A Pessoa Que Você Precisa

Autora: Isabela C.
Status: Finalizada
Revisada por: Isa
Categoria: Free Fics
Sub-Categoria: Romance - Short Fic
Nota pelo desafio: 9
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"You make me happy, whether you know it or not
We should be happy, that's what I said from the start
I am so happy knowing you are the one that I want for the rest of my days, for the rest of my days
You're all of my days'' ( Happy - nevershoutnever!)


Virou a esquina e pode ouvir o alto barulho da música. Muito provavelmente vinha da casa a qual ela estava indo. Era uma quinta-feira, festas de quinta-feira eram as melhores, sem dúvidas. Era a comemoração da véspera da sexta-feira que é véspera do final de semana. Final de semana, a liberdade, sem escola, sem a vida chata.
Tinha dezesseis anos mas isso não a impedia de já estar cansada da vida monótona de estudante que levava. Ela mesma já tinha sentado na sua cama, abraçada ao travesseiro, e pensado quantos problemas já tinha vivido; problemas um tanto quanto fúteis se você for pensar, mas não deixavam de ser problemas. Ah, claro, já tinha perdido incontáveis noites de sono pensando na sua vida amorosa perturbada. Nos filmes de adolescente a protagonista sempre ficava com o garoto que ela amava no final do filme, no baile de primavera; ela já não sabia mais quantas primaveras ia ter que esperar para ficar com aquele que vinha atormentando - ou não - os seus sonhos.
Chegou em frente da casa da sua amiga e algumas pessoas do colégio que ela só conhecia de vista estavam sentadas no jardim da frente conversando. Passou por elas e foi até a porta, parando para pensar se tocava a campainha ou não. Com a música alta ninguém a ouviria, então era melhor nem gastar o dedo.
Abriu a porta e se surpreendeu com a quantidade de pessoas ali. Ela se lembrava muito bem quando sua amiga tinha dito no começo da semana que ia fazer uma festa para os íntimos.
- Oi gata, demorou! - sentiu um braço envolver seu pescoço e olhou para o lado, vendo , a dona da festa, sorrindo e pré-bêbada.
- Resolvi lavar o cabelo, aí até arrumar ele todo... Acabei me atrasando. - sorriu, correndo os olhos pela sala pra ver quem estava ali que ela conhecia.
- , você sabe onde que o - alguma menininha começou a conversar com sua amiga, então desligou-se daquela conversa e voltou a analisar as pessoas ali. Bom, alguns meninos do terceiro junto com uma menina que ela achava ser do terceiro ano também. As patricinhas fúteis estavam conversando em um canto afastado, falando de maquiagem. Algumas meninas do primeiro ano babavam por alguns gatinhos ali presentes. O grupinho dos meninos descolados do primeiro ano e que, na opinião dela, eram os mais bonitos do colégio, também estavam lá. E WOW! Pra sua surpresa ele também estava lá. Ele, o do primeiro ano que fisgou o seu coração. E ops, estava bom para ser verdade.
- ... o que aquele moleque está fazendo aqui? - cutucou sua amiga, que ainda conversava com alguém. - , me dá atenção agora! - a a olhou, achando estranho essa reação dela.
- O que foi, ? Tá tudo bem?
- Não, o que aquele moquele está fazendo aqui? - perguntou de novo, olhando para o menino de cabelos escuros e completamente caídos sobre seu rosto parado ao lado do .
- Ele quem, ? - tentou acompanhar o olhar dela, mas não sabia a quem ela se referia.
- O idiota do , e ele ta do lado do ...
- , eu juro que eu não chamei ele, eu chamei o , deve ter sido ele que trouxe o .
- Você chamou o ? Por que você chamou ele? - a olhou em pânico. Ela não podia ter chamado ele. Mas no fundo, no fundo, ter ele ali era o que ela mais queria.
- Ai meu Deus, eu não te entendo, sabia? Você ama esse garoto, eu chamo ele pra ajudar e você reclama! - bufou, revirando os olhos e cruzando os braços.
- Não vai adiantar nada ter ele aqui, eu não vou falar com ele mesmo. - deu de ombros, roendo a unha. Droga, tinha acabado de pintá-las.
