Detention Room

Autora: Fernanda Brida
Status: Em Andamento
Revisada por: Reh
Categoria: Hot Fics
Sub-Categoria: LongFic/Romance/Drama
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Prólogo

Ele sorriu pervertidamente para mim, me arrepiando com um simples toque em meus ombros e os olhos tão intensos olhando brutamente e profudamente nos meus. Naquele momento, eu percebi que a detenção não seria tão tediosa como eu havia pensado.

Capítulo I

Tranquilidade, paz e silêncio acompanhado pelas músicas adoráveis do meu Ipod. Nada poderia me tirar daquela paz interior no meio da semana de provas. Nada a não ser um certo ser da natureza.
Ah não! Por que todo mundo está olhando para mim? Uma palavra passou imediatamente pela minha cabeça: Fodeu.
Levantei minha cabeça e lá estava aquele verme do professor me olhando e seus lábios se moviam. Parei a música já que eu não tenho a habilidade de ler lábios. E comecei a ouvir o que ele dizia.
- Srta , você sabe que esses aparelhos eletrônicos são proibidos dentro da sala de aula, não sabe? Ou por acaso você é burra? – disse o professor tentando me atingir. Pode parar, sabemos que o único ser burro aqui é você. Ri internamente com o pensamento.
- Se eu sou burra o que faço no último ano do colegial? – perguntei analisando sua expressão que continha... O que? Desgraçado, ele estava se divertindo às minhas custas. Tenho cara de palhaça?
- Srta , hoje após a aula, você vai para a sala de detenção. – aquele decrépito disse com superiodade me fuzilando com os olhos. Nojento.
Espera aí, ele disse sala de detenção? Do que diabos ele estava falando? Não há sala de detenção nesse colégio.
- Professor , não há sala de detenção – disse com sarcasmo na voz.
- Agora há. E eu sou encarregado de ficar observando vocês na sala. , você sabe por que os professores votaram a favor da criação dessa sala? – neguei com a cabeça fuzilando-o com o olhar – Ah não sabe? – ele disse ironicamente com um sorriso convencido nos lábios.
- Eu já dei a entender que não – respondi secamente.
Toda a classe olhava, ora para mim, ora para . Bando de enxeridos filhos da puta. Por que não terminam as avaliações deles e param de olhar? Afinal não está escrito olhem para mim em minha testa, ou por acaso está?
- Por causa de alunos folgados como você! – ele disse por fim, com o mesmo sorriso convencido e vitorioso.
Ai, alguém me segura. Minhas mãos se fecharam em punhos e minha vontade era de socar até aquele verme nojento ele ficar com lesões cerebrais e o rosto desfigurado.
Se acalme, .
Respirei fundo e fechei os olhos. Ao abrir aquele estúpido me encarava com o par de olhos e lindos dele. O quê eu disse? Estou possuída ou algo assim?
Merda. Os olhos deles não são bonitos e ponto.
Voltando ao estado de consciência normal, quem ele pensava que é para me chamar de folgada? Eu não era folgada, simplesmente era mais na minha e um pouco lenta. Que saco.
- Ok. – concordei em ir para essa porra de detenção. O que mais eu podia fazer? Discutir com o cabeça dura e ele decidir me suspender? Não obrigada.
A aula continuou, eu estava morrendo de tédio olhando para o teto enquanto o professor não parava de me olhar, e ele me olhava de uma maneira estranha. Passei os minutos finais cantando uma música qualquer em pensamento quando fui interrompida pelo sinal irritante anunciando o intervalo e fim daquela aula infernal.
Caminhei em direção ao fim da sala, quando o professor segurou meu braço, apertando levemente.
- A sala de detenção é no térreo e te espero lá após dez minutos do fim do horário escolar. Você não se perderá, pois há uma placa escrita detenção na porta. Até lá, . – disse com aquele tom convencido e irritante de sempre.
Soltei meu braço e caminhei para fora daquela sala.

