Boss III - Family Business

Autora: Isabela Deville
Status: FEm Andamento
Revisada por: Juh Claro
Categoria: Hot Fics
Sub-Categoria: Drama, Romance - PartFic
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Prólogo


Era um novo mundo, onde as novidades a assustavam e deixavam-na apreensiva. Talvez porque esperou demais para se apaixonar loucamente pelo chefe, talvez pelo medo dos próximos passos. Era assim que se sentia em relação a sua nova família. Ela não mais comandava uma empresa, agora tinha um lar; mas como poderia lidar com aquilo? Lar é lugar de sentimentos, aconchego, harmonia, e não havia nada em livros de administração para que lidasse perfeitamente com tudo. E ainda tinha o velho ...
parecia diferente, tinha algo incomodando-o, algo que daria o brilho de seus cabelos – agora longos – para descobrir. Teria ele cedido à perdição de uma traição? Não poderia ser! Ele havia prometido! Mas era uma mulher, e por mais que fosse segura de si mesma, sabia que o tempo estava passando, e ela não era mais aquela deusa de lingerie.
Eram tantas coisas, tanto para pensar, descobrir, decodificar, resumir. Era um novo ramo: Family Business.

Capítulo 1 – Novidade


2 anos depois...

Hot Boss POV

Eu estava morto de cansaço ao chegar no meu apartamento; e mesmo com a mente e corpo pedindo arrego, aquela foi a primeira vez em que eu percebi que aquele apartamento era grande demais para mim.
Coloquei a maleta pesada sobre uma das cadeiras de jantar, e segui em direção à cozinha com uma tensão infeliz rondando-me. Matt estava certo; talvez eu estivesse sozinho por tempo demais.
A vida em Nova York havia me deixado um pouco confuso quanto aos meus objetivos e oportunidades. Digo, profissionalmente, eu era praticamente um titã, massacrando qualquer outro que se atrevesse a cortar meu caminho. Diversas vezes fui chamado para trabalhar em outras empresas, mas abandonar a NYM era como deixar minha família de lado. Eu fazia parte daquilo ali; desde os ataques de pelanca de Paige e Matt, de trabalho árduo, até do happy hour, das horas em que as boates de Nova York bombavam com funcionários de uma das revistas de música mais populares da cidade – ou talvez do mundo.
Suspirei.
Era uma sexta-feira, e provavelmente estaria vindo para a cidade naquela semana, talvez na segunda, talvez no domingo; eu já não sabia mais. Sabia que há pouco tempo atrás eu contava os dias para vê-la, quem sabe na esperança estúpida de que ela me dissesse aquelas três palavras mágicas: “Eu estou solteira”. Acho que não preciso retificar que aquelas palavras mágicas não saíram de seus lábios nesses dois anos depois da mudança.
Liguei o stereo, deixando que Queen fizesse o apartamento cantar. Um sorriso iluminou meu rosto; a música Love of My Life, em sua tradução, contava aos quatro cantos do mundo exatamente o jeito em que eu me sentia.
Sentei no sofá de couro que rugiu em desconforto com a força do meu peso contra ele. Fechei os olhos cansados e deixei que qualquer imagem tomasse conta da minha mente. , , desaforo, solidão. Por que sempre eu tinha de ser o excluído desses contratos? Contratos de amor. Então sim, eu fui o escolhido para apenas me apaixonar. Senti algo vibrar no meu terno.
Tirei o demônio vibrante (também conhecido como meu celular) e atendi-o, aproveitando para tirar o paletó também.
- .
- , aqui é a Paige.
- Diga, Paige, o que aconteceu? – senti minha falta de entusiasmo encontrar o tédio no abismo secreto. Eu estava completamente doado às trevas naquela noite.
- É que, aconteceu uma coisinha. – disse-me a menina, que agora até já poderia ser chamada de mulher. Já não era mais aquela cópia da , havia ganhado vida própria desde a convivência com o renomado Pessona. Sim, ele tinha sérios poderes.
- Que coisinha? Não me diga que você perdeu o esqueleto da edição especial!
- Não , foi algo mais... Tenso. – ela suspirou pelo telefone. A tensão era mesmo tanta que até o stereo resolveu mudar a trilha sonora. – Eu queria me encontrar com você hoje, pode ser?
- Bem, pode. Você poderia vir ao meu apartamento? Creio que não tenha esquecido o endereço.
- Oh, eu lembro sim. – Ela falou com uma voz estranha, eu diria que desanimada. Bem, eu não era muito bom em reconhecer os sentimentos alheios; já estava demasiado sucumbido em meus próprios sentimentos. Era como uma velha amiga dizia: “, você precisa sair da sua bolha.”
- Então estamos combinados.
- Devo estar chegando aí em quarenta minutos.
- Sem problemas.
- Então, é... É só isso. Até mais.
- Até mais.

Com a notícia de que receberia alguma visita, resolvi tomar um bom banho. Assim feito, vesti uma bermuda qualquer e camisa; não estava lá preocupado em seduzir ninguém. Arrumei o cabelo pra trás. Sem fome, apenas coloquei um bom vinho para gelar e dei a sorte de arranjar alguns petiscos na dispensa. Amendoins e caviar encheram o pequeno prato de sobremesa.
Levei tudo para a sala de estar, desliguei o som e liguei a TV a cabo, assistindo um episódio qualquer de algum seriado qualquer. Peguei um cigarro, dessa vez um L.A. de menta e passei a tragar vagarosamente, deliciosamente. Era impossível largar um vício tão delicioso – e fatal – como o dos malditos cigarros.

Se eu tivesse contado no relógio o tempo exato de quarenta minutos, saberia que Paige havia chegado na exata hora combinada. Mas eu já estava entretido demais com o seriado que agora tinha nome, Criminal Minds, e me sentia louco para descobrir qual seria o próximo passo de Gideon para pegar a loirinha psicopata.
O interfone tocou anunciando a chegada da Wallace, e eu fui forçado a desistir de 25 segundos de Criminal Minds para atender a chegada dela. Aproveitei para pegar o vinho no congelador e duas taças. Deixei a porta entreaberta para quando ela chegasse, e então voltei a assistir o maravilhoso seriado; agora eu finalmente sabia porque as pessoas eram tão insanas por seriados de TV.
A presença da menina Paige Wallace fora notada por mim assim que o inconfundível cheiro do seu Chanel nº5 passou pelo meu olfato. Suspirei, apagando o cigarro e pegando outro, e oferecendo-a.
Ela estava realmente muito bonita, o que chegou a me assustar. Eu poderia tê-la vista durante vários dias e jamais iria notar a diferença no seu visual. Os cabelos agora beiravam ao negro, contrastando com uma pele branca e lisa; as roupas haviam mudado, claro que a menina que uma vez fora comparada com a grande jamais deixaria de usar as grifes. Mas ela parecia ter mudado de estilo, e agora andava com vestidos muito colados ao corpo e saltos grandes demais para uma mulher que beirava 1,85m de altura. Ela parecia imensa.
Paige aceitou o cigarro que lhe ofereci, tirando da bolsa pequena pendurada em seu ombro um isqueiro verde-limão e acendendo seu cigarro. Tragou-o perfeitamente, numa maestria que eu cheguei a estranhar em uma garota tão nova. Esses dias de hoje, as pessoas nem tem mais essa vontade de tragar umzinho, ou tentar algo novo e emocionante com o traficante da esquina. Pelo menos não como na minha época de inglês legítimo nos anos 90.
- Então, Senhorita Wallace, o que te traz de volta aos meus aposentos? – perguntei-lhe com um ar superior e sacana.
- Bem... Sabe quando as palavras são simples e pequenas, fáceis de pronunciar, mas você não consegue dizê-las?
- Você está falando que nem o Pessona quando quer me falar que fez alguma cagada.
- Pois é. Só que eu não fiz a cagada sozinha.
- Sei...
- É, você sabe. – Ela me olhou daquele jeito estranho, aquele jeito que alguém te olha quando quer tirar alguma memória da sua cabeça e trazer à tona, mas a única coisa que eu consegui pensar naquele momento foi... Ah, não podia ser nada relacionado com aquele dia. Não, não e não.
Fiquei olhando para a tela de Criminal Minds, onde a garota psicopata finalmente estava sendo presa. Comecei a pensar naquela garota como na minha vida, uma psicopata insana, com o demônio intervindo em suas curvas perfeitas, que me fazia cair em qualquer coisa que dissesse. Alguém que me enganaria com um olhar, exatamente como aquela loirinha havia feito com os policiais. Tirei os meus pensamentos de quando, do meu lado, a senhorita Wallace havia cruzado as pernas de modo indiscreto.
- Será que o senhor poderia voltar ao planeta Terra? – disse-me com um pouco de raiva.
- Sim, claro, desculpe-me; foi o seriado.
Ela rolou os olhos de forma petulante e superior. Seria mesmo aquela garotinha a encarnação demoníaca da , apenas com alguns centímetros de diferença? Deixando de ser a ingênua, Paige era rebelde, revolucionária, e era o que todos que a contratavam amavam nela. Os seus desenhos tinham uma energia que apenas a verdadeira poderia equiparar-se. Aquilo era insano.
- . – seu tom foi sério demais dessa vez . – Eu estou grávida.
Olhei bem para a cara dela. Ri.
- Sim, e o que é que eu tenho a ver com isso?
Ela tragou o cigarro com um sorriso de deboche.
- Parabéns, chefinho, você é papai.
O quê? Hã? Quando? Como?
Fiquei estatelado na frente de Paige, que tragava seu cigarro e assistia ao final de Criminal Minds. Eu não queria que aquilo fosse possível, mas era. Maldita hora que eu tinha de ser um homem ferido perto de uma garota bonita. Paige estava grávida. De mim. E eu vou resumir tudo que eu sinto em uma palavra: Fodeu.

POV

Eu e estávamos nos encarando há exatos dois minutos e vinte e três segundos. Estávamos sentado em cima da cama King Size, com nada menos do que as roupas íntimas e dois rostos assustados. O livro do Kama Sutra estava posto entre nós.
O quarto parecia cada vez mais quente, e eu não sabia de onde vinha tanto calor. Talvez a emoção de estarmos ali, prestes a fazer algo insano por causa de uma insana como eu. As paredes ainda brancas da casa recém-comprada, e as molas ainda duras da cama nova. Era a nossa primeira noite na casa nova que ele havia comprado para nós dois. Eu me sentia incrível, e até mudei o cabelo para indicar que estava mudando.
- Foi sua idéia, você vai abrir o livro. – finalmente falou alguma coisa, ajeitando-se sobre a cama.
- , você é um homem ou um rato? Abra logo o livro. – disse-lhe, empurrando o Kama Sutra pro seu lado.
- Eu acho que sou um rato. Vai que sai alguma coisa maluca desse livro aí?
Eu suspirei.
- Chefinho, eu estou tentando engravidar há dois meses e nada. Você é fértil, eu sou fértil, então a gente precisa de um incentivo. – disse rápido, olhando em seus olhos extremamente – Então, vamos abrir juntos; e qualquer que seja a página e a posição, nós vamos fazer.
- Ótimo, e se não der certo?
- Temos 240 páginas para abrir e tentar.
- , você é completamente insana.
- Você também, por me namorar por longos dois anos.
- Eu te namoraria por uma eternidade. – disse-me romântico, rapidamente colocando sua mão na minha nuca e me puxando para um beijo rápido e inteligente. Ele mordeu meu lábio inferior antes de me deixar afastar, e o meu coração já havia disparado loucamente.
- Vamos abrir logo a página desse negócio e fazer o que tem de ser feito. – falei.
- Um, dois, três e... Já!
Então o livro abriu. Página dezessete. Eu não sabia se olhava mesmo para a página dezessete ou se olhava para a página dezoito, porque as duas me deixaram um pouco tonta.
- Página dezessete - ria descontrolado – União do Corvo. Calma, calma que eu tenho que parar de rir...
- Me dá isso. – tomei o livro da sua mão. – União do Corvo? Eu conheço isso como 69. – arqueei as sobrancelhas. – Bem, isso não vai me ajudar a ter um filho.
- Deixa eu ver... – se sentou do meu lado, puxando o livro para si. – Bem, a gente pode fazer o corvo e depois esse da outra página.
- Qual, cadê?
- Aqui, ! Utanna-Bandha.
- Deixe-me ler um pouco... “Proporciona ao homem uma sensação de controle, pois ele pode mover facilmente a mulher de acordo com sua necessidade de penetrá-la; enquanto ela tem uma sensação de fragilidade, que pode ser bem erótica”. – eu ri – Você quer ser o chefe, meu garoto?
- E quem disse que eu já não sou o chefe? – ele perguntou, jogando o livro para longe e pronto para fazer o que tinha de ser feito.
arrancou meu sutiã, a calcinha e não havia nenhuma outra música de fundo; apenas as nossas respirações aceleradas. A sensação de vontade, de prazer, de falta de consciência já me tomava. Era como beber e ficar animada demais.
Fiz ele parar de me sugar como um louco para tirar sua boxer cinza. Eu sempre tinha o enorme prazer de ver seu amiguinho; sorri. Num instante estávamos os dois deitados na cama, naquela forma invertida; eu sentia o cheiro do seu sexo, e estava louca para proporcionar um pouco de prazer para aquele que eu havia escolhido para ser o pai dos meus filhos.
Seu pênis já estava ereto quando comecei a fazer-lhe carícias tontas. Era difícil me concentrar no amiguinho quando o meu clitóris era sugado por uma língua demasiado áspera e perigosa. Vez ou outra eu e ele ríamos diante das carícias, e do prazer extremo que sentíamos. Não poderia haver nada melhor do que sexo.
Eu só parei quando senti que não tinha mais ar, e pareceu ter entedido. Com aquele mesmo pênis duro como pedra, ele passou a se aproximar para fazer o tal Utanna Bandha ou whatever. ficou entre minhas pernas e as levantou, colocando-a sobre seus ombros. Eu senti um frio passear pela minha intimidade. Fechei os olhos rapidamente, inspirando o ar. Eu não sabia o que estava por vir, não sabia como me sentiria naquela posição bizarra.
Assim que abri os olhos, meu olhar foi captado pelo de ; aqueles olhos que de tão , eu poderia me perguntar se eram reais. Lindos. Só assim consegui permanecer quieta até sentir a glande penetrar; Deus, como parecia maior!
Eu não conseguia me mexer direito naquela posição, e tudo se tornava mais difícil e estranho. As mãos dele tocaram minha cintura, e eu segurei seus antebraços, procurando algum conforto. Foi então que ele penetrou completamente. Uma sensação... Sensacional! E que a redundância não deixe que fique menos sensacional!
Sorri, mordendo o lábio inferior. Eu estava completamente submissa a , e ele teimava em investidas fortes alternadas; sentia que ia me rasgar, sentia a definição de prazer. Os cabelos dele tocavam a testa molhada de suor. Seus olhos se fechavam de vez em quando, com seu esforço titânico, eu amava observá-lo; era como se ele fosse meu sequestrador, e eu estava com a síndrome de Estocolmo, completamente apaixonada.

