One Of Those Ghosts

Autora: Cathy Cristiano
Status: Em Andamento
Revisada por: Vê Inamonico
Categoria: Danny Jones
Sub-Categoria: Romance, Comédia, Drama, Suspense - LongFic
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1º Capítulo:

P.O.V on.


- Bom dia . – Denise, minha psiquiatra, me cumprimentou com um sorriso confortador.
- Bom dia Denise. – sentei-me no sofá de sempre.
Desde o acontecido, o único lugar que frequento, fazendo parte do meu cotidiano era a clínica de psiquiatras. Eu não gostava muito de sair de casa, e ali era um dos poucos lugares onde eu me sentia segura de verdade.
- Como foi a semana, passou bem? – Denise ajeitou os óculos daquele jeito familiar e fez gestos com a mão para eu me deitar no sofá. Denise era apenas minha psiquiatra, mas eu gostava dela. Assim como minha amiga, ela parecia se preocupar comigo, eu era bem mais do que uma simples paciente.
- Nada de avassalador. – fiz careta com a boca e Denise arqueou as sobrancelhas.
- Anda saindo? – Denise escreveu algumas coisas no seu caderninho de anotações e continuou olhando para mim.
- Não, eu andei tendo pesadelos essa semana... preferi ficar em casa por precaução. – suspirei fundo. Na verdade, com pesadelos ou não, eu não saía de casa.
- Você sabe que precisa enfrentar seus fantasmas, . – Denise falou calma, a forma como ela falava se parecia com a minha mãe.
- Eu vou sair sábado, quer apresentar o namorado novo. – falei revirando os olhos, era importante para que suas amigas conhecessem o cara com quem ela estava saindo, mas, para mim, ter que sair de casa era assustador.
- Isso é bom , vamos, você precisa se esforçar. – Denise se ajeitou e tirou os óculos, depositando na mesa ao lado. - Você precisa fazer coisas que garotas da sua idade fazem, é muito nova para desistir. – Denise tampou a caneta e, assim como com os óculos, colocou o caderninho no mesmo lugar.
- Eu sei Denise, eu sei de tudo isso. - Mas é tão difícil para mim, eu não consigo ignorar tudo e tocar a vida. Eu sou fraca. – fechei os olhos para que nenhuma lágrima caísse.
- Você não é fraca, , você só precisa se esforçar mais. Eu acredito em você menina. – Denise tinha a voz baixa.

Depois de duas horas de consulta, minha sessão havia terminado. Como sempre, vinha me buscar, já que eu não dirigia. Eu sabia dirigir, mas nunca mais pegara em um volante.
- , uma roupa melhor vai, por mim. – praticamente implorava para eu mudar de idéia e eu ria da cara dela.
- Sem ironias . – colocou a mão na cintura.
- Tudo bem, eu vou pensar em outra roupa. – falei, sentada no sofá, para ela. havia falando a semana inteira sobre esse churrasco na casa do Jimmy, onde ela apresentaria o namorado, Harry Judd. James Bourne, mais conhecido por Jimmy, era nosso amigo de anos, foi ele quem apresentara Harry a e, depois disso, os dois haviam começado a namorar.
Eu ainda achava que calça jeans, all star e camiseta eram uma boa opção, mas não custava nada eu me arrumar um pouco mais para ficar feliz. Ela fazia tanta coisa por mim.
- Harry vai levar uns amigos, um deles está solteiro. – se sentou ao meu lado.
- Bom para ele, pessoas solteiras são bem mais felizes. – falei fria.
- , por favor, não comece. Você sabe muito bem que isso é uma grande mentira. – revirou os olhos.
- Eu posso estar mentindo, mas eu prefiro continuar assim. – fui franca.
- , você precisa se envolver com alguém. – falou calma.
- Eu não preciso de nada . Além do mais, eu não quero que ninguém se envolva comigo. – Levantei-me e fui em direção a cozinha para aquele assunto terminar. sempre fora muito boa comigo, ela sempre aturou minhas neuras, minhas crises, ela sempre segurou minha mão quando eu precisei e era por isso que eu morava com ela.

- Anda , me peça misericórdia. – Jesse segurava a faca e passava os dedos mostrando o quanto afiada ela estava.
- Eu odeio você, Jesse, você foi a pior coisa que aconteceu na minha vida. – falei entre lágrimas, o medo era tanto que minha cabeça doía.
- Não seja malcriada , se você me pedir, eu juro que serei rápido. – Jesse se aproximou com aquele sorriso sarcástico. - É você quem pede amor. – Jesse se aproximou com a faca apontada na minha direção.
Eu já estava preparada para a dor...


- Não! – foi a única coisa que eu consegui pronunciar. Meu corpo tremia, minha cabeça doía, eu estava suada e eu sentia um frio enorme.
- , o que aconteceu? – entrou correndo no meu quarto.
- De novo , eu tive outro pesadelo. – falei entre lágrimas. Os pesadelos me assombravam havia anos e, com os pesadelos, o medo voltava para me deixar pior.
Era como se eu nunca fosse me libertar daquilo, a cada pesadelo eu ficava desesperada, mostrando-me como eu nunca iria melhorar. Eu sempre ficaria presa em meus fantasmas.
- Calma, eu estou aqui. – me abraçou forte. - Nada vai ser como antes, eu te prometo. – olhou nos meus olhos e, por um segundo, aquilo me acalmou. Mas no fundo eu sabia que nada mudaria.

2º Capítulo:

