Best Friend, Not Boyfriend
Autora: Babi Lorentz
Status: Finalizada
Revisada por: Juh
Categoria: McFLY Fics
Sub-Categoria: Romance - MediumFic
Comentários:
Chapter One
- Às vezes parece que estamos nos afastando ? falou, com os olhos fixos em suas mãos que estavam em seu colo.
- Eu também percebi isso, ... ? estava em pé na frente dela e não tirava os olhos do rosto de , que estava meio escondido por ela estar olhando para baixo.
- ... ? Ela levantou a cabeça e olhou nos olhos dele ? O que está acontecendo com a gente? ? Uma lágrima estava rolando por seu rosto.
- Não sei... ? Ele abaixou e pôde olhar melhor para ela, limpou as lágrimas que rolavam por seu rosto, respirou fundo, pegou as mãos dela e as beijou ? Não chora, minha pequena, eu te amo muito, tá entendendo? E eu nunca... ? colocou a mão direita no rosto de e acariciou sua bochecha com o dedão ? Nunca mesmo, vou deixar nada acontecer com você. Eu te prometi que sempre seria seu anjinho e não vou faltar com minha palavra.
fechou os olhos quando sentiu a mão de no seu rosto. Ela saiu do sofá, indo para o chão, na frente dele e o abraçou. Deu um beijo no seu pescoço, um pouco abaixo de sua orelha e encostou o rosto no ombro dele.
- Eu também te amo muito. Vamos tentar não nos afastar mais, por favor. ? a abraçou também e fechou os olhos.
- Tentar não, . Nós não vamos nos afastar. ? Ao falar isso, ele colocou a mão nos cabelos dela e ficou acariciando.
Ficaram assim, calados e abraçados por um tempo, até que o silêncio foi quebrado.
- Eu vou terminar com a Angelique...
levantou a cabeça e olhou pro rosto de .
- Como? ? Ela não entendia o motivo para ele estar dizendo algo assim.
- Não dá mais certo, . Eu não sinto por ela o que eu sentia no início.
- Mas até ontem vocês estavam tão bem! Eu vi vocês na pizzaria, não pareciam mal!
- Você me viu na pizzaria e não falou comigo? ? arqueou uma sobrancelha, olhando para .
- Eu passei de carro... Mas eu to falando da Angel! ? Ela disse, com um rosto incompreensível.
- Eu gosto de você!
já estava abrindo a boca para continuar falando que não deveria terminar com Angel, mas ao ouvir aquelas palavras, ela se assustou e ficou calada olhando nos olhos dele.
- Eu amo você, . ? Ele se levantou ao ver que ela não falava nada e foi andando em direção à porta.
- ...
Ele olhou para ela, ficou parado por um tempo esperando que ela falasse algo. Abriu a porta e saiu do apartamento, ao ver que naquela hora não sairia nada da boca de .
Quando ela viu a porta fechar, sentiu seus olhos se encherem de lágrimas e conseguiu sussurrar:
- Eu também te amo, ...
- Ah, ! Por que você não foi na festa ontem? ? Angelique não conseguia tirar o sorriso do rosto.
- Não tava me sentindo bem... ? fez uma careta ? Aconteceu alguma coisa pra você estar toda alegrinha? ? Sorriu.
- Pensei que você não fosse perguntar nunca! ? Angel disse, jogando os braços para cima e quase pulando de alegria ? Adivinha quem me beijou ontem!
- Hum, ? ? Arqueou a sobrancelha e olhou a amiga. A viu fazendo que não com a cabeça ? Deixa eu pensar... James? Também não... ? Franziu a testa, pensativa ? Patrick? ? ?
- ! ? Angel ainda sorria ? Você o conhece muito bem, vocês não se desgrudam... Eu chego sentir ciúmes de te ver com ele porque você não me dá muita atenção quando estamos juntos.
- ? ? arregalou os olhos. Não conseguia demonstrar felicidade. Até tentou, mas não conseguia mostrar sorrisos verdadeiros. Não depois do que conversara com o garoto alguns dias antes.
- É! ? Ela deu vários pulinhos de alegria ? Eu pensei que ele não ia com minha cara. Eu tava enganada, não é? Ah, ! Ele beija tão bem e tem uma bundinha... ? fechou os olhos e, pela cara que fez, imaginou que ela estava se lembrando do momento. ? Ele falava de mim para você?
- Pra falar a verdade, Angel, não... Nunca imaginei que ele ficaria com você... ? ouviu o celular tocar e o tirou da bolsa. Número restrito. Ela sabia que era . ? Espera. Preciso atender.
- É o ? ? Angelique perguntou sorrindo.
- Não sei. O número é restrito. ? Mentiu para a amiga, abriu o celular e o colocou na orelha. ? Oi.
- , preciso falar com você. Tem como a gente se ver?
- Espera. ? Olhou para Angelique ? Angel, só um minuto, me espera aqui. Eu vou na cozinha ? levantou-se da cama e foi andando para onde dissera que iria ? Vai me falar sobre o que eu to pensando?
- Ela já te falou, não é? Ela tá aí, eu sei.
- Sim, ela tá aqui. Por sorte eu já tava acordada quando ela chegou ou ela teria me acordado de qualquer forma ? sentou-se em cima da mesa com um pote de biscoitos nas mãos ? Aceita um biscoitinho, meu bem?
- Você tá mal, não é? Porra, , me desculpa!
- Não, eu não to mal. Mas eu te disse aquilo esta semana...
- Foi por esse motivo... Eu não sabia onde eu tava com a cabeça.
- Você tava na festa, beijando a Angel.
- Não fala o que você não sabe...
- Mas não foi isso o que você fez?
- Foi, não vou negar...
- Ela me perguntou se você falava dela. Ela tá toda felizinha, não consegue tirar o sorriso do rosto. Disse que você beija MUITO bem e que tem uma bundinha... Ela deve ter passado a mão em tudo, não é?
- Porra, ! Eu tava bêbado, me deixa falar!
- Você não me deve explicações...
- , eu to passando aí!
- Como? ? franziu a testa, fazendo uma careta. Não podia acreditar na discussão que estava tendo com .
- To saindo de casa, . Se vire agora pra tirar a Angel daí. Precisamos conversar.
- ! Você ta demorando tanto... ? Angel entrou na cozinha e sentou ao lado de ? Quem é?
- Fale que é sua mãe. Não deixe ela saber que sou eu. ? disse com uma voz firme.
- Tá bom, mamãe. Mas não tem necessidade de vir.
- Mande um beijo para ela. ? Angel sorriu, falando com a amiga.
- E a Angel mandou um beijo. ? fechou o pote de biscoitos e riu com a ironia.
- Puta que pariu, hein, ? Dá um jeito de tirar ela daí. Já to entrando no carro.
- Ela mandou outro, Angel, e disse que tá com saudades. ? disse sorrindo para a amiga ? Mamãe, já te disse que não precisa...
- Tira ela da sua casa. Te amo!
- Não! ? tentava fazer não vir. Ela não queria vê-lo. Não naquela hora. Mas, ao gritar aquela palavra, ele já havia desligado o telefone.
- O que ela queria, amiga? ? Angel perguntou, com um tom de curiosidade que não conseguia esconder.
- Me visitar. Ela sabe que eu passei mal ontem à noite e acha que eu ainda não to bem... Sabe como é? Preocupação boba de mães. ? Rolou os olhos.
- Você passou mal ontem, ? ? A menina perguntou, arregalando os olhos.
- É... ? Continuou alimentando a mentira ? Mas foi coisa besta. Uma dorzinha de cabeça simples... Ela é enfermeira, se esqueceu? Fica preocupada com coisas bobas.
- Mas já tá se sentindo melhor? ? Ela perguntou, um pouco preocupada.
- Sim, já to bem. Só vou deitar de novo, se você não se importar... ? disse, feliz por ter encontrado o jeito de tirar Angelique de seu apartamento. Em minutos estaria ali.
- Não, sem problemas. Eu tenho mesmo que passar na casa da minha avó. ? Angel se levantou da mesa, acompanhada por . ? Posso te ligar depois pra gente continuar nossa conversa?
- Ah, claro. ? tentou sorrir, enquanto abria a porta da sala para a amiga sair.
- Então nos vemos depois. ? Ela deu um beijinho no rosto de e se afastou em direção ao elevador.
acenou antes de fechar a porta e respirou fundo. Foi até seu quarto e trocou de roupa. Ela não gostava de ficar perto de enquanto estava apenas de pijama. Escolheu um short jeans e uma baby look laranja com caveirinhas nas costas.
Foi até a cozinha lavar a louça enquanto não chegava e, quando tudo estava praticamente limpo, escutou o interfone tocar.
- Sim? ? Ela perguntou ao atender.
- Srta. , o Sr. está aqui em baixo. Mando subir?
Ela respirou fundo e fechou os olhos.
- Pode mandar.
Chapter Two
Quando entrou no elevador não aguentou segurar as lágrimas. Chorou. Pela primeira vez em sua vida chorou por uma garota ? . No início aquilo era uma amizade. Era apenas amizade, ele tinha certeza. Tanto da parte dele quanto da parte dela. Amizade. Era aquilo que os dois sentiam um pelo outro. E era daquele jeito que deveria ter permanecido. Mas, não. tinha que provocá-lo. Tinha que mostrar para ele que ela era a melhor garota que ele podia encontrar. E agora ele tinha que conviver com o fato de que nunca poderia ser nada para ela. Ele tivera sua chance alguns meses antes e desperdiçou. Desperdiçou tudo o que poderia ter construído com ao seu lado por causa de Angelique. E agora se sentia profundamente arrependido por ter feito aquilo. Por ter beijado Angelique alguns dias depois de ouvir uma confissão de .
Saiu do elevador limpando as lágrimas que insistiam rolar por seu rosto e passou pelo porteiro cumprimentando-o.
- Volta amanhã, ?
Ele forçou um sorriso. Christian sabia muito sobre a vida dos dois. Sabia que ele sempre voltava. Que todos os dias estava ali. Mas suspeitava que no dia seguinte seria diferente.
- Não sei, Christian. A bruxa tá solta...
- Posso saber o que houve? ? O porteiro perguntou, tentando não ser impertinente.
- Amor, Chris. Tá foda!
- Ih... Então eu tava certo quando achava que entre vocês rolava mais que amizade, não é? ? Riu.
- Não... Sempre foi amizade. Seria difícil explicar. Talvez eu volte. ? Acenou para o porteiro e saiu do prédio tirando as chaves do carro do bolso.
- Eu espero que o senhor volte! ? pôde escutar Christian gritando.
- Eu também espero voltar... ? falou baixo enquanto abria a porta do seu carro.
Ao se sentar e colocar as mãos no volante, pensou em , nas coisas que ele não havia falado para ela, nas coisas que ela não o deixava falar. Lembrou-se daquele primeiro selinho que deu nela. Do primeiro dia que ela disse que o amava, quando ainda estavam no início da amizade e, depois, quando ela já disse com uma convicção maior. Quando ela afirmou, com todas as letras, que não queria mais apenas amizade. Que o amava como uma mulher ama um homem. Que o queria. Ao se lembrar daquilo, pensou em todas as besteiras que já havia cometido. Ligou o carro e voltou para a casa sem tirar da cabeça todas as burrices que ele fizera durante os últimos seis meses.
- Dorme aqui hoje? ? falava enquanto terminava o potinho de sorvete que tinha em suas mãos.
- Como? ? perguntou assustado e deixou a colher parada na boca.
- Igual quando a gente era criança... Você sempre dormia lá em casa.
- A gente tinha... ? Ele arqueou a sobrancelha, segurando a colher, e fez uma conta mental ? sete, oito, doze anos, sei lá... E eu dormia na outra cama que tinha no seu quarto. Hoje você tem apenas uma cama de casal e eu conheço muito bem todos os seus pijamas.
- O que tem de mal nos meus pijamas, ? ? arqueou a sobrancelha.
- Porra, ! Vem cá. ? Ele segurou a menina pelo braço e fez com que ela parasse em frente a um espelho em seu quarto ? Olha seu corpo.
- Hum... ? uniu as sobrancelhas tentando achar algo de errado e pensando no que aquilo tinha a ver com dormir em sua casa. ? O que tem meu corpo, ?
- Você é gostosa. ? Ele disse normalmente, como se estivesse falando as horas ? Eu já te vi dormindo e... ? Ele passou as mãos pelos cabelos e respirou fundo ? Meu Deus!
- Seu bobo! ? riu ? Eu nem disse que você ia dormir na minha cama! Quer dizer, se você quiser, tudo bem, não me importo, mas eu tinha pensado em te colocar na sala. Se meus pijamas te incomodam tanto, eu posso dormir de moletom e camiseta. ? Ela ria da cara de .
- Na sala? Moletom e camiseta? Ah! ? Ele jogou os braços pro alto e se sentou na cama de ? Que graça vai ter?
- Você, por acaso, tá achando que eu to pensando em sexo? ? Continuou rindo e saiu do quarto.
se levantou da cama, a contragosto, e a seguiu.
- Eu não disse isso. ? Colocou a sua colher no pote de sorvete, que ainda estava em suas mãos, deixou-o em cima da mesa e olhou para , que pegava água na geladeira.
- Mas pensou. ? Ela encheu dois copos com água e levou um para . Tomou o que tinha no seu e o levou para a pia junto com o pote de sorvete dele.
- Não pensei.
se sentou na mesa, de frente para , e abriu as pernas, fazendo com que ele ficasse na direção do meio delas, e olhou para o rosto dele.
- Vem até aqui. ? Ela disse, chamando com o indicador, bem provocativa ? Quero ver como você se comporta aqui pertinho. ? riu.
observava cada ação dela, ela nunca fizera algo assim e aquilo o assustou. Ele não sabia o porquê, mas a única explicação que se vinha à cabeça dele era a que ela estava com vontade de provocá-lo. Mas, por quê?
- Puta que pariu, heim, ? ? Ele não piscava, estava atento a cada movimento dela. Mordeu o lábio inferior e olhou de cima a baixo. Ele se aproximou dela, como ela havia pedido anteriormente. Olhou para as pernas dela e se arrependeu de ter feito aquilo. Que mania era aquela que ela tinha de vestir shorts tão curtos? Colocou a mão em uma das coxas de e a apertou.
- ...
- Shh... Não fala nada, .
- , por favor.
Mas ela não conseguia se concentrar em si, no que a cabeça dela apitava.
