Paint
Autora: Lary F.
Status: Finalizada
Revisada por: Hata
Categoria: Free Fics
Sub-Categoria: ShortFic - Romance
Comentários:
Era real. Mais real do que imaginava. A água era real, a areia era real, a brisa era real. Não era um sonho.
Fechou os olhos novamente e respirou fundo, o que faria agora? Onde colocaria tudo aquilo? Assim que abriu os olhos viu o tapete boiando um pouco além do criado mudo. Como aquilo aconteceu?
Olhando para o relógio encharcado decidiu não pensar muito e ir trabalhar. Assim que saiu da cama, sentiu a areia acariciar os pés. O que diria quando soubesse que o apartamento que dividiam, agora era uma praia?! Não queria nem imaginar.
Abriu a porta de sua clínica de veterinária devagar, nunca se sabe se vai ter uma cachoeira dentro de lá! Tudo parecia normal, os gatos começaram a miar assim que ela entrou. Amava bichos, desde a infância e aquela clínica era a sua vida, podia não ser muito lucrativa, mas agora trabalhava com o que gostava e se orgulhava por ser uma médica competente.
Agora havia uma placa na frente da sua clínica com o seu nome: . Sua vida profissional muito boa, a pessoal não estava nem perto disso. Há cinco anos não tinha um namorado e às vezes se sentia muito só, uma vez que viajava mais do que ficava em casa.
O expediente havia acabado e o dia não fora muito favorável, mal conseguiu se concentrar no pouco trabalho que tinha: dois gatos com raiva e uma cadela grávida.
Tinha muita esperança de que quando chegasse em casa não haveria mais uma praia em seu apartamento. Doce ilusão! Quase se afogou quando foi até a cozinha preparar um sanduíche.
Comeu bem rápido para depois ir se dedicar a sua segunda paixão: a pintura.
Comprara algumas telas novas de uma senhora muito bondosa e já experimentara uma delas, desenhara uma praia muito bonita, a tela ainda estava no chão do seu quarto e em todo o apartamento, não acreditava que elas fossem mágicas, mas também desconhecia o motivo do seu apartamento estar do jeito que estava. Numa idéia louca, decidiu pintar um homem caminhando para a praia, com roupas leves, os cabelos escuros esvoaçando ao vento e as ondas se agitando. Como sempre, a pintura ficou magnífica, ela tirou a tela do suporte e colocou-a no chão ao lado da pintura da praia.
Saindo do quarto, foi assistir um pouco de televisão, mas ainda durante o telejornal, acabou dormindo. Acordou com a sensação de estar sendo acariciada no rosto. Abriu os olhos devagar com medo de perder aquele contato, que há muito não sentia.
A imagem do homem de cabelos escuros desarrumados e bermuda lhe assustou por alguns instantes, porém, logo se lembrou da praia-apartamento e da tela pintada no dia anterior.
- O que é você?
- Hã?! - respondeu o rapaz se afastando e enterrando mais e mais os pés na areia.
- Como chegou aqui? - Com as mãos ele fez um gesto de indiferença. Talvez tivesse chego do mesmo modo que a praia. - Você existe mesmo?
seria capaz de estrangulá-lo se ele falasse "hã" de novo, ele sentou-se no braço do sofá e sua pele tocou a dela. Ele era real! Incrivelmente, nos últimos dias, real era a palavra que mais temia.
- Você vai ter que me responder algumas questões, moço - ele assentiu e ela continuou - Você sabe quem é e como chegou aqui?
Para seu desespero ele não sabia e tremia de frio, estava nevando lá fora e as roupas que ele vestia não estavam adequadas a temperatura, tinha de arrumar roupas para o rapaz antes de lhe perguntar qualquer outra coisa.
Foi para o quarto de e procurou em seu guarda-roupa, as roupas que seu ex-namorado havia esquecido lá. Entregou-as ao rapaz que olhou as roupas sem saber o que fazer. Provavelmente ele não sabia nada sobre a vida. O que estava acontecendo? O problema era com ela?
- Pode se trocar no banheiro.
- Trocar?
- Você ao menos sabe falar?
- Algumas palavras apenas.
A dificuldade com que ele falava era comovente. Perguntou-lhe se sabia se vestir e ele afirmou. Não podia deixá-lo sozinho no apartamento, levaria-o junto consigo para clínica, podia deixá-lo no quartinho que havia nos fundos, ele ficaria lá assistindo televisão enquanto ela trabalhava. Era um plano perfeito. Na verdade não perfeito, mas o melhor que poderia ter naquele momento e com aquelas condições.
Tomou um banho rápido e se agasalhou, quando saiu do banheiro encontrou o garoto na sala brincando com a água. Quando estivesse voltando para casa passaria na loja onde comprara as telas para averiguar a história.
- Você vem comigo. Como se chama mesmo? - perguntou enquanto trancava o apartamento.
- Eu... É... Como se houvesse um branco na minha mente.
- Não consegue se lembrar de nada?
- Apenas o meu nome.
- E qual é? – perguntou ela.
- .
Depois de andarem três quarteirões, enfim chegaram à clínica. abriu a porta devagar com medo de mais surpresas, mas nada de anormal aconteceu. Enquanto vestia o jaleco branco ela observou-o brincar com os animais, ele era diferente das outras pessoas. Talvez fosse porque ele não era real.
- , fique aqui enquanto trabalho. - abriu a porta do quarto e mostrou-lhe a geladeira, a televisão e o banheiro. Ele observou tudo atentamente e estava assistindo televisão quando ela saiu.
A neve começou a se acumular na frente da clínica trazendo o frio. Talvez no quarto estivesse mais quente.
E realmente estava. ria a valer assistindo a um filme de comédia bem antigo. Sim, ele era mesmo diferente.
O tempo passou depressa e quando se deu conta, estava em casa com , comendo um sanduíche. Ela bocejou e viu que o dia havia sido bem longo.
Ensinara-o a abrir uma lata de refrigerante, mostrara como se fazia um sanduíche e ensinou-lhe como os carros funcionavam.
Era hora de dormir e talvez, por obra divina, tudo tivesse acabado no dia seguinte.
