HAMMERSMITH ROADS

Autora: Lise Ivanovic
Status: Em Andamento
Revisada por: Gabi
Categoria: Hot Fics
Sub-Categoria: Drama – LongFic
Comentários:




Prefácio



Depoimentos do grupo 176821.
Data: 2 de abril.


Srta. :
As coisas mudam. Se me perguntassem há alguns meses sobre a melhor e mais louca besteira que já fiz… Iria responder, sem sombra de dúvidas, que foi ter fugido de Luton com . Afinal, quem em sã consciência foge de casa? Daquele jeito que você planeja quando é bem criança, sabe? Não escolhi fugir com por ela ser minha melhor amiga, mas porque queríamos a mesma coisa. Depois de quase um ano planejando, eu enganei meus pais dizendo que e eu passaríamos o final de semana na casa de uma amiga, que nunca existiu, então nós arrumamos duas malas e fomos para rodoviária da cidade. Horas mais tarde, encontramos minha amiga nos esperando no metrô de Hammersmith. No dia seguinte, nossos celulares começaram a tocar, mas nós os desligamos e assim estavam até… até pouco tempo atrás. Fizemos nossas matrículas numa escola, William Morris Sixth Form, e ficamos enrolando a escola para entregar nossos documentos inexistentes de emancipação. Um mês depois, voltamos para Luton escondidas, a casa estava vazia, como previu e nós terminamos de levar o que havia ficado para trás. Deixei uma carta para nossos pais explicando tudo, sem dizer onde estávamos, mas tentando amenizar a situação… Bem, fora essa aventura, minha vida sempre esteve longe de ser um mar de rosas. Afinal, o que você esperava? Sou uma adolescente querendo ser perfeita aos olhos do mundo inteiro e isso só torna tudo mais complicado. E hoje, depois de tudo o que aconteceu, eu só quero ir dormir na minha cama.

Srta. :
Fugir de casa não é para qualquer um. Agora eu entendo aquele sentimento que batia quando eu era criança e queria fugir, mas não conseguia. Entretanto, eu consegui e desde que voltei para Hammersmith o sangue parece correr com mais vontade por minhas veias. Posso ter soado piegas, mas é nesse lugar que eu me sinto livre. Parece até que tomo uma injeção de adrenalina toda vez que acordo e vejo que não estou em Luton, vigiada por um advogado e por uma delegada. A única coisa que aprendi com meus pais foi convencer as pessoas de que elas estão certas ou erradas. Manipular o psicológico alheio nunca foi fácil, mas as palavras têm poder, como me disse um padre. A maior prova disso foi há mais de um ano, quando convenci que ela deveria fugir. Dei todas as dicas, planejei tudo, e cá estamos nós. Ao contrário do que possa imaginar, eu não senti falta dos meus pais, e nossa casa também nunca serviu para festas muito loucas como em filmes estadunidenses. Não é caretice, é precaução. Estávamos vivendo quase como foras da lei, e de leis eu entendo. Não sabia se éramos procuradas, mas sabia que não estávamos autorizadas a ficar. Tudo estava dando certo. Até dinheiro nós conseguíamos. Mas eu não fui boa o suficiente. As palavras fugiram no momento em que eu mais precisei. Eu realmente acreditei que salvaria todos.

Srta. :
Quando uma garota tem que ver a mãe ir embora por vontade própria, dói muito mais do que vê-la morrer. Afinal, num dos casos ela escolheu ir embora, no outro, nem sempre. Bem, minha mãe se divorciou do meu pai com a pior das desculpas já inventada pelo ser humano, mas isso não doeu. Doeu vê-la sumir, perceber que ela queria distância dos "problemas". Até que resolvi acabar com a minha dor e enxergá-la com outros olhos. Olhos de órfã. Meu pai superou também, casou com uma moça incrível e eu ganhei um casal de irmãos, o menino é da minha idade e a menina mais nova. Aprendi a tocar piano, a usar lápis nos olhos e, principalmente, aprendi a driblar a dor – de um jeito anormal e pessoal, mas aprendi. E, bem, eu acreditava que poderia driblar qualquer dor, mas essa… é demais até para mim. Sabe, eu… eu quero tanto voltar no tempo, estar no lugar certo, na hora certa. Não há nada que eu faça que vá fazer essa dor sumir, pelo menos não agora. Hoje a única certeza que tenho é que sou instável demais para qualquer um me entender.

Srta. :
Crianças sentem o coração bater mais rápido quando estão de frente para um desafio ou de coisas novas. E os adultos são exatamente iguais a nós, crianças, adolescentes, jovens… chame como quiser. A verdade é que tudo o que é proibido chama atenção, te faz sentir desejo. Fale o que quiser, mas essa é uma das maiores verdades do mundo. E é a verdade sobre a minha vida. Vivo para provar o que é proibido. Vivo de adrenalina, isso que me faz acordar de manhã e me mantém de pé o resto do dia. À noite é outra história. E não venha falar sobre sentimentos, não entendo o porquê de o mundo inteiro apreciar tanto esse assunto. Mas eu entendo sobre Storge. A divindade grega da amizade. Meu amor pelos meus amigos vem acima de tudo. Na última semana, eu achei que fossem matá-los. Não sei como vai ser daqui para frente, mas eu sei o que eu não quero que aconteça.

Caso sobre a Srta. : O Sr. , irmão da mesma, encontra-se incapaz de comparecer. Sr. Thompson e sr. McKay foram dispensados. Sr. Jones, Sr. Fletcher, Sr. Poynter e Sr. Judd não estavam presentes.

Capítulo 01
Meses atrás, outubro.


Por volta de vinte minutos atrás , , , e haviam entrado num táxi para sete passageiros a caminho do clube East Village, do outro lado da cidade.
, e estavam no banco dos fundos, enquanto e estavam no banco do meio.
— Acho que eu ‘tô passando mal. — comentou.
— Trate de começar a passar bem, então! — disse.
— É, eu tive muito trabalho pra conseguir essa cortesia. — disse, virando-se no banco.
não estava realmente passando mal, estava apenas nervosa com a possibilidade de esbarrar em algum famoso, e as quatro – , , e – sabiam disso.
— Af, , para com esse chilique! — disse, um pouquinho grossa, mas nada fora do normal.
— Ih, pegou o mau humor da … — falou e a outra revirou os olhos.
— Porra, vocês não conseguem me deixar em paz mesmo. — reclamou sem tirar os olhos da janela.
— Nem comecem, vocês duas! — quase gritou.
— Qual foi? Ela tem que entender que se ela e o merda do Evan brigaram de novo não é culpa nossa, ok? — falou.
— O que o Evan fez? — perguntou olhando para a amiga.
abriu a boca para responder, sentindo raiva de Evan, mas resolveu continuar calma, virou-se no banco e respirou fundo antes de falar algo.
— Foi o Danny. Quero dizer, foi o Danny e o Evan. Eu vi o Danny provocando o Evan ontem no jogo, e o Evan não cansa de discutir com o Tom e… Hm… Depois explico tudo melhor para vocês, prometo.
se virou para frente e voltou a apoiar a cabeça na janela. Enquanto isso, puxou um assunto aleatório.
Minutos depois, elas estavam descendo do táxi na porta do East Village. Seguiram até a porta do clube, ignorando a fila que se formava na porta do mesmo para entrar, onde ela chamou o segurança que logo fez com que ela e as outras meninas entrassem no clube.
e entraram confiantes e na frente, enquanto e ficaram nervosas na hora de apresentar a identidade falsa. Afinal, uma coisa era ir a um pub onde você conhece e sabe que se alguém reclamar sobre a sua idade, você pode contornar porque é conhecida. Outra coisa é você ir para um lugar longe de casa e se arriscar a ser presa por falsidade ideológica. entrou por último. A menina olhou a própria mão esquerda ao apresentar a identidade falsa e viu a marca que o anel - que havia ganhado de Evan para representar a amizade e o amor deles - tinha deixado no dedo médio. Daqui a alguns dias isso vai sumir, ela pensou.

Era por volta das duas da manhã e todas as meninas já estavam muito alegres, exceto – que havia escolhido Bloody Mary para beber. Seu copo ainda estava cheio e ela era a única que não tinha animação para dançar. A verdade é que só o cheiro daquela bebida era suficiente para deixá-la enjoada. Não entendo como tem pessoas que dizem que álcool com molho de tomate pode ser gostoso, pensava.
Colocou o copo numa das mesas Jaguar e se virou para ir ao bar, mas um rosto familiar lhe chamou atenção. De longe, no meio da multidão da pista, e caminhando em sua direção, ela avistou Chris, Luke e Dougie.
— Merda! — falou virando-se de costas, mas logo voltou a olhar e viu Tom, Danny, Harry e Evan vindo logo atrás. Andou até onde as meninas dançavam e parou ao lado de , chamando-a.
! Algum dos meninos sabe que vocês estão aqui? — perguntou próximo ao ouvido da amiga.
— Lógico que não! — disse revirando os olhos e sorrindo.
— Péssima notícia. Acabei de ver os meninos aqui e vindo para cá.
— Puta merda! — gritou. — Eu preciso sair daqui!
— Vamos todas então.
avisou , e e em segundos elas já estavam atentas e olhando para todos os lados para poder sair dali. começou a andar na frente das meninas, mas pouco antes de chegar a escada para o andar superior ela viu Danny, Dougie e Chris conversando próximo de onde estavam.
— Eles estão aqui — se virou e disse para as amigas.
— Mas nós precisamos sair! — disse.
— Calma! — disse segurando os braços da amiga.
— Vamos uma a uma, devagar — sugeriu. — Eu vou primeiro.
E lentamente, uma a uma, elas passaram parando somente na saída do clube. O que ninguém viu foi Tom chegando logo depois e olhando exatamente pro lugar onde – a última a sair – passou. Correram até uma esquina próxima e começaram a procurar por algum táxi, grande ou não.
— Como é possível não ter um táxi a essa hora na porta de um clube? — esbravejou.
— Relaxa, porra — gritou para se exaltando. — Fica calma por um segundo, pelo menos!
— Parem de gritar, isso não é hora — falou. — Apesar de tudo, tem gente que mora por aqui…
— Ok, calem a boca e vão achar um táxi que eu vou ligar para a empresa e tentar pedir um — sugeriu e as amigas concordaram.
e entraram numa rua, enquanto e foram para outra. Menos de meio minuto depois, um grupo de garotos saiu do clube conversando alto, nada que fizesse se desconcentrar do celular. Eram os amigos dela, Danny, Evan, Harry, Tom, Chris, Dougie e Luke.
Chris observou a namorada parada, mexendo no celular e fez sinal para os amigos ficarem quietos. Caminhou lentamente até as costas dela, mas quando estava a quatro passos da garota, , , e apareceram.
— Não tem nessa rua… — falou até que reconheceu as pessoas paradas atrás de e congelou a fala e os movimentos. As outras três logo viram os garotos e congelaram também.
— Ninguém me atendeu — disse e quando levantou a cabeça viu as expressões das amigas — O quê…?
Não precisou terminar a frase, pois ouviu Chris falar atrás dela.
— Nossa, vocês disfarçam muito bem, obrigado.
ficou congelada olhando para o namorado. olhava com raiva para seu irmão, Luke. Continuaram sem reação por alguns segundos até que atravessou o espaço entre ela e o irmão rapidamente levando a mão ao pescoço dele.
— Qual o seu problema, Luke? — perguntou quase gritando e apertando a mão no pescoço de Luke. — Por acaso você está pensando em contar para mamãe que eu fui pro outro lado da cidade e entrei numa boate, huh?
— Lógico que não, Darth Vader! — Luke gritou de volta após tirar a mão da irmã de seu pescoço. Tossiu um pouco, mas não se preocupou com isso.
— E nem pense em contar! Se você fizer isso, eu vou foder a sua vida! — gritou, mas logo abaixou o tom e espremeu os olhos fixados no irmão. — Não se esqueça que eu sei das suas merdas e moro sob o mesmo teto que você.
— Exato, sua anta! — Luke quase gritou também, mas apesar da raiva que sentia, ele se conteve. — Qual a parte do fato que eu sou seu irmão você ainda não entendeu?
quando fica bêbada e briga com o irmão é chata demais — Danny falou baixo e revirando os olhos para Tom parado ao lado dele que apenas concordou com um aceno de cabeça.
— Nós não íamos contar nada para ninguém! — Evan disse.
— E a ideia de vir pra cá foi minha! — Dougie disse. — Ouvi vocês falarem sobre o clube durante a semana e dei a ideia de vir aqui hoje.
— Não sabíamos que vocês estariam aqui — Harry disse.
— E se soubéssemos, nós teríamos vindo com vocês, sem complicações — Tom disse.
— Nós temos a mesma idade, se der merda pra qualquer uma de vocês, ia dar pra gente também! — Danny disse.
— Usando parte da frase do Luke, … Qual a parte do fato que somos amigos vocês ainda não entenderam? — Chris falou com a voz calma. — Sério, não é possível que vocês estejam acreditando que a gente quer ferrar vocês de alguma maneira.
Chris olhou para a namorada e ela percebeu que toda aquela paranóia era invenção da . Somos amigos, ela pensou.
— Não acho que vocês querem ferrar com a gente — falou e olhou para as amigas paradas atrás dela.
retribuiu o olhar e virou-se para encarar Danny, seu "irmão", e Luke, seu namorado. O que eu estava pensando?
— Concordo com a .
— Sabia que eu namorava uma pessoa sensata — Luke disse sorrindo para .
— E eu achei que só andasse com garotas idiotas.
— Falou o senhor da sabedoria — murmurou.
— Não responde, Evan — Harry falou baixo antes de falar com as garotas. — Qual o problema de vocês? Beberam demais e agora estão enxergando um complô aqui?
Fez-se silêncio durante um longo minuto até que falou.
— Por que a gente não esquece tudo isso que aconteceu aqui? Isso é paranóia da com o irmão, ela tem que parar de beber tanto — riram e continuou. — Podemos ir lá pra casa e continuar bebendo e nos divertindo sem estresse?
— Sim, , eu deixo você convidar pessoas para a minha casa — disse um pouco blasé e olhou para ela murmurando um “idiota”.
Conversaram durante mais um tempo e decidiram esquecer o show que tinha começado e foram para casa de e . Era a melhor opção. Pub nenhum estaria aberto àquela hora e, provavelmente, todos os clubes já estariam cheios demais.
— Olha, a gente já decidiu há algum tempo, podemos voltar pra Hammersmith logo? Não é por nada, mas está ficando frio — Dougie disse.
— É verdade, vamos… — Harry disse.
— Epa! — disse. — Estamos sem carro.
— E táxi — falou balançando o celular.
— Viemos em dois carros — Danny disse. — Do Chris e do Tom.
— Do Tom? — as meninas perguntaram juntas.
— E desde quando você tem carro? — perguntou, Tom rolou os olhos.
— O importante é que temos uma maneira de ir para casa tranquilamente — ele respondeu.
— Thomas Michael Fletcher, me diz que você não roubou um carro! — disse desesperada. Tom olhou para garota e deu de ombros.
— Ok, eu não roubei um carro — ele disse e depois sorriu de lado.
Os garotos não resistiram e começaram a rir.
— Quem é você e o que você fez com o Tom nerd Fletcher? — perguntou rindo.
— Vamos logo? — Tom respondeu e saiu andando em direção aonde havia deixado o carro estacionado.
Seis em cada carro e eles atravessaram a cidade de volta a lado oeste de Londres. Passaram o resto da noite bebendo e fumando.

