Crepúsculo
Autora: Páh
Status: Em Andamento
Revisada por: Lui Caminada
Categoria: McFly Fics
Sub-Categoria: Romance
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Prólogo
Em todos os meus anos de vida, eu sempre tive certeza que não pertencia a esse mundo. Toda a realidade era difícil. Mas eu sabia que haveriam conseqüências. Todo conto de fada tem o seu vilão. Todos os finais felizes tem algo antes do ?final?. Porém, as conseqüências não me importavam. Pois essa era a vida que eu sonhei. A vida que eu queria. Ao lado da pessoa que eu queria. A única com quem passaria meus anos. Ou décadas. Talvez, com a nossa sorte... Séculos.
Capítulo 1
Eu realmente gostava da minha cidade. E não tinha nada a ver com as garotas bronzeadas ou as praias lotadas no final de semana. Eu gostava mesmo era da liberdade da Califórnia. Eu me sentia tão bem, apesar de viver longe de meus pais, e sentir a sensação de vazio sempre que parava para pensar em alguém. Não que as garotas de lá não fossem quentes. Elas eram tão quentes quanto o clima, diga-se de passagem. Mas nenhuma sequer chamava minha atenção. Pense na minha situação. Sem família. Sem amigos. Sem namorada. Apenas o sol e a liberdade de estar em um dos melhores lugares do mundo, na minha opinião.
Meus pais morreram. Um acidente de carro em Londres. Exatamente o lugar que eu irei morar agora. Junto com meu avô, o único parente que eu conheço. Londres não era o que eu diria ?lugar perfeito?. Nada molhado e frio me atraia. Eu preferia passar o resto de minha vida sozinho do que morar em um lugar como Londres. Mas foi minha decisão, e quando eu tomo uma decisão, nada pode me convencer a mudá-la. Há anos meu avô pediu para eu morar com ele, seria bom para os dois. Eu acho.
Enquanto carregava minhas únicas duas malas de roupa, um fusca amarelo e velho passou na minha frente. Robert. Acenei para ele parar o carro, e entrei, colocando minhas malas no banco de trás.
- Quanto tempo, ! ? Ele sorriu enquanto eu entrava no carro, jogando minha mochila nos pés.
- Oi vô. ? Tentei forçar um sorriso como o dele, sem sucesso.
- Feliz por morar em Londres? ? Eu ri como se ele tivesse contado uma piada, mas não era a hora de dizer para ele o quanto eu odiava Londres. Mentir seria a única maneira de deixá-lo feliz, já que eu não estaria.
- Claro. Não vejo a hora de conhecer as pessoas daqui. ? Outro sorriso forçado sem sucesso. Daqui a pouco eu seria um profissional em sorrisos falsos, poderia até torná-los convincentes.
- Eu acho que tenho uma surpresa pra você. Não é bem uma surpresa, mas você vai gostar. Um presente.
- Que bom, Robert. ? Pensei em minha mente, sem dizer nada para ele : ?Alguma coisa pra me deixar melhor nessa cidade molhada e sem graça.?
No resto do caminho nenhum dos dois falou absolutamente nada, apenas olhei os pingos de chuva caindo pela janela. Ótimo, já ia chover no meu primeiro dia, não poderia ser melhor. Ao invés de reclamar eu tentei olhar pelo lado bom. Ok, não tinha lados bons nisso. Mas eu ainda estava tentando achá-los. A casa de Robert era bonitinha, pequena e aconchegante. A típica ?casa do vovô?. Tinha uma caminhonete azul estacionada na frente, logo pensei que tínhamos visitas, mas Robert começou a falar.
- Acho que...esse é o seu presente. No jornal ela parecia bem maior, e mais nova.
- Eu adorei Robert. Era tudo que eu precisava. ? Dessa vez eu realmente sorri. Nunca tive meu próprio carro, e a caminhonete parecia bem decente. Velha e aranhada, mas decente. Tudo que eu sempre sonhei em ter.
Entrei na minha nova casa, e Robert me mostrou meu quarto. Era pequeno, com uma cama no canto e uma escrivaninha, onde tinha um telefone sem fio, caso eu precisasse. Nada de computador, ou televisão de plasma. Nenhuma tecnologia como as que eu tinha em minha antiga casa, mas eu realmente gostei. O outro dia na escola seria um pouco pior que esse. Mas eu ia tentar fazer mais amigos. Tentar. Eu não me dou bem com as pessoas. Como se meu cérebro trabalhasse de um jeito diferente, até um pouco estranho. Minha mãe sempre me dizia, quando eu tinha 7 anos, que eu parecia um velho de 51. Talvez ela tivesse razão. Deitei sem sono na cama, e tomei um daqueles remédios que eu usava para os dias ruins. Depois de 2 minutos comecei a sentir os efeitos e adormeci.
Capítulo 2
Ao acordar, Robert ainda estava dormindo, como sempre. Nunca o vi acordado antes das 2 horas da tarde, e acho que era melhor não mudar os costumes do meu avô. Deixaria ele dormir e arranjaria um jeito de me alimentar com o que estava pela frente. Abri o armário e encontrei uma caixa de cereal. Coloquei um pouco na minha mão e fui comendo, até chegar em meu quarto e pegar minha bolsa. Entrei no banheiro para escovar os dentes. De lá pude ouvir os roncos de Robert. Dei uma risada abafada e peguei a chave da minha nova caminhonete.
A escola era... legal. Não era muito diferente da que eu estudava, apesar de ter uma aparência sombria, deveria ser por causa da chuva constante, e das nuvens que insistiam em cobrir o sol. Estacionei meu carro ao lado de uma Mercedes vinho. Dei risada ao perceber como meu carro se tornava tão sem graça ao lado dela. Tão velho e inútil.
Ao entrar na escola, sem querer me achar mais, todas as meninas e até alguns meninos me encaravam com olhares curiosos. Eu, é claro, me senti o máximo. Eu sei que sempre fui bonito, apesar de que na minha cidade não achavam isso. Pela minha falta de cor, talvez. Mas eu era um garoto pegável. Acho.
- Oi. Você deve ser novo aqui. Claro. Você é novo aqui. ? Um garoto um pouco mais baixo que eu chegou puxando assunto. ? Eu sou . Ou.
- Eu sou.
- de..? - . .
- Você é o filho do Robert, certo?
- Não, neto.
- Claro, claro. Qual é a sua primeira aula?
- Inglês. ? Rodei os olhos. Não que eu não gostasse, mas a idéia de cabular aula agora era bem ?apetitosa? nesse momento.
- Eu não costumo fazer isso. Ok, eu costumo fazer isso. Mas não pense mal de mim. Eu e meus amigos, e quase sempre faltamos na primeira aula. Acho que inglês não vai te prejudicar. É só você fazer os exercícios da apostila e tira 10 na prova, acredite em mim. Ano passado eu faltei em 50% das aulas de inglês.
- Você leu meus pensamentos, faltar nessa aula seria simplesmente... perfeito.
- Gostei de você. Você é mal. ? sorriu. ? ! Gatiiinho! ? Ele gritava e pulava, acenando para um garoto que acabava de entrar.
- Pára com isso . ? O garoto parecia envergonhado. ? Não seja gay em público.
- Olha, se você ficar com essa frescura vou te trocar pelo , ele é novo aqui e é mais sexy que você, . ? rodou os olhos.
- Anyway, não vamos na primeira aula hoje né?
- Você é esperto . É por isso que te amo.
- Não liga pra ele. ? me olhou pela primeira vez. ? Tem ataques afeminados a maior parte do tempo. Mas todos sabemos que ele é louco pela BASASHD.- colocou a mão na boca , e eu não entendi o nome de quem ele falou. ? Não importa. Todos nós somos loucos por ela. Eu não consigo imaginar alguém que olhe para aquele rosto e não sinta arrepios.
- Ela já me deu 5 foras. Tipo, CINCO. ? falava para ele mesmo, nervoso. ? Não deve ter um homem nesse mundo bom o bastante para aquele tipo de menina.
- Vocês não estão exagerando? ? Falei confuso. ? Eu morei na Califórnia por 17 anos, e lá tinham garotas que eu acho...
- Não. Existe. Garota. Mais. Pereita. Que. Ela. ? falou pausadamente. ? E não acredito que possa existir.
- Quem é essa tal, GAROTA PERFEITA do ? ? Perguntei sarcástico.
- Ela. ? arregalou os olhos, como se tivesse visto um fantasma. Seus dedos trêmulos apontaram para uma garota que entrava na escola. Ninguém parecia ter coragem de ficar ao seu lado, ninguém tinha coragem de encostar em tal criatura. Percebi que o exagero que eu pensei ter existido nas palavras dos meus dois mais novos amigos não eram exagero. Era como se seu corpo fosse esculpido por algum tipo de escultor que procurava as formas perfeitas para um anjo. Ela andava de um jeito delicado, quase dançando. Nenhuma modelo conseguiria desfilar tão graciosamente como ela. Seus cabelos voavam como em algum tipo de filme onde não importava quanto o vento tentasse bagunçar, ele ia parecer perfeito. Pisquei algumas vezes, tentando me concentrar em parar de olhar, mas a bela criatura me hipnotizou. ? Cullen. É o nome dela.
Capítulo 3
- Ela está olhando pra cá, dude. ? deu seu melhor sorriso. ? Aposto que vai aceitar ir ao baile comigo.
- Baile? - Perguntei, como se tivesse perdido metade da conversa.
- Sim, é um baile que vai ter mês que vem. As meninas que convidam, frescura da escola. ? rodou os olhos. ? Acho melhor você arranjar uma menina antes, elas nunca convidam, e a gente fica sozinho.
- Tenho certeza que a Jackie vai te convidar. ? bufou.
- Ela é um saco, dude. Não vou com ela não. ? escondeu o rosto com as mãos. ? Falando nela...
- Oi meninos. Ah, oi . E, quem é esse? , acertei? Claro que sim, seu avô fala muito de você. Sou Jackie Hale. Essa é Britanny. Ela também é nova aqui, . Posso te chamar de né?
- está ótimo, obrigado.
- Você poderia ir ao baile com a Britanny. Ela ia adorar te convidar.
- Não acho que vou ao baile. Me desculpa Britanny, mas tenho certeza que o ia adorar. ? fez uma cara assustada, como se não tivesse gostado.
- Eu tenho par , a me convidou. está sem par.
- Convidou? ? Jackie parecia super interessada, como se fosse uma nova fofoca para espalhar.
- No pensamento ? ria da auto-confiança do amigo.
- Ela vai me convidar. OK? E Jackie, você vai com quem?
- O , claro. Tomei a liberdade de colocar nosso nome na lista de pares, sabia que eles estão fazendo uma lista? Claro que não. Eu sempre sei primeiro das coisas. É para ver quem vai ficar sem par, para eles mesmos arrumarem. Vai ser estranho. Imagina, quem vai cair com o Edward?
- Quem é Edward? ? Falei junto com a Britanny.
- Uma garoto maravilhoso, claro. Mas nenhuma menina é boa o bastante pra ele. Todos imaginaram que ele ia com a irmã, . Mas agora que o vai com ela...
- Eu queria ir com ele. ? sussurrou pra mim.
- O que foi ? ? Jackie perguntou.
- Nada. Vocês não vão se atrasar para a aula?
- Ah, claro. O tempo passa rápido quando estamos nos divertindo, certo? ? Ela deu um sorriso. ? Tchau guys, vejo vocês no recreio.
- Ml posso esperar. ? bufou.
- Olá. O que vocês estão fazendo fora da sala? ? A garota cuja beleza era totalmente inexplicável apareceu, tocando em meu ombro, o que claro, fez meu corpo inteiro se arrepiar. ? Desculpa a falta de educação. Sou , e você deve ser o .
- Esse sou eu. ? Dei meu melhor sorriso, que pareceu ridículo perto do dela.
- Respondendo a sua pergunta, baby. ? quis dar uma de garanhão. ? Estamos matando aula. Não vai contar pra ninguém né?
- De jeito nenhum. Só queria ter certeza de que não seria a única fora da sala. ? Ela se sentou em uma cara entre eu o . ? Se importam?
Nós dois apenas balançamos a cabeça negativamente, ela havia tirado nossa fala. Não tinha percebido antes, mas seu cheiro era extremamente hipnotizador, como flores frescas do campo, só que melhor.
- Onde está seu irmão? ? perguntou, tentando entrar na conversa.
- Acampar. Ele e Carlisle. Esme preferiu ficar comigo.
- Por que você não foi também? ? perguntou.
- Não sei. Eu realmente estava querendo estudar. Vocês devem achar estranho. ? Ela sorriu para . Eu não vi, porque ela estava de costas pra mim, mas pela expressão de , ela só poderia ter sorrido.
Um vento soprou levemente por nós, e ela respirou exageradamente, como se estivesse sugando o ar. No mesmo momento, seus olhos se arregalaram, e por um instante pensei ter visto eles brilharem. Ela se enrijeceu e me encarou com medo.
- , acho que você fede. ? ria da minha cara engraçada.
- Não. Eu percebi que você tem um cheiro extremamente bom . ? Nada comparado ao cheiro dela, eu pensei. ? Tenho que ir. Lembrei que minha primeira aula é Matemática, e não Biologia. ? Ela deu um sorriso fraco e saiu andando. Fiquei parado sem entender nada. Pelo menos ela disse que eu cheirava bem, mas me encarava como se fosse arrancar meu cérebro em alguns segundos.
Capítulo 4
- A única vez que a gente consegue falar com ela. - me olhou, emburrado ? E o cheiro do estraga tudo. Se você for continuar querendo seus amigos, , pode tomar banho melhor ok?
- Mas ela disse que meu cheiro é bom!
- Ela queria ser educada, . ? rodou os olhos. ? Ela é sempre educada.
Eu não vi Cullen em nenhuma das minhas aulas, talvez não tivéssemos nenhuma aula juntos, eu pensei. Mas ela também não estava no recreio, em nenhum lugar. Quando eu fui pegar meu carro, a Mercedes não estava mais lá. falou que aquele era o carro dela, então ela realmente tinha ido embora. fez piadinhas sobre quão mal eu cheirava, que ela teve até que fugir da escola. Não ri de nenhuma delas. E , o outro garoto da ?turma? não falava nada, apenas confirmava com a cabeça quando necessário.