Eu rezei tanto para este dia não chegar, mas, infelizmente, sábado vinha depois de sexta-feira. me encheu tanto que eu resolvi me arrumar de verdade, nada muito arrumado porque eu não estava nem aí de parecer bonita, eu só me arrumara para deixar feliz.
Peguei uma calça jeans preta skinny, uma blusa vinho de manga comprida simples, uma sapatilha preta, e passei um blush e rímel. Essa era a minha maquiagem, eu estava pronta.
- , anda logo, eu não quero chegar e a casa já estar cheia. Você sabe que eu não gosto de multidão. – implorei a , que saiu saltitante do quarto. estava com um vestido preto e sandálias douradas, o cabelo estava cacheado, a maquiagem estava simples e o batom era um pouco escuro, para contrastar. Tudo combinava perfeitamente com seu cabelo preto. Ela estava linda.
- Nossa, Harry vai gostar. – sorri fraco para ela que abriu um sorriso de orelha a orelha.
- Coloca um salto. – cruzou os braços na altura do peito, tentando parecer intimidadora.
- Você sabe que eu evito saltos. – fiz cara de cão que caiu da mudança e funcionou. Evitar saltos fazia parte da minha nova vida. Eu pensava da seguinte forma: se um dia eu precisasse correr ou fugir, de salto eu não conseguiria. Eu sabia que poderia ser neura, mas não me importava.
- Tudo bem, você venceu. – se olhou pela última vez no espelho e começou a juntar as coisas para colocar na bolsa. Pegou celular, chaves, óculos, carteira, maquiagem, perfume e só não colocou a casa dentro. Eu só peguei o celular e as chaves, ia tudo no bolso.
Demorou uns 20 minutos e logo chegamos, minha barriga gelou e meu estômago dava voltas. Uma coisa tão simples era quase uma batalha para mim.
- Está tudo bem, essa é a casa do Jimmy. – falou segurando minha mão firme.
Por mais segurança que ela tentasse me passar não adiantava, ver todos aqueles carros parados no jardim me fazia ter calafrios.
Para a minha sorte, a casa não estava tão cheia, pelo menos não até o momento em que eu cheguei. Fomos ao quintal onde havia um número razoável de pessoas. O namorado de ainda não havia chegado, então ficamos lá conversando com uns amigos e Jimmy. Eu mais prestava atenção do que conversava; na verdade, eu prestava atenção às pessoas a minha volta.
Desde a tragédia eu havia ficado assim, observadora, desconfiada, fechada. Eu me tornara outra pessoa desde então.
- Harry chegou. – deu um pulo da cadeira empolgada e eu sorri fraco, eu ficava feliz em saber que estava namorando. Eu não sabia direito quem era esse cara, mas de uma coisa eu tinha certeza: ele a fazia feliz.
E lá vinham quatro rapazes, o mais baixo tinha o cabelo loiro, olhos azuis e cara de bebê, ele vinha de mãos dadas com uma garota, de cabelos castanho-escuros, cacheados, ela tinha olhos verdes. O que estava do seu lado tinha altura mediana e também era loiro, ele tinha olhos castanhos e estava de mãos dadas com uma loira. Um pouco atrás vinham outros dois, um tinha o cabelo castanho e olhos azuis; era o mais alto dos quatro, ele era até mais alto que Jimmy. E o outro também tinha o cabelo castanho, os olhos eram azuis e era cheio de sardas.
cumprimentou todos com um beijo no rosto e, no mais alto, ela deu um beijo na boca. Então o mais alto era Harry e o sardento era o tal amigo solteiro. Mas por que eu estava pensando nisso? Balancei a cabeça tentando afastar esses pensamentos.
- Essa é minha melhor amiga e esse é Harry Judd. – falou sorrindo.
- Prazer, . – estendi minha mão. Eu podia parecer um bicho do mato, mas ainda era educada.
- Prazer em conhecê-la, Harry Judd. – ele me cumprimentou e terminou de apresentar os amigos dele.
O loiro mais baixo era Dougie Poynter, sua namorada se chama Brithany Stwart. O outro loiro, que eu descobri mais tarde ser mono-cova, era Tom Fletcher e a sua namorada era Alicia Kasting. O sardento era Danny Jones.
- Então você é a famosa ? – Danny, que estava sentado ao lado de Harry, olhou para mim e eu só concordei com a cabeça. Se havia uma coisa em que eu não era boa, era fazer amizade rápido.
- É, sou eu. – fui breve.
- me falou que você pinta. – Harry falou abraçado a . Dei um olhar matador para ela.
- Eu pintava, mas não pinto mais. – tentei parecer normal.
- E por que não? – Alicia se virou para mim.
- Perdi o jeito. – sorri fraco.
- Isso não pode ser verdade. Pintar é como cantar, com os anos você só evolui. – Tom falou e, assim, sua mono-cova apareceu.
- Mas não comigo. – dei um gole no refrigerante que eu estava bebendo.
- Oh, claro, que cabeça a minha. – colocou a mão na cabeça e todo mundo na mesa, inclusive eu, olhou para ela.
- Eu esqueci-me de dizer, , eles são músicos. – sorriu para Harry que sorriu de volta.
- Sério? Uma banda? – olhei para Harry, que concordou com a cabeça. Há uns cinco anos eu estaria pulando, feito pipoca na panela, sempre achei o máximo a vida de músico.
- Sim, o McFly. Você nunca ouviu falar? – Tom falou contente.
- Não, eu não ouço muito rádio. Parei no tempo – fui sincera e Tom riu.
Conversei mais um pouco com eles e, mesmo conhecendo pouco, vi que eram pessoas legais. Harry, seus amigos e as namoradas deles. A casa de Jimmy começou a encher e eu resolvi entrar, pois, como eu já disse, odiava multidões.
Entrei na casa, a cozinha também estava cheia, então, passei direto. Cheguei à sala e vi que estava vazia, me aproximei da escada e sentei-me no quinto degrau.
- Minha pequena. – Jimmy vinha andando com uma garrafa de cerveja na mão e se sentou ao meu lado. - Eu sabia que você estaria por aqui. – Jimmy sorriu fraco e eu apoiei a cabeça no ombro dele.
- Ainda é difícil para mim, você viu como essa casa está lotada? – fechei os olhos e suspirei fundo.
- Sabe como é, meus amigos, amigos da e amigos do Harry... realmente dá muita gente. – Jimmy falou de uma forma engraçada e eu acabei rindo. - Gostou do Harry? – Jimmy deu um gole na cerveja.
- É gostei, ele parece gostar dela. – levantei a cabeça do ombro dele. - Os amigos dele também são legais. – fui sincera.
- Eu compus algumas músicas com eles. – Jimmy falou contente.
- Eles são mesmo famosos? – apoiei o queixo nas mãos.
- Sim, são. A banda deles desbancou os Beatles. – Jimmy deu outro gole na cerveja e se levantou. - Agora eu vou para lá, por que você não vem também? – Jimmy estendeu a mão para mim, mas eu recusei.
- Não, eu prefiro ficar aqui. – balancei a cabeça em negação.
O silêncio tomou conta do lugar, aquilo era muito confortador.
- O que uma garota tão linda faz sozinha aqui? – uma voz rouca me acordou dos meus devaneios.
- Eu não gosto muito de multidão. – olhei para o dono da voz rouca e vi que era Danny, o amigo de Harry.
- Então por que veio? – Danny se sentou ao meu lado. Mas quem foi que convidara mesmo?
- Vim porque era importante para . – olhei para Danny e me arrependi de tê-lo feito. Os olhos azuis dele me deixavam desconfortável. E o silêncio tomava conta de novo.
- Você não é muito de falar né? – Danny esboçou o sorrisinho.
- É, não sou. – fui curta.
- Você precisa se abrir mais. – Danny se virou para mim e deu uma de psicólogo.
Em primeiro lugar, quem era ele para me dizer o que fazer? Em segundo lugar, ele não me conhecia; e em terceiro lugar quem lhe dera a liberdade? Respirei fundo, contei até três e olhei para ele.
- Você nem me conhece para saber o que é melhor para mim. – fui curta e grossa.
- Não te conheço muito, mas já ouvi falar a seu respeito. Além disso, o pouco que eu te conheço, vejo que você precisa de companhia. – Danny falou olhando diretamente nos meus olhos. Aquilo era perturbador demais, os olhos azuis, o perfume.
- Qual é a sua? Hoje é dia de fazer boas ações e você quer servir de psicólogo para mim? – falei me levantando.
- Eu não quero ser seu psicólogo. – Danny segurou meu braço. – E, se você um dia quiser companhia, me procura. – ele largou meu braço e eu sai batendo o pé.
Quem esse cara pensava que era? Mas que droga, eu não irritava ninguém, eu não ficava querendo chamar atenção, eu ficava no meu canto. E por que ele tinha de ser tão lindo?

P.O.V. off

3º Capítulo:

Danny P.O.V on.


Harry só falava no churrasco, no dia seguinte nós conheceríamos a nova namorada dele, .
- Amanhã nós conheceremos a famosa . – Tom sorriu de lado para Harry.
- Se ela for só metade do que ele fala, ela é uma ótima pessoa. – Alicia, que estava com a cabeça apoiada no ombro de Tom, falou calma.
- Ela tem uma amiga né? – olhei para Harry que concordou com a cabeça.
- Mas eu não quero você se engraçando com ela. A garota é complicada, passou por várias coisas pesadas. – Harry falou de forma protetora.
- De complicado basta eu, não quero nada com essa garota. Relaxa. – levantei os braços me rendendo. Eu realmente não queria. O que não me faltava era mulher, eu podia escolher a que eu queria. O que fazia Harry pensar que eu iria querer alguém tão complexa?
- Não sei se vocês se lembram, mas essa amiga da é a mesma amiga do Jimmy. – Harry deu um gole na cerveja.
- Ah claro, eu me lembro. – Dougie concordou colocando a mão na testa.
- É eu também me lembro.
Claro que eu lembrava, Jimmy não aparecia mais em casa nessa época. Eu não sabia bem o que acontecera, mas eu sabia que a garota ficara arrasada. Era a amiga mais complicada que o Jimmy tinha. Não saía de casa, não frequentava festas, não namorava, não trabalhava, não fazia coisas que pessoas normais faziam, completamente esquisita. Tudo bem que ela passara por um trauma, o qual eu não sabia, mas já tinha dado tempo o suficiente para ela levantar a cabeça e seguir em frente. Não dava para viver assim, eu simplesmente achava um desperdício. A vida é tão curta, tem pessoas que lutam para sobreviver e uma garota simplesmente abandona o tal ato. Ok, vou parar de falar dela.

