Ele e Ela
Autora: Babi Lorentz
Status: Finalizada
Revisada por: Juh
Categoria: Free Fics
Sub-Categoria: Comédia romântica - ShortFic
Nota pelo desafio: 9,5
Comentários:
Assustei-me ao olhar no relógio. Faltavam dez minutos para o ponteiro pequeno encostar-se ao número dez. E o que aconteceria dez horas?
Bem, imagine-se vivendo minha vida:
Quando eu tinha quatro anos, minha mãe ganhou na loteria. Oba! Ganhamos na loteria! Que coisa interessante.
Como se eu, uma simples garota de quatro anos de idade, no auge da minha infância feliz, soubesse o que era dinheiro. Bom, pelo menos eu sabia o que era felicidade.
Felicidade, para mim, era brincar com minhas bonecas gigantes e carecas, que nem com roupas vinham. Era entrar na poça de lama que havia em frente à minha casa e falar que estava nadando em chocolate (ew). Era dizer que um dia eu seria uma princesa e SONHAR com um príncipe encantado que viria me buscar em cima de um cavalo branco.
Não, eu não virei uma princesa. Apenas tinha dinheiro.
O príncipe encantado não era bem um príncipe encantado. E o cavalo branco não era bem um cavalo branco.
Ele era o , primo de . O cavalo branco era uma moto vermelha. Sua incrível moto vermelha!
Quem era para ser tão focado? Bem, você pode achá-lo um Zé Ninguém, que não faz diferença alguma na sua vida. Ele é um garçom. O garçom do restaurante que tem aqui na esquina. Meu melhor amigo. Por isso ele é sempre bem lembrado por mim. Se não fosse por ele, eu nunca conheceria , considerado, por mim, meu príncipe encantado.
Espere, príncipe encantado? Sim, eu ainda tinha meus sonhos de criança.
Apesar de minha mãe não aceitar que eu namorasse um fora da lei, como ela sempre se referia a ele, eu nunca dei muita importância pro que ela dizia.
Apenas uma coisa me importava: Minha felicidade. Bem, minha felicidade era resumida em uma palavra: .
Esta é minha vida. Super resumida, eu sei. Mas não há fatos bastante importantes para ser lembrados. Exceto que depois de a chefe ganhar na loteria, nos mudamos de nosso barraco na periferia, para uma linda casa no centro da cidade. E que centro era aquele!
Voltando à hora, dez minutos para dez horas. E o que aconteceria dez horas? Posso dizer que começaria a melhor festa de minha vida.
E o que comemoraríamos?
Bem, comemoraríamos mais um aniversário de namoro. Eu ainda me lembrava do dia em que ele havia dito aquelas duas palavras memoráveis.
Flashback:
Ele estava lindo! Com aquela jaqueta de couro que ele sempre usava quando fazia muito frio, uma regata branca por baixo e sua calça jeans que sempre caía com uma facilidade muito grande. E ele estava na porta de minha casa, segurando os dois capacetes. Um sorriso se abriu em seu rosto, enquanto ele olhava fixamente em meus olhos.
Às vezes eu gostava de comparar a beleza dele ao brilho da lua. Você pode me achar meio tapada, mas eu amo a lua. Fico horas deitada em minha cama, com a porta que leva à minha varanda, aberta, olhando fixamente para aquela coisinha que mais parece um queijo quando está cheia.
Não que eu também esteja comparando a beleza dele a um queijo. Eu só comparava o formato da lua cheia a um queijo.
Como se isso fosse uma informação muito interessante.
Voltando a , ele estava lindo. E aquela jaqueta de couro (e seus cabelos ainda molhados) me dava uma vontade imensa de me jogar em cima dele e beijá-lo em cheio na boca. Mas eu sabia me controlar como uma garota de família.
