Everything happens in SuperCity

Autora: Luna Feuer
Status: Em Andamento
Revisada por: Cami Mester
Categoria: Danny Jones
Sub-Categoria: Romance/Comédia/Ficção – LongFic
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Eles eram um mistério. Vinham, salvavam SuperCity e iam embora. E agora você me pergunta: Quem era um mistério?
Ninguém sabia realmente seus nomes, de onde vinham, idade ou o que faziam quando não estavam “salvando” a cidade. Existiam alguns boatos – é claro, em cidade pequena o que as pessoas mais gostam é falar da vida dos outros – mas eu nunca realmente acreditei neles. São todos boatos muito... Hollywoodianos? Afinal, ser filho de aliens e ser deixado na Terra com um casal de fazendeiros, pois seu planeta natal foi destruído; ou até mesmo ser picado por uma aranha radioativa, já foi usado em histórias antes.
A única coisa que sabíamos era que: eram quatro super-heróis, cada um tinha a fonte de seu poder como um elemento da natureza – um era o Ar, outro a Água, Fogo e, por último, mas sem deixar de ser o menos importante, a Terra -, sabíamos também que o grupo era nomeado de McFLY e que, sempre que precisássemos, eles estariam lá para nos proteger.

01. When it all beginnig

Era um dia normal de primavera em SuperCity, talvez um pouco mais quente que o habitual, mas estava gostoso. Estava chegando o meio do ano e todos os alunos da Saint Joanna High School já estavam ansiosos para as férias de verão. Sim, eu era um desses alunos. Estava indo para o terceiro colegial, ou seja, tinha quase 17 anos, era quase uma adulta, na minha concepção, mas nem todos concordam comigo. Já tinha me convencido que, nessas férias de verão, eu não ia fazer muita coisa legal. É triste, mas é verdade. E sabem por quê? Porque eu moro numa cidade pequena, num lugar onde as famílias mais antigas – é o caso da minha, infelizmente – conhecem todos e todos as conhecem. E meus pais são super-protetores, então é difícil eu fazer alguma coisa. Por isso que eu não ia a muitos lugares que meus amigos iam, viajar juntos ou ir a festas era quase impossível eles deixarem, mas o mais estranho, é que o fato de nós sermos uma família antiga, não é a razão para não me deixarem “curtir” minha adolescência, e sim porque nossa família é uma Pioneer.
Existem os Pioneers, e também os Cidadãos. E você não deve estar entendendo nada, não é mesmo? Bem, a história de SuperCity é antiga, e apenas os Pioneers e algumas famílias de Cidadãos mais antigas sabem. Sorte que eu sei o passado de SuperCity desde pequena. Pelo menos a história que me contaram. Se é verdade ou não, já é outro negócio.
Antes de a SuperCity ser fundada, existia outra cidade em seu lugar, chamada Memory Lane.
Memory Lane era uma cidade industrial, lá pelo final do século XVIII, um tempo em que a Inglaterra estava começando a se industrializar e, consequentemente, indústrias se instalaram por toda parte. Era uma cidade pequena – e continua sendo – então apenas uma única indústria conseguiu ser fundada. Uma grande indústria química.
A cidade estava começando no Novo Mundo, mas nem tudo foi como um mar de rosas. Alguma coisa tinha que acontecer, é claro.
No dia 21 de Novembro de 1789, Memory Lane foi dizimada. E não, não foi bomba, ataque ou coisa parecida, apenas algum composto químico que deve ter reagido com outro composto e feito tal explosão gigantesca. Uma enorme explosão industrial.
Ninguém sabe ao certo o porquê ou como a indústria de Memory Lane explodiu, apenas sabemos que com tudo isso que ocorreu, acabou dizimando quase toda a população da cidade. Quase.
Falam que sobrou apenas um homem, que chamou seis amigos de outras cidades – os quais trouxeram consigo suas famílias - para ajudar a reconstruir Memory Lane. A família era uma das seis.
