Heart Without A Home

Autora: Michele Judd
Status: Em Andamento
Revisada por: Cams J.
Categoria: McFLY Fics
Sub-Categoria: PartFic - Drama/Romance/Comédia
Comentários:




Prólogo



Fiquei um tempo paralisada, sem reação, parecia que só existia eu e ele ali naquela sala. A mão fria dele me fazia arrepiar, quase me afoguei na imensidão azul dos olhos dele. Não queria que aquele momento acabasse nunca.

(...)


Well, e eu tínhamos coisas mais interessantes para fazer, realmente; mas havíamos acabado de nos conhecer pessoalmente, e eu queria ficar curtindo ele de longe ? pelo fato de ele ser muito popular -, eu não confiava nele, sei lá; não queria que ele fosse meu só por uma noite, ou que a gente ficasse uma semana e pronto; queria ele pra vida toda, só meu e de mais ninguém.

(...)


Sentei-me no sofá na esperança de que conseguisse esquecer tudo aquilo, mas foi em vão, e quanto mais eu lembrava o quão idiota eu fui ao achar que ele algum dia seria mais que um amigo, mais que uma presença, mais que uma distração.

(...)


Chegou uma hora que não consegui mais esconder as lágrimas e deixei que caíssem dos meus olhos e rolassem pelo meu rosto, molhando minha roupa. Momentos depois me dei conta de que nunca havia feito aquilo por ele e não valia a pena, não tínhamos nada um com o outro, talvez nenhum aspecto em comum.


UM


Faz pouco tempo que eu o conheci ? assim, de vista - e dude... Sabe quando você fica babando por alguém? É... Foi assim que eu me senti quando o vi pela primeira vez. Aquele jeito divertido e ao mesmo tempo se achando o tal, me cativou, sei lá. Minha prima e eu estudávamos em uma escola de música, e desde o primeiro dia em que o vi não consegui mais prestar atenção em nada, era incrível.

Certo dia, eu havia acabado de entrar na sala de aula e a estava conversando ? ou pelo menos tentava ? com um garoto; ele não parecia ser muito mais velho que eu, mas com certeza era mais velho que ela. O nome dele, ? e ele, bem... Só falava besteira na primeira oportunidade, era sempre o mais zoado da turma ? coitado -, usava o cabelo cada dia de um jeito, coisa e tal. Mesmo assim a gamou nele.
- . ? eu disse enquanto passava por ela e .
- Ah prima, vem cá. Esse é o .
Ele sorriu.
- Prazer, . ? disse, retribuindo o sorriso.
- Então, você está se especializando em alguma coisa? ? ele perguntou.
- Toco . E você?
- Toco e violão.
- Legal. Eu toco um pouco de violão, a também.
- É, eu a vi tocar semana passada. ? disse, olhando pra ela.
Eu revirei os olhos e fui me sentar na cadeira atrás dos dois pombinhos. Eu estava louca para ver o amigo dele chegar ? certo que eu só não sabia o nome dele, então eu o chamava de ?motivo?- sim, eu tava de olho no amigo do , o que tava se especializando em bateria - coincidência não? - também. Na verdade eu acho que ele já tocava, sei lá.
Não sabia o nome de ninguém, e também não me interessava saber ? só o ?motivo?. Assim que eu me sentei, pela porta entrou um dos amigos do , que tinha um apelido estranho, nunca ninguém explicou o significado, ele era tão lindo... O palhaço da turma, o descarado, cara de pau, mas fora isso ele era super legal.
- Fala aê ! ? disse o .
Eu disparei a rir.
- Qual a graça? - perguntou, se virando para minha mesa.
- Nnada, eu lembrei uma coisa. ? e continuei rindo.
- Ah, esse é o , e essa é a , prima da . ? disse o .
- Olá! ? ele disse sorrindo e apertou minha mão.
Eu sorri de volta. Voltei a me sentar e comecei a escrever uns versos - minha inspiração surge do nada -, não tinha a intenção de formar nada, apenas para passar o tempo, mas o tempo parou quando o ?motivo? entrou na sala. Paralisei totalmente, parei de escrever na hora, pasmei mesmo. Senti alguém me sacudir, chacoalhar, me dar um pedala, um tapa na cara etc e tal; mas eu não conseguia reagir, estava hipnotizada mesmo. Todas as garotas daquela sala eram apaixonadas por ele - assim como metade das garotas da escola -, e faziam de tudo pra ganhar a atenção dele. Eu ficava na minha, por mais que eu quisesse que ele desse atenção para mim, nunca fiz nenhuma loucura - ainda não.
Senti uma dor aguda, mas ignorei.
- !
- Ahn? Que foi? ? perguntei desorientada.
- Você tá bem? - me perguntou.
- Eu espero que sim. ? falei devagar.
- Você caiu da cadeira. ? disse, rindo e me ajudando a levantar.
- Caí? ? olhei pra ela, confusa. ? Se eu caí, foi por... ? ia terminar de falar quando o se aproximou para cumprimentar os amigos.
- Prima? ? me sacudiu.
- Sim? ? falei correndo.
- Esse é o .
- O-oi. ? eu disse desconsertada, forçando um sorriso tranqüilo.
- Oi. ? ele disse, estendendo a mão.
- . ? eu disse e apertei a mão dele.
Fiquei um tempo paralisada, sem reação, parecia que só existia eu e ele ali naquela sala. A mão fria dele me fazia arrepiar, quase me afoguei na imensidão azul dos olhos dele. Não queria que aquele momento acabasse nunca.
- Fiquei sabendo que você está aprendendo a tocar bateria. ? disse, sem soltar minha mão.
- Sim, eu estou no segundo semestre. Soube que você já toca bateria há algum tempo.
- É verdade, eu tô aqui só para me especializar mesmo, pretendo formar uma banda.
- Legal. ? foi só o que eu consegui dizer. ? Eu também toco violão.
- Interessante. Você já tem dupla pra aula de ensaio?
- Não estou sabendo de nada não, eu cheguei um pouco atrasada hoje.
- Eu cheguei atrasado hoje, mas o professor falou disso na semana passada.
É que eu estava prestando atenção nele ?como sempre ? e isso não era nenhuma novidade, ele provavelmente sabia disso, ou pelo menos desconfiava, não sei.
- Ah, eu não me lembro, mas enfim, eu não tenho dupla não. ? eu disse, tentando soltar da mão dele, mas ele não queria largar. E na verdade minha prima que faria dupla comigo; mas eu olhei pra ela e o picou pra mim; ela apenas assentiu.
-Vamos sentar aí turminha do fundão. ? o professor disse ao entrar na sala.
soltou minha mão e fez sinal para que eu me sentasse primeiro, ele puxou uma carteira e se sentou do lado da minha. Eu comecei a suar na hora. É, eu não ia prestar atenção na aula e muito menos na prática de ensaio hoje ? provavelmente depois do intervalo.
- Você compõe também? ? ele perguntou, lendo o verso que eu havia escrito no meu caderno.