Demorou um pouco para que ele parasse com os movimentos insanos. A adrenalina no meu sangue era tanta, que eu enxergava bolinhas pretas atrapalhando a visão, e sorria como uma boba. gozou dentro de mim, mantendo minhas pernas levantadas. Seus olhos sorriam calorosamente para os meus, e eu amava o jeito com que seu nariz torcia quando uma gota de suor escorregava o rosto. Estávamos embriagados com o sexo.
Retirei eu mesma minhas pernas de seus ombros e coloquei-as para o lado da parede. Não queria que seu esperma escapasse.
deitou ao meu lado, mas virado para o lado contrário. Olhei pro seu rosto cansado mais uma vez.
- Durma, meu amor, logo saberemos o resultado do seu esforço. – eu sorri. Ele fez o mesmo.
- Eu te amo muito, .
- Eu também, ma cherié. – e antes que eu pudesse falar qualquer coisa, suas pálpebras se fecharam e o sono profundo o invadiu. Fiquei a encarar o teto do quarto, esperando que dessa vez, tivesse dado certo. Eu mal acreditava nisso, queria uma família. Uma família de verdade. Seria eu feliz para sempre?
Deixei minhas pernas descansarem quando não aguentei mais e fui tomar banho naquela madrugada, meus pensamentos à mil. Eu jamais conseguiria dormir naquele momento. E não sei por quê, mas meus pensamentos acabaram parando em alguém de quem não ouvia notícias há muito tempo. Em que passo deveria estar meu amigo ?

Capítulo 2 - É isso aí


Hot Boss POV

Eu estava ainda em choque. Ela poderia estar mentindo; ela deveria estar mentindo! Mas é claro que eu não conseguia ver algo nitidamente, diante da tontura da minha própria mente. Aquilo não estava certo, não era assim que eu havia imaginado criar uma família. Sentia-me completamente perdido, como se o chão tivesse saído dos meus pés, como se a chuva não mais molhasse o meu rosto. E ainda por cima, era Paige, pelo amor de Deus! Há poucos anos atrás eu ainda poderia ser chamado de pedófilo, sinceramente! No que minha vida havia se transformado, então?
Wallace ainda estava ao meu lado, e tomava um gole de vinho como se não estivesse carregando uma vida sob o seu ventre. Tirei a taça de sua mão, e o cigarro da outra.
- O que você pensa que está fazendo?
- Fumando, e bebendo um delicioso vinho. – respondeu simplesmente, sem sentir qualquer remorso ou noção.
- Está proibida de consumir fumo e álcool até o nascimento da criança. – disse-lhe sério, apagando o meu cigarro também (que já estava queimando os meus dedos).
- Você vai assumir? – ela perguntou, arqueando uma sobrancelha.
Soltei o ar dos meus pulmões afetados pelo cigarro, estavam um pouco ardidos. Franzi o cenho ao encará-la, e a vi olhar para mim sem sentimento. Não era surpresa. Nunca tivemos sentimentos pairando entre nós dois que não fosse luxúria e desejo, e por poucas horas. Sim, e nessas poucas horas em que algo se instalou entre nós dois, houve sexo, o mesmo sexo que havia colocado uma criança no útero daquela que há pouco, era apenas Paige, a garotinha.
- Por obséquio, Paige. Você acha que deixaria você criar uma criança minha assim, sozinha?
- – ela me olhou com uma cara enjoada – Na verdade, dizer que você seria papai não era a verdadeira notícia. – eu arregalei os olhos.
- What?
- Eu não quero essa criança. Eu não queria nem tê-la, mas minha mãe não aceitou aborto. Colocarei o bebê para adoção.
- De maneira alguma. – ralhei.
- ...
- Paige, você não cresce? Não vê a responsabilidade que é ter uma criança? Puta que pariu!
- Olha só , você fique quieto. – ela respondeu agressiva, levantando do sofá, naqueles saltos imensos. – É você que vai vomitar? Você que vai sentir náuseas? Você que vai ficar tão gordo e grande que poderá ser confundido com uma bola? É você que vai comer tudo em dobro pra se sentir mal depois? É você que vai ficar noites sem dormir? É você que vai ter seu buraco mais estimado lascado pela cabeça de um bebê?
Engoli em seco. Agora ela me assustava.
- Não, , não é. – continuou - Eu também não esperava que estivéssemos bêbados o bastante para não lembrar da camisinha e agora estar tendo essa maldita conversa. Eu não vou abortar, mas também não vou criar uma criança! Eu tenho vinte e quatro anos e uma carreira incrível pela frente, e não vou esculhambar com tudo por causa de uma gravidez indesejada.
- Paige – respirei fundo – Calma. – Levantei, colocando as minhas mãos no seu rosto macio. – Eu te entendo... É só que, isso é muito recente, e você não pode sair por aí tomando as decisões sozinhas. Você mesma disse, nós fizemos a cagada. Eu e você. Os dois. Agora sente-se e acalme-se.
Paige parecia atônita, enraivada, mas não havia uma lágrima no seu rosto. Eu via que ela queria chorar, mas não conseguia.
Desliguei a TV, deixando que o silêncio atravessasse o cômodo.
- Nós não nos amamos, . Esse bebê não merece ficar entre pessoas que não se amam, não é justo. – Paige falou quase num sussurro, alisando a própria barriga, ainda magra.
- Relaxe, garotinha, nós iremos arranjar uma solução para isso tudo. – disse-lhe, chamando-a para um abraço.
Ela estava muito mais alta do que eu, e entortou a coluna para encostar a cabeça em meu ombro. Wallace soluçou, e logo caiu no choro que segurava desde que entrara naquele apartamento. Eu não podia culpá-la, não mesmo.


Paige dormiu no meu apartamento naquele dia. Deixei-a no quarto de hóspedes. Eu sabia que com a idade que tinha, já poderia ter noção de coisas como filhos e maternidade, já poderia querer aquilo tudo para si mesma. Mas do mesmo jeito, eu entendia a sua parte, e entendia que ela quisesse sua profissão, e que ela quisesse uma família que não fosse por acidente. Eu também não queria isso.
Passei a noite acordado, acabando com todo o meu estoque de cigarro e vinho; sabia que mais cedo ou mais tarde acabaria dormindo, completamente à mercê de meu subconsciente, mas até lá, eu preferia ficar a sós com meus pensamentos.
Acho que se eu perguntasse a Deus porque me escolher naquele momento, para aquele acontecimento, iria acontecer o mesmo que aconteceu com Job, no renomado livro de Stephen King. Deus iria me dizer que algo em mim realmente deixava-o puto, e fim, essa era a explicação.
Eram 10 horas da manhã quando eu resolvi trocar o vinho pelo café. Liguei o computador, à procura de trabalho, para ocupar a mente e resolvi preparar sanduíches. Paige acordaria a qualquer momento e, como mãe do meu filho, talvez fosse precisar de algo para comer. Fiz um sanduíche para ela e dois para mim, e coloquei o suco de caixinha para gelar; pus café na cafeteira e servi num bule que havia pegado da antiga casa de Emily. A empregada doméstica só trabalhava em dias uteis, então nada de café da manhã glorioso para mim ou para a Senhorita Wallace.
Peguei o notebook que estava no escritório da minha casa e levei-o para varanda, voltando à cozinha rapidamente para pegar a bandeja com o café da manhã. Era um dia de quase sol em Nova York; sabe, quando você olha para cima e vê que o sol existe, mas que nuvens ou fumaças (coisas cinzas, enfim) atrapalhavam a dispersão dos raios solares. O cheiro da roseira plantada no pequeno canteiro da varanda deixava o ar mais agradável, e o fato de eu morar na cobertura do prédio me dava o privilégio de certo silêncio e brisa.
Com o sanduíche de queijo, presunto, manteiga e salame em uma mão, eu mexia no touchpad do notebook com a outra, vasculhando meu próprio e-mail. Até que, em uma das 12 mensagens recebidas de um dia para o outro, um nome pareceu ter recebido um holofote para si mesmo.

De: (@londonmusic.co.uk)
Para: (@newyorkmusic.com)
Assunto: NY
Mensagem:
Olá , como está? Sinto saudades do meu velho amigo que não mais me dá notícias de seu paradeiro. Será que terei de procurar seu nome toda vez nos jornais para saber se ainda está vivo? Espero que não, há!
Estou indo para Nova York essa semana. O meu vôo é terça-feira, e deve estar chegando aí às 18 horas, horário local. Ficarei por três semanas a negócios, e talvez faça uma visita à NYM. está mandando lembranças também, e não poderá me acompanhar devido ao trabalho. Esses chefes estão sempre ocupadíssimos, não é? Peço que avise sobre minha chegada a Matt também, estou mandando e-mail para ele, mas prefiro ter a certeza de que ele saiba da minha visita.
Atenciosamente (e carinhosamente),
.

Fiquei lendo e relendo a mensagem várias vezes. Imaginei como seria se descobrisse que Paige estava grávida, e pior, de mim. Ela iria me matar. E só de pensar na , sucumbi meus pensamentos a alguém que se importaria ainda mais, e lá vem ela me assombrar novamente. Como seria a reação de Emily? Ela me mataria. Mesmo. Eu estava fodido, fato. É claro que Matt, já ciente de tudo – porque ele sempre sabe de tudo, e eu nunca sei como – iria contar para tudo que aconteceu. Era simplesmente o apocalipse na vida de .
Foi mais do que de repente quando senti uma mão gelada tocar meu ombro; levei um susto. Olhei para trás, encarando uma Paige que acabara de acordar, e tinha os cabelos arrepiados e a cara amassada.
- Então quer dizer que você também cai de quatro pela - Paige proferiu o nome de com escárnio riscando os lábios. – Sempre soube que havia algo de errado quando você ou diziam a maldita palavra: Chefe.
- Mulheres... – rolei os olhos. Por que as mulheres tinham de ter esse infeliz sexto sentido?
- O que foi? Mesmo que você negue o que aconteceu naquele tempo, não pode negar o que está acontecendo agora. Eu estou atrás de você há 5 minutos e você sequer percebeu minha presença, lendo esse e-mail dela que, se tiver muito, deve ter umas 150 palavras.
- Você já acorda assim, menina maliciosa dos infernos? – reclamei – Venha comer e deixe minha vida de lado, nem que seja por algumas horas. – ela me olhou com a cara séria – Pode ser, Senhorita Paige Wallace, ou tá muito difícil sentar e comer?
- Pode ser. – ela respondeu ranzinza. Sentou-se na cadeira emburrada e abocanhou o sanduíche esfomeada. Servi-lhe café educadamente e avisei que tinha suco. Até então pareceu que a tensão entre nós dois havia diminuído. Até então, eu repito.
- , eu quero voltar pra Londres. – disse-me ela, com uma cara de cachorro sem dono.
- Por quê?
- Porque aqui eu moro sozinha, digo, praticamente. Divido apartamento com umas amigas. Com a gravidez, eu prefiro fazer o que tem de ser feito e voltar para a casa de minha mãe; pelo menos até o bebê nascer. – Paige suspirou. – Eu mal sei me cuidar, como vou cuidar de alguém que está dentro de mim? Eu sei que mamãe é controladora e meio insana, mas ela tem alguma noção, sabe, de como se portar.
- Olha, Paige, por mim você vai. Mas e quanto ao seu emprego?
- Bem, eu posso pedir transferência, né?
- Sim, mas só se alguém de lá for demitido ou quiser vir para cá.
- Não tem outro jeito?
- Não.
- Então eu estou pedindo demissão.
Arqueei as duas sobrancelhas.
- Tá bom. Você assina os papéis na segunda. Não se esqueça de falar com o Pessona.
- Sim, sim, é claro. Jamais iria embora sem me despedir dele.
- Ok.
- Ok.
E fim de conversa. Tensão. E eu nunca pensei que falaria tão mal de um sábado.


