Adventures In London

Autora: Anni.P.Ribeiro
Status: Em Andamento
Revisada por: Hata
Categoria: McFLY Fics
Sub-Categoria: PartFic - Romance/Comédia
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Capítulo um

O calor criava pequenas gotas de suor na pele dos passageiros. olhou as amigas, abanava-se freneticamente tentando em vão espantar o calor que sentia, enquanto ao seu lado dormia tranqüila com seus fones enterrados embaixo dos cabelos. "Era de se admirar" admitiu, porém seria melhor que escutar reclamando ao seu ouvido. Talvez seguisse o exemplo de . A voz da aeromoça soou na cabine:
"O vôo 727 são Paulo/Londres chegará ao seu destino em cinco minutos. Por favor apertem seus cintos ao acender da luz vermelha e apenas os soltem com a luz verde. As saídas serão indicadas pelas comissárias de bordo, evitem tumulto. Pedimos desculpas pelas falhas no sistema de refrigeração. Agradecemos por escolherem a Gol vôos internacionais.”. O silêncio era pontuado apenas por alguns cochichos e fechos sendo apertados. soltou seu leque improvisado com jornal para apertar o cinto da amiga que ainda dormia. O avião chacoalhou levemente e mexeu-se desconfortável, as horas de vôo não fizeram muito bem a nada que ficasse do pescoço para baixo. Ela esticou-se estalando a espinha.
- Já disse o quanto isso me arrepia? - perguntou . revirou os olhos, adorava , mas tinha vontade de enfiar sua cabeça no lixeirinho do banco.
- Já disse, mas não quero sair do avião como uma corcunda. - respondeu segurando seus pensamentos maldosos.
- Estou ansiosa. - soltou ela de novo. - estamos indo para Londres,, Londres. - repetiu bobamente. , droga, quando se livraria daquele apelido.?!
O sinal verde piscou acima de suas cabeças. soltou rápida o cinto que a segurava. Nunca entendera muito bem cinto em aviões, se chegassem a cair, não seria aquele couro fininho que salvaria sua vida. Provavelmente numa queda pularia o mais longe possível das paredes, eram sempre as primeiras a queimar nos filmes e o cinto apenas atrapalharia. viu acordar com um leve aceno no seu ombros. Deveria realmente ter dormido como a amiga. Elas seguiram para o aeroporto. O check-in era uma chatice, provavelmente mais cansativo que a própria viagem, principalmente quando um dos seguranças ingleses implicou com sua amiga chapada de sono e resolveu revistar toda sua bagagem. achava que teriam passado bem, se não o mandasse enfiar o mp4 por sua "saída principal" quando o mesmo insinuou o aparelho ser uma bomba. - Todas inteiras? - questionou sentando-se ao nosso lado. Os duros bancos de plástico do aeroporto não eram o que poderia se chamar de bem, mas estávamos inteiras e isso era uma vitória levando em consideração o estado estressado de .
- Vamos sobreviver. - confirmei arrancando um sorriso de .
- Meninas estamos em Londres. - citou novamente . Como se pudéssemos esquecer.
- Por favor , eu só vou dar um chute na cabeça dele. - implorou - eu devo isso aos meus ancestrais.
- Vamos esquecer os seus ancestrais e pensar na sua futura geração. - brinquei com ela. Acho que se o "sim" saísse de meus lábios, veríamos sangue inglês jorrar no aeroporto - Não, vamos sair logo daqui. - conclui puxando elas para a rua nublada de Londres.
Era realmente O Sonho. Provavelmente tudo o que eu imaginara. As casas, os prédios, os carros, as pessoas, o movimentos, era tudo tão...inglês. E tudo tão difícil de encontrar, estávamos quase duas horas andando por Londres com e seu mapa. Exatamente da onde ela arranjara um mapa eu não tinha idéia, mas a cada passo nos aprofundávamos mais no centro desconhecido de Londres. Acho que se não estivéssemos as quatro deslumbradas com a cidade, alguém já teria surtado. Uma leve e típica chuva londrina começou a cair, molhando nossos cabelos e esfriando a pele. - , você tem certeza pra onde estamos indo? - perguntou olhando o mapa nas mãos da amiga. Estávamos paradas em um cruzamentos deserto, a chuva espantara o movimento.
- Absoluta. - disse virando o mapa em outra posição e olhando as ruas em volta. Iríamos ficar em uma pensão barata, esse era o plano principal ou pretendíamos, antes de nos perdermos em Londres.
tirou uma maçã da bolsa. Meu estômago avisou que estava prestes a colar nas costas. era realmente a mais inteligente, deveria eu ter trazido algo para comer. - Fazemos assim - comentou entre uma dentada e outra. - vamos comprar outro mapa, um que funcione de preferência. - ironizou ela com a boca cheia.
- Esse mapa funciona. - respondeu entre dentes.
- Ah, então é você que não sabe usar ele. - retrucou com uma voz vitoriosa.
- Meninas, vamos parar com isso. - disse sentando no degrau da construção mais próxima. - somos amigas, mochileiras, e vamos ficar um bom tempo juntas. Não podemos brigar logo de cara. - elas sentaram-se ao meu lado. Era um fato, tínhamos que nos ajudar e brigar não ajudaria em nada. Fora nosso sonho e amizade que nos trouxe a Londres, a cidade das aventuras e cidade da rainha, a cidade do rock e principalmente: a cidade do Mcfly, uma das únicas coisas em que as quatro personalidades diferentes combinavam. Nosso problema antes era o dinheiro, depois as autorizações, depois a documentação, e por último nós. - lembrei elas, enquanto olhava a rua sendo lavada pela chuva leve. - e agora estamos aqui, como mochileiras que não tem como cair mortas, mas estamos. Não vamos deixar isso abater o grupo, quando o mais difícil já foi superado.
- Você tem razão. - completou . - será uma viajem incrível e se alguém quiser impedir isso, vai apanhar.
- É meninas, nada de brigas. - disse sorrindo, com os olhos brilhando. - Estamos em Londres. - ela só sabia dizer aquilo?! Mas foi mais rápida que meus pensamentos enfiando sua maçã na boca de .
- Chega de repetir isso DUDE. - disse rindo com o grupo, e até a própria . - nós já entendemos.
- Agora o problema é onde fica essa bendita pensão. - reclamou . Todas olhamos ela, que deu de ombros - eu admito, não sei onde estamos. Todas as ruas parecem as mesmas.
- Estamos perdidas em Londres. - comentou . - isso parece tão clichê.
- Seria menos clichê se na frase você colocasse, "estamos perdidas em Londres, porque nossa navegadora, perdeu o miolo de pombo." - brincou . Ás vezes eu não entendia as piadas da .
- O que você quis dizer com isso, ? - perguntou tentando achar graça. Eu não podia culpá-la, eu também não achava graça.
- Sabe, pombo tem orientação cerebral. - falou como se fosse óbvio, mesmo não sendo. - é uma parada que faz ele chegar nos lugares certos, eu vi no Disney Chanel. - completou desesperada com nossa cara de dúvida. - ta desisto. A piada não tem graça quando tem que explicar mesmo. - terminou derrotada dando de ombros e fazendo todas rirem.
- Uma dica . - disse entre risos. - não seja comediante, nunca.
