Talking to the Stars

Autora: Isabelle Brandon
Status: Em Andamento
Revisada por: Luiza Caminada
Categoria: Free Fics
Sub-Categoria: Romance/Fantasia - LongFic
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Prefácio

Entrei correndo no meu quarto, e bati a porta com vontade.
Por que ele fez isso? Foi tão... cruel. Tão atípico dele! Numa hora estava aqui, me fazendo feliz, na outra estava dando um fim em tudo!
Fui indo em direção a minha varanda, sem pensar. Estava indo falar com elas que, na verdade, era ele. Parei no meio do caminho. O que eu estava fazendo? Eu não queria falar com ele. Era a última coisa que eu queria naquele momento! Deitei na cama. E aos poucos fui lembrando daquele sorriso, daqueles olhos, semelhantes às estrelas... E isso só me fez chorar ainda mais.
Eu estava perdida no meio de lágrimas e soluços. Não tentei disfarçar como das outras vezes. Não tentei engolir, para os vizinhos não ouvirem ou verem.
Não me importava.
Não mais.
Foi com essa atitude que levantei da cama e fui até a gaveta, tirando de lá a coisa que eu tinha prometido a mim mesma não mexer mais, desde que apareceu.
Ele não estava mais aqui. O que me impedia?
Peguei o pequeno canivete e fiz um corte comprido no meu antebraço, e deixei o sangue escorrer, deixando a dor física vencer a moral.

Cap. 1

Estava eu e . Sempre fora assim, eu e . As duas melhores amigas desde sempre. Bem, pelo menos ela era a minha melhor. E quase única amiga. , a loira super popular da escola. Milhões de amigos, também populares. Não sei como ela conseguiu arranjar um tempo para mim.
Mas arranjou. E eu estou bem assim, mesmo sabendo que ela tem outros melhores amigos, porque, bem, ela é alta, loira, magra e de lindos olhos azuis e cabelos cacheados. Ela deveria ter vergonha de mim, uma garota de estatura mediada, olhos verde-escuros, infelizmente escondidos por traz dos óculos, cabelos castanho-médio, compridos, logo abaixo do busto. Eu não era exatamente gorda, mas não parecia com as garotas esqueléticas-lindas da minha escola, localizada no Texas, um pedacinho de mapa, conhecido por seus céus sempre estrelados.
Voltando, eu e saindo de mais uma aula monótona de inglês, numa monótona segunda-feira, voltando pra casa.
- O Bryan parece estar gostando de você. - disse. Era a primeira vez em semanas que ela tentava tocar em assunto de garotos.
-É, mas e aqueles amassos que ele estava dando na Anna, sexta-feira, na festa? - repliquei.
-Talvez ele tenha mudado. - já tínhamos tido aquela discussão antes. sempre tentava me empurrar namorados. Mas ela tinha parado desde aquele pequeno acontecimento, há um mês atrás.
- Ou talvez não.
Silêncio.
Chegamos à minha casa, a dela era mais adiante.
- Sabe, , você não pode ficar evitando esse assunto para sempre! Uma hora você vai ter que esquecer! - ela me disse quando paramos.
- Até amanhã, , nos vemos na escola. – disse, e me virei, indo em direção a porta.
- , vamos parar de ignorar esse assunto. – ela segurou meu braço, impedindo-me de continuar - Vamos, fale comigo. Eu sou sua melhor amiga, você pode falar qualquer coisa para mim.
- , me solte!
- Não! Se solte, isso vai te fazer melhor, você está meio fechada esses dias - ela me puxou para perto e segurou meus ombros - Vamos até a minha casa, e então iremos sentar nos pufes do meu quarto e conversar, igual aos velhos tempos. Vem.
- Me solta! E se eu não quiser conversar? E se eu não quiser falar sobre isso? – gritei, mas ao mesmo momento me arrependi, alguém poderia ter ouvido, e ao olhar no rosto de , vi que ela estava a beira de lágrimas. - Me desculpe, eu não... - e saí correndo, aproveitando que ela havia me soltado. Tentei segurar as lágrimas até o meu quarto, e só pude chorar quando me certifiquei que a porta estava devidamente trancada.
Eu fiz de novo. Eu briguei com minha única amiga. De novo. Embora fosse extremamente popular, ela era muito inocente e sensível por dentro. E eu a magoei outra vez.
Me joguei na cama e fiquei derrubando as lágrimas por mais um tempinho. Quando levantei percebi que já era noite.
Me animei. Já estava na hora do meu pequeno vício.
Atravessei o quarto e fui até a varanda. A noite estava estrelada, como sempre. Debrucei-me no parapeito.
- Hoje briguei com a - é, eu conversava com as estrelas. É estranho, eu sei, mas era melhor que qualquer diário, onde todos poderiam ver, ou qualquer psicólogo, onde você teria vergonha de contar certas coisas. Era relaxante ficar na minha varanda, a céu aberto. Eu poderia pular dali facilmente, mas nunca cheguei a fazer isso. Embaixo havia um grande jardim, repleto de flores delicadas e exóticas, com uma fonte e um banco. Minha tia havia feito tudo isso sozinha!
Eu morava com ela. Meu pai e minha mãe morreram num acidente aéreo enquanto voltavam de Miami. Eu tinha apenas 6 anos. Desde então, morava com minha madrinha-tia. Mas eu não ligo. Ela era bem legal, porque nunca aparecia em casa, trabalhava em tempo integral, tinha duas filhas, ambas já casadas e morando longe.
- Minha briga foi bem idiota, nem sei por que fiz tanto estardalhaço – continuei – Sei lá, não sei por que continuo assim. Já faz um mês! A essa altura já deveria ter esquecido. Não sei como me desculpar, deveria ligar ou esperar até amanhã? – fazia pergunta às estrelas, mas eu sabia que elas não iam me responder. Elas nunca respondiam. Às vezes tinha a sensação de estar sendo escutada, mas era só impressão. Já chequei o jardim, e os vizinhos nunca apareciam. Mas eu até gostava disso.
- Acho melhor ver se ela está on-line. Se ela estiver peço para ela se encontrar comigo, se não, falo com ela amanhã, antes da escola.
Saí da varanda, tomei um rápido banho, torcendo para que ela não estivesse on-line. Eu queria adiar essa conversa ao máximo.
Ela não estava.
Fui dormir.

Cap. 2

Acordei com uma vontade incrível de voltar a dormir.
Por que tinha que ser apenas terça-feira? Não podia ser sábado? Por que não posso faltar? Ah, sim, porque eu sou uma nerd!
Lembrei o que eu tinha que fazer hoje. Suspirei.
- Tenho que me ajeitar com a . Hoje, sem adiar mais. - me levantei, prometendo que iria até ela antes das aulas. - Sem adiar - repeti para mim mesma.
Eu adiei.

