antes de dar um beijo em e um beijo e um abraço apertado em . e entreolharam-se sugestivamente nesse momento e riram baixinho, enquanto levava o copo de água que tinha bebido de volta para a cozinha. despediu-se de com um beijo delicado na testa, sussurrando boa noite bem perto da sua boca. Se não tivesse aparecido naquele instante para trazê-la de volta a realidade, teria ido ao chão facilmente.
As garotas foram as últimas a subirem, apagando a luz e saindo correndo para o segundo andar da casa, morrendo de medo de qualquer coisa que fosse. Entraram no quarto e fecharam a porta atrás de si, colocando seus pijamas enquanto comentavam sobre medo de escuro e histórias que já haviam passado juntas. O relógio marcava 23h41min. Apesar de já estarem deitadas havia um tempo, nenhuma das duas garotas tinha conseguido dormir. Talvez a adrenalina de subir correndo as escadas tivesse afastado o sono. Ou então o beijo de boa noite de alguns garotos que dormiam no quarto ao lado.
- ... - disse baixinho.
- Oi, ... - respondeu, virando-se na cama para ficar de frente para , que encontrava-se na mesma posição.
- Se você contar pra alguém que eu gosto do One Direction, eu te mato. - gargalhou, mas escondeu-se embaixo do edredom imediatamente para abafar o riso. fez o mesmo.
- Ai, , como você é idiota! Vai dormir. - tirou o edredom do rosto e jogou seu Woody de pelúcia na cabeça de .
- Mas é sério! Gostar de uma boyband é contra meus mandamentos de vida. - explicou-se enquanto brincava com as mãos do vaqueiro de pelúcia. - Mas é meio inevitável não gostar desses cinco. - não conseguia ver o rosto de plenamente, mas tinha certeza de que ela estava sorrindo.
- Eu sei, . Te entendo completamente.
- Mas você promete que não vai contar? - as duas voltaram a rir e jogou o Woody de volta. o abraçou e aconchegou-se na cama.
- Prometo, . Agora tenta dormir que você já passou do ponto da sanidade. - pensou em argumentar, mas vendo como estava na cama, ia acabar falando sozinha. Então preferiu apenas virar para o outro lado e fechar os olhos, para que uma noite de sonhos começasse.


06. The First Scary Night


- ! Psiu! - abriu os olhos com dificuldade, enxergando parcialmente a silhueta de . Alcançou o seu celular que estava no criado-mudo, primeiramente com a intenção de ver as horas. Quando viu que ainda era pouco mais de uma da manhã, virou o celular na direção do rosto de , encontrando seus olhos do tamanho do mundo.
- Que há, ?! - Perguntou com certa irritação, afundando a cabeça no travesseiro e jogando o celular sobre o edredom. - Tô com sono!
- Você ouviu? O barulho que veio lá de baixo? - sussurrava, olhando de para a porta do quarto, como se alguma coisa pudesse aparecer ali a qualquer momento. - , acorda!
- Céus, , vai dormir! Deve ter sido coisa da sua cabeça. - Ainda com a cabeça afundada no travesseiro, usou a mão livre para empurrar pelas pernas na direção da cama da mesma, mas estacou o movimento quando o som de panela caindo ecoou pela madrugada. - Ok, agora eu ouvi. - Disse totalmente em alerta, sentando-se na cama e olhando na direção da porta, exatamente como fazia.
- Ai meu Deus, ai meu Deus. - choramingou, sentando na cama e se escondendo atrás de . - Eu disse que a casa era mal assombrada!!!
- Não seja boba, . Pode ser que um dos meninos esteja cozinhando.
- À uma e meia da manhã?!
- Tudo bem, não foi um argumento convincente. - apertou as mãos de e desviando o olhar da porta, olhou para a amiga que estava com os olhos levemente marejados. - O que vamos fazer agora?
engoliu em seco, voltando a olhar para a porta. Por mais que estivesse com medo, sabia que não podia ignorar o que estava acontecendo. Tinha que pensar na possibilidade de alguém estar invadindo a casa também. Contra sua vontade, se levantou da cama, puxando com ela.
- Vamos lá ver o que está acontecendo. - Sentiu um calafrio percorrer sua espinha, e juntamente com , seguiu até a porta.
Hesitaram um pouco antes de abrirem a porta e depois de assentirem e contarem até três em um tom baixo, girou a maçaneta e quase desmaiou quando encontrou duas cabeças pendendo para fora da porta do quarto dos meninos, identificando meio segundo depois e , com as mesmas expressões assustadas.
- Vocês ouviram? - perguntou ainda de dentro do quarto, mas depois que viu e sem camisa, quase se esqueceu do medo. Quase. Nem toda beleza do mundo inteiro na sua frente era capaz de mudar o fato de terem ouvido barulhos misteriosos numa casa com fama de mal assombrada. - Me digam que é o que está na cozinha, por favor.
- Por que eu estaria sozinho na cozinha nesse horário? - apareceu na escada que vinha do sótão, coçando os olhos e bocejando. - Por que estão todos aqui no corredor?
- Você não ouviu nada? - perguntou, saindo do quarto e mantendo perto dela, segurando firmemente sua mão como uma criança que não quer se perder da mãe. Logo os cinco estavam reunidos no meio do corredor, formando um meio círculo de frente para a escada que levava ao primeiro andar. negou, bocejando pela segunda vez. - Ahn, pode voltar a dormir então. Nós só estamos aqui... Parados no corredor.
- Awn, que fofo. - conseguiu zombar ao ver que estava tentando não assustar . - Agora só falta o restante da trupe acordar e ninguém mais vai conseguir dormir.
- e ? Pode cair o mundo que aqueles dois não acordam de jeito nenhum. - riu pelo nariz, cruzando os braços de forma despreocupada diante do tórax. quis abrir a boca e pedir para que ele não fizesse aquilo enquanto ela estava com medo e ele sem camisa. Era uma ideia muito tentadora a de afugentar os medos em seus braços nus. - Então já que todos estão acordados, vamos todos descer juntos para ver o que há.
- O que tá acontecendo? - sussurrou para , já que estava um pouco mais a frente dele nesse momento. estava com um de seus braços em volta do pescoço da garota e "liderava" todos em direção ao primeiro andar. Ele e eram os últimos e ele parecia ser o único que não estava prestes a voltar correndo pro quarto e se trancar dentro do armário. - ? - Só fica quieto e não sai do meu lado. - respondeu sem olhar nos olhos de , limitando-se a segurar com firmeza na barra da camisa do garoto. Não importava que a conversa que ouvira entre e ainda rondasse sua cabeça, ela estava com medo e não queria ficar sozinha.
A casa estava mergulhada na mais completa escuridão e o silêncio só era quebrado pelos sons dos passos cuidadosos das cinco pessoas que agora estavam cruzando a sala em direção à cozinha. continuava na frente, embora em certo momento tenha diminuído o passo e se postado ao lado de , que continuava com o braço de em torno de seu ombro. agora estava com o seu braço entrelaçado ao de e a essa altura o garoto já entendera o que estava acontecendo. Não porque deduziu, - era como , não conseguia raciocinar direito quando estava com sono - mas porque o barulho que acordara todos os outros ecoou novamente pelo ambiente.
- Quietos. - sussurrou sem se mover, abrindo os braços para que e parassem de andar, consequentemente fazendo com que e também parassem. Alinhados ombro a ombro, os cinco engoliram em seco, voltando toda sua atenção em direção à cozinha. - Shiu...
- Tô com medo! - Puderam ouvir sussurrar e concordar com um murmúrio. - O que foi isso?
deu um passo adiante e instintivamente segurou seu braço, balançando a cabeça para os lados, como se pedisse para ele não sair dali. assentiu com um sorriso trêmulo, indo em direção da cozinha acompanhado de todos.
Quando chegaram lá, varreu o cômodo com o olhar em busca da panela que supostamente possa ter caído, mas tudo estava do jeito que eles haviam deixado na noite anterior. Mesmo que não tenha cumprido sua promessa de lavar a louça do jantar, não tinha como nada cair, já que tinha empilhado tudo direitinho dentro da pia. e deram uma olhada em volta procurando alguma coisa que explicasse os barulhos que ouviram, enquanto e agora andavam com passos curtos e braços dados pela cozinha. não sabia exatamente o que fazer, então ficou perto das meninas.
- Limpo. - negou com a cabeça, voltando para perto de e .
- Não tem nada de errado aqui. - também se aproximou, apoiando um braço no ombro de . Estavam todos em um círculo novamente.
- Estamos ficando loucos? - sussurrou, olhando em volta e sentindo um arrepio percorrer sua espinha. Aquela casa ficava assustadora no meio da madrugada.
- Loucos eu não sei, mas faminto eu estou. - comentou ingenuamente e não demorou em que todos ali dessem risada. - Já que estamos aqui, vamos comer!
- Se tiver alguma coisa para comer. - observou enquanto abria a porta da geladeira. Não tinha arranjado tempo para fazer uma compra decente ainda e aquilo teria que ser resolvido assim que o dia amanhecesse. - Bom, ainda temos leite!
- E cereais! - agitou a caixa que acabara de encontrar em uma das portas do armário, sorrindo feito criança. - É o par perfeito. - Inconscientemente olhou para , que também havia olhado para ele no mesmo momento, sem perceber. , que fora a única a perceber o momento indireta, sorriu singelamente. - Traz o leite, !
- Sim, senhor! Hm, pega os potes para mim, ? - sorriu para o garoto, que concordou internamente com um comentário aleatório que fizera em algum momento do dia anterior: tinha um sorriso que dava vontade de sorrir junto. E foi o que ele se pegou fazendo, enquanto procurava por cinco potes e por cinco colheres. - Tira a mão do cereal, ! - ralhou com , que se encontrava comendo o cereal diretamente do pacote.
- Faz muito tempo que eu não faço isso. - comentou alegre, abocanhando uma grande quantidade de cereal, falando de boca cheia. - Desculpem. - Acho que eu nunca comi de madrugada. - comentou, sentando-se ao lado de no balcão. Imediatamente a garota olhou para , mas a amiga estava alheia à situação enquanto conversava com . - Bom, pelo menos não depois de ser acordado por... Er, barulhos suspeitos.
- Eu não quero voltar pro quarto. - comentou choroso, largando a sua tigela e olhando para o chão. não sabia se aquilo afetava tanto quanto a afetava, mas foi inevitável pular da bancada para ir em direção a , abraçando-o pela cintura.
- Olha, , podemos ficar com esse filhotinho? Podemos? - brincou, querendo distrair . Mas o garoto não conseguiu se desligar totalmente do pensamento de ter de voltar para o sótão sozinho. - Tudo bem, , eu fico com você aqui na sala.
- E eu também, não vou voltar pro quarto sozinha. - se envolveu no esquema, rindo quando e disseram ao mesmo tempo em que também iam ficar. Em partes quis ficar porque havia perdido o sono, mas também havia a questão de que ele não podia deixar com enquanto estaria com . Não que eles formassem um casal. E não que ele devesse se importar com aquilo também, afinal, ninguém ali pertencia a ninguém, não é mesmo? meneou a cabeça, afastando os pensamentos que já estavam dando nós em sua cabeça. - Que foi, ?
- Nada não. - Ele sorriu com todos seus dentes e se perdeu na forma como os lábios de se curvavam com o movimento. - Então, vamos acampar na sala?
- Yay! - ergueu as mãos para o alto depois de colocar duas colheres de cereal de uma vez na boca. Correu em direção à sala, de onde os outros quatro puderam ouvir claramente o som de alguma parte deEmy se chocar contra a mesa de centro. - Ela é sempre assim? - perguntou rindo, antes de sair correndo para ajudar , que agora choramingava coisas inaudíveis.
- Acho que eu já ouvi essa pergunta antes. - rolou os olhos, colocando as tigelas dentro da pia, sendo auxiliada por . - Não foi você que perguntou isso?
- Não. - Ele respondeu, e até ia comentar mais alguma coisa, mas a frase morreu em sua boca quando acidentalmente sua mão encostou-se à de assim que os dois colocaram o resto da louça dentro da pia.
ergueu seus olhos na direção dos de , e na meia luz eles pareciam muito mais brilhantes. Corou-se porque instantaneamente a conversa que ouvira entre ele e voltara a sua mente. "Eu já entendi o lance de vocês" Seria possível? Estava realmente acontecendo alguma coisa entre os dois? meneou a cabeça disfarçadamente, sorrindo para enquanto virava-se para se juntar a , e , que já estavam acomodados no sofá.
estava sentada com deitado em sua perna esquerda e deitado na perna direita. não pôde deixar de rir, porque estava com uma cara que ia de encantamento a irritação.Por conta da folga dos dois, a amiga não conseguia se mover e ela reclamava que queria deitar também. Os dois permaneciam irredutíveis. Apanhando um travesseiro que estava encostado na beira do sofá, sentou-se ali, encostando-se confortavelmente no braço do mesmo. sentou-se ao seu lado e depois de exibir um sorriso enviesado - do tipo exato para matar qualquer uma - ele fez com a mesma coisa que e fizeram com .
Mas ao contrário de , não podia reclamar.
- , você está machucando minha perna! - choramingou e deu um tapa na testa dele, sendo repreendida por , que acabou levando um tapa também.
e estavam rindo da cena, mas de certa forma, eles pareciam estar envoltos por uma bolha. E o que comentou começou a fazer sentido. E ela não sabia o que aquilo significava.

E o dia amanhece na mansão...

- Vocês têm certeza de que vão ficar bem? - perguntou novamente, enquanto terminava de calçar seu tênis. Os cinco garotos parados no seu quarto a olhavam sorrindo.
- Podem ir tranquilas, nós não vamos destruir a casa. - disse com os braços cruzados. e tinham decidido que precisavam urgentemente ir às compras. A escassez de comida daquela casa já estava grave. Além disso, as garotas precisavam de um número de celular cada uma e que alguém fizesse a ligação da TV.
- Bom, vocês sabem onde tem comida e qualquer coisa eu estou com o celular do . - disse assim que entrou no quarto, colocando o aparelho dentro de sua bolsa.
- Tá bom, mãe. - zombou de e recebeu um tapa leve em seu braço.
- Agora é melhor vocês irem andando, antes que fique tarde e vocês não consigam fazer tudo. - disse puxando pela mão, para que ela se levantasse da cama.
- Mas... Mas... - tentou protestar, ainda preocupada com os garotos.
- Mas nada. Vão logo. - segurou na mão das garotas e as direcionou para fora do quarto, descendo as escadas com uma em cada lado de seu corpo. Todos as acompanharam até a porta e fizeram questão de abrir a porta para elas, empurrando-as gentilmente para fora da casa. e ficaram estáticas olhando para a porta fechada.
- Ok, eles têm razão, melhor nos apressarmos de vez. - disse, puxando pelo braço para andar até o supermercado. De dentro da casa, estava escondido atrás da cortina olhando as garotas caminharem pela rua, rindo e conversando animadamente.
- Calma, , a já volta. - disse colocando a mão no ombro do garoto, levando um soco na barriga logo em seguida. - Foi mal.
- Então, qual o plano? - perguntou jogando-se no estofado, ao lado de onde estava deitado jogando Fruit Ninja em seu iPhone.
- O plano é terminar de arrumar a casa para que elas fiquem felizes quando voltarem. - respondeu enquanto tentava tirar do sofá, o puxando pela perna. - Levanta, seu gordo.
- Mas o que mais precisa arrumar é o jardim, e aquilo tá praticamente do avesso. - deu sua opinião, apoiando-se no ombro de .
- Se começarmos logo, nem vai ser tanto trabalho. - explicou.
- Ah, não! Vai começar tudo outra vez! - lamentou-se, afundando o rosto em suas mãos. Os outros quatro entreolharam-se sem entender nada.
- Como assim, ? - perguntou quando conseguiu tirar um tênis do pé de , que o olhava irritado.
- Foi exatamente assim da última vez que você e o ficaram apaixonadinhos. Vocês sempre querem fazer de tudo pra agradá-las e ficam as pessoas mais chatas desse mundo. - explicou com certo tom de irritação na voz, que acabou tornando-se uma irritação completa quando todos começaram a rir do que ele tinha falado. - Que foi? Por que vocês estão rindo?
- Awn, o tá chateado porque não tem ninguém apaixonadinho por ele. - sentou-se no sofá e bagunçou o cabelo de , levando um soco na perna por isso.
- Não viaja, . - protestou, encostando-se emburrado no estofado.
- O tem razão, . Admita que você odiou perder a atenção das garotas pra gente. - disse apontando para ele e logo em seguida para .
Quando ia abrir a boca pra responder, o impediu. - Ok, vamos parar de contar vantagem aqui, certo? - argumentou - Ninguém sabe se realmente as garotas estão interessadas porque ninguém fez nada pra concretizar isso, sejamos francos. - deixou o tênis de cair no chão e deu de ombros, assim como .
- Deixa isso pra lá. - disse - Eu ainda quero arrumar aquele jardim. - apontou em direção ao jardim e os garotos bufaram.
- Então vamos lá antes que isso demore mais do que eu já estou esperando. - levantou-se finalmente, indo em direção ao jardim com .

Uma hora depois...

- , pega maçã lá pra gente. - pediu enquanto colocava algumas caixas de pasta de dente no carrinho. Este já estava lotado e as garotas ainda tinham algumas coisas para pegar.
- E eu lá sei escolher maçã? - protestou, colocando o shampoo que tinha pegado no carrinho.
- Como assim você não sabe escolher maçã?
- Não sabendo, oras. Eu não gosto de maçã, então não sei escolher maçã. - rolou os olhos e saiu andando com o carrinho, com resmungando atrás dela. Sentiu a bolsa vibrar e lembrou-se do celular de . Seu coração gelou por um instante até olhar no visor e ler o nome de .
- Quem tá ligando? - perguntou esticando o pescoço para enxergar a tela.
- Seu namorado. - dsse e desmanchou o sorriso na hora.
- Nossa, como ela tá engraçada hoje. - mostrou o dedo do meio e saiu andando, exibindo um sorrisinho em seguida.
- Alô?
- , no Brasil vocês falam português, não é? - perguntou e teve que prender o riso.
- Claro, . Por que a pergunta?
- Porque o achou que vocês falavam espanhol. - mesmo não vendo o garoto, sabia que ele deveria ter rolado os olhos. Era incrível que mesmo com pouco tempo, ela já sabia a mania particular de cada um.
- Isso que dá sair da escola pra cantar em uma bandinha. - começou a rir e sorriu com isso. Na verdade, ela sorria mais porque estava pendurada no seu braço implorando pra ouvir a conversa.
- Poxa, , feriu meus sentimentos. Mas eu te desculpo. Tenho que desligar, beijo. - falou tudo muito rapidamente e desligou logo em seguida.
- Pelo amor de Deus, me fala o que ele queria antes que eu morra de curiosidade. - parou na frente do carrinho, apertando o pacote de sabão em pó com as duas mãos. riu e empurrou o carrinho, quase atropelando a amiga, que saíra a tempo e viera para o seu lado abraçada com o pacote.
- Só queria saber se nós falamos português. - deu de ombros e continuou seu caminho, pegando mais algumas coisas que faltavam.
- Que tipo de pessoa pergunta uma coisa dessas? - ficou um tempo estática no meio do corredor, correndo para alcançar quando percebeu que ela estava quase virando para o próximo setor.
- O tipo de pessoa chamada... - interrompeu a frase quando duas garotas passaram por ela, e repentinamente parecia interessada na lata de alcaparras. - Olha , eles vendem alcaparras aqui!
Percebendo o gesto de , rolou os olhos, se aproximando da amiga com um riso divertido nos lábios. Pegou a lata e a colocou de volta na prateleira, puxando o carrinho enquanto empurrava pelos ombros.
- Você não precisa disfarçar tão mal assim sempre que ver adolescentes. - sorriu amarelo, percebendo que estava ficando um tanto quanto paranóica. - E falando em adolescentes, eu preciso comentar antes que eu esqueça. Já viu que de frente para nossa casa moram três garotas tipo oi eu sou top na balada e você não?
- Pensei que você ainda não tivesse visto. - fez careta ao comentar. - Acha que representam algum perigo?
- Não sei se o perigo são elas. Sabe como é, homens sempre serão homens.
- Bom, então acho que vamos ter que mantê-los ocupados. - abriu a boca num pequeno "o". ria com certa maldade e acertou a cabeça dela com o pacote de papel toalha que acabara de pegar. - Que foi que eu disse de mais?
- Você não presta, .
- Eu sei! E é por isso que a gente se dá tão bem!
- Por que os opostos se completam?
- Não. Porque os idiotas sempre entendem uns aos outros! - Gargalhando, correu com o carrinho cheio em direção ao caixa, fazendo com que se sentisse brevemente constrangida. tinha que parar com aquela mania de sair correndo do nada. - A última a chegar ao caixa paga a conta!
- Ai, céus. - Rolando os olhos, correu atrás de , encontrando-a já na fila. Fazer compras às oito da manhã fora uma boa ideia, afinal de contas. Nada de filas, nada de lotação, tudo muito tranquilo.Menos , é claro, já que essa não para de comer as bolachas que nem foram pagas ainda. - Jesus, toma conta.

××

- Você pode parar naquela casa ali, moço. - disse para o motorista de entregas do supermercado, que as ajudou a trazer tudo o que tinham comprado. As garotas voltaram também com uma linha de celular cada, já que o lugar para se resolver isso ficava ao lado do supermercado.
- Vocês precisam de ajuda para levar para dentro? - o motorista perguntou e as garotas se entreolharam. Ele não tinha cara de que conhecia o One Direction, mas era melhor evitar futuros problemas.
- Não precisa, pode deixar tudo aqui na frente que nós levamos para dentro. - explicou e o moço concordou, achando estranho a atitude das garotas.
- Tchau, muito obrigada. - acenaram animadamente para o moço, enquanto a van desaparecia na rua. olhou para o monte de caixas e sentiu preguiça até de respirar.
- Bom, vamos levar isso para dentro logo antes que eu desista. - comentou e concordou imediatamente. Assim que destrancaram a porta para entrar com a primeira caixa, quiseram parar tudo o que estavam fazendo para ficar olhando aquela cena para sempre. Espalhados pelo módulo, todos os cinco garotos estavam dormindo. estava em uma das pontas, com a cabeça apoiada no braço do sofá, com o corpo encolhido e os pés no colo de , que tinha sua cabeça pendida para trás, com os lábios levemente abertos. e estavam apoiados um no outro, quase caindo do estofado. havia adormecido com a mão nos cabelos de . As garotas entreolharam-se e não sabiam o que fazer. queria sair correndo e pular no meio deles, apertando cada um. Mas achou melhor não fazer isso. Sacou rapidamente o seu celular, tirando uma foto do momento.
- Ficou maluca?! - sussurrou, olhando de para os meninos ainda adormecidos. - Pensei que não quisesse pagar uma de fãzinha apaixonada!
- Eu tiro fotos suas quando você dorme e isso não significa que eu sou sua fã. - comentou divertida, morrendo de amores pela nova foto que seria papel de parede do seu celular. Ou não.
- Tá, o que a gente faz agora? - perguntou enquanto guardava o celular de volta no bolso do jeans.
- Acho melhor acordarmos eles, não são nem duas horas da tarde. - deu de ombros, entrando com uma caixa. Decidiram por fim guardar todas as compras e fazer o maior silêncio que conseguissem, assim eles dormiam mais um pouco. Quando terminou de guardar a última lata de achocolatado, olhou em direção à sala e viu caminhando calmamente em direção de , pela parte de trás do estofado. tocou seu ombro calmamente e chacoalhou de leve, não obtendo nenhum resultado. Tentou de novo, dessa vez colocando um pouco mais de força. resmungou alguma coisa e abriu os olhos lentamente, encontrando os de bem próximo aos seus.
- Hey, bela adormecida. Hora de acordar! - esfregou os olhos e olhou ao seu redor, assustando-se ao ver que todos acabaram dormindo.
- Eu dormi? - perguntou inocentemente e riu baixinho. - Acho que sim. - balançou a cabeça, esticando um pouco os braços. - Acorda eles? - pediu gentilmente e concordou.
- HORA DE ACORDAR, GALERA. - gritou e fez com que rolasse do sofá assustado, chutando a perna de , que acabou dando uma cotovelada em , que empurrou para fora do sofá.
- EU SOU INOCENTE! - ergueu os braços, olhando sem graça para os presentes logo em seguida. - Sonhei que estava sendo procurado pelo FBI.
- Tudo bem, ninguém vai ser procurado pelo FBI aqui. - riu, retirando o celular de de dentro da sua bolsa, devolvendo-o para seu respectivo dono. Agradeceu com um sorriso torto, fazendo com que o garoto sorrisse tolamente de volta. - E olha, eu tenho celular agora, galera - dirigiu um olhar semicerrado para , agitando o aparelho em mãos. - Me passem o número de vocês depois.
- Mas você vai ligar pra gente? Eu só passo se você for me mandar mensagens fofas toda manhã. - brincou completamente alheio ao fato de se incomodar com esses tipos de comentários. Mas depois do que disse mais cedo - sobre ninguém ter concretizado o fato de haver um interesse recíproco - tentava se controlar. Já não podia dizer o mesmo. Não lhe agradava o fato de estar conversando com sorrisos demais com .
- Claro que sim, ! - debruçou-se sobre o sofá para apertar as bochechas do garoto, encostando de leve seu corpo no de , que prendeu a respiração e ficou estático olhando para frente, desviando o olhar algumas vezes para a cintura de que estava ao seu lado. Toda vez que ele fazia isso, seu cérebro gritava "CULPADO!" e ele voltava a encarar a porta de entrada da mansão.
- Promete? - ainda insistia naquilo, e perdeu a paciência por todos ali.
- Parou com a melação aí, hein. Respeite os coleguinhas. - disse levantando-se do sofá e espreguiçando-se. ficou vermelha feito um pimentão e voltou a sua posição inicial. mostrou o dedo do meio para enquanto gravava seu número no celular de .
- Vou salvar o número de todos aqui, tá? - anunciou e ninguém pareceu fazer objeções.
- Hey, também quero! - enxugou uma lágrima que caíra por seu rosto de tanto que havia rido de uma coisa que dissera. achou que já tinha assistido demais e resolveu fazer alguma coisa.
- Me empresta seu celular que eu salvo o número de todos nós, . - sentou-se mais próximo de - entenda por próximo o fato de pernas estarem coladas e os pelos do braço conseguem se encostar. ficou alguns segundos olhando dentro dos olhos de , imaginando como seria passar uma tarde vendo o pôr-do-sol refletido naqueles olhos.
Epa, epa! Disse para si mesma. Faça o favor de recuperar a sanidade.
- Claro. - a garota sorriu e tirou o celular do bolso da calça, entregando para . O garoto demorou mais do que necessário para pegar o aparelho, tocando levemente na mão de , o que fez com que a garota desviasse o olhar para suas mãos juntas. Mais uma vez.
- Então, né. - pronunciou-se, pigarreando do outro lado de . A garota olhou para e por um minuto pensou "Quem é você, menino?", mas então lembrou-se que haviam mais pessoas naquela casa. sorriu amarelo e passou a mão pelos cabelos, encostando-se no sofá e tentando controlar a respiração. e mantiveram a posição inicial, agora encarando um ao outro um tanto quanto ameaçadoramente. Só Deus sabe o que se passava na cabeça deles naquele momento.
- O que vocês ficaram fazendo a tarde toda? - perguntou assim que sentou-se entre e no estofado. Mais perto de do que de , pois ainda estava com certa vergonha.
- Er... Bom, a gente pensou em fazer várias coisas. - disse coçando a nuca e sorrindo sem graça.
- Mas demoramos tempo demais decidindo o que começar a fazer. - argumentou voltando a se sentar no sofá, colocando os pés em cima da perna de .
- Nós queríamos limpar a piscina, mas ninguém queria ficar com a parte mais chata. - explicou dando de ombros, devolvendo o celular para .
- E como vocês não estavam aqui para mandar a gente fazer alguma coisa, acabamos dormindo no sofá. - disse com um sorriso sapeca em seus lábios.
- Mas ainda estamos dispostos a limpar. - argumentou e todos concordaram.
- Então vamos comer alguma coisa e depois disso nós começamos a limpar o nosso jardim! - disse animada, erguendo os braços para o ar. - Ok, só eu fico empolgada com essas coisas. - fez bico e abaixou a cabeça. Seus cabelos cobriram seu rosto, então ela não viu quem a abraçou, somente sentiu dois braços fortes a envolverem apertado.
- Eu também fico, , não sinta-se sozinha. - quando ouviu a voz de perto do seu ouvido, quase teve um piripaque e não sobreviveria para contar história. Então era esse o tipo delance que referia-se.
- Quem me ajuda a fazer macarrão? - perguntou levantando-se do sofá e praticamente jogou do outro lado da sala ao levantar-se bruscamente, berrando "eu, eu eu" mais empolgada do que o necessário. Quando chegou na cozinha, a encarou com um olhar fulminante.
- Que foi? - deu de ombros indo pegar o pacote de macarrão no armário.
- O que foi aquilo, ? - perguntou em português.
- Aquilo o quê?
- Você ter quase nocauteado o para levantar-se do sofá. - tentou não rir, mas não conseguiu por muito tempo, principalmente porque começara a gargalhar também.
- Acredite, amiga, se você tivesse na situação que eu me encontrava, ou você sairia do jeito que saí ou ficaria ali para sempre.
- Então quer dizer que alguém sentiu borboletinhas no estômago, é?! - zombou e mostrou o dedo do meio, indo abrir o pacote na bancada.
- Não começa, . - rasgou o saco - E não confunda as coisas também. Porque eu posso muito bem alegar que você sente borboletinhas toda vez que chega perto do . - deu de ombros, enchendo uma panela grande com água e olhando para .
- Acha que esse pacote vai dar? - voltou a falar em inglês e rolou os olhos. Talvez seria melhor mesmo acabar com o assunto por ali.

- Perceberam que a gente só come, dorme e limpa as coisas? - observou enquanto servia-se com macarrão pela segunda vez. Todos começaram a rir e foram obrigados a concordar.
- Verdade, precisamos achar umas coisas mais interessantes para fazer. - comentou com um sorriso malicioso nos lábios. Os outros quatro garotos bufaram e rolaram os olhos. e quiseram se esconder embaixo da mesa.
- Amanhã de manhã um técnico vem instalar a TV, vamos poder assistir filmes. - comentou.
- Droga, deveria ter pedido pro trazer o videogame. - lamentou-se de boca cheia.
- , você não quer ir lá buscar? - disse divertido e recebeu um soco de .
- Falar é fácil, né, . Quero ver ir lá enfrentar a fúria insana do Paul. - levantou os braços em defesa e voltou a comer, olhando para ao seu lado, que mexia no celular. Fazia tempo que não entrava no Twitter e estava aproveitando cada segundo que tinha com o seu celular de volta. Conforme lia os tweets de sua timeline, viu um em particular que chamou sua atenção. Era de uma revista teen brasileira, que dizia: "OMG! do One Direction é visto traindo sua namorada no Japão! Será que é verdade, meninas? ;(" congelou por um instante com o garfo de macarrão perto de sua boca levemente aberta.
- ? Tá tudo bem? - perguntou e saiu do transe, olhando para o garoto na sua frente.
- Na verdade... - pensou por um instante, mas achou melhor falar depois do almoço - Tá, tá tudo bem sim. - sorriu o mais convincente que conseguiu, voltando a comer.
- Como é bom comer! - comentou após acabar seu segundo prato de macarrão, encostando-se na cadeira e apoiando as mãos na barriga.
- Vai ficar obeso desse jeito, - comentou, juntando seus talheres no prato porque havia acabado também.
- Desculpa se eu não tenho todo o pique pra academia que nem você tem. - teve de olhar para qualquer outro lado da sala de jantar. Se ficasse olhando para , começaria a pensar na definição de seu corpo, o que não ia ajudar muito.
- Quem vai lavar a louça? - perguntou, já levantando-se e indo em direção à sala.
- Quem não lavou a louça ontem à noite. - respondeu, fazendo parar no meio do caminho. O garoto deu meia volta, sorrindo amarelo.
- Olha só, que coisa, né. - coçou a nuca e voltou derrotado para a cozinha.
- Vamos lá, , eu te ajudo. - ofereceu-se para ajudar, assim aproveitaria para conversar com o garoto. Os dois começaram a recolher a louça suja e levaram tudo para a cozinha. - Você lava e eu seco, tá bem? - propôs e concordou.
- Sim, senhora!
- Eu sou uma senhorita, . - fingiu uma indignação e eles começaram a rir.
- Não por muito tempo. Já tem gente querendo te fazer sua senhora. - disse rindo, mas arrependeu-se no segundo seguinte. Olhou para ao seu lado e sorriu amarelo. - Esquece o que eu falei, tá?
- Vai ser difícil, mas vou fazer o meu melhor. - soltou uma risada nasalada e pegou um prato para secar. - , preciso te falar uma coisa meio chata... - entortou a boca e olhou para o garoto ao seu lado.
- Pode falar, . - franziu as sobrancelhas e ficou imaginando o que poderia ser.
- Bem, eu... Eu entrei no Twitter agora pouco, e uma revista teen do Brasil postou isso daqui. - pegou o celular e mostrou o tweet em português.
- O que diz? E por que meu nome tá aí? - enxugou as mãos no guardanapo que segurava e pegou o aparelho em mãos.
- Diz que "você" foi visto traindo sua namorada no Japão. - abriu a boca e ficou olhando estático para .
- Mas... Como isso é possível? Não era pra esses idiotas terem saído do hotel! - começou a gritar e andar de um lado pro outro na cozinha. e entraram no local naquele exato minuto, com o celular de em mãos.
- ... É sua namorada. E ela não tá muito feliz. - pronunciou-se e fez uma careta. olhou para , como se perguntasse o que fazer.
- Ou você conta a verdade, ou você assume a mentira. - deu sua opinião. - Enrolar vai ser pior.
- Que verdade? O que aconteceu? - perguntou para . suspirou e pegou o celular da mão de , indo para o jardim.
- Eu vi um tweet de uma revista teen brasileira que dizia que o "" traiu sua namorada no Japão. - e lá estava contando a história mais uma vez. e abriram a boca em um grande "O" ao mesmo tempo.
- Como assim? Mas... Como assim? - bravejou.
- Eu sabia que isso não ia dar certo, sabia! - disse zangado, pressionando suas têmporas.
- Calma... Às vezes isso aconteceu por um bom motivo... - tentou achar um lado bom na história, mas era meio difícil.
- Bom, eles que têm que resolver isso. - deu de ombros e saiu da cozinha, deixando e sozinhos.
- Quer ajuda? - apontou pra louça. olhou para o jardim e viu sentado em uma espreguiçadeira.
- Eu adoraria. - sorriu e entregou a bucha para . - Se importa de lavar? - o garoto riu e negou com a cabeça.
- Mãos na massa.

- Teve uma época que eu pensei em desistir de tudo. - comentou olhando para os pés. Ele e estavam sentados nas poltronas da biblioteca. Resolveram ir para lá conversar, já que havia dormido no sofá. De novo. - Mas por quê? - questionou - Digo, você e os meninos parecem se dar tão bem.
- Não por eles, longe disso. Nós nos damos muito bem sim, eu posso dizer com todas as letras que eles são meus melhores amigos. - disse com um sorriso sincero nos lábios. - Mas por causa da rotina, das coisas que você abre mão. Às vezes eu queria voltar a ter uma vida normal, sem nada disso. Ainda bem que esses momentos passam rápido toda vez que eu subo no palco pra cantar, e eu vejo que meu sonho foi realizado. - sorriu docemente e teve vontade de chorar. Ouvir aquela confissão de era demais pro coraçãozinho dela. - Sabe, esses dias que nós estamos aqui com vocês, estão me fazendo muito bem. - segurou na mão de e a garota o olhou imediatamente. - Eu posso ser eu novamente, ficar sem fazer nada e não ter que me preocupar com fofoca ou qualquer coisa do tipo. Fazia tempo que eu não me sentia assim e eu queria te agradecer. - sorriu sinceramente e segurou a mão de com sua outra mão.
- Não precisa agradecer, . Eu também estou adorando que vocês estão aqui. - queria dizer mais coisas do tipo "vocês são exatamente como eu imaginei enquanto tietava vocês no Brasil", mas achou que aquelas palavras eram suficientes.
- Não fala assim que senão eu fico aqui pra sempre. - então lembrou-se que eles iriam embora um dia.
- Quando vocês vão? - perguntou soltando sua mão da de .
- Daqui uma semana. - entortou a boca e olhou para a garota ao seu lado. Ele não queria deixá-la. - Mas não pense que vocês vão se ver livres da gente, hein? Agora eu tenho seu telefone e vocês são nossas novas melhores amigas! - riu e perguntava-se como uma pessoa linda daquelas poderia ser tão doce também. Tão perfeito. - Ah, eu acho bom mesmo. E não se esqueça que eu sei onde você mora! - ameaçou e os dois começaram a rir.
- Quem vai limpar a piscina com um sorriso no rosto?! - olharam para a porta da biblioteca e encontraram sorrindo feito criança. e ergueram a mão. - Isso mesmo, encontro vocês em cinco minutos no jardim, vou achar o , os outros já estão lá! - saiu saltitando e os dois levantaram-se.
- Vamos trabalhar, então! - começou a andar, mas segurou seu braço, a impedindo de continuar. Sem dizer nada, a puxou para mais perto, abraçando-a apertado. Agora ela tinha entendido o que dissera mais cedo a respeito do abraço de .
- Obrigado. - sussurrou e depositou um beijo na testa de , acariciando seus cabelos. fechou os olhos automaticamente, abrindo-os assim que sentiu as mãos de saindo de seu cabelo.
- Não precisa agradecer. - conseguiu pronunciar sem gaguejar, engasgar ou cair no chão por conta de suas pernas estarem fracas, saindo da sala de mãos dadas com . De mãos dadas com .

ainda sorria para quando eles chegaram ao lado externo da mansão, onde , e brigavam para ver quem ia entrar na casinha sinistra para ver se tinha alguma daquelas redes gigantes que costumam usar para limpar a piscina. Sutilmente soltou sua mão, e toda aquela energia que parecia fluir entre eles se desfez. Ele quis pedir para que ela não fizesse aquilo, mas não sabia se tinha algum direito para isso. Ele sequer sabia o que queria, naquele momento. Ainda perdido em seus pensamentos confusos que diziam respeito aquela garota, ele observou correr até os três amigos que agora tentavam resolver o dilema no jockey pow. Ele reparou que aquela era sempre a solução, e começou a rir, porque nenhum deles respeitava as regras.
- , SOCORRO. - choramingou, porque e tentavam empurrá-lo na direção da casinha. A garota rolou os olhos, ignorando os três e indo direto para a porta, abrindo-a e apanhando a rede, entregando-a para . Deu de ombros quando eles a fitaram boquiabertos. - Te amo, .
- Quanto drama, gente. - Ela riu, puxando e um de cada lado pela mão, levando-os em direção as espreguiçadeiras que estavam tombadas. - Enquanto o tira a sujeira da piscina, a gente puxa essas cadeiras pro canto, pra poder aparar essa grama toda. Deve ter um cortador de grama ali dentro... - apontou na direção da casinha, que agora parecia inofensiva para e . estava conversando com enquanto ele tentava se equilibrar na beira da piscina com o enorme aparato. - , O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO? - gritou, apontando para o garoto que a olhou sem entender, levemente assustado. - DEIXA O TRABALHAR!
e caíram na risada, sendo fulminados por logo em seguida.
- Qual é a graça? - Ela perguntou intrigada, apoiando as mãos na cintura. Queria parecer zangada, mas era impossível não rir diante da risada contagiante de . - Tudo bem, tô parecendo um sargento, né?
- Tá parecendo minha mãe. - comentou e fez uma careta. - No sentido engraçado da coisa, é claro.
- Obrigado, eu acho. - riu. - Mas vem cá... Cadê o ?!
No mesmo momento, e apareceram no quintal; a risada de soando alta enquanto ela gritava alguma coisa que não podia ser compreendida claramente. Era algo como eu odeio vocêou me deixe descer, já que a trazia pendurada em seu ombro, como se ela fosse uma boneca de pano. O próprio não conseguia andar conforme a garota se debatia e ele ria por causa disso. e , que puxavam um grande galho de árvore que estava dentro da piscina, congelaram seus movimentos. olhou para e depois para . e fizeram o mesmo, e gentilmente colocou uma mão sobre a mão de , que estava fechada em punho. Como se saísse de um transe, olhou para a garota ao seu lado, que balançava a cabeça minimamente, exibindo um sorriso fraco. Observou-a mover os lábios sem emitir som algum, lendo claramente um "sem estresse, ". rolou os olhos e desviou o olhar. Com passos pesados, foi em direção à casinha, procurando pelo aparador de gramas. Qualquer coisa era melhor do que presenciar aquela cena, concluiu ele. e trocaram um olhar breve, dando de ombros cientes de que não podiam fazer nada.
colocou no chão, levando um tapa no ombro logo em seguida.
- Eu disse que era forte o bastante! - riu convencido, ajeitando a camiseta enquanto se afastava de , que ainda parecia dividida entre rir divertida e se zangar pela cena desnecessária. Lançou um olhar constrangido para logo após se recuperar, disfarçando e prendendo o cabelo em um coque no alto da cabeça.
- , por que você não vai ajudar o a procurar o aparador de grama? - gritou do outro lado da piscina, enquanto ajudava a carregar e empilhar as espreguiçadeiras perto da grande árvore. De dentro da casinha, ouviram exclamar algo e o som de coisas metálicas caindo fizeram correr para ver se estava tudo bem com ele. - Isso foi proposital?
- Não. - gargalhou, sendo repreendido por , que acabou rindo também. A risada diminuiu quando se juntou aos dois, perguntando se precisavam de ajuda. - Vamos, , me ajude a pegar aquela última cadeira comprida.
- O termo correto é espreguiçadeira, menino . - bagunçou os cabelos de , recebendo um sorrisinho de . Não foi um sorriso muito simpático, observou a garota, que se sentiu levemente deslocada. Desviou o olhar, resolvendo que era melhor ir ajudar a fazer alguma coisa que não fosse chutar as folhas dentro da piscina que ainda tentava limpar. - , PARA COM ISSO AGORA!!!
Dentro da casinha, ainda reclamava por ter sido acertado pela caixa de ferramentas e tentava ver se tinha algum machucado na cabeça dele. - , para de se mexer! - riu de nervoso, segurando o rosto de com as duas mãos. Foi o suficiente para que ele parasse de se mexer e de falar. Esqueceu-se até que estava zangado com e que foi exatamente por aquele motivo que ele deu um soco na prateleira, que cedeu e derrubou a caixa na cabeça dele. - Que foi? - Ela riu baixinho, percebendo que a olhava de um jeito engraçado.
- Linda. - Ele deixou escapar num tom baixo, que ele achou que só ele ouviria. Mas, pela proximidade, era óbvio que ouvira. A garota ganhou uma forte coloração avermelhada e desviou o olhar, sentindo suas bochechas esquentarem consideravelmente também. - Er, quero dizer, você sabe...
- Tudo bem, , seu segredo está a salvo comigo. - Era o momento oportuno para ela usar a frase que ela sempre quis. Riu consigo mesma, concluindo que não soava tão bem fora dos filmes. riu também, mas por ter concluído que ele havia sido dramático demais. Aliás, eles não eram namorados, não é mesmo? Ele tinha que se controlar, pensou. - Bom, parece que achamos o cortador. - apontou para o aparelho atrás de , e sorriu, grata por não ter se machucado de verdade. - Você sabe usar isso? Eu certamente não sei.
- Eu também não. Vamos levar para a dona da casa. - deu de ombros, apanhando o aparelho e saindo da casinha, sendo seguido por , que gritava por . Ao saírem, assistiram ao momento exato em que ela caía de costas na grama. , que fora o culpado - mais uma vez - correu na direção da garota, largando a rede ao lado da borda da piscina. A arma do crime, provavelmente. - Er, me lembre de não dar isso para o , ou ele vai acabar matando a .
- É mais sensato darmos isso para alguém que não seja alvo de constantemente, também.
- Meu Deus, , presta atenção no que você faz! - brigava com , que pedia desculpas ininterruptamente para , que só conseguia rir. estava agachado perto da cabeça dela, e estava realmente preocupado. , e se juntaram ao círculo que formaram em volta de . - , tá doendo alguma coisa? - perguntou, chacoalhando pelo ombro.
- Minha barriga. - Ela suspirou depois que conseguiu parar de rir, cruzando as mãos sobre o abdômen e curvando-se para o lado, fazendo com que sua cabeça se apoiasse no joelho de . - Ai Deus, eu nunca ri tanto na minha vida.
- Acho que você é a única que apanha e dá risada, ao invés de chorar. - observou, auxiliando a garota a se levantar. - , tome cuidado para não ser alvo do também. - apontou para os dois, que estavam lado a lado. rolou os olhos e deu um soco de leve no ombro dele.
- Tudo bem, vamos continuar. - ajeitou os cabelos, prendendo-os igual , enxugando as lágrimas que escorriam pela lateral de seu rosto. Fez uma inspeção rápida do lugar, constatando que eles terminariam antes do anoitecer. Isso se não me matar antes, pensou consigo mesma. Meneou a cabeça e estendeu os braços na direção de , percebendo que ele segurava o aparador de gramas. - Você achou!
- E eu não vou dar pra você. - colocou o objeto protetoramente atrás de suas costas, fazendo todos rirem, menos . - Desculpa, mas não quero acidentes.
- Mas é o que sempre me bate!
- Por isso mesmo! Se ele bater em você, você vai acabar batendo em alguém com isso. Pode deixar que o vai cortar a grama.
- EU? - arregalou os olhos, prestando atenção na conversa só no momento em que ouviu seu nome e viu estender o aparador para ele. Antes ele estava pensando quanto tempo a árvore levou para crescer daquela maneira.
- É, você. Mantenha-se ocupado, . - e fique longe da , concluiu o pensamento com um sorriso nos lábios. rolou os olhos e riu também, porque era a única que tinha entendido a jogada. olhou para ela e ficou com vontade de fazer um hi-five, mas ia dar muito na cara. - E quais são as outras ordens, capitão? - bateu continência para , que riu.
- Bom, então já que o vai cortar a grama, e o podem empilhar a grama e você pode recolher, pode ser? - concordou, dando tapas no ombro de e , e estes entraram na casa atrás de saco de lixo, pá e vassouras. rolou os olhos porque tinha tudo aquilo ali fora, mas preferiu não comentar. - Bom, a gente pode terminar de limpar a piscina, pode ser? - apontou para ela e depois para e , que concordaram com sorrisos. sorria ainda mais porque pela primeira vez, havia incluído ele numa atividade junto a ela. - Então tudo bem, mas, por favor, não me acertem com a rede ou coisa do tipo, porque eu já cansei de pagar mico por hoje.
- Mas ... Convenhamos que você não precisa da gente pra isso, né? - rolou os olhos e conseguiu desviar do tapa que tentou dar em seu ombro. E do segundo também. Vendo que a amiga não ia desistir de bater nela, começou a correr em volta da piscina e gritava e ria enquanto tentava alcançá-la.
Os meninos que estavam todos reunidos de novo observavam a cena com sorrisos divertidos nos lábios. Eles gostavam da forma como tudo parecia simples ali, com aquelas duas garotas que já lhe eram tão queridas. e que o diga.

- Ai, finalmente! - já estava escurecendo quando comemorou por terem terminado a limpeza.
- Achei que não ia acabar nunca. - parou ao lado dela, observando o jardim agora arrumado.
- Até que a gente é bom nisso de arrumar as coisas. - comentou parando do outro lado de .
- É, mas eu não posso colocar isso na minha lista de coisas preferidas para se fazer. - comentou enquanto saía da casinha da piscina. , e juntaram-se a eles e ficaram observando o jardim.
- A noite de hoje vai ser quente novamente. - comentou olhando para o céu estrelado de Julho. olhou para o jardim todo iluminado e lembrou-se de uma coisa que viu no sótão.
- Acho que eu tive uma ideia para aproveitarmos a noite. - comentou com a mão no queixo, ainda olhando ao redor. Todos os outros o olharam assustados. Ninguém sabia o que poderia vir da cabeça de .
- Eu sei que eu posso me arrepender de perguntar, mas eu preciso. - disse após um suspiro - Que ideia, ? - o olhou marotamente e soltou uma risadinha.
- Vocês vão ver. , preciso da sua ajuda. - segurou no braço de e o arrastou para dentro de casa.
- Socorro! - gritou de dentro da casa e todos começaram a rir. Em partes era um riso de nervosismo, pois ninguém ali sabia o que estava tramando.


07. Under The Moonlight


- , por tudo que é mais sagrado nesse mundo, ME CONTA O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO LÁ FORA. - estava andando ajoelhada atrás de implorando para que ele contasse o que estava tramando. Mas o garoto nada fazia a não ser ignorar a garota atrás dele, fingindo que ela não estava ali. - EU VOU MORRER! - gritou mais uma vez e tentava fazer com que ela se levantasse do chão, mas era difícil já que estava sem forças de tanto rir. Adorava deixar curiosa por causa dos escândalos que ela fazia, mas tinha superado todas as vezes que fizera isso.
- Ai, alguém me ajuda a tirar ela do chão, por favor. - gritou da cozinha, esperando que alguém viesse da sala para ajudá-la. E claro que fora o primeiro a aparecer, seguido de .
- ! , me conta. Me conta o que vocês estão fazendo! - agora implorava para , que deu de ombros enquanto pegava água na geladeira. - Droga.
- Vem, , levanta! - estendeu a mão e ficou o olhando. - Logo nós vamos descobrir o que é, fica tranquila. - sorriu e continuou com a mão estendida. segurou em sua mão e até esqueceu porque estava gritando segundos atrás. puxou para cima e a garota sorriu com o toque dele. - Agora vai lá pra sala e espera quietinha no sofá enquanto o termina de fazer seja lá o que ele esteja fazendo. - concordou com a cabeça e foi em direção à sala como um cachorrinho obedecendo a seu dono. encarava com a boca aberta. - ? Tá tudo bem?
- Posso tirar uma foto sua sorrindo? - perguntou naturalmente e franziu as sobrancelhas, não entendendo a pergunta.
- Quê?
- Preciso de uma foto sua sorrindo pra convencer a a fazer umas coisinhas... - disse pensativa - Ah... Todos os meus problemas se resolveriam com isso. - ela pensava nas coisas que conseguiria que fizesse, tipo lavar a louça todos os dias. atrapalhou os pensamentos dela quando começou a gargalhar, aproximando-se dela e a abraçando de lado.
- Só se eu puder tirar uma sua para usar contra o . - o encarou estática, conforme a puxava para voltar à sala. - Talvez até contra o também... - disse pensativo e soltou a garota assim que entraram na sala, para sentar-se ao lado de , que brincava de guerra de dedão com . encostou-se no batente da porta que dividia a sala de jantar e a sala de estar, cruzando os braços na altura no peito e olhando encantada para todos ali. Tinha até se esquecido do que dissera. A cena era a típica que vinha repetindo-se naqueles primeiros dias que moravam ali. estava sentado no braço do sofá conversando com sobre futebol; vira e mexe olhava para parada na porta e sorria com um brilho no olhar. às vezes parava de falar para ajeitar o cabelo ou então sentar-se de outro jeito no sofá; ele não parava quieto nenhum minuto. e , como sempre, estavam rindo alheios sobre qualquer coisa que falavam. Aqueles dois têm um dom único para dar risada de tudo, pensou . E estava quieto, observando tudo como sempre. Observando cada movimento que fazia. Se não estivesse ocupado fazendo-se sabe lá o que, provavelmente estaria sentado no chão, mexendo no iPhone ou então irritando alguém com seu sotaque perfeito. também não estava diferente do habitual, parada os observando. Ela agradecia a cada instante que tinha oportunidade por esses dias que estava passando ao lado de sua melhor amiga e dos cinco garotos que ela mais quis conhecer na vida, que agora eram seus amigos. também não conseguia ficar muito tempo sem reparar como era lindo e atencioso, como só o fato de existir o fazia perfeito. poderia ficar ali o resto da noite, se não fosse aparecer gritando ao seu lado.
- Alguém ainda quer saber o que tem lá fora? - quase caiu do sofá ao ouvir a voz de e levantou-se rapidamente.
- Por favor, antes que a enfarte. - disse para que só escutasse e acabaram rindo.
- Me acompanhem. - passou correndo na frente de , mas fora barrado por . - Damas primeiro, . - sorriu galanteador para e , que foram saltitando - fora saltitando - para fora da casa. Assim que chegaram ao jardim, abriram o maior sorriso da história dos sorrisos. Os olhos de até encheram de água pensando no que viria a seguir.
- ... Isso é genial! - deu um gritinho, correndo para perto das almofadas espalhadas pelo jardim.
- WOW! Um luau! - comemorou assim que conseguiu sair da casa. - Quem diria que o teria uma ideia dessas. - apoiou o braço no ombro de , que sorria satisfeito com seu trabalho.
- Eu quase não acreditei quando ele me contou - comentou, indo para o lado de e sentando-se em uma das almofadas, pegando o violão ao seu lado.
- Onde vocês acharam esse violão? - , e perguntaram juntos, rindo em seguida.
- Eu me lembrava de ter visto no sótão, só confirmei com , já que ele dorme lá. - respondeu indo sentar-se ao lado de .
- Ficou incrível! - disse com os olhos brilhando, indo para perto de uma mesinha que havia do lado. - E tem até lanchinhos.
- me ajudou a preparar - disse com um sorriso satisfeito.
- Desculpa duvidar da sua capacidade, . - deu um peteleco na orelha de e o abraçou de lado logo em seguida, sendo abraçado na cintura por . quase morreu do coração ao ver o bromance deles aflorando-se na sua frente.
- Ficou bem romântico, até parece que o está apaixonado, né. - comentou, tocando em para que ele concordasse com ele. Só que bem no instante em que dissera isso, olhava para com um olhar que indicava exatamente o que comentara. engasgou-se com o ar e só então percebeu a situação, corando um pouco.
- O quê? - fez-se de desentendido e rolou os olhos.
- Esquece. - murmurou, sentando-se ao lado de . Os outros sentaram-se também, completando o círculo de almofadas. sentou-se do outro lado de , e quase pisou na mão de ao sair correndo para sentar-se ao lado da garota. e sentaram-se nos lugares restantes, entre e . agradecia mentalmente que estava longe de . Já não conseguia fazer o mesmo ao ver bagunçando os cabelos de ao seu lado.
Após comerem todos os lanches que e fizeram - e depois dos músculos de suas bochechas estarem doloridos de tanto rir -, a rodinha acabou ficou silenciosa.
- Acho que tá na hora de cantar pra quebrar esse silêncio. - comentou e todos concordaram. pegou o violão que já havia afinado e começou a tocar alguns acordes.
- Posso pedir uma coisa? - perguntou abraçando seus joelhos.
- Claro. - os meninos disseram ao mesmo tempo.
- Cantem uma música de vocês. - olhou sugestivamente para , que arregalou os olhos em direção de . Qual a parte de não mostrar que ela era fã não tinha entendido? - Eu só conheço a música que toca na rádio, seria legal se vocês tocassem uma que vocês gostam. - a garota deu de ombros e queria abraçá-la e nunca mais soltar.
- Acho uma ótima ideia. - disse sorrindo e estava contorcendo-se ao seu lado.
"Estou ferrada" - pensou - "Como vou fazer pra me controlar e não sair cantando o mais alto que consigo?" - fechou seus olhos e respirou fundo, tentando manter a calma. "Eles não podem tocar Moments, eles não podem tocar Moments" - implorava em pensamento. Ela não tinha conhecimento de ninguém que conseguia ficar indiferente quando sua música preferida da vida começava a tocar.
- Então vamos tocar Moments mesmo? - perguntou e quase saiu correndo do círculo para se jogar na piscina. Os garotos concordaram e os primeiros acordes da música começaram a sair do violão. olhou sorrindo para , que a essa altura já estava com os olhos cheios de água. Liam começou a cantar e sua voz ecoou no ambiente inteiro, fazendo com que se arrepiasse inteira. Em pensamento, cantava cada sílaba junto com os garotos. sabia o quanto aquilo significava para a amiga e queria estar mais próxima dela para dar um abraço; ela achava bobeira esconder que era fãs deles, mas se ela queria daquela maneira, não iria contrariar.
Os garotos cantavam com um sorriso no rosto, mostrando como gostavam de fazer aquilo. Em algumas partes da música eles tinham ataque de riso, provavelmente eles deveriam ter uma piada interna para cada verso de cada música. Quando a música acabou, estava com um leve sorriso nos lábios, tentando olhar para todos ao mesmo tempo.
- YAY! - soltou um gritinho e começou a bater palmas, sendo acompanhada pelos outros. - Eu adorei essa música. - disse sincera. nunca havia a mostrado para ela.
- E você, ? Não gostou? - virou-se para encarar a garota ao seu lado, mas encontrou a almofada vazia. Olhou em volta preocupado e viu correndo em direção à casa. já estava levantando-se para ir atrás dela, quando tocou sua mão e a impediu de levantar. - Deixa que eu falo com ela. - encarou por alguns segundos e cedeu a chance de conversar com , voltando a se sentar. saiu correndo antes que perdesse de vista, e a encontrou sentada na bancada da cozinha, de cabeça baixa. O garoto parou na porta, pensando que seria melhor se tivesse vindo conversar com ela. O que vou dizer? Pensou consigo mesmo.
- Me desculpe. - disse baixinho com a cabeça baixa. A luz da cozinha estava apagada, e a única coisa que iluminava o local era a claridade que vinha das luzes do jardim em conjunto com a luz da lua. deu alguns passos até ficar de frente para a garota.
- Desculpar pelo que, ? - perguntou no mesmo tom, ainda com receio de estar ali. Quando ergueu a cabeça para olhá-lo, ouviu cantando Love Me For Me, da Cher Lloyd, com risadas ao fundo. olhou para fora e começou a chorar novamente. - Que foi? Você não gosta dessa música? Eu peço pro parar de cantar se quiser. - a garota soltou um riso fraco, negando com a cabeça.
- Não, eu adoro essa música, é uma das minhas preferidas... - olhou nos olhos de e percebeu que não havia como continuar escondendo tudo aquilo.
- Por que você me pediu desculpas? - colocou uma mecha do cabelo de atrás de sua orelha.
- Porqueuescondiquesoufãdevocês. - disse rapidamente e franziu o cenho.
- Que? Na minha língua agora, por favor. - riu e sorriu com isso; pelo menos ela não estava mais chorando.
- Eu pedi desculpas porque eu escondi que... - suspirou - Que sou fã de vocês. - abriu a boca e arregalou os olhos, começando a andar de um lado para o outro. Apoiou-se na pia e ficou de costas para . - Eu fiquei com medo de vocês acharem que eu era uma fanática e não quisessem ficar... E...
- Eu não acredito que você foi capaz, ... - ouvir o garoto a chamando pelo nome fez seu coração parar por uns instantes, junto com a vontade de se desintegrar naquele exato segundo.
- , me desculpa, não foi minha intenção... Quer dizer, foi, mas... Mas... - não sabia como se explicar e até desceu da bancada para ficar mais próxima de . Assim que tocou o braço do garoto, o encontrou rindo. - ? - esse se virou e começou a rir mais alto ainda quando viu a expressão de .
- Desculpa, eu não aguentei. - continuava o olhando sem entender nada e achou aquela expressão a mais linda do mundo. segurou nas mãos de e a puxou para um abraço apertado. - Não precisa ficar assim, , eu já sabia. - disse perto de seu ouvido. Por mais que quisesse ficar ali abraçada com ele para sempre, ela o empurrou pela barriga.
- Como assim você já sabia, ? - perguntou afinando a voz e elevando um pouco o som. fez cara de culpado e começou a falar.
- Confesso que eu fui um menino malvado e mexi na sua gaveta do criado-mudo. - abriu a boca e sentiu suas bochechas esquentarem. A tal gaveta que referia-se continha todas as coisas do One Direction que colecionava, desde revistas até o seu squeeze.
- Você não faz ideia de como eu estou morrendo de vergonha. - escondeu o rosto entre as mãos e chacoalhou a cabeça. soltou outra risada e a abraçou novamente.
- Não precisa ficar com vergonha, . Isso não faz diferença pra mim e nem para os meninos. - depositou um beijo no topo da cabeça de , que suspirou lentamente, desfazendo o abraço de novo.
- E por que você foi mexer no meu criado-mudo? - perguntou com as mãos na cintura, já parando de chorar.
- Porque eu precisava de uma escova de cabelo. - os dois começaram a rir e a abraçou de novo. Quem liga que ele estava aproveitando-se da situação? não ligava.
- Tudo bem, eu te desculpo. Mas você tem certeza que isso não muda nada entre a gente?
- Claro que não. Eu continuo te achando perfeita. - arregalou os olhos e a abraçou mais forte quando viu que ela queria soltar do abraço de novo. fora mais forte e conseguiu encarar .
- O que? - perguntou. Sabia que ele não iria repetir, mas queria ter certeza de que havia ouvido aquilo mesmo. suspirou e passou as mãos pelo cabelo de , olhando-a nos olhos.
- Você continua perfeita. - para a surpresa de , repetiu o que havia falado, fazendo com que as pernas de fraquejassem um pouco. Naquele momento, ela não sabia mais seu nome, onde morava e quanto era dois mais dois. Inconscientemente, ergueu suas mãos até onde as mãos de estavam, apertando-as e logo em seguida traçando o caminho de seus braços até seu pescoço, aproximando-se mais dele. encostou sua testa na de e fechou os olhos quando sentiu suas respirações tão próximas. umedeceu os lábios e soltou todo o ar que havia prendido em seus pulmões, sentindo-se mais leve. Aproximaram seus lábios ao mesmo tempo, sentindo uma onda de calor e êxtase invadir seus corpos imediatamente.
- Ai, ai, esse é um trouxa mesmo. - ouviram a voz de na cozinha e a luz se acender. - Opa. Opa, opa, opa. - estava estático com a mão no interruptor, olhando para e daquele jeito. empurrou pelo peito no mesmo instante, indo parar praticamente do outro lado da cozinha, sorrindo amarelo. não se encontrava diferente, encarando sem piscar. - Opa. - disse por fim, antes de apagar a luz da cozinha e ameaçar sair dali.
- , espera. - pediu, andando até ele e o segurando pelo braço. - Deixa eu te explicar. - passou sorrindo sem graça para os dois antes de sair correndo da cozinha.
- Relaxa, , vocês formam um casal bonito. Dou todo meu apoio. - sorriu sincero e abraçou , que continuava estático no meio da cozinha. - Só vim pegar água e fica tranquilo que eu não vou abrir minha boca. - deu um tapinha de leve no ombro de e saiu da cozinha logo após pegar a garrafa de água na geladeira. conseguiu voltar a movimentar-se, saindo da cozinha ainda processando o fato de que - tecnicamente - tinha beijado .

mal conseguia encarar ou , que acabaram de voltar da cozinha, rindo de alguma coisa que contara. Ela parecia muito interessada em arrancar tufos de grama que estavam perto de sua almofada, amontoado-as ao lado de seus pés. percebeu a atitude da amiga e logo olhou para , se perguntando se o garoto havia de alguma maneira, magoado . Mas estava sorridente - até demais, ela observou - e não parecia que havia acontecido algo de muito grave entre eles lá dentro. Mas então por que a tá tão calada? Perguntou-se. Tentou chamar a atenção dela, mas continuava olhando para o chão.
- . - cutucou o garoto sutilmente com o cotovelo, chamando a atenção dele. Apoiou uma mão no ombro dele, para que pudesse se aproximar e sussurrar em seu ouvido. - Você pode cantar uma música bem alegre? Não tem uma que é bem agitada? Acho que é algo com "about you, you, you".
riu, porque achou graça na maneira como afinou um pouco a voz na hora de cantar a única parte que ela se lembrava daquela canção. se lembrou de que era a música que cantava sempre que estava alegre.
- , vamos de Everything About You? - chamou pelo amigo, que parou de tentar puxar os cabelos de na tentativa de fazê-la rir. Imediatamente ergueu os olhos, olhando primeiro para , que sorria para ela e depois para , que também sorria, mas mantinha um olhar de preocupação.
Quando a música - que era uma das preferidas de - soou pelo ambiente, ela foi se animando gradativamente. Agora que havia assumido que era fã deles - e eles não viam problema nenhum naquilo - pôde cantar cada pedacinho sem medo de ser feliz. sorriu satisfeita, embora ainda estivesse se perguntando o que poderia ter acontecido para que ela ficasse tão amuada de repente.
Se lembraria de perguntar antes de irem dormir.