POV

Acordei sentindo como se tivesse de ressaca. Pregos pareciam estar sendo martelados periodicamente na minha cabeça, o que tornou ainda mais difícil para eu abrir os olhos. Rolei na cama, querendo voltar a um sonho bom que há pouco estava tendo. Era inútil. Sonhos bons nunca têm continuação. Suspirei fundo e finalmente abri os olhos. Estava chovendo; ora, mais que novidade, chuva em Londres. Eu senti logo o cheiro de grama molhada, e o som das gotas de chuva que se debatiam no telhado da casa. Senti também o vazio no lado esquerdo da cama: . O que ele queria levantando cedo num sábado?
Abri os olhos de uma vez, levantando o tronco. Ah, que legal, eu estava nua. Eu jamais iria me acostumar com a sensação de acordar nua e andar pela casa. Apesar de me sentir desprotegida, era incrivelmente delicioso.
Encontrando minha toalha no quarto de hóspedes – tudo ainda estava meio bagunçado devido à mudança -, fui tomar um banho lento, e aproveitei para pegar o celular.
O banheiro era majestoso. A transparência dos vidros era mágica diante dos móveis e azuleijos brancos. Evitando brigas, haviam duas pias, e os pertences meus e de estavam separados de cada lado; fazendo com que o meu lado parecesse uma bagunça comparado ao dele. Eu tinha muito mais produtos de beleza e higiene, por mais que fosse bem vaidoso. Essa qualidade dele, por acaso, eu apenas descobri depois de começarmos a morar juntos.
Liguei a torneira da banheira, deixando-a encher. Peguei o celular e liguei para o meu namorado, que por acaso, tinha saído sem me dar notícia num sábado de manhã depois da mudança de nossas vidas. Pode uma coisa dessa? Não pode. Eu tenho que estar a par das coisas, ele quer que eu pense o quê?
- Alô? – a voz dele estava animada, sorridente. Estranhei.
- Chefe, tá aonde?
- Chegando em casa, senhorita.
- E você veio de onde?
- Do mercado, senhorita.
- Comprou o quê?
- Você vai ver quando eu chegar, senhorita. Posso perguntar do que desconfias, minha linda e pervertida senhorita ?
- Queria ter acordado com você ao meu lado... – suspirei, fechando a torneira da banheira e pegando uns ingredientes especiais para colocar lá. – Mas a única coisa que eu encontrei foi o seu perfume. Isso deprime a pessoa, .
Ele riu.
- Você é dramática, . Devia fazer teatro. – riu ainda mais – Prometo te recompensar.
- Acho bom. – eu disse, colocando metade do frasco de sabão de banheira (sei lá como chama aquele negócio rosa em pó que tem um cheiro delicioso) e mexendo na água quente. Saía vapor da banheira de tão quente que era a água. Adorável.
- Falando em recompensar, você... Acha que deu certo dessa vez? – ele perguntou receoso.
Fiquei automaticamente tensa. Abaixei a cabeça, encarando a minha própria barriga (que devo dizer estava mais para abdômen, Just saying). Será que havia uma pequena vida se formando ali dentro? O meu sexto sentido bem poderia funcionar pra isso, mas eu não conseguia sentir nada. Nem o Kama Sutra poderia ter dado jeito, então? Eu não tinha certeza, não queria imaginar nada naquele momento. Suspirei.
- Não sei . Eu vou marcar um exame.
- Você não vai fazer o teste de farmácia?
- Eu tenho um pressentimento ínfimo de que deveria fazer o exame de sangue. Agora, se não tiver dado certo, já sabe que o amigão aí vai ter que trabalhar né?
riu alto e escandaloso. Eu poderia fechar os olhos e vê-lo gargalhando na minha frente. Realmente adorável.
- Sim, chefe, eu sei. Você que manda.
- Como sempre.
- Como sempre, há! Que convencida. Vou te mostrar que a situação é reversível assim que chegar em casa.
- Estarei esperando... – sorri maliciosa, entrando na água - Numa banheira de água quente, com cheiro de rosas e completamente nua.
- ...
- É uma pena que estou sozinha.
- ...
- Eu realmente preciso de uma ajudinha pra despertar.
- ... – ele suspirou – Pelo amor de Deus, não brinca com minha imaginação.
- Não estou brincando, estou atiçando. – sorri – Vou desligar, venha logo.
- Ok, senhorita. Aguarde seu Mr. , e não espere nada menos do que você pediu.
- Sim, senhor . Câmbio, desligo.
Desliguei o celular e coloquei-o em cima de uma pequena prateleira de vidro perto da banheira. Estava seco ali.
Submergi a ponto de apenas deixar a minha cabeça para fora d’ água. Seria daqueles banhos demorados ao som da chuva.
Estava estranhamente calma, e me perguntava se o “processo” da noite anterior havia dado certo. Eu nunca pensei que engravidar poderia ser tão difícil. É claro que se eu fosse adolescente e tivesse feito sexo sem camisinha eu com certeza estaria grávida de trigêmeos sofrendo pra pagar aluguel e fraldas; mas já que eu realmente queria a criança, isso não acontecia. Impressionante.
Eu realmente queria ter um filho. Desde três meses atrás, quando Louis me ligara com uma notícia que poderia ser aterrorizante.

#Flashback

Peguei o primeiro vôo para Nova York. Nunca ouvira a voz de Tio Louis tão nervosa. A ligação fora curta, e o que mais me chamou atenção – além do tom de sua voz – foi a frase: “Tenho notícias de seus pais.”
O tempo de vôo entre as duas cidades era de 6 horas e cinquenta minutos, e com certeza os mais apreensivos em anos. Notícias de meus pais eu só tivera há mais de vinte anos.
Eu mal cheguei em solo americano e dispensei a limusine da NYM para pegar um táxi, daqueles insanos. Foi rápido que eu cheguei ao Plaza, onde Louis disse que queria me encontrar. Nossa relação estava cada vez melhor, desde sua vinda para New York. Encontrei-o sentado com uma mulher velha, bem velha, em uma cadeira de rodas. Apesar disso, ela se vestia muito bem, e trajava roupas finas e um chapéu imenso na cabeça de cabelos branquíssimos. Estranhei aquela situação.
Aproximei-me de Louis e da velha, com a maior cara de jetlagged, calça jeans escura e camiseta preta. Fosse quem fosse aquela idosa, com certeza não estava tendo uma boa impressão de mim.
Louis me abraçou rapidamente e me fez sentar.
- , eu gostaria que você conhecesse Amity. – Loius disse cortês, apresentando-me a velha. Cumprimentei-a com um aperto de mão, enquanto ela me olhava curiosa.
- Então você é a famosa .
- Famosa eu não sei, mas esse é o meu nome. – eu disse brincalhona, tentando disfarçar minha tensão e cansaço.
- Conte a ela, Amy. – disse Louis à velha, que parecia vidrada a me encarar. Eu estava me assustando.
Ela tomou ar e fechou os olhos rapidamente.
- Meu nome é Amity Bertina . Eu sou a mãe do seu pai, William.
O meu mundo desabou. Eu tinha uma avó? Arqueei as sobrancelhas, sem saber como me portar diante de tal situação.
- Você é minha avó?
- Sim. – responderam Amity e Louis em uníssono.
- Eu pensei que você tinha... – franzi o cenho – Falecido.
- Eu ainda estou aqui, minha querida.
- E por que a senhora não me procurou antes? Por que eu nunca a conheci?
- Porque eu sou sua avó biológica. A avó que você conheceu, Edith, foi a mulher que adotou a criança que eu dei a luz. Seu pai foi adotado, minha querida. Há muito tempo atrás.
- Legal. – dei de ombros. – E por que a senhora resolveu dar as caras só agora?
- , seja menos rude, ora! – cutucou-me Louis. Eu fiz cara feia.
- Deixe-a, menino Louis, ela está certa de se portar assim. – suspirou Amity, digo, vovó Amity. – Eu vim te deixar um pequeno presente, um recado, e uma notícia.
- Faça-o, vovó.
- A notícia é que os três homens que mataram os seus pais estão presos e condenados à morte na Virgínia.
- Eu posso vê-los morrer? – perguntei com a raiva pulsando nas minhas veias. Malditos sejam aqueles homens.
- Pode. – respondeu-me Louis.
- Que bom. Enfim, continue Amity.
- O presente... – ela me olhou com aqueles olhos verdes cheios de misericórdia. – É o vestido de casamento da sua mãe, que está nessa sacola lilás aqui do meu lado. Você também encontrará uma carta. Essa carta foi endereçada a você, e escrita por William. Ele deixou comigo, juntamente com o testamento. Apesar de eu tê-lo abandonado ao nascer, ele sabia que eu não tinha condições, e com a morte de Edith, sobrou apenas a mim para ele confiar.
- Ei! E eu? – perguntou Louis indignado.
- Você é um salafrário, Louis, fica quieto. – ela fez cara feia, me fazendo soltar um pequeno riso. – E o recado, bem, eu estarei ao seu dispor para lhe falar mais sobre sua família. E estou realmente orgulhosa de você ter se tornado quem é. Você tem os olhos de seu pai.
- Os seus olhos. – disse.
- Os meus olhos. – ela sorriu.
Abracei-a involuntariamente, sem ressentimentos. Não queria me importar mais com coisinhas do passado, ou que ela poderia ter aparecido mais cedo. Já não era mais hora de chorar o leite derramado.
O cheiro de Amity era de lavanda, e os cabelos eram claros como neve. Ela era linda e chique, a vovó.
- Eu adoraria vê-la novamente. Uma pena que hoje eu esteja cansada, e não poderei ficar mais.
- Está tudo bem, eu nem esperava um abraço, quanto mais vê-la novamente. Estou muito feliz. – ela sorriu lindamente, e eu retribuí. Eu tenho uma avó. Uma avó, uma família.

A sacola lilás me admirava, e eu admirava ela. Depois de uma dormida (lê-se hibernada) de 12 horas, fiquei hospedada no próprio Plaza até o vôo no dia seguinte. Eu queria abrir aquela sacola, e nem sabia o que me impedia. Levantei em meus pijamas coloridos e sentei no chão, onde a sacola se encontrava. Abri o zíper, pegando o vestido que ali se encontrava. Era lindo; um pouco conservador, mas lindo. Não era branco como eu esperava que fosse, mas sim de um lilás bem clarinho, lavanda, e completamente bordado. Parecia ter sido feito à mão. Levantei-me para esticar o vestido e vê-lo melhor, foi então que a carta caiu. Deixei o vestido sobre a cama e abaixei-me para pegar a carta.
Com uma letra de forma e inclinada, estava escrito: “De papai Will para ”.
“Querida ,
Desculpe-me por não estar mais aí para te ensinar sobre a vida. Se você está lendo isso, então é porque provavelmente o que eu previ de pior aconteceu.
Hoje é 22 de abril, e o sol está quente lá fora. Você acabou de sair para brincar na grama com sua mãe enquanto eu me tranquei mais uma vez no escritório. Dessa vez, eu admito, não fora para trabalho, foi por família.
Quero que você saiba que te amo acima de qualquer coisa no mundo, e que você foi a melhor coisa que já aconteceu na minha vida. Se lhe disserem o contrário, não acredite. Se Louis lhe disser o contrário, bata nele (mas só se eu tiver por perto, hein?}. Eu nem sei que idade você tem agora que lê essa carta, mas vou te tratar para sempre como minha gorduchinha que troca as letras e escreve espelhado.
Minha filha, eu deixo esse pedaço de papel para você como uma lembrança, lembrança de que você deve obedecer seu pai quando lhe dou bons conselhos. Como agora: Família é tudo. Eu e sua mãe erramos muito ao sair da casa de nossos pais para alcançar nossos objetivos profissionais. Erramos nas vezes que deixamos você com a babá apenas para ir ao escritório, ou ao consultório como no caso de sua mãe. Erramos por te deixar sozinha agora. Desculpe-me.
Eu sei que você deve estar perguntando como eu sei que estou correndo perigo, pois é. Seu pai é muito durão quando quer tratar de negócios, e nem sempre anda por onde há luz. Envolvi-me com pessoas que não se importam com o valor da vida, e cometi o erro de te deixar vulnerável a isso tudo. Se eles vierem me pegar, você vai sobreviver, eu sei disso. Você é meu anjo, e anjos não morrem assim tão fácil.
Espero que você esteja feliz, e que um dia tenha filhos e faça-os feliz como eu jamais te fiz.

Com muito amor
Papai.”