Os dias se passaram, e eu nunca mais vi . Nem o carro dela, nem seu rosto perfeito, nem seu sorriso hipnotizador, e nem ao menos senti seu cheiro. Seu irmão apareceu na escola nos outros dias. Edward. Ele não sentava com ninguém, apenas ficava sozinho em uma mesa no canto do refeitório, me encarando, como se eu tivesse cometido um crime. Eu tentava não olhar, mas por mais gay que isso pareça, ele era maravilhoso. Nunca achei um homem tão... perfeito. Perfeito era até uma crítica perto daquele rosto. Mas eu vou parar por aqui, senão vão pensar coisas ruins sobre mim.
Nada de bom aconteceu naquele primeiro mês de aula. Apenas um dia de sol, que eu aproveitei ao máximo. Eu não sabia porque me importava tanto com a fuga da garota. Ela era apenas uma garota. Mas parecia que isso me provocava, me deixava nervoso.
Falando em garotas, Britanny era uma garota legal, conversamos algumas vezes, e ela era realmente engraçada e inteligente. Alguém que você pode falar de coisas além de cabelo e fofocas. Não conversei muito com Jackie, ela só tinha olhos para . Ela também era muito tagarela, e isso me incomodava.
No meu 36º dia de aula, eu me assustei. A Mercedes estava lá, no lugar que eu tinha visto no primeiro dia de aula. O que queria dizer que, sim, ela estava lá também. Meu coração acelerou e um milhão de borboletas começaram a voar no meu estômago. Me apoiei no carro pra não cair, pois estava tonto. Apenas o cheiro do carro dela já me deixava assim, e eu queria mais que tudo ver seu rosto novamente. Quando entrei na escola, enxerguei a cena que esperava. , e sentados em uma mesa do lado oposto da mesa dos Cullen, olhando, melhor, ENCARANDO . As cabeças estavam apoiadas em um braço e pude ver alguma coisa caindo da boca do. Certeza que ele estava babando. Ao me ver, ela andou daquele jeito dançante e colocou a mão sobre meu ombro.
- Olá. ? disse sorridente. ? Me desculpe por... aquele dia.
- Tu-tudo bem. ? Eu tentei sorrir e parar de babar. ? Eu realmente pensei que estava fedendo. Tava muito ruim?
Ela deu uma risada divertida, mas logo depois seu rosto ficou sério.
- Eu nunca minto . Seu cheiro é extremamente bom e... é melhor eu ir. ? Ela balançou a mão como se estivesse se despedindo e saiu para perto do seu irmão. Eu fui para a mesa dos meninos.
- Eu não estava fedendo aquele dia. - Murmurei.
- O que? ? acordou do seu sonho.
- veio falar comigo. Ela disse que eu não estava fedendo.
- Edu..
- Não, não por educação , ela disse que ela nunca mente, e eu estava com um cheiro bom.
- Me empresta seu perfume ? ? falou uma frase inteira pela primeira vez, em todo esse tempo.
- Claro . ? Eu dei uma risada.
- Eu também quero! ? e falaram juntos e começamos a rir.
Eu sabia que a falação de ia afetar o tempo. Como naquela expressão: ?O falou? Vai chover.? E choveu. Mais do que chover, nevou. A neve era estranha, mas ao mesmo tempo gostosa. Uma guerra de neve seria inevitável agora. Após a educação física, todos estavam planejando a guerra do ano. Mas eu realmente não queria participar. Ao saber que a educação física fora cancelada, a primeira coisa que pensei foi em ir pra casa. Enquanto andava até meu carro, pude ver uma estátua, que se confundia com o gelo, parada no carro do lado.
Capítulo 5
Olhei de lado, para ver quem estava encostado naquela caminhonete preta muito mais cara e nova que a minha. Edward. Tentei ver se achava sua irmã, , mas ela não estava lá.
- Olá. ? Ele murmurou enquanto eu abria a porta do meu carro.
- O-oi. ? Respondi sem graça.
- Você é um amigo da ? - Ele, que tinha a cabeça encarando os pés, levantou-a, me encarando com os olhos brilhantes e negros.
- Não sei. Quero dizer, nos falamos umas duas vezes.
- Droga. ? Ele falou baixo e socou a porta do seu carro. Eu não sei se estava sonhando ou se realmente ele tinha feito um estrago na porta, que arrumou logo em seguida. Estranho. Eu ia perguntar se ele andava malhando, mas seria muito gay.
- Aconteceu alguma coisa com ela?
- Não. Mas vai acontecer com você, se não ficar longe dela. ? Ele deu um sorriso malicioso, que me deixou com medo. Vi que ele encarava alguma coisa que estava nas minhas costas, e olhei parar trás. vinha andando, leia-se dançando, até nós.
- Olá rapazes. ? Ela deu aquele sorriso. ? Todos com educação física no ultimo horário?
- Sim. ? Respondemos juntos.
- Temos sorte. ? Ela deu uma risada que parecia mais uma música do que uma risada.
- Eu estou indo. ? Edward olhou com um olhar significante para , que simplesmente afirmou com a cabeça. Não entendi nada, mas fiquei quieto. Quando estava entrando no meu carro, ela me chamou.
- ?
- Sim.
- Você vai para sua casa?
- Acho que sim, por que?
- Eu estava pensando, sabe, eu não tenho amigas e minha mãe está muito ocupada hoje, eu queria sua opinião para o meu vestido do baile.
Eu sei. Qualquer menino arrumaria uma desculpa para não ter que ir dar opinião sobre vestidos, mas com aqueles olhos dentro dos meus, eu nunca poderia negar algo a ela.
- Claro. Vo-você já tem par?
- Não um definitivo. Eu vou com meu irmão se ninguém me convidar até amanhã. ? Ela deu de ombros. Tive que me recompor para dar uma resposta melhor do que: vai comigo?
- Eu tenho um amigo, er, . Ele gosta de você. Só não tem coragem de te convidar. Aliás, não são as meninas que convidam?
- Tem razão. ? Ela sorriu e pareceu viajar por alguns minutos. ? Então, você vai comigo ou não, ?
Meu coração já batia forte por ela estar perto de mim, ficou pior ainda quando eu a ouvi dizer meu nome. E quando eu percebi o que ela queria dizer, claro, já estava quase tendo um sério ataque cardíaco.
- Claro. ? Respondi, ainda viajando nos olhos dela. Nesse momento eu percebi como era diferente de todas as outras meninas. Tudo nela chamava a minha atenção. Seus olhos, seu cabelo, sua voz, seu rosto, seu cheiro. Mas nunca havia prestado atenção em seu corpo. Qualquer garoto olha primeiro para a bunda da menina, depois parar os seus olhos. Com , isso era impossível. Qualquer um se hipnotizaria com seu rosto que mesmo se ela tivesse 400 kg, íamos ficar apaixonados. Mas ela não tinha. Seu corpo tinha formas perfeitas. Como era possível? Ela não era real. Era algum fruto dos meus sonhos e imaginações. Meninas como ela deveriam estar na capa de uma revista, e não em uma cidade escura e sem graça. , com certeza, mudou a minha visão de mundo. Mudou a minha vida. Me mudou.
- No que você está pensando? ? Ela me olhou, tentando decifrar algo nas minhas expressões.
- Nada. ? Eu encarei meus pés.
- Por favor, me fala. Você é tão difícil de ler.
- Eu devo ter algum problema, acho. ? Ela deu sua risada musical e logo depois andou até o seu carro.
- Você não vem comigo? ? Ela abriu a porta da Mercedes.
- E o meu carro?
- Eu te trago aqui depois. ? Ela olhou com desprezo para minha caminhonete velha.
Entrei em seu carro e ela ligou o rádio.
- The Beatles? Não acredito! Você gosta?
- É, minha banda preferida. Você quer que eu troque?
- Não. Também é a minha. Quer dizer que, além de bonita ? Sou muito orgulhoso para falar a palavra real: perfeita. - Você também tem bom gosto parar músicas? Me fala a verdade, você tem ALGUM defeito?
- Hum... você vai descobrir. Acho melhor não, mas agora é inevitável.
- Você sabia que me confundiu?
- Sim. Eu imaginava.
- Misteriosa. Eu gosto disso. É sexy. ? Ela deu risada.
- Então eu vou continuar com o mistério, vai ser melhor pra você. E pra mim. Sabe... acho melhor nós não sermos amigos.
- E por que você está me levando pra escolher seu vestido? Amigos fazem isso, não é?
- Eu disse que acho melhor, não que não quero ser sua amiga.
- Mais mistério. Você é... ? Orgulho bateu. ? Legal. Eu gostei de você. E acho que o melhor pra mim, agora, é ser seu amigo. Não ia poder ficar longe de você. Nem que eu quisesse. Nem que fosse o melhor.
- Prepare-se para decepções.
- Me decepcionar com você? Isso é impossível .
- Eu sou malvada, . Você vai sofrer comigo.
Capítulo 6
Ela foi dirigindo até uma loja que ficava a 30 minutos da escola. Achei muito estranho o fato de que, na nossa história, a garota estava no comando. Nem tive coragem de pedir para dirigir em seu carro. Ela era tão rápida e tão graciosa fazendo isso que eu poderia ficar o dia inteiro observando-a sem falar nenhuma palavra.
- . - Ela começou a falar depois de um longo tempo de silêncio. ? Posso te fazer algumas perguntas?
- Cla-claro.
- Qual é sua cor preferida?
- Podem ser cinco?
- Não. ? Ela me olhou, malvada. ? Faça uma escolha.
- Azul. Eu acho. ? A incerteza bateu quando vi a blusa azul que usava. Ficaria muito na cara que eu babava por ela, se falasse azul? Não. Azul é uma cor normal. A maioria dos meninos gosta de azul, certo? Mas ela olhou pra baixo, talvez percebendo a cor de sua blusa e deu um sorriso.
- Também gosto de azul. Seu esporte favorito?
- Ah. Eu sou o tipo que não gosta de esportes. Nenhum. Nada. Nunca. ? Não tenho certeza se ela riu da minha barriga rechonchuda ou da minha expressão de medo de esportes, mas ela riu. ? Eu posso fazer uma pergunta?
- Claro.
- Sotaque inglês ou americano?
Ela desviou seu olhar de mim e apenas encarou o caminho. Prendeu sua respiração por algum tempo e finalmente deu um suspiro. Seus olhos me fitaram novamente e ela sorriu.
- Inglês. Com certeza. - Apesar de ter morado na Califórnia, nunca consegui esconder meu perfeito inglês britânico - Mas chega das suas perguntas, eu vou perguntar agora.
- Mas eu acabei de começar! Por que você faltou vários dias na escola?
- Por que você não para de fazer perguntas difíceis?
- Essa pergunta não é difícil.
- As perguntas se tornam difíceis quando você não tem autorização para dizer a verdade.
- Por que não?
- Outra pergunta difícil.
- Eu não vou desistir.
- Eu deveria imaginar que não. Mas... você tem algum chute? Eu poderia dizer a verdade, se você adivinhasse.
- Melhor não.
- Muito humilhante?
- Muito.
- Agora você entende porque as vezes não podemos contar a verdade.
- Se eu contar, você conta?
- Provavelmente não. Mas tente.
- OK. Sempre que eu penso em você fora da escola, eu imagino uma modelo famosa desfilando de biquíni. ? Ela deu uma risada alta e até nervosa. ? Acertei?
- Está muito longe.
- Não vou perder as esperanças.
- Eu queria que você desistisse. Seria melhor para nós dois se você não soubesse a verdade. Só... deixe o que tem que acontecer, acontecer. Se você souber a verdade... ? Ela fechou os lábios, e aparentou estar com dor. ? Eu só não quero perder você.
- Eu estou aqui. Enquanto você tiver paciência para agüentar um garoto chato que faz centenas de perguntas, mesmo sabendo que não irá ter as respostas que queria, eu estarei aqui. E quando você disser: ?vai embora, não te agüento mais?, eu também estarei aqui. Você acha que eu tenho força o bastante para te deixar?
Ela olhou para a estrada, com medo de olhar meus olhos marejados. Pude ver um sorriso brotando em sua face, e é claro que eu sorri também. Eu não estava mentindo para ela, fui mais sincero do que eu imaginava. Disse coisas que nunca esperei dizer para uma garota. Para ninguém. Mas eu estaria lá, porque somente olhando seus olhos, eu poderia respirar. Somente o seu sorriso faria os meus lábios se curvarem pra cima. Somente o seu cheiro conseguia fazer o meu coração continuar batendo. Somente a sua vida, dava uma razão para a minha existir. Me apaixonei rápido demais. Mas não me arrependia de nada. Eu abriria mão do meu orgulho para estar com ela. E é isso que estava fazendo. Abrindo mão da minha dignidade, para ajudá-la a escolher um vestido, para um baile. Onde estava a minha cabeça quando eu precisava dela?
Capítulo 7
- Chegamos. ? disse animada, abrindo a porta. Dei um sorriso sincero, como se realmente quisesse vê-la escolher seu vestido. E, por alguma razão, eu queria.
Entramos na loja, que tocava um sininho quando passávamos pela porta. As garotas que estavam lá dentro, escolhendo seus vestidos, ficavam nos encarando como se fôssemos algum tipo de criminosos. Percebi que não era eu que elas encaravam, era . Eu sei muito pouco sobre garotas, mas tinha certeza que elas a encaravam pelo fato de ter inveja. Eu nem vou tentar descrever cada parte de seu corpo que as causava inveja, pois, como sempre ia falhar na tentativa. Olhei para o lado e vi um vestido perfeito para ela. Mas não a encontrei por perto. Procurei por ela a loja inteira, com o vestido na mão, até achá-la saindo do provador.
- O que você acha desse? ? Ela sorriu enquanto arrumava a barra de um vestido dourado com babados. Ele tinha se encaixado perfeitamente, como se fosse feito para ela. Engoli as palavras que queria falar, apenas sorri e murmurei algo como ?lindo?.
- Deixa eu ver o que você está segurando? ? Ela estendeu a mão e eu a entreguei.
- Achei que ia gostar... por ser azul. Não sei.
