Getting Sober
Autora: Thathati Enseñat
Status: Em Andamento
Revisada por: Juh
Categoria: Hot Fics - McFLY
Sub-Categoria: Romântica/Drama
Comentários:
"A que velocidade exatamente eu não sei, talvez 140. Não estava prestando atenção ao velocímetro, cada vez mais aquela cena se repetia, cada vez mais eu descontava minha raiva no acelerador. Ultrapassar o sinal parecia divertido, então o fiz, em meio ao cruzamento grandes faróis queimaram meus olhos, dessa vez fudeu mesmo. Não teria como desviar, então encarei os faróis, apenas reduzi a velocidade e liguei o som, por incrível que pareça era a música que eu escrevi para ela e não cansava de repetir os versos na minha mente. Antes do refrão da música senti o vidro do carro se aproximando de mim, o gosto de sangue entrando pela minha boca. Maldito gosto de ferro, nunca tinha imaginado morrer desse jeito, então relaxei e fechei meus olhos, talvez para sempre."
Capítulo 1
“Eu omiti eu nunca te falei, todos os anos que eu te amei” (Daquilo que eu chamo de amor - Catch Side)
Não é o tipo de história da mocinha que conhece o mocinho, eles se apaixonam, casam e são felizes para sempre. Muito pelo contrário, aliás, tudo é contrário quando se diz respeito a . Eu a conheço desde os meus onze anos e ela sempre fora a contradição da contradição. A conheci na escola, o tipo de garota que se todas as meninas usassem saia e chinelo, ela estaria de all star e camiseta. Aquela que nunca penteava o cabelo de manhã ou se importava se suas unhas estavam feitas ou não. era o tipo de garota errada e certa ao mesmo tempo.
Eu fazia o tipo nerd-atleta-descolado, daqueles que eram zoados por tirarem as maiores notas, mas muitas garotas davam em cima de mim, juro. Eu não era feio e sabia jogar rugby, duas qualidades para qualquer garota admirar ou desejar em um menino. Mas não a . Com doze anos ela era da minha sala e um dia nós tínhamos que fazer um trabalho juntos. Ela levantou o braço e disse em alto e bom som:
- Professora eu não vou fazer trabalho com o – Eu só abaixei a cabeça.
- Por que ? – A professora disse.
- Porque ele é muito convencido. – Ela disparou e eu a encarei.
- Ou você faz seu trabalho com ele ou fica sem nota, – A professora disse novamente esperando uma reação normal de uma criança normal. Coitada, ela não conhecia a .
- Fico sem nota, professora. – E sentou. Toda a sala a encarou e, ao contrário de mim, ela não abaixou a cabeça, simplesmente encarou cada um da turma, com um olhar que toda e qualquer criancinha correria. Aquela era a .
Com treze anos, nós discutimos feio durante uma educação física. Ela havia entrado para o time de softball, afinal, quem joga softball? A bola havia caído no campo em qual eu jogava, então joguei a bola de volta, sendo que caiu em um lago nojento que havia na escola. Cara, aquele lago devia ter bichos mutantes e ninguém sabia disso.
veio em minha direção, furiosa.
- , você vai enfiar a porra da sua cabeça no lago ou eu vou jogar com os seus testículos? – sim, ela sempre foi agressiva.
- Dá um tempo, . – A camisa dela era colada e por mais estranha e implicante que ela era, aquela camisa ficava linda nela.
- Viado – E bateu com o taco na minha cabeça.
Na formatura ela não foi, estava ocupada demais fazendo um curso de fotografia. Pelo menos foi o que me disse quando eu tentei convidá-la para festa.
Depois da formatura eu a via nas aulas extras ou andando de skate pela rua. Passei a metade das férias tentando convidá-la para sair, mas a resposta sempre se repetia. “Não posso sair com você, ”. Milhões de vezes eu questionei sobre o porquê daquelas respostas, o porquê dela me odiar tanto. , eu nunca soube o nome dela de verdade, sempre fora conhecida como . A menina estranha, de roupas estranhas, meias coloridas e praticamente inalcançável, ao menos para mim, que todas as vezes que me aproximava levava patas ou tacos da softball na cara ou barriga. No último dia de férias foi também a última vez que eu a vi. Ela estava no trem, eu sentei ao seu lado e tentei puxar papo.
- , posso me sentar aqui?.
- Se você for carregar minha bolsa, pode. – Ela deu muita ênfase no meu sobrenome.
- E ai, tá fugindo de quem? – Indaguei.
- Se fosse para fugir de alguém, eu fugiria de você – Tapa na cara, .
- Me diz, por que você me odeia tanto? – Tava na hora de perguntar.
- Porque você é um idiota convencido que fica querendo enfiar essa bolsa maldita no nariz dos outros – Nossa.
- Você e eu sabemos que não é isso, – Eu me surpreendo comigo mesmo às vezes.
- Ah, não? Então é o que? – Pois é, o que?
- Você é perdidamente apaixonada por mim e desde que me conheceu está doida pra me beijar. Vamos, assuma, . – Se ela me beijasse eu me surpreenderia.
- Tem razão , sou doida por você e chegou a hora de você saber disso. – E ela estava vindo pra cima de mim, oh dude! Esperei tanto por isso.
- Pois é, sou vidente agora. – Segurei seu rosto com as duas mãos e fechei meus olhos, mas a única coisa que senti não foram os lábios dela, como eu esperava, foi um puta tapa na cara.
- Presunçoso imbecil. – Depois desse dia eu nunca mais vi .
Dez anos depois, cá estou eu, repetindo essa velha história de amor encubado. É, eu amava aquela garota, mas ela sumiu e tudo o que eu sei é que ela foi para a faculdade e se formou em fotografia. Deve estar fotografando pombos em alguma fonte de alguma cidade do interior. Eu me formei em música e agora moro no centro de Londres sozinho. Não casei por culpa daquela maldita garota de meias coloridas do meu colegial. Ao menos eu não me mantive puro de corpo, imagina se eu espero cinqüenta anos por ela e eu não a encontro de novo? Dormi com muitas, não nego. Mas nunca me apeguei a ninguém. Desde que senti a respiração da perto demais de mim, nada se compara.
Capítulo 2
“Make me love you, nothing at all nothing that I do.” – (The promise – Mcfly cover)
Mais um café, mais biscoitos cream creaker. Eu sinceramente não sei o que estou fazendo nesse estúdio hoje. Deveria estar dormindo ou vendo CSI. Tantos anos e eu ainda não aprendi a viver sozinho. Hoje é sexta feira, dia do Tyler, um pirralho de dezessete anos que acha que canta vir aqui destruir o que eu demoro horas para compor. Aquela voz desafinada que me custa duas horas de trabalho pra deixar ouvível. Sonhei com a hoje, apesar de que eu sonho com ela desde os meus doze anos, já me acostumei a fechar os olhos e tê-la comigo. O som da porta e a distância pude ouvir o que interrompeu meus sonhos. A mãe agente do Tyler gritando ao telefone com algum pobre coitado.
- Hey Senhor . – Tyler disse feliz.
- Já falei para me chamar de – Eu disse dando um tapa leve em seu ombro. – Fez os trabalhos de voz que eu te ensinei? – Ele balançou a cabeça positivamente – Melhorou?
- Muito , meu pai falou que até iria em show meu se eu continuasse melhorando, valeu mesmo. – ele sorriu e foi entrando onde sentaria para gravar sua música nova.
- Tyler, a letra está na sua frente, é só seguir a música – Para minha surpresa Tyler apertou o botão que me fazia ouvi-lo.
- , você não aceitaria fazer acústico comigo, não?
- Faz muito tempo que eu não faço acústico - decepcionei uma criança.
- Então eu posso fazer essa acústica? – ele sorriu decepcionado.
- Pode sim Tyler, pega o violão e usa os acordes que estão na folha de trás. – eu disse e tomei mais um gole de café. A mãe de Tyler estava sentada atrás de mim, mandando mensagens de texto ou fazendo qualquer outra coisa inútil. Por incrível que pareça, Tyler mandou bem com a letra nova, tocou violão até bem, apesar de ter errado um acorde ou dois, me fazendo ter que zerar e perder seis horas do meu dia só com ele. Depois da gravação fomos acertar os detalhes do seu show em um pub de Londres.
- Então será um pocket show? – A mãe de Tyler perguntou.
- Isso mesmo, a Bonnie vai terminar de ver os detalhes. – Eu disse.
- , quando vai ser o show? – Tyler
- Em dois meses.
- Valeu senhor . Até sexta que vem – Tyler disse feliz saindo do escritório.
- Até, Tyler. – eu disse fechando a porta – BONNIE – gritei. Bonnie era minha secretária há uns dois anos, sempre fazia o que eu pedia, às vezes chegava a ser irritante.
- Sim, senhor ?
- Eu estou indo embora, amanhã desmarque tudo, não quero aturar mais seis hora. Não esquece da fotografia do show do Tyler, tenta aquela empresa do último, eles são rápidos, gostei deles, não esquece, Bonnie. – Eu disse sem pausa para oxigênio.
- Sim senhor, vou ver isso hoje e segunda aviso ao senhor.
- Obrigado Bonnie, fico te devendo uma. - Me despedi com um breve aceno e desci em direção ao estacionamento, entrei no meu carro e dirigi até meu apartamento que ficava a duas quadras dali. O meu médico havia me mandado ir caminhando para o trabalho, mas não adiantava. Acho que o trânsito londrino me acalmava. E eu não estou brincando.
Cheguei ao meu apartamento, joguei as chaves em qualquer mesa. Peguei alguns Donut’s na geladeira e me joguei no sofá. Estava cansado, cheio de dor de cabeça, mas sentia que aquela noite seria boa se eu não ficasse em casa. É tipo uma premonição, sacas? Joguei meu tênis longe e deitei no sofá para descansar, demorei uns vinte minutos para relaxar minhas pálpebras, enfim.
Acordei com um susto, com o cabelo grudado no rosto e com o coração palpitando de tantas batidas. Olhei para o relógio, marcava meia noite e meia. Eu queria sair, era sábado à noite, dia de sair. Mas eu estava cansado, então resolvi ficar em casa mesmo. Tomei uma ducha e deitei de samba canção na cama king size, vazia. A cena se repetia, e repetia, aquele sonho louco, ela entrando no carro com os olhos cheios de lágrimas e, por mais diferente que estivesse, era minha . Liguei a TV e dormi vendo qualquer merda que passava.
Meu domingo, como todos os outros, fora absurdamente monótono, tomei café, corri no parque e o resto do dia eu comi e dormi. Pareço um bebê às vezes, como e durmo encostado em qualquer canto.
Segunda, dia de banco. Odeio bancos, filas, um saco. Acordei relativamente atrasado, nove horas. Enfiei qualquer roupa e corri para o carro com um pedaço de waflle na boca. Fui ao primeiro banco no centro de Londres. O nacional, a fila dobrava a esquina, eu não encararia aquilo. Não agora. Resolvi dar uma volta no parque, passando ao redor do lago comprei pizza em cone, fazia dias que eu não comia pizza e anos que eu não comia pizza em cone. Sentei em um banco vazio, observando as coisas ao meu redor, notei que o parque parecia uma creche. Eu nunca havia visto aquele parque tão cheio de crianças correndo. Um fresbee de uma das crianças caiu perto de mim, levantei para pegar e ao me abaixar senti uma forte pressão sobre a minha coluna. Estou ficando velho. Levantei com um pouco de dificuldade e joguei o fresbee de volta para o menininho, deveria estar me achando um ladrão de discos de borracha. Fiquei olhando os patos e os pombos ou sei lá que bichos eram aqueles. Uma menina fotografava o lago, me lembrou muito a minha . Ok, nem tão minha, mas minha de qualquer jeito. Ela fotografava com paixão, não entendi bem o que ela estava fotografando até que olhei direito. Ela fotografava as folhas que boiavam na água, deveria ter uns dezessete, dezoito anos, no máximo. Talvez ela fosse alguma filha perdida da com alguém da escola. Ok, , não viaja, foram dez anos, não trinta. Perdido nos meus pensamentos idiotas, perdido no horário. Quando voltei à realidade percebi que faltava uma hora para o banco fechar, corri em passos largos e vi que não tinha mais fila, Deus deve me amar muito, na boa. Paguei as contas e fui para casa. Mais um dia. Outro dia sem ela
Capítulo 3
“De onde será então que essa garota vem, ela não sabe e ninguém sabe também” (Pra ontem – Darvin)
O resto da semana simplesmente voou, quando olhei para o calendário já era sexta feira. O único dia que eu realmente aparecia no escritório. Sexta era o dia que eu perdia metade do meu tempo ajeitando as vozes, notas, acordes que aqueles infelizes arruinavam. Ontem um homem chegou aqui com um grupo de rap. Pelo amor de Deus, aquilo eu nem consegui definir o que era. Para fazer uma mínima noção, o homem que se dizia produtor deles virou para mim e disse “Pois é , a música começou com Bach e Chopin agora estamos ouvindo RAP para ganhar dinheiro, o mundo está mesmo acabando.” E quer saber? Eu concordo com ele. Antes eu ouvia Beatles, ontem fui obrigado a ouvir coisas sem noção, tipos de rima Chantagem – Coragem.
Tyler adentrou minha sala do mesmo modo que entra todas as sextas há uns dois anos. Mas diferente de como ele entrava sempre, com sua mãe ao lado. Dessa vez ele estava sozinho, quando me viu acenou e sorriu, eu acenei e ele sentou de frente para minha mesa. E falou:
- Oi . – Ele sorriu infantilmente
- Fala Tyler, hoje você não precisava vir aqui. O que houve? – me ajeitei na poltrona
- Eu sei que sua equipe tá cuidando de tudo, mas eu quero saber quantos ingressos foram vendidos. – Crianças.
- A Bonnie me mandou um email com isso ontem eu acho, se eu não me engano o pub liberou 500 ingressos e duzentos já foram vendidos. – Eu sorri.
- Nossa! É muita coisa ! Estou tão feliz – Ele sorria feito criança. – E eu tenho que te pedir uma coisa. – Sempre.
- Manda Tyler.
- Uma amiga minha manda MUITO bem com fotografia, não dá pra você contratar ela não?
- De onde ela é?
- Agora ela tá na Dinamarca, mas me prometeu que chega a tempo do show.
- Vamos fazer o seguinte, pede para ela me mandar um email, que eu acerto com ela. Depois eu mando pra Bonnie acertar pagamento e essas coisas. – Ele estendeu a mão.
- Valeu , fico te devendo uma grande.
-Venda CDs e eu fico feliz Tyler, estou fazendo isso só porque você disse que a garota manda bem. Fala para ela me enviar esse email até hoje à noite e o emprego é dela. – e eu tenho menos uma dor de cabeça.
- Tchau então , minha mãe nem sabe que eu vim aqui.
- Tchau Tyler, isso vai ser segredo.
Tyler saiu da minha sala mexendo no celular, eu voltei minha atenção ao computador onde eu mandava um email a Bonnie.
To: bonniedanet@studio.uk
From: _1@studio.uk
Ass: Mude esse email
Bonnie, eu já não falei para você mudar esse email? Eu fico rindo todas as vezes que leio. Que seja, prepare um contrato para fotógrafo, arrumei um.
.
Bonnie era rápida, por isso era minha amiga/secretária há tanto tempo. Eu considerava ela mais do que considerava minha irmã.
To:_1@studio.uk
From: bonniedanet@studio.uk
Ass: RE: Mude esse email
Senhor, eu uso o mesmo email há dois anos. Vou imprimir o contrato e deixar na sua sala amanhã de manhã.
Bonnie.
Saí do escritório e fui para casa. Tomei um belo banho quente e fui verificar pela vigésima vez a caixa de entrada, esperando que a amiga do Tyler já tivesse me mandado o email. Lá estava.
To: _1@studio.uk
From:013@cielofotos.uk
Ass: Tyler.
Oi, eu sou a amiga do Tyler, meu nome é . Estou ansiosa para trabalhar com o senhor, estou na Dinamarca como o Tyler deve ter lhe dito, por isso estou enviando fotos que eu tirei em uma turnê do Coldplay. Obrigada, .
Com uma xícara de café ao meu lado e um biscoito inteiro na minha boca, vi e revi as fotos anexadas, realmente incríveis. Diferentes, nada daquilo que eu estava acostumado a ver
To: 013@cielofotos.uk
From:_1@studio.uk
Ass: RE: Tyler.
Sou . Senhor está no céu, acho que sou mais novo que você, então nosso tratamento será você, você. As fotos do Coldplay estão incríveis. Depois dessa espero trabalhar com você ansiosamente.
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Tomara que ela seja bonita. A quem eu estou enganando? Estou pouco me fodendo se ela é bonita ou não, de uns tempos para cá eu só tenho pensado na minha .
To: _1@studio.uk
From:013@cielofotos.uk
Ass: RE: Tyler.
Ok , não chamarei mais você de senhor, e só para te garantir eu tenho 27 anos e não 50 como o Tyler me falou que você tinha.
Cinquenta?
To: 013@cielofotos.uk
From:_1@studio.uk
Ass: RE: Tyler.
Eu posso te demitir por isso sabia? E para te dizer, eu tenho 28 anos. Mas não vou te demitir, vou desligar o computador, estou cansado.
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To: _1@studio.uk
From:013@cielofotos.uk
Ass: RE: Tyler.
Só faltou dizer que era casado e pai de três filhos. Também vou, boa noite.
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To: 013@cielofotos.uk
From:_1@studio.uk
Ass: RE: Tyler.
Não esquece de mandar o currículo e pegar o contrato com a Bonnie, o email dela está anexado aqui.
Boa noite.
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Capítulo 4
"Será que é difícil entender porque eu ainda acredito em nós?" (Vem andar comigo – Jota quest)
Sinceramente eu gostaria de saber o que deu em mim hoje. Estou pensando na mais do que o normal, e olha que o normal eu penso muito. Essa noite eu sonhei de novo que ela chorava quando me via, mas não era um choro de felicidade, era mais um choro de tristeza por não poder ficar comigo. Mas porque naquele sonho maldito eu não podia ficar com ela? Nem nos meus sonhos eu tenho a mulher que eu quero; é foda isso. Custei a levantar da cama, de boxers caminhei até a porta da frente para pegar o jornal do dia. Cocei minha bunda com a mão livre e entrei. Liguei a banheira, joguei sais e espuma, sim era uma coisa gay, mas eu gosto, me faz pensar um pouco em outras coisas.
Abri o jornal. Política, política, governo, Barack Obama. Cacete, o jornal só fala disso. Joguei o jornal a alguns metros de distância, relaxei minha cabeça e fechei meus olhos, relaxando. Logo a imagem dela veio à minha mente, aquelas meias coloridas, aquele sorriso que me deixa idiota só de lembrar, o pior desses sorrisos é que é a sensação que quase todos já experimentaram, é aquela que faz seu coração bater mais forte, sua garganta dar nó só de falar o nome da pessoa, quando seus olhos brilham, e ali está, aquele sorriso idiota que estampa na sua testa a frase “eu estou apaixonado” eu sinto a mesma coisa há dez anos. Preciso de uma idéia para achá-la. Saí da banheira determinado, me enrolei de qualquer jeito na toalha e corri para a sala, peguei a lista telefônica e procurei por investigadores particulares. Estou surtando. Disquei o numero e aguardei.
- Escritório de investigação, boa tarde. – Disse uma mulher com voz simpática.
- Boa tarde, eu gostaria de contratar o serviço de vocês.
- Qual o tipo de investigação senhor?
- Preciso achar uma garota, digo, mulher, que eu não vejo há dez anos.
- O senhor vai manter anônima?
- Sim
- Então eu preciso do seu endereço e seu nome para mandar os avanços da investigação, assim o senhor se mantém anônimo, só o banco de dados saberá do senhor.
- Pois não - Passei meu endereço para a moça simpática.
- Então agora me diga, quais eram os dados da mulher que o senhor procura?
- Olha, eu não sei o nome dela, mas na época da escola era chamada de , se formou em 1999, na escola de Ocean Ville que fica no sul da Inglaterra.
- Tudo que eu preciso senhor. Vou mandar o valor do serviço em breve por correio para o senhor.
- Em quanto tempo vocês acham ela?
- No máximo um mês senhor. Obrigada por nos contratar. Tenha um bom dia.
- Obrigado.
E desliguei. Me senti aliviado ou feliz em saber que a encontraria, uma hora ou outra, eu acharia a minha menina. Naquele momento eu me joguei no sofá, com um sorriso que não cabia no meu rosto. Voltei para a banheira e fiquei ali mais quarenta minutos até que Bonnie ligou.
- Manda Bonnie.
- Senhor, o senhor precisa ligar para a fotógrafa, estou achando uma coisa estranha nos antigos trabalhos dela.
- O quê?
- Ela foi demitida de todos eles.
- Todos?
- Todos, e os motivos não estão especificados. Vou te dar o número dela e o senhor liga.
- Manda - e anotei o número. – vou ligar agora. Obrigado Bonnie.
- De nada senhor.
Disquei o número dela, pensando na conta de telefone por eu ligar para a Dinamarca.
- falando. – A voz dela era linda, assumo.
- Oi, aqui é o da Inglaterra.
- Ah, oi eu não esperava que o senhor me ligaria.
- Pois é, me responde uma coisa?
- Fala
- Por que você foi demitida de todos os seus empregos?
- Bom, cada um por seu motivo. O último foi porque o meu chefe saía com a garota que competia por um cargo melhor comigo. Ela ganhou o cargo e eu fui reclamar. Ele me demitiu.
- Entendi, então não tem problemas. Quando você volta para a Inglaterra?
- Hoje é quarta? Então eu volto daqui a uma semana e meia.
- Ok então. Vou desligar
- Ok, beijos
- Tchau.
Liguei para Bonnie depois e a avisei que a garota era normal, pelo menos eu achei. O que eu mais achei bizarro fora o email da equipe de investigação que eu li logo depois. Cara, seis mil euros por semana, tudo para descobrir o paradeiro de uma garota? Tudo bem que ela é a garota que eu amo desde minha adolescência, mas vai que ela esta casada e tem filho e tudo mais? Minha cara fica no chão e minha esperança vai pelo ralo. Mais de dez anos para descobrir que a garota dos meus sonhos não pode ser minha, a não ser que eu faça ela se apaixonar por mim e a gente termine felizes para sempre. Todos os dias eu me pergunto porque eu ainda acredito nela, porque eu ainda acredito que nós dois tenhamos futuro. Eu também me pergunto porque não corri atrás dela na época de escola, hoje em dia eu não tenho mais o medo que eu tinha quando adolescente, acho que se fosse hoje em dia eu não aceitaria os tapas como beijos, os empurrões como abraços e não deixaria ela escapar de mim por nada.
Bateu fome, então pedi uma pizza; fazia tempo que eu não comia pizza de pepperoni. A pizza chegou e eu comi quase metade, o resto do dia eu passei resolvendo as coisas do escritório, fechando lugares de shows, acertando contas com o pessoal da iluminação, enfim, aquilo é chato. Depois de tomar banho e deitar na cama, olhei para a mesa de cabeceira e ali estava, a foto dela do anuário, sorrindo sem entusiasmo, mas mesmo assim um sorriso lindo. Olhei para foto e murmurei quase inaudível: “Boa noite pequena”. Fechei meus olhos e a última coisa antes de dormir, mais um dia sem ela, porém mais perto dela.
Capítulo 5
Cai no meu olhar e o final eu já sei. (Dance e não se canse - Cine)
Hoje eu saio, não vai ter trabalho que me faça ficar em casa. Acordei com aquele despertador maldito dando as notícias do dia. Demorei para sair de casa e quando cheguei no trabalho me lembrei que era o dia de ver novas bandas. Resultado? Uma fila dobrando a esquina do segundo quarteirão. Encarei aquilo com a cara de que aquele dia demoraria a acabar. Estacionei com dificuldade, já que os inúteis estavam sentados em frente a garagem do prédio. Joguei as chaves na minha mesa e sentei na cadeira do estúdio, onde Bonnie servia o café.
- Bom dia Bonnie. – eu disse pegando um café da bandeja que ela servia.
- Bom dia senhor. – ela disse sorrindo e sumiu da sala. Notei que ao meu lado estavam Scott e James. Meus amigos desde a época da escola e atualmente sócios.
- Fala . –Scott disse se ajeitando na cabeça.
- Fala pequeno – James disse com um sorriso cínico na cara. – Pronto para ouvir aquelas bandas que você ama? - revirei os olhos.
- Bom dia gente. Já vi que isso vai ser demorado, vocês já viram o tamanho da fila lá fora? – Eles balançaram a cabeça afirmativamente. – Quem é a primeira?
- Uma banda chamada Astatus, ual. – Scott disse sentando de joelhos na cadeira.
- L´s vem merda – disse James comendo amendoim.
