Accidentally in Love
Autora: Adriana Putini
Status: Finalizada
Revisada por: Isa
Categoria: Fics Nacionais (Stevens)
Sub-Categoria: Comédia Romântica - Medium Fics
Comentários:
Capítulo 1
Não acredito que minha mãe me convenceu a voltar para essa cidade horrível, estava tão bem passando minhas férias na casa da minha vó no Canadá, odeio São Paulo, além de fazer minha reniti atacar é um caos total.
- Sai da rua sua louca! - escutei uma voz e uma batida. Tudo ficou preto.
- Ai... onde eu estou? AAAAAAAAH! - dei um berro - Estou toda enfaixada.. onde estou? - já estava ficando estressada e olhava para os lados, aparentemente eu estava dentro de um hospital.
- Er... oi! Sem querer eu te atropelei com meu carro... mas olha, foi SEM querer! Me desculpe! - escutei uma voz falando, mas não conseguia ver quem era.
- É, sem querer, sei sei... sorte sua que eu não morri, e a propósito eu escutei do que você me chamou antes de quase me matar.
- O trânsito de São Paulo deixa qualquer um estressado, e se você tivesse morrido o que você ia fazer? - ele disse rindo.
- Eu ia vir de noite te assombrar. - sorri.
- Sabe que não é uma má idéia?
Fiquei toda sem graça, e sentia que eu estava rosa.
- Posso saber qual o nome da minha vítima?
- .
Um silêncio ficou no quarto do hospital.
- Sabia que minha mãe me deu um nome também?
- NOSSA DUDE, QUE MASSA! Imagina como seria se ela não tivesse dado um nome pra você!? - Não, eu não ia pergunta o nome dele.
- Além de estressada é mal educada.
- E me diga o que eu vou ganhar se souber o seu nome?
- Ah não sei, aí depende muito.
- Eu estou aqui, dentro de um quarto com o cara que tentou me MATAR, toda dolorida e enfaixada. Acho que não consigo pensar em mais nada.
- Eu entendo como você deve estar se sentindo, desculpa então.
Me virei pro lado oposto que ele estava e fiquei pensando se não ia me arrepender de não perguntar o nome dele.
- É !
- O que é ?
- Meu nome.
- Interessante.
- ... posso te chamar de ?
- Pode sim.
- Então, eu sei que você está muito estressada e tal, mas eu estou muito mal por ter te atropelado, ainda bem que você está viva, quando eu vi você deitada lá no chão, eu fiquei muito mal mesmo, no auge dos meus 18 anos eu não queria virar um assassino. E eu queria saber se tem alguma coisa que eu possa fazer por você.
- ... vou te chamar assim ok? Eu mal te conheço - já estava menos estressada - e agora minha cabeça está em pane e eu não estou pensando em nada que você possa fazer por mim.
- E se a gente combinasse de sair hoje?
- Só se for daqui para o Egito, aí você já me deixa no museu de múmias! - disse me virando para o lado que estava.
- Para de ser boba! Mas se você for uma múmia mesmo, você é a mais linda que eu conheço. JÁ SEI! Eu vou para a sua casa cuidar de você! Eu juro que não sou um tarado, psicopata.
- Olha lá, sou faixa preta em judô.
Alguém bateu na porta.
- ENTRA! - dei um berro de onde eu estava, mas foi até a porta e abriu.
- Olá Senhora , sou o Doutor Jacob! Pelo visto você já está bem melhor.
- Olá Doutor! É, estou sim, acho que estou, porque eu não vi como estava quando cheguei aqui.
- Ah você estava quase morrendo, sangue saindo de todos os lados.
Fiquei com cara de espanto olhando pro médico.
- Brincadeira! - dei uma risada muito sem graça - Você estava apenas machucada, com alguns arranhões digamos que 'feios' e desmaiada! - ele veio até mim, apertou meu pescoço, minha barriga, escutou meu coração - Você está bem melhor, você já pode ir embora, mas não esquecendo de tomar alguns antiinflamatórios no qual vão ajudar essas feridas ficarem boas logo e você também.
- Pode deixar doutor, eu vou cuidar dela - disse , fazendo cara de super herói depois de uma missão cumprida.
O médico entregou para ele um papel com alguns nomes de remédios anotado, logo em seguida se despediu e foi embora.
ficou parado ao pé da cama me olhando.
Alguém bateu na porta.
De novo.
- AH, ta de brincadeira? Não podemos mais ficar a sós? - disse e foi abrir a porta. Eu olhei pra ele e dei um sorriso de deboche.
- Oi, desculpa incomodar, mas vim aqui lhe dar uma injeção pra dor. Você só começará a tomar os remédios amanhã, e logo depois dessa injeção você está dispensada.
- Ah não enfermeira! Coitada dela, vai tomar injeção, não faz isso não, eu te imploro.
- , menos, muito menos, quase nada!
A enfermeira pegou meu braço tirou a injeção de um potinho que estava com ela e
- Ai, ai, ai, como arde!
- Pronto acabou! As faixas que estão no seu corpo já podem ser retiradas – sorriu e foi embora.
Comecei a me levantar da cama, estendeu a mão e me ajudou a sair dela, tirei as faixas, e fui em direção a minha bolsa que estava em uma mesinha. Em frente a essa mesa tinha um espelho, peguei a escova que tinha na minha bolsa e comecei a arrumar meu cabelo. estava atrás de mim me olhando, fiquei sem graça e abaixei a cabeça. Ele é um cavalheiro, me trouxe até aqui, ficou do meu lado o tempo todo e se preocupou comigo, ele é um fofo! Não ! Você não pode estar gostando dele, você nem o conhece, acorda para a realidade AGORA.
- Vamos ? – aquela voz linda interrompeu meus pensamentos – Eu te deixo em casa.
- Tudo bem!
Ele pegou na minha mão e fomos em direção à porta. Saímos do quarto e fomos até o elevador, estava mancando um pouco, apertei o botão com a minha mão livre, pois ainda estávamos de mãos dadas, o elevador chegou e entramos. Estávamos só nós dois no elevador e com o silêncio voltei a ter os meus pensamentos de antes. Tudo isso parece um sonho, mas eu sei que tudo isso vai acabar quando ele me deixar na porta de casa.
- Amor...
- Quem? EU? – Olhei para ele com cara de assustada.
- Não, o botão do elevador – ele largou a minha mão e foi pra perto do botão do elevador.
Olhei pra ele e comecei a rir da cara de safado dele para o botão.
- Lógico que é você ! – ele veio em minha direção e me abraçou.
- Que intimidade!
- Sim, já estou muito íntimo de você! Mas então, hoje eu vou na sua casa cuidar de você né?
O elevador chegou no estacionamento do hospital. Saímos e fomos em direção ao carro dele.
- Está bem, pode ir sim, vou ficar te esperando!
- Pode esperar que eu vou.
Entramos no carro dele.
- Qual o nome da sua rua?
- Rua Liverpool.
- Beleza.
ligou o radio baixinho e estava naquelas rádios que tocam os sucessos da época de nossos pais, avós, tataravôs, mais que simplesmente eu amo essas músicas antigas, e a música que estava tocando é uma das minhas favoritas e comecei a cantarolar.
"So she said what's the problem baby
What's the problem I don't know
Well maybe I'm in love (love)"
- Você gosta dessa música ?
- Amo, simplesmente linda – meus olhos deviam estar brilhando muito e começou a cantar.
‘How much longer will it take to cure this
Just to cure it cause I can't ignore it if it's love (love)
Makes me wanna turn around and face me but I don't know nothing 'bout love’
Ele parou de cantar e eu continuei.
"Come on, come on
Turn a little faster
Come on, come on
The world will follow after
Come on, come on"
E terminamos o refrão juntos
"Because everybody's after love"
# Flashback #
- , para de ser cega! Você acha que eu estaria falando isso pra você se fosse brincadeira? Isso é serio! Ele já te traiu embaixo do seu nariz, todo mundo sabe, MENOS VOCÊ! QUE INSISTE EM NÃO VER.
Estava aos prantos chorando, a já estava berrando tentando fazer com que eu estendesse alguns fatos, que eu insistia em omiti-los.
- Ele não está me traindo, eu confio nele.
- Confia? Então vem cá!
me puxou pelo braço, me levou até a cantina do colégio, ficamos atrás de umas pilastras que tinha lá, esperando dar o sinal para o intervalo, não demorou muito e o sinal tocou.
Nunca notei como minha escola tinha tanta gente.
- , olha, ali está o seu homem. apontou e lá estava ele com os amigos. Agora olha aquela menina loira que está bebendo água. Achou?
- Sim, sim, achei.
Fiquei olhando eles por um bom tempo, Daniel foi em direção a tal menina e segurou ela pela mão, até ai tudo bem. Eles foram saindo do refeitório para ninguém perceber, estavam indo para o pátio, onde havia menos pessoas. me puxou novamente pela mão e fomos atrás deles, estava me sentido uma espiã e não parava de chorar pensando em tudo que a havia me dito. Paramos novamente atrás de uma pilastra e ficamos olhando os dois por um bom tempo, eles conversavam, trocavam carinhos, e faltava pouco para eu aparecer lá e fazer o que eu devia ter feito há tempos.
Terminar com ele.
De repente os dois estavam aos beijos, eu não acreditava no que via, não parava de chorar, a me abraçou e pediu calma. Saí de trás da pilastra e fui em direção a eles, nenhum dos dois me viu pois estavam ocupados demais para ver o que estava acontecendo em volta. Uma hora Daniel precisava de ar e parou o beijo. Quando me viu ele estava com uma cara de que viu 10 fantasmas, se virou para mim e não conseguia falar nada.
- Vou aprender a ouvir mais as pessoas que me amam e parar de confiar nas que não merecem minha confiança.
- Não é nada disso que você está pensando.
- NÃO, NÃO É, EU ESTOU LOUCA E VENDO COISAS.
Terminei a frase e a única coisa que eu consegui fazer foi meter a mão na cara dele.
Me virei e desabei, fui em direção a e saímos o mais rápido possível daquele lugar, ainda bem que as férias estavam chegando.
Fiquei pensando bem, e acho que vou aceitar ir para o Canadá na casa da minha avó, vou me desligar um pouco de tudo que eu tenho aqui. Conversei com a sobre minha decisão e ela concordou. Passou um final de semana e eu já estava em terras canadenses, com certeza é outro ar.
Eu iria ficar lá por mais ou menos um mês e meio. Não deu nem duas semanas que eu havia chegado, minha mãe me liga aos prantos falando que eu tinha que voltar, pois a qualquer momento ela ia dar a luz, e estava com medo de que quando o momento chegasse ela estar sozinha em casa. Meu irmão estava trabalhando e com três crianças para cuidar, não sei porque ele quis ter tantos filhos, meus pais estavam divorciados e minha mãe não falava mais com meu pai, então a única salvadora era eu.
No outro dia que ela havia me ligado eu peguei um avião e voltei para o Brasil.
# End Flashback #
- , , !
- Oi, tudo bem? Onde eu estou? Nossa, desculpa, eu me perdi completamente em pensamentos. Aliás, você canta muito bem.
- Posso saber no que você estava pensando? Sério mesmo, pensei que você estava petrificada. Ah, valeu, que bom que você gostou.
- Eu estava pensando se eu trouxe a chave de casa, porque eu acho que não tem ninguém em casa, minha mãe deve estar na minha tia que fica do outro lado da cidade, o que resulta em ninguém em casa, e a chave que é bom eu acho que eu esqueci. E eu nem lembro se eu peguei.
- Como assim não pegou? , essa já é a rua da sua casa, agora fica na altura de qual número?
- É no 735, uma casa lilás que tem quase no final da rua. É uma longa história, hoje eu acabei de chegar do Canadá, eu estava na casa da minha avó, e minha mãe está prestes a ter um bebê por isso eu voltei. Ela havia me falado que esses dias ela tem ficado na casa da minha tia, mas ela não queria mais incomodar ela, por isso pediu pra eu voltar, e aqui estou eu, minha recepção foi a melhor de todas.
- Nossa, desculpa mesmo, eu não queria te atropelar no dia de ‘boas vindas de novo ao Brasil’
- Não foi nada, ainda vamos dar muita risada de tudo isso.
- Mas olha que legal, quase que você vai pro Egito.
Dei um tapa no ombro dele e começamos a rir.
- Chegamos.
Ele havia parado em frente da minha casa.
- Então, é aqui que eu moro, legal né? – dei uma risada besta.
- MÁGICO! Então, lá pelas sete eu posso vir aqui?
- Eu te espero.
Saí do carro e fui em direção a porta ainda caçando na bolsa a chave, mas era certeza que não estava lá. Lembrei do presente de natal da vovó, me abaixei do lado de umas pedras que enfeitavam o jardim e procurei uma pedra oca. me olhava do carro sem entender nada.
- ACHEI! – dei um belo berro, peguei a pedra e a abri. Tirei a chave, virei pro e mostrei que eu havia achado a chave, ele sorriu e eu dei um tchau com a mão me mandou um beijo. Abri a porta e entrei, assim que ele saiu com o carro.
Capítulo 2
Nada melhor que um banho agora, água, ficar relaxada e OMG! Eu deixei os remédios que eu precisava comprar com o . Se ele vier mesmo à noite eu tenho que lembrar de pedir a receita. Não sei porque, mas eu acho que ele não vai vir, então é melhor eu voltar no médico depois e pedir outra. Enfim, vamos focar agora no seu banho, .
Liguei o chuveiro, o barulho da água já me acalmava, estava com medo que ardesse os machucados, mas quem liga? O pior já passou. Entrei embaixo do chuveiro e algum barulho estava atrapalhando meus pensamentos e meu banho. QUE SACO! Meu celular estava tocando. Saí de baixo do chuveiro, o peguei dentro da minha bolsa e olhei no visor, era minha mãe. Se fosse qualquer outra pessoa eu iria ignorar. Desliguei o chuveiro e me enrolei na toalha. Atendi.
- Mamãe, tudo bem?
- Minha filha linda, tudo bem e com você?
- Eu estou ótima mamys.
- Você já chegou? Está tudo bem?
- Cheguei sim mãe, já estou em casa, e está sim tudo ótimo. – quem sabe depois que ela tiver o neném eu não conto pra ela tudo o que aconteceu. Porque sabe como é mãe né? Vai ficar preocupada e é melhor agora ela ficar sem preocupações.
- Eu estou aqui na sua tia, e daqui a pouco eu já vou para o hospital. Já vai nascer essa semana e o médico acha melhor eu ficar lá no quarto pra não correr riscos!
- Ain que lindo, meu irmãozinho está para nascer! Beleza mãe, você já pegou todas suas coisas? Precisa de mais alguma coisa? Quando chegar lá me liga e me fala o quarto que você vai ficar para eu ir ver você.
- Não se preocupe , eu já peguei tudo, está tudo aqui na sua tia, pode ficar tranqüila que eu e sua tia te manteremos informada de tudo que acontecer. - Ok mãe, eu vou agora tomar banho ok? Estou mega cansada.
- Vai lá amor. Beijos.
A água estava perfeita, um banho pra relaxar não tem nada melhor que isso. Saí do banho, os machucados estavam ardendo e eu não estava com as pomadas que eu precisava comprar. ÓTIMO. Coloquei um moletom do dálmata que minha mãe tinha e eu sempre pegava dela, uma calça jeans e me joguei no sofá. Liguei a TV e ficava trocando de canal, mas NADA de interessante. Deixei em um que falava de máquinas de suco que estavam à venda. E não é que aquilo prendia mesmo minha atenção?
Olhei para o relógio, eram 16 horas.
Estava quase cochilando quando meu telefone barulhento tocou, dei um pulo do sofá com o susto que tomei e cai de joelho do lado do telefone, peguei um pouco de ar para poder falar.
- Alô! – falei ainda tentando me recuperar do susto.
- , é a sua tia, tudo bem linda? Vai CORRENDO agora para o hospital, sua mãe passou mal e estamos indo para lá, capaz do seu irmão já estar a caminho.
- O que? Como? Mas já? Meu Deus! Minha mãe está bem?
- Ela estava pegando as coisas para irmos ao hospital, ela desmaiou e logo em seguida a bolsa estourou.
- Eu estou indo. Beijos.
Desliguei o telefone, estava mais ofegante que quando eu caí.
Peguei minha bolsa, soquei dentro dela algumas coisas importantes e comecei a busca da chave do carro. Olhava dentro do pote da cozinha e nada, embaixo das almofadas do sofá e nada. Corri para o quarto da minha mãe e lá estava a bonita, em cima da cama. Peguei correndo, desci até a garagem, liguei o carro e saí voando de casa. Tudo estava rodando.
Não , essa não é a hora de você desmaiar. Forcei bastante os olhos para poder enxergar alguma coisa. Vi uma sombra passando na frente do carro, não conseguiria desviar. Apenas quando cheguei mais perto vi que era o .
- , sai da frente!
ONDE EU ESTOU? Dei um pulo do sofá, estava quase sem ar, olhei para o relógio e era 19h30. Graças a campainha que tocou eu acordei. Que susto. Fiquei sentada no sofá olhando pro além. A CAMPAINHA. Fui em direção a porta e a abri.
- Onde você estava?
- Deitada... sofá... dormindo – tentava respirar e me recuperar do susto.
- Meu Deus, você está bem? – segurou no meu braço, já estava toda bamba, e me colocou sentada no sofá. – Onde tem água aqui?
- Olha aí depende muito de que tipo de água você vai querer. Tem dos vasos com as plantinhas, nas torneiras... está bem, eu paro – Apontei para uma porta que tinha logo em frente de onde eu estava sentada, ele foi lá e pegou um copo de água.
Tomei a água e comecei a explicar o que tinha acontecido.
- Eu vou tomar muito cuidado quando tiver andando na rua. Vai saber se você tem sede de vingança e aí já viu onde eu vou parar também. – começamos a rir.
- Pensei que você não ia vir.
- Mas eu vim. Aliás, aqui estão os seus remédios e pomadas. – Ele tirou do casaco uma sacolinha da farmácia e me entregou.
- Muito obrigada, mas não precisava.
- Que isso, foi um prazer.
Silêncio, silêncio e silêncio. Odeio essa palavra.
- MAS HOJE É DIA VIU! – o telefone tocou de novo, mas pensando bem uma vez que tocou foi no meu sonho. – Pois não?
- é a sua tia, estou aqui no hospital com sua mãe e seu irmão está chegando.
- NÃO ACREDITO! – dei um berro e derrubei a água em mim. – NÃO ACREDITO! – esse foi para água.
- Sim filha, vem logo para o hospital.
- Estou indo, beijos.
- Quem era ? – curioso nada né?
- Minha tia, meu irmão está chegando, vou precisar ir para o hospital.
- Eu te levo até lá.
- Então vamos!
- Er, você não está com um frio na sua barriga?
- NOSSA, que cabeça a minha, espera um minuto que eu vou pegar um outro moletom e já volto. – subi até o quarto de mamãe e abri o armário dela, pegando um outro moletom, dessa vez do Michael Jordan. Troquei rápido e desci.
- Hoje está sendo um dia bem agitado para você!
- É esta sendo mesmo, sempre é uma rotina os meus dias, levantar cedo, ir pra escola, prestar atenção nos professores chatos, chegar em casa, arrumar o quarto, e por aí vai. Hoje saiu totalmente da rotina, amo férias.
- Você está no ultimo ano do colégio já?
- Estou sim. Por um lado será ótimo, sem as pessoas que eu não gosto, mas por outro é horrível, todos nós vamos tomar rumos diferentes na vida e sabe-se lá quando vai ser a mesma coisa de antigamente – ligou o carro e fomos a caminho do hospital.
- Isso é verdade, eu terminei ano passado o meu, você não perde o ‘contato’ com aqueles seus verdadeiros amigos entende? Porque não fez nem um ano que eu terminei e tem pessoas que eu nunca mais falei depois da escola.
- , é no Hospital Central que minha mãe está, só pra você saber que se não a gente vai ficar sem rumo aqui. Então, mas é a dolorosa realidade isso. E falando em amigas verdadeiras, minhas amigas acham que eu ainda estou no Canadá. Mais tarde eu ligo para elas, ADORO acordar elas de noite ligando pra falar coisas inúteis.
- Que amiga essa que chega e nem avisa que chegou!
- E deu tempo de avisar, senhor ?