Na segunda-feira, após horas de aulas, os oito caminhavam de volta para casa, quando Harry se lembrou de dar uma notícia.
— Pessoal, me escuta — ele disse e os amigos olharam para ele. — Não é para falar para ninguém, mas eu vou passar a semana inteira sozinho em casa.
— Uou! Isso é muito interessante! — Dougie disse.
— Como assim “a semana inteira”? — perguntou.
— Tipo de quarta à tarde até domingo à tarde.
— Como você conseguiu isso? — Danny perguntou.
— Aniversário de casamento do Sr. Christopher e da Sra. Emma — respondeu sorrindo.
— E seus irmãos? — Luke perguntou.
— A gente conversou ontem à noite, Thomas vai para casa da namorada e Katherine vai para casa do namorado. É claro que eles irão aparecer, mas nada que atrapalhe caso a gente queira curtir um pouco.
— Puta merda, moleque, vai ter sorte assim lá em casa! — Tom disse.
— Quem sabe no aniversário do Bob e da Debbie você não consiga também? — sugeriu.
— O aniversário deles já passou — respondeu quase bufando.
— Vou ter que fazer umas ligações quando chegar em casa, Harry? — perguntou e todos riram.
— Com certeza — respondeu Harry sorrindo maroto.
— Hm, delícia, vou passar o final de semana chapado! — Danny disse jogando os braços para cima e depois apoiando nos ombros de e que riam também.
Continuaram conversando sobre como seriam as próximas sociais e pouco tempo depois, chegaram a um ponto onde se separariam e cada um iria para sua casa.
abriu a porta de casa e entrou deixando os sapatos ao lado da porta.
— Depois de um final de semana complicado desse, eu merecia uma semana de descanso, isso sim — ela disse.
entrou logo depois também deixando os sapatos próximos a porta. As duas caminharam para a sala e cada uma se jogou num sofá.
— Eu ‘tô morta — murmurou afundando uma almofada em cima do rosto —, não aguento mais escola.
Poucos minutos depois o celular de começou a tocar o alarme de lembrete e ela leu na tela “Trab ELL livro pg251”.
— Ok, hora de sofrer, fim do descanso — disse ainda deitada. — Vai pra sua aula que eu vou fazer o nosso trabalho.
— Que aula e qual trabalho?
se sentou lentamente no sofá coçando os olhos, enquanto continuava deitada.
— Sua aula de música clássica e o trabalho de Inglês e Literatura que o Ben passou. — Que seja — disse revirando os olhos —, você tem que ir à agência, lembra?
— Ah, é verdade! Depois eu te conto a novidade! — disse abrindo um enorme sorriso. — Mas é sério, se eu demorar a chegar, comece o trabalho por mim. Você sabe que nós não…
— …não podemos sair da linha ou vão nos descobrir. — revirou os olhos. — Eu sei disso.
— Às vezes, parece que você quer voltar para Luton. — disse olhando séria para a garota.
— Nunca — disse séria e depois relaxou o rosto. — Não até meu aniversário, pelo menos.
— Não que eu queira, mas vou poder voltar antes de você — sorriu.
As duas foram se arrumar, e minutos depois cada uma saiu para o seu destino.
Uma hora depois, tocou a campainha de um lugar que ela não queria voltar por muito tempo e um homem por volta dos quarenta anos abriu a porta e sorriu ao vê-la.
— Boa tarde, Sr. McKay.
— Se continuar me chamando de senhor vou achar que estou realmente velho — ele disse dando espaço para ela entrar.
— Desculpa, é questão de costume. Minha mãe odeia que eu chame pessoas mais velhas pelo nome ou as tratem por “você” e não por “senhor”.
— Entendo. Também ensino isso ao Evan, mas 39 não é uma idade tão avançada, é? — ele riu e ela negou.
Caminharam até um grande salão nos fundos da casa e ela encontrou o lugar do mesmo jeito que havia deixado da última vez que saiu da aula. Um grande e brilhante piano preto com cauda se encontrava no meio da sala. Numa mesa ao lado, três violinos em capas pretas e, apoiado num tripé ao lado da mesa, um lindo violoncelo.
— Já volto — o homem disse e saiu da sala.
concordou com a cabeça e foi se sentar de frente para o piano. Desde pequena, entende como as notas e teclas do piano funcionam, mas existe uma música que ela conhecia sem precisar saber notas ou qualquer coisa. A música que seu pai a ensinou quando ela tinha seis, quase sete, anos de idade quando ainda morava em Hammersmith com toda a família. Moonlight Sonata, de Beethoven e Mozart.
Na metade da música, totalmente distraída, tocando nota por nota, ouviu alguém – que ela conhecia muito bem – se pronunciar.
— Não entendo como você não se cansa dessa música.
Ela errou uma única nota, propositalmente, fazendo a música desandar, revirou os olhos e virou no banco.
— Oi, Evan.
— Oi, .
— Cadê os outros?
— Não vêm. — Evan disse caminhando até a cauda do piano. Puxou o violino e o apoiou no ombro. — Vamos começar?
— Nós precisamos dos outros. Não vamos nos apresentar sem eles.
— Isso não é a apresentação, . Além do mais, eu sabia que eles não viriam… Escolhi uma música especial, pra fazermos um dueto.
— Que seja. Eu não preciso ensaiar nenhuma música que não seja a que vamos apresentar. — disse levantando-se do banco e seguindo para a porta. — Tchau.
Evan rolou os olhos e correu atrás da menina, segurando-a pelo braço.
— Não vê que eu estou engolindo o meu orgulho para tentar fazer a gente se falar?
— Olha, eu não deveria nem falar com você, mas já que eu tenho que esclarecer as coisas para você de novo… vamos lá — respirou fundo e falou. — Qual o seu problema com o Tom? Por que você não o deixa em paz?
— O quê? — Evan quase gritou, indignado. — Ele está colocando você contra mim e você nem percebe!
— Eu tenho olhos, Evan! Tom não me disse nada! — ela gritou. — E aos meus olhos, você não tem motivo para não gostar dele. E agora você está brigando com o Danny também… — Evan ficou quieto, sem respostas, e resolveu continuar. — Olha, não dá pra ficar com alguém falso como você. Você finge gostar do Danny e do Tom, mas é só virarem as costas que vocês começam a brigar. Imagino se você gosta mesmo de mim ou se só está fingindo também.
— Não fale sobre o que você não sabe! — Evan se exaltou. — De você eu gosto. Gosto muito e de verdade.
olhou para o menino e apenas balançou a cabeça.
— Acho que não… E existe muito mais do que isso me afastando de você — disse saindo da sala.

estava a ponto de explodir. Ver sua vida sendo resolvida diante dos seus olhos e não poder intervir era algo que ela não suportava. Queria estar lá, usar as informações certas para se valorizar e detonar os outros. Contudo, não havia nada que ela pudesse fazer. Ela estava do lado de fora da sala onde representantes importantes da agência de modelos e de marcas importantes estavam discutindo e escolhendo próximas modelos oficiais de cada marca.
Levantou-se do banco onde estava sentada e caminhou até o refeitório. Como sempre, tudo que ela ouvia era falação e a batida dos saltos – dela e de outras mulheres – no chão de madeira.
— Uma água, Jimmy — pediu ao atendente, sentando-se no balcão.
— Por aqui ainda? — Chris perguntou sentando-se ao lado dela. — Por que não foi pra casa?
Deu um gole em sua água que havia acabado de chegar, devolveu a garrafa para o balcão e virou-se para conversar com Chris.
— Esperando o resultado da seleção — ela respondeu. — Mas pela hora, até você já tinha que estar em casa.
— Também estou esperando o resultado — ele disse e os dois sorriram.
— Bem, como você não é meu concorrente — riu —, boa sorte, Thompson. Estou feliz por ter sido chamado para a seleção final.
— Obrigado e boa sorte para você também, .
Ficaram conversando por mais de vinte minutos até que uma senhora muito elegante entrou no refeitório com uma planilha cheia de folhas na mão. Ela olhou para todos que estavam ali e se dirigiu para os fundos, onde havia um pequeno tablado.
— Bem, como os que me interessam estão aqui… Não vou esperar por ninguém — ela disse ao subir no tablado olhando para todos. — Vou falar o nome de alguns de vocês e quero que venham aqui pegar a notificação com o nome de vocês. Aqueles que não forem chamados, por favor, vão para suas casas.
Todos ficaram em silêncio e ela começou a chamar os nomes.
— Zachary Knox, Ethel Bennet, Dustin Rodney, Christopher Thompson, Niall Roberts…
— Opa, meu nome — Chris disse saindo do lado de para pegar seu envelope, assim como os outros faziam.
não sabia se sentia raiva ou tristeza, mas por alguns instantes o sentimento de que nunca seria boa o suficiente para ser modelo passou pela cabeça dela. Até que ela ouviu:
— Etienne Payne, e Louis Cardle.
— Anda logo! — Chris sussurrou no ouvido dela e só assim ela percebeu que ainda estava parada.
Andou depressa pelas pessoas e buscou o envelope. Não teve coragem de ver o resultado logo voltando ao seu lugar ao lado de Chris.
— Não vai abrir?
— Estou nervosa… — ela sussurrou e Chris quase não ouviu o que ela havia dito.
Chris puxou então o envelope da mão dela e abriu antes mesmo que ela pudesse reclamar.
— Veja o lado positivo, os representantes que vieram aqui hoje são todos de boas marcas — Chris disse. — Eu leio ou você?
— Você… — disse e ficou olhando para ele que brincava com o nervosismo dela abrindo lentamente o envelope e lendo mais lentamente ainda o papel.
— Hm… Nada de D&G para você — olhou para ele confusa e ele continuou. — É isso mesmo, você não conseguiu sua marca favorita, mas conseguiu uma a altura.
— D&G não é minha marca favorita… — disse puxando o papel da mão do amigo.
Abriu a boca tapando-a com a mão. Olhou para Chris e viu o amigo sorrindo para ela, animado com a novidade.
— Você conseguiu — ele disse indo abraçar ela que retribui o abraço com força. — Não grite e não me esmague, por favor.
— Oh, desculpe — afrouxou o abraço olhando para o amigo com os olhos brilhando. — Chris, eu consegui! Quero dizer, nós conseguimos! Quem te escolheu?
— Burberry. — Chris respondeu e deixou o queixo cair.
— Vamos posar juntos, então?
— É o que parece… — Chris disse sorrindo, na verdade, os dois não perdiam o sorriso por um só segundo. — E vamos ser muito ricos! — adicionou.
E continuaram assim até que os últimos foram chamados.
— Todos sem envelopes para suas casas — disse a elegante senhora. — E para aqueles que foram convocados, quero vocês aqui sábado, às dez da manhã. Todos para casa, agora.
Chris acompanhou até em casa e depois caminhou para a casa de .