A noite virara madrugada e todos haviam subido para seus respectivos quartos; os últimos a se retirarem foram e . Na verdade, carregava adormecida em seu colo com um sorriso de deslumbramento nos lábios. A garota havia adormecido na grama, como uma criança que fica sonolenta depois de se encher de doces - que foi o que todos ali fizeram, basicamente.
Com cuidado para não acertar a cabeça de na parede, subiu as escadas em silêncio, empurrando a porta do quarto das meninas com o joelho. estava arrumando a cama dela, e sorriu quando viu entrando no quarto. Prontamente afastou o edredom que cobria a cama de , observando-o colocá-la com cuidado ali. Esperou que ele a cobrisse e desse um beijo singelo em sua testa - fato que a fez se desmanchar por dentro - e assim que ele se virou para lhe dar boa noite, pediu para conversar com ele do lado de fora do quarto. Antes de concordar, olhou uma última vez para a garota adormecida com um semblante sereno, sentindo-se envolvido por um tipo de paz que ele só sentira com tanta intensidade ali, naquele lugar.
Seguiu para fora do quarto, encostando a porta do mesmo quando os dois já estavam no corredor. mordia o canto do lábio inferior, cruzando os braços de forma despreocupada diante do tronco. fez o mesmo, esperando que ela começasse a falar.
- Tá tudo bem entre você e a , ? - perguntou depois de pigarrear, fitando fixamente os olhos dele. - Quero dizer, depois que você foi atrás dela na cozinha, ela não voltou com uma cara muito melhor do que quando saiu. - Ela é... Complicada. - entortou a boca ao falar, porque de fato, era o que parecia. - Mas eu gosto dela. Gosto mesmo. Só é difícil entender o que se passa na cabeça dela, sabe?
- Olha, eu conheço a há anos e, se o que você esta dizendo é verdade, e eu espero que seja porque ela gosta de verdade de você e dos meninos, - disse sincera, apontando para ele e depois em direção ao quarto, não deixando de sorrir porque sabia que estava lá dentro, provavelmente dormindo. - você só precisa entender que ela só está com medo de se magoar.
- Por que ela se magoaria? - Ele perguntou, franzindo o cenho intrigado.
- Acho que é você que precisa me dar essa resposta, não é? - deu um soco amigável no ombro de , sorrindo de lado. - Bom, eu não sei se você vai dormir, mas eu vou descer para comer.
- Alguém aí falou em comer? - abriu a porta do quarto, vestindo sua camisa. Houve um pequeno intervalo de tempo entre esse movimento que conseguiu ver o abdômen definido de , e ela corou por isso. percebeu e, embora a ideia de descer e comer um pedaço de bolo lhe parecesse tentadora, achou melhor deixar aquilo para um outro momento. Despediu-se de dando-lhe um beijo em sua bochecha e dois tapas sugestivos no ombro de , entrando no quarto em seguida. - Bom, será que eu posso te acompanhar?
- Mas é claro, sir. - riu, meneando a cabeça na tentativa de afastar a imagem do corpo escultural de da sua mente. Não era uma boa ideia enquanto eles estivessem sozinhos. - Pensei que estivesse com sono.
- Eu estou com sono. Mas também estou com fome. E não dá pra dormir sentindo fome. - Ele relatou enquanto os dois desciam em direção à cozinha. acendeu a luz e foi à geladeira, procurando algo que lhe agradasse. - E você?
- A mesma coisa. - Soltou um riso baixinho, pensando naquele momento que os dois tinham muito em comum. - E eu também estava esperando o , para trocar umas palavrinhas com ele.
- Hm, e seria sobre...?
piscou lentamente, perguntando-se o que poderia estar pensando naquele momento. Será que ele não tinha sacado o momento de horas antes? Ou será que tinha sacado, e queria alguma desculpa para entrar naquele assunto sentimental? apanhou dois copos e parou de ficar divagando-se consigo mesma, indo até onde se encontrava com o jarro de suco.
- Só queria deixar claro que eu não quero minha amiga magoada.
- nunca magoaria a . Ele realmente gosta dela. - serviu e a olhou com sinceridade. Aproveitando que um fio de seu cabelo estava caindo sobre seu rosto, ele se aproximou, colocando os cabelos da garota atrás de suas orelhas. - Assim como eu realmente gosto de você.
deixou um riso de nervoso escapar, achando que era uma brincadeira de . Mas ele continuava com a expressão suave de quem dizia a verdade, e ao contrário do que aconteceu na casinha da piscina, ele não parecia encabulado. Ainda com as mãos nos cabelos de , afagou a nuca da garota enquanto colocava-se mais próximo dela, de forma que suas respirações se misturassem e quase fosse possível sentir as batidas do coração um do outro.
Dentro da cabeça de um alarme de aproximação perigosa soava, mas parecia uma preocupação boba, naquele momento. estava tão próximo que era possível distinguir cada linha da íris dos olhos dele, e eram olhos realmente bonitos, ela observou. As mãos de , que estavam apoiadas no balcão atrás de si - e que de certa forma lhe davam sustentação - escorregaram e bateram nos copos cheios de suco, que rodopiaram e espalharam o líquido por toda bancada. riu e o acompanhou, sem saber exatamente porque estava rindo.
E, ainda entre risos divertidos, colou sutilmente os lábios sobre os de . No instante que ela se deu conta de que estava beijando , uma corrente elétrica correu todo seu corpo e ela jurou que seria capaz de abastecer uma usina de energia sozinha. Levou ambas as mãos de encontro ao corpo de , envolvendo sua cintura num abraço seguro. Antes que pudessem aprofundar o beijo, ouviram o som de algo caindo e logo depois a voz de xingar.
- AI! Me desculpem, me desculpem! - Ela levou suas mãos à boca, e depois extremamente vermelha, se abaixou para apanhar a vassoura que havia derrubado. - Ai, que merda.
- Tá tudo bem, . - disse antes de desviar seus olhos dos de , virando-se para a garota que torcia o cabo da vassoura como se estivesse pronta para sair correndo. abraçou carinhosamente pelos ombros, sorrindo para . - Pra que a vassoura?
parou de olhar pro casal a sua frente e calou todos os comentários fofos que gritavam dentro de sua mente, olhando para o objeto em suas mãos. Riu sem graça, abraçando a vassoura sem perceber exatamente o que estava fazendo. A fofura de com estava afetando-a.
- Eu ouvi um barulho de coisa caindo e pensei que estava acontecendo aquilo de novo. Ia acordar a , mas ela não estava na cama, aí achei que tinha acontecido alguma coisa com ela. - Nesse momento deixou um "awn" exagerado escapar, mas relevou porque provavelmente a amiga estava sob forte influência do corpo de colado ao seu. Rolou os olhos, terminando de contar o motivo de ter atrapalhado o momento mágico dos dois. - Eu resolvi então que eu tinha de descer para ver o que estava acontecendo, sorte que alguém esqueceu essa vassoura perto da escada.
- Você ia se proteger com uma vassoura? - A amiga perguntou, franzindo a sobrancelha, tentando não rir da cara inocente de . - Sério?
- Desculpa se eu não tinha ninguém pra me acompanhar até a cozinha. - engasgou com sua própria risada, e sorriu satisfeita. Decidiu que já havia segurado vela demais, e ainda sob risadas de e , voltou para o quarto.
- Acho que eu fiz bagunça. - comentou olhando para a bancada suja de suco. soltou um riso leve, segurando o rosto da garota com delicadeza e dando um selinho.
- Quer que eu pegue um pano? - a garota bufou e o olhou com uma das sobrancelhas levantadas.
- Você me beija e depois pergunta se eu quero que você saia daqui? - gargalhou alto e deu um soquinho em sua barriga.
- Shiu, . - o repreendeu em meio de sorrisos e o abraçou apertado. - Mas agora falando sério, vai lá pegar o pano sim, por favor. - resmungou, mas acabou indo rapidamente na lavandeira buscar um pano sujo. Assim que saiu da casa e viu o jardim sem iluminação, sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Aquela casa conseguia ser ao mesmo tempo aconchegante e sinistra. Afastou aqueles pensamentos da cabeça e, assim que abaixou-se para pegar o pano dentro de um balde, um vento forte e gelado soprou, balançando os galhos daquela árvore gigante. olhou instantaneamente para a árvore e jurou que viu alguma coisa atrás da mesma. Chacoalhou sua cabeça e esfregou os olhos, forçando a vista para olhar novamente. Mas os galhos da árvore estavam estáticos, como se nada estivesse acontecido. não pensou duas vezes e voltou correndo para dentro da casa, quase tropeçando nos próprios pés. Fechou a porta atrás de si, apoiando-se na mesma com os olhos fechados. parou de cortar o bolo e largou a faca no meio do mesmo, correndo em direção ao garoto.
- ? Você tá bem? - tirou o pano sujo de suas mãos dele, o jogando no chão da cozinha. abriu os olhos e respirou fundo, passando as mãos pelo rosto.
- Essa casa é muito sinistra. Muito. - disse ainda um pouco atordoado. arregalou os olhos e sentiu-se mal por fazê-la sentir medo.
- O que aconteceu lá fora? - segurou em suas mãos e o puxou para sentar-se em um dos bancos. - Você tá branco. - a garota pegou um copo com água e, desviando do suco que caíra no chão, pegou o pote de açúcar embaixo da pia para misturar.
- Foi estranho... Eu estava olhando para o jardim e tudo parecia normal, até que um vento forte soprou e eu juro que eu vi alguma coisa mexendo-se atrás da árvore. - entregou o copo com a mistura de água e açúcar, tentando controlar sua mão para que ela não tremesse. - Só que aí eu pisquei e de repente tudo voltou ao normal. - bebeu o conteúdo do copo todo de uma vez - A árvore mal se mexia. - o olhava com a boca entreaberta, processando a informação. Respirou fundo e tirou o copo da mão de , o levando de volta para a pia. - Desculpa te assustar, mas foi sinistro. - fez uma careta e sorriu, balançando a cabeça.
- Não se preocupe, vou ter que me acostumar com isso, já que vou morar aqui, né? - deu de ombros e pegou o pano que buscara. - Termina de cortar o bolo pra gente comer enquanto eu limpo? - ela pediu sorrindo e concordou, cortando o bolo ainda pensando no ocorrido.
Após comerem e levar o pano para fora na velocidade da luz, os dois encontravam-se na sala, abraçados, olhando para a TV desligada à sua frente. estava com os pés esticados na chaise do sofá, enquanto estava encostada em seu peito, sendo envolvida pelos braços do garoto.
- Bem que minha mãe falava que comer de madrugada tira o sono. - comentou após um período em silêncio. soltou uma risada nasalada e depositou um beijo nos cabelos de , que fechou os olhos com isso.
- A gente deveria ouvir nossas mães mais vezes. - disse e concordou. Ele ia contar uma história de sua infância quando sentiu um arrepio lhe percorrer a espinha, sendo surpreendido por uma corrente gelada. Olhou assustado para os lados e percebeu que também tinha sentido isso. Um barulho veio da grande escada e sentou-se reta no sofá, olhando em direção do segundo andar da casa.
- Você ouviu isso? - perguntou roendo a unha do dedo mindinho. continuava estático olhando para a escada, procurando qualquer indício do que possa ter causado o barulho.
- Ouvi. - olhou para a garota apreensiva ao seu lado e a puxou para o abraço novamente. - Deve ter sido ou algum dos meninos.
- É, deve ter sido... - envolveu a cintura de com seus braços fortemente, fazendo com que o garoto a abraçasse mais forte também. - Mas eu sei que não quero subir essas escadas no escuro, mesmo sabendo que está no quarto.
- Então nós vamos ficar aqui e dormir até que o dia amanheça. O que você acha? - passou sua mão pelos cabelos de e a olhou sorrindo, passando confiança no olhar.
- Acho uma ótima ideia. - sorriu de volta, aproximando seus lábios dos de para um beijo calmo e tranquilizador.


08. Dangerous Neighborhood


começou a sentir o lençol incomodar seu corpo e revirou-se na cama. Com isso, acabou abrindo os olhos e a claridade fez com que o resto do sono fosse embora. Bufou irritada e tirou o lençol de cima do seu corpo com os pés, o chutando pra fora da cama, levando seu Woody junto. Olhou para o vaqueiro de pelúcia no chão, apoiado de ponta cabeça na cômoda. riu levemente e espreguiçou-se, soltando alguns grunhidos. O sorriso no seu rosto era permanente desde a noite anterior e em partes a falta de sono era ansiedade para começar um novo dia. Pensou em acordar para lhe fazer companhia e sentou-se na cama para jogar o travesseiro nela. Mas parou o movimento com o braço erguido ao encontrar a cama ainda arrumada.
- ? – perguntou ainda com o travesseiro em mãos. Olhou ao seu redor e coçou a cabeça. Pegou o celular no criado-mudo ao seu lado e viu as horas. Oito e dezessete. – Será que a caiu da cama tão cedo? – levantou-se e ia saindo do quarto, voltando para olhar embaixo da cama para ver se – literalmente – não estava embaixo da mesma. Deu de ombros quando não encontrou mais do que os sapatos de jogados ali, abrindo a porta do quarto. Ao passar pelo banheiro, ouviu o chuveiro ligado. – Deve estar tomando banho. – pensou em voz alta e bateu na porta do banheiro. Ninguém respondeu. – ? – chamou em um tom alto, mas preocupando-se para não acordar os meninos. – , me responde! – fez manha, batendo na porta novamente. Nenhum sinal de alguém responder. Girou a maçaneta e a porta abriu, indicando que não haviam trancado. Abriu levemente e colocou a cabeça pra dentro, olhando para o espelho que refletia o box de vidro fumê. Fechou a porta rapidamente quando percebeu que a silhueta não era de uma garota, e sim de um garoto. Qual dos cinco era, já não poderia responder, pois não ficara muito tempo observando. Respirou fundo e voltou a andar em direção à cozinha. Desceu as escadas sentindo cheiro de café e aquilo já estava mais estranho do que o normal. Correu um pouco até entrar na cozinha e deparou-se com uma cantando Pocketful Of Sunshine de pijama e colocando café na garrafa térmica. percebeu a presença de com a boca aberta encarando-a estática.
- Bom dia! – disse animada – Quer café? – andou até a amiga e colocou uma mão em sua testa, medindo sua temperatura. Depois aproximou seu ouvido do local onde fica o coração para escutar seus batimentos. Puxou a pálpebra de para baixo e verificou a coloração. – Que isso, , tá doida?
- Quem é você e o que fez com a minha amiga? – perguntou ameaçando com uma colher que estava no balcão, rindo em seguida.
- Eu, hein. Quanta gente maluca nesse mundo. – deu de ombros e recolheu a sujeira do pó de café, jogando no lixo.
- Só estou admirada que você acordou cedo e fez café. – disse ao se sentar em um dos banquinhos da bancada. voltou sorrindo e sentou-se de frente para , adquirindo uma expressão divertida.
- É que eu dormi pouco... E dormi aqui na sala... – comentou brincando com a caixa de coador de papel. ergueu uma sobrancelha.
- Sozinha? – deu de ombros, sorrindo torto. abriu a boca e gritou. – ESPERA AÍ. ESPERA AÍ. – começou a chacoalhar os braços freneticamente, enquanto respirava com dificuldade. – Você e o dormiram juntos? frisou a palavra juntos e chacoalhou a cabeça em negação.
- Não juntos, mas juntos. Abraçados, servindo de aquecedor, essas coisas. – sorriu e levantou-se do banquinho, começando a dar pulinhos. – Hey, vamos parar de dar uma de louca?
- ! ! ! Você tem noção disso? – andou até a garota e a chacoalhou pelos ombros – De como isso é lindo? E fofo? E e e e, ai. – suspirou apaixonada e abraçou , que só conseguia rir da amiga daquele jeito.
- Eu sei... Eu tô me sentindo tão feliz... Sei lá, não sei explicar. – apoiou os braços no balcão, olhando para onde estava sentada. – Queria que você e o estivessem assim também. – parou o movimento naquele instante, sorrindo amarelo para a amiga.
- É, né. – riu sem graça e sentou-se no banco, tamborilando os dedos na bancada. piscou algumas vezes e depois arregalou os olhos e a boca, começando a se abanar com a caixa de coador de papel. – . – disse de olhos fechados.
- Calma, calma, eu ia te contar! Eu só não tive oportunidade ainda. E essa é a oportunidade! – riu sem graça novamente e ainda a olhava séria.
- O que aconteceu ontem?
- Bem... Eu e o , nós estávamos aqui na cozinha... E eu estava chorando, né. – dizia enquanto mexia na caixa de coador de papel que usara para se abanar – Aí, eu falei pro que sou fã deles, né. Aí ele me abraçou e disse que já sabia e coisa e tal. – prendeu o riso ao ver parecendo uma criança contando uma história – Aí teve uma hora que ele disse que eu era perfeita e nós nos beijamos. Teoricamente.
- Como se beija uma pessoa teoricamente?
- Bom, nós estávamos com nossos lábios encostados, só que quando a coisa ia começar a ficar mais envolvente, o apareceu. – começou a rir e acompanhou.
- Mas que gente inconveniente que mora nessa casa!
- Hey! Isso foi uma indireta? – jogou a caixa que segurava em , que riu mais ainda, levantando-se do banquinho e indo abraçar a amiga, que também levantou.
- Ai, ai, essa cozinha é mágica. – comentou após abraçar e voltar a se sentar.
- Essa casa é mágica. A Inglaterra é mágica, minha vida é mágica! – começou a rodopiar no meio da cozinha no mesmo instante que apareceu somente de calça de moletom na porta.
- Alguma fada apareceu por aqui pra fazer tanta mágica assim ou ela é assim mesmo pela manhã? – comentou divertido, dando um beijo no topo da cabeça de . O garoto sentou-se na sua frente, no lugar antes ocupado por .
- Ela é assim mesmo, tadinha. Doida que só. – mostrou a língua e sorriu tímida quando a olhou. Andou até ele e sentou-se ao seu lado.
- Eu não ganho beijo de bom dia? – a encarou indignada com o que ela acabara de dizer.
- Claro que ganha. – segurou o rosto da garota delicadamente e depositou um beijo no canto de sua boca. – Bom dia, linda. – rolou os olhos e viu que estava na porta, de cabelos molhados. colocou a língua pra fora e aproximou o dedo da mesma, fingindo que ia vomitar. riu e balançou a cabeça, andando até a garota e lhe dando um selinho.
- HEY! Tem criança aqui. – disse tampando os olhos de , que lhe deu um tapa na mão. – Ai.
- Acho mais fácil a criança daqui ser você, . – zombou, apoiando os braços no balcão e pegando a caixa de coador de papel para ler a embalagem.
- Tô com fome, cadê o resto? – perguntou para .
- foi tomar banho, tá roncando e gritou que já está descendo.
- Como vocês acordam cedo, credo. – comentou.
- Somos meninos ativos. – disse sorrindo de boca fechada. elegeu aquela expressão como a mais fofa do universo.
- Cheios de energia. – fez um muque com os dois braços, fazendo com que todos rissem.
- Cadê o pão? – entrou na cozinha de moletom e shorts do pijama, sentando-se ao lado de .
- Bom dia pra você também, . – disse e recebeu um beijo na bochecha.
- Credo, tá doente? – apontou pro moletom e deu de ombros.
- Preguiça de tirar. – a garota riu de leve e sentiu a mão de em sua perna descoberta. Olhou para ele e viu que ele fingia que nada estava acontecendo. Sorriu com isso e tentou parecer tranquila.
- Bom dia, terráqueos. – apareceu na cozinha com duas toalhas penduradas no ombro. – Tirar a toalha molhada do banheiro depois que toma banho faz bem, . – disse sem olhar para o amigo e foi direto para a lavanderia.
- Eu só não peguei porque sabia que você ia trazer de qualquer forma. – deu de ombros.
- Cara, por que a gente tem de acordar tão cedo? – chegou logo em seguida, com a cara amarrada de sono. Deu um beijo em cada um que estava na cozinha e as garotas acharam isso fofo.
- Porque vocês são meninos ativos e cheios de energia! – repetiu a palavra dos meninos e só os quatro primeiros que estavam na cozinha riram, deixando , e com cara de interrogação.
- Tanto faz. Tô com fome. – disse ao sentar-se ao lado de . voltou da lavanderia e sentou-se na ponta da bancada, sorrindo
. - Oi, amigos. – disse mostrando todos os dentes e lembrou-se porque era seu favorito. Era. Ainda é algumas vezes, chegou à conclusão.
- Vai, , você que começou a fazer o café, você termina. – deu a ideia e a fulminou com o olhar, mas levantando-se mesmo assim para pegar as coisas para eles comerem.

No decorrer do café da manhã, todos os presentes conversaram sobre tudo um pouco. e comentavam sobre os sonhos que tiveram naquela noite e tentou não se importar muito com o fato de que toda vez que fazia algum comentário, ria lançando a cabeça para trás, segurando-se no ombro de para não cair. Ele tentou então se focar na conversa com e os outros presentes. Mas não deixou de se perguntar por que e pareciam ser os únicos envoltos numa bolha particular.
- O que vamos fazer hoje? – perguntou, apoiando os cotovelos sobre o balcão, fitando as garotas, já que elas eram as anfitriãs e, geralmente, eram elas que davam as ordens quando precisavam arrumar a casa.
- Jogar Uno? – sugeriu, mas não parecia muito empolgado com a ideia. – Limpar a casa?
- Na boa? As duas opções não são nada atraentes. – observou. – Não que eu não tenha me divertido arrumando a casa, mas vida de dona de casa não é bem o meu forte.
- Ai, vocês estão ficando entediados aqui, né? – apoiou a testa no balcão, usando um tom manhoso que fez os garotos soltarem ‘awns’ afetados.
- Não estamos entediados de vocês duas. – abraçou pelo ombro, beijando o topo de sua cabeça, fazendo com que o coração dela batesse mais depressa. Ela preferiu não olhar nos olhos de , ou sabe-se lá o que ela poderia fazer. – Podemos fazer uma pool party.
- Acho justo! – ergueu os braços como uma criança, demonstrando que aquela ideia realmente lhe agradava. se derreteu por dentro, e só não se levantou e o beijou enlouquecidamente porque havia espectadores demais. – Ahn...
- Que foi, ? – perguntou em meio a risos divertidos provocados pela expressão que o garoto tomou após se jogar na cadeira. olhou sugestivamente dele para , de para ele. E houve uma fagulha de entendimento brilhando nos olhos de que não conseguiu compreender.
- ... Você pode ajudar eu e o aqui na cozinha? – sorriu para a amiga antes de se levantar e levar o seu copo vazio para a pia. fez o mesmo. e o restante dos meninos não entenderam nada. – , , e estão liberados.
lançou um olhar suplicante para , como se pedisse para que ele não a abandonasse ali e a deixasse segurando vela. O garoto deu de ombros, depositando um beijo na testa de e saindo da cozinha, sendo seguido por - que tinha uma expressão fechada - e e que conversavam sobre alguma coisa aleatória.
- Espero que vocês me convidem para ser a madrinha de casamento. Caso contrário, eu me recuso a ficar aqui lavando a louça enquanto vocês ficam se amando. apontou um dedo para ambos, pulando da sua cadeira e retirando os copos dos meninos da mesa. pensou consigo mesmo que era bem bipolar quando queria. – Que foi?
- Aconteceu uma coisa ontem à noite enquanto eu e a estávamos aqui. – começou, apoiando-se na pia e olhando fixamente para . A garota até pensou em fazer algum comentário do tipo “Eca! Não quero partilhar do momento íntimo de vocês”, mas estava realmente sério. E parecia apreensiva. Um calafrio correu a espinha de .
- ... ... – Ela olhou para ambos enquanto dizia seus nomes, parando o movimento de recolher o pano para espaná-lo do lado de fora. – Vocês estão me assustando.
- viu alguém no quintal ontem à noite. – disse, sentindo o mesmo tipo de calafrio que sentira instantes antes.
- Alguém do tipo pessoa física, ou alguém tipo...
- Não sei bem, . – sorriu amarelo, tentando – inutilmente – bloquear a lembrança sinistra da noite anterior. – Mas vamos considerar o fato de que estava escuro e eu posso muito bem ter visto coisas.
- É, vamos considerar o fato de que você estava delirando de amores e estava vendo em todo canto. – gargalhou, mas em partes era um riso de nervoso. Preferiu não comentar que ela também chegou a presenciar a mesma cena, anos atrás. não entrou em detalhes, mas ela pôde presumir o que aconteceu. O vento repentino, a sensação de ser observada e uma sombra perto da árvore. Meneou a cabeça, afastando aqueles pensamentos. Talvez o psicológico de fosse afetado pelas histórias exatamente como ela. Ela queria acreditar que era isso. – Ai, podem parar vocês dois! – e , que estavam abraçados se assustaram quando saiu do repentino transe e jogou o pano de prato com estampas de galinhas coloridas na direção dos dois. – Não vou mais lavar a louça!
gargalhou e a acompanhou ao perceberem que saiu da cozinha encenando dramaticamente. Logo depois puderam ouvir a risada divertida de ecoar pela casa.
- Hey!
disse sem pensar quando viu entrando na sala, ainda rindo pelo ocorrido na cozinha. Ela rapidamente dirigiu o olhar para , que agora sorria amarelo para que estava sentado ao seu lado, olhando-o como se tivesse feito algo absolutamente incompreensível. De certa maneira foi, porque simplesmente interrompeu o que estava dizendo a e se levantou numa velocidade quase sobre-humana. riu baixinho, indecisa se ocupava o lugar vago ao lado de ou se se juntava a e , que estavam jogando Uno sentados no chão. Por sorte – segunda ela mesma concluiu segundos depois – a campainha tocou e ela foi atender a porta.
Espiou pela fresta da janela e viu que havia um furgão cinza estacionado no meio fio, e lembrou-se que o técnico viria fazer a instalação da antena de TV.
Voltou correndo para perto dos meninos, usando um tom baixo, porém urgente enquanto agitava os braços energeticamente, fazendo gestos para que e se levantassem. Puxou e pelas mãos, empurrando todos na direção da escada.
- Que tá acontecendo, ?! – perguntou, tentando parar de andar. continuava empurrando-os quando a campainha soou novamente.
- O técnico da televisão tá aí! Se escondam e não saiam do quarto até eu mandar! – ria enquanto todos tentavam falar ao mesmo tempo. Virou-se e gritou por sobre o ombro um “Já vai!!!”. Quando viu que todos eles estavam subindo, foi correndo até a cozinha, agradecendo que e não estavam se beijando. – , sobe agora!!!
- Credo, que tá havendo? – perguntou, secando as mãos barra de sua camiseta. - Vocês não ouviram a campainha? Sério? O que vocês estavam fazendo aqui? – parou de se movimentar depressa demais, fitando-os incrédula. Meneou a cabeça, concluindo que talvez não ia querer saber a verdade, estalando a língua no céu da boca. – Anda logo, ! , vem comigo.
Enquanto arrastava até a sala, se escondia na lavanderia, concluindo que fora uma péssima ideia logo depois que se viu sozinho. Pensou em correr para o segundo andar, mas já era possível ouvir a voz do homem que entrava na casa.
- Deus me acuda. – Ele sussurrou, direcionando seus pensamentos para unicórnios e borboletas. Qualquer coisa era melhor do que ficar lembrando que ele estava completamente sozinho. Numa casa mal assombrada. Depois do que aconteceu na noite anterior. – Socorro. – choramingou sozinho, sentando em cima do balde com roupas sujas.
- Por aqui, senhor! – sorriu gentil para o homem de macacão cinza sem graça, enquanto olhava pra rua. percebeu que ela estava olhando diretamente pro outro lado da rua e antes de puxar a amiga para dentro, viu que as três patricinhas estavam do lado de fora, usando pedaços de panos que provavelmente elas julgavam serem roupas. – Vem, .
- Eu não gosto nem um pouco da presença delas. – disse em português com o semblante fechado. – Eu não gosto mesmo.
- Relaxa, , tá tudo seguro. – sorriu para , e queria acreditar fielmente nas suas próprias palavras. Mas também lançou um olhar nada simpático para as três garotas que riam alto do outro lado da rua. – Malditas cheerleaders.
No quarto, e estavam deitados na cama olhando para o teto enquanto e estavam ambos entretidos com seus iPhones. Quase quinze minutos depois que os mandou subir, deu por falta de .
- Ele tá todo bobo por causa da . – riu pelo nariz, sem tirar a atenção do seu jogo. – Mas é bem legal ver ele assim depois de tanto tempo sozinho. - Estava começando a duvidar da masculinidade do . – zombou, parando de jogar apenas para lançar o seu olhar na direção de , que continuava encarando o teto. – E você e a , hein, bonitão?
Ao ouvir o nome da garota, olhou para sem esboçar nenhum tipo de reação – embora seu coração tenha dado uma batida a mais.
Ele não podia dizer com todas as letras que ele e tinham alguma coisa. Pelo menos, nada tão concreto como e .
- O que tem, ? – perguntou usando um tom indiferente e desviou o olhar, voltando a sua posição inicial.
- Nada, só pensei que vocês, sabe...
Antes que terminasse de falar, soltou uma gargalhada exagerada, colocando ambas as mãos na boca logo em seguida. Acabara de receber uma mensagem de , na qual ele pedia socorro porque a máquina de lavar parecia possuída. mostrou a mensagem para os outros, que também riram do drama do amigo. Mas no fundo todos admitiram que não gostariam de estar no lugar de .
- Se eu soubesse que eles fossem fazer tanto barulho, não teria pedido que eles se escondessem. – falava em português e bufava, olhando para o teto. O senhor que instalava a antena olhou para a garota como se um par de orelhas de coelho tivesse surgido na cabeça dela. sorriu amarelo, gesticulando para o senhor como se pedisse para não ligar para os devaneios da amiga. cutucou com o cotovelo, e a garota parou de falar consigo mesma.
digitou uma mensagem rápida para , dizendo que eles estavam fazendo muito barulho, mostrando para antes de enviar.
Quando o senhor – que esquecera o nome – estava terminando o serviço e preenchia algum tipo de papelada que elas deveriam assinar, a campainha soou estrondosa. e trocaram um olhar intrigado, como se perguntassem se estavam esperando por mais alguém. assentiu para que fosse atender enquanto ela tratava de assinar os documentos necessários.
fazia uma breve lista em sua cabeça de quem poderia ser. Desde que chegaram, só tocavam em sua campainha o entregador de pizza e... É, era só o entregador de pizza. E teve aquela vez que o cara estranho perguntou se precisavam de alguém para aparar a grama. lembrou-se que disse vagamente que se precisasse o chamaria e acreditou que poderia ser ele novamente, já que ela e ainda não deram um jeito na fachada da casa. Requeria muito esforço físico e além do mais, elas estavam muito mais preocupadas em passar cada segundo com os garotos.
Ainda perdida em seus próprios devaneios, abriu a porta sem checar quem poderia ser. Foi surpreendida quando viu três garotas paradas em sua porta. Mas não eram três garotas quaisquer; eram as únicas três garotas que não podiam sequer notar a presença daquela velha mansão. engoliu em seco e trouxe a porta um pouco mais para frente, bloqueando a visão da parte interna da casa. Engoliu todos os xingamentos que vieram e, usando o máximo de educação que tinha, direcionou sua palavra a elas.
- Pois não?
- Oi, bom dia! – a mais loira das três disse, mascando chiclete de boca aberta.
- Bom dia, em posso ajudá-las? – cruzou os braços na altura do peito e ergueu uma das sobrancelhas.
- Sabe o que é, nós estamos com um problema lá em casa. - a ruiva que estava na ponta direita deu uma risadinha após falar. olhou para as três dos pés a cabeça, chegando a conclusão de que elas não deveriam ter mais do que dezessete anos, mesmo usando aquela pouca quantidade de pano para cobrir o corpo.
- Que tipo de problema? – assustou-se um pouco quando abriu a porta perguntando.
- Com licença, com licença. – o senhor abriu a porta totalmente atrás de , saindo da casa com suas coisas.
- Tchau, senhor, obrigada. – agradeceu e acenou para ele, enquanto estava encarando as garotas mortalmente. Quando o senhor saiu com seu furgão, reparou que as garotas esticavam o pescoço para enxergar dentro da mansão, vendo que uma delas arregalou os olhos e abriu a boca, cutucando a do lado. e olharam para trás imediatamente, vendo pernas subindo correndo as escadas.
- Como podemos resolver o problema de vocês? – perguntou enquanto planejava a morte lenta e dolorosa de .
- É que... É... A gente viu... É... – a garota loira da ponta da esquerda começou a falar, ainda tentando enxergar alguma coisa dentro da casa. bateu a porta atrás de si, sorrindo cinicamente para as garotas. A mais loira delas que estava no meio, deu um tapa na cabeça da que tentava falar, pigarreando um pouco.
- Bom, nós estamos sozinhas na casa – apontou para a casa da frente – e nós vimos uma barata tipo, super gigante. E se eu não me engano, vocês têm... Primos morando com vocês... E nada como um homem pra matar um inseto nojento desses, não é mesmo, meninas? – as outras duas concordaram mascando seus chicletes. e entreolharam-se e em seguida analisaram as garotas. - Desculpe, querida, mas vocês devem ter visto demais. Não tem nenhum garoto aqui com a gente. – disse, fingindo sentir pena delas.
- A não ser o Jimmy. – falou pensativa e a olhou com o cenho franzido. – Mas ele só aparece de vez em quando...
- Não liguem, é o amigo imaginário dela. – sussurrou para as garotas, entrando na brincadeira. – Mas se bem que eu já cheguei a ver o Jimmy por aí... – coçou o queixo olhando o horizonte. As três garotas se olharam e uma delas sussurrou “vamos dar o fora daqui” para as outras duas.
- Ah... Então tá... Muito obrigada, de qualquer forma. – a ruiva disse, saindo atrás das outras duas logo em seguida.
- Hey, Jimmy, você está aqui! Vocês não querem der um oi para o Jimmy? - gritou e as garotas começaram a correr de volta para casa. Assim que elas entraram, e voltaram para dentro da casa em meio de gargalhadas.
- Isso foi genial, , sério. – enxugou uma lágrima enquanto as garotas subiam as escadas. parou de rir e mudou sua expressão.
- Mas eu não gosto nada delas, não mesmo.
- Vocês são más, muito más. – disse saindo do quarto delas e encostando-se no batente.
- Vocês viram tudo? – perguntou entrando, vendo os outros quatro sentados em sua cama perto da janela.
- De camarote. – respondeu, apontando para a janela.
- Vocês não precisavam ter tratado elas daquela maneira, era só despistar. – comentou, dando de ombros. rolou os olhos, permanecendo em pé ao lado de no meio do quarto, enquanto já tinha se sentado entre e .
- Você fala isso porque está pensando com a cabeça de baixo. – retrucou e todos eles abriram a boca em um sonoro “Oh!”. – Mas é verdade!
- A é radical pra essas coisas. – falou, pegando um elástico de prender o cabelo de em cima do criado-mudo.
- Meio radical? – soltou uma risada nasalada. – Vocês não viram essa lindinha com crise de ciúmes. – a garota encostou sua cabeça no ombro de , vendo lhe fulminar com os olhos. engoliu em seco.
- Ah, podem parar vocês! Não fizemos nada demais. Aliás, vocês – apontou para os garotos um por um – deveriam me agradecer por ter salvado suas vidas. – riu secamente – Não duvido nada de que se elas entrassem aqui, iam agarrar em seus pescoços e não soltar até tirar um tufo de cabelo e uma amostra de pele. – gesticulou exageradamente, fazendo todo rirem. prendeu seu cabelo em um rabinho com o elástico no topo da cabeça. o olhou e murmurou “você é estranho”, vendo dar de ombros.
- Se bem que não seria má ideia... – comentou maliciosamente e deu risada automaticamente concordando, percebendo o que tinha feito só depois. fechou os olhos, sentindo o sangue ferver.
- Se eu fosse vocês, eu sairia correndo agora mesmo. – comentou despreocupada, balançando seus pés.
- Então por que vocês não moram com elas, hein? POR QUÊ? – perdeu a classe e começou a gritar. Todos ali tiveram que prender o riso. – Vão lá. Vão lá dormir na cama delas, comer da comida sem gosto que elas devem fazer, ficar olhando pra cara lotada de maquiagem delas, vendo aquelas pernas cheias de celulite andar pela casa. – dizia com a voz manhosa, chacoalhando os braços e apontando pra porta o tempo inteiro. – Vão lá, quem sabe elas não fazem vocês mais felizes, não dão mais amor do que a gente. – não aguentou e começou a gargalhar, jogando seu corpo para trás. fora o segundo a perder o controle do riso, fazendo a mesma coisa que . Logo todos estavam rindo, menos que temia sua vida. – PAREM DE RIR, NÃO É ENGRAÇADO! – gritou, batendo no braço de , que se contorcia ao seu lado de tanto que ria. – Quer saber, vou até lá pedir pra elas abrigarem vocês. – deu um último sorriso antes de sair do quarto. parou de rir imediatamente e sentou-se na cama, tampando a boca de para ele não rir mais. e perceberam a expressão de , somente continuou rindo.
- Ai, isso é muito engraçado! – ria batendo na perna. jogou o Woody de na sua cabeça e ele parou de rir. – Que foi?
- Alguém vai correndo atrás dela por que eu não duvido nada que ela realmente vá à casa das meninas. – explicou e tirou a mão de boca de . foi o primeiro a sair correndo do quarto, indo atrás de . e foram os próximos, seguidos de , e , que tentaram passar na porta ao mesmo tempo.
- Calma aí, . – bradou, virando de lado para tentar passar.
- Espera, , você não vai conseguir passar. – disse tentando fazer com que a perna de voltasse para dentro do quarto.
- , tira a mão da minha bunda! – gritou e deu um soco no ombro de .
- Foi mal, achei que era a perna do . – os três deram um impulso ao mesmo tempo e caíram para fora do quarto. – Ok, péssima ideia. – reclamou, esfregando o cotovelo.
- A pressa é a inimiga da perfeição. – disse e gargalhou. rolou os olhos.
- Nossa, e essa frase de efeito?
- Você não viu nada, . – rolou os olhos e deu de ombros. Os três levantaram-se e ouviram a gritaria no andar de baixo. Não pensaram duas vezes e desceram as escadas correndo.
A cena parecia ter sido tirada de uma novela mexicana.
segurava pela cintura, erguendo-a no ar, enquanto a garota esperneava e gritava para que fosse solta. e tentavam segurar as pernas e os braços dela para que ela ficasse quieta.
- ME SOLTA, ! – gritou – ME DEIXA IR LÁ PEDIR ABRIGO PRA VOCÊS. ME DEIXA IR NA CASA DAQUELAS VADIAS! – e então todo mundo começou a rir novamente, dessa vez inclusive .
- Eu só vou te soltar quando você tirar essa ideia da cabeça. – respondeu, levando em direção ao sofá.
- Não se atreva a me jogar aí. – tentou pedir, mas fez exatamente o que ela não queria, jogando-a no sofá. A garota bufou e tirou o cabelo do rosto, olhando para sentando-se ao seu lado, prendendo ela ali. – Dá licença ou eu vou passar por cima de você. – ela ordenou, tentando sair do sofá. fora mais rápido e prendeu as pernas dela com o peso do seu corpo. sentou-se e ficou próxima – até demais – de .
- Vai parar com a frescura? – disse parecendo o pai de . A garota cruzou os braços e rolou os olhos. Todos os outros cinco estavam parados estáticos olhando a cena.
- Ué, achei que você queria morar com as amiguinhas aí da frente. Eu só estava fazendo um favor.
- Você não vai parar de falar nisso, né? – falou calmamente com os olhos fechados.
- Ainda não achei nada melhor para fazer. – riu irônica e deu um risinho. Ainda prendendo no sofá, fez um movimento rápido e beijou . Dessa vez descentemente, pensou ele.
- AH! Parem com esse pornô! – fez voz de menininha e começou a correr em círculo de olhos fechados. Os garotos começaram a rir e controlava-se para não interferir no beijo e abraçar os dois, dando milhões de motivos do porque aquilo era fofo.
se afastou de lentamente, de olhos fechados, alheio aos comentários dos amigos e de , que exclamava que aquilo era tudo muito lindo. Observou abrir os olhos vagarosamente e quando seus olhares se encontraram, era como se nada mais existisse ao redor dos dois. Que patético, pensou enquanto se perdia nos grandes olhos de .
O momento só foi quebrado quando pigarreou, sendo repreendido por no segundo seguinte. piscou e desviou os olhos dos de , sorrindo sem graça pros demais, rindo ao perceber que se escondia atrás de .
- Tá mais calma? – riu, descansando uma mão na base do pescoço de . Com você tão perto assim isso é meio impossível, ela pensou, mas acenou de forma positiva com a cabeça, sorrindo – ou tentando – de volta para ele. – Então, eu vou te soltar. Mas eu juro que se você começar a gritar, eu vou ter que te beijar de novo.
“Justo” pensou ela, “Se eu conseguisse encontrar o caminho de minhas cordas vocais” concluiu. Ela não conseguia acreditar naquilo. havia a beijado. havia a beijado de verdade na frente de , , e . estava prestes a beijá-la de novo, percebeu somente quando a respiração de batia em sua boca e seus lábios se roçavam timidamente. Ela fechou os olhos e contrariando o que sua mente dizia, não saiu correndo, nem afastou . Ela simplesmente deixou que um beijo singelo surgisse, levando uma mão em direção aos cabelos macios dele.
- Ok, isso já tá ficando mel com açúcar demais. – rolou os olhos ainda sorrindo, feliz pela amiga e começou a puxar os meninos para o segundo andar. – Vamos deixar eles sozinhos um pouco.
- Eu não posso deixar o meu bebê sozinho! – brincou, usando um tom choroso infantil.
- A sabe se cuidar, . – rolou os olhos, abraçando pelos ombros.
- Mas eu estava falando do . – respondeu, continuando com a manha ensaiada. lançou a cabeça para trás, rindo divertida.
- Tudo bem, vão se trocar, vamos estrear aquela bela piscina enquanto o tempo está lindo e maravilhoso! – dizia com as mãos na cintura, sendo observada com um sorriso torto de . e correram para o quarto e subiu ao sótão, gritando e rindo algo em resposta à . permaneceu no corredor e somente percebeu sua presença quando ele a abraçou pela cintura e a rodopiou uma vez no ar. – Não vai se trocar?
- Não posso me trocar aí com você?
- Claro que não! – Claro que pode, pensou consigo mesma. Era melhor ele não ficar brincando com coisa séria, ou ia se trancar com ele para sempre dentro daquele quarto. – Anda, , não podemos dar tanta liberdade para as duas crianças que estão lá embaixo, sozinhas.
- Ah, eu garanto que eles sabem se cuidar. – traçou uma linha com seus lábios entre o maxilar e os lábios de , que instantaneamente fechou os olhos, abraçando-o fortemente pela nuca.
- Argh, procurem um quarto, seus pervertidos. – apareceu no corredor, assustando que soltou um grito interrompendo o beijo. deu o dedo do meio, depositando um selinho em antes de se dirigir ao quarto, brincando com na porta. rolou seus olhos e foi se trocar também.
- Sorte que eu trouxe meu biquíni. – Sorriu consigo mesma enquanto fechava a porta atrás de si, seguindo para a sua parte do guarda-roupa. Analisou se era muito indecente, mas concluiu que qualquer coisa que ela ou vestissem naquela casa seria bem decente perto das três garotas irritantes. Por um breve momento sentiu a irritação queimar por dentro, e acabou por fechar a porta com um pouco mais de força, fazendo-o balançar e ranger. De olhos arregalados ela estirou as mãos, como se aquele gesto fosse impedir o móvel de se esfarelar em milhões de pedaços de madeira. – Será que tem cupins aí? – Continuava a falar sozinha quando percebeu que, juntamente com alguns flocos de pó que caíram da parte superior do guarda-roupa, um papel quadrangular caiu também, parando nos seus pés. – Que isso?
Abaixou-se com cuidado, apanhando o que parecia ser uma carta. O papel estava amarelado, quase atingindo um tom marrom escuro e era praticamente impossível de identificar o que estava escrito ali, somente percebera que era destinada a uma mulher. Dando de ombros, jogou o papel no lixo, dirigindo-se para o banheiro para se trocar, assoviando alegremente uma canção qualquer.
Na sala, estava mais relaxada, agora rindo da imitação – que ela disse ser exagerada demais – de e . Mas ela teve de admitir que a imitava muito bem, especialmente na forma de gritar.
- Vocês dois são uns babacas. – enxugou uma lágrima que escorria pelo canto do olho, pegando fôlego e voltando a rir quando começou a brigar com ela, ainda a imitando. – Cala a boca, .
- Qual o motivo da graça? – se juntou aos três, já rindo, mesmo sem saber exatamente do que. – Por que o tá com o espanador de pó na cabeça?
- Ele disse que é o meu cabelo. – respondeu em meio a risos. agora estava sentado no chão, com suas costas apoiadas nos joelhos da garota. – Meu cabelo é tão horrível assim, menino ?
- Bom... – pensou fingir um pouco, olhando da verdadeira para a que usava bermuda verde limão. arregalou os olhos e abriu a boca exageradamente, levando uma mão ao coração. – É brincadeira, é claro que você é muito mais bonita e charmosa do que o !
- Outch. imitou , virando-se para . – Eu pensei que o que a gente tinha era verdadeiro, . Estou profundamente magoada! Quer saber? Eu vou procurar abrigo na casa das vizinhas gostosas ali da frente.
- Eca, . – jogou uma almofada na direção dele, ficando brevemente irritada com o comentário. Ela ainda não havia se esquecido das piriguetes. – E posso saber por que as duas moças estão praticamente nuas? – apontou para , que agora tirava o espanador da cabeça, estendendo uma mão para que – relutante – se levantasse e depois apontou para também. Ele franziu as sobrancelhas e olhou para baixo, perguntando-se do que estava falando. Rolou os olhos quando se lembrou de que havia trocado de roupa.
- Vamos ser sereias na sua piscina, . – que respondeu, aparecendo na sala juntamente com . Tudo bem que havia a beijado e tudo bem que ele estava se tornando algo muito além do que poderia imaginar, mas ela não podia ser hipócrita e dizer que ver os quatro sem camisa não a afetou. pigarreou e desviou o olhar para o lustre, soltando um breve “Ah” de compreensão.
- O que vocês dois ainda estão fazendo vestidos? – apontou para e do alto da escada, atraindo os olhares de todos os presentes. acabara de engasgar com sua própria saliva e foi socorrido por , que tentava não rir e não olhar para a garota, que agora descia envergonhada em seu biquíni do Super Man e um short jeans. perguntou-se se seria muito constrangedor para se ele dissesse o que estava pensando naquele momento. Presumiu que era melhor ficar de boca fechada.
- Como assim, ? Você queria descer e encontrar e sem roupa? – usava um tom sério, mas era evidente que ele estava brincando. Foi a vez de e engasgarem com o ar. não sabe se reagiu daquela forma porque assim como ela – inconscientemente – se pegou imaginando sem a camisa pólo cor de vinho e sem a calça jeans branca. dispersou o pensamento antes que morresse ali mesmo, diante deles.
- , eu sempre digo isso pra , mas vou começar a falar pra você também. – se levantou do sofá, indo em direção à , apontando um dedo em seu peitoral nu. – Alguns comentários você não precisa compartilhar com o restante do mundo, .
- Foi mais forte do que eu. – Ele sorriu, abraçando e agitando-a de um lado para o outro de forma exagerada. – Desculpa, . Agora, você pode subir e colocar essas duas peças que nós todos vamos adorar ver vocês usando! Com todo respeito! – olhou em direção à e , que rolaram os olhos. Quando voltou sua atenção para , encontrou a garota com os olhos semicerrados, segurando-se para não rir. – Ok, guardar alguns comentários só pra mim, entendi. bateu palmas e rolou os olhos, mas ambos acabaram rindo e depositaram ao mesmo tempo, um tapa no ombro de cada um, rindo ainda mais em seguida.
Antes de seguir para o segundo andar, sentiu os dedos de envolver os seus e, recuperando-se mentalmente a cada degrau, ela se viu sozinha com ele no corredor instantes depois. E novamente ela se viu envolta pelos braços fortes de , desejando que o tempo parasse naquele momento, para sempre.


09. Wet, Fun, Haunted


- Eu não vou descer. Não vou. Me recuso! – dizia de dentro do banheiro, enquanto batia com certa violência na porta. – Sai fora, !
- Você acordou cheia de drama hoje, credo. – Pela janela elas conseguiam ouvir a música que vinha do som misturado com as risadas dos meninos. – Nem deve estar tão ruim assim.
- Ruim não está. Mas ainda assim eu estou com vergonha!
- Tudo bem. – suspirou, encostando a cabeça na porta. – Eu vou contar até três e se você não sair, eu vou convidar nossas vizinhas queridas pra virem tomar sol com a gente. – Claro que não faria isso, mas ela já estava ficando sem argumentos. – Um...
- Ai, você é um saco. – bufou, destrancando a porta e saindo. A cara amarrada não durou muito tempo, e logo ela estava rindo de , que fingia espanto e cobria os olhos, pedindo por piedade. – Tá, vamos logo antes que eu me enfie debaixo das cobertas e fique para sempre ali. – apontou para sua cama, fazendo bico. a abraçou pelos ombros, bagunçando os cabelos dela. – Faz rabo de sereia em mim? – bateu palmas como criança que pede doce, e a fitou sem entender. – O quê?
- Não seria escama de peixe?
- Bom, você entendeu. – deu de ombros, sentando-se na cama e estendendo um elástico para , que seguiu a amiga depois de pegar a escova.
- Tudo isso é pro ? – riu, porque sabia que ficaria sem graça. – Tô começando a achar que aquele drama mexicano foi premeditado.
- Você sabe muito bem que não foi. – deu de ombros, apoiando as mãos nos joelhos enquanto trançava seus cabelos. – Eu ia mesmo na casa delas.
- Ia entregar nossos meninos de bandeja? – O uso do termo nosso não passou despercebido por , e ela sorriu minimamente com isso.
- Não, né. Mas acho que ia usar isso como pretexto pra quebrar a cara delas. Sei lá.
- Você é maluca. – finalizou a trança e sorriu satisfeita por não ter esquecido como fazê-la. – Se bem que, uma pessoa que deixa cinco estranhos entrar na sua casa logo no primeiro dia em um país novo não pode ser considerada normal, né?
- Se eu fosse normal, amiga, nós não teríamos esse momento mágico! – piscou, fazendo gargalhar. – Você tem protetor solar? – riu ainda mais, porque tinha aquela mania singular de mudar de assunto bruscamente como se fosse a coisa mais normal do mundo. – Que é agora?
- Nada. Acho que tem no banheiro. – Saltitando, foi até lá, e voltou um minuto depois, com dois riscos brancos nas bochechas. Parou na frente de , fazendo o mesmo no rosto dela, que protestou. – Isso é realmente necessário?
- Claro que é. Não quero ninguém ardendo depois.
- Mas nem...
- Cala a boca, . – riu, recebendo um dedo do meio da amiga. – Vamos descer? Vamos logo, antes que o sol vá embora!
- Você é estranha. Até minutos atrás queria morar no banheiro, agora fica me apressando. Eu, hein.
Rindo e zombando uma da outra, as garotas desceram. Não antes, é claro, de colocar uma camiseta que parecia ter sido encontrada em um armário masculino, segundo o comentário de . A mesma não aguentou e voltou a rir quando , com o semblante inocente, disse que realmente havia sido, só que não sabia dizer de qual dos meninos era aquela camiseta que ela achou no banheiro.
Quando chegaram do lado externo, a música alta parecia camuflar bem as risadas dos cinco garotos, que estavam brincando de jogar na água. Todos eles estavam distraídos e não deram pela presença das garotas, que sorriam encantadas. mais uma vez foi arremessado na água e e faziam um hi-five quando se aproximou cautelosamente, colocando o dedo indicador sobre o lábio para , que a havia visto se aproximar, ele afundou para não rir do que provavelmente estava por vir. estava distraído e era o mais próximo dela, então, antes de começar a gargalhar, o empurrou para dentro da piscina. voltou à superfície já rindo e foi acompanhado por todos, menos por , que ainda tentava entender o que havia acontecido ali. se aproximou da borda e ergueu uma mão aberta para , para provavelmente fazer hi-five também.
- Bobinha. – disse consigo mesma, observando a cena encostada na parede. Logo em seguida, ouviu o grito de e o som de seu corpo se chocando contra a água. e faziam hi-five agora, e jogava os cabelos molhados para trás, tentando alcançar para afundá-lo.
- Hey, minha camisa! – apontou para , que assim como mais cedo, olhou para baixo questionando-se do que ele estava falando. Sorriu, agora se lembrando de ter visto usando ela há dois dias atrás. Mas o seu sorriso sumiu quando ela percebeu que e estavam se aproximando em uma sincronia suspeita. – Agora, !
olhou para o lado e viu que estava pronto para pegá-la. e eram apenas uma distração, afinal. sentiu os dedos de passarem raspando pelo seu braço quando ela desviou, deixando-o com uma cara indignada enquanto corria para longe dele. , e riam de dentro da piscina, assistindo as tentativas frustradas dos três em pegar .
- Ela assistia muito o papa-léguas quando era criança. – brincou, sentando-se na beira da piscina, torcendo os cabelos molhados. foi o primeiro a desistir, mas não porque estava cansado, mas sim porque estava sorrindo para ele de uma forma que ele não conseguia resistir.
- Desistam, vocês nunca vão conseguir me pegar! – comemorava rindo, enquanto e estavam apoiados em seus joelhos. Ambos trocaram olhares cúmplices quando viram que havia saído da piscina e se aproximava de com um sorriso travesso. – HEY! – Ela exclamou quando sentiu braços a prenderem pela cintura e, mesmo que não pudesse se virar para ver quem era, ela sabia que era . – Você não se atreveria... – Ela disse num tom baixo. - O quê? – Ele retrucou, andando de costas com ela em seus braços até alcançar a beirada da piscina. – A fazer... Isso? – Se jogou com ela na piscina, sentindo cócegas quando as bolhas de ar subiam por seus corpos unidos debaixo d’água.
- Ai, o amor é lindo! – suspirou, e antes que pudesse comentar mais alguma coisa, sentiu os braços de rodearem seu pescoço e logo estava caindo na água com ele também. Os dois casais voltaram à superfície no mesmo momento. – Ok, isso não foi justo, . – tossia e ria, porque havia engolido água. estava exatamente da mesma forma. – Eu estava distraída!
- É, ! – deu um tapa no ombro de , que riu divertido.

