Bridge Over Troubled Water
Autora: Deb
Status: Em Andamento
Revisada por: Hata
Categoria: Hot Fics
Sub-Categoria: Romântica/Comédia/Drama
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"Algumas coisas na vida são tão bizarras que só podem ser verdadeiras (Marley&Eu)"
Cap. 1 – Lights, câmera, action !
- Dá pra parar de batucar? Estou tentando me concentrar.
Coloco a caneta em cima da mesa, olhando para , que pressionava as têmporas, irritado. Ele odiava estudar no mesmo lugar que eu.
- Estou sem inspiração - suspiro, colocando meu caderno de lado. Fazia horas que eu olhava para o papel branco, cheio de linhas.
- Você poderia me ajudar a estudar. - ele levanta seus olhos brilhantes do livro, sorrindo - Afinal, você é a melhor professora do mundo.
- Menos, , bem menos… - coloco uma mecha do meu cabelo para trás, encarando firmemente meu caderno, esperando que as palavras surgissem - E estou ocupada.
- Ah. Em que parte você está?
- Bom, Melanie já descobriu a verdade sobre Joseph. Não sei como terminar.
- Alguém já morreu?
O fuzilo com o olhar.
- Ninguém vai morrer.
- Você sabe que morte vende, né?
- , a frase está errada. A certa seria "sexo vende", que o Irv diz para Georgia em Falando Grego. - passo as mãos por meu cabelo, prendendo-o em um coque mal feito com um lápis - Além disso, não quero escrever para vender a minha história. Tenho princípios.
- Sei disso. - se apruma na cadeira, desconfortável - Mas você não quer que o livro se torne um best-seller?
- Não
- Um filme?
- Não. , você sonha demais.
- Não, , você que não é ambiciosa. - ele se levanta, juntando o seu material - Se você não acreditar no seu potencial, quem vai?
dá a volta pela a mesa. Beija minha bochecha.
- Confio em você, .
-
- CORTA!
passa as mãos no rosto, irritado. Quantas vezes teria que gravar essa cena? Revirando os olhos, chama Kevin pelo rádio, que chega cinco segundos depois.
- Senhor?
- Traga um café pra mim
- Forte, sem açúcar?
- Tanto faz. Vai logo.
Suspira. Quem diria que , diretor premiado de Hollywood, estaria gravando um filme romântico, mela cuecas na Inglaterra e não conseguiria controlar os atores? Odiava os ingleses.
- Sr. , gostaria de falar sobre o meu papel.
se vira e encontra uma garota, que devia ter uns 16 anos, o encarando.
- O que foi, Lisa?
- Rachel. Eu queria saber se posso escolher as roupas da minha personagem.
- Não sou da parte de figurino, Jessica. Vá falar com Alice.
- Mas senhor...
pega o megafone.
- Tenho um filme para dirigir, não tenho tempo para perder com besteiras. Kevin, cadê o meu café? - chama o assistente pelo rádio.
- Você vai simplesmente me ignorar? - a garota o olha, em choque. Sem obter resposta, exclama - Tudo bem! Eu me demito.
- Faça o que quiser, mas me deixe em paz. Estou com uma dor de cabeça insuportável.
Rachel dá um grito histérico, e sai correndo. pega o rádio.
- E uma aspirina.
-
- E ele simplesmente BERROU comigo! Quem ele pensa que é?
- Ele é o diretor, Rach, o que você esperava? Flores e chocolate?
- Pelo menos o mínimo de educação. Afinal, sou Rachel .
Reviro os olhos. A arrogância da minha querida irmãzinha me irritava profundamente. Meio-irmã, dá na mesma.
- Esse é o mundo do cinema, bem-vinda. - digo, com uma voz sarcástica - Se acostume
Rach cruza os braços. Menininha mimada. Abro a geladeira, pegando uma garrafa de Coca. Coloco em cima da bancada e procuro algo pra comer.
- Você poderia ser um pouco mais compreensiva, . - ela choraminga.
- Quer que eu faça o quê? Dar uma bronca no diretor? Fala sério.
Pego o último pedaço do famoso bolo que a minha madrasta, Beth, faz para o aniversário dela. Chocolate, com um doce brasileiro como cobertura. Simplesmente divino.
- Você sabe quantas calorias tem nesse bolo?
- Sim, Rachel, eu sei. Vou morrer gorda, velha e sozinha. Mas vou estar feliz. Mais alguma coisa?
- Às vezes você é tão estúpida...
- Deve ser o excesso de glicose. Me faz ter menos paciência com as pessoas.
Ela me encarou, com raiva. Virou-se e correu para o quarto, batendo a porta. Às vezes acho que ela tem dez anos, não dezesseis.
O telefone toca. A voz de explode em meu tímpano.
- , você não sabe!
- Por isso mesmo que você vai me contar.
Dou uma mordida no bolo, enquanto minha melhor amiga conta sobre seu namoro com Andrew. Eu estava tomando um gole de refrigerante quando ela estoura a bomba.
- Ele me pediu em casamento.
Engasgo. Depois de vários segundos, que pareciam séculos, recupero meu fôlego e volto a respirar normalmente.
- Não acredito que você quase morreu por causa da notícia. Tão impossível de acontecer, é? - sua voz era de mágoa.
- Claro que não, . - sorrio. - Parabéns! Vocês merecem ficar juntos, são o casal mais fofo do planeta.
- Hm, melhorou agora. Aw, obrigada, ! Nem preciso dizer que você vai ser minha madrinha, né?
- Se não fosse eu, Andrew ficaria viúvo antes mesmo de se casar.
- , preciso usar o telefone! - Beth grita da sala.
- , tenho que desligar. Você vai comigo amanhã?
- Levar o seu roteiro? É claro, querida. E logo depois vamos à busca da igreja.
- Nossa, já?
- , se eu não me apressar, uma vaca siliconada vai roubar a minha data. E, se isso acontecer, eu mato alguém.
Com isso, ela desliga. Ainda confusa, vou até a sala. Beth estava brincando com Jeremy, meu irmão de dois anos. Ele segurava o telefone de brinquedo junto da orelha, rindo. Já disse que ele tem a risada mais fofa do universo?
- Ah, que bom que você apareceu, . Pode cuidar um pouco do meu lindinho? - Beth dá um beijinho de esquimó nele - Preciso fazer umas ligações.
- Claro que sim. Cadê o meu Jerry? - me abaixo até aquela criaturinha linda de olhos verdes. Ele levanta a mãozinha, passando-a em minha bochecha - Achei!
Beth ri, saindo da sala. Pego meu irmão no colo, tirando uma manchinha de chocolate do nariz dele. Na TV, Peter Pan e seus amigos voavam pelo céu londrino.
- Olha, Jerry, o Peter! - pego sua mãozinha e aponto para a TV. Ele ri.
- PAN, PAN, PAN!
- Já está o viciando em filmes, ? - aparece do meu lado, me dando um susto.
- É claro, . Ele vai ser como eu quando crescer, né, Jerry? - abraço meu bebê.
- Ah não, mais um cinéfilo na família, ?
- Vai se acostumando.
-
- Meu bem, você ouviu alguma coisa do que eu disse?
olha pra Joanna, com a expressão cansada.
- Você sabe que não.
- Bom, eu estava até agora com Giorgina, escolhendo o vestido dela.
- Ah.
- É muito bonito. A parte de cima é um corpete, mas a saia é bem larga.
- Hm, bacana.
- Eu peguei o cartão da loja. Talvez eu também compre o meu lá.
- Faça como quiser.
Joanna segura as lágrimas. nem percebera que ela estava falando sobre um vestido de noiva. Ele nunca a pediria. Irritada, pega o seu prato e o leva para a cozinha.
batucava os dedos na mesa, distraído. Amanhã, David, o produtor de Wasting Time, iria trazer outra roteirista para vê-lo.
Isso realmente o irritava. Seu trabalho não era ler historinhas apaixonadas. Queria tiros, explosões, ação. Por que diabos estava dirigindo Wasting Time? Era literalmente uma perda de tempo.
Joanna termina de tirar a louça, sem encará-lo. Logo em seguida, vai para o quarto, batendo a porta. Pega o telefone, digitando aqueles números tão conhecidos.
- Em meia hora, Riverside Gardens.
-
- ! Tenho novidades!
- O que foi, Giorgina?
- Comprei meu vestido! É tão lindo...
desvia os olhos do violão para observar sua noiva.
- Que bom que gostou.
- Amanhã vamos procurar a igreja, não quero que ninguém estrague o dia em que me tornarei a Sra. - sua voz estava ansiosa.
- Mas amanhã eu tenho um teste...
- O que é mais importante? Eu ou sua inexistente carreira musical? Adie o teste.
- Só vou ficar uma hora. O resto é por sua conta. - volta a tocar o violão, fechando os olhos e cantarolando. "I just wish you have tried."
Cap. 2 "Todas as coisas se encontram no caminho em algum lugar (Fenômeno)"
- Respira fundo, é só uma entrevista.
Olho feio para , que dirigia.
- Para mim não é só uma entrevista, ok? Vou entregar a minha história para David Heyman, produtor de Potter. Você tem noção do que é isso?
- Tá, me desculpa, . Só estava tentando ajudar.
- O silêncio é uma ótima ajuda, - diz do banco de trás - , você viu esse vestido? É lindo! - joga a revista no meu colo.
- É mesmo. Depois vou até lá com você, tudo bem?
- Aham. , pé na tábua, faltam quinze minutos.
- Pé na tábua? De que século você é, ?
- Não sei bem. Mas se você não se apressar, vou dizer o dia da sua morte.
- Garota estressada.
Reviro os olhos. Esses dois são tão idiotas às vezes.
-
- Você está atrasado para a reunião, senhor.
- Não enche, Kevin. Quem está aí?
- O produtor. A roteirista também não chegou ainda. Está presa no trânsito.
- Ok. Deixe meu café em cima da mesa, chego em cinco minutos. – desliga o celular.
- Hm, amor? - Joanna o chama, hesitante.
- Fala.
- Você sabe que dia é hoje?
- Quinta-feira. Dia da reunião com os novos roteiristas.
- Eu não...
O celular de toca antes que ela pudesse terminar sua fala. Ele atende.
- . Como assim, adiada? Que porra é essa? - explode, batendo a mão no volante. - Eu vou gravar essa cena hoje com ou sem Jéssica... Rachel. Foda-se.
Joanna abre sua bolsa e pega uma caixinha cheia de comprimidos.
Discretamente, coloca dois deles na boca, engolindo-os. Toma alguns goles de seu chá verde. Respira fundo.
Odiava esses telefonemas. Odiava esse emprego do . Odiava o cinema.
Era atriz, mas sempre preferiu os palcos às câmeras. Parecia menos... artificial.
Pega seu celular, mandando uma mensagem para a única pessoa que lhe dava atenção.
- Vai sair com a Giorgina hoje? - já tinha desligado o celular.
- Hm, vou. - diz, sem olhá-lo.
- Que bom, porque eu vou chegar tarde. Tenho que gravar uma cena em Manchester. Terei que aturar aquelas menininhas irritantes reclamando que o frio faz mal para o cabelo ou algo do tipo.
