Losing Grip

Autora: Amanda Baudelaire
Status: Em Andamento
Revisada por: Káh
Categoria: Hot Fic
Sub-Categoria: LongFic - Drama /Romance/Comédia
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Capítulo 1



andava por entre o enorme salão de festas do hotel cinco estrelas. Encarava a si mesma nos espelhos dourados que iam do chão ao teto, onde prendiam candelabros de mesma coloração. Havia várias pessoas no local, todas sorrindo e conversando embaladas pelo som de alguma música lenta. Estava nervosa continuava distribuindo sorrisos cordiais a quem a cumprimentava. Odiava isso. Eram sempre as mesmas coisas, as mesmas pessoas. Daria tudo para não comparecer ao evento, mas não era possível como Madison havia lhe dito anteriormente.
— É o evento do ano e é promovido pelo seu pai. Você vai ser alvo de fofocas se não for. – ela disse.
The Black Ball era uma das festas mais badaladas e concorridas do circuito social londrino, todo mundo que era alguém estava ali. The BB – como é conhecido pelos mais íntimos - consistia em um baile de gala onde todos deveriam usar preto, sendo que máscaras da mesma cor eram distribuídas na entrada do local. Era organizado pelo pai de , Christopher que era nada mais nada menos que o manda-chuva do cenário musical atual. Dono de três gravadoras e de uma revista promissora, ele realizava aquela festa há exatos dez anos e a cada ano a disputa era mais acirrada para ter o nome na lista. Não só na lista, mas também ter o nome relacionado ao dele de alguma forma já que era garantia de sucesso. Devido a isso, queria se desvincular do próprio sobrenome, pois nunca sabia se alguém se aproximava dela por interesse ou não. E por isso, o fato de ter que usar máscara a confortava um pouco. Ficar anônima mesmo que por alguns segundos era animador, poderia ser enigmática e evitar algumas pessoas indesejadas. Tiraria o máximo proveito da situação. Pegou uma taça de champagne na bandeja que passou em sua frente. O local agora parecia mais animado, o DJ havia trocado a música, levando as pessoas a irem até a pista de dança. Encostou-se em na pilastra mais próxima e bebeu o líquido da taça.
— Irmãzinha, deixe de lado essa cara rabugenta e procure se divertir! – disse Joshua, seu irmão mais velho — Você está linda demais pra ficar assim. Anda, se mexe! Parece uma freira.
— É , você está absolutamente maravilhosa! Não fique aí no canto. – pediu Madison.
trajava um vestido negro brilhante que possuía um decote generoso e uma fenda nas costas. Ele era colado em seu corpo, o que valorizava sua voluptuosidade. Usou apenas o necessário de maquiagem visto que seu rosto estava coberto pela máscara. O sapato de salto era altíssimo, mas ela não possuía dificuldade em usá-lo. O par de brincos de ametista era visto por debaixo de seu cabelo que fora deixado solto e com ondas. Estava definitivamente magnífica.
— Obrigada casal vinte, mas eu não tô com saco pra festa. Por que vocês não vão dançar um pouco? – perguntou apontando para eles.
Os dois se entreolharam e deram de ombros. Sabiam que não queria estar ali, ela apenas cumpria uma obrigação. Foram para a pista de dança, respeitando a vontade dela. sorveu o resto da bebida alcoólica enquanto observava o irmão e a namorada dançarem animados. Sorriu com a cena, desejando ser mais como Joshua e Madison que sempre viam tudo alegremente cor-de-rosa. Então, o viu. O homem estava exatamente como ela, do outro lado do salão analisando as pessoas. Usava um terno totalmente negro, máscara da mesma cor e uma gravata prateada. A roupa o deixava extramente sensual, fazendo jus à aura de poder, comando, autocontrole que ele emanava. Era alto, tinha os ombros largos e um sorriso provocante brincava em seus lábios. “Um homem que consegue o que quer”, concluiu. Os olhos dele pousaram sobre ela e sentiu um calafrio percorrer todo o seu corpo. Mesmo do outro lado do enorme salão de baile, ela sentiu o olhar intenso. Parecia um predador encarando a presa.
não conseguiu se mexer, o coração batia acelerado em seu peito. Não costumava ter medo, mas nesse momento experimentava tal sentimento. Sentia-se nua, exposta. Tudo isso porque um homem que nunca havia visto antes a encarava avidamente. “Isso é ridículo”, pensou. Ele nem a tocara ou falara nada. Acenou para o garçom mais próximo, trocando a taça vazia por uma cheia e de forma zombeteira, ergueu a taça em um brinde. O homem, por sua vez, inclinou a cabeça cumprimentando-a. Depois, endireitou a gravata e caminhou em sua direção. Surpresa, sentiu o ar sair de seus pulmões. Ele tinha um andar confiante daqueles que os caras têm quando sabem que mexem com uma mulher. Ela o viu ser abordado por um grupo de mulheres. Também observou a forma como o homem categoricamente se livrou de todas, deixando-as rindo. O coração parecia acelerar a cada passo que ele dava, ficou nervosa embora soubesse, desde o primeiro momento em que o vira, que aquele encontro seria inevitável.
— Oi. – ele disse com uma voz sensualmente rouca — Gostaria de dançar?
— Não, obrigada. Está muito quente, acho que vou dar um pulinho lá fora. – respondeu.
— Então, me deixa te acompanhar. – o homem deu delicadamente o braço ao dela. — Qual é o seu nome?
— Sutileza com certeza não é seu. – replicou desvencilhando-se aquele maravilhoso braço masculino.
— Desculpe, mas é que eu não gosto de perder tempo.
— Procure outra pessoa para conversar então. – ela sugeriu com frieza.
— Não. – deu de ombros — Estou interessado em você.
Interessado em você. Essas três palavrinhas ficaram ecoando na cabeça de . Segundas intenções? Bom, ele deveria ter até vigésimas intenções. E esse olhar quente dele não estava ajudando em nada.
— Pois bem, qual é o seu nome? – ela perguntou.
, mas prefiro que me chame de . Fico feliz por nos entendermos. – ele deu um sorriso de mil volts que deixaria qualquer uma de pernas bambas.
— E eu tenho opção? – ironizou.
— Tem sim. E você sabe que quer escolher essa opção. – falou provocantemente,.
— Como ainda não possuo o poder da vidência, porque não me diz qual é?
pegou no braço dela, colocando-o gentilmente entrelaçado ao seu. poderia ter protestado, até gritado. Em um local repleto de pessoas, não havia como aquele homem fazer qualquer coisa sem o consentimento dela. Mas esse era o problema, ela queria que ele fizesse. E a quentura das mãos daquele homem tinha se espalhado por todo o seu corpo e a sua respiração era lenta e pesada. Com esforço, agarrou a haste da taça, segurando-a como se fosse a única coisa que pudesse mantê-la sã.
— Que tal irmos a um lugar mais calmo? – indagou.
— Eu não sou desse tipo. – ela o advertiu.
— Eu sei. Eu também não sou assim normalmente.
— Ah, conta outra. – rolou os olhos.
— Vamos, admita que você quer isso tanto quanto eu.
— Eu não vou admitir nada. E pare com isso, está fazendo a minha cabeça girar.
— Isso é bom, mas não acho que isso seja por causa do meu charme. - Ele tirou a taça que ela segurava, colocando-a na mesa mais próxima. — Agora ficará melhor. E você também faz a minha cabeça girar.
— Que prepotente! Pena que não posso discordar.
— Ora, ora. Está me chamando de charmoso? Vejo que estamos progredindo. – ambos sorriram. — Há algo acontecendo entre nós dois que nunca aconteceu comigo... Não desse jeito. Jamais vi uma mulher do outro lado de uma sala repleta de gente e senti que precisava tê-la. Você tem que acreditar em mim... Juro que é verdade.
encarou aqueles olhos e depois analisou cada linha daquele rosto. parecia uma daquelas estátuas de deuses gregos, por isso, rapidamente surgiu em sua mente Apolo, o deus da beleza e perfeição.
— Eu não costumo ir para cama com estranhos. – ela declarou.
— Nem eu. Por que não começamos com o básico? Você me dizendo o seu nome.
Ela mordeu os lábios em dúvida. Seria fácil se jogar naqueles braços e esquecer-se do mundo, mas sendo quem era isso não era tão simples assim para . Ele poderia mudar de atitude assim que soubesse quem era ela de verdade.
— Não posso.
— Pra que tanto mistério? – perguntou.
— Me é conveniente no momento.
— Você é alguém que eu deveria conhecer? – estudava o rosto dela. Com isso, gelou por dentro e considerou, por um momento, dizer a verdade, porém resolveu continuar com a mesma estratégia. De duas uma: ou ele desistiria ou continuaria forçando até que descobrisse. Desse modo, negou com a cabeça.
— Se formos para a cama hoje à noite, tenho que saber quem você é.
— Se insistir em saber o meu nome, nada feito.
— Então você quer? – gracejou.
— Argh, seu... – ela tentou se afastar, em vão, claro.
— Calma, calma! Só estava tentando amenizar o clima. Você gosta de ter o controle da situação.
— Claro. Algo errado com isso?
— Não. Mas eu também gosto de ter o controle em minhas mãos.
— Seria bom que ter uma nova experiência, expandir os horizontes. - o provocou.
Ele ficou em silêncio, observando o rosto dela. De repente, levantou a máscara. Se antes ela o achava bonito, agora achava formidável. Ele mordeu os lábios. Seus olhos estavam carregados de luxúria. Ela engoliu em seco e disse a primeira coisa que lhe veio à mente:
— Devo estar louca para cogitar ir para a cama com você... E estou bem sóbria. Não posso culpar o champagne.
— Não tem nada a ver com a bebida. Tire a sua máscara. – ordenou rudemente.
— Não. Se formos para a cama, você tem que prometer que não vai tocar na minha máscara. Nunca saberá quem sou... É assim que quero e é assim que vai ser. Se não concordar, vou embora agora. E, se insistir em me deter, vou gritar.
— Você é tão teimosa, mas poderia te fazer mudar de idéia.
— Duvido muito.
— Tenho a sensação de que a minha vida tem sido muito chata e previsível ultimamente... Tanto na cama quanto fora. Vou lhe dizer uma coisa: você não é nem chata nem previsível.
— Agradeço o elogio. Não acho que sua vida tenha sido assim.
— As aparências enganam, minha querida.
Era isso, estava louca pelo homem que a olhava. gostava de desafios, de viver no limite. Tal característica já havia a deixado em grandes problemas. Mas porque não acrescentar mais um à lista?
— Concorda com que estou pedindo? Não digo o meu nome, e a minha máscara permanece no rosto.
Ele a beijou. Tudo estava naquele beijo: o desejo, a luxúria, a dissolução de limites. A boca de demonstrava isso com segurança. Sem hesitar, correspondeu ao beijo, ao desejo, com a mesma intensidade, a mesma paixão, esquecendo-se de onde estava. Bem devagar, se afastou. Os olhos escureceram, ficando em um tom profundo. Ele disse:
— Concordaria com qualquer coisa para ter você. Não gosto das suas condições. Mas concordo e prometo que não vou me opor. Só não prometo não tentar dissuadi-la. – ele acariciou o rosto dela e ela olhou em volta, agradecendo mentalmente por todos estarem se divertindo demais — Tenho reserva para uma suíte aqui, vamos?
Quando lhe ofereceu novamente um dos braços, po¬sou uma das mãos nele, e outro arrepio de medo percorreu-lhe o corpo. Mantendo a cabeça erguida, permaneceu perto enquanto ele abria caminho com facilidade por entre os outros mascarados. No íntimo, ela sabia que esse era o maior risco que aceitara. Os dois passaram pela hostess e pelos seguranças, que estavam concentrados, checando os nomes na lista. O elevador era de um bronze tão polido que ela podia ver o contorno do próprio corpo nas paredes. Ele apertou o botão do último andar e tornou a encará-la com a intensidade já conhecida. Ao chegarem, a conduziu por um corredor parando diante de portas em tons creme e dourado. Ele as abriu, gesticulando para que entrasse. Mesmo já conhecendo a suíte, ao entrar, ela não pode deixar de admirá-la. Os olhos percorreram o quarto de uma ponta a outra, fixando-se nos delicados candelabros dourados, nos brecados luxuosos e nas borlas de veludo. Sobre o enorme assoalho de madeira, antigos tapetes feitos à mão. Então, ele a beijou. Ela gemeu de prazer, moldando o corpo ao dele, entregando-se ao desconhecido e ao novo com a ousadia que lhe era tão característica. A excitação dele era arrebatadora e imperativa. O beijo se aprofundava, exigindo dela mais ardor. A língua de era quente e persuasiva, o corpo firme e masculino. Ela colocou os dedos no cabelo sedoso, puxando-lhe a cabeça para baixo. Os joelhos se curvaram às ondas de desejo que percorriam o seu corpo. murmurava por entre os beijos que lhe dava no rosto, no queixo, no pescoço:
— Você está tão linda nesse vestido, é uma pena ter que tirá-lo.
— Não tenha pena disso. – retrucou ofegante.
Ela desabotoou e despiu a camisa dele. A respiração ficou presa na garganta. Não errara ao compará-lo a um deus grego. A pele dele era quente e tinha o cheiro de uma essência masculina que já lhe era conhecida. Sândalo, talvez. Com a boca, ele traçou a suavidade da nuca dela, saboreando cada centímetro, provocando-lhe arrepios por todo o corpo. Então, , com um único movimento, abriu o zíper, desnudando-lhe as costas. virou-se e, retirou os braços das mangas do vestido, deixando-o cair até a cintura.
— Você é maravilhosa. - comentou , o olhar sedutor aumentando a temperatura corporal dela. Primeiro, ele acariciou-lhe os seios, depois os beijou. gemeu em uma reação instintivamente feminina. O corpo arqueando em direção ao de , os olhos fechados em êxtase. E, enquanto isso, as mãos másculas, aquelas mãos deliciosamente másculas, traçava a curva do abdômen e o delicado arco das costas. Ele a pegou no colo, carregando-a pela sala até o quarto. Deitou-a na enorme cama, cobrindo-a com o próprio corpo, beijando-lhe os seios, os ombros, a boca. Os dois livraram-se dos sapatos, e ele continuou com o doce tormento. Dentro dela, uma sensação jamais sentida aflorou diante do desejo claramente estampado no rosto de .
— Você está com roupa demais. – ela disse e ele sorriu.
— Tira essa máscara. – pediu retirando a sua própria.
— Peça qualquer coisa, menos isso.
Enquanto tirava a calça, indagou maliciosamente:
— Qualquer coisa mesmo? Tem certeza?
— Tenho.
inclinou-se e delicadamente acariciou-lhe um dos mamilos com a língua. Ela o ouviu arfar de prazer e a levava à loucura. As últimas peças de roupas foram retiradas, jogadas em algum canto do cômodo. Após as devidas precauções, os dois corpos se fundiram, tornando-se apenas um. Atônita, apertou-lhe os largos ombros fincando as unhas ali. Corações acelerados, respiração falha. começou a se movimentar com investidas longas e lentas que a faziam ficar em ponto de ebulição. Ela sussurrava, gemia e se contorcia. gostava de todos os sons que ela emitia. Eram suficientes para levá-lo ao limite. Ela sentiu-se sem ar quando os lábios famintos dele tocaram os seus. Os movimentos foram ficando mais rápidos. O mundo se resumia aos dois corpos frenéticos que ali estavam. Ele esperou pelo momento em que os gemidos provenientes do clímax irrompessem os lábios de , para sentirem juntos aquele sentimento de plenitude. Ele jogou-se ao lado dela e puxou-lhe para o aconchego de seu peito, em um gesto de pura possessividade. As freqüências cardíacas ainda estavam elevadas, mas iam diminuindo com o passar dos segundos.
— Você está bem? – perguntou.
— Sim. Não. Não sei. Você faz perguntas muito difíceis . – riram. Ele levantou-se e se espreguiçou dizendo:
— Pois eu me sinto muito bem.
— Pare mais do que bem.
Rindo, ele desapareceu rumo ao banheiro. pôs as mãos na cabeça, não acreditando no que havia acontecido. Era a primeira vez que tinha ido para a cama com alguém que havia acabado de conhecer e que não sabia seu nome. voltou para ocupar o mesmo lugar de antes, puxando-a novamente para os seus braços e para o calor de seu corpo. Ela – por sua vez – se acomodou, encaixando-se perfeitamente e ouvindo a respiração calma dele que adormeceu rapidamente. O rosto dele refletia força e, ao mesmo tempo, uma vulnerabilidade que a impressionava. Ela desviou o olhar e soube que precisava ir embora dali e ficar longe enquanto ainda era tempo. Ele dormiu e essa era a sua deixa. Esperou alguns minutos para confirmar que ele estava, de fato, dormindo. Mexendo-se com cuidado, tirou um dos braços e procurou seus pertences pelo chão, encontrando tudo espalhado. Depois de pegar as roupas, se arrastou rumo ao banheiro. A maquiagem estava borrada. Vestiu o vestido, lutando com o zíper. Ao pegar os sapatos, cruzou o quarto na ponta dos pés em direção às portas que a conduziriam até a saída. Em seguida ouvindo a própria pulsação acelerada, saiu da suíte, fechando a porta com cuidado para não fazer barulho. Depois de calçar os sapatos, desceu, até o saguão. O atendente da recepção estava atendendo algumas pessoas que haviam feito reservas de última hora. O mensageiro abriu a porta de vidro com uma cortesia impecável, perguntando se gostaria que ele chamasse um táxi. Ela aceitou e agradeceu-lhe. Nenhuma carruagem. Nenhuma abóbora também. Cinderela transara com o príncipe e agora saía na calada da noite. Em vinte minutos, ela já estava em casa. Longe de e a salvo.
Sem estar acordado por completo, esticou-se na cama à procura de . Adormecera com os braços ao redor dela, sabendo que o que mais queria no mundo era acordar ao lado daquela mulher. À luz do dia, ele descobriria a sua identidade. Aonde ela estava? abriu os olhos. A luz da manhã brilhava através das fendas das cortinas. Não havia ninguém mais ali. Pulou da cama. ouvia apenas o barulho do trânsito lá embaixo. A sala estava deserta. Procurou por um bilhete pela suíte. Entretanto, não encontrou nada. Ela tinha ido embora, sem deixar nenhum sinal. não sabia o principal sobre ela. Não sabia o nome, a profissão, nem como parecia sob aquela máscara fascinante, que lhe ocultava o rosto quase por inteiro. A máscara que ela se recusara a tirar. Não podia culpá-la. Ela fizera o que dissera que faria: ambos teriam uma noite e, depois, desapareceria. Como se ele não tivesse tido nenhuma importância. Levou os dedos à testa, forçando-se a reconhecer o único e perigoso erro que cometera, sem orgulho e arrogância. Durante toda a noite, convencera a si próprio de que poderia fazê-la mudar de idéia, que mais cedo ou mais tarde, ela tiraria a máscara e lhe diria o nome. Mas ela não fizera nem uma coisa nem outra. Em vez disso, esperou que ele adormecesse e então foi embora. Ele vestiu-se e procurou por ela, perguntando à todos os funcionários do hotel. Era uma tarefa complicada já que ele não sabia seu nome e a descrição de sua vestimenta era abrangente demais uma vez que muitas mulheres usavam algo parecido na noite anterior. “Ela desaparecera da face da terra”, pensou. Deu um basta na procura. Não deixaria que uma mulher o deixasse louco. Se, por acaso, voltasse a vê-la, correria na direção oposta. Não que fosse encontrá-la. Ela tomara as providências para que isso não acontecesse.


