All My Hate

Autora: Flá Fletcher e Ana Jones
Status: Em Andamento
Revisada por: Isa
Categoria: Hot Fic
Sub-Categoria: LongFic - Romance/Comédia/Drama
Comentários:




Capítulo um


Faço parte da família , que é provavelmente a família mais influente em Londres. Minha mãe e eu morávamos com meu pai até quando eu completei seis anos de idade e eles se separaram. Dois anos depois da separação minha mãe conheceu Ben . Eles namoraram por mais ou menos um ano e depois se casaram. A família no Ben, que no caso é a minha família agora, é da alta sociedade londrina. é filho de Ben e meu meio irmão com benefícios sexuais, ou seja, quando ele quer se divertir me procura e vice versa.
Agora eu vivo na elite de Londres e sempre dou de cara com o . Sim, Fletcher é a pessoa que eu mais odeio atualmente. Na verdade esse ódio vem se prolongando desde quando eu era bem mais nova, mas isso é um assunto pra depois.
Ben tem seu próprio escritório de advocacia. Seu trabalho sempre vem em primeiro lugar, em segundo o trabalho e ah, não podemos esquecer, em terceiro vem o trabalho.
faz faculdade de medicina e eu faço curso de moda. Minha mãe fica em casa cuidando pra que o serviço das várias empregadas tenha sido feito corretamente. É a vida perfeita de uma família extremamente fútil.

11 de Maio de 2011. Londres, Chelsea. Residência dos 3:15 am.

Acordei assustada com o som de um carvalho que insistia em bater na janela do meu quarto. Olhei para o relógio digital da mesinha de cabeceira que marcava 3:15 da madrugada. Bufei enquanto me levantava da cama e andava preguiçosamente até a porta do quarto, desci as escadas e me arrastei até a cozinha. Enchi um copo de água e sentei no balcão bebendo vagarosamente.
Permaneci sentada uns 15 minutos até que a luz da cozinha se acendeu e um de boxer, descabelado e com cara de sono apareceu. Sorri enquanto ele caminhava até a geladeira, pegava a garrafa de leite e enchia um copo. Depois de colocar a garrafa no seu devido lugar ele se sentou ao meu lado no balcão.
- E ai, ? – disse enquanto descaradamente fitava as minhas pernas quase totalmente descobertas por causa da camisola curta demais.
- Meu rosto não é ai – Ralhei e bati na cabeça dele para que ele parasse de olhar para onde não deveria. Ele riu e então começou a fitar um ponto qualquer no chão da cozinha - Não conseguiu dormir?
- Na verdade eu tive sonhos eróticos com você e acabei acordando na melhor parte – tinha um sorriso totalmente malicioso no rosto. Soltei uma risada baixa.
- Sonhos eróticos comigo? Que agradável! – Ele continuava fitando o mesmo ponto no chão.
- Bota agradável nisso, – Depois de tanto tempo olhando o chão ele deve ter se cansado e voltou o seu olhar pra mim.
- , meu querido, sua mente poluída assombra a minha vida – Ri soltando o ar pelo nariz.
- Eu assombro a sua vida em todos os sentidos, – Ele desceu do balcão e caminhou até a pia deixando o copo de leite intocável lá em cima, depois andou de volta na minha direção enquanto me olhava maliciosamente e parou depositando as suas mãos em cima das minhas coxas.
- Tentando fazer seus sonhos virarem realidade, meu caro ? – Sorri de canto, larguei o copo vazio ao meu lado e subi minhas mãos até seus ombros descobertos.
- Talvez – Suas mãos escorregaram até o interior das minhas coxas e eu suspirei. Aproximei meu rosto do dele e minha boca ficou a milímetros da de .
- Então essa é sua chance – Nossos lábios se roçaram e mordeu meu lábio inferior puxando-o levemente para depois iniciar um beijo fervoroso. Suas mãos saíram das minhas coxas e subiram até minha cintura apertando-a com força e eu embrenhei meus dedos pelos cabelos da nuca dele. Minha língua passeava pela sua boca em movimentos rápidos enquanto descia suas mãos até minha bunda e depois coxas. Minhas mãos foram automaticamente até seu abdômen arranhando de leve o local enquanto ele se arrepiava. Respirar já estava ficando difícil e eu separei nossas bocas para depois escorregar a cabeça até seu pescoço e mordiscar de leve por ali enquanto soltava grunhidos extremamente baixos de aprovação (afinal, não queríamos acordar minha mãe e seu pai e depois ter que ficar ouvindo-os falarem merda por no mínimo dez horas). Ele me puxou pra mais perto e eu envolvi sua cintura com as minhas pernas. começou a beijar meu pescoço e eu senti o choque da língua quente dele com a minha pele gelada fazendo com que eu me arrepiasse. Seus beijos foram descendo até meus ombros e ele desceu uma das alças da minha camisola com os dentes. Senti uma dorzinha no local indicando que aquilo provavelmente seria um hematoma no dia seguinte. Senti a ereção dele e desci uma das minhas mãos até seu membro massageando-o por cima da boxer, ele soltou um gemido baixo e eu sorri maliciosa. Consegui ouvir passos que provavelmente desciam a escada e empurrei de leve, ele me olhou curioso.
- Tem alguém descendo as escadas – Sussurrei e a ficha dele deve ter caído, porque ele soltou um “porra” extremamente baixo – Se esconde, – Ele ficou me olhando como se dissesse “Ta me zoando, né?” e eu empurrei-o até a porta de vidro que dava acesso a área da piscina.
- Flávia, ta chovendo... E como você espera que eu saia daqui depois? – perguntou desesperado.
- Depois você toma um banho. Afinal, você ta precisando de um banho de água gelada pra controlar a sua situação – Eu ri e apontei seu membro que continuava ereto e ele semicerrou os olhos - Vou deixar a porta destrancada, assim que eu e quem mais estiver aqui subirmos você entra, tranca a porta e vai pro seu quarto fazer o que você tiver que fazer – Ele concordou e saiu para a área da piscina. Dez segundos depois minha mãe apareceu na porta da cozinha e ficou me olhando.
- O que você estava fazendo aqui a essa hora da madrugada, Flávia? – Ela perguntou desconfiada e examinou com os olhos todos os lados da cozinha enquanto eu pensava em uma desculpa suficientemente convincente.
- Acordei assustada por causa da chuva e vim tomar um copo de leite, por quê? – Ela continuou me olhando estranho, eu caminhei até a pia e peguei o copo de leite que tinha deixado ali em cima.
- São quatro da manhã Flávia, beba esse leite e vai para o seu quarto dormir – Concordei e dei um gole no conteúdo do copo enquanto ela caminhava até a geladeira e pegava água. Bebi todo o conteúdo o mais rápido que pude. Afinal, ficaria muito puto se eu ficasse enrolando por muito tempo.
- Terminei mãe, vamos subir juntas, então? – Coloquei meu copo dentro da pia e ela colocou o dela também.
- Vamos, filha – Ela apagou a luz da cozinha e nós subimos até os quartos. Dei-lhe um beijo de boa noite assim que chegamos à porta do meu quarto e entrei fechando a porta em seguida. Não tinha percebido ainda o quanto estava com sono, me joguei na cama e nem me dei ao trabalho de me cobrir. Minhas pálpebras ficaram pesadas e eu logo adormeci.

11 de Maio de 2011. Londres, Chelsea. Residência dos 6:00 am.

Acordei ao som de The Rolling Stones, essa era a única maneira de meu dia começar um pouquinho melhor. Abri os olhos devagar e quase fiquei cega com um fecho de luz que passava pela cortina do meu quarto.
- Bem legal acordar com uma porra de sol na cara – Joguei os cobertores todos para o chão e levantei super bem humorada, diga-se de passagem.
Arrastei-me até o banheiro do quarto e liguei a ducha enquanto me despia. Entrei no box e fiquei lá por um tempinho deixando a água cair e comecei a cantar Beatles, quando a porta do banheiro foi aberta (lê-se escancarada) e um sorrindo entrou no banheiro. Fiquei olhando-o incrédula.
- Mas que porra é essa? – Tomei o cuidado de não falar muito alto, se ele era doido o suficiente pra ser descoberto eu não era.
- Porra nenhuma, só vim falar bom dia – Continuei olhando incrédula enquanto ele me olhava de cima em baixo com um sorrisinho malicioso nos lábios. Peguei a minha toalha que estava pendurada no box e me enrolei – Ah irmãzinha, por quê acabar com a diversão tão rápido? – Saí do box puta da vida.
- Diversão é o caralho, , pode ir saindo do meu quarto – Disse enquanto empurrava-o pra fora do banheiro, mas ele era bem mais forte que eu e empacou no meio do quarto – Você deve ter probleminhas mentais, não é possível! São seis e meia da manhã, seu pai ta em casa, MINHA MÃE ta em casa e você quer me comer! Vai procurar sua turma, – Eu tentava falar o mais baixo possível, mas a cada palavra que eu falava e ele continuava me olhando com o sorrisinho malicioso eu ficava com mais raiva.
- Queria , quanto estresse ein? Só vim te dar um bom dia e você me trata desse jeito? Que irmã péssima eu fui arranjar – Lancei meu olhar mortífero e ele riu – To indo, to indo – disse enquanto caminhava quarto a fora. Andei atrás dele e fechei a porta do quarto, trancando-a em seguida.
- Não mereço isso. Ele ta abusando da minha boa vontade, isso sim – Bufei e voltei a tomar meu banho, só saí de lá meia hora depois. O ódio que eu sentia por passou e eu comecei a lembrar do dia anterior de madrugada, tenho certeza de que passei tempo demais rindo dele. Ele provavelmente deve ter ficado muito puto porque pedi pra ele ficar lá fora na chuva, no frio e excitado. Caminhei até o closet ainda rindo do pobre e separei uma roupa pra ir para o curso na Royal College of Art. Coloquei uma calça jeans escura, uma bata colorida, uma jaqueta de couro preta, um Louboutin azul, separei meus materiais e celular e coloquei dentro da bolsa azul clara.
Peguei as chaves da minha BMW em cima da mesinha de cabeceira e desci as escadas o mais disfarçadamente possível. Minha mãe iria me chamar pra tomar café, eu diria que não, ela insistiria e eu iria acabar tomando café na Starbucks como planejado. Assim que cheguei ao andar de baixo minha mãe me chamou e eu bufei.
- , vem tomar seu café – Virei os olhos e me arrastei até a sala de jantar, tinha uma mesa enorme lotada de pães, bolos, queijos, café, leite, sucos e todas essas coisas que tem em café da manhã.
- Não quero mãe, vou passar em uma Starbucks antes de ir para o curso – Minha mãe semicerrou os olhos. Acho que ela não gostava nem um pouquinho quando eu não comia em casa.
- Não quero saber, hoje você vai se sentar conosco e tomar o café – Olhei-a incrédula e virei os olhos.
- Mãe, to atrasada – assistia tudo enquanto bebia seu café. Aposto como ele deveria estar adorando aquilo, mas o que era dele estava guardado pra mais tarde.
- Ella, deixa a ir – Ben disse e me lançou um sorriso cúmplice. Já disse o quanto amo Ben? Apesar de ele sempre colocar o trabalho acima de qualquer coisa eu continuava amando o fato de ele sempre me ajudar quando o assunto era Ella .
- Vai , mas hoje não quero nem saber, você vai jantar conosco – Ia abrir a boca pra protestar, mas logo minha mãe acabou com minhas chances – E não discute.
- Ta mãe, tchau – Caminhei até a garagem e desativei o alarme do carro entrando em seguida. Joguei minha bolsa no banco do passageiro e liguei o rádio, sorri quando meus ouvidos reconheceram Whatever do Oasis, dei partida no carro e saí da garagem. Eu sempre dirigia a mais de 130 Km/h. Os que andavam de carro comigo me chamavam de louca, os que me viam andando por Londres me chamavam de louca também... But who cares?