- Opa, claro que deu! Tirando a parte que você foi atropelada por um motorista sexy, quase foi pro Egito, que quase o mata em um sonho e agora seu irmão chegando... É, não deu tempo. – caímos na gargalhada. ligou o rádio, e começou a cantar.
- Você tem jeito que gosta muito do lado musical da vida.
- Obrigado, eu tenho uma banda, está começando agora.
- SÉRIO? Que legal! E qual o nome?
- Stevens!
- Criativo esse nome, você faz o que na banda?
- Foi o que eu disse HAHA. . Vai ter um show sábado agora, se você tiver afim de ir.
- Convencido nada! Que legal, eu quero sim. Aonde vai ser?
- Possivelmente em uma casa de show.
- NOSSA, que bom que não é em uma boate de stripper.
- Até que não ia ser uma má idéia.
- HÁ, super lugar agradável.
- Brincadeira! Então, não sei bem qual casa de show, mas até lá eu te falo.
- Beleza. Já tem alguma música de vocês na rádio?
- Tem sim, entrou semana passada.
- ADORO perder essas estréias em rádio. Mas eu já posso ter escutado, como é a música?
- “Parecia estar, numa nova era, na hora em que você me falou em parar, sei que onde estou, não é aonde espera, mas o que eu tinha pra você ninguém supera.” E assim vai.
- NOSSA EU CONHEÇO. Conhecer, conhecer não, mas quando eu estava no aeroporto para embarcar começou a tocar.
- Que demais! Você não faz idéia de como a gente fica feliz quando vê o nosso trabalho dando certo.
- Eu imagino.
- É aqui o hospital não é?
- Isso mesmo, tem um estacionamento virando a sua direita e indo reto, fica atrás do hospital.
Chegamos lá e fui em direção a recepção, a moça havia me dito que ela estava no 3º andar. Eu e o fomos em busca da mamãe. Assim que chegou no 3º andar e a porta abriu, eu vi minha tia andando de um lado para o outro segurando duas bolsas.
- O que está acontecendo? Minha mãe está bem? E o bebê?
- Está sim, o médico já está a preparando para ter o bebê. Estou aqui em nervos querendo saber se está tudo bem! E... quem é este que está com você?
- AH, é um amigo meu, . , essa é a minha tia Cristina, tia esse é meu amigo .
- Prazer – ambos se cumprimentaram. Eu comecei a ficar ansiosa e nervosa, meu estômago começou a revirar. Sentei ao lado de na sala de espera, minha tia não parava de andar de um lado pro outro, já estava imaginando um buraco se abrir naquele chão. Eu ainda sentia muito sono, o dia hoje nem foi corrido. Encostei minha cabeça no ombro do e acabei adormecendo.
Acordei com minha tia chorando e me cutucando.
- , , Linda, acorda flor, ! ACORDA SACO!
- O QUE TÁ PEGANDO FOGO?
- Bom dia querida! Você está em um hospital e dormiu no ombro do seu amigo, o coitado nem podia se mexer... Enfim, SEU IRMÃO NASCEU! SUA MÃE ESTÁ BEM E ELE TAMBÉM! O GUILHERME É A COISA MAIS LINDA DO MUNDO, ELE É TÃO PEQUENO!
- Jura tia? Que bom que ele é pequeno, já pensou se ele fosse grande? COITADA da mamãe! – todos que estavam perto riram. – E agora é minha vez de fazer escândalo. AH QUE LINDO! EU QUERO VER ELES, QUANDO ELES VÃO SAIR?
- HÁ, como você é engraçada. Ela vai ficar uns 4 dias aqui, fazer exames no bebê e as coisas chatas de sempre. Vai ali até o vidro que os médicos estão com o Guilherme.
Me levantei de onde eu estava e fui até o tal vidro que minha tia me falou, vendo me acompanhar.
E lá estava ele, uma gracinha. Fiquei ali alguns minutos olhando para ele.
- , você pode me deixar em casa?
- Lógico que eu vou deixar você na sua casa, nem precisa perguntar.
- Ain, valeu mesmo.
- Você já quer ir?
- Quero sim, estou cansada e nem vou poder ver minha mãe, porque ela está dormindo.
- Então vamos.
- Tia, eu e o estamos indo. Você vai passar a noite aqui?
- Vou sim, pode se divertir hoje.
- Minha diversão vai ser minha cama e meu travesseiro, não tenha dúvidas.
- Tchau , foi um prazer te conhecer!
- Igualmente.
Logo o elevador chegou e entramos nele.
- , vê se você se controla!
- Por quê? – Me olhou com cara de espanto.
- Porque os botões desse elevador são mais sexys que o do outro, eles são iluminados e maiores, e depois da sua paixão pelo do outro hospital, vai saber né.
Começamos a rir escandalosamente. Juro que quando entramos no elevador eu não havia notado no casal que estava ali. Só depois das besteiras que eu fui perceber, e ambos nos olhavam estranhamente. Se um dos dois pegar o celular eu ia ficar assustada, vai que ligam pro hospício! TENSO. O elevador chegou, saímos e fomos em direção ao estacionamento.
Chegamos no carro e ele não achava a chave.
- Você me viu fechando o carro ?
- Sinceramente? Não.
- CARAMBA.
- Que foi?
- Eu não sei como aconteceu, mas a chave está no lugar que eu menos queria que estivesse.
- ... AONDE VOCÊ ENFIOU A CHAVE?
- Calma! Que mente poluída.
- LÓGICO, do jeito que você me falou você acha que era pra eu pensar o que?
Começamos a rir, o sono já estava me deixando bêbada.
- A chave está trancada dentro do carro.
- E como ela se auto trancou lá dentro?
- Você pode ficar calma que ela não criou vida e pulou no pino se trancando lá dentro. Eu devo ter esquecido ela dentro do carro, e o meu carro quando fica desligado ele se fecha sozinho.
- Seu carro é do mal.
- Não é a primeira vez que acontece isso. Já tenho até uma chave reserva... mas está em casa.
- Então vamos pegar um táxi, ônibus ou qualquer coisa. Amanhã voltamos aqui e você pega o seu carro. Você mora muito longe da minha casa?
- Não, moro pertinho. É mais ou menos uns 20 minutos a pé da minha casa até a sua!
- Ah não é tão longe. Então vamos à busca de um lindo táxi.
Saímos de lá e ficamos andando, andando e andando e NADA de táxi. As ruas estavam desertas e medonhas, já era tarde.
- que horas são?
- Meia-noite.
- Você tá de brincadeira que já é essa hora?
- Não, não, é serio mesmo.
- Nossa, que tarde. As ruas estão me dando medo... em plena quinta-feira à meia-noite não tem muitas pessoas agradáveis em São Paulo caminhando.
- Isso é verdade... e essas ruas perto de avenidas é meio tenso mesmo. Mas não se preocupe, o seu super-herói está aqui pra te salvar de qualquer coisa.
- Me senti mais segura agora.
Ficamos conversando sobre VÁRIAS coisas. Time preferido, comida predileta, coisas bizarras que já aconteceu nas nossas lindas vidas, ele me contou do assedio das fãs, mas que também ele ama tudo isso. Quando o assunto acabou, nós conversamos sobre queijo. Isso mesmo, queijo. Queríamos ver se a teoria do filme ‘Ela é o cara’ dava certo.
- Chegamos! Você quiser entrar para comer alguma coisa? Você deve estar com fome.
- Ah valeu mesmo, a gente podia pedir uma pizza.
- Ótima idéia.
Cheguei em frente da porta para a abrir e senti falta de uma coisa.
- DROGA, DROGA, DROGA! Hoje não é meu dia, não mesmo.
- Não me diga que você...
- EXATAMENTE! Não só a chave, mas esqueci a bolsa no hospital. Agora me diz, como uma pessoa não percebe que esqueceu a bolsa? Se fosse uma bolsa pequena... Mas não era!
- Calma , não fica estressada. As coisas parecem só fica pior.
Abaixei e sentei-me ao lado da porta, encarando o nada. Estava com sono e nervosa por esquecer minha bolsa, feliz por ter ganhado um irmão e ainda com dor por ter sido atropelada. Várias coisas na minha cabeça, e a única coisa que eu queria era descansar um pouco.
Lágrimas involuntárias começaram a escorrer do meu rosto.
- Não chora, fica calma, tudo vai dar certo. – ele se abaixou ao meu lado e me abraçou.
- Não sei porque eu estou chorando, deve ser o cansaço. Mas eu não estou triste, não estou mesmo.
- “Espere aqui que eu posso até voltar atrás, não é tão sério, só o tempo traz, pra você, tudo o que passou e um pouco mais, daquela história e só você desfaz, o caminho que a gente andou, quando precisava de amor, e aqui era o nosso lugar, eu nunca fui mais que um sonhador, que espera o mundo mudar, mas hoje eu encontrei o amor, e não vou deixar escapar.”
Não sabia o que dizer, apenas fiquei olhando para ele, o olhar dele me hipnotizava.
- Toda música que eu escrevo, tem um propósito. Não é apenas porque a banda precisa de um single e essas coisas, mas essa foi em um momento ‘de bem com a vida’ que eu escrevi, e eu não sabia até agora o propósito dessa música. Mas acabei de achar ele, você.
passou uma de suas mãos pelo meu rosto, limpando a última lágrima que havia escorrido. Ficamos olhando um para o outro, sua mão ainda estava no meu rosto. Ele começou a se aproximar de mim.
- EAE ! TUDO BEM?
Uma luz forte e azul iluminou o bairro inteiro, ficando parada em frente da minha casa. Aliens? ET's? O.V.N.I's? Não, um carro e dentro possivelmente algum amigo do , porque conhecia o nome dele.
- ?
- É, eu vi você vindo, mas eu estava conversando com um pessoal... Quem é? - AH, essa é a . esse é o .
- Olá , vocês querem carona para algum lugar?
- , você não quer ir pra minha casa e lá você descansa e amanhã cedo a gente vai até o hospital, pega o carro e sua bolsa e todo mundo fica feliz?
- Pode ser! Mas não vai incomodar?
- Não mesmo, pode ter certeza.
- Queremos sim , me leva pra casa.
Entramos no carro, o foi de motorista, eu e o atrás. Ele estava me abraçando e eu olhando pela janela. Ele morava em um apartamento, era aconchegante, ele me disse que escolheu morar em um apartamento, pois ficaria mais perto dos ‘caras’ da banda. É, exatamente, toda a banda mora no prédio.
- Você mora sozinho?
- Não, moro com meu pai, mas ele é empresário de bandas e vive viajando.
- Nossa, um pai empresário, que legal.
- É, bem legal, ele viaja para uns lugares bem loucos.
Ele me mostrou onde era o quarto dele e me deu algumas peças de roupa para colocar. Fui até o banheiro dele e me troquei. Eu estava morrendo de fome, mas o cansaço falava mais alto.
- Você pode ficar no meu quarto que eu fico na sala.
- Ah que lindo você, a casa é sua, você fica no seu quarto e eu fico na sala, não tem problema.
- Mas você é visita, tem que se sentir bem!
- E quem disse que na sala eu vou me sentir mal?
- Tive uma idéia, vê se você topa. Eu coloco o colchão da cama de casal na sala e a gente dorme lá.
- Fechado.
Estava pronta pra ir dormir, o ajudei a levar o colchão na sala. Ele me entregou um travesseiro e uma manta, ajeitei em um pedaço do colchão e deitei. Ele logo estava arrumado e com as coisas dele do meu lado, deitou-se também e ficamos um olhando pra cara do outro. Meus olhos já estavam fechando, ele apenas me deu um beijo na testa e eu dormi.
Capítulo 3
- Bom dia, . Desculpa estar te acordando, é que os meninos me ligaram e falaram que vai ter um ensaio mais tarde.
- Oie, bom dia. Ah que isso, sem problemas. – acordei com o me chamando, olhei para o relógio que estava na mesinha e eram 9 horas. Me levantei, não queria pensar na situação que meu cabelo se encontrava. Fui em direção a ele e dei um beijo em sua bochecha de bom dia.
- Já preparei o nosso café, espero que tenha ficado bom. – comecei a rir da cara que ele fez.
- Eu acho que vai estar – fui com ele até a cozinha - E o que temos para o nosso banquete?
- Bem aqui estão os pães, mas aqui do lado esquerdo está o leite, o café e o chocolate, do lado direito estão as frutas e...
- HUM frutas, que menino mais saudável.
- Para você ver, tenho que me cuidar certo?
- Certíssimo.
- E para terminar...
- Rufem os tambores – ele começou a rir e eu comecei a fazer o barulho dos tambores.
- GELATINA!
- Está perfeito, boa escolha a sua, agora vamos comer?
- Vamos sim, sente-se.
Nos sentamos e começamos a atacar as coisas. Nossa, esse atacar parece que comemos como carnívoros que não vêm carne há um BOM tempo. Mas estava tudo ótimo.
- você não quer ir com a gente pro ensaio?
- Eu vou sim... mas será que dá tempo de eu ir em casa e me arrumar, tomar banho e etc? - Dá sim, a gente vai lá pelas duas, três horas. Então, está tudo azul.
- AE, agora a gente vai para o hospital pegar as nossas coisas certo?
- Exatamente. Nossa, esse pão com geléia está bom demais.
- Está bom mesmo, você já comeu bife à milanesa com geléia?
Um silêncio prosperou no lugar, e ele me olhou com uma cara muito esquisita, tipo 'ECA!'
- Que foi? Não me olha assim, um dia eu estava comendo bife e minha mãe havia feito goiabada, e eu apenas coloquei um pouco no bife, e ficou bom. – risos.
- Nossa, sério mesmo que ficou bom? Um dia eu vou experimentar, e se eu for parar no hospital a culpa vai ser totalmente sua! – gargalhadas.
- Pode deixar que eu assino o termo me responsabilizando. ... posso abusar de você mais um pouco?
- Sou todo seu!
Momento eu estou ROXA.
- Seguinte, como a gente vai para o hospital?
- Fácil, o vai levar a gente.
- Será que teria como ele me levar para um lugar antes? Preciso encontrar uma pessoa! A minha amiga, lembra? A que eu te falei que eu não tinha falado com ela ainda que eu cheguei aqui no Brasil, queria só fazer uma surpresa para ela. Tudo bem?
- Lógico que está tudo bem, eu peço pro levar a gente. É tão lindo esses encontros.
- Ah valeu! – pulei em cima dele e o abracei. Foi tudo em um impulso. No mesmo momento que percebi o que havia feito, eu voltei logo ao meu lugar e enfiei uma colher de gelatina na boca, encarando o azulejo que estava na minha frente.
- Hey, você não fez nada de mais. Vem cá, me dá um abraço. – ele me apertou de um jeito que se eu não tivesse engolido a gelatina ela sairia.
- Ouun que fofo. Bom, eu vou agora me trocar para não atrasar nada.
- Beleza, vai lá. – ele me deu um beijo bem no canto da boca, o olhei e sorri. Fui até onde estavam as roupas, as peguei e me troquei. Não deu 10 minutos e já estava pronta.
- Nós já vamos ?
- Sim, sim, o está no carro esperando a gente já.
Descemos até o lindo carro do .
- BOM DIA AMORES!
- Bom dia ! – falamos juntos.
- E essa sua animação incrível?
- São raros os dias que eu acordo assim , então aproveite.
Vi o dando um soco no ombro dele.
- Brincadeira , credo que estresse.
- Eu não estou estressado.
- , o me falou que você vai passar na casa da sua amiga, onde fica?
- Bom, sabe a Liverpool? - ele concordou - Você vai até o final e vira a sua esquerda, você vai entrar na Atlântica, é no número 95, bem no início.
- Ok, já sei onde fica. E eu vou hoje de motorista que nem ontem?
- Vai sim. – deu alguns tapinhas no ombro dele e deu um grande sorriso.
Fomos todos conversando sobre o tempo, músicas, vida, e mais algumas coisas. Ele parou em frente a casa da , desci do carro com o e o logo logo desceu também.
Fui até a porta dela e fiquei parada na frente, o e o ficaram conversando do lado do carro. Toquei a campainha e nada de . Toquei de novo e nada. Comecei a apertar freneticamente o botão da campainha dela, até que escutei alguma voz murmurando, cada vez ficando mais alta e mais próxima, até que eu escutei alguma coisa berrando de lá de dentro da casa coisas como: ‘SE FOR ALGUÉM VENDENDO ALGUMA COISA, EU VOU ENFIAR ESSA COISA EM UM LUGAR MUITO ESCURO’, ‘AINDA É DE MADRUGADA, EU VOU MATAR A PESSOA QUE ESTIVER...’ Ela abriu a porta e deu um berro, pulando em cima de mim.
- AAAH SUA VACA! VOCÊ JÁ ESTÁ AQUI, NÃO ACREDITO! QUE LINDA, QUE LINDA, AH QUE SAUDADE! – comecei a perder o equilíbrio e fui indo para trás até que caí no chão com ela em cima de mim. O e o estavam se matando de rir, e eu e a também estávamos rindo. Eles vieram até onde estávamos caídas e o deu a mão para ajudar a a se levantar e o me ajudou a levantar.
- E quem são esses? SE VOCÊS FOREM ME VENDER ALGUMA COISA...
- Calma aí , eles não vão te vender nada, fica calma. Esse aqui é o , mas pode chamar de . E esse aqui é o...
- Eu sou o , muito prazer. – ficou na frente dela e a cumprimentou.
- Eu sou a , mas pode me chamar de . Prazer.
- , eu vou agora com o no hospital e
- VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA?
- Não , vai dormir vai! Minha mãe já teve o neném.
- AH QUE LINDO!
- Então, e eu esqueci minha bolsa lá, e o trancou a chave dentro do carro, estamos indo lá resgatar nossas coisas.
- Nossa mas já? Não querem tomar café? – reparei que as pessoas que passavam na rua olhavam com uma cara estranha pra gente. Foi quando eu vi que a estava de pijama e com uma pantufa do patolino no pé.
- , acho que seu modelito está sendo atração aqui na sua rua.
- Lógico , última geração. Mas então, vocês já vão?
- EU TIVE UMA IDEIA! - berrou .
- Lá vem, as ideias do me assustam às vezes.
- Cala boca , as suas também não são lá essas coisas. Mas é o seguinte, você tem carro ?
- Tenho, está na garagem.
- Perfeito, eu fico aqui com a , vocês vão com o meu carro e lá volta cada um em um carro.
- Não , muito complicado! Por que a não vai com a gente até o hospital?
- É, essa ia ser minha segunda ideia.
- Ok, eu vou, esperem um segundo que eu vou colocar uma roupa.
subiu até o quarto dela enquanto o começou a me contar uns sujos do , eu não parava de rir. estava olhando para o azul do céu e não entendendo nada do que eu e o estávamos falando.
- A vai demorar um século, ela sempre demora...
- CHEGUEI \O/
Puxei o para perto de mim e cochichei.
- Eu não acredito, o fez um milagre acontecer! – risos.
- Então vamos moçada linda?
- Yeap ! – como sempre, sentei atrás com o , mas dessa vez o não foi como motorista, a estava ao lado dele.
- , você chamou a para ir ao ensaio?
- Chamei sim, e ela vai.
- Então , você quer ir também?
- Você tem uma banda?
- Não, não , ele trabalha em um circo e hoje vai lá ensaiar com os leões.
- Besta, mas então você tem uma banda?
- Tenho sim, eu sou o . Aí hoje vai ter o último ensaio antes do show de sábado, er.. amanhã. Você quer ir ao show também?
- Nossa, esses meus dias tediosos dentro de casa vão mudar, adoro sair! Vou sim.
e ficaram conversando lá na frente, e eu e o no banco de trás.
- , posso te contar um negócio?
- Lógico, fala aí.
- Conhecer você foi uma das coisas mas incríveis que me aconteceu, não estou blefando, sério mesmo. Você é simpática, linda, engraçada, cara... você é foda.
- E eu posso te contar uma coisa também?
- Pode. – começamos a rir, sim, somos pessoas felizes.
- Conhecer você também foi uma das coisas mais incríveis que me aconteceu, e o jeito que eu te conheci foi hilário! Vou te contar um segredo... você também é foda.
Senti sua mão passando pelos meus cabelos, o olhar dele estava me deixando hipnotizada, seu rosto foi se aproximando do meu e
- VAI PRA P&T@ QUE PARIU, ! Porque você jogou SEU casaco aqui atrás?
