Maybe This isn't The End
Autora: Is Carvalho
Status: Finalizada
Revisada por: Faah Rodrigues
Categoria: Free Fics
Sub-Categoria: Short-Fic, Aventura e Suspense.
Nota pelo desafio: 7,5
Comentários:
Capítulo Único - Maybe This isn't The End
olhou para trás, ao ouvir um farfalhar de folhas; As nuvens escuras faziam movimentos estranhos e rápidos pelo céu de fim de tarde. O dia das crianças fora há 18 dias e em todas as casas da vizinhança havia abóboras iluminadas com desenhos estranhos, máscaras de caveiras e objetos escabrosos, como os da casa dos Richardson, que tinham mãos muito reais e as paredes manchadas de alguma coisa que parecia sangue.
Mas que não é, com certeza. - Pensou ela.
Há exatas duas casas da sua, avistou duas meninas brigando por uma boneca, que, por um momento ela jurou que havia piscado um dos olhos. Ela continuou a andar calmamente, quando o maldito barulho do farfalhar de folhas voltou aos seus ouvidos. Como se alguém estivesse seguindo-a. Olhou para os lados, mas tudo o que viu foi o bairro em que estava acostumada a viver há 4 anos perfeitamente normal, crianças correndo, babás fofocando nos bancos da pracinha, adolescentes, como ela, voltando para casa depois de um dia de aula. Tudo normal.
Flash Back ~
Depois da aula de Educação Física, tomou banho, vestiu um uniforme limpo e se dirigiu aos portões da escola. Era dia das crianças, todos queriam ir pra casa para ver se ganharam presentes, até os mais velhos.
Ela seguiu pelo mesmo caminho de sempre: Seguindo pela pracinha, dobrando na esquina e seguindo reto por alguns bons metros, chegando ao seu pequeno bairro.
Pegou os fones azuis de seu Ipod e colocou a primeira música que apareceu para tocar, algo sobre garotas fazerem o que querem (Girls Do What They Want – The Maine).
O barulho do farfalhar de folhas secas lhe acompanhava desde o inicio do mês, o barulho do outono, como seu melhor amigo costumava falar, antes de... Bem, antes de falecer. No dia 31/10.
Meninas exibiam suas novas bonecas, bolsas e roupas, enquanto meninos jogavam com a nova bola de futebol de algum deles, não se preocupando com algumas futilidades. Não muito longe, alguns garotos também jogavam futebol, só que todos já tinham mais de 15 anos. O que parecia ser o ‘dono’ da bola, chutou e a bola foi parar aos pés de , que estava um pouco distraída ouvindo música. Olhou para frente para ver de quem era e viu correndo em sua direção. era seu melhor amigo, um garoto alto, com cabelos escuros, olhos claros e de um bom porte físico, não muito musculoso, mas também não era magrelo.
- Oi – Disse ele – Vai sair mais tarde?
- Oi, acho que não. – Sorriu ela – Toma, leva logo a bola, que seus amigos que não gostam de mim estão te chamando.
- Que nada – Falou ele, olhando para trás, onde os amigos chamavam-no – Como alguém pode não gostar de você, ?
- HEY, eu já disse pra não me chamar assim! – Reclamou . – E, sim, eles não vão com a minha cara, porque você prefere assistir Star Wars comigo do que comer meninas por aí com eles.
- É claro que eu prefiro ficar com você assistindo Star Wars, o Obi-Wan é um gato! – Falou , fazendo uma voz fina – Então, quer ir em algum lugar comigo?
- Tira o olho, o Obi-Wan é c-o-m-p-l-e-t-a-m-e-n-t-e meu! – brincou. – Ah, sei lá, vou falar com meu pai e depois eu te ligo, ok?! Agora volta para o seu jogo antes que eles me matem com os olhos.
a abraçou e sussurrou bem próximo ao seu ouvido:
- May The Force Be With You, Yoda.
começou a rir e continuou seu caminho pela calçada até sua casa amarela.
