But He Don't Care

Autora: Marcela Goulart
Status: Em Andamento
Revisada por: Cams J.
Categoria: Free Fics
Sub-Categoria: Long Fic - Romance/Drama
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Prólogo


Vê-la daquele jeito em minha frente, totalmente desacordada, com parte do seu lindo rosto desfigurado era totalmente frustrante. Queria poder tocá-la, mais tinha medo que meu toque machucasse sua pele já sensível com todos os acontecimentos. E pela primeira vez eu notei o que eu realmente sentia. Algo que eu confundi com a amizade durante todos esses anos. A hipótese de ver longe da minha vida fez meu coração acordar. O que eu sentia por ela nunca foi apenas amizade, sempre foi amor. O mais puro dos amores. Eu a amava porque ela sempre fora a melhor companheira, ela sempre foi a minha menina. Eu era seu porto seguro, como ela era o sol que iluminava meus dias nublados. E ficar sem ela nessa cogitação era impossível.
Queria que seus olhos esmeraldas abrissem novamente para eu poder por fim dizer o que eu sempre quis: Eu te amo, e quero você pra sempre, de um jeito diferente de todos.

Capítulo Um


Passei meus olhos pelo grande pátio do colégio. Meu cérebro automaticamente já sabia o que procurava, mas meus reflexos lentos só deram uma pista pra mim quando eu me deparei observando um par de pernas. Subi meu olhar para a coxa que era coberta por uma pequena mini saia, o que deixava o corpo muito mais sexy. A blusa como sempre era colada demais no corpo, mostrando as belas curvas, um piercing no umbigo e um belo par de peitos fartos. E por fim, meus olhos pararam em seu rosto. Uma mistura perfeita entre menina e mulher. Um corpo caprichosamente modelado, e um rosto angelical, com bochechas naturalmente rosadas e olhos verdes como esmeraldas. A boxer já começava a dar sinais de desconforto para mim.
Balancei a cabeça, tentando tirar esses pensamentos maliciosos da minha cabeça. Afinal, como eu podia pensar isso tudo da minha melhor amiga? Seus olhos encontraram os meus, e um sorriso bobo surgiu em meus lábios. deu um sorrisinho tímido, quem a olhava assim jurava que ela realmente fazia jus ao sorriso. Esperei, como sempre, no banco, junto com os caras até que o sinal batesse. E como sempre, a encontrei no corredor da nossa sala, me esperando para entrarmos.
- Bom dia, ! – Seu hálito agradável de canela voou na minha direção, ele se misturava tão bem com o seu creme de morango que me deixou zonzo.
- Oi, – Como sempre, fiz o possível para que minha voz ficasse alta o suficiente para que ela entendesse.
Enquanto entramos na sala, todos os olhares vinham em nossa direção – como sempre – afinal, não é todo mundo que tem a mesma sorte que eu, ser melhor amigo da garota mais desejada e gostosa de toda a escola. Na verdade ocupar esse quadro sempre foi terrivelmente horrível, não podia tocá-la como os outros caras faziam, eu apenas servia como o seu fiel companheiro. Mas eu já me acostumei com isso, anos de experiências levam a perfeição, ou melhor, uma quase perfeição. Não sou gay também pra não pirar no corpo dessa garota.
Eu tinha sorte por ser irmão da , ele sofria tanto quanto eu no quesito não poder comê-la. Por mais que meus extintos masculinos implorassem para que eu tocasse seu corpo, sempre me aguentei firme e forte, isso era bom, eu tinha a confiança dela, e ainda a conhecia como ninguém. sempre tivera raiva de ser irmão dela. Na verdade eles eram irmãos apenas por parte de pai, mas não deixavam de serem do mesmo sangue. nunca quis nada com ele, ela tinha um grande afeto fraterno por ele, e tinha um grande afeto comestível por ela.
- O que fez no final de semana? – Perguntei, quebrando o silêncio que reinava entre nós.
Ela pensou por um longo tempo antes de responder, nunca gostava de contar suas “festinhas” pra mim, ela sabia como eu me sentia em relação a isso. Às vezes eu esquecia de fingir que ficava animado, mas era horrível pensar com quantos caras ela dormiu no final de semana.
- Teve uma festa na casa da – Ela deu de ombros – Minha mãe foi viajar com a Brit, então ia ficar em casa sozinha, daí fiquei lá no final de semana e chamamos uma galera pra ir lá... Não te convidei porque eu sei que você não gosta disso.
- Por que não ficou lá em casa? Você sabe que não ia atrapalhar – Falei antes que ela dissesse a frase chicle.
- Mas mesmo assim, – Ela ficou sem resposta, e eu sorri vitorioso – Prometo que vou pra lá essa semana ainda, já que a mãe só vem semana que vem. Tô com saudades da tia.
- Por que você não vai pra lá hoje?
- Por que você não dorme lá em casa hoje? – Ela rebateu, com aquele sorriso lindo no rosto, era impossível não resistir. Balancei minha cabeça, assentindo, e senti seus braços enrolados em meu pescoço.
Pra qualquer homem em sã consciência, dormir na casa de uma garota do tipo da era sinônimo de sexo. Já para nós dois, eu dormir na casa dela, ou ela dormir na minha, era sinônimo de bagunça a noite toda. E por favor, não duvide da minha masculinidade.
- Vou lá em casa, pego umas roupas e depois vou pra tua, pode ser?
- Qual é , tá cheio de roupas suas lá em casa, até uma cueca selada – Ela fez uma cara de nojo.
- Cala a boca , minhas cuecas não são seladas – Dei língua pra ela, que gargalhou.
- e , não notaram ainda que eu estou na sala? – Sr. Williams parou na nossa frente, fazendo parar de rir. Os olhos dele foram diretos para as pernas nuas dela, e um sorriso malicioso surgiu nele. Fechei minhas mãos em punhos com força, fitando-o com toda a raiva que tinha. Velho tarado, quem ele acha que é?
- Sr. Williams, deixou uma coisa cair? – Eu disse sorrindo maroto, e ele desviou lentamente seus olhos da perna da para mim.
- O que ? – Seus olhos percorreram o chão, a procura de algo. Não pude deixar de rir.
- A sua dignidade. – Sempre quis falar isso pra ele, tava farto de suas taradisses. Ele era um velho, tinha idade pra ser avó da .
- Srta. , acompanhe o até a secretaria, por favor? – Ele se virou para , a minha vizinha de carteira, a sua queridinha.
- Desculpa Sr Williams, não fez nada que mereça essa atitude do senhor, pelo contrário, acho que ele está completamente certo! – Como sempre, me defendia. No começo eu achava que ela era apaixonada por mim, mas depois soube quem era sua verdadeira paixão: . Desde que ela descobriu que era meu melhor amigo, nunca mais parou de me tratar bem. Professor Williams desistiu e voltou a sua mesa, reiniciando a aula.
- Valeu – Murmurei para ela, que sorriu para mim.

Aquele apartamento sempre parecia uma zona. No sofá tinha várias lingeries jogadas, sapatos espalhados pela sala, e roupas pelo chão. Mas eu já estava acostumado com a bagunça que a Maggie – já que sempre fui obrigado por ela a não chamá-la de Sra. – e Brit faziam. era a mais organizada entre a mãe e a amiga dela, o que não a impedia de ser desorganizada. Ela deixou o tênis perto do sofá, junto com as meias, botando uma pantufa do Nemo no lugar.
A acompanhei com o olhar até ela sumir do meu campo de visão, entrando na cozinha do apartamento. Apareceu depois com duas latas de cerveja na mão, uma aberta, que ela estava tomando, e a outra entregou pra mim. Procurei um lugar vago no sofá, que não tivesse roupas por cima, e me sentei. se sentou em cima de várias roupas, sem nem ao menos ligar se amassaria. Liguei a TV e passei pelos canais, a procura de algo que prestasse.
- Liga pra tia avisando que vou te raptar durante alguns dias – Ela riu, entregando o telefone pra mim. pegou um maço de cigarros da mesinha central da sala e acendeu um, intoxicando meu nariz com o fedor.
Disquei os números de casa, e após algumas chamadas minha mãe atendeu; botei no viva voz.
- Mãe, sou eu.
- , onde você está? – Ela disse, apreensiva.
- Na . – Olhei para ela, que exalava a fumaça do cigarro, poluindo o ar.
- Oi tia! – Ela disse animada – Tô raptando o por alguns dias, pode ser?
- Querida, que saudades de você! Maggie foi viajar novamente?
- Sim, ela e a Brit foram pra França essa semana. O novo caso dela é de lá.
- Tudo bem, cuide do meu garoto. E depois venha me visitar, sumida.
- Prometo que vou tia, tchau.
Desliguei o telefone, ainda olhando para , que dividia o tempo entre fumar e beber. Tomei o resto da minha lata enquanto observava sem prestar atenção a TV.
se levantou do sofá, e eu a vi tirando a grande (lê-se: micro) saia que vestia. Tentei me concentrar na televisão, o que era realmente impossível; ela andava em direção ao corredor, que por sinal ficava bem ao lado da televisão, tirando a roupa.
- Vou tomar banho! – Ouvi ela gritar já do quarto.
Não me aguentei e saí catando a trilha de roupa que ela deixou no caminho: a saia no sofá, a blusa no corredor, o sutiã no quarto, e a calcinha na porta do banheiro. Dei uma longa respirada, tentando tirar os pensamentos de vê-la tomando banho.
- ? – Sua voz choramingou, soando baixo por causa do barulho do chuveiro.
- Tô aqui.
- Pega um sabonete pra mim? Tá na minha estante.
Bati na porta do banheiro, avisando que eu ia entrar. E ao contrário de qualquer mulher, ela nem ao menos tentou se esconder de meu olhar. Me vidrei em apenas encarar seu rosto, entregando o sabonete.
- Toma banho comigo? – Ela perguntou, sorrindo.
Balancei a cabeça negativamente, rindo irônico para ela, que fazia uma carinha de bebê pra mim. E por um impulso muito mais forte que eu, senti a água quente caindo sobre meu corpo nu, poucos centímetros separado do dela. Ela me olhava como uma criança, e por um momento tive um dejá vu de quando éramos pequenos; sempre que ficava lá em casa acabávamos tomando banhos juntos. Eu cresci com isso, vendo ela jogar água e espuma em mim, enquanto eu me concentrava em derrubá-la no chão. Naquele tempo era mais fácil tomar banho com ela, não tinha o mesmo corpo de hoje, e eu não tinha os hormônios de hoje.
- Tava com saudade de tomar banho com você! – Ela disse jogando a espuma que tava em seu cabelo em mim – Faz tanto tempo...
- Hmm – Foi a única coisa que eu consegui dizer.
- Ai, merda! – murmurou. Olhei para ela, diretamente para seus seios, e subi meu olhar para seu rosto. Droga. Pra piorar minha situação, ela se abaixou de costas pra mim, tentando pegar o sabonete no chão. Quando ela desceu, suas costas tocaram sem querer em meu membro, e quando ela repetiu o movimento pra se levantar, aconteceu a mesma coisa. Fechei os olhos tentando relaxar, e fazê-lo apagar o sinal de animação, mas acho que ela já tinha notado. Abri meus olhos com receio, e a vi olhando para ele. Não que fosse uma reação normal para mim, mas senti minhas bochechas corarem de tanto constrangimento. O mesmo riso tímido que ela deu de manhã surgiu em seus lábios, mas ele continha também uma pitada de malícia.
Peguei uma toalha e me cobri, saindo do banheiro. Achei com facilidade a parte do enorme closet dela onde se encontrava as minhas roupas e botei a primeira que apareceu. Fiquei na sala vendo TV, enquanto esperava que ela saísse do banho, o que demorou uns 10 minutos.
Pedimos uma pizza, e a tensão entre nós passou, esquecendo o incidente no banheiro. Enquanto comíamos, tomou três latas de cerveja e fumou quase todo o maço de cigarros. Tive que abrir a porta da sacada do quarto dela, para fazer o ar circular. Me deitei na cama, de barriga para cima, cheio de tanta pizza que comi. Ela se deitou ao meu lado na cama, seu peito subia e descia conforme a respiração calma dela. Deixei meu olhar vagando por ela, até que senti seus dedos enrolando meu cabelo. estava de olhos fechados, parecia dormir com um anjo, por mais que ela não tivesse dormindo.
Quando notei por fim que ela dormia, fechei a porta da varanda, já que o cheiro não inundava mais o quarto. Peguei uma manta no armário, e a cobri com cuidado, para não acordá-la. Toquei meus lábios na sua testa, e ela me se mexeu suavemente, como se fosse acordar, ainda mais com seu sono frágil. Aproveitei que era um alarme fácil e fui até o quarto de hóspedes, que ficava ao lado do dela, arrumando a cama para dormir lá.
Fechei os olhos, e deixei que o sono me pegasse, antes que meu cérebro fuçasse nas memórias do dia.

- E aí caras – Cumprimentei , e , que olhavam hipnotizados para o meu lado. Bufei com isso.
- Bom dia! – disse animada, tirando os três da espécie de transe matinal, fazendo-os abrir um sorriso de orelha a orelha. Como sempre ela fazia qualquer homem pirar.
- Hey – Um dos brutamontes, o tal de Austin, foi até ela ignorando completamente nossa presença. Ele espalmou a mão na sua cintura, pra ser mais sincero na bunda, e cochichou algo em seu ouvido, algo que ela gostou, pois um sorriso malicioso estampou os seus lábios. Senti a inveja arder nos meus olhos.
- Vejo vocês depois – Ela deu uma piscadela, e saiu abraçada com ele.
- Ih... – murmurou, me tirando do transe – Ela tá mais gostosa a cada dia.
Não gostei de ouvir isso.
- Cala a boca, idiota – Disse baixo, para que ele não notasse a raiva transparente em minha voz.
- Pronto, cutucou a ferida do disse, irônico.
- Vocês não vêem que ela tem mais do que isso? – Os três balançaram a cabeça negativamente.
- , ninguém tem culpa se a única coisa que ela mostra é isso! – disse indiferente. Aquilo foi a gota d’água. Como ele podia dizer isso da própria irmã?
- Otários – Murmurei, saindo dali antes de bater em todos eles.
Entrei na sala com raiva, me sentando no lugar de sempre. Havia poucos alunos ali ainda. Fiquei batendo os pés freneticamente no chão, com as mãos fechadas em punhos, tentando controlar minha raiva. Acho que a raiva era um dos únicos sentimentos que sempre me atormentava, até mais do que o desejo. Olhei para o lado e vi , escrevendo algo no caderno.
- Hey – Cumprimentei ela, que virou a cabeça para o lado, me encarando.
- Hey, – Ela disse sorrindo. era uma menina de poucas palavras, sempre era a melhor aluna da sala, então sempre ficava quieta pra prestar atenção na sala.
- Alguma tarefa? – Perguntei tentando puxar assunto, ela me estendeu o caderno que estava aberto na matéria de física, olhei as atividades que eram pra hoje – Puts, logo com a professora gostosona.
Ela riu, pegando o caderno novamente e voltando a fazer as atividades. Abri o meu caderno de física, copiando as respostas dela. Tinha 5 minutos livre pra copiar tudo. Um perfume de morango inundou a atmosfera, ergui minha cabeça para ver de onde vinha o cheiro, e eu não me surpreendi vendo olhando meu caderno, para saber o que eu copiava. Ela bateu na testa, com certeza também se esqueceu de fazer. Física era uma das poucas matérias que podia se preocupar com as tarefas, afinal não tinha professor tarado dando nota boa pra ela sem ter motivo.

- O humor tá melhor, ? – me perguntou. Caminhei sem vontade nenhuma ao encontro dele.
- Tá sim – Dei de ombros, ele ia andando, mas parou assim que viu que eu não mexi um músculo.
- Que foi agora?
- A sua irmã vai com a gente – fechou a cara. Odiava o jeito que ele tratava a , parece que ela é uma criminosa no ponto de vista dele. Um minuto depois ela chegou, animada como sempre.
- Como está a Sra. , ? – Ela perguntou enquanto caminhávamos, quebrando o silêncio.
- Tá bem – Ele respondeu, sem ânimo. Vou socar esse guri, otário. notou a frieza dele, então pareceu resolver não puxar mais assunto. De pirraça ignorei tudo que me perguntava durante o caminho. – Vejo vocês amanhã. – disse antes de entrarmos na minha casa, sorriu simpática, uma simpatia que ele definitivamente não merecia.
- ! – Minha irmã desceu as escadas, se pendurando nela. Como sempre exagerava nas reações.
- , que saudades! – Ela a abraçou com a mesma animação da mana. É cafona, mas eu não consigo chamar a mana muito pelo nome dela, é mania – Não foi pra aula?
- Não, eu tava doentinha – fez cara de vitima – Por que não me aviso que ela vinha, pirralho? Eu teria feito algo pra nós comermos – É, ela era irmã mais velha. Eu tinha que aguentar isso. Dei de ombros e ela levou para cozinha, tentando improvisar algo pra comer.
Fiquei na sala vendo TV, enquanto elas ficavam lá falando sobre homens – inclusive meus amigos. tinha uma queda por , mas nunca assumia isso pra mim. Agora sabia de toda a verdade ouvindo a conversa delas. falava da sua trágica vida afetiva, e de sua felicidade por poder ter qualquer homem que quisesse. Tentei realmente não ouvir isso. Zapeei pelos canais e achei um que passava algo sobre futebol, me concentrei apenas na televisão, esquecendo as vozes que vinham da cozinha.
Os murmúrio pareceram cessar, e mana apareceu na porta da sala me chamando para comer. Me levantei sem nenhuma vontade e fui até elas. se concentrava em comer o conteúdo de seu prato em silêncio, enquanto resmungava alguma musica. Acabei de comer sem muita vontade, minha irmã era horrível na cozinha. Nada que ela fizesse saía bom o suficiente pra ser chamado de comida.

- Cadê a mãe? – Olhei em volta, agora notando a sua falta.
- No trabalho né, onde mais ela estaria? – Mana disse, irônica. Taquei uma almofada bem na cara dela. tava sentada no chão, ao lado do sofá que eu estava, rindo da cena. Ela parecia se divertir com as nossas brigas, até agora já tivemos três discussões durante a tarde.
Alguns minutos depois ouvi o barulho de um carro parar na entrada de casa, e os faróis iluminarem a sala.
- Ela chegou – Murmurei. se levantou e foi até a porta, esperando minha mãe chegar.
- Querida! – Mamãe a abraçou com a mesma empolgação de .
Parecia que não a via há meses. Mas era verdade, vinha pouco aqui em casa agora, comparado ao tempo em que ela dormia aqui todo dia. Acho que o fato de amadurecemos ajudou bastante isso, já que não é normal uma menina de 17 anos dormir todo dia na casa de um menino de 17 anos, ainda mais com a fama que a tem. Não que isso incomode a mim, minha mãe ou quem sabe a , mas isso realmente incomoda o . Essa birra boba por ela.
As duas, ou melhor, as três, ficaram botando os papos em dia. A mana a via todo dia na escola, mas elas viviam em mundos muitos distintos para elas pararem pra conversar. Mulheres. Desisti de ficar boiando no assunto e fui pro meu quarto tomar um banho.
Demorei tempo suficiente e um pouco a mais embaixo do chuveiro. Baguncei meus cabelos molhados, deixando eles do jeito que eu gostava: totalmente bagunçados. Vesti a primeira bermuda que apareceu na minha frente, sem me preocupar de botar uma camisa, afinal, estava quente demais. Quando eu voltei pro andar de baixo novamente, elas ainda conversavam animadas, só que agora na cozinha. Minha mãe fazia o jantar, enquanto as duas prestavam atenção tentando aprender. O que era totalmente em vão pra , ela não tinha talento para isso.

Dei uma olhada no meu quarto antes de deitar, não tava com o mínimo sono, então procurei alguma distração boa o suficiente. Abri a gaveta do meu criado mudo, tirando de lá algumas revistas de pornografias. Folheei elas por algum tempo, mas elas não eram me distraiam o suficiente, não quando você tem uma garota tão gostosa quanto essas dormindo no quarto ao lado. Do lado da minha escrivaninha, escondido pelas minhas guitarras, estava um telescópio velho que eu usava sempre que vinha dormir aqui em casa. Sempre ficávamos vendo as estrelas até ficarmos com sono.
Não pensei duas vezes antes de arrumar o telescópio e uma espécie de cobertor-tapete na sacada do meu quarto. A sacada que dava acesso ao quarto dela sem passar pelo corredor. Não resisti e fui até a porta espiá-la. tava vendo alguma coisa na TV, vestida com uma camisa velha minha. Ela deve ter visto a minha sombra, porque se virou para a porta de vidro, assustada. Seu rosto estampou um sorriso assim que me viu, e veio até mim.
- Sem sono, ? – saiu do quarto, se sentando no tapete ao lado do telescópio. Eu sorri, confirmado.
- Há tempos eu não faço isso... – Ajeitei o telescópio para que ele ficasse num tamanho razoável pra que eu não precisasse ficar de pé pra ver as estrelas. Ela mirou seus olhos no pequeno circulo, e um sorriso animado se formava aos poucos em seu rosto.
- Eu não entendo como as estrelas podem ser tão perfeitas – Sua voz possuía fascínio – Elas são apenas pontinhos, mais tem uma beleza tão grande.
- Como você – Falei baixo suficiente para que ela não ouvisse. Passei meus braços pelo seu ombro, e se encostou em mim. Pude sentir a fragrância de seu shampoo invadir minhas narinas, e a inspirei, tentando deixar aquele cheiro sempre comigo – Você se lembra a onde fica a sua estrela?
Ela riu animada. Me lembrei do dia em que demos os nomes as duas estrelas que observávamos todas as noites e que a cada dia pareciam estarem mais grudadas. As estrelas e . Eu escolhi a dela, a que brilhava mais que as outras, a que era grande o suficiente para poder parecer com ela. Sua estrela roubava a atenção das outras, ela era a mais bonita da constelação. E ela escolheu a minha do lado, segundo ela a estrela a lembrava um anjo, e era isso que eu era na sua vida.
- Deixa eu ver se acho – Botei meu olho no círculo estreito, mirando o vasto universo que estampava minha visão. Mudei um pouco a direção, um pouco para o norte, e leste depois. Achando as duas estrelas com facilidade – A sua é a mais brilhante.
- Elas ainda continuam unidas, como sempre.
- Enquanto nós estivermos juntos, elas ficarão sempre unidas – Estiquei minha mão pra ela, que entrelaçou nossos dedos. Eu notei uma pitada de segunda intenção no que eu disse, mas preferia achar que era apenas no sentido de amizade.
- Crianças, já ta na hora de dormir! – Minha mãe apareceu na varanda, nem tinha ouvido o barulho dela abrindo a porta. Rolei os olhos ao ouvir a palavra “crianças”.
se levantou do chão, me ajudando a guardar as coisas no meu quarto.
- Boa noite, vejo vocês amanhã – Ela disse, indo para o quarto ao lado.
Me deitei na cama para dormir, sem perceber que minha mãe ainda estava ali. Só me dei conta da presença dela quando a ouvi pigarrear para chamar minha atenção.
- Boa noite mãe.
- ... – Ela se sentou ao meu lado na cama – Você sabe que vocês dois não são mais crianças, tanto você quanto a agora são mais adultos... – Ela pareceu querer engatar uma conversa sobre sexo comigo.
- Mãe, eu sei muito bem disso. Eu não consigo pensar em fazer algo com ela desse tipo, vejo ela como minha irmã – A interrompi. Ela assentiu, dando um beijo na minha testa antes de sair do quarto.
Na verdade eu nunca a considerei apenas como uma irmã, sempre vi algo a mais nela. Algo que não é necessário ser comentado para minha mãe. Algo que eu sentia sem ao menos entender o que seja.

- Quais são seus planos pra noite, ? – me perguntou, me fazendo acordar de uma espécie de transe.
- Tô aberto a opções – Disse, dando de ombros.
- Ótimo! Tens uma festa pra ir lá em casa hoje – Arqueei minha sobrancelha.
- Festa numa terça feira?
- Acorda lerdeza humana, amanhã a gente não vai ter aula – deu um sorrisinho pervertido ao passar por duas meninas, muito hots por sinal – Então, vai querer?
- Com direito à mulheres e bebidas de graça? – Ele riu da minha empolgação repentina e confirmou. Os pais de sempre bancavam suas festas, eram sempre as mais comentadas da escola – Tô dentro então, dude.
- Esse é meu garoto! – deu um soco no meu braço, e eu dei outro um pouco mais forte no dele.
- Parou crianças – se meteu no nosso meio, olhando animado diretamente pra mim – Cadê a sua irmã?
- O que você quer com a minha irmã?
- Anda , cadê ela? – Fechei a cara para ele, mostrando que não falaria nada enquanto ele não dissesse o que queria – Porra, só quero convidar ela pra ir à festa.
- Pode deixar que eu convido – Continuei andando em direção a um banco, me sentando ao lado de , que conversava animadamente com uma garota, com a mão espalmada na coxa dela.
- , o que custa me deixar convidar? – falou pausadamente, separando as palavras em sílabas; seus olhos estavam vermelhos de raiva, e eu ri maroto, o provocando mais ainda.
- Tá bom , com uma condição – Ele arqueou a sobrancelha – Nada de comer minha irmã, ela não é uma vadia qualquer.
- Ele quis dizer, ela não é que nem a irmã do sussurrou no ouvido dele. A única reação que eu consegui obter foi dar um soco no estômago dele.
- Nunca, mais nunca mais fala isso dela. – Falei, enfiando o dedo na cara dele. Apressei meus passos indo pra qualquer canto do colégio, qualquer canto que me deixasse longe o suficiente pra não bater mais ainda nele. Já estava farto deles ficarem rotulando ela sem ao menos conhecê-la direito. Eu a conhecia o suficiente pra saber que era muito mais do que aparentava. Ela tinha sentimentos, e não era apenas um corpo bonito e desejável pra qualquer homem.
Quando dei por mim estava sentado em um banco afastado do colégio. Ficava no prédio de trás, o único que tinha poucas salas, e elas não eram utilizadas. Ouvi os murmúrios e uns gemidos na sala ao lado, no mínimo era algum casal se pegando. Apoiei meus cotovelos nos joelhos, deixando minha cabeça enterrada na minha mão. Eu não entendia como as pessoas viam a tão baixa, tão imperfeita. Eu nunca permiti que as falassem mal dela na minha frente, era como se falassem mal da minha própria irmã.
O barulho da maçaneta abrindo me fez despertar dos meus pensamentos, me virando na direção da porta. Um dos garotos do último ano saiu da sala, ajeitando as calças, que estavam abertas, passou pelo corredor sem nem notar minha presença. A segunda pessoa que saiu de lá fez meu coração martelar, e meus olhos piscarem várias vezes para ter certeza de que eu não estava sonhando.
Ela saiu apenas de sutiã, com a blusa da mão. Seus olhos percorreram o vasto corredor, e quando se virou para o outro lado se deparou com a minha presença a blusa caiu de sua mão com o susto, e eu soltei uma risadinha da cara dela de espanto.
- Oi – Sua voz estava tão descompassada como sua respiração. se abaixou pra pegar a blusa, a vestindo.
- Hey. – Foi a única coisa que era capaz de dizer.
- O que tais fazendo aqui? – Ela se embaralhou um pouco pra completar a frase.
- Precisava ficar sozinho. Vai pra lá? – Me levantei do banco, e ela assentiu, entrelaçando minha mão na dela.