Capítulo 2


estava sentindo-se revigorada. As duas semanas em um SPA que ganhara de presente vieram na hora certa. Nada como os melhores tratamentos cosméticos para aliviar toda a tensão que estava sentindo nos últimos dias. Se fechasse os olhos era capaz de sentir-se de volta à espreguiçadeira com o seu maravilhoso mojito em nas mãos. Uma palavra: paraíso. Mas a realidade chamava, hora de voltar ao trabalho. Já havia alguns meses desde que havia assumido um grande cargo em uma das empresas de seu pai: a de produtora e presidente Island Records e acionista majoritária da Management (pelo menos, enquanto seu pai estava concentrado em outros planos). Agora que tomaria as rédeas de projetos maravilhosos sem a supervisão paterna, já podia sentir o gosto do desafio e isso era o bastante para ficar animada em plena segunda-feira pós mini-férias. Cantarolava uma música da Corinne Bailey Rae que tocava no rádio durante o trajeto pelas ruas de Londres.
Girl, put your records on,
Garota, coloque seu som para tocar
Tell me your favorite song.
Me diga sua canção preferida
You go ahead, let your hair down.
Vá em frente, solte seus cabelos.
Parou a BMW em seu local habitual na garagem do enorme prédio. Passou pelo saguão distribuindo vários “Bom dia” e sorrisos. Estar incumbida de tais responsabilidades era tudo o que ela queria e seria muito bom provar a todos a sua competência, fazendo com que esquecessem que era apenas a filha de Christopher . Olhou para o relógio: quinze minutos adiantada para a reunião. Aumentou ainda mais o sorriso, aparentemente o dia estava começando bem.

conversava animadamente com , e na sala de reuniões. Estavam todos muito animados com o novo disco e com a parceria com os tops no ramo da música. Então, ele a viu. Ela tinha acabado de abrir a porta da sala. Trajava uma camiseta do Rolling Stones, blazer escuro e jeans. O cabelo era uma cachoeira negra sedosa. As pernas eram longas; nos pés as ankle boots de salto alto, eram da cor vermelha. A pele parecia brilhar sob os raios quentes do sol que adentrava as grandes janelas de vidro. Aquela mulher era belíssima. Ela olhou para trás e manteve a porta aberta para que outra mulher pudesse entrar. A loira a agradeceu e erguendo o olhar, lhe pediu alguma coisa. A mulher se aproximou para responder-lhe, tirando os óculos escuros. A camiseta era justa, fazendo com que o olhar de permanecesse ali por bastante tempo. Ela apenas balançava a cabeça concordando e a sua acompanhante disse algo que fez a rir. Mesmo do outro lado do cômodo, ele ouviu a risada rouca e sexy daquela mulher. Depois de dizer mais alguma coisa à loira, a mulher de cabelo preto virou-se e se encaminhou à mesa, distraída com alguns papéis que estavam em suas mãos. ouviu dizer:
— Esplendida, não acha?
— Você a conhece? – ele perguntou confuso.
— Quem não a conhece? – respondeu.
— Eu não. – retrucou.
— Como não? Aquela ali é . Herdeira do império da música. – interrompeu.
— Ah, certo. Já sei quem é. – parou para analisar todo o “conjunto” — Eu pensava que ela era mais nova.
— Que nada, tem uns vinte e dois anos. Por aí. Vem comigo, vamos falar com ela. ? – a chamou.
A moça olhou, viu e sorriu. Por alguns segundos ele quis que aquele sorriso iluminado fosse para ele, que ela estivesse sorrindo pra ninguém mais que ele. Sorriu para si, sem humor devido a tal súbita vontade. Os olhos dela eram quase tão negros quanto o cabelo. Tanto os lábios quanto as unhas estavam pintados de vermelho. Uma boca bem voluptuosa, pensou .
! Que bom vê-lo — comentou , abraçando-o.
Os dois haviam se conhecido há mais ou menos um mês, quando Christopher disse a ela que seria produtora e que seu primeiro trabalho era com o McFLY; uma banda que decolou rapidamente e estava prestes a alcançar o auge da carreira. estava representando a banda e após serem apresentados, os dois conversaram por muito tempo e tiveram ótimas idéias. Saíram algumas vezes para discutir mais alguns detalhes e acabaram se tornando bons amigos. a beijou no rosto, dizendo:
— Me deixa te apresentar ao resto da banda. Esses são , ela cumprimentou os dois primeiros calorosamente, até que completou: — e este é . Caras, esta é , a nossa maravilhosa produtora.
estava ali, bem na frente dela. O sol dourava o lindo rosto enquanto os olhos estavam presos aos de . O choque a atingiu com a força de um terremoto. Conforme a cor desaparecia de seu rosto, o chão oscilava e afundava sob seus pés. lutou para manter o controle, desejando que o chão permanecesse firme. Mas vê-lo de novo, depois de apenas algumas semanas era...tortura. Ela fechou os olhos, rezando para acordar e descobrir que tudo não passava de um sonho ruim, igual aos que tinha na adolescência em que ia para a escola de pijama.
— Você está bem? — indagou , preocupado.
— Sim... Me desculpe. Acho que peguei sol demais durante as minhas férias.
— É um prazer conhecê-la, . Já ouvi falar muito de você. — disse.
O choque e a aflição deram lugar à raiva. Como ousava agir como se nunca tivessem se encontrado? Era no mínimo revoltante.
— Estou lisonjeada — respondeu , com sarcasmo. Então, dirigindo-se aos outros membros perguntou: — Bom, vamos começar?
Os quatro assentiram obviamente perturbados com a beleza da mulher ali presente. Todos procuraram um lugar para sentar-se e escolheu a cadeira exatamente ao lado de .
— Nunca nos encontramos antes, certo, ? Não posso imaginar como a ofendi, pelo menos acho que a ofendi já que me tratou com um pouco de desprezo em relação aos meus companheiros de banda. — comentou apenas para que ela ouvisse.
deveria saber que ele não aceitaria “maus modos”. Não o conhecido sedutor que, não admitiria que mulher alguma o tratasse assim, indiferente aos seus encantos. Estava prestes a dizer, Mas , você se esqueceu da nossa tórrida noite de sexo algumas semanas atrás? Logo você que disse ter se sentido muito bem,. Embora fosse sentir grande satisfação por ter dito tudo isso, se conteve. Se quisesse, negar-lhe a existência, deveria deixá-lo fazer isso. Dessa forma, o manteria fora de sua vida, preservando a própria privacidade como planejado.
— Não creio que tenhamos nos encontrado antes, senhor . Mas você me lembra muito uma pessoa que prefiro esquecer... Por favor, desculpe por isso. Agora se me dá licença, acho que temos muitas coisas pra decidir.
— Ah, claro. Mas, por favor, me chame apenas de . – pediu, sorrindo sensualmente.
Outra onda de raiva tomou conta de . Até ele cruzar seu caminho, ela estava bastante animada. Agora, perdera a empolgação. Como ele ousava reagir como se nunca a tivesse visto? E depois ter a audácia de lhe perguntar como a ofendera. Patife. Tentava se controlar, apesar de que a presença de um determinado espécime masculino ao seu lado dificultava essa tarefa. Algumas horas se seguiram, todos – exceto , que ficava quieto, analisando pelo canto do olho - davam várias idéias fantásticas. A reunião estava acabando e ela tinha certeza que iria procurá-la. Quanto tempo mais ficariam juntos antes de ele falar sobre o passado? Mais importante, por quanto tempo ela conseguiria conter a fúria? O temperamento impetuoso lhe causara problemas antes. Não podia arriscar-se. Havia muito em jogo. não percebeu quando tudo se encerrou e os outros participantes da reunião foram se retirando da sala. Quando se virou, notou que já havia se levantado e o barulho de seus saltos indicava que já saía do local. Ela queria sair dali o mais rápido possível, mas se corresse para casa, como se estivesse fugindo, sentiria como uma perdedora e pareceria um pouco estranho aos olhos de sua equipe. Por que ir embora? Só porque aparecera? Ele não queria nada com ela. Se quisesse, poderia tê-la contatado a qualquer hora nos últimos dias. Foi para o seu amplo escritório em busca de um pouco de paz. Sentou-se em frente à pilha de papéis empoleirados sob a mesa de mogno. Se começasse a trabalhar, com certeza deixaria de lado todo aquele turbilhão de emoções.

