Bad Christmas
Autora: Ana Alice
Status: Finalizada
Revisada por: Juh
Categoria: Free Fics
Sub-Categoria: Romance - ShortFic
Nota pelo desafio: 8.
Comentários:
Fazia duas horas que se via impaciente naquela viagem com rumo ao inferno e ela sinceramente não poderia acreditar que ainda lhe restava esperar um bom tempo para chegar a um lugar que nem mesmo queria ir. Passar o natal em Nova York seria o programa ideal, assim como em todos os anos. Mas por uma desventura do destino, um dia antes do habitual seus pais decidiram que seria mais divertido se fossem ao Texas, em uma visita aos seus antepassados. Sem questionar a sua opinião, sem questionar os prejuízos, sem questionar as conveniências. Simplesmente decidiram e ponto.
Ela aumentou o volume do Ipod e apenas tentou se concentrar na música que saía dos fones com o objetivo simples de não ficar irritada. Provisoriamente aquela atitude surtiu algum efeito, pois logo adormecera, o que a poupou de se irritar entre próximas quatro horas.
- , nós chegamos - Elizabeth, sua mãe, tocou levemente a sua perna com o intuito de acordá-la.
- Hm - a garota abriu os olhos e os direcionou à janela do automóvel. O tempo estava totalmente fechado e essa foi a sua primeira nota mental. Bem diferente de Malibu, onde um calor delicioso a privilegiava durante todo o ano.
deu-se conta que andavam em uma estreita e esburacada estradinha de barro, com muita grama, matos, árvores e flores que a cercava por todos os lados. Bonitinho, se não fosse desesperador. Eram cinco horas da tarde e àquela hora ela deveria provavelmente estar no Plaza, com todas as suas amigas, escolhendo maquiagens e perfumes para a grande noite.
Mas ok.
Ao longe, poderia enxergar desfocadamente uma imensa entrada que ela costumava ter boas lembranças nos seus tempos da infância. Poucos segundos depois tudo se tornava mais nítido, assim como as suas memórias. Não demorou para que um velhinho vestido num macacão engraçado abrisse aqueles portões de madeira, riscado em letras grandes que formavam o nome da família. Sr. e Sra. esperavam o resto dos parentes ansiosamente no lobby da mansão. A tradicional árvore de natal repleta de pisca-pisca, rodeada de presentes e com uma grande estrela prateada em sua extremidade fazia parte da decoração, assim como o imenso papai Noel de brinquedo perto da lareira e assim como as meias que presas na prateleira da mesma, com o pedido de presente de natal que cada neto havia deixado ali num bilhetinho. teve de confessar que ficou alegre em ver seus familiares, mas ela sabia que era uma alegria momentânea, ou seja, que duraria até que a saudade acabasse. De toda forma, ela não esperava que durasse tão pouco. Ou melhor, que não durasse nada porque antes mesmo de encontrar seus avós, surgiu em sua frente, o que ocasionou em um desapontamento instantâneo.
- Oi - ele disse tranquilamente, como ela nunca esperava que pudesse vê-lo algum dia.
- - o corrigiu de pronto, com um sorrisinho no rosto.
- Ah, claro - ele concordou, irônico e a cumprimentou formalmente em seguida. Aquela pequena aproximação foi suficiente para que ela percebesse que o seu priminho retardado que sempre insistia em deixá-la nervosa durante todos os seus poucos encontros agora tinha um físico bem apreciável, além de um sorriso branco, emparelhado e harmonioso, e olhos . Bem . não imaginava que poderia ser tão cretina a ponto de mentalizar os pontos fortes do inimigo, se é que ele continuava mesmo sendo um inimigo.
- Oh, querida! Como você está grande - sua avó disse, tirando toda a sua atenção - Como vão as coisas em Malibu? Você parece tão saudável!
- Tudo ótimo. Mas eu não sei se estou tão saudável assim - ela comentou e ao ouvir a risada da avó, aproximou-se do avô, pronta para cumprimentá-lo.
E depois de muitos cumprimentos, estavam todos reunidos em torno da sala de jantar.