Capítulo 02



Era quarta-feira de manhã e bocejava fortemente enquanto caminhava por sua rua, Iffley Road, até casa de Tom. Como fazia rotineiramente. Mais uma vez, ela tinha dado sorte ao conseguir sair de casa antes que fosse obrigada a ir à escola junto de Riley.
— Tom? — ela chamou batendo levemente na porta.
— Entra — ela o ouviu responder e abriu a porta.
Entrou e encostou-se no portal, entre a sala e a cozinha, vendo o amigo já arrumado e tomando café.
— Só vou terminar de tomar café e já estou saindo — ele disse sentado à mesa.
— Ok. — disse e viu Debbie entrar na cozinha. — Bom dia, Debbie.
— Bom dia, querida — respondeu.
Poucos minutos depois eles saíram e caminharam até a casa de Dougie, que se juntou a eles. Viraram na Kilmarsh e encontraram Danny, e Harry vindo da Southerton. Continuaram e desceram a rua seguinte, Overstone, parando na porta da casa de e Luke para esperarem por eles, e .
— Clarie me ligou ontem — disse e a olhou estranhando. — É, me ligou, me ligou… disse que essa semana vão escolher, ou fazer uma votação, para ver o pessoal do comitê de formatura.
— E desde quando a Clarie te liga? Ela é amiga da Riley. — riu.
— Que seja… — revirou os olhos. — A questão é que acho que vão escolher a
— É verdade, ela é muito adorável com os professores. — disse, e logo e saíram de casa indo ao encontro deles.
— Sei que demoro a me arrumar, mas esses dois parecem que vão para um casamento toda manhã — disse.
— Vou chamar — Danny disse e foi bater na porta dos amigos.
— Finalmente ele fez alguma coisa de útil — riu.
— Eu 'tô te ouvindo — Danny disse olhando para trás fazendo uma cara de mau.
— E daí?
— Se eles demorarem mais, eu vou para casa dormir. — Harry disse.
— Se já fosse quinta-feira eu iria com você — Dougie disse.
— Sem demonstrações públicas de amor, ok? — Tom disse rindo.
— É! Ninguém precisa ficar ouvindo sobre a vida sexual do casal — completou.
— Vão se fuder — Harry disse rindo dos amigos e puxando um bocejo.
— Hm, a bicha ficou brava — disse.
— Posso dormir com você, Harry? — perguntou séria.
— Ei — Danny gritou para a menina enquanto voltava para o lado de fora do quintal dos amigos —, faz isso e eu quebro a sua cara. — disse para Harry.
— Ah, que fofo — disse —, mas você pegou a conversa no meio, irmãozinho.
— Vocês falam demais para essa hora da manhã — disse juntando-se aos amigos acompanhada de Luke. — Ah, tenho uma coisa pra contar pra disse caminhando na frente junto de e . — , ontem eu fiquei até mais tarde na escola com a Clarie e a gente ouviu dizer que vão te escolher para ser da comissão.
— Comissão de quê?
— De formatura, ué? — respondeu.
— Não 'tô nem um pouco a fim de ser escolhida para isso…
gostava de organizar festas, mas formatura era responsabilidade demais e iria chamar muita atenção. E por mais que sentisse “falta” da atenção que recebia em Luton, ali não era exatamente o lugar e hora para isso. Controlar sua imagem dentro da agência já era trabalhoso demais. Mas em poucos meses ela iria completar dezoito anos e seria “livre”.
No entanto, um pensamento lhe chamou atenção. Há quase dez meses elas estavam morando ali, ninguém as procurou em Hammersmith – o lugar mais óbvio, já que elas falavam que queriam voltar a morar ali o tempo todo. A escola não se manifestou em falar com a justiça, ou qualquer coisa assim, mesmo que as duas estivessem matriculadas há tempo demais na escola. Elas haviam terminado o primeiro ano do Sixth Form há poucos meses e já se encaminhavam para completar o último ano. Algo estava muito errado e uma suspeita se passava pela cabeça dela, mas não poderia ser. Ela não queria acreditar que seus pais tivessem contratado algum detetive.
, que há poucos minutos estava bem humorada, agora sentia um aperto no peito. Veio sem explicação, de repente. Olhou para seus amigos, todos em silêncio, caminhando juntos para a escola… e então viu Luke. Ele caminhava calmamente ao lado dela como se não houvesse nada com que se preocupar e, com exceção das notas na escola, ele realmente não tinha preocupações. olhou para as mãos do menino e viu que ele deixou uma do lado de fora. Sabia que ele só andava com a mão dentro do casaco e ela entendeu aquilo como um convite, pegando a mão dele. Ele olhou para ela, ainda andando, e sorriu.
— Obrigado — Luke disse. — Já estava achando estranho não estarmos de mãos dadas, sabe? Achei que tinha feito algo errado e que você estava com raiva de mim.
— Nah, só estava distraída… — sorriu de volta ao responder.
achava que ele lhe fazia bem, lhe mantinha longe do lado negro da força que existia dentro dela, mas naquele momento, nem o sorriso calmo, a mão quente e carinho do seu namorado lhe eram suficientes para fazer aquela dor inexplicável sumir.
caminhava na frente com Harry de um lado e Danny do outro. Passava a mão no bolso da calça sentindo o celular ali. Queria planejar algo muito legal para quando estivessem curtindo na casa de Harry, mas nada lhe vinha à mente e quando vinha… era sem graça até para uma freira, pensava. Passou a mão no rosto e sentiu o cheiro de cigarro no meio dos dedos. Falem que é hipocrisia, mas ela odiava aquele cheiro. Contudo, a sensação que tinha fumando – o que quer que seja – era boa demais para ela simplesmente largar. Fez uma careta e passou seu braço pelos braços dos amigos caminhando agora mais próximos.
— Você demonstrando carinho? — Harry perguntou rindo. — Essa é nova.
— Qual foi? Eu não sou tão estúpida assim — ela respondeu e Danny segurou uma risada. — O que você quer dizer com essa risadinha, Daniel Jones?
Ele olhou nos olhos dela e pensou se deveria falar tudo o que tinha a dizer contra ela preso na garganta.
— Quero dizer que, quando você quer, , você é pior do que estúpida — disse. Era a melhor resposta que poderia dar, qualquer coisa a mais faria com que eles brigassem ou pior.
Por um segundo sentiu-se mal e quis até pedir desculpa, mas o orgulho falou mais alto, muito mais.
— Sempre fui assim, da temperatura desse inverno ridículo.
Harry e Danny trocaram olhares e os três ficaram quietos até chegarem ao King’s Mall onde pegaram um ônibus.
Entraram no ônibus e foram direto para o segundo andar. Poucos minutos depois eles desceram e caminharam até a porta do William Morris Sixth Form.
! — ouviram uma menina chamar assim que chegaram e viram Riley, uma menina ruiva, mais conhecida como irmã de , acenando para elas.
e trocaram olhares e sorriram. ‘Que desgosto’, pensou.
— Não comecem — disse passando no meio das duas e caminhando até o banco onde Riley estava sentada junto de Evan, Chris e Clarie.
Os catorze ficaram conversando sobre coisas aleatórias até o sinal que dava início a primeira aula bater. , , , Tom, Harry, Luke e Evan caminharam para o lado oeste do colégio onde ficavam as salas do Ano 13, enquanto , , Danny, Dougie, Chris, Clarie e Riley foram para o as salas do Ano 12 na ala leste.

Horas mais tarde o sinal tocou novamente, dessa vez avisando o horário de saída. e já estavam na porta da ala leste há alguns longos minutos.
— Ah, beleza. De que adianta sermos liberados quase meia hora mais cedo, se temos que esperar?
— Relaxa aí, . Só a nossa turma foi liberada, você sabia que íamos ficar esperando.
— O que vocês vão fazer hoje? Agora, para ser mais exata. — chegou perguntando.
Luke e Tom vieram logo atrás sorrindo.
— Um dia nossa mãe ainda vai te descobrir . — Luke disse.
— O que vocês estão planejando? — perguntou sorrindo também.
— "Vocês" não, só a . — Tom falou e a menina sorriu.
querida — começou fazendo todos rirem —, que tal passar a tarde na casa da e fumando?
riu com vontade e mordeu o lábio olhando para os outros.
— Ouvi meu nome! — chegou perto dos amigos com e Harry.
E logo depois Danny, Chris, Dougie vieram da ala leste.
— Só estávamos comentando que poderíamos passar a tarde na casa de vocês — disse — e que a poderia aparecer lá com um presente para gente.
olhou para , como se pedisse autorização, e deu de ombros e sussurrou.
— A casa é sua, você conhece as regras.
— Por favor, , hoje é quarta-feira… Nada demais à tarde, nem à noite, nem amanhã. — tentava convencer a amiga enquanto ela considerava a proposta. “Nada pode dar errado", ela pensou.
— Por que vocês não vão lá pra casa? Sabe, meus pais devem estar saindo de casa agora e daqui a pouco meus irmãos também vão sair. — Harry ofereceu.
— Isso!
— Bem melhor.
— Ótima idéia.
— Tinha me esquecido disso.
— Eu sei, sou um gênio — Harry disse e ele e os amigos riram —, mas então, cinco horas é um bom horário pra todos vocês? — Ótimo horário, e eu saímos cedo do trabalho hoje. — Luke disse e concordou. Estavam organizando o que iriam fazer quando Evan, Clarie e Riley chegaram. — Chris, Harry… — Evan chamou. — meu pai está lá fora, estava esperando vocês. — Cara, eu tinha esquecido disso! — Chris disse batendo na testa. — Nossa, é verdade! — Harry falou. — Bem, tchau pessoal. Vou pra casa do Evan com o Chris, vou chegar antes das cinco horas e confirmo se vocês podem ir ou não. Despediram-se e Harry, Chris e Evan saíram da escola. — Bem, agora que vocês já conversaram o suficiente, — Riley chamou e levantou uma sobrancelha enquanto olhava para ela com desdém —, vamos para casa? — Eu não vou pra casa com você, se quiser pode ir ou ligue pro James. Eu vou ficar aqui com meus amigos — respondeu e deu as costas para ela e Clarie. — Vem comigo, meu pai te deixa em casa — Clarie ofereceu e as duas saíram bufando de perto dor outros. , , e riram enquanto Danny, Tom, Dougie e Luke não entendiam a graça daquilo. Conversaram mais um pouco sobre como seria a tarde na casa do Harry e pouco tempo depois eles se despediram e se separaram para seguirem seus caminhos. foi para a agência. e Luke foram para cafeteria do shopping trabalhar. Danny, Dougie, Tom, , e foram para casa andando.