- É lindo, . Obrigada. Vou experimentar. ? E como eu imaginei, ficou perfeito nela assim como o dourado, assim como qualquer outro que ela tentasse colocar em seu corpo pálido. E assim como todas as vezes que ela experimentasse qualquer vestido, eu apenas ia tentar engolir o que queria realmente dizer, e murmurar elogios. ? ? , você está aqui? ? Ela chacoalhava a mão em frente ao meu rosto, com um sorriso preocupado.
- Ah, sim. Ficou lindo . ? Sorri envergonhado pela minha viagem.
Ela sorriu de volta e olhou para o espelho no fim do corredor dos provadores. Ajeitou a alça no vestido, tentando ajustar para o decote ficar menor, eu não pude me controlar para não olhar aquele pano leve subindo pela sua coxa. Balancei a cabeça tentando expulsar meus pensamentos. Mas não pude deixar de reparar uma cicatriz engraçada em sua perna.
- , que cicatriz é essa? ? falei apontando para sua perna. Ela soltou rapidamente o vestido e me olhou assustada.
- Você estava olhando para minha perna? ? Ela arqueou uma sobrancelha, me fazendo rir e murmurou um ?pervertido?.
- Não respondeu minha pergunta.
- Por que você quer saber?
- Ela parece, engraçada. Parece uma mordida ou sei lá. Não sabia que você era tão selvagem. ? Eu abafei uma risada.
- Mais do que você pensa. ? Ela disse em um tom provocativo.
- Você ainda não me conhece Cullen. ? Eu sorri de lado, tentando parecer sexy. Acho que consegui.
- Hum. , tentando me seduzir com um sorriso.
- Ele conseguiu? - Ela bufou e entrou no provador. Eu consegui. Voltou com sua roupa normal e com os dois vestidos na mão.
- Qual vai levar? ? Perguntei curioso.
- Nenhum.
- Você está brava comigo ? Quero dizer, eu... só estava brincando, você sabe...
- Calma . ? Ela me olhou nos olhos, me deixando tonto e sorriu. ? Você vai comigo no baile, não vai ter graça se souber qual vai ser meu vestido.
- Mas... por que estamos aqui então?
- Eu, só estava... Nada. Esquece. Eu vou levar, os dois.
- Não entendi.
- Não precisa. ? Ela levantou a voz, com raiva. E depois respirou fundo e se controlou. ? Me desculpa, estou um pouco nervosa. Primeiro baile sabe? ? Ela riu de alguma piada que eu não sabia, e nem perguntei. Apenas sorri em resposta.
- Ainda mais com um loser estranho que não sabe dançar. ? Eu ri da minha brincadeira, sabendo que nem a pessoa mais ridícula do mundo ia rir.
- Loser. ? Ela bufou. ? Se você soubesse o que as garotas da escola pensam de você...
- Engraçado, eu nunca vi você andando com as garotas da escola. ? Claro, que garota ia querer andar ao lado de ? Ia parecer um patinho feio ao lado de um cisne. Comparação horrível, mas entenderam o que quis dizer, certo?
- As meninas me acham estranha. ? Ela riu sozinha. Provavelmente pensando que elas que eram estranhas ao pensar que era estranha. Compliquei o pensamento. ? Mas, de qualquer modo, elas não conseguem guardar seus segredos. ? Como eu disse, conheço pouco as garotas, e sei que elas são fofoqueiras, mas perderia seu tempo ouvindo as fofocas de outras garotas? Não parecia... possível.
- E se eu falar que não entendo metade das coisas que você fala, dá risada e fica brava?
- Eu provavelmente irei falar: Você não é o primeiro.
- Então, ninguém entende o que você fala?
- Ninguém. Só meu irmão, claro. Mas, eu não quero que você entenda.
- Não ia ser mais fácil a nossa comunicação assim?
- Talvez. ? Ela olhou pra cima, e depois para baixo como se tivesse imaginando a possibilidade. ? Mas acho que... você não ia mais querer se comunicar.
- Acho melhor eu ir pra casa. Cada vez você me deixa mais assustado.
- Acho que você está começando a me entender. ? Ela deu um sorriso que eu classificaria como pervertido, mas não consigo imaginar ela pensando algo pervertido sobre mim. ? Vamos. ? Ela me acordou do meu sonho ? -pensando-coisas-pervertidas? e saímos da loja.
- Você me leva pra escola? Preciso da minha caminhonete. ? Ela pareceu perturbada e logo depois forçou um sorriso.
- Claro .
Não conversamos sobre nada pelo caminho de volta. Não que eu não quisesse puxar assunto, mas ela dava respostas monossilábicas. Parecia nervosa. Deixei de falar para não incomodá-la mais e fiquei batucando no meu joelho a música que tocava no rádio. And I love her. Era uma das minhas preferidas dos Beatles. Tinha uma melodia doce, que fazia meus ouvidos descansarem. Pensei até em dizer que era o melhor som de se escutar. A melhor voz. Mas desisti de escrever isso, após ouvir falando.
- Chegamos, .
- Por que tem tanta gente aqui? ? Olhei espantado para o aglomerado de gente que se formava em volta de uma van e... minha caminhonete? Ou, eu diria... um pedaço de metal amassado.
? , aquela é minha caminhonete? ? permaneceu em silêncio com os lábios juntos, em uma expressão de dor. ? ! ? Saí do carro e corri em direção ás pessoas.
- ! Você não morreu! ? Britanny chegou com os olhos vermelhos e me abraçou. ? Gente. O não está aí!
- O que aconteceu? ? Perguntei ,confuso.
- Sua caminhonete foi acertada por uma van. Eu achei engraçado, pois um segundo atrás eu tinha te visto ao lado dela, e de repente, PUM! ? fez um barulho alto com a boca. ? Ela estava destruída.
- Como assim?
- , nós te vimos ao lado da caminhonete, onde você foi tão rápido? Não tinha como escapar.
- Mas eu estava com a . ? Olhei novamente para o carro parado do outro lado do estacionamento, os olhos de pareciam ferver. Não estavam me encarando, e sim encarando Britanny, que continuava com um dos braços em volta de minha cintura.
- Você não viu nada, então? ? Balancei a cabeça negativamente. ? Que sorte, dude. Estávamos esperando eles tirarem os cacos pra acharmos seus pedaços. Eu ainda nem acredito. Você está vivo! ? sorriu e depois encarou o carro que eu estava olhando. ? Mercedes são rápidas, você é realmente um cara de sorte. ? Ele me lançou um olhar de duplo sentido e eu dei uma risada. parecia estar me falando por olhares que queria que eu contasse tudo. Estava parecendo Jackie, querendo saber das fofocas.
- ! ? gritou de longe, e pude vê-la a apenas um metro de mim, sem saber como ela chegou aqui tão rápido. ? Acredito que você vai querer uma carona para casa. Sua caminhonete está em péssimas condições.
- Ele está com a gente , nós damos carona pra ele. ? Vi Britanny se intrometer na minha conversa. deu um sorriso falso, que do mesmo jeito convenceu Britanny, que parecia estar deslumbrada. Depois, olhou em meus olhos, como se tentasse enxergar a minha alma, e se virou sem dizer uma palavra. Como se estivesse hipnotizado, me livrei do braço que abraçava minha cintura e segui atenciosamente aquele anjo misterioso.
Capítulo 8
- O que exatamente aconteceu aqui? ? Perguntei calmamente ao entrar na Mercedes. ? O que exatamente é isso? Quem é você?
- , uma pergunta de cada vez.
- Você não respondeu nenhuma. E não vai responder. Novidade. , eu quero saber quem você é. Você sabe quem eu sou, não tem nada mais justo.
- Me conta quem você é. Eu sei muito pouco sobre você.
Respirei fundo e tentei pensar em algo emocionante na minha vida, algo que valesse a pena contar. E como sempre, pensei nela. Pensei em tudo que vinha dela. E era tudo de emocionante, tudo de interessante que tinha acontecido na minha vida inteira.
- Eu morava na Califórnia, mudei pra Londres pra ficar com meu avô, Robert. Odeio chuva, neve, frio. Adoro praias e sol. Tenho sotaque britânico porque nunca consegui me acostumar com o americano. A única coisa que sempre quis fazer em Londres foi ver o London Eye. É um sonho. Quando terminar o colegial, quero fazer faculdade de música. Outro sonho. Eu sei que não vou conseguir nada, então meu segundo plano é medicina. Bem clichê. Acho que é tudo.
- Ok. Minha vez. Eu sempre morei em Londres. Nasci aqui. London Eye sempre me impressionou, andei mais de...10 vezes nela. Agora já perdeu a graça. Minha mãe é Esme, meu pai é Carlisle e meu irmão você já conhece. Não faço a menor idéia de que faculdade vou fazer. E meu único sonho é viver.
- Viver? Mas...
- Eu só existo. Tem uma grande diferença entre a palavra existir e viver. ? Ela prendeu meu olhar com o seu, parecia sinceramente triste, e eu queria descobrir o porquê disso.
- Quantas mentiras tem no que você me contou ?
- O bastante pra você continuar vivendo ao meu lado.
- Você sabe que não me importa o que você fez, eu vou estar aqui.
- Primeiro, se não importa, por que você está perguntando? E segundo, você nem me conhece pra eu ter certeza de que você estará aqui?
- E se eu te deixar? ? Ela apertou as mãos no volante e percebi sua pele ficar mais pálida do que o normal, como se fosse possível. ? E se algum dia eu me cansar do seu mistério, me cansar de falar com alguém tão enigmática e te deixar? Que diferença isso vai fazer?
- Toda. ? Ela disse calmamente, segurando cada vez mais forte o volante, que por um instante imaginei-o quebrando.
- Você não me conhece o bastante pra saber se sentiria minha falta. Como em todos os dias que você sumiu, você, alguma vez parou para pensar em mim? Eu pensei o tempo inteiro em você.
- Você nem sabe porque eu fui embora.
- Então me diz. Um pouco de verdade, para variar. Por favor. ? Ativei meu olhar de cachorrinho, implorando por uma resposta clara para minhas perguntas, uma dica no meio daquele nevoeiro.
- Eu fui embora porque não agüentava estar ao seu lado. Seu cheiro, . Ele me hipnotizava. Ele me fazia pensar em coisas que eu não gostava. Ele me fazia pensar no meu passado sombrio, e eu queria me livrar desse cheiro, eu queria poder respirar. ? Ela soltou uma risada e logo depois continuou falando seriamente. ? Eu queria estar ao seu lado, sem pensar em ter que fazer pedaços de . Eu queria que você estivesse vivo. Por isso eu fui embora. Só por você. E se tem algo que eu não parei de pensar em toda minha ausência, foi em você. ? Á esse ponto o carro de estava parado bem na frente da minha casa. Ela abaixou o olhar, como se não estivesse esperando uma resposta. Ela deveria achar que eu estava pensando que ela era louca. E, por um momento, eu pensei. Mas depois... a única coisa que consegui sentir foi dó. ?Eu queria que você estivesse vivo?. As palavras batucavam em minha mente, e me faziam imaginar milhões de possibilidades. Ela queria me matar? Meu cheiro a incomodava tanto assim?
- Seu passado sombrio? ? Perguntei, sem esperança de receber uma resposta clara.
- Quem eu era. Eu era um monstro. Eu sou um monstro. Quando estou ao seu lado... eu me sinto humana. Eu me sinto como uma garota tentando fugir dos mistérios do primeiro amor. Por mais que isso pareça ridículo. Você faz eu me sentir bem. Como se eu começasse a viver a partir de quando meus olhos encontraram os seus, e meu nariz sentiram seu aroma.
- Quem você era?
- , está tarde. Você está na sua casa. Acabou.
- Tchau. ? Olhei novamente em seus olhos amedrontados e seu falso sorriso deslumbrante. Tentei gravar seus traços em minha memória, pois não sabia se amanhã ia ser igual. Queria me lembrar perfeitamente de sua voz, então fiz uma ultima pergunta. ? Você vai estar lá amanhã? ? Ela não respondeu. Eu esperei por um bom tempo, até desistir de escutar sua voz. Fechei a porta sem força, pois elas pareciam ter desaparecido no momento em que ela me fitou com um olhar frio. Abri a porta da frente e subi as escadas, quase me arrastando, chegando finalmente a minha cama, e despencando em sono profundo.
Naquela noite, eu não tive sonhos. Apesar de querer passar a noite inteira pensando em e suas palavras, tentando desvendar seu enigma, eu não pude pensar nem ao menos um minuto em todas essas coisas. Minha cabeça estava muito cansada.O próximo dia seria uma tortura se eu não visse ela. E ao mesmo tempo eu estava tão cansado de seu mistério que tudo que queria era estar longe de tudo aquilo. Me assustei quando vi Robert acordado e sentado na mesa central da cozinha.
- Robert? Já acordou?
- Eu realmente preciso conversar com você . ? Eu tinha certeza, que pelo jeito que ele me chamou, era uma conversa séria. Sentei pacientemente na mesa e fiz um gesto para ele começar. ? Você anda saindo com Cullen?
- Saindo, significa...
- Você conversa com ela? Você fica perto dela? Essas coisas. Não exatamente namorando, mas... vocês são amigos?
- Arrãn. ? Murmurei, afirmando também com a cabeça. ? Mas sabe, ela é tão misteriosa.
- Você já imaginou que para uma pessoa ter mistério, ela tem que esconder algum segredo? ? Robert levantou apenas uma sobrancelha e aquilo me assustou.
- Sim. Mas, Robert, é impossível decifrar o segredo dela, o jeito como ela fala... seus enigmas...
- , eu não quero você perto dela. Por favor. Não faça o mesmo erro do seu avô.
- Como assim? ? Ele colocou a mão no meu ombro e olhou diretamente em meus olhos.
- Não fique perto dela, garoto. Isso pode acabar mal.
- Eu sou o único que não entendo o que as pessoas falam nesse lugar? ? Levantei da cadeira com os pensamentos embaralhados e extremamente nervoso. ? Você não pode ser mais claro? Você não pode me falar o que está acontecendo? Qual é o segredo de ? Você sabe, não sabe? ? Passei a mão pelo cabelo, e parei de andar em círculos. Me apoiei na mesa, encarando Robert. Não queria dizer o que estava prestes a falar, mas era necessário. ? Vocês são todos loucos. Todos. Essa cidade está me matando, eu não vou enlouquecer com vocês.