#End of Flashback


Era apenas de lembrar que eu já me tornava um rio de lágrimas. Família. Era tudo que eu queria, era o meu novo ramo, tinha de ser. Coloquei a mão sobre a barriga novamente, essa criança tem que estar aqui. Tem que vir. Mergulhei na banheira para enxugar as lágrimas da melhor maneira: molhando-as. Voltei à órbita e sorri, era um bom pressentimento que me invadia. E eu também já sabia o nome da criança que eu teria: Amy, como a sua avó. A pequena Amy, minha menina.


Capítulo 3 – Complicated


(Playlist para Hot scene )

Hot Boss Jones POV

Quando eu cheguei em casa, coloquei a cesta de café da manhã sobre a mesa de jantar e saí correndo para o banheiro atender às necessidades da senhorita . Ela realmente conseguira me excitar em uma simples ligação de telefone.
Encontrei-a quase submersa sob a água azul da banheira. A água estava realmente azul, quase anil. Os olhos de estavam fechados, calmos; os lábios semi abertos, corados pela temperatura da água. O banheiro estava cheio de vapor d'água proveniente da banheira; essa, por sua vez, era redonda e extensa. Tirei o moletom e a camiseta de mangas; ela ainda não havia percebido minha presença. Descalcei as botas e tirei a calça jeans e a boxer, e aí, finalmente, abriu um dos olhos arqueando uma sobrancelha desafiadora. Deu um sorrisinho daqueles que me deixa insano.
- Você demorou.
- Mas enfim cheguei, para sua alegria.
- Metido.
- Como sempre. – sorri, entrando na banheira e ficando ao seu lado. Ajeitei-a em meus braços, e ela encostou a cabeça em meu pescoço. Eu podia ver que seus olhos haviam fechado de novo, e não pude deixar de estranhar. Suspirei.
- Não tem nada de errado, antes que você pergunte. – falou quase num sussurro.
- Mas...
- Eu só estava pensando... – ela começou, e eu já me gabava por dentro: Sabia que tinha coisa errada. - Eu já sei o nome da nossa menina. Vai ser Amity.
- Amity? Como sua avó?
- Sim.
- Então tá.
- Então tá? – ela perguntou, desvencilhando-se de meus braços para se afastar e me olhar nos olhos. – Nenhuma objeção?
- Bem, eu estava imaginando que seria um menino. E, de acordo com minha intuição de pai, será um menino. – sorri-lhe – E o nome dele vai ser Benjamin.
- Benjamin?
- É.
- Como seu pai?
- Yap.
- Benjamin é tão... Filme americano que acaba tudo bem no final.
- Ora, e isso não é tudo que nós queremos? Um final em que podemos dizer que ‘tudo está bem’?
- Não , isso é Harry Potter. Mas... Tudo bem, se for menino eu deixo você nomeá-lo Benjamin.
- Sério? – perguntei com os olhos brilhando.
- Sim. – ela sorriu, encostando a cabeça em meu ombro. Segurei as suas mãos por debaixo d'água, sentindo-as levemente engelhadas. – De qualquer forma, eu sei que vai ser uma menina. – ela levou minhas mãos ao seu abdômen, ainda liso.
- Eu ainda acho que Ben já reside em você.
deu uma risada breve e tirou a cabeça do meu ombro, encarando-me com intensidade. Eu não aguentei sustentar o olhar e sorri; ela fez o mesmo. Suas mãos que há pouco seguravam as minhas passaram a acariciar meu rosto. Fechei os olhos para sentir o toque das mãos molhadas pela minha pele ainda seca, assim que seus dedos alisaram as maçãs do meu rosto, senti a unha afiada arranhar sem querer e tirei suas mãos dali, beijando as palmas.
- Já estou há muito tempo na banheira. Eu vou sair e me vestir. O que você trouxe pra comer?
- Como assim, você vai sair? Logo agora? Momento crucial? – eu perguntei assustado, abrindo os olhos e arregalando-os. Ela olhou para baixo, vendo o meu membro já excitado.
- Desculpa, amor. Eu estou com fome.
- Mas , é rapidinho! Pelo amor de Deus não me deixe assim! – reclamei fazendo bico. Ela sorriu, fazendo que levantaria da banheira. Segurei-a antes que desse impulso para sair. me olhou assustada. – Se não vai por bem, querida, você vai por mal.
Ela deu uma risada alta quando a fiz sentar no meu colo, segurando-a pela cintura com tanta força que poderia machucá-la se a maldita fosse um pouco mais frágil. Apesar do olhar bonito e o sorriso angelical, aquela mulher guardava demônios dentro de si; e eu tinha quase certeza que eram os exatos sete pecados, com grande ênfase na luxúria incontrolável. Beijei-a com veracidade enquanto ela tentava de desvencilhar, pela força que eu usava contra ela. Pois bem, ela poderia pensar agora duas vezes sobre ser fogo de palha comigo.
Abri suas pernas o máximo possível ao meu redor, fazendo sua intimidade tocar na minha por debaixo da água, água essa que agora molhava o banheiro - era impossível se manter dentro da banheira quando os movimentos ali eram tão agressivos. desistira de lutar e começou a ser animalesca, perigosa, inconfiável. Segurou os cabelos da minha nuca e puxava-me para trás fazendo com que eu me esforçasse contra a dor para beijá-la como quisesse. Subi minhas mãos para os seus seios, que eram demasiado macios, e tomavam a forma de minha mão; apertei-os com força, fazendo com que ela parasse com as puxadas de cabelo para sentir o prazer que lhe dava. Beijei o seu colo, mordendo onde pudesse; ela parecia ter perdido as forças, e eu ficava cada vez mais contente.
Já era um momento em que não havia mais linha de pensamentos, era puro instinto. Assim se faziam as melhores transas da minha vida: por puro instinto. Não queria pensar se estava machucando, se era errado, se estava de mais ou de menos. Não queria pensar que o banheiro ficaria encharcado e teríamos que limpar depois, não queria pensar na fome que sentia, ou no cansaço do meu corpo depois de uma semana árdua de trabalho. Para mim – e talvez também para ela – éramos parte daquele momento, independente de causas e consequências.
Beijei o seu pescoço, e senti sua mão afundar na água a encontro do meu membro. Minha boca entreaberta sussurrou um gemido perto do seu ouvido. Assim que ela tocou o pênis ereto com as mãos sensacionalmente macias, mordi seu queixo e alcancei o outro ouvido.
- Minha mulher... – sussurrei. Ela sorriu, levantando um pouco o corpo com as pernas e posicionando-se para penetração. Beijou-me os lábios rapidamente, e afastou-se o que eu poderia prever como exatos 5 centímetros para falar ainda com nossos lábios colados.
- Meu chefe.
Então relaxou em cima do meu membro, proporcionando-me aquela incrível sensação de poder e tesão inconfundível. Soltou um "ah" rouco perto do meu ouvido. Segurei-a pelos cabelos da nuca e fiz com que nossos narizes se tocassem, e nossos olhares se prendessem enquanto as pernas fortes dela faziam o trabalho de subir e descer seu corpo sobre o meu. Minha outra mão estava ocupada deslizando por todo seu corpo molhado, fazendo o contorno das suas curvas; e minha boca, vez ou outra, provava o veneno dos seus lábios.
O sobe-e-desce era mais lento, devido à resistência da água; mas também por causa da água, havia uma pressão desconhecida orientando nossos corpos, e a nossa brutalidade conseguia ser diminuída ficando no exato ponto de prazer total. Eu lambia seus seios, seu colo; mordia seu queixo, sua bochecha, o lóbulo de sua orelha; beijava a clavícula, o pescoço, os lábios. Eu provava sua pele, respirava seu prazer.
Senti que estava para gozar, e ajudei-a com os movimentos, segurando-a pela cintura e fazendo-a descer e subir mais rapidamente. fincou as unhas nos meus ombros, até sentir ser invadida – dessa vez completamente – por mim. Sorriu de lado e beijou-me o rosto.
- Podemos comer agora? – disse ela, levantando de cima de mim enquanto eu ainda sentia os estragos do gozo atracando meu corpo em espasmos constantes. Eu olhei para o seu corpo nu, os cabelos molhados, as gotas deslizando em curvas perigosas.
- Você só pensa em comer? – perguntei franzindo a testa, balançando a cabeça.
- Na maioria das vezes, sim. – ela sorriu – E eu ainda nem comecei a comer por dois.
Saiu da banheira e foi rapidamente ao chuveiro, passando sabão no corpo. Eu fiquei a observá-la.
- Vai ficar olhando? – ela perguntou, saindo do box e enrolando o corpo numa toalha amarela. – Bem, eu vou ver o que você trouxe pra mim. Venha logo comer comigo, depois eu te compenso.
- Compensa?
- Se você aguentar, velhinho, eu compenso. – ela disse com um sorriso e piscando, saindo do banheiro e fechando a porta.
Sorri sozinho. Minha vida estava perfeita.


POV

Terça feira. Compromissos: Nova York. Apenas isso estava escrito na minha agenda quando a reli pela oitava vez no vôo à caminho de Nova York. Seis horas e cinquenta de viagem e eu não sentia sono, vontade de ler e nem tinha mais saco pra ficar olhando as nuvens. Completamente entediada. O vôo na primeira classe era silencioso, e isso só me entediava ainda mais. Já havia me arrependido de colocar o cinto sobre o casaco burberry, apertava o meu estômago naquela posição, mas mesmo assim, eu não queria tirá-lo. Olhei para o relógio que marcava 1:30 PM. Eu só chegaria em Nova York às 6 PM.
Abri a bolsa azul celeste, e procurei pelo Ipad novo e pelos fones. Havia me preparado para esses momentos de tédio absoluto, e colocado filmes no Ipad para me distrair. O filme escolhido chamava-se O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Chamei a aeromoça, pedindo por um pouco de vinho; ela logo voltou servindo-me uma taça e com um sorriso de Barbie trinta e dois dentes pra cima de mim. Sério, das coisas que eu teria sérias dificuldades para ser era aeromoça e vendedora. Sorrir como uma boneca não era bem minha especialidade, principalmente naquela semana do mês que o negócio fica sério: Tocou, Perguntou, Morreu.
Deitei na cadeira reclinável e coloquei o Ipad no meu colo, dobrando os joelhos. O filme passou, meu sono chegou, e eu finalmente fui entregue aos sonhos.

- Senhora? Senhora? Senhora? – uma voz feminina me chamava. Eu ainda achava que estava caindo. – Senhora? Chegamos ao destino, bem-vinda à New York.
Abri os olhos num susto. Deus, como eu odiava sonhar que estava caindo. Aquele tipo de sonho deixava-me insana. A mulher que me chamava, a aeromoça, olhava-me com olhos cinzas arregalados e sobrancelhas escuras arqueadas.
- Acordei, acordei... – eu disse, ajeitando a poltrona em posição vertical e pegando minha bagagem de mão, enquanto ajeitava o cabelo para trás.
- Você é , não é?
- Sou. – respondi em tom de pergunta.
- Ah! Como eu amo meu trabalho! Você pode me dar um autógrafo? – a aeromoça sorriu largo, e eu já estava estranhando ao máximo. Autógrafo? Eu não sou modelo, atriz ou cantora; nem apresentadora de TV, então por que diabos ela queria um autógrafo? - Meu nome é Aleesha. – disse-me ela, estendendo-me caneta e um papel qualquer. Eu dei um sorrisinho forçado.
- Aleesha, the air hostess. – assinei no papel – Obrigada pela atenção e carinho. .
- Obrigada!
- De nada, mas... Por que diabos você iria querer um autógrafo meu? Assim, só perguntando né...
- Ah, eu estava lendo a Rolling Stone e te vi em uma das matérias.
Eu não tinha dado nenhuma entrevista para a Rolling Stone. PRINCIPALMENTE para a Rolling Stone, que era concorrência. Acenei com a cabeça para Aleesha e saí pelos corredores apertados do avião. O aeroporto JFK estava vazio, e já era de se esperar. Terça-feira não era exatamente um dia para se viajar; no entanto, homens e mulheres de negócio e turistas fora de época andavam como baratas tontas pelo hall de desembarque.
Peguei minha bagagem que consistia em apenas uma super mala violeta, no maior estilo Daphne (de Scooby-doo), e, então, com apenas duas malas na mão, dirigi-me pacientemente até a livraria mais perto. Assim que avistei a loja, apressei os passos.
- Com licença, você tem a Rolling Stone desse mês? – perguntei educadamente. O homem calvo e sorridente acenou um sim com a cabeça, e em instantes trouxe-me a revista.
- Aqui, madame.
- Eu quero levá-la.
- São $3,99 madame. Você pode pagar ali no caixa.
Entrei na fila do caixa, que tinha apenas duas pessoas. Era uma mulher alta à minha frente e um gordinho careca para ser atendido. Abri a revista e comecei a folheá-la rapidamente, procurando por notícias minhas. Foi então que eu vi uma foto bem grande ocupando uma página inteira, onde eu, e dividíamos uma mesa na Starbucks de NY, há dois anos atrás.

"Ela teve os melhores chefes do mundo, pegou os dois, foi chefe deles, colocou ordem na Revista de Música Britânica que agora tem 5 filiais no mundo inteiro. Quem é ela? , a lady da London Music."


Eu estava em choque. Claro que não tinha uma entrevista comigo, mas tinha com todo e qualquer terceiro que teve contato comigo. Até mesmo palavras de e de... Paige?