Não a encontrei antes das aulas, e tive medo de procurá-la. Das últimas vezes que brigamos sempre foi difícil fazer as pazes. Esperei até a hora do almoço, pois nenhuma das nossas aulas eram juntas. Ela também não estava lá. Perguntei aos seus amigos, e eles não sabiam dizer onde ela estava. Fui para a aula de Cálculo, única aula que nós tínhamos juntas mas, novamente, ela não estava. Fiquei preocupada. Será que ela só tinha feito isso por causa da pequena briga? Já tivemos brigas piores e ela nunca chegou a ponto de faltar à escola.
No final do período escolar, fui até a casa dela. Eu estava realmente preocupada.
A mãe dela, a adorável Sra. , atendeu:
- Olá, , em que eu poderia ajudar?
- Oi, a está?
- Não, eu achei que ela havia dormido na sua casa. - respondeu, o medo começou a transparecer.
- Não! A última vez que a vi foi quando voltamos da escola, ontem... – tive medo de contar que brigamos, não queria que me culpassem pelo seu desaparecimento. - E hoje ela não foi à escola.
- Como assim ela não foi? Ela nunca falta! Você tentou ligar para o celular dela? - Lucy fez um gesto para eu entrar na casa.
- Não... - respondi, me sentindo culpada.
- Bem vamos resolver isso agora – Sra. já estava discando os números – Caixa-Postal, nem tocou! – Lucy estava andando de um lado para o outro - Não existe nenhum lugar onde ela poderia ter ido?
- Bem... - eu estava revirando minha mente, tentando lembrar de qualquer lugar - Não, não que eu saiba. Ela não está com o Sr. ?
- Não, ele está numa viagem de negócios. - na verdade, ele não estava numa viagem de negócios, estava com a amante dele, lá na Califórnia. Mas só eu sabia disso, pois minha outra tia é a gerente do hotel em que eles costumam ficar. - Onde será que ela está? Vou ligar para a polícia local, talvez eles saibam.
- Talvez... - eu disse, sem esperanças. Era bem improvável que ela estivesse lá.
- , querida, vá para sua casa, já está ficando tarde.
- Mas... – comecei.
- Eu te ligo caso souber de alguma coisa. Você ainda tem escola amanhã.
- Ok – disse, suspirando. Não ia adiantar discutir com ela – Adeus, Sra. . Não se esqueça de me ligar caso souber de alguma coisa, eu vou continuar procurando.
- Tchau, querida. Vou te manter informada.
A caminhada para casa foi comprida e, infelizmente, deu tempo para eu pensar. O que não foi boa coisa.
Quanto mais eu pensava, mais eu tinha razões para chorar. Até que chegou um ponto que eu tive que correr para ninguém ver minhas lágrimas caindo.
Corri para o meu quarto, abri a gaveta, peguei o canivete vermelho e tirei meu moletom, deixando meu braço, cheio de cicatrizes, à mostra. Eu praticava cutting, ato de se cortar, há um tempo. Era horrível, mas desviava os sentimentos.
Enfiei a ponta do canivete no antebraço, pensando no que eu tinha criado.
Eu fiz a sumir, eu fiz a Sra. se desesperar, e provavelmente chorar, eu fiz aqueles cortes, eu mentia dizendo que eram machucados sem importância, eu fazia tudo, eu era a culpada. De tudo. E eu sabia.
Fui até a janela, e contei tudo às estrelas, deixando, discretamente, as lágrimas e o sangue caírem.

Em outro lugar. Bem diferente:

observava tudo com uma grande tristeza, enquanto contava tudo, indiretamente, para ele. sentiu tudo enquanto ela se cortava. Parecia que estavam cortando-o. A tristeza que ela sentia, ele também sentia.
Era assim que os anjos da guarda faziam. Observavam tudo, sem poder fazer quase nada. E isso era terrível para eles: não poder ajudar quem lhes foram designados.
Ele escutava tudo que ela dizia, mesmo já sabendo de tudo.
Angelus custos, “Anjo da Guarda” em latim, podiam observar do alto seus protegidos à hora que eles quisessem. Mas era mais fácil à noite, na hora da lua e das estrelas.
se virou, não conseguia mais ver aquela cena, e começou a andar sem destino pelos corredores do Céu, até que um outro Angelus custos o achou.
- O que há de errado, irmão? Por que não está observando sua protegida? – Cahethel perguntou.
- Ela está passando por maus momentos, é difícil vê-la desse modo – respondeu – E o seu protegido, Brady, por que não está com ele?
- Ele está “se relacionando” com a protegida de nossa irmã Michele, a garota Ana - Cahethel disse, com um sorriso. - Acho melhor não invadir a privacidade deles.
Cahethel notou a expressão vazia de .
– O que está acontecendo, irmão, você não é mais o mesmo.
- Nada, claro que eu continuo sendo o mesmo! - tentou se esquivar, mas seu irmão percebeu.
- Você está se apaixonado por ela! – Cahethel exclamou.
- Claro que não, irmão, deixe de besteira.
- Então me olhe nos olhos e me diga que você não nutre sentimentos amorosos por .
olhou para o irmão, mas logo desviou o olhar.
- Não posso.
- Eu sabia! Era por isso que você não parava de observá-la... Até de dia! Mas, , você não ouviu as histórias dos Angelus custos que se apaixonaram por seus protegidos? Eles perderam tudo!
- Na verdade eles não perderam tudo. Eles quiseram largar os poderes pelo seu protegido. – disse, mas logo se arrependeu. Seu irmão havia entendido errado.
- Não me diga que vai desistir de tudo, irmão. Por favor, não desista de tudo. - Cahethel disse com desânimo na voz.
- Não, Cahethel!
Mas não sabia se estava sendo sincero.

Cap. 3

Eu acordei num novo dia, na espreguiçadeira da minha varanda, com mais desânimo do que no dia anterior. Lembrei-me de , e lembrei-me da Sra. ligando para mim, no meio da noite, completamente desesperada, falando que ninguém havia visto sua filha, e que os policiais iriam começar a busca pela manhã. Lembrei-me também de ter chorado mais uma vez, e ir falar com as estrelas, mais uma vez, e de ter caído no sono lá mesmo, deitada na espreguiçadeira.
Levantei-me e fui me arrumar para ir à escola. Eu não podia faltar, estava na época dos testes, e eu nem mesmo havia estudado noite passada.
No caminho da escola passei ao lado de um bosque. O caminho era rotineiro, mas hoje havia alguma coisa me chamando para lá. Não sabia dizer o quê, mas havia.
- Olá? – Chamei, na esperança de alguém responder. Mas, é claro, ninguém respondeu. Então resolvi entrar.
A pequena floresta era uma mata fechada, antiga. Não tinha nada dentro, além de um posto de observação abandonado. Concluí que não tinha nada lá, mas mesmo assim, algo em meu subconsciente não me deixava sair, então resolvi seguir mais adiante. Dane-se os testes!
Andei mais um pouco até chegar a um ponto que fiquei estática. O que eu via era difícil de acreditar, até de explicar. Uma clareira, com a coisa mais espetacular que eu já havia visto. Era uma árvore... Não, era a árvore. Incrivelmente alta, do tamanho de um prédio de 15 andares, da largura de, não sei, talvez um carro? Mas não era só o tamanho que surpreendia, e sim o fato de ter só ela na clareira, sem nenhuma outra planta, além da grama, incrivelmente verde e saudável e, estranhamente, parecia ter sido aparada. A grande árvore não tinha frutos ou flores, apenas folhas verdes, com um formato que eu nunca vira antes: parecia uma estrela de quatro pontas. A luz do sol batia na árvore de um jeito meio que... divino. Mas quando me aproximei, vi uma coisa ao pé da árvore que me deixou sem fôlego.
Um corpo.
Na verdade, era o corpo de .
Corri até ela, quase tropeçando. Minhas pernas estavam demasiadamente bambas.
- ! – gritei, esperando que ela acordasse, esperando que ela estivesse viva.
Cheguei, e imediatamente coloquei minha mão em seu pescoço, tentando checar sua pulsação.
Quase chorei de alívio quando a senti. Bem desregulada, mas senti.
- , acorde - falei mais gentilmente, balançando seus ombros. - Vamos, acorde!
Foi então que notei suas roupas: rasgadas e totalmente sujas. Seus cabelos estavam embaraçados, e seu rosto tinha alguns cortes.
- Meu Deus, , o que houve com você? – falei, passando a mão por seu rosto. Ela ainda não havia acordado.
Por alguma razão, achei melhor tirá-la da clareira antes de pedir ajuda. Não parecia correto chamar atenção para aquele lugar.
Com muito esforço, levei-a para dentro do bosque, num lugar onde a clareira não estava a vista, então liguei para a polícia.

Naquele lugar diferente...

Estava um caos.
Angelus custos corriam para todo lado, à procura de , a protegida de Aya. Ninguém sabia onde ela estava, e para alguém desaparecer de um anjo, era excessivamente preocupante. Já haviam mandado ajuda aos superiores, quando apareceu. No céu. Desmaiada. No meio dos Angelus custos.
Todos pararam. Aya quebrou o silêncio dando um grito, e correu até ela, checando se estava bem. Então a confusão recomeçou.
- O que ela está fazendo aqui?
- Como conseguiu entrar?
- Por que não tiraram ela ainda?
- Quem a deixou entrar?
Então, de repente, todos se calaram. Gabriel chegara. O arcanjo. O superior.
Num simples gesto, tocou a testa de , e a garota desapareceu.
Ele se virou para os Angelus custos:
- O que aconteceu aqui? – se virou para Aya. – Diga-me.
- E-eu não sei. Num momento eu a estava observando, no outro, uma grande chama apareceu nela, e sumiu. Procurei em toda parte, mas não a achei. Até agora, quando ela apareceu aqui,. – Aya falou, gaguejando, assustada por Gabriel ter se dirigido a ela. - Se me permite perguntar, onde ela está?
- Na arborem magnam. – ele falou, referindo-se à “Grande Árvore”.
- Como irão achá-la? - Aya perguntou.
- Não é problema meu, desde que não chamem atenção para a arborem magnam.
Depois disso, desapareceu.

