Contagem Regressiva
Autora: Babi Lorentz
Status: Finalizada
Revisada por: Juh Claro
Categoria: Free Fics
Sub-Categoria: Drama - ShortFic
Comentários:
O engraçado mesmo foi que, no meio de toda aquela gente, no meio de toda aquela bagunça que sempre acontecia atrás do trio elétrico na virada do ano, a única pessoa que vi, quando começou a contagem regressiva, foi ele.
Flashback
Nos conhecemos no verão de 2009. Ele parecia ser perfeito: cabelos loiros no comprimento certo – nem grande demais, mas nada de cabeça raspada – arrumado com gel para deixá-lo espetadinho – a sensação do momento; olhos castanhos – pude ver assim que ele levantou os óculos escuros; altura? Eu batia exatamente em seu queixo – fiz questão de descobrir, chegando um pouco perto dele; e o corpo? Bombadinho, para resumir.
Usava uma bermuda azul e uma regata branca. Chinelos nos pés.
Esbarrou em mim ao se aproximar da barraca de bebidas na qual eu me encontrava.
- Desculpe, mocinha.
- Mocinha não. .
- Prazer, . Sou o .
Foi um diálogo rápido, seguido por um beijo não tão rápido assim. Foi algo efervescente, que fez todo o meu corpo tremer. Eu sabia que seria uma boa coisa se eu conseguisse ficar com ele durante todo o verão.
Mais tarde, depois de muitos beijos, descobri que ele era novo na cidade, havia chegado na metade de 2008 e estudava Engenharia Civil na nossa Universidade Federal. Eu ainda estava tentando entrar na faculdade, tinha acabado de terminar o terceiro ano.
4 meses depois disso, começamos a namorar. Ele foi até minha casa e pediu minha mão para meus pais. parecia um príncipe de tão perfeito. Fazia o possível para me impressionar mais a cada dia. Era lindo e nunca havia me tratado mal. Fazia o possível para que eu sempre me sentisse bem. Não havia como, depois de tanto tempo apenas ficando, dizer um não como resposta ao seu pedido. Começamos a namorar dia 03 de Junho, me lembro direitinho da data porque estava esperando aquele pedido há mais tempo.
Passei o melhor 12 de Junho da minha vida – até hoje. Foi nessa data que aconteceu a minha primeira vez com ele. Lembro-me do quarto dele todo arrumado para aquele momento: velas rosas aromatizadas, pétalas de rosas vermelhas em cima da cama e em todo o chão. Ele foi a pessoa mais cuidadosa e romântica de todo o mundo comigo. Parecia até que estava tirando minha virgindade... Mas ele disse que isso era necessário, porque ele queria que tudo fosse bonito para mim.
Mas, no ano seguinte, nessa mesma época de dia dos namorados, não foi nada parecido. Há um tempo ele estava me tratando mal, me respondia na frente dos amigos, batia em minha bunda na frente de qualquer pessoa e me pedia para buscar sua cerveja, como se aquilo fosse algo de um casal normal. Ele chegou a bater em meu rosto um dia quando chegamos de uma festa. Disse que eu merecia aquilo porque eu havia me comportado como uma "cachorra" durante a noite toda. Disse que cachorras mereciam ser tratadas daquela forma.
Depois de tantas brigas e de tanto ver que ele apenas piorava, me tratando mais mal a cada dia, comecei a reparar em coisas mais estranhas em seu comportamento. Comecei a reparar em seus novos amigos e cheguei a encontrar droga – cocaína – em sua mochila. Sinceramente aquilo acabou comigo. Ele era tão perfeito e tão doce no início do nosso namoro, no início do nosso relacionamento. Mas parecia que a droga estava acabando com a vida dele. já não era mais o que eu costumava chamar de meu , já era o da cocaína.
O fim do namoro foi ainda mais difícil, já que ele não aceitava que terminássemos. Tive que pedir apoio aos meus pais, acabei contando tudo para a mãe dele – que nada fez com o filho – e consegui, enfim, me livrar de alguém que não me merecia.
End of Flashback
Então escutei todos começarem a fazer a contagem regressiva. 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1... A cada número dito, eu sentia minhas pernas andarem ainda mais na direção dele.
E era o , omeu . Ali, na minha frente, a 5 passos de mim.
Eu poderia correr até ele e beijá-lo, nós poderíamos tentar de novo, ou fingir que nada havia acontecido, como muitas vezes fazíamos para nos resolver. Mas era 2011 entrando. Eu precisava de uma vida nova. Prender-me ao seria apenas aguentar mais um ano complicado. Seria mentir, mais uma vez, para mim mesma, que tudo aquilo não passava de um pesadelo.
Então virei o rosto e senti uma boca vindo de encontro à minha. Eu estava começando a me libertar.
Nota de autora: Olá!