Mas não foi que aconteceu.
Quando acordou, dormia no sofá e parecia tão lindo. Mas não devia nutrir tais sentimentos por ele. O que devia fazer no momento, era preparar o café da manhã e esquecer que aquele homem lindo estava deitado na sua sala tão tentadoramente.
Fritou os ovos e o bacon, preparou café e tomou cuidado para não cair na água. Assim que se sentou a mesa ele acordou. Por que aquilo acontecia com ela? Será que já não tinha problemas suficientes? Não. Sorrindo para , ofereceu-lhe café e ovos. Tinham muito a fazer naquele dia, então precisavam se alimentar bem. A semana passou depressa, ensinou muita coisa a e se divertiram muito. Foram a um parque de diversão na sexta feira e parecia uma criança irradiando felicidade. Tentou ensinar-lhe a andar de bicicleta, mas não deu certo, só serviu para boas risadas. O fluxo de serviço na clínica aumentou e o humor de que quase sempre era muito ruim melhorou significantemente.
Era tarde da noite e ambos estavam no quarto dela observando algumas pinturas antigas de .
- Assisti a um filme romance hoje.
- Se diz romântico - riu ela.
- Aprendi algo novo hoje. Posso mostrar?
assentiu com a cabeça e ele se sentou mais perto e encostou seus lábios nos dela. O beijo foi amedrontado no início, mas conforme ambos foram relaxando o beijo começou a se tornar sensual. mal podia acreditar que estivesse beijando , se sentia atraída por ele, mas reconhecia que ele era inocente, quase uma criança mentalmente.
- Devo pedi-la em casamento agora?
Rindo tirou os braços dele de torno do pescoço dele.
- Não é necessário tudo isso.
- Então posso beijá-la novamente?
- Pode - rindo ela envolveu-o mais uma vez enquanto sentia os lábios dele nos seus. Por que se sentia daquele jeito em relação a ele? Não queria nem saber o motivo. Os lábios dele percorriam seu pescoço e finalmente parou para pensar que não havia ido até a loja da velhinha ver o porquê das telas serem mágicas.
- O que foi? - ele perguntou.
- Você... - foi interrompida por um sonoro grito. havia chegado e estava parada em frente á porta olhando tudo atônita.
- Como foi de viagem? - desconversou antes que a amiga se exaltasse.
- Aqui... Virou uma praia?! - gritou ela procurando na bolsa os costumeiros comprimidos para enxaqueca - Acho que a pergunta certa a se fazer é: como isso virou uma praia?
coçou a cabeça procurando uma resposta para uma pergunta sem resposta mesmo para ela.
- Bem... Acho que foram os quadros.
ficou parada por alguns instantes e depois começou a andar em direção à cozinha. Enquanto isso, explicava como encontrara a casa naquele estado depois de ter pintado o quadro da praia.
- Ainda bem que você não pintou Hiroshima!
- Pintei mais uma coisa.
adentrou a sala um pouco acanhado e sentiu mais uma vez aquela sensação esquisita. Ele estava maravilhoso nas roupas novas que comprara para ele dois dias atrás.
- Este é . Minha outra pintura.
o analisou de cima a baixo, era modelo e sabia quando o homem tinha potencial. Aquele além de bonito e dono de um charmoso ar tímido, parecia ser bem sensual. Estava provado que não era comum.
- Pinte um desses para mim também, amiga, estou precisando.
deu graças a Deus pelo humor de ter passado, mais tarde pensaria no pedido dela, agora o que mais queria era dormir.
- Amanhã, agora eu vou dormir - Deu uma longa beijoca amiga e depois outro mais longo, sensual e na boca de .
Antes de adormecer profundamente fez uma prece pedindo a Deus para que conservasse sempre perto de ti. Um cheiro bom de bolo chegou até ela pela manhã fazendo com que despertasse, o seu relógio havia sumido e o tapete continuava boiando. Chegou à cozinha e encontrou tirando um apetitoso bolo de chocolate de dentro do forno.
- Cadê o ?
- Primeiro: Bom dia para você também. Segundo: o seu amigo foi buscar rosas para você e depois foi abrir a clínica.
O olhar de se fixou no enorme buquê de rosas em cima da mesa. Todos os seus antigos namorados não chegavam nem aos pés de .
- Ele te ama. – a amiga disse sorrindo.
- Eu criei ele! E duvido muito que isso seja mais do que um agradecimento.
chegou com dificuldade até perto da amiga e colocou a mão em seu ombro com carinho.
- Amiga, conheço mais do amor do que qualquer um e esses argumentos não convenceram nem a você mesma - se virou para a amiga e continuou o que dizia - Ele está apaixonado e você também. O que mais você quer? Estou super contente por você ter enfim, uma vida pessoal se você tem o amor o resto vem mais fácil, não é?
Imediatamente se lembrou do aumento do fluxo de trabalho na clínica e que um cliente levaria um cãozinho naquela manhã.
- Tenho que ir. – disse por fim, mas antes deu um abraço na sua melhor amiga. realmente a conhecia muito bem.
tomou um banho rápido e foi correndo para sua clínica chegou ao mesmo tempo que o pequenino paciente. Pediu a para levá-los até o consultório enquanto ela vestia o jaleco. Atendeu o cãozinho receitou-lhe apenas um analgésico e foi conversar com , porém, se sentia tímida e embaraçada na frente dele.
- Obrigado pelas flores.
- Fico feliz que tenha gostado. - Só então ela reparou que ele já não tinha mais aquela dificuldade para falar, ele era um homem, o seu homem e não uma criança.
- Sua memória... - ela começou, porém não conseguiu continuar. Aquele era um assunto que nunca trataram.
- Ainda é um branco. Na minha mente só há uma pessoa, e essa pessoa é você. - ele se aproximou e tocou os cabelos dela, os seus olhos brilharam com intensidade assustadora.
Os lábios deles se encontraram com delicadeza, a cada vez que aquilo acontecia já não tinha certeza de quem era ou do que fazia. Estaria mesmo apaixonada como havia dito? Quem saberia dizer?
a soltou e voltou a colocar preço nas coleiras. Ele era tudo o que queria, porém não sabia se aquelas telas tinham prazo de validade. Se tivessem, o que aconteceria com ?