- Manda entrar. – E uma banda totalmente retardada, para não falar coisa pior, entrou, acenei para que começassem. Eles começaram a tocar Oasis, Wonderwall. De boa, acabaram com uma das músicas que eu mais gosto na minha vida. Quando olhei para Scott e James, os dois olhavam com a mesma cara abismada para a banda inteira, minha vontade era tacar eles e tudo que estava com eles pela janela. O resto do meu maravilhoso dia se seguiu assim, querendo tacar bandas pela janela, duplas sertanejas pela porta... Na metade da história, os dois seres que eu chamo de sócios estavam apagados, literalmente em cima da mesa. Uma merda. É o que se resumiu meu dia.
À tarde resolvi comer qualquer coisa na Starbucks, que estava lotada, depois de duas horas na fila peguei um cappuccino. Dei uma boa olhada pelas mesas e nenhuma estava vazia. Quando eu estava quase desistindo e indo tomar o café maldito no carro, um senhor levantou e vagou uma cadeira. Com uma velocidade impressionante eu sentei na cadeira vazia, havia uma garota de óculos escuros, ela era linda, de boa, muito linda.
- Oi – Eu disse sorrindo e pondo meu celular em cima da mesa.
- Oi – Acho que ela estava me olhando. Maldito óculos.
- Você vem sempre aqui? – ela fechou a cara, pegou a bolsa e levantou.– Peraí, aonde você vai? – eu disse quase desolado.
- Depois dessa? Embora. – Toma.
- Desculpa, foi péssima. – admiti indo atrás dela.
- Foi mesmo. – ela disse mexendo na bolsa.
- Posso te chamar pra um passeio no parque? – ela parou e virou para mim.
- Depois dessa cantada péssima você ainda tem o disparate de me chamar para sair? – Ela deu um sorriso que me lembrou MUITO o sorriso da minha .
- Desculpa, sou cara de pau. – Eu disse cínico.
- Me lembrou uma pessoa agora, mas tudo bem, valeu a tentativa, eu aceito ir no parque com você. – VITÓRIA do zinho. Me pus ao seu lado e caminhei com ela pela calçada.
- E ae, você mora aqui em Londres mesmo? – eu disse olhando para o meu tênis e vendo o quão idiota eu era de ter vinte e oito anos e ir trabalhar de all star.
- Não, to aqui a trabalho e não sei quanto tempo eu vou ficar. – Bom...
- Legal. – Parei e deixei que ela passasse primeiro pela entrada do parque. – Você, err... tem namorado? – Direto demais.
- Não, eu não namoro há oito anos. – Ual.
- Nossa, Você deve ser a segunda pessoa mais traumatizada que eu conheço - Ela me fitou através dos óculos e sorriu. Meu Deus, que sorriso é esse?
- E quem é o primeiro ou primeira problemática? – Parei e estiquei a mão como cumprimento.
- Prazer, eu sou o problemático. – Ela gargalhou e estendeu a mão para retribuir o cumprimento. Nessa hora o celular dela tocou, não demorou muito e ela voltou a falar comigo.
-Desculpa, eu tenho que ir. – Ela disse indo em direção à saída do parque, acenando à distància.
- Espera, leva meu cartão. – Mas ela já havia ido. Merda.
Chegando em casa a primeira coisa que eu fiz foi olhar a caixa do correio na portaria e nada. Se deus soubesse o quanto eu queria saber da minha pequena, saber onde ela está, abraçá-la e ficar com ela até ficar velho, caquético, em uma casa de repouso com ela lendo meu diário. Sim, aquele filme de mulherzinha é bom e ficou na minha cabeça, eu me pus no lugar da velhinha com Alzheimer e sei lá, aquilo me tocou. Há algum tempo cheguei à conclusão de que eu a amo. Ok, eu já sei disso há muitos anos, mas agora ficou mais claro, sabe... resolvi tomar banho e sair hoje, preciso espairecer, estou muito emotivo. Foi aquele sorriso maldito daquela garota no parque. Tomei banho e coloquei qualquer calça com um blazer preto. Tava bom, eu me pegava.
Depois de rodar, rodar e rodar com o carro, achei uma boate que parecia pelo menos entrável. Entrei e sentei no bar, algumas mulheres passavam e me davam mole, outras me ignoravam. Pedi ao barman um copo de whisky, coisa de macho. Pedi outro whisky, mais um e assim foi até meia garrafa de whisky. Foi quando minha garganta já estava dormente e eu estava sentindo que eu cairia caso levantasse dali, mas foda-se, não ligo mais para isso. Pedi uma dose tripla de tequila e lá pela sexta ou sétima dose tripla, eu a vi. Eu podia ter uns três litros de álcool na minha mente, mas era minha , sentada ao meu lado. Aqueles olhos eu não esqueceria por nada na minha vida. Sem pensar duas vezes a puxei pelo braço, ela se debateu um pouco e saiu de perto de mim. Eu devo ter visto umas cinco agora, só olhando de onde estou. Quando eu estava vendo tudo mais ou menos embaçado, uma garota de óculos escuros e uma voz familiar chegou perto de mim.
- Ora, ora, o problemático do parque deu para dar vexame em público? – ela disse sorrindo, que merda de sorriso.
- Eu to legal- Parecia que uma abelha havia picado minha língua.
- To vendo. São quatro da manha. Eu te levo, vem – meu orgulho é grande demais para aceitar que eu estava na merda.
- Não precisa, eu vou sozinho. – mas acho que eu já estava falando merda demais, porque assim que eu terminei de falar ela já estava segurando meu braço e literalmente me arrastando da boate. Eu devo ter feito com que ela parasse umas dez vezes no caminho até o estacionamento, para que eu me situasse do lugar onde eu me encontrava.
- Muito idiota você. – ela disse enfiando minha cabeça e meu corpo dentro do carro. Ou o mundo estava girando rápido demais ou eu estou rodando sozinho no mesmo lugar.
Ao sentar ao meu lado ela me passou uma espécie de balde. – Se for vomitar, vomita aí dentro.
- Eu não vou. – pausa para o vômito. – É, eu vou. Me responde uma coisa?
- Fala. – Ela disse concentrada no trânsito.
- Por que você tá com óculos escuros às quatro da manhã? – ela sorriu de canto e não, o álcool não estava demais no meu sangue a ponto de eu imaginar um sorriso.
- Porque eu to com um problema nos olhos e qualquer claridade pode danificar mais – vomitei mais uma vez.
- Ah, sim. – eu disse encarando o vidro da frente do carro.
- Me responde uma coisa? – Ela disse sem olhar para mim.
- Aham - Pausa para o Raul.
- Por que você bebeu desse jeito? – ela disse e eu sorri para o vidro.
- Porque eu tinha esperança de encontrá-la hoje. – ela franziu a testa ainda concentrada no trânsito.
- Sua ex? – ela perguntou.
- Não. Sabe aqueles amores de escola? Então, eu tive uma e a deixei escapar. – movimentei meus dedos no ar como se tentasse pegar vento com os dedos. – E ela sumiu.
Se não fosse pelo álcool, na minha mente eu daria a bunda para dizer que ela sussurrou “eu também” quando eu parei de falar. Abracei meu próprio balde de vômito e devo ter caído no sono, quando senti uma freada leve despertei e vi que estávamos em frente à uma casa daquelas bem londrinas, tipo o vilarejo de Harry Potter. Ela abriu a porta do meu lado do carro, tirou o balde da minha mão e me puxou para fora. Eu estava me arrastando, literalmente. Eu senti a água gelada caindo no meu corpo dentro da banheira e ela sentada no vaso sanitário ao meu lado.
- Cara, você tá mal. – Ela disse passando shampoo na minha cabeça.
- Eu to melhor do que eu estava há meia hora. - ela levantou e eu a segui com os olhos. – Onde você vai?
- Buscar um chá e alguma coisa pra você vestir. – Eu assenti meio tonto e levantei da banheira, me enrolando na toalha que estava pendurada. Estava quase saindo do banheiro quando ela apareceu com um monte de roupa em uma mão e um chá na outra. - Uma roupa, era do meu irmão, quando veio passar uns dias aqui e esqueceu essas roupas. Acho que servem. – E me deu as roupas. – E um chá pra você melhorar desse porre. – E me deu uma xícara com um chá meio amarelo, sei lá.
- Valeu. Err, eu vou fechar aqui, pra trocar, você sabe – e ela me interrompeu.
- Tudo bem. – Ela disse fechando a porta. Demorei um pouco e quando saí, vestia um pijama relativamente grande. Ao me ver, ela prendeu o riso. - Acho que meu irmão é maior que você. – Ela gargalhou e me fitou através dos óculos escuros. – Vem, vou te mostrar um lugar para você dormir. – Assenti, meio tonto e a segui, ela havia arrumado a sala com um colchão no chão, apontou para o chão e eu, que estava totalmente escorado na parede, quase tombei ao tentar me abaixar. - Vou deixar você dormir agora. – Ela levantou e saiu em direção ao que parecia ser seu quarto. – Boa noite.
- Boa noite. – Tateei minha carteira pela minha calça, olhei a foto da e disse para a foto – Boa noite pequena. – Fechei a carteira e meus olhos.
Capítulo 6
“Onde estava você quando eu mais procurei?”(Som pra namorada - Armandinho)
Odeio acordar de ressaca, é uma sensação filha da puta, de boa, minha cabeça doía. Acordei com cheiro de bacon adentrando na sala onde eu havia dormido. Levantei, dobrei os lençóis e pus tudo em cima do sofá e segui o cheiro da comida. Achei a cozinha, lá estava ela, de calças de pijama amarelo-táxi e uma camisa que deveria ser o conjunto da calça, pois de costas era o desenho de um táxi. Sorri e parei ao seu lado. Ela, como sempre, estava de óculos escuros.
- Bom dia – Eu disse sorrindo.
- Bom dia – Ela disse colocando ovos e bacon em dois pratos, peguei os pratos e pus na mesa, enquanto ela pegava alguma coisa na geladeira.
Quando ela sentou na minha frente, tentei olhar nos seus olhos mas aqueles malditos óculos não permitiam que eu a olhasse direito, comemos em silêncio e quando acabamos ela finalmente falou alguma coisa. – Hey, eu vou trocar de roupa para ir no mercado e te deixo no caminho.- Eu sorri e assenti com a cabeça.
– Eu também vou trocar de roupa, não vai ser legal andar na rua com esse pijama caindo. – Ela levantou da mesa, eu recolhi os pratos, os pus na pia, comecei a lavar a louça, quando ouvi um grito vindo de dentro do apartamento. Corri até onde os gritos vinham, cheguei a um quarto com luz negra, era o quarto dela, mas porque diabos uma garota teria luz negra no quarto? Ela estava ajoelhada com as mãos nos olhos e seus óculos estavam no chão. Ela chorava muito, agachei ao seu lado.
- Calma, o que houve? – Ela olhou para mim, sem os óculos, não olhou exatamente, seus olhos pareciam duas bolas vermelhas, inflamadas e cheia de bolhas.
- Não olha nos meus olhos. – Já era, eu já havia olhado e nossa, estava horrível.
- Não to olhando, me diz o que eu faço? – Eu disse, sem saber muito o que fazer, ela soluçava e eu estava ficando desesperado de ver aquela situação.
- Liga pro meu médico, é o primeiro número da discagem rápida. – levantei correndo em direção ao telefone e falei com o médico dela, que me mandou pôr compressas de soro em seus olhos, uma venda e levá-la para o hospital naquele instante.
Voltei a abaixar ao lado dela. A abracei e levantei com ela, coloquei a venda e a compressa em seus olhos, agora eu descobri o que ela escondia atrás daqueles óculos. Coloquei uma venda que ela tinha dentro do criado mudo em seus olhos e a guiei até seu carro. Dentro do carro ela soluçava, eu me limitei a passar a mão em sua bochecha e falar para ela:
- Vai ficar tudo bem – Eu disse olhando para ela, que parecia sentir muita dor.
- Tá doendo – Ela disse entre soluços. – Nunca doeu tanto. – Eu vi um pouco de sangue, misturado com pus e lágrimas escorrendo por entre a venda, sem pensar duas vezes limpei aquela lágrima estranha e pra muitos nojenta. – O que foi? – ela disse, notando que eu tinha passado o dedo pela sua bochecha.
- Uma gota de água do vidro bateu em você – Eu disse disfarçando.
- Não tá chovendo – Ela disse soluçando.
- Eu só joguei água no vidro. – eu disse parando no sinal. – Conversa comigo e esquece a dor.
- Não dá, desculpa. – Ela disse e então eu avistei o hospital. - Olha, chegamos.
- Jura? – Ela deu um sorriso com dor, mas acho que aliviada.
- Juro. – Eu disse sincero, estacionando – Vou descer para te ajudar.
- Valeu. – Ela disse tateando para soltar o cinto. Dei a volta no carro, abri a porta e a ajudei a descer, ela ainda chorava bastante, não sei se era por dor ou por fraqueza. Não sei explicar, nunca tinha visto ninguém naquele estado.
- Isso acontece normalmente?- Perguntei enquanto caminhava com ela até o guichê.
- Quando eu melhorar te respondo. – O médico veio na nossa direção e a levou. Não me pergunte o motivo, mas eu não consegui sair dali, parecia até que eu me importava. É, eu me importava. Minha roupa cheirava a resto de vodca com o cigarro alheio. Eu estava enjoado do meu cheiro, isso era fato. Sou hiper-ativo, por isso fiquei andando de um lado para o outro, até que o medico apareceu, coisa de duas horas depois.
- O senhor acompanha a ? – era o nome dela. Agora que eu fui descobrir.
- Sim, eu acho. – Eu disse meio confuso
- Me acompanha? – E o fiz, o segui até um quarto, onde ela já estava de óculos escuros. Sentei ao seu lado na maca e sorri para ela.
- Tá melhor? – Eu perguntei, ela assentiu e me deu um sorriso como resposta. – Agora me diz o que houve? – O sorriso dela fechou, senti um clima tenso.
- Acho que te devo isso, depois dessa. – Eu abri um sorriso imenso.
- Me deve isso e um jantar.
- Deixa eu falar? – Eu assenti e levantei as mãos em sinal de “me rendo”, ela sorriu e continuou. – Então, uma vez eu estava em uma festa, daquelas de escola. Eu ia falar pro garoto que eu gostava que eu tinha cansado de bancar a muro de presídio e só dar fora nele. Então eu o vi, de costas, acho que ele estava bem, sei lá. Quando o chamei ele simplesmente me chamou pelo meu apelido e jogou um copo de whisky, direto nos meus olhos, quando eu abri os olhos, que estavam ardendo, eu estava de frente para aquelas luzes que piscam muito fortes, daquelas que parece que a gente tá em câmera lenta. Eu estava muito perto quando abri meus olhos, aquilo piscou na hora e a radiação daquilo me causou tipo uma sensibilidade à luz. E antes que você faça piada, eu não sou um vampiro. É só uma alergia intensa e hoje de manhã eu fui lavar o rosto e esqueci os óculos, quando eu olhei pela janela, o sol veio direto e começou a queimar.
Capítulo 7
“Tell me that I'm special even when I know I'm not.” (1,2,3,4 – Plain White Ts)
Flashback on Formatura da oitava série, é o dia que eu me visto de pingüim, chamo alguma garota legal para ir ao baile da semana que vem e talvez consiga alguma coisa com ela. Passei três vezes pela , dude, hoje ela tava gostosa, por mais que estivesse com aquelas meias cor de sapo. Ela estava de shorts de educação física com aquelas meias estranhas no joelho. Esbarrei nela e disse:
- Ei sapinho, volta pro brejo. – Eu disse cutucando Scott com o cotovelo, que se escangalhou de rir.
- Se preocupe em crescer , depois eu deixo você tirar minhas meias. – Ela disse sorrindo. Quando ela sorria seus olhos se estreitavam e eu adorava aquilo nela.
- Só as meias, ? – Eu disse arqueando uma sobrancelha.
- Elas são as últimas coisas que você vai tirar - Scott arregalou os olhos, eu nunca a vi falando daquele jeito.
- Tá falando sério, ? – Ela gargalhou, parecia a bruxa da branca de neve.
- Nem nos SEUS sonhos . – Meu sorriso, que havia se formado antes dela soltar aquelas palavras delicadas, murchou. Ela passou por mim e eu olhei para trás, para ver para onde ela iria, mas me distrai no movimento que seu shorts fazia. Ela podia ser estranha, tudo, mas quando andava parecia um desfile de irmãos. Depois de me perder em seu shorts ou no que fazia movimento e volume no mesmo, Scott me convidou para a festa que daria em casa naquela noite.
Depois de enrolar o dia inteiro no computador, fui para a casa do Scott, a qual já estava super lotada. Entrei e comecei a beber com os caras. Dude, naquela noite eu bebi cerveja de cabeça para baixo, foi, decididamente, um dos dias mais felizes da minha vida até aquele momento. Quando me virei eu a vi, encostada na parede com o Archie, ele era um merda, um tipo de nerd arrumadinho, nunca o tipo da MINHA , por mais que ela não quisesse ser minha, mas ela seria. Eu os encarei, mas o que vi não foi ele se afastando dela e pedindo desculpas por agarrar minha garota, ele simplesmente avançou para mais perto, Dude, ele segurou no cabelo dela, eu vou matar esse filho da puta. Depois disso o que vi foi ele beijando ela, não um beijo normal, apesar de que nada é normal quando você agarra a garota do capitão do time de rugby. Quando vi que ele se grudava nela eu avancei, cambaleante e idiotamente bêbado eu fui, ao parar do lado dele o segurei pela gola. Sem entender ele me encarou, mas o que recebeu foi um soco em cheio no nariz. gritou alguma coisa que eu não entendi, excesso de álcool no sangue, nunca consigo lembrar das coisas por isso. Archie ficou sem reação e eu percebi que uma rodinha abria em torno de nós três, eu batendo no Archie, gritando do meu lado e cem pessoas mandando eu prosseguir com a briga. Eu o socava, até que ele me deu uma banda e me deu três socos seguidos, meus reflexos não estavam muito bons, os caras do rugby o tiraram de cima de mim e eu olhei , que me encarava desacreditada no que eu havia feito. Eu levantei, com dor no meu rosto e algumas partes do meu estômago. Saí da casa do Scott e sentei no meio fio, atrás de um arbusto, para que ninguém me visse daquele jeito, agora quem se sentia um merda era eu, por ter apanhado de um nerd. Deitei no chão e fiquei olhando para o céu, sentindo o sangue escorrer pelo meu nariz. Senti alguém se aproximando de mim, então levantei com um movimento brusco e bem dolorido. Ela era, na minha direção, sentada na minha frente com uma caixa de primeiros socorros e um saco de ervilhas congeladas.
- Põe isso onde dói, idiota. – Ela disse me entregando o saco de ervilhas.
- Por que você ta me ajudando, ? – Eu disse colocando o saco de ervilhas no meu olho.
- Não sei, mas aproveita meu bom humor. – Ela disse me puxando para seu colo. Às vezes vale a pena apanhar de um nerd por uma garota.
- Vou ficar quieto – Eu disse vendo que ela estava vindo com uma gaze molhada para limpar meu nariz.
- Acho bom – Ela disse, eu me contorci ao senti-la limpando meu nariz e meu supercílio. Depois que ela meio que cuidou de mim, levantou e apontou o indicador para meu rosto, me fazendo ficar vesgo – conte que eu fiz isso e eu te mato. – Ela disse em um tom ameaçador, eu assenti e me levantei vendo ela ir embora com a maletinha na mão. Depois disso não a vi mais aquela noite, até porque nem sei como eu cheguei em casa.
Flashback off
Capítulo 8
“Well I met this girl, just the other day” (Met This Girl – McFly)
Acordei com a respiração dela em meu ombro. Me ajeitei para não acordá-la, desci da maca e me olhei no espelho. Nossa, eu to acabado, minha barba está mal acabada e eu estou em um hospital com uma garota que eu conhecia há menos de uma semana, apesar de ela ter um sorriso lindo e achar que eu trabalho em obra por causa das minhas cantadas. É possível a gente se apaixonar por um sorriso? Não digo por olhos porque eu não consegui olhá-la nos olhos, exceto pela vez que eu não vi os olhos dela. A enfermeira entrou no quarto e eu me atrevi a perguntar:
- A senhora sabe me dizer se o médico dela está no hospital? – Velhinha simpática essa.
- Ele acabou de chegar, o senhor gostaria de falar com ele? – Eu concordei com a cabeça e ela me indicou o caminho até o médico. Agradeci ao sair do quarto e deixei a velhinha simpática cuidar da . Pedi informação para mais ou menos cinco seguranças até chegar à sala da residência, onde o médico sorriu ao me ver.
- Pois não, senhor... – Ele disse estendendo a mão.
- . – Eu disse – É que eu queria saber sobre o tratamento da , se eu pagasse uma parcela agora, o senhor a ajudaria? – Ele sorriu, acho que esse médico é gay.
- Você não sabe o tamanho da minha felicidade ao ouvir isso, eu cuido dela há oito anos e essa fora a pior crise dela. Que bom que ela conheceu alguém que a mereça. – ótimo, me digam por que eu vou ajudá-la? Não sei, mamãe diria que é questão de criação, óbvio, ela me criou. Mas a verdade é que eu tenho os vinte e cinco mil e não uso, ajudar não dói, exceto no nosso bolso, certo?
- Sim, estou feliz em ajudá-la, mas gostaria que ela não soubesse que a ajuda vem de mim. – O médico assentiu, peguei meu talão de cheques e preenchi. Entreguei ao médico e o mesmo me cumprimentou. Antes de sair disse:
- Vou começar antes que seja tarde – Como assim? O que ele quis dizer com isso? Saí da sala de residência, passei pelo quarto, onde ela dormia, peguei minha maleta e desci. Saí do prédio em busca do meu carro, já que eu havia vindo no dela. Ao passar pela recepção havia uma floricultura. Parei e encomendei uma rosa vermelha, dentro de uma caixa preta, com uma fita branca, mandei entregarem no quarto da com um bilhete escrito “Mais tarde eu volto para te ver. .”
Desci do taxi na rua do escritório, Bonnie deveria estar me procurando feito louca para assinar papéis. Cumprimentei o porteiro e ao entrar no elevador meu celular tocou, era o médico da , perguntando se poderia depositar o cheque hoje. Eu concordei e ele disse que quando eu voltasse ela já estaria sem os óculos, como um teste da sua resistência à luz. Ao dar as caras no escritório, cumprimentei a Bonnie que me mandou esperar. Eu disse que esperaria na minha sala.
- Senhor, esses são os papéis que o senhor não assina há três dias – Eu assenti, mas quando olhei para frente ela estava atolada até o queixo de papéis, eu arregalei os olhos e disse:
- Põe aí na mesa, daqui a pouco libero para você mandar para quem tem que mandar. – eu disse apontando para a mesinha de centro. Ela pôs com dificuldade eminente e se pôs de frente para minha mesa.
- Hoje um cheque vai ser depositado. – ela disse e eu prestei atenção no que ela dizia. – Sendo que o cheque dizia “Anônimo”, confirmo o depósito, senhor? – Ela disse parecendo atordoada.
- Confirma, é coisa minha. – Ela agradeceu e quando ia abrindo a porta eu disse – E um de vinte e cinco mil vai cair hoje, avise ao banco. – Ela assentiu, sem perguntar.
Demorei mais de duas horas assinando todos os papéis que a Bonnie havia me despachado, uns eram sobre o show do Tyler que ocorreria daqui a uma semana. Chamei a Bonnie à minha sala para pegar os papéis.
- Bonnie, manda alguém buscar meu carro na Apache. – Ela não entendeu nada.
- O senhor fora roubado? – Louca.
- Não, eu só não fui para casa nele. – Ela sorriu de canto e disse que voltaria em instantes. Depois de dez minutos ela voltou.
- Senhor, não tenho boas notícias. – lá vem.
- Fala Bonnie.
- Seu carro fora multado por parar em lugar proibido e... fora rebocado essa manhã. Posso liberar o dinheiro para tirar do depósito? – Assenti – Amanhã pela manhã estará na sua garagem.
- Amanhã Bonnie? – Eu disse passando a mão na minha barba mal feita.
- Hoje eu contratei um motorista para o senhor. Eu já vou, tenha um bom dia. – Eu assenti e ela fechou a porta. Meu celular tocou, número restrito piscava na telinha.
- falando.
‘Senhor, seu dossiê encontra-se no seu apartamento’
- Entendi, obrigado.
‘Qualquer coisa contate-nos.’
E desligaram.
