Apaixonar-se
Autora: Isabela C.
Status: Finalizada
Revisada por: Isa
Categoria: Free Fics
Sub-Categoria: Romance - Short Fic
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O farol abriu e eu avancei com o carro o mais rápido que pude, o trânsito estava um pouco lento e eu tinha pressa. Meu coração batia com tanta força, que eu não era mais capaz de controlar a ansiedade e o suor que escorria pelo meu rosto. Outro sinal vermelho, e minha agonia aumentava. Segurei na gola da minha camiseta e a puxei, quase a esgarçando; o oxigênio fugia de mim.
Eu sou um tolo. Eu não consigo entender porque eu me sinto assim toda vez que eu estou indo encontrá-la ou até mesmo quando penso nela. Desde a primeira vez, desde que eu a tive em meus braços, desde que eu coloquei meus olhos nela, eu me senti totalmente preso naquela garota.
Virei na esquina e achei uma vaga para estacionar perto do restaurante; desliguei o carro, tirei o cinto e puxei o freio de mão quase que no mesmo instante, me complicando e demorando cinco segundos a mais para sair do carro. Cinco segundos a menos sem ela.
Bati a porta com força, o barulho alto fez algumas pessoas que passavam na rua olharem para mim. 'Cuidem da vida de vocês', pensei. Não havia tempo para discutir. Andei o mais rápido que pude, tentando parecer normal e tranquilo, mas tenho certeza que na minha face estava explícito o quão ansioso eu estava. E feliz.
Parei na porta do restaurante, e voltei para me olhar no espelho de um carro estacionado bem próximo. Arrumei o cabelo, a camiseta branca lisa, a calça estava em ordem, e o tênis também. Ah é, o tênis. Eu preciso comprar um sapato. Respirei o mais fundo que consegui, e soltei o mais devagar também, sentindo meus ombros relaxarem um pouco. Um passo atrás do outro e eu consegui andar sem esbarrar em ninguém e não amassei minha roupa; estava apresentável. Abri a grande porta de vidro do restaurante e tentei não fazer barulho, não queria ser percebido e ficar vermelho na frente de executivos e homens muito bem empregados. Deixei que a porta se fechasse sozinha atrás de mim, e respirando fundo mais uma vez, a procurei pelas mesas do restaurante.
As mesas já estavam acabando quando reconheci seu cabelo; ela estava sentada de costas, com uma blusa vermelha. Um sorriso involuntário surgiu no meu rosto e sem perceber já estava caminhando em direção a ela. Cada vez que eu chegava mais próximo, mas eu me sentia vulnerável ao seu perfume; os fios tão macios do seu cabelo me hipnotizavam e não há pessoa que consiga me tirar desse transe. Só eu, meus pensamentos voltados a ela, e ela.
Toquei seu braço, sua pele macia em contato com a minha, o calor do seu corpo com os meus dedos gelados me deu um choque e eu recuei a mão, acanhado. Seu rosto virou-se rapidamente para trás e, ao me ver, ela sorriu.
- ! - levantou-se e ficou parada na minha frente, me olhando, esperando que eu falasse oi também. Ah é.
- ! - se eu estivesse na mesa ao lado assistindo esse meu papel de idiota, eu provavelmente estaria rolando de rir. Talvez eu deva a cumprimentar.
- Achei que você não vinha. - ela disse assim que eu a abracei. Não conseguia responder, seu corpo perfeitamente modelado estava encostado com o meu, e eu a tinha ali, novamente. Fechei os olhos.
- Eu demorei por causa do trânsito. - ela foi me soltando aos poucos, e contra a minha vontade, eu tirei meus braços da sua cintura.
- Imaginei! - ela sorriu e eu acabei sorrindo junto. Chacoalhei um pouco a cabeça, devia estar com cara de imbecil. Esqueci, eu sou imbecil.
- Sente-se. - puxei a cadeira para ela se sentar, e empurrei devagar assim que ela o fez. Dei a volta e me sentei de frente para ela, esfregando minhas mãos em minhas pernas para enxugar o suor que insistia em aparecer. Geek.
- Eu fiquei curiosa, sabia? - droga, ela não esqueceu.
- Curiosa? Por qual motivo? - me fiz de desentendido e peguei o cardápio para ler. Ia ser fácil, era só juntar letra com letra e depois as sílabas; ela não ia perceber que estava gaguejando mentalmente porque estou na presença dela. Até porque ninguém gagueja mentalmente.
Me internem.
- Ah, ! Não vem com essa! Você disse que ia me contar no restaurante. E aqui estamos nós, pode contar! - ela apoiou sua cabeça nas mãos, e os cotovelos na mesa, ficando um pouco mais próxima de mim. Perigo, os olhos bonitos estão muito perto e isso causa tontura.
- Eu falei que ia te contar o que mesmo? - continuei olhando o cardápio, tentando ignorar sua respiração que tocava na minha mão. Talvez fosse só uma corrente de vento qualquer.
- Você disse que tinha uma coisa muito importante para me dizer, e que envolvia você e eu. E deu a pista que era sobre nossa amizade. E eu fiquei a noite inteira pensando em várias possibilidades. Então você, por favor, pare de fingir que está lendo esse cardápio e me conta. - ela bateu a mão no cardápio, o derrubando na mesa e me obrigando a olhá-la.