- Eu atrapalhei algo? NOSSA! Desculpa mesmo, eu o tirei e pensei que... que... e joguei. – não parava de rir, ao contrário do que estava olhando pra ele com uma cara ‘você é um homem morto’ – Enfim, nós chegamos no hospital, você quer que eu espere ou vai voltar com o seu carro?
- EU VOLTO COM O MEU! – desceu do carro me puxando, apenas mandei um beijo no ar me despedindo da e do .
- Calma ! Respira, inspira, respira, inspira... deixa ele pra lá.
- Bom dia, onde você gostaria de ir? - perguntou a recepcionista assim que chegamos no hall principal do hospital.
- Bom dia, onde está Silvana Aparecida? Eu sou filha dela e a vim ver, ela teve bebê ontem.
- Ah, pode subir no 4º andar, ela já está no quarto.
- Obrigada.
Subimos até o 4º andar, fui olhando as portas e vendo se achava o lindo nome do meu irmão. Era quase uma das últimas portas, mas finalmente achei. Minha tia estava acordada vendo TV e minha mãe dormindo. - Olá minha linda, oi , tudo bem com vocês?
- Tudo ótimo com a gente, e ela passou bem a noite? - perguntei.
- Passou sim, a anestesia ainda está com efeito, acordou de noite e dormiu de novo. Aliás, você esqueceu sua bolsa aqui.
- É, eu sei. – peguei minha bolsa e dei uma olhada na minha mãe dormindo. – Tia, nós já vamos indo. Você quer que eu venha mais tarde para você ir para sua casa?
- Não precisa, o médico falou que os exames do neném vão sair hoje, e dependendo de tudo nós voltamos hoje mesmo para casa.
- Ah então beleza, me liga se precisar de qualquer coisa.
Saímos do quarto e agora fomos em busca do carro do . E lá estava ele, parado no mesmo lugar.
- Meu carro, que saudades.
- Que amor pelo carro. – comecei a rir da cara dele.
Ele pegou a chave reserva do bolso dele e abriu o carro. Entramos e fomos em rumo a minha casa.
- Agora você vai me deixar em casa e quando for umas duas horas eu vou para o ensaio?
- Isso mesmo... Hey, você já não quer ir com a gente para o ensaio? Eu passo aqui e pego você e a , aí você já conhece os outros integrantes da banda!
- Pode ser... Eu nem estou te dando trabalho esses dois dias.
- Mas sabe que eu estou gostando?
Estávamos quase chegando em casa e ele ligou o rádio.
"Come on, come on
Turn a little faster
Come on, come on
The world will follow after
Come on, come on"
- NOSSA, essa música gosta da gente! Nunca vou esquecer dela.
- Com certeza, essa música vai ficar para sempre marcada. – ele havia encostado já o carro em frente da minha casa. – Que tal continuarmos de onde nós paramos no carro do ? – Eu juro que o vai me fazer explodir de vergonha ainda.
Ele me encarou com um sorriso no canto dos lábios, fui me aproximando involuntariamente do seu rosto, do mesmo modo que ele fazia. Senti uma de suas mãos em meu joelho, logo ele a foi subindo por minha coxa e ao apertar não pude evitar um gemido baixinho. Sério, eu devia estar azul de vergonha. Abaixei minha cabeça, mordendo o lábio inferior, a sua outra mão ergueu meu queixo, fazendo-me o encarar nos olhos. Ele sorriu e foi levando minha cabeça pra mais perto da dele, ele estava me provocando legal, eu não consegui mais agüentar. Que se dane também, a boca é minha. Colei rapidamente nossos lábios, ele ainda sorria. Isso é o que eu chamo de pessoa BEM feliz. Envolvi minhas mãos em seu pescoço, arranhando sua nuca levemente; puxei um pouco seu cabelo assim que senti sua língua passar por entre meus lábios e logo se encontrar com a minha. Um arrepio passou por todo meu corpo. Sua mão ainda estava em minha coxa, apertando algumas vezes, a outra foi deslizando pela lateral do meu corpo até chegar em minha cintura e a apertar. Eu me sentia feliz ali, envolvida pelos seus braços, sentindo seu gosto.
- Eu ficava imaginando esse momento desde quando eu te conheci. – tentava dizer algumas palavras no meio do beijo, eu apenas balancei a cabeça concordando com o que ele havia dito.
- Bom... eu... vou... entrar agora. – Tentava pegar ar de algum lugar, estava sem fôlego.
- Tudo bem , eu passo aqui umas duas horas e vamos juntos! – dei um selinho nele e sai do carro.
Entrei na minha casa sorrindo que nem uma idiota, não sabia o que começar a fazer. 'Calma , vamos começar com um banho.' Subi até meu quarto e separei a roupa que eu ia usar para ir no ensaio, nada exagerado, apenas uma calça jeans preta, uma blusa branca com um decote não muito exagerado, e um all star. Essas roupas básicas são minhas companheiras em todos os momentos da minha vida. Entrei no banho e não demorei muito.
E nesse vai e vem já era quase uma da tarde e eu ainda tinha que almoçar. Saí do banho, me arrumei e enrolei a toalha nos meus cabelos, fui até a cozinha ver se eu achava alguma coisa para comer. Olhei para a mesa e vi as pomadas que o havia comprado para mim; lembrei de passar no machucado, mas só pra tirar os roxos, porque naquela altura do campeonato eu não sentia mais nada. Comi um pão com queijo e subi até meu quarto novamente. Passei as pomadas e escovei os dentes, às vezes ficava olhando para o nada e sorria à toa. Comecei a passar a maquiagem, nada exagerado, um lápis em volta dos olhos e uma base, peguei o colar que eu havia ganhado de e coloquei ele, era um coração com strass. Estava linda e pronta pra arrasar!
Fique na sala trocando de canal esperando a hora passar; quando deu duas horas escutei uma buzina, era o e seus amigos. Juro que não sabia como ia caber mais gente no carro. Tranquei a porta e fui em direção ao carro. desceu para me cumprimentar.
- Oi , você está linda. – me deu um selinho, e escutei um ‘uhuuu’ de dentro do carro. Foi um lindo coral.
- Obrigada ... e o que a já está fazendo no carro? – olhei pra ela com cara de espanto.
- Ela saiu com o e já veio direto.
- Nossa, então ta. E como vai caber mais gente no carro?
- A gente aperta que cabe! Vou te apresentar os meninos, esse aqui é o , e esse aqui o .
- Prazer! - dei um tchau com a mão.
- Então, vamos? - perguntou .
- Vamos! – entrou no carro empurrando o e o mais ainda pro canto. O estava na frente com a , depois que o entrou, ele me puxou e sentei ao lado dele.
Capítulo 4
- Chegamos pessoas! – foi parando o carro dentro de um estacionamento que tinha ao lado do estúdio.
- É aqui que acontece a mágica, , preparada pra senti-la?
- Nossa, que coisa mais profunda ! Estou sim, sou uma pessoa muito forte. – coloquei a mão fechada no peito, fechei os olhos e balancei a cabeça.
- AR, AR, AR! Sai de cima de mim ! ALGUÉM ME AJUDA? VOU MORRER ASFIXIADO.
- , não mate ele, não vale a pena, a banda vai ficar incompleta. – falou e saiu do carro, depois a desceu junto com ele, e atrás fomos descendo do carro um de cada vez; eu, , e por último o , que desceu socando o .
- AMOR, você chegou! – uma menina morena, veio na direção do e o beijou. Concluí que essa fosse a namorada dele; logo depois saiu outra, mas dessa vez era loira, correu na direção do e o beijou também, estava começando a ficar com medo do que poderia sair mais daquela porta.
- Essa é e , a namorada do e do . – Elas olharam pra mim e deram um tchauzinho, apenas sorri.
- Er... , posso fazer uma pergunta?
- Com certeza, diga!
- Como vai voltar tudo isso no carro? – rimos.
- Não se preocupe, eu e você vamos no porta mala, simples não? – olhei pra ele com uma cara de ‘Há, então ta né’ – BRINCADEIRA, a está com o carro dela, e depois do ensaio nós vamos em algum lugar comer, conversar, essas coisas, aí vamos em dois carros.
- Que susto, estava vendo como iríamos caber no porta mala, acho que ia ficar meio apertado, mas enfim, beleza.
- Vamos , está na hora da mágica acontecer! – disse entrando na porta que as meninas saíram.
- Vem , – foi me levando junto com ele – é aqui, onde realmente a mágica acontece. - Comecei a olhar tudo, os instrumentos estavam todos juntos em um cantinho presos nos suportes, havia um balcão com baquetas, palhetas, cordas e parafusos, em baixo da bateria havia um tapete vermelho, era um lugar aconchegante. – Pode sentar aqui, fique avontade.
Havia uns banquinhos, no outro canto do estúdio, veio até mim com uma cara de boba alegre e sentou, sentei também para conversar com ela.
- Nossa , nem preciso perguntar se a noite foi boa.
- AIN , QUE HORROR! Não sou esse tipo de menina... mas respondendo sua linda pergunta, sim, foi ótima.
- Eu não falei NADA, você que está tirando suas próprias conclusões. Fico feliz por ti, mas não entre em detalhes ok?
- HAHA como é besta. MENINA, você não me contou! Como você conheceu o ?
- Nossa é verdade, quase não falei com você depois que eu cheguei aqui. Então, é uma longa história, havia acabado de chegar aqui em São Paulo e fui atropelada.
- NOSSA, e me deixa adivinhar! O apareceu em cima de um cavalo branco e te salvou?
- Errou, ele que me atropelou. – não falou nada, apenas ficou de boca aberta por um bom tempo, queria tanto que entrasse uma mosca na boca dela, MUAHAHA – Prosseguindo, ele que me levou ao hospital, me ajudou, aí ele se ofereceu para me levar em casa e eu falei que tudo bem, e no mesmo dia mamãe teve o bebê, acabei esquecendo a bolsa no hospital, fui pra casa dele, aí no outro dia fomos até a sua casa e daí você já sabe.
- To beje, to beje, to rosa. Mas e você e ele, como estão? Você gosta mesmo dele como amigo ou namorado? eu já falei mil vezes, você tem que parar de se apegar muito nas pessoas, imagina quando a banda dele estiver em turnê nacional? Você não pode simplesmente abandonar a escola, pra ficar viajando.
- Nós estamos muito bem! Então, eu gosto dele, sei lá, ele é lindo, simpático, atencioso, engraçado, eu não vou te dizer que estou apaixonada por ele. Acho que rolou uma química entre nós, não sei , estou confusa. Mas esse negocio de turnê, eu sei que vai acontecer, e caso role mesmo um negocio sério, vamos ter que ter confiança um no outro, e sempre colocar as cartas na mesa.
- HÁ, você? não está apaixonada? Conta outra, eu te conheço desde sempre, e sempre que surgia qualquer garoto na sua vida, você logo se apaixonava, e se não dava certo, ou coisa pior, como aconteceu com o último, você sempre se machucava.
- Mas sabe o que é... então... eu gosto dele... não sei... ele é diferente, eu sinto isso.
- Espero que seus sentidos estejam apurados.
”Quantas vezes eu te falei
De sonhos que não passam de uma vez
É ser mais sincero pra que dê mais certo
Toda vez que a gente quiser.
Não estamos assim tão iguais
Como éramos há anos atrás
Quando a sua vida era toda minha
E você não queria parar
Então vem me procurar agora
Sem mais pensar
O seu amor é meu
E o meu amor é seu
Com você
Eu faço acontecer
Tão fácil se perder
Com você”
Eles eram bons mesmo. Nós passamos o resto do dia ali, conversando, escutando eles ensaiaram, rindo e brincando um com a cara do outro. Já era de noite quando eles acharam que estava já tudo ótimo para o show de amanhã.
- Acabou, bem, agora vamos aonde? Aceito sugestões.
- Que tal no shopping, ?
- , a gente vai quase toda sexta pro shopping, vamos ver mais opções, se não, eu aceito a sua.
- Pizza Hut! – dei um berro e levantei os dois braços, todo mundo olhou pra mim e riu. – Qual é, Pizza Hut é legal.
- Nossa, vamos, vamos, faz tempo que eu estou querendo ir. - ficava cutucando o para ele aceitar a minha sugestão.
- Mais alguma? – Silêncio – Um, dois e três! Okay vamos para o Pizza Hut.
- AEEEE! – todo mundo foi indo em direção aos carros.
- Quem vai aonde?
- Não vou falar, ninguém me escuta! – cruzou os braços e fez bico.
- Oun , fala pro tio aonde você quer ir! Em qual carro baby? – fazia uma voz de adulto quando fala com criança, aquela coisa irritante que todo adulto tem que fazer com a voz quando vê uma criança menor de 4 anos de idade.
- Oh, vou falar então, como as meninas, a e a , ainda não conhece muito bem o e nem o , podemos ir eu e o em um carro, e o e o em outro, para todos se enturmarem mais... iai, gostaram?
- Pode ser, por mim tudo bem! – Todos apenas concordaram com o - Então vamos.
Entramos no carro, eu e o fomos atrás, o foi dirigindo e a foi ao lado dele, fomos conversando, rindo, até que não demorou muito e chegamos.
Era tão lindo entrar no Pizza Hut, sempre me faz lembrar de Toy Story por cauda do Pizza Planet, mas enfim, logo que entramos a garçonete nos levou a uma mesa com oito lugares, era do lado da janela, eu nada besta sentei bem do lado da janela, era tão linda a vista, e o sentou-se ao meu lado, os outros foram se acomodando também na mesa como mais lhe agradavam.
- Iai galera, vamos pedir pizza do que? Vamos fazer assim, cada um fala a que mais lhe agrada, e as quatro que tiver mais votos, a gente pede.
- A gente vai pegar duas pizzas de doze pedaços né ?
- Sim, sim , ai pega duas pizzas ai faz metade e metade, entenderam meu raciocínio?
- Entendemos. – todos riram.
- Então vamos começar! , qual você prefere?
- Eu, vamos pensar.. palmito com catupiry.
- Eu também gosto da pizza de palmito com catupiry, dois votos. Você , quer qual?
- Eu gosto da Portuguesa.
- ?
- Eu também voto na portuguesa.
- ?
- Calabresa.
- ?
- Calabresa.
- E ?
- A moda da casa.
- Acho que pela lógica que está acontecendo aqui, nem precisa perguntar qual você vai querer né, ?
- HAHA, eu também quero a moda da casa.
- Ainda bem que não teve cinco escolhas de sabores diferentes, porque eu não saberia como desempatar.
Fizemos os pedidos para a garçonete. E todos os casais estavam conversando, meio que no pé do ouvido, mas estavam.
- Eai , gostou do ensaio? Acha que somos bons?
- Ah, nem gostei do ensaio não viu... - me olhou com uma cara de cão sem dono – Eu simplesmente ADOREI, vocês são realmente bons, e vão brilhar por onde passarem.
estava quase rasgando a boca de tanto sorrir, ele apenas veio na minha direção e me beijou, escutei um ‘AAAH QUE BONITINHO’ vindo da mesa, mais não liguei.
- Isso me deixa muito feliz em saber. – Ele tentava falar no meio do beijo.
- O , está vendo aquele prédio com estrelas piscantes logo aqui em frente? É um Motel, vai pra lá vai.
deu um murro no ombro do
- Ain doeu, seu viado.
- Chega os dois, se não eu vou colocar de castigo.
- disse . - CALA A BOCA! – e falaram juntos, mas depois já estavam rindo.
- O que vocês vão querer para beber? - A garçonete voltou a mesa para anotar mais pedidos.
- Para nós cinco uma coca-cola, fala ai o que você quer, porque você sempre muda, e a e a também, porque eu não sei o que vocês gostam.
- Eu quero também uma coca-cola. – disse à garçonete.
- Eu quero um suco de abacaxi. – MEDO, eu e o falamos juntos.
- Okay, já vou trazer seus pedidos.
Não demorou muito e as bebidas já estavam na mesa, e depois de uns 10 minutos a pizza chegou, estava com uma cara muito boa. Comemos muito, me senti com uma culpa enorme depois que eu havia terminado de comer.
- , tem uma praça muito linda aqui perto, quer ir?
- Quero sim. – sorri.
- Então, alguém vai querer mais alguma coisa?
Todos só tinham força para balançar a cabeça com um ‘não’.
- , eu vou ficar com seu carro, porque eu não vou pra casa agora, pode ser?
ia dizer não, mas o fez uma cara de gato do Shrek, que ele acabou deixando e entregou a chave do carro para o .
- Bem galera linda do meu Brasil, eu vou pra outro lugar agora, até amanhã.
- Ah gostou da minha idéia do cinco estrelas!
- CALA A BOCA IDIOTA.
- Não comecem vocês dois.
Me despedi de todos que estavam na mesa, o fez o mesmo, e entramos no carro, não demorou nem 5 minutos estávamos na tal praça.
Era realmente linda, tinha umas árvores ao seu redor, no meio havia um lago, que estava muito iluminado. Saímos do carro e ele me deu a mão, sorri, e apenas o segui, ficamos em baixo de uma árvore, sentados. Encostei minha cabeça no ombro dele e fiquei olhando o céu, por incrível que parece havia algumas estrelas, a noite estava linda.
- Gostou amor?
- Adorei, aqui realmente é lindo.
- Não tão linda como você... – essa cantada é velha, mas eu gostei.
Ficamos adimirando as pessoas que passavam na nossa frente, 90% eram casais, os outros 10% solteiros em busca de alguém. Senti um vento gelado, fiquei toda arrepiada e com frio, , cavalheiro como sempre, tirou o casaco dele e colocou em mim, fazendo eu me aconchegar mais ainda nos seus braços. Toda vez que ele olhava pra mim eu ficava mole, típica adolescente apaixonada e boba. Mas aquele olhar dele era sincero, ele ficou olhando pra mim um bom tempo, até que eu havia me tocado, e o olhei, dei um mega sorriso, que nos fez rir. suas mãos estavam passando pelo meu cabelo.
- Que cabelo macio. – ele colocou seu nariz no meu pescoço e cheirou o meu cabelo, nem preciso dizer que eu fiquei toda arrepiada certo? – Nossa, ainda está com frio? – deu um sorriso maroto – Deixa que eu vou te esquentar. – Sua mão estava já na minha cabeça, a outra estava na minha cintura, seus lábios estavam cada vez mais pertos, sentia sua respiração, coloquei minha mão na cabeça dele e fui trazendo ele para perto de mim, e em um impulso involuntário, ou nem tanto, estávamos nos beijando, o beijo dele era com certeza o melhor. Santa árvore que eu estava encostada, se não fosse ela estaríamos deitados na grama, e não ia ser legal para quem passasse e visse aquilo, começou a chover forte, mas quem estava ligando? Eu que não era. Nós continuamos o nosso longo beijo, suas mãos queriam tirar minha camisa que estava molhada, mas eu apenas balançava com a cabeça que não. Depois de algum tempo o ar já estava faltando, e paramos, ele olhou para mim e arregalou os olhos, eu não estava entendendo, devia estar com uma cara de interrogação muito grande. Apenas fui entender o que era quando ele deu um sorriso de lado e mordeu o canto inferior do lábio, era a minha blusa que estava molhada e transparente por ser branca, e para ajudar meu sutiã era preto. Juro que coloquei aquela roupa na maior das boas intenções, nunca pensei que ia ficar molhada e meu lindo sutiã preto ia se destacar, nem preciso dizer que eu fiquei com vergonha? Acho que não... fechei o zíper do casado dele até em cima, e ele fez cara de desapontado.
Um vento MUITO chato começou a passar por ali, e ainda estava chovendo, eu estava tremendo muito, e o também.
- Melhor nós irmos embora!
- Também acho. – Fomos até o carro e entramos – NOSSA, o nem vai matar a gente por causa disso.
- Relaxa , eu te defendo, e aliás, ele já fez coisa pior aqui... – Olhamos para o banco de traz, fiz uma cara de nojo. - Olha só, vou te avisar, que se eu pegar pneumonia a culpa vai ser sua!
- Mas, mas, ...
- , relaxa, antes eu do que você.
Apenas deu um MEGA sorriso.
- Seus amigos são legais, gostei deles.
- Que bom, mas olha lá enhê, não vai me trair.
