As Coisas São Melhores Do Que Elas São
Autora: Gaby L
Status: Em Andamento
Revisada por: Hata
Categoria: Filmes - Percy Jackson
Sub-Categoria: LongFic - Romance/Comédia
Comentários:
A história que vou lhes apresentar agora não é nenhum pouco parecida com alguma que você já ouviu antes. Não é história sobre grandes heróis da História Antiga. É uma pequena e simples história de amor. De superação. De magia, coisas extraordinárias, e acima de tudo, coragem para dizer o que é certo.
Capítulo 1 – Passo a odiar Mitologia
Pois bem.
O ano, que me lembro bem, era 1940. Auge da Segunda Guerra Mundial. O local era Eastbourne, interior da Inglaterra. Eu não era rico, mas não era um total necessitado. Minha mãe era professora, mas meu pai era advogado. Eu tinha 16 anos. Era um fanfarrão... Magrelo, nem tão alto, cabelos pretos como o breu e olhos tão azuis quanto o mar. Nunca passei vontade de desejar algumas aventuras com garotas comprometidas ou não... Sempre consegui o que quis. Ou quase tudo. Lembro-me bem de quando tinha apenas 6 anos e eu queria um carrinho de madeira. Bom, na época, não era fácil conseguir um e eu sabia perfeitamente que meu pai ou a minha mãe tinham condições para me comprar um. Afinal, não era qualquer um que chegava no colégio com um brinquedo daqueles e para minha sorte, pude ser o primeiro. Outra vez, alguns anos depois, quando eu tinha 12 anos e beijei pela primeira vez. A garota a princípio, não queria somente a mim, mas a um outro, que fiz questão de apagar o nome da minha memória, mas acabei por convencê-la depois de dizer que o tal cara tinha problemas nas glândulas salivares (eu mesmo não sabia bem o que era isso) e babava muito. E assim eu fiz.
Mas eu havia sossegado desde que completara 15 anos, quando meu pai finalmente resolveu servir para o país. Aquilo para mim foi o fim de tudo.
Ele sempre fora meu herói. Eu não via outra pessoa melhor do que ele. Calmo e muito inteligente... Sempre me ajudava quando eu estava em conflitos com alguma coisa e sempre me ouvia quando eu tinha dúvidas. Minha mãe era tão boa quanto ele, só que às vezes, ela se estressava um pouco. O mundo dela desabou quando meu pai teve de ir para a guerra. Ficamos apenas eu e ela.
Mas havia coisas que conseguiam nos distrair, se quer saber. Minha mãe tinha a melhor amiga dela, Nancy, que era nossa vizinha. Elas sempre foram amigas, desde que estudavam juntas. Nancy era diretora da escola, logo as duas trabalhavam juntas. Imagine só, passar 24h juntas. Às vezes eu achava que ela via mais Nancy do que a mim. E ela tinha uma filha, que tinha minha idade, se não um ano a mais. Isso não importava. Ela era minha mira, agora. Fazia um tempo que já havia notado o quanto ela era diferente. Mas ela não dava sinais. Não retribuía os olhares, ou os sorrisos. Todo o dia eu ficava sentado na calçada, conversando com o meu vizinho de frente, e sempre que ela chegava em casa, ela dizia a mesma coisa.
- Oi para vocês.
Ela falava mais para o chão do que para mim ou para George. Sim, não mencionei sobre ele. Era mais amigo do que meus colegas de escola mesmo... Quer dizer, ele era o meu colega e meu vizinho. Isso que fortaleceu nossa amizade. Eu não confiava mais em ninguém a não ser ele. Era legal como tínhamos os mesmos pensamentos sobre diversos assuntos, principalmente os meus preferidos: mulheres e música.
- Logan, entre e vá jantar, meu filho. Oi George. Vamos jantar?
- Ah, claro Sra. Lerman! – disse George, um pouco nervoso.
Eu nunca descobri o porquê, mas ele nunca se intimidou com minha mãe; sempre teve um pouco de receio e medo, como se ela fosse Hitler. Eu sempre ria quando ele tentava imaginar o porquê dela estar de cara ruim, algumas vezes. “Deve ser minha presença!”, ele sempre dizia isso. Até que um dia eu a obriguei a dizer a ele que ele não tinha nada a ver com o humor dela, que, então, poderia ficar relaxado. A partir daí, ele sempre tentou parecer normal na presença dela.
No final do jantar, minha mãe retirou os pratos e sentou à mesa com a gente.
- Estou pensando em tirar férias.
- Sério, mãe? Que ótimo. – ela realmente precisava.
- Sim, e... Acho que vou viajar com Nancy.
Eu pensava que ela gostaria de ir comigo.
- Vai viajar em meio à guerra, Sra. Lerman? Não acha um pouco arriscado? – comentou George.
Ele tinha razão.
- Ele tem razão, mãe.
- Não, queridos, fiquem tranqüilos. Vou até Cambridge. Vamos de trem, será tranqüilo.