Bem, aos olhos de minha mãe eu tinha de ser desta maneira. Uma garota de família. Não que eu ainda fosse virgem. Bem, com como um quase namorado é meio impossível. Ainda mais quando ele se empolga. Mas isso não é importante. Bem, importante é... Mas não é algo que eu deva falar agora.
Andei em sua direção e peguei sua mão livre, entrelaçando nossos dedos. Mordi meu lábio inferior e o olhei nos olhos, enquanto abria um sorriso meio “oi, sou sua, faça de mim o que quiser”. Ele aproximou seus lábios dos meus e me beijou suavemente.
- Hoje você não me escapa. – Ele riu entre o beijo, enquanto me falava, com a boca ainda encostada na minha.
- E quem disse que eu estava planejando escapar? – Respondi da mesma forma.
- Por favor, . Não me deixe empolgado aqui, na frente da sua mãe.
- Seria interessante arrancarmos nossas roupas e mostrarmos à ela o que fazemos em nosso tempo livre, o que acha?
- Acho que você deve calar a boca, antes que eu acate sua ideia. – Ele riu, afastando-se de mim. Fez um carinho em minha bochecha, entregando-me meu capacete.
- Eu quero que você acate minha ideia.
Ele voltou seu rosto na direção do meu e me olhou nos olhos. Eu já estava com o capacete na cabeça.
- Me namora?
End of Flashback.
Uma moto vermelha virou a esquina. Pude ver da janela do meu quarto.
Lá estava ele: . Meu namorado.
-xx-
Eu sei que a mãe dela nunca gostou de mim.
E eu não fazia muita questão disso.
gostava. Eu precisava de mais alguma coisa?
Sra. (como minha sogra gostava de ser chamada) que se danasse.
Sei que pra ela o que mais importava era sua revista, a POP. Na verdade, a revista nem era dela, já que a filha (minha namorada e futura esposa, se querem saber) era quem tomava conta de tudo.
Eu sei, a mãe foi quem deu a ideia, a mãe que injetou dinheiro pra revista decolar. Mas vocês sabem como é... Se não há um cérebro, nada acontece.
E o cérebro da POP é a , definitivamente.
E ela é o meu maior orgulhinho.
Sei também que nunca foi daquelas pessoas que adoram mídia. Mas quero que nosso noivado seja o noivado dos sonhos. Não que eu me importe com isso, mas sei que , no fundo, se importa.
Seria maravilhoso e ela adoraria ser tema em sua própria revista.
Por isso conversei com os fotógrafos e com um colunista da POP e combinamos que eles apareceriam em nossa festa de três anos.
Nosso noivado, na verdade. Mas não sabia muito bem o que eu planejava.
-xx-
Ele pegou em minhas mãos e as beijou, delicadamente.
Estava daquela mesma maneira, de quando me pediu em namoro. Cabelos molhados, jaqueta de couro (nova, acalmem-se, ele não está usando a mesma), calça jeans super larga. A única coisa que mudava era a camisa, já que, diferente de três anos atrás, ele estava com uma de botões, super social. Os capacetes estavam em uma de suas mãos, mas ele só me entregou o meu depois de me beijar por um longo tempo.
Ele tinha aquele olhar de que estava escondendo algo de mim.
Não que eu me importasse realmente com aquilo, já que ele nunca escondia coisas ruins. Sempre escondia surpresas.
E eu definitivamente amava suas surpresas!
Flashback:
- Morangos, madame?
Ele veio até mim, em minha cama, apenas em sua boxer xadrez, segurando uma bandeja de morangos. Meus preferidos. E ele já sabia daquilo.
- Eu sei que você não vai resistir. – Sorriu, e deu-me um beijo nos lábios. - Feliz aniversário, meu amor.
- Não vá me dizer que há 22 morangos nessa bandeja. - Minha voz saiu rouca, fazendo-o rir.
- Eu esperava um “obrigada, meu amor”, mas não foi bem isso que escutei. - Ele brincou, enquanto eu me sentava para comer os deliciosos morangos.
- São vinte e dois?