me esperava no intervalo toda feliz. Algo havia ocorrido, impossível ela estar tão feliz sendo que a última vez que nos vimos hoje ela estava com cara de joelho ralado.
- O que houve? – perguntei sentando-me ao seu lado.
- Ai , a prova de sociologia estava tão fácil, nem preciso me preocupar mais. – ela disse toda alegre sorrindo.
- Hum. – murmurei morbidamente.
- E você? – ela perguntou fitando fixamente meu rosto enquanto bebia o seu suco de caixinha.
- Eu o quê? – perguntei cinicamente batucando os dedos em meus joelhos. Afinal, eu não queria falar que fui para a detenção por causa daquele ser mal feito.
- O que houve, animal? – A voltou, grossa como de costume. Já tinha até esquecido desse lado dela. Dei de ombros e não olhei para ela. Mas eu sentia seu olhar insistentemente em mim. – Ah... – ela disse como se tudo fizesse sentindo agora, simplesmente ignorei e fiquei a observar o nada a minha frente enquanto ela bebia o suco com a expressão fechada. – É verdade o quê andam falando, não é? – ela perguntou me cutucando. Deus e sabem que eu odeio que me cutuquem.
- Da detenção? É. Satisfeita? – disse seca e friamente me virando para ela, e ela estava com carinha de cachorro de rua faminto. Ah, droga. Não deveria descontar nela, mas meu humor ficou tão péssimo. Mas, isso não é motivo para despejar meus problemas em cima da minha melhor amiga. – Desculpa por ser grossa.
- Não tem importância. Mas, vem cá, você vai precisar ir nessa coisa?
Ri, me descontraindo um pouco.
- Vou... Senão eu não sei o que o pode fazer comigo. Suspender-me, mandar me expulsar, do jeito que ele me odeia. – bufei e revirei os olhos.
- , obviamente não iriam te expulsar... Você é boa aluna, tem boas notas, não conversa demais...
- Mas ele me odeia, e podia arranjar algo que pudesse me expulsar – a interrompi.
- Bom, se você está decidida a ir, vá. – disse por fim levantando e indo jogar a caixinha do suco no lixo e voltando a sentar-se ao meu lado.
O silêncio entre nós que prosseguiu foi agradável e as poucas palavras que trocamos foi sobre provas ou os alunos lesados desse colégio. Sinceramente, acho que a é a única pessoa com quem dá para se relacionar aqui. O resto é tudo um bando de lesados, desocupados e filhinhos-de-papai mimados. E eu não suporto gente metida. É algo que me dá nos nervos.
Eu pedi um colégio público, onde ninguém se importa com as bolsas Prada que compraram no fim de semana em Paris. Eu pedi um colégio onde há gente como eu. Quer sabe qual foi a resposta?
- Não, o melhor para você é esse colégio. Você não precisa aguentar essas pessoas, faça apenas alguns amigos e só. – disse meu pai após minhas preces não atendidas.
O pior é que por mais que eu procure nunca arranjei tão legal quanto nesses três anos de colégio. E eu queria ter mais de um amigo, para poder sair em grupinhos e beber nos pubs a noite toda.
Mas, quem disse que a vida é um mar de rosas?
Se alguém disse, é porque é um filhinho-de-papai que tem tudo que pede. A vida não é assim. A vida te fode, te derruba, te engana e te maltrata. Mas, você se levanta, se recupera do golpe e consegue achar pequenos momentos de alegria que juntos fazem a vontade de viver.
O sinal por fim tocara e eu me dirigi à sala de história. A aula foi tranqüila, e as que se seguiram também. A única aula que era um inferno, era a de sociologia. Eu não agüentava aquele professor em meu encalço por cinqüenta minutos. Talvez, se ele não pegasse tanto no meu pé, eu não reclamaria tanto de seu ser desprezível. Só talvez.