End of Flash Back ~
Ela queria não pensar naquilo, naquele momento, porque doía. Doía mesmo. E ainda saber que ele havia morrido por sua causa não ajudava muito, mas sua consciência gostava de lhe culpar a cada manhã, todas as horas em que via o sol, que adorava, todas as coisas que ele perdeu para salvar a sua vida quando aquela maldita árvore os atingiu no meio da tempestade. Ele não devia ter feito aquilo, ela conseguiria sair debaixo de lá sem a ajuda de ninguém, mas ele e sua mania de ajudar a sua pequena , como ele mesmo a apelidou, sempre querendo fazer o melhor, quando aquele galho atingiu-o na cabeça, e dias depois da morte descobriu que se ele estivesse um passo atrás como ela mesmo havia avisado, o ferimento não teria sido tão profundo e causado uma hemorragia interna, levando ele à morte no dia 31/10.
Dali a um dia faria um ano de sua morte, faria 1 ano que Dona Rose perdera seu filho único, faria 1 ano que os meninos perderam o capitão do time de futebol e faria 1 ano que se atormentava diariamente por ter sido tão idiota ao ponto de se meter em baixo de uma àrvore velha, no meio de uma tempestade.
Ao entrar em casa, ela percebeu tudo em silêncio. Seu pai sempre estava em casa esse horário, ela estranhou. Subiu as escadas desligando a música no Ipod e entrou no seu quarto. Sentou na beira da cama, olhou o porta-retratos que tinha uma foto dela com e , um dos únicos amigos de que gostava dela. Ambos sorriam enquanto carregavam ela, brincado na neve como crianças de 6 anos.
Ela tirou o casaco, os tênis e as meias, indo para o banheiro para tomar um banho quente. Após o banho, foi à cozinha, pegou alguns biscoitos e uma coca-cola, voltando para o quarto para terminar seus exercícios de Química.
___________________
Quando os raios de luz começaram a invadir seu quarto pela estreita janela, virou-se na cama. Tudo o que ela queria era dormir o dia todo e só acordar na outra semana. Sentiu o cheiro de panquecas vindo do andar de baixo, prendeu os cabelos e desceu para encontrar seu pai vestindo um avental rosa escrito: Kiss The Cook.
- Bom dia, ! – Falou ele, sorridente – Feliz Dia Das Bruxas!
- Bom dia, pai. – Murmurou ela, sorrindo de boca fechada – O que temos hoje?
- Panquecas carameladas, chocolate quente e biscoitos em forma de chapéu de bruxa.
riu um pouco e sentou na bancada da cozinha, pensando no que fazer no resto do dia, já que geralmente quem dava as ideias para os feriados era , ou . Ela comeu suas panquecas com um pouco de suco de laranja, e foi até a janela da frente da casa para ver como estavam as coisas. Meninas vestidas de boneca e meninos de fantasma, cestas em forma de cabeça de abóbora.
Ela trocou de roupa e avisou para o seu pai que iria ficar assistindo televisão na sala. mudou de canal várias vezes até encontrar um em que passava Harry Potter e a Câmara Secreta. Ficou ali quase a manhã toda, quando seu pai a chamou para almoçar.
No final da tarde, ouviu a campainha tocar, pegou o pote onde estavam os doces e deu seu melhor sorriso para abrir a porta.
- Se eu soubesse que você sorriria assim pra mim, teria vindo mais cedo – falou .
- Ah, oi. – disse ela, desmanchando um pouco do sorriso. Era sempre essa a hora que trazia um dos seus primos para pegar doces – Entra aí.
- Então, quer ir... Hum, visitar ele hoje?
- Você vai comigo?
- Vou sim, que horas? – se segurou para não deixar uma teimosa lágrima escapar.
- Umas 20h, eu ainda tenho que dar doces a esses pestinhas – Ele sorriu de lado e afagou seu braço. - Não fica mal, ok?! – ele percebeu que ela estava se segurando para não chorar e então abraçou-a, antes de ir embora.