- Você realmente não sabe o que está falando, .
- Eu sei o que estou falando e eu sei o que estou fazendo. Vou voltar para Califórnia.
- OK. Vá, eu realmente não me importo. Está na hora de você aprender, e vai aprender sozinho. Eu não vou dizer o certo e o errado, você vai descobrir. Vai em frente, Sr. . Faça suas escolhas, e depois, não venha se arrepender.
- Eu gosto dela vô. ? Não percebi o quão inseguro eu parecia naquela frase, minhas palavras procuravam um abrigo, eu não queria ouvir a verdade, eu queria ouvir uma mentira, eu queria ilusões. Eu adoraria se ele falasse: ?E ela também, por isso você precisa se afastar.? Eu não queria que tivesse algo pior que isso.
- Eu não vou falar mais nada. ? Robert respondeu com a voz fria e sem emoção.
Capítulo 9
Fui andando para a escola de mau humor. Minha caminhonete, que eu tinha ganhado sem precisar pagar nada de meu avô super bondoso que agora se tornou estressante, era apenas um pedaço de metal. Ótimo, eu só tenho que andar aproximadamente trinta e cinco quarteirões.
Estava imaginando algo como cabular aula ou fugir de casa, quando uma buzina soou.
- Tem certeza que vai andando para a escola? – falou, abrindo o vidro de sua Mercedes. Seus lábios formavam o sorriso perfeito e seus dentes brancos conseguiam ser mais brancos do que sua pele quase transparente. Fiquei parada por algum tempo apenas admirando aquela imagem. – Então, . Vai me responder ou ficar parado aí?
Eu dei um sorriso bobo e me sentei no banco de passageiro.
- Você tem alguma noção de como faz as pessoas ficarem? – Perguntei. Ela fez uma expressão de desentendida. Até com cara de boba ela conseguia ficar extremamente linda. Como é possível? – Quer dizer, o seu sorriso. Se eu for pego de surpresa, ele me deixa tonto.
- Eu te deixo tonto? – Ela perguntou, se divertindo com a minha expressão.
- Sempre. – Ela sorriu vitoriosa. – E está fazendo isso de novo. – Quando percebi, já estávamos na porta da escola. – Como você chegou aqui tão rápido? – Perguntei, incrédulo.
- Você estava tão tonto que nem percebeu o tempo passando. – Ela estava, definitivamente, zoando com a minha cara. Então decidi mudar de assunto.
- Eu pensei que você não viria hoje. – Disse, deixando transparecer a tristeza que sentia.
- Por que? - Acho que te irritei ontem.
- Não é razão para faltar aula, não acha? - Mas agora você não está mais irritada. – Deduzi.
- Como você tem tanta certeza?
Ela arqueou a sobrancelha, me encarando.
- Você me deu carona. – Ela afirmou com a cabeça.
- Claro. Só de pensar em você andando trinta e sete quarteirões...
- Está falando que sou lerdo?
- Desajeitado.
- Lerdo.
- Como você quiser. – Ela rolou os olhos e ficou olhando para a janela. As pessoas nos olhavam de longe, esperando algo para fofocar.
- Essas pessoas me irritam. – Falei sem pensar.
- Mas não é sua amiguinha nos encarando? – Ela olhava fixamente para Britanny. – Ela não gosta de mim.
- Por que você acha isso?
- Eu sei disso. Ela acha que te roubei dela. É melhor você sair do carro. – Outch, só faltava ela me chutar da porta.
- Eu não quero. – Disse quase manhoso. – Gosto de conversar com você.
- Seus amigos vão sentir sua falta.
Eu bufei e saí do carro sem me despedir. Era inútil discutir com ela. Cumprimentei Britanny e , que me esperavam para cabular a primeira aula. Os outros iam ter provas difíceis e não podiam se dar ao luxo de fazer o mesmo que nós.
- Você e a , hein? – falou com uma mistura de inveja e curiosidade. E eu, é claro, fiquei envergonhado.
- Eu não gosto dela. – Britanny disse com sinceridade.
- Ela é minha amiga, Britanny. – Disse com mais raiva do que deveria estar.
- Ela é muito... – Britanny começou e eu sabia o que ela queria falar.
- Perfeita. – disse, lendo meus pensamentos. – É isso que te incomoda, Britanny.
- Talvez. – Ela admitiu derrotada.
- É isso que incomoda todas as meninas. – disse, novamente lendo meus pensamentos. – Por exemplo, eu sou bem mais sexy que o , mas isso não o impede de andar comigo. Vocês meninas, são estranhas.
- Valeu, . – Fiz um joinha.
- E ela deve guardar algum segredo, tenho certeza. – Britanny disse com jeito de detetive.
- E eu acho que isso não é problema seu. – Me espantei com minha frase grossa.
- Não, não é. – Ela falou com raiva e depois ficou quieta.
começou a me perguntar os detalhes sobre nossos momentos sozinhos, mas eu preferi omitir a maioria, pois Britanny parecia estar com muita raiva de mim. Depois começamos a falar sobre música e ela até deu algumas opiniões.
- Se eu tivesse uma banda – Britanny falou confiante. – Teria que se chamar McFly.
- Com certeza. – Eu concordei.
- Credo, parece McDonald’s! – falou, discordando, e nós rimos.
- Mas, infelizmente, eu não tenho paciência para aprender nenhum instrumento. Por isso, , quando você fizer uma banda, dê esse nome. – Britanny disse.
- Eu posso pensar.
- Você toca alguma coisa, ? – Perguntei.
- Yep. Eu, e tínhamos uma banda. Estava contando isso ontem para Britanny, quando você sumiu. Só que faltava um guitarrista... e um nome.
- Não falta mais. – Eu disse orgulhoso. – e McFLY.
- Eu não acredito, você toca? – Ele falou surpreso. – E o nome ainda vai para votação, OK?
- Obrigada pela consideração, . – Britanny disse, fazendo um joinha com a mão.
O sinal tocou e eu fui para minha segunda aula: matemática. Por mais que eu gostasse um pouco de números, não me animei pois não tinha essa aula em comum com . E não via a hora de ficar ao lado dela e confundir ainda mais minha cabeça. Se isso for possível.
Passei a aula inteira desenhando riscos sem sentido, e quando percebi, um sorriso perfeito estava na minha frente. O sorriso dela. Arranquei essa página do meu caderno para guardá-la dentro da minha mochila e poder lembrar de mesmo quando ela estivesse longe.
Depois de algumas aulas bobas, uma nota baixa e mais alguns desenhos (nenhum tão bom quanto o primeiro), o sinal do recreio bateu e eu passei pelos corredores como um furacão para vê-la novamente.
E lá estava ela. Com o rosto apoiado em uma das mãos, onde estava uma pulseira de ouro em contraste com sua pele clara. Seus olhos não encaravam nada em especial, apenas olhavam para uma mesa vazia e eu estava tentando imaginar o que ela estava pensando. Seu cabelo caía levemente pelo ombro e de repente um sorriso apareceu em seus lábios.
Olhei em direção ao que ela olhava e encontrei um par de olhos igualmente lindos. Era seu irmão, Edward. Ele andou em direção a ela e se sentou ao seu lado. Me xinguei mentalmente por ter ficado tanto tempo observando e não ter me sentado no lugar que agora era ocupado por outro homem.
Fiquei me imaginando naquele lugar e dei risada. Como alguém ia preferir a minha companhia a de Edward? Eu era patético.
Capítulo 10
Passei as últimas aulas me xingando em silêncio por não ter falado com . Mas na última aula, quando estava quase procurando uma corda para amarrar meu pescoço por ter que ir à educação física, vi novamente a garota por quem meu coração batia mais forte. Cullen estava sentada em uma arquibancada com seu uniforme de ginástica.
Seu shorts deixavam sua coxa a mostra e eu admito que fiquei um bom tempo só babando nela. Mas dessa vez não demorei tanto e andei rápido para o seu lado, me sentando. Antes de começar a falar, pude ver os olhos de seu irmão me fuzilando de longe, mas não me importei.
- Você não veio falar comigo no recreio. – Eu falei calmamente.
- Você que não veio. – Ela disse ainda sem olhar para mim. – Ficou me encarando por dez minutos e nem ao menos veio falar "Oi".
- Oi. – Eu disse, simplesmente. – Me desculpa, seu irmão chegou primeiro.
- E...
- Ele não gosta de mim. – Ela me olhou com um sorriso no rosto e eu percebi que meu desenho não chegava nem ao menos aos pés do real. Nota mental: jogar aquele papel no lixo.
- Por que você acha isso?
- Eu sei disso. – Sorri também. – Ele veio falar comigo, dizendo que se eu ficasse perto de você alguma coisa ia acontecer... comigo.
- E você deduziu que...
- Ele iria me bater. – Fiz cara de dor só de imaginar aqueles músculos definidos em meu rosto fraco.
- Mas mesmo assim você não se afastou.
- Acho que não me importo.
- Você não é bom em deduções. – Ela deu aquela risada melódica. – Ele não estava com medo de você fazer alguma coisa comigo, e sim de eu fazer alguma coisa com você.
- Como o que? – Perguntei com medo da resposta, mas ainda assim com curiosidade.
- Como te cortar em pedaçinhos apenas para me divertir. Ou quebrar os seus ossos com um aperto de mão. – Ela parecia falar sinceramente, mas eu levei na brincadeira.
- Então cortar as pessoas em pedaçinhos é seu hobby?
- Era, agora eu sou civilizada. – Ela deixou de olhar pra mim, encarando o nada, mas depois recuperou a expressão divertida e voltou a colocar seus olhos nos meus. – Mas eu posso perder o controle.
- Você não está falando sério, está? – Admito que fiquei com um pouco de medo.
- Você não é bom em deduções, lembra? – Ela riu. – Só estou te avisando que sou perigosa. Não só eu, o Edward também. Se você quer ouvir ou não...
- Vou continuar sendo teimoso.
- Por mim, tudo bem.
- Mas se você fizer churrasquinho de mim...
- Pode ter certeza que eu vou te avisar antes, para você tentar correr.
- Obrigado.
- Formem duplas! Duplas! – O professor gritava enquanto os alunos desorganizados tentavam se agrupar.
- Você vai ser minha dupla, não é? – Eu disse enquanto olhava para o resto da multidão, procurando alguém conhecido caso ela se recusasse a ir comigo.
- Eu não costumo fazer educação física, mas de vez em quando pode ser divertido. – Ela se levantou, estendendo sua mão para mim.
- Não vai quebrar meus ossos? – Perguntei antes de estender minha mão.
- Não. – Ela rolou os olhos.
- É que, como você disse, eu não sou bom em deduções. – me levantei e peguei sua mão, soltando-a logo em seguida. – ? Você está com frio?
- Não. – Ela falou desentendida. – Por quê? Ah! Minha mão. Não se preocupe, é a temperatura normal dela.
Coloquei minhas mãos no bolso do agasalho, tentando esquentá-las. Andar de mãos dadas com seria um sonho, mas extremamente impossível para um animal não-pinguim.
- Qual é a sua dupla, Cullen? – O professor perguntou assustado. Primeiro porque viu Edward sentado na arquibancada sem nem ao menos prestar atenção na aula. Segundo porque nunca fazia educação física.
- É o . – E eu apareci do lado dela, sorrindo.
- OK. - Ele continuava surpreso. Jogou uma bola de vôlei para mim e eu gemi.
- Droga.
- É bom em vôlei, ?
- Nem um pouco. – Ela riu da minha resposta.
- OK. Eu também sou uma merda. – Ela deu de ombros. – Mas é só ficar tocando de um para o outro.
- Como você sabe? – Vi o professor chamar todos para explicar a atividade e logo depois todos tocando a bola de um para o outro.
- Previsível. Você começa.
Não. não era ruim como tinha falado. Ela era ágil e pegava todas as bolas que eu mandava para ela, dançando. E as bolas que ela mandava para mim? Chão, sempre. Até que depois de cinco minutos disso, eu estava conseguindo pegar a bola. Mas ela foi para o chão, comigo.
- Outch! – Gritei, sentindo uma dor de cabeça terrível.
- ! Me desculpa, eu joguei muito forte. – colocou a mão fria sobre minha testa e a dor ficou um pouco mais fraca. Mas minha cabeça ainda latejava. Um pequeno grupo de pessoas se juntou a minha volta.
- Alguém pode levar o menino à enfermaria? – O professor falou alto.
- Eu levo. – se manifestou. – Ele vai ficar bem. – Ela estendeu sua mão fria que eu peguei sem medo de tremer, pois eu realmente queria me levantar de lá.
Ela me guiou até a enfermaria e os meus dentes trincavam por estar em contato com ela.
- Você não está com frio? – Perguntei a ela, olhando novamente para suas pernas nuas.
- Quem está tremendo aqui é você, . – Ela falou despreocupada. – Mas obrigada por perguntar.
- Se você quiser meu moletom...
- Não precisa ser cavalheiro, . Deixe isso comigo, afinal, você está machucado e a culpa é minha.
- Eu tenho algumas perguntas...
- Boa sorte com elas.
- Posso começar?
- Á vontade.
- A primeira coisa não é uma pergunta. Eu só queria dizer que a culpa não é sua, eu que sou lerdo e não peguei a bola.
- Ainda continuo achando que a culpa é minha. – Ela falou calmamente. – E as perguntas?
- De onde você tirou tanta força? – Eu não queria ser grosso, mas não pude deixar de transparecer o machismo em minha pergunta.
- Foi um acidente, me desculpe.
- Eu já desculpei, não vai responder?
- Não.
- Ótimo. – Pensei na minha próxima pergunta. – E...
- Posso fazer uma pergunta antes? – Ela me interrompeu.
- As outras perguntas levam para o mesmo assunto?
- Sim. – Disse, derrotado.
- Então desista. – Ela disse com os olhos nos meus. – Por favor.
- Acho que chegamos. – Eu apontei para uma grande placa onde estava escrito “Enfermaria”.
- É melhor você entrar sozinho. – Ela falou e desapareceu pelo corredor.
Entrei pela porta com a mão na testa. Não era tão fria quanto a de , mas pelo menos estava ajudando. Lá dentro tinha um garoto sentado e escorria sangue pela sua perna. ÓTIMO, eu adorava cheiro de sangue, me deixava confortável. Sentei no pequeno sofá e fiquei esperando ser atendido.