- Se quisermos matar alguém mandamos a contar uma piada. - riu mais animada. Era em momentos como esse que eu sabia o porquê éramos amigas. Eram as únicas pessoas que conseguiam transformar uma tarde chuvosa de Londres em uma grande piada.
- OMG. - exclamou de repente. - como vamos resolver isso? - perguntou olhando as amigas. - porque não to muito afim de passar minha primeira noite embaixo da ponte de Londres. - suas palavras transformaram o animo do grupo em uma chuva cinzenta.
- Excuse me?! - perguntou a voz com a forte pronúncia inglesa. às vezes se atrapalhava em entendê-los, mas apurava seus ouvidos, assim como as meninas. - posso ajudá-las?
Ele era lindo. O que reforçava minha teoria de que 75% da população masculina inglesa é perfeita. O que não é difícil de concluir, quando temos Bacram, Robert Pattison, Daniel Radcliffe e McFly, como o mais puro exemplo, além daquele lindo loiro de olhos intensamente azuis na nossa frente. Nunca pude ler mentes, não faz parte da minha natureza, mas sabia exatamente o que minhas três amigas pensavam, pois nosso silêncio dizia tudo.
- Vocês estão bem? - perguntou ele novamente. Quanto tempo será que ficamos olhando?!
- Ah, sim obrigada. - respondi apressada, tomando cuidado para não me atrapalhar nas palavras. - apenas estamos descansando e esperando a chuva passar - menti. Oras, quem não mentiria?! Admitir que estava perdida numa das cidades mais bem preparadas para o turismo de toda a Europa, não era exatamente algo de se orgulhar. Digamos no claro português, que era pura burrice. Ele sorriu e nossa que sorriso. Nada muito espalhafatoso, mas o suficiente para fazer as quatro, que há pouco brigavam, sorrirem junto bobamente.
- Vocês me pareciam... perdidas. - comentou encostando na beirada da porta em um movimento despojado. Olhei a porta a suas costas, haviamos sentado em frente a uma antiga casa. Será que ele viera para nos tirar do abrigo da chuva?! Ele que tentasse, estávamos num país livre e até onde poderia analisar estavamos apenas na calçada. Sua simpatia por ele sumira com esse pensamento rápido.
- E o que lhe faz pensar isso?! - questionou indignada, recebendo olhares furiosos das amigas que ainda sorriam simpáticas.
- Bem, - começou ele se aproximando. Minha tia sempre dizia que a maior beleza estava na distância. Isso porque nunca tinha vindo à Inglaterra. Ele era exatamente mais bonito de perto que de longe. - vocês estão ensopadas, o que significa que não são daqui para andar por Londres nessa época sem guarda chuva. Mesmo seu inglês sendo bom, ainda sinto uma pontada do latim, vocês devem falar algo como português ou espanhol. Estão com mochilas grandes de viajem e discutiam na porta de minha casa. - ele sorriu olhando as expressões um pouco impressionadas. Admito, estava impressionada. Digam-me, quantos homens observadores você conhece?! Eu respondo: NENHUM. Homens são por natureza desligados. Se o assunto na lhe interessava nunca absorvem o ambiente ao seu redor. A esposa poderia colocar a lingerie mais cara da loja, passar perfume delicadamente, pôr pantufas, banhar-se em óleos de pétalas, fazer uma maquiagem realçando sua beleza e prender o cabelo em um coque frouxo. Ao chegar no quarto com 89% de chance que o marido perguntar se ela cortou o cabelo. - e estavam lendo o mapa de cabeça para baixo. - terminou ele mostrando o mapa na mão de , que o escondeu rápida nas costa.
- É estamos perdidas. - meteu-se . Poderia descrever como a mais impaciente do grupo, mas agradecia a ela por ter tomado as rédeas do assunto, já que minha voz poderia sair estranha naquele momento ou mais provavelmente nem sair. - poderia dizer onde fica a pensão Happy Day? - completou sorrindo.
- Sim. - falou feliz, saindo da frente da porta e apontando para a mesma. - sejam bem vindas a pensão Happy Day. - ele sorriu para cada uma indicando a entrada.
seguiu as amigas carregando as mochilas pelo pequeno corredor. A casa era linda, com sua madeira entalhada em cada pequeno canto, envernizada, ressaltando sempre os superiores acabamentos e tons ingleses. Era uma casa antiga, onde sua fachada de pedras e concreto escondiam o belo interior rústico e minuciosamente cuidado. A luz era praticamente de lâmpadas de latão, com o artesanato delicado, que levavam a imaginação a épocas remotas de uma Londres mágica. Havia cadeiras numa pequena sala logo após o corredor. Sofás bens cuidados, feitos de madeira entalhada e veludo claro, descansavam perfeitamente em frente a lareira acesa. O gosto pela decoração delicada era visto em cada pequeno detalhe, desde os retratos expostos em cima da lareira, com as fotos de pessoas sorridentes e cenas memoráveis, até os vasos de porcelana antiga, provavelmente passados de geração em geração para estarem ali com as rosas amarelas na pequena mesa de mogno, onde algumas revistas haviam sido empilhadas.
- Vocês devem ser as brasileiras. - falou o rapaz, na intenção de quebrar o silêncio.
- Somos. - cantarolou . Fazendo todos rirem.
- Sou Jake. - apresentou-se sorrindo. Meu Deus ele não cansava de sorrir?! - minha tia é a dona da pensão.
- Achei que era ela que nos receberia. - certo, eu estava sendo mal educada e provavelmente roubando o título da . Mas quem se importava?! Eu não tinha ido com a cara dele mesmo.
- Ela foi ao mercado. - disse sem demonstrar ter percebido minha falta de educação. - estará aqui em breve.
- Você mora aqui? - perguntou entusiasmada. Olhei feio para ela que apenas deu de ombros.
- Não. Sou de Newcastle. Apenas passando as férias na ensolarada Londres. - brincou - bem aqui é o quarto. - ele apontou uma porta lateral ao corredor. - no final fica o banheiro. Temos um aqui em cima e um embaixo. - ele entregou-me uma chave. - a cozinha funciona às nove, ao meio dia e às cinco da tarde. Qualquer coisa que precisarem meu quarto é a primeira porta depois do banheiro. - disse piscando, recebendo risinhos menos de que continuava de cara fechada.
O quarto era pequeno, com duas camas de solteiro. Mas não poderíamos gastar demais, por isso não iríamos nos importar muito. e ficariam com as camas na primeira semana, e dormiriam nos colchões de ar no chão.
- Achei ele fofo. - declarou após alguns minutos em que todas arrumavam algumas coisas.
- Será que ele tem irmão ou primos? - brincou maliciosa.
- Pra mim é um arrogante. - declarou sem olhar para as amigas. Ninguém disse nada, sabiam que quando invocava com alguma coisa era pior que brava.
- Hey, sem essas caras. - gritou animada. - estamos em Londres. - disse imitando .
Não pudemos evitar, era uma emoção contagiante. Era algo diferente. Estávamos cansadas, felizes, nostálgicas, estávamos no lugar que tantos sonhamos. Estávamos em Londres e nada poderia ser mais emocionante.

