Dreams&Nightmares
Autora: Júlia Ronconi
Status: Em Andamento
Revisada por: Isa
Categoria: Danny Fics
Sub-Categoria: Romântica/Drama - LongFic
Comentários:
Capítulo 01 ? Like Always
Acordei com a voz rouca de Danny no pé do meu ouvido, ainda entorpecida pelos sonhos daquela noite. A minha última noite de férias.
- BOM DIA DANNY! ? Disse em alto em bom som, para o nada, esse era o meu ritual há quatro anos, até nas férias meu despertador tocava um pouco mais tarde ao som do meu Danny cantando ?Not Alone?. Aquilo me confortava - mesmo sabendo que não real, eu me sentia mais próxima dele - para mais um longo dia.
Despedi-me dos meus devaneios e saí correndo para me arrumar. Eu não podia me atrasar, minha mãe ia encher meus ouvidos e tudo que eu menos queria eram os gritos furiosos dela àquela hora da manhã. Levantei e fiz um rabo meio solto com a xuxinha jogada em cima da minha escrivaninha, lavei o rosto e coloquei o uniforme me preparando pra mais um dia com aula de álgebra e as pessoas insuportáveis da minha sala. Eu queria ver um lado bom em voltar às aulas, mas definitivamente não tinha. As únicas pessoas que eu realmente poderia querer ver eram Davi e Helena, meus amigos desde que me entendo por gente. Mas mesmo que o mundo acabasse eu sempre os encontraria em outra dimensão... Ri dos meus próprios pensamentos, peguei minha mochila e fui andando até o ponto de ônibus.
Encarei o prédio azul por um período de tempo que talvez tenha parecido muito longo para as outras pessoas, pois todos me olhavam com uma cara do tipo: ?Ela é louca ou vai desistir de entrar?? Ignorei os olhares e fui andando em direção a minha sala quando fui recebida por um sonoro:
- LIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIISA! ? disse Helena pulando pra cima de mim com aqueles abraços sufocantes, apenas sorri. Eu nunca fui do tipo escandalosamente feliz com a volta às aulas, diferente de Helena, seus cabelos - que nunca estavam no lugar correto ? tinham um tom castanho avermelhado que combinava perfeitamente com sua pele branca e seus olhos profundamente verdes, suas roupas eram estilosas demais para fazerem com que alguém além de mim gostasse delas, mas ela não se incomodava, ela sempre estava feliz demais pra isso, ela via felicidade em qualquer coisinha. - Oi Lena, sem grandes euforias ok? Vimo-nos ontem, parece que eu morri e ressuscitei ? eu disse sem nenhum traço de empolgação.
- Ai que saco você! Sempre assim, sem empolgação nenhuma, parece que você vive em um velório ? Disse ela com aquele tom de entediada sentando na cadeira ao fundo da sala e puxando minha bolsa para colocá-la bem atrás da sua carteira.
Eu não respondi, apenas sentei e abaixei minha cabeça, não estava em clima de aula de sociologia e todo aquele discurso sobre como os jovens de hoje bebem demais... E a frase que Lena acabara de dizer ?Parece que você vive em um velório? encheu minha cabeça de pensamentos de novo. Pra ser sincera talvez eu realmente vivesse em um velório. Para falar a verdade eu vivia numa espera, a espera pra que minhas férias de verão começassem. Era a isso que minha vida se resumia, esperar meu verão. Porque minhas épocas de aulas infernais não faziam nada valer à pena, apenas a espera valia à pena. Porém, eu tinha muitos outros tipos de espera mais interessantes, mas muito mais impossíveis. A principal delas era esperar pelo dia em que eu e Danny Jones namoraríamos, mas eu já havia completado 17 anos e tinha esperanças de ser madura o suficiente pra não acreditar em uma besteira dessas.
Só saí da minha transe de pensamentos (que acontecia com mais freqüência do que eu imaginava) quando o sinal ensurdecedor tocou avisando que era hora do recreio, além disso, Lena gritava:
- Acorda Lisa! Você tem sorte que os professores gostam de você, se não estaria fora de sala há muito tempo ? Lena disse isso prolongando as palavras e dando um ar de sermão a tudo.
- Olha quem fala, pelo menos eu não lixo as unhas e conto sobre as minhas férias o tempo inteiro pra qualquer pessoa da sala. ? Disse rindo com um ar de superioridade.
- Eu não tive opção já que você estava dormindo impossibilitada para ouvir sobre qualquer coisa que eu tenha a dizer. ? Ela disse sorrindo, apenas sorri de volta.
Lena foi me carregando com ela pra fora da sala dizendo milhões de coisas sobre gatinhos lindos demais que tinham chegado de algum lugar que não me interessava. Eu queria ver Davi, eu precisava de Davi, não agüentava mais Lena me enchendo com as mesmas conversas de sempre. Eu gostava de Lena, muito pra ser sincera, mas Davi era minha válvula de escape. E ele não podia sumir, como se não me bastasse não estar na mesma sala que ele, agüentar meus recreios sem sua presença não dava, aí seria demais.
- Lena, vou procurar Davi. Já volto! ? Ela revirou os olhos e fez um gesto desleixado com a mão como que dizendo para que eu fosse. Ela estava rodeada demais por pessoas estranhas para que viesse comigo.
