No Reason To Dream.

Autora: Camilla Mesquita
Status: Em Andamento
Revisada por: Faah Rodrigues
Categoria: Danny Jones Fics
Sub-Categoria: Romance/Comédia/Drama
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CHAPTER ONE.


Estava frio. Eu estava deitada em minha cama, abafando com o travesseiro o som dos gritos que vinham do andar de baixo. Eu ouvia o barulho de vários objetos sendo jogados contra a parede, assim quebrando-se em pedacinhos. Isso me angustiava.
Eu nunca havia tido uma boa relação com meus pais; minha mãe era egoísta até para me dar um abraço e meu pai era alcoólatra. Pensando em todos esses anos iguais, percebi que eu tinha de fazer alguma coisa.
Levantei-me e peguei minha mochila, que ficava em uma cadeira, ao lado da cama. Coloquei algumas roupas e alguns utensílios dentro da mesma. Eu iria fugir daquela casa, iria fugir daquela vida. Não aguentava mais aquelas brigas, não aguentava mais ser destratada pelos meus pais, aqueles que deveriam dar-me um bom exemplo e me preparar-me para uma vida normal e feliz. Eu estava decidida. Talvez eles deem graças a Deus por ter uma boca a menos para alimentar. Olhei pela janela, aproximando-me da mesma. À distância dali até o chão não era muita, mas também não seria muito fácil. Mas isso não me impediria, não hoje. Coloquei a mochila em minhas costas e respirei fundo. Sentei-me no parapeito da janela, passando minhas pernas, uma de cada vez, para a parte de fora. Com impulso, joguei meu corpo para frente, fazendo-me cair na grama, que amorteceu um pouco minha queda.
Corri. Corri o mais rápido que eu pude.
Quando minha respiração começou a ficar ofegante, e os músculos de minhas pernas começaram a doer, eu diminui o ritmo. Minha casa já estava longe, eu não a enxergava mais de onde estava. Eu tinha certeza do que eu estava fazendo, seria melhor para mim.
Essa noite estava mais frio do que o normal, parecia que estavam conspiração contra mim. Andei sem rumo por vários minutos, sou menor de idade, estava na rua sozinha à noite e eu estava fugindo! Dinheiro nunca fora um problema para mim. Sempre que meus parentes, ou até mesmo amigos, me davam dinheiro eu ia guardando desde pequena. Então eu tinha uma boa quantia em meu bolso, por enquanto.
Fiquei perdida nesses pensamentos enquanto simplesmente vagava pela cidade. Notei que a alguns metros de mim havia uma estrada que ligava algumas cidades. Apressei o passo, e em menos de cinco minutos estava na beirada da estrada. Fiz sinal para que um carro parasse, não custaria nada tentar. Depois de alguns ignorantes passarem reto, e alguns tarados buzinarem, um carro parou.
Confesso que fiquei com medo, estaria me arriscando muito. E se fosse um estuprador? Ou um assassino? Com estes pensamentos adentrei dentro do carro e logo analisei o motorista. Os traços de seu rosto anunciavam que sua idade era de mais ou menos dezenove anos, ou até mesmo vinte. Ele era muito bonito, os cabelos cacheados estavam sobre a testa; os olhos azuis eram profundos e brilhantes; seus braços e seu rosto eram cobertos por milhares de sardas. Eu tinha a leve impressão que eu o conhecia de algum lugar. Confesso que se ele me sequestrasse eu nem ligaria... Ok, nada de brincadeiras agora. Ele me olhou com um sorriso enorme e infantil e disse:

- Ei, estou indo para Londres. Tudo bem para você?!
Nossa, que voz é essa? Ok, foco. – Pensei.
- Tudo bem. A propósito me chamo , mas me chame de , prefiro assim. – E sorri.
- Eu me chamo Daniel, mas pode me chamar de Danny. ... – Fez uma pausa um tanto quanto constrangedora e tornou a falar.
– Você está fugindo de casa?
Apenas assenti envergonhada, Danny deu um sorriso, percebi que ele se segurava para não perguntar o porquê. Talvez ele tenha ficado com vergonha, não sei. E foi assim, navegando entre pensamentos, que eu adormeci.

Acordei novamente com Danny me sacudindo. Abri os olhos lentamente e fui me lembrando do que estava acontecendo.
- Chegamos! – Disse Daniel bem sorridente.
Meu Deus, para que sorri tanto e por que tão perfeito? – Pensei
Desvencilhei-me dos meus pensamentos e ele continuou:
- , aonde eu deixo você?
- Me deixe aqui mesmo. – Falei logo após perceber que estávamos no meio de uma rua meio movimentada. – Muito obrigada por tudo Danny!