Capítulo Dois.

Eu mantinha as cortinas do quarto fechadas, evitando assim qualquer luz. Alguma coisa passava na televisão, mas eu não via direito enquanto comia algo gorduroso e cheio de chocolate. O pote de sorvete já havia acabado há três semanas, assim como a maioria das porcarias que eu mantinha no armário. Mesmo que eu não me importasse muito. Enquanto estava em baixo das cobertas, fechado no meu quarto e no meu mundinho, nada me importava muito. Alguém socou a porta.
- Tom,abre a porta. - pediu a voz do outro lado, como se conversasse com uma criança. Eu não respondi. E eles sabiam que não iria responder. Não sei exatamente o porque ainda insistiam tanto em me incomodar.
- Não adianta Doug. - disse a segunda voz. - A GENTE VAI ARREBENTAR ESSA MERDA SE VOCE NÃO ABRIR. - gritou Danny. Era impressionante como a voz dele era fácil de identificar quando gritava.
- A gente não pode arrombar a porta cara. - protestou Harry. - a casa é dele, sendo nosso amigo ou não, isso é invasão.
- Invasão o cú. - retrucou Danny. - e se ele morreu lá dentro, Judd?
Eu não me mexi. As vozes pareciam parte de um mundo paralelo e assim mereciam tanta atenção quanto o programa que passava na minha frente. Eu já o tinha visto vagamente. The OC. Ela adorava The OC. Sempre me obrigava a ficar com ela na hora para ver os conflitos amorosos clichês. Lágrimas desceram frouxas sem permissão. Se ela estivesse aqui, estaria assistindo comigo, se ela estivesse comigo eu estaria deitado em seu colo, enquanto fingia prestar atenção na série, apenas para aproveitar seu cheiro, seu toque, a maneira que se emocionava com as tramas, se ela estivesse aqui, eu não fingiria prestar atenção no programa sozinho.
- Ele não responde. - falou Dougie com uma pontada de desespero. - o que a gente faz? - Pega alguma coisa pra arrebentar - disse Danny prontamente. - Harry, pega o Doug pelos pés. - WHAT? - berrou Dougie. - fica longe.
- É pro bem do Tom. - afirmou Danny. - não vai doer nada. É só fechar os olhos e quando menos imaginar, sua cabeça abre a porta.
- Por que não usa a SUA cabeça Jones? - perguntou Dougie ríspido - ela é oca mesmo. - Escuta aqui seu anão. - começou Danny visivelmente indignado, mas o resto não pude escutar, porque Harry jogou-se com força contra a porta,arrebentando as laterais mais frouxas. Provavelmente eu deveria ter comprado portas de ferro ou algo mais resistente. - Tom. - disse Harry se aproximando da minha cama. - como você ta cara?
Olhei ele pela primeira vez em três meses. Não parecia ter mudado nada, o que era algo estranho se tratando do Harry. Ele sempre mudava alguma coisa. Sorri o máximo que consegui aos ver meus amigos. Alguma coisa revirou em meu estômago.
- Esse quarto ta um nojo. - afirmou Dougie. - até parece que tem um bicho morto.
- Cala boca, Dougie. - brigou Harry, sentando do meu lado.
- Por quê? É verdade, a gente devia manda a empregada da uma limpada. - continuou, se aproximando. - Provavelmente alguma coisa morreu no meio dessa lixarada.
- Cala boca, Dougie. - brigou Harry novamente.
- Por que porra? - gritou Dougie de volta. Era impressionante o quanto eles conseguiam brigar em qualquer situação.
- Porque o cheiro é o Tom, dude. - respondeu Danny mais baixo. Eles me olharam com pena. Eu devia estar horrível. O que era engraçado, levando em consideração que eu não me importava.
- Tom... Man. Você não pode ficar assim por muito mais tempo. - começou Harry. Eu via que ele media as palavras com cuidado.
Uma das coisas que eu mais gostava no nosso “bando” era que não tinha necessariamente um líder. Éramos diferentes em muitas formar, e na mais pura das ligações éramos unidos pela música. Sempre fora assim. Todos mandam, todos opinam, todos ganham. Mas eu sempre encarei Harry como um dos “líderes”. Muitos assuntos ele que resolvia, ele que olhava nos olhos e dizia: “Só mais um passo”, ou: “se desistir vai se fuder na minha mão”. - Eu estou bem. - retruquei um pouco indignado. Eles poderiam ter me dado mais alguns minutos com a minha mórbida solidão.
- Faz semanas que você se trancou aqui. - disse Danny chegando mais perto – essa não é a saída.
Além do Harry, tínhamos o Danny. Ele não era realmente o mais inteligente. Era do tipo que deixava a porta bater no próprio nariz, mas era definitivamente um líder à sua maneira. Mesmo sendo o líder dos “casos leves”, Danny usava toda sua inteligência e seu raro tato para ajudar a todos que podia. As garotas adoravam isso, o que ainda me faz questionar o por que de Danny estar solteiro.
De repente esse pensamento me apertou no peito. Solteiro como eu. Sozinho como eu. Era estranho pensar assim. Normalmente só usava essa palavra para descrever meus amigos. Eu nunca fora o solteiro. Sempre tivera a prova viva do amor e da cumplicidade. Eu sempre tivera Giovanna do meu lado. Mas não mais agora.
- Sei que você esta sofrendo, dude. - continuou Harry - mas a gente precisa de você. Ele tinha razão. Precisavam de mim. E eu havia parado minha vida e com isso parado a vida de outras muitas pessoas. Como eu cheguei a esse ponto de egoísmo?! A dor faz você fazer coisas que nunca faria em sã consciência.
Mas eu não sabia realmente o que fazer. Muitos dos meus objetivos e planos se perderam no momento que ela atravessara a porta com malas feitas. Era como ter meus sonhos jogados janela a fora.
- E seu quarto esta pior que o do Dougie. - brincou Danny chutando umas caixas de chocolate perto da minha cama. - vamos Tom. - disse com um leve tom de desespero. - a vida anda. - É man. - emendou Dougie. - a da Giovanna não parou. Vi numa matéria legal ontem de manhã que ela ta saindo com um ator de Nova York... AAU. - exclamou quando Harry lhe deu um pisão no pé para que ficasse quieto.
Se não fosse a situação atual eu realmente teria rido. Mas Dougie estava certo. Todos estão certos. Eu precisava mais pra mim que potes de sorvetes e caixas de comida chinesa com chocolate de sobremesa.
- Preciso chamar Teresa para arrumar essa bagunça. - falei levantando da cama antes que eles quisessem me tirar à força, e me referindo mais que apenas a bagunça que eu criara no quarto, mas uma faxina geral que jogasse fora tudo que não fosse meu.
- Esse é outro detalhe. - riu Harry sem graça. - Teresa despediu-se há uma semana .
- Como assim se despediu? - perguntei espantado. Como minha empregada se despedia e não me avisava?!
- Ela conseguiu uma passagem de volta ao México pelo consulado. - explicou ele, como se lembrasse um memorando decorado. - mas não conseguiu falar com você.
- Ótimo. - resmunguei. Uma empregada nova iria ajudar a mudar os ares do lugar. - o que eu perdi? - perguntei separando uma roupa limpa no armário.
- Dois programas do Top. Entrevista com uma Teen Magazine. Algumas entrevistas por telefone com revistas da América, e um programa de radio da estação 112. - recitou dougie. - Eu gosto dessa rádio. - reclamei comigo mesmo.
- Todos os shows foram adiados pra semana que vem. - continuou Harry me jogando o barbeador da mesa de cabeceira. Eu estava parecendo um homem das cavernas. - Dissemos que você estava doente e você perdeu os mais lindos acessos de raiva que o Fletch já deu. - completou com riso na voz.
- Ele ainda esta furioso? - perguntei antes de entrar no banheiro.
- Só que quer você volte logo. - contrapôs Danny.- esta preocupado, só isso.
- Então é bom não terem se acostumado a ficar coçando o saco. - rebati rindo, nem sei porque. Talvez a idéia de deixar de ser um frouxo chorão que eu fora nas últimas semanas tivesse me dado novo ânimo. - porque temos muito trabalho pela frente.
- É assim que se fala. - gritou Harry. Ele estava aliviado e não conseguia esconder.
- Alguém me empresta uma empregada? - pedi olhando meu quarto. O resto da casa deveria estar no mesmo nível de lixão.
- Eu encomendei uma por uma empresa muito boa da cidade. - gabou-se Dougie. - bem discreta. Ela assinou um termo de compromisso de sigilo. Se chama Greta. Entende inglês, mas não fala uma palavra sequer.
- É bonita? - perguntou Danny interessado.
- É claro que não. - retrucou Dougie como se fosse óbvio. - é uma baranga maior que eu. Frankie me arrancaria a cabeça se encontrasse uma mulher bonita no meu apartamento.
- Que seja. - cortei antes que Danny resolvesse criar uma discussão filosófica. - quando pode me emprestar ela?
- Depois de amanhã ta bom? - perguntou Dougie. - amanhã ela vai fazer faxina lá em casa. - Perfeito. - respondi mais animado. Não importava os solavancos e precipícios que minha vida tinha seguido. Era hora de recomeçar. Era hora de ser Tom Fletcher, o Rockstar.