- Pode ter certeza que isso é a última coisa que eu vou fazer.
- Eu também, pode sempre confiar em mim, e sempre que precisar de um ombro amigo, eu estarei do seu lado – me deu um selinho e voltou a dirigir.
- Você também ok?
- Valeu linda.
- Será que tem como chover mais?
- Ah, acho que tem! Mas não se preocupe, tenho um barquinho em casa, ai nós navegamos pela grande São Paulo.
- Sério , que você tem um barquinho?
- Um dia ainda vou ter! – risos – Chegamos, entregue bem salva na sua casa.
- Você não quer entrar? Eu acho que devo ter roupa do meu pai perdida aqui em casa, mais se não tiver tem uns moletons da minha mãe e até meu que servirá em você!
- Já que você insiste tanto, eu vou entrar.
Ele estacionou o carro bem em frente a minha casa e lá fomos nós pela chuva até o portão da minha casa, quase que eu escorrego BONITO ali, mas eu consegui me equilibrar, no carro do tinha de TUDO, acredite em mim, quando eu falo TUDO, era tudo mesmo, melhor nem comentar.
Entramos correndo dentro de casa, fechei a porta e acendi a luz, estávamos parecendo ursinhos de pelúcia molhado, aquela coisa lambida e pingando, não ia subir para o quarto daquele jeito, que além de manchar o chão, quando minha mãe chegasse em casa iria me matar, tirei meu tênis, a meia, e fui indo pra cozinha, o fez a mesma coisa.
- Caraca, que chão gelado.
- Demais, nunca pensei que meu chão era tão frio – Fui até a área de serviço e peguei uns panos, secamos nossos pés, sei que não ia ajudar muito porque eu e ele estávamos pingando mais era melhor que nada, tirei o casado do e coloquei em cima da maquina, parecia que a blusa havia se fundido comigo, molhado era pouco.
- Vem comigo, vamos nos trocar e coloca uma roupa mais quentinha. – Subimos até meu quarto, abri meu armário, tentava achar alguma coisa que o poderia usar, achei um moletom meu antigo preto, e uma calça de moletom do meu pai bem grande que eu usava como pijama, e entreguei para ele, junto com uma toalha.
- Se você quiser tomar banho, pode ir, eu tomo no banheiro que tem no quarto da minha mãe.
- Eu vou tomar banho então, estou morrendo mesmo de frio – comecei a pegar minha roupa no armário, e quando me viro ele já estava sem camisa, olhei rápido, fiquei rosa, e sai andando em direção ao banheiro da minha mãe, apenas escutei ele rindo.
Banho quente é a melhor coisa que tem, tirando que resseca a pele, é uma delícia, a água estava quentinha. Terminei o banho coloquei meu pijama do Pernalonga, era uma gracinha, coloquei meu chinelo quentinho, enrolei a tolha no meu cabelo e fui para o meu quarto, o ainda estava tomando banho, deitei na cama, estava tão confortável, fiquei com os olhos fechados pensando em tudo que estava acontecendo e no quão incrível era tudo que eu estava vivendo. Escutei a porta do banheiro abrir, mas estava viajando demais nos meus pensamentos, senti alguém sentar, subir, sei lá, alguém na minha cama, abri os olhos rápidos e era o que estava do meu lado me olhando, senti um frio na barriga, sorri para ele e sentei na cama, ele veio se aproximando de mim, chegou bem perto do meu ouvido.
- O quão incrível foi eu conhecer você? - Senti um arrepio e logo pensei ‘será que ele tomou um choque com o secador e agora escuta o que as mulheres pensam?’ no mesmo minuto ele veio e começou a me beijar, suas mãos passavam pelas minhas costas e pernas, ele começou a me inclinar na cama, ficando em cima de mim, coloquei uma de minhas mãos dentro do moletom dele, e como estava gelada senti ele se arrepiando. Ele não ficou para trás e colocou as mãos em baixo da minha blusa, os beijos ficavam cada vez mais intensos, nada mais importava naquele momento, e eu não iria me responsabilizar pelos meus atos. Senti um frio na minha barriga, ele estava tirando a minha camisa, depois de algum tempo as roupas estavam espalhadas pelo quarto.
Capítulo 5
- , , – senti alguma coisa me cutucando, abri os olhos, tudo ainda estava embaçado. Forcei um pouco a vista e vi ao meu lado me chamando – Bom dia, Bela Adormecida! Desculpa estar te chamando a essa hora, mas eu preciso me arrumar para o ensaio e não queria ir embora sem te falar tchau.
- Bom dia... – sentei na cama – Ah, tudo bem, mas que horas são?
- 11 horas.
- Okay, vai dar tempo, tudo sobre controle.
- Então , o show vai ser às sete horas, só que tem toda a produção antes, a passagem de som, e tudo isso!
- Te entendo, então vamos tomar café – me enrolei no lençol e fui caçando minhas roupas, descemos e tomamos um gostoso café da manhã.
– Te acompanho até a porta – disse enquanto íamos em direção a ela. me encostou na parede e colocou um dos braços por cima do meu ombro.
- Te pego às cinco horas, gata – deu uma piscadinha e acabamos rindo.
- Vou estar te esperando – ele me deu um selinho e foi em direção ao carro.
Fechei a porta de casa e fiquei uns cinco minutos olhando para o teto, sorrindo feito uma besta. “Okay , acorda pra vida, baby! Vamos lá, um, dois...” e saí do meu transe. Nossa... A casa estava tão vazia. Durante as semanas que vão vir minha mãe vai ficar na minha tia, e eu sozinha nessa casa enorme!
Alguém estava tocando a campainha freneticamente.
- JÁ VAI – dei um berro e me virei para abri-la, ainda estava parada ali na frente.
- OI DO MEU CORAÇÃO! Vim aqui te fazer companhia - foi entrando na minha casa, estava com uma mala de carrinho e uma mochila - Sei que você vai ficar alguns dias sozinha, então vou morar aqui alguns dias. - sorriu - Aliás, não estou atrapalhando nada, né? – ela inclinou a cabeça olhando para os quartos.
- Não, sua besta - rimos – Estou sozinha... Eleacaboudeirembora.
- AAAAAH! QUE LINDO ISSO, !
- Anyway, vai se arrumando aí, coloca suas coisas em qualquer quarto lá em cima. Você vai ao show dos meninos hoje?
- Vou sim, o vai me pegar, tenho que avisar que estou aqui.
- O também vai vir me pegar, vai com a gente.
- É capaz de eles irem juntos, vou conversar direitinho com o .
- Ok.
Ficamos o dia inteiro fofocando, na frente da TV vendo filme, comendo pipoca, rindo e falando besteira. Quando era quase quatro horas acordamos para a vida e fomos nos arrumar.
Eu estava vestindo uma regata branca, um shorts e meu All Star. A estava com um vestido esportivo vermelho e sua inseparável Melissa. Estávamos arrasando.
- , eu acho que não vou esperar eles passarem aqui, estou querendo dar uma volta, respirar ar fresco e pensar na vida, pode ser? Quando o passar aqui, provavelmente o vai estar com ele, então você vai com eles e nos vemos no show!
- Tudo bem, gata. Vai lá, vou dar uma arrumada aqui na bagunça então, até a hora do show. – Fui saindo da minha casa jogando um beijo no ar para a .
Não sabia o que eu estava sentido, não conseguia perceber se era bom ou ruim. Mas sabe quando você acorda com AQUELA sensação? Pois é, estava assim.
Já tinha andando uma, duas, três quadras e estava longe de chegar ao local do show. Comecei a me arrepender de não ter esperado com a . Virei a esquina e vi o carro do parado; não tinha como me confundir, com toda a certeza era o carro dele. Ainda não estava escuro e a luz que havia dentro do carro estava acesa; havia alguém lá dentro. Olhei no relógio e ainda era 4h30min, ele deveria estar indo me buscar.
- Está perdido aqui, querido? Minha casa... – abri a porta do passageiro para surpreendê-lo, só que acabei me surpreendendo também, não consegui terminar a frase.
- ? ! ! – me olhou com cara de assustado e a minha cara não poderia estar diferente – Eu posso explicar...
Ele não estava sozinho no carro, havia outra pessoa que estava quase o engolindo se não fosse eu abrir aquela porta. Oh, salvei a vida dele, hein! Não.
- O que você pode explicar? Explicar que dormiu com uma mulher na noite passada e agora está quase comendo outra? É isso que você pode explicar? Acho que é melhor você poupar algumas palavras, eu já entendi tudo. – Fechei a porta do carro com toda a minha força e saí correndo, sem rumo, chorando desesperadamente. Estava desolada, eu já não deveria ter aprendido a lição? Estava virando em alguma rua quando um carro freou com tudo na minha frente. Fechei os olhos e parei, esperando o pior. Quando abri os olhos vi e descendo do carro e vindo na minha direção, estava tudo bem comigo. Quase tudo bem.
- , você está chorando? Eu machuquei você? – perguntou com um ar de desespero, com medo de ter me machucado.
- Não, eu estou bem...
- Não , você não está bem, você está chorando! Olhos inchados e o rosto vermelho. O que aconteceu? – Sentei na guia da rua, coloquei as mãos sobre o joelho, abaixei a cabeça e contei tudo o que aconteceu. Comecei a chorar novamente, só que dessa vez era choro de desgosto.
- Eu não acredito que ele foi capaz de fazer isso, não acredito.
- Infelizmente ele sempre foi assim, mulherengo. Só que de uns tempos para cá ele tinha melhorado, eu e os meninos da banda percebemos isso.
- Você quer ir para casa, ?
- Eu vou com você, . Quero ficar ao lado da minha amiga hoje.
- Mas se você quiser vamos pra sua casa, o vai entender, não é amor?
- Claro!
- Não quero estragar a noite de ninguém, já basta a minha, vamos todos juntos. – Estava tentando parar de chorar, algumas lágrimas ainda caíam involuntariamente.
Entramos no carro e fomos em direção ao show, já estava quase na hora e o estava um pouco atrasado devido ao que aconteceu. Ele entrou na frente e a terminou de estacionar o carro. Entramos pela entrada principal, havia muitas pessoas espalhadas lá dentro e algumas com alguns cartazes com o nome da banda. Procuramos um lugar “confortável” para ficar durante o show e acabamos ficando ao fundo, encostadas na parede, não era um lugar muito grande.
O show começou e várias pessoas foram se espremendo na frente. Ficamos apenas nós duas lá no fundo, a maioria dos fãs eram meninas e os gritos de histeria estavam dominando o show. Não conseguia olhar para o sem sentir vontade de chorar; não estava bem, eu queria matá-lo e sumir ao mesmo tempo. Para falar a verdade, não sabia o que eu queria.
- , eu vou para alguma mesinha que eu achar vazia, a gente se encontra no final do show, pode ser?
- Pode sim , se você não se sentir bem de ficar aqui, me fala que vamos embora.
- Okay, eu vou ficar bem. – Procurei a mesa mais próxima e me sentei, já não estava mais vendo o palco, mas escutava perfeitamente tudo. As horas foram passando e o fim do show se aproximava. tomou a vez no microfone.
- Agora vamos cantar uma música que fez a diferença na minha vida, fez eu conhecer uma pessoa especial e que eu acabei não dando o valor que ela merecia, cometi um erro terrível e que estou arrependido, triste de ter feito ela chorar, triste de ter estragado tudo e fazê-la sofrer. Queria dizer que se ela estiver escutando isso, saiba que eu a amo demais, que ela supera todas as mulheres que eu já conheci, fez meus últimos dias valerem à pena e se tornarem inesquecíveis. E quem disse que todos os acidentes vêm para o mal?
“So she said what's the problem baby
What's the problem I don't know
Well maybe I'm in love
Think about it every time
I think about it
Can't stop thinking 'bout it”
Me levantei, depois de escutar tudo isso fiquei um pouco zonza, fui em direção a , estava novamente chorando, mil coisas estavam passando pela minha cabeça. Aquilo foi fofo, só que não explicava o que aconteceu no carro. Fiquei o olhando fixamente, chorando.
“How much longer will it take to cure this
Just to cure it cause I can't ignore it if it's love
Makes me wanna turn around and face me but I don't know nothing 'bout love”
Ele conseguiu me achar no meio de todas aquelas pessoas, apenas fixou seus olhos em mim e começou a cantar para mim. Algumas fãs estavam procurando para onde ele tanto olhava, felizmente não acharam; eu gostava da minha vida apesar de tudo!
- , você VAI falar com ele depois do show. Isso foi lindo, mesmo que vocês não voltem a se falar nunca mais ele deve ter uma explicação muito boa e você vai escutar tudo o que ele tem a dizer.
- Só sei que não quero sofrer de novo. – Ficamos conversando o resto da música inteira, ainda algumas lágrimas escorriam pelo meu rosto.
“Love... I'm in Love”
O show acabou e a praticamente me arrastou até o camarim, ela sabia que eu precisava falar com ele. Entrei no camarim com a e ela foi em direção ao , e , que estavam sentados no sofá conversando sobre alguma coisa. Olhei ao redor e não achei o que queria. Aonde será que estava o ? Beijando, ou melhor, engolindo outra menina qualquer? Todas aquelas palavras no palco foram apenas da boca para fora? Fui em direção a e o e fiquei de frente para eles.
- Isso é perda de tempo, você pode ter certeza que ele já foi embora para encontrar aquela vadiazinha do carro, vamos embora POR FAVOR? – Já estava aumentando o tom da voz e quase começando a chorar novamente. – Te espero lá fora. Quando virei, ele estava parado atrás de mim, tirou um pedaço de papel do bolso sem falar nada, olhou dentro dos meus olhos e começou a cantar:
“Faz muito tempo amor que eu 'tô te esperando, que eu já não sei mais o que fazer que de mim, nossos sonhos, nossas vidas se acabando enquanto você não está aqui. Não é difícil saber que eu te quero tanto, cada minuto é mais que um dia sem você, e o meu amor aumenta a cada instante e eu não consigo esquecer. Sem você não dá, não dá pra ficar, porque no meu coração você está.”
- Estava tentando escrever alguma coisa para me desculpar, para te mostrar que eu realmente amo você, me importo com você. E o que eu fiz hoje realmente foi a coisa mais imbecil que eu já fiz em toda minha vida. Arrisquei perder a pessoa que eu mais amei até hoje e a que fez eu desde o início sentir que tudo isso ia ser diferente...
- Então por que fez? Eu abri meu coração para você, contei tudo o que já aconteceu comigo e o medo de que tudo se repetisse e você fez a coisa que eu mais tinha medo...
- Eu te entendo, sei que se você sair por essa porta e nunca mais quiser me ver, eu vou te entender, que eu fui idiota de não dar valor a quem estava ao meu lado. Não sei te explicar o porquê fiz aquilo, foi impulso, ela era uma amiga minha de alguns anos atrás, a encontrei na rua, acabou que ela entrou no carro para conversar e quando vi estávamos nos beijando. Pensei em você o tempo todo. Quando acordei para a vida, vi que tinha você e não queria a deixar ir embora. Mas foi tarde demais para mim, acho que estraguei tudo.
Todos estavam assistindo a nossa “terapia” e ninguém se atreveu a falar se quer uma palavra. Eu estava engolindo o choro, mas mesmo assim algumas lágrimas escorriam pelo meu rosto sem que eu percebesse. Ele se aproximou mais ainda de mim, me segurou pela cintura, cobri meu rosto com as duas mãos e comecei a chorar desesperadamente.
- Não queria te ver assim, sei que a culpa de tudo isso é minha, queria poder voltar no tempo e fazer aquilo nunca ter acontecido, quero te ver feliz em todos os momentos. Não sei mais o que eu posso fazer, só sei que um “me desculpe” não é o suficiente, posso te prometer que o de antigamente, aquele que olhava para todas as mulheres que tinha pela frente, morreu, e independente do que você diga ou faça esse de agora só terá olhos apenas para uma mulher e saiba que essa mulher é você. Mesmo que você saia por aquela porta sem me dar nenhuma satisfação, ninguém vai ser boa o suficiente como você foi para mim.
Minha cabeça estava pensando em mil coisas ao mesmo tempo e acho que a mais importante de todas elas foi “, ele pode estar sendo sincero, pode ter mudado e você só tem duas alternativas: sair por essa porta chorando, ligar a TV ao chegar em casa, colocar um filme de drama e se lamentar por tudo o que aconteceu, ou parar de chorar agora e arriscar nesse relacionamento, pois se todo mundo que brigar e não tentar se entender, ficar se lamentando e nunca se arriscar, nunca terão oportunidades iguais, e ótimas oportunidades não aparecem todo dia em um jornal”.
- Eu espero que você tenha mudado mesmo – tirei as mãos do rosto e olhei nos olhos dele – Eu te amo, e quero sempre estar ao seu lado, quero poder no final de tudo isso dizer que você foi o meu final feliz. – Ele me abraçou o mais forte que podia e me beijou, como se aquele fosse o nosso último beijo, nosso último momento juntos; um beijo de desculpa, um beijo de saudade, um beijo de alegria misturado com despedida, todos os sentimentos estavam valendo e posso dizer que aquele foi o melhor beijo de toda a minha vida.
10 anos depois...
- Mãe, vai logo, o caminhão já está querendo sair e isso não é um adeus. – Minha mãe descia as escadas um pouco desajeitada com um para secar as lágrimas de seu rosto em uma mão e na outra um porta retrato prateado com uma foto nossa.
- Filhinha, nunca imaginei que esse dia iria chegar, coloca isso em um lugar muito especial da sua casa. – me entregou o porta retrato – E você, senhor , cuide muito bem da minha filha, ela é uma menina de ouro.
- Sei muito bem disso – ele sorriu e me deu um selinho – Pode ficar tranquila que ela está em ótimas mãos.
- Tata... Eu vou sentir sua falta aqui em casa, vem me visitar todos os dias do mundo? – Guilherme abriu os braços, meio desajeitado, pulou em cima de mim e me deu um abraço apertado e gostoso, aquele que só crianças sabem dar.
– Ah, você pode ter certeza que eu vou vir aqui em casa sempre te ver, por que o que será que os monstros espaciais não irão aprontar se a gente não acabar com eles? – Todos riram.
- É para você sempre lembrar de mim. – ele me deu o urso dele, que brincava desde criança.
- Vou guardar com muito carinho. – Dei um beijo e um abraço nele, algumas lágrimas começaram a escorrer involuntariamente.
- Então, vamos? – O motorista do caminhão de mudança já estava nos chamando pela milésima vez.
- Vamos, vamos. – Eu e falamos juntos, dei alguns abraços desajeitados na minha mãe, nos despedimos e entramos no carro, colocando meus presentes no banco de trás.
- Tchau filha, tchau .
- Tchau, Tata. – Mandávamos vários beijos e “tchau” pela janela. Estávamos indo nos mudar, agora para a nossa própria casa que não ficava muito longe da minha antiga e nem da casa da e do , que foram morar juntos também.
- Quem diria que um dia estaríamos aqui?
- Pois é... Lar doce lar, é um novo recomeço para a gente.
- Sim, e estou feliz que seja ao seu lado.
O farol estava vermelho e ele aproveitou para me dar um beijo intenso, mas paramos logo para não atrapalhar o trânsito.
Quando percebi nós estávamos reparando a mesma coisa. Havia um hospital ao nosso lado direito e uma menina não muito atenta atravessando a rua, segurando algumas mochilas e sacolas nas mãos. O farol estava aberto para os carros e ela não reparou, seguiu reto, e o inevitável aconteceu: um carro a atropelou. Não foi muito forte a batida mas imediatamente o menino que estava dirigindo saiu para ver se ela estava bem, chamou alguns médicos e entrou no hospital com ela. Nós nos olhamos ao mesmo tempo.
- ... Eu espero que a música deles seja outra.
- Eu também, “Accidentally in Love” já tem dono. – Rimos e seguimos em direção a nossa casa.
n/a: Acho que tenho que começar pedindo desculpas pela demora, estava sem inspiração esse tempo todo e a escola não estava me ajudando muito D: Quero dizer obrigada a todos que acompanharam minha fanfic e sempre me motivaram a terminar. Obrigada minhas lindas amigas: Isabela (minha revisora VIP), Thaiz (minha critica), Lily (minha fã número um) e todas as fãs de Stevens que me disseram coisas fofas sobre a fic. Escutem a banda Stevens (www.myspace.com/stevens) e comentem pois vocês vão me deixar muito feliz. <3
Fechar a janela para voltar ao POP
Não acredito que minha mãe me convenceu a voltar para essa cidade horrível, estava tão bem passando minhas férias na casa da minha vó no Canadá, odeio São Paulo, além de fazer minha reniti atacar é um caos total.