Poucos minutos depois de entrar em casa, Danny chegou. A menina já havia trocado de roupa e estava em seu quarto quando ouviu Danny passar pelo corredor murmurando algo como ‘garota idiota’ e ela percebeu que ele ainda estava irritado com .
Deu de ombros e pegou seu exemplar de Harry Potter e o Cálice de Fogo. Sentou na cama, pronta para ler e ao olhar para capa do livro ela começou a lembrar, como se fosse ontem, quando seu pai chegou em casa com um exemplar de Pedra Filosofal, em 1997.
Contudo ela não esperava que a lembrança daquele ano trouxesse também a lembrança de que fora naquela época em que havia decidido “ser órfã de mãe”. Sua garganta apertou ao mesmo tempo em que memórias vinham a sua cabeça sobre como havia sido perder a mãe. Como seu pai se esforçava para não deixar os sentimentos à mostra ou vivia lavando o rosto, tentando, de qualquer forma, esconder os olhos inchados. Mas quando se dá livros para crianças, elas aprendem a mostrar e esconder sentimentos, além de reconhecer os sintomas de quem faz o mesmo.
Sem ao menos perceber, estava hiperventilando e um pensamento – ou ideia – que ela vinha reprimindo há tempos ficou mais forte. Levantou da cama velozmente e trancou a porta do quarto. Voltou até o outro lado e abriu a janela sentindo o vento frio entrar. No gramado, metros abaixo dela, viu Kathy molhando suas plantas. Por algum motivo, lembrar que ela – e seu pai – tinham Kathy era reconfortante e aquilo a acalmou.
Virou de volta para dentro do quarto olhando para a última gaveta de sua escrivaninha. “Maldição”, ela pensou. “Por quê não posso ser normal?
? — Ouviu Danny chamar e bater na porta — Posso entrar?
— Só um momento — ela disse.
Fechou a janela e foi destrancar a porta para Danny entrar.
Assim que ela o fez, Danny entrou e sentiu que o quarto da menina estava mais frio do que o resto da casa. Ele olhou para ela e viu que usava um conjunto de casaco e calça de moletom.
— O que você quer?
… — Danny começou, soando estar claramente preocupado — O que você fez?
— Danny, eu juro que não fiz nada. Eu… eu ia fazer, mas eu não fiz. — respondeu.
Danny entortou a cabeça de leve, olhando para a menina e ponderando se iria ou não acreditar nela. Balançou a cabeça afirmativamente e olhou para as mangas do casaco dela.
— Eu acredito em você — ele disse baixo e levantou o rosto. — Vim aqui porque eu ouvi você destrancando a janela.
— Vamos sair daqui — disse de repente e sorriu indo pegar seu livro. — Vou ficar lendo no escritório do meu pai.
Danny sorriu de leve e seguiu a menina para fora do quarto.
— E eu vou assistir a um filme.
E continuaram conversando enquanto desciam as escadas. — Sabe, Danny, você deveria parar de brigar com as meninas…
— Mas não sou eu que brigo com elas…!


entrou em casa tirando os tênis e ouviu o rádio da cozinha ligado. Olhou a diferença entre os calçados impecáveis que estavam ali e os seus. Quase riu, mas então ela ouviu a voz do apresentador de rádio e revirou os olhos ao imaginar Sue usando um avental e cozinhando para o marido idiota. — ? É você? — ouviu Sue chamar. Pensou em subir as escadas correndo sem fazer barulho como sempre fazia, mas antes que pudesse se abaixar para pegar os sapatos, Sue apareceu no corredor, chamando-a. Não teve outra escolha a não ser ir até a cozinha e, ao entrar, viu exatamente o que havia imaginado. — Estou cozinhando bolinhos — ela disse animadamente. Sue não precisou se virar para perceber que ela estava sorridente enquanto ela mesma perdia cada vez mais o pouco bom humor que tinha. era vítima da ‘família perfeita’. Sue virou e, por um instante, perdeu o sorriso ao olhar os trajes da menina. — Oh, minha querida… Parece que vou ter que passar a acordar mais cedo e checar como você anda se vestindo para ir para escola — fez uma cara repreensiva, mas logo voltou a sorrir. — Você, por acaso, não está precisando de vestidos novos e está com vergonha de pedir, não é? travou a mandíbula e sacudiu a cabeça de um lado para o outro, negando. Respirou fundo e relaxou o corpo, voltando à posição anterior e olhando para Sue. — Não, mãe. Eu não estou precisando de vestidos. Eu estou satisfeita com as roupas que tenho, mas se eu precisar de algo eu te aviso — disse soando sarcástica, mas Sue não percebeu. — Que bom! Agora me faça um favor então e pare de usar esses jeans largos e rasgados. Você parece uma… marginal… da época em que eu e seu pai namorávamos. — Deve ser porque eu me identifico mais com o início da década de 80 do que com esse novo milênio. — Hm… — Sue perdeu o riso e foi olhar o forno. — Os bolinhos estão quase prontos. — Por que você não volta a trabalhar, mãe? — Ah, filha. Você sabe, eu já tenho tudo que quero aqui, não? Para que me dedicar a outra coisa se não ao James, Riley e você? sabia que aquela era uma luta perdida. Sua mãe foi criada por pais conservadores, criada para servir ao marido. Sue se rebelou quando era jovem, mas seu pai, James, foi criado da mesma maneira e acabou convencendo-a a ser exatamente o que é hoje. tem dezesseis anos, o casamento deles tem alguns meses a mais que ela de idade. Cansada de ouvir ao pensamento pequeno de sua mãe, se virou e a deixou falando sozinha na cozinha. Não aguentaria perder a família, mesmo que pudesse contar com , , e , sofrer tinha se tornado mais doloroso sem Amber ao seu lado. — As coisas mudaram e não há nada que possa ser feito sobre isso — murmurou seguindo para seu quarto. Soltou sua mochila em cima da cama e foi tomar banho antes de arrumar a bolsa pra ir para casa de Harry mais tarde. Minutos depois, já de banho tomado e pronta para sair, sentou-se no chão ao lado de sua cama e abriu uma gaveta. Ela tinha certeza que um dia seria pega, sentia isso. Se perguntava o que iria acontecer ou fazer se um dia seus pais notassem que tem dias que ela come demais e outros em que ela simplesmente não come? E se eles sentissem o cheiro de tabaco ou maconha em suas roupas, ou mãos? Esvaziou a gaveta e abriu o fundo falso.
Apesar de tudo, ela era realmente organizada. Se não fossem drogas escondidas dentro do fundo falso, qualquer um que olhasse aquilo ficaria impressionado. Havia por volta de trinta pacotinhos ali, organizados por cor e nome. Eram brancos chamados Sweet, vermelhos Alfie, azuis Lucy, rosas Luv e verdes Skin.
— Hm, eu só vou levar o que eles pediram, nada a mais. Deixa essas para depois. — murmurou enquanto pegava alguns pacotes de Skin. Recolocou tudo como estava antes, fechando o fundo falso e trancando a gaveta. Colocou os pacotes dentro de uma bolsa pequena junto de seu bong e sua carteira. Pendurou a bolsa transversalmente e parou em frente ao espelho para analisar sua roupa uma última vez.
Estava de shorts e uma blusa de frio de lã. Olhou para a janela e percebeu que estava frio demais para sair só de shorts. Trocou por uma calça skinny e foi se sentar em sua cama mexendo no celular. Mandou uma mensagem compartilhada para os amigos ‘Tudo pronto, só estou esperando o Harry avisar que posso ir xx’. Virou o corpo para o lado da janela e ficou ali olhando os poucos carros passarem e alguns vizinhos chegando de um lugar qualquer.

já tinha ido à agência, mas não havia nada para ela naquele dia, fazendo com que ela voltasse para casa mais cedo. Resolveu dar uma organizada no seu quarto para passar o tempo. Quando terminou de guardar tudo em seu devido lugar, ela voltou para a sala. A TV estava ligada no canal de música e ela lia uma revista um pouco velha. De repente uma luz vermelha piscou. Foi um piscar leve, pequeno e rápido. Ela levantou a cabeça e viu o telefone antigo da casa, ele estava no mesmo canto e em cima da mesma mesinha desde que morava aqui. Ela lembrava de ter derrubado o aparelho numa das vezes que veio aqui antes de se mudar. Pensando nisso, ela viu a luz piscar de novo e sentiu o corpo gelar.
Levantou e leu no identificador de chamadas do aparelho "1 chamada perdida". Identificador de chamadas? Isso queria dizer que o aparelho era mais novo do que ela pensava; que alguém tinha estado na casa além delas e, principalmente, que a casa não está tão abandonada assim. Pior do que isso, a linha telefônica ainda existia.
A garota levou a mão ao aparelho e apertou o botão para ver quem havia ligado. Se antes ela sentia o corpo gelado, agora parecia o que o sangue havia sumido de seu corpo. Nunca esquecera aquele número, afinal… era o número de sua casa.
Eles sabem. Eles sabem. Eles sabem. Eles sabem. Eles sabem. Eles sabem…” ela repetia mentalmente.
Correu para janela e observou a movimentação de sua rua. Aparentemente, não havia ninguém lá. Saiu de casa e correu alguns metros até a casa de só parando para bater na porta. Batia na porta com vontade até que a mãe dos gêmeos abriu com cara de assustada.
— O que houve? — ela perguntou e entrou direto, sem esperar por convite.
— Preciso falar com a — disse. A senhora apontou para as escadas e correu.
Entrou no quarto da garota e a encontrou deitada na cama, lendo. se assustou com a outra e se sentou rápido na cama.
? Que houve?
— Eles sabem!
— Do que você… Ah, meu Deus! — passou de confusa para preocupada em um milésimo de segundo. — E agora?
— Exatamente! E agora? — perguntou andando de um lado para o outro.
— Primeiro, senta aqui — disse, dando espaço para a menina. — Vou falar com a minha mãe e já volto, se acalme enquanto isso.
saiu e ficou ali, sentada, respirando fundo. voltou em menos de um minuto e se sentou de frente para a amiga em sua cama. Ficaram em silêncio um tempo, até que ela resolveu perguntar:
— Quais são as possibilidades deles descobrirem vocês aqui?
— Costumava ser nenhuma. Você sabe como a gente faz. Documentos provisórios falsos na escola sobre a nossa emancipação. Luz e água foram religadas quando a gente voltou e pedimos para mandarem a conta pra cá ao invés do débito automático. Quando precisamos sacar dinheiro, nós saímos de Londres, a última cidade foi Bournemouth. Mas nunca falamos do telefone… Quero dizer, quem se muda e deixa a linha ligada?
— E o que tem o telefone?
— Ah, claro… — revirou os olhos lembrando que não sabia do telefone. — Eu estava na sala quando percebi uma luz vermelha piscar, quando reparei… Era o telefone. Nunca tinha reparado que o aparelho era novo. Aquele telefone tem identificador de chamadas, quando nós nos mudamos para Luton, não existia isso. não pediu pra religar a linha e nem eu.
— Tem certeza de que ela não pediu? — perguntou.
— Ela não faria isso sem me avisar.
— Bem… — suspirou — Nós conversamos e ela me disse que sente falta de ter um telefone em casa, disse que é um saco ter que vir aqui o tempo todo quando ela quer chamar o pessoal pra ir pra lá e essas coisas…
— Não, você ainda não entendeu… — sacudiu a cabeça. — Eles sabem, . Isso explica o aparelho e o identificador de chamadas. é cuidadosa, sabe como fazer isso sem deixar ninguém saber. O problema é que o identificador estava piscando avisando uma chamada perdida e quando eu olhei, era o número da casa onde a gente morava em Luton.
não soube o que responder e estava a ponto de arrancar os cabelos. Aquela não era uma situação fácil. Ela e estariam muito encrencadas se as pegassem antes de completarem a maioridade. Continuaram ali durante poucos minutos, que pareceram horas, até o celular de tocar na sala.
— Vou ver quem é… — disse saindo do quarto.
Enquanto estava fora do quarto, remontou a pose séria e tranquila que mantinha diariamente, logo depois, voltou para o quarto, acompanhada de Luke, e avisou sobre a mensagem de .
— Eu vou para casa me arrumar, já chegou… Avise-me quando Harry responder, por favor? E assim que estivermos prontas nós vamos…
— Claro, sem problemas.