- May The Force Be With You – Ela pensou ter ouvido.
Às 20h estava sentada no sofá branco da sua sala de estar esperando , para irem ao cemitério. A campainha tocou, ela olhou pela janela e avisou seu pai que estava saindo.
- Vamos? – Murmurou ela.
O caminho até o cemitério foi silencioso, porém assombrado. As àrvores faziam sombras estranhas nas casas, como se uma grande garra estivesse atravessando-a, crianças corriam e gritavam por todos os lados com doces transbordando pelas sacolas. Alguns mais velhos estavam assustando menininhas, e outros lhe roubavam doces. Casais com fantasias que se ‘completam’ se beijavam em bancos, e apenas duas pessoas seguiam o mesmo caminho que eles dois.
- Você sente muito a falta dele, não? – falou .
- Todas as horas. – respondeu – Por mais que todos vocês digam que não, eu sei que a culpa foi toda minha. Se eu não fosse tão idiota, ele aind-
Um grito pavoroso ecoou pela rua, assustando os que puderam ouvir. Correram os que tiveram medo, curiosos observavam para ver de onde viera e e continuaram a seguir para o cemitério. Ela apertou o casaco com força em torno de si, tentando espantar o frio. A cada respiração, uma fumacinha branca saia da boca de ambos, ainda um pouco espantados com o grito, que provavelmente deve ter sido uma brincadeira de mau gosto. Ao chegarem à frente do cemitério, o farfalhar de folhas voltou e sentiu um arrepio repentino na espinha. Quando você se sente arrepiado, é porque um espírito passou a mão em você. Uma única pessoa estava no cemitério quando eles entraram, um coveiro.
- Venha, é por aqui – indicou .
Ela o seguiu por trilhas estreitas e por mais montes de folhas secas com seu ‘barulho do outono’ irritante. Ao chegarem à lápide que dizia: "Aqui Jaz, Jones, querido filho, neto e amigo", deu um passo atrás para se abaixar e ‘falar’ com .
- Oi – começou ela – Faz tempo que eu não venho te visitar, não é mesmo?
estava encostado em uma árvore, olhando para o nada, como se estivesse esperando alguém chegar.
- Espero que você esteja bem, no lugar onde estiver – ela botou um pacote de Nerds em frente à lápide, e se deixou chorar por algum tempo.
Logo, um braço envolveu seus ombros e ela se deixou abraçar.
___________________
- Obrigada, .
- Tem certeza que esses braços fortes e másculos são do ? – Uma voz mais grossa e conhecida respondeu.
- ? – Gaguejou. Ela estava branca ao ponto de desmaiar, quando se aproximou e colou seus lábios nos dela.
- , por favor, não tô aqui pra ficar de vela – Reclamou , enquanto os dois ainda se beijavam.
A necessidade de ar falou maior, e se soltou de , ainda muito assustada.
- Mas... Mas como?
- Segundo a Origem Pagã do Dia das Bruxas, hoje é um dia em que os mortos podem voltar. Como eu morri nesse dia, tenho esse lindo privilégio de voltar para o meu belo corpinho, não apenas com meu espírito – Ela o olhava assustada, como medo – Você está com medo de mim, ?
- Nã- Não, é só que... Meu Deus, você tá péssimo – Riu ela – Aliás, o que você tem a ver com isso?
- Minha querida – Como num flash apareceu na sua frente.
- MEU DEUS, VOCÊ BRILHA NO SOL TAMBÉM? TIPO EDWARD CULLEN? (n/a: Gente, eu gosto de Crepúsculo também, é só uma brincadeira) – riu e mostrou os dentes para ela – Mas...
- Menina, você não cansa de perguntar e falar ‘mas’, não? – Reclamou .
- Não, mas... – Ela começou a rir e abraçou pela cintura – Quanto tempo você ainda tem?
Ele olhou para um relógio imaginário no pulso e falou:
- Hum, pelas minhas contas temos 3h e 43 minutos. Que tal invadirmos uma casa?