- Sai da rua sua louca! - escutei uma voz e uma batida. Tudo ficou preto.
- Ai... onde eu estou? AAAAAAAAH! - dei um berro - Estou toda enfaixada.. onde estou? - já estava ficando estressada e olhava para os lados, aparentemente eu estava dentro de um hospital.
- Er... oi! Sem querer eu te atropelei com meu carro... mas olha, foi SEM querer! Me desculpe! - escutei uma voz falando, mas não conseguia ver quem era.
- É, sem querer, sei sei... sorte sua que eu não morri, e a propósito eu escutei do que você me chamou antes de quase me matar.
- O trânsito de São Paulo deixa qualquer um estressado, e se você tivesse morrido o que você ia fazer? - ele disse rindo.
- Eu ia vir de noite te assombrar. - sorri.
- Sabe que não é uma má idéia?
Fiquei toda sem graça, e sentia que eu estava rosa.
- Posso saber qual o nome da minha vítima?
- .
Um silêncio ficou no quarto do hospital.
- Sabia que minha mãe me deu um nome também?
- NOSSA DUDE, QUE MASSA! Imagina como seria se ela não tivesse dado um nome pra você!? - Não, eu não ia pergunta o nome dele.
- Além de estressada é mal educada.
- E me diga o que eu vou ganhar se souber o seu nome?
- Ah não sei, aí depende muito.
- Eu estou aqui, dentro de um quarto com o cara que tentou me MATAR, toda dolorida e enfaixada. Acho que não consigo pensar em mais nada.
- Eu entendo como você deve estar se sentindo, desculpa então.
Me virei pro lado oposto que ele estava e fiquei pensando se não ia me arrepender de não perguntar o nome dele.
- É !
- O que é ?
- Meu nome.
- Interessante.
- ... posso te chamar de ?
- Pode sim.
- Então, eu sei que você está muito estressada e tal, mas eu estou muito mal por ter te atropelado, ainda bem que você está viva, quando eu vi você deitada lá no chão, eu fiquei muito mal mesmo, no auge dos meus 18 anos eu não queria virar um assassino. E eu queria saber se tem alguma coisa que eu possa fazer por você.
- ... vou te chamar assim ok? Eu mal te conheço - já estava menos estressada - e agora minha cabeça está em pane e eu não estou pensando em nada que você possa fazer por mim.
- E se a gente combinasse de sair hoje?
- Só se for daqui para o Egito, aí você já me deixa no museu de múmias! - disse me virando para o lado que estava.
- Para de ser boba! Mas se você for uma múmia mesmo, você é a mais linda que eu conheço. JÁ SEI! Eu vou para a sua casa cuidar de você! Eu juro que não sou um tarado, psicopata.
- Olha lá, sou faixa preta em judô.
Alguém bateu na porta.
- ENTRA! - dei um berro de onde eu estava, mas foi até a porta e abriu.
- Olá Senhora , sou o Doutor Jacob! Pelo visto você já está bem melhor.
- Olá Doutor! É, estou sim, acho que estou, porque eu não vi como estava quando cheguei aqui.
- Ah você estava quase morrendo, sangue saindo de todos os lados.
Fiquei com cara de espanto olhando pro médico.
- Brincadeira! - dei uma risada muito sem graça - Você estava apenas machucada, com alguns arranhões digamos que 'feios' e desmaiada! - ele veio até mim, apertou meu pescoço, minha barriga, escutou meu coração - Você está bem melhor, você já pode ir embora, mas não esquecendo de tomar alguns antiinflamatórios no qual vão ajudar essas feridas ficarem boas logo e você também.
- Pode deixar doutor, eu vou cuidar dela - disse , fazendo cara de super herói depois de uma missão cumprida.
O médico entregou para ele um papel com alguns nomes de remédios anotado, logo em seguida se despediu e foi embora.
ficou parado ao pé da cama me olhando.
Alguém bateu na porta.
De novo.
- AH, ta de brincadeira? Não podemos mais ficar a sós? - disse e foi abrir a porta. Eu olhei pra ele e dei um sorriso de deboche.
- Oi, desculpa incomodar, mas vim aqui lhe dar uma injeção pra dor. Você só começará a tomar os remédios amanhã, e logo depois dessa injeção você está dispensada.
- Ah não enfermeira! Coitada dela, vai tomar injeção, não faz isso não, eu te imploro.
- , menos, muito menos, quase nada!
A enfermeira pegou meu braço tirou a injeção de um potinho que estava com ela e
- Ai, ai, ai, como arde!
- Pronto acabou! As faixas que estão no seu corpo já podem ser retiradas – sorriu e foi embora.
Comecei a me levantar da cama, estendeu a mão e me ajudou a sair dela, tirei as faixas, e fui em direção a minha bolsa que estava em uma mesinha. Em frente a essa mesa tinha um espelho, peguei a escova que tinha na minha bolsa e comecei a arrumar meu cabelo. estava atrás de mim me olhando, fiquei sem graça e abaixei a cabeça. Ele é um cavalheiro, me trouxe até aqui, ficou do meu lado o tempo todo e se preocupou comigo, ele é um fofo! Não ! Você não pode estar gostando dele, você nem o conhece, acorda para a realidade AGORA.
- Vamos ? – aquela voz linda interrompeu meus pensamentos – Eu te deixo em casa.
- Tudo bem!
Ele pegou na minha mão e fomos em direção à porta. Saímos do quarto e fomos até o elevador, estava mancando um pouco, apertei o botão com a minha mão livre, pois ainda estávamos de mãos dadas, o elevador chegou e entramos. Estávamos só nós dois no elevador e com o silêncio voltei a ter os meus pensamentos de antes. Tudo isso parece um sonho, mas eu sei que tudo isso vai acabar quando ele me deixar na porta de casa.
- Amor...
- Quem? EU? – Olhei para ele com cara de assustada.
- Não, o botão do elevador – ele largou a minha mão e foi pra perto do botão do elevador.
Olhei pra ele e comecei a rir da cara de safado dele para o botão.
- Lógico que é você ! – ele veio em minha direção e me abraçou.
- Que intimidade!
- Sim, já estou muito íntimo de você! Mas então, hoje eu vou na sua casa cuidar de você né?
O elevador chegou no estacionamento do hospital. Saímos e fomos em direção ao carro dele.
- Está bem, pode ir sim, vou ficar te esperando!
- Pode esperar que eu vou.
Entramos no carro dele.
- Qual o nome da sua rua?
- Rua Liverpool.
- Beleza.
ligou o radio baixinho e estava naquelas rádios que tocam os sucessos da época de nossos pais, avós, tataravôs, mais que simplesmente eu amo essas músicas antigas, e a música que estava tocando é uma das minhas favoritas e comecei a cantarolar.
"So she said what's the problem baby
What's the problem I don't know
Well maybe I'm in love (love)"
- Você gosta dessa música ?
- Amo, simplesmente linda – meus olhos deviam estar brilhando muito e começou a cantar.
‘How much longer will it take to cure this
Just to cure it cause I can't ignore it if it's love (love)
Makes me wanna turn around and face me but I don't know nothing 'bout love’
Ele parou de cantar e eu continuei.
"Come on, come on
Turn a little faster
Come on, come on
The world will follow after
Come on, come on"
E terminamos o refrão juntos
"Because everybody's after love"
# Flashback #
- , para de ser cega! Você acha que eu estaria falando isso pra você se fosse brincadeira? Isso é serio! Ele já te traiu embaixo do seu nariz, todo mundo sabe, MENOS VOCÊ! QUE INSISTE EM NÃO VER.
Estava aos prantos chorando, a já estava berrando tentando fazer com que eu estendesse alguns fatos, que eu insistia em omiti-los.
- Ele não está me traindo, eu confio nele.
- Confia? Então vem cá!
me puxou pelo braço, me levou até a cantina do colégio, ficamos atrás de umas pilastras que tinha lá, esperando dar o sinal para o intervalo, não demorou muito e o sinal tocou.
Nunca notei como minha escola tinha tanta gente.
- , olha, ali está o seu homem. apontou e lá estava ele com os amigos. Agora olha aquela menina loira que está bebendo água. Achou?
- Sim, sim, achei.
Fiquei olhando eles por um bom tempo, Daniel foi em direção a tal menina e segurou ela pela mão, até ai tudo bem. Eles foram saindo do refeitório para ninguém perceber, estavam indo para o pátio, onde havia menos pessoas. me puxou novamente pela mão e fomos atrás deles, estava me sentido uma espiã e não parava de chorar pensando em tudo que a havia me dito. Paramos novamente atrás de uma pilastra e ficamos olhando os dois por um bom tempo, eles conversavam, trocavam carinhos, e faltava pouco para eu aparecer lá e fazer o que eu devia ter feito há tempos.
Terminar com ele.
De repente os dois estavam aos beijos, eu não acreditava no que via, não parava de chorar, a me abraçou e pediu calma. Saí de trás da pilastra e fui em direção a eles, nenhum dos dois me viu pois estavam ocupados demais para ver o que estava acontecendo em volta. Uma hora Daniel precisava de ar e parou o beijo. Quando me viu ele estava com uma cara de que viu 10 fantasmas, se virou para mim e não conseguia falar nada.
- Vou aprender a ouvir mais as pessoas que me amam e parar de confiar nas que não merecem minha confiança.
- Não é nada disso que você está pensando.
- NÃO, NÃO É, EU ESTOU LOUCA E VENDO COISAS.
Terminei a frase e a única coisa que eu consegui fazer foi meter a mão na cara dele.
Me virei e desabei, fui em direção a e saímos o mais rápido possível daquele lugar, ainda bem que as férias estavam chegando.
Fiquei pensando bem, e acho que vou aceitar ir para o Canadá na casa da minha avó, vou me desligar um pouco de tudo que eu tenho aqui. Conversei com a sobre minha decisão e ela concordou. Passou um final de semana e eu já estava em terras canadenses, com certeza é outro ar.
Eu iria ficar lá por mais ou menos um mês e meio. Não deu nem duas semanas que eu havia chegado, minha mãe me liga aos prantos falando que eu tinha que voltar, pois a qualquer momento ela ia dar a luz, e estava com medo de que quando o momento chegasse ela estar sozinha em casa. Meu irmão estava trabalhando e com três crianças para cuidar, não sei porque ele quis ter tantos filhos, meus pais estavam divorciados e minha mãe não falava mais com meu pai, então a única salvadora era eu.
No outro dia que ela havia me ligado eu peguei um avião e voltei para o Brasil.
# End Flashback #
- , , !
- Oi, tudo bem? Onde eu estou? Nossa, desculpa, eu me perdi completamente em pensamentos. Aliás, você canta muito bem.
- Posso saber no que você estava pensando? Sério mesmo, pensei que você estava petrificada. Ah, valeu, que bom que você gostou.
- Eu estava pensando se eu trouxe a chave de casa, porque eu acho que não tem ninguém em casa, minha mãe deve estar na minha tia que fica do outro lado da cidade, o que resulta em ninguém em casa, e a chave que é bom eu acho que eu esqueci. E eu nem lembro se eu peguei.
- Como assim não pegou? , essa já é a rua da sua casa, agora fica na altura de qual número?
- É no 735, uma casa lilás que tem quase no final da rua. É uma longa história, hoje eu acabei de chegar do Canadá, eu estava na casa da minha avó, e minha mãe está prestes a ter um bebê por isso eu voltei. Ela havia me falado que esses dias ela tem ficado na casa da minha tia, mas ela não queria mais incomodar ela, por isso pediu pra eu voltar, e aqui estou eu, minha recepção foi a melhor de todas.
- Nossa, desculpa mesmo, eu não queria te atropelar no dia de ‘boas vindas de novo ao Brasil’
- Não foi nada, ainda vamos dar muita risada de tudo isso.
- Mas olha que legal, quase que você vai pro Egito.
Dei um tapa no ombro dele e começamos a rir.
- Chegamos.
Ele havia parado em frente da minha casa.
- Então, é aqui que eu moro, legal né? – dei uma risada besta.
- MÁGICO! Então, lá pelas sete eu posso vir aqui?
- Eu te espero.
Saí do carro e fui em direção a porta ainda caçando na bolsa a chave, mas era certeza que não estava lá. Lembrei do presente de natal da vovó, me abaixei do lado de umas pedras que enfeitavam o jardim e procurei uma pedra oca. me olhava do carro sem entender nada.
- ACHEI! – dei um belo berro, peguei a pedra e a abri. Tirei a chave, virei pro e mostrei que eu havia achado a chave, ele sorriu e eu dei um tchau com a mão me mandou um beijo. Abri a porta e entrei, assim que ele saiu com o carro.
Capítulo 2
Nada melhor que um banho agora, água, ficar relaxada e OMG! Eu deixei os remédios que eu precisava comprar com o . Se ele vier mesmo à noite eu tenho que lembrar de pedir a receita. Não sei porque, mas eu acho que ele não vai vir, então é melhor eu voltar no médico depois e pedir outra. Enfim, vamos focar agora no seu banho, .
Liguei o chuveiro, o barulho da água já me acalmava, estava com medo que ardesse os machucados, mas quem liga? O pior já passou. Entrei embaixo do chuveiro e algum barulho estava atrapalhando meus pensamentos e meu banho. QUE SACO! Meu celular estava tocando. Saí de baixo do chuveiro, o peguei dentro da minha bolsa e olhei no visor, era minha mãe. Se fosse qualquer outra pessoa eu iria ignorar. Desliguei o chuveiro e me enrolei na toalha. Atendi.
- Mamãe, tudo bem?
- Minha filha linda, tudo bem e com você?
- Eu estou ótima mamys.
- Você já chegou? Está tudo bem?
- Cheguei sim mãe, já estou em casa, e está sim tudo ótimo. – quem sabe depois que ela tiver o neném eu não conto pra ela tudo o que aconteceu. Porque sabe como é mãe né? Vai ficar preocupada e é melhor agora ela ficar sem preocupações.
- Eu estou aqui na sua tia, e daqui a pouco eu já vou para o hospital. Já vai nascer essa semana e o médico acha melhor eu ficar lá no quarto pra não correr riscos!
- Ain que lindo, meu irmãozinho está para nascer! Beleza mãe, você já pegou todas suas coisas? Precisa de mais alguma coisa? Quando chegar lá me liga e me fala o quarto que você vai ficar para eu ir ver você.
- Não se preocupe , eu já peguei tudo, está tudo aqui na sua tia, pode ficar tranqüila que eu e sua tia te manteremos informada de tudo que acontecer. - Ok mãe, eu vou agora tomar banho ok? Estou mega cansada.
- Vai lá amor. Beijos.
A água estava perfeita, um banho pra relaxar não tem nada melhor que isso. Saí do banho, os machucados estavam ardendo e eu não estava com as pomadas que eu precisava comprar. ÓTIMO. Coloquei um moletom do dálmata que minha mãe tinha e eu sempre pegava dela, uma calça jeans e me joguei no sofá. Liguei a TV e ficava trocando de canal, mas NADA de interessante. Deixei em um que falava de máquinas de suco que estavam à venda. E não é que aquilo prendia mesmo minha atenção?
Olhei para o relógio, eram 16 horas.
Estava quase cochilando quando meu telefone barulhento tocou, dei um pulo do sofá com o susto que tomei e cai de joelho do lado do telefone, peguei um pouco de ar para poder falar.
- Alô! – falei ainda tentando me recuperar do susto.
- , é a sua tia, tudo bem linda? Vai CORRENDO agora para o hospital, sua mãe passou mal e estamos indo para lá, capaz do seu irmão já estar a caminho.
- O que? Como? Mas já? Meu Deus! Minha mãe está bem?
- Ela estava pegando as coisas para irmos ao hospital, ela desmaiou e logo em seguida a bolsa estourou.
- Eu estou indo. Beijos.
Desliguei o telefone, estava mais ofegante que quando eu caí.
Peguei minha bolsa, soquei dentro dela algumas coisas importantes e comecei a busca da chave do carro. Olhava dentro do pote da cozinha e nada, embaixo das almofadas do sofá e nada. Corri para o quarto da minha mãe e lá estava a bonita, em cima da cama. Peguei correndo, desci até a garagem, liguei o carro e saí voando de casa. Tudo estava rodando.
Não , essa não é a hora de você desmaiar. Forcei bastante os olhos para poder enxergar alguma coisa. Vi uma sombra passando na frente do carro, não conseguiria desviar. Apenas quando cheguei mais perto vi que era o .
- , sai da frente!
ONDE EU ESTOU? Dei um pulo do sofá, estava quase sem ar, olhei para o relógio e era 19h30. Graças a campainha que tocou eu acordei. Que susto. Fiquei sentada no sofá olhando pro além. A CAMPAINHA. Fui em direção a porta e a abri.
- Onde você estava?
- Deitada... sofá... dormindo – tentava respirar e me recuperar do susto.
- Meu Deus, você está bem? – segurou no meu braço, já estava toda bamba, e me colocou sentada no sofá. – Onde tem água aqui?
- Olha aí depende muito de que tipo de água você vai querer. Tem dos vasos com as plantinhas, nas torneiras... está bem, eu paro – Apontei para uma porta que tinha logo em frente de onde eu estava sentada, ele foi lá e pegou um copo de água.
Tomei a água e comecei a explicar o que tinha acontecido.
- Eu vou tomar muito cuidado quando tiver andando na rua. Vai saber se você tem sede de vingança e aí já viu onde eu vou parar também. – começamos a rir.
- Pensei que você não ia vir.
- Mas eu vim. Aliás, aqui estão os seus remédios e pomadas. – Ele tirou do casaco uma sacolinha da farmácia e me entregou.
- Muito obrigada, mas não precisava.
- Que isso, foi um prazer.
Silêncio, silêncio e silêncio. Odeio essa palavra.
- MAS HOJE É DIA VIU! – o telefone tocou de novo, mas pensando bem uma vez que tocou foi no meu sonho. – Pois não?
- é a sua tia, estou aqui no hospital com sua mãe e seu irmão está chegando.
- NÃO ACREDITO! – dei um berro e derrubei a água em mim. – NÃO ACREDITO! – esse foi para água.
- Sim filha, vem logo para o hospital.
- Estou indo, beijos.
- Quem era ? – curioso nada né?
- Minha tia, meu irmão está chegando, vou precisar ir para o hospital.
- Eu te levo até lá.
- Então vamos!
- Er, você não está com um frio na sua barriga?
- NOSSA, que cabeça a minha, espera um minuto que eu vou pegar um outro moletom e já volto. – subi até o quarto de mamãe e abri o armário dela, pegando um outro moletom, dessa vez do Michael Jordan. Troquei rápido e desci.
- Hoje está sendo um dia bem agitado para você!
- É esta sendo mesmo, sempre é uma rotina os meus dias, levantar cedo, ir pra escola, prestar atenção nos professores chatos, chegar em casa, arrumar o quarto, e por aí vai. Hoje saiu totalmente da rotina, amo férias.
- Você está no ultimo ano do colégio já?
- Estou sim. Por um lado será ótimo, sem as pessoas que eu não gosto, mas por outro é horrível, todos nós vamos tomar rumos diferentes na vida e sabe-se lá quando vai ser a mesma coisa de antigamente – ligou o carro e fomos a caminho do hospital.
- Isso é verdade, eu terminei ano passado o meu, você não perde o ‘contato’ com aqueles seus verdadeiros amigos entende? Porque não fez nem um ano que eu terminei e tem pessoas que eu nunca mais falei depois da escola.
- , é no Hospital Central que minha mãe está, só pra você saber que se não a gente vai ficar sem rumo aqui. Então, mas é a dolorosa realidade isso. E falando em amigas verdadeiras, minhas amigas acham que eu ainda estou no Canadá. Mais tarde eu ligo para elas, ADORO acordar elas de noite ligando pra falar coisas inúteis.
- Que amiga essa que chega e nem avisa que chegou!
- E deu tempo de avisar, senhor ?