" foi minha mentora no começo, e me deu o melhor professor que pude ter na vida. Acho que se não fosse ela, eu estava fazendo crochê na casa da minha mãe. (risos) Eu me inspiro em mulheres como ela para viver passando por cima das dificuldades."


E por essa, eu não esperava. Mesmo. Pisquei os olhos assustada.

- Holy fucking shit – reclamei em um sussurro, falando sozinha. Foi então que a mulher alta na minha frente olhou-me de esguelha, e então virou-se para mim.
Encarei a mulher com uma expressão simples de interrogação, e ela me sorria. Oi, amigona, quem é você?. Dei um sorriso sem graça.
- ? – perguntou ela, que tinha uma voz fina como a de uma garotinha. Uma garo...
- Paige? – eu falei praticamente olhando para cima para falar com ela. Estava muito alta. Dei uma olhada rápida para os seus pés, onde encontrei super saltos de não menos que 15 cm residindo em seus pés. Engoli em seco. Cadê a garotinha que eu conhecia?
- ! – ela exclamou, abraçando-me e quase amassando a revista. Abracei-a de volta sem graça, dando tapinhas nas costas.
- Oi Paige... Dois meses que não te vejo e você se deu um extreme makeover, não é? Quem te viu, quem te vê.
Ela sorriu. Paige estava parecendo uma cantora de rock n’ roll. Vestia uma calça jeans rasgada, blusão do The Clash e saltos enormes. Os cabelos que antes batiam os ombros, agora tocavam-lhe o queixo, em um corte curto e completamente moderno. Os olhos estavam pintados de preto e cinza, e os lábios cobertos de nude.
- Que bom que você gostou! Foi idéia do Matt, ele disse que eu precisava achar minha própria identidade.
- Estou feliz com isso...
- Comprando a Rolling Stone?
- É o que parece, né? – falei em um tom leve de escárnio.
- Dei uma entrevista pra eles sobre você. Achei estranho que a RS viesse te procurar, mas Louis assegurou que foi idéia sua.
- Meu tio Louis?
- Ele mesmo.
- Ah, que ótimo... – deixei um pouco da raiva sair das minhas narinas infladas. Louis ia pagar por aquilo. Imagine só se, de repente a Coca-Cola e a Pepsi resolvessem amar uma a outra? Era a mesma coisa de colocar algo ao meu respeito na revista concorrente.
Paige foi chamada pelo caixa para pagar pelo que comprava, e enquanto isso eu tirava o meu bat-phone de dentro da bolsa. Louis estava na discagem rápida, então foi num instante que comecei a ouvir o tu-tu do telefone chamando.
- Louis , seu merda. – falei com a voz baixa e cheia de ódio contínuo, assim que ele atendeu.
- ?
- Não, é a Rainha Elizabeth. É CLARO QUE SOU EU!
- TPM atacou de novo, sobrinha?
- Não me venha com esse papo de sobrinha, seu merdinha. Quero saber porque diabos tem uma matéria comigo na Rolling Stone.
- Surpresa!
Respirei fundo. O caixa me chamou para pagar a revista. Dei a ele uma nota de cinco dólares e disse para ficar com o troco, saindo da loja para não começar a discutir alto em lugar inapropriado.
- Louis, eu acabei de chegar em NY. Quero ver você amanhã cedo, ok? Nós vamos ter uma conversinha.
- Tá.
Desliguei sem nem me despedir. Rolei os olhos, em desavença com o dia de amanhã. Se eu estivesse grávida, realmente, ia pedir para ir morar em Paris e só querer saber de comer croissant e falar de arte. Deus, como meu trabalho era estressante.
Assim que me encontrei no hall de desembarque, novamente, Paige me esperava na saída, cumprimentando-me novamente e se aproximando. Sério, amigona? Sério. Ela ficou do meu lado e elogiou a roupa que eu vestia.
- Foi de um dos meus assaltos à Burberry de Londres. – eu ri. Tá, a conversa com ela era até agradável, visto que ela não dominava mais nenhum dos meus chefes e ainda falava de moda comigo.
- Adorei o desfile da Burberry. Fender Fender também estava ótimo. Você viu a Semana de Moda em Paris?
- Simplesmente incrível... A alta costura de lá é o jeans daqui.
- Verdade! – ela sorriu. Segurei a minha super mala de rodinhas e coloquei a bagagem de mão e bolsa do outro lado do corpo, e comecei a andar em direção à saída.
- Falando de moda, como está Matt?
- Lindo e divino, como sempre. – respondeu Paige. – Até estar na sombra dele é algo maravilhoso.
Dei uma risadinha junto a ela, e foi nesse momento que me ocorreu. Estávamos no aeroporto. Que diabos Paige Wallace fazia no aeroporto? Ela tava indo para onde? Tá, eu sei que não é da minha conta exatamente, vai que ela simplesmente está tirando férias. Mas eu nunca vi alguém tirar férias segurando quatro bolsas de mão. Parecia que ela estava... Se mudando.
- Paige, é um pouco de intromissão, mas posso perguntar o que fazes no aeroporto?
- Vou viajar!
- Bem, isso eu já pressupus. – parei de andar na frente da porta de saída. Já podia avistar a limusine da NYM e o motorista Carlos esperando-me.
- Eu estou voltando para Londres, mas só temporariamente.
- É mesmo? Quanto tempo vai passar lá? – perguntei como quem não quer nada.
- Uns 10 meses, um ano. Pedi demissão da NYM.
- Por quê?
- Estou grávida. – ela sorriu sem graça. Não parecia muito feliz com aquilo. Franzi o cenho, e coloquei a mão no seu ombro.
- Parabéns! Eu também estou louca para ter filhos.
- Foi sem querer.
- O que foi sem querer?
Paige pôs a mão em cima da barriga, que parecia-me extremamente malhada. Jamais esperaria uma criança sair daquela chapa. Ela parecia triste, desolada; e eu não podia deixar de ficar com pena. Suspirei.
- Não se preocupe, tenho certeza que você será uma ótima mãe. O pai não vai assumir?
- Você não sabe? – ela me perguntou com uma cara estranha. Eu crispei os lábios, balançando a cabeça negativamente.
- Não sei o quê?
- é o pai. – ela soltou – Ele vai assumir, claro, eu é que não quero o bebê e...
E aí ela começou a falar mil coisas de uma vez, eu não conseguia absorver nada. transou com Paige? Qual é o probleminha dele? É a Paige! Pelo amor de Deus! E por mais que quem se incomodasse mais com isso fosse eu, estava pegando tipo... Os restos de . O que deixou pra trás. Eu não acreditava nisso. Mal chego nesse jagunço de cidade e já tenho que me deparar com esse tipo de situação.
Eu com certeza não ia falar nada com , ia deixar que ele tivesse o estômago para me contar. Mas que a situação era ridícula, era. E imagine só, logo ele, que chamava ela de garotinha. Pedófilo.
- Bom Paige, foi ótimo te ver, mas a limusine acabou de chegar. Quem sabe nos vemos quando eu voltar para Londres! – eu disse rapidamente, sentindo que tinha a interrompido. Ela crispou os lábios e fez uma cara de choro. Foi aí que, acho eu, fiz uma merda. Abracei-a apertado. Coitada, era tão nova! Não podia estar sofrendo assim. O tempo passou, Paige não era mais ingênua, mas mesmo assim eu sentia uma necessidade de protegê-la, por mais que soubesse que ia ter que proteger também. Merda, merda, merda! - Relaxe, garotinha, tudo vai ficar bem. Eu prometo te ajudar, ok? Faça uma boa viagem à Londres.
- Obrigada . – ela sorriu verdadeira. – Você ainda está com , suponho.
- Sim.
- Desde aquela época?
- Sim.
- Vão se casar?
- Não sei.
- Hum. – fez bico. Eu arqueei uma sobrancelha, não gostei da forma como ela havia me perguntado aquilo. E, além do mais, ela estava voltando para Londres sendo que eu não estava lá para guerrear e defender meu Deus Grego das garras daquela medusa de cabelo curto. Suspirei, mantendo a pose e afastando-me, dando um tchauzinho com a mão. Só eu mesma para ter uma poker face daquele jeito. Eu lidaria com aquilo depois.

Assim que entrei na limo, fiquei intrigada. Não pelo pai do filho de Paige, pela promessa de ajudá-la, ou pelo artigo sobre mim na Rolling Stone. Mas sim, pelo que eu poderia estar esperando de minha vida. Será que a minha pequena Amity já havia se alojado na minha barriga? Respirei fundo. Sabia que havia prometido não fazer teste de farmácia, e nem deixar de dividir o momento com ; mas era impossível ficar tanto tempo sem saber. Se foi com o Kama Sutra ou com a banheira de hidromassagem, eu não sabia dizer, mas tinha que ter funcionado!
- Carlos, faça-me o favor. Pare naquela farmácia perto do Plaza rapidamente, eu preciso comprar um remédio.
- Sim senhorita . – respondeu-me Carlos educado. – Como foi de viagem?
- Entediante.
Ele riu. Era um ótimo funcionário, sorridente.
Chegamos rapidamente na farmácia, mesmo com o trânsito. Comprei três testes, iria fazer três vezes só para ter certeza. Logo Carlos me dirigiu até o Plaza, que era onde eu me hospedava quando ia a NY, e sem que eu percebesse noção de tempo e espaço, já estava no banheiro, fazendo xixi naquele bastão estranho.
Por não estar com muita vontade de fazer xixi, comecei a fazer som de água com a boca para que vontade viesse. Demorou um pouco para vir, mas enfim, eu consegui. Respirei fundo quando peguei o bastão e coloquei na minha frente, havia fechado os olhos de ansiedade. Inspirei o ar delicadamente e abri. Quase gritei com o resultado.

P.O.S.I.T.I.V.O.


Capítulo 4 – Inesquecível e Impossível


Por obséquio que eu havia passado a noite acordada sem querer pensar em outra coisa senão no lindo futuro que me aguardava pela frente. Tomei uma ducha e vesti uma roupa para tomar café, um simples vestido quadriculado e bem soltinho. Peguei um casaco de lã e coloquei por cima, estava acordada cedo demais.
No restaurante do Plaza, era cedo demais para se acordar, mas ainda assim havia bastantes pessoas. Eu deixei minha bolsa em uma cadeira e fui me servir. Peguei de tudo um pouco, finalizando com um copo enorme de suco de laranja e rejeitando o café. Espera! Eu rejeitei o café? Sim, meus queridos, era a prova concreta de que algo estava acontecendo dentro do meu corpo e minhas células estavam definitivamente estranhando.
Sentei sozinha, e comi sem parar; pouco me importando com consequências. Eu precisava comer. Claro que minha calmaria não durou muito mais do que dez minutos, já que o celular havia começado a me dar sustos tocando Hound Dog, do Elvis Presley. Aquele toque era especial.