, com a mão livre, apertou a cintura de . Ela fechou os olhos e sentiu seu coração bater mais forte. Será que algo que ela sempre quis estava prestes a acontecer? Não, aquilo não poderia acontecer, não naquele momento.
deslizava as mãos pelas costas dela, descendo até sua bunda, fazendo com que seus corpos se colassem ainda mais. se esqueceu de tudo, apenas envolveu suas pernas na cintura dele e mordeu o próprio lábio inferior ao senti-lo mordendo seu pescoço. Ela estava assustada, pois não imaginara que ele reagiria daquela maneira. Achou que ele brincaria um pouco e depois se afastaria. Ainda pensava que aquilo aconteceria a qualquer momento. começou a espalhar beijos estalados no pescoço dela e, ao tirar o rosto de lá, só conseguia fixar seus olhos na boca de . Sentiu uma vontade imensa de beijá-la, mas não achava que aquele era o momento certo. Mordeu seu próprio lábio inferior, numa tentativa de afastar aqueles pensamentos de sua cabeça, e fechou os olhos. o puxou pelo pescoço encostando suas bocas levemente. O beijo não passou daquilo. Os dois perceberam que aquilo não poderia acontecer e se afastaram.
Ele pigarreou e foi até a pia tentando organizar os últimos acontecimentos em sua cabeça e se encostou ali. Ela ficou sentada em cima da mesa, ainda sem acreditar.
- ... ? Ela mal escutara sua voz, mas sabia que ele estava atento.
- Sim? ? Ele respondeu, ainda olhando para a pia.
- O que, er, foi isso? ? Pigarreou, ainda de olhos fechados.
- Não sei. ? se virou, olhando a garota.
- Hum, eu... ? firmou seus olhos nos dele. ? Gosto de você.
Chapter Three
Ao perceber que ele não voltaria, que ele não tentaria falar alguma coisa com ela, limpou as lágrimas que caiam incessantes por seu rosto e foi até a janela. Ainda pôde ver entrando no carro. Pôde ver que ele não saía com o carro, que ele permanecia ali. Quando pensou em correr, em descer e dizer tudo o que guardava para si, viu que ele dera a partida e se afastava. Deixou que as lágrimas continuassem caindo e o choro se tornou audível. Por que aquilo acontecia com ela?
Jogou-se em sua cama, abraçando seu travesseiro, que ainda tinha o cheiro de por ele sempre estar ali e ficou se lembrando de tudo que passaram juntos desde o início da amizade no jardim de infância. De como ele falava que eles se casariam algum dia, porque ela era a única menina não nojenta da turma na escola. As lembranças apertavam seu peito e os soluços começavam a sair. O choro estava, definitivamente, incontrolável.
Quando conseguiu engolir o choro, olhou pro mural que mantinha em seu quarto ? o mesmo que sempre esteve no quarto que tinha na casa dos seus pais desde os 13 anos. E lá viu várias fotos de sua vida. A maior parte delas com ao seu lado. Sua preferida estava lá: no seu aniversário de 18 anos, usando chapéus de cone do Mickey, durante os parabéns, ele era o único que estava ao seu lado na mesa. No momento em que ela riu de algo que ele fizera e olhou para o lado, ele também olhava rindo para o rosto dela, os olhos quase se fechando pelo tamanho do sorriso. A foto era tão espontânea que, no outro dia, ela já mandara revelar para poder colocar ali, ao lado das outras que tanto gostava.
Será que aquilo voltaria ou tudo estava terminado para os dois? Será que toda aquela amizade, todas as promessas seriam quebradas por um motivo que ela não conseguia nem entender? Ele dissera que gostava dela e ele sabia que ela sentia o mesmo. Na verdade, depois de ter jogado verdades e verdades na cara dele, nunca mais repetira um ?eu te amo? para . Mas ela acreditava que ele sabia, que ele tinha a certeza de que ela ainda sentia aquilo por ele.
Se eles se gostavam mutuamente, por que não poderiam ficar juntos? Ah, Angelique... Por que Angelique existia no meio dos dois? Melhor! Por que ficara com ela em uma festa uma semana depois de saber o que ela sentia? Ele não podia controlar seus hormônios perto de uma mulher? Não podia ter se controlado? Ela aceitaria se ele tivesse ficado com qualquer outra mulher, mas ele ficara com Angelique. E ele sabia que ela era amiga de .
Não que a considerasse uma amiga, mas ela sabia como Angel a considerava, como Angel gostava de sua companhia e não queria fazer nada que pudesse magoar os sentimentos daquela menina. Ela era tão ingênua, tão frágil, que não conseguia dizer muitas verdades para ela. Ver a menina chorar, por qualquer que fosse o motivo, era de cortar o coração de qualquer um.
- Nem vem, . Hoje não, por favor. ? encostava-se a um canto da parede do apartamento de e tinha um travesseiro nas mãos.
- Ah, ! Vem! ? Ele tentava chegar perto da menina, com uma pasta de dentes na mão direita e um pote de nutella na esquerda. ? Deixa eu brincar!
- Da última vez que eu deixei o senhor fazer isso, fiquei com as sobrancelhas duras por causa da pasta e o rosto totalmente oleoso. Não, . Não preciso de mais espinhas aparecendo aqui! ? Ela apontava para sua testa enquanto ele ria.
- Você me chamou pelo sobrenome. Você só me chama assim quando está nervosa.
- E como você acha que eu to agora, querido? Feliz por você querer passar pasta de dente e nutella no meu rosto?
- É! Você deveria estar, a gente fazia isso quando você tinha 15 anos e não havia reclamações.
- Eu era uma criança! ? disse, ainda se defendendo com o travesseiro.
- É só pra passar o tempo. Eu deixo você passar no meu também. ? Ele sorriu.
- Qual a graça de ficar com o rosto sujo de pasta de dentes e chocolate, ? ? As sobrancelhas da menina se uniram.
passou nutella em seus lábios, colocou o pote e o tubo de pasta em cima da mesinha de centro de sua sala e se aproximou da menina. Ela já não tentava mais se defender.
- O que é isso, ? ? Ela o encarava.
Ele se aproximou de e segurou o travesseiro que estava nas mãos dela. Jogou-o em cima do sofá enquanto puxava a garota para um abraço. Suas mãos estavam na cintura dela, fazendo com que seus corpos se colassem. Não havia espaço algum entre os dois.
- A graça de sujar o rosto com chocolate, . ? Encostou seus lábios nos de e se afastou depois de alguns segundos. ? Ou vai dizer que não gosta?
Ele reparou que ela ainda mantinha seus olhos fechados enquanto passava a língua por seus lábios, tentando limpar o chocolate.
- Não faça isso, . ? Ela disse, encarando-o. ? Por nosso próprio bem, por favor, nunca mais faça isso.
Ele afrouxou os braços, deixando uma pequena distância entre os dois, e franziu a testa.
- Não...
- Você sabe o que se passa em minha cabeça, ? Ela o interrompeu ? Então, se for pra brincar comigo, não faça isso. Não era pra ter acontecido aquele dia. Não era pra você ter encostado sua boca na minha, . Não faça isso.
- Mas...
- , você não entendeu quando eu disse que gostava de você? Será que é tão difícil para um homem entender quando uma mulher fala sobre amor?
- ...
- Por favor, , não diga nada. Pelo menos não ainda. Deixe-me terminar. ? Ela o encarava. Ele tinha uma expressão confusa. ? Quando eu disse que gostava de você, eu pensei que você entenderia o significado. Eu to tentando fazer isso voltar a ser apenas amizade, . Mas se você continuar insistindo nesses selinhos inesperados, vai continuar me iludindo com coisas bestas. Não quero isso. Não faça isso comigo, por favor.
Eles permaneceram calados, apenas se encarando, enquanto soltava seus braços da menina e tentava entender todas aquelas palavras. O que acontecera com sua pequena? Com sua melhor amiga? Onde estava a que gostava de brincadeiras, que aceitava selinhos, que ria com besteiras e pornografias ditas pelos dois? Por que aquilo agora?
- Desculpe... ? Foi a única palavra que conseguiu dizer, antes de ver saindo pela porta de seu apartamento.
Ele ainda não entendia.
Chapter Four
entrou em seu apartamento batendo a porta.
Por que droga ele tinha começado com aquilo tudo? Ele fizera se apaixonar por ele. Ele se apaixonara por ela também. Por que eles não podiam transformar a amizade em algo mais? Por que Angelique existia em sua vida?
Angelique... Ele ainda precisava terminar algo que tinha começado alguns meses atrás. E iria fazer aquilo agora.
Pegou seu celular no bolso traseiro de sua calça e procurou pelo número da até então namorada na agenda do telefone. Não adiantava, o único número que ele se lembrava de cabeça era o de . Mesmo tendo Angel como namorada e ligando para ela praticamente todos os dias, não conseguia gravar.
- Oi, meu amor! ? escutou uma voz fina e doce no outro lado da linha depois de três toques.
- Angelique. ? Disse com um tom áspero ? Posso dar uma passada em sua casa ainda hoje? Precisamos conversar.
- O que aconteceu? ? Ela perguntou, demonstrando preocupação. O que queria com ela?
- É melhor eu te falar sobre isso pessoalmente. Não é um assunto muito bom ao telefone.
- Claro, . Mas estou quase chegando em seu apartamento. Prefere que eu passe aí ou quer mesmo ir em minha casa? Porque se...
- Ótimo. Estou te esperando então. ? Ele a interrompeu. Passou as mãos pelos cabelos, bagunçando-os ainda mais. Sentia-se acabado.
- Daqui dez minutinhos chego aí então. ? Angelique disse e desligou o telefone. Que surto fora esse?
começou a andar de um lado para o outro. e todas as suas dúvidas não saíam de sua cabeça. Por mais que ele tentasse, ela continuava ali, martelando seu cérebro. , , . Era impossível parar. Impossível controlar.
Assustou-se ao escutar o interfone. Foi até ele, ainda com as chaves de seu carro nas mãos. Rodava-as nos dedos freneticamente.
- Quem é? ? Perguntou, duro.
- Srta. Angelique. Mando entrar?
- Claro.
Colocou o fone no gancho e foi até a porta. Batucou os dedos na fechadura até escutar a campainha e a abriu, vendo uma Angelique assustada do lado de fora.
- Posso entrar? ? Ela perguntou ainda em dúvidas sobre o que deveria fazer. estava a assustando agindo daquela maneira.
- É, sim... ? Ele saiu do caminho, dando espaço para a garota. Esperou que ela entrasse e fechou a porta. Não se virou. Não conseguia olhar nos olhos dela.
- O que está acontecendo? ? Ela tinha uma expressão de medo e dúvida no rosto. Invisível ao rosto do garoto. ? Não entendi toda a urgência...
- Angelique. ? Ele conseguiu se virar, mas não se aproximou da garota. Ficou parado ao lado da porta ? Não posso mais continuar com isso. ? Olhou para baixo, fechando os olhos numa careta.
- Não... Não consigo entender. ? Ela franziu a testa.
- Nosso namoro. Não dá mais. ? Conseguiu colocar tudo para fora e se sentiu aliviado ao fazê-lo.
Ela não disse mais nada. O choque fora grande. Ontem eles ainda estavam bem, saíram, comeram uma pizza, combinaram tudo sobre os shows que teriam na semana que vem ? eles iriam juntos. O que ela fizera? Tentava voltar os dias em sua cabeça, procurar algo que fizera de errado e não conseguia encontrar.
- O que eu fiz? ? Perguntou, depois de minutos de silêncio.
- Nada. ? Ele sorriu. ? Só acho que não posso te machucar, Angel. Você é boa demais para mim. ? Conseguiu se aproximar dela e ajoelhou em sua frente, pegando em suas mãos ? Eu não poderia fazer isso. A pessoa certa pra você está por aí, Angel. Não sou eu.
- Como você pode ter tanta certeza? ? Uma lágrima rolou por seu rosto e a limpou com o dedão.
- Cada pessoa, acredito eu, já vem pra cá com a vida pronta. Cada pessoa tem um projeto pra si, mesmo que não saiba. É como se Deus desenhasse cada pessoa com seu par. O seu está por aí, Angel, e não sou eu.
- O que tá acontecendo? A gente tava bem ontem, ! ? Ela se livrou das mãos dele e se levantou, olhando pro abaixado em sua frente. ? Não vem com esse papinho de que eu sou boa demais para você. Eu sei que vocês sempre usam essa mesma frase quando vão terminar um namoro. Me diga a verdade, . O que aconteceu?
- A aconteceu, Angelique. ? Ele soltou a verdade. Olhava pro chão, ainda abaixado. Não acreditava que diria a verdade, mas disse.
- O que tem a ?
- Eu fui feito pra ela. ? Ele piscou algumas vezes enquanto olhava para cima, encarando o rosto fino, branco e loiro da garota.
- Você me traiu? Com a ?
se levantou, podendo olhar no rosto dela.
- Não. Eu pensei em ficar com ela um mês antes de a gente começar a ficar. Mas ela disse que gostava de mim quando eu ia fazer isso e me atrapalhou todo. Eu fiquei todo confuso, Angel. ? Ele passava as mãos pelos cabelos. Se jogou no sofá. ? Eu fiquei com você num momento de, não sei... Não queria te dizer essas coisas. Não me pergunte mais nada, tudo bem? Só... Me deixe sozinho.
Angel piscou algumas vezes tentando acompanhar o raciocínio do garoto. Agarrou sua bolsa e foi até a porta.
- Boa sorte, então. ? Disse antes de sair.
- Por que, ? Só me responda o motivo de ter feito isso! ? disse, assim que passou pela porta de seu apartamento e se sentou no sofá.
- Calma, . Acabei de chegar...
- Você viu como eu tava no telefone. Eu não vou recomeçar a conversa só porque agora você tá na minha frente... Não, não vou te dar tempo. Por quê? ? Ela se recusava a olhar nos olhos dele. ? Eu sei que você não me deve explicações...
- Te devo explicações sim. Você tá certa em querer saber e eu vou te falar. , eu to confuso. Olha pra mim! ? Ele a puxou pelo braço, fazendo com que ela se sentasse ao seu lado. ? Olha pra mim, já disse. ? Segurou no rosto da menina, fazendo com que seus olhares se encontrassem. ? É difícil. Foi difícil escutar aquilo na semana passada. Eu to confuso. Você não tem noção de como as perguntas estão rolando na minha cabeça agora, pequena.
- , eu escutei, pela Angel, o que eu queria saber sem ninguém precisar contar. ? Ela estava séria e tentava controlar algumas lágrimas que queriam rolar por seu rosto ? Você, por acaso, gostaria de saber como é o meu beijo por outra pessoa? Que tal se o te contasse? Ou o ? Ah, quer saber, pede pro , porque ele foi o que mais se animou quando nos beij...
bufou e encostou seus lábios nos da garota. Segurou em seu pescoço e deslizava sua língua nos lábios dela pedindo permissão para o beijo iniciar. tentou não se deixar levar pelo momento, mas não conseguiu. A vontade de saber como era, de sentir a língua de na sua era tão grande que acabou entreabrindo os lábios, deixando que um beijo, o primeiro beijo real deles, se iniciasse.
