Hallowchild
Autora: Babi Lorentz
Status: Finalizada
Revisada por: Juh Claro
Categoria: Free Fics
Sub-Categoria: Comédia - Short Fic
Nota pelo desafio: 9,5
Comentários:
Não é fácil ter um filho. E não, não estou reclamando por ter um filho, estou apenas dizendo que ter um filho não é a coisa mais fácil do mundo.
Quando me casei com a , há 10 anos, pensávamos em algumas coisas: aulas de mergulho durante a lua de mel (vai entender!) e, bem, bebês. Queríamos logo ter nossos bebês. Hoje temos dois: , com seus 8 anos, e , com 2 aninhos. Estão vendo como não posso reclamar? Pois é. Eu gosto muito de ter filhos, confesso que até me sinto nas nuvens ao falar que sou pai!
Mas esse meu desespero por ter filhos não vem do nada. É difícil passar por uma, digamos crise financeira e ter que ouvir sua filha lhe dizendo: “Papai, eu queria muito aquela boneca!” ou “Aquela sandália nova da Eliana é tão linda!” E isso é complicado ainda mais quando chegamos nessa época do ano: O dia das crianças.
Acredito que, depois do Natal, esta é a época em que o comércio mais ganha. Principalmente o comércio infantil, que, além de vender todos os dias (tem gente nascendo de hora em hora), ainda lucra muito mais com brinquedos caríssimos que os filhos pedem para os pais fazendo aquela cara linda que não merece um não.
Eu, por exemplo, ao ouvir me falando da boneca (acho que era uma Barbie) e da sandália (da Eliana dos dedinhos), fiquei tentado a voltar nas lojas e comprar os dois de presente para minha filha. Isso só não aconteceu por causa da interferência da , que me segurou me dizendo “Querido, não podemos gastar”. O que é muito engraçado de se acontecer já que, quando nos casamos, quem controlava a despesa era eu.
A , pra me dar uma força e me ajudar a esquecer do episódio com a boneca e com a sandália, acabou inventando uma festinha comunitária de Halloween (já que em outubro também temos esse feriado) na qual todas as mães do condomínio se juntariam para criar um lugar tranquilo e fazer seus filhos se divertirem no meio de toda aquela festa com doces e, claro, travessuras (mas que aconteceria no dia das crianças).
E foi aí que eu tive que virar o fantasma (ou seria melhor eu dizer palhaço?) e animar a festa.
O engraçado na é que apesar de ela ter ideias bem legais, eu acabo sempre tendo que fazer algo não muito legal e que seria capaz de me envergonhar. Quando eu perguntava o que eu usaria no dia da festa, ela apenas respondia: “Nada que um lençol branco não resolva.” E devia pensar: “Você é pequeno, um de solteiro te cobre fácil”. Mas se olhar no espelho e lembrar que ela era menor (bem menor) que eu, ela não olhava.
Até aí tudo bem. Fantasia decidida. O difícil seria passar o dia 12 de mãos abanando. Sem presentes para a pobre ! Que dó, que dó, que dó! Peguei minha carteira e a chave do carro e passei correndo pela cozinha, apenas sendo possível escutar “Aonde o senhor pensa que vai?” agudo que a gritou pra mim. Acho que só consegui me afastar porque ela estava um pouco - bastante - ocupada tentando dar papinha pro .
Passei no trabalho (já que estava em meu dia de folga) e pedi um adiantamento. Meu chefe conseguiu me passar um troquinho e eu corri pra loja onde a vira a tal da sandália. E que bom que consegui comprar a última que havia no tamanho dela! Aproveitei pra comprar uma mini camisa do como presente pro meu . Eu sabia que tudo daria certo!
Ao voltar pra casa, a primeira coisa que ouvi da minha mulher foi: “Lembrou-se de comprar a abóbora?” e, ao dizer que não, tive que olhar pra expressão de brava (linda) que ela sempre faz nessas situações. “Eu te avisei sobre a abóbora!” E, quando eu disse que não, que ela não havia me avisado, percebi que ela estava naquele período em que os homens precisam se afastar: a tal da TPM. Por sorte eu tinha um chocolate no carro.
Mas a “bronca da TPM” eu só ganhei mesmo quando já estávamos deitados, prontos para dormir. “Amor, o que você foi fazer na rua hoje?” E eu sabia que, daquela pergunta, não conseguiria escapar. Entreguei-me, mostrei que eu era culpado, pensando que ela apenas soltaria aquela risada (linda), mas me enganei. Ela, bem... Deu-me uns tapinhas (e que tapinhas!) para me “dar a lição que eu precisava”. A sorte que eu tenho é que ainda sou mais forte. Então só precisei segurá-la, olhá-la nos olhos e, bem, beijá-la na boca. Depois disso ela se entregou.