11 de Maio de 2011. Londres, Chelsea. Starbucks 8:25 am.

Empurrei as portas pesadas da Starbucks e meu olhar vagou por entre as mesas procurando alguém interessante ou uma mesa satisfatória. Encontrei uma mesa boa e sentei-me, a garçonete logo anotou meu pedido e eu esperei por uns dez minutos até meu Capuccino e meu muffin serem depositados na mesa. Eram 8:30 am e a primeira aula começava as 9 am, isso significava que eu tinha pelo menos quinze minutos pra comer e quinze pra chegar no Royal College of Art. Acabei de comer meu muffin e tomar meu Capuccino, deixei algumas libras em cima da mesa e saí correndo de lá. Assim que passei pela porta trombei com alguém e minha bolsa se espatifou no chão deixando todos os meus pertences espalhados pela calçada.
- Merda – Eu disse baixo.
- Desculpa – A pessoa que tinha esbarrado em mim disse.
- Tudo bem – Me abaixei pra recolher tudo do chão e assim que me levantei dei de cara com quem? Adivinhem? . Ficamos nos encarando por quase um minuto e minha ficha finalmente caiu – – Pronunciei seu nome com desprezo.
- – Ele semicerrou os olhos e eu levantei as sobrancelhas. Tenho que comentar, o podia ser a pessoa mais odiável do mundo, mas conseguia ser lindo. Ele estava usando uma calça jeans preta, uma camisa xadrez preta, vermelha e branca e um all star branco. O cabelo dele se movimentava conforme o vento batia e os olhos reluziam por causa da claridade. Espera, o que eu estava fazendo? Analisando o , e pior, estava gostando do que estava vendo.
– Ah, foda-se – Saí andando e deixei-o com cara de tacho parado na porta da Starbucks.
Podia ser qualquer pessoa, qualquer uma, até a Rainha da Inglaterra, menos o . Meu ódio por ele já era grande o suficiente pra poder matá-lo e ele ainda consegue a proeza de quase passar por cima de mim.
Entrei no carro bufando e dirigi o mais rápido que pude até o Royal College of Art.

11 de Maio de 2011. Londres, Howie Street. Royal College of Art 8:55 am.

Estacionei na primeira vaga que achei e corri o mais rápido que pude até a sala da minha primeira aula. Trombei com algumas pessoas, fui xingada por outras, mas consegui chegar a tempo. Entrei igual a um furacão e me sentei na última carteira da segunda fileira. Assim que joguei minha bolsa em cima da mesa o sinal tocou indicando o início da primeira aula.
- Licença, Sr. Cooper? – Todos viraram suas cabeças na direção da porta. estava parada esperando uma resposta e ele deu um aceno com a cabeça indicando que sim, ela entrou na sala correndo e foi se sentar na carteira ao meu lado.
- Muito atrasada, sim ou claro? – Perguntei olhando-a e ela levantou as sobrancelhas em sinal de desaprovação. Soltei uma risada baixa.
- Bom dia. Hoje eu quero que vocês desenhem dois modelos de sapatos. Pode ser scarpin, tênis, chinelo... Tanto faz. Vocês têm até o final da minha aula pra entregarem, ok? – Todos os alunos começaram a tirar os materiais das suas bolsas enquanto o Sr. Cooper ainda falava – Podem começar.

11 de Maio de 2011. Londres, Howie Street. Estacionamento do Royal College of Art 1:47 pm.

Eram quase duas da tarde quando eu e saímos do Royal College of Art para enfim almoçarmos. Esqueci de mencionar a , né? Ela é minha amiga desde sempre, somos tipo, melhores amigas inseparáveis. Onde eu estiver ela ta junto e vice versa.
Voltando ao almoço. Eu estava faminta, a única coisa que eu tinha comido era uma barrinha de cereal no intervalo do curso, e vamos combinar que uma barrinha de cereal não dá pra muita coisa.
- Onde é que vamos almoçar? – perguntou enquanto caminhava até seu New Beetle vermelho e eu acompanhava-a.
- Vamos no Tinseltown? – Ela destravou o carro e se sentou no banco do motorista sorrindo.
- Ótima ideia, te espero lá – piscou e bateu a porta do carro rindo como se fosse uma criança de cinco anos que ia apostar corrida.
- Ah sim, EU te espero lá minha querida – Caminhei rapidamente até minha BMW e entrei correndo, dando partida logo em seguida. O velocímetro marcava 150 Km/h e minha atenção estava totalmente presa ao trânsito de Londres, morrer não era a minha maior prioridade naquele momento.

11 de Maio de 2011. Londres, St. John. Tinseltown 2:34 pm.

Dirigi até o Tinseltown mais próximo e estacionei. Procurei o carro de no meio de todos aqueles carros estacionados e não o encontrei. É claro que não encontraria, parece uma lesma dirigindo. Ri sozinha enquanto saía do carro e caminhava lentamente até a melhor mesa do local. Joguei minha bolsa no canto do sofá e senti uma vontade enorme de me deitar ali e dormir pra sempre, mas controlei meus pensamentos insanos e sentei-me educadamente.
Spiralling do Keane começou a tocar e eu procurei rapidamente meu celular dentro da bolsa. Depois de uns 30 segundos finalmente conseguir achá-lo. O nome brilhava no visor.
- Fala, – Disse impaciente.
- Oi maninha, acho que quando você chegar em casa vamos precisar ter uma conversinha – Eu aposto como tinha um sorriso malicioso nos lábios dele nesse momento.
- Aham, , e o que eu fiz agora?
- Você teve a coragem de deixar seu irmão preferido trancado do lado de fora de casa. Além de ficar do lado de fora tive que aguentar uma puta de uma chuva, um frio desgraçado e uma porra de ereção que ainda tive que aliviar sozinho depois – Ele riu sem humor – Preciso dar mais motivos? – Eu tive que gargalhar.
- Realmente sua situação ontem foi precária – Ele bufou do outro lado da linha – Hoje quem sabe não te dou uma recompensa? – chegou e se sentou no sofá a minha frente, não parou de prestar atenção na minha conversa com o por nenhum segundo. - Uma recompensa? E o que você sugere minha querida ?
- Hm, não sei... O que você acha de descobrir só na hora?
- Não gosto muito da ideia, mas vou superar.
- Pois é, meu caro , hoje à noite você não sabe o que te espera – Sorri maliciosa enquanto pensava em todas as possibilidades de recompensar , e tenho que admitir que todas me agradavam, e muito.
- Aguardo ansiosamente, irmãzinha.
- Um beijo, dear brother.
- Mil beijos, dear sister - Desliguei o celular e me encarava em choque.
- O que foi? Além de perder a corrida, ficar ouvindo minha conversa, quer dar palpite? – Ela fez uma cara estranha como se dissesse “Que calúnia” e eu gargalhei.
- Não perdi a corrida porque nós não estávamos apostando uma – Coitada dessa , deve estar se achando muito esperta.
- Vou deixar você achando isso, . Aposto que se eu tivesse chegado depois você estaria me zoando até agora – Ela deu de ombros e pegou o cardápio em cima da mesa.
- Vai pedir o quê? – Como sempre ela muda de assunto bem discretamente.
- Um Chicken Wrap e um suco. E você? - Ela entortou a boca como se dissesse “Eca” e eu ri. Sei interpretar todos os gestos dela, é impressionante.
- Quero um lanche bem grande e com bastante gordura, to afim de ter um infarto hoje – Franzi o cenho e depois ri. Essa usa drogas porque não é possível uma pessoa ser tão sem noção quanto ela – Vou pedir Volcano Beef Burgers e uma Coca-Cola de um litro.
- Meu deus , tem espaço pra tudo isso dentro de você? – Perguntei incrédula.
- É claro que tem – Continuei olhando-a incrédula e ela deu de ombros chamando o garçom em seguida, ele anotou nossos pedidos e saiu de volta na direção da cozinha – Agora me conta, que história é essa de recompensa pro ? – Ela me olhou estranho.
- Amiga, você sabe que eu e o somos meio irmãos com benefícios sexuais. Ontem de madrugada eu e o demos uns amassos na cozinha da minha casa, só que quando ia começar a ficar bom, a minha mãe fez o favor de começar a descer as escadas e eu tive que mandar o coitado pra área da piscina. Ele ficou lá fora no frio, de baixo de chuva e excitado – Gargalhamos e depois continuei contando – Aí hoje ele tá todo putinho por causa disso. Eu disse que vou recompensar hoje de noite e aí vai ficar tudo lindo – Sorri.
- Meu Deus, vocês são problemáticos. Imagine se sua mãe vê vocês dois se pegando? Ela tem um troço e cai morta, – Gargalhei e virou os olhos, mas depois acabou rindo junto comigo. Eu sempre ria da , deve ser porque a presença dela me deixa retardada demais.
Ficamos lá jogando conversa fora e fofocando até quase 4 pm. A comeu o lanche enorme dela e eu comi meu Chicken Wrap, ainda fiquei lá esperando ela terminar de beber um litro de Coca-Cola. Quase tive que levar ela embora rolando porque depois de tanta comida só assim pra conseguir se movimentar. Pagamos a conta, nos despedimos e cada uma foi pra sua casa.

