A esperança é a Útltima que morre II - Encontros e Desencontros
Autora: Rô Poynter
Status: Em Andamento
Revda por: Luiza Caminada
Categoria: Dougie Fics
Sub-Categoria: Romance, comédia e drama / LongFic
Comentários:
Prólogo
E aquele dia foi ao mesmo tempo o pior e o melhor da minha vida.
START FLASHBACK
No meio da madrugada me deu um desejo insano de comer sorvete de graviola com caramelo e damasco. Eu sei que é estranhamente nojento, mas eu estava grávida, poxa. Então eu resolvi acordar o Dougie:
- Amor, hey, Dougie. – eu chamava e o infeliz não acordava. Tive que ficar chacoalhando ele, mas nada da criatura voltar à vida – Dougie, acorda CARALHO!
- Humm...
- A-COR-DA!
...
- AAAAA!! SEUS FILHOS TÃO NASCENDO!!! – ele levantou com um pulo, os olhos arregalados. - Onde?! Onde?! Já... ai... calma eu vou... eu vou...
Eu estava rindo demais.
- Calma... não vai... nossa, ai...
Daí ele parou e me encarou.
- Do que você está rindo? Seus filhos vão nascer e você rindo aí.
E eu continuei rindo loucamente.
- Dougie! Desculpa, amor, ai, mas... – pausa para respirar – Eles não estão nascendo, é que você não acordava – consegui falar sem rir. Por um tempo meu acesso de riso voltou quando eu vi a cara de cu que ele fez.
- COMO É QUE VOCÊ ME ACORDA NO MEIO DA MADRUGADA PRA RIR DA MINHA CARA? Por que não cresce, ?
Eu, que estava rindo, fiz cara de (quase) séria e disse:
- Porque eu estou grávida e tô com uma vontade fudida de...
- De quê? O que você quer? – ele estava com cara de idiota.
- ... de tomar sorvete de graviola com caramelo e damasco.
Ele me olhou por um tempo e começou a rir escandalosamente.
- Idiota. Para de rir. Tenho cara de palhaça por acaso?
- E existe esse sabor de sorvete? Que nojo, . Eca. Não acredito que casei com uma nojenta.
Agora era minha vez de fazer cara de cu.
- Eu tô grávida, seu doente. Eu tenho desejos, por mais que eles sejam estranhos e incomuns e... ah, isso não vem ao caso. E eu não fico reclamando por ter casado com um bêbado, fico?
- Eu. Não. Sou. Bêbado. – ele disse pausadamente. Sinal de nervosismo.
Alguém se estressou.
- Dougie, eu não tô brincando. A sua banda está indo de vento em polpa, mas você sai pra beber e acha que está tudo ótimo, porém nada está bem. Nada. Agora você pode ir buscar o sorvete ou eu vou ter que ir?
- Se quiser comer essa porcaria pode ir. Eu não reclamo quando você mexe nas MINHAS coisas, arruma MEU guarda-roupa, quando dá palpite nas músicas da banda... EU te sustento, EU que pago as contas e você só fica aqui na MINHA casa mexendo nas MINHAS coisas. Então, você que se vire.
- Dougie, você que me pede ajuda nas músicas. Eu arrumo suas coisas porque tento fazer o melhor. Eu não quis esses filhos, você sabe disso. Não importa o que você diga, é sim o pai e vai cumprir suas responsabilidades. Quem foi que me pediu em casamento? Eu vou comprar meu sorvete sim. Vou de metrô e estou torcendo para ser estuprada.
- Não vou fugir das minhas responsabilidades – ele falava baixo e estava claramente irritado – Tanto que eu ainda estou aqui, ouvindo esse monte de merda. Quer saber? Tomara que isso aconteça.
Ele deitou de costas pra mim.
- Tchau. Eu quero muito que você pare de ser criança. Eu vou criar a Annie e o Miguel sem pai, porque não quero que você esteja comigo se está sendo obrigado a isso.
- Então já devia ter ido embora.
Eu peguei minha bolsa, tinha me vestido no meio da confusão.