Capítulo três

Londres era definitivamente a cidade mais linda do mundo. Desde a mais simples casa até a maior construção. Sem falar no absurdo número de gatos maravilhosos que eu podia ver por todos os cantos. Era incrível, quanto homem bonito tinha.
- acorda. - chamou no meu ouvido. Olhei brava para ela.
- Que é? - perguntei mau humorada. Tínhamos nos dividido em pares e eu acabara com , a manipuladora.
- Precisa prestar atenção. - disse um pouco autoritária. - não estamos no Brasil onde tudo é mais simples, e tudo se da um “jeitinho”.
- Pára de ser chata. - retruquei. Ela me olhou feio. Mas era a mais pura verdade. Ela estava sempre sendo a “mãe” do grupo, mesmo que ninguém a tenha elegido pra isso.
Provavelmente era por isso que me deixavam sempre com ela. Sabia que era a única que não dizia “sim, senhora mamãe”. Porque eu diria aliás? Não dizia "sim, senhora" nem pra minha mãe. E mesmo sendo uma das minha melhores amigas, não conseguiria esse feito histórico. - e não é por estar no Brasil que não dou o meu “jeitinho”. O jeitinho se da em qualquer lugar, , porque sou brasileira. - disse rindo da careta dela. - esse é o sentido final da frase cabeçuda.
- Que seja. - retrucou ainda rindo de leve. - Ande, precisamos estar na Starbucks antes da uma.
- Como se a e a estivessem mesmo preocupadas em chegar no horário. - ri o mais irônica que consegui. Havíamos nos separado em duplas para conhecer a cidade, o que seria mais prático que andar em um grupo maior que chamasse mais a atenção. Assim poderíamos conhecer tudo sem muita confusão. Nesse ponto eu concordara com , só nos sabíamos o tamanho das confusões que éramos capazes de criar quando estavam as quatro juntas. Nosso ponto de encontro era a Starbucks mais perto da pensão. Queríamos um primeiro almoço memorável. Com certeza tomar café e comer fritas com peixe (o máximo que podíamos gastar) na hora do almoço seria algo memorável.
- Eu sei. Mas se chegarmos antes, não pegamos fila, podemos escolher a mesa e - disse ainda sorrindo enquanto subíamos no nosso sexto ônibus hoje. - não corremos o risco de chegar atrasadas. Os ingleses são conhecidos por sua pontualidade.
- Ai Deus. - sussurrei me segurando para não rir. realmente estava encarnando aquele papel. Será que só ela não via o quanto estava com cara de turista assim?! - Se isso que você pegou for contagioso, mantenha distância. - brinquei me afastando de leve no banco. ria enquanto o ônibus chacoalhava.
Havia sido uma manhã quase perfeita. Havíamos tirado fotos de tudo que se mexesse e principalmente o que ficasse parado. Brincamos com os guardas do palácio de Buckinghan, ou melhor dizendo, eles apenas nos ignoram. Até o final da viajem. Eu faria eles rirem. Mas a emoção da foi logo no começo, quando subimos no nosso primeiro ônibus vermelho. Eu via seus olhos brilhando enquanto ela dizia animada:
“Me belisca .” sua voz de leve embargada de emoção. “isso só pode ser um sonho.” disse feliz como uma criança de cinco anos que nunca andara de ônibus. “É tão perfeito. E tão... tão...”
“Ridiculamente frio.” soltei quando senti o ônibus andar e o ar frio de Londres bater no meu rosto. Por que alguém ainda em sãm consciência ficaria naquele lugar por vontade própria?!
“Está perfeito” mentiu tilintando os dentes.
“Pára de ser trouxa garota.” ri da cara dela de frio. "Vamos descer. Isso não é pra gente, só alienígena consegue agüentar isso aqui.” ela me olhou azeda, mas desceu. Bem aprendemos a lição. Ônibus vermelho, só no andar de baixo. A não ser que você queira ver picolé de melhor amiga.
Na hora que chegamos a Starbucks meu estômago já estava querendo colar nas costas. Como eu imaginara, e ainda não haviam chegado. Mas eu não tinha tanta certeza se esperaria elas para comer. Aquele cheiro de comida já ativava todos meus instintos gulosa-assasina.
- Mais alguns dias e conseguimos nos acostumar a pontualidade inglesa. - disse feliz.
Porra, ela só podia fazer aquilo pra me provocar. Mas no final das contas, eu só conseguia rir. - Mais alguns dias e estamos voltando à despontualidade brasileira. - falei acompanhando ela a mesa vazia um pouco mais distante da porta fria. - pra minha total felicidade. - dramatizei revirando os olhos.
- Você não tem jeito. - exclamou rindo do meu drama. Sentamos em uma mesa de canto. As almofadas do sofá que circulava a mesa eram de um tecido vermelho e fofo. Joguei meu casaco no canto.
- Não mesmo. - rebati apenas por costume. Sempre brincávamos assim, talvez por e eu sermos as mais opostas possíveis. Enquanto ela era a boa menina, eu era a Bad Girl.
- Estou feliz que estamos aqui. - soltou ela igual era acostumada a fazer, só que com a voz um pouco mais controlada. - é como se estivéssemos no lugar certo.
- Pode ser. - falei pensando um pouco. Também sentia isso ás vezes, mas era tão passageiro que nem ligava. - mas aqui não é meu lar. Estou ansiosa para quando formos à Espanha. Nosso plano era Paris depois da Inglaterra. Conheceríamos alguns lugares da França, alguns pontos turísticos e faríamos o mesmo na Espanha, Portugal, Alemanha e Itália. Tudo com o pouco dinheiro que juntamos. Mas em menos de três meses, conheceríamos os paises mais TOP's da Europa.