- Opa, claro que deu! Tirando a parte que você foi atropelada por um motorista sexy, quase foi pro Egito, que quase o mata em um sonho e agora seu irmão chegando... É, não deu tempo. – caímos na gargalhada. ligou o rádio, e começou a cantar.
- Você tem jeito que gosta muito do lado musical da vida.
- Obrigado, eu tenho uma banda, está começando agora.
- SÉRIO? Que legal! E qual o nome?
- Stevens!
- Criativo esse nome, você faz o que na banda?
- Foi o que eu disse HAHA. . Vai ter um show sábado agora, se você tiver afim de ir.
- Convencido nada! Que legal, eu quero sim. Aonde vai ser?
- Possivelmente em uma casa de show.
- NOSSA, que bom que não é em uma boate de stripper.
- Até que não ia ser uma má idéia.
- HÁ, super lugar agradável.
- Brincadeira! Então, não sei bem qual casa de show, mas até lá eu te falo.
- Beleza. Já tem alguma música de vocês na rádio?
- Tem sim, entrou semana passada.
- ADORO perder essas estréias em rádio. Mas eu já posso ter escutado, como é a música?
- “Parecia estar, numa nova era, na hora em que você me falou em parar, sei que onde estou, não é aonde espera, mas o que eu tinha pra você ninguém supera.” E assim vai.
- NOSSA EU CONHEÇO. Conhecer, conhecer não, mas quando eu estava no aeroporto para embarcar começou a tocar.
- Que demais! Você não faz idéia de como a gente fica feliz quando vê o nosso trabalho dando certo.
- Eu imagino.
- É aqui o hospital não é?
- Isso mesmo, tem um estacionamento virando a sua direita e indo reto, fica atrás do hospital.
Chegamos lá e fui em direção a recepção, a moça havia me dito que ela estava no 3º andar. Eu e o fomos em busca da mamãe. Assim que chegou no 3º andar e a porta abriu, eu vi minha tia andando de um lado para o outro segurando duas bolsas.
- O que está acontecendo? Minha mãe está bem? E o bebê?
- Está sim, o médico já está a preparando para ter o bebê. Estou aqui em nervos querendo saber se está tudo bem! E... quem é este que está com você?
- AH, é um amigo meu, . , essa é a minha tia Cristina, tia esse é meu amigo .
- Prazer – ambos se cumprimentaram. Eu comecei a ficar ansiosa e nervosa, meu estômago começou a revirar. Sentei ao lado de na sala de espera, minha tia não parava de andar de um lado pro outro, já estava imaginando um buraco se abrir naquele chão. Eu ainda sentia muito sono, o dia hoje nem foi corrido. Encostei minha cabeça no ombro do e acabei adormecendo.
Acordei com minha tia chorando e me cutucando.
- , , Linda, acorda flor, ! ACORDA SACO!
- O QUE TÁ PEGANDO FOGO?
- Bom dia querida! Você está em um hospital e dormiu no ombro do seu amigo, o coitado nem podia se mexer... Enfim, SEU IRMÃO NASCEU! SUA MÃE ESTÁ BEM E ELE TAMBÉM! O GUILHERME É A COISA MAIS LINDA DO MUNDO, ELE É TÃO PEQUENO!
- Jura tia? Que bom que ele é pequeno, já pensou se ele fosse grande? COITADA da mamãe! – todos que estavam perto riram. – E agora é minha vez de fazer escândalo. AH QUE LINDO! EU QUERO VER ELES, QUANDO ELES VÃO SAIR?
- HÁ, como você é engraçada. Ela vai ficar uns 4 dias aqui, fazer exames no bebê e as coisas chatas de sempre. Vai ali até o vidro que os médicos estão com o Guilherme.
Me levantei de onde eu estava e fui até o tal vidro que minha tia me falou, vendo me acompanhar.
E lá estava ele, uma gracinha. Fiquei ali alguns minutos olhando para ele.
- , você pode me deixar em casa?
- Lógico que eu vou deixar você na sua casa, nem precisa perguntar.
- Ain, valeu mesmo.
- Você já quer ir?
- Quero sim, estou cansada e nem vou poder ver minha mãe, porque ela está dormindo.
- Então vamos.
- Tia, eu e o estamos indo. Você vai passar a noite aqui?
- Vou sim, pode se divertir hoje.
- Minha diversão vai ser minha cama e meu travesseiro, não tenha dúvidas.
- Tchau , foi um prazer te conhecer!
- Igualmente.
Logo o elevador chegou e entramos nele.
- , vê se você se controla!
- Por quê? – Me olhou com cara de espanto.
- Porque os botões desse elevador são mais sexys que o do outro, eles são iluminados e maiores, e depois da sua paixão pelo do outro hospital, vai saber né.
Começamos a rir escandalosamente. Juro que quando entramos no elevador eu não havia notado no casal que estava ali. Só depois das besteiras que eu fui perceber, e ambos nos olhavam estranhamente. Se um dos dois pegar o celular eu ia ficar assustada, vai que ligam pro hospício! TENSO. O elevador chegou, saímos e fomos em direção ao estacionamento.
Chegamos no carro e ele não achava a chave.
- Você me viu fechando o carro ?
- Sinceramente? Não.
- CARAMBA.
- Que foi?
- Eu não sei como aconteceu, mas a chave está no lugar que eu menos queria que estivesse.
- ... AONDE VOCÊ ENFIOU A CHAVE?
- Calma! Que mente poluída.
- LÓGICO, do jeito que você me falou você acha que era pra eu pensar o que?
Começamos a rir, o sono já estava me deixando bêbada.
- A chave está trancada dentro do carro.
- E como ela se auto trancou lá dentro?
- Você pode ficar calma que ela não criou vida e pulou no pino se trancando lá dentro. Eu devo ter esquecido ela dentro do carro, e o meu carro quando fica desligado ele se fecha sozinho.
- Seu carro é do mal.
- Não é a primeira vez que acontece isso. Já tenho até uma chave reserva... mas está em casa.
- Então vamos pegar um táxi, ônibus ou qualquer coisa. Amanhã voltamos aqui e você pega o seu carro. Você mora muito longe da minha casa?
- Não, moro pertinho. É mais ou menos uns 20 minutos a pé da minha casa até a sua!
- Ah não é tão longe. Então vamos à busca de um lindo táxi.
Saímos de lá e ficamos andando, andando e andando e NADA de táxi. As ruas estavam desertas e medonhas, já era tarde.
- que horas são?
- Meia-noite.
- Você tá de brincadeira que já é essa hora?
- Não, não, é serio mesmo.
- Nossa, que tarde. As ruas estão me dando medo... em plena quinta-feira à meia-noite não tem muitas pessoas agradáveis em São Paulo caminhando.
- Isso é verdade... e essas ruas perto de avenidas é meio tenso mesmo. Mas não se preocupe, o seu super-herói está aqui pra te salvar de qualquer coisa.
- Me senti mais segura agora.
Ficamos conversando sobre VÁRIAS coisas. Time preferido, comida predileta, coisas bizarras que já aconteceu nas nossas lindas vidas, ele me contou do assedio das fãs, mas que também ele ama tudo isso. Quando o assunto acabou, nós conversamos sobre queijo. Isso mesmo, queijo. Queríamos ver se a teoria do filme ‘Ela é o cara’ dava certo.
- Chegamos! Você quiser entrar para comer alguma coisa? Você deve estar com fome.
- Ah valeu mesmo, a gente podia pedir uma pizza.
- Ótima idéia.
Cheguei em frente da porta para a abrir e senti falta de uma coisa.
- DROGA, DROGA, DROGA! Hoje não é meu dia, não mesmo.
- Não me diga que você...
- EXATAMENTE! Não só a chave, mas esqueci a bolsa no hospital. Agora me diz, como uma pessoa não percebe que esqueceu a bolsa? Se fosse uma bolsa pequena... Mas não era!
- Calma , não fica estressada. As coisas parecem só fica pior.
Abaixei e sentei-me ao lado da porta, encarando o nada. Estava com sono e nervosa por esquecer minha bolsa, feliz por ter ganhado um irmão e ainda com dor por ter sido atropelada. Várias coisas na minha cabeça, e a única coisa que eu queria era descansar um pouco.
Lágrimas involuntárias começaram a escorrer do meu rosto.
- Não chora, fica calma, tudo vai dar certo. – ele se abaixou ao meu lado e me abraçou.
- Não sei porque eu estou chorando, deve ser o cansaço. Mas eu não estou triste, não estou mesmo.
- “Espere aqui que eu posso até voltar atrás, não é tão sério, só o tempo traz, pra você, tudo o que passou e um pouco mais, daquela história e só você desfaz, o caminho que a gente andou, quando precisava de amor, e aqui era o nosso lugar, eu nunca fui mais que um sonhador, que espera o mundo mudar, mas hoje eu encontrei o amor, e não vou deixar escapar.”
Não sabia o que dizer, apenas fiquei olhando para ele, o olhar dele me hipnotizava.
- Toda música que eu escrevo, tem um propósito. Não é apenas porque a banda precisa de um single e essas coisas, mas essa foi em um momento ‘de bem com a vida’ que eu escrevi, e eu não sabia até agora o propósito dessa música. Mas acabei de achar ele, você.
passou uma de suas mãos pelo meu rosto, limpando a última lágrima que havia escorrido. Ficamos olhando um para o outro, sua mão ainda estava no meu rosto. Ele começou a se aproximar de mim.
- EAE ! TUDO BEM?
Uma luz forte e azul iluminou o bairro inteiro, ficando parada em frente da minha casa. Aliens? ET's? O.V.N.I's? Não, um carro e dentro possivelmente algum amigo do , porque conhecia o nome dele.
- ?
- É, eu vi você vindo, mas eu estava conversando com um pessoal... Quem é? - AH, essa é a . esse é o .
- Olá , vocês querem carona para algum lugar?
- , você não quer ir pra minha casa e lá você descansa e amanhã cedo a gente vai até o hospital, pega o carro e sua bolsa e todo mundo fica feliz?
- Pode ser! Mas não vai incomodar?
- Não mesmo, pode ter certeza.
- Queremos sim , me leva pra casa.
Entramos no carro, o foi de motorista, eu e o atrás. Ele estava me abraçando e eu olhando pela janela. Ele morava em um apartamento, era aconchegante, ele me disse que escolheu morar em um apartamento, pois ficaria mais perto dos ‘caras’ da banda. É, exatamente, toda a banda mora no prédio.
- Você mora sozinho?
- Não, moro com meu pai, mas ele é empresário de bandas e vive viajando.
- Nossa, um pai empresário, que legal.
- É, bem legal, ele viaja para uns lugares bem loucos.
Ele me mostrou onde era o quarto dele e me deu algumas peças de roupa para colocar. Fui até o banheiro dele e me troquei. Eu estava morrendo de fome, mas o cansaço falava mais alto.
- Você pode ficar no meu quarto que eu fico na sala.
- Ah que lindo você, a casa é sua, você fica no seu quarto e eu fico na sala, não tem problema.
- Mas você é visita, tem que se sentir bem!
- E quem disse que na sala eu vou me sentir mal?
- Tive uma idéia, vê se você topa. Eu coloco o colchão da cama de casal na sala e a gente dorme lá.
- Fechado.
Estava pronta pra ir dormir, o ajudei a levar o colchão na sala. Ele me entregou um travesseiro e uma manta, ajeitei em um pedaço do colchão e deitei. Ele logo estava arrumado e com as coisas dele do meu lado, deitou-se também e ficamos um olhando pra cara do outro. Meus olhos já estavam fechando, ele apenas me deu um beijo na testa e eu dormi.
Capítulo 3
- Bom dia, . Desculpa estar te acordando, é que os meninos me ligaram e falaram que vai ter um ensaio mais tarde.
- Oie, bom dia. Ah que isso, sem problemas. – acordei com o me chamando, olhei para o relógio que estava na mesinha e eram 9 horas. Me levantei, não queria pensar na situação que meu cabelo se encontrava. Fui em direção a ele e dei um beijo em sua bochecha de bom dia.
- Já preparei o nosso café, espero que tenha ficado bom. – comecei a rir da cara que ele fez.
- Eu acho que vai estar – fui com ele até a cozinha - E o que temos para o nosso banquete?
- Bem aqui estão os pães, mas aqui do lado esquerdo está o leite, o café e o chocolate, do lado direito estão as frutas e...
- HUM frutas, que menino mais saudável.
- Para você ver, tenho que me cuidar certo?
- Certíssimo.
- E para terminar...
- Rufem os tambores – ele começou a rir e eu comecei a fazer o barulho dos tambores.
- GELATINA!
- Está perfeito, boa escolha a sua, agora vamos comer?
- Vamos sim, sente-se.
Nos sentamos e começamos a atacar as coisas. Nossa, esse atacar parece que comemos como carnívoros que não vêm carne há um BOM tempo. Mas estava tudo ótimo.
- você não quer ir com a gente pro ensaio?
- Eu vou sim... mas será que dá tempo de eu ir em casa e me arrumar, tomar banho e etc? - Dá sim, a gente vai lá pelas duas, três horas. Então, está tudo azul.
- AE, agora a gente vai para o hospital pegar as nossas coisas certo?
- Exatamente. Nossa, esse pão com geléia está bom demais.
- Está bom mesmo, você já comeu bife à milanesa com geléia?
Um silêncio prosperou no lugar, e ele me olhou com uma cara muito esquisita, tipo 'ECA!'
- Que foi? Não me olha assim, um dia eu estava comendo bife e minha mãe havia feito goiabada, e eu apenas coloquei um pouco no bife, e ficou bom. – risos.
- Nossa, sério mesmo que ficou bom? Um dia eu vou experimentar, e se eu for parar no hospital a culpa vai ser totalmente sua! – gargalhadas.
- Pode deixar que eu assino o termo me responsabilizando. ... posso abusar de você mais um pouco?
- Sou todo seu!
Momento eu estou ROXA.
- Seguinte, como a gente vai para o hospital?
- Fácil, o vai levar a gente.
- Será que teria como ele me levar para um lugar antes? Preciso encontrar uma pessoa! A minha amiga, lembra? A que eu te falei que eu não tinha falado com ela ainda que eu cheguei aqui no Brasil, queria só fazer uma surpresa para ela. Tudo bem?
- Lógico que está tudo bem, eu peço pro levar a gente. É tão lindo esses encontros.
- Ah valeu! – pulei em cima dele e o abracei. Foi tudo em um impulso. No mesmo momento que percebi o que havia feito, eu voltei logo ao meu lugar e enfiei uma colher de gelatina na boca, encarando o azulejo que estava na minha frente.
- Hey, você não fez nada de mais. Vem cá, me dá um abraço. – ele me apertou de um jeito que se eu não tivesse engolido a gelatina ela sairia.
- Ouun que fofo. Bom, eu vou agora me trocar para não atrasar nada.
- Beleza, vai lá. – ele me deu um beijo bem no canto da boca, o olhei e sorri. Fui até onde estavam as roupas, as peguei e me troquei. Não deu 10 minutos e já estava pronta.
- Nós já vamos ?
- Sim, sim, o está no carro esperando a gente já.
Descemos até o lindo carro do .
- BOM DIA AMORES!
- Bom dia ! – falamos juntos.
- E essa sua animação incrível?
- São raros os dias que eu acordo assim , então aproveite.
Vi o dando um soco no ombro dele.
- Brincadeira , credo que estresse.
- Eu não estou estressado.
- , o me falou que você vai passar na casa da sua amiga, onde fica?
- Bom, sabe a Liverpool? - ele concordou - Você vai até o final e vira a sua esquerda, você vai entrar na Atlântica, é no número 95, bem no início.
- Ok, já sei onde fica. E eu vou hoje de motorista que nem ontem?
- Vai sim. – deu alguns tapinhas no ombro dele e deu um grande sorriso.
Fomos todos conversando sobre o tempo, músicas, vida, e mais algumas coisas. Ele parou em frente a casa da , desci do carro com o e o logo logo desceu também.
Fui até a porta dela e fiquei parada na frente, o e o ficaram conversando do lado do carro. Toquei a campainha e nada de . Toquei de novo e nada. Comecei a apertar freneticamente o botão da campainha dela, até que escutei alguma voz murmurando, cada vez ficando mais alta e mais próxima, até que eu escutei alguma coisa berrando de lá de dentro da casa coisas como: ‘SE FOR ALGUÉM VENDENDO ALGUMA COISA, EU VOU ENFIAR ESSA COISA EM UM LUGAR MUITO ESCURO’, ‘AINDA É DE MADRUGADA, EU VOU MATAR A PESSOA QUE ESTIVER...’ Ela abriu a porta e deu um berro, pulando em cima de mim.
- AAAH SUA VACA! VOCÊ JÁ ESTÁ AQUI, NÃO ACREDITO! QUE LINDA, QUE LINDA, AH QUE SAUDADE! – comecei a perder o equilíbrio e fui indo para trás até que caí no chão com ela em cima de mim. O e o estavam se matando de rir, e eu e a também estávamos rindo. Eles vieram até onde estávamos caídas e o deu a mão para ajudar a a se levantar e o me ajudou a levantar.
- E quem são esses? SE VOCÊS FOREM ME VENDER ALGUMA COISA...
- Calma aí , eles não vão te vender nada, fica calma. Esse aqui é o , mas pode chamar de . E esse aqui é o...
- Eu sou o , muito prazer. – ficou na frente dela e a cumprimentou.
- Eu sou a , mas pode me chamar de . Prazer.
- , eu vou agora com o no hospital e
- VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA?
- Não , vai dormir vai! Minha mãe já teve o neném.
- AH QUE LINDO!
- Então, e eu esqueci minha bolsa lá, e o trancou a chave dentro do carro, estamos indo lá resgatar nossas coisas.
- Nossa mas já? Não querem tomar café? – reparei que as pessoas que passavam na rua olhavam com uma cara estranha pra gente. Foi quando eu vi que a estava de pijama e com uma pantufa do patolino no pé.
- , acho que seu modelito está sendo atração aqui na sua rua.
- Lógico , última geração. Mas então, vocês já vão?
- EU TIVE UMA IDEIA! - berrou .
- Lá vem, as ideias do me assustam às vezes.
- Cala boca , as suas também não são lá essas coisas. Mas é o seguinte, você tem carro ?
- Tenho, está na garagem.
- Perfeito, eu fico aqui com a , vocês vão com o meu carro e lá volta cada um em um carro.
- Não , muito complicado! Por que a não vai com a gente até o hospital?
- É, essa ia ser minha segunda ideia.
- Ok, eu vou, esperem um segundo que eu vou colocar uma roupa.
subiu até o quarto dela enquanto o começou a me contar uns sujos do , eu não parava de rir. estava olhando para o azul do céu e não entendendo nada do que eu e o estávamos falando.
- A vai demorar um século, ela sempre demora...
- CHEGUEI \O/
Puxei o para perto de mim e cochichei.
- Eu não acredito, o fez um milagre acontecer! – risos.
- Então vamos moçada linda?
- Yeap ! – como sempre, sentei atrás com o , mas dessa vez o não foi como motorista, a estava ao lado dele.
- , você chamou a para ir ao ensaio?
- Chamei sim, e ela vai.
- Então , você quer ir também?
- Você tem uma banda?
- Não, não , ele trabalha em um circo e hoje vai lá ensaiar com os leões.
- Besta, mas então você tem uma banda?
- Tenho sim, eu sou o . Aí hoje vai ter o último ensaio antes do show de sábado, er.. amanhã. Você quer ir ao show também?
- Nossa, esses meus dias tediosos dentro de casa vão mudar, adoro sair! Vou sim.
e ficaram conversando lá na frente, e eu e o no banco de trás.
- , posso te contar um negócio?
- Lógico, fala aí.
- Conhecer você foi uma das coisas mas incríveis que me aconteceu, não estou blefando, sério mesmo. Você é simpática, linda, engraçada, cara... você é foda.
- E eu posso te contar uma coisa também?
- Pode. – começamos a rir, sim, somos pessoas felizes.
- Conhecer você também foi uma das coisas mais incríveis que me aconteceu, e o jeito que eu te conheci foi hilário! Vou te contar um segredo... você também é foda.
Senti sua mão passando pelos meus cabelos, o olhar dele estava me deixando hipnotizada, seu rosto foi se aproximando do meu e
- VAI PRA P&T@ QUE PARIU, ! Porque você jogou SEU casaco aqui atrás?
