Dois Casais e eu
Autora: Amanda Henrichs Poletto
Status: Em Andamento
Revisada por: Hata
Categoria: Filmes – Comédia romântica
Sub-Categoria: LongFic - Romance/Comédia
Comentários:
É, sabia que não iria demorar muito pra que eu fosse sobrar. Claro que também antes de só eu ser a encalhada tinha apenas mais uma amiga companheira, todas as outras amigas mais próximas tinham companhia pra ficar em casa em um dia chuvoso assistindo filme ou ir ao cinema ver um filme tosco abraçadinhos.
Nós andávamos geralmente eu, Lúcia e Miranda. Na faculdade tínhamos também amigas mais íntimas que são a Flávia e a Gabriela, ambas com namorados, que dúvida. Lúcia era minha companheira como eu já disse. Ela e eu normalmente saíamos em boates e ficávamos com caras que só sabíamos o nome e a cor dos olhos (às vezes nem isso).. e aliás, nunca namoramos direito. Sempre que gostávamos de alguém nunca conseguíamos aceitar um pouco a realidade dos fatos ou simplesmente a simplicidade deles. Já Miranda, namorava uma menina e acho que de nós três ela era a mais esperta em relacionamentos, era ela que sempre ajudava a gente em nossas crises, sempre de bom humor acabava com o nosso drama e nunca deixou a gente desistir!
E foi assim por um bom tempo, até que um dia lá em casa, naquelas noites de tédio que eu e Lúcia ficávamos vagando por páginas na internet, lamentando não ter ninguém pra sair nem casacos cheirosos de namorados pra abraçar e falando com Miranda pelo msn sobre assuntos variados. Lúcia tinha recebido um recado de um cara em um site (o qual eu nem lembro direito, mas são esses que você fica babando por pessoas lindas que tem namorados lindos e você pensa ‘poxa, por que não eu?’) e ele foi bem simpático com ela.
- Ai, será que eu respondo?
- Sim né Lúcia Maria, o que tem em ser legal com o pobre do guri?
- É... verdade!
Ela me ouviu e bom, em duas semanas eles já estão quase se casando. Ok, exagerei, mas estão bem apaixonadinhos... coisa que eu desconheço. Não que eu nunca tenha gostado de alguém! Não, eu não tenho uma pedra no lugar do coração, mas faz muito tempo que eu nem sei o que é sentir algo de verdade por alguém e ser correspondida. Só pra ter noção, a última vez que eu gostei de alguém mesmo, ele gostava de uma amiga dele, que não dava a mínima, mas ele se tocou do que a palhaça aqui sentiu por ele em seis meses? haha que pergunta estúpida.
Mas voltando ao dia de hoje, que vamos sair, eu, Lúcia, Bruno (seu mais novo namorado), Miranda e sua namorada, a Marina. Nós entramos no carro, Miranda dirigindo Marina no banco da frente e eu lá atrás com o outro casal. Que maravilha né? É, imagino que deva estar se perguntando, porque diabos eu estava saindo com dois casais se eu sou solteira sem nenhum castiçal nas mãos. Mas é que eu já tinha comprado ingresso para aquele show e como já estavam todos esgotados, não deu tempo pra que eu arranjasse alguém solteiro E que gostasse da banda pra ir junto comigo. Aí eu encarei... eu amava aquela banda e estava esperando pra ir ao show há meses, não ia deixar de ir só porque eu sou encalhada e minhas amigas não.
Acho que o pior de estar do lado da Lú e o do Bruno foi quando eles decidiram aproveitar que tinha fila de uma hora até chegar no lugar e começaram a se pegar do meu lado. DO MEU LADO. Que situação cara, me segurei pra não cutucar eles e falar ‘dá pra ter um pouco de respeito com a coitada aqui?’ mas eu não sou tão idiota ao ponto de ser babaca assim. E ah, o banco era confortável então só me virei o máximo que eu podia e fiquei olhando pela janela a chuva caindo. Sim, além do mais estava chovendo, mas até que estava fraquinha só o vento que acabava com tudo... Felizmente o show ia ser em lugar fechado.