- Se a senhora diz... E que dia vai? – perguntei enquanto me levantava e lavava minhas mãos.
- Não sei, talvez amanhã mesmo. – ela se levantou também.
A olhei. Sua expressão eram duas ao mesmo tempo: de alegria e de preocupação. Depois de 2 anos ela iria tirar férias prolongadas, mas infelizmente isso foi bem no meio da guerra. Essa tal guerra estava cessada até o momento, mas poderia recomeçar a qualquer hora.
- Será que você vai conseguir se cuidar sozinho? – ela sorriu timidamente.
Eu e George rimos.
- Essa foi boa. – ele comentou.
- Sim, mamãe, ainda tenho George para me limpar e me dar comida. – ri um pouco abafado.
~*~*
E assim como combinou, partiu para essa tal viagem no dia seguinte bem de manhã. Ela apenas me deixou um bilhete:
“Você estava dormindo tão bem, não quis acordá-lo. Deixo aqui meu beijo. Há dinheiro na lata de legumes. Tem o suficiente para ficar duas semanas sozinho, tudo bem? Te amo.”
Ok, agora eu estava realmente sozinho. Me sentei na mesa e comecei a analisar o que comer.
- Acho que vou tomar banho. – falei para mim mesmo.
Como de costume, assim fiz o banho e me sentei lá fora. Ainda estava uma manhã tranqüila, nublada e fria. Nem parecia que já eram 10h da manhã. Comecei a brincar com as pedras no meio da rua. E quando barulho de passos me chamou a atenção, olhei para o lado e era Britanny, a minha vizinha. Sorri formidavelmente.
- Bom dia. – e então disse algo diferente, pela primeira vez.
Ela me olhou como se eu fosse um E.T. e sorriu, timidamente.
- Bom dia.
Logo entrou um tanto apressada em casa. Eu não sei aquilo fora repulsa, vergonha ou medo. Qualquer que fosse, me fez rir.
Então, de repente, fez-se um barulho estrondosamente ao final da rua. Olhei, em tanto desespero. Parece que havia ocorrido uma pequena – mas barulhenta – explosão ali. Me levantei e percebi que todos os moradores começaram a se aglomerar ali. George e sua família saíram dali e juntos começamos a ir em direção lá.
- O que aconteceu?
- Eu não sei, eu estava distraído...
Nos aproximamos. Era uma cena estranha e ao mesmo tempo, medonha. Era como se fosse uma mulher, seminua – digamos que apenas com as partes de baixo e o seio esquerdo tampados – totalmente paralisada. Pelo visto estava morta. Em sua volta havia.. Como se fosse um líquido prata e brilhoso. Ela tinha o rosto perfeitamente... Perfeito! Era maravilhosa. Pela branca, quase albina. Cabelos sedosos e loiros. Estranho. Era algo sobrenatural aquela beleza toda.
- Quem é essa? – uma voz na multidão perguntou.
- Não é quem, mas o que. – disse uma voz um tanto além.
Todos olharam. Um homem com a aparência sombria se aproximou e examinou.
- É uma ninfa.
- Ninfa?
- Ninfa?!
- Não são lendárias?
Exatamente. Para mim, eram lendas.
- Bom, pelo visto não.
O homem agachou e analisou. Logo se ergueu, depois de um tempo.
- Como você sabe? – perguntei. Todos me olharam como se eu fosse o último ser que tivesse direito de estar ali e como se minha pergunta fosse um absurdo. Bom, eu sabia que não era nada nem parecido.
- Como eu sei? – ele perguntou depois de alguns longos minutos em silêncio. Talvez estivesse só pensando na resposta. – Não reconhece uma Ninfa quando a vê? – ele tornou a olhá-la. – Sua pele macia e clara. Aposto que todos nunca viram tal beleza. Seu sangue, brilhoso e denso. Aposto que nunca viram alguém sangrar de tal modo.
- E como a matou? Até onde sei, não se pode matar uma ninfa.
- Não se pode? – ele perguntou, astuto, do mesmo tom da outra vez. Mas dessa vez não foi eu quem perguntou. – Claro que se pode, mas não um mortal como nós. De onde ela veio?
- Da floresta.
O homem olhou. Andou de um lado para outro e tornou a olhar a ninfa.
- Preciso de um lugar para ficar.
- Desculpe, quem é o senhor? – perguntei.
Ele me olhou e sorriu marotamente.
- Eu? Eu sou Órion Grint.
Não gostei do sorriso dele.
- Órion? Como aquele Órion da mitologia grega?
- Exatamente, mas com o Grint.
- Ah... Claro...
- Eu tenho uma estalagem, o senhor pode ficar enquanto for preciso. – disse a Sra. Petowsky. Nunca gostei dela mesmo, aquela velha gorda...