Sim, eu sei do que se trata. Demoraram menos de um mês, bem menos. Desci e um motorista me aguardava, eu entrei no carro e indiquei onde eu morava, peguei toda minha correspondência, nada de dossiê nenhum, a não ser que o dossiê diga que eu ganhei um carro e isso seja uma mensagem muito subliminar. Depois de esperar três elevadores, o quarto estava habitável, ou seja, com menos de 12 pessoas. Parei no meu andar e avistei de longe um volume pardo no meu tapete de boas vindas. O peguei e juntei com minhas correspondências, demorei para entrar pois não achava a chave, então lembrei que a guardava debaixo da planta que ficava na porta da minha vizinha da frente, afinal, quem acharia a chave da minha casa na planta do vizinho? Tirei meus sapatos e me sentei no sofá, encarando o envelope. Eu estava com medo de abrir, vai que ela esteja casada ou ela morreu ou ela casou com o Archie? Sim, estou com medo. Abri finalmente o envelope, havia uma pasta grossa, escrita em negrito “1989_1” agora eu realmente estou com medo.
Capítulo 9
"1989_1"
Abri o tal dossiê e comecei a ler.
", vulgo para , nasceu no Hamptons, EUA. Seus pais se separaram quando a Srta. tinha apenas quatro anos de idade. No fim do colegial um “amigo”, supostamente sem intenção, derramou whisky em seus olhos, o que lhe causou uma grave doença, seu nome, ".
Meus olhos estavam cheios de lágrimas.
"Ela ficou noiva, mas, ao descobrir o valor do tratamento, seu noivo a largou alegando “não poder conviver com aquela doença”. sempre encarou com a mais possível naturalidade, mesmo quando era “zoada” por ficar todos os dias de óculos escuros, já que sua doença não permitia que ela fosse exposta à radiação tipo Beta e Gama."
Virei a página e lá estavam as fotos dos exames dela, agora eu a reconhecia, que idiota sou eu que ama uma garota, mas joga whisky nos olhos dela? Os olhos mais lindos que eu já vi na minha vida?
" estudou fotografia em Oxford, se formando como oradora da turma e saindo em turnê com muitas bandas de sucesso. Deixando seu passado de colegial afetada para trás. Há pouco tempo ela conseguiu empregar-se em uma das maiores Empresas de Shows, claro que seu currículo não constava sua doença, por medo de não ser aceita. Sua mãe faleceu quando tinha apenas dezenove anos. Não tendo mais parentes vivos. Atualmente descobrimos que a srta. encontra-se com um suposto caso, vide fotos."
Eu olhei as fotos e lá estava eu, com ela na cafeteria, saindo da boate com ela.
"Seu 'caso' é seu chefe , o mesmo que causou-lhe a doença dos olhos."
Eu não conseguia mais ler, haviam poucas outras coisas como fotos dela na faculdade e havia uma fita cassete, que parecia ter sido enterrada há muito tempo, minha curiosidade era muito grande, mas eu não a abri ainda. Fiquei olhando as fotos dela e separei algumas. Quer dizer que o amor da minha vida estava perto todo tempo de mim e eu não havia notado. E o pior de tudo, eu havia feito mal à ela, muito mal. Por mais que tivesse sido sem querer e eu não lembrasse, eu fiz mal à ela. Sempre falei para os caras não me deixarem mal a ponto de não lembrar o que eu fazia, mas nunca adiantou e cá estou eu, cheio de culpa no coração.
Me levantei em direção ao bar e peguei minha garrafa de Absolut, no frigobar algumas latinhas de energético. Sentei com um copo e comecei a beber, rápido, eu chorava de dor, eu havia feito mal à , sem querer, e sempre a culpava por me largar, agora eu me culpo por tê-la abandonado e não ter corrido atrás quando eu a vi indo para Oxford, por mais que eu não tenha falado com ela, eu vi seu carro indo. Depois de tomar a garrafa toda eu já não estava mais consciente. Peguei a fita cassete e fui para o quarto de hóspedes, onde eu tenho um vídeo que tem cassete. Pus a fita e comecei a assistir. Lá estava ela, já de óculos escuros.
“Err, eu não quero que você saiba disso, mas é que eu acho que não foi culpa sua. Lembra quando eu cuidei de você quando você brigou com um garoto bêbado por minha causa? Agora eu posso dizer que queria ter te beijado ao invés de apontar o dedo para seus olhos, eu sempre fui meio grossa com você. Também, você nunca me tratou direito, parecia aqueles homens que trabalhavam em obra e não via mulher há anos, mas como você também não percebeu? Você é um idiota. Eu to indo pra Oxford e não sei o que vai ser da minha vida sem você. Por mais que seja tarde, eu te amo .”
Eu não sabia o que fazer. Eu fodi com a vida da garota que eu mais amo na minha vida, por mais que ela não saiba disso. Acabei de descobrir que ela me ama, pelo menos quando era mais nova. Cacete, eu não sei o que eu faço. Peguei outra garrafa de Abslout e bebi puro, foda-se, já não estou mais sentindo minha garganta mesmo. Levantei e cambaleei pela sala em busca de um pote pequeno que eu costumava guardar debaixo do bar. Depois de topar quarenta vezes nas coisas ao meu redor achei a maldita caixinha, deveria estar ali há pouco menos de um ano. Abri a caixinha e tirei dali um saquinho com pó branco, virei parte do conteúdo na tampa da caixinha. Fiz duas carreiras pequenas com os dedos, coloquei meu nariz na tampa, logo no início da primeira carreira e a inalei rápido, repetindo o movimento com a segunda carreira. Em questão de segundos senti uma espécie de euforia, como se todos os nervos do meu cérebro tivessem levado um choque. Peguei meu casaco e desci pelo elevador me encostando na parede para não cair. Eu sabia, pelo menos eu deveria saber antes de me entupir de álcool no corpo, que eu devia misturar bebida com cocaína, parei na portaria do prédio e mandei o porteiro chamar o meu motorista. Me joguei dentro do carro e o mandei dirigir até o hospital que ela estava. O segurança não quis me deixar passar, dizendo que o horário de visitas já tinha acabado ou alguma coisa do gênero. Tirei minha carteira do bolso e coloquei todo meu dinheiro na mão do segurança e subi, batendo nos cantos e tropeçando no corredor. Meio embaçado enxerguei o número do quarto dela. Abri a porta e lá estava ela, descendo da cama, tentei correr em direção à ela, mas tropecei e caí no chão de joelhos. Ela me olhou e veio em minha direção. Chorei feito criança quando ela chegou perto de mim. Abracei-a pela cintura e afundei meu rosto em sua barriga.
- Me perdoa, eu não queria ter feito isso com você – Eu disse embolado e soluçando. Ela passava a mão pelos meus cabelos.
- Eu sabia que você não tinha feito isso de propósito comigo, . – Eu olhei para cima e percebi que ela não usava óculos.
- Você sabia que eu era eu? – Eu disse meio tonto, ela abaixou e ficou ajoelhada na minha frente com as duas mãos na minha bochecha.
- Sabia. O que você usou, ? – Ela disse em um tom maternal.
- Cocaína e bebi algumas coisas. – Eu disse limpando meu nariz. Ela segurou meu rosto e me olhou, com os olhos um pouco inchados ainda.
- Eu não quero mais te ver assim. – Eu segurei seu rosto com as duas mãos e sorri de lado.
- Pensei que nunca mais te veria. – Eu disse sorrindo, ela olhou para baixo.
- Pensei que você não fosse me reconhecer nunca. – Dei um selinho nela, que sorriu.
- Prometo que não vai mais ver. Quando você me descobriu? – Eu disse com a língua embolando.
- Quando você me beijou.
- Então espera que eu ainda não reconheci – Deveria ser algum efeito do álcool ou alguma alucinação da cocaína. Passei meu nariz pelo dela, que fechou os olhos e sorriu involuntariamente. Coloquei seu cabelo para trás, ela passou as costas da mão pela minha bochecha, eu cheguei mais perto e encostei nossos lábios, sorri e a beijei. Deve ter sido meu momento sóbrio da noite, passei minha língua sobre a dela, pus as mãos em sua cintura e apertei-a contra meu corpo, mordi seu lábio inferior e a observei, ela sorria de olhos fechados, eu a abracei, rezando para lembrar daquilo quando acordasse. Ela me olhou e sorriu.
- Vai dormir aqui hoje? – Ela disse sorrindo.
- Eu não saio de perto de você por nada nesse mundo. – Ela levantou e me ajudou a ficar de pé. A segui até a maca e deitei ao seu lado, ela virou de frente para mim e me encarou com aqueles olhos inchados lindos. Passei a mão sobre seu rosto e ela fechou os olhos. Cheguei mais perto dela e dei um selinho. – Boa noite minha .
Ela retribuiu o selinho e me abraçou.
- Boa noite meu .
Capítulo 10
“Can’t you see? You belong with me” (You belong with me – Taylor Swift)"
Acordei com um beijo doce na minha bochecha, abri os olhos devagar, ardiam e minha cabeça queimava de dor por causa do que eu bebi no dia anterior. Ela usava óculos escuros, eu pensei que ela já pudesse tirar, mas sei lá né. A abracei pela cintura e inspirei seu perfume. Quem diria que depois de tanto tempo ela estaria ali comigo? Dei um selinho demorado nela, que sorriu e levantou da maca.
- Bom dia – Ela disse incrivelmente linda naquele pijama de hospital, eu sorri, não dava pra evitar.
- Bom dia – eu disse coçando meus olhos e sorrindo para ela. – Hoje você tem alta? – Eu disse e o sorriso dela murchou.
- Não, hoje eu tenho que ficar aqui, o médico disse que em uma semana eu saio. – Eu desci da maca e andei em direção à ela.
- Eu não vou sair daqui, mas o que houve? – ela virou para mim e me abraçou.
- Não sei, o médico disse que arrumaram um financiador pro meu tratamento, eu to tão feliz . – Eu a abracei forte, fechando meus olhos para sentir o corpo dela com o meu.
- E agora? Você pode tomar café comigo? – Ela me deu um selinho e sorriu como criança.
- Não, eu tenho uma sessão do tratamento agora, quando eu voltar posso ficar sem óculos. Você vai me esperar? – Assenti com a cabeça e ela chamou a enfermeira que a levou para a sala ao lado do quarto. Eu não pude entrar porque a mulher disse que seria muito doloroso para mim ver aquela cena. Sentei ao lado da porta e esperei, dez minutos depois eu estava de pé, andando de um lado para o outro como um banana que espera o filho nascer. Vinte minutos e nada, comprei um café qualquer em uma máquina que estava no corredor. Me pus de pé ao lado da porta da sala a qual ela havia entrado, poucos minutos depois eu a ouvi gritar, um grito de dor, muita dor diga-se de passagem. Talvez seja normal, talvez ela sinta um pouco de dor, eu lembro do médico falando que seria doloroso, então ela gritou de novo e gritou meu nome. Eu abri a porta desesperado.
- , o que houve? – nenhuma resposta, eu a vi, ela estava deitada e a mulher com uma agulha que, DUDE, era muito grande. A mulher falou alguma coisa e dois enfermeiros vieram na minha direção e me tiraram do quarto. E o pior, ficaram na porta, como dois postes, claro, se eles não estivessem ali eu arrombaria a porta. Eu desci, bufando, fui para o lado de fora do hospital e avistei um botequim, entrei, sem pensar duas vezes. Comprei duas garrafas de caipirinha, as enrolei no jornal e voltei para o hospital. Entrei no quarto da e abri a primeira garrafa. Em menos de quinze minutos ela já havia acabado, abri a outra garrafa de caipirinha e bebi metade em um gole. Me deixando tonto e meio atordoado. Terminei a garrafa e me arrastei até o sofá. Eu não sou capaz de ver a sofrendo o que ela estava sofrendo, eu não aguentaria a dor. Foi aí que eu comecei a chorar, mas não chorar, eu digo realmente cair em prantos. Abracei minhas duas garrafas e fiquei olhando para o teto, esperando alguma punição divina, eu ainda estava tonto, o que significava que o teto rodava loucamente, foi quando eu ouvi a porta batendo.
- , o que houve? – Era ela, sem óculos, sorrindo. Pelo menos sorria até olhar as garrafas nas minhas mãos. – Eu não acredito que você está bêbado.- Eu me levantei com esforço, sentei e a puxei para mim.
- Você tava chorando, tava sofrendo e eu não podia fazer nada. – Abracei minhas pernas e comecei a chorar novamente. Ela fez carinho no meu cabelo e me abraçou, assim como havia feito na noite passada.
- É doloroso, eu sei, mas eu vou ficar boa assim, eu sei que ainda está inchado, mas depois de amanhã eu não vou mais precisar dos óculos . – Eu olhei para ela e, cara, os olhos dela são lindos, de todos os jeitos. – Mas eu não quero ver você assim por mim. – Ela puxou meu rosto e mordeu meu lábio inferior.
- Você não faz idéia de como eu fiquei por você todo esse tempo faz? – Ela sorriu.
- Talvez um terço do que eu tenha sofrido por você. Vem aqui, eu quero te manter sóbrio. – Ela disse me fazendo levantar cambaleando até o frigobar, de onde tirou um pote e enfiou uma colher com o que tinha no pote dentro da minha boca. Era açúcar. Depois de mais de cinco colheres de açúcar eu estava recuperando meus sentidos. Ela me fez comer chocolate, tudo doce contrabandeado pelas enfermeiras para ela. Eu ri quando soube que as enfermeiras traziam Burger King para ela. Aproveitamos a deixa e pedimos lanche, tive que descer para pegar o lanche. Quando subi o sorriso dela ficou enorme ao ver os saquinhos e as duas coroas na minha mão. Coloquei uma coroa nela e disse que ela seria minha rainha. Depois de vê-la praticamente engolir o hambúrguer, a batata e ainda roubar as minhas. Contei para ela todos os meus planos mirabolantes para encontrá-la e ela me contou como achava que eu me sentia culpado e acreditando que eu a odiava.
- Eu não odiaria você nem em um milhão de anos. – Ela deu um sorriso que me fez derreter por dentro.
- Sei lá, né. – Ela disse e eu cheguei mais perto dela.
- Nunca mais acredita nisso. – Ela estava sentada na maca e eu levantei, me pondo na frente dela.
- Vou tentar. – Ela disse sorrindo para mim e eu a abracei pela cintura. – Se você prometer nunca mais colocar investigadores atrás de mim.
- Você não usa mais meia de sapo não, né? – Eu disse e ela fez careta.
- E você não é mais presunçoso, é? – Ela pôs as mãos na minha nuca.
- Jamais. – Eu dei um passo para frente e passei meu nariz pelo nariz dela, ficamos nos olhando por um tempo, até que ela fechou os olhos e passou os lábios pelos meus. Fiz carinho na cintura dela com a ponta dos dedos enquanto ela fazia todos os meus pêlos arrepiarem com o toque nos dedos na minha nuca. Quando nossas línguas se encontraram eu senti tudo o que eu havia sentido na noite passada e mais um milhão de sensações passavam pelo meu corpo, puxei-a para mais perto de mim, pus uma mão em sua nuca e outra na coxa, apertei com a ponta dos dedos e ela deu um gritinho abafado.
- , a gente tem que parar. – ela disse e eu ignorei, mordendo seu pescoço e sorrindo. Dude, eu esperei dez anos por isso, não é porque eu estou em um hospital que eu não posso dar uns amassos nela, certo? Com os meus dedos que estavam na nuca dela eu envolvi seu cabelo e dei um puxão firme para trás, sorrindo quando ela me olhou, ela havia me mandado parar mas quando eu a agarrei ela pôs as mãos no botão da minha calça e fez menção de abrir, quando eu notei que ela desistiu soltei um bufo de reprovação, o que fez ela sorrir mais ainda, se afastando de mim. - Hoje não . A gente vai esperar, né? – Como assim, mano? Eu sorri disfarçando e disse que precisava relaxar. Claro, demorei uns vinte minutos no banheiro e quando saí ela já havia dormido. Como ela parecia confortável ou pelo menos melhor que eu, a cobri e dei um beijo em sua testa.
Deitei no sofá, pensando como tê-la comigo ainda parecia surreal e o quanto eu queria que ela melhorasse. Com o sol queimando meus olhos eu acordei, vi que dormia profundamente ainda, fui ao banheiro e fiz minha higiene matinal, mesmo que aquelas escovas de dente de hospital sejam uma merda. Desci para respirar ar puro e saber como andavam as coisas no escritório. Liguei para Bonnie e a mesma me disse que eu tinha que assinar alguns mil papéis, mas que eu poderia deixar para depois caso eu quisesse. Havia um tipo de stand vendendo ursos de pelúcia, foi quando eu avistei o panda. Sim, ela tinha uma certa mania por pandas ou eram coalas? Mas não tinha coala no cara da venda, então optei por um panda que deveria ser do tamanho dela, subi me atolando com o bicho, animal ou sei lá o que é aquilo. Quando cheguei no quarto ela estava meio acordada, então eu meio que gritei sem querer.
- BOM DIA AMOR – Ela meio que pulou da cama de susto e coçou a cabeça confusa com aquele bicho imenso.
- Errr, bom dia – Então ela viu o panda – MEU DEUS, O QUE É ISSO? – Ela disse com uma expressão surpresa, alegre e sei lá mais o que.
- É um bicho de pelúcia – Eu disse entregando o troço. – Você gostava de pandas quando a gente estudava, sua mochila tinha chaveiro e tudo.
- Err, amor, eu gostava de coalas e cangurus. – Merda. – Mas o que vale é a intenção. – Ela disse abraçando o panda e sorrindo para mim, eu já comentei que o sorriso dela é perfeito, né? Cheguei perto dela e dei um selinho.
- Eu lembrei de você quando vi o panda. – Ela me olhou como se fosse me matar. O que eu fiz agora?
- Ótimo isso, agora você lembra de mim quando vê um animal gordo, que come bambu e só não fico em extinção por causa dos humanos. – E ela fez um bico tão, tão, tão lindo. Eu a abracei e empurrei o panda para o chão, mordi o bico dela até ela sorrir – Que foi?
- Mas você tá em extinção... – Ela fez uma expressão de dúvida.
- Tô? – Ela disse e eu mordi seu lábio inferior.
- Porque a partir de agora você é minha e eu te ponho em extinção, assim nenhum outro cara vai dar em cima de você. – Ela gargalhou e me puxou para cima da maca, eu obedeci, afinal quem brigaria com ela? Fui “obrigado” a me colocar em cima dela, pus uma das minhas mãos na sua cintura e a outra em sua coxa. Ela pôs as mãos em minhas costas, apertando-me contra seu corpo para que o espaço acabasse por completo. Apertei mais ainda nossos corpos e a beijei com a intensidade de dez anos de beijo enrustido em mim, enquanto eu buscava ar ao tentar me lembrar de oxigênio, então eu senti suas unhas fincarem nas minhas costas por baixo da minha blusa, me fazendo sentir arrepios em lugares que eu nunca imaginaria me arrepiar. Apertei sua coxa com força, o que a fez desviar do meu beijo por poucos segundos para soltar um breve e baixo gemido, o suficiente para me deixar sentir todo o calor do meu corpo em uma única direção. Ela dobrou uma perna, me pondo no meio, deslizei minha mão até sua virilha, onde senti sua calcinha, provável que meu cérebro esteja precisando de oxigênio e eu não esteja preocupado com isso, beijando-a com a mesma intensidade ou talvez um pouco pior ou melhor, depende do ponto de vista. Ela não fez nada para me impedir, então me desfiz de sua calcinha em uma velocidade assustadora, beijando-a ainda, passando minha língua pelo céu de sua boca e a penetrei com dois dedos, recebendo um gemido longo sem interromper o beijo, aumentei a velocidade com que meus dedos a penetravam, fazendo-a sorrir levemente durante o beijo. Ela abriu o botão e o zíper da minha calça.
Capítulo 11
“Leve meu sorriso no peito, meu coração agora é teu.” (Chimarruts – Foi embora)
- ? – nós ouvimos alguém chamar, não que fosse interessante, mas ouvimos. E de repente o barulho da porta. Eu dei um salto e sentei rapidamente no sofá ao lado da cama. Ela parou, travada, olhando para a porta. – Vou fechar e abrir a porta de novo, para vocês err, se recomporem. – E encostou a porta. Para aliviar meu estado puxei uma almofada para meu colo e a se cobriu. Eu a olhei, ela estava vermelha, muito vermelha. Quando ela olhou para mim eu não pude evitar, comecei a gargalhar e ela também. Então o médico que provavelmente deve dormir com alguém de calça jeans abriu a porta. – Posso entrar agora? – assentiu e ele entrou, possivelmente com vergonha. – eu tenho uma noticia boa e uma chata. – Ele só aparece com isso.
- Diz a chata – A voz dela falhou um pouco e eu me limitei a fitar a almofada.
- A chata é que você vai ter que vir aqui todos os dias – Ela revirou os olhos e concordou com a cabeça.
- E a boa? – O médico sorriu, esse cara tava dando mole pra ela?
- A boa é que suas lentes chegaram e seu remédio também. – Ela sorriu como uma criança. Uma criança linda por sinal.
- Cadê? – Ela disse e o médico estendeu duas caixas brancas, uma grande e uma bem pequena.
- Estão aqui e seu remédio também. Vou prescrever tudo e você pode ir para casa depois da sessão de hoje. – Ela levantou e ficou de costas para mim, esquecendo que estava sem calcinha e que a roupa do hospital só cobria a parte da frente. Por sorte só eu vi. – Eu vou deixar você trocar de roupa e a enfermeira já vem te buscar. – Ela assentiu, ainda com tudo exposto na minha direção, que estava me dando vontade de duas coisas. A primeira era agarrá-la ali mesmo e tirar o que faltava, a segunda era rir e falar pra ela quando a mesma não estivesse entendendo o motivo do meu ataque de risadas. Quando a porta fechou ela pulou no meu colo.
- Eu vou para casa. – Ela disse sorrindo e eu pus as mãos na coxa dela.
- Corrigindo, você vai para a minha casa. – Ela arregalou os olhos.
- Não mesmo. – Eu mordi o pescoço dela.
- Demorei dez anos pra ter você comigo e ainda acredita que vai fugir de mim? – Ela revirou os olhos e me abraçou.
- Vamos fazer um acordo? – Tenho chances de contestar quando ela está quase nua no meu colo?
- Tá, senhorita bumbum para a lua. – ela ficou vermelha e deu um tapa no meu braço.
- Um dia na minha casa e um dia na sua. – Eu sorri e dei um selinho nela.
- Tudo bem, posso te dar um presente? – ela arqueou a sobrancelha.
- Tudo bem, um presente. O que? – Eu a tirei do meu colo e apontei para o ‘buraco’ da sua roupa. - Um dia no shopping, mas você vai ter que comprar calcinhas. – Ela ficou vermelha e foi até sua bolsa buscar uma calcinha. Eu acho.
- A culpa não é minha se você é apressado e resolve arrancar minha roupa no hospital. – Ela disse colocando a calcinha e uma calça daquelas de hospital. Eu levantei e a abracei por trás.
- E a culpa não é minha se você fica irresistível nessa roupinha branca. – Eu disse e mordi o lóbulo de sua orelha.
- A enfermeira pode entrar. – Ela disse e eu a virei para mim, encostei meu nariz no dela e mordi seu lábio inferior.
- É capaz de eu chamá-la pra assistir. – Ela revirou os olhos e envolveu os braços no meu pescoço. - Eu vou te castrar. – Ela sorriu e me deu um selinho.
- Mesmo castrado eu vou te amar. – Eu sorri e a soltei. Por mim eu ficaria ali o dia inteiro, não necessariamente a beijando, mas com ela. Por infelicidade a enfermeira chegou e a chamou, ela me soltou e eu avisei que guardaria as coisas dela. Dessa vez eu não a acompanhei, não estava afim de vê-la sofrer outra vez, eu não suportaria sentir a dor dela de novo.
Sorri feito idiota enquanto arrumava as coisas dela, eu estava parecendo minha mãe naquela posição. Tudo bem, eu me calo. Se ela não quiser ir para minha casa hoje eu a sequestro, eu sei que não vou fazer isso, mas é só um plano B. Passei a mão pelos meus cabelos quando terminei, sentei no chão do quarto e resolvi esperar que ela entrasse sorrindo e me fazendo derreter por completo. Sim, ela tem esse efeito sobre mim, é corrosivo, mas um corrosivo feliz. Deitei na minha mochila no chão mesmo. Fiquei olhando para o teto branco do hospital e me deu uma sensação de paz, de alívio. Talvez seja por isso que os tetos de hospital eram brancos, pra aliviar a sensação desconfortável que o hospital trazia. Dormi, por dez ou cinco minutos, eu acho. Acordei com uma respiração leve no meu pescoço. Sorri involuntariamente de olhos fechados, ela passou as costas da mão pelo meu rosto e eu abri os olhos, ela me olhava sorrindo, de olhos fechados. Realmente ela era linda. A fitei por alguns segundos, ao menos me pareceram segundos.
- ? – Ela falou ainda de olhos fechados e eu sorri mais ainda.
- Fala amor – Ela suspirou leve e eu pus uma das minhas mãos sobre a dela.