- Eu falei pra não comer e pular na piscina. – deu de ombros, voltando a se deitar na espreguiçadeira. estava sentado na mesma que ela, mais pra ponta, olhando contorcendo-se na espreguiçadeira ao lado.
- Pronto, toma esse efervescente. – chegou com um copo de vidro na mão, onde era possível ver um líquido esbranquiçado borbulhando. ajudou a levantar-se calmamente, com a mão no estômago e resmungando de enjoo. O garoto olhou em dúvida para .
- Isso tem gosto de quê? É muito ruim? – sorriu na cadeira, olhando o céu. Que criança mais fofa, pensou. Mas os pensamentos foram afastados assim que sentiu as mãos de colocando suas pernas no colo dele, fazendo um carinho de leve.
- De limão. Toma de uma vez. – colocou o copo na mão do garoto e sentou-se na espreguiçadeira ao lado, junto com , que a abraçou pela cintura. fez careta ao cheirar o copo, sentindo o gás do efervescente entrar no seu nariz. Esfregou o mesmo e riu fracamente, sentindo seu estômago reclamar novamente. Péssima ideia comer e pular na piscina, péssima ideia.
- Pensa que é suco de uva e toma. – pronunciou-se, dando de ombros. o olhou e cheirou o copo novamente.
- Mas tem cheiro de limão... – resmungou e todos ali rolaram os olhos.
- , se você não tomar esse negócio logo, eu juro que vou enfiar até o copo dentro da sua garganta. – disse calmamente, com um sorriso cínico nos lábios. o olhou com as sobrancelhas franzidas.
- Nossa, como ela tá agressiva! – disse tirando os óculos de sol, dando risada.
- Não conhecia esse seu lado. – sussurrou para que só escutasse. O garoto a olhou e sorriu, passando a mão na bochecha da garota.
- Você vai ter muito tempo pra descobrir todos os meus lados. – respondeu, dando um selinho nela.
- Ok, vou tomar. – tampou o nariz com uma mão e com a outra levou o copo até a boca, virando o conteúdo todo de uma vez. – Pronto, tira isso daqui. – entregou o copo para e voltou a se deitar na espreguiçadeira, envolvendo os braços em torno da barriga.
- , acho melhor você colocar uma camiseta e ir deitar na sombra. – disse levantando-se e pegando uma toalha que estava no chão. Segurou na mão de e fez com que ele se sentasse, colocando a toalha nos ombros no garoto. sorriu ao ver tomando conta do amigo e pensou que ela daria uma boa mãe. – Vamos lá pra dentro, eu te ajudo. – beijou o topo da cabeça dele e o puxou para cima, abraçando-o pelos ombros e indo com ele para dentro da casa. levantou-se logo em seguida, fazendo o mesmo caminho. e entreolharam-se e depois o olharam sugestivamente.
- Que foi? – ele perguntou.
- Tudo isso é ciúmes? – disse em meio a risos.
- Eu só vou levar o copo na cozinha, desencana. – deu de ombros e voltou a andar, tentando mostrar despreocupação em relação com aquilo, enquanto o que dissera tenha sido um pouco de verdade. Mas só um pouco.
entrou na cozinha e avistou subindo com para o quarto. Deixou o copo na pia e aproveitou para comer mais um pedaço de chocolate, que estava acidentalmente em cima do balcão.
- Já que está aqui mesmo... – disse para si mesmo ao sentar-se na pia com o tablete em mãos. Cortou um pedaço e, quando ia colocar na boca, ouviu barulho de pessoas correndo no segundo andar. Rolou os olhos e lembrou-se de que e haviam ido tirar um cochilo por causa da preguiça que a piscina causava. Provavelmente já teriam acordado e estavam desmontando a casa. Enquanto mastigava o pedaço de chocolate, ouviu o barulho ficando mais perto e percebeu que eles estavam descendo as escadas. esticou o pescoço para enxergar eles vindo e assustou-se um pouco quando viu que os dois estavam pálidos e corriam.
- , que bom que você tá aqui, cara. – disse lentamente, tentando controlar sua respiração. parou ao seu lado, colocando a mão no peito e apoiando-se na pia.
- Essa casa não tá de brincadeira. – comentou, fechando os olhos. sentiu os pelos de seu corpo arrepiarem e engoliu em seco.
- O que aconteceu? – o garoto largou o tablete em cima da pia, perdendo a vontade de comer. e se entreolharam assustados.
- Nós estávamos dormindo – comento – quando escutamos alguém bater na porta.
- Então eu acordei e fui ver quem era. Quando eu abri, não tinha ninguém. – continuou – Até achei que era alguém fazendo alguma brincadeira.
- Mas aí quando o voltou para o quarto e fechou a porta, bateram de novo.
- E não tinha ninguém no corredor, . Ninguém. engoliu em seco – Mas eu abri a porta de novo mesmo assim, e achei esse pedaço de papel no chão. – ele pegou um pedaço de papel envelhecido no seu bolso e recuou.
- Eu não vou tocar nisso. – ergueu os braços, olhando torto para o papel. não tinha pensado nisso e sentiu-se mal por estar segurando o papel, o colocando em cima do balcão. – Mas o que tem nele?
- Não dá pra ler direito, mas forçando bem, parece uma carta de um homem para uma mulher. – explicou, pegando um copo para beber água.
- Carta de quem? – apareceu na cozinha, agora usando short e camiseta. lamentou-se por dentro, mas estava assustado demais para levar esse pensamento adiante.
- A mansão pirou de novo. – respondeu, apontando para o papel – e escutaram alguém batendo na porta agora pouco e não tinha ninguém, só esse papel no chão. – aproximou-se do balcão para ver o papel e arregalou os olhos quando viu. Deu alguns passos para trás até que acabou batendo nas pernas de , que desceu da pia para acudir a garota. começou a respirar com dificuldade e seus olhos encheram de água. Os três ficaram preocupados e não sabiam o que fazer. pegou água para ela, assoprou seu rosto para dar ar e a segurou para que não caísse.
- O que aconteceu, ? – perguntou delicadamente.
- O papel... Esse papel... Eu... – apontava freneticamente para o papel – Eu o joguei no lixo hoje de manhã. – a garota abraçou assustada, escondendo sua cabeça em seu abraço. Ele a segurou forte, acreditando que aquilo a protegeria. congelou seus movimentos e nem sequer piscava.
- Ai, caramba... – foi o único a falar alguma coisa. – Mas você tem certeza, ?
- Tenho, tem um nome de uma mulher aí. – a voz de saiu abafada por estar quase fundindo sua cabeça no corpo de . engoliu em seco, porque realmente tinha o nome de uma mulher ali.
- Que foi, gente? – e entraram na cozinha abraçados, desmanchando o sorriso ao ver as feições dos amigos. suspirou, voltando à vida. O casal aproximou do grupo de amigos e ouviu contar a história calmamente, enquanto afagava os cabelos da garota em seus braços. soltou-se de e foi até o balcão pegando o papel em mãos. gritou e bateu na mão da garota. - Larga isso, ! – suplicou.
- Shiu, . – brigou com ele, pegando o papel logo em seguida. Suspirou ao ver que seus pensamentos estavam certos. – Eu sei que papel é esse.
- É, eu também. É um papel muito do mal. – comentou, indo para mais perto de e . Não queria ficar sozinho perto da geladeira.
- Não, isso é uma carta do pai do meu vodrasto para a mãe dele. – explicou e até levantou a cabeça para encará-la.
- Como é que é? – gritou afinando a voz.
- Aquela lá que passeava pela casa, é? – riu nervoso, passando a mão pelo cabelo.
- É, ela mesma.
- Será que isso é um sinal? – perguntou.
- Se é um sinal eu não sei, mas não deveríamos ignorar. – começou – Tem algum lugar onde isso costumava a ficar? – pensou por um instante, lembrando-se do armário.
- , onde você achou essa foto? – perguntou.
- Caiu da minha parte do armário.
- Acho que tem uma caixa lá com coisas antigas.
- Então é melhor colocar isso de volta lá. – concluiu seu pensamento e o olhou incrédulo.
- Ficou maluco, ? – gritou, chacoalhando o garoto pelos ombros – Nós temos que queimar isso! Fazer picadinho, fogueira, triturar, transformar em cinzas! – fazia drama enquanto continuava balançando , e consecutivamente , para frente e para trás.
- Para de ser menininha, . – zombou e rolou os olhos.
- Não digam depois que eu não avisei. – disse antes de sair da cozinha, voltando para a piscina. fizera o mesmo e acompanhou para o andar de cima, enquanto permaneceu na cozinha com .
- Chocolate? – o garoto ofereceu e concordou sorrindo, já se acalmando.

subia as escadas com o papel em mãos, sentindo a acompanhar alguns passos atrás. De todos, podia-se dizer que era a menos assustada com o recente ocorrido. Não que isso significasse que a garota não tinha medo, talvez, sua coragem podia ser atribuída ao fato de que ela não presenciara nada enquanto estava sozinha. Ela sentia-se segura quando estava na presença de alguém. Mesmo que esse alguém fosse mais medroso do que ela. “Dois medrosos é melhor do que um covarde sozinho” dizia para si mesma naquele momento, enquanto pensava em como parecia desesperado para sair correndo do quarto, no qual os dois haviam acabado de entrar.
Trocaram um sorriso fraco antes de abrir a parte do guarda-roupa de , olhando para a parte superior, onde supostamente deveria existir uma caixa de madeira envernizada. não sabia como, mas de alguma forma ela se lembrava claramente do objeto, apesar de só a ter visto uma única vez, anos atrás.
- Que foi, ? – perguntou, aproximando-se dela, que fechava a porta com as sobrancelhas franzidas.
- A caixa não está aqui. – Ela mordiscou o lábio inferior pensativa, dando de ombros em seguida. Olhou para o papel em mãos, lendo com dificuldade a única coisa que era legível: Anne Elizabeth. sabia que não tinha nada a ver, mas pensou na coincidência de ter usado o nome “Elizabeth” quando se apresentou a Paul no dia que fora com buscar as coisas dos meninos. – Deveria estar, mas não a encontrei.
- Isso é bom ou ruim? – riu nervoso, friccionando as mãos na bermuda jeans que usava. Elas estavam suando frio. – Não vamos encontrar ela por aí, né?
- Não, é claro que não. – sorriu o mais confortadora possível, dando um soquinho no ombro de . Perguntou-se como era possível aquele certo desconforto que ela sentia perto dele ter evaporado depois do primeiro beijo deles. – Será que se eu jogar isso fora de novo, o vai morrer do coração?
- Melhor deixar isso guardado. – olhou em dúvida para o papel nas mãos de , afastando-se dois passos para o lado inconscientemente. rolou os olhos, deixando-o guardado na primeira gaveta do criado-mudo do lado da sua cama. – Eu vou tomar banho, você vai voltar pra piscina? – olhou sugestivamente para o biquíni de , e ela corou. Assentiu com a cabeça e deu um selinho em , empurrando-o para fora do quarto sob protestos do garoto, que ria em meio aos seus argumentos de que eles poderiam ficar no quarto um pouco mais.
Ainda rindo, voltou para o quarto quando ouviu seu celular tocando. Apanhou o aparelho que estava jogado sobre sua cama, olhando brevemente para a rua deserta. Quando voltou sua atenção para o aparelho, franziu as sobrancelhas ao ver uma chamada perdida de .
- Ela não podia simplesmente gritar? – Riu pelo nariz enquanto ia em direção à piscina, com o celular em mãos. , , e agora estavam conversando sentados na beira da piscina com os pés mergulhados na água. saltitou até eles, parando atrás de , apoiando seus joelhos nos ombros do garoto, que olhou para cima e sorriu para ela. – O que é que você quer, traste? – Dirigiu-se a , semicerrando os olhos por causa do reflexo dos raios de sol na água. parou de falar com e a olhou em dúvida. – Você me ligou! – Agitou a cabeça para os lados murmurando “dãr” enquanto apontava para o celular dela.
- Não liguei não, . – respondeu, negando com a cabeça. mostrou a língua enquanto meneava a cabeça, mostrando que não acreditava nela. – É sério, ! Meu celular nem está aqui!
piscou atônita, olhando mecanicamente para a casa, perguntando-se se havia tomado muito sol na cabeça naquele dia. Olhou para o celular em mãos, constatando que havia mesmo uma ligação perdida de , com o horário de dois minutos atrás. Percebeu que os quatro ainda olhavam para ela, e ela preferiu não comentar. Deu de ombros e inventou a desculpa de que havia se confundido com uma ligação do dia anterior. Todos pareceram acreditar e ela se sentou entre e , enfiando os pés na água morna também.
a questionou sobre o papel e instantaneamente se aproximou de , apoiando sua cabeça no ombro dele. Protetoramente, a abraçou, desenhando círculos distraidamente com seu polegar nos ombros de . quase deixou um “awn” escapar, mas teve sua atenção voltada para quando este a cutucou.
parecia prestes a mergulhar na piscina e ficar lá embaixo o tempo que fosse preciso. Ainda mantendo a fachada despreocupada, ela disse que a guardou em um lugar seguro, de onde ela nunca mais poderia sair para assustá-lo. soltou um suspiro de alívio, fazendo todos rirem.
Mais uma vez, o celular de vibrou em suas mãos. Ela parou de rir quando viu que tinha chego uma mensagem de , em branco. esticou a cabeça para ler e recebeu um tapa de no ombro, que rolou os olhos quando ele sorriu.
- Vou ver se o tá precisando de alguma coisa. – Ela mostrou o celular para eles, levantando-se e entrando na casa descalça, molhando o piso. Antes de seguir para o segundo andar viu estirado no sofá, dormindo como um bebê. Sorriu com a visão, lembrando-se que ela entrara na casa para ajudar , e não pra ficar necessitada de ajuda por não conseguir respirar com tanta fofura. Gostosura também poderia ser usado, já que estava sem camisa e seu peito subia e descia em um ritmo calmo. Meneou a cabeça, subindo as escadas antes que se jogasse sobre ele e ficasse ali para sempre. Viu a escada que dava no sótão e chamou pelo nome de enquanto subia. – ?
O sótão estava no mais completo silêncio. A cortina improvisada com toalhas – fez uma nota mental de que precisava comprar cortinas logo – deixava o quarto parcamente iluminado que até deixava o ambiente com um ar confortável, ela pensou enquanto se dirigia para a cama. estava deitado de bruços, com uma mão pendendo para fora da cama. sorriu, sentando-se perto da barriga dele, afagando gentilmente seus cabelos, indecisa se deveria acordá-lo ou não. Perguntou-se como era possível ele ter adormecido tão rápido. Cutucou-o delicadamente, recebendo alguns murmúrios em resposta. Insistiu mais um pouco; se ele havia mandado uma mensagem, era por que precisava de ajuda, não era? Ele não podia simplesmente ignorá-la depois disso.
- ...? – Ele perguntou mole, abrindo apenas um olho para fitar a garota, que agora ria baixinho enquanto rolava os olhos. – O que aconteceu?
- Eu que pergunto. Você tá bem? Precisa de alguma coisa?
bocejou, ficando de lado na cama para que pudesse sentar direito. Esfregou os olhos, fitando-a em dúvida.
- Eu tô melhor, aquele suco de limão é milagroso. – bocejou mais uma vez. Ele não parecia ter acordado nenhuma vez desde que o trouxera aqui. – Por que tá me olhando assim?
parou de fitá-lo com o cenho franzido, e sorriu amarelo.
- Você não me mandou nenhuma mensagem, né? – concluiu que não, porque franziu as suas sobrancelhas, procurando pelo celular que não estava perto dele. – Bom, na verdade eu só vim ver se você estava melhor. – Depositou um beijo na testa dele, cobrindo-o com o lençol como se ele fosse uma criança. Não demorou muito e voltou a dormir, deixando de lado a vontade de perguntar sobre o lance da mensagem.
desceu as escadas do sótão com aquela sensação inquietante. Primeiro foi com , agora com . Olhou com certo receio para o celular, parando no meio do corredor, certa de que ele ia tocar novamente. Chegou até a fechar minimamente os olhos, encolhendo os ombros, esperando pelo susto que ela sabia que ia levar.
Mas ao invés de se assustar com o celular, se assustou com , que acabara de chegar ao segundo andar com uma toalha nos ombros.
- Por que tá parada no meio do corredor segurando o celular como se ele fosse uma granada perto de explodir?
- Por que você tem essa mania de colocar muitas palavras numa mesma frase quando você pode simplesmente me perguntar o que eu tô fazendo? – quase perdeu o fôlego, rindo ao perceber que não podia reclamar de quanto àquela mania. – Nada, só estava pensando.
- Em ligar pra sua mãe? – perguntou, trocando de posição e jogando seu peso na perna esquerda. bateu fortemente na sua testa, arregalando os olhos. – Que foi?
- EU ESQUECI COMPLETAMENTE DE LIGAR PARA MINHA MÃE. – começou a suar frio, andando em círculos na frente de , que a acompanhava com os olhos. – ELA VAI ME MATAR. Eu prometi que ligaria assim que chegasse aqui. E JÁ FAZ CINCO DIAS DESDE QUE SAIMOS DO BRASIL! EU VOU MORRER.
- Cinco dias já? – jogou a cabeça minimamente pro lado, pensando que parecia muito mais. Piscou inocente quando parou de andar e falar, fitando-a de boca aberta. – Quê?
- Eu digo que vou morrer e tudo que você tem pra me dizer é isso?!
- Credo, , pára com o drama mexicano, hein? É só ligar e dizer que você conseguiu telefone só agora. Super normal. – deu de ombros, dando tapinhas gentis na cabeça de . – E sua mãe não vai vir aqui te bater só por causa disso.
- É, mas eu vou escutar infinitamente até minha orelha cair. – fez bico, discando as centenas de números que era preciso para completar a chamada. Sentou-se no último degrau da escada retrátil, observando entrar no quarto. Enquanto esperava, roía a unha do dedo mindinho. Conhecia bem sua mãe e sabia que ia ouvir muito. Preparou-se emocional e psicologicamente, sendo atendida pela caixa postal de sua antiga residência. Deixou um suspiro imediato escapar, optando por deixar uma mensagem pedindo desculpas e usando a sugestão de . Não deixava de ser verdade, mas sua mãe poderia muito bem argumentar dizendo que ela poderia usar uma cabine telefônica qualquer. – Não vou morrer. – Sorriu sozinha, saltitando alegre para o andar de baixo.
Constatou que ainda dormia no sofá e havia deitado no tapete logo abaixo de onde estava, e a mão deste se encontrava pousada suavemente no cabelo dele. Aproveitando que o celular estava em mãos, tirou uma foto. Momentos de fofura como estas devem ser registrados, argumentou com seu consciente.
Com um sorriso bobo, encostou-se na parede, apenas observando. Ela não conseguia descrever a felicidade que estava sentindo naquele momento. Tudo parecia tão surreal desde o momento que pisara em terras britânicas, que ela tinha medo de que tudo não passasse de um sonho. Aquele era o sonho dela, só que mil vezes melhor. Julgou que nunca teria imaginação o suficiente para se imaginar ganhando uma mansão e conhecendo no mesmo dia sua banda preferida da vida. Parecia até brincadeira. Não queria ficar alimentando aqueles pensamentos, mas foi inevitável lembrar que logo eles iriam embora. Logo, as férias que eles deram para eles mesmos teriam um fim e sabe-se lá quando elas teriam a oportunidade de estar assim com eles novamente.
“Será que eles vão nos esquecer?” estava naqueles seus momentos de reflexão interior, fazendo perguntas que ela sabia que não teria resposta. Deixou um suspiro escapar, seguindo para o seu lugar preferido – depois do sótão – naquela casa. A biblioteca. Queria pensar um pouco, embora os pensamentos que a sondassem não fossem muito agradáveis. Naquele instante, queria não ser tão fã deles. Se ela fosse como , provavelmente não estaria se remoendo agora, lembrando-se de todas as matérias sobre eles que já lera. Especialmente as que falavam sobre e a ex-namorada. Na época não parecia afetá-la, mas agora era diferente. E ela não queria pensar que, provavelmente quando eles fossem embora, tudo o que ela e estavam tendo não passaria de uma mera lembrança – para ambos. Entrou silenciosamente na biblioteca, sem se preocupar em acender as luzes. O sol começava a se pôr e o ambiente estava parcamente iluminado, mas ainda assim sabia onde estava localizado cada móvel ali dentro. Ainda em silêncio, procurou sua poltrona preferida, assustando-se quando se jogou sobre ela e um corpo amorteceu o seu, ao invés do estofado macio. gritou e caiu no chão, procurando pelo abajur que ficava ao lado da poltrona.
- ?! – Ela disse num sopro, sentindo o coração bater acelerado. O garoto se contorcia em meio a risos. – VOCÊ FICOU MALUCO?! – Ficou de joelhos, se aproximando dele, agora rindo também. – Meu Deus, eu te machuquei?
- Acho que agora estamos quites. – Ele riu, ajeitando-se na poltrona, massageando a barriga. – Pra que tanta agressividade na hora de se sentar, ?
- Desculpe, eu não imaginei que iria me sentar em cima da sua barriga. – Ela rolou os olhos, levantando-se e pedindo um espaço para ele. – O que tá fazendo aqui no escuro?
- Eu só vim... Pensar. – Ele respondeu num sussurro, aderindo um semblante cabisbaixo. Na meia luz alaranjada, percebeu que estava realmente chateado. E para deixar assim, tinha certeza de que era algo sério.
- É por causa da sua namorada, não é? – se lembrou da matéria sobre a “traição” de no Japão. – Você contou a verdade?
- Contei. Mas ela não acreditou muito. – coçou a nuca, fitando o chão. Sentiu quando entrelaçou carinhosamente sua mão na dele, e percebeu que não havia maldade naquele gesto. – Você acreditaria? Se estivesse no lugar dela? - Não. – Ela foi sincera e certamente não esperava por aquele tipo de resposta. – Mas acho que no fim, isso não iria mudar o meu sentimento por você. Quando a gente gosta de verdade, , a gente encontra uma saída. É normal ela estar chateada e desconfiada, ela é só uma garota e é isso que nós somos. - Complicadas?
- Inseguras. – Ela sorriu, afagando a mão de , querendo transmitir confiança, segurança e, acima de tudo, sinceridade. Ela não queria vê-lo daquela forma. Não queria que ninguém naquela casa ficasse triste nunca. – Sempre ficaremos inseguras quando se trata de amor. sorriu enviesado, assentindo. Abraçou de lado pelos ombros, recebendo o habitual soco no ombro. – Relaxa, ela vai te perdoar.
- Obrigado. De verdade. – sorriu satisfeita, vendo que parecia menos tenso. Levantou-se e aproveitando que o clima ali estava confortável, procurou por um livro aleatório. estirou-se na poltrona, brincando com o elástico de cabelo em seu pulso. – Mas ... – Ele a chamou, franzindo a sobrancelha. A garota virou-se e o fitou sobre o ombro, esperando que ele falasse. – Se ela não me perdoar, posso pedir abrigo na casa das vizinhas da frente?
deu o dedo do meio para , que gargalhou divertido enquanto a garota voltava sua atenção para os livros.


10. Magic Mike Live*


O dia já estava acabando. Já era noite e e lavavam a louça do jantar enquanto os garotos estavam fazendo alguma coisa desconhecida por elas no andar de cima. esperava que eles não estivessem tendo muita diversão e sobrassem piadas para ela rir quando se juntasse a eles. torcia para que eles não quebrassem nada ou derrubassem bolo de chocolate na camiseta.
- Ai, você demora muito pra lavar louça. - bufou, apoiando-se na pia com o guardanapo descansado sob o ombro esquerdo.
- Quer vir lavar no meu lugar? - perguntou despreocupadamente, ensaboando uma travessa de salada.
- Não, muito obrigada. - abriu um grande sorriso e começou a rir, suspirando. - A casa tá muito quieta, tô com medo. - gargalhou enquanto pegava os talheres para lavar.
- Assusta um pouco, né? Vai ver eles estão no sótão. - deu de ombros e fez o mesmo. - Mas mesmo assim, era pra os ouvir subindo e descendo essa escada o tempo inteiro.
- Sabe o que nós estamos parecendo? - perguntou pegando a travessa para secar - Duas mães, velhas, com rugas, preocupadas com seus filhos adolescentes que saíram para a balada. - disse com certa agressividade, fazendo rir.
- Infelizmente eu vou ter de concordar com você. - admitiu, fechando a torneira após terminar de enxaguar todos os talheres. - Viu? Já acabei, velha! - rolou os olhos, secando os talheres.
- Posso te perguntar uma coisa? De amiga pra amiga?
- Claro, . - sentou-se em um dos bancos do balcão.
- Como vai ser depois que eles forem embora? - disse com um tom triste na voz, guardando os talheres na segunda gaveta do gabinete. suspirou, rodando o celular no balcão.
- Não sei... Realmente não sei. - suspirou novamente, erguendo o olhar para a amiga, que a encarava com as mãos na cintura. - Sei lá, é estranho.
- Eu sei... Querendo ou não, a gente já passou por situações como essa. - pendurou o guardanapo no gancho e sentou-se ao lado de , que a olhava intrigada.
- Já? Não me lembro de ter nenhuma boyband morando na minha casa e ainda por cima ficando com um deles. - fingiu pensar e a amiga lhe deu um soco na perna.
- Não, boba. Não é isso. - colocou o cabelo atrás da orelha antes de continuar falando - Por exemplo, no Brasil, quando tinham festas e nós acabávamos ficando com algum menino que achávamos bonitinho. No dia seguinte depois da festa, nós não sabíamos se eles iam nos ligar ou não para nos ver novamente. Sempre tem a dúvida. A única diferença aqui é que os bonitinhos em questão estão morando com a gente e são famosos. - ficou olhando para a amiga, pensando sobre aquilo. Realmente parecia uma situação comum, que qualquer garota passa na vida. Mas para , isso tinha um peso a mais, especialmente por ela ser fã do garoto que estava ficando. Foi então que chegou a conclusão de que quando perguntou como ia ser depois que eles se fossem, ela estava referindo-se ao estado emocional de . - Eu só queria ter certeza que você não vai ficar mal depois. Que não vai querer fazer fogueira com suas coisas do One Direction.
- Vamos torcer para que isso não aconteça, certo? - riu tentando afastar esses pensamentos da cabeça. Ainda faltavam cinco dias para os meninos irem embora e elas tinham mais cinco dias incríveis para passar com eles aproveitando cada segundo. - Hey, foi a primeira vez que você não se referiu a eles pra mim como One Gayrection! Isso é um milagre! - levantou as mãos, agradecendo ao Senhor. pegou o rolo de papel toalha em cima do balcão e bateu na cabeça da amiga. - Nossa, quanto amor.
- Fica quieta. - olhou para o celular de na hora em que ele vibrou, indicando uma nova mensagem - Alguém te mandou mensagem. - apontou para o celular no balcão e o pegou em mãos. Sorriu ao ver que era uma mensagem de .
"Vem aqui no nosso quarto. Traz a . x :)" - tá chamando a gente no quarto deles. Vamos subir. - bateu palmas, descendo do banco e começando a pular no lugar. - Segura a ansiedade, . - soltou uma risada nasalada e saiu da cozinha, sendo acompanhada por uma saltitante atrás. - Por que a felicidade, ?
- Tô com saudade do .
- Puta que o pariu, tinha esquecido como você era melosa quando tá gostando de alguém. - rolou os olhos, vendo mostrar a língua. - Quantos anos você tem mesmo? Sete? - perguntou conforme subiam as escadas. saiu correndo na frente e comemorou a vitória por chegar à porta do quarto dos meninos primeiro. juntou-se a ela e bateu na porta, esperando que alguém viesse abrir. Mas isso não aconteceu.
- OI, TEM ALGUÉM AQUI? - deu um murro na porta que fez assustar-se e dar um pulinho no lugar. Novamente ninguém respondeu. girou a maçaneta e viu que estava trancada. Foi quando a luz do corredor apagou-se e uma música começou a tocar no ambiente.
- Meninos? - perguntou olhando ao seu redor, assim como . Perceberam que a música vinha do sótão e a luz do ambiente acendeu-se, iluminando a escada. Uma plaquinha escrito “SUBA” foi estendida por um braço de um deles. As garotas entreolharam-se e subiram rapidamente. Independente do que fosse, elas estavam corroendo-se de curiosidade.
- Ok, vocês já nos assustaram o suficiente. - dizia conforme subia a escada na frente. Assim que entrou no ambiente, ficou sem fala. acabou esbarrando nela, já que parou bem no final da escada.
- Mas o que... - também perdeu a fala ao ver aquela cena. era o que estava na frente, com os pés espremidos dentro de um salto de dez centímetros. - Mas esse sapato não é meu? - disse para , que ainda não conseguia se mover. também usava uma meia-calça preta, que reconheceu ser dela. O vestido que usava era vermelho e rodado e as garotas não sabiam de onde tinha vindo. estava logo ao lado, com um sapato de , uma calça legging de zebra de e uma blusa de , com um óculos de sol na cabeça. estava em cima de uma caixa, usando um vestido preto que as meninas não sabiam de quem era também, tentando equilibrar-se no salto.
- Senhoras e senhores, com vocês Magic Direction! - apareceu com uma gravata borboleta verde. Logo após isso, , e começaram a dançar no ritmo da música. Se as garotas contassem para alguém o que estavam vendo ali, ninguém acreditaria. sentiu as mãos de em seus ombros. Olhou assustada para ela e o garoto sorriu, deixando-a mais calma. direcionou ela e para sentarem-se na cama de . As duas obedeceram sem contestar. foi o primeiro a aproximar-se delas, virando-se de costas e rebolando com um dedo na boca. engasgou-se com o ar e voltou ao normal, começando a gargalhar.
- Vocês não prestam, sério! - disse em meio ao riso, enquanto continuava atônita procurando um buraco para enfiar a cabeça. O desespero dela aumentou quando aproximou-se, apoiando uma perna em cima da cama, ao lado dela. passou a mão por toda a extensão de sua perna, do sapato de salto alto até sua coxa. agradeceu que ele estava de legging. fora o próximo, ficando na frente de e deslizando as duas mãos por seu tórax, conforme rebolava. gargalhou mais ainda, em partes de nervoso por ver o garoto na sua frente todo "se querendo" daquele jeito. Mais ao fundo, estava em seu próprio mundo, tentando andar de um lado para o outro em cima de um sapato de salto de paetê dourado. ria tanto quanto , aproveitando-se a situação para abrir o vestido que usava, fazendo o garoto ficar apenas de boxer, meia-calça e salto alto. As garotas automaticamente levaram as mãos ao rosto, tampando os olhos para não ver quase nu. fez isso para entrar na brincadeira, já queria mesmo se esconder. estava perigosamente perto e despido.
- Ok, ok, isso já tá virando casa de stripper. - disse parando de dançar, coçando-se por causa do vestido que o incomodava. andou até o seu iPhone e parou a música.
- Poxa, só porque eu ia colocar dinheiro do seu decote, . - fingiu lamentação e deu um selinho nela, sentando-se ao seu lado com as pernas abertas. deu um gritinho e xingou , o mandando fechar as pernas. - Você tem de sentar que nem menininha, amor. - cruzou as pernas e pediu para que o garoto fizesse o mesmo. Provavelmente não tinha reparado que tinha o chamado de amor, mas percebeu e queria a pedir em casamento naquele mesmo instante por causa disso, sorrindo abertamente e tentando sentar-se igual ela. Na outra ponta da cama, ainda estava com a cabeça escondida nas mãos. achou fofa a reação dela e se recompôs, sentando-se ao lado dela e a envolvendo em um abraço apertado.
- Hey, o já colocou uma roupa. - disse olhando para terminando de colocar sua camiseta. tirou as mãos dos olhos e olhou para , sorrindo tímida.
- De onde vocês tiraram esse ideia, hein? - finalmente cedeu lugar a risada, sendo acompanhada por . O garoto beijou seus lábios levemente, sentando-se melhor para olhá-la.
- Nós estávamos aqui sem fazer nada, aí o tropeçou no vestido que o está usando. Ele caiu de uma caixa onde achamos mais roupas. Nós só precisávamos de sapato de salto alto, e nós já sabíamos onde achar. - ele a olhou sugestivo e os dois voltaram a rir. - Você gostou?
- Olha, se nada der certo como boyband, vocês podem tentar a vida como drag queens. - gargalhou, jogando a cabeça para trás. Mesmo dentro daquela blusinha de , continuava lindo. - Como você consegue ser lindo até vestido desse jeito, hein? - externou seus pensamentos, milagrosamente não sentindo vergonha por causa disso. afagou os cabelos dela e sorriu docemente.
- Você que é linda, . - e envolveram-se no mundinho particular deles, beijando-se e ignorando as risadas de por causa da tentativa de de descer as escadas de salto.

- Cara, as meninas vão matar a gente! – se lamentou, observando a cena que se desenvolvia na cozinha.
- As meninas vão matar a gente. imitou , fazendo todos rirem, inclusive . – Deixa de ser bunda mole, . – rolou os olhos, abraçando pelos ombros. Todos os outros concordaram com murmúrios animados. – Nós só estamos cozinhando.
- Cozinhando? Isso tá parecendo um laboratório de experiências científicas! Olhe pra você! – apontou para o cabelo cheio de farinha de , e consecutivamente para – que mexia um conteúdo misterioso numa grande tigela vermelha – e para e que não conseguiam ligar o forno e pareciam prestes a mandar a casa pelos ares. era o único que se mantinha consideravelmente limpo. Consideravelmente porque, assim que o largou, ele pode constatar que sua camiseta havia ficado com vestígios de farinha. Depois do show particular que eles deram ontem à noite, todos ficaram conversando até muito tarde no quintal. Aquilo fora realmente engraçado, pensou .
Ele também concluiu que fora realmente muita sorte ir parar naquele lugar. Por mais que fosse sua fã – ele já tinha suas suspeitas, mesmo que a garota tivesse tentado enganá-los no primeiro momento – ele sentia que podia ficar tranquilo ali. Agora que estava ali, sendo um garoto normal junto com seus quatro amigos – e duas amigas – parecia uma ideia muito deprimente ter que deixá-las. Mas era muito cedo para ficar se lamentando, eles ainda tinham alguns dias de férias ali e ele não queria mais ficar se prendendo a esses tipos de pensamentos. E, além do mais, já sabia onde queria passar seus dias de folga de agora em diante.
- Você ficou louco? – estava parado na frente de , estalando os dedos bem perto do nariz dele. – Tá rindo sozinho por quê?
- Porque eu tô vendo a matando um a um lentamente. – riu enquanto meneava a cabeça, vendo que agora tinha creme na bochecha esquerda. – Lenta e tortuosamente.
- Incluindo você né, ? – disse de costas para , pois se encontrava lavando a louça. Aquele parecia ser o ofício de naquela cozinha, aliás. Pelo menos o avental comemorativo do natal ficava bem nele. – Você é cúmplice!
- É, ! Não pense só porque é o best friend das meninas que você vai se safar dessa! – se juntou aos que argumentavam contra , colocando as duas mãos na cintura após jogar o pano de prato no ombro.
- Parem de ficar assustando o baby . – foi o único que defendeu o amigo e este correu para perto de , abraçando-o dramaticamente. – Tudo bem, amorzinho, passou. Eles são uns meninos muito malvados!
caiu na gargalhada, sendo acompanhado pelos outros. E depois de quinze minutos, conseguiu ligar o forno sem maiores catástrofes, comemorando sua façanha com pulos infantis.
No andar de cima, foi a primeira a abrir os olhos. Espreguiçou-se na cama, ficando um tempo fitando o teto, pensando nos últimos acontecimentos da sua vida.
Em dezenove anos ela nunca imaginou que seu sonho de conhecer a terra da rainha pudesse se concretizar. Não com aquela dimensão, pelo menos. podia ser dois anos mais velha, mas era sua melhor amiga. Santo chiclete, repetiu as palavras de em sua mente, rindo sozinha enquanto se virava para acordar a amiga, que devia estar escondida em alguma parte do edredom.
- , acorda! – jogou o travesseiro no amontoado sob o edredom, recebendo resmungos que pareciam grunhidos em resposta. – Eu tô com fome!
- E eu tenho cara de comida, por acaso? – riu enquanto colocava a cabeça para fora das cobertas, enxergando parcialmente entre os cabelos. – Por que você sempre tem que me acordar quando tá com fome?
- Porque hoje é sua vez de fazer o café da manhã. – respondeu simplesmente, levantando-se da cama e indo em direção ao banheiro. – Ou queria que o trouxesse seu café na cama?
- Eu não ia achar ruim. – disse rindo, levantando-se também. Espreguiçou-se e inspirou profundamente, como sempre costumava fazer antes de começar o seu dia. Mas naquela manhã o aroma londrino tinha um toque especial. Um toque levemente... Queimado?, você ligou o chuveiro?
- Não. – abriu a porta do banheiro escovando os dentes. – Que cheiro é esse?
- É, foi o que eu pensei. Parece que vem lá debaixo...
- MEU DEUS, A CASA TÁ PEGANDO FOGO!
As duas trocaram olhares assustados e sem pensar, correram do jeito que estavam – com a escova de dente na boca e usando uma camiseta velha e furada como pijama – chegando à cozinha no mesmo segundo, parando atônitas quando os cinco presentes pararam de fazer o que estavam fazendo e as encararam com os semblantes ligeiramente surpresos.
- QUEM TÁ COLOCANDO FOGO NA CASA?! – disse levemente alterada, ignorando o fato de estar com a boca ardendo.
- Er, culpado...? – Ainda congelado perto do fogão, ergueu as mãos, em uma delas a frigideira com um conteúdo carbonizado.
- Eu posso saber o que vocês estão fazendo aqui? – conseguiu recuperar a voz e o fôlego, fitando cada um dos meninos. Depois, ela olhou para a cozinha vagarosamente, perguntando-se se havia passado algum furacão no meio da madrugada por ali. – Isso no lustre é... Farinha?
- Adeus, mundo cruel. – choramingou, ajoelhando-se no chão e olhando para cima com as duas mãos unidas sob o queixo, como se estivesse rezando. – Foi uma honra conhecer vocês, amigos.
- Para de ser idiota, . – riu nervoso, mas não gostava da cara das duas garotas, que ainda estavam paradas junto à porta. – Nós fizemos bolo! – então se aproximou de , afagando sua bochecha.
- Vocês... Bolo... Vocês? – apontou a escova na direção de cada um, agora com seu tom de voz normalizado. achou engraçada a visão de falando com espuma da pasta de dente esverdeada em seus dentes. E também. Os dois começaram a rir, e como era de se esperar, todos seguiram o embalo. – Meu Deus, vocês já têm abrigo, não precisam nos convencer de nada.
- Então eu não preciso provar que posso ser um ótimo marido? – brincou, se aproximando de e abraçando-a pela cintura. Ele não fazia ideia, mas o coração de estava prestes a parar se ele continuasse sorrindo daquela forma.
- Ah, como o amor é lindo! – apertou as bochechas dos dois, recebendo um tapa de , que ainda tentava assimilar o que acabara de ouvir. – OUTCH, !
- Hm, isso tá com um cheiro ótimo, ! – já estava perto do forno, cheirando o ar ali perto. esboçou um grande sorriso, fazendo hi-five com , que agitou os cabelos e uma leve cortina de farinha caiu deles. – Já sei quem é o responsável pela farinha no lustre. – bagunçou os cabelos de , fazendo uma careta logo em seguida. riu, tratando de lavar a frigideira com os ovos queimados. Antes que pudesse esfregar a panela, sentiu os dedos de em torno dos seus. – É melhor deixar de molho, senão você não vai conseguir tirar a parte queimada!
- Acho que eu não serei um bom dono de casa, né? – Ele fingiu estar triste enquanto fazia o que tinha dito, sentindo imediatamente os braços dela envolverem sua cintura por trás, formando um abraço confortável.
- Não tem problema, continuarei gostando de você mesmo que não saiba lavar a louça. Ou fritar os ovos. Ou...
- Tá bem, eu já entendi. – riu, virando-se a colando seus lábios sobre o dela suavemente, para que ela parasse de falar. Na verdade, aquele fora apenas um argumento para poder beijá-la.
- Então, vamos ver se o One Direction sabe cozinhar? – anunciou depois de se livrar da espuma em sua boca na lavanderia, retirando do forno o bolo que os meninos fizeram. O cheiro estava realmente agradável. – Sério que vocês precisaram destruir a cozinha para fazer um inofensivo bolo?
- Fica quieta e corta logo isso, eu tô com fome. – apressou, fazendo todos rirem. Menos ela, que os fitava se perguntando o que tinha dito de tão engraçado. não protestou e logo partiu o bolo de chocolate em partes iguais, distribuindo entre os presentes, mas ninguém fez menção de dar a primeira garfada. Vendo que todos se encaravam com sorrisos amarelos, rolou os olhos, bufando e colocando o primeiro pedaço dentro da boca. estava sentado ao seu lado e do outro, e ambos cutucaram sutilmente com o cotovelo. – O quê? – Parou de mastigar, olhando para cada um que estava sentado em volta do balcão central da cozinha.
- E então? – perguntou na expectativa, sendo acompanhado por .
- De verdade? – apanhou o prato e começou a dar voltas na cozinha, deixando todos sem entender. – SOLTEM OS CACHORROS!
- Ela tá bem? – arqueou as sobrancelhas para , que ria enquanto colocava seu primeiro pedaço para dentro. – Ou sempre reage assim quando come alguma coisa ruim?
- Isso é um bom sinal. Se nada der certo como boyband nem como drag queens, vocês têm mais uma opção de carreira. – assentiu consigo mesma, concluindo que o bolo estava realmente bom. – , para de correr que nem barata tonta e senta logo pra comer!
voltou a se sentar, piscando ingênua para todos. Parou seu olhar em , que ria olhando para o celular, que estava direcionado para ela.
- Você não está fazendo o que eu estou pensando que você está fazendo, certo?
- O quê? Eu não estou filmando você desde o momento que saiu correndo pela cozinha em círculos, se é o que pensou. – olhou para ela, que agora estava mais vermelha do que a camiseta dele.
- EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ ME FILMOU USANDO ISSO! – apontou para a camiseta e sem a intenção, curvou-se levemente para trás para ver o que ela usava, e se desequilibrou quando percebeu que a camiseta estava na metade das coxas da garota. – ?!
- OUTCH. – Ele riu sem graça, levando uma mão à nuca.
- E esse foi o , provando que sempre é possível ser um idiota na frente da garota amada! – dizia enquanto filmava o companheiro que agora se sentava com a ajuda de , que continuava vermelha. – , amigo, o que você acha do caso?
- VIDEO DIARIES ARE BACK! – gritou como estava acostumado a fazer, assustando levemente , que não fazia ideia do que aquilo significava.
- Quem? – perguntou com a boca cheia enquanto todos comemoravam, inclusive .
- Nós fazíamos video diaries há um tempo atrás. – explicou, limpando o canto da boca de que estava sujo com bolo.
- Que significa... – a garota continuou na dúvida, arrancando um sorriso de .
- São vídeos que filmávamos em lugares aleatórios, respondendo perguntas de fãs. – o garoto explicou melhor, vendo assentir. estava dançando pela cozinha com o pano de prato amarrado na cabeça como um turbante, alternando o tom de sua voz constantemente. filmava tudo, chorando de rir. , e estavam confabulando e pensando como poderia ser o novo vídeo.
- Me mostra? - prontamente pegou o celular do bolso e entrou no canal do youtube da banda. então se lembrou que ela trouxera seu notebook, mas elas ainda não tinham internet. Se os meninos não estivessem lá, ela e provavelmente estariam desesperadas atrás de internet ou então tentariam roubar sinal de algum vizinho que não colocou senha no wireless. - Esse daqui é um dos que fazíamos quando ainda estávamos no X-Factor. - virou o aparelho para que ela visse e arregalou os olhos, pegando o celular das mãos dele.
- Mentira que esses são vocês! - bradou, o olhando indignada - Puberdade ingrata. - fingiu uma lamentação antes que eles começassem a rir. - Olha o seu cabelo! Como você estava magro, você comia naquela época? Nossa, olha o com rostinho de bebê. E o com esse cabelo também. - começou a falar tudo o que achava sem parar e gostava disso nela, de sua espontaneidade. - Vou ficar depressiva se continuar vendo esse. - devolveu o aparelho para o garoto à sua frente - Me mostra agora um recente. - balançou as pernas no banco, sorrindo infantil.
- ! - a garota assustou-se com gritando seu nome, sendo que estava sentada ao seu lado. Desequilibrou-se no banco, quase caindo se não estivesse passando ao lado dela naquele instante.
- Salvei sua vida, hein! - disse, colocando de volta no lugar, como se fosse uma boneca. reparou que tinha a mão boba demais.
- Fico te devendo essa, . - deram um soquinho com as mãos, como os Super Gêmeos faziam na hora de ativar. Olhou para , que estava rindo ao seu lado por ter feito quase cair. - Que foi, mocréia?
- Eu lembrei que nós não temos sinal de internet.
- Eu também lembrei disso e nem por isso gritei seu nome para que você caísse do banco e tivesse uma morte trágica. - fez drama e jogou um guardanapo de papel amassado nela.
- Mas eu tô com preguiça de ir atrás, eu nem sei onde encontrar isso. - rolou os olhos.
- No lugar que vimos o negócio da TV eles ofereciam internet. Se quiser eu vou lá ver. - as garotas se distraíram com a conversa da internet e acabaram não percebendo quando os cinco garotos começaram a se bater logo atrás delas.
- Ah, mas é tão longe! - reclamou - Será que não tem algum lugar mais perto? - pensou por um instante e viu que o celular de estava em cima do balcão.
- Vamos procurar no celular do . - o pegou e entrou no Google para pesquisar. Ela e estavam totalmente de costas de onde acontecia a bagunça.
Tudo começou porque , sem querer, derrubou um ovo no chão. O ovo acabou caindo no pé de , que resolveu dar o troco em pegando a clara e a gema de ovo para passar no cabelo do amigo. tentou sair correndo, mas o segurou pelos braços e conseguiu passar a meleca no cabelo de , aproveitando para sujar . Este começou a gritar e enfiou a mão no saco de farinha, jogando em quem estivesse na sua frente. , que filmava tudo, estava na frente de . O garoto largou o celular em cima do balcão e resolveu pendurar-se no pescoço de para fazê-lo comer farinha. Nisso, e resolveram colocar na confusão, amassando um pedaço do bolo no cabelo dele. levantou-se com seu copo de suco e jogou o conteúdo nos dois. O chão já estava completamente molhado e sujo, o que resultou em escorregando e levando junto com ele. tropeçou no pé de e perdeu o equilíbrio, segurando na barra da camiseta de , que puxou pela mão antes que todos caíssem no chão, fazendo um barulho estrondoso. Foi só nessa hora que as garotas pararam de discutir quem ia atrás da internet e olharam assustadas para trás, encontrando e sentados com farinha e ovo no cabelo, em cima de , ambos de bruços e deitado de costas com sua cabeça apoiada na perna de .
- Como é que vocês conseguiram fazer tudo isso em dois minutos? - perguntou. Ela e os olhavam estáticas, com a boca aberta.
- Sinceramente? - perguntou tentando tirar de cima dele - Não faço a mínima ideia. - apoiou os cotovelos no chão e a cabeça nas mãos, olhando ternamente para as garotas. não aguentou ver aquela cena e começou a gargalhar, tirando uma foto do celular de .
- Vocês me surpreendem a cada dia. - disse enxugando uma lágrima dos olhos.
- E vocês já sabem que vão limpar tudo isso sozinhos, certo? - os olhou sugestiva, cruzando os braços. Os garotos nada responderam, só ficaram olhando para ela. - Pode parar de fazer essa cara de piedade, , nós não vamos ajudar vocês! - deu um soquinho no ar, murmurando alguma coisa.
- Vocês sabem onde têm vassoura, pano de chão e produto de limpeza. - disse levantando-se e abaixou-se para entregar o celular para , dando um selinho nele.
- Pornografia no meu colo não rola, né? - reclamou, tampando os olhos com a mão e empurrando a cabeça de , rindo logo em seguida.
- A vai ir atrás de internet e eu vou ficar na sala vendo TV confortavelmente enquanto vocês limpam. - sorriu, saindo da cozinha logo atrás de , sobre protestos de reclamando que sairia sozinha, e sobre discursos de defesa de dizendo que queria ver TV com ela. - E só pra garantir, eu vou trancar a porta. - sorriu e fechou a porta da sala de jantar. Os cinco garotos entreolharam-se antes de tentarem levantar-se ao mesmo tempo para ir correndo atrás de . Ato este que foi inútil, pois por causa do chão melecado, acabaram escorregando e caindo novamente.
- Essa porta tem chave? - perguntou coçando o pescoço. virou-se para ela, olhando diabolicamente.
- Não, mas eu sei que eles vão acreditar e não vão nem tentar abrir a porta. - as duas começaram a rir, saindo de perto da porta para que eles não escutassem nada.
- Então eu vou ter que ir lá mesmo? - fez bico e concordou, jogando-se no sofá. - Você vai ficar bem sozinha com eles? Hoje eles acordaram um tanto quanto agressivos. - deu de ombros e ligou a TV, procurando algum filme para assistir. irritou-se um pouquinho - mas uma irritação boa - por ela não ter respondido nada e resolveu se vingar. - AH, ENTÃO QUER DIZER QUE VOCÊ NÃO SE IMPORTA QUE O SEJA AGRESSIVO, NÉ?! - começou a gritar perto da porta e percebeu que os garotos pararam tudo que estavam fazendo. a olhou com os olhos arregalados - O QUE, ? É ATÉ BOM PRA DEIXAR A RELAÇÃO MAIS SELVAGEM? AH, TÁ! ENTENDI! - levantou-se do sofá e saiu correndo até , que começou a fugir da garota, subindo as escadas correndo.
- Você perdeu a noção do perigo, ?! - gritava conforme subia as escadas perseguindo , que até chorava de rir. A garota entrou no quarto delas e trancou a porta, ouvindo bater na porta e xingá-la de todas as coisas.
- Isso é pra você nunca mais me ignorar! - gritou de volta e entrou no banheiro para tomar banho e sair.

*Magic Mike, para quem não sabe, é um filme que conta a história da vida de alguns strippers.


11. How To NOT Make a Horror Movie


- , eu vou comprar um roteador. - disse assim que atendeu o celular. O vendedor da loja a olhava com tédio com uma caixa de roteador em mãos. - Não, , eu não quero internet 3G. Não tenho paciência pra esperar a boa vontade do modem captar sinal. - a garota rolou os olhos, sorrindo em seguida para o vendedor. - Tudo bem, eu tenho dinheiro e posso pagar. Mas também não vou te passar a senha do wi-fi. Tchau. - desligou o telefone irritada e encarou o vendedor. - Olha, moço, pra morar com melhor amigo tem que ter muita paciência, eles são piores que irmãos! - apoiou-se no balcão e soltou uma risada, parando imediatamente ao ver que o vendedor nem ao menos piscava. - Er... Eu vou levar o roteador e vou querer que alguém vá instalar a internet lá na minha casa. - sorriu e o vendedor saiu do balcão, indo fazer a nota fiscal. - Que simpatia... - disse para si mesma enquanto esperava.
Ao sair da loja, colocou os óculos de sol e saiu andando sob o sol de Londres. O clima estava gostoso, nem tão quente e nem tão frio. Andava tranquilamente até reparar que quatro adolescentes estavam paradas gritando olhando para uma vitrine de uma loja.
- Como eu amo o , eu preciso casar com ele! - parou de andar instantaneamente, tirando os óculos de sol para encará-las.
- E eu preciso casar com o ! Olha como ele tá lindo nesse pôster! - outra disse com voz manhosa, apontando para a vitrine. voltou a andar rapidamente até chegar ao local que as meninas estavam, passando a andar lentamente para olhar a vitrine. Então percebeu que as garotas falavam do mesmo e do mesmo que estavam hospedados na sua casa. O pôster que as meninas referiam-se era o pôster do lançamento do DVD do One Direction.
- Vamos entrar para comprar logo! - uma das meninas disse e não pensou duas vezes antes de entrar na loja atrás delas. Ela colocou os óculos novamente, imaginando que aquilo a deixaria mais discreta. Seguiu as meninas até a sessão de DVD's e disfarçou olhando alguns de filme enquanto elas faziam mais um pouco de escândalo. percebeu que se sentia desconfortável toda vez que uma delas falava o quanto amava e de como ele era lindo.
- Vocês não acham que eu e o fazemos um casal perfeito? - a garota parou ao lado de no pôster, sorrindo. Suas amigas soltaram gritinhos de amor e imitou a pergunta da menina, fazendo careta e rolando os olhos. - Vontade de beijar essa boca linda! - enfezou-se e andou até as garotas, abrindo espaço entre elas com as mãos e pegando um DVD da prateleira. As meninas olharam torto para ela e saiu de nariz empinado, rebolando e com o ego inflado. Assim que parou na fila do caixa e encarou o DVD em mãos, questionou-se o que estava fazendo ali. Agradeceu mentalmente que não estava no Brasil, porque ainda achava que gostar de uma boyband ia contra seu mantra de vida. Sentiu a bolsa vibrando e tirou o celular de lá de dentro, vendo o nome "Boo <3" gravado no celular.
- Quem é Boo? Eu não conheço nenhum Boo. - disse para si mesma, atendendo com certo receio principalmente porque tinha um coração depois do nome. - Alô?
- Oi, pequena. - ouviu a voz de e teve vontade de dar pulinhos.
- Oi, ! – disse um tanto quanto alto e percebeu que as garotas do escândalo estavam atrás dela na fila. – Nildo... Zaynnildo. Que saudade de você, tio! – tentou disfarçar e sorriu amarelo, virando-se para frente.
- Têm fãs minhas perto de você?
- Primeiro de tudo, são fãs da sua banda. – disse baixinho, tomando cuidado para que as adolescentes serelepes não escutassem. – Mas tem uma aqui que te quer nu. – disse com agressividade e andou alguns passos na fila. começou a rir e rolou os olhos.
- Onde você tá? - Eu tô... Eu tô em uma livraria... – entortou a boca e torceu para que ele não perguntasse o que estava comprando.
- Comprando alguma coisa?Droga, ela pensou.
- Eu... Tô. Quer dizer, tô olhando pra ver se alguma coisa me interessa. – a vez de ir para o caixa chegou e a garota entregou o DVD para a atendente, que a olhou estranho.
- Volta logo pra casa, eu tô com saudade, já!
- Duvido. Eu sou a maior chata! - A atendente pigarreou e lhe entregou o cartão.
- Claro que não, você é perfeita! suspirou e viu que a atendente esperava que ela digitasse a senha. Quando ia responder, a garota ouviu gritando ao fundo, logo em seguida sua voz soou no lugar da de , o vai desligar. Ele mandou um beijo e disse que mal espera para ver seu novo sutiã. Beijo. engasgou-se com a própria saliva e acenou para a atendente antes de sair da loja. Não sem antes reparar que as adolescentes a encaravam mortalmente.

- Posso saber o que tem demais eu conversar com ela? – perguntou tomando o celular das mãos de um que dançava sensualmente para ele. – Sai daqui, sua bicha! – o empurrou pelo ombro, fazendo-o cair no sofá.
- Por que o stress, ? – perguntou sentando-se ao lado de .
- Falta de sexo. – respondeu assim que passou por ele para subir as escadas, não antes de dar um soco no Junior. – Outch! – disse perdendo o ar.
- Convenhamos que deve ser difícil só beijar a e a . – comentou sussurrando para que somente e ouvissem. Os dois concordaram e mudaram suas expressões assim que apareceu abraçado com .
- Cadê o ? Ele falou se a já está voltando? – perguntou, jogando-se na outra ponta do sofá. deitou em seu colo e ela passou a fazer cafuné em seus cabelos.
- O subiu, acho que a já está voltando, sim. – respondeu, afastando os pensamentos do último comentário que fizera da sua cabeça. assentiu e suspirou, olhando em volta. Assim que passou os olhos pela porta da biblioteca, ouviu um barulho vindo da escada. Os cinco presentes na sala olharam atentamente para a mesma, entreolhando-se em seguida.
- ? – gritou, rezando para que fosse apenas o amigo. Mas não respondeu, preferiu descer as escadas correndo e chegar com uma feição assustada. – Eu não gosto dessa cara. – pressionou as têmporas e fechou os olhos.
- O que aconteceu, ? – perguntou levantando-se.
- O quarto das meninas... Alguma coisa caiu lá dentro. – explicou, tentando normalizar a respiração.
- Vamos lá ver. – disse e as reações foram diversas. e a encararam com a boca aberta. arregalou os olhos e suspirou, passando as mãos pelo rosto. levantou-se e gritou, tentando fugir em direção da piscina, mas fora impedido por , que sorria marotamente.
- Acho isso uma ótima oportunidade para dar início ao Haunted Video Diaries. disse fazendo a pose do Peter Pan.
- O que? – todos perguntaram em conjunto, ao mesmo tempo em que outro barulho veio do andar de cima.
- Um vídeo desses momentos sinistros e inex... – começou a explicar com certo tom de tédio, movimentando as mãos de forma aleatória, sendo interrompido antes de concluir sua frase.
- Nós entendemos o que você quis dizer, só não entendemos como você consegue pensar em gravar alguma coisa quando tem alguma coisa lá em cima nesse exato momento. – ia aumentando seu tom de voz conforme falava. riu, mas não era um riso de diversão. – VOCÊ FICOU LOUCO?
- Tudo bem, sem drama! – disse novamente, e dessa vez segurou firmemente na mão esquerda da garota, assentindo fracamente. Ele achava que ficar deitado no sofá era uma ideia muito mais atraente. logo segurou na mão direita de , lançando um olhar de desculpa para . sorriu para os dois, querendo transmitir um pouco de tranquilidade, embora aquilo parecesse impossível. – Pronto, ? – O garoto assentiu, retirando seu celular do bolso de sua calça jeans, ligando a filmadora.
- E EU?! COMO É QUE EU FICO?! – se agarrou em , que continuava branco como papel. queria que estivesse ali para ajudá-la. Se bem que, ela parou para pensar enquanto começava a caminhar com os meninos atrás dela, também estaria se escondendo atrás dela nesse momento.
- Numa noite sombria, cinco cavalheiros e uma dama – usava um sotaque muito mais arrastado, forçando seu timbre para que sua voz soasse mais grossa. Ele ia andando de costas, filmando que era ladeada pelos garotos. – são surpreendidos por sons misteriosos na velha mansão. O que estará à espreita na noite sombria?
- Mas ainda é dia! murmurou, espiando a escada por entre os cabelos de . Ele achava que esconder o rosto entre os fios iria ajudar em alguma coisa.
- CALA A BOCA, ! – replicou com sua voz normal, pigarreando e voltando a usar o tom de antes. tentou não rir, mas era impossível ficar muito tempo sem rir quando estava por perto. – Que mistérios estão esperando por eles, logo além do portal misterioso?
- Como você consegue rir numa situação dessas?! – A voz de soava tão baixa atrás de si, que quase a confundiu com a própria voz dentro de sua cabeça. – Para de rir, ! Nós podemos nunca mais ser vistos depois desse dia!
- Não se preocupe, , a vai se lembrar de você eternamente! – não queria, mas acabou dando um tapa no ombro de . – AI, !
- Shiu... – parou de andar, olhando para o lado sem se movimentar. De uma maneira engraçada, todos pararam de andar no mesmo momento, prestando atenção no que quer que fosse que tenha ouvido.
- O que foi, ? – perguntou, sentindo o peso de e em seus braços. Com delicadeza ela afastou os dois, sem tirar os olhos de , que permanecia no topo da escada observando por sobre o ombro o corredor atrás de si. – Tá ouvindo alguma coisa?
- Nah, foi só meu estômago. – deu de ombros e deu as costas, continuando a caminhar em direção ao quarto de e . levou as duas mãos ao coração, xingando pelo susto. – , você trancou a porta do quarto? – franziu as sobrancelhas enquanto dirigia a câmera em direção à garota, que se aproximava com o mesmo semblante confuso, meneando a cabeça de forma negativa. – Tá trancada!
Ela se aproximou com certo receio, girando a maçaneta e forçando um pouco para frente. Realmente parecia que alguém havia trancado. Virou-se para os quatro garotos que agora estavam abraçados, e novamente ela riu.
- As portas daqui são velhas, pode ser que tenha emperrado. – deu de ombros, argumentando consigo mesma de que aquela era uma ótima explicação.
- Ou o está fraco demais. – rolou os olhos, tomando a frente e ficando entre e diante da porta. – Deixa que eu faço isso.
De uma forma cômica, arregaçou as mangas da sua camiseta, recebendo gritos de animação de e , que fingiam desmaiar no colo de e , respectivamente. agora ria mais confortável, mas evitava ficar muito afastado dos amigos.
- O corajoso menino de fortes braços musculosos – disse com uma voz afeminada enquanto alisava o braço exposto de , virando a câmera na direção dele. – resolveu abrir a porta...
- , você não sabe narrar um vídeo de terror. – rolou os olhos, apanhando o celular da mão dele e exibiu um sorriso maroto que deixou levemente desnorteado. – Isso tá parecendo seriado de quinta categoria. – imitou , e ambos começaram a rir no mesmo momento. salvou o que havia gravado e apertou rec depois de virar a câmera para si mesma, iniciando um novo vídeo. – Oi, eu sou a e esse é o primeiro Haunted Video Diaries, com a participação especial dos meninos do One Direction. – segurou o riso e virou a câmera na direção de . – Se apresente, soldado!
- , capitão! – ele bateu continência, gritando como uma garotinha logo em seguida. – Permissão para gritar como uma menininha, capitão!
- Permissão concedida! – virou a câmera na direção de , que conseguira abrir a porta e ao menos daquela vez, estava certa: A porta havia emperrado por motivos que não vinham do além. – Se apresente!
- ! – sorriu com todos seus dentes, fazendo muque e apontando para a porta. – O corajoso menino dos braços fortes e musculosos! – riu, apontando agora para e , que tentavam disputar para ver quem se apresentaria em seguida. – As duas gazelas saltitantes, quem são?
- !
- seduction . – piscou para a câmera, exibindo o tipo de sorriso que adorava. Percebendo que estava demorando um pouco além em , virou a câmera na direção de , que sorriu timidamente.
- E você, quem é? – questionou, dando dois passos para trás quando deu um para frente, tentando mantê-lo no foco. – Oh, ele é um garoto tímido!
- Só digo meu nome se ganhar um beijo da cinegrafista! – ficou na frente de , roçando seus lábios levemente nos dela. Provavelmente naquele momento a câmera estava gravando alguma parte da camiseta de .
- Viva a diversidade dessa mansão! – gritou, assustando a todos, inclusive que se afastou de , procurando pelo motivo de ter se pronunciado depois de alguns segundos em silêncio. – Do terror passamos para o pornô!
- Meu Deus... – estava com o celular apontado na direção de , que estava encostado no batente do quarto que ela dividia com . – , o que é isso atrás de você?!
O garoto se virou bruscamente, gritando e pulando no colo de , que continuava perto da porta. se agarrou em e foi instintivamente para trás de , abraçando-a pela cintura. caiu na gargalhada e teve que parar de filmar, curvando-se e perdendo o fôlego, jogando-se no chão ainda rindo. Percebendo que caíra numa pegadinha da garota, semicerrou seus olhos, largando e caindo em cima de . Literalmente.
A garota ainda ria, pedindo socorro para que não teve como ajudar, pois antes que ele fizesse qualquer coisa, , e já se amontoavam sobre ela. A única parte de seu corpo que podia ser visto eram suas pernas, que se agitavam no ar. De alguma parte entre os corpos a risada abafada dela podia ser ouvida, juntamente com alguns xingamentos pela parte dela.
- Diga que eu sou mais bonito que o e eu deixo você sair! – Puderam ouvir dizer e ria, puxando pelas pernas, mas acabou se desequilibrando e caiu sobre as pernas de , que reclamou do peso sobre elas.
- Mas eu estou por cima de todos, então ela tem que dizer que eu sou o mais bonito e sensual do One Direction! – gritou e puderam ouvir repetir as palavras dele em meio às gargalhadas. A menina ia morrer de tanto que ria, concluiu , que tentava tirar de cima de suas costas.
Do lado de fora da casa, nem imaginava a zona que se sucedia no segundo andar da sua casa. Ela trazia em mãos a sacola da livraria, perguntando-se porque tinha comprado o DVD se ela tinha o próprio One Direction ali. E o melhor; tinha esperando por ela, cheio de amor para dar.
Deixou um suspiro aliviado escapar quando percebeu que não tinha ninguém na sala, deixando a sacola com o DVD atrás da televisão de uma maneira que ninguém pudesse ver de longe e deixou o roteador em cima do sofá, juntamente com sua bolsa e seus inseparáveis óculos de sol.
- ? – Ela não pode evitar um sorriso ao dizer seu nome, sentindo-se uma boba por dentro. De uma maneira boa, é claro.? – caminhou até a cozinha, procurando do lado de fora quando não viu ninguém ali. – ? Pessoal?
Voltou para a sala com o cenho franzido, ouvindo as risadas dos meninos ecoarem do segundo andar. Meneou a cabeça, já imaginando a algazarra que deveria estar acontecendo lá em cima. Entusiasmada para se juntar à euforia, subiu os degraus de dois em dois, se deparando com a seguinte cena: e rolavam do chão de tanto rir, estava com a testa apoiada no ombro de , que ria com os braços cruzados. O motivo de tudo aquilo? estava correndo atrás de com o chinelo em mãos e ameaçava trancá-lo no banheiro se ele não a deixasse lhe dar umas chineladas. não fazia ideia do motivo para a amiga estar tão furiosa – sim, por mais que estivesse rindo, a quantidade de palavrões que ela deixava escapar (a maioria em português) indicava que havia feito algo que a deixou muito envergonhada – e rindo pelo nariz, abraçou pela cintura e depositou um beijo em seu ombro, sendo abraçada logo em seguida. enxugou uma lágrima que escorria pelo canto do olho, deixando um longo suspiro escapar. Acariciou suavemente a bochecha de , dando-lhe um selinho antes de voltar a rir.
- O que tá acontecendo? – perguntou para , vendo tropeçar no tapete e se aproveitar e pular nas costas dele. – Por que a tá pendurada no pescoço do que nem uma macaca chita?
- Tudo começou com o haunted video diaries. explicava enquanto desenhava distraidamente formas aleatórias nos ombros de com o polegar. – deu um susto em , que fez montinho nela e a fez dizer que ela queria o corpo nu do para que ele a soltasse. Agora ela quer fazer picadinho do .
- não gosta de agir sob pressão. – riu divertida, vendo pedir por socorro. dava chineladas em sua bunda segurando-o pela orelha, exatamente como uma mãe faz com seu filho malcriado.
- Desculpa, , desculpa. Eu nunca mais vou falar isso! – dizia enquanto tentava se esquivar da garota.
- Muito bem. Assim que eu gosto! – disse satisfeita, ajeitando a camiseta no corpo. e levantaram-se do chão, dando um beijo na bochecha de . e acenaram para ela e veio saltitando, segurando em sua mão e puxando-a para descer as escadas.
- Por que a animação, Bambi? – perguntou tentando acompanhar seu ritmo. O barulho que os meninos faziam foi ficando para trás conforme elas chegavam à sala.
- Quero ver nossa fonte de conexão com o mundo. Onde tá? – parou no meio da sala, com as mãos na cintura e olhando ao seu redor. riu, andando até o sofá e jogando-se nele, pegando a sacola que estava o roteador em mãos. fez o mesmo, sentando-se ao lado de e tomando a sacola de suas mãos, chacoalhando-a.
- Não chacoalha, vai quebrar. Isso não é uma caixa de brinquedos. – rolou os olhos, pegando a caixa de volta. a fulminou com os olhos e tirou a caixa das mãos da amiga novamente, rindo.
- Quando vão instalar a internet? – perguntou abrindo a caixa, deparando-se com um aparelho branco e preto com uma anteninha.
- Amanhã de manhã. – disse despreocupadamente, balançando as pernas. fechou a caixa e largou do lado, suspirando. Olhou em direção à cozinha e lembrou-se que precisava contar uma coisa para . Mas assim que teve a intenção de começar a falar, assustou-se com o grito que deu, pouco antes de sair correndo e retirar uma sacola detrás da TV. Observou a amiga olhar com cuidado para a escada, escondendo a sacola atrás de seu corpo. Voltou correndo e sentou-se no estofado, entregando o embrulho sorridente para .
- Que isso?
- Presente. – sorriu mostrando todos os seus dentes e ergueu uma sobrancelha em desconfiança.
- Presente? Assim... Do nada? Estamos comemorando alguma coisa?
- Aham, dia dos namorados atrasado. – disse séria e arregalou os olhos, levando um tapa na cara. – Claro que não, anta. É só uma coisa que eu vi nessa livraria e quis te dar. – chacoalhou a sacola para que pegasse de uma vez por todas. Ainda desconfiada da gentileza da amiga, – que costumava ser totalmente não sentimental para essas coisas – pegou a sacola em mãos e tirou a caixinha de lá sem ver. Abriu a boca totalmente, soltando um gritinho.
- Ah, como você adivinhou que eu queria? – perguntou, jogando-se em cima de e a abraçando.
- Coisas de amiga... – disse para disfarçar. sentou-se direito e envolveu o rosto de com suas mãos, fazendo uma expressão meiga.
- Você sabe que eu não acredito, né? – devolveu o tapa no rosto e percebeu que assustou-se um pouco, rindo em seguida – Vai, me fala porque você comprou o DVD do One Direction pra mim sendo que eles estão no andar de cima ao vivo.
- Eu vi umas adolescentes paradas em uma livraria falando como o One Direction era lindo. – fez careta ao lembrar-se delas – E aí eu resolvi segui-las e acabei me deparando com uma prateleira enorme cheia de One Direction compactado. – gargalhou e viu que descia as escadas. Escondeu o DVD embaixo da blusa e recebeu um olhar de interrogação de .
sussurrou e olhou pra trás, vendo o garoto andar despreocupadamente até elas, sentando no meio das duas no sofá.
- Olá, garotas. – disse com um tom de voz de locutor de rádio, fazendo com que elas dessem risada. Esticou o braço no encosto do estofado e deitou sua cabeça em um deles. – Sobre o que falavam?
- Que precisamos fazer o almoço. – disse ao levantar-se, abraçando sua barriga. – Mas antes eu vou lá pra cima... Er... Ver como os garotos estão. – saiu rapidamente, deixando com no sofá.
- O que você quer comer, ? – perguntou, tirando algumas bolinhas de poeira de sua camiseta roxa.
- Strogonoff de frango. – disse após pensar um pouco.
- Você sabe fazer? – a garota perguntou.
- Não. Você sabe?
- Também não. Conhece alguém que esteja nessa casa que saiba?
- Er... Não. Você conhece? – perguntou em meio a risos.
- Preciso responder? – o garoto negou com a cabeça, ainda rindo junto com .
- Qual a boa, amigos? – assustaram-se levemente com , que tinha acabado de sentar-se ao lado de .
- Estamos procurando alguém que saiba fazer strogonoff. – explicou.
- Minha mãe sabe. – disse pensativo.
- Sua mãe está aqui? – perguntou e negou com a cabeça – Então não serve. – os três voltaram a rir, sendo surpreendidos por um com a mão enfaixada. sentou-se direito e segurou em sua camiseta, o puxando para que ele sentasse. – O que aconteceu? – perguntou preocupada, envolvendo sua mão machucada entre as suas.
- Nada demais... Um pedaço de madeira cortou minha mão e várias farpinhas entraram. – deu de ombros.
- Ah, nada demais, eu quase morri. tentou imitar sua voz, vendo rir na sua frente. – Quem fez o curativo?
- A .
- Como ela é rápida, mal subiu e já fez um curativo. – comentou.
- O e o já estavam tentando fazer, ela só arrumou. – disse vendo dar um beijo em cima do curativo.
- ... Eu machuquei aqui também. – a garota olhou no rosto dele e viu que ele apontava para seus lábios – Dá um beijinho aqui. – gargalhou jogando a cabeça para trás, acariciando as bochechas de e dando beijinhos em seus lábios.
- Desculpa interromper o coito de vocês, mas precisamos decidir o almoço. – colocou a mão entre os dois, afastando suas cabeças. o fulminou com os olhos e deu uma risada sem graça, olhando para os meninos e que já estava de volta.
- Todos nós já sabemos que ninguém aqui sabe fazer strogonoff de frango. Precisamos de outra opção. – retomou a discussão, abraçado com na ponta do estofado.
- Não olhem para mim, eu não sei cozinhar nada de interessante – ergueu as mãos na defensiva.
- Antes de a gente escolher alguma coisa, alguém sabe o que tem na dispensa pra gente fazer? – pronunciou-se, fazendo todos se entreolharem.
- Boa pergunta. – disse, levantando-se do sofá sobre protestos de . A garota foi até a cozinha, sendo seguida por todos.
- Você bem que podia fazer strogonoff né, ? – sugeriu enquanto se sentava na bancada, brincando distraidamente com uma maçã que estava ali. se encaixou entre suas pernas, virado de costas para , apoiando seus cotovelos nos joelhos da garota, que sorriu. – ? – e abriam os armários, dizendo em voz alta tudo o que encontravam ali dentro. estava na frente da geladeira fazendo uma lista de coisas gordas que pediria para comprar quando ela fosse ao supermercado. estava novamente implicando com , que tentava se concentrar na lista mental de coisas para comprar que fazia. – Odeio quando ela me ignora. – fez bico, sendo amparada pelos lábios de .
- Nós não temos mais achocolatado! – disse de uma maneira fofa, que fez sorrir e depositar um selinho em seus lábios.
- Nós não temos mais chocolate em barra! – disse com um tom manhoso, virando-se para com grandes olhos pidões. – Você compra pra mim?
- Pra nós. sorriu com todos os dentes. rolou os olhos e riu divertida, comparando e com o gatinho do desenho do Shrek.
- , você pode ir à lavanderia ver o que tá precisando? – usou o mesmo sorriso de direcionado para a amiga, que rolou os olhos e saltou da bancada, sendo acompanhada por . – SEM SALIÊNCIA VOCÊS DOIS, VIU?! – ainda conseguiu ver o dedo do meio de antes dos dois sumirem pelo espaço que dava direto na lavanderia.
- Eu ainda me surpreendo com o carinho de vocês duas. – riu pelo nariz, entrando na lavanderia com . O garoto se encostou em algumas caixas enquanto anotava na palma da mão que precisava comprar mais sabão em pó e amaciante.
- , você pode colocar as roupas sujas dentro da máquina? – pediu docemente, sorrindo para ele. assentiu, mas antes de fazer o que ela tinha pedido, ele retirou sua camiseta e engoliu em seco, sentindo as batidas de seu coração acelerar conforme ela ia perdendo o fôlego. observou jogar a camiseta dentro da máquina e depois todo o montante que estava dentro do cesto próprio para roupas sujas. Em todo o processo o garoto não se deu conta de que estava prestes a enfartar. Quando terminou o pequeno serviço, se virou e encontrou escorada na porta, com as bochechas levemente rosadas. – Obrigada. – Ela sussurrou, sentindo o ar ali dentro mudar conforme ele se aproximava com um sorriso enviesado nos lábios.
- Eu acho que mereço um agradecimento melhor. – disse, meneando a cabeça, ponderando sua conclusão de uma forma divertida. – Não mereço?
Ele pousou firmemente uma mão na cintura dela enquanto a outra se firmava em volta da nuca de , que se arrepiou com o toque. Antes mesmo que ele se aproximasse, os olhos dela já haviam cedido. Para se assegurar de que não ia cair, laçou seus dois braços em volta do pescoço de , puxando-o para mais perto. Seus lábios se roçaram suavemente e depois o toque tornou-se mais urgente. arranhou fracamente a nuca de , fazendo-o instintivamente morder seu lábio inferior. O ar pareceu mais quente quando ela sentiu os dedos de dedilhar o contorno de seu quadril por debaixo de sua camisa.
Quando achou que ia sofrer um colapso nervoso, duas batidas na porta fizeram-na se assustar e interromper o beijo. No segundo depois, uma onda de frustração percorreu pelo seu corpo.
- Sai fora, ! – rolou os olhos, apoiando sua testa na de , enquanto ambos tentavam normalizar a respiração. Esperou que a amiga respondesse algo provocativo, mas não houve nenhuma reação do outro lado. – Você também ouviu o que eu ouvi, certo? – Ela perguntou a com uma sobrancelha arqueada, recebendo um murmúrio positivo em resposta. – ?
Esperaram em silêncio, mas não obtiveram resposta.
- Ok, acho que não tem mais clima para ficar aqui. – coçou a nuca, sorrindo amarelo para , que anuiu. Antes de saírem, trocaram um longo selinho e com um olhar cúmplice, decidiram que era melhor não comentarem o que aconteceu ali. De uma forma geral. sentiu um calafrio percorrer pela sua espinha e entrelaçou seus dedos aos de , correndo para longe da lavanderia.
Quando os dois chegaram à cozinha, agora rindo, encontraram apenas , que bebericava o conteúdo do seu copo distraidamente. Seu olhar estava focado na bancada, mas ele parecia estar muito longe dali. soltou a respiração que estava presa com um longo suspiro e olhou de para que estava com as bochechas coradas. Depois percebeu que estava sem a camiseta e ele até tentou não rir com aquilo, mas foi inevitável ao perceber a cara que fez.
- Não é o que parece! – disse, agitando as mãos no ar de uma forma engraçada.
- Relaxa, ! – sorriu para os dois depois de colocar o copo vazio dentro da pia. – Não tenho nada a ver com a vida sexual de vocês!
Antes que pudesse acertar com o pano de prato, este saiu correndo em direção à sala, onde o restante do grupo se encontrava assistindo alguma coisa na TV. se jogou no espaço entre e , roubando a almofada que estava abraçado. e apareceram logo em seguida, ocupando o espaço disponível no tapete, recebendo um sorriso travesso de sem que os demais dessem conta do fato.
- Cadê a ? – questionou quando viu o rabisco em sua mão, se dando conta da ausência dela somente naquele momento. era ótimo em distraí-la.
- Foi ao mercado. – respondeu. – Vocês estavam demorando demais com a lista de compras. – Dessa vez não conseguiu segurar e lançou a cabeça para trás rindo alto, deixando levemente enrubescida. apenas riu pelo nariz, jogando a almofada no rosto de . e pareciam atentos demais no filme para entender o motivo da graça. Apenas olhou para os três que agora riam juntos sem entender. – Que foi que eu disse?
- Cala a boca, ! – bradou, e o assunto ficou por aquilo mesmo. Meio minuto depois, todos prestavam atenção em Optimus Prime.