O sinal mais agudo e longo tocara anunciando o fim do horário escolar por hoje. Para todos. Menos para mim.
Andei pelo corredor de salas do andar térreo. Meus passos pesados e minha respiração eram os únicos sons que se ouviam naquele corredor deserto. Todos os alunos e professores já haviam dado no pé. Torci para que houvesse se esquecido da detenção e tivesse ido embora também.
Após alguns passos, a última sala do corredor tinha uma placa escrita detenção na porta. Respirei fundo e pesadamente colocando a mão na maçaneta e a girei, abrindo a porta. Era uma sala de aula comum, com uma lousa, carteiras e a conhecida mesa do professor à frente da sala. Não havia ninguém ali. Ninguém.
Deixei minha mochila em uma mesa da fileira do canto e me pus à frente da janela observando o movimento no pátio da frente do colégio e da rua. Um suspiro fraco e triste saiu de minha garganta. Eu não queria estar ali, mas eu precisava. Eu observava grupos de alunos lesados rindo e combinando encontros, outros indo embora alegremente após um dia cansativo de colégio. Isso me deixava mais triste, era saber que eu não iria embora tão cedo. Eu estava submetida a ficar mais quarenta minutos nessa porra de sala. Ouvi a porta da sala abrindo e fechando. Alguém entrara, mas a minha vontade de ver quem era, era tão grande que nem virei. Apenas continuei olhando a rua. As coisas foram deixadas numa carteira qualquer e a pessoa sentou. Engraçado, não era o . Amém! Posso comemorar. Vai ver que aquele bastardo esqueceu a detenção e me deixou sozinha com um outro alguém. Uma coisa eu sabia, era melhor do que ficar sozinha com aquele verme. Vai que era um gatinho. Mas, com a minha sorte vai ver que era um mimado estúpido.
A pessoa soltou um suspiro pesado e ouvi um zíper abrindo. Virei-me e vi que era apenas um garoto pegando seu caderno e estojo de dentro da mala. Limitei-me a observá-lo e eu nunca o vira no colégio. Estranho, eu sou bem observadora e guardo rostos. Se eu já tivesse o visto eu me lembraria dele. Vai ver que ele é bem reservado, assim como eu. Ou talvez eu já o tenha visto, mas não o tenha observado e prestado atenção em sua figura tão agradável de ver. Sim, ele era bonito.
- Oi. – murmurei olhando para o garoto. – Veio para a detenção também?
Não. Ele veio plantar batata, não tá vendo ?
- Hey – ele disse sorrindo para mim – Vim sim, graças à professora de Redação. Mano, ela me odeia e só porque eu não terminei aquela porra de redação me mandou para cá. – ele disse com raiva desabafando. Eu acho que ele me entenderia. – E você?
- Vim por causa do verme do professor , nojento filho da mãe. Ele me mandou para cá porque eu comecei a ouvir músicas depois de terminar minhas avaliações. – Só de lembrar disso, minha vontade era de sair correndo, comprar uma metralhadora traficada e descarregá-la no quando ele entrasse pela porta da sala.
- Relaxa, ele é uma peste mesmo. Também não gosto dele, ele tem um ar de superiodade que me irrita. – Por um momento, pensei ter sonhado que ele disse isso. - O pior de tudo é que, a maioria das garotas tem um tombo fatal por ele. E eu não entendo isso – ele disse revirando os olhos.