A última coisa que queria era que desaparecesse, como seus antigos namorados. Estava se apaixonando por alguém que era bom e sincero e parecia estar sendo correspondida. Rezando, hábito que vinha se repetindo muito por sinal, pediu para que ele não desaparecesse.Nunca havia amado daquela forma, não suportaria se ele fosse embora.
Ele sorriu e reforçou o pedido a Deus mentalmente.
Mais uma semana passou. dava desculpas a diariamente, não queria desenhar outro homem que não fosse e de tão ocupada que estava com a clínica, o namorado e as desculpas, esqueceu-se de ir à loja da velhinha. Telas mágicas eram a última de suas preocupações. era o que tinha de mais importante, beijá-lo, abraçá-lo e acariciá-lo eram sua ânsia diária. A todo momento, o medo de perdê-lo a fazia desejar mais e mais.
Naquela tarde, por causa de uma dor de cabeça, foi para casa mais cedo. Mesmo preocupada, ficou, pois ainda havia dois clientes. Após o expediente e antes de fechar a clínica, resolveu ligar para saber o estado de .
- Venha para cá o mais rápido possível. – a voz de disse a alertando. Assustada com o que ouviu, ela fechou a clínica e correu para casa. Assim que abriu a porta não encontrou a habitual areia. O que estava acontecendo? Onde estava a sua praia? E onde estava ?
Encontrou sentada no sofá com o rosto entre as mãos. Angustiada, sentou-se ao lado da amiga e as lágrimas começaram a rolar, estava com medo e tinha certeza de que já não estava mais consigo.
- Onde ele está?
- Deixei-o no quarto, não consegui vê-lo desaparecer aos poucos, me fez mal, e se eu fosse você, não iria também.
Ignorando o conselho da amiga, foi até seu quarto e o encontrou quase transparente, não conseguia mais vê-lo, mas ainda podia escutá-lo.
- ... Está aqui?
- Sim, meu amor - respondeu.
- Quero que saiba... Que amo você... E que te amarei de onde... Quer que eu esteja... Entendeu?
- Sim, eu te amo também. Não vá! – o grito dela ecoou pelo quarto de maneira doentia, ela não poderia perdê-lo. Não agora. Não agora que o seu coração finalmente tinha encontrado a sua metade. Ele era tudo para ela, não podia deixá-la.
- Amor... – a palavra ecoou no quarto e de repente parou. O seu verdadeiro amor havia partido.
Saiu do quarto desesperada, e foi para o seu quarto de pintura, pegou as telas em branco e começou a pintá-las freneticamente. olhava a cena da porta sem coragem para pronunciar uma única palavra.
Depois que ela utilizou todas as telas e nada aconteceu, resolveu interferir, pegou a mão da amiga e a segurou bem forte.
- Vamos, é meia noite, você nem ao menos jantou.
- Não quero jantar, eu só quero de volta. - disse calmamente como se a amiga não compreendesse se ela falasse mais rápido. Um grito estava preso em sua garganta e ela não conseguia respirar.
abraçou a amiga, sentia muito por ela, mas não havia nada a fazer.
- Ainda bem que você não desenhou um para mim - riu e sorriu triste. - Ei! Por que não vai, enfim até a loja da velhinha.
- É uma boa idéia.
sentou-se no sofá onde antes costumava dormir e passou a mão levemente. Por que fora se apaixonar? Sabia que não devia, quando o conhecera a sua mente já lhe havia dado um alerta, mas não quisera escutar e sabia o que estava acontecendo, o amor machucava quando menos esperávamos, esperava a mínima chance para quebrar os nossos corações.
Depois da metade da noite sem conseguir parar de chorar, enfim conseguiu dormir. Sonhara com , estava se casando com ele de véu e grinalda, com tudo o que tinha direito e ele estava lá. Real, como sempre fora. Real e dela. Fora o sonho mais lindo que tivera.
Passavam das oito quando acordou, tinha de ir trabalhar, mas antes de ir resolveu ir à loja da velhinha. Adiara por muito tempo aquela visita, talvez se tivesse ido antes, ainda estivesse consigo.
A senhora estava sentada numa velha cadeira de balanço lendo um grosso livro, aproximou-se devagar e a velha se levantou.
- Demorou.
- A senhora disse algo?
- Eu disse que você demorou, eu te esperava no dia seguinte ao da compra das telas, mas você demorou semanas.
olhou assustada para a senhora e não conseguiu entender bem o que ela dizia.
- E então? O que pintou? Flores, animais? Houve uma que pintou frutas, pobrezinha comia maçãs e uvas diariamente.
- As telas eram mesmo mágicas?
- Claro! Garota, eu conheço quem precisa de magia em sua vida só de vê-la. Quando você chegou aqui eu senti sua solidão, precisava das telas - suspirou e a mulher continuou após limpar a garganta duas vezes - Pelas olheiras e o inchaço dos olhos vejo que pintou algo muito importante para você que se foi. Andando de um lado para outro, tentava organizar as idéias, não que isso fosse fácil considerando o estado se sua mente.
- Essas telas tinham prazo de validade? O que eu pintei...
- ...Desapareceu. Eu entendo. - A velhinha foi atrás do balcão e voltou com um quadro de uma mulher abraçada com um homem louro - Essa mulher sou eu, ganhei as telas de um simpático senhor e pintei esse quadro. É incrível como pintamos casais apenas quando estamos sozinhos. Numa manhã quando acordei vi esse homem ao lado da minha cama. Agradeci aos céus e me apaixonei por ele imediatamente. No começo foi lindo, até que um dia ele desapareceu e com ele outras coisas que eu havia pintado. Foi difícil para mim e está sendo para você também.
"Grande dedução", pensou , porém não era hora para sarcasmo e ironias, foi até o carro e pegou as telas em branco. Tudo o que havia pintado desaparecera completamente de lá, as telas pareciam novas.
- Aqui estão, Talvez outro precise delas tanto quanto precisei - depois de deixar as telas em cima do balcão, ela se dirigiu a saída.
