Garota Incomum

Autora: Rafaela Ainsworth
Status: Em Andamento
Revisada por: Pamela Leão
Categoria: Free Fics
Sub-Categoria:LongFic + Romance/Drama/Ação
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CAPITULO 1
Mais um dia de escola, ah, como a odeio, assim como detesto as pessoas de lá, exceto é claro ao Matt, meu melhor amigo e ... a Carrie, sim, era impossível odiar aquela garota.
Na verdade ela era a razão pela qual aparecia todos os dias naquele inferno chamado escola.
Sempre que chego me encontro com o Matt no pátio e ficamos conversando sobre games, filmes, garotas e mais games. Quando o sinal toca vou para minha sala e o Matt para a dele.
A Carrie nunca chega cedo, desde que estudo naquele lugar nunca há vi chegar antes das 8. Ela sempre entra na sala, ouvindo seu MP3 no último volume, cabelos bagunçados, sempre mascando chicletes, maquiagem pesada, roupas largadas. Todos a achavam uma aberração, não tinha amigos, uns diziam que ela fazia parte de um clã secreto de góticos loucos, outros diziam que ela sofreu algum trauma irreal no passado.
Qualquer um ficaria irritado com toda essa repulsa, mas não a Carrie, ela adorava isso, se divertia com o desprezo das pessoas sobre ela.
Pra ela eu era um tremendo nerd idiota, na verdade, todos pensam isso de mim. Nunca falei com ela diretamente, e as únicas vezes que ela falou comigo era pra dizer "cai fora panaca", ok, isso a deixava ainda mais encantadora. Ao contrário das garotas dali que só se preocupavam com garotos, beleza, festas, bebidas e limites de cartão de crédito, ela era completamente única.
Toda essa minha obsessão por ela passou dos limites quando resolvi segui-la depois da escola, definitivamente, foi a maior besteira que fiz em toda a minha vida.
Quando a vi saindo da escola naquele dia não resisti e fui atrás dela, ninguem nunca havia visto ninguem da familia da Carrie, ela chegava e ia embora sozinha todos os dias. Foi fácil segui-la, ouvindo musica no ultimo volume e andando sem olhar pra nada era facil passar despercebido.
Seja lá para onde estava indo, era longe, estávamos andando há meia hora. Finalmente chegamos em algum lugar, era um terreno cheio de entulhos, carros velhos, máquinas velhas, me escondi atrás de um dos carro e observei para onde ela estava indo.
Carrie não estava mais sozinha ali, uma roda de caras a cercava. O que estava acontecendo? Tentei ouvir alguma coisa:
- Escuta aqui Road, me dá mais uma semana vai! Eu prometo que trago o que pediu sem falta. - disse a Carrie
- Essa é última vez que te dou mais uma chance, tá me entendendo? Tô de saco cheio de você garota. Mas como adiantamento quero uma coisa - falou o cara chamado Road.
Ele falou alguma coisa no ouvido de um dos outros caras e logo eles foram embora, ficando sozinho com a Carrie. Sabia que alguma coisa errada estava acontecendo e tinha que impedir. Olhei em volta e achei uma moto velha, aquele lixo nunca iria funcionar mas tinha que tentar. Como isso não era nenhuma cena de filme a moto não funcionou. Olhei novamente para os dois, o Road tentava agarrar a Carrie a força e ela u chutava sem piedade. Subi em cima daquele monte de carros velhos e pulei. Sim, eu pulei em cima do tal do Road, foi uma ideia ridícula, caímos no chão e logo ele ja estava em cima de mim me chutando e dando socos. A Carrie não estava mais lá, "muito obrigada" pensei.
Consegui dar um chute na cara do tal do Road e aproveitei enquanto estava caído para correr, corri o mais rápido que pude, sem olhar pra onde estava indo. Enquanto corria alguem me puxou com muita força para o lado, cai no chão ao lado dela, a Carrie. Olhei em volta, estávamos atrás de um trailer, ela me olhou como se estivesse vendo a coisa mais patética do mundo.
- Panaca, panaca, panaca! Você não cansa de ser tão idiota não garoto?
Não sabia o que responder, eu salvei ela daquele cara, ela não podia dizer só um obrigado pelo menos?
- Sabe no que se meteu tentando ser o Super-Homem ? Não, claro que não sabe, é imbecíl demais pra isso.
- desculpa ... e-eu, não ia deixar voce ser atacada daquele jeito. - idiota, idiota, idiota, queria dar um soco em mim mesmo.
- Pra começar o que você tava fazendo aqui? me seguindo? era tudo o que eu precisava. Um idiota obsecado por mim.
Chega, ela já me xingou demais por hoje.
- Agora você que vai me ouvir mocinha! sim, eu te segui, mas podia agradecer por ter salvo você daquele cara o do que ele pretendia fazer com você ?! - "mocinha" em que ano eu vivo?
- Quer saber, não vou ficar te dando ouvidos. Mas você tá ferrado cara, muito. Ninguem se mete com o Road desse jeito. Que droga!
- Então me explica porque você se metei com ele ?
- Eu não te devo satisfações. Mas agora, você deve a ele. Sai da cidade, isso! Sai da cidade, vai pra outro lugar qualquer. Morre de preferência!
- Não antes de ter explicações.
Nessa hora ela se levantou e caminhando rápido sumiu da minha visa, e eu fiquei lá, com cara de idiota sentado no chão com um olho roxo e o corpo todo doido. Quando comecou a escurecer decidi levantar e achar o caminho de casa.