- Provavelmente. , hoje é um dia especial, NÉ?
- Claro. Fui escolhido para dirigir a continuação de Breaking Dawn. Vou assinar os papéis hoje.
- Entendi. – esqueceu, óbvio. Hoje fazia sete anos que estavam juntos. Por que ele se lembraria?
O celular de Joanna vibra em seu colo. Ao ler a mensagem, um sorriso aparece em seu rosto.
--
Minhas mãos quase esmagavam meu caderno do Elmo, da Vila Sésamo. Cadê esse diretor idiota? Estou ficando nervosa, droga.
- Srta , pode me acompanhar? - um homem alto e magro, quase careca, aparece na minha frente. Me levanto e o sigo.
Quem nunca entrou em um set de filmagens, não sabe como é maravilhosa a sensação. Pessoas de roupas pretas correndo pelos cenários, falando pelos microfones, atores conversando enquanto faziam um lanche rápido. Absurdamente surreal. Epa, aquele é o Rupert Grint?
- Em só um instante o Sr. vai encontrá-la. O Sr Heyman já está na sala de reuniões.
Engulo a ansiedade, assumindo uma postura séria. Sou uma escritora, tenho que me portar como tal. Respirando fundo, entro na sala.
E lá estava ele. David Heyman lia uns papéis, totalmente absorto, sob sob as lentes de seus óculos de grau. Reprimo minha alegria, apenas sorrio fraco.
- Sr. Heyman?
Ele levanta os olhos. Suas sobrancelhas se arqueiam, mas sua expressão é suave.
- Você é...?
- . – estendo minha mão. Ele responde meu cumprimento. – Escrevi Bridge Over Troubled Water.
- Oh, é claro! - esfrega as mãos, fazendo uma careta ansiosa. – E onde está?
- Bom, eu...
- Pronto, cheguei. Kevin, cadê o meu café? Sabe que eu preciso beber antes das reuniões. Aproveite e traga minhas aspirinas. – um homem alto, e de olhos entra apressado na sala. Sua expressão era extremamente arrogante. Fechei a cara. Não gostei dele.
- , essa é , escritora de Bridge Over...
- SIM, SIU, EU SEI. Sou . Bom dia, Srta. . – ele dá um aceno rápido. Mas ele pára, se virando para mim. – Espera um pouco, outra ? Estão de brincadeira comigo, não é possível.
- Como as... Ah, Rachel. – droga, então ele é o diretor que berrou com Rach. Que ótimo. Simplesmente fantástico.
- Do que vocês estão falando? – David estava confuso.
- Ela conhece a estrelinha de Wasting Time. Vocês são irmãs? Não trabalho com parentes.
- Ela é... É complicado. – massageio minhas têmporas – Rach é filha da minha madrasta, e meu pai a adotou. Mas eu não sabia que o senhor era...
- Você.
- O quê?
- Não me chame de senhor. Não sou um velho reumático.
- Ah, desculpe. Voltando, eu não sabia que você era o diretor do filme. E não vim aqui para falar de Rachel. Quero saber do meu roteiro.
Sim, eu fiquei irritada. Porra, o cara mal chegou e já quer me tirar daqui? Nada disso.
- Concordo com ela, . Posso ver o roteiro? – David sorri. Um pouco envergonhada, entrego meu caderno para ele.
- Vila Sésamo? Quantos anos você tem? Dez? – o rosto de fica vermelho. – E como coube uma história em um caderninho de 96 folhas?
- Duzentas, na verdade. – corrijo-o.
- Desculpe me intrometer, mas será que posso ler a história em paz? Muito obrigado. – David coloca os óculos e analisa meu texto tão seriamente que sinto minhas bochechar ruborizarem.
Olho para , que batucava impacientemente na mesa. Sua expressão era meio enrugada, deve ser pelo estresse. Os olhos amendoados são e muito bonitos. E os lábios... Espera um pouco. Por que estou reparando na aparência dele? Foco, !
- , posso levar para casa e ler com calma? Fiquei muito interessado na história... Guerra do Vietnã, huh?
- É...Meu pai lutou na guerra. Ele me passou alguns fatos relevantes.
- É um tema bem comum. Qual é o diferencial da sua história?
Óbvio que ele perguntaria isso. Qualquer um o faria. Respiro fundo e olho para ele.
- É a história dos meus pais.
--
pára de batucar e olha para a garota sentada ao seu lado.
- Seus pais? Eles são os personagens principais?
- Bom, eles serviram de base. – passa a mão pelos cabelos, pegando uma caneta para prendê-los – Jessica e James foram adaptados. A história do meu pai eu tenho completa, mas a da minha mãe eu tive que inventar e recolher dados de outras pessoas.
- Hm, interessante. Não concorda, ? – David tira os óculos, sorrindo.
- Tá, tanto faz. Se tiver explosões, estou dentro.
o olha feio.
- Não queria colocar a guerra como personagem.
- Sem guerra, não vende, querida. – diz, revirando os olhos. – Ou isso, ou fora.
David olha de um para o outro.
- , não precisa ser tão...
- Feito. Mas quero fazer parte das filmagens. – se apruma na cadeira, assumindo uma postura autoritária.
- Nada disso. Não quero uma autorazinha metendo bedelho no meu filme.
- Não vou deixá-lo estragar minha história.
- O que você...
- CHEGA! OS DOIS! – David se levanta, irritado. – Vocês vão trabalhar juntos nesse filme. Eu que decido, sou o produtor. – coloca a sua jaqueta. – Vou ler o roteiro no avião. Hoje vamos decidir as locações do filme e vou ligar para Emily se preparar para escalar os atores. Fui claro? – ao ver os dois assistirem, complementa. – , você vem conosco.
- O quê?
- Vamos para Manchester gravar Wasting Time.
- Mas eu... – começa.
- Ela não pode, Heyman, tem que comprar canetinhas coloridas novas, as dela acabaram. – a voz de desprezo de era evidente.
- Tem Harrods em Manchester?
--
- , você é a melhor amiga do mundo!
- Menos, , bem menos. Fala baixo, não quero que fiquem olhando.
- Eu estou em um avião particular! Estou me sentindo uma estrela!
Rio. Olho para os lados e encontro (será que todas as pessoas importantes usam óculos? Checar.) analisando... O meu caderno! Então David...
- , terminei de ler sua história. Simplesmente fantástica, até arrancou alguma s lágrimas minhas. Acabei de entregar para o dar uma olhada. - o produtor aparece, sorrindo. - E você é?
- , melhor amiga da roteirista. Estou aqui porque jurou que ia me ajudar com o meu casamento. Existem muitas igrejas em Manchester?
- Erm, não faço idéia. - David coça a cabeça.
- Ótimo. Então, se perdermos a minha data, , considere-se uma pessoa morta. Cadê a aeromoça? Estou com fome.
- Me desculpe, a às vezes é meio... . - falo logo que some. - Mas é uma ótima pessoa.
- Tudo bem. Precisamos conversar sobre as personagens. A aparência deles. Para termos uma base para a escolha dos atores.
- Oh, é claro. Mas não precisa da aprovação de ?
- Não. Eu que decido aqui. Então, Jessica vai ser o quê? Loira, morena, ruiva...
-
- Hey, !
aparece sorrindo, carregando seu inseparável violão. estava escondido entre os milhões de livros sobre a mesa.
- Fala, .
- Você sempre estudando, né? Não sei como você aguenta.
- É, nem eu.
levanta o olhar do caderno de Anatomia e encara o amigo.
- Teste. Hoje. - abre um livro e logo o fecha, fazendo uma careta ao ver uma foto extremamente nojenta.
- Nem fale. Estou ansioso. Que horas é?
- Às oito. - pega um papel o entrega para . - Vou ter que perder uma hora de ensaio.
- Por quê?
- Giorgina. Ela quer casar em Manchester, vou ter que ir com ela escolher a igreja. É, eu sei, ela é louca. - diz, ao ver a cara descrente do amigo.
- Vocês voltam que horas?
- Falei que só fico uma hora. Tenho mais o que fazer.
- Ela ficou puta?
- E você tem alguma dúvida?
-
- Ah, nâo, até você?
Joanna olha para Giorgina, sem entender. Estavam na sala de jantar de , com várias amostras de cores para guardanapos.
- O que eu fiz?
- Não está me ouvindo! Eu tenho uma hora para escolher essa cor, para pegar o avião com o .
- Vocês vão viajar?
- Se você tivesse prestado o mínimo de atenção em mim, teria ouvido que vou para Manchester escolher a igreja.
- Por que lá?
- Onde meus pais nasceram. Porra, Joanna, estou falando sozinha?
- Me desculpa, querida, minha cabeça está em outro lugar.
- Isso eu já percebi. Como é que estão as coisas com o ?
Joanna revira os olhos.
- Péssimas. Ele só trabalha, mal olha na minha cara.
- Bom, esse é o lado ruim de estar com um diretor premiado, meu bem.
- Hm, faz tempo que não vejo o lado bom, amiga. - ao dizer isso, torce a alça da bolsa, incomodada. - Nem conversamos mais.
- Aw, não fique assim. Todo casal tem uma fase ruim. Eu e o já passamos por isso. Fique tranquila.
- Valeu, amiga.
- Imagina, querida. Pronto, qual é melhor? Branco ou marfim?
Cap 3 "O que quer que você faça na vida será insignificante. Mas é
muito importante que você o faça porque ninguém mais o fará"
(Lembranças)
- .
Pulo da cadeira. Olho para cima e encontro segurando meu caderno do Elmo.
- Sim?
- É uma boa história.
Pisco os olhos, encarando-o pasma.
- Erm, obrigada, acho.
- Tanto faz. O que está fazendo?
se senta ao meu lado. Dou de ombros.
- Pensando.
- Escrevendo? - Vejo-o encarar minhas mãos. - É impressão minha ou você tem fixação por Vila Sésamo?
Sinto minhas bochechas ruborizarem.
- Só tenho esses dois. - passo meus dedos pela capa, onde tem um Ênio sorridente.
- Você é uma pessoa estranha, . - se espreguiça, levantando um pouco a sua camisa. Tive um vislumbre de seu físico sarado, como daqueles caras que ficam se matando na academia...
, pare de olhar para o corpo dele!
- Por que diz isso? - tiro a cortina da frente da janela. Ao ver a cidade tão pequena, sinto um arrepio na espinha. Desvio o olhar.
- Agora, por exemplo. Aparentemente você tem medo de altura, mas foi olhar para fora. - por incrível que pareça, ele sorria. - E coleciona cadernos infantis. Adoravelmente bizarro.
- Não sou bizarra - abro meu laptop, que estava no meu colo. Checo no msn se está online. Óbvio que não. Está enfiado naqueles livros idiotas.
- Claro que é. Você ignorou parte do meu comentário. Só ouviu a parte ruim.
- Aham. - cadê o ? Vou matá-lo.
Onde você se enfiou? Pare de estudar e fale comigo!
Digitei no meu celular e enviei para o estúpido do meu melhor amigo.
- Você está me ouvindo? - olho para , sem entender.
- Oh, claro. - para o meu alívio, aparece, se sentando a minha frente.
- Sabia que o piloto é muito gato? Sério, , me traga sempre que puder.