Eram quatro da manhã, o metrô e as ruas estavam vazios. Eu desci as escadas e quando cheguei na plataforma senti um pouco de vertigem, mas não dei muita importância. Eu ficava enjoada com frequência. Só havia um guarda e umas duas pessoas. Eu ainda estava abalada com o que o Dougie tinha dito, mas as vertigens e enjoos estavam mais fortes e estavam me preocupando, por isso tentei ligar pra ele umas duas vezes. Nada. Comecei a refletir sobre aquela briga. Dizem que quando as pessoas estão nervosas elas falam coisas sem pensar, mas esse “sem pensar” tem sempre uma verdade no fundo.
Bem no fundo.
Meu pensamento foi interrompido por uma tontura e eu quase caí, mas me apoiei na parede. Andei mais um pouco e senti algo molhado nas minhas pernas, e dores fortes. Olhei pra baixo e vi que a bolsa tinha estourado. Não deu nem tempo nem de entrar em pânico. Desmaiei.
~Dougie’s POV on~
O telefone tocou de novo. Devia ser a , ela tinha me ligado umas duas vezes só que eu não queria atender. Ele tocou de novo e eu estava ficando irritado, resolvi atender. Vi o número, não era ela. Atendi me perguntando qual retardado me ligaria aquela hora. Cinco da manhã. Um sonâmbulo, talvez.
- Alô?
- Alô, boa noite, o senhor conhece alguma ? – o cara era educado, por algum motivo isso me preocupou.
- Conheço sim, por quê?
- Recebemos um chamado de emergência e a encontramos desmaiada no metrô. A bolsa tinha estourado...
- Espera. Desmaiada? E como conseguiu meu número?
- Sim, desmaiada. Foi a última ligação que ela tinha feito e estava identificado como “casa”, então ligamos para o senhor. O senhor tem algum parentesco com ela? – perguntou o cara e eu deduzi ser um enfermeiro. A essa altura eu já estava pegando as minhas roupas. Queria chegar ao hospital o mais rápido possível.
- Onde ela está agora?
- No hospital central, senhor. Poderia me passar os dados...
Eu desliguei o telefone, pouco me importando com os dados. Corri até meu carro e aquela porcaria estava sem gasolina. Muito legal. Por sorte o carro da estava com combustível, ela estava sem dirigir por conta da gravidez. Peguei as chaves, mas a porta resolveu que não ia abrir. Tudo dando certo.
Consegui abrir a bendita porta. Entrei no carro e coloquei a chave na ignição, tentei ligá-lo três vezes até que na quarta tentativa ele deu sinal de vida. Acelerei e cheguei ao hospital em exatos 17 minutos. Eu estava correndo a 80 km/h, devo ter sido multado umas duas vezes. Corri até o balcão de atendimento para saber onde ela estava.
- Oi, me ligaram avisando que a minha esposa deu entrada aqui. – disse, ofegante pela corrida.
- Como é o nome dela? - perguntou a senhora, simpática.
- ... Poynter. Mas ela deve estar com o nome de solteira na identidade, não teve tempo de trocar. . Tenta . Ela foi encontrada no metrô e... grávida de gêmeos, um casal. Miguel e Annie. – eu cuspia as palavras. Não sei por que, mas eu falei tudo e um pouco mais.
- Hmm, okay, a menina grávida. Ela está em trabalho de parto agora, o médico acabou de passar com ela para a sala de cirurgia.
- A ela está... espera, cirurgia? - perguntei, porque eu achava que ela iria pra aquela sala pra essas coisas de parto.
- Sim. – disse a moça – Ela estava desmaiada e sem condições de entrar num parto normal, e um dos bebês, a menina, está enrolada no cordão umbilical. O parto vai ser cesariana.
Eu fiquei tonto.
estava desmaiada. Minha filha corria risco de vida. Tudo minha culpa, devia ter estado com ela. Minhas pernas enfraqueceram.
Ouvi a mulher chamando: “Senhor, você está bem?’’. Só deu tempo de pensar: “Claro que não, idiota’, e desmaiei.