- Muito bem. Mas antes eu quero que você me prometa que nada vai mudar. - sua expressão era confusa, mas ela murmurou um ‘tudo bem’ e pediu para que eu falasse. - Há dois anos atrás, quando eu tinha 16 anos, eu mudei de colégio. Fui para o primeiro dia de aula xingando o mundo e repetindo toda hora que minha vida era uma merda. Só que aí, eu desci do carro e a primeira pessoa que eu vi foi uma menina de cabelos castanhos, que usava uma camiseta do Blink 182. - ela sorriu.
'Olha, uma moeda.' Talvez achar uma moeda de cinquenta centavos signifique sorte. Mas como eu vou ter sorte em uma cidade que não conheço ninguém e em um colégio com pessoas estranhas? Andei até a moeda e me agachei para pegar, vendo outra mão chegar primeiro e pegar a minha moeda de cinquenta centavos. 'Quem foi o filho da-
- Ops, vi primeiro! - sabe essas coisas de filme, quando tudo fica em câmera lenta e você só consegue enxergar uma pessoa na sua frente porque de alguma maneira ela mexeu com você? Então, isso não acontece só em filme.
- Tudo bem... - eu deveria ter xingado, eu queria fazer isso, mas de alguma forma eu não conseguia. Não com ela me olhando desse jeito.
- Você é novo aqui? Acho que eu nunca te vi... - colocou a mão no queixo, tentando lembrar se me conhecia ou não.
- Sou sim, infelizmente. - revirei os olhos, ajeitando a mochila no ombro.
- Por que infelizmente?
- Eu me mudei mês passado pra cá, não conheço ninguém, fiquei longe de tudo. - eu ia começar a desabafar, porque eu não faço isso há um bom tempo. Mas ela ia me achar estranho, isso se já não estava.
- Hm, entendi. - sorriu - Bom, mas agora você me conhece! Prazer, . - e então ela estendeu sua mão para que eu a cumprimentasse. Fiquei um tempo olhando sua mão branca com cinco dedos, cinco unhas pintadas de vermelho. Era uma mão bem bonita, igual a ela.
- Prazer, . - apertei sua mão, sentindo um calafrio percorrer meu corpo inteiramente. Isso é bobagem, foi só dessa vez.
- E foi só daquela vez? - ela perguntou, tomando um gole do suco que havia pedido.
- Não, repetiu-se mais vezes. Repetem-se mais vezes. Toda vez que eu estou com ela. Esse arrepio transformou-se em um sentimento muito bom, de uma forma que até hoje eu não entendo, eu me tornei mais feliz. - suspirei, olhando para minhas pernas inquietas na cadeira. Eu queria muito sair correndo e enfiar minha cabeça em um buraco muito fundo. Queria ser um avestruz agora, tenho certeza que ele não precisa se declarar para a mulher avestruz; e se mesmo assim algo der errado, ele tem o buraco no chão.
- Hm... E por que você nunca disse nada para ela? - perguntou olhando para baixo também.
- Porque eu já a beijei... Cinco vezes. E depois desses cinco beijos, ela me disse que não significava nada, que éramos apenas amigos. Da primeira vez eu acreditei nisso, eu me forcei a acreditar na verdade. Só que depois, tudo o que eu sentia foi aumentando, até que chegou ao ponto de ser maior do que eu... - consegui falar tudo olhando nos olhos dela. Foi difícil, minha voz tremeu algumas vezes, eu mexi no meu cabelo várias vezes, minha perna não parou de balançar. Mas eu disse.
- Eu... Eu acho que... - respirou fundo - Eu acho que essa garota nunca falou nada porque ela estava em dúvida com os sentimentos dela, e ela estava achando estranho gostar tanto assim do seu melhor amigo. E também... É... - olhou para baixo de novo, não conseguindo continuar. Qual é? Eu tinha falado tudo, e ainda olhando nos olhos dela. Ela também ia falar, não vou ser o único da relação. Relação... Por favor.
- E também...? - a incentivei.
- E também depois que ela ouvir tudo isso de novo, com toda certeza as coisas se esclarecerão e ela terá certeza do que sente. - meu coração começou a bater o mais rápido que já tinha batido em toda a minha vida. Parecia que minha camiseta ia se movimentar junto com ele a qualquer minuto; e eu ia explodir em 5, 4, 3... - Só que você precisa dizer com palavras mais exatas o que sente por ela.
- Eu tenho uma coisa a dizer. - engoli em seco. Já cheguei até aqui, não ia voltar atrás. É a mesma coisa que estar em uma corrida olímpica, estar prestes a rasgar a faixa da linha de chegada e voltar correndo para trás. Depois estar sentado no seu sofá azul em casa vendo o noticiário e de repente passar uma matéria com o vencedor daquela corrida; aquele que você deixou ganhar, que tomou o seu lugar. Ninguém ia tomar o meu lugar.
- E o que é? - seus olhos estavam brilhando um pouco mais, e isso me encorajou. Peguei em suas mãos que estavam apoiadas na mesa e as segurei. Ela sorriu de novo.
- Eu te amo, .
- Eu também te amo, . - então me inclinei um pouco em cima da mesa e a beijei, pela sexta vez.