Entrei em casa com me acompanhando. Depois da aula me pediu desculpa por ter falado aquilo, e eu me desculpei pelo soco. Acabamos almoçando em uma lanchonete. me encheu o saco para ir lá para casa falar com a e a chamar pra festa. Então cá estamos nós. Eu tendo que servir de cupido para meu amigo e minha irmã.
- Mana? – Bati na porta do quarto, e ela a abriu com uma cara amassada, vestindo uma mini roupa. Eu fechei a porta na cara dela – Troca de roupa e depois aparece no meu quarto.
Ouvi resmungar, mas o ignorei. Ele entrou no meu quarto sem muita vontade. Deitei na cama de barriga para cima, enquanto ele andava de um lado para o outro, e só parou quando ouviu o barulho dos passos dela soarem no corredor.
- Que foi pirralho? – Ela entrou me olhando, não percebendo a presença de . Quando viu que ele estava ali abriu o sorriso mais patético que já vi na vida. Bufei com aquilo.
- queria falar com você.
- Será que a gente pode conversar? – perguntou. Eu pigarreie indicando para o quarto, num gesto que dava para entender que eles conversariam aqui.
- Vai tomar no cu, mostrou o dedo do meio pra mim, puxando pela mão e saindo do meu quarto. Odeio ser irmão mais novo por isso, não tenho nenhuma autoridade.
- Ah, eu não acredito! – Ela entrou no meu quarto, pulando freneticamente na minha cama. Rolei os olhos – Ele me convidou pra sair!
- Dá pra parar? Vai quebrar minha cama – Disse, indiferente. parou com os pulinhos e ficou me olhando, séria. Quando achei que ela me deixaria em paz fui surpreendido por ela beijando minha bochecha – Ai mana, sai. Que nojo. – A empurrei em vão.
- Sabia que eu te amo? – Ela disse me abraçando ainda mais – É sério, você é o melhor irmão do mundo.
- O que você quer, mana? – Perguntei, sério; no mínimo ela queria algo.
- Será que você e ou podiam levar as minhas amigas? – Ela fez uma cara pidona – É que vocês são conhecidos, e eu não quero ir sozinha.
- Que amigas?
- Só a e a . – Eu balancei a cabeça positivamente e ela abriu um sorriso imenso – Brigada, brigada, brigada!
- Se você não parar eu vou dizer pro chamar outra no teu lugar – Ela me olhou incrédula – Agora dá pra me deixar ver TV em paz? saiu com um sorriso vitorioso do quarto, cantarolando alguma música idiota, a qual eu nunca tinha ouvido antes.



Capítulo Dois


- Pirralho, abre a porta pra mim? – pediu chorosa, entrando no meu quarto vestindo um roupão.
Fui até a porta e a abri sem muita vontade. Meus olhos fizeram o caminho dos dois pares de pés a minha frente, passando pelas pernas nuas, o pequeno pedaço de pano que cobria o essencial, parando no rosto delas alguns segundos depois. Sorri amarelo ao ver que elas notaram, e dei espaço para entrarem.
- A mana tá no quarto dela – Soou mais baixo do que o normal. sorriu animada, enquanto deu um sorriso mais tímido. Enquanto elas subiram as escadas me concentrei em ficar por baixo, para poder ver aquela maravilha de cima, mas fui interrompido pela campainha tocando de novo.
- Idiota – Dei um soco no ombro de , que me olhou confuso – Me fizeste perder os pares de coxas que subiam a escada agora.
Ele soltou um “ah” e subiu correndo, no mínimo pra ver se alcançava. Fui atrás dele na mesma velocidade, e por sorte conseguimos vê-las entrando no quarto de . tava com a mesma cara tarada que eu.
- Qual das duas vai ser meu par? – Ele me perguntou. Dei de ombros e ele sorriu animado – Pode ser a ? Sou amarradão nela.
- Tanto faz , eu só vou entrar com elas mesmo.
- O que? Você não vai pegar uma delas depois? – Ele disse com a voz elevada demais, joguei minha camisa nele.
- Dá pra falar baixo? Elas tão no quarto ao lado – Ouvi os risinhos do quarto da , e rezei que elas não tivessem ouvindo.
Olhei no relógio, já tinha passado 30 minutos. já devia estar pronta. Acho que ela leu meus pensamentos, porque abriu a porta do meu quarto, com as duas espiando pelas frestas que ela deixara.
Puxei pelo braço, que tava viajando vendo as minhas revistas sobre música, e o empurrei pra .
- vai ser seu par – Ela sorriu tímida, e também, parecendo dois patetas – Vamos? – Estendi meu braço pra , que entrelaçou o dela no meu.

Pessoas bebendo, pessoas se comendo, pessoas se engolindo, pessoas fumando, pessoas se drogando e mais pessoas se comendo. Era só isso que tinha na festa. Pesei todas as opções e escolhi duas: primeiro beber, depois achar alguém pra eu engolir. Tom me entregou um drink exótico, segundo ele era o melhor. Tomei uns três daquele, e depois de 5 minutos o álcool já nadava livremente pela minha corrente sanguínea, deixando minhas reações lentas.
Fui até onde engolia minha irmã; ao lado dele parecia comer com o olhar, mas ela apenas dançava animadamente segurando uma taça com água. É isso mesmo, ela veio pra uma festa beber água. , o meu par durante a noite, já tinha desistido de mim há tempos. Desistido nada, eu apenas a acompanhei pra entrar, ela não ia ser o meu par a festa toda. Ela se agarrava com o Steve, o mesmo guri que eu vi ontem sair da sala abandonada com .
Falando nela, eu ainda não tinha a visto. Peguei outro drink e resolvi procurá-la, com certeza ela estaria aqui. Por mais que estivéssemos na casa do , ele sempre convidava e os amigos dela para as festas. Fui até a parte de trás da casa, onde tinha uma piscina com algumas pessoas tomando banho. Parei onde estava quando a vi, sentada no colo de um cara, o beijando. Tudo bem, isso é normal. O pior era que eles não estavam só se beijando. Vi algo no meio das pernas dela, e os movimentos prensando o corpo dos dois frequentemente. As mãos dele espalmadas na sua bunda, e o sorrisinho malicioso dela. Eles não pareciam se importar com as pessoas em volta.
Eles pararam de se beijar um minuto, e tomou um longo gole de uma garrafa de vodka. Os movimentos ainda continuavam, e eu ainda estava estático vendo a cena. Senti uma respiração batendo no meu ouvido, me puxando pra realidade de novo.
- Posso te dar a mesma coisa, se você quiser – Me virei para a voz, e vi uma morena com um pequeno traço de pano tapando também só o essencial. Mordi meu lábio inferior com o que ela disse. E senti uma manifestação rápida na parte de baixo da minha cintura.
Não pensei duas vezes, e quando notei já tinha prensado a menina contra a parede. Passeando minhas mãos livremente por todo o seu corpo. Ela gemia contra a minha boca, me fazendo ficar muito mais animado. Suas mãos tateavam meu abdômen, descendo para dentro da minha boxer, e parando na barra dela.
Ela mesma tirou a sua calcinha; ficando ainda de vestido, abriu o zíper da minha calça e tirando meu membro de dentro. Peguei a camisinha no bolso de trás da minha calça, era sempre bom estar prevenido. Passei suas pernas pela minha cintura, e a prensei mais contra a parede. Um gemido alto saiu dos seus lábios quando me sentiu investindo com força nela.

Tentei abrir meus olhos, mas minhas pálpebras estavam pesadas demais. Minha cabeça parecia que ia explodir a qualquer momento. Depois de muita dificuldade ganhei a batalha, e abri meus olhos. A vista embaçada não me deixou identificar onde eu tinha dormindo, mas as roupas espalhadas no chão explicavam o que eu estive fazendo durante a noite. Tentei puxar na memória, e a única coisa que me lembrei foi da menina que me provocou durante o meu momento de incredulidade olhando a . Minha cabeça doeu com o esforço.
Tateei minha mão pela cama e vi que não estava só. Me virei para o lado e vi o mesmo rosto feminino que tivera comigo ontem. Não fazia a mínima idéia de qual era seu nome, mas agora sóbrio eu reconhecia seu rosto de algum lugar. Levantei, juntando as minhas roupas que estavam espalhadas pelo quarto e as vesti. Quando me sentei na cama pra amarrar o cadarço do tênis, senti um par de olhos me observarem.
- Bom dia – Ela engatinhou na cama, vindo em minha direção. Senti seus lábios quentes pressionando em minha nuca e fechei os olhos inconscientemente.
- Bom dia – Respondi num sussurro, olhei seu corpo nu parado a minha frente e depois catando suas roupas também.
- E a propósito, você é muito bom de cama. – Ela disse antes de sair do quarto, me deixando fitando a porta, sem ter nenhuma memória sobre como cheguei nesse quarto.

Minha cabeça ainda doía, e nem o analgésico que eu tinha tomado adiantou alguma coisa. Me deitei no sofá ao lado do sofá em que estava deitada com . estava com no chão, e estava sentada no mesmo sofá que eu; na verdade minha cabeça estava apoiada em seu colo.
O silêncio era completo entre nós. Todos estávamos de ressaca, então o único som que predominava na sala era a televisão. O telefone tocava na cozinha, mas o barulho estremecia meus ouvidos e tive que tampá-los com a mão pra minha cabeça não doer ainda mais. riu da minha reação.
- É pra você – me entregou o aparelhinho irritante. Me levantei do sofá e subi até meu quarto, botando o telefone no ouvido em seguida.
- Alô?
- ! – A voz de soou entre meus ouvidos; talvez o único som que durante o dia não tenha me incomodado – Quer fazer alguma coisa? Acabei de chegar em casa, e não tenho nada pra fazer.
No mínimo ela deve ter dormido na casa do carinha que a comeu.
- Pode ser. A galera ta aqui em casa, se tu quiser vir aqui...
- Não quer vir aqui? – Ela disse chorosa, a voz que eu não conseguia resistir. Sorri sozinho a ouvindo – Você pode dormir aqui depois, já que eu ainda não acabei de te raptar.
- Tá bom, daqui a pouco eu chego aí. Tchau – Desliguei o telefone.
Peguei minha mochila, botando algumas roupas e o material da escola. Não sei como ainda está meu estoque de roupa lá.
- Hey, aonde você pensa que vai pirralho? – me barrou antes que eu abrisse a porta.
- To indo dormir na – Respondi antes de sair, fechando a porta na cara dela. Ouvi uns murmúrios de gozação dos meninos.

- Você veio! – me abraçou assim que abriu a porta pra mim.
- Não disse que viria? – Arqueei a sobrancelha e ela riu.
- Disse, mas vai que você tenha achado algo mais legal pra fazer do que vir aqui.
- Ah, tá bom bobona – Apertei suas bochechas e ela riu como uma criança.
Quando entrei notei algo diferente: o apartamento tava arrumado. E outra coisa um pouco mais importante: vestia só um shorts e um sutiã. Essa guria ainda me mata.
- Desculpa ter vindo abrir a porta assim, é que eu tinha acabado de sair do banho quando você tocou a campainha. – Ela se desculpou e eu apenas sorri maroto. Passei meus olhos pelo seu corpo, e notei alguns chupões espalhados por ele.
pegou o cigarro que tava esperando na mesinha central e o botou na boca, expelindo a fumaça pra longe de mim. Sentei no grande sofá da sala e liguei a TV, como sempre zapeando pelos canais. Parei em um pornô, tinha certeza que ela não se incomodaria com isso. Pelo contrário, sentou ao meu lado com os olhos vidrados na tela, como os meus.
Já tínhamos visto dois filmes seguidos, eu tinha bebido mais de quatro latas de cerveja. Já não sentia meus reflexos como a mesma facilidade de antes, mas estava consciente o suficiente pra saber tudo que se passava ao meu redor. Senti um peso caindo sobre mim. havia dormido com a lata de cerveja na mão. Ela não estava mais tão ligada nas coisas ao redor como eu, na frente dela tinha mais de oito latas de cervejas e dois maços de cigarros já vazios.
Quando ela caiu sobre mim, o conteúdo todo da lata de cerveja caiu sobre ela também, molhando a blusa branca e o shorts. Tentei sacudi-la pra acordar, mas ela continuava dormindo como uma pedra. O relógio marcava 22:45 horas da noite. Já tava na hora de botá-la pra dormir. Passei um braço pela suas costas, e o outro por trás de seus joelhos, levantando-a do sofá com facilidade. Por sorte ela era leve.
A deitei na cama bagunçada e passei meus olhos por seu corpo. Me toquei que ela estava com a blusa molhada e só tinha uma saída pra isso: eu tinha que trocar. Tirei sua blusa, e seu shorts, a deixando apenas de lingerie vermelha. Vê-la assim tão vulnerável, e ao mesmo tempo tão sexy era extremamente perigoso. Tirei a minha blusa, vestindo nela. A cobri com o cobertor e não consegui me levantar. Acabei dormindo ao seu lado.

- ! – Me virei para o lado para ver quem a cumprimentava, já que eu estava de costas para o som. As imagens da manhã anterior me vieram a cabeça, era a mesma menina, ela sorriu surpresa ao me ver – Oi gatinho.
- Oi ! – a cumprimentou, e depois apontou pra mim – Esse é .
- Então esse é seu nome? – Eu sorri amarelo e ela riu – Já o conheço.
olhou de mim pra , com uma expressão confusa; eu apenas sorri amarelo de novo.
- Eu, er, fiquei com ela na festa – Disse quase num sussurro e a expressão da mudou de assustada pra compreensiva.
- Ah, vamos ? – Ela a puxou pela mão – Te vejo na sala .
- Você transou com ele? – Ouvi perguntando pra ela quando se afastou de mim. deu um sorriso pervertido pra ela, e depois olhou pra mim.
- Ele é muito bom de cama! Nunca transou com ele?
- ! – a repreendeu – Ele é meu melhor amigo – E depois eu não consegui ouvir mais nada que elas diziam.

- Então você ficou com a ? – me perguntou assim que entrou na sala.
- É, acho que sim. – Dei de ombros e ela riu – Isso é bom?
- Depende do seu ponto de vista, . Ela me disse que você foi um dos melhores dela, e olha que já passaram muitos por ali.
- Você realmente não vai querer falar sobre como foi transar comigo né? – A olhei indignado – Até porque eu não me lembro de nada, não faço a mínima idéia de como fui parar numa cama com ela, pra mim a gente só tinha transado na rua.
- Ui, é selvagem – Senti minhas bochechas corarem – A é louca, como ela pode achar que eu transaria com você?
- É – Concordei com um murmúrio. Ela ria sozinha – , vamos parar de falar sobre isso?
- Por quê? – Ela fez beicinho, e eu fechei os olhos respirando fundo – Tá, tudo bem.
Ela se virou pra frente, me deixando prestar atenção na aula.

- Vai querer que eu vá pra sua casa hoje? – Perguntei pra antes que ela saísse da escola.
- Se você quiser – Dei de ombros – A ia lá hoje.
- Então acho melhor eu ir pra casa.
- Qual é , tem medo de mulher? – Definitivamente, ela estava me provocando, certo? Se eu fosse para a casa dela, e tivesse que aguentar duas mulheres super hots quase nuas na minha frente, eu não sei se aguentaria meus extintos masculinos por muito tempo. Talvez fosse isso que ela quisesse, pois um sorriso malicioso estampava seu rosto. Balancei a cabeça confirmando, e ela passou as mãos pela minha nuca, dando milhares de beijos pelo meu rosto.

- Cerveja ou vodka? – estendeu duas garrafas pra mim, eu escolhi a primeira. Não podia perder a linha com elas por perto.
bebia vodka, estava apenas com uma blusa minha, deixando suas pernas a mostra. vestia uma calça jeans muito grudada e um top. Eu preferia encarar a TV a encará-las.
- E o que a gente vai fazer? – se atrapalhava um pouco com as palavras devido à grande quantidade de álcool já ingerido – Já sei.
Ela se levantou, sentando ao meu lado e botando suas pernas por cima das minhas. Ela nunca tinha feito isso, parece que seus atos estavam mais vulgares. Minha boxer já não era um lugar muito agradável. Engoli em seco ao ver suas mãos passeando pelos meus cabelos.
- ... – Tentei impedi-la, tirando sua mão dali, e ela entendeu, se ajeitando no sofá com um sorriso de desculpa nos lábios.
sentou do meu outro lado, suas mãos espalmadas na minha coxa. Senti uma manifestação pela ação dela no meio das minhas pernas. Não vou mais aguentar isso. Duas mulheres bêbadas e extremamente gostosas sentadas ao meu lado. Mas eu tinha que aguentar, não podia ficar com a , não com ela.
- Acho que eu já vou – disse. Ela olhou o relógio na parede, e se levantou. Senti um grande alivio percorrer meu corpo. – Tchau . – Um sorriso malicioso fluiu em seus lábios, e depois senti sua língua fazendo o contorno de meus lábios. Abri minha boca involuntariamente pra dar passagem a ela. Um pigarro vindo de fez ela se separar de mim, ainda com o mesmo sorriso no rosto. Deitei minha cabeça no encosto do sofá, fechando os olhos pra esquecer isso.
- Quer comer alguma coisa? – perguntou, já sem a outra no ambiente. Na verdade eu queria comer alguma coisa, mas isso tava fora de minha dieta.
- O que tem de bom?
- Hm... – Ela parou pra pensar por um bom tempo – Pizza?
- Ótima escolha – Peguei o telefone, discando o número já tão conhecido – Quatro queijos? – Ela concordou, saindo do meu campo de visão.
só voltou depois pra sala quando a pizza chegou. Ela tava com os cabelos molhados e vestia uma calça de moletom, com uma camisa do bob esponja. Dei graças a Deus por ela não estar vestida como sempre: com projetos de roupas. Botei a pizza na mesinha central, com copos e guardanapos, e comemos em silêncio. Como sempre ela tomava alguma bebida alcoólica, eu não entendo como um bicho tão pequeno que nem a pode ser necessitado de tanto álcool.

- Sabe a onde o tá, ? – Perguntei, entrando na sala; ela deu de ombros e voltou a atenção pro caderno.
- Por que eu saberia ? – Depois de alguns minutos ela me perguntou – Eu não fiquei com ele.
- Não?- A olhei abismado.
- Não – Ela disse simplesmente, me deixando com uma cara de taxo. não foi capaz de pegar uma garota? Estranho, muito estranho.
Deixei meus olhos vagarem pelo chão, enquanto esperava que o perfume de morango que eu tanto esperava entrasse na aula. Mas já tinha batido o sinal do segundo tempo, e nenhum sinal daquele perfume. Eu sabia que ela tinha vindo pra aula, até porque eu vim com ela. Mas depois que entramos na escola ela sumiu da minha vista.
E eu a esperava ansiosamente. Talvez por não saber aonde ela estava. Queria saber se ela estava bem, se ela estava fazendo algo errado. Mas com certeza eu não ia gostar de saber o que ela estava fazendo. Porque eu tinha certeza de onde ela estaria agora, e só de pensar nisso já podia sentir um nó na garganta. Não adianta nada defende-la da difamação dos meus amigos sendo que só ela provoca isso. É difícil assumir que eles estão certos. Ainda mais quando se trata de sua melhor amiga.

A aula acabou e eu ainda não a tinha visto. Desisti de procurá-la e fui procurar por . Hoje eu iria embora com ele, já que não achei a para poder ir pra casa dela. , como sempre, me esperava no portão do colégio, mesmo que eu não fosse com ele para casa, ele estava lá. Um amigo assíduo.
- Vai pra casa hoje, ? – Eu assenti sem muita vontade. Demorei algum tempo pra conseguir acompanhar o ritmo acelerado dos passos dele – Minha mãe anda perguntando por ela.
O olhei sem entender de quem se tratava e ele riu.
- Perguntando pela .
- Ah – Dei de ombros – Vou avisar a ela que a tia Emma mandou lembranças – Sua vez de assentir – Você a viu hoje?
- Quando passei na secretaria ela estava lá, parecia meio ausente – Ele suspirou – ... Você tem que detê-la.
- Detê-la do que ? – Não estava nem prestando atenção na conversa.
- Eu não gosto de ver minha irmã assim, por mais que eu tente parecer que não me importo com ela. Só que eu não posso me meter na vida dela, e outra, ela também não me ouviria – O olhei sério, tentando imaginar onde ele queria chegar com isso – Mas já você... – Outro suspiro – A sempre te considerou um irmão mais do que eu. Desde que eu a apresentei quando criança vocês não se desgrudam. Você a conhece melhor do que eu... Quem sabe ela não te ouça.
- , eu ainda não estou entendendo nada.
- , a tava na secretaria porque o inspetor a pegou lá atrás usando drogas de novo com aqueles amigos dela. – Senti minhas pernas falharem e por um momento eu me esqueci de respirar. me segurou pelos braços, me impedindo de cair – Eu não te pediria isso se não tivesse tão preocupado com ela. Seu nariz sangrava, seus olhos já estavam vermelhos, e ela não parecia se tocar do mundo em sua volta. Você sabe que se falasse algo pra Maggie ela defenderia a filha, aquela mulher tem menos juízo do que a própria ! E a Brit, a Brit tem um tanto de juízo, mas ela não se meteria na vida de , Maggie sempre fica uma fera quando ela dá palpites.
- Eu... Eu vou... Falar com ela. – Fiz o máximo de esforço para que eu conseguisse falar, ele assentiu com um sorriso fraco – Até mais.
É difícil assumir que a sua amiga se mete em problemas, é mais difícil ainda ter coragem suficiente para tirá-la deles.

Capítulo Três


Parei na frente do prédio tão conhecido. O porteiro me olhava, esperando que eu entrasse pela porta já aberta. Dei uma última respirada, entrando com passos lentos pelo prédio.
- Quer que avise a Srta Goulart que você ta aqui, ? – Perguntou Charlie, eu apenas neguei.
- É surpresa – Ele deu um risinho. Charlie realmente achava que nós namorávamos.
E pela segunda vez parei na frente da porta, encarando a campainha. A toquei sem muita vontade. Depois de alguns minutos Mah abriu a porta pra mim. Ainda vestia a mesma roupa que estava de manhã, a blusa tava suja de sangue no ombro, e seus olhos ainda estavam um pouco vermelhos. Um sorriso brincou em seus lábios quando viu que era eu, e ela pareceu relaxar, jogando seus braços em torno da minha nuca e me abraçando com força.
- É bom ter você aqui – Fechei a porta atrás de mim, ainda com ela abraçada. Passei minhas mãos pelos seus longos fios de cabelos, e ela deixava meu ombro úmido com suas lágrimas.
- Não fica assim, eu to aqui agora – Puxei seu rosto com delicadeza para frente, fitando seus olhos esmeraldas que estavam vermelhos, ou pelo choro ou pelo efeito da manhã. Sequei as lágrimas que insistiam em cair com o meu dedão, e ela sorriu. – Quer falar sobre isso?
Ela negou e eu apenas assenti, me sentando no sofá e deixando sua cabeça encostada no meu peito. Não disse mais nada, apenas deixei que ela chorasse o que fosse preciso. Não podia cobrar nada dela, não com este estado.
- O que seria de mim sem você, ? – disse, depois de um longo tempo. Eu a fitei, rindo, e ela riu também.
- O que seria de mim sem você, ? – Repeti sua pergunta, e o sorriso triplicou em seus lábios.
O barulho da maçaneta se abrindo fez nós nos separamos imediatamente. secou as lagrimas e se ajeitou no sofá do meu lado.
- Filhota! – Maggie apareceu na sala, e saiu correndo para abraçá-la.
Se você as visse ia achar que elas eram irmãs. Maggie não tinha aparência pra ser mãe, ela era incrivelmente bonita – e sexy. Brit, a melhor amiga dela, entrou depois. Ela era tão bonita quanto Maggie, também tinha a mesma aparência de nova, apesar de serem da mesma idade, uns 35 anos, quem sabe.
- ! – Ela me abraçou depois – Cuidou bem da minha pequena?
- Oi Maggie, claro que sim! – Sorri e depois cumprimentei Brittany – Oi Brit.
- , quanto tempo. – Ela sorriu animada. Quando eu era mais novo era apaixonado por ela, mas agora só a via como a tia da minha melhor amiga, e uma mulher extremamente hot.
- Como foi na França? – perguntou, se sentando ao meu lado novamente.
- Foi ótimo! Nossos gatos são uma delícia – Maggie disse – Ah , eles vêm pra cá mês que vem.
- E eu vou ser sua irmã, certo? – Como sempre, era a irmã mais nova de Maggie, já que ela se achava nova demais pra ter uma filha tão grande. Maggie sempre dizia que tinha 25 anos, e ela realmente parecia ter essa idade.
- Isso mesmo, ainda vai ter um gatinho pra você. O filho do meu namorado – Brit riu – Ele é lindo, você vai adorá-lo.
Me senti sobrando, e não queria ouvir mais isso. Quando dizia que tinha mais juízo que a mãe ele, não mentia.
- To indo, então. É bom vê-las de novo – Sorri para Maggie e Brit – A gente se vê amanhã.
me levou até a porta e eu saí, dando apenas um aceno de despedida para ela.

”Entra e morra, fica a dica. Apenas Vips são convidados a entrarem.” Ri sozinho lendo a pequena – ironicamente falando – placa que cobria a porta do quarto de toda. Dei duas batidas na porta, mas não tive resposta pra dizer se eu era vip para entrar ou não. Abri a porta e a vi deitada na cama com um fone no ouvido. Deitei minha cabeça na barriga dela que gemeu com o meu peso.
O lado bom da minha irmã é que ela apenas olhava pra mim, sabendo que eu estava com problemas. Mas ela não é capaz de perguntar o que estava acontecendo, exceto se eu dissesse. sempre foi a pessoa mais confiável para quando eu precisasse desabafar.
Após longos cinco minutos de silêncio, desisti de guardar aquilo para mim. Dei um vasto suspiro, mostrando que já tinha me rendido as perguntas. Ela se sentou na cama, olhando pra mim.
- Brigou com a ? – Balancei minha cabeça negativamente – Ela brigou com você? – Neguei de novo. Não entendia como ela chegava sempre perto do assunto principal, se eu fosse adivinhar demoraria séculos e séculos – Hm... Você tá preocupado com ela?
- Como você sabe? – Arqueei a sobrancelha e ela apontou pra minha testa. Maldita ruga entregadora.
- Pirralho, você só fica mau por um motivo: . E você só fica com essa ruguinha na testa quando está preocupado. Não é tão difícil adivinhar o que se passa nessa cabeça de vento – Sorri fraco para ela – Qual é o motivo de toda essa preocupação?
- disse que a foi pega cheirando hoje – A expressão de congelou numa cara de espanto, horror e descrença – E eu fico preocupado com ela. Você sabe que não adianta pedir pra Maggie abrir os olhos dela...
- Já pensou no Jimmy?
- Jimmy? – Bufei – Desde quando Jimmy se importa com o e com a ? Ele é um péssimo pai. Só cuidava deles quando a Emma era a mulher dele, você sabe, mana.
- É... – Seus olhos vagaram pelo chão, tentei buscar seu olhar, mas foi impossível – Você sabe que é a única pessoa que pode ajudar ela.
- Eu sei – Murmurei – Mas não sei como.
- , você conhece a desde que tinha 6 anos. Você sabe que se precisar de mim estarei aqui. Mas a única pessoa que ela ouviria é você, tenta convencê-la.
- Eu vou tentar. – Dei um beijo na sua testa e me levantei – E a propósito, valeu.
- A não tem culpa se você é um pirralho – Ela disse irônica e eu ri – Agora vaza do meu quarto que você não é vip.
Fechei a porta do quarto dela antes que a almofada viesse na minha cara.