- , você está noiva.
- Isso não quer dizer que fiquei cega. E, além disso, estou fazendo uma pesquisa, para achar um cara decente para você. Me agradeça. - finalmente repara na presença ao meu lado. - Ai meu deus, você é ! Nossa, eu ADORO os seus filmes! Breaking Down é perfeito, assisto sempre. O Andrew odeia, por isso mudamos as sessões para a casa da . Ela é mais fissurada que eu...
- Então, , já decidiu qual igreja vamos visitar primeiro? – vou matá-la, falo sério. não podia saber que eu gosto dos filmes dele, vai inflar seu maldito ego.
- Oh, então você gosta de Breaking Down? - ele se vira para mim, prepotente.
- É claro que gosta! Tem o Matthew Bomer. Aquele cara não é um pedaço do mal caminho, é a rodovia inteira! Só vejo White Collar por causa dele.
Fecha essa matraca, . Mando essa mensagem mentalmente para minha querida amiga. Felizmente, ela entende o recado.
- Hm, então vocês assistem filmes apenas pela aparência dos atores?
- É óbvio que não. Matthew Bomer é um ótimo ator. Ficar bem de chapéu e ter um sorriso lindo são apenas bônus. - replico, irritada. Sinto meu bolso vibrar. Aleluia!
"Tão ruim assim, ? x"
Você nem imagina.
- , me empresta o seu laptop? Quero procurar as igrejas logo.
- Vai se casar em Manchester? Meu amigo também. Ele e aquela atriz, Giorgina Stone, não sei se conhecem. Escolheram una igreja anglicana aqui...
Os olhos de brilharam. Ai não.
- Você pode nos levar lá? Eu quero que meu casamento seja perfeito! E se Giorgina Stone vai se casar lá, eu também quero!
Pego o caderno e o bato em meu rosto. O celular toca e eu atendo, sem nem olhar o visor.
- Olá, .
- Ah, oi, Gary.
dá uma risadinha e eu a olho feio. nos encara, sem entender.
- Onde você está? Te procurei pela cidade toda.
- Não estou em Londres. Olha, não posso falar agora, tchau. - Desligo o celular, bufando.
- Não me diga. Ele está desesperado, arrancando os cabelos, tentando descobrir onde raios você está? - ri.
- Quem é esse? - pergunta. Eu rolo os olhos.
- O amor da vida dela. Ai, essa doeu! - reclama do tapa que dei nela. - Bom, a é o amor da vida dele. Sem dúvidas. Você devia agradecer, ele é bem romântico.
- Se você gosta tanto, , porque não fica com ele? Saco.
- ! - David aparece. – Emilly chegou.
Me levanto, tirando o laptop das mãos de , que faz bico.
- O dever me chama.
- , sua idosa. Vocabulário de vovó, hein?
- Melhor que pé na tábua, .
-
- Dá pra você pelo menos fingir que está gostando?
- Sou um péssimo ator. Você sabe disso.
- Parece até que você não quer casar comigo.
- Se eu não quisesse, não teria pedido, né, Gio? Só não achei que seria tão complicado...
olha em volta. Várias pessoas rezavam, voltadas para o altar. Ele nunca fora muito religioso, não estava acostumado a ir a lugares como aquele.
- Vou falar com o padre. Fique aí e não toque em nada.
Giorgina caminha até a sacristia, deixando olhando estranho para uma réplica de Jesus jogado nos braços da mãe. Sente seu celular vibrar no bolso.
- Alô?
- Cadê você, porra? Estamos te esperando já faz uma hora.
- O quê? - olha no relógio.
Quatro e quinze.
- Merda. Já estou indo, fala para ele esperar, .
- Corre, .
- Ah, que porra. - guarda o celular, e passa a mão nos cabelos.
Sente alguma coisa puxar o seu casaco. Olha para baixo. Um garotinho, que chupava o dedo, estica a mão para ele.
- Um dólar.
- Quê?
- Você falou palavrão. Não pode, é feio. Um dólar.
o olha, espantado. O garotinho esperava, com a mão estendida.
- Só tenho dez libras. - examina sua carteira.
- Também serve. - arranca a nota da mão dele e sai correndo. fica olhando para a direção que o garoto foi embora.
Vai entender...
-
- É essa. Perfeita!
- , ainda nem entramos.
- Eu sei que é essa.
Reviro os olhos. Uma alegre sai correndo, e entra na igreja. Sim, era linda. Tinha um toque meio medieval, acho. Não sou muito entendida em história, sabe.
- Ela é sempre assim, louca? - diz, rindo.
- Você se acostuma. - dou de ombros. - Não precisava vir, sei que é uma pessoa bem ocupada.
- Eu estava precisando de um intervalo. E não achei nada melhor para fazer.
Entro na igreja, e vejo uma cena no mínimo estranha. Sim, é normal gritar com as pessoas, mas aquele era o padre?
- ISSO É UM ABSURDO! - berrava, enquanto o padre pedia desculpas silenciosas para os fiéis que tentavam rezar em paz. - DÉBORA, VEM CÁ!
- O que raios está acontecendo aqui? Dá para ouvir os berros lá de fora. - um cara de óculos escuros aparece - ?
- ? Giorgina? - parece surpreso.
- , nosso padrinho querido, você pode dizer para essa desqualificada que eu tenho preferência?
- DESQUALIFICADA? Vou te mostrar quem é a desqualificada, seu clone Michael Jackson loiro.
- Sua...
- DÁ PRA VOCÊS PARAREM? O coitado do padre está quase enfartando aqui. - grito, irritada. O clérigo sorri pra mim, em agradecimento. - Podemos resolver isso na sacristia?
- Por favor... - ele faz um sinal da cruz.
-
- Tudo bem, vamos resolver isso civilizadamente. Quanto você quer?
- O quê?
- Vamos, querida, todo mundo tem um preço. Qual é o seu?
- Não se preocupe, o soco que vou dar no meio da sua cara vai ser de graça.
- , calma. - segura a amiga pelo braço. Vira-se para o suposto noivo. - Ela está falando sério?
- Giorgina, por favor, um ano tem 365 dias. Por que vocês estão brigando por apenas um? - pergunta .
- Porque é o único dia que sobrou em junho!
- , eu disse que uma vaca siliconada ia tentar roubar a minha data. Vaca ela é, mas acho que o silicone está no lugar do cérebro, porque até o tem mais peito que ela. - fala, examinando as unhas. Disfarço a minha risada com uma tosse convincente.
- Você vai ver o silicone que eu tenho, sua piranha. - Giorgina pula em , puxando seu cabelo.
- SOCORRO, ESTOU SENDO ATACADA POR UM DEFUNTO! - grita, dando unhadas na outra.
- Por Deus, me ajudem! - o padre sai correndo.
e puxam , enquanto tenta controlar a noiva, que se debatia em seus braços.
- EU VOU MATAR ESSA VAGABUNDA! - gritava, desesperada.
- Podem me soltar, não vou gastar minha energia com essa daí. – diz, calmamente. Giorgina se solta e dá um soco na cara da outra.
- PARADOS! POLÍCIA!
- Prendam essa louca! Ela deve ter deslocado o meu queixo. – reclama de dor, com a mão na área atingida.
- Algeme todos e os coloque na viatura. Agora. - um homem grande, com um distintivo policial no peito, diz para o jovem ao seu lado.
- Todos? Mas eu não fiz nada! - diz, irritado. - Eu estava tentando apartar a briga!
- Vai logo, Miles. São duas da tarde e eu ainda não almocei. Será que dá tempo de passar na Wendy's?
-
- Isso é ridículo. Não vou falar nada sem a presença do meu advogado.
- Graças a Deus, pelo menos vamos ter um pouco de paz.
- Falou comigo?
- Estou falando sozinha, na verdade. Mas era sobre você mesmo.
- Vocês nunca vão parar de brigar? Mas que droga. - digo, antes de Giorgina responder para .
- Bem que eles poderiam devolver nossos celulares, né? Seria menos entediante. - Gio diz, respirando fundo.
- É claro, como se eles se importassem com o seu tédio. Caso não tenha percebido, você está PRESA. Só tem o direito de permanecer calada.
- Então, pelo bem da humanidade, use esse direito. - disparo sem pensar. Todos me olham, em choque. O quê? Estou irritada.
- Pelo visto alguém não se diverte já faz algum tempo... - Giorgina diz, maldosamente. Reviro os olhos.
- Fique tranquila, meu humor não tem nada a ver com a minha vida sexual. Espero que seja o mesmo com você, porque senão pobre .
- Sua...
- Posso saber que PORRA é essa?
David aparece, nervoso. Junto com ele estavam e uma mulher morena, de cabelos cacheados e expressão arrogante. Não gostei nem um pouco dela.
- Mas o quê... - o guarda aparece.
- Tire-os daí, por favor. Tenho um filme para gravar e não posso fazer isso sem o diretor. - Dave diz, furioso. Fiquei até com medo.
Saímos da cela, envergonhados. olha para mim, espantado.
- ? O que você está fazendo aqui?
- Bom, a e a Giorgina resolveram brigar, então fomos presas.
- Não aqui na delegacia. Em Manchester. Achei que tinha ido levar o seu roteiro para o...
- Vocês podem terminar essa conversa depois. Vamos embora. – diz, me puxando pelo braço.
- Mas o quê...
- , tenho que voltar para Londres. - aparece, desligando o celular. Sua expressão não era nada boa. - A mãe de Andrew está no hospital.
- Quer que eu vá com você? - pergunto, preocupada.
- Relaxa, o me leva pra casa, né? - se vira para .
- Claro. - ele responde. - Eu e o precisamos ir a um teste. Boa sorte para vocês.
Os três vão embora, deixando-me com meu produtor irritado, o diretor problemático, sua namorada arrogante e uma loira aguada. Que beleza.
- Então, já que ela foi embora, a data é minha. - Giorgina fala, feliz.
- Nada disso. A pode não estar aqui, mas sou a madrinha dela. – a olho feio, cruzando os braços.
- Joanna, faça alguma coisa! - ela empurra a amiga pra cima de mim.
- Isso é sério? - me viro para Giorgina, descrente.
- O que está acontecendo aqui, posso saber? - aparece. Sua cara não era uma das melhores. - Não estão brigando por causa do casamento de novo, né?
- Amor, resolva isso pra mim? - Joanna faz um biquinho e olha para . Credo, como ele aguenta alguém tão... insuportável? Não, não tenho pena dele. Nenhuma.
- , vamos? Já é hora de gravar. - coloca sua mão nas minhas costas, meio que me empurrando para fora da delegacia.
- Onde vocês vão? - Joanna pergunta, irritada.
- Para o estúdio, se nos dão licença. - ele diz, abrindo a porta do táxi. Se vira para mim. - Pode entrar.
- Obrigada. - digo, baixinho. Me sento no banco, escorregando para a outra ponta. David estava no lugar do passageiro, digitando em seu celular.
- ! Você vai me abandonar aqui? - Joanna aparece ao lado do carro. Seu rosto estava bem vermelho.
- Desculpe, Jo, tenho que trabalhar. Te vejo à noite. - fecha a porta, logo depois de entrar.