- Nada, eu só queria saber se era real. – Eu levantei e fiquei de frente para ela, não de frente exatamente, mas de lado, tal que meu tronco estava virado para ela e minhas pernas meio de lado.
- Eu estou aqui e não vou mais sair do seu lado, nem que você queira, eu não tenho mais forças para lutar contra qualquer parte de mim, se é que existe alguma. Eu não tenho forças para ficar longe de você, meu lugar é aqui e eu vou te fazer me aturar pelos dez anos que eu estive longe de você. – Então ela me abraçou. Não foi aquele delicado, ela voou no meu pescoço e se não fosse tão bom eu lembraria à ela que oxigênio é necessário para que eu viva. Eu a abracei pela cintura e sussurrei em seu ouvido. – Se isso foi um eu te amo em silêncio, acho que no eu te odeio você me mata. – Ela riu baixinho. Passei as mãos por debaixo do joelho e a levantei. – Vamos para casa.
Capítulo 12_01
"Me esqueço de tudo, e me perco em um mundo sem você, lá fora não volto mais, pois meu lugar é ao lado teu." (Meu mundo sem você – Hevo 84)
Depois de descermos e ela ficar fazendo caretas dentro do carro para me desconcentrar, chegamos ao apartamento dela. Ao parar na frente da garagem fiz uma careta.
- Que foi? – Ela disse arqueando a sobrancelha.
- Nada pequena, eu achei que você iria para a minha casa hoje. – Ela sorriu de lado.
- Você fez alguma coisa? – Não.
- Fiz, era surpresa, mas fiz. – Ela alargou o sorriso, merda, eu não fiz nada.
- Então eu vou fazer o seguinte, vou buscar algumas roupas e a gente vai, tudo bem? – Dei um selinho e ela desceu do carro. Bati três vezes minha cabeça no volante, pensando no que fazer. Então eu avistei meu celular.
- Bonnie, me salva.
- ‘O que houve senhor?’
- Pra agora, liga para aquele restaurante novo do lado do meu apartamento e encomenda um jantar.
- ‘Mas que tipo?’
- Qualquer coisa Bonnie, liga pra minha empregada e manda ela arrumar a mesa com velas e essas coisas.
- ‘Entendi, depois posso dispensá-la para o final de semana senhor?’
- Pode, claro.
- ‘Ok senhor. Boa noite.’
- Bonnie.
- ‘Pois não.’
- Obrigado, de verdade.
- ‘De nada senhor. O show do Tyler fora adiado’
- Para quando?
- ‘Daqui há um mês. Ele passou mal e está se recuperando. Sexta o senhor aparece aqui?’
- Claro. Tchau bonnie.
Suspirei, claramente aliviado e passei a me concentrar em uma coisa: enrolar a . Dez minutos depois, mais ou menos, ela apareceu, básica, linda, gostosa e de mochila. Diga-se de passagem. Entrou no carro e sorriu para mim.
- Vamos? – Ela disse me tirando do transe.
- Claro. – Eu disse dando a partida no carro. Dirigi em direção ao meu apartamento e parei umas duas ruas antes, meio vazias. Desliguei o carro e virei para ela. – Pequena – Ela me olhou meio assustada, mas se inclinou para mim.
- O que houve? – Eu segurei o rosto dela com as duas mãos.
- Nada, eu só quero te dizer umas coisas. – Enrole, enrole. Era tudo que minha mente dizia.
- Então diz homem, tá me deixando nervosa. – Ela sorriu e eu sorri junto. Olhei para o relógio e gravei mentalmente o horário.
- Eu quero te dizer que eu sonho com o seu sorriso, com a sua respiração perto de mim todos os dias desde que você bateu na minha cara dentro do trem. Quero que você saiba que eu nunca fui capaz de amar ninguém como eu te amo, eu nunca desejei ninguém quanto eu desejo você. Eu vi meu mundo acabando quando você se foi e renasci quando te beijei pela primeira vez, por você eu vou parar de beber, vou tentar me curar. – Ela sorriu e seus olhos se encheram de lágrimas. – Eu quero uma vida com você, eu quero doze filhos correndo pela casa, quero ficar velho com você lendo o jornal do dia anterior na varanda de casa, com cachorros deitados ao lado das nossas cadeiras de balanço. Tudo o que eu quero nesse momento é fazer você feliz e o que eu quero para o resto da nossa vida é a nossa felicidade conjunta. – Então eu encostei meu nariz no dela e sorri, ela fungou e sorriu também.
- Tirando pela parte dos doze filhos, faço das suas, minhas palavras. – Passei meus lábios pelos dela. – Amor? – Pus meus lábios em forma de linha e disse:
- Hum... – Ela sorriu, sem desgrudar os lábios dos meus.
- Por que você está me enrolando? – Fali na missão.
- Não estou enrolando. – Sim, estou só não vou te dizer.
- Vou fingir que acredito.
- Isso pequena, finge.
Então ela fingiu, da melhor forma possível. Virou o corpo totalmente para mim ignorando qualquer caixa de marchas e freio de mão que havia entre nós dois. Pôs as duas mãos pela parte de dentro das minhas coxas e passou e unha por ali, eu sorri e a puxei para que ficasse no meu colo, o que acarretou uma bela batida de cabeças, das duas partes.
- Banco de trás? - Falei coçando o protótipo de galo.
- Com certeza. - E ela se jogou para o banco de trás, me dando uma breve visão do que não estava vestindo. Fui logo depois e sentei ao seu lado. Pensamento inutil, senti duas mãos me puxarem bruscamente pela gola da blusa pra seu colo. Sem pensar, nem respirar, obedeci aos seus comandos e pus uma das mãos na barra so seu vestido e o levantei, ela grunhiu em reprovação. Mas eu ignorei, passei as mãos pelas suas coxas, fingi que ia beijá-la na boca, o que a fez fazer um bico que me deu vontade de morder, com a mão livre puxei seus cabelos para trás, mordendo seu lobulo e distribuindo chupões e mordidas por toda a extensão do mesmo. Fazendo com que todos os pêlos do corpo dela se arrepiassem e eu sorrir ao percebeu isso. Ela apoiou o queixo no meu ombro e eu pude sentir sua respiração quente seguida de uma leve mordida sobre o mesmo.
- – Ela disse ofegante e em resposta eu apertei suas coxas, o que a fez soltar um gemido baixo e breve no meu ouvido. – Pára, eu não quero que nossa primeira vez seja dentro de um carro. – Saí de cima dela e pulei para o banco da frente, sem dizer uma palavra. Ela se sentou ao meu lado e fitou meu silêncio – Desculpa.
- Tudo bem pequena. – Soltei a mão do câmbio e pus em sua coxa. – Tá tudo bem, de verdade.
– Ela disse sorrindo e entrelaçando nossos dedos. Impossível ficar puto quando ela sorri desse jeito.
- Fala meu amor – Eu disse concentrado em levar ela para o meu apartamento e em ver os olhos dela brilhando quando visse o que a Bonnie arrumou.
- Eu tenho ficado tão cansada depois das sessões – Ela olhou para nossas mãos de cabeça baixa.
- Eu sei que tem amor, dá para ver. – Dei um sorriso de lado e apertei de leve nossos dedos. Avistei o prédio que eu moro e entrei na garagem, estacionei o carro, abri minha porta e corri para abrir a dela. – Tudo bem amor? – Eu disse pondo uma mão em sua cintura, ela assentiu com a cabeça. Entramos no elevador ainda com um silencio perturbador, o pior dos barulhos. Paramos no meu andar e a porta abriu, no mesmo instante me pus atrás dela e fechei seus olhos, guiando-a para o corredor.
- Espera, tapar meus olhos não vale amor. – Ela resmungou.
- Vale, vamos andando. – Eu disse guiando ela até a porta do meu apartamento, quando abri soube que tinha sido idéia da minha empregada, não da Bonnie, tinham pétalas de rosas pelo chão do apartamento todo, um jantar a luz de velas e um buquê gigante de flores brancas com uma única flor vermelha, debaixo do buquê tinha um bilhete escrito “” continuei guiando a até onde estava o buquê e tapando os olhos dela com apenas uma das mãos me desdobrei para abrir o envelope, e mantê-la de olhos cobertos. “quer dizer que o senhor está dando seu coração para ela.” . Soltei-a e mostrei a ela o buquê, os olhos arregalaram e sua boca abriu, expressão de surpresa.
- Tudo isso é para mim? – Ela gaguejou analisando cuidadosamente cada detalhe do buquê com os olhos brilhando. Assenti com a cabeça e ela sorriu. – Não precisava disso . Por quê só tem uma rosa vermelha amor? – Abracei-a por trás e dei um beijo leve em seu ombro.
- Tudo sempre foi por você e para você. – Peguei o buquê de sua mão e a virei para mim, que sorriu. – A rosa vermelha é meu coração, eu to dando ele para você. –
Abracei-a pela cintura e fiz com que nossos narizes se encostassem, e sorri assim que ela o fez.
- Eu te amo – Ela sussurrou me dando um selinho leve, eu aproximei mais nossos corpos e chamei-a para um beijo leve, fazendo carinho com a ponta dos dedos pela sua cintura, enquanto ela arranhava minha nuca fazendo com que eu me arrepiasse, sorri e intensifiquei nosso beijo, mordendo seu lábio inferior em busca de oxigênio, sem sucesso na busca por uma coisa tão desnecessária. Nossas línguas faziam movimentos circulares e minhas mãos exploravam a extensão de suas costas subindo e descendo a barra de sua blusa, ela segurou minhas mãos de me deu selinhos demorados. – Você não existe .
- Existo e não vou sair de perto de você por nada nesse mundo – Eu disse enquanto caminhava até a mesa de jantar. – Com fome pequena? – Ela assentiu e sentou na mesa, comemos, rimos e relembramos coisas idiotas de escola.
- Tava uma delicia, como você arrumou isso tudo? – Ela perguntou enquanto eu tirava os pratos da mesa e colocava na pia da cozinha.
- Foi a empregada, mas a idéia foi minha. – Ela sorriu e foi em direção ao banheiro enquanto eu fui checar se meu quarto estava arrumado. Como imaginei a empregada jogou rosas por cima da cama toda e deixou uma garrafa de champanhe e umas velas. Corri na cozinha, peguei o fósforo e acendi todas as velas o mais rápido possível e voltei para a cozinha, sentando na bancada. Ela veio mexendo no cabelo, eu apenas a acompanhei com o olhar até que parasse na minha frente. – Como você ta se sentindo?
- Acho que eu estou bem – Ela sorriu e me abraçou pela cintura, eu pus as mãos em volta do seu pescoço – E você, como está? – Ela encostou a cabeça no meu peito e seu rosto formou um sorriso lindo.
- Melhor impossível. – Afaguei seus cabelos e ela se virou pra mim, encostando os lábios no meu queixo, inclinei um pouco minha cabeça encostei nossos lábios por um longo tempo, um beijo calmo e doce, desci da bancada sem me separar dela, pus as duas mãos em sua bunda e fiz com que ela envolvesse as pernas na minha cintura, levei-a até meu quarto, onde ela partiu nossos beijos ao ver a iluminação fraca, sorriu e encostou o nariz no meu.
- Eu te amo – Ela disse e voltou a me beijar, agora intensamente, nossas línguas se encontravam como se sentissem sede uma pela outra, minhas mãos apenas a seguravam, já as dela exploravam minhas costas com vigor, ela me arranhava enquanto eu adentrava o quarto. Deitei ela na cama e tirei minha camisa rapidamente, atirando a mesma no chão, me inclinei sobre o corpo dela com cuidado e mordi seu queixo, ela inclinou uma perna e a manteve dobrada ao lado do meu corpo, pus a mão em sua perna e apertei seu interior, fazendo com que ela mordesse meu lábio inferior com um pouco mais de força do que normalmente faria. Tirei sua blusa rapidamente, e voltei a buscar seus lábios, sorrindo entre o beijo, pus minha mão livre sobre seu seio, ainda por cima do sutiã, o fecho do sutiã era na parte da frente e ela riu baixo entre o beijo ao perceber minha luta contra o fecho. Apertei seu seio com uma única mão, ela soltou um baixo gemido, e arranhou minhas costas mais forte, e pôs uma das mãos no botão da minha calça, enquanto eu a beijava, ela abriu minha Calça e a arriou um pouco, me afastei dela e tirei a calça, sorri e passei a mão por sua perna, tirei sua calça e apertei o interior de suas coxas, passei a ponta dos dedos pela sua virilha até chegar na intimidade, que se encontrava inchada, olhei para ela e sorri, ela soltou um gemido alto e fincou as unhas no lençol da cama assim que eu tirei sua calcinha e a penetrei com dois dedos, com a outra mão afastei sua perna e encostei meus lábios em sua intimidade, eu podia sentir ela se contorcendo nos lençóis e gemendo alto, suguei seu clitóris enquanto três dedos meus a penetravam, fiz movimentos rápidos com a minha língua até que ela chegasse ao ápice, subi pelo seu corpo e a beijei, com força, sentindo o desejo dela, e meu desejo, visto que meu pênis latejava, então ela abaixou minha boxer com uma rapidez impressionante, a penetrei devagar, ela mordia e sugava meu lábio inferior, eu fazia movimentos lentos, e a via de relance revirando os olhos, a sentia arranhando minhas costas e gemendo baixo em meu ouvido, o que me motivava a ir mais além, a partir disse comecei a investir com mais rapidez, fazendo com que ela me beijasse mais forte, explorando meu pescoço aplicando mordidas e chupões, quanto mais rápido eu ia, mais ela me arranhava e me puxava para perto de si. Perto do meu ápice passei a investir com força, fazendo ela gemer alto, ao falar meu nome entre gemidos fiquei mais excitado me fazendo segurar meu orgasmo e fazer com ela chegasse ao seu segundo. Mais forte e mais rápido, eu sentia cada vez mais as unhas dela na minha nuca e nas minhas costas, então cheguei ao meu orgasmo, retirei meu pênis de dentro dela, vi que ela me olhava pedindo mais, porém, eu estava suando demais, então a penetrei mais uma vez e investi nela rápido, até que ela gozou e sorriu para mim. Saí de cima dela e deitei ao seu lado, puxando o lençol para cobrir nossos corpos, afaguei seu cabelo e fiquei sorrindo para o teto, até que a olhei e ela sorria para mim. Beijei o topo de sua cabeça, depois encostei meus lábios nos dela, mordi seu lábio inferior de leve, ela encarava o nada, então quebrei o silencio.
- Que foi amor? – Eu disse passando a mão pelas costas dela.
- Só uma coisa, por que você está de meias? – Ela perguntou olhando para mim, eu apenas sorri.
- Por que eu sinto frio nos pés amor – Ela riu, riu alto, gargalhou, e me fitou.
- Você continua o mesmo estranho da escola.
- E você a mesma garota das meias de sapo. – Ela me mandou língua e me beijou, de leve. Depois apoiou a cabeça no meu peito e dormiu levemente, depois de ver ela dormindo, fiquei uns bons trinta minutos olhando para ela, só olhando, enquanto fazia carinho em suas costas, antes de dormir, me aproximei de seu ouvido e sussurrei tão baixo que talvez nem os sonhos mais profundos dela pudessem ouvir.
- Eu Te amo – Então pude me permitir pegar no sono.
Capítulo 13
Acordei com a respiração leve dela sobre meu peito, fazendo todos os meus pêlos se arrepiarem, sorri e afaguei seu cabelo, inalando o perfume que nele havia. Fechei meus olhos e sorri. Fiquei a vendo dormir até que descidi ir ao banheiro e fazer algo de útil (Lê-se: minha bexiga não comportava mais líquidos), me senti tão aliviado ao sentir todo liquido saindo de mim que até suspirei aliviado. Escovei meus dentes e pûs uma boxer, ao sair do quarto olhei mais uma vez para ela, que dormia profundamente com um breve sorriso formado nos lábios. Desci as escadas devagar para não fazer nenhum barulho. Como estava frio, derreti o chocolate com o leite para fazer chocolate quente, joguei alguns marshmallows e despejei o conteudo da panela em duas canecas e subi as escadas novamente, vi que ela ainda dormia, do mesmo modo que eu a deixei. Pus as canecas sobre o criado mudo e sentei ao seu lado, me agachei e dei um beijo leve na ponta do seu nariz, ela sorriu ainda de olhos fechados e se espreguiçou. Sim, eu estou sorrindo babacamente e nem ligo.
- Bom dia amor - Ela disse bocejando e sorrindo para mim.
- Bom dia minha pequena - Dei um beijo no topo de sua testa e levantei para pegar as canecas. - Ta frio la fora
- Como você sabe? - Ela disse esfregando os olhos, inchados e vermelhos.
- Por que eu fui de cueca no mercado - Ela me fuzilou debaixo daqueles olhinhos pequenos e vermelhos. Levantei os braços em sinal de rendição. - To brincando, só disse isso porque ta chovendo. - Sentei ao seu lado e entreguei uma caneca a ela.
- Ah sim, eu tenho mesmo que ir ao médico? - Ela disse olhando para a borda da caneca, como uma criança pede para a mãe para faltar aula em dia de prova.
- Tem, seus olhos estão inchados e você sabe o que o médico disse. - Lambi a colher que estava na caneca e fui andando em direção ao banheiro.
- Sei - Ela disse bebendo chocolate quente algumas vezes. - Já vai tomar banho? - Ela fez beicinho e eu corri até a beira da cama. - Fica aqui comigo. - A abraçei e mordi sua bochecha.
- Tenho que te deixar no hospital e ir no escritorio amor, não posso deixar de ir - Segurei suas bochechas e dei um selinho demorado, ela sorriu, me fazendo sorrir. - Só não faz beicinho, quer que eu leve o estudio a falência? é só falar - Ela sorriu e mordeu meu labio.
- Ta bom, pode ir tomar banho, eu vou procurar minhas roupas - Passei os olhos pelo quarto e vi que realmente estava uma zona. Concordei com a cabeça e dei outro selinho demorado nela, me levantei e fui em direção ao banheiro. Devo ter demorado uns vinte ou trinta minutos, quando saí me deparei com ela enrolada no lençol da cama jogando tudo o que estava no chão na cama.
- Perdeu alguma coisa? - Eu disse, ainda molhado e deroupão semi-aberto, porque eu odeio aquela fitinha de amarrar roupões.
- Minha calcinha, onde você a jogou ontem? - Eu ri e a abracei por trás. - É serio , eu não to achando. E você ta me molhando - A virei de frente para mim e encostei meus labios nos dela antes que ela pudesse reclamar, a senti soltar um longo suspiro e a vi fechar os olhos. Senti sua mão quente na minha pele molhada e em seguida fiquei arrepiado, puxei seu corpo para mais perto do meu e mordi seu labio inferior, nossas linguas se encontraram, respirei fundo e me separei dela. - Você vai me deixar na vontade mesmo? - Assenti com a cabeça enquanto procurava uma cueca.
- Não vou deixar você me enrolar para faltar o médico. - Eu disse, vendo ela resmungando em direção ao banheiro. - Não resmunga - Eu disse rindo, recebi um dedo do meio em resposta e sorri. Naquele momento vi a minha menina da escola ali, com sorriso de criança. Só faltavam as meias coloridas.
Depois dela enrolar quase meia hora, saimos de casa, e eu a deixei e frente ao hospital, nos despedimos com um selinho.
Capítulo 14
Liguei para Bonnie e avisei que não iria ao escritório. Não estava com vontade. Voltei para o apartamento e mandei uma mensagem à pedindo que ela me ligasse assim que fosse liberada. Estacionei e entrei no elevador, tirei a carteira e o celular do bolso, segurando tudo em uma única mão. Adentrei o apartamento vendo a empregada mexer no bar, onde eu guardo minhas coisas.
- Penha, não mexe aí. - Eu disse jogando as coisas na mesa.
- Mas Seu , isso está uma bagunça, todo empoeirado. - Ela disse passando os dedos pelo móvel.
- Deixa assim, eu me entendo. - Eu disse tirando-a do local e pegando minha pequena caixa de poker. - Por que você não vai na padaria e compra alguma coisa bem gostosa pra fazer pra quando ela voltar do médico? - Eu disse entregando algumas notas à ela. Que apenas se limitou em concordar e ir em direção à cozinha. Fui para o quarto e me tranquei, abri a caixa e retirei um dos pequenos saquinhos transparentes que estavam lá dentro. Fiz três carreiras separadas com a unha e encarei. Tirei uma nota de 10 libras do bolso e enrolei, me abaixei e inspirei todo aquele pó branco da primeira fileira. Meu coração acelerou, abaixei a cabeça novamente e senti calafrios ao inspirar a segunda carreira. Me joguei na cama e fitei o teto, alguns músculos fadigavam e ao mesmo tempo eu sentia algumas partes do meu corpo dormentes. Ouvi o toque do meu celular e o ignorei, voltando a reparar nos detalhes do teto, que normalmente eu achava liso. Sentei na cama e inspirei a última carreira, sorri ao sentir os calafrios e a excitação que tomou conta de mim. Tirei outro saquinho da caixa e despejei algumas carreiras na cabeceira e as inspirei rapidamente. Levantei completamente tonto, me apoiando nas paredes do corredor e sentei no sofá. Ouvi a abertura da porta e olhei esperando vê-la, sorrindo para mim, ao invés do sorriso mais lindo do mundo, me deparei com uma espécie de vulto negro, talvez fosse o efeito da cocaína que não me permitisse enxergar, mas aquela não era nem a , nem a empregada. Só poderia ser um ladrão pequeno. Cambaleei em sua direção me escorando as paredes e o vulto não se mexeu. O encostei na parede e sequer reclamou, pude ouvir algo de longe, como um grito pelo meu nome. Talvez ele tenha amarrado minha pequena na cozinha e esteja aqui para me matar. Não hesitei e o soquei. Pude ouvir gritando em algum lugar não tão longe da minha mente. Mas não estava perto do meu campo de visão. Pude sentir as mãos da pessoa no meu ombro e o soquei mais duas vezes, gemia como se estivesse ali, era para o bem dela, eu a estava salvando. O segurei pelos ombros e me escorei para a parede antes de jogá-lo à distância. Cheguei perto e pisei em seu fêmur, ou seu ombro. Com vontade, sem dó. Puxei-o para que ficasse de pé na minha frente e o soquei no estômago, até que pude sentir o peso do seu corpo cair para frente. Me esquivei e voltei a cambalear para o quarto, rasguei meu último saco de cocaína e fiz uma carreira incrivelmente grossa. A inalei como a última coisa do mundo e me joguei na cama, livre dos meus pensamentos, livre de tudo.
xx
- Senhor , acorda, alguém invadiu a casa. - Levantei com um pulo e encarei a empregada. Meus olhos ardiam.
- Cadê a ? - Perguntei sem pensar duas vezes.
- Não sei, senhor. Entrei, vi a sala toda revirada e corri para chamar o senhor. - Merda, merda, merda. Corri pelos corredores em busca dela, banheiro, nada. A sala estava totalmente revirada, a mesa de centro quebrada, vasos e cds no chão. Quarto de hospedes, intacto. Abri a porta da cozinha e lá estava ela, deitada no chão, sangrando o suficiente para me deixar em pânico.
- PENHA, LIGA PRA EMERGÊNCIA E FALA QUE ELES TÊM 1 MINUTO PARA ESTAR AQUI. - A empregada veio desesperada e soltou um grito de pânico ao me ver agachado ao lado da , tentando achar seu pulso. - AGORA. - E ela sumiu no corredor. Peguei um pano úmido na pia e começei a limpar o sangue em sua testa, pondo os cabelos para trás. Tinha um corte no supercilho imenso. Pus o pano sobre o corte e peguei outro. Seu ombro parecia quebrado, tinha marcas do vidro por toda extensão do corpo, mas ainda assim respirava. Mal pude conter um sorriso quando os paramédicos a puseram em uma maca. Entrei na ambulância e passei as mãos pelos cabelos dela, tentando lembrar o que havia acontecido na noite anterior.
Fui obrigado a esperar na sala de espera, então passei a juntar os pontos do dia anterior. A Penha saiu para buscar o almoço e eu usei algumas gramas de cocaína, meu celular tocou, eu ajudei a a se livrar do assaltante. AH, MERDA. Era ela em quem eu tava batendo, acabei com a vida da única pessoa que eu amo. Ela não vai me perdoar e eu muito menos. Algumas horas depois o médico veio na minha direção.
- Marido dela? - O médico disse.
- Namorado. - Em breve ex, pensei.
- Ela tem fraturas em algumas partes do corpo, teve que levar alguns pontos e está com hemorragia interna. - Puta que pariu.
- E ela ainda precisa de alguma cirurgia? - Diz que não.
- Sim, o ombro fora seriamente quebrado, talvez alguns pinos.
- Então o faça doutor. - Praticamente implorei.