Já nos dias de hoje, não existem mais as seis famílias. Sobraram apenas quatro. Assim como não existe mais indústria nessa cidade. SuperCity virou uma cidade calma. Apenas com casas, uma escola – a qual eu estudo – e alguns comércios locais. A minha escola foi construída em cima da ex-indústria química; e no resto da cidade destruída, construíram as casas.
As antigas seis famílias que vieram para a remota Memory Lane, ajudaram a reconstruir a cidade e a fundaram como SuperCity, um nome que até hoje eu não entendo realmente o significado. Quer dizer, tudo bem, atualmente temos o McFLY para ajudar e proteger todos que entram em SuperCity com seus magníficos poderes e dando, enfim, um significado para o nome. Mas eu não sei se eles já existiam quando a mesma foi fundada.
Sempre pergunto para os meus pais o porquê que a cidade foi fundada com esse nome e se o McFLY já estava aqui desde o começo – porque, se estivesse, eles já teriam uns 220 anos mais ou menos. Mas sempre que eu tentava tocar no assunto ou comentava alguma coisa sobre, eles sempre falavam alguma coisa do tipo: “, não comece com essa história de novo. Já conversamos com você de que não é da sua conta... E que nós também não sabemos. Pare de perguntar!” e em seguida, mudavam de assunto, provavelmente perguntando alguma coisa sobre o colégio. Pode me chamar de louca, paranóica e que eu vejo pêlo em ovo, mas eu sabia que eles não me contavam várias coisas. Coisas que nem todos sabiam. Coisas que eram mantidas em segredo de geração em geração. E, de alguma forma, meus pais não confiavam em mim para tal segredo, ou achavam que eu não era madura o suficiente para isso. Talvez eles não confiem em mim porque sou a sua primeira filha mulher de uma família de mais de 220 anos.
Eu sei, é estranho e assustador, mas é verdade. Meu pai é filho direto de um dos primeiros homens a virem para a SuperCity – ou para uma Memory Lane destruída, como preferir. A família do meu pai foi uma das primeiras das seis famílias que foram chamadas a ajudar na reconstrução da cidade e, desde aquela época, ninguém nunca teve uma filha do sexo feminino antes na minha família. O que é realmente estranho.
Mas não deve ser por isso que não me contam os segredos. Não deve ser, porque meu pai não é machista. É super-protetor, mas não machista! Ele não deve me explica simplesmente porque talvez quando se sabe o tal segredo, você acaba pondo em perigo sua vida – isso explicaria o motivo dos meus pais serem uns chatos, digo, tão rígidos e disciplinares comigo, mas não o fato de que para o meu irmão eles devem ter contado. Sim, eu tenho um irmão.
Carter era meu irmão mais velho que já estva na faculdade, mas continuava morando comigo e com nossos pais. Para o meu irmão, que era tão irresponsável e inconseqüente, eles contavam os segredos. Já para mim, é outra história.
Acho que já dá para perceber que odeio quando as pessoas escondem as coisas de mim, não é mesmo? Pois é, odeio.
Mas só digo que meus pais contam tudo para meu irmão, porque eu sei. E, de novo, eu não estou inventando coisas.
A cada dois meses, o conselho da SuperCity – o qual incluía todas as famílias Pioneers e algumas Cidadãs – se reuniam para conversar sobre alguns assuntos. Coisas das quais eu nunca pude ouvir. Nunca pude ir a uma das reuniões, apenas por experiência. Ou talvez por curiosidade mesmo... Ah, qual é! Aposto que você também morderia o cotovelo de curiosidade!
Bom, nessas reuniões, às vezes, meus pais levavam Carter com eles, quer dizer, obrigavam meu irmão a ir, e eu ficava em casa sozinha, “chupando o dedo”. Ok, nem sempre eu ficava sozinha. Geralmente eu chamava minha melhor amiga para vir à minha casa, assim nós poderíamos assistir a um filme - e prestar atenção apenas nos atores gatos -, conversar e comer muitos doces.