Eram apenas 7 horas da noite. Não sabia mais o que fazer. Já tinha passado por todos os canais existentes e não tinha nada que me agradasse. Já tinha devorado duas barras de chocolate e tava com uma puta dor de barriga. Já tinha ligado para , e , mas nenhum deles estava em casa para me livrar do tédio. Já pensei em recorrer a novamente, mas ela estava animada demais vendo alguma coisa sobre o Blink 182. Minha irmã enlouquece quando se trata deles. Como se eles ligassem para ela.
De todas as possibilidades de me livrar do tédio, tinha apenas uma pela qual eu não recorri. E não queria recorrer. Já tinha até escondido o telefone pra eu não cair na tentação e ligar para ela. Tudo bem que se eu quisesse ajudá-la precisava ir atrás. Mas necessariamente hoje não era o dia certo pra fazer isso. Ainda era cedo demais. O barulho do telefone me fez cair do sofá.
- Caralho – Murmurei, tentando achar o telefone em alguma das frestas do sofá que eu tinha escondido – Alô?
- ? – A voz pela qual eu tanto fugia soou do outro lado do aparelhinho irritante.
- Oi – Tentei parecer o mais casual possível, mesmo que eu não conseguisse.
- Não tinha nada pra fazer, então queria saber se você quer fazer algo.
Você não tá disponível, você não tá disponível. Se eu estivesse disponível era capaz de abrir a boca e tocar em assuntos que não queria.
- Ah claro, quer fazer o que? – Droga, seu idiota. Mas afinal, do que eu tava fugindo mesmo?
- Hmm – Sua voz se animou – O que acha de eu ir aí? Posso dormir ai se você não se importar.
- Tudo bem. Vou te esperar então, tchau – Desliguei.
Corri para o quarto da , batendo freneticamente na porta até ela atender.
- Que foi projeto de ser humano? – Ela abriu a porta com um mau humor súbito. Cadê a mãe pra me defender nessas horas?
- A tá vindo aqui – me olhou com uma cara de “e eu com isso?” – E eu preciso que você fique comigo pra não tocar nesse assunto com ela. Acho que ainda tá cedo.
- Cedo? Acorda ! Você vai acabar se fudendo com isso, pirralho. – Ela desligou a televisão sem vontade nenhuma e desceu as escadas. Quando chegamos ao andar de baixo a campainha tocou – Rápida ela hein? – saiu sem vontade nenhuma para atender a campainha, enquanto eu me mexia freneticamente no sofá, procurando a melhor posição.
- Oi! – apareceu na sala com a mochila nos ombros.
- Que surpresa, nem imaginei que fosse você – disse irônica e Mah gargalhou – Quer sorvete?
- Eu quero – fez bico, indo pra cozinha com ela. Nota mental: meu anjo da guarda.
- Então, tua mãe chegou hoje? – Elas voltaram para a sala com um pote de sorvete na mão. se sentou no meio das minhas pernas, e no sofá de frente ao meu. Ela murmurou um “aham” com a boca cheia.
- E ela não tá em casa? – Eu disse a minha primeira palavra desde que ela chegou aqui em casa.
- Não, elas foram aproveitar Londres. Estavam com saudades.
- Falando em saudades... – Dei uma grande colherada no pote de sorvete da disse que a Sra. Poynter mandou lembranças a você.
- Sinto falta dela – Sua voz era um sussurro – E dele também. Era legal quando a gente vivia como uma família.
Eu podia sentir a tristeza em seus olhos apenas ouvindo a sua voz. viveu durante um ano com , Emma Poynter e o pai deles, isso foi no tempo em que Maggie estava morando na Itália com um político rico. Mas só durou um ano porque a Emma acabou com o casamento, descobrindo uma traição de Jimmy. viveu mais alguns meses com o pai, e só depois a Maggie voltou para Londres e voltou pra casa dela com a mãe novamente. Nesses meses em que ela viveu com Jimmy foram horríveis, ela nunca tinha uma casa fixa. Até porque ele sempre fazia viajem a negócios. Minha mãe ficou com ela durante algumas semanas, e a Sra. Poynter com as outras. Eu tinha pena dela, ela tinha apenas sete anos, mas vivia problemas de um adulto, e com a maturidade de um adulto. E por fim tudo acabou.
Não posso culpá-la de tudo que acontece agora. não teve uma família digna de ser normal. Maggie nunca foi uma das melhores mães do mundo, ela sempre era mais o tipo irmã mais velha. Jimmy nunca ligou muito pros filhos. O que ela mais teve próximo a uma família foi Emma e . E se uma pirâmide não tem uma base feita corretamente, o resto nunca poderá se erguer corretamente. Assim era ela, como uma pirâmide formada irregularmente.

- Falou com ela? – soltou assim que me viu na hora do intervalo. Dei uma longa suspirada sentando em um banco afastado o máximo dos guris.
- Ainda não.
- Tá esperando o que pra falar? – dizia, irritado. Quase o mandei ir se fuder.
- To esperando a coragem, tá legal? Você acha que é fácil fazer isso? – Ele assentiu – Ah é? Então por que você não faz?
- ... – Sua voz foi mais uma súplica – Por favor. Você sabe que ela não vai me ouvir.
- Pode ter certeza de uma coisa , ela gosta mais de você do que você gosta dela! – Eu saí, deixando ele com cara de tacho me fitando sem entender nada.
Fui na direção do prédio abandonado de novo. Ele ultimamente tem sido meu refugio. Sentei no mesmo banco daquele dia, fitando a parede a minha frente. Deixei minha cabeça caída entre minhas mãos, esfregando as pálpebras pra ver se entrava algo de útil na minha mente.
E pela segunda vez, saiu da sala ao lado. Agora ela estava com blusa e ninguém saiu atrás dela. Mas seus olhos estavam vermelhos, e ela parecia alarmada. Sua expressão ficou indescritível quando me viu. Fiquei paralisado olhando seus olhos, tentando entender o que se passava por dentro deles. saiu correndo após alguns minutos. E eu não tive força suficiente para segui-la.

Capítulo Quatro


- Como você conhece tantas festas assim, ? – Perguntei a ele. Tom riu da minha cara pateta.
- , acorda. Eu tô ligado na parada – Ele parou em uma pose de rapper e eu gargalhei – Você vai?
- É provável! – Dei de ombros.
- hoje é sexta feira. Acorda.
- Duas festas durante a semana é muito pra mim. – Ele deu um soco no meu braço.
- Você que sabe, se quiser aparece lá. Já te disse aonde que é né? – Eu assenti e ele foi em direção a e suas amigas, com certeza para convidá-las. Meus amigos sempre foram amarrados na & CIA.
não apareceu na escola hoje. Ela não costumava faltar. Resolvi me desencanar disso, ela devia ter achado algo mais atrativo pra se fazer do que vir a aula.

- DEFINITIVAMENTE VOCÊ PIROU NÉ PIRRALHO? – gritava comigo, e eu fingia não ouvir. Aumentei ainda mais o volume do meu iPod, para que ela entendesse que não estava a ouvindo – Mãeeeee! – Ela berrou – Eu não acredito nisso.
Mamãe apareceu no meu quarto, me olhando com cara de reprovação; eu sorri ingênuo a ela.
- Por que se ele não for eu não vou poder ir? – Minha mãe sorriu, apontando para mim – Eu não acredito! – esperneou – Eu sou mais velha, EU é que devia ser o motivo para ele ficar em casa.
Ela por fim desistiu, saiu chutando tudo que via pela frente.
- ... – Minha mãe sentou ao meu lado, eu abaixei o volume para poder ouvi-la – O que custa você ir?
- Mãe, não acha que a mana tá crescidinha o bastante pra poder ir numa festa sozinha? – Arqueei a sobrancelha. Vi a sombra de na porta, com certeza ela tava ouvindo tudo.
- Mas ela é mulher, e é bem diferente .
- Isso não é desculpa mãe, a mana sabe se cuidar sozinha melhor do que eu! – Odiava bancar a babá da minha irmã mais velha.
- Tá bom! ? – Ela gritou e apareceu no quarto, emburrada, mas segurando o riso – Você vai, pentelha!
Senti os braços de sufocando meu pescoço.
- Mas... – Olhei para mãe, o que ela ia me pedir dessa vez? – O que vai buscar você, na hora que ele quiser.
- Ah não! – Ela reclamou, mas depois ficou quieta, saindo do quarto.

Olhei no relógio da cabeceira da minha cama, eram 3:20 da madrugada. Decidi que tava na hora de sair pra bancar a babá da minha irmã mais velha. Vesti a primeira roupa que me apareceu na frente, indo pra garagem tirar o carro. A casa não era tão longe dali, uns 10 minutos e eu chegava lá. Liguei o som pra fazer o tempo passar mais rápido.
Quando faltava um quarteirão pra eu chegar a casa, um vulto me chamou atenção. O olhei novamente e notei que reconhecia aquela roupa. O vestido vermelho curto era muito conhecido. De uma coisa eu tinha certeza: a menina que acabara de cair no chão, quase tocando as tripas fora era nada mais nada menos do que .
Parei o carro do outro lado da rua, atravessando para ajudá-la. Passei seus braços pelo meu ombro, dando apoio para levá-la até o carro. Peguei meu celular no bolso de trás da calça e disquei o numero do celular de .
- Alô? – Ela disse em meio aos chiados.
- Mana, pede pro te levar pra casa. Diz pra mãe que eu tive um probleminha. Acabei de achar a desmaiada na rua – Cutuquei-a para ver se tava acordada, mas ela parecia estar dormindo.
- Tudo bem. Você vai dormir lá então né? – Murmurei um “aham” e ela desligou. Acelerei o carro, indo pra casa dela, que era um pouco mais perto dali do que a minha casa.
- Ajuda aqui? – Chamei Charlie, que veio me ajudar pontualmente. Levamos ela até o quarto, e depois ele saiu da casa.
Tinha um bilhete na porta dizendo que Maggie e Brit iam dormir fora, e não sabiam se voltavam amanhã. No estado que estava o melhor era eu dormir aqui e dar um banho nela.
A botei debaixo do chuveiro com roupa e tudo. A água fria a deixou arrepiada, e ela murmurou alguma coisa, mas ainda dormindo. Depois de um bom banho eu a deitei na cama, tirando as roupas molhadas e botando roupas secas. Cada dia ser amigo dela era pior. Ver ela assim, parecendo a bela adormecida de um filme pornô me deixava louco. Aguentei todos os meus extintos e deitei ao seu lado, deixando o cansaço me vencer logo em seguida.

Senti o celular vibrar no meu bolso. Merda, cinco chamadas da minha mãe. Mandei uma curta mensagem a ela, dizendo que ainda estava dormindo, e que iria pra casa assim que ela acordasse. Olhei no relógio, que marcava 11:57. Ela dormia como uma pedra ao meu lado. Me levantei pra preparar um café da manhã.
- ? – A voz sonolenta de ecoou pela cozinha, sua expressão era surpresa ao me ver; eu apenas dei um breve sorriso – O que você tá fazendo aqui?
- Bom dia pra você também – Eu disse irônico. Botei as duas xícaras de café na mesa, pegando a minha – Eu te achei ontem na rua, na hora que fui pegar a na festa. E bom, decidi te trazer pra casa. Não podia te deixar naquele estado lá.
- Hmm – Ela murmurou. Me concentrei no meu café da manhã, esperando a hora certa pra conversamos. Tomamos o café em silêncio, exceto pelo barulho das louças. foi para a sala, e eu a segui.
- Então... – Sentei no sofá da sala, com ela ao meu lado – Acho que a gente precisa conversar.
- Sobre?
- Sobre ontem. Sobre estar preocupado. Sobre você estar usando drogas – Tentei não olhar diretamente para ela, mas pude sentir o peso de seu olhar sobre mim – , você sabe o que tá fazendo?
- Eu não quero falar sobre isso! – Ela se levantou, mas a impedi, puxando-a pelo braço.
- Você vai falar sobre isso – Dei ênfase a palavra – , agora você definitivamente passou dos limites. Caralho, tudo bem em você dar pra todo mundo, todo bem em você ficar bebendo que nem uma condenada, fumar não sei quantos cigarros por dias, mas usar drogas? Não acha que isso é passar dos limites? Você sabe melhor do que ninguém como a sua mãe ficava quando ela se drogava, você sofria tanto por isso. E agora você faz o mesmo que ela?
As palavras saíam da minha boca como um jato, eu não conseguia mais segurá-las.
- Porra, você não se importa comigo? Não se importa com a minha mãe que sempre te ajudou quando você ficava doente? Não se importa com a Sra. que sempre te tratou como uma filha apesar de você ser uma intrusa? Não se importa com , que apesar de tudo se preocupa com você? E pior, não pensa em você mesma? Só tais destruindo a tua vida. Maggie quase morreu de overdose, você quer o mesmo pra você, ? – As lágrimas começavam a nascer em meus olhos, e me segurei para não despejá-las – , e se ontem eu não tivesse te achado? Você estaria ainda jogada na rua, chapada, e ainda por cima sei lá o que podia ter acontecido com você! Eu não posso ser sempre teu anjo da guarda, eu não tô sempre por perto pra te deixar segura.
Ela olhava assustada pra mim, talvez eu deva ter exagerado. Suas bochechas já estavam úmidas devido à grande quantidade de lagrimas que escorriam de seus olhos. Mas olhando para eles eu podia notar que ela estava arrependida.
- Eu nunca pedi pra você bancar o protetor comigo. Você faz isso porque quer – Beleza, isso foi uma facada.
- Realmente você não merece N-A-D-A – Eu soletrei a palavra – Nada que as pessoas fazem por você, você é mais uma mal agradecida.
- Ótimo, ótimo! – Ela ria sarcástica, e eu entrei na sua onda – Agora suma da minha frente.
- Vou sumir mesmo – Me levantei do sofá – E esquece que um dia eu existi, beleza? E engole o seu maldito orgulho – Fechei a porta com força antes que pudesse resistir e voltasse atrás.

- Hey pirralho – Ouvi me chamar do sofá da sala, passei meu olhar por lá rapidamente e vi que ela estava com e junto. Um de cabelo espetadinho saiu da cozinha, me cumprimentando também; apenas acenei com a cabeça, subindo pro meu quarto. - O que houve com ele? – Pude ouvir a voz de do andar de baixo. Isso que dá meu quarto ser bem em cima da sala, consigo ouvir tudo quando as janelas estão abertas.
Não consegui ouvir a resposta. com certeza preferiu falar baixo, para que eu não ouvisse o seu típico comentário ”No mínimo ele brigou com a .
Odiava não ter nada útil pra fazer. Minha vontade era de descer até a cozinha, e encher a cara com as latinhas de cerveja que se encontravam no refrigerador. Mas a vontade passou assim que lembrei que se fosse até lá teria que ouvir buzinando em meu ouvido, e isso realmente era uma coisa que eu faria qualquer coisa para não aturar.

Acordei meio sonolento devido ter dormido mais do que preciso. Posso não ser a pessoa mais normal do mundo, já que quanto mais eu durmo, mais sono eu tenho. Claro que meu primeiro pensamento do dia – ou da tarde, já que o sol não brilhava como devia ser de manhã – foi ninguém mais do que .
Realmente, eu odiava brigar com ela. Odiava mais a ainda a mim mesmo por ter falado aquilo tudo a ela. Nunca tivemos uma briga durante esses anos todos, no máximo uma discussão que fora esquecida cinco minutos depois. A vontade imensa de pedir desculpas era nova demais pra mim. Não sabia se era certo procurá-la, ou devia esperar mais algum tempo.
E sabe de uma coisa? Que se foda o tempo. Pra que deixar pra mais tarde se eu podia resolver isso agora? Vasculhei pelo quarto a procura do meu par de tênis, e achei um de baixo da cama, e outro perto do banheiro. Nota mental: tenho que ser mais organizado. Algo que eu sempre digo para ser, e nunca consigo ser.
Assim que passei pela porta da cozinha e senti o cheiro do bolo de chocolate lembrei que minha ultima refeição tinha sido na casa da no dia anterior. Minha mãe estendeu uma fatia já no prato pra mim, e eu não resisti. A comi com vastas garfadas, deixando apenas metade do bolo que tinha antes para eles. Não precisei dizer aonde iria, a mãe sabia exatamente o que acontecera apenas em olhar pra mim, então nem usei palavras pra descrever meu miserável estado de humor. Sempre achei fantástico esse dom materno, mas às vezes podia ser perigoso demais, ainda mais quando eu fazia coisa errada.
- Não volte tarde – Ela disse antes de eu sair de casa, com sua voz preocupada.

Sabe quando você sente seus nervos à flor da pele como se você fosse beijar pela primeira vez? Ou quem sabe transar pela primeira vez? Era assim que eu estava me sentindo, fitando aquela porta. A situação não era nada parecida com o primeiro beijo, ou a primeira transa, era apenas o mesmo medo iniciante. De não ter experiência nisso. Eu definitivamente nunca precisei pedir muitas desculpas durante a minha vida. Na maioria das vezes eu sempre tinha razão, então as pessoas que se desculpavam comigo.
Toquei, sem vontade, a campainha e rezei com toda a minha fé oculta que ela não estivesse em casa. Minhas esperanças foram frustradas assim que apareceu do outro lado do hall, com seus olhos esmeraldas inchados e vermelhos. Dessa vez eu os conhecia demais pra não ter certeza de que o motivo para isso era uma noite contínua de choros. Engoli em seco só de pensar que o culpado disso era eu.
Ficamos nos olhando durante extensos minutos, que pra mim pareceram mais eternidades. Não conseguia mais adiar aquilo, a sua expressão já havia mudado pra curiosidade. Entrei no apartamento, e fechei a porta atrás de mim. Abri minha boca inúmeras vezes, mais nenhuma das vezes eu disse algo.
- Desculpa – Me surpreendi assim que ouvi minha própria voz soando pelo apartamento silencioso.
abriu um sorriso fraco, mas verdadeiro. E alguns milésimos depois suas pernas envolviam minha cintura. Podia ouvir seu choro silencioso em meu ouvido, e as lágrimas molharem meu ombro esquerdo. Não me importei com isso. Notei que ela não parava de chorar, então cambaleei com ela até seu quarto. Me sentei na cama com ela ainda em meu colo. Sua cabeça ainda estava em meu ombro, e sua respiração batendo em minha nuca me deixava arrepiado.
Puxei delicadamente seu rosto para me encarar, tentando de qualquer jeito não machucá-la. Ela parecia tão frágil chorando desse jeito. Fiquei a observando por mais alguns minutos até ela exclamar meu nome em um sussurro. Eu apenas sorri.
- Me desculpa pequena, eu não queria ter dito aquilo.
- T-tudo bem – Ela soluçou – V-você t-tinha r-razão – Os soluços novamente.
- Mas eu não precisava ter falado daquele jeito – Sequei sua bochecha com o dedão – Sou um péssimo amigo.
-Não! – Ela protestou, secando os olhos – Você tinha toda a razão em me dizer isso. Eu sou uma péssima amiga, não mereço nada que você faz por mim, nada que vocês já fizeram por mim! - ... A gente te ama do jeito que você é! – Sequei a outra lágrima teimosa que escorria de sua bochecha – Só não te queremos em problemas semelhantes ao que você já passou.
- Eu vou parar , prometo – Sua voz era realmente digna de pena. sorriu, e eu sorri involuntariamente.
- Então quero ver você feliz! – Eu disse animado. Tive a brilhante idéia de fazer cócegas nela, nunca resistia a um ataque de cócegas. Comecei, claro, pela barriga, seu ponto fraco.
- Pára! – Ela já se retorcia de tanto rir, e eu continuei, rindo da cara desesperada que ela fazia. se jogou pro lado na cama e, consequentemente, eu cai por cima dela.
parecia não se aguentar mais, agora ela chorava, mais era de tanto rir. Então eu parei. Fitando seus olhos e sentindo sua respiração bater em meu rosto, pude notar o quão mínima nossa distancia estava. Apenas alguns centímetros quem sabe. Inclinei meu corpo para frente e toquei meu lábio no dela em um impulso. correspondeu, dando passagem para que minha língua percorresse por toda extremidade de sua boca.
Seu hálito de canela era totalmente agradável, e muito convidativo. Apoiei meu peso em meus cotovelos na lateral de seu corpo, enquanto suas mãos percorriam livremente pelo meu corpo, não tão livremente, apenas da cintura para cima. Quando elas tocaram a barra de minha bermuda por de baixo da blusa, uma corrente elétrica passou por meu corpo, especialmente na área entre minhas virilhas. Era ridículo eu ter essa reação logo, mas o que eu sentia era extremamente novo.
Puxei seu lábio inferior, o mordiscando. Quando parti o beijo por fim, eu estava ofegante, como ela. E ao certo eu não sabia como agir. Deitei ao seu lado, esperando que minha respiração descompassada voltasse ao normal. Ela deitou a cabeça em meu peito e me abraçou pela cintura. Inalei seu perfume, me deixando ainda mais perturbado.
- Uau – disse, a animação evidente em sua voz – Foi bom.
Eu ri de um jeito estranho. Era meio irônico beijar sua melhor amiga e depois ela dizer que “foi bom”. No mínimo qualquer garota em sã consciência te acharia um tarado, exceto uma. não se importou com nada, como se esse beijo não tivesse afetado nenhum pouco nossa amizade. Acho que isso é bom, certo?
Continuei fitando o teto, parecia que todas as ações possíveis fugiram de minha mente. Não sabia o que devia fazer. Então o mais básico possível seria sair dali antes que eu perdesse o controle a qual batalhei tanto, de novo.
- Vou indo . – Dei um beijo na sua testa, impedindo qualquer contato visual com os seus olhos.
- Já? – Sua voz era manhosa, preferi não olhar para ela e ver sua expressão que devia estar do mesmo jeito. Apenas balancei a cabeça concordando – Tudo bem, te vejo amanhã.
- Tchau – Fechei a porta de seu quarto, passando pela sala de estar, que novamente estava uma bagunça tremenda. Agora que eu tinha reparado, passando por ali novamente, senti o forte cheiro de cigarro. Com certeza isso ela não pararia tão cedo. Chamei o elevador, o que demorou alguns minutos até ele subir para o penúltimo andar. Uma senhora que morava ao lado do apartamento de sorriu pra mim assim que passei por ela na recepção. Eu estava ficando famoso demais por aqui.

A luz da sala estava acessa e, pelo sol se pondo no horizonte, supus que deviam ser umas 6 horas da tarde. Minha mãe com certeza estranharia a minha presença tão cedo; quando ela disse a famosa frase clichê ”Não volte tarde.”, não imaginaria que eu voltasse tão cedo. Minha teoria se comprovou assim que eu entrei pela porta, seus olhos se arregalaram assim que me viu, e eu apenas sorri.
- Se entenderam? – Ela perguntou, me abraçando. Era bom sentir as mãos de minha mãe em torno de mim, me sentia protegido. Posso não ser mais nenhuma criança, mas eu amo essa mulher tanto que não ligo que isso possa parecer viadisse. Pra mim ela sempre será a melhor mãe do mundo.
- Aham – Murmurei saindo do seu abraço apertado. Ela voltou sua atenção ao livro que lia, sentada na mesa da cozinha.
- As crianças tão lá na sala – Arqueei uma sobrancelha, no mínimo ela se referia a e as amigas. Mas achei estranho chamá-las de “crianças”.
É, me surpreendi assim que entrei na sala. estava sentada no colo de , ele com as mãos firmes em sua cintura. e alguém que me pareceu ser estavam deitados no sofá. E o pequeno tinha conquistado o coração de ; eles estavam no chão, ela sentada entre suas pernas meio de lado, podendo ficar de frente pra ele. Fitei aquela cena ridícula a minha frente, todos se beijavam, pra ser mais sincero eles se engoliam. Pigarreei tentando chamar atenção dos frequentadores do projeto de cabaré, mas ninguém se moveu.
- MÃE! – Berrei, vendo-a entrar na sala alguns segundos depois com o livro na mão – Que pornografia é essa?
Agora a atenção de todos era especialmente pra mim. Adorava ser o centro das atenções.
- , por favor – Ela riu – Deixa eles aproveitarem!
- Mãe! – A repreendi, indignado – está quase comendo a sua filha!
Ela balançou a cabeça negativamente, indo em direção a e . Acho que agora o espírito idiota tinha saído do corpo de minha mãe.
- ... – Ela disse, brava, e eu sorri vitorioso – Você não tem nenhuma amiga pra apresentar pro seu irmão? Ele precisa de namoradas.
Todos gargalhavam de mim, e eu fitava o meu monstro particular materno incrédulo.
- Faz favor né mãe, eu ando comendo muitas meninas ultimamente – Ela balançou a cabeça, fazendo uma cara de “não quero ouvir isso” e saiu da sala.
Aproveitei que já tinha saído de sua posição inicial, e sentei entre ela e no sofá. Os dois bufaram pela minha presença e eu me senti útil em alguma coisa, nem que seja irritar sua irmã mais velha e seu amigo tarado.
- ! – Ela resmungou, tentando me empurrar em vão do sofá.
- Meu nome – Sorri sarcástico a ela, que bufou novamente. cruzou os braços no peito, emburrada como uma criança. estava na mesma posição, mas apenas me lançava olhares mortais. Adoro ser o chato.
- E aí se acertou com a ? – falou. Olhei para ele, que estava abraçado com , por fim eles ficaram, tinha demorado demais. Ui, pegador.
- É. Ela vai parar. – Ele sorriu um pouco animado. O ser humano que estava com , agora parou a minha frente, se sentando no chão. Ela olhava pra mim de um jeito estranho e aquilo tava começando a me incomodar.
- Você parece feliz – disse. se levantou do sofá, sentando ao seu lado.
Suas narinas inflaram e ele começou a cheirar o ar. Senti o nariz de muito próximo de meu rosto. Eca, ele virou gay foi? Fiz uma careta, me afastando dele, mas ele continuou com a investigação sobre meu cheiro. Deve ser isso que ele fazia. Abri a boca pra perguntar o que ele queria, mais ele disse antes de mim.
- Você ficou com a – Sua voz era meio duvidosa. Como ele sabia? – Você ficou com a ! – Ele afirmou dessa vez.
- Não, eu não fiquei – Menti.
- Claro que ficou! – Ele sorriu, olhando para os outros que, como eu, não entendiam nada – ficou com a . Ele tá com o cheiro do hálito dela, ainda mais quando tu fala.
- Como você sabe? – perguntou curiosa, seus olhos fitavam com uma quase raiva, se é que isso existe.
- Oras, eu já fiquei com ela. E sei que ela tem um hálito incrivelmente forte de canela, qualquer pessoa que já tenha falado com ela sabe disso. E você disse , ele tá feliz. só fica feliz por um motivo: . – Ele sorriu, gabando-se de sua esperteza. Eu estava surpreso demais para admirá-lo.
- Você ficou com a ? – me perguntou. Eu balancei a cabeça vagamente, assentindo. Passei a mão pelos cabelos, nervoso demais, esperando agora a zoação, o que não aconteceu de imediato. Ela abriu um sorriso enorme no rosto.
- E como foi ficar com a ? – entrou na onda. O único que não estava animado com a descoberta do era .
- Foi, er – O que eu tinha pra dizer sobre isso era patético demais, mas me sentia pressionado por seus olhares – Especial.
Um “awn” coletivo veio de , e . Eu sorri de um jeito estúpido.
- você está apaixonado – me acusou.
- Claro que não, tá louca? – Eu me embaralhei com as palavras – Só foi especial porque a é especial pra mim, oras. Ela é minha melhor amiga!
- Ai gente, parem de deixá-lo constrangido – Eu sorri, agradecido a – Vem, vamos voltar pra onde paramos – Ela puxou pela camisa, beijando-o.
Ver aquela cena tava me dando nojo, então conclui que já tava na hora de ir me deitar.