- Quanto amor... - resmungo.
- O que disse?
- Nada não.
- Se eu ouvir a palavra casamento mais uma vez hoje, eu mando pra rua. - Dave bufa do banco da frente.
Cap 4 "Tudo é uma versão de outra coisa" (Closer-Perto demais)
- E aí, como foi?
- Como foi o quê?
- O seu primeiro dia no mundo do cinema! Me conte tudo!
- Como você é brega, .
Fecho a geladeira, segurando uma jarra de suco de laranja. Minha querida amiga resolveu fazer uma dieta e adivinha quem foi obrigada a acompanhá-la?
- Você está muito misteriosa, . O que você está me escondendo? - brinca com os cachinhos de uva. Mas para e olha pra mim. - Você pegou o diretor! Safada!
Reviro os olhos.
- Pare de achar que eu saio dando por aí. Sou uma moça de família.
- Acho bom. - aparece, entrando na cozinha. Estava só de calça de moletom. Sim, é óbvio que reparei nos músculos dele. Ah, ele é tão meu...
- O que é isso, ? Tá achando que é o Taylor Lautner para ficar andando por aí sem camisa? Que desagradável. - fala, com cara de nojo.
- Você diz isso porque nunca provou desse físico sarado. - imita o Johnny Bravo. Desvio o olhar, pegando um copo na pia.
- Deus que me livre. Sou mais o meu Andrew. Mas a está livre e desimpedida, se quiser...
- , se você disser isso mais UMA vez, eu juro que corto todos os seus dedos fora!
Me sento, irritada, e apoio meus cotovelos na mesa, escondendo meu rosto com as mãos. Sim, eu estava brava, mas fiz isso para não deixar minhas bochechas vermelhas expostas.
- Não fica assim, . Você vai encontrar um cara legal. E ele vai ser um sortudo por estar com a garota mais incrível de Londres. - me abraça de lado, dando um beijo em minha cabeça.
"Seu idiota, por que você não é esse cara?", penso frustrada.
-
- Finalmente chegou! Onde você estava?
coloca a sua pasta em cima da mesa, assobiando tranquilamente. Joanna berrava furiosa.
- Estou falando com você! São onze da noite! Tínhamos reserva no Nobu às oito!
- Joanna eu estava trabalhando. - ele responde calmo.
- Você foi encontrar com ela. Eu sabia!
- Ela quem?
- A roteirista! Ela é sua amante!
- Você está bêbada?
- É por isso que você não toca mais em mim! Fica o dia inteiro se agarrando com aquela garota idiota!
- CHEGA! - berra, fazendo a outra se assustar. - Pare de falar besteira. Eu não estou te traindo. E, além disso, conheci hoje.
Joanna olha para baixo.
- Você esqueceu.
- O quê?
- Nosso aniversário. - ela limpa algumas lágrimas.
- Se eu esqueci, o que é isso aqui? - pega, dentro de sua maleta, uma caixinha. Azul-clara. Ai Deus.
- ...
- Posso não ser o cara mais romântico do mundo, mas isso não significa que eu não te amo. - ele sorri, meio perdido. Entrega o pacote para ela.
- É lindo. - Joanna coloca o anel no próprio dedo, e o encara, espantada.
- Nunca te pedi em casamento porque achei que era só uma formalidade. Somos casados.
Ela o abraça, contente.
- Eu te amo, .
- Também te amo, Joanna.
-
- Você poderia ter me apoiado.
- Não seja ridícula. Você estava errada.
Giorgina se vira, irritada.
- Eu estava tentando fazer com que nosso casamento seja perfeito.
tira uma mecha de cabelo do rosto dela.
- Eu sei. Mas não precisa ir parar na cadeia por causa disso.
Os dois riem.
- Vamos dormir agora? Já está tarde.
Ele apaga a luz.
- ?
- Hm.
- Você achou ela bonita?
- Quem?
- A louca da igreja.
- Linda.
- O QUÊ?
- Não se compara a você, meu amor.
- Acho bom.
- Boa noite, Giorgina.
- Boa noite, .
Ela dormiu quase imediatamente. Mas ficou olhando para o teto, pensando. Na louca da igreja.
-
- BOM DIA, FLORES DO DIA!
- , você fica insuportável quando está apaixonada. Sai daqui.
- Também te amo, Zangado. - dá um beijo na minha bochecha. – Vai fazer o que hoje?
- Vou para o estúdio. Acertar tudo com o David.
- Mas você vai faltar na aula de novo? Assim vai perder a sua vaga na faculdade.
- Você está brincando, né? Os meus professores se matariam para conseguir gravar um roteiro. Nunca vão tirar minha vaga.
- , o que é isso? - segura minha mais recente compra.
- Uma pasta.
- Eu sei o que é. Mas por que você comprou isso?
- Porque eu quis, oras.
- Não os deixe levar a sua alma, ! Não se torne uma daquelas roteiristas tristes e vazias, que ficam andando por aí de tailleur e pasta!
- , sua drogada. Não vou trabalhar junto com dementadores. - reviro os olhos.
- Tá, mas tome cuidado! Ei, você nem me contou o que fez ontem.
- Ah, acabamos de gravar e fomos para um barzinho.
- Só vocês dois?
- Que dois? Eu e o ?
- Não, o Mickey e o Pluto. Óbvio que vocês dois.
- Ah, , pare. Não vou nem continuar essa conversa.
- Então você admite que aconteceu algo.
- Não, , não aconteceu nada. Ele pediu a minha opinião sobre uma coisa.
- O quê?
- Se o anel que ele comprou pra Joanna era adequado ou não. Agora, se me dá licença, vou terminar de me arrumar. Tenho quinze minutos para estar lá.
- Ok. ?
- Hm.
- Lady Di ou Kate Middleton?
- Kate. Definitivamente Kate.
-
- !
- Sim?
- Andando.
pega suas coisas e segue . Os dois andam pelo set, enquanto alguns funcionários arrumavam o cenário.
- Logo que acabarmos Wasting Time, vamos começar a gravar Bridge Over Troubled Water. Calma, não fala nada. - ele fez um sinal, impedindo de falar - Temos que decidir o elenco, confirmar com os atores e pedir a autorização da gravadora. Isso demora uns dois meses, acho. - fala, mecanicamente.
- Hm, entendo.
- Então você decide se prefere ficar em casa ou aqui. Não é necessário que venha todos os dias, mas preciso de você para decidir algumas coisas.
- Tenho que ver meu horário da faculdade...
- Você ainda estuda?
- Estou no meu último semestre.
- O que você faz?
- Literatura inglesa e portuguesa.
Ele para, encarando-a.
- Português?
- Sim, sou brasileira. Quero dizer, nasci aqui, passei a infância no Brasil e voltei com dezessete, para estudar em Cambridge.
- Ah, entendi. - anda até uma das mesas do set e pega uma xícara de café - Quer?
- Não, obrigada. Não tomo café. - diz, pegando um bolinho.
a olha estranho.
- Como assim? O que você tem contra café?
- Ah, é que... NÃO RIA! Eu assisto The Big Bang Theory, e tem um episódio que o Sheldon toma pela primeira vez e fica todo doido, até se veste de Flash e EU FALEI PRA NÃO RIR!
encara furiosa um que gargalhava.
- Você também vai "chegar antes que a banana caia no chão"?
- Eu sabia que não entenderia. - ela bufa.
- Entendo sim, mas até você tem que admitir que é engraçado...
- Ora ora ora, o que temos aqui?
Garret Mitchell aparece, com a expressão endurecida. o odiava. Era seu chefe aqui na Inglaterra.
- ?
- Gary? O que faz aqui?
olha para , assustado. Então o tal Gary é Garret Mitchell, presidente da Warner Bros?
- Não acredito. Você que é a nova roteirista? - Mitchell sorri. - Fletcher, procure Yates. Ele que vai dirigir o filme da minha .
revira os olhos.
- Sinto muito, senhor Mitchell, mas EU sou o diretor de Bridge Over Troubled Water. Já li o roteiro e Heyman me autorizou a começar as gravações.
- Aquele produtorzinho, acha que só porque Potter é um sucesso que ele manda alguma coisa. - Garret bufa. Olha para . – Desculpe, meu amor. Só queria o melhor para você.
- Eu gosto do Fletcher. - ela diz. Ao ver a expressão do próprio, completa. - Ele é um ótimo diretor.
- Muito bem. Mesmo assim, não sei se ele é bom o suficiente para apreciar sua obra de arte. Tenho que ir. Sabe como é, ser presidente não é moleza. Te amo, . - Mitchell beija a testa da garota e vai embora.
- "Não sei se é bom o suficiente para apreciar sua obra de arte"? Como se esse cara entendesse alguma coisa de cinema! - se vira para ela - Sua história é ótima, mas ele nem ao menos leu!
- Esse é o Gary... - diz, melancólica.
- Totalmente antiético. Por que não me disse que namorava meu chefe?
- Eu não tenho NADA com ele! Não disse, porque eu queria que gravassem minha história por ela ser boa, e não porque seu CHEFE mandou.
deixa o bolinho pela metade em cima da mesa e vai embora, visivelmente magoada. respira fundo e toma um gole de seu café, pensativo.
-
- Ele fez isso? Não acredito! Vou matar esse engravatado!
corta seu brownie, irritada. Seu regime não durou um dia. Depois do incidente no set, chamei minha melhor amiga para me animar um pouco. Sabia que tem uma Starbucks aqui?
- Fui uma idiota. Tinha esquecido que o Gary era da Warner. Ai, , não aguento mais esse cara.
- Não fica assim, . Quer que eu bata nele?
Rio. A é assim. Quando estou triste, quer bater em todo mundo.
- Não precisa...
- !
Olho para o lado. aparece, quase sem fôlego. Seu rosto estava um pouco corado, e seu nariz parecia o focinho do Rudolf, de tão vermelho.
- Sim? - respondo, tomando um gole de meu frapuccino de creme.
- Escolhemos sua história porque ela é genuinamente boa. Não importa a opinião de Mitchell. Não vou desistir de você. Do nosso filme.
O encaro, sem reação. Não consigo evitar que minhas bochechas corem.
- Tudo bem, se David não vê problema...
- Ah, pode ficar tranquila, Heyman faz questão de gravar o seu filme. Ele e Mitchell não são muito amigos, sabe como é. E ele amou o seu roteiro.
Sorrio, orgulhosa. bufa.
- Esse mundo do cinema é tão complicado! Prefiro assistir meu DVD e ser feliz.
N/A: DUDES, ME PERDOEM! Minha vida anda anda um caos, sério, fazia uns dois meses que eu não tocava em BOTW. O famoso stress escola, vestibular, família e amigos. Me desculpem mesmo e obrigada por não desistirem da fic. Vou me esforçar por vcs, de verdade.
Só quero agradecer todos que estão lendo =3 e aos meus melhores amigos pelo apoio e certa pressao kkkkk obrigada mesmo. Eu ia mandar att dupla, mas preciso dar uma revisada no cap 5. Ah, e desculpa a demora.
Ok vou parar de falar.