- Eu atrapalhei algo? NOSSA! Desculpa mesmo, eu o tirei e pensei que... que... e joguei. – não parava de rir, ao contrário do que estava olhando pra ele com uma cara ‘você é um homem morto’ – Enfim, nós chegamos no hospital, você quer que eu espere ou vai voltar com o seu carro?
- EU VOLTO COM O MEU! – desceu do carro me puxando, apenas mandei um beijo no ar me despedindo da e do .
- Calma ! Respira, inspira, respira, inspira... deixa ele pra lá.
- Bom dia, onde você gostaria de ir? - perguntou a recepcionista assim que chegamos no hall principal do hospital.
- Bom dia, onde está Silvana Aparecida? Eu sou filha dela e a vim ver, ela teve bebê ontem.
- Ah, pode subir no 4º andar, ela já está no quarto.
- Obrigada.
Subimos até o 4º andar, fui olhando as portas e vendo se achava o lindo nome do meu irmão. Era quase uma das últimas portas, mas finalmente achei. Minha tia estava acordada vendo TV e minha mãe dormindo. - Olá minha linda, oi , tudo bem com vocês?
- Tudo ótimo com a gente, e ela passou bem a noite? - perguntei.
- Passou sim, a anestesia ainda está com efeito, acordou de noite e dormiu de novo. Aliás, você esqueceu sua bolsa aqui.
- É, eu sei. – peguei minha bolsa e dei uma olhada na minha mãe dormindo. – Tia, nós já vamos indo. Você quer que eu venha mais tarde para você ir para sua casa?
- Não precisa, o médico falou que os exames do neném vão sair hoje, e dependendo de tudo nós voltamos hoje mesmo para casa.
- Ah então beleza, me liga se precisar de qualquer coisa.
Saímos do quarto e agora fomos em busca do carro do . E lá estava ele, parado no mesmo lugar.
- Meu carro, que saudades.
- Que amor pelo carro. – comecei a rir da cara dele.
Ele pegou a chave reserva do bolso dele e abriu o carro. Entramos e fomos em rumo a minha casa.
- Agora você vai me deixar em casa e quando for umas duas horas eu vou para o ensaio?
- Isso mesmo... Hey, você já não quer ir com a gente para o ensaio? Eu passo aqui e pego você e a , aí você já conhece os outros integrantes da banda!
- Pode ser... Eu nem estou te dando trabalho esses dois dias.
- Mas sabe que eu estou gostando?
Estávamos quase chegando em casa e ele ligou o rádio.
"Come on, come on
Turn a little faster
Come on, come on
The world will follow after
Come on, come on"
- NOSSA, essa música gosta da gente! Nunca vou esquecer dela.
- Com certeza, essa música vai ficar para sempre marcada. – ele havia encostado já o carro em frente da minha casa. – Que tal continuarmos de onde nós paramos no carro do ? – Eu juro que o vai me fazer explodir de vergonha ainda.
Ele me encarou com um sorriso no canto dos lábios, fui me aproximando involuntariamente do seu rosto, do mesmo modo que ele fazia. Senti uma de suas mãos em meu joelho, logo ele a foi subindo por minha coxa e ao apertar não pude evitar um gemido baixinho. Sério, eu devia estar azul de vergonha. Abaixei minha cabeça, mordendo o lábio inferior, a sua outra mão ergueu meu queixo, fazendo-me o encarar nos olhos. Ele sorriu e foi levando minha cabeça pra mais perto da dele, ele estava me provocando legal, eu não consegui mais agüentar. Que se dane também, a boca é minha. Colei rapidamente nossos lábios, ele ainda sorria. Isso é o que eu chamo de pessoa BEM feliz. Envolvi minhas mãos em seu pescoço, arranhando sua nuca levemente; puxei um pouco seu cabelo assim que senti sua língua passar por entre meus lábios e logo se encontrar com a minha. Um arrepio passou por todo meu corpo. Sua mão ainda estava em minha coxa, apertando algumas vezes, a outra foi deslizando pela lateral do meu corpo até chegar em minha cintura e a apertar. Eu me sentia feliz ali, envolvida pelos seus braços, sentindo seu gosto.
- Eu ficava imaginando esse momento desde quando eu te conheci. – tentava dizer algumas palavras no meio do beijo, eu apenas balancei a cabeça concordando com o que ele havia dito.
- Bom... eu... vou... entrar agora. – Tentava pegar ar de algum lugar, estava sem fôlego.
- Tudo bem , eu passo aqui umas duas horas e vamos juntos! – dei um selinho nele e sai do carro.
Entrei na minha casa sorrindo que nem uma idiota, não sabia o que começar a fazer. 'Calma , vamos começar com um banho.' Subi até meu quarto e separei a roupa que eu ia usar para ir no ensaio, nada exagerado, apenas uma calça jeans preta, uma blusa branca com um decote não muito exagerado, e um all star. Essas roupas básicas são minhas companheiras em todos os momentos da minha vida. Entrei no banho e não demorei muito.
E nesse vai e vem já era quase uma da tarde e eu ainda tinha que almoçar. Saí do banho, me arrumei e enrolei a toalha nos meus cabelos, fui até a cozinha ver se eu achava alguma coisa para comer. Olhei para a mesa e vi as pomadas que o havia comprado para mim; lembrei de passar no machucado, mas só pra tirar os roxos, porque naquela altura do campeonato eu não sentia mais nada. Comi um pão com queijo e subi até meu quarto novamente. Passei as pomadas e escovei os dentes, às vezes ficava olhando para o nada e sorria à toa. Comecei a passar a maquiagem, nada exagerado, um lápis em volta dos olhos e uma base, peguei o colar que eu havia ganhado de e coloquei ele, era um coração com strass. Estava linda e pronta pra arrasar!
Fique na sala trocando de canal esperando a hora passar; quando deu duas horas escutei uma buzina, era o e seus amigos. Juro que não sabia como ia caber mais gente no carro. Tranquei a porta e fui em direção ao carro. desceu para me cumprimentar.
- Oi , você está linda. – me deu um selinho, e escutei um ‘uhuuu’ de dentro do carro. Foi um lindo coral.
- Obrigada ... e o que a já está fazendo no carro? – olhei pra ela com cara de espanto.
- Ela saiu com o e já veio direto.
- Nossa, então ta. E como vai caber mais gente no carro?
- A gente aperta que cabe! Vou te apresentar os meninos, esse aqui é o , e esse aqui o .
- Prazer! - dei um tchau com a mão.
- Então, vamos? - perguntou .
- Vamos! – entrou no carro empurrando o e o mais ainda pro canto. O estava na frente com a , depois que o entrou, ele me puxou e sentei ao lado dele.
Capítulo 4
- Chegamos pessoas! – foi parando o carro dentro de um estacionamento que tinha ao lado do estúdio.
- É aqui que acontece a mágica, , preparada pra senti-la?
- Nossa, que coisa mais profunda ! Estou sim, sou uma pessoa muito forte. – coloquei a mão fechada no peito, fechei os olhos e balancei a cabeça.
- AR, AR, AR! Sai de cima de mim ! ALGUÉM ME AJUDA? VOU MORRER ASFIXIADO.
- , não mate ele, não vale a pena, a banda vai ficar incompleta. – falou e saiu do carro, depois a desceu junto com ele, e atrás fomos descendo do carro um de cada vez; eu, , e por último o , que desceu socando o .
- AMOR, você chegou! – uma menina morena, veio na direção do e o beijou. Concluí que essa fosse a namorada dele; logo depois saiu outra, mas dessa vez era loira, correu na direção do e o beijou também, estava começando a ficar com medo do que poderia sair mais daquela porta.
- Essa é e , a namorada do e do . – Elas olharam pra mim e deram um tchauzinho, apenas sorri.
- Er... , posso fazer uma pergunta?
- Com certeza, diga!
- Como vai voltar tudo isso no carro? – rimos.
- Não se preocupe, eu e você vamos no porta mala, simples não? – olhei pra ele com uma cara de ‘Há, então ta né’ – BRINCADEIRA, a está com o carro dela, e depois do ensaio nós vamos em algum lugar comer, conversar, essas coisas, aí vamos em dois carros.
- Que susto, estava vendo como iríamos caber no porta mala, acho que ia ficar meio apertado, mas enfim, beleza.
- Vamos , está na hora da mágica acontecer! – disse entrando na porta que as meninas saíram.
- Vem , – foi me levando junto com ele – é aqui, onde realmente a mágica acontece. - Comecei a olhar tudo, os instrumentos estavam todos juntos em um cantinho presos nos suportes, havia um balcão com baquetas, palhetas, cordas e parafusos, em baixo da bateria havia um tapete vermelho, era um lugar aconchegante. – Pode sentar aqui, fique avontade.
Havia uns banquinhos, no outro canto do estúdio, veio até mim com uma cara de boba alegre e sentou, sentei também para conversar com ela.
- Nossa , nem preciso perguntar se a noite foi boa.
- AIN , QUE HORROR! Não sou esse tipo de menina... mas respondendo sua linda pergunta, sim, foi ótima.
- Eu não falei NADA, você que está tirando suas próprias conclusões. Fico feliz por ti, mas não entre em detalhes ok?
- HAHA como é besta. MENINA, você não me contou! Como você conheceu o ?
- Nossa é verdade, quase não falei com você depois que eu cheguei aqui. Então, é uma longa história, havia acabado de chegar aqui em São Paulo e fui atropelada.
- NOSSA, e me deixa adivinhar! O apareceu em cima de um cavalo branco e te salvou?
- Errou, ele que me atropelou. – não falou nada, apenas ficou de boca aberta por um bom tempo, queria tanto que entrasse uma mosca na boca dela, MUAHAHA – Prosseguindo, ele que me levou ao hospital, me ajudou, aí ele se ofereceu para me levar em casa e eu falei que tudo bem, e no mesmo dia mamãe teve o bebê, acabei esquecendo a bolsa no hospital, fui pra casa dele, aí no outro dia fomos até a sua casa e daí você já sabe.
- To beje, to beje, to rosa. Mas e você e ele, como estão? Você gosta mesmo dele como amigo ou namorado? eu já falei mil vezes, você tem que parar de se apegar muito nas pessoas, imagina quando a banda dele estiver em turnê nacional? Você não pode simplesmente abandonar a escola, pra ficar viajando.
- Nós estamos muito bem! Então, eu gosto dele, sei lá, ele é lindo, simpático, atencioso, engraçado, eu não vou te dizer que estou apaixonada por ele. Acho que rolou uma química entre nós, não sei , estou confusa. Mas esse negocio de turnê, eu sei que vai acontecer, e caso role mesmo um negocio sério, vamos ter que ter confiança um no outro, e sempre colocar as cartas na mesa.
- HÁ, você? não está apaixonada? Conta outra, eu te conheço desde sempre, e sempre que surgia qualquer garoto na sua vida, você logo se apaixonava, e se não dava certo, ou coisa pior, como aconteceu com o último, você sempre se machucava.
- Mas sabe o que é... então... eu gosto dele... não sei... ele é diferente, eu sinto isso.
- Espero que seus sentidos estejam apurados.
”Quantas vezes eu te falei
De sonhos que não passam de uma vez
É ser mais sincero pra que dê mais certo
Toda vez que a gente quiser.
Não estamos assim tão iguais
Como éramos há anos atrás
Quando a sua vida era toda minha
E você não queria parar
Então vem me procurar agora
Sem mais pensar
O seu amor é meu
E o meu amor é seu
Com você
Eu faço acontecer
Tão fácil se perder
Com você”
Eles eram bons mesmo. Nós passamos o resto do dia ali, conversando, escutando eles ensaiaram, rindo e brincando um com a cara do outro. Já era de noite quando eles acharam que estava já tudo ótimo para o show de amanhã.
- Acabou, bem, agora vamos aonde? Aceito sugestões.
- Que tal no shopping, ?
- , a gente vai quase toda sexta pro shopping, vamos ver mais opções, se não, eu aceito a sua.
- Pizza Hut! – dei um berro e levantei os dois braços, todo mundo olhou pra mim e riu. – Qual é, Pizza Hut é legal.
- Nossa, vamos, vamos, faz tempo que eu estou querendo ir. - ficava cutucando o para ele aceitar a minha sugestão.
- Mais alguma? – Silêncio – Um, dois e três! Okay vamos para o Pizza Hut.
- AEEEE! – todo mundo foi indo em direção aos carros.
- Quem vai aonde?
- Não vou falar, ninguém me escuta! – cruzou os braços e fez bico.
- Oun , fala pro tio aonde você quer ir! Em qual carro baby? – fazia uma voz de adulto quando fala com criança, aquela coisa irritante que todo adulto tem que fazer com a voz quando vê uma criança menor de 4 anos de idade.
- Oh, vou falar então, como as meninas, a e a , ainda não conhece muito bem o e nem o , podemos ir eu e o em um carro, e o e o em outro, para todos se enturmarem mais... iai, gostaram?
- Pode ser, por mim tudo bem! – Todos apenas concordaram com o - Então vamos.
Entramos no carro, eu e o fomos atrás, o foi dirigindo e a foi ao lado dele, fomos conversando, rindo, até que não demorou muito e chegamos.
Era tão lindo entrar no Pizza Hut, sempre me faz lembrar de Toy Story por cauda do Pizza Planet, mas enfim, logo que entramos a garçonete nos levou a uma mesa com oito lugares, era do lado da janela, eu nada besta sentei bem do lado da janela, era tão linda a vista, e o sentou-se ao meu lado, os outros foram se acomodando também na mesa como mais lhe agradavam.
- Iai galera, vamos pedir pizza do que? Vamos fazer assim, cada um fala a que mais lhe agrada, e as quatro que tiver mais votos, a gente pede.
- A gente vai pegar duas pizzas de doze pedaços né ?
- Sim, sim , ai pega duas pizzas ai faz metade e metade, entenderam meu raciocínio?
- Entendemos. – todos riram.
- Então vamos começar! , qual você prefere?
- Eu, vamos pensar.. palmito com catupiry.
- Eu também gosto da pizza de palmito com catupiry, dois votos. Você , quer qual?
- Eu gosto da Portuguesa.
- ?
- Eu também voto na portuguesa.
- ?
- Calabresa.
- ?
- Calabresa.
- E ?
- A moda da casa.
- Acho que pela lógica que está acontecendo aqui, nem precisa perguntar qual você vai querer né, ?
- HAHA, eu também quero a moda da casa.
- Ainda bem que não teve cinco escolhas de sabores diferentes, porque eu não saberia como desempatar.
Fizemos os pedidos para a garçonete. E todos os casais estavam conversando, meio que no pé do ouvido, mas estavam.
- Eai , gostou do ensaio? Acha que somos bons?
- Ah, nem gostei do ensaio não viu... - me olhou com uma cara de cão sem dono – Eu simplesmente ADOREI, vocês são realmente bons, e vão brilhar por onde passarem.
estava quase rasgando a boca de tanto sorrir, ele apenas veio na minha direção e me beijou, escutei um ‘AAAH QUE BONITINHO’ vindo da mesa, mais não liguei.
- Isso me deixa muito feliz em saber. – Ele tentava falar no meio do beijo.
- O , está vendo aquele prédio com estrelas piscantes logo aqui em frente? É um Motel, vai pra lá vai.
deu um murro no ombro do
- Ain doeu, seu viado.
- Chega os dois, se não eu vou colocar de castigo.
- disse . - CALA A BOCA! – e falaram juntos, mas depois já estavam rindo.
- O que vocês vão querer para beber? - A garçonete voltou a mesa para anotar mais pedidos.
- Para nós cinco uma coca-cola, fala ai o que você quer, porque você sempre muda, e a e a também, porque eu não sei o que vocês gostam.
- Eu quero também uma coca-cola. – disse à garçonete.
- Eu quero um suco de abacaxi. – MEDO, eu e o falamos juntos.
- Okay, já vou trazer seus pedidos.
Não demorou muito e as bebidas já estavam na mesa, e depois de uns 10 minutos a pizza chegou, estava com uma cara muito boa. Comemos muito, me senti com uma culpa enorme depois que eu havia terminado de comer.
- , tem uma praça muito linda aqui perto, quer ir?
- Quero sim. – sorri.
- Então, alguém vai querer mais alguma coisa?
Todos só tinham força para balançar a cabeça com um ‘não’.
- , eu vou ficar com seu carro, porque eu não vou pra casa agora, pode ser?
ia dizer não, mas o fez uma cara de gato do Shrek, que ele acabou deixando e entregou a chave do carro para o .
- Bem galera linda do meu Brasil, eu vou pra outro lugar agora, até amanhã.
- Ah gostou da minha idéia do cinco estrelas!
- CALA A BOCA IDIOTA.
- Não comecem vocês dois.
Me despedi de todos que estavam na mesa, o fez o mesmo, e entramos no carro, não demorou nem 5 minutos estávamos na tal praça.
Era realmente linda, tinha umas árvores ao seu redor, no meio havia um lago, que estava muito iluminado. Saímos do carro e ele me deu a mão, sorri, e apenas o segui, ficamos em baixo de uma árvore, sentados. Encostei minha cabeça no ombro dele e fiquei olhando o céu, por incrível que parece havia algumas estrelas, a noite estava linda.
- Gostou amor?
- Adorei, aqui realmente é lindo.
- Não tão linda como você... – essa cantada é velha, mas eu gostei.
Ficamos adimirando as pessoas que passavam na nossa frente, 90% eram casais, os outros 10% solteiros em busca de alguém. Senti um vento gelado, fiquei toda arrepiada e com frio, , cavalheiro como sempre, tirou o casaco dele e colocou em mim, fazendo eu me aconchegar mais ainda nos seus braços. Toda vez que ele olhava pra mim eu ficava mole, típica adolescente apaixonada e boba. Mas aquele olhar dele era sincero, ele ficou olhando pra mim um bom tempo, até que eu havia me tocado, e o olhei, dei um mega sorriso, que nos fez rir. suas mãos estavam passando pelo meu cabelo.
- Que cabelo macio. – ele colocou seu nariz no meu pescoço e cheirou o meu cabelo, nem preciso dizer que eu fiquei toda arrepiada certo? – Nossa, ainda está com frio? – deu um sorriso maroto – Deixa que eu vou te esquentar. – Sua mão estava já na minha cabeça, a outra estava na minha cintura, seus lábios estavam cada vez mais pertos, sentia sua respiração, coloquei minha mão na cabeça dele e fui trazendo ele para perto de mim, e em um impulso involuntário, ou nem tanto, estávamos nos beijando, o beijo dele era com certeza o melhor. Santa árvore que eu estava encostada, se não fosse ela estaríamos deitados na grama, e não ia ser legal para quem passasse e visse aquilo, começou a chover forte, mas quem estava ligando? Eu que não era. Nós continuamos o nosso longo beijo, suas mãos queriam tirar minha camisa que estava molhada, mas eu apenas balançava com a cabeça que não. Depois de algum tempo o ar já estava faltando, e paramos, ele olhou para mim e arregalou os olhos, eu não estava entendendo, devia estar com uma cara de interrogação muito grande. Apenas fui entender o que era quando ele deu um sorriso de lado e mordeu o canto inferior do lábio, era a minha blusa que estava molhada e transparente por ser branca, e para ajudar meu sutiã era preto. Juro que coloquei aquela roupa na maior das boas intenções, nunca pensei que ia ficar molhada e meu lindo sutiã preto ia se destacar, nem preciso dizer que eu fiquei com vergonha? Acho que não... fechei o zíper do casado dele até em cima, e ele fez cara de desapontado.
Um vento MUITO chato começou a passar por ali, e ainda estava chovendo, eu estava tremendo muito, e o também.
- Melhor nós irmos embora!
- Também acho. – Fomos até o carro e entramos – NOSSA, o nem vai matar a gente por causa disso.
- Relaxa , eu te defendo, e aliás, ele já fez coisa pior aqui... – Olhamos para o banco de traz, fiz uma cara de nojo. - Olha só, vou te avisar, que se eu pegar pneumonia a culpa vai ser sua!
- Mas, mas, ...
- , relaxa, antes eu do que você.
Apenas deu um MEGA sorriso.
- Seus amigos são legais, gostei deles.
- Que bom, mas olha lá enhê, não vai me trair.
- Pode ter certeza que isso é a última coisa que eu vou fazer.