continuou por alguns minutos no mesmo local, conversando um pouco com Alan, um dos outros produtores. Mas não conseguia tirar da cabeça. Podia apostar o seu mais novo carro como ela não ficara nada feliz ao dar de cara com ele. Problema. Era isso o que indicava os olhos negros brilhantes e a boca vermelha sensual dela. Ele não precisava desse tipo de problema. Precisava? Provavelmente não, porém não conseguia imaginar o que fizera para ela e estava louco para descobrir. Pedindo licença, saiu dali em busca da sala dela. Bateu na porta duas vezes antes que ela dissesse algo. Os passos ecoaram pela sala, e ela sequer levantou o rosto para ver quem era, talvez, pensasse ser a sua assistente. Silenciosamente, puxou a cadeira em frente à mesa e sentou-se, apoiando uma das mãos no maxilar.
— Eu, sinceramente, não sei o que fiz pra você. – anunciou, quebrando o silêncio com aquela voz sensual que povoara os pensamentos mais férteis de . Ainda sem levantar a cabeça, lendo – ou tentando ler – o que estava a sua frente, ela respondeu:
, eu já lhe expliquei. Você não me fez nada.
— Mas aposto que gostaria que eu fizesse. – ele replicou. Ela ousou levantar o olhar, encarando um par de olhos instigantes e quentes. Definitivamente, sabia mexer com os hormônios de uma mulher e tinha absoluta convicção disso. Só que , por sua vez, não era uma mulher qualquer.
— Tenha cuidado com apostas, elas levam até os homens mais seguros de si à ruína. – ela puxava novamente os papéis para que tapassem o seu rosto. Por um momento, sentiu um vislumbre ao ver apenas aqueles lábios curvados em um pequeno sorriso que ele jurava conhecer. Abriu bem os olhos. O queixo caiu e, inadvertidamente, sentiu uma pressão no peito. Tinha que estar errado. A imaginação estava fértil demais. Seria a sua musa mascarada? Devia estar totalmente fora de si para pensar isso. Tome jeito, disse à si mesmo. Não poderia ficar comparando qualquer mulher bonita à aquela que roubou-lhe algumas noites de sono. Contudo algo no olhar, no sorriso dela que o fazia pensar nisso. tinha certeza de que o corpo, por mais que estivesse coberto, deveria ser estupidamente maravilhoso. O que será que mais odiava? A arrebatada sensação de esperança na remota possibilidade de que a encontrara de novo? Ou o terror de que estivesse errado?
— Por favor, senhor , eu não tenho todo o tempo do mundo. Você poderia me dizer o que você quer? – ela perguntou, encarando-o avidamente com toda a determinação reunida.
— Bom, só queria resolver o nosso pequeno mal-entendido. Como está muito ocupada, vou indo. – levantou-se, saindo pelo mesmo lugar que entrara, com a mesma desenvoltura de sempre. E antes de fechar a porta, virou-se e acrescentou: — Mas eu volto. Pode ter certeza.
Ele dera um deliberado tchauzinho com a mão esquerda e fechara a porta atrás de si. soltou o ar que havia segurado por todo aquele tempo. O perfume dele estava impregnado em sua mente e em seu escritório. Era inebriante e aumentava ainda mais a confusão instalada nos seus pensamentos. Começou a andar de um lado para o outro na tentativa de acalmar os nervos. Esse era , solteiro convicto e sedutor de carteirinha, bastava um jogo de palavras e... Pronto, o alvo era abatido. Jogou-se no sofá que se encontrava no fundo da sala. Havia sido muito bom ter estado com ele naquela noite, mas não poderia se repetir novamente. No baile ela era apenas uma mulher que flertou com o perigo e acabou enrolada em lençóis de seda. Ali era , renomada profissional que não poderia se deixar envolver com quem trabalhava. Então, porque desde o momento em que colocara os olhos em , desejou ardentemente que ele colocasse as mãos em seu corpo novamente? Não era simples, havia de convir. Ele provavelmente flertara com ela devido à sua posição e não porque a desejara. Certo? Certo. Bom, porque isso estava incomodando? Ele deixou bem claro o que queria quando fingiu não reconhecê-la: apenas brincar. E era necessário, pra o bem de todos, que ela aceitasse isso. A única certeza que tinha era que seria uma missão impossível se manter longe daqueles braços fortes e daqueles olhos luxuriosos.

*


permaneceu o resto do dia pensativo e desconcentrado. Já havia errado várias músicas durante o ensaio. Quando não conseguiu agüentar mais, pediu por uma pausa. Impaciente, se retirou do local ao perceber que seus pensamentos se voltavam para aquela encantadora mulher cujo nome era . O ar frio de Londres não incomodou nenhum pouco. era o bastante para manter o cérebro mais distraído tentando desvendá-la do que se ajustar à temperatura. Com um grunhido de desgosto, concluiu o que deveria ser feito: controlar-se perto de . Afinal, iriam trabalhar juntos. “Você poderia me dizer o que você quer?”, ela havia dito. Se falasse tudo o que passou por sua mente desde o momento que a tinha visto, bom, ela talvez ficasse histérica. Contudo, por alguma razão, tinha certeza de que não era esse tipo de mulher. Apesar do tratamento glacial que lhe dera, ela podia ver claramente todo aquele fogo, paixão em seu olhar. Notou a presença de alguém.
, - começou — a gente precisa ensaiar cara. Precisamos de músicas novas também, você sabe.
— É. Eu sei disso. – respondeu asperamente — Não sou criança, não precisa ficar me lembrando.
— Santa ignorância! Não tá mais aqui quem falou... Ah, ligou. Ela disse que tem algo muito legal pra nos mostrar. Vou te contar, aquilo que é mulher.
trincou o maxilar e apertou as mãos em punho. Quanto mais afastado queria ficar, mais teria que ficar por perto. Ele não poderia ter ao menos um dia longe? E pra melhorar a situação, os seus companheiros de banda ficaram muitíssimo deslumbrados. Antes que pudesse apresentar qualquer desculpa, os amigos já o arrastavam para vê-la. “Que merda. É só uma mulher .” disse a si mesmo. Quando pararam em frente a um grande prédio de tijolos vermelhos, ele não tinha ideia de onde estava. Tudo o que sabia era que era no centro da cidade. Ou pelo menos foi o que pensou ter escutado da conversa no telefone de e . Seguiu os três, entrando no edifício e depois no elevador. Quando este se abriu, viu uma grande porta que parecia ser muito estranha, tipo aquelas portas de saída de emergência. não bateu, nem nada; apenas entrou. Era um local bem amplo e iluminado. Um tanto vazio, mas ainda sim aconchegante.

— Olá meninos. – disse, surgindo de um corredor mais à frente. — Venham comigo, por favor. Ainda sem dizer alguma palavra, eles foram ao encontro dela. Passaram por um local cheio de portas, chegando ao fim do corredor que ela estava. Ali ficava uma sala com que mais parecia uma ilha de aço inoxidável instalada no meio de uma grande extensão de tabuas corridas. Era uma espécie de loft.
— Vocês devem estar de se perguntando onde estão e porque eu trouxe vocês aqui. – ela começou. — Bom, aqui é um tipo de estúdio. Só que é bem diferente pois também é um apartamento.
— Ainda não estou entendo . – falou confuso.
— É o seguinte, meu pai projetou esse lugar pra ser um refúgio criativo pras bandas. Como, geralmente, se passa muito tempo em um estúdio, ele pensou em criar isso. Aqui vocês podem ficar o tempo que quiserem, tem quartos, banheiros e um estúdio em si.
— Uau. Sério? – indagou surpreso.
— Sério. E é um lugar bem especial. Poucas bandas já ficaram por aqui, então sintam-se honrados.
— Nossa! Obrigado . – agradeceu, abraçando-a juntamente com os outros dois. Ela entregou-lhes cópias da chave, uma de cada cor. permanecia estático, tentando absorver o que havia acontecia ali. Informação demais, em pouco tempo.
— Esperem um segundo. – ele interrompeu — Quer dizer que a partir de agora eu vou ter que ficar trancado aqui? Sendo um escravo, compondo e gravando?
rolou os olhos em um simples sinal de impaciência. Estava mentalmente esgotada e naquele momento tudo o que mais queria era estar em casa. Só que devido ao choque do reencontro, havia se esquecido de mostrar os meninos “o refúgio”.
— Não . Isso aqui é pra quando, você estiver cansado demais pra ir pra casa ou, sei lá, quiser mudar de cenário durante um bloqueio.
— Eu, com certeza, adoraria servir de escravo se pudesse ficar aqui. – declarou .
— E você, vai ficar por aqui também? – perguntou, ignorando a brincadeira do amigo. não queria responder com medo de sua voz falhar. Ele tinha feito a pergunta inocentemente, mas o subconsciente dela insistia em mostrar que havia segundas intenções ali.
— Eventualmente. Sempre que tivermos que trabalhar, sim. – tentou assumir a melhor postura séria — Acho que seria bom também para o marketing. Não vazariam muitas informações quanto em um estúdio convencional e deixariam as pessoas na expectativa.
— Isso seria ótimo. – concordou .