- É vai ser legal. - comentou tirando seu caderno de anotações. cuidava das nossas despesas e ficava com a maior parte do dinheiro. Em questão de organização,ninguém mais no grupo sabia o que fazer. Ela cuidava do dinheiro, dos passaportes, das identidades e de todo o resto, como mapas e guia turístico. A idéia geral era que ficasse com uma pessoa e quando precisássemos pegávamos com ela. Eu pessoalmente preferia assim. Não precisava ficar me lembrando de levar o passaporte a cada canto que fosse. Já tinha certa dificuldade de levar minha carteira. Sempre preferi jogar o dinheiro no bolso e assunto encerrado.
Ela fez mais algumas anotações na pequena caderneta. Esse era outro ponto que eu não entendia na . Haja paciência para anotar tudo e além disso ler o que anotou depois.
- Vamos ficar mais três dias em Londres. - comentou olhando alguns mapas. Como se já não tivéssemos a cara evidente de sermos turistas, ela me abria um mapa na mesa. Onde estão aqueles buracos quando a gente precisa se esconder?!
- A pensão está barata e pelo que andei olhando vai ser mais lucro se formos aos pontos turísticos de trem. Outros lugares a estadia é mais cara.
- Ah não. Queria ficar o resto das férias lá. - disse brincando. - será que o Jake não quer vir com a gente?! Seria uma boa ter companhia.
Ela me olhou feio. Um olhar mortal e assassino. Eu sabia que ela não gostava do Jake, o que era outra coisa estranha na . COMO ela conseguia não gostar daquele Deus grego.
- Guarde essa animação para os espanhóis, . - e dizendo isso voltou à atenção aos papéis. Eu realmente estava feliz por aquilo tudo estar acontecendo. Eu estava realmente animada, não era todo dia que estávamos na Europa a passeio, mesmo que fosse um passeio cheio de detalhes delicados. Mas era algo maravilhoso poder estar ali e principalmente estar na terra do melhor rock do mundo com minhas três melhores amigas.

Capítulo quatro.

- Aumenta o tom Danny. - disse Tom arrumando a própria guitarra. - Dougie você esta errando a nota no segundo refrão. Presta atenção.
CARA. Ele voltou há um dia e já se apoderou do espaço. Eu disse pro Danny que ele ia colocar em dia todo esse tempo sem poder mandar em ninguém. Mas eu estava feliz do mandão estar de volta, nunca seria a mesma coisa sem ele. Eles eram minha família e sem um dos membros era como ter uma família incompleta. Só queria poder fazer mais pra melhorar o estado dele, mesmo mandando, coordenando e tocando como se nada tivesse acontecido, nós três sabíamos como Tom estava por dentro. Ele tentava fingir rindo e brincando, e para ajudar ele fingíamos junto. A imagem do Tom naquele quarto era de dar medo, ele era um dos caras mais fortes e centrados que eu conhecia e fora destruído por uma mulher, destruído por alguém que ele amava. Não que eu culpe a Gio, até que nos dávamos bem, mas ela terminar com ele foi um baque muito forte, talvez ela devesse ter pensado mais nisso antes de simplesmente sair porta afora com malas em mãos. Ainda bem que eu não sou tão apaixonado pela minha namorada a ponto de me enterrar em melancolia.
- DOUGIE ACORDA. - gritou Tom. A música já havia começado, mas eu me distraí em pensamentos. Ri sem graça e começamos de novo. Era a música que nos mantinha firmes, com os pés no chão e o coração pulsando. Era a música que nos mantinha são, conscientes e acima de tudo unidos. A música era nossa única paixão de verdade e essa paixão eu tinha certeza, nunca iria nos abandonar.
- E ae, Tom. - disse batendo nas suas costas. Estávamos fazendo uma merecida pausa de quinze minutos, que normalmente duravam uma hora. - amanhã mando minha mocreia pra tua casa.
Ele me olhou espantado, antes de entender de quem eu estava falando e rir de leve, voltando sua atenção para o caderno de músicas.
- Valeu Dougie. - disse anotando mais uma frase no caderno e riscando em seguida.
- Dificuldade pra escrever? - perguntou Danny abrindo uma garrafa de água.
- Não sei. - admitiu Tom. - talvez esteja sem prática. Mas parece que falta alguma coisa.
Todos se entreolharam preocupados. Eu queria rir, não era confortável ficar naquele silêncio toda vez que alguém mencionava Giovanna. Mas ele pareceu não perceber.
- Tudo pronto para o show sábado? - perguntou Tom ainda distraído com suas anotações.
- Fletch já esta resolvendo tudo. - respondeu Danny dedilhando algumas notas na guitarra. - McFly está de volta no sábado.
- Gente? - perguntei olhando para todos com um sorriso de orelha a orelha. - o quanto vocês me amam?
- Depende da distância que você está da gente. - retrucou Danny desconfiado. Danny pensava rápido.
- Eu te amo, meu anão. - disse Harry me abraçando por trás. - não liga pra esses sem graça.
- Que bom, Harry. - disse aproveitando um dos momentos Harry-gay. - Porque eu peidei.
- AAAAAHHHH DOUGIE. - disseram rindo e correndo do estúdio. - FICA AI. - gritaram pra mim enquanto fechavam a porta me deixando sozinho com os instrumentos. Essa era minha família. Era a única coisa que eu realmente amava.