Capítulo dois


13 de Maio de 2011. Londres, Chelsea. Residência dos 6 pm.

A semana se passou tranquilamente tanto no curso quanto em casa, sem surpresas ou novidades. Não tão tranquilamente na verdade já que eu não conseguia ter tempo para quase nada. Estava me dedicando completamente ao curso e acabava sem espaço pra outras coisas.
- , acho melhor você ir até o shopping comprar um vestido, porque vamos fazer uma recepção hoje a noite aqui em casa – Minha mãe entrou no meu quarto enquanto eu dobrava algumas roupas.
- E não te constou que você deveria ter avisado um pouquinho antes, mãe? São seis da tarde e provavelmente eu não vou chegar em casa antes das oito – Reclamei enquanto terminava de guardar umas blusas no closet.
- Filha, reclame menos e faça mais. A recepção começa às nove horas, dá tempo de você comprar o vestido e o que mais você quiser, voltar para casa e se arrumar – Ela ia falando enquanto caminhava quarto a fora e me deixava com cara de tacho. Que mania de me deixar falando sozinha, deve ser porque ela sabe que eu vou reclamar.
Peguei qualquer roupa no meu closet, prendi meu cabelo em um rabo de cavalo, juntei o meu celular e a chave do carro e saí de casa. Assim que me sentei no banco do motorista a ficha caiu: Em todas as recepções ou qualquer que fosse a ocasião a Família estava presente, era SEMPRE assim, e isso significava que eu iria ter que aguentar a ilustre presença de . Bufei e bati a testa de leve na direção.
- O que é isso, ? Crise de meia idade? – Dei um pulo e olhei pros lados tentando encontrar de onde vinha aquela voz e gargalhadas do além. estava sentado na Harley Davidson dele usando uma jaqueta de couro preta, calça jeans clara e all star.
- Não sei se você ficou sabendo, mas hoje vai ter uma recepção de não sei o que aqui em casa – Virei os olhos e depois fiquei observando enquanto ele descia da moto e caminhava até a janela do lado do motorista. O cheiro de perfume masculino misturado com o de cigarros atingiu minhas narinas e eu não pude deixar de sorrir.
- Adoro recepções – disse sorrindo de canto e depois completou – Sempre tem mulheres desesperadas procurando por sexo selvagem – Gargalhei sarcástica.
- Idiota como sempre – Ele deu de ombros e parou por alguns segundos enquanto olhava pra lugar nenhum. Respirou fundo e voltou seu olhar pra mim.
- Quero é saber sobre a minha recompensa – Tinha me esquecido completamente.
- Ela será quando você quiser, Mr. – Pisquei.
- E se eu quiser agora? – abriu a porta do carro e eu levantei as sombrancelhas.
- Somente se você estiver disposto a correr o risco de ser morto pelo seu pai e pela minha mãe – Ri soltando o ar pelo nariz e ele puxou minhas pernas me fazendo ficar sentada de lado no banco e de frente pra ele.
- Não dou a mínima – subiu suas mãos até minha cintura e eu joguei a cabeça pra trás enquanto ria. Ele aproveitou a deixa e atacou meu pescoço com mordidas e chupões, uma de suas mãos repousou sobre minha pele por debaixo da blusa e eu me arrepiei.
- , , ... Você não perde tempo – Depositei minhas mãos sobre seus ombros cobertos pela jaqueta de couro. Ele maneou a cabeça pros lados em sinal negativo e depois colou nossos lábios. contornou minha boca com a sua língua pedindo passagem e eu concedi. Nossas línguas se encontraram começando um beijo calmo enquanto eu massageava a nuca dele com a ponta dos dedos. A mão dele que antes estava por baixo da minha blusa escorregou até minha coxa esquerda e eu ri durante o beijo. , como sempre, não conseguia nem dar um beijo sem que estivesse mergulhado em segundas intenções. Ele separou nossos lábios e me olhou curioso.
- O que foi? – Não me contive e comecei a rir, ele continuou me olhando enquanto esperava uma resposta.
- Nada não – Controlei o riso antes que ele começasse a ficar bem puto - Preciso ir comprar o meu vestido se não eu não chego a tempo da recepção.
- Por mim eu mandaria isso tudo pra casa do caralho e fugiria com você pra qualquer lugar – Ele deu de ombros.
- Sua recompensa está por vir, tenha calma... – Reparei enquanto os cantos dos seus lábios se levantavam em um sorriso.
- Só espero que você não me enrole como está fazendo a semana toda, e como está fazendo agora – Olhei-o indignada.
- Não te enrolei, . Eu não tive tempo nem de respirar durante a semana e agora eu só preciso ir comprar essa merda de vestido logo. Eu quero tanto quanto você ir nessa recepção – Falei e me endireitei no banco do motorista.
- Beleza, a gente se fala depois – Bati a porta do carro e saí da garagem para uma Londres totalmente congestionada.

13 de Maio de 2011. Londres, Chelsea. Residência dos 9:30 pm.

