Be a Lie

Autora: Raissa Brown
Status: Finalizada
Revisada por: Luiza Caminada
Categoria: McFly Fics
Sub-Categoria: Drama / LongFic
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Eu e . Melhores amigos desde que usávamos fraldas e chupávamos chupeta. Sempre foi uma relação bem irmãos mesmo, com toda aquela proteção, todo aquele medo de que algo de ruim acontecesse ao outro. O amor que eu sentia por ele era algo estranho. Sempre, desde sempre mesmo, eu fui apaixonada por ele. Claro que antes eu não entendia isso e achava que era normal, que era amor de ‘irmãos’. Fui crescendo e só então pude perceber que aquilo era o amor homem-mulher. Mais forte. Pelo menos da minha parte.
nunca mostrou isso. Eu sempre fui a irmãzinha. Ele saía com várias garotas e namorou outras tantas. Eu, claro, também saía com outros caras, mas nunca tive nada sério. Não dava. Eu só queria o .
Agora, ambos com 16 anos. Hormônios a flor da pele. Estávamos brigando nesse momento, separados pela porta do meu quarto. E essa briga é culpa da proteção excessiva do . E da minha infantilidade também. Não vou jogar a culpa toda nele. Mas eu estou a fim de sofrer sozinha. E o bonito não entende.


CAPÍTULO 01 - PARA, . – Berrei tampando os ouvidos com as duas mãos. Senti as lágrimas chegarem aos meus lábios. O amargo gosto de uma sensação que eu ainda não defini o nome.
- ABRA A PORTA, EU QUERO FALAR CONTIGO. – Mais um murro na porta. Minha mãe gritou algo como ‘abre logo, ’. Ótimo, ela estava do lado dele. Como sempre. Ela sempre o protegeu mesmo.
E eu que sou filha... Nada.
- Eu não quero conversar. – Tentei gritar de novo, mas o soluço do choro me impedia de fazer esses esforços sobrenaturais. Eu não queria conversar com ninguém, muito menos com ele. Eu estava tonta, com o rosto inchado e dolorido. Queria ficar sozinha, difícil entender?
Levantei da cama, enxugando as lágrimas com as costas da mão e abri a porta.
Ele estava lá, parado estaticamente me olhando (aqueles olhos azuis cravados nos meus), e abriu um meio sorriso me abraçando e entrando no quarto. Vale ressaltar que ele não foi convidado? Não, porque ele nunca precisava ser convidado para nada quando se tratava de , era só chegar e entrar.
Foi assim no meu quarto.
Foi assim no meu coração.
- Se trancar no quarto não vai mudar a realidade, você sabe? – Ele sentou na minha cama. Fechei a porta e sentei ao lado dele.
- É, infelizmente eu sei. – Suspirei, e ele me abraçou de novo. Acomodei meu rosto na curva do seu pescoço, sentindo aquele cheiro de perfume masculino que eu tanto gostava.
- O que aconteceu? – ele não sabia? E como ele estava lá, sabendo que eu precisava de um ombro amigo? – O passou lá em casa, hoje cedo e me pediu para vir aqui. Ele disse que você o odiava com todas as forças – ele fez uma careta fofa – Não consigo te imaginar odiando aquele bobo.
- Nem eu. – era a verdade, eu nunca ia odiar o . Ele podia repetir o feito 500 vezes que eu não odiaria nem um fio de cabelo dele.
- Me conte tudo que aconteceu.

[Flash Back]


Música alta, pessoas dançando na pista de dança improvisada. Eu estava dançando com a , rebolando e recebendo olhares masculinos cheios de segundas intenções. Era hora de parar. Sentei no sofá e encostei a cabeça no ombro do , que estava ali fazia tempo, só bebendo. O líquido verde não me pareceu interessante à primeira vista.
- Saco cheio da festa? – perguntei, sentindo minha cabeça doer.
- Saco cheio do mundo, . – ele respondeu melancolicamente e eu fiz bico. Odiava ver meu amigo na fossa.
Ele tinha acabado um namoro há pouco tempo, e desde então sofria vinte vezes por dia. Levantei puxando-o pela mão. Fomos até os fundos da casa de... de quem era aquela porcaria de festa? Ah, quem se importa mesmo? Eu não. Muito menos o , que já estava encostado numa parede, segurando minha mão com a mão esquerda e com a direita segurando o bendito copo. Aquele líquido verde me pareceu apetitoso agora, mas antes que eu pudesse pedir um pouco, o tomou de um gole só. Ele me olhou de um jeito estranho. Bêbado, sim, era bêbado. Eu ri olhando a cara dele, e ele riu comigo.
- Eu queria ir pra casa. - resmunguei.
- Eu até te levaria, mas não quero dirigir nesse estado. - ele respondeu - Ainda mais te levando comigo. Se eu for morrer, que seja sozinho.
Fechei os olhos respirando fundo. Senti cheiro de álcool. No segundo seguinte senti algo quente contra minha boca, me apertando forte. Abri os olhos e me vi beijando o . Ah, logo o ? Não que ele não fosse gostoso e lindo e simpático. Mas, cara. Era o ! O meu amigo, o cara que eu confio todos os meus segredos, que eu abro minha vida. Eu não podia fazer aquilo, mas parecia impossível parar. Senti as mãos dele percorrendo toda a extensão do meu corpo e se eu não parasse logo, não ia conseguir parar depois. O empurrei gentilmente, sorrindo sem graça.
- Você não quer? – Ele perguntou confuso e... Advinha? Bêbado.
- Não. – eu disse como se fosse óbvio. E era. – , nós somos amigos. E tem o .
- , o ta lá dentro da festa. – ele apontou para dentro da casa – Bebendo e pegando a Stephanie. Você podia ao menos tentar se divertir.
Nota mental: nunca mais deixar o beber. Ele fala demais. E diz tudo que não teria coragem de dizer se estivesse sóbrio.
- Me divertir beijando um cara que é como irmão pra mim? – ri irônica e apertou meu braço com força, me olhando com raiva. Meu coração acelerou bruscamente e um nó se formou em minha garganta. Odeio pessoas sobre efeito do álcool.Tentei me soltar dos braços dele, mas quer comparar a minha força com a do ? colou os lábios nos meus mais uma vez e eu senti minhas pernas perderem as forças, mas não do jeito bom, de quando a gente beija alguém que a gente gosta.
Foi de um jeito ruim, de medo. A mão esquerda dele levantou meu vestido e chegou ao elástico da minha calcinha. Deixei algumas lágrimas escorrem pelo meu rosto. Aquele não era o meu , eu me recusava a acreditar. Odeio bebidas, prometo nunca mais tocar numa gota de álcool. E tão rápido como começou, acabou. estava encostado na parede mais longe possível de mim, arfando e com os olhos levemente arregalados me olhando chorar. Ele passou a mão pelo cabelo.
- Se eu tivesse machucado um fio de cabelo seu, eu nunca ia me perdoar.
- Tá tudo... tudo bem. - eu dei um passo a frente, tentando tocar seu rosto, mas ele esquivou.
- Estou me odiando - ele saiu correndo o mais rápido que pode pra longe de mim, me deixando completamente desnorteada.
Eu corri pra casa, me trancando no quarto até o chegar.

[/Flash Back]


Contei tudo pro . É claro, omitindo minha conversa sobre o próprio , com o . Ele escutou tudo atentamente, fazendo caras fofas de vez em quando. Quando comecei o relato sobre o que o fez, ele arregalou os olhos e abriu bruscamente a boca, tentando falar alguma coisa.
- Eu vou matar o ! – me afastou do abraço reconfortante e ficou em pé – Quem ele pensa que é? Eu vou bater tanto naquele rostinho bonitinho dele que...
- Chega, ! – pedi segurando as lágrimas – Chega, ta? Você não vai tocar num fio de cabelo do . Eu não estou com raiva dele, você não tem motivos pra ficar.
- Não tenho? – ele meio que gritou – , se alguém um dia te machucar eu não sei o que eu faço.
- Ele não me machucou.
- Mas podia ter te...
- Chega – fui até ele e lhe dei um abraço – Está tudo bem comigo.
- Eu não devia ter te deixado sozinha...
- Você tinha coisa mais importante pra fazer. Tinha a Stephanie. - não controlei a merda do meu cíumes e soltei essa.
Ele me afastou de novo do abraço e fez uma careta incrédula.
- Quando algum dos meus rolos foi mais importante que a minha irmã?
Irmã. Então vamos ali cometer um incesto, . Eu nunca ia deixar de ser a melhor amiga, a irmã e a porra que fosse, certo? Forcei um sorriso e ele mandou eu tomar um banho e trocar de roupa que ele me levaria pra passear. Obedeci.
Ele foi para a sala, me deixando a vontade. Quando cheguei na sala ele estava conversando com a minha adorável mãe.
- Ah, , só você pra fazer a sair do quarto. – Ela sorriu – Não sei o que seria da vida dessa garota sem você.
Fiquei vermelha e o sorriu. É, que bom que ele leva na esportiva. Lancei um olhar ‘mãe-pare-com-isso’ e nós dois fomos pro carro dele.
Paramos na Starbucks e fizemos um lanche. Quando acabamos, voltamos para o carro e ficamos em silêncio. não ligou o carro e eu liguei o som. ‘Hero’ tocava baixinho e um sorriso brotou nos meus lábios. Era uma música altamente relaxante e fofa. passou os braços por trás da cabeça, ainda olhando pra frente.
- Consegui te animar um pouco?
- Claro - eu assenti com a cabeça - Você sempre consegue. Me conhece melhor que eu mesma.
- Se eu fosse você não diria isso - ele finalmente olhou nos meus olhos - Eu tenho tanto medo de errar com você.
Se ele soubesse o quanto me fez sofrer, faria o quê? Tentaria mudar algo ou simplesmente diria 'desculpa, mas é assim'?

CAPÍTULO 02

- Quer ir pra casa? – ele perguntou, colocando meu cabelo atrás da orelha.
- Não.
- Certo, vamos a um lugar que faz tempo que eu quero te mostrar. É tipo uma surpresa. – ele disse já ligando o carro, com um sorriso sapeca no rosto. Aonde a gente ia eu sabia que não adiantava perguntar, sabia ser altamente insuportável se tratando de surpresas.
A música continuava a tocar baixo, chegando a ser um murmúrio. Green Day. tem bom gosto musical. Na verdade, tem bom gosto para tudo. Oi, eu babo o muito, eu sei.
O carro parou no sinal vermelho e ele me olhou de canto de olho, ainda com aquele sorriso divertido.
- O que foi? – perguntei. Odiava que me olhassem sem dizer nada. Ele gargalhou, conhecia todas as minhas manias.
- Eu estava imaginando se você vai gostar do lugar... - Pareceu pensar por alguns momentos. – A gostou.
- Você já levou a lá? – Estranho. O que ele e faziam lá? O mesmo que eu fiz com o ? Nop, eu não queria pensar mais nisso.
- Não, não fui eu que levei a lá. - ele comentou como se fosse 'o céu está claro'.
- Quem?
Ele não respondeu. Certo, a conversa acabou ali, e nenhuma informação sobre o tal lugar. Minha curiosidade me corroía por dentro, mas eu não podia mudar isso. Mais quinze minutos dentro do carro e ele virou a esquerda, entre umas árvores extremamente altas e lindas. Cheias de flores coloridas. parou o carro na sombra de uma dessas árvores e saiu do carro, vindo abrir a porta para mim. Saí do carro olhando maravilhada aquele lugar: tinha um pequeno lago azul cintilante que me fez lembrar infantilmente a lagoa azul.
foi andando e sentou perto da maior árvore que tinha naquele... O que era aquilo? Eu achei melhor chamar de bosque. Eu fui andando até ele e me sentei ao seu lado.
- Esse lugar é lindo, e trás uma paz...- suspirei. O cheiro forte de grama invadiu minhas narinas.
- Esse lugar é muito importante para mim e para os meninos. A gente sempre vem pra cá quando precisa descansar. Não mostramos esse lugar a ninguém, é só nosso.
- Você me mostrou. Eu sou tipo uma intrusa no lugar de vocês. – eu comentei e ele sorriu de lado.
- Nós só abrimos exceção para quem realmente é especial. – Ele falou isso pra mim? Ah, já comentei que o é lindo e fofo?
- E o Tom trouxe a , né? – ele levantou e me puxou pela mão.
- É, eu quero te mostrar porque ele a trouxe aqui. – ele pegou minha mão e se virou para a árvore mais alta, que a gente estava encostado. Lá tinha gravado ‘ & Tom’. Meus olhos se encheram de lágrimas e me abraçou de lado. Apontou mais em cima. Já meio gasto pelo tempo tinha escrito ‘Bob&Debby’. O pai e a mãe do Tom.
- O pai do Tom, trouxe a tia Debby aqui quando eles ainda namoravam e escreveu nessa árvore o nome dos dois. – começou a contar – Então eles nunca mais se separaram, o amor se fortaleceu. É tipo uma crença, mas só funciona com amor de verdade.
- Ah, que coisa linda. – Sorri sozinha – E o Tom, fofo como ele é, trouxe a .
Ele abriu o sorriso mais lindo do mundo e me olhou. Por um breve momento de insensatez eu esperei que ele pegasse uma pedra e escrevesse nossos nomes ali, juntos. Claro, isso não aconteceu.
- Quer ir para algum lugar ou ir pra casa? – perguntou, dando ré.
- Ir pra casa. – respondi baixinho. De repente perdi a vontade de ficar perto de . Não foi tão de repente assim, eu só estava esperando que ele fizesse uma coisa que ele não fez. Porque eu sempre sonhava demais e ele era realista demais.
Nunca ia dar certo.
O caminho até minha casa foi silencioso. O rádio estava desligado e o olhar de perdido na pista. Minhas mãos estavam frenéticas, nervosas. Para mantê-las ocupadas resolvi fazer uma trança no meu cabelo. Paramos em frente a meu prédio.
- Vai entrar?
- Não. – ele hesitou – Eu vou sair com uma garota.
Pronto, agora sim eu ia ficar feliz. Agora eu ia chegar em casa saltitando feliz. Puta que pariu.
Não me atrevi a abrir a boca. Perigava sair tudo que eu estava pensando, então só acenei com a cabeça.
Eu nunca ia me acostumar com o saindo com aquelas garotas. Elas só queriam se aproveitar dele. Eram todas vadias, e eu me surpreendia de que não pagasse a elas por hora.
Entrei em casa, batendo a porta com toda a força e raiva somadas. tinha um poder de me deixar muito puta.
- Tem geladeira em casa não, é? – uma voz conhecida ralhou comigo. estava lá, deitadão no sofá, com os pés na mesinha de centro. Outro em que minha mãe babava.
- , vem cá, vem. – O Chamei para um abraço apertado. Ele me abraçou. me conhece tão bem que me levou pro quarto. Sem segundas intenções.
Deitamos na cama, abraçados.
- Desculpa por ontem, ta?
- Desculpa por ontem, também. – pedi. Ele alisou meu cabelo e limpou uma lágrima que escapou do meu olho.
- Você não está chorando por causa de ontem. – ele não perguntou, afirmou. – Pode me contar tudo.
- O foi sair com uma garota. – funguei no ombro dele.
- Miley. Eu sei. – Miley era o nome da kinky bitch. – Ele a chamou pra sair ontem. Na festa.
Enquanto eu estava te beijando. Esqueceu de frizzar. E na festa ele não estava com a Stephanie? não presta.
- Bonita?
- Pegável.
- Ele gosta dela?
- Ele não gosta de ninguém. – O deve ter visto a cara de dor que eu fiz, então concertou. – Só de você.
- Como amiga, e você sabe que não é bem assim que eu quero.
- Você já viu como ele se preocupa com você, ? É ‘A não está bem’ pra cá, ‘A precisa de mim’ pra lá. Ele sempre está por perto quando você precisa, notou? Não é por acaso.
- Ele gosta de mim?
- Maybe.
- Incerto demais, não posso arriscar.
- Arriscar? – ele se assutou – Você quer contar pra ele?
- Não.
- Quer. – ele insistiu. Eu neguei e ele afirmou. Neguei mais uma vez e ele afirmou, me jogando na cama. Depois começamos uma guerra de travesseiro e cócegas até cansar.

CAPÍTULO 03

- , atender o celular é bom de vez em quando. – atravessou meu quarto e abriu a cortina, me fazendo acordar assustada e puta. Muito puta. Faça tudo, mas não me acorde bruscamente.
- Deixar a amiga que ta na fossa dormir também. – Resmunguei. Olhei pra minha cama e eu estava sozinha nela. – Cadê o ?
- Ele devia estar aqui? – me lançou um olhar safado e eu ignorei. – Tô brincado – ela riu – Ele já foi pra casa, e me ligou pedindo pra eu assumir o seu lugar de animador-de-amigas-na-fossa.
estava pegando a mania irritante do de me proteger. Mas era bom em uma parte: eu não ia passar o dia todo sozinha.
estava me contando sobre como o Tom era fofo e como ela o amava com todas as forças calculáveis. Então lembrei da árvore e contei pra ela. Ela ficou com os olhos brilhando e me contou todos os detalhes daquele dia. O Tom era perfeito demais, alguém abana. Mas é da , nem se eu quisesse competir. Ele a ama muito. Sabe aquele amor que a gente só vê em filme? Existe entre eles.
- O te levou lá? – Ela berrou.
Sempre escandalosa.
- Levou. E antes que você comece a falar descontroladamente – falei ao ver que ela abria a boca - ele só me mostrou ao lugar. Não teve mais nada.
- , só o fato de ele ter te levado lá já é ótimo. – ela me ignorou e falou. – Ele nunca levou uma namorada lá e te levou. Você...
- Nós somos melhores amigos, é normal.
- Não, você sabe que não. Então, sem dramas. Certo?
Ela tinha um pouco de razão. Era meio estranho o ter me mostrado isso agora. A gente se conhecia há tempo demais. Tipo, uns 12 anos. Tinha alguma coisa estranha. E se alguém sabia, esse alguém era o . Ele ia ter que me contar alguma hora.
Passamos o resto do dia assistindo filmes, comendo besteiras e falando da vida alheia.

A noite estava fria, realmente fria. Eu me enrolei em duas colchas grossas e fiquei deitada na cama, assistindo um DVD de música qualquer. Mentira, era Green Day, porque me lembrava . Eu nunca ia ter uma vida sem , já tinha me acostumado à ideia. No mural de fotos, foto minha com e Tom. Eu abraçando o , o me beijando a bochecha, o e eu sorrindo pra câmera, o e eu sentados no banquinho, o e eu...
Devo ter dormido, porque despertei assustada com o barulho da chuva. O telefone tocou e eu atendi, prontamente.
- Alô.
- ? – falou do outro lado da linha e pediu silêncio a umas vozes altas. – Esteja pronta, estou passando aí dentro de vinte minutos. Sessão ‘não temos nada pra fazer’ na casa do Tom, os pais dele viajaram.
Desligou. Eu adoro quando me dão muitas opções de escolha. Bufei e fui avisar a minha mãe, provavelmente eu dormiria por lá. Arrumei uma pequena (lies, lies, lies) bolsa com tudo que eu ia precisar pra minha higiene.

- Como foi o encontro? – não controlei minha curiosidade e perguntei, sabendo que a resposta poderia me magoar.
- Bom. – ele deu de ombros. não costumava me contar detalhes, e isso era bom por uma parte. Por outra (a da minha curiosidade), era péssima.
- Calem a boca, calem a boca – , outro amigo nosso, pedia com gestos exagerados com as mãos. Todos fizeram silêncio e olharam para ele, que estava com o telefone no ouvido. – Qual o sabor da pizza?
O silêncio momentâneo que tinha a segundos atrás foi inundado por gritos de sabores de pizza. No fim, ele pediu calabresa e mussarela, como sempre. Não sei pra quê ele pergunta, se nossa opinião pouco importa.
estava deitado no sofá com as pernas para cima. Qual a tara dele por sofás? Or, sentei na barriga dele e ele gemeu, sem ar. Não que eu fosse gorda, ele que era ridiculamente exagerado. Os olhos dele estavam de um azul escuro, sombrio. Ele me encarava sério e eu senti meu coração apertar por alguns segundos, mas o surgiu na nossa frente cantando e desviando minha atenção do rosto sem emoções do meu amigo. Os meninos começaram a dançar e cantar, exceto que preferiu ficar filmando toda aquela palhaçada. Havia algo de errado com ele. Normalmente ele não deixaria passar essa palhaçada sem participar.
A pizza chegou, todos comemos e conversamos bobagens. Depois eu e fomos lavar os pratos.
- O ta estranho. – Ela comentou comigo. Eu não tinha sido a única a notar. – Não só ele, todos os meninos estão meio estranhos hoje. Será que aconteceu alguma coisa?
- Eu estou ficando preocupada com ele. - e eu não fazia nem ideia do motivo daquela cara fechada.
- MENINAS, VENHAM AQUI! - a voz do chegou até a cozinha e nós nos olhamos, tensas. Tinha alguma coisa a ver com o mau humor do ?
Estavam todos sentados, comportados, no sofá nos olhando sérios. Meu estomago revirou e eu fiquei com medo do que estava por vim. Olhei pra e ela mantinha a cara séria, com medo. Assim como eu. Olhei para e ele me lançou um olhar que eu conhecia bem. De desculpas. Desculpas? Pelo quê? O que ele ia fazer?
- Vamos logo com isso... – quase implorou, sem encarar ninguém.
O silêncio permanecia itacto.
- Vocês estão me deixando nervosa – falei depois de um tempo.
- Certo, a gente pediu essa reunião aqui em casa hoje, não foi só por não termos nada pra fazer – Tom começou, dando um sorriso sem graça – É que a gente tem algo pra contar.
- Contem – sussurrei num apelo. Vi levantar e vir pro meu lado, passando a mão pelo meu braço. Eu não estava entendendo nada. Olhei , que mirava o próprio tênis.
- Contem agora - sibilou, raivosa, encarando Tom.
- Daqui a uma semana eu vou embora. – a voz de era um sussurro. Assim como a minha. Mas eu escutei com clareza, talvez pela proximidade da gente. Ele ia embora? – Meu pai foi transferido para uma filial em New York.
- A quanto tempo vocês sabem? – perguntou a todos, mas olhando só o Tom.
- Algum tempo.
- E resolveram só contar agora pra nos poupar, certo? – ela perguntou, sua voz carregada de sarcasmo.
Eles realmente não podiam ter escondido aquilo de nós. Tom soltou uma exclamação impaciente ao ver todos calados. Quando eu arrisquei tirar meu olhar do chão, vi me encarando, tão perto e ainda com o braço passado ao meu redor, com uma expressão indefinida. Passei a mão pelo meu rosto e o notei molhado. Eu estava chorando sem nem perceber. Meu coração continuava batendo também? Eu não o percebia? Eu não percebia mais nada. Ouvi a porta batendo e olhei. Já tinha sido fechada. Olhei pela sala e não estava lá. Ele se sentia culpado de ter me escondido aquilo. Ele não devia ter feito isso comigo, mas eu não conseguia sentir raiva, eu não conseguia sentir nada. Eu só conseguia sentir meu coração se abrindo cada vez mais e o chão sumindo. Alguém me abraçou, mas minha visão estava turva pelas lágrimas. Fui guiada até o sofá ainda abraçada a pessoa, que eu sabia ser meu . E sentados, nós dois choramos feito crianças. Era assim que eu me sentia naquele momento, uma criança. Altamente desprotegida.
Eu não ia sobreviver à perda do , não era justo. Os outros saíram da sala nos deixando sozinhos. Minhas lágrimas foram ganhando mais velocidade e meus soluços eram altos.
- Me perdoa.
- Não sei se consigo – respondi meio que automaticamente, mas perdoar ele por ter me escondido aquilo era pedir demais. – Você não podia ter me escondido, .
- Eu não queria te ver sofrer, assim – ele me olhou – Como você está sofrendo agora.
- Meu coração está doendo muito, eu quero chorar. – eu pedi e o abracei mais forte, chorando tudo que eu tinha para chorar no colo dele.
- Sabe, , eu não quero viajar. Eu daria tudo para poder ficar aqui. Mas eu sou muito medroso. Em todos os sentidos.
Não entendi o que ele queria falar, não perguntei, não fiz nada. Estava abalada demais para tentar algo.
- Do que adiantou você me esconder isso? O sofrimento iria vir de qualquer jeito... - eu reclamava, inconformada. Ele me abraçava cada vez mais forte.
Em uma semana eu ia perdê-lo para sempre. Meus batimentos cardíacos aceleravam, indo contra todos os indícios de que eu morreria. Sete dias. Cento e sessenta e oito horas. Dez mil e oitenta minutos. Quantos segundos? Eu não queria saber, eu só não podia perder o assim, sem lutar.
- Quer que eu te leve para casa? – ele perguntou quebrando o barulho de soluço, o único barulho que preenchia a sala.
- Não – eu não queria mesmo – Eu vou ligar para o . Quero que ele me leve.
permaneceu calado enquanto eu pegava o celular e discava aqueles números tão conhecidos. Eu precisava do , olhar nos olhos dele, sentir ele. atendeu com a voz quebrada e aquilo esmagou mais meu coração. Eu sabia que aquilo era culpa. Pedi para ele vir me buscar e ele disse que esteve todo esse tempo parado na frente da casa do Tom. Eu tinha que ir com ele, a gente precisava conversar. Desliguei o celular e peguei minha bolsa em cima da mesa, dei um último suspiro olhando sentado no sofá com a cabeça entre as mãos. Saí batendo a porta devagar.

- Quer ir para sua casa? – me perguntou assim que eu entrei no carro. Ele estava com cara de quem chorou e tudo naquele automóvel era frio. O ar, frio. O rádio, desligado e frio.
- Posso dormir na sua casa? – alguém um dia me disse que responder uma pergunta com outra é bem idiota. Eu sou idiota. – Não quero ficar sozinha.
- Vamos. – Ele ligou o carro e suspirou fundo, talvez criando forças pra continuar – Desculpa por não ter te contado quando eu soube, foi uma espécie de último pedido do , eu não ia negar. Mesmo sabendo que ia acabar te machucando... Eu... , desculpa.
- Eu entendo – minha voz saiu mais baixa do que eu esperava, então eu repeti – Eu entendo, ele tinha motivos pra me esconder, você tinha motivos pra ceder a ele. Eu ia sofrer sabendo antes, mas eu estou sofrendo agora também. Não vejo muita diferença nesse sentido.
Parei. As lágrimas embaçavam minha visão e eu não queria lembrar do indo embora. virou o carro para entrar na casa dele, e eu soltei o cinto de segurança. Ele estacionou e nós dois saímos do carro. Ele ia andando mais na frente, fugindo de mim, talvez. Eu apressei o passo e entrelacei minha mão na dele. O olhar dele esgueirou pra mim. Eu já ia perder o , não ia ser burra pra perder a amizade do . Ele forçou um sorriso, me fazendo virar os olhos.
- Eu preciso de alguém pra me animar, dude. – comentei – Você pode fazer isso por mim?
Lancei meu olhar ‘gatinho do Shrek’ e ele gargalhou jogando a cabeça pra trás. Ali estava o velho .

- , acabou! – o cutuquei. Ele dormia no chão, embaixo do sofá que eu estava.
Apontei a TV. Os créditos do filme que tínhamos (eu tinha, ele dormiu nos primeiros 10 minutos) assistido subiam pela tela. Ele levantou com cara de sono e desligou o DVD.
- Tá, agora cala a boca - ele usou seu tom delicado comigo e eu ri, batendo nele.
- !
- Vamos pra cama? – sorriu malicioso. é sempre . Ri alto e estiquei os braços, dando a entender que queria ser carregada. Ele negou com a cabeça e puxou minha mão, me fazendo quase cair do sofá.
- Ah, eu quero colo!
- Vá pra casa e peça pra sua mãe.
- Chato, , chato. – fiz bico e ele me abraçou. Aproveitei e dei impulso, entrelaçando minhas pernas na cintura dele. – Me leva?
Depois de me deitar na cama dele (é, eu tinha conseguido), ele puxou um colchonete e pôs no chão, forrando e se deitando logo em seguida.
- Boa noite, . – ele desejou, já de olhos fechados.
- Boa noite.

- ...- alguém me balançava – , acorda!
Abris os olhos devagar, me acostumando aos poucos com a claridade que entrava pela janela. estava ajoelhado ao lado da cama, e tocava meu rosto delicadamente.
- Bom dia, – ele sorriu e eu retribuí, ainda meio tonta de sono. – Eu sou um fraco. – ele mudou a expressão, passando a mão pelo cabelo e eu não entendi. – Eu não devia ter feito isso, eu não sabia se você queria, mas eu não evitei.
Oi? Eu fiquei realmente assustada e sentei na cama num impulso. E o que ele tinha feito que não devia? Será que a gente tinha feito alguma coisa demais de noite? My God, não. Eu não lembrava de nada, não era possível. Puxei o cobertor pra cima e ... Eu estava vestida.
Menos mal.
- O que... que foi ?
- O ta aí na sala. Eu não sabia se você queria vê-lo, mas eu deixei ele entrar. Ele me implorou. Sabe, eu tô ficando vulnerável ao . E isso é meio gay.
Eu soltei uma risada baixa. Então eu e o não tínhamos feito nada demais, certo? Respirei aliviada, mas minha respiração pesou de novo ao lembrar do na sala.
- Ele... Quer falar comigo?
- Não, ele veio comer os biscoito que a minha avó manda. – arqueou uma sobrancelha e se levantou caminhando até a porta. - Se arrume e converse com ele.
Fechou a porta e eu corri para o banheiro da suíte. Eu estava com minha bolsa, com tudo necessário para minha higiene, que eu tinha levado para a casa do Tom. Agradeci mentalmente por não ter esquecido nada. Fiz tudo que se deve fazer de manhã, e coloquei um vestido simples, azul celeste, preso no pescoço.
Fui pra sala, e vi e sentados no sofá, conversando aos sussurros. Pigarreei alto, chamando atenção. sorriu discreto e abriu um sorriso desconcertante.
- Vou dar uma volta, pra deixar vocês à vontade. – começou e deu de ombros – Eu podia inventar algo como ‘Eu tenho um compromisso’, mas eu prefiro a sinceridade.
Ele sorriu e saiu de casa. Sorri com o jeito bobo dele. continuava sentado e bateu no lugar ao lado dele, me chamando para sentar lá. Sentei e segurei a mão dele.
- Me desculpa. – ele pediu, esperando que eu aceitasse dessa vez, e beijou minha testa – Eu não queria ir, . Eu queria ficar aqui na Inglaterra, aqui é minha vida. O colégio, os meninos, você.
Eu... Eu. queria ficar e eu era um dos motivos.
- Preciso dizer que eu queria que você ficasse?
- Eu quero que esses meus últimos seis dias aqui sejam perfeitos. Quero aproveitar eles bastante, com você.