Fui até a sala do 3ºA, olhei pelo canto e vi primeiro os cabelos negros de Davi que estavam em perfeita sintonia com sua pele morena, ele era a única pessoa que fazia com que eu tivesse vontade de pular feito uma macaca e gritar seu nome. Mesmo vendo ele todos os dias, as conversas sufocantes de Lena me faziam ter uma saudade enorme dele. Mas eu segurava essa vontade, todos daquela escola já me achavam estranha o bastante sem nem me ouvir falar.
Fui andando devagar e coloquei minha mão como uma venda em seus olhos, ele foi apalpando-a e falou:
- Lisa Bedgebury! Essas mãozinhas pequenas não me enganam. ? Disse ele soltando minhas gargalhadas preferidas. Ok, elas estavam em segundo lugar depois da do Danny.
- Ah, que chato. Você podia pelo menos fingir... ? E fiz um biquinho matador que combinavam perfeitamente com minhas enormes bochechas.
- Oh, meu Deus, que neném mais dengoso é esse ? Ele falou com voz daqueles pais bobos que acabam de ter filhos e ficam tratando como se eles tivessem retardo mental. Davi me puxou para seu colo me fazendo cócegas.
- Eu... odeio... cóce... ? Tentava falar inutilmente, enquanto minha barriga doía de tanto rir.
- Você odeia cócegas? Eu sei! Por isso que eu faço... ? Ele disse todo convencido como se soubesse tudo sobre mim.
Continuamos assim, rindo, conversando. Isso era tão rotineiro, mas só me fazia perceber o quanto eu amava passar minhas horas com Davi, ele era o melhor amigo que alguém podia ter. O sinal tocou, e me acordou novamente do mundo perfeito que eu e Davi criávamos e eu tive que deixar minha válvula de escape...
Depois do recreio, as três aulas passaram rapidamente enquanto minha cabeça estava em qualquer lugar, menos aula. Quando o sinal de término das aulas tocou, peguei minha bolsa que eu não havia tocado nem pra fingir que estava escrevendo alguma coisa e fui embora. Tudo o que eu precisava agora era de uma boa cama.
Cheguei a minha casa e como sempre estava sozinha, já que mamãe trabalhava e eu não morava com meu pai. Não quis comer. Fui direto para o meu quarto dormir, era a única coisa que eu realmente precisava agora.
Capítulo 02 ? Surprise
Acordei com meu telefone vibrando. Eu tinha colocado ele pra vibrar justamente pra NINGUÉM me incomodar, bati a mão na minha cabeça naquele gesto de: IDIOTA! Merda de sono sensível idiota queria dormir igual uma pedra! Dei-me por vencida e nem olhei o visor pra atender.
- Oi ? Disse com a voz entorpecida pelo sono.
- Filha, te acordei? ? Disse meu pai com a melhor voz de preocupação.
Não acordou não, ainda to dormindo. Não ta vendo? Queria dizer no maior estilo adolescente revoltada.
- Acordou, mas não tem problema, já tava na hora... ? Quis parecer o mais convincente possível.
- Ok então, é que eu queria jantar com você hoje, acho que tenho assuntos que possam te interessar!
- Hm, tudo bem, que horas? ? Eu nunca fui a rainha da curiosidade, e se fosse realmente importante como alguma pessoa ter morrido ou um tornado atacar a cidade ele avisaria agora.
- Passo as sete para te buscar ? A voz dele mostrava uma pontada de desapontamento. Ah, pelo amor de Deus, era pra eu fingir ta morrendo do coração com o próximo presente que ele iria me dar? Era sempre isso, nossos poucos jantares eram sempre assim, para me dar presentes que sinceramente, pouco me interessavam.
- Ok, tchau, beijo! ? Eu disse, ele apenas desligou.
Liguei a TV e fiquei mudando os canais, nada de interessante passava. Pudera! Numa segunda à tarde o que iria passar de interessante? Filmes da sessão da tarde? Então desisti da televisão e fui para o computador, fazer o que sempre preenchia as minhas tardes. Ver vídeos do McFLY. Eu ria tanto com eles, não que eu viva chorando e reclamando da minha vida, eu não tenho muito do que reclamar, fora ser sempre a deslocada em todos os lugares, meu cérebro nunca funcionou da mesma maneira que os das outras pessoas, enquanto todo mundo falava, pensava, ria de uma coisa eu fazia justamente o contrário, e isso definitivamente NÃO É como nos livros em que ser deslocada é legal porque todas as pessoas te acham misteriosa e sexy. Eu não era sexy, muito menos misteriosa, eu nem funcionava direito, como eu poderia ser isso? Com meus 1 metro e 65 centímetros de altura, cabelos lisos e castanhos e olhos da mesma cor, bochechas enormes e mãos pequenas e a minha posição de ?walking disaster? não tinha nada que fosse considerado sexy em mim. Talvez eu fosse engraçada quando começasse a conhecer melhor as pessoas, mas o problema era justamente ?conhecer melhor as pessoas?, e durante todo esse tempo meus amigos de verdade foram apenas Lena e Davi, e eu gostava disso, apesar de não viver grandes aventuras como as meninas loiras, lindas e burras do colégio. Eu era eu, nunca tinha mudado, continuava a ser quem eu sempre fui, nunca menti pra mim mesma nem pra ninguém. Mas às vezes eu queria me sentir mais igual a todo mundo, e quando eu estava no meu universo McFLY era assim que eu me sentia, eu conseguia rir das mesmas coisas que eles, eu conseguia pensar nas mesmas coisas que eles, isso me deixava com uma pontada de esperança, talvez eu não fosse um caso perdido.