Chegamos lá e a banda ainda ia se apresentar depois de duas outras que eram daqui mesmo. Fui até o bar, comprei uma bebida e voltei onde minhas adoráveis companhias estavam, os quatro abraçados ouvindo a música bonitinha que o vocalista gostoso estava cantando. Eu olhei a situação e deu uma vontade imensa de rir da minha cara, porque cara, qual é? Eu estava ali do lado de dois casais e não conseguia achar UM amigo ou amiga lá dentro, a única coisa que eu podia fazer era ficar ali parada com cara de otária no meio dos quatro, bebendo e babando pelo vocalista. Acho que a Marina viu que eu estava ali sem saber se ria ou chorava e perguntou se eu queria conhecer o vocalista (ah é, a música bonitinha tinha acabado e Miranda tinha ido ao bar) e bom, eu pensei ‘tá ou eu fico com os casais e passo a noite desagradavelmente me lembrando do quanto eu sou rejeitada pela parte masculina dessa cidade ou eu tento conhecer pessoas novas, forçadamente, mas fazer o que’.
- Ah Marina eu quero sim, não quero atrapalhar vocês aqui... (meu Deus como eu me sentia patética)
- Tudo bem Susan, vou chamar o John aqui! JOOOHN!
Aquele cara com All Star preto, camiseta meio apertada e olhos verdes veio vindo sorrindo todo querido... e nós acabamos conversando e bom, ficando. Mas aí é que ta, o que sempre acontece. O cara fica comigo e sai, ele SAI. Novamente eu estava ali, sozinha, porque dessa vez eu tinha me perdido legal dos casais que no momento eu daria tudo pra estar no meio deles com cara de otária encalhada. Aí decidi sentar no bar e ficar vendo a banda tocar dali, já que a minha preferida daqui a pouco iria se apresentar. Enquanto eu ficava ali ouvindo a música que ao menos era ótima, eu fiquei analisando as pessoas do lugar. A maioria era de estilo alternativo e muitas delas se vestiam muito bem, quer dizer, pelo menos no meu conceito de moda. Mas o que eu quero deixar claro é: por que a maioria dos homens quando estão com as namoradas te secam? Cara, super falta de respeito! Ta que eles não estão mortos e olhar não tira pedaço, mas podia ao menos respeitar as namoradas que estão ali do lado deles abraçadinhas e apaixonadas.
- Não tais nem me vendo?
Arrancada bruscamente dos meus pensamentos indignados nem tinha percebido o cara que tinha sentado do meu lado e estava tentando falar comigo um tempão. Ele era alto, cabelos castanhos meio encaracolados e um piercing na boca que era extremamente grande.
- Ah, desculpa... eu estava viajando hahaha - eu sempre fico sem graça na frente desses tipos que me tiram do sério, saco.
- Hmm. E sobre o que você estava pensando?
- Sobre a infidelidade de alguns homens, e essas coisas chatas pra se fal... - Ah não é chato, é um assunto interessante, qual sua opinião sobre isso?
Pois é ele REALMENTE queria saber o que eu pensava sobre um assunto desses.
- Bom, pra começar muitos caras não respeitam as namoradas quando estão com elas... encaram as outras gurias que passam por aí sem um pingo de vergonha na cara!
- Mas depende do cara, porque tem vários que são fiéis e com vergonha na cara. Só que você sabe que quando a guria é muito linda é inevitável não olhar pra ela. - é... nessa hora eu já devia estar um pimentão.
- Aaaah hahahaha - não preciso comentar a minha resposta.
- Bem, meu nome é Julliano e o seu?