Gostaram do cap 4? Eu queria que sentissem raiva da Joanna. Acho que consegui... E o Mitchell é aquele cara que liga para a principal, o Gary chato e grudento kk aproveitem a fic e espero que gostem ><
bjbj Deb
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Cap. 1 – Lights, câmera, action !
- Dá pra parar de batucar? Estou tentando me concentrar.
Coloco a caneta em cima da mesa, olhando para , que pressionava as têmporas, irritado. Ele odiava estudar no mesmo lugar que eu.
- Estou sem inspiração - suspiro, colocando meu caderno de lado. Fazia horas que eu olhava para o papel branco, cheio de linhas.
- Você poderia me ajudar a estudar. - ele levanta seus olhos brilhantes do livro, sorrindo - Afinal, você é a melhor professora do mundo.
- Menos, , bem menos… - coloco uma mecha do meu cabelo para trás, encarando firmemente meu caderno, esperando que as palavras surgissem - E estou ocupada.
- Ah. Em que parte você está?
- Bom, Melanie já descobriu a verdade sobre Joseph. Não sei como terminar.
- Alguém já morreu?
O fuzilo com o olhar.
- Ninguém vai morrer.
- Você sabe que morte vende, né?
- , a frase está errada. A certa seria "sexo vende", que o Irv diz para Georgia em Falando Grego. - passo as mãos por meu cabelo, prendendo-o em um coque mal feito com um lápis - Além disso, não quero escrever para vender a minha história. Tenho princípios.
- Sei disso. - se apruma na cadeira, desconfortável - Mas você não quer que o livro se torne um best-seller?
- Não
- Um filme?
- Não. , você sonha demais.
- Não, , você que não é ambiciosa. - ele se levanta, juntando o seu material - Se você não acreditar no seu potencial, quem vai?
dá a volta pela a mesa. Beija minha bochecha.
- Confio em você, .
-
- CORTA!
passa as mãos no rosto, irritado. Quantas vezes teria que gravar essa cena? Revirando os olhos, chama Kevin pelo rádio, que chega cinco segundos depois.
- Senhor?
- Traga um café pra mim
- Forte, sem açúcar?
- Tanto faz. Vai logo.
Suspira. Quem diria que , diretor premiado de Hollywood, estaria gravando um filme romântico, mela cuecas na Inglaterra e não conseguiria controlar os atores? Odiava os ingleses.
- Sr. , gostaria de falar sobre o meu papel.
se vira e encontra uma garota, que devia ter uns 16 anos, o encarando.
- O que foi, Lisa?
- Rachel. Eu queria saber se posso escolher as roupas da minha personagem.
- Não sou da parte de figurino, Jessica. Vá falar com Alice.
- Mas senhor...
pega o megafone.
- Tenho um filme para dirigir, não tenho tempo para perder com besteiras. Kevin, cadê o meu café? - chama o assistente pelo rádio.
- Você vai simplesmente me ignorar? - a garota o olha, em choque. Sem obter resposta, exclama - Tudo bem! Eu me demito.
- Faça o que quiser, mas me deixe em paz. Estou com uma dor de cabeça insuportável.
Rachel dá um grito histérico, e sai correndo. pega o rádio.
- E uma aspirina.
-
- E ele simplesmente BERROU comigo! Quem ele pensa que é?
- Ele é o diretor, Rach, o que você esperava? Flores e chocolate?
- Pelo menos o mínimo de educação. Afinal, sou Rachel .
Reviro os olhos. A arrogância da minha querida irmãzinha me irritava profundamente. Meio-irmã, dá na mesma.
- Esse é o mundo do cinema, bem-vinda. - digo, com uma voz sarcástica - Se acostume
Rach cruza os braços. Menininha mimada. Abro a geladeira, pegando uma garrafa de Coca. Coloco em cima da bancada e procuro algo pra comer.
- Você poderia ser um pouco mais compreensiva, . - ela choraminga.
- Quer que eu faça o quê? Dar uma bronca no diretor? Fala sério.
Pego o último pedaço do famoso bolo que a minha madrasta, Beth, faz para o aniversário dela. Chocolate, com um doce brasileiro como cobertura. Simplesmente divino.
- Você sabe quantas calorias tem nesse bolo?
- Sim, Rachel, eu sei. Vou morrer gorda, velha e sozinha. Mas vou estar feliz. Mais alguma coisa?
- Às vezes você é tão estúpida...
- Deve ser o excesso de glicose. Me faz ter menos paciência com as pessoas.
Ela me encarou, com raiva. Virou-se e correu para o quarto, batendo a porta. Às vezes acho que ela tem dez anos, não dezesseis.
O telefone toca. A voz de explode em meu tímpano.
- , você não sabe!
- Por isso mesmo que você vai me contar.
Dou uma mordida no bolo, enquanto minha melhor amiga conta sobre seu namoro com Andrew. Eu estava tomando um gole de refrigerante quando ela estoura a bomba.
- Ele me pediu em casamento.
Engasgo. Depois de vários segundos, que pareciam séculos, recupero meu fôlego e volto a respirar normalmente.
- Não acredito que você quase morreu por causa da notícia. Tão impossível de acontecer, é? - sua voz era de mágoa.
- Claro que não, . - sorrio. - Parabéns! Vocês merecem ficar juntos, são o casal mais fofo do planeta.
- Hm, melhorou agora. Aw, obrigada, ! Nem preciso dizer que você vai ser minha madrinha, né?
- Se não fosse eu, Andrew ficaria viúvo antes mesmo de se casar.
- , preciso usar o telefone! - Beth grita da sala.
- , tenho que desligar. Você vai comigo amanhã?
- Levar o seu roteiro? É claro, querida. E logo depois vamos à busca da igreja.
- Nossa, já?
- , se eu não me apressar, uma vaca siliconada vai roubar a minha data. E, se isso acontecer, eu mato alguém.
Com isso, ela desliga. Ainda confusa, vou até a sala. Beth estava brincando com Jeremy, meu irmão de dois anos. Ele segurava o telefone de brinquedo junto da orelha, rindo. Já disse que ele tem a risada mais fofa do universo?
- Ah, que bom que você apareceu, . Pode cuidar um pouco do meu lindinho? - Beth dá um beijinho de esquimó nele - Preciso fazer umas ligações.
- Claro que sim. Cadê o meu Jerry? - me abaixo até aquela criaturinha linda de olhos verdes. Ele levanta a mãozinha, passando-a em minha bochecha - Achei!
Beth ri, saindo da sala. Pego meu irmão no colo, tirando uma manchinha de chocolate do nariz dele. Na TV, Peter Pan e seus amigos voavam pelo céu londrino.
- Olha, Jerry, o Peter! - pego sua mãozinha e aponto para a TV. Ele ri.
- PAN, PAN, PAN!
- Já está o viciando em filmes, ? - aparece do meu lado, me dando um susto.
- É claro, . Ele vai ser como eu quando crescer, né, Jerry? - abraço meu bebê.
- Ah não, mais um cinéfilo na família, ?
- Vai se acostumando.
-
- Meu bem, você ouviu alguma coisa do que eu disse?
olha pra Joanna, com a expressão cansada.
- Você sabe que não.
- Bom, eu estava até agora com Giorgina, escolhendo o vestido dela.
- Ah.
- É muito bonito. A parte de cima é um corpete, mas a saia é bem larga.
- Hm, bacana.
- Eu peguei o cartão da loja. Talvez eu também compre o meu lá.
- Faça como quiser.
Joanna segura as lágrimas. nem percebera que ela estava falando sobre um vestido de noiva. Ele nunca a pediria. Irritada, pega o seu prato e o leva para a cozinha.
batucava os dedos na mesa, distraído. Amanhã, David, o produtor de Wasting Time, iria trazer outra roteirista para vê-lo.
Isso realmente o irritava. Seu trabalho não era ler historinhas apaixonadas. Queria tiros, explosões, ação. Por que diabos estava dirigindo Wasting Time? Era literalmente uma perda de tempo.
Joanna termina de tirar a louça, sem encará-lo. Logo em seguida, vai para o quarto, batendo a porta. Pega o telefone, digitando aqueles números tão conhecidos.
- Em meia hora, Riverside Gardens.
-
- ! Tenho novidades!
- O que foi, Giorgina?
- Comprei meu vestido! É tão lindo...
desvia os olhos do violão para observar sua noiva.
- Que bom que gostou.
- Amanhã vamos procurar a igreja, não quero que ninguém estrague o dia em que me tornarei a Sra. - sua voz estava ansiosa.
- Mas amanhã eu tenho um teste...
- O que é mais importante? Eu ou sua inexistente carreira musical? Adie o teste.
- Só vou ficar uma hora. O resto é por sua conta. - volta a tocar o violão, fechando os olhos e cantarolando. "I just wish you have tried."
Cap. 2 "Todas as coisas se encontram no caminho em algum lugar (Fenômeno)"
- Respira fundo, é só uma entrevista.
Olho feio para , que dirigia.
- Para mim não é só uma entrevista, ok? Vou entregar a minha história para David Heyman, produtor de Potter. Você tem noção do que é isso?
- Tá, me desculpa, . Só estava tentando ajudar.
- O silêncio é uma ótima ajuda, - diz do banco de trás - , você viu esse vestido? É lindo! - joga a revista no meu colo.
- É mesmo. Depois vou até lá com você, tudo bem?
- Aham. , pé na tábua, faltam quinze minutos.
- Pé na tábua? De que século você é, ?
- Não sei bem. Mas se você não se apressar, vou dizer o dia da sua morte.
- Garota estressada.
Reviro os olhos. Esses dois são tão idiotas às vezes.
-
- Você está atrasado para a reunião, senhor.
- Não enche, Kevin. Quem está aí?
- O produtor. A roteirista também não chegou ainda. Está presa no trânsito.
- Ok. Deixe meu café em cima da mesa, chego em cinco minutos. – desliga o celular.
- Hm, amor? - Joanna o chama, hesitante.
- Fala.
- Você sabe que dia é hoje?
- Quinta-feira. Dia da reunião com os novos roteiristas.
- Eu não...
O celular de toca antes que ela pudesse terminar sua fala. Ele atende.
- . Como assim, adiada? Que porra é essa? - explode, batendo a mão no volante. - Eu vou gravar essa cena hoje com ou sem Jéssica... Rachel. Foda-se.
Joanna abre sua bolsa e pega uma caixinha cheia de comprimidos.
Discretamente, coloca dois deles na boca, engolindo-os. Toma alguns goles de seu chá verde. Respira fundo.
Odiava esses telefonemas. Odiava esse emprego do . Odiava o cinema.
Era atriz, mas sempre preferiu os palcos às câmeras. Parecia menos... artificial.
Pega seu celular, mandando uma mensagem para a única pessoa que lhe dava atenção.
- Vai sair com a Giorgina hoje? - já tinha desligado o celular.
- Hm, vou. - diz, sem olhá-lo.
- Que bom, porque eu vou chegar tarde. Tenho que gravar uma cena em Manchester. Terei que aturar aquelas menininhas irritantes reclamando que o frio faz mal para o cabelo ou algo do tipo.
- Provavelmente. , hoje é um dia especial, NÉ?
- Claro. Fui escolhido para dirigir a continuação de Breaking Dawn. Vou assinar os papéis hoje.