Como se já não nos bastasse um cara estranho em nossa cidade com um nome estranho e atitudes estranhas, acabara de passar nas cabeças de todos nós que nossa floresta também era estranha, com seres estranhos. Quer dizer, ninfas são coisas de contos de fadas ou mitologia grega. Pelo menos eu pensava que fosse desse jeito.
- Ainda não consigo encaixar isso na minha cabeça.
George estava tão pensativo e reflexivo quanto eu. A diferença era que George sempre fora covarde, então, ao mesmo tempo, ele estava com medo de que saísse mais alguma coisa daquela floresta, mas não um belo ser e sim uma horrível criatura.
- Nem eu... Ora, isso não aconteceu antes.
- Não mesmo. O que mais deve ter naquela floresta? Um Minotauro?! Minha mãe tinha razão quando me proibia de freqüentar aquela floresta.
Foi que surgiu uma coisa curiosa na minha cabeça. Meus pais sempre contavam coisas horripilantes sobre o bosque, mas algumas coisas magníficas também. Histórias sobre pessoas que se apaixonavam por ninfas e acabam perdidos por lá. Seria só coincidência? A única coisa que eu sabia era que eu estava um pouco assustado. Medo não, foi só um susto. Que poderia acontecer novamente, a qualquer momento. Bom, não custava nada tentar descobrir. Lembrei-me de que o tal homem iria ficar hospedado no hotelzinho fajuto da Sra. Petowsky. Vesti minhas roupas de frio e resolvi fazer uma visita para aquele cara.
Não me lembrava mais quando fora a última vez que saí na rua ao anoitecer e estava uma ventania como aquela. Ventava como se fosse para acabar o mundo MESMO, sem delongas. Só faltava me levar voando dali também.
Após andar alguns vários quarteirões, cheguei ao hotel. Eu havia chamado ele de fajuto, mas, pelo o que pude perceber, ele passara por uma bela reforma, que aí sim dava para o chamar de hotel fazendo jus ao nome. Entrei no hotel e fui logo à recepção. A Sra. Petowsky não estava tão diferente como na última vez que passei ali. Estava sentada na cadeira da recepção, anotando algumas coisas que não me interessava. Suas gorduras saltando das órbitas e sua cara de porco rabugento com aquele sorriso irritante e nauseante. Ao seu lado, um prato com duas roscas caprichosamente açucaradas e um copo de leite. Ao perceber que eu estava ali há algum tempo, observando cada defeito seu, ela me olhou e tentou sorrir, daquela maneira.
- Posso ajudar você?
- Sim, quero falar com aquele cara, o Órion. Grint.
- Ah, vou ver se ele está disponível.
Ela voltou a mexer em seus papéis e se concentrou neles, o suficiente para esquecer de olhar se ele poderia falar.
- Então?
Ela me olhou novamente.
- Então o que?
- Vou poder falar com ele ou não?
- Ah, sim, claro. Pode subir, primeiro andar, quarto nº864.
Não falei nada. Como alguém poderia acabar de receber o recado e imediatamente esquecê-lo? A pessoa não podia ser assim não...
Além de fazer uma reforma decorativa, parecia que ele havia aumentado o tamanho dos degraus, porque eu levava minha perna quase a minha testa para subir. Eu não me lembrava de ser assim da última vez.
Quando – finalmente – cheguei ao primeiro andar, procurei o quarto do homem e o achei, ao final do corredor. Bati e esperei que ele atendesse. Parecia que ele havia derrubado alguma coisa, provavelmente estava concentrado e havia assustado com as minhas (fracas) batidas na porta. Ele abriu, um pouco ofegante.
- Hei! – ele disse, como se fosse meu amigo há anos...
- Olá. Você ta ocupado?
- Não, garoto, entre.
Entrei. Em cima da escrivaninha do quarto, havia vários papéis e livros abertos, juntamente com um mapa. Estranhei aquilo tudo e voltei a encarar o cara.
- Em que posso ajudá-lo, garoto?
- Eu quero falar sobre aquela ninfa.
- Shh, não fale o nome agora! Isso atrai. – ele falou, olhando para a janela, certificando-se que não havia nenhuma... Ninfa vindo voando.
- Ah, ok... Mas, sobre aquilo de hoje cedo. O senhor quis dizer que tudo aquilo existe?
- Sim, caro rapaz, existe. – ele sorriu como uma criança e acendeu seu cachimbo.
- Mas, tudo? Ninfas, minotauros, todas as coisas da mitologia grega?
- Já falei, não fale muito o nome deles, principalmente o segundo. Esse é dos bravos... mas sim, jovem, isso existe. Estive procurando por muito tempo aonde eles estariam habitando agora e, pelo visto, acabei por achar!
- O que? Habitando agora?
- Sim. Todas essas criaturas em que nós, meros mortais, acreditávamos que não existiam, existe. Zeus que me perdoe, mas o minotauro, as ninfas, os sátiros, faunos, e tudo isso existem.
- Zeus que...?
Aquilo era muito impossível.
- Então o que aconteceu hoje?