Aí ele abriu um sorriso que eu quase caí da cadeira e eu não estava bêbada portanto sabia exatamente o quanto ele era bonito, bem arrumado e como tinha dentes tão bem alinhados e brancos. Respondi meu nome e continuamos conversando, e incrivelmente ele não tentou me beijar antes de saber tudo o que eu pensava sobre política, música e artes. Eu não estava acreditando, como ele podia ser lindo, intelectual, engraçado e estar ali comigo... chegaram muitas gurias em cima dele, óbvio, mas chegaram mesmo! Teve uma que até deu um beijo no pescoço dele, mas acho que aquela ali era a mais bêbada perto das outras que tentaram pegar ele, sim elas tentaram pegar ele ali na minha frente, como essas mulheres estão saidinhas hoje em dia né? Jesus! Ele tinha 20 anos, só dois anos mais velho que eu e estava fazendo faculdade de relações internacionais. Ao mesmo tempo em que ele sabia de política, ele sabia de música. Ah é, já falei de como ele estava vestido? Camisa xadrez vermelha, calça jeans e um all star preto, igual ao vocalista da banda que eu já tinha ficado naquela noite. Acabou que finalmente ele me beijou, e eu virei uma poça. Ta não derreti literalmente, maaas fiquei caidinha por ele. Ele pegou o número do meu celular e prometeu que iria me ligar de novo. Com toda o histórico da minha vida amorosa eu nem acreditei muito na possibilidade dele querer me ver de novo. Porque afinal eu nem era muito bonita, nem muito magra e nem muito interessante. Engraçada um pouco, sim, mas e isso faz alguma diferença? Enfim, minha banda favorita tinha acabado de tocar e eu achei as gurias, o Bruno teve que ir embora mais cedo por causa da prima dele... uns problemas lá que a Lú me contou depois. Pegamos o carro e Miranda deixou eu e a Lú na minha casa. Claro que como boa solteira pós-festa contei do vocalista e do Juliano e ela me contou do Bruno e essas coisas de menina apaixonada, sabe como é, eu não sei mas talvez você saiba.
No outro dia, às duas da tarde, eu acordei com meu celular tocando alto.
CAPÍTULO II – AS APARÊNCIAS ENGANAM
- ... oi? - eu disse com voz de sono mais na cara impossível.
- Ah oi! É o Julliano, quem ta falando?
"MEU DEUS!" eu pensei. Ele realmente ligou, até me belisquei pra ver se eu tava acordada.
- Oi! É a Susan sim... tudo bem?
- Tudo sim e aí? Lembras de mim né? - risada fofa.
- Tudo sim, e é óbvio que eu lembro - dei uma risada de abobada.
- Então... eu estava pensando em sair hoje, o que você acha?
- Ah, não sei... - hey, todo mundo tem direito de fazer um doce ás vezes.
- Pensei em sei lá, ir numa sorveteria agora a pouco, pode ser?
- Humm, ah tudo bem!
Marcamos de ir a uma sorveteria aqui perto de casa e nos encontramos lá meia hora depois. Chegando lá conversamos, descobrimos que tínhamos o mesmo gosto pra doces, ficamos e por um momento eu pensei que finalmente eu tinha encontrado O cara. Ele era perfeito, não gostava muito de bebidas, tinha um plano de futuro na cabeça e ainda se vestia bem e escutava músicas boas! E sabe aquelas horas que tu pára e vê como a sua vida é boa? Quer dizer, eu estudava em uma das melhores faculdades do país, tinha uma boa saúde, boas amigas e família que me apoiava total.
Enfim, acabamos saindo à noite e no resto das três semanas que se passaram nos falamos, ou por telefone ou nós almoçávamos juntos, já que nossas faculdades ficavam próximas. E sabe como é, eu já estava apaixonada por ele, porque quando você é uma otária que nunca namorou, fica caidinha rapidinho por caras sem defeitos como o Julliano. Não que eu esteja me queixando, ah não, quem não daria tudo para se apaixonar por alguém sem defeitos e que parece te colocar em um pedestal? Enfim, cheguei à sala na segunda de manhã e a Flávia veio correndo me contar as novidades: eu ia viajar uma semana para INGLATERRA! É que no mês passado todos da minha sala de curso de moda tiveram um mini concurso para fazer cinco peças como se fossem da sua linha de roupas, e eu fui uma das únicas meninas que conseguiram acabar a tempo. A viagem seria na semana que vem e o grupo que ia era eu, a Flávia e o Roberto, um amigo nosso que também fazia moda.