Caí com um doloroso BUM, e não vi mais nada.
***
Acordei com uma puta dor nas costas, na bunda e no pé. Por que no pé? Ergui um pouco a cabeça e me deparei com um quarto branco, com apenas uma cama onde eu estava deitado. Ou era a sala de espera do céu ou era o quarto de um hospital. O céu não podia ser, tinha minhas dúvidas sobre se eu seria aceito lá, então fiquei com a segunda opção.
Falando em hospital, eu tive um pesadelo com a . Ela estava em trabalho de parto antes do tempo.
- Senhor, meu nome é Lindsay e eu sou enfermeira do hospital – disse uma mulher ruiva, alta e muito gostosa. Hospital + enfermeira + gêmeos = sonho que não foi sonho e nem pesadelo.
Eu não queria saber de nada. Levantei, mesmo com dor de cabeça, e fui procurar a . Entrei no quarto em que a estava. Me senti aliviado ao vê-la dormindo.
Tive tanto medo do que poderia ter acontecido que em vê-la bem já era uma das melhores coisas.
Sentei ao lado dela e fiquei acariciando sua bochecha, então adormeci.
Acordei com a se mexendo, levantei e fiquei esperando-a acordar. Ela abriu seus olhos verdes e depois de um tempo me focalizou.
- Dougie – ela chamou.
- Oi – eu não ia chorar, eu não ia chorar... – eu... me desculpe por... – é, eu estava chorando.
- Shiii, tudo bem... – encostei nossas testas.
- Tive tanto medo de te perder, de perder você e as crianças. – eu a beijei, precisava senti-la. Nos olhamos por um segundo, e ela sorriu.
- Sabe, me disseram que você desmaiou – ela riu.
- Pois é. – eu ri – É, eu fui um gay.
Nessa hora, Lindsay entrou no quarto com dois berços (com rodinhas).
- Aqui estão, Annie e Miguel - disse ela sorrindo. abriu um sorriso de orelha a orelha. Aparentemente meus olhos brilharam.
- Meus anjinhos – disse, tentando se levantar da cama.
- Opa, opa! A mocinha fica quietinha, seu namorado pega os bebês. Você fez muito esforço, tem que descansar – disse a linda moça conhecida como Lindsay. Pera, eu falei linda e não gostosa? Gay...
- Marido – corrigiu .
- Desculpa?! – perguntou, com uma interrogação praticamente estampada no meio da cara, a enfermeira gostosa.
- Ele é meu marido – respondeu , mostrando a aliança.
Para TU-DO.
CADÊ A MINHA ALIANÇA?
- Sinto muito, não reparei na aliança - disse Lindsay, e me olhou de lado pra depois sair com cara estranha.
- Dougie, cadê sua aliança? – perguntou , reparando no meu dedo anelar depois de olhar pra cara feia que Lindsay tinha feito antes de sair.
- Eu... Eu devo ter deixado no quarto, tiraram pra fazer um raio-X do meu pé que eu torci quando caí. - essa parte é verdade, tá bom?
- Ah... – ela parecia desconfiada, mas logo voltou a sorrir, então eu me despreocupei – São lindos, não são?
- São perfeitos, o menino tem seus olhos. - sorri, olhando pra ela.
- E a menina é a sua cara.
- É mesmo, sorte dela – falei, fazendo cara de convencido. riu.
- Sorte mesmo – ela me beijou e eu queria que aquilo durasse pra sempre.
Vocês realmente não fazem ideia do que acontece daqui pra frente.
Capítulo 1 – A Festa
- ! – chamei. Ela ficava fazendo coisas na cara do Miguel, deu até dó do meu filho.
- Diga? – ela falou, agora me olhando – Fala, Dougie! – ela praticamente gritou. Fico imaginando se estivéssemos em um taxi ou em um ônibus, qualquer um com algo no meio das pernas me chamaria de cachorrinho treinado.