- Tenho uma teoria. – o homem se levantou e foi até a escrivaninha. – Acredito que tenha alguém que esteja... Utilizando alguns desses seres para atacar outros. Por exemplo, Zeus que me perdoe... Ninfas são criaturas tão inofensivas quanto cobras. Não fazem nada contra você desde que não se sinta ameaçada. Para arrebatar uma dessas criaturas, você deve manipular uma outra mais poderosa ainda, que poderia ser no caso, Zeus que me perdoe novamente, um minotauro. A razão para uma pessoa ou um outro ser querer fazer isso é usar tais criaturas no cotidiano de qualquer pessoa.
- E por que você fala Zeus, e não Deus?
- Porque não é “deus”... – ele disse com um sarcasmo na voz. Ele pegou um livro e trouxe até mim. – São os deuses.
Olhei o livro. Havia tipo um desenho, com doze pessoas sentadas quase que em círculo. Uma pessoa se destacava mais, sentando-se no centro.
- Esse é o Olimpo?
- Sim. E essas pessoas são os Olimpianos.
Não dava para acreditar, se quer saber. Mas parecia ser muita verdade pro meu gosto.
- Então, você acha que tudo isso é real?
- Com absoluta certeza.
- Certeza? Por que certeza?
Senti que ele se hesitou um pouco. Logo deu as costas e voltou a encarar pela janela, dessa vez, contemplando o céu.
- Você acha que, Zeus que me perdoe, ver uma ninfa hoje não lhe deu tais provas?
Talvez.
- Creio que sim, mas... Não sei.
Ele me olhou.
- Gostaria de fazer um passeio na floresta?
Eu meio que gritei ‘não’ por dentro, mas acabei indo com ele.
Não era muito amigável estar ali na floresta com um cara estranho que acreditava em mitologias. Qual é cara, uma coisa é alguém acreditar na religião divina, que Deus existe e o Satanás também e todo aquele blábláblá, mas... Mitologias? Digo, todos aqueles deuses?! Zeus, Hera, Apolo, Atena, Poseidon, Ares, Hermes, Dioniso, Demétrio e mais alguns.. Todos eles... Existem? Não, obrigado. Prefiro o catolicismo, é menos pior. Quando dei por mim, Órion parou e começou a observar atentamente a floresta.
- O que você...?
- Rápido, garoto, procure uma árvore torta com frutos rosas.
O que? Ele ficou doido. Mas comecei a procurar. Olhava atentamente, assim como ele, cada árvore que havia ali. Eu não sei como eu iria diferenciar uma fruta rosa de uma fruta vermelha, porque à noite eu ficava completamente daltônico.
- Ali, menino. – ele cochichou.
Eu falei. A árvore estava na minha frente e eu não vi. Era uma árvore torta. MUITO torta, que era indiscutível sua tortoridade (?). E ela havia frutos... Para mim eram vermelhos, mas para ele eram rosas.
- Ninfa, desfaça-se. – disse Órion, meio alto.
Eu não esperaria que a árvore se mexesse, mas nesse exato momento, ela começou a se mexer. Começou a ficar completamente reta e a diminuir seu tamanho. Os dois únicos galhos que haviam, um de cada lado, começaram a tomar forma de braços. O “pé” da árvore se dividiu em dois e formou duas pernas brancas... E as folhas e frutos deram lugar a cabelos longos, sedosos e morenos, com algumas flores rosas. Logo o rosto da mulher formou-se, abrindo lugar a uma boca carnuda e vermelha e grandes olhos azuis e belos. Era tipo... A mulher perfeita, com um magnífico corpo escultural.
- Olá Órion. – ela disse, abrindo um atraente sorriso.
- Bebetith.
Logo ela olhou para mim, lançando um olhar hipnotizante.
- Quem é o seu amigo? – ela se aproximou, ainda com o sorriso estampado.
Ela meio que começou a me cheirar por todo o corpo, tocando em mim com mãos macias... Eu não estava ligando.
- Deixe o garoto, ele é comprometido.
Imediatamente ela parou, escondendo o sorriso. Acordei de meu transe e me aproximei de Órion. Acho que ele era mais seguro do que ela.
- Que pena. – ela sorriu. – Em que posso ajudá-los?
- Vimos uma de suas irmãs hoje. Ela estava...
- Morta? – ela nos olhou diretamente nos olhos, com uma expressão triste e preocupada.
- Bom, achamos que não, porque...
- Sim, deveria estar. – ela se virou de costas. Não pude deixar de reparar na sua... – Ultimamente, muitas de nós estão morrendo. Havia um brilho em torno dela? – ela se virou novamente e voltei a olhá-la nos olhos.
- Sim.
- É... O que está acontecendo? Não sabemos por onde começar a pensar. Pensamos que fosse um dos Males.
- Males?
- Te explico depois. – Órion disse, olhando para mim espontaneamente. – Sim. Se precisar, é só tocar.