E cara, eu estava com o Julliano ou não? Conversando com minhas amigas, elas achavam que sim, pois todo santo dia a gente se falava e se via. Na segunda de tarde liguei pra ele. A gente precisava se ver.
Quando ele me viu veio e me deu um abraço que ai, deu vontade de levar ele pra casa como um ursinho fofo e pôr em cima da cama. Antes que eu começasse a contar da minha viagem ele disse todo empolgado:
- Amor, tenho que te contar! Minha irmã vai se casar semana que vem, e eu queria que tu fosse comigo! Vai ser na Itália e eu queria te apresentar pra família toda, o que você acha da idéia?
Agora me diga, eu devo ter atirado pedra na cruz, certo?
- Ah Julliano isso é ótimo! Mas... Eu preciso te contar uma coisa.
E fiz a melhor cara de cachorro sem dono que eu consegui. E quer saber? Ele QUASE CHOROU. Poxa, fiquei muito mal em ter que dizer que ao invés de ir pra Itália conhecer a família dele e ficar com ele aquele tempo todo naquele lugar mais lindo eu estaria na Inglaterra trabalhando feito uma louca pra conseguir uma carreira e uma boa imagem. E imagina o quanto ele deve ter tomado coragem pra decidir uma coisa dessas? Hoje em dia apresentar alguém pra sua família em outra cidade, estado e país não deve ser nada fácil. Mas sabe o que ele disse no final? ‘Tudo bem, eu sei que é para o seu futuro. E prometo que te espero.’ Me deu um beijinho, se levantou e saiu. Ok. Admito eu chorei também em casa abraçada com meu travesseiro e um pote de sorvete de flocos do meu lado. Na verdade, pesquisas afirmam que comer doce quando você está mal te ajudam a ficar mais feliz, animada. Só dizem né, porque aquele sorvete todo foi pra minha barriga e infinitas gorduras, e essa triste realidade não é tão animadora.
Enfim, quinta nós fomos almoçar juntos e eu o achei meio estranho, mas imaginei que era ainda do corte que eu dei naquele fofo idiota apaixonante. E mais tarde, à noite ele me ligou pedindo se podia passar aqui na frente de casa pra conversar comigo.
- Pode passar sim, mas ta tudo bem amorzinho?
- Hum, daqui a cinco minutos eu apareço aí ok, Su?
- Ok.
Ta, a voz dele me deixou um pouco preocupada, ele estava tão sério e seco que até deu a impressão que ele tinha matado alguém. E outra ele não me chamou de ‘amor’ ou algo carinhoso, me chamou do que meu avô chama quando precisa de uma nova xícara de chá, simplesmente berra ‘Su’.
É claro que cinco minutos depois ele apareceu, ele não ia me deixar esperando, ele é apaixonante lembra?!
Era a primeira vez que ele entrava em minha casa, nós nem tínhamos chegado a fazer nada, porque claro, ele não era desses tipos de cara que só querem uma coisa quando te conhecem e pedem seu telefone.
Então, ele sentou no sofá e pediu pra eu me sentar na poltroninha que ficava na frente (aliás, uma pechincha que eu tinha achado em um brechó, era de veludo vermelha super confortável e ainda combinava com a decoração que eu dei um duro danado pra conseguir deixá-la perfeita).
- Ta Julliano, o que é de tão sério que tens pra me falar?
- Então, eu senti que eu precisava te falar antes que tu soubesses por outra pessoa.
- Hum... Então diz de uma vez, tais me deixando nervosa desse jeito com esse suspense todo!
- É que ontem, eu saí com uns amigos meus e bem, acabei ficando com um cara.
É isso aí campeão. UM CARA. Eu comecei a rir, achei que fosse uma piada, e é claro que não era, é a minha vida que estamos tratando.
- Porque você riu? - fez cara de indignado.
- Ah, sei lá, achei que tu gostasses de mulher oras, afinal é isso que eu sou.
