Entre Tropeços e Desilusões

Autora: Babi Lorentz
Status: Em Andamento
Revisada por: Juh Claro
Categoria: Hot Fics
Sub-Categoria: Drama, Romance - LongFic
Comentários:




Prólogo

Era tudo minha culpa! Ninguém precisava jogar aquilo em minha cara, eu assumia tudo! Pra que mentir para todos, dizendo que nada tinha a ver com aquilo se, no fundo, tinha a certeza de que a pivô para separá-los (para sempre, eu temia) era eu?
Muitas pessoas em todo o mundo começaram a me enxergar como traidora, mentirosa, falsa... Eu era odiada internacionalmente e sabia que se outra pessoa estivesse em meu lugar, também seria abominada por mim.
É, se você quer saber pelo que eu passo, imagine como seria sua vida se você fosse a pessoa quem acabou com a banda mais amada pelo mundo todo: McFLY.

Capítulo 01 – Bem legal. Esta música tinha realmente que tocar agora?

- , se você ainda tem amor à vida, acho bom correr logo com isso.
, depois de tudo o que eu tinha feito de ruim na vida dele, ainda me via como sua melhor amiga e, eu tinha certeza, se pudesse voltar ao tempo, faria tudo da mesma maneira. Aquele era o : super protetor com quem ele considerava realmente importante. E isso soava irônico.
Ele estava em minha sala, provavelmente inquieto, andando de um lado para o outro, ou sentado no sofá enquanto batia o pé, repetidas vezes, no chão, apenas esperando que eu terminasse de escolher um sapato para que fôssemos assistir a estreia de no teatro.
: a brasileira que bombava nas telas de várias partes do mundo, desde sua pequena participação em Gossip Girl (super notada e aprovada pelos maiores nomes da televisão e do cinema), e que hoje teria sua estreia no teatro com um novo espetáculo. A única, mas notável, diferença desta peça para as tantas outras que ela já participara, era o fato de que ela mesma escrevera a que hoje estrearia.
era minha melhor amiga – sempre fora, desde antes de sua fama repentina ou de termos conhecido e entrado tão intensamente na vida de quatro pessoas – e namorava , também meu melhor amigo.
E, quem eu era? A cobra, bruxa, louca e desvairada que acabara com o McFLY.
Não havia como não achar tudo aquilo irônico.
Até hoje eu me condenava por ter feito o que fiz. E também deixava que me condenassem.
Mas não e , eles não suportavam a minha vontade de sofrer. Tinham um carinho imenso por mim e aquilo me matava. Pra que gostar tanto de uma pessoa que só fizera mal pra você?
Eu queria odiá-los por me amarem tanto.
Às vezes me dava vontade de jogar tudo pro alto e mandar todo mundo se foder. "Abram seus olhos, desgraçados. Se eu fiz aquilo com McFLY, a banda que eu mais amei em toda a minha vida, quem garante a alguém que eu também não faria algo ruim na vida de vocês dois?" Mas aquela frase parecia impossível sair de minha boca.
Mesmo assim, eu tinha em minha consciência de que se um dia eu pensasse em magoá-los, pensaria mais ainda em magoar a mim mesma. Porque eles não mereciam passar por mais coisas ruins, passar por tudo que passaram novamente.
E eu não era digna de toda aquela atenção, de todo aquele carinho...
- Ah, por favor! Já vai fazer mais de uma hora que você está parada encarando os próprios pés. – entrou em meu quarto, vindo ao meu lado para me apressar. Típico. Não esperaria outra reação. Não quando se tratava do . – Estes estão ótimos. Agora, vamos?
- Vou colocar a bota. Ela ficou melhor aqui. – Ri e me sentei em minha cama, trocando minhas sandálias prata por botas pretas. Definitivamente melhor. – Podemos ir agora, .
Ele saiu apressado pelo apartamento, olhando para trás, fazendo com que eu andasse mais rápido.
- Agora agradeça pelo elevador não dar piti! Porque se isso acontecesse, ... – Ele balançou a cabeça de um lado para o outro – Pode ter certeza de que não me responsabilizaria pelo fim de sua vida.
Eu apenas sorri e rolei os olhos para aquele comentário bobo do .
- Pelo amor de Deus, ! – Exclamei, enquanto verificava minha maquiagem pelo retrovisor. – Nós ainda temos meia hora para chegar lá.
- Meia hora, ! Eu poderia usar um tempo maior pra dar mais força pra minha pequena, sabia? – Ele tamborilava seus dedos pelo volante e, vez ou outra, buzinava. Como se buzinar fosse fazer algum carro que estava em nossa frente se mover. – E agora a gente se mete nessa merda de engarrafamento!
- Essa eu não estava esperando, tudo bem? Mas pode jogar a culpa em mim, eu não me importo. Demorei a me decidir pelas botas, eu sei. – E agora achava que deveria ter ficado com as sandálias. Mas não faria aquele comentário em voz alta. Não quando havia um nervoso ao meu lado. – E peço-lhe perdão.
- Nem esquenta. – Ele fez um barulho estranho com a boca, pressionando, mais uma vez, a buzina.
Levei meu corpo para a frente, enquanto ligava o som do carro.
Se você quer ver relaxado, coloque música. Mas música de qualidade, não é qualquer coisa que os ouvidos do meu querido aguentam.
Torci, mentalmente, para que estivesse passando alguma coisa boa na rádio.

Será que hoje responderemos a pedidos que não cansam de chegar, ou vamos apenas passar o novo, comum e normal de todos os dias para vocês? Bem, vamos deixar que a música responda por si só...