CAPÍTULO 04

ligou pra , dizendo que ele podia voltar pra casa. Cinco minutos depois ele apareceu. Meio inseguro, sem saber o que tinha acontecido, se eu tinha matado o , ou a gente tinha conversado numa boa. Mas assim que viu nossos rostos sorrindo, ele sorriu também.
- Eu estava com medo de chegar e encontrar algum corpo estendido no chão da sala. – ele suspirou aliviado.
- A jamais me mataria, e eu nunca tocaria num fio de cabelo dela. – lançou um sorriso na minha direção, que me fez ficar tonta por longos segundos.
- Vocês vão fazer o que agora? – perguntou.
- Eu estava pensando em levar a pra aquele lugar, pra fazer aquele negócio, sabe ? – fez um gesto exagerado com as mãos, enquanto eu me despertava do meu transe. Ei, que lugar? Que negócio? assentiu com a cabeça, dando um singelo sorriso pra mim. Fechei a cara e cruzei os braços.
- É surpresa de novo, ? – Perguntei, brava.
- É, mas você nunca reclamou das minhas surpresas. – ele me abraçou de lado – Por que isso agora?
- Porque eu não gosto de ir pra um lugar que eu não sei onde é. E ainda mais fazer uma coisa desconhecida.
- Eu já te levei a algum lugar ruim?
- Tirando aquela casa no meio do mato pra fazer o trabalho de geografia? – Ironizei, lembrando dos mosquitos gigantes que atacaram a gente. Ele gargalhou.
- Aquele lugar não vale porque não era surpresa. – fez bico – É sério. Vamos, eu quero ir cedo. – virou pra – Me empresta o carro? Sabe como é, eu vim andando pra criar coragem de encarar a fúria de .
Rolei os olhos e ele me puxou pela mão, pegando a chave do carro da mão de e saindo da casa. Entramos no carro azul escuro e liguei o som. Beatles. abriu um sorriso grande e começou a cantar, acompanhando a música. Ele balançava a cabeça, fazendo os cabelos irem pra um lado e para o outro. Sorri boba vendo como ele era perfeito. E aquela perfeição daria o ar de sua graça em New York. Outch. suspirei baixo, tentando desviar aqueles maus pensamentos da minha mente, mas notou. Notou e abaixou o volume do som, parando num sinal vermelho.
- Que foi? – preocupado como sempre.
- Eu... Não quero ficar sem você. – desabafei.
- Eu não quero você triste. Você vai ter o sempre cuidando de você. Também o Tom, e . Eles nunca vão deixar você sozinha.
- Eu só queria você.
- Se você soubesse o quanto está doendo em mim ter que me separar de você.
Ele fechou os olhos rápido, e abriu em seguida, arrancando com o carro. Eu conhecia aquela estradinha de barro. Paramos o carro de baixo da mesma árvore que estacionamos da outra vez. Era o mesmo bosque. Ele desceu do carro e abriu a porta pra mim. Fomos andando abraçados de lado, até perto do lago.
- Eu quero te contar uma coisa, . – Ele fitava o lago. Lago azul, olho azul. Era lindo olhar. – Uma coisa que eu devia ter te contado há muito tempo, mas eu sou um covarde...
Eu senti o sangue correr pelas minhas veias. Encostei minha cabeça em seu ombro. Seja lá o que ele fosse falar, eu não sabia se estava preparada pra ouvir. Era alguma coisa que me emocionaria muito? Eu não agüentava mais emoções.
- , fala alguma coisa?
- Eu estou ouvindo, . – eu olhei pra ele, sorrindo ternamente – Continue.
- Certo. – parou e respirou – Eu gosto muito de você, muito.
- Eu também gosto de você.
- Não, . -ele abanou as mãos - Não é um gostar de amigo. Você, desde o primeiro dia que eu te vi... você se tornou especial demais pra mim. Foi como se eu encontrasse um pedaço de mim perdido. Mas com um tempo esse sentimento se transformou. E esse amor que eu sentia, não era mais fraterno. Fiquei com medo de te falar isso e você se afastar de mim. Desculpa por ter te escondido isso durante todo esse tempo. Mas eu estou indo embora e não quero cometer o erro de levar esse segredo comigo para o outro lado do oceano.
Oi? Eu não podia acreditar em tudo que eu ouvia. Eu estava entendo tudo certo mesmo? Se eu não tivesse visto os lábios de se moverem, eu acharia que não era ele. Então durante todo esse tempo o gostou de mim como eu gostava dele? E por medo e insegurança da parte os dois, tudo ficou perdido? Cadê o sangue que até pouco tempo corria velozmente por minha veias? Eu não podia nem sentir meus batimentos cardíacos.
- , eu... – cocei a cabeça e ele me olhava esperando alguma reação. – Eu não sei se isso vai ser estranho pra você, mas eu senti o mesmo por você durante... - pausa pra respirar – durante todo esse tempo.
- Eu... – me abraçou forte, respirei fundo seu perfume e senti seu coração pulsar contra o meu. Meu coração ganhou força e bateu contra o dele. – A gente perdeu esse tempo todo... E eu vou embora, cara! Por que isso foi acontecer?
Não tinha o que falar, escorregou, sentando na grama verdinha e cheirosa do lugar, me puxando pra sentar com ele. Uma lágrima solitária escorreu pelo seu rosto e eu limpei com meu dedo.
- , eu não quero perder mais tempo. – antes que eu pudesse analisar o que aquela frase significava eu já senti os lábios do sobre os meus. Senti sua língua massagear minha boca, pedindo passagem, facilmente cedida. Nosso beijo foi se intensificando a medida que nossas mãos ganhavam vida e exploravam o corpo um do outro. parou de me beijar e segurou meu rosto entre as mãos, me fitando com os olhos penetrantes.
- Eu amo você.
Continuamos a nos beijar, trocar carinhos. Quando a mão de chegou na barra da minha blusa e ameaçou levantá-la, eu travei. Parei o beijo e delicadamente retirei a mão dele de lá. Fiquei olhando pro verde da grama por algum tempo.
- Desculpa, , mas não é assim que as coisas acontecem – eu arrisquei falar, e pude notar que minha voz saiu mais firme do que o que eu esperava – Eu te amo muito, mas não quero ter você por um momento e me arrepender pelo resto da vida, enquanto você estiver do outro lado do pacífi...
Minha voz quebrou. Eu sabia que ela não se manteria forte por muito tempo, e falar aquela maldita palavra era difícil. Ele pegou minha mão e apertou forte.
- Desculpa, . – ele beijou minha mão – Por um momento eu deixei a vontade de te ter falar mais alto que minha razão. Eu não queria estragar esse momento, desculpa.
Eu sorri e segurei suas mãos. era perfeito!
Era real?
Voltamos a nos beijar, com respeito, carinho, amor e uma saudade antecipada. Aquele aperto no meu coração não ia passar.
Dude, alguém me belisca forte? Eu estou realizando um sonho de muitos anos. Eu estou beijando o meu . Oi? Coração? Volta a bater, por favor. Ah, voltou, com força total. Fiquei com medo de ouvir meus batimentos. Desci minha mão do pescoço para o peito dele, e notei que o coração dele batia igualmente forte como o meu. Sorri entre o beijo e ele notou.
- Rindo de que?
- Dos nossos corações. Sincronizados. – peguei a mão dele e coloquei sobre o meu coração para ele sentir. Ele sorriu.

CAPÍTULO 05

- , você bem que podia acordar... A gente tava querendo sair, todo mundo de divertir com o estava lá, de novo no meu quarto. As pessoas adoravam me acordar, mas eu prefiro que o me acorde. não é nada delicada.
- Acordei – gemi. É, foi um gemido.
- Então vá tomar um banho e se arrumar, vamos pra casa de praia dos pais do . - gritou, bem afemininado.
Aw, casa de praia? Eu não estava em forma pra ficar de biquíni na frente das pessoas. Levantei à contra-gosto e me enfiei no banheiro.
- , você está viva? Tipo, tem quase duas horas que você entrou aí... - e suas hipérboles, eu nem tinha passado uma hora lá. Abri a porta do banheiro, indo em direção ao guarda-roupa enrolada numa toalha. Esse era o motivo da minha demora: tinha esquecido de levar roupa para o banheiro e estava com vergonha de sair assim, de toalha. viu meu constrangimento e deu um sorriso, saindo do quarto. E eu nem precisei dizer nada.
Coloquei um biquíni verde, e usei um vestido branco até a metade das coxas por cima. Prendi um coque frouxo com a franja solta. Passei lápis de olho fraco e um blush pra dar vida. Peguei minha bolsa e fui pra sala.
estava comendo. Novidade, só fazia isso da vida. Quando me viu fez sinal com a mão para que eu esperasse ele acabar. Minha mãe ficava mimando aqueles meninos. Oh, eu nem tinha contado a ela que o ia... embora. Ela teria um treco.
- Acabei, muito obrigada tia. – usou a arma secreta dele, o sorriso, com minha mãe. Ela tirou o prato da mesa e nos pediu juízo.
- Vamos só nós dois no seu carro? – perguntei, enquanto ele arrancava com o carro da frente do meu prédio.
- Na verdade não – ele corou. Ele corou? Uau, nunca cora assim. – Eu resolvi ouvir seus conselhos e convidei a .
- Você convidou minha amiga pra sair contigo? – tive que me segurar pra não rir da cara de bobo do meu amigo - E o que te fez me ouvir depois de tanto tempo?
- O sorriso lindo dela e o jeito como ela me trata.
- Aw, meu menininho ta crescendo e se envolvendo com o sexo oposto. - brinquei e ele levantou o dedo do meio.
Educado.
Não muito longe da minha casa ele parou o carro. Era uma casa grande e branca, com um jardim bem cuidado. Buzinou uma vez e a garota apareceu, sorrindo. Ela veio correndo, com o cabelo balançando e uma elegância enorme.
- Eu vou atrás – me prontifiquei saindo do carro. Ela ia falar algo, mas a interrompi – Vá na frente, com o .
Sorri, e ela sorriu pra mim. A gente não ia dar nenhum escândalo ali. Mas quando ficassemos a sós íamos berrar, afinal sempre foi o sonho de consumo dela.

- Chegaram! – ouvi a familiar voz do berrando assim que colocamos os pés na casa.
veio, molhado e sem camisa, correndo até a gente. Chegou perto e balançou o cabelo, no estilo cachorro que acaba de tomar banho, nos molhando. soltou um discreto grito e deu um pedala no .
- Vamos, vamos pra lá. Você tem que ver isso – falava e ria ao mesmo tempo – O Tom está fazendo churrasco.
Há, Tom não sabe fazer churrasco. Se eu tinha alguma dúvida, ela sumiu assim que eu vi a fumaça inacabável que saia da churrasqueira. estava sentada tomando sol e tinha uma garota do seu lado. Fui sentar com elas, arrastando a pela mão. A cara de ao ver a lá foi impagável. Ela foi minha ajudante nessa questão de juntar os pombinhos. Rimos discretas.
- Bom dia, meninas. – Sorri pra e para a desconhecida. Huh, nem tão desconhecida. Já tinha a visto no colégio. Por favor, alguém me diz que ela veio com o , porque se ela tiver vindo com o eu me afogo nessa piscina.
Sério.
- Oi, sou a – ela sorriu me estendendo a mão. Apertei a mão dela, talvez com mais força do que deveria. Eu não me importo.
- Ela veio com o . – falou, como se pudesse ler minha mente. Amém, minhas preces foram ouvidas. Abri meu melhor sorriso para a . Apresentei a e em pouco tempo nós estávamos bastante entrosadas.
- ! – gritou – Diz pro Tom que ele NÃO sabe fazer churrasco.
- Tom, você não sabe. – falou, entediada.
- Amor... - ele veio choramingando e sentou no colo dela. – Eu não consigo fazer nada.
- Não é verdade – ela sussurrou de um jeito safado, MAS eu ouvi. E mesmo se não tivesse ouvido, eu saberia que ela tinha dito aquilo, é tão a cara dela.
- Eu assumo o churrasco, agora. – sorriu, puxando pela mão, a levando consigo para a churrasqueira. Ele estava gostando dela, claro que estava. Eu conhecia como ninguém, ele não era assim com outras garotas. Vi como ele sorria pra ela, e ela retribuía. Ela era boa para ele.
- , vamos pra piscina? – me chamou, e quando virei pra ver onde ele estava, ele estava na minha frente. Sem camisa. Sorrindo.
Isso devia ser proibido!
Não, não devia, era bom demais. Ele tocou meu queixo e selou seus lábios nos meus. Ouvi uns gritos de 'aleluia' nada discretos dos meus amigos.
Corei.
se separou de mim, sorrindo. - Vamos?
Ah, eu não queria ficar de biquíni ali. Não seria a primeira vez, mas eu estava sem graça.
notou e me abraçou.
- Estou com vergonha.
- Não tem motivo. Você devia é ter medo. – o olhei sem entender – Os garotos podem querer te agarrar e as meninas te matar... De inveja.
Rolei os olhos, me rendendo. Tirei o vestido e vi o olhar dele atentamente sobre o meu corpo. Era possível corar mais? Bati no braço dele forte e ele me olhou. Também estava corado.
- Outch, pequena. – ele levantou os braços na altura dos ombros – Eu não tenho culpa se você é gostosa.
Fomos pra piscina e ficamos fazendo brincadeirinhas idiotas, como briga de galo, de água e nadar.
O churrasco finalmente saiu, graças ao , porque se dependesse do Tom... Não quero me imaginar comendo cinzas. , eu e adoramos a . Apesar de meio tímida, era simpática e demonstrava curtir mesmo o . Os meninos pareciam estar realmente gostando delas. Nunca vi o tão bobo com uma garota. E essa eu aprovava. era mais frio, mas mesmo assim, demonstrava gostar da . Quando a noite chegou, fomos pra casa. Mas quem me levou dessa vez foi o .

- O tempo está passando. – Beijei a testa dele quando paramos o carro na frente do meu prédio. Ele ficou em silêncio por algum tempo, fazendo carinho no meu rosto.
- Eu vou voltar, . – ele me fitou – Vou voltar só por você e para você.
- É uma promessa?
- É. Eu quero isso mais que tudo. E se você quiser, eu cumpro essa promessa.
Um arrepio percorreu toda a minha coluna e num impulso eu estava sentada no colo do , beijando sua boca ferozmente. As mãos dele percorriam minhas coxas, por baixo do meu vestido, enquanto as minhas lhe puxavam cabelos da nuca. gemeu entre o beijo, me fazendo arrepiar de novo. Nosso beijo continuava e ia cada vez mais rápido e sedento um do outro. Nossas línguas se chocavam com voracidade e eu arfei, descendo os beijos para o pescoço do mesmo. alisava minhas coxas, as apertando de vez enquando, me fazendo morder seu pescoço com um pouco mais de força. Ele segurou meu rosto entre as mãos e voltou a unir nossos lábios, prendendo o meu lábio inferior entre seus dentes e puxando.
- , desculpa. – Parei o beijo, com vários selinhos seguidos, pra me redimir.
- Tudo bem - ele disse sério e eu sabia que não estava tudo bem.
- Me desculpa por ter começado, é que você me descontrola. - fiz bico e ele me abraçou.
- Só quero que você entenda o quanto é difícil para mim ter que parar no meio do caminho.
- Eu vou me controlar, juro - bati continência e abri a porta do carro para sair, mas ele me segurou e me beijou outra vez.
- Amanhã a gente se vê. - ele me deu um selinho - Eu amo você.
- Eu também te amo.
Foi difícil dormir aquela noite. Os beijos de não saíam da minha cabeça e meu coração acelerava só de lembrar dos toques precisos de suas mãos. Se continuasse assim, eu ia acabar sedendo e me entregando a ele. Talvez fosse o certo, talvez não. Ele ia embora e ia ficar um vazio muito grande dentro de mim. (oi, duplo-sentido Q). Mas uma faísca de esperança brilhava dentro de mim. Ele tinha prometido voltar, e nunca falhava numa promessa. Ele ia voltar pra mim, nem que demorasse muito tempo. Eu ia ter o de volta, sim.
Eu ia.

CAPÍTULO 06

Cinco dias. Era esse o tempo que eu ainda tinha com o . Eu tentava manter minha cabeça ocupada com outra coisa, mas tudo que eu via me lembrava do meu... meu . O jeito com que ele sorria pra mim. O jeito de me olhar, reprovando alguma atitude minha. O jeito com que me abraçava, como se pudesse ser um escudo protetor. O jeito como só os lábios dele encaixavam perfeitamente nos meus, e como a língua dele sabia me decifrar.
- Acorda, . – estalou os dedos na frente do meu rosto. Eu estava com freqüência me perdendo em pensamentos. Pelo , it’s obviously.
- Oi?
- Em que mundo você está? – sentou ao meu lado, passando a mão pelo meu cabelo. Chamei todas elas para um programa de amigas lá em casa.
balançou a cabeça negativamente e suspirou fraco.
- Mundo ‘’, conhecem? – ela respondeu por mim e eu abaixei a cabeça.
- Vocês se gostam tanto, não deviam ter que se separar. – comentou.
- O mundo é tão injusto. O amor é sempre barrado. – filosofou, e eu não pude deixar de concordar.
- Você não devia estar com o hoje, ?
- Não. – sorri de lado – Eu quero que ele passe um dia com os amigos dele, sabe?
- Ele disse claramente que queria passar todos os dias que ainda tinha com você. – lembrou. Mas não, eu não podia ser tão egoísta a ponto de monopolizar o . , , Tom, James, Dave e outros também sentiriam sua falta.
- Ele precisa matar a saudade dos amigos também. – levantei da cama, sorrindo e abrindo os braços – Vamos fazer algo animado?
- Tipo o quê? – perguntou, gostando da ideia.
- Vamos pro parque? – sugeriu. – Está um dia liiindo.
- Parque? - arregalou os olhos - Não, que preguiça! - ela esticou os braços pra trás. Eu, e ignoramos o comentário dela e começamos a nós arrumar. Ela teve que fazer o mesmo para não ficar sozinha.

- Vocês querem beber alguma coisa? – perguntei, sentando na grama.
- Água, por favor. – desabou do meu lado. Essas minhas amigas não tem fôlego nenhum.
- Eu busco. – se ofereceu. Ótimo, eu não estava mesmo a fim e levantar. Logo a que tava cheia de preguiça pra vir, foi a que mais curtiu e se animou na corrida que demos.
- Eu quero também. – Eu e falamos na mesma hora.
Ficamos, as três, sentadas na grama observando as pessoas que passeavam pelo parque. Umas crianças correndo e sorrindo, e seus pais logo atrás, preocupados se eles iriam cair e se machucar. Um casal, trocando sorrisos e beijinhos. Alguns idosos fazendo alongamento. Um cahorrinho brincando com a dona. Vidas normais. Será que alguém ali estava a ponto de perder uma pessoa preciosa? Por que a vida é tão complexa que nos prega peças quando menos esperamos? Aí é que dói mais.
- Suas águas. – chegou, nos entregando as águas. Abri a tampa da minha e virei de vez na boca, deixando um pouco cair no meu corpo para refrescar.
- , eu queria... - corou. Uh, essas pessoas de hoje em dia coram muito fácil. – Eu queria dar um presentinho pro . O que você acha que eu devo dar?
- Se você ainda não deu, o ia gostar da sua...
- ! – a repreendi, e nós começamos a gargalhar. Aquela menina, cada dia que passava ficava mais assanhada. – Não liga pra ela, ... Um CD. O ama músicas.
- E a banda?
- Green Day. – saiu espontaneamente da minha boca. O gostava de Green Day, mas o viciado na banda era o .
- Obrigada, . - ela sorriu sincera.
- totalmente ‘in love’ pelo bonitão, hã? – brincou, e lhe mandou o dedo do meio.
- Como se eu fosse a única a estar a fim de um cara, aqui. - ela emburrou e eu comecei a rir.
- Com certeza não é. – riu, apontando (nada) discretamente para mim e para .
- Ei, eu não. – tentou escapar, mas nós começamos a tirar onda com a cara dela. Acabou num grande montinho na pequena.
- Sim – tentou falar sem ar – lambe o chão que o namorado passa.
- Ele lambe o chão que eu passo. – ela contrapôs.
A verdade é que os dois faziam de tudo um pelo outro. Nunca vi amor mais guti-guti que o deles.
- Vocês ficam numa lambeção danada. – eu ri.
- Lambeção? – riu – Defina isso, .

We spent some time together, walking. Spent some time just…
- Alô?
- ? – A voz do . Sim, impossível não reconhecer. Olhei para o relógio em cima do criado-mudo, e ele marcava 10:24, da noite.
- .
- Estou aqui, embaixo do seu prédio. – ele falou com a voz rouca – Quer me ver?
- Me dá cinco minutos e eu chego aí. – sorri e desliguei o telefone.
Como eu já estava com a roupa de dormir, corri pra me trocar. Coloquei uma calça jeans qualquer e uma blusa baby look, preta. Calcei uma sandália baixa e avisei a minha mãe que estava indo lá embaixo.
Eu tinha passado o dia todo sem ver , e por mais que eu não quisesse admitir, senti uma falta muito grande dele. Sem ter ele por perto era como se tivesse tirado uma parte de mim. Sempre seria incompleto.
O elevador não demorou a me deixar no térreo.
Ele estava encostado na parede, com as mãos dentro dos bolsos do casaco vermelho, e com o capus sobre a cabeça. Sorriu assim que me viu e se desencostou da parede abrindo os braços. Me encaixei em seu braços e respirei seu perfume intoxicante. O calor do corpo dele passou para o meu de um jeito reconfortante, me fazendo fechar os olhos e sentir o momento.
- Senti sua falta – a voz rouca dele sussurrou em meu ouvido. Um arrepio percorreu minha coluna.
- Você se divertiu com os meninos?
- Foi legal. A gente ficou conversando e lembrando de tudo que fizemos juntos. – ele riu baixo – Descobri várias coisas hoje. Umas boas, outras que me deixaram meio instigado.
- Tipo o quê? – passei meu nariz pelo pescoço dele, ainda abraçados.
- O James... Era a fim de você.
Levantei minhas sobrancelhas, mas ele não podia ver meu rosto. James a fim de mim, certo, nenhuma novidade. Todo mundo sabia disso, mas todo mundo sabia também que isso era antigo, coisa de criança.
– Isso me deixou um pouco... Com ciúmes. É, ciúmes.
Me soltei do abraço e fiquei encarando ele séria por alguns segundos. Depois não agüentei e comecei a rir. Ele fez uma careta de indignação.
- Deixa de ser bobo, !
- Mas vocês já ficaram, que eu sei... – ele fez bico. Eu nem lembrava disso, mas agora tenho uma vaga imagem. É, a gente tinha ficado numa festa de não sei quem.
- Passado. – rolei os olhos e ele beijou meu queixo.
- Eu sou seu presente, e serei seu futuro. – ele me deu um selinho e aprofundou o beijo, não perdendo tempo. Era assim que eu desejava ficar para o resto da minha vida. Com o comigo, me beijando e sendo só meu. Interrompemos o beijo com alguns selinhos em meio a risadas.
- De verdade, eu não gostei de saber essa história toda do James. Ele pode ser meu amigo e gente boa, mas não é o cara certo pra você.
- Claro que não é. - beijei sua bochecha rosada - O cara certo pra mim é você. Sempre foi.
- Quando eu estiver longe, vou pedir pro te vigiar!
- Não acredito que você disse isso! - eu dei uma risada abafada pela bochecha dele, que ainda estava contra meus lábios. - E eu que não vou ter ninguém pra te vigiar lá por mim?
- Eu vou me comportar!
- Então você não é o que eu conheço! - me desenconstei dele, fingindo cara de espanto e ele me pegou no colo, rodopiando. - !
Começamos a rir e ele me pôs no chão, mas não tirou os braços do meu corpo. Estava esfriando e meus pelos do braços estavam arrepiados.
- Vai pra casa, não quero te ver doente. - ele beijou minha testa e minha boca em seguida - Amanhã cedo passo aqui.

CAPÍTULO 07

Acordei com o celular tocando. Era o avisando que passaria lá em casa em uma hora. Ótimo, eu não podia ficar um segundo sem vê-lo.
Levantei cambaleando. Quem me visse acharia que eu estava bêbada e não com sono, mas acredite, eu estava com sono. Me arrastei para o banheiro e tomei o banho despertador, com a água bem gelada. Coloquei uma bermuda jeans e uma blusa caída no ombro, verde. Prendi o cabelo num rabo de cavalo alto, deixando a franja solta. Passei uma maquiagem fraca e fui tomar café da manhã.
- Vai sair, filha? – minha mãe perguntou, me servindo panquecas.
- Vou. – dei um gole no chocolate quente – Vou com o , mas não sei que horas volto, mãe. Na verdade não sei nem aonde vou.
- Tudo bem. Estando com o eu confio. – ela sorriu.
É, eu também. Era só estar perto do que o mundo se tornava lindo, perfeito e seguro. Ele tinha um poder... Não, ele tinha O poder sobre mim. Era algo meio Jasper, de Crepúsculo. Ele dominava minhas emoções e isso não me assustava, porque... era dono no meu coração. Então, nada mais normal.
- – minha mãe berrou, segurando o interfone. E eu nem a tinha visto sair da mesa. – está lá embaixo.
- Estou descendo. – Levantei da mesa e fui escovar os dentes e pegar minha bolsa.
- Ela está descendo. – ouvi minha mãe dizer ao porteiro.
- Tchau, mãe – dei um beijo na testa dela, já saindo de casa.
O elevador demorou um pouco a chegar. Assim que ele chegou, me enfiei dentro dele e tinha um casal de idosos dentro. Sorri meigamente e eles retribuíram, simpáticos. Inconscientemente me perguntei se ficaria assim com o um dia, ou se ele ia quebrar a promessa e casar com uma americana. No way, ele não seria capaz. Seria?
- Amor – ele me abraçou forte, assim que pisei fora do elevador. Amor? Ele tinha realmente me chamado de amor? – Sonhei contigo.
- Comigo? – fiquei vermelha, com certeza, e ele me abraçou de lado, andando em direção ao carro.
- Claro, com quem mais eu sonharia? – ele zombou, rolando os olhos – Você estava cozinhando algo pra mim, mas queimava. Aí começava a chorar dizendo que...
Esses sonhos do poderiam ser reais. Eu tinha muita vontade de fazer algo tipo um jantar romântico pra ele, mas... Acho que nesse tal jantar, dependendo dos meus dotes culinários, teria miojo. Não, não seria romântico. Ele acabaria comigo na hora, procurando uma chefe de cozinha. Essa história de prender o homem pelo estômago nunca daria certo comigo, eu teria que ter outras qualidades.
- Pra onde vamos? – perguntei assim que entramos no carro e colocamos o cinto. – Não me diga que é surpresa de novo?
- Não, sua chata – ele riu. – Estamos indo pra um lugar bem conhecido nosso.
- O bosque? – perguntei batendo palmas.
- Sinto muito te decepcionar, mas não, não é o bosque. – ele trocou a marcha – Eu disse BEM conhecido e não ‘fomos lá duas vezes’.
- Aw, , conta logo onde é e o que nós vamos fazer!
- Nada, nós não vamos fazer nada. – olhei pra ele sem entender – , eu queria ficar contigo hoje sem fazer nada, só aproveitando o tempo com você. Eu preciso desse tempo só nosso, sem fazer nada. Só em estar contigo já vai ser especial.
- No carro?
- Lá em casa, . – ele riu e colocou uma mão na minha coxa, mas sem tirar os olhos da rua. Na casa dele, é? Então eu tinha outros planos, e ‘nada’ não era exatamente o que nós íamos fazer. Internamente eu sorri. Maliciosamente.

- Vem me abraçar! - fez bico, se jogando de costas no sofá.
- Seus pais... estão em casa? – Me aproximei devagar do sofá, parando em frente a ele. Vai que os pais dele chegam e nos pegam no amasso no sofá. Eu ia ter um ADP e fugir pra bem longe, nunca mais voltaria.
- Estão numa reunião, só vão chegar bem mais tarde. – ele abriu os braços – Pode me abraçar agora?
Agora com os pais dele longe até mais tarde eu posso fazer o que ele quiser! Me joguei em cima dele, e fui beijando seu rosto, sentindo os braços dele apertarem minha cintura. Minha boca finalmente chegou até a dele, e nossas línguas se procuraram com vontade. Quando nos soltamos, dei uma olhada na sala. Tinha poucos móveis e algumas caixas no canto. Uma pontada no meu peito me fez fechar os olhos por alguns segundos, enquanto eu tentava acalmar meus pensamentos. ia embora. As coisas já estavam prontas para ir pra América e eu tinha que aceitar isso.
Eu tinha, mas não conseguia.
Era simples assim, e minhas lágrimas se formaram em baixo dos meus olhos.
Nada simples.
notou e as limpou, sem dizer nada. Ficamos abraçados, deitados no sofá nos encarando. Mergulhei na intensidade do seu olhar. E que intensidade... Nem mil palavras definiriam como eu me senti com aquele olhar. O azul dos olhos dele era de uma pureza que não tinha limites, sua íris dilatava e voltava ao tamanho normal como se fosse o mais belo espetáculo da natureza. E para mim era mesmo.
- Cada segundo fica mais difícil pra mim, . – eu quebrei o silêncio – Cada segundo é um pouco que a gente se afasta. Eu não sou forte, você sabe disso, eu posso desmoronar a qualquer instante.
- Eu sei, amor. – ele me apertou mais contra o seu corpo – E eu já encarreguei o de te manter de pé, me esperando voltar. Quer dizer, você vai me esperar voltar, certo?
- Claro, ! – beijei a ponta do nariz dele – E você vai voltar pra mim, certo?
- Não importa o que acontecer eu vou voltar pra você. Só pra você, minha pequena.
- Eu não queria estragar nosso dia com essas minhas bobagens, me desculpa.
- Você nunca vai conseguir estragar nada, boba! - ele enrolava algumas mechas do meu cabelo.
- Vamos para o seu quarto? – perguntei já me levantando de cima dele.
- Só se for agora! – ele levantou de um salto e me pegou no colo, subindo as escadas correndo e me fazendo rir que nem uma idiota. Sorriso que sumiu quando eu vi o quarto dele. Um cômodo grande, azul e vazio. Só tinha um colchão no meio, com algumas malas abertas, contendo roupa dentro. notou e me olhou esperando alguma reação. Eu não ia estragar nosso momento, de novo, com alguma crise do choro ou coisa assim.
- Eu preciso dizer que te amo. Só pra você nunca esquecer.
Passei meus dedos devagar pelo seu cabelo bagunçado e suspirei ao vê-lo fechar os olhos e entrelaçar as mãos na minha cintura, colando nossos corpos. Mirei meu beijo no pescoço dele, respirando aquele perfume forte e calmante, subindo o beijo para o canto de sua boca.
- Eu quero ser sua. Por inteiro. - sussurrei rente a boca entreaberta dele – Agora.
colou os lábios nos meus, e nossas línguas brincaram de se encontrar. Eu tinha tomado minha decisão, só poderia ser o primeiro. Quem mais? Um qualquer que eu achasse por aí ou o cara que eu amei por quase 16 anos? O cara que me fazia perder o chão com um olhar ou um namoradinho que eu conseguisse, e que COM CERTEZA, não chegaria aos pés do meu ? Só podia ser ele, sem demora. Eu o que eu queria mais que tudo naquele momento e ele sabia disso, devia estar escrito na minha testa.
- Você tem certeza, ? – mesmo ele tendo certeza, resolveu perguntar. Eu sentia que ele não queria que eu fizesse algo para me arrepender depois. Do que eu me arrependeria? De ter seguido minhas emoções?
- Absoluta.
Sentamos no colchão e eu coloquei o peso do meu corpo contra o dele, o fazendo deitar e deitando por cima, mas não por muito tempo. Ele inverteu as posições enquanto suas mãos, mais rápidas que a velocidade da luz, tiraram minha blusa e arremessaram do outro lado do quarto. Nossas línguas faziam uma dança sincronizada, deixando nossos intinstos falarem mais alto. Minha mão, aprendendo com a dele, puxou sua camisa para cima, e em pouco tempo ela também tinha voado longe. As mãos dele exploravam meu corpo, desde minhas coxas até meus seios, e seus beijos intercalavam entre meu pescoço, meu colo e minha boca. Minhas unhas arranhavam as costas dele, e respirar não me parecia tão importante agora.Todas as nossas roupas ja estavam longes e nossos corpos não encontravam nenhuma barreira para fazer o que tinha que ser feito. Mordi o lábio inferior dele pra controlar um gemido mais alto, quando o senti dentro de mim. As coisas entre nós fluíam naturalmente, era um encaixe perfeito, feitos um para o outro.