Abri a porta e saí correndo do carro, nem esperei ele responder. Devia ter me achado uma maluca, ou algo do tipo. Dei uma olhada para Londres e fiquei de boca aberta, literalmente. Em passos largos caminhei pela rua, pois havia percebido que logo começaria a chover e a temperatura teimava em cair. Dei uma olhada em meu celular e notei que já era bem tarde, e ainda não sabia para onde iria. Na verdade, não tinha para onde ir.
Avistei de longe uma praça, havia alguns bancos embaixo de uma árvore e percebi que teria que ficar lá, pelo menos aquela noite. Deitei-me no banco e coloquei a mochila embaixo da minha cabeça. Ainda com medo, fechei os olhos.
Por ser um local duro e desconfortável, meu corpo demorou a acostumar-se com a sensação e com o tempo frio. Estava sozinha, nunca tinha pensado que teria que crescer tão rápido! Isso talvez fosse apenas mais uma consequência, mas nunca havia realmente parado para pensar sobre isso.
Sempre tive o apoio da minha amiga e do meu primo, eles sempre estavam comigo. Sempre que acontecida alguma coisa de ruim dentro de minha ex-casa – o que acontecia com muita frequência – eles me acolhiam; devia ser porque eu sou mais nova que eles, eu era ‘a protegida’ de Harry e Larissa.
Lali sempre foi minha amiga – talvez a única –, ela nunca se intimidou com nossa idade. Lembro-me bem, até hoje, de quando nós nos conhecemos.

FlashBack ON.

Eu me sentia sozinha, sentia falta de meus pais. Eles nunca ligaram para mim. Não se davam ao trabalho de perguntar-me se eu estava bem, como ia na escola. Nunca faziam esses tipos de perguntas, ou seja, não estavam preocupados comigo.
Se eles perguntassem “E aí, garota, tá usando drogas?” e eu respondesse sim, eles iam falar um ‘ok’ ou ‘continue assim’. Mas nem isso iriam perguntar, como eu disse; eles não falavam comigo.
Vocês podem até não perceber, mas tem um ponto positivo nisso tudo, ser invisível para os pais tem ponto positivo. Você não precisa dar satisfações do que vai fazer ou do que fez. Eu, hoje com meus 10 anos, devia estar em casa vendo desenho e não andando pela rua sozinha.
Caminhei até a praça onde fica umas garotas da minha idade ou até mais velhas com seus pais. Gosto de ir até lá para pensar. Sim, garotas normais de 10 anos, não saem sozinhas para pensar. Mas, quem disse que sou uma garota normal? Que seja.
Sentei-me em um dos bancos como eu fazia todo final de semana, e observava.
Observava, como um adulto qualquer fazia. Se não fosse pela minha aparência juvenil, diriam que eu sou uma adulta; ou talvez não. Mas, às vezes, era essa a impressão que eu causava nas pessoas.
Penso que eu poderia ser qualquer criança ali na praça com sua mãe, ou com seu pai. Penso que poderia ter uma família melhor, com pais e talvez com uma irmã mais nova para eu perturbar e brigar pelas minhas bonecas; penso que poderia ver o mundo com outros olhos, com mais... Cor.

- Oi! – Olhei para o lado imediatamente e vi uma garota que parecia ser uns três anos mais velha que eu, sorrindo tanto que acho que vi seus 32 dentes brancos e brilhantes.
- Oi... – Disse meio receosa. Sou antissocial. Única pessoa que tenho contato é meu primo, não saio falando com todos que vejo. Sou aquela pessoa que as outras pessoas chamam de ‘bicho do mato’. Essa palavra me define.
- Me chamo Larissa, mas me chame de Lali. Tenho 13 anos e você? AI MEU DEUS, VAMOS SER AMIGAS PARA SEMPRE. – Arregalei meus olhos. Ela não falava, nem conversava. A garota ao meu lado tagarelava, não deixa espaço para a outra pessoa falar – como se eu fosse falar algo – e do nada grita vamos ser amigas para sempre? Ei, colega, você nem sabe meu nome ainda...
- ... – disse olhando para os lados vendo se tinha alguém prestando atenção na maluca ao meu lado.
- . Nome bonito, mas vou te chamar de ! Você parece ter uns 10 anos, você é mais nova que eu! CERTO?
Apenas assenti e ela me abraçou. Sim, ela me abraçou! Essa garota é completamente louca.

FlashBack OFF.