Quando a voz enjoada do locutor parou de sair do som, escutamos o tão antigo e conhecido início de Not Alone invadindo o carro.
apenas bufou, desligando o som logo em seguida.
Contive a única lágrima que queria escorrer por meu rosto, respirando o mais fundo que podia.
Permanecemos calados durante os quinze minutos que ficamos presos no tráfego.
Agora tente adivinhar a razão por trás de todo aquele engarrafamento.
Era estreia de uma nova peça de , por que eu não pensara naquilo antes? Claro que seria difícil chegar ao teatro.
Minha amiga, como eu já previra desde que morávamos no Brasil, desde que éramos apenas duas simples sonhadoras, desde que criávamos várias histórias e que nos iludíamos acreditando que, um dia, algumas delas aconteceriam, tinha a fama reconhecida mundialmente e seria eternamente amada e seguida por fãs loucos, insolentes e, por outros, ridícula e inacreditavelmente, amáveis.
Os sonhos e ilusões permaneceram ao meu lado, escondidos em minha mente, perdidos em meus pensamentos particulares. Mas os de estavam ali. Mostrados para quem quisesse ver. Tudo o que ela quis, tudo com o que um dia ela sonhara, estava acontecendo. E, não, eu não sentia nem um pouco de inveja dela, eu apenas estava feliz por minha melhor amiga. Feliz por ela ter a vida que ela sempre pedira a Deus. Feliz por ela ter ao seu lado, por estar estreando sua própria peça.
Por que eu quereria algo assim, se aqueles não eram os meus sonhos?
Eu já realizara os meus, mas, infelizmente, eles foram embora. Eles aconteceram apenas por um momento de minha vida. E, se não tinha dado certo, eu sabia, no meu interior, que meu destino não era aquele. O que tivesse de acontecer em minha vida, aconteceria. Já estava tudo definido, eu sabia.
Minha felicidade chegaria, mesmo que demorasse e não fosse nada com o que eu já sonhara um dia.

Capítulo 02 – Faça isso mesmo, otário! Apareça aqui, acabe comigo, destrua-me por inteiro... É isso o que eu mereço.

Ela estava linda. Como já era fácil supor.
Havia como ficar feia? Por favor! Nem intencionalmente aquilo era possível.
sorriu infinitesimalmente quando conseguiu entrar no camarim para desejar-lhe boa sorte, vendo , sua namorada, com um vestido vermelho e longo, com um decote que tomava todas as suas costas e um coque impecavelmente feito em sua cabeça.
- Por favor, não me façam esperar mais! – Bufei, batendo os pés no assoalho de madeira.
- Você também me fez esperar, . – disse, sem desviar nem um milímetro de seus olhos da mulher à sua frente.
- Acabem logo com essa melação, preciso dar um abraço em minha amiga.
E, depois de um longo e apaixonado beijo, veio em minha direção, com um sorriso de orelha a orelha.
- Você não presta, ! – Ela riu, abraçando-me logo em seguida.
- Muito bom escutar isso, ! – Fiz um carinho em suas costas. – Boa merda! Tudo dará errado e você vai falir!
Rimos mais um pouco, com nos acompanhando com suas gargalhadas.
Aquela era como a frase que dava boa sorte à . Desde que ela fizera seu primeiro teste, para um comercial de pasta de dentes no Brasil, aquilo era repetido por mim. Tudo sempre dava certo depois que ela escutava aquilo. Eu sabia que estava fazendo um bem imenso para ela.
- , cinco minutos! – Um rapaz alto, magro, com os cabelos ruivos e lisos que caíam em sua testa, atrapalhando-me de ver a cor dos seus olhos, apareceu na fresta da porta, avisando que logo o teatro começaria.
- Acho melhor irmos. – Olhei para , que concordou comigo apenas com um aceno de cabeça.
- Estaremos na primeira fila. – Ele sorriu para e encostou seus lábios nos dela.
- Argh! – Gemi.
- Não, . Oito e nove. Não dezoito e dezenove. – rolou os olhos, puxando-me pelo braço. – Nós vamos nos sentar aqui, como manda nossos ingressos.
- Você venceu. – Assumi a derrota ao ler os números escritos naqueles papeizinhos inúteis. – Sinto-me de volta à quarta série! – Balancei a cabeça. – Lugar marcado, que coisa infantil.
- Que coisa essencial, cara ! Essencial. – Senti sua mão batendo em meus ombros bem de leve e abri um pequeno, mas sincero sorriso.
- , acho que você não vai querer olhar pra trás agora. – Pude ver que engolia em seco.
Franzi a testa, tentando adivinhar o que ele queria dizer com aquilo.
- Pra falar a verdade, isso também me mata. Não queria ter visto.
Mais uma vez tentei entender aquelas palavras ásperas, com um tom nítido de lamentação, que saíam pela boca de .
Por que estava tão difícil entender meu amigo hoje?
E, virando minha cabeça para trás, a fim de acabar com a curiosidade que me corrompia, eu o vi.
E ele me fitava.
Agora, me responda apenas uma coisa: por que ele estava ali? Por que ele acabaria com um dos dias mais importantes para mim?
Era a estreia da ! Será que ele não se lembrava do quão presente ela se fez em minha vida? Será que ele não via significado nem verdade nenhuma quando nós nos chamávamos de melhores amigas?
E foi aí que entendi: eu acabara com a vida dele. Eu separara McFLY. Eu fizera com que ele brigasse com todos aqueles a quem ele se referia como melhores amigos.
Era lógico agora. Entendia perfeitamente a intenção dele em ter ido até aquele teatro. Fazer com que o dia perfeito fosse extremamente conturbador.
Ele sorriu, vitorioso.
Com certeza lia em meu rosto tudo o que eu estava sentindo naquele momento. Ele sempre fora bom em adivinhar como eu me sentia, em qualquer que fosse a situação. Sempre era ele quem fazia com que meu dia fosse bom, com que eu parasse de me sentir mal, só por estar ao meu lado, que queria sempre a minha felicidade.
E, como um baque, aquele quadro mudara. Agora ele queria apenas a minha tristeza, apenas fazer com que eu me sentisse mal, apenas deixar meu dia ruim.
Eu não podia condená-lo. Sabia, mais que qualquer outra pessoa, que o que eu fiz, foi a coisa mais terrível que alguém poderia ter feito.
Mas por que ele me condenava? Já não era o suficiente que eu me condenasse? Que eu não me permitisse ser feliz? Ele também tinha de me lembrar daquilo?
– meu primeiro amor platônico. Meu primeiro, mais forte, mais marcante e mais completo amor verdadeiro.
Era ele quem me fitava apenas a alguns metros de distância.
Era ele quem me fizera feliz por tanto tempo.
Era ele quem eu sempre quisera em minha vida e realmente tive, mesmo que por pouco tempo.
Era ele o responsável por várias noites inesquecíveis de minha vida.
Era ele quem, intencionalmente, colocava um sorriso bobo em meu rosto.
Era ele o dono de meu coração.
Era ele quem tinha minha vida nas mãos.
Até hoje era assim. Mesmo que eu não gostasse de admitir para mim mesma.
Mesmo que os sorrisos bobos que ele tanto colocava em meu rosto tivessem sido, tragicamente, substituídos por lágrimas.
A luz do teatro ficou mais fraca e eu voltei meus olhos ao palco. Passei as mãos embaixo de meus olhos e fiz o possível para me concentrar no que estava prestes a acontecer.
Era o dia da , da felicidade da . Eu não estragaria a felicidade de ninguém. Não era capaz de fazer aquilo. Não com a , nem com qualquer outra pessoa. Não mais.
Foi-se o tempo de pensar apenas em mim.
- O dia é dela. Não vou atrapalhar com minhas babaquices. – Murmurei, e senti apertando, levemente, minha mão.