- Cansada? – perguntou, acariciando meu cabelo suado. Estávamos deitados ali por agum tempo, apenas encarando o teto.
- Você me cansou. – falei e corei em seguida, fazendo-o rir e jogar a cabeça pra trás. Afundei meu rosto na curva no seu pescoço, rindo também. E de repente me bateu uma luz. Afastei meu corpo um pouco do dele, levantando a coberta par verificar se eu estava vestida. Bom, vestida não era exatamente o que eu estava, mas pelo menos não estava pelada, estava com as peças íntimas. Eu não conseguia me lembrar de muita coisa, estava tonta com todos os acontecimentos. Eu só sabia que tinha sido bom. Realmente bom. agora era, em todos os sentidos, perfeito.
- Você não foi verificar se estava vestida, foi? – ele começou a rir – , eu já te vi sem roupa, vai encanar agora?
- , eu tenho vergonha – levantei enrolada no lençol procurando o resto da minha roupa. estava de boxer, o que me fez parar de me vestir por um momento e analisar seu corpo quase nu, deitado no colchão com as mãos atrás da cabeça me olhando despreocupadamente. Voltei a me vestir e joguei as roupas dele em cima da sua barriga.
- Vista isso, ou vamos recomeçar o que acabamos agora.
- Então vou ficar assim mesmo.
- ! - o censurei.
- Ta, eu só vou vestir porque estou com fome. Isso cansa sabe? – ele piscou pra mim, vestindo a bermuda – Depois a gente recomeça.
Corei de novo e nós dois fomos pra sala.
- Filme? Pipoca? Pizza? - Ele perguntou.
- Pizza. Eu estou com fome e pipoca não alimenta.
- Te deixei realmente com fome né? – ele sorriu safado e eu confirmei. Não ia ligar para as provocações dele. Se ele queria assim, ok.
Assistimos uma comédia romântica que me fez chorar no final. Máqueporra, eu estou muito sensível, alguém me bate? No way, era uma brincadeira. Encolhi os joelhos e descansei minha cabeça entre eles. passou os braços pelo meu ombro.
- Você está arrependida de ter tran...
- Não, ! Eu fiz o que o meu coração mandou. – eu o interrompi. – O que o coração fala é sempre o certo. Se as pessoas seguissem os seus corações o mundo seria mais feliz.
- Filosofia de vida, . – ele riu fraco – Eu te amo.
- Eu não te amo.
- Eu tenho certeza que não foi seu coração que mandou dizer isso! – ele retrucou, e nós rimos.
- É, você conhece bem meu coração. – ele se aproximou beijando minha testa.
- Claro, ele é meu. - ele sorriu convencido e eu joguei uma almofada em sua cara.
- Pequena, está tarde. – ele disse, confirmando no relógio em seu pulso – Vou te levar pra casa.
- Ta me expulsando na cara dura mesmo, ? – fiz manha.
- No way. – ele sentou ao meu lado, apoiando a cabeço no encosto do sofá – Só estava pensando na sua mãe encanar com você chegando tarde em casa. Mas se quiser dormir aqui, será um prazer.
- Realmente um prazer? – eu fiz cara safada pra ele, que retribuiu com uma mais safada ainda. – Ok, eu quero dormir aqui!
- Essa noite vai ser boa. – ele veio pra cima de mim beijando meu pescoço – Mas liga e avisa pra sua mãe.
Depois de falar pra minha mãe que dormiria na casa do e de ouvir algumas recomendações-de-mãe dela, desliguei.
- Me empresta uma blusa?
- Vamos lá buscar. – pegou na minha mão e me arrastou até seu quarto, parando em frente a uma mala azul, gigante. Mexeu lá por alguns instantes e me entregou a roupa.
Ele me emprestou uma blusa verde da Hurley e uma boxer. Quando saí do banheiro já vestida ele me esperava só de boxer.
- Sexy. – ele sussurrou no meu ouvido e eu rolei os olhos.
- Essas roupas não são sexys.
- Em você tudo fica sexy.
- Sua lábia é péssima, então cala a boca e me beija, .

CAPÍTULO 08

- Bom dia, meu amor. – me acordou com uma bandeja cheia das minhas coisas preferidas. Torta de chocolate, frutas da estação, iogurte, chocolate quente. E uma flor num jarro. Sorri pra ele, me sentando ainda sonolenta. – Espero que goste.
- Como se você fosse errar as coisas que eu mais gosto – rolei os olhos e beijei seu rosto. – Vou escovar os dentes.
Levantei e corri pro banheiro, escovando os dentes com minha escova que sempre ficava lá. Prendi meu cabelo num coque frouxo e lavei bem o rosto pra despertar. Voltei por quarto e estava sentado no colchão mirando a bandeja. Sentei ao seu lado, selando nossos lábios e sorrindo pra ele. Era a melhor sensação que eu já senti. Eu estava feliz, completa e podia ficar ali pra sempre. Peguei uma uva e dei na boca do garoto sorridente que me encarava.
- Coma tudo, quero você bem alimentada. – ele disse me dando um pedaço de torta na boca.
- Come comigo.
- Eu já comi, . Isso é tudo seu.
Nota mental: queria me engordar pra ter um motivo pra me trocar por uma nova yorkina gostosona.
Ri com meu pensamento idiota e ele arqueou uma sobrancelha.
- Rindo do quê?
- Besteira minha. – eu não ia contar meus devaneios pra ele. Ele apenas sorriu. Aquele sorriso que era a minha luz no fim do túnel. Isso é tão clichê, mas é tão real. era como se fosse minha alma gêmea.
Ri de novo.
- Não vai me contar de novo?
- Eu estava pensando sobre você ser minha alma gêmea. – corei.
- E qual é a graça?
- , alma gêmea é uma coisa bem piegas. – rolei os olhos e ele gargalhou.
- O amor é brega.
- Os apaixonados são bregas. – contrapus, e ele concordou. Senti alguma coisa vibrando e me estiquei pra pegar minha bolsa, procurando meu celular no meio daquele mundo de coisas. No visor, ‘’ piscava. – Oi amiga.
- Posso saber onde você passou a noite? Liguei pra sua casa e sua mãe disse que você não dormiu lá e que dormiu na casa de alguém, mas eu não ouvi porque desliguei o telefone na cara de minha tia, pra ligar pra você, porque eu realmente estou preocupada...
- , calma – eu a interrompi rindo. riu comigo, já que os gritos de puderam ser ouvidos por todo quarteirão. – Eu dormi na casa do .
- Do safado do ? – ela berrou, me fazendo rir da cara de ofendido dele.
- É, do safado do . – concordei. E ele tomou o telefone da minha mão.
- Corta essa, . Safado é o seu namorado. Sou um cara de família.
- Sei bem de que família você é, . A família da putaria. - riu e pela cara que fez ia responder uma coisa bem feia.
- Pronto – tomei o telefone de volta – Já sabe que eu estou bem, não é?
- Já sim. – ela pausou – Você está me dispensando?
- Não. – eu ri. – Eu só pergun...
- Entendi. Você quer privacidade com o safad... Digo, . – ela finalmente entendeu. – Depois você me conta tu-do. Beijos, fofa.
Ela desligou sem dar tempo de retribuir o ‘beijo’. deitou no colchão se espreguiçando.
- Então eu sou safado? – ele riu e eu deitei ao lado dele.
- Não é como se não fosse, sabe? – passei minha mão por seu rosto e ele fechou os olhos, respirando fundo.
- O que você quer fazer hoje?
- A gente podia sair, comer uma pizza. Não sei.
- Tudo bem, te levo em casa, você se arruma e depois passo lá pra te pegar, certo? – ele beijou a ponta do meu dedo, e mordeu, fazendo meu instinto de sobrevivência lhe dar um tapa. – Ouch, violenta.
- Reflexo, eu não tive culpa. – beijei seu braço, onde segundos atrás minha mão tinha acertado.
- Vamos, coloca sua roupa que eu vou te levar. – ele levantou se vestindo e eu fui pro banheiro fazer o mesmo.

- Filha, você quer me contar alguma coisa? – minha mãe chegou no meu quarto enquanto eu tentava achar alguma roupa. – Te notei estranha esses dias.
- Mãe, vem cá. – a chamei com a mão e ela se aproximou. Envolvi meus braços na cintura dela a apertando com força – É o , mãe. Ele vai se mudar, pra... New York.
Minha mãe ficou em silêncio por algum tempo, apenas me apertando em seu abraço. A gente não era muito de trocar carinhos, de palavras de amor, mas ela sabia quando eu precisava de ajuda e eu gostava quando ela vinha me ajudar. Eu realmente estava precisando de amor materno. Por alguns instantes que eu passava com o era tudo tão perfeito que eu esquecia do pouco tempo que nos restava, mas algo sempre me puxava para a dura e imutável realidade.
- Quando ele vai, filha?
- Daqui a três dias. – Respirei fundo e minha mãe foi soltando o abraço delicadamente, me afastando e segurando meu rosto entre as mãos.
- Sei o quanto vai ser difícil pra você, filha, que sempre foi tão dependente dele. Mas sei que você tem o e a que também só pensam no seu bem. Eu não quero te ver triste pelos cantos, mesmo sabendo o quanto vai ser difícil. Você vai ter que ser forte. Porque a vida sempre apronta com a gente, nos trazendo essas surpresas desagradáveis mais de quais a gente não pode fugir. Se eu pudesse fazer qualquer coisa pra impedir esse seu sofrimento, saiba que eu faria. Mas isso independe de mim. Promete que vai ser forte?
- Prometo que vou tentar. – aquelas palavras talvez fossem tudo que eu precisava ouvir. Eu perderia o amor da minha vida e quanto a isso nada poderia ser feito. Mas eu teria que reagir, e estar bem e feliz para quando ele voltasse.

- chegou! – ouvi minha mãe berrar da sala. Dei um última olhada no espelho. Não estava mal, vestia uma calça jeans clara, uma blusa baby look laranja e meu cabelo estava solto, caindo no ombro. – ! Vai fazer o menino esperar por mais quanto tempo?
Ah, a simpatia de minha mãe é algo do outro mundo. Mas eu não estava achando meu celular. Olhei em cima da mesa do computador, em cima da cama, em baixo da cama, dentro do guarda-roupa...
- , não me faça ir aí!
Ali! Ali está meu celular. O danado estava lá carregando, e eu tinha esquecido. Peguei e enfiei na bolsa, saindo voada do quarto antes de receber mais algum chamado delicado da minha mãe.
- Pronto, pronto! – sorri sem jeito, chegando na sala. levantou do sofá e veio até mim, me roubando um selinho. Isso me deixou meio em choque, porque minha mãe não sabia de nada. Pelo menos eu achava isso, mas ela sorriu e nos deu tchau.
- Houve uma mudança de planos e não vamos ficar sozinhos hoje... – fez bico, já no carro.
- Não? Quem vai nos impedir disso? – brinquei e ele riu.
- , , , Tom, e vão sair com a gente. – ele enumerou nos dedos – Vamos todos pra casa do fazer bagunça.
- Pensei que a gente ia comer pizza. – comentei – A gente pode comer lá. - completei.
fez uma dancinha estranha e eu comecei a rir sem conseguir me controlar. Ele me olhou de canto de olho e abriu a boca num perfeito ‘O’.
- Ta tirando com a minha cara?
- Na... - risadas, muitas risadas. – Não, foi bonitinho.
- Imagino como eu fui ridículo. – Ele corou e eu me estiquei beijando seu rosto.
- Lindo.
- Para de querer me agradar. – ele fez birra e eu me afastei cruzando os braços. – Certo, pode me agradar, me beija.
- Não. – freou o carro bruscamente fazendo meu corpo se projetar pra frente, mas por força do cinto voltei pro lugar num instante. Olhei brava pra ele. – E vai me matar agora?
- Eu disse que quero um beijo.
- E eu disse que não vou dar.
- Desce do carro e vai andando. – ele apontou a porta e eu o encarei incrédula, ele não poderá estar falando sério. – Anda, .
- O que pensa que está fazendo? – segurei o rosto dele entre as mãos.
- Me beija. Ta tão próximo agora – ele abriu um sorriso maroto e eu comecei a rir. Ele era impossível. Aproximei meu rosto do seu e o beijei calmamente. Quando ele fez menção de aprofundar o beijo eu me afastei.
- Podemos ir agora? – ele fez bico – Você não especificou o beijo, agora anda.

- Pensei que vocês tinham ficado pelo caminho... – fez gestos exagerados com as mãos quando entramos na casa dele. Todos estavam sentados na sala, com baldes de pipoca e refrigerantes no colo.
- quase ficou mesmo. – disse, e eu bati no ombro dele. Os outros nos olharam sem entender. – Não vou explicar, vamos assistir.
- Que filme? – perguntei, sentando ao lado de . sentou do meu outro lado, passando o braço por cima dos meus ombros.
- A lagoa azul – Tom disse levantando o DVD fazendo com que todo mundo arregalasse os olhos. Ele jogou o DVD longe e cruzou os braços, recebendo um beijinho meloso de – Vocês são sem infância.
- E você é gay. – ralhou.
- Nem é. – defendeu e todo mundo zoou os dois. – E não é mesmo ta?
Ela levantou e mirou o dedo do meio pra todo mundo. Eram sempre as mesmas defesas, ela não tinha vergonha nenhuma de dizer o quanto Tom era... HOMEM. Se é que me entende.
- Eu ainda quero saber qual é o filme. – rolei os olhos.
- O diário da princesa. – falou. e bateram palmas. Eu ri da cara dos meninos de ‘socorro’. – Não?
- NÃO – as vozes masculinas encheram a sala.
- , estamos saindo. – Senhora apareceu na sala, muito bem arrumada e com seu marido ao lado. – Se comportem e quero minha casa inteira quando voltar. – Ela sorriu simpática e se virou pra – Tchau, querida.
Ela saiu da sala deixando todos meio que de boca aberta. Ela sempre foi protetora com o filho e tinha ciúmes de todas as namoradas dele, e tratou (que nem era namorada ainda) delicadamente?
- Ganhou a sogra. – riu e todos fizeram o mesmo, menos , que corou. riu.
- Você sabe que seu sorriso conquista todos, não precisa ficar vermelha. – ele beijou os lábios dela delicadamente por alguns instantes. Por alguns instantes, porque em pouco tempo o beijo já estava empolgado demais e a mão de foi parar onde não devia (pelo menos agora).
- HEY! - arremessou uma almofada nos dois – Respeitem as crianças na sala. – apontou pra mim, e Tom. Nós rimos e ficou mais vermelha que Tom depois de tomar sol.
- Vamos... Vamos logo ver o filme – levantou pra pegar algum – Qual?
- Ah, cara! – levantou pra ajudar e enquanto isso a gente comia a pipoca dele.
- Posso opinar? – falou. Garanto que a opinião dela não vai ser boa.
- Jogos mortais III? Você tem né, ?
- Finalmente ela deu alguma opinião que presta – Falei, e ela me repreendeu com uma cara de psicopata.
- Vamos, não podemos perder tempo – concluiu.

Assistimos o filme, quer dizer, fizemos coisas mais interessantes E assistimos o filme também. Passamos a noite na casa do bebendo, rindo, namorando, conversando... Por volta das três da manhã fomos todos embora, só porque a Senhora e o Senhor chegaram. Comecei a me dar conta que agora faltavam apenas dois dias pra eu ficar sem o .
- Boa noite. E sonhe comigo. – foi o que disse ao me deixar na porta do prédio.
Como se eu precisasse que ele me pedisse.
Beijei sua boca e fui pra casa, me trancando no meu quarto. Tomei um banho rápido e quente, coloquei minha roupa de dormir do ursinho e me joguei na cama não vendo mais nada.

CAPÍTULO 09

Acordei sozinha pela primeira vez em muito tempo.
Minha cabeça doía muito. Talvez por ter ficado até (bem) tarde acordada. Talvez porque meu subconsciente estava disposto a me enlouquecer e ficava exclamando: ‘ vai embora, você vai perder ele pra sempre e você é uma otária.’ Alguém tinha que fazê-lo (meu sub) entender que eu não podia fazer nada. Talvez amarrar o ao pé da mesa? Talvez dar uma de Suzanne Von e matar os meus pais e ir com ele? Argh, que dor.
Enquanto minha cabeça doía, fiz minha higiene matinal e fui pra cozinha. Ninguém em casa. Ninguém. Comi alguma coisa que eu já não lembro o que era e coloquei uma roupa decente. Prendi meu cabelo e peguei meus óculos escuros para esconder as olheiras da noite mal dormida e fui dar uma volta na cidade.
O vento frio passou cortante por meu rosto, mas um sol fraco brilhava. Respirei aquele ar gélido e me arrependi. Poluição é um caso triste. Parei na Starbucks e lá estava bem mais quente. Me encostei na bancada e sorri para o atendente, que retribuiu simpático.
- O que a senhorita vai querer? – ele perguntou educado e notei como os olhos dele lembravam o do . Balancei a cabeça, rindo de como tudo no mundo me lembrava dele.
- Um capuccino. – pensei mais um pouco. – É, só isso.
Ele foi preparar meu pedido e eu virei de costas apoiando meus cotovelos na bancada. A porta do estabelecimento se abriu e um par de olhos bem conhecidos entrou. Junto com esse par, vinha um sorriso lindo e umas bochechas coradas.
- Você é tão previsível que até o porteiro do seu prédio sabia que estava aqui. – se aproximou beijando minha testa.
- Você é tão previsível que eu sabia que você viria atrás de mim. – brinquei e ele bateu na minha cabeça.
- Licença, seu pedido. – o atendente me entregou o capuccino.
- Hey – o chamou – Trás o mesmo pra mim.
O garoto assentiu com a cabeça e saiu.
- Como você está, pequena? – sorri por causa do ‘pequena’. que me chamava assim.
- Na medida do possível. – ele sorriu pra mim, daquele jeito que me passava tranqüilidade – Mas eu tenho você, pra me fazer sentir melhor e me colocar pra cima e me levar pra passear e comprar roupas caras...
- No way! Não gasto um centavo meu com suas crises! – ele riu, recebendo o capuccino que chegava.
- Como se eu fosse a única que vai ficar depressiva com a ida do .
- Não, não vai ser a única – o olhar dele se perdeu por um momento – Mas vai ser a que mais vai sentir.
Fiz um barulho com a boca, terminando de beber. Ele também acabou, colocou o copo no balcão e me abraçou. Não contive algumas lágrimas que molharam a camisa preta dele. Funguei e ele me apertou com mais força contra seu peito.
- Promete nunca me deixar?
- Prometo. – ele alisou meu rosto – Você é minha irmãzinha e eu vou fazer de tudo pra te proteger sempre.
- Alguém vai ter que fazer isso.
Ouvi um barulho do meu lado e fui sufocada por outro par de braços.
- Eu também vou estar aqui sempre. – A voz de pôde ser ouvida e eu sorri pra mim mesma, sem ar.
- JSLKAEKSDK MCSFAIOF.
- Hã? – ela disse se afastando. Respirei aliviada.
- Eu não conseguia respirar! – bati na cabeça dela – Quer me matar?
- Nãão, chuchu. – ela sorriu sem graça – Foi só pra frizzar como eu nunca vou te deixar.
- Notável.
- Eu vim tomar meu café da manhã e me deparo com essa cena linda.
- Vamos lá pra casa? – ofereceu e nós concordamos com a cabeça.
Ele estava de carro e foi assim que nós três fomos.
abriu a porta de casa e notei que ele estava meio envergonhado, eu ia perguntar o porquê, mas não foi preciso. A casa estava totalmente bagunçada e fedida. Fedia a cerveja e pizza, roupa suja e um toque de perfume masculino.
- Não sei como sua mãe te deixa morar sozinho. – entrei na sala, pulando um amontoado de caixas de pizza. – Aposto que ela nunca veio aqui.
- E não veio mesmo. – ele falou enquanto recolhia algumas coisas, abrindo passagem.
- é a pessoa mais nojenta do mundo. – tapou o nariz com a mão, fazendo a voz ficar fanha – Se vir isso aqui ela desiste de você na hora.
- Fica caladinha, se não conto ao Tom que você acha o James bonitão.
Olhei mudar de branca (muito branca, diga-se de passagem) pra vermelho vadia. Ri da cara dela.
- Eu... er... - ela deu de ombros – Se ferre, ! Eu só acho o James bonito. Aliás, quem não acha? Mas o meu amor é o Tom.
Vi pelo canto do olho rir discretamente.
- Vamos arrumar essa casa? Não vou conseguir ficar aqui por muito tempo. – sugeri e todos aceitaram.
arrumaria a cozinha, que estava de pratos (sujos unicamente de pizza) até o teto, cervejas amontoadas num canto e mais sujeira. arrumaria a sala e eu fiquei de arrumar o quarto do anjinho.
Por um momento fiquei sem respirar quando abri a porta que levava ao cômodo. Era, de longe, o quarto mais bagunçado que eu vira.
Eu não descobri de primeira onde era a cama. Tudo bem, eu já tinha ido lá outras vezes e dormido lá não fazia muito tempo. E eu lembrei que na época em que dormi lá as coisas não estavam tão decadentes como estavam agora. E creio que nem fazia uma semana. sabe ser nojento. Mas voltando, eu não descobri onde era a cama, tamanha a quantidade de coisas que a cobriam e que cobriam o chão, fazendo tudo parecer uma coisa só. Respirei fundo. Não, não um fundo normal, um fundo MUITO fundo. Decidi começar recolhendo as roupas e jogando num cesto para levar pra lavanderia depois. Se tinha alguma roupa limpa naquele meio tinha sido contaminada pelo resto das coisas sujas.
Blusa preta, calça jeans desbotada, outra blusa preta, uma blusa laranja, uma meia sem par, um casaco cinza com capus, uma cueca do rei leão. Uma cueca do rei leão? HÁ, MORRI DE RIR. Que cheiro é esse? Merda, pisei em algo molhado. Cerveja? Cerveja?
- , considere-se morto! Espera até eu sair daqui! – berrei.
- A brilhante ideia de arrumar tudo foi sua, não enche! – ele gritou de volta. Era sempre assim, tive que rir. Eu sempre querendo colocar a vida dele e do no lugar e eles colocando a culpa em mim. No fim eu ouvia um ‘Não sei o que seria de mim sem você.’ Quer apostar?
- Mas o porco é você! – ouvi a voz de e em seguida um sonoro palavrão como resposta do .
Três horas e vinte e dois minutos. Esse foi o tempo que levamos pra colocar a casa em ordem. Um tempo relativamente pequeno se comparado com o estado deplorável em que tudo se encontrava. Agora estávamos ali, jogados no sofá da sala (limpa e brilhante) do meu amigo.
- Minha casa está irreconhecível. – apoiou a cabeça no meu ombro – Não sei o que seria dela sem você, .
Não disse? Era sempre assim.
- Eu também não. – brinquei e ele deu um peteleco no meu nariz.
- Eu também ajudei, senhor . – , claro, queria ser notada também.
- Ah, é mesmo. – ele deu uma risada irônica – Vou dizer ao Tom que você sabe arrumar casa. Ou deveria dizer ao James?
Pronto, agora que ele descobriu isso do James nunca mais deixa minha amiga em paz. Será que ninguém pode achar um cara bonito? Eu, particularmente, pago mó pau pro James, porque ele é gato. Mas eu tenho o , então esquece.
Eles começaram uma guerra de almofadas que eu não tinha forças pra encarar. Depois foi parar em cima dele, socando seu ombro enquanto ele tentava morder sua mão. jogou sofá abaixo e sentou na barriga dela, apertando suas bochechas, como uma Tia chata faz com os sobrinhos. gritava palavras sem nexo, e socava o toráx de . Uma cena linda, de pura demonstração de afeto entre amigos. Eu já estava mais do que acostumada com isso. E se eu não tivesse tão cansada, com certeza estaria ali no meio.

Ding Doing – minha tosca onomatopéia da campanhia.
Notando que os dois não iam parar aquela briga tão cedo levantei com muito custo e fui abrir a porta. Meu sorriso não poderia ser maior quando vi meu e Tom parados lá. Voei no pescoço do , o enchendo de beijos por todo o rosto. Não tinha percebido como estava com saudades até vê-lo ali. Tom nos ignorou entrando na sala acabando com a guerrinha dos outros dois.
- Você não se importa se eu estiver suada, importa? – lembrei que devia estar podre e me afastei de , mas ele me puxou de volta para o abraço.
- Você é cheirosa de qualquer jeito. – ele me colocou na parede, beijando meus lábios.
- Se vocês não se importam... - Tom nos interrompeu, levantando a mão esquerda e acenando – Nós ainda estamos aqui.
Os três nos olharam sorrindo feito bebês e eu não pude conter uma gargalhada. Sentamos todos no sofá. Tom e olharam ao redor com a boca meio aberta e pararam o olhar em .
- O que aconteceu com sua casa?
- e sua detestável mania de limpeza, meu caro Tom.
- É assim que ele agradece. – resmunguei. me abraçou de lado, beijando minha cabeça.
- Ele não saberia viver sem você. – e abaixou o tom de voz – Nem eu.
Preciso dizer que essas duas palavras me fizeram tremer na base? Pois é. Ele sabia exatamente o que dizer e me deixar com cara de tonta.
- Você me deixa sem graça. – reclamei, escondendo um rosto no seu peito.
- Casal! Hey! – berrou, e nos olhamos pra ele com cara de ‘que é?’ – Acho que não é um assunto muito feliz mas eu preciso perguntar. Amanhã, sendo o último dia do aqui, vocês vão fazer o quê?
Certo. Respira. Certo. Respira, de novo.
Certo nada, estava tudo muito errado. Último dia? Senti uma vertigem e minha visão ficou embaçada por alguns segundos enquanto eu tentava me manter controlada. Eu não poderia ser tão fraca assim, só de pensar nele indo embora, porque senão, como eu ficaria quando ele de fato tivesse ido? Eu não conseguia olhar para trás e ver uma vida sem . Foi sempre ele quem esteve ao meu lado. No vídeo onde dou meus primeiro passos, é que está lá, andando ao meu lado. Quando meu primeiro dente caiu, foi quem bateu nos meninos por me chamarem de banguela. Quando eu mestruei pela primeira vez e não queria sair de casa, com vergonha, foi quem me fez companhia. Quando dei meu primeiro beijo, foi quem bateu no menino.
Sem tirar meu rosto do peito dele, o apertei com mais força e fui retribuída com um beijo no topo da cabeça.
- Desculpa, foi uma pergunta infeliz. – se desculpou. Eu queria dizer que a culpa não era dele, mas minha voz pareceu me abandonar.
- Tá tudo bem, . Alguém ia fazer essa pergunta mais cedo ou mais tarde. – respondeu por mim. – Eu queria sair pra jantar com a , ou algo assim bem...
- Gay. – Tom ralhou fazendo rir.
- Romântico. – continuou.
- Por mim tá combinado assim, então - a voz de se manifestou - O último dia tem que ser da pequena.
Obrigada, Senhor. Obrigada por ter me dado os melhores amigos do mundo. Obrigada por ter me dado o , q ue me entende como ninguém. Obrigada por ter me dado a , que mesmo doida, nunca me deixou sozinha. Obrigada pelo Tom, que é a coisa mais fofa do mundo. Obrigada pelo , que sempre consegue me manter com alto-astral. Obrigada pela e pela , que completam a parte feminina que faltava em mim. E, claro, obrigada pelo , que além de amigo é o homem da minha vida, o cara com quem eu quero estar pra sempre.
Nos jogamos pela sala arrumada da casa do , e ficamos conversando bobagens, fazendo brincadeiras e vendo as trocas de farpas entre e . Eles sempre tiveram essas birras, desde piralhos. Eles são iguais, e por isso brigam tanto. Mas o amor fraternal deles é lindo.
Algum tempo depois, chegou, trazendo e . Fizemos a farra com Tequila.
Depois de duas garrafas vazias no canto da sala, outras tantas latas de cerveja espalhadas por todo o canto e três embalagens de pizza vazias, todos estavam exaustos.
, com elevado teor alcóolico no sangue, ficou em pé em cima da mesa de centro da sala, e começou a rebolar, puxando a blusa pra cima.
- Vou fazer um... IC... Streep Tease pra vocês - ele anunciou, já sem camisa.
- Se você tirar mais alguma coisa, eu... IC... Vou tirar suas bolas e jogar pela... IC... Janela - , a bêbada-chata, reclamou.
- , desce daí - a voz arrastada e bêbada de reclamou, e ela o puxou pela mão. Ele fez bico, reclamando que nem podia ficar pelado e ela disse que ele podia, mas no quarto. Pronto, bloqueei meus ouvidos para essa conversa a partir daí e fui focar minha audição e visão em outro casal.
e estavam deitados no sofá maior, e ela ainda segurava um copo meio cheio nas mãos, enquanto ele dizia que ela devia parar de beber. Ela ia mandar ele para um lugar bem feio, mas ele a calou com um beijo. Que lindo, amor de álcool.
estava reclamando de tudo, sentada sozinha no chão, com os braços cruzados e a testa franzida. Reclamava do barulho que o beijo do casal anteriormente citado incomodava, reclamava que era um safado, reclamava até que dormia. É, meu pequeno dormir no chão, de barriga para cima, com a boca levemente aberta, respirando calmamente, como se fosse um bebê, e não um viciado em álcool. Mas está faltando alguém? Oh, sim, o Tom. Passei os olhos pela sala e não o achei. Fui até a varanda e nada. Foi na cozinha onde eu o achei, tomando uma xícara de café forte, para acordar, segundo o próprio.
- Hey, bonitão, fazendo o quê aqui sozinho?
- Eu vim pensar, . – ele passou a mão pelo cabelo e se não me engano uma lágrima rolou pelo seu rosto. Me aproximei o abraçando.
- Thomas Fletcher, o que está acontecendo com você? – perguntei muito preocupada.
- Eu estou com medo. De verdade, muito medo de perder o . Ele é meu amigo há muito tempo. Na verdade, ele é nosso amigo há muito tempo. Eu nunca imaginei que a gente ia se separar. Sempre fui muito sentimental, , e dessa vez a coisa ta saindo do controle.
Fiz menção de enxugar as lágrimas que escorriam pelo seu rosto, mas quando levantei a mão a vi tremendo. Eu estava tremendo. Minhas pernas já não me obedeciam e eu não queria ouvir aquilo. Ou talvez eu quisesse. Eu queria saber que as pessoas sofreriam comigo, que dividiriam o sofrimento. Eu poderia estar sendo egoísta, mas eu não queria sofrer sozinha, não seria capaz de agüentar aquilo tudo sozinha.
- Tom, todos nós vamos ter que ser forte. – me senti uma hipócrita falando aquilo. Logo eu, que sabia que não teria força pra nada, dizendo para os outros serem fortes!
- Eu sei. Na teoria tudo é mais fácil, na prática... ah, na prática...
E a frase ficou no ar.
Puxei a mão dele, para voltarmos para a sala e ele forçou um sorriso para mim. Todos os bêbados haviam dormido, eu e Tom então fomos para a varanda esfriar a cabeça.
Sentei numa velha cadeira de palha, encolhendo as pernas, e abraçando os joelhos. Apoiei meu queixo sobro o joelho e observei o semblante tenso do Tom. Sua face estava corada devido ao frio que fazia, e ele tinha em mãos a pequena xícara. Quando respirei, vi sair fumacinha da minha boca e só aí notei como estava frio. Esfreguei uma mão na outra e não controlei um bocejo.
- Vai dormir, . - Tom me disse, suavemente.
- Você não vem?
- Já estou indo. - ele levantou, deixando a xícara lá mesmo, e me ajudou a levantar.