Eram quase cinco da tarde. , Danny, Evan e Chris tinham acabado de chegar na casa de Harry. , , Luke e já estavam lá há algum tempo. abriu a porta dizendo “Entrem. O último tranca a porta” e foram direto para a sala.
— Cadê os outros? — Chris perguntou.
— Harry está tomando banho. está vindo com Tom e Dougie. , e Luke estão na cozinha.
— Riley e Clarie estão chegando também — Danny disse fazendo perder o pouco humor que tinha.
— Você as convidou, Danny?
Danny revirou os olhos.
— Eu e Harry estamos saindo com elas, é claro que eu convidei.
— Você é um cuzão mesmo… Vocês dois vão virar paus-mandados delas. É tão difícil enxergar isso? — falou fazendo rir.
— E você acha que o mundo gira ao redor do seu umbigo? — Harry perguntou ao entrar na sala. Tinha ouvido o suficiente para entender a conversa.
— Não exatamente, mas… — ela respondeu calmamente e dando um passo na direção de Harry, levantou o rosto para olhar nos olhos de Harry — mesmo estando na sua casa, eu posso ligar para agora e eu aposto que ela não vai querer vir para cá se essas putinhas estiverem aqui.
, e Luke entraram na sala a tempo de ouvir a última parte do que dizia.
— Coitado dele, riu. — Quem são essas putinhas que fizeram você ficar tão raivosa assim?
— Você não consegue descobrir sozinha? — disse.
pensou por dois segundos e entendeu o que quis dizer. Levou a mão ao cabelo respirando fundo.
— Liga para elas e diz que não vai ter mais nada aqui — disse.
— Eu disse que seria assim, mas vocês não quiseram me escutar — disse rindo. Estava sentada no sofá de pernas e braços cruzados assistindo a discussão ao lado de Chris e Evan.
— Qual foi? — Danny disse. — Vocês vão fazer isso mesmo? Acabar com a diversão de todos por ciúmes das garotas?
e prenderam a mandíbula para conter a raiva do que Danny falou. Trocaram olhares e começou a falar.
— Ciúme… — começou com a voz baixa até subir o tom — é o caralho, Daniel Jones e Harry Judd! Se vocês não conseguem enxergar que elas só dão atenção para vocês dois para poder ganhar aquela porra de popularidade então vocês são uns idiotas mesmo. Até prostitutas são mais respeitáveis e têm mais nível do que elas. É melhor um de vocês ligar para elas e as desconvidarem ou eu ligo para e acabou a festa pra vocês!
olhou para a amiga achando estranho toda a raiva repentina. Tudo bem, elas se odeiam muito, mas a 'tá perdendo a linha por muito pouco…, pensou, Hm, o pior é que essa não é a primeira vez que ela perde o controle assim… por pouca coisa. — Liga para e manda ela não vir, então — Harry disse olhou desafiadoramente para .
pegou o telefone – ela estava tremendo e percebeu isso – e ligou para . levantou e foi para o lado de . — , o idiota do Harry convidou a Riley e a Clarie! — gritou. “Meu ouvido, !” respondeu. “Eu sei disso, quando a gente chegar aí, eu converso com vocês. A propósito, vem alguém abrir a porta, já estou chegando.” desligou o celular e olhou para Harry com raiva enquanto o outra a olhava com superioridade. — Eu vou ao banheiro. Chris, sua namorada está chegando. — disse e saiu da sala correndo sendo seguida por . e se entreolharam e sussurrou “Vamos esperar por elas na cozinha” e saíram da sala também. Logo depois Chris saiu também para atender a campainha que havia acabado de tocar. — Como você sabia que isso ia acontecer? — Luke perguntou. — Danny as convidou e eu sabia que isso não dar certo — Harry começou, mas foi interrompido por Evan. — E eu conversei com a Clarie que fez a cabeça da Riley para chantagear a irmã. — Como? — Danny perguntou. — Se não concordasse em deixar elas virem, Riley contaria para os pais delas sobre as drogas. — Evan falou e riu. — Mente maligna! — Luke disse e os amigos riram mais.
Chris foi abrir a porta esperando encontrar apenas , Dougie e Tom, mas além destes, viu Riley e Clarie paradas ao lado de . Os cinco entraram e cumprimentaram Chris seguindo logo depois para sala, exceto por e Chris que ficaram no corredor começando a se beijar.
Chris era mais alto que , tinha mãos ágeis e fortes. Tudo que ela queria no momento.
Ele levou uma mão à nuca da garota e abaixou a outra até a cintura da menina. Empurrou-a até se encostarem-se à parede. Chris fez um movimento e, com ajuda de , levantou a menina fazendo com que ela se segurasse nele com as pernas em volta da cintura dele. passava as mãos no cabelo de Chris puxando ocasionalmente na parte da nuca. Até que um daqueles puxões surtiu efeito e Chris a apertou mais contra a parede fazendo-a sentir o volume em suas calças. sorriu entre o beijo e soltou suas pernas.
— Se continuarmos, vou ter que te deixar na mão — ela disse mordendo próprio lábio.
— Mais tarde a gente continua, pode ser? — ele perguntou mordendo parte da orelha dela.
— Pode ter certeza — ela disse sorrindo e puxou ele para sala.
O casal entrou na sala e encontrou Riley, Danny, Tom, Dougie, Harry, Clarie e Evan.
— Pensei que não se soltariam nunca — Dougie disse rindo.
— Olha para ela, cara! Ela é irresistível. — Chris disse sorrindo a deu-lhe um tapa no braço.
— Cadê as meninas? — perguntou.
— Na cozinha. Vamos, eu tenho que falar com a . — Evan disse e Tom olhou para ele sério.
Não queria que ele e voltassem a sair. Evan era o garoto errado para qualquer tipo de garota. Tom não era santo, e desde seu último relacionamento, três anos atrás, se negava a ter alguma relação amorosa e séria com alguém, mas sabia que o comportamento de Evan era totalmente errado. Aos olhos do mundo Evan era perfeito, o filho que todos queriam, mas Tom o conhecia bem demais para saber que não era assim que as coisas aconteciam.
— Vamos subir? Já está tudo preparado lá em cima. — Harry disse e depois sorrindo pra Clarie. — Tem até cobertores.

Dois bancos e algumas cadeiras formavam um círculo em volta de um enorme lençol escuro aberto no sótão da casa de Harry.
, , , e gargalhavam de alguma besteira que Luke havia dito.
— Puta que pariu, você é muito idiota, mas eu amo ser sua irmã — disse fazendo as amigas, Evan e Chris rirem.
Enquanto eles estavam sentados de um lado, Tom, Dougie, Danny, Harry, Riley e Clarie estavam sentados do outro lado. Tom e Dougie estavam sérios enquanto os outros dois amigos estavam se amassando com garotas. — Achei que tivéssemos vindo aqui para nos divertir — Dougie sussurrou para Tom. — Eu também — sussurrou de volta. — Galera, está esfriando, vamos descer. Ao contrário do que todos tinham planejado, a presença de Riley e Clarie não foi bem aceita. boicotou o plano e apesar de ter ido, ninguém iria fazer aquilo que estavam planejando. — Vamos todos descer então — Evan disse. Já eram quase 6h30 e o sol tinha se posto bem mais cedo, como era de se esperar, por estarem no meio do outono inglês, além de, mesmo com a única janela do sótão fechada já, poderem perceber o tempo começando a esfriar.
— Eu 'tô morrendo de frio — disse batendo o queixo.
Dividiram-se para carregar seus pertences para dentro e logo estavam dentro do quarto de Harry.
No entanto, passou direto para as escadas indo buscar água na cozinha e, sem perceber, foi seguida por Evan.
Na cama de casal do garoto estavam , Luke, , e Tom. Dougie estava escolhendo um CD para colocar no player enquanto Riley, Clarie, Danny e Harry estavam deitados no tapete felpudo, apenas olhando para o teto. E estava com Chris no quarto do irmão de Harry.

estava indo na direção da geladeira quando passou em frente a vidraça da cozinha de Harry e seu reflexo lhe chamou a atenção. “Não está perfeito”, pensava ao olhar. “Posso aguentar… sei que posso…
Sem que ela percebesse Evan chegou por trás dela, abraçando-a.
— Analisando sua beleza? — ele perguntou. considerou responder, mas achou melhor não.
— Evan, eu já disse que não quero mais nada com você.
— Mas eu não estou falando em ter algo com você… — beijou-lhe a nuca fazendo-a se arrepiar. — Não algo sério, pelo menos.
Ele olhou para a janela de vidro seguindo o olhar dela.
— Ainda querendo ser Size 0? — Evan perguntou.
— Você não entende… — respondeu, após algum tempo, em sussurro.
— ele disse, virando-a —, do jeito que você está já é o suficiente para fazer com que eu te deseje. Você é linda. — disse apertando a cintura da menina.
E Evan a beijou. tentou fugir no início, como havia feito horas mais cedo quando Evan foi conversar com ela, mas dessa vez ela se deixou levar, pois, no fundo, era impossível resistir a Evan. Os olhos castanhos do garoto eram chamativos de uma maneira única, além de o cabelo loiro e brilhante também ser uma característica que a agradava.
Evan passava as mãos pelas costas da menina quando abriu um olho de leve e viu exatamente para onde empurrá-la. Deu dois passos, fazendo ir para trás, e levantou a menina colocando-a em cima da mesa. Evan levou a mão ao rosto da menina e deu um beijo mais forte e intenso. estava consciente do que fazia, sabia que iria se desentender com Evan no futuro, mas ali o que ela queria era apenar sentir cada toque do garoto.
Cansada de ficar com as mãos nas costas dele, ela levou uma das mãos ao zíper da calça dele. Evan não pode segurar um sorriso, e acompanhando o que ela fazia levou a mão para dentro da blusa de frio que ela usava.
fazia carinho em Evan o sentindo crescer e pulsar. A blusa dela estava na altura dos seios e, de repente, ela parou tudo que estava fazendo e tirou a própria blusa. Desceu da mesa, apagou a luz da cozinha e voltou para cima mesa, puxando Evan para junto dela outra vez. devolveu as duas mãos para a calça de Evan enquanto ele, dessa vez, havia descido as alças do sutiã dela e se concentrava em sugar o mamilo dela, massageando o outro. abriu as calças dele, as empurrou para baixo e começou a instigá-lo.
— Tenho uma fantasia, sabia? — Evan disse rindo.
— É mesmo, Evan? E qual seria?
— Ir até o final em cima da mesa da cozinha — Evan falou, agora olhando nos olhos de .
— Hm, acho que sua fantasia será realizada — respondeu também rindo.

No andar de cima, dentro do quarto do irmão de Harry, estavam e Chris. Um dos cobertores que estava no sótão agora estava com eles. E eles se beijavam debaixo do mesmo.
Ela estava por cima, sentada no quadril dele. Chris apertava as coxas e a bunda de e depois levava a mão aos seios dela.
— Eu quero te dar um presente — disse sorrindo maliciosamente para ele. — Não é que você nunca tenha ganhado isso, é só que, dessa vez, eu quero que seja do seu jeito. Acho que você merece.
Chris sorriu. — O que você está planejando.
— Planejando, não. Fazendo. — disse pegando a mão do namorado e levando-a a seu cabelo — Lembra do desafio? Então… é só segurar com vontade.
puxou o cobertor para cima de sua cabeça e abaixou até a altura do quadril dele. Abriu a calça dele e antes de fazer qualquer coisa ela já pode ouvir a respiração de Chris ficar alta. Ele tem muita imaginação mesmo, pensou rindo. Abaixou a boxer dele e o lambeu devagar o sentindo enrijecer e segurar seu cabelo com mais força. Pela primeira vez, e sem perceber que fazia isso, estava abaixando a guarda e se deixando ser levada pelas vontades de Chris. Estava se fazendo submissa a ele naquele momento por acreditar que ele valia a pena. De todos os garotos com quem já esteve – e ela achava cinco uma boa quantidade para alguém que só tinha 16 anos – ele, com certeza, era o que a fazia chegar mais rápido à nona nuvem e do melhor jeito. Não era só entre quatro paredes que ele a fazia se sentir completa, Chris era tudo que uma garota poderia querer. Educado, charmoso, bonito, inteligente, gentil, eles curtem as mesmas coisas, é rico, gosta dela… E por mais que ela valorizasse suas qualidades, naquele momento, ela não queria que ele fosse gentil, mas ele estava sendo.
O ponto era que, há algumas semanas, as meninas haviam desafiado os garotos a assistirem um filme pornô por inteiro e sem se masturbarem nenhuma vez. Eles tinham topado e havia sussurrado para Chris que faria o que atriz estava fazendo se ele ganhasse. Nenhum deles conseguiu, mas ela sabia que ele ainda queria imitar o filme.
E até aquele momento eles não haviam feito nada de diferente das outras vezes. Ela levantou o corpo e olhou séria para Chris. Ele estava prestes a reclamar, mas parou ao ver o rosto sério dela.
— O que foi?
— Eu quero que você faça do jeito que você quer, como no filme, eu sei que você quer fazer assim.
… — Chris suspirou e sentou na cama juntando seu rosto ao dela. — Escuta, eu gosto muito de você e sei que você não gosta disso. Você me satisfaz assim, não precisamos imitar nada.
— Você não me ouviu? — perguntou deitando-se sobre o menino. — Eu quero isso. Por você. E quero fazer assim! Imagina como as coisas vão ser boas se eu gostar disso?
sorriu ao dizer a última frase.
— Tem certeza? — perguntou e ela balançou a cabeça afirmando e eles sorriram cúmplices. — Minha namorada é uma dirty bitch.