- ? – a voz grossa irrompeu meus ouvidos. Eu sorri. Sorriria com tudo, até sabendo que perdi toda a minha fortuna (mentira!).
- Diga Sir !
- Nossa, sério que te encontrei acordada a essa hora?
- Não, você tá falando com o meu fantasma. – ironizei, bebendo um gole rápido de suco. – Desembuche logo, mi lorde.
- Lorde? – ele riu do outro lado do telefone. Uma risada meio tensa, e eu até sabia o por quê: Paige e a criança. Também não deixei de pensar nisso, mas acabei por escolher a decisão mais sábia que deveria tomar: Deixar que ele escolhesse a hora certa de me contar. Não tinha a mínima necessidade de eu colocá-lo contra a parede por uma coisa dessas. Isso é coisa de Emily. E eu não era Emily. – Gostei de ser tratado assim. Enfim, você já está em NY?
- Sim.
- Como foi o vôo?
- Tudo bem.
- Paige disse que te encontrou no aeroporto.
- Verdade.
- E...
- Conversamos. Ela está bem diferente, não é? Até mais bonita...
- É. Porém não mais bonita do que você.
- Verdade, eu tenho uma beleza inesquecível.- suspirou. Sério que ele não havia me superado? Oh Dear! Isso era algum sinal macabro! foi minha escolha. Eu o amo. Mas... ... Ah! Vida cruel.
- Bem, eu estava pensando... Você sempre fica no Plaza quando vem pra cá. Eu acho isso muito feio da sua parte.
- Por quê?
- Porque EU moro aqui e você fica em Hotel, sua mulher fria e sem coração!
- Desculpe, ... É só que, com tudo que aconteceu, eu achei que...
- Não quero ouvir balela. Venha já pra cá, mocinha!
- Ou o quê?
- Ou eu vou aí e te carrego.
- Ainda não me convenceu...
- Ou... – ele hesitou - Eu não vou querer mais ser seu amigo!
- Golpe baixo!
- Eu sei, mas funciona desde a alfabetização! – ele riu. Acompanhei-o em uma risada calma.
- Eu vou pensar no seu caso, Sir . Nos vemos mais tarde na New York Music!
- Você vai lá que horas?
- Amanhã. Hoje eu vou visitar a Clínica.
- Ok. Até mais.
- Até. – falei e desliguei.
estava certo. Era muito mal educado da minha parte não me hospedar no apartamento do meu melhor amigo quando vinha para Nova York. Só que eu morria de medo que aquela atração repentina voltasse e acabasse por acabar com meu relacionamento (perfeito, maravilhoso, sensacional, sensual, esplêndido, hermenêutico...) com . É, eu era uma medrosa. Mas pense comigo, se eu tive de escolher entre os dois, eu também tinha que me manter na minha escolha. Era simples e objetivo... Na teoria, claro.
De uma maneira ou de outra, eu sabia que não podia mais me dar ao luxo de ficar pensando em coisas tão terrenas quando um pequeno pedaço do céu se alojava em meu ventre. Passei a mão pela barriga com carinho, como uma mãe boba e babona. Ah, eu com certeza seria uma babona quando a menina nascesse. Quer dizer, menina ou menino, não é? É.
Tomei o último gole do suco de laranja e voltei para o flat, afim de trocar de roupa e voltar a ser a mulher poderosa que eu era; (Não me peça por modéstia quando a verdade é irrefutável).
Escolhi um vestido soltinho Nina Ricci e combinei com sapatinhos de salto baixo Chanel. Pus o conjunto de brincos Bvlgari que havia me dado de presente de aniversário no ano passado (Além de uma semana nas Ilhas Fiji). Tirei da minha nécessaire cor de pérola o meu kit de maquiagem. Limpei a pele, passei a base que era hidratante e fui usando iluminador e sombra bronze para fazer o formato dos olhos de modo mais felino, e afinando levemente o rosto com blush, sem exageros. Usei um batom cor dos lábios, apenas para deixá-los mais saudáveis. Prendi os meus cabelos – que agora estavam longos e levemente mais claros devido a uma tentativa de luzes há oito meses atrás – em uma trança raiz, daquelas bem mal feitas que a gente faz na frente do espelho (mas que mesmo assim fica um despojado elegante).
Tudo feito, arrumei mais ou menos as coisas na mala, apenas para organizar o mínimo possível; e guardei meus pertences mais caros e documentos importantes no cofre que me era disponibilizado. Eu jamais confiaria numa camareira novamente, depois da última vez que deixei uma jóia fora do cofre ao ir jantar e na volta a jóia ter simplesmente desaparecido.
Apressei-me mudando de bolsa, colocando tudo em uma menor e pegando as minhas pastas de trabalho. dizia que eu devia contratar alguém para me ajudar nesse trabalho, alguém para me auxiliar, levar as coisas pra mim; mas eu sempre replicava com ‘Eu não sou mimada, . Tenho mãos, braços e pernas e um gênio dentro da média. Tenho capacidade de me virar sozinha’. Bem, eu acho que ele só dizia isso sempre para me ver irritada pela subestimação de minhas habilidades. Ele realmente gostava de me desafiar. Há!
Com tudo pronto, saí do flat e corri para a saída do Hotel. O gentil homem que recepcionava os hospedes me conseguiu um táxi facilmente, e logo eu estava à caminho da Clínica para pessoas com câncer. Apesar de ser um lugar onde a Morte adora ceifar, eu ainda assim gostava de lá. Gostava de ver aquelas pessoas que poderiam morrer a qualquer momento, sorrindo, brincando, contando histórias. Porém, daquela vez, em especial, eu não estaria indo apenas para dar uma olhada nos Livros de Finança ou me reunir com a diretoria. Eu estava indo para renunciar meu cargo como diretora, e apenas deixar meu nome como financiadora do projeto.
Era muito pouco que eu sabia sobre a fundação da Clínica. Eu só sabia que era coisa da minha mãe, Merrick, que era médica e filantrópica. Por obséquio que meu pai jamais iria abrir uma Clínica que custava milhares por mês apenas para agradar minha mãe. Meu pai era do tipo que acreditava no futuro, e para cada investimento na vida, é preciso ter um retorno. Claro que ele não se referia ao retorno financeiro; mas William não acreditava nas pessoas. Ele era desconfiado, e por isso, organizadíssimo com seus negócios. Talvez esse era o motivo de ter se tornado mais rico do que já era. Isso tudo era informação de Vovó Amity, em nossas ligações via Skype.
Amity podia ser Vovó, mas sua idade mental podia variar entre 30 e, no máximo, 50 anos. Era uma mulher e tanto. Usava a tecnologia como ninguém, e às vezes eu achava que era uma bela de uma hacker.
Mas enfim, voltando ao que interessa: Minha família era bem diferente do que eu imaginava quando criança. Para mim, eles eram perfeitos. Mas é claro que não eram. Nenhuma família jamais poderia ser perfeita.
Meu pai era viciado em trabalho, e minha mãe, bem, ela sofria com isso. Ela também amava seu trabalho, e era difícil desvencilhar-se, era difícil escolher entre salvar uma vida e colocar a filha para dormir com uma boa história. Já meu pai, bem, tudo inicia-se com George, que era meu avô. George era daqueles macho-alfa que manda em tudo e em todos, e não aceita falhas. Com meu pai, a coisa foi mais dura, mais perversa. George (realmente não consigo usar vovô para descrevê-lo) era terrível. Erros eram inaceitáveis, completamente. Bem, e isso acabou deixando com que meu pai trouxesse esse medo de errar consigo, mesmo quando se tornou um adulto. Louis, aquele demônio, era irmão do meu pai. Claro que ele andou na linha também – ou fingiu andar -, mas assim que George morreu de velhice, pouco depois do meu nascimento, não havia mais motivos para Louis segurar sua perversidade. Edith, a esposa de George e mãe adotiva do meu pai, não esperou muito para também dar adeus. Eu lembro do seu rosto, e das sardas que cobriam as maçãs do seu rosto; ela era tão ruiva! Mas o problema do coração e a insuperação da morte do marido a deixou exposta ao pior. Louis me disse que a doença aconteceu quando ela parou de se cuidar. Foi Alzheimer.
Sério, jamais pense que sua família está mal. Pelo menos eles estão vivos, certo? Certo. Porque comigo, a Senhora Morte pegou pesado.
O motorista do táxi parou o carro e tirou-me do meu frenesi para dizer que havíamos, finalmente, chegado. Eu deveria ter passado ao menos 20 minutos naquele carro; culpa de Nova York e seu trânsito impossível, a Clínica não era assim tão longe.
Paguei o táxi e agradeci, saindo do carro com minhas pastas e bolsa. O vento era forte, o vestido voava, e era meio difícil lidar com aquilo. Eu olhei para o prédio cinza, tão belamente construído, logo após a cerca de ferro. Apesar de possuir aquele lugar, a segurança sempre me convencia de mostrar documentos e dizer o que eu ia fazer lá. De verdade, eu não reclamava – por mais que fosse irritante – vai que alguém resolve fingir ser eu e vem aterrorizar minha Clínica?
O prédio tinha arcos gregos no portão de entrada, de mármore, e assim que eu dei o primeiro passo para dentro daquele lugar, percebi a mudança de ambiente. O ar-condicionado fez meus cabelos arrepiarem, e a recepcionista Kelly sorriu-me graciosa. Enfermeiras vinham de um lado para o outro, atarefadas; e médicos aparentemente calmos sumiam nos corredores extensos. O prédio tinha dois andares, e ainda assim dois elevadores para transportar os pacientes em cadeiras de roda e materiais. Tudo era facilitado, havia toda a tecnologia para isso. Também, com a explosão da London Music, foi muito mais fácil para mim desviar dinheiro para esse lugar, um dos maiores orgulhos das Organizações .
- Olá Senhorita ? A que devo a honra de sua visita? – disse-me Kelly, de repente na minha frente, em pé. Ela era uma mulher de estatura mediana, peitos grandes que mal cabiam na camisa social branca e cabelos loiros e longos que estavam sempre presos em rabo-de-cavalo.
- Olá Kelly, muito tempo sem vir, não é? – cumprimentei-a com um aperto de mão. – Eu vim para a reunião das 8 horas, e ficarei o dia todo por aqui. Quero saber como estão as coisas, mas enfim, você pode me contar depois. A diretora Roffman está?
- Sim, falta algumas pessoas, mas ainda são 7:50 AM, eles devem chegar a qualquer momento.
- Ok, obrigada, Kelly. – disse me afastando.
- A senhorita não quer que eu a acompanhe?
- Não se preocupe, eu conheço o caminho.
Chamei o elevador, que era ali perto. Assim que o elevador chegou, uma paciente, uma criança de não mais que 12 anos, estava sentada numa cadeira de rodas, com seus cabelos castanhos ralos. Seu rosto era de uma beleza que me fez arrepiar. Os olhos eram dois globos verdes estupidamente claros, como os de uma lince, e a pele era de alabastro.
Apesar do que parecia estar matando-a, ela sorria. Sorria como uma boba, sorria como se não houvesse limites para a alegria.
Perguntei, silenciosamente, ao enfermeiro que a acompanhava qual era o quarto dela. O homem respondeu-me com um sorriso: 109.

A reunião prosseguiu sem problemas. Não houve atrasos, e assim acabamos o mais rápido possível. Eu havia entregado as rédeas da clínica para a Diretora Celeste Roffman, que há anos dedicava-se aquele lugar e seus pacientes. Passei a ela meus direitos administrativos, e poder pelo dinheiro que eu doava, todo mês.
Eu estava mais tranquila, iria evitar ao máximo essa viagem de negócios à Nova York; ia começar a minha família, que era muito mais importante do que qualquer viagem ou negócio.
Eu já havia me despedido da Roffman, e dos outros lá presentes. Foi então que peguei o elevador e saí à procura do quarto 109. Era uma porta branca como todas as outras, e tinha um nome escrito dentro de um vidro: Fry, Violet.
Bati na porta antes de entrar. Encontrei alguém que parecia ser a mãe da menina sentada, lendo um livro ao seu lado. A menina estava com o olhar baixo, e parecia um pouco tonta.
- Oi – eu disse, sem graça. O que eu estava fazendo lá mesmo?
- Oi. – respondeu a menina, com um sorriso fraco nos lábios ressecados.
- Eu sou , sou a dona da Clínica.
- Eu sei, - disse-me a menina – o enfermeiro Jerry disse, moça do elevador. Ele também disse que você visita alguém quando vem aqui.
- E você esperava minha visita? – perguntei, aproximando e fazendo um gesto consensual para a mãe, em sinal de respeito.
- Ela adora receber visitas. – disse-me a mãe. – Não se preocupe, venha, sente-se.
Eu sentei na cadeira do lado contrário da mãe, perto da maca da mocinha.
- Por que você me escolheu?
- Não sei...
- Talvez foi porque eu pedi a Deus. – Ela arqueou a mão perto de mim, que tinha uma pulseira com uma cruz. Queria lhe dizer que eu não acreditava em Deus, e não tinha religião certa; nunca me ensinaram sobre isso. Mas mantive a pose, e sorri largamente.
- É, pode ser. Qual o seu nome, garotinha?
- Eu sou Violet.
- Nome lindo.
- É, eu sei. É o mesmo nome da filha do Senhor Incrível. Eu tenho poderes, que nem ela. Minha mãe também tem, mas ela não vai admitir, senão ela perde a identidade secreta.
- Nossa! Então esse é o nosso segredinho. – disse-lhe, fazendo um sinal de juramento com o dedo mindinho. Ela enlaçou o seu dedo com o meu, e sorriu mais uma vez.
A mãe continuava calada. Ela parecia ter seus pensamentos à mil por hora, sem saber como, ou porquê logo ela tinha de ser a escolhida para sofrer daquele jeito.
Eu parei para observar a cena, e algo me ocorreu. Era mais ou menos assim que Emily se deitou no leito da morte. Ela não tinha medo, enquanto os meninos ficavam à beira de um colapso nervoso; exatamente como aquela mãe. Eu nem havia me preocupado em saber o nome dela, da mãe.
- Posso saber seu nome? – perguntei à mãe.
- Sou Emilyann. Mas me chamam de Emily.
Ok. Eu odeio coincidências que me deixam assustada. Definitivamente. E era mais do que fato, Emily era inesquecível. E eu, bem, eu estava me tornando ela. Se qualquer coisa acontecesse comigo, eu faria o mesmo que ela, ou Violet, eu iria dizer que ia superar, por mais que estivesse à beira da morte.
Olhei para o relógio de pulso: 12:40 PM. É, eu já estava estranhando a fome que me dilacerava.
- Você não está com fome, Emily? – perguntei-lhe. Percebi que a mulher tinha os mesmos olhos da filha, só que cabelos mais claros. Olheiras tomavam conta do seu rosto. Era também bonita, e o nariz avantajado combinava com o rosto retangular.
- Na verdade, eu estou; mas não quero deixar Violet sozinha. Eles vêm raspar o cabelo dela às 1:30 PM.
- Ah, mas se você não pode ir à cantina, a cantina vem a você! – levantei da cadeira. – O que você acha, Violet, de um super rango? Posso trazer o que você quiser, é só pedir!
- Eu quero Lasanha!
- Filha, você não pode comer essas coisas...
- Vou pedir autorização do médico responsável, Emilyann, não se preocupe. Agora, deixe-me correr para conseguir tudo antes de o cabeleleiro vir. – disse animada. Violet sorriu largamente e a Emilyann também.
Eu saí do quarto rapidamente, procurando o Dr. Cruz, que iria me dizer que cardápio poderia servir. Fui de táxi para o restaurante mais próximo e pedi a comida. Foi então que eu passei por alguém conhecido, ali sentado.
- ?
- ! Olha quem eu encontro aqui! – disse ele, se virando pra mim e abraçando-me. Estava fumando, eu tinha certeza. Seu cheiro era de um cigarro mais fraco, talvez de menta, mas ainda assim eu conseguia sentir o aroma de longe. Aroma de L.A. e perfume Pólo Sport.
- Eu realmente não esperava encontrá-lo aqui. Aliás, eu nem sei o nome do restaurante. – eu disse rindo, enquanto ele mostrou-me a cadeira para sentar ao seu lado.
- É...
- Eu pensei que você estaria na NYM. E que eu saiba, não é muito perto daqui.
- Não, não é. Aqui é perto do...
- Perto do quê? – perguntei intimidadora. É, eu estava definitivamente parecendo Emily. Talvez era porque estava grávida e meus hormônios não eram lá confiáveis, mas enfim, eu estava protegendo e intimidando exatamente como Summers faria.
- Ah, não interessa, o que interessa é que você está aqui! – ele sorriu. Eu fiquei séria, encarando seus olhos tensamente lindos. , não sucumba à perdição, ele é bonito, fim, você não precisa se derreter porque os olhos dele te encaram com desejo. Jamais.
- Ok, . Eu tenho horário. Preciso ir, nos falamos amanhã. – levantei da mesa, sem mais nem menos.
segurou meu braço, fazendo com que eu olhasse para ele intensamente; quase como se fosse matá-lo. Seu sorriso se abriu quando ele se levantou, revelando sua altura excepcional.
- Eu fui no antigo apartamento que Paige dividia com amigos, ela me pediu para pegar uma coisa lá.
- Que bom. Toda essa pressão por causa disso?
- É que...
Arqueei uma sobrancelha. O homem do balcão me chamou, dizendo que a comida estava pronta e embalada. Acenei-lhe dizendo que já iria, e de relance olhei o relógio que já marcava 13:10.
- Paige está grávida. – ele falou rápido. – E eu sou o pai. E responsável. É tudo culpa minha, ela não tem nada a ver com isso. Por favor não...
- Eu já sabia. – disse-lhe calmamente.
- Mas...
- Não se preocupe . Eu não sou Emily, não vou querer mandar em você. A escolha foi sua, a responsabilidade é sua e eu não tenho nada a ver com isso.
- Como... – ele estava confuso, a testa franzida – como você soube?
- Você não pode esconder nada de mim, Sir . Eu sou a chefe.
- Você é impossível.
- E sempre inacreditável. – beijei-lhe a bochecha áspera. – E imprevisível. – sorri. – Incontestável.
Despedi-me dele com um aceno de cabeça e um sorrisinho, pegando a comida com o homem do balcão e pegando um táxi de volta à clínica. Estava quase na hora. Faltavam 7 minutos. Saí correndo pelos corredores até o quarto 109, e quando entrei, Violet era pura alegria.
- Você voltou!