Ela sentiu seu corpo todo tremendo enquanto suas línguas dançavam, formando um beijo adorável. sabia que a sincronia dos dois era perfeita. Teve a certeza, naquele momento, de que era ela. Eles foram feitos um para o outro. E ele a queria. A queria mais do que nunca.
Eles não conseguiam mais se separar. O beijo era tão intenso, fora algo que os dois esperaram por tanto tempo, que não sabiam como se separar. Que não queriam sair daquela situação, que tentavam não pensar o que aconteceria quando aquilo acabasse. Era o melhor momento da vida de . O melhor momento da vida de . E o melhor momento da vida dos dois juntos.
Pra que terminar com aquilo se os dois queriam? Se eles demonstravam, durante o beijo, que o que mais queriam era aquilo? Ficar juntos! Por que nunca pensaram naquilo antes?
Foram interrompidos pelo celular da , que começou a tocar na cozinha.
Ela tentou se afastar de , que a segurou pelos braços e manteve o rosto bem próximo ao da garota.
- Deixe o telefone. ? Disse com uma voz rouca e passou os dedos pelo rosto dela.
- Não, . ? Ela o empurrou e se levantou.
Foi até a cozinha e viu que era apenas o alarme avisando que um de seus seriados favoritos estava começando. Merda. É, se ela tivesse desligado aquilo, ainda estaria beijando . Mas... Se bem que era bom. Aquilo não poderia acontecer. Ela queria a amizade dos dois intacta mais uma vez. Não queria confundir ainda mais sua cabeça. Ele dissera que estava confuso. Talvez a beijou para saber o que queria. Era impressão dela ou ele a estava usando?
Ele continuava na sala, deitado no sofá, de barriga para cima, olhando para o teto e batucando os dedos pelo sofá. Mania que ele não conseguia controlar. Era automático. Pensava no beijo. Passou a língua pelos lábios e sorriu. Era aquilo, aquilo era certo. Era ela. Ela era certa.
- ...
- Quem era? ? Ele a interrompeu, antes que ela começasse a dizer que o beijo fora errado.
- Alarme. Friends... Você sabe. ? Rolou os olhos.
Sim, ele sabia. Apesar de ela ter todas as temporadas daquela série em DVD, sempre assistia na televisão. Mania dela. Era incontrolável, assim como o que ele fazia com os dedos.
- Hum, então... ? Ele sorriu marotamente para ela e percebeu que ela se afastava.
- Não, . Não. ? Ela olhava para o chão enquanto movia sua cabeça rapidamente de um lado para o outro.
- Mas, ... ? Ele bufou ? Eu gos...
- Você nada. Você ficou com a Angelique ontem. Ela gosta de você. Vá atrás, tenho certeza que alguma coisa acontecerá entre vocês. Além do mais, eu quero e de volta. Isso aqui tá muito estranho. e nasceram para serem amigos. Apenas. E não insista. ? Ela completou ao ver que o menino abria a boca para protestar.
Chapter Five
O interfone insistia em tocar. Será que Christian não percebia que não estava para ninguém? Por que ele ainda tocava? Por que aquele barulho estridente não a deixava fechar os olhos e dormir? Esquecer tudo daquele dia? Tentou se concentrar na música que tocava em seu i-pod – Todo Cambió, de Camila – aumentou o som e acompanhou a parte mais alta da música. Mas não conseguia ignorar o som chato e alto do interfone. Levantou-se com raiva e foi até lá.
- Porra, eu tava tentando dormir, Christian. Fala que eu não to!
- Mas é a Angelique, ela disse que é sério.
- Christian, eu não quero receber ninguém.
- , eu PRECISO falar com você. E eu sei que está em casa. Posso ver seu carro na garagem e a janela do seu apartamento está aberta! – escutava a voz fina de Angelique se alterando em várias partes da frase.
Lembrou-se de imediatamente. Ele terminara com ela.
- Manda subir. – Respondeu, dando-se por vencida.
Por que aquilo agora? Alem de ter brigado com agora teria que escutar as lamúrias de Angel sobre um assunto que ela não queria pensar. Não, ela não podia pensar em . Ela não queria, não podia, não devia pensar em nada que envolvesse . Ele já estava enlouquecendo a garota. Mesmo estando longe.
Abriu a porta quando a campainha tocou e viu Angel chorando em sua frente.
- Entra, Ang...
- Não! Eu não vou entrar. Eu não quero mais olhar na sua cara. Ele terminou comigo, . Terminou comigo por causa de uma pessoa. E essa pessoa tá na minha frente. O que você faz, heim? Por que consegue tudo o que quer? Vá em frente, garota. O agora é seu.
Ela voltou para o elevador e apertou o botão, chamando-o.
- Espera, Angel... Eu...
- Cala a boca, garota. Todo mundo me avisava que um dia você o roubaria de mim, que você o olhava como se o quisesse mais do que um amigo. E era exatamente assim que você se sentia em relação a ele... – Ela riu, bufando – Cega. Eu sou cega, . Não sei como não percebi isso antes. Ele tá apaixonado por você e me disse isso. Conseguiu seu prêmio, pode ir atrás.
Entrou no elevador, que já a esperava, com alguns moradores dentro que as olhavam sem entender o motivo da briga.
viu a porta se fechando, enquanto Angelique mantinha os olhos fixos no teto.
Ótimo! Agora era a culpada pelo fim do namoro dos dois. Era tudo que ela queria. Era a última coisa que ela pensava que aconteceria. Sabia que Angel era apaixonada por , mas não tinha noção da intensidade daquilo. E, sobre ela olhar para o melhor amigo mostrando que o queria, era mentira. Ou era verdade? Ela nunca esquecera o beijo, nunca esquecera o que dissera para . O motivo de ele ter começado a sair com Angel... E se arrependia intensamente por ter feito aquilo. Por ter dito aquelas palavras. Agora não tinha , não tinha Angel. Talvez não tivesse mais , nem , nem . Respirou fundo e entrou em seu apartamento. Fechou a porta e a trancou. Voltou para seu quarto, fechou as cortinas e enfiou os fones nos ouvidos, tentando descobrir qual a música que tocava.
Nothing you confess
(Nada que você confesse)
Can make me love you less
(Pode fazer com que eu te ame menos)
I’ll stand by you
(Eu estarei aí para você)
I’ll stand by you
(Eu estarei aí para você)
I’ll Stand by You – The Pretenders. Grande ironia. Era tudo o que ela precisava escutar naquele momento. Fechou os olhos e sentiu mais lágrimas rolarem. Já estava enjoada de sentir seu rosto molhado, mas não conseguia controlar. Nada que você confesse fará com que eu te ame menos. A única coisa que ele confessara foi gostar dela. Com certeza aquilo não faria com que ela o amasse menos. Pelo contrário! Todos os sentimentos que ela tentava esconder de todos e de si mesma voltaram ainda mais fortes. Ela o queria. Ela o amava.
- Eu faria isso por você. – fitou os olhos cheios de lágrimas de depois de desligar o DVD.
Eles assistiram Antes que Termine o Dia naquela tarde e se impressionaram com a história. Ela não se controlou e deixou que as lágrimas inundassem seu rosto. Ao escutar aquela frase, sentiu ainda mais vontade de tê-lo para si.
- Não fale boba-agens, . – Ela soluçou e ele sorriu – Aquilo não deveria ter acontecido. Se ele sa-abia, por que ent-trou no táxi? Não me confo-ormo.
- Era o destino, . Se não acontecesse naquele dia, aconteceria em outro dia. E ele tinha a certeza de que não poderia viver sem ela nem mesmo um minuto. Por isso se colocou ali. Para salvá-la. E eu faria a mesma coisa por você.
- Cla-aro.
- Pare de chorar, .
- Eu to tent-tando, , mas os soluços me es-scapam.
Eles riram juntos e ele a abraçou.
- Por que você faria o mesmo por mim, ? – perguntou, depois de ter se controlado.
- Porque eu não vivo sem você, oras. Que pergunta... – Ele deu de ombros.
- Você faria mesmo qualquer coisa por mim? – Ela se afastou do abraço e o olhou nos olhos.
- Qualquer coisa que estivesse ao meu alcance. – Ele sorriu para ela e limpou seus olhos, manchados do lápis que escorria.
- Eu te amo, . – Ela sorriu também e eles se abraçaram.
- Você é tudo na minha vida, .
- Mais que a Angelique? – Ela riu, torcendo para escutar um sim. O namoro dos dois a incomodava, mesmo que ela não quisesse sentir aquilo.
- Sim, mais que a Angelique. – Ele respondeu e desejou que ela entendesse aquilo como um “eu preciso de você”. – Mas é segredinho nosso, pequena. – Riu.
- É, eu sei... Se ela imagina, se ela sonha que você falou isso pra mim, termina o namoro. E não é isso que você quer.
Sim, era aquilo que ele queria. Terminar com a Angelique e ficar com ela, será que era tão difícil para entender algo tão simples? Às vezes ele sentia como se houvesse um “eu te amo, ” escrito em sua testa. Como ela poderia ser tão cega a ponto de não enxergar algo tão visível?
Deu de ombros para a pergunta dela e a abraçou mais uma vez.
Chapter Six
Ele precisava ver . Ele sabia que o único antídoto para toda a dor que ele sentia tinha nome e sobrenome: . Sua pequena . Por que, logo depois de eles combinarem de que não se afastariam, foram ter aquela discussão ridícula?
Ela gostava dele, ele tinha certeza. Eles se amavam. Ele a queria naquele momento, em seus braços. Queria sentir mais uma vez o que sentiu quando a beijou um dia depois de fazer a burrada de ficar com Angelique.
Se ele começara um namoro com aquela garota foi porque dissera a ele para fazer aquilo. E ele obedeceu. Foi atrás da garota, ficou algumas vezes e depois a pediu em namoro. Seis meses depois estava o resultado: o fim, também por causa de .
Por que ela estava tão presente assim na vida dele? Por que ele não conseguia tirá-la de sua cabeça?
Foi até a cozinha tomar um copo d’água e, ao encostar-se na porta da geladeira viu um post-it amarelo que colara ali há um ano.
Você é um completo bundão! Retardado, idiota. Mesmo assim, eu te amo! E pode ter certeza que eu vou conseguir.
sorriu lembrando-se do que acontecera. Ela escrevera aquilo porque ele duvidou que ela beijaria , e na mesma festa. Sem que eles soubessem que estavam dividindo a mesma garota. E tudo por causa de um joguinho idiota de “eu duvido” que eles inventaram de fazer quando faltou luz numa sexta à noite.
Como a festa aconteceria no sábado, aceitou o desafio. Quando passou no apartamento dela para buscá-la, teve uma crise de ciúmes. Ele sabia que ela faria aquilo. E ele pensando que ela se comportaria como uma garota de família. Iludido!
Sentiu mais uma pontinha de ciúmes ao se lembrar da cena e desviou os pensamentos daquilo. Passou os olhos por outros post-its que ela colara e riu.
Aquela garota amava deixar algum recadinho antes de ir embora. E ele deixava todos ali, como se fossem ímãs de geladeira.
Fui ao supermercado. Você não tem nada na geladeira! Como consegue viver?
Respirando você, . pensou. Ela era a única coisa que ele precisava para continuar sua vida.
Passe em minha casa às 22:00? Já estarei pronta. Coldplay, aí vamos nós!
Show do Coldplay. Que show fora aquele? Foi lá que ele teve a incrível ideia de tentar ficar com ela. Por que ele não a agarrara logo ali? Tudo estaria perfeito. Ela amava a banda e as músicas faziam o clima. Mas não. Ele era um bundão. Assim como ela sempre afirmava.
- Eu nunca nadei pelado na chuva. – disse e bebeu um pouco da garrafa de vodka, passando-a para que repetiu o gesto.
- Disso eu já sabia, espertinho. Quero que diga algo que eu ainda não saiba. – Ela o olhou, depois de beber e ele riu.
- O que você não sabe sobre mim?
- Eu nunca fui vista me tocando. – Ela bebeu mais um pouco e viu os olhos de se abrindo.
- O quê? – Ele se assustou, segurando a garrafa que empurrava para ele.
- Ah, vá ! – Ela rolou os olhos. – Beba logo. Eu já vi.
- O QUÊ? – Arregalou ainda mais seus olhos, sem acreditar no que dizia.
- Quando a gente viajou com a escola... A gente tinha 15, 16 anos. Eu entrei no seu quarto e, bem... A porta do banheiro estava aberta, né? Aí eu entrei, pensando que não tinha ninguém e... Hum, vi. – Ela prendeu um riso. – Agora beba.
Ele fechou os olhos, corando e bebeu.
- Por que nunca me disse? E eu não quero mais brincar disso.
- Você é um bundão! – Ela riu – Eu não disse porque não tinha necessidade, querido.
- Espera! Você bebeu também. Quem te viu? – Ele franziu a testa, tentando se lembrar de ter visto algo assim, mas era impossível. Aquela cena, com certeza, não sairia de sua cabeça. E, como não encontrou nada, ficou preocupado.
- . – Ela mordeu seus lábios, escondendo o rosto com as mãos.
- Quer que eu dê uma surra nele? – Ele riu.
- Não. Faz tempo, . – Ela o encarou.
- Quando?
- Ano passado. Meu apartamento. Você saiu de lá, deixou a porta encostada e, bem, como você também tinha convidado ele, e para assistirem um filme em meu apartamento... Bem, ele entrou e, hum, me viu.
- Na sala, ? – Ele arregalou os olhos mais uma vez e riu.
- Não! No meu quarto. Só não me pergunte o que ele estava procurando em meu quarto que eu não sei...
- Pode deixar que vou dar um jeito nele, . Nunca mais ele vai te, er... Atrapalhar em seus momentos, hum...
- É, acho bom acabar com esse papo. – Ela riu, nervosa e ele fez o mesmo.
Eles permaneceram calados por um tempo. ainda queria bater em , mas não deixava saber daquilo.
- Que merda! Isso é injusto! – Ele disse, assustando .
- O que é injusto?
- Você me viu e o te viu. Por que eu não te vi? Era pra eu ter te visto, não ele. Você ainda me deve uma.
- ! – Ela o repreendeu com um tapinha no braço e ele riu.
Sem pensar direito no que estava fazendo, segurou os braços da menina e fez com que ela se deitasse no chão, subindo em cima dela, sem deixar seu corpo cair totalmente sobre o dela. Ainda riam, quando olhou em seus olhos, encarando-a. Sorriram mais uma vez, ao mesmo tempo. Ele soltou as mãos dela e passou seu dedão pelo rosto da garota. Tirou uma mecha de cabelo dela, que caia sobre sua testa, aproximou seus rostos e pode senti-la prendendo a respiração, antes de fechar os olhos. Encostou seus lábios no queixo da garota e espalhou beijos pelo seu pescoço.
o empurrou.