Era seis e meia, eu tinha perdido completamente a noção de tempo, eu já tinha me acostumado com isso, eu sempre perdia a noção de muitas coisas, não só do tempo... E não estava muito interessada em parecer bonita pra um jantar com meu pai. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo alto, coloquei um short de alfaiataria, uma meia preta e uma blusa branca de manguinha, levando comigo um casaco caso o frio de São Paulo aumentasse; as noites de inverno aqui eram meio malucas.
Ouvi duas buzinas e desci, tranquei a porta e vi o carro preto do meu pai, o carro do ano, que mesmo sendo do meu pai me parecia tão estranho; qualquer coisa vinda do meu pai parecia estranha, a gente não tinha uma relação muito próxima e as condições em que minha mãe vivia e meu pai era bem diferente. Ela ralava o dia inteiro como advogada de uma repartição pra manter a classe média em que nós vivíamos, enquanto meu pai era dono de uma grande empresa e queria me comprar com presentes. A viagem até o restaurante foi rápida e vazia, vazia de sons e de sentimentos. Quando chegamos lá ele pediu qualquer coisa que eu não sabia pronunciar o nome, e começou a falar...
- Filha... ? Ele disse em um tom sério, como se falasse em uma das reuniões de sua grande empresa, como se eu ligasse pra qualquer coisa que ele estivesse prestes a falar ? como você sabe, nós viemos de uma família muito tradicional de Londres... ? Era claro que eu sabia, ele diz isso pra os quatro cantos do mundo. E eu amava Londres, cada pedacinho daquele lugar parecia pertencer a mim, mas essa parte de ?família muito tradicional? eu não gostava, parecia que era só com isso que ele se importava ? E eu queria que você conhecesse as nossas origens ? eu estava prestes a dar um pulo de alegria, quando ele continuou ? mas não apenas por 15 dias como em uma viagem sem propósitos, eu desejo que você passe um ano lá, na nossa casa. Tenho certeza que vai ser uma experiência incrível, além do que Cambridge está a sua espera!
O quê? Hã? Alguém me belisca POR FAAAAAAAAAAAAAVOR! Como assim? Eu vou passar um ano em Londres, um ano na cidade dos meus meninos? Um ano no lugar predileto da minha vida? Um ano dizendo meu sobrenome sem as pessoas me olharem torto e pedirem pra eu soletrar? NÃO PODIA SER SÉRIO! Ele estava brincando, fala sério.
Meu pai continuou a me olhar, acho que esperando alguma resposta, já que eu estava totalmente perdida em meus pensamentos (mais uma vez).
- AAAAAAAAAAAAAAAAAH PAI! ? Eu disse soltando um grito, o que fez com que todos do restaurante olhassem pra mim e uma expressão de vergonha, mas ao mesmo tempo de felicidade tomasse conta dele ? Eu não acredito! Você ta falando sério mesmo? Eu vou pra Londres? Obrigada, obrigada mesmo! Quando que é isso?
- Que bom que você gostou! Bem, o pessoal de Cambridge disse que segura sua vaga por um mês, então é esse o tempo que você tem pra se encarregar de tudo. Um mês. ? ele disse e sorriu.
- AI QUE ÓTIMO! ? disse abrindo o sorriso mais sincero que eu pude dar em toda a minha vida pra ele ? Pai, você se importa se eu não ficar pra jantar? Já tenho milhões de coisas pra resolver, mas não se preocupe, eu vou a pé, nem ta tão tarde... ? não esperei ele responder, fui correndo até a saída e quando senti a brisa leve da noite tocar meu corpo andei devagar, observando cada pedaço da minha São Paulo.
Naquele segundo que passara tudo era euforia, mas agora que eu andava pelas ruas iluminadas eu pensava em tudo que eu estava deixando pra trás. Claro, era só um ano, e eu estava completamente cansada daquela vida monótona que me deixava oca, vazia. Eu acho que estava pronta pra ser outra pessoa, pra ser feliz. E pra fazer isso eu precisaria me despedir, eu precisaria enfrentar o meu medo de perder as pessoas, esse sempre foi o meu maior medo, perder as pessoas. E se quando eu voltasse tudo estivesse diferente? Se o meu Davi não fosse mais tão meu? Se a Lena não continuasse me irritando? Eu precisava daquilo, eu precisava de cada defeito daquele lugar, como eu preciso de ar pra respirar. Eu precisava até das brigas constantes que eu tinha com a minha mãe, aquelas brigas que faziam meu peito doer, mesmo que nós duas soubéssemos que nos amávamos incondicionalmente a gente brigava demais. Eu sentiria falta de tudo aquilo, mas eu sentia mais do que tudo... Que era hora de partir.