?He?s got an eyebrow ring and a black spiky hair...?

Eu corei, porque o que eu estava escrevendo era sobre ele ? ele tinha um piercing na sobrancelha e o cabelo preto arrepiado. Meu coração disparou. arqueou uma sobrancelha enquanto lia.
- É, é só uma frase, por enquanto, tenho outra em mente. ? falei, evitando olhar diretamente pra ele.
- Hm. Sabe qual música vamos tocar depois do intervalo? ? perguntou.
- Bem... Eu conheço uma... Mas... A gente improvisa. ? eu disse, e ele sorriu.
A aula entediante finalmente acabou, e eu não consegui prestar atenção em nada ?como sempre ? o que já era de se esperar. Durante o intervalo, e eu sentamo-nos à mesa deles e conhecemos mais um dos amigos de ; o .
Durante o intervalo, e eu ficávamos trocando mensagens sem que nenhum deles percebesse.

?Você se deu bem com o .? - ela escreveu pra mim.
?E você com o .?
?Parece que sim. Mas você... Todo mundo tá sabendo.?
?Putz! Deu pra perceber??
Ela olhou pra mim e riu, eu tive que rir também.
- Vocês estão rindo de quê? ? perguntou.
Danny começou a rir do nada, e eu disparei a rir junto ? a risada dele... Muito engraçada, mesmo sabendo que ele estava rindo da minha cara.
- Eu lembrei uma parte engraçada do livro que eu estou lendo. ? falei, parando de rir.
- E qual é? ? quis saber.
- É que... ? olhei para .
- É uma parte meio indiscreta. ? respondeu por mim.
- Depois eu vou querer saber. ? ouvi dizer.
Eu engoli a seco. Na verdade eu não me lembrava de parte de livro nenhum; teria que inventar uma para dizer à ele.

O intervalo passou rápido e todos nós seguimos para o estúdio no andar de baixo. Era um salão enorme, cabines eram espalhadas por todos os cantos, cada uma com instrumentos. e eu fomos para uma das últimas cabines vagas que havia lá. Ele abriu a porta e nós entramos.
- Quer começar? ? perguntei.
- Primeiro as damas. ? ele disse.
- Qual música?
Eu pensei durante alguns segundos, vendo que eu não tinha nenhuma idéia; ele me entregou um papel com uma letra de uma música que dizia ser composta por ele e os amigos. Assim que acabei de tocar, reparei que me olhava de um jeito engraçado ? pra não dizer diferente.
- Que foi? ? perguntei.
- Nada, é que você toca muito bem pra estar no segundo semestre.
Eu sorri e ele sorriu de volta. Ele tocou a mesma música e incrivelmente muito melhor do que eu. Depois disso, o professor nos dividiu em grupos diferenciados, e eu ficamos no mesmo grupo junto com mais duas garotas, e ; e ficou com os amigos dele. Nós ensaiamos a música que íamos tocar e cantar e depois tínhamos que apresentar para o professor.
- Ai meu deus. ? eu estava tremendo. ? Odeio apresentações.
- Calma, o motivo vai estar ali. ? tentou me tranqüilizar.
- Ah, como se isso me ajudasse.
- Boa sorte! ? disse, me deu um beijo no rosto e saiu.
- Mudança de planos! Vamos tocar ESSA música. ? eu disse, entregando um papel para cada uma.
- A música pro ? ? perguntou baixinho.
- UMA, das músicas pra ele. ? eu disse, indo para o meu lugar atrás da bateria.
- Vamos às apresentações, primeiro grupo, composto por: , , e .

Assim que acabamos de tocar, eu me joguei pra trás só para não ter que olhar diretamente pro , eu estava com medo de olhar nos olhos dele, com medo de encarar todos ali naquele salão. O professor nos elogiou até ficar sem palavras e me perguntou se aquela música era uma indireta para alguém, eu disse que não ? mas claro que era -, mas ele fingiu que engoliu. Então, , , e eram o segundo grupo; eles tocaram uma música que eu não conhecia. E eu ficava admirando as caras que o fazia enquanto tocava .
Depois da aula, eu saí do salão apertando o passo; senti uma mão segurar meu braço, mesmo assim continuei andando.
- Tá com pressa por quê? ? reconheci a voz de .
- Eu... Esqueci meu... Celular no banheiro. ? sorri sem graça.
- A pegou pra você.
- Bem... Então eu vou pegar com ela. ? falei devagar.
- Gostei da música de vocês. É bem... Direta. ? ele deu ênfase na última palavra.
- O que quer dizer? ? me encostei-me na parede do corredor que estava vazio ? que sorte. Aí eu pensei: ai meu deus, ai meu deus.
Ele se aproximou, ficando a uma distância que eu podia sentir o cheiro do perfume dele, aqueles que grudam na roupa e não sai mais. Eu ia responder quando e apareceram.
- Oi gente, vamos fazer um tipo de um lual depois da escola, esperamos vocês lá. Espero que ainda não tenham coisa mais interessante para fazer. ? explicou.
Well, e eu tínhamos coisas mais interessantes para fazer, realmente; mas a gente havia acabado de nos conhecer pessoalmente, e eu queria ficar curtindo ele de longe ? pelo fato de ele ser muito popular -, eu não confiava nele, sei lá; não queria que ele fosse meu só por uma noite ou que a gente ficasse uma semana e pronto; queria ele pra vida toda, só meu e de mais ninguém. O fato de ele ser o garoto cobiçado pela população feminina da escola me incomodava, e eu chegava às vezes a desistir de lutar por ele por que achava que não valia à pena; parecia que ele não dava valor nas garotas que ele namorava.
- Eu vou passar em casa pra pegar meu violão. Onde vai ser? ? perguntei.
- Naquele campo que tem atrás da escola. ? disse a .
- Eu estarei lá. E você ? ? perguntei.
- Farei o possível. ? ele disse e saiu andando.
- O que aconteceu entre vocês dois? ? a perguntou quando saiu para acompanhar .
- Nada, ele só disse que gostou da nossa música e que pareceu uma indireta, aí eu perguntei o que ele quis dizer com aquilo, quando ele ia responder vocês chegaram. Ele às vezes age estranho.
apenas assentiu e fomos andando em silêncio de volta para a sala. Como era o último horário, todos estavam ansiosos para ir pra casa se prepararem para o lual improvisado.