Capítulo Cinco


É claro que ela não mudaria todos os seus hábitos. Era esperar demais ver longe de todos aqueles brutamontes que agarravam sua cintura como se ela fosse algo comestível. Para eles, ela era. Sorri sarcástico comigo mesmo por ter esperanças frustradas que ela acabaria com essa vida. Mas essa sempre foi a minha melhor amiga, pedir para que ela parasse de agir assim era como pedir para reformularem seu DNA. E eu sempre a aceitaria assim. Afinal, ela era a minha melhor amiga, como eu já disse.
Não fiz questões de parar pra falar com os guris. Ultimamente eles andam demais com as amigas da . Achei realmente muito estranho eles estarem ficando a uma semana. Não dava nada por essa idéia do em ser meu cunhado, até porque ele nunca conseguiu ficar com uma guria tempo suficiente pra ser considerado um dia. A sala ainda estava vazia quando entrei, exceto pelos nerds que refaziam os exercícios de matemática. Como eles podiam amar tanto uma matéria tão detestável? Sinto pena deles.
Me concentrei em escrever uma nova musica. Este sempre foi meu hobby, ainda mais quando me sinto um estado de nervos, como agora. Só fui me dar conta do tempo que havia passado quando ouvi a voz irritante do Sr. Michael dizendo “Façam todos os exercícios novamente, você precisam aprender a gostar de matemática”. Esse velho consegue ser mais detestável do que a própria matéria. Olhei para a carteira de frente a minha e notei que não estava ali. Claro que ela não estaria, o perfume de morango não me chapou hoje de manhã, ainda.
As aulas passavam sempre vagamente quando não estava na sala. Ela sempre era a minha distração pra aguentar essas matérias estúpidas que não iria precisar para o meu futuro. E sempre que ela não aparecia, eu só tinha uma certeza: o motivo era algo errado. Algo totalmente proibido no conjunto de normas escolares, mas que era violado por ela com tal facilidade que me surpreendia. Talvez a hipótese mais relevante seja que ela já esteja saindo com os membros do corpo docente, já que com certeza a lista de alunos devia ter sido escassa. Odiava pensar isso sobre ela, mas eu realmente sabia que era a verdade, e por mais que seja doloroso afirmar, na mão dos outros era apenas uma dessas qualquer.

- ? – A voz de gazela de ecoou pelo quarto. Detesto quando ela me acordava da minha soneca de beleza pós-almoço.
- Hm? – Murmurei sem muita vontade, depois senti seu peso caindo por minhas costas. Vadia.
- ! – Ela me chamou de novo, respirei fundo antes de derrubá-la da cama. Inverti minha posição ficando de barriga para cima na cama, derrubando no chão, acidentalmente (eu juro). Ouvi ela me xingar, irritada, num volume muito baixo, respirou fundo e depois disse: – Quer ir no shopping?
- Você me acordou pra ir no shopping? – Eu disse com a voz já alterada, ela sorriu angelicamente – , você está totalmente doente, certo?
- Claro que não – Ela fez beicinho – Eu quero ir ao shopping, e quero que você vá comigo.
- Só quer né? – Ri irônico e ela continuou com aquele sorriso. Vadia. – Se eu for o que eu ganho?
- Um CD! – É claro que agora ela já abria um sorriso vitorioso no rosto, sabendo que eu não resistiria a sua oferta. Me levantei um pouco mais animado, vestindo uma roupa decente para ir ao shopping.
- Você é o bicho mais irritante que existe na terra, sabia megera? – Baguncei os cabelos dela, que simplesmente me fuzilou com os olhos. Eu saí correndo do meu quarto antes que ela me batesse, por precaução, já que o tapa dela dói demais.

Eu já estava cheio de sacolas nas mãos, eram todas da óbvio, afinal eu não tenho o hábito de sair gastando as míseras libras que ganho mensalmente dos meus pais. Por mais que meu pai seja ausente, ele costuma suprir isso com 250 libras mensais. Minha mãe completa o resto. Naturalmente 500 libras é o suficiente pra mim, é claro. Mas pra isso parece um sacrifício ainda maior, ainda mais que agora ela decidiu trabalhar na loja de CDs a uma quadra da nossa casa. Segundo ela, o dinheiro extra que ela ganha lá é o suficiente pra pagar as despesas que ela gasta no shopping toda semana. Mulheres, quem as entende?
Duvido que juntando o dinheiro todo vá pagar essas sacolas. A gente já devia ter passado por todas as lojas interessantes no mundo feminino. Sapatos, bolsas e roupas inundavam as malditas sacolas que ela me obrigara a carregar. Tava parecendo um gay dando opinião do que achava das roupas. Sim, ela ainda me fazia opinar. Quando achei que o nosso tour pelo shopping tinha acabado, me surpreendi com parando em frente a uma sex shop. Eu não pensei errado, ela realmente tava parada na frente de uma sex shop.
- Não! , eu não vou entrar aí! – Eu gritei. Não me importei com os velhinhos que passavam por nós, olhando horrorizados para nós dois, como se fosse normal um adolescente negar acompanhar uma mulher pra sex shop. No mínimo eles não deviam ter irmãs pra entender minha situação.
- Vai, ... – Ela implorou, com aquela voz de taquara rachada. Me dei por vencido, e a deixei me puxar pra dentro da loja.
Na verdade eu nunca tinha entrado numa sex shop na vida. Afinal o que eu iria fazer lá? Comprar fantasias eróticas? Ou quem sabe um vibrador? Não sou gay, qual é. Ela foi pra sessão de lingeries, me levando junto. Isso vai custar dois CDs. Uma vendedora simpática veio nos atender, devia ser normal pra ela isso. Me concentrei em olhar as curvas da mulher ao invés de dar atenção aos pedidos bizarros de .
- Eu quero uma lingerie que seja sexy, mas não vulgar, faça-o ficar excitado mas sem mostrar muita coisa. Algo provocante, mas com um tom angelical – A mulher, quer dizer, Jannet, segundo o crachá, fazia caras e bocas tentando entender a explicação da minha irmã. Ela sorriu, e pediu pra acompanhá-la pra ver os modelos, e é lógico que eu tava incluso no pacote “opinião”.
Ver sua irmã mais velha saindo com vários estilos de lingerie é uma coisa totalmente absurda. Realmente não quero nem pensar com quem ela vai usar isso. Se o idiota do tocar nela eu corto o membro dele. Já tinha desistido de dar minha inútil opinião, todas as peças eram iguais pra mim. Não consegui dizer uma frase concreta sobre os pedaços de panos.
- Hey, vou ir dar uma volta pela loja enquanto tu acha alguma – Ela não respondeu, então aproveitei e me escapei da sessão constrangimento. A loja era realmente muito maior do que aparentava. A parte em que estava parecia ser a sessão lingerie. Passei pela sessão de fantasias eróticas, uma mais bizarra que a outra. Não que isso não fosse excitante, mas algumas eram ridículas demais. Como por exemplo, achei uma que era um leão, com juba e tudo. Quem usaria uma juba na hora do sexo? Depois da sessão fantasias, tinha a sessão objetos. Acho que era isso, já que achei milhares de pênis de borracha nas prateleiras. E por fim, achei o final da loja. Era outra sessão de lingeries, só que essa não parecia a mesma sessão que a da . Tinha algumas coisas como calcinhas comestíveis, calcinhas abertas em baixo, cuecas com tromba de elefante pra botar o membro.
Uma voz conhecida soava do outro lado da estante onde tinha vários modelos em manequins. Quanto mais próximo da voz eu ficava, mas certeza eu tinha de quem era o dono dela, ou melhor, a dona. Virei a “esquina” e reconheci o balançar de cabelos pretos compridos. mexia em uma calcinha, botando-a na frente do corpo pra ver como ficava. estava ao seu lado, ela fez uma cara aprovadora para o projeto de pano que ela segurava. Não dei mais nenhum passo naquela direção.
- Você não vem? – Perguntou. Claro que aquela voz não era de , era inevitável não reconhecer, mesmo elas estando de costas para mim.
- Não, já disse que to parando com isso – falou, impaciente, ainda mexendo nas milhares de calcinhas que a vendedora botava para ela escolher.
- Tudo bem. Austin pegou uma boa hoje, nunca tinha provado daquele tipo. Era muito melhor do que aquela que a gente usou na festa. – Engoli em seco, esperando pela resposta dela. Na verdade quando dei por mim, estava com meus dedos cruzados numa espécie de figa, torcendo para que ela não fosse.
- Qual parte do eu não vou você não entendeu? – Ela se virou bruscamente na direção da , que recuou um passo para trás – Já disse que prometi ao que pararia com isso.
- Não precisa se irritar, . Se quiser aparece lá, sabe a onde iremos estar. – se despediu de , pegando umas calcinhas e indo em direção ao caixa. Esperei alguns minutos depois que ela saiu para ir até onde estava, é claro, para ela não saber que eu ouvi parte da conversa.
- Oi – Murmurei. deu um pulo quando ouviu minha voz, deixando a maioria das calcinhas que segurava cair no chão.
- ? – A ajudei a pegar as lingeries, seu rosto estava indecifrável, passava de surpresa a receio – O que você faz aqui?
- O mesmo que você. Decidi vir comprar umas lingeries novas, as minhas estão tão fodidas, preciso de algo mais sexy – Fiz uma voz de gay, e recebi um tapa no ombro – Eu vim com a no shopping, ela resolveu gastar hoje. Daí ela veio ver umas lingeries, e me arrastou pra cá.
- Tadinho de você! – Senti suas mãos quentes apertando minha bochecha – Vamos ir lá com ela então.
E mais uma vez, fui arrastado até a sessão lingerie. já soltava fogo pelas narinas, lá vinha bronca por eu tê-la deixado só por tanto tempo.
- Aonde você estava? – Ela gritou comigo no meio da loja, me escondi atrás de , tentando me proteger de uma maneira totalmente infantil – Oi !
- Oi ! – Marcela disse daquele jeito sempre animado, depois se virou para a vendedora – Oi Janne, quero ver algumas coisas também!
- Claro, Srta. Goulart. Fique a vontade – A vendedora simpática respondeu. As curvas perfeitas de deixavam a tal de Jannet nenhum pouco atraente.
Assim que ela trouxe várias opções pras meninas escolherem, fui altamente consultado pra dar a minha opinião. Agora tinha até um pouco mais graça, eu sempre acabava me perdendo, olhando o corpo de através do reflexo do espelho, fazendo minha melhor cara de paisagem. Elas já tinhas escolhidos as 10 melhores e foram para o caixa pagar. disse que iria me dar a cueca de elefante, mas falou pra ela que a cueca era pequena demais para mim. Minha irmã realmente quase me matou com o olhar, com uma cara do tipo “Como ela sabe isso?”. Mas se corrigiu, dizendo que eu tinha uma bunda muito gorda pro coitado do elefante. Posso dizer que ela fica linda quando mente.

- O que você quer falar com ? – Perguntei impaciente pela segunda vez, enquanto eu e esperávamos na frente da porta dele que alguém a abrisse.
- Você já vai saber – deu de ombros novamente, e a porta por fim se abriu. Tia Emma apareceu com uma colher na mão, suja de molho.
- , que saudades! – Ela a abraçou, e depois sorriu para mim, dando espaço para entrarmos - ? Sua irmã e estão aqui.
Um de cabelos molhados desceu as escadas com uma cara de tédio, abriu um sorriso animado a ele.
- Fiquem para o jantar, daqui a pouco está pronto – Emma saiu da sala, deixando-nos sozinhos.
- , papai mandou avisar que essa semana ela virá pra Inglaterra, então ele vai vir nos pegar na sexta a tarde pra irmos pra casa de praia – parecia menos animada com a novidade do que ; ela se sentia abandonada pelo pai, já , sempre viu o pai como um herói. Sendo que os dois foram abandonados por ele.
- Que ótimo! – A cara de tédio foi desfeita por uma expressão animada – Você vai né, dude?
Eu era sempre o convidado VIP para as visitas paternas deles. Na verdade Jimmy já estava até acostumado a me encontrar no pacote filhos.
- É verdade, você vai com a gente! – me olhou, suplicante. O motivo de eu sempre ir era por ela não se sentir a vontade com isso.
- Vou, não adianta dizer que não.
- Acho que essa semana a gente vai ter algo pra fazer naquele fim de mundo, parece que vai ter festa na cidadezinha – disse, um pouco mais animada, e eu e sorrimos.
Sra. nos chamou para jantar, e nós três seguimos pra lá, encontrando a pequena Lauren, irmã mais nova de , filha do segundo casamento da mãe dele, aparecer ao nosso lado com uma boneca quase do seu tamanho.

Uma pequena mochila contendo minhas roupas já estava arrumada pra viagem. Como era casa de praia não precisa levar roupas quentes, e só iria passar três dias lá. Fui para a casa de , esperar o Jimmy nos pegar.
Sua mochila ainda nem arrumada estava, e o quarto estava uma bagunça, com roupas espalhadas por toda a superfície. Eu o ajudei a arrumar as roupas inúteis, enquanto ela procurava a camiseta da sorte. as vezes sabe ser um babaca, na verdade ele nem precisa de esforço pra isso.
- , tem um carro buzinando lá em baixo! – A tia apareceu no quarto, fazendo uma cara de reprovação ao ver a bagunça – Juro que me importaria em fazer seu pai esperar enquanto você arruma essa bagunça. Assim vai achar que eu não te dei educação.
- Na verdade eu sei que a senhora educou ele, mas os neurônios do parecem regredir a cada dia – Levei um soco no braço, de , e alguns risos da tia.
Uma BMW x5 prata tava estacionada em frente à casa de . A porta do motorista se abriu, e um cara com terno saiu de lá. Pelo que eu pude notar ele não era o Jimmy. Olhei pela janela do banco traseiro e vi que já estava lá, com óculos escuros tampando boa parte do rosto.
- ? – O motorista perguntou meio receoso e deu um passo à frente – O Sr. Barker ia ter uma reunião, então não daria tempo para buscar vocês. Ele pediu para levá-los para lá, e com certeza quando chegarmos a casa ele já estará lá.
- Ah, claro – sorriu animado, se despedindo de sua mãe. Eu me despedi dela também, entrando no carro pelo lado direito.
- Oi – murmurou, sem nenhum pouco de animação. Alguma coisa estilo Pussycat Dolls tocava no som.
- Oi – Eu e respondemos em coro.
Peguei meu iPod no bolso da mochila, botando os fones no ouvido pra não precisar ouvir aquele tipo de musica. mexia no notebook dela, e via algum filme no DVD portátil do carro. Deixei meus olhos vagarem pelas ruas e as manchas de prédios causadas pela velocidade do carro ficavam cada vez mais constantes. Sempre me sentia sonolento quando ficava dentro do carro, e consequentemente dessa vez não foi diferente.
Minhas pálpebras pesavam muito mais do que o normal, e depois de alguns minutos fechei meus olhos, pegando no sono em seguida.

Quando acordei novamente, vi a grande casa branca dar os primeiros sinais de vida. Eu dormi durante 4 horas seguidas; realmente o carro fazia milagre comigo. A cabeça de tava apoiada no meu ombro, não devo ter sido o único que dormiu. já se agitava, animado, no banco, com a mão na trava da porta, só esperando o carro parar para poder abri-la. Assim que o motorista parou o carro, já estava do lado de fora.
Cutuquei o braço de , tentando acordá-la. Ela resmungou alguma coisa, e depois abriu os olhos. As esmeraldas arregaladas, tentando decifrar aonde estava. Quando ela se situou, soltou um grande suspiro de frustração, saindo pela porta em que saiu.
Caminhamos em direção à grande entrada da casa, a Ferrari vermelha de Jimmy já estava estacionada em frente a casa. Ela continuava do mesmo jeito desde nossa ultima visita aqui; na verdade eu vim junto com eles na ultima vez em que James Barker voltou à Inglaterra para ver seus filhos. Já comentei que me sentia incluído no pacote filhos? Pois é, ele me olhou com uma naturalidade como se fosse totalmente normal o melhor amigo da sua filha, e o amigo de seu filho sempre estar presente nas visitas familiares. Já perdi até o constrangimento.
- Olhe pra você meu garotão, como está grande! – Ele cumprimentou , e depois se virou para , que tinha uma cara de paisagem, olhando a decoração – E você minha princesa, está tão linda!
Na verdade, era a cópia perfeita de Jimmy. Talvez a versão feminina dele. Tinha, claro, alguns traços de Maggie, mas esses traços eram pequenos comparados a semelhança entre e seu pai. Segundo as mulheres de minha família (pra ser mais sincero, minha mãe e minha irmã), Jimmy era considerado um ator de Hollywood de tão bonito que era. E não perde na questão atriz hot de Hollywood.
- E claro, não podia faltar meu filho adotivo – Ele disse, sorrindo a mim; dei meu melhor sorriso e estendi minha mão para cumprimentá-lo – Bom, já sabem quais são seus quartos. Sabia que você viria , então tive a liberdade de pedir as empregadas arrumarem um quarto especialmente para você, sem precisar dividir com o dessa vez.
- Valeu Jimmy – Eu disse, simpático. Na verdade ele era uma boa pessoa, só o único problema é que trabalhava demais pra ter tempo pros filhos, ou quem sabe a distancia entre Inglaterra e Estados Unidos seja um problema para ele.
Subi as escadas acompanhando e , que tinham uma fisionomia contrastante: esbanjava felicidade, enquanto esbanjava tédio. Entrei no quarto, com a porta aberta, que deveria ser o meu. Ele era em frente ao quarto de , bem ao lado do de .
Troquei de roupa, botando uma mais a vontade ao clima tropical que aparentava ter aquela casa. Duas batidas na porta ecoaram pelo quarto, e sem ao menos eu responder alguma coisa, vi a cabeça de espiando para dentro. Ela sorriu quando viu que eu estava ali, e entrou.
- Quer ir à praia? – se sentou na cama ao meu lado, sorrindo abertamente pela primeira vez no dia.
- Sem brigas de areia? A última vez você quase me deixou cego. – Eu disse, brincando.
- Sem brigas de areia – Ela concordou, rindo. Examinei sua roupa e notei que ela já estava de biquíni por baixo do vestido branco – Anda gordão, eu não quero perder um minuto sequer da praia!
Fui puxado escada abaixo, com me guiando rapidamente até chegarmos à larga faixa de areia. O mar azul era de uma beleza incrível, ele estava calmo, parecendo mais uma lagoa. Tirei minha camisa rapidamente, a deixando na areia, seguiu meu exemplo com seu vestido, deixando à mostra as belas curvas de seu corpo.
Corri em encontro ao mar, tentando ser mais rápido do que , o que não foi nenhum pouco difícil. Ela tentava, em vão, me ultrapassar, e quando por fim meu pé tocou a água gelada, parei de correr, deixando ela passar facilmente por mim. Seu corpo não reagiu como o meu pela diferença de temperatura, pelo contrário, ela continuou a ir mais fundo, e eu a segui.
A água já batia no seu ombro quando paramos. Corri até ela, passando meu braço em volta de sua cintura, tentando me aquecer. Meus queixos batiam involuntariamente, enquanto ela ria da minha fragilidade. se virou, ficando de frente para mim. Um sorriso divertido brincava em seus lábios, como se ela refletisse meu rosto.
- Vai lá , mostra pra mim que você sabe nadar! – Eu fiz uma careta, mergulhando no mar. Me arrependi por fazer isso. A temperatura em baixo d’água parecia ser muito pior do que com só a metade de meu corpo. Mas logo me acostumei com a sensação, e ela começou a ficar interessante.
Quando voltei à superfície não estava lá, fiquei esperando ela voltar e depois de alguns segundos, acho que uns 30, vi seus cabelos passando por de baixo da água ao meu redor. Senti suas mãos tocando minha perna, fazendo uma pressão contra meu corpo, e depois eu estava afundando na água, ao lado dela. Bobona, sempre fazia isso comigo.
Ela voltou à superfície novamente, parando em frente a mim. A distância entre nossos corpos era quase nula. Podia sentir sua respiração ofegante, devido ao tempo em baixo d’água, em minha boca. E a minha acabou se desregulando do mesmo jeito por causa da nossa proximidade.
Seus olhos estavam fixos aos meus, do mesmo jeito em que os meus estavam fixos aos dela e, involuntariamente, a distância entre nós dois foi diminuindo cada vez mais, até que eu pudesse sentir completamente seu corpo, quase nu, no meu. Um calor atingiu meu corpo, e eu me senti excitado.
Do mesmo jeito em que nossos corpos estavam próximos, nossas bocas seguiram seu exemplo, até que meu nariz encostou-se ao dela.
- O jantar tá pronto! – Ouvi berrar da areia, com uma expressão impaciente. O xinguei mentalmente com todos os palavrões que eu tinha conhecido. soltou um suspiro frustrado, separando-se de mim e indo ao encontro do irmão, ao qual eu fuzilava com os olhos.


Capítulo Seis


O barulho de talheres arranhando os pratos e alimentos sendo dilacerados eram os únicos sons que a sala de jantar possuía. , que estava sentada ao meu lado, parecia nem tocar na comida, ou ela nem devia estar gostando. Pelo contrário, eu tava achando a comida maravilhosa. Nunca comi algo tão bom.
Assim que acabei de comer, subi pro meu quarto provisório pra tomar um banho. Tínhamos combinado de irmos a uma casa noturna que, segundo uma das empregadas disse, tinha sido inaugurada algumas semanas atrás. se empolgou muito mais sabendo que poderia fazer algo normal, no ponto de vista dela. Acho que seria uma boa sair pra me divertir, a ultima vez que fui a uma festa foi na casa de .
Quando sai do banheiro vi sentada na minha cama, com dois vestidos em cada mão. Ela me estendeu eles, mostrando para eu escolher. Apontei para um vermelho, frente única e mais formal do que o preto. Na verdade é que eu adorava vê-la de vermelho. Peguei uma roupa qualquer na mala, e quando me virei para de novo, ela estava trocando de roupa. Tentei não demorar meu olhar sobre seu corpo, voltando a prestar atenção no meu próprio reflexo no espelho. Qualquer homem no meu lugar já teria surtado.