CAPITULO 2
O dia seguinte foi estranho, assim que cheguei a Carrie já estava lá. Encostada numa árvore olhando na minha direção, percebi que ela queria que fosse até lá. Ao chegar ela me puxou pro lugar mais escondido possível e falou aos susurros.
- Olha aqui garoto, não devia tá me preocupando com você mas ninguem se mete com o Road desse jeito, então, por favor, não fica dando sopa por aí. E se ele te pegar diz que fui eu que chamei você lá naquele dia, me entendeu ?
Ainda tinha que processar aquilo tudo mas dei um aceno com a cabeça e ela se foi. O que poderia me acontecer de tão grave por ter me metido com aquele cara ? Ela conseguiu me assustar. Tive a prova do quão encrencado eu tava no final da aula.
Assim que o sinal tocou e todos começaram a sair percebi que todo mundo estava indo para um mesmo lugar formando um circulo em volta de algo. Quando me aproximei pude ver. O chão da escola estava completamente pixado, e não fiquei tão surpreso assim de ler meu nome nas ameaças escritas ali. Ouvi o sussurro da Carrie falando atrás de mim.
- É melhor voce ir embora, ele ainda pode estar aqui.
Quando me virei ela estava me esperando em cima de uma moto, não hesitei em subir e logo estávamos correndo em alta velocidade pela estrada. Quando chegamos na porta da minha casa percebi que tinha algo estranho, a porta estava aberta. Corri para dentro, tudo estava destruído, nenhum móvel inteiro. O telefone começou a tocar, era a minha mãe, desesperada, dizendo que uns caras passaram por lá e a ameaçaram. Isso tinha ido longe demais.
- E agora, minha casa, minha familia, o que mais vao fazer agora ? - Perguntei a Carrie.
- Eu avisei garoto. Mas agora não é hora pra isso. O Road deve tá com muita raiva de mim e de você. Temos que fugir.
- FUGIR ?
- É, sumir por uns tempos até ele se acalmar e aí a gente negocia com ele.
- Negociar ? Espera, você me deve explicações, tenho o direito de saber quem é esse cara.
- Realmente, você tem. Mas não posso. Só me responda, vem comigo ou não ?
Talvez fosse melhor mesmo fugir, era uma maneira de não envolver minha família ou qualquer outra pessoa nessa confusão toda.
- Certo, eu vou.
- Ótimo, pega umas roupas e dinheiro. Rápido.
Fui para o meu quarto na esperança de ter algo inteiro por lá mas não, tudo destruído também. Catei umas peças de roupa e coloquei numa mochila. Ainda bem que todo o meu dinheiro ficava num cofre escondido nos fundos da casa, fui até lá e peguei tudo o que tinha. Voltei para sala procurando a Carrie mas ela já estava na moto, subi dando uma olhada na minha casa, quando voltaria a vê-la ?
- Para onde vamos ? - perguntei, o vento batendo em nossos rostos.
- Vou passar na minha casa pra pegar umas coisas e depois caímos na estrada.
A casa da Carrie era aparentemente normal, bem antiga, mas normal. Ela não me deixou entrar, disse que seria rápido. Enquanto esperava dei uma volta pela casa, havia uma janela aberta, olhei para dentro e pude perceber muitas fotos coladas na parede. Eram de uma família, três crianças, duas garotas e um garoto. Uma mulher jovem e muito bonita e um homem um pouco mais velho. De repente ela apareceu na minha frente com uma cara não muito amigável.
- O QUE FOI QUE EU DISSE ? VOCÊ É SEMRE ASSIM TÃO TEIMOSO ? - disse ela fechando a janela na minha cara.
Logo estava do lado de fora, fui caminhando para a moto mas ela disse que nunca chegaríamos a algum lugar com aquilo e me levou até uma caragem bem nos fundos da casa onde tinha estacionado um Impala 77 preto. Ela já estava irritada demais então decidi nao fazer comentários, apenas entrei no banco do carona.
Ficamos naquele carro por umas 4 horas sem chegar a lugar algum, já estava anoitecendo e já devíamos estar bem longe da cidade. Passamos o caminho inteiro sem dizer uma palavra.
- Pra onde realmente estamos indo ?
- Pra um hotel que fica a alguns quilometros daqui.
- Hotel ? fugimos pra ficar num hotel ?
- Pra onde queríamos que fosse ? uma colonia de férias ?! ah.
- E o que vamos fazer ? passar as proximas semanas trancados num hotel até esse tal de Road ficar calminho ?
- Escuta, só o que precisa saber do Road é que ninguem se mete com ele e falo serio. Ele não é qualquer bad boy marrento por ai, ele é perigoso e quando fica com raiva de alguem, é pra valer. Então temos que ficar longe e torcer pra que ele não nos ache, entendeu ?
Acenei que sim com a cabeça mas na verdade nada fazia sentido. Num dia eu tinha uma vida normal e patética, no outro tava fugindo de carro de um crimiso perigoso que quer me matar. Não demorou muito para chegarmos ao hotel, e para nossa sorte só tinha um quarto vago, teríamos de passar a noite juntos. Obviamente a Carrie dormiu na cama e eu no chão. Dois dias se passaram, um dos quartos ficou vago eu me mudei pra lá. Não fazia nada durante o dia a não ser assistir TV e dormir. Mas essa calmaria não demorou a acabar, na manhã do terceiro dia enquanto tomávamos café, a Carrie viu o carro do Road parando na frente do hotel. Logo estávamos correndo para o quarto pegar nossas coisas e fugir o mais rapido possível.
Me perguntei se isso não era sonho, porque tudo parecia fazer parte de uma cena de filme. A Carrie dirgindo a toda velocidade, o Road seguindo a gente logo atrás, e eu sentado ali no banco do carona, inútil como sempre. Mas do nada a Carrie parou o carro, e saiu ficando na frente do carro do Road, fechei os olhos esperando o que viria, mas ele freiou anes de bater nela. O que aquela garota tinha na cabeça ? Enquanto ela gritava do lado de fora, sentei no banco do motorista, liguei o carro e dei de ré até ficar do lado dela, e antes que ela pudesse falar qualquer coisa a puxei para dentro dando partida no carro.
- VOCÊ É SUICIDA ?
- Não! Só tô de saco cheio de fugir desse cara!
- Ah é?! E prefere morrer ?
- Esquece, anda rápido antes que ele venha atrás da gente. - Ela estava triste, com os olhos cheios de lágrima. Virei a primeira curva que vi parando num lugar escondido. Ela me olhou sem entender o porquê daquilo mas logo saiu do carro sentando no chão e começando a chorar. Sai do carro e sentei do lado dela, mas não disse nada, ela enterrou a cabeça no meu ombro e chorou ainda mais. Não sabia o que dizer, então fiquei em silencio até que ela parou de chorar, se levantou e entrou no carro.
Não tinha nenhum hotel por perto, então teríamos que dormir no carro. A noite foi longa e eu não conseguia dormir, era muito desconfortável. Resolvi sair pra tomar um ar, a noite estava fria, mas o ceu não tinha nuvens, na verdade nunca o tinha visto daquela maneira, estava completamente estrelado. Sentei-me encostado numa árvore e fiquei observando. Não percebi o tempo passar, já passavam das quatro da manhã quando ganhei companhia, a Carrie tinha acordado e se juntou a mim. Ficamos calados por um longo momento apenas olhando a noite.
- Obrigada - ela disse olhando pra mim. Parecia cansada, muito, mas ainda conseguia ser linda.
- Pelo quê ?
- Por hoje. Sei que nao sou a pessoa mais amável nem simpatica do mundo mas tenho que te agradecer.
- Tudo bem então. E o que acha de me recompensar me explicando toda essa história ?
- Você não consegue apenas ficar feliz por ter te agradecido ? Porque sempre quer algo mais ? Que coisa! - e ela se foi, voltou pro carro, bateu a porta e ficou lá dentro. Parabéns para mim.