DOIS


Eu não estava tão animada quanto eles, eu só queria ir pra casa e descansar – quebrar a cabeça tentando desvendar o que o quis dizer com aquilo.
A aula finalmente terminou e eu esperei que a manada saísse primeiro para que eu pudesse sair tranqüilamente. e me acompanharam até em casa e depois foram pra casa dela. Tomei um banho e me joguei na cama, cansada; meus pulsos latejando de dor – por conta da aula de ensaio – que eu ignorei a maior parte do tempo.
Levantei e comecei a escrever alguns versos que vinham à mente, mesmo que não fizesse sentido, eu pelo menos tinha alguma coisa para cantar durante o lual. Estava procurando minha palheta quando a me ligou pra confirmar se eu realmente ia.
Peguei meu violão, uma pasta com as letras das minhas músicas preferidas e sai de casa, trancando a porta. Não demorei muito para chegar de novo até a escola – dei a volta no prédio e vi aquele turmão sentado em volta de uma fogueira, uns dois tocando violão e o resto cantando. Em um canto, reparei nos pombinhos que se agarravam debaixo de uma árvore; não era bem um agarramento; ele até que era comportado. Mas não consegui ver quem era, dei de ombros e fui andando até a roda.
- Oi , achei que você não viria mais. - disse quando eu me sentei.
- Eu não ia vir mesmo, .
- Aconteceu alguma coisa?
- Bem... Não, é que eu só quero evitar encarar uma pessoa.
- Ah sei. Bom, o me disse que você compõe suas músicas.
- É... Não é bem uma composição, por enquanto são apenas frases que tentam fazer sentido. - entreguei o papel pra ele.
- Toca uma aí pra gente. - disse, dando um tapinha no meu ombro.
- Ah não, gente.
- Toca aí. - voltou a dizer. – OW! PRESTEM ATENÇÃO AQUI. - ele parecia estar meio bêbado.

Aproveitando que o estava do outro lado da roda, junto com , e mais umas gansas, comecei a tocar uma música do Nick Carter, “Heart Without a Home”.

“Baby I love to watch you
You're like candy to my eyes
Like a movie that you've seen
But you gotta watch just one more time
But that smile you're wearing
It's a beautiful disguise
It's just something you put on to hide the emptiness inside
And you seem so lonely
But you don't have to anymore..
If you're a heart without a home
Rebel without a cause
If you feel as though
You're always stranded on the shore
Like a thief in the night
Let me steal your heart away
Baby if for reasons, what you're looking for
I'll be yours

I'll be a new sensation
One you never had before
I got a feeling if I gave you some
You'd probably want some more
Did you know that Baby
You're the bluebird in my sky
I only wanna make you happy cause
I love to see you fly
And if you feel lonely
You don't have to anymore
If you're a heart without a home
Rebel without a cause
If you feel as though
You're always stranded on the shore
Like a thief in the night
Let me steal your heart away
Baby if for reasons, what you're looking for
I'll be yours
I'll be the raft in the tide
I'll be yours
I'll be the truth in the lie
And what's more
When no one opens the door
I'll be the home that you're looking for”


Acabei de cantar e todos aplaudiram. Fiquei sem graça e quis bater no por ele ter chamado a atenção do povão só pra mim. Na verdade eu não queria estar nem ali, não estava em clima de festa, queria mais era ir pra casa sem ter que olhar na cara dele. Como eu ia agir perto dele? Depois de tudo! Eu queria mais era sair dali o mais rápido possível.

À medida que o fogo foi se apagando, o povão foi indo embora; eu saí antes de todo mundo e fui direto pra casa.
Cheguei a casa e me joguei no sofá dessa vez, peguei uma letra e comecei a tocar e cantar mesmo desafinando, mas não me importava, ninguém estava ouvindo mesmo. Pelo menos era o que eu pensava.
Enquanto tocava eu me perdi no meio das letras, parei os dedos nas cordas do violão tentando me localizar quando ouvi passos na escada. Fiquei parada sentada na cama apenas observando quem ou o que ia entrar pela porta, por sorte era minha prima seguida por , , , , e .
- Ah nem prima, enquanto a gente se diverte, você fica aí tocando músicas de emo.
- Que música de emo que nada, se eu estou na fossa não há nada que alguém possa fazer, muito menos vocês. - eu disse, enfezada.
Foi só o entrar em meu campo de visão que eu mudei completamente, levantei correndo da cama e passei por todos eles como um furacão sem me importar com os possíveis danos físicos causados. [N/A: tá, eu acho que filosofei demais]. Refugiei-me na sala - eu pensei que havia me refugiado-, mas foi em vão, logo todos vieram atrás de mim como se fossem cachorrinhos treinados para seguir qualquer coisa ambulante.
- Que é gente? Se estiverem querendo saber pra quem era AQUELA música, eu falo, é só pararem de ficar me seguindo! - eu disse me sentando no sofá.
- Não é isso, a gente queria ver você tocar e cantar uma música que não seja para o “motivo”. - disse, segurando para não dizer o outro apelido dele.
- Quem é o “motivo”? - quis saber.
- Ah é um cara aí, que eu sempre me desconserto quando ele está por perto.
- Tipo agora? - disse, aparecendo na minha frente.
Eu arregalei os olhos e paralisei totalmente; meu coração disparou que quase saía pela boca. Senti aquele famoso calorão subir por todo o meu corpo e queimar meu rosto. Não sei de onde eu tirei fôlego para formar uma resposta para , mas balancei a cabeça, saindo do transe.
- É! Tipo agora, mas você não é o “motivo”, . - falei, sem me importar com a possível reação dele.
- Se não sou eu, fale o nome. - retrucou ele.
- Não é da conta de ninguém, muito menos da sua.
Nessa hora todos vidraram os olhos em mim, sem conseguir acreditar no que eu acabara de dizer. Nem eu estava acreditando; não era minha intenção dizer aquilo pro , eu queria me aproximar dele, mas daquele jeito eu só o estava afastando cada vez mais de mim. Não gostava de pedir ajuda pra ninguém sobre assuntos amorosos, mas nunca recusei um empurrãozinho.
- Tá legal gente, vocês vieram aqui pra me verem tocar ou pra me interrogarem? Ou os dois? Ou pra ver se eu revelo quem é o “motivo”?
- Esquece prima, a gente se vê amanhã na aula. - disse, enquanto saía da sala com .
- Isso se eu for pra aula amanhã.
- Você vai ficar sem ver o “motivo”. -disse a , abraçando o .
- Não vou me importar, tem tantos dias pra eu ver a cara dele que acho que vou cansar.
- Dude... Você realmente precisa de um tempo sozinha. - enfezou e saiu, puxando o resto da turma.