Olhei-me no espelho do quarto e percebi o quanto estava satisfeita com a minha aparência. Meu cabelo, a maquiagem leve, o vestido, meu sapato e meus acessórios deixavam o look perfeito. Sorri confiante e observei meu reflexo no espelho repetir o movimento. Saí do quarto e uma música calma invadiu meus ouvidos. Algo com violinos, flautas ou sei lá. Caminhei até a escada e parei no primeiro degrau enquanto observava a grande quantidade de pessoas que estavam no saguão principal. Algumas conversavam animadamente enquanto bebiam champanhe e outras olhavam entediadas para algum ponto fixo.
Assim que meus pés alcançaram o último degrau da escada encontrei um par de olhos azuis me encarando. estava parado ao lado da porta que dividia a cozinha com o saguão e assim que nossos olhares se cruzaram ele sorriu. Ele estava lindo. Usava um smoking preto, o cabelo como sempre bagunçado propositalmente e segurava uma taça de champanhe. Caminhei lentamente até ele e parei na sua frente.
- Oi, maninho – Disse enquanto pegava uma taça da bandeja do garçom que passou ao meu lado segurava.
- Adorei o seu vestido, mesmo achando que você fica muito melhor sem ele – falou enquanto me olhava de cima a baixo e minha risada se tornou algo inevitável. Incrível como ele não perdia uma oportunidade.
- Será que dá pra se comportar ao menos aqui? Já pensou se alguém ouve isso? – Ele riu e deu de ombros.
- Preparada para encontrar o ? – Bufei e virei os olhos. Tinha até me esquecido desse detalhe. Busquei com os olhos entre as pessoas que estavam lá e encontrei-o conversando com uma loira que mais parecia uma puta, já que seu vestido não cobria nem metade da bunda. seguiu meu olhar e sorriu malicioso. Olhei-o indignada e dei-lhe tapa de leve em seu ombro, ele voltou seu olhar na minha direção enquanto gargalhava.
- Na verdade não, a única coisa pela qual venho me preparando é a morte dele, algo que provavelmente será executado por mim. - Voltei a olhar na direção do e ele estava me encarando.
- Ele deve te achar gostosa, porque não tira os olhos daqui – disse e eu soltei uma risada sarcástica.
- Quer saber? Foda-se - Coloquei (lê-se: joguei) minha taça de champanhe em cima de uma mesa qualquer e puxei pela mão.
- Onde você pretende ir, ? – Continuei puxando ele pela mão até chegarmos no meio do saguão onde alguns casais dançavam ao som de Elephant Gun do Beirut.
- Vamos dançar – Dei um sorriso de canto e levantou as sobrancelhas surpreso. Envolvi seu pescoço com os braços, ele colocou as mãos na minha cintura e começamos a nos movimentar no ritmo da música. Apoiei minha cabeça sobre seu ombro e foi impossível não me deixar levar pelo seu cheiro. Já mencionei como perfumes masculinos mexem comigo? Pois é.
- O ta dançando com a loira gostosa – abafou um riso e eu dei uma meia volta ainda dançando com ele. Meus olhos pousaram sobre o casal sensação e eu mordi o lábio inferior tentando descontar toda a minha raiva ali.
- Por mais que eu tente me controlar sinto ódio dele só de olhar de longe, imagine só o que iria acontecer se ficássemos no mesmo ambiente e sozinhos por mais de dez segundos - Anotei mentalmente umas mil formas de tortura-lo até a morte.
- Aposto que você iria acabar com as pernas abertas pra ele – Dei um pisão no pé do e ele xingou baixo.
- Cuidado com o que você fala, seu idiota – Ele soltou uma gargalhada e seu hálito quente atingiu meu pescoço causando arrepios por todo o meu corpo. não pôde deixar de notar e deu um beijo de leve no meu ombro direito.
- Merda – Eu disse assim que reparei que estava vindo na nossa direção. Desapoiei minha cabeça do ombro do e olhei-o – O ta vindo pra cá. Não vá aprontar nada, ok? – Ele fez cara de santo e maneou a cabeça pra baixo e pra cima em sinal positivo.
- Ora, ora, ora se não é o – Disse enquanto me desvencilhava de e ficava em frente que tinha a putinha pendurada em seu pescoço. Ela me olhou com cara de azeda e eu torci o nariz.
- e , essa é a Adeline disse apontando a biscate – Adeline, esses são e sorriu exageradamente e eu virei os olhos.
- Prazer – Ela disse com um sotaque estranho, provavelmente francês. Além de ter sotaque ela tinha cara e nome de francesa.
- Prazer é só na cama, minha querida Adeline – disse enquanto piscava e eu olhei-o de soslaio. franziu o cenho e eu segurei uma risada. Cantada de pedreiro é foda. Com certeza ele iria comer ela mais tarde, mas fazer o quê? Nada melhor do que ter o prazer de comer a vadia que dá pro , e já que eu não faria isso, deixei esse papel com .
- , será que posso terminar de dançar essa música com a ? – Meu queixo caiu uns cinco metros e eu fiquei sem reação. COMO ASSIM ELE QUERIA DANÇAR COMIGO? me olhou, olhou pro e me olhou de novo. Fiz minha melhor cara de piedade, mas não adiantou nada.
- Claro, vou estar ali dançando com a puti... Quer dizer, com a Adeline – Eu quase ri, eu disse QUASE! Ele deu de ombros e saiu com a vaca leiteira no encalço dele. Praguejei-o mentalmente. me olhou estranho e depois me puxou pela cintura juntando nossos corpos. Meus braços subiram até seu pescoço e enlaçaram-no. Começamos a dançar a mesma música que eu antes dançava com . Essa era a hora de provocar o .
- E ai? O que ta rolando? Você não iria se dar ao trabalho de dançar comigo sem motivo aparente – Ele franziu o cenho.
- Preciso de algum motivo pra dançar com você? - Tive que prender o riso.
- É claro que precisa – não fazia nada sem ter um objetivo final.
- Você tem razão – Ele deu de ombros – Só queria passar pelo menos cinco minutos da minha noite te irritando – Mas é claro, só podia ser isso.
- É lógico que você quer, essa é a única coisa que você faz bem – Prendi o riso e depois continuei – Porque dançar pelo visto não é a sua praia.
- Você não me conhece, minha querida – Os cantos dos lábios dele subiram indicando um sorriso malicioso – Eu posso fazer muitas coisas maravilhosamente bem, coisas que você nem desconfia... A Adeline pode te falar disso melhor do que eu – As mãos dele que estavam na minha cintura me puxaram pra mais perto. Ops, acho que eu senti alguma coisa ali. Sinal de que ele podia até ser brocha, mas seu brinquedinho tinha um tamanho relativamente grande.
- Sinceramente? – Olhei em seus olhos extremamente e encontrei meu próprio reflexo. Sorri cínica – Aposto que você só está blefando.
– Eu não costumo blefar, mas se você acha mesmo que estou fazendo isso – Ele aproximou seus lábios do meu ouvido – Podemos ir pra qualquer canto reservado por cinco minutos e isso será mais do que suficiente pra que eu te prove o contrário. – Ele terminou dando uma leve mordida no meu lóbulo. Gargalhei alto.
- Tudo isso seria carência, meu caro ? Será que a piranha oxigenada não está dando conta do recado? – Ele arregalou os olhos e só conseguia acompanhar meus movimentos enquanto ouvia o que eu tinha pra dizer – Aposto que você tem sonhos eróticos comigo todas as noites – Passei as unhas em seus ombros e desci as mãos até seu peito, espalmando-as pela região - Aposto que você sonha com meu beijo – Mordi o lábio inferior e seus olhos caíram até minha boca – Aposto como sonha em me ouvir gemendo – Cheguei perto do ouvido dele e então sussurrei da maneira mais provocante que conseguia – Mas o que eu quero mesmo é que você morra.
Deixei-o com cara de idiota e saí caminhando o mais rápido que pude até o banheiro do meu quarto. Encostei a porta e parei em frente ao espelho até que uma gargalhada alta preencheu o ambiente. Respirei fundo umas três vezes até conseguir me controlar e um afoito entrou no banheiro chutando a porta. Parece que virou rotina ir entrando sem bater antes.
- Mas que porra, quando você vai perder essa mania de entrar sem avisar? – O rosto dele estava vermelho e ele semicerrou os olhos – O que foi? - Talvez o problema fosse comigo.
- Eu não sei o que você fez pra estressar o babaca do , mas eu comeria a Adeline em breve e por conta do que você fez ele cortou meu barato e passou que nem um furacão puxando ela pra algum lugar que eu nem fiz questão de saber qual era – gesticulava com as mãos enquanto falava. Ele só fazia isso quando estava realmente nervoso. Notei que ele não iria parar de falar, então caminhei calmamente em sua direção, parei à sua frente e segurei seus braços tentando fazer com que ele se acalmasse. Ele ficou me olhando enquanto eu me aproximava e colava minha boca na dele em um selinho demorado. Afastei-me alguns milímetros, só o suficiente pra que meus lábios roçassem de leve nos dele enquanto eu falava.
- Você fala demais – O tom avermelhado da pele dele tinha diminuído relativamente. Os olhos que antes estavam escuro agora estavam demasiadamente claros.
- E você me deixa louco – Em um movimento rápido ele fechou a porta do banheiro me prensando contra ela. Levantei as sobrancelhas e dei um sorriso desafiador. O corpo dele estava totalmente colado ao meu e as mãos uma de cada lado da minha cabeça – Acho que a hora da recompensa chegou. E vou querer uma recompensa dupla já que por sua causa perdi a chance de comer a loira gostosa – Mordi o lábio inferior e botou um sorriso malicioso no rosto.
Nossos lábios foram colados e assim que sua língua encontrou a minha senti calafrios por todo o meu corpo. Depositei minhas mãos na nuca dele e fiquei brincando com seu cabelo enquanto começávamos um beijo feroz. Separei nossas bocas enquanto buscava oxigênio e levei minha cabeça até o pescoço dele distribuindo beijos e mordidas por ali. As mãos dele escorregaram pelo meu corpo de forma que me deram impulso para que eu envolvesse seu quadril com minhas pernas. caminhou até a pia do banheiro ainda me segurando e eu me sentei sobre o mármore frio. Passei a abrir os botões da camisa dele e a cada botão aberto eu depositava um beijo em seu tórax. Quando terminei de desabotoar a camisa ele mesmo se deu ao trabalho de tirar seu blazer e camisa juntos, e logo em seguida procurou minha boca, dando início a outro beijo.
As mãos frias dele foram de encontro as minhas costas quentes causando arrepios assim que a tocaram. Ele começou a abrir o zíper do meu vestido desesperadamente fazendo com que ele escorregasse pelo meu busto deixando meus seios e barriga a mostra. descolou nossos lábios e começou a distribuir mordidas pelo meu pescoço, enquanto levava uma de suas mãos ao meu seio dando leves apertões pela região. Soltei um gemido baixo e ele passou de mordidas para chupões. Minhas mãos desceram pelo seu tórax arranhando de leve chegando ao cós da calça que eu fiz questão de desabotoar rapidamente. Assim que a abri se desfez da peça de roupa, levando junto os sapatos e as meias. Terminei de tirar meu vestido e uma das minhas mãos foi até seu membro já ereto, ainda coberto pela boxer preta, e passei a massageá-lo de leve, fazendo-o arfar e morder os lábios na tentativa de conter um gemido.
- Onde tem camisinha? - Ele perguntou e eu apontei uma das gavetas do armário enquanto tirava minha calcinha e assistia ele tirar a boxer.
Assim que estava devidamente protegido envolvi seu quadril com as pernas. Ele me segurou pela cintura, me invadindo em seguida. Soltei um gemido alto e fechei os olhos enquanto cravava as unhas em seus ombros e ele levava a boca a um dos meus seios, massageando-o com a língua. De início os movimentos eram calmos, mas logo foram ganhando intensidade. Nossos gemidos e suor se misturavam e eu senti as mãos dele apertarem minha cintura enquanto eu era penetrada com estocadas cada vez mais fortes. Chegamos ao clímax juntos e fui abraçada, sentindo a respiração pesada de contra meu pescoço.
Depois de alguns minutos recuperando o fôlego o silêncio que havia se instalado foi quebrado por uma pergunta.
- O que você aprontou com o ? – Sorri e dei de ombros.
- Te conto depois, precisamos voltar pra aquela merda de recepção – Bufando ele me ajudou a sair de cima da pia. Nos vestimos e combinamos que ele ia sair primeiro porque eu tinha que ficar pra dar um jeito no meu cabelo e maquiagem. Fiquei encarando pelo espelho enquanto ele abria a porta do banheiro.
- Porra – disse baixo e eu gelei. estava parado no meio do meu quarto e continha uma expressão indecifrável.