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Em todos os meus anos de vida, eu sempre tive certeza que não pertencia a esse mundo. Toda a realidade era difícil. Mas eu sabia que haveriam conseqüências. Todo conto de fada tem o seu vilão. Todos os finais felizes tem algo antes do ?final?. Porém, as conseqüências não me importavam. Pois essa era a vida que eu sonhei. A vida que eu queria. Ao lado da pessoa que eu queria. A única com quem passaria meus anos. Ou décadas. Talvez, com a nossa sorte... Séculos.
Capítulo 1
Eu realmente gostava da minha cidade. E não tinha nada a ver com as garotas bronzeadas ou as praias lotadas no final de semana. Eu gostava mesmo era da liberdade da Califórnia. Eu me sentia tão bem, apesar de viver longe de meus pais, e sentir a sensação de vazio sempre que parava para pensar em alguém. Não que as garotas de lá não fossem quentes. Elas eram tão quentes quanto o clima, diga-se de passagem. Mas nenhuma sequer chamava minha atenção. Pense na minha situação. Sem família. Sem amigos. Sem namorada. Apenas o sol e a liberdade de estar em um dos melhores lugares do mundo, na minha opinião.
Meus pais morreram. Um acidente de carro em Londres. Exatamente o lugar que eu irei morar agora. Junto com meu avô, o único parente que eu conheço. Londres não era o que eu diria ?lugar perfeito?. Nada molhado e frio me atraia. Eu preferia passar o resto de minha vida sozinho do que morar em um lugar como Londres. Mas foi minha decisão, e quando eu tomo uma decisão, nada pode me convencer a mudá-la. Há anos meu avô pediu para eu morar com ele, seria bom para os dois. Eu acho.
Enquanto carregava minhas únicas duas malas de roupa, um fusca amarelo e velho passou na minha frente. Robert. Acenei para ele parar o carro, e entrei, colocando minhas malas no banco de trás.
- Quanto tempo, ! ? Ele sorriu enquanto eu entrava no carro, jogando minha mochila nos pés.
- Oi vô. ? Tentei forçar um sorriso como o dele, sem sucesso.
- Feliz por morar em Londres? ? Eu ri como se ele tivesse contado uma piada, mas não era a hora de dizer para ele o quanto eu odiava Londres. Mentir seria a única maneira de deixá-lo feliz, já que eu não estaria.
- Claro. Não vejo a hora de conhecer as pessoas daqui. ? Outro sorriso forçado sem sucesso. Daqui a pouco eu seria um profissional em sorrisos falsos, poderia até torná-los convincentes.
- Eu acho que tenho uma surpresa pra você. Não é bem uma surpresa, mas você vai gostar. Um presente.
- Que bom, Robert. ? Pensei em minha mente, sem dizer nada para ele : ?Alguma coisa pra me deixar melhor nessa cidade molhada e sem graça.?
No resto do caminho nenhum dos dois falou absolutamente nada, apenas olhei os pingos de chuva caindo pela janela. Ótimo, já ia chover no meu primeiro dia, não poderia ser melhor. Ao invés de reclamar eu tentei olhar pelo lado bom. Ok, não tinha lados bons nisso. Mas eu ainda estava tentando achá-los. A casa de Robert era bonitinha, pequena e aconchegante. A típica ?casa do vovô?. Tinha uma caminhonete azul estacionada na frente, logo pensei que tínhamos visitas, mas Robert começou a falar.
- Acho que...esse é o seu presente. No jornal ela parecia bem maior, e mais nova.
- Eu adorei Robert. Era tudo que eu precisava. ? Dessa vez eu realmente sorri. Nunca tive meu próprio carro, e a caminhonete parecia bem decente. Velha e aranhada, mas decente. Tudo que eu sempre sonhei em ter.
Entrei na minha nova casa, e Robert me mostrou meu quarto. Era pequeno, com uma cama no canto e uma escrivaninha, onde tinha um telefone sem fio, caso eu precisasse. Nada de computador, ou televisão de plasma. Nenhuma tecnologia como as que eu tinha em minha antiga casa, mas eu realmente gostei. O outro dia na escola seria um pouco pior que esse. Mas eu ia tentar fazer mais amigos. Tentar. Eu não me dou bem com as pessoas. Como se meu cérebro trabalhasse de um jeito diferente, até um pouco estranho. Minha mãe sempre me dizia, quando eu tinha 7 anos, que eu parecia um velho de 51. Talvez ela tivesse razão. Deitei sem sono na cama, e tomei um daqueles remédios que eu usava para os dias ruins. Depois de 2 minutos comecei a sentir os efeitos e adormeci.
Capítulo 2
Ao acordar, Robert ainda estava dormindo, como sempre. Nunca o vi acordado antes das 2 horas da tarde, e acho que era melhor não mudar os costumes do meu avô. Deixaria ele dormir e arranjaria um jeito de me alimentar com o que estava pela frente. Abri o armário e encontrei uma caixa de cereal. Coloquei um pouco na minha mão e fui comendo, até chegar em meu quarto e pegar minha bolsa. Entrei no banheiro para escovar os dentes. De lá pude ouvir os roncos de Robert. Dei uma risada abafada e peguei a chave da minha nova caminhonete.
A escola era... legal. Não era muito diferente da que eu estudava, apesar de ter uma aparência sombria, deveria ser por causa da chuva constante, e das nuvens que insistiam em cobrir o sol. Estacionei meu carro ao lado de uma Mercedes vinho. Dei risada ao perceber como meu carro se tornava tão sem graça ao lado dela. Tão velho e inútil.
Ao entrar na escola, sem querer me achar mais, todas as meninas e até alguns meninos me encaravam com olhares curiosos. Eu, é claro, me senti o máximo. Eu sei que sempre fui bonito, apesar de que na minha cidade não achavam isso. Pela minha falta de cor, talvez. Mas eu era um garoto pegável. Acho.
- Oi. Você deve ser novo aqui. Claro. Você é novo aqui. ? Um garoto um pouco mais baixo que eu chegou puxando assunto. ? Eu sou . Ou.
- Eu sou.
- de..? - . .
- Você é o filho do Robert, certo?
- Não, neto.
- Claro, claro. Qual é a sua primeira aula?
- Inglês. ? Rodei os olhos. Não que eu não gostasse, mas a idéia de cabular aula agora era bem ?apetitosa? nesse momento.
- Eu não costumo fazer isso. Ok, eu costumo fazer isso. Mas não pense mal de mim. Eu e meus amigos, e quase sempre faltamos na primeira aula. Acho que inglês não vai te prejudicar. É só você fazer os exercícios da apostila e tira 10 na prova, acredite em mim. Ano passado eu faltei em 50% das aulas de inglês.
- Você leu meus pensamentos, faltar nessa aula seria simplesmente... perfeito.
- Gostei de você. Você é mal. ? sorriu. ? ! Gatiiinho! ? Ele gritava e pulava, acenando para um garoto que acabava de entrar.
- Pára com isso . ? O garoto parecia envergonhado. ? Não seja gay em público.
- Olha, se você ficar com essa frescura vou te trocar pelo , ele é novo aqui e é mais sexy que você, . ? rodou os olhos.
- Anyway, não vamos na primeira aula hoje né?
- Você é esperto . É por isso que te amo.
- Não liga pra ele. ? me olhou pela primeira vez. ? Tem ataques afeminados a maior parte do tempo. Mas todos sabemos que ele é louco pela BASASHD.- colocou a mão na boca , e eu não entendi o nome de quem ele falou. ? Não importa. Todos nós somos loucos por ela. Eu não consigo imaginar alguém que olhe para aquele rosto e não sinta arrepios.
- Ela já me deu 5 foras. Tipo, CINCO. ? falava para ele mesmo, nervoso. ? Não deve ter um homem nesse mundo bom o bastante para aquele tipo de menina.
- Vocês não estão exagerando? ? Falei confuso. ? Eu morei na Califórnia por 17 anos, e lá tinham garotas que eu acho...
- Não. Existe. Garota. Mais. Pereita. Que. Ela. ? falou pausadamente. ? E não acredito que possa existir.
- Quem é essa tal, GAROTA PERFEITA do ? ? Perguntei sarcástico.
- Ela. ? arregalou os olhos, como se tivesse visto um fantasma. Seus dedos trêmulos apontaram para uma garota que entrava na escola. Ninguém parecia ter coragem de ficar ao seu lado, ninguém tinha coragem de encostar em tal criatura. Percebi que o exagero que eu pensei ter existido nas palavras dos meus dois mais novos amigos não eram exagero. Era como se seu corpo fosse esculpido por algum tipo de escultor que procurava as formas perfeitas para um anjo. Ela andava de um jeito delicado, quase dançando. Nenhuma modelo conseguiria desfilar tão graciosamente como ela. Seus cabelos voavam como em algum tipo de filme onde não importava quanto o vento tentasse bagunçar, ele ia parecer perfeito. Pisquei algumas vezes, tentando me concentrar em parar de olhar, mas a bela criatura me hipnotizou. ? Cullen. É o nome dela.
Capítulo 3
- Ela está olhando pra cá, dude. ? deu seu melhor sorriso. ? Aposto que vai aceitar ir ao baile comigo.
- Baile? - Perguntei, como se tivesse perdido metade da conversa.
- Sim, é um baile que vai ter mês que vem. As meninas que convidam, frescura da escola. ? rodou os olhos. ? Acho melhor você arranjar uma menina antes, elas nunca convidam, e a gente fica sozinho.
- Tenho certeza que a Jackie vai te convidar. ? bufou.
- Ela é um saco, dude. Não vou com ela não. ? escondeu o rosto com as mãos. ? Falando nela...
- Oi meninos. Ah, oi . E, quem é esse? , acertei? Claro que sim, seu avô fala muito de você. Sou Jackie Hale. Essa é Britanny. Ela também é nova aqui, . Posso te chamar de né?
- está ótimo, obrigado.
- Você poderia ir ao baile com a Britanny. Ela ia adorar te convidar.
- Não acho que vou ao baile. Me desculpa Britanny, mas tenho certeza que o ia adorar. ? fez uma cara assustada, como se não tivesse gostado.
- Eu tenho par , a me convidou. está sem par.
- Convidou? ? Jackie parecia super interessada, como se fosse uma nova fofoca para espalhar.
- No pensamento ? ria da auto-confiança do amigo.
- Ela vai me convidar. OK? E Jackie, você vai com quem?
- O , claro. Tomei a liberdade de colocar nosso nome na lista de pares, sabia que eles estão fazendo uma lista? Claro que não. Eu sempre sei primeiro das coisas. É para ver quem vai ficar sem par, para eles mesmos arrumarem. Vai ser estranho. Imagina, quem vai cair com o Edward?
- Quem é Edward? ? Falei junto com a Britanny.
- Uma garoto maravilhoso, claro. Mas nenhuma menina é boa o bastante pra ele. Todos imaginaram que ele ia com a irmã, . Mas agora que o vai com ela...
- Eu queria ir com ele. ? sussurrou pra mim.
- O que foi ? ? Jackie perguntou.
- Nada. Vocês não vão se atrasar para a aula?
- Ah, claro. O tempo passa rápido quando estamos nos divertindo, certo? ? Ela deu um sorriso. ? Tchau guys, vejo vocês no recreio.
- Ml posso esperar. ? bufou.
- Olá. O que vocês estão fazendo fora da sala? ? A garota cuja beleza era totalmente inexplicável apareceu, tocando em meu ombro, o que claro, fez meu corpo inteiro se arrepiar. ? Desculpa a falta de educação. Sou , e você deve ser o .
- Esse sou eu. ? Dei meu melhor sorriso, que pareceu ridículo perto do dela.
- Respondendo a sua pergunta, baby. ? quis dar uma de garanhão. ? Estamos matando aula. Não vai contar pra ninguém né?
- De jeito nenhum. Só queria ter certeza de que não seria a única fora da sala. ? Ela se sentou em uma cara entre eu o . ? Se importam?
Nós dois apenas balançamos a cabeça negativamente, ela havia tirado nossa fala. Não tinha percebido antes, mas seu cheiro era extremamente hipnotizador, como flores frescas do campo, só que melhor.
- Onde está seu irmão? ? perguntou, tentando entrar na conversa.
- Acampar. Ele e Carlisle. Esme preferiu ficar comigo.
- Por que você não foi também? ? perguntou.
- Não sei. Eu realmente estava querendo estudar. Vocês devem achar estranho. ? Ela sorriu para . Eu não vi, porque ela estava de costas pra mim, mas pela expressão de , ela só poderia ter sorrido.
Um vento soprou levemente por nós, e ela respirou exageradamente, como se estivesse sugando o ar. No mesmo momento, seus olhos se arregalaram, e por um instante pensei ter visto eles brilharem. Ela se enrijeceu e me encarou com medo.
- , acho que você fede. ? ria da minha cara engraçada.
- Não. Eu percebi que você tem um cheiro extremamente bom . ? Nada comparado ao cheiro dela, eu pensei. ? Tenho que ir. Lembrei que minha primeira aula é Matemática, e não Biologia. ? Ela deu um sorriso fraco e saiu andando. Fiquei parado sem entender nada. Pelo menos ela disse que eu cheirava bem, mas me encarava como se fosse arrancar meu cérebro em alguns segundos.
Capítulo 4
- A única vez que a gente consegue falar com ela. - me olhou, emburrado ? E o cheiro do estraga tudo. Se você for continuar querendo seus amigos, , pode tomar banho melhor ok?
- Mas ela disse que meu cheiro é bom!
- Ela queria ser educada, . ? rodou os olhos. ? Ela é sempre educada.
Eu não vi Cullen em nenhuma das minhas aulas, talvez não tivéssemos nenhuma aula juntos, eu pensei. Mas ela também não estava no recreio, em nenhum lugar. Quando eu fui pegar meu carro, a Mercedes não estava mais lá. falou que aquele era o carro dela, então ela realmente tinha ido embora. fez piadinhas sobre quão mal eu cheirava, que ela teve até que fugir da escola. Não ri de nenhuma delas. E , o outro garoto da ?turma? não falava nada, apenas confirmava com a cabeça quando necessário.