- Eu nunca tinha notado nisso, vai ver que é porque eu nunca presto atenção nas putas das salas que estudo. – murmurei.
Ele deu uma risada fraca, e fofa.
- Meu nome é , prazer.
- – sorri com afeto para o garoto ali sentado. Caminhei até onde eu largara minha mochila, pegando-a e fui me sentar na carteira ao lado de . – Você sabe se vai ter mais alguém nessa sala?
- Eu acho que não, já passaram os dez minutos. Aliás, o professor está atrasado. – disse impaciente. É, esse é dos meus. Ele não gosta daquele verme, nem eu. Nossa amizade podia dar certo ou algo mais. Quem sabe.
- Tomara que esse verme nem venha. – bufei.
- Já estou aqui , não precisa implorar – disse entrando na sala com um sorriso de lado, sem tirar seus olhos de mim.
Revirei os olhos e bufei sendo possuída pelo tédio. Aquele tédio só aumentaria daqui pra frente. Eu não agüentaria os quarenta minutos, talvez eu pirasse e saísse correndo dali. Eu estava torcendo por aquilo. Só pirando mesmo para sair dali antes de completar os malditos quarenta minutos.
Professor havia largado seus pertences na mesa dos professores e havia se sentado na cadeira. Ele ficou apenas observando a mim e ao com uma cara tão tediosa quanto a minha devia estar. Abaixei minha cabeça sobre os braços e desejei poder dormir.
- , não é hora de dormir. – eu não havia percebido, muito menos ouvido ele se aproximando. Seu tom arrogante de sempre me enojou. Levantei minha cabeça e olhei para a lousa com cara de tédio. estava ao meu lado me olhando com sua arrogância de sempre.
- Não estou dormindo. – disse secamente olhando para a lousa. Por nenhum momento eu me daria o trabalho de olhar para ele. voltou para sua mesa, e enquanto ele andava de costas para mim, meus olhos ligeiramente se desviaram para sua silhueta e para seu bumbum. Deus, que bumbum. Mordi o lábio com o pensamento e voltei para mim. Credo, .
sentou-se em sua mesa retirando algumas coisas de sua mochila.
Olhei para e ele tinha o cenho franzido, obviamente concentrado no que estava fazendo. Confesso que era menos tedioso do que eu não estava fazendo. E percebi que ele desenhava algo, me ajeitei na carteira, deixando minha postura ereta e espiei por cima de minha mochila. A primeira impressão me parecia que ele estava desenhando alguma pessoa, e ele desenhava bem. Nossa, que talentoso ele. Own. Bom, eu acho porque eu não consegui ver muito do seu desenho, seu braço bloqueava praticamente a metade do desenho. estava mais concentrado em algo na parte direita da folha, algo como o braço e as mãos da pessoa sendo desenhada.
Desisti de tentar saber o que é, apenas fiquei sentada sem fazer nada. Eu tinha minha cabeça apoiada em uma das minhas mãos e com a outra mexia no macaquinho pendurado na minha mochila. Eu me sentia estranhamente observada. Sabe aquela sensação que você tem quando está sendo observada? Eu a estava sentindo, e sinceramente, não queria saber quem estava me observando com tanta força. Apenas desejei que fosse . Por que?
Porque aquele verme que atende pelo nome de não tinha o direito de me encarar tão intensamente. Ignorei a sensação e voltei a brincar com o chaveiro em minha mala me distraindo para o nada.