Chegamos à casa do Jimmy e já havia várias pessoas lá. Entramos e fomos conhecer a famosa , a garota que fizera Harry esquecer-se de todas as ex-namoradas. Jimmy nos cumprimentou e, em seguida, veio .
- Essa é minha melhor amiga, , e esse é Harry Judd. – sorria boba.
- Prazer, . – a garota, digo, foi breve.
- Prazer em conhecê-la, Harry Judd. – Harry a cumprimentou.
Vou confessar uma coisa, era muito desperdício que uma garota linda vivesse da maneira como ela vivia.
O cabelo era castanho claro, com o corte reto, os olhos eram puxados e também castanhos, a boca era rosada e parecia ter sido desenhada a mão, a garota era linda. Mas tinha uma expressão fria, desanimada.
- Então você é a famosa ? – me virei para a garota.
- É, sou eu. – foi monossilábica.
- me falou que você pinta. – Harry falou abraçado com . sorriu para a amiga.
- Eu pintava, mas não pinto mais. – falou calma.
- E por que não? – Alicia se virou para ela.
- Perdi o jeito. – sorriu fraco.
- Isso não pode ser verdade. Pintar é como cantar, com os anos você só evolui. – Tom falou empolgado.
- Mas não comigo. – deu um gole no refrigerante que estava bebendo. Claro que problemática do jeito que era, não beberia álcool.
- Oh, claro, que cabeça a minha. – colocou a mão na cabeça e todo mundo na mesa, inclusive eu, olhou para ela. - Eu esqueci-me de dizer, , eles são músicos. – sorriu para Harry que sorriu de volta. Pareciam um casal de 15 anos.
- Sério, uma banda? – olhou para Harry que concordou com cabeça.
- Sim, o McFly. Você nunca ouviu falar? – Tom falou contente. Espera aí, ela nunca ouvira falar do McFly? Em que mundo essa garota vivia?
- Não, eu não ouço muito rádio. Parei no tempo – foi sincera e Tom riu. Continuamos a conversa, o foco deixou de ser a amiga de . Depois de certo tempo saiu da mesa e foi para dentro da casa.
Não sabia por que eu estava reparando nesses detalhes, eu nem a conhecia, nem falara com ela direito. Por que raios eu não conseguia parar de falar nela? Balancei a cabeça para espantar aqueles pensamentos. Meu celular tocou e eu entrei na casa para atender, por sorte a cozinha já estava vazia, e eu fiquei por lá mesmo.
- Danny, meu caro Danny. – Jimmy vinha da sala.
- Jimmy, meu caro Jimmy. – o imitei e ele riu, passando por mim e indo para o quintal. Eu poderia voltar ao quintal, mas eu não estava tão a fim. Tínhamos acabado de voltar de uma tonelada de shows, meu corpo ainda não tinha descansado o suficiente.
Da cozinha eu podia ver metade da sala e ela estava vazia, um ótimo lugar para relaxar. Ou era destino ou o meu cérebro me induzira direto para ela. estava sentada na escada, com o queixo apoiado nas mãos e as mãos apoiadas na perna, com uma cara pensativa.
- O que uma garota tão linda faz sozinha aqui? – me aproximei da escada.
- Eu não gosto muito de multidão. – olhou para mim e respondeu calma.
- Então por que veio? – me sentei ao lado dela e olhando-a.
- Vim porque era importante para . – olhou nos meus olhos, mas logo desviou o olhar.
- Você não é muito de falar né? – tentei puxar assunto.
- É, não sou. – foi curta.
- Você precisa se abrir mais. – eu não sei porque raios eu falei aquilo. Não conseguia explicar, mas esse mistério todo de me deixava intrigado, curioso. Espera, eu deveria estar bêbado, então, esquece.
- Você nem me conhece para saber o que é melhor para mim. – se virou para mim e, por um segundo, achei que eu fosse apanhar.
- Não te conheço muito, mas já ouvi falar a seu respeito. Além disso, o pouco que te conheço, vejo que você precisa de companhia. – olhei no fundo dos olhos dela, tentando mostrar que eu não era um monstro tentando invadir seu mundo.
- Qual é a sua? Hoje é dia de fazer boas ações e você quer servir de psicólogo para mim? – falou se levantando. Que garota mais complexa.
- Eu não quero ser seu psicólogo. – antes que ela saísse, eu segurei seu braço, ela ia terminar de ouvir o que eu tinha para falar. – E, se você um dia quiser companhia, me procura. – fui sincero, soltei o braço dela e ela saiu batendo o pé.
Em menos de 20 minutos eu vi e ela se despedindo de todo mundo para ir embora. Tudo isso por que eu tentara um diálogo? era realmente desconfiada de tudo.
- Tchau Danny, foi um prazer conhecê-lo. – se aproximou e deu um beijo no meu rosto.
- Já vai, ? – olhei para que fingiu não estar presente.
- Sim, já deu nossa hora. – sorriu fraco.
- Então tchau meninas. – acenei com a mão, ainda sentado na escada. As duas foram embora e Harry se sentou ao meu lado.
- E aí, gostou da minha namorada? – Harry deu um gole na cerveja que estava na mão.
- Sim, ela é firmeza.

4º Capítulo:

Saímos do estúdio que eu tinha em casa e fomos para a sala beber.
- me disse que você andou conversando com a . – Harry se virou para mim. tinha que ter um defeito e era esse: ser fofoqueira.
- Acho que eles vão discutir a relação. – Tom olhou para Dougie, que riu. Então os dois começaram a jogar video-game.
- É, falei um pouco com ela. – não entraria em detalhes. - Tem algum problema? – arqueei uma sobrancelha.
- Não teria, se isso não tivesse espantando a garota. – Harry falou calmo, mas, ainda assim, bancando o protetor. - A gostou de saber que você conversou com ela, mas a garota não pareceu gostar muito de você. – ele gesticulou com os braços.
- Ela não gosta de ninguém, qualquer pessoa que tenta se aproximar ela afasta com três pedras na mão. – falei irritado e Tom riu.
- Eu te disse que ela era complicada. – Harry falou vitorioso.
- Uma coisa é ela ter problemas, outro é ela ter educação. – baguncei o cabelo já cansado daquele assunto.

Tom e Alicia estavam fora da cidade visitando a mãe dela, Dougie e Brithany iam aproveitar a sexta-feira sozinhos. E eu ia jantar na casa do Harry. Jimmy, e também, a complexa estaria lá, ou seja, maus presságios... ok parei com as brincadeiras.
Estacionei o carro e vi um carro vinho desconhecido, já havia chegado. Toquei a campainha e Harry logo atendeu.
- E aí dude. – cumprimentamo-nos. e estavam sentadas no sofá, sorriu para mim, olhou-me e logo se concentrou em olhar para a janela.
- Oi , oi . – aproximei-me e cumprimentei-as com um beijo no rosto. não estava muito diferente daquele dia, calça jeans simples, all star branco nos pés e uma camisa um pouco justa azul-clara, quase sem maquiagem, mas, mesmo assim, linda.
Ficamos conversando e nada de Jimmy chegar; graças a ele o jantar ia atrasar. pediu licença e foi ao banheiro.
- Oh, que cabeça a minha, eu não comprei sobremesa. – Harry bateu a mão na testa e eu ri. Depois eu era o esquecido, sem-noção.
- Quer que eu vá comprar? – ofereci-me ainda rindo da cara que ele fazia.
- Não, nós vamos. – Harry piscou para , que ficou vermelha. Isso, vão e me deixem com a louca, não sei se você se lembra, Harry, mas ela não gosta muito de mim e isso pode acabar em assassinato. Eu disse que pararia com as brincadeiras, pois é, parei.
- Mas a vai ficar aqui. – falou chorosa.
- O Danny fica com ela. – Harry olhou para mim procurando apoio. De repente, olhar para a televisão desligada ficara legal.
- Ah, eu não sei. – estava confusa e Harry me cutucou.
- É, eu fico, só vocês não demorarem. – olhei para o Harry, que entendeu, e os dois saíram porta afora.
Ficar sozinho com não era ruim, na verdade era até interessante, mas eu não sabia como ela reagiria quando descobrisse que os dois haviam saído e ficáramos só nós dois com a casa.
- Cadê a e o Harry? – aproximou-se meio desconfiada.
- Foram ao supermercado comprar sobremesa. – continuei sentado no sofá.
- Ah, entendi. – se sentou ao meu lado. - se ofereceu para ir junto? – ela virou-se para mim.
- Não, Harry a chamou para não ir sozinho. – menti, não diria que eles ficariam enrolando no supermercado. Eu conhecia bem o Harry.
- Por que ele não foi sozinho? Ou, então, por que não levou você? – terminou de falar a última parte baixo. Eu estava calmo. - Ou por que você não foi sozinho? – ela fez careta.
- Qual é o seu problema garota? O que foi que eu te fiz, hein? – gesticulei com as mãos e ela engoliu em seco. Resolvi parar de mexer os braços, talvez aquilo a assustasse.
- Pare de tentar ser meu amigo. – arqueou a sobrancelha.
- Você não pode viver a sua vida inteira evitando as pessoas. – olhei diretamente em seus olhos.
- Fácil para você falar, você não estava lá para saber o que aconteceu. – estava com a voz meio rouca.
- É lamentável, muito lamentável. – balancei a cabeça em negação.
- Pode parar ok? Eu não preciso que você tenha pena de mim. – falou rude.
- Eu sei que todo mundo tem pena de você, mas eu não. Todo mundo tem problemas, mas sempre temos duas opções, ou você luta para superá-lo ou você desiste e faz como você. – fui claro e fechou a cara.
- Você é ridículo. – foi levantando-se do sofá e eu a segurei com força, fazendo-a sentar-se de novo. Ela estava muito perto de mim, eu podia sentir o perfume suave entrando pelo meu nariz, a pele do braço quente, a respiração descompassada por estar com vontade de me matar, aquilo era tentação demais. Eu estava me segurando para não fazer uma besteira.
- No fundo você sabe que eu tenho razão. – continuei olhando para ela nos olhos.
se virou e ficou olhando para a janela, ela balançava a perna freneticamente. Ficamos naquela situação durante uns 20 minutos até Harry e entrarem rindo.
Eles entraram, Jimmy chegou e continuou daquele jeito, só falando se falassem com ela e, mesmo assim, eram palavras mínimas. Mas eu não ligava, eu não me importava com ela. Além disso, nós íamos ficar fora durante duas semanas fazendo shows, eu tinha coisas muito mais importantes para me preocupar.