Minha melhor amiga se chamava , mas eu apenas a chamava de . Além de ser mais simples, eu gosto de “”, é legal. Ela tinha dois irmãos, um mais velho – Rony - e um mais novo – Ben – que a perturbavam 24h por dia. Então, ela geralmente estava na minha casa. O que, para mim, era uma maravilha. Acho que só com compania eu poderia aguentar todo esse mistério de Memory Lane, SuperCity e o McFLY.
A única coisa que sei, com absoluta certeza, é que: SuperCity está segura com McFLY por perto; e que Memory Lane faz parte apenas das memórias dos antigos falecidos, pois a cidade foi destruída com seus moradores, construções e, com certeza, seus segredos.

02. Good Girls Go Bad

- Tchau, mãe, tô saindo! – eu falei, ou melhor, gritei para dentro de casa, avisando minha mãe.
- Espera um pouco aí, mocinha! – eu gelei. O sangue fugiu da cabeça e parece que foi de uma vez fazer uma visitinha pro coração. Eu o sentia bombear na garganta. Acho que é isso que pessoas que estão fazendo alguma coisa errada e/ou escondido devem se sentir...
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- Aah, vamos, ! Vai ser divertido! – me disse, com um entusiasmo que não era típico dela. Pelo menos, não pra esse tipo de assunto.
- Mas ... Pra que você quer ir tanto nessa festa?
Não fazia sentido toda essa historia. Porque, geralmente, quem implorava para a outra ir às festas era eu! E às vezes cedia. Às vezes. Ela falava que festas do pessoal do colégio eram uma total perda de tempo. E o argumento dela era que, se nós "extravasássemos" em relação a meninos e bebidas, no dia seguinte, todos os estudantes da Saint Joanna High School iriam saber do que você fez e do que você não fez também. E, bem, isso eu não podia discordar.
- Aah, , tô cansada dessa cidade! Aqui não tem nada! Quer dizer, nada para a nossa idade! Até tem uns pubs aqui, mas a gente nem entra! E, sabe, qualquer coisa que a gente fizer aqui, todos vão saber. Essa cidade é um ovo!
- Aah, , não sei não...
- Poxa, vai ser tão legal! Eu já me informei de tudo! A festa não é tão longe daqui. É na cidade vizinha. Eu pego o carro do meu irmão e a gente vai para lá. A gente arruma umas identidades falsas e pronto, está feito!
- Espera um momentinho... A festa é para maiores?
- Bom, é... - sorriu amarelo. - Mas a gente tá quase lá. Nós temos quase 17, e a festa é para maiores de 21 anos. Apenas alguns aninhos a mais.
- Alguns aninhos? E como você acha que vamos conseguir passar?
- Querida, vamos concordar que nem eu e nem você aparentamos ter a idade que temos. É só por um salto, uma roupa linda e maquiagem que estamos parecendo mais velhas.
- Mais velhas tudo bem, né. Agora, 21 anos? Sei não ...
- Aí que a nossa identidade falsa entra! Viu, eu pensei em tudo! Sou um gênio.
- Ok, gênio - eu disse, rindo –, e como espera conseguir a identidade falsa? Acho melhor não , e se nós formos pegas?
- Ah, para de ser medrosa, ! Vamos dizer que, para as identidades falsas, eu tenho uma solução. Eu sei que o meu irmão consegue algumas coisas com uns amigos dele. Ai eu faço uma chantagem básica. E se nós formos pegas... Bom, nós não vamos ser pegas, não tem nada no plano que possa dar errado! Aah, , vamos! Viva um pouco do perigo e da emoção! Você não pode ser certinha sempre!
- Ah, meu Deus, o que eu não faço por você! Vamos né.
começou a gritar uns "yay" na rua, comemorando do jeito dela. Do jeito que eu conheço minha amiga, ela ia falar sobre com que roupas nós íamos e que o seu plano era infalível, até que eu me lembrei.
- Hm, ? Acho que tem uma pequena chance de dar errado sim, o seu plano. Pequena não, grande!
diminuiu o sorriso e parou no meio da calçada, cruzando os braços na frente de seu peito.
