Conto de farsas
Autora: Daniella (danie)
Status: Em Andamento
Revisada por: Thathati
Categoria: Hot Fics - McFLY
Sub-Categoria: Romântica/Drama
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Prólogo POV's – 'No final saberemos se eles foram felizes pra sempre'
Vidros quebrados, porta-retratos jogados nas paredes, palavras de baixo calão. Isso tudo tem vindo com mais frequência, e me magoa cada vez mais. Porque eu o amo. Amor é uma palavra complicada; poucos sentem, poucos entendem, poucos dão valor. Mas até hoje não consigo entender como o amor, um sentimento tão caloroso vindo de ambas as partes, pode se transformar no ódio com o passar do tempo. Pelos menos, comigo é o que está acontecendo. Tudo que eu queria é que ele mudasse, que fosse tudo como era antes, que um simples fato não fosse motivo pra briga. E dessa vez quem conseguiu fazer um escândalo fui eu. Descobrir ser corna não é uma tarefa fácil, mas se torna fácil quando você já está cansada daquela mesma rotina, das mesmíssimas brigas todos os dias, quando você já esperava que um dia isso fosse acontecer. O problema é quando você se apaixona sabendo que tem um cara na sua casa capaz de acabar com sua própria vida. A minha vida.
E acho que tirar umas férias em região dos lagos fosse uma boa idéia. É, eu achava.
Um "I tried to be chill, but you were so hot that I melted" I'm Yours - Jason Mraz.
- Enfim, férias! - eu disse relaxado com uma cara de orgasmo quando se está excitado, colocando meus pés sobre a mesa de centro e as mãos na nuca. Típica posição de folgado. Mas decidiu passar logo por ali, e empurrou minhas pernas, arrastando uma mala preta imensa.
- Mas vamos logo, senão vamos pegar transito! - ele ia em direção a porta, mas não parecia incomodado com o olhar reprovador que eu lançava-lhe por suas costas.
- Ainda são... - pausei e olhei o relógio de parede, ao lado da porta - duas da tarde! - completei incrédulo, assistindo-o se virar e puxar a mala pra fora de casa sem delicadeza alguma, da forma mais esquisita que existe. Bufei rolando os olhos por ele ter me ignorado completamente, e abaixei meus olhos a procura do chinelo. - Cadê os outros? - perguntei com uma dificuldade gigantesca de encaixar meus pés no chinelo branco.
- está no banheiro se arrumando. - ouvi a voz de enquanto eu me levantava. - Ele parece uma noiva que está prestes a se casar... - e eu segurei uma risada ao vê-lo caminhar até a porta, onde já não estava mais, carregando uma nécessaire.
- Olha quem fala! - exclamei, ainda na vontade de rir enquanto eu o seguia com o olhos. - Você está carregando uma nécessaire, . Uma ne-ces-sai-re! - e eu soltei a risada.
- Vocês que são desprevenidos. - deu de ombros, sumindo pela porta de entrada.
Perdi o riso aos poucos, indo em direção ao as escadas e subindo-as com certa pressa, dando um soco violento na porta do banheiro do corredor do andar de cima.
- Anda, cara! Você demora muito! - e eu continuei a socar inúmeras vezes a porta.
- Vamos. - finalmente ele abriu a porta, deixando escapar o cheiro de sabonete. Pra apressá-lo ainda mais, peguei uma de suas malas que estavam do lado da porta do banheiro e ele pegou outras duas. Completamente desnecessárias. Homem, quando vai viajar pra praia, basta levar uma sunga, cinco cuecas e uma camisa. Só!
Entramos no carro feliz da vida, como pinto no lixo.
Pra arrasar com as gatas, eu modifiquei nosso carro completamente: pintamos de cinza e tinha uma listra preta na lateral, escrito de branco por cima "doing shit"; Os faróis eram azuis e, claro, tinha abertura no teto pra nos fazer sentir que estávamos numa limusine. Retire esta última parte.
Como eu estava dirigindo, pedi à , que estava no banco do carona, pra pegar um CD qualquer no porta-luvas. Optou por Busted, banda de um amigo nosso.
Parecia que estávamos num acampamento de final de ano, com todos os quatro idiotas cantando ridiculamente as músicas que saiam do som do carro. Estávamos numa estrada absurdamente vazia, só via matos altos e, às vezes, passava um posto de gasolina, um motel, ou um restaurante deplorável. Finalmente, estávamos saindo dessa estrada e entrando numa que tinham poucas casas, e, batucando com os dedos no volante e distraído com a música, acabei não prestando atenção no sinal que estava fechado, dando uma freada bem na hora. Segundos depois, ouvimos um barulho vir da traseira do carro.
- Ah, não! - exclamou, provavelmente olhando pra trás e vendo a desgraça, enquanto eu já tinha minha cabeça apoiada no volante, batendo-a contra ele repetidas vezes. Eu não queria acreditar no que eu estava pensando.
- Vamos lá! - disse, encorajando-nos a sair, abrindo a porta do seu lado do carro.
Suspirei fundo e desci do carro, e como pude perceber, os outros saíram também, indo direto e rapidamente á traseira. E lá estava todos os vidros azuis espalhados sobre o chão, o porta-malas completamente amassado. Passei as mãos pelos cabelos cruelmente, fitando o carro preto e espaçoso que tinha atrás, louco pra ver a cara do idiota que havia batido no nosso carro, já que não dava pra ver por ter vidros escuros iguais ao nosso.
Visivelmente puto, deu impulso pra bater no vidro do motorista pra tirar satisfações, já que nenhum de nós tinha tomado atitude, só observávamos o estrago. Mas ele não chegou nem a dar quatro passos, já que a porta do carro se abriu. E de lá, saiu uma garota extremamente bonita. Bonita, mané bonita! Ela bateu no nosso carro, porra!
Mas, ainda assim a garota era hot. Usava uma calça jeans clara skinny, uma bata que caia sobre o ombro e óculos escuros, e pasmo comigo mesmo por estar fitando-a por tempo demais do que eu costumo fitar uma garota, eu não notei que esta estava na nossa frente com os braços cruzados.
- Você está maluca?! - ouvi a voz de , e o olhei rapidamente. - Você acabou com nosso carro! - ele apontou o dedo na cara da culpada, que parece não ter se comovido com tal fato. Ela tirou os óculos e seus olhos estavam vermelhos e inchados, me fazendo acreditar que sim, ela estava comovida.
- Vocês que param de repente e eu que tomo culpa? - a voz dela era absurdamente diferente, era rouca. Mas ela disse como se bater o carro fosse a coisa mais normal do mundo, irritando à nós quatro. Mas somente demonstrou tal irritação:
- Você que tinha que prestar mais atenção! - ele fez gestos exagerados, num tom extremamente alto, enquanto eu e não tínhamos reação alguma. Ela, simplesmente, rolou os olhos.
- O que querem? Que eu conserte esta coisa? - ela apontou pro nosso carro com tanto desprezo, que me fez bufar de raiva.
- Ei, não chama nosso carro de coisa! - reclamei, dando um passo a frente e esquecendo que ela era hot completamente.
- Carro? - me olhou com a expressão tomada pelo deboche. Gargalhou. - Tá mais pra circo ambulante. - soltou sem se importar. Bufei mais alto, controlando minha respiração que estava começando a ficar pesada por conta da raiva que eu tinha daquela infeliz por ter batido no nosso carro, no carro que levei séculos luz pra construir.
- Quem você pensa que é? - ouvi a voz de .
- O que está esperando pra pagar o conserto? - vez de falar.
- Você estava errada, ent... - eu ia dizendo com toda a autoridade na expressão, e não sei porquê diabos estávamos prolongando aquela conversa.
- Vocês que avançaram o sinal - começou com gestos exagerados, me fazendo rolar os olhos - e eu quem estava errada? - apontou pro próprio busto. E que busto.
Com isso, ela provocou uma breve discussão, cada um falava o que queria, não dando pra entender porra nenhuma. Acontece que ali passava poucos carros, caso contrário, pensariam que somos loucos.
- Ei, chega! - ela gritou mais alto, fazendo um 'T' com as mãos. - Eu pago a droga do conserto do carro de vocês. - passou as mãos pelos cabelos, colocando-os para trás e nos dando as costas em seguida. - Mas que saco, viu! - e eu ainda consegui ouvir ela resmungando.
Achei que ela fosse pegar dinheiro na carteira, ou algo parecido, mas ela passou direto da porta do carro e não parou.
- Aonde você vai? - perguntei confuso.
- Serve a oficina? - ela virou o rosto pra nos olhar, enquanto apontava pra uma oficina a uns 20 passos de onde estávamos. Ela se virou quando viu nossa cara de completos idiotas ao entender do que se tratava.
- Vamos lá, caras. - decidi dizer ao ver que não tomávamos atitude alguma, vendo ela se afastar cada vez mais. Eles assentiram e começamos a caminhar com resmungos, fazendo o mesmo caminho que ela havia feito antes.
Chegamos à oficina e lá era um lugar bem arrumadinho e limpinho. Não que eu me importe realmente com isso, mas é bom deixar meu bebê (lê-se: meu carro) nas mãos de uma pessoa saudável.
Abrimos a porta principal e eu entrei primeiro, vendo aquela garota conversar com um moço gordo, baixinho e bigodudo que estava atrás de um balcão.
Nos aproximamos, e eu me sentia um dos cara daquelas gangues, já que eu estava na frente, e ao meu lado; atrás, um pouco ao lado de vinha e do meu lado, um pouco atrás, vinha .
- Vai demorar muito pra ficar pronto? - eu ouvi sua voz rouca perguntando ao homem, que notou nossa presença, menos ela.
- Eu não sei bem. - disse, arrastando o braço pelo balcão enquanto andava pra sair de trás deste. - Tenho de ver o estrago primeiro. - fez uma expressão pensativa, cruzando os braços e pondo-se diante a nós. A essa altura a menina já tinha nos notado ali, mas parecia nos ignorar completamente. - Vou mandar que peguem o guincho. - disse, finalmente, com um gesto exagerado e logo pediu licença, indo em direção a uma porta preta, desaparecendo por trás dela em segundos. Me virei pra menina ao meu lado que mantinha os olhos grudados na porta, a expressão enigmática.
- E aí? - perguntei receoso, mordendo o lábio de leve.
- Foram pegar os carros, e o mecânico vai vê-los primeiro. - respondeu área, o olhar vazio como se não estivesse por completo lá.
Quando abrir a boca pra, sei lá, tentar amenizar a situação, ela se virou. A segui com o olhar e ela, realmente, era muito hot. Mas eu precisava me controlar, eu precisava me controlar. Ela sentou-se num dos bancos de espera que tinha próximo a entrada da oficina e colocou os óculos, abaixando a cabeça pra fitar os dedos sobre as pernas.
Suspirei alto e derrotado, voltando minha atenção ao meus amigos. Mas nenhum deles mostrou vontade alguma de falar, me fazendo bufar em tédio e cruzar os braços, fitando qualquer ponto daquela sala, mesmo com vontade de fitar a garota que estava sentada a poucos passos de mim.
Alguns minutos se passaram e nada do bigodudo chegar. Até que a voz de me tirou de um leve transe:
- Será que o estrago foi grande? - quis saber, mas não me dei ao trabalho de responder, afinal, o mecânico estava vindo e ele poderia responder melhor que eu.
- Então garotos - o mecânico disse entrando no meio da 'roda' que nós fizemos -, não foi muito sério, e eu posso consertar agora mesmo se for preciso. Só irá demorar umas duas horas mais ou menos.
- Tudo bem, a gente espera. - a menina, que afinal, eu nem sabia o nome, respondeu antes mesmo que eu pudesse respirar, aparecendo do meu lado.
- Já era nossa viagem. - reclamou indo se sentar em um banco de carro jogado em um canto. bufou, e foi atrás de , olhou pra mim com cara de cão sem dono e foi se juntar a eles. Ela olhou pra mim, deu um sorriso torto já se apressando a se afastar, mas eu fui mais rápido.
- Ei, eu não posso nem saber seu nome?
- . - ela disse simplesmente e se afastou indo pra fora da oficina. Sua carinha parecia tão triste, parecia magoada com alguma coisa. Será que era porque ela pagaria o concerto? Fui atrás dela.
- Oi. - eu disse me sentando ao seu lado, em um banco que tinha em frente à entrada da oficina. Ela me olhou e depois abaixou a cabeça. - O que foi? - perguntei sem cerimônias.
- Nada. - respondeu sussurrando, ainda sem me encarar.
- É por que você vai ter de pagar o carro? - perguntei não querendo que a resposta fosse sim.
- Mas é claro que não. - enfim, ela me olhou. Seus olhos eram lindos, insuportavelmente lindos. Mesmo ainda estando vermelhos e inchados. - Apesar de vocês estarem errados, eu não ficaria assim por causa de um carro. - ela disse, ainda em um tom baixo.
- Então, qual é problema? - perguntei.
- Não te devo explicações alguma. Principalmente da minha vida particular. - ela respondeu, me assustando um pouco. Nota-se que ela não estava nem um pouco a fim de conversar comigo. Então eu não ia ficar igual a um babaca ali, insistindo. Me levantei, mas quando fui me virar, me surpreendi por suas mãos quentes. Eu a olhei assustado. - Me desculpa. - ela disse me encarando, logo após, abaixou a cabeça, me soltando. Isso era um bom sinal, mas eu não arriscaria de novo. Não agora.
Fui até onde conversava com e jogava no celular. Ao me aproximar, perdeu a fala e me encarou.
- O que estava fazendo? - perguntou incrédulo.
- Fui conversar com ela, ué. - respondi simplesmente.
- , ela quase detonou com nosso carro! - aumentou o tom da voz.