estava deitada de conchinha entre e Luke com o rosto encostado nas costas de Luke. Ela ouvia os barulhos do quarto como Harry roncando de leve, Dougie também roncava na poltrona onde tinha se acomodado há alguns minutos, Clarie beijando Danny, Luke mexendo no cabelo de , trincando os dentes enquanto dormia… e Tom levantando da cama.
Tom estava com sede e resolveu dar uma olhada na cozinha atrás de algo para beber e, ao sair do quarto, percebeu que fora o CD tocando no quarto, a casa estava silenciosa. Desceu as escadas e foi para a cozinha, mas antes de chegar viu pela porta de madeira e vidro a luz ser apagada. Aquilo o deixou curioso, quem estaria ali? Iria entrar, mas quando levou a mão na maçaneta, ele ouviu gemidos femininos. Riu ao imaginar que estivesse ali com Chris. Estava quase desistindo quando escutou uma voz, que não era de , chamando Evan. Congelou e tentou imaginar quem estaria ali.
— Ir até o final com isso em cima da mesa da cozinha — ouviu Evan falar.
Queria acreditar que sua mente estava lhe pregando uma peça quando percebeu quem estava faltando. Tom havia avisado a Evan que se ele tocasse em uma de suas amigas ele iria quebrá-lo ao meio. Levou a mão à maçaneta e, lentamente, abriu a porta. Viu sentada encima da mesa e sem blusa. Evan estava ali beijando a garota e levando a mão ao cós da calça da menina.
— Hm, acho que sua fantasia será realizada — ela disse.
Tom entrou na cozinha sem fazer barulho e, com ajuda das meias que usava, nenhum dos dois escutou os passos do menino. Evan desceu os beijos para o colo de e Tom se sentiu enojado. Sem parar para pensar nem mais um segundo Tom andou até eles e puxou Evan pelos cabelos assustando aos dois. Sem dar tempo para Evan pensar, Tom acertou um soco no nariz do garoto.
— Eu te avisei pra ficar longe das minhas amigas, seu filho da puta imundo! — Tom gritou sentindo ódio de Evan.
— Tom! O que você está fazendo? — gritou descendo da mesa.
— Que houve, Fletcher? — Evan perguntou rindo. Ele estava apoiado na bancada perto da parede da cozinha e seu nariz sangrava.
— Sai daqui antes que eu te quebre por inteiro — Tom dizia apertando a mandíbula e olhando nos olhos de Evan que ria das ameaças.
— Interessado nela também? — ele perguntou rindo e Tom ignorou a pergunta. — Não acredito que fui mais homem que você de novo. E olha que dessa vez foi sem querer…
Tom sentiu seu sangue borbulhar ao ouvir Evan fazer menção ao que havia acontecido anos atrás. A raiva era tanta que Tom lhe acertou um soco no estômago e Evan torceu o corpo de dor. gritou pedindo para Tom parar, mas ele não ouviu e, sem pensar, socou o menino de novo. Evan tossia fortemente, sem forças para reagir e segurou o braço de Tom antes que ele acertasse Evan de novo.
— Para com isso, caralho! — gritou. — Qual o seu problema?
— Ele é o problema — Tom respondeu respirando fundo e, agora, olhando para . — Ele vai acabar com a sua vida se vocês continuarem juntos.
— Isso é problema meu, Tom! — disse.
e Dougie entraram na cozinha a tempo de ver , ainda sem blusa, segurando Tom e Evan, ainda só de boxer, encostado no armário, tossindo com uma mão no peito e uma faca na outra. Evan olhava para Tom com ódio. ia perguntar o que tinha acontecido na hora que Evan deu três passos rápidos com a faca pronta para acertar Tom, mas Dougie, que olhava o garoto, correu e o segurou. e gritaram e Tom sentiu uma dor aguda no peito.
abaixou o olhar um pouco até a blusa branca de Tom que agora estava rasgada e tinha uma mancha enorme de sangue. Tom respirava fundo olhando o corte em seu peito. Dougie arrancou a faca da mão de Evan jogando-a no chão e empurrou o garoto para fora da cozinha.

Capítulo 03


Algumas observações antes de o capítulo começar: A fic se passa no final de 2000/início de 2001 e, nessa época, nem no UK os celulares eram bons e as contas eram “baratas” como hoje em dia… Então, please, ignorem esse detalhe, porque na fic eles precisam de celulares “bons e baratos”. Outra coisa, eu falei merda num capítulo anterior e disse que a Vicky é mais nova que o Danny, foi mal! A verdade é que, mesmo achando estranho, alguém tinha me convencido de que ela era mais nova e eu nunca contestei, enfim… descobri isso no início de outubro e, a partir de agora, a Vicky é mais velha! O importante é que nada disso vai alterar na fic, ok? Vamos ao capítulo!


A camisa, antes branca, agora estava ficando vermelha. Tinha sangue demais e não era preciso ser um especialista para perceber que era um corte fundo.
— Fudeu, tem que levar ele para o hospital. — disse. — Agora! — disse desesperada. — Vamos!
— Não podemos — disse apreensiva segurando o braço de , que bateu na testa com a mão entendendo o recado.
— Argh, que droga!
— Por que… vocês não podem… não podem ir ao hospital? — Tom perguntou com a respiração forte e cortada.
— Depois a gente te conta — respondeu. — Quem você quer que a gente chame?
olhou para Tom e não sabia se sentia-se mal pelo amigo ou se gritava com ele, dizendo que a culpa era dele por ter aparecido ali e começado a brigar com Evan. Lembrar daquilo a fez lembrar que deveria colocar sua blusa de frio de volta.
— Chama… o Danny… ele ‘tá no quarto com…
correu escada acima antes de Tom terminar de falar e foi chamar Danny, ignorando a discussão que ouviu entre Dougie e Evan vinda da sala de estar.
chegou perto de Tom, sem saber o que fazer.
— Você está bem? — ela perguntou e ele apenas olhou para a menina. Ela então revirou os olhos percebendo o que havia dito e Tom riu de leve, sentindo uma pontada no local do corte.
— Argh! Isso dói — abaixou a cabeça olhando a blusa mais uma vez e depois voltou a olhar a amiga. — Eu vou sobreviver… se não demorarem pra… me levar pro hospital — Tom disse soltando alguns poucos gemidos de dor.
Sua respiração ficava mais próxima do normal lentamente e um sono já estava batendo nele.
— O que houve?
— Depois eu te conto — Tom repetiu as palavras dela.
Dougie entrou na cozinha e caminhou direto para onde Tom estava.
— Sua blusa… — disse engolindo seco. — Aquele viado!
— Vou sobreviver, Dougie — Tom repetiu sorrindo. — Ele já foi embora?
— Não… vim pegar as roupas dele… — Dougie disse e pegou uma calça jeans, blusa e jaqueta que estavam jogadas ao pé da mesa, ao seu lado.
— Devia ter acertado ele com mais força — Tom disse.
Dougie olhou para o amigo mais uma vez e fez uma careta olhando a quantidade de sangue que ainda saía dele.
— Melhoras, cara.
— Valeu.
Dougie saiu e entrou na cozinha logo depois com Danny e Harry rindo atrás.
— Puta merda, é verdade! — Danny quase gritou ao ver o estado em que o amigo estava.
— Finalmente! — exclamou. — Levem ele pro hospital agora!
e ajudaram Tom a caminhar até o portão e ficar acordado e de pé esperando enquanto Harry tirava o carro de sua irmã da garagem com ajuda de Danny. Naquela hora, Evan já estava a caminho de casa. Elas ajudaram Tom a se sentar no banco da frente e Danny foi para o banco detrás. Harry arrancou com o carro assim que as portas se fecharam.

Dentro da casa, estava sentada no sofá repassando a briga em sua cabeça, tentando entender o que havia acontecido e só depois, quando ele se sentou ao seu lado, ela percebeu que Dougie também estava na sala.
— Acordei o pessoal. Eles estão se arrumando pra sair — ele disse.
— Por que eles se odeiam? — perguntou entrando no cômodo logo depois.
Dougie ponderou se deveria ou não responder a pergunta, mas achou melhor contar logo a verdade a elas do que continuar omitindo.
— Tom namorou uma menina quando ele tinha 15 anos. Nem ele sabia se era amor, mas seja lá o que fosse, era forte e qualquer um enxergava isso. Evan estudava na Henry Compton, com Harry e Luke, e o Tom na London Oratory com o Chris. Os dois, Evan e Tom, eram do time de rúgbi e foram para a Competição Júnior de Rúgbi das escolas da região. O Evan ficou interessado na Amber, namorada do Tom. Amber era uma menina legal, sabe? Ela estudava na Hurlingham & Chelsea comigo e Danny. E… bem, no final da competição, Evan fez o gol da vitória sobre a escola do Tom. E Tom era o goleiro…
— Não acredito que é por isso que eles se odeiam. — interrompeu.
— Calma, eu não terminei — Dougie disse e continuou. — No final, Tom falou com Amber, que estava assistindo o jogo, e foi para o chuveiro. Logo depois que ele entrou no vestiário, Evan apareceu e agarrou Amber. Só que o Tom tinha esquecido a bolsa com as roupas dele com a Amber e ele viu o beijo deles quando voltou para buscar.
abriu a boca de novo, mas segurou a mão da amiga percebendo que Dougie ainda tinha o que falar.
— Tom a perdoou, mas na semana seguinte, Evan passou a aparecer lá na escola deles querendo falar com a Amber, mas o Tom sempre estava, é claro. As coisas aconteceram bem rápidas, sabe? No outro final de semana, Tom teve que viajar a contragosto, e Amber foi numa festa de aniversário de uma amiga. Eu estava lá com Danny e vi Evan aparecer. Ele perturbou a garota durante toda a festa, conseguiu embebedá-la e a levou pra cama. Apesar do Evan não ter contando pra ninguém, Amber pediu para terminar com Tom no domingo à tarde, quando voltou da viagem, e contou o que havia acontecido na segunda já que todos que estavam na festa estavam cochichando sobre. Quatro meses depois a barriga da Amber estava crescendo de maneira anormal e, é claro que todos perceberam, ela assumiu a gravidez e mesmo com ela dizendo que não, todos acharam que era do Tom. O Evan falou na cara dela, eu, Harry, Chris e Danny vimos, que ele não iria assumir, mas meses depois o sr. McKay soube que o filho da Amber seria neto dele... Ele não sabe da história completa até hoje, mas obrigou Evan a assumir o menino. Era um menino… e Amber queria chamá-lo de Tom. Quando ela procurou Tom e perguntou se ele deixava, ele disse que se isso acontecesse, ele mudaria de nome. No dia de nascer… bem, Amber estava em depressão e era nova demais e, eu não sei explicar direito, mas ela teve complicações como hemorragia interna e… Ela e o bebê morreram. Evan nunca demonstrou sentir alguma coisa sobre isso. Enquanto o Tom chorou por, no mínimo, duas semanas sentindo remorso. Afinal, eles estavam brigados quando ela se foi.
Dougie terminou de contar deixando e paralisadas. não queria acreditar no Dougie havia lhe contado e estava se perguntando o quão doente Evan era.
— Por mais estranho que isso possa soar, eu espero que isso não seja uma brincadeira, Dougie… — disse.
— Infelizmente, não é brincadeira.
— E por que vocês continuam andando com ele?
— Primeiro, porque nos conhecemos desde pequenos, porque sempre estudamos “juntos”. e Riley eram da Fulham Cross, que é a versão feminina da Henry Compton onde Evan, Harry e Luke estudavam. Tom e Chris são nerds e estudaram na London Oratory. Chris é parente distante do Evan. , e Clarie vieram da Lady Margaret. E como eu disse antes, eu e Danny estudávamos na Hurlingham & Chelsea. E segundo, porque nós moramos perto. Exceto Chris e Evan que moram Barons Court e Ravenscourt, mas isso é quase aqui do lado.
— Ainda não entendi.
— Frequentamos os mesmo lugares, . Com o tempo nós fomos conhecendo uns aos outros melhor e por mais que eu, Tom e Danny quiséssemos evitar o Evan… Harry, Chris e Luke são grandes amigos nossos e não dá pra ignorar Evan sem ignorar eles. Daí resolvemos conviver “em paz”.
Dougie fez aspas ao falar. “E dizem que garotas são complicadas”, pensou.
Levantou-se e respirou fundo.
— Vamos, Dougster — disse esticando a mão para o outro —, temos que expulsar todo mundo daqui antes que fique mais tarde.
Ele lhe deu a mão, mas antes de saírem da sala, ele parou e apertou a mão dela. Olhou para e depois de volta para .
— Não contem isso a ninguém, nem digam que fui eu quem contei — pediu. — era amiga dela. Melhor amiga. E ela assistiu a amiga ser abusada e sofrer horrores por isso sem poder fazer nada… e… ela passou a mexer com drogas depois da morte da Amber.
olhou para baixo sem saber o que dizer ou fazer enquanto ficou com o olhar perdido com um milhão de pensamentos passando em sua cabeça. Dougie percebeu o quanto elas estavam desconfortáveis e resolveu sair dali e irem chamar os outros. seguiu lentamente, e um pouco mais atrás, pensando em , na dor que ela deve ter sentido, e em se vingar de Evan por Tom, e… por Amber.


Como era de se esperar, Tom não foi para aula nos dois dias seguintes, quinta e sexta-feira, o que acabou por serem dias atípicos. No intervalo, Dougie e Danny ficaram na sala de multimídia; , , , e ficaram na biblioteca conversando – e quase sendo expulsas por isso; já Harry, Luke, Chris e Evan discutiram bastante no meio de pátio, chamando atenção Riley e Clarie… bem, quem queria saber onde e o que estavam fazendo? A tarde, enquanto iam para casa Danny, , , Luke, Harry, , , Dougie e pensaram em ir visitar Tom e saber como ele estava, mas desistiram. Debbie era carinhosa, Carrie era persuasiva e Bob era bravo, além de não saberem qual era a versão que Tom havia contado sobre o seu ‘machucado’ para os pais, ou seja, essa não seria uma boa combinação. E a melhor – e única – opção que tinham era esperar até quando Tom aparecesse.