Lá estava , mais uma vez observando o sofrimento de . Ela estava indo para a escola. Observá-la de manhã gastava um pouco de seus poderes, mas ele não conseguia parar. Cuidar de seus protegidos não era como se os Angelus custos estivessem na frente deles, invisíveis. Eles estavam invisíveis, claro, mas é como se estivessem observando de cima, numa sala de vidro. Mas não tão longe. Da distância que os guardiões quiserem.
Dentro dessa tal “sala” era bem interessante. Tudo era claro e limpo. Cada Angelus tinha sua própria “divisão”. Eram salas sem portas, com paredes de vidro, em que o anjo poderia observar o mundo afora, aonde ele quisesse. Ter essas salas não significava que o Angelus custos deveria ficar durante a eternidade inteira observando. Eles podiam sair e ficar andando pelas salas e corredores do Céu, conversando com outros anjos. Quando seu protegido ficava em perigo, seu Angelus custos sentia uma pulsação no interior na cabeça, e ele deveria ir para a sua devida sala. Às vezes eles não chegavam a tempo, ou às vezes eles recebiam uma mensagem dos superiores dizendo que uma tragédia iria acontecer, e eles não poderiam interferir. Quando seu protegido morria, o Angelus era enviado para outra pessoa, normalmente recém-nascida.
estava pensando sobre , e como eles iriam fazer para tirá-la de lá sem chamar atenção. O que era bem difícil, já que o poder que a Arborem magnam emitia era tão forte, que todos iriam querer vê-la.
Se ficasse muito tempo sozinha (e desacordada) poderia morrer de fome ou de sede. Ninguém sabia onde ela estava antes, ou quem a levou.
Então, fez uma coisa que poderia mudar sua vida no Céu.
Conduziu até .
Cuidadosamente, e com muito esforço, a fez ir em direção à Grande Árvore. Isso usava muito de sua energia, mas como estava no Céu, logo estaria preenchida novamente.
Quando ela chegou à Arborem, sabia que seria difícil tomar controle de suas ações, mas fez o mais rápido possível. Não queria que nenhum Angelus custos o pegasse no flagra. Demorou alguns instantes, mas finalmente saiu do transe e foi até .
O momento mais difícil foi fazer tirar de perto da árvore antes de chamar ajuda.
Mas ele terminou.
Egotado, mas terminou.
desabou no chão.

Cap. 4

Eu tinha acabado de dar o meu depoimento para o policial, tentando ser o mais sincera possível, omitindo somente a parte daquela grande árvore misteriosa.
Subi para o quarto de , eu estava na casa dela, e fui ver se já tinha acordado. Havia alguns amigos dela lá, mas eles estavam se retirando quando entrei.
- Ela já acordou? – perguntei para uma garota. Vicky, eu acho.
- Não, está assim o tempo todo. O que aconteceu com ela?
- Não sei, só a achei assim.
- Enquanto estava matando aula? Que sorte!
- Eu não... - mas não terminei a frase, virando as costas e indo em direção a cama. Não adiantava discutir.
Ouvi a porta se fechando.
- ? ? Vamos, acorde! - falei, dando pequenos empurrões. Eu não havia falado com ela desde que a ambulância a buscara, nem sabia se ele havia acordado alguma vez . – !
Suas pálpebras tremeram. Seus olhos se abriram lentamente. Quando ela olhou para mim, se sentou rapidamente.
- , o que está fazendo aqui? Você também foi... - não terminou, olhando para seu quarto. – Como vim parar aqui? Quanto tempo se passou?
- Calma, , está tudo bem. – a tranquilizei.
Então contei como a havia achado, deixando de fora a parte da árvore.

- Me deixa ver se entendi. Eu sumi por um dia, e você me achou no bosque St. Peetimby? – ela disse, meio desnorteada – E como me achou lá?
- Não é importante como eu a achei, e sim como você foi parar lá. - a pressionei – Por que você fugiu?
- Eu não fugi. Bem, eu acho que não – disse, franzindo a testa – Não me lembro de nada.
- Ok, qual é a ultima coisa que se lembra?
- Bem... Você tinha brigado comigo.
- Desculpe-me - falei – Agora que eu estou vendo, foi uma briga de nada.
- Tudo bem, vamos simplesmente esquecer. – ela disse - Afinal, eu não deveria ter...
- Continue – interrompi – Como desapareceu?
- Ah, é... hum... Eu estava voltando para casa e... eu senti alguma coisa me agarrando - franziu a testa - Então, bem... ficou muito quente e eu desmaiei, então cá estou.
Ela estava claramente me escondendo alguma coisa.
- !? Você não se lembra de mais nada? – tentei arrancar alguma coisa dela.
- Hum... Não – ela disse. Ou ela estava tremendamente confusa e não se lembrava de nada, eu ela estava realmente mentindo.
- , eu te conheço há cinco anos, e acho que sei quando você está mentindo. – preferia acreditar que ela estava mentindo.
- Não, , eu realmente só me lembro disso, ok? Vá chamar a minha mãe, diga a ela que eu já acordei. - ela disse, com uma expressão fria.
- , os policiais virão aqui para pegar seu depoimento. Você pode até mentir para mim, vai mesmo mentir para eles? – tentei.
Por um momento houve uma sombra de hesitação em seu rosto, mas logo aquela máscara fria voltou.
- Eu não estou mentindo para você, e eu não vou mentir para eles! - ela quase gritou – Agora chame minha mãe!
- Ok, eu vou, mas se quiser me contar qualquer coisa você tem meu celular. – saí do quarto.
Lá embaixo, não chamei a mãe da e fui embora sem ninguém perceber.

Em casa, fui direto para meu quarto. Estava tão furiosa com a ! Ela estava mentindo na minha cara! Como podia?
Deitei na cama e fiquei refletindo o que tinha acontecido com ela:
Estupro? Talvez, o laboratório iria dizer isso.
Roubo? Bem improvável.
Drogas? Não era o perfil de .
Abdução alienígena? Ah, claro, por que não?
Ela mesma não teria encenado tudo isso? Ah, sim, e os Et's a ajudaram.
Suspirei e levantei. Fui para a varanda.
- Sabe, ela definitivamente está diferente – falei para as estrelas – Ela está escondendo alguma coisa de mim, só não sei o quê. – bufei – E parece que ela não vai me contar.
A minha vontade de conversar hoje não estava boa. Não sentia que estava realmente desabafando. Hoje, pela primeira vez, o céu parecia realmente vazio. Eu gostava daquela sensação de alguém estar me ouvindo. Esta noite ela não estava lá, e eu sentia falta daquilo.
Virei as costas para o céu. Iria tomar banho.
Por um momento, senti uma vontade de me virar e continuar lá, mas ela desapareceu com a mesma rapidez que veio.