Capítulo 03 – Por que quando eu o vejo, tudo ao redor parece desaparecer?

Durante o espetáculo mantive – ou pelo menos tentei manter – minha mente longe de uma pessoa que – e eu temia por isso – estava bem próxima a mim.
Acompanhei os aplausos, ficando de pé e mostrando sorrisos sinceros enquanto agradecia no palco.
Ela me fitou, mostrando apreensão, e rapidamente entendi suas palavras não ditas.
Ela o vira.
Ela sabia que eu o vira.
Ela sabia como eu me sentia.
Ela sabia o quanto eu sofria.
Forcei um sorriso, tentando, inutilmente, mostrar que estava tudo bem. Mas ela me conhecia profundamente e eu já sabia o que me esperava aquela noite: ela me daria tempo suficiente – ou até mais que isso – para desabafar.
E eu sabia que não poderia fugir. Não com ao meu lado mantendo seus olhos fixos em meus movimentos. Qualquer tentativa de fuga seria fracassada.
Como eles podiam ser tão compreensivos? Eu não merecia aquilo. Quando eles entenderiam? Quando conseguiriam ouvir minhas palavras? Quando perceberiam que eu não merecia tanta atenção?! Era difícil demais olhar pra trás e enxergar toda a merda que eu fiz? Os outros viam. Os outros me odiavam. Eu via. Eu me odiava. Por que apenas e não conseguiam ser daquela forma?
Meu destino era a solidão. E eu já estava acostumada com a ideia. Sabia que um dia aquilo chegaria a mim. Mas não queria me apegar demais a eles sabendo que eu viveria sozinha.
- Se eu soubesse que ele viria... – dizia enquanto andava de um lado para o outro, dentro do camarim.
- Não é culpa sua. – Afirmei, mais uma vez. – Já te disse isso, . E eu prefiro não mais tocar neste assunto, se possível for, por favor.
- , você precisa desabafar – segurou minhas mãos, olhando-me de frente – Eu vi como você estava antes e depois de vê-lo. Você se transformou.
Senti meu corpo se enrijecer apenas ao me lembrar daqueles olhos me fitando.
- Relaxe...
- Não é fácil. Não é fácil sentir, não é fácil falar sobre isso... – Respirei fundo, fechando meus olhos. – Eu tô tentando afastar a imagem dele da minha cabeça, tá legal? Continuar no mesmo assunto não ajuda em nada.
Claro que eu me odiava. Mas ao mesmo tempo em que eu queria sofrer, queria poder não sentir nada daquilo.