- Sóbria eu tenho certeza que você não vai falar, mas com algum álcool no sangue... - sorriu maliciosamente, pegando uma garrafa de vodka de um menino que por ali passava, oferecendo-a à .
- Mas eu não vou beber.
- Você não aguenta. - desafiou.
- Ah não? E eu posso saber por que não? - riu, aproximando-se da amiga e virando o corpo dela pra ela ter uma melhor visão do menino no canto da casa.
- Porque você não vai aguentar ter ele todo disponível pra você, te olhando, você olhando pra ele, milhares de cenas passando pela sua cabeça, imaginando onde a mão dele poderia estar, sentindo
- Me dá essa vodka agora. - disse , arrancando a garrafa da mão da amiga e andando pro jardim no fundo da casa.
Ele mexia com o psicológico dela, isso era errado. Completamente errado.
- Oi ! - viu uma outra amiga sua, , parada perto da piscina. Sua expressão era um pouco tristonha, não gostava de ver suas amigas assim.
- Hey! Aconteceu alguma coisa? - a abraçou.
- Ah... o de sempre né. - sentiu seu estômago revirar ao se lembrar do que a tristeza de se referia.
conheceu no colégio. achou muito bonita e apaixonou-se perdidamente por . não queria nada com a não ser sexo, e a boba apaixonada acabou caindo nas garras do idiota pegador. Há um mês que ele só dá atenção para ela quando quer algo a mais, e ela, por gostar tanto dele, acaba sempre fazendo o que ele quer, e depois fica assim, toda triste porque ele a tratou mal.
- Eu já disse que qualquer dia eu vou arrebentar a cara dele. Tenho vários motivos para isso. - deu um gole da vodka e olhou para o céu. A lua estava enorme, e ela desejou um namorado ali do lado dela para um beijo a luz do luar.
Romântico.
Colocou a garrafa de vodka na grama.
- Eu não sei mais o que eu faço... seria tão mais fácil se eu não gostasse dele.
- Seria mais fácil se a gente escolhesse por quem nosso coração bate mais alto... - disse , olhando para dentro da casa e vendo sair para o jardim com alguns de seus amigos. Ele a olhou, e quando viu que ela estava o olhando logo desviou o olhar, abaixando a cabeça timidamente.
Era todo dia assim. Desde que entrara no colégio e colocara seus olhos naquele garoto sentiu seu coração bater tão rapidamente que a qualquer momento poderia rasgar seu peito. No começo ela pensou que não era nada, como ela poderia gostar de um garoto mais novo que ela e assim de primeira? Mas ela foi pega por aquilo que chamam de amor a primeira vista.
Toda hora ambos se olhavam, sustentavam o olhar algumas vezes, outras faziam de tudo para estarem próximos um do outro. Mas nunca trocaram nenhuma palavra.
- E você? Como está?
- Eu? Eu estou bem, na mesmice de sempre. - suspirou, ouvindo a amiga rir. Disso ela tinha que rir, a situação em que se encontrava chegava a ser ridícula, porque poderia ser resolvida sem nenhum problema. Mas não, ambos tinham que complicar a vida.
- Não entendo você. Sempre foi tão decidida, e agora com o você fica tão vulnerável...
- Odeio me sentir assim. Mas descobri que não posso lutar com isso, é mais forte do que eu e eu gostei de admitir tudo o que sinto.
- Que linda, toda apaixonadinha!
- HEY! - olharam para , parada no meio do jardim com uma vasilha na mão. - Alguém quer sanduíche de queijo? - que diabos ela fazia com uma vasilha cheia de sanduíche de queijo?
- Não , obrigada! - começaram a rir, ela sem dúvidas estava mais pra lá de Bagdá. Sua mãe diria isso, certeza.
viu saindo de dentro da casa e olhando para as duas. Olhou para seu lado e viu conversando com seus amigos; andou até lá e puxou para um canto, enquanto falava fazia gestos exagerados com a mão, dava para perceber que ele estava um tanto quanto bêbado.
Depois, começou a andar na direção delas, gritou para o esperar lá fora e agarrou pela cintura.
- Oi linda. - sentiu vontade de vomitar. Virou-se na direção oposta, desejando que ele explodisse.
- Oi .
- Vamos sair?
- Para onde?