No Céu Quando se levantou, já percebeu que estava encrencado. Não havia desmaiado, claro, isso era impossível para um Angelus custos, mas estava tão fraco que não aguentou ficar de pé. Então caiu e permaneceu no chão por alguns segundos. Quando levantou, havia anjos ao seu redor.
Quando ele se levantou, começaram as perguntas. Não havia jeito de escapar delas. não poderia mentir, iria contra as leis do Céu, mas também não poderia dizer a verdade. O que ele havia feito era contra o que Gabriel disse.
Mas no momento que ia se explicar, Gabriel apareceu. Bem na frente de . Ele ficou sem reação. Sabia que ia ter problemas.
- . - começou Gabriel – O que você fez foi claramente o que eu mandei não fazer. Levou um humano à Arborem! Sabe o quanto isso é grave?
estava totalmente aterrorizado, estava começando a se arrepender do que havia feito.
- Porém, – continuou Gabriel – salvou a vida de , e fez , sua protegida, a humana que você induziu à , não chamar a atenção. Isso gastou muito de seu poder divino, como pudemos ver. - disse, referindo-se à queda de – Claro, levar à Arborem magnam foi uma infração às regras, mas eu deveria ter terminado o trabalho e tirado de lá. Eu fui irresponsável e não o fiz, deixando para você, um Angelus custos, todo o trabalho sujo. Então, desculpe-me.
ficou pasmo. Gabriel estava pedindo desculpas a ele? Por uma coisa errada que ele fez? Como? Por quê? estava sem palavras por esse ato, então simplesmente fez um sinal com a cabeça.
Gabriel continuou.
- Por seu ato, estamos pensando em recompensá-lo – olhou em volta, para todos os outros Angelus custos, observando a cena – Vocês, voltem para suas atividades normais. , acompanhe-me.
Após isso, Gabriel sumiu.
piscou duas vezes, imaginado o que seria, depois foi até o local onde Gabriel desaparecera, fechou os olhos e focou sua mente no rosto de Gabriel.
Quando abriu os olhos, estava em outra sala.
Ele já ouvira falar daquela sala. Era onde, normalmente, os Angelus custos eram chamados para terem conversas importantes.
A sala era linda, grande e quadrada, mas o interessante eram as paredes. Eram todas estreladas, como se eles estivessem numa caixa de vidro no meio da galáxia. Constelações, cometas, supernovas...
Gabriel estava lá também. Olhou para a expressão de e sorriu.
- Você nunca havia visitado essa sala antes, estou certo?
- Está... - disse , olhando para as paredes, depois olhou para Gabriel – Por que me trouxe até aqui?
- Bem... - a expressão de Gabriel endureceu - Como observamos, suas habilidades com o manuseio do poder divino são inegáveis. Você conseguiu manipular a vida de um humano num nível tão avançado que nenhum Angelus custos havia ousado fazer antes.
se sentiu desconfortável. Não gostava do modo que a palavra “manipular” foi dita, parecia que controlava toda a vida de .
- Por causa disso, estamos te escalando para uma missão.
Pronto, era a segunda vez que Gabriel o surpreendera em menos de 24 horas.
Para um Angelus custos, fazer uma missão significava que ele era extremamente importante, porque a aparição de Angelus custos em missões eram raras. Havia anjos especificamente treinados para isso. Mas, o que eram missões? Era quando um anjo (ou vários) viajavam para a Terra para fazer certa coisa.
Podia ser qualquer coisa: assuntos a serem tratados, proteção extra, investigações...
se perguntava qual seria a dele.
- Lembra-se de e do modo que ela sumiu? – assentiu – Vamos autorizar a sua ida, e de outros três anjos em cargos mais altos, à Terra, para tentar descobrir alguma informação.
- Mas e ? Como vou protegê-la? – perguntou , com certo pânico.
- Você irá continuar a protegê-la, mas não tão intensamente, e nós iremos nos certificar que não aconteça nada grave com ela. – Gabriel usava o plural para se referir a ele e aos outros arcanjos.
- Continuarei com todos os meus poderes?
- Sim. Mas lembre-se, , como você não estará mais no céu, quando usar seus poderes, eles não irão se recompor tão rápido, somente na hora que você estiver descansando, então procure não os gastar. – Gabriel falou em tom de advertência.
- Eu irei dormir? – perguntou , estranhando. Anjos não dormiam.
- Sim, para não levantar suspeitas. Você fará atividades normais básicas dos humanos, como dormir, comer e frequentar a escola.
- Onde eu irei ficar?
-Ah, sim, ia quase me esquecendo. Iremos te dar uma moradia e uma identidade. Irá estudar na Mirtow High School, a mesma escola de . Irá se chamar Carter e terá cerca de 17 anos.
- Os outros anjos também estarão na mesma escola que eu?
- Não, eles vão ser humanos mais velhos, o seu papel na missão é se entrosar com os humanos relacionados e tentar tirar informações. No final de cada semana irá se encontrar com os outros anjos e relatar o que conseguiu.
- Sim, Gabriel. – disse , animado.
- Sua missão começará daqui a 48 horas. Alguma pergunta?
- Somente mais uma – disse , cauteloso com a resposta que iria receber. - Poderei revelar minha identidade?
- Acho que está se referindo à . - disse Gabriel, com um sorriso – Então, aí está sua recompensa por salvar . Normalmente revelar sua identidade para um humano é proibido, mas como fez uma boa ação, e boas ações são recompensadas, poderá contar a uma pessoa de sua escolha. E sabemos a quem escolherá contar. Só temos uma restrição: poderá contar que é um anjo, mas não poderá contar que ela é a sua protegida. Deixará de fora que é seu Angelus custos. Se contar, apagamos a memória dela e te tiramos da missão imediatamente. Fui claro?
- Sim, Gabriel. – disse , sem se abalar. Contar isso não era grande coisa.
- Boa sorte. - dizendo isso, Gabriel o enviou de volta a sala que ele estava antes.
não poderia estar mais ansioso.

Cap. 5

Estava indo para a escola. Eu tinha um misto de animação e raiva. Eu iria atazanar até ela falar o que estava acontecendo. Ela iria me falar. Ela tinha que me falar.
Nunca fui muito curiosa, nem bisbilhoteira, mas tinha desaparecido! Pelo amor de Deus! Ela não podia guardar segredo de onde ela havia ido, não podia! Eu estava ficando desesperada, que cheguei a ponto de correr até a escola.
Mas ela ainda não havia chegado.
Fiquei sentada no banco em frente à escola, só matando o tempo.
Então o Will, o “garoto popular”, veio até mim.
- E aí, ? Como vai? – ele perguntou, tentando ser gentil, mas eu sabia que era só fachada. Ele era um tipo de “namoradinho” de . Eles não assumiam, mas andavam se beijando por aí.
- O que foi, Will? – perguntei, sem animação.
- É, então... Onde estava? Ela, bem, não me ligou nem nada. – ele coçou a nuca.
O analisei. Will era bonitinho, tinha cabelos loiros e olhos castanhos, era do tipo forte que jogava no time de futebol da escola.
- Não sei, ela não me disse. – disse, cética. Ele até era legal, mas irritava-me falar com ele neste momento. – Will, será que você poderia me dar licença, por favor?
- O que? Ah, tá. Claro, . – e ele foi.
Uns minutos se passaram, até que vi chegando.
Corri até ela.
- ! – a segurei pelo braço – , você me deve algumas explicações!
- O quê? Não! – ela tentou se soltar – Não, não devo, já disse que não sei!
- Talvez ontem você tenha conseguido me enganar, mas hoje não!
- Para, ! Você não confia em mim? – ela tentou.
- Não é você que tem que perguntar, sou eu. Você não confia em mim.
A vi hesitar por um momento. Achei que ela ia me contar. Uma pequena esperança veio até mim.
O sinal tocou. Ela correu para a aula.
- Droga!

me evitou por dois dias tudo que eu tentava falar. Ela me ignorava, como se eu não existisse. Eu estava quase desistindo de interrogá-la, até que um pequeno acontecimento na aula de História me assustou.
Estávamos em mais uma aula chata de história, com o Sr. Stevens, e ninguém prestava atenção. estava a três carteiras de distância na minha frente, o lugar mais distante de mim que ela achara. De repente, a vi se levantando, interrompendo uma frase que o Sr. Stevens estava dizendo. Ela estava com os olhos encharcados de lágrimas, soluçando. Saiu da aula correndo e bateu a porta. Não pensei duas vezes e a segui. Não me importavam os protestos do Sr. Stevens, mandando eu me sentar. Eu precisava saber. Quando saí, vi-a entrando no banheiro feminino. Eu a segui.
Ela estava na pia, tentando enxugar as lágrimas.
- ? – falei, delicadamente – Está tudo bem?
Ela soluçou.
- , eu não... - e mais lágrimas – Entenda-me, caso eu contasse, você... - ela me abraçou - Desculpe, eu não posso.
Fiquei parada, não tinha ideia do que dizer. Diria que estava tudo bem? Que eu a entendia? Não achei que aquilo fosse um teatrinho dela. não era tão boa atriz assim.
A enfermeira da escola entrou no banheiro, perguntando o que estava acontecendo. Respondi que eram problemas de namorados. Ela acreditou, mas mandou-me voltar para a aula. Eu fui, não tinha mais o que dizer.
No final do dia, a enfermeira disse que tinha mandado ir para casa. Pensei em fazer uma visita, mas desisti. Realmente não tinha o que dizer.
Então só fui para casa. Ignorei Tia Mary dando uns amassos num cara que morava perto da nossa casa. Ela sempre fazia isso. Era jovem, tinha uns 24 anos, alta, com belas curvas, olhos verdes e cabelos castanhos compridos. Por que eu a impediria? Ela tinha o direito de fazer o que bem quisesse. E eu não me incomodava. O quarto dela era distante do meu.
Fui fazer as lições, demoradas por sinal, e depois tomei um banho. Fui até a varanda.
- Será que está mentindo? Ou será que ela realmente não pode me contar? Será que, sei lá, um bandido a ameaçou e ela não pode contar para ninguém? – pensei nas opções, novamente. Nada parecia provável.
Então só fiquei olhando para o céu. Vi uma estrela cadente. Isso não era grande novidade, mas aquela estrela era diferente. Ela estava próxima. Muito próxima. Parecia que iria cair na Terra. E ela era linda. Um cometa grande e bonito riscando o céu. Quando desapareceu, só fiquei olhando. Talvez outro aparecesse.
Senti sono e fui dormir. Um pouco antes de adormecer, senti uma súbita animação. Parecia que o amanhã seria diferente.