CAPÍTULO 10

- Qual loja você quer ir? – me perguntou enquanto caminhávamos no shopping.
Tínhamos acordado cedo porque eu necessitava de uma roupa para o jantar com . Deixamos um bilhete para quando os meninos acordassem, avisando.

Guys, tivemos que ir ao shopping. Vemos você mais tarde. Amamos todos.
beijos, suas divas. xx


- Olha aqueles vestidos – apontou para uma vitrine muito bonita, com vários vestidos à mostra, um tomara-que-caia verde musgo, outro todo feito a mão. Realmente bonitos. Antes que eu pudesse dar minha humilde opinião, já tinha sido arrastada para dentro da loja. Uma vendedora jovem, com os cabelos pretos e cacheados e lindos olhos castanhos veio sorrindo até nós.
- Em que posso ajudar? – perguntou docemente.
- Vestidos para noite. Queremos ver vários, para ter bastante opção - se adiantou.
Vimos alguns vestidos e eu perdi a conta de quantos experimentei. Elas diziam que todos ficaram lindos em mim. Ou que a cor ressaltava meus olhos, ou meus cabelos, ou que o corte valorizava meu corpo, ou que o decote ia enlouquecer o ... Coisas assim, e que me deixaram sem saber qual levar.
- , você pretende escolher um vestido hoje? – bufou, batendo na porta do provador.
- Eu não consigo achar um... - fiz bico, abrindo a porta. E a culpa era toda delas.
- Esse está lindo. – Os olhos de brilharam. - Sério mesmo!
- De verdade, esse foi o mais bonito até agora.
- Concordo com a - fez joinha.
- Ótimo, vou levar esse então.
Pagamos no caixa e ouvimos nossas barrigas roncarem juntas, rimos e fomos pra praça de alimentação.
- Vou no Burguer King. – avisou – Me sigam os bons!
Todos nós pedimos nossos hambúrgueres e sentamos. Uma risada enjoada veio da mesa do lado e eu me virei para ver. Rolei os olhos ao ver as quatro meninas mais enjoadas e fúteis do colégio. Não, não era um espelho. Miley, Anne, Sophie e Lilá. Loiras, lindas, populares, vadias, e mais milhões de adjetivos que eu poderia listar, mas minha preguiça não permite.
- E então, Miley, a festa de hoje vai ser demais, não? – Lilá, a baixinha de cabelos loiros-quase-brancos guinchou.
- A despedida do não poderia ser em melhor estilo. E no fim da festa eu vou dar um presente a ele. – as outras três riram.
- Sei bem o que vai dar pra ele. – Anne, com seu cabelo curto e arrepiado, comentou maldosamente e a vadia da Miley concordou.
Desviei o olhar delas para as minhas amigas, que também estavam prestando atenção a toda aquela conversa absurda.
Absurda. Será mesmo?
O não faria isso comigo, não. Ele prometeu jantar comigo, ele simplesmente não me trocaria por uma festa com a Miley.
Apesar de ter essa certeza dentro de mim, meu corpo reagiu de outra forma e muitas lágrimas se acumularam debaixo dos meus olhos. Sem conseguir me conter corri para o banheiro mais próximo e pelos passos atrás de mim, soube que as meninas me seguiam.
A essa altura eu já não conseguia segurar as lágrimas e elas borraram toda a minha maquiagem. Senti uma braço me envolver e olhei afagar meu cabelo.
- Você não pode ter acreditado naquilo.
- Ele não pode fazer isso comigo.- solucei.
Pela minha visão embaçada notei cutucar e essa pegar o celular e discar alguns números.
- , vem pro shopping agora. – a voz dela preencheu o banheiro. – A precisa de você.
desligou, e eu sabia que em poucos segundos estaria lá, me abraçando e dizendo que era tudo bobagem.
Então por que eu não conseguia parar de chorar? Por que meu corpo se contraia a cada segundo e eu sentia vontade de gritar e bater na Miley até ela dizer que inventou tudo aquilo?
O telefone de tocou. Minhas pernas perderam as forças e a última coisa que me lembro é do meu corpo caindo em câmera lenta.

- Ela acordou. – passava as mãos pelo meu cabelo e minha visão turva aos poucos foi voltando ao normal. Eu estava deitada em uma cama, mas não era a minha. Olhei em volta e reconheci o quarto dele.- Como você está se sentindo?
- Diz pra mim que foi tudo um sonho? Diz que não tem festa nenhuma?
- , vai ter a despedida do hoje. – ele respirou fundo e falava pausamente, como de estivesse dando um tempo para que entendesse cada palavra com seu significado, e soube pela minha cara que seria mais difícil do que imaginava – Na casa da Miley, e ele vai. – Lágrimas, lágrimas e lágrimas. – Hey, para de chorar.
- Como você quer que eu pare? – minha voz saiu muito, muito alta. As meninas estavam sentadas na poltrona e esticaram o pescoço pra me ver melhor. – Como?
- Ele tem que ir, . Pense comigo. É uma festa pra ele, se ele não for não tem sentido. Mas ele só vai dar uma passadinha rápida lá, depois vai jantar com você.
- Não é esse o plano da Miley.
- O plano dela pouco importa!
- Importa, claro que importa! - levantei meus braços, enquanto tentava parar de chorar - E se ela conseguir o que quer?
- Não pense por esse lado, ele vai vir te ver... é você que ele ama.
- E onde ele está agora?
- Eu não posso dizer... – ele sorriu mas eu tive vontade de bater nele. – Ah, , é surpresa. Não me olha assim.
- Você deve estar de complô com ele contra mim. – fiz birra e ele me olhou incrédulo- Quero dormir um pouco, posso?
Ele afirmou com a cabeça e levou as meninas pra sala.
Sonhei que estava presa num navio, com as mãos amarradas no estilo Jack, em Titanic, e começava a pegar fogo. Eu começava a perder o ar e ficar fraca. Gritava, mas ninguém me ouvia. Ouvia um barulho de passos e aparecia na minha frente, bem vestido e sorrindo.
- Me salva, . – pedia, e ele ria de mim.
- Não posso, vou encontrar a Miley. Você não quer que eu me atrase, quer?
- , por favor! – eu começava a tossir e cuspir sangue. Ele ria e saía andando.
- SOCORRO! – berrei e já estava no quarto de volta. Cinco segundos depois a porta de abriu e ele entrou correndo, me abraçando.
- O que aconteceu?
- Um... pesadelo. – chorei no ombro dele. Aquilo devia ser algum sinal. Alguém tem uma faca pra eu me matar?
- Calma, já passou. – ele me apertou com mais força. Ficamos naquele abraço por muito tempo, até que eu finalmente pudesse me acalmar e tirar a ideia de suicídio da cabeça. – , a festa já vai começar. Você deveria se arrumar para o jantar. E eu, bom, eu vou para a festa se você não se importar.
Não, eu não me importava, era bom que ele fosse pra cuidar do e não deixar ele fazer besteira.
- Vá, . – o beijei na testa e me levantei. Olhei para ele que já estava arrumado. – Boa festa.
Ele saiu e as meninas entraram no quarto.
- Vamos arrumar a Cinderela? – bateu palminhas me fazendo sorrir. Talvez eu devesse dar uma chance para que aquela noite nao fosse um total pesadelo. Ainda podia ser um sonho, certo? Eu estava disposta a mudar o rumo daquilo.
Por amor.
Somente.

CAPÍTULO 11

Narrador Observador


chegou na frente da casa imponente de Miley e sorriu. Era bom sentir que faria falta para as pessoas. Todo mundo gosta de saber que foi notável, que foi especial. Sentiu que seu status social estava lá em cima e que com certeza era popular. Muitas pessoas o cumprimentavam enquanto ele entrava na casa e pode ler uma faixa prateada escrito ‘Estaremos de esperando voltar, ’. Sorriu consigo mesmo, lembrando que estaria esperando-o voltar. Ela valia a pena.
- ! – um corpo se jogou nos seus braços e ele reconheceu como a dona da casa – Espero que goste.
- Já gostei, obrigado. – ele sorriu e ela retribuiu maliciosamente.
- Vamos dançar. – o puxou para a pista de dança e colou seus corpos, dançando sensualmente para provocar. tentou afastá-la inúmeras vezes, mas vadia com ela era, voltava a colar seus corpos outra vez, e continuava a fazer sua dança do acasalamento. Ela virou de frente para ele e colou sua boca no pescoço do garoto, no estilo sanguessuga.
- Não, Miley. Por favor. – ele pediu e ela fingiu que nem escutou, dando-lhe outro chupão. Ela sabia que seria difícil, mas já tinha tudo arquitetado. - Miley, por favor!
- Certo. Vamos sentar e conversar então? - ela fingiu ter entendido e o puxou até uma salinha mais afastada de todos.
aceitou e os dois foram se sentar nos puff’s verde-limão que enfeitavam a festa. Miley fez sinal para um dos garçons e ele lhes trouxe uma garrafa de tequila. riu, lembrando-se da última vez que bebeu tequila. Sabia que era fraco para aquela bebida, mas encheu o copo e virou de uma vez sentindo a garganta queimar. Era sua última noite em Londres, ele não ia ficar sóbrio.
Alguns copos depois e não lembrava mais seu sobrenome, nome, colégio que estudava ou o nome da menina que ele gostava. Miley se aproximou e o beijou nos lábios, provocando.
- Eu não lembro o porque, Miley, mas sei que isso não é certo. – ele coçou a cabeça e ela riu.
- É certo, . Eu sou a mais popular e gostosa do colégio e você vai embora amanhã, o que há de errado em fechar a noite com chave de ouro?
Aquela ideia não lhe pareceu ruim, embora algo lhe dissesse que não estava certo. Ele levantou e a puxou para um beijo mais quente, enquanto ela ia empurrando-o escada acima, em direção ao seu quarto. Abriu a porta e o jogou na cama, se deitando por cima dele.
Em poucos segundos as roupas estavam no chão e por cima dela, com movimentos rápidos e contínuos até não agüentar mais e cair, dormindo ao seu lado.
- – ela rolou os olhos – Você deve ser melhor quando está sóbrio, sinceramente.

- Vocês viram o ? – já perdera as contas de quantas vezes havia feito aquela pergunta naquela festa. Mas incrivelmente ninguém dava uma resposta concreta. Então ele decidiu mudar a pergunta – Alguém viu a Miley?
Pronto, ninguém a tinha visto também, então estava tudo muito claro. Ela tinha conseguido o que queria e tinha caído. Mas onde eles estariam? abaixou a cabeça pensando em , pensando em como ela deveria estar e como ela ficaria se não aparecesse no jantar.
No quarto. Claro, eles só poderiam estar no quarto. Como um jato, ele correu escada acima e foi abrindo as portas uma por uma e em todas tinham casais de comendo, em outras tinha até mais que um casal. Abriu outra porta e viu o amigo dormindo e Miley sentada olhando as unhas. Entrou no quarto com tudo, vermelho de raiva.
- O QUE VOCÊ FEZ COM ELE?
- NÃO GRITA COMIGO!
- LEVANTA, LEVANTA! – ele puxava o amigo, que parecia inerte. – O QUE VOCÊ DEU PRA ELE?
- Quer mesmo saber? – ela sorriu, e teve vontade de bater nela. Mas não, era uma mulher. Bufou e pegou o amigo no colo, mas jogou-o na cama logo em seguida. Pelado ele não levaria. Vestiu a roupa de num tempo recorde em uma pessoa desmaiada e o carregou de novo.
- Você vai se arrepender de ter feito isso.
- Quer apostar?
não ficou para ouvir mais nada, saiu com o amigo da festa sob os olhares de curiosos. Colocou-o dentro do carro e deu partida com toda velocidade.
Não poderia ir pra própria casa, estaria lá, esperando para o jantar. Não poderia ir pra casa do , os pais dele ficariam muito preocupados. Não tinha para onde ir. Pegou o celular e discou o número de .
- ? Não faz perguntas, por favor, só tira a da minha casa agora. Leva ela pra qualquer lugar, mas não deixa ela na minha casa. Agora. Beijos, eu amo você.
Certo, no meio de todo aquele desespero ele disse que amava . Ela perceberia? Ou estaria tão nervosa que nem notaria? Parou o carro um pouco afastado do seu prédio e esperou até ver as garotas saírem do seu apartamento, no carro de . Estacionou na garagem e subiu, carregando .

’s POV


- E eu posso saber por que me arrastaram do apartamento do , sem mais nem menos? – cruzei os braços, já dentro do carro em movimento de .
- Agora não, . – , sentada ao meu lado, respondeu.
Agora não, . Agora não.
Agora sim, cara!
Silêncio é um barulho incômodo, colega, eu odeio. Ainda mais quando são quatro mulheres caladas. Quatro mulheres! Onde já se viu quatro mulheres juntas e caladas? Todo mundo sabe que mulher é o bicho que mais fala no mundo. Tem algo de muito errado aqui.
manobrou e estacionou enfrente a casa de . Fui arrastada pra fora do carro muito delicadamente (oi?) por e entramos na casa. ligou a luz e eu me joguei no sofá, cobrindo o rosto com as mãos. Então ninguém ia me contar o que estava acontecendo? Sabe, no fundo eu não precisava que ninguém me contasse, eu sabia que o não iria mais. Estava óbvio demais, ele não ia. Mas eu queria ouvir alguém me dizer que ele já estava vindo, que tudo isso era parte de um plano só para me deixar nervosa. No início eu ficaria muito puta com todo mundo, mas depois me jogaria nos braços do meu e tudo seria perfeito.
- O que aconteceu, afinal? – a voz de atrapalhou meus pensamentos. Então eu não era a única que não sabia de nada?
- Eu também não sei. – suspirou. Ótimo, ninguém sabia de porra nenhuma. – O só me pediu para tirá-la da casa dele. Mas não deu explicações.
- Ela vai ficar muito mal. - deu sua opinião. Sério? Ninguém imaginou que eu ficaria muito mal. E tem mais, por que elas estão falando de mim como se eu não estivesse aqui?
Joguei a cabeça pra trás e ela bateu no encosto do sofá, fazendo barulho. Não era minha intenção inicial, mas serviu para elas me notarem.
Milhões de imagens rodaram por minha cabeça e minha visão foi ficando turva aos poucos. Passei a mão pelo rosto e senti as lágrimas rolarem. Funguei baixo. não podia ter faltado ao nosso jantar, não no último dia dele no país. Não depois de ter prometido que ia. Eu ainda esperava acordar e gritar por minha mãe, contando que tive um pesadelo. Mas não, eu não acordava e a dor era real demais pra ser só um sonho.
Não, não. disse que me amava e eu confiei naquele amor, eu entreguei meu amor pra ele, eu ME entreguei pra ele. Eu revelei o amor que sentia a tanto tempo pra nada? Pra ele simplesmente me trocar por uma festa com Miley e sabe-se lá mais o quê com ela?
- Vou a sua cozinha, . – a voz de quebrou o silêncio que se instalou na sala.
Não me controlei mais e meus soluços altos me fizeram sacudir. Meu corpo sacudia e em pouco tempo senti um abraço apertado. me abraçava e falava algumas coisas pra me acalmar, mas eu infelizmente não conseguia associar nenhuma palavra a outra, sendo impossível formar frases com sentido. Não sei por quanto tempo fiquei ali, abraçada com ela, mas notei chegar com uma xícara nas mãos e dois bolinhos de algodão. Mergulhou os algodões dentro da xícara e me olhou com aquele olhar materno dela.
- Deita aí, amiga. – obedeci. O que mais eu iria fazer? Deitei e ela colou em mim um bolinho do algodão molhado em cada olho.
- O que é isso? – perguntou o que eu estava pensando.
- Chá de camomila.
- Para os olhos?
Pronto. entrou em uma de que chá de camomila acalma os olhos, e ai de quem dissesse o contrário. Eu não reclamei, era boa a sensação. Pelo menos o caldo do chá se misturava as minhas lágrimas, e aos poucos eu dormi.

CAPÍTULO 12

Não sei como, ou porquê, nem por onde, mas eu acordei na cama de . Embora eu estivesse muito zonza ontem, lembrava nitidamente de ter dormido no sofá. Bom, quem se importa? Levantei, pé ante pé, procurando por minhas amigas e cheguei na porta da cozinha.
estava lá e eu senti uma vontade muito grande de abraçá-lo e chorar em seu ombro, mas outra pessoa que eu não esperava encontrar também estava no aposento. estava sentado na mesa, com o rosto entre as mãos e meu coração deu um duplo twister carpado e voltou ao lugar, no melhor estilo Daiane Dos Santos. Me encolhi no porta da cozinha para que ninguém me visse e coloquei a mão na boca para controlar a respiração.
- Eu não acho que seja uma boa idéia, . – falou séria e com uma expressão muito brava, que ela só usa quando está REALMENTE muito brava. Mas balançou a cabeça, negando.
- Eu preciso falar com a . Eu não posso pegar aquela merda daquele avião sem antes conversar com ela. – levantou a cabeça.
- Pensasse nisso antes de ir até aquela festa! – berrou e estiquei um pouco o pescoço para ver onde ela estava. Ela estava encostada na geladeira com os braços cruzados no peito. estava ao seu lado, mexendo algo numa xícara e olhando por cima dos olhos. Uma cena intimidadora.
Meu coração parecia que ia abandonar meu corpo e fiquei com medo de eles ouvirem suas batidas frenéticas.
- Eu a amo. – gemeu e enterrou de novo a cabeça entre as mãos. – Eu não queria fazê-la sofrer. Duplamente.
Duplamente. É. Pela viagem e por ter me trocado por uma festa idiota.
- Ele bebeu demais e perdeu totalmente a consciência do que estava fazendo. Eu achei ele desmaiado no quarto da Miley. – defendeu e... O QUÊ? No quarto da Miley? Então a coisa tinha sido muito mais grave do que uma simples festinha. Não que eu tivesse minhas dúvidas sobre isso, mas até então eram só suposições. Ouvir aquilo com todas as letras fez meu pulmão parar suas funções vitais por alguns longos segundos. Meu coração, ao contrário, estava em potência total e eu podia sentir meus poros se dilatarem.
- , não defenda ele. – Minha voz saiu alta, firme. Um pouco surpresa comigo mesma, não tive escolha a não ser entrar na cozinha de vez e ter todos os olhares sobre mim. Meu rosto deveria estar péssimo, meus olhos deveriam estar inchados e eu sentia minha boca tremer.
- pulou e deu um passo na minha direção. Eu dei dois na direção oposta, colocando a mão em sinal de ‘pare’.
- Pegue aquele avião, . Vá para Nova York e seja muito feliz com alguma otária que caia no seu papo furado de amor.
- Você tem que me ouvir. Eu...
- Mas do que eu já ouvi? – Fechei minha mão em punho, eu não queria perder o controle, não queria gritar. Eu queria ser superior a tudo aquilo. – O que eu preciso saber mais? Tem mais coisa? Além de você ter passado a noite com a Miley?
- EU TE AMO. – Ele não foi tão bem sucedido quanto eu e perdeu o controle. Gritou e bateu a mão na mesa. o segurou pelo braço, temendo alguma coisa.
- Me responde uma coisa, – o encarei e ignorei as lágrimas que seus olhos derramavam. Aliás, os meus olhos imitaram os dele e choraram. – Você sabe o que é amor? Você sabe o que é para estar falando?
- Amor é o que eu sinto por você. – ele falou baixo, se controlando.
- NÃO! NÃO É. – Ele não podia ser tão cínico a ponto de continuar afirmando que me amava, não podia.- NÃO É. QUEM AMA NÃO TRAI, QUEM AMA QUER FICAR SEMPRE PERTO DA PESSOA AMADA E NÃO A TROCA POR NADA. VOCÊ DEFINITIVAMENTE NÃO ME AMA.
Trinquei os dentes e corri pro quarto de , trancando a porta. Me encostei na parede fria e senti meus joelhos cederem ao peso do meu corpo e acabei no chão, chorando copiosamente por alguém que talvez eu nunca mais visse. Pela única pessoa que eu amei na minha vida. Pela pessoa que me fez chorar um oceano. Mas que droga!
Cara, eu o amava mais que tudo, e não tinha aceitado a idéia de perdê-lo mesmo depois de tudo, mesmo depois da traição. Que tipo de amor doentio eu sentia? Como eu podia amar tanto uma pessoa a ponto de querer passar por cima do meu próprio orgulho, correr de volta para aquela cozinha e abraçá-lo, pedindo pra não ir pra porra de Nova York nenhuma?
Era essa a minha vontade, o desejo que pulsava dentro de mim. Mas a dor que sentia era maior, a decepão estava instalada no meu peito e eu não podia ignorar. Eu tinha confiado nele mais que tudo, eu tinha sido burra ao acreditar que ele podia me amar, eu tinha sido burra por tê-lo amado.
Um barulho fora da casa me fez criar forças e caminhar até a janela.
Me escondi entre as cortinas e consegui ouvir o que falavam.
- Seus pais já estão no aeroporto, . – abriu a porta do carro, enquanto enxugava algumas lágrimas na manga do casaco. – Vamos.
- , me leva naquele lugar primeiro. – ele pediu abrindo a sua porta – Eu não posso deixar isso assim.
Entraram no carro e foram embora. A última imagem que eu teria dele. chorando. Chorando por algo que ele mesmo provocou, por algo que doeu muito mais em mim no que nele, mas eu sabia que doía. Eu sabia que ele me amava, mas não conseguia assimilar, sabe? Algo confuso, que mistura milhões de sentimentos. Num twister de sentimentos as vezes o amor, mesmo sendo o mais nobre de todos, não fala mais alto. Como disse um sábio ‘ Existem coisas que nem mesmo o amor é capaz de solucionar’.

’s POV


- Vamos, filho. Essa é a última chamada. – Minha mãe me chamou, já andando na frente acompanhada por meu pai.
- Então, acho que isso é um adeus. – suspirei, tentando em vão conter as lágrimas. Abracei com força, em seguida e por último Tom.
- Adeus não. Adeus é muito forte, é como se fosse eterno. – entortou a boca, limpando discretamente uma lágrima fujona.
- Isso aí, nós ainda vamos nos ver, cara. – Tom sorriu.
- Eu nunca vou esquecer vocês. – me senti meio gay expondo meus sentimentos daquele jeito, mas quem se importava? Era um dos momentos mais tristes da minha vida e a garota que eu amo não estava lá comigo, me apoiando. Na verdade ela deveria estar desejando que meu avião caísse no Atlântico agora e por uma coisa que eu sequer tenho culpa (talvez não totalmente).
Abracei todos mais uma vez e puxei num canto a parte.
- Cuida da por mim. Não deixa nenhum canalha magoá-la, como eu magoei. Se possível, convença-a de que eu não tive culpa nessa história toda. – pedi, como uma criança chorona – Vou te confessar que eu fiquei meio decepcionado por ela não ter vindo aqui no aeroporto, eu tinha esperanças que ela viesse correndo, se jogasse nos meus braços dizendo que descobriu que eu não tive culpa de nada. – balancei a cabeça negativamente, incrédulo – Mas no fundo eu sabia que não, ela não viria.
- Ela te ama. E vai se arrepender um dia de não ter vindo.
- é fraca, . - senti meu coração se apertar todo no meu peito - Cuida bem dela. Eu não vou quebrar a promessa que um diz eu fiz, eu vou voltar para ela, mesmo que ela não me queira mais. Cuida dela pra quando eu voltar.
- Eu vou cuidar.
- Tenho que ir. – outro abraço e mais lágrimas. – Fica firme.
Corri para o avião, ainda com a visão embaçada pelas lágrimas. Me joguei na poltrona ao lado da minha mãe e ela passou os braços por volta do meu ombro me reconfortando.
- Você vai ter outros amigos lá, filho.
É mãe, outros amigos eu posso até arranjar, mas garanto que não chegarão aos pés desses. E lá eu NUNCA vou encontrar outra . Nunca.

’s POV


Chorar.
Chorar.
Bom, essa era a única coisa que eu fazia há dois meses. Dois meses desde que pegou aquele maldito avião (pra não falar que ele pegou também a Miley) e minha vida se resume a lágrimas, chocolate, filmes, amigas tentando de tudo pra me fazer dar um sorriso e jurando que é o Bozo. Minha mãe desistiu de mim nas primeiras semanas. Ela tentava conversar comigo, me animar, mas nem falar eu falava. Hoje eu já falo. Não que seja algo de muito produtivo, mas falo.
me ligou sete vezes hoje de manhã me chamando pra sair. Já respondi sete vezes que não estou afim, mas você acha que ele se convence? No way. Ele está lá na sala com minha mãe, e eu estou trancada no meu quarto. Ele já bateu na porta, gritou por meu nome e ameaçou ligar pro corpo de bombeiro. Eu decidi que me fingir de morta é a melhor solução para todos os problemas.
Celular tocando, no visor ‘’. Atendo ou me finjo de morta pra ela também?
- Oi, . - optei pela primeira opção.
- Vai fazer o quê agora? – ela exclamou sorridente como se não soubesse a resposta. Ela sabe que desde... desde dois meses atrás eu passo o dia inteiro trancada no quarto e tentando me matar. Ok, não exatamente isso.
- Nada. – respondi entediada – Talvez arrumar um jeito de matar o .
- O está aí? – fiz ‘uhum’ com a boca – , o está lá! – gritou pedindo para eu mandar um beijo pra ele, mas a única coisa que eu queria realmente mandar pro era meu dedo do meio. Ok, talvez um tiro bem no meio da testa também. – Voltando ao assunto, vamos pra casa do Tom? Aproveita e arrasta o . Os meninos estão lá e é um jeito de você se divertir, colega!
- Eu não sei se quero me divertir, .
- Eu vou ligar pra celular do , se você...
- Ok, eu vou. – disse apressadamente. TUDO, menos mais um motivo para aquele garoto tentar me arrancar do quarto. – Vou me arrumar e vou pra lá com ele. Beijos, te amo.
Desliguei o telefone pensando se isso seria realmente bom.
- – berrei – Vou me arrumar e nós vamos para casa do Tom.
- Finalmente. – ele berrou em resposta e em seguida o ouvi rindo. Ridículo.
Tomei banho, troquei de roupa e fui pra sala. e minha mãe ainda conversavam. O que eles tanto conversavam eu não sei mas tenho pequenas suspeitas. Algo como ‘ Sua filha está muito deprimida’ ou ‘ Garoto, faça alguma coisa, sua amiamiga vai acabar se matando’ e mais ‘ A culpa é toda do ’. Bom, nisso eles tinham razão, a culpa era toda do idiota do . Bufei antes de concluir meus pensamentos.
- Vamos logo antes que eu mude de ideia e me tranque de novo. – rolei os olhos indo até minha mãe e beijando sua testa. – VAMOS.
soltou uma risada de deboche e me acompanhou. Fomos em silêncio até o carro, exceto quando ele dava alguma risada não sei de quê. Esse menino tava muito risonho, deve ter dormido com o Bozo. Ou com a . Minha vez de rir.