- Controle-se, querido. – Ela riu.
- Claro, querida. – Imitou o tom de voz da garota.
Controle. Era o que ele precisava. Mas por que não conseguia se controlar ao lado dela? Aquilo acontecera na semana passada, pela primeira vez, voltou a acontecer no dia anterior e ele podia sentir que já estava se tornando uma necessidade.
Chapter Seven
Acordou sentindo sua cabeça latejar. Foi até o espelho e se assustou com a pessoa que estava olhando horrorizada para ela pelo reflexo. Não podia ser . Ela não se reconhecia. Seus cabelos estavam embaraçados e parecia uma juba de leão em volta de seu rosto. Tinha olheiras imensas e marcas de lençol espalhadas por sua face.
Juntou os cabelos e conseguiu juntá-los num nó. Passou uma água no rosto, tentando fazer a que ela conhecia voltar para si.
Fechou a torneira, pegando a toalha de rosto para enxugar as mãos, quando escutou o telefone tocar.
- Oi. – Também não conseguiu reconhecer a voz rouca que falava. Ela estava acabada, podia sentir.
- , eu... Preciso te ver. Não aguento mais. ¬– disse, do outro lado da linha – Um dia eu disse que eu faria qualquer coisa por você, qualquer coisa que estivesse ao meu alcance. Eu disse que seria seu anjinho, que ia te proteger de tudo! – Ela escutou um soluço e se assustou ao perceber que também chorava. – Por favor, a gente vai esquecer tudo que já viveu até hoje? Ontem a gente prometeu que não se afastaria, !
- ...
- Não fale nada, só me deixe ir até ai.
- Aham. – Mexeu a cabeça para cima e para baixo ao falar. Escutou a respiração pesada de e desligou o telefone antes que ele dissesse mais alguma coisa.
Ela sabia que se falasse, sairia muita coisa que não era propícia ao momento, nem à situação. Ela amava , não queria ter que viver longe dele por mais tempo, mas tudo o que acontecera num curto espaço de tempo estava matando-a aos poucos. Ele finalmente dissera que a amava, assim como ela o amava. Angelique jogara na cara dela que terminara o namoro por um motivo, e um motivo bem sólido para ela, já que era a própria . Difícil raciocinar com tudo acontecendo tão rápido assim.
Mas ela sabia que não queria perdê-lo. Queria que ele continuasse com ela para sempre, mesmo que fosse apenas como seu melhor amigo perfeito, que a protegia de tudo. Sabia que se não desse certo o que ela mais queria que acontecesse, teria que aprender a conviver com apenas como sua melhor amiga. O que ela achava difícil, já que sempre tinha que esconder todo aquele sentimento.
- , você vai me ensinar a resolver continha de dividir? – olhava pro amigo, com aqueles olhos bem abertos, insistindo em algo que sabia ser difícil acontecer.
- Mas você nunca entende! Eu já tentei te explicar isso várias vezes e... – dizia, rolando os olhos, numa típica cena infantil.
Os dois se entreolharam e começaram a rir ao mesmo tempo. A mania de imitar crianças era frequente. E aquilo arrancava risos dos dois. Principalmente quando se empolgava – algo que acontecia com uma freqüência bem maior que qualquer outra coisa.
- Esse negócio que você faz com os olhos é hilário! – tentava prender uma risada, mas parecia haver uma força maior dentro dela, que a fazia rir de qualquer coisa que fizesse e/ou dissesse.
- Esse negócio que você faz com os olhos é hilário! – a imitou e ambos voltaram a rir, mais uma vez.
Era impossível ficarem calados quando estavam juntos. Era impossível não rir de alguma coisa, imitar alguma criança, fingir chorar para ver o outro aconselhar, fazer cócegas, falar até não aguentar mais...
Eles eram melhores amigos, aquela situação era a mais simples e comum possível para eles. Melhores amigos. Era apenas aquilo que eles eram. Melhores amigos.
E assim permaneceriam para sempre.
Chapter Eight
Lá estava ele quando abriu a porta de seu apartamento. Seus olhos inchados não o deixavam mentir sobre o que havia feito pelas últimas horas: chorar. Ainda estava com suas melhores roupas e sapato. Seu perfume, intoxicante para , estava ali, impregnado nele. Mas, apesar disso, não parecia o cara mais lindo do mundo, para qualquer pessoa que visse. Para ele ainda era quem mais mexia com sua cabeça, o cara mais lindo de todo o universo, o cara que ela mais desejava para si. .
Ele fez todo o caminho de seu apartamento até o de , deixando lágrimas tomarem conta de seu rosto.
Ao ver que era seu espelho (afinal, ela estava da mesma maneira: lágrimas, rosto inchado, olheiras), apenas a abraçou, deixando o choro sair e os soluços intensificarem.
se sentiu protegida imediatamente ao ter seu corpo envolto nos braços de . Escutava-o sussurrando pedidos de desculpas seguidos por milhares de frases diferentes que significava apenas o quanto ele a amava (ou uma parte disto).
Fechou os olhos, controlando seu choro e colocou a mão na nuca de , acariciando-lhe.
Quando ele conseguiu se controlar, pode fechar a porta e se sentar no sofá, com sempre ao seu lado.
Ficaram em silêncio. Ele tinha a cabeça encostada no ombro dela e pegou sua mão, acariciando-a com o dedão, delicadamente.
manteve a outra mão nos cabelos dele, acariciando-os da maneira que ele mais gostava.
Eles se conheciam bem o bastante para saber que o silêncio era o que podia acontecer de melhor.
Pelo menos por enquanto.
- O que achou? – perguntou, ao fechar a porta de seu quarto.
- Ele se acha o gostosão. – se jogou na cama da garota, e ela não deixou de reparar quando a camisa dele subiu um pouco, deixando um pequeno pedaço de sua barriga à mostra.
Sentiu um calafrio percorrendo seu corpo, mas se controlou.
- Tá com ciúmes, é? – Ela brincou.
- Tenho certeza que agora você não vai ter mais tempo pro seu melhor amigo. – Ele falou, sério.
riu, satisfeita ao saber que ele sentia ciúmes e correu na direção do amigo, pulando em sua cama.
- Bobo, bobo, bobo! – Ela ria, enquanto o abraçava com força. – Lindo! Você morre de ciúmes!
também ria, com um braço em volta da cintura da amiga.
- Admita! – Ela fez uma careta fofa, ficando por cima dele.
- Eu me rendo. – Largou a cintura da menina, erguendo os braços ao lado de sua cabeça.
Eles tinham saído, mais cedo, com um namoradinho de . Ela queria que fosse para dar uma opinião.
Bem, ali estava a opinião de : O cara se achava mais que qualquer coisa.
E morria de rir e adorava o fato de se morder de ciúmes.
Chapter Nine
- Hoje de manhã você disse que parecia que estávamos nos afastando. – olhava nos olhos – Eu não quero que isso aconteça.
- Eu também não quero. Nunca quis. Ficar sem você, ...
- Shh... – Ele a interrompeu, colocando o indicador em seus lábios. – Você nunca ficará sem mim. – Sussurrou – Eu prometo.
aproximou seu rosto ao dela, sem desviar os olhares. Manteve uma de suas mãos na cintura de e a outra na lateral de seu queixo, acariciando sua bochecha com o dedão. sentiu a respiração dele se aproximando cada vez mais. Sentiu quando ele encostou seus lábios nos dela, o viu fechando os olhos e percebeu como ele ficou sem graça quando ela desviou seu rosto, partindo um beijo que nem mesmo havia começado.
- Agora não, . – sussurrou, mantendo o padrão da conversa que estavam tendo, ainda sem olhá-lo – Não é a hora. Não ainda.
Ele encostou seu rosto na curva do pescoço de e ela, automaticamente, levou sua mão até a nuca dele e acariciou-a.
- Tira sua camisa, . – sorriu, enquanto olhava o amigo.
- Eu pedi uma massagem, não um banho! – disse, fazendo a garota gargalhar, batendo em seu braço.
- Rápido, garoto!
Depois que tiveram a idéia de um fazer massagem no outro, numa tarde chuvosa, aquela cena começou a se repetir com frequência, e ficava mais íntima a cada dia. adorava sentir as mãos de percorrendo suas costas, ombros e nuca. Gostava quando ele dava um beijo estalado em seu pescoço ao terminar. Gostava de fazer joguinhos, insistindo em mais beijos para que pudesse começar qualquer coisa. E gostava desses joguinhos também, gostava de beijá-la no pescoço, de escutá-la reprimindo gemidos quando ele insistia em massagear a região de sua nuca. Gostava de quando ela se sentava no meio de suas pernas. Gostava da proximidade que tinham. Não conseguia se esquecer de quando gemeu quando ela apertou sua coxa enquanto ele a acariciava.
- E o que eu faço agora? – Ele ergueu a sobrancelha, atirando sua camisa azul em cima de .
- Termina o strip e me deixa molhadinha, gato. – Mordeu seu lábio inferior sensualmente, olhando-o de cima abaixo.
Começou a rir ao perceber que ele ficara vermelho.
- Assim eu fico sem graça.
- Ah, por favor, ! Você escuta coisa pior de várias outras e se empolga! Comigo fica vermelho? Qual a diferença que há entre mim e tantas outras? – Ela rolou os olhos e soltou um riso nasalado.
“Talvez você seja especial demais para ser vista apenas como uma a mais na minha lista.”
queria dizer aquilo, mas apenas balançou a cabeça e abriu um sorriso torto, que fazia o coração de bater mais forte (não que ele soubesse disso), e levou sua mão até o botão de sua calça, abrindo-o e abaixando o zíper, logo a deixando deslizar por suas pernas.
Chegou perto de , que ainda estava no sofá, e a olhou nos olhos.
Ela engoliu em seco.
- Eu tava...
- Brincando? – Ele a interrompeu. – Não parecia brincadeira, pequena.
Pegou as mãos de e as levou até a barra de sua boxer.
- ... – engoliu em seco mais uma vez.
É lógico que ele não a forçaria a nada, mas também era óbvio que estava morrendo de vontade.
- Eu quero, mas...
- Não é a hora. – Ele completou.
Chapter Ten
Três meses se passaram desde que chorara encostado em . Três meses se passaram desde que rejeitara . Três meses estes que pareciam não passar. Tanto para , como para .
Foram três meses sem visitas, sem ligações, sem conversas pela internet, sem acenos rápidos quando se viam nas ruas, sem nem ao menos troca de mensagens por celular.
não queria saber de ouvir seus amigos falando sobre . também não queria ouvi-los falando sobre .
Era cada um em seu canto. Tirando férias um do outro. Como se fosse necessário aquilo para um momento de reflexão. Não fora combinado. Fora apenas compreendido. Ninguém procurou ninguém.
Não até hoje.
abriu os olhos e encarou as fotos em seu mural como fazia todas as manhãs. Lá estava ele: .
acordou e abriu o celular, encarando a foto de uma sorridente como papel de parede.
- Bom dia, meu amor. – Os dois falaram, como se estivessem lado a lado.
- Dormiu bem? – encarava o celular ao perguntar.
- Sonhei com você. – disse sorrindo.
- Por que estamos assim? – Ele indagava.
- Por que você não me procura logo? – ela fazia o mesmo.
- Sinto sua falta. – Os dois disseram, completando aquele estranho diálogo.
O dia passou de uma maneira diferente para ambos. Estavam com maior disposição. Com mais vontade de viver, com um único pensamento rondando a cabeça.
O de era ir até o apartamento de .
O de era ir até o apartamento de .
- São só cinco quadras. – Ela disse, frente ao espelho.
- Esqueça o orgulho e corra atrás de sua felicidade. – Ele murmurava para si mesmo.
E, no instante seguinte, tudo pareceu acontecer como se houvesse um espelho na metade do caminho dos dois: um refletia o outro.
Apesar da grande diferença física entre os dois, eles estavam com a mesma coisa em mente: lutar por aquilo que era essencial em suas vidas, lutar para transformar duas vidas em uma só, lutar por uma pessoa importante, fazer o amor adormecido acordar e se mostrar sem falhas.
teve que esperar o sinal de pedestres abrir antes de atravessar a primeira rua. teve de ajudar uma idosa a atravessar quando estava na segunda.
Quando estavam finalmente na terceira quadra, naquela que ficava exatamente no meio do caminho dos dois, eles se avistaram e sorriram.
Não correram, como era de se esperar. Posso até dizer que pararam por uns segundos para apenas admirar o que estavam vendo: depois de tanto tempo, continuavam pensando de uma maneira bem parecida, diria até que parecida demais.
Chegaram juntos na metade da quadra.
Essa metade ficava em frente a um muro pichado.
Eles riram do lugar, encararam-se por um momento antes de unirem suas bocas e sentirem cada célula de seus corpos vibrando. Foi como se o tempo parasse para os dois: os pássaros se calaram, o vento parou, as pessoas pararam de andar e falar... Eram apenas os dois, escutando as batidas aceleradas de seus corações. partiu o beijo, mordendo o lábio inferior de e dando-lhe um beijo de esquimó com o leve encostar de seus narizes.
- E agora? Deixa eu te fazer feliz?
Ela apenas riu e concordou.
- Deixa eu te fazer feliz! – gritava para .
- Eu consigo ser feliz sem você! – Ela retrucava.
Benditas crianças de oito anos de idade!
Por que diria não, se tinha a certeza de que só seria feliz por completo, que só alcançaria a felicidade pela qual sempre procurara, se estivesse ao lado dele? Ele, , de quem ela gostava desde seus 16 anos de idade...
Mal sabia ela que, na mesma época, os sentimentos dele eram recíprocos.
Se ela descobriu sobre isso? Claro! Depois daquele beijo, que já dissera muito pelo ato em si, os dois não foram comemorar de um jeito que muitos imaginam, eles apenas conversaram. Colocaram os sentimentos expostos, prometeram falar sobre tudo, sempre a verdade.
Namoraram firme, comemoraram juntos várias vitórias, choraram pelas perdas, riram dos amigos, formaram novos casais... Por falar em casais, Angelique foi quem eles arranjaram para . Ah, ela dizia que não havia como, no fim, e não ficarem juntos. Porque eles foram feitos um para o outro. O amor dos dois era visível, era escrito na testa deles. Eles se amavam desde sempre.
Casaram-se na praia e passaram a lua de mel, acredite, na nova casa dos dois, que ficava, acredite mais uma vez, onde antes era o muro pichado.
Tiveram dois filhos.
Brigaram algumas vezes, mas sempre tudo era resolvido da melhor forma.
Viveram juntos e morreram lado a lado – de velhice.
As últimas palavras foram ditas em uníssono:
- Obrigado por me fazer feliz.
E o melhor amigo, no final das contas, virou o eterno namorado.
Volte ao topo para comentar!