- Dudes, eu que estava distraído com a música e parei rápido demais. - falei. Era mais que a verdade. Eu não queria, de certa forma, defender... qual o nome dela mesmo? Ah, . Eu não queria defendê-la, mas foi isso que interpretaram:
- Vai defender a menina agora, ? - perguntou sem me olhar.
- Eu não estou defendendo ninguém, tá legal? Estou falando o que aconteceu e... - eu ia me explicando, quando ouvi uma voz vir por detrás.
- Então... - me virei e avistei com o mecânico. Ele estava com alguns papéis nas mãos e eu encarei , que sorriu fraco. - Os carros já chegaram. O carro dela fica... - ele abaixou os olhos e deu uma olhada no papel - 450 dólares. O dos meninos fica 200. - ele levantou a cabeça e sorriu pra mim.
- QUATROCENTOSECINQUENTA? - se levantaram.
- Sim. - respondeu simplesmente.
- Ér, ...deixa...ér... - eu tentei dizer que pagava, mas de onde eu tiraria tanto dinheiro, assim do nada?
- Tudo bem, então dá seiscentos e cinquenta, é isso? - ela perguntou com uma cara pensativa, fitando o mecânico.
- Exato. - ele sorriu dando as costas.
- Eu pago a metade. - eu disse automaticamente e os caras me olharam.
- Tá tudo bem. Afinal, eu que bati no carro de vocês. - ela disse, dando as costas e seguindo o mecânico.
- Você bebeu? - perguntou, apontando pra própria cabeça.
- Isso não é justo. A culpa foi minha também.
- , de onde tiraríamos... - fez as contas no ar - trezentos e vinte e cinco?
- Eu não sei. Eu daria um jeito... - eu disse dando de ombros e indo pro lado de fora da oficina.
Me sentei onde eu estava sentado antes com ao meu lado. Eu coloquei as duas mãos sobre o banco e embalancei as pernas que não tocavam o chão. Mas que menina estranha, cara. Uma hora o humor dela tá normal, mas do nada ele some totalmente! Seus olhos eram tão lindos e perfeitos, a formação incrível com sua boca rosada. Que tolice.
- Ei! - eu disse chamando-a que saia pela porta. Ela se virou e tirou os óculos ao me ver.
- Oi. - ela respondeu normalmente, com uma expressão que esperava que eu dissesse algo. - E aí? - ela perguntou, me tirando do transe.
- Ah, oi. Desculpe...ér... - eu, simplesmente, não sei porque eu a chamei. Ela riu baixo da minha provável cara de idiota.
- Quer tomar um lanche? Eu pago. - ela sorriu torto.
- Não, que isso! Eu pago! - me levantei e fui até ela sorrindo.
Ela se virou e fomos andando em silêncio até a lanchonete mais perto.
"You've got control of me" Homecoming - Hey Monday.
- E então, agora posso saber o porquê desses olhos inchados? - perguntei me sentando em uma mesa com uma caneca de chocolate, enquanto ela segurava alguns salgados com refrigerante. Ela suspirou antes de colocar os salgados sobre a mesa.
- Ah, briguei com meu namorado. - disse simplesmente fazendo uma careta. Mas por trás daquela careta e modo simples de falar, eu sabia que não estava nada bem. É claro que não estava.
- Ah, e veio procurar 'refúgio' - fiz aspas no ar - aqui?
- É, praticamente. Acho que posso esfriar minha cabeça aqui. - ela deu um sorriso torto e depois abaixou a cabeça pra selecionar qual salgadinho comia primeiro.
- Você...é tão...apaixonada por ele assim? - perguntei, e é claro que não pensei antes. Ela me olhou com um sorriso cínico nos lábios e colocou um salgadinho na boca. Ela me encarava enquanto mastigava, me fazendo ficar levemente corado. OW, não fica corado por mulher alguma!
- Sou sim. - respondeu após mastigar e engolir.
- Ah... - murmurei tomando um gole do chocolate. Eu não conseguia manter meu olhar em seus olhos por muito tempo.
- Por quê? - quis saber colocando outro salgado na boca.
- Nada...demais. - respondi após colocar a grande caneca sobre a mesa.
- Hum... - ela ainda me encarava com um olhar sexy enquanto mastigava. - Preciso ir ao banheiro. - avisou e se levantou. Ela pegou a bolsa e me olhou nos olhos. Não entendi o porquê daquilo, mas eu suspendi a sobrancelha a fazendo rir levemente.
Ela me deu as costas e eu a segui com os olhos, a vendo sumir indo em direção ao banheiro feminino. Claro, sou homem e não pude deixar de notar o formato de suas belas pernas que tinham contorno por causa da skinny. Coloquei minha cabeça para trás, a fim de relaxar e fechei os olhos. Mas a imagem que veio na mente foi o sorriso dela. Me assustei um pouco, afinal, isso nunca acontecera comigo. Eu nunca gaguejei pra mulher alguma, eu nunca corei enquanto uma mulher me observa, nunca senti nada do que senti quando senti seu cheiro.
Eu batucava a mesa em um ritmo descompassado enquanto a outra mão estava ocupada em suspender a caneca e levá-la até minha boca. Até que ela voltou e eu a olhei nos olhos. Senti uma sensação estranha no estomago, sensação que era nova pra mim. Ela deu um sorriso canto de boca e sentou, com a bolsa sobre o colo.
- Oi... - sussurrou ainda com um sorriso nos lábios, enquanto se servia de Coca-cola. - Você... está vermelho. - comentou alargando o sorriso. Mas aquele sorriso era um sorriso debochado.
- Não estou não... - coloquei as mãos nas bochechas, a fazendo rir. - Ah, cara. Não faz isso.
- Não estou fazendo nada! - se defendeu tomando um gole do refrigerante ainda me fitando. Senti meu rosto queimar e me assustei sentindo meu celular no bolso. Abaixei meu olhar e peguei o aparelho, sentindo os olhos dela sobre mim.
- Alô? - atendi após vir escrito no visor.
- Aonde-você-está? - perguntou visivelmente puto.
- Calma cara! Estou em uma lanchonete. - avisei encarando o logotipo estampado na toalha da mesa, ainda sentindo o olhar de sobre mim.
- AH, NOSSO CARRO TODO FUDIDO E VOCÊ LANCHANDO?! - ele berrou, me fazendo afastar o telefone um pouco do meu ouvido.
- O que você quer?
- Vem pra cá, cara! - implorou me fazendo bufar.
- Tá, tudo bem. - eu ainda encarava debilmente o logotipo da lanchonete. Ouvi o 'tututu' no outro lado da linha e bufei novamente desligando o celular.
- O que aconteceu? - ela perguntou parecendo que estava segurando o riso.
- Eles querem que eu volte. - respondi visivelmente revoltado. Porque sim, eu podia ficar mais um pouco ali com ela, sentindo aquela sensação que só ela conseguia me fazer sentir, mas ele adora acabar com meus planos. Ok, eu não falei isso, ou você finge que não leu.
- Então tudo bem, vamos voltar. - ela se levantou e levou junto o salgadinho e o refrigerante. Me levantei também e terminei de tomar o chocolate em pé, com ela me observando. Incrível como ela não se comove com minha beleza e não fica vermelha, como as outras gatas ficam. Certo, você não leu isso de novo.
- Vamos. - sussurrei, colocando a caneca sobre a mesa. Saímos, ela na frente e eu atrás (tenso).
Fomos conversando pelo caminho falando sobre coisas que não são necessárias citar aqui. Pois sim, o cara mais gato, o cinto mais caro, o programa mais irritante e a banda mais broxante não são coisas tão interessantes de se compartilhar.
Ao chegar no mecânico, entramos pela porta principal e, mesmo de longe, pude ver jogando no celular, se embalançando bestamente sobre o banco de espera, de cara emburrada e um bico do tamanho do mundo, cochilando de boca aberta com a cabeça relaxada para trás.
Nos aproximamos. e suspenderam seus olhares vagarosamente e igualmente até eu e que estávamos imóveis diante dos dois. O mexeu a boca algumas vezes, mas o som não saia, fazendo rir baixo.
- O...que...aonde...por que... - ele procurava as perguntas certas pra nos questionar, enquanto nos encarava com uma careta.
- Estávamos na lanchonete. Porque senti fome. - disse com uma careta provocando um olhar mortal da parte dele. abriu e fechou a boca algumas vezes ainda de olhos fechados e fez um barulho estranho com a mesma, se ajeitando no sofá em seguida.
- Porra! - disse um pouco alto voltando seu olhar pro celular. Provavelmente o aparelho deve ter vibrado e ele tomou um susto.
- O que foi? Morreu alguém? - levantou assustado. Quando se situou e ouviu a risada gostosa de , ele a olhou de cima a baixo e suspendeu a sobrancelha. Ela se encolheu e murchou o sorriso.
Ouvimos uns passos pesados vir por detrás de mim e , e nos viramos.
- O carro está pronto. Ficou pronto mais rápido do esperávamos... - ele coçou a nuca como se esperasse alguma coisa.
- Então tudo bem...Vamos lá. - caminhou, passando pelo mecânico que me olhou com as sobrancelhas unidas ainda coçando a nuca.
- O que foi? - perguntei estranhando aquela expressão de reprovação.
- Vocês vão deixar MESMO ela pagar 650 dólares? - perguntou aproveitando a ausência da garota.
- Ué, ela que teve cul... - deixou de jogar pra se intrometer.
- Não, eu pago metade. - falei impulsivamente, recebendo olhares de reprovação dos meus amigos e um sorriso do mecânico. Caminhei em rumo ao caixa, onde provavelmente ela estava. E sim, ela estava lá, debruçada no balcão, encarando o relógio de parede.
- Ér.... - me aproximei e me debrucei no balcão também. Ela virou seu olhar a mim, mas continuou imóvel com o corpo colocado ao balcão. Suspirei antes de falar. - Eu pago uma metade do conserto e você paga a outra.
- Não, . Está tudo bem. - começou, virando seu corpo totalmente pra mim. Olhei seus lábios rosados enquanto ela falava, pois seu olhar estava tapado por seus óculos. - Acidentes acontecem e... me desculpa por falar do seu carro. Eu estava bem puta na hora e costumo ser um pouquinho sarcástica quando estou com raiva. - terminou de se explicar com alguns gestos. Dei um sorriso canto de boca e suspirei novamente.
- Então... tudo bem. - dei de ombros e ouvimos novamente barulhos de passos pesados. Olha olhou por cima de meu ombro tirando os óculos me fazendo virar. O mecânico caminhava em nossa direção com meus amigos atrás.
- Então...até. - ela deu um de seus sorrisos canto de boca e acenou na porta de seu espaçoso carro.
- Até. - acenei também, enquanto os outros já me berravam dentro do carro. - Foi bom passar... uma hora e meia com você. - falei sem perceber e quando dei por mim, mordi o lábio inferior fazendo-a dar uma risada leve.
- Digo o mesmo. - disse e entrou no carro, colocando seus óculos novamente.
Chegamos na casa de praia, o relógio batia 18h30. Tiramos todas as coisas do carro e estávamos exaustos pela viagem e por ficar por algumas horas aguardando o carro ficar pronto. Mas... se o tempo pudesse voltar, acho que eu bateria meu carro novamente. Acho que nunca foi tão satisfatório bater um carro como dessa vez.
É, estou com uma mala na mão fitando o nada pensando essa asneira. Mas não consigo ver outro modo de admitir que eu adoraria tê-la mais tempo comigo. Como eu disse, ela me causa uma sensação nova, estranha, porém boa. Ela me fez corar - coisa que mulher alguma consegue fazer -, ela me faz gaguejar - nunca gaguejei pra dizer um 'oi' -, ela tem um cheiro só dela que eu nunca senti na vida, ela tem os olhos mais encantadores que já vi, tem a voz mais adorável de se ouvir, tem o rosto incrível. Eu faria qualquer coisa pra poder vê-la de novo, nem que fosse de longe... e eu tenho que parar de pensar nessas coisas. Ela nunca vai aparecer de volta, nunca.
- ALÔ?! Terra chamando! - fez alguns gestos com as mãos na minha frente me fazendo sair do transe.
- Oi? - rapidamente eu olhei pra ele e ele fez uma careta.
- Ajuda a colocar as coisas pra dentro, ow! - reclamou, já de costas pra mim indo em direção a casa.
- Ok, ok... - eu o segui após passar a mão pelo rosto pra tentar afastar aqueles pensamentos.
Eu estava arreganhado no sofá maior vendo um filme demente na TV, roncando no chão e jogando no celular transmitindo um barulhinho irritante.
- Vamos mesmo ficar dentro de casa? - atento ao filme, eu pude ver pelo campo de visão, se jogar no sofá.
- Tô nem um pouco a fim de sair... - avisei sem desviar os olhos da TV.
- Estou vendo que vocês estão se divertindo bastante... - soltou, me fazendo olhar o local. Realmente, como início de viagem estava péssimo.
- Tudo bem, vamos aonde? - concordei olhando pra , afinal, o filme estava chato mesmo.
- Sei lá, vamos ver o que tem de bom por aqui. - deu de ombros, colocando os olhos sobre o ombro de pra ver o que ele jogava.
- Então vou me arrumar. - me levantei e sem querer pisei na barriga de .
- PORRA, PUTA QUE PARIL, VAI SE FODER! - ele soltou ao sentir meu peso sobre si e colocou a mão na barriga. Pô, não sou tão pesado assim.
- Nossa, como você é carinhoso. - observou sem tirar os olhos do celular. Nem .
- Foi mal, dude. - eu disse rindo. Ele se levantou e se contorceu no chão. - Ah, qual foi, não é pra tanto.
- Não é pra tanto? Quer que eu pise na sua barriga pra ver o que é tanto? - ele ainda passava a mão na barriga.
- Ih, tá na TPM. - eu o pulei e caminhei em rumo ao meu quarto. Provavelmente os outros diriam que iríamos sair.
Ou não.