CAPITULO 3
Quando o dia amanheceu partimos de novo, como sempre, sem rumo. Ela disse que acharíamos um hotel a uns poucos quilômetros dali, mas estávamos com muita fome então tínhamos que parar antes pra comer alguma coisa. Não demorou muito e achamos um pequeno bar, era horrível, mas era alguma coisa naquele monte de nada pelo menos. Enquanto comíamos resolvi falar com a Carrie, sei lá, pedir desculpas, não queria mais ficar nessa guerra com ela.
- Olha, desculpa por ontem a noite. Seja lá o motivo deve ser muito importante pra não querer me contar então não vou mais te encher com isso ok ?
- Ótimo - respondeu friamente. Ela podia ajudar um pouco pelo menos né ?
De repente ela comecou a rir, do nada.
- O que ? Qual a graça ?
- Acho que aqueles caras alí gostaram de você. - e apontou pra dois homens parados no balcao do bar, eles olhavam pra mim e riam entre si.
- Muito engraçado - eu disse. Mas na verdade estava feliz por vê-la sorrir pelo menos por um instante.
Quando estávamos saindo um dos caras do balcão apertou a minha bunda, sim, a MINHA BUNDA! Enquanto xingava aquele velho gay tarado a Carrie só fazia rir, até que me puxou para fora do bar e me fez entrar no carro. Ela chorava de tanto rir e eu acabei rindo também, era engraçado vendo por um lado.
- Aposto que se fosse com você não estaria rindo e sim quebrando a cara deles! - disse tentando parecer sério.
- Ah, para de reclamar vai! Olha o lado bom, alguém se interessa por você!
- Anda, vamos logo procurar esse hotel!
- Certo, certo - ela tentou parecer séria, sem sucesso - Pode dirigir agora ? fiquei meio sem forças. - e voltou a rir descontroladamente.
Peguei as chaves e partimos outra vez. Durante essa viagem a Carrie resolveu ligar o radio, cantamos e rimos ouvindo algumas músicas. Acho que estávamos nos entendendo agora.
Finalmente encontramos o hotel, esse era um pouco mais decente ao menos, tinha piscina e máquinas de refrigerante. Estava morto, resolvi tomar um banho e dormir, acho que a Carrie fez o mesmo. Quando acordei passava de uma da manhã, decidi então dar uma volta pelo hotel e fui ver se a " garota problema " estava acordada. Por sorte ela estava e topou ir dar uma volta comigo. Sentamos na beira na piscina e ficamos conversando e bebendo. Nunca fui de tomar cerveja mas acho que a essa altura não estava mais me importando com as coisas. Já tinhamos tomado umas 10 garrafas, ou 15. Enfim, estávamos completamente bêbados e falando muita merda.
Quando dei por mim estava nadando e rindo na piscina de roupa e tudo do lado da Carrie, não me lembro sobre o que falávamos, mas ríamos loucamente, e quando os risos cessaram e não havia mais o que fazer, nos beijamos. Não esperava por aquilo, mas surgiu tão natural. Era um beijo doce, suave, pousei minha mãos em sua cintura e ela os braços atrás do meu pescoço, puxando de leve meus cabelos. Ficamos assim acho que por um bom tempo, nos beijando, estava perfeito. Perfeito demais, o vigilante do hotel logo chegou alertando que ja estava tarde para certas "coisas" na piscina e nos convidou para nos retirarmos.
Fomos para o meu quarto, ainda bêbados. Foi como se o beijo não tivesse acontecido, voltamos a rir e a falar mais besteiras. O efeito do alcool ja estava passando, mas não nos cansávamos da companhia um do outro. E foi num momento de silencio que ela me contou, tudo.
- Ele matou meus pais, e a minha irmanzinha - Sei que devia mas não fiquei tão surpreso ao ouvir aquilo, de algum modo esperava algo assim, depois de ver todas aquelas fotos na casa da Carrie e o fato de não querer nunca me contar o real motivo para aquilo tudo.
Continuei calado e logo ela se pôs a falar.
- Meu pai e ele eram grandes amigos de infancia, mas alguma coisa aconteceu, até hoje não sei o quê, mas eles brigaram feio e nunca mais se viram. Depois que o meu pai se casou com a mamãe, o Road apareceu e começou a ameaça-lo, papai achou que tudo se resolveria. Eu tinha 14 anos, o Ben e Lily tinham 8, são gêmeos, e a Rose tinha 7. Foi horrível, lembro-me como se fosse hoje. Quando cheguei da escola ele estava lá, tinha amarrado meus pais e prendido o Ben e a Lily no banheiro, ele nao tinha me visto chegar, fiquei olhando escondida no corredor, assistindo ele matar meus pais, não sabia o que fazer! Ele ia me matar também se aparecesse por ali, fui tão egoísta! Mas era a verdade, logo a Rose chegou em casa, não tinha ideia do que tinha acontecido e entrou na sala, não consegui avisá-la a tempo, e ele a matou também. Depois disso apareci na sala também, na esperança de que acabasse logo com aquilo, mas ele não me matou, em vez disso levou a mim e meus imãos com ele. Ficamos presos lá por meses, trabalhando pra ele. Consegui com que soltasse o Ben e a Lily e os mandei pra casa da vovó, e um tempo depois consegui voltar para casa, mas é claro, tinha que continuar trabalhando para ele, ou mataria o que restara da minha famíla. E desde então sou intemérdio dos seus tráfico de drogas e de armas. Se eu já pensei em avisar à policia ? sim, muitas vezes. Mas tenho medo do que ele vai fazer ao Ben e Lily se eu fizer isso.
Ouvi tudo em silencio, quando percebi estava chorando junto com a Carrie, não sabia o que dizer, não tinha o que dizer. Nos abraçamos e ficamos assim por o que pareceram horas e então adormecemos.

CAPÍTULO 4
Os dias que se passaram foram tranquilos, a Carrie e eu havíamos finalmente nos tornado amigos, não comentamos de nada sobre aquela noite, não era necessário. Agora passávamos a maior parte do tempo juntos, vendo TV, na piscina, sem ter que fugir de ninguém, às vezes até me esquecia o real motivo de estarmos ali. Gostava de ter a Carrie por perto, ela era muito mais fantástica do que eu pensava, era engraçada, inteligente, esperta, e me considerava um grande amigo, e só. Sei que é querer demais, mas eu era mesmo apaixonado por ela, queria beijá-la a todo instante, gostava quando ficávamos abraçados na cama vendo TV, sentindo seu cheiro, ouvindo sua voz. Mas também não queria estragar essa relação, por isso depois daquele beijo na piscina nunca mais fizemos nada.
Duas semanas já tinham passado, o Road não aparecera nos caçando, o que era bom, e ao mesmo estranho.
- Já tem duas semanas que ele não dá sinal de vida, o que deve ter acontecido?
- Não sei, vai ver ele se esqueceu da gente, partiu pra outra - respondi.
- O Road não se esquece de ninguém. - Entendi o que ela quis dizer com isso, seus pais.
- É, realmente estranho ele ter sumido assim. Pode estar planejando algo.
Encerramos esse assunto, mas por pouco tempo, naquela noite, enquanto comíamos no quarto da Carrie seu celular tocou, talvez fosse um de seus irmãos ou sua tia querendo notícias, mas não era, e o pesadelo recomeçou. Enquanto ouvia o que falavam do outro lado da linha sua expressão foi mudando, até que ela ficou imóvel, não mexia um músculo sequer, deixando o celular cair no chão.
- Carrie! O que houve?! - corri em sua direção sacudindo seus ombros, ela não disse nada, só me olhou assustada.
- Anda, fala alguma coisa! Era ele não era? O que queria?
Finalmente ela acordou do transe, estava pálida e sua voz saia espaçada e desesperada.
- Tenho. Que. Ir. Embora, agora!
- Pra onde? Carrie me explica o que ele disse!
- O Ben e a Lily, ele os pegou. Está com eles! Tenho que ir atrás dele agora! - ela falava enquanto arrumava suas roupas apressadamente na mochila.
- Tem certeza? Ele pode estar blefando, pra te levar até ele.
- O Road não blefa.
Fiquei sem ação por uns instantes, o bastante para ela terminar de se arrumar e ir em direção à porta. Antes de sair, olhou pra mim e falou decidida.
- Você fica, isso é entre mim e ele, e você não precisa se meter nisso mais do que se meteu. Quando disse que tínhamos que fugir era pra ME proteger, e não a você. Achei que com você o Road direcionaria sua raiva em tentar te matar. As ameaças à sua família? Não foi ele, fui eu, precisava fazer com que aceitasse fugir. Desculpe por isso, nunca devia ter feito, você é maravilhoso Alex, acredite, mas não te quero mais nessa história. Road já machucou muitas pessoas especiais pra mim, não precisa ser mais uma. Fique aqui por mais uma semana, e depois volte para casa. Esqueça. Tudo vai ficar bem.