P.O.V off.

P.O.V on.


- Eu não saio mais com vocês, sério. – entrei batendo o pé no apartamento e não entendia nada. Eu estava com vontade de matar um que, no caso seria Danny Jones, um guitarrista convencido de uma pseudo-banda.
- Calma , o que foi que aconteceu? – trancou a porta e largou a bolsa na poltrona.
- Em primeiro lugar, por que você tinha que me deixar sozinha com aquele estrupício? Em segundo lugar, ele é um pé no saco, fica se metendo na minha vida, acha que me conhece. – soltei tudo de uma vez só.
Eu estava completamente irritada, revoltada e, quando olhei para , ela ria, simplesmente ria.
- Qual é a graça, ? – falei firme.
- Você pode até detestá-lo, mas isso fez bem para você. – ria até ficar roxa.
- Ainda não entendi a piada. – olhei raivosa para ela.
- A única coisa que você me falou nesses dias foram: Danny Jones é um insuportável, Danny Jones é um cara muito arrogante, eu não quero contato com aquele Jones e blablablá. – falou ainda rindo.
- Eu não sei se você reparou, mas nesses últimos dias você não teve pesadelos. – falou firme e, por um segundo, eu concordei com ela. Só por um segundo. - Eu sei que você não gosta dele, mas essa pouca convivência te fez bem. – ela se aproximou de mim.
- , por acaso, naquele supermercado havia erva para vender? Porque você está viajando. – desconversei.
- , para de ficar na defensiva, Danny é um cara legal, não tem por que você desconfiar dele. – me abraçou de lado. - E ele é tão gato. – e sorriu boba.
- Ai, para de falar nesse cara, que saco. – levantei-me do sofá e fui em direção ao quarto.
- Você gosta dele. – deu um pulo do sofá e parou na minha frente.
- Sério, você fumou uma erva da boa. – passei por ela e ela agarrou meu braço.
- Você está afim do Danny. Olha como você fica quando eu falo dele. – ria.
- Pense o que você quiser, eu não estou afim de Danny nenhum. Além do mais, eu nunca vou conseguir amar ninguém novamente. – olhei séria para , que murchou o sorrisinho.
- Você é muito nova para desistir do amor, . – falou calma.
- Eu nunca vou amar alguém como eu amei o Brian. – olhei para baixo.
- Eu não quero que você ame alguém igual amou o Brian, eu só quero que você tente ser feliz. – se aproximou de mim e fez carinho no meu cabelo. - Além disso, Danny é uma ótima opção. – ela sorriu sapeca e eu fechei a cara de novo.
Bati a porta do quarto e sentei-me à cama, agora até a dera para me encher a paciência, saco. E aquele Jones, quem ele pensava que era? Sempre que a gente se via, ele ficaria no meu pé, é? E por que ele tinha que ter os olhos perfeitamente azuis? É mais difícil de resistir... mas hein, o que eu estava pensando? Eu deveria ter usado um pouco da erva da .

5º Capítulo:

Graças a Deus chegara quarta-feira, dia da minha consulta com a Denise. me deixara na consulta como sempre e foi trabalhar. promovia eventos, o tempo que ela estava no trabalho, eu ficava na casa da mulher do síndico. Como eu disse, eu nunca ficava sozinha.
- Bom dia, . – Denise me esperou entrar e fechou a porta.
- Bom dia, Denise. – deitei-me no sofá e Denise sentou-se na sua poltrona de sempre.
- Então, , como se sentiu esses dias? – Denise ajeitou os óculos. - Você já saiu duas vezes nessas duas semanas, é um grande progresso. – ela falou contente.
- É, mas foram as últimas vezes, não quero mais sair de casa. – falei calma.
Vou ficar em casa até o fim do mundo chegar, não que eu acreditasse que ele acabaria, mas seria uma ótima opção para a minha vida.
- Mas por que, , se isso te fez tão bem? – Denise usou quase a mesma frase de , estava começando a achar que elas andavam se falando.
- Não me fez bem coisa nenhuma. – revirei os olhos, desanimada.
- Mas o que foi que aconteceu, para você desistir? – Denise se ajeitou e pegou o famoso caderninho.
- Aquele cara que eu te falei na sessão passada, ele fica invadindo o meu espaço e se metendo na minha vida. – falei irritada.
- Ah, claro, aquele que tentou conversar com você. – Denise riu fraco.
- Ele é um saco, fica tentando se aproximar, mas eu não quero. – sentei-me no sofá.
- Você precisa confiar, . – Denise escreveu umas coisas e olhou para mim.
- Mas eu não quero contato com ele. Eu não quero contato com ninguém. - falei tentando me manter firme. Falar em relacionamento, para mim, não era fácil. Fazia-me lembrar do Brian.
- você sabe que pode se abrir comigo, não minta para mim. – Denise tirou os óculos e colocou na mesinha de sempre. Ela continuou me olhando e eu não conseguia pensar, por que ela tinha que me conhecer tão bem, hein? - Eu não sei o que ele tem, mas você teve um grande progresso . – riu. – Vamos, , me fale o que você sente pelo rapaz. – Denise insistiu e eu mordi o lábio inferior.
- Eu não sei, Denise. – dei-me por vencida. - Eu simplesmente não sei, eu estou confusa. Na mesma hora em que eu o odeio, eu não o odeio. – olhei para ela, que concordou com a cabeça, me entendendo. - Eu sinto uma atração forte por ele, uma atração que eu não senti por nenhum homem depois de Brian. Mas, às vezes, essa atração se torna repulsa. – gesticulei com as mãos e Denise riu fraco.
- Eu te entendo, . Eu acho que você deveria dar uma chance a ele. - Denise cruzou os dedos em cima do colo.
- Eu não acho que é uma boa idéia. – balancei a cabeça desconfiada.
- Você confia em mim? – Denise olhou diretamente para mim.
- Confio. – suspirei fundo.
- Então siga o meu conselho... não estou dizendo para você se envolver com ele e namorá-lo, mas para conversarem, sem cinco pedras na mão, vamos ver no que dá. – Denise riu. - Dê um voto de confiança ao rapaz. – ela insistiu e eu só concordei com a cabeça. Ainda não achava que era uma boa idéia.

veio me buscar e eu não abri a boca, minha cabeça borbulhava, e eu só conseguia pensar no que Denise havia me dito.
- Foi tudo bem na consulta? Você não falou nada desde a hora em que entrou no carro. – olhou para mim da cozinha.
- Foi normal. – levantei a cabeça do encosto do sofá e olhei para ela.
- Pelo jeito você não confia em mim, se não me contaria. – fez seu drama do dia.
- Ok, eu te conto, o que você quer ouvir? – revirei os olhos e saiu correndo da cozinha e sentou-se ao meu lado.
- Denise acha que eu devo conversar mais com o Danny. – falei mordendo o lábio inferior. - Mas ela está enganada, porque eu estou bem. – olhei para a TV, tentando fugir dos olhos da .
- Está vendo, ela concorda comigo. – ela falou sapeca.
- Por favor, , eu não estou com cabeça para isso agora. – fiz cara de dor e bufou.
- , se o Danny fizer alguma coisa de errado com você, eu acabo com ele. – abraçou-me de lado.
- Se ela quer que eu converse, eu posso conversar com a vizinha do 455 ou a vizinha do 432. – falei indiferente.
- Deixa de ser teimosa, . – mexeu os braços freneticamente.
- Eu não consigo. Desculpa . – levantei e fui para o meu quarto.
Liguei a TV e estava passando “Diário de Uma Paixão”, passei direto pelo canal e deixei no canal de vendas de gado. Eu não gostava de gado, mas eu não conseguia assistir a esses filmes. Há três anos eu não assistia a nenhum desses filmes.