- Eu também, pode sempre confiar em mim, e sempre que precisar de um ombro amigo, eu estarei do seu lado – me deu um selinho e voltou a dirigir.
- Você também ok?
- Valeu linda.
- Será que tem como chover mais?
- Ah, acho que tem! Mas não se preocupe, tenho um barquinho em casa, ai nós navegamos pela grande São Paulo.
- Sério , que você tem um barquinho?
- Um dia ainda vou ter! – risos – Chegamos, entregue bem salva na sua casa.
- Você não quer entrar? Eu acho que devo ter roupa do meu pai perdida aqui em casa, mais se não tiver tem uns moletons da minha mãe e até meu que servirá em você!
- Já que você insiste tanto, eu vou entrar.
Ele estacionou o carro bem em frente a minha casa e lá fomos nós pela chuva até o portão da minha casa, quase que eu escorrego BONITO ali, mas eu consegui me equilibrar, no carro do tinha de TUDO, acredite em mim, quando eu falo TUDO, era tudo mesmo, melhor nem comentar.
Entramos correndo dentro de casa, fechei a porta e acendi a luz, estávamos parecendo ursinhos de pelúcia molhado, aquela coisa lambida e pingando, não ia subir para o quarto daquele jeito, que além de manchar o chão, quando minha mãe chegasse em casa iria me matar, tirei meu tênis, a meia, e fui indo pra cozinha, o fez a mesma coisa.
- Caraca, que chão gelado.
- Demais, nunca pensei que meu chão era tão frio – Fui até a área de serviço e peguei uns panos, secamos nossos pés, sei que não ia ajudar muito porque eu e ele estávamos pingando mais era melhor que nada, tirei o casado do e coloquei em cima da maquina, parecia que a blusa havia se fundido comigo, molhado era pouco.
- Vem comigo, vamos nos trocar e coloca uma roupa mais quentinha. – Subimos até meu quarto, abri meu armário, tentava achar alguma coisa que o poderia usar, achei um moletom meu antigo preto, e uma calça de moletom do meu pai bem grande que eu usava como pijama, e entreguei para ele, junto com uma toalha.
- Se você quiser tomar banho, pode ir, eu tomo no banheiro que tem no quarto da minha mãe.
- Eu vou tomar banho então, estou morrendo mesmo de frio – comecei a pegar minha roupa no armário, e quando me viro ele já estava sem camisa, olhei rápido, fiquei rosa, e sai andando em direção ao banheiro da minha mãe, apenas escutei ele rindo.
Banho quente é a melhor coisa que tem, tirando que resseca a pele, é uma delícia, a água estava quentinha. Terminei o banho coloquei meu pijama do Pernalonga, era uma gracinha, coloquei meu chinelo quentinho, enrolei a tolha no meu cabelo e fui para o meu quarto, o ainda estava tomando banho, deitei na cama, estava tão confortável, fiquei com os olhos fechados pensando em tudo que estava acontecendo e no quão incrível era tudo que eu estava vivendo. Escutei a porta do banheiro abrir, mas estava viajando demais nos meus pensamentos, senti alguém sentar, subir, sei lá, alguém na minha cama, abri os olhos rápidos e era o que estava do meu lado me olhando, senti um frio na barriga, sorri para ele e sentei na cama, ele veio se aproximando de mim, chegou bem perto do meu ouvido.
- O quão incrível foi eu conhecer você? - Senti um arrepio e logo pensei ‘será que ele tomou um choque com o secador e agora escuta o que as mulheres pensam?’ no mesmo minuto ele veio e começou a me beijar, suas mãos passavam pelas minhas costas e pernas, ele começou a me inclinar na cama, ficando em cima de mim, coloquei uma de minhas mãos dentro do moletom dele, e como estava gelada senti ele se arrepiando. Ele não ficou para trás e colocou as mãos em baixo da minha blusa, os beijos ficavam cada vez mais intensos, nada mais importava naquele momento, e eu não iria me responsabilizar pelos meus atos. Senti um frio na minha barriga, ele estava tirando a minha camisa, depois de algum tempo as roupas estavam espalhadas pelo quarto.
Capítulo 5
- , , – senti alguma coisa me cutucando, abri os olhos, tudo ainda estava embaçado. Forcei um pouco a vista e vi ao meu lado me chamando – Bom dia, Bela Adormecida! Desculpa estar te chamando a essa hora, mas eu preciso me arrumar para o ensaio e não queria ir embora sem te falar tchau.
- Bom dia... – sentei na cama – Ah, tudo bem, mas que horas são?
- 11 horas.
- Okay, vai dar tempo, tudo sobre controle.
- Então , o show vai ser às sete horas, só que tem toda a produção antes, a passagem de som, e tudo isso!
- Te entendo, então vamos tomar café – me enrolei no lençol e fui caçando minhas roupas, descemos e tomamos um gostoso café da manhã.
– Te acompanho até a porta – disse enquanto íamos em direção a ela. me encostou na parede e colocou um dos braços por cima do meu ombro.
- Te pego às cinco horas, gata – deu uma piscadinha e acabamos rindo.
- Vou estar te esperando – ele me deu um selinho e foi em direção ao carro.
Fechei a porta de casa e fiquei uns cinco minutos olhando para o teto, sorrindo feito uma besta. “Okay , acorda pra vida, baby! Vamos lá, um, dois...” e saí do meu transe. Nossa... A casa estava tão vazia. Durante as semanas que vão vir minha mãe vai ficar na minha tia, e eu sozinha nessa casa enorme!
Alguém estava tocando a campainha freneticamente.
- JÁ VAI – dei um berro e me virei para abri-la, ainda estava parada ali na frente.
- OI DO MEU CORAÇÃO! Vim aqui te fazer companhia - foi entrando na minha casa, estava com uma mala de carrinho e uma mochila - Sei que você vai ficar alguns dias sozinha, então vou morar aqui alguns dias. - sorriu - Aliás, não estou atrapalhando nada, né? – ela inclinou a cabeça olhando para os quartos.
- Não, sua besta - rimos – Estou sozinha... Eleacaboudeirembora.
- AAAAAH! QUE LINDO ISSO, !
- Anyway, vai se arrumando aí, coloca suas coisas em qualquer quarto lá em cima. Você vai ao show dos meninos hoje?
- Vou sim, o vai me pegar, tenho que avisar que estou aqui.
- O também vai vir me pegar, vai com a gente.
- É capaz de eles irem juntos, vou conversar direitinho com o .
- Ok.
Ficamos o dia inteiro fofocando, na frente da TV vendo filme, comendo pipoca, rindo e falando besteira. Quando era quase quatro horas acordamos para a vida e fomos nos arrumar.
Eu estava vestindo uma regata branca, um shorts e meu All Star. A estava com um vestido esportivo vermelho e sua inseparável Melissa. Estávamos arrasando.
- , eu acho que não vou esperar eles passarem aqui, estou querendo dar uma volta, respirar ar fresco e pensar na vida, pode ser? Quando o passar aqui, provavelmente o vai estar com ele, então você vai com eles e nos vemos no show!
- Tudo bem, gata. Vai lá, vou dar uma arrumada aqui na bagunça então, até a hora do show. – Fui saindo da minha casa jogando um beijo no ar para a .
Não sabia o que eu estava sentido, não conseguia perceber se era bom ou ruim. Mas sabe quando você acorda com AQUELA sensação? Pois é, estava assim.
Já tinha andando uma, duas, três quadras e estava longe de chegar ao local do show. Comecei a me arrepender de não ter esperado com a . Virei a esquina e vi o carro do parado; não tinha como me confundir, com toda a certeza era o carro dele. Ainda não estava escuro e a luz que havia dentro do carro estava acesa; havia alguém lá dentro. Olhei no relógio e ainda era 4h30min, ele deveria estar indo me buscar.
- Está perdido aqui, querido? Minha casa... – abri a porta do passageiro para surpreendê-lo, só que acabei me surpreendendo também, não consegui terminar a frase.
- ? ! ! – me olhou com cara de assustado e a minha cara não poderia estar diferente – Eu posso explicar...
Ele não estava sozinho no carro, havia outra pessoa que estava quase o engolindo se não fosse eu abrir aquela porta. Oh, salvei a vida dele, hein! Não.
- O que você pode explicar? Explicar que dormiu com uma mulher na noite passada e agora está quase comendo outra? É isso que você pode explicar? Acho que é melhor você poupar algumas palavras, eu já entendi tudo. – Fechei a porta do carro com toda a minha força e saí correndo, sem rumo, chorando desesperadamente. Estava desolada, eu já não deveria ter aprendido a lição? Estava virando em alguma rua quando um carro freou com tudo na minha frente. Fechei os olhos e parei, esperando o pior. Quando abri os olhos vi e descendo do carro e vindo na minha direção, estava tudo bem comigo. Quase tudo bem.
- , você está chorando? Eu machuquei você? – perguntou com um ar de desespero, com medo de ter me machucado.
- Não, eu estou bem...
- Não , você não está bem, você está chorando! Olhos inchados e o rosto vermelho. O que aconteceu? – Sentei na guia da rua, coloquei as mãos sobre o joelho, abaixei a cabeça e contei tudo o que aconteceu. Comecei a chorar novamente, só que dessa vez era choro de desgosto.
- Eu não acredito que ele foi capaz de fazer isso, não acredito.
- Infelizmente ele sempre foi assim, mulherengo. Só que de uns tempos para cá ele tinha melhorado, eu e os meninos da banda percebemos isso.
- Você quer ir para casa, ?
- Eu vou com você, . Quero ficar ao lado da minha amiga hoje.
- Mas se você quiser vamos pra sua casa, o vai entender, não é amor?
- Claro!
- Não quero estragar a noite de ninguém, já basta a minha, vamos todos juntos. – Estava tentando parar de chorar, algumas lágrimas ainda caíam involuntariamente.
Entramos no carro e fomos em direção ao show, já estava quase na hora e o estava um pouco atrasado devido ao que aconteceu. Ele entrou na frente e a terminou de estacionar o carro. Entramos pela entrada principal, havia muitas pessoas espalhadas lá dentro e algumas com alguns cartazes com o nome da banda. Procuramos um lugar “confortável” para ficar durante o show e acabamos ficando ao fundo, encostadas na parede, não era um lugar muito grande.
O show começou e várias pessoas foram se espremendo na frente. Ficamos apenas nós duas lá no fundo, a maioria dos fãs eram meninas e os gritos de histeria estavam dominando o show. Não conseguia olhar para o sem sentir vontade de chorar; não estava bem, eu queria matá-lo e sumir ao mesmo tempo. Para falar a verdade, não sabia o que eu queria.
- , eu vou para alguma mesinha que eu achar vazia, a gente se encontra no final do show, pode ser?
- Pode sim , se você não se sentir bem de ficar aqui, me fala que vamos embora.
- Okay, eu vou ficar bem. – Procurei a mesa mais próxima e me sentei, já não estava mais vendo o palco, mas escutava perfeitamente tudo. As horas foram passando e o fim do show se aproximava. tomou a vez no microfone.
- Agora vamos cantar uma música que fez a diferença na minha vida, fez eu conhecer uma pessoa especial e que eu acabei não dando o valor que ela merecia, cometi um erro terrível e que estou arrependido, triste de ter feito ela chorar, triste de ter estragado tudo e fazê-la sofrer. Queria dizer que se ela estiver escutando isso, saiba que eu a amo demais, que ela supera todas as mulheres que eu já conheci, fez meus últimos dias valerem à pena e se tornarem inesquecíveis. E quem disse que todos os acidentes vêm para o mal?
“So she said what's the problem baby
What's the problem I don't know
Well maybe I'm in love
Think about it every time
I think about it
Can't stop thinking 'bout it”
Me levantei, depois de escutar tudo isso fiquei um pouco zonza, fui em direção a , estava novamente chorando, mil coisas estavam passando pela minha cabeça. Aquilo foi fofo, só que não explicava o que aconteceu no carro. Fiquei o olhando fixamente, chorando.
“How much longer will it take to cure this
Just to cure it cause I can't ignore it if it's love
Makes me wanna turn around and face me but I don't know nothing 'bout love”
Ele conseguiu me achar no meio de todas aquelas pessoas, apenas fixou seus olhos em mim e começou a cantar para mim. Algumas fãs estavam procurando para onde ele tanto olhava, felizmente não acharam; eu gostava da minha vida apesar de tudo!
- , você VAI falar com ele depois do show. Isso foi lindo, mesmo que vocês não voltem a se falar nunca mais ele deve ter uma explicação muito boa e você vai escutar tudo o que ele tem a dizer.
- Só sei que não quero sofrer de novo. – Ficamos conversando o resto da música inteira, ainda algumas lágrimas escorriam pelo meu rosto.
“Love... I'm in Love”
O show acabou e a praticamente me arrastou até o camarim, ela sabia que eu precisava falar com ele. Entrei no camarim com a e ela foi em direção ao , e , que estavam sentados no sofá conversando sobre alguma coisa. Olhei ao redor e não achei o que queria. Aonde será que estava o ? Beijando, ou melhor, engolindo outra menina qualquer? Todas aquelas palavras no palco foram apenas da boca para fora? Fui em direção a e o e fiquei de frente para eles.
- Isso é perda de tempo, você pode ter certeza que ele já foi embora para encontrar aquela vadiazinha do carro, vamos embora POR FAVOR? – Já estava aumentando o tom da voz e quase começando a chorar novamente. – Te espero lá fora. Quando virei, ele estava parado atrás de mim, tirou um pedaço de papel do bolso sem falar nada, olhou dentro dos meus olhos e começou a cantar:
“Faz muito tempo amor que eu 'tô te esperando, que eu já não sei mais o que fazer que de mim, nossos sonhos, nossas vidas se acabando enquanto você não está aqui. Não é difícil saber que eu te quero tanto, cada minuto é mais que um dia sem você, e o meu amor aumenta a cada instante e eu não consigo esquecer. Sem você não dá, não dá pra ficar, porque no meu coração você está.”
- Estava tentando escrever alguma coisa para me desculpar, para te mostrar que eu realmente amo você, me importo com você. E o que eu fiz hoje realmente foi a coisa mais imbecil que eu já fiz em toda minha vida. Arrisquei perder a pessoa que eu mais amei até hoje e a que fez eu desde o início sentir que tudo isso ia ser diferente...
- Então por que fez? Eu abri meu coração para você, contei tudo o que já aconteceu comigo e o medo de que tudo se repetisse e você fez a coisa que eu mais tinha medo...
- Eu te entendo, sei que se você sair por essa porta e nunca mais quiser me ver, eu vou te entender, que eu fui idiota de não dar valor a quem estava ao meu lado. Não sei te explicar o porquê fiz aquilo, foi impulso, ela era uma amiga minha de alguns anos atrás, a encontrei na rua, acabou que ela entrou no carro para conversar e quando vi estávamos nos beijando. Pensei em você o tempo todo. Quando acordei para a vida, vi que tinha você e não queria a deixar ir embora. Mas foi tarde demais para mim, acho que estraguei tudo.
Todos estavam assistindo a nossa “terapia” e ninguém se atreveu a falar se quer uma palavra. Eu estava engolindo o choro, mas mesmo assim algumas lágrimas escorriam pelo meu rosto sem que eu percebesse. Ele se aproximou mais ainda de mim, me segurou pela cintura, cobri meu rosto com as duas mãos e comecei a chorar desesperadamente.
- Não queria te ver assim, sei que a culpa de tudo isso é minha, queria poder voltar no tempo e fazer aquilo nunca ter acontecido, quero te ver feliz em todos os momentos. Não sei mais o que eu posso fazer, só sei que um “me desculpe” não é o suficiente, posso te prometer que o de antigamente, aquele que olhava para todas as mulheres que tinha pela frente, morreu, e independente do que você diga ou faça esse de agora só terá olhos apenas para uma mulher e saiba que essa mulher é você. Mesmo que você saia por aquela porta sem me dar nenhuma satisfação, ninguém vai ser boa o suficiente como você foi para mim.
Minha cabeça estava pensando em mil coisas ao mesmo tempo e acho que a mais importante de todas elas foi “, ele pode estar sendo sincero, pode ter mudado e você só tem duas alternativas: sair por essa porta chorando, ligar a TV ao chegar em casa, colocar um filme de drama e se lamentar por tudo o que aconteceu, ou parar de chorar agora e arriscar nesse relacionamento, pois se todo mundo que brigar e não tentar se entender, ficar se lamentando e nunca se arriscar, nunca terão oportunidades iguais, e ótimas oportunidades não aparecem todo dia em um jornal”.
- Eu espero que você tenha mudado mesmo – tirei as mãos do rosto e olhei nos olhos dele – Eu te amo, e quero sempre estar ao seu lado, quero poder no final de tudo isso dizer que você foi o meu final feliz. – Ele me abraçou o mais forte que podia e me beijou, como se aquele fosse o nosso último beijo, nosso último momento juntos; um beijo de desculpa, um beijo de saudade, um beijo de alegria misturado com despedida, todos os sentimentos estavam valendo e posso dizer que aquele foi o melhor beijo de toda a minha vida.
- Mãe, vai logo, o caminhão já está querendo sair e isso não é um adeus. – Minha mãe descia as escadas um pouco desajeitada com um para secar as lágrimas de seu rosto em uma mão e na outra um porta retrato prateado com uma foto nossa.
- Filhinha, nunca imaginei que esse dia iria chegar, coloca isso em um lugar muito especial da sua casa. – me entregou o porta retrato – E você, senhor , cuide muito bem da minha filha, ela é uma menina de ouro.
- Sei muito bem disso – ele sorriu e me deu um selinho – Pode ficar tranquila que ela está em ótimas mãos.
- Tata... Eu vou sentir sua falta aqui em casa, vem me visitar todos os dias do mundo? – Guilherme abriu os braços, meio desajeitado, pulou em cima de mim e me deu um abraço apertado e gostoso, aquele que só crianças sabem dar.
– Ah, você pode ter certeza que eu vou vir aqui em casa sempre te ver, por que o que será que os monstros espaciais não irão aprontar se a gente não acabar com eles? – Todos riram.
- É para você sempre lembrar de mim. – ele me deu o urso dele, que brincava desde criança.
- Vou guardar com muito carinho. – Dei um beijo e um abraço nele, algumas lágrimas começaram a escorrer involuntariamente.
- Então, vamos? – O motorista do caminhão de mudança já estava nos chamando pela milésima vez.
- Vamos, vamos. – Eu e falamos juntos, dei alguns abraços desajeitados na minha mãe, nos despedimos e entramos no carro, colocando meus presentes no banco de trás.
- Tchau filha, tchau .
- Tchau, Tata. – Mandávamos vários beijos e “tchau” pela janela. Estávamos indo nos mudar, agora para a nossa própria casa que não ficava muito longe da minha antiga e nem da casa da e do , que foram morar juntos também.
- Quem diria que um dia estaríamos aqui?
- Pois é... Lar doce lar, é um novo recomeço para a gente.
- Sim, e estou feliz que seja ao seu lado.
O farol estava vermelho e ele aproveitou para me dar um beijo intenso, mas paramos logo para não atrapalhar o trânsito.
Quando percebi nós estávamos reparando a mesma coisa. Havia um hospital ao nosso lado direito e uma menina não muito atenta atravessando a rua, segurando algumas mochilas e sacolas nas mãos. O farol estava aberto para os carros e ela não reparou, seguiu reto, e o inevitável aconteceu: um carro a atropelou. Não foi muito forte a batida mas imediatamente o menino que estava dirigindo saiu para ver se ela estava bem, chamou alguns médicos e entrou no hospital com ela. Nós nos olhamos ao mesmo tempo.
- ... Eu espero que a música deles seja outra.
- Eu também, “Accidentally in Love” já tem dono. – Rimos e seguimos em direção a nossa casa.
FIM
n/a: Acho que tenho que começar pedindo desculpas pela demora, estava sem inspiração esse tempo todo e a escola não estava me ajudando muito D: Quero dizer obrigada a todos que acompanharam minha fanfic e sempre me motivaram a terminar. Obrigada minhas lindas amigas: Isabela (minha revisora VIP), Thaiz (minha critica), Lily (minha fã número um) e todas as fãs de Stevens que me disseram coisas fofas sobre a fic. Escutem a banda Stevens (www.myspace.com/stevens) e comentem pois vocês vão me deixar muito feliz. <3