- Calma, marida, quero te avisar que minha mãe me ligou agora há pouco, enquanto você falava com o médico sobre os bebês-lindos-e-que-serão-gostosos-como-o-pai, e ela disse, mentira, ela gritou como uma histérica e deu até para ouvir ela correndo pela casa, que vai preparar uma festa para a chegada do Miguel e da Annie. Acho que a festa vai ser amanhã, até porque se for hoje eu não vou, afinal de contas, eu tô muito cansado e você provavelmente está também... Claro que está, você quase perdeu dois filhos e deu a luz a gêmeos, se você não está cansada é porque é um mutante, o que me leva a crer que eu casei com um ser de Marte...
- Dougie, meu amor lindo e gostoso, cala a boca, ou resume essa merda de diálogo. Obrigada desde já.
- Grossa.
- Gay.
- Não precisa jogar na cara e espalhar para o mundo, minha opção sexual só depende de mim e de mais ninguém, tá?!
- Tá bom, Dougie, agora fala tudo o que você disse antes, mas só a parte importante.
- TUDO BEM – gritei sim, me processem – A minha mãe, sua sogra, vai dar uma festa para comemorar a chegada do Miguel e da Annie. , você já percebeu que Miguel é nome de anjo?
- Que legal! Depois eu ligo para ela, para decidir como vai ser... E sim, eu já percebi, é um nome lindo. Ser de um anjo só o torna mais bonito e com um significado mais significativo.
- ... – se você, querido (a) leitor (a), entendeu, me explique. Como o significado pode ser significativo? Eis a questão. BHASKARA ME AJUDA. [N/A: não, eu não sou idiota, eu sei que Bhaskara é o carinha da matemática, mas o Dougie não sabe (Y) kkk]
- Dougie, você entendeu?
- Ainda bem que você perguntou, porque eu não entendi.
- Eu quero dizer que o nome Miguel é de anjo, mas por ser anjo não quer dizer que é ruim, quer dizer que é bom, é até melhor, entendeu?
- Entendi, meu amor, eu entendi. - agora eu entendi, o cara aqui manja, vai zoando, eu sou Pop e Zica da balada. FUCK YEAH!
- Ótimo, porque Annie também é nome de anjo, no Brasil significa Ana.
- NOSSAAAAAAAAAAAAAAAAAA, QUE LEGAL, COMO VOCÊ SABE????? – PUTA MERDA, a minha esposa sabe essa coisas e nunca me fala? Como pode, meu Deus? Como?
- Primeiro e mais importante: eu sou brasileira – cara de ódio dela, cara de bunda minha. Eu esqueci desse detalhe, me processem. Sinto que ao fim dessa história vou ter que frequentar o tribunal diariamente.
- Desculpe.
- Tudo bem... – a Annie começou a se mexer no meu colo e de uma hora para outra começou a chorar. – Que linda minha bebezinha, ela deve estar com fome... Vamos trocar, você fica com o Miguel enquanto eu amamento a garotinha aí.
- Tá bom – trocamos com muita dificuldade. A Annie foi para o colo da e o Miguel veio para o meu. Acredite, a dando de mamar para a minha filha é uma puta prova de resistência. Por que tanta beleza, meu Deus? Agora você se imagina na minha situação: sua esposa, linda por sinal, no seu carro (ainda não tínhamos dado a partida), com o seio para fora do sutiã, aquele que ela praticamente nunca usa, e uma bebê – chupando - ele. Volume da calça grande demais para um minuto só. Merda, acho que ela percebeu, ela está rindo. Mentira, ela está gargalhando, ficando roxa, meu Deus, ajudem ela!!!
- Dougie Poynter, como você é previsível. Olha para você, correção, olha para as suas calças, que merda é essa?
- Me deixa, a culpa não é minha, é sua. – ela realmente percebeu, momento constrangedor.
- MINHA? Que calúnia!
- Claro, a moça bonita aqui é você, sua besta.
- Own, que bom que você me acha bonita. Imagina se não achasse, te bateria até a morte.
- Você me dá medo às vezes.
- Claro que não.
A Annie ficou mamando por mais alguns minutos. Onde ela achou tanta fome eu não sei. A se acomodou com os dois no colo - minha esposa é Ninja - e eu dirigi até em casa. Dessa vez o carro abriu a porta na primeira tentativa e ligou na primeira também, ou seja, EU sou o ninja da relação.