Todos os homens, na verdade. Eles bebiam e assistiam a algum jogo de futebol na televisão enquanto as mulheres preparavam a ceia. adorava comer, mas cozinhar não era bem o seu forte. Agora estava percebendo que ouvir aquelas conversas masculinas também não era muito divertido, o que a fez ter a brilhante idéia de dar umas voltas pelas redondezas. Estava quase escurecendo e sendo assim ela só decidiu sentar sobre uma das cadeiras de balanço e passar um tempo razoável ali até que servissem o jantar, que começassem a desejar uns aos outros um feliz natal e que finalmente pudesse dormir, então aquela viagem acabaria e tudo ficaria ok novamente.
O seu celular vibrou e ela percebeu que havia recebido uma mensagem.
"Estou na jacuzzi do meu quarto com as meninas. Você realmente gostaria de estar aqui! Louise x" Mas que tipo de vaca de amiga eram aquelas que tinha? Estava completamente na merda e ainda era forçada a ler um comentário tão maldoso assim?
"Eu acho que é o contrário. Vocês realmente gostariam de estar aqui!" respondeu com o intuito idiota de não parecer tão loser, mas ela continuava sendo mesmo assim. Agora mais ainda, talvez. Fechou o flip do celular e encostou a cabeça nas costas da balança. Com os olhos fechados, respirou um pouco daquele ar puro e tentou recuperar a sua sanidade.
- E aí? - apareceu de súbito, obviamente sobressaltando-a. Ele sorriu, bagunçando os seus cabelos lisos e da maneira mais sexy possível.
Mas recuperar a sanidade era uma das coisas que ela não conseguiria naquele momento, nem que quisesse e tentasse bastante.
Outro bip e sem esperar um segundo ela abriu o celular. "Hm, é? O que tem de legal por aí? Vacas?". "Meu primo. Estou ocupada agora, beijos". Ela digitou rapidamente e desligou o aparelho, sentindo-se completamente louca pelo que estava fazendo. Ou só dizendo. Era lógico que ela não iria por aquelas idéias absurdas em prática. Óbvio que não.
- Lembra quando a gente jogava damas aqui? - ele questionou naturalmente. Mas na cabeça dela havia pensamentos bem mais perversos do que um simples jogo de damas quando ainda tinham oito ou nove anos. estava próximo demais, na verdade. E isso não era nada bom, porque mesmo que ela achasse que seria bem nojento beijar o menino mais chato da sua vida, ela sabia que estava morrendo de vontade - O que é?
- Você até que está bem bonitinho - concluiu.
- Obrigado - retrucou ele, mais interrogando do que afirmando. Era óbvio que estava confuso. Fato que nunca fora muito normal, mas agora ela estava bem mais estranha do que sempre.
percebeu que aquela louca continuava a fitá-lo com aqueles olhos imensos e de um modo bem peculiar. Ele passou a fazer rapidamente uma análise detalhada do rosto dela e antes que concluísse que ela também estava bem bonitinha, foi pego de surpresa quando a garota tocou os lábios aos seus. Só um toque. estava mesmo sendo ousada, mas beijar uma pessoa sem nenhum consentimento seria algo precipitado demais, principalmente para ela que não tinha grandes experiências em questões de namorados. Estava certo assim, então. Se ele quisesse continuar algo, era só ir em frente. Mas se ele ficasse calado ou simplesmente chamasse-a de ridícula, tudo bem, era só sair correndo para evitar tamanha vergonha.
Por alguma sorte, o garoto voltou a encostar sua boca na dela, dessa vez num beijo muito mais intenso e sincrônico. sentia-se como nas nuvens, num misto de várias sensações diferentes que explodiam em seu interno. Ela não sabia como poderia descrever tudo aquilo e o que conseguia entender era que não queria que aquilo acabasse tão cedo. Mas não poderia esquecer-se da parte que tudo naquele natal estava saindo num jeito inverso ao que desejava e não era porque algo bom - que partiu de algo ruim - estava acontecendo que coisas desagradáveis deixariam de acontecer.
- Crianças! - a voz inconfundível de sua mãe fez com que os dois se separassem automaticamente num ato desesperado, o que não era necessário já que ela apenas os chamava dentro da casa - Venham jantar.
Estavam ansiosos e assustados o suficiente para ao menos pensar em responder algo. levantou-se e caminhou até a porta, ainda pensando no que diabos estava havendo com ela. Sentou na primeira cadeira que apareceu e tomou um grande gole de um copo de água que ela nem sabia a quem pertencia. Sua garganta estava seca. Assim que a sua respiração e seu corpo voltaram ao normal, e principalmente assim que a sua mente voltou a funcionar corretamente, ela sentiu-se preparada para levantar a cabeça e honestamente ficou surpresa ao perceber que sentava-se exatamente à sua frente.