- Chocolate do , conferido. Doritos pro , conferido. Suco de uva do e biscoito doce pro ... O que foi que tinha pedido mesmo? – coçava a cabeça, olhando para o cesto recheado em mãos. – Péssima ideia decidir decorar tudo, péssima ideia.
Resolveu passar em todos os corredores, acreditando que daquela maneira ela conseguiria se lembrar das coisas que faltavam. Não tinha certeza se tinha pedido maçã ou manteiga de amendoim; nas revistas de fofocas adolescentes não havia uma lista completa de tudo que eles gostavam. Pensar naquilo a fez soltar um riso divertido. Nem tudo que ela lia fazia jus ao que eles eram na realidade.
Por exemplo, ela nunca leu em lugar nenhum que tinha os lábios macios daquela forma. Recriminou-se pelo pensamento, não tanto pelo conteúdo dele, mas por estar sorrindo tolamente no meio da seção de congelados, abraçada com uma caixa de hambúrguer. Notou que uma menina de aproximadamente sete anos a encarava com uma careta estranha. sorriu sem graça, colocando a embalagem dentro do cesto.
- Eu amo hambúrguer. – A menina sorriu sem mostrar os dentes, mas percebeu que ela rolou os olhos e moveu os lábios formando a palavra maluca antes de ir embora.
Resolveu que era melhor ir embora antes que começasse a conversar com sacos de batatas e o chamassem de . Dirigiu-se ao caixa, refazendo a lista uma última vez, com medo de ter esquecido alguma coisa de alguém.
- Chocolate, margarina, ovos... Eu vou ter que esconder a farinha do . – Riu sozinha, recriminando-se logo depois. Olhou para trás e viu que não tinha ninguém atrás dela e a senhora à sua frente não parecia ter a audição muito boa. – Manteiga de amendoim...
Como um radar que tem vida própria dentro de sua cabeça, captou três vozes distintas vindo do caixa ao lado, semicerrando os olhos assim que as reconheceu. As filas eram separadas por prateleiras de salgadinhos e revistas, iguais as dos supermercados brasileiros, então as garotas não conseguiam ver , assim como ela também não conseguia enxergar os protótipos de vizinhas que ela tinha.
Ela não sabia dizer quem é que falava no momento, mas identificou sobre o que elas tanto conversavam em meio a risos que mais lembravam garfo arranhando vidro. Na verdade não era sobre o que elas falavam e sim sobre quem elas comentavam. E ficou com vontade de arrancar fio por fio de cada cabeça colorida artificialmente com uma pinça naquele momento.
- Nossa, olha como o é perfeito. Ele tá tão lindo nessa foto. olhou para a prateleira e viu exemplares da revista com fotos dos meninos. – Vocês viram o show que eles fizeram no Canadá?
- Eu fui nesse show. – Uma que tinha voz de choro disse, e pôde notar um leve tom de presunção ao fundo. – Eu entrei no camarim e tirei uma foto com o .
arregalou os olhos, engasgando com o ar. Levou uma mão à boca, sentindo os olhos lacrimejarem. Praticamente colou o corpo à prateleira, tentando ouvir melhor o que elas diziam.
- Não gosto do . Ele nem se compara ao . – Se estava surpresa antes, agora ela estava começando a ficar irritada. Sem perceber, ela apertou os dedos em volta da haste de ferro do cesto de compras. - Eu levaria o para minha cama e não o deixaria sair de lá nunca mais.
- CHEGA! – não se controlou e berrou, assustando a atendente do caixa que parou de conferir o troco da senhora, que não se deu conta do grito – ela não ouvia bem mesmo – e olhou para com um ar de recriminação. No mesmo instante viu as três garotas esticarem o pescoço para ver quem tinha gritado. Quando elas reconheceram-na, mordeu sua própria língua, xingando-se. As garotas trocaram cochichos e deram a volta, parando atrás de com falsos sorrisinhos amigáveis. – Fodeu. – Ela deixou escapar em português. Não tinha para segurá-la naquele momento e não sabia se iria se controlar caso elas dissessem mais alguma coisa a respeito de ou de .
- Oi, vizinha! – A ruiva sorriu sem mostrar os dentes para , e ela retribuiu da mesma forma, encarando cada uma delas. – Tudo bem, amor?
Por dentro, estava contando até mil. Aquelas garotas exalavam falsidade e ela não gostava nem um pouco daquilo. Por ser educada – mais até do que ela queria naquele momento – agitou que sim com a cabeça, dando as costas antes que começasse a vomitar sua malcriação.
- Nossa, você e sua amiga comem bem, hein? – A loira fez a observação com um tom inocente, e deu uma resposta qualquer sem se virar para ela. – Até parece que têm garotos morando com vocês.
Um gelo correu pelas veias de , e ela preferiu ignorar. Era apenas um blefe, disse para si mesma. Ninguém sabia que o One Direction estava em sua casa. Não tinha como ninguém saber.
Preferindo ignorar a existência dos três seres malévolos atrás de si, começou a contar carneiros. Sabia que era uma tática inútil, mas pelo menos a distraiu até o momento em que pôs os pés para fora do supermercado.
Se ela não ia com a cara das três antes, agora ela estava disposta a jogar uma bomba nuclear sobre a casa delas e assistir tudo de camarote com um grande sorriso nos lábios.

- Você tá calada, . – afagou o pescoço de , que estava deitada em seu colo na poltrona da biblioteca. Depois do almoço – que não fora strogonoff – cada um encontrou um lugar para dormir. e estavam deitados de conchinha no tapete da sala; e estavam cada um em uma ponta do sofá e estava do lado externo, deitado confortavelmente na beira da piscina com os fones de seu iPod no ouvido. dirigiu seu olhar para , sorrindo fraco. – Aconteceu alguma coisa?
Ela tentava não demonstrar, mas havia ficado chateada com o que ouviu a respeito de . Ponderou se devia comentar aquilo com , mas achou melhor não dizer nada. Não quando ela ainda estava com raiva. Acabaria despejando tudo em cima de , e ele não tinha nada a ver com aquilo.
- Só estou com um pouco de sono. – Mentiu, sentindo-se mal por aquilo.
- Então dorme, pequena. – sorriu, afagando os cabelos de . Ela preferiu esquecer o ocorrido e aproveitar aquele momento que estava tendo com ele.

××

- Ai, , apaga essa luz! – resmungou já deitada na cama, cobrindo sua cabeça com o travesseiro. Era quase duas horas da madrugada e tinha sido vencida pelo sono depois de fazer cafuné em seus cabelos por quase uma hora. Além dela, e , os outros continuaram na sala conversando, indo dormir somente agora.
- Prontinho, está entregue! – ela ouviu a voz de ao invés de ouvir a de a xingando. Levantou a cabeça e abriu somente um olho. Por entre seus cabelos que caíam no seu rosto, viu entrar com em seu colo, no maior estilo lua-de-mel. depositou a garota delicadamente na cama; os dois tinham sorrisos gigantes nos lábios. envolveu o rosto do garoto em suas mãos e colou sua boca com a dele em um beijo calmo. , tomada pelo mau-humor do sono, rolou os olhos e deitou de novo na cama, mas ainda olhando o casal ao seu lado. Percebeu um estranhamento entre os dois quando tocou a coxa descoberta de . Os dois desviaram o olhar um do outro; ficou em pé, coçando a cabeça e dando alguns passos para trás. sentou-se na cama e colocou os cabelos atrás da orelha, sorrindo amarelo. , deitada em sua cama, ergueu uma das sobrancelhas olhando intrigada aquela cena.
- Melhor eu deixar você dormir, senão eu vou acordar a também. – sussurrou. pensou em falar que já tinha acordado, mas preferiu não constranger mais o garoto.
- Boa noite, . Durma bem. – disse ainda tímida e acenou, murmurando boa noite e saindo do quarto ao apagar a luz.
- É impressão minha ou rolou uma tensão sexual entre vocês? – disse se sentando na cama e caiu da sua, com o susto que levou.
- Caramba, ! Vai assustar sua mãe! – reclamou, massageando o cotovelo que acabou batendo no criado-mudo. começou a gargalhar e ajeitou o cabelo, levantando-se para ajudar a amiga.
- Tá tudo bem aí dentro? – ouviram bater na porta e perguntar logo em seguida. ajudou a se sentar e abriu a porta para falar com .
- Oi, , tá tudo bem sim. A que caiu da cama. – respondeu sorridente e viu que respirou fundo e engoliu em seco, desviando o olhar do dela. não entendeu a atitude do garoto, ficando mais confusa quando abriu a porta do banheiro e veio andando em sua direção, mandando-a entrar. – Mas... O que...
- Acho que você esqueceu que estava só de calcinha e camiseta. – disse sorrindo torto, antes de morder o lábio inferior da garota, fechando a porta atrás de si e deixando com cara de tacho.
- Eu, hein. – deu de ombros, tentando puxar a camiseta que usava para cobrir suas pernas.
Seu subconsciente havia ficado com vergonha.
Procurou por na cama e encontrou a garota com o edredom até a cabeça.
– Pode parar de fingir que está dormindo, dona . – subiu em cima da cama, puxando o edredom pra cima. A garota encolheu-se na cama, fechando os olhos apertados e tentando não rir. ajoelhou-se ao lado dela e começou a fazer cócegas.
- Para, para, para, para! – implorou, chorando de rir. – Por favor, eu vou te contar. – parou no mesmo instante e a encarou.
- Contar o que? Eu não pedi para você contar nada...
- Ops.
- Agora pode ir contando. – sentou na cama, empurrando para o lado, que fez o mesmo. Viu a amiga suspirar e abraçar o travesseiro.
- Hoje de manhã, quando você foi atrás de internet e depois que os meninos terminaram de limpar a bagunça, eu fui até a cozinha verificar. Os meninos saíram se batendo de novo da cozinha, só então percebi que o não estava lá.

Flashback – POV
Naquele mesmo dia pela manhã


Estranhei que não estava saltitando com os seus companheiros de banda e achei melhor procurar por ele. Não precisei andar muito pela casa até encontrá-lo deitado em uma das espreguiçadeiras deitado com os olhos fechados. Um de seus braços estava erguido de modo que ficassem na altura de sua cabeça. O outro estava apoiado tranquilamente em sua perna. Ele tinha um sorriso calmo nos lábios
– meu sorriso preferido. Andei com as mãos no bolso do short jeans que usava até parar atrás de sua cabeça, no encosto da espreguiçadeira. Debrucei sem fazer barulho e assoprei seu rosto, vendo-o abrir os olhos e sorrir largamente.
- Hey! – indicou para que me sentasse ao seu lado, dando espaço para mim. Fiz o que ele pediu, tendo minhas mãos envolvidas pela sua.
- Vocês fizeram um bom trabalho na cozinha. – ele assentiu, brincando meus dedos.
- Minha mãe ficaria orgulhosa de mim. – riu levemente arrancando um sorriso meu. Inclinei-me sobre seu corpo, encostando meus lábios no dele. Nós dois sorrimos ao mesmo tempo antes de aprofundar o beijo. Senti as mãos de que antes seguravam as minhas, tocarem minha cintura e minhas pernas alternadamente. Ajeitei-me um pouco, vendo-o fazer o mesmo, juntando nossos corpos um pouco mais. mordeu meu lábio e desceu os beijos para meu pescoço.
Inconscientemente, minhas mãos adentraram sua camiseta, aranhando toda a extensão de sua barriga
– bela barriga – o sentindo encolhê-la com esse ato. Sorri minimamente, me distraindo logo em seguida quando ele voltou a me beijar.

Flashback off

- Ok, , muitos detalhes para eu saber. – disse fazendo careta, recebendo um tapa ardido de na perna. – Ai, sua ogra!
- Mas foi basicamente isso. – deu de ombros e a olhou indignada. – Que foi?
- Vocês deram um amasso mais desenvolvido e agora estão com vergonha um do outro? – disse fazendo careta e assentiu, escondendo-se atrás do travesseiro. – Sério mesmo? Só por causa disso?
- Eu sou uma menina direita, . Essas coisas me constrangem. – resmungou ainda com o travesseiro no seu rosto. Ela ouviu começar a gargalhar escandalosamente e abaixou o mesmo, vendo a amiga deitada na cama chorando de rir. – Qual a graça que eu não entendi? – levantou-se, apoiando o corpo nos cotovelos.
- Você disse que era uma menina direita. – disse enxugando uma lágrima – Maior piada! – abriu a boca inconformada, vendo voltar a rir com o que tinha dito. pegou o travesseiro e foi pra cima de , tentando sufocá-la de brincadeira com o mesmo.
- Ri agora, sua vadia! Ri bastante! – riu maleficamente, sentindo bater em seu braço, ainda rindo e agora gritando. Ela tirou o travesseiro da cabeça de , deitando-se ao lado dela e respirando com dificuldade.
- Isso é que é demonstração de amizade. – ouviram a voz de e sentaram-se na cama, deparando-se com os cinco garotos que dividiam a casa, estáticos e as olhando.
- Desde quando vocês estão aí? – perguntou um pouco receosa, com medo de que havia escutado a conversa das duas.
- Desde quando a começou a rir feito uma hiena. – respondeu, vendo mostrar o dedo do meio para ele.
- Você ainda não colocou um short? – disse, andando até e colocando o edredom de em cima das pernas dela.
- Não, papai. – rolou os olhos, sorrindo em seguida. Deu um beijo em antes que ele saísse do quarto com os outros garotos, que desejavam boa noite para elas.
- Satisfeita de ter acordado a casa toda? – perguntou, empurrando da cama com as pernas.
- Satisfeitíssima! – sorriu, levantando e indo apagar a luz que os garotos tinham acendido.
- Boa noite, . – disse ao cobrir-se com o edredom.
- Boa noite, . – fez o mesmo e virou-se de costas para a amiga na cama. – Se for sonhar com o , tenta não fazer nenhum barulho estranho, tá? – provocou e viu o Woody de batendo em seu rosto. Pensou em como ele era maltratado.
- Cala a boca, mocréia. – disse antes de fechar os olhos e tentar controlar a risada depois de tudo o que tinha acontecido.


12. Stalkers


Quatro dias. Só mais quatro dias e meu futuro será incerto. Quatro dias em que essa casa ficará grande demais para duas garotas.
suspirou, forçando-se ao máximo para afastar aqueles pensamentos do seu teimoso cérebro. Suspirou ainda deitada em sua cama e viu que dormia feito pedra. Tateou o criado-mudo até encontrar seu celular para verificar a hora. Oito e cinquenta e dois. Já estava bom para levantar. Não era tão cedo e nem tão tarde. Tirou o edredom fino de cima de seu corpo e sentou-se na cama, espreguiçando-se. Deixou um murmúrio de preguiça escapar de seus lábios, mas pareceu não ter escutado; ainda estava largada de bruços na cama com a boca aberta. Riu pelo nariz, descendo da cama e indo ao banheiro que compunha a suíte do quarto. Olhou-se no espelho e fez careta, tentando ajeitar seus cabelos. Após fazer sua higiene matinal, trocou o pijama por um short jeans e uma blusa qualquer, calçando seus chinelos e saindo do quarto sem fazer barulho. Assim que fechou a porta atrás de si, deparou-se com de cara amarrada e bufando ao sair do banheiro.
- Bom dia? - disse receosa ao ver a expressão de poucos amigos dele. deu um sorriso fraco e andou até ela, beijando sua testa.
- Bom dia - sua voz soou rouca e poderia até dizer sexy.
- Dormiu bem? - perguntou e viu rolar os olhos.
- Dormi até o perder o sono e começar a infernizar nossa vida no quarto. Até levantei e fui tomar banho. - ele apontou para a toalha em seu ombro e assentiu, rindo um pouco.
- Vocês adoram se perturbar, né?
- Sabe como é... - eles riram e indicou o quarto delas com a cabeça - Hm... A já acordou?
- Ainda não... Mas acho que ela não vai se incomodar se for acordada por você. - pegou a toalha no ombro do garoto - Vai lá, eu levo isso lá embaixo para você. - sorriu abertamente e não pensou duas vezes antes de ir rapidamente para o quarto delas.
desceu as escadas tranquilamente, cantarolando alguma canção aleatória. Segurando a toalha em suas mãos, deparou-se com jogado no sofá assistindo Pokémon. Riu pelo nariz e foi até o garoto, passando a mão por seus cabelos.
- Bom dia, criança. - deu um beijo em sua testa e viu um sorriso se formar nos seus lábios.
- Bom dia, mãe! - entrou na brincadeira e voltou a prestar atenção no desenho. A garota retomou seu caminho em direção à lavanderia e assustou-se quando saiu correndo e gritando da cozinha.
- SAI DAQUI, SAI DAQUI! - o olhou espantada sem entender. segurou em seus ombros e a guiou de volta para a sala.
- O que aconteceu, ?
- Você está proibida de entrar na cozinha. - disse imponente, usando o avental natalino. ergueu uma sobrancelha e colocou as mãos na cintura, jogando a toalha em seu ombro.
- Posso saber por quê?
- Porque é uma surpresa. Agora, - mudou seu tom de voz, adquirindo uma entoação mais rouca - você pode voltar para sala. - envolveu a cintura da garota em um abraço apertado, colando seus corpos mais do que necessário para aquela hora do dia. - Tudo bem? - ele traçou um caminho de beijos desde o colo descoberto da garota, passando por seu pescoço e até chegar ao canto de seus lábios. já estava entorpecida pelo perfume e pelo toque dele, não respondendo mais por seus atos.
- Mas eu preciso... - sua fala foi calada por um beijo intenso e urgente dele, que deu alguns passos até prensá-la na parede, deslizando suas mãos para debaixo da camiseta dela.
- Dizia alguma coisa? - perguntou depois de cortar o beijo com uma mordida no lábio dela. abriu os olhos atônita, tentando reaprender a respirar.
- Dizia que você vai levar a toalha do para a lavanderia enquanto eu volto para a sala. - sorriu, dando um último selinho em antes de entregar a toalha para ele e encaminhar-se de volta para a sala. sorriu satisfeito e voltou para seus afazeres.

Assim que desceu as escadas, foi rapidamente para o quarto das meninas, entrando sem fazer barulho. A luz do sol penetrava a veneziana e o quarto estava parcamente iluminado. Andou até a cama de , sentando-se ao lado de sua barriga e a observando respirar calmamente. Deslizou suas mãos pelos cabelos compridos dela, sorrindo ao pensar como ela parecia calma e tranquila daquele jeito, diferente da agitada e tagarela durante o dia. Percebeu ela se mexer um pouco na cama, levantando a mão para coçar o nariz. Inclinou-se até conseguir dar um beijo leve em sua bochecha, fazendo-a resmungar. Deu outro beijo e percebeu que ela estava acordando aos poucos, dessa vez murmurando alguma coisa indecifrável.
- Hora de acordar, pequena. - a beijou novamente e abriu somente um olho, soando monossilábica. - Faz um esforcinho, vai?! - negou com a cabeça e soltou uma risada nasalada - Só vou sair daqui quando você levantar.
- Deita aqui comigo, então. - ela foi para o lado, ainda de olhos fechados, deitando de lado e erguendo o edredom para que entrasse ali. O garoto pensou em continuar firme e forte com o objetivo de tirá-la da cama, mas aquele pedido parecia irrecusável. - Vai, amor. - Foi só ela dizer essas palavras que deitou-se instantaneamente, cobrindo os dois com o edredom fino, por mais que estivesse calor lá fora. aconchegou sua cabeça no ombro dele, abraçando-o pela cintura após encaixar uma das pernas no meio das pernas dele. Controlando a respiração pela proximidade dos corpos dos dois, a envolveu com seus braços fortes, puxando-a para mais perto.
- Você tem razão, ficar aqui é bem melhor. - o garoto murmurou, beijando o topo da cabeça da garota em seus braços.
- Tenho boa ideia, dormir bom. - não disse nada com nada por causa do sono que ainda sentia. riu alto e percebeu que estava quase voltando a dormir. Voltou a fazer carinho em seus cabelos, conforme sentia a respiração dela bater em seu pescoço. Ele escutou alguém bater na porta e virou sua cabeça em direção da mesma, deparando-se com de braços cruzados o olhando sugestivo.
- Então você fala que vai acordar a e acaba dormindo com ela? - disse sem segundas intenções, mas que passava no corredor e ouviu o amigo dizer, levou aquela frase para outro lado.
- O QUÊ? QUEM DORMIU COM QUEM? - gritou afinando a voz, abrindo a porta do quarto totalmente e de boca aberta. resmungou e virou-se para o lado oposto de , cobrindo a cabeça com o edredom.
- Ninguém, , ninguém. - respondeu sem paciência, sentando-se na cama.
- O tá chamando a gente pra tomar café, quero vocês em cinco minutos lá embaixo. - o fulminou com os olhos e saiu do quarto desfilando, com ainda fingindo-se de inconformado logo atrás.
- Ouviu, preguiçosa? Estão esperando a gente. - passou a mão pela perna descoberta de , fazendo com que ela desse alguns chutes deitada.
- Não quero comer, quero dormir o dia todo. - ela remexeu-se na cama.
- Você vai me obrigar a tomar medidas drásticas? - não respondeu nada e suspirou, levantando-se da cama - Não diga que eu não avisei. - disse antes de puxar o edredom de cima de com força, vendo um sorriso nos lábios dela. Sorrindo também, puxou as pernas dela para fora da cama, pegando-a no colo em um movimento rápido. O tronco dela estava dobrado no ombro dele, fazendo com que sua cabeça ficasse jogada nas suas costas e que ela fosse segurada pelas pernas por ele.
- EU VOU CAIR, ME COLOCA NO CHÃO! - ignorando os comentários dela, a levou até o banheiro e soltou-a ali, que ria feito criança.
- Lava esse rosto e escova os dentes, estou te esperando aqui. - mostrou a língua e fechou a porta.

- Vocês vão voltar a estudar? – perguntou pegando um pedaço de bolo. havia preparado o café da manhã sozinho para recompensar a bagunça do dia anterior.
- Bom, eu preciso terminar minha faculdade – entortou a boca, respondendo a pergunta de sobre o que as garotas fariam na Inglaterra. – A já é formada em fotografia.
- Você fazia faculdade de quê, ? – perguntou parecendo realmente interessado.
- Cinema – a garota sorriu e os meninos começaram murmúrios de como elas eram descoladas.
- A King’s College é uma ótima faculdade pra cinema. – comentou de boca cheia – Me disseram pelo menos. – Deu de ombros novamente.
estava alheia à conversa, comendo com muito interesse o seu pedaço de bolo. Por debaixo da mesa, estava com uma mão apoiada na perna de e volta ou outra eles trocavam um rápido olhar e um meio sorriso; o estranhamento entre os dois havia passado, mas desde o ocorrido na piscina e no quarto, tem evitado estar muito tempo sozinha com . Ela admitiu para si mesma que estava em um dilema muito complexo. Em partes, ela achava muita tolice ter aquele tipo de bloqueio com – ora, eles eram jovens e estavam curtindo ficar um com o outro, era normal que os hormônios falassem mais alto em determinadas circunstâncias – mas, de uma maneira geral, era diferente. Não por ser famoso, ou por ela ter sonhado com aqueles tipos de momentos com . Não tinha nada a ver com isso. Isso ela não queria admitir, mas estava tudo relacionado com o lado sentimental da coisa.
Meneou a cabeça, afastando os pensamentos de uma vez. Olhou para que estava sentado ao seu lado, observando que o garoto estava conversando animadamente com , ainda falando sobre a faculdade.
- Nós podemos pesquisar todas as faculdades quando instalarem a internet. – se envolveu na conversa, entrelaçando sua mão na mão de , que sorriu sem olhar diretamente para ela. – Mas o deu uma boa sugestão.
- Ai, nossa vida de moleza tá acabando. – choramingou, esmigalhando a borda do pão dentro do copo vazio.
- Eu resolvo isso em um segundo. – sorriu de uma forma infantil, levantando-se da mesa com o seu copo vazio em mãos. – Vem, você vai me ajudar a lavar a louça!
- Mas eu lavei ontem! – agitou sua cabeça e ombros em sintonia, demonstrando claramente que não se importava com aquele detalhe, rebocando pela barra da camiseta, que a seguiu rolando os olhos. Quando chegaram na cozinha, colocou seu copo e o de dentro da pia, encostando-se na mesma logo em seguida, cruzando os braços diante do tronco. – Fala logo, o que é que aconteceu?
- Nossa, que bruta! – riu, disfarçando e sorrindo gentil para e , que acabavam de colocar o restante de louça dentro da pia. Esperou os meninos saírem e se certificou de que todos estavam bem longe do alcance, e enquanto colocava o avental e jogava o pano de prato para , ela tomou fôlego. – Ai, ...
- O que foi, ? – usou o mesmo tom arrastado que usara, rindo quando a amiga deu a língua. – O que tá acontecendo? Problemas sexuais com o ? - Mais ou menos. Quero dizer, NÃO! – primeiramente disse pensativa, e depois que percebeu que não era exatamente aquilo que queria dizer, se atrapalhou e deixou uma xícara escorregar e cair dentro da pia, fitando de olhos arregalados, vendo a amiga se curvar para frente com as mãos na barriga, perdendo o fôlego de tanto rir. – Pára de rir, o que eu tenho pra te contar é sério!
- Você tinha que ver a sua cara! – enxugou o canto dos olhos, vendo que fazia caretas enquanto lhe estendia o primeiro copo para secar. – Desculpa, eu não vou mais rir dos seus problemas sexuais com o , eu prometo.
- Nossa, como você é gentil. - se certificou de que não tinha ninguém ali além delas duas e com um suspiro fraco, ela resolveu contar o ocorrido no supermercado. Ela não conseguia esconder nada de e uma hora ou outra ela ia contar, mesmo que preferisse não tocar naquele assunto. – Ontem eu fui ao mercado né, aí eu estava na fila esperando ser atendida... – estava concentrada na louça, então deixou um riso divertido escapar, porque tinha aquela mania de relatar algo como se fosse uma criança. Mas pelo menos era só na maneira de colocar as palavras e não no tom de voz. Se falasse daquele jeito, não tinha dúvidas de que seria capaz de bater nela. – Aí eu ouvi aqueles três seres do pântano falando deles. Eu juro, , juro que eu quase pulei por cima dos salgadinhos para fazer bife com a carne daquelas vacas. Mas eu sou decente né, eu só dei um berro, mas isso eu faço sempre.
- E por que você berrou? – franziu as sobrancelhas, guardando os copos e talheres que já havia secado.
- Porque elas estavam falando do . – Lembrar da cena fez instantaneamente o sangue de ferver. Ela nunca admitiu que ninguém – além de – zombasse ou falasse mal de qualquer um deles. – Falando que ele não tinha talento. Pff. E você acredita que, segundo essa mocréia, ela já entrou no camarim e tirou foto com ele? Eu fiquei com vontade de bater no , mas ele não tem culpa nenhuma, né?! Nós podemos encomendar uma bomba pela internet, ?
- Ai , não liga pra essas coisas. – abraçou de lado pelo ombro. – Elas são apenas umas vadias. E vadias sempre serão vadias, independente da banda que gostem. E além do mais, - abriu um sorriso que instantaneamente fez rir. Parecia com aquele gato do desenho “Alice in Wonderland”. – eles estão na nossa casa e nós sabemos que todos eles são igualmente talentosos.
- E gostosos. – observou seriamente, recebendo um tapa de logo em seguida. – Que foi?
- Como você é pervertida! – fingiu indignação, abrindo a boca num pequeno “o” enquanto semicerrava os olhos de uma forma dramática. limitou-se a rir, enxaguando o restante de louça e secando as mãos no pano de prato que estava com . – Mas me diz, como estão as coisas com o ? – perguntou de maneira despreocupada, observando se sentar sobre o balcão. Até parecia que não havia bancos naquela cozinha.
- E você e o ? – Ela desconversou, sorrindo de lado ao perceber que as bochechas de começaram a ficar levemente rosadas. – Sabe, nunca pensei que você fosse dessas que curtia lugares inusitados!
- Vai se ferrar, . – Ela respondeu, rindo. Era incrível como conseguiam se tratar daquela maneira sem afetar a amizade. – Nós estamos muito bem, obrigada.
- Olha só que safadinha! Nem desconversou! – Foi a vez de fingir indignação. – Então quer dizer que você e o ...? – deixou a pergunta no ar, os olhos brilhando de emoção. – Mesmo?!
- Ih, segura a empolgação aí, criança! – empurrou a cabeça de para o lado, que reclamou e riu, voltando a ficar na frente da amiga. – É claro que não , nem tem como isso acontecer!
- Não tem? Você é uma menina, ele é um menino. – usava as mãos para explicar, usando uma feição séria. – Vocês se desejam. O que tá faltando?
- Sua idiota, você entendeu o que eu quis dizer. – As duas olharam ao mesmo tempo em direção da sala de estar, de onde era possível ouvir as risadas escandalosas de . riu, entendendo perfeitamente o que queria dizer.
- Ah tá, se preocupa não, amiga, eu vou pegar os meninos e nós vamos dar uma volta pela cidade, tá bom? – fez menção de sair da cozinha, mas deu meia volta quando rolou os olhos, rindo. – O quê? Você não quer ter privacidade com o ?
- Mesmo que todos eles saíssem vestidos de avôs, você acha que nós teríamos privacidade? – Ela fitou sem entender, ouvindo brevemente o relato sobre o que havia acontecido na lavanderia. assentiu, não parecendo surpresa nem assustada. Na verdade, ela estava começando a ter uma ideia para ajudar . Não era exatamente como se a amiga precisasse de ajuda, mas era inquieta e queria um pouco de emoção naquela casa. – Por que você tá rindo?
- Eu? – piscou, saindo de seus devaneios.
- Não, não. O saleiro! – apanhou o objeto do balcão, agitando-o e conversando com ele. apareceu na cozinha e parou para observar as duas garotas, que riam de uma forma natural. Ele instantaneamente ficou com vontade de rir também. Ao perceber que não estavam mais sozinhas, correu até e pulou em seu colo, depositando beijos por toda extensão de seu rosto.
- Socorro, vou ficar traumatizada! – tampou os olhos e saiu da cozinha daquela forma, se esquecendo de destampá-los quando já estava longe e se chocando com a porta de correr que separava a sala de jantar da sala de estar, caindo no chão com um estrondo. e que tinham uma visão completa do ambiente, não aguentaram e riram conforme se contorcia no chão em meio aos risos.

Depois do almoço, a casa estava um tanto quanto silenciosa demais para o comum daquela semana. Não que algum deles estivesse reclamando daquilo, muito pelo contrário. Eles nunca falaram isso um para o outro, mas cada atual morador daquela casa, sendo famoso ou não, estava adorando aquela semana sem preocupações. Se alguém perguntasse, ninguém saberia dizer que dia do mês era e muito menos o dia da semana. Para eles, cada dia era importante e era aproveitado da mesma maneira, independente se fosse quarta-feira ou domingo.
O sol estava radiante naquela tarde, mas não tão quente como seria no Brasil. O vento soprava forte e isso amenizava o calor, deixando a mansão fresca e com constante ventilação.
No sótão, estava deitado na sua cama sem camiseta, aproveitando o sol que entrava pela janela. Seus olhos estavam fechados e seu braço pendia para fora da cama, batucando na madeira da mesma no ritmo da música que vinha de seu iPod. Vira e mexe ele abria os olhos e olhava em volta, conferindo se todas as caixas continuavam no lugar. Só por precaução, ele pensava.
e não estavam preocupados com esse problema, já que tinham outras coisas para pensar. Os dois estavam no quarto de e , deitados na cama dela, abraçados e aproveitando cada segundo juntos. achava que havia dormido, e pensava a mesma coisa sobre ela. Então os dois permaneciam imóveis, com os corpos colados, sentindo apenas a respiração um do outro e pensando como não queriam estar em nenhum outro lugar naquele instante.
Na sala, mal piscava ao assistir “Thor” na televisão. Só movimentou-se quando voltou da cozinha trazendo uma panela de brigadeiro para que ele experimentasse. O filme ficou chato depois que descobriu como aquele doce era bom, e ficava mais gostoso ainda quando tinha que roubá-lo da boca de . Thor acabou ficando sozinho, nem ligava mais para o corpo escultural de Chris Hemsworth.
Do lado de fora da mansão, e tinham parado de conversar já fazia um tempo. Agora, estava deitado em uma espreguiçadeira, dormindo de boca aberta, enquanto estava sentado na beira da piscina com os pés dentro da água, fazendo pequenas ondas com o mesmo. Tudo parecia tranquilo, até perceber uma movimentação incomum na cerca viva.

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- Chloe, larga esse celular! – a loira de vestido azul disse para a ruiva de short jeans e biquíni.
- Mas eu preciso tweetar cada segundo disso, Jenna. – a ruiva retrucou. – E Madison, eu preciso que você pare de se mexer, senão vão desconfiar que estamos aqui! – Chloe disse para a terceira garota, que tentava equilibrar-se na ponta dos pés.
- Mas eu estou tentando ver quem está na piscina, ou vocês não estão ouvindo o barulho de água? – rolou os olhos, perdendo o equilíbrio e caindo em cima das garotas, fazendo com que a cerca viva que estava escondendo-se atrás se movimentasse.
- Sua burra, sua loira aguada, mocreia pelancuda! Olha o que você fez, vão descobrir a gente aqui. – Jenna xingou Madison, que a olhava como se fosse chorar.
- Desculpa.
- Calem a boca, falem mais baixo! – Chloe disse sussurrando, apontando para a cerca – Acho que estou ouvindo passos. – As garotas agacharam-se atrás do mato e foram um pouco mais para o fundo, tentando não invadir a casa do vizinho.
- Ai meu Deus, eu conheço esse pé! – Madison disse manhosa. Por entre a cerca, conseguiam ver dois pares de pés se aproximando delas. Pelo que parecia, eram pés de garotos e elas tinham suspeita de quem eram aqueles pés. – Tenho certeza de que é o pé do e do !
- Cala a boca, Madison. Com certeza é do e do . – Chloe deu um tapa na cabeça de amiga.
- Ai, como vocês duas são burras! Eu tenho certeza de que é do e do . – Jenna rolou os olhos, ajoelhando-se no gramado. – Viu só o que vocês fizeram, eles voltaram correndo para dentro da casa! – Jenna observou conforme os pés corriam pelo gramado e entravam na mansão.
- O que fazemos agora? – Madison perguntou roendo unha.
- Agora? – Chloe olhou para as amigas com uma expressão maléfica. – Agora nós entramos na mansão.

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- Vocês não vão acreditar! – foi o primeiro a chegar na sala onde e estavam, sentindo trombar em suas costas.
- Cadê eles? – perguntou, correndo o olhar pelo estofado. fez o mesmo e não conseguiu avistar os dois. – ? ?
- O que foi? – assustaram-se com a voz de atrás de si e olharam para trás com o coração acelerado.
- De onde você veio? – perguntou mudando o tom de sua voz.
- Da cozinha. – rolou os olhos, mostrando um pote de cereal nas suas mãos. Os garotos entreolharam-se e viram vir sorridente, parando atrás de .
- Vocês passaram correndo que nem nos viram atrás do balcão. – a garota explicou, contornando eles e voltando para a sala. fora mais rápido e segurou a camiseta dela, puxando-a de volta.
- Calma aí que nós temos um problema. – disse e tanto como o olharam intrigados.
- Que tipo de problema? – perguntou com a sobrancelha levantada.
- Do tipo “vizinhas alienígenas gostosas querendo invadir nossa casa”. – disse com voz de locutor de rádio, fazendo engasgar com o cereal e abrir a boca em um grande “o”.
- Como é que é? – todos ouviram a voz de e viraram para trás, encontrando a garota debatendo-se no colo de , pedindo para que ele a soltasse porque ela ia “arrebentar a fuça de porca velha daquelas três”, segundo ela mesmo disse.
- Quem são porcas velhas? – apareceu logo atrás de , tentando desviar dos tapas que dava no ar.
- As vizinhas – respondeu fazendo forma de violão com as mãos, recebendo um olhar mortal de e . – Desculpa – disse após ver o ameaçar com a colher de que comia o cereal.
- Eu ainda não entendi como elas entraram. – pronunciou-se, tentando pegar sua colher de volta.
- Elas não entraram, elas estão do outro lado da cerca viva. – explicou – Mas eu não duvido nada que o objetivo é invadir.
- Não se preocupem. – sorriu diabolicamente – Eu tive uma ideia.

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- OMG! OMG! OMG! – Chloe começou a se abanar e as amigas a ajudavam, soprando em seu rosto.
- O que foi, amiga? – Madison perguntou, escorando-se na parede da mansão. Elas tinham conseguido passar correndo por um buraco que havia na cerca e agora estavam quase se fundindo com a parede.
- Têm roupas de garotos no varal... E eu tenho certeza de que aquele short de piscina é o mesmo que o usou na Austrália. – ela apontava freneticamente para o varal com as roupas dos meninos.
- Se isso for verdade... Eu preciso cheirar. – Jenna pronunciou-se e suas amigas a olharam com nojo.
- Credo, Jenna. Tanta coisa para se fazer e você quer cheirar? – Chloe fez careta.
- É uma oportunidade única. – Jenna rolou os olhos.
- Posso perguntar uma coisa? – Madison pronunciou-se e as amigas concordaram – Nós estamos aqui dentro, beleza, parabéns para a nossa esperteza. Mas... Er... Como vamos entrar na casa? Vai ser de surpresa? Sem contar que têm aquelas duas... – fez careta e as amigas a acompanharam.
- Eu disse para trazer veneno. – Jenna rolou os olhos. – Bom, já que estamos aqui vamos ter que dar a cara a tapa.
- Jenna tem razão. Vamos entrar e fingir que viemos parar aqui por acidente. – Chloe disse antes de começar a andar escorada na parede em direção à porta da cozinha. Porém, seu plano que parecia infalível, foi interrompido por um copo de vidro saindo da porta da cozinha e voando em direção ao jardim, quebrando-se em milhões de pedacinhos assim que atingiu o chão.
- O que foi isso? – as garotas pararam enfileiradas e tentaram se escorar ainda mais na parede. Começaram a ouvir alguns gritos e engoliram em seco.
- Vô... Volta aqui, vô! – foi então que viram um senhor de idade sair da casa, com dificuldade para andar – Eu já disse que o senhor tem de tomar banho hoje. Hoje é dia de banho. – as garotas se entreolharam com certo nojo. apareceu no jardim segurando uma toalha em mãos. Jenna, Madison e Chloe rolaram os olhos quando viram a garota. andou em direção ao senhor de idade – que na verdade era usando as roupas antigas do sótão – e tentou fazer com que ele voltasse para dentro de casa.
- Não vou voltar não, minha filha. Me recuso tomar banho nesse... Nesse mundo capitalista que vivemos hoje – fazia sua melhor voz de idoso, agitando a bengala no ar conforme falava, quase atingindo-a no rosto de .
- Mas vô, eu já disse, todo mundo paga conta de água! – tentava argumentar enquanto a vontade de rir era constante.
- E essas pessoas que têm na casa?
- Não têm ninguém aqui, vô.
- MAS TEM CUECA NO VARAL QUE NÃO É MINHA, . – começou a gritar e foi tentar correr até o varal, fingindo que suas costas começaram a doer – Ai, ai, o ciático do vô. Ajuda o vô aqui, minha filha. – deu uma corridinha até e o ajudou a ficar com as costas mais retas. As garotas escoradas na parede não sabiam se era melhor continuar ali se fingindo de lagartixa, ou se preferiam sair correndo e se salvarem daquela loucura. – EU TE CRIEI, . – voltou a gritar – TE CRIEI COM MUITO AMOR, CARINHO E PROSPERIDADE. – perguntou-se como se cria alguém com prosperidade, mas preferiu manter o papel que estava fazendo naquele momento. – DE QUEM É AQUELA CUECA FEDIDA?
- Eu já te expliquei, vô. Eu e a estamos lavando roupa pra fora pra ganhar dinheiro.
- Vamos sair daqui, eu tenho certeza que não tem ninguém morando nessa casa além dessas duas e desse velho. – Madison disse, saindo correndo até o buraco da cerca que entraram. Jenna e Chloe se entreolharam e foram logo atrás. Assim que chegaram no jardim da casa delas, Jenna ainda olhava desconfiada para a mansão. - Isso ainda não me convenceu de que o One Direction não está morando nessa casa. – Jenna comentou. – Eu vou pensar em alguma coisa e nós vamos voltar lá. – saiu rebolando sendo seguida por suas amigas.

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O clima na mansão naquele momento era o de pura descontração. Os sete moradores estavam todos sentados no chão da sala de estar; alguns estavam deitados nela, não por comodidade, mas por não aguentar a crise de risos que fazia a barriga doer e o maxilar reclamar.
- , é sério cara, você merece o Oscar depois de hoje! – disse depois que conseguiu parar de rir, enxugando uma lágrima que escorria pelo canto dos olhos.
- Que você disse, meu filho? – falou, usando o mesmo tom de voz que usara com mais cedo naquele dia, colocando uma mão em concha perto do ouvido, fingindo-se de surdo e velho. – Quem é Oscar?
- Chega, eu não aguento mais rir. – suspirou, colocando as mãos sobre a barriga, deitando no chão com a cabeça apoiada na perna de .
Desde o ocorrido ninguém conseguiu parar de rir. E já faziam mais de três horas desde que as vizinhas se foram. ainda não havia descartado a ideia de encomendar uma bomba pela internet, mas naquele momento enquanto pensava também em meios de tortura da era medieval, se pegou observando os meninos e no fundo, bem no fundo, ela entendia aquelas meninas. Ela não podia se esquecer que quando estava no Brasil – que agora parecia uma época tão distante – ela achava ser capaz de fazer as mesmas coisas, só para estar um pouco mais perto deles. A única diferença, observou consigo mesma, é que ela não se vestia feito um manequim de sex shop. Nem tinha cérebro do tamanho de uma ervilha. E nem tinha voz de gralha desafinada. E nem fazia diferenciações entre quem era o melhor e o pior na banda. Por fim, ela conclui que aquelas meninas não tinham nada a ver com ela e isso foi um alívio tremendo. detestava pensar que estava julgando alguém erroneamente. Mas ali não havia nenhum engano: elas eram umas vadias mesmo. Sorriu consigo mesma, assentindo sem perceber, voltando a olhar o ambiente ao redor, querendo gravar cada pequeno detalhe.
Era fim de tarde e os raios alaranjados entravam pelas grandes janelas, dando um ar aconchegante a casa. A risada descontraída de e também ajudava a criar aquele clima familiar que tanto adorava.
Ela sorriu, sentando-se ao lado de que estava com as costas apoiada no encosto do sofá, pousando sua cabeça em seu ombro, enquanto ele passava um braço pela cintura dela. estava deitado no chão, ladeado por e , que assistiam algum programa na TV que os entretinha muito, por sinal. e estavam do lado esquerdo do sofá; estava com as pernas pendendo para fora do braço do mesmo e sua cabeça estava apoiada nas pernas de , que fazia cafuné nos cabelos dele, fazendo com que ele logo adormecesse. soltou um risinho bobo ao perceber que estava toda derretida, sorrindo torto enquanto passava os dedos por entre os cabelos macios de . Naquele momento, queria correr até a amiga e apertar as bochechas dela.
percebeu que estava olhando fixamente para ela, ignorando totalmente a presença de e rolou os olhos, movendo os lábios para que lesse um “perdeu alguma coisa na minha cara?”, rindo fraquinho em seguida. meneou a cabeça, desviando o olhar somente quando beijou parte do seu ombro que estava descoberto, conseguindo roubar a atenção da garota. riu internamente, porque ficara desconcertada e parecia fora de órbita agora. voltou a prestar atenção no garoto adormecido em seu colo, afagando com cuidado a linha de seu maxilar, alternando o caminho entre os cabelos macios dele. Internamente ela observou que os cabelos dele eram mais bem tratados do que o dela, e ela quis rir daquilo, mas conteve-se.
- Será que está muito cedo para eu reclamar de fome? – Os acordados se viraram ao mesmo tempo para , assustando-a. Ela moveu apenas os olhos na direção de cada um, indagando-se porque que todos estavam a encarando daquela maneira. – É, acho que está.
- Eu também tô com fome. – se manifestou, piscando para que riu, fazendo joinha para ele. – O que vocês vão cozinhar hoje? – olhou de para , e depois até para , já que ele demonstrara ter ótimos dotes culinários.
- Eu não sei cozinhar coisa interessante, eu já disse. – deu de ombros, olhando sugestiva para e . – Mas o casal de chef’s ali pode fazer uma coisa muito boa para gente comer, né?
- Mas eu tô com fome, não com vontade de cozinhar. – fez bico, fazendo com que todos dessem risada. Ela não achou graça, porque ficava mal humorada quando estava com fome. depositou um beijo na bochecha dela, que continuou emburrada. Mas uma emburrada feliz, diga-se de passagem.
- Tenho a solução na palma de minhas mãos. – disse fazendo graça, erguendo-se e esticando o braço o máximo que pôde. Dessa vez, todos o encaravam, até que acordara com o grito inesperado que dera ao se levantar. – Vamos pedir pizza!
- Céus, vocês vão precisar de uma academia quando voltaram pra casa de vocês. – observou, rindo. – Vocês só comem!
- Como se vocês não comessem também né, bonitinha? – retrucou, apontando para e , que agora roía a unha. A fome era grande mesmo. – A cada dez palavras que a diz, nove são sobre comida!
- Mas é que a gente tem a genética boa. – deu de ombros, defendendo a parte feminina. – Por isso que podemos comer o tanto que quisermos.
“E que genética” pensaram e ao mesmo tempo, fitando as respectivas garotas que agora estavam de pé, cada uma em uma extremidade da sala. Trocaram um olhar cúmplice, como se tivessem lido o pensamento um do outro. Os outros três garotos não podiam discordar, mas preferiram esquecer os comentários que fizeram em suas mentes, por respeito a elas, aos seus respectivos companheiros e a sanidade deles.
- Então, - apontou para o celular, ignorando o momento anterior. – vamos pedir pizzas? Todos de acordo?
- Eu concordo. Desde que chegue logo! – disse séria, mas depois começou a rir. – Vai logo, .
- Já tô ligando, já tô ligando! – Ele discou os números com um desespero exagerado e, enquanto fazia o pedido com uma voz que nem de longe lembrava a dele, todos foram se dispersando. e foram em direção à cozinha; andava pelo ambiente enquanto repetia que queria pizza de atum sem cebola, porque cebola lhe dava mal hálito e anunciou que iria tomar banho porque seu desodorante havia vencido. Quanto comentário sem necessidade, pensou . e continuavam sentados no chão e parecia estar muito concentrada em alguma coisa, porque seu cenho estava franzido e ela mordia o canto do lábio inferior freneticamente. também cogitou que, ao invés de estar maquinando algo terrivelmente maquiavélico, estava pensando na pizza e estava prestes a se tornar uma canibal que devora a si mesmo.
Ficou com aqueles pensamentos sem sentido até ver que havia se levantado e agora seguia em direção ao segundo andar, estranhando que não fora com ele. não sabia o que os outros pensavam a respeito do envolvimento dos amigos com as meninas, mas ele sabia que estava feliz. Tanto por e , como por e . Elas eram garotas legais e era uma fã comportada. E o melhor de tudo: eles eram melhores amigos agora.
Reparando que estava olhando para ela, abriu o seu grande sorriso, levantando-se e sentando-se ao lado dele, empurrando-o levemente com o ombro.
- Posso saber por que você tá rindo, bobão?
- Porque você é legal e eu gosto de você. – Ele disse sorrindo e abraçando a garota pelo ombro, bagunçando os cabelos dela em seguida.
- Eu sei. – empinou o nariz de forma teatral, jogando os cabelos para o lado. gargalhou, voltando a bagunçar os cabelos dela, levando um tapa dolorido na perna. Depois de ajeitar o cabelo pela segunda vez, girou-se um pouco para ficar num ângulo que pudesse ver e também pudesse ter uma visão geral da sala. Certificou-se de que estavam sozinhos, sentindo o coração bater em expectativa. Ela acabara de ter uma ideia para e . Parecia bobagem, porque e estavam bem e não precisavam daquilo, se fosse pensar pelo lado lógico da coisa. Mas nunca pensava com o lado lógico, então não importava se faria sentido ou não. – , posso te pedir uma coisa? Mas vai ter que ficar entre nós dois, por enquanto.
- Ai meu Deus, o vai me matar. – fingiu chorar, olhando para o teto como se estivesse rezando por clemência divina. Olhou para , assentindo. – Pode mandar a bomba, eu aguento.
Com um sorriso travesso nos lábios, explicou detalhadamente o que queria fazer e por que queria fazer, recebendo um comentário de de como ela era uma fofa. No timing perfeito, e voltaram da cozinha rindo de alguma coisa que certamente tinha dito. e trocaram um último olhar cúmplice, e agora os dois aguardavam ansiosamente que os ponteiros marcassem a hora de todos irem dormir. E aguardavam mais ansiosamente ainda que o entregador de pizzas chegasse. começou a roer a unha de novo.

Três horas depois

Por sorte, todos estavam realmente cansados naquele dia. e foram os primeiros a subir para dormir. , , , e ficaram um tempo ainda conversando no quintal, dividindo as espreguiçadeiras disponíveis.
sentia o estômago se revirar, e ela se sentia uma boba por isso. Até parecia que era com ela que ia acontecer algo de extremamente incrível naquele fim de noite. Por estar sentada entre as pernas de na espreguiçadeira, o garoto não conseguia ver os olhares breves que ela trocava com e , e estava ocupada demais em aproveitar o cafuné que fazia nela para perceber que os três tramavam a suas costas. Fora difícil falar com depois de expor sua ideia para , que havia concordado em ajudá-la. Em parte fora difícil porque raramente ficava sem , mas também fora difícil porque não sabia se ia topar. Era tudo muito lindo e perfeito dentro da sua cabeça, mas ela tinha que admitir que ela não era muito normal. Nem , mas isso não era novidade. quase morreu de rir ao se lembrar que teve que ficar esperando ir ao banheiro e quase o matou de susto quando entrou no recinto junto com ele, trancando a porta e pedindo que ele não gritasse. Incrivelmente contou que estava pensando em algo do gênero desde o dia anterior, e não foi preciso muito para convencê-lo a ouvir a proposta de .
- AI, que sono! – espreguiçou-se, dando o sinal para e . – Acho que eu vou dormir. Vamos dormir, ? – chamou pela amiga, que abriu os olhos e resmungou que não queria sair dali.
- Acho que eu também vou subir. – e falaram ao mesmo tempo, recebendo um olhar engraçado de , que fitavam os três com uma sobrancelha arqueada. – Erm, boa noite pra vocês! – disse, entrando na casa correndo. - Ele não parece nem um pouco com sono. – observou, sendo erguida por , que colou seu corpo ao dela. – Bom, você me acompanha?
- Sem dúvidas. – respondeu divertido, trocando um breve olhar com , que assentiu imperceptivelmente. – Boa noite, crianças.
e ficaram olhando e caminharem abraçados até sumirem pela porta que dava na cozinha, e depois de algum tempo, sentiu a abraçar mais forte.
- Que pessoas estranhas essas que moram na sua casa, amor. – comentou e assim que terminou de falar com um risinho divertido, esqueceu tudo que estava pensando. – Tô começando a achar que isso é um hospício. – piscava, tentando olhar o rosto de daquele ângulo. Ele a chamou do quê?...?
Ela se virou com cuidado, ficando ajoelhada entre as pernas esticadas de , prestando atenção para não cair da espreguiçadeira, apoiando ambas as mãos nos ombros dele, enquanto as mãos dele se firmavam em suas coxas. Aquilo não ia ajudar muito. Fixou seus olhos nos dele, sentindo uma felicidade inexplicável a tomar por dentro. Sem dizer nada, ela colou seus lábios nos dele, afagando com urgência os cabelos dele, ora ou outra arranhando sutilmente sua nuca, fazendo-o se arrepiar. Vagarosamente as mãos deles subiram pelas coxas de , parando na cintura dela por baixo da camiseta, por onde ele a puxou para mais perto. não sabia como conseguira fazer aquilo tão depressa, mas quando percebeu suas pernas estavam uma de cada lado das pernas dele e todo seu fôlego havia sumido. Ela podia culpar os lábios de , que agora traçavam um caminho suave por seu pescoço, alternando-se entre os ombros e os lábios dela.
Ela nunca sentiu tanta intensidade em toda sua vida antes. E, por esse mesmo motivo, ela teve de se controlar e por muito pouco, ela não conseguiu se afastar. Percebeu-se com a respiração entrecortada e viu que não estava muito diferente. Encostou sua testa na dele, fechando os olhos enquanto tentava encontrar sua lucidez.
- Me desculpe. – Ela sussurrou, e não sabia exatamente porque dissera aquilo. – É melhor a gente subir.
Ele não fez objeção, embora ir pro seu quarto e ficar com três homens não lhe parecesse muito agradável. Não agora, ele pensou. Esperou que se afastasse, olhando-o com grandes olhos castanhos nos quais ele queria ficar para sempre. Não sabia exatamente o que aquilo significava, mas não tinha necessidade de descobrir, não agora. Ele reparou que tudo o que ele queria, quando estava com ela, era que o tempo não passasse.
- Boa noite, . – Ela sussurrou, depositando um beijo casto nos lábios dele, seguindo para dentro da casa logo em seguida. ainda ficou uns dois minutos sentado na mesma posição, olhando o caminho por onde ela sumira.