Fechar a janela para voltar ao POP
[Present Days]
- Às vezes parece que estamos nos afastando ? falou, com os olhos fixos em suas mãos que estavam em seu colo.
- Eu também percebi isso, ... ? estava em pé na frente dela e não tirava os olhos do rosto de , que estava meio escondido por ela estar olhando para baixo.
- ... ? Ela levantou a cabeça e olhou nos olhos dele ? O que está acontecendo com a gente? ? Uma lágrima estava rolando por seu rosto.
- Não sei... ? Ele abaixou e pôde olhar melhor para ela, limpou as lágrimas que rolavam por seu rosto, respirou fundo, pegou as mãos dela e as beijou ? Não chora, minha pequena, eu te amo muito, tá entendendo? E eu nunca... ? colocou a mão direita no rosto de e acariciou sua bochecha com o dedão ? Nunca mesmo, vou deixar nada acontecer com você. Eu te prometi que sempre seria seu anjinho e não vou faltar com minha palavra.
fechou os olhos quando sentiu a mão de no seu rosto. Ela saiu do sofá, indo para o chão, na frente dele e o abraçou. Deu um beijo no seu pescoço, um pouco abaixo de sua orelha e encostou o rosto no ombro dele.
- Eu também te amo muito. Vamos tentar não nos afastar mais, por favor. ? a abraçou também e fechou os olhos.
- Tentar não, . Nós não vamos nos afastar. ? Ao falar isso, ele colocou a mão nos cabelos dela e ficou acariciando.
Ficaram assim, calados e abraçados por um tempo, até que o silêncio foi quebrado.
- Eu vou terminar com a Angelique...
levantou a cabeça e olhou pro rosto de .
- Como? ? Ela não entendia o motivo para ele estar dizendo algo assim.
- Não dá mais certo, . Eu não sinto por ela o que eu sentia no início.
- Mas até ontem vocês estavam tão bem! Eu vi vocês na pizzaria, não pareciam mal!
- Você me viu na pizzaria e não falou comigo? ? arqueou uma sobrancelha, olhando para .
- Eu passei de carro... Mas eu to falando da Angel! ? Ela disse, com um rosto incompreensível.
- Eu gosto de você!
já estava abrindo a boca para continuar falando que não deveria terminar com Angel, mas ao ouvir aquelas palavras, ela se assustou e ficou calada olhando nos olhos dele.
- Eu amo você, . ? Ele se levantou ao ver que ela não falava nada e foi andando em direção à porta.
- ...
Ele olhou para ela, ficou parado por um tempo esperando que ela falasse algo. Abriu a porta e saiu do apartamento, ao ver que naquela hora não sairia nada da boca de .
Quando ela viu a porta fechar, sentiu seus olhos se encherem de lágrimas e conseguiu sussurrar:
- Eu também te amo, ...
[Past Days]
- Ah, ! Por que você não foi na festa ontem? ? Angelique não conseguia tirar o sorriso do rosto.
- Não tava me sentindo bem... ? fez uma careta ? Aconteceu alguma coisa pra você estar toda alegrinha? ? Sorriu.
- Pensei que você não fosse perguntar nunca! ? Angel disse, jogando os braços para cima e quase pulando de alegria ? Adivinha quem me beijou ontem!
- Hum, ? ? Arqueou a sobrancelha e olhou a amiga. A viu fazendo que não com a cabeça ? Deixa eu pensar... James? Também não... ? Franziu a testa, pensativa ? Patrick? ? ?
- ! ? Angel ainda sorria ? Você o conhece muito bem, vocês não se desgrudam... Eu chego sentir ciúmes de te ver com ele porque você não me dá muita atenção quando estamos juntos.
- ? ? arregalou os olhos. Não conseguia demonstrar felicidade. Até tentou, mas não conseguia mostrar sorrisos verdadeiros. Não depois do que conversara com o garoto alguns dias antes.
- É! ? Ela deu vários pulinhos de alegria ? Eu pensei que ele não ia com minha cara. Eu tava enganada, não é? Ah, ! Ele beija tão bem e tem uma bundinha... ? fechou os olhos e, pela cara que fez, imaginou que ela estava se lembrando do momento. ? Ele falava de mim para você?
- Pra falar a verdade, Angel, não... Nunca imaginei que ele ficaria com você... ? ouviu o celular tocar e o tirou da bolsa. Número restrito. Ela sabia que era . ? Espera. Preciso atender.
- É o ? ? Angelique perguntou sorrindo.
- Não sei. O número é restrito. ? Mentiu para a amiga, abriu o celular e o colocou na orelha. ? Oi.
- , preciso falar com você. Tem como a gente se ver?
- Espera. ? Olhou para Angelique ? Angel, só um minuto, me espera aqui. Eu vou na cozinha ? levantou-se da cama e foi andando para onde dissera que iria ? Vai me falar sobre o que eu to pensando?
- Ela já te falou, não é? Ela tá aí, eu sei.
- Sim, ela tá aqui. Por sorte eu já tava acordada quando ela chegou ou ela teria me acordado de qualquer forma ? sentou-se em cima da mesa com um pote de biscoitos nas mãos ? Aceita um biscoitinho, meu bem?
- Você tá mal, não é? Porra, , me desculpa!
- Não, eu não to mal. Mas eu te disse aquilo esta semana...
- Foi por esse motivo... Eu não sabia onde eu tava com a cabeça.
- Você tava na festa, beijando a Angel.
- Não fala o que você não sabe...
- Mas não foi isso o que você fez?
- Foi, não vou negar...
- Ela me perguntou se você falava dela. Ela tá toda felizinha, não consegue tirar o sorriso do rosto. Disse que você beija MUITO bem e que tem uma bundinha... Ela deve ter passado a mão em tudo, não é?
- Porra, ! Eu tava bêbado, me deixa falar!
- Você não me deve explicações...
- , eu to passando aí!
- Como? ? franziu a testa, fazendo uma careta. Não podia acreditar na discussão que estava tendo com .
- To saindo de casa, . Se vire agora pra tirar a Angel daí. Precisamos conversar.
- ! Você ta demorando tanto... ? Angel entrou na cozinha e sentou ao lado de ? Quem é?
- Fale que é sua mãe. Não deixe ela saber que sou eu. ? disse com uma voz firme.
- Tá bom, mamãe. Mas não tem necessidade de vir.
- Mande um beijo para ela. ? Angel sorriu, falando com a amiga.
- E a Angel mandou um beijo. ? fechou o pote de biscoitos e riu com a ironia.
- Puta que pariu, hein, ? Dá um jeito de tirar ela daí. Já to entrando no carro.
- Ela mandou outro, Angel, e disse que tá com saudades. ? disse sorrindo para a amiga ? Mamãe, já te disse que não precisa...
- Tira ela da sua casa. Te amo!
- Não! ? tentava fazer não vir. Ela não queria vê-lo. Não naquela hora. Mas, ao gritar aquela palavra, ele já havia desligado o telefone.
- O que ela queria, amiga? ? Angel perguntou, com um tom de curiosidade que não conseguia esconder.
- Me visitar. Ela sabe que eu passei mal ontem à noite e acha que eu ainda não to bem... Sabe como é? Preocupação boba de mães. ? Rolou os olhos.
- Você passou mal ontem, ? ? A menina perguntou, arregalando os olhos.
- É... ? Continuou alimentando a mentira ? Mas foi coisa besta. Uma dorzinha de cabeça simples... Ela é enfermeira, se esqueceu? Fica preocupada com coisas bobas.
- Mas já tá se sentindo melhor? ? Ela perguntou, um pouco preocupada.
- Sim, já to bem. Só vou deitar de novo, se você não se importar... ? disse, feliz por ter encontrado o jeito de tirar Angelique de seu apartamento. Em minutos estaria ali.
- Não, sem problemas. Eu tenho mesmo que passar na casa da minha avó. ? Angel se levantou da mesa, acompanhada por . ? Posso te ligar depois pra gente continuar nossa conversa?
- Ah, claro. ? tentou sorrir, enquanto abria a porta da sala para a amiga sair.
- Então nos vemos depois. ? Ela deu um beijinho no rosto de e se afastou em direção ao elevador.
acenou antes de fechar a porta e respirou fundo. Foi até seu quarto e trocou de roupa. Ela não gostava de ficar perto de enquanto estava apenas de pijama. Escolheu um short jeans e uma baby look laranja com caveirinhas nas costas.
Foi até a cozinha lavar a louça enquanto não chegava e, quando tudo estava praticamente limpo, escutou o interfone tocar.
- Sim? ? Ela perguntou ao atender.
- Srta. , o Sr. está aqui em baixo. Mando subir?
Ela respirou fundo e fechou os olhos.
- Pode mandar.
Chapter Two
[Present Days]
Quando entrou no elevador não aguentou segurar as lágrimas. Chorou. Pela primeira vez em sua vida chorou por uma garota ? . No início aquilo era uma amizade. Era apenas amizade, ele tinha certeza. Tanto da parte dele quanto da parte dela. Amizade. Era aquilo que os dois sentiam um pelo outro. E era daquele jeito que deveria ter permanecido. Mas, não. tinha que provocá-lo. Tinha que mostrar para ele que ela era a melhor garota que ele podia encontrar. E agora ele tinha que conviver com o fato de que nunca poderia ser nada para ela. Ele tivera sua chance alguns meses antes e desperdiçou. Desperdiçou tudo o que poderia ter construído com ao seu lado por causa de Angelique. E agora se sentia profundamente arrependido por ter feito aquilo. Por ter beijado Angelique alguns dias depois de ouvir uma confissão de .
Saiu do elevador limpando as lágrimas que insistiam rolar por seu rosto e passou pelo porteiro cumprimentando-o.
- Volta amanhã, ?
Ele forçou um sorriso. Christian sabia muito sobre a vida dos dois. Sabia que ele sempre voltava. Que todos os dias estava ali. Mas suspeitava que no dia seguinte seria diferente.
- Não sei, Christian. A bruxa tá solta...
- Posso saber o que houve? ? O porteiro perguntou, tentando não ser impertinente.
- Amor, Chris. Tá foda!
- Ih... Então eu tava certo quando achava que entre vocês rolava mais que amizade, não é? ? Riu.
- Não... Sempre foi amizade. Seria difícil explicar. Talvez eu volte. ? Acenou para o porteiro e saiu do prédio tirando as chaves do carro do bolso.
- Eu espero que o senhor volte! ? pôde escutar Christian gritando.
- Eu também espero voltar... ? falou baixo enquanto abria a porta do seu carro.
Ao se sentar e colocar as mãos no volante, pensou em , nas coisas que ele não havia falado para ela, nas coisas que ela não o deixava falar. Lembrou-se daquele primeiro selinho que deu nela. Do primeiro dia que ela disse que o amava, quando ainda estavam no início da amizade e, depois, quando ela já disse com uma convicção maior. Quando ela afirmou, com todas as letras, que não queria mais apenas amizade. Que o amava como uma mulher ama um homem. Que o queria. Ao se lembrar daquilo, pensou em todas as besteiras que já havia cometido. Ligou o carro e voltou para a casa sem tirar da cabeça todas as burrices que ele fizera durante os últimos seis meses.
[Past Days]
- Dorme aqui hoje? ? falava enquanto terminava o potinho de sorvete que tinha em suas mãos.
- Como? ? perguntou assustado e deixou a colher parada na boca.
- Igual quando a gente era criança... Você sempre dormia lá em casa.
- A gente tinha... ? Ele arqueou a sobrancelha, segurando a colher, e fez uma conta mental ? sete, oito, doze anos, sei lá... E eu dormia na outra cama que tinha no seu quarto. Hoje você tem apenas uma cama de casal e eu conheço muito bem todos os seus pijamas.
- O que tem de mal nos meus pijamas, ? ? arqueou a sobrancelha.
- Porra, ! Vem cá. ? Ele segurou a menina pelo braço e fez com que ela parasse em frente a um espelho em seu quarto ? Olha seu corpo.
- Hum... ? uniu as sobrancelhas tentando achar algo de errado e pensando no que aquilo tinha a ver com dormir em sua casa. ? O que tem meu corpo, ?
- Você é gostosa. ? Ele disse normalmente, como se estivesse falando as horas ? Eu já te vi dormindo e... ? Ele passou as mãos pelos cabelos e respirou fundo ? Meu Deus!
- Seu bobo! ? riu ? Eu nem disse que você ia dormir na minha cama! Quer dizer, se você quiser, tudo bem, não me importo, mas eu tinha pensado em te colocar na sala. Se meus pijamas te incomodam tanto, eu posso dormir de moletom e camiseta. ? Ela ria da cara de .
- Na sala? Moletom e camiseta? Ah! ? Ele jogou os braços pro alto e se sentou na cama de ? Que graça vai ter?
- Você, por acaso, tá achando que eu to pensando em sexo? ? Continuou rindo e saiu do quarto.
se levantou da cama, a contragosto, e a seguiu.
- Eu não disse isso. ? Colocou a sua colher no pote de sorvete, que ainda estava em suas mãos, deixou-o em cima da mesa e olhou para , que pegava água na geladeira.
- Mas pensou. ? Ela encheu dois copos com água e levou um para . Tomou o que tinha no seu e o levou para a pia junto com o pote de sorvete dele.
- Não pensei.
se sentou na mesa, de frente para , e abriu as pernas, fazendo com que ele ficasse na direção do meio delas, e olhou para o rosto dele.
- Vem até aqui. ? Ela disse, chamando com o indicador, bem provocativa ? Quero ver como você se comporta aqui pertinho. ? riu.
observava cada ação dela, ela nunca fizera algo assim e aquilo o assustou. Ele não sabia o porquê, mas a única explicação que se vinha à cabeça dele era a que ela estava com vontade de provocá-lo. Mas, por quê?
- Puta que pariu, heim, ? ? Ele não piscava, estava atento a cada movimento dela. Mordeu o lábio inferior e olhou de cima a baixo. Ele se aproximou dela, como ela havia pedido anteriormente. Olhou para as pernas dela e se arrependeu de ter feito aquilo. Que mania era aquela que ela tinha de vestir shorts tão curtos? Colocou a mão em uma das coxas de e a apertou.
- ...
- Shh... Não fala nada, .
- , por favor.
Mas ela não conseguia se concentrar em si, no que a cabeça dela apitava.