- Quando vocês ficaram tão perversos assim?
- Entre a hora das criancinhas dormirem e os segundos que os monstros saem debaixo da cama; – Ela os observou com a sua melhor cara de ‘o quê, porra?’ – Brincadeira! Foi no dia em que ele morreu e um vampiro viadinho me atacou.
Por um momento, pensou ter ouvido o barulho de chuva batendo em uma janela, mas parecia que apenas ela tinha ouvido.
- Vocês ouviram isso?
- Isso o quê? – Perguntaram um uníssono.
- Nada.
- Entããão, galerinha do mal, o que vamos fazer? Chupar o sangue de algumas gatas?
- , seu burro, o único vampiro aqui é você. – Falou , apertando contra si – E outra, eu já tenho a minha gata aqui.
se sentiu ruborizar um pouco e deu graças aos céus que estava escuro. Uma forte chuva começou a cair, relembrando-a do dia da morte de .
- Calma, não vai acontecer nada – Tranquilizou ele – Você confia em mim?
- Um pouco.
- Nossa, meu ego foi lá em cima agora! – Reclamou com um sorrisinho irônico – , se você quiser, pode ir. Eu quero conversar com ela um pouco.
- Conversar. E eu sou o Bozo. – riu um pouco e foi embora, deixando-os sozinhos.
tomou coragem e beijou-a, tentando demonstrar tudo o que sentia quando estava vivo, e que aquilo ainda continuava crepitando como fogo em sua mente. Ela retribuiu, de forma inesperada, mas um pouco feliz. Então quer dizer que nem todos os meninos do mundo a odiavam. Tudo estava relativamente bem, quando o barulho de chuva batendo na janela voltou a atormentar sua cabeça.
- , sério que você não ouviu esse barulho? – olhava ansiosa para os lados preocupada. Por que só ela ouvia esse maldito barulho?
- Seríssimo – Respondeu – Eu acho que meu tempo está se acabando, eu tô meio sonolento.
- Eu também, acho que não é o tempo, não.
O barulho estava cada vez mais forte, e agora ela sentia pingos de chuva caindo em seus braços, como se a janela estivesse aberta. Um raio estourou no céu e a trovoada encheu seus ouvidos, por instinto ela fechou os olhos.
Assim que sua pálpebra foi fechada, ela começou a sentir como se estivesse sendo puxada para o nada, como se seus órgãos estivessem se comprimindo e se engolindo, ao mesmo tempo (n/a: Tipo como o Harry descreve a aparatação).
Ela sentiu que estava deitada em algo macio, com braços envoltos em sua cintura e uma respiração leve e quente batia na sua testa. Ela não precisou olhar debaixo do fino lençol que a cobria para saber que estava nua, o frio em sua barriga já denunciava isso. Lentamente abriu os olhos, e viu dormindo na sua frente, feito um anjo. Vivo. Ela olhou ao redor e percebeu então que estava em seu próprio quarto. A chuva invadia seu quarto pela janela, que foi aberta com a força do vento. se levantou vagarosamente, não querendo acordar , catou suas roupas espalhadas pelo quarto e se vestiu, indo fechar a janela em seguida.
Pela cor do céu, já devia ser de madrugada. olhou para a cama e para as nuvens de novo, não entendendo o que havia acontecido. O que foi um sonho afinal?
Ela não percebeu andando meio tonto e tropeçando na sua sandália, até ele a abraçar por trás, mergulhando o rosto em seu cabelo.
- Sabia que não é legal tentar te abraçar dormindo e perceber que você NÃO está lá? – Murmurou ele.
Ela se virou e o abraçou forte, abraçou-o como nunca havia feito antes, como se aquele fosse o seu último dia com ele.
- Hey, o que aconteceu?
- Você não morreu? – Sussurrou – Você não me deixou sozinha?
- Calma, foi só um pesadelo – ele a envolveu em seus braços e afagou sua cabeça – Vem, vamos voltar a dormir que amanhã, ou mais tarde, tanto faz, será o melhor dia das crianças da sua vida.