- Duas semanas sem ver meu amor, mas hoje ele vem jantar aqui em casa. – estava com um avental e um pano de prato no ombro.
- Legal. – tentei me animar, mas eu não era do tipo muito empolgada e animada.
- Danny vem também. – falou baixo.
- Como é? – dei um pulo do sofá.
- Foi isso que você escutou, Harry vem jantar aqui em casa e Danny vem junto. – falou indo para a cozinha e eu fui atrás dela.
- Essa casa também é minha e eu não o quero aqui dentro. – falei irritada e se virou para mim.
- Não quer vê-lo aqui, então vai dar uma volta. – foi malvada. Ela sempre soube que eu não saio, eu nunca mais saía sozinha. Nas poucas vezes em que tentara fazer isso depois do acontecido, eu tivera uma crise de pânico. Então decidira que nunca mais sairia, e era isso que eu fazia.
- Você sabe que isso é impossível. - falei batendo o pé.
- Então vai se arrumar, porque logo eles chegam. – riu e eu saí soltando fogo pelas ventas.
- Eu te odeio, . – bati a porta do quarto e fiquei deitada até as “visitas” chegarem.
Saí do quarto com uma cara nada animada, eu não mentiria e nem fingiria. Nunca havia sido assim.
- Oi . – Harry cumprimentou-me sorridente.
- Oi Harry. – puxei um sorriso do fundo da minha alma para não parecer rude. Harry não merecia o meu mau-humor, guardá-lo-ia para a e para o Danny.
- Olá . – Danny virou-se para mim. Malditos olhos azuis.
- Oi Danny. – falei sem emoção.
Ficamos na sala conversando, eles contavam coisas engraçadas dos últimos shows, eles haviam passado duas semanas fora. Saí, sem nem me importar, e fui pra varanda. Eu precisava de ar, muito ar.
Fazia tanto tempo que eu não olhava para o céu, as pessoas na rua, era como se eu tivesse parado no tempo.
- A noite está linda, né? – Danny, atrás de mim, falou com sua voz rouca.
- É, está. – falei sem olhar para ele, Danny aproximou-se e ficou ao meu lado, olhando.
- Não queria que eu estivesse aqui, né? – Danny, pela primeira vez, falou uma verdade, eu acho.
- Fui pega de surpresa. – senti-me estranha de dizer, sim, pela primeira vez, ele não soara convencido ou arrogante. Seria grosseria se eu dissesse “é, eu queria que você se mudasse para Porto Rico, mas como não dá, né?”.
Então ninguém falou mais nada e o silêncio tomou conta. Eu preferia quando ele falava, aquele silêncio era perturbador.
- Seus olhos ficam verdes com a luz da lua. – Danny falou e apontou para os meus olhos, os seus continuavam azuis. Ou ele era daltônico ou gostava de contar lorota. - Você não pode ser desconfiada o tempo inteiro. – ele começou com seu monólogo de novo. Como eu não estava a fim de ouvir tudo outra vez, resolvi entrar para a sala, mas, como sempre, ele segurou meu braço. Ele fazia de propósito, fazia isso só para eu ver as milhares de sardas que ele tinha, só para eu sentir como a pele dele era quente.
Mas lembrei-me do que a Denise falara “Dê um voto de confiança ao rapaz”, ai, sai da minha cabeça, Denise.
- Por que você quer tanto conversar comigo? – desisti de entrar e voltei ao lugar de origem, que era ao lado dele, na sacada.
- Eu só quero conversar, não tem nada nas entrelinhas. – Danny olhou-me diretamente nos olhos.
- E por que conversar comigo se eu sou uma pessoa tão desinteressante? – olhei para ele rapidamente e foquei nos carros que passavam na avenida. Eu não conseguia manter um contado visual por muito tempo com ele.
- É o que você pensa. – Danny tocou na minha mão que estava apoiada. - Você é daqui de Londres? – ele olhava-me, mas eu não olhava para ele.
- Não, sou de Harlow, Essex. – ele estava sendo legal, eu tinha que, pelo menos, ser educada com ele, né?
- E veio para cá quando? – Danny continuou com a mão em cima da minha, eu não me movi.
- Vim para fazer faculdade e não voltei mais. – olhei rápido para ele, contato visual não era muito o meu forte.
Pela primeira vez, estávamos tendo uma conversa normal, sem arranca rabos a tal.
- E você, nasceu em Londres? – falei olhando para os carros.
- Não, nasci em Bolton, Manchester. – Danny falou orgulhoso. Como eu não percebera o sotaque antes? - Minha mãe mandou-me para Londres para se ver livre de mim. – Danny falou balançando a cabeça e eu ri, não sei por que. - Eu estou brincando... vim para Londres porque eu queria ser músico. – ele falou sério. Eu estava cedendo, eu estava cedendo. Eu não podia ceder, não podia. - É a primeira vez que te vejo sorrir. – Danny me olhou de maneira estranha. - Isso é um progresso. – ele riu e eu acabei sorrindo junto.
Eu levantara a bandeira branca, no fundo eu não tinha nada contra o Danny para continuar tratando-o mal. Eu admito, era até legal conversar com ele, mas só. Não passava disso. Eu não conseguia ir adiante.
Conversamos mais um pouco, nada de demais, eu não falava muito da minha vida pessoal para as pessoas. E nos chamou para jantar.

P.O.V off.

6º Capítulo:

Danny P.O.V on.

Havíamos tido um avanço, eu conseguira conversar com sem que ela tentasse fugir como uma criança medrosa. Ela até sorrira para mim, ok, falando assim, eu pareço com um adolescente de 14 anos apaixonado pela professora de matemática, mas eu estou me sentindo estranho em relação a ela.
Eu nunca tinha me interessado por uma garota como ela, era diferente, não só pelo que aconteceu, que, no caso, eu ainda não sabia, mas logo descobriria, era diferente porque mexia comigo e eu perdia o controle, perdia a razão. Não fazia sentido eu me interessar por uma garota tão complexa como ela, mais já era tarde demais... eu realmente queria .
No jantar no apartamento da , nós conversáramos não muita coisa porque ela não falava e eu tinha que ir devagar.
O primeiro passo para eu me aproximar mesmo de , seria descobrir o que realmente acontecera. Não consegui muita coisa falando com conhecidos, a única informação que eu descobri era a de que havia morte no meio de tudo.
Mas eu levantei decidido a saber de, pelo menos, 60% da história. Peguei o carro e fui ao apartamento de e .

- Danny? Não esperava vê-lo aqui. – abriu a porta surpresa.
- É, eu decidi de última hora. Preciso falar com você sobre a . – fui direto ao assunto.
- É, aproveite que ela não está. – fez gesto para eu me sentar no sofá.
- Eu sei, Harry comentou comigo que, de quarta-feira, ela tem terapia. – suspirei fundo e sorriu fraco.
- Você está interessado nela, né? – arqueou uma sobrancelha.
- É, eu estou afim dela. – concordei com a cabeça.
- Então, o que você quer saber da ? – sorriu sapeca.
- O que foi que aconteceu com ela? Como ela vive hoje, essas coisas. – virei-me para ela. Era estranho falar dessas coisas com a , eu não a conhecia muito, para me abrir com ela.
- Em primeiro lugar... se você a machucar, feri-la, fazê-la chorar ou deixá-la pior do que ela está, eu mato você. – falava calma, mas suas palavras eram bem sérias. Confesso que fiquei com medo, ela estava parecendo aqueles psicopatas que sorriem e te apunhalam pelas costas.
- Ok, eu já entendi. – passei a mão na testa e me olhava vitoriosa, ela realmente queria me passar medo.
- Eu não sei muito bem o que aconteceu porque a não entrou muito em detalhes. Mas eu vou te contar a história resumida. – se ajeitou no sofá e eu fiquei prestando atenção nela. - namorou um cara barra pesada, Jesse Carter. Eles brigavam muito, então, o namoro acabou. se apaixonou por Brian Thompson, mas Jesse não aceitou, ele começou a perseguir e disse que mataria os dois. Depois de certo tempo, Jesse sequestrou , ele queria matá-la, então decidiu que, se Brian se encontrasse com ele, ele soltaria ... Jesse cumpriu essa parte do acordo, mas, sem dó nem piedade, acabou matando Brian na frente dela. – terminou de contar a história e eu fiquei pasmo.
Era muita informação para eu absorver... namorado mau-caráter, triângulo amoroso, cativeiro, morte.
- Por isso é assim? – olhei para , que suspirou fundo.
- É, no começo parecia só uma depressão passageira, mas com o tempo tornou-se síndrome do pânico e todo tipo de paranóia. – falou triste.
- E como ela vive hoje? – eu realmente estava interessado em saber tudo da vida de .
- Ela tem todo tipo de medo, não sai de casa sozinha, não fica sozinha em casa, não dorme com tudo apagado, quase não assiste a filmes, quase não ouve músicas, não atende ligações desconhecidas no celular, no telefone ela só atende depois que a secretária eletrônica fala e ela descobre quem é, não dirige, não entra no elevador sozinha, tudo isso há três anos. – citava todas as coisas que não fazia e eu sentia um aperto no peito, como uma pessoa vivia assim? Ela era nova demais para “não viver a vida”.
- Isso é tão triste. – soltei sem nem me importar.
- Eu sei, no começo era pior...- tinha a voz embargada. - Ela não falava, tinha pesadelos todas as noites, quase não comia e só dormia de luz acessa. – ela enxugou uma lágrima que caía.
- Mas do que mais ela tem medo? – baguncei o cabelo sem entender.
- O corpo de Jesse nunca foi encontrado, mas ficamos sabendo que ele foi morto em uma briga. Eu e todo o mundo acreditamos nisso, mas a acha que ele está vivo, neura dela. Ela acha que ele vai vir buscá-la, é por isso que, toda semana, ela visita a psiquiatra, as sessões vêm ajudando. – terminou de explicar e eu comecei a entender, tudo fazia sentido. Mas deveria ter sido muito mais terrível, porém eu nunca conseguiria arrancar aquilo de .