Escrevi essa fic no final do ano passado pra um especial de ano novo em outro site. Resolvi, apenas hoje, enviá-la pro POP.
I hope you enjoy it.
Babi
Contato: Blog | Twitter | All About Fics.
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Flashback
Nos conhecemos no verão de 2009. Ele parecia ser perfeito: cabelos loiros no comprimento certo – nem grande demais, mas nada de cabeça raspada – arrumado com gel para deixá-lo espetadinho – a sensação do momento; olhos castanhos – pude ver assim que ele levantou os óculos escuros; altura? Eu batia exatamente em seu queixo – fiz questão de descobrir, chegando um pouco perto dele; e o corpo? Bombadinho, para resumir.
Usava uma bermuda azul e uma regata branca. Chinelos nos pés.
Esbarrou em mim ao se aproximar da barraca de bebidas na qual eu me encontrava.
- Desculpe, mocinha.
- Mocinha não. .
- Prazer, . Sou o .
Foi um diálogo rápido, seguido por um beijo não tão rápido assim. Foi algo efervescente, que fez todo o meu corpo tremer. Eu sabia que seria uma boa coisa se eu conseguisse ficar com ele durante todo o verão.
Mais tarde, depois de muitos beijos, descobri que ele era novo na cidade, havia chegado na metade de 2008 e estudava Engenharia Civil na nossa Universidade Federal. Eu ainda estava tentando entrar na faculdade, tinha acabado de terminar o terceiro ano.
4 meses depois disso, começamos a namorar. Ele foi até minha casa e pediu minha mão para meus pais. parecia um príncipe de tão perfeito. Fazia o possível para me impressionar mais a cada dia. Era lindo e nunca havia me tratado mal. Fazia o possível para que eu sempre me sentisse bem. Não havia como, depois de tanto tempo apenas ficando, dizer um não como resposta ao seu pedido. Começamos a namorar dia 03 de Junho, me lembro direitinho da data porque estava esperando aquele pedido há mais tempo.
Passei o melhor 12 de Junho da minha vida – até hoje. Foi nessa data que aconteceu a minha primeira vez com ele. Lembro-me do quarto dele todo arrumado para aquele momento: velas rosas aromatizadas, pétalas de rosas vermelhas em cima da cama e em todo o chão. Ele foi a pessoa mais cuidadosa e romântica de todo o mundo comigo. Parecia até que estava tirando minha virgindade... Mas ele disse que isso era necessário, porque ele queria que tudo fosse bonito para mim.
Mas, no ano seguinte, nessa mesma época de dia dos namorados, não foi nada parecido. Há um tempo ele estava me tratando mal, me respondia na frente dos amigos, batia em minha bunda na frente de qualquer pessoa e me pedia para buscar sua cerveja, como se aquilo fosse algo de um casal normal. Ele chegou a bater em meu rosto um dia quando chegamos de uma festa. Disse que eu merecia aquilo porque eu havia me comportado como uma "cachorra" durante a noite toda. Disse que cachorras mereciam ser tratadas daquela forma.
Depois de tantas brigas e de tanto ver que ele apenas piorava, me tratando mais mal a cada dia, comecei a reparar em coisas mais estranhas em seu comportamento. Comecei a reparar em seus novos amigos e cheguei a encontrar droga – cocaína – em sua mochila. Sinceramente aquilo acabou comigo. Ele era tão perfeito e tão doce no início do nosso namoro, no início do nosso relacionamento. Mas parecia que a droga estava acabando com a vida dele. já não era mais o que eu costumava chamar de meu , já era o da cocaína.
O fim do namoro foi ainda mais difícil, já que ele não aceitava que terminássemos. Tive que pedir apoio aos meus pais, acabei contando tudo para a mãe dele – que nada fez com o filho – e consegui, enfim, me livrar de alguém que não me merecia.
End of Flashback
Então escutei todos começarem a fazer a contagem regressiva. 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1... A cada número dito, eu sentia minhas pernas andarem ainda mais na direção dele.
E era o , o
Eu poderia correr até ele e beijá-lo, nós poderíamos tentar de novo, ou fingir que nada havia acontecido, como muitas vezes fazíamos para nos resolver. Mas era 2011 entrando. Eu precisava de uma vida nova. Prender-me ao seria apenas aguentar mais um ano complicado. Seria mentir, mais uma vez, para mim mesma, que tudo aquilo não passava de um pesadelo.
Então virei o rosto e senti uma boca vindo de encontro à minha. Eu estava começando a me libertar.
FIM
Nota de autora: Olá!
Escrevi essa fic no final do ano passado pra um especial de ano novo em outro site. Resolvi, apenas hoje, enviá-la pro POP.
I hope you enjoy it.
Babi
Contato: Blog | Twitter | All About Fics.