- Quarenta e quatro.
- Por que quarenta e quatro? - Franzi minha testa, procurando uma resposta.
- Eu vou ficar sem comer? - Ele arqueou a sobrancelha e eu sorri. - Eu te amo.
- Repita!
- Eu te amo! Quer que eu repita mais uma vez, oh, cara dama?
- Não, assim está bom. Eu te amo também, lindo príncipe.
End of flashback.
Ele não havia feito aquilo! Era realmente uma festa? Com DJ, pista de dança, luzes de boate, convidados, fotógrafos e... A presença de um colunista da POP?
Eu estava alterada, drogada, sonhando, ou aquilo era realmente verdade?
Nunca me passou pela cabeça que tivesse a capacidade de pensar em uma festa!
Era uma festa!
Uma festa de verdade!
- Odeio esse zum zum zum que se repete em minha cabeça. - Ele disse, em meu ouvido.
- Quem pensou em boate foi você, meu amor. Não eu.
- Não, foi o . Eu só disse que queria uma festa.
- E pra que uma festa deste tamanho, ?
A música parou. Estávamos no meio da pista.
Ele pegou minhas mãos, com um sorriso sapeca nos lábios, e olhou diretamente em meus olhos.
aproximou-se de nós, com um microfone. Entregou-o a e saiu, murmurando “boa sorte”, e sorrindo besta para mim.
- Eu conheci a por causa daquele cara ali. - apontou para , que ainda estava próximo a nós. Ele sorriu, enquanto seu rosto começava a avermelhar. - Cara, sem você, minha vida não teria sentido algum.
Eu sorri, acompanhando as risadas dos presentes. Não que os outros me importassem. Eu só conseguia ver em minha frente. Eu queria apenas escutar as palavras que começara a dizer.
- Não teria sentido porque eu não conheceria . A pessoa que faz com que minha vida valha realmente alguma coisa. – Ele olhava profundamente em meus olhos. Eu escutava apenas zumbidos como o fundo de sua voz. Ele era o protagonista. – , você me mostrou o que é agir como criança e me sentir feliz por isso. Mostrou-me que não importa o que qualquer pessoa pense, porque o que realmente importa é a pessoa que está ao nosso lado. Mostrou-me que nada do que digam pode atrapalhar algo que se passa entre duas pessoas que se amam verdadeiramente. Amor. Você me mostrou o real significado de um sentimento que várias pessoas pensam que entendem. Eu já pensei que entendia. – Ele deu um sorriso torto e juntou nossas mãos, entrelaçando nossos dedos. Afastou o microfone, quando chegou seus lábios perto do meu pescoço e beijou-me ali. – Lembro-me de você sussurrando em meu ouvido que queria ser minha pelo resto de sua vida. – Disse, após morder o lóbulo de minha orelha, arrancando-me arrepios. – Você realmente quer ser minha para sempre?
Acho que todos gritavam com a pergunta que ele fez. Na verdade, não escutei mais nada. Só prestava atenção nos olhos de , nas palavras de , em perto de mim. Encostei meus lábios aos dele e mordi seu inferior.
- Pode apostar que desejo ser sua, mais do que apenas para sempre.
-xx-
Duas semanas depois daquilo, via-se na capa da POP, uma foto de e , com suas bocas coladas, seus olhos abertos, mirando-se amorosamente, o microfone colado no queixo dos dois, segurado por ele, e toda a platéia em volta.
Não me pergunte como, mas a mãe dela também apareceu na foto. É lógico que ela não perderia a oportunidade de aparecer ali, mesmo que não tivesse sido realmente convidada.
O que o dinheiro não compra?
Felicidade, eu acho.
Bonecas carecas que vêm sem roupa e poças de lama que viram piscinas de chocolate.
Bom, dinheiro não compra sonhos, apesar de realizá-los. Não compra a essência de uma criança, não compra um príncipe encantado, não compra o que ele sentia por ela.