- Vocês... não vão se arrumar não? - perguntei incrédulo ao chegar à sala arrumado e vir sentado onde eu estava, olhando atentamente a bunda de uma atriz desconhecida na TV e os outros dois jogando, cada um em seu celular.
- Vamos aonde? - quis saber, ainda atento na TV.
- Sair. , você dá a idéia e ainda não trocou d ...
- Eu vou assim mesmo. - deu de ombros. Ninguém me olhava.
- Então vamos logo! - aumentei o tom da voz, fazendo que ele e levantasse. – ANDA, ! - ele ainda olhava a TV.
- Só mais um pouco... - implorou, nessa hora já babando. Fui até a TV e a desliguei, recebendo xingamentos por isso.
- UAAAU! Por que é mesmo que não descobrimos isso aqui antes? - estava abobado - sim, abobado - com a quantidade de mulher que tinha no local. Era uma espécie de festa na praia, onde a maioria das mulheres era as 'convidadas'. Tocava música alta e pessoas dançavam e pareciam ter orgasmos na pista de dança feita na areia. Algumas mulheres estavam vestidas de havaianas. Outras ainda estavam de canga, formando um longo vestido e algumas usavam somente short com a parte de cima mostrando o biquíni.
- A noite promete! - disse da mesma forma débil que o .
Começamos a caça às gatas, e claro, nos perdemos um dos outros. Mas por algum motivo, que eu ainda vou descobrir, eu levei foras impublicáveis de TODAS as gatas. Algumas me davam foras com desculpas esfarrapadas. Teve uma, até, que disse que tinha namorado. Uns dez minutos depois eu a peguei beijando outro cara. Não, não era o namorado dela, pois outro cara mais forte chegou e quase meteu a porrada no cara que estava beijando a menina que me deu um fora. Você entendeu?
Quando estava no auge da noite, a praia enchendo cada vez mais, eu encontrei meus amigos sentados em uma mesa bebendo feito loucos e visivelmente bêbados. estava com uma garota bem gostosa. Que cara sortudo, meu.
- Olha quem aparece por aqui... - ele abriu os braços ao me vir em pé encarando os cinco. Com certeza, estava bêbado.
- Até que enfim resolveu dar as caras! - se virou pra me olhar e eu cruzei os braços, no tédio.
- Vou ao banheiro, amor. Eu já volto. - a gata disse dando um selinho em . Já estava a esse ponto?
Ela se levantou e eu segui em rumo onde ela estava. Me sentei e a segui com o olhar.
- Uau, que gata. - sussurrei, sem perceber, observando o tamanho da bunda dela.
- Tira o olho que já é minha. - advertiu sério, mas arrastando as palavras me fazendo o olhar.
- Tudo bem, tudo bem. - ergui os braços na altura dos ombros.
- Pegou nenhuma não? - perguntou rindo, já imaginando minha resposta.
- Não. - admiti sussurrando, mas eles ouviram. Todos eles. Eles riram da minha cara, aliás, gargalharam da minha provável cara de tacho.
- Mas vou conseguir, eu sou fodão! - me exibi desnecessariamente dando um sorriso largo, fazendo os caras rir mais.
- Eu... aposto com você. - ainda ria.
- Apostar o que? - eu suspendi a sobrancelha, virando meu olhar a ele.
- Que você pegue as primeiras cincos mulheres....
- Se você levar um fora de alguma delas, vamos voltar aqui amanhã... mas com você vestido de mulher. - completou com um sorriso malicioso. só gargalhava.
Demorei uns tempos pra pensar. Eu não sou tão feio assim, mas não peguei ninguém até agora. Mas se eu levasse um fora? Andar por aqui no segundo dia de férias vestido de mulher seria humilhação pro resto das minhas férias. Mas se eu desistir, os caras vão me zoar e não é só pro resto das férias, é pro resto da vida. Acho que isso eu aturo, até porque...
- O que foi? Vai amarelar? - provocou, me deixando levemente puto e interrompendo meus pensamentos.
- Aceito. - falei sem pensar. Claro, ele me interrompeu.
- Então ok. - sorriu malicioso e os outros riram.
Que desgraça, odeio apostas. Mas eu sou o fodão, eu sou o rei da cocada preta, eu sou aquele que pode tudo, eu sou melhor que o super-homem, sou mais bonito do que aquele cara que fez 'Guerra dos mundos' o qual não sei dizer o nome, sou mais gostoso do que Brad Pit e Jonny Depp juntos, eu sou ! Não é pra tanto, mas é quase isso.
Me levantei e olhei para os lados, procurando um lugar ideal, onde tem mulheres com cara de legais ou um lugar mais escuro onde ninguém - nem mesmo meus amigos - pudessem ver se caso eu levasse um fora. Bom, eu só vi um lugar parecido com a última opção que é próximo ao mar. Mesmo escuro, eu vi algumas pessoas sentadas, umas sozinhas, outras no amasso, mas suponho que haja mulher ali. Eu ia me encaminhando pra lá, quando me impediu.
- Onde vai? - quis saber me olhando sério.
- Vou à caça. - sorri fraco, mas ele continuou sério.
- Espera, temos que ir junto. Como vamos saber se você não levou o fora? - agora sim ele riu e meu sorriso murchou.
- Espera aí, vocês...vão ficar...segurando vela? - perguntei incrédulo.
- Claro que não! Vamos ficar de longe! - explicou causando meu alívio.
- Então vamos logo!
- Espera a...
- Estou de volta. - a loira bunduda voltou, surgindo de trás de mim. se levantou e eu dei espaço pra ela passar, claro, encarando o que ela tem de maior. - Mas eu tenho que ir, agora. - eu não vi a expressão que ela fez, meus olhos ainda estavam muito ocupados.
- Ah, mas já? - fez uma voz insuportavelmente melosa.
- Uhum. - ela também foi melosa e após eu ouvi um barulho de um estalinho.
Tudo bem, depois que a loira foi embora, eu estava... nervoso, digamos assim. Pois sim, meu lado feminino que estava em jogo!
- Vocês ficam aqui e não saiam, ok? - eu disse embaixo de um coqueiro que havia próximo ao mar e das poucas pessoas que havia na areia.
- Sim senhor! - bateu continência, recebendo um pedala meu.
Por outro lado, no escuro era melhor, porque se eu pegasse um baranga eu não veria seu rosto nem seu corpo. Então estava tudo certo.
Caminhei lentamente pela areia e quando avistei a primeira mulher, eu olhei os caras e eles gargalhavam. Suspirei e me sentei ao lado da menina.
Tudo bem, eu não preciso contar todas as cantadas que joguei nas meninas, porque se eu fosse mulher e algum cara jogasse uma cantada daquelas pra mim, eu não cederia. E eu não posso nem pensar em ser mulher porque isso me deixa mais nervoso do que já estou.
Por incrível que pareça, até a quarta eu estava indo bem. Indo bem só pelo fato de elas cederem o beijo, mas indo mal porque todas beijam mal. Sinceramente, não sou expert em beijo, mas cada uma beijava pior que a outra! Tinha uma que tinha um gosto ruim na boca e quando o beijo chegou ao final, eu sai cuspindo na areia. Eu ainda tive que inventar que eu tinha que alimentar meu cachorro porque a menina não queria me deixar ir embora.
É claro, eu estava feliz por ter conseguido chegar na quarta, por tanto só faltava uma.
"This moment is perfect, please don't go away, I need you now. And I'll hold on to it, don't you let it pass you by"
Innocence - Avril Lavigne
Eu andei mais um pouco e ainda estava na vista dos caras. Me joguei ao lado de uma menina - que estava olhando o mar atentamente -, ainda puto com o beijo da última menina que queria me assediar, deixando um pouco de areia espalhar pelo ar, digamos assim.
- EI, EU TÔ AQUI, OK? - a menina berrou me olhando, mas eu não conseguia vir seu rosto perfeitamente. Mandei mal, ela não podia ficar com raiva de mim logo agora. Depois do beijo sim, mas agora... espera! Eu conheço essa voz!
- Oi, ér...me... desculpa. - por outro motivo desconhecido, eu gaguejei. Ela virou o rosto e deixou um cheiro familiar. Eu fechei os olhos e pendurei a cabeça pra trás, fechando os olhos, prendendo a respiração, parecendo que o cheiro ia permanecer se eu continuasse prendendo a respiração - a única coisa que eu ia conseguir era a morte. Quando, aos poucos, o perfume foi sumindo, eu abri os olhos e eu a encarei. - O que você tem, hein? - ela me olhou, provavelmente me viu a encarando pelo campo de visão.
- Na...da. - eu a encarava assustado, um pouco. Sim, era a , eu tinha certeza disso. Ela deu uma risada baixa, a mesma risada que por horas ficou na minha mente.
Suspirei, olhei a lua, olhei o mar, olhei pra ela, olhei para os dudes, suspirei de novo, fechei os olhos, abri, brinquei com a areia, fiz tudo que um momento daqueles pode me proporcionar, menos tomar coragem de falar alguma coisa com ela. Até que ela tomou coragem de falar comigo:
- O que te faz se jogar do meu lado e parecer um autista sem ter o que fazer? - aquela voz rouca ecoou, me fazendo a olhar. Ela olhava pra mim, pena que a escuridão não me deixava ver seus olhos perfeitamente.
- Não está me reconhecendo? - questionei tentando ser natural após o maravilhoso elogio.
- Claro que estou. Seu cheiro é familiar, e você ah, você parece um gago. Só não sei seu nome. Se não fosse por isso, eu já estaria marchando pro lado oposto da praia te xingando de tudo quanto é nome. - ela disse me fazendo rir. Nossa, ela percebeu que eu gaguejo quando eu falo, só não sei se ela sabe que eu perco a fala só com ela. E acima de tudo, ela memorizou meu perfume.Que gay.
- Então...me desculpa. - falei ainda rindo um pouco do que ela disse.
- Sem problemas. - ela também riu um pouco e depois voltou seu olhar pra areia. Olhei para trás, os dudes me viram e fizeram joinha com a mão. Cara, eu não podia fazer isso. Sim, eu a queria beijar, mas se eu a beijasse, ela, então, faria parte de uma aposta.
Que merda! Por que também ela veio aparecer logo aqui? Logo agora?
Me virei e cocei a nuca, sem saber exatamente o que fazer. Acho que seria mais fácil ela ceder do que eu procurar outra pessoa e ela me dá um fora. Mas se eu a largasse ali, eu teria que me vestir de travesti, o que não seria legal. Eu teria de arriscar, quem sabe ela não cede e some da minha vida? Ah, lembrando que não é isso exatamente que eu quero. Eu queria que ela ficasse aqui pro resto da vida, mas se caso ela descobrir que é uma aposta, eu estou - literalmente - fodido. Ok, perdi a mina. Porque sim, se eu a beijar, vou ter de torcer pra ela voltar de viagem no máximo amanhã pra que ela não saiba que faz parte de uma aposta. Mas se eu não a beijar... não é isso que eu quero! Eu quero beijá-la, dude!
Só se...eu sou um gênio! Simples: peço aos caras que não contem nada pra ela. Como não pensei nisso antes?! Tudo bem que vou ficar com um peso básico na consciência, mas agrada aos dois lados: da aposta e o meu lado.
Suspirei e resolvi puxar assunto antes de arriscar.
- Então...o que está pensando? - eu fui pelo pior caminho, claro. Da última vez que perguntei quase isso, ela me deu um fora legal. Ela me olhou e fez um barulho estranho com a boca.
- Quer mesmo saber? - sua voz saiu como um sussurro.
- Sim, claro. Por que não? - sorri, mesmo que ela não pudesse ver.
- E se eu dissesse que eu estava pensando no meu namorado, ia se importar? – tapa na cara, .
- E... você não acha que pode encontrar um... outro cara, que... sei lá, faça você... esquecer seu namorado... por um tempo? - eu não gaguejei, ok? Eu só estava tentando ser convincente.
- Tipo... quem? - ela ainda me encarava.
- Tipo... - lentamente, eu aproximei meu rosto ao dela, que não se preocupou em se afastar. Talvez fosse um sinal verde. - Eu? - perguntei receoso, com a testa encostada na testa dela. Agora sim, eu podia ver os olhos brilhantes dela nos meus e um belo sorriso brotou nos lábios. Eu coloquei uma mecha atrás de sua orelha. Ela fechou os olhos ao sentir meu toque e eu encostei meu nariz ao dela. Sua respiração falhou, se misturando a minha. Encostamos nossos narizes e após, colei meus lábios nos dela. Minha língua pedia passagem e ela cedeu, colocando uma mão em meu pescoço vagarosamente. Mesmo estando de lado, eu coloquei uma mão em sua cintura e uau, sua boca tem um gosto inexplicável. Ela colocou uma mão na minha nuca e colocou alguns dedos dentre meus cabelos, me fazendo arrepiar. Apertei sua cintura, ao senti-la, de leve, arranhar minha nuca. O beijo estava se intensificando a cada segundo e ela me puxou pela nuca, me surpreendendo um pouco, me fazendo deitar por cima dela. Como eu sou um cara de músculo, eu me sinto um pouco pesado pra estar por cima dela, principalmente na areia. Então, enquanto ela estava deitada sem desgrudar de meus lábios, eu me posicionei deitado também, mas ao seu lado, de modo que eu pudesse tocar seus lábios. Ela mantinha sua mão em minha nuca e puxava meus cabelos levemente às vezes, enquanto eu ainda estava com a mão em sua cintura.
Minha respiração estava ofegante, eu estava excitado e com isso, minhas mãos foram descendo lentamente por sua coxa. Quando estava percorrendo o caminho de volta, ela se sentou e me soltou, me deixando com cara de paisagem.
- Isso... está... Me desculpa. - sem me explicar, ela se levantou e caminhou em lado oposto, marchando. Só não sei se estava me xingando.