- Ei, espere! Tome! - a senhora arremessou-lhe uma pedra que segurou no ar - segure firme e mentalize o que você mais quer.
Não era difícil saber em que ela estava pensando: ver novamente. Era o remédio de que necessitava para curar a dor alucinada do seu coração.
- Tome de volta, nunca se sabe quem precisara de amor novamente. Nem de magia - rindo, atravessou a porta que se fechou com um estrondo.
- É Samuel a vida é surpreendente, não?
- Mais do que imaginamos. Mais do que imaginamos - Um homem grisalho alto aproximou-se da senhora e lhe deu um leve beijo nos lábios - Ele voltará, eu voltei.
- É meu amor, você voltou - abraçados como na tela o velho casal andou até a cadeira de balanço.
ligou o rádio do carro numa estação bem romântica. Não tinha a mínima vontade de abrir a clínica, um dia de folga não faria mal, afinal não tinha nenhum cliente para aquele dia.
Aquele dia era, de longe, o pior de sua vida, o mais triste, o mais solitário e o mais deprimente. Andou de carro durante horas comendo bombons de vários tipos. Talvez uma overdose de calorias resolvesse.
Mas não resolveu.
O mês terminou, viajou novamente, sua clínica estava cada vez mais próspera e ela até contratara funcionários. E também estava planejando reformá-la. Naquela manhã um arquiteto viria até a clínica para avaliá-la e projetar a ampliação tão sonhada por .
Já fazia dois meses que não via , sentia falta, mas sabia que precisava esquecê-lo, pois aquela lembrança não era saudável.
Uma de suas funcionárias chamou-lhe a atenção informando que o arquiteto havia chegado. Ele havia sido muito bem recomendado por um amigo.
olhou-se no espelho e arrumou alguns fios soltos do seu coque. Andou devagar até a sala onde o homem a esperava. O arquiteto estava olhando para uma tela pintada por ela onde ela e , caminhavam para o pôr-do-sol. Assim que se deu conta de que havia mais alguém na sala ele se virou.
O sorriso sociável que a face dela estampava antes deu lugar a uma expressão de incredulidade. O arquiteto parecia muito com e isso a tinha deixado assustada.
- Prazer, , o arquiteto.
- , a cliente - ela se afastou da tela e sentou-se atrás da mesa - Vamos começar?
- Claro. - ele ia se sentar, mas parou e olhou-a fixamente - Eu não a conheço?
- Não, me lembraria de você. Onde disse que mora mesmo?
- Eu ainda não disse - ela riu envergonhada e ele se sentou enfim - Moro no litoral.
riu da ironia do destino, além de ser parecido com ele ainda morava no litoral. Apostava que o destino ria a valer daquela situação.
Esquecendo do passado, empenhou-se no projeto da ampliação, trabalhava muito bem e era muito simpático adaptando as idéias dela da melhor maneira possível.
Enfim o arquiteto acabou as anotações e se levantou esticando a mão para ela, nervosa, estendeu a sua também, apertando as mãos.
- Muito obrigado.
- É o meu trabalho - ele respondeu sorrindo - Mudando de assunto: ainda tenho a impressão de que conheço você. Pra termos certeza de que é apenas impressão por que não marcamos um jantar?
- Pode ser - ela respondeu tentando ser reservada, mas no momento o que mais queria era agarrar e beijá-lo. Era incrível como ele se parecia com o seu . - Na quinta está bom para você?
- Está ótimo, te busco as oito.
saiu de trás da mesa e despediu-se dele com um delicado beijo no rosto.
- Cheguei ontem na cidade e dormi num hotel ótimo, mas estava sem sono, liguei a televisão e assisti a um filme romântico.
- Romance - disse ela baixinho como ele dissera quando o beijou pela primeira vez. Lembraria eternamente daquilo.
- Aprendi algo novo. - abriu a boca apalermada, parecia que estava vivendo um flashback daquela noite com .
De repente, o arquiteto puxou-a de encontro ao peito, o beijo começou suave, como da primeira vez depois a sensualidade predominou.
- Eu te amei, , estava longe, mas te amei. - ele disse abraçando-a mais.
- Quer jantar hoje, passar a noite e me prometer amor eterno? – ela disse direta mal podendo acreditar que o seu tinha voltado para seus braços. Ainda parecia mentira, mas os beijos dele em seu rosto a provavam que era mais real do que pensava.
- É a melhor proposta que já ouvi. – ele riu.
- Somos destinados um para o outro?
- Somos, tenho certeza. – abraçando-a ele a beijou mais uma vez. Eram sim destinados um ao outro.
Depois de passar a melhor noite de sua vida com , e ele decidiram tirar o dia seguinte de folga e irem a um piquenique. Assim que chegaram ao parque encontraram a velhinha e o homem grisalho. O sorriso que já estampava aumentou ainda mais.
- Aposto que ele é o homem louro.
- Eles voltam, querida - disse ela após concordar com - Não quis falar antes, mas sabia que ele voltaria.
- Acho que foi a pedra. -riu .
- Acredito que foi o amor. – entrou na conversa com um sorriso.
o abraçou mais forte e ambos se despediram do casal idoso. Enquanto abria o lençol xadrez no chão, ela o observava, ele tinha razão, o amor trazia o amado de volta.
- É, foi realmente o amor que o trouxe de volta - ele comentou.
- Mesmo que fosse a pedra, eu sempre voltaria para você.
abraçou-a novamente e sentaram-se no lençol. tinha sua verdadeira obra de arte, o amor de .
N/a: Pessoas, queridas do coração da titia Lary. O que eu posso dizer depois dessa fic, eu juro que eu não faço isso de propósito, não me xinguem. Eu reconheço que essa fic não ficou tão boa quanto as outras, mas prometo melhorar na próxima. Não se esqueçam de comentar pra fazer a titia aqui feliz, ok? E vamos às beijokas de sempre: Mari, Line – as irmãs mais amadas de todo o Brasil. Nells e Nalin, como sempre tem que ser incluídas por serem Divantasticas e à todas as que lêem as minhas fics e ainda deixam comentários fofoléticos. Bem é tudo – tweet tweet @Laryzza.