Ele? Bem, . Ela? Claro que .
Mas o dinheiro pode comprar um fotógrafo expert em photoshop que não demorou quinze minutos enfiando a bruxa no noivado.
Volte ao topo para comentar!
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Bem, imagine-se vivendo minha vida:
Quando eu tinha quatro anos, minha mãe ganhou na loteria. Oba! Ganhamos na loteria! Que coisa interessante.
Como se eu, uma simples garota de quatro anos de idade, no auge da minha infância feliz, soubesse o que era dinheiro. Bom, pelo menos eu sabia o que era felicidade.
Felicidade, para mim, era brincar com minhas bonecas gigantes e carecas, que nem com roupas vinham. Era entrar na poça de lama que havia em frente à minha casa e falar que estava nadando em chocolate (ew). Era dizer que um dia eu seria uma princesa e SONHAR com um príncipe encantado que viria me buscar em cima de um cavalo branco.
Não, eu não virei uma princesa. Apenas tinha dinheiro.
O príncipe encantado não era bem um príncipe encantado. E o cavalo branco não era bem um cavalo branco.
Ele era o , primo de . O cavalo branco era uma moto vermelha. Sua incrível moto vermelha!
Quem era para ser tão focado? Bem, você pode achá-lo um Zé Ninguém, que não faz diferença alguma na sua vida. Ele é um garçom. O garçom do restaurante que tem aqui na esquina. Meu melhor amigo. Por isso ele é sempre bem lembrado por mim. Se não fosse por ele, eu nunca conheceria , considerado, por mim, meu príncipe encantado.
Espere, príncipe encantado? Sim, eu ainda tinha meus sonhos de criança.
Apesar de minha mãe não aceitar que eu namorasse um fora da lei, como ela sempre se referia a ele, eu nunca dei muita importância pro que ela dizia.
Apenas uma coisa me importava: Minha felicidade. Bem, minha felicidade era resumida em uma palavra: .
Esta é minha vida. Super resumida, eu sei. Mas não há fatos bastante importantes para ser lembrados. Exceto que depois de a chefe ganhar na loteria, nos mudamos de nosso barraco na periferia, para uma linda casa no centro da cidade. E que centro era aquele!
Voltando à hora, dez minutos para dez horas. E o que aconteceria dez horas? Posso dizer que começaria a melhor festa de minha vida.
E o que comemoraríamos?
Bem, comemoraríamos mais um aniversário de namoro. Eu ainda me lembrava do dia em que ele havia dito aquelas duas palavras memoráveis.
Flashback:
Ele estava lindo! Com aquela jaqueta de couro que ele sempre usava quando fazia muito frio, uma regata branca por baixo e sua calça jeans que sempre caía com uma facilidade muito grande. E ele estava na porta de minha casa, segurando os dois capacetes. Um sorriso se abriu em seu rosto, enquanto ele olhava fixamente em meus olhos.
Às vezes eu gostava de comparar a beleza dele ao brilho da lua. Você pode me achar meio tapada, mas eu amo a lua. Fico horas deitada em minha cama, com a porta que leva à minha varanda, aberta, olhando fixamente para aquela coisinha que mais parece um queijo quando está cheia.
Não que eu também esteja comparando a beleza dele a um queijo. Eu só comparava o formato da lua cheia a um queijo.
Como se isso fosse uma informação muito interessante.
Voltando a , ele estava lindo. E aquela jaqueta de couro (e seus cabelos ainda molhados) me dava uma vontade imensa de me jogar em cima dele e beijá-lo em cheio na boca. Mas eu sabia me controlar como uma garota de família.
Bem, aos olhos de minha mãe eu tinha de ser desta maneira. Uma garota de família. Não que eu ainda fosse virgem. Bem, com como um quase namorado é meio impossível. Ainda mais quando ele se empolga. Mas isso não é importante. Bem, importante é... Mas não é algo que eu deva falar agora.