- Vamos lá pra casa, deve estar bem mais divertido. Depois a gente pega a moto do meu pai e damos umas voltas. O que você acha? - ela não podia ir. Não podia. Provavelmente ele também teria chamado para ir pra lá. Eles não podiam ir com esse idiota. Sua visão escureceu e ela se sentiu tonta.
- Te encontro lá fora. - quando recuperou a visão viu se afastando, e a olhando preocupada.
- , você tá branca! O que foi?
- Você não vai com ele, você não pode ir. , você tá entendendo? Você não pode ir com ele. - ela implorava desesperada, segurando no ombro da amiga e sentindo-se um pouco tonta ainda.
- Eu sei que você não gosta dele, , mas
- Não , por favor, não vá com ele, fica aqui!
- , chega de desespero! Eu vou com ele sim! - tirou as mãos de do seu ombro e fez o mesmo caminho que tinha feito a poucos instantes atrás.
Passou as mãos pelo cabelo e fechou os olhos, não queria que nada de ruim acontecesse com ela, nem com .
Abriu os olhos e o viu entrando na cozinha, falando tchau para seus amigos. Ele ia com . Ele não podia.
Não pensou muito antes de sair correndo por onde ele acabara de desaparecer. O viu entrando na sala e conseguiu alcançá-lo. Esquivou seu braço já estendido para tocá-lo, desistindo da ideia por um segundo; mas ela não podia deixar que nada acontecesse, mesmo não fazendo ideia do que ia acontecer. Tocou o braço do garoto a sua frente, vendo-o virar-se imediatamente, e abrindo a boca várias vezes ao ver que tinha sido ELA que o tinha tocado.
- Oi... olha, eu sei que eu nunca falei com você e - fechou os olhos e puxou todo o ar que conseguiu para dentro do seu pulmão. Ela estava mesmo falando com ele?
- E...? - e ele também falou ela. Mesmo que tenha sido uma palavra monossilábica composta por uma letra. Abriu os olhos.
- E eu vou parecer uma maluca te dizendo isso, mas você não pode sair com o , você não pode ir com ele. Ele vai te fazer mal, vai acontecer alguma coisa, ele é um doido! Não vai!
- Espera... repete, por favor. - ele tinha ficado bravo com ela, ela sabia disso. Afinal, as pessoas costumam não gostar quando se fala mal do seu melhor amigo.
- Por favor... só não vai... - ele balançou a cabeça a olhando logo em seguida.
- E por que eu não iria? O que poderia me acontecer?
- Eu não sei! Isso que está me deixando nervosa! Eu tive algum tipo de sensação, sei lá! Mas você não pode ir! Eu não consegui convencer a a ficar, você pelo menos tem que ficar, por favor... eu não vou ficar tranquila sabendo que você está correndo um perigo que eu nem ao menos tenho certeza que existe... eu só acho melhor prevenir. - ele a olhava agora com uma expressão confusa; afinal, ela estava ali querendo protegê-lo?
Ela, aquele garota mais velha que ele sentia-se completamente impotente quando estava perto dela, estava querendo que ele ficasse ali para não se machucar? Isso era confuso, porque na cabeça dele só ele a queria ver bem, só ele gostava dela, e ela não passava da garota pop do segundo ano que todos adoravam.
Ali ela estava se mostrando ser uma garota que se importa com ele, coisa que não existia no mundo dele até poucos minutos atrás.
- Por mim, . Não vai. - não sabia mais o que fazer para convencê-lo.
- Eu não sei o fazer, porque você é uma estranha para mim mesmo eu sabendo seu nome e tudo sobre você. Eu... eu não sei, eu não vejo nada demais e - ela não pensou, ela agarrou-se em seu pescoço e colou seu lábio junto ao dele, sentindo seu corpo todo se arrepiar e seu coração acelerar-se incrivelmente rápido. As mãos dele logo foram parar na sua cintura, e ela ficou na ponta dos pés por ele ser mais alto.
Passou sua língua pelos lábios do garoto e ele correspondeu na hora. Foram apenas alguns segundos de beijo, já que ela se soltou dele, ficando ainda muito próxima.
- Vem logo, . Larga essa garota insuportável e vamos logo. - segurou no braço dele e saiu o puxando pela sala, para longe de . Ela só teve tempo de gritar um 'por favor' antes dele desaparecer pela porta.