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E aquele dia foi ao mesmo tempo o pior e o melhor da minha vida.
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No meio da madrugada me deu um desejo insano de comer sorvete de graviola com caramelo e damasco. Eu sei que é estranhamente nojento, mas eu estava grávida, poxa. Então eu resolvi acordar o Dougie:
- Amor, hey, Dougie. – eu chamava e o infeliz não acordava. Tive que ficar chacoalhando ele, mas nada da criatura voltar à vida – Dougie, acorda CARALHO!
- Humm...
- A-COR-DA!
...
- AAAAA!! SEUS FILHOS TÃO NASCENDO!!! – ele levantou com um pulo, os olhos arregalados. - Onde?! Onde?! Já... ai... calma eu vou... eu vou...
Eu estava rindo demais.
- Calma... não vai... nossa, ai...
Daí ele parou e me encarou.
- Do que você está rindo? Seus filhos vão nascer e você rindo aí.
E eu continuei rindo loucamente.
- Dougie! Desculpa, amor, ai, mas... – pausa para respirar – Eles não estão nascendo, é que você não acordava – consegui falar sem rir. Por um tempo meu acesso de riso voltou quando eu vi a cara de cu que ele fez.
- COMO É QUE VOCÊ ME ACORDA NO MEIO DA MADRUGADA PRA RIR DA MINHA CARA? Por que não cresce, ?
Eu, que estava rindo, fiz cara de (quase) séria e disse:
- Porque eu estou grávida e tô com uma vontade fudida de...
- De quê? O que você quer? – ele estava com cara de idiota.
- ... de tomar sorvete de graviola com caramelo e damasco.
Ele me olhou por um tempo e começou a rir escandalosamente.
- Idiota. Para de rir. Tenho cara de palhaça por acaso?
- E existe esse sabor de sorvete? Que nojo, . Eca. Não acredito que casei com uma nojenta.
Agora era minha vez de fazer cara de cu.
- Eu tô grávida, seu doente. Eu tenho desejos, por mais que eles sejam estranhos e incomuns e... ah, isso não vem ao caso. E eu não fico reclamando por ter casado com um bêbado, fico?
- Eu. Não. Sou. Bêbado. – ele disse pausadamente. Sinal de nervosismo.
Alguém se estressou.
- Dougie, eu não tô brincando. A sua banda está indo de vento em polpa, mas você sai pra beber e acha que está tudo ótimo, porém nada está bem. Nada. Agora você pode ir buscar o sorvete ou eu vou ter que ir?
- Se quiser comer essa porcaria pode ir. Eu não reclamo quando você mexe nas MINHAS coisas, arruma MEU guarda-roupa, quando dá palpite nas músicas da banda... EU te sustento, EU que pago as contas e você só fica aqui na MINHA casa mexendo nas MINHAS coisas. Então, você que se vire.
- Dougie, você que me pede ajuda nas músicas. Eu arrumo suas coisas porque tento fazer o melhor. Eu não quis esses filhos, você sabe disso. Não importa o que você diga, é sim o pai e vai cumprir suas responsabilidades. Quem foi que me pediu em casamento? Eu vou comprar meu sorvete sim. Vou de metrô e estou torcendo para ser estuprada.
- Não vou fugir das minhas responsabilidades – ele falava baixo e estava claramente irritado – Tanto que eu ainda estou aqui, ouvindo esse monte de merda. Quer saber? Tomara que isso aconteça.
Ele deitou de costas pra mim.
- Tchau. Eu quero muito que você pare de ser criança. Eu vou criar a Annie e o Miguel sem pai, porque não quero que você esteja comigo se está sendo obrigado a isso.
- Então já devia ter ido embora.
Eu peguei minha bolsa, tinha me vestido no meio da confusão.