- Faremos, o Senhor sabe se ela está na fila de doadores de córnea? Porque teve muita exposição ao sol e perdeu praticamente toda a visão. Só com uma cirurgia ela pode se salvar.
- Posso fazer os testes e ver se sou compatível? - Não, pensei.
- O Senhor está ciente que vai perder a visão? - Claro, eu tirei isso dela.
- Sim - Engoli a seco.
- Então é melhor me acompanhar.
N/A: Demorei, certo? eu sei que sim HUSAHSUAH... Mas eu acho que vai valer a pena, ta chegando o final!! odeio fic que enrola, por isso essa tem poucos capitulos e todos eles são bem decisivos. Então, eu não mordo no twitter, de verdade. Assim que você acabar de ler aqui, ir lá em cima e comentar, porque não aproveita pra me seguir @thaisensenat? vou ficar bem feliz :B
fics novas que estão causando: Mon propre démon - Mcfly fics - Finalizada // All Against for you - com a Leka Judd - Hot fics - Em andamento. Valeu a Hata por aturar isso aqui e ficar surtando no msn. Te amo mãe.
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Não é o tipo de história da mocinha que conhece o mocinho, eles se apaixonam, casam e são felizes para sempre. Muito pelo contrário, aliás, tudo é contrário quando se diz respeito a . Eu a conheço desde os meus onze anos e ela sempre fora a contradição da contradição. A conheci na escola, o tipo de garota que se todas as meninas usassem saia e chinelo, ela estaria de all star e camiseta. Aquela que nunca penteava o cabelo de manhã ou se importava se suas unhas estavam feitas ou não. era o tipo de garota errada e certa ao mesmo tempo.
Eu fazia o tipo nerd-atleta-descolado, daqueles que eram zoados por tirarem as maiores notas, mas muitas garotas davam em cima de mim, juro. Eu não era feio e sabia jogar rugby, duas qualidades para qualquer garota admirar ou desejar em um menino. Mas não a . Com doze anos ela era da minha sala e um dia nós tínhamos que fazer um trabalho juntos. Ela levantou o braço e disse em alto e bom som:
- Professora eu não vou fazer trabalho com o – Eu só abaixei a cabeça.
- Por que ? – A professora disse.
- Porque ele é muito convencido. – Ela disparou e eu a encarei.
- Ou você faz seu trabalho com ele ou fica sem nota, – A professora disse novamente esperando uma reação normal de uma criança normal. Coitada, ela não conhecia a .
- Fico sem nota, professora. – E sentou. Toda a sala a encarou e, ao contrário de mim, ela não abaixou a cabeça, simplesmente encarou cada um da turma, com um olhar que toda e qualquer criancinha correria. Aquela era a .
Com treze anos, nós discutimos feio durante uma educação física. Ela havia entrado para o time de softball, afinal, quem joga softball? A bola havia caído no campo em qual eu jogava, então joguei a bola de volta, sendo que caiu em um lago nojento que havia na escola. Cara, aquele lago devia ter bichos mutantes e ninguém sabia disso.
veio em minha direção, furiosa.
- , você vai enfiar a porra da sua cabeça no lago ou eu vou jogar com os seus testículos? – sim, ela sempre foi agressiva.
- Dá um tempo, . – A camisa dela era colada e por mais estranha e implicante que ela era, aquela camisa ficava linda nela.
- Viado – E bateu com o taco na minha cabeça.
Na formatura ela não foi, estava ocupada demais fazendo um curso de fotografia. Pelo menos foi o que me disse quando eu tentei convidá-la para festa.
Depois da formatura eu a via nas aulas extras ou andando de skate pela rua. Passei a metade das férias tentando convidá-la para sair, mas a resposta sempre se repetia. “Não posso sair com você, ”. Milhões de vezes eu questionei sobre o porquê daquelas respostas, o porquê dela me odiar tanto. , eu nunca soube o nome dela de verdade, sempre fora conhecida como . A menina estranha, de roupas estranhas, meias coloridas e praticamente inalcançável, ao menos para mim, que todas as vezes que me aproximava levava patas ou tacos da softball na cara ou barriga. No último dia de férias foi também a última vez que eu a vi. Ela estava no trem, eu sentei ao seu lado e tentei puxar papo.
- , posso me sentar aqui?.
- Se você for carregar minha bolsa, pode. – Ela deu muita ênfase no meu sobrenome.
- E ai, tá fugindo de quem? – Indaguei.
- Se fosse para fugir de alguém, eu fugiria de você – Tapa na cara, .
- Me diz, por que você me odeia tanto? – Tava na hora de perguntar.
- Porque você é um idiota convencido que fica querendo enfiar essa bolsa maldita no nariz dos outros – Nossa.
- Você e eu sabemos que não é isso, – Eu me surpreendo comigo mesmo às vezes.
- Ah, não? Então é o que? – Pois é, o que?
- Você é perdidamente apaixonada por mim e desde que me conheceu está doida pra me beijar. Vamos, assuma, . – Se ela me beijasse eu me surpreenderia.
- Tem razão , sou doida por você e chegou a hora de você saber disso. – E ela estava vindo pra cima de mim, oh dude! Esperei tanto por isso.
- Pois é, sou vidente agora. – Segurei seu rosto com as duas mãos e fechei meus olhos, mas a única coisa que senti não foram os lábios dela, como eu esperava, foi um puta tapa na cara.
- Presunçoso imbecil. – Depois desse dia eu nunca mais vi .
Dez anos depois, cá estou eu, repetindo essa velha história de amor encubado. É, eu amava aquela garota, mas ela sumiu e tudo o que eu sei é que ela foi para a faculdade e se formou em fotografia. Deve estar fotografando pombos em alguma fonte de alguma cidade do interior. Eu me formei em música e agora moro no centro de Londres sozinho. Não casei por culpa daquela maldita garota de meias coloridas do meu colegial. Ao menos eu não me mantive puro de corpo, imagina se eu espero cinqüenta anos por ela e eu não a encontro de novo? Dormi com muitas, não nego. Mas nunca me apeguei a ninguém. Desde que senti a respiração da perto demais de mim, nada se compara.
Mais um café, mais biscoitos cream creaker. Eu sinceramente não sei o que estou fazendo nesse estúdio hoje. Deveria estar dormindo ou vendo CSI. Tantos anos e eu ainda não aprendi a viver sozinho. Hoje é sexta feira, dia do Tyler, um pirralho de dezessete anos que acha que canta vir aqui destruir o que eu demoro horas para compor. Aquela voz desafinada que me custa duas horas de trabalho pra deixar ouvível. Sonhei com a hoje, apesar de que eu sonho com ela desde os meus doze anos, já me acostumei a fechar os olhos e tê-la comigo. O som da porta e a distância pude ouvir o que interrompeu meus sonhos. A mãe agente do Tyler gritando ao telefone com algum pobre coitado.
- Hey Senhor . – Tyler disse feliz.
- Já falei para me chamar de – Eu disse dando um tapa leve em seu ombro. – Fez os trabalhos de voz que eu te ensinei? – Ele balançou a cabeça positivamente – Melhorou?
- Muito , meu pai falou que até iria em show meu se eu continuasse melhorando, valeu mesmo. – ele sorriu e foi entrando onde sentaria para gravar sua música nova.
- Tyler, a letra está na sua frente, é só seguir a música – Para minha surpresa Tyler apertou o botão que me fazia ouvi-lo.
- , você não aceitaria fazer acústico comigo, não?
- Faz muito tempo que eu não faço acústico - decepcionei uma criança.
- Então eu posso fazer essa acústica? – ele sorriu decepcionado.
- Pode sim Tyler, pega o violão e usa os acordes que estão na folha de trás. – eu disse e tomei mais um gole de café. A mãe de Tyler estava sentada atrás de mim, mandando mensagens de texto ou fazendo qualquer outra coisa inútil. Por incrível que pareça, Tyler mandou bem com a letra nova, tocou violão até bem, apesar de ter errado um acorde ou dois, me fazendo ter que zerar e perder seis horas do meu dia só com ele. Depois da gravação fomos acertar os detalhes do seu show em um pub de Londres.
- Então será um pocket show? – A mãe de Tyler perguntou.
- Isso mesmo, a Bonnie vai terminar de ver os detalhes. – Eu disse.
- , quando vai ser o show? – Tyler
- Em dois meses.
- Valeu senhor . Até sexta que vem – Tyler disse feliz saindo do escritório.
- Até, Tyler. – eu disse fechando a porta – BONNIE – gritei. Bonnie era minha secretária há uns dois anos, sempre fazia o que eu pedia, às vezes chegava a ser irritante.
- Sim, senhor ?
- Eu estou indo embora, amanhã desmarque tudo, não quero aturar mais seis hora. Não esquece da fotografia do show do Tyler, tenta aquela empresa do último, eles são rápidos, gostei deles, não esquece, Bonnie. – Eu disse sem pausa para oxigênio.
- Sim senhor, vou ver isso hoje e segunda aviso ao senhor.
- Obrigado Bonnie, fico te devendo uma. - Me despedi com um breve aceno e desci em direção ao estacionamento, entrei no meu carro e dirigi até meu apartamento que ficava a duas quadras dali. O meu médico havia me mandado ir caminhando para o trabalho, mas não adiantava. Acho que o trânsito londrino me acalmava. E eu não estou brincando.
Cheguei ao meu apartamento, joguei as chaves em qualquer mesa. Peguei alguns Donut’s na geladeira e me joguei no sofá. Estava cansado, cheio de dor de cabeça, mas sentia que aquela noite seria boa se eu não ficasse em casa. É tipo uma premonição, sacas? Joguei meu tênis longe e deitei no sofá para descansar, demorei uns vinte minutos para relaxar minhas pálpebras, enfim.
Acordei com um susto, com o cabelo grudado no rosto e com o coração palpitando de tantas batidas. Olhei para o relógio, marcava meia noite e meia. Eu queria sair, era sábado à noite, dia de sair. Mas eu estava cansado, então resolvi ficar em casa mesmo. Tomei uma ducha e deitei de samba canção na cama king size, vazia. A cena se repetia, e repetia, aquele sonho louco, ela entrando no carro com os olhos cheios de lágrimas e, por mais diferente que estivesse, era minha . Liguei a TV e dormi vendo qualquer merda que passava.
Meu domingo, como todos os outros, fora absurdamente monótono, tomei café, corri no parque e o resto do dia eu comi e dormi. Pareço um bebê às vezes, como e durmo encostado em qualquer canto.
Segunda, dia de banco. Odeio bancos, filas, um saco. Acordei relativamente atrasado, nove horas. Enfiei qualquer roupa e corri para o carro com um pedaço de waflle na boca. Fui ao primeiro banco no centro de Londres. O nacional, a fila dobrava a esquina, eu não encararia aquilo. Não agora. Resolvi dar uma volta no parque, passando ao redor do lago comprei pizza em cone, fazia dias que eu não comia pizza e anos que eu não comia pizza em cone. Sentei em um banco vazio, observando as coisas ao meu redor, notei que o parque parecia uma creche. Eu nunca havia visto aquele parque tão cheio de crianças correndo. Um fresbee de uma das crianças caiu perto de mim, levantei para pegar e ao me abaixar senti uma forte pressão sobre a minha coluna. Estou ficando velho. Levantei com um pouco de dificuldade e joguei o fresbee de volta para o menininho, deveria estar me achando um ladrão de discos de borracha. Fiquei olhando os patos e os pombos ou sei lá que bichos eram aqueles. Uma menina fotografava o lago, me lembrou muito a minha . Ok, nem tão minha, mas minha de qualquer jeito. Ela fotografava com paixão, não entendi bem o que ela estava fotografando até que olhei direito. Ela fotografava as folhas que boiavam na água, deveria ter uns dezessete, dezoito anos, no máximo. Talvez ela fosse alguma filha perdida da com alguém da escola. Ok, , não viaja, foram dez anos, não trinta. Perdido nos meus pensamentos idiotas, perdido no horário. Quando voltei à realidade percebi que faltava uma hora para o banco fechar, corri em passos largos e vi que não tinha mais fila, Deus deve me amar muito, na boa. Paguei as contas e fui para casa. Mais um dia. Outro dia sem ela
O resto da semana simplesmente voou, quando olhei para o calendário já era sexta feira. O único dia que eu realmente aparecia no escritório. Sexta era o dia que eu perdia metade do meu tempo ajeitando as vozes, notas, acordes que aqueles infelizes arruinavam. Ontem um homem chegou aqui com um grupo de rap. Pelo amor de Deus, aquilo eu nem consegui definir o que era. Para fazer uma mínima noção, o homem que se dizia produtor deles virou para mim e disse “Pois é , a música começou com Bach e Chopin agora estamos ouvindo RAP para ganhar dinheiro, o mundo está mesmo acabando.” E quer saber? Eu concordo com ele. Antes eu ouvia Beatles, ontem fui obrigado a ouvir coisas sem noção, tipos de rima Chantagem – Coragem.
Tyler adentrou minha sala do mesmo modo que entra todas as sextas há uns dois anos. Mas diferente de como ele entrava sempre, com sua mãe ao lado. Dessa vez ele estava sozinho, quando me viu acenou e sorriu, eu acenei e ele sentou de frente para minha mesa. E falou:
- Oi . – Ele sorriu infantilmente
- Fala Tyler, hoje você não precisava vir aqui. O que houve? – me ajeitei na poltrona
- Eu sei que sua equipe tá cuidando de tudo, mas eu quero saber quantos ingressos foram vendidos. – Crianças.
- A Bonnie me mandou um email com isso ontem eu acho, se eu não me engano o pub liberou 500 ingressos e duzentos já foram vendidos. – Eu sorri.
- Nossa! É muita coisa ! Estou tão feliz – Ele sorria feito criança. – E eu tenho que te pedir uma coisa. – Sempre.
- Manda Tyler.
- Uma amiga minha manda MUITO bem com fotografia, não dá pra você contratar ela não?
- De onde ela é?
- Agora ela tá na Dinamarca, mas me prometeu que chega a tempo do show.
- Vamos fazer o seguinte, pede para ela me mandar um email, que eu acerto com ela. Depois eu mando pra Bonnie acertar pagamento e essas coisas. – Ele estendeu a mão.
- Valeu , fico te devendo uma grande.
-Venda CDs e eu fico feliz Tyler, estou fazendo isso só porque você disse que a garota manda bem. Fala para ela me enviar esse email até hoje à noite e o emprego é dela. – e eu tenho menos uma dor de cabeça.
- Tchau então , minha mãe nem sabe que eu vim aqui.
- Tchau Tyler, isso vai ser segredo.
Tyler saiu da minha sala mexendo no celular, eu voltei minha atenção ao computador onde eu mandava um email a Bonnie.
To: bonniedanet@studio.uk
From: _1@studio.uk
Ass: Mude esse email
Bonnie, eu já não falei para você mudar esse email? Eu fico rindo todas as vezes que leio. Que seja, prepare um contrato para fotógrafo, arrumei um.
.
Bonnie era rápida, por isso era minha amiga/secretária há tanto tempo. Eu considerava ela mais do que considerava minha irmã.
To:_1@studio.uk
From: bonniedanet@studio.uk
Ass: RE: Mude esse email
Senhor, eu uso o mesmo email há dois anos. Vou imprimir o contrato e deixar na sua sala amanhã de manhã.
Bonnie.
Saí do escritório e fui para casa. Tomei um belo banho quente e fui verificar pela vigésima vez a caixa de entrada, esperando que a amiga do Tyler já tivesse me mandado o email. Lá estava.
To: _1@studio.uk
From:013@cielofotos.uk
Ass: Tyler.
Oi, eu sou a amiga do Tyler, meu nome é . Estou ansiosa para trabalhar com o senhor, estou na Dinamarca como o Tyler deve ter lhe dito, por isso estou enviando fotos que eu tirei em uma turnê do Coldplay. Obrigada, .
Com uma xícara de café ao meu lado e um biscoito inteiro na minha boca, vi e revi as fotos anexadas, realmente incríveis. Diferentes, nada daquilo que eu estava acostumado a ver
To: 013@cielofotos.uk
From:_1@studio.uk
Ass: RE: Tyler.
Sou . Senhor está no céu, acho que sou mais novo que você, então nosso tratamento será você, você. As fotos do Coldplay estão incríveis. Depois dessa espero trabalhar com você ansiosamente.
.
Tomara que ela seja bonita. A quem eu estou enganando? Estou pouco me fodendo se ela é bonita ou não, de uns tempos para cá eu só tenho pensado na minha .
To: _1@studio.uk
From:013@cielofotos.uk
Ass: RE: Tyler.
Ok , não chamarei mais você de senhor, e só para te garantir eu tenho 27 anos e não 50 como o Tyler me falou que você tinha.
Cinquenta?
To: 013@cielofotos.uk
From:_1@studio.uk
Ass: RE: Tyler.
Eu posso te demitir por isso sabia? E para te dizer, eu tenho 28 anos. Mas não vou te demitir, vou desligar o computador, estou cansado.
.
To: _1@studio.uk
From:013@cielofotos.uk
Ass: RE: Tyler.
Só faltou dizer que era casado e pai de três filhos. Também vou, boa noite.
.
To: 013@cielofotos.uk
From:_1@studio.uk
Ass: RE: Tyler.
Não esquece de mandar o currículo e pegar o contrato com a Bonnie, o email dela está anexado aqui.
Boa noite.
.
Sinceramente eu gostaria de saber o que deu em mim hoje. Estou pensando na mais do que o normal, e olha que o normal eu penso muito. Essa noite eu sonhei de novo que ela chorava quando me via, mas não era um choro de felicidade, era mais um choro de tristeza por não poder ficar comigo. Mas porque naquele sonho maldito eu não podia ficar com ela? Nem nos meus sonhos eu tenho a mulher que eu quero; é foda isso. Custei a levantar da cama, de boxers caminhei até a porta da frente para pegar o jornal do dia. Cocei minha bunda com a mão livre e entrei. Liguei a banheira, joguei sais e espuma, sim era uma coisa gay, mas eu gosto, me faz pensar um pouco em outras coisas.
Abri o jornal. Política, política, governo, Barack Obama. Cacete, o jornal só fala disso. Joguei o jornal a alguns metros de distância, relaxei minha cabeça e fechei meus olhos, relaxando. Logo a imagem dela veio à minha mente, aquelas meias coloridas, aquele sorriso que me deixa idiota só de lembrar, o pior desses sorrisos é que é a sensação que quase todos já experimentaram, é aquela que faz seu coração bater mais forte, sua garganta dar nó só de falar o nome da pessoa, quando seus olhos brilham, e ali está, aquele sorriso idiota que estampa na sua testa a frase “eu estou apaixonado” eu sinto a mesma coisa há dez anos. Preciso de uma idéia para achá-la. Saí da banheira determinado, me enrolei de qualquer jeito na toalha e corri para a sala, peguei a lista telefônica e procurei por investigadores particulares. Estou surtando. Disquei o numero e aguardei.
- Escritório de investigação, boa tarde. – Disse uma mulher com voz simpática.
- Boa tarde, eu gostaria de contratar o serviço de vocês.
- Qual o tipo de investigação senhor?
- Preciso achar uma garota, digo, mulher, que eu não vejo há dez anos.
- O senhor vai manter anônima?
- Sim
- Então eu preciso do seu endereço e seu nome para mandar os avanços da investigação, assim o senhor se mantém anônimo, só o banco de dados saberá do senhor.
- Pois não - Passei meu endereço para a moça simpática.
- Então agora me diga, quais eram os dados da mulher que o senhor procura?
- Olha, eu não sei o nome dela, mas na época da escola era chamada de , se formou em 1999, na escola de Ocean Ville que fica no sul da Inglaterra.
- Tudo que eu preciso senhor. Vou mandar o valor do serviço em breve por correio para o senhor.
- Em quanto tempo vocês acham ela?
- No máximo um mês senhor. Obrigada por nos contratar. Tenha um bom dia.
- Obrigado.
E desliguei. Me senti aliviado ou feliz em saber que a encontraria, uma hora ou outra, eu acharia a minha menina. Naquele momento eu me joguei no sofá, com um sorriso que não cabia no meu rosto. Voltei para a banheira e fiquei ali mais quarenta minutos até que Bonnie ligou.
- Manda Bonnie.
- Senhor, o senhor precisa ligar para a fotógrafa, estou achando uma coisa estranha nos antigos trabalhos dela.
- O quê?
- Ela foi demitida de todos eles.
- Todos?
- Todos, e os motivos não estão especificados. Vou te dar o número dela e o senhor liga.
- Manda - e anotei o número. – vou ligar agora. Obrigado Bonnie.
- De nada senhor.
Disquei o número dela, pensando na conta de telefone por eu ligar para a Dinamarca.
- falando. – A voz dela era linda, assumo.
- Oi, aqui é o da Inglaterra.
- Ah, oi eu não esperava que o senhor me ligaria.
- Pois é, me responde uma coisa?
- Fala
- Por que você foi demitida de todos os seus empregos?
- Bom, cada um por seu motivo. O último foi porque o meu chefe saía com a garota que competia por um cargo melhor comigo. Ela ganhou o cargo e eu fui reclamar. Ele me demitiu.
- Entendi, então não tem problemas. Quando você volta para a Inglaterra?
- Hoje é quarta? Então eu volto daqui a uma semana e meia.
- Ok então. Vou desligar
- Ok, beijos
- Tchau.
Liguei para Bonnie depois e a avisei que a garota era normal, pelo menos eu achei. O que eu mais achei bizarro fora o email da equipe de investigação que eu li logo depois. Cara, seis mil euros por semana, tudo para descobrir o paradeiro de uma garota? Tudo bem que ela é a garota que eu amo desde minha adolescência, mas vai que ela esta casada e tem filho e tudo mais? Minha cara fica no chão e minha esperança vai pelo ralo. Mais de dez anos para descobrir que a garota dos meus sonhos não pode ser minha, a não ser que eu faça ela se apaixonar por mim e a gente termine felizes para sempre. Todos os dias eu me pergunto porque eu ainda acredito nela, porque eu ainda acredito que nós dois tenhamos futuro. Eu também me pergunto porque não corri atrás dela na época de escola, hoje em dia eu não tenho mais o medo que eu tinha quando adolescente, acho que se fosse hoje em dia eu não aceitaria os tapas como beijos, os empurrões como abraços e não deixaria ela escapar de mim por nada.
Bateu fome, então pedi uma pizza; fazia tempo que eu não comia pizza de pepperoni. A pizza chegou e eu comi quase metade, o resto do dia eu passei resolvendo as coisas do escritório, fechando lugares de shows, acertando contas com o pessoal da iluminação, enfim, aquilo é chato. Depois de tomar banho e deitar na cama, olhei para a mesa de cabeceira e ali estava, a foto dela do anuário, sorrindo sem entusiasmo, mas mesmo assim um sorriso lindo. Olhei para foto e murmurei quase inaudível: “Boa noite pequena”. Fechei meus olhos e a última coisa antes de dormir, mais um dia sem ela, porém mais perto dela.
Cai no meu olhar e o final eu já sei. (Dance e não se canse - Cine)
Hoje eu saio, não vai ter trabalho que me faça ficar em casa. Acordei com aquele despertador maldito dando as notícias do dia. Demorei para sair de casa e quando cheguei no trabalho me lembrei que era o dia de ver novas bandas. Resultado? Uma fila dobrando a esquina do segundo quarteirão. Encarei aquilo com a cara de que aquele dia demoraria a acabar. Estacionei com dificuldade, já que os inúteis estavam sentados em frente a garagem do prédio. Joguei as chaves na minha mesa e sentei na cadeira do estúdio, onde Bonnie servia o café.
- Bom dia Bonnie. – eu disse pegando um café da bandeja que ela servia.
- Bom dia senhor. – ela disse sorrindo e sumiu da sala. Notei que ao meu lado estavam Scott e James. Meus amigos desde a época da escola e atualmente sócios.
- Fala . –Scott disse se ajeitando na cabeça.
- Fala pequeno – James disse com um sorriso cínico na cara. – Pronto para ouvir aquelas bandas que você ama? - revirei os olhos.
- Bom dia gente. Já vi que isso vai ser demorado, vocês já viram o tamanho da fila lá fora? – Eles balançaram a cabeça afirmativamente. – Quem é a primeira?
- Uma banda chamada Astatus, ual. – Scott disse sentando de joelhos na cadeira.
- L´s vem merda – disse James comendo amendoim.
- Manda entrar. – E uma banda totalmente retardada, para não falar coisa pior, entrou, acenei para que começassem. Eles começaram a tocar Oasis, Wonderwall. De boa, acabaram com uma das músicas que eu mais gosto na minha vida. Quando olhei para Scott e James, os dois olhavam com a mesma cara abismada para a banda inteira, minha vontade era tacar eles e tudo que estava com eles pela janela. O resto do meu maravilhoso dia se seguiu assim, querendo tacar bandas pela janela, duplas sertanejas pela porta... Na metade da história, os dois seres que eu chamo de sócios estavam apagados, literalmente em cima da mesa. Uma merda. É o que se resumiu meu dia.