TRÊS


Assim que todos saíram, eu me joguei no sofá; havia descontado o que eu estava sentindo em cima de todos os meus amigos que não tinham nada a ver com o que eu estava passando.
E o ? Eu não devia ter falado daquele jeito com ele, mas foi o que me veio ao pensamento naquele primeiro instante; fazia tempo que eu estava gostando dele e sempre ia às aulas só para vê-lo, para me perder por aquele corpo altamente bem definido, o rosto de anjo etc e tal. Ele me hipnotizava, não sei por que. E nunca soube como ele exercia um poder sobre mim e sobre as outras garotas que ele conquistava.
Nós dois éramos como duas raças de vampiros totalmente diferentes; eu era um Strigoi - poderosos vampiros que se corromperam (revoltaram) e que precisavam do sangue da realeza para manter sua imortalidade - e ele um Moroi - vampiro pertencente à uma família real muito importante na sociedade dos vampiros.

Bem... Eu estava revoltada e precisava dele! A única diferença era que não éramos vampiros. Na verdade, eu queria sair correndo atrás dele e dizer que tudo aquilo que eu disse não passou de um mal entendido, coisas de momento de revolta.
Eu não o conhecia o suficiente para me ajoelhar aos pés dele e dizer que eu o amava ou me acabar de chorar porque ele não ia mais olhar na minha cara.

No dia seguinte, eu me levantei cedo como de costume, tomei um banho e vesti uma roupa qualquer que estava dentro do meu guarda-roupa bagunçado e desci as escadas em direção à cozinha. Lá, tomei meu leite com chocolate básico e resolvi ir pra aula contra a minha vontade, estava indo só por que a meio que implorou no dia anterior.
Cheguei lá e passei pela mais nova panelinha da escola sem dizer sequer um “oi”, sei que todos estranharam - principalmente eu -, mas não me importei de início.
Assim que o sinal tocou, eu fui a primeira a entrar na sala, me sentei no fundão onde eu costumava sentar e esperei que o professor entrasse.
Naquele dia eu não estava com inspiração para escrever o que me vinha ao pensamento, então, aguardei pacientemente o professor entrar na sala junto com os outros alunos.
Quando veio em minha direção, o efeito de compulsão que ele exercia sobre mim não fez efeito, ele apenas olhou sério pra mim e eu retribui o olhar mais sério que consegui; e se sentou na cadeira logo à minha frente. puxou uma cadeira e se sentou ao lado da minha, na fila do meio do corredor.
- Tá melhor hoje? - perguntou ela.
- Acho que sim, ainda não tive que encarar o senhor convencido.
- Você pegou pesado com ele ontem, se estava revoltada com alguma coisa, não tinha o porquê de falar com ele daquele jeito.
- Ah qual é prima, dude... Ele nunca prestou atenção em mim nos três anos que estudamos juntos na mesma sala de aula, ele só falou comigo ontem porque foi forçado a se apresentar para alguém que na verdade ele não queria nem ao menos conhecer! - eu falei de uma vez e reparei que todos olhavam para mim.
- Algum problema senhoritas? - o professor perguntou, vindo até minha carteira.
- Não senhor, eu só me alterei um pouco. Desculpe.
Ele assentiu e voltou para frente dos alunos e voltou a falar da aula. olhou pra mim com um ar de desaprovação; ela não entendia o porquê de eu estar tratando o daquele jeito, já o que eu queria era me aproximar dele. Nem eu entendia aquilo.
Estava no final da aula quando me surgiu uma inspiração momentânea e completamente sem sentido, pois eu nunca havia pensado naquilo antes. Comecei a escrever sem prestar atenção se minha prima estava lendo ou não.

“Desculpe por te Amar Tanto,
Hoje ao me despertar quando abri para o mundo a janela do meu quarto sem querer, sem sentir, eu comecei a pensar em você, meus olhos perdidos no horizonte onde o sol nascia, abraçando a natureza, lágrimas de sofrimento escorreram no meu rosto. Estava tudo parado, como se a terra e o horizonte quisessem ouvir a melodia do meu amor impossível.”


Quando me dei conta que havia terminado de escrever, tive a certeza de que me observava; olhei pra ela no mesmo instante em que fechei o caderno rapidamente. Não era que eu não confiava na minha própria prima, mas tinha medo de que mais alguém lesse - principalmente quem não devia.
- Que profundo prima, de onde tirou isso?
- Inspiração momentânea e fossa permanente. - acrescentei quando vi uma garota se jogando pra cima do .
- Como assim fossa permanente?
- Aquelas que ficam para sempre.
- Ah, entendo. -ela disse quando olhou para a cadeira da frente, a qual estava sentado.

Ao sair da escola, expliquei à que pretendia passar um tempo fora para colocar meus pensamentos no lugar; a princípio, ela não quis que eu me isolasse, mas acabei convencendo-a.
Cheguei cedo em casa naquele dia, não tive vontade de almoçar e muito menos de fazer alguma coisa. Fechei os olhos e tentei dormir, mas sempre que estava quase pegando no sono, a imagem de invadia os meus pensamentos. Sonhei que estávamos numa boa, namorando há poucos dias e ninguém acreditava que estávamos juntos; fôra apenas um sonho e nada mais.
Sentei-me no sofá na esperança de que conseguisse esquecer tudo aquilo, mas foi em vão, e quanto mais eu lembrava o quão idiota eu fui ao achar que ele algum dia seria mais que um amigo, mais que uma presença, mais que uma distração. Nunca havia chorado por homem nenhum, nem ao menos pelo meu primeiro namorado, que só hoje é que sinto falta dele.
Chegou uma hora que não consegui mais esconder as lágrimas e deixei que caíssem dos meus olhos e rolassem pelo meu rosto, molhando minha roupa. Momentos depois eu me dei conta que nunca havia feito aquilo por ele e não valia a pena - não tínhamos nada um com o outro, talvez nenhum aspecto em comum. Com muito esforço, me levantei do sofá e fui pro meu quarto, sentei-me na cama e comecei escrever frases, que eu tentava formar versos.

“Eu sei que nunca serei nada para você. Assim, como sei que meu amor por você nasceu de um sonho impossível, inatingível, que jamais deixará de ser um sonho, pois passarei a vida sonhando com o momento em que serei tua...”




QUATRO


Naquele mesmo dia, resolvi que seria melhor eu sair de casa se quisesse tirar um tempo sozinha, decidi ir a uma cidade próxima de Ipswhich; minha família havia comprado uma pequena casa de temporada há alguns anos atrás. Passei exatamente um mês por lá, sem telefone, para ninguém me incomodar. Durante esse mês, todas as noites eu chorava pelo , me pegava pensando nele, escrevendo coisas relacionadas a ele frequentemente. Achei que estava na hora de voltar à Essex, mas antes de recolher minhas coisas para sair, peguei meu celular - fiquei com preguiça de procurar papel e caneta - e escrevi um verso.

“Talvez seja essa a última que eu choro por você. Acabei compreendendo que isso tudo é ridículo, que o sofrimento não significa nada para você, que sou uma entre tantas que, por orgulho ou amor ferido, choram por você, mas não importa. Não me envergonho dos meus sentimentos, mesmo sabendo que nunca existiu futuro para eles.”