, com a mão livre, apertou a cintura de . Ela fechou os olhos e sentiu seu coração bater mais forte. Será que algo que ela sempre quis estava prestes a acontecer? Não, aquilo não poderia acontecer, não naquele momento.
deslizava as mãos pelas costas dela, descendo até sua bunda, fazendo com que seus corpos se colassem ainda mais. se esqueceu de tudo, apenas envolveu suas pernas na cintura dele e mordeu o próprio lábio inferior ao senti-lo mordendo seu pescoço. Ela estava assustada, pois não imaginara que ele reagiria daquela maneira. Achou que ele brincaria um pouco e depois se afastaria. Ainda pensava que aquilo aconteceria a qualquer momento. começou a espalhar beijos estalados no pescoço dela e, ao tirar o rosto de lá, só conseguia fixar seus olhos na boca de . Sentiu uma vontade imensa de beijá-la, mas não achava que aquele era o momento certo. Mordeu seu próprio lábio inferior, numa tentativa de afastar aqueles pensamentos de sua cabeça, e fechou os olhos. o puxou pelo pescoço encostando suas bocas levemente. O beijo não passou daquilo. Os dois perceberam que aquilo não poderia acontecer e se afastaram.
Ele pigarreou e foi até a pia tentando organizar os últimos acontecimentos em sua cabeça e se encostou ali. Ela ficou sentada em cima da mesa, ainda sem acreditar.
- ... ? Ela mal escutara sua voz, mas sabia que ele estava atento.
- Sim? ? Ele respondeu, ainda olhando para a pia.
- O que, er, foi isso? ? Pigarreou, ainda de olhos fechados.
- Não sei. ? se virou, olhando a garota.
- Hum, eu... ? firmou seus olhos nos dele. ? Gosto de você.
[Present Days]
Ao perceber que ele não voltaria, que ele não tentaria falar alguma coisa com ela, limpou as lágrimas que caiam incessantes por seu rosto e foi até a janela. Ainda pôde ver entrando no carro. Pôde ver que ele não saía com o carro, que ele permanecia ali. Quando pensou em correr, em descer e dizer tudo o que guardava para si, viu que ele dera a partida e se afastava. Deixou que as lágrimas continuassem caindo e o choro se tornou audível. Por que aquilo acontecia com ela?
Jogou-se em sua cama, abraçando seu travesseiro, que ainda tinha o cheiro de por ele sempre estar ali e ficou se lembrando de tudo que passaram juntos desde o início da amizade no jardim de infância. De como ele falava que eles se casariam algum dia, porque ela era a única menina não nojenta da turma na escola. As lembranças apertavam seu peito e os soluços começavam a sair. O choro estava, definitivamente, incontrolável.
Quando conseguiu engolir o choro, olhou pro mural que mantinha em seu quarto ? o mesmo que sempre esteve no quarto que tinha na casa dos seus pais desde os 13 anos. E lá viu várias fotos de sua vida. A maior parte delas com ao seu lado. Sua preferida estava lá: no seu aniversário de 18 anos, usando chapéus de cone do Mickey, durante os parabéns, ele era o único que estava ao seu lado na mesa. No momento em que ela riu de algo que ele fizera e olhou para o lado, ele também olhava rindo para o rosto dela, os olhos quase se fechando pelo tamanho do sorriso. A foto era tão espontânea que, no outro dia, ela já mandara revelar para poder colocar ali, ao lado das outras que tanto gostava.
Será que aquilo voltaria ou tudo estava terminado para os dois? Será que toda aquela amizade, todas as promessas seriam quebradas por um motivo que ela não conseguia nem entender? Ele dissera que gostava dela e ele sabia que ela sentia o mesmo. Na verdade, depois de ter jogado verdades e verdades na cara dele, nunca mais repetira um ?eu te amo? para . Mas ela acreditava que ele sabia, que ele tinha a certeza de que ela ainda sentia aquilo por ele.
Se eles se gostavam mutuamente, por que não poderiam ficar juntos? Ah, Angelique... Por que Angelique existia no meio dos dois? Melhor! Por que ficara com ela em uma festa uma semana depois de saber o que ela sentia? Ele não podia controlar seus hormônios perto de uma mulher? Não podia ter se controlado? Ela aceitaria se ele tivesse ficado com qualquer outra mulher, mas ele ficara com Angelique. E ele sabia que ela era amiga de .
Não que a considerasse uma amiga, mas ela sabia como Angel a considerava, como Angel gostava de sua companhia e não queria fazer nada que pudesse magoar os sentimentos daquela menina. Ela era tão ingênua, tão frágil, que não conseguia dizer muitas verdades para ela. Ver a menina chorar, por qualquer que fosse o motivo, era de cortar o coração de qualquer um.
[Past Days]
- Nem vem, . Hoje não, por favor. ? encostava-se a um canto da parede do apartamento de e tinha um travesseiro nas mãos.
- Ah, ! Vem! ? Ele tentava chegar perto da menina, com uma pasta de dentes na mão direita e um pote de nutella na esquerda. ? Deixa eu brincar!
- Da última vez que eu deixei o senhor fazer isso, fiquei com as sobrancelhas duras por causa da pasta e o rosto totalmente oleoso. Não, . Não preciso de mais espinhas aparecendo aqui! ? Ela apontava para sua testa enquanto ele ria.
- Você me chamou pelo sobrenome. Você só me chama assim quando está nervosa.
- E como você acha que eu to agora, querido? Feliz por você querer passar pasta de dente e nutella no meu rosto?
- É! Você deveria estar, a gente fazia isso quando você tinha 15 anos e não havia reclamações.
- Eu era uma criança! ? disse, ainda se defendendo com o travesseiro.
- É só pra passar o tempo. Eu deixo você passar no meu também. ? Ele sorriu.
- Qual a graça de ficar com o rosto sujo de pasta de dentes e chocolate, ? ? As sobrancelhas da menina se uniram.
passou nutella em seus lábios, colocou o pote e o tubo de pasta em cima da mesinha de centro de sua sala e se aproximou da menina. Ela já não tentava mais se defender.
- O que é isso, ? ? Ela o encarava.
Ele se aproximou de e segurou o travesseiro que estava nas mãos dela. Jogou-o em cima do sofá enquanto puxava a garota para um abraço. Suas mãos estavam na cintura dela, fazendo com que seus corpos se colassem. Não havia espaço algum entre os dois.
- A graça de sujar o rosto com chocolate, . ? Encostou seus lábios nos de e se afastou depois de alguns segundos. ? Ou vai dizer que não gosta?
Ele reparou que ela ainda mantinha seus olhos fechados enquanto passava a língua por seus lábios, tentando limpar o chocolate.
- Não faça isso, . ? Ela disse, encarando-o. ? Por nosso próprio bem, por favor, nunca mais faça isso.
Ele afrouxou os braços, deixando uma pequena distância entre os dois, e franziu a testa.
- Não...
- Você sabe o que se passa em minha cabeça, ? Ela o interrompeu ? Então, se for pra brincar comigo, não faça isso. Não era pra ter acontecido aquele dia. Não era pra você ter encostado sua boca na minha, . Não faça isso.
- Mas...
- , você não entendeu quando eu disse que gostava de você? Será que é tão difícil para um homem entender quando uma mulher fala sobre amor?
- ...
- Por favor, , não diga nada. Pelo menos não ainda. Deixe-me terminar. ? Ela o encarava. Ele tinha uma expressão confusa. ? Quando eu disse que gostava de você, eu pensei que você entenderia o significado. Eu to tentando fazer isso voltar a ser apenas amizade, . Mas se você continuar insistindo nesses selinhos inesperados, vai continuar me iludindo com coisas bestas. Não quero isso. Não faça isso comigo, por favor.
Eles permaneceram calados, apenas se encarando, enquanto soltava seus braços da menina e tentava entender todas aquelas palavras. O que acontecera com sua pequena? Com sua melhor amiga? Onde estava a que gostava de brincadeiras, que aceitava selinhos, que ria com besteiras e pornografias ditas pelos dois? Por que aquilo agora?
- Desculpe... ? Foi a única palavra que conseguiu dizer, antes de ver saindo pela porta de seu apartamento.
Ele ainda não entendia.
[Present Days]
entrou em seu apartamento batendo a porta.
Por que droga ele tinha começado com aquilo tudo? Ele fizera se apaixonar por ele. Ele se apaixonara por ela também. Por que eles não podiam transformar a amizade em algo mais? Por que Angelique existia em sua vida?
Angelique... Ele ainda precisava terminar algo que tinha começado alguns meses atrás. E iria fazer aquilo agora.
Pegou seu celular no bolso traseiro de sua calça e procurou pelo número da até então namorada na agenda do telefone. Não adiantava, o único número que ele se lembrava de cabeça era o de . Mesmo tendo Angel como namorada e ligando para ela praticamente todos os dias, não conseguia gravar.
- Oi, meu amor! ? escutou uma voz fina e doce no outro lado da linha depois de três toques.
- Angelique. ? Disse com um tom áspero ? Posso dar uma passada em sua casa ainda hoje? Precisamos conversar.
- O que aconteceu? ? Ela perguntou, demonstrando preocupação. O que queria com ela?
- É melhor eu te falar sobre isso pessoalmente. Não é um assunto muito bom ao telefone.
- Claro, . Mas estou quase chegando em seu apartamento. Prefere que eu passe aí ou quer mesmo ir em minha casa? Porque se...
- Ótimo. Estou te esperando então. ? Ele a interrompeu. Passou as mãos pelos cabelos, bagunçando-os ainda mais. Sentia-se acabado.
- Daqui dez minutinhos chego aí então. ? Angelique disse e desligou o telefone. Que surto fora esse?
começou a andar de um lado para o outro. e todas as suas dúvidas não saíam de sua cabeça. Por mais que ele tentasse, ela continuava ali, martelando seu cérebro. , , . Era impossível parar. Impossível controlar.
Assustou-se ao escutar o interfone. Foi até ele, ainda com as chaves de seu carro nas mãos. Rodava-as nos dedos freneticamente.
- Quem é? ? Perguntou, duro.
- Srta. Angelique. Mando entrar?
- Claro.
Colocou o fone no gancho e foi até a porta. Batucou os dedos na fechadura até escutar a campainha e a abriu, vendo uma Angelique assustada do lado de fora.
- Posso entrar? ? Ela perguntou ainda em dúvidas sobre o que deveria fazer. estava a assustando agindo daquela maneira.
- É, sim... ? Ele saiu do caminho, dando espaço para a garota. Esperou que ela entrasse e fechou a porta. Não se virou. Não conseguia olhar nos olhos dela.
- O que está acontecendo? ? Ela tinha uma expressão de medo e dúvida no rosto. Invisível ao rosto do garoto. ? Não entendi toda a urgência...
- Angelique. ? Ele conseguiu se virar, mas não se aproximou da garota. Ficou parado ao lado da porta ? Não posso mais continuar com isso. ? Olhou para baixo, fechando os olhos numa careta.
- Não... Não consigo entender. ? Ela franziu a testa.
- Nosso namoro. Não dá mais. ? Conseguiu colocar tudo para fora e se sentiu aliviado ao fazê-lo.
Ela não disse mais nada. O choque fora grande. Ontem eles ainda estavam bem, saíram, comeram uma pizza, combinaram tudo sobre os shows que teriam na semana que vem ? eles iriam juntos. O que ela fizera? Tentava voltar os dias em sua cabeça, procurar algo que fizera de errado e não conseguia encontrar.
- O que eu fiz? ? Perguntou, depois de minutos de silêncio.
- Nada. ? Ele sorriu. ? Só acho que não posso te machucar, Angel. Você é boa demais para mim. ? Conseguiu se aproximar dela e ajoelhou em sua frente, pegando em suas mãos ? Eu não poderia fazer isso. A pessoa certa pra você está por aí, Angel. Não sou eu.
- Como você pode ter tanta certeza? ? Uma lágrima rolou por seu rosto e a limpou com o dedão.
- Cada pessoa, acredito eu, já vem pra cá com a vida pronta. Cada pessoa tem um projeto pra si, mesmo que não saiba. É como se Deus desenhasse cada pessoa com seu par. O seu está por aí, Angel, e não sou eu.
- O que tá acontecendo? A gente tava bem ontem, ! ? Ela se livrou das mãos dele e se levantou, olhando pro abaixado em sua frente. ? Não vem com esse papinho de que eu sou boa demais para você. Eu sei que vocês sempre usam essa mesma frase quando vão terminar um namoro. Me diga a verdade, . O que aconteceu?
- A aconteceu, Angelique. ? Ele soltou a verdade. Olhava pro chão, ainda abaixado. Não acreditava que diria a verdade, mas disse.
- O que tem a ?
- Eu fui feito pra ela. ? Ele piscou algumas vezes enquanto olhava para cima, encarando o rosto fino, branco e loiro da garota.
- Você me traiu? Com a ?
se levantou, podendo olhar no rosto dela.
- Não. Eu pensei em ficar com ela um mês antes de a gente começar a ficar. Mas ela disse que gostava de mim quando eu ia fazer isso e me atrapalhou todo. Eu fiquei todo confuso, Angel. ? Ele passava as mãos pelos cabelos. Se jogou no sofá. ? Eu fiquei com você num momento de, não sei... Não queria te dizer essas coisas. Não me pergunte mais nada, tudo bem? Só... Me deixe sozinho.
Angel piscou algumas vezes tentando acompanhar o raciocínio do garoto. Agarrou sua bolsa e foi até a porta.
- Boa sorte, então. ? Disse antes de sair.
[Past Days]
- Por que, ? Só me responda o motivo de ter feito isso! ? disse, assim que passou pela porta de seu apartamento e se sentou no sofá.
- Calma, . Acabei de chegar...
- Você viu como eu tava no telefone. Eu não vou recomeçar a conversa só porque agora você tá na minha frente... Não, não vou te dar tempo. Por quê? ? Ela se recusava a olhar nos olhos dele. ? Eu sei que você não me deve explicações...
- Te devo explicações sim. Você tá certa em querer saber e eu vou te falar. , eu to confuso. Olha pra mim! ? Ele a puxou pelo braço, fazendo com que ela se sentasse ao seu lado. ? Olha pra mim, já disse. ? Segurou no rosto da menina, fazendo com que seus olhares se encontrassem. ? É difícil. Foi difícil escutar aquilo na semana passada. Eu to confuso. Você não tem noção de como as perguntas estão rolando na minha cabeça agora, pequena.
- , eu escutei, pela Angel, o que eu queria saber sem ninguém precisar contar. ? Ela estava séria e tentava controlar algumas lágrimas que queriam rolar por seu rosto ? Você, por acaso, gostaria de saber como é o meu beijo por outra pessoa? Que tal se o te contasse? Ou o ? Ah, quer saber, pede pro , porque ele foi o que mais se animou quando nos beij...
bufou e encostou seus lábios nos da garota. Segurou em seu pescoço e deslizava sua língua nos lábios dela pedindo permissão para o beijo iniciar. tentou não se deixar levar pelo momento, mas não conseguiu. A vontade de saber como era, de sentir a língua de na sua era tão grande que acabou entreabrindo os lábios, deixando que um beijo, o primeiro beijo real deles, se iniciasse.
Ela sentiu seu corpo todo tremendo enquanto suas línguas dançavam, formando um beijo adorável. sabia que a sincronia dos dois era perfeita. Teve a certeza, naquele momento, de que era ela. Eles foram feitos um para o outro. E ele a queria. A queria mais do que nunca.