- Então é isso, dude, você está afim da amiga da ? – Tom falou interessado. Estávamos na casa dele aproveitando os poucos dias de folga que tínhamos, éramos só nós, a noite dos homens, nada de namoradas por perto.
- Isso porque eu falei para ele manter-se longe dela. – Harry balançou a cabeça rindo.
- Não tinha ninguém mais complicada, hein, Danny? – Dougie colocou a mão no queixo.
- A gente não escolhe por quem se interessa. Além do mais, todo mundo adora um mistério. – ri fraco e Tom concordou com a cabeça.
- E você já sabe como se aproximar dela? – Harry se virou para mim, duvidando de minha capacidade.
- Eu tenho que ir com calma, não posso simplesmente chamá-la para sair e, no meio do encontro, tentar beijá-la. – expliquei-me.
- Além do mais, se você fizer isso, é capaz de ela te espancar. – Dougie falou e todos nós rimos.

A capainha tocava insistentemente e eu xinguei com vários palavrões o dono do dedo que a apertava. Eu estava sonhando, um sonho estranho com , eu tentava falar com ela, mas ela se afastava e, quanto mais eu corria atrás dela, mais ela corria de mim, basicamente era esse o sonho.
Desci as escadas tropeçando no Bruce, meu cachorro e, quando abri a porta, dei de cara com Harry.
- Preciso de um favor seu, que vai servir para você. – Harry falou sem nem me dar bom dia.
- Mas hein? Não entendi nada. – cocei a cabeça, confuso. - Aliás, bom dia para você também, Harry. - fiz careta e Harry riu sem graça.
- Bom dia, Danny, vai me ajudar? – ele estava elétrico e eu ainda sonolento.
- Explique primeiro. – sentei e Harry sentou-se na poltrona de frente para mim.
- Eu quero fazer uma surpresa para a , mas a não pode ficar sozinha. – foi a vez de Harry coçar a cabeça. Em outra situação, eu me sentiria uma babá. - Quando a vai trabalhar ou precisa sair, fica com a vizinha, mas a vizinha vai ficar fora a semana toda. Resumindo, eu preciso que você fique com ela. – Harry suspirou fundo.
- Já falou com a ? Você fica jogando a amiga dela de um lado para o outro, eu não sei se ela vai gostar. – ri fraco e Harry fez uma cara pensativa.
- Danny, eu e você vamos sair ganhando. Eu vou poder fazer a minha surpresa para a e você vai ter mais tempo com a . – ele sempre sabia como convencer as pessoas, não que para eu fazer o que ele quer precisasse de muitos argumentos. Se bem que, eu não sei qual seria a reação de , afinal, ela era instável.
- Certo, eu topo. – levantei-me do sofá e Harry ficou sorrindo feito idiota.

7º Capítulo:

não concordou logo de cara, mas, como eu disse, Harry sabia como convencer as pessoas. Era quarta-feira e eu iria buscar a no consultório. me deu o endereço e, lá estava eu, esperando sair.
empurrou a porta giratória, olhou para os dois lados e não viu o carro vinho de , respirou fundo e olhou de novo, cruzou os braços na altura do peito e sua fisionomia já estava diferente, ela parecia assustada.
- Oi . – desci do carro e acenei para ela.
- Danny? – tinha a cara fechada e, antes que eu dissesse alguma coisa, emendou: - Você, por acaso, tem alguma coisa a ver com o sumiço da ? – ela falou emburrada.
- Na verdade, sim... mas culpe o Harry. – ri fraco e a fisionomia dela já era de mal humorada.
- O que ele fez? – ainda mantinha os braços cruzados no peito.
- Ele quis levar em um lugar, eu não sei qual, e me pediu para vir te buscar. – se eu dissesse que fora a amiga dela, talvez ela não ficasse com tanta raiva. - Não é uma notícia muito boa, eu sei, mas hoje eu sou sua carona. – sorri sem mostrar os dentes.
- Eu não vou. – falou sem emoção. Harry combinava de dar umas fugidas e sobrava para mim o mau humor da garota.
- Não quer vir comigo? Ok, fica aí e pega um táxi. – me virei rindo, sabendo que ela não iria ficar ali, sozinha.
- Danny! – falou um pouco mais alto e eu me virei. - Eu vou com você. – se deu por vencida, é claro. Abri a porta do carro para ela, que se sentou e logo colocou o cinto de segurança. Dei a volta e entrei no lado do motorista.
- Se quiser ligar o rádio. – olhei para ela, que só olhava a janela.
- Não, obrigada. – , ainda sem emoção, continuou olhando para a janela. - Espera! – parou com a mão e eu freei assustado.
- O que foi? – olhei para ela, que tinha uma cara espantada.
- Como eu vou para casa? Eu não fico sozinha e a não vai estar lá. – falou chorosa.
- Quer que eu fique lá com você? – era a minha deixa.
- Não. - mal terminei de falar e falou um “não” bem grande.
- Você pode ficar lá em casa e, quando a chegar, eu te levo. – outra ideia brilhante.
- Claro que não. – falou rude. Ok, ela não estava colaborando.
- Então fique lá, no apartamento, sozinha. – usei a mesma tática do carro.
- Está certo, você fica comigo. – revirou os olhos; não resisti e ri.
O caminho todo foi silencioso, não falou nada e eu resolvi não puxar assunto.
- Chegamos. – parei o carro e olhei para ela que, sem olhar para mim, soltou o cinto e desceu do carro. ficou parada esperando que eu descesse, para não entrar sozinha.
- Onde está? – o porteiro falou com e olhou para mim.
- Ela teve que sair, então Danny vai ficar comigo. - falou sem emoção e o porteiro não falou mais nada. Entramos no elevador e tinha uma cara estranha.
- Você está bem? – olhei para ela, que concordou com a cabeça. não falou nada durante o tempo em que ficamos no elevador. Ok, estava mais difícil do que eu pensava. Entramos no apartamento e ela largou o celular na poltrona, esperou-me passar e trancou a porta.
- Quer beber alguma coisa? – se virou para mim.
- Não, obrigado.
- Senta aí. – falou e sentou-se no sofá. Pelo menos ela começou a dialogar comigo.
Ficamos no silêncio depois disso, mas eu não conseguiria passar horas ao lado dela sem poder conversar.
- , você me odeia? – soltei de repente e ela ficou sem reação.
- É... eu... – gaguejou. Parabéns para mim, essa era a primeira vez que eu a deixava sem saber o que dizer. - Claro que não te odeio, Danny. – olhou séria para mim. E o silêncio tomou conta novamente.
Ela olhava para a televisão desligada, sua respiração estava normal.
- , você nunca mais saiu de casa? – olhei para ela com receio, ela poderia começar a reclamar de novo, “você não tem nada a ver com a minha vida”, “eu não quero contato com você” e blablablá.
- Não. – nem olhou para mim.
- E não tem vontade? – ok, eu estava pedindo para morrer, eu sabia.
- Não. – continuava olhando para a TV.
- Fala a verdade, , você não tem vontade de sair? – continuei olhando para ela que, milagrosamente, olhou para mim.
- Eu tenho medo. – falou baixo.
- Se você quiser, eu te levo, eu prometo cuidar de você. – me aproximei dela, que negou com a cabeça.
- Não, decididamente, não. – suspirou fundo. – Danny, você já teve medo de tudo, um medo tão grande que, só de pensar, sua cabeça dói? – ela apoiou a cabeça no encosto do sofá e ficou olhando para mim. Era como se a parede que ela tivesse construído estivesse menor. Ela queria falar, já era um começo.
- Não, eu nunca senti. – virei-me para ela, que não desviou o olhar. - Você não precisa mais ter medo, eu sei que eu não sou muita coisa, mas você pode contar comigo. – falei sério com ela, pois era exatamente isso que eu sentia. Eu nunca admiti para o Harry, o Tom ou o Dougie, mas eu estava apaixonado pela . Mesmo quando ela não falava comigo, ou ficava mal humorada, eu gostava dela. Eu queria cuidar e poder tê-la ao meu lado.
- Vamos mudar de assunto, por favor – desconversou.
- Certo... deixe-me contar uma piada. – virei-me para ela, que fechou os olhos, ainda com a cabeça apoiada no sofá.
- Acha mesmo que isso vai me fazer rir? – abriu os olhos e fez careta. Ela ficava tão linda quando não estava com aquela expressão de medo.
- Por que uma loira dorme com um copo de água cheio e um copo de água vazio, do lado da cama? – olhei para ela empolgado.
- Não sei. – olhou para mim, já esperando a resposta.
- O vazio é para se ela não sentir sede e o cheio é para se ela sentir sede. – falei rindo e balançou a cabeça em negação, realmente a piada havia sido tosca.
- Você é muito bobo, Danny. – riu fraco.
Contei mais algumas piadas, todas sem sucesso, não era muito bom em contar piadas. Mas, mesmo assim, ria mais das minhas caras e bocas do que da piada em si, mas aquilo não importava. Ela estava sorrindo, era um progresso.
Mas, como alegria de pobre acaba logo, chegou rindo.
- Olá, gente. – entrou e trancou a porta.
- Olá . – acenei sentado no sofá.
- Oi. – olhou para a amiga, que sentou.
- Agora eu posso ir. – levantei-me do sofá e sorriu sapeca.
- Sempre que quiser voltar, Danny, você já sabe o endereço. – ainda sorria daquele jeito.
- Valeu, Danny, por ter ficado comigo. – levantou e me olhou nos olhos.
- Não foi nada, . – peguei as chaves e o celular em cima da mesinha e fui para perto da porta. - Tchau . – acenei para , que estava longe. - Tchau , a gente se vê. – toquei no braço dela e não tirou o braço.
- Tchau Danny. – e fechou a porta.