À tarde resolvi comer qualquer coisa na Starbucks, que estava lotada, depois de duas horas na fila peguei um cappuccino. Dei uma boa olhada pelas mesas e nenhuma estava vazia. Quando eu estava quase desistindo e indo tomar o café maldito no carro, um senhor levantou e vagou uma cadeira. Com uma velocidade impressionante eu sentei na cadeira vazia, havia uma garota de óculos escuros, ela era linda, de boa, muito linda.
- Oi – Eu disse sorrindo e pondo meu celular em cima da mesa.
- Oi – Acho que ela estava me olhando. Maldito óculos.
- Você vem sempre aqui? – ela fechou a cara, pegou a bolsa e levantou.– Peraí, aonde você vai? – eu disse quase desolado.
- Depois dessa? Embora. – Toma.
- Desculpa, foi péssima. – admiti indo atrás dela.
- Foi mesmo. – ela disse mexendo na bolsa.
- Posso te chamar pra um passeio no parque? – ela parou e virou para mim.
- Depois dessa cantada péssima você ainda tem o disparate de me chamar para sair? – Ela deu um sorriso que me lembrou MUITO o sorriso da minha .
- Desculpa, sou cara de pau. – Eu disse cínico.
- Me lembrou uma pessoa agora, mas tudo bem, valeu a tentativa, eu aceito ir no parque com você. – VITÓRIA do zinho. Me pus ao seu lado e caminhei com ela pela calçada.
- E ae, você mora aqui em Londres mesmo? – eu disse olhando para o meu tênis e vendo o quão idiota eu era de ter vinte e oito anos e ir trabalhar de all star.
- Não, to aqui a trabalho e não sei quanto tempo eu vou ficar. – Bom...
- Legal. – Parei e deixei que ela passasse primeiro pela entrada do parque. – Você, err... tem namorado? – Direto demais.
- Não, eu não namoro há oito anos. – Ual.
- Nossa, Você deve ser a segunda pessoa mais traumatizada que eu conheço - Ela me fitou através dos óculos e sorriu. Meu Deus, que sorriso é esse?
- E quem é o primeiro ou primeira problemática? – Parei e estiquei a mão como cumprimento.
- Prazer, eu sou o problemático. – Ela gargalhou e estendeu a mão para retribuir o cumprimento. Nessa hora o celular dela tocou, não demorou muito e ela voltou a falar comigo.
-Desculpa, eu tenho que ir. – Ela disse indo em direção à saída do parque, acenando à distància.
- Espera, leva meu cartão. – Mas ela já havia ido. Merda.
Chegando em casa a primeira coisa que eu fiz foi olhar a caixa do correio na portaria e nada. Se deus soubesse o quanto eu queria saber da minha pequena, saber onde ela está, abraçá-la e ficar com ela até ficar velho, caquético, em uma casa de repouso com ela lendo meu diário. Sim, aquele filme de mulherzinha é bom e ficou na minha cabeça, eu me pus no lugar da velhinha com Alzheimer e sei lá, aquilo me tocou. Há algum tempo cheguei à conclusão de que eu a amo. Ok, eu já sei disso há muitos anos, mas agora ficou mais claro, sabe... resolvi tomar banho e sair hoje, preciso espairecer, estou muito emotivo. Foi aquele sorriso maldito daquela garota no parque. Tomei banho e coloquei qualquer calça com um blazer preto. Tava bom, eu me pegava.
Depois de rodar, rodar e rodar com o carro, achei uma boate que parecia pelo menos entrável. Entrei e sentei no bar, algumas mulheres passavam e me davam mole, outras me ignoravam. Pedi ao barman um copo de whisky, coisa de macho. Pedi outro whisky, mais um e assim foi até meia garrafa de whisky. Foi quando minha garganta já estava dormente e eu estava sentindo que eu cairia caso levantasse dali, mas foda-se, não ligo mais para isso. Pedi uma dose tripla de tequila e lá pela sexta ou sétima dose tripla, eu a vi. Eu podia ter uns três litros de álcool na minha mente, mas era minha , sentada ao meu lado. Aqueles olhos eu não esqueceria por nada na minha vida. Sem pensar duas vezes a puxei pelo braço, ela se debateu um pouco e saiu de perto de mim. Eu devo ter visto umas cinco agora, só olhando de onde estou. Quando eu estava vendo tudo mais ou menos embaçado, uma garota de óculos escuros e uma voz familiar chegou perto de mim.
- Ora, ora, o problemático do parque deu para dar vexame em público? – ela disse sorrindo, que merda de sorriso.
- Eu to legal- Parecia que uma abelha havia picado minha língua.
- To vendo. São quatro da manha. Eu te levo, vem – meu orgulho é grande demais para aceitar que eu estava na merda.
- Não precisa, eu vou sozinho. – mas acho que eu já estava falando merda demais, porque assim que eu terminei de falar ela já estava segurando meu braço e literalmente me arrastando da boate. Eu devo ter feito com que ela parasse umas dez vezes no caminho até o estacionamento, para que eu me situasse do lugar onde eu me encontrava.
- Muito idiota você. – ela disse enfiando minha cabeça e meu corpo dentro do carro. Ou o mundo estava girando rápido demais ou eu estou rodando sozinho no mesmo lugar.
Ao sentar ao meu lado ela me passou uma espécie de balde. – Se for vomitar, vomita aí dentro.
- Eu não vou. – pausa para o vômito. – É, eu vou. Me responde uma coisa?
- Fala. – Ela disse concentrada no trânsito.
- Por que você tá com óculos escuros às quatro da manhã? – ela sorriu de canto e não, o álcool não estava demais no meu sangue a ponto de eu imaginar um sorriso.
- Porque eu to com um problema nos olhos e qualquer claridade pode danificar mais – vomitei mais uma vez.
- Ah, sim. – eu disse encarando o vidro da frente do carro.
- Me responde uma coisa? – Ela disse sem olhar para mim.
- Aham - Pausa para o Raul.
- Por que você bebeu desse jeito? – ela disse e eu sorri para o vidro.
- Porque eu tinha esperança de encontrá-la hoje. – ela franziu a testa ainda concentrada no trânsito.
- Sua ex? – ela perguntou.
- Não. Sabe aqueles amores de escola? Então, eu tive uma e a deixei escapar. – movimentei meus dedos no ar como se tentasse pegar vento com os dedos. – E ela sumiu.
Se não fosse pelo álcool, na minha mente eu daria a bunda para dizer que ela sussurrou “eu também” quando eu parei de falar. Abracei meu próprio balde de vômito e devo ter caído no sono, quando senti uma freada leve despertei e vi que estávamos em frente à uma casa daquelas bem londrinas, tipo o vilarejo de Harry Potter. Ela abriu a porta do meu lado do carro, tirou o balde da minha mão e me puxou para fora. Eu estava me arrastando, literalmente. Eu senti a água gelada caindo no meu corpo dentro da banheira e ela sentada no vaso sanitário ao meu lado.
- Cara, você tá mal. – Ela disse passando shampoo na minha cabeça.
- Eu to melhor do que eu estava há meia hora. - ela levantou e eu a segui com os olhos. – Onde você vai?
- Buscar um chá e alguma coisa pra você vestir. – Eu assenti meio tonto e levantei da banheira, me enrolando na toalha que estava pendurada. Estava quase saindo do banheiro quando ela apareceu com um monte de roupa em uma mão e um chá na outra. - Uma roupa, era do meu irmão, quando veio passar uns dias aqui e esqueceu essas roupas. Acho que servem. – E me deu as roupas. – E um chá pra você melhorar desse porre. – E me deu uma xícara com um chá meio amarelo, sei lá.
- Valeu. Err, eu vou fechar aqui, pra trocar, você sabe – e ela me interrompeu.
- Tudo bem. – Ela disse fechando a porta. Demorei um pouco e quando saí, vestia um pijama relativamente grande. Ao me ver, ela prendeu o riso. - Acho que meu irmão é maior que você. – Ela gargalhou e me fitou através dos óculos escuros. – Vem, vou te mostrar um lugar para você dormir. – Assenti, meio tonto e a segui, ela havia arrumado a sala com um colchão no chão, apontou para o chão e eu, que estava totalmente escorado na parede, quase tombei ao tentar me abaixar. - Vou deixar você dormir agora. – Ela levantou e saiu em direção ao que parecia ser seu quarto. – Boa noite.
- Boa noite. – Tateei minha carteira pela minha calça, olhei a foto da e disse para a foto – Boa noite pequena. – Fechei a carteira e meus olhos.
Odeio acordar de ressaca, é uma sensação filha da puta, de boa, minha cabeça doía. Acordei com cheiro de bacon adentrando na sala onde eu havia dormido. Levantei, dobrei os lençóis e pus tudo em cima do sofá e segui o cheiro da comida. Achei a cozinha, lá estava ela, de calças de pijama amarelo-táxi e uma camisa que deveria ser o conjunto da calça, pois de costas era o desenho de um táxi. Sorri e parei ao seu lado. Ela, como sempre, estava de óculos escuros.
- Bom dia – Eu disse sorrindo.
- Bom dia – Ela disse colocando ovos e bacon em dois pratos, peguei os pratos e pus na mesa, enquanto ela pegava alguma coisa na geladeira.
Quando ela sentou na minha frente, tentei olhar nos seus olhos mas aqueles malditos óculos não permitiam que eu a olhasse direito, comemos em silêncio e quando acabamos ela finalmente falou alguma coisa. – Hey, eu vou trocar de roupa para ir no mercado e te deixo no caminho.- Eu sorri e assenti com a cabeça.
– Eu também vou trocar de roupa, não vai ser legal andar na rua com esse pijama caindo. – Ela levantou da mesa, eu recolhi os pratos, os pus na pia, comecei a lavar a louça, quando ouvi um grito vindo de dentro do apartamento. Corri até onde os gritos vinham, cheguei a um quarto com luz negra, era o quarto dela, mas porque diabos uma garota teria luz negra no quarto? Ela estava ajoelhada com as mãos nos olhos e seus óculos estavam no chão. Ela chorava muito, agachei ao seu lado.
- Calma, o que houve? – Ela olhou para mim, sem os óculos, não olhou exatamente, seus olhos pareciam duas bolas vermelhas, inflamadas e cheia de bolhas.
- Não olha nos meus olhos. – Já era, eu já havia olhado e nossa, estava horrível.
- Não to olhando, me diz o que eu faço? – Eu disse, sem saber muito o que fazer, ela soluçava e eu estava ficando desesperado de ver aquela situação.
- Liga pro meu médico, é o primeiro número da discagem rápida. – levantei correndo em direção ao telefone e falei com o médico dela, que me mandou pôr compressas de soro em seus olhos, uma venda e levá-la para o hospital naquele instante.
Voltei a abaixar ao lado dela. A abracei e levantei com ela, coloquei a venda e a compressa em seus olhos, agora eu descobri o que ela escondia atrás daqueles óculos. Coloquei uma venda que ela tinha dentro do criado mudo em seus olhos e a guiei até seu carro. Dentro do carro ela soluçava, eu me limitei a passar a mão em sua bochecha e falar para ela:
- Vai ficar tudo bem – Eu disse olhando para ela, que parecia sentir muita dor.
- Tá doendo – Ela disse entre soluços. – Nunca doeu tanto. – Eu vi um pouco de sangue, misturado com pus e lágrimas escorrendo por entre a venda, sem pensar duas vezes limpei aquela lágrima estranha e pra muitos nojenta. – O que foi? – ela disse, notando que eu tinha passado o dedo pela sua bochecha.
- Uma gota de água do vidro bateu em você – Eu disse disfarçando.
- Não tá chovendo – Ela disse soluçando.
- Eu só joguei água no vidro. – eu disse parando no sinal. – Conversa comigo e esquece a dor.
- Não dá, desculpa. – Ela disse e então eu avistei o hospital. - Olha, chegamos.
- Jura? – Ela deu um sorriso com dor, mas acho que aliviada.
- Juro. – Eu disse sincero, estacionando – Vou descer para te ajudar.
- Valeu. – Ela disse tateando para soltar o cinto. Dei a volta no carro, abri a porta e a ajudei a descer, ela ainda chorava bastante, não sei se era por dor ou por fraqueza. Não sei explicar, nunca tinha visto ninguém naquele estado.
- Isso acontece normalmente?- Perguntei enquanto caminhava com ela até o guichê.
- Quando eu melhorar te respondo. – O médico veio na nossa direção e a levou. Não me pergunte o motivo, mas eu não consegui sair dali, parecia até que eu me importava. É, eu me importava. Minha roupa cheirava a resto de vodca com o cigarro alheio. Eu estava enjoado do meu cheiro, isso era fato. Sou hiper-ativo, por isso fiquei andando de um lado para o outro, até que o medico apareceu, coisa de duas horas depois.
- O senhor acompanha a ? – era o nome dela. Agora que eu fui descobrir.
- Sim, eu acho. – Eu disse meio confuso
- Me acompanha? – E o fiz, o segui até um quarto, onde ela já estava de óculos escuros. Sentei ao seu lado na maca e sorri para ela.
- Tá melhor? – Eu perguntei, ela assentiu e me deu um sorriso como resposta. – Agora me diz o que houve? – O sorriso dela fechou, senti um clima tenso.
- Acho que te devo isso, depois dessa. – Eu abri um sorriso imenso.
- Me deve isso e um jantar.
- Deixa eu falar? – Eu assenti e levantei as mãos em sinal de “me rendo”, ela sorriu e continuou. – Então, uma vez eu estava em uma festa, daquelas de escola. Eu ia falar pro garoto que eu gostava que eu tinha cansado de bancar a muro de presídio e só dar fora nele. Então eu o vi, de costas, acho que ele estava bem, sei lá. Quando o chamei ele simplesmente me chamou pelo meu apelido e jogou um copo de whisky, direto nos meus olhos, quando eu abri os olhos, que estavam ardendo, eu estava de frente para aquelas luzes que piscam muito fortes, daquelas que parece que a gente tá em câmera lenta. Eu estava muito perto quando abri meus olhos, aquilo piscou na hora e a radiação daquilo me causou tipo uma sensibilidade à luz. E antes que você faça piada, eu não sou um vampiro. É só uma alergia intensa e hoje de manhã eu fui lavar o rosto e esqueci os óculos, quando eu olhei pela janela, o sol veio direto e começou a queimar.
Flashback on Formatura da oitava série, é o dia que eu me visto de pingüim, chamo alguma garota legal para ir ao baile da semana que vem e talvez consiga alguma coisa com ela. Passei três vezes pela , dude, hoje ela tava gostosa, por mais que estivesse com aquelas meias cor de sapo. Ela estava de shorts de educação física com aquelas meias estranhas no joelho. Esbarrei nela e disse:
- Ei sapinho, volta pro brejo. – Eu disse cutucando Scott com o cotovelo, que se escangalhou de rir.
- Se preocupe em crescer , depois eu deixo você tirar minhas meias. – Ela disse sorrindo. Quando ela sorria seus olhos se estreitavam e eu adorava aquilo nela.
- Só as meias, ? – Eu disse arqueando uma sobrancelha.
- Elas são as últimas coisas que você vai tirar - Scott arregalou os olhos, eu nunca a vi falando daquele jeito.
- Tá falando sério, ? – Ela gargalhou, parecia a bruxa da branca de neve.
- Nem nos SEUS sonhos . – Meu sorriso, que havia se formado antes dela soltar aquelas palavras delicadas, murchou. Ela passou por mim e eu olhei para trás, para ver para onde ela iria, mas me distrai no movimento que seu shorts fazia. Ela podia ser estranha, tudo, mas quando andava parecia um desfile de irmãos. Depois de me perder em seu shorts ou no que fazia movimento e volume no mesmo, Scott me convidou para a festa que daria em casa naquela noite.
Depois de enrolar o dia inteiro no computador, fui para a casa do Scott, a qual já estava super lotada. Entrei e comecei a beber com os caras. Dude, naquela noite eu bebi cerveja de cabeça para baixo, foi, decididamente, um dos dias mais felizes da minha vida até aquele momento. Quando me virei eu a vi, encostada na parede com o Archie, ele era um merda, um tipo de nerd arrumadinho, nunca o tipo da MINHA , por mais que ela não quisesse ser minha, mas ela seria. Eu os encarei, mas o que vi não foi ele se afastando dela e pedindo desculpas por agarrar minha garota, ele simplesmente avançou para mais perto, Dude, ele segurou no cabelo dela, eu vou matar esse filho da puta. Depois disso o que vi foi ele beijando ela, não um beijo normal, apesar de que nada é normal quando você agarra a garota do capitão do time de rugby. Quando vi que ele se grudava nela eu avancei, cambaleante e idiotamente bêbado eu fui, ao parar do lado dele o segurei pela gola. Sem entender ele me encarou, mas o que recebeu foi um soco em cheio no nariz. gritou alguma coisa que eu não entendi, excesso de álcool no sangue, nunca consigo lembrar das coisas por isso. Archie ficou sem reação e eu percebi que uma rodinha abria em torno de nós três, eu batendo no Archie, gritando do meu lado e cem pessoas mandando eu prosseguir com a briga. Eu o socava, até que ele me deu uma banda e me deu três socos seguidos, meus reflexos não estavam muito bons, os caras do rugby o tiraram de cima de mim e eu olhei , que me encarava desacreditada no que eu havia feito. Eu levantei, com dor no meu rosto e algumas partes do meu estômago. Saí da casa do Scott e sentei no meio fio, atrás de um arbusto, para que ninguém me visse daquele jeito, agora quem se sentia um merda era eu, por ter apanhado de um nerd. Deitei no chão e fiquei olhando para o céu, sentindo o sangue escorrer pelo meu nariz. Senti alguém se aproximando de mim, então levantei com um movimento brusco e bem dolorido. Ela era, na minha direção, sentada na minha frente com uma caixa de primeiros socorros e um saco de ervilhas congeladas.
- Põe isso onde dói, idiota. – Ela disse me entregando o saco de ervilhas.
- Por que você ta me ajudando, ? – Eu disse colocando o saco de ervilhas no meu olho.
- Não sei, mas aproveita meu bom humor. – Ela disse me puxando para seu colo. Às vezes vale a pena apanhar de um nerd por uma garota.
- Vou ficar quieto – Eu disse vendo que ela estava vindo com uma gaze molhada para limpar meu nariz.
- Acho bom – Ela disse, eu me contorci ao senti-la limpando meu nariz e meu supercílio. Depois que ela meio que cuidou de mim, levantou e apontou o indicador para meu rosto, me fazendo ficar vesgo – conte que eu fiz isso e eu te mato. – Ela disse em um tom ameaçador, eu assenti e me levantei vendo ela ir embora com a maletinha na mão. Depois disso não a vi mais aquela noite, até porque nem sei como eu cheguei em casa.
Flashback off
“Well I met this girl, just the other day” (Met This Girl – McFly)
Acordei com a respiração dela em meu ombro. Me ajeitei para não acordá-la, desci da maca e me olhei no espelho. Nossa, eu to acabado, minha barba está mal acabada e eu estou em um hospital com uma garota que eu conhecia há menos de uma semana, apesar de ela ter um sorriso lindo e achar que eu trabalho em obra por causa das minhas cantadas. É possível a gente se apaixonar por um sorriso? Não digo por olhos porque eu não consegui olhá-la nos olhos, exceto pela vez que eu não vi os olhos dela. A enfermeira entrou no quarto e eu me atrevi a perguntar:
- A senhora sabe me dizer se o médico dela está no hospital? – Velhinha simpática essa.
- Ele acabou de chegar, o senhor gostaria de falar com ele? – Eu concordei com a cabeça e ela me indicou o caminho até o médico. Agradeci ao sair do quarto e deixei a velhinha simpática cuidar da . Pedi informação para mais ou menos cinco seguranças até chegar à sala da residência, onde o médico sorriu ao me ver.
- Pois não, senhor... – Ele disse estendendo a mão.
- . – Eu disse – É que eu queria saber sobre o tratamento da , se eu pagasse uma parcela agora, o senhor a ajudaria? – Ele sorriu, acho que esse médico é gay.
- Você não sabe o tamanho da minha felicidade ao ouvir isso, eu cuido dela há oito anos e essa fora a pior crise dela. Que bom que ela conheceu alguém que a mereça. – ótimo, me digam por que eu vou ajudá-la? Não sei, mamãe diria que é questão de criação, óbvio, ela me criou. Mas a verdade é que eu tenho os vinte e cinco mil e não uso, ajudar não dói, exceto no nosso bolso, certo?
- Sim, estou feliz em ajudá-la, mas gostaria que ela não soubesse que a ajuda vem de mim. – O médico assentiu, peguei meu talão de cheques e preenchi. Entreguei ao médico e o mesmo me cumprimentou. Antes de sair disse:
- Vou começar antes que seja tarde – Como assim? O que ele quis dizer com isso? Saí da sala de residência, passei pelo quarto, onde ela dormia, peguei minha maleta e desci. Saí do prédio em busca do meu carro, já que eu havia vindo no dela. Ao passar pela recepção havia uma floricultura. Parei e encomendei uma rosa vermelha, dentro de uma caixa preta, com uma fita branca, mandei entregarem no quarto da com um bilhete escrito “Mais tarde eu volto para te ver. .”
Desci do taxi na rua do escritório, Bonnie deveria estar me procurando feito louca para assinar papéis. Cumprimentei o porteiro e ao entrar no elevador meu celular tocou, era o médico da , perguntando se poderia depositar o cheque hoje. Eu concordei e ele disse que quando eu voltasse ela já estaria sem os óculos, como um teste da sua resistência à luz. Ao dar as caras no escritório, cumprimentei a Bonnie que me mandou esperar. Eu disse que esperaria na minha sala.
- Senhor, esses são os papéis que o senhor não assina há três dias – Eu assenti, mas quando olhei para frente ela estava atolada até o queixo de papéis, eu arregalei os olhos e disse:
- Põe aí na mesa, daqui a pouco libero para você mandar para quem tem que mandar. – eu disse apontando para a mesinha de centro. Ela pôs com dificuldade eminente e se pôs de frente para minha mesa.
- Hoje um cheque vai ser depositado. – ela disse e eu prestei atenção no que ela dizia. – Sendo que o cheque dizia “Anônimo”, confirmo o depósito, senhor? – Ela disse parecendo atordoada.
- Confirma, é coisa minha. – Ela agradeceu e quando ia abrindo a porta eu disse – E um de vinte e cinco mil vai cair hoje, avise ao banco. – Ela assentiu, sem perguntar.
Demorei mais de duas horas assinando todos os papéis que a Bonnie havia me despachado, uns eram sobre o show do Tyler que ocorreria daqui a uma semana. Chamei a Bonnie à minha sala para pegar os papéis.
- Bonnie, manda alguém buscar meu carro na Apache. – Ela não entendeu nada.
- O senhor fora roubado? – Louca.
- Não, eu só não fui para casa nele. – Ela sorriu de canto e disse que voltaria em instantes. Depois de dez minutos ela voltou.
- Senhor, não tenho boas notícias. – lá vem.
- Fala Bonnie.
- Seu carro fora multado por parar em lugar proibido e... fora rebocado essa manhã. Posso liberar o dinheiro para tirar do depósito? – Assenti – Amanhã pela manhã estará na sua garagem.
- Amanhã Bonnie? – Eu disse passando a mão na minha barba mal feita.
- Hoje eu contratei um motorista para o senhor. Eu já vou, tenha um bom dia. – Eu assenti e ela fechou a porta. Meu celular tocou, número restrito piscava na telinha.
- falando.
‘Senhor, seu dossiê encontra-se no seu apartamento’
- Entendi, obrigado.
‘Qualquer coisa contate-nos.’
E desligaram.
Sim, eu sei do que se trata. Demoraram menos de um mês, bem menos. Desci e um motorista me aguardava, eu entrei no carro e indiquei onde eu morava, peguei toda minha correspondência, nada de dossiê nenhum, a não ser que o dossiê diga que eu ganhei um carro e isso seja uma mensagem muito subliminar. Depois de esperar três elevadores, o quarto estava habitável, ou seja, com menos de 12 pessoas. Parei no meu andar e avistei de longe um volume pardo no meu tapete de boas vindas. O peguei e juntei com minhas correspondências, demorei para entrar pois não achava a chave, então lembrei que a guardava debaixo da planta que ficava na porta da minha vizinha da frente, afinal, quem acharia a chave da minha casa na planta do vizinho? Tirei meus sapatos e me sentei no sofá, encarando o envelope. Eu estava com medo de abrir, vai que ela esteja casada ou ela morreu ou ela casou com o Archie? Sim, estou com medo. Abri finalmente o envelope, havia uma pasta grossa, escrita em negrito “1989_1” agora eu realmente estou com medo.
"1989_1"
Abri o tal dossiê e comecei a ler.