CAPÍTULO 13

- Casa do Tom, certo?
- Certo. – respondi.
- Você ta muito viciada em Crepúsculo, .
- Como é?
- Ta uma cópia fiel da Bella, quando Edward a deixa. – ele riu e eu rolei os olhos. estava cheio de graça pro meu lado. Mas eu acabei rindo, porque ele era muito bobo.
- Então tenho que achar um Jacob, ok?
- Sabe que o Edward não gostou muito dessa ideia, não? – ele franziu a testa – Creio que o não gostaria.
Eu não queria brigar com o , ele estava sendo muito legal comigo nisso tudo, me dando apoio e agüentando minhas crises existenciais. Respirei e contei até 10.
- Você acha que o vai estar lá em Nova York sem ficar com ninguém? – fechei os olhos – Se aqui em Londres ele ficou com outra, imagine em NY.
- , eu já tentei te explicar muitas vezes tudo que aconteceu naquele dia, mas você simplesmente não deixa.
- Eu não preciso saber detalhes, colega – respondi rude e fechei a cara pra ele. Ele bateu a mão com força no volante e freou. Minha cabeça foi projetada pra frente e eu xinguei baixo aquele cara da lei da inércia.
- Vou te mostrar uma coisa. – ele virou o carro na direção contrária a qual a gente seguia e fez outra curva fechada. Eu conhecia aquela entrada cheia de árvores altas e bonitas... O bosque. O bosque onde eu estive com , onde ele me disse que me amava pela primeira vez. estacionou o carro e eu desci, mesmo sem ele precisar mandar. Estava feliz em voltar ali, muitas lembranças boas. Mas um nó na minha garganta se formava também, eu queria estar ali com o . Sim, mesmo me odiando por isso, era com ele com que eu queria estar.
- Vem – pegou minha mão e me puxou com certa força bosque adentro, chegando perto do lago cintilante. Andou mais alguns passos e paramos em frente a uma árvore. A árvore que me mostrou onde os nomes do pai e da mãe do Tom estavam escritos, do próprio Tom e da . – Enxerga aqui? – apontou um pouco mais acima.
Fechei os olhos para desembaçar por causa das lembranças que me trazia aquele lugar e pude ler, nitidamente ‘&’. Outro nó, porém dessa vez maior, se formou em minha garganta.
- Quando ele escreveu isso?
- Antes de ir para o aeroporto. Quando saiu aquele dia da casa de . Ele me disse que isso era importante para ele, então viemos para cá. Sabe , ele chorou muito. Ele não teve culpa total.
Eu tinha uma vaga lembrança dele saindo da casa da e pedindo a para ir ‘para aquele lugar’. Claro, era esse o lugar. Senti o corpo de junto ao meu num abraço apertado.
- Eu o amo. – revelei, como se não soubesse – Eu o queria aqui comigo.
- Ele me disse que cumpriria a promessa e voltaria pra você.
- Eu não sei se quero que ele volte.
- Não fale bobagens, pequena – ele me abraçou. – Você acabou de dizer que o ama, como não quer que ele volte?
- Eu quero. – choraminguei.
- Pronto, já te fiz chorar. Agora vamos pra casa do Tom sorrir – ele brincou e eu dei língua.

- O James ta ali – provocou . Ela ficou vermelha e bateu no braço dele. James veio andando na nossa direção, sorrindo com sempre.
- Esquece isso, ! – implorou – Pelamordedeus. Eu só o acho bonito, mas amo o Tom.
- Oi, colegas. – ele se aproximou beijando meu rosto, o da e apertando a mão do Harry.
- Oi, James. – respondemos em coro.
- AMOR, VEM AQUI ME AJUDAR! – a voz do Tom ecoou e já estava lá em menos de cinco segundos. Depois ela vem dizer que não faz tudo pelo namorado.
- VAMOS DANÇAR!
Virei a cabeça para ver de onde vinha aquela voz estridente e dei um sorriso torto ao ver puxando pela mão, depois de ter ligado o som no último volume. dançava timidamente, mas não se incomodava com todo mundo olhando estranho pra ela.
- Muito animada. – James abriu um sorriso que, confesso, me fez ficar boba por alguns segundos. James tinha toda aquela beleza delicada, todo aquele jeito meigo de menino, aquele sorriso perfeito. Enfim, o sonho de qualquer garota.
- É, depois que ela e começaram a namorar ela se soltou mais.
- Então acho que você precisa de um namorado, . – o olhei, meio que arregalando os olhos. – Digo, você está meio pra baixo e tal. Talvez um namorado fosse te ajudar... Bom, esquece. Eu só falo besteira.
Ele abanou o ar, como que para apagar o que tinha dito.
- Tudo bem. – abaixei a cabeça pensando comigo mesmo se James tinha alguma razão. Eu nunca fui de ficar deprimida pelos cantos, sem dançar, conversar com meus amigos. Tudo isso mudou depois de . Respirei fundo.
Mas eu não estava preparada pra me envolver com alguém. Não estava mesmo. A única coisa que eu pensava desde quando eu abria os olhos de manhã, até quando eu os fechava, à noite, era em Nova York. Se ele estava saindo com as americanas, se ele tinha se adaptado, se ele já tinha amigos, se ele podia confiar nas pessoas, se ele estava comendo bem, se o novo colégio era bom, se ele estava estudando, se ele estava com as pessoas certas.
Se ele tinha me esquecido.
- Não precisava ficar mais calada do que já estava. – James tentou ser simpático mais uma vez – Eu sei que falo muita besteira, mas às vezes isso pode ser legal.
- Obrigada, James, por ser legal comigo. – eu sorri – Eu devo estar realmente chata. Vivo reclamando de tudo e as pessoas sempre querendo me animar.
- Eu vou estar do seu lado sempre, boba! – ele corou e eu não saquei o porquê. Ele chegou a cadeira um pouco mais pra frente, tocando meu rosto com as costas da mão. – Sabe , eu ainda... Certo, isso pode ser mais uma merda, mas eu vou falar mesmo assim. Eu ainda gosto de você.
Minha cara deve ter sido impagável. Só sei que eu devo ter ficado uns belos cinco minutos o encarando com a boca meio aberta e os olhos levemente arregalados. Pisquei algumas vezes antes de prosseguir, mas não saía som.
- Desculpa, James. – olha, com um pouco de sacrifício sai voz – Eu estou ainda... bom, ainda muito abalada com... com tudo que aconteceu, sabe? Essa parada do ... E...
- Tudo bem, . Eu não vou forçar a barra. Foi só mais uma merda pra minha coleção.
- Eu fui uma merda pra sua coleção? – me assustei e ele riu.
- Não, não mesmo. – passou a mão pelo cabelo loiro – Você foi a melhor da minha coleção.
- Então você coleciona?
- ! – ele ficou corado – Você está distorcendo o que eu falo.
Nós dois rimos.
- Quem quer comer? – e apareceram na mesa com duas bandejas cheias de coisas apetitosas, e pela primeira vez em tempos eu tive vontade de comer alguma coisa.
- Sobre o que falavam? – perguntou, enchendo a boca de salgadinhos.
- Bom, nada especial. – eu tentei sorrir e pisquei pra James. Levei um chute na canela e segurei um grito agudo para não chamar atenção. me lançou um sorriso amarelo que entendi com um pedido de desculpas. Aproveitei a distração de James e e curvei minha cabeça em direção a ela.
- Endoidou foi?
- Não, shiiu! – ela tentava conter um sorriso – O me pediu em namoro.
- JURA? – é, eu não sou muito boa em disfarçar as coisas. Todos me olharem em dúvida e eu queria ser uma avestruz para cavar um buraco e enfiar isso que chamo de cabeça. rolava os olhos. Voltei ao meu tom de voz normal e continuei – Isso é ótimo, amiga!
- Não é? Eu fiquei muito surpresa, não esperava isso, mas... Foi lindo.
A conversa entre nós era sobre o pedido de namoro que o fez, tão inusitadamente. Os meninos discutiam sobre um campeonato de críquete e na pista de dança improvisada ainda sacudia .
Minha cabeça começou a doer e meus olhos pesaram muito, então resolvi que se eu queria voltar a minha vida normal teria que ser aos poucos. Agüentar uma noitada logo de cara não era uma ideia feliz.
- Vou para casa. – anunciei me levantando – Algum motorista se oferece?
- Eu – certo, era o que eu temia ouvir. Mas eu não podia simplesmente dizer ‘Qualquer um, menos o James.’ Então só concordei com a cabeça.
Fomos andando até o carro (lê-se supercarro) dele, que eu não faço ideia do nome. Entrei, coloquei o cinto e fiquei o observando fazer exatamente o que eu fiz.
- Eu moro na rua...
- Eu sei, eu ainda me lembro. – ele sorriu. Sorri também, embora estivesse um pouco desconfortável com a situação. – Pode ligar o rádio se quiser.
Liguei. A música era calma, e imediatamente eu me senti calma também.
O condomínio não era distante e em pouco tempo estávamos lá.
- Obrigada, James. – sorri e beijei sua bochecha. Quer dizer, essa era a intenção. Mas James virou o rosto e o que aconteceu foi um selinho seguido por um silêncio constrangedor.
- Desculpa, . – ele coçou a cabeça, sem jeito – Eu disse que não ia forçar a barra a acabei fazendo isso.
- Ta tudo bem, James. – sorri, tentando não avançar no pescoço dele.
- Boa noite, sonhe com os anjos. – ele sorriu e arrastou o carro.
James não era feio. Era muito gato na verdade, mas eu estava insegurança, com medo de me envolver com alguém e sofrer de novo. Sofrer tudo que eu sofri (e ainda sofro) de novo estava fora de cogitação. Meu coração estava frágil demais pra agüentar isso.

CAPÍTULO 14

Eu não sei por onde começar a explicar tudo que aconteceu na minha vida nesse último ano. Eu era apaixonada por meu melhor amigo e quando eu descobri que o sentimento era recíproco ele mudou de país (mas antes fez uma sacanagem sem descrição comigo). Fiquei mais de quatro meses na fossa, praticamente um vegetal, porém um vegetal sofredor. Um velho affair do passado apareceu, dizendo que ainda gostava de mim. Tentei afastá-lo de todos os jeitos, mas meus amigos juraram que seria bom eu ter alguém. Comecei a namorar o James e estamos juntos até hoje. Gosto dele, ele me diverte. Mas quando eu penso em como eu gostei do ... Não dá pra comparar sabe? Eu amei o . E algo dentro de mim grita que eu ainda amo, embora eu me finja de surda para isso. E eu apenas gosto do James. Me sinto culpada às vezes, quero terminar... Mas me garante que eu não estou fazendo nada de errado, porque o James sabe que eu ainda penso no . E também, James me faz bem, me coloca pra cima e com ele eu me sinto a pessoa mais especial do mundo. Ok, ele me sufoca de vez em quando. Mas a julgar pelos casais que andam com a gente, sufocar é sinônimo de amar.
Hoje completa-se um ano que foi para New York. E eu estou tentando não entrar em uma fossa de lembranças. Mas claro que eu não conseguiria sozinha. E chamar meu namorado para me animar enquanto eu penso no outro não era legal, então minhas amigas estão aqui no meu quarto, dançando Britney e comendo brigadeiro com pipoca.
- Coloca Lady Gaga! – eu pedi. Overdose de Britney não.
- Poker Face! – berrou e foi mexer no som. batia bunda com e eu estava de pernas cruzadas em cima da cama, comendo e assistindo o show.
- Você vai ficar aí engordando? – , e sua delicadeza de um trator, perguntou.
- Eu quero ficar quietinha. Ver vocês dançarem é mais legal.
- Ah não, me puxou pela mão, e quase que o prato de brigadeiro foi parar no chão. Mas, por sorte (ou azar) tenho uma amiga viciada em brigadeiro que se jogou e pegou o prato, antes que o pior acontecesse.
- Vocês são loucas? Quase derrubaram o nosso manjar! – resmungou. Rolamos os olhos.
- É sério, amiga. Eu não to em clima pra dançar. – fez bico e aceitou minha fossa. Sentou na cama ao meu lado e fez o mesmo. sentou um pouco mais afastada para comer o brigadeiro sozinha.
Esperta.
- , você tem que parar de colocar o em primeiro lugar na sua vida mesmo ele estando a um oceano de distância. – tentou me puxar pra real, mas... Eu não sei o que acontece comigo. É só eu ouvir as palavrinhas mágicas: , que o mundo para.
- Eu não coloco o em primeiro lugar na minha vida. – resmunguei, mentindo, e me xinguei em todas as línguas por não conseguir conter minhas lágrimas.
- Você não vai chorar por ele, vai? – fechou os olhos, incrédula.
- Depois de tudo que ele te fez? – foi a vez de ir contra o .
- Não aconteceu nada.- funguei – O pior é que depois de tudo, eu soube que ele não teve culpa total.
- O também já me contou essa história, mas... – ainda mantinha os olhos fechados – Ele está longe, vivendo outra vida. O que se tem a fazer é seguir a sua.
- Eu sigo.
- Como você acha que o James está agora? Ele não é burro, sabe que faz um ano que foi embora, e você nem falou com ele hoje. - devia ser advogada – Você para sua vida por causa de um garoto que...
- Chega, ta? – elevei um pouco a voz, tentando não perder a cabeça e brigar com as meninas. – Eu chamei vocês aqui pra me animar e não pra ficar mais pra baixo.
- Calma. – interveio – Ninguém precisa se exaltar, – ela pegou minha mão – A gente só fala essas coisas pro seu bem, ok? E – ela virou – Pega leve, a garota é sensível.
Dei língua para as três e me joguei em cima da pequena.

- Bom dia, amiginha, como vai? - três batidas de palmas - Bom dia, amiguinha como vai? - mais três batidas de palmas - A sua alegria nos atrai. Faremos o possível para sermos bons amigos. Bom dia, amiguinha, como vai?
- CALA A FOSSA! - rosnei, com a cara enfiada no travesseiro. estava me acordando assim há umas duas semanas, jurando que me alegrava. Primeiro: aquela música me lembrava quando eu acordava cedo para ir pro colégio, com cinco anos de idade. Segundo: a voz dele é bonita, mas não para esse tipo de música. Terceiro: porra, porque ele não vai comer a ?
Ok, desculpa. Eu acordo de mau humor e mal educada.
- Sabe o que acontece? - ele sentou na minha cama, passando a mão pelo meu cabelo bagunçado - Você tem que apresentar um trabalho hoje na faculdade. Que al acordar?
TÁQUEOPARIU, o trabalho que aquele professor velho-careca-banguelo-e-mau-servido passou é pra hoje. Levantei sem precisar ouvir segunda ordem, me jogando banheiro adentro e ligando o chuveiro, enquanto tirava a roupa.
- Eeew, fecha a porta pelo menos - a voz dele resmungou e eu ri - Sou seu melhor amigo, quase irmão, mas sou homem, pô.
- Cala a boca! - ri e ele xingou em alguma língua desconhecida.
- Vou preparar seu café da manhã.

- Como foi? - caminhávamos para a Starbucks mais próxima da universidade. já tinha me perguntado isso cinco vezes e estava nervosa porque a apresentação dela não tinha sido tão boa.
- , eu já te disse que foi média. - rolei os olhos e ele fez a mesma pergunta pra , que parou de andar, colocou as mãos na cintura e bateu os pés no chão, no estilo menina-mimada, me fazendo rir.
- Não quero falar desse assunto, qual parte você não entendeu?
- Mal comida - resmungou e ela lhe estapeou, o que me fez rir ainda mais. - Agora eu tenho culpa se o Tom não dá conta?
- Ah, calem a boca - rolei os olhos, puxando os dois pelas mãos para a Starbucks - Vocês parecem duas crianças melequentas e briguentas.
- Eu quero um chocolate quente com baunilha - anunciou para o atendente.
- Sem baunilha o meu - pedi, sorrindo.
- O meu também. - sentou, jogando sua bolsa de qualquer jeito na outra cadeira.
- Calma, o dia só está começando, vai melhorar - tentei animá-la e consegui um sorriso.
- Preciso ligar para a - pegou o celular e discou alguns números. ÓÓ, ele sabia de cor. - Droga, desligado.
- Ele é muito bom nisso, se você quer saber - falou, do nada, e nós a olhamos sem entender - O Tom, é muito bom no que faz.
Olhei incrédula para ela, que falava aquilo na maior naturalidade e gargalhou alto, atraindo atenção para nossa mesa.
- Me desculpe por ter duvidado - ele fingiu estar arrependido e ela lhe mostrou o dedo do meio.
- Nunca mais duvide da masculinidade do meu Tom, ele sabe ser homem na cama.
- Calem a boca! - Ri, com a mão na boca, para não chamar mais atenção.
- Vamos dormir lá em casa hoje? - pediu, com cara de anjo.
- Tá carente é? - alfinetou - Depois o Tom que não dá conta do recado!
- Eu queria relembrar da nossa infância, quando a gente dormia todos juntos, na casa da árvore - ele deu língua e eu senti uma fisgada. Ele olhou para minha cara, certamente advinhando meus pensamentos - Claro, que na época tinha o , mas a gente pode viver sem ele. Não pode?
- Claro - falou por mim. Porque eu não podia não. Mas ninguém precisava saber disso.
- Ok, vou avisar ao Jam - peguei o celular na bolsa e avisei ao fofinho que dormiria no . Ele, claro, não fez nenhuma objeção e disse que me amava. Eu retribuí.

- E quando o perdeu o BV? - ria, jogada no chão, enquanto eu tentava não me engasgar com a pizza e chorava de tanto rir. - Ele chegou lá em casa todo saltitante, aí veio nos contar. Eu jurava que ele ia dizer 'amigas, virei gay' aí ele chega com 'amigas, beijei na boca da Susan'.
- tinha tudo pra ser gay - gargalhei mais ainda, lembrando de como ele saltitava.
- Ew, nada a ver! - ele fez bico - Eu sempre gostei de mulher.
- A partir dos 12 anos que você virou pegador, antes era meio bixa.
- Cala a boca, - ele riu. - Você quando deu o primeiro beijo, passou uma semana para nos contar.
- Nossa, eu lembro da cara do como se fosse hoje - levantou, fazendo encenação e engrossou a voz - O quê? Ele beijou você? Vou bater naquele panaca!
Mais risadas. E ele bateu mesmo no garoto.
- Desde pequeno esses dois se amavam - comentou, balançando a cabeça.
- Já a , quando beijou pela primeira vez, saiu correndo para nos contar - desconversei, já que o clima estava ficando tenso - Sempre foi a mais assanhada!
- Desde pirralha! - ele ralhou.
- Eu tinha mais iniciativa que muito menino - ela riu - E eu beijei um cara mais velho, e era minha primeira vez - os olhos dela brilhavam - Eu tinha que espalhar!

CAPÍTULO 15

- Vamos sair – já era a segunda vez que James me dizia aquilo, em menos de cinco minutos. Concordei com um sorriso, pegando meu casaco em cima da cama, porque a noite estava fria, e dando uma olhada no espelho.
- Vamos, James! – puxei ele pela camisa e ele abriu seu melhor sorriso. – Pra onde?
- Podíamos fazer uma coisa bem de casal.
- Não quero ir pro motel – brinquei e ele corou. Eu ri. Mesmo depois de todo esse tempo juntos, ele ainda corava com minhas piadas. A gente nunca ia perder a graça.
- Tudo bem que não é má ideia, mas eu pensei em algo mais romântico. – ele rolou os olhos e entrelaçou a mão na minha, respirei fundo seu perfume masculino. Como eu não falei nada, ele prosseguiu – Vamos até a praia e ficar olhando as ondas e vendo as estrelas.
Meus olhos brilharam com a ideia e em pouco tempo já estávamos no carro, a caminho do litoral. Eu sempre via em filmes, os casais na praia no maior clima romântico e esse era um dos meus sonhos. Com vinte anos eu já devia ter realizado. Sim, vinte anos. Isso significa que já faz três anos desde que se foi. E eu ainda continuo com o James. Ele é o único que me atura mesmo. Em nenhum outro lugar do mundo eu encontraria um namorado tão compreensivo, alegre, bonito e vou dizer, bom de cama.
- Chegamos, amor. – a voz dele me despertou e eu saí do carro, passando meus próprios braços em volta da minha cintura, por conta do vento frio que soprava. James me abraçou por trás apoiando o queixo no meu ombro. O mar estava agitado e as ondas viam com força e voltando rapidamente, deixando a espuma branca no local. Perdi a conta de quanto tempo ficamos ali, admirando aquele simples movimento. Sorri ao pensar em como Deus fez tudo perfeito, milimetricamente perfeito.
- Obrigada por me trazer aqui. – falei, me sentando na areia gelada. Ele sentou ao meu lado, passando o braço por volta do meu ombro e me puxando pra perto. Aconcheguei-me no abraço.
- Não é novidade pra ninguém que eu faço tudo que você quer.
- Obrigada por me agüentar.
- Não é novidade pra ninguém que eu te amo.
- Para de ser bobo – eu ri e ele beijou minha testa, rindo também.
- Não é novidade pra ninguém que... – o calei com um beijo, que o fez desequilibrar e cair deitado na areia, comigo por cima. Rimos, sem quebrar o beijo. – Casa comigo?
- Ah, cala a boca. – ri. Mas ao olhar no fundo daqueles globos penetrantes notei que não era brincadeira. Eu gostava do James, mas casar? Eu estava muito nova pra isso e... Eu não sabia o que dizer.
- Não precisa responder agora. – ele disse e era notável que estava sem graça. Dei um selinho nele, me levantando e voltando a posição sentada. Ele sentou também.
- Desculpa, foi tão surpresa, James. – eu tentei justificar. Ele sorriu, fofo – Estamos tão jovens...
- Eu espero. Você sabe que eu espero.
Gargalhei. É, eu bem sabia que James era mestre na arte de esperar. Me esperou por tanto tempo. Mas uma coisa me dava medo: o que ele esperava ele sempre conseguia e eu não sei se casar com James era uma coisa que EU queria.

- O que você está fazendo jogada de baixo desse cobertor?
Sem abrir os olhos tentei reconhecer aquela voz. A minha audição estava afetada pelo sono e tinha alguém tentando dialogar comigo. Como abrir os olhos está fora de cogitação, vou usar meu poderes de quem comeu o cu do vidente para descobrir quem é. Primeiro: só três pessoas tem a chave da minha casa (yeah, eu estou morando sozinha) e são essas: , e James. Segundo: James não gritaria comigo e sim, me beijaria. Ou seja: não é o meu namorado. Terceiro: pelo pouco que ouvi a voz é masculina, ou seja: descartada. Quarto: é o chute-no-ovo-esquerdo do .
- Bom dia pra você também, . – ainda de olhos fechados, o cumprimentei.
- LEVANTA! – minha coberta foi jogada no chão – AGORA! – meu travesseiro foi jogado no chão e antes que eu fosse jogada no chão, me levantei, cruzando os braços na frente do peito e pisando forte.
- Fala.- rolei os olhos – Quebrou a unha do dedo mindinho?
- Você abe que dia vai ser semana que vem?
- SEMANA QUE VEM? E por que você me acordou HOJE? – fiz uma tentativa frustrada de voltar pra cama, mas algo (vulgo ) se colocou na minha frente. – Certo, que dia é semana que vem?
- Aniversário da . – ele quase arrancou os cabelos. Ah, é mesmo. Aquela velha vai fazer vinte anos.
- Isso ainda não explica porque você invadiu minha casa e interrompeu meu sonho com Brad Pitt nas Ilhas Fij. – sibilei.
- Eu não comprei o presente.
- Eu tenho cara de vendedora da AVON? – me larguei na cama e o vi rir. Eu era grossa com ele e o otário ainda ria? Bati na cama, para que ele sentasse. Ele o fez e apertou minha bochecha.
- Você vai me ajudar?
- Você namora com a menina há três anos, . Pense - bati na cabeça dele e constatei que é oca.
- Por favor...
- Um livro, um CD. É o que ela gosta.
- Te amo.
- Não enche. – ralhei e ele beijou meu rosto e em seguida lambeu, me fazendo contorcer de nojo.
- Você pode ser bem nojento às vezes. – rimos.
- Vamos pro shopping. – ele comentou e eu bocejei – AGORA, .
Adoro ter opção de escolher se eu quero fazer alguma coisa. Simplesmente a-do-ro. Mesmo querendo socar cada milímetro da cara do , tomei um banho rápido e me vesti parecendo uma adolescente. All Star amarelo (que eu copiei do Tom), baby look branca com desenho do snop e uma calça jeans clara.
Pouco tempo depois estávamos dentro do carro sport do meu amigo e ele batucava incansavelmente no volante. Notavelmente nervoso. E não podia ser tudo culpa do presente, eu já tinha resolvido aquela parte. Tinha algo a mais o incomodando. Eu o conhecia a bastante tempo para saber todos os trejeitos dele.
- Algum problema?
- Preciso te contar uma coisa!
Falamos ao mesmo tempo e rimos, fracos. Meu sexto sentido nunca falha, pelo menos com ele.
- Me desculpa – ele meio que berrou e eu me assustei, virando o corpo para ele. encostou o carro na calçada e virou o corpo na minha direção, como eu havia feito. Ele segurou minha mão entre as suas – Promete que vai me perdoar? Eu cometi o mesmo erro de novo, mas de novo, foi só pra te proteger.
- Eu não ent...
- O ! – ele berrou de novo e me esmagou num abraço apertado. – Ele volta amanhã pra Londres e eu sabia! Eu sabia, ! Eu sabia e te escondi de novo, com medo.
- Amanhã é muito cedo. – balbuciei.
- Eu não tive coragem de te contar antes. Você estava tão feliz, tão de boa com sua vida. Eu não queria estragar sua vida.
- A culpa não é sua. – eu ri, sarcasticamente de mim mesma – É do , sempre dele. – Ainda lutando contra meu impulso de saltar do carro e me atirar da ponte mais próxima, tentei colocar meus pensamentos em ordem de importância. Porque era tão difícil? Porque tudo parecia tão importante agora? – Todo mundo já sabe?
- Só eu e os meninos. – ele suspirou – James sabe.
Por isso ele me pediu em casamento? Ele ainda tinha medo de me perder pro ? Que tipo de sentimento ele acha que eu ainda nutro pelo ? Eu odeio o , só ele não entendeu ainda? Aquele amor de adolescente não pode ter sobrevivido ao tempo e a distância, certo? Não, nada estava certo pra mim. Metade de mim tremia com medo do que aquela volta repentina mudaria na minha vida, a outra metade tremia de vontade de abraçá-lo, de poder sentir a pele dele de novo. Não. Eu não ia deixar o meu coração mandar em mim, eu não sou mais uma criança. Eu sei me controlar.
E o James? Ele não confiava em mim, era isso? Ele tinha medo que eu tivesse uma recaída pelo ? Eu queria bater nos dois agora, no e no James.
Ah, merda, o James não tem culpa de nada, ele só me ama. Eu não posso julgá-lo por isso. Eu estou com tanta raiva que quero espalha-la por aí.
- Você está bem?
- Na verdade, não. Eu não esperava por isso, eu já tinha me conformado que ele não voltaria mais...
- Se fosse há um tempo atrás?
- Eu seria boba o suficiente para ir esperar ele no aeroporto, com os braços abertos. – revelei e ele me abraçou de novo.
- Você me desculpa?
- Deixa de ser otário, . – ralhei.
- Eu estou com saudades dele – ele admitiu meio relutante.
- Eu também – falei antes de pensar e abriu um sorriso sapeca pra mim. – Não fui eu quem disse isso, . E caso você pense em dizer o contrário eu arranco seus ovos com minhas unhas e dou para o cachorro da vizinha brincar.
- Você pode ser muito nojenta às vezes, sabe? – ele fez careta.
- Você ainda não viu nada! – ri maleficamente e ele fingiu medo.

CAPÍTULO 16

- Qual livro, ?
- Eu ouvi falar muito bem desse – apontei ‘Dança dos sonhos’ de Nora Robert.
- Então eu vou levar esse mesmo. – ele sorriu contente e foi até o caixa, pagar.
- Se eu dissesse que o livro de culinária era bom, você levaria também? - ri, porque a primeira opinião que eu dei, ele aceitou.
- Claro. Eu confio no seu gosto e tenho preguiça de procurar – ele gargalhou – E fazer a aprender a cozinhar não seria nada mau.
Depois de darmos mais uma volta no shopping e de eu comprar umas roupas básicas, fomos sentar na praça de alimentação. Uma vaga memória me fez prender a respiração e trincar os dentes. Foi ali, naquela praça de alimentação que a três anos atrás eu ouvi a Miley dizer da tal festa que o foi. Que eu soube que a partir daquela noite ele não seria meu. E essas lembranças me fizeram voltar a realidade.
- Que horas?
- Quase nove. – respondeu, olhando seu relógio de pulso. Eu balancei a cabeça negando.
- Não, que horas o... seu amigo chega amanhã? – Pela primeira vez, falar o nome do foi complicado.
- De manhã. Eu vou buscá-lo no aeroporto. Quer ir comigo? – ele levantou uma sobrancelha, cinicamente.
- Eu só perguntei por perguntar. – rolei os olhos.
- ...
- Oi.
- Talvez eu não devesse te contar, mas... - ele passou a mão pelo rosto numa tentativa frustrada de esconder a inquietação – Tem mais uma coisa que você não sabe.
- Diga logo, – Mais um segredo? Eu não sabia se estava pronta pra agüentar tudo aquilo.
- teve um filho.
- ... ELE TEVE O QUÊ? – algumas pessoas que estavam próximas me encararam, me censurando. Meus olhos arregalados e minhas mãos fechadas em punho assustaram , que puxou sua cadeira pra mais perto de mim.
- Irresponsável, eu sei. – ele suspirou, passando a mão pelo meu cabelo – Mas ninguém pediu pra isso acontecer. – Não conseguia pronunciar nenhuma palavra. – Pra ele foi ainda mais difícil, . A mãe do filho dele, Natalie, morreu no parto e ele teve que cuidar do sozinho. A princípio os senhores ajudaram, mas chegou uma hora que decidiram que o filho estava grande demais e tinha que ter as próprias responsabilidades. É por isso que o está voltando. Ele quer criar o filho em Londres, e vai ter que fazer isso sozinho.
Aquela história não ia me comover. bem que merecia uma porrada da vida pra ver se crescia, pra ver se deixava de ser imaturo e irresponsável.
Mas um filho? Era muita responsabilidade e meu coração se apertou de pena. No fundo, ainda era meu amigo, certo? O melhor amigo que eu já tive e que sempre me apoiou. Eu não podia deixá-lo na mão quando ele mais precisava de ajuda. também não. Sem perceber, me peguei limpando uma lágrima solitária.
- Ele não vai encarar isso tudo sozinho, . – eu forcei um sorriso – Ele tem a gente.
- Você vai ser forte? – eu não entendi de início a pergunta – Eu sei, , que você ainda gosta do , e... Deixa eu terminar! – ele reclamou quando eu fiz menção de interromper – É verdade, você ainda gosta dele e não consegue negar nem pra você mesma. Vai conseguir ser forte? Forte o bastante pra querer ajudá-lo? Pra conseguir ficar perto dele? Pra ser amiga dele?
- Eu vou – minha voz falhou, e nem eu mesma acreditei muito no que disse.
- James não vai aceitar isso muito bem.
- Deixa que com ele eu me entendo. – cocei a cabeça – Ele também era amigo do , poxa. Ele não pode negar ajuda.
- Quer ir ao aeroporto?
- Não vou. – rolei os olhos de novo para aquela pergunta – Isso já é demais.