P.O.V off.

P.O.V on.

- Não vai dizer nada, nem reclamar por eu ter ficado o dia todo fora ? – estava entrando no seu quarto, mas deu meia volta e se virou para mim.
- Não, . – voltei e sentei-me no sofá. Eu estava com a cabeça tão longe, era como se tudo o que eu dissesse que não aconteceria, tivesse acontecido. Eu não queria me aproximar dele, eu não queria me apaixonar por ele e era exatamente isso que estava acontecendo.
- Você mereceu seu dia de folga, além disso, Harry quis te fazer uma surpresa. – olhei para ela, que veio saltitante e sentou-se do meu lado.
- Você gosta dele, não gosta? – tinha um sorriso bobo no rosto.
- Eu não vou falar sobre isso. – me virei para a TV, mesmo que desligada.
- , você já conhece o Danny. – insistiu.
- eu não posso me envolver com alguém que vive fora de casa fazendo shows, ele seria a última pessoa com quem eu deveria me envolver. – olhei para ela de relance.
- Você gosta dele, eu sei, eu te conheço. – riu fraco.
- Eu não gosto dele, , tire isso da sua cabeça. – gesticulei com as mãos.
Fui para o quarto tomar banho e esfriar a cabeça, o dia havia sido muito estranho. Eu não queria pensar e nem imaginar, mas eu estava gostando dele. Não entendo por que, eu gostava de ficar com ele, no fundo eu me sentia protegida com Danny ao meu lado.
Mas um relacionamento não se baseava só nisso, eu ainda amava o Brian, ainda pensava nele. Eu não sabia se estava pronta para me envolver com alguém.

8º Capítulo:

Depois desse dia, eu confesso que deixei de ficar com o pé atrás a respeito de Danny. Danny era legal, eu que era implicante e sempre seria. Não nego que eu gostava um pouco dele, porém nem ele e nem a precisavam saber.

- minha garota não adianta fugir, porque eu te acharei em qualquer lugar. – Jesse gargalhou.
- Não faça isso, Jesse. – fui andando para trás.
- Eu vou te matar bem devagar, para cada gota de sangue que cair, você sentir a dor. – Jesse apontou a faca para mim. Me desesperei, o medo da dor, o medo da morte, o medo de Jesse. - Bem devagar. – ele se aproximou mais de mim e eu gelei.
- Você não vai fazer nada, cara. Eu te mato antes. – Danny apareceu não sei de onde.
- Danny, não se mete. – gritei para ele.
- Fica quieta, . – Danny apontou para mim e Jesse fechou a cara. Não sei por que, mas eu me senti protegida com Danny por perto.
- Eu volto para te pegar, amor. – Jesse desapareceu do nada.


Acordei suada e com a respiração acelerada, mais um pesadelo. Mas dessa vez, foi diferente, porque o Danny aparecia nele e eu não ficava tão desesperada. Por que raios Danny aparecera no meu sonho? E por que eu me sentira segura com ele ali?
Levantei da cama com as pernas meio bambas e fui beber água. O único problema é que, para fazer isso, eu acendia a casa toda, luz do quarto, luz do corredor, luz da sala e luz da cozinha.
Fiquei sentada no balcão de frente para a janela, tentando absorver aquilo. Uma vez me disseram que tudo o que sonhávamos tinha significado, diretamente ou indiretamente.
- Outro pesadelo. – apareceu na porta da cozinha com cara de sono.
- Sim, mas esse foi mais leve. – olhei para ela, que veio em minha direção e sentou-se à minha frente.
- Quer conversar sobre isso? – pegou na minha mão, que estava um pouco fria.
- Não foi muito diferente dos outros, ele me ameaçou e tal. – não quis entrar em detalhes, eu ia acabar falando de Danny.
- Você está diferente. – arqueou uma sobrancelha.
- Como assim, ? – dei um gole na água, calma.
- Sempre que você tem um pesadelo, você fica mal, abatida...você está calma. – apoiou as mãos no queixo. - , você sabe que pode confiar em mim. – ela respirou fundo.
- O Danny apareceu no sonho. – falei rápido e arregalou os olhos.
- Como assim? – estranhou.
- Era mais um pesadelo como os outros tantos, porém, dessa vez, o Danny apareceu e eu acordei. – falei olhando para o copo, evitando olhar para ela.
- Oh, que lindo. – sorriu sapeca.
- Por favor, não começa. – repreendi. Eu já estava cansada daquela história, querendo que eu me envolvesse com Danny, eu discordando e ela insistindo. Eu não conseguia me ver namorando mais.
- , eu não quero ficar repetindo, mas tenta entender...você sonhou com ele, você não parece abatida.- fez sua famosa cara de “eu sei de tudo”.
- Como você vai começar com esse assunto, eu vou voltar a dormir. – fui levantando e coloquei o copo na pia.
- Faça como você quiser... ah, fique sabendo que amanhã o Harry e o Danny ficaram de passar aqui para podermos velejar. E eles falaram que você vai junto. – falou rindo. Espera aí, ela, por acaso, havia contado alguma piada?
- Não importa aonde vocês vão. Eu vou ficar com a Abigail. – Abigail era a nossa vizinha, quando ia trabalhar ou precisava sair, eu ficava com ela.
- Querida, a Abigail vai precisar sair, você não tem escolha. – sorriu vitoriosa e eu a deixei falando sozinha.
Fui para o meu quarto e, por mais que eu não quisesse pensar, eu pensava. Será que tinha razão? Eu estava pensando tanto nele que, até nos meus pesadelos, ele aparecia? E eu ainda ia precisar pensar em uma desculpa bem convincente para de que isso não me faria bem.