Capítulo cinco.

- estamos perdidas. - disse um pouco desesperada no meu ouvido. - deve ta uma fera. Estamos uma hora atrasadas.
- Ela vai entender. - respondi pela milésima vez. Qual era o problema daquelas ruas com nomes todos parecidos? Qual era o problema daquela cidade que só tinha becos e prédios iguais?! Qual era o problema da sua amiga em ficar quieta e tentar ajudar ao invés de ficar martelando no seu ouvido?
- Vai nada. - riu - ela vai vira o Hulck isso sim.
Não pude deixar de rir ao imaginar verde e bombada como o Hulck e isso definitivamente acalmou o estresse. Mas eu sabia que isso iria acabar acontecendo. Digo, me perder e não virar Hulck. Quer dizer, todos que andavam com a se perdiam em algum momento. A garota era um verdadeiro imã para desastres. era a razão para ter sido escrito as leis do desastre. Eu devia ter é ficado com a , mas ao invés de perdida estaria louca de tanto que ela tentaria mandar em mim. Era um fato, eu tinha amigas problemáticas.
- Olha lá. - gritou quase histérica de alegria. - a Starbucks.
Ela tinha razão e sorri mais aliviada. Detestaria ficar realmente perdida. Além de estar morrendo de fome e frio.
O ambiente era maravilhoso, quente e aconchegante. Havia poucas pessoas, talvez por já ter passado da hora do almoço há algum tempo. Vasculhei o lugar e avistei e conversando em uma das mesas mais afastadas. Graças a deus elas tinham ficado longe da porta.
- Alô meninas. - disse sem me preocupar com o inglês. Havia falado inglês o dia inteiro e estava satisfeita de encontrar com quem eu pudesse dizer qualquer coisa em português.
- Nossa . - disse levantando e dando espaço para que eu sentasse. - estava ficando preocupada.
- Desculpe mamãe. - brinquei cutucando - vocês já comeram?
- Não. - disse mal humorada. - queria esperar vocês. Se eu tiver um colapso por falta de comida a culpa é sua .
Só conseguia rir, era bom de mais estar com elas. Fizemos nossos pedidos, o que incluía capuchinho, fritas e peixe.
- Vamos voltar para a pensão. - disse enfiando um punhado de batatas na boca. - escutamos que a temperatura vai cair mais, além do mais não quero ficar até tarde na rua.
- Eu queria ir numa boate que vimos. - disse mastigando o peixe, que pra mim tinha gosto de borracha.
- Não podemos. - respondeu - Não podemos sair do orçamento. Além do mais, nem sabemos se podemos entrar de boa.
- Está bem. - concordou . Eu entendia , ela cuidava das nossas despesas e não tinham muito dinheiro para ficar gastando. Uma boate seria um desperdício do dinheiro de viagem. Mas eu também queria ir.
- Já que vamos voltar, alcancem os passaportes e identidades. - falou pegando sua bolsa e colocando nossos documentos dentro.
Estiquei os braços com preguiça de levantar. Estava tão frio lá fora e tão quente ali dentro.
- Vamos voltar para “casa”. - disse olhando para elas com minha melhor cara de sapeca. - será que Jake esta ajudando a tia?
Todas, menos , sorriram. Ela realmente tinha implicado com o garoto.
- Não sei o que vocês vêem naquele garoto. - falou ela mal humorada enquanto pagávamos e saíamos para o frio. Ainda bem que a pensão era perto.
- Também não sei. - brinquei. - além daqueles olhos azuis.
- Aquele corpo perfeito - disse ao meu lado.
- E aquele sorriso completamente sexy. - completou ao lado de .
- E se tirando isso o cara fica igual ao...
- A um humano normal. - riu .
Todas caímos na gargalhada sem motivo realmente aparente. Eu ria porque elas riam e acho era por isso que elas riam. Esse era o bom da amizade. Até mesmo no frio congelante conseguíamos rir das coisas mais idiotas.
- Eu só queria uma xícara de... - dizia quando algo trombou com ela, fazendo-a cair no chão.
Todas viramos com o susto, e estava estatelada enquanto quem a derrubara corria mais à frente.
- Ele... ele roubou minha bolsa. - gaguejou um pouco desconcertada. - nosso dinheiro e documentos. - falou preocupada. olhou de olhos arregalados para mim e sem pensar muito saímos correndo o mais depressa possível.
- Pega ladrão! - gritava no seu inglês impecável.
O como ela ainda conseguia pensar em falar algo em inglês eu não sabia. O sangue bombeava adrenalina para todos os músculos do meu corpo enquanto eu corria chegando mais perto do cara de preto que chacoalhava a bolsa enquanto corria. Onde estava a polícia nessas horas?!
O cara poderia participar das olimpíadas e ganharia o ouro sem problemas. Era só colocar uma bolsa na frente dele. E assim, como num passe de mágicas sumiu de vista. parou apoiando as mãos nos joelhos para respirar. Havíamos perdido ele de vista e junto havíamos perdido nossa bolsa.
- Merda. - disse quando e nos alcançaram. - ele fugiu.
- O que faremos agora? - perguntou mais atrás olhando para nos duas cansadas. Eu não conseguia nem pensar em nada. O ar tinha dificuldade em circular oxigênio para o meu cérebro.
- Vamos voltar para a pensão. - disse . ainda parecia abalada com a situação. -lá pensamos no que fazer.