Era sábado e desde que Harry havia recebido a notícia sobre a viagem de seus pais, ele planejava passar a noite de sábado com os amigos. Só tinha um pequeno problema. Chris e Evan não estavam mais dirigindo a palavra a ele ou a Luke depois da discussão que tiveram no dia anterior e Tom continuava sumido.
Harry estava na garagem da casa de seu tio – alguns quarteirões de distância de sua casa – tocando a bateria do tio, enquanto pensava no que ele poderia fazer para resolver aquilo. Ou Evan se comporta e Chris para de defender as canalhices do amigo, ou esse é o ponto final do grupo. Não dá pra manter um grupo de amigos onde uma metade odeia a outra metade. Harry estava tão irritado com toda aquela confusão que tocava Paradise City com força, como se fosse a última música que iria tocar na vida. Estava quase estourando a caixa e nem ao menos percebia, e ele provavelmente a estouraria se o portão da garagem não tivesse sido aberto repentinamente, fazendo a garagem ficar bem mais clara com a luz do sol. Após alguns segundos, seus olhos se acostumaram a luz e ele viu Chris parado ali segurando o portão no alto.
— Como me achou aqui? — Harry perguntou e Chris sorriu entrando na garagem.
— Liguei para sua casa e ninguém atendeu, como eu estava por aqui, resolvi passar e perguntar se você estava aqui, mas nem precisei perguntar para saber.
— Hm… — Harry murmurou pegando sua camiseta numa mesa próxima a ele e saindo de trás da bateri. — E você quer o que comigo?
— Qual foi, Harry? Não somos mais amigos?
Harry observou a atitude de Chris por uns instantes, pensando se ele estava sendo verdadeiro ou não.
— Vai se foder, Christopher… Nossa amizade só voltará ao normal se você admitir que Evan está errado e que se ele quer continuar sendo o filho da puta que ele é, ele vai ter continuar sozinho. Já falei isso pra vocês, mas parece que tenho que repetir. Eu não vou continuar defendendo ele. CHEGA! Ele não é mais o moleque que nós conhecemos quando éramos crianças.
Chris olhou para Harry e travou os lábios perdendo o sorriso. Respirou fundo e trocou o peso do corpo enquanto pensava.
— Harry… eu juro que não queria dizer isso, mas se você e o Luke querem ficar contra os seus amigos de infância por algumas garotas e outros gays… Então a guerra está declarada para vocês também. Só não venha chorar quando o time de vocês começar a perder, porque eu e Evan não vamos ter pena de acabar com a vida de vocês.
Harry fechou as mãos em punhos e gritou: — SAÍ DAQUI ANTES QUE EU TE MATE, CHRISTOPHER!
Chris apenas riu e virou as costas saindo dali lentamente. Harry respirou fundo enquanto se acalmava. Fechou a porta da garagem e voltou para dentro da casa de seu tio. O encontrou dormindo no sofá da sala com a tevê ligada no canal do tempo. Revirou os olhos e saiu dali caminhando para sua casa.

andava de um lado para o outro dentro de casa. Estava ansiosa, com mal-estar e suas mãos tremiam. Sabia do que precisava, mas todos os seus planos para o final de semana haviam falhado. Saiu de casa carregando apenas o celular enquanto caminhava para o pub Dartmouth Castle. Parou em uma mesa do lado de fora e percebeu que aquele era o primeiro dia de neve de outubro e que a mesa e seu casaco estavam começando a ganhar pontos brancos. Bufou com raiva enquanto sentia suas mãos tremerem mais e não era por frio. Respirou fundo e passou a mão no rosto, totalmente absorta do mundo ao seu redor. Saiu dali um tempo depois e andou até a casa de , tinham que conversar.

estava sentada num dos sofás da sala de estar de sua casa ouvindo sua mãe conversar com uma amiga no outro sofá, dizendo como Riley era inteligente, bonita, talentosa e etc. Já estava cansada de ouvir aquela conversa, sentia-se como se não fosse filha. Mas é isso que eu mais quero, não é? Não ser filha deles. Sacudiu a cabeça e se levantou.
— Me dêem licença, mas eu preciso me retirar e ir estudar — ela disse usando o tom mais educado que pôde, quase soando irônica, e saiu da sala.
Estava prestes a subir para seu quarto quando a campainha tocou. Bufou, mas foi atender a porta e encontrou pronta para tocar a campainha novamente. Olhou para trás verificando se sua mãe não estava olhando.
— Sobe sem fazer nenhum barulho — disse e entrou, subindo as escadas correndo e sem fazer barulho.
— Quem é, ? — ouviu sua mãe perguntar. Caminhou de volta a sala e respondeu sua mãe:
— Ninguém, só um senhor de religião duvidosa perguntando qual era a minha opinião sobre o mundo atual. Disse que nós sabíamos qual era o certo e o errado e que ele poderia se retirar.
Enquanto ela falava exatamente o que sua mãe queria ouvir, sem fazê-la ‘passar vergonha’ na frente da visita, já estava dentro do quarto de procurando pela bolsa da amiga.
Estava ficando sem lugares para olhar, quando lembrou que ela costumava guardar qualquer coisa que fosse importante nas gavetas da cama. Abriu a primeira gaveta, era rasa e só havia meias dentro; foi para segunda e achou jóias, chaves e dinheiro. Antes de abrir a terceira, ela sorriu. Viu a bolsa da amiga assim que abriu a gaveta. Dentro tinha documentos de todos os tipos que uma pessoa pode ter, várias notificações da escola e uma pequena necessèrie. Era onde a amiga guardava o seu ‘acervo pessoal’ e a que costumava levar aquela bolsinha para as sociais que faziam para os mais íntimos. abriu, puxou os dois pacotes de Sweet e guardou tudo correndo. Estava fechando a gaveta quando viu um papel com o nome Hebert e um telefone anotado. Gravou o número mentalmente e fechou a gaveta. Timing é tudo. Assim que a garota saiu de perto da cama e foi anotar o número em seu celular, entrou no quarto trancando a porta em seguida.
olhou para a amiga, respirou fundo e elas se sentaram na cama da menina.
— Qual o motivo da visita?
— Nada demais… Queria conversar sobre quarta e sobre o final de semana. E também não aguento mais a minha casa.
— Hm. Escuta, Harry ligou há pouco pro Dougie dizendo que queria encontrar todo mundo, que precisava conversar.
— Sei. Antes de sair de casa Luke me falou que Harry também tinha ligado pra ele e depois eu recebi a mensagem do Dougie. Falando em garotos, como estão você e Chris?
passou a mão no cabelo e respirou fundo.
— Eu não sei… a última vez que conversei com ele foi depois do acidente, quando ele me levou para casa, e… bem, agora ele só anda com o Evan. Presumo que terminamos.
— Hm. Olha, eu te conheço e sei que você não vai admitir isso — disse e se aproximou da amiga levando suas mãos ao rosto dela. — Mas você precisa chorar isso tudo que você está guardando. Não chorar faz mal…
— Mas…
— Cala a boca. — disse séria e olhando dentro dos olhos da amiga. — Só… só se lembre que depois das lágrimas, ou da chuva, se preferir, vem um arco-íris.
Continuaram uma olhando no fundo do olho da outra por uns instantes até sentir sua cabeça girar e voltar a se sentar na cama.
— A pior parte do término é perceber que cada sonho que você construiu com ele, você não pode mais realizar e tem apenas que seguir em frente, sozinha. — disse quase que para si mesma enquanto sentia o quarto da amiga girar. — Mas não tem problema, vou superar.
— Isso! — disse quase alto demais. — Hm… Er… você deveria ir se arrumar para ir a casa do Harry, sabe…
olhou para a amiga e percebeu que ela estava começando a suar.
— O que houve?
— Nada… só preciso ir pra casa.
— Quer ir pra casa da ? Tem uma passagem pelo terraço, vem, eu te levo.
As duas subiram para o sótão da casa de e caminharam pelo telhado e a três casas de distância, chegaram a casa de e Danny na rua detrás da casa de . Elas desceram pelo teto para o sótão de onde vários instrumentos musicais ficavam guardados e acabaram encontrando Danny tocando violão num sofá próximo a janela.
— Invasão?
Danny perguntou quase rindo ao ver as duas, mas quando viu como estava pálida, largou seu violão no canto e foi ajudar as duas.
? Você está bem? — ele perguntou e antes que respondesse, disse.
— Danny, ajuda! Ela está passando mal, mas eu não posso ficar aqui, tenho que voltar para casa. Leva ela pra casa dela, por favor?
voltou correndo para sua casa enquanto Danny ajudava .


Menos de uma hora depois e todos estavam chegando à casa de Harry. Inclusive , que tinha recuperado o bem estar logo depois que chegara a sua casa.
Eles estavam reunidos na sala, um filme passava na tevê enquanto eles bebiam vodca ou cerveja e comiam pizza.
estava num canto olhando todos rindo e se divertindo. Luke olhou para menina e lhe mandou um beijo no ar. Dougie, que estava ao lado de Luke, viu e também olhou para . A garota desviou o olhar, sabia onde aquilo terminaria se os olhares misturados com vodca continuassem.
Dougie levantou, determinado a falar com . Afinal, por mais quantos anos vamos ficar enrolando sobre isso?, Dougie se perguntou.
Conheciam-se desde que a mãe de Danny havia casado com o pai de e há alguns anos atrás, deu seu primeiro beijo em Dougie e ele quis começar um namoro sério, mas o evitou, com medo da reação de Danny. Até que um dia, ela aceitou, eles começaram a namorar e Danny gostou ver os dois juntos. O casal foi feliz demais por seis longos meses. acreditava que amava Dougie enquanto ele não sabia exatamente o que sentia por ela. Então, em uma festa que ele estava com Danny, e sem , ele bebeu até não aguentar mais e beijou todas as garotas que estudavam com e que estavam na festa. A mesma festa na qual Evan abusou de Amber. Danny não viu nada disso, mas na semana seguinte, todos sabiam do que havia acontecido. ficou com ódio dele e espalhou que ele havia feito isso, porque tinha descoberto que ela e Danny já haviam ficado várias vezes. o que era uma mentira, mas Danny confirmou tudo depois de saber o que havia acontecido e porque havia pedido. Dougie começou a acreditar nos boatos, brigou com Danny. Depois de meses sem falar com ele e , Dougie tentou reatar a amizade que tinha com Danny e o namoro com . Ela não confiava nele para mais nada, mas Danny aceitou que eles voltassem a ser amigos. e Dougie brigaram diversas vezes durante os anos que haviam passado. Até que ela resolveu esquecer o que havia acontecido entre os dois e pouco tempo depois, enxergou que Luke sempre esteve ao lado dela. Assim que começaram a namorar, Dougie viu aquilo como um sinal de que ela havia o esquecido de vez, e que deveria parar de correr atrás dela ou acabaria brigando com outro amigo.
Agora eles estavam ali, na sala de Harry, um olhando para o outro e Dougie se aproximou de e olhando no fundo de seus olhos pediu para irem conversar longe dali. Saíram da sala, indo para o corredor onde ficaram conversando durante um tempo.
… — Dougie começou ao resolver mudar de assunto — você sabe que eu te amo… por favor, eu não acredito que você tenha me esquecido assim. Você me amava, lembra?
Ela, que antes sorria com a conversa calma, passou a olhá-lo sem expressão, mas na verdade, por dentro ela estava se segurando para não gritar com ele e começar a chorar.
— É claro que eu lembro. Memórias não se apagam, mas sentimentos sim.
Dougie abriu a boca sentindo-se perdido.
— Me dê uma segunda chance? Deixa eu fazer você gostar de mim de novo? Ou será que você não acredita em segundas chances?
— Acredito em segundas chances, Dougs, só não acho que todos mereçam uma… Vou voltar para sala antes que comecem a procurar por mim.
virou e caminhou para a sala. Podia sentir seu coração disparado, no fundo ela queria acreditar em Dougie, queria voltar para ele. Mas como poderia confiar em alguém que havia lhe machucado? Ela havia aprendido a lição.