CAPITULO 5
E ela se foi, batendo a porta com força. Não sei por quanto tempo fiquei ali parado, sem reação, sem saber o que dizer, o que pensar. Devia ir atrás dela? Não conseguia acreditar que sua vontade na verdade era me matar para se salvar, realmente pensei que ela se importava comigo. Uma enorme confusão me atingiu, o que deveria fazer? Deixar que ela fosse em direção a morte? Era justo afinal, ela queria me matar. Mas não conseguia pensar assim, eu a amava. Eu ainda a amava? Amava a pessoa que queria me matar. Sempre soube que era um tremendo idota.
Passei a noite em claro, deitado na cama da Carrie, sentindo seu cheiro e lembrando dos últimos dias, foram tão perfeitos. Finalmente consegui dormir, mas acordei poucas horas depois, não parava de pensar nela. Mas agora via as coisas com mais clareza e tomei uma decisão. Ia voltar para casa, ela sabia se cuidar, ela queria se virar sozinha, era esperta e forte, se era isso que queria, era isso que teria. Arrumei minhas coisas e fui. Bom, na verdade roubei um carro do hotel que estava estacionado com a chave na ignição, pouco me importava agora o que era certo e errado, dane-se o mundo. Não fazia ideia de onde tinhámos ido parar, tinha que parar a toda hora perguntando o caminho a estranhos, seria uma longa viagem. Logo era noite novamente e tive que encostar o carro e dormir pelo menos por algumas horas.
Passaram-se dois dias e eu ainda não tinha chegado em casa, me perdi várias vezes, só tinha comido duas vezes desde o primeiro dia, estava cansado, com fome, com sono. Merda! Tudo dava errado sem a Carrie aqui. Finalmente estava perto de casa, sabia disso porque passei pelo terreno abandonado cheio de entulhos onde toda essa confusão teve início. Resolvi parar ali, saltei do carro e fui até o lugar de onde saltei caindo em cima do Road, a coisa mais estúpida que ja fiz. Olhei em volta, ao longe vi o trailer onde nos escondemos, fui até lá tambem, era uma grande lata velha enferrujada, tentei abrir a porta para ver o que tinha dentro, mas ela se recusava a abrir de tão velha que era. Só então percebi um pequeno bilhete colado na porta, tinha um endereço, de quem seria? Meus pensamentos foram diretos ao Road, podia ser o lugar onde ele escondia o Ben e Lily. Como a Carrie podia ter tanta certeza de que eu iria atrás dela desse jeito, depois de tudo o que me fez? Isso me deixou um pouco irritado, eu não devia querer salvar sua vida. Mas era o que eu precisava fazer.
Logo já estava dentro do carro dirigindo em direção ao tal lugar, sabia onde ficava, não era muito longe, mas era um lugar onde as pessoas não desejam morar, era abandonado e vazio. Quando cheguei ao lugar me deparei com um enorme depósito, meio previsível para o traficante assassino. Parei o carro um pouco antes pra não ser visto, eu com certeza não sabia no que estava me metendo. Caminhei até o galpão e fui para os fundos tentando achar uma porta ou uma janela. Felizmente achei logo, era bem alta e pequena, peguei umas latas que tinham pelo chão e subi, conseguia ver pouco, mas o bastante para ver o Ben e a Lily amarrados, ouvia a voz da Carrie em algum lugar, mas estava fora do meu campo de visão. E então ouvi a voz do Road.
- Vocês dois aí! Tomem conta dos irmãos enquanto eu estiver fora, não se preocupem com a garota, ela não vai incomodar por um bom tempo.
Ele falava da Carrie, o que tinha feito a ela?! O pânico me dominou, mas não tive tempo de pensar no que fazer, porque atrás de mim ouvi latidos raivosos. Sabia o que me esperava, eu tava ferrado, muito. Nem olhei para trás, apenas pulei e comecei a correr, o mais rápido que consegui. Já estava no meio da estrada e aqueles dois enormes pitbulls corriam atrás de mim, famintos. Mas enquanto corria pude ver um carro saindo do depósito, foi tudo muito rápido, não pude correr, apenas senti a batida e depois não vi mais nada.

CAPITULO 6
Não sei onde estava, nem por quanto fiquei desacordado, tentei me mexer, mas cada parte do meu corpo doía, abri os olhos, demorou até as coisas tomarem forma. Contando com a escuridão do lugar eu estava no depósito. Ouvi uma voz desconhecida.
- Olha só, a bela adormecida acordou! Vamos lá fazer o que o chefe pediu.
Tentei fingir que ainda estava dormindo, mas era tarde demais, logo dois caras estavam na minha frente, me pegaram pelos braços e me jogaram numa cadeira, tudo doía, e acho que tinha sangue escorrendo de alguma parte do meu rosto. Pelo menos pude ver todo o lugar, o Ben e a Lily estavam amarrados a uma pilastra, eles me olhavam assustados, não tinham ferimentos mas estavam com muito medo. Uma parte do galpão era ocupada por caixas, muitas delas. Percorri o lugar a procura da Carrie, mas não conseguia achá-la, até que no canto mais distante a vi, amarrada numa cadeira, estava inconsciente, e muito, muito machucada.
- Ei, não vai me responder não, é?! - mal tive tempo de processar a pergunta e senti o forte tapa em meu rosto. A essa altura a dor não incomodava tanto assim.
- Desculpe, o que disse? - Ainda era educado com esses animais.
- Quem você é garoto? De onde os conhece? - E apontou para os gêmeos.
- Não os conheço.
- Ah não?! E o que faz aqui? - Ele ia me dar outro tapa, mas fui mais rápido.
- A GAROTA! CONHEÇO ELA, A CARRIE! - ele abaixou a mão e trocou um olhar com o outro cara que até então não tinha falado nada.
- De onde se conhecem?
- Da escola, estudamos juntos.
- E deixa eu adivinhar, ela pediu a sua ajuda e você chamou a polícia? - Nessa hora vi o outro cara tirar uma arma da calça e apontá-la para mim.
- NÃO! Eu a segui, ela não faz ideia de que vim para cá.
Nessa hora o cara com a arma puxou o gatilho, fechei os olhos esperando o que viria, ouvi o barulho do tiro, mas não sentia nada, abri os olhos e vi que o cara da arma tinha atirado em seu colega. Não dava pra acreditar.