Suspirei enquanto eu estava feito idiota ditado de bunda pro ar na areia. Me levantei me sentindo um estúpido e limpei minha roupa de areia. Quando olhei na direção de onde ela foi, ela havia sumido.
- AÊ! - levantou uma garrafa ao ar quando me viu, com um sorriso que mal cabia no rosto.
- Achei que você ia se vestir de mulher! - disse com voz de mulher e deu um tapa na própria perna em seguida, tentando dar um beijo em depois. Claro, ele tentou escapar.
Eu olhava os três com cara de poucos amigos, sem achar graça alguma do que eles faziam. Ou uma das duas: eu estava muito puto comigo mesmo por ter deixado passar do ponto que eu pretendia, ou pior: por ter deixado o beijo acontecer e agora, ela faz parte de uma aposta. Ou então eu estava anestesiado pelo beijo. Eles faziam gracinhas e eu não prestei atenção em nada, só quando me embalançou freneticamente.
- Que foi? - olhei pra ele lentamente, já que eu fitava a direção em que ela tomou.
- Você, fitando o nada.
- Quero ir embora. - as palavras dele mal absorveram em minha mente e eu respondi distraído. Me soltei de e comecei a andar sem rumo. Ao me afastar senti os olhares deles sobre mim, mas dei de ombros.
Tomei um caminho onde haviam menos pessoas, que por acaso, era o caminho que ela havia feito alguns minutos antes, só que mais afastado da areia.
Quando sai daquela multidão de gente, eu achei que eu tinha me perdido. Acho que caminhei demais. Olhei para os lados e uma daquelas ruas deveria dar na minha casa. Porque não é possível que andando anos por ali, eu não reconheceria onde eu estava. Entrei em uma rua que era a mais clara e eu ainda pensava no beijo, eu ainda estava com ela na mente.
O final da rua estava próximo quando levantei a cabeça pra olhar pra frente, já que antes eu chutava pedrinhas feito emo. Foi quando eu vi um rosto e belas pernas exposta no portão de uma casa. Eu senti, novamente, aquela sensação estranha ao notar que era quem eu menos esperava.
Ela estava sentada ao chão com as pernas esticadas, encostada na parede, fitando o nada. Andei um pouco mais rápido, mas será que ela estava a fim de falar comigo? Eu bem que podia dar meia volta e entrar em outra rua (porque passar por sua frente e não falar com ela seria, no mínimo, infantil), mas já era tarde, ela me notou ali.
Eu dei um sorriso canto de boca, parando ao seu lado. Ela sorriu de lado também e depois voltou a fitar o nada. Suspirei antes de sentar ao seu lado e me posicionar na mesma posição que ela.
O irritante silêncio humilhante pairou no ar, só escutamos o 'cricri' dos grilos. É sério, lá tem grilos.
- Me desculpa, eu não...
- Não fala nada. - ela me cortou, me olhando brevemente. Eu continuei a encará-la, podendo, agora, rever melhor as perfeições de seu rosto.
- Por favor, me explica. - pedi, eu realmente não estava entendendo. - Se quiser que eu suma, eu sumo. Se acha que é melhor assim, eu sumo. - falei sem pensar, é claro.
- Nunca mais repita isso, fui clara? - ela me encarou até eu assentir. - Só achei que estávamos indo rápido demais. - sua voz saiu como um sussurro. - Eu ao menos sei seu sobrenome. – disse como se souber o sobrenome alheio foi a coisa mais normal do mundo.
- , prazer. - sorri um pouco e ela riu baixo.
- , satisfação. - suspendi a sobrancelha. - Prazer é só na cama. - acrescentou, rindo do próprio comentário. Eu pisquei os olhos algumas vezes pra tentar acreditar no que ela dissera. Ela gargalhou me olhando e de repente ela se abraçou, seu riso sumindo vagarosamente. Ela voltou a fitar o nada e abaixou a cabeça, ainda se abraçando.
- Está... com frio?
- Um pouco. - ela sussurrou ainda sem me olhar. - Vamos entrar. - ela se levantou e... espera! Ela falou vamos? Primeira pessoa do plural?
- Ér... eu vou pra casa. - me levantei também e a encarei.
- Se quiser, pode entrar. Eu vou fazer um chocolate quente. - ela sorriu esfregando o braço.
- Então tudo bem. - concordei sorrindo, fazendo com que ela sorrisse também.
Quando entrei na casa, ela era incrivelmente bonita. Nada muito 'cheguei', mas era absolutamente confortante. Os móveis de madeira davam a sensação de estar em um chalé (se não sabe o que é, www.google.com, meu bem). As paredes eram de cores marrom, no tom da madeira do teto, da mesa, da cadeira, da estante...
Tudo perfeitamente organizado e decorado.
- Uau. - sussurrei automaticamente observando cada parede.
- Hum? - ela fechou a porta atrás de nós.
- Sua casa é bem organizada e... linda. - me senti um gay falando isso, mas finge que não falei.
- Ah, - ela soltou uma risada gostosa - obrigada. - me encarou sorrindo. Meu olhar encontrou com o dela, já que eu ainda fitava a casa feito jegue.
- Então... vou fazer o chocolate. - avisou quando notou que nos encarávamos, visivelmente sem graça. Eu sabia que uma hora ela não ia resistir ao gostosão aqui e ia ficar sem graça. Ok, menos.
Eu a segui, observando suas costas... ok um pouco mais abaixo. Sua cozinha era perfeitamente decorada, quase igual a sala.
Eu fiquei no batente da porta enquanto ela pegava algumas coisas no armário, quando alguma coisa que ela tentava puxar, caiu por cima dela, trazendo quase o resto do estoque inteiro. Ela se encolheu e caiu quando sentiu mais coisas vir por cima de si.
Eu corri e fui ajudá-la, tirando toda aquelas coisinhas de cereais, caixa de Nescau e blábláblá de cima dela. Ela coçou a cabeça quando eu a ajudei a levantá-la e sorriu.
- Obrigada. - agradeceu ainda sorrindo, mas nosso rostos estavam tão próximo, que eu podia sentir sua respiração. Ela ainda coçava a cabeça quando eu escorreguei minha mão por seu braço até tocar suas mãos, seu sorriso ia sumindo lentamente. Ela não se afastava, mas também estava séria e eu não sabia se ela queria aquilo (de novo) tanto quanto eu.
Eu queria beijá-la de novo, sentir aquela sensação no estômago que só ela consegue me fazer sentir.
Novamente, eu coloquei uma mecha de cabelo atrás de sua orelha e sorri. Ela abaixou seu braço e sorriu também, levei isso como um sinal verde.
Aproximei meu rosto do dela até tocar nossos lábios e ela fechou os olhos ao sentir minha pele, me fazendo fechar os meus também. Finalmente, senti aquele frio no estômago, coisa que jamais passou pela minha cabeça sentir novamente. Coloquei uma de minhas mãos em sua cintura enquanto nossos narizes se encostavam e ela colocava sua mão em minha nuca, me fazendo novamente arrepiar. Vagarosamente, eu a empurrei até a pia sem desgrudar nossos lábios, passando por cima de todas aquelas caixas que havia no chão, sem nos importarmos. Quando seu corpo encostou-se à pia, ela me puxou pela nuca, fazendo pressão do meu corpo contra o dela. O beijo estava se intensificando e eu sentia sua respiração ofegante a cada segundo. Toquei sua cintura levemente com as duas mãos e a coloquei sentada sobre a pia sem soltar seus lábios, a fazendo rir. Ainda sem cessar o beijo uma vez, sorri e ela ficou bem na ponta da pia, colocando seu cotovelo em meu ombro, enquanto minhas mãos passeavam por sua cintura, variando em suas coxas.
Ela fez mais pressão pra que nossos corpos se encostassem cada vez mais, arranhando levemente minhas costas me fazendo soltar um gemido abafado. Sem nenhum aviso, ela desceu da pia - cortando o beijo - e me encarou com a respiração falha, com um sorriso sapeca nos lábios, me fazendo rir fraco. Ela me puxou pela gola da camisa verde musgo que eu usava. Ela andava de costas me fitando atentamente, enquanto me levava a um cômodo que eu ainda não conhecia. Quando estávamos no corredor, de frente a uma porta branca, ela se aproximou e voltou a colar seus lábios aos meus, soltando a gola da minha camisa e suas mãos voltaram a tomar o caminho de meus cabelos. O beijo estava se intensificando, novamente, e eu a abracei, com as mãos em torno de seu corpo, sem cessar o beijo, claro. Ela arranhou levemente os meus cabelos e os puxava, fazendo um movimento vai e vem lentamente. Ela fez um movimento brusco me fazendo querer soltá-la, mas ela não quis soltar meus lábios e com uma das mãos que soltou meu cabelo, ela abriu a porta e me puxou pra dentro do cômodo, que quando abri os olhos, notei que era seu próprio quarto.
Com muita vontade visível, ela me puxou pela nuca até sua cama espaçosa e se jogou sobre ela, me levando junto. Pude senti-la sorrir enquanto suas mãos percorriam minhas costas, suspendendo minha blusa lentamente. Eu me surpreendi um pouco, que menina rápida!
Cessei o beijo pra tirar logo minha camisa e olhei pra ela que estava ofegante com um sorriso nos lábios. Voltei a beijá-la, ainda por cima dela, e minhas mãos tomaram o caminho da bainha de sua blusa, que suspendi e novamente cortamos o beijo.
- Ual! - eu sorri ao ver seu biquíni vermelho com uns detalhes azuis, lembrando a bandeira da Inglaterra. Ela riu fraco e eu rolei meus olhos do seu biquíni parando no cós de seu short jeans, bem curto por sinal. Olhei pra ela e ela assentiu ainda com um sorriso nos lábios.
Em questão de segundos, ela estava sem short e sem a parte de cima do biquíni. Eu bejei seu pescoço, a fazendo gemer e suspirar em meu ouvido, me deixando mais excitado. Desci meus beijos lentamente até chegar em seus seios, onde beijei enquanto ela fazia cafuné em minha cabeça, gemendo arfamente.
Desci meus beijos pela sua barriga, que contorceu um pouco, e quando cheguei na parte de baixo, novamente, olhei pra ela e ela, novamente, sorriu com a respiração falha.
Tirei a parte de baixo de seu biquíni e senti meu pênis latejar ao abrir suas pernas. Me inclinei até ficar de frente a sua intimidade e ela gritou - bem alto, por sinal - quando toquei minha língua em sua vagina. Ela revirou os olhos quando eu a penetrei com a língua, chupava e sugava sua intimidade. Ela gemia alto e mordia o lábio inferior enquanto eu a masturbava, alternando a velocidade da língua. Quando mais rápido, ela mordia o lábio, quando mais lento, ela gemia alto.
Coloquei um dedo nela e ela gritou de prazer, se contorcendo sobre a cama. Enquanto eu estocava rapidamente meus dedos em sua vagina, eu beijava seus seios, o que a fez gemer mais alto e voltar a fazer cafuné em meus cabelos.
Tirei o dedo dela e a masturbei com as mãos, dando um beijo suave nela, causando suspiros quando toquei em seus lábios. Aumentei a velocidade de meus dedos, fazendo se contorcer mais sobre a cama, me obrigando a cessar o beijo.
Eu a via se contorcer cada vez mais sobre a cama de olhos fechados, gemendo alto e mordendo o lábio, me deixando cada vez mais excitado. Ela agarrou com força o lençol da cama quando eu a senti gozar. Ela me puxou pela nuca, relaxando levemente e me dando um beijo longo.
Ainda com os lábios nos meus, ela se pôs em cima de mim. Ela sentou - cortando o beijo - sobre meu pênis, mesmo por cima de minha bermuda, e rebolou sobre ele. Ela deu um sorriso tarado quando sentiu meu pênis enrijecido.
Sorri também e, sem cerimônias, ela arrancou minhas calças e levou junto minha cueca. Relaxei a cabeça pra trás fechando os olhos e gemendo, ao senti-la tocar meu membro. Ela o abocanhou com o mesmo sorriso tarado e fazia movimentos rápidos. Ou meu pênis é pequeno, ou ela tem a boca grande, porque cara, ela colocava meu membro todo dentro da boca, e isso me deixava mais excitado.
Coloquei a mão na testa, louco de tesão e gemia cada que ela lambia a cabeça de meu pênis. Ela começou a me masturbar com as mãos enquanto me encarava firmemente alargando seu sorriso a cada suspiro que eu dava. Quando avisei que eu ia gozar, ela parou de me masturbar e veio de encontro aos meus lábios. Ela estava deitada ao meu lado com os lábios aos meus, mas sua intimidade não tocava a cama, então eu coloquei a mão em seu órgão e ela gemeu abafado. Eu voltei a mexer meus dedos ali e ela se sentou rapidamente em meu tórax, cortando o beijo em seguida.
Eu fiquei surpreso quando ela mesma enfiou meu pênis em sua intimidade. Ela se inclinou para trás e apoiou as mãos em minhas pernas. Sentindo meu pênis dentro dela, ela fechou os olhos, gemendo alto de prazer. A visão que eu tinha vamos concordar que era a melhor de toda a minha vida.
Ela se inclinou pra frente e alisou meu tórax, enquanto eu estocava com mais velocidade meu pênis em sua vagina. Ela beijava meu peito e lambia os mesmos, me fazendo suspirar e gemer junto a ela.
Quando estávamos prestes a gozar, ela tirou rapidamente meu pênis de dentro dela, mas eu acho que eu já havia gozado. Mas ela não.
Ela sorriu maliciosa e deitou ao meu lado, enquanto eu fechei os olhos sentindo o êxtase que o orgasmo me proporcionava e coloquei uma mão em sua vagina novamente, a masturbando rapidamente. Eu só a ouvia arfar ao meu lado, pois eu ainda estava de olhos fechados. Quando senti que ela gozou, eu diminui a velocidade de meus dedos até pararem totalmente e eu a senti se calar.