Coloquei o papel no bolso e sai de casa trancando a porta. Chegando ao carro, liguei meu celular pelo menos para dar algum sinal de vida.
A devia ter roído todas as unhas desde o primeiro momento em que eu resolvi tirar merecidas férias, pois haviam mais de vinte ligações dela no meu celular — que eu deixei no carro de propósito, não queria ninguém me incomodando —; eu comecei a rir enquanto lia os torpedos dela, todos, sem exceção, se referiam ao . Não fiquei muito interessada no que dizia respeito à ele, mas fiquei curiosa. Sentia falta de todos os meus amigos, o “motivo” nem tanto, já que mesmo depois de eu ter sumido ele vai continuar me ignorando.
Naquela mesma tarde eu segui de volta à Essex e a primeira coisa que fiz foi passar na casa da .
Parei o carro em frente ao portão e buzinei, e de repente escutei uma gritaria do lado de dentro da casa e do nada, minha avó tentava sair correndo antes mesmo da mãe da abrir o portão. Depois da recepção da família, teve a recepção dos amigos — sim, estavam todos lá — que pareciam estar comemorando algo importante; não me passou pela cabeça o que era e nem o que poderia ser.
- E como foi de férias? - o Dougie perguntou abraçando a .
- Foi tranquilo, tudo o que precisava. - respondi, procurando pelo em algum lugar da sala enorme, mas ele não estava em lugar nenhum, pelo menos não ali.
O interrogatório da minha avó acabou me distraindo durante certo momento, mas chegou uma hora que eu estava farta daquilo, eu queria mais era saber do “motivo”, como ele ficou depois que eu sumi de um jeito estranho, se ele estava com alguma piranha da escola; sei lá, qualquer coisa!
Eu comecei a me desesperar e fiquei pensando em um jeito de acabar como aquele interrogatório irritante que minha avó sempre fazia todas as vezes que eu voltava de algum lugar. Para minha sorte, o chegou me tirando imediatamente da sala onde estava praticamente a família toda.
- Nossa, obrigada .
- Eu vi a sua cara de “não agüento mais”. - ele disse antes de começar a rir.
- E o que vocês fizeram durante esse tempo que eu passei fora?
Ele parou de andar, tomou um gole do copo de uísque e olhou diretamente para mim em silêncio.
- Bem... Muita coisa aconteceu depois que você saiu de... “Férias”. - ele fez aspas com as mãos.
Eu arregalei os olhos por alguns segundos e fiquei cogitando todas as hipóteses, possibilidades possíveis sobre o que havia acontecido durante a minha ausência. Queimei meu cérebro pensando em tudo isso, mas não quis chegar a nenhuma conclusão; por isso esperei que me contasse.
- Como vê, pediu em namoro hoje, esse é o motivo dessa reunião toda. Primeiro porque ele tomou coragem e conversou com o pai dela.
Mas eu sabia que havia mais alguma coisa que ele não queria me contar.
- Que bom, fico feliz por eles. Mas... há mais alguma coisa, não há?
- Não , é só isso mesmo. - ele disse rapidamente, evitando me olhar nos olhos.
- ... - eu tirei o copo de uísque da mão dele.
- Tá! Tem mais coisa sim, mas não é o motivo da reunião familiar.
- Se for o que eu tô pensando...
- É exatamente o que você está pensando. - uma voz me interrompeu.
ficou estático à minha frente, eu me virei e vi , ou melhor, o “motivo”; ele realmente havia mudado, e como eu imaginei tudo nele estava diferente: o cabelo, o olhar, tudo.
- Vou deixar vocês dois sozinhos. - disse o , pegando o copo de volta.
- Suas férias foram prolongadas. - ele começou o assunto.
- As suas eu suponho que também foram.
- Foi melhor do que eu imaginei. As melhores da minha vida.
Fiquei surpresa por ele mesmo ter dito aquilo sem que eu o provocasse, ou começasse o assunto. Enfim... Deduzi que ele provavelmente estaria — porque cada semana eu o via com uma garota diferente— “namorando” uma das garotas da sala.
Ficamos em silêncio tempo demais e aquilo começou a me incomodar, eu não sabia o que dizer, muito menos como agir. então se aproximou - e eu pasmei - e inesperadamente pegou minhas mãos, pensou durante alguns segundos e então me entregou um bilhete com uma música.

“Sai da minha vida pelo amor de deus, pára de brincar com os sentimentos meus, diga de uma vez o último adeus, sai do meu caminho que eu quero viver, chega de voltar para me enlouquecer.”


Imediatamente eu soltei minhas mãos das dele, eu não podia acreditar naquilo; era demais pra mim. Dude... Eu nunca pensei que ele fosse capaz de fazer aquilo; ele realmente me surpreendeu. Briguei com as lágrimas insistentes que ameaçavam cair dos meus olhos e sai correndo pelo quintal dos fundos; ao chegar até o portão, lembrei de que tinha de me despedir de todos lá dentro e inventar uma boa desculpa para ir embora pra casa sem que minha avó viesse junto.
Entrei na sala correndo e fui direto falar com a e o , não contei nada sobre a “conversa” com o , e o também não havia comentado nada.
Acenei para todos que estavam na sala e sai o mais rápido possível, tanto que esbarrei com no portão.
- Aonde você vai? - ele perguntou.
- Não te interessa. E me esquece! - eu gritei e entrei no carro, batendo a porta com força.

No caminho de casa, eu descontava minha raiva nos “pangós” que não andavam. Teve uma hora em que quase bati o carro, mas apesar do susto eu consegui chegar a casa sem nenhum arranhão.
Abri a porta da sala e fechei com tudo, fazendo um barulho forte e assustando os cachorros que ficavam no fundo da casa. Joguei-me no sofá e desabei a chorar; não tinha motivo pra ele me dizer aquelas coisas; ele com certeza não estava bêbado nem nada, estava sóbrio, assim como eu estava até ele dizer aquelas coisas.
Talvez só estivesse confuso, ou sei lá, mas se realmente estivesse, mesmo assim não tinha motivo para me dizer tudo aquilo; okay... poderia até ter dito, mas com outras palavras e não diretamente!
E assim eu passei aquele dia, melhor: aquele maldito dia. Jogada no sofá pensando no que aconteceria.