Os dias se passaram, e eu nunca mais vi . Nem o carro dela, nem seu rosto perfeito, nem seu sorriso hipnotizador, e nem ao menos senti seu cheiro. Seu irmão apareceu na escola nos outros dias. Edward. Ele não sentava com ninguém, apenas ficava sozinho em uma mesa no canto do refeitório, me encarando, como se eu tivesse cometido um crime. Eu tentava não olhar, mas por mais gay que isso pareça, ele era maravilhoso. Nunca achei um homem tão... perfeito. Perfeito era até uma crítica perto daquele rosto. Mas eu vou parar por aqui, senão vão pensar coisas ruins sobre mim.
Nada de bom aconteceu naquele primeiro mês de aula. Apenas um dia de sol, que eu aproveitei ao máximo. Eu não sabia porque me importava tanto com a fuga da garota. Ela era apenas uma garota. Mas parecia que isso me provocava, me deixava nervoso.
Falando em garotas, Britanny era uma garota legal, conversamos algumas vezes, e ela era realmente engraçada e inteligente. Alguém que você pode falar de coisas além de cabelo e fofocas. Não conversei muito com Jackie, ela só tinha olhos para . Ela também era muito tagarela, e isso me incomodava.
No meu 36º dia de aula, eu me assustei. A Mercedes estava lá, no lugar que eu tinha visto no primeiro dia de aula. O que queria dizer que, sim, ela estava lá também. Meu coração acelerou e um milhão de borboletas começaram a voar no meu estômago. Me apoiei no carro pra não cair, pois estava tonto. Apenas o cheiro do carro dela já me deixava assim, e eu queria mais que tudo ver seu rosto novamente. Quando entrei na escola, enxerguei a cena que esperava. , e sentados em uma mesa do lado oposto da mesa dos Cullen, olhando, melhor, ENCARANDO . As cabeças estavam apoiadas em um braço e pude ver alguma coisa caindo da boca do. Certeza que ele estava babando. Ao me ver, ela andou daquele jeito dançante e colocou a mão sobre meu ombro.
- Olá. ? disse sorridente. ? Me desculpe por... aquele dia.
- Tu-tudo bem. ? Eu tentei sorrir e parar de babar. ? Eu realmente pensei que estava fedendo. Tava muito ruim?
Ela deu uma risada divertida, mas logo depois seu rosto ficou sério.
- Eu nunca minto . Seu cheiro é extremamente bom e... é melhor eu ir. ? Ela balançou a mão como se estivesse se despedindo e saiu para perto do seu irmão. Eu fui para a mesa dos meninos.
- Eu não estava fedendo aquele dia. - Murmurei.
- O que? ? acordou do seu sonho.
- veio falar comigo. Ela disse que eu não estava fedendo.
- Edu..
- Não, não por educação , ela disse que ela nunca mente, e eu estava com um cheiro bom.
- Me empresta seu perfume ? ? falou uma frase inteira pela primeira vez, em todo esse tempo.
- Claro . ? Eu dei uma risada.
- Eu também quero! ? e falaram juntos e começamos a rir.
Eu sabia que a falação de ia afetar o tempo. Como naquela expressão: ?O falou? Vai chover.? E choveu. Mais do que chover, nevou. A neve era estranha, mas ao mesmo tempo gostosa. Uma guerra de neve seria inevitável agora. Após a educação física, todos estavam planejando a guerra do ano. Mas eu realmente não queria participar. Ao saber que a educação física fora cancelada, a primeira coisa que pensei foi em ir pra casa. Enquanto andava até meu carro, pude ver uma estátua, que se confundia com o gelo, parada no carro do lado.
Capítulo 5
Olhei de lado, para ver quem estava encostado naquela caminhonete preta muito mais cara e nova que a minha. Edward. Tentei ver se achava sua irmã, , mas ela não estava lá.
- Olá. ? Ele murmurou enquanto eu abria a porta do meu carro.
- O-oi. ? Respondi sem graça.
- Você é um amigo da ? - Ele, que tinha a cabeça encarando os pés, levantou-a, me encarando com os olhos brilhantes e negros.
- Não sei. Quero dizer, nos falamos umas duas vezes.
- Droga. ? Ele falou baixo e socou a porta do seu carro. Eu não sei se estava sonhando ou se realmente ele tinha feito um estrago na porta, que arrumou logo em seguida. Estranho. Eu ia perguntar se ele andava malhando, mas seria muito gay.
- Aconteceu alguma coisa com ela?
- Não. Mas vai acontecer com você, se não ficar longe dela. ? Ele deu um sorriso malicioso, que me deixou com medo. Vi que ele encarava alguma coisa que estava nas minhas costas, e olhei parar trás. vinha andando, leia-se dançando, até nós.
- Olá rapazes. ? Ela deu aquele sorriso. ? Todos com educação física no ultimo horário?
- Sim. ? Respondemos juntos.
- Temos sorte. ? Ela deu uma risada que parecia mais uma música do que uma risada.
- Eu estou indo. ? Edward olhou com um olhar significante para , que simplesmente afirmou com a cabeça. Não entendi nada, mas fiquei quieto. Quando estava entrando no meu carro, ela me chamou.
- ?
- Sim.
- Você vai para sua casa?
- Acho que sim, por que?
- Eu estava pensando, sabe, eu não tenho amigas e minha mãe está muito ocupada hoje, eu queria sua opinião para o meu vestido do baile.
Eu sei. Qualquer menino arrumaria uma desculpa para não ter que ir dar opinião sobre vestidos, mas com aqueles olhos dentro dos meus, eu nunca poderia negar algo a ela.
- Claro. Vo-você já tem par?
- Não um definitivo. Eu vou com meu irmão se ninguém me convidar até amanhã. ? Ela deu de ombros. Tive que me recompor para dar uma resposta melhor do que: vai comigo?
- Eu tenho um amigo, er, . Ele gosta de você. Só não tem coragem de te convidar. Aliás, não são as meninas que convidam?
- Tem razão. ? Ela sorriu e pareceu viajar por alguns minutos. ? Então, você vai comigo ou não, ?
Meu coração já batia forte por ela estar perto de mim, ficou pior ainda quando eu a ouvi dizer meu nome. E quando eu percebi o que ela queria dizer, claro, já estava quase tendo um sério ataque cardíaco.
- Claro. ? Respondi, ainda viajando nos olhos dela. Nesse momento eu percebi como era diferente de todas as outras meninas. Tudo nela chamava a minha atenção. Seus olhos, seu cabelo, sua voz, seu rosto, seu cheiro. Mas nunca havia prestado atenção em seu corpo. Qualquer garoto olha primeiro para a bunda da menina, depois parar os seus olhos. Com , isso era impossível. Qualquer um se hipnotizaria com seu rosto que mesmo se ela tivesse 400 kg, íamos ficar apaixonados. Mas ela não tinha. Seu corpo tinha formas perfeitas. Como era possível? Ela não era real. Era algum fruto dos meus sonhos e imaginações. Meninas como ela deveriam estar na capa de uma revista, e não em uma cidade escura e sem graça. , com certeza, mudou a minha visão de mundo. Mudou a minha vida. Me mudou.
- No que você está pensando? ? Ela me olhou, tentando decifrar algo nas minhas expressões.
- Nada. ? Eu encarei meus pés.
- Por favor, me fala. Você é tão difícil de ler.
- Eu devo ter algum problema, acho. ? Ela deu sua risada musical e logo depois andou até o seu carro.
- Você não vem comigo? ? Ela abriu a porta da Mercedes.
- E o meu carro?
- Eu te trago aqui depois. ? Ela olhou com desprezo para minha caminhonete velha.
Entrei em seu carro e ela ligou o rádio.
- The Beatles? Não acredito! Você gosta?
- É, minha banda preferida. Você quer que eu troque?
- Não. Também é a minha. Quer dizer que, além de bonita ? Sou muito orgulhoso para falar a palavra real: perfeita. - Você também tem bom gosto parar músicas? Me fala a verdade, você tem ALGUM defeito?
- Hum... você vai descobrir. Acho melhor não, mas agora é inevitável.
- Você sabia que me confundiu?
- Sim. Eu imaginava.
- Misteriosa. Eu gosto disso. É sexy. ? Ela deu risada.
- Então eu vou continuar com o mistério, vai ser melhor pra você. E pra mim. Sabe... acho melhor nós não sermos amigos.
- E por que você está me levando pra escolher seu vestido? Amigos fazem isso, não é?
- Eu disse que acho melhor, não que não quero ser sua amiga.
- Mais mistério. Você é... ? Orgulho bateu. ? Legal. Eu gostei de você. E acho que o melhor pra mim, agora, é ser seu amigo. Não ia poder ficar longe de você. Nem que eu quisesse. Nem que fosse o melhor.
- Prepare-se para decepções.
- Me decepcionar com você? Isso é impossível .
- Eu sou malvada, . Você vai sofrer comigo.
Capítulo 6
Ela foi dirigindo até uma loja que ficava a 30 minutos da escola. Achei muito estranho o fato de que, na nossa história, a garota estava no comando. Nem tive coragem de pedir para dirigir em seu carro. Ela era tão rápida e tão graciosa fazendo isso que eu poderia ficar o dia inteiro observando-a sem falar nenhuma palavra.
- . - Ela começou a falar depois de um longo tempo de silêncio. ? Posso te fazer algumas perguntas?
- Cla-claro.
- Qual é sua cor preferida?
- Podem ser cinco?
- Não. ? Ela me olhou, malvada. ? Faça uma escolha.
- Azul. Eu acho. ? A incerteza bateu quando vi a blusa azul que usava. Ficaria muito na cara que eu babava por ela, se falasse azul? Não. Azul é uma cor normal. A maioria dos meninos gosta de azul, certo? Mas ela olhou pra baixo, talvez percebendo a cor de sua blusa e deu um sorriso.
- Também gosto de azul. Seu esporte favorito?
- Ah. Eu sou o tipo que não gosta de esportes. Nenhum. Nada. Nunca. ? Não tenho certeza se ela riu da minha barriga rechonchuda ou da minha expressão de medo de esportes, mas ela riu. ? Eu posso fazer uma pergunta?
- Claro.
- Sotaque inglês ou americano?
Ela desviou seu olhar de mim e apenas encarou o caminho. Prendeu sua respiração por algum tempo e finalmente deu um suspiro. Seus olhos me fitaram novamente e ela sorriu.
- Inglês. Com certeza. - Apesar de ter morado na Califórnia, nunca consegui esconder meu perfeito inglês britânico - Mas chega das suas perguntas, eu vou perguntar agora.
- Mas eu acabei de começar! Por que você faltou vários dias na escola?
- Por que você não para de fazer perguntas difíceis?
- Essa pergunta não é difícil.
- As perguntas se tornam difíceis quando você não tem autorização para dizer a verdade.
- Por que não?
- Outra pergunta difícil.
- Eu não vou desistir.
- Eu deveria imaginar que não. Mas... você tem algum chute? Eu poderia dizer a verdade, se você adivinhasse.
- Melhor não.
- Muito humilhante?
- Muito.
- Agora você entende porque as vezes não podemos contar a verdade.
- Se eu contar, você conta?
- Provavelmente não. Mas tente.
- OK. Sempre que eu penso em você fora da escola, eu imagino uma modelo famosa desfilando de biquíni. ? Ela deu uma risada alta e até nervosa. ? Acertei?
- Está muito longe.
- Não vou perder as esperanças.
- Eu queria que você desistisse. Seria melhor para nós dois se você não soubesse a verdade. Só... deixe o que tem que acontecer, acontecer. Se você souber a verdade... ? Ela fechou os lábios, e aparentou estar com dor. ? Eu só não quero perder você.
- Eu estou aqui. Enquanto você tiver paciência para agüentar um garoto chato que faz centenas de perguntas, mesmo sabendo que não irá ter as respostas que queria, eu estarei aqui. E quando você disser: ?vai embora, não te agüento mais?, eu também estarei aqui. Você acha que eu tenho força o bastante para te deixar?
Ela olhou para a estrada, com medo de olhar meus olhos marejados. Pude ver um sorriso brotando em sua face, e é claro que eu sorri também. Eu não estava mentindo para ela, fui mais sincero do que eu imaginava. Disse coisas que nunca esperei dizer para uma garota. Para ninguém. Mas eu estaria lá, porque somente olhando seus olhos, eu poderia respirar. Somente o seu sorriso faria os meus lábios se curvarem pra cima. Somente o seu cheiro conseguia fazer o meu coração continuar batendo. Somente a sua vida, dava uma razão para a minha existir. Me apaixonei rápido demais. Mas não me arrependia de nada. Eu abriria mão do meu orgulho para estar com ela. E é isso que estava fazendo. Abrindo mão da minha dignidade, para ajudá-la a escolher um vestido, para um baile. Onde estava a minha cabeça quando eu precisava dela?
Capítulo 7
- Chegamos. ? disse animada, abrindo a porta. Dei um sorriso sincero, como se realmente quisesse vê-la escolher seu vestido. E, por alguma razão, eu queria.
Entramos na loja, que tocava um sininho quando passávamos pela porta. As garotas que estavam lá dentro, escolhendo seus vestidos, ficavam nos encarando como se fôssemos algum tipo de criminosos. Percebi que não era eu que elas encaravam, era . Eu sei muito pouco sobre garotas, mas tinha certeza que elas a encaravam pelo fato de ter inveja. Eu nem vou tentar descrever cada parte de seu corpo que as causava inveja, pois, como sempre ia falhar na tentativa. Olhei para o lado e vi um vestido perfeito para ela. Mas não a encontrei por perto. Procurei por ela a loja inteira, com o vestido na mão, até achá-la saindo do provador.
- O que você acha desse? ? Ela sorriu enquanto arrumava a barra de um vestido dourado com babados. Ele tinha se encaixado perfeitamente, como se fosse feito para ela. Engoli as palavras que queria falar, apenas sorri e murmurei algo como ?lindo?.
- Deixa eu ver o que você está segurando? ? Ela estendeu a mão e eu a entreguei.
- Achei que ia gostar... por ser azul. Não sei.