não falou mais nada, se deixou levar em um tour pelo local. ia mostrando à eles cada cômodo e contando-os diversas histórias relacionadas à eles. No final, sabiam que antes era uma antiga fábrica e que muitos músicos que hoje são lendas já haviam tomado um porre ali ou algo do gênero. Era contagiante a forma como ela contava os acontecimentos, como se eles realmente estivessem lá na época em que aconteceram. Quando ela pediu para que eles subissem para o estúdio que ficava no último andar (eram três) enquanto buscava algo para beberem, viu ali a sua oportunidade. Ele agarrou-lhe um dos braços, e disse:
— Espere... Nós dois temos que conversar.
— Não temos nada... Vá embora.
— Não vamos brigar na frente deles. Você tem duas opções. Podemos ir até um local mais calmo para conversamos. Ou posso pegá-la e carregá-la até lá.
— Comportamento típico dos homens das cavernas...
Privacidade mais era igual a perigo, pensou em uma sensação de déja vu. Então, disse, contorcendo-se diante a pressão exercida pela mão máscula:
— Me deixe em paz.
a pegou ao colo e saiu dali, rumo ao corredor em que estiveram outrora. lhe deu uma cotovelada. Ele não pareceu sentir nada.
— Seu idiota! Me larga! – ela pedia se debatendo.
tentou abrir uma das portas e descobriu que estava trancada. Irritado, tentou a segunda que se abriu com facilidade. Já dentro do quarto, colocou no chão e esbravejou:
— Se vai se sentir melhor, vamos deixar a porta aberta. Direto ao assunto. Eu não sei o que diabos eu fiz pra você me tratar assim. Está me deixando louco, sabia?
, você está alucinando. Eu já lhe expliquei naquele momento e agora estou usando uma postura profissional. – respondeu com amargura.
— Você não trata o assim. – retrucou.
— É diferente, ele é meu amigo.
— Ah tá, o e o também? – indagou sarcástico — Por favor, eu te peço, me diz o que foi que eu fiz.
Com os olhos ardendo de raiva, a abraçou e a beijou. Uma mistura de rancor e luxúria. correspondeu ao beijo, as mãos percorrendo o cabelo, o pescoço, as costas dele. A reação daquela mulher o incendiou. Ele acariciou a pele por debaixo da blusa. nunca quisera tanto uma mulher. Ela contorcia os quadris. A excitação dele tinha sido instantânea, forte e imperativa. Ele a beijava, sentindo a quentura de sua boca. De repente, ficou imóvel. parou por um segundo, encarando-a.
— O que foi?
— O que foi? O QUE FOI? Estou me agarrando com você e se não pensasse estaria indo para a cama com você... — gritou, quase dizendo de novo. Em pânico, conteve-se, medindo as palavras. — Nem pensaria no amanhã. Não nos conhecemos e, ainda assim, estamos nos agarrando? Não sou dessas, obrigada. — gaguejou .
— Eu sei que não é.
quase sorriu ao lembrar que essas palavras já haviam sido ditas por ele. Ela não estava fazendo jus à afirmação. Só que no momento tudo o que queria era sentir as suas mãos fazendo o contorno daqueles maravilhosos ombros largos. Lucidez, consciência chamando . Não podia se deixar levar. Não mais.
— Depois você pergunta por que te trato assim, mas veja, você é extremamente irritante.
— Pelo menos agora, você tem um motivo concreto pra me odiar. Apesar de eu achar que não está disposta a me odiar por isso e sim a pedir por mais.
— Ora seu estúpido! – retrucou arfando. — Eu nunca pediria por algo assim. Especialmente vindo de você, seu Don Juan de quinta.
abriu a boca para protestar, e voltou a fechá-la. Ao encontrá-la pela segunda vez, sentira-se dominado pelo desejo compulsivo de levá-la para a cama. Mas e daí? Nem pensara nas conseqüências. Só que agora era diferente. Agora era decisivo, estavam no local em que muitos artistas matariam e morreriam para estar. Não podia deixar-se levar pelas vontades do corpo e prejudicar à si mesmo e aos amigos. E sem dizer mais nenhuma palavra deixou o local e uma totalmente muda.

Capítulo 3



não a vira mais depois que deixara edifício na segunda-feira. O fato de lembrar-se o tempo todo do que aconteceu era algo irritante. Incapaz de fazer qualquer coisa foi para a cama às 23 horas, planejando recuperar a falta de sono das noites anteriores. Porém, às quatro da manhã estava acordado, fitando a escuridão. O problema não era a ausência de . O que o incomodava era a presença dela. não queria envolvimento com ele. Teria de voltar ao estúdio para rever algumas coisas das músicas novas e ficou com receio de encontrá-la por lá. Se isso acontecesse, a procuraria depois e lhe diria que estava certa, que não deveriam ter feito aquilo e que ele realmente era irritante. Estava fora de questão ter um rápido romance com ela ou qualquer outro relacionamento mais longo. Fim de jogo, antes mesmo de ter começado. Não correria o risco de ter um romance com alguém com quem veria novamente. Após tomar essa decisão, deveria ter sido fácil para adormecer. Os números no relógio pulavam de um dígito para outro. Devagar, o céu começou a se iluminar. Não importava a decisão, pensou, quase irrequieto. Ainda a queria. Se estivesse ali, o corpo quente junto ao seu, a beijaria até que não pudesse respirar, saboreando-lhe a pele, explorando cada pedaço... Às seis da manhã, se levantou, vestiu uma roupa qualquer e saiu. Tinha três horas até o encontro. Ao chegar no loft, foi direto à varanda onde deitou-se na espreguiçadeira, colocando um travesseiro sob a cabeça. Ouvindo o suave sussurrar do vento, fechou os olhos. Não dormiria. Mas, ao menos, seria melhor do que ficar trancado dentro do quarto.
No pesadelo, corria muito. Parecia que os pulmões iriam explodir. E então ficou preso ao chão enquanto ouvia gritos e mais gritos.
! Acorde, por favor, acorde!
O corpo dele estava banhado em suor. abriu bem os olhos. se curvava sobre ele, sacudindo-o, os olhos angustiados. O sol compunha uma auréola brilhante atrás de sua cabeça. Como se fosse um anjo, só que anjos não dão beijos que te deixam louco por dias, pensou consigo mesmo. Ainda atordoado perguntou:
— O que está fazendo aqui?
— Eu vim encontrar os meninos aqui. me ligou pedindo pra vir ver a nova música. O me buscou e me deixou na portaria enquanto ia comprar algo pra gente comer. Aí entrei e ouvi você gritar... Pensei que alguém estivesse te matando.
— O que você faria se alguém estivesse me matando?
— Não sei... Não cheguei a pensar nisso. Estava tendo um pesadelo, certo?
— Por que não vai embora? – retrucou virando o rosto.
— Pare de ser estúpido, eu lhe fiz uma pergunta.
— Uma pergunta que eu não quero responder.
— Eu acho que está com vergonha de si mesmo. – parou para analisar as feições dele — E sem graça porque presenciei algo que é particular.
— Ora, não é apenas bonita, também tem cérebro. Estou perplexo. – zombou.
— Olha, deixe de ser tão idiota por pelo menos um momento. A vontade que tenho agora vontade é de bater com a sua cabeça na coisa sólida mais próxima, mas estou tentando ser gentil.
— Sinto informá-la, mas essa gentileza não está funcionando.
— Você é tão teimoso! Por que não me conta o que estava sonhando?
— Esqueceu que sou irritante também? Olha, você é muito curiosa. E eu não vou lhe dizer com o que sonhei. Foi apenas um pesadelo idiota, sem importância. Espere um minuto enquanto eu ligo pro resto da banda.

Pensativa, o fitava. Havia muito mais coisa que não estava dizendo. Ela era incapaz de preencher as lacunas. O ouviu falar rapidamente com quem julgou ser o e então ele estava ali novamente. Com o olhar mais misterioso que ela já vira. Como se isso fosse dar as respostas que procurava, se aproximou. Ele laçou os braços ao redor da cintura dela e a beijou. Então, afastou a cabeça para trás e disse:
— Não, .
— Hã? – ela indagou visivelmente confusa.
— Pensei em algo durante a noite no que ia te dizer hoje.
— Pois diga.
— Nós não nos damos bem, mas temos que trabalhar juntos e acho que um envolvimento iria causar mais problemas ainda. Deveria tê-la escutado quando me disse para deixá-la sozinha... Estava certa. Por isso, é melhor que não façamos mais isso.
o encarou com completa incredulidade. A raiva começou a se apossar dela, fechando as mãos em punho, falou:
— Não me diga o que fazer! E saiba que eu já tinha pensado nisso bem antes. Mas eu não tenho culpa se você não me deixa nem ao menos ficar à dois centímetros de distância que já vai logo me agarrando. Não se preocupe, farei o possível para ficar longe do seu caminho. Adeus.
não se mexera para detê-la. O rosto parecia uma máscara: rígido, vazio, olhos perplexos. Num minuto ela se preocupava com ele, se entregava em seus braços e no outro praticamente o mandava para o inferno. Esse seria mais um motivo pra se manter longe. Seria, caso ele não quisesse manter as mãos naquele corpo cuja dona parecia um vulcão que poderia entrar em erupção a qualquer momento. foi diretamente para o estúdio. A tensão voltava a tomar conta dela. Precisava de uma massagem tailandesa agora, pensou enquanto abria o laptop para checar os e-mails.
tentava afinar o instrumento à sua frente. Fizera a coisa certa ao “cortar o relacionamento” com . Então, por que se sentia o homem mais desagradável do mundo? Irritado, sacudia o instrumento, tentando se concentrar. Mas o rosto de permanecia se intrometendo entre ele e a tarefa que conduzia. Ele a queria como nunca quisera nenhuma outra mulher. Frustrado, largou o que fazia e deixou o objeto em cima do sofá. Iria se dedicar ao trabalho hoje e esquecer . Porém, ao pegar o caderno de composições ouviu a risada dela. Estava gargalhando de alguma coisa idiota que havia falado. Não pode deixar de rir junto. Ainda ouvindo o burburinho da outra sala, pôs-se a escrever um pouco. Nada de mais. Algumas palavras desconexas, versos que não rimavam e coisas assim. Assim que sentiu que nada mais sairia de sua cabeça, foi até a cozinha para fazer um lanche já que não era tão animador assim sair nos oito graus que faziam lá fora nesse momento. Já comendo, parou para ver os jornais estendidos em cima da bancada. Quase teve uma síncope quando seus olhos bateram na foto de destaque do Daily Mail. Era sobre o baile e nela estava Christopher , a esposa Elizabeth, o filho Joshua e... . Ele não sentiria um elefante deitado em seu peito, se na foto não estivesse com a roupa exatamente igual à da sua musa misteriosa. Ela podia estar sem a máscara, mas aquele corpo naquele vestido era perfeitamente reconhecível. Ele poderia descrever com riqueza os detalhes aquele corpo nu. Não era de se estranhar ele ter sentido a mesma atração instantânea por ela quando a vira na reunião porque, de fato, era a mesma mulher do baile. Com a cabeça rodando e os pensamentos a mil por hora, não sabia o que fazia. Pegou as chaves do carro e saiu. Talvez uma volta o acalmasse. Ele a reencontrara. E o nome dela era . Finalmente os sonhos ardentes teriam um rosto e um nome. A primeira reação foi de contentamento. Porém, depois, o cérebro começou a funcionar. Agora tudo lhe fazia sentido. Por isso ela o tratou daquele jeito assim que o viu. não quisera ser encontrada. Desde o início soubera o nome dele. Poderia tê-lo rastreado a qualquer hora. Não o encontrara por vontade própria. Tinha sido hostil. Isso sem mencionar que parecia com raiva. Por quê? O que ele fizera? Fora ela quem desaparecera. E descobriria o motivo. Deveria confrontar ela agora ou não? Melhor não, concluiu. Em meio à confusão de emoções, não discutiria com ela enquanto estivessem perto da banda Não, o confronto ficaria para mais tarde, quando estivessem a sós.

De volta ao loft, encontrou os quatro conversando sobre algo e dedilhava um violão. Os meninos pediram que ele se juntasse ao grupo e o colocaram a par da conversa. se recusava a fitá-lo. A pouca luz da sala refletindo no rosto... Por que demorara tanto par reconhecê-la? Considerava-se um burro por não tê-la reconhecido antes. Desejara-a no instante em que a viu. Isso também tinha sido um sinal que ignorara.
— Então, o que você acha? – perguntou ao final da explicação sobre como eles mudaram um pouco a música escrita anteriormente.
— Acho que vai ficar muito bom. Eu faço os arranjos, não se preocupa. Acho que até vou escrever mais coisas.
— Esse é o que eu conheço. – disse , bagunçando o cabelo de .
— Meu homem. – brincou com uma voz afeminada.
Todos riram. então, se levantou, deixando o violão em um suporte ao lado de uma mesa e pegando os sapatos que estavam jogados no chão.
— Bom, eu tenho que ir. Fiquei aqui o dia todo e não fui Island hoje ver há quantas andam as outras coisas.
— Desculpa se estamos de monopolizando. – falou, postando-se ao lado dela.
— Bah, que nada. Larga de ser bobo, eu gosto. – ela respondeu, dando um beijo na bochecha dele.
— Opa, eu também quero beijinho. – brincou .
sentiu o sangue começar a esquentar. Não eram ciúmes. Era apenas um pequeno sentimento de possessividade. Aí uma ideia brilhante lhe assaltou a mente.
, deixa que eu te levo lá. Eu queria discutir uns assuntos contigo.
Ela sentiu o corpo todo entrar em estado de alerta e as pernas começarem a tremer. Precisaria de todos os tratamentos daquele spa para se livrar da tensão que lhe contraía os músculos agora. Tentando manter-se centrada, sorriu para e respondeu:
— Não precisa . Eu pego um táxi. Amanhã a gente se fala.
— Não, eu insisto. Já é um pouco tarde.
— Justamente por isso. Já é tarde e vocês têm que de descansar.
— Que ! Larga de bobeira. O te leva. – declarou .
Ela mordeu os lábios, totalmente em dúvida. Se não aceitasse ou pedisse para que lhe levasse ia fazer com que os meninos ficassem desconfiados, se aceitasse ficaria sozinha com . O conflito mental era intenso, porém ela decidiu levar em conta o fato do que havia dito dias atrás. Era uma aposta arriscada. Só que quem arrisca, não petisca, certo?
— Tá certo. Obrigada.