Ela se virou em direção à cama, mas não rápido o suficiente para ver dando uma piscadela para algo/alguém na escuridão da rua...
Volte ao topo para comentar!
Fechar a janela para voltar ao POP
olhou para trás, ao ouvir um farfalhar de folhas; As nuvens escuras faziam movimentos estranhos e rápidos pelo céu de fim de tarde. O dia das crianças fora há 18 dias e em todas as casas da vizinhança havia abóboras iluminadas com desenhos estranhos, máscaras de caveiras e objetos escabrosos, como os da casa dos Richardson, que tinham mãos muito reais e as paredes manchadas de alguma coisa que parecia sangue.
Mas que não é, com certeza. - Pensou ela.
Há exatas duas casas da sua, avistou duas meninas brigando por uma boneca, que, por um momento ela jurou que havia piscado um dos olhos. Ela continuou a andar calmamente, quando o maldito barulho do farfalhar de folhas voltou aos seus ouvidos. Como se alguém estivesse seguindo-a. Olhou para os lados, mas tudo o que viu foi o bairro em que estava acostumada a viver há 4 anos perfeitamente normal, crianças correndo, babás fofocando nos bancos da pracinha, adolescentes, como ela, voltando para casa depois de um dia de aula. Tudo normal.
Depois da aula de Educação Física, tomou banho, vestiu um uniforme limpo e se dirigiu aos portões da escola. Era dia das crianças, todos queriam ir pra casa para ver se ganharam presentes, até os mais velhos.
Ela seguiu pelo mesmo caminho de sempre: Seguindo pela pracinha, dobrando na esquina e seguindo reto por alguns bons metros, chegando ao seu pequeno bairro.
Pegou os fones azuis de seu Ipod e colocou a primeira música que apareceu para tocar, algo sobre garotas fazerem o que querem (Girls Do What They Want – The Maine).
O barulho do farfalhar de folhas secas lhe acompanhava desde o inicio do mês, o barulho do outono, como seu melhor amigo costumava falar, antes de... Bem, antes de falecer. No dia 31/10.
Meninas exibiam suas novas bonecas, bolsas e roupas, enquanto meninos jogavam com a nova bola de futebol de algum deles, não se preocupando com algumas futilidades. Não muito longe, alguns garotos também jogavam futebol, só que todos já tinham mais de 15 anos. O que parecia ser o ‘dono’ da bola, chutou e a bola foi parar aos pés de , que estava um pouco distraída ouvindo música. Olhou para frente para ver de quem era e viu correndo em sua direção. era seu melhor amigo, um garoto alto, com cabelos escuros, olhos claros e de um bom porte físico, não muito musculoso, mas também não era magrelo.
- Oi – Disse ele – Vai sair mais tarde?
- Oi, acho que não. – Sorriu ela – Toma, leva logo a bola, que seus amigos que não gostam de mim estão te chamando.
- Que nada – Falou ele, olhando para trás, onde os amigos chamavam-no – Como alguém pode não gostar de você, ?
- HEY, eu já disse pra não me chamar assim! – Reclamou . – E, sim, eles não vão com a minha cara, porque você prefere assistir Star Wars comigo do que comer meninas por aí com eles.
- É claro que eu prefiro ficar com você assistindo Star Wars, o Obi-Wan é um gato! – Falou , fazendo uma voz fina – Então, quer ir em algum lugar comigo?
- Tira o olho, o Obi-Wan é c-o-m-p-l-e-t-a-m-e-n-t-e meu! – brincou. – Ah, sei lá, vou falar com meu pai e depois eu te ligo, ok?! Agora volta para o seu jogo antes que eles me matem com os olhos.
a abraçou e sussurrou bem próximo ao seu ouvido:
- May The Force Be With You, Yoda.
começou a rir e continuou seu caminho pela calçada até sua casa amarela.