Cap. 6

Acordei novamente com aquela estranha animação. O que era aquilo? Troquei-me rapidamente para ir à escola. Mesmo sendo sábado, eu tinha aula. Maldita escola do Texas. Felizmente, as aulas de sábado acabam às 3 da tarde. De segunda a sexta, as aulas acabam às seis. Essa definitivamente era uma escola de nerds.
Tomei café e comecei a caminhada até a escola. Me senti observada, mas quando olhei para trás não vi ninguém. Sério, eu estava com problemas hoje.
Na escola, encontrei , mas nós agimos como se nada tivesse acontecido. Nada de desaparecimento, nada de brigas, nada de lágrimas. Apenas duas melhores amigas. Não me importei, assim era melhor.
Na aula de Inglês, a professora havia nos apresentado um aluno novo. Como eu estava no fundo da classe, nem prestei atenção em quem era.
O dia passou normalmente. Na última aula, teve que sair mais cedo, ela havia uma consulta no médico. O que significava que eu iria ficar sozinha na volta para casa.
Quando o último sinal tocou, me levantei e saí da escola o mais rápido possível. Eu não tinha mais o que fazer.
Em casa, tive muito tempo livre. Não havia lições, e eu não era aquele tipo de garota que fica fazendo as lições adiantadas, ou saindo com os amigos. Então apenas liguei a TV e assisti um filme o qual eu não me lembro o nome. Já eram sete horas da noite, comi qualquer coisa rápida e fui para o meu quarto. Fiquei na cadeira da minha varanda, apenas passando o tempo, falando via torpedo com a . Quando ela teve que desligar, já havia se passado uma hora. O céu estava tão maravilhoso quanto o dia anterior. Fechei os olhos, só sentindo aquela brisa fresca noturna.
Quando os abri, quase gritei.
Havia alguém. No jardim, no meio dos arbustos. Na escuridão, não consegui reconhecer. Mas estava olhando para mim.
Saí da varanda apavorada, peguei o canivete na minha gaveta e desci. Precisava saber quem era.
Será que era o mesmo cara que raptara ? Hesitei na porta. E se ele também estivesse aqui para me pegar? E se fosse um maníaco? Um assassino? Um ladrão pronto para subir pela minha varanda? As perguntas eram muitas, então deixei o medo de lado e fui até o jardim.
Não havia ninguém.
Cautelosamente, fui até o lugar em que ele estivera. Realmente estava vazio. Por um momento fiquei com medo que isso fosse uma armadilha, e esse cara saísse das sombras e me pegasse. Mas isso não aconteceu.
Olhei para a minha varanda.
Ele estava lá.
Ofeguei e entrei em casa. Corri para a cozinha e peguei um facão maior. Subi as escadas, percebendo o silêncio da casa. Minha tia não estava, como sempre.
E se ele já tivesse ido embora? E se continuava lá?
Respirei fundo e abri a porta. Novamente, estava vazio. A luz estava acesa, do jeito que eu havia deixado.
Fui para a varanda. No jardim, não havia nada.
Ainda assustada, fui para meu quarto e tranquei a porta da varanda. Tranquei a porta do meu quarto também.
Sentei em minha poltrona.
Será que foi tudo imaginação? Eu seria capaz de imaginar tudo? Por que eu não liguei para a polícia? Eu estava realmente em perigo, poderia ser um assassino!
Como ele entrou? Minha casa tinha alarme!
Por que eu não estava com tanto medo? Por mais estranho que pareça, eu não estava tão assustada quanto deveria estar. Por que isso? Eu não tinha a sensação que iria me machucar.
Eram tantas coisas que a minha cabeça começou a doer. Fui dormir.
O domingo foi um tédio, não tinha absolutamente nada para fazer, fiquei pensando sobre aquele misterioso garoto – pelas sombras, parecia ser um adolescente, mas não consegui ver suas feições - que eu me recusava a chamar de ladrão ou assassino. Ele realmente não fez nada.
O que estava acontecendo? Eu estava defendendo alguém que eu nem conhecia!
Eu estou ficando insana.

Em outro ponto de vista:

estava atordoado, fora uma viagem bem complicada.
Flash Back

"Ele estava animado, muito animado.
Olhou para o grande portal branco brilhante em sua frente. Era um pouco maior que uma porta comum, só que em nada se parecia com uma porta. Era mais como uma grande estrela. Ele não conseguia ver através do portal, e era ofuscante, demasiadamente brilhante, mas não ligava. Estava feliz demais.
Gabriel já apresentou os seus companheiros de missão: o arcanjo Rafael, e mais Aaron e Micaela, ambos anjos mais poderosos, que já partiram. Agora era a vez de .
Ele entrou no portal.
A viagem não poderia ser chamada de ‘agradável’. Na verdade, causou certa dor. Nada físico, e sim mental. A alma de sentiu sensações indescritíveis. Mas em poucos minutos, ele caiu – sim, caiu – na Terra”

Flash Back Off

levantou-se e tirou a terra de sua roupa. Olhou ao redor. Estava ao lado da Arborem magnam, Aaron e Micaela estavam ao seu lado, Rafael estava mais a frente.
- Que bom que chegou bem. Pela demora achamos que alguma parte do seu corpo havia permanecido no Céu. – disse Micaela, gentilmente.
- Quanto tempo demorei? - perguntou , confuso.
Rafael respondeu.
- Fui o primeiro a chegar. Você chegou – olhou no relógio de pulso recém-adquirido - uma hora e treze minutos depois de mim.
- Desculpe fazê-los esperar – estava envergonhado.
- Essa foi sua primeira viagem, nós compreendemos. – Aaron falou – Partimos agora, Rafael?
- Sim, sigam-me. – e sumiu.
seguiu, mas usar seus poderes na Terra era mais difícil e cansativo.
Eles pararam dentro de um prédio. Já estava muito tarde para algum humano estar observando.
Rafael os guiou para cada apartamento do prédio, muito bonito, por sinal, e entregou as devidas chaves.
- O meu apartamento será o 914 – disse, indicando uma porta – Qualquer problema, não importa a hora, podem ir até lá. Agora devem descansar, amanhã começarão a interpretar seus papeis.
E cada um foi para seu devido quarto.
acendeu as luzes do luxuoso cômodo. Tudo era novo para ele. Tocou em tudo, sentou no sofá, ligou a televisão, mas não assistiu, continuou mexendo nas coisas, sentiu a baixa temperatura da geladeira e o calor do forno. devia parecer um completo idiota, mas ele não ligava. As sensações eram novas para ele. Até o sono, que o fez deitar na cama e desfrutar de mais uma sensação.