Admito que fui ignorante total, mas cara, o MEU homem perfeito tava falando com cara de apaixonado de OUTRO homem, dá um tempo.
- Eu também não sabia que eu gostava de homens. Mas eu me apaixonei por ele, Susan. E eu vou levar ele pro casamento da minha irmã.
E ele abriu um sorriso bem grande todo feliz pra mim. Bem que eu achei estranho tudo estar tão perfeito. Mas fazer o que, só outra paródia bizarra pra minha vida bizarra. E cara, com aquele rostinho, voce não consegue ficar braba ou chorar de desespero... Eu o abracei e desejei tudo de melhor, pros dois. Levei-o até a porta, e fiquei espiando pra ver quem era o cara que roubou o MEU perfeito. E HAHA ADIVINHA QUEM ERA?
Era o John. Sim, o vocalista que eu tinha pegado no mesmo dia que peguei o Julliano. Mereço? Não.
Enfim, a vida continua né.
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- Ai, será que eu respondo?
- Sim né Lúcia Maria, o que tem em ser legal com o pobre do guri?
- É... verdade!
Ela me ouviu e bom, em duas semanas eles já estão quase se casando. Ok, exagerei, mas estão bem apaixonadinhos... coisa que eu desconheço. Não que eu nunca tenha gostado de alguém! Não, eu não tenho uma pedra no lugar do coração, mas faz muito tempo que eu nem sei o que é sentir algo de verdade por alguém e ser correspondida. Só pra ter noção, a última vez que eu gostei de alguém mesmo, ele gostava de uma amiga dele, que não dava a mínima, mas ele se tocou do que a palhaça aqui sentiu por ele em seis meses? haha que pergunta estúpida.
Mas voltando ao dia de hoje, que vamos sair, eu, Lúcia, Bruno (seu mais novo namorado), Miranda e sua namorada, a Marina. Nós entramos no carro, Miranda dirigindo Marina no banco da frente e eu lá atrás com o outro casal. Que maravilha né? É, imagino que deva estar se perguntando, porque diabos eu estava saindo com dois casais se eu sou solteira sem nenhum castiçal nas mãos. Mas é que eu já tinha comprado ingresso para aquele show e como já estavam todos esgotados, não deu tempo pra que eu arranjasse alguém solteiro E que gostasse da banda pra ir junto comigo. Aí eu encarei... eu amava aquela banda e estava esperando pra ir ao show há meses, não ia deixar de ir só porque eu sou encalhada e minhas amigas não.
Acho que o pior de estar do lado da Lú e o do Bruno foi quando eles decidiram aproveitar que tinha fila de uma hora até chegar no lugar e começaram a se pegar do meu lado. DO MEU LADO. Que situação cara, me segurei pra não cutucar eles e falar ‘dá pra ter um pouco de respeito com a coitada aqui?’ mas eu não sou tão idiota ao ponto de ser babaca assim. E ah, o banco era confortável então só me virei o máximo que eu podia e fiquei olhando pela janela a chuva caindo. Sim, além do mais estava chovendo, mas até que estava fraquinha só o vento que acabava com tudo... Felizmente o show ia ser em lugar fechado.
Chegamos lá e a banda ainda ia se apresentar depois de duas outras que eram daqui mesmo. Fui até o bar, comprei uma bebida e voltei onde minhas adoráveis companhias estavam, os quatro abraçados ouvindo a música bonitinha que o vocalista gostoso estava cantando. Eu olhei a situação e deu uma vontade imensa de rir da minha cara, porque cara, qual é? Eu estava ali do lado de dois casais e não conseguia achar UM amigo ou amiga lá dentro, a única coisa que eu podia fazer era ficar ali parada com cara de otária no meio dos quatro, bebendo e babando pelo vocalista. Acho que a Marina viu que eu estava ali sem saber se ria ou chorava e perguntou se eu queria conhecer o vocalista (ah é, a música bonitinha tinha acabado e Miranda tinha ido ao bar) e bom, eu pensei ‘tá ou eu fico com os casais e passo a noite desagradavelmente me lembrando do quanto eu sou rejeitada pela parte masculina dessa cidade ou eu tento conhecer pessoas novas, forçadamente, mas fazer o que’.