-x-

POV


Eu mal conseguia me conter na cama. e roncavam e dormia feito uma criança, babando no travesseiro. Queria ver se ia continuar com ele ao ver essa cena. Olhei pro meu celular, vendo as horas. Só se passaram cinco minutos desde a última vez que conferi? Bufei comigo mesmo, mandando meu interior se acalmar. Antes eu nem cogitava a possibilidade dessa ideia se tornar real, porque na verdade eu não sabia se ia gostar ou se ela ia achar tudo muito exagerado. Mas, quando me trancou dentro do banheiro junto com ela e por um breve segundo eu achei que nunca mais fosse ver a luz do dia novamente, ela me contou da ideia dela, que era basicamente a mesma que a minha.
Não era nada do tipo mandar um helicóptero jogar pétalas de rosa sobre a mansão nem contratar uma orquestra sinfônica para tocar no jardim, mas eu queria um meio de demonstrar o quanto ela era especial para mim. O quanto aquilo tudo estava sendo especial. Gay, eu sei, mas eu sempre quis fazer algo assim e nunca tive a oportunidade antes. Ok, mentira detectada. Na terceira série eu mandei uma carta para uma menina e ela simplesmente me ignorou pro resto do ano letivo.
Tamborilei meus dedos em minha barriga, sentindo uma onda de expectativa percorrer meu corpo quando meu celular vibrou.
“Me encontra no corredor, agora! xx”
- Mandona até nesses momentos. – Rolei meus olhos, saindo de minha cama com cuidado. Pé ante pé eu fui até a porta, girando com cuidado a maçaneta e encontrando e , cada um encostado em um lado da porta. fingiu bocejar e apenas riu, como ele sempre fazia. – E aí, pessoal.
- Então é isso, você fica no meu lugar, eu fico no lugar de e fica no seu. – sussurrou, apontando de mim para ela, e dela para . Eu pisquei, me perguntando sobre o que ela estava falando. – Quem vai dormir no lugar de quem, . – Ela rolou os olhos, dando dois tapinhas na minha testa. Ri, concordando. - Juízo, . – brincou enquanto me entregava o violão que estava no sótão. parecia criança em dia de Natal, e até parecia que seria ela que estaria no lugar de . Não quis comentar, mas me admirei por aquilo. Por estar feliz de verdade pela amiga. É difícil ver isso hoje em dia. Meneei minha cabeça, afastando os pensamentos, depositando um beijo em sua testa, imitando o gesto com . Parado diante da porta com o violão na mão, ainda consegui ouvir perguntando se ficaria bem sozinha no sótão, e depois não sei o que ela murmurou em resposta, pois eu acabara de entrar no quarto delas.

POV

Sabe quando você está dormindo, e tem a sensação de que está acordada por mais que você saiba que não está? Tudo bem, forma confusa de explicar. Recapitulando: eu me lembro de estar sonhando que por algum motivo desconhecido, eu estava comprando uma mala gigante no centro da cidade. Só que, de repente, eu comecei a ouvir acordes suaves de violão ao mesmo tempo em que as imagens se distanciavam. Aos poucos fui me dando conta de que não estava sonhando com música; o som doce de violão vinha de dentro do quarto, mais precisamente da cama ao lado da minha. Sem abrir os olhos, balbuciei para que desligasse o celular. Depois que ela descobriu um bendito jogo no iPhone de , ela vivia tocando violão, piano e todos os outros instrumentos musicais do planeta terra. Vendo que os acordes continuavam soando, atirei o travesseiro na direção de , recebendo uma risada masculina em resposta.
Ou andou tomando hormônios masculinos, ou tem outra pessoa dormindo no lugar dela. Hesitante, abri um olho, espiando por entre meus cabelos jogados em meu rosto, a figura linda e escultural de sentado na cama da minha amiga, os dedos deslizando sobre as cordas, fazendo com que uma das minhas músicas preferidas da vida preenchessem o quarto.

Close your eyes and I'll kiss you
(Feche os olhos e eu te beijarei)
Tomorrow I'll miss you
(Amanhã vou sentir sua falta)
Remember I'll always be true.
Lembre-se que sempre serei fiel

And then while I'm away
(E quando eu estiver longe)
I'll write home every day
(Vou te escrever todo dia)
And I'll send all my loving to you
(E mandar todo meu amor pra você)

Demorou algum tempo para que eu conseguisse assimilar tudo. Sentei-me na cama, jogando meus cabelos para o lado, ajeitando a manga da camiseta que caía pelo ombro, sorrindo tolamente pro garoto que agora estava concentrado no violão. Mesmo que não olhasse diretamente para mim, eu podia ver o brilho em seus olhos. Eu podia ver o pequeno sorriso que brotava em seus lábios. Eu quase me belisquei; parecia ter acabado de brotar de um dos sonhos mais impecáveis de toda vida. E não, não é exagero. Meu sorriso aumentou quando ele olhou para mim.

I'll pretend that I'm kissing
(Vou fingir que estou beijando)
The lips I am missing
(Os lábios dos quais sinto falta)
And hope that my dreams will come true
(E torcer pra meus sonhos virarem realidade)

alternava sua atenção entre eu e o violão, e eu não sei dizer bem em qual desses momentos que eu mais me derretia. A essa altura, eu já balançava meu corpo levemente para os lados, ajoelhada em minha cama com as duas mãos unidas sob o queixo. Um tanto quanto infantil, mas eu não me importava.
Observei se levantar com o violão, percorrendo o curto espaço que separava minha cama da cama de , e não sei como era possível, mas meu coração foi de zero a mil nesse pequeno intervalo de tempo.

And then while I'm away
(E então quando estiver longe)
I'll write home every day
(Vou te escrever todo dia)
And I'll send all my loving to you.
(E mandar todo meu amor pra você)

All my loving I will send to you
(Todo meu amor, vou mandar pra você)
All my loving, darling I'll be true.
(Todo meu amor, querida serei verdadeiro)

Naquele instante, e por todo o tempo em que senti a presença de , eu desejei poder parar o relógio, parar o mundo, parar a galáxia inteira. Eu amava aquela música antes, e agora eu amava muito mais. Ironicamente ela me pareceu muito sensata; eu queria que ele fizesse aquilo. Queria que ele se lembrasse de mim quando fosse embora. Céus, eu estava pior do que em relação à partida deles. Minto, eu estava começando a sentir o peso dos últimos deles só naquele momento, porque eu percebi que eu já estava ligada com de uma maneira que eu nunca estive com ninguém antes.
E aquilo era lindo e triste ao mesmo tempo.
Mas eu prefiro me ater à parte do lindo, por enquanto.

Close your eyes and I'll kiss you
(Feche os olhos e eu te beijarei)
Tomorrow I'll miss you
(Amanhã sentirei sua falta)
Remember I'll always be true.
(Lembre-se que sempre serei verdadeiro)

Levei uma mão ao seu rosto, sentindo seus lábios tocarem o dorso dela. Afaguei gentilmente seus cabelos, vendo-o fechar os olhos sem perder o compasso.
- Lindo. – Murmurei mais para mim mesma, mas recebi um sorriso sincero de em resposta. – Lindo.

And then while I'm away
(E quando eu estiver longe)
I'll write home every day
(Vou te escrever todo dia)
And I'll send all my loving to you
(E mandar todo meu amor pra você)

All my loving I will send to you
(Todo meu amor, vou mandar pra você)
All my loving, darling I'll be true
(Todo meu amor, querida serei verdadeiro)

Em meio a risos contidos eu cantei junto, ora ou outra fechando os olhos e sentindo todos os pelos de minha nuca se eriçarem ao ouvir a voz rouca de soar no ritmo perfeito. Meu coração parecia uma britadeira, e isso me deixava um pouco nervosa.
Ignorei meus pensamentos, fixando meu olhar no dele.
All my loving
(Todo meu amor)
All my loving uuh uuh
(Todo meu amor uuh uuh)
All my loving I will send to you.
(Todo meu amor, vou mandar pra você)

Suavemente a melodia cessou, e eu tive que soltar todo o ar que mantive preso num suspiro só. mantinha o sorriso torto nos lábios, e confesso que aquilo não me ajudou a recuperar o oxigênio.
- Oi. – Ele soltou juntamente com um riso nasalado, e eu me esqueci completamente de como responder aquele simples cumprimento.
Não sabendo se conseguiria dizer tudo que estava com vontade, eu simplesmente me lancei em seu pescoço, beijando com urgência seus lábios. Não demorou nem meio segundo para que eu sentisse suas mãos tocarem minha cintura por baixo da camiseta, e em resposta ao seu toque, eu o trouxe para mais perto.
- Parece que você gostou. – Ele disse em meio ao beijo, rindo divertido. Eu agitei minha cabeça de forma positiva, cortando o beijo com vários selinhos, segurando seu rosto entre minhas mãos.
- Isso é lindo! Eu amei! Você... Ai, eu vou morrer do coração. – Me atrapalhei com as palavras, exatamente como achei que aconteceria. Tomei fôlego por fim, tentando parecer séria por apenas um segundo. – De verdade, eu sempre vou me lembrar disso!
- Essa era minha ideia. – Ele rolou os olhos, e eu ri lançando minha cabeça para trás, caindo na cama. Sem esperar por aquele gesto, a risada esmaeceu quando senti o peso do corpo de sobre o meu. O clima foi mudando gradativamente conforme nos perdíamos nos olhos um do outro. Era como uma conexão que não podia ser explicada verbalmente. Só podíamos sentir. – Você é linda, .
Esforcei-me para exibir um sorriso decente, mas não posso dizer se minha tentativa foi frustrada ou não, porque logo em seguida nossos lábios estavam unidos num beijo terno e envolvente. Quando ele fez menção de se afastar, eu o segurei pela gola da camiseta, sussurrando na escuridão a pergunta que eu teria certeza de que não me arrependeria em fazer.
- Dorme aqui?
Sorrindo, ele beijou calidamente meus lábios, subindo para a ponta de meu nariz e depois parando em minha testa, voltando para meus lábios meio segundo depois.

13. Hunting Season


estava correndo como nunca havia corrido antes, mas parecia que não saía do lugar. A porta da cozinha ficava cada vez mais distante e o gramado parecia que o engoliria a qualquer momento. Olhava para trás desesperado, ainda não desistindo de correr, constatando que aquele gigante ainda estava saindo da piscina que agora parecia mais um esgoto. O garoto olhou em direção à casa e viu parada o olhando na janela da cozinha.
!” tentou gritar, mas sua voz não saiu. “!” tentou novamente, mas a agonia preencheu seu peito quando percebeu que sua voz não ia soar tão alta como ele queria.
- ! – acordou do sonho – ou seria pesadelo? – e sentou-se na cama com a respiração descompassada. Passou as mãos pelo rosto e respirou fundo, olhando para seus pés cobertos com o lençol fino. Percorreu o olhar pelo quarto para constatar que tudo estava bem. dormia de bruços somente de cueca e de boca aberta, parecendo inabalado com o grito repentino de . estava virado para o lado da parede, mas parecia dormir tão pesadamente quanto . Olhou para a cama ao seu lado e viu dormindo de moletom. Quando voltou o olhar para sua cama, virou a cabeça novamente em direção à ao lembrar-se que detesta dormir de moletom no calor. Forçou a visão para enxergar melhor e viu que aquela pessoa que estava deitada no colchão ao lado não era . Ou era? Coçou a cabeça e resolveu olhar de perto. Tirou o lençol de cima do seu corpo e colocou as pernas para fora da cama, deslizando no colchão até ajoelhar-se no chão. Tentando fazer o mínimo de barulho possível, foi de joelhos até a cama ao seu lado, aproximando a cabeça do travesseiro que tampava o rosto de quem estava deitado ali.
- ? – sussurrou e percebeu que a pessoa remexeu-se na cama, levantando a cabeça do travesseiro e dando um berro ao ver o rosto de tão perto do seu.
- TÁ MALUCO, ?! – gritou, sentando-se na cama rapidamente e encostando suas costas na parede, puxando o lençol para cobrir seu corpo. acabou se assustando com o grito e caiu sentado no chão. e acabaram acordando também, que jogaram um tênis e um travesseiro no garoto, respectivamente. – Que susto, cara! – colocou a mão no coração e respirou fundo, sussurrando.
- Desculpa, eu achei que você era o e que você estava estranho... Não, que o estava estranho... – tentou explicar, mas acabou confundindo-se mais ainda.
- Caralho, , vai dormir. – disse com a voz arrastada, colocando o travesseiro em cima da cabeça.
- É, , vai dormir. – levantou-se até ele e deu um tapa na sua cabeça, pegando o travesseiro do chão. Quando olhou para para receber uma explicação do por que do garoto estar ali, viu que ele já tinha voltado a dormir e estava até roncando. O garoto suspirou frustrado e resolveu sair do quarto para ir ao banheiro.
Assim que fechou a porta atrás de si, viu que a porta do banheiro estava fechada e a luz do corredor acesa. Recostou-se na parede e esperou até que a pessoa que estivesse lá dentro desse descarga e destrancasse a porta. Quase teve um mini ataque do coração quando viu sair de lá com a cara amassada e entrar no quarto das meninas após apagar a luz do corredor, sem nem ao menos notar a presença de , que ficou estático no lugar encarando agora a porta fechada do quarto de e .
- Se o tá na cama do , e o tá na cama da ... – olhou para a escada que levava ao sótão e não pensou duas vezes em subir correndo para concluir seu pensamento. Logo quando colocou os pés no chão de madeira do sótão sentiu uma almofadada na sua cabeça, encolhendo-se no lugar.
- , que susto! O que você tá fazendo aqui?! – uma de camisola amarela e descabelada abaixou o travesseiro em suas mãos, tentando controlar sua respiração. – Achei que fosse um ladrão. – encarou o garoto mais assustado ainda à sua frente, deixando um sorriso surgir em seus lábios ao ver que estava quase chorando. Largou o travesseiro no chão e andou até ele, o abraçando. – Desculpa, não queria gritar com você. – afagou seus cabelos ao sentir os braços de ao redor do seu corpo.
- Tudo bem, só o e a não gritaram comigo essa madrugada. – ele fez bico e teve vontade de colocar dentro de um potinho e ficar olhando para ele o dia todo. Tirando esses pensamentos da cabeça, segurou na mão dele e o puxou em direção à sua cama, pulando o travesseiro que estava no chão.
- Vou te mostrar uma coisa que vai te animar. – ajoelhou-se na cama e viu abrir um sorriso enviesado, sentindo as mãos do garoto em suas pernas. Quando percebeu o que se passava na cabeça dele, arregalou os olhos e deu um tapa ardido no seu braço, que o fez tirar as mãos do corpo dela imediatamente, rindo em seguida. – Não é isso que você tá pensando, seu idiota! – acabou rindo também, afastando mais o lençol para que ele parasse de enroscar em suas pernas.
- Então o que é? – puxou pelas mãos para que ele subisse na cama também, ajeitando-se até conseguir sentar no parapeito da janela, tirando a toalha improvisada que fizera de cortina. Ela apontou para o lado de fora e, ainda em dúvida, olhou através do vidro, entendendo então o que ela lhe queria mostrar.
- Não é lindo? – a garota perguntou sem tirar os olhos daquela imensidão azul, iluminada somente pela luz da lua minguante e das milhares de estrelas que brilhavam intensamente. também não conseguia mover o olhar porque queria registrar cada centímetro daquele céu. Ele tinha a impressão de que cada estrela havia sido colocada ali cautelosamente, formando uma harmonia incrível.
- Muito. – finalmente pronunciou-se, desviando seu olhar para o rosto iluminado da garota, tanto pela luz do luar, como pelo brilho do sorriso dela. – Nem parece que esse sótão é sinistro. – disse ao olhar por cima do ombro e observar a parte sombria daquele lugar. soltou uma risada nasalada e o olhou.
- Depois do show que vocês deram aqui, o sótão me faz rir e não chorar de medo. – confessou, descendo do parapeito da janela e sentando-se de perna de índio na cama. sentou-se também, mas tirou da sua confortável posição para que ela se sentasse entre suas pernas, abraçando-a pela cintura. Ela tinha acabado de ficar mais confortável ainda.
- Achei que você tinha me achado sexy. – mordeu a ponta da orelha de , fazendo-a se arrepiar por inteiro. Ela soltou uma risada fraca e entrelaçou seus dedos com os dele, virando a cabeça minimamente para olhá-lo.
- Achei sim... Mas você não tem como negar que vocês pareciam Drag Queens com aquelas roupas. – riu, depositando um beijo na testa de .
- Tá sem sono?
- Mais ou menos. – a garota deu de ombros – Às vezes eu fico com uma vontade de não dormir porque quero aproveitar o dia o máximo que eu consigo. – disse ao encarar as mãos dos dois juntas.
- Concorda comigo de que se você não dormir de noite, depois durante o dia você vai ficar com tanto sono e não vai conseguir aproveitar nada? – balançou o corpo dos dois minimamente para os lados, apertando a garota em seu abraço ainda mais.
- É... Eu não tinha pensado nisso. – ela riu – Então acho que é melhor a gente dormir, não é? – concordou, depositando um beijo na ponta do nariz dela. Ficaram se olhando por um tempo porque nenhum dos dois tinha a mínima vontade de fechar os olhos e desgrudar um do outro. – Você poderia dormir aqui, não acha? – perguntou com uma voz infantil com o pensamento de que se podia, ela também podia.
- Ficou com invejinha da , foi? – perguntou colando suas testas. arregalou os olhos com medo de que ele tivesse escutado seus pensamentos. – Não precisa responder. – ele colocou uma mecha do cabelo dela atrás da orelha e sorriu – E eu poderia dormir aqui sim, abraçado com você a noite inteira, aproveitando cada segundo dos últimos dias que eu vou ter aqui com você. – sua voz saiu falha por conta do desespero que tomava seu corpo ao pensar no dia de ir embora. Só mais três dias, ele pensava. concordou sutilmente com a cabeça e o puxou para se deitar com ela. deitou-se de frente para a garota e envolveu o corpo dela novamente com seus braços. Não disseram mais nada depois daquilo, mas as suas mentes não pararam um segundo aquela noite, imaginando, sonhando e fazendo suposições.

O sol começou a entrar pela cortina fina do quarto dos meninos e sentiu-se incomodado com aquilo, remexendo-se na cama. Suspirou sendo derrotado pelo calor e levantou-se rapidamente, sentindo um pouco de tontura. Assim que sua vista se normalizou, quase caiu sentado na cama ao ver que estava com o cabelo diferente. Mas então reparou que não era e sim que dormia na cama do garoto. Acalmou a respiração e pegou uma calça jeans no chão, vestindo-a antes de sair para ir ao banheiro.
ouviu a porta do quarto batendo e levantou a cabeça assustado, olhando o ambiente iluminado pelos primeiros raios solares do dia. Tateou o criado-mudo ao lado de sua cama até achar o celular e praguejou o filho da mãe que havia o acordado às oito e meia da manhã. Afundou o rosto no travesseiro, sentindo o cheiro de amaciante que tinha na fronha, respirando profundamente. Apoiou as mãos no colchão e deu um impulso para levantar, sentando-se na cama. Coçou os olhos e teve vontade de acordar alguém porque alguém o havia acordado. Olhou para a cama de e e viu que estavam vazias. Então teria de acordar . O sorriso no seu rosto desmanchou quando viu que não era que estava ali, e sim um alienígena de moletom. Ah, não, é o . Tranquilizou-se ao reconhecer o rosto amassado de sono do . Olhou ao seu redor e achou uma meia preta enrolada ao lado do criado-mudo. Levantou-se para pegar a meia e andou na ponta dos pés até , colocando a mesma de leve ao lado do seu travesseiro, bem perto dos seus olhos. Com um sorriso no rosto, andou até a porta, pegando uma camiseta que estava jogada no chão. Assim que abriu a porta, tomou fôlego.
- AH, UM RATO! – e saiu correndo do quarto, fechando a porta logo em seguida. despertou do sono com o grito de , abrindo os olhos lentamente. Rato? Pensava consigo mesmo até assustar-se com uma coisa preta no seu travesseiro, fazendo-o se levantar em um pulo e ir parar em pé na cama de . Sua respiração estava descontrolada e aos poucos ele foi percebendo que aquilo não era um rato e sim uma meia fedida de alguém. Rolou os olhos, xingando até a décima geração de .
- Mas o que deu nessa gente para me assustar assim? – lamentou-se com as mãos na cintura, descendo da cama e saindo do quarto.
Quando sentiu o gelado do mármore nos seus pés, olhou em direção ao som de risadas que vinham da escada que levava ao sótão. e desciam as escadas rindo e de mãos dadas.
- Bom dia, deu um soquinho no ombro do amigo, que os olhava incrédulo.
- Que foi? – perguntou ao dar um beijo estalado em sua bochecha.
- Sério? – disse e os outros dois entreolharam-se. – Na cama onde eu vou ter que dormir essa noite? – ele adquiriu uma expressão de nojo e e entenderam ao mesmo tempo o que ele estava pensando.
- Não, não, não é nada disso! – chacoalhava as mãos em sinal de negação, enquanto começou a contar o que tinha acontecido.
- Para, eu não quero ouvir o que vocês fizeram! – colocou as mãos nos ouvidos e desceu as escadas correndo, ainda gritando “Eu prefiro a morte!” conforme ia até a cozinha. e ficaram estáticos no corredor processando aquela informação. Desviaram o pensamento da cabeça quando escutaram a risada escandalosa de vindo de dentro do banheiro. A porta foi destrancada e ela saiu de lá, sendo acompanhada por e logo atrás.
- Se eu não conhecesse vocês, eu juro que eu pensaria o pior. – disse, abraçando pelos ombros.
- Relaxa, , eu só estava rindo imaginando o e o namorando. – explicou, porém confundiu ainda mais e .
- Como é que é? – perguntou.
- É que os dois são muito frescos com esses cabelos. – apontou para os dois ao seu lado que pareciam que tinham saído de um salão de cabelereiros. – E ai, gente, minha mente é fértil e eu comecei a imaginar várias situações.
- E compartilhar com a gente. – disse com lamentação na voz, recebendo um tapa de logo em seguida, sendo abraçado depois.
- Que seja. – cortou o assunto – O que tem pro café? – esfregou suas mãos uma na outra e sorriu feito criança.
- Sério que você só pensa em comida? – rolou os olhos, brincando com as pontas dos dedos de . Observou sorrir de lado e abrir a boca para comentar algo, mas ela estendeu uma mão na direção dele, fechando os olhos de forma teatral. – Por favor, não me responda.
Os presentes riram, descendo para o primeiro andar com risadas divertidas.

-x-

estava com um sorriso terno desenhado em seus lábios e, de maneira distraída, ela ensaboava seus cabelos. Fechou os olhos e enfiou a cabeça debaixo do chuveiro, murmurando sua canção favorita da banda que provavelmente neste momento, está assistindo desenho animado na televisão da sala, esparramados pelo tapete como crianças comportadas. Não pôde evitar rir baixinho ao imaginar a cena, passando as mãos pelo rosto para afastar a água. Abriu os olhos ainda rindo, mas quase morreu do coração quando percebeu uma sombra através do box embaçado. O riso deu lugar a um grito, e momentaneamente se viu na cena clássica de cinema, com direito a musiquinha sinistra de fundo. Só que, ao invés de encontrar um serial killer com uma faca na mão, viu aproximando-se do box e o abrindo minimamente, agitando sua escova de dente na tentativa de acalmá-la.
piscou atônita, vendo a amiga voltar em direção a pia e ficar de costas para si, que continuava não sentindo os batimentos do seu coração.
- VOCÊ FICOU MALUCA, ?! – ela gritou, atirando o sabonete na cabeça de , fechando a porta logo em seguida. – EU QUASE MORRI DO CORAÇÃO! - Eu não tenho culpa, eu gritei avisando que ia entrar! – deu de ombros, passando a manga da camisa no espelho, aproximando o rosto do mesmo para passar o fio dental.
- Você não podia esperar eu sair do banho para usar o banheiro?! – indagou levemente irritada ainda com o susto, desligando o chuveiro e pedindo que passasse a toalha para ela. – Eu não fico entrando no banheiro quando você tá de olho fechado lavando o cabelo, aparecendo do nada logo em seguida!
- Hey, senhora drama mexicano, desculpa! – ergueu os ombros, soltando-os logo em seguida, rindo da expressão incrédula de . Sabia que ela odiava levar susto, mas realmente não era a sua intenção. Dirigiu-se até a privada, sentando-se nela de pernas cruzadas, recebendo um olhar curioso de . Elas estavam acostumadas com aquele tipo de intimidade, mas não entendeu o que estava fazendo. Não prontamente. Pacientemente, esperou que enrolasse os cabelos molhados na toalha e amarrasse firmemente o cinto do roupão em volta da cintura.
- É impressão minha, ou você quer me contar alguma coisa? – riu disfarçadamente, porque no fundo sabia o que estava acontecendo. Era como juntar um mais um. – Hein, ?
- Eutôapaixonadapelo. – Depois que cruzou os braços e apoiou as costas na borda da pia, ficando de frente para ela com uma sobrancelha arqueada, soltou a frase de uma única vez, embolando todas as palavras em português.
- O quê? – riu pelo nariz, divertindo-se com aquela cena, ativando a tecla sap dela e de naquela mansão. – Eu não entendi o que você disse. – meneou a cabeça rapidamente para os lados, se fazendo de desentendida. Ela tinha entendido perfeitamente, mas queria ouvir uma vez mais.
- Eu. Disse. Que. Eu. Estou. Apaixonada. Pelo. . – disse pausadamente, fechando os olhos ao final de cada palavra pronunciada. perdeu a conta de quantas vezes tentou estralar os dedos. – Quer que eu desenhe? – tentou ser irônica, mas sua voz havia saído tremula demais para conseguir atingir , que abriu um largo sorriso de satisfação.
- Não me diga. – ironizou, sendo atingida por um rolo de papel higiênico e recebeu um dedo do meio de , que riu fraco. – Não precisava nos trancar no banheiro pra me dizer uma coisa óbvia. apontou para a porta, rolando os olhos.
- É o único lugar onde a gente consegue ficar sozinha. – explicou, sentindo o coração bater nos tímpanos. – E mesmo que eu conversasse com você assim, em português na frente deles, eu não ia conseguir disfarçar.
- Disfarçar o quê? – As duas quase engasgaram com o ar. porque teve que segurar uma gargalhada e porque imediatamente as imagens da noite anterior voltaram à mente, desconcertando-a. – , por que você tá vermelha?
- Porque... Bem, erm... – prendia o ar sempre que tomava fôlego, agitando as mãos no ar de uma forma engraçada. estava no limite de querer rir. – Ontem à noite... Bom... Ai, você sabe como eu amo All My Lovin do Beatles né? – assentiu e percebeu que um pequeno sorriso começou a nascer nos lábios de . Sem que a amiga percebesse, se colocou um pouco mais para perto da porta, dizendo mentalmente para si mesma o quanto ela era impossível, quando queria. – Aí ontem eu estava tendo um sonho muito aleatório, quando eu fui acordada com essa música. E adivinha quem estava cantando?
- Lennon?
- O ! – deu um saltinho no lugar, abrindo o maior sorriso da história do mundo da felicidade. – , você tem noção? estava tocando violão no meio da noite, e tocava a minha música favorita de todos os tempos! – colocou as duas mãos na altura do coração, jogando-se para trás até encostar-se na parede. – Foi tudo muito lindo.
- A parte que ele toca violão ou tem mais? – coçou a nuca, sentindo todo seu interior formigar. nem fazia ideia de que ela já sabia de tudo. Bom, pelo menos até a parte de que ia tocar aquela música. Observou olhar para ela brevemente, desviando o olhar para as unhas dela, mas sem jamais deixar de sorrir. – ?
- Bom... Aí eu estava tão emocionada, e pedi para ele dormir comigo. – Escondeu brevemente o rosto entre as mãos, trazendo as pernas dobradas para cima, abraçando-as logo em seguida. Nesse momento já estava com as costas apoiadas na porta, uma mão disfarçadamente na maçaneta. – E bem, ele aceitou.
- Quer dizer que você dois...? – deixou no ar, expressando com o máximo de convicção possível o semblante de surpresa. mordeu o lábio inferior, agitando minimamente a cabeça de forma positiva. – OH MEU DEUS!!!
teve que bloquear a parte do cérebro que comandava as lembranças, porque senão não ia conseguir contar o resto para . Não os detalhes, mas o fato de como tudo havia sido perfeito. Estava com aquilo fervilhando na mente desde o momento que acordara que mal conseguira fazer as coisas direito. Nem comer as omeletes que fez ela conseguiu. E nem raciocinar direito, concluiu naquele instante que viu uma exibir um enorme e travesso sorriso. “Espera aí...” – ela franziu as sobrancelhas, perdendo a linha cronológica dos acontecimentos que ainda faltavam contar para . – “Se o dormiu comigo no quarto... A dormiu onde?” E foi então que a ficha caiu.
- Você! – apontou para , abrindo a boca num enorme “O”, arregalando os olhos da mesma maneira. – Você tem um dedo nisso, não tem dona ?
- Um dedo, uma mão, praticamente o corpo inteiro! – gargalhou. – Ah não, a parte do corpo não! Isso daí já é assunto do !
A risada de subiu dois tons quando a mesma abriu a porta do banheiro e saiu correndo pelo corredor com logo atrás, gritando coisas que não conseguia identificar. não sabia que era capaz de correr e rir tanto ao mesmo tempo.
Na sala, os cinco rapazes desviaram a atenção da televisão e olharam ao mesmo tempo em direção à escada, de onde partia uma sinfonia de gritos e risadas. Ambos tiveram a mesma reação inicial. Por que a tá correndo pela casa de roupão com atrás dela com uma toalha molhada em mãos?
e , que estavam sentados no tapete pularam para o sofá, adotando a mesma postura de , e , e agora todos estavam com os cotovelos apoiados no encosto do sofá com sorrisos divertidos nos lábios. Não faziam ideia do que estava acontecendo com as garotas, mas era engraçado ver correr em torno dos móveis, quase perdendo o fôlego de tanto que ria, pedindo por misericórdia. ria, mas não parecia disposta a ceder.
- Você é uma cachorra! – riu de um extremo da mesa de jantar, torcendo a toalha com movimentos circulares, imaginando que aquilo era um bom chicote do século XXI. – Eu te odeio!
- Odeia nada! – quase não conseguia falar, sentindo pontadas doloridas na barriga, como sempre acontecia quando ela ria demais. – Se me odiasse não teria acordado com um sorriso até na testa!
- Tá, tudo bem. – riu, jogando a toalha em cima da mesa, erguendo os braços e colocando os na cintura logo em seguida. As duas ainda falavam em português. – Não vou negar que foi a melhor coisa que aconteceu desde sempre, mas você continua sendo uma peste. – rolou os olhos quando viu que continuava em posição de quem está prestes a correr novamente. – Para de ser idiota, eu não vou te bater.
- Não? – A garota pegou fôlego, soltando o ar todo de uma vez em seguida, arrumando a postura. Estavam completamente alheias à plateia que tinham naquele momento. – De verdade? – assentiu energeticamente, abrindo os braços para que recebesse um abraço de . A mesma sorriu como uma criança, indo até e abraçando-a pela cintura, recebendo imediatamente um puxão nos cabelos. – AI, ! Você disse que não ia me bater.
- Isso não é bater. É puxar o cabelo. – sorriu largando , que fazia caretas de dor e diversão. – São coisas diferentes.
- Ingrata.
- Peste.
As duas rolaram os olhos e riram ao mesmo tempo, se abraçando de verdade, – e sem puxões de cabelo dessa vez – se dando conta da presença dos meninos só naquele momento. Riram ainda mais quando perceberam que, após se divertirem com a cena delas, eles agora estavam levemente encabulados. Especialmente , que parecia prestes a cavar um buraco no chão com o olhar.
- Acho melhor você colocar uma roupa antes que sofra um enfarte. – sussurrou somente para que ouvisse, e só depois se lembrou de que estava de roupão, ficando ainda mais vermelha do que todos eles juntos. Antes de ela subir na velocidade da luz, porém, a segurou pela manga do roupão, estendendo a toalha para que ela levasse junto, mas não a soltou quando a pegou, fazendo uma ruga de interrogação surgir na testa de . Ainda sussurrando, disse: - E não pense você que eu também não vou querer saber tim-tim por tim-tim do que aconteceu entre você e o no sótão.
- Mas não acontec...
- Calada! E sobe logo antes que o te agarre no meio da sala e eu não tô afim de ver isso! – riu recebendo um tapa ardido de no braço.

forçou a vista embaçada, tentando distinguir as figuras que dançavam pela imagem na televisão. Naquele momento ele não sabia se assistia a um filme ou a um reality show qualquer. Bocejou e lágrimas se formaram no canto dos seus olhos, convencendo-o de que seria inútil qualquer outra tentativa de tentar assistir alguma coisa com a preguiça pós-almoço que sentia. Correu os olhos pela sala, constatando que e já haviam se rendido e dormiam de boca aberta no sofá; estava deitado no tapete agarrado com o travesseiro em que estava deitada meia hora antes. Percebeu que a mesma não estava ali, assim como e . Os dois últimos mencionados ele nem se deu o trabalho de se perguntar onde poderiam estar e muito menos o que poderiam estar fazendo. Agitou a cabeça num movimento rápido, fazendo caretas ao repreender os pensamentos. Passou as duas mãos pelo rosto, levantando-se do sofá e se espreguiçando, indeciso entre subir para o sótão ou procurar alguma coisa para comer. Não que ele estivesse com fome, mas comer era uma das suas atividades favoritas. Ainda pensando no que fazer enquanto se dirigia para o meio do cômodo, quase sofreu um enfarte quando ouviu barulhos vindo de alguma parte do andar superior. Então se lembrou que estava em alguma parte da casa, aprontando alguma coisa. Descartou o pensamento de atacar a geladeira, e um pouco hesitante no fundo, subiu o primeiro lance de escada rapidamente.
- ? – Ele chamou, não obtendo resposta. – , é você? – Ele engoliu em seco quando os barulhos soaram novamente, e ele constatou que vinham do sótão. Parecia algo sendo arrastado e ele rezou para que não fosse o corpo inerte da amiga sendo levado para uma realidade paralela. Meneou a cabeça, bloqueando aqueles pensamentos sem sentido. – Pelo amor de Deus, seja você. – Ele sussurrou consigo mesmo, subindo muito lentamente a escada.
prendeu a respiração e fechou os olhos quando chegou ao sótão.
- Tá brincando de quê? – abriu os olhos levemente assustado, mas internamente muito grato por estar ali, fitando-o com uma cara engraçada.
- De caçar assombração. – Ele riu mais relaxado, entrando de uma vez no quarto e seguindo para se sentar na cama, observando o montante de coisas fora do lugar que atrapalhavam seu trajeto. – E você, tá brincando de fazer bagunça para que a gente limpe tudo de novo?
- Nah. negou e estalou a língua no céu da boca, apoiando as mãos no seu cóccix, mordendo o lábio inferior de maneira distraída. Correu os olhos pelo quarto, coçando a cabeça. Virou-se para com um sorriso pidão, apontando para a caixa que ela acabara de ver na última prateleira da estante. – Pega pra mim?
- Sempre me pedindo essas coisas. – Ele brincou, dando impulso com as mãos e saindo da cama num pulo, recebendo um beijo estalado na bochecha assim que ficou ao lado da garota. – Não vou encontrar nada de anormal aí, né? Tipo ratos dissecados ou até mesmo a lingerie da sua avó?
- Para de ser bobo, . – rolou os olhos, empurrando de leve pelos ombros. – Pega logo!
O garoto riu, pegando com certa dificuldade o objeto indicado. Deixou-o no chão conforme pedira, voltando a se sentar na cama depois de bater uma mão à outra para eliminar o excesso de pó. Observou de longe revirar a caixa murmurando algo inaudível para ele daquela distancia.
- ACHEI! – deu um grito repentino e mesmo que ele não estivesse distraído, acabou se assustando. – Eu sabia que isso ia servir para alguma coisa, algum dia.
- E o que é isso, exatamente? – apontou para a caixa amarronzada nas mãos de , sorrindo nervoso. Às vezes ela ainda o assustava. – Não me diga que tem bonecos voo-doos aí dentro.
- Não, mas – exibiu um sorriso largo e poderia dizer que, apesar de lindo, era meio sinistro. – vai me ajudar a manter alguns encostos longe. – saltitou até quando viu que o garoto continuava a fitando sem entender.
Sentou de frente para ele na cama, exatamente como fizera com na noite anterior, colocando a caixa entre eles e a abriu sem hesitar. até tentou, mas não sabia identificar o que era aquele amontoado de peças de metal e fios coloridos.
- Isso é uma bomba? – Ele arriscou, franzindo as sobrancelhas. gargalhou.
- Não, seu bobinho. No último Natal que eu passei aqui, um primo meu muito idiota comprou isso numa loja de coisas usadas. – falava enquanto tirava todas as peças de dentro da caixa, amontoando-as sobre a cama. – É tipo uma armadilha para animais silvestres. – Ela rolou os olhos, murmurando um ‘babaca’ que fez rir. – Eu disse para ele que não havia esquilos ou qualquer coisa um pouco maior do que isso por aqui, mas ele não me ouviu. Enfim, essa belezinha aqui avisa quando qualquer animal de porte médio ou grande invade o quintal.
- E você quer usar isso pra...?
- Pegar algumas vacas. olhou pela janela do sótão, semicerrando os olhos enquanto sorria enviesada. achou que a garota estava enlouquecendo, porque não havia vacas ali. Só depois de externar seu pensamento é que recebeu uma resposta mais direta de . – Hoje à noite a gente faz um teste.
- Posso te confessar uma coisa? – disse meio indeciso, esperando que terminasse de colocar tudo de volta na caixa. Ela o encarou com seus grandes olhos brilhantes, assentindo. – Às vezes você me dá medo. De verdade.
- Hey, achei vocês! – ouviram a voz de e olharam para a escada do sótão. rolou os olhos porque sabia que ele queria dizer: “Achei você, , amor da minha vida, meu iaiá meu ioiô.” – O que vocês estão fazendo aqui?
- A tá preparando o equipamento de caça dela. – disse sacudindo uma bolinha que fazia barulho.
- Caçar? – arregalou os olhos, assustado. suspirou, abrindo a boca para explicar, porém fora interrompida pelo grito de .
- OMG! Quem vai caçar? – entrou no cômodo andando até os outros três, com as mãos na bochecha e a boca arreganhada de medo. “Medo”.
- A vai pegar umas vacas. – largou a bolinha e pegou a caixa da mão de , querendo ver se tinha alguma coisa lá dentro. encarou depois de bufar, ela queria se explicar, mas o garoto não parava de piorar a situação.
- Vacas? – parou para pensar por alguns segundos, tentando-se lembrar se as vacas que se recordava eram as vaquinhas estampadas no pano de prato da cozinha ou se eram vacas de verdade.
- Ou podem ser porcas velhas também. – abriu a boca para complicar ainda mais a situação, fazendo choramingar no lugar porque queria falar e ninguém deixava.
- Quem vai comer porcas velhas? – apareceu no sótão também, todo molhado. , e o olharam com um olhar de interrogação – Ah, me jogou na piscina. – deu de ombros como se fosse uma ação normal. – Mas quem vai comer porcas velhas? – insistiu na pergunta.
- Eu não sei, no começo eu achei que eram vacas, mas depois o falou em porcas velhas. – explicou, demonstrando os passos da história com as mãos.
- E que a vai caçá-las. – complementou.
- É só um teste com as vacas. – complicou novamente, debruçando-se no parapeito da janela ao lado da cama.
- Tá querendo voar, ? – fez um comentário totalmente aleatório.
- E cuidado com as vacas. – complementou.
- Onde tem vaca voando? – entrou no sótão também, acompanhado de .
- Não tem vaca voando. – explicou.
- Mas caso apareça, a vai caçar. Junto com as porcas velhas. – disse ao fazer uma espingarda com as mãos e dar um tiro em , que fingiu que a bala o acertava no coração, caindo vagarosamente na cama.
- O que as nossas vizinhas têm a ver com tudo isso? Por que a vai caçá-las? – perguntou, apontando para a janela para indicar as vizinhas.
- AI, ATÉ QUE ENFIM ALGUÉM ME ENTENDEU! – finalmente conseguiu falar, levantando-se da cama imediatamente e indo abraçar , que ficou estática no lugar ainda querendo entender o que estava acontecendo.
- Mas não era óbvio que era esse o assunto? – ergueu uma sobrancelha, olhando para todos ao seu redor.
- Não. – os garotos responderam juntos, rindo logo em seguida.
- Acho melhor a explicar. – a puxou do abraço com a , fazendo-a se sentar na cama. Além de , os outros formaram uma rodinha ao redor deles. Então começou a explicar calmamente o que faria com aquilo.

- Quarenta e sete, quarenta e oito, quarenta e nove, cinquenta! LÁ VOU EU! – terminou de contar e desencostou o rosto do braço encostado na parede da sala. O silêncio predominava a mansão e ele fez questão de andar calmamente para não dar indícios de onde estava indo. Era a terceira rodada do esconde-esconde e ele apostou com que iria achar todo mundo.
Subiu os degraus da escada pé ante pé, até que escutou estalos no carpete de madeira do andar de baixo. Continuou a andar calmamente, porém com o olhar fixo na sala. Viu um vulto passar correndo do sofá para a biblioteca e recostou-se no corrimão da escada, onde quem estivesse na biblioteca não teria visão dele. Tornou a descer as escadas rapidamente, mas sem fazer barulho, chegando à sala. Engatinhou no chão até a porta da biblioteca, onde conseguiria enxergar todo o cômodo pelo espelho que tinha ali. enxergou quatro pernas esticadas atrás da poltrona, o que indicava que essas pessoas estavam sentadas. Reparou que um par de pernas tinham pés descalços, e o outro tinham tênis, reconhecendo de quem era. Santa intimidade, pensou antes de sair correndo para o local onde estava contando até cinquenta no início.
- Um, dois, três, ! Um, dois, três, ! Podem sair, otários, já achei vocês! – gritou com um sorriso vitorioso no rosto.
- QUE DROGA! Como você viu a gente aqui? – olhava em direção da biblioteca e congelou seus movimentos quando ouviu a voz de atrás de si. – ?
- A gente mudou a brincadeira para estátua ou... – pronunciou-se, encostando a mão no ombro de . – ? – o garoto saiu correndo em direção à biblioteca, entrando de supetão e indo para trás da poltrona, não encontrando ninguém ali. Girou seu corpo no lugar, começando a ficar com a respiração falha e os batimentos cardíacos acelerados.
- , você tá me assustando. – disse ao entrar na biblioteca, acompanhado de que, pela primeira vez na vida, parecia sério.
- O que aconteceu? – perguntou, andando até e fazendo com que ele se sentasse na poltrona. Após fazer isso, esfregou os olhos e olhou atônito para os dois amigos, que o encaravam assustados.
- Eu comecei a subir a escada e ouvi um barulho vindo da sala. – apontou primeiro para a escada e depois para a sala – Então eu fiquei prestando atenção e vi um vulto indo do sofá até aqui. Resolvi voltar para ver quem era e quando cheguei aqui, vi que tinham pessoas sentadas atrás dessa poltrona – automaticamente deu dois passos para trás – e constatei que eram vocês. Só que aí vocês apareceram atrás de mim e ninguém saiu daqui. – engoliu em seco e afundou o rosto nas mãos – Eu quero minha mãe.
- Acho melhor a gente achar os outros e parar com a brincadeira. – concluiu, levantando-se para ir em busca dos casais daquela mansão.

ainda não tinha achado um local para se esconder, então quando ouviu gritando que estava indo, agachou-se atrás de um vaso grande que havia no andar de cima. Assim que tornou a descer as escadas, viu a chance de sair correndo e procurar um lugar melhor para se esconder.
O primeiro quarto do corredor era o quarto dos meninos, entrando rapidamente e olhando ao redor. Ficou em dúvida se entrava embaixo da cama ou escondia-se dentro do armário.
estava respirando vagarosamente dentro do armário, acreditando que assim seu ar duraria mais. O cheiro de mofo era bem perceptível, principalmente porque estava perto de um casaco grosso pendurado ali dentro, que ele não fazia ideia de quem era e esperava que a pessoa não aparecesse ali para pegá-lo. Ainda bem que é verão, ele pensou. Não sabia se já havia terminado de contar ou onde ele estava naquele momento, mas queria que alguma coisa acontecesse logo, senão ficaria entediado demais e teria que sair dali para um pouco de diversão. Recostou-se na parede do armário atrás de si e ouviu passos no quarto, sentindo seu coração disparar um pouco. Os passos pararam e continuaram logo em seguida, aproximando-se do armário. apoiou as duas mãos na porta fechada e olhou pela fresta da porta, sorrindo ao ver quem estava prestes a entrar ali.
Após uma batalha interna sinistra, resolveu que seria melhor esconder-se no armário, porque era até mais fácil de enganar e também de sair correndo depois. Olhou ao redor para constatar que realmente não estava ali e abriu a porta em um único movimento, entrando rapidamente, desviando-se das camisetas dos meninos penduradas ali. Acalmou a respiração e, quando ia tentar enxergar alguma coisa pela fresta da porta, sentiu duas mãos envolverem sua cintura e a puxarem para longe da porta.
- MAS O Q- ameaçou gritar, porém uma das mãos que estavam em sua cintura, foi até sua boca, tampando-a. começou a ficar assustada, mas logo sentiu um corpo grudar-se ao seu e um aroma de creme pós-barba adentrou sua respiração, sentindo um alívio imediato.
- Shiu, sou eu. – disse baixinho no ouvido de , tirando sua mão da boca dela e voltando a envolver sua cintura por debaixo da blusa que ela usava. Sentiu que ela se arrepiou com seu toque e sorriu com isso, depositando um beijo no seu pescoço.
- Eu não sabia que você estava aqui. – respondeu no mesmo tom, levantando uma das mãos para fazer cafuné em . O garoto soltou uma risada nasalada, virando o corpo de com suas mãos para que ela ficasse de frente para ele. - Eu poderia te expulsar daqui, sabia? – brincou, subindo suas mãos para os cabelos da garota.
- Tudo bem, me entregue para o então e deixe que eu vire comida de dragão. – fez bico, vendo prender o riso na sua frente. – Muito drama pra uma pessoa só, né? Pode falar. – negou com a sua cabeça, beijando seus lábios demoradamente.
- É isso que me faz te amar. – teve várias sensações ao mesmo tempo. Primeiro seu coração parou por um instante, depois o oxigênio que deveria entrar nos seus pulmões foi desviado para um lugar desconhecido. Suas pernas fraquejaram, sua boca ficou seca e ela esqueceu como juntar sílabas para formar palavras. – Eu... É... – percebeu o que havia dito, sem usar nenhum filtro no seu cérebro. Tentava organizar os pensamentos para explicar alguma coisa para a garota atônita à sua frente, mas sua ação fora interrompida quando abriu a porta do armário, gritando para que eles saíssem logo dali.

- Esse lugar não tem um cheiro muito bom. – disse ao tampar o nariz com uma das mãos, sentando-se na cadeira de praia que havia ali. soltou uma risada fraca, encostando-se na parede de madeira da casinha da piscina.
- Você que teve a ideia de se esconder aqui. – o garoto disse, olhando para respirando de boca aberta.
- Da última vez que eu entrei aqui não cheirava tão mal. – ela deu de ombros.
- É porque você ficou distraída com a minha beleza que nem percebeu que aqui estava fedendo. – deu um sorriso convencido e rolou os olhos, rindo em seguida.
- Mas é muito humilde mesmo, hein?! – disse irônica, vendo rir e logo depois adquirir uma expressão mais séria.
- Foi naquele dia que eu reparei que eu estava realmente gostando de você. – o garoto abaixou a cabeça ao falar, colocando as mãos no bolso. quase teve uma síncope ao ouvir aquelas palavras.
- Então quer dizer que você gosta de mim, ? – ela perguntou, tirando a mão do nariz e abaixando um pouco o tom de voz.
- Não deu pra perceber ainda? – ergueu minimamente o olhar e sorriu para ele, tentando afastar o pensamento de que não tinha como ele ficar mais sexy. levantou-se da cadeira que estava sentada e andou até , ficando a dois passos de distância dele.
- Ainda tenho um pouco de dúvida, sabe?! – fingiu que estava pensando e desviou o olhar para o teto. Sentiu as mãos de envolverem sua cintura e a puxarem para mais perto, logo em seguida sentindo um arrepiou percorrer seu corpo inteiro quando beijou seu pescoço. Assim que voltou sua cabeça para olhá-lo, encostou sua testa na dela, ignorando a vontade de beijá-la.
- ? – os dois separaram-se assustados quando ouviram a voz de do lado de fora, abrindo a porta logo em seguida. – Graças a Deus vocês estão aqui. – tinha a respiração falha e franziu as sobrancelhas ao ver aquilo, não gostando nem um pouco.
- O que aconteceu, ? – perguntou – Cadê o ? Já faz mais de quarenta minutos que estamos aqui escondidos.
- Vamos entrar que eu vou explicando tudo. – saiu da casinha, sendo seguido por e . Perceberam que o sol já estava se pondo, deixando o céu com um tom alaranjado. – Parece que viu assombrações de novo. – entortou a boca e agarrou a mão de automaticamente.
- E a gente precisa fazer uma reunião toda vez que isso acontece? – indagou, ficando desconfortável com aquela situação.
- Bom... Não sei... Eu... Foi automático. – coçou a nuca e sorriu sem graça para os dois ao seu lado, fazendo soltar um riso fraco.
- Acho que é melhor a gente entrar, acalmar o e esquecer essa história. – disse, tentando acreditar nas palavras que ela mesma havia dito. Os garotos concordaram e entraram na cozinha, ouvindo vozes altas na sala.
estava no meio da sala, perto da televisão, explicando para e o que havia acontecido. estava sentado encolhido em um canto, abraçado com uma almofada. Assim que , e entraram na sala, olhou imediatamente para , que sabia exatamente o que se passava na cabeça da amiga. deu de ombros, murmurando um “deixa quieto” para .
- Seja o que isso for, eu tenho certeza de que não é para nos causar mal. – disse, sendo abraçada por .
- Se nós nos preocuparmos com isso toda vez, vai chegar uma hora que vamos sair correndo daqui, largando tudo para trás. – disse após depositar um beijo na cabeça de .
- Mas... – tentou argumentar, sendo interrompido por .
- Eles têm razão, . Fica tranquilo, nós estamos juntos e nada de ruim vai acontecer. – disse, levantando-se do seu lugar e indo abraçar .
- LARGA MEU HOMEM! – fez uma voz afetada e saiu correndo em direção de e , para separá-los. Como correu rápido demais, acabou trombando neles e os três foram parar no chão. e saíram correndo em seguida, pulando em cima deles. As garotas deram risada e se olharam. adquiriu uma expressão séria e indicou o andar de cima com a cabeça, levantando-se do sofá logo em seguida, subindo as escadas. esperou dois minutos e foi atrás da amiga, correndo. A encontrou no quarto delas, entrando e fechando a porta logo em seguida.
- O que me conta, amiga? – disse ao sentar-se ao lado de na cama
. - Eu vou falar tudo de uma vez, tá? – começou com a voz infantil e concordou, já acostumada com o jeito dela de contar histórias.
- Sou toda ouvidos. – ajeitou-se na cama e deu um longe suspiro.
- Na hora de me esconder, eu acabei me escondendo no armário do quarto dos meninos junto com o , né.
- Hum, brincando de sete minutos no paraíso, é? – disse maliciosa e mostrou o dedo do meio, rindo em seguida.
- Seus comentários são tão desnecessários, .
- Continua, sua chata.
- Então, eu entrei no armário depois dele, e ele acabou me assustando um pouco, me puxando para mais perto. Aí pulando uma parte que você não tem necessidade de saber, eu comecei a fazer drama e depois disso ele disse: É isso que me faz te amar cada dia mais. E aí o abriu a porta e acabou minha história do dia que eu quase morri do coração. Uhul. – suspirou pesadamente, vendo sem movimento algum à sua frente. – ? Você tá respirando? – colocou a mão perto das narinas dela, recebendo um tapa na mão logo em seguida.
- Eu estou respirando, eu quero saber como é que você ainda está respirando depois disso? – disse sincera, encarando a amiga.
- Não sei, . Não sei o que pensar sobre isso. Não sei se eu fico feliz ou se eu fico desesperada. – desviou seu olhar para a porta do quarto – Principalmente porque eles vão embora e eu vou ficar sem o .
- Hey, nada de depressão agora. – a abraçou – O melhor que você tem de fazer agora é puxar o para um canto e conversar com ele sobre isso.
- Você acha? – mordeu o lábio, encarando a amiga com certa dúvida se aquilo realmente funcionaria.
- Acho que uma conversa sempre leva a algum resultado. – as duas se abraçaram de novo, decidindo que aquele assunto só seria discutido de novo entre as duas quando alguma coisa fosse resolvida.

- Ela pirou de vez. – comentou divertido com , fazendo movimentos circulares com o indicador próximo de sua cabeça. – O que andou fazendo com a menina, ?
limitou-se a rir, assim como os outros garotos que observavam e pela janela da sala de estar. Fazia quase quinze minutos desde que as duas garotas estavam do lado de fora, limpando a parte da frente da mansão. Na verdade, estava instalando o seu aparelho de caça e disfarçava, afofando a grama e arrancando flores mortas. volta ou outra lançava um olhar em direção da casa, com uma expressão completamente entediada, pensando que seria muito mais agradável estar nos braços de , ao invés de ficar ali bancando a jardineira feliz que cuida das plantas às dez e meia da noite.
- Ela sabe que não está disfarçando nada, não sabe? – riu, sendo o primeiro a deixar o posto de observador e se jogar no sofá, trocando de canal enquanto se ajeitava entre as almofadas macias. foi o segundo a se jogar no sofá, mas apenas para tentar tirar o controle das mãos de , porque queria ver algum filme que estava passando dois canais atrás. – Quem é o maluco que cuida do jardim de noite? E de pijamas ainda?
- Elas., e disseram juntos, cada um rindo em seu próprio tempo depois. – Eu vou sentir falta delas. – disse após soltar um suspiro fraco, olhando brevemente para e , que assentiram sem tirar os olhos das garotas lá fora. – Vou sentir falta disso. Sabe, disso tudo que estamos passando aqui.
- Nós também. – sorriu sem mostrar os dentes, sentindo algo incomodar dentro dele. – Acredite, nós também.
não disse nada, apenas ficou imerso em seus próprios pensamentos. Até mesmo e que não estavam mais brigando pelo controle e agora assistiam ao jogo de futebol abraçados como dois namorados – tinham o mesmo pensamento naquele instante, mesmo que não tivessem sequer ouvido a conversa dos três, que se juntavam a eles agora.
passou os olhos brevemente pela sala e admitiu que, por mais que estivesse morrendo de vontade de ver a sua menina, ele sentiria muito a falta daquelas duas.
Deixou um suspiro escapar. Ele queria poder ficar ali para sempre.
Os garotos tiveram suas atenções roubadas quando a porta da frente foi aberta abruptamente e uma passou correndo pela mesma, se escondendo atrás de , praticamente espremida entre as costas dele e o sofá. Como ela foi parar ali tão depressa?! Pensou , olhando da garota que ria descontroladamente para a porta, por onde um monstro do pântano passava. virou seu rosto na direção de para comentar alguma coisa com , mas ele refreou o movimento na metade do percurso, olhando na direção da porta de novo. Monstro do pântano?
- QUE É ISSO, SENHOR?! – Ele berrou, e mais risadas de eclodiram no ar. A essa altura, os outros meninos seguravam o riso. não estava entendendo e quando explodiu em gargalhadas também, ele identificou o ser abominável, que choramingou alguma coisa. Ah, ele pensou, era apenas coberta de grama e terra. – O que aconteceu, ?!
Ela murmurou coisas desconexas e seguiu para o segundo andar, deixando sem sua resposta na língua dos homens e um rastro atrás de si de folhas verdes.
- Ai, a estava tentando instalar o alarme daquela geringonça. – pegou fôlego e se ajeitou no sofá ao lado de , enxugando as lágrimas que escorriam pelo seu rosto, amarrando os cabelos num coque frouxo, abanando o rosto com as mãos. – Mas aí ela fez uma combinação errada e o aparelho pifou.
- E isso fez com que ela ficasse coberta de grama? – perguntou, tentando imaginar como aquilo acontecera. – Tipo, ele explodiu ou coisa do tipo?
- Não, isso fui eu. – Ela deu de ombros, começando a rir de novo. – Ah, não me culpem, eu sempre quis fazer guerrinha de terra!
- Geralmente as pessoas normais ficam com vontade de fazer guerra de neve, e não de terra. – caçoou, recebendo língua de . – Mas por que você tá limpa enquanto a parece ter saído de uma poça de lama?
- A não tem uma mira muito boa.
E todos riram, fazendo observações da péssima mira que tinha. já tinha recuperado o fôlego, mas volta ou outra o perdia novamente quando a beijava repentinamente. Os quatro garotos restantes já estavam longe dos pensamentos de saudade antecipada, aproveitando o momento em que contava sobre a época da escola, quando certa vez tentou acertar a lata de lixo que estava do lado dela, mas acabou acertando o professor mais chato da história que passava no corredor. ria da maneira particular dele, dando tapas quase agressivos em sua própria perna. estava gostando de relembrar os micos do passado – micos da – e quando ia fazer algum comentário aleatório, foi interrompida pela mesma, que descia as escadas na velocidade da luz. Todos repararam ao mesmo tempo que ela ainda tinha grama no cabelo, mas resolveram ignorar porque ela parecia prestes a sofrer um enfarte, apoiando-se em seus joelhos com a respiração falha.
Imediatamente e se levantaram, sendo seguidos pelos demais, correndo até . instintivamente sorriu quando percebeu que ela estava usando sua camiseta, que provavelmente ele tinha deixado pendurada no banheiro. Dispersou o pensamento quando endireitou a postura, olhando para cada um brevemente. Quando achou que ia precisar usar força bruta para que ela falasse, exibiu um tipo de sorriso bem próximo de maligno, e logo ela teve suas suspeitas comprovadas, quando a própria disse, num sussurro:
- Elas estão vindo.


14. BOO! Did I scare you?


- , você tá com a mão na minha bunda! – reclamou, tentando dar um tapa em , mas acabou acertando , que deu um soco em achando ser . – Shiu! – Ele tentou não rir, colocando ambas as mãos na boca. Aquela situação por si só já era engraçada. Os três estavam espremidos dentro da dispensa, dividindo o pequeno espaço com pacotes de macarrão e latas de leite na mais completa escuridão. concordou que se ele estivesse ali sozinho, já teria morrido de medo. – Não vamos conseguir ouvir o sinal se continuarmos falando!
- Você era o único que estava falando, . – rolou os olhos, se acostumando aos poucos com a falta de luz ali.
- Alguém mais aqui acha essa ideia maluca? – sussurrou por fim, apoiando o queixo no ombro de . Ou de . Sendo de um dos dois ali presentes era o que importava. – Isso é loucura!
- Quieto, . – bradou da forma mais severa que ele conseguia sem alterar o tom de voz. – Acho que... – espiou pela fresta da porta, franzindo a sobrancelha. – O que o tonto do tá fazendo ali?!

- Droga. xingou, sentindo o coração bater acelerado, tanto pela adrenalina, como pelo receio. Era para ele estar escondido com alguém, mas acabou ficando sozinho e ele não queria aquilo. Congelou todos os movimentos quando ouviu um silvo baixo soar atrás de si.
- , o que você tá fazendo aí?! – Ouviu a voz de sussurrar de maneira urgente e instantaneamente ele se sentiu mais seguro, correndo até a garota que estava abaixada no corredor. Ele se agachou ao lado dela, segurando sua mão como uma criança medrosa, correndo os olhos pelo ambiente escuro. Com medo de ver alguma coisa indesejada, ele achou melhor se focar nos olhos de . Ela sorriu, rolando os olhos. Sem que os dois soubessem, observava tudo de dentro da dispensa com uma cara amarrada. – Você não devia estar escondido?
- E você também não devia? – Ele retrucou, franzindo minimamente a sobrancelha. – Cadê o restante do pessoal?
- A e o estão no sótão. – respondeu, esticando o pescoço para poder enxergar a porta de entrada. – Os outros eu não sei. A gente precisa se esconder, acho que elas vão tentar entrar por aqui. – apontou a porta da cozinha com o queixo.
- Como você sabe?
- Sabendo. – Ela disse simplesmente, sem muita paciência para explicar. - Vem comigo. – se ergueu minimamente, puxando pela manga da camiseta e sumindo do limitado campo de visão de , que só não saíra de dentro da dispensa porque não conseguia se mover.

- Esse plano vai dar certo? – questionou usando um tom baixo, erguendo acima de sua cabeça o lençol branco, criando uma cortina entre ele e . – É uma coisa meio amadora.
- Claro, se você colocar isso na sua cabeça e sair pelo corredor dizendo “boooooo”. riu fraquinho, tirando o lençol das mãos de e jogando o tecido em cima da cama, entrelaçando seus braços atrás da nuca dele, beijando docemente seus lábios. – E quem disse que vamos usar lençóis encardidos?
- Não vamos? – arqueou uma sobrancelha e aquele gesto fez com que suspirasse. Ela esperava que ele não tivesse percebido aquilo. – Mas a não disse que deveríamos assustar as... As vizinhas?
semicerrou brevemente seus olhos ao perceber que “vizinhas” não foi o primeiro adjetivo que ele pensou, mas riu fraco logo depois porque continuava com o semblante confuso.
- Seu conceito sobre assustar é muito fraco, . – rolou os olhos e foi surpreendida quando a agarrou pela cintura, colando seus corpos e a fazendo se esquecer do comentário irônico que iria fazer. podia não saber assustar ninguém com mais de dois anos de idade, mas ele sabia muito bem como deixar o coração dela perto de parar.

Enquanto isso, do lado de fora da mansão...