Volte ao topo para comentar!
Fechar a janela para voltar ao POP
Fechou os olhos novamente e respirou fundo, o que faria agora? Onde colocaria tudo aquilo? Assim que abriu os olhos viu o tapete boiando um pouco além do criado mudo. Como aquilo aconteceu?
Olhando para o relógio encharcado decidiu não pensar muito e ir trabalhar. Assim que saiu da cama, sentiu a areia acariciar os pés. O que diria quando soubesse que o apartamento que dividiam, agora era uma praia?! Não queria nem imaginar.
Abriu a porta de sua clínica de veterinária devagar, nunca se sabe se vai ter uma cachoeira dentro de lá! Tudo parecia normal, os gatos começaram a miar assim que ela entrou. Amava bichos, desde a infância e aquela clínica era a sua vida, podia não ser muito lucrativa, mas agora trabalhava com o que gostava e se orgulhava por ser uma médica competente.
Agora havia uma placa na frente da sua clínica com o seu nome: . Sua vida profissional muito boa, a pessoal não estava nem perto disso. Há cinco anos não tinha um namorado e às vezes se sentia muito só, uma vez que viajava mais do que ficava em casa.
O expediente havia acabado e o dia não fora muito favorável, mal conseguiu se concentrar no pouco trabalho que tinha: dois gatos com raiva e uma cadela grávida.
Tinha muita esperança de que quando chegasse em casa não haveria mais uma praia em seu apartamento. Doce ilusão! Quase se afogou quando foi até a cozinha preparar um sanduíche.
Comeu bem rápido para depois ir se dedicar a sua segunda paixão: a pintura.
Comprara algumas telas novas de uma senhora muito bondosa e já experimentara uma delas, desenhara uma praia muito bonita, a tela ainda estava no chão do seu quarto e em todo o apartamento, não acreditava que elas fossem mágicas, mas também desconhecia o motivo do seu apartamento estar do jeito que estava. Numa idéia louca, decidiu pintar um homem caminhando para a praia, com roupas leves, os cabelos escuros esvoaçando ao vento e as ondas se agitando. Como sempre, a pintura ficou magnífica, ela tirou a tela do suporte e colocou-a no chão ao lado da pintura da praia.
Saindo do quarto, foi assistir um pouco de televisão, mas ainda durante o telejornal, acabou dormindo. Acordou com a sensação de estar sendo acariciada no rosto. Abriu os olhos devagar com medo de perder aquele contato, que há muito não sentia.
A imagem do homem de cabelos escuros desarrumados e bermuda lhe assustou por alguns instantes, porém, logo se lembrou da praia-apartamento e da tela pintada no dia anterior.
- O que é você?
- Hã?! - respondeu o rapaz se afastando e enterrando mais e mais os pés na areia.
- Como chegou aqui? - Com as mãos ele fez um gesto de indiferença. Talvez tivesse chego do mesmo modo que a praia. - Você existe mesmo?
seria capaz de estrangulá-lo se ele falasse "hã" de novo, ele sentou-se no braço do sofá e sua pele tocou a dela. Ele era real! Incrivelmente, nos últimos dias, real era a palavra que mais temia.
- Você vai ter que me responder algumas questões, moço - ele assentiu e ela continuou - Você sabe quem é e como chegou aqui?
Para seu desespero ele não sabia e tremia de frio, estava nevando lá fora e as roupas que ele vestia não estavam adequadas a temperatura, tinha de arrumar roupas para o rapaz antes de lhe perguntar qualquer outra coisa.
Foi para o quarto de e procurou em seu guarda-roupa, as roupas que seu ex-namorado havia esquecido lá. Entregou-as ao rapaz que olhou as roupas sem saber o que fazer. Provavelmente ele não sabia nada sobre a vida. O que estava acontecendo? O problema era com ela?
- Pode se trocar no banheiro.
- Trocar?
- Você ao menos sabe falar?
- Algumas palavras apenas.
A dificuldade com que ele falava era comovente. Perguntou-lhe se sabia se vestir e ele afirmou. Não podia deixá-lo sozinho no apartamento, levaria-o junto consigo para clínica, podia deixá-lo no quartinho que havia nos fundos, ele ficaria lá assistindo televisão enquanto ela trabalhava. Era um plano perfeito. Na verdade não perfeito, mas o melhor que poderia ter naquele momento e com aquelas condições.
Tomou um banho rápido e se agasalhou, quando saiu do banheiro encontrou o garoto na sala brincando com a água. Quando estivesse voltando para casa passaria na loja onde comprara as telas para averiguar a história.
- Você vem comigo. Como se chama mesmo? - perguntou enquanto trancava o apartamento.
- Eu... É... Como se houvesse um branco na minha mente.
- Não consegue se lembrar de nada?
- Apenas o meu nome.
- E qual é? – perguntou ela.
- .
Depois de andarem três quarteirões, enfim chegaram à clínica. abriu a porta devagar com medo de mais surpresas, mas nada de anormal aconteceu. Enquanto vestia o jaleco branco ela observou-o brincar com os animais, ele era diferente das outras pessoas. Talvez fosse porque ele não era real.
- , fique aqui enquanto trabalho. - abriu a porta do quarto e mostrou-lhe a geladeira, a televisão e o banheiro. Ele observou tudo atentamente e estava assistindo televisão quando ela saiu.
A neve começou a se acumular na frente da clínica trazendo o frio. Talvez no quarto estivesse mais quente.
E realmente estava. ria a valer assistindo a um filme de comédia bem antigo. Sim, ele era mesmo diferente.
O tempo passou depressa e quando se deu conta, estava em casa com , comendo um sanduíche. Ela bocejou e viu que o dia havia sido bem longo.
Ensinara-o a abrir uma lata de refrigerante, mostrara como se fazia um sanduíche e ensinou-lhe como os carros funcionavam.
Era hora de dormir e talvez, por obra divina, tudo tivesse acabado no dia seguinte.
Mas não foi que aconteceu.