Capítulo 03 – Goodbyes
"Don't move I want to remember you just like this" (Can I have a kiss? - Kelly Clarkson)
Uma semana na escola passou voando, e eu não tive coragem de contar para os meus melhores amigos sobre a minha partida, e agora só me restavam três semanas. Então decidi chamá-los para um filme e contar tudo, eles aceitaram de cara, eu amava isso, o fato deles SEMPRE estarem no meu lado e nunca me dizerem um não. Lena obviamente ficaria eufórica com o fato de eu ir passar um ano na cidade dos nossos sonhos o que me confortaria, mas eu não sabia a reação de Davi, isso me deixava aflita.
A campainha tocou enquanto eu colocava a pipoca no microondas, corri até a porta ajeitei o cabelo e disse:
- Oi gente! – com um sorriso largo no rosto – Estou fazendo as pipocas, se vocês quiserem esperar na sala.
- Não, muito obrigada, vamos ficar aqui com você. – Lena disse daquele jeito dela, rindo e gesticulando e respondendo tanto por ela quanto por Davi que deu um beliscão na minha cintura e sorriu como forma de cumprimento. Sentando-se na mesa junto a Lena, logo em seguida.
- Loquei Click, vocês gostam?
- Eu amo muito, muito, muito, sempre me faz rir e chorar, adoro misturar sensações. – Ela disse isso caindo na gargalhada e vendo eu e Davi olharmos pra ela com uma cara de “A gente nunca vai entender a Lena mesmo”
- Ok, então vamos! – eu tentava parecer o mais feliz possível, pensando que aquele podia ser a última vez que eu faria pipoca pra gente na minha casa, mas eu não queria estragar o filme, tinha que tomar coragem, bastante coragem.
Davi ficou no meio e eu e Lena nos abraçamos a ele; Lena era a única pessoa com a qual eu o dividia, ele era tão meu quanto dela, apesar de não pensar nele como ficante ou qualquer coisa do tipo, diferente de Lena, em relação à amizade nós éramos um só, os três mosqueteiros.
Vimos o filme e como Lena previu, rimos, choramos, jogamos pipoca uns nos outros, e a hora que eu menos queria que chegasse ficava próxima. Depois de algumas gargalhadas por qualquer piada idiota que Lena tenha contado, me ajeitei no sofá e fiquei quieta, até que eles perceberam...
- Ih, qual é Lisa? Ta séria por quê? – Davi foi o primeiro a perceber, uma lágrima que eu não queria que se revelasse teimou em rolar por minhas bochechas deixando-o mais aflito – Lisa o que foi? A gente fez alguma coisa? Eu te machuquei? – Lena olhou em seguida e eu consegui ver seu rosto – sério talvez pela terceira ou quarta vez em tantos anos de amizade.
- Não tem nada a ver com vocês – eu disse em um tom baixo e calmo, tentando esconder as lágrimas que agora vinham desesperadamente correr pelo meu rosto – Quer dizer, tem sim, mas nada que vocês fizeram de ruim, é apenas saudade precipitada...
Os rostos deles tinham duas enormes interrogações, eles procuravam as palavras, eu sentia isso cada vez que o verde profundo dos olhos de Lena agora rasos d’água se encontravam com os meus, me queimando por dentro. Davi estava estático ele apenas colocou a cabeça entre as pernas e permaneceu me olhando. Eles nem sabiam exatamente do que se tratava, mas me conheciam o suficiente pra chorar da mesma maneira que eu.
- Eu vou passar um ano em Londres, foi uma proposta que meu pai me fez... – eu tentava dizer entre os soluços – Vai ser legal, mas eu não quero perder vocês, eu quero que vocês estejam aqui do mesmo jeitinho pra sempre. Vocês sabem dos meus medos, das minhas aflições e de cada pedaço da minha vida, prometam pra mim que vão estar aqui pra sempre? E que daqui um ano eu vou ter vocês do mesmo jeito? Por favor? – eu disse terminando a frase e enxugando o rosto.
Os dois seguraram a minha mão e pela primeira vez Davi respondeu por Lena e por ele:
- Assim que nos conhecemos há oito anos fizemos uma promessa, sem nem perceber. Fizemos um pacto do qual nós nunca vamos nos livrar, nem que quiséssemos, nós somos um só. E nada vai mudar isso, nem a distância, nem o medo, NADA! Nós vamos estar juntos pra sempre, e continuaremos a mudar e crescer juntos. Eu amo vocês. – A voz de Davi foi tudo que eu precisei naquele momento, junto com ela veio à paz e a felicidade que eu tanto buscava.
Naquele segundo apenas nos abraçamos e a felicidade tomou conta daquela sala, que tinha sido palco de tantas coisas nesses oito anos. Então Lena resolveu se pronunciar:
- Agora, meu amor, você vai pra Londres? Jesus me abana! Você vai morar assim coladinha do McFLY, vai ter show deles o teeeeeempo todo! ME SALVA! – ela caiu na gargalhada e eu fui junto.
- Eu sei, não é demais? Eu aposto que o Danny vai me salvar de uma tempestade e me levar pra casinha dele e vamos viver felizes pra sempre! – continuamos rindo e imaginando nossas vidas ao lado dos Mcguys com Davi rindo e imitando os meninos com o sotaque inglês e aquele dia cheio de surpresas e felicidades foi indo embora...