- É lindo, . Obrigada. Vou experimentar. ? E como eu imaginei, ficou perfeito nela assim como o dourado, assim como qualquer outro que ela tentasse colocar em seu corpo pálido. E assim como todas as vezes que ela experimentasse qualquer vestido, eu apenas ia tentar engolir o que queria realmente dizer, e murmurar elogios. ? ? , você está aqui? ? Ela chacoalhava a mão em frente ao meu rosto, com um sorriso preocupado.
- Ah, sim. Ficou lindo . ? Sorri envergonhado pela minha viagem.
Ela sorriu de volta e olhou para o espelho no fim do corredor dos provadores. Ajeitou a alça no vestido, tentando ajustar para o decote ficar menor, eu não pude me controlar para não olhar aquele pano leve subindo pela sua coxa. Balancei a cabeça tentando expulsar meus pensamentos. Mas não pude deixar de reparar uma cicatriz engraçada em sua perna.
- , que cicatriz é essa? ? falei apontando para sua perna. Ela soltou rapidamente o vestido e me olhou assustada.
- Você estava olhando para minha perna? ? Ela arqueou uma sobrancelha, me fazendo rir e murmurou um ?pervertido?.
- Não respondeu minha pergunta.
- Por que você quer saber?
- Ela parece, engraçada. Parece uma mordida ou sei lá. Não sabia que você era tão selvagem. ? Eu abafei uma risada.
- Mais do que você pensa. ? Ela disse em um tom provocativo.
- Você ainda não me conhece Cullen. ? Eu sorri de lado, tentando parecer sexy. Acho que consegui.
- Hum. , tentando me seduzir com um sorriso.
- Ele conseguiu? - Ela bufou e entrou no provador. Eu consegui. Voltou com sua roupa normal e com os dois vestidos na mão.
- Qual vai levar? ? Perguntei curioso.
- Nenhum.
- Você está brava comigo ? Quero dizer, eu... só estava brincando, você sabe...
- Calma . ? Ela me olhou nos olhos, me deixando tonto e sorriu. ? Você vai comigo no baile, não vai ter graça se souber qual vai ser meu vestido.
- Mas... por que estamos aqui então?
- Eu, só estava... Nada. Esquece. Eu vou levar, os dois.
- Não entendi.
- Não precisa. ? Ela levantou a voz, com raiva. E depois respirou fundo e se controlou. ? Me desculpa, estou um pouco nervosa. Primeiro baile sabe? ? Ela riu de alguma piada que eu não sabia, e nem perguntei. Apenas sorri em resposta.
- Ainda mais com um loser estranho que não sabe dançar. ? Eu ri da minha brincadeira, sabendo que nem a pessoa mais ridícula do mundo ia rir.
- Loser. ? Ela bufou. ? Se você soubesse o que as garotas da escola pensam de você...
- Engraçado, eu nunca vi você andando com as garotas da escola. ? Claro, que garota ia querer andar ao lado de ? Ia parecer um patinho feio ao lado de um cisne. Comparação horrível, mas entenderam o que quis dizer, certo?
- As meninas me acham estranha. ? Ela riu sozinha. Provavelmente pensando que elas que eram estranhas ao pensar que era estranha. Compliquei o pensamento. ? Mas, de qualquer modo, elas não conseguem guardar seus segredos. ? Como eu disse, conheço pouco as garotas, e sei que elas são fofoqueiras, mas perderia seu tempo ouvindo as fofocas de outras garotas? Não parecia... possível.
- E se eu falar que não entendo metade das coisas que você fala, dá risada e fica brava?
- Eu provavelmente irei falar: Você não é o primeiro.
- Então, ninguém entende o que você fala?
- Ninguém. Só meu irmão, claro. Mas, eu não quero que você entenda.
- Não ia ser mais fácil a nossa comunicação assim?
- Talvez. ? Ela olhou pra cima, e depois para baixo como se tivesse imaginando a possibilidade. ? Mas acho que... você não ia mais querer se comunicar.
- Acho melhor eu ir pra casa. Cada vez você me deixa mais assustado.
- Acho que você está começando a me entender. ? Ela deu um sorriso que eu classificaria como pervertido, mas não consigo imaginar ela pensando algo pervertido sobre mim. ? Vamos. ? Ela me acordou do meu sonho ? -pensando-coisas-pervertidas? e saímos da loja.
- Você me leva pra escola? Preciso da minha caminhonete. ? Ela pareceu perturbada e logo depois forçou um sorriso.
- Claro .
Não conversamos sobre nada pelo caminho de volta. Não que eu não quisesse puxar assunto, mas ela dava respostas monossilábicas. Parecia nervosa. Deixei de falar para não incomodá-la mais e fiquei batucando no meu joelho a música que tocava no rádio. And I love her. Era uma das minhas preferidas dos Beatles. Tinha uma melodia doce, que fazia meus ouvidos descansarem. Pensei até em dizer que era o melhor som de se escutar. A melhor voz. Mas desisti de escrever isso, após ouvir falando.
- Chegamos, .
- Por que tem tanta gente aqui? ? Olhei espantado para o aglomerado de gente que se formava em volta de uma van e... minha caminhonete? Ou, eu diria... um pedaço de metal amassado.
? , aquela é minha caminhonete? ? permaneceu em silêncio com os lábios juntos, em uma expressão de dor. ? ! ? Saí do carro e corri em direção ás pessoas.
- ! Você não morreu! ? Britanny chegou com os olhos vermelhos e me abraçou. ? Gente. O não está aí!
- O que aconteceu? ? Perguntei ,confuso.
- Sua caminhonete foi acertada por uma van. Eu achei engraçado, pois um segundo atrás eu tinha te visto ao lado dela, e de repente, PUM! ? fez um barulho alto com a boca. ? Ela estava destruída.
- Como assim?
- , nós te vimos ao lado da caminhonete, onde você foi tão rápido? Não tinha como escapar.
- Mas eu estava com a . ? Olhei novamente para o carro parado do outro lado do estacionamento, os olhos de pareciam ferver. Não estavam me encarando, e sim encarando Britanny, que continuava com um dos braços em volta de minha cintura.
- Você não viu nada, então? ? Balancei a cabeça negativamente. ? Que sorte, dude. Estávamos esperando eles tirarem os cacos pra acharmos seus pedaços. Eu ainda nem acredito. Você está vivo! ? sorriu e depois encarou o carro que eu estava olhando. ? Mercedes são rápidas, você é realmente um cara de sorte. ? Ele me lançou um olhar de duplo sentido e eu dei uma risada. parecia estar me falando por olhares que queria que eu contasse tudo. Estava parecendo Jackie, querendo saber das fofocas.
- ! ? gritou de longe, e pude vê-la a apenas um metro de mim, sem saber como ela chegou aqui tão rápido. ? Acredito que você vai querer uma carona para casa. Sua caminhonete está em péssimas condições.
- Ele está com a gente , nós damos carona pra ele. ? Vi Britanny se intrometer na minha conversa. deu um sorriso falso, que do mesmo jeito convenceu Britanny, que parecia estar deslumbrada. Depois, olhou em meus olhos, como se tentasse enxergar a minha alma, e se virou sem dizer uma palavra. Como se estivesse hipnotizado, me livrei do braço que abraçava minha cintura e segui atenciosamente aquele anjo misterioso.
Capítulo 8
- O que exatamente aconteceu aqui? ? Perguntei calmamente ao entrar na Mercedes. ? O que exatamente é isso? Quem é você?
- , uma pergunta de cada vez.
- Você não respondeu nenhuma. E não vai responder. Novidade. , eu quero saber quem você é. Você sabe quem eu sou, não tem nada mais justo.
- Me conta quem você é. Eu sei muito pouco sobre você.
Respirei fundo e tentei pensar em algo emocionante na minha vida, algo que valesse a pena contar. E como sempre, pensei nela. Pensei em tudo que vinha dela. E era tudo de emocionante, tudo de interessante que tinha acontecido na minha vida inteira.
- Eu morava na Califórnia, mudei pra Londres pra ficar com meu avô, Robert. Odeio chuva, neve, frio. Adoro praias e sol. Tenho sotaque britânico porque nunca consegui me acostumar com o americano. A única coisa que sempre quis fazer em Londres foi ver o London Eye. É um sonho. Quando terminar o colegial, quero fazer faculdade de música. Outro sonho. Eu sei que não vou conseguir nada, então meu segundo plano é medicina. Bem clichê. Acho que é tudo.
- Ok. Minha vez. Eu sempre morei em Londres. Nasci aqui. London Eye sempre me impressionou, andei mais de...10 vezes nela. Agora já perdeu a graça. Minha mãe é Esme, meu pai é Carlisle e meu irmão você já conhece. Não faço a menor idéia de que faculdade vou fazer. E meu único sonho é viver.
- Viver? Mas...
- Eu só existo. Tem uma grande diferença entre a palavra existir e viver. ? Ela prendeu meu olhar com o seu, parecia sinceramente triste, e eu queria descobrir o porquê disso.
- Quantas mentiras tem no que você me contou ?
- O bastante pra você continuar vivendo ao meu lado.
- Você sabe que não me importa o que você fez, eu vou estar aqui.
- Primeiro, se não importa, por que você está perguntando? E segundo, você nem me conhece pra eu ter certeza de que você estará aqui?
- E se eu te deixar? ? Ela apertou as mãos no volante e percebi sua pele ficar mais pálida do que o normal, como se fosse possível. ? E se algum dia eu me cansar do seu mistério, me cansar de falar com alguém tão enigmática e te deixar? Que diferença isso vai fazer?
- Toda. ? Ela disse calmamente, segurando cada vez mais forte o volante, que por um instante imaginei-o quebrando.
- Você não me conhece o bastante pra saber se sentiria minha falta. Como em todos os dias que você sumiu, você, alguma vez parou para pensar em mim? Eu pensei o tempo inteiro em você.
- Você nem sabe porque eu fui embora.
- Então me diz. Um pouco de verdade, para variar. Por favor. ? Ativei meu olhar de cachorrinho, implorando por uma resposta clara para minhas perguntas, uma dica no meio daquele nevoeiro.
- Eu fui embora porque não agüentava estar ao seu lado. Seu cheiro, . Ele me hipnotizava. Ele me fazia pensar em coisas que eu não gostava. Ele me fazia pensar no meu passado sombrio, e eu queria me livrar desse cheiro, eu queria poder respirar. ? Ela soltou uma risada e logo depois continuou falando seriamente. ? Eu queria estar ao seu lado, sem pensar em ter que fazer pedaços de . Eu queria que você estivesse vivo. Por isso eu fui embora. Só por você. E se tem algo que eu não parei de pensar em toda minha ausência, foi em você. ? Á esse ponto o carro de estava parado bem na frente da minha casa. Ela abaixou o olhar, como se não estivesse esperando uma resposta. Ela deveria achar que eu estava pensando que ela era louca. E, por um momento, eu pensei. Mas depois... a única coisa que consegui sentir foi dó. ?Eu queria que você estivesse vivo?. As palavras batucavam em minha mente, e me faziam imaginar milhões de possibilidades. Ela queria me matar? Meu cheiro a incomodava tanto assim?
- Seu passado sombrio? ? Perguntei, sem esperança de receber uma resposta clara.
- Quem eu era. Eu era um monstro. Eu sou um monstro. Quando estou ao seu lado... eu me sinto humana. Eu me sinto como uma garota tentando fugir dos mistérios do primeiro amor. Por mais que isso pareça ridículo. Você faz eu me sentir bem. Como se eu começasse a viver a partir de quando meus olhos encontraram os seus, e meu nariz sentiram seu aroma.
- Quem você era?
- , está tarde. Você está na sua casa. Acabou.
- Tchau. ? Olhei novamente em seus olhos amedrontados e seu falso sorriso deslumbrante. Tentei gravar seus traços em minha memória, pois não sabia se amanhã ia ser igual. Queria me lembrar perfeitamente de sua voz, então fiz uma ultima pergunta. ? Você vai estar lá amanhã? ? Ela não respondeu. Eu esperei por um bom tempo, até desistir de escutar sua voz. Fechei a porta sem força, pois elas pareciam ter desaparecido no momento em que ela me fitou com um olhar frio. Abri a porta da frente e subi as escadas, quase me arrastando, chegando finalmente a minha cama, e despencando em sono profundo.
Naquela noite, eu não tive sonhos. Apesar de querer passar a noite inteira pensando em e suas palavras, tentando desvendar seu enigma, eu não pude pensar nem ao menos um minuto em todas essas coisas. Minha cabeça estava muito cansada.O próximo dia seria uma tortura se eu não visse ela. E ao mesmo tempo eu estava tão cansado de seu mistério que tudo que queria era estar longe de tudo aquilo. Me assustei quando vi Robert acordado e sentado na mesa central da cozinha.
- Robert? Já acordou?
- Eu realmente preciso conversar com você . ? Eu tinha certeza, que pelo jeito que ele me chamou, era uma conversa séria. Sentei pacientemente na mesa e fiz um gesto para ele começar. ? Você anda saindo com Cullen?
- Saindo, significa...
- Você conversa com ela? Você fica perto dela? Essas coisas. Não exatamente namorando, mas... vocês são amigos?
- Arrãn. ? Murmurei, afirmando também com a cabeça. ? Mas sabe, ela é tão misteriosa.
- Você já imaginou que para uma pessoa ter mistério, ela tem que esconder algum segredo? ? Robert levantou apenas uma sobrancelha e aquilo me assustou.
- Sim. Mas, Robert, é impossível decifrar o segredo dela, o jeito como ela fala... seus enigmas...
- , eu não quero você perto dela. Por favor. Não faça o mesmo erro do seu avô.
- Como assim? ? Ele colocou a mão no meu ombro e olhou diretamente em meus olhos.
- Não fique perto dela, garoto. Isso pode acabar mal.
- Eu sou o único que não entendo o que as pessoas falam nesse lugar? ? Levantei da cadeira com os pensamentos embaralhados e extremamente nervoso. ? Você não pode ser mais claro? Você não pode me falar o que está acontecendo? Qual é o segredo de ? Você sabe, não sabe? ? Passei a mão pelo cabelo, e parei de andar em círculos. Me apoiei na mesa, encarando Robert. Não queria dizer o que estava prestes a falar, mas era necessário. ? Vocês são todos loucos. Todos. Essa cidade está me matando, eu não vou enlouquecer com vocês.
- Você realmente não sabe o que está falando, .