Eram quatro da manhã, o metrô e as ruas estavam vazios. Eu desci as escadas e quando cheguei na plataforma senti um pouco de vertigem, mas não dei muita importância. Eu ficava enjoada com frequência. Só havia um guarda e umas duas pessoas. Eu ainda estava abalada com o que o Dougie tinha dito, mas as vertigens e enjoos estavam mais fortes e estavam me preocupando, por isso tentei ligar pra ele umas duas vezes. Nada. Comecei a refletir sobre aquela briga. Dizem que quando as pessoas estão nervosas elas falam coisas sem pensar, mas esse “sem pensar” tem sempre uma verdade no fundo.
Bem no fundo.
Meu pensamento foi interrompido por uma tontura e eu quase caí, mas me apoiei na parede. Andei mais um pouco e senti algo molhado nas minhas pernas, e dores fortes. Olhei pra baixo e vi que a bolsa tinha estourado. Não deu nem tempo nem de entrar em pânico. Desmaiei.
~Dougie’s POV on~
O telefone tocou de novo. Devia ser a , ela tinha me ligado umas duas vezes só que eu não queria atender. Ele tocou de novo e eu estava ficando irritado, resolvi atender. Vi o número, não era ela. Atendi me perguntando qual retardado me ligaria aquela hora. Cinco da manhã. Um sonâmbulo, talvez.
- Alô?
- Alô, boa noite, o senhor conhece alguma ? – o cara era educado, por algum motivo isso me preocupou.
- Conheço sim, por quê?
- Recebemos um chamado de emergência e a encontramos desmaiada no metrô. A bolsa tinha estourado...
- Espera. Desmaiada? E como conseguiu meu número?
- Sim, desmaiada. Foi a última ligação que ela tinha feito e estava identificado como “casa”, então ligamos para o senhor. O senhor tem algum parentesco com ela? – perguntou o cara e eu deduzi ser um enfermeiro. A essa altura eu já estava pegando as minhas roupas. Queria chegar ao hospital o mais rápido possível.
- Onde ela está agora?
- No hospital central, senhor. Poderia me passar os dados...
Eu desliguei o telefone, pouco me importando com os dados. Corri até meu carro e aquela porcaria estava sem gasolina. Muito legal. Por sorte o carro da estava com combustível, ela estava sem dirigir por conta da gravidez. Peguei as chaves, mas a porta resolveu que não ia abrir. Tudo dando certo.
Consegui abrir a bendita porta. Entrei no carro e coloquei a chave na ignição, tentei ligá-lo três vezes até que na quarta tentativa ele deu sinal de vida. Acelerei e cheguei ao hospital em exatos 17 minutos. Eu estava correndo a 80 km/h, devo ter sido multado umas duas vezes. Corri até o balcão de atendimento para saber onde ela estava.
- Oi, me ligaram avisando que a minha esposa deu entrada aqui. – disse, ofegante pela corrida.
- Como é o nome dela? - perguntou a senhora, simpática.
- ... Poynter. Mas ela deve estar com o nome de solteira na identidade, não teve tempo de trocar. . Tenta . Ela foi encontrada no metrô e... grávida de gêmeos, um casal. Miguel e Annie. – eu cuspia as palavras. Não sei por que, mas eu falei tudo e um pouco mais.
- Hmm, okay, a menina grávida. Ela está em trabalho de parto agora, o médico acabou de passar com ela para a sala de cirurgia.
- A ela está... espera, cirurgia? - perguntei, porque eu achava que ela iria pra aquela sala pra essas coisas de parto.
- Sim. – disse a moça – Ela estava desmaiada e sem condições de entrar num parto normal, e um dos bebês, a menina, está enrolada no cordão umbilical. O parto vai ser cesariana.
Eu fiquei tonto.
estava desmaiada. Minha filha corria risco de vida. Tudo minha culpa, devia ter estado com ela. Minhas pernas enfraqueceram.
Ouvi a mulher chamando: “Senhor, você está bem?’’. Só deu tempo de pensar: “Claro que não, idiota’, e desmaiei.
Caí com um doloroso BUM, e não vi mais nada.