Acordou de manhã com o despertador, provavelmente já programado por alguém. levantou-se, vendo que havia dormido com a mesma roupa que chegara. Abriu o grande guarda-roupa já abastecido e vestiu uma roupa que normalmente via os humanos usando. Sentiu fome. Foi até a cozinha, mas não sabia o que comer. Comeu alguma comida rápida, preparada no microondas. Ele sabia como cozinhar, já viu várias pessoas fazendo isso, por diversos anos, mas não queria arriscar, alguma coisa poderia dar errado.
Olhou no relógio da cozinha e viu que já poderia ir para a escola. Bateu na porta de Rafael, só para notificar sua saída, e partiu.
A escola não ficava muito longe, poderia simplesmente aparecer lá, mas não queria que alguém o visse fazendo isso.
Chegando lá viu alguns humanos, que o olharam diferente, talvez por ser diferente, talvez por ser novo ali. Nenhum tentou falar com ele.
Foi até a secretaria para fazer sua matrícula. A secretária ficou um pouco abalada com , talvez pela sua energia de Angelus custos ou algo do tipo. Mas não ligava, estava com a intenção de achar duas pessoas: e . Infelizmente, nos horários que o entregaram, tinha somente uma aula com elas. Mas não por muito tempo. amanhã mesmo iria tentar se encaixar nas aulas das duas meninas. Ele só precisava saber quais eram. Fácil.
Durante o dia houve pessoas, na maioria garotas, tentando falar com ele, tentando fazer amizade. apreciou o gesto, mas não podia se relacionar muito, elas poderiam o desviar da missão. Só poderia fazer amizade com pessoas que sabiam algo sobre o desaparecimento de .
Finalmente, chegou a tão esperada aula que tinha com elas, mas quando foi apresentado a classe, se decepcionou, elas nem olharam para ele, e a única carteira sobrando era demasiadamente longe. saiu no meio da aula, por causa de uma consulta médica marcada, e foi a primeira a sair quando tocou o último sinal.
Triste, foi andando até seu apartamento. Ele não fizera nenhum progresso. Pensou em ir atrás de , e conversar com ela, mas descartou essa opção. Iria falar o quê? “Olá, sou um anjo, poderia me dar algumas informações?” Ela provavelmente ligaria para a polícia.
Uma garota ruiva correu até ele.
- Ei! Você! – foi até ela, sempre mostrando educação.
- Sim?
A garota ficou vermelha quando olhou para ela.
- Ah... E-eu vi você na aula de artes plásticas, e percebi que era novo e... e não tinha feito amizade com ninguém. Então eu vim me apresentar. – ela disse, com um sorriso. Ele retribuiu.
- Meu nome é Megan, mas pode me chamar de Meg.
- Olá, Megan, eu sou Carter.
Pela expressão, ela não tinha planejado o que dizer depois.
- Ah... É... De onde você veio? Sabe, aqui é uma cidade pequena, e eu não me lembro de você por aqui.
foi pego de surpresa, não haviam perguntado isso ainda. Mas ele já sabia a resposta.
- Eu vim de... de Los Angeles. – disse, já que na tradução, Los Angeles significa “Os Anjos”.
- Ah! Que incrível! Bem que percebi que tinha jeito de ator!
não entendeu.
- Por que pareço um ator?
Megan ficou sem jeito.
- Ah, sabe... Pela aparência e tudo mais... - mudou de assunto subitamente – Tenho que ir! Te vejo amanhã, ! – disse, e correu.
ficou pensando. Do que ela havia o chamado? ? Seria uma abreviação para ? Resolveu ignorar e voltou a andar.
Mas em vez de ir ao seu apartamento, foi explorar a vizinhança.
Não foi ao shopping ou ao mercado, só ficou andando pelas ruas, vendo as belas casas e os jardins impecáveis. Até que seus pés acabaram o levando para a casa de . Observou aquela grande construção, e foi até os fundos onde deveria ficar o jardim e a varanda dela.
Já estava anoitecendo, e provavelmente estaria lá.
Mas os grandes muros o impediam de vê-la. ficou pensando por um momento. Deveria entrar? Isso seria errado.
sentiu a presença de na varanda. Não pensou de novo e se teletransportou para dentro. Ficou apenas olhando. Ela era incrível. Sentiu uma brisa, e viu fechar os olhos. Mas quando ela abriu, lembrou-se que não estava invisível, e ela olhou bem na direção dele. Ele ficou em pânico. Isso poderia estragar tudo, ela poderia não querer falar com ele. Por um momento ficou só congelado, então desapareceu. Foi para fora da casa.
Mas, e agora? E se ela tinha visto o rosto dele? Era melhor ele contar que era um anjo.
Apareceu no quarto dela. Mas ela estava no jardim. Foi até a varanda, olhou lá e perdeu a coragem, resolveu voltar para seu apartamento. Mas antes de desaparecer, tinha o visto e corrido.
desabou em seu sofá. E agora, o que fazer? Era só rezar para que ela não o tivesse visto. Isso seria difícil. Iria dizer a Rafael, ver se ele conseguia fazer alguma coisa. É, faria isso.
Mas faltava coragem nele. Como diria que falhou logo no primeiro dia? Não diria. A próxima reunião era só na sexta-feira. Havia tempo para falar com e explicar tudo.
É, tudo daria certo. tentou se convencer, talvez nem tenha visto o rosto dele.
Pensando nisso, foi dormir, amanhã não teria escola. Ele não faria nada o dia inteiro, a não ser se sua cabeça começasse a doer. Isso significava que estava em perigo.
Mas isso não aconteceu.

Ponto de vista:

Segunda-feira.
Eba.
Mais uma semana monótona, numa cidade monótona.
Mal posso esperar.
Mesmo já sendo segunda, ainda lembro daquele cara de sábado.
Me arrumei e fui para a escola. Encontrei no caminho, mas nem me preocupei em contar sobre o “garoto misterioso”.
Quando nos separamos para ir para a primeira aula, lembrei-me que havia uma lição incompleta que eu deveria fazer hoje. Corri para meu lugar e fiquei fazendo.
- Então junte-se a srta. . Srta. ? – a professora me chamou a atenção.
- Ah, sim? – respondi, distraída.
- Como estava dizendo, o senhor Carter é novo na escola, então não tem o livro. Poderia fazer a gentileza de se juntar a ele? – falou, gesticulando para alguém ao meu lado.
- Ah... Claro. - falei. Mas quando olhei para o garoto ao meu lado fiquei sem reações.
Ele era lindo. Acho que “lindo” não é a palavra certa, e sim “perfeito”. Nunca havia visto alguém com tanta beleza.
Seu cabelo, não tinha certeza se eram castanho-claro ou loiro escuro. Suas feições eram divinas, nada além da perfeição, traços magníficos, como se fossem esculpidos. Não era bronzeado, mas não era albino. E seus olhos... Eram de um azul tão brilhante! Parecia que aqueles olhos iam até minha alma.
De alguma forma, ele pareceu conectado a mim.
Ele pareceu preocupado, e com razão. Eu estava olhando feito uma idiota para ele. Dei um sorrisinho tímido. Ele sorriu abertamente. O sorriso dele era tão radiante que, de algum modo, deixava ele mais bonito ainda.
- Olá, sou Carter, prazer em conhecê-la. – a voz parecia sinos ao vento, nada parecida com a voz desafinada dos garotos daqui.
Olhei por uns instantes para ele.
- E-eu sou – falei sem jeito.
- Posso me juntar? – perguntou, com aquela voz que eu poderia passar o dia inteiro ouvindo.
- Ah, claro.
- Obrigado.
A aula passou, e pouquíssimas palavras foram trocadas. Aparentemente ele era inteligente, para se adaptar tão facilmente nessa escola.
No final da aula, quando eu estava saindo, foi falar comigo.
- ?
- Sim?
- A minha próxima aula é Geografia, poderia me dizer onde fica a classe?
- Sério? A minha também! – falei, feliz – Vamos.
No caminho, encontrei . Ela olhou para ao meu lado, e fez um sinal positivo para mim. Fiquei vermelha. não notara nada, pelo menos. Se notou, não demonstrou.
Ele sentou atráz de mim, então outra pessoa dividiu o livro com ele. Nenhuma palavra trocada entre nós.
Nas outras duas aulas antes do almoço, eu não o vi.
No almoço, fui ao encontro de .
- Sabe aquele lindo que estava com você? – ela perguntou.
- ? Sei, por quê?
- Ele teve essas últimas duas aulas comigo! – ela disse animada. – Ele é tão fofo!
- Achei que você estava namorando o Will.
- Pare de ser ciumenta, ! Você viu primeiro, eu sei!
- O quê? Não! Eu não o quero! – mas não acreditou.
- Ok, , se você diz... – e deu uma piscadinha para mim. – Vem, estou com fome.

Minhas próximas aulas eram com a . E com o .
Eu não tinha nada contra ele, mas o que ele me fazia sentir não era normal! Eu acabara de conhecâ-lo e já caí no seu charme! Eu não gostava de um garoto desse jeito desde... Melhor esquecer.
Além do mais ele provavelmente nunca ficaria comigo, não depois de conhecer as garotas super lindas daqui. Eu era a perdedora, e perdedores nunca conseguem nada, nem mesmo se forem BFF's de superpopulares, como .
Na aula, sentou ao meu lado porque era a única cadeira sobrando.
Ele tentou conversar comigo, mas eu dava respostas curtas, o impossibilitando de continuar.
- , está tudo bem? Acho que estou te incomodando, melhor parar. – e virou para a frente.
Era impossível não sentir pena dele, ele não tinha feito nada de errado! Eu que estava sendo chata. só fizera simples perguntas sobre a cidade.
- Desculpe, não é nada, . - falei, balançando a cabeça – Desculpe-me, sério, eu só estou meio cansada, é segunda-feira, sabe como é... - menti – De onde você veio?
Ele se virou e deu mais um sorriso radiante.
- Los Angeles.
- Por que trocou uma cidade como aquela, por essa? – perguntei. Era realmente uma grande mudança.
- Ah... - ele pareceu pensar – Meus... Primos se mudaram, e eu vim com eles.
Isso não explicava nada, mas não liguei. Talvez fosse um segredo obscuro dele. Nunca se sabe.
A professora chamou nossa atenção, e então nós não conversamos mais.