Ela sorriu, em agradecimento, e toda aquela forma linda e exuberante voltou a ser uma árvore feia e torta.
Olhei para ele.
- É só tocar?
Ele me olhou.
- Bom, é uma longa história.
Volte ao topo para comentar!
Fechar a janela para voltar ao POP
Capítulo 1 – Passo a odiar Mitologia
Pois bem.
O ano, que me lembro bem, era 1940. Auge da Segunda Guerra Mundial. O local era Eastbourne, interior da Inglaterra. Eu não era rico, mas não era um total necessitado. Minha mãe era professora, mas meu pai era advogado. Eu tinha 16 anos. Era um fanfarrão... Magrelo, nem tão alto, cabelos pretos como o breu e olhos tão azuis quanto o mar. Nunca passei vontade de desejar algumas aventuras com garotas comprometidas ou não... Sempre consegui o que quis. Ou quase tudo. Lembro-me bem de quando tinha apenas 6 anos e eu queria um carrinho de madeira. Bom, na época, não era fácil conseguir um e eu sabia perfeitamente que meu pai ou a minha mãe tinham condições para me comprar um. Afinal, não era qualquer um que chegava no colégio com um brinquedo daqueles e para minha sorte, pude ser o primeiro. Outra vez, alguns anos depois, quando eu tinha 12 anos e beijei pela primeira vez. A garota a princípio, não queria somente a mim, mas a um outro, que fiz questão de apagar o nome da minha memória, mas acabei por convencê-la depois de dizer que o tal cara tinha problemas nas glândulas salivares (eu mesmo não sabia bem o que era isso) e babava muito. E assim eu fiz.
Mas eu havia sossegado desde que completara 15 anos, quando meu pai finalmente resolveu servir para o país. Aquilo para mim foi o fim de tudo.
Ele sempre fora meu herói. Eu não via outra pessoa melhor do que ele. Calmo e muito inteligente... Sempre me ajudava quando eu estava em conflitos com alguma coisa e sempre me ouvia quando eu tinha dúvidas. Minha mãe era tão boa quanto ele, só que às vezes, ela se estressava um pouco. O mundo dela desabou quando meu pai teve de ir para a guerra. Ficamos apenas eu e ela.
Mas havia coisas que conseguiam nos distrair, se quer saber. Minha mãe tinha a melhor amiga dela, Nancy, que era nossa vizinha. Elas sempre foram amigas, desde que estudavam juntas. Nancy era diretora da escola, logo as duas trabalhavam juntas. Imagine só, passar 24h juntas. Às vezes eu achava que ela via mais Nancy do que a mim. E ela tinha uma filha, que tinha minha idade, se não um ano a mais. Isso não importava. Ela era minha mira, agora. Fazia um tempo que já havia notado o quanto ela era diferente. Mas ela não dava sinais. Não retribuía os olhares, ou os sorrisos. Todo o dia eu ficava sentado na calçada, conversando com o meu vizinho de frente, e sempre que ela chegava em casa, ela dizia a mesma coisa.
- Oi para vocês.
Ela falava mais para o chão do que para mim ou para George. Sim, não mencionei sobre ele. Era mais amigo do que meus colegas de escola mesmo... Quer dizer, ele era o meu colega e meu vizinho. Isso que fortaleceu nossa amizade. Eu não confiava mais em ninguém a não ser ele. Era legal como tínhamos os mesmos pensamentos sobre diversos assuntos, principalmente os meus preferidos: mulheres e música.
- Logan, entre e vá jantar, meu filho. Oi George. Vamos jantar?
- Ah, claro Sra. Lerman! – disse George, um pouco nervoso.
Eu nunca descobri o porquê, mas ele nunca se intimidou com minha mãe; sempre teve um pouco de receio e medo, como se ela fosse Hitler. Eu sempre ria quando ele tentava imaginar o porquê dela estar de cara ruim, algumas vezes. “Deve ser minha presença!”, ele sempre dizia isso. Até que um dia eu a obriguei a dizer a ele que ele não tinha nada a ver com o humor dela, que, então, poderia ficar relaxado. A partir daí, ele sempre tentou parecer normal na presença dela.
No final do jantar, minha mãe retirou os pratos e sentou à mesa com a gente.
- Estou pensando em tirar férias.
- Sério, mãe? Que ótimo. – ela realmente precisava.
- Sim, e... Acho que vou viajar com Nancy.
Eu pensava que ela gostaria de ir comigo.
- Vai viajar em meio à guerra, Sra. Lerman? Não acha um pouco arriscado? – comentou George.
Ele tinha razão.
- Ele tem razão, mãe.
- Não, queridos, fiquem tranqüilos. Vou até Cambridge. Vamos de trem, será tranqüilo.
- Se a senhora diz... E que dia vai? – perguntei enquanto me levantava e lavava minhas mãos.
- Não sei, talvez amanhã mesmo. – ela se levantou também.