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Acordei com a voz rouca de Danny no pé do meu ouvido, ainda entorpecida pelos sonhos daquela noite. A minha última noite de férias.
- BOM DIA DANNY! ? Disse em alto em bom som, para o nada, esse era o meu ritual há quatro anos, até nas férias meu despertador tocava um pouco mais tarde ao som do meu Danny cantando ?Not Alone?. Aquilo me confortava - mesmo sabendo que não real, eu me sentia mais próxima dele - para mais um longo dia.
Despedi-me dos meus devaneios e saí correndo para me arrumar. Eu não podia me atrasar, minha mãe ia encher meus ouvidos e tudo que eu menos queria eram os gritos furiosos dela àquela hora da manhã. Levantei e fiz um rabo meio solto com a xuxinha jogada em cima da minha escrivaninha, lavei o rosto e coloquei o uniforme me preparando pra mais um dia com aula de álgebra e as pessoas insuportáveis da minha sala. Eu queria ver um lado bom em voltar às aulas, mas definitivamente não tinha. As únicas pessoas que eu realmente poderia querer ver eram Davi e Helena, meus amigos desde que me entendo por gente. Mas mesmo que o mundo acabasse eu sempre os encontraria em outra dimensão... Ri dos meus próprios pensamentos, peguei minha mochila e fui andando até o ponto de ônibus.
Encarei o prédio azul por um período de tempo que talvez tenha parecido muito longo para as outras pessoas, pois todos me olhavam com uma cara do tipo: ?Ela é louca ou vai desistir de entrar?? Ignorei os olhares e fui andando em direção a minha sala quando fui recebida por um sonoro:
- LIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIISA! ? disse Helena pulando pra cima de mim com aqueles abraços sufocantes, apenas sorri. Eu nunca fui do tipo escandalosamente feliz com a volta às aulas, diferente de Helena, seus cabelos - que nunca estavam no lugar correto ? tinham um tom castanho avermelhado que combinava perfeitamente com sua pele branca e seus olhos profundamente verdes, suas roupas eram estilosas demais para fazerem com que alguém além de mim gostasse delas, mas ela não se incomodava, ela sempre estava feliz demais pra isso, ela via felicidade em qualquer coisinha. - Oi Lena, sem grandes euforias ok? Vimo-nos ontem, parece que eu morri e ressuscitei ? eu disse sem nenhum traço de empolgação.
- Ai que saco você! Sempre assim, sem empolgação nenhuma, parece que você vive em um velório ? Disse ela com aquele tom de entediada sentando na cadeira ao fundo da sala e puxando minha bolsa para colocá-la bem atrás da sua carteira.
Eu não respondi, apenas sentei e abaixei minha cabeça, não estava em clima de aula de sociologia e todo aquele discurso sobre como os jovens de hoje bebem demais... E a frase que Lena acabara de dizer ?Parece que você vive em um velório? encheu minha cabeça de pensamentos de novo. Pra ser sincera talvez eu realmente vivesse em um velório. Para falar a verdade eu vivia numa espera, a espera pra que minhas férias de verão começassem. Era a isso que minha vida se resumia, esperar meu verão. Porque minhas épocas de aulas infernais não faziam nada valer à pena, apenas a espera valia à pena. Porém, eu tinha muitos outros tipos de espera mais interessantes, mas muito mais impossíveis. A principal delas era esperar pelo dia em que eu e Danny Jones namoraríamos, mas eu já havia completado 17 anos e tinha esperanças de ser madura o suficiente pra não acreditar em uma besteira dessas.
Só saí da minha transe de pensamentos (que acontecia com mais freqüência do que eu imaginava) quando o sinal ensurdecedor tocou avisando que era hora do recreio, além disso, Lena gritava:
- Acorda Lisa! Você tem sorte que os professores gostam de você, se não estaria fora de sala há muito tempo ? Lena disse isso prolongando as palavras e dando um ar de sermão a tudo.
- Olha quem fala, pelo menos eu não lixo as unhas e conto sobre as minhas férias o tempo inteiro pra qualquer pessoa da sala. ? Disse rindo com um ar de superioridade.
- Eu não tive opção já que você estava dormindo impossibilitada para ouvir sobre qualquer coisa que eu tenha a dizer. ? Ela disse sorrindo, apenas sorri de volta.
Lena foi me carregando com ela pra fora da sala dizendo milhões de coisas sobre gatinhos lindos demais que tinham chegado de algum lugar que não me interessava. Eu queria ver Davi, eu precisava de Davi, não agüentava mais Lena me enchendo com as mesmas conversas de sempre. Eu gostava de Lena, muito pra ser sincera, mas Davi era minha válvula de escape. E ele não podia sumir, como se não me bastasse não estar na mesma sala que ele, agüentar meus recreios sem sua presença não dava, aí seria demais.
- Lena, vou procurar Davi. Já volto! ? Ela revirou os olhos e fez um gesto desleixado com a mão como que dizendo para que eu fosse. Ela estava rodeada demais por pessoas estranhas para que viesse comigo.