- Com licença... – Recordei-me dos cabelos da pessoa que falava comigo, mas ainda não conseguia dizer onde e quando eu o havia visto. – Você estava com a , não é? Sabe onde eu posso encontrá-la agora? – O ruivo me perguntou, coçando os cabelos.
- Hm... – Minha testa se franziu enquanto eu ainda me perguntava onde eu o tinha visto. – Você não me é estranho. – Falei, sem responder o que ele queria saber.
- Eu faço parte da organização do teatro. Você pode ter me visto por lá.
Olhei-o de cima a baixo. Claro! Era ele o ruivinho que tinha os cabelos nos olhos. Ele que avisara a que faltava cinco minutos pro teatro começar.
Imediatamente abri um sorriso.
- Ah, claro! Agora me lembro. A foi cumprimentar algumas pessoas. Precisa de alguma coisa?
- Ela prometeu que assinaria uma camisa pra minha mãe. E eu realmente tenho de ir... – Ele se embolava com as palavras, ainda coçando o cabelo. Suas bochechas ganharam um tom rosado e ele me olhou, sem graça.
- Bom, não sei se isso vai servir, mas... – Abri minha pequena bolsa, pegando um lembrete que colocara em minha carteira. Ali tinha a assinatura dela, poderia ser útil. – Não ligue pro que está escrito aqui em cima. Foi só para eu não me esquecer de revelar uma foto. E, olhe, bem aqui – apontei para o canto direito do pequeno papel roxo em minhas mãos –, é a assinatura dela. Normalmente é assim que ela escreve nos autógrafos, então... – Fiz um som estranho com a boca e entreguei o papelzinho nas mãos do ruivo.
Ele sorriu, sem tirar os olhos daquilo. Era uma expressão engraçada, feliz... Até bonitinha, eu diria.
Dei mais uns goles na água de coco que tinha em minhas mãos.
- Nossa... Obrigado, de verdade. – Pela primeira vez na noite ele me encarou.
E todo o sorriso que ele tinha nos lábios de repente desapareceu.
Aquilo estava demorando mais que o normal.
- Você é a...
- Sim. Sou a abominável, idiota, ridícula e socialmente excluída, . – Rolei os olhos. Eu já esperava aquilo. – Não precisa jogar tudo na minha cara. Eu sei e concordo.
- É... – Ele mordeu o lábio inferior enquanto ainda me fitava – Mas parece que todo mundo tem uma visão errada de você. Deviam te conhecer antes. Eu... – Levantou o papelzinho roxo nas mãos. – Agradeço por isto. De verdade.
Ele virou as costas, afastando-se lentamente de mim. Mas antes que pudesse ficar invisível aos meus olhos, virou-se para mim e acenou.

Abri meus olhos num susto. Coloquei as mãos em meu peito, sentindo meu coração bater rapidamente. Não precisei encostar minha mão em minha testa para perceber que estava suando.
- Foi um sonho, . Apenas um sonho. – Murmurei para mim mesma, tentando controlar minha respiração pesada.
Não, não foi um sonho. Foi muito real. Era como se toda a dor que eu já conseguia controlar estivesse voltando ainda mais forte. Aquilo me matava! Eu odiava acordar depois de ter em meus sonhos. Aquilo não deveria acontecer.
Era péssimo quando eu me lembrava de como eu acordava feliz depois de ter sonhado com ele enquanto ainda vivia no Brasil.
- Percebe agora a realidade? – Perguntei-me. – Acostume-se, porra! Acabou. – Murmurei, mais uma vez.
Depois de ter controlado minha respiração e ter feito meu coração voltar a bater num ritmo normal, levantei-me da cama.
Como de costume, fiz toda a minha higiene matinal e, logo depois, abri a porta de meu apartamento, pegando o jornal. Era minha rotina. Era meu costume. Eu lia o jornal desde que tinha doze anos. Com certeza aquilo continuaria acontecendo, mesmo que eu morasse em outra parte do mundo.
Passei algumas páginas, dando atenção apenas ao que queria saber. Não aguentava mais ler sobre assassinatos, doenças, corrupção... Até hoje, aqueles mesmos assuntos tomavam conta da maior parte das páginas dos jornais.
Cheguei à parte de fofocas. Ao ler a manchete, abri um grande sorriso.

, razão para reunir estrelas

Bati palminhas, como quem demonstrava orgulho e felicidade, e não demorei a ler toda a matéria.

Mais uma vez, a brasileira que mantém sucesso desde que participou de alguns capítulos de um seriado americano, provou que pode nos surpreender com o que sai de sua cabeça. Ela não só é uma ótima atriz, como também escreve maravilhosamente bem.
Estreou ontem seu próprio espetáculo, reunindo grandes nomes do cinema, da televisão e, claro, da música.
"Já podia imaginar que ela não nos decepcionaria. É a , não é?" Ed Westwick, colega em Gossip Girl, esteve por lá e não conteve sorrisos ao elogiá-la.
"Sua performance no palco é tão cativante! Ela nos passa as sensações reais da personagem. Impossível não se apaixonar." Emma Watson declarou-se maravilhada.
O monólogo (sim, um monólogo) consiste em declarações de uma mulher que não consegue se decidir entre se entregar, de corpo e alma, ao homem que a ama, ou se manter totalmente afastada de tudo e todos, trancando-se num mundo só seu enquanto espera, desesperadamente, que o destino se resolva.
Apesar de ser apenas uma pessoa no palco, que não troca de roupa em momento algum, o espetáculo prende a atenção de qualquer um que esteja na plateia. É tudo muito envolvente e cativante, assim como Emma Watson declarou.
E, claro, não podendo esquecer sobre quem mais esteve naquele teatro na noite de ontem para prestigiar nossa estrela:
, seu namorado há seis anos, estava na primeira fila, totalmente absorto às falas de . "Ela é boa em qualquer coisa que faz." Foi a única frase que soltou, enquanto saía apressado, tentando chegar ao camarim. Estranho foi ver que quem o acompanhava era , com uma expressão bem magoada no rosto.
Claro que sabemos o motivo para isso: . Acompanhado por seu novo
affair...

Argh! Era bom demais para ser verdade. Eles não deveriam falar sobre a peça? Se me odiavam tanto, por que citar meu nome?
Ninguém queria saber como eu me sentia. Todos queriam que eu me fodesse. E eu já estava mais que acostumada aquilo.
Também não estava nem um pouco com vontade de saber sobre ele ou qualquer pessoa que o acompanhasse. "Acompanhado por seu novo affair" já era algo bem comum de se ler ao lado do nome dele.
E eu não conseguia me acostumar.
Mesmo sabendo que três anos já era o suficiente para superar.