CAPÍTULO 7

- Mas o que...? O que está acontecendo? - falei atordoado
- É seu dia de sorte garoto, temos que ser rápidos. Anda! Levanta dai e desamarre a Carrie enquanto eu solto o Ben e a Lily.
- Quem é você? Está do nosso lado? - corri em direção a Carrie enquanto perguntava, nada fazia sentido agora.
Desamarrei o nó apertado que foi feito em suas mãos e a carreguei, seu rosto estava machucado, cheio de arranhões e partes roxas. O cara seja lá quem fosse já tinha desamarrado o Ben e a Lily que logo correram em direção à irmã. Na minha cabeça tinha muitas perguntas a fazer, mas tínhamos que sair dali o mais rápido possível.
- Harry, é meu nome. Queria te explicar tudo agora, mas não temos tempo, precisamos ir embora antes que o Road volte. - Ele disse nos guiando até uma porta nos fundos. Estava trancada.
- E agora, por onde saímos? - perguntei
- Calma, vou achar uma saída. - e saiu correndo todo o galpão.
Nessa hora a Carrie começou a despertar, pedi para que ficasse em silencio, ela estava muito fraca. Dei-lhe um beijo na testa, ela tentou levantar, mas sem sucesso.
- Harry? Onde está o Harry? - Sua voz saiu como um sussurro, ela sabia quem ele era, seriam amigos?
- Calma Carrie, o Harry está nos ajudando, vai achar uma saída para fugirmos.
Depois de algum esforço ela se levantou. Tive de segurá-la para não cair, vasculhou o galpão com os olhos até achar o Harry, quando a viu ele veio correndo em sua direção.

- O desgraçado trancou tudo, acho que já desconfiava de alguma coisa - ele falou segurando o rosto da Carrie nas mãos. - E você, como se sente?
- Bem... Eu acho. - Ela falou abraçando ele.
O que estava acontecendo, o que aquele Harry era da Carrie? Eles eram muito, muito íntimos. Fiquei com cara de bobo vendo a cena romântica, até que não aguentei.
- Hum... Acho que devíamos procurar logo uma maneira de sair daqui ou vamos todos morrer.
Finalmente eles se desgrudaram, o Harry pediu para que eu ficasse com a Carrie enquanto ia pegar umas coisas. Quando ficamos a sós pude falar com ela.
- Então, quem é esse Harry, digo, de onde se conhecem?
- Da minha antiga escola, antes dos meus pais... Morrerem. Éramos melhores amigos.
- E o que ele faz aqui? - Não conseguia disfarçar o ciúme.
- Quando o Road me "libertou" eu o procurei e contei tudo o que aconteceu. Então ele conseguiu se tornar capanga dele pra me proteger.
- Entendo. Que... Bom não é?
- Sim, é. Mas e você, digo, porque veio atrás de mim, não já te machuquei o bastante?
- Espera ai, você que me deixou um bilhete naquele trailer, eu parei por lá e acabei vendo. Você que pediu minha ajuda.
- Oh, verdade, tinha esquecido. Estava com muito medo de não conseguir salvar o Ben e a Lily, então foi a única coisa que pensei. Mas achei que você nunca veria aquilo. E mesmo que visse, não achei que viria.
- E eu não devia. Mas nunca me perdoaria se algo acontecesse a você Carrie. Mas de qualquer jeito não ajudei com muita coisa, acho que o Harry foi mais útil aqui.
Ou ela não havia percebido meu jeito agressivo e ciumento de falar com ela, ou realmente decidiu ignorar.
- O que houve com seu rosto? - Ela perguntou colocando a mão sobre minha testa.
- Fui atropelado, pelo Road.
- Meu deus! Você está bem Alex?
- Sim, tá tudo bem.
O Harry saiu do meio daquele monte de caixas empilhadas carregando um explosivo na mão, colocou sobre uma porta e o acendeu, correndo em nossa direção.
- Abaixem-se! - Ele gritou, e logo depois uma grande explosão destruiu completamente a porta.
Imediatamente corremos todos em direção à saída, o Harry carregando a Carrie e eu ajudando o Ben e a Lily a saírem dali. Apontei para o meu carro que estava parado a uma pequena distancia dali, enquanto corríamos o carro do Road apareceu ao longe, ao ver que era uma fuga, ele acelerou segurando uma arma nas mãos com a cabeça para fora do carro. Estávamos quase chegando ao carro quando ouvi um barulho de tiro, olhei em volta para ver se alguém tinha sido atingido. O Harry estava caído, a Carrie olhava para ele imóvel, e logo depois se jogou no chão junto a ele, falava palavras ininteligíveis. Tudo agora parecia acontecer em câmera lenta. Ajoelhei-me junto ao Harry, o tiro o atingiu no peito, ainda estava consciente, ele olhou para mim e sussurrou muito baixo.
- Cuida dela - Apenas fiz que sim com a cabeça.

CAPÍTULO 8

Depois se virou para a Carrie, ela chorava muito, aproximou-se o máximo possível de seu rosto.
- Eu te amo. - Ele disse deixando uma lágrima cair e depois fechou os olhos. A Carrie o beijou e ficou abraçada a ele. Acreditar no que aconteceu era impossível, nessa hora esqueci todo o ciúme que sentia, a Carrie não merecia perder mais uma pessoa.