Cap. 7

Ponto de vista:

estava perdendo suas oportunidades, e ele sabia disso.
Ele já deveria ter tirado informações de , mas não o fez. Por quê? Ele não achava certo, mal a conhecia!
Trocaram pouquíssimas palavras. não sabia começar uma amizade.
Na saída da escola, não queria andar até o apartamento, então simplesmente foi até um bosque, onde ninguém podia o ver, e desapareceu.
Caiu bruscamente no chão do corredor, em frente à porta de seu apartamento. Não tinha ninguém olhando.
Quando se levantou, a porta do quarto de Micaela se abriu.
- ? – ela perguntou, saindo do apartamento.
- Desculpe, irmã, ainda não tenho total controle. – falou, envergonhado.
- Tudo bem – ela disse sorrindo – Como está indo a missão?
- Ah... Conheci hoje, mas eu ainda não... - não terminou a frase.
- Não tem problema – Micaela disse, mas mesmo assim franziu as sobrancelhas.
- Desculpe-me, Micaela, eu ainda não tenho prática em...
Micaela o interrompeu.
- Não tem problema, , estou achando que ficaremos mais tempo do que planejado aqui.
- Por quê? Já descobriram algo? – interessou-se.
- Não, e esse é exatamente o problema. – a preocupação estava estampada em seu rosto – Tenho que ir, irmão, não se esqueça de usar o poder de persuasão nos envolvidos. Adeus.
Quando Micaela se foi, suspirou. Precisava pensar numa estratégia para amanhã.
Então, o plano perfeito o atingiu.
Bem, era uma mentira. E não ficaria muito a vontade em contá-la. Mas era o melhor que tinha. E o único.

Acordou no dia seguinte um pouco nervoso. E se tudo desse errado? O plano não era grande coisa: era só chamar para conversar, falar que faz parte de uma investigação e perguntar do que ela se lembra. Mas, é claro, usando um pouco de seus poderes persuasivos.
As aulas com eram só no terceiro horário. A primeira e a segunda eram com . se sentiu feliz. Observar era uma coisa. Falar com ela era outra totalmente diferente. adorava o modo em que falava diretamente com ele, olhando para ele, sabendo de sua presença. Era... Encantador.
Só que havia uma coisa diferente com . Ela estava sem seus óculos.
- ? – resolveu perguntar a razão da mudança.
- Sim? – aqueles grandes olhos verdes o sondaram.
- Se não me engano, estava de óculos ontem, certo?
- Ah, sim... É que os óculos ficavam estranhos em mim, e... eu mandei fazer lentes de contato... – ela ficou vermelha.
estranhou. Lembrou se de quando observava “de cima”. Ela nunca se incomodou em usar óculos. Ela dizia que gastar dinheiro em lentes de contato era perda de tempo para garotas metidas. Agora mudou de ideia? Arrependeu-se de não ir à casa de ontem. Ela poderia ter explicado, indiretamente, o porquê da mudança. Tirou o pensamento da cabeça. Curiosidade não era a personalidade de . Mas ele gostara da mudança, realçava seu belo rosto.
- Tudo bem.
- Você já tem o material? Ou quer se juntar a mim de novo? – ela perguntou, mudando de assunto.
- Não é necessário, ontem comprei tudo. – disse, acompanhado de um sorriso – Mas obrigado por dividir comigo.
- Ah, não foi nada... E então, já arranjou muitos amigos? – perguntou, tentando começar uma conversa. Isso era bom, estava no caminho certo.
- Não, ainda não.
E assim se passou uma conversa amigável, de um começo de amizade.