A casa noturna parecia ser realmente muito boa. Além de estar lotada, era um ambiente super agradável. voltou ao seu estado naturalmente animado ao entrar na atmosfera escura da boate. A música eletrônica soava alto, doendo meus tímpanos; esse tipo de música não era minha praia, mas era legal mudar as vibes de vez em quando.
- Vou ir beber alguma coisa! – disse, dando um beijo na minha bochecha e sumindo na multidão.
Olhei para que estava com a maior cara de tédio possível. Se eu vim para cá foi para me animar, não ia estragar meu final de semana, sendo que eu podia me divertir - e muito - ficando por aqui. Segui o caminho que fez para o bar, e quando parei na bancada vi que estava ao meu lado.
- Quero um Whisky – Pedi ao barman. Poucos segundos depois ele estendeu um copo para mim.
Batucava meu dedo na bancada conforme o ritmo da música, bebericando devagar. Passei meus olhos pela extremidade toda do balcão e não vi por ali. Como ela pode ser tão rápida? Acho que deve ser mal de família, porque conversava animadamente com duas meninas, uma ruiva que parecia ser mais nova e uma loira, as duas muito hots.
- Hey – Ouvi ele me chamar, e virei meu corpo todo na sua direção, as duas acompanhantes dele sorriram pra mim - Essas são Amy e Sue, minhas amigas de infância - Ele apontou pra loira primeiro, e depois para a ruiva.
- Oi - Sorri simpático, cumprimentando as duas com um beijo no rosto - Amigas de infância? - Arqueei a sobrancelha.
- É! - A ruiva, quer dizer, Sue respondeu - Costumávamos brincar com e quando eles vinham pra cá nos finais de semanas.
Eu não sabia disso porque quando eles costumavam passar o fim de semana aqui eu não vinha junto. não se sentia desconfortável naquele tempo.
- Quer dançar, ? - Sue perguntou de uma maneira extremamente sexy, e depois os dois desapareceram na multidão.
- Acho que sobramos - Amy sorriu tímida. Ela era muito mais bonita do que a ruiva, e também muito mais hot. Passei meu olhar pelas pernas nuas dela, subindo depois de um tempo para seu rosto. Suas bochechas estavam completamente coradas.
- Desculpa - Murmurei, mas não consegui controlar meu olhar de novo pra suas coxas grossas, ela soltou uma risadinha - Você é daqui?
- Na verdade, eu nasci aqui - Ela tomou um gole de seu copo - Mas eu estou em Londres agora.
- Também sou de lá.
- Sério? - Seus olhos escuros brilharam - Mas eu nunca te vi em nenhum pub por lá.
- Não saio muito, na verdade no máximo são aquelas festas que os colegas de escola dão. Minha mãe não deixa – Eu sussurrei a ultima parte. Ela gargalhou, fazendo uma cara fofa.
- Quantos anos você tem, ? - Pensei em mentir, mas com certeza me entregaria.
- Dezessete - Ela soltou um “ah” - E você?
- Vinte e três anos bem vividos - Olhei pra ela indignado; ela não parecia ter essa idade. Tinha um rosto tão angelical que nunca imaginei que fosse possível ter essa idade com esse rosto de boneca - Que foi? - Amy me acordou do transe.
- Você não parecer ter vinte e três - Eu sorri amarelo.
- Por que não? - Amy abriu um sorriso tão lindo que eu perdi minha linha de raciocínio.
- Você tem um jeito de adolescente, sei lá - Me atrapalhei com as palavras, e ela riu, aproximando o banco dela mais próximo do meu - Er, estudas?
- Estou acabando a faculdade - Pedi ao garçom outro copo de Whisky e acabei ele com apenas um gole, retornando a pedir outro.
- Faculdade do que? - Tentei me manter firme em algum assunto, caso eu não queira perder o controle e botar a mão naquelas coxas que pareciam tão convidativas.
- Medicina - Olhei novamente para ela, indignado - Dá pra você parar de fazer essas caras? Está me constrangendo.
- Desculpa, mas é que você me impressiona - Suas bochechas ficaram levemente coradas.
- E você, namora? - Eu neguei, balançando a cabeça - Você não namora? - Agora ela fazia cara de indignada.
- Na verdade, eu só namorei uma vez na vida - Eu sorri, me lembrando do meu primeiro namoro, o qual foi um desastre.
- E por que terminaram? - Amy parecia curiosa.
- É que eu tenho uma amiga, na verdade uma melhor amiga. A irmã do - Ela assentiu - Então, meus namoros nunca dão certo por causa do ciúme que as minhas garotas costumam ter com a .
- Ciúme? - Ela me incentivou a continuar.
- Nós dois não nos desgrudamos, é assim desde que eu a conheci. Só que elas não diferenciam a amizade pra o amor, sabe? - Ela sorriu - Eu amo a , mas como amiga, como uma irmã. Acho que é isso que nunca faz dar certo os meus relacionamentos.
Senti um dedo me cutucar nas costas, mas nem me virei.
- , você se lembra da ultima vez que a não dormiu em casa quando a gente saiu? O pai quase me matou. E ela está a ponto de fazer isso novamente. - A voz de soou atrás de mim. Amy ergueu a cabeça para olhar para ele sob meus ombros - Pede pra ela parar com isso, você sabe que ela não iria me ouvir! E eu não quero me ferrar de novo por causa das irresponsabilidades dela.
- A onde ela tá? - Virei meu corpo para ele, e apontou para a parte de trás do bar, a luz era muito mais fraca lá, mais era possível vê-la nitidamente, beijando alguém - Amy, desculpa, mas eu vou ter que resolver isso.
- Não foi nada, . Eu também já vou, amanhã cedo pego um avião pra Londres. Quem sabe a gente não se cruza por lá? - Eu assenti, e ela me deu um selinho. Isso mesmo que eu senti? Ela me deu um selinho? Quando pensei em falar alguma coisa ela tinha sumido.
Procurei por , mas ele também não estava mais ali. Então a única coisa que podia fazer era ir até ela. O que não demorou muito, já que naquela direção tinha poucos seres humanos empacando a passagem. Parei atrás de e a cutuquei pela cintura, ela pareceu nem notar.
- ! - Eu disse em seu ouvido. Rapidamente ela se separou do cara, que me fuzilava com os olhos - Vem dançar comigo?
- Agora? - arqueou uma sobrancelha e eu assenti.
- Por favor - Fiz a minha melhor cara de cachorro sem dono - Ou você realmente vai me trocar por qualquer um que aparecer pra você?
Eu sabia que ela não resistiria a minha chantagem. se despediu do cara, que ainda continuava a me fuzilar, e seguiu comigo até o meio da pista de dança. Por onde ela passava arrastava olhares de caras, ela realmente sabia arrasar. Botei minha mão em sua cintura, evitando que qualquer um chegasse nela. Se já me livrei de um, tinha que fazer o serviço bem feito com os vários que se candidatavam.
Ou ela estava me provocando ou ela estava realmente tentando me deixar louco. Acho que as duas opções são parecidas, mas o que interessa é que ela conseguia fazer as duas ao mesmo tempo. dançava de um jeito muito, mas muito sensual, deixando qualquer uma das várias mulheres ao nosso redor no chão. Balançava os cabelos e a cintura conforme o ritmo da música, fazendo questão de roçar nossos corpos várias vezes.
Ela realmente sabia fazer um serviço completo.
Por mais que eu soubesse que isso devia ser efeito do álcool que eu tinha ingerido, confesso que estava gostando. Não só eu, como algo especifico no meio de minhas pernas. Porra, eu sou homem e também não sou de ferro. As evidências de que eu estava gostando estavam cada vez mais visíveis. virou de frente pra mim, seus olhos fixos nos meus e um sorriso malicioso estampado no rosto.
Acho que pra me provocar mais ela fez questão de deixar uma de suas pernas no meio das minhas, acabando com qualquer distancia que tinha antes entre nossos corpos. Eu queria parar com isso, mas o que eu desejava não era a mesma coisa que o que meu cérebro desejava; ele estava sendo movido apenas por impulso do álcool. Não só comigo, dava pra ver no fundo daquelas esmeraldas que eu não era o único que não conseguia me mover por conta própria. As mãos macias dela foram até meu peito, segurando neles de um jeito firme. Não consegui conter minhas mãos que deslizaram de sua cintura até sua bunda. Ela gostou disso. Não só ela, como meu amiguinho.
Era obvio que só estava fazendo isso pra se vingar de mim por ter cortado seu barato. Com certeza ela notou que eu não a deixaria ficar com ninguém essa noite. Odiava como ela sabia interpretar corretamente minhas ações. O que era mais ridículo ainda é que eu não conseguia sequer controlar pra onde olhava; estava numa luta contra meus olhos para parar de olhar pra sua boca, cada vez mais convidativa. Mas eu não ia beijá-la, lutaria com todas as minhas forças contra isso. Por mais que a razão estivesse muito atrás do desejo, algo incontrolável.
Não era só eu que estava sofrendo com isso, podia notá-la apertando seus lábios frequentemente, como se estivesse sentido a mesma vontade que a minha. Meus olhos deslizaram de sua boca até seu decote; era grande o suficiente pra não esconder qualquer coisa que ela quisesse. E era mais convidativo ainda que sua boca. Não tive controle sobre minhas mãos, quando notei estava fazendo o caminho até eles. Mas que merda eu tava fazendo? Parei-as - por mais que fosse difícil - na metade do caminho, voltando a posição inicial, a sua cintura.
sorriu, vendo meu desespero. Ela estava realmente fazendo isso de propósito? Como ela podia ser tão má?
- Hey, vamos pra casa? – Ouvi a voz de e agradeci mentalmente por ele ter aparecido para me livrar desse momento, tão, tão estranho.
- Aff , agora que eu estou me divertindo – disse, fazendo a sua típica voz de criança mimada. O que não adiantou nada, porque nem eu, e nem ligamos para isso - Até você , quer ir?
- , dá pra gente ir de uma vez? - disse, já impaciente, e ela bufou.
Com muito sufoco conseguimos chegar ao lado de fora, avistando rapidamente o carro do pai dela, onde o motorista nos esperava encostado no capô. Ele abriu a porta para nós, e dirigiu calmamente até a enorme mansão branca. Acho que eu não era o único que estava ficando enjoado com o balançar do carro, meu estômago reagia exageradamente.
Por fim, os cinco minutos mais longos da minha vida talvez, acabaram assim que entrei na casa. Subi as escadas correndo, em direção ao banheiro do quarto que eu estava. Não que eu fosse fraco pra bebida, mas eu havia bebido demais. Apenas entrei de baixo do chuveiro, deixando a água fria absorver por meus poros. Esse era sempre o remédio pra quando eu bebia demais. Só precisaria de algum analgésico de manhã pra conter a dor de cabeça.
Me sequei, botando uma boxer limpa, e deitei na enorme cama tão aconchegante. Meus olhos se fecharam automaticamente, mais ainda podia sentir o quarto girar ao meu redor. Na minha imaginação, ouvi a porta se abrir, e depois passos caminharem até a metade do quarto. Não era apenas a minha respiração que havia naquele cômodo. Maldito álcool, já estava me deixando maluco.
- Oi - As alucinações agora tinham a voz aveludada de . Abri meus olhos apenas para me certificar de que estava surtando, mas fechei rapidamente assim que notei que não era apenas a voz que parecia tão real, a imagem dela na minha frente era perfeita demais.
Talvez ela fosse perfeita demais porque ela realmente estivesse lá.
Pisquei algumas vezes, pensando na hipótese e testando meu cérebro para que a alucinação sumisse assim que abrisse meus olhos pela quinta vez. E ela ainda continuava lá, intacta, me olhando.
Ela deu um passo à frente, e a claridade que entrava na janela foi diretamente ao seu corpo. vestia um robe de cetim preto, que foi aberto assim que ela deu outro passo, encurtando a distância entre ela e a cama. Ele deslizou pelo seu ombro, mostrando uma camisola vermelha, do mesmo tecido. Engoli em seco quando a vi cair sobre a cama, engatinhando até onde eu estava.
se sentou em cima do meu quadril, deixando cada perna na lateral do meu corpo. Deslizei minha mão até sua coxa, deixando, totalmente, meus instintos, que sempre ficaram ocultos, à mostra. Ela inclinou seu corpo pra frente, grudando nossos lábios. Procurei por sua língua de um jeito compulsivo, recebendo milhares de choques elétricos assim que a encontrei. Me senti totalmente relaxado, não medindo minhas ações, deixando que minhas mãos agissem como quisessem. No momento, elas se encontravam na parte interna de suas coxas.
As mãos de com certeza não eram tão envergonhada como as minhas, elas percorriam sem censura toda superfície do meu corpo. Separei nossas bocas pra conseguir passar sua camisola, que já estava acima de seus seios, pela cabeça, e a joguei longe, pra qualquer lugar do quarto. Dei uma bela olhada por seu corpo, o sutiã preto, da mesma cor do robe, realçava suas curvas, e a calcinha, bom, eu ainda a preferia sem.
Todo o desejo oculto que já senti por esse corpo fluía pelo meu com uma espécie de adrenalina junto. Ela inverteu nossas posições, me deixando sobre ela. Passei minhas mãos pela lateral de seu corpo, enquanto ela puxava minha boxer para baixo. Assim que ela já estava em qualquer lugar do quarto, ela voltou ao controle, ficando sobre mim. Deslizei minhas mãos pelas suas costas, a procura do fecho do sutiã, mas o tesão que eu estava sentindo não ajudou em nada. riu do meu desespero e separou nossas bocas, pegando minha mão que estava em suas costas e as levando até seus seios. Involuntariamente eu os apertei, e ela gemeu de aprovação. Com meus olhos vidrados neles, percebi o fecho do sutiã no meio de seus seios, e o abri, jogando-o longe, juntamente com as outras peças. A ultima vitima foi a calcinha, que a tirei com facilidade, não fazendo questão de perder tempo jogando-a longe. E segundos depois de estarmos corretamente protegidos, me concentrei em quebrar a lei da física em que dois corpos podem sim, ocupar o mesmo espaço.

Abri os olhos com certa dificuldade, mais anormal que o comum. O motivo, desta vez, não era preguiça, e sim a minha cabeça latejar demais. Sentia meu cérebro inchar, como se um elefante estivesse entrando nele. Nem fechando os olhos novamente fez a dor cessar. O que só piorou. Me lembrei do sonho que tive durante a noite, que eu havia transado com , nesta cama. Ela tinha sido minha; tão diferente de todos os jeitos que já imaginei ter alguém. Mas fora apenas um sonho. Nada mais que uma ilusão projetada da mente de um homem alcoolizado.
Levantei da cama, cambaleando até o banheiro, mas parei na porta assim que vi o meu reflexo no espelho. Eu estava pelado. Não que isso não fosse normal, eu costumo dormir assim, mas desta vez tinha algo estranho. Algo que cobria meu membro: uma camisinha. Um flash do sonho passou por minha mente, e percebi algo que mostrava ainda mais que tinha sido real: a camisola que eu jogara com toda a minha força estava escondida atrás da minha mala.
- ? - A voz de soou pelo outro lado da porta, seguida de duas batidas. Corri até a cama que estava mais próxima do que o banheiro, me cobrindo com o cobertor. Acho que ela contou o tempo, porque eu só deitei e ela abriu a porta - Tá acordado?
- Acho que sim - Murmurei, tentando convencer mais a mim do que a ela - Pega uma cueca pra mim?
- Até parece que eu nunca te vi pelado, né - Ela riu marota, jogando a mesma boxer que eu usei na noite passada. Vesti-a por debaixo do cobertor e me levantei, indo pro banheiro. me seguiu, parando do lado de fora da porta - Se arruma para nós irmos tomar banho de piscina!
Fiz minha higiene matinal, e quando retornei ao quarto ela estava lá, deitada na cama. A camisola já não estava mais atrás da mala. Será que ela sabia do que tinha acontecido?
Chegamos à piscina em silêncio, que foi apenas interrompido pela empregada perguntando se queríamos o café da manhã. e Jimmy já estavam lá, aproveitando o lindo dia de sol. Mergulhei na piscina com eles, enquanto se deitou na espreguiçadeira. Uma das várias empregadas da casa veio nos trazer nosso café da manhã. Eu saí da piscina enquanto ela esticou uma toalha para mim me secar.
- Valeu - Sorri agradecido e ela se retirou. Me sentei em uma das mesas perto da piscina e comecei a mordiscar meu café da manhã. Por sorte, tinha alguns comprimidos pra dor de cabeça ali; era meu anjo da guarda.
Tentei apenas me concentrar no meu café, evitando olhar para o ser humano a minha frente. Realmente desejava que ela não soubesse o que havia acontecido. E nem queria tentar desvendar aquelas esmeraldas que pareciam não pararem de me olhar. Mas me senti fraco para encará-la, e saber o que ela pensava sobre tudo o que aconteceu ontem.
- E então, como foi a festa? - Jimmy perguntou, se sentando na espreguiçadeira, antes ocupada por .
- Foi boa - Respondi assim que notei que ela não falaria nada.
- Pegaram alguma garota? - Olhei para Jimmy, que fazia uma expressão de “estou na onda da galera” e tentei ocultar uma gargalhada.
- Encontrei a Sue e Amy lá, lembra delas né pai? - Ele sorriu, assentido a - Então, eu deixei a Amy pro e fui dançar com a Sue. Ela tá muito mais atraente que antes...
- E você pegou a Amy, ? - Apenas balancei a cabeça negativamente, não respondendo porque estava de boca cheia; Jimmy fez uma cara desapontada e olhou para - E você filha?
- Eu estava ficando com alguém, não me lembro o nome dele. Só me lembro de um ser chato me pedindo pra ir dançar com ele - Senti seus olhos irônicos sobre mim, e sorri tímido. Jimmy gargalhou.
- está certo, a última vez você não dormiu em casa. Não me importa que você fique com os garotos, só não gosto que durma na casa de qualquer um, é mais válido você trazer eles para cá - Olhei para , que fez a mesma expressão horrorizada que eu. Se ele desse essa liberdade para ela passaria dos limites. Nós dois sabíamos disso. - Tudo bem, pai.
Me surpreendi com a sua falta de animação. nunca negara uma farra. Outra das empregadas veio até nós, dizendo que o almoço estava na mesa. Nós quatro fomos até a sala de jantar. Ainda bem que só tinha beliscado um pouco no café, caso contrário eu não almoçaria. Sentei ao lado de na mesa, enquanto as empregadas nos serviam com algo que parecia estrogonofe, mas cheirava divinamente bem. Dei uma bela garfada, apreciando o gosto maravilhoso que aquilo tinha. Com certeza era muito melhor que as tentativas de cozinhar de . Ouvi um barulho de saltos finos vindos da entrada da casa em direção a sala de jantar. Olhei por cima do ombro de e vi uma figura feminina aparecer na sala. Olhei dela para Jimmy, que sorria abertamente vendo ela se aproximar.
- Claire, você veio! - Ele se levantou da mesa, indo cumprimentá-la com um beijo. Voltei minha atenção ao prato, mas ainda com curiosidade em saber quem era o novo ser entre nós.
- Sim, só me atrasei um pouco, mas estou aqui - A tal de Claire disse, uma voz tão fina quanto o salto. Olhei para a minha frente, que me fitava de um jeito estranho, com a mesma expressão de , que era confusa - Esses devem ser, - Ela pousou a mão nos ombros de - deve ser esse aqui, ele tem o mesmo jeito que você, apesar de serem totalmente diferentes. A menina é mais parecida contigo. Ah, e o outro deve ser , o amigo da família - Ela sorriu para mim, que retribui o sorriso.
Claire se sentou na mesa, ao lado de e a empregada a serviu. Continuamos a comer em silêncio, por mais que eu pudesse ver a curiosidade estampada no rosto de e . Eu sabia que esse silencio não demoraria mais muito tempo.
- E você, quem é? - confirmou minhas teorias.
Claire olhou de para Jimmy, indignada.
- Você não contou sobre mim?
- Não, desculpe - Ele sorriu, pigarreando antes de começar - Essa é Claire, minha noiva.
- Noiva? - e perguntaram em coro; Jimmy assentiu - E por que não contou pra nós, pai? - Pela primeira vez vi falar em um tom mais sério com o pai.
- Esperei o momento certo para contar isso.
- E por que logo agora? Pelo o que eu vejo você já tomou essa decisão a alguns dias, ou quem sabe mais - apontou pra aliança.
- O que você falaria se eu lhe contasse? Que não quer que eu me case?
- Eu só acho que a gente devia ter o direito de saber desde quando você decidiu isso! Nós somos seus filhos, você querendo ou não - se levantou da mesa bruscamente, subindo as escadas correndo. Me levantei para ir ao seu encontro.
- Ela precisa ficar sozinha, - Jimmy sussurrou. Fechei minhas mãos em punhos para não explodir de raiva.
- Desculpa Sr. Barker, mas você não tem o direito de dizer o que precisa ou não - Corri escada acima, pouco me importando se havia sido grosso com ele. O problema é que não se tratava de mim, e sim da minha melhor amiga. E quando machucavam ela, bom, eu não era uma pessoa digna de lucidez. Bati três vezes na porta, e ouvi a voz abafada de entre soluços perguntar quem era - Sou eu, .
Seus passos fracos vieram até a porta e ela a abriu, voltando para cama novamente. Tranquei a porta atrás de mim e me deitei na cama, ao seu lado. Olhei fixamente para seus olhos, já vermelhos de tanto chorar. me encarava, perdida em pensamentos, talvez nem notasse que eu estava ali. Uma lágrima escorreu pela sua bochecha, sequei-a com o meu polegar, acariciando seu rosto.
- Eu queria apenas fazer parte da vida dele, ficar feliz com o sucesso dele, mas nunca tive essa chance - Ela sussurrou, deixando as lágrimas caírem com mais facilidade. A puxei para um abraço, encostando sua cabeça em meu peito.
- Eu estou aqui com você, - Depositei um beijo no topo de sua cabeça - Eu sempre vou estar aqui.
Eu fiquei inteiramente grato em saber que o que aconteceu ontem não mudaria nossa amizade. E de uma coisa eu tinha certeza, podia acontecer qualquer coisa, ela nunca seria forte o bastante pra abalar o que eu sinto por essa garota.

Capítulo Sete


A parte de baixo da minha casa estava totalmente escura, além do pequeno abajur que iluminava a escada. Subi para o meu quarto, arrumando as roupas em seus devidos lugares novamente, e botando as sujas no cesto do banheiro. Era para nós virmos apenas amanhã, mas a não aguentou mais ficar lá e pediu pra vir embora. estava tão chateado quanto ela, então veio embora junto conosco. Uma das opções seria que eu estava sozinho em casa, mas dava pra ouvir vozes vindas do quarto da , então tive que descartar essa hipótese. Tomei uma ducha rápida, a fim de relaxar meus nervos tensos. E em menos de 5 minutos já estava pronto pra ir incomodá-la. Nem bati na porta antes de entrar, mas nenhuma das três figuras notaram minha presença, então pigarreei para chamar a atenção delas.
- ? – perguntou surpresa, eu dei de ombros para seu espanto e me sentei na cama ao lado de que apenas deu um sorriso tímido a mim – Você não ia chegar apenas amanhã?
- Problemas familiares – Dei de ombros, novamente – É bom que vocês estejam aqui, queria mesmo uma opinião feminina.
- No que posso ser útil, ? – se levantou do chão e se sentou ao meu outro lado, sempre sorrindo.
Pensei bem antes de falar, medindo qualquer palavra.
- Se vocês er, bom... Se vocês tivessem um melhor amigo – arqueou a sobrancelha preocupada, eu apenas sorri tentando mostrar que tava tudo bem, e ela relaxou – E bom... Vocês transassem com ele. O que vocês fariam? – abriu a boca pra protestar, mas eu interrompi – Com um detalhe, vocês estavam totalmente bêbados.
- , você transou com a ? – Ela soltou de uma vez o que eu já imaginava ouvir, apenas assenti balançando a cabeça autistamente – Não acredito!
- , pára! – fez uma carranca a ela e se virou para mim – Se vocês estavam bêbados, você tem certeza que ela se lembra disso? Eu não sou muito de lembrar minhas besteiras quando estou bêbada.
- Eu espero que não. Mas bom, quando eu acordei a camisola dela tava atrás da minha mala, e ela foi me acordar, sendo que ela não dormiu comigo. Mas depois que eu voltei do banheiro a camisola tinha desaparecido de lá.
- A comentou algo sobre isso contigo? – A voz tímida de soou em meus ouvidos, era raro ela falar. Neguei, mordendo meu lábio inferior – Então , acho que ela não tá querendo tocar no assunto contigo.
- Será?
- É uma boa hipótese! – afirmou – É claro que ela não vai querer perder a tua amizade, e sabe que se tu for tão consciente como ela não vai ser nada como antes. Afinal por mais que seja só sexo, às vezes pode estragar tudo.
Ela tinha razão. Pelo menos se a hipótese de estivesse correta, a saberia disso, mas como eu, ela estava com receio que isso interferisse a nossa amizade. E o pior, algo que nós fizemos sem ao menos estarmos conscientes.
- Vocês têm razão. Então vai ser melhor eu realmente esquecer isso – Senti a mão de apertar a minha, de um jeito reconfortante.
- Você vai superar isso, pirralho – Dei língua a ela, e recebi um abraço como resposta. Era minha impressão ou estava com pena de mim? Eu hein.

Acabei dormindo no quarto de , com as meninas, espremidos na cama. Quando eu acordei o sol já estava a pino, o que era um fenômeno raro, já que as probabilidades do sol brilhar com tanta intensidade na minha nebulosa cidade eram quase inexistentes. Elas ainda dormiam ao meu lado. Algo bem mais prazeroso de se ver do que meus amigos dormindo. Elas pelo menos não roncavam que nem um caminhão velho tentando dar a partida. Me levantei com cuidado da cama, tentando o possível para não fazer barulho algum para acordá-las, o que eu consegui com sucesso. Quando cheguei à cozinha, a mãe já estava fazendo o almoço, e sua expressão não era surpresa ao me ver.
- Bom dia – Ela deu um beijo em minha testa e voltou a atenção as panelas a sua frente.
- Bom dia – Respondi, me sentando na mesa. O cheiro que saía das panelas era extremamente gostoso, aguçando meu estômago e fazendo ele roncar.
- Com fome? – Eu assenti. Mamãe pegou um pouco da comida de uma das panelas, parecia estrogonofe, de novo, e botou em um prato pra mim. Comecei a comê-la em silêncio – Então, por que vieram mais cedo?
- Jimmy vai se casar – Dei de ombros e ela pareceu não entender isso como um motivo – e ficaram bravos por ele não ter contado isso antes.
- Então James Barker vai se casar novamente – Ela meditou, perdida em pensamentos – Me lembro quando ele e Emma se casaram, ela estava grávida de , eu tinha acabado de ganhar você! , você chorou durante a cerimônia toda! – Mamãe riu – Mas depois eles se separaram. Emma sempre me surpreendeu, ainda mais quando ela deu a volta por cima devido a tantos problemas. Até em relação à ela me surpreendeu, aceitando ela daquele jeito tão... Materno. Agora Jimmy vai se casar novamente, espero que ele não cometa os mesmos erros de sempre.
Não fazia a mínima ideia de quais eram os erros que ela se referia, mas com certeza eu não iria saber tão cedo. Também não me interessava. Continuei comendo em silêncio, e minha mãe parou de pensar alto. Quando estava terminando de almoçar, três garotas sonolentas apareceram na cozinha.
- Bom dia – , e disseram em coro. Dei um breve aceno com a cabeça.
- Dormiram demais gatinhas – Mamãe serviu cada uma com a mesma quantidade. Comecei a lavar a louça, apenas prestando atenção nelas, ao invés de ficar com os ouvidos na conversa delas, o que era algo nem um pouco interessante; não para mim.
Demorei mais tempo do que precisava ensaboando, só para fazer o tempo passar mais devagar. Só que se irritou com a minha lerdeza e me fez correr da pia, dando o lugar a ela na mesma. Não tinha mais nada pra fazer, afinal domingo era sempre o dia mais tedioso durante a semana.
Fiquei batucando meus dedos pela mesa da cozinha, decorando os sons que eu tinha como resposta. Até que dava uma melodia legal. Acho que fiquei nessa posição durante uma hora, ou menos, porque quando voltei a mim novamente a cozinha já estava vazia, não havia louça no escorredor e muito menos na pia. Fui pra sala, onde tinha algumas vozes que eram feitas pelo barulho da televisão ligada em um filme qualquer. Me deitei no sofá, prestando atenção nele. Era algo de ação, muito sangue e gente correndo pra um lado e para o outro, lanças matando inocentes. O meu tipo de filme preferido. Não estava mais sozinho na sala. Podia ouvir uma respiração a mais. O suspense de quem era foi quebrado quando se sentou no mesmo sofá que eu, deixando minha cabeça caída em suas pernas. Não falamos nada, apenas ficamos vendo o filme em silêncio. Acho que tanto eu quanto ela não sabíamos o que falar um com o outro. Mas até que o silêncio era reconfortante.
Suas mãos enrolavam meu cabelo, me dando sono. O filme na verdade estava começando a perder a graça; as mãos de eram muito melhores. Por fim os créditos começaram a passar na tela, e suas mãos deixaram seu posto original. Suspirei, me levantando e sentando normalmente em seu lado. Continuamos mudos.
- ! – desceu as escadas correndo, sentando sem fôlego no sofá – Oi !
- Oi – Ela sorriu, passando as mãos pelos cabelos, de um jeito que só fazia quando estava nervosa; realmente era muito raro.
- Liga para o ? – Ela pediu.
- Por que eu ligaria?
- Porque você me ama – sorriu animada – Vai, por favor. As meninas também queriam ver o e o .
- Ai , coitada – se meteu na conversa, pegando o telefone que estava na mesinha central da sala e me dando – Não custa nada você pedir para eles virem aqui.
Não há nada que me peça chorando, que eu não faça sorrindo. Disquei os números da casa de , e após três chamadas ele atendeu.
- Hey, dude! – Disse antes dele – A mana está enchendo meu saco para você vir aqui, então não demora beleza.
a minha frente mais parecia um tomate. murmurou um “aham” e eu desliguei na cara dele. Repeti a mesma coisa só que para e , sem nem ouvir se eles viriam ou não. Cinco minutos depois já estava aqui em casa, e quando deram dez minutos e Tom chegaram, já que eles eram vizinhos.
Ficamos sentados na sala, vendo TV e comendo pipoca. estava sentada ao meu lado, e a gente não tinha ainda trocado uma frase se quer depois dela me pedir para ligar pro . Nenhum de nós tinha ainda algo útil pra se comentar. Eu não conseguia prestar atenção no filme, só tentava me concentrar nas cenas, observando os detalhes mais bizarros, como os figurantes atrás, ou as placas de carro. O filme acabou e foi colocado outro no lugar. Continuei com o mesmo esquema do primeiro, apenas prestando atenção nos detalhes insignificantes. Outra coisa que me chamava atenção era a respiração de , que batia muito próxima a meu rosto. Era tão acelerada quanto a minha, e suas mãos que estavam entrelaçadas nas minhas soavam. Olhei para ela pelo canto do olho; tava com os olhos fechados com força, como se quisesse tirar algo de sua cabeça, ou como se algo tivesse doendo. Depois ela mordeu seu lábio inferior, ainda com os olhos fechados. Passei minha mão por sua bochecha e seus olhos se abriram, me olhando.
- Tá tudo bem? – Perguntei. Ela confirmou. deitou sua cabeça em meu ombro, e eu a puxei para um abraço, passando minha mão livre por sua cintura.
O segundo filme por fim acabou, e já estava muito tarde para vermos o terceiro. A sala foi ao pouco esvaziando, primeiro e , depois levou para casa, e subiram para o quarto dela, e eu tentei impedir mas, como sempre, fui ignorado. foi para casa, ela disse que não dava pra dormir aqui hoje, então nem forcei a barra. Subi para o meu quarto e me deitei: dormir era o único remédio quando se quer esquecer os problemas.