(...)



Já estávamos finalizando o almoço. Violet já estava carequinha, sem sobrancelhas ou cabelo, nada – e sua pele de alabastro reluzia. Eu dei o último gole na minha Coca-cola e olhei para ela com cuidado, tocando sua bochecha que ainda mastigava o pudim da sobremesa.
- Sabe Violet, eu tive uma amiga como você. Ela era uma super-girl. Ela nunca desistiu.
- E onde ela está agora?
- Agora ela é uma estrela.
- Uma estrela?
- Sim, e ela nunca apaga. Ela é inesquecível, independente de qualquer coisa. Pode ser que você a veja hoje à noite. Ela é uma estrela cadente. Se você a vir, pode fazer um pedido.
- E o pedido vai ser realizado?
- Sim, só se você se comportar e sorrir sempre, não importa o que aconteça.
- Combinado!
- Não, prometido. – elevei meu mindinho. Mais uma promessa feita.
E meu último bom ato daquele dia, foi perdoar Emily. Eu jamais poderia julgar alguém como a julguei, eu jamais cometeria esse erro novamente. Emily foi meu aprendizado, inesquecível; e eu poderia até parecer com ela em relação aos chefes, mas eu jamais seria ela, alguém quebrado por dentro, e sorridente por fora.

Capítulo 5


New York Music, quarta-feira, 8:30 AM.

Abri o portão de vidro que daria para a NYM sentindo-me completamente quebrada. Se tivesse conseguido dormir pelo menos 4 horas, eu estaria exagerando. A noite foi infernal. Tentei ao máximo esconder olheiras preocupadas com corretivo, mas ainda assim eu sentia meus olhos piscarem rapidamente, na tentativa árdua de fecharem-se em um sono calmo. Mas eu tinha uma obrigação: trabalho. Voltaria para Londres no sábado, o que seria um dia mais cedo do que o previsto – devido, é claro, ao imprevisto que era uma vida se formando em meu ventre. Eu faria uma surpresa para , mas mesmo com esse pensamento positivo, meu corpo não queria se animar em viver. Eu só desejava dormir.
Foi exatamente naquele momento que a minha eficientíssima secretária, Jillian, resolveu perturbar a paz dos meus pensamentos soníferos, e fazer meu celular tocar insistentemente dentro da bolsa Louis Vuitton.
- . – identifiquei-me.
- ! Estou tentando falar com você há dias!
- Sério, Jill? – perguntei sem entender, havia respondido um e-mail em seu nome no dia anterior.
- Na verdade, não, eu só estava exagerando. – ela riu do outro lado da linha, enquanto eu rolava os olhos, suspirando. – O Conselho Administrativo e Financeiro concordou com a reunião na sexta-feira, às 17 horas na Sala de Reunião da NYM. Eles parecem já saber do que se trata.
- É, eu já esperava isso...
Nesse momento Matt Pessona atravessou o meu campo de visão, com um dos vestidos lindos em uma mão e uma pasta cinza em outra.
- Espera um pouco, Jill. – disse ao telefone – Matt!
Ele pareceu surpreso com minha presença, o que me dava a certeza de que havia esquecido de lhe informar sobre minha vinda.
- O que você está fazendo aqui? E por que seu cabelo está tão claro? – Matt perguntou, pegando nos meus cabelos como se analisasse. Fiquei meio tensa. Pessona com certeza ia falar algum desaforo sobre o cabelo que clareei há um mês.
- Pedi para te avisar, mas pelo que parece...
- Eu gostei. Mas você vai ter que clarear essas sobrancelhas, darling. – ele disse, fazendo bico. Olhei séria para ele, fitando seus olhos azuis.
- Não posso clarear as sobrancelhas.
- Por quê?
‘Porque estou grávida e não devo me submeter a substâncias químicas descolorantes.’, quis responder. Mas apenas suspirei, e lembrei que Jill ainda estava na linha.
- Jill? – perguntei, colocando o celular de volta ao ouvido.
- Sim?
- Só queria saber se você ainda estava aí. – disse-lhe rapidamente, enquanto seguia Matt onde quer que aqueles passos apressados vestidos com sapatos Louboutin me levassem. – Veja se consegue minha passagem para sábado mais cedo, na primeira classe. Vou passar esses dias na casa do , então, qualquer coisa, pode ligar pra lá. está aí?
- Está sim, senhorita, no escritório dele.
- Hum, você pode me colocar no ramal dele?
- Posso sim. Mas antes...
- Antes o quê?
Descobri que Matt havia se dirigido ao que dizíamos ser O Closet. Uma espécie de sala gigantesca onde roupas, sapatos e instrumentos musicais dos mais diversos eram guardados. Estava, com certeza, maior do que eu lembrava. Desde que comecei a cuidar da administração da Revista, não tinha mais a oportunidade de participar da loucura que era a criação semanal da revista; nem mesmo a melhor parte daquilo tudo, conhecer os artistas. Não tinha tempo para isso. Eu e trabalhávamos como condenados. Talvez por causa disso raramente tínhamos discussões ou brigas, não havia tempo suficiente para ser gasto brigando.
- Antes eu devo avisar que a senhorita Paige Wallace passou por aqui mais cedo.
- Paige... – repeti o nome, sem necessidade. Imaginei a cara sonsa dela ao entrar na MINHA revista para falar com meu... Meu quase marido, minha alma gêmea, blábláblá coisas românticas. – Ok, Jill, eu devo voltar sábado, daí você me fala tudo. Qualquer coisa, mande-me e-mail.
- Mas já?
- Sim. Eu te conto depois, Matt está aqui na minha frente com cara de assassino de Bervely Hills. Bye. – desliguei o celular, sorrindo abertamente para Matt, como numa tentativa de disfarçar que eu o ignorei por alguns minutos. Ele não parecia aceitar...
- Eu odeio quando você fala no celular comigo por perto. – ele falou sério – Principalmente quando fica de ciúmes com a Paige. Ela é uma menina, , pelo amor de Deus.
- Menina, menina... Ah, não me venha com essa. Você a transformou em mulher. Agora ela tá aí, grávida do meu melhor amigo e ainda com aquele corpão. Aposto que só come besteira.
- Bem... Sobre isso. – ele deu um risinho. – Ela precisava de uma extreme make-over. Parecia uma cópia de você, achei super baixo nível.
- Não foi só você que achou isso baixo nível. – encarei-o séria – Ela está parecendo uma versão rock n’ roll da Victoria Beckham.
Matt sorriu, orgulhoso do seu trabalho. Eu rolei os olhos.
- Era para você me ajudar.
- Eu não preciso te ajudar, aquela menina é uma estúpida!
- E por que o makeover?
- Ora, pra quê. Diversão, é claro.
Às vezes, e só às vezes, eu tinha muita raiva do Matt. Levantei-me com cuidado, estava com saia curta e fiz o favor de não colocar short por baixo. Ajeitei a saia no corpo e a bolsa no meu ombro. Estava me sentindo estranha. Apesar do vestido Elie Saab ser lindo, juntamente com o casaquinho e o colar, eu não estava me sentindo bem. Talvez gorda para usar aquilo mas, não, eu estava no meu peso ideal. O corpo estava em forma. Será que minha barriga já estava crescendo?
Suspirei, fechando os olhos e abaixando a cabeça.
- ? – ouvi a voz de Matt chamar.
- Pode ir, Matt, eu vou ficar aqui um tempinho, depois vou lá ver o e o resto do pessoal. – disse-lhe rapidamente. Ouvi os seus sapatos Louboutin darem passos de afastamento, e fiquei a sós com meus pensamentos.