CINCO


No dia seguinte o telefone tocou o dia inteiro e eu não atendi nenhuma das ligações; eu estava revoltada, deprimida, e não queria falar com ninguém, nem mesmo com a minha mãe. Passei mal por não ter tomado o remédio no horário certo e por não ter comido nada desde o dia anterior; não quis ligar para ninguém, se fosse pra morrer, preferia morrer sozinha.
Já havia passado a hora do almoço e tudo o que eu tinha comido era um miojo e estava deitada no sofá quando bateram à porta.
Além da fraqueza que sentia, a preguiça de me levantar também não ajudou muito. Encostei a cabeça no sofá e deixei que um infeliz ficasse batendo na porta durante um bom tempo; mas de repente a porta foi arrombada. Levantei bruscamente e me aliviei ao ver que eram... Detetives?
- Hey! Isso é invasão de privacidade!
Ele me olhou, confuso.
- É que recebemos um mandato de busca ontem à noite.
Eu arregalei os olhos, surpresa.
- Erm... E o que... Eu tenho a ver com isso? Seqüestrei alguém?
- Não é isso. - ele meio que sorriu torto. - Procuramos por , está desaparecida desde ontem, não atende aos telefones nem ao celular. E o endereço que me passaram é esse.
- Ah, sou eu mesma. É que eu tive uns problemas pessoais ontem e não queria falar com ninguém, precisava de um tempo para pensar. - mostrei minha carteira de identidade.
- Ah sim, entendo. O que eu digo então para os seus amigos?
- Diga que eu estou bem e depois eu falo como cada um deles.
- Okay então, tenha uma boa tarde.
Eu assenti e fechei a porta novamente. Ao me sentar novamente no sofá, lembrei-me de que eu bem que poderia entrar em algum sistema. Até que seria era interessante.
Tomei coragem e liguei pra .
- Pronto. - uma voz ofegante atendeu.
- ?
- Sim. - uma pausa. - ? Dude, por onde você andou? O que aconteceu ontem?
- Calma, uma pergunta de cada vez.
- Foi mal. Prossiga.
- Eu estava em casa o tempo todo, não precisavam ter mandado detetives para me procurar. E pergunte ao... - eu hesitei em dizer o nome dele. - o que aconteceu ontem, ele vai saber explicar melhor.
- Foi tão ruim assim a conversa de vocês?
- Bem... Acho que pior, impossível. Mas eu não quero falar sobre isso, só liguei pra avisar que estou viva, por enquanto.
- O que quer dizer com isso? - a voz dele imediatamente tomou um tom assustado.
- Nada, é só um jeito de falar.
- Ah tá, quer falar com a ?
- Não, só avisa que eu liguei e depois a gente conversa pessoalmente. Se você quiser participar da conversa...
- Tudo bem, eu tenho que acertar umas coisas com o . A gente se fala mais tarde.
- Até mais então dude.
Desliguei o telefone e subi por meu quarto; precisava de um banho quente, ou frio, para esfriar meus pensamentos amontoados.
Àquela altura eu não pensava em mais nada com coerência, muito menos com sentido. Depois de um tempo, eu sai do Box e coloquei a primeira roupa que vi pela frente; peguei meu violão e fui até a cozinha preparar um chocolate quente. Enquanto o leite fervia, sentei-me à mesa e comecei a dedilhar uma música; eu só sabia o ritmo, não me lembrava muito bem da letra. Após um tempo de esforço, eu me lembrei da letra.

“Te amo mas não quero, nem te ouvir e nem te olhar, por isso Deus me livre, eu tenho medo de voltar. Me fez sofrer demais, mas te olhando eu fico boba, por isso Deus me livre de encarar você de novo.
Te amo, mas vivo a fugir desse amor, não dá pra ficar cara a cara, eu quero esquecer, mas se vejo você coração dispara; por isso eu não quero te ouvir nem te olhar, melhor continuar como estamos, não posso voltar, deus me livre te amar, mas eu te amo”


“Deus me livre” - Zezé di Camargo e Luciano


Acabei de tocar e fui terminar de preparar o chocolate quente. Aquela música me fez lembrar o , e eu toquei pra ele mesmo que ele não estivesse ali para ouvir. Na verdade eu não queria que ele estivesse exatamente ali, mas que pelo menos ele ouvisse a música.
Passei a noite em claro pensando em qual música seria meu tema de amanhã; provavelmente seriam aquelas de fossa. Não estava com a mínima vontade de aparecer na escola, todo mundo ia me encher de perguntas tipo... Onde eu estava ou que eu fiz, ou o que alguém fez para que eu fugisse coisa e tal; não fazia nenhuma diferença, eu não ia responder a todas as perguntas mesmo.
- Oie. - a disse assim que passei pelo portão da escola.
- Oi. - respondi, sem qualquer entusiasmo.
- E aí, como ficou as coisas entre você e o ?
- Péssimas.
- Você não vai deixar de vir à aula só por causa dele, né?
Eu a olhei, sem saber o que dizer. E realmente não sabia mesmo, podia passar uma semana em confinamento que não saberia o que dizer.
- Não sei, não sei mesmo.
- Mas você não pode fazer isso! - ela disse, um pouco alto, e uma turminha de alunos que passava por perto pararam para ouvir.
- Pensa bem , eu me ferrei em todas as provas da semana passada porque ficava prestando atenção NELE, ficava querendo chamar a atenção dele! Eu não consigo mais viver com isso, não dá! Você se deu bem porque tem o , mas eu prefiro ficar sozinha depois dessa. - eu disse, e saí andando em direção à sala de aula.
Assim que entrei na sala, não tinha ninguém ainda, mas logo o professor Smith chegou com suas montanhas de livros e mais uma renca de alunos. O “motivo” era um deles, “todo todo” abraçado com uma gansa; cumprimentou os amigos DAQUELE jeito e como era de se esperar, nem olhou pra minha cara - ele sentava do meu lado!
No início eu nem liguei muito, mas a partir de certo momento começou a me incomodar e eu não tinha coragem de puxar assunto, muito menos de perguntar a ele o que estava acontecendo.
- E aí, foi bem nas provas da semana passada? - ele puxou qualquer assunto.
- Bem mal. E você? - perguntei, para não parecer grossa.
- Ah, mais ou menos.
E o assunto se encerrou aí. Por mais que eu quisesse ouvir a voz dele, não suportava por muito tempo.
Então as três primeiras aulas passaram devagar e em nenhum momento me dirigiu uma palavra; aquilo me machucava por dentro. Na hora do intervalo, ele foi se sentar à mesa real, juntamente de sua princesa e seus súditos; ninguém pareceu notar minha raiva quando vi os dois juntos, não era nem por ciúmes, mas havia se distanciado dos amigos; e todos sentiam a falta dele.
, e eu nos sentamos em uma mesa ao lado de uma as janelas; e estavam na fila para pegar um refrigerante.
- É... - começou a dizer.
- É o quê, ? - perguntei.
- O não aparece mais para os ensaios da banda e nem quando tem festas na casa do .
- Ele está namorando. - defendeu-o.
- Não é por isso. - falei. - Ele não vai, porque sabe que eu vou estar.
Os dois arregalaram os olhos para mim.
- Mas por que ele faz isso? - quis saber.
- Eu não sei, eu também evito ir aos lugares que ele sempre vai.
- Ele não era assim. - disse por fim.
e chegaram com seus refrigerantes e sentaram-se à nossa mesa; ficaram me olhando confusos por um tempo, mas logo depois perceberam do que se tratava. vinha em direção à nossa mesa e escondia um sorriso sombrio e maldoso nos lábios.
- E aê dudes! Oi .
apenas sorriu; eu permaneci imóvel, olhando minhas mãos em cima da mesa, ninguém ali questionou minha quietação. então, como se não bastasse não ter olhado pra minha cara, sentou-se ao meu lado e puxou assunto.
- Você compõe músicas...
Eu assenti sem olhar pra ele.
- Semana que vem é aniversário da minha namorada, e eu queria te pedir um favor.
Eu respirei fundo.
- Como quiser Alteza.
- Gostaria que você tocasse algumas de suas músicas para nós dois.
Eu revirei os olhos e bati as mãos na mesa disfarçadamente; esperava por uma resposta, assim como todos ali.
- Vou ver o que posso fazer.
- Okay, você tem até segunda. - ele disse e saiu da mesa.
Todos ali me olharam incrédulos, sem ter o que dizer e tentando prever alguma reação emocional em mim.
Deu-me vontade de sair gritando de raiva. Com o nervoso que estava, começou a dar pontadas no meu coração ou em algum lugar dentro do meu corpo; sempre tivera esse problema.
- Ele está querendo demais. - falei entre dentes.
- Você vai tocar para os dois? - perguntou, curioso.
- É muita cara de pau dele pedir isso. - disse, antes de mim.
- Eu não vou tocar nem cantar NADA pra os dois!
- É muita mancada da parte dele. - disse a .
- Você não precisa fazer isso. - disse, pousando um braço nos meus ombros e me puxando para mais perto dele.
O era o tipo de amigo que estava ali para todas as horas, e parecia que ele escondia algum sentimento por mim, mas o que eu sentia por ele era apenas amizade; não via ele como namorado.
O sinal do fim do intervalo tocou e eu esperei a manada sair primeiro, o esperou comigo, sem desfazer o abraço.
- Vamos indo, acho que tem matéria nova hoje. - ele disse, se levantando e me puxando junto.
Chegamos à sala e entrou primeiro e, quando estávamos no meio da sala, ele parou e apertou minha mão e foi para o lugar dele; eu assenti e fui me sentar ao lado de .
- E aí, já pensou? - perguntou ele, assim que me sentei.
- Você disse que tenho até segunda feira da semana que vem.
- Sim, mas eu quero ouvir “sim” ou “não”.
Eu respirei fundo e bati a testa na mesa.
- Por que está fazendo isso? - perguntei, sem olhar pra ele.
- Está tudo bem, Srta? . ouvi o professor Smith perguntar.
- Sim, senhor Smith, eu só estou um pouco cansada. - forcei um sorriso.
Ele olhou pro e depois pra mim.
- Bem, hoje está dispensada mais cedo, compreendo que precise de um tempo.
- Obrigada senhor Smith. - eu disse, pegando minhas coisas.
Ele apenas sorriu e assentiu. Sair da sala foi um grande alívio para mim naquele momento, eu precisava ir embora dali o mais rápido possível. Logo que saí da escola, recebi uma mensagem do .