Quando acordou, dormia no sofá e parecia tão lindo. Mas não devia nutrir tais sentimentos por ele. O que devia fazer no momento, era preparar o café da manhã e esquecer que aquele homem lindo estava deitado na sua sala tão tentadoramente.
Fritou os ovos e o bacon, preparou café e tomou cuidado para não cair na água. Assim que se sentou a mesa ele acordou. Por que aquilo acontecia com ela? Será que já não tinha problemas suficientes? Não. Sorrindo para , ofereceu-lhe café e ovos. Tinham muito a fazer naquele dia, então precisavam se alimentar bem. A semana passou depressa, ensinou muita coisa a e se divertiram muito. Foram a um parque de diversão na sexta feira e parecia uma criança irradiando felicidade. Tentou ensinar-lhe a andar de bicicleta, mas não deu certo, só serviu para boas risadas. O fluxo de serviço na clínica aumentou e o humor de que quase sempre era muito ruim melhorou significantemente.
Era tarde da noite e ambos estavam no quarto dela observando algumas pinturas antigas de .
- Assisti a um filme romance hoje.
- Se diz romântico - riu ela.
- Aprendi algo novo hoje. Posso mostrar?
assentiu com a cabeça e ele se sentou mais perto e encostou seus lábios nos dela. O beijo foi amedrontado no início, mas conforme ambos foram relaxando o beijo começou a se tornar sensual. mal podia acreditar que estivesse beijando , se sentia atraída por ele, mas reconhecia que ele era inocente, quase uma criança mentalmente.
- Devo pedi-la em casamento agora?
Rindo tirou os braços dele de torno do pescoço dele.
- Não é necessário tudo isso.
- Então posso beijá-la novamente?
- Pode - rindo ela envolveu-o mais uma vez enquanto sentia os lábios dele nos seus. Por que se sentia daquele jeito em relação a ele? Não queria nem saber o motivo. Os lábios dele percorriam seu pescoço e finalmente parou para pensar que não havia ido até a loja da velhinha ver o porquê das telas serem mágicas.
- O que foi? - ele perguntou.
- Você... - foi interrompida por um sonoro grito. havia chegado e estava parada em frente á porta olhando tudo atônita.
- Como foi de viagem? - desconversou antes que a amiga se exaltasse.
- Aqui... Virou uma praia?! - gritou ela procurando na bolsa os costumeiros comprimidos para enxaqueca - Acho que a pergunta certa a se fazer é: como isso virou uma praia?
coçou a cabeça procurando uma resposta para uma pergunta sem resposta mesmo para ela.
- Bem... Acho que foram os quadros.
ficou parada por alguns instantes e depois começou a andar em direção à cozinha. Enquanto isso, explicava como encontrara a casa naquele estado depois de ter pintado o quadro da praia.
- Ainda bem que você não pintou Hiroshima!
- Pintei mais uma coisa.
adentrou a sala um pouco acanhado e sentiu mais uma vez aquela sensação esquisita. Ele estava maravilhoso nas roupas novas que comprara para ele dois dias atrás.
- Este é . Minha outra pintura.
o analisou de cima a baixo, era modelo e sabia quando o homem tinha potencial. Aquele além de bonito e dono de um charmoso ar tímido, parecia ser bem sensual. Estava provado que não era comum.
- Pinte um desses para mim também, amiga, estou precisando.
deu graças a Deus pelo humor de ter passado, mais tarde pensaria no pedido dela, agora o que mais queria era dormir.
- Amanhã, agora eu vou dormir - Deu uma longa beijoca amiga e depois outro mais longo, sensual e na boca de .
Antes de adormecer profundamente fez uma prece pedindo a Deus para que conservasse sempre perto de ti. Um cheiro bom de bolo chegou até ela pela manhã fazendo com que despertasse, o seu relógio havia sumido e o tapete continuava boiando. Chegou à cozinha e encontrou tirando um apetitoso bolo de chocolate de dentro do forno.
- Cadê o ?
- Primeiro: Bom dia para você também. Segundo: o seu amigo foi buscar rosas para você e depois foi abrir a clínica.
O olhar de se fixou no enorme buquê de rosas em cima da mesa. Todos os seus antigos namorados não chegavam nem aos pés de .
- Ele te ama. – a amiga disse sorrindo.
- Eu criei ele! E duvido muito que isso seja mais do que um agradecimento.
chegou com dificuldade até perto da amiga e colocou a mão em seu ombro com carinho.
- Amiga, conheço mais do amor do que qualquer um e esses argumentos não convenceram nem a você mesma - se virou para a amiga e continuou o que dizia - Ele está apaixonado e você também. O que mais você quer? Estou super contente por você ter enfim, uma vida pessoal se você tem o amor o resto vem mais fácil, não é?
Imediatamente se lembrou do aumento do fluxo de trabalho na clínica e que um cliente levaria um cãozinho naquela manhã.
- Tenho que ir. – disse por fim, mas antes deu um abraço na sua melhor amiga. realmente a conhecia muito bem.
tomou um banho rápido e foi correndo para sua clínica chegou ao mesmo tempo que o pequenino paciente. Pediu a para levá-los até o consultório enquanto ela vestia o jaleco. Atendeu o cãozinho receitou-lhe apenas um analgésico e foi conversar com , porém, se sentia tímida e embaraçada na frente dele.
- Obrigado pelas flores.
- Fico feliz que tenha gostado. - Só então ela reparou que ele já não tinha mais aquela dificuldade para falar, ele era um homem, o seu homem e não uma criança.
- Sua memória... - ela começou, porém não conseguiu continuar. Aquele era um assunto que nunca trataram.
- Ainda é um branco. Na minha mente só há uma pessoa, e essa pessoa é você. - ele se aproximou e tocou os cabelos dela, os seus olhos brilharam com intensidade assustadora.
Os lábios deles se encontraram com delicadeza, a cada vez que aquilo acontecia já não tinha certeza de quem era ou do que fazia. Estaria mesmo apaixonada como havia dito? Quem saberia dizer?
a soltou e voltou a colocar preço nas coleiras. Ele era tudo o que queria, porém não sabia se aquelas telas tinham prazo de validade. Se tivessem, o que aconteceria com ?