- Aah, tava muito fácil para eu já ter conseguido te convencer. O que foi agora?
- Você se esqueceu de quem eu sou filha? Você sabe que meu pai complica as coisas quando o assunto é eu ir a festas. Principalmente em festas proibidas para menores de 21 anos, com bebida livre e em uma outra cidade!
- Hm, verdade – ela disse, pensativa, voltando a andar. - Se teu pai soubesse que você iria a uma festa assim, é capaz dele te trancar no quarto e só te soltar de lá quando o fim de semana acabar...
- É, eu sei. É triste a vida. - E nós duas rimos. Um riso triste. Eu odiava estragar os planos perfeitos da minha amiga, mas não posso me esquecer das minhas, hm, restrições? Parece que estou aumentando um pouco as coisas, ou fazendo todo aquele melodrama adolescente de ter um pai malvado e uma vida medíocre. O que, para ser sincera, seria uma enorme mentira deslavada. Meu pai não era malvado e minha vida muito menos medíocre, mas às vezes eu me via como Rapunzel em sua torre. Em uma torre destrancada, onde eu poderia sair e aproveitar o dia sendo que, a única coisa que me impedisse, fosse a confiança daqueles que me prenderam lá.
Eu não queria nem pensar no que meu pai faria para me impedir se soubesse sobre a festa...
Nós duas continuamos andando, olhando para o chão e pensando na desgraça. Nós estávamos voltando do colégio e, além de estar com muita fome, agora eu tinha ficado com certa curiosidade e, bem, quem eu quero enganar? Sim, eu tinha ficado com muita vontade de ir a essa festa proibida, afinal, tudo que é proibido parece que tem um gostinho melhor, não é.
De repente, para no meio da calçada e segura meus ombros, sussurrando um "já sei!", me olhando com olhos arregalados e um sorriso de orelha a orelha.
- Já sabe o que, criatura? – eu disse, arregalando meus olhos também e incentivando ela a continuar.
- Já sei como a gente pode ir à festa! Sou um gênio!
Revirei meus olhos, pois isso eu já tinha adivinhado, e a olhei com uma cara de "Ok, se sabe mesmo, continua!". Ela, porém, pareceu que não entendeu o meu sinal – mais que óbvio, devo acrescentar – com os olhos.
- Ok, então, gênio. – Eu ri. - Como a gente vai para essa festa?
- Fácil e simples! – ela parou, tentando fazer suspense, mas só conseguindo fazer com que eu revirasse os olhos e bufasse de impaciência. - É só você falar para os seus pais que você vai dormir na minha casa e... - Escancarei a boca - Não adianta me olhar com essa cara! Eu sei que você não sabe mentir direito, mas isso não vai ser uma total mentira, certo? Afinal, você vai realmente dormir na minha casa. Só vai ter a festa num intervalo de tempo, mas isso a gente omite. Isso é apenas um detalhe, nada importante.

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- Querida – mamãe continuou a dizer, interrompendo meus devaneios –, já pegou tudo? Escova de dentes? Pijama? Toalha?
E eu, enfim, respirei, o sangue fluiu para o resto do corpo e meus olhos conseguiram piscar.
- Peguei, mãe, peguei – disse, tentando disfarçar o tom aliviado de minha voz.
Dei um beijo em sua bochecha e disse um até logo. Não via a hora de sair de lá.
- Querida? – Mamãe me chamou de novo.
- Sim, mãe?- E ela me abraçou.
- Se divirta lá na casa da , ok? – ela disse, olhando profundamente nos meus olhos. Por um momento, eu realmente pensei que ela sabia da festa e da mentira. Quer dizer, deve ser só a minha neurose e medo de ser pega no flagra. Não tem como ela saber da festa! Mas, se souber? A minha mãe sempre acaba descobrindo tudo! Mesmo eu escondendo a sete chaves! E, se soubesse, por que ainda me deixaria continuar com isso? Ela interrompeu o nosso "contato visual" – o que me fez respirar um pouco -, me deu um beijo na bochecha e voltou para dentro de casa. Virei para a rua, meio atordoada ainda, e segui em direção à casa da . Já estava atrasada, para variar.