Na terceira aula, a aula com , começou a ficar receoso. A aula acabou, e ele foi ao encontro de .
- , poderia falar com você? – perguntou, o mais gentilmente possível.
- Ah, claro! Pode falar.
olhou em volta.
- Num lugar mais reservado? – Havia muitas pessoas ao redor, isso incapacitaria .
franziu a testa.
- Estranho, mas tudo bem. Vem comigo.
Ela levou até um jardim, nos fundos da escola. Não havia quase ninguém lá, exceto um casal se beijando em um dos bancos espalhados.
sentou-se em uma mesa de pedra, com duas cadeiras.
- Agora pode falar. – disse, sinalizando para se sentar.
- , eu estou aqui pois estou numa investigação sobre o que aconteceu com você.
- E-eu não sei do que está falando. – ela gaguejou.
- Sim, , você sabe. Você precisa me contar tudo o que presenciou quando desapareceu.
- Eu... eu não posso – ela disse, desviando o olhar.
- , isso não vai se espalhar, eu prometo, estará em sigilo. – tentou convencê-la.
- , se esse é o seu nome, eu não te conheço, não sei se posso confiar em você. - ela disse, voltando a encará-lo.
se preparou para usar o máximo de poder que pudesse. Olhou fundo em seus olhos e soltou tudo.
Ela se assustou.
- , conte-me.
Ela ficou em transe por um momento, então chacoalhou a cabeça e olhou para .
- Se eu contar, ele disse que matará .
congelou. Mas tinha que prosseguir. Enquanto estivesse na Terra, nada de mal aconteceria a .
- Ele quem?
- O... A criatura que me levou até lá. – ela disse, sem poder vencer a persuasão.
- Preciso que seja mais específica. Quem e aonde?
- Eu não sei quem é ele, eu juro! – ela disse, quase gritando.
- Tudo bem, eu acredito em você. Agora preciso que se acalme e me conte tudo, desde o começo.
- Ok, você provavelmente me mandará para o hospício.
- Não, , eu acreditarei em cada palavra que disser, mesmo que seja loucura. - disse, lançando mais um olhar poderoso, quase se esgotando.
Ela suspirou.
- Eu estava indo para casa, depois de uma cena com , um pouco brava e nervosa, até que eu não estava mais na minha rua. Foi bem estranho. Uma hora eu estava andando, outra eu olhei para minhas roupas e elas estavam chamuscadas. Quando percebi, eu estava pegando fogo. No começo eu não percebi, até que senti minha pele borbulhando, como se eu estivesse cozinhando, mas olhei para meus braços e eu estava consideravelmente normal. Então tudo sumiu, e eu estava em uma sala, que mais parecia uma fornalha, grande, preta, e com fogo ao meu redor. Não estava tocando em mim, mas estava bem perto. E eu estava no chão, mas eu não conseguia me mover. - soltou tudo num fôlego.
Ela pausou e olhou para , que estava um pouco chocado, mas ouvindo.
- Continue, por favor.
- Então... - ela estremeceu - Apareceu aquilo.
- Poderia especificar aquilo? – pediu. Não podia mais usar seus poderes divinos, senão acabaria desmaiando.
- Vou tentar. - respirou fundo – Bem, eu devia estar drogada, porque nada do que eu vi era real. Bem, ele tinha o tamanho de uma pessoa normal, mas quando se aproximou, a sua pele era... de couro. Não fazia muito sentido, era como se toda a pele dele fosse de couro marrom, parecia com minha bolsa. Provavelmente devia ser só um truque. Ele não estava vestindo nada. Bem, ele não precisava. – ela ficou vermelha, depois continuou – E foi só isso que eu consegui ver. Ele não se aproximou, mas falou comigo.
- Falou com você? O que ele disse? – perguntou.
- Você é mesmo investigador? Por que não está anotando ou gravando nada? Por que estamos na escola, e não numa delegacia? - ela começou a questionar.
não estava preparado para responder essas perguntas, então improvisou e tentou ser o mais sincero possível.
- , eu estou tentando te salvar, você precisa me contar o que viu, assim, podemos evitar outro sequestro e salvar . - tentou ser mais convincente – Por favor, – e pegou a sua mão.
sabia que havia sido uma jogada suja, o toque de um Angelus custos tinha muito poder. E era involuntário, a pele de um anjo também era sobrenaturalmente macia e suave, comparada com a de um humano. anda não havia tocado ninguém.
olhou para a mão de com a dela. Sentiu-se hipnotizada.
- Ele me perguntou se eles já estavam na Terra. Eu não faço a menor ideia de quem são “eles”. Mas ele insistiu, e quando eu continuei dizendo que não sabia ele mandou aquele fogo para cima de mim. - e estremeceram - Foi horrível. Eu gritei até quase ficar sem voz. Então ele finalmente acreditou. E perguntou se estava acontecendo coisas estranhas nessa cidade, como meteoros, clarões, e... pessoas estranhas.
ficou aterrorizado. Sabiam que os anjos iriam descer à Terra. Ou foi apenas uma isca, para atraí-los. E funcionou.
ainda estava alheia sobre o que era, então continuou a falar.
- Eu continuei sem saber, e fui o mais honesta possível, não queria aquele fogo azul em cima de mim.
- Fogo azul? – a interrompeu – O fogo era azul?
- É, ao meu redor, tinha aquele fogo normal, o que acendemos, mas o que me atacou era azul-esverdeado. Por quê?
Seria o fogo celestial? Isso explicara por que não fez muitos danos em .
- Nada. É só... Bizarro.
- É, bizarro não é a palavra que eu usaria, e sim dolorido.
- Sim, claro. Prossiga. – teria que falar sobre isso com os outros anjos.
- Então ele... começou a falar umas coisas sobre o “plano”, e que logo ele estaria indo. Eu não entendi nada. E ele disse uma coisa, sem nenhum sentido para mim, mas ficou pregada em minha mente, sem seu conseguir entender.
Provavelmente uma mensagem para nós, pensou .
- O que ele disse, ?
- “Está chegando, nós iremos subir, e todos irão descer”. Eu não sabia se ele estava falando comigo, mas só havia eu naquela sala.
não entendeu o significado, mas provavelmente era importante.
- Do que mais se lembra?
- Bem, ele me deixou mais um pouco naquele fogo maléfico. E disse que se eu contasse alguma coisa sobre o que aconteceu, matava e a pessoa para quem eu tivesse contado.
fez um gesto para ela prosseguir.
- Então disse algumas coisas numa língua que eu não conheço, então apaguei. E acordei em casa.
Tocou o sinal.
- Bem, eu já te disse tudo, é melhor eu ir... - e se levantou.
segurou seu pulso, a impedindo de ir.
- Antes, tenho que fazer uma coisa.
respirou fundo e se concentrou. Olhou ao redor, e não havia mais ninguém. Ainda bem. teria que apagar a mente de , e quando anjos usam muito de seu poder, seus olhos podem ficar... Bem, diferentes.
- , me desculpe, mas eu tenho que fazer isso.
E canalizou todo o seu poder restante com , fazendo os últimos momentos desaparecerem.
Usou até a última gota de energia. só ficou olhando para ele, sem expressão.
Quando tudo acabou, deu as costas e saiu, sem falar nada.
quase desmaiou, mas com a energia restante conseguiu ir para um canto escondido, onde ninguém podia o ver, para sentar na grama e descansar, até ter forças para ficar de pé novamente e ir para a casa.
Fechou os olhos, encostou as costas na árvore e ficou assim, sem ligar para o tempo.
Até que ouviu passos. Mas não ligou. sabia que era ela. Não ligou para as perguntas que provavelmente faria. Essa fora a primeira vez que usava tanto poder, a ponto de esgotar tudo, em menos de uma hora.
Sentiu sua aproximação.
- ? – perguntou – O que está fazendo aqui?
Ele abriu os olhos.
se sobressaltou. estava tão ruim assim?
- Desculpe, eu... não estava me sentindo muito bem. – ele sabia que isso não explicava muito.
- Mas você faltou a várias aulas. Por que não foi para a casa? – disse, sentando-se a seu lado.
- Eu achei que descansando um pouco eu ficaria bem antes do fim das aulas. - isso não era uma completa mentira – Claramente, perdi a hora.
- Você está melhor agora? Se precisar, eu posso sair.
- Estou melhor, obrigado. Não precisa sair. – disse, com um sorriso.
Caiu um silêncio agradável. Eles só ficaram se olhando por um tempo. Até que lembrou-se que deveria contar o que descobriu hoje aos outros anjos.
- É melhor eu ir – disse, sentindo sua energia restaurada. Levantou-se. Pensou em estender sua mão a , a ajudá-la a se levantar, mas lembrou-se do que seu toque era capaz.
levantou-se.
- Ah, tudo bem. A gente se vê amanhã – ficou sem jeito na despedida.
- Claro. Obrigada pela companhia.
- Não foi nada. - ela ficou vermelha – Melhoras.
- Obrigado! – e foi embora, mas querendo continuar lá com . A companhia dela era tão agradável que poderia ficar o resto do dia olhando para aqueles olhos verdes.
Mas ele tinha uma missão. E não poderia deixar nada distraí-lo.
Não queria mais usar seus poderes, então pegou o atalho mais curto e foi até sua moradia.
No elevador, viu seu reflexo no espelho e percebeu por que tinha se assustado quando ele tinha aberto os olhos.
Seus olhos estavam brilhantes. Mas não brilhantes como quando uma pessoa fica feliz. Brilhantes como se tivesse uma luz na frente de , e seus olhos tivessem a refletindo.
Isso era um problema. Será que percebeu que era diferente? Ele esperava que não. Concentrou-se e fez os olhos ficarem sem tanto brilho, mas não conseguiu apagar completamente. Teria que perguntar o que era aquilo.
A porta se abriu e foi até a porta de Rafael. Bateu duas vezes.
- Sim?
se virou. Rafael estava atrás dele.
- Eu descobri coisas importantes. Melhor adiantarmos a reunião.
- Claro. Chamarei os outros – Rafael não contestou.
E saiu.

- Então, , o que descobriu? – Aaron perguntou. Todos estavam na Grande Árvore.
- Falei com hoje. Acredito que ela me contou tudo que sabia.
E contou toda a conversa, sem omitir nada, o mais completo possível.
- Então eu apaguei a mente dela e... me retirei. - Finalizou .
Todos mostravam um pouco de surpresa no rosto.
Rafael quebrou o silêncio.
- Bem, para começar, parabéns, , seu desempenho foi excelente, nós não nos arrependemos de te escalar para essa missão. - Micaela e Aaron concordaram. ficou vermelho e fez um aceno com a cabeça.
- Bem, e sobre aquela criatura? – Rafael perguntou – Aaron, nosso especialista, o que me diz?
- Com somente essas descrições, me vem diversos nomes à mente. Vou ter que analisar cada um com cuidado, talvez depois consiga reduzir essa lista.
- Tudo bem, já é um começo. – Rafael continuou. – E sobre aquela mensagem? No que ele estaria se referindo? – Rafael se perguntou.
- Talvez tenha se referido a nós. Capturar foi uma isca para nós. Mas por quê? Ou melhor: para quê? – Micaela disse.
- Sim, creio que sim, irmã. – Rafael concordou.
- Se me permite perguntar, e sobre ? Aquela criatura disse que iria matá-la! – disse, a beira do pânico.
- Sim é verdade. Aguardem uns instantes. – e Rafael sumiu.
Voltou segundos depois.
- Encarreguei três Angelus custos para ela neste momento. - Rafael notificou.
- Mas ainda há preocupação, Rafael. Se acontecer novamente, como eles irão impedir? – Aaron disse.
Isso só serviu para deixar mais preocupado.
- Sim, e nós nem sabemos para onde foi. – Micaela disse.
A vontade de era de abandonar a reunião e estar protegendo-a.
- Acalme-se, , consigo ouvir as batidas de seu coração daqui. – Rafael o repreendeu.
- Desculpem-me, é que... a criatura que raptou avisou que iria m-matar !
- Sim, , eu sei, mas pense sobre isso... Se a criatura matar , o que impediria de contar tudo a todos?
- Ele pode matar . – disse, sem conter o pessimismo.
- Então vamos descobrir para onde foi, caso for raptada, poderemos buscá-la. – Rafael tentou acalmá-lo.
- Segundo o fogo era azul-esverdeado, certo? E o fogo não causou muitos danos a ela, uma humana. Isso não soa familiar? - Rafael falou.
- Fogo celestial – Micaela disse o que todos pensavam.
- Exatamente. E onde tem abundância de fogo celestial?
Todos congelaram.
-Bem, descobrimos onde estava – Aaron disse.
“Ah, não”. pensou. “Lá não”.




CONTINUA


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