Capítulo três


15 de maio de 2011. Londres, Chelsea. Residência dos 11:30 pm.

ainda segurava a maçaneta da porta completamente paralisado. Eu precisava agir antes que tivesse um infarto e saísse por aí contando o que não deveria.
- ... – Soltei seu nome com desprezo.
- Se eu fosse você começaria a me tratar melhor já que ouvi e vi coisas bem interessantes – Seu rosto que antes não continha expressão alguma passou a demonstrar o quanto ele estava satisfeito por ter algo que pudesse usar contra mim.
- Pode contar isso a quem você quiser, ninguém acreditaria. Você me odeia, eu te odeio, tudo o que é fruto do nosso ódio é algo desconfiável. – caminhou lentamente até a porta do banheiro e encostou-se no batente – , pode ir que eu resolvo – pareceu cair em si e finalmente me olhou.
- Tem certeza? – Na verdade eu não tinha.
- Sim, daqui a pouco eu desço – Ele semicerrou os olhos, sorri demostrando confiança e então saiu do cômodo tomando o cuidado de esbarrar em assim que passou por ele. Quando ouvi a porta do quarto se fechando voltei meu olhar para que ainda estava encostado no batente.
- Minha querida , você achou mesmo que se eu ouvisse ou visse algo deixaria de gravar? – Ele sorriu ainda mais satisfeito que antes – Sinto em lhe informar, mas achou errado – Ele levou a mão até o bolso da calça social e tirou seu celular, procurou algo entre os arquivos e então o ambiente foi preenchido por vozes, vozes que eu conhecia muito bem. “Acho que a hora da recompensa chegou. E vou querer uma recompensa dupla já que por sua causa perdi a chance de comer a loira gostosa” Primeiro pude ouvir a voz de e depois só gemidos. “Onde tem camisinha?” disse e depois mais gemidos. “O que você aprontou com o ?” falou e finalmente ouvi minha própria voz “Te conto depois, precisamos voltar pra aquela merda de recepção”. Se isso vazasse iria ser um escândalo, podia até prever as manchetes dos jornais londrinos “Herdeiros da Família mantêm relações sexuais”.
- Você é muito baixo, . Estava tão desesperado que precisava de algo extremamente sujo pra usar contra mim. – Ri sarcástica – Você sabe que se você fizer alguma coisa com essa gravação eu vou acabar com a sua vida, não sabe?
- , uma coisa da qual eu não tenho medo são suas ameaças – se desencostou do batente da porta, caminhou na minha direção e então parou a meio metro de mim. Em seu rosto brilhava um sorrisinho de vitória. O que ele não sabia é que enquanto ele tinha uma carta na manga, eu tinha várias.
- Medo das minhas ameaças talvez você não tenha, mas aposto que tem medo das sensações que eu causo em você. – Foi a vez de ele rir sarcástico.
- Posso saber quais sensações? – Engoli o ódio, sorri de canto e andei até ele diminuindo a distância entre nós para milímetros. O perfume levemente amadeirado de invadiu meu sistema respiratório e eu lutei comigo mesma para não sorrir abertamente.
- Não me diga que você já se esqueceu. Faz tanto tempo assim desde a última vez em que te mostrei do que era capaz de causar em você? – O sorriso pretencioso de foi substituído por uma expressão desconhecida. O silêncio se instalou no quarto por alguns segundos, e então continuei com um sorriso satisfeito – Foi o que eu pensei. Agora some daqui, e não ouse mostrar essas gravações pra ninguém se não quiser se arrepender amargamente. - Ele deu dois passos pra trás e abriu a boca em sinal de que iria dizer algo, mas não disse, e segundos depois a porta já estava fechada e eu me encontrava sozinha.

’s P.O.V


Saí do quarto totalmente atordoado. Como conseguia me deixar tão desestabilizado com apenas algumas palavras? Eu precisava me controlar. Controle-se, , controle-se. Desci as escadas o mais rápido que pude, trombei com algumas pessoas, desviei de outras, e até xinguei algumas para que saíssem da minha frente. Foda-se, eu precisava ir embora daquele lugar. Procurei meu carro e assim que o encontrei peguei as chaves e acionei o alarme.
- Onde você pensa que vai? – Adeline apareceu do nada e perguntou com sua voz extremamente irritante. Por que mesmo eu a chamei para vir comigo?
- Não que seja do seu interesse, mas estou indo embora. – Seu rosto adquiriu um tom avermelhado e achei que ela fosse me bater. - Você me convidou, tem a obrigação de me levar pra casa – Ri sarcástico. Que garota mais petulante. Peguei minha carteira no bolso de trás da calça, tirei três notas de vinte libras e entreguei pra ela - Eu vou embora agora e não vou te deixar em casa, sinto muito. Use esse dinheiro para pegar um táxi – Ela semicerrou os olhos e arrancou as notas da minha mão.
- Você é um idiota – Adeline me deu as costas e caminhou com passos firmes até a mansão dos . Finalmente eu poderia ir embora. Sentei-me no banco do motorista, coloquei a chave na ignição e respirei fundo.

Flashback On


18 de fevereiro de 2006. Londres, Notting Hill Gate. Residência dos Campbell 9:30 pm.

Kate Campbell, a garota mais rodada e mais irritante do Aiglon College, que namorava meu amigo , estava fazendo uma festa de dezesseis anos. Meu objetivo em todas as festas era encher a cara e pegar meninas; hoje não seria diferente. Assim que eu e chegamos na casa dela fomos procurar por bebidas. Caminhamos até a cozinha, abri a geladeira e encontrei centenas de garrafas de Stella.
- Dude, as festas da Kate nunca me decepcionam. – Sorri enquanto pegava uma garrafa e a abria.
- , bêbado como sempre. – riu e pegou uma cerveja pra ele também.
- , idiota como sempre. – Rimos juntos e fomos até a sala da mansão que estava lotada. Encostei-me em uma das paredes do local e dei um gole no conteúdo da garrafa que segurava ao mesmo tempo em que meus olhos procuravam por alguém interessante.
– Quem é aquela? – Apontei com a cabeça uma garota que ria e conversava com alguns garotos.
- A , lembra que te contei sobre ela? Meu pai vai se casar com a mãe dela mês que vem – Levantei uma sobrancelha e um sorriso malicioso apareceu no meu rosto – Ela vai se mudar pro Aiglon College nesse mês e meu pai me pediu pra trazê-la, quem sabe ela já vai se enturmando.
- Então quer dizer que vai ter uma meia irmã extremamente gostosa? – Ele deu um soco no meu ombro e franziu a testa.
- , seu safado. Tira os olhos dela porque ela não é pro seu bico. – Dei de ombros e bebi um pouco de cerveja. Como se eu ligasse pra opinião dele.
- Pelo jeito você já tá afim dela. – O que era uma pena já que pegar mulher de melhor amigo é sacanagem.
- Tanto faz se eu estiver afim dela ou não, não posso me envolver com ela já que em breve vamos ser irmãos e morar na mesma casa. – Como esse meu amigo é idiota.
- O fator família nunca te impediu de ficar com alguém, não sei o porquê dessa boiolice agora. – Me lembrei de todas as primas que ele tinha comido e soltei o ar pelo nariz em uma risada fraca.
- Mas é diferente, imagina só se meu pai descobre que eu fiquei com a . Ele me corta em pedacinhos, começando pelo zinho aqui. – Gargalhei extremamente alto chamando a atenção de algumas pessoas que estavam ali perto.
- Não quero nem imaginar. – Disse ainda rindo.
- Vamos lá falar com ela, te apresento – Ótimo, pelo menos ele iria facilitar o meu trabalho.
Ao mesmo tempo em que caminhávamos até , eu terminei de beber minha Stella e coloquei a garrafa já vazia em qualquer lugar.
- Hey, pode vir aqui um segundo? - chamou pela garota que usava um vestido florido e tinha os cabelos soltos. disse algo para os garotos que estavam com ela e então veio até nós. Além de gostosa ela era bonita. , seu sortudo! - Esse é o , ele também estuda lá no Aiglon, está no terceiro ano, como eu.
- Prazer - Ela sorriu de maneira simpática - Meu nome é .
- O prazer é meu - Tentei retribuir o sorriso – Pode me chamar de .
- Erm, enquanto conversam eu vou pegar mais uma cerveja e ir atrás da aniversariante! - exclamou e sumiu no meio das pessoas. Ótimo.
- Então, como estão as coisas? Cidade nova, colégio novo, vida nova... - Tentei não parecer tão apressado assim. Uma conversa civilizada é sempre fundamental antes das coisas realmente acontecerem.
- Como você disse, é uma vida nova... Mas tem sido ótimo, tem me apresentado pessoas, me ajudado a me enturmar, essas coisas - Pensei em falar algo, mas fui interrompido antes que pudesse abrir a boca. Gimme More da Britney Spears começou a tocar e disse que adorava aquela música enquanto já me puxava pro meio da sala, onde todos dançavam. – I see you and I just wanna dance with you – Ela sussurrou em meu ouvido cantando junto com a música e pousou as mãos sobre meus ombros, me puxando pra mais perto, começando a dançar comigo.

Flashback Off


Lembranças. Não sei por que insistia em guardá-las. Não seria mais fácil simplesmente ignorá-las? Seria.
Dei partida no carro e fui logo para casa, precisava tomar um bom banho e dormir. Precisava de qualquer coisinha que me distraísse... Uma festa realmente animada não me cairia nada mal. Liguei o rádio afim de ouvir algo produtivo, e tive sorte.

“Grande inauguração do Pub The Red Lion, neste sábado, dia 16, às 22 horas. Exclusiva presença da banda Muse. Endereço: Rua Duke Of York, número 42. Não percam!”


Ouvi a notícia que poderia salvar minha noite de Sábado e um sorriso brotou em meus lábios. Essa festa me ajudaria a esquecer de coisas que de uma hora para outra, graças a e suas palavras, voltaram a me atormentar. Nem que fosse só por uma noite.

’s P.O.V Off


Ajeitei o que precisava ajeitar, me certifiquei de que nenhuma “lembrancinha” de havia sido deixada em meu banheiro e voltei para a festa. Logo encontrei meu maninho virando uma taça de champanhe enquanto afrouxava o colarinho da gravata. Típico de um homem aflito. Ri comigo mesma e ele me encontrou com os olhos, então fui até onde ele estava discretamente.
- E ai? O que o disse? – me olhou nervoso. Ri novamente.
- Pare de ser frouxo, parece uma criancinha assustada. Você sabe que o não faria nada, ele só estava tentando se divertir nos botando medo de alguma forma... E você parece ter caído direitinho.
- Eu to falando sério , mas que porra! Um cara que nos odeia acabou de nos ver transando, e somos irmãos, VOCÊ TEM NOÇÃO DISSO? – Ele alterou o tom de sua voz e fui obrigada a fazer um “Shhh” para que ele se contivesse. Acho melhor nem contar que também fez o favor de gravar nossas vozes.
- Fala baixo, ! Ele não vai fazer nada, já cuidei disso. E se ele ousar fazer algo, irá se arrepender. Agora pare de se comportar igual um babaca, está tudo sob controle. – Terminei de falar e dei as costas a , indo para o meu quarto sem ânimo algum pra continuar naquela recepção.