Ficamos alguns minutos arfando sobre a cama, sem dizer nada.
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Vidros quebrados, porta-retratos jogados nas paredes, palavras de baixo calão. Isso tudo tem vindo com mais frequência, e me magoa cada vez mais. Porque eu o amo. Amor é uma palavra complicada; poucos sentem, poucos entendem, poucos dão valor. Mas até hoje não consigo entender como o amor, um sentimento tão caloroso vindo de ambas as partes, pode se transformar no ódio com o passar do tempo. Pelos menos, comigo é o que está acontecendo. Tudo que eu queria é que ele mudasse, que fosse tudo como era antes, que um simples fato não fosse motivo pra briga. E dessa vez quem conseguiu fazer um escândalo fui eu. Descobrir ser corna não é uma tarefa fácil, mas se torna fácil quando você já está cansada daquela mesma rotina, das mesmíssimas brigas todos os dias, quando você já esperava que um dia isso fosse acontecer. O problema é quando você se apaixona sabendo que tem um cara na sua casa capaz de acabar com sua própria vida. A minha vida.
E acho que tirar umas férias em região dos lagos fosse uma boa idéia. É, eu achava.
Um "I tried to be chill, but you were so hot that I melted" I'm Yours - Jason Mraz.
- Enfim, férias! - eu disse relaxado com uma cara de orgasmo quando se está excitado, colocando meus pés sobre a mesa de centro e as mãos na nuca. Típica posição de folgado. Mas decidiu passar logo por ali, e empurrou minhas pernas, arrastando uma mala preta imensa.
- Mas vamos logo, senão vamos pegar transito! - ele ia em direção a porta, mas não parecia incomodado com o olhar reprovador que eu lançava-lhe por suas costas.
- Ainda são... - pausei e olhei o relógio de parede, ao lado da porta - duas da tarde! - completei incrédulo, assistindo-o se virar e puxar a mala pra fora de casa sem delicadeza alguma, da forma mais esquisita que existe. Bufei rolando os olhos por ele ter me ignorado completamente, e abaixei meus olhos a procura do chinelo. - Cadê os outros? - perguntei com uma dificuldade gigantesca de encaixar meus pés no chinelo branco.
- está no banheiro se arrumando. - ouvi a voz de enquanto eu me levantava. - Ele parece uma noiva que está prestes a se casar... - e eu segurei uma risada ao vê-lo caminhar até a porta, onde já não estava mais, carregando uma nécessaire.
- Olha quem fala! - exclamei, ainda na vontade de rir enquanto eu o seguia com o olhos. - Você está carregando uma nécessaire, . Uma ne-ces-sai-re! - e eu soltei a risada.
- Vocês que são desprevenidos. - deu de ombros, sumindo pela porta de entrada.
Perdi o riso aos poucos, indo em direção ao as escadas e subindo-as com certa pressa, dando um soco violento na porta do banheiro do corredor do andar de cima.
- Anda, cara! Você demora muito! - e eu continuei a socar inúmeras vezes a porta.
- Vamos. - finalmente ele abriu a porta, deixando escapar o cheiro de sabonete. Pra apressá-lo ainda mais, peguei uma de suas malas que estavam do lado da porta do banheiro e ele pegou outras duas. Completamente desnecessárias. Homem, quando vai viajar pra praia, basta levar uma sunga, cinco cuecas e uma camisa. Só!
Entramos no carro feliz da vida, como pinto no lixo.
Pra arrasar com as gatas, eu modifiquei nosso carro completamente: pintamos de cinza e tinha uma listra preta na lateral, escrito de branco por cima "doing shit"; Os faróis eram azuis e, claro, tinha abertura no teto pra nos fazer sentir que estávamos numa limusine. Retire esta última parte.
Como eu estava dirigindo, pedi à , que estava no banco do carona, pra pegar um CD qualquer no porta-luvas. Optou por Busted, banda de um amigo nosso.
Parecia que estávamos num acampamento de final de ano, com todos os quatro idiotas cantando ridiculamente as músicas que saiam do som do carro. Estávamos numa estrada absurdamente vazia, só via matos altos e, às vezes, passava um posto de gasolina, um motel, ou um restaurante deplorável. Finalmente, estávamos saindo dessa estrada e entrando numa que tinham poucas casas, e, batucando com os dedos no volante e distraído com a música, acabei não prestando atenção no sinal que estava fechado, dando uma freada bem na hora. Segundos depois, ouvimos um barulho vir da traseira do carro.
- Ah, não! - exclamou, provavelmente olhando pra trás e vendo a desgraça, enquanto eu já tinha minha cabeça apoiada no volante, batendo-a contra ele repetidas vezes. Eu não queria acreditar no que eu estava pensando.
- Vamos lá! - disse, encorajando-nos a sair, abrindo a porta do seu lado do carro.
Suspirei fundo e desci do carro, e como pude perceber, os outros saíram também, indo direto e rapidamente á traseira. E lá estava todos os vidros azuis espalhados sobre o chão, o porta-malas completamente amassado. Passei as mãos pelos cabelos cruelmente, fitando o carro preto e espaçoso que tinha atrás, louco pra ver a cara do idiota que havia batido no nosso carro, já que não dava pra ver por ter vidros escuros iguais ao nosso.
Visivelmente puto, deu impulso pra bater no vidro do motorista pra tirar satisfações, já que nenhum de nós tinha tomado atitude, só observávamos o estrago. Mas ele não chegou nem a dar quatro passos, já que a porta do carro se abriu. E de lá, saiu uma garota extremamente bonita. Bonita, mané bonita! Ela bateu no nosso carro, porra!
Mas, ainda assim a garota era hot. Usava uma calça jeans clara skinny, uma bata que caia sobre o ombro e óculos escuros, e pasmo comigo mesmo por estar fitando-a por tempo demais do que eu costumo fitar uma garota, eu não notei que esta estava na nossa frente com os braços cruzados.
- Você está maluca?! - ouvi a voz de , e o olhei rapidamente. - Você acabou com nosso carro! - ele apontou o dedo na cara da culpada, que parece não ter se comovido com tal fato. Ela tirou os óculos e seus olhos estavam vermelhos e inchados, me fazendo acreditar que sim, ela estava comovida.
- Vocês que param de repente e eu que tomo culpa? - a voz dela era absurdamente diferente, era rouca. Mas ela disse como se bater o carro fosse a coisa mais normal do mundo, irritando à nós quatro. Mas somente demonstrou tal irritação:
- Você que tinha que prestar mais atenção! - ele fez gestos exagerados, num tom extremamente alto, enquanto eu e não tínhamos reação alguma. Ela, simplesmente, rolou os olhos.
- O que querem? Que eu conserte esta coisa? - ela apontou pro nosso carro com tanto desprezo, que me fez bufar de raiva.
- Ei, não chama nosso carro de coisa! - reclamei, dando um passo a frente e esquecendo que ela era hot completamente.
- Carro? - me olhou com a expressão tomada pelo deboche. Gargalhou. - Tá mais pra circo ambulante. - soltou sem se importar. Bufei mais alto, controlando minha respiração que estava começando a ficar pesada por conta da raiva que eu tinha daquela infeliz por ter batido no nosso carro, no carro que levei séculos luz pra construir.
- Quem você pensa que é? - ouvi a voz de .
- O que está esperando pra pagar o conserto? - vez de falar.
- Você estava errada, ent... - eu ia dizendo com toda a autoridade na expressão, e não sei porquê diabos estávamos prolongando aquela conversa.
- Vocês que avançaram o sinal - começou com gestos exagerados, me fazendo rolar os olhos - e eu quem estava errada? - apontou pro próprio busto. E que busto.
Com isso, ela provocou uma breve discussão, cada um falava o que queria, não dando pra entender porra nenhuma. Acontece que ali passava poucos carros, caso contrário, pensariam que somos loucos.
- Ei, chega! - ela gritou mais alto, fazendo um 'T' com as mãos. - Eu pago a droga do conserto do carro de vocês. - passou as mãos pelos cabelos, colocando-os para trás e nos dando as costas em seguida. - Mas que saco, viu! - e eu ainda consegui ouvir ela resmungando.
Achei que ela fosse pegar dinheiro na carteira, ou algo parecido, mas ela passou direto da porta do carro e não parou.
- Aonde você vai? - perguntei confuso.
- Serve a oficina? - ela virou o rosto pra nos olhar, enquanto apontava pra uma oficina a uns 20 passos de onde estávamos. Ela se virou quando viu nossa cara de completos idiotas ao entender do que se tratava.
- Vamos lá, caras. - decidi dizer ao ver que não tomávamos atitude alguma, vendo ela se afastar cada vez mais. Eles assentiram e começamos a caminhar com resmungos, fazendo o mesmo caminho que ela havia feito antes.
Chegamos à oficina e lá era um lugar bem arrumadinho e limpinho. Não que eu me importe realmente com isso, mas é bom deixar meu bebê (lê-se: meu carro) nas mãos de uma pessoa saudável.
Abrimos a porta principal e eu entrei primeiro, vendo aquela garota conversar com um moço gordo, baixinho e bigodudo que estava atrás de um balcão.
Nos aproximamos, e eu me sentia um dos cara daquelas gangues, já que eu estava na frente, e ao meu lado; atrás, um pouco ao lado de vinha e do meu lado, um pouco atrás, vinha .
- Vai demorar muito pra ficar pronto? - eu ouvi sua voz rouca perguntando ao homem, que notou nossa presença, menos ela.
- Eu não sei bem. - disse, arrastando o braço pelo balcão enquanto andava pra sair de trás deste. - Tenho de ver o estrago primeiro. - fez uma expressão pensativa, cruzando os braços e pondo-se diante a nós. A essa altura a menina já tinha nos notado ali, mas parecia nos ignorar completamente. - Vou mandar que peguem o guincho. - disse, finalmente, com um gesto exagerado e logo pediu licença, indo em direção a uma porta preta, desaparecendo por trás dela em segundos. Me virei pra menina ao meu lado que mantinha os olhos grudados na porta, a expressão enigmática.
- E aí? - perguntei receoso, mordendo o lábio de leve.
- Foram pegar os carros, e o mecânico vai vê-los primeiro. - respondeu área, o olhar vazio como se não estivesse por completo lá.
Quando abrir a boca pra, sei lá, tentar amenizar a situação, ela se virou. A segui com o olhar e ela, realmente, era muito hot. Mas eu precisava me controlar, eu precisava me controlar. Ela sentou-se num dos bancos de espera que tinha próximo a entrada da oficina e colocou os óculos, abaixando a cabeça pra fitar os dedos sobre as pernas.
Suspirei alto e derrotado, voltando minha atenção ao meus amigos. Mas nenhum deles mostrou vontade alguma de falar, me fazendo bufar em tédio e cruzar os braços, fitando qualquer ponto daquela sala, mesmo com vontade de fitar a garota que estava sentada a poucos passos de mim.
Alguns minutos se passaram e nada do bigodudo chegar. Até que a voz de me tirou de um leve transe:
- Será que o estrago foi grande? - quis saber, mas não me dei ao trabalho de responder, afinal, o mecânico estava vindo e ele poderia responder melhor que eu.
- Então garotos - o mecânico disse entrando no meio da 'roda' que nós fizemos -, não foi muito sério, e eu posso consertar agora mesmo se for preciso. Só irá demorar umas duas horas mais ou menos.
- Tudo bem, a gente espera. - a menina, que afinal, eu nem sabia o nome, respondeu antes mesmo que eu pudesse respirar, aparecendo do meu lado.
- Já era nossa viagem. - reclamou indo se sentar em um banco de carro jogado em um canto. bufou, e foi atrás de , olhou pra mim com cara de cão sem dono e foi se juntar a eles. Ela olhou pra mim, deu um sorriso torto já se apressando a se afastar, mas eu fui mais rápido.
- Ei, eu não posso nem saber seu nome?
- . - ela disse simplesmente e se afastou indo pra fora da oficina. Sua carinha parecia tão triste, parecia magoada com alguma coisa. Será que era porque ela pagaria o concerto? Fui atrás dela.
- Oi. - eu disse me sentando ao seu lado, em um banco que tinha em frente à entrada da oficina. Ela me olhou e depois abaixou a cabeça. - O que foi? - perguntei sem cerimônias.
- Nada. - respondeu sussurrando, ainda sem me encarar.
- É por que você vai ter de pagar o carro? - perguntei não querendo que a resposta fosse sim.
- Mas é claro que não. - enfim, ela me olhou. Seus olhos eram lindos, insuportavelmente lindos. Mesmo ainda estando vermelhos e inchados. - Apesar de vocês estarem errados, eu não ficaria assim por causa de um carro. - ela disse, ainda em um tom baixo.
- Então, qual é problema? - perguntei.
- Não te devo explicações alguma. Principalmente da minha vida particular. - ela respondeu, me assustando um pouco. Nota-se que ela não estava nem um pouco a fim de conversar comigo. Então eu não ia ficar igual a um babaca ali, insistindo. Me levantei, mas quando fui me virar, me surpreendi por suas mãos quentes. Eu a olhei assustado. - Me desculpa. - ela disse me encarando, logo após, abaixou a cabeça, me soltando. Isso era um bom sinal, mas eu não arriscaria de novo. Não agora.
Fui até onde conversava com e jogava no celular. Ao me aproximar, perdeu a fala e me encarou.
- O que estava fazendo? - perguntou incrédulo.
- Fui conversar com ela, ué. - respondi simplesmente.
- , ela quase detonou com nosso carro! - aumentou o tom da voz.
- Dudes, eu que estava distraído com a música e parei rápido demais. - falei. Era mais que a verdade. Eu não queria, de certa forma, defender... qual o nome dela mesmo? Ah, . Eu não queria defendê-la, mas foi isso que interpretaram:
- Vai defender a menina agora, ? - perguntou sem me olhar.