Momentos depois, acomodada no luxuoso revestimento de couro cinza do carro, espiou o perfil dele, enquanto ele olhava o retrovisor e dava a partida. Tudo estava bem. Ele não havia dado um pio. Nada de gracinhas ou flertes. Porque se sentia triste por isso? Fora que ele havia dito que queria conversar com ela e não falava nada desde que entraram no carro, isso estava lhe causando muita tensão.
Esmalte vermelho vivo. parou o carro no sinal e gemeu. Primeiro, ficou fascinado por aqueles olhos vívidos e brilhantes. Depois, aquela pele saudável e, agora, os dedos dos pés, cujo movimento notara com a visão periférica na hora em que ela se levantara. Os dedos dos pés podem ser classificados como beijáveis? Jamais pensara nisso. Qual era a probabilidade de se desenvolver um fetiche por pés a essa altura da vida? Mais ainda, o que poderia se fazer a respeito? Existem curas e soluções para todos os problemas. Mesmo problemas muito tentadores. a observou, tão alerta e inocentemente sedutora. E o cérebro dele nublou, enquanto a parte inferior do corpo sofria um constrangimento atroz. Tudo o que imaginava eram os seus lábios nos dela. Porém, não poderia fazer nada agora já que tinha um plano a ser executado.
— Se você quiser, podemos ouvir o que foi feito hoje à tarde, acho que dá tempo. – ela disse quebrando o silêncio.
— Seria ótimo. – ele respondeu sorrindo.

Logo os dois ouviriam as letras incorporadas a algumas das mixagens. Mas o quão depressa e confiante conseguiria articular os pensamentos? Ela tinha um trabalho a fazer e devia fazê-lo bem. Isso era imprescindível. Se sentia como Hércules realizando aquelas malditas tarefas. Alguns minutos mais tarde e já se encontravam em frente a Island. Em silêncio, os dois subiram de elevador até o décimo terceiro andar, o semblante de indecifrável pela primeira e enfurecedora vez. Ele esticou o pescoço e fez uma careta. Sentia o colarinho apertar sem estar sequer abotoado. O que ela estaria pensando? A porta do elevador abriu. Eles seguiram pelo local que estava uma loucura. Era horário de saída, todos ali estavam na maior correria para terminar logo o trabalho e ir embora. Foram por um caminho já conhecido pelos dois, o do escritório dela, contudo ela se deteve na mesa de sua secretária. reconheceu como sendo a loira do dia da reunião.
— Boa noite Chelsea, você poderia preparar a cabine sete pra gente?
— Boa noite . Posso sim. Volto em dez minutos.
— Obrigada.
Então, virou-se para ele e disse:
— Espere aqui por um momento, ok? Preciso pegar uns papéis na minha sala.
— Certo. – ele concordou.
parou então para observar o local à sua volta. Tudo era decorado com cintilantes placas de metal e vários tons de azul. Havia muitas fotos em preto-e-branco também. Ele sabia que seria arriscado colocar em prática o que pensava, mas precisava ouvir da boca de a confissão sobre a sua identidade na noite baile. A decisão mais certa seria colocar a carreira acima de tudo, mas há momento não tinha mais escolha. Não gostava nem um pouco de ser enganado.
? ? , você está me ouvindo?
o tocou no ombro. arrastava os tênis caríssimos pelo chão quando desviou a atenção de uma foto pendurada à frente, para ela. A longa franja dela cobriu uma parte do rosto.
— Hã? O que foi? – ele perguntou, visivelmente distraído.
— Chelsea avisou que a cabine está pronta, se quisermos entrar.
Sorridente e galanteador como sempre, acenou com a mão.
— Depois de você.