Fui até a sala do 3ºA, olhei pelo canto e vi primeiro os cabelos negros de Davi que estavam em perfeita sintonia com sua pele morena, ele era a única pessoa que fazia com que eu tivesse vontade de pular feito uma macaca e gritar seu nome. Mesmo vendo ele todos os dias, as conversas sufocantes de Lena me faziam ter uma saudade enorme dele. Mas eu segurava essa vontade, todos daquela escola já me achavam estranha o bastante sem nem me ouvir falar.
Fui andando devagar e coloquei minha mão como uma venda em seus olhos, ele foi apalpando-a e falou:
- Lisa Bedgebury! Essas mãozinhas pequenas não me enganam. ? Disse ele soltando minhas gargalhadas preferidas. Ok, elas estavam em segundo lugar depois da do Danny.
- Ah, que chato. Você podia pelo menos fingir... ? E fiz um biquinho matador que combinavam perfeitamente com minhas enormes bochechas.
- Oh, meu Deus, que neném mais dengoso é esse ? Ele falou com voz daqueles pais bobos que acabam de ter filhos e ficam tratando como se eles tivessem retardo mental. Davi me puxou para seu colo me fazendo cócegas.
- Eu... odeio... cóce... ? Tentava falar inutilmente, enquanto minha barriga doía de tanto rir.
- Você odeia cócegas? Eu sei! Por isso que eu faço... ? Ele disse todo convencido como se soubesse tudo sobre mim.
Continuamos assim, rindo, conversando. Isso era tão rotineiro, mas só me fazia perceber o quanto eu amava passar minhas horas com Davi, ele era o melhor amigo que alguém podia ter. O sinal tocou, e me acordou novamente do mundo perfeito que eu e Davi criávamos e eu tive que deixar minha válvula de escape...
Depois do recreio, as três aulas passaram rapidamente enquanto minha cabeça estava em qualquer lugar, menos aula. Quando o sinal de término das aulas tocou, peguei minha bolsa que eu não havia tocado nem pra fingir que estava escrevendo alguma coisa e fui embora. Tudo o que eu precisava agora era de uma boa cama.
Cheguei a minha casa e como sempre estava sozinha, já que mamãe trabalhava e eu não morava com meu pai. Não quis comer. Fui direto para o meu quarto dormir, era a única coisa que eu realmente precisava agora.
Capítulo 02 ? Surprise
Acordei com meu telefone vibrando. Eu tinha colocado ele pra vibrar justamente pra NINGUÉM me incomodar, bati a mão na minha cabeça naquele gesto de: IDIOTA! Merda de sono sensível idiota queria dormir igual uma pedra! Dei-me por vencida e nem olhei o visor pra atender.
- Oi ? Disse com a voz entorpecida pelo sono.
- Filha, te acordei? ? Disse meu pai com a melhor voz de preocupação.
Não acordou não, ainda to dormindo. Não ta vendo? Queria dizer no maior estilo adolescente revoltada.
- Acordou, mas não tem problema, já tava na hora... ? Quis parecer o mais convincente possível.
- Ok então, é que eu queria jantar com você hoje, acho que tenho assuntos que possam te interessar!
- Hm, tudo bem, que horas? ? Eu nunca fui a rainha da curiosidade, e se fosse realmente importante como alguma pessoa ter morrido ou um tornado atacar a cidade ele avisaria agora.
- Passo as sete para te buscar ? A voz dele mostrava uma pontada de desapontamento. Ah, pelo amor de Deus, era pra eu fingir ta morrendo do coração com o próximo presente que ele iria me dar? Era sempre isso, nossos poucos jantares eram sempre assim, para me dar presentes que sinceramente, pouco me interessavam.
- Ok, tchau, beijo! ? Eu disse, ele apenas desligou.
Liguei a TV e fiquei mudando os canais, nada de interessante passava. Pudera! Numa segunda à tarde o que iria passar de interessante? Filmes da sessão da tarde? Então desisti da televisão e fui para o computador, fazer o que sempre preenchia as minhas tardes. Ver vídeos do McFLY. Eu ria tanto com eles, não que eu viva chorando e reclamando da minha vida, eu não tenho muito do que reclamar, fora ser sempre a deslocada em todos os lugares, meu cérebro nunca funcionou da mesma maneira que os das outras pessoas, enquanto todo mundo falava, pensava, ria de uma coisa eu fazia justamente o contrário, e isso definitivamente NÃO É como nos livros em que ser deslocada é legal porque todas as pessoas te acham misteriosa e sexy. Eu não era sexy, muito menos misteriosa, eu nem funcionava direito, como eu poderia ser isso? Com meus 1 metro e 65 centímetros de altura, cabelos lisos e castanhos e olhos da mesma cor, bochechas enormes e mãos pequenas e a minha posição de ?walking disaster? não tinha nada que fosse considerado sexy em mim. Talvez eu fosse engraçada quando começasse a conhecer melhor as pessoas, mas o problema era justamente ?conhecer melhor as pessoas?, e durante todo esse tempo meus amigos de verdade foram apenas Lena e Davi, e eu gostava disso, apesar de não viver grandes aventuras como as meninas loiras, lindas e burras do colégio. Eu era eu, nunca tinha mudado, continuava a ser quem eu sempre fui, nunca menti pra mim mesma nem pra ninguém. Mas às vezes eu queria me sentir mais igual a todo mundo, e quando eu estava no meu universo McFLY era assim que eu me sentia, eu conseguia rir das mesmas coisas que eles, eu conseguia pensar nas mesmas coisas que eles, isso me deixava com uma pontada de esperança, talvez eu não fosse um caso perdido.