- Eu não estou defendendo ninguém, tá legal? Estou falando o que aconteceu e... - eu ia me explicando, quando ouvi uma voz vir por detrás.
- Então... - me virei e avistei com o mecânico. Ele estava com alguns papéis nas mãos e eu encarei , que sorriu fraco. - Os carros já chegaram. O carro dela fica... - ele abaixou os olhos e deu uma olhada no papel - 450 dólares. O dos meninos fica 200. - ele levantou a cabeça e sorriu pra mim.
- QUATROCENTOSECINQUENTA? - se levantaram.
- Sim. - respondeu simplesmente.
- Ér, ...deixa...ér... - eu tentei dizer que pagava, mas de onde eu tiraria tanto dinheiro, assim do nada?
- Tudo bem, então dá seiscentos e cinquenta, é isso? - ela perguntou com uma cara pensativa, fitando o mecânico.
- Exato. - ele sorriu dando as costas.
- Eu pago a metade. - eu disse automaticamente e os caras me olharam.
- Tá tudo bem. Afinal, eu que bati no carro de vocês. - ela disse, dando as costas e seguindo o mecânico.
- Você bebeu? - perguntou, apontando pra própria cabeça.
- Isso não é justo. A culpa foi minha também.
- , de onde tiraríamos... - fez as contas no ar - trezentos e vinte e cinco?
- Eu não sei. Eu daria um jeito... - eu disse dando de ombros e indo pro lado de fora da oficina.
Me sentei onde eu estava sentado antes com ao meu lado. Eu coloquei as duas mãos sobre o banco e embalancei as pernas que não tocavam o chão. Mas que menina estranha, cara. Uma hora o humor dela tá normal, mas do nada ele some totalmente! Seus olhos eram tão lindos e perfeitos, a formação incrível com sua boca rosada. Que tolice.
- Ei! - eu disse chamando-a que saia pela porta. Ela se virou e tirou os óculos ao me ver.
- Oi. - ela respondeu normalmente, com uma expressão que esperava que eu dissesse algo. - E aí? - ela perguntou, me tirando do transe.
- Ah, oi. Desculpe...ér... - eu, simplesmente, não sei porque eu a chamei. Ela riu baixo da minha provável cara de idiota.
- Quer tomar um lanche? Eu pago. - ela sorriu torto.
- Não, que isso! Eu pago! - me levantei e fui até ela sorrindo.
Ela se virou e fomos andando em silêncio até a lanchonete mais perto.
"You've got control of me" Homecoming - Hey Monday.
- E então, agora posso saber o porquê desses olhos inchados? - perguntei me sentando em uma mesa com uma caneca de chocolate, enquanto ela segurava alguns salgados com refrigerante. Ela suspirou antes de colocar os salgados sobre a mesa.
- Ah, briguei com meu namorado. - disse simplesmente fazendo uma careta. Mas por trás daquela careta e modo simples de falar, eu sabia que não estava nada bem. É claro que não estava.
- Ah, e veio procurar 'refúgio' - fiz aspas no ar - aqui?
- É, praticamente. Acho que posso esfriar minha cabeça aqui. - ela deu um sorriso torto e depois abaixou a cabeça pra selecionar qual salgadinho comia primeiro.
- Você...é tão...apaixonada por ele assim? - perguntei, e é claro que não pensei antes. Ela me olhou com um sorriso cínico nos lábios e colocou um salgadinho na boca. Ela me encarava enquanto mastigava, me fazendo ficar levemente corado. OW, não fica corado por mulher alguma!
- Sou sim. - respondeu após mastigar e engolir.
- Ah... - murmurei tomando um gole do chocolate. Eu não conseguia manter meu olhar em seus olhos por muito tempo.
- Por quê? - quis saber colocando outro salgado na boca.
- Nada...demais. - respondi após colocar a grande caneca sobre a mesa.
- Hum... - ela ainda me encarava com um olhar sexy enquanto mastigava. - Preciso ir ao banheiro. - avisou e se levantou. Ela pegou a bolsa e me olhou nos olhos. Não entendi o porquê daquilo, mas eu suspendi a sobrancelha a fazendo rir levemente.
Ela me deu as costas e eu a segui com os olhos, a vendo sumir indo em direção ao banheiro feminino. Claro, sou homem e não pude deixar de notar o formato de suas belas pernas que tinham contorno por causa da skinny. Coloquei minha cabeça para trás, a fim de relaxar e fechei os olhos. Mas a imagem que veio na mente foi o sorriso dela. Me assustei um pouco, afinal, isso nunca acontecera comigo. Eu nunca gaguejei pra mulher alguma, eu nunca corei enquanto uma mulher me observa, nunca senti nada do que senti quando senti seu cheiro.
Eu batucava a mesa em um ritmo descompassado enquanto a outra mão estava ocupada em suspender a caneca e levá-la até minha boca. Até que ela voltou e eu a olhei nos olhos. Senti uma sensação estranha no estomago, sensação que era nova pra mim. Ela deu um sorriso canto de boca e sentou, com a bolsa sobre o colo.
- Oi... - sussurrou ainda com um sorriso nos lábios, enquanto se servia de Coca-cola. - Você... está vermelho. - comentou alargando o sorriso. Mas aquele sorriso era um sorriso debochado.
- Não estou não... - coloquei as mãos nas bochechas, a fazendo rir. - Ah, cara. Não faz isso.
- Não estou fazendo nada! - se defendeu tomando um gole do refrigerante ainda me fitando. Senti meu rosto queimar e me assustei sentindo meu celular no bolso. Abaixei meu olhar e peguei o aparelho, sentindo os olhos dela sobre mim.
- Alô? - atendi após vir escrito no visor.
- Aonde-você-está? - perguntou visivelmente puto.
- Calma cara! Estou em uma lanchonete. - avisei encarando o logotipo estampado na toalha da mesa, ainda sentindo o olhar de sobre mim.
- AH, NOSSO CARRO TODO FUDIDO E VOCÊ LANCHANDO?! - ele berrou, me fazendo afastar o telefone um pouco do meu ouvido.
- O que você quer?
- Vem pra cá, cara! - implorou me fazendo bufar.
- Tá, tudo bem. - eu ainda encarava debilmente o logotipo da lanchonete. Ouvi o 'tututu' no outro lado da linha e bufei novamente desligando o celular.
- O que aconteceu? - ela perguntou parecendo que estava segurando o riso.
- Eles querem que eu volte. - respondi visivelmente revoltado. Porque sim, eu podia ficar mais um pouco ali com ela, sentindo aquela sensação que só ela conseguia me fazer sentir, mas ele adora acabar com meus planos. Ok, eu não falei isso, ou você finge que não leu.
- Então tudo bem, vamos voltar. - ela se levantou e levou junto o salgadinho e o refrigerante. Me levantei também e terminei de tomar o chocolate em pé, com ela me observando. Incrível como ela não se comove com minha beleza e não fica vermelha, como as outras gatas ficam. Certo, você não leu isso de novo.
- Vamos. - sussurrei, colocando a caneca sobre a mesa. Saímos, ela na frente e eu atrás (tenso).
Fomos conversando pelo caminho falando sobre coisas que não são necessárias citar aqui. Pois sim, o cara mais gato, o cinto mais caro, o programa mais irritante e a banda mais broxante não são coisas tão interessantes de se compartilhar.
Ao chegar no mecânico, entramos pela porta principal e, mesmo de longe, pude ver jogando no celular, se embalançando bestamente sobre o banco de espera, de cara emburrada e um bico do tamanho do mundo, cochilando de boca aberta com a cabeça relaxada para trás.
Nos aproximamos. e suspenderam seus olhares vagarosamente e igualmente até eu e que estávamos imóveis diante dos dois. O mexeu a boca algumas vezes, mas o som não saia, fazendo rir baixo.
- O...que...aonde...por que... - ele procurava as perguntas certas pra nos questionar, enquanto nos encarava com uma careta.
- Estávamos na lanchonete. Porque senti fome. - disse com uma careta provocando um olhar mortal da parte dele. abriu e fechou a boca algumas vezes ainda de olhos fechados e fez um barulho estranho com a mesma, se ajeitando no sofá em seguida.
- Porra! - disse um pouco alto voltando seu olhar pro celular. Provavelmente o aparelho deve ter vibrado e ele tomou um susto.
- O que foi? Morreu alguém? - levantou assustado. Quando se situou e ouviu a risada gostosa de , ele a olhou de cima a baixo e suspendeu a sobrancelha. Ela se encolheu e murchou o sorriso.
Ouvimos uns passos pesados vir por detrás de mim e , e nos viramos.
- O carro está pronto. Ficou pronto mais rápido do esperávamos... - ele coçou a nuca como se esperasse alguma coisa.
- Então tudo bem...Vamos lá. - caminhou, passando pelo mecânico que me olhou com as sobrancelhas unidas ainda coçando a nuca.
- O que foi? - perguntei estranhando aquela expressão de reprovação.
- Vocês vão deixar MESMO ela pagar 650 dólares? - perguntou aproveitando a ausência da garota.
- Ué, ela que teve cul... - deixou de jogar pra se intrometer.
- Não, eu pago metade. - falei impulsivamente, recebendo olhares de reprovação dos meus amigos e um sorriso do mecânico. Caminhei em rumo ao caixa, onde provavelmente ela estava. E sim, ela estava lá, debruçada no balcão, encarando o relógio de parede.
- Ér.... - me aproximei e me debrucei no balcão também. Ela virou seu olhar a mim, mas continuou imóvel com o corpo colocado ao balcão. Suspirei antes de falar. - Eu pago uma metade do conserto e você paga a outra.
- Não, . Está tudo bem. - começou, virando seu corpo totalmente pra mim. Olhei seus lábios rosados enquanto ela falava, pois seu olhar estava tapado por seus óculos. - Acidentes acontecem e... me desculpa por falar do seu carro. Eu estava bem puta na hora e costumo ser um pouquinho sarcástica quando estou com raiva. - terminou de se explicar com alguns gestos. Dei um sorriso canto de boca e suspirei novamente.
- Então... tudo bem. - dei de ombros e ouvimos novamente barulhos de passos pesados. Olha olhou por cima de meu ombro tirando os óculos me fazendo virar. O mecânico caminhava em nossa direção com meus amigos atrás.
- Então...até. - ela deu um de seus sorrisos canto de boca e acenou na porta de seu espaçoso carro.
- Até. - acenei também, enquanto os outros já me berravam dentro do carro. - Foi bom passar... uma hora e meia com você. - falei sem perceber e quando dei por mim, mordi o lábio inferior fazendo-a dar uma risada leve.
- Digo o mesmo. - disse e entrou no carro, colocando seus óculos novamente.
two
"Need to know if you're there, if you're listening to my prayers"
Down Goes Another One - McFLY
Chegamos na casa de praia, o relógio batia 18h30. Tiramos todas as coisas do carro e estávamos exaustos pela viagem e por ficar por algumas horas aguardando o carro ficar pronto. Mas... se o tempo pudesse voltar, acho que eu bateria meu carro novamente. Acho que nunca foi tão satisfatório bater um carro como dessa vez.
É, estou com uma mala na mão fitando o nada pensando essa asneira. Mas não consigo ver outro modo de admitir que eu adoraria tê-la mais tempo comigo. Como eu disse, ela me causa uma sensação nova, estranha, porém boa. Ela me fez corar - coisa que mulher alguma consegue fazer -, ela me faz gaguejar - nunca gaguejei pra dizer um 'oi' -, ela tem um cheiro só dela que eu nunca senti na vida, ela tem os olhos mais encantadores que já vi, tem a voz mais adorável de se ouvir, tem o rosto incrível. Eu faria qualquer coisa pra poder vê-la de novo, nem que fosse de longe... e eu tenho que parar de pensar nessas coisas. Ela nunca vai aparecer de volta, nunca.
- ALÔ?! Terra chamando! - fez alguns gestos com as mãos na minha frente me fazendo sair do transe.
- Oi? - rapidamente eu olhei pra ele e ele fez uma careta.
- Ajuda a colocar as coisas pra dentro, ow! - reclamou, já de costas pra mim indo em direção a casa.
- Ok, ok... - eu o segui após passar a mão pelo rosto pra tentar afastar aqueles pensamentos.
Eu estava arreganhado no sofá maior vendo um filme demente na TV, roncando no chão e jogando no celular transmitindo um barulhinho irritante.
- Vamos mesmo ficar dentro de casa? - atento ao filme, eu pude ver pelo campo de visão, se jogar no sofá.
- Tô nem um pouco a fim de sair... - avisei sem desviar os olhos da TV.
- Estou vendo que vocês estão se divertindo bastante... - soltou, me fazendo olhar o local. Realmente, como início de viagem estava péssimo.
- Tudo bem, vamos aonde? - concordei olhando pra , afinal, o filme estava chato mesmo.
- Sei lá, vamos ver o que tem de bom por aqui. - deu de ombros, colocando os olhos sobre o ombro de pra ver o que ele jogava.
- Então vou me arrumar. - me levantei e sem querer pisei na barriga de .
- PORRA, PUTA QUE PARIL, VAI SE FODER! - ele soltou ao sentir meu peso sobre si e colocou a mão na barriga. Pô, não sou tão pesado assim.
- Nossa, como você é carinhoso. - observou sem tirar os olhos do celular. Nem .
- Foi mal, dude. - eu disse rindo. Ele se levantou e se contorceu no chão. - Ah, qual foi, não é pra tanto.
- Não é pra tanto? Quer que eu pise na sua barriga pra ver o que é tanto? - ele ainda passava a mão na barriga.
- Ih, tá na TPM. - eu o pulei e caminhei em rumo ao meu quarto. Provavelmente os outros diriam que iríamos sair.
Ou não.