Capitulo seis.

- Por hoje é só pessoal. - declarou Tom encaixando a guitarra no suporte.
Coloquei a minha ao lado da dele. Havíamos feito um bom trabalho e faltavam poucas músicas para revisar para o show de sábado.
- Ah, to moído. - falou Harry com um saco de gelo no pulso direito.
- Vamos ao pub do centro beber alguma coisa. - chamei enquanto saíamos do estúdio.
- Iixe Danny. - disse Harry fazendo uma careta. - Izzy ta em casa e hoje é o grande dia. - disse alegre mostrando uma pequena caixinha de veludo guardada no bolso. Há semanas ele vinha me falando desse “grande dia”. Apenas ri sem jeito. Admito, senti uma pontada de inveja.
Olhei pro Dougie, mas antes que eu dissesse alguma coisa, ele veio com a desculpa.
- Frankie voltou de turnê e quer toda a atenção agora. - disse dando de ombros.
Era sempre assim. Meus amigos iam para casa, onde sempre teriam alguém esperando. Eu por outro lado ia para o pub, beberia até esquecer do mundo, voltaria para casa e encontraria Bruce, meu beagle, esperando não por mim, mas por sua comida.
Respirei fundo derrotado. Talvez eu devesse mesmo encontrar alguém. Ás vezes a solidão era agonizante.
Mas há algum tempo não via sentido em me apegar a qualquer pessoa que fosse. Não me sentia feliz estando ao lado de alguém que eu tinha tanta afeição quanto tinha pelo meu cachorro. Eu queria mais, eu realmente queria algo mais.
- Vem danny. - chamou Tom colocando o casaco. - eu vou contigo.
Sorri. Não sabia se ficava satisfeito ou me sentia culpado, Tom só estava indo comigo porque não tinha mais ninguém esperando ele em casa, nem um cachorro. Estávamos na mesma fossa e como bons companheiros, iríamos nos afogar juntos na bebida. Era agonizante não ter ninguém, era agonizante ser feliz apenas pela metade.

Capítulo sete

A situação era crítica. Só ficávamos em silêncio quando o problema era grande. E no momento o problema era extremamente gigantesco. Fomos roubadas e estávamos sem passaporte, sem dinheiro e sem documentação. Em um dia dentro do país, tínhamos nos tornado ilegais.
- Podemos ir pro consulado e pedir apoio. - sugeriu sentada na cama.
- Ótima idéia . - ironizou . - mas isso significa voltar pra casa. Eu acabei de chegar, eu dei duro pra estar aqui, não quero voltar em menos de uma semana.
abaixou a cabeça. Acho que se estivesse sozinha estaria desmanchando em lágrimas.
- a culpa não foi sua. - disse tentando ajudar ela. Era verdade, ninguém podia imaginar que isso pudesse acontecer.
- Obrigada . - disse com um certo embargo na voz.
- O que a gente vai fazer agora? - perguntou preocupada. - se formos pedir ajuda voltamos pra casa, se ficarmos somos presas por sermos ilegais. Sem falar que temos apenas 40 libras.
Cada uma tinha 10 libras no bolso, o que mal daria pra pagar a diária da pensão. Estávamos em grandes problemas.
- Eu vou recuperar o dinheiro. - declarou . - arranjo algum bico amanhã. E vocês podem ir à polícia dar queixa de roubo.
- Eu não vou te deixar trabalhar em qualquer lugar sozinha. - falei. Era de certa forma perigoso trabalhar em um lugar qualquer sozinha. - vou contigo.
- Eu e vamos à polícia. - disse com um sorriso esperançoso. - temos que recuperar nossos documentos.
- Vamos dar um jeito nessa situação. - declarou levantando animada. - porque somos brasileiras.
Todas começaram a rir da conclusão sem sentido dela. Uma batida na porta chamou nossa atenção.
Jake colocou a cabeça para dentro, com seu sorriso perfeito.
- Olá. - disse com seu sotaque charmoso. - como foi o dia?
Não podíamos contar. Ele poderia nos denunciar como turistas ilegais, mesmo que eu ache que Jake não fosse capaz de fazer algo assim.
- Maravilhoso. - menti antes que alguém dissesse alguma coisa.
- Que ótimo. - elogiou ele, mostrando uma bacia de pipocas na mão. - que tal encerrar o dia com um filme?! Loquei alguns muito legais. Podemos assistir, comer pipoca e nos esquentar.
Era perfeito, tudo o que precisávamos para esquecer as frustrações do dia. Levantei mais animada, e todas me seguiram, até , mesmo tendo resistido um pouco.
Talvez não estivesse tudo perdido. Talvez nem tudo fosse um mar de lágrimas, e realmente, quando uma porta se fecha uma janela se abre.
Estávamos as quatro enroladas nos cobertores quentes, espalhadas pelo quarto espaçoso de Jake vendo Crepúsculo. Como se já não fosse perfeito o suficiente, Jake gostava de crepúsculo. Agora só faltava ele dizer que gostava de McFly e eu casava com ele. Era uma situação engraçada, levando em consideração que éramos quatro meninas em um quarto escuro com um garoto gato, e estávamos todas a fim dele. (a não ser a do contra.)
Jake estava sentado entre eu e , enquanto e estavam sentadas ao pé da cama dele.
"- Então o leão se apaixona pelo cordeiro - disse Edward encostando na pedra limosa da floresta.
- Cordeiro idiota - rebateu Bella chegando mais perto dele.
- Leão doente e masoquista. - completou Edward."
Não pude evitar soltar um suspiro. Era uma das minhas cenas preferidas.
- O amor é uma coisa estranha. - citou Jake ao meu lado. - normalmente gostamos de quem não podemos, ou quem não liga.
Tive que concordar. Normalmente nos apaixonamos pelas pessoas erradas. Eu realmente entendia o que ele estava querendo dizer. Além de bonito, era romântico. Porque a gente precisa atravessar um oceano para conhecer alguém perfeito?! E quando ele iria trazer os primos e irmãos pra gente?! De repente ele ergueu o braço como se fosse bocejar. HA! Eu já tinha visto essa tática antes. Ele ia fingir que estava com sono e colocar o braço em torno de alguém. PERAI. Eu to do lado dele. SERA????!!! Mas tem a . Eu não me importaria se fosse nela, quero dizer, o cara é um gato, mas não era o amor da minha vida. E admito que seria muito engraçado. Fiquei olhando de canto ele abaixar os braços devagar, e quando seu braço pousou no ombro da tive vontade de gritar BINGO. Mas consegui segurar. Queria apenas ver o tamanho dessa situação irônica. Podia ver congelando do nosso lado. Bem que podíamos estar assistindo uma comédia, aí eu poderia estar rindo e por a culpa no filme.