- AMANHÃ?
- Como o escondeu isso de mim? – perguntou incrédula.
- Como você está se sentindo? - eu não sabia como responder a essa pergunta de .
- Devagar. – respirei – É, amanhã. Não sei, mas o Tom, o e o James também sabiam, então foram todos ótimos atores. E eu não faço ideia. Eu esperei tanto por esse momento, quando ele voltasse... E agora eu quero que isso seja só um pesadelo e eu vou acordar com alguém me berrando, pra variar.
- Você vai ter que ser forte – me disse o que eu já sabia a long time ago.
- E não é só isso... Ele não vem sozinho. O teve um filho. – foi difícil ate para mim ouvir minha própria voz.
- Ele ta com uma esposa também?
- Não, . A mãe do filho dele morreu no parto e... Cara, a história é muito complicada.
- Você vai querer mesmo isso? Digo, essa aproximação? – usou seu tom materno.
- O era meu melhor amigo, ele me fazia bem. Eu não posso jogar tudo isso fora. Nós dois crescemos e não somos mais tão infantis como éramos a três anos atrás. Eu não vou virar as costas pra ele quando ele mais precisa de ajuda.
- Mesmo que isso vá acabar contigo? – e suas perguntas difíceis.
- Vocês sabem que eu não sou egoísta.
- E isso às vezes me irrita em você. – comentou, rindo.
- E o James? – tocou na ferida.
- Ele reagiu a isso muito bem – ironizei – Me pedindo em casamento. Antes, é claro, de eu saber que o ia voltar.
- JURA? – as duas fizeram coral. Mas só continuou – E você disse o quê? Vai dizer o quê, sei lá?
- Eu disse que precisava pensar. – soquei a mesa na qual eu estava apoiada e as duas pularam em resposta. – Porquê tudo tem que acontecer tão rápido?
- Dê tempo ao tempo. – filosofou (ou tentou, já que essa frase é do tempo que minha vó era gostosa).
- Vou indo pra casa, porque amanhã, colegas, o dia vai ser longo.
- Todas nós já vamos. – respondeu e pegou sua bolsa, resmungando sozinha – E o que se prepare para sofrer muito... Onde já se viu? Esconder as coisas de mim assim? Como se eu fosse qualquer uma? Ah, não! Ele vai aprender uma lição... Oh, se vai.

Cheguei em casa e dormi. Assim, sem mais nem menos. Me joguei na cama, de roupa, de sapato, de maquiagem, de cabelo preso. Assim, de boa. Uma boa noite de sono, isso sim. Era o que meu corpo pedia. Aliás, implorava.
[bip bip]
Puxei meu celular em cima do criado-mudo e vi que tinha uma mensagem. Apertei os olhos para ler, por conta da claridade do sol que já instigava na minha janela.

xx
Acabei de pegar o no aeroporto. Tenho que dizer, o é a coisa mais fofa do mundo. Te contei que eles vão morar lá em casa? Não, né? Então já fique sabendo. Se quiser passar por lá mais tarde, fique a vontade.

xx


Que paciência de escrever quase um livro por mensagem, . Rosnei e nem sei bem o porquê. Acho que todas essas mudanças afloraram meu instinto selgavem. Eu queria ver o mas meu coração lutava contra essa ideia. Eu sabia que não ia ter coragem de simplesmente chegar lá na casa do sorrindo e dizer ‘Oi, , como foi a viagem?’ como os bons amigos devem fazer. Alguém tem que ir comigo e quem melhor que ? Assim ela poderia bater bastante no enquanto eu socializava com e seu filho. Oh, seu filho. Eu não sou capaz de odiar uma criança inocente, mas... Se o tivesse ficado aqui em Londres, ele seria o meu filho? É, foi melhor o ter ido, eu não queria chegar aos vinte anos, já mãe. Sem contar que a criança já deve ser meio grandinha. Aw, não mesmo. Estou bem sem filhos e solt... Namorando. Por um momento esqueci completamente da coisa loira e sorridente que eu chamo de ‘amor’. Primeiro vou ligar pra , depois mantenho algum contato com ele.
- ?
- Oi, . – voz de sono? A essa hora? No way.
- Vou te pedir uma coisa e não aceito ‘não’ como resposta – ela fungou – Vamos na casa do seu namorado depois do almoço? Ah, obrigada amiga, te pego uma hora, beijos.
Desliguei. Claro, vai que ela está de TPM e me manda tomar num lugar feio? É melhor agir assim, sempre.

CAPÍTULO 17

E sim, uma hora da tarde eu estava buzinando em frente a casa grande de , que ela ainda dividia com os pais, para que ela descesse logo. E ela veio, com um sorriso nos lábios, totalmente o oposto do que eu achei que ia encontrar. Sorte a minha.
- Vamos? – um sorriso maléfico brotou em seu rosto – Não vejo a hora de ver meu ‘amor’.
Claro, aquela alegria não podia ser pelo fato de estar ajudando uma amiga. Tinha um plano maquiavélico por trás de tudo.
- As vezes tenho muito medo de você. – dei risada – Ainda bem que sou sua amiga.
Não era longe, e em pouco tempo estávamos paradas em frente ao condomínio bonito, verde, com muitas árvores e flores.
- Você quer mesmo que eu te carregue até lá em cima? – ela perguntou rolando os olhos e só então percebi que ficamos ali, encarando a construção por algum tempo. Respirei fundo e saí do carro, ela sorriu e fez o mesmo.
- Medo.
- Eu estou aqui, me dê a mão. – ela a apertou forte, me passando confiança. Entramos no elevador e dei uma ajeitadinha no cabelo, me olhando no espelho.
O elevador parou e nós saímos, parando na porta rústica e linda de madeira bruta, onde tinha cravado o nº 704.
- Pai, to com fome. – uma voz de criança pode ser ouvida e eu escondi meu rosto entre as mãos. tocou meu ombro.
- Calma.
Eu chorei. Não, não me pergunte o porquê, mas uma vontade de chorar gritou dentro de mim, e eu a obedeci. Minha amiga me pediu pra ter calma mais algumas vezes. Ela apertou a campanhia e eu gritei mudamente ‘não’. Uns passos e a porta de abriu. nos olhava com um sorriso nervoso no rosto e não abriu a porta por completo. se adiantou, beijando seus lábios, docemente. E cadê o plano maléfico?
- Ta pronta pra entrar? – ele mordeu os lábios, e se eu não tivesse a ponto de um ataque do coração diria que ele estava mais nervoso que eu.
- Sim. – essa não foi minha voz. Ah claro, respondeu por mim e me arrastou casa adentro. Ela ainda segurava a minha mão e deu um pequeno aperto de incentivo.
A cena que veio a seguir foi... Foi por um momento o que eu sempre sonhei ver. Foi por outro lado, como uma bala de prata no meu coração. Não que eu seja uma lobi-mulher, mas acho que deve doer mais. estava sentado no chão, com as costas encostadas no sofá. Ele tinha um prato azul no seu colo e a sua frente um garoto, que devia ter dois anos no máximo e... Era a cópia perfeita do pai. Eu não quis acreditar por um momento que ele tivesse mãe, ele não tinha nada, absolutamente NADA que não fosse igual ao . Os olhos, o nariz, a boca, o jeito do cabelo. Se ele tinha, ela não participou na hora da troca de material genético. virou o rosto pro lado quando ouviu o barulho que fizemos ao entrar e eu pude notar um sorriso discreto nos seus lábios. Ele não tinha mudado nada.
Aliás, tinha sim. Estava ainda mais bonito.
- – meu nome pronunciado pela voz dele me fez prender a respiração. – .
- Oi, – eu respondi tão naturalmente que pensei que tivesse sido .
- Olá. – agora sim, ela disse.
- , essas são minhas amigas também. – ele apontou nós pra duas e nos olhou, com os mesmos olhos azuis do pai. E aquela vontade de chorar me veio de novo, mas eu controlei.
- Oi tias. – a voz suave da criança me fez andar alguns passos em sua direção. Parei ao seu lado e me agachei. Toquei sua bochecha macia e ai fudeu tudo, umas lágrimas escorreram pelo meu rosto – Não ‘chola', tia. – ele pediu, passando a mãozinha na minha face e se virou para o pai – O que eu fiz de ‘elado', papai?
- Nada, – eu respondi primeiro – Você é lindo e...
- Ela só está emocionada em te conhecer... - impressão minha ou acabou de limpar uma lágrima solitária no canto do olho esquerdo?
deu de ombros e voltou a se concentrar na comida.
- Eu não esperava que você viesse tão rápido.
- Eu realmente não esperava vir tão rápido – confirmei – Na verdade eu não esperava vir em momento algum, mas nossos anos de amizade falaram mais alto que meu orgulho.
- Isso foi muito importante pra mim. – ele sorriu. Olhei em volta e e tinham sumido – Eu quero poder ter a chance de te explicar tudo que aconteceu, um dia.
- Não é realmente necessário. – a simples lembrança daquele dia me deixava revoltada – O já fez isso e eu acreditei nele.
- E não acreditou em mim, na época.
- Foi tudo muito rápido. – balancei a cabeça – Mas eu não guardo mágoas.
Não era totalmente verdade, porque sim, ainda tinha um pouco de mágoa dentro de mim. Mágoa por ele ter ido naquela maldita festa, mágoa por ele ter ido embora. Mesmo eu sabendo que ele não tinha outra opção. Mágoa. Mas eu não queria deixar transparecer, eu queria ficar bem com ele.
- Obrigado.
- O é... você. – ri fraco e ele fez o mesmo.
- Eu acho que só me mantive firme esse tempo todo por ele. Você não tem ideia de quantas vezes eu pensei em desistir...
- Desistir de quê?
- Da vida. – uma sombra passou pelos olhos dele e não contive uma exclamação de horror.
- ! Nunca mais diga isso, ouviu bem?
- Você ainda se preocupa comigo? Então nem tudo está perdido? Eu ainda tenho uma chance contigo?
- Não. – foi quase um grito e nos olhou intrigado. Eu abaixei o tom de voz – Não, . Nós somos amigos, como antes.
- Você disse que não guardava mágoas... - ele fez bico e eu quase perdi o auto-controle.
- Você deve saber que eu tenho namorado, certo? – ele afirmou com a cabeça – Eu estou muito bem com ele, obrigada.
- O James conseguiu te roubar de mim, no final. – ele tirou o prato do seu colo e levantou, eu fiz o mesmo e juntou as sobrancelhas... Igualzinho a alguém que eu conheço.
- Ele não roubou ninguém, apenas permaneceu ao meu lado quando eu caí – eu ia começar uma discussão mas calei.
- Eu posso te abraçar? Eu queria...
- Cala a boca, ! – eu ri e me joguei nos braços dele, que me envolveram pela cintura e apertaram fortemente. O coração dele batia no mesmo ritmo que o meu e isso me trouxe lembranças passadas. Pela terceira vez no dia, uma vontade de chorar incontrolável me atingiu e eu me deixei levar por ela, molhando a camisa verde dele. Quando ele notou meu choro, apenas me apertou mais no abraço. O choro veio com tanta intensidade que cheguei a soluçar. E apenas me abraçava.
- Me desculpa – o ouvi sussurrar no meu ouvido – Eu não quis te fazer sofrer em momento algum.
- Eu... Você ainda é meu – sorri, mesmo sabendo que ele não poderia ver – Meu melhor amigo, sempre.
- HEY, EU OUVI ISSO – a voz do ecoou, vindo certamente do quarto. Nós nos separamos rindo.
- VEM CÁ – gritei para ele, que veio com a cara emburrada e com rindo ao seu lado – Você queria que eu recebesse o dizendo ‘Você é o meu segundo melhor amigo’? - fiz uma voz fina – Calma, , isso tudo era uma estratégia para ele se sentir bem vindo. Você é o melhor amigo.
Rolei os olhos e rimos.
- Ótimo, porque não tenho intenção nenhuma de ser só o melhor amigo – sorriu marotamente. soltou um ‘uuh’, algo tipo ‘Esse é o meu garoto’ e eu me fingi de surda.

- Acho melhor eu ir – me estiquei no sofá, ouvindo um ‘crac’ sair das minhas costas. É, estou ficando velha. se ajeitou ao meu lado, e me encarou com os olhos brilhando.
- Fica, tia. – virei o rosto para , e ele apenas sorriu. e fizeram um som estranho com a boca.
- Eu realmente não posso, . – levantei e ele segurou minha perna esquerda. – Eu vou pra faculdade amanhã de manhã.
- o chamou – A gente busca a na faculdade depois, ok?
Eu abri a boca pra negar, mas foi mais rápido me deixando sem saída.
- Tudo bem, pai. – ele sorriu – Eu gostei muito de você, tia.
Beijei o topo da sua cabeça e lancei um sorriso tímido aos outros três.
Até o meu carro minha cabeça não parou de trabalhar (e tentar me enlouquecer) um segundo. Emoção demais pra um dia qualquer. era a criança mais linda e adorável do mundo, o pai dele foi o meu primeiro/único amor, e aquilo de certa forma ainda mexia comigo. Se eu pudesse fugir pra qualquer outro lugar, eu ia. Ia sem pensar duas vezes. Eu não queria morrer louca, mas enlouquecer seria o meu futuro próximo se algo não mudasse na minha vida conturbada.
[triiim triiim] Meu celular, oh shit.
- Alô? – atendi, sem olhar o nome no visor antes.
- ? Onde você esteve? Eu te procurei tanto! – a voz firme de James me indagou e por um instante meu coração gelou. Entrei no carro e encostei minha cabeça no apoio do banco, enfiando a chave na ignição.
- Ja-James? – minha voz saiu trêmula e eu tive que me recompor – Oi amor... Eu vim na... na casa do ...
- Ah claro, eu já devia imaginar – ouvi ele soltar um palavrão baixinho e soltar o ar pesadamente – Com o , certo?
Eu não queria mentir pra ele, eu teria que contar. E já que ele sabia tudo ia ser muito mais fácil. Pelo menos era o que eu achava. Tão inocente.
- Isso, ele chegou hoje de viagem e eu...
- E você não perdeu tempo, não é mesmo? – outro palavrão, mas dessa vez bem mais sonoro – , por que você simplesmente não conseguiu esquecê-lo nesses três anos? Eu não fui bom o suficiente? É isso?
- James, a gente bem que podia ter essa conversa pessoalmente, certo? – senti uma lágrima queimar meu rosto – Eu vou dirigir agora.
- Posso te pegar na faculdade amanhã?
- Não. – porra, caralho, fudeu e mais todos os palavrões que o me ensinou – Eu vou ter um compromisso. Mas a noite, ok?
- De noite eu passo na sua casa. – silêncio mortal. Eu sabia que o James estava magoado, e eu sabia também que ele não merecia isso. O que fazer? – ... Eu te amo.
- Eu também, James. – meu coração deu um nó e desligamos os celulares.

Encostei na parede ao lado da universidade e joguei a cabeça pra trás. tinha ligado, dizendo que já estava chegando, mas até agora nada. Odeio esperar, fico com um humor péssimo. E ele, ah, ele sabe disso. sabe coisas demais sobre mim e isso é meio estranho. Não era estranho antes, era absolutamente normal. Dois melhores amigos que se conhecem como ninguém. Hoje nós não somos melhores amigos, sequer sei se vamos conseguir ser bons amigos. Uma parte de mim aprova muito essa amizade, acha que vai ser bom pra mim. Outra parte de mim grita que isso nunca vai dar certo, que os fantasmas no passado vão nos assombrar muito.
[Bi-Bi] Um carro prata parou bem na minha frente e o motorista (belo, por sinal) abaixou o vidro.
- Vamos? – , o motorista, sorriu e me indicou a porta. Abri e entrei sorrindo pra ele. Olhei para o banco traseiro e arregalei levemente os olhos.
- Cadê o ? – coçou a cabeça, parecendo tímido.
- Eu achei que a gente merecia um tempo particular.
- Eu não sei... se é... - Merda, eu estou realmente me atrapalhando com as palavras? – Se é uma... uma boa ideia.
- Vamos lá, – ele abriu o melhor sorriso – Relembrar o passado.
Ok, quando ele falou em relembrar o passado não soube dizer a especificamente QUAL dos nossos passados seria. A de melhores amigos ou o de quase-namorados? Tremi com esse pensamento aflorando dentro de mim.
- E aonde vamos?
- Eu queria te levar no bosque... Você ainda lembra dele? – fiz que sim com a cabeça e ele continuou – Mas pensei melhor e descobri que não era uma boa ideia.
- Por que?
- Não sei – ele riu – Achei que você não ia querer voltar lá, comigo. – ele frisou a ultima palavra.
- Eu quero – pedi, porque se a gente ia tentar uma amizade, que tal envolver um passado feliz nisso. Eu fui feliz lá. Ele apenas concordou com a cabeça em silêncio. Como sempre, o caminho não foi muito longo e nós nos mantivemos ouvindo a rádio local. Ele estacionou seu carro na copa da árvore mais alta e saiu. Fiz o mesmo, tirando meu sapato e jogando-o no carro. se apressou para ficar ao meu lado e fez menção de pegar minha mão, mas eu a afastei, colocando-a no cabelo, sem querer parecer indelicada.
- Com quem o ficou? – sentei na grama bem verde e cheirosa.
- Com o sentou ao meu lado, jogando a cabeça pra trás. – Ele tem jeito com criança... Mas deixa o fazer tudo que quer.
Bem a cara do mesmo, ceder a todas as vontades dos .
- Olha aquela nuvem! – apontei no céu e olhou na direção que meu dedo apontava.
- Parece um pato. – ele conseguiu ver o mesmo desenho que eu. – E aquela? Você vê o quê?
- Um ursinho. – riu.
- Pra mim era um dinossauro.
- Não mesmo, . Um ursinho!
- Olha, – ele franziu a testa – Aquela parece um coração...
- Partido... - completei e franzi a testa, o imitando. – Nunca tinha visto nuvens assim.
- Talvez seja um sinal dos céus. – ele se deixou deitar na grama e puxou meu braço, que acabou cedendo, me fazendo deitar ao seu lado.
- Que tipo de sinal?
- Me mostrando que eu parti seu coração e que devia pedir desculpas e tentar reparar meus erros.
- Você não foi o único culpado do que aconteceu... Não fique se martirizando. – tem um nó na minha garganta, como faço?
- Eu passei minha vida toda tentando te proteger de tudo e de todos, para que ninguém te fizesse sofrer... - ele segurou minha mão, sem nenhum empecilho dessa vez – E no final não serviu de nada, porque eu fui o otário que te magoou.
- , por favor... - choraminguei. Eu não queria ouvir aquela história de novo.
- Te troquei por uma festa boba, só por causa do meu status e depois fui para a América. – ele socou a grama com a outra mão – Eu devia ter ficado.
- Você não podia...
- Mas devia, . – ele virou o rosto para mim e eu fiz o mesmo – E lá eu só fiz bobagem da minha vida. Não sei se o te contou, mas eu me envolvi com drogas. – minha cara de espanto e medo devem ter feito ele contrair os músculos do rosto – Mas eu me recuperei, não foi nada irreversível. Fiquei internado quatro meses numa clínica de reabilitação. Quando saí, me envolvi com a mãe do . Mas ela era novinha, . A gravidez foi de risco, muito complicada. Eu? Eu não estava ao lado dela quando ela passava mal e tinha que ir pro hospital. Não... Eu estava em um bar qualquer, enchendo o sangue de álcool e me maltratando por não ter sido forte e ter ficado em Londres com quem eu amava.
chorava e limpava suas lágrimas na manga da camisa. Eu chorava, mas permanecia imóvel. ? Drogas? Bebidas? Filho? Era um outro . Não era o MEU, não o que eu conhecia tão bem.
- Natalie morreu durante o parto. Você tem noção do choque que foi pra mim? Eu não a amava, . Sequer sentia alguma coisa por ela, mas eu ia ter que criar um filho sozinho. A família dela deposita dinheiro para ele todo mês e quando souberam que eu ia voltar pra Londres tentaram tomar o de mim na justiça. Mas meu pai é bem conceituado e claro, isso não aconteceu. Meus pais... eles me ajudaram no início, mas certo dia a Senhora me olhou no olhos e disse ‘Ta na hora de encarar a vida como homem. A partir da semana que vem quero você fora da minha casa, com seu filho’. Eu não sabia o que fazer... Ia morar onde com ? Debaixo de alguma ponte norte-americana? Resolvi voltar. Meus pais também me mandam alguma quantia de dinheiro, não me deixando totalmente na mão. Eu to vivendo disso, mas sei que não vai durar pra sempre. Eu preciso assumir minha vida, como homem, como diz minha mãe. E eu não posso fazer isso sem você.
- Eu tenho o James, – minhas lágrimas insistiam em molhar minha camiseta, mas eu não podia fazer nada. – Foi ele quem esteve ao meu lado o tempo todo, até quando eu chorava por você. Foi ele quem... me pediu em casamento.
- ELE O QUÊ? – levantou de supetão e me encarou aturdido – VOCÊ NÃO PODE ACEITAR.
- Pare de gritar, pare... - eu pedi, me levantando e batendo a terra da minha bunda – Eu ainda não aceitei.
- E nem vai – ele me prensou contra o próprio corpo, num abraço esmagador e me faltou ar por alguns instantes. – Não sem antes me dar uma chance de te mostrar que eu posso ser o melhor pra você.
- Você teve a chance, infelizmente não deu certo.
- Foi o destino, – ele se controlou pra não berrar – Foi a PORCARIA do destino que se meteu, mas eu juro que dessa vez nem o destino vai conseguir atrapalhar a gente.
Me soltei do abraço dele com certa dificuldade e falei as palavras que mais me doeram dizer (e mentir) na vida.
- , eu só quero ser sua amiga.
- Eu... - ele arregalou os olhos por poucos segundos e depois voltou ao seu jeito normal – Eu vou aceitar isso, porque eu não vou conseguir ficar longe de você. Mas isso é uma aceitação momentânea.
Revirei os olhos e soquei seu braço, fazendo rir e me segurar pela cintura, me rodopiando algumas vezes antes de me soltar, e eu cair no chão, tonta, com ele ao meu lado. Estávamos gargalhando. Nem parecia que alguns minutos atrás estávamos numa situação crítica.
- Ok, agora preciso ir pra casa. – parei, tomando fôlego – Vamos?
- Tudo bem, senhora! – ele bateu continência e foi em deixar em casa.

CAPÍTULO 18

- CHEGUEI – a voz rouca do James invadiu o apartamento e logo depois a batida da porta da sala. Fechei o notebook e o deixei em cima da cama, caminhando lentamente pra sala. – Oi, .
- Oi, Jam – sorri, tentando parecer a mesma de sempre. Em vão, claro. James me conhecia demais. – Assistir um filme? Jantar? Pizza?
- Não, só conversar mesmo, pequena. – ele me cortou. Se ele me chamou de pequena é porque as coisas não estão tão ruins assim, né?
- Eu sei o motivo.
- Então como você vai fazer? – como sempre, direto.
- Eu estou com você, não estou? – segurei na mão gelada dele. Eu não podia machucar o James, que sempre esteve comigo. Nem mesmo pelo – E é assim que vou continuar.
- Eu não quero estragar sua vida, .
- Então não saia dela. Como ele fez.
Os braços dele me puxaram para o melhor abraço do mundo, e descansei minha cabeça em seu ombro, molhando sua blusa com minhas inúteis lágrimas. Não sei quanto tempo ficamos ali, só ouvindo nossas descompassadas respirações. Com James eu tinha uma vida simples, calma, daquela que eu sempre sonhei. Então alguém me explica por que eu não me sinto cem por cento feliz? Na verdade, eu não precisava que ninguém me dissesse nada, porque eu sabia bem a resposta, mas se era complicado admitir isso pra mim mesmo imagina pro resto do mundo? Aquela história além de complicada me dava medo. Medo, porque nem o tempo nem a distância, nem o oceano conseguiram tirar aquela paixão doentia de dentro de mim. Aquele alguém que eu conheci banguela, chupando o dedo do pé e puxando minhas trancinhas.
- Quer que eu te leve pro quarto?
- Vem comigo.
Dormimos abraçados, sentindo os corações baterem, as respirações falharem, os músculos se contraírem.

Oi, despertador. Tchau, despertador. Arremessei-o contra a parede e observei a molinha de dentro dele sair pulando pelo quarto. Não sei porque, mas isso me fez sentir feliz. Faculdade, estou indo. Opa, cadê o James? Ele dormiu aqui, eu lembro, então cadê aquele projeto de gambá? Hu, tem um papelzinho grudado no espelho.
‘Tive que sair cedo, o trabalho me chama. Amo você, Jam.’
Ótimo, menos uma coisa para eu me preocupar. Levantei, tomei meu banho rápido, coloquei uma roupa simples e prendi o cabelo num rabo-de-cavalo alto, com a franja caída de lado. Maquiagem só para esconder as olheiras.
A manhã passou se arrastando, não sei porque. Talvez porque eu queria fugir da faculdade, talvez porque eu queria encontrar com alguém quando eu saísse dali.
- ! – uma voz conhecida chegou aos meus ouvidos suavemente e eu virei a cabeça, me deparando com uma pessoa que eu não via fazia algum tempo.
- ? – levantei uma sobrancelha e abri os braços para que ela se aproximasse. Nos abraçamos por algum tempo, caladas. – Onde você andou?
- Fui fazer um intercâmbio na França, mas agora estou de volta. – ela sorriu, e nos separamos – Eu não imaginei que seria tão fácil te encontrar.
- Podemos sair por esses dias, e eu chamo o resto da turma? – dei a ideia e os olhinhos dela brilharam.
- Vai ser tão bom ver o ... – ela ficou com o rosto rosado – Eu fui embora alguns meses depois que terminamos, e nunca mais mantivemos contato.
- Ele só me contou que vocês tinham acabado, mas acho que ele não sabia que você tinha ido embora...
- As vezes a gente tem que deixar tudo que amamos para trás e ir embora. – fomos andando pra fora da universidade – Mas o inevitável é que a gente volta.
- voltou. – eu deixei escapar e ela abriu o sorriso mais espontâneo que eu já tinha visto.
- E vocês estão juntos?
- Não, eu ainda estou com o James – ela fez uma carinha triste.
- Não sei porque, mas algo me diz que seu coração não pertence ao Jam... – ela sorriu marota e eu apenas confirmei com a cabeça.
- , posso saber por que a senhorita não atende mais o celular? – Uma realmente furiosa aparatou na minha frente – Você é uma vaca do pasto mais podre do mun... ?
Contente, por ela ter parado de me xingar, observei as duas se abraçarem e comentarem como estavam bonitas e contar por onde esteve.
Fomos almoçar juntas e colocar os papos em dia. Me senti uma adolescente de novo, e isso foi... bom.