Mas outro tiro foi dado pelo Road, o que me lembrou que tínhamos de fugir, agora. Sabia que chamar a Carrie não adiantaria então a carreguei para dentro do carro, onde o Ben e a Lily já estavam sentados. Dei a volta no carro, entrei e dei partida. O Road corria logo atrás da gente. Não sabia o que fazer nem para onde ir. Era mais uma perseguição, comecei a ziguezaguear o carro pela estrada, meu plano deu certo, porque numa das minhas curvas bruscas fiz com que o carro do Road perdesse o controle e batesse numa árvore. Ele não morreu infelizmente, pois saiu do carro correndo em nossa direção, mas logo desistiu.
Um pouco mais tranquilo agora pensei para onde iríamos, decidi sair da cidade novamente e ficarmos em algum hotel. Sabia que o Road logo nos acharia, mas era a única coisa que consegui pensar. E também não poderíamos fugir para sempre, agora que o Ben e a Lily estavam conosco poderíamos chamar a polícia e resolver tudo isso. Não trocamos uma palavra pelo resto do caminho, a Carrie estava em estado de choque, e os gêmeos assustados demais com tudo isso.
Não demorou muito a chegarmos ao hotel, pedi ao Ben e a Lily para irem entrando enquanto tentava tirar a Carrie do carro. Me sentei ao seu lado, ela despencou no meu colo, começando a chorar.
- Eu sei que é horrível isso tudo. Mas eu prometo que vai ficar tudo bem.
- Não aguento mais Alex, tenho medo dele tirar meus irmãos de mim, de tirar você de mim.
- Ele não vai, agora vai dar tudo certo. Estamos todos juntos, confia em mim?
- Claro.
- Então vem, descansa um pouco. Depois a gente conversa sobre o que fazer.
Ela pegou minha mão e saímos do carro. A Carrie teve medo de deixar o Ben e a Lily num quarto sozinhos, então o garoto ficaria comigo e a garota com ela. Dormimos por horas, quando acordei não encontrei o Ben ao meu lado e sai correndo do quarto para procurá-lo, mas ele estava brincando com a Lily. Fui até o quarto ver a Carrie, ela ainda dormia. Sentei ao seu lado alisando seus cabelos, seu rosto ainda estava bem machucado, mas sua expressão era tranquila pelo menos. Não resisti ao vê-la assim, beijei seus lábios bem de leve para não acordá-la, mas ela abriu os olhos lentamente sorrindo ao me ver do seu lado. Sentou-se na cama me puxando para perto, ficamos nos olhando, eu reparei em cada traço perfeito do seu rosto. Fomos nos aproximando lentamente um do outro e logo estávamos nos beijando, como da última vez era um beijo calmo, mas aos poucos se tornou urgente, ela puxava de leve meus cabelos e minhas mãos passeavam na sua cintura. Tivemos de parar porque a Lily e o Ben entraram no quarto para ver TV.
- Quer jantar comigo hoje à noite? Só nós dois?
- Jantar? E os pestinhas aí?
- Deixa comigo, vou dar um jeito. - disse dando um selinho nela e saindo do quarto. Pela primeira vez em dias me senti feliz.
De noite chamei os gêmeos pra verem TV no meu quarto, fiz eles prometerem que não sairiam de lá. Depois fui até o quarto da Carrie, pedimos algumas comidas e improvisamos um jantar. Passamos a noite juntos, foi tudo perfeito. Foi bom acordar na manhã seguinte e vê-la deitada ao meu lado.

CAPITULO 9
Hoje teria que conversar com a Carrie, convencê-la de que chamar a polícia era a melhor opção. Não tive tanto sucesso.
- NÃO! Sem chance Alex, não quero arriscar mais ninguém.
- Carrie, o Ben e a Lily estão com a gente agora, ninguém corre perigo. Por favor, vamos acabar logo com isso!
Ela hesitou, mas acabou aceitando. Iríamos durante a tarde a polícia e depois voltar para casa. Carrie ficou quieta e pensativa, não sabia se era realmente a decisão certa a tomar. A abracei e ficamos assim, deitados no silêncio por um bom tempo.
- Eu te amo Alex, de verdade.
- Eu também te amo Carrie, sempre amei.
Nessa tarde fomos embora do hotel e voltamos para a cidade, paramos na polícia e contamos tudo. Desde a morte dos pais da Carrie e da Rose que havia sido arquivada por não acharem o assassino até o sequestro dos gêmeos. O detetive pediu para que o acompanhassemos até o galpão vazio. Ao chegarmos não havia ninguém, mas as enormes pilhas de caixas continuavam lá, dentro delas muitas drogas, armas e explosivos, o que ao menos provava que se tratava de um traficante. As cordas e cadeiras usadas para prender os gêmeos, a Carrie e eu também estávamos lá, os policiais já tinham provas o bastante. Ficamos por lá por umas 3 horas na esperança de que o Road aparece, mas nem um sinal dele. Falta de sorte ou ele já sabia de tudo?
O detetive desistiu por hoje, disse que no dia seguinte voltaria com mais policiais e iriam fazer uma busca mais apurada. Para nossa segurança teríamos um policial nos acompanhando em todos os lugares, ele também ficaria de guarda enquanto estivéssemos em casa, o que significava que ou a Carrie iria passar uns dias na minha casa, ou eu na dela. Até que não era uma má ideia.
- E então, na sua casa ou na minha? - perguntei
- Esqueceu que sua casa ainda está completamente destruída?
Senti um aperto no peito quando me lembrei, durante essas semanas tinha esquecido toda a minha vida normal. Escola, família, obrigações, tudo isso ficou insignificante.
- Espera... Não foi você que quebrou tudo na minha casa não, né? - perguntei lembrando-me do antigo plano da Carrie de me matar para se salvar.
- Não, essa parte não foi comigo.
A Carrie estava um pouco feliz agora, afinal ela reencontrou seu carro perto do galpão. Antes de irmos para sua casa, pedi para que fôssemos até a minha para pegar mais algumas roupas e outras coisas, já que ficaria na casa dela até encontrarem e prenderem o Road. A porta estava cheia de contas a pagar, como imaginei não tinha luz, nem água, tudo ainda estava quebrado e espalhado pelo chão. Fui até o meu quarto pegar mais algumas roupas e depois partimos de novo.
Quando chegamos lembrei-me de que não falava com a minha mãe desde o dia em que fugi, o que ela estaria pensando? Que morri provavelmente. Só é estranho não ter mandado a polícia, exército e o que fosse para me procurar. Corri para o telefone, precisava falar com ela, dizer que estava tudo bem.
- Calma, eu avisei a sua mãe que estaria comigo por uns dias.
- Avisou?
- Sim, depois que fiz as ameaças, voltei lá e disse do que se tratava. Ela ficou desesperada, mas a convenci de não chamar a polícia, e prometi que você ficaria bem, bom, essa parte era mentira. Naquela época pelo menos.
- Nossa, que anjo você é Carrie.
De qualquer modo liguei para dar um sinal de vida. Além de ouvir broncas infinitas ela me obrigou a voltar para escola no dia seguinte, disse que era um irresponsável e tudo mais. O Ben e a Lily também tinham que voltar para escola, mas como moravam longe iriam ser transferidos para a nossa. Acho que pela primeira vez viveria algum dia normal novamente.

Capítulo10

Na manhã seguinte fomos “escoltados” até a escola. É claro que todos ficaram nos olhando, fazendo perguntas, comentando por ai. Era bom rever o Matt, disse que lhe contaria toda essa história mais tarde. Tínhamos antes que contar tudo aos diretores sobre o nosso sumiço misterioso. Fora isso tudo ficou normal, tirando os olhares, comentários nos corredores e suposições loucas que faziam.
Os dias que se seguiram foram praticamente iguais, já que o Road fugira e ainda não tinha sido encontrado. Éramos levados todos os dias à escola pelo nosso guarda-costas, depois voltávamos e passávamos o resto do dia em casa. Às vezes eu ia até a minha casa concertar algumas coisas. Eu a Carrie não estávamos namorando, mas era quase isso, ficávamos às vezes, mas nunca houve um “pedido oficial” de namoro. Ao mesmo tempo em que estávamos felizes assim, também havia o fato do Road não ter sido encontrado, talvez ele tivesse nos esquecido, mas a Carrie não acreditava muito nisso.
Um mês depois a polícia decidiu baixar um pouco a guarda e dispensou nosso guarda-costas. Também tinha colocado a minha casa em ordem, comprei coisas novas e concertei o que dava. Resolvi voltar para casa, apesar de estar bem com a Carrie, seria melhor.