", vulgo para , nasceu no Hamptons, EUA. Seus pais se separaram quando a Srta. tinha apenas quatro anos de idade. No fim do colegial um “amigo”, supostamente sem intenção, derramou whisky em seus olhos, o que lhe causou uma grave doença, seu nome, ".
Meus olhos estavam cheios de lágrimas.
"Ela ficou noiva, mas, ao descobrir o valor do tratamento, seu noivo a largou alegando “não poder conviver com aquela doença”. sempre encarou com a mais possível naturalidade, mesmo quando era “zoada” por ficar todos os dias de óculos escuros, já que sua doença não permitia que ela fosse exposta à radiação tipo Beta e Gama."
Virei a página e lá estavam as fotos dos exames dela, agora eu a reconhecia, que idiota sou eu que ama uma garota, mas joga whisky nos olhos dela? Os olhos mais lindos que eu já vi na minha vida?
" estudou fotografia em Oxford, se formando como oradora da turma e saindo em turnê com muitas bandas de sucesso. Deixando seu passado de colegial afetada para trás. Há pouco tempo ela conseguiu empregar-se em uma das maiores Empresas de Shows, claro que seu currículo não constava sua doença, por medo de não ser aceita. Sua mãe faleceu quando tinha apenas dezenove anos. Não tendo mais parentes vivos. Atualmente descobrimos que a srta. encontra-se com um suposto caso, vide fotos."
Eu olhei as fotos e lá estava eu, com ela na cafeteria, saindo da boate com ela.
"Seu 'caso' é seu chefe , o mesmo que causou-lhe a doença dos olhos."
Eu não conseguia mais ler, haviam poucas outras coisas como fotos dela na faculdade e havia uma fita cassete, que parecia ter sido enterrada há muito tempo, minha curiosidade era muito grande, mas eu não a abri ainda. Fiquei olhando as fotos dela e separei algumas. Quer dizer que o amor da minha vida estava perto todo tempo de mim e eu não havia notado. E o pior de tudo, eu havia feito mal à ela, muito mal. Por mais que tivesse sido sem querer e eu não lembrasse, eu fiz mal à ela. Sempre falei para os caras não me deixarem mal a ponto de não lembrar o que eu fazia, mas nunca adiantou e cá estou eu, cheio de culpa no coração.
Me levantei em direção ao bar e peguei minha garrafa de Absolut, no frigobar algumas latinhas de energético. Sentei com um copo e comecei a beber, rápido, eu chorava de dor, eu havia feito mal à , sem querer, e sempre a culpava por me largar, agora eu me culpo por tê-la abandonado e não ter corrido atrás quando eu a vi indo para Oxford, por mais que eu não tenha falado com ela, eu vi seu carro indo. Depois de tomar a garrafa toda eu já não estava mais consciente. Peguei a fita cassete e fui para o quarto de hóspedes, onde eu tenho um vídeo que tem cassete. Pus a fita e comecei a assistir. Lá estava ela, já de óculos escuros.
“Err, eu não quero que você saiba disso, mas é que eu acho que não foi culpa sua. Lembra quando eu cuidei de você quando você brigou com um garoto bêbado por minha causa? Agora eu posso dizer que queria ter te beijado ao invés de apontar o dedo para seus olhos, eu sempre fui meio grossa com você. Também, você nunca me tratou direito, parecia aqueles homens que trabalhavam em obra e não via mulher há anos, mas como você também não percebeu? Você é um idiota. Eu to indo pra Oxford e não sei o que vai ser da minha vida sem você. Por mais que seja tarde, eu te amo .”
Eu não sabia o que fazer. Eu fodi com a vida da garota que eu mais amo na minha vida, por mais que ela não saiba disso. Acabei de descobrir que ela me ama, pelo menos quando era mais nova. Cacete, eu não sei o que eu faço. Peguei outra garrafa de Abslout e bebi puro, foda-se, já não estou mais sentindo minha garganta mesmo. Levantei e cambaleei pela sala em busca de um pote pequeno que eu costumava guardar debaixo do bar. Depois de topar quarenta vezes nas coisas ao meu redor achei a maldita caixinha, deveria estar ali há pouco menos de um ano. Abri a caixinha e tirei dali um saquinho com pó branco, virei parte do conteúdo na tampa da caixinha. Fiz duas carreiras pequenas com os dedos, coloquei meu nariz na tampa, logo no início da primeira carreira e a inalei rápido, repetindo o movimento com a segunda carreira. Em questão de segundos senti uma espécie de euforia, como se todos os nervos do meu cérebro tivessem levado um choque. Peguei meu casaco e desci pelo elevador me encostando na parede para não cair. Eu sabia, pelo menos eu deveria saber antes de me entupir de álcool no corpo, que eu devia misturar bebida com cocaína, parei na portaria do prédio e mandei o porteiro chamar o meu motorista. Me joguei dentro do carro e o mandei dirigir até o hospital que ela estava. O segurança não quis me deixar passar, dizendo que o horário de visitas já tinha acabado ou alguma coisa do gênero. Tirei minha carteira do bolso e coloquei todo meu dinheiro na mão do segurança e subi, batendo nos cantos e tropeçando no corredor. Meio embaçado enxerguei o número do quarto dela. Abri a porta e lá estava ela, descendo da cama, tentei correr em direção à ela, mas tropecei e caí no chão de joelhos. Ela me olhou e veio em minha direção. Chorei feito criança quando ela chegou perto de mim. Abracei-a pela cintura e afundei meu rosto em sua barriga.
- Me perdoa, eu não queria ter feito isso com você – Eu disse embolado e soluçando. Ela passava a mão pelos meus cabelos.
- Eu sabia que você não tinha feito isso de propósito comigo, . – Eu olhei para cima e percebi que ela não usava óculos.
- Você sabia que eu era eu? – Eu disse meio tonto, ela abaixou e ficou ajoelhada na minha frente com as duas mãos na minha bochecha.
- Sabia. O que você usou, ? – Ela disse em um tom maternal.
- Cocaína e bebi algumas coisas. – Eu disse limpando meu nariz. Ela segurou meu rosto e me olhou, com os olhos um pouco inchados ainda.
- Eu não quero mais te ver assim. – Eu segurei seu rosto com as duas mãos e sorri de lado.
- Pensei que nunca mais te veria. – Eu disse sorrindo, ela olhou para baixo.
- Pensei que você não fosse me reconhecer nunca. – Dei um selinho nela, que sorriu.
- Prometo que não vai mais ver. Quando você me descobriu? – Eu disse com a língua embolando.
- Quando você me beijou.
- Então espera que eu ainda não reconheci – Deveria ser algum efeito do álcool ou alguma alucinação da cocaína. Passei meu nariz pelo dela, que fechou os olhos e sorriu involuntariamente. Coloquei seu cabelo para trás, ela passou as costas da mão pela minha bochecha, eu cheguei mais perto e encostei nossos lábios, sorri e a beijei. Deve ter sido meu momento sóbrio da noite, passei minha língua sobre a dela, pus as mãos em sua cintura e apertei-a contra meu corpo, mordi seu lábio inferior e a observei, ela sorria de olhos fechados, eu a abracei, rezando para lembrar daquilo quando acordasse. Ela me olhou e sorriu.
- Vai dormir aqui hoje? – Ela disse sorrindo.
- Eu não saio de perto de você por nada nesse mundo. – Ela levantou e me ajudou a ficar de pé. A segui até a maca e deitei ao seu lado, ela virou de frente para mim e me encarou com aqueles olhos inchados lindos. Passei a mão sobre seu rosto e ela fechou os olhos. Cheguei mais perto dela e dei um selinho. – Boa noite minha .
Ela retribuiu o selinho e me abraçou.
- Boa noite meu .
“Can’t you see? You belong with me” (You belong with me – Taylor Swift)"
Acordei com um beijo doce na minha bochecha, abri os olhos devagar, ardiam e minha cabeça queimava de dor por causa do que eu bebi no dia anterior. Ela usava óculos escuros, eu pensei que ela já pudesse tirar, mas sei lá né. A abracei pela cintura e inspirei seu perfume. Quem diria que depois de tanto tempo ela estaria ali comigo? Dei um selinho demorado nela, que sorriu e levantou da maca.
- Bom dia – Ela disse incrivelmente linda naquele pijama de hospital, eu sorri, não dava pra evitar.
- Bom dia – eu disse coçando meus olhos e sorrindo para ela. – Hoje você tem alta? – Eu disse e o sorriso dela murchou.
- Não, hoje eu tenho que ficar aqui, o médico disse que em uma semana eu saio. – Eu desci da maca e andei em direção à ela.
- Eu não vou sair daqui, mas o que houve? – ela virou para mim e me abraçou.
- Não sei, o médico disse que arrumaram um financiador pro meu tratamento, eu to tão feliz . – Eu a abracei forte, fechando meus olhos para sentir o corpo dela com o meu.
- E agora? Você pode tomar café comigo? – Ela me deu um selinho e sorriu como criança.
- Não, eu tenho uma sessão do tratamento agora, quando eu voltar posso ficar sem óculos. Você vai me esperar? – Assenti com a cabeça e ela chamou a enfermeira que a levou para a sala ao lado do quarto. Eu não pude entrar porque a mulher disse que seria muito doloroso para mim ver aquela cena. Sentei ao lado da porta e esperei, dez minutos depois eu estava de pé, andando de um lado para o outro como um banana que espera o filho nascer. Vinte minutos e nada, comprei um café qualquer em uma máquina que estava no corredor. Me pus de pé ao lado da porta da sala a qual ela havia entrado, poucos minutos depois eu a ouvi gritar, um grito de dor, muita dor diga-se de passagem. Talvez seja normal, talvez ela sinta um pouco de dor, eu lembro do médico falando que seria doloroso, então ela gritou de novo e gritou meu nome. Eu abri a porta desesperado.
- , o que houve? – nenhuma resposta, eu a vi, ela estava deitada e a mulher com uma agulha que, DUDE, era muito grande. A mulher falou alguma coisa e dois enfermeiros vieram na minha direção e me tiraram do quarto. E o pior, ficaram na porta, como dois postes, claro, se eles não estivessem ali eu arrombaria a porta. Eu desci, bufando, fui para o lado de fora do hospital e avistei um botequim, entrei, sem pensar duas vezes. Comprei duas garrafas de caipirinha, as enrolei no jornal e voltei para o hospital. Entrei no quarto da e abri a primeira garrafa. Em menos de quinze minutos ela já havia acabado, abri a outra garrafa de caipirinha e bebi metade em um gole. Me deixando tonto e meio atordoado. Terminei a garrafa e me arrastei até o sofá. Eu não sou capaz de ver a sofrendo o que ela estava sofrendo, eu não aguentaria a dor. Foi aí que eu comecei a chorar, mas não chorar, eu digo realmente cair em prantos. Abracei minhas duas garrafas e fiquei olhando para o teto, esperando alguma punição divina, eu ainda estava tonto, o que significava que o teto rodava loucamente, foi quando eu ouvi a porta batendo.
- , o que houve? – Era ela, sem óculos, sorrindo. Pelo menos sorria até olhar as garrafas nas minhas mãos. – Eu não acredito que você está bêbado.- Eu me levantei com esforço, sentei e a puxei para mim.
- Você tava chorando, tava sofrendo e eu não podia fazer nada. – Abracei minhas pernas e comecei a chorar novamente. Ela fez carinho no meu cabelo e me abraçou, assim como havia feito na noite passada.
- É doloroso, eu sei, mas eu vou ficar boa assim, eu sei que ainda está inchado, mas depois de amanhã eu não vou mais precisar dos óculos . – Eu olhei para ela e, cara, os olhos dela são lindos, de todos os jeitos. – Mas eu não quero ver você assim por mim. – Ela puxou meu rosto e mordeu meu lábio inferior.
- Você não faz idéia de como eu fiquei por você todo esse tempo faz? – Ela sorriu.
- Talvez um terço do que eu tenha sofrido por você. Vem aqui, eu quero te manter sóbrio. – Ela disse me fazendo levantar cambaleando até o frigobar, de onde tirou um pote e enfiou uma colher com o que tinha no pote dentro da minha boca. Era açúcar. Depois de mais de cinco colheres de açúcar eu estava recuperando meus sentidos. Ela me fez comer chocolate, tudo doce contrabandeado pelas enfermeiras para ela. Eu ri quando soube que as enfermeiras traziam Burger King para ela. Aproveitamos a deixa e pedimos lanche, tive que descer para pegar o lanche. Quando subi o sorriso dela ficou enorme ao ver os saquinhos e as duas coroas na minha mão. Coloquei uma coroa nela e disse que ela seria minha rainha. Depois de vê-la praticamente engolir o hambúrguer, a batata e ainda roubar as minhas. Contei para ela todos os meus planos mirabolantes para encontrá-la e ela me contou como achava que eu me sentia culpado e acreditando que eu a odiava.
- Eu não odiaria você nem em um milhão de anos. – Ela deu um sorriso que me fez derreter por dentro.
- Sei lá, né. – Ela disse e eu cheguei mais perto dela.
- Nunca mais acredita nisso. – Ela estava sentada na maca e eu levantei, me pondo na frente dela.
- Vou tentar. – Ela disse sorrindo para mim e eu a abracei pela cintura. – Se você prometer nunca mais colocar investigadores atrás de mim.
- Você não usa mais meia de sapo não, né? – Eu disse e ela fez careta.
- E você não é mais presunçoso, é? – Ela pôs as mãos na minha nuca.
- Jamais. – Eu dei um passo para frente e passei meu nariz pelo nariz dela, ficamos nos olhando por um tempo, até que ela fechou os olhos e passou os lábios pelos meus. Fiz carinho na cintura dela com a ponta dos dedos enquanto ela fazia todos os meus pêlos arrepiarem com o toque nos dedos na minha nuca. Quando nossas línguas se encontraram eu senti tudo o que eu havia sentido na noite passada e mais um milhão de sensações passavam pelo meu corpo, puxei-a para mais perto de mim, pus uma mão em sua nuca e outra na coxa, apertei com a ponta dos dedos e ela deu um gritinho abafado.
- , a gente tem que parar. – ela disse e eu ignorei, mordendo seu pescoço e sorrindo. Dude, eu esperei dez anos por isso, não é porque eu estou em um hospital que eu não posso dar uns amassos nela, certo? Com os meus dedos que estavam na nuca dela eu envolvi seu cabelo e dei um puxão firme para trás, sorrindo quando ela me olhou, ela havia me mandado parar mas quando eu a agarrei ela pôs as mãos no botão da minha calça e fez menção de abrir, quando eu notei que ela desistiu soltei um bufo de reprovação, o que fez ela sorrir mais ainda, se afastando de mim. - Hoje não . A gente vai esperar, né? – Como assim, mano? Eu sorri disfarçando e disse que precisava relaxar. Claro, demorei uns vinte minutos no banheiro e quando saí ela já havia dormido. Como ela parecia confortável ou pelo menos melhor que eu, a cobri e dei um beijo em sua testa.
Deitei no sofá, pensando como tê-la comigo ainda parecia surreal e o quanto eu queria que ela melhorasse. Com o sol queimando meus olhos eu acordei, vi que dormia profundamente ainda, fui ao banheiro e fiz minha higiene matinal, mesmo que aquelas escovas de dente de hospital sejam uma merda. Desci para respirar ar puro e saber como andavam as coisas no escritório. Liguei para Bonnie e a mesma me disse que eu tinha que assinar alguns mil papéis, mas que eu poderia deixar para depois caso eu quisesse. Havia um tipo de stand vendendo ursos de pelúcia, foi quando eu avistei o panda. Sim, ela tinha uma certa mania por pandas ou eram coalas? Mas não tinha coala no cara da venda, então optei por um panda que deveria ser do tamanho dela, subi me atolando com o bicho, animal ou sei lá o que é aquilo. Quando cheguei no quarto ela estava meio acordada, então eu meio que gritei sem querer.
- BOM DIA AMOR – Ela meio que pulou da cama de susto e coçou a cabeça confusa com aquele bicho imenso.
- Errr, bom dia – Então ela viu o panda – MEU DEUS, O QUE É ISSO? – Ela disse com uma expressão surpresa, alegre e sei lá mais o que.
- É um bicho de pelúcia – Eu disse entregando o troço. – Você gostava de pandas quando a gente estudava, sua mochila tinha chaveiro e tudo.
- Err, amor, eu gostava de coalas e cangurus. – Merda. – Mas o que vale é a intenção. – Ela disse abraçando o panda e sorrindo para mim, eu já comentei que o sorriso dela é perfeito, né? Cheguei perto dela e dei um selinho.
- Eu lembrei de você quando vi o panda. – Ela me olhou como se fosse me matar. O que eu fiz agora?
- Ótimo isso, agora você lembra de mim quando vê um animal gordo, que come bambu e só não fico em extinção por causa dos humanos. – E ela fez um bico tão, tão, tão lindo. Eu a abracei e empurrei o panda para o chão, mordi o bico dela até ela sorrir – Que foi?
- Mas você tá em extinção... – Ela fez uma expressão de dúvida.
- Tô? – Ela disse e eu mordi seu lábio inferior.
- Porque a partir de agora você é minha e eu te ponho em extinção, assim nenhum outro cara vai dar em cima de você. – Ela gargalhou e me puxou para cima da maca, eu obedeci, afinal quem brigaria com ela? Fui “obrigado” a me colocar em cima dela, pus uma das minhas mãos na sua cintura e a outra em sua coxa. Ela pôs as mãos em minhas costas, apertando-me contra seu corpo para que o espaço acabasse por completo. Apertei mais ainda nossos corpos e a beijei com a intensidade de dez anos de beijo enrustido em mim, enquanto eu buscava ar ao tentar me lembrar de oxigênio, então eu senti suas unhas fincarem nas minhas costas por baixo da minha blusa, me fazendo sentir arrepios em lugares que eu nunca imaginaria me arrepiar. Apertei sua coxa com força, o que a fez desviar do meu beijo por poucos segundos para soltar um breve e baixo gemido, o suficiente para me deixar sentir todo o calor do meu corpo em uma única direção. Ela dobrou uma perna, me pondo no meio, deslizei minha mão até sua virilha, onde senti sua calcinha, provável que meu cérebro esteja precisando de oxigênio e eu não esteja preocupado com isso, beijando-a com a mesma intensidade ou talvez um pouco pior ou melhor, depende do ponto de vista. Ela não fez nada para me impedir, então me desfiz de sua calcinha em uma velocidade assustadora, beijando-a ainda, passando minha língua pelo céu de sua boca e a penetrei com dois dedos, recebendo um gemido longo sem interromper o beijo, aumentei a velocidade com que meus dedos a penetravam, fazendo-a sorrir levemente durante o beijo. Ela abriu o botão e o zíper da minha calça.
“Leve meu sorriso no peito, meu coração agora é teu.” (Chimarruts – Foi embora)
- ? – nós ouvimos alguém chamar, não que fosse interessante, mas ouvimos. E de repente o barulho da porta. Eu dei um salto e sentei rapidamente no sofá ao lado da cama. Ela parou, travada, olhando para a porta. – Vou fechar e abrir a porta de novo, para vocês err, se recomporem. – E encostou a porta. Para aliviar meu estado puxei uma almofada para meu colo e a se cobriu. Eu a olhei, ela estava vermelha, muito vermelha. Quando ela olhou para mim eu não pude evitar, comecei a gargalhar e ela também. Então o médico que provavelmente deve dormir com alguém de calça jeans abriu a porta. – Posso entrar agora? – assentiu e ele entrou, possivelmente com vergonha. – eu tenho uma noticia boa e uma chata. – Ele só aparece com isso.
- Diz a chata – A voz dela falhou um pouco e eu me limitei a fitar a almofada.
- A chata é que você vai ter que vir aqui todos os dias – Ela revirou os olhos e concordou com a cabeça.
- E a boa? – O médico sorriu, esse cara tava dando mole pra ela?
- A boa é que suas lentes chegaram e seu remédio também. – Ela sorriu como uma criança. Uma criança linda por sinal.
- Cadê? – Ela disse e o médico estendeu duas caixas brancas, uma grande e uma bem pequena.
- Estão aqui e seu remédio também. Vou prescrever tudo e você pode ir para casa depois da sessão de hoje. – Ela levantou e ficou de costas para mim, esquecendo que estava sem calcinha e que a roupa do hospital só cobria a parte da frente. Por sorte só eu vi. – Eu vou deixar você trocar de roupa e a enfermeira já vem te buscar. – Ela assentiu, ainda com tudo exposto na minha direção, que estava me dando vontade de duas coisas. A primeira era agarrá-la ali mesmo e tirar o que faltava, a segunda era rir e falar pra ela quando a mesma não estivesse entendendo o motivo do meu ataque de risadas. Quando a porta fechou ela pulou no meu colo.
- Eu vou para casa. – Ela disse sorrindo e eu pus as mãos na coxa dela.
- Corrigindo, você vai para a minha casa. – Ela arregalou os olhos.
- Não mesmo. – Eu mordi o pescoço dela.
- Demorei dez anos pra ter você comigo e ainda acredita que vai fugir de mim? – Ela revirou os olhos e me abraçou.
- Vamos fazer um acordo? – Tenho chances de contestar quando ela está quase nua no meu colo?
- Tá, senhorita bumbum para a lua. – ela ficou vermelha e deu um tapa no meu braço.
- Um dia na minha casa e um dia na sua. – Eu sorri e dei um selinho nela.
- Tudo bem, posso te dar um presente? – ela arqueou a sobrancelha.
- Tudo bem, um presente. O que? – Eu a tirei do meu colo e apontei para o ‘buraco’ da sua roupa. - Um dia no shopping, mas você vai ter que comprar calcinhas. – Ela ficou vermelha e foi até sua bolsa buscar uma calcinha. Eu acho.
- A culpa não é minha se você é apressado e resolve arrancar minha roupa no hospital. – Ela disse colocando a calcinha e uma calça daquelas de hospital. Eu levantei e a abracei por trás.
- E a culpa não é minha se você fica irresistível nessa roupinha branca. – Eu disse e mordi o lóbulo de sua orelha.
- A enfermeira pode entrar. – Ela disse e eu a virei para mim, encostei meu nariz no dela e mordi seu lábio inferior.
- É capaz de eu chamá-la pra assistir. – Ela revirou os olhos e envolveu os braços no meu pescoço. - Eu vou te castrar. – Ela sorriu e me deu um selinho.
- Mesmo castrado eu vou te amar. – Eu sorri e a soltei. Por mim eu ficaria ali o dia inteiro, não necessariamente a beijando, mas com ela. Por infelicidade a enfermeira chegou e a chamou, ela me soltou e eu avisei que guardaria as coisas dela. Dessa vez eu não a acompanhei, não estava afim de vê-la sofrer outra vez, eu não suportaria sentir a dor dela de novo.
Sorri feito idiota enquanto arrumava as coisas dela, eu estava parecendo minha mãe naquela posição. Tudo bem, eu me calo. Se ela não quiser ir para minha casa hoje eu a sequestro, eu sei que não vou fazer isso, mas é só um plano B. Passei a mão pelos meus cabelos quando terminei, sentei no chão do quarto e resolvi esperar que ela entrasse sorrindo e me fazendo derreter por completo. Sim, ela tem esse efeito sobre mim, é corrosivo, mas um corrosivo feliz. Deitei na minha mochila no chão mesmo. Fiquei olhando para o teto branco do hospital e me deu uma sensação de paz, de alívio. Talvez seja por isso que os tetos de hospital eram brancos, pra aliviar a sensação desconfortável que o hospital trazia. Dormi, por dez ou cinco minutos, eu acho. Acordei com uma respiração leve no meu pescoço. Sorri involuntariamente de olhos fechados, ela passou as costas da mão pelo meu rosto e eu abri os olhos, ela me olhava sorrindo, de olhos fechados. Realmente ela era linda. A fitei por alguns segundos, ao menos me pareceram segundos.
- ? – Ela falou ainda de olhos fechados e eu sorri mais ainda.
- Fala amor – Ela suspirou leve e eu pus uma das minhas mãos sobre a dela.
- Nada, eu só queria saber se era real. – Eu levantei e fiquei de frente para ela, não de frente exatamente, mas de lado, tal que meu tronco estava virado para ela e minhas pernas meio de lado.
- Eu estou aqui e não vou mais sair do seu lado, nem que você queira, eu não tenho mais forças para lutar contra qualquer parte de mim, se é que existe alguma. Eu não tenho forças para ficar longe de você, meu lugar é aqui e eu vou te fazer me aturar pelos dez anos que eu estive longe de você. – Então ela me abraçou. Não foi aquele delicado, ela voou no meu pescoço e se não fosse tão bom eu lembraria à ela que oxigênio é necessário para que eu viva. Eu a abracei pela cintura e sussurrei em seu ouvido. – Se isso foi um eu te amo em silêncio, acho que no eu te odeio você me mata. – Ela riu baixinho. Passei as mãos por debaixo do joelho e a levantei. – Vamos para casa.