“Estou preocupado com você, me liga se precisar de um ombro amigo. xx .”


Mas é claro que eu precisava de um amigo, e era ele. Não respondi à mensagem naquele momento. Fui caminhando lentamente de volta para casa, sem me importar se eu chegaria lá ou não. Lágrimas caíam dos meus olhos e não enxergava nada. De repente senti alguém me abraçar e fazer com que eu afundasse o rosto em seu peito. Alguns segundos depois eu enxuguei as lágrimas e olhei pra ver quem era, era o . Ele me abraçou novamente e eu fui me acalmando aos poucos; ele me guiou até em casa e parou em frente à porta.
- Não quer entrar? - perguntei.
Ele hesitou durante alguns poucos segundos e entrou, fechando a porta atrás de si; eu fui direto para o sofá, permaneceu encostado na porta.
- Já decidiu o que vai fazer? - ele me perguntou.
- Não. Na mesma hora que eu quero, eu não quero. Eu só... Queria saber como seria a reação dele.
não disse nada de imediato, muito menos eu.
Conversamos sobre outras coisas e durante esse tempo eu me esqueci completamente do . Já era tarde da noite quando resolveu ir embora; eu insisti para que ele ficasse, mas ele achou melhor não.

SEIS


O dia seguinte foi como todos os outros, o document.write(Harry) não dirigiu sequer uma palavra a mim; e naquele dia eu estava decidida que ia dizer “sim” à proposta dele, por mais que isso me machucasse.
- Quando é o aniversário mesmo? – perguntei, sem olhar pra ele.
- É na terça. Já decidiu?
- Sim. Eu apareço lá com as músicas.
Ele pareceu sorrir, mas eu não tive coragem de verificar. As aulas se passaram lentamente e eu não aguentava mais ficar ali. O último sinal tocou e eu fui uma das primeiras a sair da sala; fui correndo guardar minhas coisas no armário e saí praticamente às pressas da escola.
Enquanto andava até minha casa - que ficava perto dali -, fiquei pensando em como diria isso aos meus amigos, e principalmente ao . Naquele mesmo dia, o e a me ligaram e eu contei a eles que eu ia fazer o “show vip” pro ; eles me falaram um monte. Surpreendi-me com aquilo.

O resto da semana se passou sem que ninguém tocasse no assunto. No final de semana, resolveu fazer um churrasco na casa dele; eu não estava em clima de festa, então eles me entenderam e eu fiquei em casa, tocando violão e bebendo cerveja. Passei o final de semana inteiro em casa lendo, escrevendo e tocando violão.

Segunda-feira finalmente chegou e quando cheguei à escola, foi como se eu tivesse sumido por mais de um mês, e como de costume, o nem olhou pra minha cara.
Na hora do intervalo, eu me sentei em uma mesa sozinha - não estava com vontade de ficar segurando vela no meio dos pombinhos e , e , e . Quando ia me levantar, a namorada do veio em minha direção; pensei que ela ia me falar um monte, mas não, ela apenas disse que queria conversar na boa.
- Eu vim dizer que... Se você não quiser, não precisa fazer o que o te pediu. Eu te entendo, já gostei de um cara que me tratava super mal.
- Tudo bem, eu gosto de divulgar minhas músicas.
- Não fica assim, eu vou entender se não quiser ir. - assim dito, ela saiu.
Eu respirei fundo e voltei pra sala quando o sinal tocou; já estava na sala quando eu entrei, e ele parecia arrependido de ter feito alguma coisa, mas eu duvidei, duvidei e muito. Enfim, sentei-me em meu lugar e ele então se virou pra mim.
- Desculpa.
- Desculpa pelo o quê ?
- Por eu estar agindo assim com você, como se não te conhecesse. - ele fez uma longa pausa. - O que a ela disse pra você hoje no almoço? - perguntou ele, apontando discretamente pra namorada dele.
- Ela disse que eu não preciso fazer o que você me pediu e que se eu não puder ir, ela entende.
Ele arqueou uma sobrancelha e endireitou-se na carteira dele.
Mais tarde naquele dia, eu novamente fui uma das primeiras a sair da sala. Fui pra casa correndo, não estava a fim de encarar ninguém, então desliguei o telefone para ninguém me encher.