- Entendi. – esqueceu, óbvio. Hoje fazia sete anos que estavam juntos. Por que ele se lembraria?
O celular de Joanna vibra em seu colo. Ao ler a mensagem, um sorriso aparece em seu rosto.
--
Minhas mãos quase esmagavam meu caderno do Elmo, da Vila Sésamo. Cadê esse diretor idiota? Estou ficando nervosa, droga.
- Srta , pode me acompanhar? - um homem alto e magro, quase careca, aparece na minha frente. Me levanto e o sigo.
Quem nunca entrou em um set de filmagens, não sabe como é maravilhosa a sensação. Pessoas de roupas pretas correndo pelos cenários, falando pelos microfones, atores conversando enquanto faziam um lanche rápido. Absurdamente surreal. Epa, aquele é o Rupert Grint?
- Em só um instante o Sr. vai encontrá-la. O Sr Heyman já está na sala de reuniões.
Engulo a ansiedade, assumindo uma postura séria. Sou uma escritora, tenho que me portar como tal. Respirando fundo, entro na sala.
E lá estava ele. David Heyman lia uns papéis, totalmente absorto, sob sob as lentes de seus óculos de grau. Reprimo minha alegria, apenas sorrio fraco.
- Sr. Heyman?
Ele levanta os olhos. Suas sobrancelhas se arqueiam, mas sua expressão é suave.
- Você é...?
- . – estendo minha mão. Ele responde meu cumprimento. – Escrevi Bridge Over Troubled Water.
- Oh, é claro! - esfrega as mãos, fazendo uma careta ansiosa. – E onde está?
- Bom, eu...
- Pronto, cheguei. Kevin, cadê o meu café? Sabe que eu preciso beber antes das reuniões. Aproveite e traga minhas aspirinas. – um homem alto, e de olhos entra apressado na sala. Sua expressão era extremamente arrogante. Fechei a cara. Não gostei dele.
- , essa é , escritora de Bridge Over...
- SIM, SIU, EU SEI. Sou . Bom dia, Srta. . – ele dá um aceno rápido. Mas ele pára, se virando para mim. – Espera um pouco, outra ? Estão de brincadeira comigo, não é possível.
- Como as... Ah, Rachel. – droga, então ele é o diretor que berrou com Rach. Que ótimo. Simplesmente fantástico.
- Do que vocês estão falando? – David estava confuso.
- Ela conhece a estrelinha de Wasting Time. Vocês são irmãs? Não trabalho com parentes.
- Ela é... É complicado. – massageio minhas têmporas – Rach é filha da minha madrasta, e meu pai a adotou. Mas eu não sabia que o senhor era...
- Você.
- O quê?
- Não me chame de senhor. Não sou um velho reumático.
- Ah, desculpe. Voltando, eu não sabia que você era o diretor do filme. E não vim aqui para falar de Rachel. Quero saber do meu roteiro.
Sim, eu fiquei irritada. Porra, o cara mal chegou e já quer me tirar daqui? Nada disso.
- Concordo com ela, . Posso ver o roteiro? – David sorri. Um pouco envergonhada, entrego meu caderno para ele.
- Vila Sésamo? Quantos anos você tem? Dez? – o rosto de fica vermelho. – E como coube uma história em um caderninho de 96 folhas?
- Duzentas, na verdade. – corrijo-o.
- Desculpe me intrometer, mas será que posso ler a história em paz? Muito obrigado. – David coloca os óculos e analisa meu texto tão seriamente que sinto minhas bochechar ruborizarem.
Olho para , que batucava impacientemente na mesa. Sua expressão era meio enrugada, deve ser pelo estresse. Os olhos amendoados são e muito bonitos. E os lábios... Espera um pouco. Por que estou reparando na aparência dele? Foco, !
- , posso levar para casa e ler com calma? Fiquei muito interessado na história... Guerra do Vietnã, huh?
- É...Meu pai lutou na guerra. Ele me passou alguns fatos relevantes.
- É um tema bem comum. Qual é o diferencial da sua história?
Óbvio que ele perguntaria isso. Qualquer um o faria. Respiro fundo e olho para ele.
- É a história dos meus pais.
--
pára de batucar e olha para a garota sentada ao seu lado.
- Seus pais? Eles são os personagens principais?
- Bom, eles serviram de base. – passa a mão pelos cabelos, pegando uma caneta para prendê-los – Jessica e James foram adaptados. A história do meu pai eu tenho completa, mas a da minha mãe eu tive que inventar e recolher dados de outras pessoas.
- Hm, interessante. Não concorda, ? – David tira os óculos, sorrindo.
- Tá, tanto faz. Se tiver explosões, estou dentro.
o olha feio.
- Não queria colocar a guerra como personagem.
- Sem guerra, não vende, querida. – diz, revirando os olhos. – Ou isso, ou fora.
David olha de um para o outro.
- , não precisa ser tão...
- Feito. Mas quero fazer parte das filmagens. – se apruma na cadeira, assumindo uma postura autoritária.
- Nada disso. Não quero uma autorazinha metendo bedelho no meu filme.
- Não vou deixá-lo estragar minha história.
- O que você...
- CHEGA! OS DOIS! – David se levanta, irritado. – Vocês vão trabalhar juntos nesse filme. Eu que decido, sou o produtor. – coloca a sua jaqueta. – Vou ler o roteiro no avião. Hoje vamos decidir as locações do filme e vou ligar para Emily se preparar para escalar os atores. Fui claro? – ao ver os dois assistirem, complementa. – , você vem conosco.
- O quê?
- Vamos para Manchester gravar Wasting Time.
- Mas eu... – começa.
- Ela não pode, Heyman, tem que comprar canetinhas coloridas novas, as dela acabaram. – a voz de desprezo de era evidente.
- Tem Harrods em Manchester?
--
- , você é a melhor amiga do mundo!
- Menos, , bem menos. Fala baixo, não quero que fiquem olhando.
- Eu estou em um avião particular! Estou me sentindo uma estrela!
Rio. Olho para os lados e encontro (será que todas as pessoas importantes usam óculos? Checar.) analisando... O meu caderno! Então David...
- , terminei de ler sua história. Simplesmente fantástica, até arrancou alguma s lágrimas minhas. Acabei de entregar para o dar uma olhada. - o produtor aparece, sorrindo. - E você é?
- , melhor amiga da roteirista. Estou aqui porque jurou que ia me ajudar com o meu casamento. Existem muitas igrejas em Manchester?
- Erm, não faço idéia. - David coça a cabeça.
- Ótimo. Então, se perdermos a minha data, , considere-se uma pessoa morta. Cadê a aeromoça? Estou com fome.
- Me desculpe, a às vezes é meio... . - falo logo que some. - Mas é uma ótima pessoa.
- Tudo bem. Precisamos conversar sobre as personagens. A aparência deles. Para termos uma base para a escolha dos atores.
- Oh, é claro. Mas não precisa da aprovação de ?
- Não. Eu que decido aqui. Então, Jessica vai ser o quê? Loira, morena, ruiva...
-
- Hey, !
aparece sorrindo, carregando seu inseparável violão. estava escondido entre os milhões de livros sobre a mesa.
- Fala, .
- Você sempre estudando, né? Não sei como você aguenta.
- É, nem eu.
levanta o olhar do caderno de Anatomia e encara o amigo.
- Teste. Hoje. - abre um livro e logo o fecha, fazendo uma careta ao ver uma foto extremamente nojenta.
- Nem fale. Estou ansioso. Que horas é?
- Às oito. - pega um papel o entrega para . - Vou ter que perder uma hora de ensaio.
- Por quê?
- Giorgina. Ela quer casar em Manchester, vou ter que ir com ela escolher a igreja. É, eu sei, ela é louca. - diz, ao ver a cara descrente do amigo.
- Vocês voltam que horas?
- Falei que só fico uma hora. Tenho mais o que fazer.
- Ela ficou puta?
- E você tem alguma dúvida?
-
- Ah, nâo, até você?
Joanna olha para Giorgina, sem entender. Estavam na sala de jantar de , com várias amostras de cores para guardanapos.
- O que eu fiz?
- Não está me ouvindo! Eu tenho uma hora para escolher essa cor, para pegar o avião com o .
- Vocês vão viajar?
- Se você tivesse prestado o mínimo de atenção em mim, teria ouvido que vou para Manchester escolher a igreja.
- Por que lá?
- Onde meus pais nasceram. Porra, Joanna, estou falando sozinha?
- Me desculpa, querida, minha cabeça está em outro lugar.
- Isso eu já percebi. Como é que estão as coisas com o ?
Joanna revira os olhos.
- Péssimas. Ele só trabalha, mal olha na minha cara.
- Bom, esse é o lado ruim de estar com um diretor premiado, meu bem.
- Hm, faz tempo que não vejo o lado bom, amiga. - ao dizer isso, torce a alça da bolsa, incomodada. - Nem conversamos mais.
- Aw, não fique assim. Todo casal tem uma fase ruim. Eu e o já passamos por isso. Fique tranquila.
- Valeu, amiga.
- Imagina, querida. Pronto, qual é melhor? Branco ou marfim?
Cap 3 "O que quer que você faça na vida será insignificante. Mas é
muito importante que você o faça porque ninguém mais o fará"
(Lembranças)
- .
Pulo da cadeira. Olho para cima e encontro segurando meu caderno do Elmo.
- Sim?
- É uma boa história.
Pisco os olhos, encarando-o pasma.
- Erm, obrigada, acho.
- Tanto faz. O que está fazendo?
se senta ao meu lado. Dou de ombros.
- Pensando.
- Escrevendo? - Vejo-o encarar minhas mãos. - É impressão minha ou você tem fixação por Vila Sésamo?
Sinto minhas bochechas ruborizarem.
- Só tenho esses dois. - passo meus dedos pela capa, onde tem um Ênio sorridente.
- Você é uma pessoa estranha, . - se espreguiça, levantando um pouco a sua camisa. Tive um vislumbre de seu físico sarado, como daqueles caras que ficam se matando na academia...
, pare de olhar para o corpo dele!
- Por que diz isso? - tiro a cortina da frente da janela. Ao ver a cidade tão pequena, sinto um arrepio na espinha. Desvio o olhar.
- Agora, por exemplo. Aparentemente você tem medo de altura, mas foi olhar para fora. - por incrível que pareça, ele sorria. - E coleciona cadernos infantis. Adoravelmente bizarro.
- Não sou bizarra - abro meu laptop, que estava no meu colo. Checo no msn se está online. Óbvio que não. Está enfiado naqueles livros idiotas.
- Claro que é. Você ignorou parte do meu comentário. Só ouviu a parte ruim.
- Aham. - cadê o ? Vou matá-lo.
Onde você se enfiou? Pare de estudar e fale comigo!
Digitei no meu celular e enviei para o estúpido do meu melhor amigo.
- Você está me ouvindo? - olho para , sem entender.
- Oh, claro. - para o meu alívio, aparece, se sentando a minha frente.
- Sabia que o piloto é muito gato? Sério, , me traga sempre que puder.
- , você está noiva.