A olhei. Sua expressão eram duas ao mesmo tempo: de alegria e de preocupação. Depois de 2 anos ela iria tirar férias prolongadas, mas infelizmente isso foi bem no meio da guerra. Essa tal guerra estava cessada até o momento, mas poderia recomeçar a qualquer hora.
- Será que você vai conseguir se cuidar sozinho? – ela sorriu timidamente.
Eu e George rimos.
- Essa foi boa. – ele comentou.
- Sim, mamãe, ainda tenho George para me limpar e me dar comida. – ri um pouco abafado.
~*~*
E assim como combinou, partiu para essa tal viagem no dia seguinte bem de manhã. Ela apenas me deixou um bilhete:
“Você estava dormindo tão bem, não quis acordá-lo. Deixo aqui meu beijo. Há dinheiro na lata de legumes. Tem o suficiente para ficar duas semanas sozinho, tudo bem? Te amo.”
Ok, agora eu estava realmente sozinho. Me sentei na mesa e comecei a analisar o que comer.
- Acho que vou tomar banho. – falei para mim mesmo.
Como de costume, assim fiz o banho e me sentei lá fora. Ainda estava uma manhã tranqüila, nublada e fria. Nem parecia que já eram 10h da manhã. Comecei a brincar com as pedras no meio da rua. E quando barulho de passos me chamou a atenção, olhei para o lado e era Britanny, a minha vizinha. Sorri formidavelmente.
- Bom dia. – e então disse algo diferente, pela primeira vez.
Ela me olhou como se eu fosse um E.T. e sorriu, timidamente.
- Bom dia.
Logo entrou um tanto apressada em casa. Eu não sei aquilo fora repulsa, vergonha ou medo. Qualquer que fosse, me fez rir.
Então, de repente, fez-se um barulho estrondosamente ao final da rua. Olhei, em tanto desespero. Parece que havia ocorrido uma pequena – mas barulhenta – explosão ali. Me levantei e percebi que todos os moradores começaram a se aglomerar ali. George e sua família saíram dali e juntos começamos a ir em direção lá.
- O que aconteceu?
- Eu não sei, eu estava distraído...
Nos aproximamos. Era uma cena estranha e ao mesmo tempo, medonha. Era como se fosse uma mulher, seminua – digamos que apenas com as partes de baixo e o seio esquerdo tampados – totalmente paralisada. Pelo visto estava morta. Em sua volta havia.. Como se fosse um líquido prata e brilhoso. Ela tinha o rosto perfeitamente... Perfeito! Era maravilhosa. Pela branca, quase albina. Cabelos sedosos e loiros. Estranho. Era algo sobrenatural aquela beleza toda.
- Quem é essa? – uma voz na multidão perguntou.
- Não é quem, mas o que. – disse uma voz um tanto além.
Todos olharam. Um homem com a aparência sombria se aproximou e examinou.
- É uma ninfa.
- Ninfa?
- Ninfa?!
- Não são lendárias?
Exatamente. Para mim, eram lendas.
- Bom, pelo visto não.
O homem agachou e analisou. Logo se ergueu, depois de um tempo.
- Como você sabe? – perguntei. Todos me olharam como se eu fosse o último ser que tivesse direito de estar ali e como se minha pergunta fosse um absurdo. Bom, eu sabia que não era nada nem parecido.
- Como eu sei? – ele perguntou depois de alguns longos minutos em silêncio. Talvez estivesse só pensando na resposta. – Não reconhece uma Ninfa quando a vê? – ele tornou a olhá-la. – Sua pele macia e clara. Aposto que todos nunca viram tal beleza. Seu sangue, brilhoso e denso. Aposto que nunca viram alguém sangrar de tal modo.
- E como a matou? Até onde sei, não se pode matar uma ninfa.
- Não se pode? – ele perguntou, astuto, do mesmo tom da outra vez. Mas dessa vez não foi eu quem perguntou. – Claro que se pode, mas não um mortal como nós. De onde ela veio?
- Da floresta.
O homem olhou. Andou de um lado para outro e tornou a olhar a ninfa.
- Preciso de um lugar para ficar.
- Desculpe, quem é o senhor? – perguntei.
Ele me olhou e sorriu marotamente.
- Eu? Eu sou Órion Grint.
Não gostei do sorriso dele.
- Órion? Como aquele Órion da mitologia grega?
- Exatamente, mas com o Grint.
- Ah... Claro...
- Eu tenho uma estalagem, o senhor pode ficar enquanto for preciso. – disse a Sra. Petowsky. Nunca gostei dela mesmo, aquela velha gorda...
Como se já não nos bastasse um cara estranho em nossa cidade com um nome estranho e atitudes estranhas, acabara de passar nas cabeças de todos nós que nossa floresta também era estranha, com seres estranhos. Quer dizer, ninfas são coisas de contos de fadas ou mitologia grega. Pelo menos eu pensava que fosse desse jeito.