16 de maio de 2011. Londres, Chelsea. Residência dos 11:24 am.

Acordei com o celular tocando Spiralling do Keane. Bufei. Procurei o aparelho na cômoda com as mãos e quando vi o nome “” no visor, bufei novamente. Nota mental: proibir minha melhor amiga de me acordar antes do meio-dia durante o fim de semana. Isso inclui as ligações e as mensagens.
- Alô, sua chata. – Falei com minha maior voz de “Você me acordou e eu to puta”.
- Bom dia pra você também, lindinha do meu coração. – Ela disse sarcástica.
- Fala logo o que você quer, vai. – Ri e rolei os olhos. Não conseguia ficar realmente brava com aquela criatura.
- Temos uma inauguração para ir hoje à noite, um pub chamado The Red Lion. Sabe quem vai tocar? – Ela falou e eu murmurei algo a incentivando a continuar – Muse.
- Muse? SÉRIO?! – Sou fã de Muse há uns dois anos e nunca tinha ido a um show deles. Essa era a hora.
- Sim, por favor, controle-se. Esteja pronta as 22:30, eu passo aí pra te buscar e não vou tolerar atrasos.
- Certo, as 22:30 eu estarei pronta. Tchau. - Desliguei o celular, me espreguicei e criei coragem pra levantar e tomar um banho rápido. Quando saí do chuveiro me enrolei numa toalha qualquer e me deparei com sentado na minha cama. Pelo menos dessa vez ele não tinha entrado no banheiro e interrompido meu banho.
- Até que enfim, pensei que não fosse sair do banho nunca. – Ele disse se levantando, e então reparei que ele usava apenas uma boxer vermelha.
- Você entra no meu quarto sem permissão e ainda quer reclamar do tempo que fico no banho? – Disse sem humor algum – Desembucha.
- Em primeiro lugar eu quero saber aonde a senhorita vai as 22:30, com quem, e fazer o que. – Gargalhei alto.
- Vou à inauguração de um pub com a , senhor amo-ouvir-conversas-alheias. – Foi a sua vez de gargalhar.
- Hm, entendi. E em segundo, vim perguntar se você tem certeza de que o não irá falar nada a ninguém. – Bufei alto, rolei os olhos, e quase dei um soco na cara de .
- Caralho, ! Qual seu problema? Já falei que tá tudo resolvido, tudo sob controle. Relaxa, que coisa. Esse babaca não vai fazer nada.
- Mas eu... – O interrompi sem cerimônia alguma.
- Mas eu nada! Que mania chata de ficar martelando as coisas, eu hein. Fica tranquilo, não vai fazer nada. Era só isso?
- Sim, só isso. Ah, e sua mãe mandou você se preparar para o almoço.
- Ok, agora dá licença, vou me trocar e já desço. Obrigada por avisar. – Dizendo isso o empurrei pra fora do quarto e fui me vestir para o almoço.

Olhei no relógio e o mesmo marcava 20:45. Passei praticamente o dia todo assistindo aos episódios de Gossip Girl, então desliguei a TV e decidi ir me arrumar para a inauguração. Escolhi uma roupa simples, nada chamativo demais. Fiz uma maquiagem um pouco mais pesada e deixei os cabelos soltos. Quando o relógio marcava 22:25 ouvi um carro buzinar. Peguei minha bolsa e desci as escadas correndo, avisei minha mãe que estava saindo e não tinha horário para voltar, abri a porta e fui direto ao carro.

16 de maio de 2011. Londres, Duke of York. The Red Lion 11:30 pm.

Depois de mais ou menos uma hora dirigindo, estacionou o New Beetle vermelho dela em uma das poucas vagas disponíveis em frente ao pub. Descemos do carro, ela acionou o alarme e depois de arrumar seu vestido nós caminhamos juntas até a fila que estava enorme. Eu já podia até ouvir a voz de Matt [n/a: pra quem não sabe, Matt é o vocalista do Muse] e a ansiedade só me preencheu ainda mais.
- , você tá ouvindo isso? – Empurrei-a de leve e ela me olhou com cara feia – É o Matt! – Minha voz saiu mais alta do que eu esperava e sorri sem graça enquanto algumas pessoas me olhavam.
- Não me empurra e não grita, tá ficando louca? – Ela sempre conseguia acabar com a minha alegria.
- Desculpa, só não consigo acreditar que em poucos minutos vou ver e ouvir Muse ao vivo – A fila começou a andar e eu dei graças a Deus.
- Eu sei que você é fã, , mas você precisa se controlar – Minha amiga falou e me lançou um olhar que continha certa dose de censura.
- Você tá certa, já parei – Me acalmei e esperamos alguns minutos na fila ao mesmo tempo em que jogávamos conversa fora, até que a nossa vez de entrar chegou.
- Convites, por favor. – O segurança pediu e eu gelei. Como assim convites? Olhei desesperada pra enquanto ela tirava dois convites de dentro da sua bolsa e entregava ao homem.
- Você achou o que? Que eu fosse tão burra quanto você? – Franzi o cenho e então sorri agradecida.
- Tudo bem, estou te devendo essa então. – deu de ombros e o segurança nos deu passagem.
- Você já me deve muitas, hein ?! – Ela riu e eu a acompanhei. Assim que passamos pela porta de ferro, Starlight invadiu meus ouvidos e meus olhos seguiram direto para o palco que estava em um lugar relativamente longe de onde eu estava.
- Precisamos chegar mais perto deles. – Segurei pela mão e saí puxando-a por entre as centenas de pessoas. Esbarrei em algumas, xinguei outras, pisei no pé de várias, mas finalmente consegui chegar em um lugar razoável.
- Querida , se você veio aqui pra ficar no meio desse povo todo suado eu realmente sinto muito, mas não vou poder ficar contigo. – Olhei-a de soslaio e ela torceu o nariz.
- Tudo bem, vou ficar aqui só um pouco e depois te procuro. – sorriu de canto e então balançou a cabeça em sinal positivo.
- Só, por favor, não apareça grávida amanhã. – Gargalhei e ela saiu andando enquanto eu a acompanhava com os olhos até perdê-la de vista. Os últimos acordes de Starlight soaram e então Resistance preencheu as caixas de som.

Depois de quase uma hora o show terminou e então saí do meio daquele povo todo o mais rápido que pude. Precisava dar um jeito na minha aparência, então caminhei vagarosamente até o banheiro e assim que consegui chegar na frente do espelho me encarei. Certo, não estava tão ruim. Arrumei meu cabelo, limpei a maquiagem que havia borrado e passei um pouco de gloss. Ao sair do banheiro encontrei um casal se agarrando. Analisei bem a fisionomia do homem que pressionava a mulher contra a parede e reconheci aquele corpo na hora; .
Dei de ombros e caminhei até a pista de dança. Fiquei lá parada sem saber o que fazer já que estava sozinha e então me lembrei de avisar que estava lá. Tirei meu celular da bolsa e mandei uma mensagem falando que estava tudo bem e que se ela quisesse me procurar iria estar na pista de dança.
Touchin On My do 3OH!3 começou a tocar e eu olhei para os lados tentando achar alguém interessante. entrou no pub vestindo um blazer bege e nossos olhares se encontraram.

’s P.O.V


O dia tinha sido um tédio. Um completo tédio. Liguei para um amigo meu, produtor de eventos da cidade, e perguntei qual o endereço desse tal pub que iria inaugurar. Ele pesquisou por alguns lugares e me passou o que pedi, então comecei a me arrumar para a inauguração. Escolhi uma roupa e dei os toques finais em menos de trinta minutos, mas só sai de casa as 22:50.
Assim que entrei no pub (com certa dificuldade, pois alguns seguranças me barraram por eu não ter convite e eu tive que convencê-los para que me deixassem entrar) fui ao bar e pedi um copo de vodka com gelo. Fiquei alguns minutos sentado e uma loira gostosa que usava um vestido justo e rosa tomara-que-caia sentou-se do meu lado e pediu um sex on the beach. A medi de cima a baixo ao mesmo tempo em que ela se acomodava e assim que ela me olhou com interesse senti liberdade para puxar assunto.
- Casa cheia, não é mesmo? – Sorri de canto.
- Sim, bastante. – Ela retribuiu o sorriso.
- Está sozinha? – Falei como quem não quer nada e dei um gole na minha bebida.
- Estou com umas amigas, mas elas querem curtir o show... São fãs da banda. – Olhei para o palco e vi que uma banda tocava animadamente. Como não a vi ali antes?
- Ah, entendi. – Dei mais um gole no conteúdo do copo – E qual é seu nome?
- Lucy, e o seu?
- – Outro sorriso brotou nos meus lábios – Então Lucy, quer fazer alguma coisa enquanto suas amigas curtem o show? – A olhei com malícia e ela entendeu o que eu queria, mas sugeriu que fôssemos para um lugar menos cheio. Assenti e a acompanhei até pararmos em frente ao banheiro feminino. Realmente, não tinha quase ninguém lá. Era a minha deixa. Encostei-a em uma das paredes e segurei em sua cintura enquanto beijava seu pescoço e alternava com mordidas. Suas mãos que antes me seguravam pelos ombros subiram até meu pescoço e começaram a puxar meu cabelo de leve. Depois de deixar algumas marcas em seu pescoço me dei por satisfeito e colei nossos lábios iniciando um beijo intenso. Uma das minhas mãos que estava na cintura dela escorregou pelo seu quadril, bunda e coxas. Lily, Lauren, Leah... Qual era o nome dela mesmo? Ah, Lucy! Lucy mordeu meu lábio inferior e separou nossas bocas só o suficiente para puxarmos oxigênio e então voltamos a nos beijar.
Depois de alguns minutos nos agarrando pude ouvir a banda se despedir dos fãs. Não demorou muito e o lugar que antes estava vazio começou a ficar cheio de gente.
- Vamos pro meu carro, lá ninguém vai atrapalhar a gente. – Sussurrei no ouvido dela.
- Ahn, acho melhor não. Preciso encontrar minhas amigas, e depois não tem como eu voltar... – Então eu estava tomando um fora?
- Eu te levo pra casa, não tem problema. – Insisti.
- Obrigada, mas não vai dar. – Ela falou e me empurrou pelos ombros, andando em direção à pista de dança como se nada tivesse acontecido.
Bufei e resolvi sair do meio de toda aquela gente. Caminhei sem paciência alguma na direção da saída ao mesmo tempo em que tentava me desviar das centenas de pessoas e depois de alguns minutos empurrei as portas de ferro do pub. Meus músculos se contraíram automaticamente ao sentirem o ar gélido de Londres.