No dia seguinte eu me levantei, tomei um banho quente e desci até a cozinha para tomar um café rápido, peguei meu violão e fui pro colégio. Quando cheguei, me esperava na porta da sala.
- Oi .
- Oi. - foi só o que ele disse. - Conto com você hoje à noite.
Ele me explicou onde eu deveria encontrá-lo para irmos até a casa da namorada dele. Entramos na sala de aula e todos os olhares pairaram sobre nós; eu nem liguei, por mim podiam pensar o que quisessem.
As aulas se passaram rapidamente e foi a conta de eu ir pra casa tomar um banho e ir me encontrar com o na casa dele. Logo que cheguei lá, ele estava sentado na escada da varanda com um buquê de rosas vermelhas nas mãos. Estava lindo naquela roupa, o cabelo arrepiado e cheio de gel - o que fazia com que os fios de cabelo brilhassem. Ele se levantou quando eu me aproximei.
- Oi. - ele disse.
Eu apenas assenti. Se fosse falar alguma coisa, ia acabar falando um monte.
- É muito longe? - perguntei.
- Não. Podemos ir?
Eu assenti novamente e o acompanhei. Alguns minutos depois, estávamos na casa da gansa; ela logo veio nos receber.
- Oi meu amor. - ela disse, abraçando e beijando o . Depois ela se virou pra mim. - Obrigada por vir. - ela sorriu e me abraçou. - Vamos entrar.
Acompanhei os dois até a entrada da casa e apenas a família dela estava lá; logo, eu fui pro meu lugar perto da janela onde tinha um banquinho e um bastão de microfone. Eu achei que ia me apresentar só para os dois. Ignorando isso, eu comecei a tocar.
Vendo os dois dançando ali juntinhos, olhando pra mim enquanto cantava no ouvido dela machucava-me por dentro, mas eu não podia fazer nada. Ela não estava com cara de quem tinha insistido naquilo, diferentemente dele.

SETE


Meses se passaram desde então. Depois das aulas eu ia direto pra casa, ficava lá bebendo e tocando violão; era tudo o que eu sabia fazer.
Aquela era apenas mais uma noite como outra qualquer, a lua iluminando o céu repleto de estrelas, o vento soprando na janela; parecia até coisa de filme.
Sempre fiz de tudo para ficar ao lado dele, mas o que algum dia ele sentiu por mim foi embora há tempos. Tentei mostrar o quanto eu o amava, o quanto sempre fui louca por ele; sabia que ele nunca ia me retribuir mesmo; acho que nunca vou ser capaz de amar alguém como o amei.
Há dias que não durmo, sinto falta dele quando estou sonhando e por mais que eu tentasse em nenhum momento eu o esqueci.
As horas se passavam devagar e eu continuava tentando desenrolar uma música que estava escrevendo, mas tudo o que me vinha à mente era o e só.

No dia seguinte, eu faltei à aula e resolvi ir dar uma volta em um lugar onde eu sempre o encontrava por acaso, mas para minha surpresa ele não estava lá. Ainda fiquei esperando por algumas horas, mas nada de ele aparecer. Não sabia mais o que se passava na vida dele e gostaria muito de saber se ele ao menos se lembrava de mim. Passei a noite inteira bebendo e vendo filmes de terror na TV; eu olhava a sala cheia de latas de cerveja e garrafas de uísque e pensava “dude o que eu estava fazendo? O que realmente estava acontecendo comigo?”.
O dia amanheceu e eu percebi que não conseguia mais beber uísque com cerveja. Nesse dia, tomei um banho gelado pra ver se passava a dor no corpo e nos olhos que eu sentia, mas nada adiantou; comecei a cogitar a idéia de que tinha alguma coisa de errado comigo. Mesmo assim, fui para a aula parecendo um zumbi. Enquanto eu passava todos me olhavam e cochichavam alguma coisa, e eu sempre ouvia o nome do .
- Nossa amiga, você tá parecendo um zumbi.
- É o que eu estou virando. - senti uma pontada forte no coração.
O mundo pareceu parar por alguns segundos.
- ?
- Ahn?
- Tá tudo bem?
- Sim, - menti. - Eu só não dormi direito essa noite.
- Pensando no ?
- Aham. Como sempre. - respirei fundo e novamente senti a pontada no meu coração.
Tentei respirar fundo mais uma vez e a dor intensificou; ignorei ao máximo e me sentei-me à mesa ao lado do , que olhava a aliança de noivado... PÁRAOMUNDOQUEEUQUERODESCER! ALIANÇA DE NOIVADO? COMO É QUE É O NEGÓCIO?
Pisquei os olhos, poderia ser um dos efeitos da ressaca da noite anterior ou talvez eu estivesse sob o efeito do álcool. Uma lágrima insistiu em escorrer pelo meu rosto e fez com que meus olhos ardessem mais; não estava conseguindo prestar atenção em nada - não era porque o estava do meu lado -, muito menos nele.
- Você está bem? - ouvi-o perguntar.
- Sim... - fiz uma longa pausa.
- ? - ele me olhou preocupado, e pegou uma das minhas mãos que estavam em cima da mesa.
- Na verdade... - consegui dizer depois de um tempo.
- É por causa disso? - ele levantou a mão direita, mostrando a aliança dourada.
- Não , é que eu não acordei muito bem hoje. Só isso. - respondi e sorri sem graça.
- Parece que você bebeu a noite toda. - ele disse, ainda segurando minha mão.
- Você é bom em adivinhar as coisas, .
- Por que fez isso?
- Porque deu vontade, oras. Fazia tempo que eu não bebia daquele jeito.
- Desculpe, eu sei que faz isso pra tentar me esquecer e... Eu nunca quis te fazer sofrer desse jeito. A culpa é minha.
- Não , você tem o direito de ser feliz, é que quando eu me apego a alguém, é difícil sair do caminho.
Ambos não dissemos nada, mas senti que ele ainda segurava minha mão e me encarava. Não queria soltar minha mão da dele, tudo o que eu sempre quis foi conseguir fazer com que ele me tocasse, por mais simples que fosse a situação. Mas aquela situação era diferente, como se eu sentisse o mesmo que ele estava sentindo naquela hora.
O sinal para o fim das aulas soou e eu saí antes que falasse mais alguma coisa.

CONTINUA


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