- Eu sei o que estou falando e eu sei o que estou fazendo. Vou voltar para Califórnia.
- OK. Vá, eu realmente não me importo. Está na hora de você aprender, e vai aprender sozinho. Eu não vou dizer o certo e o errado, você vai descobrir. Vai em frente, Sr. . Faça suas escolhas, e depois, não venha se arrepender.
- Eu gosto dela vô. ? Não percebi o quão inseguro eu parecia naquela frase, minhas palavras procuravam um abrigo, eu não queria ouvir a verdade, eu queria ouvir uma mentira, eu queria ilusões. Eu adoraria se ele falasse: ?E ela também, por isso você precisa se afastar.? Eu não queria que tivesse algo pior que isso.
- Eu não vou falar mais nada. ? Robert respondeu com a voz fria e sem emoção.
Capítulo 9
Fui andando para a escola de mau humor. Minha caminhonete, que eu tinha ganhado sem precisar pagar nada de meu avô super bondoso que agora se tornou estressante, era apenas um pedaço de metal. Ótimo, eu só tenho que andar aproximadamente trinta e cinco quarteirões.
Estava imaginando algo como cabular aula ou fugir de casa, quando uma buzina soou.
- Tem certeza que vai andando para a escola? – falou, abrindo o vidro de sua Mercedes. Seus lábios formavam o sorriso perfeito e seus dentes brancos conseguiam ser mais brancos do que sua pele quase transparente. Fiquei parada por algum tempo apenas admirando aquela imagem. – Então, . Vai me responder ou ficar parado aí?
Eu dei um sorriso bobo e me sentei no banco de passageiro.
- Você tem alguma noção de como faz as pessoas ficarem? – Perguntei. Ela fez uma expressão de desentendida. Até com cara de boba ela conseguia ficar extremamente linda. Como é possível? – Quer dizer, o seu sorriso. Se eu for pego de surpresa, ele me deixa tonto.
- Eu te deixo tonto? – Ela perguntou, se divertindo com a minha expressão.
- Sempre. – Ela sorriu vitoriosa. – E está fazendo isso de novo. – Quando percebi, já estávamos na porta da escola. – Como você chegou aqui tão rápido? – Perguntei, incrédulo.
- Você estava tão tonto que nem percebeu o tempo passando. – Ela estava, definitivamente, zoando com a minha cara. Então decidi mudar de assunto.
- Eu pensei que você não viria hoje. – Disse, deixando transparecer a tristeza que sentia.
- Por que? - Acho que te irritei ontem.
- Não é razão para faltar aula, não acha? - Mas agora você não está mais irritada. – Deduzi.
- Como você tem tanta certeza?
Ela arqueou a sobrancelha, me encarando.
- Você me deu carona. – Ela afirmou com a cabeça.
- Claro. Só de pensar em você andando trinta e sete quarteirões...
- Está falando que sou lerdo?
- Desajeitado.
- Lerdo.
- Como você quiser. – Ela rolou os olhos e ficou olhando para a janela. As pessoas nos olhavam de longe, esperando algo para fofocar.
- Essas pessoas me irritam. – Falei sem pensar.
- Mas não é sua amiguinha nos encarando? – Ela olhava fixamente para Britanny. – Ela não gosta de mim.
- Por que você acha isso?
- Eu sei disso. Ela acha que te roubei dela. É melhor você sair do carro. – Outch, só faltava ela me chutar da porta.
- Eu não quero. – Disse quase manhoso. – Gosto de conversar com você.
- Seus amigos vão sentir sua falta.
Eu bufei e saí do carro sem me despedir. Era inútil discutir com ela. Cumprimentei Britanny e , que me esperavam para cabular a primeira aula. Os outros iam ter provas difíceis e não podiam se dar ao luxo de fazer o mesmo que nós.
- Você e a , hein? – falou com uma mistura de inveja e curiosidade. E eu, é claro, fiquei envergonhado.
- Eu não gosto dela. – Britanny disse com sinceridade.
- Ela é minha amiga, Britanny. – Disse com mais raiva do que deveria estar.
- Ela é muito... – Britanny começou e eu sabia o que ela queria falar.
- Perfeita. – disse, lendo meus pensamentos. – É isso que te incomoda, Britanny.
- Talvez. – Ela admitiu derrotada.
- É isso que incomoda todas as meninas. – disse, novamente lendo meus pensamentos. – Por exemplo, eu sou bem mais sexy que o , mas isso não o impede de andar comigo. Vocês meninas, são estranhas.
- Valeu, . – Fiz um joinha.
- E ela deve guardar algum segredo, tenho certeza. – Britanny disse com jeito de detetive.
- E eu acho que isso não é problema seu. – Me espantei com minha frase grossa.
- Não, não é. – Ela falou com raiva e depois ficou quieta.
começou a me perguntar os detalhes sobre nossos momentos sozinhos, mas eu preferi omitir a maioria, pois Britanny parecia estar com muita raiva de mim. Depois começamos a falar sobre música e ela até deu algumas opiniões.
- Se eu tivesse uma banda – Britanny falou confiante. – Teria que se chamar McFly.
- Com certeza. – Eu concordei.
- Credo, parece McDonald’s! – falou, discordando, e nós rimos.
- Mas, infelizmente, eu não tenho paciência para aprender nenhum instrumento. Por isso, , quando você fizer uma banda, dê esse nome. – Britanny disse.
- Eu posso pensar.
- Você toca alguma coisa, ? – Perguntei.
- Yep. Eu, e tínhamos uma banda. Estava contando isso ontem para Britanny, quando você sumiu. Só que faltava um guitarrista... e um nome.
- Não falta mais. – Eu disse orgulhoso. – e McFLY.
- Eu não acredito, você toca? – Ele falou surpreso. – E o nome ainda vai para votação, OK?
- Obrigada pela consideração, . – Britanny disse, fazendo um joinha com a mão.
O sinal tocou e eu fui para minha segunda aula: matemática. Por mais que eu gostasse um pouco de números, não me animei pois não tinha essa aula em comum com . E não via a hora de ficar ao lado dela e confundir ainda mais minha cabeça. Se isso for possível.
Passei a aula inteira desenhando riscos sem sentido, e quando percebi, um sorriso perfeito estava na minha frente. O sorriso dela. Arranquei essa página do meu caderno para guardá-la dentro da minha mochila e poder lembrar de mesmo quando ela estivesse longe.
Depois de algumas aulas bobas, uma nota baixa e mais alguns desenhos (nenhum tão bom quanto o primeiro), o sinal do recreio bateu e eu passei pelos corredores como um furacão para vê-la novamente.
E lá estava ela. Com o rosto apoiado em uma das mãos, onde estava uma pulseira de ouro em contraste com sua pele clara. Seus olhos não encaravam nada em especial, apenas olhavam para uma mesa vazia e eu estava tentando imaginar o que ela estava pensando. Seu cabelo caía levemente pelo ombro e de repente um sorriso apareceu em seus lábios.
Olhei em direção ao que ela olhava e encontrei um par de olhos igualmente lindos. Era seu irmão, Edward. Ele andou em direção a ela e se sentou ao seu lado. Me xinguei mentalmente por ter ficado tanto tempo observando e não ter me sentado no lugar que agora era ocupado por outro homem.
Fiquei me imaginando naquele lugar e dei risada. Como alguém ia preferir a minha companhia a de Edward? Eu era patético.
Capítulo 10
Passei as últimas aulas me xingando em silêncio por não ter falado com . Mas na última aula, quando estava quase procurando uma corda para amarrar meu pescoço por ter que ir à educação física, vi novamente a garota por quem meu coração batia mais forte. Cullen estava sentada em uma arquibancada com seu uniforme de ginástica.
Seu shorts deixavam sua coxa a mostra e eu admito que fiquei um bom tempo só babando nela. Mas dessa vez não demorei tanto e andei rápido para o seu lado, me sentando. Antes de começar a falar, pude ver os olhos de seu irmão me fuzilando de longe, mas não me importei.
- Você não veio falar comigo no recreio. – Eu falei calmamente.
- Você que não veio. – Ela disse ainda sem olhar para mim. – Ficou me encarando por dez minutos e nem ao menos veio falar "Oi".
- Oi. – Eu disse, simplesmente. – Me desculpa, seu irmão chegou primeiro.
- E...
- Ele não gosta de mim. – Ela me olhou com um sorriso no rosto e eu percebi que meu desenho não chegava nem ao menos aos pés do real. Nota mental: jogar aquele papel no lixo.
- Por que você acha isso?
- Eu sei disso. – Sorri também. – Ele veio falar comigo, dizendo que se eu ficasse perto de você alguma coisa ia acontecer... comigo.
- E você deduziu que...
- Ele iria me bater. – Fiz cara de dor só de imaginar aqueles músculos definidos em meu rosto fraco.
- Mas mesmo assim você não se afastou.
- Acho que não me importo.
- Você não é bom em deduções. – Ela deu aquela risada melódica. – Ele não estava com medo de você fazer alguma coisa comigo, e sim de eu fazer alguma coisa com você.
- Como o que? – Perguntei com medo da resposta, mas ainda assim com curiosidade.
- Como te cortar em pedaçinhos apenas para me divertir. Ou quebrar os seus ossos com um aperto de mão. – Ela parecia falar sinceramente, mas eu levei na brincadeira.
- Então cortar as pessoas em pedaçinhos é seu hobby?
- Era, agora eu sou civilizada. – Ela deixou de olhar pra mim, encarando o nada, mas depois recuperou a expressão divertida e voltou a colocar seus olhos nos meus. – Mas eu posso perder o controle.
- Você não está falando sério, está? – Admito que fiquei com um pouco de medo.
- Você não é bom em deduções, lembra? – Ela riu. – Só estou te avisando que sou perigosa. Não só eu, o Edward também. Se você quer ouvir ou não...
- Vou continuar sendo teimoso.
- Por mim, tudo bem.
- Mas se você fizer churrasquinho de mim...
- Pode ter certeza que eu vou te avisar antes, para você tentar correr.
- Obrigado.
- Formem duplas! Duplas! – O professor gritava enquanto os alunos desorganizados tentavam se agrupar.
- Você vai ser minha dupla, não é? – Eu disse enquanto olhava para o resto da multidão, procurando alguém conhecido caso ela se recusasse a ir comigo.
- Eu não costumo fazer educação física, mas de vez em quando pode ser divertido. – Ela se levantou, estendendo sua mão para mim.
- Não vai quebrar meus ossos? – Perguntei antes de estender minha mão.
- Não. – Ela rolou os olhos.
- É que, como você disse, eu não sou bom em deduções. – me levantei e peguei sua mão, soltando-a logo em seguida. – ? Você está com frio?
- Não. – Ela falou desentendida. – Por quê? Ah! Minha mão. Não se preocupe, é a temperatura normal dela.
Coloquei minhas mãos no bolso do agasalho, tentando esquentá-las. Andar de mãos dadas com seria um sonho, mas extremamente impossível para um animal não-pinguim.
- Qual é a sua dupla, Cullen? – O professor perguntou assustado. Primeiro porque viu Edward sentado na arquibancada sem nem ao menos prestar atenção na aula. Segundo porque nunca fazia educação física.
- É o . – E eu apareci do lado dela, sorrindo.
- OK. - Ele continuava surpreso. Jogou uma bola de vôlei para mim e eu gemi.
- Droga.
- É bom em vôlei, ?
- Nem um pouco. – Ela riu da minha resposta.
- OK. Eu também sou uma merda. – Ela deu de ombros. – Mas é só ficar tocando de um para o outro.
- Como você sabe? – Vi o professor chamar todos para explicar a atividade e logo depois todos tocando a bola de um para o outro.
- Previsível. Você começa.
Não. não era ruim como tinha falado. Ela era ágil e pegava todas as bolas que eu mandava para ela, dançando. E as bolas que ela mandava para mim? Chão, sempre. Até que depois de cinco minutos disso, eu estava conseguindo pegar a bola. Mas ela foi para o chão, comigo.
- Outch! – Gritei, sentindo uma dor de cabeça terrível.
- ! Me desculpa, eu joguei muito forte. – colocou a mão fria sobre minha testa e a dor ficou um pouco mais fraca. Mas minha cabeça ainda latejava. Um pequeno grupo de pessoas se juntou a minha volta.
- Alguém pode levar o menino à enfermaria? – O professor falou alto.
- Eu levo. – se manifestou. – Ele vai ficar bem. – Ela estendeu sua mão fria que eu peguei sem medo de tremer, pois eu realmente queria me levantar de lá.
Ela me guiou até a enfermaria e os meus dentes trincavam por estar em contato com ela.
- Você não está com frio? – Perguntei a ela, olhando novamente para suas pernas nuas.
- Quem está tremendo aqui é você, . – Ela falou despreocupada. – Mas obrigada por perguntar.
- Se você quiser meu moletom...
- Não precisa ser cavalheiro, . Deixe isso comigo, afinal, você está machucado e a culpa é minha.
- Eu tenho algumas perguntas...
- Boa sorte com elas.
- Posso começar?
- Á vontade.
- A primeira coisa não é uma pergunta. Eu só queria dizer que a culpa não é sua, eu que sou lerdo e não peguei a bola.
- Ainda continuo achando que a culpa é minha. – Ela falou calmamente. – E as perguntas?
- De onde você tirou tanta força? – Eu não queria ser grosso, mas não pude deixar de transparecer o machismo em minha pergunta.
- Foi um acidente, me desculpe.
- Eu já desculpei, não vai responder?
- Não.
- Ótimo. – Pensei na minha próxima pergunta. – E...
- Posso fazer uma pergunta antes? – Ela me interrompeu.
- As outras perguntas levam para o mesmo assunto?
- Sim. – Disse, derrotado.
- Então desista. – Ela disse com os olhos nos meus. – Por favor.
- Acho que chegamos. – Eu apontei para uma grande placa onde estava escrito “Enfermaria”.
- É melhor você entrar sozinho. – Ela falou e desapareceu pelo corredor.
Entrei pela porta com a mão na testa. Não era tão fria quanto a de , mas pelo menos estava ajudando. Lá dentro tinha um garoto sentado e escorria sangue pela sua perna. ÓTIMO, eu adorava cheiro de sangue, me deixava confortável. Sentei no pequeno sofá e fiquei esperando ser atendido.