Capítulo 04 (Flashback) – Um breve flashback não faz mal a ninguém... Ou faz?

Entrei no elevador repassando toda a conversa na cabeça.
Era mais que óbvio que eu estava fodida.
Como já era de se esperar, eu nunca conseguiria publicar uma linha que fosse de minha autoria. Por que eu ainda tentei procurar uma editora pro meu livro?
Se é que aquilo podia ser chamado de livro...
Precisava de um cigarro – sabia que àquela hora não encontraria algo mais forte.
Foi então que as luzes ficaram fracas naquele cubículo e o elevador parou.
- Porra! – Chutei a porta, esperando que, daquela forma, encontrasse uma maneira de sair dali. Até parece!
- Ei, acalme-se! – Uma voz disse, atrás de mim. Não estava nervoso. Apenas reprimia uma risada.
Respirei fundo, soltando o ar com força pela boca.
Não bastava ficar presa num elevador? Agora eu teria que aguentar uma pessoa rindo de mim?
- Daqui a pouco tudo volta ao normal.
Será que ele não percebia que estava sendo inconveniente?
Bati os pés no chão, em sinal de desconforto.
- Acho que você vai querer se sentar.
Rolei meus olhos e me virei para trás, enxergando terminando de se sentar em um dos cantos do elevador.
Espera aí... Eu vi ?
Não! Eu ainda não chegara tão longe com as drogas a ponto de ter uma alucinação... E nem tinha ingerido nada naquele dia.
- Sabia que em época de racionamento, a energia demora um pouco a voltar? – Ele sorriu, me encarando, e arqueou a sobrancelha.
Balancei a cabeça de um lado para o outro, quase que em câmera lenta.
, do McFly, o ídolo da minha juventude, uma das razões para que eu me mudasse para a Inglaterra – mais precisamente Londres – estava ali na minha frente?
- Preciso de um cigarro... – Balbuciei, franzindo a testa.
Não era possível!
- Vá em frente... – Deu de ombros, olhando-me.
Balancei a cabeça e o encarei por um tempo, reparando em cada parte de seu corpo e rosto. Viajei por suas roupas, rindo internamente ao reparar que sua camisa era da Hurley. As calças, não tão largas quanto eram quando comecei a gostar de McFly, e o par de All Star preto. Tão quanto sempre fora.
Voltei a olhar seu rosto.
Ele me encarava e sorria.
- Já está mais calma? – Perguntou.
Senti minhas bochechas queimando. Olhei para baixo, brincando com os cadarços de meus tênis velhos.
- É tão difícil manter um diálogo comigo?
Ri, sem emitir som algum.
- Não sei... Mas manter uma conversa comigo é meio complicado. – Soltei a frase.
Ainda me faltava coragem para olhá-lo.
- Começamos mal... – Quando o encarei, ele estava com a típica sobrancelha arqueada, o que me deixou perdidamente incomodada pelo fato de fazer com que eu me lembrasse de meu passado.
Ele estendeu a mão em minha direção.
- Oi, sou .
Baixei meus olhos para a mão dele que estava em minha frente.
Ele esperava mesmo que eu o cumprimentasse?
- Hm, essa é a hora em que você aperta a minha mão... – Ele se aproximou de mim, fazendo com que nossas mãos se tocassem, formando um belo cumprimento. – E me diz seu nome. – Me fitava, com seus olhos penetrantes.
Ele queria uma resposta e a única coisa na qual eu conseguia pensar era em como minha mão era pequena comparada à dele. Eu era tão minúscula, tão frágil, tão... Insignificante.
- E essa é a hora em que eu acordo, acho... – Murmurei, desviando meu olhar de nossas mãos, para o rosto dele.
- Quer que eu te belisque? – Ele riu.
Ao perceber que eu estava sem expressão alguma, afrouxou o aperto em minha mão.
- Você não está sonhando, te garanto. – Ele sorriu, provavelmente com algum pensamento bobo, voltando a encostar-se ao seu canto do elevador.
O silêncio tomou conta por algum tempo até que ele começou a fazer alguns sons incompreensíveis com a boca.
O olhei e ele prendeu o ar na boca, ficando com as bochechas cheias.
Se fez aquilo propositalmente, esperando arrancar algum sorriso de mim, conseguiu. Porque era impossível não rir ao olhá-lo naquele estado.
Ele sorriu.
- Tudo bem, depois dessa, não há como permanecer calada. – Mexi a cabeça, de um lado ao outro, admitindo minha derrota. – Você venceu.
- Eu sempre venço. – deu um sorriso torto.
As luzes se acenderam.
- Acho que não por muito tempo... – Ri, enquanto me levantava.
- Pelo menos um sorriso eu consegui. E escutei melhor sua voz. – Ele piscou e eu rolei os olhos.
- Grande coisa!
Arrumei minha mochila em meus ombros enquanto saía do elevador.
Franzi a testa, enquanto caminhava em direção à saída do prédio. no mesmo elevador que eu, feliz por ter conseguido fazer com que eu sorrisse e dissesse algo?
Não, aquilo não era vida pra mim... Devia estar sonhando. Ou era alguém bem parecido com ele.
Mas estava tão real. E eu tinha certeza que reparara bem na pessoa que estava em minha frente. Só podia ser . É! O famoso .
- Ei, espera! – Escutei a voz dele, bem perto de mim, e me virei para olhá-lo.
- Sim? – Perguntei, franzindo a testa mais uma vez.
- Uma carona?
- Só se eu te levar nas costas...
Ele rolou os olhos e eu sorri.
- Você aceita uma carona? – tirou as chaves de seu carro do bolso traseiro e as balançou em minha frente.
- E por que você daria carona para uma pessoa que mal conhece? – Cruzei os braços, desafiando-o.
- Eu nunca perco... – Deu um sorriso torto. – E ainda quero descobrir seu nome.
Foi a minha vez de rolar os olhos.
- Se é isso que quer saber, é .
- Como?
- Meu nome. Ele não vale uma carona. – Balancei a cabeça.
- Claro que não, vale muito mais do que isso. – Ele riu. – Venha, eu não aceito um não como resposta. Vou te levar em casa.
Arrepiei-me ao sentir as mãos de em minha cintura. Eu o acompanhei, sem ao menos pensar em me impedir.
Na verdade, eu não conseguia me concentrar em nada. Apenas em . Apenas na mão de em minha cintura.
Quando dei por mim, já estava no banco do carona, no carro dele.
- Tem certeza que essa não é a hora em que eu acordo? Ou que seu carro vira uma abóbora e você volte a ser... Inalcançável? – Franzi a testa, fitando o perfil de .
- Você não está dormindo, se me perguntar isso mais uma vez, terei de te beliscar. E isso não é um conto de fadas... – Rolou os olhos e riu.
Ouvi o toque irritante de meu celular e comecei a procurá-lo por minha mochila.
Onde eu o havia colocado mesmo?
Bati em minha testa e respirei fundo ao perceber que não o encontrara.
- O que tanto você carrega em sua mochila?
- Papeis, óculos, cigarros, uma carteira fodida com camisinhas onde deveria haver dinheiro, oh... E mais camisinhas! – Assustei-me ao abrir uma das bolsas exteriores e encontrá-las ali. – Nem eu sabia que estas aqui existiam. – riu e eu o acompanhei. – Também tenho balas de hortelã e... A merda do meu celular! – Dei um grito ao encontrá-lo.
- Você deveria se organizar. – Ele deu de ombros. – A propósito, não sei até onde te levar. – Me fitou, aguardando uma resposta.
- Hm, pode me deixar no Underground. Eu preciso dar uma passada em outros lugares e depois pego o metrô. Você já fez mais que o suficiente.
- Por favor! Eu te ofereci a carona. – Ele riu.
- Você deveria se lembrar que tem uma banda e compromissos. – Dei de ombros, imitando-o.
- Ah, então você conhece minha banda!
- Do, do, do, do, do, doo! – Cantarolei o tão conhecido início de Five Colours in Her Hair, arrancando risadas dele. – É, acho que conheço... Pode me deixar aqui mesmo, . – Podia ver uma placa do Underground.
Eu não o faria me levar até meu ponto de compras ilícitas.
- Da próxima vez, te levo até sua casa, .
Senti o carro parando e rolei os olhos, abrindo a porta.
- Obrigada. – Peguei minha mochila e me afastei dali.
Até parece que haveria uma próxima vez.