- E se a gente for presa? – Jenna choramingou, olhando para Chloe e Madison com os olhos marejados, sendo ignorada pelas duas. – Isso é invasão!
- Cala a boca, imbecil. – Chloe a repreendeu, olhando mais uma vez para o quintal da mansão, certificando-se de que não havia ninguém ali. Encontrando a passagem que usaram há dois dias atrás – ela comemorou internamente que nenhuma das duas moradoras tenha percebido a falha – ela foi a primeira a invadir o terreno, sendo seguida por Madison e Jenna, que ainda parecia estar prestes a chorar.
Procurou se esconder atrás da casinha da piscina, segurando Jenna pelos ombros com um pouco de brutalidade, fazendo-a a encarar. – Escuta aqui, essa pode ser a nossa grande oportunidade de provar que o One Direction está morando nessa casa e eu não vou sair daqui enquanto não tiver essa prova. Se você for colocar tudo a perder, é melhor dar meia volta e ir chorar no banheiro como uma criancinha medrosa!
- Credo, Chloe, não precisa ser grossa.
Madison murmurou fazendo bico, abraçando Jenna, que fungou manhosa. Chloe rolou os olhos e bufou, concluindo que ninguém a deixaria ali sozinha, por mais que as outras duas estivessem com medo. Resolveu ignorá-las e virou-se em direção à mansão, vigiando as janelas do primeiro andar. As luzes da cozinha estavam apagadas, mas era possível ver uma parca luminosidade, que deveria ser da televisão ligada. Droga, ela pensou. Olhou para as janelas do segundo andar, encontrando-as fechadas. Tomou fôlego e acenou para que as amigas a seguissem.
Quando conseguiram atravessar a extensão toda do quintal – não sem antes Madison quase cair dentro da piscina por ter tropeçado em um par de chinelos masculinos, e quase surtar porque ela jurava que aqueles chinelos eram de – elas grudaram na parede ao lado da porta da cozinha, sentindo seus corações baterem mais forte do que nunca.
Sensatamente nenhuma delas trocou uma palavra sequer, e mesmo Jenna que continuava com medo pensando que na cadeia não tinha manicure não pronunciou um resmungo sequer. Chloe colocou a mão na maçaneta, virando-a vagarosamente, tomando cuidado para não fazer nenhum barulho suspeito e torcendo para que a porta não estivesse trancada.
Quando um click suave soou, indicando que a porta havia sido aberta, ela quase pulou gritando “otárias” – porque havia sido muito fácil invadir a casa delas. Na escuridão, ela deu o primeiro passo para dentro, respirando pesadamente.
Já podia imaginar os milhares de seguidores que ia conseguir no twitter quando provasse que era vizinha do One Direction e que ela tinha um caso com . Claro que aquilo não era verdade, mas quem é que ia poder desmentir quando ela publicasse fotos dos pertences dele? Naquele momento ela se perguntou o que faria caso fosse verdade que o One Direction estivesse ali. Não tinha se concentrado muito naquilo; havia passado os dois últimos dias bolando aquele plano genial. Deu de ombros, dizendo para si mesma que não precisaria fazer muito. Quando a visse e se apaixonasse, ele faria o resto todo ser verdade. Sorriu presunçosa, já imaginando em como aquilo seria perfeito.
Parou de caminhar quando sentiu as mãos urgentes de Madison em seu ombro, cutucando-a freneticamente. Bufou, já se preparando para lhe dar um sermão. Encontrou a amiga com os olhos marejados, se abanando enquanto Jenna dava pulos no lugar, agitando os longos cabelos loiros.
- Você se drogou? Tá maluca?! – Chloe xingou, beliscando a menina que parou imediatamente com o surto. Jenna tomou fôlego e com uma mão na altura do coração, estendeu a outra mão e Chloe percebeu que havia um iPhone nela. “Isso é apenas um iPhone, sua anta!” ela pensou em dizer, mas então se deu conta de que aquele celular não era de nenhuma delas. Abriu a boca num grande “O”, porque quando apanhou o aparelho para se certificar de que não era de nenhuma das duas garotas que moravam ali, quase morreu ao reconhecê-lo. – OMG. OMG. OMG. Esse é o celular do ! Oh meu Deus, é o celular dele, eu tenho certeza!
- Será que a gente consegue desbloquear? – Jenna pegou o aparelho de volta, olhando em dúvida para a tela que pedia um código de quatro dígitos, pensando em qual combinação poderia usar. – Será que é a data de nascimento dele?
- Não pode ser tão óbvio. – Madison opinou. As três garotas se esqueceram brevemente que estavam invadindo a casa alheia, e ficaram naquele dilema no meio da cozinha, formando uma roda. – Ele não seria tão idiota. Seria?
- Vamos tentar. – Chloe apanhou o iPhone e quando estava prestes a fazer a primeira tentava, foi surpreendida por um ruído vindo de dentro do que ela julgava ser a dispensa. Colocou o celular sobre a bancada, fazendo nota mental de averiguar depois. Com um sorriso confiante nos lábios ela sequer hesitou em seguir até a porta, sendo observada por Jenna e Madison. Girou a maçaneta. – Tá trancada. – Ela franziu as sobrancelhas, forçando um pouco mais. – Quem é que tranca a dispensa? – Debochou, resolvendo ignorar.
- Chloe, vem aqui! – Ouviu o sussurro de Madison e correu até ela, tampando a boca da garota com as mãos. Por mais que aparentemente ninguém estivesse acordado, ela não queria arriscar nem o menor dos ruídos. Assim que Chloe ficou ao lado dela, Madison apontou para Jenna, que estava na sala de estar.
- Definitivamente, - Jenna sorriu, apontando para o moletom da Hollister que encontrara jogado atrás do sofá. – isso não serve nelas e nem no suposto avô. E com certeza esse é o perfume do .
- Como você sabe? – Chloe e Madison perguntaram ao mesmo tempo.
- Eu li em um site que ele gosta desse tipo de perfume. – Jenna respondeu sonhadora, abraçando o moletom imaginando que aquele era o próprio . As três olharam ao mesmo tempo para a porta próxima à escada, de onde partiu a voz nítida de . Não em um tom alto, parecia um sussurro que reverberou na casa por estar extremamente silenciosa e elas entenderam claramente um “Ai, !”.
- OMG. OMG. Essa é a voz do ! – Jenna choramingou, soluçando. Chloe e Madison apertaram suas mãos e correram até a porta da mesma, nem ligando mais se as moradoras iriam chamar a polícia ou coisa do tipo. Aquilo era surreal demais e elas tinham que aproveitar o quanto pudessem.
As três se atrapalharam na hora de abrir a porta e quando conseguiram, acabaram caindo para dentro com um grande estrondo. Chloe ficara por baixo dos corpos de Jenna e Madison, mas fora a primeira a se erguer, olhando para toda a extensão da biblioteca com um enorme sorriso nos lábios. Mas o sorriso morreu quando ela não encontrou ninguém ali. Nem , nem a tal da .
- Er... Chloe? – Ouviu a voz de Jenna soar muito baixa e sem olhar na direção dela, seguiu até as poltronas, olhando atrás para ver se não eles não estavam escondidos ali. Resmungou algo para que ela falasse quando a mesma não disse nada. Irritada, parou perto da janela com as mãos na cintura, vendo que Jenna e Madison estavam de costas para ela, viradas em direção ao corredor. – As duas garotas que moram aqui, elas não têm os cabelos brancos, certo?
- Por que eu devo saber se elas pintam o cabelo de branco ou de rosa, ou de qualquer cor que não me interessa? – Bufou irritada. – Eu tenho certeza de que a voz do veio daqui. – Disse para si mesma. Sem saber explicar o porquê, sentiu um arrepio percorrer sua espinha no mesmo momento em que Madison respondia a pergunta que Jenna fizera antes.
- Porque se nenhuma delas têm cabelo branco... – Hesitante, Chloe se juntou as amigas, arregalando seus olhos ao ver o mesmo que as duas viam naquele momento. – Quem é aquela mulher?!
As três trocaram um rápido olhar assustado depois de ver a mulher no topo da escada acenar e sorrir. Sem conseguir se conter, Jenna gritou, sendo a primeira a correr em direção da saída. Chloe e Madison foram logo atrás, berrando e chorando, acordando alguns vizinhos que xingaram.

-x-

- Você é muito burro, . – retrucou assim que eles se certificaram que as vizinhas já haviam abandonado a mansão e provavelmente estavam na casa delas, chorando dentro do banheiro. Os três que estavam na dispensa foram os primeiros a se reunir ali na cozinha mesmo. e foram os próximos a se juntarem, com risos divertidos nos lábios.
- Não acredito que vocês se divertiram sem a gente! – deu um tapa no ombro de , que estava emburrado por ter levado bronca de . estava com um semblante pensativo. – e eu estávamos planejando uma cena bem do estilo O Exorcista quando ouvimos os gritos delas. O que vocês fizeram?
- Nós? – franziu as sobrancelhas e encarou e , sendo imitado por e que pararam de discutir. – Nós não fizemos nada. Não foi você que se passou pelo fantasminha camarada da vovó no topo da escada? Nós ouvimos uma delas gritar algo assim enquanto corriam para fora.
- Não fui eu não. Nem saí do sótão! Nossa, como a é maldosa! – estava incrédula com o nível de maldade da amiga.
- Por que eu sou maldosa? – Todos se viraram para ver e se juntarem a eles. – Quem foi que assustou elas?
- e eu estávamos no sótão esperando por um sinal. – ergueu as mãos se justificando, sendo fitado com curiosidade por .
- Não fomos nós também. – respondeu pelo grupo da dispensa. – Estávamos trancados dentro da dispensa.
- Trancados? – franziu a sobrancelha, despertando uma onda de apreensão nos meninos. – Não tem trinco na porta da dispensa, .
- Mas... Mas... – começou, apontando dela para a porta da mesma. Para se certificar, foi até ela. Olhou para todos com os olhos arregalados. Não havia sequer o buraco para colocar chave ali. – Elas quase abriram a porta. E ela estava trancada! Eu podia jurar que o tinha trancado!
- Eu nem estava perto da porta! – o encarou, se aproximando mais de .
- Onde vocês estavam? – questionou, sentindo o corpo inteiro se arrepiar.
- No banheiro. – Ela respondeu. ainda estava muito assustado para ficar com ciúmes pelo fato de ter ficado trancada no banheiro com .
– E ficamos lá até ouvirmos os gritos. – completou.
- Opa. Opa, opa, opa! – abraçou . – Se vocês dois estavam no banheiro, - ele apontou para e – e se vocês estavam no sótão, – apontou para e que estavam de mãos dadas e olhos vidrados nele – e nós estávamos trancados na dispensa que não tem chave...
- Quem foi que assustou elas? – Completou , procurando respostas no fundo dos olhos de cada um deles, demorando-se nos de .
A pergunta ficou no ar e ninguém queria fazer mais nenhuma suposição. De todos, a única pessoa que não estava prestes a ter os ossos diluídos era . Ela estava assustada sim, mas tinha uma vaga noção de quem poderia ser. Ficou ressentida por perceber que todos estavam com semblantes assustados, e tratou de amenizar o clima.
- Qual é pessoal, elas devem ter visto o lençol que colocou no lustre e acharam estar vendo alguém. – riu, porque também começou a rir. Ele havia se esquecido que tinha colocado um lençol no corredor. – Bom, de qualquer maneira, meu plano funcionou muito bem. Duvido que elas queiram voltar aqui.
- E eu duvido que eu vou conseguir dormir no sótão agora. – choramingou. e deixaram um awn comovido escapar.
- Acho que todos estão de acordo que ninguém está com sono. – disse, checando o relógio na parede. Quase meia noite. – Quem está afim de uma sessão pipoca até o sol raiar?
Prontamente todos ergueram a mão. Ninguém estava com vontade de subir e se deparar com o fantasminha camarada no segundo andar.

- Ainda bem que eu trouxe alguns filmes. – descia as escadas sorridente, abraçada com cinco caixas de DVD. Todos os outros estavam atrás dela, já que eles decidiram que ninguém subiria sozinho e ninguém ficaria esperando na sala. pensava se quando alguém quisesse ir ao banheiro teria uma excursão também.
- Quero só ver que filmes são esses. – comentou, sentando-se no sofá e puxando para sentar-se perto dele. considerava aquilo como um enroscamento.
- São os mais legais do mundo. – comentou ao espalhar as caixinhas em cima da mesa de centro, ajoelhando-se em frente com um sorriso infantil no rosto. queria pegá-la no colo e sair correndo.
- Af, olha isso! – bufou, apontando indignado para os filmes que estavam ali em cima.
- Só filme que não te fazem chorar e te deixam super feliz. – disse irônico, cruzando os braços na altura do peito, vendo e lhe mostrarem a língua.
- A Bela e a Fera, Simplesmente Amor, O Amor Não Tira Férias, P.S. Eu Te Amo e A Proposta. São filmes com temas bem diferentes também. – comentou, sentando-se esparramado no sofá.
- Vamos assistir Simplesmente Amor? perguntou, ajoelhando-se ao lado de . – Por favor, por favor! – olhou para que estava em pé à sua frente, que fez careta.
- Eu prefiro O Amor Não Tira Férias. disse ao segurar o DVD em mãos.
- Ai, , você assiste esse filme toda semana. – reclamou, ajeitando-se nos braços de – Prefiro assistir P.S. Eu Te Amo. – deu de ombros, vendo olhar para trás com uma expressão cínica.
- Nossa, e você nunca assiste esse, né?! – mostrou o dedo do meio e levantou-se, ficando ao lado de e de frente para os outros. – Temos um voto para O Amor Não Tira Férias, um voto para P.S. Eu Te Amo e um para Simplesmente Amor. , qual o seu voto?
- Hm... O mais legal dessas opções superanimadoras é A Bela e a Fera. deu de ombros, recebendo um olhar ameaçador de por ele ter falado mal dos filmes dela.
- Ok, criança. – riu, deixando mais calmo – ? – olhou para o garoto que estava sentado no braço do estofado.
- Eu prefiro comédia, então voto em A Proposta. bufou, não queria perder.
- ? – ela continuou. olhou atentamente para os filmes, não dando muita importância para aquela escolha.
- Fico com A Proposta também. quase pulou no pescoço dele. Odiava perder e era isso que estava acontecendo.
- ? – ela virou o corpo lentamente para encarar o garoto ao seu lado, com uma expressão que deixaria qualquer serial killer com inveja.
- Eu tô até com medo de falar o nome de qualquer outro filme que não seja O Amor Não Tira Férias. disse, dando um passo para trás. – Mas sorte a sua que eu gosto desse filme e é o melhor entre esses. – abriu um sorriso enorme, vendo fazer o mesmo logo em seguida.
- Temos um empate. – disse ao sentar na ponta do sofá. – Como vamos desempatar?
- Tive uma ideia. – sorriu diabolicamente e cada um que estava ao lado dela deu um passo para trás.

- Essa parte é muito boa! – comentou ao colocar um monte de pipoca na boca, falando de boca cheia. , que estava na outra extremidade do sofá fazendo cafuné em , rolou os olhos. A forma de desempate dela – esconder os filmes e pedir para que procurasse e o primeiro que ele achasse seria o vencedor – não a favorecera. Afinal, ela nunca esperaria que fosse procurar primeiro na cozinha do que procurar embaixo na almofada ao lado dele. A Proposta tinha vencido e ela estava emburrada, quase arrancando os cabelos de com suas mãos.
- Quem ligou o ar condicionado? – comentou com , escondendo os braços embaixo da almofada para esquentar-se. sentiu os pelos dos seus braços se arrepiarem também, olhando ao redor.
- Eu acho que aqui não tem ar condicionado, . – comentou com certo receio na voz, encolhendo-se um pouco no seu lugar.
Não foram só os dois que sentiram o clima ficar mais gelado na mansão. ouvira a conversa e começou a reparar no restante das pessoas sentadas no sofá. e abraçaram-se ainda mais, onde o garoto começou a esfregar o braço direito de para ver se o frio que ela sentia passava. sentou-se rapidamente e abraçou , que murmurou para ele um “ficou frio, né?”. sentiu uma onda de felicidade – uma pequenina onda – e sorriu, pegando seu celular no bolso da calça jeans.
- Anoitece em Mansão City, os sete amigos moradores da casa da vovó poeira achavam que seria uma noite normal para eles. – começou a gravar um novo vídeo, dando um pequeno susto em quando começou a falar.
- O que você tá fazendo, cara? – sussurrou para ele.
- Olá, . Diga como você se sente morando nessa casa sinistra. – “segurou” um microfone imaginário com a mão e a colocou perto da boca do garoto. olhou da mão de para a câmera três vezes e depois deu um tapa na mão dele, bufando e voltando a prestar atenção no filme. – É uma pena que as pessoas tentam ignorar o que está realmente acontecendo nessa mansão. – virou a câmera novamente para ele, lamentando-se.
- E o que realmente está acontecendo aqui, hein, ?! – perguntou do seu outro lado, o que o fez virar a câmera para ela.
- Não sei, minha cara , mas estamos aqui para descobrir, certo? – a garota assentiu após acenar para o vídeo, vendo a olhar com certo terror nos olhos.
- Relaxa, , eu te protejo. – disse dando um selinho nele, que sorriu com isso.
- Não é hora para o amor, meus amigos. – virou a câmera para ele novamente – É hora de Haunted Video Diaries número dois! – gritou, fazendo com que jogasse o balde de pipoca para cima levemente, caísse do sofá e batesse a cabeça no queixo de .
- Eu juro que algum dia eu vou trancar o dentro de um armário só para ter o gosto de lembrar como é passar um dia inteiro sem as loucuras dele. – comentou irritado, levantando-se do chão.
- Calma aí, tia velha. Tenho tudo sobre controle. – comentou, não se deixando abalar com o comentário.
- Por que estamos fazendo esse vídeo? – e perguntaram ao mesmo tempo. Quando ia abrir a boca para responder, ouviram um bater de portas vindo do andar de cima.
- Porque nós vamos descobrir o que tem no segundo andar dessa mansão. – levantou-se, pedindo para que todos o seguissem.
- Eu sou bem feliz sabendo que lá em cima tem os quartos, não preciso saber se tem mais alguma coisa lá. – comentou e concordou, indo atrás de de uma vez.

Assim que todos terminaram de subir as escadas, formaram uma fila indiana, com sendo o primeiro.
- O barulho parece ter vindo daqui. – começou a andar calmamente, filmando as portas dos quartos – Mas por enquanto nenhum indício de quem tenha causado.
- Ah, que pena! Parece que o que ou quem fez isso já foi embora. Vamos voltar pra sala, amigos? – comentou, sorrindo e apontando para as escadas. Todos o olharam e ninguém pareceu querer voltar para lá. – Não? Tudo bem, então. – suspirou, voltando a se juntar na fila. Enquanto ia em direção ao quarto que eles estavam dormindo, a luz do sótão acendeu, fazendo com que todos parassem de andar e prendessem a respiração.
- Vocês viram isso? Viram isso? Isso é uma tomada inédita de que essa casa está querendo dar algum sinal! – disse empolgado, aproximando-se da escada que levava ao sótão.
- Também acho. – disse – É um sinal para nós ficarmos longe do sótão.
- Para de ser mariquinha, ! – bradou – O que mais pode acontecer? – dito isso, as luzes que estavam acesas começaram a piscar, apagando de vez logo em seguida, deixando todos sem saber onde pisavam.
- Ai, eu odeio escuro! – choramingou, trombando em alguém. – ?
- , eu tô aqui, cadê você? – o garoto respondeu, segurando na mão de alguém – Você é a ?
- , fica calma, eu tô aqui. – abraçou alguém, acreditando que era .
- Mas eu não sei onde você tá, . – disse, forçando a visão para tentar enxergar alguma coisa.
- Não gosto disso, não gosto disso. – comentou, encostando-se na parede, sentindo alguém segurar sua mão. – QUEM TÁ SEGURANDO MINHA MÃO?
- Sou eu, . – disse – Ai, que bom que é você. – soltou uma risada nervosa.
- Eu sou o único que não se mexeu depois que ficou escuro? – disse, parado no meio do corredor, sem mover nenhum músculo.
Quando ia falar, ouviram madeira começar a ranger e sabiam que o barulho estava vindo do sótão. Como se tivessem combinado, saíram correndo e começaram a gritar, cada um procurando uma porta de algum lugar para se esconder.
- O que quer que aconteça, não parem de filmar! – disse antes de entrar em algum lugar e fechar a porta atrás de si.

Depois que suas respirações voltaram ao normal e os batimentos cardíacos estavam controlados, eles começaram a reparar no local que estavam.
- Primeiramente eu queria deixar claro que eu e a não temos nada além da mais pura e sincera amizade. - disse ao virar a câmera para ele. o olhou com a sobrancelha levantada.
- Por que isso? - ela perguntou, tirando o celular da mão dele para filmá-lo.
- Porque eu não quero apanhar do depois por estar trancado com você dentro do banheiro. - explicou, sentando-se na pia do banheiro enquanto recostava-se na parede, dando risada.
- Que seja. - deu de ombros - O que vamos fazer agora no escuro? Nós precisamos sair daqui e ir achar os outros.
- Você tem certeza? - abaixou o tom de voz - Pode ser que ao sairmos do banheiro, criaturas monstruosas apareçam no corredor querendo nos fazer de jantar.
- , isso não é Jurassik Park. - os dois deram risada, cessando logo em seguida. O combinado era não fazer barulho para despistar seja lá o que fosse. – E você também não é o Steven Spielberg.
- Você tem razão, vamos sair daqui. - pulou da pia, aproximando-se para dar um abraço em . - Aconteça o que acontecer, vou ter sempre boas lembranças de você, pequeno polegar. - teve de segurar o riso e afastou , empurrando-o pelo ombro. O garoto abriu a porta devagar, virando sua cabeça para trás para garantir o silêncio de , colocando o indicador sobre seus lábios, murmurando "shiu".
- E pensar que eu assistia Supernatural dizendo que queria ser um deles. - lamentou-se, vendo que na pele aquilo era muito sinistro.

- Quem é você? - colocou o flash do iPhone no rosto da pessoa que entrou no quarto dos garotos com ela.
- Tira isso do meu olho, ! - ouviu a voz de e logo que sua visão acostumou-se com o escuro, pôde reconhecer o seu rosto. - Tá filmando?
- Aham. me mata se eu parar. - os dois riram fraco, olhando ao redor. Tudo parecia mais macabro de noite.
- Nós vamos ficar aqui trancados ou vamos tentar sair para encontrar os outros? - perguntou, sentando-se na cama que estava dormindo naqueles dias. o encarou por alguns instantes, suspirando.
- Acho que se nós ficarmos aqui dentro, não vai ter muito material pro Haunted Video Diaries. - comentou mordendo o lábio inferior.
- Queria que o fosse uma pessoa normal e não tivesse essas ideias. - disse, mudando seu olhar em direção da câmera – Ouviu isso, ? - riu, aproximando-se dele e segurando em sua mão.
- Vai, vamos sair logo daqui.
- Espera, nós precisamos de uma plano. - tirou o celular da mão dela para filmá-la. - Quando sairmos daqui, nós vamos em direção ao sótão ou vamos descer as escadas gritando feito duas garotinhas?
- Voto em descer as escadas gritando feito... Espera, eu sou uma garotinha! - deu um tapa no braço de , rindo com ele logo depois. - Enfim, vamos fazer assim: Eu abro a porta e quando eu contar até três, nós saímos correndo.
- Feito. - os dois foram até a porta e a abriu devagar. - Um, dois, três. AGORA!

- Acho que eu encontrei um sutiã. - pegou a peça de roupa que tinha sentado em cima na cama de , iluminando-a e vendo um sutiã rendado e vermelho. - Ok, melhor eu não ficar imaginando de quem é. - engoliu em seco, deixando o objeto ao lado. - , que você tá fazendo dentro do armário?
- Mas eu tô do seu lado, . - disse próximo ao ouvido dele, fazendo-o se assustar e gritar. - Cacete, vai assustar sua mãe, ! - jogou o sutiã vermelho no rosto dele.
- Desculpa. - tirou o sutiã do rosto e olhou para o armário novamente.
- Então quem tá no armário? - perguntou. - Ô, QUEM TÁ AI? - tampou a boca de com a mão.
- Não grita, seu tapado!
- Sou eu, . - disse fechando a porta do armário. - E eu não estou no armário, estou em frente ao armário. - ele disse ao se aproximar dos amigos, sentando-se na frente deles na cama de .
- Que seja. - disse depois que tirou a mão dele de sua boca. - Acenem para a câmera. - ele pediu ao voltar a gravar.
- Agora você é a favor dessa perseguição? - perguntou sentando-se melhor na cama.
- Tá no inferno, abraça o capeta. - deu de ombros, fazendo os outros rirem.
- Acho melhor nós sairmos para acharmos os outros. - comentou, olhando para a porta fechada. - E também porque esse escuro está me dando agonia.
- Esse é o momento de maior tensão entre os moradores dessa mansão. - disse ao virar a câmera em sua direção - O momento em que vamos atrás do perigo, enfrentar nossos medos, superar todas-
- Vem logo, . - chamou já da porta do quarto, com ao seu lado. levantou-se correndo e juntou-se a eles, sentindo seu coração acelerar quando abriu a porta.

Quando todos abriram a porta em conjunto e saíram no corredor, a luz do mesmo voltou e a do sótão permaneceu apagada, como deveria ter ficado desde o começo.
- Ai, graças a Deus, luz de novo. – comentou respirando profundamente. Ao invés de sair correndo em direção as escadas, saiu correndo até , pulando em seu pescoço. – Hey, você tá viva!
- Que casal dramático, puta merda. – reclamou, entregando o celular de volta a e sentindo pigarrear ao lado dela. – Nós não somos assim, né? – ele riu, abraçando-a pela cintura, dando de ombros depois.
- Talvez... – ele respondeu, beijando a ponta do nariz dela.
- O mistério continua na mansão da vovó poeira. – disse olhando para o celular de , que agora achava graça naquilo. – Ainda não sabemos o que acontece aqui, mas eu tenho quase certeza que o problema vem dali. – apontou para o sótão e filmou a escada escura com seu celular.
- Ah, que bom, bem onde eu durmo SOZINHO. – pronunciou-se, parando ao lado de – Muito reconfortante.
Observando cruzar os braços como uma criança emburrada faria, todos caíram na gargalhada, esquecendo-se brevemente dos momentos aterrorizantes que passaram nos minutos anteriores.
- Essa foi a segunda edição inédita do Haunted Video Diaries! disse repentinamente, assustando a todos e por isso recebeu um tapa de . Ele tem que parar com essa mania de falar do nada, pensou enquanto dava leves e ligeiros tapas em seu peito. – O que virá a seguir? Nem eu sei, queridos companheiros. Mantenham seus olhos abertos – sussurrava, aproximando a câmera de seu rosto lentamente. – e rezem pela minha sobrevivência! Até a próxima, amigos!
Após desligar a câmera e guardar o celular no bolso, percebeu que estava sendo fitado por semblantes incrédulos de todos seus amigos. Menos e , que riam da graça dele. O mesmo deu de ombros, perguntando em um tom inocente o que ele havia dito de mais. Todos concordaram que seria desperdício de saliva argumentar com .
- Então, pessoal, o que vamos fazer agora? – perguntou, olhando apreensivo para o sótão. Ele não queria voltar para lá, mas nem que dissessem que havia uma fonte da juventude ali. – Não quero mais assistir filme.
- Nem eu. – Disseram e em sintonia, recebendo caretas das meninas.
- Alguma sugestão, ? – Perguntou , dando tapas nos ombros do amigo.
- EU! Aqui, eu tenho uma ideia! EU! – ergueu ambas as mãos, agitando-as no ar como aquela criança elétrica que quer ser chamada pela professora para resolver alguma coisa no quadro negro. soltou uma risadinha e gargalhou, fazendo com que ficasse vermelha. Ela não conseguia se controlar, de vez em quando. – Então, isso é uma coisa que eu sempre quis fazer!
- Vamos encher a piscina com chocolate? – arqueou uma sobrancelha, fitando a amiga que aderiu uma expressão confusa. – Vamos invadir o supermercado e comer tudo que a gente quiser? – franziu as sobrancelhas, fitando com a expressão fechada. – Ué, você vivia dizendo que queria fazer essas coisas!
- Coisas gordas, diga-se de passagem. – disse, recebendo um tapa de . – OUTCH, !
- Vocês vão me deixar falar? – Ela ficou emburrada, e todos soltaram um awn na intenção de provocá-la. rolou os olhos, se empolgando novamente com sua ideia. – Já está perto de amanhecer, - ela disse apontando para a janela do quarto dos meninos, que todos podiam ver dali. – e acredito que ninguém vai querer dormir agora, especialmente nosso menino . – concordou. – Então eu proponho que todo mundo veja o sol nascer!
- Eu voto a favor! – foi o primeiro a se pronunciar, abraçando pelos ombros, agitando-a exageradamente.
- Ninguém vai fazer objeção, eu acredito. – deu de ombros, bocejando. não tinha dúvidas de que ele seria o primeiro a dormir. – Vamos pegar uns cobertores e os travesseiros da sala.
- Eu faço chocolate quente! – se prontificou, correndo até o andar inferior após dar um beijo singelo em , que ria divertida. No segundo depois, todos os meninos arranjaram alguma coisa para fazer, e restou apenas e no corredor.
- Dá pra acreditar na facilidade que esses meninos trocam de humor? – observou, apoiando-se no ombro de , olhando o final da escada com um sorriso nos lábios. – Numa hora, estão prontos para se esconderem debaixo da cama...
- E no outro, parecem crianças prestes a fazer a coisa mais incrível da vida inteira. – completou, deixando um suspiro fraco escapar de seus lábios. Viu que a fitava num misto de preocupação e compaixão, e ela estalou a língua no céu da boca, meneando a cabeça. – Será que ainda temos mashmallows?
- Vamos lá embaixo averiguar, criança. abraçou pelo pescoço, desejando internamente que a amiga não ficasse mal – e o que ela mais temia: Não surtasse completamente – quando eles se fossem, dali a dois dias.
Por todo canto do andar inferior da mansão se espalhou um delicioso aroma de chocolate derretido. Pequenas risadas ora ou outra eclodiam, e unificadas com o cheiro doce, davam ao ambiente um clima tranquilo, totalmente diferente. Parecia que com as primeiras horas do dia as coisas ficavam menos assustadoras.
Depois de dividirem o chocolate quente em canecas, todos caminharam para o quintal. e juntaram as espreguiçadeiras com a ajuda dos meninos e depois de forrarem tudo com os lençóis e deixar tudo confortável com as almofadas e cobertores – as primeiras horas do dia costumavam ser um pouco geladas – os sete se acomodaram ali, rindo dos comentários de que aquilo estava parecendo uma grande suruba. estava com a cabeça encostada no ombro direito de ; no seu lado esquerdo, estava deitado brincando com , dizendo que ela deveria largar o homem dele. estava rindo com seu corpo apoiado em , sendo usada de travesseiro por . estava esticado sobre , e , e estava com a cabeça apoiada na perna de alguém que ele não sabia identificar naquele momento.
E todos embolados daquela maneira ficaram conversando e rindo, criando mais um momento inesquecível naquela mansão.


15. 48 hours


Fazia alguns minutos que estava encarando o notebook, por onde passavam algumas fotos que ela estava tentando não prestar muita atenção. Mas era meio impossível ignorar o sorriso de naquelas fotos. sorriu sozinha, passando um dedo sobre a tela, deixando um suspiro escapar.
No fundo, ela queria que aquelas fotos não significassem tanto para ela. Queria que fossem apenas as fotos que ela costumava ver em sites ou em revistas. Mas naquelas fotos estavam registrados os melhores momentos daquela semana, e ela sabia que ia sentir falta daquilo mais do que ela queria admitir.
Sorriu ao ver as caretas de e de , e pausou o slide show na primeira foto que ela tirou dos meninos, aumentando o sorriso ao ver todos dormindo como crianças na sala de estar. Ela não tinha mais palavras para descrever o quanto estava feliz por ter tido aquela oportunidade única. Destino, acaso, sina. Poderia usar qualquer palavra para tentar definir aquilo, mas sentia que nunca poderia explicar o que foi que acontecera ali.
De qualquer forma, ela estava grata. E estava mais grata ainda por não ter enfartado aos vinte e um anos de idade.
- Rindo do quê? – Levou um breve susto ao ouvir a voz de soar atrás de si. Mesmo após reconhecê-lo, seu coração continuou batendo acelerado. Olhou para trás e o viu encostado no batente da porta da biblioteca, com seu habitual sorriso de canto. Sorriu enviesada, indicando o lugar ao lado dela com a cabeça.
- Eu adoro essa foto. – Ela sussurrou assim que ele se sentou ao seu lado, abraçando-a pela cintura e apoiando seu queixo no ombro dela. – Vocês estão parecendo crianças.
concordou, passando com o mouse para poder ver as outras fotos. O sorriso não deixou os lábios de em nenhum momento. Em partes porque o aroma do pós-barba de a deixava inebriada.
- Eu gosto dessa. – só percebeu que havia fechado os olhos quando se pegou abrindo-os repentinamente, se perguntando se havia cochilado por alguns segundos. Afastou-se minimamente do abraço de para poder enxergar a tela. concordou ao ver a foto onde todos estavam na mesa de café da manhã, de pijamas e com as caras típicas de quem acabou de acordar. – E dessa também. – O sorriso esmaeceu nos lábios de , e ela sentiu aquele breve aperto no peito aparecer. Na foto, ela ria escondendo o rosto na curvatura do pescoço de , que esticava os dois braços para sustentar a câmera no alto, acima da cabeça dos dois.
- Eu gosto dela também. – disse sem olhar para o notebook no colo de , suspirando brevemente e olhando para um canto qualquer da biblioteca.
- Hey, pequena... – virou o rosto dela na direção do dele, percebendo que fechou os olhos para não encará-lo. – Olhe para mim.
negou como uma criança, e riu fraquinho. Lentamente ele colou seus lábios sobre o dela, se afastando o mínimo para sussurrar novamente para que ela olhasse para ele. Hesitante, obedeceu. E foi como se perder em outro mundo ao se deparar com os olhos de tão perto daquela forma. Ela sentiu seu coração explodir dentro do peito, e ele não estava muito diferente.
Em silêncio, eles encostaram suas testas, envolvendo os lábios num beijo sincronizado. Perfeitamente sincronizado, pensou .

- ? Você está acordada? – passou cuidadosamente os dedos pelo rosto dela, fazendo-a rir. – Oh, você está acordada.
- Não, , eu sou sonâmbula! – disse ainda de olhos fechados, sentindo a brisa tocar seus cabelos, provocando cócegas em seu pescoço. Depois do café da manhã – que fora basicamente no horário do almoço, porque todo mundo acordou tarde depois da longa madrugada – ela e ficaram deitados na grama sob a grande árvore, aproveitando o sol.
- Então suponho que você está sonhando comigo, porque sabe que sou eu que está falando com você. – disse de uma forma engraçada, fazendo abrir os olhos para poder ver o semblante dele. – Estou certo?
- Sempre. – Ela sorriu, puxando pela gola da camisa para poder selar seus lábios nos dele. Quando se afastaram, deixou um suspiro escapar, e ficou fitando o pedaço de céu através das folhas da árvore frondosa. – , eu posso te perguntar uma coisa?
- Sempre. – Ele imitou o tom de , apoiando sua cabeça em uma mão, ficando de lado para poder observar a garota. Sua mão livre desenhava formas irregulares pelos braços dela, e ele não podia evitar sorrir sempre que percebia ela se arrepiar com o gesto.
- Como vai ser?
- O quê?
- Quando vocês forem embora? – Ela virou seu rosto na direção dele, encontrando-o com a face pensativa.
- Eu não sei. – mordiscou o canto do lábio inferior. Viu assentir, e deixando que um sorriso brincasse em seus lábios, ergueu sua mão para brincar com os cabelos dela. – Mas você pode eliminar qualquer comemoraçãozinha, porque não vai se livrar de mim tão fácil assim.
- Droga. – fingiu socar o ar, franzindo as sobrancelhas. – Vou ter que cancelar os strippers e as bebidas.
fingiu-se de indignado, e sentando-se sobre as pernas de , iniciou um ataque de cócegas que fez a garota rir até perder o fôlego.
- Ai, para senão eu vou morrer de tanto rir e você vai ficar viúvo! – contorcia-se e dava alguns socos em , que parecia não se abalar com isso. O garoto parou, segurando as mãos dela em cima de sua cabeça, prendendo-as no chão.
- Dramática. – sorriram, aproximando suas bocas para iniciar um beijo, se não fosse Livin’ On A Prayer do Bon Jovi começar a sair do celular de . O garoto sentou-se ao lado de intrigado, olhando para o visor do celular.
- Quem é? – ela fez o mesmo, esticando o pescoço para olhar o objetivo.
- Não tá aparecendo... – a encarou – Mas alguma coisa me diz que não é notícia boa.
- É melhor atender logo então, pode ser alguma coisa urgente. – concordou minimamente com a cabeça, colocando o aparelho no ouvido.
- Alô? – a expressão de passou de preocupada para assustada, onde o viu engolir em seco. – Oi, Paul.

- O que ele queria? – perguntou sentando-se ao lado de no sofá.
- Ele estava bravo? – sentou-se do outro lado, cutucando o ombro de para que ele olhasse.
- Por que ele ligou pra você e não ligou para mim se ele sempre me liga? – perguntou intrigado, parando em frente de .
- Ele tá desconfiado de alguma coisa? – parou ao lado de , olhando apreensivo para .
- AH, UM POR VEZ! – gritou, tampando os ouvidos com as mãos. – Enfim, eu vou contar e não quero que ninguém me interrompa. – disse bravo, vendo os outros concordarem com a cabeça imediatamente. As garotas observaram tudo sentadas nos degraus da escada. – Ele primeiro explicou que ligou para mim porque o celular de deu fora de área. – pareceu conformado com a rejeição – Depois ele perguntou como estavam as coisas no Japão. Eu respondi minimamente que estava tudo bem e que esses dias estavam nos fazendo bem. Depois ele perguntou por que eu estava acordado de madrugada. – os garotos engoliram em seco, imaginando a morte lenta e dolorosa deles – Sorte que a estava do meu lado e eu consegui fingir que estava... Ocupado. Eu pedi para que ela falasse algumas coisas ao fundo e ele pareceu acreditar, porque até deu risada. – suspirou aliviado, colocando a mão no peito.
- Ele ligou só para isso? – perguntou, ainda inquieto com a situação.
- Não, ele queria combinar um local no aeroporto para nos pegar com a van. Disse que encontrávamos com ele meia hora depois do desembarque em uma cafeteria que tem lá. Isso vai dar tempo para que a gente vá para o aeroporto, nos encontrarmos com os clones e para que eles consigam sair de lá antes de serem vistos por alguém. – explicou calmamente e eles prestaram atenção em cada palavra.
- Nós precisamos bolar um plano. – disse, sentando-se na mesa de centro. o olhou e fez o mesmo, começando a pensar.
- Acho melhor resolver isso agora, que aí nós vamos poder esquematizar tudo. – disse com o cenho franzido. Nunca estiveram tão concentrados em alguma coisa como agora.
Da escada, as garotas sentiam um vazio começar a preencher o coração delas. Ouvindo aquela conversa deles, era mais do que certo que eles realmente estavam indo, e faltava menos de quarenta e oito horas para isso acontecer. respirou fundo e levantou-se, subindo as escadas sem fazer barulho. olhou para cima e pensou por um momento se deveria ir atrás dela ou ficar ali para deixá-la pensar um pouco. Assim que voltou o olhar para onde os meninos estavam, viu a encarando. sorriu minimamente e indicou o andar de cima com a cabeça, vendo-o concordar quase que imperceptivelmente. disse alguma coisa inaudível para , mas os garotos pareceram entender, concordando assim que saiu da rodinha e foi em direção às escadas. Quando passou por , deu um beijo na testa dela e continuou subindo os degraus da escada, deixando que seu coração se acelerasse o quanto fosse preciso.
Fitou a porta do quarto das garotas entreaberta, conseguindo ver os pés de sobre a cama. Respirou profundamente e abriu a porta devagar, esticando o pescoço para ver se ela tinha alguma reação.
- , pega papel higiênico pra mim. – a voz dela saiu abafada por causa do travesseiro que acolhia sua cabeça afundada ali. sorriu minimamente e foi silenciosamente até o banheiro, pegando papel higiênico para ela. Quando voltou, encontrou-a sentada na cama de costas para o banheiro, então conseguiu aproximar-se dela e sentar na cama, estendendo o papel para ela, que pegou sem ao menos olhar para o lado. – Ai, , como eu odeio ser assim. – ela assoou o nariz estrondosamente como sempre fazia. teve de segurar o riso – Sabe, eu queria estar menos afetada com tudo isso. Queria acreditar que tudo isso que a gente tá passando com eles não fosse acabar. – ela suspirou derrotada, limpando o nariz uma última vez com o papel, enxugando as lágrimas com o dorso de sua mão – Mas sei lá, parece que eu preciso de uma prova concreta de que nada vai mudar. – deixou o papel em cima do criado mudo e começou a se irritar porque não havia aberto a boca para fazer seus comentários inúteis. – Porra, você não vai falar na... – a frase morreu no final quando ela virou a cabeça para o lado e encontrou sentado onde deveria estar – Mas... ... Você... E a ? – olhou involuntariamente ao redor procurando pela amiga. soltou uma risada e segurou nas mãos dela, puxando-a para mais perto. Deu um beijo em cada mão, olhando-a intensamente logo em seguida.
- Nada vai mudar. – ele finalmente falou – Pode não ser muita coisa, mas eu estou te dando minha palavra. Eu prometo pra você, , - a encarou – prometo que você nunca vai sair da minha vida.
suspirou, querendo acreditar nas palavras de . Vendo que a garota ainda relutava com aquilo, a puxou para um abraço, envolvendo sua cintura com seus braços, sentindo as mãos dela em seus cabelos. Ele trilhou um caminho de pequenos beijos do pescoço até a boca de , percebendo que ela queria aquilo tanto quanto ele. Ambos queriam congelar o tempo e permanecer daquela maneira para sempre.

ainda estava sentava na escada vendo os meninos se atrapalharem e começarem uma nova discussão a cada cinco minutos. A garota acabou se distraindo uma hora contando quantos riscos o tecido do sofá tinha, e não percebeu quando sentou-se ao seu lado.
- No que você tá pensando? – entrelaçou seus dedos com os dela e viu que ela abriu um sorriso enorme.
- Nada... Só estava contando os riscos do sofá. – começou a rir e deu um beijo na testa dela. – Você não tem que voltar lá e terminar o plano?
- Não, cansei de pensar nisso. Quero pensar nessas últimas horas que vou ter do seu lado. – ele passou a mão pelo rosto de , vendo-a fechar os olhos com seu toque.
- É, isso é bem mais legal de se pensar. – ela abriu os olhos, aproximando-se para dar um selinho nele, tendo a ação interrompida por , que sentou-se no degrau de cima e colocou a mão entre as bocas deles.
- Atrapalhei alguma coisa? – perguntou cínico, fazendo rir e dar um soco na canela dele. – Ai, , você tem que ser mais fofo. – fez uma voz afetada, e riu ainda mais.
- , você promete que vai me visitar? – sentou-se no degrau debaixo, em frente à , abraçando uma perna dela.
- Se você me convidar eu vou. – ela respondeu ao fazer carinho no cabelo dele. – Aliás, ninguém me convidou ainda pra visitar a casa de ninguém. – fingiu uma lamentação, fazendo bico e abaixando a cabeça.
- Não houve oportunidade ainda, tá? – explicou-se, passando a mão na perna dela.
- Não liga pra esse feio, . – disse ao sentar-se do outro lado dela – Minha casa é muito mais legal que a dele e eu adoraria que você fosse lá sempre. – ele a puxou para um abraço, empurrando e fingindo estar bravo com ele.
- Obrigada, . Não sei o que seria da minha vida sem você. – entrou na brincadeira, sentindo a puxar pelo braço.
- Larga a , , ela é minha. – tentava tirar a mão de que segurava a cintura dela. – , você me perdoa? Quer ir na minha casa? Eu deixo você fazer o que quiser lá.
- Não vai na casa dele não, . Vai na minha, é maior. – disse, também tentando puxar a garota para o seu lado.
- Nem vem, eu pedi primeiro! – reclamou, ainda agarrado com a perna dela, puxando-a também.
- Se vocês continuarem me puxando eu vou quebrar no meio e não vou poder ir na casa de ninguém! – gritou, afastando-se de e arrumando o cabelo. Os garotos pararam por um instante e a encararam, voltando a puxá-la logo em seguida, murmurando qual casa era melhor. – Ai, meu Deus, não aguento esse monte de homem me querendo! – gargalhou, tentando se soltar do abraço coletivo que eles davam nela.

- , você não vai na piscina? Tá todo mundo lá. – disse ao entrar no quarto, já com o biquíni e um vestido por cima. Depois que o almoço tinha assentado no estômago de cada um, eles decidiram que queriam entrar na piscina pra relaxar.
- Vou sim, só estou terminando de me trocar! – ela gritou do banheiro e concordou, mesmo que não tivesse vendo. Ficou em frente do espelho, ajeitando o cabelo e cantarolando uma música qualquer. Ouviu a porta sendo destrancada e sair de lá de biquíni e short jeans, com um sorriso de orelha a orelha.
- Posso saber o motivo desse sorriso enorme? – perguntou, vendo rir levemente pelo reflexo do espelho.
- Você tá sozinha? – perguntou e virou-se de frente para ela.
- Não, o Roberto tá aqui comigo. – disse calmamente – Vem, Roberto, pode entrar! – olhou para a porta e fez o mesmo.
- Rober... – ia perguntar quem era Roberto quando começou a gargalhar – Nossa, como você é engraçada, né? – jogou a toalha que estava em cima da cama na direção da amiga, começando a rir logo em seguida.
- Enfim, não tem Roberto nenhum e nem ninguém. – cruzou os braços e olhou com a sobrancelha levantada para a amiga. foi até a porta do quarto e a fechou, voltando apressada até , parando de frente para ela.
- De manhã... Na hora que eu vim pra cá e o veio atrás... A gente... É... Você sabe... A gente... Ai, , ajuda aqui, vai! – abriu um sorriso enorme, começando a dar pulinhos no lugar.
- Ai, desculpa, é que eu gosto de te ver encabulada! – começou a jogar mexas do cabelo de para o alto, ainda dando vários pulinhos desengonçados. – Quer dizer então que vocês conceberam um ato de amor? – encarou estática por um segundo e depois começou a rir alto, dando um tapa na cabeça dela.
- Puta merda, , você faz isso parecer tão brega. – rolou os olhos, vendo sossegar no lugar – Mas é, a gente concebeu um ato de amor ou seja lá do que você queira chamar. – abraçou a amiga e começou a listar várias razões de porque aquilo era lindo e fofo.
- Agora você pode colocar o plano que eu tive em ação!
- Qual plano? – perguntou tentando se lembrar de uma coisa maluca que tenha dito dentre as milhares que ela fala.
- De falar que tá grávida e se mudar pra casa dele. – deu de ombros, virando-se para o espelho novamente.
- Ah, claro, esse plano superinteligente! – rolou os olhos, sorrindo. Aliás, ela estava sorrindo o dia inteiro e não conseguiria parar tão cedo. – Vai, vamos descer. Não vamos pensar no futuro, vamos pensar no agora e viver nossa vida intensamente! – abriu os braços e saiu correndo, gritando Hakuna Matata pela casa.
- Quem te viu, quem te vê, hein, . – afastou os pensamentos da cabeça e saiu do quarto, seguindo os gritos que vinham da piscina.

-x-

- Quem está aí com você? , estou ouvindo vozes, e não são da minha cabeça!
rolou os olhos pela quinta vez, jogando almofadas em e , que insistiam em fazer graça enquanto ela estava no telefone com a mãe.
- Eu já disse mãe, - arremessou o controle remoto, se arrependendo no segundo em que ouviu o baque surdo indicando que havia acertado a testa de alguém. – é apenas a televisão!
prensou o celular entre a orelha e o ombro, correndo até e massageando sua testa, dando repetidos beijos silenciosos sobre o local atingido. teve que segurar o riso quando viu acertar sua própria cabeça com o travesseiro, jogando-se no chão ao lado de , que agora era amparada por , fazendo cara de choro e apontando para o local atingido logo em seguida. rolou os olhos, depositando um beijo rápido na ponta do nariz dele, resolvendo que seria melhor sair da sala antes que sua mãe arranjasse um meio de chegar até ela pela fibra ótica. Por um momento ela se perguntou se aquilo fazia sentido, mas depois resolveu ignorar.
- Sei, esses tipos de televisões de hoje em dia! bufou, andando sem um rumo certo pelo corredor do segundo andar. Parou de frente para o quadro de flores, ajeitando-o na parede enquanto ouvia a mãe falar. – Pensei que você tinha se esquecido que tinha família aqui! quis chamá-la de dramática, mas acabou soltando um risinho pelo nariz. Teve a quem puxar, afinal. – Mas me diz, como estão as coisas por ai? está bem? Estive com a mãe dela ontem! - Nossa mãe, uma coisa de cada vez! – riu, ouvindo a risada da mãe do outro lado. – Mas enfim, resumindo, está tudo muito bem por aqui. – alargou o sorriso ao perceber que tinha entrado no quarto dos meninos, encontrando adormecido como um bebê. Deu dois passos silenciosos para trás, encostando a porta novamente, subindo as escadas do sótão. Muitas vezes ela se perguntava como é que conseguia começar a conversar com alguém pelo telefone na sala e terminar no quintal.
- E você já foi visitar suas primas?
- Que primas? – franziu a sobrancelha, sentando-se confortavelmente na cama de , colocando o travesseiro sobre suas pernas estiradas. – Não me lembro de nenhuma que não esteja no Brasil.
- Como não, ? A Carminda e a Laurinda! Elas vieram passar as férias aqui conosco alguns anos atrás. forçava a memória enquanto a mãe ia dizendo como elas cresceram e blábláblá. Num estalo, ela se lembrou. E logo veio a sua mente a imagem de duas garotinhas mimadas e cheias de se acharem as melhores do mundo em tudo. sentiu vontade de vomitar – no modo figurativo da coisa, é claro. – Eu até falei para elas que você estava morando aí.
- VOCÊ O QUÊ?! – berrou, assustando que passava no corredor abaixo. Mil pensamentos correram pela mente dela naquele momento; enquanto ela se perguntava como era possível ter se assustado àquela distância, também se perguntava como sua mãe conseguia fazer aquelas coisas. sequer sabia que elas mantinham contato! – Mãe, como assim?! Você não pode sair falando para todo mundo do universo inteiro que eu estou morando aqui em Londres!!!
- Ai, , para de ser exagerada! Elas são suas primas, oras! E eu só queria ter certeza de que você e a teriam boa companhia por aí! Afinal de contas, você nunca morou sozinha né, e elas moram aí há tanto tempo...
fechou os olhos e contou até perder a conta. colocou metade do corpo para dentro do sótão, arqueando uma sobrancelha quando encontrou de olhos fechados, segurando o celular na frente do rosto como se estivesse rezando.
Encostou o ombro no batente, apontando para o telefone quando abriu os olhos, recebendo uma careta zangada em resposta. Esboçou um pequeno sorriso, porque ver gesticulando exageradamente enquanto discutia no telefone era, no mínimo, hilário.
- É serio, tudo o que eu menos quero nesse momento é mais gente para atrasar minha vida. Não, mãe, não disse que tem alguém me atrasando agora. Argh, será que a senhora pode deixar eu me expressar? Obrigada! – continuava parada perto da porta, se segurando para não gargalhar. estava mais vermelha do que um cruzamento de tomate com morangos. – Eu acho que eu sei me cuidar sozinha, não preciso de babá! De duas babacas ainda por cima! – observou dizer tudo num fôlego só, e ela só parou de falar quando afastou o celular para enxergar o visor. – Alô? Mãe? Alô! ARGH! – atirou o celular para o lado, que quicou no travesseiro e caiu em algum lugar atrás da cama. ficou com medo de perguntar o que havia acontecido, mas concluiu que era preciso superar os medos de vez em quando.
- Eu vou querer saber o que te fez atirar o seu bebê no mundo obscuro atrás da cama do ? – se sentou ao lado da amiga, abraçando-a pelo ombro. estava com o rosto afundado nas mãos, seus cotovelos apoiados nos joelhos.
- Eu tenho vinte e um anos nas costas. E ela ainda acha que eu tenho quinze. Tudo bem que eu tenho esse jeito, sou meio atrapalhada e fico abraçando as coisas no meio do supermercado, mas isso não é motivo para colocar duas mocréias na minha cola, é? – Novamente, se surpreendeu com a quantidade de palavras que soltou num fôlego só. Piscou para a amiga, sorrindo amarelo.
- Eu deveria entender alguma coisa do que você disse?
- Ai, , minha mãe falou com duas coisas que eu devo chamar de primas queridas do meu coração e pediu que elas viessem ficar com a gente por um tempo. – rolou os olhos, bufando. – Como se eu precisasse de ajuda pra limpar minha bunda.
- C-como?
- Eu disse que não preciso de ninguém pra limpar minha bunda. – repetiu, fitando com uma expressão inocente.
- Essa parte eu entendi, sua anta. – retrucou, rolando os olhos e recebendo um olhar indignado de . – O que eu tô querendo saber é o que “ficar com a gente” significa, especificamente.
- Segundo minha mãe, são apenas visitas periódicas, para dar “assistência” – disse abrindo aspas no ar, fazendo caretas enquanto falava. – Mas eu sei que ela deve ter pedido para elas virem aqui ver se eu não transformei a casa numa boate e me tornei stripper.
- Nossa, quanto amor!
- Minha mãe acha que eu sou criança. – inconscientemente fez bico, cruzando os braços diante do tronco, exatamente como faria uma criança. gargalhou e apertou as bochechas de , falando com ela num tom infantil, fazendo a mesma rir logo em seguida. – Bom, pelo menos elas estão viajando e só vão chegar em Londres daqui uns dias, vamos ter tempo para planejar alguma coisa.
concordou, tão descontente com a notícia quanto . Observou a amiga suspirar e se esticar para apanhar o aparelho celular tão mal tratado, que agora tocava indicando que havia uma nova mensagem. Rolaram os olhos juntas quanto viram o nome de brilhar na tela. Ele pedia por socorro, porque estava com fome e se recusava a cozinhar algo para ele comer.
Antes de saírem do sótão, passou um braço ao redor do pescoço de , rindo.
- Já reparou que a gente tem agido como espiãs? disse, externando o pensamento aleatório que tivera naquele momento. – Todo mundo acha que estamos tendo uma vida pacata em Londres, quando na verdade abrigamos uma boyband, combatemos assombrações e formamos um esquadrão anti-mocréias.
- Vida pacata é para os fracos. – piscou e deu um beijo em seu próprio ombro, arrancando gargalhadas de .

-x-

- , tá ocupado? – apareceu repentinamente na porta do quarto dos meninos, fazendo se assustar um pouco. O garoto sorriu ao levantar o olhar para ela, fechando o livro que estava lendo.
- Pra você? Nunca. – deixou um sorriso bobo escapar de seus lábios, tentando recuperar o foco novamente.
- Você pode me ajudar aqui em uma coisa? – ela sorriu infantil, enrolando uma mexa do cabelo no dedo. deixou o livro de lado na cama e levantou-se prontamente, indo até a garota. – É lá no quarto, vem. – ela segurou em sua mão e saiu o puxando apressadamente, enquanto ele caminhava em um ritmo normal. – Vem, ! – ela virou-se de costas, puxando-o com as duas mãos, andando daquele jeito até entrar no quarto e seguir para o banheiro que compunha a suíte das garotas. Antes que ela pudesse contar o drama que a envolvia, fechou a porta do banheiro atrás de si e a agarrou pela cintura, beijando o pescoço dela.
- Pode confessar que você só me trouxe aqui pra se aproveitar da minha inocência. – teve que lutar contra a vontade de corresponder àquilo, mas ela realmente precisava tomar banho.
- ... Não... Eu te chamei pra mudar a temperatura do chuveiro... – ele pareceu ignorá-la, segurando na barra do vestido dela e puxando-o para cima. – ! – gritou, fazendo-o se assustar e se afastar. Ela começou a rir quando viu a expressão assustada dele, abraçando-o pela cintura. – Desculpa, mas eu realmente quero tomar banho. – soltou uma risadinha, murmurando que estava tudo bem.
- Então, o que posso fazer por você? – ele perguntou, indo até o chuveiro e o analisando.
- Coloca em uma temperatura mais quente. – a olhou com a sobrancelha levantada. Quando fez menção de perguntar por que, ela continuou falando – Eu odeio tomar banho gelado. – ela entortou a boca e preferiu não discutir com aquela mente assustadora que ela tinha. O garoto esticou o braço e mudou a temperatura do chuveiro, abrindo-o logo em seguida para ela.
- Tá bom assim? – perguntou e aproximou-se da porta de vidro fumê do box, estendendo a mão na água.
- Tá ótima, agora pode fech- antes que ela pudesse concluir a frase, envolveu sua cintura novamente, encostando-a na parede e molhando os dois com roupa e tudo. – FICOU MALUCO? – disse tentando parecer brava, mas não conseguia evitar que um sorriso enviesado aparecesse. não disse nada, preferiu ocupar seu tempo beijando a garota em seus braços. A água quente não ajudava na situação, e eles não sabiam quanto tempo ficaram ali, só voltando a realidade quando sentiram pingos de gota gelada começar a cair em seus corpos.
- Esses pingos gelados estão me desconcentrando. – comentou ao afastar sua boca de , vendo a garota olhar para o chuveiro e ver que a água estava diminuindo e ficando totalmente gelada.
- Ah, não!

entrou no banheiro e trancou a porta atrás de si, colocando a roupa que usaria depois do banho em cima de uma parte seca da pia. Encarou seu reflexo no espelho e fez careta, bagunçando seus cabelos. Tirou a camiseta e ligou o chuveiro, estendendo a mão para checar a temperatura. Ninguém havia tomado banho depois que saíram da piscina, pois a fome tinha sido maior e, quando perceberam, já estavam sentados ao redor do balcão da cozinha comendo um lanche. Na verdade, só havia ido tomar banho naquela hora porque dera um surto de mãe e ordenou que eles formassem uma ordem para tomar banho antes do jantar – que por sinal, já estava mais do que atrasado.
O garoto tirou a bermuda que usava junto com sua sunga, deixando-os amontados perto da privada. Quando ia entrar no box, percebeu que seria melhor dobrar aquilo ou colocar no cesto de roupa suja antes que alguma das meninas sentissem cheiro de desordem. Feito isso, entrou debaixo d’água e deixou que as gotas caíssem no seu pescoço, sentindo um alívio momentâneo com aquilo. Molhou seus cabelos e pegou o vidro de shampoo do chão, ensaboando-os. Aproveitou e pegou o sabonete para lavar o seu corpo com a bucha pink que estava junto com ele, pensando o quão gay era aquilo. Conforme fazia isso, sentiu um pingo gelado cair diretamente no seu ombro, fazendo-o olhar para cima instantaneamente. Outro pingo gelado, seguido de mais dois, caíram em sua pele. contorceu-se e começou a rezar para todos os santos que se lembrava para que o que estava pensando não acontecesse.

- ? – entrou no quarto delas carregando o notebook sem bateria em mãos. Ouviu o chuveiro ligado e lembrou-se que ela tinha sido a primeira a sair correndo para tomar banho. A garota pegou o carregador do notebook em cima da cama e o colocou pra carregar na tomada ao lado do criado-mudo. Lembrou-se que seu celular estava com a bateria quase acabando e resolveu colocar para recarregar também. Cantarolando uma música qualquer, quase teve um ataque do coração quando virou-se para trás e encontrou encostado no batente da porta sem camiseta.
- Te assustei? – o garoto perguntou, andando calmamente até ela.
- Não, quase me matou do coração, bobagem. – deu de ombros, estalando a língua no céu da boca. deu risada, envolvendo o rosto dela com suas mãos.
- Bobinha. – encostou seu nariz no dela.
- Bobinho. – o imitou, limitando-se a dar um beijo nos lábios dele. – Hm, você deixou os meninos sozinhos lá embaixo cozinhando? – ela levantou uma sobrancelha e viu fazer cara de culpado.
- Na verdade só o e o estão lá embaixo. O subiu para tomar banho e o subiu também, mas eu não sei onde ele está. – deu de ombros, vendo rir fraco.
- Espero que ninguém bote fogo nessa casa! – disse, rindo em seguida. aproveitou a distração dela e aproximou suas bocas novamente, começando um beijo intenso e nada calmo. queria muito aproveitar aquele momento em que as mãos de passeavam por dentro de sua camiseta, mas um barulho irritante começou a rondar o quarto. Ela abriu um dos olhos e viu que um dragão estava voando no ambiente. – UM BICHO! – gritou, afastando pelos ombros, que olhava para os lados procurando um leão marinho ou um hipopótamo.
- O que? Onde? Cadê?
- Ali! – subiu na cama e desceu do outro lado, encostando-se no armário, teve vontade de rir quando viu uma abelha voando sem rumo pelo quarto.
- É só uma abelha, amor. – sorriu involuntariamente, voltando a ficar assustada quando ouviu o zumbido da abelha novamente.
- Não é não. É um monstro que vai tirar minha vida! – disse com a voz fina – Faz alguma coisa! – chacoalhou a cabeça, pegando o travesseiro em cima da cama dela e tentando acertar a abelha, errando. – Ai, , você é muito ruim, pelo amor de Deus. – disse irritada, olhando para o lado e vendo o secador no chão. – Já sei! – ela passou por cima da cama de novo e ligou o secador na mesma tomada em que o carregador do notebook e do celular estavam plugados. Assim que apertou o botão para mirar o jato de ar na abelha, uma faísca saiu do eletroeletrônico e fez um barulho estrondoso. o desligou e o jogou no chão, fazendo dar um passo para trás, olhando para ela assustado.