Andei em sua direção e peguei sua mão livre, entrelaçando nossos dedos. Mordi meu lábio inferior e o olhei nos olhos, enquanto abria um sorriso meio “oi, sou sua, faça de mim o que quiser”. Ele aproximou seus lábios dos meus e me beijou suavemente.
- Hoje você não me escapa. – Ele riu entre o beijo, enquanto me falava, com a boca ainda encostada na minha.
- E quem disse que eu estava planejando escapar? – Respondi da mesma forma.
- Por favor, . Não me deixe empolgado aqui, na frente da sua mãe.
- Seria interessante arrancarmos nossas roupas e mostrarmos à ela o que fazemos em nosso tempo livre, o que acha?
- Acho que você deve calar a boca, antes que eu acate sua ideia. – Ele riu, afastando-se de mim. Fez um carinho em minha bochecha, entregando-me meu capacete.
- Eu quero que você acate minha ideia.
Ele voltou seu rosto na direção do meu e me olhou nos olhos. Eu já estava com o capacete na cabeça.
- Me namora?
End of Flashback.
Uma moto vermelha virou a esquina. Pude ver da janela do meu quarto.
Lá estava ele: . Meu namorado.
-xx-
Eu sei que a mãe dela nunca gostou de mim.
E eu não fazia muita questão disso.
gostava. Eu precisava de mais alguma coisa?
Sra. (como minha sogra gostava de ser chamada) que se danasse.
Sei que pra ela o que mais importava era sua revista, a POP. Na verdade, a revista nem era dela, já que a filha (minha namorada e futura esposa, se querem saber) era quem tomava conta de tudo.
Eu sei, a mãe foi quem deu a ideia, a mãe que injetou dinheiro pra revista decolar. Mas vocês sabem como é... Se não há um cérebro, nada acontece.
E o cérebro da POP é a , definitivamente.
E ela é o meu maior orgulhinho.
Sei também que nunca foi daquelas pessoas que adoram mídia. Mas quero que nosso noivado seja o noivado dos sonhos. Não que eu me importe com isso, mas sei que , no fundo, se importa.
Seria maravilhoso e ela adoraria ser tema em sua própria revista.
Por isso conversei com os fotógrafos e com um colunista da POP e combinamos que eles apareceriam em nossa festa de três anos.
Nosso noivado, na verdade. Mas não sabia muito bem o que eu planejava.
-xx-
Ele pegou em minhas mãos e as beijou, delicadamente.
Estava daquela mesma maneira, de quando me pediu em namoro. Cabelos molhados, jaqueta de couro (nova, acalmem-se, ele não está usando a mesma), calça jeans super larga. A única coisa que mudava era a camisa, já que, diferente de três anos atrás, ele estava com uma de botões, super social. Os capacetes estavam em uma de suas mãos, mas ele só me entregou o meu depois de me beijar por um longo tempo.
Ele tinha aquele olhar de que estava escondendo algo de mim.
Não que eu me importasse realmente com aquilo, já que ele nunca escondia coisas ruins. Sempre escondia surpresas.
E eu definitivamente amava suas surpresas!
Flashback:
- Morangos, madame?
Ele veio até mim, em minha cama, apenas em sua boxer xadrez, segurando uma bandeja de morangos. Meus preferidos. E ele já sabia daquilo.
- Eu sei que você não vai resistir. – Sorriu, e deu-me um beijo nos lábios. - Feliz aniversário, meu amor.
- Não vá me dizer que há 22 morangos nessa bandeja. - Minha voz saiu rouca, fazendo-o rir.
- Eu esperava um “obrigada, meu amor”, mas não foi bem isso que escutei. - Ele brincou, enquanto eu me sentava para comer os deliciosos morangos.
- São vinte e dois?
- Quarenta e quatro.
- Por que quarenta e quatro? - Franzi minha testa, procurando uma resposta.
- Eu vou ficar sem comer? - Ele arqueou a sobrancelha e eu sorri. - Eu te amo.