A última coisa que queria era que desaparecesse, como seus antigos namorados. Estava se apaixonando por alguém que era bom e sincero e parecia estar sendo correspondida. Rezando, hábito que vinha se repetindo muito por sinal, pediu para que ele não desaparecesse.Nunca havia amado daquela forma, não suportaria se ele fosse embora.
Ele sorriu e reforçou o pedido a Deus mentalmente.
Mais uma semana passou. dava desculpas a diariamente, não queria desenhar outro homem que não fosse e de tão ocupada que estava com a clínica, o namorado e as desculpas, esqueceu-se de ir à loja da velhinha. Telas mágicas eram a última de suas preocupações. era o que tinha de mais importante, beijá-lo, abraçá-lo e acariciá-lo eram sua ânsia diária. A todo momento, o medo de perdê-lo a fazia desejar mais e mais.
Naquela tarde, por causa de uma dor de cabeça, foi para casa mais cedo. Mesmo preocupada, ficou, pois ainda havia dois clientes. Após o expediente e antes de fechar a clínica, resolveu ligar para saber o estado de .
- Venha para cá o mais rápido possível. – a voz de disse a alertando. Assustada com o que ouviu, ela fechou a clínica e correu para casa. Assim que abriu a porta não encontrou a habitual areia. O que estava acontecendo? Onde estava a sua praia? E onde estava ?
Encontrou sentada no sofá com o rosto entre as mãos. Angustiada, sentou-se ao lado da amiga e as lágrimas começaram a rolar, estava com medo e tinha certeza de que já não estava mais consigo.
- Onde ele está?
- Deixei-o no quarto, não consegui vê-lo desaparecer aos poucos, me fez mal, e se eu fosse você, não iria também.
Ignorando o conselho da amiga, foi até seu quarto e o encontrou quase transparente, não conseguia mais vê-lo, mas ainda podia escutá-lo.
- ... Está aqui?
- Sim, meu amor - respondeu.
- Quero que saiba... Que amo você... E que te amarei de onde... Quer que eu esteja... Entendeu?
- Sim, eu te amo também. Não vá! – o grito dela ecoou pelo quarto de maneira doentia, ela não poderia perdê-lo. Não agora. Não agora que o seu coração finalmente tinha encontrado a sua metade. Ele era tudo para ela, não podia deixá-la.
- Amor... – a palavra ecoou no quarto e de repente parou. O seu verdadeiro amor havia partido.
Saiu do quarto desesperada, e foi para o seu quarto de pintura, pegou as telas em branco e começou a pintá-las freneticamente. olhava a cena da porta sem coragem para pronunciar uma única palavra.
Depois que ela utilizou todas as telas e nada aconteceu, resolveu interferir, pegou a mão da amiga e a segurou bem forte.
- Vamos, é meia noite, você nem ao menos jantou.
- Não quero jantar, eu só quero de volta. - disse calmamente como se a amiga não compreendesse se ela falasse mais rápido. Um grito estava preso em sua garganta e ela não conseguia respirar.
abraçou a amiga, sentia muito por ela, mas não havia nada a fazer.
- Ainda bem que você não desenhou um para mim - riu e sorriu triste. - Ei! Por que não vai, enfim até a loja da velhinha.
- É uma boa idéia.
sentou-se no sofá onde antes costumava dormir e passou a mão levemente. Por que fora se apaixonar? Sabia que não devia, quando o conhecera a sua mente já lhe havia dado um alerta, mas não quisera escutar e sabia o que estava acontecendo, o amor machucava quando menos esperávamos, esperava a mínima chance para quebrar os nossos corações.
Depois da metade da noite sem conseguir parar de chorar, enfim conseguiu dormir. Sonhara com , estava se casando com ele de véu e grinalda, com tudo o que tinha direito e ele estava lá. Real, como sempre fora. Real e dela. Fora o sonho mais lindo que tivera.
Passavam das oito quando acordou, tinha de ir trabalhar, mas antes de ir resolveu ir à loja da velhinha. Adiara por muito tempo aquela visita, talvez se tivesse ido antes, ainda estivesse consigo.
A senhora estava sentada numa velha cadeira de balanço lendo um grosso livro, aproximou-se devagar e a velha se levantou.
- Demorou.
- A senhora disse algo?
- Eu disse que você demorou, eu te esperava no dia seguinte ao da compra das telas, mas você demorou semanas.
olhou assustada para a senhora e não conseguiu entender bem o que ela dizia.
- E então? O que pintou? Flores, animais? Houve uma que pintou frutas, pobrezinha comia maçãs e uvas diariamente.
- As telas eram mesmo mágicas?
- Claro! Garota, eu conheço quem precisa de magia em sua vida só de vê-la. Quando você chegou aqui eu senti sua solidão, precisava das telas - suspirou e a mulher continuou após limpar a garganta duas vezes - Pelas olheiras e o inchaço dos olhos vejo que pintou algo muito importante para você que se foi. Andando de um lado para outro, tentava organizar as idéias, não que isso fosse fácil considerando o estado se sua mente.
- Essas telas tinham prazo de validade? O que eu pintei...
- ...Desapareceu. Eu entendo. - A velhinha foi atrás do balcão e voltou com um quadro de uma mulher abraçada com um homem louro - Essa mulher sou eu, ganhei as telas de um simpático senhor e pintei esse quadro. É incrível como pintamos casais apenas quando estamos sozinhos. Numa manhã quando acordei vi esse homem ao lado da minha cama. Agradeci aos céus e me apaixonei por ele imediatamente. No começo foi lindo, até que um dia ele desapareceu e com ele outras coisas que eu havia pintado. Foi difícil para mim e está sendo para você também.
"Grande dedução", pensou , porém não era hora para sarcasmo e ironias, foi até o carro e pegou as telas em branco. Tudo o que havia pintado desaparecera completamente de lá, as telas pareciam novas.
- Aqui estão, Talvez outro precise delas tanto quanto precisei - depois de deixar as telas em cima do balcão, ela se dirigiu a saída.