Depois de alguns quarteirões, já estava na casa de . Fui em direção a porta e Rony – o irmão mais que gato da – abriu antes mesmo de eu tocar a campainha.
- Ah, oi, Rony – eu disse, meio envergonhada. Ok, confesso. Sempre tive uma quedinha por ele.
- Oi, - Ele sorriu. -, a está lá no quarto dela. Acho melhor você ir rápido. Aquela lá só falta soltar fogo pelo nariz. Se superou no atraso dessa vez, hein! Uma hora e meia? – ele terminou de falar, olhando pro relógio de pulso e rindo da situação em que eu estava. Eu não estava achando nada engraçado. ia comer o meu couro!
- Ai, caramba – eu disse, fazendo uma careta. – Ok, Rony. Obrigada por me avisar... Erm, será que posso pegar uma faca na cozinha? Sabe como é... No caso de ela atacar?
Rony gargalhou, jogando a cabeça para trás.
- Eu adoraria poder dizer que sim. Mas depois, a sujeira vai sobrar toda para mim! Meus pais vão brigar comigo, e não com você!
- Hm, droga.
- Bem – disse Rony, ainda rindo –, tenho que ir. O dever me chama. Tchau, . – E ele se despediu de mim com um beijo na bochecha.
- Tchau Ron. – eu disse, vendo-o ir até o seu Mustang GT 350 ano 1966 meio velho e batido, com a pintura meio gasta. O carro era vinho com duas listras pretas, que iam do capô do carro, até a traseira. Por mais que fosse velho, eu o achava lindo.
Depois da minha pequena conversa com Rony, fui em direção à sala de tortura, digo, quarto da para que, depois da bronca pelo atraso, eu e minha amiga arrumássemos a mala com as roupas, maquiagens e sapatos que íamos à festa.
Subi as escadas até chegar ao andar dos quartos. A casa da era de dois andares, sendo que, no segundo andar, eram apenas os quartos – um para cada filho e um para os pais – e os respectivos banheiros.
Bati leve na porta do quarto e uma furiosa abriu a porta.
- Caralho, , já tão cedo aqui? Você chegou com horas de antecedência! – disse, transbordando de sarcasmo na voz.
- É, cheguei cedo, não é mesmo. Acho que vou voltar para casa, daqui a duas horas eu volto aqui. – disse, já virando meu corpo para as escadarias, fugindo com "o rabo entre as pernas".
- Vem logo para cá, criatura! – disse, revirando os olhos e puxando o meu braço para dentro no quarto, fincando suas grandes unhas nele.
Ela já estava com a sua roupa escolhida em cima de sua cama. A roupa era linda e, com certeza, ela iria ficar maravilhosa! Ela escolheu usar uma calça de couro preta super justa, com uma ankle boot igualmente preta. Dando destaque apenas para a blusa, que era prata e frente única, com um decote bem ousado nas costas, terminando no final da lombar.
Ela olhou para mim e disse:
- Anda, ! Melhor já tirar a sua roupa da mala. Antes que amasse!
Tirei o meu vestido cinza chumbo da mala e o coloquei ao lado da roupa da , em cima da cama.
- Você vai assim? - perguntou minha amiga.
- Hm, vou... Por quê? Acha que não vai ficar legal? – disse, com o desespero estampado em minha voz.
- Não! – ela disse, levantando a sobrancelha. – Não é nada disso. É que eu nunca imaginei você usando um vestido assim... que nem esse.
- Aah - eu disse, sem jeito e corando –, não é tão... Tão diferente de mim assim, né?
- Não, imagina. Super a sua cara – disse , com um tom sarcástico em sua voz, só para variar. – Teu pai que não te veja assim.
- Ah, nem vem! Não tá tão ruim assim.
Meu vestido era realmente lindo e, bem, bastante ousado. Mas eu ainda não o tinha experimentado no corpo. A verdade é que eu o comprei pela internet. Não tenho esse costume de comprar coisas pela internet, muito menos roupas, mas quando bati o olho nesse vestido, foi amor a primeira vista.