No dia da festa, saiu mais cedo de casa para poder arrumar o local com aquele enorme grupo de mães e me deixou por conta das crianças. Eu precisaria apenas fazer com que elas usassem as fantasias e levá-las pro local. adorou saber que a mãe havia conseguido a tal da fantasia de Viking pra ela, já que ela insistia em parecer com a tal menina (nunca me lembro do nome) daquele filme... Como Treinar o seu Dragão. Vesti com uma roupinha de pirata e pronto! Estávamos arrumados para seguir pra festa. Só faltava o meu lençol.
Quando chegamos, senti apertando minha mão e dizendo: “Uau! Assombrado!” Ri com a garota e entramos. quis pular no pula-pula e correu para encontrar suas amigas.
“Cadê o seu lençol, ?” Ouvi perguntando. Virei-me e ri: “Aquilo não era sério, né?” e tive que aguentar mais alguns tapinhas. O engraçado era que ela estava vestida de bruxa. Eu vestia apenas uma bermuda e minha camisa do . Minha intenção era dizer que eu estava fantasiado de torcedor. Não de fantasma! E aquilo foi mais um motivo para ela me dar alguns outros tapas. Mais uma vez, parti pra ideia de segurar seus braços. Aquilo sempre funcionava.
A festinha foi um sucesso, era visível a felicidade em cada rostinho infantil. Os pais também se sentiam aliviados por poderem fazer algo bacana para seus filhos. Até mesmo os adolescentes quiseram participar, mesmo sabendo que nenhuma gota de álcool poderia ser servida e que a fantasia era item obrigatório ( me fez voltar em casa e pegar um lençol branco). Cada criança saiu com uma sacola recheada de doces, balas, chocolates, chicletes e pirulitos (muitas delas carregadas pelos pais, já dormindo como anjinhos).
Mas o melhor da noite foi poder chegar em casa e entregar os presentes para meus filhos. e adoraram cada um seus presentes. Ela quis logo calçar a sandália e ele queria vestir a camisa para ficar parecido com o pai. Aquilo me encheu de orgulho. Até mesmo ficou com aquele brilhinho nos olhos. E na cama, à noite, ela que acabou me agradecendo, me ninando até que eu pegasse no sono. “Happy Hallowchild.”
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Quando me casei com a , há 10 anos, pensávamos em algumas coisas: aulas de mergulho durante a lua de mel (vai entender!) e, bem, bebês. Queríamos logo ter nossos bebês. Hoje temos dois: , com seus 8 anos, e , com 2 aninhos. Estão vendo como não posso reclamar? Pois é. Eu gosto muito de ter filhos, confesso que até me sinto nas nuvens ao falar que sou pai!
Mas esse meu desespero por ter filhos não vem do nada. É difícil passar por uma, digamos crise financeira e ter que ouvir sua filha lhe dizendo: “Papai, eu queria muito aquela boneca!” ou “Aquela sandália nova da Eliana é tão linda!” E isso é complicado ainda mais quando chegamos nessa época do ano: O dia das crianças.
Acredito que, depois do Natal, esta é a época em que o comércio mais ganha. Principalmente o comércio infantil, que, além de vender todos os dias (tem gente nascendo de hora em hora), ainda lucra muito mais com brinquedos caríssimos que os filhos pedem para os pais fazendo aquela cara linda que não merece um não.
Eu, por exemplo, ao ouvir me falando da boneca (acho que era uma Barbie) e da sandália (da Eliana dos dedinhos), fiquei tentado a voltar nas lojas e comprar os dois de presente para minha filha. Isso só não aconteceu por causa da interferência da , que me segurou me dizendo “Querido, não podemos gastar”. O que é muito engraçado de se acontecer já que, quando nos casamos, quem controlava a despesa era eu.
A , pra me dar uma força e me ajudar a esquecer do episódio com a boneca e com a sandália, acabou inventando uma festinha comunitária de Halloween (já que em outubro também temos esse feriado) na qual todas as mães do condomínio se juntariam para criar um lugar tranquilo e fazer seus filhos se divertirem no meio de toda aquela festa com doces e, claro, travessuras (mas que aconteceria no dia das crianças).
E foi aí que eu tive que virar o fantasma (ou seria melhor eu dizer palhaço?) e animar a festa.