Capítulo 05 – Uma vez viciada, sempre viciada!

- Sabe qual a vontade que às vezes me dá? – Encarei e , enquanto batia o pé depois de afastar todos aqueles jornais e revistas de perto de mim. Olhei para cima, numa típica expressão de frustrada e coloquei as mãos no meu rosto. – Mandar vocês dois à merda! – Falei calmamente, esperando que não me xingassem ou me olhassem torto. – Eu não quero saber do ! Não sei o porquê de vocês insistirem em me mostrar essa coleção de notícias com o nome dele! ... – Fitei-a profundamente. – Até recorte de Capricho e Atrevida tem nesse meio! Eu não quero saber dele. Não quero! E trazer tudo isso, sinceramente, não ajuda em nada!
Parei meu discurso, esperando que eles dissessem algo.
A única coisa que eles fizeram foi piscar. E continuar me olhando.
- Eu tava esperando alguma palavra de um de vocês.
- ... – começou.
- A gente só queria te mostrar que isso só nos leva à certeza...
- "De que ele ainda sente alguma coisa por você", blá, blá, blá... – Completei a frase dos dois que eu tanto conhecia. – Sim, ele sente alguma coisa por mim. Sabem o que é essa alguma coisa? Desprezo! É isso que ele sente por mim. E, não, ! – Calei-o antes que ele começasse o mesmo discurso de sempre. – Você conhece o cara desde sua adolescência, mas eu morei com ele tempo suficiente para conhecê-lo melhor que qualquer outra pessoa. Sinto decepcionar vocês dois, mas o é bem previsível pra mim.
- A diferença, , é que eu sou homem e entendo muito mais como a cabeça do funciona. Aceite a verdade, ! Você continua sendo a garota misteriosa dele. A garota que deixou um rascunho do primeiro livro lançado cair no carro dele. A garota que usou um vestido azul no primeiro encontro, a garota...
- Chega! - Gritei. – Machuca! Isso me machuca! Eu levo semanas, meses pra me esquecer dessas coisas e, numa frase só, você consegue me lembrar de todas as coisas que eu me esforço pra apagar! – Meus olhos esquentaram, minha visão embaçou. Lágrimas. Como as odeio!
- Ei, , não fica assim. – Era , acariciando meu ombro, tentando me confortar. Era o que ela fazia desde sempre. – A gente só não quer deixar você perder sua essência. Não adianta querer negar. O fez sua vida mudar pra melhor. Te tirou daquele inferno, lançou seu primeiro livro. Te deu o empurrão necessário pra isso e, por favor, não tente negar. Você sabe que foi ele quem fez isso. Te deu tudo o que você precisava. Te apoiou! Te defendeu de maneiras lindas, inesperadas, inusitadas... O tá de prova! , o te amou! Por que, , eu me pergunto, depois de três anos do término do namoro, vocês ainda ficam se encarando como cachorro e gato, como se nada entre vocês tivesse acontecido?
- Porque aconteceu, . E não foram apenas momentos bons! Você se esqueceu de falar que eu acabei com o McFLY durante o discurso.
- Esquece isso, ! Se acabou por causa daquilo, acabaria de uma forma ou de outra, mais cedo ou mais tarde. Se acabou, não era pra ser.