- Ei, espere! Tome! - a senhora arremessou-lhe uma pedra que segurou no ar - segure firme e mentalize o que você mais quer.
Não era difícil saber em que ela estava pensando: ver novamente. Era o remédio de que necessitava para curar a dor alucinada do seu coração.
- Tome de volta, nunca se sabe quem precisara de amor novamente. Nem de magia - rindo, atravessou a porta que se fechou com um estrondo.
- É Samuel a vida é surpreendente, não?
- Mais do que imaginamos. Mais do que imaginamos - Um homem grisalho alto aproximou-se da senhora e lhe deu um leve beijo nos lábios - Ele voltará, eu voltei.
- É meu amor, você voltou - abraçados como na tela o velho casal andou até a cadeira de balanço.
ligou o rádio do carro numa estação bem romântica. Não tinha a mínima vontade de abrir a clínica, um dia de folga não faria mal, afinal não tinha nenhum cliente para aquele dia.
Aquele dia era, de longe, o pior de sua vida, o mais triste, o mais solitário e o mais deprimente. Andou de carro durante horas comendo bombons de vários tipos. Talvez uma overdose de calorias resolvesse.
Mas não resolveu.
O mês terminou, viajou novamente, sua clínica estava cada vez mais próspera e ela até contratara funcionários. E também estava planejando reformá-la. Naquela manhã um arquiteto viria até a clínica para avaliá-la e projetar a ampliação tão sonhada por .
Já fazia dois meses que não via , sentia falta, mas sabia que precisava esquecê-lo, pois aquela lembrança não era saudável.
Uma de suas funcionárias chamou-lhe a atenção informando que o arquiteto havia chegado. Ele havia sido muito bem recomendado por um amigo.
olhou-se no espelho e arrumou alguns fios soltos do seu coque. Andou devagar até a sala onde o homem a esperava. O arquiteto estava olhando para uma tela pintada por ela onde ela e , caminhavam para o pôr-do-sol. Assim que se deu conta de que havia mais alguém na sala ele se virou.
O sorriso sociável que a face dela estampava antes deu lugar a uma expressão de incredulidade. O arquiteto parecia muito com e isso a tinha deixado assustada.
- Prazer, , o arquiteto.
- , a cliente - ela se afastou da tela e sentou-se atrás da mesa - Vamos começar?
- Claro. - ele ia se sentar, mas parou e olhou-a fixamente - Eu não a conheço?
- Não, me lembraria de você. Onde disse que mora mesmo?
- Eu ainda não disse - ela riu envergonhada e ele se sentou enfim - Moro no litoral.
riu da ironia do destino, além de ser parecido com ele ainda morava no litoral. Apostava que o destino ria a valer daquela situação.
Esquecendo do passado, empenhou-se no projeto da ampliação, trabalhava muito bem e era muito simpático adaptando as idéias dela da melhor maneira possível.
Enfim o arquiteto acabou as anotações e se levantou esticando a mão para ela, nervosa, estendeu a sua também, apertando as mãos.
- Muito obrigado.
- É o meu trabalho - ele respondeu sorrindo - Mudando de assunto: ainda tenho a impressão de que conheço você. Pra termos certeza de que é apenas impressão por que não marcamos um jantar?
- Pode ser - ela respondeu tentando ser reservada, mas no momento o que mais queria era agarrar e beijá-lo. Era incrível como ele se parecia com o seu . - Na quinta está bom para você?
- Está ótimo, te busco as oito.
saiu de trás da mesa e despediu-se dele com um delicado beijo no rosto.
- Cheguei ontem na cidade e dormi num hotel ótimo, mas estava sem sono, liguei a televisão e assisti a um filme romântico.
- Romance - disse ela baixinho como ele dissera quando o beijou pela primeira vez. Lembraria eternamente daquilo.
- Aprendi algo novo. - abriu a boca apalermada, parecia que estava vivendo um flashback daquela noite com .
De repente, o arquiteto puxou-a de encontro ao peito, o beijo começou suave, como da primeira vez depois a sensualidade predominou.
- Eu te amei, , estava longe, mas te amei. - ele disse abraçando-a mais.
- Quer jantar hoje, passar a noite e me prometer amor eterno? – ela disse direta mal podendo acreditar que o seu tinha voltado para seus braços. Ainda parecia mentira, mas os beijos dele em seu rosto a provavam que era mais real do que pensava.
- É a melhor proposta que já ouvi. – ele riu.
- Somos destinados um para o outro?
- Somos, tenho certeza. – abraçando-a ele a beijou mais uma vez. Eram sim destinados um ao outro.
Depois de passar a melhor noite de sua vida com , e ele decidiram tirar o dia seguinte de folga e irem a um piquenique. Assim que chegaram ao parque encontraram a velhinha e o homem grisalho. O sorriso que já estampava aumentou ainda mais.
- Aposto que ele é o homem louro.
- Eles voltam, querida - disse ela após concordar com - Não quis falar antes, mas sabia que ele voltaria.
- Acho que foi a pedra. -riu .
- Acredito que foi o amor. – entrou na conversa com um sorriso.
o abraçou mais forte e ambos se despediram do casal idoso. Enquanto abria o lençol xadrez no chão, ela o observava, ele tinha razão, o amor trazia o amado de volta.
- É, foi realmente o amor que o trouxe de volta - ele comentou.
- Mesmo que fosse a pedra, eu sempre voltaria para você.
abraçou-a novamente e sentaram-se no lençol. tinha sua verdadeira obra de arte, o amor de .
FIM
N/a: Pessoas, queridas do coração da titia Lary. O que eu posso dizer depois dessa fic, eu juro que eu não faço isso de propósito, não me xinguem. Eu reconheço que essa fic não ficou tão boa quanto as outras, mas prometo melhorar na próxima. Não se esqueçam de comentar pra fazer a titia aqui feliz, ok? E vamos às beijokas de sempre: Mari, Line – as irmãs mais amadas de todo o Brasil. Nells e Nalin, como sempre tem que ser incluídas por serem Divantasticas e à todas as que lêem as minhas fics e ainda deixam comentários fofoléticos. Bem é tudo – tweet tweet @Laryzza.