- Já podem ir... – dizia o professor enquanto eu despertava do nada em meus pensamentos ao ouvir sua voz atraente. Não vou negar que o verme tem a voz bonita quando não tem arrogância e convencimento nelas.
arrumou suas coisas rapidamente, guardando tudo, impedindo que eu visse o desenho já quase pronto. Hum, misterioso. Ui.
Chega de malícia, .
- Já vou indo , tenho jantar de família. Até amanhã. – ele saiu todo apressado da sala me deixando ali sozinha com . Meus joelhos fraquejaram levemente ao perceber que ele me olhava de um jeito bem estranho. Fechei os olhos e recuperei o controle sobre meus joelhos. Peguei minha mochila colocando-a sobre um de meus ombros e apressei o passo. segurou meu braço, apertando mais forte do que hoje mais cedo.
- Com pressa, ? – ele cuspiu meu apelido tão maliciosamente que senti náuseas e uma raiva quase incontrolável. Quase, porque por algum milagre eu me controlei. Mas a vontade de socá-lo estava ali, esperando a brecha para se libertar.
- Sim, caso o senhor não percebeu, o ambiente está muito pesado. E eu já agüentei minha vontade de socá-lo por quarenta minutos, não abuse. – disse com sarcasmo iminente em minha voz.
- Ui, é bravinha. – ele puxou meu braço de forma com que eu fosse para mais perto dele, tentei puxar meu braço de volta, mas a única coisa que aconteceu foi sua mão esfolar em meu braço provocando uma leve ardência onde houvera contato de sua pele quente contra a minha.
- Me solta, seu verme. – cuspi essas palavras em cima dele, perdendo o controle sobre minha raiva. Esse verme não presta, já não chega de pegar no meu pé? Vá se foder, .
- Quando eu quiser. – ele me puxou com mais força e eu fiquei mais próxima dele o suficiente para sentir seu perfume. Um perfume tão bom, cítrico e adocicado ao mesmo tempo.
Se controle , porra.
A parte racional gritava para a parte hormonal.
colocou uma mecha de meu cabelo atrás de minha orelha e aproximou o rosto de modo que sua boca roçasse em minha orelha e sua respiração quente arrepiasse os pêlos de minha nuca.
- Um dia você vai querer tudo isso, a toda hora. – ele aproximou sua boca e roçou os lábios lenta e sensualmente no lóbulo de minha orelha. – Um dia, escute o que eu digo. – ele foi baixando o tom de voz para um mero sussurro em meus ouvidos. Um sussurro que saía com rouquidão e diversão. – Você se faz de santa, mas nós sabemos que essas são as piores.
Tentei afastá-lo de mim em vão e a raiva e vontade de socá-lo cresceram dentro de mim. Apenas não resisti e deixei elas se libertarem num momento irracional. Soquei sua barriga com toda minha força, o fazendo se afastar e curvar de dor. Corri até a porta e antes de sair, me virei e olhei para seu rosto expressando uma dor que me fazia sentir prazer.
- Vai sonhando. – sussurrei para ele, e eu sei que ele ouviu. Seus lábios se fecharam em linha reta indicando raiva e não mais dor. – Ah... E não diga que eu não avisei.
Sorri vitoriosamente e corri para fora do prédio. estava parado na calçada esperando por algo que achei que fosse seus pais. Aproximei-me dele e sorri. Ele me notou ali e sorriu de volta. Que fofo aquele sorriso.
- Então... – puxei assunto timidamente – você saiu correndo da sala? Estava com tanta raiva assim do ? – dei uma risadinha tímida sendo acompanhada por .
Olhei em seus olhos lindos. Ah, que fofo que ele era.
- Não, eu realmente achava que teria jantar de família. Mas não. – ele suspirou tristemente.
- O que houve? – perguntei calmamente o olhando com carinho.
- Bem, meus primos estavam vindo do interior. E chegariam daqui a pouco para jantar, mas parece que houve uma confusão lá e eles não puderam vir. Meu pai acabou de me ligar e ele disse que se atrasaria um pouco. – ele bufou.
- Sinto muito, eu sei que não deve ajudar. Mas, eu realmente sinto. – falei carinhosamente.
- Tudo bem, o que mais me irrita não é o fato do cancelamento do jantar em si. É o atraso de meu pai.
Franzi as sobrancelhas e ele riu da minha expressão de dúvida.
- Ele deve estar comendo uma puta por aí. – ele disse morbidamente. – Meus pais são separados e tal... E eu veria minha mãe nesse jantar, já ela foi morar com a irmã no interior. Enfim, isso não é da sua conta.