Era seis e meia, eu tinha perdido completamente a noção de tempo, eu já tinha me acostumado com isso, eu sempre perdia a noção de muitas coisas, não só do tempo... E não estava muito interessada em parecer bonita pra um jantar com meu pai. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo alto, coloquei um short de alfaiataria, uma meia preta e uma blusa branca de manguinha, levando comigo um casaco caso o frio de São Paulo aumentasse; as noites de inverno aqui eram meio malucas.
Ouvi duas buzinas e desci, tranquei a porta e vi o carro preto do meu pai, o carro do ano, que mesmo sendo do meu pai me parecia tão estranho; qualquer coisa vinda do meu pai parecia estranha, a gente não tinha uma relação muito próxima e as condições em que minha mãe vivia e meu pai era bem diferente. Ela ralava o dia inteiro como advogada de uma repartição pra manter a classe média em que nós vivíamos, enquanto meu pai era dono de uma grande empresa e queria me comprar com presentes. A viagem até o restaurante foi rápida e vazia, vazia de sons e de sentimentos. Quando chegamos lá ele pediu qualquer coisa que eu não sabia pronunciar o nome, e começou a falar...
- Filha... ? Ele disse em um tom sério, como se falasse em uma das reuniões de sua grande empresa, como se eu ligasse pra qualquer coisa que ele estivesse prestes a falar ? como você sabe, nós viemos de uma família muito tradicional de Londres... ? Era claro que eu sabia, ele diz isso pra os quatro cantos do mundo. E eu amava Londres, cada pedacinho daquele lugar parecia pertencer a mim, mas essa parte de ?família muito tradicional? eu não gostava, parecia que era só com isso que ele se importava ? E eu queria que você conhecesse as nossas origens ? eu estava prestes a dar um pulo de alegria, quando ele continuou ? mas não apenas por 15 dias como em uma viagem sem propósitos, eu desejo que você passe um ano lá, na nossa casa. Tenho certeza que vai ser uma experiência incrível, além do que Cambridge está a sua espera!
O quê? Hã? Alguém me belisca POR FAAAAAAAAAAAAAVOR! Como assim? Eu vou passar um ano em Londres, um ano na cidade dos meus meninos? Um ano no lugar predileto da minha vida? Um ano dizendo meu sobrenome sem as pessoas me olharem torto e pedirem pra eu soletrar? NÃO PODIA SER SÉRIO! Ele estava brincando, fala sério.
Meu pai continuou a me olhar, acho que esperando alguma resposta, já que eu estava totalmente perdida em meus pensamentos (mais uma vez).
- AAAAAAAAAAAAAAAAAH PAI! ? Eu disse soltando um grito, o que fez com que todos do restaurante olhassem pra mim e uma expressão de vergonha, mas ao mesmo tempo de felicidade tomasse conta dele ? Eu não acredito! Você ta falando sério mesmo? Eu vou pra Londres? Obrigada, obrigada mesmo! Quando que é isso?
- Que bom que você gostou! Bem, o pessoal de Cambridge disse que segura sua vaga por um mês, então é esse o tempo que você tem pra se encarregar de tudo. Um mês. ? ele disse e sorriu.
- AI QUE ÓTIMO! ? disse abrindo o sorriso mais sincero que eu pude dar em toda a minha vida pra ele ? Pai, você se importa se eu não ficar pra jantar? Já tenho milhões de coisas pra resolver, mas não se preocupe, eu vou a pé, nem ta tão tarde... ? não esperei ele responder, fui correndo até a saída e quando senti a brisa leve da noite tocar meu corpo andei devagar, observando cada pedaço da minha São Paulo.
Naquele segundo que passara tudo era euforia, mas agora que eu andava pelas ruas iluminadas eu pensava em tudo que eu estava deixando pra trás. Claro, era só um ano, e eu estava completamente cansada daquela vida monótona que me deixava oca, vazia. Eu acho que estava pronta pra ser outra pessoa, pra ser feliz. E pra fazer isso eu precisaria me despedir, eu precisaria enfrentar o meu medo de perder as pessoas, esse sempre foi o meu maior medo, perder as pessoas. E se quando eu voltasse tudo estivesse diferente? Se o meu Davi não fosse mais tão meu? Se a Lena não continuasse me irritando? Eu precisava daquilo, eu precisava de cada defeito daquele lugar, como eu preciso de ar pra respirar. Eu precisava até das brigas constantes que eu tinha com a minha mãe, aquelas brigas que faziam meu peito doer, mesmo que nós duas soubéssemos que nos amávamos incondicionalmente a gente brigava demais. Eu sentiria falta de tudo aquilo, mas eu sentia mais do que tudo... Que era hora de partir.