- Ainda não consigo encaixar isso na minha cabeça.
George estava tão pensativo e reflexivo quanto eu. A diferença era que George sempre fora covarde, então, ao mesmo tempo, ele estava com medo de que saísse mais alguma coisa daquela floresta, mas não um belo ser e sim uma horrível criatura.
- Nem eu... Ora, isso não aconteceu antes.
- Não mesmo. O que mais deve ter naquela floresta? Um Minotauro?! Minha mãe tinha razão quando me proibia de freqüentar aquela floresta.
Foi que surgiu uma coisa curiosa na minha cabeça. Meus pais sempre contavam coisas horripilantes sobre o bosque, mas algumas coisas magníficas também. Histórias sobre pessoas que se apaixonavam por ninfas e acabam perdidos por lá. Seria só coincidência? A única coisa que eu sabia era que eu estava um pouco assustado. Medo não, foi só um susto. Que poderia acontecer novamente, a qualquer momento. Bom, não custava nada tentar descobrir. Lembrei-me de que o tal homem iria ficar hospedado no hotelzinho fajuto da Sra. Petowsky. Vesti minhas roupas de frio e resolvi fazer uma visita para aquele cara.
Não me lembrava mais quando fora a última vez que saí na rua ao anoitecer e estava uma ventania como aquela. Ventava como se fosse para acabar o mundo MESMO, sem delongas. Só faltava me levar voando dali também.
Após andar alguns vários quarteirões, cheguei ao hotel. Eu havia chamado ele de fajuto, mas, pelo o que pude perceber, ele passara por uma bela reforma, que aí sim dava para o chamar de hotel fazendo jus ao nome. Entrei no hotel e fui logo à recepção. A Sra. Petowsky não estava tão diferente como na última vez que passei ali. Estava sentada na cadeira da recepção, anotando algumas coisas que não me interessava. Suas gorduras saltando das órbitas e sua cara de porco rabugento com aquele sorriso irritante e nauseante. Ao seu lado, um prato com duas roscas caprichosamente açucaradas e um copo de leite. Ao perceber que eu estava ali há algum tempo, observando cada defeito seu, ela me olhou e tentou sorrir, daquela maneira.
- Posso ajudar você?
- Sim, quero falar com aquele cara, o Órion. Grint.
- Ah, vou ver se ele está disponível.
Ela voltou a mexer em seus papéis e se concentrou neles, o suficiente para esquecer de olhar se ele poderia falar.
- Então?
Ela me olhou novamente.
- Então o que?
- Vou poder falar com ele ou não?
- Ah, sim, claro. Pode subir, primeiro andar, quarto nº864.
Não falei nada. Como alguém poderia acabar de receber o recado e imediatamente esquecê-lo? A pessoa não podia ser assim não...
Além de fazer uma reforma decorativa, parecia que ele havia aumentado o tamanho dos degraus, porque eu levava minha perna quase a minha testa para subir. Eu não me lembrava de ser assim da última vez.
Quando – finalmente – cheguei ao primeiro andar, procurei o quarto do homem e o achei, ao final do corredor. Bati e esperei que ele atendesse. Parecia que ele havia derrubado alguma coisa, provavelmente estava concentrado e havia assustado com as minhas (fracas) batidas na porta. Ele abriu, um pouco ofegante.
- Hei! – ele disse, como se fosse meu amigo há anos...
- Olá. Você ta ocupado?
- Não, garoto, entre.
Entrei. Em cima da escrivaninha do quarto, havia vários papéis e livros abertos, juntamente com um mapa. Estranhei aquilo tudo e voltei a encarar o cara.
- Em que posso ajudá-lo, garoto?
- Eu quero falar sobre aquela ninfa.
- Shh, não fale o nome agora! Isso atrai. – ele falou, olhando para a janela, certificando-se que não havia nenhuma... Ninfa vindo voando.
- Ah, ok... Mas, sobre aquilo de hoje cedo. O senhor quis dizer que tudo aquilo existe?
- Sim, caro rapaz, existe. – ele sorriu como uma criança e acendeu seu cachimbo.
- Mas, tudo? Ninfas, minotauros, todas as coisas da mitologia grega?
- Já falei, não fale muito o nome deles, principalmente o segundo. Esse é dos bravos... mas sim, jovem, isso existe. Estive procurando por muito tempo aonde eles estariam habitando agora e, pelo visto, acabei por achar!
- O que? Habitando agora?
- Sim. Todas essas criaturas em que nós, meros mortais, acreditávamos que não existiam, existe. Zeus que me perdoe, mas o minotauro, as ninfas, os sátiros, faunos, e tudo isso existem.
- Zeus que...?
Aquilo era muito impossível.
- Então o que aconteceu hoje?