Como o vestido chegou poucos minutos antes de eu sair para ir à casa de , não tive a chance de experimentá-lo. E antes que me chame de louca, sim, eu trouxe outra roupa na mochila, só que não era tão bonita quanto o vestido.
O nosso grande desafio seria nos trocar, maquiar e ficar lindas para a festa tudo dentro de um carro! O que me lembrou de algo muito importante...
- Hm, ?
- Diga.
- Erm... Você conseguiu arranjar um carro para nós duas irmos à festa?
- Claro que sim. Tá pensando que eu sou o quê? Sou competente!
estava fazendo suas unhas por isso estava dando pouca atenção à nossa conversa. Estava pintando-as de preto que, como ela tem origem irlandesa, ficavam bem nela. Geralmente cores escuras, principalmente pretas, caíam bem nela, pois ela era muito branca e tinha cabelos ruivos, como chamas do fogo. Às vezes eu brinco, dizendo que seu cabelo representa direitinho o seu humor habitual – sim, estou falando do mau humor e de ficar brava fácil.
- Então vamos com que carro? – eu perguntei, finalmente.
- Oras, como assim que carro? Com o de Rony! Esqueceu? – ela disse, largando finalmente o vidrinho de esmalte e me encarando.
- Erm... É que eu vi o Rony indo trabalhar hoje quando cheguei e, bom, ele estava indo em direção ao carro dele.
- Não é possível! – Arregalou os olhos e se levantou. - Como o idiota do meu irmão vai fazer um negócio desses? – ela disse, já aos berros e indo à janela, checar se o carro estava em seu devido lugar. O que parecia que não, depois que observei sua expressão – Idiota! Imbecil! Falei para ele deixar o carro que eu ia usar! Ele tá achando que é quem...
E minha amiga, super controlada, saiu em direção a porta do quarto. Ela ia até o andar de baixo, ainda berrando e pisando forte. Quando disse que ela tinha um humor delicado, não estava aumentando a situação.
Fui atrás dela para ver se não quebrava nada em seu caminho e eu a vi sentada no sofá, com o telefone na orelha. me notou parada ao pé da escada e me disse que ia ligar para o "imbecil" do seu irmão e saber o que estava acontecendo.
Voltei para o quarto para tentar adiantar alguma coisa. Já que, provavelmente, chegaríamos atrasadas. Eram quase sete horas da noite e nós duas ainda precisávamos tomar banho e acabar de arrumar a mala, sendo que precisávamos estar lá na balada à meia-noite em ponto. E ainda precisava terminar com a sua unha! Sorte que eu tinha feito as minhas antes de vir para cá.
Eu tinha pintado de um vermelho meio vinho, para combinar com o meu peep toe e a fita que tem atrás do vestido, ambos vermelhos. Eu gostava de vermelho. Vermelho e cores escuras ficavam bem em mim por ser e branquinha. Fora também que me deixavam mais velha, uma coisa que, pelo menos agora, eu precisa parecer.
chegou ao quarto, batendo com força a porta atrás dela.
- Rony saiu com o carro para ir trabalhar e só volta dez horas da noite! Enquanto isso nós estamos presas aqui porque o bonitão esqueceu que eu precisaria do carro! – ela disse, bufando. – Falou para eu pedir o carro do papai, mas o Rony esqueceu que eu não posso pedir o carro pro papai!
- Não entendi. Como assim não pode pedir o carro emprestado pro seu pai?
congelou e murmurou um "ops", sentando onde estava anteriormente.
- Erm... Digamos que eles não sabem que a gente vai para uma balada de outra cidade e que é para maiores de 21 anos.
- O que eles sabem, ? – eu disse, com a voz tensa.
- De acordo com o que eles sabem, nós duas vamos dar uma passadinha na casa da Jennifer, sabe a Jenny? Então, vai ter uma "festinha do pijama" lá.
Ela soltou um risinho nervoso e me olhou, com uma expressão inocente.