’s P.O.V. Off


Sorri maléfica enquanto caminhava me movimentando no ritmo da música e parei há alguns metros de . Mexi os quadris de um lado para o outro ao mesmo tempo em que passava as mãos pela minha cintura devagar e mordi o lábio inferior.

Girl I gotta know, how you dance like that
Garota eu preciso saber, como você dança daquele jeito
Dance like that, you dance like that
Dança assim, dança daquele jeito
Cause you're puttin' on a show
Porque você está fazendo um espetáculo
Can I take you back? Take you back, take you back
Posso levá-la de volta? Levá-la de volta, levá-la de volta


Continuei movimentando os quadris e levei as mãos até o cabelo, depois as escorreguei pelo pescoço, barriga e parei na cintura. Virei de costas pra ele, desci até o chão devagar e subi rapidamente.

I just gotta ask “Can you show me yours?”
Eu só tenho que perguntar “Você pode me mostrar a sua?”
I'll show you mine.
Eu vou te mostrar o meu.
Don't you worry you're too fine.
Não se preocupe você está muito bem.
We got one thing on our mind
Nós temos uma coisa em nossa mente
And we got plenty of time!
E nós temos tempo de sobra!


Eu tinha atraído à atenção de praticamente toda a plateia masculina enquanto o resto das pessoas no pub dançava e me observava. Sorri satisfeita, uma coisa que eu tinha aprendido com o tempo era como chamar a atenção quando queria.

Girl I gotta go! I'm finished with the show
Menina eu tenho que ir! Eu terminei com o show
If you wanna fuck with me I won't say no!
Se você quiser foder comigo eu não vou dizer não!
Touchin’ on my...
Tocando no meu...
While I'm touchin’ on your...
Enquanto eu estou tocando sobre a sua...
You know we are gonna...
Você sabe que nós vamos...
Cause I don't give a fuck (2x)
Porque eu não dou a mínima


Virei-me de frente pro que me observava atenciosamente. Parecia não deixar escapar nenhum detalhe. Desci minha mão por meu quadril e coxa, subindo-a em seguida tomando o cuidado de levantar a barra do vestido só um pouco. Ouvi assovios de incentivo e caminhei até o parando há alguns centímetros de distância. Espalmei minhas mãos sobre seu peito e ele enrijeceu.

I can't get you outta my mind
Eu não consigo tirar você da minha mente
With the way you walk, the way you walk, the way you walk
Com o seu jeito de andar, o jeito que você anda, o jeito que você anda
Baby you should be a sign, the way you make me stop
Querida, você deveria ser um sinal, o jeito que você me faz parar
Make me stop, make me stop
Me faz parar, me faz parar
Cause some like fast and some like slow
Porque alguns como o rápido e alguns como o lento
Ladies come and ladies go
Meninas voltam e meninas vão
Hit the tell and let's just show
Bata a dizer e vamos apenas mostrar
Cause I wan't you to know
Porque eu quero que você saiba...


Desci rebolando até o chão fazendo com que minhas mãos escorregassem pelo seu tórax e parassem nos cós da sua calça. Levantei-me e reparei na expressão de . Ele não sorria, não respirava, não se movia, só me observava com os olhos cheios de desejo.

Girl I gotta go! I'm finished with the show
Menina eu tenho que ir! Eu terminei com o show
If you wanna fuck with me I won't say no!
Se você quiser foder comigo eu não vou dizer não!
Touchin’ on my...

Tocando no meu...
While I'm touchin’ on your...
Enquanto eu estou tocando sobre a sua...
You know we are gonna...
Você sabe que nós vamos...
Cause I don't give a fuck (2x)
Porque eu não dou a mínima

Virei-me de costas e grudei meu corpo no dele, subi minhas mãos até sua cabeça e segurei em seus cabelos de leve enquanto mexia o quadril. Quase deixei escapar uma gargalhada quando percebi o quanto ele estava animadinho. segurou minha cintura com força e eu me desvencilhei dele.

Girl you know I want you, want you, want you now
Garota, você sabe que eu quero você, quero você, quero você agora
You know you want me, want me, want me now
Você sabe que você me quer, me quer, me quer agora
Cause there's not that much to figure out
Porque não há muito que descobrir
So baby let's get down
Então querida vamos cair pra dentro


Voltei ao meu lugar inicial no meio da pista ao mesmo tempo em que a música terminava.

’s P.O.V


Acendi um cigarro e comecei a tragá-lo lentamente, até uma mulher sair de dentro do pub e parar do meu lado. Eu não teria notado ela, se não fosse o fato do seu cabelo ruivo ser extremamente chamativo e dela ter começado a me encarar.
- Não é engraçado como o tempo passa rápido, meu caro ? – A mulher falou enquanto eu a olhava curioso.
- Hã? Tá falando comigo? – Olhei ao redor e notei que não havia mais ninguém por perto - Você me conhece? – Perguntei com mais curiosidade ainda e sem querer derrubei o cigarro em mim mesmo. Porra.
- Te conheço melhor do que você imagina – Ela riu debochada – E é ótimo ver que você não mudou nada. Continua atrapalhado como sempre.
De repente um turbilhão de coisas veio a tona e eu me dei conta de quem era a mulher a minha frente.

Flashback On


18 de fevereiro de 2006. Londres, Notting Hill Gate. Residência dos Campbell 9:39 pm.

Deixei e conversando e fui pegar mais uma cerveja. Assim feito, comecei a procurar por Kate entre todas aquelas pessoas, mas não obtive sucesso. Subi as escadas correndo e quando ia entrar no quarto da minha namorada tomei um susto e acabei derrubando toda a cerveja em mim. Quem mandou ela abrir a porta com tudo bem quando eu estava prestes a entrar?
- , você é atrapalhado demais! – Kate disse entre risadas enquanto me puxava para dentro do quarto.
- Você abriu a porta bem quando eu ia fazer isso, o que queria que eu fizesse? – Odiava parecer idiota.
- Ok, tira essa camisa ensopada de cerveja. – Ela disse cruzando os braços bem a minha frente.
- Já está querendo tirar proveito da situação, né? – Rimos juntos e assim que tirei a peça de roupa molhada, começamos a nos beijar.

Flashback Off


- Qual é? Vai ficar parado, olhando pro nada, sem me responder? – Kate falou cruzando os braços da mesma forma como fazia antigamente.
- Kate... – Falei sem conseguir proferir mais nenhuma palavra.
- Eu mesma. – Ela disse e continuou com a mesma postura.
- Onde você estava esse tempo todo? Como você sabia que eu estaria aqui? – Perguntei quando a ficha finalmente caiu.
- Depois do que houve meus pais decidiram se mudar para Califórnia. Eu voltei pra cá há dois meses e durante todo esse tempo longe a única coisa que desejei foi terminar o que começamos no colegial. Temos assuntos pendentes, e você sabe muito bem quais são. Você ainda me deve uma coisa, e eu vim para cobrá-la. – Fiz sinal para que ela prosseguisse – Quero que você me aproxime de .
- Impossível! Você está delirando! Ela te odeia, Kate, e você sabe o quanto! – Essa mulher só pode ter ficado louca.
- Nós éramos adolescentes, , muita coisa mudou de lá pra cá. E acima de qualquer coisa, você me prometeu há cinco anos atrás que me ajudaria a me aproximar dela, já que a culpa desse ódio ter surgido não foi inteiramente minha. - Fiquei um tempo em silêncio tentando encontrar uma resposta coerente.
- Esta certo, vou tentar te ajudar. Irei cumprir com minha promessa, mas na medida do possível. Não posso garantir que consiga o que quer.
Kate assentiu e me pediu meu número de celular, me passando o dela também. Combinamos que tentaria aproximá-la de , mas que isso poderia levar tempo, então manteríamos contato. E todos os problemas antes enterrados haviam sido ressuscitados.