- Será que já tá bom? – perguntou sentado no chão da cozinha, ao lado de .
- Não sei, ainda não tô sentindo o cheiro de comida. – deu de ombros, apoiando os cotovelos no joelho. Os dois estavam sentados em frente ao fogão, olhando para o forno aceso onde a lasanha estava esquentando.
- Faz quanto tempo que o subiu? – olhou para o relógio da cozinha, tentando se lembrar.
- Não sei, acho que uns dez minutos. – deu de ombros novamente, fazendo revirar os olhos.
- Mas você não sabe de nada, hein? – levantou-se e, assim que o fez, a luz da cozinha começou a piscar. – Eita, o que foi isso?
- Deve ter sido o disjuntor. – levantou-se também, indo até a caixa de força. o seguiu e olhou atentamente enquanto ele olhava olhar atentamente para aquele monte de botões e fios.
- E aí, foi o disjuntor?
- Não faço a mínima ideia do que seja disjuntor. – viu que uma alavanca estava no OFF, então resolveu colocar no ON porque... Porque sim. Foi então que um barulho estrondoso eclodiu pela casa inteira e todas as luzes se apagaram.
- Mas que gênio, hein?! – disse cínico, dando um tapinha no ombro de . Os dois se entreolharam quando começaram a ouvir gritos vindo do andar de cima, seguido por barulho de porta batendo e gente descendo as escadas correndo. A voz de fora a primeira a ser reconhecida, seguido por uma luz de lanterna que iluminou a lavandeira.
- O QUE VOCÊS FIZERAM? – apareceu com uma toalha enrolada na cintura e com sabão por toda a extensão de se corpo, inclusive seus cabelos. e tiveram que segurar o riso, distraindo-se quando uma molhada da cabeça aos pés apareceu ali também, xingando alguma coisa em português.
- Foi a , que é uma burra e ligou um monte de coisa na tomada. E aí por causa dos dois chuveiros ligados, deu um curto. – disse tudo de uma vez, fazendo os três ali concordarem. – E por que vocês estão com essa merda aberta? – os garotos se entreolharam e ninguém ali queria enfrentar a fúria de uma molhada.
- Calma, , a gente já vai resolver. – desviou de para ficar do lado da garota, abraçando-a de lado.
- Por que o tá todo molhado também? – perguntou, apontando para os dois. e se entreolharam – Ok, não respondam.
- E agora? O que a gente faz? Será que dá pra arrumar? – chegou de fininho, de mãos dadas com o .
- É melhor que dê. – murmurou e concordou, tirando a espuma de seu corpo com a água do tanque aos poucos.
- E se eu colocar essa alavanca aqui de volta onde ela estava? – comentou, mexendo na pequena alavanca e vendo a casa iluminar-se novamente.
- ALELUIA! – largou a torneira aberta e voltou correndo para dentro da casa, querendo se enxaguar o quanto antes.
- Só tem gente normal morando nessa casa, hein?! – disse, fazendo todos ali saírem da lavanderia dando risada.
- Nossa mansão virou um hospício. – balançou a cabeça de forma negativa, suspirando teatralmente. – Por que, Senhor?
- É meio obvio né, ? – disse, arqueando uma sobrancelha. – Você é dona dele, queria mais o quê?! – Ela respondeu simplesmente, fazendo uma nova onda de gargalhadas ecoar pela casa.


16. Up All Night – Special Edition


- Você tá filmando isso? – perguntou com um enorme sorriso travesso moldando seus lábios, e confirmou com um polegar estendido na frente da câmera. As duas entraram silenciosamente no quarto dos meninos, segurando a vontade de rir que sentiam naquele momento. – Vou contar até três...
riu baixinho, colocando a mão livre na boca para abafar qualquer som que tentasse escapar. estava à sua frente, e trazia em mãos duas tampas gigantes, que seriam as armas do crime. As garotas haviam acordado um pouco mais elétricas do que nos outros dias comuns, e por mais que não soubessem explicar, sabiam que no fundo aquilo tudo se devia ao fato de que só queriam aproveitar cada pequeno segundo do penúltimo dia dos meninos ali.
Antes de irem dormir, na noite anterior, e prometeram que não dariam tempo para a tristeza. Não enquanto eles ainda estivessem com elas.
- Um... – sussurrou, parando bem no meio do quarto, entre as quatro camas que estavam espalhadas pelo cômodo. Passou os olhos pelo ambiente, reconhecendo dormindo de bruços na primeira cama; enroscado com o lençol na segunda; sem camiseta e com o travesseiro entre as pernas no colchão – porque ele havia tirado o colchão da cama? – e por fim , que estava com os pés no travesseiro, dormindo ao contrario. Soltou um risinho fraco, olhando para a câmera e separando ao máximo seus braços, uma tampa em cada mão.
- Dois... – sussurrou, passando a câmera lentamente entre as camas, filmando o momento em que eles ainda dormiam tranquilamente. Afastou-se um pouco de , encontrando o ângulo perfeito em que poderia filmar a amiga e a reação dos meninos. Ela pensou que deveria se sentir culpada por acordar alguém daquela maneira. Mas aquilo ficou no lugar mais profundo dos seus pensamentos. e trocaram um olhar cúmplice antes de irem pro “três”. Inesperadamente, quem gritou e acabou assustando e foram eles. Com o susto, acabou jogando as tampas para um lugar desconhecido e não se sabe como, mas ela foi parar do lado de , que conseguiu recuperar o celular que havia deixado cair no chão. Os quatro rapazes riam de uma maneira divertida e agradável aos ouvidos delas, então foi impossível ficar zangadas por muito tempo.
- Mas... Como... Quando... – disse num sopro, jogando os cabelos para trás, apontando para cada um deles enquanto abria as cortinas, deixando a claridade entrar no quarto. filmou o momento em que levou as mãos ao rosto, gritando algo como “oh não, eu estou cego pela luz!”. – Vocês deviam estar dormindo!
- Devíamos, se não fosse o celular do começar a tocar. – lançou um breve olhar para , que sorriu amarelo. – E se você, - apontou para semicerrando os olhos, apanhando uma tampa que fora parar na sua cama – não fosse tão desastrada e soubesse procurar as coisas sem derrubar a cozinha inteira!
- Eu disse que eles iam ouvir. – riu, divertindo-se com a cara de derrotada que fazia naquele momento. – Tapada!
- A culpa é da anta que guardou as panelas de qualquer jeito dentro do armário! – Ela se defendeu, caminhando até a segunda tampa, que quase fora parar dentro do guarda-roupa.
- Hey, fui eu que guardei a louça ontem! – se manifestou, olhando para com grandes olhos indignados.
- Oi, sua anta! – ironizou, rolando os olhos. levou as duas mãos até a boca, fingindo chorar. riu e correu até ele, abraçando-o e afagando de forma exagerada seus cabelos bagunçados. – Tá bom, tá bom, já passou! – dizia usando um tom maternal, fazendo todos darem risada. Ainda na brincadeira, fungou e fingiu enxugar uma lágrima com o dorso da mão. – Você não é uma anta, é só uma pessoa sem capacidade para guardar decentemente a louça na parte superior do armário!
- Resumindo, - vestiu uma camiseta e lamentou-se por dentro, ainda filmando o momento. O combinado era registrar cada pequeno segundo. – você continua sendo uma anta.
gargalhou, bagunçando os cabelos de antes de se dirigir a , para lhe dar um beijo de bom dia. O garoto passou seus braços firmemente em torno da cintura dela, e ela se perguntou como alguém podia causar aqueles tipos de batimentos cardíacos nela logo pela manhã. achava que seu coração batia de uma forma diferente quando estava com ele.
- Tá todo mundo acordado, então acho justo todo mundo ir tomar café! – comentou, desligando a câmera e guardando o celular no bolso de seu short jeans. Mas ele ficou lá por poucos segundos, já que o retirara de lá, procurando pela filmagem daquele dia.
- Nem todo mundo! – exibiu o típico sorriso que fazia temer pela saúde alheia. Era o tipo de sorriso que dizia: Hoje ninguém me segura! – Sigam-me os bons!
- Hein? – e perguntaram ao mesmo tempo para , já que os ignorava, saindo do quarto com em seu encalço. , , e se assustaram brevemente quando colocou a cabeça para dentro do quarto, chamando-os para que a seguissem também. – O que deu em vocês hoje? – olhou intrigado do espaço onde estava para , que dava de ombros enquanto tentava pegar o celular das mãos de .
- Tenho medo do que ela vai aprontar agora. – comentou com , que concordou. – Vamos lá ver.
e saíram do quarto primeiro, encontrando no corredor. Quando iam perguntar onde estava , a mesma apareceu saindo não se sabe de onde, trazendo em mãos um espanador de pó e mousse para cabelo. e se juntaram à turma no corredor, todos os presentes olharam intrigados para os objetos que a garota trazia em mãos.
- O que você está fazendo com minha peruca? – questionou, se referindo ao dia em que usou o espanador para imitar .
- Vamos acordar o !
- Você não vai fazer o que eu estou pensando que você vai, não é? – não sabia se ficava com dó de ou se ficava empolgada assim como parecia estar naquele momento. – Ai, você vai. – Ela levou as duas mãos ao rosto apertando as próprias bochechas para reprimir uma gargalhada ao ver esboçar um pequeno sorriso.
- Ela vai o quê? – sussurrou apenas para que ouvisse, temendo pela vida do amigo que dormia inofensivo no sótão. – , o que ela vai fazer? – , e olharam para no mesmo momento, e começou a subir a escada do sótão lentamente.
- Já assistiram “O Quarteto Fantástico”? respondeu com uma pergunta, e ninguém conseguiu fazer uma associação coerente. se perguntava se tinha alguma habilidade elástica e o que aquilo tinha a ver com ; entrou em pânico porque achou que ia dar uma de tocha humana e ia causar uma super nova no sótão; ficou imaginando toda prateada em cima de uma prancha e se perguntou que filme era aquele. ignorou os meninos, seguindo enquanto ligava sua câmera novamente. – A é terrível. – disse para a câmera, filmando as costas da amiga que acabara de entrar no quarto de . – Quais são suas últimas palavras antes que o acorde e te jogue do terceiro andar? – Aproximou a câmera do rosto de , que mandou um beijo. - , eu amo você! – fez coração com as mãos, apontando para os meninos que acabavam de entrar no quarto, todos juntos. – E eles são cúmplices! Dessa arte, não do amor!
- Eu ainda não estou entendendo nada. – bufou e cruzou os braços, porque não gostava de não saber o que estava acontecendo ao seu redor. e começaram a juntar as peças e se seguraram para não rir. apenas se encostou no batente da porta, observando a garota que se aproximava lentamente de . – Por que ela tá colocando mousse de cabelo na mão do... – piscou, abrindo a boca num grande “O”. Os meninos restantes rolaram os olhos para a lerdeza do .
Com um sorriso nos lábios e uma grande vontade de gargalhar, colocou uma quantidade generosa da espuma branca na mão de que pendia para fora da cama, sendo filmada de perto por , que também se segurava para não rolar no chão e rir até os fins dos tempos. colocou cuidadosamente o frasco no pé da cama, passando gentilmente as penas do espanador no nariz de . Primeiramente ele não pareceu se incomodar, mas logo depois começou a remexer o nariz e a fazer caretas ainda de olhos fechados. Num movimento que parecia ter sido ensaiado, os meninos que estavam próximos da porta se afastaram, prevendo que aquela seria a rota de fuga de . Não sabia qual seria a reação de , mas tinham certeza de que não ficaria ali para saber.
já estava quase morrendo engasgado com o riso que prendia quando o objetivo de foi alcançado: Antes de espirrar, levou ambas as mãos ao rosto, espalhando espuma branca até em seus cabelos. gargalhou e filmou , que se sentou na cama bruscamente, tentando entender o que é que estava acontecendo ali. estava curvada sobre seus joelhos, rindo.
- ! – exclamou, apontando para a garota que se levantou, jogando o espanador para o alto. – !
E como um raio, a garota saiu correndo deixando para trás cinco pessoas gargalhando e uma completamente indignada. Divertindo-se no fundo, mas primeiramente muito indignada.
- Credo, que pique logo cedo! – comentou, ainda filmando todo melecado. O garoto a fitou, olhando-a diabolicamente.
- Posso saber por que você está filmando tudo? – ele começou a se aproximar da garota, fazendo com que ela desse passos apressados para trás.
- Eu... É... Tô filmando porque... Ai, minha nossa senhora! – segurou firme o celular em mãos e começou a correr escada abaixo quando saiu correndo atrás dela, ameaçando-a com a mão suja de espuma. Assim que ela chegou na sala e viu escondida atrás do sofá, foi diretamente para o lado dela, apontando freneticamente para a amiga. – Foi ideia dela, só dela! – a olhou com a boca e os olhos arregalados.
- Traidora! – disse antes de pular o encosto do sofá e sair correndo em direção ao jardim dos fundos. Quando pensou que estava livre, viu descer as escadas de dois em dois com o spray em mãos. Os dois encararam-se por um momento, como em uma bela cena de faroeste. foi a primeira a voltar a correr, indo pelo mesmo caminho que havia desaparecido segundos antes atrás de .
- Por que você tá correndo atrás de mim?! – grunhiu ao passar pela mesa de jantar e afastar umas cadeiras para o corredor, com o intuito de que se atrapalhasse.
- Sei lá, deu vontade! – riu sapeca e desviou-se rapidamente das cadeiras, fazendo com que corresse mais rápido ainda. Ao chegar ao jardim, a batalha estava traçada. estava atrás de uma das espreguiçadeiras, segurando uma mangueira em mãos, ameaçando caso ele chegasse perto. O garoto ainda não tinha desistido de melecar alguém, mas outros planos estavam na sua cabeça. Do outro lado do jardim, e ficavam contornando a árvore, um tentando fugir do outro, porque agora estava com um punhado de terra lamacenta em suas mãos. Quando , e chegaram ao jardim, ficaram em dúvida de qual guerrinha deveriam se aliar. Por fim, – depois de um conflito interno totalmente desnecessário – juntou-se com e com . teve uma ideia brilhante e voltou para dentro da mansão.
- , segura ela! – gritou assim que viu correndo na direção dos dois.
- Nem pense nisso, ! – virou a mangueira para ele, o olhando ameaçadoramente. soltou uma risada nasalada, aproximando-se dela.
- Ou o quê? Vai me molhar com a mangueira desligada? – nesse momento de distração, conseguiu agarrar pela cintura, esfregando espuma no rosto dela. aproveitou e correu até o registro, ligando-o e vendo a mangueira liberar água sem rumo, molhando os dois que estavam perto. Ao mesmo tempo, perto da árvore, estava quase arrancando um galho da árvore para se proteger de e .
- Sai daqui ou eu jogo terra e te deixo cego! – esticou o braço com terra em mãos na direção de , assim que ele aproximou-se dela.
- Não sem antes o te deixar toda branca. – respondeu assim que conseguiu alcançar a garota e espirrar quase todo o conteúdo do spray no cabelo e na roupa dela. não aguentou e começou a rir, logo após que esfregou terra na boca de , escutando-o a xingar. Ela viu que estava limpo demais e pegou o potinho da mão de , espirrando diretamente em . Ficou preocupada quando o garoto contorceu-se e agachou-se, reclamando que ela tinha acertado os olhos dele. Assim que ela ficou ao lado dele, pegou terra e esfregou nas pernas dela, logo em seguida no cabelo. Vendo que ele não ia parar, saiu correndo em direção da piscina, ao mesmo instante em que fez o mesmo, já toda molhada, com e atrás dela. parou instantaneamente na borda da piscina assim que viu ser jogada na água por , que consecutivamente caiu na água também assim que pendurou-se no pescoço dele. e estavam parados logo atrás de . Não foi preciso muito para que eles percebessem que tiveram a mesma ideia. Ao contar até três, os dois se aproximaram e saíram correndo, empurrando desprevenida na piscina.
- Yeah! – comemorou, fazendo um hi-five com . O que eles não contavam, era que sairia correndo da mansão com ovos nas mãos, jogando diretamente nas costas dos dois que estavam fora da piscina. E foi exatamente o que ele fez, achando-se o vencedor daquela batalha. Para finalizar, aproveitou a distração de e que achavam que suas costas virariam dois grandes ovos fritos por causa do sol, e saiu correndo na direção deles com o intuito de empurrá-los na piscina. Não esperava que escorregaria no ovo que caiu no chão e fosse parar na água junto com os dois.
- Tudo isso sem tomar café, hein?! – comentou rindo, tirando umas graminhas que tinham grudado no cabelo de .
- Fazemos parte da geração saúde! – mostrou os músculos de seu braço, nadando logo em seguida até as costas de para afundá-lo.
- Mas isso não significa que não precisamos comer, porque eu tô com fome. – reclamou, abraçando pela cintura.
- Culpe a , tudo começou com ela! – disse ao tirar uma casca de ovo de dentro da piscina.
- Mas confessem que todos vocês acharam divertidíssimo e adoraram minha ideia genial. – retrucou, convencida de que a culpa não era dela.
- Eu confesso! – ergueu os dois braços após emergir novamente na água com . – Mas eu tô do lado do também. – esfregou sua barriga – Tô morrendo de fome.
- Por isso que você tá gordo. – pronunciou-se, jogando água no rosto de , que jogou água de volta e que no final todos demoraram mais vinte minutos para sair da piscina.

- Mas eu quero ir junto! – fez birra, “sapateando” no chão e cruzando os braços na altura do peito. – Por favor, ! – o garoto fez cara de cachorrinho sem dono e teve seu coração tocado por aquele olhar.
- Tá, tudo bem. – gritou e abraçou a garota – Meu disfarce tá bom? – ele deu uma volta no lugar e concordou.
- , você... - parou de falar quando encontrou vestido de vovô – Perdi alguma coisa?
- O quer ir com a gente no supermercado. Apareceu aqui no quarto desse jeito e fez até manha pra ir. – explicou e concordou entusiasmado com o passeio.
- Tá parecendo um cachorro querendo ir passear. – comentou, rindo em seguida. – E até que você se disfarçou direitinho! – ela elogiou o garoto, que sorriu convencido. – Por um instante quando eu entrei achei que era outra assombração.
- Chega de conversa vocês duas! – disse, empurrando as garotas para fora do quarto com as mãos – Vamos logo antes que os garotos me prendam dentro do banheiro para eu não ir.
Ao descerem as escadas, os quatro que estavam sentados no sofá tiveram reações diversas sobre os três que chegaram à sala naquele momento. assustou-se, achando que uma assombração estava acompanhada das garotas e acabou caindo do sofá. por um momento teve o mesmo pensamento que , mas logo reparou que era e começou argumentar que ele era um vovô melhor. e preocuparam-se em reparar nas garotas e em como elas ficavam cada dia mais bonitas, ignorando completamente.
- Aonde você vai, ? – perguntou.
- No supermercado. – disse todo feliz, segurando nas mãos das garotas e balançando-as.
- Hey, por que ele pode ir e eu não? – reclamou, levantando-se do chão.
- É verdade, nós queremos ir também. – fez bico e o acompanhou.
- Eu poderia muito bem usar esse momento para chantageá-los, mas eu vou ser sensata. – cortou o drama deles – Não tem como todos vocês saírem daqui ao mesmo tempo, né?
- Tudo bem, se eu ficar com anemia por não tomar sol eu vou te trazer a conta dos remédios. – deu de ombros, sentando-se emburrado no sofá.
- Aprendeu direitinho com a , hein? – zombou. – Deixe o ser feliz, senão ele vai ficar nos enchendo o saco o dia todo porque não foi.
- Viu? Alguém que não causa confusão. – disse ao apontar pra – Agora, se comportem – adquiriu um tom de voz sério, olhando para os outros três também. – E não quebrem nada até nós voltarmos.
Ninguém fez nenhuma oposição àquilo e , e – ou melhor, vovô – saíram da casa para ir ao supermercado comprar tudo o que fosse necessário para a festa de hoje à noite.

- , tá maluco? – brigou com ele ao ver que ele colocou dez garrafas de vodka no carrinho.
- Nós somos jovens, , temos de aproveitar a vida. – ele tentou argumentar, mas rolou os olhos.
- Se você ficar bebendo desse jeito, não vai chegar nem nos trinta anos porque vai morrer de cirrose.
- Por que vocês estão discutindo chamando a atenção daquelas duas adolescentes ali? – perguntou baixo ao aproximar-se deles. e esticaram o pescoço e viram duas meninas cochichando e apontando para eles.
- Culpa do que pegou dez garrafas de vodka pra levar. – deu um soco no ombro dele.
- Nossa, , não acredito! – o olhou indignada, andando até a prateleira e pegando mais duas – Não é o suficiente. – colocou no carrinho e saiu andando atrás de Doritos. começou a gargalhar, mas fora repreendido por , que o fez devolver dez garrafas para a prateleira e o deixou levar somente duas.
- Agora, vovô, frisou o vovô quando percebeu que as adolescentes que os observavam passaram do lado deles, olhando-os de maneira desconfiada. – eu já disse que o senhor não tem mais condições de beber dessa maneira. O senhor vai voltar pro asilo. Tsc, tsc.
limitou-se a olhá-la de cara feia, porque não tinha certeza se faria uma boa imitação de velho como . Inevitavelmente, seguiu o rebolado das garotas com um sorriso torto, e levou um tapa ruidoso de nas costas. As duas garotas pararam de andar, olhando para os dois com semblantes confusos.
- Ele se engasga com a saliva. – explicou dando de ombros, dando tapas mais leves em , que agora reclamava como um velho de verdade. As meninas rolaram os olhos, decidindo ignorar aquela família estranha. – Desculpa! – sorriu com todos seus dentes para , massageando o local atingido. fingiu estar bravo, mas depois rolou os olhos e disse que estava tudo bem.
- Bom, - voltou para perto deles trazendo salgadinhos e uma garrafa de tequila debaixo do braço, fazendo arquear uma sobrancelha e esboçar um grande sorriso de felicidade. – acho que temos tudo que precisamos.
- Deus nos acuda. – murmurou, observando e fazerem hi-five. – A noite vai ser longa.
- I wanna stay up all night… - cantarolou, jogando os cabelos de para o alto, fazendo a garota rir. – YOLO!
- CALA A BOCA, VÔ! – e gritaram juntas, ambas tampando a boca de para que ele parasse de gritar como um louco no meio do supermercado.

-x-

- Você viu a cara da menina que atendeu a gente, quando viu o secando o decote dela? – ria enquanto colocava a chave na fechadura, olhando para e que estavam logo atrás dela, segurando as sacolas com as compras. – Eu não sei se ela estava gostando ou se estava se segurando para não enfiar a mão na cara dele!
jogou o peso de seu corpo sobre uma perna, colocando uma mão no queixo enquanto fingia pensar seriamente no assunto. rolou os olhos, abrindo a porta de uma vez porque estava apertada para ir ao banheiro, deixando e discutindo sobre a veracidade do ocorrido. Quando a porta foi de encontro à parede, quase deixou a sacola que trazia em mãos cair. Não percebendo que havia empacado no caminho, virou-se com tudo e trombou nas costas de , empurrando-a dois passos para frente e num reflexo rápido, a segurou pela cintura. Consequentemente, chocou-se nas costas de , apoiando-se nos ombros dele com o queixo enquanto tentava equilibrar as duas sacolas com as bebidas.
- Você não devia parar de andar assim do nada, sabia?
disse calmamente, ajeitando a postura de e virando-se para perguntar se estava inteira. Olhou de volta para na intenção de perguntar o que que tinha acontecido deparando-se com a seguinte cena: As cadeiras da mesa de jantar estavam no meio da sala, e a dividia em duas partes. Do lado direito, onde estava o sofá e a mesa de centro, haviam almofadas empilhadas como as barricadas de guerra. Do lado esquerdo, dois edredons floridos – que e reconheceram como seus – estavam sobre a mesa, formando uma cabana. Uma bola de vôlei – que não fazia ideia de onde saíra, porque não se lembrava de tê-la visto em lugar nenhum antes – rolava em câmera lenta, parando no pé da escada. Não havia nenhum sinal dos quatro garotos.
- Mas que porra é essa? – exclamou e concordou, cada um parando de um lado de , que se mantinha com a boca entreaberta. – ? – Ele gritou, sendo o primeiro a se movimentar pelo lugar. lembrou-se de trancar a porta atrás de si depois de ignorar a bagunça, apanhando as sacolas e seguindo para a cozinha, murmurando consigo mesma que estava forte por conseguir carregar tudo sozinha. continuou estática, perguntando-se como eles conseguiam fazer tanta bagunça em tão pouco tempo. – EI! – gritou, sumindo por trás do sofá.
piscou, franzindo as sobrancelhas. Prendeu os cabelos num coque no alto da cabeça, cruzando os braços enquanto seguia na direção de onde deveria estar escondido, querendo saber o que estava acontecendo na sua casa.
Quando chegou perto da “barreira” de cadeiras, sentiu mãos a agarrarem pelas batatas da perna e não sabe como, mas quando percebeu, estava embaixo da mesa com dois elementos de cara preta. Pegou o celular no bolso de seu short, apertando uma tecla qualquer para que a luz do visor iluminasse o ambiente.
- Mas o quê...? – Ela balbuciou, reconhecendo lentamente e . Passou um dedo no rosto deles, esfregando o indicador no polegar, tentando decifrar a textura da coisa que cobria seus rostos. – Isso é lama?
- Quieta, soldado! – forçou seu timbre para que sua voz soasse mais grave, segurando-se para não rir. Esfregou suas bochechas nas bochechas de , sujando-a também. – Estamos em terras inimigas! A guerra está longe de acabar!
- Mas que terras? – Ela olhou de para , começando a rir involuntariamente. – Que guerra?

deixou as sacolas sobre o balcão, cantarolando uma canção aleatória. Estava tão entretida retirando as compras e rindo consigo mesma ao se lembrar das palhaçadas de no supermercado que nem percebeu a aproximação de , que se rastejava como um réptil. Num movimento muito rápido, ele a puxou pelas pernas, fazendo-a cair sentada à sua frente, beijando seus lábios antes que ela pudesse gritar.
fitou com um semblante assustado, olhando para cima logo em seguida, perguntando-se como fora parar ali embaixo tão depressa. Recuperada do susto, ela franziu as sobrancelhas, passando um dedo nas bochechas de .
- Isso aqui é delineador? – Ela perguntou, mostrando a ponta de seu dedo que ficara preta após passar sobre o risco no rosto do garoto. – Por que você tá com um escorredor de macarrão na cabeça?
- Você é minha refém. – Ele disse simplesmente, rindo pelo nariz enquanto se levantava e apanhava , colocando-a sobre seu ombro como se ela fosse uma boneca de pano. estava indecisa sobre a situação. Ela não sabia se ria ou se ligava para um manicômio. Ela decidiu que era melhor rir, porque aquilo praticamente se tornara um. colocou delicadamente no chão atrás do sofá, e logo ela reconheceu com a bandana cor de rosa de amarrada na testa. Seu rosto estava coberto de pancake e ela não conseguiu evitar uma gargalhada ao compará-lo mentalmente com um Jon Bon Jovi brega. estava sentado ao seu lado, rindo também.
- Vocês podem me explicar o que é que está acontecendo aqui? – apontou para e , sendo ignorada. Usando dois rolos de papel higiênico como binóculos, fingia observar a sala. – Tudo doido. – Murmurou para , que concordou.

- Nós vamos avançar pelo perímetro. – colocou a cabeça para fora da cabana, e reparou que ele usava a toalha de mesa como capa. – Me deem cobertura. A garota gargalhou, comentando consigo mesma que era indeciso demais até na hora de escolher um personagem. No fim, ele não se parecia nem com um soldado e muito menos com um super-herói, mas ela entrou na brincadeira, enrolando a camiseta de em sua cabeça, saindo logo depois de . Meias eram usadas como armas, e ela esperava que fossem meias limpas, pelo menos.

- Soldado, o que você vê? – forçou a voz para que ela soasse um pouco mais grossa, rindo logo em seguida porque não conseguira alcançar a entonação desejada. – O caminho está livre?
- Você não era a refém? – franziu as sobrancelhas, olhando para trás, para poder encarar . Os três garotos estavam debruçados sobre o encosto do sofá e usava uma colher de pau como rifle.
- Não gosto de ser a mocinha indefesa. – Ela deu de ombros, puxando pela perna e tomando seu lugar ao lado de . – Mas você pode ser a mocinha. É bem a sua cara.
abriu a boca para protestar, mas acabara sendo acertado por algo macio que bateu em sua cabeça e quicou no chão, parando em seus pés. Com uma sobrancelha arqueada, ele apanhou o objeto, desfazendo o nó que deixara o tecido parecendo uma bola.
- Isso daqui é uma meia?
- ESTAMOS SENDO ATACADOS! – gritou, rolando no chão e sendo imitado por . fez o mesmo depois de rolar os olhos, entrando de uma vez naquela brincadeira. Mais meias voaram até eles.

- AVANTE, CAVALHEIROS! – gritou, rindo divertido quando sentiu um cutucão em suas costas. – E DAMA!
, e correram até as escadas, percebendo que os outros não estavam mais atrás do sofá. Trocaram um olhar rápido, e foram surpreendidos por almofadas voadoras que vinham da cozinha.
- Como eles foram parar ali tão depressa?! – riu, jogando as almofadas de volta. – HEY! – Ela gritou quando uma maçã atingiu sua cabeça. – NÃO JOGA COMIDA, NÃO! COMIDA É SAGRADA!
- Sua gorda! – Ela reconheceu a voz de , acompanhada da risada de .
- Não vale! Vocês estão em vantagem! São quatro contra três! – gritou enquanto apanhava a maçã do chão, desistindo da ideia de jogá-la de volta. Colocou a fruta indefesa na escada, atirando sua pantufa – que não deveria estar ali, por sinal.
- SE RENDAM! gritou em meio a risos. – Nós estamos em maioria e vocês têm a mira muito ruim!
semicerrou os olhos, sorrindo perversamente. Parou de atirar os objetos, sinalizando para que e também parassem. Apanhou o maior travesseiro, sendo imitada por e , que entenderam prontamente o plano dela.
- Tudo bem! Tudo bem, vocês venceram! – gritou, andando silenciosamente até a porta da cozinha, sendo seguida pelos dois garotos, que se seguravam para não rir.
Quando estavam perto, puderam ouvir murmurar um “eu sabia que ela ia desistir!”. riu, pulando para dentro da cozinha, surpreendendo as quatro pessoas que estavam agachados perto da bancada. , como sempre, se assustou mais do que devia e caiu sentado no chão. , e correram em direção a eles com as almofadas em mãos, começando uma guerra de travesseiros sem travesseiros do lado adversário, que tentavam se proteger em meio a risos.
De tanto que ria, acabou se descuidando e tropeçou nos pés de , caindo sobre , que protegia sua amada. e trocaram um olhar cúmplice, e aproveitando que eram os únicos que estavam em pé, se jogaram sobre e , que ainda tentava se recuperar do ataque repentino. rolou até ficar no chão, colocando suas mãos sobre a barriga, sentindo leves fisgadas naquela região. Ela tinha a impressão de que suas bochechas estavam dormentes.
- Bandeira branca! – Ela pediu, sem forças para pronunciar mais nenhuma palavra.
- Concedida! – ergueu uma mão, deixando-a cair sobre a barriga de depois.
Por longos minutos eles permaneceram deitados no chão da cozinha, cada um argumentando os altos e baixos da guerra que ninguém mais sabia por que tinha começado.

-x-

LMFAO tocava até alto demais para o horário na sala da mansão. Com certeza a vizinhança toda – ou a maior parte dela – já estava dormindo, mas os sete moradores daquela casa estavam bem longe de pegarem no sono.
- Vai logo, , eles devem estar se divertindo sem a gente. – rolou os olhos, sentando-se na privada enquanto terminava de se maquiar. – Ainda não entendi porque se arrumar tanto.
- Porque nós combinamos que isso seria como se fosse uma festa de verdade. – rolou os olhos – O até tomou banho. – ela fez rir com o comentário, guardando o blush no estojo de maquiagem. – Pronto, acabei. Tô bonita?
- Não, tá muito feia, credo. – fez cara de falso nojo e jogou um cotonete nela. – Vai se ferrar, você tá linda! – sorriu convencida, dando uma voltinha no lugar. – E eu, tô mais gata que o normal? – levantou-se, dando um tchauzinho de miss.
- O vai ter um ataque do coração.
- Tá, agora chega desse papo de piriguete antes que eu tenha um ataque do coração. – as duas saíram do banheiro rindo, descendo as escadas correndo e agradeceram que não caíram por causa do salto alto. Os garotos pareciam que já tinham começado a festa sem elas, onde era possível ver e virando shots de tequila perto do bar, enquanto , e tratavam de servir sete copos com a vodka que as meninas – e vovô - tinham comprado mais cedo.
- Hey, a beleza dessa casa resolveu aparecer! – gritou mais ao longe, erguendo o seu copo para o alto. As garotas sentiram um pouco de vergonha naquele momento, pois lembraram-se ao mesmo tempo que uma vez já chegaram a “brigar” por . Mas esse pensamento foi disperso assim que e aproximaram-se.
- Vamos brindar! – disse entregando um copo vermelho descartável para cada uma. e juntaram-se aos cinco com copos em mãos também.
- Um brinde às férias mais legais do mundo! – começou, erguendo seu copo.
- E claro, um brinde às melhores anfitriãs que alguém pode ter. – disse ao piscar para as garotas. Logo em seguida todos ergueram seus copos e brindaram por aquele momento, desejando que aquilo nunca acabasse.

- Noooooossa, maior mulherzinha! – disse arrastado, tombando um pouco pra frente com o copo de dose de tequila em mãos. a encarou emburrado, apontando o dedo no rosto dela. Algum tempo já tinha se passado desde que eles começaram a conversar, a beber, a rir, a beber, a dançar, a beber, a beber e a beber. Afinal, como tinha dito no supermercado, you only live once.
- Não sou mulherzinha, não. – piscou lentamente – Sou muito macho, tá legal? – segurou firme na garrafa de tequila ao seu lado e despejou o líquido no seu copo. – Quer ver? – levantou o mesmo na altura do rosto, vendo gargalhar feito uma panaca.
- Quero, me mostra aí, machãããããão. – ela deu um tapa na mesa, tentando parecer brava. Quando ia virar a dose, ouviram um grito de , que se aproximava cambaleante.
- Espera aí, espera aí! – abraçou pelos ombros, segurando um copo vermelho descartável em uma mão e com a outra acenava para ficar parado no lugar. – Quero ver você beber mais uma! Vai! – disse lentamente, piscando com dificuldade.
- Isso! Toooooodo mundo quer ver! – abriu os braços indicando todos ali presentes, quase derrubando o copo de . passou por ali rindo da situação, lembrando-se de como tinha a mania de falar alongando as palavras quando estava bêbada. Uma conversa com ela poderia transformar-se em um discurso político de tão longa que ficaria. Quando Katy Perry começou a tocar – ironicamente, pensou – a garota sentiu todos os músculos do seu corpo começarem a soltar faíscas, sentindo uma vontade tremenda de sair dançando. Roubou a garrafa de tequila da mão de , que quase chorou por causa disso – e subiu na mesa de centro, cantando no ritmo da música e dançando desengonçadamente.
- You make me feel klike I’m living a teenage dream, the way you turn me on virou-se para , que estava sentado no sofá tentando colocar seu tênis de volta, mas falhando toda vez que sua perna não ficava suspensa no ar por muito tempo - I can’t breathe! olhou para a garota usando a garrafa de tequila como microfone e sorriu ao ver que ela rebolava em cima da mesa de centro. Pra qualquer um que visse, aquilo seria medonho, mas para era a coisa mais sensual do mundo naquele momento - Let’s runaway and don’t ever look back, don’t ever look back! Uhul! deu um gole na garrafa e levantou-se, com apenas um tênis no pé, subindo na mesa de centro também para dançar com ela.
- Preciso te confessar uma coisa. – disse sério – Mas olha, é de verdade, tá? Vou te falar o que eu sinto bem aqui. – colocou as mãos no coração e olhou para – na verdade, ele enxergava duas dela, enquanto a garota a inda se chacoalhava ao som de Katy Perry.
- É muito verdade, bebê? – perguntou, parando quieta por um segundo, abraçando a garrafa.
- Muito verdade! A verdade mais verdade do mundo. – demorou para conseguir falar aquela frase toda.
- Verdade desse tamanho... – aproximou o polegar do indicador – Ou deeeeeesse tamanho? – dessa vez abriu os braços o máximo que conseguiu.
- Deeeesse tamanho! – a imitou e os dois começaram a rir, perdendo o equilíbrio e indo parar no chão. O resto de tequila que tinha na garrafa acabou caindo em cima dos dois e eles puderam ouvir o grito de ao longe. Ignorando-a, os dois continuaram rindo sem parar, rolando pelo tapete até conseguirem encostar-se ao sofá. Como se estivessem lendo o pensamento um do outro, abraçaram-se instantaneamente e começaram a se beijar, não ligando para quem estava ali.
Do outro lado da sala, afastados dos loucos da tequila – , e ainda faziam shots, mas agora com vodka - e do casal apaixonado, tentava escalar o corrimão da escada, enquanto tentava encostar a língua no nariz sentado nos degraus da escada com um copo com vodka quente em mãos. finalmente conseguiu escalar o corrimão e depois o desceu escorregando, gritando que era o rei do mundo. Ele quase caiu quando ouviu o grito de porque tinha quebrado a garrafa de tequila, vendo-a se aproximar deles com e a seguindo. estendeu os braços assim que a viu e a garota sentou no seu colo, envolvendo o pescoço dele com seus braços.
- O que foi, lindinha? – perguntou beijando o pescoço dela.
- A é muuuuuito má e roubou minha tequila. – fez bico, olhando para .
- Não fica assim, eu vou te dar todas as tequilas do mundo e qualquer coisa que você quiser. – o garoto disse logo depois que virou todo o resto do conteúdo de seu copo.
- Qualquer coisa mesmo? – o olhou com um sorriso enviesado no rosto, vendo-o concordar.
- Ah, eu vou embora daqui, olha só quanto agarramento! – reclamou, tropeçando nos próprios pés. concordou, tomando vodka direto da garrafa. - Tive uma ideia! – gritou, saindo correndo em direção da cozinha. e entreolharam-se e resolveram ir atrás, deixando os casais se beijando na sala. Ou melhor, no chão da sala.

O sol já invadia as janelas da casa e os Backstreet Boys cantavam I Want In That Way no iPod de , que acabou sendo esquecido em um canto da sala junto com as caixas de som. abriu os olhos assustado, sentindo sua cabeça latejar com o movimento brusco. Esfregou seu olho direito e percebeu que estava somente de calça jeans. Percorreu o ambiente com o olhar, encontrando sentada em um canto do sofá, contando seus dedos da mão e usando a camiseta dele.
- ? – levantou-se vagarosamente e sentou-se ao lado dela, encontrando a garrafa de uísque que eles haviam achado algumas horas atrás no bar da mansão. A garota bufou irritada e olhou para .
- , eu perdi um dedo. – ela confessou baixinho e gargalhou, arrependendo-se assim que sentiu sua cabeça latejar.
- Como assim, ?
- Eu tô contando meus dedos, e eu só consigo achar nove. – ela explicou calmamente encarando suas mãos – Tá faltando um e eu não sei onde tá. – Ela fez bico e o abraçou, escondendo sua cabeça na curva do pescoço dele. – Minha mãe vai brigar comigo, . – o garoto riu novamente, limitando-se a passar a mãos pelos cabelos dela.
- Fica calma que logo a gente acha, tá bom? – sabia que o único jeito de reconfortá-la era entrando nessa paranoia de bêbado que ela tinha se envolvido. A garota levantou a cabeça e o olhou sorrindo, batendo palmas.
- Vou até tomar mais um golinho de uísque pra comemorar. – ela procurou pela garrafa e a tirou de perto dela.
- Não, já chega por hoje. Isso vai te fazer mal depois. – disse como quem conversa com uma criança de cinco anos, vendo-a assentir calmamente, voltando a abraçá-lo.
- Você cuida de mim, é por isso que eu te amo tanto. – dizendo isso, a garota adormeceu nos braços de , que após processar toda a informação, acabou dormindo abraçado com ela no sofá também.
No andar de cima, sentiu um peso em cima do seu corpo e abriu os olhos, encontrando o encarando.
- Te acordei, né? – ela disse, rindo em seguida.
- Eu nem sabia que tinha dormido. – ele sentou-se na cama que tinha dormido as últimas noites e ela fez o mesmo.
- É, você dormiu do nada, me deixou falando sozinha. – fez bico e voltou a rir. a encarou sorrindo, ainda sentindo seu cérebro meio lento.
- Você ainda tá bêbada?
- Vixe, eu demoro pra voltar ao normal, liga não. – ela gargalhou, levando a garrafa de vodka à boca. Só então percebeu que ela ainda estava bebendo. – Ah, não se preocupa, eu dei um pouco pra você enquanto você dormia, pra dividir. – disse despreocupadamente, dando de ombros.
- Você o quê? – alterou um pouco do tom de voz e parou a ação instantaneamente, começando a chorar em seguida.
- Não grita comigo! – ela disse brava, jogando vodka no peito descoberto dele. pensou em xingá-la por causa daquilo, mas percebeu que ninguém ali estava raciocinando direito, então abraçou a garota manhosa na sua frente.
- Desculpa, não quis gritar. – voltou a rir e percebeu que tudo estava bem novamente.
- Agora nós dois estamos molhados de vodka, acho que vamos ter que tomar banho. – os dois se entreolharam por poucos segundos, antes de saírem correndo para ir ao banheiro.


17. Goodbye


Os despertadores de três celulares tocavam simultaneamente em cômodos diferentes da mansão. O de vibrava no bolso de sua calça jeans, mas o garoto não parecia disposto a mover um centímetro que fosse para apanhar o aparelho, preferindo continuar dormindo no sofá. O celular de tocava solitário no sótão, que era onde ele deveria estar dormindo. O último que soava com o insistente toque de Muse vinha do quarto das meninas, e aquele era o celular de .
- Porra... – resmungou, tentando se ajeitar em sua cama, sendo impedida pelo peso que o braço de fazia sobre o seu tronco. A garota semicerrou os olhos por conta da claridade e da enxaqueca que sentia naquele momento, tentando localizar a cama de . Arremessou a primeira coisa que conseguiu alcançar na cabeceira, ouvindo o baque surdo do objeto que atingiu o chão. bufou, cobrindo a cabeça com o edredom. – DESLIGA ESSA MERDA, !
Esperou que o grito surtisse algum efeito, mas tudo o que ela continuou ouvindo foi Supermassive Black Hole. resmungou alguma coisa que ela não conseguiu identificar e por mais que ela quisesse ser delicada e não o acordar ao sair da cama, acabou se embolando com o lençol, caindo para um lado da cama e para o outro. Ela fechou os olhos já prevendo os xingos que ele daria, mas continuou dormindo. No chão. A garota riu fraquinho, sentindo as têmporas latejarem, o que a fez se lembrar do motivo de ter acordado. Ela bufou impaciente e arremessou o chinelo que estava ao seu lado, constatando que o objeto acertou o espaço vazio, lugar onde supostamente deveria estar a cabeça de . Ou qualquer outra parte do corpo dela. Engatinhou até a beirada da cama, não encontrando a amiga ali. Aproveitou que estava perto do celular e o desligou, chamando de louca por querer acordar com uma música daquela. Com os braços estendidos sobre o colchão e as pernas praticamente debaixo da cama, ela apoiou a cabeça em um de seus braços, fechando os olhos brevemente para que o mundo parasse de rodar, e acabou adormecendo novamente.

No jardim, sentia algo queimar suas costas. Por longos minutos, ele achou que a sensação fazia parte do sonho que estava tendo, onde ele surfava com pinguins sob o sol escaldante do Hawaii, mas chegou a um determinado momento que aquilo começou a incomodar de verdade. Com muita dificuldade, ele conseguiu abrir um olho, vendo tudo dobrado. Ele xingou, apertando os olhos com força antes de tornar a abri-los, focalizando pouco a pouco o cenário que compunha o ambiente no qual ele se encontrava. Primeiro, ele constatou que estava apenas de boxers e que o sótão de repente ficou maior e mais claro. Segundo, ele percebeu que não estava no sótão, mas estava deitado em algo macio. E por último – e o mais perturbador, segundo seu raciocínio comprometido pela ressaca – ele descobriu onde ele estava deitado. Melhor, em quem ele estava deitado.
sentiu quando o peso que estava sobre sua barriga se foi, e imediatamente ele balbuciou algo incompreensível até mesmo para ele. Abriu minimamente seus olhos, focalizando a figura de uma pessoa que ele não fazia ideia de quem poderia ser sentado ao seu lado. Sentiu a grama pinicar suas costas e ele tentou se lembrar de como, quando e por que fora parar ali.
- Mãe, é você? – Sentiu a cabeça doer pelo simples movimento de mover sua mandíbula. Consequentemente sentiu todo seu estômago embrulhar e teve que se curvar na tentativa de fazer aquilo parar.
até tentou formular alguma resposta engraçada, mas não se sentia muito bem nem mesmo para dizer “Aham”. Ele só queria que o seu cérebro parasse de dar giros de 360 graus e o ajudasse a se lembrar do que foi que acontecera na noite anterior.

- Toma isso daqui, vai te ajudar.
queria olhar nos olhos da dona das pernas que estavam ao lado da privada, mas ele não tinha forças sequer para sair daquela posição na qual ele se encontrava desde que consegue se lembrar, o que poderia ser apenas um minuto ou três horas. não lembrava nem o seu sobrenome, no momento. Apenas pelo esforço que fez para ver se conseguia lembrar-se de alguma coisa, sentiu todo seu interior se embrulhar e dar nós infinitos.
se agachou ao lado de , que estava abraçado com a privada. Ela tentou não rir pelo fato da cena ser engraçada, não por ele estar passando mal e sim por ter percebido que ele estava usando seu vestido.
Por um breve segundo de devaneio ela ficou se perguntando como a roupa que ela colocara para a festa estava no corpo de . E ela também queria entender como foi que acordara com a camiseta de e um short jeans de . Estranhamente, tinha certa resistência com as consequências da bebedeira. De todos, ela fora a única que acordara sem enjoo e sem dores de cabeças infernais. A única coisa em comum era que ela não se lembrava de boa parte das coisas que acontecera na noite anterior. Meneou a cabeça ao perceber que tentava alcançar sua canela, agitando uma mão para que ela se desse conta da existência dele. Colocou o copo com o efervescente no chão, afastando os cabelos dele que grudavam em sua testa.
- ? Você tá bem? – Ela disse baixinho, percebendo que o garoto parecia ter caído num sono profundo repentinamente. Rolou os olhos, passando seus braços pelo tronco dele, erguendo-o do chão com muita dificuldade. – Eu disse que você ia ficar gordo de tanto que come. – Ela disse divertida, arrastando-o em direção ao quarto dos meninos.
- Eu te amo muito, viu . – resmungou enquanto seguiam pelo corredor que nunca pareceu tão longo para como naquele momento. – Mas é um amor muito puro e muito inocente. – Ele falava arrastado e respondia com “aham’s” e “uhun’s”. – Você quer ser minha melhor amiga para sempre? – Ele parou de andar bruscamente e quase caiu. Ela apertou um braço em torno da cintura de , segurando firmemente a mão dele que passava por seus ombros. – Eu posso até ser o padrinho do seu casamento com o .
- Tudo bem, - Ela sorriu, embora não soubesse dizer se viu aquilo. – eu aceito ser sua melhor amiga para sempre, gazela colorida. Mas só se você dormir um pouco. – Ela conseguiu abrir a porta do quarto, colocando seus corpos para dentro com mais facilidade do que antes. Possivelmente porque praticamente se atirou na primeira cama que apareceu. Ele se enroscou como uma bola e abraçou o travesseiro. riu fraquinho, considerando aquilo a cena mais fofa do mundo. O cobriu com um lençol fino, saindo do quarto em silêncio.
Quando parou no corredor, se pegou analisando o que acabara de ouvir de . Não sobre a parte de eles serem melhores amigos – ela sabia que já eram antes disso – mas sobre a parte que dizia respeito a ela e a . Ela não tinha certeza, mas acreditava fielmente que falara coisas que não devia para o garoto enquanto estava embriagada. foram essas ela não sabia, embora suspeitasse. Sentiu o coração acelerar com a incômoda sensação de incerteza.
Mordiscou o lábio inferior, preferindo não tocar naquele assunto por enquanto. Passou os olhos pelas portas fechadas do segundo andar e se deu conta que não havia ninguém no quarto dos meninos. Subiu a escada que dava no sótão apenas para se certificar de que também não estava ali.
Ela nunca ia se acostumar com essa mania que os meninos tinham de sumir, sejam sóbrios ou não. Abriu a porta do quarto que dividia com , encontrando praticamente embaixo da cama de e a amiga com metade do corpo embaixo da sua.
- Casal estranho. – Ela comentou, preferindo não mexer nos dois, porque sabia que eles ficariam de mau humor. Voltou a encostar a porta, descendo rapidamente para a sala. Sorriu minimamente ao ver dormindo exatamente da mesma maneira que estava quando ela acordou. Os dois dividiram o sofá e ela não sabia como conseguira dormir ali. Deixou um breve suspiro escapar, seguindo para a cozinha, quase morrendo do coração quando viu sentado num dos bancos só de boxers. Ele estava com a cabeça afundada nos braços cruzados e parecia tão mal quanto . Recuperada do susto, caminhou calmamente até ele, passando uma das mãos nos cabelos dele. tombou minimamente a cabeça para o lado, abrindo um olho e sorrindo sem força para a garota. – Muito ruim?
- Um pouco. – Ele respondeu e sua voz não passava de um sussurro. – Você não?
- Na-não. – Ela agitou a cabeça para os lados e só de observar aquilo ficou enjoado novamente. – Vou fazer um café bem forte para você.
Ela depositou um beijo no topo de sua cabeça e naquele momento ela estava se sentindo como uma mãezona. Primeiro , agora . E não tinha dúvidas nenhuma de que teria que cuidar de todo mundo, inclusive de . Ao contrário dela, não era muito forte para bebidas. Estacou na frente do armário por um momento, sentindo pela primeira vez seu estômago se embrulhar – e não tinha nada a ver com o álcool ingerido. Ali, um post-it amarelo sutilmente colado na porta do armário trazia os dizeres: “Aeroporto, 14h30”.
- Só mais duas horas. – Ela sentiu os olhos ficarem úmidos, mas dispersou o pensamento assim que ouviu mais alguém chegar na cozinha reclamando de dor. Era . Instantaneamente um sorriso voltou aos lábios dela. – Que festa você e o participaram? Era proibido entrar de calças lá?
- Calçar quem? – Foi tudo que conseguiu dizer, antes de se jogar sobre o balcão exatamente como fizera. riu fraco, andando até a cafeteira para preparar o café. Quando virou-se para pegar uma colher na gaveta, deu de cara com um zumbi. Ah, não. É a .
Suspirou aliviada, tentando controlar o riso ao ver o estado da amiga. Fechou a gaveta e viu fechar os olhos fortemente, levando uma mão à cabeça, erguendo os cabelos que caíam sobre seu rosto.
- Shh, não faz barulho. – a voz do zumbi de camiseta da Nike soou rouca e embolada. – Tem remédio? – começou a caminhar lentamente, arrastando seus pés descalços ao invés de dar passos como uma pessoa normal. Ela afastou o banquinho ao lado de e os dois que repousavam na bancada levantaram a cabeça em desaprovação. – Desculpa. – a garota murmurou, tomada pela dor latejante na cabeça e sentando-se com dificuldade no banco. voltou a preparar o café, vendo pelo canto dos olhos que e chegavam na cozinha no mesmo estado.
- Pronto, café para todos com analgésico de brinde. – disse depois que colocou um comprimido na frente de cada um, junto com xícaras de café quente e forte. – E eu não vou sair daqui enquanto vocês não comerem pelo menos uma fruta – ela colocou uma bandeja com maçãs e outra com pão doce, sentando-se ao lado de .
- Como eu te odeio. – disse após tomar o comprimido. – Odeio esse seu organismo que te faz acordar como se nada tivesse acontecido. – ela encarava a xícara de café, fazendo cafuné em que estava sentado de olhos fechados.
- A tem razão... – comentou – Como você consegue? – ele a olhou e recebeu um selinho de .
- Sei lá, gente, nasci assim. – ela soltou uma risada fraca, encarando o armário com o aviso do aeroporto. Tentou disfarçar, mas como estava a encarando, seguiu seu olhar e encontrou o post-it que ele mesmo tinha escrito. Ele suspirou, sentindo um vazio imenso tomar conta de si. Ele buscou palavras no seu cérebro que melhor poderiam dizer que eles precisam arrumar as coisas para saírem para o aeroporto. Mas nada que ele pensava poderia ser pior do que encarar os fatos.
- Precisamos nos arrumar. – disse após um longo suspiro. E como se um choque tivesse sido descarregado no corpo dos outros quatro, eles levantaram a cabeça no mesmo instante, encarando com olhares vazios.
- Mas... Que horas são? – pareceu acordar somente naquele instante, olhando para o relógio no micro-ondas, constatando que já se passava do meio-dia.
- É hora de dar tchau. – foram surpreendidos por enrolado no lençol, aproximando-se deles. olhava toda a cena tentando manter a calma, ainda parada milagrosamente em pé ao lado de . Este, por sua vez, começou a ficar inquieto, percebendo que tanta coisa aconteceu em tão pouco tempo e muito coisa deixou de ser dita. Ele queria ter mais tempo para continuar com aquilo, não queria encarar a realidade. sentia-se assim também, sendo o primeiro a levantar do banco e ir deixar sua xícara na pia. Ficou naquela posição por alguns instantes, torcendo para que alguém subisse as escadas primeiro. esfregou os olhos e terminou de tomar seu café, olhando para em pé ao seu lado. Os dois trocaram um olhar que transmitia confiança, de que estava na hora de voltar para a vida habitual deles. ainda encarava o relógio, mas seu olhar automaticamente direcionou-se para , quando ela fez barulho sem querer com a xícara do café. A garota mantinha-se firme até então, mas quando seus olhos encontraram os de , ela sentiu que desmoronaria naquele exato segundo. Preferiu sair correndo e ir para seu quarto, não querendo demonstrar que era a mais fraca na frente de todos – já fazendo isso.

POV

Fechei a porta atrás de mim enquanto ainda sentia uma forte dor de cabeça. Olhar para minha cama desarrumada onde havia dormido algumas noites não ajudou muito, fazendo-me querer trancar a porta e não deixá-los sair de casa nunca mais. Mas eu sabia que não era assim que as coisas funcionavam. Tinha plena consciência de que eles tinham uma vida antes de conhecer a mim e a , onde eles eram famosos mundialmente e tinham uma carreira para seguir. Aceitar que eu tinha plena consciência de tudo isso e que os deixaria ir embora normalmente, fazia meu lado emocional querer rasgar meu cérebro em milhões de pedacinhos. Porque o que meu coração desejava, era uma vida inteira ao lado deles com a certeza de que sempre seríamos amigos. E eu não tinha essa certeza.
- ? – assim que meu coração tinha acalmado um pouquinho, ouvi entrar no quarto e toda a calma foi embora. Como eu ia fazer para não chorar?
- Hey! – virei-me em direção do garoto legal e bonito que tinha entrado correndo na minha nova casa, no primeiro dia em que coloquei meus pés na Inglaterra. – Quer ajuda pra arrumar suas coisas? – ele assentiu minimamente, com seu sorriso comunal nos lábios.
- Mas antes eu quero te falar uma coisa. – aproximou-se e eu quis muito dar uma voadora nele para que ele ficasse longe. Sua proximidade me faria perder o controle, como fizera em todos os dias que ele esteve aqui.
- Até duas. – joguei minhas mãos ao redor de seu pescoço assim que ele me abraçou pela cintura, olhando no fundo dos meus olhos.
- Isso não acaba aqui, entendeu? – um sorriso era permanente em seus lábios, mas seus olhos continham um pouco de tristeza. Eu não me encontrava em diferente situação. – Você tem meu celular e eu tenho seu. Sem contar que eu sei onde você mora e a pode te mostrar o caminho da minha casa. – concordei minimamente quando ele encostou sua testa na minha, me puxando para mais perto.
- Bom saber que quando eu te ligar de madrugada com saudade você não vai me xingar. – minha voz saiu fraca, assim como a risada dele. – E eu também quero que você saiba que eu entendo completamente o que você faz. Não vou te proibir de nada e prometo não ser a louca dos ciúmes. E... – eu queria falar diversas coisas, mas meu cérebro barrava qualquer coisa que fizesse menção ao futuro, qualquer coisa que indicasse que eu o prenderia. Por mais que eu quisesse, eu não sabia se ele seria somente meu daqui pra frente. Nós contamos coisas da nossa vida um para o outro, mas eu não faço a mínima ideia se ele tem outra pessoa. Não sei como esse negócio de famoso funciona, não sei se ele tem que namorar pessoas famosas daqui pra frente.
- E...? – incentivou para que eu continuasse, percebendo que eu tinha me perdido em pensamentos.
- E sempre que você precisar de alguém pra conversar, eu vou estar aqui. E vou te apoiar nas decisões corretas que você tomar. – e aceitar tranquilamente caso você tenha outra pessoa. – Se cuida, tá? – fechou os olhos por alguns segundos. Tinha certeza que ele estava no mesmo dilema que eu. Nesse tempo, pude perceber que nós éramos iguais nisso. Nenhum de nós gostava de demonstrar tanto o sentimento e quando isso acontecia, era lindo e totalmente espontâneo. Mas enquanto isso, a gente vivia um dilema, uma eterna luta entre mente e coração.
Queria ser mais normal às vezes.
- Você também, pequena. – ele disse após um longo suspiro, nos beijando da forma mais intensa e sentimental que conseguimos.
- Er, desculpa atrapalhar... – ouvi a voz de na porta do quarto e olhei para seus olhos tristes. – Mas eu queria me despedir da também. – disse dando alguns passos para dentro do quarto, conforme tirava seus braços da minha cintura. – Acho melhor nos despedirmos agora, já que no aeroporto vai ser um pouco complicado. – concordei, abrindo meus braços para abraçá-lo. perguntou por e saiu do quarto, ao mesmo tempo em que os outros garotos entravam. – Não some, tá?
- Claro que não! Eu sou a maior chata de todos os tempos. – dei risada, virando-me para abraçar . – Quando eu precisar de atores para meus filmes, eu vou te contratar, tá? – deu risada, beijando minha bochecha.
- Vou ficar muito feliz com o convite! E você vai dirigir nossos clipes daqui pra frente. – bati palmas e apareceu na minha frente, com lágrimas nos olhos.
- Quem morreu? – perguntei para , vendo-o sorrir levemente. – Não chora, isso não é o fim.
- Acho bom mesmo, senão eu vou assombrar vocês no sótão. – me abraçou forte, dando um beijo na minha testa. – Vai me mandar mensagem de bom dia todos os dias?
- Sim, senhor! – bati continência e olhei para , que estava com seu sorriso habitual estampado no rosto.
- Vou sentir falta de acordar com seus berros. – ele disse ao me abraçar.
- E eu vou sentir falta dos seus gritos de menininha toda vez que aparecia assombração. – me mostrou a língua e me deu um último beijo. – Se cuidem, tá? Não falem com estranhos, nem aceitem doces de homens maus. E o principal de tudo, fiquem longe de vadias. – semicerrei os olhos.
- Pô, , eu sou solteiro! – reclamou, rindo logo em seguida. – Mas tudo bem, eu faço um esforço por você. – sorri satisfeita e os vi saírem do quarto para terminar de arrumar suas coisas. Um vazio preencheu meu coração e eu suspirei pesadamente. A vida é injusta. Ao mesmo tempo em que ela coloca pessoas maravilhosas na sua vida, ela vai lá e tira de algum jeito depois, deixando saudade no lugar.