- Isso não quer dizer que fiquei cega. E, além disso, estou fazendo uma pesquisa, para achar um cara decente para você. Me agradeça. - finalmente repara na presença ao meu lado. - Ai meu deus, você é ! Nossa, eu ADORO os seus filmes! Breaking Down é perfeito, assisto sempre. O Andrew odeia, por isso mudamos as sessões para a casa da . Ela é mais fissurada que eu...
- Então, , já decidiu qual igreja vamos visitar primeiro? – vou matá-la, falo sério. não podia saber que eu gosto dos filmes dele, vai inflar seu maldito ego.
- Oh, então você gosta de Breaking Down? - ele se vira para mim, prepotente.
- É claro que gosta! Tem o Matthew Bomer. Aquele cara não é um pedaço do mal caminho, é a rodovia inteira! Só vejo White Collar por causa dele.
Fecha essa matraca, . Mando essa mensagem mentalmente para minha querida amiga. Felizmente, ela entende o recado.
- Hm, então vocês assistem filmes apenas pela aparência dos atores?
- É óbvio que não. Matthew Bomer é um ótimo ator. Ficar bem de chapéu e ter um sorriso lindo são apenas bônus. - replico, irritada. Sinto meu bolso vibrar. Aleluia!
"Tão ruim assim, ? x"
Você nem imagina.
- , me empresta o seu laptop? Quero procurar as igrejas logo.
- Vai se casar em Manchester? Meu amigo também. Ele e aquela atriz, Giorgina Stone, não sei se conhecem. Escolheram una igreja anglicana aqui...
Os olhos de brilharam. Ai não.
- Você pode nos levar lá? Eu quero que meu casamento seja perfeito! E se Giorgina Stone vai se casar lá, eu também quero!
Pego o caderno e o bato em meu rosto. O celular toca e eu atendo, sem nem olhar o visor.
- Olá, .
- Ah, oi, Gary.
dá uma risadinha e eu a olho feio. nos encara, sem entender.
- Onde você está? Te procurei pela cidade toda.
- Não estou em Londres. Olha, não posso falar agora, tchau. - Desligo o celular, bufando.
- Não me diga. Ele está desesperado, arrancando os cabelos, tentando descobrir onde raios você está? - ri.
- Quem é esse? - pergunta. Eu rolo os olhos.
- O amor da vida dela. Ai, essa doeu! - reclama do tapa que dei nela. - Bom, a é o amor da vida dele. Sem dúvidas. Você devia agradecer, ele é bem romântico.
- Se você gosta tanto, , porque não fica com ele? Saco.
- ! - David aparece. – Emilly chegou.
Me levanto, tirando o laptop das mãos de , que faz bico.
- O dever me chama.
- , sua idosa. Vocabulário de vovó, hein?
- Melhor que pé na tábua, .
-
- Dá pra você pelo menos fingir que está gostando?
- Sou um péssimo ator. Você sabe disso.
- Parece até que você não quer casar comigo.
- Se eu não quisesse, não teria pedido, né, Gio? Só não achei que seria tão complicado...
olha em volta. Várias pessoas rezavam, voltadas para o altar. Ele nunca fora muito religioso, não estava acostumado a ir a lugares como aquele.
- Vou falar com o padre. Fique aí e não toque em nada.
Giorgina caminha até a sacristia, deixando olhando estranho para uma réplica de Jesus jogado nos braços da mãe. Sente seu celular vibrar no bolso.
- Alô?
- Cadê você, porra? Estamos te esperando já faz uma hora.
- O quê? - olha no relógio.
Quatro e quinze.
- Merda. Já estou indo, fala para ele esperar, .
- Corre, .
- Ah, que porra. - guarda o celular, e passa a mão nos cabelos.
Sente alguma coisa puxar o seu casaco. Olha para baixo. Um garotinho, que chupava o dedo, estica a mão para ele.
- Um dólar.
- Quê?
- Você falou palavrão. Não pode, é feio. Um dólar.
o olha, espantado. O garotinho esperava, com a mão estendida.
- Só tenho dez libras. - examina sua carteira.
- Também serve. - arranca a nota da mão dele e sai correndo. fica olhando para a direção que o garoto foi embora.
Vai entender...
-
- É essa. Perfeita!
- , ainda nem entramos.
- Eu sei que é essa.
Reviro os olhos. Uma alegre sai correndo, e entra na igreja. Sim, era linda. Tinha um toque meio medieval, acho. Não sou muito entendida em história, sabe.
- Ela é sempre assim, louca? - diz, rindo.
- Você se acostuma. - dou de ombros. - Não precisava vir, sei que é uma pessoa bem ocupada.
- Eu estava precisando de um intervalo. E não achei nada melhor para fazer.
Entro na igreja, e vejo uma cena no mínimo estranha. Sim, é normal gritar com as pessoas, mas aquele era o padre?
- ISSO É UM ABSURDO! - berrava, enquanto o padre pedia desculpas silenciosas para os fiéis que tentavam rezar em paz. - DÉBORA, VEM CÁ!
- O que raios está acontecendo aqui? Dá para ouvir os berros lá de fora. - um cara de óculos escuros aparece - ?
- ? Giorgina? - parece surpreso.
- , nosso padrinho querido, você pode dizer para essa desqualificada que eu tenho preferência?
- DESQUALIFICADA? Vou te mostrar quem é a desqualificada, seu clone Michael Jackson loiro.
- Sua...
- DÁ PRA VOCÊS PARAREM? O coitado do padre está quase enfartando aqui. - grito, irritada. O clérigo sorri pra mim, em agradecimento. - Podemos resolver isso na sacristia?
- Por favor... - ele faz um sinal da cruz.
-
- Tudo bem, vamos resolver isso civilizadamente. Quanto você quer?
- O quê?
- Vamos, querida, todo mundo tem um preço. Qual é o seu?
- Não se preocupe, o soco que vou dar no meio da sua cara vai ser de graça.
- , calma. - segura a amiga pelo braço. Vira-se para o suposto noivo. - Ela está falando sério?
- Giorgina, por favor, um ano tem 365 dias. Por que vocês estão brigando por apenas um? - pergunta .
- Porque é o único dia que sobrou em junho!
- , eu disse que uma vaca siliconada ia tentar roubar a minha data. Vaca ela é, mas acho que o silicone está no lugar do cérebro, porque até o tem mais peito que ela. - fala, examinando as unhas. Disfarço a minha risada com uma tosse convincente.
- Você vai ver o silicone que eu tenho, sua piranha. - Giorgina pula em , puxando seu cabelo.
- SOCORRO, ESTOU SENDO ATACADA POR UM DEFUNTO! - grita, dando unhadas na outra.
- Por Deus, me ajudem! - o padre sai correndo.
e puxam , enquanto tenta controlar a noiva, que se debatia em seus braços.
- EU VOU MATAR ESSA VAGABUNDA! - gritava, desesperada.
- Podem me soltar, não vou gastar minha energia com essa daí. – diz, calmamente. Giorgina se solta e dá um soco na cara da outra.
- PARADOS! POLÍCIA!
- Prendam essa louca! Ela deve ter deslocado o meu queixo. – reclama de dor, com a mão na área atingida.
- Algeme todos e os coloque na viatura. Agora. - um homem grande, com um distintivo policial no peito, diz para o jovem ao seu lado.
- Todos? Mas eu não fiz nada! - diz, irritado. - Eu estava tentando apartar a briga!
- Vai logo, Miles. São duas da tarde e eu ainda não almocei. Será que dá tempo de passar na Wendy's?
-
- Isso é ridículo. Não vou falar nada sem a presença do meu advogado.
- Graças a Deus, pelo menos vamos ter um pouco de paz.
- Falou comigo?
- Estou falando sozinha, na verdade. Mas era sobre você mesmo.
- Vocês nunca vão parar de brigar? Mas que droga. - digo, antes de Giorgina responder para .
- Bem que eles poderiam devolver nossos celulares, né? Seria menos entediante. - Gio diz, respirando fundo.
- É claro, como se eles se importassem com o seu tédio. Caso não tenha percebido, você está PRESA. Só tem o direito de permanecer calada.
- Então, pelo bem da humanidade, use esse direito. - disparo sem pensar. Todos me olham, em choque. O quê? Estou irritada.
- Pelo visto alguém não se diverte já faz algum tempo... - Giorgina diz, maldosamente. Reviro os olhos.
- Fique tranquila, meu humor não tem nada a ver com a minha vida sexual. Espero que seja o mesmo com você, porque senão pobre .
- Sua...
- Posso saber que PORRA é essa?
David aparece, nervoso. Junto com ele estavam e uma mulher morena, de cabelos cacheados e expressão arrogante. Não gostei nem um pouco dela.
- Mas o quê... - o guarda aparece.
- Tire-os daí, por favor. Tenho um filme para gravar e não posso fazer isso sem o diretor. - Dave diz, furioso. Fiquei até com medo.
Saímos da cela, envergonhados. olha para mim, espantado.
- ? O que você está fazendo aqui?
- Bom, a e a Giorgina resolveram brigar, então fomos presas.
- Não aqui na delegacia. Em Manchester. Achei que tinha ido levar o seu roteiro para o...
- Vocês podem terminar essa conversa depois. Vamos embora. – diz, me puxando pelo braço.
- Mas o quê...
- , tenho que voltar para Londres. - aparece, desligando o celular. Sua expressão não era nada boa. - A mãe de Andrew está no hospital.
- Quer que eu vá com você? - pergunto, preocupada.
- Relaxa, o me leva pra casa, né? - se vira para .
- Claro. - ele responde. - Eu e o precisamos ir a um teste. Boa sorte para vocês.
Os três vão embora, deixando-me com meu produtor irritado, o diretor problemático, sua namorada arrogante e uma loira aguada. Que beleza.
- Então, já que ela foi embora, a data é minha. - Giorgina fala, feliz.
- Nada disso. A pode não estar aqui, mas sou a madrinha dela. – a olho feio, cruzando os braços.
- Joanna, faça alguma coisa! - ela empurra a amiga pra cima de mim.
- Isso é sério? - me viro para Giorgina, descrente.
- O que está acontecendo aqui, posso saber? - aparece. Sua cara não era uma das melhores. - Não estão brigando por causa do casamento de novo, né?
- Amor, resolva isso pra mim? - Joanna faz um biquinho e olha para . Credo, como ele aguenta alguém tão... insuportável? Não, não tenho pena dele. Nenhuma.
- , vamos? Já é hora de gravar. - coloca sua mão nas minhas costas, meio que me empurrando para fora da delegacia.
- Onde vocês vão? - Joanna pergunta, irritada.
- Para o estúdio, se nos dão licença. - ele diz, abrindo a porta do táxi. Se vira para mim. - Pode entrar.
- Obrigada. - digo, baixinho. Me sento no banco, escorregando para a outra ponta. David estava no lugar do passageiro, digitando em seu celular.
- ! Você vai me abandonar aqui? - Joanna aparece ao lado do carro. Seu rosto estava bem vermelho.
- Desculpe, Jo, tenho que trabalhar. Te vejo à noite. - fecha a porta, logo depois de entrar.
- Quanto amor... - resmungo.
- O que disse?
- Nada não.
- Se eu ouvir a palavra casamento mais uma vez hoje, eu mando pra rua. - Dave bufa do banco da frente.