- Ah Marina eu quero sim, não quero atrapalhar vocês aqui... (meu Deus como eu me sentia patética)
- Tudo bem Susan, vou chamar o John aqui! JOOOHN!
Aquele cara com All Star preto, camiseta meio apertada e olhos verdes veio vindo sorrindo todo querido... e nós acabamos conversando e bom, ficando. Mas aí é que ta, o que sempre acontece. O cara fica comigo e sai, ele SAI. Novamente eu estava ali, sozinha, porque dessa vez eu tinha me perdido legal dos casais que no momento eu daria tudo pra estar no meio deles com cara de otária encalhada. Aí decidi sentar no bar e ficar vendo a banda tocar dali, já que a minha preferida daqui a pouco iria se apresentar. Enquanto eu ficava ali ouvindo a música que ao menos era ótima, eu fiquei analisando as pessoas do lugar. A maioria era de estilo alternativo e muitas delas se vestiam muito bem, quer dizer, pelo menos no meu conceito de moda. Mas o que eu quero deixar claro é: por que a maioria dos homens quando estão com as namoradas te secam? Cara, super falta de respeito! Ta que eles não estão mortos e olhar não tira pedaço, mas podia ao menos respeitar as namoradas que estão ali do lado deles abraçadinhas e apaixonadas.
- Não tais nem me vendo?
Arrancada bruscamente dos meus pensamentos indignados nem tinha percebido o cara que tinha sentado do meu lado e estava tentando falar comigo um tempão. Ele era alto, cabelos castanhos meio encaracolados e um piercing na boca que era extremamente grande.
- Ah, desculpa... eu estava viajando hahaha - eu sempre fico sem graça na frente desses tipos que me tiram do sério, saco.
- Hmm. E sobre o que você estava pensando?
- Sobre a infidelidade de alguns homens, e essas coisas chatas pra se fal... - Ah não é chato, é um assunto interessante, qual sua opinião sobre isso?
Pois é ele REALMENTE queria saber o que eu pensava sobre um assunto desses.
- Bom, pra começar muitos caras não respeitam as namoradas quando estão com elas... encaram as outras gurias que passam por aí sem um pingo de vergonha na cara!
- Mas depende do cara, porque tem vários que são fiéis e com vergonha na cara. Só que você sabe que quando a guria é muito linda é inevitável não olhar pra ela. - é... nessa hora eu já devia estar um pimentão.
- Aaaah hahahaha - não preciso comentar a minha resposta.
- Bem, meu nome é Julliano e o seu?
Aí ele abriu um sorriso que eu quase caí da cadeira e eu não estava bêbada portanto sabia exatamente o quanto ele era bonito, bem arrumado e como tinha dentes tão bem alinhados e brancos. Respondi meu nome e continuamos conversando, e incrivelmente ele não tentou me beijar antes de saber tudo o que eu pensava sobre política, música e artes. Eu não estava acreditando, como ele podia ser lindo, intelectual, engraçado e estar ali comigo... chegaram muitas gurias em cima dele, óbvio, mas chegaram mesmo! Teve uma que até deu um beijo no pescoço dele, mas acho que aquela ali era a mais bêbada perto das outras que tentaram pegar ele, sim elas tentaram pegar ele ali na minha frente, como essas mulheres estão saidinhas hoje em dia né? Jesus! Ele tinha 20 anos, só dois anos mais velho que eu e estava fazendo faculdade de relações internacionais. Ao mesmo tempo em que ele sabia de política, ele sabia de música. Ah é, já falei de como ele estava vestido? Camisa xadrez vermelha, calça jeans e um all star preto, igual ao vocalista da banda que eu já tinha ficado naquela noite. Acabou que finalmente ele me beijou, e eu virei uma poça. Ta não derreti literalmente, maaas fiquei caidinha por ele. Ele pegou o número do meu celular e prometeu que iria me ligar de novo. Com toda o histórico da minha vida amorosa eu nem acreditei muito na possibilidade dele querer me ver de novo. Porque afinal eu nem era muito bonita, nem muito magra e nem muito interessante. Engraçada um pouco, sim, mas e isso faz alguma diferença? Enfim, minha banda favorita tinha acabado de tocar e eu achei as gurias, o Bruno teve que ir embora mais cedo por causa da prima dele... uns problemas lá que a Lú me contou depois. Pegamos o carro e Miranda deixou eu e a Lú na minha casa. Claro que como boa solteira pós-festa contei do vocalista e do Juliano e ela me contou do Bruno e essas coisas de menina apaixonada, sabe como é, eu não sei mas talvez você saiba.