- Vocês... não vão se arrumar não? - perguntei incrédulo ao chegar à sala arrumado e vir sentado onde eu estava, olhando atentamente a bunda de uma atriz desconhecida na TV e os outros dois jogando, cada um em seu celular.
- Vamos aonde? - quis saber, ainda atento na TV.
- Sair. , você dá a idéia e ainda não trocou d ...
- Eu vou assim mesmo. - deu de ombros. Ninguém me olhava.
- Então vamos logo! - aumentei o tom da voz, fazendo que ele e levantasse. – ANDA, ! - ele ainda olhava a TV.
- Só mais um pouco... - implorou, nessa hora já babando. Fui até a TV e a desliguei, recebendo xingamentos por isso.
- UAAAU! Por que é mesmo que não descobrimos isso aqui antes? - estava abobado - sim, abobado - com a quantidade de mulher que tinha no local. Era uma espécie de festa na praia, onde a maioria das mulheres era as 'convidadas'. Tocava música alta e pessoas dançavam e pareciam ter orgasmos na pista de dança feita na areia. Algumas mulheres estavam vestidas de havaianas. Outras ainda estavam de canga, formando um longo vestido e algumas usavam somente short com a parte de cima mostrando o biquíni.
- A noite promete! - disse da mesma forma débil que o .
Começamos a caça às gatas, e claro, nos perdemos um dos outros. Mas por algum motivo, que eu ainda vou descobrir, eu levei foras impublicáveis de TODAS as gatas. Algumas me davam foras com desculpas esfarrapadas. Teve uma, até, que disse que tinha namorado. Uns dez minutos depois eu a peguei beijando outro cara. Não, não era o namorado dela, pois outro cara mais forte chegou e quase meteu a porrada no cara que estava beijando a menina que me deu um fora. Você entendeu?
Quando estava no auge da noite, a praia enchendo cada vez mais, eu encontrei meus amigos sentados em uma mesa bebendo feito loucos e visivelmente bêbados. estava com uma garota bem gostosa. Que cara sortudo, meu.
- Olha quem aparece por aqui... - ele abriu os braços ao me vir em pé encarando os cinco. Com certeza, estava bêbado.
- Até que enfim resolveu dar as caras! - se virou pra me olhar e eu cruzei os braços, no tédio.
- Vou ao banheiro, amor. Eu já volto. - a gata disse dando um selinho em . Já estava a esse ponto?
Ela se levantou e eu segui em rumo onde ela estava. Me sentei e a segui com o olhar.
- Uau, que gata. - sussurrei, sem perceber, observando o tamanho da bunda dela.
- Tira o olho que já é minha. - advertiu sério, mas arrastando as palavras me fazendo o olhar.
- Tudo bem, tudo bem. - ergui os braços na altura dos ombros.
- Pegou nenhuma não? - perguntou rindo, já imaginando minha resposta.
- Não. - admiti sussurrando, mas eles ouviram. Todos eles. Eles riram da minha cara, aliás, gargalharam da minha provável cara de tacho.
- Mas vou conseguir, eu sou fodão! - me exibi desnecessariamente dando um sorriso largo, fazendo os caras rir mais.
- Eu... aposto com você. - ainda ria.
- Apostar o que? - eu suspendi a sobrancelha, virando meu olhar a ele.
- Que você pegue as primeiras cincos mulheres....
- Se você levar um fora de alguma delas, vamos voltar aqui amanhã... mas com você vestido de mulher. - completou com um sorriso malicioso. só gargalhava.
Demorei uns tempos pra pensar. Eu não sou tão feio assim, mas não peguei ninguém até agora. Mas se eu levasse um fora? Andar por aqui no segundo dia de férias vestido de mulher seria humilhação pro resto das minhas férias. Mas se eu desistir, os caras vão me zoar e não é só pro resto das férias, é pro resto da vida. Acho que isso eu aturo, até porque...
- O que foi? Vai amarelar? - provocou, me deixando levemente puto e interrompendo meus pensamentos.
- Aceito. - falei sem pensar. Claro, ele me interrompeu.
- Então ok. - sorriu malicioso e os outros riram.
Que desgraça, odeio apostas. Mas eu sou o fodão, eu sou o rei da cocada preta, eu sou aquele que pode tudo, eu sou melhor que o super-homem, sou mais bonito do que aquele cara que fez 'Guerra dos mundos' o qual não sei dizer o nome, sou mais gostoso do que Brad Pit e Jonny Depp juntos, eu sou ! Não é pra tanto, mas é quase isso.
Me levantei e olhei para os lados, procurando um lugar ideal, onde tem mulheres com cara de legais ou um lugar mais escuro onde ninguém - nem mesmo meus amigos - pudessem ver se caso eu levasse um fora. Bom, eu só vi um lugar parecido com a última opção que é próximo ao mar. Mesmo escuro, eu vi algumas pessoas sentadas, umas sozinhas, outras no amasso, mas suponho que haja mulher ali. Eu ia me encaminhando pra lá, quando me impediu.
- Onde vai? - quis saber me olhando sério.
- Vou à caça. - sorri fraco, mas ele continuou sério.
- Espera, temos que ir junto. Como vamos saber se você não levou o fora? - agora sim ele riu e meu sorriso murchou.
- Espera aí, vocês...vão ficar...segurando vela? - perguntei incrédulo.
- Claro que não! Vamos ficar de longe! - explicou causando meu alívio.
- Então vamos logo!
- Espera a...
- Estou de volta. - a loira bunduda voltou, surgindo de trás de mim. se levantou e eu dei espaço pra ela passar, claro, encarando o que ela tem de maior. - Mas eu tenho que ir, agora. - eu não vi a expressão que ela fez, meus olhos ainda estavam muito ocupados.
- Ah, mas já? - fez uma voz insuportavelmente melosa.
- Uhum. - ela também foi melosa e após eu ouvi um barulho de um estalinho.
Tudo bem, depois que a loira foi embora, eu estava... nervoso, digamos assim. Pois sim, meu lado feminino que estava em jogo!
- Vocês ficam aqui e não saiam, ok? - eu disse embaixo de um coqueiro que havia próximo ao mar e das poucas pessoas que havia na areia.
- Sim senhor! - bateu continência, recebendo um pedala meu.
Por outro lado, no escuro era melhor, porque se eu pegasse um baranga eu não veria seu rosto nem seu corpo. Então estava tudo certo.
Caminhei lentamente pela areia e quando avistei a primeira mulher, eu olhei os caras e eles gargalhavam. Suspirei e me sentei ao lado da menina.
Tudo bem, eu não preciso contar todas as cantadas que joguei nas meninas, porque se eu fosse mulher e algum cara jogasse uma cantada daquelas pra mim, eu não cederia. E eu não posso nem pensar em ser mulher porque isso me deixa mais nervoso do que já estou.
Por incrível que pareça, até a quarta eu estava indo bem. Indo bem só pelo fato de elas cederem o beijo, mas indo mal porque todas beijam mal. Sinceramente, não sou expert em beijo, mas cada uma beijava pior que a outra! Tinha uma que tinha um gosto ruim na boca e quando o beijo chegou ao final, eu sai cuspindo na areia. Eu ainda tive que inventar que eu tinha que alimentar meu cachorro porque a menina não queria me deixar ir embora.
É claro, eu estava feliz por ter conseguido chegar na quarta, por tanto só faltava uma.
Innocence - Avril Lavigne
Eu andei mais um pouco e ainda estava na vista dos caras. Me joguei ao lado de uma menina - que estava olhando o mar atentamente -, ainda puto com o beijo da última menina que queria me assediar, deixando um pouco de areia espalhar pelo ar, digamos assim.
- EI, EU TÔ AQUI, OK? - a menina berrou me olhando, mas eu não conseguia vir seu rosto perfeitamente. Mandei mal, ela não podia ficar com raiva de mim logo agora. Depois do beijo sim, mas agora... espera! Eu conheço essa voz!
- Oi, ér...me... desculpa. - por outro motivo desconhecido, eu gaguejei. Ela virou o rosto e deixou um cheiro familiar. Eu fechei os olhos e pendurei a cabeça pra trás, fechando os olhos, prendendo a respiração, parecendo que o cheiro ia permanecer se eu continuasse prendendo a respiração - a única coisa que eu ia conseguir era a morte. Quando, aos poucos, o perfume foi sumindo, eu abri os olhos e eu a encarei. - O que você tem, hein? - ela me olhou, provavelmente me viu a encarando pelo campo de visão.
- Na...da. - eu a encarava assustado, um pouco. Sim, era a , eu tinha certeza disso. Ela deu uma risada baixa, a mesma risada que por horas ficou na minha mente.
Suspirei, olhei a lua, olhei o mar, olhei pra ela, olhei para os dudes, suspirei de novo, fechei os olhos, abri, brinquei com a areia, fiz tudo que um momento daqueles pode me proporcionar, menos tomar coragem de falar alguma coisa com ela. Até que ela tomou coragem de falar comigo:
- O que te faz se jogar do meu lado e parecer um autista sem ter o que fazer? - aquela voz rouca ecoou, me fazendo a olhar. Ela olhava pra mim, pena que a escuridão não me deixava ver seus olhos perfeitamente.
- Não está me reconhecendo? - questionei tentando ser natural após o maravilhoso elogio.
- Claro que estou. Seu cheiro é familiar, e você ah, você parece um gago. Só não sei seu nome. Se não fosse por isso, eu já estaria marchando pro lado oposto da praia te xingando de tudo quanto é nome. - ela disse me fazendo rir. Nossa, ela percebeu que eu gaguejo quando eu falo, só não sei se ela sabe que eu perco a fala só com ela. E acima de tudo, ela memorizou meu perfume.
- Então...me desculpa. - falei ainda rindo um pouco do que ela disse.
- Sem problemas. - ela também riu um pouco e depois voltou seu olhar pra areia. Olhei para trás, os dudes me viram e fizeram joinha com a mão. Cara, eu não podia fazer isso. Sim, eu a queria beijar, mas se eu a beijasse, ela, então, faria parte de uma aposta.
Que merda! Por que também ela veio aparecer logo aqui? Logo agora?
Me virei e cocei a nuca, sem saber exatamente o que fazer. Acho que seria mais fácil ela ceder do que eu procurar outra pessoa e ela me dá um fora. Mas se eu a largasse ali, eu teria que me vestir de travesti, o que não seria legal. Eu teria de arriscar, quem sabe ela não cede e some da minha vida? Ah, lembrando que não é isso exatamente que eu quero. Eu queria que ela ficasse aqui pro resto da vida, mas se caso ela descobrir que é uma aposta, eu estou - literalmente - fodido. Ok, perdi a mina. Porque sim, se eu a beijar, vou ter de torcer pra ela voltar de viagem no máximo amanhã pra que ela não saiba que faz parte de uma aposta. Mas se eu não a beijar... não é isso que eu quero! Eu quero beijá-la, dude!
Só se...eu sou um gênio! Simples: peço aos caras que não contem nada pra ela. Como não pensei nisso antes?! Tudo bem que vou ficar com um peso básico na consciência, mas agrada aos dois lados: da aposta e o meu lado.
Suspirei e resolvi puxar assunto antes de arriscar.
- Então...o que está pensando? - eu fui pelo pior caminho, claro. Da última vez que perguntei quase isso, ela me deu um fora legal. Ela me olhou e fez um barulho estranho com a boca.
- Quer mesmo saber? - sua voz saiu como um sussurro.
- Sim, claro. Por que não? - sorri, mesmo que ela não pudesse ver.
- E se eu dissesse que eu estava pensando no meu namorado, ia se importar? – tapa na cara, .
- E... você não acha que pode encontrar um... outro cara, que... sei lá, faça você... esquecer seu namorado... por um tempo? - eu não gaguejei, ok? Eu só estava tentando ser convincente.
- Tipo... quem? - ela ainda me encarava.
- Tipo... - lentamente, eu aproximei meu rosto ao dela, que não se preocupou em se afastar. Talvez fosse um sinal verde. - Eu? - perguntei receoso, com a testa encostada na testa dela. Agora sim, eu podia ver os olhos brilhantes dela nos meus e um belo sorriso brotou nos lábios. Eu coloquei uma mecha atrás de sua orelha. Ela fechou os olhos ao sentir meu toque e eu encostei meu nariz ao dela. Sua respiração falhou, se misturando a minha. Encostamos nossos narizes e após, colei meus lábios nos dela. Minha língua pedia passagem e ela cedeu, colocando uma mão em meu pescoço vagarosamente. Mesmo estando de lado, eu coloquei uma mão em sua cintura e uau, sua boca tem um gosto inexplicável. Ela colocou uma mão na minha nuca e colocou alguns dedos dentre meus cabelos, me fazendo arrepiar. Apertei sua cintura, ao senti-la, de leve, arranhar minha nuca. O beijo estava se intensificando a cada segundo e ela me puxou pela nuca, me surpreendendo um pouco, me fazendo deitar por cima dela. Como eu sou um cara de músculo, eu me sinto um pouco pesado pra estar por cima dela, principalmente na areia. Então, enquanto ela estava deitada sem desgrudar de meus lábios, eu me posicionei deitado também, mas ao seu lado, de modo que eu pudesse tocar seus lábios. Ela mantinha sua mão em minha nuca e puxava meus cabelos levemente às vezes, enquanto eu ainda estava com a mão em sua cintura.
Minha respiração estava ofegante, eu estava excitado e com isso, minhas mãos foram descendo lentamente por sua coxa. Quando estava percorrendo o caminho de volta, ela se sentou e me soltou, me deixando com cara de paisagem.
- Isso... está... Me desculpa. - sem me explicar, ela se levantou e caminhou em lado oposto, marchando. Só não sei se estava me xingando.
Suspirei enquanto eu estava feito idiota ditado de bunda pro ar na areia. Me levantei me sentindo um estúpido e limpei minha roupa de areia. Quando olhei na direção de onde ela foi, ela havia sumido.