Capítulo 03 – Goodbyes
"Don't move I want to remember you just like this" (Can I have a kiss? - Kelly Clarkson)
Uma semana na escola passou voando, e eu não tive coragem de contar para os meus melhores amigos sobre a minha partida, e agora só me restavam três semanas. Então decidi chamá-los para um filme e contar tudo, eles aceitaram de cara, eu amava isso, o fato deles SEMPRE estarem no meu lado e nunca me dizerem um não. Lena obviamente ficaria eufórica com o fato de eu ir passar um ano na cidade dos nossos sonhos o que me confortaria, mas eu não sabia a reação de Davi, isso me deixava aflita.
A campainha tocou enquanto eu colocava a pipoca no microondas, corri até a porta ajeitei o cabelo e disse:
- Oi gente! – com um sorriso largo no rosto – Estou fazendo as pipocas, se vocês quiserem esperar na sala.
- Não, muito obrigada, vamos ficar aqui com você. – Lena disse daquele jeito dela, rindo e gesticulando e respondendo tanto por ela quanto por Davi que deu um beliscão na minha cintura e sorriu como forma de cumprimento. Sentando-se na mesa junto a Lena, logo em seguida.
- Loquei Click, vocês gostam?
- Eu amo muito, muito, muito, sempre me faz rir e chorar, adoro misturar sensações. – Ela disse isso caindo na gargalhada e vendo eu e Davi olharmos pra ela com uma cara de “A gente nunca vai entender a Lena mesmo”
- Ok, então vamos! – eu tentava parecer o mais feliz possível, pensando que aquele podia ser a última vez que eu faria pipoca pra gente na minha casa, mas eu não queria estragar o filme, tinha que tomar coragem, bastante coragem.
Davi ficou no meio e eu e Lena nos abraçamos a ele; Lena era a única pessoa com a qual eu o dividia, ele era tão meu quanto dela, apesar de não pensar nele como ficante ou qualquer coisa do tipo, diferente de Lena, em relação à amizade nós éramos um só, os três mosqueteiros.
Vimos o filme e como Lena previu, rimos, choramos, jogamos pipoca uns nos outros, e a hora que eu menos queria que chegasse ficava próxima. Depois de algumas gargalhadas por qualquer piada idiota que Lena tenha contado, me ajeitei no sofá e fiquei quieta, até que eles perceberam...
- Ih, qual é Lisa? Ta séria por quê? – Davi foi o primeiro a perceber, uma lágrima que eu não queria que se revelasse teimou em rolar por minhas bochechas deixando-o mais aflito – Lisa o que foi? A gente fez alguma coisa? Eu te machuquei? – Lena olhou em seguida e eu consegui ver seu rosto – sério talvez pela terceira ou quarta vez em tantos anos de amizade.
- Não tem nada a ver com vocês – eu disse em um tom baixo e calmo, tentando esconder as lágrimas que agora vinham desesperadamente correr pelo meu rosto – Quer dizer, tem sim, mas nada que vocês fizeram de ruim, é apenas saudade precipitada...
Os rostos deles tinham duas enormes interrogações, eles procuravam as palavras, eu sentia isso cada vez que o verde profundo dos olhos de Lena agora rasos d’água se encontravam com os meus, me queimando por dentro. Davi estava estático ele apenas colocou a cabeça entre as pernas e permaneceu me olhando. Eles nem sabiam exatamente do que se tratava, mas me conheciam o suficiente pra chorar da mesma maneira que eu.
- Eu vou passar um ano em Londres, foi uma proposta que meu pai me fez... – eu tentava dizer entre os soluços – Vai ser legal, mas eu não quero perder vocês, eu quero que vocês estejam aqui do mesmo jeitinho pra sempre. Vocês sabem dos meus medos, das minhas aflições e de cada pedaço da minha vida, prometam pra mim que vão estar aqui pra sempre? E que daqui um ano eu vou ter vocês do mesmo jeito? Por favor? – eu disse terminando a frase e enxugando o rosto.
Os dois seguraram a minha mão e pela primeira vez Davi respondeu por Lena e por ele:
- Assim que nos conhecemos há oito anos fizemos uma promessa, sem nem perceber. Fizemos um pacto do qual nós nunca vamos nos livrar, nem que quiséssemos, nós somos um só. E nada vai mudar isso, nem a distância, nem o medo, NADA! Nós vamos estar juntos pra sempre, e continuaremos a mudar e crescer juntos. Eu amo vocês. – A voz de Davi foi tudo que eu precisei naquele momento, junto com ela veio à paz e a felicidade que eu tanto buscava.
Naquele segundo apenas nos abraçamos e a felicidade tomou conta daquela sala, que tinha sido palco de tantas coisas nesses oito anos. Então Lena resolveu se pronunciar:
- Agora, meu amor, você vai pra Londres? Jesus me abana! Você vai morar assim coladinha do McFLY, vai ter show deles o teeeeeempo todo! ME SALVA! – ela caiu na gargalhada e eu fui junto.
- Eu sei, não é demais? Eu aposto que o Danny vai me salvar de uma tempestade e me levar pra casinha dele e vamos viver felizes pra sempre! – continuamos rindo e imaginando nossas vidas ao lado dos Mcguys com Davi rindo e imitando os meninos com o sotaque inglês e aquele dia cheio de surpresas e felicidades foi indo embora...