- Repita!
- Eu te amo! Quer que eu repita mais uma vez, oh, cara dama?
- Não, assim está bom. Eu te amo também, lindo príncipe.
End of flashback.
Ele não havia feito aquilo! Era realmente uma festa? Com DJ, pista de dança, luzes de boate, convidados, fotógrafos e... A presença de um colunista da POP?
Eu estava alterada, drogada, sonhando, ou aquilo era realmente verdade?
Nunca me passou pela cabeça que tivesse a capacidade de pensar em uma festa!
Era uma festa!
Uma festa de verdade!
- Odeio esse zum zum zum que se repete em minha cabeça. - Ele disse, em meu ouvido.
- Quem pensou em boate foi você, meu amor. Não eu.
- Não, foi o . Eu só disse que queria uma festa.
- E pra que uma festa deste tamanho, ?
A música parou. Estávamos no meio da pista.
Ele pegou minhas mãos, com um sorriso sapeca nos lábios, e olhou diretamente em meus olhos.
aproximou-se de nós, com um microfone. Entregou-o a e saiu, murmurando “boa sorte”, e sorrindo besta para mim.
- Eu conheci a por causa daquele cara ali. - apontou para , que ainda estava próximo a nós. Ele sorriu, enquanto seu rosto começava a avermelhar. - Cara, sem você, minha vida não teria sentido algum.
Eu sorri, acompanhando as risadas dos presentes. Não que os outros me importassem. Eu só conseguia ver em minha frente. Eu queria apenas escutar as palavras que começara a dizer.
- Não teria sentido porque eu não conheceria . A pessoa que faz com que minha vida valha realmente alguma coisa. – Ele olhava profundamente em meus olhos. Eu escutava apenas zumbidos como o fundo de sua voz. Ele era o protagonista. – , você me mostrou o que é agir como criança e me sentir feliz por isso. Mostrou-me que não importa o que qualquer pessoa pense, porque o que realmente importa é a pessoa que está ao nosso lado. Mostrou-me que nada do que digam pode atrapalhar algo que se passa entre duas pessoas que se amam verdadeiramente. Amor. Você me mostrou o real significado de um sentimento que várias pessoas pensam que entendem. Eu já pensei que entendia. – Ele deu um sorriso torto e juntou nossas mãos, entrelaçando nossos dedos. Afastou o microfone, quando chegou seus lábios perto do meu pescoço e beijou-me ali. – Lembro-me de você sussurrando em meu ouvido que queria ser minha pelo resto de sua vida. – Disse, após morder o lóbulo de minha orelha, arrancando-me arrepios. – Você realmente quer ser minha para sempre?
Acho que todos gritavam com a pergunta que ele fez. Na verdade, não escutei mais nada. Só prestava atenção nos olhos de , nas palavras de , em perto de mim. Encostei meus lábios aos dele e mordi seu inferior.
- Pode apostar que desejo ser sua, mais do que apenas para sempre.
-xx-
Duas semanas depois daquilo, via-se na capa da POP, uma foto de e , com suas bocas coladas, seus olhos abertos, mirando-se amorosamente, o microfone colado no queixo dos dois, segurado por ele, e toda a platéia em volta.
Não me pergunte como, mas a mãe dela também apareceu na foto. É lógico que ela não perderia a oportunidade de aparecer ali, mesmo que não tivesse sido realmente convidada.
O que o dinheiro não compra?
Felicidade, eu acho.
Bonecas carecas que vêm sem roupa e poças de lama que viram piscinas de chocolate.
Bom, dinheiro não compra sonhos, apesar de realizá-los. Não compra a essência de uma criança, não compra um príncipe encantado, não compra o que ele sentia por ela.
Ele? Bem, . Ela? Claro que .
Mas o dinheiro pode comprar um fotógrafo expert em photoshop que não demorou quinze minutos enfiando a bruxa no noivado.