Caminhei ao lado de o caminho à escola todo em silêncio. Ele estava concentrado demais ouvindo Green Day no iPod pra tentar puxar algum tipo de assunto. E eu estava concentrado demais em meus pensamentos para tentar puxar algum tipo de assunto. Só me dei conta de que os 10 minutos da minha casa à escola tinham passado quando entrei pelo grande portal de alumínio do meu inferno particular. Encontrei assim que entramos aonde iríamos. , , , e estavam sentados em um banco próximo ao grande corredor dos armários. Me sentei entre e , enquanto sentou ao lado de , que estava vidrada demais em algum dos livros do Harry Potter pra prestar atenção na presença dele. Vaguei meu olhar pelo pátio do colégio, que aos poucos ia virando um formigueiro. Cada grupo ia se enchendo aos poucos. O primeiro a ter sua formação completa foi o dos nerds, depois o dos cientistas retardados. O time de futebol estava quase completo, tirando a falta de suas adoradoras particulares, também conhecidas como “suas garotas hots”. Nesse grupo se enquadra , e sua fiel companheira . Ah, não posso esquecer também de seus dois brutamontes preferidos, Austin e Steve, os dois mais populares do time, o goleiro e o atacante. Austin é conhecido por defender todas as bolas, e Steve é conhecido por acertar todas as bolas. Resumindo, é muito otário quem quiser medir força com os dois. Por isso eles têm todo esse respeito, e também todo esse ódio de qualquer garoto normal. Não guardo qualquer tipo de ódio por eles, afinal eu tenho muito mais que eles. O sinal tocou me despertando de qualquer pensamento estúpido.
- Bom dia classe! – Sr Williams nos cumprimentou empolgado, no mínimo vinha algo como um trabalho para nós fazermos. É difícil ele ter essa animação de manhã – Quero que vocês se juntem em duplas e resolvam as atividades que estarei entregando agora.
Já to pronto pra virar adivinha, ou quem sabe interpretador de expressões de professores pela manhã.
Olhei a cadeira a minha frente vazia. não estava na sala, e não tinha nem sinal de sua presença na escola. Olhei para carteira ao meu lado, já tirava o livro da mochila, folheando as páginas antes mesmo que o professor desse a atividade. Medi os prós e os contras para convidá-la para fazer comigo, e não achei nada que pudesse me fazer desistir. - Tem dupla? – Perguntei. Ela virou lentamente para me encarar, e a demora dela estava me agoniando. olhou pra mesa a minha frente.
- E a ?
- Acho que ela não vem – Então juntou sua carteira com a minha, escrevendo nosso nome na folha recém dada pelo professor.
Comecei a procurar as respostas, lendo as várias páginas do livro. Nada me chamava atenção, eu na verdade não entendia nenhum dos trechos escritos. Eles não eram nada importante, pelo menos eu achava isso. Voltei a atenção a folha das atividades, e já tinha respondido todas.
- Você já acabou? – Olhei incrédulo a folha toda respondida. Como ela tinha feito tudo em menos de dois minutos?
- É, desculpa – Ela sorriu – Eu já sabia todas as respostas.
- Nossa – Sorri amarelo, bem que eu queria ter essa inteligência toda. A sala por um minuto ficou em silêncio, e eu senti um perfume que não estava no ar antes. Levantei meu olhar para mesa do professor e a vi, conversando com ele.
- Tudo bem , espero que não se atrase da próxima vez – Sr. Williams deu uma piscadela a – Pode fazer seu trabalho com a e o .
assentiu e caminhou até nós; a distância era curta comparada à onde ela estava. Ela pegou uma cadeira e se juntou a nós dois. Olhei para seus olhos, eles estavam com olheiras muito arroxeadas e uma expressão cansada, como se não tivesse dormido a noite toda.
- Bom dia sorriu, e ela fez o mesmo – A gente já acabou o trabalho, então só assinar teu nome.
- Tudo bem – Sua voz fraca me preocupou. Mas ela parecia não se preocupar tanto com a sua aparência, e nem com meus olhos atentos a observando.
A aula se arrastou em silêncio, e quando o sinal do intervalo bateu, disparou para rua. Esperei a guardar seu material, e nós dois fomos ao encontro do pessoal no refeitório.
Me sentei na mesa, encarando a bandeja de comida a minha frente. Ela ainda estava intocada, e não me despertava nenhum interesse. Todos ao meu redor conversavam, mas nenhuma conversa era interessante para mim. Nem a conversa de e sobre instrumentos. Desviei meu olhar da bandeja para o refeitório a minha volta, à procura da minha melhor amiga. É claro que ela não estaria ali. nunca estava ali durante os intervalos. Era mais provável econtrá-la no prédio de trás, sendo a comida de alguém. Como ela foi a minha no final de semana. Ainda não acreditava que fiz isso.
- – A voz de me trouxe para realidade novamente – Vem cá, quero falar com você.
- Por que não fala aqui? – perguntou, olhando de mim para ela.
- Vai começar com o ciúme, ? – me puxou pelo braço, ignorando o que dizia. Ela só foi parar de me puxar quando ficamos em um canto vazio do colégio – Queria dizer que você pode contar comigo.
Olhei para ela, arqueando a sobrancelha e não entendendo nada.
- ... – Ela suspirou – Tá estampado na sua testa o quanto você tá sofrendo com isso tudo, e olhe que eu te conheço a pouco tempo. Você, melhor do que ninguém, sabe que pode contar com , mas ela é sua irmã e vai ficar com o ciúme típico fraterno. Você não vai querer falar sobre isso com os meninos, porque com certeza eles vão encher teu saco. E a , bom, ela é toda tímida, não é o tipo de pessoa que se abre muito com alguém! E eu gosto muito de você, apesar do pouco tempo. E estou aqui se você precisar.
- Valeu – Murmurei – Eu acho que preciso de alguém pra falar mesmo.
- Então me conte, ela falou com você hoje?
- Não. Ela tava estranha, mas preferi não tocar no assunto.
- Tudo vai ficar bem, . É só uma crise – sorriu, caminhando comigo novamente até a mesa. nos olhava furioso, mas isso era o que menos importava agora.

Capítulo Oito


E mais uma vez ninguém atendeu o telefone. De certo, Brit e Maggie já deviam estarem fartas de não ter mais desculpas para me dar. Porque o “ela não está” não colava mais. Era impossível que não aparecesse em casa há uma semana. Quando caiu na caixa-postal eu desisti de mandar mais um recado, então joguei o telefone com força contra a parede. , ao meu lado, levou um susto com o barulho, e me olhou com pena.
- Ela não atendeu novamente? – Neguei com a cabeça, e ela suspirou.
- Amanhã eu vou procurá-la! não vai fugir de mim, ainda mais estando frente a frente comigo, nem que eu precise segurar ela pelo braço.
- Eu sinto muito.
- Tá tudo bem, . Amanhã eu converso com ela. – se levantou da minha cama e me deu um beijo na testa, saindo do meu quarto.
Ela tem sido uma ótima companhia durante essa semana. Por mais que e estejam estranhando nossa proximidade, nenhum dos dois veio perguntar o que estava acontecendo. vinha sempre pra minha casa depois da escola, e estava sempre em todas as minhas tentativas frustradas em falar com a . E ela sempre dizia a mesma coisa quando ela não atendia “Eu sinto muito”. Eu sabia que ela sentia mesmo, e ela realmente estava preocupada com isso, tentando em vão me animar, falando que tudo ficaria bem.

Já tava tarde demais pra fazer alguma coisa, então o melhor que eu podia fazer era dormir. Ainda mais com a pressa que eu estava que amanhã chegasse. Joguei todos os pertences da minha cama bagunçada no chão e me deitei. Não conseguia entender como uma amizade de tantos anos pode mudar totalmente em menos de uma semana. Realmente queria saber o que se passava na cabeça dela. E eu acho que estava tão confuso quanto em relação ao que aconteceu. Era isso que eu sempre temi: que se eu não resistisse aos meus impulsos, acabasse me fazendo perder a minha melhor amiga.

chegou atrasada na primeira aula, e quando entrou na sala ela se sentou do outro lado, bem longe de mim. Ela também saiu assim que o sinal tocou, não dando tempo para eu falar com ela. É claro que eu só tinha uma solução: ir atrás dela. Podia fazer isso agora mesmo no intervalo, acho que ela não conseguiria fugir de mim, ainda mais se eu a encontrasse no lugar correto. E só tinha um lugar correto para achá-la. Guardei meu material de qualquer jeito na mochila, e nem esperei para irmos pro refeitório. Até porque eu não ia pra lá agora. Apressei meus passos pelo corredor lotado e fui em direção ao prédio de trás, demorei mais tempo do que precisava pra despistar o inspetor, se ele me pegasse lá atrás eu levaria uma suspensão. Comecei a correr assim que ele foi pra direção oposta da que eu pretendia. O prédio tava vazio, como sempre. Eu me sentei no banco mais afastado da porta número 18: a porta que sempre utilizava. Com o silêncio do corredor dava pra ouvir perfeitamente as vozes de dentro da sala. O que mais predominava eram gemidos. Acho que uns 6 minutos depois a porta se abriu. O professor Williams saiu de lá, ajeitando as calças, e por sorte, não notou minha presença.
- Isso realmente compensa suas chegadas atrasadas, – Ele deu uma piscadela para dentro da sala, e depois saiu. Quando Sr. Williams virou o corredor, eu caminhei até a sala com o máximo cuidado possível para não fazer barulho. Fechei a porta atrás de mim, e fiquei parado, esperando que a figura que se vestia de costas à porta notasse minha presença.
Não demorou muito pra isso acontecer, ela precisou de algumas piscadas para notar que eu realmente estava ali. Não consegui dizer nada, apenas encarava aqueles olhos, e sentia minha respiração aos poucos fraquejar.
- O que está acontecendo com você? – Questionei, me aproximando dela. recuou um passo para trás, encostando na parede.
- Como assim?
- Porra, ! – Exclamei, tentando não perder a linha com a nossa proximidade – Você não retorna as minhas ligações, anda fugindo de mim, e eu sei que você sabe que eu te liguei! Até porque Brittany mente muito mal.
Ela tentou se afastar mais de mim, mas não conseguiu; a parede não permitia. Passei meus braços pela lateral do seu corpo, impedindo que ela fugisse, deixando uma distância muito pequena entre nossos corpos.
- O que eu fiz pra você? – Minha voz saiu atordoada. Eu realmente sabia o que eu tinha feito, mas preferia fingir que não.
- Você não fez nada! – Seu hálito de canela veio contra meu rosto, me atordoando mais – Dá pra me deixar sair daqui, ?
- Não vou te deixar sair até que você me conte o que está havendo! – Minha voz soou mais alterada do que devia, e me olhou assustada, estranhando minha agressividade.
- Você realmente não se lembra do que aconteceu? – Respirei fundo sem saber o que dizer, e hesitei na resposta, deixando ela analisar minha expressão derrotada – Você sabe o que aconteceu, ?
Tirei meus braços e a deixei livre. Podia sentir seus olhos sobre mim, mas eu não consegui encará-los. Não sabia se devia ou não responder, e meu silêncio estava agoniando tanto eu quanto a ela.
- Eu tinha medo de ter essa resposta. Achei que você fosse diferente... – deu uma risadinha nasalada, e caminhou até a porta.
- Eu sou diferente – Sussurrei e ela parou, me observando.
- Como você é diferente, ? Você transou comigo, se você fosse diferente teria me impedido.
- Francamente, – Balancei minha cabeça duas vezes seguidas, tentando não dizer tudo que eu pensava, do tipo que não era eu que era diferente, ela que era, por ser tão baixa a ponto de fazer isso comigo – Não sei se você sabe mas eu sou homem, tá ligada? Acha que é fácil pra eu tentar resistir sempre a você? Eu resisto normalmente sóbrio, mas bêbado é impossível. Eu nunca teria transado contigo se eu não tivesse bêbado. Ah, e me surpreendi em você pensar isso de mim, me conhecendo como você conhece.
As lágrimas se formaram no canto dos meus olhos, e ela notou isso. mordeu o lábio, com os olhos cheios de culpa e tentou me impedir de sair da sala, mas apenas tirei sua mão da minha, bruscamente. Fingi não ouvir as duas vezes que ela me chamou.
Boa parte da escola olhava para mim enquanto eu passava fungando pelo pátio, encontrei rapidamente onde meus amigos estavam, especialmente uma pessoa. Puxei pelo braço até algum lugar que não tivesse ninguém para ouvir, ela não entendia nada, mas também não questionava.
- O que aconteceu? – me perguntou assim que paramos. Apenas a abracei, me abaixando um pouco para encostar minha cabeça em seu ombro e me senti à vontade para chorar em paz. Ela não falou mais nada, só me deixou chorar, e depois contei todo o ocorrido a ela.
- Como ela pode achar que eu sou igual a todos aqueles que comem ela? – Eu grunhi – Me sinto tão culpado de ter perdido o controle.
- , você não teve culpa alguma! – Ela me repreendeu – Pare de se culpar. Você é homem, como você mesmo disse. Foi apenas um deslize, qualquer mulher em sã consciência entenderia aquilo. Ela vai entender, e tudo vai voltar ao normal.
sorriu, totalmente sincera de suas palavras. Eu queria realmente ter a mesma confiança que ela me passava, mas eu não conseguia ser otimista em relação à nossa amizade novamente.

Precisava de algo totalmente útil pra amenizar meus pensamentos. Segunda-feira para mim é um dos piores dias da semana. Além de não passar nada de útil na TV, é um tédio total por suceder o domingo. trabalhava nas segundas a tarde na loja de cd na esquina. Minha outra opção anti-tédio foi anulada assim que pensei nela. Estava definitivamente fora de cogitação passar meu tédio vendo TV com a . Por mais interessante que seja essa idéia, não ia procurá-la. Não enquanto ela não me pedir desculpa. Peguei meu moletom no sofá e fui até a casa de . Após alguns segundos, Emma abriu a porta para mim.
- ! – Ela me abraçou – Entre querido, está lá em cima.
- ‘Brigado – Dei um breve aceno com a cabeça e subi as escadas para o quarto dele. Pelo corredor já podia ouvir o som alto vindo do quarto, algo que me parecia ser... Beatles. Nada mais do que a melhor banda do mundo. Nem me preocupei em bater na porta, com certeza ele não ouviria.
Diferente do que eu imaginava, não ficou surpreso ao me ver. , que estava ao seu lado, ficou mais incrédulo. como sempre sendo a Miss Simpatia veio cheio de amor pra dar apertar minha mão.
- E aí, dude – me cumprimentou, dei um mesmo aceno de cabeça dado há alguns minutos atrás para a Sra. .
Me sentei na cama ao lado de , que pareceu se afastar com a minha proximidade.
- , queria pedir desculpa por ter roubado a daquele jeito hoje.
- Ui, daquele jeito – zoou, taquei uma almofada bem no meio da sua cara – Outch!
- Mas falando sério, – Tentei manter minha voz normal – A tem me dado uns conselhos.
- E por que você não fala com a gente? Pelo que eu saiba nós também temos boca – Ele rebateu.
- Falar com vocês? – Me levantei, rindo irônico – Pra que? Pra vocês ficarem zoando da minha cara?
- Pô, dude – passou o braço pelos meus ombros – A gente é parceiro, cara.
- Realmente duvido que vocês fossem me apoiar, nem a mana faz isso.
- E por que logo a foi fazer isso? – rebateu, novamente. A voz dele era elevada; ele só falava assim quando estava muito chateado.
- Porque ela ficou com pena de mim! – Gritei, muito mais alterado que ele. Passei as mãos pelo cabelo, tentando manter a calma novamente – Tá difícil de entender isso?
Eles ficaram em silêncio apenas me encarando. Eu suspirei, e me sentei na cama novamente.
- ... – hesitou, olhei para ele dando confiança para continuar – O que aconteceu? – Abri a boca para falar, mas ele me interrompeu – Nós somos teus amigos, pode confiar na gente.
e tinham a mesma expressão preocupada que estampava o rosto de . Olhei para os três à minha frente. E um flash do passado dominou minha mente. Nós fomos criados juntos, crescemos juntos, estivemos sempre presentes um nas conquistas e derrotas dos outros. Fomos programados para nascermos juntos, mas e foram os mais precoces, e foi o mais atrasado. nasceu no meu lugar, era pra ser um menino no lugar dela, e a mãe de não tinha marido ainda quando elas engravidaram. Por que eu não confiaria nesses rostos tão familiares? Não havia mais motivos para esconder isso deles, e eles eram meus amigos, não iriam zoar comigo.
Os três esperaram meu longo momento de reflexão em silêncio.
- Eutranseicomasuairmã – Disse tudo embaralhado; os três me olharam estáticos. Claro que eles saberiam de quem eu estava falando, afinal os únicos que tinham irmã aqui eram eu e . E eu não transaria com a pequena Lauren, então só restava a . Continuei em silêncio, observando os seis olhos espantados me olhando. Daria tempo suficiente para que eles dissessem alguma coisa. Depois de alguns minutos, relaxou a expressão adquirindo uma de “aleluia”. me preocupava.
- Quando isso? – Por fim ele quebrou o silêncio.
- Depois da festa de sexta – Engoli em seco quando eu o vi se levantar, andando em círculos – eu sinto muito. Eu tava bêbado, você viu! E ela apareceu lá no quarto... Ela também tava bêbada! não devia nem ter ideia do que fazia, e eu não resisti.
- , você não pode cobrar do . Ele sempre se esforçou pra respeitar a sua irmã – se levantou, sacudindo pelos ombros para ele prestar atenção. estava estático, sem reação alguma – , você tá me ouvindo?
- Estou – balançou a cabeça autistamente, e olhou para mim – Tudo bem , espero que faça ela feliz.
Suspirei, me jogando na cama. Os três estranharam minha reação; no mínimo esperavam que eu tocasse sininhos.
- O que foi agora, dude? – perguntou.
Dei outro longo suspiro antes de começar.
- Não entendo a cabeça das mulheres, sabe? – Dei uma risada irônica – Primeiro, ela me procura, me faz perder todo o autocontrole que sempre batalhei pra não perder, e depois... Depois ela fala que achava que eu era diferente! E ainda veio com um papo de que se eu fosse diferente teria impedido ela.
- Realmente, não dá pra entender elas – se jogou na cama ao meu lado – Qualquer pessoa com sanidade notaria que você é diferente só pelo jeito que olha pra ela. , você mede até os olhares quando trata dela. Nada que fique entre o pescoço e os joelhos são permitidos pro seu campo de visão.
- Concordo com o disse rindo – Sabia que isso um dia ia acontecer. Só que ela realmente surtou falando isso.
- nunca foi bem das ideias – disse, se jogando ao lado de – Lembra aquela vez que ela cortou o próprio cabelo porque tava achando ele feio? – Eu ri lembrando a cena. Lembro de ouvir a tia Emma gritar e e eu fomos correndo ver o que aconteceu, quando chegamos no quarto de metade do cabelo dela tava no chão, e ela segurava uma tesoura na mão com uma cara sapeca.
- sempre teve ciúme de vocês dois – para completar, se jogou na cama ao meu lado, e ficamos nós quatro deitados de barriga para cima observando o teto – Ele dizia que a roubou o amigo dele, que agora vocês não se desgrudavam. Sempre uma criancinha mimada.
- Claro, bateu os olhos na e não conseguia mais desgrudar dela. Pareciam colados um no outro, até hoje é ainda assim – Corei automaticamente ouvindo dizer isso.
- Mas dude – pigarreou – Nós estamos aqui para o que você precisar.
- Valeu.
Era bom ter meus amigos por perto. Nenhuma garota seria alguma coisa comparada a eles. Nenhuma garota exceto , óbvio. Afinal ela era tão importante quanto eles na minha vida.



Capítulo Nove


Pela primeira vez durante as duas últimas semanas os caras não estavam junto com as meninas quando entramos na escola. só tinha ficado com a , e se pegavam de vez em quando (lê-se: quase nunca, ou quando não tivesse olhos observando), nada muito sério, o que não mudava o fato de e , e não se separarem. e nos esperavam em um banco próximo a entrada do colégio, enquanto , e estavam em um banco mais próximo as salas de aula. Ambos grupos emburrados.
- Qual é o motivo do bode, dudes? - perguntou, pra matar a minha curiosidade.
- A sua irmã - apontou pra mim - Surtou.
- Ih, então as irmãs tão tudo surtando? - Eu gargalhei, e fechou a cara para mim - Desculpa. O que a fez dessa vez?
- Você sabe que ela vai no show do Blink, né? - Assenti - Então, ela decidiu dar um passe livre de culpa nesse final de semana. Tipo aquele do American Pie.
- E pra que ela fez isso? - Perguntei incrédulo, e depois olhei pra - Ah, não vai me dizer que ela fez isso porque acha que vai ter alguma chance com o DeLonge?
- E o pior, até a entrou nessa achando que teria uma chance também com o Mark - Olhei de para . Eles não negaram a parte de que ela fez isso porque acha que vai ter uma chance com eles; é ironia demais.
- E vocês ainda tão reclamando? - riu da cara deles - Se elas deram isso pra vocês por que não aproveitam?
Os dois se entreolharam, e depois um sorriso pervertido estampou o rosto deles.
- Não tinha pensado nisso - bateu na própria testa - , tem alguma festa esse fim de semana?
- Não que eu saiba - A expressão pervertida dele se desfez.
- Hey, garotos! - Steve passou os braços pelo meu ombro e pelo de , se enturmando entre nós, Austin ficou no meio de e , fazendo o mesmo - Tão afim de uma festa final de semana?
- Você leu nossos pensamentos, Steve? - riu, parecendo muito intimo dele.
- Na verdade não, - Ele disse cabisbaixo - Mas eu posso oferecer hoje uma festa a vocês com bebida e entrada de graça e as melhores mulheres de Londres!
- E qual o motivo da festa? - se animou quando ele disse a palavra mulheres.
- Estou ficando mais velho, cara. As bebidas são de graça, mas as mulheres não. Até porque será numa boate, então economizem suas graninhas para se satisfazerem por uma noite. - Ele tirou seu braço do meu ombro e eu relaxei - Espero vocês lá... E a propósito, vai ser na boate do meu pai. Sabe a onde é né, ?
- Claro - sorriu. Eles então saíram, nos deixando sozinhos novamente - Ouviram isso? As melhores mulheres de Londres estarão lá! E a gente não vai pagar a entrada. E ainda vamos poder entrar sem sermos barrados por sermos menores.
- O pai dele tem uma boate? - Perguntei. Essa parte foi a que mais me chamou atenção.
- Você não sabia disso? - Balancei a cabeça negativamente. abriu um sorriso animado que me deixou cego - De strip-tease ainda. O pai dele é o cara, dude.

Eu não sabia que roupa botar pra ir a uma boate. Ainda mais uma de strip-tease. Optei por uma camisa normal, uma calça normal, e meu tênis diário. Afinal até o final da noite minhas roupas estariam no chão, e elas não seriam importantes. Por sorte - e põe sorte nisso - eu tinha meu cofre de economias, e tinha dinheiro lá dentro o suficiente para a noite. Acho que até sobraria, não faço a mínima do quantos se gasta nisso. Enchi minha carteira com cartelas de camisinhas, não quero pegar nenhuma DST e dei a primeira desculpa pra mãe: vou a uma festa e não sei se volto. Ela sempre confiava em mim, então não me perguntou a onde seria a festa e aonde eu dormiria. Só pediu para mim ter cuidado e não beber demais. Já comentei que eu amo a minha mãe?
Além do mais ela me emprestou o carro dela, um Hyundai Tucson preto. Parei na frente da casa de , buzinando. Dois minutos depois ele me apareceu.
- Desculpa a demora, a mãe quase não me deixou vir.
Isso que dá ele ter apenas 16 anos. A Sra. sempre o proíbe de certas coisas.
- Qual foi sua desculpa? - Perguntei a ele, fazendo a curva para a casa de ou de , tanto faz, eles são vizinhos mesmo.
- Que iríamos a uma festa, e talvez dormisse lá. Falei que era na casa de um colega dos meninos, daí era melhor nós dormimos lá do que vir para casa, bêbados.
- Menino esperto - Ele sorriu, gabando-se - Trouxe dinheiro?
- Claro! Minha mesada mensal, será que dá?
- você ganha de mesada duas vezes mais do que eu, claro que dá - Parei na frente da casa dos dois, metade do carro em cada quintal e depois buzinei. e entraram no carro, se sentando atrás.
- Ué, tão sem carro? - perguntou.
- Meu pai não quis emprestar - disse bravo, fez “dois” com a mão.
me guiou o caminho todo até a boate, uns vinte minutos depois estávamos estacionando o carro. Na entrada Steve estava recepcionando os convidados, com duas mulheres ao seu lado.
- Bem vindos ao paraíso, caras - Steve nos cumprimentou, dando espaço para nós entrarmos. As duas garotas olharam para nós de cima a baixo, com um olhar pervertido. Não resisti de fazer o mesmo checape com elas, eram extremamente gostosas - Se divirtam!
Claro que sim. Que duvida ele tinha nisso? Entramos na boate admirados. Havia mulheres em todos os lados, a maioria quase nuas. Boa parte dos alunos do nosso colégio tavam lá, muitos já abraçados com suas respectivas garotas da noite. Nenhum dos rostos femininos eram conhecidos pra mim. Todas maduras, com um corpo esculturalmente divinos. Estar naquele ambiente era excitante demais. Qualquer uma daquelas podia ser sua, era apenas preciso dar algumas notas em troca. Qualquer homem surtaria com isso. Quando olhei a minha volta nenhum dos meus amigos estavam ali. Fui em direção ao bar, nada melhor que uma pitada de álcool no sangue pra me fazer ter coragem.
O que me surpreendeu é que até o barman era uma mulher. Mais correto então seria uma barwoman?
- Deseja alguma coisa? - Sua voz provocante cantou em meus ouvidos. Dei uma bela olhada nela atrás do balcão. Estava apenas de lingerie.
- Er, uma vodka - Ela sorriu, me entregando alguns minutos depois o copo - Valeu.
Ela me olhou com uma cara de “posso fazer muito mais que isso”. Mas eu resisti ao impulso de comer a primeira que aparecesse na minha frente. Tinha muito que aproveitar ainda, ou achar uma bem melhor que essa.
Eu fui pra pista de dança, onde milhares de mulheres dançavam uma com as outras. Senti um braço na minha cintura, e depois alguém me puxou para dançar. Olhei para o corpo a minha frente, como todos os outros estava quase nu. Passei minha mão pela sua cintura, descendo mais um pouco sem me importar a onde pegava, até porque eu duvido que ela vá se sentir ofendida.
Ela roçava seu corpo no meu, fazendo questão de passar sua mão por lugares indevidos. Me provocando ao máximo. E até que eu estava gostando, quem não gostaria?
Acho que depois de um bom tempo se agarrando comigo - agarrando sem encostar nossos lábios - ela decidiu falar alguma coisa.
- O que acha de um quarto?
Olhei o relógio no pulso, estava cedo demais para ir pra um quarto. Apenas neguei e ela saiu, me deixando com uma cara pateta observando ela se distanciar.
Resolvi dar outra volta. Tinha um lugar que de longe estava chamando minha atenção, um balcão em particular, com várias garotas em cima, dançando sensualmente conforme a batida da música. Demorei certo tempo até chegar no destino, mas não me arrependi nenhum pouco, só de ficar observando aquilo já era muito satisfatório.
Apaga o que eu acabei de dizer.
Um choque de realidade tomou conta do meu corpo assim que uma das garotas virou-se de frente para me encarar. Ela era tão bonita como qualquer uma das várias no balcão, mas ela era especialmente mais bonita, mais atraente e mais gostosa. Eu tinha certeza que era ela porque não tinha quantidade de álcool suficiente no meu corpo pra fazer uma alucinação tão perfeita.
Seus olhos ficaram colados aos meus, mas ela continuava a dançar normalmente, como se eu fosse um qualquer. Era isso que eu era para ela agora, esqueci disso.
Se eu era isso, tinha que tratá-la como ela fazia jus.
Me aproximei do balcão, na direção dela. Depositei cinquenta libras na sua cinta liga, e ela me olhou espantada.
- Você vale mais do que cinquenta libras? - Perguntei, botando duzentas libras de uma vez. Metade do meu dinheiro mensal com certeza era suficiente por uma noite com ela.
Ela desceu do balcão meio contrariada e me levou até um corredor escuro, com várias portas em todos os lados por onde passávamos. Subimos dois lances de escadas, e eu já estava eufórico. Eufórico e ansioso, confesso. E quando ela parou na porta de um quarto, entrando nele foi o suficiente pra eu sentir meu corpo totalmente dormente, e o tesão se instalar por mim. Posso não ter feito nada ainda, mas estou a ponto de deixar qualquer instinto falar mais alto. E que se fodam as conseqüências. Eu só queria tê-la novamente.