Uma vez que liguei para vovó Amity e disse me incomodar com tudo – também foi um dia em que não dormi direito – ela me disse para fechar os olhos durante um minuto. Assim o fiz, contando os sessenta segundos mentalmente.
Quando abri os olhos, parecia que tinha acabado de acordar em um planeta completamente diferente. As cores das roupas nos cabides brilhavam de forma estranha, bonita. Ah, era uma sensação maravilhosa. Peguei o iPhone da bolsa e rapidamente digitei uma mensagem para Jill. “Marque-me uma consulta com minha ginecologista/obstetra o mais rápido possível.”
Apesar de, segundos depois, ter sentido o celular vibrar na bolsa, ignorei-o. Estava confiante me dirigindo à sala de , ao mesmo tempo que mexia em uma outra roupa interessante que encontrava. De longe, avistei a menina Taylor Momsen no pequeno estúdio montado ali perto, parecia-me que Matt estava tentando convencê-la a tirar a maquiagem pesada, já que apontava para os olhos dela e levantava as mãos de um jeito desesperado. Eu sabia que Matt não era fã dela, e, mesmo louca para visitar meu amigo, dei uma rápida passagem onde eles estavam para fazer a menina usar algo diferente, mas que mantivesse sua postura rebelde e roqueira. Taylor Momsen não era exatamente o tipo de garota sociável, mas não me destratou quando falei com ela, mesmo que não soubesse quem eu era. Eu sabia que ela tinha uma boa voz, e que a banda era boa, apenas de um estilo alternativo demais para algumas pessoas, como Matt.
Matt Pessona gostava de Lady Gaga, Katy Perry, e do mundo pop. Ele ainda vivia me cobrando que a NYM tivesse uma entrevista com a Katy Perry, para que ele pudesse vesti-la e enfeitá-la como sempre sonhou. Claro que eu já havia lhe dito que não era mais diretora, e não decidia tais coisas; meu negócio era puramente administrativo, eu já havia cedido os cargos de confiança de forma que, a única coisa que eu fazia era ler as revistas de cada país toda semana.
A reunião que eu havia convocado com o conselho administrativo era exclusivamente para me livrar do trabalho pesado. Eu já estava no meu máximo: 30 anos, quase casada, grávida... Ainda estava faltando a aula de yoga, o clube do livro, as fofocas com as titias... Exceto que eu odiava tudo isso. Imagine, eu, uma mulher poderosa, dona de uma multi-nacional (sim, porque a revista era internacional), minha fortuna em libras esterlinas, e eu vou virar dona de casa? Seria ironia demais.
Cheguei ao emaranhado de mini cabines que abrigavam editores, estagiários, designers e secretárias. O som de burburinhos dominou a minha audição, assim como os sons de telefone tocando e sons de papéis... Na London Music não era assim, já que eu, quando ainda cuidava da direção e fiz a grande reforma, fiz com que não houvesse acústica, e música clássica tocasse em baixo volume para ajudar na concentração dos funcionários. Táticas que não foram adotadas para as filiais, aliás, foi adotada em Tóquio, mas lá, para variar, as coisas são bem mais avançadas do que se pensava.
O escritório de era central, logo no fim do corredor, e ao lado da sala de reuniões. Como as paredes eram de vidro e as persianas estavam abertas, eu podia vê-lo de longe. Os cabelos sendo bagunçados por mãos nervosas. Ele voltara a usar os anéis.
Algumas pessoas pararam para me cumprimentar, outras para ficar me encarando como se eu fosse uma celebridade – e olhe que muitas passavam por aquele corredor. Já estava acostumada com aqueles tipos de olhares, tantos do que admiram como dos que invejam – por mais que eu não visse nada em mim que fosse invejável. Ok, talvez o fato de eu ter pego os chefes mais gostosos, sensuais, charmosos, lindos e mandões da face terrestre seja alguma coisa invejável. Na minha cabeça, qualquer uma com um corpinho em forma, um rostinho mais ou menos e um pouco de ousadia conseguiria ficar com eles. Acho que talvez, a diferença, é que eu, de forma intrigante e misteriosa, havia feito-os se apaixonarem por mim. Os dois. Por mim, a mandona, metida, insistente e secretamente romântica. Uma mulher, dois homens. Isso era definitivamente meio confuso.
Abri a primeira porta de vidro que daria para o escritório de , percebendo que ali o som de fora era abafado, o lugar era muito mais silencioso. Devido às grandes janelas presentes no andar da NYM, o lugar era bem iluminado. Nova York, pelo menos, não podia ser chamada de cidade cinza, como Londres era. Passei pela sua secretária acenando rapidamente e entrando no lugar.
- Sir ! – falei sorrindo, animada em demasiado em vê-lo. Assim que levantou o rosto dos papéis em sua mesa, um largo sorriso abriu em seu rosto, deixando-o daquele jeito ainda mais bonito.
levantou e deu a volta na mesa para me abraçar. Incrível como seu cheiro continuava o mesmo: Malboro Red e Pólo Sport. Inspirei o perfume do seu pescoço suavemente, deixando que entrasse em meus pulmões, invadisse-me por completo. Eu não gostava de cigarro, mas aquele cheiro, a mistura, parecia perfeita.
Senti os lábios dele tocarem de leve em meu maxilar, para depois molhar minha bochecha com um beijo demorado.
- Saudade, chefinha. Como vai a senhorita?
- Estou bem, só um pouco cansada... – eu disse. Ele ainda estava de pé em minha frente, olhando nos meus olhos de um jeito que parecia ser de propósito para me deixar insana. Os olhos dele estavam tão pertos dos meus que eu poderia lhe afirmar a certeza de que haviam pequenos anéis ao redor da pupila.
- Já arrumou as malas?
- Malas? Mas eu...
- Você nada. – ele resmungou, voltando a sentar em sua confortável cadeira e me indicando a cadeira da frente, para que me sentasse também. Cruzei as pernas educadamente, suspirando. – Você vai para minha casa, já está decidido. Arrume as malas. Vá no Plaza agora e tire suas coisas de lá. – ele puxou uma chave com chaveiro de cadeado prata – aqui, pegue. Você sabe onde fica?
- Calma , não precisa se apressar... – eu falei, segurando a mão dele que me oferecia a chave. Ele abriu minha mão, colocou a chave e a fechou em punho, olhando sério em meus olhos.
- Vai.
Eu fiquei meio assustada. Ele estava mandando em mim e...
- Vou – obedeci.
Levantei-me rapidamente, com a chave na mão.
- Eu sei onde é. – dei a volta na escrivaninha para lhe dar um beijo na testa.
- Te encontro à noite, e então colocaremos nossa conversa em dia.
- Sim, chefe. See ya.

Apartamento de , Quarta-feira, 7:20PM

Eu só poderia ser louca para me hospedar na casa de . Aquilo era ridículo, eu sempre tentei manter a distância para não cair em tentação. Dessa vez, ao menos, eu tinha algo para pensar e não fazer merda. Coloquei uma mão sobre a minha barriga lisa, tinha aquele trocinho crescendo dentro de mim. Sorri sozinha.
Mais cedo havia colocado o bastão com o resultado positivo dentro de uma caixinha, e enrolei com fita como se fosse presente. Daria a o melhor presente do mundo, uma informação, naquela caixinha. É claro que não estava confirmado, mas eu não podia guardar as coisas para mim quando se trata de minha gravidez. E, além do mais, eu e combinamos que não haveria segredos, qualquer suspeita devia ser relatada.
Eu estava sentada no sofá imenso do apartamento de , que, por acaso, era cobertura e tinha dois andares. Isso é, e ele mora sozinho, será que é exagerado? era o oposto. Gostava de uma casa que pudesse se levantar, dar alguns passinhos e chegar à cozinha. Não que nossa nova casa fosse pequena, mas ali éramos nós pensando em constituir família. morava sozinho, e eu jurava que dava pra fazer cooper do sofá que eu sentava até a cozinha.
Havia um bar logo atrás de mim, onde diversos drinks deveriam ser preparados e algumas bebidas de alta qualidade se escondiam em armários secretos. Com certeza conservados em barris por anos e anos... Enfim, eu não entendo mesmo de bebidas.
Na televisão de plasma que mais parecia tela de cinema, passava Beleza Roubada, um filme que eu não conseguia tirar os olhos, e me prendia. O elenco contava com Liv Tyler, novinha e lindíssima, também uma ótima atriz. O diretor era Bertolucci, e eu nem precisava olhar para os créditos para ver que era ele que dirigia. Meus pensamentos estavam meio perdidos, pairando entre e , entre Violet e minha vó Amity. Sentia saudades da vovó, e tinha que lhe fazer uma visita, sem dúvidas.
Suspirei, pegando mais um daqueles amendoins adoráveis os quais achei na dispensa de , e foi nesse momento que ouvi o soar da campainha. Levantei-me, ajustando o pijama Victoria’s Secret no corpo.
Pelo olho mágico, vi um que ajustava a gravata, deixando-a mais folgada. Suspirei. Será que ele podia ser menos sexy?
- Welcome home, Sir . – disse abrindo a porta, enquanto abria um largo sorriso pela sua volta.
Ele sorriu também, e me abraçou, tirando-me do chão e me rodando como se eu fosse uma criança de três anos que só pesasse 10 kg.
- Ah, que saudade da menina mais teimosa do mundo! – ele finalmente me colocou no chão, e eu tentava me recompor.
- , pelo amor de Deus, não faça isso de novo. Chega, deu uma vertigem!
- Ora que menina boba, venha aqui... – ele me abraçou com força, beijando o topo da minha cabeça.
- Não sou menina. Sou mulher, me respeite. – disse eu, pomposa.
- Hum, sei disso... – ele se desvencilhou do abraço, voltando para pegar a maleta que ele deixara no corredor. – E a mulher fez comida para mim? Estou faminto!
- Sou uma lady, não faço comida pra homem algum. Você não mexa essa bundinha aí e vá fazer sua comida, vai morrer de fome por mim.
- ... – ele fez cara de cachorro mendigo – Você não ia ligar se eu morresse de fome?
- ...
- , por favor?
- deixe de coisa...
- Então pode voltar a se considerar minha menina. – ele riu, bagunçando meu cabelo e saindo de cena antes que eu pudesse bolar uma resposta. Fiquei indignada. Então quer dizer que porque eu não cuidava da casa, não fazia comida e era preguiçosa para qualquer coisa do gênero, eu não era uma mulher? Ora que audácia. Aliás, pensando bem, aquilo não era audácia, era provocação. Ele queria que eu o provasse que era mulher. Poderia esperar sentado, então. Enquanto eu estivesse com o , jamais iria ficar com outro homem, dormir na cama de outro homem... Bem, mas acho que em pensamento a gente não trai. É impossível não se trair por pensamento.
fora tomar banho, e eu fiquei pensativa. Acabar de assistir o filme ou pedir uma pizza?

- , venha comer ou a pizza vai esfriar! – gritei para dentro da casa. E tinha que gritar mesmo, aquele apartamento era muito grande, imagine em que buraco ele não ia se meter?
- Sim, menina, estou indo!
Em alguns minutos chegou, tomado banho, cheirando a uma colônia muito mais leve do que o pólo Sport que costumava usar, era como uma lavanda. Sua pele brilhava, porque provavelmente ele usara um hidratante no rosto, que mesmo mal tratado pelo cigarro e álcool, tinha seus cuidados. era vaidoso.
Ele olhou a pizza com uma cara feliz.
- Adoro calabresa.
Ignorou os pratos e pegou a pizza com a mão.
- Vem, vamos arranjar algo para assistir... – ele se dirigiu ao sofá, levando a pizza. Peguei a Coca-Cola, e levei dois copos.
- Coca, ? Você não viu que no bar tinha vinhos maravilhosos?
- Pizza é com Coca-Cola. Fim.
- Bem, nisso eu poderia concordar. – Sorriu. – E então, como vão as coisas lá em Londres? Soube que comprou casa nova...
- Sim, eu e nos mudamos. Eu já estou nas etapas finais para me livrar do trabalho pesado. Vou trabalhar em casa de agora em diante. – eu disse, pegando o pedaço de pizza com a mão, sentindo-me meio nojenta. Comer com a mão era meio que, medieval. Principalmente pizza, quando a gordura gruda nos dedos.
- E sua relação com ?
- Normal. – comi um pedaço – Ele e eu trabalhamos muito, mas afora isso, temos bons momentos.
- Nunca brigaram?
- Não.
- Nunca mesmo? – estranhei a pergunta.
- Não, nunca brigamos. Em raros momentos discutimos uma coisa ou outra, mas nada que não acabe... Bem. – eu sorri
- Sei... Eu recomendo que vocês briguem um pouco.
- Por que, para você se aproveitar disso? – falei em tom divertido.
- Não... – ele pegou a coca e abriu, colocando no copo – Eu desejo o melhor para vocês. Não tenho intenção de atrapalhar nada, por mais que isso fosse minha vontade. – ele sorriu – Mas em uma relação é necessário os altos e baixos. Vocês têm que, também, se conhecer mais. Ele aceita o fato de você não fazer tarefas domésticas?
- Bem... Pensando bem, uma vez nós brigamos porque eu esqueci de fazer compras e nós tivemos que comer pizza de café da manhã, almoço, e jantar, já que era feriado. – eu ri, lembrando. ficou engraçado furioso.
- E você não se incomodou?
- Não muito, eu errei, confesso.
- Sei... Bem, eu não vou mais lhe incomodar com esse assunto. Aqui, achei um filme bom: V de Vingança.
- Ah, adoro esse filme! É com a Natalie Portman, não é?
- É sim. – ele sorriu. – Agora silêncio que vai começar o filme.
Assisti o filme atentamente, e deitei no colo de sem nem perceber a aproximação excessiva entre nós. Ele alisava meus cabelos, mexia no lóbulo da minha orelha, alisava minha bochecha. Quando o filme acabou, eu estava animada com a sede de vingança do personagem, e como o amor juntou aqueles dois, que mal se conheciam. Assim como aconteceu comigo, o amor juntou pessoas que mal se conheciam, e talvez mal se conhecem até hoje, eu e .
Fui levada nos braços de que, brincalhão, ainda me rodopiava pela casa, o que me fazia ter certeza de que ou ele era muito forte, ou eu era muito magra. Despedi-me dele com um beijo com hálito de pizza. O cheiro dele ainda era da colônia que colocara mais cedo, e também, pude sentir, de sabonete. O cara tinha cheiro de sabonete! Eu respirei fundo seu cheiro antes de me despedir e fechar a porta para descansar. Estava muito estranho aquilo, e eu ficar na casa dele. E o ridículo era o meu amor evidente por ele e por . Ridículo.
Depois de escovar os dentes, cuidar da pele e prender o cabelo antes que eu acordasse como um leão, finalmente descansei na cama de casal, tomando toda ele ao deitar diagonalmente.
Queria não admitir, mas meus pensamentos estavam divididos no meio entre e . Será que o triângulo amoroso estava de volta novamente? Só o tempo poderia dizer...




CONTINUA


N/a: E aí meninas! Animadas com a volta de Boss 3? Espero que estejam gostando so far.
Desculpem-me por não ter postado earlier, mas acordei tarde e fui intimada para ir ao cinema, assistir O Turista, e devo dizer, foi ótimo. Primeira vez que saio de casa para me divertir em 2 semanas, já que eu estava internada no interior da Bahia, casa de minha, Jacobina.
Bem, eu queria agradecer a vocês que leram isso agora e, mais ainda, um agradecimento gigante por fazer de Boss III - Family Business FIC DO MÊS NO POPFICS, OWNED.
Lembrando que o Yep Fics me deu um post para eu falar sobre a saga Boss, claro que também depois que vocês, minhas leitoras, votaram.
Câmbio desligo

Twitter e Blog (que eu recomendo, primeira vez que não faço um blog-lixo *risos*).

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