***
Acordei com uma puta dor nas costas, na bunda e no pé. Por que no pé? Ergui um pouco a cabeça e me deparei com um quarto branco, com apenas uma cama onde eu estava deitado. Ou era a sala de espera do céu ou era o quarto de um hospital. O céu não podia ser, tinha minhas dúvidas sobre se eu seria aceito lá, então fiquei com a segunda opção.
Falando em hospital, eu tive um pesadelo com a . Ela estava em trabalho de parto antes do tempo.
- Senhor, meu nome é Lindsay e eu sou enfermeira do hospital – disse uma mulher ruiva, alta e muito gostosa. Hospital + enfermeira + gêmeos = sonho que não foi sonho e nem pesadelo.
Eu não queria saber de nada. Levantei, mesmo com dor de cabeça, e fui procurar a . Entrei no quarto em que a estava. Me senti aliviado ao vê-la dormindo.
Tive tanto medo do que poderia ter acontecido que em vê-la bem já era uma das melhores coisas.
Sentei ao lado dela e fiquei acariciando sua bochecha, então adormeci.
Acordei com a se mexendo, levantei e fiquei esperando-a acordar. Ela abriu seus olhos verdes e depois de um tempo me focalizou.
- Dougie – ela chamou.
- Oi – eu não ia chorar, eu não ia chorar... – eu... me desculpe por... – é, eu estava chorando.
- Shiii, tudo bem... – encostei nossas testas.
- Tive tanto medo de te perder, de perder você e as crianças. – eu a beijei, precisava senti-la. Nos olhamos por um segundo, e ela sorriu.
- Sabe, me disseram que você desmaiou – ela riu.
- Pois é. – eu ri – É, eu fui um gay.
Nessa hora, Lindsay entrou no quarto com dois berços (com rodinhas).
- Aqui estão, Annie e Miguel - disse ela sorrindo. abriu um sorriso de orelha a orelha. Aparentemente meus olhos brilharam.
- Meus anjinhos – disse, tentando se levantar da cama.
- Opa, opa! A mocinha fica quietinha, seu namorado pega os bebês. Você fez muito esforço, tem que descansar – disse a linda moça conhecida como Lindsay. Pera, eu falei linda e não gostosa? Gay...
- Marido – corrigiu .
- Desculpa?! – perguntou, com uma interrogação praticamente estampada no meio da cara, a enfermeira gostosa.
- Ele é meu marido – respondeu , mostrando a aliança.
Para TU-DO.
CADÊ A MINHA ALIANÇA?
- Sinto muito, não reparei na aliança - disse Lindsay, e me olhou de lado pra depois sair com cara estranha.
- Dougie, cadê sua aliança? – perguntou , reparando no meu dedo anelar depois de olhar pra cara feia que Lindsay tinha feito antes de sair.
- Eu... Eu devo ter deixado no quarto, tiraram pra fazer um raio-X do meu pé que eu torci quando caí. - essa parte é verdade, tá bom?
- Ah... – ela parecia desconfiada, mas logo voltou a sorrir, então eu me despreocupei – São lindos, não são?
- São perfeitos, o menino tem seus olhos. - sorri, olhando pra ela.
- E a menina é a sua cara.
- É mesmo, sorte dela – falei, fazendo cara de convencido. riu.
- Sorte mesmo – ela me beijou e eu queria que aquilo durasse pra sempre.
Vocês realmente não fazem ideia do que acontece daqui pra frente.
Capítulo 1 – A Festa
- ! – chamei. Ela ficava fazendo coisas na cara do Miguel, deu até dó do meu filho.
- Diga? – ela falou, agora me olhando – Fala, Dougie! – ela praticamente gritou. Fico imaginando se estivéssemos em um taxi ou em um ônibus, qualquer um com algo no meio das pernas me chamaria de cachorrinho treinado.
- Calma, marida, quero te avisar que minha mãe me ligou agora há pouco, enquanto você falava com o médico sobre os bebês-lindos-e-que-serão-gostosos-como-o-pai, e ela disse, mentira, ela gritou como uma histérica e deu até para ouvir ela correndo pela casa, que vai preparar uma festa para a chegada do Miguel e da Annie. Acho que a festa vai ser amanhã, até porque se for hoje eu não vou, afinal de contas, eu tô muito cansado e você provavelmente está também... Claro que está, você quase perdeu dois filhos e deu a luz a gêmeos, se você não está cansada é porque é um mutante, o que me leva a crer que eu casei com um ser de Marte...