Capítulo Dez


Posso fazer muito melhor do que deixar o desejo me possuir. Eu posso ser cruel.
Sentei-me na cama, e ela parou em frente a mim. Comecei a desabotoar botão por botão da minha camisa. Seus olhos não desgrudavam dos meus movimentos.
- O que você está fazendo, ? – Por fim, ela quebrou o silencio.
- Desculpa, mas eu não sei o seu nome – sorri irônico a ela – Qual seria teu nome de guerra?
- Candy – murmurou.
- Então, Candy? – Perguntei, divertido. Ela ainda não entendia nada – Quanto devo pagar por uma noite toda com você?
- Ao todo são 400 libras – peguei o dinheiro de minha carteira, por sorte tinha trago 500 libras. Depositei as 150 libras que faltavam junto com a outra parte já dada, acariciando sua coxa depois.
Então ela se soltou mais. Notou que eu estava fazendo como qualquer um fazia e deve ter decidido fazer seu papel. Candy – vou chamá-la assim pela noite – me deitou na cama, sentando em cima dos meus quadris, com cada perna por um lado do meu corpo. Ela subiu sua boca até meu ouvido, mordiscando minha orelha e desceu para minha nuca, dando vários chupões pela região. Fechei os olhos sentindo meu coração acelerar com o toque dela pelo meu corpo.
Mas eu tinha um plano muito melhor que esse, e o botaria em ação.
A empurrei de cima de mim, deixando-a cair ao meu lado na cama. Depois me ajeitei de baixo da coberta, e me preparando para dormir.
- O que foi? – Ela questionou, abismada.
- Vamos dormir. Paguei por você essa noite, mais não disse o que iria fazer. Por tanto deita aqui – apontei pro vazio ao meu lado na cama – E durma.
- Mas... – A interrompi.
- Sem mais nem menos, você não tem o direito de reclamar.

Acordei no meio da madrugada, olhando no relógio. Ainda marcava 2:12 hrs. Devo ter dormido por uma hora no máximo. Tateei minha mão pela cama, e encontrei o espaço ao meu lado vazio.
- Estou aqui – a voz de soou no quarto. Sentei-me na cama para poder observá-la, ela estava sentada na poltrona em frente à cama, com as pernas no braço da mesma – ...
- Que foi? – Tentei manter minha voz firme, e parecer sério. Ela abriu um sorriso, e eu não consegui me aguentar, acabei sorrindo também.
- Desculpe – o sorriso sumiu do seu rosto – Eu fui uma idiota em pensar aquilo de você.
Olhando diretamente a seus olhos, apesar da pouca claridade do ambiente, podia notar as lágrimas descendo por eles. A chamei com a mão e ela veio até mim, se sentando ao meu lado. Passei meu braço por sua cintura, abraçando-a.
- Me desculpe também, eu não devia ter perdido o controle.
- Eu não podia cobrar isso de você, . Eu que te provoquei, você apenas caiu em algo que qualquer um cai – ela apontou pro próprio corpo. Na verdade era difícil qualquer homem não se perder olhando aquelas curvas – Você é realmente diferente.
- Demorou pra se tocar disso, hein? – sorriu, foi mais um pedido de desculpa do que um sorriso.
- Confesso que gostei daquele dia – senti sua voz hesitando, como se não devesse dizer aquilo.
- Eu também. Sei lá, foi diferente? – Questionei para mim mesmo. levantou da cama, ficando na minha frente, não consegui tirar meus olhos de seus seios, até porque eles estavam bem na reta de meu olhar.
- Foi especial – ela concluiu, me fazendo assentir – Acho que você tem mais algumas horas para aproveitar...
Hesitei por um momento, medindo os prós e os contras. Só que eu já havia feito isso uma vez, cometer o mesmo erro pela segunda vez traria as mesmas conseqüências. Mas ela parecia querer tanto isso como o meu corpo, então por que não fazer?
Puxei pela cintura, fazendo-a se sentar em meu colo.
- Você não vai me julgar de novo por causa disso? – Ela negou – E isso vai acontecer com a Candy ou com a ?
- Com quem você prefere? – sorriu pervertidamente. Arranquei a cinta liga de sua coxa, tomando cuidado para não rasgar o dinheiro, jogando-os no chão.
- Eu prefiro você – colei meus lábios no dela, procurando vorazmente por sua língua. Ela me correspondeu da mesma maneira, não conseguindo ocultar o mesmo desejo que eu sentia por aquilo. Pra ser mais sincero, a mesma necessidade que eu sentia por aquilo.
Deitei-a na cama, caindo por cima do seu corpo já quase nu. Eu estava totalmente em desvantagem. também notou isso, passeando sua mão pela minha barriga parou na fivela do meu cinto, abrindo ele com facilidade. Minha calça caiu assim que o cinto foi tirado, e ela estava jogada em qualquer parte do quarto alguns segundos depois.
engatinhou até a cabeceira da cama, e eu a segui parando na sua frente. Ela encostou suas costas na mesma me puxando para mais perto, quase fundindo nossos corpos. Deixei suas pernas na lateral do meu corpo, e arranquei as suas meias transparentes vermelhas, logo elas já estavam em qualquer lugar do quarto. Com muito esforço consegui abrir o espartilho que ela vestia, revelando seus seios. Subi meu olhar deles até as esmeraldas que eram seus olhos, e me fitava tímida, algo que eu pensei que ela nunca seria, não fazendo uma coisa que ela devia ser tão acostumada a fazer.
Nossas peças íntimas já estavam no chão alguns minutos depois, espalhadas em qualquer lugar do quarto. Não consegui ter qualquer reação, apenas deixei meus olhos vagarem pelo seu corpo nu. Minha respiração estava ofegante e meu coração esqueceu que devia bater. Este era um dos momentos que queria guardar pra sempre em minha memória.
- ? – sussurrou, me acordando do transe – Algum problema?
Abri um sorriso de orelha a orelha quando ouvi sua voz, e neguei. Não havia nenhum problema, eu só estava tão, tão, feliz. Acho que felicidade é a palavra certa. Abri a gaveta do criado mudo ao lado da cama e retirei um preservativo de lá. Devia ter mais de 50 dentro daquilo. Não consegui abri-lo, então o tirou da minha mão, fazendo o serviço.
- Você tem certeza disso? – Questionei antes de penetrá-la. não me respondeu, apenas grudou seus lábios nos meus. Considerei aquilo como um sim. Um gemido escapou por sua garganta quando me sentiu dentro dela.

Meu celular tocava em algum canto do quarto. Abri meus olhos sem muita vontade, mas assim que a vi dormindo como um anjo ao meu lado foi o necessário para que qualquer vontade entrasse no meu corpo. Procurei o aparelho irritante que ia aumentando o volume conforme o tempo passava e achei minha calça ao lado da cama, com o dito cujo no bolso.
- Alô? – Atendi meio sonolento ainda.
- , aleluia! – berrou, me fazendo tirar o celular do ouvido – A onde você ta?
- Em um quarto, e você?
- Estou no carro te esperando. Os caras estão todos aqui, só falta você. A gente tem que ir pra casa antes que minha mãe me mate.
- Tudo bem, vou me vestir e encontro vocês daqui a 5 minutos – desliguei o celular, procurando as minhas outras peças de roupa. Quando estava vestido fui até a cama, avisar a que estava saindo.
Mas ela dormia que nem uma criança, e eu fiquei com pena de acordá-la. Achei no banheiro um batom, e tive a brilhante idéia de deixar um recado para ela. Cortei uma boa parte do papel higiênico e escrevi nele com o batom:
Fiquei com pena de te acordar. Tive que ir embora porque a tia Emma já está preocupada com . Vejo você na escola. xx, .
Deixei o pedaço de papel junto com a sua roupa no sofá. Com certeza ela veria.

Capítulo Onze


- Mãe, to indo pra casa do . – Gritei do primeiro degrau da escada. Minha mãe apareceu no corredor, descendo as escadas para vir falar comigo.
- O que houve com a e o ? Ontem ele saiu pra festa com você e ela não foi junto. Achei muito estranho. – Ela me olhou preocupada.
- A mana e a deram para o e pro um passe livre de culpa – dei de ombros – Elas acham que os carinhas do Blink 182 vão dar bola para elas.
- , , ... – Mamãe rolou os olhos, dando um beijo na minha testa antes de subir a escada.
A porta da casa de já tava aberta, mas ouvi alguém berrar de dentro para eu fechá-la. Entrei pela casa acompanhando o som das risadinhas pra saber a onde eles estavam e os achei na sala de televisão jogando vídeo game.
- Agora é minha vez! – Lauren bateu o pé, parando na frente da televisão e não deixando e jogarem – Para , eu quero jogar!
Ele parou meio contrariado e dei o controle para a menina, que sorria animada. Lauren devia ter uns quatro anos, mas tinha uma personalidade forte. E sempre obedecia as suas vontades. Sentei-me ao lado de no sofá, assistindo os dois jogarem.
- Porra, tem certeza que a sua irmã não é uma anã disfarçada? – se levantou irritado por ter perdido pra Lauren na corrida. Ela sorria angelicalmente para ele.
- Você que é burrinho – deu língua a ela, parecendo uma criança que não sabe perder – Quem quer jogar comigo agora?
- Vamos ver se você ganha do , o maioral – levantou, estufando o peito e se sentou no lugar antes ocupado por .
Os dois demoraram um bom tempo pra ver quem ganhava, quando ultrapassava Lauren, ela voltava a ocupar a posição novamente, deixando ele em segundo lugar. Mas ele parecia não desistir. e já estavam ao lado dele, torcendo contra Lauren. Fiquei apenas sentado assistindo, os três pareciam ter a mentalidade pior que a dela.
- Ganhei! – Lauren comemorou após alguns minutos de batalha, dando língua para que fez um bico enorme – Quer jogar, ?
- Pra perder de você? Não, obrigado – ela gargalhou do que eu disse.
- Lauren? – Sra. entrou na sala arrumada – Oi garotos.
- Oi tia – Respondemos em coro.
- Venha querida, vamos ir visitar a vovó. , eu chego amanhã. Se comportem meninos – ela deu um beijo na nossa testa, e depois saiu com Lauren. O padrasto de Dougie desceu as escadas, e deu um aceno para nós, saindo em seguida.
Esperamos o motor do carro ligar para comentarmos sobre a noite anterior.
- Cara, o que era aquilo? Foi bom demais – disse animado, não preciso comentar que foi o primeiro – Nunca fui a uma festa tão boa.
- Concordo – se sentou novamente ao meu lado no sofá – Desculpa , mas eu me vinguei da sua irmã pegando oito mulheres na festa.
- Você foi pra cama com oito? – perguntou e assentiu – Você é o cara, Mr. .
- Eu peguei só cinco – fez uma cara decepcionada pela revelação de – Mas todas valeram à pena.
- Eu perdi a conta depois da segunda – riu – Eu tava bêbado demais pra contar.
Eu não me manifestei, apenas prestei atenção, deixando minha mente vagar na noite anterior. Pra ser mais preciso, nos acontecimentos depois das duas e pouco. O corpo dela, o sorriso, os gemidos abafados por causo dos beijos intermináveis, o efeito que ela causara em mim...
- E você, ? – me acordou do transe – Não contou nada ainda.
- Talvez porque não tenha nada de bom pra contar – dei de ombros. Eles não acreditaram na minha desculpa esfarrapada – Vocês são uns chatos.
- Qual é , tá com vergonha? – me desafiou.
- Só fiquei com uma – disse, mas eles queriam mais do que isso – E foi bom demais, muito melhor do que ter ficado com várias.
- Então ela era boa? – continuou com o mesmo tom de voz.
- Boa não, ela era ótima! – Sorri me lembrando de seu rosto, em especial seus olhos – Valeu ter gastado 400 libras com ela.
Eles me olharam espantados, e eu dei meu melhor sorriso empolgado. Claro que eles achariam estranho isso, mas não falaria quem tinha feito minha noite valer tão a pena.
- Acho que o venceu – disse derrotado – Só pela cara dele dá pra falar que a garota dele foi melhor do que as nossas.
- Com certeza – murmurei, voltando minha atenção ao vídeo-game. E eles desistiram de falar sobre isso.

A tarde passou rápida. Nós ficamos por um bom tempo jogando vídeo-game, depois vimos alguns jogos de futebol, depois alguns filmes de terror e quando paramos sem ter mais nada para fazer já marcava mais de dez horas da noite.
- To indo pra casa – me levantei do sofá, espreguiçando para esticar todos os músculos.
- Não vais dormir aqui? – perguntou.
- Não, a mãe ta sozinha em casa – eles pareceram entender, então me despedi e fui para casa.
O lado bom de ir para casa de é que minha casa ficava a alguns metros de distancia. Então nunca era tarde demais para sair da casa dele e ir para minha. Não existia nenhum caminho perigoso.
Bati na porta do quarto da mãe, avisando que eu já estava em casa. Ela me desejou boa noite e eu fui dormir. Até porque a noite anterior não supriu minha necessidade de oito horas de sono.

Eu realmente estou numa fase que vou matar quem inventou o celular. Porque ainda ta pra ser inventado um aparelhinho tão irritante que tem mania de me acordar. Meu celular tocava freneticamente, tendo que me fazer levantar para atendê-lo. Olhei no visor e não conhecia aquele numero, mas resolvi atender.
- ? – A voz do outro lado da linha foi mais rápida do que a minha capacidade para falar alô.
- Sim. Quem é? – Minha voz saiu meio embaraçada devido ao sono. A pessoa não pode reclamar se não entender o que eu disse, quem mandou me acordar?
- Ai ! Ainda bem que eu consegui falar com você – a pessoa parecia soluçar, consegui identificar uma voz feminina – É a .
- Ah, oi . O que aconteceu? – Mais soluços do outro lado da linha.
- Eu juro que não pude fazer nada! – Ela exclamou – Quando eu vi o carro já tinha capotado, e só deu tempo pra eu chamar a ambulância. E Austin... Ai Austin – Ela pareceu desabar a chorar – Austin não resistiu! E ela, bom... Ela ta no hospital. Ela tem que ficar bem.
Fechei meus olhos, me sentando na cama novamente, assim seria melhor para quando eu tivesse a resposta a minha pergunta.
- Ela quem?
- A – o telefone escorregou da minha mão, caindo no chão com um baque. Ouvi ainda gritar do aparelho – ? Você ta ai?
Depois de alguns segundos de choque eu peguei o telefone novamente, não conseguindo mais segurar as lágrimas que se formavam.
- A onde ela tá? – Minha voz falhou devido aos soluços vindos da minha garganta – Fala !
Então ela me passou o endereço e eu desliguei na sua cara. Deixei um bilhete com a caligrafia ilegível para minha mãe decifrar e peguei seu carro, indo para a clínica escrita no papel.
Ainda bem que as ruas de Londres estavam vazias àquela hora da manhã, ou madrugada quem sabe. O sol começava a dar seu sinal de existência no horizonte, mas as luzes das ruas ainda estavam acesas. Ganhei a batalhada contra minhas lagrimas, impedindo que elas caíssem, porque caso isso acontecesse eu não ia conseguir parar tão cedo. O tempo se estendeu do caminho de minha casa até a clínica, e quando cheguei lá o sol já brilhava mais do que antes.
- Por favor, a onde está ? – Perguntei a uma mulher da recepção.
- Só um minuto senhor, vou verificar – ela me respondeu com uma voz tediante, como se não agüentasse mais ficar ali sentada – Srta. foi encaminhada para a UTI, e por enquanto ela não pode receber visitas. Se o senhor quiser aguardar quando tivermos alguma noticia delas iremos procurá-lo.
- Tudo bem, a onde eu posso ficar?
- Vou encaminhá-lo até a sala de espera. O senhor podia responder algumas perguntas sobre a paciente? Os acompanhantes dela estavam muito nervosos e não sabiam algumas respostas.
- Claro – Ela me entregou a prancheta. Respondi todas as perguntas, na verdade sabia todas. Desde seu tipo sanguíneo até os medicamentos que ela tinha alergia.
- Me acompanhe, por favor – ela se levantou do balcão, me levando até a tal sala de espera – Assim que tivermos noticias um médico virá procurá-lo.
- Obrigado – murmurei e ela sumiu da sala. Passei meu olhar pelo ambiente, mas eu estava sozinho. Tinha uma maquina de café ao meu lado. Cafeína parecia muito agradável para mim. Levantei-me e enchi um copo, bebericando ele aos poucos.
Esperei por mais de uma hora, e quando a porta se abriu o sol já tinha ocupado seu devido lugar no céu.
- Sr. ? – Ouvi uma voz feminina me chamar, levantei a cabeça para vê-la – ?
- Amy! – Exclamei aliviado ao ver que era ela – Você trabalha aqui?
- Sim, por enquanto estou estagiando com um dos grandes médicos – ela sorriu – Então, pronto para ver a ?
- Fico feliz por saber que você é a médica dela. Vai me dizer toda a verdade, não é? – Questionei e ela sorriu novamente.
- Tudo que você quiser saber – ela me guiou para fora da sala, passando por mim por um vasto corredor branco, chegando até o elevador, ela apertou o botão do terceiro andar – Na verdade, quando eu vi que era a na maca pedi para auxiliar o Dr. Johnson que é o médico dela.
- E como ela está? – Perguntei de uma vez. Amy suspirou, com um olhar triste.
- Bom, a teve um traumatismo crânio-encefálico, e ela está em coma. Como ela já foi tratada assim que aconteceu o acidente, eu posso dizer que há chances de ser um traumatismo considerado leve. Pode ter alguma seqüela, mas eu espero que não venha a acontecer. Por enquanto é só isso que tenho para dizer, mas logo que me deram mais informações te avisarei, prometo. – Paramos em frente a uma porta de vidro com uma faixa escrita UTI de vermelho. Pude ver várias macas dentro, a maioria vazia, e caminhamos até o final das fileiras e ela apontou para a última cama a direita – Vou deixar vocês a sós.
Caminhei o mais devagar possível até sua maca, e parei em frente a ela. E estava lá.
Vê-la daquele jeito em minha frente, totalmente desacordada, com parte do seu lindo rosto desfigurado era totalmente frustrante. Queria poder tocá-la, mais tinha medo que meu toque machucasse sua pela já sensível com todos os acontecimentos. E pela primeira vez eu notei o que eu realmente sentia. Algo que eu confundi com a amizade durante todos esses anos. A hipótese de ver longe da minha vida fez meu coração acordar. O que eu sentia por ela nunca foi apenas amizade, sempre foi amor. O mais puro dos amores. Eu a amava porque ela sempre fora a melhor companheira, ela sempre foi a minha menina. Eu era seu porto seguro, como ela era o sol que iluminava meus dias nublados. E ficar sem ela nessa cogitação era impossível.
Queria que seus olhos esmeraldas abrissem novamente para eu poder por fim dizer o que eu sempre quis: Eu te amo, e quero você pra sempre, de um jeito diferente de todos.
Mas era idiotice demais imaginar que isso aconteça. Pela quantidade de aparelhos que estavam espalhados por seu corpo já matava qualquer esperança em que seus olhos se abrissem, que eu visse um sorriso fluir em seus lábios.
Toquei em sua mão, talvez uma das únicas partes de seu corpo a mostra que não estava machucada.
- Você vai ficar bem! – Sussurrei, me certificando disso, dando coragem a mim mesmo sobre isso – Eu vou estar aqui com você.
Ouvi passos se aproximando de mim, Amy passou uma de suas mãos pelo meu ombro.
- , a gente precisaria que você falasse com algum responsável dela. Porque a é menor de idade.
- Não avisaram a Maggie que ela está aqui? – Amy negou – Vou ligar para ela então.
- Tudo bem, se conseguir falar com o Jimmy a gente pode passar ela para um quarto próprio, sem precisar ficar aqui. Posso fazer o possível pra isso acontecer.
- Vou pedir para ligar para ele, com certeza seria melhor ela ficar sozinha.
Voltei para a mesma sala de espera, Amy me deu um telefone sem fio para fazer todas as ligações. Primeiro liguei para , acordando ele e os meninos. falou que já ia ligar para o pai, e depois estaria aqui. Depois liguei para Maggie, que não atendeu o celular, então tentei o de Brittany, que atendeu após o segundo toque. Brit disse que já estava vindo para cá, e ia falar com Maggie. Quase me esqueci de avisar a minha mãe, com certeza ela ainda não tinha sentido a minha falta, mas era capaz dela não entender o que eu escrevi no bilhete. Pedi para ela não se preocupar e ficar em casa, que quando for possível eu iria pegá-la para ela ver .
Os caras chegaram meia hora depois da ligação. Jimmy já tinha entrado em contato com a clínica e disse que bancaria tudo para a filha, então estava sendo transferida para um quarto, saindo da UTI. Amy me certificou que ficaria tudo bem, e que estava fazendo o possível para manter a situação dela instável. Valia mais a pena deixá-la instável, incapaz de se comunicar com ninguém, do que perdê-la. Assim que foi acomodada no novo quarto, o médico permitiu a entrada de visitas. Entramos de dois em dois. Primeiro e , depois eu e . Seu estado continuava o mesmo que algumas horas atrás, ela ainda estava toda machucada e apagada. A quantidade de aparelhos parecia ter aumentado. Sentei-me na cadeira de frente a cama, entrelaçando nossos dedos.
- Eu sinto muito, dude – sussurrou, colocando uma mão sobre o meu ombro.
- Ela vai ficar bem, ela precisa ficar bem – uma lágrima inesperada escapou, descendo minha bochecha com velocidade, logo várias seguiram seu caminho. me puxou para um abraço.
- Calma, – ele pediu, meio embolado com as palavras – A vai se recuperar.
- Licença – uma enfermeira entrou na sala – O tempo de vocês acabou, agora tem mais duas visitas para entrarem.
Eu assenti meio zonzo, ainda não entendendo quem seria. Quando passei pelo corredor vi Maggie e Brit, ambas com os olhos vermelhos. abaixou a cabeça, passando reto por elas, eu parei em frente a elas.
Maggie me lançou um olhar piedoso, cheio de ressentimento. Sorri fraco a ela, tentando lhe passar confiança. Brit segurou em sua mão, e sorriu para mim, quase o mesmo sorriso que eu dei a Maggie, só que mais confiante que o meu. E as duas entraram no quarto. Voltei novamente à sala de espera, estava com a cabeça entre os joelhos, e segurava um copo d’água para ele. Sentei-me em silêncio ao seu lado, olhando meus pés. Tentei tirar qualquer pensamento que tivesse a ver com a da minha mente, pensando em coisas aleatórias como comida, guitarras, músicas, cidades, férias, escolas e derivados.
- ... – Ouvi me chamar preocupado, olhei para ele meio sem vontade – Você tem que ir pra casa descansar.
- Eu to bem – menti tão mal que meu estomago roncou de fome em seguida. Já estava escurecendo, os meninos já tinham ido para casa comer e tomar banho, mas eu preferi ficar aqui.
- não ia gostar se soubesse que você não estava vivendo por causa disso – usou aquela desculpa clichê. Suspirei derrotado e ele abriu um sorriso vitorioso. Até parece que foi a desculpa dele que me causou isso. A vontade de ficar sozinho era muito maior.
- Vamos pra casa, dude. Amanhã você volta – se levantou, e eu entreguei a chave do carro para ele, não estava com humor para dirigir.
respeitou meu momento de silêncio, ficou mudo o caminho todo. Realmente foi uma surpresa isso. Desde quando conseguia ficar quieto por muito tempo?
- O enterro de Austin vai ser amanhã – hesitou tocando no assunto. Tinha me esquecido que Austin, o parceiro de no acidente, não resistiu e morreu na hora – Então não teremos aula amanhã de manhã por causa do luto. Você pode ficar com ela a manhã toda, se quiser eu te levo lá.
- Valeu – Murmurei e ele sorriu, um sorriso que continha pena de mim.
Quando paramos o carro na entrada de casa, minha mãe veio correndo ao nosso encontro. Eu só abri a porta do carro já senti seus braços em torno de mim.
- Obrigado por trazê-lo, – ela disse, me puxando para dentro. estava na soleira da porta, com os olhos cheios de pena também – Como ela está?
- Em coma – respondeu – Ainda não falaram qual é o coma dela, mas ela ficará bem.
- Claro que ficará! – Minha mãe me abraçou mais forte ainda – Ouviu filho?
Eu assenti brevemente, enquanto ela me puxava escada acima, com e em nossos calcanhares. Enquanto eu tomava banho eles me esperavam no quarto, tinha uma bandeja com comida para mim. Os três pares de olhos não saíram de cima de mim enquanto eu comia, e quando levantava meu olhar para observá-los eles desviavam, olhando para o chão.
decidiu ir embora, e foi levá-lo na porta, e não voltou depois. Minha mãe me botou para dormir, como se eu fosse uma criança, e ficou cantarolando até que eu estivesse inconsciente.