No outro dia, às duas da tarde, eu acordei com meu celular tocando alto.
CAPÍTULO II – AS APARÊNCIAS ENGANAM
- ... oi? - eu disse com voz de sono mais na cara impossível.
- Ah oi! É o Julliano, quem ta falando?
"MEU DEUS!" eu pensei. Ele realmente ligou, até me belisquei pra ver se eu tava acordada.
- Oi! É a Susan sim... tudo bem?
- Tudo sim e aí? Lembras de mim né? - risada fofa.
- Tudo sim, e é óbvio que eu lembro - dei uma risada de abobada.
- Então... eu estava pensando em sair hoje, o que você acha?
- Ah, não sei... - hey, todo mundo tem direito de fazer um doce ás vezes.
- Pensei em sei lá, ir numa sorveteria agora a pouco, pode ser?
- Humm, ah tudo bem!
Marcamos de ir a uma sorveteria aqui perto de casa e nos encontramos lá meia hora depois. Chegando lá conversamos, descobrimos que tínhamos o mesmo gosto pra doces, ficamos e por um momento eu pensei que finalmente eu tinha encontrado O cara. Ele era perfeito, não gostava muito de bebidas, tinha um plano de futuro na cabeça e ainda se vestia bem e escutava músicas boas! E sabe aquelas horas que tu pára e vê como a sua vida é boa? Quer dizer, eu estudava em uma das melhores faculdades do país, tinha uma boa saúde, boas amigas e família que me apoiava total.
Enfim, acabamos saindo à noite e no resto das três semanas que se passaram nos falamos, ou por telefone ou nós almoçávamos juntos, já que nossas faculdades ficavam próximas. E sabe como é, eu já estava apaixonada por ele, porque quando você é uma otária que nunca namorou, fica caidinha rapidinho por caras sem defeitos como o Julliano. Não que eu esteja me queixando, ah não, quem não daria tudo para se apaixonar por alguém sem defeitos e que parece te colocar em um pedestal? Enfim, cheguei à sala na segunda de manhã e a Flávia veio correndo me contar as novidades: eu ia viajar uma semana para INGLATERRA! É que no mês passado todos da minha sala de curso de moda tiveram um mini concurso para fazer cinco peças como se fossem da sua linha de roupas, e eu fui uma das únicas meninas que conseguiram acabar a tempo. A viagem seria na semana que vem e o grupo que ia era eu, a Flávia e o Roberto, um amigo nosso que também fazia moda.
E cara, eu estava com o Julliano ou não? Conversando com minhas amigas, elas achavam que sim, pois todo santo dia a gente se falava e se via. Na segunda de tarde liguei pra ele. A gente precisava se ver.
Quando ele me viu veio e me deu um abraço que ai, deu vontade de levar ele pra casa como um ursinho fofo e pôr em cima da cama. Antes que eu começasse a contar da minha viagem ele disse todo empolgado:
- Amor, tenho que te contar! Minha irmã vai se casar semana que vem, e eu queria que tu fosse comigo! Vai ser na Itália e eu queria te apresentar pra família toda, o que você acha da idéia?
Agora me diga, eu devo ter atirado pedra na cruz, certo?
- Ah Julliano isso é ótimo! Mas... Eu preciso te contar uma coisa.