Ele a olhava tão confuso quanto ela o olhava. Mas era uma confusão boa. sorriu, pensando que aquela viagem patética de natal ainda duraria algumas horas, mas que talvez fosse necessário adiá-la até o ano novo. Ou quem sabe durante todas as férias de Janeiro.
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Ela aumentou o volume do Ipod e apenas tentou se concentrar na música que saía dos fones com o objetivo simples de não ficar irritada. Provisoriamente aquela atitude surtiu algum efeito, pois logo adormecera, o que a poupou de se irritar entre próximas quatro horas.
- , nós chegamos - Elizabeth, sua mãe, tocou levemente a sua perna com o intuito de acordá-la.
- Hm - a garota abriu os olhos e os direcionou à janela do automóvel. O tempo estava totalmente fechado e essa foi a sua primeira nota mental. Bem diferente de Malibu, onde um calor delicioso a privilegiava durante todo o ano.
deu-se conta que andavam em uma estreita e esburacada estradinha de barro, com muita grama, matos, árvores e flores que a cercava por todos os lados. Bonitinho, se não fosse desesperador. Eram cinco horas da tarde e àquela hora ela deveria provavelmente estar no Plaza, com todas as suas amigas, escolhendo maquiagens e perfumes para a grande noite.
Mas ok.
Ao longe, poderia enxergar desfocadamente uma imensa entrada que ela costumava ter boas lembranças nos seus tempos da infância. Poucos segundos depois tudo se tornava mais nítido, assim como as suas memórias. Não demorou para que um velhinho vestido num macacão engraçado abrisse aqueles portões de madeira, riscado em letras grandes que formavam o nome da família. Sr. e Sra. esperavam o resto dos parentes ansiosamente no lobby da mansão. A tradicional árvore de natal repleta de pisca-pisca, rodeada de presentes e com uma grande estrela prateada em sua extremidade fazia parte da decoração, assim como o imenso papai Noel de brinquedo perto da lareira e assim como as meias que presas na prateleira da mesma, com o pedido de presente de natal que cada neto havia deixado ali num bilhetinho. teve de confessar que ficou alegre em ver seus familiares, mas ela sabia que era uma alegria momentânea, ou seja, que duraria até que a saudade acabasse. De toda forma, ela não esperava que durasse tão pouco. Ou melhor, que não durasse nada porque antes mesmo de encontrar seus avós, surgiu em sua frente, o que ocasionou em um desapontamento instantâneo.
- Oi - ele disse tranquilamente, como ela nunca esperava que pudesse vê-lo algum dia.
- - o corrigiu de pronto, com um sorrisinho no rosto.
- Ah, claro - ele concordou, irônico e a cumprimentou formalmente em seguida. Aquela pequena aproximação foi suficiente para que ela percebesse que o seu priminho retardado que sempre insistia em deixá-la nervosa durante todos os seus poucos encontros agora tinha um físico bem apreciável, além de um sorriso branco, emparelhado e harmonioso, e olhos . Bem . não imaginava que poderia ser tão cretina a ponto de mentalizar os pontos fortes do inimigo, se é que ele continuava mesmo sendo um inimigo.
- Oh, querida! Como você está grande - sua avó disse, tirando toda a sua atenção - Como vão as coisas em Malibu? Você parece tão saudável!
- Tudo ótimo. Mas eu não sei se estou tão saudável assim - ela comentou e ao ouvir a risada da avó, aproximou-se do avô, pronta para cumprimentá-lo.
E depois de muitos cumprimentos, estavam todos reunidos em torno da sala de jantar.
Todos os homens, na verdade. Eles bebiam e assistiam a algum jogo de futebol na televisão enquanto as mulheres preparavam a ceia. adorava comer, mas cozinhar não era bem o seu forte. Agora estava percebendo que ouvir aquelas conversas masculinas também não era muito divertido, o que a fez ter a brilhante idéia de dar umas voltas pelas redondezas. Estava quase escurecendo e sendo assim ela só decidiu sentar sobre uma das cadeiras de balanço e passar um tempo razoável ali até que servissem o jantar, que começassem a desejar uns aos outros um feliz natal e que finalmente pudesse dormir, então aquela viagem acabaria e tudo ficaria ok novamente.
O seu celular vibrou e ela percebeu que havia recebido uma mensagem.