Eles não conseguiam mais se separar. O beijo era tão intenso, fora algo que os dois esperaram por tanto tempo, que não sabiam como se separar. Que não queriam sair daquela situação, que tentavam não pensar o que aconteceria quando aquilo acabasse. Era o melhor momento da vida de . O melhor momento da vida de . E o melhor momento da vida dos dois juntos.
Pra que terminar com aquilo se os dois queriam? Se eles demonstravam, durante o beijo, que o que mais queriam era aquilo? Ficar juntos! Por que nunca pensaram naquilo antes?
Foram interrompidos pelo celular da , que começou a tocar na cozinha.
Ela tentou se afastar de , que a segurou pelos braços e manteve o rosto bem próximo ao da garota.
- Deixe o telefone. ? Disse com uma voz rouca e passou os dedos pelo rosto dela.
- Não, . ? Ela o empurrou e se levantou.
Foi até a cozinha e viu que era apenas o alarme avisando que um de seus seriados favoritos estava começando. Merda. É, se ela tivesse desligado aquilo, ainda estaria beijando . Mas... Se bem que era bom. Aquilo não poderia acontecer. Ela queria a amizade dos dois intacta mais uma vez. Não queria confundir ainda mais sua cabeça. Ele dissera que estava confuso. Talvez a beijou para saber o que queria. Era impressão dela ou ele a estava usando?
Ele continuava na sala, deitado no sofá, de barriga para cima, olhando para o teto e batucando os dedos pelo sofá. Mania que ele não conseguia controlar. Era automático. Pensava no beijo. Passou a língua pelos lábios e sorriu. Era aquilo, aquilo era certo. Era ela. Ela era certa.
- ...
- Quem era? ? Ele a interrompeu, antes que ela começasse a dizer que o beijo fora errado.
- Alarme. Friends... Você sabe. ? Rolou os olhos.
Sim, ele sabia. Apesar de ela ter todas as temporadas daquela série em DVD, sempre assistia na televisão. Mania dela. Era incontrolável, assim como o que ele fazia com os dedos.
- Hum, então... ? Ele sorriu marotamente para ela e percebeu que ela se afastava.
- Não, . Não. ? Ela olhava para o chão enquanto movia sua cabeça rapidamente de um lado para o outro.
- Mas, ... ? Ele bufou ? Eu gos...
- Você nada. Você ficou com a Angelique ontem. Ela gosta de você. Vá atrás, tenho certeza que alguma coisa acontecerá entre vocês. Além do mais, eu quero e de volta. Isso aqui tá muito estranho. e nasceram para serem amigos. Apenas. E não insista. ? Ela completou ao ver que o menino abria a boca para protestar.
[Present Days]
O interfone insistia em tocar. Será que Christian não percebia que não estava para ninguém? Por que ele ainda tocava? Por que aquele barulho estridente não a deixava fechar os olhos e dormir? Esquecer tudo daquele dia? Tentou se concentrar na música que tocava em seu i-pod – Todo Cambió, de Camila – aumentou o som e acompanhou a parte mais alta da música. Mas não conseguia ignorar o som chato e alto do interfone. Levantou-se com raiva e foi até lá.
- Porra, eu tava tentando dormir, Christian. Fala que eu não to!
- Mas é a Angelique, ela disse que é sério.
- Christian, eu não quero receber ninguém.
- , eu PRECISO falar com você. E eu sei que está em casa. Posso ver seu carro na garagem e a janela do seu apartamento está aberta! – escutava a voz fina de Angelique se alterando em várias partes da frase.
Lembrou-se de imediatamente. Ele terminara com ela.
- Manda subir. – Respondeu, dando-se por vencida.
Por que aquilo agora? Alem de ter brigado com agora teria que escutar as lamúrias de Angel sobre um assunto que ela não queria pensar. Não, ela não podia pensar em . Ela não queria, não podia, não devia pensar em nada que envolvesse . Ele já estava enlouquecendo a garota. Mesmo estando longe.
Abriu a porta quando a campainha tocou e viu Angel chorando em sua frente.
- Entra, Ang...
- Não! Eu não vou entrar. Eu não quero mais olhar na sua cara. Ele terminou comigo, . Terminou comigo por causa de uma pessoa. E essa pessoa tá na minha frente. O que você faz, heim? Por que consegue tudo o que quer? Vá em frente, garota. O agora é seu.
Ela voltou para o elevador e apertou o botão, chamando-o.
- Espera, Angel... Eu...
- Cala a boca, garota. Todo mundo me avisava que um dia você o roubaria de mim, que você o olhava como se o quisesse mais do que um amigo. E era exatamente assim que você se sentia em relação a ele... – Ela riu, bufando – Cega. Eu sou cega, . Não sei como não percebi isso antes. Ele tá apaixonado por você e me disse isso. Conseguiu seu prêmio, pode ir atrás.
Entrou no elevador, que já a esperava, com alguns moradores dentro que as olhavam sem entender o motivo da briga.
viu a porta se fechando, enquanto Angelique mantinha os olhos fixos no teto.
Ótimo! Agora era a culpada pelo fim do namoro dos dois. Era tudo que ela queria. Era a última coisa que ela pensava que aconteceria. Sabia que Angel era apaixonada por , mas não tinha noção da intensidade daquilo. E, sobre ela olhar para o melhor amigo mostrando que o queria, era mentira. Ou era verdade? Ela nunca esquecera o beijo, nunca esquecera o que dissera para . O motivo de ele ter começado a sair com Angel... E se arrependia intensamente por ter feito aquilo. Por ter dito aquelas palavras. Agora não tinha , não tinha Angel. Talvez não tivesse mais , nem , nem . Respirou fundo e entrou em seu apartamento. Fechou a porta e a trancou. Voltou para seu quarto, fechou as cortinas e enfiou os fones nos ouvidos, tentando descobrir qual a música que tocava.
Nothing you confess
(Nada que você confesse)
Can make me love you less
(Pode fazer com que eu te ame menos)
I’ll stand by you
(Eu estarei aí para você)
I’ll stand by you
(Eu estarei aí para você)
I’ll Stand by You – The Pretenders. Grande ironia. Era tudo o que ela precisava escutar naquele momento. Fechou os olhos e sentiu mais lágrimas rolarem. Já estava enjoada de sentir seu rosto molhado, mas não conseguia controlar. Nada que você confesse fará com que eu te ame menos. A única coisa que ele confessara foi gostar dela. Com certeza aquilo não faria com que ela o amasse menos. Pelo contrário! Todos os sentimentos que ela tentava esconder de todos e de si mesma voltaram ainda mais fortes. Ela o queria. Ela o amava.
[Past Days]
- Eu faria isso por você. – fitou os olhos cheios de lágrimas de depois de desligar o DVD.
Eles assistiram Antes que Termine o Dia naquela tarde e se impressionaram com a história. Ela não se controlou e deixou que as lágrimas inundassem seu rosto. Ao escutar aquela frase, sentiu ainda mais vontade de tê-lo para si.
- Não fale boba-agens, . – Ela soluçou e ele sorriu – Aquilo não deveria ter acontecido. Se ele sa-abia, por que ent-trou no táxi? Não me confo-ormo.
- Era o destino, . Se não acontecesse naquele dia, aconteceria em outro dia. E ele tinha a certeza de que não poderia viver sem ela nem mesmo um minuto. Por isso se colocou ali. Para salvá-la. E eu faria a mesma coisa por você.
- Cla-aro.
- Pare de chorar, .
- Eu to tent-tando, , mas os soluços me es-scapam.
Eles riram juntos e ele a abraçou.
- Por que você faria o mesmo por mim, ? – perguntou, depois de ter se controlado.
- Porque eu não vivo sem você, oras. Que pergunta... – Ele deu de ombros.
- Você faria mesmo qualquer coisa por mim? – Ela se afastou do abraço e o olhou nos olhos.
- Qualquer coisa que estivesse ao meu alcance. – Ele sorriu para ela e limpou seus olhos, manchados do lápis que escorria.
- Eu te amo, . – Ela sorriu também e eles se abraçaram.
- Você é tudo na minha vida, .
- Mais que a Angelique? – Ela riu, torcendo para escutar um sim. O namoro dos dois a incomodava, mesmo que ela não quisesse sentir aquilo.
- Sim, mais que a Angelique. – Ele respondeu e desejou que ela entendesse aquilo como um “eu preciso de você”. – Mas é segredinho nosso, pequena. – Riu.
- É, eu sei... Se ela imagina, se ela sonha que você falou isso pra mim, termina o namoro. E não é isso que você quer.
Sim, era aquilo que ele queria. Terminar com a Angelique e ficar com ela, será que era tão difícil para entender algo tão simples? Às vezes ele sentia como se houvesse um “eu te amo, ” escrito em sua testa. Como ela poderia ser tão cega a ponto de não enxergar algo tão visível?
Deu de ombros para a pergunta dela e a abraçou mais uma vez.
Chapter Six
[Present Days]
Ele precisava ver . Ele sabia que o único antídoto para toda a dor que ele sentia tinha nome e sobrenome: . Sua pequena . Por que, logo depois de eles combinarem de que não se afastariam, foram ter aquela discussão ridícula?
Ela gostava dele, ele tinha certeza. Eles se amavam. Ele a queria naquele momento, em seus braços. Queria sentir mais uma vez o que sentiu quando a beijou um dia depois de fazer a burrada de ficar com Angelique.
Se ele começara um namoro com aquela garota foi porque dissera a ele para fazer aquilo. E ele obedeceu. Foi atrás da garota, ficou algumas vezes e depois a pediu em namoro. Seis meses depois estava o resultado: o fim, também por causa de .
Por que ela estava tão presente assim na vida dele? Por que ele não conseguia tirá-la de sua cabeça?
Foi até a cozinha tomar um copo d’água e, ao encostar-se na porta da geladeira viu um post-it amarelo que colara ali há um ano.
Você é um completo bundão! Retardado, idiota. Mesmo assim, eu te amo! E pode ter certeza que eu vou conseguir.
sorriu lembrando-se do que acontecera. Ela escrevera aquilo porque ele duvidou que ela beijaria , e na mesma festa. Sem que eles soubessem que estavam dividindo a mesma garota. E tudo por causa de um joguinho idiota de “eu duvido” que eles inventaram de fazer quando faltou luz numa sexta à noite.
Como a festa aconteceria no sábado, aceitou o desafio. Quando passou no apartamento dela para buscá-la, teve uma crise de ciúmes. Ele sabia que ela faria aquilo. E ele pensando que ela se comportaria como uma garota de família. Iludido!
Sentiu mais uma pontinha de ciúmes ao se lembrar da cena e desviou os pensamentos daquilo. Passou os olhos por outros post-its que ela colara e riu.
Aquela garota amava deixar algum recadinho antes de ir embora. E ele deixava todos ali, como se fossem ímãs de geladeira.
Fui ao supermercado. Você não tem nada na geladeira! Como consegue viver?
Respirando você, . pensou. Ela era a única coisa que ele precisava para continuar sua vida.
Passe em minha casa às 22:00? Já estarei pronta. Coldplay, aí vamos nós!
Show do Coldplay. Que show fora aquele? Foi lá que ele teve a incrível ideia de tentar ficar com ela. Por que ele não a agarrara logo ali? Tudo estaria perfeito. Ela amava a banda e as músicas faziam o clima. Mas não. Ele era um bundão. Assim como ela sempre afirmava.
[Past Days]
- Eu nunca nadei pelado na chuva. – disse e bebeu um pouco da garrafa de vodka, passando-a para que repetiu o gesto.
- Disso eu já sabia, espertinho. Quero que diga algo que eu ainda não saiba. – Ela o olhou, depois de beber e ele riu.
- O que você não sabe sobre mim?
- Eu nunca fui vista me tocando. – Ela bebeu mais um pouco e viu os olhos de se abrindo.
- O quê? – Ele se assustou, segurando a garrafa que empurrava para ele.
- Ah, vá ! – Ela rolou os olhos. – Beba logo. Eu já vi.
- O QUÊ? – Arregalou ainda mais seus olhos, sem acreditar no que dizia.
- Quando a gente viajou com a escola... A gente tinha 15, 16 anos. Eu entrei no seu quarto e, bem... A porta do banheiro estava aberta, né? Aí eu entrei, pensando que não tinha ninguém e... Hum, vi. – Ela prendeu um riso. – Agora beba.
Ele fechou os olhos, corando e bebeu.
- Por que nunca me disse? E eu não quero mais brincar disso.
- Você é um bundão! – Ela riu – Eu não disse porque não tinha necessidade, querido.
- Espera! Você bebeu também. Quem te viu? – Ele franziu a testa, tentando se lembrar de ter visto algo assim, mas era impossível. Aquela cena, com certeza, não sairia de sua cabeça. E, como não encontrou nada, ficou preocupado.
- . – Ela mordeu seus lábios, escondendo o rosto com as mãos.
- Quer que eu dê uma surra nele? – Ele riu.
- Não. Faz tempo, . – Ela o encarou.
- Quando?
- Ano passado. Meu apartamento. Você saiu de lá, deixou a porta encostada e, bem, como você também tinha convidado ele, e para assistirem um filme em meu apartamento... Bem, ele entrou e, hum, me viu.
- Na sala, ? – Ele arregalou os olhos mais uma vez e riu.
- Não! No meu quarto. Só não me pergunte o que ele estava procurando em meu quarto que eu não sei...
- Pode deixar que vou dar um jeito nele, . Nunca mais ele vai te, er... Atrapalhar em seus momentos, hum...
- É, acho bom acabar com esse papo. – Ela riu, nervosa e ele fez o mesmo.
Eles permaneceram calados por um tempo. ainda queria bater em , mas não deixava saber daquilo.
- Que merda! Isso é injusto! – Ele disse, assustando .
- O que é injusto?
- Você me viu e o te viu. Por que eu não te vi? Era pra eu ter te visto, não ele. Você ainda me deve uma.
- ! – Ela o repreendeu com um tapinha no braço e ele riu.
Sem pensar direito no que estava fazendo, segurou os braços da menina e fez com que ela se deitasse no chão, subindo em cima dela, sem deixar seu corpo cair totalmente sobre o dela. Ainda riam, quando olhou em seus olhos, encarando-a. Sorriram mais uma vez, ao mesmo tempo. Ele soltou as mãos dela e passou seu dedão pelo rosto da garota. Tirou uma mecha de cabelo dela, que caia sobre sua testa, aproximou seus rostos e pode senti-la prendendo a respiração, antes de fechar os olhos. Encostou seus lábios no queixo da garota e espalhou beijos pelo seu pescoço.
o empurrou.
- Controle-se, querido. – Ela riu.