Depois de descermos e ela ficar fazendo caretas dentro do carro para me desconcentrar, chegamos ao apartamento dela. Ao parar na frente da garagem fiz uma careta.
- Que foi? – Ela disse arqueando a sobrancelha.
- Nada pequena, eu achei que você iria para a minha casa hoje. – Ela sorriu de lado.
- Você fez alguma coisa? – Não.
- Fiz, era surpresa, mas fiz. – Ela alargou o sorriso, merda, eu não fiz nada.
- Então eu vou fazer o seguinte, vou buscar algumas roupas e a gente vai, tudo bem? – Dei um selinho e ela desceu do carro. Bati três vezes minha cabeça no volante, pensando no que fazer. Então eu avistei meu celular.
- Bonnie, me salva.
- ‘O que houve senhor?’
- Pra agora, liga para aquele restaurante novo do lado do meu apartamento e encomenda um jantar.
- ‘Mas que tipo?’
- Qualquer coisa Bonnie, liga pra minha empregada e manda ela arrumar a mesa com velas e essas coisas.
- ‘Entendi, depois posso dispensá-la para o final de semana senhor?’
- Pode, claro.
- ‘Ok senhor. Boa noite.’
- Bonnie.
- ‘Pois não.’
- Obrigado, de verdade.
- ‘De nada senhor. O show do Tyler fora adiado’
- Para quando?
- ‘Daqui há um mês. Ele passou mal e está se recuperando. Sexta o senhor aparece aqui?’
- Claro. Tchau bonnie.
Suspirei, claramente aliviado e passei a me concentrar em uma coisa: enrolar a . Dez minutos depois, mais ou menos, ela apareceu, básica, linda, gostosa e de mochila. Diga-se de passagem. Entrou no carro e sorriu para mim.
- Vamos? – Ela disse me tirando do transe.
- Claro. – Eu disse dando a partida no carro. Dirigi em direção ao meu apartamento e parei umas duas ruas antes, meio vazias. Desliguei o carro e virei para ela. – Pequena – Ela me olhou meio assustada, mas se inclinou para mim.
- O que houve? – Eu segurei o rosto dela com as duas mãos.
- Nada, eu só quero te dizer umas coisas. – Enrole, enrole. Era tudo que minha mente dizia.
- Então diz homem, tá me deixando nervosa. – Ela sorriu e eu sorri junto. Olhei para o relógio e gravei mentalmente o horário.
- Eu quero te dizer que eu sonho com o seu sorriso, com a sua respiração perto de mim todos os dias desde que você bateu na minha cara dentro do trem. Quero que você saiba que eu nunca fui capaz de amar ninguém como eu te amo, eu nunca desejei ninguém quanto eu desejo você. Eu vi meu mundo acabando quando você se foi e renasci quando te beijei pela primeira vez, por você eu vou parar de beber, vou tentar me curar. – Ela sorriu e seus olhos se encheram de lágrimas. – Eu quero uma vida com você, eu quero doze filhos correndo pela casa, quero ficar velho com você lendo o jornal do dia anterior na varanda de casa, com cachorros deitados ao lado das nossas cadeiras de balanço. Tudo o que eu quero nesse momento é fazer você feliz e o que eu quero para o resto da nossa vida é a nossa felicidade conjunta. – Então eu encostei meu nariz no dela e sorri, ela fungou e sorriu também.
- Tirando pela parte dos doze filhos, faço das suas, minhas palavras. – Passei meus lábios pelos dela. – Amor? – Pus meus lábios em forma de linha e disse:
- Hum... – Ela sorriu, sem desgrudar os lábios dos meus.
- Por que você está me enrolando? – Fali na missão.
- Não estou enrolando. – Sim, estou só não vou te dizer.
- Vou fingir que acredito.
- Isso pequena, finge.
Então ela fingiu, da melhor forma possível. Virou o corpo totalmente para mim ignorando qualquer caixa de marchas e freio de mão que havia entre nós dois. Pôs as duas mãos pela parte de dentro das minhas coxas e passou e unha por ali, eu sorri e a puxei para que ficasse no meu colo, o que acarretou uma bela batida de cabeças, das duas partes.
- Banco de trás? - Falei coçando o protótipo de galo.
- Com certeza. - E ela se jogou para o banco de trás, me dando uma breve visão do que não estava vestindo. Fui logo depois e sentei ao seu lado. Pensamento inutil, senti duas mãos me puxarem bruscamente pela gola da blusa pra seu colo. Sem pensar, nem respirar, obedeci aos seus comandos e pus uma das mãos na barra so seu vestido e o levantei, ela grunhiu em reprovação. Mas eu ignorei, passei as mãos pelas suas coxas, fingi que ia beijá-la na boca, o que a fez fazer um bico que me deu vontade de morder, com a mão livre puxei seus cabelos para trás, mordendo seu lobulo e distribuindo chupões e mordidas por toda a extensão do mesmo. Fazendo com que todos os pêlos do corpo dela se arrepiassem e eu sorrir ao percebeu isso. Ela apoiou o queixo no meu ombro e eu pude sentir sua respiração quente seguida de uma leve mordida sobre o mesmo.
- – Ela disse ofegante e em resposta eu apertei suas coxas, o que a fez soltar um gemido baixo e breve no meu ouvido. – Pára, eu não quero que nossa primeira vez seja dentro de um carro. – Saí de cima dela e pulei para o banco da frente, sem dizer uma palavra. Ela se sentou ao meu lado e fitou meu silêncio – Desculpa.
- Tudo bem pequena. – Soltei a mão do câmbio e pus em sua coxa. – Tá tudo bem, de verdade.
– Ela disse sorrindo e entrelaçando nossos dedos. Impossível ficar puto quando ela sorri desse jeito.
- Fala meu amor – Eu disse concentrado em levar ela para o meu apartamento e em ver os olhos dela brilhando quando visse o que a Bonnie arrumou.
- Eu tenho ficado tão cansada depois das sessões – Ela olhou para nossas mãos de cabeça baixa.
- Eu sei que tem amor, dá para ver. – Dei um sorriso de lado e apertei de leve nossos dedos. Avistei o prédio que eu moro e entrei na garagem, estacionei o carro, abri minha porta e corri para abrir a dela. – Tudo bem amor? – Eu disse pondo uma mão em sua cintura, ela assentiu com a cabeça. Entramos no elevador ainda com um silencio perturbador, o pior dos barulhos. Paramos no meu andar e a porta abriu, no mesmo instante me pus atrás dela e fechei seus olhos, guiando-a para o corredor.
- Espera, tapar meus olhos não vale amor. – Ela resmungou.
- Vale, vamos andando. – Eu disse guiando ela até a porta do meu apartamento, quando abri soube que tinha sido idéia da minha empregada, não da Bonnie, tinham pétalas de rosas pelo chão do apartamento todo, um jantar a luz de velas e um buquê gigante de flores brancas com uma única flor vermelha, debaixo do buquê tinha um bilhete escrito “” continuei guiando a até onde estava o buquê e tapando os olhos dela com apenas uma das mãos me desdobrei para abrir o envelope, e mantê-la de olhos cobertos. “quer dizer que o senhor está dando seu coração para ela.” . Soltei-a e mostrei a ela o buquê, os olhos arregalaram e sua boca abriu, expressão de surpresa.
- Tudo isso é para mim? – Ela gaguejou analisando cuidadosamente cada detalhe do buquê com os olhos brilhando. Assenti com a cabeça e ela sorriu. – Não precisava disso . Por quê só tem uma rosa vermelha amor? – Abracei-a por trás e dei um beijo leve em seu ombro.
- Tudo sempre foi por você e para você. – Peguei o buquê de sua mão e a virei para mim, que sorriu. – A rosa vermelha é meu coração, eu to dando ele para você. –
Abracei-a pela cintura e fiz com que nossos narizes se encostassem, e sorri assim que ela o fez.
- Eu te amo – Ela sussurrou me dando um selinho leve, eu aproximei mais nossos corpos e chamei-a para um beijo leve, fazendo carinho com a ponta dos dedos pela sua cintura, enquanto ela arranhava minha nuca fazendo com que eu me arrepiasse, sorri e intensifiquei nosso beijo, mordendo seu lábio inferior em busca de oxigênio, sem sucesso na busca por uma coisa tão desnecessária. Nossas línguas faziam movimentos circulares e minhas mãos exploravam a extensão de suas costas subindo e descendo a barra de sua blusa, ela segurou minhas mãos de me deu selinhos demorados. – Você não existe .
- Existo e não vou sair de perto de você por nada nesse mundo – Eu disse enquanto caminhava até a mesa de jantar. – Com fome pequena? – Ela assentiu e sentou na mesa, comemos, rimos e relembramos coisas idiotas de escola.
- Tava uma delicia, como você arrumou isso tudo? – Ela perguntou enquanto eu tirava os pratos da mesa e colocava na pia da cozinha.
- Foi a empregada, mas a idéia foi minha. – Ela sorriu e foi em direção ao banheiro enquanto eu fui checar se meu quarto estava arrumado. Como imaginei a empregada jogou rosas por cima da cama toda e deixou uma garrafa de champanhe e umas velas. Corri na cozinha, peguei o fósforo e acendi todas as velas o mais rápido possível e voltei para a cozinha, sentando na bancada. Ela veio mexendo no cabelo, eu apenas a acompanhei com o olhar até que parasse na minha frente. – Como você ta se sentindo?
- Acho que eu estou bem – Ela sorriu e me abraçou pela cintura, eu pus as mãos em volta do seu pescoço – E você, como está? – Ela encostou a cabeça no meu peito e seu rosto formou um sorriso lindo.
- Melhor impossível. – Afaguei seus cabelos e ela se virou pra mim, encostando os lábios no meu queixo, inclinei um pouco minha cabeça encostei nossos lábios por um longo tempo, um beijo calmo e doce, desci da bancada sem me separar dela, pus as duas mãos em sua bunda e fiz com que ela envolvesse as pernas na minha cintura, levei-a até meu quarto, onde ela partiu nossos beijos ao ver a iluminação fraca, sorriu e encostou o nariz no meu.
- Eu te amo – Ela disse e voltou a me beijar, agora intensamente, nossas línguas se encontravam como se sentissem sede uma pela outra, minhas mãos apenas a seguravam, já as dela exploravam minhas costas com vigor, ela me arranhava enquanto eu adentrava o quarto. Deitei ela na cama e tirei minha camisa rapidamente, atirando a mesma no chão, me inclinei sobre o corpo dela com cuidado e mordi seu queixo, ela inclinou uma perna e a manteve dobrada ao lado do meu corpo, pus a mão em sua perna e apertei seu interior, fazendo com que ela mordesse meu lábio inferior com um pouco mais de força do que normalmente faria. Tirei sua blusa rapidamente, e voltei a buscar seus lábios, sorrindo entre o beijo, pus minha mão livre sobre seu seio, ainda por cima do sutiã, o fecho do sutiã era na parte da frente e ela riu baixo entre o beijo ao perceber minha luta contra o fecho. Apertei seu seio com uma única mão, ela soltou um baixo gemido, e arranhou minhas costas mais forte, e pôs uma das mãos no botão da minha calça, enquanto eu a beijava, ela abriu minha Calça e a arriou um pouco, me afastei dela e tirei a calça, sorri e passei a mão por sua perna, tirei sua calça e apertei o interior de suas coxas, passei a ponta dos dedos pela sua virilha até chegar na intimidade, que se encontrava inchada, olhei para ela e sorri, ela soltou um gemido alto e fincou as unhas no lençol da cama assim que eu tirei sua calcinha e a penetrei com dois dedos, com a outra mão afastei sua perna e encostei meus lábios em sua intimidade, eu podia sentir ela se contorcendo nos lençóis e gemendo alto, suguei seu clitóris enquanto três dedos meus a penetravam, fiz movimentos rápidos com a minha língua até que ela chegasse ao ápice, subi pelo seu corpo e a beijei, com força, sentindo o desejo dela, e meu desejo, visto que meu pênis latejava, então ela abaixou minha boxer com uma rapidez impressionante, a penetrei devagar, ela mordia e sugava meu lábio inferior, eu fazia movimentos lentos, e a via de relance revirando os olhos, a sentia arranhando minhas costas e gemendo baixo em meu ouvido, o que me motivava a ir mais além, a partir disse comecei a investir com mais rapidez, fazendo com que ela me beijasse mais forte, explorando meu pescoço aplicando mordidas e chupões, quanto mais rápido eu ia, mais ela me arranhava e me puxava para perto de si. Perto do meu ápice passei a investir com força, fazendo ela gemer alto, ao falar meu nome entre gemidos fiquei mais excitado me fazendo segurar meu orgasmo e fazer com ela chegasse ao seu segundo. Mais forte e mais rápido, eu sentia cada vez mais as unhas dela na minha nuca e nas minhas costas, então cheguei ao meu orgasmo, retirei meu pênis de dentro dela, vi que ela me olhava pedindo mais, porém, eu estava suando demais, então a penetrei mais uma vez e investi nela rápido, até que ela gozou e sorriu para mim. Saí de cima dela e deitei ao seu lado, puxando o lençol para cobrir nossos corpos, afaguei seu cabelo e fiquei sorrindo para o teto, até que a olhei e ela sorria para mim. Beijei o topo de sua cabeça, depois encostei meus lábios nos dela, mordi seu lábio inferior de leve, ela encarava o nada, então quebrei o silencio.
- Que foi amor? – Eu disse passando a mão pelas costas dela.
- Só uma coisa, por que você está de meias? – Ela perguntou olhando para mim, eu apenas sorri.
- Por que eu sinto frio nos pés amor – Ela riu, riu alto, gargalhou, e me fitou.
- Você continua o mesmo estranho da escola.
- E você a mesma garota das meias de sapo. – Ela me mandou língua e me beijou, de leve. Depois apoiou a cabeça no meu peito e dormiu levemente, depois de ver ela dormindo, fiquei uns bons trinta minutos olhando para ela, só olhando, enquanto fazia carinho em suas costas, antes de dormir, me aproximei de seu ouvido e sussurrei tão baixo que talvez nem os sonhos mais profundos dela pudessem ouvir.
- Eu Te amo – Então pude me permitir pegar no sono.
Acordei com a respiração leve dela sobre meu peito, fazendo todos os meus pêlos se arrepiarem, sorri e afaguei seu cabelo, inalando o perfume que nele havia. Fechei meus olhos e sorri. Fiquei a vendo dormir até que descidi ir ao banheiro e fazer algo de útil (Lê-se: minha bexiga não comportava mais líquidos), me senti tão aliviado ao sentir todo liquido saindo de mim que até suspirei aliviado. Escovei meus dentes e pûs uma boxer, ao sair do quarto olhei mais uma vez para ela, que dormia profundamente com um breve sorriso formado nos lábios. Desci as escadas devagar para não fazer nenhum barulho. Como estava frio, derreti o chocolate com o leite para fazer chocolate quente, joguei alguns marshmallows e despejei o conteudo da panela em duas canecas e subi as escadas novamente, vi que ela ainda dormia, do mesmo modo que eu a deixei. Pus as canecas sobre o criado mudo e sentei ao seu lado, me agachei e dei um beijo leve na ponta do seu nariz, ela sorriu ainda de olhos fechados e se espreguiçou. Sim, eu estou sorrindo babacamente e nem ligo.
- Bom dia amor - Ela disse bocejando e sorrindo para mim.
- Bom dia minha pequena - Dei um beijo no topo de sua testa e levantei para pegar as canecas. - Ta frio la fora
- Como você sabe? - Ela disse esfregando os olhos, inchados e vermelhos.
- Por que eu fui de cueca no mercado - Ela me fuzilou debaixo daqueles olhinhos pequenos e vermelhos. Levantei os braços em sinal de rendição. - To brincando, só disse isso porque ta chovendo. - Sentei ao seu lado e entreguei uma caneca a ela.
- Ah sim, eu tenho mesmo que ir ao médico? - Ela disse olhando para a borda da caneca, como uma criança pede para a mãe para faltar aula em dia de prova.
- Tem, seus olhos estão inchados e você sabe o que o médico disse. - Lambi a colher que estava na caneca e fui andando em direção ao banheiro.
- Sei - Ela disse bebendo chocolate quente algumas vezes. - Já vai tomar banho? - Ela fez beicinho e eu corri até a beira da cama. - Fica aqui comigo. - A abraçei e mordi sua bochecha.
- Tenho que te deixar no hospital e ir no escritorio amor, não posso deixar de ir - Segurei suas bochechas e dei um selinho demorado, ela sorriu, me fazendo sorrir. - Só não faz beicinho, quer que eu leve o estudio a falência? é só falar - Ela sorriu e mordeu meu labio.
- Ta bom, pode ir tomar banho, eu vou procurar minhas roupas - Passei os olhos pelo quarto e vi que realmente estava uma zona. Concordei com a cabeça e dei outro selinho demorado nela, me levantei e fui em direção ao banheiro. Devo ter demorado uns vinte ou trinta minutos, quando saí me deparei com ela enrolada no lençol da cama jogando tudo o que estava no chão na cama.
- Perdeu alguma coisa? - Eu disse, ainda molhado e deroupão semi-aberto, porque eu odeio aquela fitinha de amarrar roupões.
- Minha calcinha, onde você a jogou ontem? - Eu ri e a abracei por trás. - É serio , eu não to achando. E você ta me molhando - A virei de frente para mim e encostei meus labios nos dela antes que ela pudesse reclamar, a senti soltar um longo suspiro e a vi fechar os olhos. Senti sua mão quente na minha pele molhada e em seguida fiquei arrepiado, puxei seu corpo para mais perto do meu e mordi seu labio inferior, nossas linguas se encontraram, respirei fundo e me separei dela. - Você vai me deixar na vontade mesmo? - Assenti com a cabeça enquanto procurava uma cueca.
- Não vou deixar você me enrolar para faltar o médico. - Eu disse, vendo ela resmungando em direção ao banheiro. - Não resmunga - Eu disse rindo, recebi um dedo do meio em resposta e sorri. Naquele momento vi a minha menina da escola ali, com sorriso de criança. Só faltavam as meias coloridas.
Depois dela enrolar quase meia hora, saimos de casa, e eu a deixei e frente ao hospital, nos despedimos com um selinho.
Liguei para Bonnie e avisei que não iria ao escritório. Não estava com vontade. Voltei para o apartamento e mandei uma mensagem à pedindo que ela me ligasse assim que fosse liberada. Estacionei e entrei no elevador, tirei a carteira e o celular do bolso, segurando tudo em uma única mão. Adentrei o apartamento vendo a empregada mexer no bar, onde eu guardo minhas coisas.
- Penha, não mexe aí. - Eu disse jogando as coisas na mesa.
- Mas Seu , isso está uma bagunça, todo empoeirado. - Ela disse passando os dedos pelo móvel.
- Deixa assim, eu me entendo. - Eu disse tirando-a do local e pegando minha pequena caixa de poker. - Por que você não vai na padaria e compra alguma coisa bem gostosa pra fazer pra quando ela voltar do médico? - Eu disse entregando algumas notas à ela. Que apenas se limitou em concordar e ir em direção à cozinha. Fui para o quarto e me tranquei, abri a caixa e retirei um dos pequenos saquinhos transparentes que estavam lá dentro. Fiz três carreiras separadas com a unha e encarei. Tirei uma nota de 10 libras do bolso e enrolei, me abaixei e inspirei todo aquele pó branco da primeira fileira. Meu coração acelerou, abaixei a cabeça novamente e senti calafrios ao inspirar a segunda carreira. Me joguei na cama e fitei o teto, alguns músculos fadigavam e ao mesmo tempo eu sentia algumas partes do meu corpo dormentes. Ouvi o toque do meu celular e o ignorei, voltando a reparar nos detalhes do teto, que normalmente eu achava liso. Sentei na cama e inspirei a última carreira, sorri ao sentir os calafrios e a excitação que tomou conta de mim. Tirei outro saquinho da caixa e despejei algumas carreiras na cabeceira e as inspirei rapidamente. Levantei completamente tonto, me apoiando nas paredes do corredor e sentei no sofá. Ouvi a abertura da porta e olhei esperando vê-la, sorrindo para mim, ao invés do sorriso mais lindo do mundo, me deparei com uma espécie de vulto negro, talvez fosse o efeito da cocaína que não me permitisse enxergar, mas aquela não era nem a , nem a empregada. Só poderia ser um ladrão pequeno. Cambaleei em sua direção me escorando as paredes e o vulto não se mexeu. O encostei na parede e sequer reclamou, pude ouvir algo de longe, como um grito pelo meu nome. Talvez ele tenha amarrado minha pequena na cozinha e esteja aqui para me matar. Não hesitei e o soquei. Pude ouvir gritando em algum lugar não tão longe da minha mente. Mas não estava perto do meu campo de visão. Pude sentir as mãos da pessoa no meu ombro e o soquei mais duas vezes, gemia como se estivesse ali, era para o bem dela, eu a estava salvando. O segurei pelos ombros e me escorei para a parede antes de jogá-lo à distância. Cheguei perto e pisei em seu fêmur, ou seu ombro. Com vontade, sem dó. Puxei-o para que ficasse de pé na minha frente e o soquei no estômago, até que pude sentir o peso do seu corpo cair para frente. Me esquivei e voltei a cambalear para o quarto, rasguei meu último saco de cocaína e fiz uma carreira incrivelmente grossa. A inalei como a última coisa do mundo e me joguei na cama, livre dos meus pensamentos, livre de tudo.
xx
- Senhor , acorda, alguém invadiu a casa. - Levantei com um pulo e encarei a empregada. Meus olhos ardiam.
- Cadê a ? - Perguntei sem pensar duas vezes.
- Não sei, senhor. Entrei, vi a sala toda revirada e corri para chamar o senhor. - Merda, merda, merda. Corri pelos corredores em busca dela, banheiro, nada. A sala estava totalmente revirada, a mesa de centro quebrada, vasos e cds no chão. Quarto de hospedes, intacto. Abri a porta da cozinha e lá estava ela, deitada no chão, sangrando o suficiente para me deixar em pânico.
- PENHA, LIGA PRA EMERGÊNCIA E FALA QUE ELES TÊM 1 MINUTO PARA ESTAR AQUI. - A empregada veio desesperada e soltou um grito de pânico ao me ver agachado ao lado da , tentando achar seu pulso. - AGORA. - E ela sumiu no corredor. Peguei um pano úmido na pia e começei a limpar o sangue em sua testa, pondo os cabelos para trás. Tinha um corte no supercilho imenso. Pus o pano sobre o corte e peguei outro. Seu ombro parecia quebrado, tinha marcas do vidro por toda extensão do corpo, mas ainda assim respirava. Mal pude conter um sorriso quando os paramédicos a puseram em uma maca. Entrei na ambulância e passei as mãos pelos cabelos dela, tentando lembrar o que havia acontecido na noite anterior.
Fui obrigado a esperar na sala de espera, então passei a juntar os pontos do dia anterior. A Penha saiu para buscar o almoço e eu usei algumas gramas de cocaína, meu celular tocou, eu ajudei a a se livrar do assaltante. AH, MERDA. Era ela em quem eu tava batendo, acabei com a vida da única pessoa que eu amo. Ela não vai me perdoar e eu muito menos. Algumas horas depois o médico veio na minha direção.
- Marido dela? - O médico disse.
- Namorado. - Em breve ex, pensei.
- Ela tem fraturas em algumas partes do corpo, teve que levar alguns pontos e está com hemorragia interna. - Puta que pariu.
- E ela ainda precisa de alguma cirurgia? - Diz que não.
- Sim, o ombro fora seriamente quebrado, talvez alguns pinos.
- Então o faça doutor. - Praticamente implorei.
- Faremos, o Senhor sabe se ela está na fila de doadores de córnea? Porque teve muita exposição ao sol e perdeu praticamente toda a visão. Só com uma cirurgia ela pode se salvar.
- Posso fazer os testes e ver se sou compatível? - Não, pensei.
- O Senhor está ciente que vai perder a visão? - Claro, eu tirei isso dela.
- Sim - Engoli a seco.
- Então é melhor me acompanhar.
CONTINUA
N/A: Demorei, certo? eu sei que sim HUSAHSUAH... Mas eu acho que vai valer a pena, ta chegando o final!! odeio fic que enrola, por isso essa tem poucos capitulos e todos eles são bem decisivos. Então, eu não mordo no twitter, de verdade. Assim que você acabar de ler aqui, ir lá em cima e comentar, porque não aproveita pra me seguir @thaisensenat? vou ficar bem feliz :B
fics novas que estão causando: Mon propre démon - Mcfly fics - Finalizada // All Against for you - com a Leka Judd - Hot fics - Em andamento. Valeu a Hata por aturar isso aqui e ficar surtando no msn. Te amo mãe.