Ela queria não pensar naquilo, naquele momento, porque doía. Doía mesmo. E ainda saber que ele havia morrido por sua causa não ajudava muito, mas sua consciência gostava de lhe culpar a cada manhã, todas as horas em que via o sol, que adorava, todas as coisas que ele perdeu para salvar a sua vida quando aquela maldita árvore os atingiu no meio da tempestade. Ele não devia ter feito aquilo, ela conseguiria sair debaixo de lá sem a ajuda de ninguém, mas ele e sua mania de ajudar a sua pequena , como ele mesmo a apelidou, sempre querendo fazer o melhor, quando aquele galho atingiu-o na cabeça, e dias depois da morte descobriu que se ele estivesse um passo atrás como ela mesmo havia avisado, o ferimento não teria sido tão profundo e causado uma hemorragia interna, levando ele à morte no dia 31/10.
Dali a um dia faria um ano de sua morte, faria 1 ano que Dona Rose perdera seu filho único, faria 1 ano que os meninos perderam o capitão do time de futebol e faria 1 ano que se atormentava diariamente por ter sido tão idiota ao ponto de se meter em baixo de uma àrvore velha, no meio de uma tempestade.
Ao entrar em casa, ela percebeu tudo em silêncio. Seu pai sempre estava em casa esse horário, ela estranhou. Subiu as escadas desligando a música no Ipod e entrou no seu quarto. Sentou na beira da cama, olhou o porta-retratos que tinha uma foto dela com e , um dos únicos amigos de que gostava dela. Ambos sorriam enquanto carregavam ela, brincado na neve como crianças de 6 anos.
Ela tirou o casaco, os tênis e as meias, indo para o banheiro para tomar um banho quente. Após o banho, foi à cozinha, pegou alguns biscoitos e uma coca-cola, voltando para o quarto para terminar seus exercícios de Química.
Quando os raios de luz começaram a invadir seu quarto pela estreita janela, virou-se na cama. Tudo o que ela queria era dormir o dia todo e só acordar na outra semana. Sentiu o cheiro de panquecas vindo do andar de baixo, prendeu os cabelos e desceu para encontrar seu pai vestindo um avental rosa escrito: Kiss The Cook.
- Bom dia, ! – Falou ele, sorridente – Feliz Dia Das Bruxas!
- Bom dia, pai. – Murmurou ela, sorrindo de boca fechada – O que temos hoje?
- Panquecas carameladas, chocolate quente e biscoitos em forma de chapéu de bruxa.
riu um pouco e sentou na bancada da cozinha, pensando no que fazer no resto do dia, já que geralmente quem dava as ideias para os feriados era , ou . Ela comeu suas panquecas com um pouco de suco de laranja, e foi até a janela da frente da casa para ver como estavam as coisas. Meninas vestidas de boneca e meninos de fantasma, cestas em forma de cabeça de abóbora.
Ela trocou de roupa e avisou para o seu pai que iria ficar assistindo televisão na sala. mudou de canal várias vezes até encontrar um em que passava Harry Potter e a Câmara Secreta. Ficou ali quase a manhã toda, quando seu pai a chamou para almoçar.
No final da tarde, ouviu a campainha tocar, pegou o pote onde estavam os doces e deu seu melhor sorriso para abrir a porta.
- Se eu soubesse que você sorriria assim pra mim, teria vindo mais cedo – falou .
- Ah, oi. – disse ela, desmanchando um pouco do sorriso. Era sempre essa a hora que trazia um dos seus primos para pegar doces – Entra aí.
- Então, quer ir... Hum, visitar ele hoje?
- Você vai comigo?
- Vou sim, que horas? – se segurou para não deixar uma teimosa lágrima escapar.
- Umas 20h, eu ainda tenho que dar doces a esses pestinhas – Ele sorriu de lado e afagou seu braço. - Não fica mal, ok?! – ele percebeu que ela estava se segurando para não chorar e então abraçou-a, antes de ir embora.
- May The Force Be With You – Ela pensou ter ouvido.
Às 20h estava sentada no sofá branco da sua sala de estar esperando , para irem ao cemitério. A campainha tocou, ela olhou pela janela e avisou seu pai que estava saindo.