Cheguei em casa exausta e a cena que eu vi me fez recuperar as energias.
- Boa noite, . – , largadão no meu sofá, com um saco de pipocas no colo, me cumprimentou. , deitada no chão, com outro saco de pipoca, acenou.
No outro sofá, tinha no colo, e este quando me viu, veio correndo abraçar minhas pernas.
- Boa noite, tia – abaixei e beijei seu rosto – Sua casa é bem bonita.
- Obrigada, – baguncei seu cabelo – Boa noite, invasores.
- Essa pipoca de microondas que você compra é a melhor. – riu da minha cara incrédula.
- . – só isso. Só isso. disse só isso.
- Eu vou tomar um banho – anunciei, já indo pro quarto – SINTAM-SE EM CASA.
Irônica. Eles invadem minha casa assim de boa mesmo?
Banho tomado, roupa colocada, cheirosa. Pronto, já posso ir na sala.
- Pronto, fãs. – sorri, mas logo fechei a cara. Só tinha na sala. Cadê o resto? Não que eu esteja chamando o resto de resto... Bom, estou sim. Mas isso não importa agora, o que importa é que eles não estão na sala e eu não quero ficar sozinha com o . Eu quero sim. Eu não quer não. Cala a boca!
- Oi, . – para de sorrir com todos os dentes, foi levar a pra jantar. Ela disse que sua pipoca era gostosa, mas não alimentava.
- E o ?
- Estava com fome e resolveu ir também – ele deu de ombros. Algo naquela história não me cheirava bem, e nem era os pés de em cima da mesinha de centro.
- Ok. – murmurei. Sabe o que daria bem errado? James aparecer aqui em casa agora e me ver sozinha com o seu rival. Isso realmente seria muito mau. Ele ia me agarrar pelo pescoço, apertar até a minha pessoa ficar sem ar, ficar roxa e desmaiar. Aí ele me soltaria e socaria a cara do , até que ele ficasse com o olho vermelho de sangue. Aí ele me esperaria acordar e pegaria aquela faca de serra que está na primeira gaveta da cozinha e enfiaria na minha barriga e depois tiraria, vendo o sangue escorrer. Aí ele cortaria o ‘amiguinho’ do e levaria pro cachorro dele comer mais tarde. Ele iria embora e nos deixaria aqui, sangrando até a morte. Exagero? Você não conhecem o James raivoso, ele...
- Vai ficar nesse silêncio mesmo? – cortou meu pensamento e eu sorri sem graça pra ele.
- Foi mal, eu estava pensando...
- Não pense muito, não. Te prejudica – eu ia levantar e socar a cara dele, mas ele levantou primeiro e sentou ao meu lado – Vamos agir.
- . – o repreendi e ele deu um sorriso sapeca.
- Você só pensa besteira, . – eu só penso besteira? Ele dá esse sorriso pervertido e eu penso besteira? – Não que eu não queira ‘agir’ dessa forma com você, mas acho que se eu propor isso você me bate, então...
- Bato mesmo – falei, querendo parecer brava, mas tava louca pra agir com ele. Oi? Não fui eu que disse isso, sério.
- Então – ele continuou – Vamos cozinhar alguma coisa, porque eu to com fome.
- E por que não foi jantar com os outros? – revirei os olhos, mas levantei, seguindo pra cozinha.
- Porque eu queria ficar sozinho contigo – ele disse como se fosse a coisa mais natural do mundo e por pouco eu não tropeçava nos meus próprios pés.
- Ah, claro – rolei os olhos de novo. – E o que vamos cozinhar?
- Eu falei ‘vamos’? – ele levantou uma sobrancelha e eu afirmei com a cabeça – Não, eu errei. Eu vou cozinhar e você vai provar.
- Er, não me leve a mal... Mas você sabe cozinhar alguma coisa que não seja miojo?
- Os tempos mudam, minha cara – ele me rodopiou e me fez sentar no balcão. – Hoje vai ser o melhor jantar da sua vida. E não é só pela companhia.
Ele piscou e eu tive que rir. Really, se dependesse da companhia já seria o melhor de... , cala a merda da boca.
Depois de muita panela suja, muito molho no chão, muito melado e muitas risadas minha, o jantar ficou pronto. Sentamos à mesa e , agora limpo, me olhou nos olhos, de um jeito bem sério.
- Eu estava te devendo um jantar.
- Hu – gemi baixinho. Eu não gostava de lembrar daquela merda de noite – Já superei.
Lies, Lies, Lies.
- Eu não – ele deu um gole no vinho tinto – Nunca me perdoarei por ter sido imaturo, idiota e por ter te feito sofrer.
- A comida está ótima – elogiei pra fugir do assunto. Mas de verdade, tava ótima mesmo. Ele soltou o ar com força, pela boca.
- Legal, você tem o direito de não querer conversar. – ele voltou a comer e agora parecia muito interessado em me ignorar.
- , você sempre foi o cara perfeito pra mim. – eu senti vontade contar a verdade a ele, talvez isso o fizesse sentir menos culpa – Desde... desde sempre. Em todos os momentos que eu idealizava alguém, ele tinha seus olhos, sua boca, seu nariz, seu jeito, sua voz, seu sorriso, seu modo de chorar.
- Por que você está com o James então?
- Porque é isso o que acontece quando a vida tira o que mais amamos. Nós encontramos outras pessoas. E por mais que essas novas pessoas não sejam um centésimo do que a pessoa que amamos foi, nós temos que aceitá-las.
- Uma coisa que eu acho linda, , sabe o que é? – neguei com a cabeça – Eu sei que eu nunca, em momento algum da minha vida fui perfeito, fui o melhor. Mas com você, eu podia ser até o pior que você ia entender, ia estar ao meu lado. E eu chamo isso de amor, você querendo ou não.
- Você tem razão. – eu baixei os olhos, empurrando o prato pra longe – Mas o amor não soluciona todas as coisas.
- Você está sem razão. – ele tocou meu queixo, me fazendo olhar pra ele – O amor é a única coisa capaz de solucionar tudo. Eu posso te provar.
- Eu não... eu... Caramba, ! Para de complicar tudo – minha voz saiu pouco mais alta que um sussurro.
- Eu quero descomplicar, mas você fica pondo barreira onde não tem.
- Onde não tem? – agora sim minha voz saiu realmente alta – Em primeiro lugar tem o James. Eu não quero fazer o MEU James sofrer, porque eu sei o quanto dói. Em segundo lugar, , tem a confiança. Essa eu já perdi em você faz tempo. Quem me garante que você vai aparecer no dia do nosso casamento? Você pode muito bem ir a uma festa de despedida e ficar por lá mesmo.
- Para de ser louca, dude. – ele se levantou, para ficar de frente pra mim que, não me pergunte como, já estava de pé. – Eu amo você.
- Só de amor que você sabe falar?
- Só o amor que importa nessa vida, você não é MESMO capaz de entender? – abaixei os olhos, um pouco tonta com aquela discussão fora de hora, e voltei a encarar o rosto branco e nervoso dele – Você não é a minha . A que eu conheci, a que eu me apaixonei não era fria, ela sabia o que é amor. Ela me amou.
- Eu te amo, ! – como se eu fosse uma louca, berrei e o segurei pelos ombros. Nossas respirações falhas se encontravam e ele me olhava com o semblante tenso, porém um sorriso brincava no canto de seus lábios. – Mas eu não escuto mais o que o amor fala. Você tem razão quando diz que eu sou fria, sou mesmo. Mas eu não fiquei assim porque eu quis, a razão disso tudo você sabe muito bem qual é. Então não tenta inverter o jogo e me fazer sentir culpada porque não vai dar certo.
- Eu não quero te fazer se sentir culpada, . – ele disse tão serenamente que eu soltei seus ombros – Eu sei muito bem que eu sou o culpado de tudo, então não coloque palavras na minha boca. Eu apenas quero que você entenda que eu te amo, e eu mudei por esse amor. Eu estou aqui, todos os dias, me humilhando para ter você de volta. Se isso não é amor, me diz que porra é então?
- Eu não quero que você me ame. – neguei aquele amor, que por tantas noites chorei, rezando para ter. Neguei, mentindo com todas as minhas forças. Eu não podia simplesmente aceitar – Eu quero que você seja muito feliz, mas comigo... não.
- Então esse seu desejo não vai se tornar real. Porque eu só sou capaz de ser feliz com você.
- Vai embora, por favor. – apontei a porta de casa, com uma dor no coração que me fazia parar de respirar.
- Se eu fiquei aqui esse tempo todo, é porque não quero te perder, e continuo tentando provar que esse sentimento nunca deixou de existir e que é verdadeiro. – Ele disse, virando as costas pra mim e saindo pela porta.
Deixando seu cheiro em minha casa.

CAPÍTULO 19

- , você está me deixando realmente irritado com isso. – ouvi dizer e virei o rosto para ele.
- Desculpa. – A verdade é que eu não estava conseguindo me concentrar em uma só frase que ele dizia. Estávamos no jantar de boas-vindas para , sentados no sofá, na imensa varanda do quarto do , mas meu cérebro estava em outro lugar. Talvez num abismo, pronto pra se jogar e se ver livre de todo aquele bafafá. ria e brincava com todos normalmente, e até James já estava socializando com ele de novo. Como nos velhos tempos. Ele havia sorrido pra mim algumas vezes como se há dois dias atrás nós não tivéssemos tido nenhuma discursão. Depois eu que sou a fria.
- Vamos à cozinha comigo, ? – foi me puxando pela mão, sem esperar por ma resposta. Entramos no enorme lugar branco e ela parou, encostando na bancada principal - O que aconteceu?
- Oi?
- ‘Oi’ é o caralho, . – ela passou a mão pelo cabelo, jogando algumas mexas pra trás - Você pode enganar qualquer um, mas a mim? Que clima é esse?
- Ok, não consigo esconder nada de você mesmo – rolei os olhos – e eu brigamos quando ele foi lá em casa. Eu disse que não queria mais saber dele e ele disse que não ia desistir.
- Você sabe que não vai resistir por muito tempo né?
- Eu vou – tentei ser firme, mas o máximo que consegui foi ser tosca – Pelo James.
- Ah, o James que vá pro inferno – ela falou meio alto, olhou em volta e tapou a boca, rindo. – O é um otário que te fez sofrer, mas você o ama. Deixa de ser boba.
- Ok, vamos voltar pra lá, porque essa conversa não tem futuro. – brinquei e nós voltamos para a companhia dos outros. Chegando na varanda vi a seguinte cena: e se beijavam calorosamente, enquanto tentava distrair com algumas brincadeiras bobas. e trocavam olhares significativos com meios sorrisos e Tom e James comiam. Tom só sabe comer, depois fica gordo e vai perder calorias na cama com . Oi? Quem disse isso?
- Eu acho que a e o ainda se pegam hoje – cochichou pra mim e eu dei um sorrisinho sapeca. – Podemos dar uma forcinha?
- Como?
- Um joguinho legal – ela sorriu maliciosa e eu arregalei os olhos.
- está aqui, sua assanhada.
- Daqui a pouco ele dorme e a gente propõe uma brincadeira.
- Verdade ou conseqüência? – rolei os olhos. Quer brincadeira mais imbecil e infantil?
- Exatamente. – ele bateu palminhas discretas e foi sentar com o Tom para comer. Depois vão queimar calorias... E sim, bem o tipo de brincadeira que ela quer. Eu tenho uma amiga tão imbecil que chega a dar náuseas. Se nessa brincadeira sobrar pra mim eu juro que arranco os ovários dela.
- Vem aqui, amor – James me chamou com a mão, fazendo biquinho.
- To indo, gambá lindo – beijei a testa dele e me sentei no seu colo, comendo um pouco. Depois eu utilizo a técnica de emagrecer da . Muáháhá.
- , onde posso colocar o ? – perguntou, já levantando com em seu colo. olhou pra mim, com o rosto transpirando safadeza.
o acompanhou até um quarto e depois voltaram, já sem .
- Quero brincar de verdade ou conseqüência, quem vai? – ela gritou sem dar tempo de ninguém entender. Mas todos sorriram, levantando a mão.

- Agora é contigo, gargalhou – Vai querer o quê?
- Verdade, claro. – ela rolou os olhinhos pequenos. Ele colocou a mão na boca, como se pensasse em alguma coisa e depois sorriu, triunfante.
- É verdade que a senhorita tem planos de se casar ainda esse ano, com um certo alguém presente no recinto?
Pausa para analisar as caras das pessoas: arregalou os olhos, mas sua boca tinha um sorriso sapeca. corou mais que na cama com o Tom. Eu tenho falado muito da com o Tom na cama, não? Acho que tenho um fetiche por eles.
Isso é mentira, ok?
Nós todos (os coadjuvantes da cena) permanecemos calados e estáticos.
- Eu... , seu cachorro! – ela começou a rir – Eu disse que era segredo...
- Eu tinha que usar isso, desculpa – ele riu – A outra pergunta era sacana demais.
- Pois bem, está nos meus planos sim – ela sorriu tímida pra que sorriu e a abraçou de lado, sussurrando algo em seu ouvido que a fez corar mais.
- Roda logo isso! – Tom pediu impacientemente.
- James pro , uh! – passou a mão pelo cabelo – Essa vai ser boa.
O olhar penetrante de James foi de mim para o durante uma fração de segundos quase imperceptível, e ele ficou meio paralisado. Pensando na pergunta talvez? Passou a mão pelo cabelo e alguns fios caíram no seu rosto, que estava tenso. Eu estava começando a achar que aquela brincadeira era bem mais idiota e imbecil do que antes.
- Verdade ou conseqüência, ? – finalmente James se manifestou.
- Verdade – ah, putamerda né, ? Se fosse conseqüência Jam jamais me usaria. Mas verdade? Ele vai bem perguntar o que quer saber. Ferrou.
- Então, é verdade que você estaria disposto a tudo pra ter a de volta? Mesmo que isso inclua perder um de seus amigos?
Pausa para o clima tenso. Se eu conseguia respirar, era um avanço, porque meu pulmão se contraiu todo e meu coração esqueceu de que bombear sangue era sua função. Pude ver o semblante de se contrair por alguns segundos, mas logo depois um sorriso teimoso surgir em seus lábios. enterrou o rosto no braço de , que mantinha os olhos bem abertos, como se não pudesse perder nenhum lance. Tom e pareciam duas estátuas de cera (e não só pela cor). e trocavam olhares, alheios ao que acontecia.
- James, talvez você fique meio temeroso com a resposta, mas já que insiste – sorriu abertamente dessa vez – Eu sou capaz de tudo, de lutar com todas as armas, para ter de volta.
- Cof, cof! – Tom cortou – Vamos para a próxima rodada?
Peguei a garrafa e girei. Caiu para perguntar para o .
- Finalmente – bufou, mas depois sorriu satisfeita e se esticou – , verdade ou conseqüência?
- Eu quero logo é conseqüência – ele sorriu safado e todos nós rimos.
- Então eu quero que você e matem logo essa saudade que estão sentindo um do outro – ela sorriu para os dois, que coraram – E de preferência, em outro cômodo.
- É quente! – James gargalhou e eu dei um tapinha no seu braço. – Oush, amor...
- Fica caladinho – pisquei pra ele.
Não demorou muito e levantou, puxando pela mão sem nenhuma cerimônia. Eu sabia que eles também queriam isso, mas estavam com vergonha. Ri com .
- James, a gente podia ir pra casa não é? – pedi manhosa, tentando tirá-lo da presença de o mais rápido possível. Eu também queria sair dali, porque eu seria capaz de me jogar nos braços do a qualquer momento. E isso não estava nos meus planos.
- Tudo bem – parece que ele tinha o mesmo pensamentos que eu, pois falou lançando um olhar fuzilante pro . – Eu preciso mesmo conversar contigo.
Ui. Eu não gosto quando ele usa esse tom muito sério. Tremo na base. Dei um rápido tchau a todos, menos ao casal que matava as saudades, claro. não sorriu pra mim nenhuma vez.

- Vai dormir comigo, aqui? – perguntei, enquanto entrávamos na minha casa, abraçados de lado.
- Não – ele respondeu meigo – Eu só quero conversar.
- Tudo bem, Tio Jam – tentei descontrair – Pode falar.
- Vai, – ele fez biquinho, sentando no sofá e me puxando pra sentar ao seu lado – Eu tenho que fazer uma coisa, . Talvez eu me arrependa depois, mas segundo minha consciência é o certo a ser feito no momento. Eu... Eu nem sei como falar isso, na verdade.
- Jam, você está me assustando com esse papo.
- Eu não posso competir com o . – ele falou de vez – Na verdade, eu não posso competir é com o amor de vocês dois, que é a coisa mais forte e verdadeira que eu já vi. Eu estou tirando meu time de campo, . Em outras palavras, eu quero terminar nosso namoro e deixar o caminho livre pra vocês.
- Eu não... não quero – quando dei por mim já chorava. Você entende o que é perder alguém que sempre esteve ao seu lado? Uma relação fixa, duradoura, que tinha futuro? Eu não queria perder o James assim. Eu amava o , certo. Mas ele era instável, uma criança. Totalmente diferente do James. Eu podia ver nos olhos dele uma sombra de dor. Eu sabia que me deixar era a última coisa que ele queria na vida, mas a primeira era me ver feliz. E ele achava que me deixando livre eu seria feliz. – James Bourne, você não vai me deixar.
Eu me posicionei em sua frente e o abracei com toda a força do mundo, como se quando eu o soltasse ele fosse embora e nunca mais voltasse.
- , não complica mais as coisas – a voz trêmula dele saiu e eu senti um arrepio. Fazer James sofrer não estava nos meus planos – Vai ser melhor assim, ok? Eu sei que vai.
- Eu te amo tanto, Jam. – soluçava, chorava e o abraçava.
- Eu sei, pequena. – as lágrimas dele molhavam meu rosto, se misturando as minhas – Mas sei que você ama o mais que tudo. Eu quero te ver feliz. E você vai ser feliz. Com ele.

CAPÍTULO 20

O resto da noite eu passei chorando, tentando colocar minha cabeça no lugar e aceitar que eu estava sozinha. Liguei para mas o celular dela estava desligado. Ficaria fora de hora se eu falasse que ela devia estar queimando calorias com o Tom?
Não me atreveria a ligar pra e , eu não queria estragar a vida deles que estava começando a entrar nos eixos. Os celulares de e estavam fora da área de cobertura. Sabe-se lá onde estão aqueles dois doentes. Na certa e Tom ensinaram o... Ok, parei.
Sabe quando tudo que você NÃO queria que acontecesse, acontece? Seu coração se aperta e chorar é tão inevitável. O coração apertado bate com tanta força contra o peito que chega a machucar e você chega a cogitar a idéia de ir pro Texas, pra ficar longe disso tudo?
Anos construindo tudo aquilo, criando laços fortes e protegendo quem se ama. Você não consegue ser fraco e largar tudo pra trás. Você não consegue ir pro Texas ou pra puta que pariu, você quer se manter perto, pra continuar protegendo e amando. Você não quer deixar que as pessoas amadas sintam a mesma dor que você sente, porque você conhece a dor.
O medo começava a me invadir, começava a exalar de cada poro do meu corpo. Eu tinha perdido o James. Eu tinha lutado tanto pra não machucá-lo, mas quem estava ferida, de novo, era eu.
Não conseguia sentir raiva dele. Ele fez o que o coração mandou, assim como eu. Ele fez o que achava ser certo, assim como eu. Ele errou. E eu? Eu, depois de ter me julgado certa, tinha feito tudo errado também?

Acordei, com uma dor intensa na região dos olhos, e passando a mão percebi como estavam molhados. Eu não tinha parado de chorar nem enquanto dormia? Dormia ou desmaiava, como preferir. Porque eu não me lembrava de muita coisa. Só das palavras do Jam e de uma inevitável dor.
Com certa dificuldade tomei um banho, coloquei uma roupa apresentável, prendi o cabelo, peguei minha bolsa, coloquei os óculos escuros na cara e saí. Enquanto dirigia, tentava não perder o foco da rua, porque do jeito que eu estava podia causar um acidente feio. Em pouco tempo cheguei na casa da e fui entrando com minha chave extra. Subi correndo pro quarto dela, abrindo a porta e me jogando ao seu lado na cama. Ao seu lado e ao do Tom, claro. Como eu tinha me esquecido dele?
- Bom dia, Tom – levantei a franja dele e beijei sua testa – Bom dia, – a beijei no rosto – Vocês estão, pelo menos, minimamente vestidos, certo?
- Estamos sim, sua tosca – Tom bocejou e levantou, mostrando sua boxer de estrelas. Eu não contive uma risada discreta. Ele foi em direção ao banheiro e fechou a porta.
- O que aconteceu? Que cara é essa? E por que não poderia esperar até que eu levantasse?
- James terminou comigo, eu estou perdida. – achei melhor falar de uma vez, me pouparia dos detalhes e dos sofrimentos.
- Aw, amiga! – ela me abraçou, perdendo todos os traços de raiva de quando eu a acordei.
- Ta tudo bem? – Tom saiu do banheiro meio sem saber o que dizer, ao nos ver abraçadas enquanto eu chorava. De novo. Eu estava me tornando uma pessoa muito chorona e isso estava ficando patético. – , o que foi?
Ele sentou ao meu lado e me tomou dos braços de , me prensando contra seu peito. Suas mãos alisavam meus cabelos e pararam no meu rosto, me fazendo encarar seus olhos preocupados.
- Agora eu estou bem, Tom – eu tentei sorrir – Eu e o James acabamos.
Momento reflexão do Tom. Quem sabe o que ele ta pensando? Só sei que a cara dele não parece nem um pouco surpresa com a minha revelação.
- Então, você vai fazer o que da sua vida? – ele perguntou, ainda segurando meu rosto. tinha ido buscar um copo d’água e já voltava me entregando.
- Sinceramente eu estou pensando, mas uma ideia muito boa já surgiu na minha mente.
- E você vai contar pra gente? – acariciou meu rosto, como uma mãe faz com um filho.
- Por enquanto não – eles fizeram uma careta sincronizada e eu tive que rir – Vai ser melhor.
- Só não vai aprontar nada, hã? – Tom fez cara de papai. Quando esses dois tiverem um filho, vai ser a criança mais feliz do mundo. com todo esse jeito maternal dela e Tom com todo esse jeito protetor. Eu quero morrer e reencarnar no útero de .
- Eu sei o que vou fazer – eu sorri, mostrando toda uma confiança que eu não sei de onde surgiu. Mas eu tinha que fazer alguma coisa. Essa vida já tinha dado pra mim. Era a hora de mudar, realmente.
- Vou ligar para as meninas e vamos fazer um programa feminino hoje – ela levantou, pulando e empurrando um Tom emburrado – Isso ai, amor, hoje a noite é nossa!
- Vou reunir os caras e ficar bebendo e assistindo futebol – ele fez birra e saiu pegando o celular, discando alguns números – ? Vem aqui pra casa da hoje que vamos...
Ele foi andando e eu não pude ouvir mais nada daquela conversa. Enquanto isso já tinha ligado pra e agora falava com animadamente.
- PRONTO! – berrou e eu pulei de susto, colocando a mão sobre o peito. Ela chegou saltitando perto de mim e me abraçou – Todas vão estar na casa da as oito. Vai já pra casa se arrumar, ! Quero você gata!
- Pra quê? A gente não vai ficar em casa?
- Contratei um go-go boy – ela piscou e eu arregalei os olhos – To brincando, tosca! Mas a gente tem que estar bela em todos os momentos da vida. – ela começou a procurar alguma coisa debaixo do colchão e depois virou o rosto pra mim, com a testa franzida – Ta fazendo o que parada ai? Vai logo!
Depois dessa delicadeza toda eu só podia fazer uma coisa: ir pra minha casa.
Lá eu tomei outro banho, dessa vez bem direitinho e relaxante.
Me enrolei no roupão e fui pra cozinha. Só aí me dei conta de que não tinha comido nada o dia todo. Um homem não podia me deixar naquele estado, nunca. Preparei um sanduíche reforçado com um copo de suco de morango e me sentei, pronta pra devorar tudo. E o fiz. Quando acabei, lavei os pratos sujos, rapidamente e vi as horas. 6:58 PM. Ainda tinha um tempinho pra me arrumar.
Para! Quem é essa pessoa do outro lado do espelho? Eu. Eu mesmo? Toquei meu rosto para me identificar e... É, dude, sou eu. Estou um caco. Maquiagem na cara, escova no cabelo e uma roupa bonitinha no corpo. Pronto, agora sim eu consigo me reconhecer.
[Triiim, Triiim] - Alô?
- , você ainda está em casa? Vou mandar a polícia ir te buscar? Você está atrasando toda a parada! Venha para cá agora mesmo! E se você não chegar em 15 minutos se considere uma pessoa sem amigas! Tchau.
Eu tenho amigas estranhas, eu sei. E a é a mais estranha de todas. Ela adora ter um monólogo comigo. Entende? Nem eu.
CAPÍTULO 21

- E eu não acreditei quando a gente finalmente se entendeu! – pulava, já meio alta por conta da tequila que bebíamos, com um sorriso que mal cabia no rosto – Foi lindo.
- Vocês vão voltar a ter... algo sério?
- Aw, , é o que eu mais quero. Porque quando a gente terminou, ficou tudo bem entre a gente, continuamos a ser amigos. – Ela fazia gestos exagerados com as mãos, sem tirar o sorriso bobo da cara – Mas eu sei que o amor continuou o mesmo.
- Vocês percebem que está tudo dando muito certo? – levantou seu copo, propondo um brinde – À felicidade!
- À felicidade! – respondemos em coro.
- À e o juntos de novo, eu e o mais firmes do que nunca, e talvez vamos até casar – ela deu um gritinho histérico – A e o Tom eu nem falo – rolou os olhos nos fazendo rir e deu um tapinha no seu braço – E à livre, pra finalmente cair nos braços do .
Involuntariamente fiz uma careta, que não passou despercebida por elas, que arquearam as sobrancelhas. Então essa era a hora de contar o que eu ia fazer da minha vida? Eu tinha medo da reação delas, iriam me chamar de covarde, depois brigar comigo e dizer que não iriam me deixar fazer aquilo. Mas afinal a vida era minha, certo? Eu tinha que decidir o que era melhor para mim, eu sabia isso melhor que ninguém. Elas continuavam a me encarar, esperando uma reação que estava tardando a vir. Eu confesso, o medo do que elas fariam me invadia e eu cogitei a ideia de mentir, mas logo a tirando da mente. e tinham passado tanto tempo perto de mim nesses últimos anos que conheciam até quando eu mentia.
Coloquei o copo sobre a mesa de centro, e sorri meigamente para elas. Talvez tentando preparar o terreno.
- Não vai ser possível que eu e o fiquemos juntos, porque... -pausa para respirar – Porque eu não vou ficar na Inglaterra por muito tempo.
As três mantinham os olhos arregalados e fixos em mim. Eu ia esperar que alguma delas falasse alguma coisa para que eu pudesse intervir, expor meus porquês e tudo mais. Eu ia esperar, mas o barulho de soluço vindo de me fez ficar de pé e correr até ela, a envolvendo num abraço forte. Ela seria a que mais ia sofrer com minha falta, não tinha como duvidar disso. Éramos quase irmãs, desde sempre. Sempre fui eu, ela, e . Quatro crianças que nunca se desgrudavam.
- Não vai ser pra sempre, a gente ainda vai se ver – eu tentava acalmá-la, consolá-la ou qualquer outra coisa, mas eu duvidada da minha própria capacidade. E duvidava disso por conta que algumas lágrimas já queimavam meus olhos, prontas para serem derramadas.
- Você não pode fazer isso comigo, se acabava nos meus braços – Você não pode agir como o e deixar tudo que você ama para trás.
Por essa eu não esperava. Então eu estava agindo como o ? Eu estava, realmente, deixando para trás toda uma vida? Mas era para construir outra, eu não estava feliz com aquela que estava levando. Eu tinha esse direito, não tinha?
- Eu vou para a Austrália – eu continuei, engolindo o choro e sentindo seis olhos sobre mim. – Eu já tinha recebido proposta de emprego lá, mas nunca tinha nem sequer cogitado a ideia. Mas agora é diferente, eu preciso disso. Vai ser necessário para que eu possa ser feliz. Eu amo vocês, são as melhores amigas que eu poderia ter tido, e eu não troco vocês por nada. Sempre que eu puder, eu venho, e vocês vão ter um lugar para passar as férias – tentei sorrir para elas, que não estavam com uma cara nada amigável.
- Covarde! – berrou, ficando de pé – Você está fugindo da sua vida!
- Eu estou tentando construir uma vida que valha a pena!
- Você está abandonando sua vida, que vale, sim, a pena, por causa de um amor frustrado! – me acusou, dessa vez.
- Já está decidido, vocês podem falar o que quiserem – levantei, pondo um fim na história. Ou, pelo menos, achando isso.
- Vamos ver como vai reagir a isso? E o James? – usou golpes extremamente baixos – Sim, porque ele acabou contigo para você ficar com o e você vai fugir? O que ele vai fazer? O que o e o Tom vão pensar e sentir? E, principalmente, com o vai ficar? Você quer dar o troco nele? Fazer o que ele fez contigo? – ela segurou meus braços e balançou, como para que me acordar de um transe – Não se justifica um erro com outro igual!
- Eu só queria que vocês entendessem... - me soltei das mãos dela e levantei, pegando minha bolsa e caminhando até a porta – Um dia, quem sabe, vocês façam isso.
- Quando você vai? – perguntou, segundos antes de eu sair pela porta.
- Três dias.
Fechei a porta e pude ouvir, antes de entrar no elevador, um grito agudo e uma coisa se chocando contra o chão e se espatifando. O grito era, eu sempre conhecerei, de .
Culpa, remorso, insegurança. Tudo me rondava e minha visão turva, das lágrimas que eu já não era capaz de conter, não ajudava em nada. Peguei o carro e fui pra casa, com medo de bater a cada poste que passava por mim, porque eu sabia que minha situação era deplorável. Eu suava, tremia e chorava ao mesmo tempo, perdendo toda a noção de espaço. Mas por milagre ou algo do tipo cheguei em casa, viva e inteira.
Agora era só eu e minha consciência. Ótimo, ela ia me atormentar até eu me matar. Ou até eu mudar de ideia e fincar minhas raízes de vez em Londres. Mas isso estava indo contra todos meus princípios.

54 chamadas não atendidas no meu celular, algumas dezenas de mensagens que eu fazia questão de não ler e a secretária eletrônica estava surtando. Eu não queria ouvir sermão de mais ninguém, eu só precisava de um tempo sozinha, e eu precisava também arrumar minhas roupas dentro das malas.
Fui pro quarto e quando passei pelo espelho levei um pequeno susto. Meu rosto estava inchado e meus olhos de um vermelho vivo intenso. Abri a primeira mala que vi na minha frente e comecei a jogar todas as blusas do meu guarda-roupa dentro dela, sem sequer parar para analisar uma por uma, para que nenhuma delas me lembrasse um momento especial e toda a minha determinação fosse por água abaixo. Eu tentava segurar a qualquer custo o mar de lágrimas que estava pronto para jorrar dos meus olhos, mas cada segundo passado, meus esforços pareciam não valer de nada. Um barulho de chave sendo rodada na fechadura me fez ficar de pé num sobressalto e então me lembrei que três pessoas tinham a chave da minha casa. Oh, shit, eu não estava pronta para encarar ninguém. Para olhar ninguém nos olhos.
- ? – uma onda de alívio e pânico se misturou no meu corpo, subindo pela coluna, ao ouvir a voz de perguntar por mim – ?
- No quarto – minha voz chorosa se fez alta, e meio segundo depois pude ver a silhueta dele atravessar a porta e parar na minha frente. Sem precisar de mais palavras ele me envolveu num abraço, aliás, no abraço certo, aquele que eu estava tanto precisando e sussurrou palavras de carinho no meu ouvido, tão baixo que eu não sabia se era para eu ouvir.
- Nunca mais ignore meus telefonemas e mensagens, isso me deixou assustado – ele brigou, mas mantinha a voz tranqüila, me apertando contra o peito – Então é verdade?
- É, daqui a três dias eu estou indo.
- Não tem nada que eu possa fazer para que você mude de ideia?
- Não, já está decidido. – suspirei pesadamente – O que você vai fazer comigo? Vai querer que eu morra e me odiar?
- Cala a boca, – ele me afastou do abraço um pouco, para olhar nos meus olhos – Eu não tenho escolha, não poderia fazer outra coisa a não ser te apoiar, ficar ao seu lado. Como sempre.
Como sempre.
Nada mais seria como foi um dia, como sempre foi. Eu sabia disso, tinha total noção das conseqüências que aquela mudança traria na minha vida. Não só na minha, na vida das pessoas que eu amo e que me amam também. Mas de uma coisa eu também tinha certeza, eu sempre teria o ao meu lado, como sempre foi, como ele nunca me deixou.
- Quem mais já sabe?
- Só eu e as meninas – ele sentou na cama e me puxou para sentar também – me ligou, gritando, para contar. Parece que a nem conseguia falar e a estava tramando um plano diabólico para você ficar.
Eu estava me sentindo muito mal por fazer a sofrer. Logo ela, que sempre me ajudou em tudo, que nunca, em momento algum, me deixou na mão. Ela foi mais que uma amiga, foi uma mãe quando eu não tinha ninguém.
- Não conta pro .
- Como assim? Ele vai ter que saber um dia...
- Um dia, quando eu já estiver longe daqui! – minha voz saiu mais alta que o normal e uma onda de medo percorreu meu corpo. Se tinha uma coisa que podia me fazer mudar de opinião, essa coisa era . E eu / não ia deixar isso acontecer.
- , para! – me abraçou de novo – Eu não... Calma!
Devo ter adormecido no abraço quente do meu melhor amigo.