- Tem certeza de que quer ir embora? Sabe que gosto de ter você aqui.
- Eu sei, também adoro ter você por perto todos os dias, mas tenho que voltar. A gente vai se ver sempre na escola, e você pode dormir lá quando quiser. E pode levar os pestinhas também, vou sentir a falta deles.
- Bom, se é isso mesmo que quer... Tudo bem.
Depois que me mudei tudo ainda estava normal. Eu, a Carrie e o Matt passávamos as manhãs juntos e saíamos às vezes de tarde. O Matt não entendia porque ainda não namorávamos.
- Cara, qual é a sua? Vocês vivem juntos, sempre ficando. Pede ela em namoro!
- Não sei... A Carrie não parece fazer muito o tipo de que gosta de namorar.
- ELA TE AMA! Pra que mais que isso?
- Ah, a gente tá se dando bem assim, eu amo aquela garota e ela me ama, é só o que preciso.
Eu mal sabia que todo o pesadelo que tinha vivido estava prestes a recomeçar. Era uma noite qualquer de quinta feira, estava vendo TV no sofá quando bateram na porta. Imaginei que fosse a Carrie, ela aparecia às vezes para vermos um filme ou comer uma pizza. Mas não era. Quando abri a porta o detetive Ian estava parado, atrás dele tinha uma viatura estacionada e mais dois policiais dentro dela. A Carrie, o que tinha acontecido agora? Fui direto dessa vez.
- O que ele fez agora? Onde está a Carrie?
- Ela foi... Sequestrada, Alex.
- Mas como?! Ele estava sumido há dois meses!
- Eu sei, eu sei. O Ben me ligou à uma hora dizendo que bateram na porta da casa deles, a Carrie foi atender, e ele a levou.
- Já tem pistas de onde ele está?
- Não, seguimos o rastro do carro, mas foi a abandonado alguns quilômetros depois da casa. Mas já mandamos viaturas para todos os cantos da cidade.
- Droga, droga, droga! Se esse desgraçado fizer qualquer coisa a ela juro que o mato!
- Eu sei como se sente Alex, mas tem que ficar calmo. Vim até aqui te chamar para ajudarmos nas buscas. Você vem?
- Claro, claro.
Sai batendo a porta, e parti junto ao detetive para procurá-la. Eu estava com muita raiva do Road, quando finalmente tudo estava se acertando ele aparece, não podia deixar que machucasse a Carrie, a minha Carrie. Faria de tudo para protegê-la.

Capítulo 11

Demos duas voltas pela cidade, já passavam das quatro da manhã e não achamos nenhuma pista. Não consegui ser muito útil nas buscas, estava nervoso demais. O detetive Ian desistiu das buscas por essa noite, mandou que eu dormisse na casa da Carrie para ficar com os gêmeos. Era impossível dormir, sempre que tentava meu pensamento ia para o Road, o que ele estaria fazendo à minha garota?
Antes do dia amanhecer já estava de pé, esperando Ian chegar para continuarmos com as buscas. Também levaríamos a Lily e o Ben para a casa da avó, para que ficassem em segurança durante as buscas. Depois de deixá-los em casa, fomos para cidades que ficam próximas tentar achar alguma pista de onde estaria a Carrie. Ninguém viu nada, eles tinham sumido. Não sabia mais o que fazer para ajudar, era horrível não ter pista nenhuma de onde estariam. Procuramos também pelos seus outros capangas, mas já estavam todos mortos.
- Alex, tenho que ser sincero. Não encontramos nenhuma pista até agora, e não sabemos o que fazer para achar a Carrie. Já está tarde, volte para casa, e pense em qualquer lugar onde eles possam estar. Pode me ligar a qualquer hora. Vou fazer de tudo para encontrá-la, sã e salva.
- Certo Ian, mas, por favor, não desistam das buscas. Vai achá-la. Precisam achá-la. Carrie é minha vida agora.
Me despedi saindo do carro e entrando em casa. Estava exausto, precisava dormir, um pouco pelo menos. Deitei no sofá e segundos depois já estava dormindo. Sonhei com a Carrie, que ela estava presa na escola onde estudamos junto ao Road. Estavam numa sala que eu desconhecia. Ele tinha a amarrado, ela estava ferida, e gritava meu nome. O Road molhava o lugar com algo, álcool. Depois acendia um fósforo e o jogava no chão, tudo começava a pegar fogo enquanto ele ria loucamente. Acordei de repente, ofegando com a lembrança do sonho.
- Carrie... - Levantei rapidamente e peguei as chaves do carro.
Nem eu sabia ao certo o que estava fazendo. Mas senti que esse sonho foi como um aviso, de que eu acharia a Carrie naquela sala na escola. Tinha tanta certeza disso que me perguntei como não havia pensado antes nessa possibilidade. Não liguei para Ian, por enquanto pelo menos, não iria ajudar em nada um monte de viaturas paradas em frente à escola, ele iria fugir com ela.
Rapidamente cheguei ao University School, parei num lugar escondido e entrei por uma porta nos fundos. Não fazia idéia de onde ficava o lugar dos meus sonhos, comecei pelo subsolo onde ficava o laboratório de ciências. Não encontrei nada por lá, voltei ao primeiro andar, corri todas as salas e nenhum sinal deles. Será que eu estaria imaginando isso tudo? Baseando-me apenas num sonho? Mas enquanto corria um dos corredores ouvi gritos, estavam muito longe, mas pude ver que vinham de dentro da sala de material de limpeza. Entrei lá, mas não tinha nada, porém ainda ouvia os gritos, eram da Carrie, com certeza. Eles vinham da parede, vasculhei todas elas e achei uma pequena portinha, estava meio emperrada, tive de abrir chutando, o que fez um pouco de barulho. Os gritos cessaram, fechei rapidamente a portinha e esperei escondido qualquer sinal do Road aparecer por ali. Fiquei imóvel por uns 5 minutos, ninguém apareceu, abri novamente a porta fazendo menos barulho dessa vez, se tratava de um corredor escuro com apenas uma porta no final, só podiam estar ali.
Fui me aproximando lentamente da porta e pude ver que não estava fechada, apenas encostada. Olhei pela fresta e vi o Road de costas para mim, estava na frente da Carrie, ela estava amarrada a uma cadeira, com a cabeça baixa. Eu não tinha um plano, não sabia o que fazer, seria estupidez entrar de surpresa, ele provavelmente estaria armado e me mataria em um minuto, tinha que pensar. Continuei observando pela porta, a Carrie levantou a cabeça e olhou rapidamente para mim, seus olhos se arregalaram um pouco, mas logo ela voltou ao normal. Hesitei me escondendo com medo do Road ter percebido algo, mas ele continuou dando voltas em frente à Carrie. Olhei a minha volta a procura de qualquer coisa que servisse de arma, encontrei alguns canos, eram pesados, peguei um lentamente e voltei a espiar pela porta. A Carrie voltou a olhar para mim e viu que segurava um cano, logo ela fingiu estar sentindo alguma coisa e começou a gritar de dor. Era agora, tinha que entrar e agir rápido. Tentei não pensar muito e entrei correndo indo com o cano em direção ao Road. Antes de conseguir acertá-lo ele virou-se para mim apontando sua arma e atirou. Senti uma enorme dor na perna, ainda sim bati com o cano em sua cabeça e ele desmaiou e logo depois caí no chão junto a ele. A Carrie estava amarrada e não conseguia se soltar, ela gritava pelo meu nome, mas tudo começou a escurecer e depois apaguei.