O engraçado na é que apesar de ela ter ideias bem legais, eu acabo sempre tendo que fazer algo não muito legal e que seria capaz de me envergonhar. Quando eu perguntava o que eu usaria no dia da festa, ela apenas respondia: “Nada que um lençol branco não resolva.” E devia pensar: “Você é pequeno, um de solteiro te cobre fácil”. Mas se olhar no espelho e lembrar que ela era menor (bem menor) que eu, ela não olhava.
Até aí tudo bem. Fantasia decidida. O difícil seria passar o dia 12 de mãos abanando. Sem presentes para a pobre ! Que dó, que dó, que dó! Peguei minha carteira e a chave do carro e passei correndo pela cozinha, apenas sendo possível escutar “Aonde o senhor pensa que vai?” agudo que a gritou pra mim. Acho que só consegui me afastar porque ela estava um pouco - bastante - ocupada tentando dar papinha pro .
Passei no trabalho (já que estava em meu dia de folga) e pedi um adiantamento. Meu chefe conseguiu me passar um troquinho e eu corri pra loja onde a vira a tal da sandália. E que bom que consegui comprar a última que havia no tamanho dela! Aproveitei pra comprar uma mini camisa do como presente pro meu . Eu sabia que tudo daria certo!
Ao voltar pra casa, a primeira coisa que ouvi da minha mulher foi: “Lembrou-se de comprar a abóbora?” e, ao dizer que não, tive que olhar pra expressão de brava (linda) que ela sempre faz nessas situações. “Eu te avisei sobre a abóbora!” E, quando eu disse que não, que ela não havia me avisado, percebi que ela estava naquele período em que os homens precisam se afastar: a tal da TPM. Por sorte eu tinha um chocolate no carro.
Mas a “bronca da TPM” eu só ganhei mesmo quando já estávamos deitados, prontos para dormir. “Amor, o que você foi fazer na rua hoje?” E eu sabia que, daquela pergunta, não conseguiria escapar. Entreguei-me, mostrei que eu era culpado, pensando que ela apenas soltaria aquela risada (linda), mas me enganei. Ela, bem... Deu-me uns tapinhas (e que tapinhas!) para me “dar a lição que eu precisava”. A sorte que eu tenho é que ainda sou mais forte. Então só precisei segurá-la, olhá-la nos olhos e, bem, beijá-la na boca. Depois disso ela se entregou.
No dia da festa, saiu mais cedo de casa para poder arrumar o local com aquele enorme grupo de mães e me deixou por conta das crianças. Eu precisaria apenas fazer com que elas usassem as fantasias e levá-las pro local. adorou saber que a mãe havia conseguido a tal da fantasia de Viking pra ela, já que ela insistia em parecer com a tal menina (nunca me lembro do nome) daquele filme... Como Treinar o seu Dragão. Vesti com uma roupinha de pirata e pronto! Estávamos arrumados para seguir pra festa. Só faltava o meu lençol.
Quando chegamos, senti apertando minha mão e dizendo: “Uau! Assombrado!” Ri com a garota e entramos. quis pular no pula-pula e correu para encontrar suas amigas.
“Cadê o seu lençol, ?” Ouvi perguntando. Virei-me e ri: “Aquilo não era sério, né?” e tive que aguentar mais alguns tapinhas. O engraçado era que ela estava vestida de bruxa. Eu vestia apenas uma bermuda e minha camisa do . Minha intenção era dizer que eu estava fantasiado de torcedor. Não de fantasma! E aquilo foi mais um motivo para ela me dar alguns outros tapas. Mais uma vez, parti pra ideia de segurar seus braços. Aquilo sempre funcionava.
A festinha foi um sucesso, era visível a felicidade em cada rostinho infantil. Os pais também se sentiam aliviados por poderem fazer algo bacana para seus filhos. Até mesmo os adolescentes quiseram participar, mesmo sabendo que nenhuma gota de álcool poderia ser servida e que a fantasia era item obrigatório ( me fez voltar em casa e pegar um lençol branco). Cada criança saiu com uma sacola recheada de doces, balas, chocolates, chicletes e pirulitos (muitas delas carregadas pelos pais, já dormindo como anjinhos).
Mas o melhor da noite foi poder chegar em casa e entregar os presentes para meus filhos. e adoraram cada um seus presentes. Ela quis logo calçar a sandália e ele queria vestir a camisa para ficar parecido com o pai. Aquilo me encheu de orgulho. Até mesmo ficou com aquele brilhinho nos olhos. E na cama, à noite, ela que acabou me agradecendo, me ninando até que eu pegasse no sono. “Happy Hallowchild.”