- Claro, querida. – Imitou o tom de voz da garota.
Controle. Era o que ele precisava. Mas por que não conseguia se controlar ao lado dela? Aquilo acontecera na semana passada, pela primeira vez, voltou a acontecer no dia anterior e ele podia sentir que já estava se tornando uma necessidade.
Chapter Seven
[Present Days]
Acordou sentindo sua cabeça latejar. Foi até o espelho e se assustou com a pessoa que estava olhando horrorizada para ela pelo reflexo. Não podia ser . Ela não se reconhecia. Seus cabelos estavam embaraçados e parecia uma juba de leão em volta de seu rosto. Tinha olheiras imensas e marcas de lençol espalhadas por sua face.
Juntou os cabelos e conseguiu juntá-los num nó. Passou uma água no rosto, tentando fazer a que ela conhecia voltar para si.
Fechou a torneira, pegando a toalha de rosto para enxugar as mãos, quando escutou o telefone tocar.
- Oi. – Também não conseguiu reconhecer a voz rouca que falava. Ela estava acabada, podia sentir.
- , eu... Preciso te ver. Não aguento mais. ¬– disse, do outro lado da linha – Um dia eu disse que eu faria qualquer coisa por você, qualquer coisa que estivesse ao meu alcance. Eu disse que seria seu anjinho, que ia te proteger de tudo! – Ela escutou um soluço e se assustou ao perceber que também chorava. – Por favor, a gente vai esquecer tudo que já viveu até hoje? Ontem a gente prometeu que não se afastaria, !
- ...
- Não fale nada, só me deixe ir até ai.
- Aham. – Mexeu a cabeça para cima e para baixo ao falar. Escutou a respiração pesada de e desligou o telefone antes que ele dissesse mais alguma coisa.
Ela sabia que se falasse, sairia muita coisa que não era propícia ao momento, nem à situação. Ela amava , não queria ter que viver longe dele por mais tempo, mas tudo o que acontecera num curto espaço de tempo estava matando-a aos poucos. Ele finalmente dissera que a amava, assim como ela o amava. Angelique jogara na cara dela que terminara o namoro por um motivo, e um motivo bem sólido para ela, já que era a própria . Difícil raciocinar com tudo acontecendo tão rápido assim.
Mas ela sabia que não queria perdê-lo. Queria que ele continuasse com ela para sempre, mesmo que fosse apenas como seu melhor amigo perfeito, que a protegia de tudo. Sabia que se não desse certo o que ela mais queria que acontecesse, teria que aprender a conviver com apenas como sua melhor amiga. O que ela achava difícil, já que sempre tinha que esconder todo aquele sentimento.
[Past Days]
- , você vai me ensinar a resolver continha de dividir? – olhava pro amigo, com aqueles olhos bem abertos, insistindo em algo que sabia ser difícil acontecer.
- Mas você nunca entende! Eu já tentei te explicar isso várias vezes e... – dizia, rolando os olhos, numa típica cena infantil.
Os dois se entreolharam e começaram a rir ao mesmo tempo. A mania de imitar crianças era frequente. E aquilo arrancava risos dos dois. Principalmente quando se empolgava – algo que acontecia com uma freqüência bem maior que qualquer outra coisa.
- Esse negócio que você faz com os olhos é hilário! – tentava prender uma risada, mas parecia haver uma força maior dentro dela, que a fazia rir de qualquer coisa que fizesse e/ou dissesse.
- Esse negócio que você faz com os olhos é hilário! – a imitou e ambos voltaram a rir, mais uma vez.
Era impossível ficarem calados quando estavam juntos. Era impossível não rir de alguma coisa, imitar alguma criança, fingir chorar para ver o outro aconselhar, fazer cócegas, falar até não aguentar mais...
Eles eram melhores amigos, aquela situação era a mais simples e comum possível para eles. Melhores amigos. Era apenas aquilo que eles eram. Melhores amigos.
E assim permaneceriam para sempre.
Chapter Eight
[Present Days]
Lá estava ele quando abriu a porta de seu apartamento. Seus olhos inchados não o deixavam mentir sobre o que havia feito pelas últimas horas: chorar. Ainda estava com suas melhores roupas e sapato. Seu perfume, intoxicante para , estava ali, impregnado nele. Mas, apesar disso, não parecia o cara mais lindo do mundo, para qualquer pessoa que visse. Para ele ainda era quem mais mexia com sua cabeça, o cara mais lindo de todo o universo, o cara que ela mais desejava para si. .
Ele fez todo o caminho de seu apartamento até o de , deixando lágrimas tomarem conta de seu rosto.
Ao ver que era seu espelho (afinal, ela estava da mesma maneira: lágrimas, rosto inchado, olheiras), apenas a abraçou, deixando o choro sair e os soluços intensificarem.
se sentiu protegida imediatamente ao ter seu corpo envolto nos braços de . Escutava-o sussurrando pedidos de desculpas seguidos por milhares de frases diferentes que significava apenas o quanto ele a amava (ou uma parte disto).
Fechou os olhos, controlando seu choro e colocou a mão na nuca de , acariciando-lhe.
Quando ele conseguiu se controlar, pode fechar a porta e se sentar no sofá, com sempre ao seu lado.
Ficaram em silêncio. Ele tinha a cabeça encostada no ombro dela e pegou sua mão, acariciando-a com o dedão, delicadamente.
manteve a outra mão nos cabelos dele, acariciando-os da maneira que ele mais gostava.
Eles se conheciam bem o bastante para saber que o silêncio era o que podia acontecer de melhor.
Pelo menos por enquanto.
[Past Days]
- O que achou? – perguntou, ao fechar a porta de seu quarto.
- Ele se acha o gostosão. – se jogou na cama da garota, e ela não deixou de reparar quando a camisa dele subiu um pouco, deixando um pequeno pedaço de sua barriga à mostra.
Sentiu um calafrio percorrendo seu corpo, mas se controlou.
- Tá com ciúmes, é? – Ela brincou.
- Tenho certeza que agora você não vai ter mais tempo pro seu melhor amigo. – Ele falou, sério.
riu, satisfeita ao saber que ele sentia ciúmes e correu na direção do amigo, pulando em sua cama.
- Bobo, bobo, bobo! – Ela ria, enquanto o abraçava com força. – Lindo! Você morre de ciúmes!
também ria, com um braço em volta da cintura da amiga.
- Admita! – Ela fez uma careta fofa, ficando por cima dele.
- Eu me rendo. – Largou a cintura da menina, erguendo os braços ao lado de sua cabeça.
Eles tinham saído, mais cedo, com um namoradinho de . Ela queria que fosse para dar uma opinião.
Bem, ali estava a opinião de : O cara se achava mais que qualquer coisa.
E morria de rir e adorava o fato de se morder de ciúmes.
Chapter Nine
[Present Days]
- Hoje de manhã você disse que parecia que estávamos nos afastando. – olhava nos olhos – Eu não quero que isso aconteça.
- Eu também não quero. Nunca quis. Ficar sem você, ...
- Shh... – Ele a interrompeu, colocando o indicador em seus lábios. – Você nunca ficará sem mim. – Sussurrou – Eu prometo.
aproximou seu rosto ao dela, sem desviar os olhares. Manteve uma de suas mãos na cintura de e a outra na lateral de seu queixo, acariciando sua bochecha com o dedão. sentiu a respiração dele se aproximando cada vez mais. Sentiu quando ele encostou seus lábios nos dela, o viu fechando os olhos e percebeu como ele ficou sem graça quando ela desviou seu rosto, partindo um beijo que nem mesmo havia começado.
- Agora não, . – sussurrou, mantendo o padrão da conversa que estavam tendo, ainda sem olhá-lo – Não é a hora. Não ainda.
Ele encostou seu rosto na curva do pescoço de e ela, automaticamente, levou sua mão até a nuca dele e acariciou-a.
[Past Days]
- Tira sua camisa, . – sorriu, enquanto olhava o amigo.
- Eu pedi uma massagem, não um banho! – disse, fazendo a garota gargalhar, batendo em seu braço.
- Rápido, garoto!
Depois que tiveram a idéia de um fazer massagem no outro, numa tarde chuvosa, aquela cena começou a se repetir com frequência, e ficava mais íntima a cada dia. adorava sentir as mãos de percorrendo suas costas, ombros e nuca. Gostava quando ele dava um beijo estalado em seu pescoço ao terminar. Gostava de fazer joguinhos, insistindo em mais beijos para que pudesse começar qualquer coisa. E gostava desses joguinhos também, gostava de beijá-la no pescoço, de escutá-la reprimindo gemidos quando ele insistia em massagear a região de sua nuca. Gostava de quando ela se sentava no meio de suas pernas. Gostava da proximidade que tinham. Não conseguia se esquecer de quando gemeu quando ela apertou sua coxa enquanto ele a acariciava.
- E o que eu faço agora? – Ele ergueu a sobrancelha, atirando sua camisa azul em cima de .
- Termina o strip e me deixa molhadinha, gato. – Mordeu seu lábio inferior sensualmente, olhando-o de cima abaixo.
Começou a rir ao perceber que ele ficara vermelho.
- Assim eu fico sem graça.
- Ah, por favor, ! Você escuta coisa pior de várias outras e se empolga! Comigo fica vermelho? Qual a diferença que há entre mim e tantas outras? – Ela rolou os olhos e soltou um riso nasalado.
“Talvez você seja especial demais para ser vista apenas como uma a mais na minha lista.”
queria dizer aquilo, mas apenas balançou a cabeça e abriu um sorriso torto, que fazia o coração de bater mais forte (não que ele soubesse disso), e levou sua mão até o botão de sua calça, abrindo-o e abaixando o zíper, logo a deixando deslizar por suas pernas.
Chegou perto de , que ainda estava no sofá, e a olhou nos olhos.
Ela engoliu em seco.
- Eu tava...
- Brincando? – Ele a interrompeu. – Não parecia brincadeira, pequena.
Pegou as mãos de e as levou até a barra de sua boxer.
- ... – engoliu em seco mais uma vez.
É lógico que ele não a forçaria a nada, mas também era óbvio que estava morrendo de vontade.
- Eu quero, mas...
- Não é a hora. – Ele completou.
Chapter Ten
[Present Days]
Três meses se passaram desde que chorara encostado em . Três meses se passaram desde que rejeitara . Três meses estes que pareciam não passar. Tanto para , como para .
Foram três meses sem visitas, sem ligações, sem conversas pela internet, sem acenos rápidos quando se viam nas ruas, sem nem ao menos troca de mensagens por celular.
não queria saber de ouvir seus amigos falando sobre . também não queria ouvi-los falando sobre .
Era cada um em seu canto. Tirando férias um do outro. Como se fosse necessário aquilo para um momento de reflexão. Não fora combinado. Fora apenas compreendido. Ninguém procurou ninguém.
Não até hoje.
abriu os olhos e encarou as fotos em seu mural como fazia todas as manhãs. Lá estava ele: .
acordou e abriu o celular, encarando a foto de uma sorridente como papel de parede.
- Bom dia, meu amor. – Os dois falaram, como se estivessem lado a lado.
- Dormiu bem? – encarava o celular ao perguntar.
- Sonhei com você. – disse sorrindo.
- Por que estamos assim? – Ele indagava.
- Por que você não me procura logo? – ela fazia o mesmo.
- Sinto sua falta. – Os dois disseram, completando aquele estranho diálogo.
O dia passou de uma maneira diferente para ambos. Estavam com maior disposição. Com mais vontade de viver, com um único pensamento rondando a cabeça.
O de era ir até o apartamento de .
O de era ir até o apartamento de .
- São só cinco quadras. – Ela disse, frente ao espelho.
- Esqueça o orgulho e corra atrás de sua felicidade. – Ele murmurava para si mesmo.
E, no instante seguinte, tudo pareceu acontecer como se houvesse um espelho na metade do caminho dos dois: um refletia o outro.
Apesar da grande diferença física entre os dois, eles estavam com a mesma coisa em mente: lutar por aquilo que era essencial em suas vidas, lutar para transformar duas vidas em uma só, lutar por uma pessoa importante, fazer o amor adormecido acordar e se mostrar sem falhas.
teve que esperar o sinal de pedestres abrir antes de atravessar a primeira rua. teve de ajudar uma idosa a atravessar quando estava na segunda.
Quando estavam finalmente na terceira quadra, naquela que ficava exatamente no meio do caminho dos dois, eles se avistaram e sorriram.
Não correram, como era de se esperar. Posso até dizer que pararam por uns segundos para apenas admirar o que estavam vendo: depois de tanto tempo, continuavam pensando de uma maneira bem parecida, diria até que parecida demais.
Chegaram juntos na metade da quadra.
Essa metade ficava em frente a um muro pichado.
Eles riram do lugar, encararam-se por um momento antes de unirem suas bocas e sentirem cada célula de seus corpos vibrando. Foi como se o tempo parasse para os dois: os pássaros se calaram, o vento parou, as pessoas pararam de andar e falar... Eram apenas os dois, escutando as batidas aceleradas de seus corações. partiu o beijo, mordendo o lábio inferior de e dando-lhe um beijo de esquimó com o leve encostar de seus narizes.
- E agora? Deixa eu te fazer feliz?
Ela apenas riu e concordou.
[Past Days]
- Deixa eu te fazer feliz! – gritava para .
- Eu consigo ser feliz sem você! – Ela retrucava.
Benditas crianças de oito anos de idade!
[Present Days]
Por que diria não, se tinha a certeza de que só seria feliz por completo, que só alcançaria a felicidade pela qual sempre procurara, se estivesse ao lado dele? Ele, , de quem ela gostava desde seus 16 anos de idade...
Mal sabia ela que, na mesma época, os sentimentos dele eram recíprocos.
Se ela descobriu sobre isso? Claro! Depois daquele beijo, que já dissera muito pelo ato em si, os dois não foram comemorar de um jeito que muitos imaginam, eles apenas conversaram. Colocaram os sentimentos expostos, prometeram falar sobre tudo, sempre a verdade.
Namoraram firme, comemoraram juntos várias vitórias, choraram pelas perdas, riram dos amigos, formaram novos casais... Por falar em casais, Angelique foi quem eles arranjaram para . Ah, ela dizia que não havia como, no fim, e não ficarem juntos. Porque eles foram feitos um para o outro. O amor dos dois era visível, era escrito na testa deles. Eles se amavam desde sempre.
Casaram-se na praia e passaram a lua de mel, acredite, na nova casa dos dois, que ficava, acredite mais uma vez, onde antes era o muro pichado.
Tiveram dois filhos.
Brigaram algumas vezes, mas sempre tudo era resolvido da melhor forma.
Viveram juntos e morreram lado a lado – de velhice.
As últimas palavras foram ditas em uníssono:
- Obrigado por me fazer feliz.
E o melhor amigo, no final das contas, virou o eterno namorado.