- Vamos? – Murmurou ela.
O caminho até o cemitério foi silencioso, porém assombrado. As àrvores faziam sombras estranhas nas casas, como se uma grande garra estivesse atravessando-a, crianças corriam e gritavam por todos os lados com doces transbordando pelas sacolas. Alguns mais velhos estavam assustando menininhas, e outros lhe roubavam doces. Casais com fantasias que se ‘completam’ se beijavam em bancos, e apenas duas pessoas seguiam o mesmo caminho que eles dois.
- Você sente muito a falta dele, não? – falou .
- Todas as horas. – respondeu – Por mais que todos vocês digam que não, eu sei que a culpa foi toda minha. Se eu não fosse tão idiota, ele aind-
Um grito pavoroso ecoou pela rua, assustando os que puderam ouvir. Correram os que tiveram medo, curiosos observavam para ver de onde viera e e continuaram a seguir para o cemitério. Ela apertou o casaco com força em torno de si, tentando espantar o frio. A cada respiração, uma fumacinha branca saia da boca de ambos, ainda um pouco espantados com o grito, que provavelmente deve ter sido uma brincadeira de mau gosto. Ao chegarem à frente do cemitério, o farfalhar de folhas voltou e sentiu um arrepio repentino na espinha. Quando você se sente arrepiado, é porque um espírito passou a mão em você. Uma única pessoa estava no cemitério quando eles entraram, um coveiro.
- Venha, é por aqui – indicou .
Ela o seguiu por trilhas estreitas e por mais montes de folhas secas com seu ‘barulho do outono’ irritante. Ao chegarem à lápide que dizia: "Aqui Jaz, Jones, querido filho, neto e amigo", deu um passo atrás para se abaixar e ‘falar’ com .
- Oi – começou ela – Faz tempo que eu não venho te visitar, não é mesmo?
estava encostado em uma árvore, olhando para o nada, como se estivesse esperando alguém chegar.
- Espero que você esteja bem, no lugar onde estiver – ela botou um pacote de Nerds em frente à lápide, e se deixou chorar por algum tempo.
Logo, um braço envolveu seus ombros e ela se deixou abraçar.
- Obrigada, .
- Tem certeza que esses braços fortes e másculos são do ? – Uma voz mais grossa e conhecida respondeu.
- ? – Gaguejou. Ela estava branca ao ponto de desmaiar, quando se aproximou e colou seus lábios nos dela.
- , por favor, não tô aqui pra ficar de vela – Reclamou , enquanto os dois ainda se beijavam.
A necessidade de ar falou maior, e se soltou de , ainda muito assustada.
- Mas... Mas como?
- Segundo a Origem Pagã do Dia das Bruxas, hoje é um dia em que os mortos podem voltar. Como eu morri nesse dia, tenho esse lindo privilégio de voltar para o meu belo corpinho, não apenas com meu espírito – Ela o olhava assustada, como medo – Você está com medo de mim, ?
- Nã- Não, é só que... Meu Deus, você tá péssimo – Riu ela – Aliás, o que você tem a ver com isso?
- Minha querida – Como num flash apareceu na sua frente.
- MEU DEUS, VOCÊ BRILHA NO SOL TAMBÉM? TIPO EDWARD CULLEN? (n/a: Gente, eu gosto de Crepúsculo também, é só uma brincadeira) – riu e mostrou os dentes para ela – Mas...
- Menina, você não cansa de perguntar e falar ‘mas’, não? – Reclamou .
- Não, mas... – Ela começou a rir e abraçou pela cintura – Quanto tempo você ainda tem?
Ele olhou para um relógio imaginário no pulso e falou:
- Hum, pelas minhas contas temos 3h e 43 minutos. Que tal invadirmos uma casa?
- Quando vocês ficaram tão perversos assim?
- Entre a hora das criancinhas dormirem e os segundos que os monstros saem debaixo da cama; – Ela os observou com a sua melhor cara de ‘o quê, porra?’ – Brincadeira! Foi no dia em que ele morreu e um vampiro viadinho me atacou.