- Não acredito, ! Como você faz um negócio desses? E se eles ligarem para a casa da Jenny? – eu disse, já entrando em pânico.
- Calma, amiga. Calma. Meus pais não são que nem os seus. Sabe, eu já tenho 16 anos. Se meu pai pegar no telefone para ligar para a casa da menina e querer falar com os pais dela, eu mato ele. Já o seu é diferente, eu sei. Todo super-protetor e tal. Não é à toa que você só dorme na minha casa mesmo, né?
- Hm, bem... Pensando por esse lado...
- Vem, anda. Chega de conversa. Vamos acabar de nos arrumar para ir à festa. Se Rony chegar aqui e nós não estivermos prontas ainda, ele vai me zoar até a alma.

Já eram dez horas e alguns minutos e Rony ainda não tinha chegado com o carro. estava fula da vida e andava de um lado para o outro pelo quarto. Acho que a única coisa que ainda a mantinha dentro de casa e não procurando por um taxi, era que estávamos dando aquela última checada nas coisas que levaríamos.
Ouvimos, finalmente, um barulho no andar de baixo, como se fosse a batida da porta da rua. catou nossa mochila e me puxou pelo braço porta a fora.
Descemos correndo pelas escadas, mas sem fazer muito barulho. Ben estava em seu quarto, já dormindo, e a Sra. também. passou por Rony e apenas disse um:
- Quando eu voltar, você tá frito. Agora, se eu chegar muito atrasada na festa, aí sim tu tá morto.
E foi em direção a porta, com a mochila no ombro. Fiquei para trás para dar um tchau e um beijo em Ron e... O que? Não há nada de errado se despedir das pessoas.
Fui andando em direção ao carro, enquanto a fazia sinal com as mãos para eu me apressar. De acordo com ela, demorava uma hora e meia dirigindo até a cidade vizinha.
Nós fomos o caminho inteiro cantando, ou melhor, gritando as músicas que tocavam no rádio e rindo muito.

Chegamos, por fim, na Cidade em que rolaria a tão programada festa. A cidade era enorme. E eu me sentia como uma caipira descobrindo a cidade grande. E, confesso, amei aquele lugar. Era tudo tão grande, tudo tão... Desconhecido.
estacionou o carro numa vaga perto da balada e eu fui para o banco de trás para me vestir, logo depois, ela iria. Maquiamo-nos e demos um jeito no cabelo. Como tínhamos nos arrumado mais na casa de , agora a gente só ia dar aqueles últimos retoques antes da grande festa.
Saímos do carro e, bom, eu me senti linda. Por mais que eu ainda não tinha me visto num espelho, sentia olhos em mim. O que, para uma garota de apenas 16 anos, é muito satisfatório. E não estava muito atrás não, ela também estava deslumbrante!
Fomos em direção a entrada da balada, pegamos nossas identidades falsas e... Bem, eu comecei a tremer. A tremer! Eu estava tão nervosa em não acreditarem nas identidades falsas! Quer dizer, se fomos descobertas, vou dar o telefone da minha empregada e pedir para ela ir me buscar lá... Se isso não der cadeia, né? Quer dizer, isso não dá cadeia! Eles não fariam isso com duas meninas de apenas 16 anos irem para a cadeia, só para tomarem um sustinho!
me apertava no braço para eu ficar tranquila, mas digamos que isso só me deixava mais nervosa.
Tinha um segurança enorme e careca em frente à porta da balada, nós entregamos a ele nossas identidades. Ele deu uma olhada no documento, falou alguma coisa no celular e deu uma bela olhada em nós duas. Se eu não estivesse tão nervosa, poderia jurar que ele nos secou. Deu, então, uma outra olhada nos documentos e...
Entramos.
Simples, fácil e como se tivessem dado a luz para o meu caminho. Consegui respirar direito e caminhei para dentro da balada com ao meu lado, com um sorriso maior que o mundo, pois seu plano enfim deu certo. Eu e minha amiga entramos na Malice. A balada chamada Malice.




CONTINUA


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