Capítulo 4



Atravessaram o corredor acarpetado. Quando passaram pelos prêmios de ouro e platina perfilados nas paredes, sentiu se arder em chamas somente por sentir a presença de ali. Os dois logo ficariam a sós. A idéia tanto aterrorizava quanto a excitava. Quando parou em frente à cabine, escancarou a porta do que mais parecia um cubículo. Um console negro, adornado com mostradores e botões, ocupava a parede principal. Espremida no canto, uma pilha organizada de partituras estava no chão. Vários violões estavam dispostos em suportes ao lado de uma pilha de CDs. olhou ao redor. Não sobrava muito espaço agora que ocupava a maior parte do ambiente. No seu íntimo, a sensação de formigamento nas mãos aumentou. As pernas tremiam. Assim que se sentaram, a temperatura no cubículo subiu dez graus. Trêmula, afastou a coxa esquerda alguns centímetros da dele. Tirou o casaco e colocou juntamente com a bolsa na mesa ao lado, mas se arrependeu por alguns instantes já que a blusa era colada.
— Ah, você poderia fechar a porta pra mim? Esqueci. – ela pediu.
Ele levantou e bateu a porta. sentiu a garganta sufocar e fogo, quente e intenso, começar a percorrer suas veias. apanhou dois pares de fones de ouvido e entregou-lhe um. Apertou um botão, ajustou alguns controles e apoiou os cotovelos no console. Deu um sorriso maroto que agitou a torrente de anseio que fluía dentro dele. estava perto demais. Ou não tão perto assim?
— Está pronto? — indagou.
— Sim. – respondeu.
Segundos depois, os dois escutavam uma versão de quatro minutos de uma canção muito animada. Para cada ritmo, havia um jeito de dançar. Mas com essa música em particular, quem precisava tentar? Agitada, grudenta, nem crua, tampouco exagerada. Era muito boa. Depois que a música terminou, voltou a atenção para o ambiente. Cantarolara alto com os olhos fechados a maior parte do tempo. A julgar pela expressão divertida de , ele não se incomodou. O contorno dos olhos franziu quando ele sorriu e perguntou:
— Gostou?
— Você não conseguiu notar?
Devia ser boa mesmo para fazê-la esquecer, mesmo por um instante, que estava sentado tão perto, perto o bastante para tocar. Ele riu, um som encorpado que se infiltrou pelos seus poros, lhe fazendo arrepiar.
— E você, o que achou?
— Gostei muito do que fizeram, ficou muito bom.
— Ainda bem, mas ainda temos mais três versões aqui.
Na terceira faixa não cantava mais sozinha. não só tamborilava os dedos na beira da mesa, mas formou um dueto que, francamente, foi impressionante. Mais uma vez, eis o "divertido", o homem que ela vislumbrara, tocara, saboreara. Ela sentiu-se bem por estar naquele momento descontraído com ele. Nada de mentiras ou jogos. A música acabou. Quando ele tirou os fones, o cabelo ficou desgrenhado, e uma energia diferente, quase animal, emanava dele. O frescor do perfume masculino ofuscou o ar dos pulmões de . O perfume muito bem conhecido por ela. colocou um braço no encosto da sua cadeira, roçou-lhe a face com o olhar e sorriu.
— É, acho que formamos uma boa equipe.
— É. Vocês são ótimos músicos. – elogiou retribuindo o sorriso.
— Obrigado. Mas você poderia repetir a segunda versão, queria ouvir mais uma vez.
— Já é tarde. É melhor irmos embora.
"O quê? Não, ainda não!", ele suplicou mentalmente.
— Não poderíamos ouvi-la só mais uma vez?
desligou a tomada de vez.
— Não. Receio que não.
Droga. Ela ficou séria. Mas, então, ele notou. Quase sempre a fachada impassível de era indecifrável. Mas agora, a sua linguagem corporal falou com ele, alto e claro. O ângulo interessado dos ombros, o brilho absorto dos olhos. queria brincar. Só precisava de um estímulo maior.
— Certo. Você é quem manda.
Fingindo uma expressão arrasada, ergueu as mãos em rendição. Quando a centelha se apagou nos olhos dela e tentou se levantar, ele apostou tudo no elemento surpresa e avançou no cabo, depois correu para o painel. voltou à vida. Quando ele a segurou pelos pulsos, com o coração descompassado sentiu pequenos choques elétricos pelo corpo.
...?— não conteve uma gargalhada surpresa. — Droga, você não joga limpo!
Em um lapso de insanidade, o mundo parou de rodar e nenhum dos dois falou nada. Apenas se entreolharam, sondando as possibilidades, examinando um ao outro. O coração retumbante, o ar carregado de ansiedade, ela aguçou os olhos. Eles disputaram o plugue. pulou em cima dele e o arrancou da sua mão. tentou impedi-la. Ele era forte, mas ela era ágil. E não pararam de rir o tempo todo. Assim que as energias de ambos se esgotaram, pousava uma das mãos no ombro de , a outra no braço da cadeira. Quando as risadas se esvaíram, os narizes estavam a poucos centímetros de distância. Os lábios dele estavam a poucos centímetros dos seus. O sorriso de se apagou, a expressão de mudou. Os profundos olhos fixos nela. Outro surto de adrenalina. Um aviso acendeu em alerta vermelho em seu cérebro. O olhar de era tão penetrante que o corpo doía. Concentrado nos olhos de , apertou-lhe o ombro. Ultima chance de voltar atrás? Daqui em diante, seriam roupas voando pelos ares, o desejo mútuo assomaria. Sexo. Sexo tórrido, selvagem, ardente. O relacionamento deles jamais seria o mesmo. Não que tivessem um relacionamento, de forma alguma. Só que dessa vez seria e . Sem máscaras. Ambos precisavam relaxar, se liberar, apenas por uma noite, senão explodiriam. Numa entonação grave e apreensiva, ele murmurou:
— Você quer mesmo?
De repente, sentiu a garganta seca.
— Sim.
Quando o olhar de divagou para os lábios entreabertos, uma onda de calor varreu o corpo inteiro de . As sensações se tornaram mais intensas, pois, com uma lentidão torturante, a mão de deixou o ombro para acariciar a nuca. Qualquer resto de sanidade se esvaiu quando a puxou para si. Melhor do que escutar, sentiu um gemido rouco brotar da garganta de . Saboreou mais do que sentiu a textura úmida da boca que cobrira a sua. Um beijo tão suave que, entretanto, despertara intenso conflito de sensações. Ambos mal se tocaram e aquele foi o contato íntimo mais gratificante que ela já sentiu. Então, ele insinuou a língua por entre os lábios entreabertos. achava os beijos dele fantásticos, mas nada era comparado a esses dedos abrasadores trilhando a nuca, a outra mão marcando o seu braço a fogo, enquanto, paciente, a boca habilidosa de se esmerava para deixá-la louca. Sentiu um desespero quando a pressão da boca dele deixou a sua. Os lábios dele ardiam em chamas, os sentidos ficaram inebriados de desejo. Os olhos de pareciam turvos.
— Correndo o risco do clichê... até uma hora atrás, eu jamais esperaria que isso acontecesse.
— Não vou comentar nada a respeito disso. – ela comentou sorridente.
Qualquer pensamento que tivesse em sua mente evaporou quando a mão dele trilhou o contorno do seio. Ela jogou a cabeça para trás. fechou os olhos um instante e suspirou quando o toque atingiu o mamilo que enrijeceu e o ardor, que brotara ali, varreu todo o seu corpo como um incêndio incontrolável. Ela estremeceu ao ouvi-lo murmurar no seu ouvido:
— Eu quero você.
Uma onda violenta quase a engolfou. Escutara essas palavras antes. Mas agora elas guardavam mais significados do que imaginara possível. Ele não demorou a tirar a blusa dela. Poucos segundos depois, num gesto audacioso, a blusa foi jogada em um canto e o sutiã ficou exposto. gemeu ao ver a renda vermelha sem costuras.
— Srta. , é isso que costuma usar em reuniões de negócios?
Ela sorriu marota, afirmando com a cabeça. se aproximou para desabotoar a camisa de . Inibição? O que era aquilo? Talvez devesse ter feito algo parecido há anos. Então, ela o encarou.
— Esse não é o lugar mais indicado.
Isso arrancou das nuvens. Com o coração retumbante, recordou do ambiente. Ele estava em uma cabine minúscula, com a sua produtora seminua. Ele assentiu.
— Você tem razão.
Os dois se entreolharam, então a força dos campos magnéticos de ambos os atraiu novamente. As bocas se encontraram no caminho, retomando aos pedidos desesperados de seus corpos. Agora voraz a beijava com ardor. Cansada dos botões, abriu a camisa de uma vez. Beijos num pico febril, ambos se contorcendo juntos. Sentados em um espaço diminuto, um de frente para o outro, era menos que ideal. avançou e, com as mãos na sua cintura, puxou-a para si. A febre se alastrava. tremia sobre as pernas vacilantes, tão sensível ao sorriso de enquanto se beijavam. Ele abaixou as alças do sutiã pelos ombros. Uma muralha de calor, o peito musculoso escorregou pelo corpo dela até que se ajoelhou. Massageou os quadris para que se aconchegasse mais e afundou o rosto no decote. revirava a cabeça de um lado para o outro, conforme girava a língua e lambia o declive. perdeu o fôlego. Fincou as mãos nos cabelos dele, depois acariciou-lhe a nuca. Um dedo buscou a taça esquerda do sutiã, depois desceu. cobriu a ondulação de beijos carinhosos até a boca alcançar o bico. Mordiscando, contornando, sugando. a estava deixando louca. Fervendo por dentro, segurou a cabeça de no lugar.
— Isso é sufocante.— O fecho das costas se abriu.— Não tem espaço nenhum.
— Nenhum espaço mesmo.- ele concordou.
segurou o fecho na frente do sutiã. Os seios saltaram para fora com um ligeiro gemido. Ele ergueu as pupilas dilatadas para encará-la.
— Talvez seja melhor você sentar no meu colo.
O que era aquilo? Certo, ela queria uma noite selvagem. Mas imaginara um lugar para deitar e descansar depois de atingir o clímax. Só que isso não importava mais. O decoro não existia. Ela nunca desejara encontrar o paraíso mais do que agora. Com a camisa entreaberta, tirou os sapatos enquanto fazia o mesmo. Embora os olhos de ambos permanecessem fixos um no outro, as investidas sutis revelaram que a calça de não mais estava no quadril. chutou a calça para perto da parede, depois arrancou a calça jeans dela. O sutiã também. Fora a calcinha, ela estava nua e linda. Então, os braços de a dominaram. A explosão de calor a derreteu, por dentro e por fora. O coração de esmurrava conforme a vertigem a fazia ver estrelas coloridas. Ele a beijou de leve no rosto e foi o necessário para incendiá-la ainda mais. Afagando-lhe os cabelos com os lábios, a abraçou com força.
— Você ainda pode desistir. Quer continuar? – ele perguntou.
As mãos ávidas de percorreram a coluna, seguraram as nádegas e a aprisionaram. Ainda se recuperando da onda de choque que precede o prazer, aninhou a cabeça na muralha que era o peito dele. E respirou fundo, voltando a encará-lo decididamente.
— Saiba de uma coisa: eu não desisto do que quero.
Agarrando a camisa dele, a arrancou de uma vez. tirara a mão da calcinha para poder soltar as mangas. tornou a puxá-la para si e cobriu a sua boca com a dela outra vez, e ambos recomeçaram de onde pararam. Afagando, acariciando, ele a surpreendeu com carinho num minuto, voracidade e malícia no outro. Respiração ofegante, beijos ainda mais ofegantes. Se houvesse uma janela, ficaria embaçada. mordiscou o lóbulo. sentiu o membro entre as suas pernas, quase escapando da Calvin Klein, manipulou os dedos para envolvê-lo, depois pressionar para cima e para baixo. Ele engoliu em seco. se virou e tateou o console da mesa.
— O que você está procurando?
— O preservativo.
apanhara um preservativo no bolso antes de chutar a calça para longe?
— Você veio preparado? Mas você não disse que não esperava isso? - Devia se sentir lisonjeada ou desconfiada? Uma lâmpada se acendeu na sua cabeça. Lógico, um solteiro sexualmente ativo, sempre carregaria um.
— Eu não esperava por isso, mas eu sempre ando preparado.
Com precisão, ele ficou pronto na velocidade da luz. Quando a tomou nos braços de novo, se agarrou a ele conforme o seu íntimo palpitava de aflição. Ele a ergueu no ar, e o enlaçou pelos quadris com as pernas. Segurando-a com um braço, ele arrancou-lhe a calcinha e uma estocada a preencheu. Depois, conforme se moveram, mais e mais daquela vigorosa masculinidade a consumia. Ela não conseguiria suportar lustrosos de transpiração, os músculos contraíam enquanto ele a erguia ligeiramente, depois estocava fundo com toda a força. As unhas dela, fincadas em suas costas, faziam carinho quando alisavam-na. A loucura e o desejo os dominavam por completo. Os gemidos de ocupavam toda a mente dele fazendo cada vez mais o coração acelerar. tremia e gemia, e , por sua vez, ficou imóvel, estremeceu e contraiu numa explosão tão poderosa e natural que, naquele instante, ela não existia para além da intensidade e do instinto. Quando as ondas violentas se acalmaram, também beirava o êxtase. Ele estremeceu, ofegou, depois soltou um longo gemido. Como se percebendo onde estava, fitou-a e ajeitou os cabelos que cobriam os olhos dela. Queria dizer que sabia que era ela no baile, mas achou melhor não estragar o momento.
— Eu adoraria dizer que poderia abraçar você assim para sempre, mas você me quebrou.
Ela gargalhou e ele a colocou no chão. O melhor som de todos, pensou .
— A não ser que você queira de novo, e para isso preciso descansar as pernas. É melhor sairmos. — Ela recolheu as roupas, atiradas no chão.
Uma batida retumbante soou na porta. petrificou de pânico. Quem diabo seria? Ela sabia que era uma idéia idiota, mesmo se na hora parecesse uma idéia genial. paralisou.
— Só pode ser o segurança. – ela disse.
O segurança ali fora. Os dois pelados lá dentro. Eles seriam presos por atentado ao pudor. podia ver a expressão na cara do pai agora. Vestiu a blusa, tomou a frente, pigarreou, acendeu a luz e entreabriu a porta.
— Jonah, é você? — indagou numa entonação confiante.— Sou eu, .
Um silêncio se estendeu.
— Stª. ? É muito tarde.— Jonah soou mais sonolento que desperto.
— É, eu sei. Tive que ficar até mais tarde hoje.
— Ah. Claro. Posso ajudá-la em alguma coisa?
— Por enquanto não. Já estou de saída.
— Ora... tudo bem. Estarei na área se precisar de mim.
— Obrigado, Jonah. Boa noite.
— Boa noite, srtª .
trancou a porta e com o coração aos saltos, terminou de se vestir. Depois colou o ouvido na porta.
— Ele ainda está lá fora. É que não dá para escutar os passos dele com o isolamento acústico.
terminou de abotoar a camisa. Depois que ele terminou de se vestir, abriu a porta para espiar o corredor.
— Preciso ir ao banheiro e você?
— Estou bem. Te vejo daqui há cinco minutos.
Quando fechou a porta um estranho pressentimento a inundou. Então, o que aconteceria agora? Essa aventura certamente cumpriu o objetivo de curto prazo. Saciada, radiante. Agora, era voltar ao trabalho duro e aos objetivos profissionais. Será que sentia o mesmo? O que ela faria caso ele sugerisse outro encontro, ou dois? Metade dela implorava por isso — a parte física, fantasiosa, que encontrara tamanho alívio e pura satisfação. Mas a outra metade não arredou pé. O plano não era esse. Uma noite era uma noite, mas prolongar as coisas complicava tudo. E outra, não era o cara que passava muito tempo com uma mulher só. Além disso, havia toda a implicação daquela noite do baile, com certeza não iria conseguir esconder isso dele por muito tempo. Assim que visse , falaria de maneira direta, sem rodeios. Foi ótimo, mas só uma vez. O caminho até o apartamento de foi completamente silencioso, exatamente como anteriormente. As palavras pareciam estar presas em suas gargantas.
, nós precisamos conversar.
Ele encostou o carro, a testa dele estava vincada, aliás. Será que pretendia dispensá-la educadamente? Mas ela queria fazer isso com ele. Já decidira que não queria outra vez. Ela não permitiria que ele tomasse essa decisão em seu nome. Se alguém ia levar um fora, não seria ela. Reunindo toda a coragem e com um aperto no coração, concordou, dizendo:
— E a nossa conversa não deve demorar.
— Amanhã eu irei te buscar na hora do almoço.
Dito isso, minutos depois já estava em frente ao seu prédio. Desceu do carro completamente absorta em pensamentos. estava da mesma maneira, conseguiu chegar em casa apenas porque era algo que seu cérebro – por mais conturbado que estivesse – fazia automaticamente. Uma coisa era certa, nenhum dos dois dormiu pelo resto da noite.

Capítulo 5



o afetava. sabia disso desde o início. E agora ele não tinha escapatória. Admirou aqueles brilhantes cabelos. Ela estava na espaçosa diretoria da Management, à cabeceira da mesa de mogno, reclinou na cadeira presidente analisando papéis. Um segundo depois, mordeu o lábio. achou aquela ação – apesar de aparentemente inocente – muitíssimo sensual. O sabor da boca e do corpo de não desapareceram da memória. A textura macia da pele ainda era nítida. O sexo foi inacreditável. Divertido. Mais excitante do que ele jamais experimentara. Continuou andando até a mesa de Chelsea.
— Olá, bom dia Chelsea. Como está?
— Bom dia senhor . Estou bem, obrigada e o senhor?
— Estou muito bem. Por favor, não me chame de senhor, me sinto com uns setenta anos – fez uma careta e ambos riram — Bem, você poderia dizer à que estou aqui?
— Sim, claro. Espere um momento.

Ele se virou e foi sentar-se em uma das cadeiras ali próximas. Estava com os nervos a flor da pele, já que esta seria a primeira vez que teria esse tipo de conversa com uma mulher como . Normalmente, ele apenas dizia o quão bom havia sido estarem juntos, mas que infelizmente não poderiam continuar. Já enfrentara diversas cenas de raiva e amargura, com mulheres chorosas que acreditaram ser capazes de mudar as regras e tinham percebido seu erro. Como num passe de mágica, as lágrimas se¬cavam imediatamente, tão logo lhes era oferecido um generoso presente de adeus. Só nunca, nenhuma delas havia concordado tão calmamente como . Além disso, tinha que confrontá-la, dizer que sabia que era ela na noite do baile e saber porque ela não quis revelar a sua identidade.
se arrumou, soltando os cabelos e retocando a maquiagem. Sua aparência era a de uma mulher clássica, acreditava que passava confiança suficiente. Não permitiria que soubesse que estava nervosa. Caminhava tentando respirar devagar e profundamente, mas o local parecia quente. Por que pensara tanto em nas últimas horas? Provavelmente por que sempre que fechava os olhos, voltava para a noite anterior e para aqueles braços aconchegantes. Comunicou à Chelsea que iria almoçar fora e pediu que ela anotasse todas as ligações recebidas. Ele estava ali, sentado casualmente com aquela aparência de que não fazia nenhum esforço e ainda sim conseguia ser gostoso o suficiente. Ele estava maravilhosamente delicioso com a blusa social branca que tinha as mangas dobradas até o cotovelo. A calça jeans apesar de uns dois números maior não conseguia esconder – pelo menos pra ela – aquelas pernas sensacionais. Foco , foco , repreendeu a si mesma. Ele levantou-se lançando-lhe um daqueles sorrisos galanteadores que pareciam ser naturais à ele.
— Bom dia . Como está? – perguntou, abraçando-lhe amigavelmente.
— Bom dia . Estou bem. – sorriu — Vamos? Acho que não tenho tanto tempo assim e você mesmo tem um compromisso com o estúdio mais tarde.
— É verdade. Então vamos.