Claro, ! Já te disse que você só sabe filosofar em péssimos momentos? Pois é, tô pensando em te dizer agora!

- Eu não entendo vocês tentando deixar tudo correto... Eu tô bem! Quer dizer, eu tava bem! Bem até demais! Aí vocês resolvem entrar no assunto que mais me deixa pra baixo! Eu não quero recair! Você, , mais que qualquer pessoa, sabe que eu não fico bem quando acontece alguma recaída! Eu não digo, em momento algum, que não agradeço ao por tudo o que ele fez por mim. Porque eu sei que ele fez coisa até demais! Pelo contrário, eu agradeço bastante! Mas quando eu saí daquela sujeira, , eu me agarrei ao . Eu tive o como base e apoio, eu tive um motivo pra largar o vício. Ele me dava vontade de deixar de ser toda aquela merda que eu era. De enxergar que eu tinha valor e sabia fazer algo de bom, podia ser uma pessoa melhor... Um dia sem ele era o suficiente para eu sair procurando por algo que eu queria largar, porque eu sabia que se eu fosse atrás, poderia me render ao meu maior vício. Aquilo é uma droga! Literalmente. E virou minha segunda droga. Era como trocar um vício pelo outro! Um viciado nunca deixa de ser um viciado. E eu tô adorando conseguir me manter afastada de meus dois únicos vícios. Se eu me render ao , o vício volta. E se eu não tiver um dos vícios, o outro vai entrar no lugar. E eu não quero aquela merda de novo! Não quero passar mais uma vez por tudo que já passei por tanto tempo, não quero... – Senti um nó em minha garganta e me calei. Em seguida começaram os soluços. Eu não queria chorar, porque eu odiava lágrimas!
Respirei fundo, limpei meus olhos e voltei a encarar meus dois melhores amigos.
- Só vou pedir isso mais uma vez e, depois disso que expliquei, espero não precisar pedir de novo. Por favor, me entendam e esqueçam essa tentativa... Eu não quero saber dele, eu não quero voltar a precisar dele, eu não quero fugir pra um "consolo" se eu não tiver essa pessoa. Então, sério, não falem mais nada sobre ele pra mim, por favor!
Eles confirmaram com a cabeça e eu respirei aliviada.

Capítulo 06 – Nova chance para mim?

Meu celular tocava insistentemente no criado ao lado de minha cama, mas eu estava com tanta preguiça que até esticar o braço para pegá-lo, deixava-me de mau humor. Depois de um minuto em silêncio, o barulho indicando a chegada de uma mensagem de texto voltou a me incomodar. Para completar meu desespero e aumentar meu mau humor, meu celular apitava de 5 em 5 minutos quando havia mensagens não lidas na caixa de entrada. E foi apenas por isso que eu me virei na cama e o peguei.

1 nova mensagem não lida
Número desconhecido

Esse é o celular da , né? Achei na lista telefônica.
Queria agradecer pelo autógrafo da ontem, de alguma forma.
Xx, Rupert (o ruivo).

Duas coisas passaram em minha cabeça depois daquela mensagem. Primeira: Como assim meu número tá na lista telefônica? Como assim o número do meu CELULAR está na lista telefônica? E, segunda, como assim o ruivinho gracinha estava me mandando uma mensagem? E uma mensagem amigável! Como se ele já não tivesse me agradecido na noite anterior...
É o celular da sim. Lista telefônica, né? Então tá bom!
Não se incomode em agradecer, você me disse 'obrigado' ontem.
Xx, (a amiga da ).

Não sei o motivo de ter respondido a mensagem, aquela necessidade apenas me invadiu. Passei muito tempo com apenas dois amigos. Passei muito tempo podendo conversar com apenas duas pessoas ( e ), e não vou dizer que achava que esse quadro estava prestes a mudar, até porque eu era a pessoa que mais me martirizava quanto a tudo o que eu havia feito no passado. Eu nem mais enxergava tudo o que eu passara antes de cometer o meu erro, eu apenas via o erro.
e eram ótimas pessoas. Foram os únicos que não me abandonaram e eu acredito que eram os únicos que conseguiam enxergar o que havia me levado a fazer o que fiz, pois, como disse, nem eu conseguia ver aquilo. Reconheço meus erros, mas, admito, era um saco não acontecer tudo da maneira que eu imaginei um dia.
Mas a necessidade de poder abrir o meu círculo de amizades também existia. Eu tinha vontade de conhecer pessoas novas e sonhava com o dia que aquilo iria acontecer sem ter que escutar deles o que havia acontecido. Eu não precisava escutar de ninguém porque eu, mais que qualquer outra pessoa, sabia do que eu havia feito.
É! Na lista telefônica, mostro depois.
Pensei em te agradecer de outra forma.
Aceita tomar um café comigo qualquer dia desses?
Xx, Rupert.

Sair para tomar um café já me fazia pensar num encontro. E ele não podia estar querendo um encontro comigo... Era apenas para me agradecer pelo autógrafo, com certeza.
Precisa mesmo disso?
O autógrafo foi de graça, não se incomode comigo.
Xx, .