- Tenho uma teoria. – o homem se levantou e foi até a escrivaninha. – Acredito que tenha alguém que esteja... Utilizando alguns desses seres para atacar outros. Por exemplo, Zeus que me perdoe... Ninfas são criaturas tão inofensivas quanto cobras. Não fazem nada contra você desde que não se sinta ameaçada. Para arrebatar uma dessas criaturas, você deve manipular uma outra mais poderosa ainda, que poderia ser no caso, Zeus que me perdoe novamente, um minotauro. A razão para uma pessoa ou um outro ser querer fazer isso é usar tais criaturas no cotidiano de qualquer pessoa.
- E por que você fala Zeus, e não Deus?
- Porque não é “deus”... – ele disse com um sarcasmo na voz. Ele pegou um livro e trouxe até mim. – São os deuses.
Olhei o livro. Havia tipo um desenho, com doze pessoas sentadas quase que em círculo. Uma pessoa se destacava mais, sentando-se no centro.
- Esse é o Olimpo?
- Sim. E essas pessoas são os Olimpianos.
Não dava para acreditar, se quer saber. Mas parecia ser muita verdade pro meu gosto.
- Então, você acha que tudo isso é real?
- Com absoluta certeza.
- Certeza? Por que certeza?
Senti que ele se hesitou um pouco. Logo deu as costas e voltou a encarar pela janela, dessa vez, contemplando o céu.
- Você acha que, Zeus que me perdoe, ver uma ninfa hoje não lhe deu tais provas?
Talvez.
- Creio que sim, mas... Não sei.
Ele me olhou.
- Gostaria de fazer um passeio na floresta?
Eu meio que gritei ‘não’ por dentro, mas acabei indo com ele.
Não era muito amigável estar ali na floresta com um cara estranho que acreditava em mitologias. Qual é cara, uma coisa é alguém acreditar na religião divina, que Deus existe e o Satanás também e todo aquele blábláblá, mas... Mitologias? Digo, todos aqueles deuses?! Zeus, Hera, Apolo, Atena, Poseidon, Ares, Hermes, Dioniso, Demétrio e mais alguns.. Todos eles... Existem? Não, obrigado. Prefiro o catolicismo, é menos pior. Quando dei por mim, Órion parou e começou a observar atentamente a floresta.
- O que você...?
- Rápido, garoto, procure uma árvore torta com frutos rosas.
O que? Ele ficou doido. Mas comecei a procurar. Olhava atentamente, assim como ele, cada árvore que havia ali. Eu não sei como eu iria diferenciar uma fruta rosa de uma fruta vermelha, porque à noite eu ficava completamente daltônico.
- Ali, menino. – ele cochichou.
Eu falei. A árvore estava na minha frente e eu não vi. Era uma árvore torta. MUITO torta, que era indiscutível sua tortoridade (?). E ela havia frutos... Para mim eram vermelhos, mas para ele eram rosas.
- Ninfa, desfaça-se. – disse Órion, meio alto.
Eu não esperaria que a árvore se mexesse, mas nesse exato momento, ela começou a se mexer. Começou a ficar completamente reta e a diminuir seu tamanho. Os dois únicos galhos que haviam, um de cada lado, começaram a tomar forma de braços. O “pé” da árvore se dividiu em dois e formou duas pernas brancas... E as folhas e frutos deram lugar a cabelos longos, sedosos e morenos, com algumas flores rosas. Logo o rosto da mulher formou-se, abrindo lugar a uma boca carnuda e vermelha e grandes olhos azuis e belos. Era tipo... A mulher perfeita, com um magnífico corpo escultural.
- Olá Órion. – ela disse, abrindo um atraente sorriso.
- Bebetith.
Logo ela olhou para mim, lançando um olhar hipnotizante.
- Quem é o seu amigo? – ela se aproximou, ainda com o sorriso estampado.
Ela meio que começou a me cheirar por todo o corpo, tocando em mim com mãos macias... Eu não estava ligando.
- Deixe o garoto, ele é comprometido.
Imediatamente ela parou, escondendo o sorriso. Acordei de meu transe e me aproximei de Órion. Acho que ele era mais seguro do que ela.
- Que pena. – ela sorriu. – Em que posso ajudá-los?
- Vimos uma de suas irmãs hoje. Ela estava...
- Morta? – ela nos olhou diretamente nos olhos, com uma expressão triste e preocupada.
- Bom, achamos que não, porque...
- Sim, deveria estar. – ela se virou de costas. Não pude deixar de reparar na sua... – Ultimamente, muitas de nós estão morrendo. Havia um brilho em torno dela? – ela se virou novamente e voltei a olhá-la nos olhos.
- Sim.
- É... O que está acontecendo? Não sabemos por onde começar a pensar. Pensamos que fosse um dos Males.
- Males?
- Te explico depois. – Órion disse, olhando para mim espontaneamente. – Sim. Se precisar, é só tocar.
Ela sorriu, em agradecimento, e toda aquela forma linda e exuberante voltou a ser uma árvore feia e torta.
Olhei para ele.
- É só tocar?
Ele me olhou.
- Bom, é uma longa história.