- Dougie, meu amor lindo e gostoso, cala a boca, ou resume essa merda de diálogo. Obrigada desde já.
- Grossa.
- Gay.
- Não precisa jogar na cara e espalhar para o mundo, minha opção sexual só depende de mim e de mais ninguém, tá?!
- Tá bom, Dougie, agora fala tudo o que você disse antes, mas só a parte importante.
- TUDO BEM – gritei sim, me processem – A minha mãe, sua sogra, vai dar uma festa para comemorar a chegada do Miguel e da Annie. , você já percebeu que Miguel é nome de anjo?
- Que legal! Depois eu ligo para ela, para decidir como vai ser... E sim, eu já percebi, é um nome lindo. Ser de um anjo só o torna mais bonito e com um significado mais significativo.
- ... – se você, querido (a) leitor (a), entendeu, me explique. Como o significado pode ser significativo? Eis a questão. BHASKARA ME AJUDA. [N/A: não, eu não sou idiota, eu sei que Bhaskara é o carinha da matemática, mas o Dougie não sabe (Y) kkk]
- Dougie, você entendeu?
- Ainda bem que você perguntou, porque eu não entendi.
- Eu quero dizer que o nome Miguel é de anjo, mas por ser anjo não quer dizer que é ruim, quer dizer que é bom, é até melhor, entendeu?
- Entendi, meu amor, eu entendi. - agora eu entendi, o cara aqui manja, vai zoando, eu sou Pop e Zica da balada. FUCK YEAH!
- Ótimo, porque Annie também é nome de anjo, no Brasil significa Ana.
- NOSSAAAAAAAAAAAAAAAAAA, QUE LEGAL, COMO VOCÊ SABE????? – PUTA MERDA, a minha esposa sabe essa coisas e nunca me fala? Como pode, meu Deus? Como?
- Primeiro e mais importante: eu sou brasileira – cara de ódio dela, cara de bunda minha. Eu esqueci desse detalhe, me processem. Sinto que ao fim dessa história vou ter que frequentar o tribunal diariamente.
- Desculpe.
- Tudo bem... – a Annie começou a se mexer no meu colo e de uma hora para outra começou a chorar. – Que linda minha bebezinha, ela deve estar com fome... Vamos trocar, você fica com o Miguel enquanto eu amamento a garotinha aí.
- Tá bom – trocamos com muita dificuldade. A Annie foi para o colo da e o Miguel veio para o meu. Acredite, a dando de mamar para a minha filha é uma puta prova de resistência. Por que tanta beleza, meu Deus? Agora você se imagina na minha situação: sua esposa, linda por sinal, no seu carro (ainda não tínhamos dado a partida), com o seio para fora do sutiã, aquele que ela praticamente nunca usa, e uma bebê – chupando - ele. Volume da calça grande demais para um minuto só. Merda, acho que ela percebeu, ela está rindo. Mentira, ela está gargalhando, ficando roxa, meu Deus, ajudem ela!!!
- Dougie Poynter, como você é previsível. Olha para você, correção, olha para as suas calças, que merda é essa?
- Me deixa, a culpa não é minha, é sua. – ela realmente percebeu, momento constrangedor.
- MINHA? Que calúnia!
- Claro, a moça bonita aqui é você, sua besta.
- Own, que bom que você me acha bonita. Imagina se não achasse, te bateria até a morte.
- Você me dá medo às vezes.
- Claro que não.
A Annie ficou mamando por mais alguns minutos. Onde ela achou tanta fome eu não sei. A se acomodou com os dois no colo - minha esposa é Ninja - e eu dirigi até em casa. Dessa vez o carro abriu a porta na primeira tentativa e ligou na primeira também, ou seja, EU sou o ninja da relação.