Capítulo Doze


, e me esperavam na sala de casa. Nós iríamos ao enterro de Austin, eles haviam me convencido a fazer isso. Mas eu não queria. Só de imaginar que no lugar de Austin, ou juntamente com ele, podia estar minha melhor amiga, o amor da minha vida. estava tão acabado quanto eu, mas ele não demonstrava isso, tentava sorrir o tempo todo, fingir uma falsa felicidade. Eu não conseguia fazer isso. Não dava pra fingir que estava tudo bem sendo que não estava. Minha estava em uma cama de hospital, respirando através de aparelhos, com os olhos fechados por tempo indeterminado. Não tenho coração de pedra. Minha tristeza estava estampada em meu rosto, a mostra pra quem quisesse ver.
estacionou o carro junto com todos os outros no lado de fora do cemitério. me esperava no estacionamento de braços abertos, pronta pra me dar toda a segurança que eu precisasse. E foi assim, segurando na mão dela que eu entrei pelos corredores aterrorizantes. e estavam atrás com os meninos. e se portavam ao meu lado, como se eu fosse cair a qualquer momento. Mas na verdade eu estava fazendo muito esforço pra deixar minhas pernas sustentando meu corpo. O amontoamento de pessoas estava cada vez mais visível, e cada vez mais próximo. Paramos um pouco mais atrás, com certeza eles fizeram isso para me livrar de pensamentos como o que podia ser a ao invés dele. E minhas pernas falharam. e pontualmente me seguraram, impedindo-me de cair.
- Você tá bem, ? - perguntou. Eu assenti, então ela voltou a sua atenção para frente novamente.
estava lá, ao lado de Steve. Ambos abraçados e chorando. Uma cena que eu pensei nunca ver. Steve, o maioral do colégio chorando. Mostrando que era fraco como qualquer ser humano. Isso era algo raro. Na verdade, todos em volta do caixão aberto choravam. Um jovem tão cheio de vida ter ela perdida por um acidente. Um destino trágico para qualquer pessoa.
- Soube que será a próxima - ouvi uma loira cochichar para uma morena na minha frente.
- Cala a boca, não tá vendo o amigo dela ali atrás? - A morena apontou para mim - Ele está sofrendo, tadinho.
ouviu também, porque depois ela estava a minha frente, enxugando as lágrimas que caiam de meus olhos.
- , calma! - Ela pediu, me abraçando. Tentei me recompor e parecer forte - A vai ficar bem, você sabe que ela vai.
É, eu sabia disso. Ou melhor, fingia saber que isso era verdade.
O enterro se estendeu, e quando estava próximo ao fim nós fomos embora. Fiquei grato por a tortura ter chego ao fim.

Eu definitivamente não consegui ficar em casa a tarde enquanto estava imóvel em uma cama. Nem almoçar eu consegui. Minha mãe disse que enquanto eu não botasse algum alimento na boca eu não sairia de casa. E não botei. Mas eu fugi. Pulei a janela do meu quarto sem nem me importar com a altura e peguei um táxi até a clínica. Nunca tinha andando de táxi na vida, mas tudo se tem a primeira vez. Espero que ela não sinta minha falta tão cedo. O motorista do táxi tentava em vão puxar algum tipo de assunto comigo, mas minhas respostas na maioria das vezes eram monossilábicas, então ele desistiu. Quando o carro parou em frente à clínica fiquei inteiramente grato. As recepcionistas sorriram a mim quando entrei pela porta de entrada.
- Sr. , se quiser pode ir para o quarto da Srta. - a mesma recepcionista da noite anterior disse. Eu sorri e caminhei pelos corredores, subindo a escada sem me preocupar com o elevador. Nem me preocupei em bater na porta antes de entrar, devia estar desacordada mesmo.
Mas ela não estava sozinha, Amy estava com ela. Sentei-me no sofá ao lado de Amy, que olhou para mim.
- É meio estranho a rever numa cama de hospital - ela disse cabisbaixa.
- Quanto tempo ela pode ficar assim ainda?
- Eu não sei - Amy confessou - Espero que isso seja breve.
- Como você a reconheceu?
- , não é difícil reconhecê-la - ela disse um pouco mais animada - continua a mesma, os mesmos traços, o mesmo cabelo, a única coisa que diferencia é o corpo, ela só amadureceu.
- Pena que você não viu as esmeraldas abertas, iam te hipnotizar de tanta inveja - eu sorri, era totalmente verdade.
- Os olhos dela continuam lindos então? Eu lembro que eu sempre quis ter seus olhos, eram tão perfeitos. Mas ela vai abri-los, , e eu vou ver isso.
A porta se abriu e uma enfermeira entrou.
- Srta. Amy? Estão te chamando na ala infantil.
- Já estou indo - ela se levantou e deu um beijo na minha bochecha - Mais tarde eu volto aqui, se cuida.
Quando a porta fechou meu estômago roncou, como se fosse uma reação por ficar sozinho. Eu não tinha comido nada ainda, só no café. Tava na hora de almoçar, ou quem sabe jantar. Devia ter algum tipo de lanchonete por aqui, então me levantei e decidi procurar. Tinha um mapa da clínica perto do elevador, falava que a lanchonete ficava no primeiro andar, aproveitei o elevador para descer. Por ironia do destino, quando a porta se abriu tinha um cadáver em uma maca, com as enfermeiras ao lado. Claro que só podia ser um cadáver, até porque o corpo estava todo coberto com um lençol. Dei um sorriso amarelo a elas, e desci pelas escadas. Muito melhor do que dividir o elevador com um morto. Ainda bem que as escadas ficavam bem ao lado do elevador. A lanchonete ficava a esquerda das escadas, e a direita ficava a sala de espera, que eu tinha estado aquele dia.
Ao contrário de todo o ambiente da clínica, a lanchonete não era branca, era amarela, e muito iluminada. Ela estava vazia, exceto pelos atendentes e dois médicos ou enfermeiros que tomavam café. Sentei-me na mesa mais próxima da porta, e um garçom veio me atender me dando um cardápio. Passei meu olhar rapidamente por ele e pedi algo simples como um café e um bolo de chocolate. Eu engoli o bolo sem nem ao menos mastigar, e acabei de comendo mais rápido do que o previsto. Nem me animei em chamar o elevador, então subi pelas escadas. E voltei novamente para o quarto, ficando em silencio apenas observando ela.

- Bom dia, - me cumprimentou, sentando-se na carteira ao meu lado.
- Bom dia - respondi sem muito animo. Ela não se sentiria ofendida sabendo do que aconteceu.
Como sempre ela ficou quieta o resto da aula toda. Eu não conseguia olhar pra minha carteira à frente e não se lembrar de . Esperava em vão a hora que sentiria seu perfume de morango inundar minhas narinas.
No intervalo me esperava na frente da sala, ela parecia tão preocupada comigo ultimamente. Fomos até o refeitório e eu me sentei em silêncio, trouxe uma bandeja de comida para mim, mas eu apenas comi algumas coisas sem muita vontade. Ninguém dirigia a palavra a mim, e eu fiquei grato a isso, não tinha que fingir estar bem.
Teve algo que chamou minha atenção. Pela primeira vez eu vi Steve e no refeitório. Eles se sentaram numa mesa próxima a nossa, e não trocavam nenhuma palavra. Estavam sozinhos na mesa, ninguém do pessoal que convivia com eles estavam por perto. vagava seu olhar pelo chão, e Steve vagava o olhar pela a mesa. Os dois pareciam tão abatidos como eu. Diferente de mim, eles perderam um amigo, e quase perderam uma amiga. Era egoísmo demais achar que só eu sofria pelos acontecimentos.
E foi então que eu a vi entrar no refeitório. Ela vestia aquela mini-saia típica dela, uma blusa frente única que deixava a mostra seu sutiã de renda rosa claro. olhou pra mim, seus olhos esmeraldas brilhavam mais do que o normal. E ela veio na minha direção. não andava pelo refeitório, ela simplesmente desfilava. Mas diferente de sempre, ninguém desviou o olhar de suas bandejas para ela. E pouco me importava isso. A cada passo dado por ela, meu coração se acelerava mais, e minha respiração ficava descompassada. Quando faltava menos de um passo para ela chegar até mim uma nuvem cobriu seu corpo, e depois ela sumiu. Minha respiração ficou mais descompassada ainda, e eu arfava apavorado.
Era uma miragem. Uma miragem tão perfeita.
- Daniel, me responde! - me sacudia pelos ombros, mais ela estava toda embaralhada a minha frente, nem parecia ser ela mesmo - !
- Oi? - Respondi meio ausente ainda.
- O que aconteceu? , você tá bem? - Todos na mesa olhavam pra mim, e tentava em vão secar as lágrimas que escorriam pela minha bochecha, ela então desistiu, envolvendo meu pescoço com seus braços - Vai ficar tudo bem, .
- Ela estava aqui, mana - eu disse, hesitante - E depois ela sumiu.
- Ai, . - Ela suspirou, me apertando com mais força.
Nunca tinha ouvido meu nome tantas vezes pela boca dela, nenhuma das vezes me xingando. Isso era um milagre.
Talvez ela estivesse preocupada demais comigo pra me tratar mal.



Capítulo Treze


Três semanas se estenderam, e nada dela voltar ao normal. Minha vida se resumia em escola, hospital, casa e escola novamente. Já tinha ficado íntimo das paredes brancas, das enfermeiras e também, da Amy. Ela tem sido uma ótima companheira durante esses dias, sempre tentando me animar, dizendo que ela ficaria boa.
Quando cheguei à clínica, Amy já me esperava no balcão, junto com as duas atendentes da recepção. Ela sorriu para mim, e caminhamos até o quarto de .
- Trouxe flores novas - estendi um ramo de flores do campo que comprei durante o caminho. Sempre que as flores murchavam, eu comprava novas para enfeitar o quarto. Já tinha deixado ele com a cara dela, com algumas fotos e objetos pessoais. - São lindas! - Amy trocou as flores dos vasos - A Sra. acabou de sair daqui, ela me disse que faltou coragem para vir mais vezes, e se sentia uma covarde por isso.
- Minha mãe também custou para vir visitá-la - sentei na poltrona, que pegou o lugar da cadeira assim que Jimmy veio visitá-la. Ele disse que a poltrona era mais confortável para mim.
Boa parte do corpo dela já tinha cicatrizado os machucados, deixando a sua aparência normal, mas pálida. Acariciei suas bochechas, passando por seus lábios e queixo. Amy olhava para mim, ela desconfiava do meu sentimento por .
Duas batidas na porta me fizeram tirar minhas mãos de seu rosto, para segurar nos dedos dela. Amy deu lugar a Maggie na sala. Era a primeira vez, depois do dia do acidente, em que eu a via ali. E olha que eu visitava todos os dias. Brit sempre vinha, como .
Dei um sorriso fraco a Maggie, a deixandoela ocupar o meu lugar na poltrona. Quando eu estava abrindo a porta para sair, ela me chamou.
- ? - Fechei a porta novamente, olhando para ela - Senta aqui - Maggie apontou para o sofá ao lado da cama, e eu me sentei, ainda não entendendo nada - Queria conversar com você, pode ser?
- Claro, Maggie - sorri a ela, que retribuiu.
- Então... - Ela pigarreou antes de começar - Queria te agradecer por tudo que você está fazendo pela minha filha.
- Não precisa me agradecer.
- Preciso sim. Você sempre ficou do lado da minha filha, mesmo quando eu não estava. Não sei o que seria da se você não tivesse com ela. Sabe... Quando eu tinha 20 anos eu me apaixonei por Jimmy, ele me tirou da vida que eu tinha. E então nós namoramos, noivamos e eu engravidei da . Mas eu quase perdi uma vez, e o médico me proibiu de ter relações sexuais enquanto estivesse grávida. Então, Jimmy me deixou - ela sorriu irônica - E em menos de um mês ele me trocou pela mãe de . Ele sempre foi o homem que eu mais amei em toda a minha vida.
Maggie começou a chorar, estendi minha mão para ela, confortando-a. Era minha impressão ou ela estava confessando sua vida para mim?
- foi crescendo, a cada dia ela se tornava mais parecida com Jimmy. Os mesmos olhos, o mesmo sorriso, todos os traços dela me lembravam ele. E eu não conseguia encarar minha própria filha por isso. Então eu a dei para o pai, e fugi durante aquele tempo. Mas eu sentia a falta dela e voltei. Eu não suportava ver a minha filha tão idêntica ao pai, e tão diferente de mim. Foi aí que eu tive a brilhante ideia de dar a ela minha personalidade. Fiz fazer tudo igual a mim, os mesmos erros, se envolver com as pessoas erradas. A culpa desse acidente é minha! Por não ter sido a mãe quando ela precisava.
Abracei-a. Senti-me culpando por ter pensado tão mal de Maggie, ter a chamadoela de irresponsável, ou culpá-la por não ser presente na vida da filha. Ela apenas queria que se parecesse com ela. Pode ser errado, mas ela só queria isso.
- Eu vou deixar vocês sozinhas, tenta falar com ela, quem sabe não escute? - Ela sorriu. Levantei e caminhei até a cama de , depositando um beijo na sua testa - Eu já volto. - Sussurrei.

Maggie só saiu do quarto uma hora depois, ela passou pela sala de espera e se despediu de mim, agradecendo por tudo novamente. Voltei ao quarto de , retornando a minha poltrona. Amy entrou no quarto depois, se sentando no sofá.
Entrelacei minha mão na de , e acariciei a sua mão com meu dedão.
- Foi uma surpresa ver a mãe dela aqui - Amy murmurou - Só tinha a visto uma vez. Achei que a mãe dela fosse aquela outra.
- Maggie é meio estranha - eu sorri - Mas não a culpo mais, hoje ela me disse seus motivos.
- E quais eram? Não quero ser inconveniente, claro.
Contei toda a conversa a Amy, que teve a mesma reação que eu, e chegou as mesmas conclusões também.
- Mas ela tem sorte de ter você - ela disse, sorrindo - Você é tão dedicado, cuida tão bem dela. Isso me lembra a primeira conversa que nós tivemos. Que você disse que suas garotas sentiam ciúme de .
- Eu não consigo não me controlar quando se trata dela - Dei um sorriso de canto de boca.
- , você a ama. Essa é a questão - olhei para ela, meio que assustado. Como ela sabia disso? Amy riu do meu desespero - Não é tão difícil não ver isso. Você demonstra o tempo todo. Pelo jeito que olha para ela, o jeito que cuida dela, você a protege de qualquer coisa ruim que pode acontecer com ela, a botando dentro de um mundo perfeito que você mesmo moldou para não oferecer perigo a ela.
Eu sorri, tudo que ela disse era verdade.
- E você não a ama como uma irmã. Ninguém amaria uma irmã com um brilho nos olhos como se ama uma namorada. Achei que caras como você não existisse.
- Como eu? - Questionei.
- É, apaixonados, respeitosos. Em outras palavras, caras perfeitos, que se enquadram em qualquer sonho de consumo de qualquer garota - pode parecer gay, mas eu me senti constrangido - Vai , assume de uma vez isso.
Com certeza ela continuaria com essa conversa até que eu assumisse. E então eu suspirei derrotado, pronto para assumir.



Capítulo Quatorze
(’s POV)


Meus pés começaram a ficar dormentes, depois a dormência subiu para o restante da perna. Balancei minha perna vagamente, e ela começou a cessar. Ouvi uns murmúrios ao meu lado, mas não consegui abrir meus olhos para ver quem era.
Não conseguia reconhecer a voz, ela parecia conhecida, mas não reconhecia seu dono.
- Eu a amo. No começo eu achei que fosse apenas amizade. Mas depois... Depois eu vi que ela despertava desejo em mim. E quando eu a vi deitada naquela maca pela primeira vez, meu coração acordou. E eu me toquei que meu sentimento por ela já tinha evoluído de amizade para amor. – A voz conhecida cantou.
Tentei forçar minha memória para lembrar de quem era, e flashes dispararam em minha mente. O rosto de Austin, a voz dele pedindo para que eu o beijasse, eu ter negado isso, a voz dele se alterando, depois o carro sacudindo, e uma dor intensa atingindo minha cabeça antes de eu não ter mais nenhuma memória.
! Era dele a voz. Era ele quem estava ali. Será que eu tinha morrido? E ouvir isso fazia parte do céu? Acho que do inferno, eu não iria para o céu, não depois de todos os meus erros. Eu ficaria sem ele para sempre agora. Quando morresse, ele não viria para cá comigo, ele iria para o céu. sempre foi um anjo, anjos não são mandados para o inferno.
- ... – Tentei chamá-lo em vão, ele nunca me escutaria. E só de pensar nisso meu coração se contraiu em meu peito, e um barulho frenético parecido com um “pipipi” começou a soar perto de mim.
- Ai meu Deus! – exclamou; sua voz tão real – , você acordou!
Senti algo quente tocar minha mão, seguido por meu rosto, e algo úmido em minha testa. Tentei novamente abrir meus olhos, e dessa vez eu consegui. Mas apenas vi uma luz forte demais me deixando zonza, e os fechei em reflexo. Então consegui abri-los aos poucos, e também aos poucos minha visão ia ficando mais nítida. estava parado ao meu lado, com aquele sorriso no rosto, tinha uma mulher atrás dele, ela também sorria para mim.
- Amy, como ela está? – Ele perguntou, dando espaço para mulher ficar mais próxima de mim.
- Sente alguma dor, ? – Eu neguei. Vi que ela vestia uma roupa branca, como uma médica. É isso, eu não estava morta. Eu estava em um hospital.
Ela começou a fazer uma série de exames comigo, e em menos de dez minutos já tinham acabados. Assim que a tal de Amy concluiu, saiu do quarto, me deixando a sós com , que estava sentado no sofá ao lado da cama, impaciente.
- ? – O chamei, ele veio pontualmente, se sentando ao meu lado na cama.
- O que foi? Tá doendo alguma coisa? – Ele perguntou preocupado, eu neguei – O que foi então, linda?
Adorava quando ele me chamava assim, apontei para cama ao meu lado, e ele deu a volta nela, se deitando.
- O que aconteceu com Austin?
Ele hesitou, tentando não me olhar.
- Austin não resistiu ao acidente, .
não parecia mais estar a minha frente, no lugar dele estava um pequeno borrão. Mas eu senti seus braços em torno de mim, e seu perfume no meu nariz. As lágrimas desciam descontroladamente de meus olhos. Se eu tivesse o beijado, nada disso podia ter acontecido. Mas eu não consegui beijá-lo, não conseguia tirar da minha cabeça e não me sentia a vontade fazendo isso. Não como antes. Mas, e se eu tivesse concedido o seu pedido, como eu teria certeza de que ele não iria se distrair? Resumindo, o acidente aconteceria de qualquer jeito.
- O que aconteceu comigo, ?
- Você ficou em coma até hoje. Estava me agoniando não vê-la acordada todos esses dias, fiquei com medo de não poder ver mais você abrir seus olhos.
- Quanto tempo eu fiquei desacordada?
- Três semanas. As três semanas mais intensas da minha vida.
- Desculpa – sussurrei. Seus braços me puxaram para cima com cuidado, seus olhos estavam felizes em me ver.
- Não peça desculpas, você não tem motivos para isso. – Eu assenti, e então seus lábios tocaram minha testa – Senti sua falta.
A porta se abriu, então se levantou, voltando ao sofá. Um senhor, que devia ser o médico, entrou.
- Boa tarde Srta. , eu sou o Dr. Johnson – ele disse estendendo a mão para me cumprimentar – Como a senhorita se sente?
- Bem, obrigada – eu sorri. Ele se aproximou de mim e começou a medir minha pressão, ver minha temperatura e escutar meus batimentos cardíacos e depois se virou para .
- Podemos conversar? – assentiu, mas antes de deixar a sala com o médico ele veio até mim, me dando um beijo na testa.
entrou no quarto alguns minutos depois. Sua expressão era séria, mas assim que me viu olhando para ele alterou para uma alegre.
- O que aconteceu? – Perguntei.
- Ele só me avisou sobre o seu estado – arqueei a sobrancelha – , você ficou com algumas seqüelas do acidente. E vai precisar fazer fisioterapia e se tratar com um psiquiatra.
- Mas eu me sinto inteiramente bem! – Me defendi, não queria ser tratada como uma doente, ou melhor, como uma louca.
- Eu sei, mas é preciso – se sentou ao meu lado na cama, estendeu sua mão para que eu entrelaçasse nossos dedos – Eu quero que você fique bem o mais rápido possível, então você vai ter que fazer isso.
- Você vai estar comigo? – Minha voz deve ter soado um tanto quanto receosa, eu não queria que ele me abandonasse, não agora.
- Claro! Por que eu não estaria? – Seus lábios tocaram a minha testa, e depois ele encostou seu nariz no meu, fiquei observando seus olhos tão calorosos, que esbanjavam felicidade – Eu preciso ir para casa agora. Já está tarde daqui a pouco minha mãe vem me procurar, e eu também tenho que dar essa notícia pra todos.
Eu sorri assentindo e ele deu outro beijo em minha testa, se afastando da cama. Acho que uma parte do meu coração saiu com ele quando a porta foi fechada. Fechei meus olhos, e quando os abri novamente ele estava parado na minha frente, me olhando. não disse nada, só se aproximou mais da cama e se inclinou para baixo, depois eu senti seus lábios nos meus e sua língua fazendo o contorno de minha boca. Então eu a abri, deixando nossas línguas se encontrarem, e um choque percorrer meu corpo. Um choque extremamente gostoso.
Minha respiração já estava ofegante quando nos separamos, e o “pipipi” da maquina ao lado entregava os batimentos acelerados do meu coração. Senti-me constrangida, mas ele gostou disso. E antes de sair novamente vi seus lábios hesitarem várias vezes, como se quisessem falar algo.
E por fim ele falou.
- Eu amo você! – As três palavras mais mágicas que eu ouvira em toda a minha vida. E então ele saiu, me deixando encarando a porta com um sorriso bobo no rosto.
Depois que saiu, o quarto pareceu tão melancólico. Tinha algumas flores espalhadas pelo mesmo, e alguns retratos que foram tirados do meu quarto. Alguns minutos depois a porta foi aberta, e quando eu me virei para ela, a pessoa já tinha entrado.
- Oi , sou a Amy. – Ela disse sorridente.
- Oi, Amy. A médica né? – Minha voz era baixa, mas não conseguia forçá-la para soar mais alto.
- É, e não sou apenas médica. Você já me conhecia.
Tentei forçar minha memória para ver da onde eu a conhecia, mas nada veio em mente.
- Não precisa se preocupar, querida. É normal isso no estado que você está. Eu vou fazer algumas perguntas e você vai me respondendo, e a gente vê se você chega a se lembrar de mim, pode ser? – Eu assenti e ela sorriu, se sentando na poltrona ao lado da cama – Primeiro, eu quero que você me diga a onde costumava passar seus finais de semana quando morava com Jimmy e Emma.
Isso parecia ser tão fácil, mas minha mente demorou um pouco para a lembrança da grande casa branca vir à minha memória.
- No interior, em uma casa grande, e branca, que dava em frente para a praia.
- Isso – Amy disse alegre – Agora me fale como costumavam ser seus dias naquela casa, o que você gostava de fazer?
Parecia ser tão fácil novamente. Eu vasculhava minhas memórias, tentando lembrar dos dias na grande casa branca. A primeira vez que eu fui lá, o meu quarto rosa que foi pintado depois para roxo, as bonecas, a grande praia, a piscina enorme que era sempre meu lazer preferido.
- Eu sempre brincava na piscina com , ela era grande e quentinha – sorri com a memória – E a praia era tão linda!
- Você se lembra dos seus vizinhos?
Essa era mais difícil. Me lembro de ter apenas duas casas vizinhas a enorme mansão branca, já que ela ocupava boa parte da rua. A primeira vez que eu fui à praia conheci duas garotas, e elas moravam na casa ao lado.
- Tinha duas meninas que moravam no lado, uma era loirinha e mais velha, e a outra era ruiva e da minha idade. Eu costumava brincar com a ruiva, mas a loira sempre ficava por perto cuidando da gente quando íamos para a praia – ela aparentava se surpreender com a minha resposta.
- Não esperava que se lembrasse tão rápido. Consegue se lembrar o nome delas?

Flashback On


” - Sue, está na hora de ir! – A loira chamou da casa em frente à praia, Sue se levantou da areia, me deixando sozinha montando o castelo de areia.
- A gente se vê final de semana que vem – ela se despediu de mim, correndo até a outra – Me espera, Amy! – gritou, antes de desaparecer no grande quintal. ”


Flashback Off


- Sim, uma se chamava Sue, a ruiva – ela sorriu me incentivando a continuar – E a outra era Amy, a loira.
Então eu olhei para ela. Ela tinha os mesmos olhos da menina da minha memória, o mesmo rosto, e o mesmo nome.
- Ai meu Deus Amy, é você? – Eu quase gritei, Amy sorriu animada me abraçando – Faz tanto tempo.
- É, quando eu vi você logo te reconheci. , você não mudou nada.
- Nem você, continua a mesma. – Nós duas sorrimos. Amy se levantou, anotando alguma coisa na prancheta em frente a minha cama.
- Você tem muita sorte de ter com você, – ela disse, não entendi muito o porquê da conversa – Ele ficou todos os dias aqui, faltou aula três vezes, e sempre que saía da escola vinha direto para cá, com mochila e tudo. Depois ele se sentava nessa poltrona – Amy apontou para a poltrona antes ocupada por ela – E ficava fazendo os deveres da escola. Tive que lembrar a ele de se alimentar várias vezes, e quando era para ele ir embora as lágrimas nasciam em seus olhos só de pensar em te deixar sozinha.
Eu me senti culpada por isso. sofreu esse tempo todo, mas nem ao menos pareceu reclamar quando me viu, ao contrário, ele estava tão feliz, e não parecia cansado.
- Ele gosta muito de você, . faria qualquer coisa pra te ver feliz. Acho que ele é apaixonado por você – ela suspirou, desligando a luz e acendendo o abajur, olhei por trás das cortinas e vi que já estava escuro – Agora você deve descansar. Boa noite!
Amy sorriu, me deixando sozinha no quarto novamente.
Então , o meu melhor amigo de infância, a pessoa pela qual eu daria minha vida só para ver feliz, seria apaixonado por mim? E será que o que eu sinto por ele é amizade, ou algo a mais que isso?
Eu só sei que o meu corpo só fica completo quando está junto ao dele. E meu coração também. Deve ser apenas amizade, nada mais do que isso.




CONTINUA


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