POV

Era a minha intenção ir atrás de no momento em que saí correndo atrás dela, deixando os cinco garotos para trás com expressões tão vazias e tão cheias de significados ao mesmo tempo. Eu realmente queria que minhas pernas me levassem em direção ao nosso quarto, mas quando dei por mim, estava sentada sobre a cama que até o momento fora de , respirando com dificuldade.
Parecia que eu tinha enfrentado uma maratona infinita.
Eu queria que fosse simples daquela maneira. Queria que o aperto em meu coração naquele momento fosse por causa de uma coisa comum, e não porque o sonho estava acabando. Queria que minha falta de ar fosse por conta de um ataque de risos causado por ou , como costumava acontecer.
Queria que as lágrimas em meus olhos não fossem por causa do adeus que teria de dizer em poucos minutos.
Eu nunca fui boa em despedidas. Eu nunca fui boa em aceitar que as coisas boas dessa vida precisam acabar. Eu só era boa em me esquivar das situações que fugiam do meu controle, mas naquele momento eu não tinha como me esconder da realidade. Eu só queria que eles ficassem para sempre ali, era pedir demais?
Um longo suspiro escapou por entre meus lábios entreabertos, e por mais que eu quisesse ser coerente comigo mesma, eu não conseguia aceitar.
Fiquei incontáveis minutos olhando para a mochila azul de no canto do cômodo; ele sempre a mantivera organizada e por um lado eu estava grata por não ter que vê-lo arrumando suas coisas. Era tolice, eu sei, mas ia tornar a partida ainda mais dolorosa. Acho que ele pensou a mesma coisa, desde o princípio.
No andar de baixo eu conseguia ouvir as vozes dos meninos e eles pareciam estar arrumando suas coisas, a julgar pelas indagações do tipo “alguém viu meu chinelo?” ou , essa cueca é sua?”. Ri fraquinho, sentindo todo meu interior estremecer.
Permiti brevemente que minhas pálpebras cedessem enquanto eu mordia fortemente meu lábio inferior, tentando controlar a vontade de gritar e chorar.
Ouvi dois toques gentis soarem e quando abri meus olhos, encontrei parado ali, as duas mãos descansando dentro do bolso de sua calça jeans e um mínimo sorriso estampado em seu rosto. Bufei.
- Ah não, não, por favor. Eu não quero chorar na sua frente. – Escondi meu rosto entre minhas mãos, trazendo minhas pernas para cima da cama, assumindo uma posição defensiva um tanto quanto infantil. – Vai falar com a e volta aqui daqui a pouco. – Espiei por entre meus dedos quando não obtive resposta, acreditando que ele realmente tinha me obedecido. Fui surpreendida quando me abraçou e me ergueu da cama, girando-me no ar duas vezes. – !
Senti o assoalho de madeira entrar em contato com meus pés descalços e quando o sótão parou de girar, suspirei fraquinho e o abracei, rindo sem muita força.
- Também vou sentir saudade, capitão. – brincou, balançando nossos corpos para os lados. – Vou até sentir saudade das assombrações.
- Eu nunca pensei que fosse dizer isso, - e eu olhamos na direção da porta, por onde acabava de passar, sendo seguido por e . Nenhum sinal de e por um segundo eu queria que ele viesse junto com eles. Não queria ter de ficar a sós com ele depois. Meu coração pareceu afundar um palmo dentro de mim. – mas até eu vou sentir saudades desse lugar assustador. – olhou ao redor, fazendo menção ao sótão. – E das suas panquecas.
- E da sua risada. – acrescentou, sendo o primeiro dos três recém-chegados a se aproximar de mim, ficando na minha frente. – Você é a única que ri de tudo que eu falo.
- Alguém precisa rir das suas piadas sem graças. – rolou os olhos, se aproximando junto com . Naquele momento eu estava cercada por eles e pela sensação única de que não havia nenhum outro lugar em que eu gostaria de estar. – Obrigado, . Por tudo que você fez por nós.
- É, obrigado por ser completamente maluca ao convidar cinco estranhos para entrar na sua casa. – me abraçou de um lado, e me abraçou do outro. Soltei uma risada nasalada, sendo acompanhada por todos eles.
- E por nos tornar velhos simpáticos. – imitou um velho e concordou, acrescentando um “caçadores de fantasmas também”, ambos sorrindo para mim.
- E por me dar um quarto no sótão com visão para as estrelas. – assentiu, e assim formamos um abraço coletivo. Eu estava sufocada, mas eu nem me importava.
- Ai, como vocês me amam. – Eu disse rindo, mas quando nos separamos, reparei que lágrimas rolavam pelo meu rosto. De nervoso, comecei a rir ainda mais e recebi mais um abraço de todos ao mesmo tempo. – Prometam que vão se cuidar.
- Mais uma para me pedir para ficar longe das mulheres. – fingiu estar bravo, mas meio segundo depois riu, enxugando o rastro que as lágrimas fizeram por minha bochecha. – E você promete que vai nos visitar?
- A me prometeu mandar mensagens de bom dia. – disse, segurando uma de minhas mãos. – Você promete que vai me mandar mensagens de boa noite?
Limitei a agitar a cabeça de forma positiva, sorrindo para os quatro meninos presentes, travando uma verdadeira batalha interna. Era possível uma pessoa estar feliz e triste ao mesmo tempo? A dúvida ficou muito mais intensa quando vi chegando ao sótão. Ele usava a mesma blusa azul que estava vestindo quando entrou na minha casa ainda empoeirada e sem graça.
- Nós já arrumamos nossas malas. – entortou levemente sua boca ao falar, apontando para a porta com um polegar sobre o ombro. – Vamos esperar vocês lá na sala.
Após me darem beijos e abraços, um ao um saiu do sótão, restando apenas eu perto da cama e próximo da porta, ambos com a vontade de se aproximar estampados em nossos rostos, mas com a falta de coragem congelando nossos músculos.
Aquele seria nosso último abraço. Nosso último beijo. Nosso último momento como e , duas pessoas normais. E eu não queria dar esse último abraço.
- Você deveria me abraçar agora, não deveria? – Ele sorriu sem mostrar os dentes, os olhos fixos nos meus enquanto ele abria seus braços lentamente. Prendi toda minha respiração, fechando meus olhos e correndo de encontro a ele. Se não estivesse esperando por isso, certamente teríamos caído no chão. – .
Foi apenas o meu nome que ele sussurrou, mas foi como ouvir uma centena de palavras e ainda assim era como se não fosse o suficiente. Afundei meu rosto na curva de seu pescoço, respirando seu perfume como se precisasse daquilo para sobreviver. Senti seus dedos se firmarem em minhas costas e em meu cóccix; não havia espaço algum entre nossos corpos.
- Eu... Eu só... É que... – Eu comecei, mas fui silenciada pelos lábios urgentes e intensos de .
- Não fala nada. – Ele sussurrou por entre os beijos; meus dedos percorriam desesperados o caminho entre sua nuca e seus cabelos. – Não precisamos tornar isso ainda mais difícil, certo?
- Eu preciso dizer, . – Sussurrei, me afastando o mínimo possível, apenas para conseguir ver seus olhos. Eles ardiam em sentimentos incompreensíveis para mim naquele momento e eu tenho quase certeza de que não estava muito diferente. – Não importa o que aconteça daqui pra frente, eu sempre vou me lembrar desse que você é. Desse que eu conheci e desse que eu...
Engoli as palavras que se embolaram e formaram uma frase que eu não podia dizer. Não podia por simplesmente não ser tangível no mundo real. O mundo pro qual eu e ele estávamos voltando agora.
- Que você...? – incentivou, falando tão perto que nossos lábios se roçavam provocantes.
- Que eu quero que se lembre sempre de mim. – Fechei os olhos, encostando minha testa em seu peito. levou seus dedos de minha cintura até meu pescoço, percorrendo o caminho todo lentamente, como se estivesse decorando cada pedaço de mim. Exatamente como eu fazia naquele momento, enquanto percorria a extensão de seus braços com a ponta de meus dedos.
- Eu vou estar sempre pensando em você, . – Ele disse e no fundo, senti um leve tremor em sua voz. O que aquilo significava? Eu prefiro não saber.
- Hora de ir. – colocou a cabeça para dentro do sótão, sorrindo sem mostrar os dentes. Um lindo sorriso triste. Irônico.
e eu trocamos um último olhar e, de mãos dadas, deixamos o sótão.

-X-

- Bom, acho que pegamos tudo. – disse, dando uma última olhada ao redor. e trocaram um olhar compreensivo e ao mesmo tempo desolador, assentindo para si mesmas sem que os outros percebessem.
Parecia tão irônico pensar que, dez dias atrás, todos eles se encontravam daquela mesma maneira, reunidos no meio da sala, dando início aos melhores dias da vida deles naquela mansão. E agora eles se despediam.
- Então, vamos? – suspirou, apanhando sua mochila do chão. Os músculos de todos os presentes estavam um tanto quanto travados. Na verdade, eles estavam sem coragem de se moverem para ir embora.
- Vamos logo antes que eu tranque vocês no sótão. – bufou, pegando sua bolsa transversal e saindo pisando duro dali. Os seis restantes entreolharam-se e pegaram suas coisas, indo rapidamente até a porta. A garota colocou a cabeça para dentro, avisando que a van que haviam alugado já havia chegado. Os garotos estavam usando os mesmos disfarces que usavam quando chegaram à mansão.
- Como combinado, a vai abrir a porta da van e quando ela perceber que ninguém está olhando vai dar o sinal para vocês correrem lá para dentro. Eu vou logo em seguida depois de trancar a porta. – repassou aquela parte do plano e todos concordaram. andou simpática até a van, sorrindo para o motorista velhinho e simpático que estava do lado de fora os esperando.
- Boa tarde! Eu sou a , falei com o senhor pelo telefone. – ele assentiu, estendendo a mão para cumprimentar a garota. – Bom, meus amigos já estão vindo e eu preciso que você saia com a van rapidamente assim que eles entrarem.
- Sem problemas! – ele concordou, voltando para dentro da van e já a ligando. abriu a porta e deu a volta no veículo para certificar-se que todos estavam dentro de suas casas e nenhuma adolescente maluca estava passando por ali. Voltou correndo até a porta da van e fez sinal para que os garotos viessem correndo. E como se um furacão tivesse passado por ali, , , , e correram com suas mochilas, – e um pedaço de bolo em uma vasilha de plástico – entrando na van rapidamente. entrou logo depois, olhando apreensiva para que havia deixado a chave cair.
- Merda! – a garota praguejou, abaixando-se para pegar a chave do chão. finalmente conseguiu colocar a chave no buraco da fechadura e deu duas voltas, trancando a porta da mansão. Ignorou o fato de como aquilo era doloroso e virou-se para a rua, onde a van deveria estar estacionada.
Mas tudo o que encontrou, foi a rua vazia e a van indo embora com a porta aberta, de onde estava quase pendurada gritando o nome da garota.


18. The Back-up Plan


- PÁRA, MOÇO! PÁRA A VAN! – segurou em um dos bancos da van e apoiou-se na porta aberta, colocando a cabeça para dentro e gritando com o motorista que não entendia nada. – , CORRE! – voltou a olhar para fora, vendo correr desesperadamente atrás da van no meio da rua, segurando o celular na mão. sentiu alguém a segurar pela cintura e viu que estava ao seu lado, segurando-a para não cair.
- Mas a senhorita disse que era para dirigir assim que eles entrassem na van. – o senhor explicou, ainda dirigindo. ficava cada vez mais para trás.
- Mas faltava uma pessoa, moço! E PÁRA A PORRA DESSA VAN, CACETE! – gritou novamente e o senhor freou bruscamente. Se não estivesse segurando-a pela cintura, com certeza ela teria caído para fora no asfalto.
- Salvei sua vida, hein? – disse, tirando os cabelos bagunçados pelo vento do rosto de .
- Agradeço muito por isso! – deu um selinho nele e saiu da van, vendo quase chegando. A garota acenou e mostrou o dedo do meio, continuando a correr. – MAL AGRADECIDA!
- Muito... Obrigada... Por me esperar, hein! – disse irônica, fazendo um joinha com a mão, apoiando-se na van. Sua respiração estava falha e ela falava com dificuldade.
- Não foi minha culpa. – rolou os olhos, ajudando a amiga a entrar na van e fazendo o mesmo logo em seguida, fechando a porta atrás de si. sentou-se ao lado de , que começou a abaná-la com o boné de . – Toma, bebe água.
- Valeu. – ela bebeu todo o conteúdo da garrafa que havia lhe dado, recuperando o ar aos poucos. – Nunca corri tanto na minha vida.
- Sempre tem uma primeira vez, ! – brincou, debruçando-se no banco que ela estava sentada.
- Senhorita, podemos ir? – olhou para o motorista e concordou, voltando a se sentar ao lado de . O garoto depositou uma mão sobre a coxa dela e colocou os óculos de sol novamente. abraçou o braço dele e apoiou a cabeça em seu ombro, sentindo a van começar a se movimentar. No banco de trás, estava sentada largada no banco, enquanto continuava a abanando e intercalando a ação com pequenos beijos em seu rosto, fazendo-a sorrir. E no último banco, , e cantavam músicas de excursão de escola, batendo palma animados.

- Mais dez minutos e nós chegamos. – o senhor respondeu a pergunta de e o garoto ajoelhou-se no banco, chamando a atenção dos outros seis que riam de alguma coisa que havia dito.
- Precisamos repassar o plano uma última vez. – disse sério, pendurando os óculos de sol na gola da camiseta branca que usava. Todos o olharam atentamente. – , o que você vai fazer quando chegar ao aeroporto?
- Eu vou perguntar qual é o portão de desembarque do voo que vem do Japão das 15h45min. – a garota começou a falar – Quando eu descobrir, eu vou até lá ver se tem algum indício de fã de vocês. E aí eu aviso a .
- , qual sua parte do plano? – perguntou para a garota que tinha acabado de acertar uma música no Song Pop.
- Bom, se a me ligar falando que não tem nenhuma fã, eu vou me encontrar com ela para subornar o segurança com nosso poder de sedução. – as duas piscaram uma pra outra e e rolaram os olhos – Caso tenham fãs de vocês, primeiro nóss vamos despistá-las e depois subornar os seguranças.
- Certo, e é nessa hora que vocês nos avisam e o motorista nos leva até o local. – concluiu.
- Isso, e então eu mando uma mensagem para os clones avisando onde estamos para a troca. – disse apontando para seu celular.
- Quando a troca estiver feita, eles entram na van e o motorista os leva para o endereço que a gente deu. – disse, pulando para o banco da frente e sentando-se ao lado de .
- E aí eu ligo para o Paul avisando que nós chegamos. – contou super empolgado a sua parte do plano.
- Exatamente. E aí só para garantir, eu posto uma foto minha na pista de aterrisagem no Instagram. concluiu o plano – É perfeito, não tem porque falhar! – deu risada, fazendo um hi-five com .
- É só todo mundo fazer sua parte e ninguém se distrair. – observou, pegando sua mochila no banco de trás. – Ok, hora da entrar em ação. – a garota fez um joinha com a mão, pegando o óculos de sol na bolsa de e colocando uma pashmina.
- E aí, cara de rica? – ela perguntou, fazendo cara de nojenta.
- Podre de rica. – disse e mandou um beijo no ar.
- Vai lá, hora de você mostrar que as aulas de teatro no colégio foram mais do que suficientes e que você pode ser mais do que uma árvore. – zombou, levando um tapa da amiga.
- Árvore? – perguntou com as sobrancelhas franzidas.
- Longa história, . Depois a gente te conta. – disse assim que a van parou no meio fio. – Me desejem sorte. – e com um coro de boa sorte, ela abriu a porta da van, entrando no aeroporto.

Desviando das pessoas com malas de todos os tipos, andava apressada até o guichê de informações. Assim que o avistou, viu que uma pequena fila se formava na frente da mulher antipática de uniforme. Mordia o canto da unha distraidamente por conta do nervosismo, quando percebeu que ela não estava parecendo tão rica como deveria. Em partes ela achava aquela ideia de ter que se passar por rica um tanto como boba, mas tinha ficado tão empolgada em dar personagens para eles que ela não se importou em fazer isso.
- Pois não? – a mulher antipática, que chamava-se Shannon segundo a plaquinha pregada no seu blazer, a tirou do transe quando falou com ela.
- Boa tarde, querida, eu gostaria de uma informação. – a mulher continuou a olhando inexpressiva. – Eu quero saber onde é o portão de desembarque do voo 08045 que vem do Japão.
- Por quê?
- Por que o quê?
- Por que a senhorita quer saber? – a mulher disse impaciente.
- Porque meu namorado está nesse voo e eu vim buscá-lo. – tentou responder no mesmo tom imponente que a mulher tinha, e pareceu funcionar.
- Só um momento, senhora. – viu a mulher digitar algumas coisas em um computador e esperou apreensiva. – Portão 12C. Só seguir reto e virar no final do corredor à direita.
- Muito obrigada. – agradeceu antes de sair correndo desesperada pelo corredor, assim que a mulher não conseguisse mais avistá-la. Assim que se aproximava de onde teria de virar, começou a perceber um aglomerado de adolescentes andando por ali. Um mau pressentimento começou a tomar conta dela e ela não estava gostando nada daquilo.
Quando virou correndo na direita e avistou uma placa escrito “DESEMBARQUE C– PORTÕES 05 À 12” sentiu seu coração acelerar um pouco mais. O portão 12 era o último e quanto mais se aproximava, mais conseguia ouvir vozes finas e que cantavam alguma coisa.
- Ah, não, por favor não! – disse para si mesma quando viu que um grupo de pelo menos vinte meninas estava formado no portão de desembarque. – Mas como elas descobriram? – diminuiu a velocidade do passo e constatou que seu pressentimento estava certo. As meninas usavam camisetas do One Direction e tinham cartazes e pôsteres em suas mãos. aproximou-se um pouco mais, mas sem parecer suspeita. Pegou o celular do bolso e digitou uma mensagem para .

“Portão 12C, segue pelo corredor do check-in e vira a direita no final. Vem rápido e pensando em um bom plano para despistar trinta fãs do One Direction.”

Enviou a mensagem rezando para que a mente criativa de chegasse com uma ideia genial.

saiu correndo na velocidade da luz para fora da van, parando no segundo que entrou no aeroporto. Precisaria de um plano muito bom para despistar as fãs e se saísse correndo por lá ia dar na cara o que estava acontecendo. Pensou em cenas de filmes e de livros, tentando montar alguma coisa na sua cabeça. O único jeito de fazer com que elas saíssem de lá por um instante seria se elas realmente acreditassem que o One Direction estava em algum outro lugar daquele aeroporto. Ou então se elas saíssem de lá e ficassem presas em algum outro lugar, onde não poderiam sair para estragar o plano deles. percorreu o olhar pelo local e olhou de volta para a van, sendo iluminada por uma ideia. Pegou o celular e ligou para , vendo uma foto dos dois aparecer no visor.
- ? – ouviu a voz dele ecoar do aparelho e o colocou na orelha – Por que você tá parada aí?
- , ou você ou um dos meninos precisa postar uma foto falando que já chegaram em Londres e estão no portão de desembarque número 01C. – disse tudo de uma vez, rezando para que ele fosse bem espertinho e não pedisse muitas explicações. Eles tinham somente meia hora para colocar o resto do plano em ação.
- Tá... Eu não vou perguntar por que, mas vamos fazer isso. Eu te aviso.
- Ok, valeu. – desligou o celular e foi correndo até o portão 01C para garantir que as fãs chegassem lá. Conforme corria, ligou para .
- Onde você tá, criatura? – a ouviu atender desesperada.
- , eu tive uma ideia, não dá pra explicar agora, mas quando elas saírem correndo daí, me avisa que eu vou encontrar com você. – disse com a respiração falha.
- Mas... Mas como você sabe que elas vão sair correndo daqui? perguntou em dúvida.
- Só me avisa, depois eu te explico. – desligou o celular antes que ela pudesse contestar de novo. Assim que chegou no portão 01C, sentiu o celular vibrando.

“Já postei uma foto no Twitter. Espero que ajude. x

Sorriu ao ver a mensagem e esperou ansiosamente por , sentindo seu estômago embrulhar um pouco. Alguns segundos depois, seu celular vibrou novamente.

“Elas saíram feito loucas daqui, não restou ninguém, espero que você saiba que está fazendo.”

Respirou fundo após ler a mensagem de e foi correndo em direção ao segurança que estava ali.
- Moço, eu ouvi que uma banda famosa está desembarcando em um dos portões, e várias fãs estão vindo pra cá. – o segurança a olhava intrigado, perguntando-se de onde ela tinha saído – Seria bom se você dissesse para elas que eles realmente vão sair por aqui.
- É, realmente tem uma banda desembarcando aqui, eu fui informado. – ele coçou o queixo – Obrigado pela dica, vou fazer isso. – ele deu um meio sorriso e sorriu satisfeita, vendo as dezenas de adolescentes chegarem correndo ali. Ela disfarçou e voltou a correr para o lado oposto de onde elas tinham vindo, indo ao encontro de .
Estava quase chegando no portão 12C quando ouviu seu celular tocar.
- Já estou indo. – atendeu a ligação de , entrando no corredor a direita que ela havia falado.
- ... O Paul já está aqui e... Eu acho que ele me viu. parou imediatamente quando viu estática em frente ao portão, com um homem alto e forte parado no meio do corredor olhando na direção de sua amiga de infância.
- Fodeu.
- Eu sei! O que eu faço agora?! piscou, parecendo acordar de um transe, reparando que agora Paul estava indo em direção de .
- Segura as pontas, eu vou pensar em alguma coisa! – Desligou, sentindo a adrenalina atrapalhar seu raciocínio. – Merda. Merda, merda, merda!
Do outro lado do saguão, viu mover os braços e ela parecia querer dizer alguma coisa, mas ela não podia ter certeza, já que estava mais preocupada com o armário de pernas compridas que se aproximava dela naquele instante.
Engoliu em seco e tentou parecer despreocupada, fingindo estudar com muita atenção o painel com os horários de desembarque. Por dentro, ela torcia para que Paul não a tivesse reconhecido.
- Hey, você! – Ela ouviu a voz dele soar retumbante, e seu coração passou a bater mais apressado. não sabia se olhava para ele ou se fingia ser surda. Na pior das hipóteses, era melhor não ignorá-lo. Contrariando o que seu cérebro clamava, ela se virou, olhando para ele com o máximo de segurança que conseguia. – O que está fazendo aqui?
“Fodeu” pensou enquanto sorria amarelo pro cara parado ao seu lado.

corria, se esquivava e ultrapassava pessoas e malas pelo saguão do aeroporto e em menos de um minuto ela estava abrindo a porta da van e se jogando ali dentro com tudo, assustando os meninos que pareciam estar conversando sobre alguma coisa aleatória.
Levou as duas mãos ao peito, puxando o ar com força. começou a abanar a garota, que não esperou se recuperar totalmente para começar a falar.
- Nós temos um grande problema. Faltam menos de quinze minutos para vocês aterrissarem e o Paul está na frente do portão de desembarque com a . Precisamos dar um jeito de fazer a troca com os clones sem que ele perceba e antes que minha amiga seja trucidada pelo armário de pernas compridas! – Ela soltou tudo de uma vez, fazendo com que todos trocassem olhares alarmados. congelou no banco.
- Mas não era pro Paul nos esperar na lanchonete? – questionou a , lembrando-se da ligação que Paul fizera para ele dias atrás.
- Ele é prevenido até demais. – chacoalhou a cabeça, sentindo o coração acelerar. – Precisamos ajudar a !
- Mas ninguém pode ver a gente saindo da van! – lembrou, e sentia a agonia remoer seus nervos. Eles estavam perdendo tempo.
- Não precisamos do One Direction inteiro. – deixou um riso sapeca moldar seus lábios, e seus companheiros já sabiam o que viria a seguir. Confusão, no mínimo. – , vem comigo! E vocês três – ele disse apontando para , e respectivamente, segurando na mão de e de . – fiquem esperando pelo meu sinal!
cobriu sua cabeça com o capuz e colocou os óculos de sol, sendo imitado por . assentiu sem muita certeza para os dois garotos, correndo atrás deles assim que a porta da van foi aberta.

- Eu já disse, meu senhor, eu não faço ideia do que pode ser essa tal de Only Direction! argumentava com Paul, que estava tentando afastá-la do portão de desembarque. E tentava afastá-lo junto de si, mas ele não se movia um centímetro sequer. – Eu não estou interessada em ver nenhum garotinho de boyband, como eu disse, eu vim buscar meu namorado!
- E como eu disse, deve estar havendo algum engano. Ninguém vai desembarcar por esse portão. – Paul deu ênfase ao ninguém, querendo dizer que somente o One Direction ia sair por ali. Malditos jatinhos particulares, praguejou . Sua criatividade estava ficando limitada e Paul não parecia acreditar em nenhuma desculpa que ela dava. Ela começou a pensar na possibilidade de fingir um desmaio, perguntando-se se ele a socorreria ou não quando ouviu gritos partindo de algum ponto atrás de si. Segundos depois viu um vulto colorido passar entre ela e Paul na velocidade da luz e dois seguranças do aeroporto o seguia.
- Moço, ajuda! Aquele moleque roubou minha bolsa! – quase caiu para trás quando viu que estava entre ela e Paul, agitando as mãos na frente dele, apontando freneticamente para o local por onde os três elementos sumiram. Paul pareceu dividido, olhando de para , de para o relógio em seu pulso. Por fim – para alívio de – ele começou a se afastar juntamente com . No timing perfeito, viu que cinco garotos muito bem vestidos estavam saindo pelo portão de desembarque e quase gritou de susto quando sentiu as mãos de tocar seus ombros. O garoto sorriu por debaixo do disfarce e percebeu que outros três se aproximavam pelo mesmo caminho de onde viera correndo. Rolou os olhos quando viu que eles andavam apressados quase agachados atrás de um carrinho vazio. Por mais que a cena fosse estranha, ninguém parecia dar importância ao fato e agradeceu por tudo estar dando certo.
Ou quase tudo.
Quando , e estavam quase chegando, o celular de começou a tocar e “What’s Make You Beautiful” ecoou pelo saguão, fazendo muitos olhares se dirigirem até ela. Inclusive o de Paul, que parou de seguir e se virou com um olhar que descreveu mentalmente como friamente mortal. A única coisa que ela conseguiu pensar naquele momento foi a primeira coisa que ela gritou para os meninos, apontando para os clones também.
- CORRE!
E como se uma bomba estivesse prestes a explodir, , , , e se espalharam pelo saguão. Os clones, que não entendiam o que estava acontecendo só começaram a correr porque não queriam ficar parados para descobrir o motivo da gritaria. Paul fulminou com o olhar, e esta saiu correndo antes que ele a pegasse pelos cabelos. Paul ordenou que eles parassem de correr, mas daquela vez ninguém obedeceu.

, que havia se passado pelo trombadinha, acabara de dar a volta no saguão do primeiro andar e topou de cara com o clone de , percebendo que ele usava roupas no estilo de . O garoto explicou brevemente o que aconteceu e assentiu, dizendo que eles precisavam encontrar os outros para fazer a troca antes que Paul os pegasse e a coisa ficasse mais feia do que já estava.

, e acabaram de entrar no banheiro masculino, se arrependendo logo em seguida. No minuto seguinte, os clones de , e entraram também.
- Droga, eles não estão vestidos como a gente se vestiria. – comentou aleatoriamente, sendo repreendido por , que alegou que eles precisavam sair de lá antes que Paul resolvesse procurar por eles ali dentro.

estava apreensiva, escondida atrás de uma palmeira artificial, juntamente com e o clone de . Se não estivesse com tanta adrenalina percorrendo seu sangue, com certeza teria reparado que o clone era realmente bem parecido com , mas que ele usava as roupas que deveriam estar no clone de . Recebeu uma mensagem de , que dizia:

“Paul está indo em direção ao portão B, se estiverem por aí, voltem para o portão de desembarque certo! RÁPIDO!”.

Contou o plano para os dois garotos, que assentiram e logo eles voltaram correndo para o portão 12C. No caminho, encontraram , e com os clones que entraram no banheiro também. contou que Paul estava no portão B e que eles tinham que encontrarem os outros logo para fazerem a troca, antes que Paul percebesse o que de fato havia acontecido.

já não fazia mais ideia de qual lado do aeroporto estava e em qual direção deveria seguir. Correu os olhos rapidamente pelo local, encontrando apenas uma multidão de passageiros e nenhuma delas eram seus amigos ou Paul. Recebeu a mensagem que enviara para todos e praguejou quando percebeu que estava muito distante do portão certo. Temeu que não conseguisse chegar a tempo e após comunicar o clone que deveriam voltar, os dois se puseram a correr mais uma vez.
procurava manter os olhos em Paul, na tentativa de dar cobertura para que os meninos conseguissem encontrar os companheiros corretos a tempo.
Escondida atrás de um quiosque que vendia lembrancinhas, constatou que Paul estava voltando para o portão C e ela mais do que nunca torceu para que todos estivessem nos seus devidos lugares quando o segurança brutamontes voltasse.

- Mas o que... – Paul deixou escapar com as sobrancelhas franzidas. Quando voltou ao portão 12C, encontrou , , , e sentados sobre suas bagagens, como se estivesse há séculos esperando por ele. – O que vocês...
- Demorou, hein, grandão? – sorriu, sendo o primeiro a se levantar e guiar o carrinho na direção dele. – Podemos ir agora? Estou faminto.
- Quando é que você não sente fome, ? – brincou, dando um tapinha no ombro de Paul quando passou por ele, seguindo .
E conforme um a um ia se levantando, agindo como se não tivessem feito nada demais, Paul ficava ainda mais confuso. , que fora o último a se levantar – ele estava mais cansado do que os outros, porque correra muito mais – parou ao lado de Paul, batendo as duas mãos nos ombros de seu segurança, sorrindo de lado.
- Que foi, Paul? Até parece que viu um fantasma! – gargalhou, tanto pela expressão incrédula de Paul, quanto pela piada interna que somente ele entendera naquele momento.
Meneando a cabeça com a pulga atrás da orelha, Paul seguiu os meninos, achando aquilo tudo muito estranho. Disse para si mesmo que ser segurança de cinco jovens hiperativos era para deixar qualquer um careca. Sorte que ele já era, pensou.

-x-

- Que ideia foi aquela de mandar todo mundo sair correndo, ? – riu, batendo uma mão na perna, lembrando de como a cena fora engraçada.
- Foi o único plano que consegui bolar. – riu, colocando as duas mãos sobre a barriga sentada confortavelmente no banco do táxi. – Aquele Paul me dá medo!
- Cara sinistro! – concordou. Ajeitou-se no banco, arrumando os cabelos que estavam bagunçados desde a hora em que saíram do aeroporto. – Mas, mais sinistra do que a carranca dele é a nossa esperteza! Fala sério, nós conseguimos despistar o cara direitinho!
- Sem exageros, , quase que ele pega os clones! E ele quase que me pega também! – parou de rir, lembrando do medo que sentiu ao pensar que não conseguiriam fazer a troca. – Tô com pena dos meninos. Tenho certeza de que Paul está com a pulga atrás da orelha e vai arrancar tudo deles por meio de torturas medievais!
- Para de drama, ! – suspirou, apoiando a cabeça no encosto do banco. Agora que a adrenalina se fora, outros sentimentos começavam a surgir. – Eles vão ficar bem.
- Eu sei que vão. – viu suspirar fraquinho e decidiu que aquela era uma boa hora para não tocarem mais no assunto.


19. Without You


Assim que chegaram em casa, subiu direto para tomar banho. O céu já estava escurecendo e a garota não queria pensar como seria uma noite escura somente com naquela mansão. Conforme trancou a porta do banheiro, deparou-se com uma camiseta pendurada junto com sua toalha. Deixou que uma risada nasalada escapasse, balançando a cabeça. Pegou a camiseta e inalou o perfume que ela tinha, nem parecendo estar suja e ter sido colocada ali de propósito. tinha sido muito rápido, pois ela nem percebera ele entrando no banheiro com uma camiseta sua em mãos.
Dobrou cuidadosamente a peça de roupa e colocou sobre uma parte seca da pia, junto com seu celular. Começou a se despir com um sorriso no rosto, lembrando-se de tudo que haviam passado juntos. Não só ela e , mas ela e todos eles. Em partes ela sentia-se mais feliz por , pelo fato dela ter realizado um sonho. Afinal, que garota nunca sonhou em passar pelo menos um dia comum com seu ídolo? Descobrindo todas as manias dele, o que ele realmente gosta de comer e aquilo que o faz sorrir.
chacoalhou a cabeça antes que lágrimas formassem nos seus olhos. Quando ia entrar no box, seu celular vibrou em cima da camiseta de . Ela se enrolou na toalha e abriu a mensagem, que por sinal era dele também.

“Não sei se você quer saber, mas eu cheguei em casa.”

Ela riu com a mensagem, sentando-se na privada para responder.

“Lógico que eu quero. Preciso saber se você ainda está respirando!”

Enviou e sentiu um frio na barriga. Aquele frio de ansiedade de quando se manda mensagem pra alguém e fica esperando resposta. Porque no fundo quer que ela seja longa ou que demonstre o quanto a pessoa se importa com você. E que ela sente saudades assim como você sente.

“Por incrível que pareça ainda tem ar nos meus pulmões depois da maratona que vocês nos fizeram correr haha”

Suspirou frustrada, vendo que ele não tinha falado mais nada. Resolveu ignorar e largou o celular em cima da camiseta novamente, indo finalmente tomar banho. Quando desligou o chuveiro, achou estranho o cheiro de queimado que estava sentindo, pensando que talvez fosse a resistência do chuveiro que ia pifar. Saiu rapidamente do box com medo de levar um choque e sentiu seu estômago roncar. Por um segundo ponderou se já estava ajudando com o jantar, mas lembrou-se que não havia mais e provavelmente ela que teria que ajudar sua amiga na cozinha. Enrolou a toalha no corpo, pegou a camiseta e o celular em cima da pia e saiu do banheiro para vestir-se.
O cheiro de queimado estava pior no quarto e ela achou aquilo estranho. Torcia para que fosse tentando cozinhar. Jogou a camiseta junto com o celular em cima da cama e pegou uma legging para vestir. Olhou todas as suas roupas e não sentiu vontade de colocar nenhuma de suas blusas, e ela sabia muito bem por que. Ignorando seu lado emocional que dizia para ela não tocar em nada que fosse de porque ele não sentia sua falta, a garota pegou a camiseta dele e a vestiu, sentindo-se melhor com o perfume dele. Ia sair do quarto sem olhar no celular, mas sua curiosidade fora mais forte. Quase caiu para trás quando viu três mensagens novas.

“Não quero mais morar sozinho nessa casa gigante. Você me acostumou mal com beijo de bom dia todos os dias :(”

sentiu um aperto no coração e suspirou profundamente, abrindo a próxima que também era de .

“Ok, você deve estar ocupada e eu estou atrapalhando haha Só não me deixa morrendo de saudade, tá? Xx”

Agora ela deixou que um sorriso convencido surgisse em seus lábios, sentindo-se feliz por ele estar com saudades. A terceira mensagem era de .

“Hey, não esquece das minhas mensagens de bom dia! Haha :D”

riu, clicando para responder as mensagens. Mas assim que o fez, o cheiro de queimado voltou a incomodá-la, junto com a voz do Steven Tyler rasgando seus tímpanos começando a cantar Cryin’. Na hora, só conseguiu pensar em uma coisa: .

-x-

Logo quando subiu as escadas correndo e deu a desculpa de que iria ver televisão para não fazer o jantar, um vazio tomou conta de seu corpo e ela ficou sem saber o que fazer. Sentou-se no estofado gigante e foi a única vez que tinha percebido como ele era espaçoso. Não tinha nenhum pé empurrando-a dali, nenhuma cabeça deitada em seu colo, nenhuma mão bagunçando seus cabelos.
Ela ligou a TV com o intuito de tentar se distrair, mas até o controle quebrado por lhe trazia lembranças. Primeiro deixou no canal de esportes e lembrou-se de assistindo futebol. Mudou de canal e Cartas Para Julieta estava passando, lembrando de como gostava de assistir filmes. Mudou de novo e Friends lembrava , depois Britain’s Got Talent lhe lembrava . Desligou a TV e bufou impaciente, pegando o celular para tentar se distrair. Mas o fundo de tela lhe lembrava , já que era uma foto dos dois.
- Eles me abandonaram. – começou a falar sozinha – E nem pensaram duas vezes. – sua voz era de descaso e ela sabia que estava exagerando – Provavelmente voltaram para suas putinhas nas mansões que moram. Minha mansão é muito mais legal que a deles. Porque eu moro aqui. Porque é minha. – nesse ponto ela já estava parecendo uma criança birrenta, com os braços cruzados e um bico enorme. – Se eu fosse morar no pico do Everest com certeza ninguém sentiria minha falta. One Gayrection... – riu sarcástica – Eles deveriam sofrer por terem me deixado. – foi então que ela se lembrou das coisas deles que mantinha guardada no seu criado-mudo, tendo uma ideia genial.
“Genial”.
Assim que pegou todas as coisas que tinha deles – todas ela referia-se para “coisas que eu não quero guardar para sempre” -, junto com seu iPod e as caixinhas de som da , e saiu correndo do quarto. Quem a encontrasse pelo corredor iria sair correndo na hora por causa de sua expressão diabólica.
foi até a lavanderia e jogou as coisas dentro de um balde, levando-o até o jardim. As luzes do mesmo já estavam acesas e ela só teve o trabalho de ligar o iPod. Voltou sorridente para a cozinha e pegou a caixa de fósforos que estava em cima da pia, parando novamente na lavanderia para pegar a garrafa de álcool.
Cantarolando a música que saía de seu iPod, despejou uma boa quantidade de álcool no balde, acendendo um fósforo logo em seguida e vendo o fogo dominar o balde amarelo. Ela caminhou lentamente até o iPod e aumentou o volume assim que Aerosmith começou a tocar. bateu palmas e ficou parada ao lado do balde olhando suas coisas derreterem.
- Tchau, One Direction. Tchau... – ia começar um novo discurso quando ouviu gritando da lavanderia. Olhou para trás calmamente e quando viu a amiga pegar um balde com água, ela se sentiu ameaçada. – Você não vai tocar no meu desapego! – tentou se manter séria, mas não conseguiu evitar a risada com aquela cena.
- Cala a boca, ! Só se for desapego da sua vida! Você vai colocar fogo na casa. – se aproximou com o balde cheio d’água, tentando jogá-la no balde cheio de fogo.
- Sai, deixa queimar! Eles merecem. – segurou nos braços da amiga e os balançou um pouco para derramar água.
- Você ficou louca? – perguntou em meio a risadas, vendo a fulminar com os olhos.
- Não. Eu só quero destruição. Quero ver fogo. E você não vai me ajudar com esse balde de água! – rolou os olhos e largou o balde ali, voltando para dentro de casa. ficou olhando o caminho que a amiga fizera e achou chato que ela terminou a discussão tão cedo. Ela ainda nem tinha falado todas suas frases de efeito. Mas não demorou muito para que voltasse com seu celular em mãos, parando na frente dela.
- Pronto, , fala com ela. – arregalou os olhos e abriu a boca de indignação.
- ?
- Oi, . – ela fulminou com o olhar, que prendia o riso.
- Aconteceu alguma coisa?

- Não, não acontecer nada. A que é exagerada. - EU SOU EXAGERADA? EU?! – deixou o celular nas mãos de e pegou o balde com água para apagar o fogo, vendo fumaça se espalhar para todos os lados.
- Tem certeza que você não quer se desapegar de mim? soltou uma risadinha e deu um soco em .
- Absoluta. – ela rendeu-se ao riso – Você sabe como eu faço um pouco de drama... Às vezes.
- Sei, sei. Escuta, eu preciso desligar porque o Paul tá aqui. Mas eu te ligo antes de dormir, tá bom? murmurou uma concordância antes de se despedir e desligar o celular da amiga, que a olhava com os braços cruzados.
- Exagerei, né?
- NÃO, QUASE NADA! – levantou o balde derretido pela parte que não estava quente. – Sorte sua que eu já estou acostumada com esses seus surtos. – a garota largou o objeto derretido na grama e começou a recolher as coisas que havia levado para fora. – Senão eu teria chamado a polícia.
- Teria nada. Você não ia conseguir ficar sem mim. – deu de ombros, ajudando a amiga.
- Quer conversar sobre isso mais tarde assistindo algum filme bem chato e tomando sorvete? – disse enquanto as duas voltavam para dentro da casa.
- Você vai me deixar ser dramática?
- Vou. Vou até deixar você falar que vai se jogar se algum lugar bem alto, ou que quer morrer lenta e dolorosamente, ou que sua vida não tem mais sentido, ou que você vai se jogar em algum rio para se afogar. Essas coisas. – mostrou a língua e abraçou a amiga assim que elas soltaram as coisas. – Fica tranquila, tá? O não vai te abandonar.
- Eu sei... Quer dizer... Eu espero. – deu uma risada nervosa e preferiu tirar aquilo da cabeça por enquanto. Já tinha causado muito estrago naquela noite e ela nem havia começado.

- Eu odeio esse filme. Troca de canal! – estava novamente emburrada no seu canto do sofá, e já não estava mais achando graça. – Troca de canal, ! – jogou sua almofada na cabeça de , que se ergueu e desligou a TV. – HEY! Eu estava assistindo!
- , já deu. – fechou os olhos, suspirando fraco. Cruzou os braços, parando de frente para o local onde a amiga estava sentada. – Desse jeito nem eu aguento.
abriu a boca para argumentar que não estava fazendo nada demais, mas teve que reconhecer que ela estava sendo um porre até mesmo para ela. Rendida, sorriu amarelo, sentando-se direito no sofá e abraçando uma almofada, vendo que agora se sentava ao seu lado.
- Desculpa. É só o meu...
- Drama básico, eu sei. – completou, rindo fraquinho. – Essa é uma boa hora pra conversarmos sobre o motivo que desperta seu lado terrorista?
fez uma careta rolando os olhos, mas por fim acabou soltando uma risada pelo nariz, suspirando no final.
- Eu só não queria ter que ficar olhando para aquelas coisas e ficar duvidando da minha sanidade depois. – soltou um risinho sem graça, batendo de leve na almofada em seu colo. – Sabe, ficar achando que eles nunca estiveram de fato aqui e que tudo não passou de coisa da minha cabeça.
- Bom, se foi tudo coisa da sua cabeça, acho que eu também estou ficando louca. – fingiu pensar muito seriamente no caso, sendo empurrada levemente pelo ombro de . – E confessa que, mesmo você se livrando de CDs, DVDs, pôsteres e afins, nada disso apagou o que ficou aqui. – simbolizou um coração com ambas as mãos, fazendo gargalhar.
- É, não apagou, mas me deu um prejuízo danado. – parou de gargalhar apenas para falar, voltando a rir logo em seguida. – Eu gastei muitos salários para comprar tudo que tinha o One Direction! – acompanhava as gargalhadas. Era um som agradável que espantava o silêncio incomum naquela mansão para as garotas. – E agora meu dinheiro virou cinzas e plástico queimado na lixeira.
- Falando em dinheiro, me lembrei de um assunto importante que ainda não tivemos oportunidade de conversar. – voltou a ligar a TV e se recompôs do ataque de riso, ajeitando os cabelos rebeldes numa trança lateral. – Emprego.
- O que tem? – perguntou indiferente, prestando atenção no que passava na TV. Era um programa de culinária que adorava. Não porque ela gostava de cozinhar, mas porque o apresentador-chef-cozinheiro era gatinho. Sentiu-se instantaneamente culpada, como se estivesse cometendo um adultério, mas então se lembrou que ela não tinha nada sério com .
- , sua herança não vai durar para sempre. Nem as nossas economias de alguns meses.
- Eu não queria concordar, mas você tem razão. – assentiu, mordendo o canto inferior do lábio pensativa. – O que você pretende fazer?
- Preciso procurar um emprego. E terminar minha faculdade.
- Você pode tentar a King’s College. sentiu um leve tremor na sua voz, porque se lembrou que aquela havia sido uma sugestão de . E lembrar-se deles ainda era muito incômodo. – A gente pode ir lá amanhã. O que me diz?
- É, pode ser. – concordou incerta sobre aquele palpite. Ouvira dizer que aquela era uma faculdade muito concorrida e também havia o fato de que elas estavam no meio do ano, não sabendo como funcionava o sistema educacional ali. – E você?
- Eu? Eu já terminei minha faculdade. – franziu as sobrancelhas para , recebendo um tapa nada gentil em sua testa. – OUTCH!
- Eu sei, tapada. Eu quis dizer o que você pretende fazer, já que NÃO precisa ir pra faculdade também. Tipo trabalhar, ser voluntária numa casa de idosos, essas coisas úteis, sabe?
- Nossa, sua sensibilidade me comove, sabia?
- E sua lerdeza me surpreende cada vez mais. – Ambas riram, voltando a aderir o semblante de garotas sérias que precisam definir o futuro se quiserem continuar vivendo o sonho londrino. – É serio, . O que você vai fazer?
- Eu vou procurar alguma agência de publicidade, ou um estúdio de fotografia. E se nada der certo, eu vou ser garçonete na lanchonete da esquina.
- Muito otimista você. – riu, jogando uma almofada na cabeça de , que pediu para ela parar de agredi-la. – Nós não saímos do Brasil para morar em Londres e terminar como garçonetes que recebem gorjetas de velhos tarados. Nada contra quem trabalha nessa área, mas sabe, eu não nasci pra essa vida, não.
- Tá bom, , eu só estava brincando. – meneou a cabeça, calçando suas pantufas para ir até a cozinha procurar algo para alimentar o monstro que reclamava dentro de seu estômago.
Pensar na palavra monstro fez um calafrio percorrer pelo corpo da garota. Aquela seria a primeira noite sem os meninos e isso significava que, se qualquer coisa acontecesse, teria menos gente presente para distraí-las depois. Acendeu as luzes do corredor e depois da cozinha, cantarolando a canção que, ironicamente, era a única que veio a sua cabeça no momento. Moments ecoava pelo ambiente na voz de e era somente isso que a garota ouvia. Não havia sons suspeitos vindo do sótão ou da piscina. Tudo permanecia em seu devido lugar e ela até parou de cantar, olhando ao redor, segurando a caixa de leite em uma mão e o do cereal na outra. Colocou as coisas em cima do balcão, apanhando uma tigela e uma colher e deixando ali também. Cuidadosamente, como se não quisesse que ninguém suspeitasse de seus movimentos, ela seguiu até a dispensa, abrindo a porta com tudo. Um pacote de macarrão e duas latas de ervilha a encaravam, solitárias. fez nota mental de que precisavam fazer compras com urgência. Fez um bico e moveu-o para os lados, analisando a situação de modo intrigado. Ainda daquela maneira, seguiu para a lavanderia, abrindo a porta com mais cautela dessa vez. Por mais que o ambiente estivesse na mais completa escuridão, não se sentiu ameaçada ou assustada. A única coisa que a assustava era a pilha de roupas para lavar e constatou que não tinha sabão em pó nem amaciante. Suspirou, fechando a porta, assustando-se somente quando viu parada de braços cruzados no meio da cozinha.
- O que tá fazendo?
- Ahn, lista de compras. – sorriu amarelo, vendo rolar os olhos. – Vamos dormir? Amanhã será um longo dia. Temos que fazer compras, procurar emprego, ver sua faculdade...
- Já tô começando a sentir falta da vida sem responsabilidades que tínhamos – murmurou, deixando os ombros caírem um pouco. – Onde clica pra ter o replay?

-x-

O despertador de tocou, mas a garota já estava acordada fazia muito tempo. O sono viera imediatamente na noite anterior, mas depois de sonhar com , ela não conseguiu mais dormir. A saudade estava deixando seu coração do tamanho de uma ervilha e ela não queria se sentir daquela maneira. Passou ambas as mãos pelo rosto, afastando os cabelos que se espalhavam por ali.
Espreguiçou soltando grunhidos engraçados – a convivência com lhe dera aquele hábito – e olhou em direção da cama da amiga, encontrando-a dormindo de boca aberta, com o Woody de pelúcia no chão e uma mão de o segurava pela perna. riu fraquinho, colocando seus pés no chão e sentindo um leve tremor percorrer seu corpo. Passou pela cama da amiga, apanhando a toalha que ela esquecera ali na noite anterior e entrou no banheiro, decidindo que seria melhor tomar um banho para organizar os pensamentos.
remexeu-se na cama, levemente irritada com o dueto que fazia com a Katy Perry no banheiro. Bufou e cobriu a cabeça com o travesseiro, reclamando e não obtendo sucesso, já que não a ouvia.
- Ninguém pode mais dormir nessa casa, credo. – Ela murmurou, checando as horas em seu celular. – , SÃO SETE E MEIA DA MANHÃ, CALA ESSA BOCA! – se sentou na cama, jogando seu travesseiro na porta do banheiro. A amiga parou de cantar Parto Of Me e antes que pudesse agradecer, começou a cantar alguma música do Drake. – Oh, senhor, por quê?
saiu do banheiro enrolada em sua toalha, os cabelos presos em um coque no alto da cabeça. Deparou-se com uma emburrada, sentada na cama com os cabelos todos bagunçados e os ombros caídos, dando-lhe a aparência de boneca de pano que havia sido jogada de qualquer maneira ali.
- Bom dia? – riu pelo nariz, caminhando até o guarda-roupa e escolhendo roupas confortáveis. Queria usar a camiseta de de novo, mas não queria parecer uma completa obcecada. – Você não quer ir tomar um banho antes de sair?
- Não. – respondeu já do banheiro, com sua escova de dente na boca e uma expressão carrancuda no rosto.
- Tá bom, então. – deu de ombros, terminando de vestir suas roupas. passou por ela, pegando as primeiras peças de roupa que viu pela frente. – Quer que eu vá ao supermercado sozinha?
- Nah. estalou a língua no céu da boca, abanando uma mão enquanto a outra terminava de puxar a língua do tênis. riu enquanto rolava os olhos, acostumada com o draminha matinal básico de . – Vamos antes que eu comece a ficar de mau humor.
- Antes? piscou duas vezes antes de rir ainda mais. Pela primeira vez, riu junto.
- Eu quis dizer antes que eu comece a ficar com fome e de mau humor por causa disso. – amarrou os cabelos num rabo de cavalo e guardou o celular no bolso de seu short. Achou melhor ignorar a pontinha de frustração que sentiu ao constatar que não havia nenhuma nova mensagem desde ontem. Na verdade não recebera nenhuma mensagem desde que os deixara no aeroporto. Ingratos, pensou ela enquanto saía do quarto seguida por .

- Larga esse celular e presta atenção no que eu tô falando. – disse brava, irritada porque ficava trocando mensagens com . mostrou a língua e guardou o celular na bolsa. – Obrigada.
- Nossa, acordou com o humor tinindo hoje, hein? – zombou, ajeitando-se no banco do táxi. rolou os olhos e desviou o olhar para a janela, prestando atenção na arquitetura reconhecida mundialmente de Londres. Já estavam no táxi fazia meia hora e estavam chegando ao local onde a faculdade ficava. – Por que você tá assim? – insistiu, vendo dar de ombros e suspirar.
- Ninguém me mandou mensagem. – olhou a amiga de óculos de sol ao seu lado.
- O te mandou ontem à noite antes de você dormir.
- Mas só ele...
- Então reformule a frase, por favor. – sorriu e suspirou frustrada.
- O não me mandou mensagem. – rolou os olhos – E eu só falei com ele pelo telefone porque você ligou.
- O comentou que eles estão ocupados, principalmente o . Parece que ele vai se mudar, algo assim. – não tinha prestado muito atenção nessa parte da conversa com ; ela tinha essa mania de abstrair as coisas rapidamente.
- Viu?! Você sabe mais coisa da vida dele do que eu. – alterou o tom da voz e o taxista olhou feio para ela pelo retrovisor. – E você nem teve uma história de verão com ele. – ela cruzou os braços, voltando a olhar para a janela. mordeu o lábio e ficou em dúvida do que falar; sabia que nada adiantaria no final. Sentiu seu celular vibrando e o pegou cuidadosamente, ignorando a mensagem que havia lhe mandado. Clicou para digitar uma nova mensagem.

“Tem uma pessoa que mora comigo que está sentindo sua falta. Acho que uma mensagem não faria mal, não é? Beijo,

- Chegamos. – o taxista anunciou e guardou seu celular rapidamente, vendo pegar a carteira para pagá-lo. Saiu do carro e ficou esperando a amiga do lado de fora, sentindo o sol forte queimar seus braços descobertos. saiu do carro logo em seguida, colocando os óculos de sol e parando de frente para , bufando.
- Que merda, esse lugar é tão lindo que eu nem consigo ficar de mau humor direito. – soltou um risinho e levantou as mãos para o alto.
- Obrigada, Deus, o mau humor foi embora! – agradeceu aos céus e sentiu a amiga lhe dar um soco no estômago. – Ai, violência!
- Vai, vamos entrar na sua futura faculdade! – segurou na mão da amiga e a puxou para dentro do campus de Strand da King’s College. olhou encantada pensando em como seria legal estudar lá. Soltou-se da mão de e foi em direção ao balcão do atendimento ao aluno, sorrindo simpática para as atendentes. Enquanto isso, avistou um confortável banco almofadado para esperar que resolvesse tudo o que tinha que resolver.
Cruzou as pernas e colocou o óculos de sol na cabeça, pegando um folheto de propaganda da universidade. Conforme fingia interesse pelo papel colorido em mãos, sentiu o seu celular vibrando dentro da bolsa e seu coração acelerou-se rapidamente. Largou o folheto sobre suas pernas e pegou o celular, vendo o nome de no visor. Mordeu o lábio e olhou para com os braços apoiados no balcão, conversando animadamente com um garoto que trabalhava na universidade. Suspirou profundamente e olhou irritada para a foto de mostrando a língua no visor, jogando o aparelho de volta na bolsa. Começou a chacoalhar as pernas enquanto voltava a ler o folheto da universidade, sentindo um frio na barriga por causa disso.
Segundos depois, o celular voltou a vibrar e deu graças a Deus que voltava sorridente com alguns papéis em mãos.
- E aí, o que falaram? – fez menção de se levantar, mas fora mais rápida e sentou-se ao seu lado no sofá preto.
- É mais fácil do que eu pensava. – sorriu guardando os papéis na sua bolsa – Como eu já tinha pedido a carta das matérias que eu já cursei no Brasil, eles vão me avaliar por lá e eu só preciso fazer uma inscrição pela internet em um sistema de aprovação que eles têm aqui na Inglaterra.
- Que bom que eu não vou ter que ficar vendo seus surtos de ansiedade antes de fazer provas. – zombou, recebendo um tapinha da amiga. O celular ainda vibrava na sua bolsa. percebeu que ela estava com uma expressão estranha e levantou uma sobrancelha em desaprovação.
- O que você tá escondendo de mim?
- O que? Eu? – apontou para o próprio peito – Nada, , não escondo nada de você. – inconscientemente, agarrou a bolsa próxima ao seu corpo e percebeu, começando uma luta para tirá-la dos braços da amiga. – Solta minha bolsa, !
- Só se você me contar o que tá escondendo de mim! – alterou um pouco a voz e conseguiu puxar a bolsa da amiga, sentindo-a vibrar. A fulminou com o olhar antes de abri-la e pegar o celular. – , tem sete chamadas perdidas do !
- Ah, é? Nem percebi que tocou... – ela desviou o olhar para o teto do prédio, sentindo um chute na sua canela.
- Há quinze minutos atrás você estava no maior mau humor porque ele não te ligava. E agora você não quer atender? – não respondeu nada e ficou encarando suas unhas – Oi, ! – ela quase caiu do sofá quando viu que havia atendido a ligação. – Tudo bem e você? Aham, tá aqui sim. É, a gente veio aqui na minha futura universidade. Ah, muito obrigada, vou precisar! É, eu vi, eu vou responder ele. Tá, vou passar pra ela. – começou a abanar as mãos, pedindo para que não desse o telefone para ela – Ok, beijo! – desmanchou o sorriso e encarou diabolicamente. Tirando forças de onde não tinha, conseguiu prender em seus braços e colocou o celular na orelha dela, obrigando-a a falar.
- Oi. – disse minimamente e a soltou, sorrindo satisfeita. Ela se levantou do sofá para deixar ela falar em particular com , indo para a porta do prédio.
- Quantos milhões de desculpas eu te devo? – ele perguntou divertido do outro lado da linha e não conseguiu evitar o sorriso.
- Ainda não terminei de calcular. – ela ajeitou-se no sofá e guardou as coisas que haviam caído da sua bolsa quando começou a guerrinha com .
- Eu queria ter te ligado e te mandado milhões de mensagens, mas o Paul me alugou o tempo inteiro e quando eu conseguia me livrar dele tinha outras coisas pra resolver. – ele disse de uma vez, parecendo sincero – Vou reformar os fundos da minha casa, sabia? E vou precisar de ajuda para a decoração.
- Pede pro te ajudar. – não estava mais brava, mas gostava de fazer essa ceninha.
- Não quero passar uma tarde toda escolhendo cor de tinta com o . sentiu o coração acelerar um pouco mais – Quero passar com você.
- Ok, você ganhou, eu te ajudo. – soltou uma risada por fim, sentindo-se melhor por estar conversando normalmente com .
- Por falar nisso, tenho um convite pra fazer! – ele pareceu empolgado – Como nós passamos vários dias ocupando a casa de vocês, quero que você e a venham para cá no final de semana. O que acha? A gente manda um carro buscar vocês.- quase engasgou com o próprio ar.
- Eu... Eu acho ótimo. Vou adorar! – disse sincera e já ficando ansiosa com o fato de que veria daqui a três dias.
- Durante a semana a gente vai se falando melhor, tá? Agora eu preciso desligar antes que o nosso produtor me mate. fez bico, mesmo não sendo visto por .
- Tudo bem, vai lá!
- Beijo, linda. Não vejo a hora de te ver. – e com um sorriso enorme no rosto, desligou o celular e foi correndo encontrar com , não percebendo que ela estava conversando com o mesmo garoto do atendimento.
- , , , ! – deu pulinhos desajeitados e viu o garoto dar risada. Ela percebeu que ele era não muito alto, mas com uns braços bem legais. Além de ter olhos muito bonitos e um sorriso lindo. – Er... Desculpa atrapalhar. – maneou a cabeça, já acostumada com aquelas situações.
- Sem problemas! – o garoto respondeu sorrindo. – Você deve ser a , certo? – ele olhou em dúvida para , que confirmou. assentiu também, sorrindo de volta.
- Esse é o Austin, ele trabalha aqui na universidade e faz o mesmo curso que eu quero fazer! – disse empolgada e continuou concordando sorrindo, notando que o garoto olhava para sua amiga até demais.
- Posso confiar em você para não deixar que minha amiga se desvirtue nesse mundo? – disse dramática, tirando uma risada de Austin.
- Com certeza, será um prazer ficar ao lado dela. – Austin respondeu sorrindo para , colocando suas mãos no bolso do jeans que usava. sorriu sem graça e desviou o olhar.
- Acho melhor nós irmos, né, amiga? disse, descendo um degrau. – Tchau, Austin, a gente se vê! – e saiu puxando pelo braço andando rapidamente pela rua.
- Ele é gatinho. – comentou quando elas estavam chegando na Covent Garden.
- Eu sei. – sorriu enviesada e riu logo em seguida, vendo abrir a boca em reprovação.
- Que serelepe! Já tem um cacho e tá querendo outro.
- Eu não tô querendo nada, só concordei com o que você disse. – ela deu de ombros, reparando nas lojas da rua que estavam. – E é legal fazer novos amigos, ok?
- Que seja. – rolou os olhos vendo uma loja de roupas que lhe parecia bem legal. – Vamos entrar naquela loja ali. – concordou e as duas foram até a loja, percebendo uma certa aglomeração ali.
- Quanta gente, até parece liquidação da Renner. – comentou, entrando na loja com logo atrás.
- Quero ver calça jeans, acho que é por aqui. – as duas contornaram as pessoas na loja e chegaram até as araras de jeans.
- Ah, esqueci de comentar! O... O... – olhou ao redor e viu que duas adolescentes estavam a apenas alguns passos de distância.
- O seu amigo colorido? – percebeu e tentou ajudar.
- Isso. Meu amigo colorido disse para gente ir passar o final de semana na casa do seu amigo colorido. – comentou ao pegar uma calça jeans clara.
- É, o meu amigo colorido me disse. – disse ao pegar duas calças e dirigir-se aos provadores.
- E você e o seu amigo colorido estão bem? – a seguiu.
- Estamos... Sabe, era só frescura minha.
- Não me diga! – zombou, esperando a amiga provar a calça do lado de fora do provador. Assim que fechou a cortina preta, sentiu uma mão tampando sua boca e a empurrando para dentro do mesmo provador que sua amiga estava.
- AH, O QUE É ISSO?! – gritou, fechando o zíper do jeans que estava tentando tirar.
- Shiu, sou eu! Fiquem calmas! – as duas normalizaram a respiração e encararam estáticas. – Oi, amigas!
- Como você entrou aqui? – perguntou sussurrando.
- Eu precisei me esconder em algum lugar porque tinham fãs lá fora. – ele explicou, apontando para o lado de fora. – Não tenho muito tempo, mas vocês vão na casa do , né?
- Aham! – as duas concordaram animadas.
- Então tá, preciso ir! – deu um abraço apertado em cada uma delas e abriu a cortina para sair do provador, gritando assim que deparou-se com sua namorada parada de braços cruzados do lado de fora. – Amor?
- Então essas são as suas amiguinhas? – a garota magra e de cabelos lisos perguntou. Sua expressão não era a mais amigável e as duas garotas dentro do provador mal respiravam.
- Sim, essas são as minhas amigas que me acolheram quando eu precisei. – disse já sem paciência. - Meninas, essa é a minha namorada.
- Prazer. – disse, adquirindo a mesma postura dela. segurou o riso, lembrando-se de todas as brigas que arrumava no colégio por ser sem paciência.
- Francamente, , você quer que eu acredite nisso? Tenho certeza que vocês fizeram a maior orgia naquela casa! – a menina disse com descaso e as duas sentiram o sangue ferver.
- Eu devo começar a contar até dez? – sussurrou por entre os dentes para , que estava com o cenho franzido, encarando a garota que falava alto com e apontava para elas.
- Eu prefiro contar os tapas que eu vou dar na cara dessa fulana aí. – deu meio passo para frente, sendo segurada por pelo ombro. – Ela tá fazendo o maior escândalo!
- CHEGA! – As amigas se assustaram quando gritou, tapando os ouvidos com ambas as mãos. Seria uma cena engraçada se fosse em outro momento, porque parecia uma criança que não queria mais ouvir os sermões da mãe, mas naquele momento nenhuma delas estava disposta a fazer graça. – A gente já não conversou sobre isso?!
- Você conversou sobre isso, mas isso não quer dizer que eu tenha acreditado que essas duazinhas aí não se aproveitaram da situação. Olha só pra essas... – O sangue de e estava a ponto de ebulição. Se tinha uma coisa que as duas não suportavam era quando as mediam daquela maneira. – Fala sério, , elas são patéticas!
- COMO É?! – gritou e arregalou os olhos.
Depois a zorra estava feita: avançou na direção da namorada de , que gritava provocações rindo debochadamente. não podia negar que estava morrendo de vontade de grudar nos cabelos da garota, mas tinha que se preocupar em manter longe dela, para evitar maiores confusões. Já podia até imaginar as manchetes dos maiores sites de fofocas teens: “EXTRA EXTRA! GAROTAS VÃO PARAR NA DELEGACIA APÓS AGREDIR NAMORADA DE ÍDOLO TEEN!”.
- , na boa, leva sua namorada daqui! – gritou para , que empurrava a namorada pelos ombros para longe delas enquanto puxava pela cintura, usando toda sua força para manter a amiga no lugar. – !
- Me solta, , me deixa mostrar pra essa patricinha quem é patética! – apontava para a garota, tentando se soltar das mãos de que agora lhe seguravam pelas pernas. A garota decidiu que seria melhor se agarrar nas pernas da amiga como um coala. – Fique sabendo que você não merece o carinho que o tem por você, sua coisinha esquisita! Eu deveria mesmo era roubar ele de você, pra você ver o que é bom pra tosse!
soltou o tipo de risada diabólica que tanto temia. Quando elas apostavam alguma coisa e perdia, era esse tipo de risada que soltava. Ou quando estava com razão e não queria dar o braço a torcer.
esboçou um mínimo sorriso sem graça antes de sumir por entre as araras de roupas, conseguindo sair de lá antes que alguns curiosos chegassem até o local.
- Você pode parar de bufar como um touro agora? – sussurrou somente para , sorrindo amarelo para o segurança que acabara de chegar com uma vendedora. – Ela engordou um pouco. – Fez uma cara deprimida, apanhando os cabides dentro da cabine de prova e começando a puxar pela mão, que ainda se recuperava da alta dose de adrenalina. – Ela diz que o 40 é um número horrível.
largou as calças que não provou em uma arara qualquer, correndo em direção à rua depois de olhar para trás e se certificar de que não estavam sendo seguidas pelo gerente com camisas de forças. Quando alcançaram a calçada, ambas soltaram a respiração que prenderam, caindo na gargalhada segundos depois.

-x-

- Viu? Eu falei que era pra descer nesse ponto aqui! – reclamou com , apontando freneticamente para o ponto de ônibus mais perto da mansão.
- Desculpa se eu nasci. – rolou os olhos e deu risada, abraçando pelo lado.
- Nosso barraco com a namorada do foi digno de prêmio, né? – comentou, vendo concordar freneticamente. – Que menina chata. O é tão legal, merece pessoa melhor.
- Caraca, . Primeiro é o , depois o Austin... Tá de olho no também? – fingiu indignação, recebendo um peteleco da amiga na orelha. – Quer dizer... Primeiro foi o .
- Cala a boca que antes da gente vir pra cá você vivia dizendo que queria todos eles pra vocês. Ficava até tarde lendo fanfic que eu sei. – sentiram uma alegria momentânea quando pisaram no jardim da mansão.
- Tá, tá, não tenho argumentos contra isso. – elas riram. deixou seu sorriso ir embora quando reparou que duas garotas com vestidos curtos estavam sentadas no degrau da porta. Não podia ser.
- Quem são... – ponderou mas logo percebeu do que se tratava. – Ah, não!
- Prima! – duas vozes estridentes irromperam o ar quando as garotas que estavam sentadas levantaram-se para abraçar . Carminda e Laurinda haviam chegado para passar um tempo na mansão. Isso não poderia ser boa coisa.





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