Além de acertar a minha idade, acertar o meu apelido - apenas o Hazz me chamava assim -, ela quase acertou a parte do ‘amigas para sempre’.
Lali e eu viramos amigas uns três anos após nos conhecermos, era o trio. Eu, ela e meu primo. Ela teve que ir embora da cidade porque seu pai tem uma empresa que decolou aqui em Londres e ela teve que vir com ele e perdemos o contato.
Ah, como eu sentia falta daquela maluca e das coisas sem noção do que ela falava. Entorpecida pelo cansaço, fechei meus olhos ainda relutante, e adormeci.
Acordei com alguns raios de sol no meu rosto e sentei-me ainda sonolenta. Agradeci mentalmente por nessas horas Londres não ser tão perigosa. Peguei minha mochila e comecei a caminhar.

Avistei de longe a placa da Starbucks, e notei uma pequena reviravolta em minha barriga. Entrei na loja e pedi alguns muffins e um café forte. Meu pedido não demorou pra chegar; comi e pedi alguns muffins para a viagem, guardando-os dentro da minha mochila.
Aproveitei que estava ali e fui ao banheiro, encarando meu estado no espelho. Dei uma ajeitada no cabelo e lavei meu rosto e saí da Starbucks.
Pensando em um modo para continuar ali, percebi que eu tinha de achar um emprego. O que vai ser muito difícil. Tenho 16 anos, não tenho o colegial completo e estou sozinha no mundo agora, como eu vou arranjar um emprego assim?
Comecei a caminhar novamente quando eu vi um letreiro bem grande e bem chamativo “Agência de empregos”. Um sorriso de esperança brotou no meu rosto e entrei. Dei de cara com uma moça não muito velha e não muito nova, ela logo me olhou dos pés a cabeça e entortou a boca. Fui me aproximando do balcão e ela logo falou, não muito simpática.

- Você, tão nova assim, quer um emprego? Que foi? Fugiu de casa? – A mulher falou com desprezo.
Que é? Agora todo mundo sabe que eu fugi de casa? Até que dá pra perceber né, mas... Ela podia guardar esse ‘mau humor’ pra ela.
- Fugi, mas isso não vem ao caso agora, estou à procura de um emprego. – Falei simpática, ao contrário dela. Ela apenas me olhou e me entregou uma ficha. Peguei a ficha e uma caneta e comecei a preencher, não demorei muito e a entreguei a ficha preenchida. Ela logo analisou a ficha e me chamou, olhou para mim por cima de seus óculos.
- Único emprego disponível para você no momento é de faxineira, lá na empresa Collins, é uma empresa de publicidade muito famosa aqui em Londres.
- Aceito, está muito bom.
- Tá bom. Você começa amanhã às oito horas. Não se atrase.
- Pode deixar. – Sorri e saí da agência.

Agora tenho um emprego. Faxineira. Não é muito bom, mas fazer o que? Quando se é nova e não tem colegial completo é isso que tem que fazer. Peguei em meu bolso o meu dinheiro e vi que ainda tinha uma boa quantia, daria para procurar um hotel para eu ficar essa noite, porque o banco da praça não dá mais.
Fui caminhando maravilhada por Londres, vendo as lojas, as pessoas, os carros passando e ficava boba. Eu parecia uma turista que nunca tinha saído de seu país e nem parecia que eu era inglesa. Vi um hotelzinho e entrei. O local era meio caído, mas não custa nada, pelo menos até eu me estabilizar.
Entrei no lugar e pedi logo um quarto para uma noite, eu não sabia o que ia acontecer então, qualquer coisa pagaria mais uma diária amanhã. Peguei as chaves do meu quarto e fui subindo as escadas. Avistei a porta com o número 206 enferrujado e entrei o quarto. Só tinha uma cama com um frigobar, e ao lado tinha uma porta que eu deduzi ser o banheiro. Mas nem vou checar agora, joguei-me na cama e apaguei.

Acordei só de madrugada, abri minha mochila e comi os muffins que tinha lá. Fui ao banheiro, agora eu iria tomar um banho, pois eu estava nojenta. Até que o banheiro não é ruim, pelo menos tem um vaso, um chuveiro e uma pia já estão de bom tamanho.
Tomei meu banho, percebendo que estava linda e cheirosa, sentei em minha cama e fiquei pensando que dentro de algumas horas eu iria começar uma nova vida, independente. Tudo o que uma adolescente quer na vida é se ‘livrar’ dos pais e começar uma vida sozinha e independente.
Foi ai que eu adormeci novamente. Que foi? Eu estava cansada e teria que dormir mais um pouco porque logo eu estaria no meu novo emprego.



CONTINUA



N/A: Tive que reescrever ela, estava meio sem noção?! Há Um agradecimento que nunca vai sair dessa n/a. Para Dy. Minha Dy, vocês não sabem, mas ela está me ajudando tanto com essa fic – agora sabem- me ajudando muito mesmo, ela me dá dicas, corrige os erros, que não são poucos, viu? Ela que me deu essa capa linda, aí em cima! Haha. Eu NUNCA vou saber o que fazer para te recompensar Dy.
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