’s P.O.V Off


Depois de ter deixado com cara de taxo e animadinho, resolvi que estava precisando de algo pra beber. Caminhei até o bar e sentei em um dos banquinhos rotatórios. Ri sozinha me lembrando de como ele tinha babado enquanto eu dançava.
- O que vai querer? – O barman que, diga-se de passagem, era muito gostoso, perguntou.
- Um Martini, por favor. – Ele fez sinal positivo com a cabeça e saiu.
- Você não perde uma oportunidade de me provocar, não é? – O hálito quente de bateu no meu pescoço me deixando levemente arrepiada. Virei-me de frente pra ele e sorri sarcástica.
- Digo o mesmo, ou você acha que eu não sei o real motivo de você ter levado aquela vadia pra recepção de ontem? – soltou um risinho fraco como se estivesse sem resposta. Gimme More da Britney Spears começou a tocar e eu gelei.
- Olha só – Ele me puxou pela cintura grudando nossos corpos e sussurrou no meu ouvido– Nossa música.
- Seu Martini – O Barman disse ao mesmo tempo em que depositava a taça sobre o balcão e eu agradeci mentalmente. Desvencilhei-me de e virei a bebida de uma vez só. Sem tempo de protestar, arrancou a cereja da minha mão e eu franzi o cenho enquanto ele terminava de mastigar e me puxava pela mão até a pista de dança.
- O que é isso? Não vou dançar com você! – Disse ao mesmo tempo em que tentava soltar a minha mão da dele e isso só fez com que ele a apertasse ainda mais. Paramos no meio da pista de dança e ele me segurou forte pela cintura.
- Pelos velhos tempos? – Então ele queria jogar? Beleza, eu entraria nos joguinhos dele.
- Ok, . Pelos velhos tempos! – Espalmei minhas mãos sobre seu peito e comecei a me movimentar no ritmo da música. A mão de que segurava minha cintura me puxou mais pra perto de si e uma de suas pernas se encaixou no meio das minhas. Mexi o quadril de um lado pro outro e desci só o suficiente pra que o interior das minhas coxas roçasse no joelho dele.
- We can get down like there's no one around (Nós podemos nos divertir como se não tivesse ninguém por perto) – Sua voz levemente rouca tão perto do meu ouvido fez todos os meus pelos se erriçarem.
- Gimme more (Dê-me mais), – Tentei imitar a voz da Britney na música, rouca e meio que gemendo, mas não obtive sucesso. Ele sorriu malicioso e levou sua cabeça até a curva do meu pescoço dando mordidas leves ali. Automaticamente apertei seus ombros.
- Me diz, você quer mais? – Seu rosto estava a milímetros do meu e seu hálito de cereja invadiu minhas narinas. Semicerrei os olhos quando percebi que encarava descaradamente minha boca, passei a língua pelos meus lábios o mais vagarosamente que consegui e ele apertou minha cintura. Alguns segundos depois pareceu cair em si e subiu uma de suas mãos pelo meu quadril, cintura, barriga, pescoço e parou segurando os meus cabelos da nuca de leve. Fechei os olhos assim que senti minhas pernas ficarem bambas e dei graças a Deus por estar me segurando tão forte. Ele afastou sua cabeça da minha alguns centímetros e me olhou nos olhos. As órbitas castanhas dele pareciam tão escuras e ao mesmo tempo tão chamativas. respirou fundo uma vez e me soltou. Franzi o cenho tentando entender qual era o seu objetivo, então ele me deu as costas e saiu andando extremamente rápido. Bufei. continuava demasiadamente odiável.
Sem vontade nenhuma de ficar sozinha naquela festa resolvi mandar uma mensagem pra falando que ia embora e que nos falávamos depois. Caminhei lentamente até o lado de fora do pub e peguei o primeiro táxi que passou.
Capítulo quatro
17 de maio de 2011. Londres, Chelsea. Residência dos 13:58 pm.

Acordei com uma porra de dor de cabeça que não me deixava em paz. Levantei e fui direto ao banheiro, lavei o rosto, vesti uma roupa só pra não ficar perambulando pela casa de camisola e decidi ir atrás de algum remédio que me aliviasse a dor. Desci as escadas chamando por minha mãe e não obtive nenhuma resposta, então fui até a cozinha e encontrei comendo alguma coisa que me parecia ser o seu almoço.
- Cadê o Ben e minha mãe? – Perguntei enquanto me sentava a mesa.
- Não faço ideia. Acordei agora e encontrei a mesa assim, vou comer e arranjar o que fazer. – falou e me encarou com um sorriso malicioso - Por quê? Você precisa de algo, maninha? – Realmente, ele não tomava jeito.
- Se você estiver se referindo ao que o seu sorriso indica que está, não, obrigada. – Ri fraco – Preciso de algum remédio, qualquer coisa, ou vou morrer de tanta dor de cabeça.
- Ok, come alguma coisa e eu te arranjo um remédio. Devo ter algum guardado lá em cima.
Assim que terminamos de almoçar, me chamou para ir até seu quarto buscar o remédio, e eu não hesitei.
- Então, como foi ontem à noite? Se divertiu? – Perguntei como quem não quer nada ao mesmo tempo em que me apoiava no batente da porta.
- Digamos que sim, e você? – Ele perguntou enquanto vasculhava suas gavetas, sem sequer me olhar.
- Bastante, a inauguração estava ótima, o pub estava cheio... Mas você deve saber disso, não é mesmo? – Ele parou o que fazia, se virou e me olhou tentando forçar uma expressão de “não sei do que você está falando”.
- Ahn? Eu devo saber? – Dei uma breve risada e voltei ao assunto.
- Para de se fazer de desentendido, . Eu te vi no pub ontem à noite enquanto você se agarrava com uma garota em frente ao banheiro feminino, não passou pela sua cabecinha a possibilidade de eu te ver lá? – voltou sua atenção às gavetas e encontrou o bendito remédio, me entregando o comprimido branco logo em seguida e colocando as mãos nos bolsos de sua bermuda, parando bem a minha frente.
- Tá, você me pegou – Rimos juntos – Eu fiquei curioso sobre essa inauguração assim que você me falou sobre ela, e como não tinha nada programado pra ontem à noite, dei um jeitinho de descobrir onde iria ser e de entrar lá sem convite. Não foi nada fácil passar por aqueles seguranças.
- Aham... E você não pretendia me contar? Digo, não pretendia me contar que foi até lá? – O olhei com certa desconfiança.
- Não queria que você pensasse que estava te perseguindo ou coisa do tipo. – Assim que as palavras começaram a escapar pelos lábios de ele se aproximou mais e me puxou pela cintura.
- Entendi, entendi... – Falei espalmando as mãos em seu peito e o empurrando de leve - Agora vou tomar um banho e dormir pra ver se essa dor de cabeça passa.
- Fugindo de mim, senhorita ? – falou com um sorriso de canto, cruzando os braços e parando ao lado da porta assim que saí do quarto.
- Como se desse pra fugir de você, não é mesmo? – Ri e me virei em direção ao meu quarto, entrando nele e trancando a porta para garantir que ninguém iria me incomodar.

Ouvi fortes batidas na porta do meu quarto e mesmo sonolenta pude ouvir minha mãe gritar um “Venha jantar, !”. Esfreguei os olhos e vi no relógio da cabeceira que já eram 21:15. Ok, eu tinha dormido muito. Eu tinha dormido muito mesmo. Escovei os dentes e fui até a sala de jantar sem a menor vontade, mas como já havia almoçado fora do horário, preferi obedecer minha mãe.
- Ora, ora, ora, se a bela adormecida não acordou de seu sono eterno. – Minha mãe disse sarcástica enquanto sentava-me a mesa e e Ben riam.
- Eu estava morrendo de dor de cabeça, se não tomasse um remédio e dormisse bastante iria ter um colapso. – Disse seca ao mesmo tempo em que começava a comer.
- Tá, tá. Amanhã você nem ouse tentar escapar do café da manhã. – Concordei com a cabeça e comi em silêncio. Assim que terminei dei boa noite pra todos e subi as escadas sozinha. Ou quase sozinha.
- Ei, , espera um pouco – Ouvi me chamou assim que abri a porta do meu quarto.
- Que foi? – Falei curiosa e me virei para ele.
- Eu tenho uma pergunta pra te fazer, uma pergunta delicada... - falou como quem não tinha muita certeza do que falava e bagunçou os cabelos da própria nuca. Algo estava errado.
- Entra aqui – falei fazendo sinal para que ele entrasse no quarto – Quero saber que pergunta é essa.
Sentamos na cama e ele juntou as próprias mãos entrelaçando os dedos, enquanto seu rosto formava uma expressão séria e fechada. Algo estava muito errado.
- Certo. O que você tem pra me perguntar?
- Eu queria saber, só a nível de curiosidade, o que você faria se a Kate Campbell ressurgisse do nada em nossas vidas... Você a trataria normalmente? – Dito isso olhou no fundo dos meus olhos. Eu gelei. Como, de onde, e por que ele desenterrou essa mulher? O que ele estava querendo insinuar? O que ele queria, afinal? Não, essa definitivamente não era uma pergunta qualquer, sem significado, feita a nível de curiosidade. Tinha algo por trás disso, algo forte, algo realmente forte. Na hora eu me levantei e abri a porta do quarto, furiosa.
- Não ouse pronunciar o nome dessa... Dessa vadia! – Pronunciei a ultima palavra com ódio – Eu a trataria da maneira que ela merece, da maneira que ela sempre mereceu e sempre vai merecer: com desprezo. Agora sai daqui, eu vou dormir.
- , calma, foi só uma pergunta e... – Ele disse se levantando e tentando se explicar, mas logo o interrompi.
- FOI SÓ UMA PERGUNTA? SAI DAQUI, AGORA! – Falei o empurrando para fora do quarto, e antes de fechar a porta pude ouvi-lo dizer:
- Uma hora você vai ter que superar isso, e quando isso acontecer, você irá se tocar do tempo que perdeu com essa birra infantil.
Fechei a porta com força e me deitei. Eu não ia deixar as lembranças me atormentarem... Não essas lembranças. Enrolei-me no edredom e as palavras de não saíam da minha cabeça de forma alguma. Fiquei refletindo sobre todos os possíveis motivos pelos quais ele teria me perguntado sobre essa mulher, mas nenhum me pareceu fazer sentido, então decidi me acalmar e esperar pelo dia seguinte para que pudesse pedir um conselho a .





CONTINUA



n/a: O que falar sobre esses dois capítulos? Bom, digamos que até agora o capítulo três é o nosso favorito e o capítulo quatro é, em nossa humilde opinião, o mais chatinho. Chatinho, porém necessário. Sobre a Kate, só podemos comentar que a partir de agora vocês arranjaram mais um problema... Ou será que esse problema já foi arranjado antes? Hahaha, boa leitura garotas, e até a próxima! :D

Volte ao topo para comentar!


Fechar a janela para voltar ao POP