"Estou na jacuzzi do meu quarto com as meninas. Você realmente gostaria de estar aqui! Louise x" Mas que tipo de vaca de amiga eram aquelas que tinha? Estava completamente na merda e ainda era forçada a ler um comentário tão maldoso assim?
"Eu acho que é o contrário. Vocês realmente gostariam de estar aqui!" respondeu com o intuito idiota de não parecer tão loser, mas ela continuava sendo mesmo assim. Agora mais ainda, talvez. Fechou o flip do celular e encostou a cabeça nas costas da balança. Com os olhos fechados, respirou um pouco daquele ar puro e tentou recuperar a sua sanidade.
- E aí? - apareceu de súbito, obviamente sobressaltando-a. Ele sorriu, bagunçando os seus cabelos lisos e da maneira mais sexy possível.
Mas recuperar a sanidade era uma das coisas que ela não conseguiria naquele momento, nem que quisesse e tentasse bastante.
Outro bip e sem esperar um segundo ela abriu o celular. "Hm, é? O que tem de legal por aí? Vacas?". "Meu primo. Estou ocupada agora, beijos". Ela digitou rapidamente e desligou o aparelho, sentindo-se completamente louca pelo que estava fazendo. Ou só dizendo. Era lógico que ela não iria por aquelas idéias absurdas em prática. Óbvio que não.
- Lembra quando a gente jogava damas aqui? - ele questionou naturalmente. Mas na cabeça dela havia pensamentos bem mais perversos do que um simples jogo de damas quando ainda tinham oito ou nove anos. estava próximo demais, na verdade. E isso não era nada bom, porque mesmo que ela achasse que seria bem nojento beijar o menino mais chato da sua vida, ela sabia que estava morrendo de vontade - O que é?
- Você até que está bem bonitinho - concluiu.
- Obrigado - retrucou ele, mais interrogando do que afirmando. Era óbvio que estava confuso. Fato que nunca fora muito normal, mas agora ela estava bem mais estranha do que sempre.
percebeu que aquela louca continuava a fitá-lo com aqueles olhos imensos e de um modo bem peculiar. Ele passou a fazer rapidamente uma análise detalhada do rosto dela e antes que concluísse que ela também estava bem bonitinha, foi pego de surpresa quando a garota tocou os lábios aos seus. Só um toque. estava mesmo sendo ousada, mas beijar uma pessoa sem nenhum consentimento seria algo precipitado demais, principalmente para ela que não tinha grandes experiências em questões de namorados. Estava certo assim, então. Se ele quisesse continuar algo, era só ir em frente. Mas se ele ficasse calado ou simplesmente chamasse-a de ridícula, tudo bem, era só sair correndo para evitar tamanha vergonha.
Por alguma sorte, o garoto voltou a encostar sua boca na dela, dessa vez num beijo muito mais intenso e sincrônico. sentia-se como nas nuvens, num misto de várias sensações diferentes que explodiam em seu interno. Ela não sabia como poderia descrever tudo aquilo e o que conseguia entender era que não queria que aquilo acabasse tão cedo. Mas não poderia esquecer-se da parte que tudo naquele natal estava saindo num jeito inverso ao que desejava e não era porque algo bom - que partiu de algo ruim - estava acontecendo que coisas desagradáveis deixariam de acontecer.
- Crianças! - a voz inconfundível de sua mãe fez com que os dois se separassem automaticamente num ato desesperado, o que não era necessário já que ela apenas os chamava dentro da casa - Venham jantar.
Estavam ansiosos e assustados o suficiente para ao menos pensar em responder algo. levantou-se e caminhou até a porta, ainda pensando no que diabos estava havendo com ela. Sentou na primeira cadeira que apareceu e tomou um grande gole de um copo de água que ela nem sabia a quem pertencia. Sua garganta estava seca. Assim que a sua respiração e seu corpo voltaram ao normal, e principalmente assim que a sua mente voltou a funcionar corretamente, ela sentiu-se preparada para levantar a cabeça e honestamente ficou surpresa ao perceber que sentava-se exatamente à sua frente.
Ele a olhava tão confuso quanto ela o olhava. Mas era uma confusão boa. sorriu, pensando que aquela viagem patética de natal ainda duraria algumas horas, mas que talvez fosse necessário adiá-la até o ano novo. Ou quem sabe durante todas as férias de Janeiro.