Duas horas depois

- ... meu amor, acorda. - a voz da sua mãe de repente a despertou e ela levantou-se assustada, lembrando do acontecido na festa. Voltou para casa logo depois que saiu, não tinha mais clima nenhum ficar ali. Ela só ia acabar pensando mais porcaria. Pelo menos em casa ela poderia dormir e se desligar.
- Han... mãe, o que aconteceu? Que horas são?
- Você tem que ir para o colégio. E a gente precisa conversar.
- Ta, tudo bem. - descobriu-se e foi cambaleante até o banheiro. Ela realmente demorava para acordar.
xx

- O que você queria me falar, mãe? - perguntou assim que entrou no carro para ir pro colégio.
- Hoje de manhã a mãe da me ligou do hospital. - fincou suas unhas no banco no carro, sentindo seus batimentos cardíacos aumentarem. - Ontem ela saiu com uns amigos, e ela e um garoto estavam andando de moto e ele acabou perdendo o controle da moto e além de ambos caírem ele conseguiu atropelar os outros que estavam parados na calçada. - ela sabia que alguma coisa ia acontecer, sabia que alguém ia se machucar; uma lágrima escorreu por seu rosto, mas ela limpou na hora.
- A tá bem?
- Felizmente sim, está sedada, fizeram os exames e mais tarde vão falar se ela não sofreu nenhuma lesão realmente.
- E quem mais estava lá? A mãe dela disse?
- O menino que estava dirigindo fugiu do hospital, então certamente ele estava bem. Ou não... É um tal de . Os outros dois ela não sabe, não estão no mesmo hospital. Mas parece que um deles, um , se feriu gravemente.
Sua vista escureceu-se novamente. Por que justamente o ?
- Bom, depois conversamos, até de tarde. - deu um beijo em sua mãe e saiu do carro, passando por todas as pessoas sem saber ao certo onde estava indo. Estava no automático, sua cabeça estava longe dali, se movimentava sem saber como e conseguia imaginar mil coisas ao mesmo tempo, de tudo que tinha que ter feito e não fez, das tentativas fracassadas de pedir para ele ficar.
- Que bom que eu te ouvi, não é? - parou de andar na hora, olhando para cima e vendo parado ao seu lado, sorrindo.
- Co-como... você... não... - passou a mão pelo cabelo, suas mãos estavam trêmulas. Sentia vontade de pular no pescoço dele e sair rolando pelos corredores do colégio.
- Não, eu não fui ontem. Quer dizer, eu fui até meio caminho com eles, depois eu fui para casa. Você me convenceu muito bem a não ir. - ele sorriu e ela sentiu suas bochechas esquentarem; abaixou a cabeça com vergonha. Ele ficou de frente para ela, erguendo sua cabeça com sua mão. - Muito obrigado, te devo essa.
- Por nada, eu fiz o que achei certo. - sorriu - Se quiser me pagar um almoço no McDonald's como agradecimento, eu aceito.
- Passo na sua sala na hora da saída e a gente vai. E então você me conta da sua vida, sobre o que você gosta, a gente pode se conhecer agora.
- Depois de tanto tempo só se olhando precisou dos meus cinco minutos de vidente para gente se falar.
- E para se beijar. - dizendo isso, ele juntou seus lábios no dela, assim como ela tinha feito, mas só um selinho dessa vez. - E você tem créditos por ter tomado a iniciativa antes.
- Ponto para mim, então. - riram. - A gente se vê no intervalo?
- Claro, você sabe o número da minha sala. - deu mais um selinho nela antes de virar o corredor e ir para a classe.
Mesmo estando preocupada com , ela estava feliz por finalmente ter falado com . E ela tinha que admitir, devia essa ao idiota do .




FIM


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