Novamente os dois fizeram um trajeto silencioso no carro de . Ele dirigia à uma velocidade razoavelmente grande e com extrema perícia. Sentada do lado dele, as mãos sobre o colo, não fazia a menor idéia para onde iam. Para onde a estaria levando? E por que ela aceitara almoçar com aquele homem, quando o seu instinto gritava que estava cometendo um erro? Ela poderia muito bem ter apenas ligado pra ele e dito que apesar de terem tido uma ótima noite, não seria possível que prolongassem aquilo. Só que a verdade era que a proximidade de a fazia perder o juízo. Provocava nela um desejo imenso de se entregar nos seus braços, ir com ele para a cama. Eram idéias loucas, pois não o conhecia e nem gostava dele. Bem, talvez gostasse um pouquinho. era arrogante, muito seguro de si. Encantador. Sexy. E tinha um senso de humor maravilhoso. Ela também sabia que era fantástico entre quatro paredes. Apesar de todo o seu anseio, estava determinada a não ir para a cama com ele novamente. Tinha todo o problema do baile, o fato de trabalharem juntos e toda aquela prepotência dele. Ah, claro, se envolver com alguém famoso com certeza atrairia mais atenção para ela; como se a que já tivesse não fosse ruim o suficiente. Porém não deixava de imaginar suas mãos passeando por aqueles ombros largos. O pulso de acelerou e o rubor tingiu-lhe o rosto.
O que poderia estar pensando para ganhar aquele súbito tom carmesim nas lindas faces? perguntou a si mesmo. Dirigiu a ela outro rápido olhar e voltou a atenção para a avenida. Quanto mais a observava, mais intrigado ficava com aquela mulher. Sua sensualidade quase o deixara louco. E havia muito mais a respeito da enigmática mulher que ele, simplesmente, não conseguira compreender. Tentara obter mais informações sobre por meio de seus conhecidos, mas só ficara sabendo de muito pouco. As perguntas, para as quais não encontrava respostas, martelavam em sua mente. Ele diminuiu a velocidade do carro e olhou para ela novamente. Os lábios de se contraíram. Droga. Ele sabia que tinha que botar as cartas na mesa. Não demoraram a parar em um pequeno restaurante e sentaram-se a uma mesa que ficava no jardim. não conseguia raciocinar com clareza, tinha os pensamentos e os sentimentos tumultuados. Deixou a escolha dos pratos por conta de . O silêncio entre eles pesava. batia na mesa com as pontas dos dedos. nunca imaginara que ela fosse tão irrequieta. Olhando ao redor, ela comentou:
— Este lugar é lindo e aconchegante.
— É um bom lugar. Costumava vir bastante aqui antes da fama.
— Bem, imaginei que não perderíamos tempo com conversa sem propósito. – ela disse novamente — Olhe, aquilo tudo foi algo que aconteceu... uma vez. Apenas isso.
— Não precisa ser assim.— riu levando uma das mãos dela até os lábios, beijando-lhe os dedos, um de cada vez. — Não estou sugerindo que façamos esse tipo de coisa regularmente. Sempre achei linho de boa qualidade e uma cama bem grande uma boa opção.
O sorriso de foi frio, afastou a mão, ignorando a caricia. O comentário apenas a fez pensar em quantas outras mais deveria ter levado para casa.
— Eu creio que não. Aquilo foi um erro.
— Ouça princesa, não sou criança, tive muitas mulheres. E estou afirmando que algo incrível aconteceu entre nós. Como você pode dizer que cometeu um erro?
— Porque foi um erro. — puxou a mão. — Você pode não acreditar, mas nunca agi daquela forma antes. Não durmo com estranhos. Principalmente estranhos prepotentes os quais eu não cultivo nenhum tipo de simpatia.
Os lábios de curvaram-se num sorriso sem humor e sarcástico. Ela ficou com mais raiva.
— Pode rir o quanto quiser, mas acho que deveríamos esquecer essa coisa toda e nos falar apenas profissionalmente.
Após hesitar, assentiu dizendo:
— Talvez seja melhor, por causa do trabalho e dos prazos. Essa é a prioridade. — Encolheu os ombros.— Não precisamos tocar nesse assunto de novo, se você preferir.
O coração de apertou e se estilhaçou a seus pés por ele ter concordado tão facilmente. Entretanto, era isso que ela queria. Era a decisão certa, a única decisão que a deixaria concentrada apenas nos objetivos. Precisava provar a si mesma, ao pai e ao mundo, que venceria. Ou todos aqueles anos de trabalho duro não valeriam nada. O que ela e partilharam jamais poderia ser nada mais permanente. Então porque se sentia vazia? Talvez porque sabia que se ele fosse tempestuoso como sempre e continuasse insistindo, ela cederia. Ela queria ceder. Porque o errado parecia tão certo? O semblante dele era sério, provavelmente havia conseguido o que queria e sem ter que usar aquela conversinha de sempre para dispensá-la. Reuniu todo o orgulho e dignidade que ainda lhe restavam e tentando ao máximo impor indiferença em sua voz, falou-lhe:
— Ainda bem que recobrou os sentidos e viu que essa estupidez não poderia continuar. Agora se me dá licença, eu perdi a fome e tenho muito que resolver.
Ficando de pé bruscamente, mantendo as emoções sob rédea curta, se virou para a porta. , ainda atônito demais para qualquer reação, apenas a viu caminhar confiante, movimentando os quadris num ondular provocante. Ela saiu apressadamente do restaurante.
— Essas mulheres...Meu Deus, vão me deixar louco! – disse esfregando o rosto raivosamente — Por que elas têm que ser tão complica¬das?
— Creio eu que é para nos manter imaginando coisas. – respondeu-lhe o garçom.

*


voltou para empresa com suas emoções totalmente conturbadas. Resolveu se trancar no escritório pelo resto do dia, analisando contratos e outras informações burocráticas. Aprovou orçamentos e novos projetos, tentando manter-se totalmente concentrada no trabalho. Contudo, tal atividade se tornava descomunalmente impossível já que seus pensamentos insistiam em escapar para territórios proibidos, cujos nome e sobrenome martelavam dentro de si. Depois de conversar Josh Winton, diretor de criação, e Burt Williams, um importante sonoplasta ela se sentia completamente esgotada, como se tivesse travado uma grande batalha. O que não era de todo mentira já que lutava ferozmente contra si mesma, contra toda aquela tentação de ir até ao telefone , ligar para dizendo que preferia lençóis de algodão egípcio, onde passariam o resto do dia saciando todas as suas vontades carnais.
“É só um cara e tudo isso foi só sexo casual, .”
Continuava a repetir o seu mantra. Talvez, se continuasse dizendo isso a si mesma, uma hora a ideia ficaria devidamente gravada em seu cérebro e ela poderia seguir em frente. Bebeu mais um pouco do chá de limão pois considerando que não dormia direito há algumas noites, cafeína deveria estar vetada. Dando para si uma pausa no trabalho, colocou os pés sob a mesa e ligou a televisão de plasma que ficava no canto da imponente sala. Deixou em algum canal de clipes musicais. Ela viu muitos astros mirins cantando, com músicas chiclete das quais as letras não diziam nada. Meninas de quinze anos quase sem roupa e meninos que ainda nem tinham chegado a puberdade falando de amor e todas aquelas besteiras. Quando já estava sorvendo o último gole da bebida, eis que surge o McFLY na tela com o seu último clip lançado e de supetão quem aparece nos primeiros segundos era ninguém mais ninguém menos que . Ela cuspiu toda a bebida e tossiu compulsivamente. Ele não podia estar mais lindo e desejável, claro. Suspirou profundamente e maldizendo a si mesma, a ele e toda a raça humana, desligou o aparelho.
— O não vai ficar na minha cabeça. Ah, não vai mesmo! – disse para si mesma — Tudo o que eu preciso é uma distração... Mas o que?
Uma mulher rejeitada ficaria em casa, remoendo toda a amargura do mundo, o que seria bem mais fácil de fazer. Só que estava na situação oposta a isso. Então, ela ficou refletindo até que uma ideia resolveu fazer um tour pela sua mente extremamente fértil. Foi como nos desenhos animados, quando o personagem tem um anjinho e um diabinho em cada ombro, sendo que ela estava “dando ouvidos” ao segundo. Logo, a resposta não era “o que” e sim “quem”, e ela já tinha escolhido alguém para dar nome ao tal pronome. Com o sorriso malicioso nos lábios, discou o número há tempos conhecido. O “quem” ficou exultante ao ouvir a proposta dela e aceitou prontamente. Por não querer que desse muito na cara as suas intenções, convidou também seu irmão e Madison, sabendo que teria a privacidade necessária quando eles começassem a agir como todo casal apaixonado age. Bom, se tudo desse certo - a partir dessa noite - arrivederci . (...)

Já passavam das oito quando chegou em casa já que o trabalho havia tomado um pouco mais de tempo que o esperado. Todavia, ainda tinha cerca de uma hora até seu irmão vir buscá-la. Tirou a roupa jogando-a no sofá. O bom de morar sozinha é esse: a única pessoa que irá se preocupar com a arrumação da casa é você mesma e ela não estava dando a mínima nesse momento. Usando apenas a lingerie, abriu uma garrafa de vinho e foi até o closet. Vasculhou cada canto do amplo cômodo. Casual, profissional, praia, grunge...Nada parecia bom o suficiente. Quando as esperanças ameaçavam desaparecer como água no deserto do Atacama, surge em uma caixa preta com os dizeres “Catherine Malandrino”. Era um oásis em forma de vestido de noite. Sexy, decididamente sexy, que era a característica essencial para o propósito. Feliz com seu achado,correu para tomar um banho rápido e relaxante.
? – uma voz ao longe a chamou e ela diminuiu o chuveiro para que ouvisse direito. — , você tá em casa?
— Chuveiro! – respondeu para Madison. Não sabia porque ela já estava ali. Deu de ombros, Maddy aparecia em sua casa quando dava na telha, tinha a chave do apartamento. As duas se conheciam desde o Ensino Médio e chegaram a morar juntas por um bom tempo até que a amiga começasse a namorar seu irmão e este a convidasse para morar com ele. Diferentemente do esperado as coisas não mudaram muito, era comum para chegar em casa e encontrar Madison de pijamas assistindo a algum filme da TV a cabo. Porém, quando iam sair, ela sempre se arrumava em casa e apenas passava com Joshua para pegar . Ela não estava atrasada. Estava? Desligou a água e enrolou-se em uma toalha.
— Maddy, porque você já está aqui? – perguntou.
— Eu senti algo estranho na sua voz quando você me ligou, aí eu decidi vir antes. E aí, o que tá pegando?
— Nada. – retrucou enquanto pegava o secador.
—Vamos lá, você sabe que eu te conheço há algum tempo e sei quando algo está errado. Desembucha. mordeu o lábio inferior. Ainda não tinha contado do problema , nem sabia como iria ou se deveria. Talvez devesse contar só quando já tivesse resolvido tudo isso uma vez que ela não aprovaria algumas de suas atitudes.
— Ah, é só o trabalho. Estou pra ficar louca. – disse e começou a secar os cabelos. Madison ficou analisando as feições de em busca de algo que denunciasse o que estava acontecendo. Nada. O rosto dela continuava normal, não dizia nada, mas em no intimo Madison sabia que tinha alguma coisa errada. Já que a amiga não queria dizer, deu de ombros. Esperaria pacientemente até que ela resolvesse dizer algo. Só desejava que ela não demorasse muito e fosse tarde demais porque é feita de extremos: quando se arrisca e faz coisas erradas, as conseqüências podem não ser imediatas mas com certeza são muitas.