Não vou mentir dizendo que não criei alguma espécie de ansiedade quando terminei de enviar essa mensagem. A expectativa em receber um convite para sair era grande, claro... Como disse, havia muito tempo eu não saía com ninguém a não ser meus dois amigos.
Então esqueça a desculpa do autógrafo.
Aceita sair comigo? Tomar um café ou fazer qualquer coisa...
Você escolhe.
Xx, Rupert.

Ah, quer saber? Se ele queria uma resposta positiva, ele teria uma resposta positiva.
Ok. Me encontra na Starbucks da Kingsway às 3.
Xx, .

Talvez, com o encontro, ele pudesse me esquecer, ao perceber que eu era tudo aquilo mesmo que todo mundo sempre falava de mim... Ou não. Na verdade, eu até queria o encontro.
Marcado.
Xx, Rupert.

Acho que motivo de eu ter aceitado sem nem mesmo ter parado para pensar em qualquer coisa, foi o fato de eu querer realmente conhecer o ruivo. Se eu ficara interessada e ele me chamara para sair, era meio impossível dizer não.
Eu precisava de um tempo para mim, de dar um jeito de conhecer novas pessoas, de me envolver com mais gente, de parar de me culpar por tudo. Sim, entendo o fato de eu não querer me esquecer do que eu havia feito, na verdade, nem se eu quisesse me esquecer de qualquer coisa eu conseguiria. A mídia estava presente em minha vida para me lembrar de tudo, mesmo se eu quisesse apagar aquele acontecimento fatídico da minha mente.
Eu continuaria me culpando, mas quem quis sair foi o ruivo. Ele convidou e eu apenas fiz meu papel de boa moça ao aceitar. Ou pelo menos era isso que eu tentava colocar na minha cabeça: não havia nada de errado em aceitar sair com alguém. Era como voltar a seguir em frente com minha vida.
Lembro-me ainda da última vez que segui em frente com minha vida. Foi a melhor época que eu vivi. Foi quando eu consegui tudo o que eu queria. Consegui rápido demais, vivi tudo de melhor que eu sempre quis durante muito tempo, mas a queda foi bem dolorida. Mas o que custava tentar mais uma vez? Tentar fazer o mundo girar e voltar a ter uma vida ao menos digna? Sim, eu acabara de conhecer o ruivo, mas eu pensava assim porque uma vez que pensamentos positivos me invadiram, eu não consegui, ou pelo menos não deixei, que eles fugissem de mim tão rápido. Há tempos eu não pensava positivo. E eu precisava voltar a praticar aquele meu positivismo de infância que apenas me trouxe coisas boas.
Eu sairia com o ruivo, mas seria ele quem escolheria o que fazer depois.

Descobri, logo nesse nosso primeiro encontro, que o Rupert era pontual. Cheguei um pouco antes das 3 e percebi que assim que o ponteiro marcou esse horário, ele chegou. Eu já estava com um muffin de chocolate em mãos, sentada em uma das mesinhas mais afastadas da entrada. Ele me viu e acenou, então acabei fazendo o mesmo.
- E então, , se acostumou com a idéia de sair comigo? – Ele deu um sorrisinho torto e arrumou o cabelo que, de tão liso (percebi só de olhar), acabou caindo em seus olhos.
- Não me leve a mal, sabe? – Tentei me explicar, colocando o muffin num pratinho que estava na minha frente. – A última pessoa com quem saí foi o e isso já faz um bom tempo, se é que você se lembra...
- Imaginei que você me falaria isso. – Rupert se sentou na minha frente e olhou em meus olhos – Sim, eu me lembro. Mas você não parece ser aquela pessoa de quem a mídia fala.
- Rupert, você me conheceu há poucos dias, mal conversou comigo e já está tirando conclusões positivas ao meu respeito? – Eu ri, vendo que ele girava os olhos e soprava a franja.
- Você me deu um autógrafo da . Digamos que foi ali que você me ganhou.
- Te ganhei? – Arqueei uma sobrancelha, esperando uma explicação melhor.
- Sim. Me ganhou. É um autógrafo da . Qualquer pessoa me ganharia, não fique se achando demais. – Ele riu. – Ei, quero o mesmo que ela. – Ele disse, para uma das garçonetes e apontando para mim.
- Eu não estou me achando... De qualquer forma, fiquei curiosa... Que história é essa de ter achado o número do meu celular no catálogo? – Mais uma vez, arqueei a sobrancelha.
- Não foi bem no catálogo... – Ele riu, desviando o olhar do meu. – Tinha seu número no autógrafo.
- Naquele papelzinho roxo? – Eu ri, colocando a mão na boca, demonstrando meu espanto.
- É. Num cantinho. Tinha seu número. Parecia ter sido escrito a lápis, então foi meio difícil achar. Mas tinha seu nome ao lado do número, então imaginei mesmo que fosse seu celular. Não custava nada mandar uma mensagem pra confirmar. E eu acabei me dando bem no final.
- Pois é, garoto! Mas acho que você se deu foi mal. Não é como se eu estivesse na lista das solteiras mais cobiçadas de todo o Reino Unido ou algo parecido.
- É, você realmente não está. Mas eu até prefiro assim. Não tenho concorrência. – Ele deu um sorrisinho torto para mim, enquanto a garçonete trazia o pedido dele.
- Obrigada pela parte que me toca mesmo assim... – Ri e bebi um pouco de meu café, vendo-o fazer o mesmo.




CONTINUA

N/a: Mais uma no POP!
E eu espero que essa seja a preferida de todas vocês. Porque ela é a minha melhor criação.

Volte ao topo para comentar!


Fechar a janela para voltar ao POP