CAPÍTULO 12

Acho que acordei minutos depois, minha perna doía muito e não conseguia me mexer. Vasculhei o lugar com os olhos, o Road tinha acordado e estava muito irado. A Carrie olhava para mim, preocupada.
- Olha só quem acordou? O super herói da garotinha aqui.
- FIQUE LONGE DELA! - Consegui gritar
- Ou então, vai me bater com um cano de novo? Não quero desperdiçar as balas da minha arma com você seu garoto inútil.
- Por favor, pára com isso! – A Carrie gritou. – Chega, não agüento mais você me perseguindo durante esses anos, já não basta ter matado minha família?!
- Ah sim, você chegou no ponto em que eu queria, pequena Carrie. A morte dos seus pais. Provavelmente nunca soube o motivo para ter feito aquilo, estou certo?
- É eu não sei, pessoas não costumam entrar em casas e cometerem assassinatos em série. Você é um doente.
- Talvez eu seja, mas o culpado disso tudo foi o seu pai, e quer saber por quê?
- Não acredito em nada que sai de você!
- O que é isso, Carrie? Prometo que será uma boa história, vamos lá. Provavelmente já deve saber que eu e o John éramos velhos amigos, desde pequenos. Depois que terminamos a faculdade trabalhamos juntos aqui, onde estamos agora. Isso era o antigo laboratório de ciências. Mas então seu pai conheceu sua mãe, eles não se desgrudavam. Eu também tinha alguém, eu tinha duas filhas sabia? Duas lindas garotinhas gêmeas. Mas mesmo nunca desprezei a amizade do John, ele era o melhor amigo que eu poderia ter tido, mas em troca o que recebi? Esquecimento. Ele não aparecia mais aqui, não me ligava. Num dia resolvi trazer minhas filhas e minha mulher aqui para verem no que eu trabalhava, nesse exato dia o John resolveu aparecer por aqui com a namoradinha. Começamos a brigar, nada era mais como antes. O John começou a derrubar tudo o que via pela frente, vi que ele jogaria a minha experiência também o causaria uma grande explosão, eu gritei, pedi para parar, mas ele não me ouviu. E tudo começou a pegar fogo. Eu estava desesperado, precisava salvar minhas garotinhas e minha noiva, mas não conseguiria. Implorei ajuda o John, mas ele tinha que tirar antes sua preciosa namorada, quando voltou era tarde demais, queria ficar, morrer com elas, mas o John me tirou de lá. E depois de tudo o que passou o que eu ouvi? Um sinto muito. Isso não ia trazê-las de volta. Depois disso decidi sair da cidade por um tempo, mas voltei, e soube que o velho John tinha uma linda e grande família, isso me pareceu meio injusto não acha, Carrie?
Ouvi atentamente cada palavra que o Road falara, tinha até esquecido da dor. Era tudo muito triste o que aconteceu, mas nada justificava. A Carrie ficou o tempo todo calada, não conseguia ler sua expressão agora, estava imóvel, calada.
- Isso não justifica. Desculpe-me, agora sei o quanto sua dor foi grande, mas ela é sua, e ninguém merece sofrer o que você sofreu, o problema era seu. Soubesse lidar com ele. – A Carrie respondeu friamente.
- Então é isso que acha? Tudo bem, vamos acabar com essa história de uma vez por todas.

CAPITULO 13

Nessa hora ele pegou um galão e começou a despejar o líquido sobre o chão, exatamente como havia sonhado. Sabia o que viria a seguir, reuni todas as minhas forças e consegui levantar, correndo em direção a Carrie, desamarrei suas mãos e a puxei para perto de mim.
- Tudo bem então, preferem morrer juntos? Que assim seja.
Road pegou os fósforos, mas antes de acender se ajoelhou em frente a Carrie.
- Não se preocupe, vai ser rápido.
Antes que se levantasse peguei sua arma que estava presa na calça, apontei para ele puxando o gatilho.
- Quer me matar? Vá em frente garoto, atire. – Disse estendendo os braços.
Não sabia o que fazer, se atirava ou apenas ameaçava, mas ele parecia não se amedrontar com ameaças. Mas enquanto pensava ele acendeu o fósforo e o jogou no chão, vi as primeiras chamas se espalharem. Por impulso atirei, vi o Road caindo de costas. Não podia fazer nada, apenas segurei a Carrie e saímos correndo dali enquanto o lugar era tomado pelas chamas. Quando estávamos no início do corredor a Carrie parou.
- Carrie, o que está esperando? Temos que ir agora ou morreremos aqui.
- Eu sei meu amor, mas preciso fazer isso.
E ela saiu correndo voltando para a sala em chamas, corri atrás dela, quando cheguei estava ajoelhada ao lado do Road.
- Por favor, diga que perdoa o meu pai pelo que fez. Porque eu te perdôo, de todo o meu coração.
- Eu perdôo, desculpe pelo que fiz, desculpe ter feito você sofrer.
E dizendo isso ele se foi. A Carrie voltou correndo para o corredor e saímos dali abraçados.
- Você é a pessoa mais incrível que já conheci, Carrie.
Enquanto andava lentamente comecei a pensar, agora tudo acabou. Sem fugas, perseguições, e sem todo esse drama. Troquei um olhar com a Carrie e ela sorriu para mim, não era de alegria ou felicidade, mas sim de alívio, sentia o mesmo que ela. Instantes depois os policiais apareceram, eu tinha mandado um pedido ajuda para o detetive enquanto ouvia a historia do Road no laboratório. Ian vinha correndo na frente, seu olhar era preocupado e apreensivo.
- Mas o que... Aconteceu aqui?
Olhei novamente para a Carrie, a envolvi mais forte em meus braços e sorrimos um para o outro, depois falamos no mesmo tempo.
- Não se preocupe, agora vai ficar tudo bem.




CONTINUA


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