Assenti, o abraçando pelos ombros. Eu não tenho momentos de carinho constantemente viu? Por isso nunca espere que eu faça isso de novo. Eu só estou fazendo isso por porque gostei dele. Simpatizei com ele de alguma forma, e essa forma eu suspeitava que era atração.
Ele retribuiu meu abraço e me fitou com os olhinhos brilhando e com um sorriso alegre e descontraído.
- Obrigada , eu mal te conheço e você já me faz bem. – ele sorriu e não pude evitar sorrir junto.
- Ah , não se preocupe. Amigos são para essas coisas. - Sorri.
- Mesmo assim, obrigada. Te vejo amanhã? – ele perguntou timidamente.
- Sim, só espero não ser na detenção. – eu disse rindo.
- Ah claro. Bom, eu vou indo para casa caminhando mesmo. Não estou com vontade de esperar meu pai satisfazer seus desejos sexuais. – ele disse pegando seu celular do bolso e digitou algo. – Pronto. Torpedo enviado.
- Até mais , eu vou indo também. – dei um abraço de despedida. segurou minha mão e me olhou.
- , quer que eu te acompanhe?
- Não precisa. Até mais. – virei-me e fui para a casa, virou-se para a outra direção. Acho que ele não queria apenas me levar para casa, afinal a sua ficava para o outro lado. Sorri involuntariamente e eu negando. Você é uma tola, . Ele mostrou interesse, você está interessada e ainda nega ele.
Ele sussurrou algo que não entendi e quando me virei, ele já estava um pouco longe. Continuei caminhando em direção à minha casa.
Enquanto caminhava, olhei para meu lado e um carro preto seguia em baixa velocidade para me acompanhar. Tentei olhar quem era dentro, mas os vidros eram escuros.
Eles foram se abaixando aos poucos, e fui reconhecendo aqueles cabelos desgrenhados. Droga!
- Te vejo amanhã na detenção, . – disse abaixando os vidros do carro e logo em seguida acelerando e sumindo numa esquina qualquer.
Ai, filho da mãe. Não acredito que ele me colocou de novo na detenção. E o pior, eu não posso reclamar, eu soquei meu professor de sociologia.
Se eu reclamar, ele vai dar com a língua nos dentes, não preciso nem ser guru para saber.
Mas, eu não vou me arrepender por socá-lo.
O rosto de contorcido de dor veio em meus pensamentos, e me deu pena por um mísero segundo. Só isso. Devo estar na tensão pré-menstrual. Geralmente não sou muito sentimental com quem desprezo.
Chega de pensar em , você vai ter uma mãe furiosa, louca e descabelada de preocupação para saber por onde você esteve. Apesar de eu já ter dezoito anos, minha mãe é preocupada até demais comigo. Para ela, vou ser sempre a garotinha dela. E eu moro com ela, então não posso culpá-la.
Continuei caminhando calmamente até chegar na porta de minha casa, parei na soleira e fiquei ali observando a porta feito uma tonta. Respirei fundo, peguei a chave de minha mochila e entrei.
Subi as escadas pro meu quarto, largando minha mochila ali. Desci de volta e fui para cozinha. Percebi que minha mãe não estava em casa, o fogão estava limpo, sem nenhuma panela em cima. As louças guardadas. Virei para a geladeira e encontrei ali um envelope de minha mãe com meu nome escrito.
Peguei em minhas mãos e abri, retirando o bilhete.

, eu precisei viajar a trabalho para o projeto dos médicos sem fronteiras. Evitei isso por dois anos, porque me lembro da festa que você deu da última vez que fui operar um paciente na cidade vizinha. Mas dessa vez, eu não tive como não recusar. Eu espero que seus dezoito anos tenham lhe dado maturidade. Não quero os mesmos problemas que tive da última vez. Depositei um pouco de dinheiro na sua conta para emergências, porque acho que o dinheiro que o seu pai lhe dá é suficiente.
Eu queria ter me despedido, mas precisei sair às pressas. Você sabe que amo salvar vidas. Espero que você entenda e tenha juízo, coração.
Obs: Não sei por quanto tempo vou ficar, mas o mínimo é de um mês.
Beijos, mamãe”.


Uma lágrima desceu em minhas bochechas. Eu sentiria falta de minha mãe, mas esse sempre fora seu sonho. Poder ajudar quem não tem condições de ir a um hospital ou pagar um. Só espero que fique tudo bem com ela.
E espero também poder aproveitar esse tempo que ela passará fora com liberdade, é claro.




CONTINUA


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