A noite chegava de fininho e, antes que escurecesse totalmente, a campainha tocou. e dançavam no meio da sala, acompanhando a música que tocava. estava servindo shots para ela e o resto dos amigos. A campainha tocou de novo e , que havia acabado de tomar mais um shot, levantou o braço e disse:
— Eu atendo!
E saiu correndo para a porta. Harry e Danny estavam ocupados olhando as meninas dançarem enquanto Dougie e Luke disputavam pela atenção de . olhou para todos e resolveu que se não fosse atrás da amiga, eles poderiam ser mortos por algum assassino tocando a campainha.
abriu a porta e todo o efeito da vodca fazendo no seu corpo bambear tinha passado. Abriu um sorriso enorme e gritou, viu quem estava ali e gritou também. ouviu os gritos e puxou e para ver o que era e só assim os meninos se movimentaram e também saíram da sala atrás delas. Todos ficaram em choque e de boca aberta.
Tom estava de volta. Estava parado ali, na porta de Harry sorrindo para os amigos.
— Quer dizer que vocês resolvem fazer uma social e me esquecem? — Tom perguntou falando alto e rindo.
Mate! — Danny disse. — Vem entra, você tem que nos contar como foi depois que te deixamos no hospital.
Tom abraçou um a um e logo depois eles seguiram para a sala. A vodca que haviam tomado era pouca e eles decidiram deixar a bebida para depois que Tom contasse tudo que havia acontecido.
Sentaram Dougie, Danny, Tom e num sofá; Harry, e Luke no outro; e , e em outro.
— A verdade é que vocês são um bando de filhos das putas — Tom começou. — Eles não precisariam ligar para os meus pais se eu tivesse alguém pra me acompanhar até minha casa. Aquilo é um hospital público e eu era uma emergência. Iriam me dar pontos e eu iria embora, mas… vocês são uns cagões e saíram do hospital antes!
Tom riu e viu que Harry e Danny também sorriam.
— Daí eles não podiam me liberar, porque eu tinha recebido anestesia — terminou.
— Vocês são retardados mesmo… — disse revirando os olhos.
— Desculpa se eu não tenho aula de Health & Social Care! — Danny disse para . — Não quero cursar medicina, não preciso desse A-level.
— Eu não estou dizendo isso, Danny…
— Que seja! — Harry a interrompeu, olhando para Danny a sua frente e ao seu lado. — Nós não sabíamos disso. Desculpa por te largar lá, Tom.
— Tranquilo — Tom sorriu —, mas e aí, o que andou acontecendo nesses dois dias.
Um olhou para cara do outro enquanto pensavam no que dizer.
— Entendi — Tom disse perdendo o sorriso e olhando para as próprias mãos em seu colo —, algo sério mudou, não é? Fiz vocês perderem um amigo?
se levantou e saiu da sala e foi atrás dela.
— Merda… — Tom sussurrou e olhou para suas mãos apoiadas nos joelhos. — Afastei Chris também?
— Tom… — , que estava ao seu lado, resolveu falar. — Você não fez nada de errado. Você estava defendendo a sua amiga de ser usada por um canalha.
Tom olhou para ela de súbito, querendo entender porque ela havia mudado de opinião sobre Evan. E ele entendeu… Alguém contou. Agora todos sabem da minha desgraça. Aposto que também sabe, pensava.
— Relaxa, cara. — Danny disse levando sua mão ao ombro do amigo. — Esquece isso.
— Eu já esqueci, Danny. — Tom sussurrou em resposta, olhando nos olhos de Danny.
Ele pode perceber que, mesmo sem demonstrar, Tom estava irritado e um longo momento de silêncio pairou na sala.
— Bem! — Luke disse sorrindo, levantando-se do sofá e caminhando até Tom. — Deixa a gente ver como ficou esse corte aí.
— Ficou bem bonito! — Tom respondeu ironicamente fazendo os amigos rirem.
Conversaram sobre o que o médico havia dito, Tom mostrou uma parte do enorme corte que carregava e que certamente deixaria uma cicatriz bem feia em seu peito esquerdo. e voltaram para sala. Eles estavam começando a se distrair de toda a parte ruim.
— Tom, você pode beber ou o médico proibiu? — Dougie perguntou.
— Bem, eu ‘tô proibido, mas…
— Nada de ‘mas’, senhor Fletcher! — disse. — Você vai só observar essa noite.
— Coitado, riu. — Deixa o menino beber em paz!
Harry ria quando ouviu a porta da frente de sua casa abrir e fechar.
— Shhh… fiquem quietos — Harry disse levantando do sofá e os amigos se silenciaram.
— O que foi, Harry? — perguntou.
— Thomas? Katherine? — Harry chamou enquanto pegava um taco de golfe no canto da sala e saia da mesma acendendo e luz do corredor.
— Buh!
Harry tomou um leve susto com o pulo que Evan deu para cima dele. Evan agora ria e Harry estava abaixando o taco.
— Relaxa, dude. — Evan disse enquanto continuava rindo.
Chris estava parado atrás do garoto, de braços cruzados e encostado na parede, mantendo um sorriso maldoso no rosto. Todos, que antes estavam na sala, agora se espremiam no corredor olhando para os dois.
— O que esse filho da puta está fazendo aqui? — Tom perguntou fazendo sua voz soar mais grossa e mais alta que a risada de Evan.
passou no meio de todos e foi falar com ele. Segurou o rosto dele com uma mão, segurando a atenção dele, nela.
— Vá embora, por favor. — disse, olhando no fundo dos olhos dele. Evan se calou e retribuiu o olhar. — Não venha arrumar confusão. Harry e Luke não vão te defender.
— Calma, . — Evan sorriu ao dizer o nome dela e depois olhou por cima dela, para os outros ali parados. — Eu venho em paz, cidadãos. Só vim conversar.
— Evan… — disse tentando empurrá-lo para fora dali.
— Conversar com quem? Ninguém aqui quer ouvir sua voz, cara. — Tom disse e ele sentiu a mão de Danny segurar seu ombro.
— Quero conversar com você. — Evan disse tranquilamente.
deixou seu queixo cair e não soube o que dizer. Harry apertava o taco de golfe com força, pois sabia que o [ex]amigo era bem impulsivo.
— Fala logo o quê você quer, McKay. — Harry disse.
— Cala a boca, Cricket Boy. — Evan respondeu com uma expressão séria e Chris riu. — Já disse que vim falar com o Fletcher.
— Pode falar, todos aqui já sabem das suas merdas, Evan. — Tom disse e Evan desviou o olhar para e voltou para Tom rapidamente. — É, a sabe.
— Você quer mesmo que eu fale aqui? Quer que eu traga a última novidade do time de rúgbi a tona? Na frente dos seus amados? — Evan perguntou e Tom sentiu um frio no estômago ao lembrar da conversa que tiveram no último treino de rúgbi no clube.
— Vamos sair. — Tom disse e os dois caminharam para fora da casa.
agarrou a mão de e e as puxou para trás.
— Vamos, dá pra ver eles lá no quarto da Katherine. — sussurrou.
— Mas e as outras? — perguntou.
— Alguém tem que ficar pra não dar pista de que sumimos.
Subiram as escadas em silêncio, quase correndo e entraram no quarto da irmã de Harry. abriu as cortinas e elas começaram a observar Tom e Evan conversando com caras bem feias no andar de baixo. Enquanto isso Chris, Danny, Harry, , Dougie e ficaram no corredor esperando os dois conversarem.
— Estamos sozinhos… — Tom disse.
— Você me desafiou, Fletcher… Ou já se esqueceu? — disse voltando a sorrir. — Eu demorei, eu sei, mas já tenho tudo em mente.
Tom continuou encarando o garoto enquanto pensava sobre a tal aposta. Não vou dar pra trás, pensava. Ele se lembrava de ter discutido com o garoto e no meio da discussão, Tom disse que apostaria qualquer coisa, dizendo que nunca, no que quer que fosse, iria perder para ele. Evan encarou isso como um desafio e apostou com ele que venceria. Agora, ele estava ali para escolher o prêmio e por a aposta em prática.
— Como você já deve imaginar, o treinador do clube não vai permitir que a gente use nada lá para uma briga ou qualquer esportiva e saudável. No entanto, eu não estava planejando resolver isso de um jeito saudável.
— E como você quer resolver isso? — Tom perguntou sentindo um frio na barriga.
O garoto não era flor que se cheire e Tom sabia que ele vivia metido em coisas ilegais. Não que ele fosse um santo, mas ao lado de Evan, ele poderia ser considera um padre.
— Numa corrida.
— Ahn? Como assim corrida?
— Racha. Pega. Sabe como é? Dois carros brigando pra chegar na--
— Eu sei, mas… eu não tenho carro e nem temos onde fazer isso, Evan.
— Quer dizer que você aceita?
— Eu já tinha aceitado meses atrás, não é?
— Hm, Tom Fletcher é um homem de palavra — Evan riu. — Enfim, eu conheço a cidade, sei onde podemos fazer isso. Também sei que você não tem carro, mas eu tenho. Bem, o que eu quero dizer é que eu te empresto o meu enquanto eu corro com o carro de um amigo meu.
— Entendi…
— Olha, serei bem generoso e… se você ganhar — riu de novo —, o que vai ser difícil, eu te dou meu carro e cinco mil libras.
— Tudo bem, é um bom prêmio. E o que você vai querer? — Tom perguntou trocando o peso de uma perna para outra.
— Você vai parar de se meter na minha vida, vai ficar comigo independente da sua opinião, ou da dela. E, última coisa, você tem que sair da cidade. — Disse e sorriu ao terminar.
— Você só pode estar ficando maluco! — Tom quase gritou. — Eu não posso fazer essas coisas.
— ‘Tá com medinho, nerd? — Evan perguntou rindo. — Também não posso te dar meu carro e 5 mil libras, mas eu estou apostando porque eu sei que vou ganhar.
Tom sentiu uma coisa que soube nomear subindo por sua espinha, era um arrepio de ódio. Acabar com Evan era a atual meta da vida dele. E mesmo sabendo que era um tremendo erro…
— Eu não estou com medo — Tom disse e esticou a mão direita para ele —, está apostado.
Evan apertou a mão de Tom em resposta.
— Quando estiver com tudo certo, eu te aviso na escola.
, e desceram as escadas correndo assim que viram Evan e Tom caminharem para dentro da casa de novo.
— Onde vocês estavam? — perguntou ao ver as outras chegarem ali.
— Em casa eu te conto. — respondeu e apontou para a porta mostrando os dois meninos entrarem.
— Chris, vamos… Já falei o que eu queria para Tom.
Evan disse e Chris pareceu acordar de uma abstração enquanto observava um quadro na parede do corredor. Tom passou direto pelos dois e parou em frente aos amigos. Evan saiu, mas Chris se virou procurando, e encontrando, o olhar de . Seguram a troca de olhares por uns instantes até que Chris respirou fundo e saiu.
— Deixa ele pra lá, — Tom disse, agora olhando nos olhos da amiga.
— É, se ele fosse nosso amigo e te amasse de verdade, ele tinha ficado aqui com a gente. — Danny completou e recebeu uma cotovelada de e olhava para ele fazendo cara de reprovação.
— Querem saber? — perguntou sorrindo de repente. — Foda-se ele, eu vou sorrir, porque é isso que eu mereço!
Deu um grito e as amigas acompanharam. Ela correu para sala e já pegando a garrafa de vodca em cima da mesa e entregando-a a Tom.
— Se você não vai beber, vai ser nosso barman então! — ela disse e pegou sua bolsa no canto da sala. — Quem quiser que me acompanhe.
Obviamente, os amigos entenderam o recado. puxou vários pacotes rosa de nome Luv e deu um para cada menina.
— MDMA? — perguntou rindo ao ver a cor. — Você leu meus pensamentos!
devolveu o pacote sem que visse e foi para o banheiro usar o pó que havia roubado da amiga naquele mesmo dia, mais cedo. Enquanto isso os garotos se arrumaram em um círculo e começavam a dividir um bong. Aquele seria um longo final de semana.




CONTINUA


N/A: My boy builds coffins, he makes them all day but it's not just for work and it isn't for play. He's made one for himself, one for me too. One of these days he'll make one for you.
Tô macabra hoje. Não, é mentira. Enfim, falaram que eu pareço com a Florence, só não disseram se é na voz ou na aparência, então eu não sei se agradeço ou fico ofendida. Desculpa, Florence. Falaram também que eu pareço com a Rose, só falta achar um Jack pra mim. Agora eu quero saber qual vai ser a próxima ruiva com quem eu vou ser ‘parecida’. Vou voltar a ser ruiva, quem sabe eu realmente fico parecida com alguma delas – quem sabe a Kate linda Nash. Er… Tenho que parar de falar idiotice aqui e falar sobre o capítulo.
Acho esse capítulo chato. Terceira vez que eu falo isso desde que a fic começou… e isso não é muito bom, né? Whatever. Vou tentar mandar o máximo de atualizações antes de janeiro, porque eu dú-vi-do que eu vá ter tempo pra escrever/mandar alguma coisa enquanto eu estiver viajando.

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