E fiz a melhor cara de cachorro sem dono que eu consegui. E quer saber? Ele QUASE CHOROU. Poxa, fiquei muito mal em ter que dizer que ao invés de ir pra Itália conhecer a família dele e ficar com ele aquele tempo todo naquele lugar mais lindo eu estaria na Inglaterra trabalhando feito uma louca pra conseguir uma carreira e uma boa imagem. E imagina o quanto ele deve ter tomado coragem pra decidir uma coisa dessas? Hoje em dia apresentar alguém pra sua família em outra cidade, estado e país não deve ser nada fácil. Mas sabe o que ele disse no final? ‘Tudo bem, eu sei que é para o seu futuro. E prometo que te espero.’ Me deu um beijinho, se levantou e saiu. Ok. Admito eu chorei também em casa abraçada com meu travesseiro e um pote de sorvete de flocos do meu lado. Na verdade, pesquisas afirmam que comer doce quando você está mal te ajudam a ficar mais feliz, animada. Só dizem né, porque aquele sorvete todo foi pra minha barriga e infinitas gorduras, e essa triste realidade não é tão animadora.
Enfim, quinta nós fomos almoçar juntos e eu o achei meio estranho, mas imaginei que era ainda do corte que eu dei naquele fofo idiota apaixonante. E mais tarde, à noite ele me ligou pedindo se podia passar aqui na frente de casa pra conversar comigo.
- Pode passar sim, mas ta tudo bem amorzinho?
- Hum, daqui a cinco minutos eu apareço aí ok, Su?
- Ok.
Ta, a voz dele me deixou um pouco preocupada, ele estava tão sério e seco que até deu a impressão que ele tinha matado alguém. E outra ele não me chamou de ‘amor’ ou algo carinhoso, me chamou do que meu avô chama quando precisa de uma nova xícara de chá, simplesmente berra ‘Su’.
É claro que cinco minutos depois ele apareceu, ele não ia me deixar esperando, ele é apaixonante lembra?!
Era a primeira vez que ele entrava em minha casa, nós nem tínhamos chegado a fazer nada, porque claro, ele não era desses tipos de cara que só querem uma coisa quando te conhecem e pedem seu telefone.
Então, ele sentou no sofá e pediu pra eu me sentar na poltroninha que ficava na frente (aliás, uma pechincha que eu tinha achado em um brechó, era de veludo vermelha super confortável e ainda combinava com a decoração que eu dei um duro danado pra conseguir deixá-la perfeita).
- Ta Julliano, o que é de tão sério que tens pra me falar?
- Então, eu senti que eu precisava te falar antes que tu soubesses por outra pessoa.
- Hum... Então diz de uma vez, tais me deixando nervosa desse jeito com esse suspense todo!
- É que ontem, eu saí com uns amigos meus e bem, acabei ficando com um cara.
É isso aí campeão. UM CARA. Eu comecei a rir, achei que fosse uma piada, e é claro que não era, é a minha vida que estamos tratando.
- Porque você riu? - fez cara de indignado.
- Ah, sei lá, achei que tu gostasses de mulher oras, afinal é isso que eu sou.
Admito que fui ignorante total, mas cara, o MEU homem perfeito tava falando com cara de apaixonado de OUTRO homem, dá um tempo.
- Eu também não sabia que eu gostava de homens. Mas eu me apaixonei por ele, Susan. E eu vou levar ele pro casamento da minha irmã.
E ele abriu um sorriso bem grande todo feliz pra mim. Bem que eu achei estranho tudo estar tão perfeito. Mas fazer o que, só outra paródia bizarra pra minha vida bizarra. E cara, com aquele rostinho, voce não consegue ficar braba ou chorar de desespero... Eu o abracei e desejei tudo de melhor, pros dois. Levei-o até a porta, e fiquei espiando pra ver quem era o cara que roubou o MEU perfeito. E HAHA ADIVINHA QUEM ERA?
Era o John. Sim, o vocalista que eu tinha pegado no mesmo dia que peguei o Julliano. Mereço? Não.
Enfim, a vida continua né.