Capítulo oito.

Entrei despreocupado em casa. Noite de segunda feira, dia de trabalho perfeito. Chegar em casa, tomar um banho e jantar com minha namorada-quase-noiva estava nos meus planos.
Estávamos juntos há tanto tempo a ponto que eu já imaginava nosso futuro como um par. Quem sabe depois de casar, ter dois filhos, e daqui a alguns anos, encostar as baquetas e começar apenas a agenciar bandas. Izzy poderia não ser a alma gêmea, bem porque não acreditava mais nisso a alguns anos, mas era alguém compreensível, bonita, inteligente e eu amava, assim como sabia que ela me amava a sua maneira. Não era do tipo de pessoa que me rodeava. Do tipo que estava ao meu lado por causa de nome ou fama. Izzy não precisava disso. Ela era fiel, e gostava de mim pelo meu jeito, pelo nosso amor, não por status. Acho que por isso que fiquei com ela tantos anos. E por isso que a caixinha de veludo dançava animada em meu bolso. Hoje eu iria dar um grande passo na minha vida. Izzy não estava na sala, nem em outro cômodo da parte de baixo da casa. Subi ate o quarto, pé ante pé para uma surpresa. Havia avisado a ela mais cedo que ficaríamos até muito tarde no estúdio, que Tom queria voltar à ativa. Seria ótimo surpreendê-la com rosas vermelhas. Entrei no quarto, que estava vazio, a dúvida encheu meus pensamentos, mas foram atrapalhados por sons de risada vinda do banheiro. Sorri involuntário. Sempre sorria quando ouvia sua voz. Talvez eu realmente esteja me tornando um bobo apaixonado. “Harry, Harry, você esta se entregando rápido de mais”, gritou a voz em minha mente. Que se exploda essa voz ridícula. Em poucos minutos eu pediria em casamentos a mulher mais perfeita do mundo. Em poucos minutos me tornaria o homem mais feliz do mundo. Abri a porta sorrindo de orelha a orelha. As risadas pararam e meu coração também. Izzy olhou para mim assustada, e senti a pequena caixinha de veludo em meu bolso pesar toneladas.
- Harry. - disse ela quebrando meu silêncio estático. Acho que se um coração pudesse se quebrar, o meu estaria em cacos minúsculos, se retorcendo em agonia. - não é o que você esta pensando.
Aquelas palavras entraram em minha mente como uma facada. O que ela pensava que eu era?! O que eu deveria pensar?! Não ah muito que pensar quando você encontra a mulher que esta prestes a se tornar sua noiva, em uma banheira com o instrutor de ginástica. Um idiota tão grande que não soube o que fazer, a não ser sair da água e se vestir para fugir da cena o mais rápido possível. Não sabia quem era mais idiota, eu ou ele. Provavelmente eu, sendo que a banheira, a casa, e as roupas que ele estava vestindo eram minhas.
- Harry amor. - sussurrou ela com uma toalha em volta do corpo esguio. - que bom que você veio mais cedo.
FALA SÉRIO!! Ela tava fingindo que nada aconteceu?!
- Eu não quero que diga nada. - escutei minha voz dizer rouca. - só não quero mais nada seu aqui quando voltar amanhã.
- Harry eu posso explicar. - desesperou-se ela. - eu não sinto nada por ele, foi apenas um momento...
- CALA BOCA. - gritei. Não queria ouvir mais nada - você não deve sentir nada por ninguém.
- Eu te amo. - falou jogando-se aos meus pés. Isso era realmente muito humilhante, e agora eu me perguntava por que não ouvi aquela porcaria de voz.
- Izzy, me larga. - mandei segurando as lágrimas de ódio. Eu não iria chorar na frente dela, não tinha nem a mínima vontade de chorar por ela. - você tem até amanhã.
- Você não pode fazer isso comigo. - gritou Izzy enquanto eu descia a escada em direção à saída, as rosas apertadas em minhas mãos a ponto de machucar. - está me jogando fora como se fosse lixo. Está jogando fora todo o tempo que dediquei a você.
Eu não iria responder. Eu sabia que não era dessa maneira, e não teria forças pra lutar contra minha raiva caso eu voltasse. Fechei a porta e segui a rua fria em silêncio. Como em poucos minutos sua vida pode dar uma reviravolta tão forte. Parei em frente à porta da casa acolhedora de Tom. Ele saberia o que eu estava sentindo.
Tom havia comprado a casa mais familiar que eu já vira. Um grande jardim, um espaço para churrascos no fim de tarde, um espaço para as crianças correrem, e seis quartos. Ele queria uma família grande. Toquei a companhia um pouco automático, segurando o desespero que insistia em explodir.
- Calma. - gritou a voz dentro da casa. - Harry, e aê cara. - sorriu Tom surpreso. Ele estava com a voz embargada, parecia ter bebido um bocado.
Tom deu passagem e eu entrei ainda em silêncio.
- Aconteceu alguma coisa? - perguntou Tom olhando das flores ainda em minhas mãos para meu rosto sem expressão.
Aconteceu, eu queria dizer. Ela roubou a última esperança que eu tinha de ser feliz. Ela acabou com a minha vida. Ela me fez de idiota, e agora eu estava sendo uma bicha que fica chorando como uma adolescente.
Deixei-me cair na parede do corredor ate alcançar o chão. Eu sabia que Tom compreenderia, e assim deixei a frustração tomar lugar da minha razão, chorando toda e qualquer magoa acumulada. Queria apenas sumir, e deixar que minha dor consumisse o espaço vazio no peito. Queria que nada tivesse acontecido, e que tudo acontecesse. Queria apenas esquecer do mundo. Queria esquecer tudo.




CONTINUA



N/a Anni: Primeiro,amei os recados.Pra variar.Estou começando a achar que sou uma pessoa movida a recados.hhahahahah.Meninas o twitter para seguirem http://www.twitter.com/annipribeiro, ;D Hoje meu comentario é menor porque estou cheia de milhoes de coisas para fazer.Mas fica aqui meu muito obrigada a todas que lem,e se quiser podem add o msn a.p_ribeiro@hotmail.com vou adorar conversa com vocês. Beijos

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