Capítulo 6


Música do capítulo: Rihanna – S&M


não queria - em qualquer circunstância - voltar a ver hoje, mas foi justamente ela quem viu no primeiro lugar onde entrou. Só o que ele queria era tomar uma bebida em algum lugar barulhento, cercado por gente que não conhecia e mulheres bonitas que desviassem sua mente de uma mulher. E veja só o que aconteceu, lá estava ela dançando com um homem muito arrumado. Nunca teria pensado que ela gostava de tipos “moderninhos”. Ela estava dançando colado com o homem, o corpo curvilíneo acompanhando com sensualidade os movimentos sofisticados de seu acompanhante, lembrando-o que era “a” mulher. encostou-se ao bar e pediu uma bebida ao garçom. Então ele sorriu para a garota que estava o olhando, virou-se e continuou a acompanhar . O vestido que usava favorecia as curvas, afinal que roupa que ela usava não favorecia? Se ela continuasse dançando daquele jeito, todo cara ali presente iria logo oferecer companhia. E ela não poderia culpar ninguém, além de si própria, pela atenção que iria receber no fim da noite, quando o álcool embotasse a boa educação daqueles homens. precisava admitir que tem um desejo ávido por uma mulher que transpira esse tipo de confiança sexual. Mas ele descobriu que não apreciava seu exibicionismo da forma como apreciara em outras mulheres. Ele temia que ela estivesse brandindo uma bandeira vermelha na frente de uma manada de touros. Bem, ele talvez acabasse vendo com os próprios olhos se o cara que dançava com estava à altura de um pouco de competição saudável. Como se em desafio, o rapaz passou um braço em torno da cintura dela, os dedos abrindo-se sobre a cintura, enquanto ela movia a pelve para encostá-la em seu quadril. simplesmente não conseguia parar de olhar. Afinal de contas ele era um cara de sangue quente. A única coisa que o diferenciava de todos os outros caras ali era o fato de que ele sabia qual era a sensação de ter aquele corpo nu nos braços. Experiência que ele tivera que agora queria tanto esquecer. Com uma virada rápida da cabeça, que fez longos cabelos louros cascatearem sobre um ombro, , sorriso nos lábios, olhou na direção em que estava. E seus cintilantes olhos focaram nele. cumprimentou-a com um meneio de cabeça. Não desviou o olhar, nem sorriu. Simplesmente continuou observando-a voltar a mover os quadris, braços pendendo um pouco atrás do corpo enquanto os ombros ondulavam de um lado para o outro, movimento que empurrava e empinava seus magníficos seios.
Dois minutos.
Era todo o tempo que ele ia lhe dar. E então iria caminhar até a pista e cutucar o ombro do parceiro de dança dela. Para ver, apenas por curiosidade, como ela iria reagir. Se iria rejeitá-lo antes de lembrar a perfeição com que seus corpos haviam se movido juntos. Afinal de contas, não lembrava de tê-la ouvido se queixar uma única vez. Ele iria dançar com ela. Faria com que ela movesse os quadris contra o seu flanco enquanto esperava para ver se ela conseguiria olhá-lo com o mesmo desprezo com que o olhara antes. Mas antes que pudesse contar os minutos, ela se inclinou para falar ao pé do ouvido com seu parceiro. Depois de se despedir do parceiro com um beijo no rosto, caminhou até movendo os quadris num ondular provocante. Ela lançou um olhar de lado a ele antes de se debruçar sensualmente no balcão para pedir uma bebida, o que o barman atendeu prontamente com um sorriso. pagou a bebida de ficou aguardando o que ela faria em seguida. Disse a si mesmo que, caso ela lhe pedisse desculpas pela forma como se comportara à tarde, deveria aceitar; afinal, ainda podia ser um bom sujeito quando se esforçava. E finalmente não resistiu a perguntar:
— Vem muito aqui?
— Na verdade, é um dos meus points favoritos. Por quê?
— Por nada — retrucou , levando sua garrafa à boca. — Você e o seu namorado podem continuar dançando aqui à vontade.
— Não que seja da sua conta, mas ele não é meu namorado. Mas creio que sabe disso.
Ele olhou para ela com o canto dos olhos, um meio sorriso nos lábios. Houve um longo silêncio enquanto os olhos de lentamente se levantavam até os dele. Para , isso foi um sinal de que ela não era imune ao seu charme. E esse dado, somado à recente evidência de seus movimentos na pista de dança, era estímulo mais que suficiente para . Ele abriu um sorriso largo e piscou para ela. continuou sorrindo, mesmo depois de se virar novamente para o bar. E a sensação era boa. Mais que boa. Na verdade não se lembrava de qual fora a última vez que conseguira esquecer facilmente dos problemas por tempo suficiente para flertar com uma mulher. E com alguém que há poucas horas atrás se mostrara determinada a não flertar. Ao menos não com ele. O que fazia de um desafio. Talvez persuadi-la a mudar de idéia sobre ele fosse exatamente o tipo de coisa de que precisava, pelo menos por enquanto. Sentindo o celular vibrar, tirou-o do bolso da calça jeans. O brilho da tela iluminou seu rosto enquanto virava-se para observá-lo. Ele não estava sorrindo ao desligar o aparelho. ainda estava observando enquanto ele o guardava de volta no bolso.
— Evitando alguma pobre mulher apaixonada?
— Não dessa vez.
Quando se calou, arriscou uma olhada de lado. E ali estava , lindo e sexy, vestindo jeans e camiseta, a fitando com seus profundos olhos.
— Que foi? — ela perguntou. meneou a cabeça.
— Nada. Só estava pensando.
— Bem, não faça nenhum esforço por minha causa.
Com um sorrisinho, estendeu a mão até a garrafa vazia no balcão, o braço acidentalmente roçando a lateral do seio de . E ela precisou de todo o autocontrole para não estremecer quando seus olhos encontraram os dele.
não tinha como saber que aquele toque acidental despertava uma centena de memórias na mente e no corpo de . Contudo, ela viu em seu rosto a evidência inconfundível de que o contato também mexera com ele. continuou sorrindo por mais um momento, mas então voltou a conversa.
— Vamos dançar.
— E se eu não quiser dançar com você?
Mas era tarde demais. Quando ela se deu conta, ele já havia tirado o copo de sua mão e a conduzido até a pista de dança.
— Agora que eu vi como você dança, achei que seria justo experimentar seus passos comigo.
Ah, não! só conseguia se soltar na pista de dança com Connor, que era "seguro". Com Connor, ela podia perder suas inibições, fechar os olhos e sucumbir à sexualidade de uma batida pulsante e um ritmo frenético. Afinal, Connor só avançaria se ela permitisse e, bom, até agora ela não tinha nenhum desejo de progredir com ele. Mas com não seriam passos de dança. Seriam... preliminares. Isto tinha sido uma má idéia. tentou se soltar, mas , claro, era fisicamente mais forte. Num instante os dois estavam bem próximos, com a mão esquerda de plantada suavemente em sua cintura, e seus corpos se movendo em sincronia ao ritmo da música. quase gemeu alto.
, me solta.
— Fique calma. Não vai provocar uma briga aqui, no meio dessa gente toda, vai?
Ele tinha razão. Ela não queria fazer uma cena. Afinal, essa casa noturna era o seu point favorito. E só precisou de uma olhada sobre o ombro para confirmar o que já sabia: seus amigos estavam observando atentamente ela dançar com ele. Eles estavam de olho nela, apenas por curiosidade. Ela arriscou olhar mais uma vez nos olhos de . E então seu cérebro subitamente começou a funcionar. Espera um pouco. Por que ela estava tentando fugir dessa situação? Nunca fugia de um desafio. Outra música começou a tocar e ela rapidamente reconheceu.

Na na na na, come on
Na na na na, venha
Feels so good being bad (Oh oh oh oh oh)
É tão bom ser má (Oh oh oh oh oh)
There's no way I'm turning back (Oh oh oh oh oh)
De jeito nenhum vou voltar atrás (Oh oh oh oh oh)
Now the pain is my pleasure cause nothing could measure (Oh oh oh oh oh)
Agora a dor é o meu prazer porque nada pode medir (Oh oh oh oh oh)

começou a mostrar a ele o que era realmente uma dança sensual, a reação em seu olhar foi bem clara. Touché, . Sua vez. aproximou-se mais para sussurrar na orelha de :
— Sabe, dizem que quando um casal dança muito bem é porque são compatíveis em outras áreas.

Love is great, love is fine (Oh oh oh oh oh)
O amor é ótimo, o amor é bom (oh oh oh oh oh)
Out the box, outta line (Oh oh oh oh oh)
Com criatividade e sem limites (Oh oh oh oh oh)
The affliction of the feeling leaves me wanting more (Oh oh oh oh oh)
A aflição da sensação me deixa querendo mais (Oh oh oh oh oh)

Ela recuou e riu.
— Está falando sério? Você consegue ganhar alguém com uma cantada dessas?
— Você ficaria surpresa.
— Bem, devo dizer que essa cantada não vai funcionar comigo.

Cause I may be bad, but I'm perfectly good at it
Porque eu posso ser má, mas eu sou muito boa nisso
Sex in the air, I don't care, I love the smell of it
Sexo no ar, eu não me importo, eu amo o cheiro

— Mas não foi uma cantada — disse com um sorriso. — Pense bem, faz todo sentido. Se duas pessoas conseguem se mover com tanta harmonia na pista de dança, na cama elas iriam... Se bem que nós já sabemos muito que somos compatíveis nessa área, não sabemos?

Sticks and stones may break my bones
Varas e pedras podem quebrar meus ossos
But chains and whips excite me
Mas correntes e chicotes me excitam

Ele estava jogando sujo e brincando com fogo. colou ainda mais os corpos - como se isso fosse possivel – fazendo com seus movimentos se tornassem não mais sensuais, e sim sexuais. Aproximou-se do ouvido dele e começou a cantar com a voz mais suave e sedutora que pôde:
Cause I may be bad, but I'm perfectly good at it (Porque eu posso ser má, mas eu sou muito boa nisso); sex in the air, I don't care, I love the smell of it (Sexo no ar, eu não me importo, eu amo o cheiro); Sticks and stones may break my bones (Varas e pedras podem quebrar meus ossos) but chains and whips excite me (Mas correntes e chicotes me excitam).
Voltou para sua posição anterior, dançando cada vez mais e ao fechar os olhos, sentiu a parte inferior de seu abdômen entrar em contato com o início de uma ereção bem impressionante, o que provocou também uma reação imediata em seu corpo.

Na na na na, come on, come on, come on
Na na na na, venha, venha, venha
I like it-like it
Eu gosto, eu gosto
Come on, come on, come on
Venha, venha, venha
(...)

O lugar parecia menor e mais quente. A letra de Rihanna com as batidas eletrônicas faziam exteriorizar tudo o que os dois sentiam no íntimo. voltou a se aproximar dele e dizer:
— Hm, que tal irmos para um lugar mais calmo?
Bastou finalizar a frase para pegá-la pela mão e puxá-la por entre as pessoas amontoadas na pista. não sabia para onde estava indo mas sabia o que iria fazer. Em poucos segundos uma porta se abriu e ela se deparou com o estacionamento, desativou o alarme do carro indo para o mesmo.
— Fumê? – ela perguntou.
— Claro. Não dá pra ver nada.
sorriu perversamente e ele ficou sem entender por um momento, até que entraram no carro. Ela simplesmente começou a beijá-lo com muito vigor. correspondeu com empolgação cada um dos beijos usando as mãos para explorar cada parte do corpo de que tivesse ao seu alcance. Ela abriu a camisa dele arrancando vários botões no processo, então começou a alisar a barriga sua definida descendo até o cós da calça. Então, beijando o pescoço dele abriu a calça revelando a cueca boxer preta. respirava irregularmente com os beijos e as carícias de , com vontade, pegou-a pela nuca e a beijou intensamente. Ela por sua vez começou a tocar o membro ereto de e fazer movimentos vagarosos.
- Ah meu Deus, ...- ele não conseguiu terminar a frase. De repente parou, o encarou com um sorriso completamente maldoso e então se afastou abrindo a porta do carro e saindo por ali.
- HEY, ! QUE PORRA É ESSA? – ele perguntou gritando. Ela apenas encostou no carro e mostrou a chave que estava em sua mão. – VOCÊ NÃO FARIA ISSO...
- Olhe e aprenda. Essa é por você ser prepotente o suficiente pra achar que depois de tudo o que você me disse eu iria correndo pra sua cama.
balançou a chave na altura do seu rosto, para depois jogá-la no chão. Com isso olhou-se no retrovisor, ajeitou o batom e acenou para , que incrédulo a viu voltar para dentro da casa noturna acenando alegremente.




CONTINUA

N/A.:E AI MINHAS LINDAS??? EU SEI QUE VCS TÃO QUERENO ME MATAR E TD MAIS, SÓ QUE MINHA VIDA PASSOU POR MUITAS LOUCURAS NESSES TEMPOS KKK enfim, a Lara me contou um babado que perguntaram de mim na tag kkk to me achando a bala que matou Kennedy kkk *joga os cabelo ao vento* Pois é, não pude atualizar muito por causa da escola e etc. Sério, um dia eu vo chegar naquela escola e vou dizer “BITCHES, TO INDO PRA LONDRES. FUCK YOU. JONES PEGA O POODLE. VAMOS *joga os cabelo*” KKKK AAH GENTE eu conheci os puto do mcfly lsdksaçdksç nem preciso dizer que fiquei com vontade de falar pra eles tipo a Sabrina do Pânico “EU QUERO DAAAR” ou então “vcs vcs vcs vcs vcs me querem?” kkk na1 kk anyway dps conto pra vcs como foi os bang dos meets e os shows de SP risos só digo 1 coisa: passei a escrever coisas mais safadinias dps de conhecer aqueles quatro deuses gregos SOS fico sem ar só de lembrar jesus josé madonna risus E AI, GOSTARO DESSA ATT? SO MT MÁ MUHAHAHAHA af ,vou calar meus dedos sinto vcs pensando “AJ CALA A MATRACA POR FAVOR” é o tipo de coisa que Duds meu professor de História I falaria hehe. Então...ADÍOS. Até próxima. Que vai ser bem mais próxima, prometo.
XxX
AJ (@dannysetudo // @McCABARET )

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