Um lugar frio e distante, cheio de clarões, borrões e gritos. Uma chuva caía, e eu corria sozinha por umas ruas escuras, quando encontrava a caída no chão, mas eu não conseguia ver seu rosto, mas eu sabia que era ela, apenas sabia. Eu gritava por seu nome, mas ela não me respondia, fazia questão de me ignorar. Eu corria para mais longe, e os borrões continuavam.

- NÃO!
- , ei... – alguém que estava deitado ao meu lado se levantou e me abraçou de lado, passando a mão pelo meu rosto suado – Foi um sonho, um sonho ruim... Eu estou aqui.
- , ah, – reconheci aquela voz e o envolvi com meus braços – Estou com muito medo, muito mesmo.
- Eu estou aqui, como sempre, lembra?
- Eu te amo tanto!
- Eu acho que você não vai me amar tanto assim, depois que a gente tomar o café da manhã.
- Por que? – me soltei e o encarei com a testa franzida.
- Primeiro vamos tomar o café, depois você me odeia. Tem que ser por etapas.
Ele levantou correndo e foi pro banheiro, certamente fazer sua higiene. Eu fui para o outro banheiro fazer o mesmo.
Foi um dos melhores desjejuns da minha vida, tanto pela quantidade das minhas guloseimas favoritas, quanto pelo bom humor contagiante do meu melhor amigo. Quando eu terminei de mastigar o último dos cookies da bandeja, ele tirou o sorriso dos lábios e adquiriu uma expressão que beirava a seriedade.
- Qual o problema? – o olhei preocupada. Não é todo dia que ele muda de humor repentinamente assim.
- Acabou o café da manhã e você vai me odiar – eu tinha esquecido desse pequeno aviso. Era tipo um feitiço? Não que eu estivesse levando a sério todo esse papo de odiar, porque na boa? Não consigo me imaginar o odiando. Mas o estava levando aquilo a sério.
- Não vejo como isso será possível, mas...
- Eu contei ao sobre a viagem.
Agora eu via como era possível. Não, eu não estava o odiando, mas um sentimento de traição me rondava. O olhei fixamente, enquanto ele parecia esperar que eu voasse em seu pescoço, socando-lhe a cara. Me lembrando da noite anterior, o não tinha me prometido não contar nada ao , ele tinha falhado na hora e mudou o assunto. Então eu não tinha sido traída. Mas isso agora não importava. Agora que o sabia que eu ia embora e se ele me amasse de verdade, viria atrás de mim e me pediria pra ficar, e então... Não, ! Foco na vida! Eu vou pra Austrália e nem que o apareça nu na minha cama eu mudo de ideia. Nu na minha cama? Ai eu... Foco!
- Eu prefiro que você me bata, me xingue ou faça picadinho de mim, mas esse silêncio está me assustando.
- Desculpa, eu estava pensando em tudo e... seu MALDITO! VOCÊ QUER FUDER COM MINHA VIDA?
Ele deu um sorriso de lado, feliz por ter arrancado alguma reação de mim, mesmo que ela não tenha sido das melhores e eu avancei com os punhos cerrados na direção dele. Mas por ser (bem) mais forte que eu, ele logo dominou a situação me forçando a ficar presa num abraço.
- Fala sério, você sabia que eu ia contar pra ele.
- Eu realmente tinha esquecido de como você é fraco em relação ao , até duvido da sua masculinidade por conta disso – falei, com a voz abafada pelo seu peito – E também pela sua estranha mania de histórias de amor com final feliz. Mas essa não vai ser uma.
- Por que não?- o tom de voz dele beirava a súplica, mas isso não podia me fazer voltar atrás.
- Porque a minha vida agora é na Austrália.
- Quero mais é que você se apaixone por um canguru e ele não queira nem saber de você. – ele ralhou comigo e eu sorri do jeito bobo dele.
Eu podia comprar um canguru? Que legal!
- Me ajuda a terminar de arrumar as malas? – me soltei do abraço, utilizando minha expressão mais meiga possível e ele rolou os olhos.
- , eu conheço todos os seus truques e não vai ser essa carinha falsificada que vai me convencer – ele me empurrou e eu caí sentada na cama – Além do mais, não tenho jeito pra arrumar malas. Que tal chamar as meninas?
- É, realmente uma ótima ideia. Elas só iriam colocar fogo nas minhas roupas – debochei, mas eu temia que elas o fizessem de verdade – Minhas roupas custaram um bom dinheiro, para serem usadas como poluidor do mundo.
- Deixa de ser birrenta – para variar, ele ralhou e pegou o celular discando alguns números e pondo no ouvido – ? Oi amor... Eu também te amo... Aw, você linda, amor... Não, eu que amo mais... Eu... Eu...
- Mais um pouco disso eu me mato – avisei ao mela-cueca.
- Ok – ele rosnou pra mim – Amor, vem aqui na casa da ? Não, ela não mudou de ideia... Mulheres adoram um drama... Amor... Vem você e as meninas? Ela só quer conversar, amor... Ok... Te amo... Eu amo mais... Eu....
- !
- Tchau, amor... Não demore. – ele desligou o cellular sorrindo pra mim.
- Eu não sei o que falar pra elas. É sério. – me joguei nos braços dele, com muito medo do que estava por vir.
- Quer fazer o favor de deixar de ser besta? – ele me segurou pelos ombros – Vocês se conhecem há muito tempo, não vai ser uma briguinha boba que vai ferrar com tudo.
- Ta certo, . – me dei por vencida, mesmo que a vontade de sair correndo estivesse crescendo. Elas eram importantes demais para qualquer fobia. – Mas fica do meu lado, ok? Tenho medo de fazer merdas.

CAPÍTULO 22

[DING DOING] Arregalei os olhos, me encolhendo no sofá e levantou para abrir a porta, com um sorriso vacilante. Até ele já tava achando que aquilo ia dar em merda.
Eles tiveram uma rápida conversa na porta, aos cochichos para que eu, claro, não pudesse entender. Talvez estivessem tramando me matar, enrolar meu corpo nos lençóis e ficar com minha casa. E minhas roupas.
Logo em seguida ouvi barulho de quatro pares de pés caminhando em direção a sala, mas já era tarde. Eles estavam perto demais para que eu fugisse. Então mantive os olhos no chão. Bonito porcelanato que eu escolhi para a minha sala, belo mesmo. As três mulheres se alinharam a minha frente, em perfeita simetria. Arrisquei olhar para cima e as expressões fechadas dos rostos me fizeram olhar pro porcelanato outra vez. O sofá afundou ao meu lado e eu não precisava olhar para saber que era o meu melhor amigo.
- Fomos infantis – começou falando.
- Queremos pedir desculpas pela cena de ontem – continuou e só aí eu resolvi encará-las de verdade. Mas eu estava com medo do que ia falar.
- Mas isso não quer dizer que concordamos. – Não tardou para que eu descobrisse.
- UFA! – se jogou do meu outro lado, no sofá. – Ensaiamos isso o caminho todo.
Olhei incrédula para as três e começamos a rir. A gargalhar mesmo, como boas e velhas amigas. Claro, com o lá.
- Vocês são muito bestas! – ralhei, sendo sufocada por um montinho.

’s POV


- Pai... Papai... PAI – olhei assustado para o lado, me deparando com meu filho fazendo bico e com os braços cruzados sobre o peito.
- Desculpa, – o peguei no colo, beijando sua bochecha – Eu estava distraído.
- Desde ontem a noite o senhor ta assim – ele brigou comigo, cheio de razão. Desde que me ligou contando toda aquela história absurda eu tinha entrando num estado vegetativo – Que aconteceu?
- – o coloquei na cama, me sentando ao seu lado – Ela vai morar muito longe.
- Aw, mas eu gosto tanto dela, papai – ele era realmente igualzinho a mim.
- Eu também.
- Não deixa ela ir, papai.
- Ela não me ouviria, ela não gosta de mim.
- Ela parece gostar – ele bocejou e virou de lado – To com soninho.
- Durma, filho. – Beijei sua testa – Sonhe com os anjos.
Fui para a sala, me sentando no sofá espaçoso do . Eu ainda estava morando naquela casa, sem condições de comprar a minha própria. Tudo na minha vida parecia dar errado e eu não sabia o que fazer.
Agora eu sabia como a se sentiu quando soube que eu ia embora. Uma insuportável sensação de não poder fazer nada para impedir. Ela não me queria mais, mesmo depois de tudo que eu disse a ela, depois de ter prometido mudar, de ter jurado que a amava.

Did the best that I could.
Fiz o melhor que pude
Said I die for you, and I would.
Disse que ia morrer por você, e eu ia.
But I drowned all those feelings in the flood
Mas eu me afoguei, todos esses sentimentos inundados.

Peguei um papel e uma caneta e fui escrevendo tudo que eu sentia, com uma dor alucinante e descontrolada.

Need to know if you’re there.
Preciso saber se você está lá
If you listening to my prayers,
Se você está escutando minhas preces.
To my tears like raindrops through the mud
Minhas lágrimas parecem pingos de chuva na lama.

Eu estava me sentindo podre por dentro, totalmente incapaz de ter sido bom para ela. Era óbvio que ela não me aceitaria de volta, mas eu não podia aceitar isso.

How was I to know that three year ago
Como eu saberia que três anos atrás
I’d need to read between the lines
Eu ia precisar ler nas entre-linhas
And every lie and that's why
E cada mentira e é por isso que

Eu precisava dela do meu lado, não me via seguindo em frente sem junto a mim. Foi sempre ela que me levantou quando eu caí. Eu não conseguia olhar para trás e enxergar uma cena da minha vida sem ela. Mesmo que ela não estivesse lá em matéria, estava no meu pensamento.
Continuei a escrever.

Every time I fall asleep my dreams are haunted
Toda vez que adormeço meus sonhos são assombrados
And every time I close my eyes I'm not alone
E toda vez que fecho meus olhos não estou sozinho
And every time I cry I'm right back where you wanted
E toda vez que choro estou de volta onde você queria
I try to drown you out so down goes another one
Eu tento te afogar então outro vai abaixo

Eu já fiz muita merda na minha vida e deixar a ir embora assim, sem nem ao menos lutar por ela, seria mais uma para a minha coleção. E eu não quero aumentar essa coleção.

Living Fast
Vivendo velozmente
Dying young
Morrendo jovem
But I'm living with what you've done
Mas eu estou vivendo com o que você fez!
Now I face accusations
Agora enfrento acusações
I won't run
Eu não fugirei
No
Não

CAPÍTULO 23

- Cara, você ta péssimo - me acordou no outro dia, de manhã.
- Obrigado - rolei os olhos me levantando do sofá e sentindo dores intensas na região lombar. Muito bem, , foda com sua coluna também. Ele sentou ao meu lado, com um papel em mãos, me estendeu-o e eu o peguei, logo reconhecendo minha letra ali. Tudo que eu tinha escrito na noite anterior, ali gravado.
- Bela música, cara - ele bateu no meu ombro - Sei como deve estar doendo.
- Muito - afundei minha cabeça entre as mãos, amassando o papel - Me diz que merda que eu faço...
- Não posso, eu não sei - ele pegou o papel de novo - Ela também está sofrendo muito.
- Então por que não desisti dessa ideia louca?
- Bom dia, pai - chegou na sala, coçando os pequenos olhos com as costas das mãos - Oi, Tio.
- Bom dia, pequeno - ele sentou entre nós.
- Se importa em ficar com ele - perguntei ao , apontando meu filho - Eu tenho que fazer algo.
Ele negou com a cabeça me lançando um sorriso encorajador e eu fui tomar banho. Ok, não ia ser nada fácil, eu tremia só de pensar no que dizer e no que eu iria ouvir, mas o que é fácil na vida mesmo? Ah, a Miley. E era por causa dela que eu estava naquela situação. Cheguei a conclusão que nada fácil era bom. Tinha que ter um clímax. Eu tinha que convencê-la de que ao meu lado era o certo, de que Austrália nenhuma era boa o bastante. Que o amor da gente sobreviveria mesmo assim e que ela não poderia fugir. Me lhei no espelho, ajeitando o cabelo, e forcei um sorriso para mim mesmo. Merda, era isso. Eu tinha que pelo menos tentar ou não me perdoaria jamais. Passei o perfume que ela tanto gostava e o meu sangue bateu racha pelas minha veias.
- Estou saindo - anunciei na sala - Obedeça ao Tio .
- Pai - ele me chamou e eu me virei pra trás. Ele abriu um sorriso sapeca - Faça a tia ficar com a gente.
Olhei tenso pro , que gargalhou.
- Eu tive que contar a verdade, dude! Boa sorte.
- Vou precisar.

[DING DOING] Não tinha mais como fugir, não agora que apertei a campanhia da casa dela e ouvia passos se aproximando da porta. Durante todo o caminho eu tentei achar uma desculpa para voltar e não falar com ela. Mas nada era bom o suficiente para me fazer desistir dela.
Os passos dela estavam mais próximos da porta e ela abriu com uma expressão fofa no rosto. Beirava a vontade de me chutar pra longe dali.
- Bom dia, - ela foi simpática e abriu totalmente a porta me dando passagem - Entra.
Quando passei por ela, para entrar na sua casa, a puxei para um abraço, que há tempos eu precisava. Ela não me impediu e até retribuiu.
Sentamos no sofá branco da sua casa, e ela ficou encarando o chão, talvez tão insegura quanto eu.
- Olha para mim? - pedi, tocando seu queixo. Ela encarou meus olhos, sem reação nenhuma.
- Essa visita tem algum propósito? Se tem, você pode falar logo que eu estou ocupada - a frieza dela quase me fez dar meia volta e me jogar no rio Tâmisa.
- Claro - eu soltei seu rosto, e as lágrimas queimaram meus olhos, respirei fundo para contê-las, pelo menos por agora. - Fica comigo, não vai pra Austrália.
- Eu... Essa decisão eu tomei sozinha, não vou mudar.
- Eu vou sofrer muito.
- Não seja egoísta, , por favor - ela deixou uma lágrima rolar por sua face corada - Eu sofri muito quando você foi embora.
- Você conhece a dor, não me faça passar por ela. - supliquei, segurando suas mãos - Não é justo com nós dois, que nos amamos.
- Não tenha tanta certeza desse amor.
- Eu confio nesse amor - ela se levantou e eu fiz o mesmo, segurando seu rosto bem próximo ao meu. Ela ofegou, chorando mais. Eu não segurei mais minhas lágrimas sofridas - Olha nos meus olhos e diga - minha voz saiu quebrada e ela contorceu a boca - diga que não me ama - ela fungou baixo e continuou calada - Diga! - meio que gritei, perdendo totalmente o controle sobre mim mesmo - Seja fria, me peça para esquecer de tudo e te deixar em paz! Me peça para esquecer tudo. DIGA, DROGA!
- Por que você tá fazendo isso comigo?
- Eu só quero saber a verdade. Você ainda me ama? Se você não me amar mais eu juro que te deixo em paz, que te deixo pegar o avião para o fim do mundo, que seja! Mas eu quero a verdade, antes.
- Eu... Me deixa. Acabou.
- O quê? O que acabou? - soltei as minhas mãos do seu rosto vermelho de tanto chorar e solucei, sentindo todos os músculos do corpo se contrarirem com o que estava por vir.
- O amor. Acabou. - recuei alguns passos, me batendo na parede. Ela passava a mão pelos cabelos, se entregando completamente ao choro. Aquilo não era verdade, uma parte dentro de mim gritava por isso. Mas ouvi-la falando tão firmemente aquilo me machucou, bem mais do que eu achei que machucaria. - Acabou no dia que você dormiu com a Miley. Eu tenho tanta pena de você, você é um fraco. FRACO!
Cada palvra milimetricamente colocada para me ferir com força. Fraco, era assim que ela me via. Fraco, era assim que EU me via agora! Ela tinha conseguido me colocar mais abaixo que o chão e ainda tinha pisoteado em cima. Ela ainda me amava, certo? A certeza que eu tinha disso, antes tão forte dentro de mim, agora ia sumindo. A convicção nas palavras dela, no olhar fixo em mim, me fazia crer que ela realmente tinha me esquecido.
- Essa é a sua úlima palavra?
- Eu... É.
- Me desculpe, por ter te amado tanto a ponto de ter cumprido minha promessa e ter voltado por você, pra você.
- Você pode ter pensado em tudo, menos no amor. - Ela olhou dentro dos meus olhos e eu vi minha menina totalmente acabada. O que eu tinha feito com ela? - Você me trocou pela Miley, e isso eu nunca vou esquecer.
- A minha me perdoaria. Você não é mais a mesma.
- Não sou, a gente já conversou sobre essas mudanças.
- ...
- Vai embora, você prometeu.
Saí daquela casa sentindo o peso da culpa sobre mim. Sim, se eu estava naquela situação a ponto de perder a mulher que eu amo para sempre, a culpa era única e exclusivamente minha. Eu não ia negar isso nem para mim. Não tinha como negar. A dor que sucumbia no peito não me deixava mentir: eu tinha sido burro e infantil demais. tinha razão, eu nunca seria bom o bastante para ela, eu já a tinha feito sofrer demais e eu ainda assim me achava no direito de querer lutar por ela. O clima de Londres nunca me pareceu tão oportuno, estava nublado e frio igualzinho ao meu coração. Enfiei a mão no bolso de dentro do meu casaco verde, puxando de lá uma caixinha preta. Parei da andar para observá-la: eu a tinha comprado ontem. Abri e pude ver o ouro branco reluzir. A tirei da caixinha preta e aproximei dos meus olhos, nela tinha gravado '&'. Eu tinha achado aquela aliança perfeita, perfeita para a minha . Mas afinal eu fiz tudo errado. Ela não era mais a minha .

's POV


saiu da minha casa batendo a porta com tanta força que um dos quadros presos à parede balançou. Me joguei no sofá, ainda chorando copiosamente, enquanto sentia uma dor cortante atravessar meu corpo todo.
Eu menti para ele, na maior cara dura, menti sobre a única coisa do mundo que eu sabia que era verdade. Menti sobre o que eu sentia por ele, disse que aquele amor tinha acabado. O que estava se acabando agora era meu mundo. Tudo que eu fazia era errado, sempre. devia estar muito puto comigo e quando eu contasse o que eu fiz para as minhas amigas elas iam ter a mesma reação dele. Olhei as minhas malas todas prontas e me senti fraca. Eu já não tinha tanta certeza se conseguiria pegar o avião e deixar tudo que amo pra trás. Mas era o que eu queria, não era? Então, por que diabos eu queria chorar mais?
[DINGO DOING] Shit, quem era agora? Eu realmente não estava em condições de ver/falar com ninguém. Me levantei com muito custo daquele sofá e abri a porta, sem me preocupar com olhar quem era antes. Não me surpreendi ao ver o parado lá, com cara de enterro. A notícia de que eu era uma bruxa desalmada já tinha chegado na casa dele tão rápido?
- , o que você ta fazendo com a sua vida? E com a vida do ? - ele passou a mão pelo rosto e suspirou. Eu voltei a chorar e ele me abraçou, sussurrando em meu ouvido - Você não está feliz, desiste dessa ideia.
- Não posso simplesmentte desistir - fungei, limpando as lágrimas na camisa dele - Vou ser tão fraca fazendo isso.
- Eu gosto da fraca, aquela que era minha amiga e que lutava para ser feliz - impressão minha ou todos preferiam a antiga ? Eu tinha mudado tanto assim?
- Não sei o que fazer.
- Dorme, amanhã é a sua viagem. Você tem que descansar.
me colocou na cama e ficou cantando para mim esperando que eu dormisse.
Dormir. Foi a única coisa que eu não fiz. Fiquei ouvindo a voz do meu amigo, enquanto pensava na voz de . Para mim, era a mais bonita de todas, embora minhas amigas discordassem e cada uma puxava a sardinha para o seu respectivo namorado. Lembrei delas e quando saíamos todos juntos, para piscina ou churrasco, e a gente se divertia tanto. E eu ia perder aquilo, talvez para sempre.
- - sussurrei e abri os olhos. Ele sorria para mim - Me ajuda.
- A quê, pequena?
- A concertar minha vida.

CAPÍTULO 24

- Não vou conseguir, não vou! - esperneei em frente a casa do meu amigo e ele me segurou pelo braço, me forçando a ficar quieta.
- Claro que vai, deixa de ser fresca. - rolei os olhos e ele abriu a porta da casa. Num reflexo eu a fechei. - ! Me deixa fazer a minha parte e faça a sua.
- Não dá, eu travei - cobri o rosto com as duas mãos e fiquei dando pulinhos no mesmo lugar.
- Se eu não te conhecesse diria que está tendo um ataque epilético.
- Seu senso de humor é triste - parei na mesma hora, colocando a mão na cintura. Ele aproveitou meu momento de distração e abriu a porta de vez. Eu abri a boca para xingar algum parente dele, mas veio correndo até mim, abraçando minhas pernas.
- Tia ! Eu estava com saudades! - abaixei para ficar na mesma altura que ele e o abracei forte. Era um pedaço do que estava ali, e mesmo que eu negasse, aquilo era o que eu precisava.
- Eu também, little - sorri e o pai apareceu atrás dele, com uma cara nada receptiva. Cheio de razão, diga-se de passagem. Quem tinha dito que não o amava? Eu. Quem o tinha expulsado de casa? Eu. Palmas para mim, eu realmente era um amor.
- Erm.. oi.
- Oi - ele respondeu seco e eu virei de costas, pronta para ir pro aeroporto, mas estava lá para me impedir.
- Entra, ! - ele sussurrou firmemente e eu dei meia volta, passando pelos dois 's e entrando na casa.
- , que merda ela faz aqui? - ouvi perguntar, visivelmente irritado com a minha presença. Eu ia ter que aturar isso, eu que provoquei. Respirei, pondo a mão sobre o coração.
- Se você a escutar vai saber, agora se ficar de birra, vai morrer curioso.
- Não estou curioso, só... Não esperava vê-la - ele abaixou ainda mais a voz.
- Bom, queridos! - berrou e pegou na maõ de - Vamos tomar sorvete. Tentem não se matar.
E antes que alguém pudesse ter alguma reação a porta se fechou e só e eu estávamos na sala.
Olhei meus pés, de repente os achando charmosos. Arrisquei olhar de lado para e ele estava com as mãos nos bolsos, e uma expressão inqueita.
-
-
Falamos ao mesmo tempo e nos calamos.
- ? - arrisquei de novo e ele fez um barulho com a boca, que eu interpretei como me deixando falar - Eu... Sou muito idiota e quero te pedir... Bem, te pedir desculpas por tudo que eu... Ah, droga! - passei as duas mãos pelo rosto. Estava muito difícil a minha situação, ele tinha que entender. - Por tudo que eu disse ontem.
Ele olhou nos meus olhos os olhos dele estavam molhados. Ele queria chorar tanto quanto eu? Eu não segurei as lágrimas, as emoções estavam fortes demais e eu já tinha aceitado ser fraca.
- Você me machucou muito. - ele respirou fundo, como sempre fazia para conter as lágrimas.
- Você não acreditou realmente em tudo que eu disse, não é? - levantei e caminhei até ele, parando na sua frente e tocando seu rosto. Uma lágrima solitária escorreu pela sua delicada face. - Aquele monte de bobagem que eu falei, , não significam nada. Aliás, significam sim. Significam que eu tenho medo de me entregar de novo a você e sofrer de novo.
- Eu prometi a você que daria o meu melhor para mudar, - ele afastou minha mão do seu rosto - Você não quis me ouvir, disse que não importava.
- Eu mudo por você também. Eu estou disposta a tudo para que a gente fique junto. Eu não quero cometer o mesmo erro duas vezes.
- Quando eu me apaixonei por você eu ainda era criança, e fui nutrindo esse sentimento até hoje. - ele se sentou no sofá, cobrindo o rosto com as mãos e eu pude ver o corpo dele balançar com um soluço mais violento. - Hoje eu tenho 21 anos, , e eu ainda amo você com todas as forças! Isso não pode ser normal.
- Isso é amor!
- Agora você quer falar de amor? - ele gritou e eu caí de joelhos no chão, chorando como uma criança boba. Eu merecia ouvir tudo aquilo, eu sabia. - Antes eu era o bobo por falar sempre de amor, não era?
- Eu não vou conseguir sem você.
- Você vai ter que aprender - ele riu, sarcasticamente e eu o fitei, sem reação. Eu tinha sido péssima durante todo esse tempo, e um dia alguém me disse que o que a gente faz, tem volta. - Então os papéis se inveteram? Agora é você quem está aqui implorando por um pouco de amor meu? Agora é você quem sofre? Está sentindo a dor, ?
- Dói muito - berrei e tentei me levantar, sem sucesso.
- Eu já estive no seu lugar, eu sei que dói - ele escorreu do sofá e foi para o chão, na minha frente. Segurou meu rosto. - Sabe, doeu quando você disse que não me amava mais, e está doendo.
- Mas é mentira.
- MAS DOEU! - ele soltou meu rosto e passou a mão pelo próprio rosto, limpando as lágrimas que não paravam de cair.
- Eu fiz tudo errado, eu transformei o céu mais azul em cinza.
- Em preto. Você transformou o céu mais azul em preto. Você tem esse dom.
- Eu não vou mais usá-lo.
- CARALHO - ele gritou e me abraçou - Eu queria ser forte, queria te mandar sair daqui e pegar o avião pra Austrália e dizer para você nunca mais voltar - ele soluçava no meu pescoço e eu o envolvi com meus braços, sentindo que a batalha estava ganha pro meu lado - Mas eu nao consigo. Eu sou fraco.
- Essa é como se fosse uma batalha, onde só sobrevivem os fracos.
- Os fracos - ele repetiu e beijou meus pescoço, me apertando mais - Eu quero ser fraco, se for para ser fraco contigo.
- Eu posso te fazer feliz? - me separei dele, encarando aqueles olhos brilhantes. Ele abriu o sorriso mais lindo do mundo que eu sentia tanta falta.
- Só você pode me fazer feliz. - ele beijou meus lábios com uma calma reconfortante. É, eu também sentia falta daquilo - Obrigada por não ter viajado.
- Eu nao saberia viver sem você, já disse - colei de novo meus lábios nos dele. Quê? Aquilo fazia MUITA falta. Em pouco tempo nossas roupas não estavam mais em nossos corpos e nossos corpos, bem... Estavam ligeiramente ofegantes e continuavam a se movimentar num ritmo aconselhavelmente bom.
parou de se movimentar quando chegamos ao ápice juntos, e caiu ao meu lado, acariciando minhas costas.
- Quer casar comigo? - ele disse e eu o olhei, esperando ver um sorriso brincalhão no seu rosto. Ele mantinha a expressão séria. - , eu não estou brincando. Acho que não podemos perder mais tempo. Aliás, foi isso que eu fui fazer indo na sua casa ontem. Mas deu tudo errado.
- Aw, , me desculpe! - Ok, a sensação de culpa triplicou dentro de mim e eu o beijei na testa.
- Está tudo bem, eu só quero uma resposta.
- Posso acabar a faculdade? - ele bufou e eu apertei suas bochechas - Eu quero ter como sustentar nosso filho.
- Nosso filho? - ele levantou uma sobrancelha, ele abriu um sorriso imenso. - Você tá grávida?
- Eu estava falando do , - rolei os olhos e o rosto dele se iluminou mais, de repente.
- Você... o considera seu filho também?
- Não, eu vou abandoná-lo debaixo da primeira ponte londrina - levantei, catando minhas roupas e sorrindo.
- Ah, cara! Você é a mulher da minha vida! - ele levantou, colocando a boxer e me abraçando por trás.
- Claro que sou, nenhuma outra te aguentaria.
[DING DOING] - Eu atendo - ele saltitou e eu o puxei pelo cós da cueca.
- Nesses trajes? Não mesmo!
- Já ta com ciúmes do maridinho é? - ele riu e eu, já vestida, fui abrir a porta. , , , , Tom, e estavam lá, sorrindo.
- Eu e ficamos aqui, atrás da porta ouvindo tudo - comentou, sorrindo sapeca, com - Confesso que quando vocês começaram a gritar eu ameacei entrar e separar vocês, mas o me impediu.
- Eu sabia que vocês iam se acertar - ele abriu um sorriso igual ao do pai - Sempre a princesa fica com o princípe no fim.
Todos nós rimos e eu o peguei no colo, beijando seu rosto.
- Mas aí ouvimos respirações ofegantes e então tudo estava resolvido - continuou e eu corei, todos riram - Liguei pra geral e cá estamos.
- Hey - berrou, colocando a blusa - Vamos casar!
Todo mundo gritou e nos parabenizou e eu comecei a chorar, de emoção. Mas nem tudo estava completo, faltava alguém ali. Meu mundo não seria completo sem ele.
- - o chamei no canto - Cadê o...
- James Bourne - ele completou e eu ri fracamente - Está em reunião com a empresa, mas já deve estar chegando.
Sorri e voltei pra festejar com todos. Quando eu menos esperava, alguém me abraçou por trás eu eu reconheci aquele perfume que por tantos anos ficava impregnado na minha cama.
- JAMES! - me joguei em seus braços e ele me apertou.
- Eu fiz o certo, no final, então - ele chamou o e segurou nossas mãos, as juntando - Desejo a vocês dois toda a felicidade do mundo. , cara, a é a garota mais especial desse mundo, mais sincera, divertida, animada, amorosa e gata. - eles riram - Se um dia você a fizer sofrer de novo, saiba que o fica sem pai. Outch - ele reclamou quando o pequeno deu um chute no seu pé - , o é um cara legal, as garotas dizem que é lindo, mas eu não vou confirmar nada - ele piscou - Aproveita, que eu sei o quanto ele te ama.
Depois de bebermos um pouco para comemorar uma espécie de noivado, todos ja estavam dormindo pelo chão. Menos eu e .
Fomos para a varanda e entrelaçamos nossas mãos com sorrisos bobos no rosto.
- Te amo. Nunca mais duvide disso, seu feio - reclamei, beijando o nariz dele.
- Te amo. Nunca vou te trocar por ninguém, sua feia - ele beijou meus lábios, subindo a mão pela lateral do meu corpo, até chegar ao meu sutian.
- Tem gente na sala, - coloquei a mão na boca para abafar uma risada.
- Vamos dar um irmão pro , ele está muito sozinho. - ele me pegou no colo e eu dei um gritinho fino - No quarto.



FIM


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