Cap 4 "Tudo é uma versão de outra coisa" (Closer-Perto demais)
- E aí, como foi?
- Como foi o quê?
- O seu primeiro dia no mundo do cinema! Me conte tudo!
- Como você é brega, .
Fecho a geladeira, segurando uma jarra de suco de laranja. Minha querida amiga resolveu fazer uma dieta e adivinha quem foi obrigada a acompanhá-la?
- Você está muito misteriosa, . O que você está me escondendo? - brinca com os cachinhos de uva. Mas para e olha pra mim. - Você pegou o diretor! Safada!
Reviro os olhos.
- Pare de achar que eu saio dando por aí. Sou uma moça de família.
- Acho bom. - aparece, entrando na cozinha. Estava só de calça de moletom. Sim, é óbvio que reparei nos músculos dele. Ah, ele é tão meu...
- O que é isso, ? Tá achando que é o Taylor Lautner para ficar andando por aí sem camisa? Que desagradável. - fala, com cara de nojo.
- Você diz isso porque nunca provou desse físico sarado. - imita o Johnny Bravo. Desvio o olhar, pegando um copo na pia.
- Deus que me livre. Sou mais o meu Andrew. Mas a está livre e desimpedida, se quiser...
- , se você disser isso mais UMA vez, eu juro que corto todos os seus dedos fora!
Me sento, irritada, e apoio meus cotovelos na mesa, escondendo meu rosto com as mãos. Sim, eu estava brava, mas fiz isso para não deixar minhas bochechas vermelhas expostas.
- Não fica assim, . Você vai encontrar um cara legal. E ele vai ser um sortudo por estar com a garota mais incrível de Londres. - me abraça de lado, dando um beijo em minha cabeça.
"Seu idiota, por que você não é esse cara?", penso frustrada.
-
- Finalmente chegou! Onde você estava?
coloca a sua pasta em cima da mesa, assobiando tranquilamente. Joanna berrava furiosa.
- Estou falando com você! São onze da noite! Tínhamos reserva no Nobu às oito!
- Joanna eu estava trabalhando. - ele responde calmo.
- Você foi encontrar com ela. Eu sabia!
- Ela quem?
- A roteirista! Ela é sua amante!
- Você está bêbada?
- É por isso que você não toca mais em mim! Fica o dia inteiro se agarrando com aquela garota idiota!
- CHEGA! - berra, fazendo a outra se assustar. - Pare de falar besteira. Eu não estou te traindo. E, além disso, conheci hoje.
Joanna olha para baixo.
- Você esqueceu.
- O quê?
- Nosso aniversário. - ela limpa algumas lágrimas.
- Se eu esqueci, o que é isso aqui? - pega, dentro de sua maleta, uma caixinha. Azul-clara. Ai Deus.
- ...
- Posso não ser o cara mais romântico do mundo, mas isso não significa que eu não te amo. - ele sorri, meio perdido. Entrega o pacote para ela.
- É lindo. - Joanna coloca o anel no próprio dedo, e o encara, espantada.
- Nunca te pedi em casamento porque achei que era só uma formalidade. Somos casados.
Ela o abraça, contente.
- Eu te amo, .
- Também te amo, Joanna.
-
- Você poderia ter me apoiado.
- Não seja ridícula. Você estava errada.
Giorgina se vira, irritada.
- Eu estava tentando fazer com que nosso casamento seja perfeito.
tira uma mecha de cabelo do rosto dela.
- Eu sei. Mas não precisa ir parar na cadeia por causa disso.
Os dois riem.
- Vamos dormir agora? Já está tarde.
Ele apaga a luz.
- ?
- Hm.
- Você achou ela bonita?
- Quem?
- A louca da igreja.
- Linda.
- O QUÊ?
- Não se compara a você, meu amor.
- Acho bom.
- Boa noite, Giorgina.
- Boa noite, .
Ela dormiu quase imediatamente. Mas ficou olhando para o teto, pensando. Na louca da igreja.
-
- BOM DIA, FLORES DO DIA!
- , você fica insuportável quando está apaixonada. Sai daqui.
- Também te amo, Zangado. - dá um beijo na minha bochecha. – Vai fazer o que hoje?
- Vou para o estúdio. Acertar tudo com o David.
- Mas você vai faltar na aula de novo? Assim vai perder a sua vaga na faculdade.
- Você está brincando, né? Os meus professores se matariam para conseguir gravar um roteiro. Nunca vão tirar minha vaga.
- , o que é isso? - segura minha mais recente compra.
- Uma pasta.
- Eu sei o que é. Mas por que você comprou isso?
- Porque eu quis, oras.
- Não os deixe levar a sua alma, ! Não se torne uma daquelas roteiristas tristes e vazias, que ficam andando por aí de tailleur e pasta!
- , sua drogada. Não vou trabalhar junto com dementadores. - reviro os olhos.
- Tá, mas tome cuidado! Ei, você nem me contou o que fez ontem.
- Ah, acabamos de gravar e fomos para um barzinho.
- Só vocês dois?
- Que dois? Eu e o ?
- Não, o Mickey e o Pluto. Óbvio que vocês dois.
- Ah, , pare. Não vou nem continuar essa conversa.
- Então você admite que aconteceu algo.
- Não, , não aconteceu nada. Ele pediu a minha opinião sobre uma coisa.
- O quê?
- Se o anel que ele comprou pra Joanna era adequado ou não. Agora, se me dá licença, vou terminar de me arrumar. Tenho quinze minutos para estar lá.
- Ok. ?
- Hm.
- Lady Di ou Kate Middleton?
- Kate. Definitivamente Kate.
-
- !
- Sim?
- Andando.
pega suas coisas e segue . Os dois andam pelo set, enquanto alguns funcionários arrumavam o cenário.
- Logo que acabarmos Wasting Time, vamos começar a gravar Bridge Over Troubled Water. Calma, não fala nada. - ele fez um sinal, impedindo de falar - Temos que decidir o elenco, confirmar com os atores e pedir a autorização da gravadora. Isso demora uns dois meses, acho. - fala, mecanicamente.
- Hm, entendo.
- Então você decide se prefere ficar em casa ou aqui. Não é necessário que venha todos os dias, mas preciso de você para decidir algumas coisas.
- Tenho que ver meu horário da faculdade...
- Você ainda estuda?
- Estou no meu último semestre.
- O que você faz?
- Literatura inglesa e portuguesa.
Ele para, encarando-a.
- Português?
- Sim, sou brasileira. Quero dizer, nasci aqui, passei a infância no Brasil e voltei com dezessete, para estudar em Cambridge.
- Ah, entendi. - anda até uma das mesas do set e pega uma xícara de café - Quer?
- Não, obrigada. Não tomo café. - diz, pegando um bolinho.
a olha estranho.
- Como assim? O que você tem contra café?
- Ah, é que... NÃO RIA! Eu assisto The Big Bang Theory, e tem um episódio que o Sheldon toma pela primeira vez e fica todo doido, até se veste de Flash e EU FALEI PRA NÃO RIR!
encara furiosa um que gargalhava.
- Você também vai "chegar antes que a banana caia no chão"?
- Eu sabia que não entenderia. - ela bufa.
- Entendo sim, mas até você tem que admitir que é engraçado...
- Ora ora ora, o que temos aqui?
Garret Mitchell aparece, com a expressão endurecida. o odiava. Era seu chefe aqui na Inglaterra.
- ?
- Gary? O que faz aqui?
olha para , assustado. Então o tal Gary é Garret Mitchell, presidente da Warner Bros?
- Não acredito. Você que é a nova roteirista? - Mitchell sorri. - Fletcher, procure Yates. Ele que vai dirigir o filme da minha .
revira os olhos.
- Sinto muito, senhor Mitchell, mas EU sou o diretor de Bridge Over Troubled Water. Já li o roteiro e Heyman me autorizou a começar as gravações.
- Aquele produtorzinho, acha que só porque Potter é um sucesso que ele manda alguma coisa. - Garret bufa. Olha para . – Desculpe, meu amor. Só queria o melhor para você.
- Eu gosto do Fletcher. - ela diz. Ao ver a expressão do próprio, completa. - Ele é um ótimo diretor.
- Muito bem. Mesmo assim, não sei se ele é bom o suficiente para apreciar sua obra de arte. Tenho que ir. Sabe como é, ser presidente não é moleza. Te amo, . - Mitchell beija a testa da garota e vai embora.
- "Não sei se é bom o suficiente para apreciar sua obra de arte"? Como se esse cara entendesse alguma coisa de cinema! - se vira para ela - Sua história é ótima, mas ele nem ao menos leu!
- Esse é o Gary... - diz, melancólica.
- Totalmente antiético. Por que não me disse que namorava meu chefe?
- Eu não tenho NADA com ele! Não disse, porque eu queria que gravassem minha história por ela ser boa, e não porque seu CHEFE mandou.
deixa o bolinho pela metade em cima da mesa e vai embora, visivelmente magoada. respira fundo e toma um gole de seu café, pensativo.
-
- Ele fez isso? Não acredito! Vou matar esse engravatado!
corta seu brownie, irritada. Seu regime não durou um dia. Depois do incidente no set, chamei minha melhor amiga para me animar um pouco. Sabia que tem uma Starbucks aqui?
- Fui uma idiota. Tinha esquecido que o Gary era da Warner. Ai, , não aguento mais esse cara.
- Não fica assim, . Quer que eu bata nele?
Rio. A é assim. Quando estou triste, quer bater em todo mundo.
- Não precisa...
- !
Olho para o lado. aparece, quase sem fôlego. Seu rosto estava um pouco corado, e seu nariz parecia o focinho do Rudolf, de tão vermelho.
- Sim? - respondo, tomando um gole de meu frapuccino de creme.
- Escolhemos sua história porque ela é genuinamente boa. Não importa a opinião de Mitchell. Não vou desistir de você. Do nosso filme.
O encaro, sem reação. Não consigo evitar que minhas bochechas corem.
- Tudo bem, se David não vê problema...
- Ah, pode ficar tranquila, Heyman faz questão de gravar o seu filme. Ele e Mitchell não são muito amigos, sabe como é. E ele amou o seu roteiro.
Sorrio, orgulhosa. bufa.
- Esse mundo do cinema é tão complicado! Prefiro assistir meu DVD e ser feliz.
CONTINUA
N/A: DUDES, ME PERDOEM! Minha vida anda anda um caos, sério, fazia uns dois meses que eu não tocava em BOTW. O famoso stress escola, vestibular, família e amigos. Me desculpem mesmo e obrigada por não desistirem da fic. Vou me esforçar por vcs, de verdade.
Só quero agradecer todos que estão lendo =3 e aos meus melhores amigos pelo apoio e certa pressao kkkkk obrigada mesmo. Eu ia mandar att dupla, mas preciso dar uma revisada no cap 5. Ah, e desculpa a demora.
Ok vou parar de falar.
Gostaram do cap 4? Eu queria que sentissem raiva da Joanna. Acho que consegui... E o Mitchell é aquele cara que liga para a principal, o Gary chato e grudento kk aproveitem a fic e espero que gostem ><
bjbj Deb