- , não adianta fazer essa cara. Daqui a pouco eles vão estar aqui. – sentou-se ao pé da minha cama.
- , eu não sei nadar, vou me sentir mal em um barco. – menti.
- Você é ótima nadadora, até melhor que eu. – retrucou.
- Faz tanto tempo que eu não nado, que eu desaprendi. – emburrei a cara.
- Conta outra vai, . Eu sei que você não quer ir, mas, por favor, se esforça... vai ser tão legal. – fez cara de cão que caiu da mudança.
- Não, . Começa assim, um dia nós vamos velejar, no outro vamos ao cinema... ah, qual é , você sabe que eu não me sinto segura na rua. – fui sincera. ia dizer alguma coisa, porém a campainha tocou.
Cumprimentei os dois e sentei no sofá.
- E então, já tem tudo arrumado? Vamos? – Harry olhou para , que fez careta.
- já arrumou tudo, ela só precisa me deixar em uma das vizinhas. – se a Abigail não estava em casa, alguma mulher ia me abrigar. Nem a pau que eu ia ficar sozinha.
- Nada disso, você vem junto. – Danny falou pela primeira vez e eu arqueei uma sobrancelha. Eu sempre soube que ele era espaçoso, só porque conversamos, não significava que ele podia dizer o que eu ia ou não fazer.
- Eu já tentei convencer ela, mas nada. – se deu por vencida, graças a Deus.
- Pode ir descendo, , eu a convenço. – Danny olhou para , que não acreditou muito. Nem eu acreditei no que ele disse. Ele realmente achava que era o poderoso cara da persuasão?
- Eu nem arrumei nada, não tem como eu ir, desista. – apoiei a cabeça no encosto do sofá.
- Eu já fiz isso... sabe como é, eu penso em tudo. – disse, com sua cara convencida.
- Arrumado ou não, eu não vou. – falei decidida. Danny olhou para , que só disse um “tem certeza?” e ele concordou com a cabeça, e Harry resolveram esperá-lo lá embaixo.
- Não sei o que você pretende, mas já estou avisando, não vou a lugar algum. – fechei a cara.
- Você realmente acha que não? – Danny arqueou a sobrancelha e se aproximou de mim. O que ele achava que estava fazendo?
Danny simplesmente me puxou pelo braço fazendo com que eu me levantasse.
- Pega a chave. – Danny falou sério, eu ignorei e ele pegou a chave de casa.
- O que pensa que está fazendo? – quase cuspi as palavras.
- Estou te convencendo a ir. – Danny falou sarcástico e eu puxei meu braço de volta. Não achando o suficiente, ele praticamente me jogou nas costas, como um saco de batatas.
- Me solta, seu louco, eu vou acabar com você. - eu gritava e ele ria. - Você não pode me levar à força. - bati meus braços nas costas dele, mas não resolveu.
- Você é muito egoísta, sabia? Só porque não quer dar o braço a torcer, quer ficar enchendo o saco das vizinhas. Fica pedindo abrigo como se fosse uma mendiga. – Danny falou bravo.
- Cala a boca Jones. – bati com toda a minha força nele.
- Cala a boca você. – Danny terminou de falar e foi saindo comigo do apartamento. Trancou a porta e colocou a chave no bolso. Assim que ele me soltasse, ele ia apanhar, juro.
Entramos no elevador e eu fiquei em silêncio, odiava elevador. Sem falar nada, ele me colocou no chão.
- Seu ordinário, filho de uma mãe. – comecei a bater nele, que só se defendia. - Quem você pensa que é, para me fazer ir a força? – continuei batendo nele, com muito mais força, que fique bem claro.
- Chega, estou cansado desse seu mau-humor e da forma como você me trata. – Danny segurou meus braços impedindo que eu continuasse a espancá-lo.
Eu não havia reparado, mas nós estávamos muito próximos um do outro, eu conseguia sentir a respiração dele. Assim como a minha a respiração, a dele estava acelerada. Danny me olhava de uma forma séria, como se tivesse parado de brincar. As sardas pareciam estar mais aparentes, os olhos pareciam mais azuis, como ele conseguia ser tão lindo até discutindo comigo?
Antes que algo de errado acontecesse, eu me desvencilhei dos braços dele e fiquei do outro lado do elevador. Não demorou muito e o mesmo chegou ao térreo. olhou surpresa, vendo eu que eu também iria.
- O que você fez para convencê-la? – arqueou uma sobrancelha.
- A única coisa que ele não fez foi me bater. – falei rude e Harry arregalou os olhos.
- Danny o que você aprontou? – Harry olhou sério para Danny, que balançou os ombros sem se importar.
Para ficar ainda mais perfeito, fomos sentados um do lado do outro no banco de trás.

O caminho inteiro eu não olhei para Danny e ele fez a mesma coisa, já que não parecia muito a fim de olhar para a minha cara.
Eu não sei por que eles disseram velejar, pois aquilo não tinha nada de barco, era um iate. Bem bonito, por sinal.
- Não vai se trocar? – perguntou para mim assim que saiu do banheiro, já dentro do iate.
- Não. Eu não pretendo cair na água, como eu disse, não sei nadar. – falei sem emoção.
- Para de pirraça, , você vai gostar. – me deixou lá sentada na “sala” do iate e foi para a parte de fora.
Não querendo dar o braço a torcer, mas realmente estava quente, e como parecia que, no mar, o calor era maior, eu tive de me trocar. Coloquei um biquíni simples azul-petróleo e um vestidinho leve branco. Era uma das roupas que havia colocado na bolsa.
- Olha aí quem apareceu. – Harry sorriu quando eu saí de dentro do iate. Nesse momento em me senti mal, coitado, ele não tinha culpa se eu tinha medo de sair.
- O sol está ótimo. – falou boba. Danny estava sentado perto do bico do iate, então resolvi me sentar longe dele. Eu ainda estava com raiva, era capaz de espancá-lo de novo.
Metade do dia foi assim, eu aproveitei o sol sentada olhando para o mar, Danny ficou calado quase que o tempo todo e Harry e pareciam estar em lua-de-mel. Eu só fui escutar a voz do Danny na hora em que estávamos almoçando, mas em nenhum momento ele tentou falar comigo... no fundo eu sentia falta.
- Tem certeza de que não quer? – arrumava a alça do biquíni.
- Não, prefiro ficar aqui em cima. – recusei, claro.
- Certo. – sorriu fraco.
- , esteja preparada para fugir do tubarão. – Harry esfregou as mãos, saiu correndo e gritando e pulou na água. Em menos de cinco minutos, Harry também pulou. Eu comecei a rir, eu ficava feliz de ver assim, empolgada, contente, apaixonada, e era Harry que estava fazendo isso.
Olhei para Danny e ele estava sentado na ponta do iate, olhando e Harry um pouco longe brincando na água. Eu não resisti, eu precisava falar com ele.
- Você não falou muito hoje. – me sentei ao lado dele.
- Não havia motivos para falar muito. – Danny falou sem olhar para mim.
- Me desculpa, Danny. – falei baixo engolindo meu orgulho. - Eu fui ignorante com você desde o primeiro dia em que nos conhecemos. Você não merecia aquele tratamento. – olhei para as minhas mãos em cima do meu colo.
- Desculpa em te pegar daquele jeito hoje. Mas você não me deu muita escolha. – Danny falou sem graça.
- Vamos esquecer isso. – falei olhando para ele, que sorriu fraco. O sorriso dele era tão bonito, simples, puro, acolhedor... finge que eu não falei isso.
- Por que você foge tanto de mim? – Danny falou se aproximando de mim, como de manhã no elevador.
- Danny, não se trata de fugir. – engoli em seco.
- E se trata do quê? – Danny colocou o meu cabelo atrás da orelha.
- Eu não sei, é difícil para mim. – olhei para baixo.
- Me deixa entrar na sua vida. – Danny pegou na minha mão, me dei por vencida e olhei para ele.
- Isso não pode e nem vai acontecer. – me afastei de Danny.
- Eu quero você, . – Danny segurou meu queixo para que eu olhasse no fundo de seus olhos. Meu coração estava acelerado, o que ele queria fazer comigo? Ele sabia que tinha os olhos perfeitamente azuis e que, desse jeito, era difícil resistir. Mas não, não estava certo.
- Mas eu não quero você, Danny. – me levantei rápido e fui para dentro do iate.

P.O.V off.




CONTINUA


N/A
Oi dudes...então o que acharam desse capítulo? Como essa guria consegue resistir ao Danny hen? Alguem me explica? Bem, elogios, criticas, palpites quero ver os comentários babes. Bjao, até a próxima att.




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