Por um momento, pensou ter ouvido o barulho de chuva batendo em uma janela, mas parecia que apenas ela tinha ouvido.
- Vocês ouviram isso?
- Isso o quê? – Perguntaram um uníssono.
- Nada.
- Entããão, galerinha do mal, o que vamos fazer? Chupar o sangue de algumas gatas?
- , seu burro, o único vampiro aqui é você. – Falou , apertando contra si – E outra, eu já tenho a minha gata aqui.
se sentiu ruborizar um pouco e deu graças aos céus que estava escuro. Uma forte chuva começou a cair, relembrando-a do dia da morte de .
- Calma, não vai acontecer nada – Tranquilizou ele – Você confia em mim?
- Um pouco.
- Nossa, meu ego foi lá em cima agora! – Reclamou com um sorrisinho irônico – , se você quiser, pode ir. Eu quero conversar com ela um pouco.
- Conversar. E eu sou o Bozo. – riu um pouco e foi embora, deixando-os sozinhos.
tomou coragem e beijou-a, tentando demonstrar tudo o que sentia quando estava vivo, e que aquilo ainda continuava crepitando como fogo em sua mente. Ela retribuiu, de forma inesperada, mas um pouco feliz. Então quer dizer que nem todos os meninos do mundo a odiavam. Tudo estava relativamente bem, quando o barulho de chuva batendo na janela voltou a atormentar sua cabeça.
- , sério que você não ouviu esse barulho? – olhava ansiosa para os lados preocupada. Por que só ela ouvia esse maldito barulho?
- Seríssimo – Respondeu – Eu acho que meu tempo está se acabando, eu tô meio sonolento.
- Eu também, acho que não é o tempo, não.
O barulho estava cada vez mais forte, e agora ela sentia pingos de chuva caindo em seus braços, como se a janela estivesse aberta. Um raio estourou no céu e a trovoada encheu seus ouvidos, por instinto ela fechou os olhos.
Assim que sua pálpebra foi fechada, ela começou a sentir como se estivesse sendo puxada para o nada, como se seus órgãos estivessem se comprimindo e se engolindo, ao mesmo tempo (n/a: Tipo como o Harry descreve a aparatação).
Ela sentiu que estava deitada em algo macio, com braços envoltos em sua cintura e uma respiração leve e quente batia na sua testa. Ela não precisou olhar debaixo do fino lençol que a cobria para saber que estava nua, o frio em sua barriga já denunciava isso. Lentamente abriu os olhos, e viu dormindo na sua frente, feito um anjo. Vivo. Ela olhou ao redor e percebeu então que estava em seu próprio quarto. A chuva invadia seu quarto pela janela, que foi aberta com a força do vento. se levantou vagarosamente, não querendo acordar , catou suas roupas espalhadas pelo quarto e se vestiu, indo fechar a janela em seguida.
Pela cor do céu, já devia ser de madrugada. olhou para a cama e para as nuvens de novo, não entendendo o que havia acontecido. O que foi um sonho afinal?
Ela não percebeu andando meio tonto e tropeçando na sua sandália, até ele a abraçar por trás, mergulhando o rosto em seu cabelo.
- Sabia que não é legal tentar te abraçar dormindo e perceber que você NÃO está lá? – Murmurou ele.
Ela se virou e o abraçou forte, abraçou-o como nunca havia feito antes, como se aquele fosse o seu último dia com ele.
- Hey, o que aconteceu?
- Você não morreu? – Sussurrou – Você não me deixou sozinha?
- Calma, foi só um pesadelo – ele a envolveu em seus braços e afagou sua cabeça – Vem, vamos voltar a dormir que amanhã, ou mais tarde, tanto faz, será o melhor dia das crianças da sua vida.
Ela se virou em direção à cama, mas não rápido o suficiente para ver dando uma piscadela para algo/alguém na escuridão da rua...