- AÊ! - levantou uma garrafa ao ar quando me viu, com um sorriso que mal cabia no rosto.
- Achei que você ia se vestir de mulher! - disse com voz de mulher e deu um tapa na própria perna em seguida, tentando dar um beijo em depois. Claro, ele tentou escapar.
Eu olhava os três com cara de poucos amigos, sem achar graça alguma do que eles faziam. Ou uma das duas: eu estava muito puto comigo mesmo por ter deixado passar do ponto que eu pretendia, ou pior: por ter deixado o beijo acontecer e agora, ela faz parte de uma aposta. Ou então eu estava anestesiado pelo beijo. Eles faziam gracinhas e eu não prestei atenção em nada, só quando me embalançou freneticamente.
- Que foi? - olhei pra ele lentamente, já que eu fitava a direção em que ela tomou.
- Você, fitando o nada.
- Quero ir embora. - as palavras dele mal absorveram em minha mente e eu respondi distraído. Me soltei de e comecei a andar sem rumo. Ao me afastar senti os olhares deles sobre mim, mas dei de ombros.
Tomei um caminho onde haviam menos pessoas, que por acaso, era o caminho que ela havia feito alguns minutos antes, só que mais afastado da areia.
Quando sai daquela multidão de gente, eu achei que eu tinha me perdido. Acho que caminhei demais. Olhei para os lados e uma daquelas ruas deveria dar na minha casa. Porque não é possível que andando anos por ali, eu não reconheceria onde eu estava. Entrei em uma rua que era a mais clara e eu ainda pensava no beijo, eu ainda estava com ela na mente.
O final da rua estava próximo quando levantei a cabeça pra olhar pra frente, já que antes eu chutava pedrinhas feito emo. Foi quando eu vi um rosto e belas pernas exposta no portão de uma casa. Eu senti, novamente, aquela sensação estranha ao notar que era quem eu menos esperava.
Ela estava sentada ao chão com as pernas esticadas, encostada na parede, fitando o nada. Andei um pouco mais rápido, mas será que ela estava a fim de falar comigo? Eu bem que podia dar meia volta e entrar em outra rua (porque passar por sua frente e não falar com ela seria, no mínimo, infantil), mas já era tarde, ela me notou ali.
Eu dei um sorriso canto de boca, parando ao seu lado. Ela sorriu de lado também e depois voltou a fitar o nada. Suspirei antes de sentar ao seu lado e me posicionar na mesma posição que ela.
O irritante silêncio humilhante pairou no ar, só escutamos o 'cricri' dos grilos. É sério, lá tem grilos.
- Me desculpa, eu não...
- Não fala nada. - ela me cortou, me olhando brevemente. Eu continuei a encará-la, podendo, agora, rever melhor as perfeições de seu rosto.
- Por favor, me explica. - pedi, eu realmente não estava entendendo. - Se quiser que eu suma, eu sumo. Se acha que é melhor assim, eu sumo. - falei sem pensar, é claro.
- Nunca mais repita isso, fui clara? - ela me encarou até eu assentir. - Só achei que estávamos indo rápido demais. - sua voz saiu como um sussurro. - Eu ao menos sei seu sobrenome. – disse como se souber o sobrenome alheio foi a coisa mais normal do mundo.
- , prazer. - sorri um pouco e ela riu baixo.
- , satisfação. - suspendi a sobrancelha. - Prazer é só na cama. - acrescentou, rindo do próprio comentário. Eu pisquei os olhos algumas vezes pra tentar acreditar no que ela dissera. Ela gargalhou me olhando e de repente ela se abraçou, seu riso sumindo vagarosamente. Ela voltou a fitar o nada e abaixou a cabeça, ainda se abraçando.
- Está... com frio?
- Um pouco. - ela sussurrou ainda sem me olhar. - Vamos entrar. - ela se levantou e... espera! Ela falou vamos? Primeira pessoa do plural?
- Ér... eu vou pra casa. - me levantei também e a encarei.
- Se quiser, pode entrar. Eu vou fazer um chocolate quente. - ela sorriu esfregando o braço.
- Então tudo bem. - concordei sorrindo, fazendo com que ela sorrisse também.
Quando entrei na casa, ela era incrivelmente bonita. Nada muito 'cheguei', mas era absolutamente confortante. Os móveis de madeira davam a sensação de estar em um chalé (se não sabe o que é, www.google.com, meu bem). As paredes eram de cores marrom, no tom da madeira do teto, da mesa, da cadeira, da estante...
Tudo perfeitamente organizado e decorado.
- Uau. - sussurrei automaticamente observando cada parede.
- Hum? - ela fechou a porta atrás de nós.
- Sua casa é bem organizada e... linda. - me senti um gay falando isso, mas finge que não falei.
- Ah, - ela soltou uma risada gostosa - obrigada. - me encarou sorrindo. Meu olhar encontrou com o dela, já que eu ainda fitava a casa feito jegue.
- Então... vou fazer o chocolate. - avisou quando notou que nos encarávamos, visivelmente sem graça. Eu sabia que uma hora ela não ia resistir ao gostosão aqui e ia ficar sem graça. Ok, menos.
Eu a segui, observando suas costas... ok um pouco mais abaixo. Sua cozinha era perfeitamente decorada, quase igual a sala.
Eu fiquei no batente da porta enquanto ela pegava algumas coisas no armário, quando alguma coisa que ela tentava puxar, caiu por cima dela, trazendo quase o resto do estoque inteiro. Ela se encolheu e caiu quando sentiu mais coisas vir por cima de si.
Eu corri e fui ajudá-la, tirando toda aquelas coisinhas de cereais, caixa de Nescau e blábláblá de cima dela. Ela coçou a cabeça quando eu a ajudei a levantá-la e sorriu.
- Obrigada. - agradeceu ainda sorrindo, mas nosso rostos estavam tão próximo, que eu podia sentir sua respiração. Ela ainda coçava a cabeça quando eu escorreguei minha mão por seu braço até tocar suas mãos, seu sorriso ia sumindo lentamente. Ela não se afastava, mas também estava séria e eu não sabia se ela queria aquilo (de novo) tanto quanto eu.
Eu queria beijá-la de novo, sentir aquela sensação no estômago que só ela consegue me fazer sentir.
Novamente, eu coloquei uma mecha de cabelo atrás de sua orelha e sorri. Ela abaixou seu braço e sorriu também, levei isso como um sinal verde.
Aproximei meu rosto do dela até tocar nossos lábios e ela fechou os olhos ao sentir minha pele, me fazendo fechar os meus também. Finalmente, senti aquele frio no estômago, coisa que jamais passou pela minha cabeça sentir novamente. Coloquei uma de minhas mãos em sua cintura enquanto nossos narizes se encostavam e ela colocava sua mão em minha nuca, me fazendo novamente arrepiar. Vagarosamente, eu a empurrei até a pia sem desgrudar nossos lábios, passando por cima de todas aquelas caixas que havia no chão, sem nos importarmos. Quando seu corpo encostou-se à pia, ela me puxou pela nuca, fazendo pressão do meu corpo contra o dela. O beijo estava se intensificando e eu sentia sua respiração ofegante a cada segundo. Toquei sua cintura levemente com as duas mãos e a coloquei sentada sobre a pia sem soltar seus lábios, a fazendo rir. Ainda sem cessar o beijo uma vez, sorri e ela ficou bem na ponta da pia, colocando seu cotovelo em meu ombro, enquanto minhas mãos passeavam por sua cintura, variando em suas coxas.
Ela fez mais pressão pra que nossos corpos se encostassem cada vez mais, arranhando levemente minhas costas me fazendo soltar um gemido abafado. Sem nenhum aviso, ela desceu da pia - cortando o beijo - e me encarou com a respiração falha, com um sorriso sapeca nos lábios, me fazendo rir fraco. Ela me puxou pela gola da camisa verde musgo que eu usava. Ela andava de costas me fitando atentamente, enquanto me levava a um cômodo que eu ainda não conhecia. Quando estávamos no corredor, de frente a uma porta branca, ela se aproximou e voltou a colar seus lábios aos meus, soltando a gola da minha camisa e suas mãos voltaram a tomar o caminho de meus cabelos. O beijo estava se intensificando, novamente, e eu a abracei, com as mãos em torno de seu corpo, sem cessar o beijo, claro. Ela arranhou levemente os meus cabelos e os puxava, fazendo um movimento vai e vem lentamente. Ela fez um movimento brusco me fazendo querer soltá-la, mas ela não quis soltar meus lábios e com uma das mãos que soltou meu cabelo, ela abriu a porta e me puxou pra dentro do cômodo, que quando abri os olhos, notei que era seu próprio quarto.
Com muita vontade visível, ela me puxou pela nuca até sua cama espaçosa e se jogou sobre ela, me levando junto. Pude senti-la sorrir enquanto suas mãos percorriam minhas costas, suspendendo minha blusa lentamente. Eu me surpreendi um pouco, que menina rápida!
Cessei o beijo pra tirar logo minha camisa e olhei pra ela que estava ofegante com um sorriso nos lábios. Voltei a beijá-la, ainda por cima dela, e minhas mãos tomaram o caminho da bainha de sua blusa, que suspendi e novamente cortamos o beijo.
- Ual! - eu sorri ao ver seu biquíni vermelho com uns detalhes azuis, lembrando a bandeira da Inglaterra. Ela riu fraco e eu rolei meus olhos do seu biquíni parando no cós de seu short jeans, bem curto por sinal. Olhei pra ela e ela assentiu ainda com um sorriso nos lábios.
Em questão de segundos, ela estava sem short e sem a parte de cima do biquíni. Eu bejei seu pescoço, a fazendo gemer e suspirar em meu ouvido, me deixando mais excitado. Desci meus beijos lentamente até chegar em seus seios, onde beijei enquanto ela fazia cafuné em minha cabeça, gemendo arfamente.
Desci meus beijos pela sua barriga, que contorceu um pouco, e quando cheguei na parte de baixo, novamente, olhei pra ela e ela, novamente, sorriu com a respiração falha.
Tirei a parte de baixo de seu biquíni e senti meu pênis latejar ao abrir suas pernas. Me inclinei até ficar de frente a sua intimidade e ela gritou - bem alto, por sinal - quando toquei minha língua em sua vagina. Ela revirou os olhos quando eu a penetrei com a língua, chupava e sugava sua intimidade. Ela gemia alto e mordia o lábio inferior enquanto eu a masturbava, alternando a velocidade da língua. Quando mais rápido, ela mordia o lábio, quando mais lento, ela gemia alto.
Coloquei um dedo nela e ela gritou de prazer, se contorcendo sobre a cama. Enquanto eu estocava rapidamente meus dedos em sua vagina, eu beijava seus seios, o que a fez gemer mais alto e voltar a fazer cafuné em meus cabelos.
Tirei o dedo dela e a masturbei com as mãos, dando um beijo suave nela, causando suspiros quando toquei em seus lábios. Aumentei a velocidade de meus dedos, fazendo se contorcer mais sobre a cama, me obrigando a cessar o beijo.
Eu a via se contorcer cada vez mais sobre a cama de olhos fechados, gemendo alto e mordendo o lábio, me deixando cada vez mais excitado. Ela agarrou com força o lençol da cama quando eu a senti gozar. Ela me puxou pela nuca, relaxando levemente e me dando um beijo longo.
Ainda com os lábios nos meus, ela se pôs em cima de mim. Ela sentou - cortando o beijo - sobre meu pênis, mesmo por cima de minha bermuda, e rebolou sobre ele. Ela deu um sorriso tarado quando sentiu meu pênis enrijecido.
Sorri também e, sem cerimônias, ela arrancou minhas calças e levou junto minha cueca. Relaxei a cabeça pra trás fechando os olhos e gemendo, ao senti-la tocar meu membro. Ela o abocanhou com o mesmo sorriso tarado e fazia movimentos rápidos. Ou meu pênis é pequeno, ou ela tem a boca grande, porque cara, ela colocava meu membro todo dentro da boca, e isso me deixava mais excitado.
Coloquei a mão na testa, louco de tesão e gemia cada que ela lambia a cabeça de meu pênis. Ela começou a me masturbar com as mãos enquanto me encarava firmemente alargando seu sorriso a cada suspiro que eu dava. Quando avisei que eu ia gozar, ela parou de me masturbar e veio de encontro aos meus lábios. Ela estava deitada ao meu lado com os lábios aos meus, mas sua intimidade não tocava a cama, então eu coloquei a mão em seu órgão e ela gemeu abafado. Eu voltei a mexer meus dedos ali e ela se sentou rapidamente em meu tórax, cortando o beijo em seguida.
Eu fiquei surpreso quando ela mesma enfiou meu pênis em sua intimidade. Ela se inclinou para trás e apoiou as mãos em minhas pernas. Sentindo meu pênis dentro dela, ela fechou os olhos, gemendo alto de prazer. A visão que eu tinha vamos concordar que era a melhor de toda a minha vida.
Ela se inclinou pra frente e alisou meu tórax, enquanto eu estocava com mais velocidade meu pênis em sua vagina. Ela beijava meu peito e lambia os mesmos, me fazendo suspirar e gemer junto a ela.
Quando estávamos prestes a gozar, ela tirou rapidamente meu pênis de dentro dela, mas eu acho que eu já havia gozado. Mas ela não.
Ela sorriu maliciosa e deitou ao meu lado, enquanto eu fechei os olhos sentindo o êxtase que o orgasmo me proporcionava e coloquei uma mão em sua vagina novamente, a masturbando rapidamente. Eu só a ouvia arfar ao meu lado, pois eu ainda estava de olhos fechados. Quando senti que ela gozou, eu diminui a velocidade de meus dedos até pararem totalmente e eu a senti se calar.
Ficamos alguns minutos arfando sobre a cama, sem dizer nada.

