Our Secret Party 2

Autora: Thamih Jones
Status: Em Andamento
Revisada por: Juh Claro
Categoria: Hot Fics
Sub-Categoria: Romance - LongFic
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01

Meu dia estava ficando tedioso, isso era uma coisa que me deixava impaciente e ansiosa. tinha saído cedo para a gravadora ou ensaiar com os garotos – eu não tinha realmente prestado atenção, estava meio adormecida ainda quando ele me falou. Eu não tinha nem que trabalhar. Eu não tinha treino na pista de patinação hoje, mas poderia ir trabalhar à noite no meu segundo emprego opcional. Não que eu amasse trabalhar naqueles lugares, mas tinha que admitir que era um tanto divertido. Certo, eu teria que esperar a noite chegar, mas fazer o que?
Pensando bem, esse tempo me seria útil, eu estava mesmo precisando dar um trato em mim mesma. Acho que vou começar pela depilação...
Me levantei do sofá, deixando a TV ligada, e subi as escadas até meu quarto. Em meu banheiro tudo estava uma bagunça, mas eu não tive dificuldade em achar minha maquininha para depilação, já que eu sabia onde tudo se localizava na minha bagunça.
Pernas, virilha... Devolvi a maquininha a seu lugar, pegando a pinça e cuidando da sobrancelha enquanto deixava um produto cuidar do buço.
Molhei meu cabelo e o prendi de um jeito que minha tia havia me ensinado, separando a franja e garantindo que estivesse totalmente esticado. Senti a parte em que ele começava a se afinar e cortei-o ali, soltando-o e rindo ao ver o quanto eles pareciam excessivamente curtos – comparado a antes – agora que estavam emaranhados e totalmente bagunçados por tê-los prendido para frente. Penteei-os e passei a gilete nas pontas. Havia tirado um pouco mais de dois dedos deles, deixando-os um pouco abaixo dos seios, em camadas na frente, somente para tirar as pontas duplas e ressecadas mesmo.
Voltei a prendê-los molhados mesmo com uma piranha e fui para o quarto, procurando meu kit de manicure, que parecia ter fugido dali. Esmaltes não tinham perninhas para fugir, mas minha prima tinha para pegá-los.
Sem bater, já que ela não estava em casa, entrei em seu quarto, que ficava em frente ao meu. Estava na escrivaninha embaixo da janela, bem a vista. Quero dizer, tudo naquele quarto estava sempre à vista, já que estava sempre arrumado. Meu banheiro estava bagunçado pela minha falta, mas em geral ele não ficava bagunçado. Não muito. Meu quarto era apenas um pouco desorganizado, mas eu me sentia meio mal ao compará-lo com o dela.
Voltei para sala com o estojo de manicure em mãos, sentei no sofá e comecei a fazer minhas unhas. Laranja, vermelho ou roxo? Roxo combinava mais com meu humor, mas meu dia já estava tão sem graça que unhas vermelhas já seriam alguma coisa, apesar de costumeiras. Eu já estava no dedo mindinho do pé quando o barulho da porta me assustou, me fazendo pular e consequentemente borrar o esmalte. Olhei para ver quem era – mesmo sendo óbvio, já que eu dividia o apartamento apenas com ela – e Charlotte sorriu para mim, o que eu devolvi com uma carranca.

- TPM? – ela arriscou, fazendo uma careta.
Rolei os olhos.
- Não, Charlie, está tudo um tédio e você me fez borrar a última unha.
- A culpa não é minha se você se assusta fácil, priminha. – E dando de ombros entrou na cozinha, depositando os pacotes que carregava na pia, voltando em seguida para o sofá, só para começar a mudar de canal sem me perguntar nada.
Hey, eu tinha levado um tempão pra achar aquele canal, o único que prestava no momento, isso não era justo.
- Oi, eu tava assistindo – reclamei grossamente.
- Como você pode fazer as unhas e assistir TV ao mesmo tempo? – Ela continuou a zapear deliberadamente os canais.
Aquilo me irritou. Qual é, minha mãe falava isso, só que era sobre lição de casa e afins. ”Como você pode assistir TV e fazer lição? Como você pode escrever bilhetes e prestar atenção na aula? Como você pode ouvir música e estudar? Blá, blá, blá...”. Eu simplesmente posso ué.
- Eu não tenho culpa de meu cérebro ser capaz de fazer duas coisas ao mesmo tempo enquanto o seu não – retruquei. – Agora volta pra aquele canal. - Você nem lembra o que tava assistindo. – Ela finalmente parou em um canal. - Porra, Discovery? Fala sério, nem minha mãe assistia isso! – Tá, ela assistia às vezes, mas isso não vinha ao caso. - Vai me dizer que você não adora os suricatos? - Eu gosto do Timão, mas isso não quer dizer que eu queira ver um programa sobre eles na savana. Agora volta pro canal que tava. Finalmente eu havia conseguido terminar de pintar e limpar as bordinhas de todas as unhas. Respirei um tanto aliviada.
- Não, eu tô assistindo esse agora.
Enfurecida, levantei com meu estojo em mãos, indo até a TV e a desligando antes de seguir para a escada. Charlotte começou a reclamar atrás de mim, mas eu ignorei isso.
- Dá próxima vez vê se coloca as coisas que você tirar do meu quarto de volta no lugar.
- Como se seu quarto tivesse lugar certo pra alguma coisa!
- Meu quarto, minhas coisas, minhas regras – finalizei sem olhar para trás, mas alto o bastante para que ela me ouvisse, e bati a porta do quarto como uma adolescente frustrada. Não que eu fosse muito diferente de uma, afinal.

Coloquei o estojo de qualquer jeito em uma das prateleiras do guarda-roupa, ignorando como sempre o bolo de roupas emboladas ali, e me sentei na cama apoiando os cotovelos nas pernas e o rosto nas mãos. Meu cabelo ainda estava úmido e estava começando a coçar, mas eu não queria tomar banho ainda. O que melhor para se fazer do que ligar o rádio e perder tempo na internet em horas vagas e tediosas? Foi o que fiz durante algumas horas, até que uma música em particular me chamou a atenção, e eu me peguei observando a foto deles em meu computador.
Olhar para e um como o braço por cima dos ombros do outro na foto da banda, sorrindo como verdadeiros amigos enquanto ouvia Mr. Brightside não era uma coisa muito confortável. estava ficando cada vez mais ousado, o que estava arriscando cada vez mais minha relação com .
Eu me sentia suja, uma pessoa horrível, aquele sentimento de culpa devastando todo meu interior. Mas não conseguia me livrar de nenhum dos dois. Como eu poderia escolher um dos dois sem quebrar o coração de um deles, sem acabar com a amizade que eles tinham? Eu iria acabar com a amizade deles, o que acabaria com a banda, o que afastaria os quatro homens mais unidos que eu já havia conhecido, seria uma calamidade.
E como eu poderia ousar escolher entre dois homens que tanto me completavam? Eles eram parecidos e ao mesmo tempo distintos, me faziam sentir tão viva quanto se era possível.
Mas todo esse sentimento de culpa variava de forma constante. Eu amava o perigo de estar com e amava o conforto de estar seguramente nos braços de . Por vezes, eu me sentia tão culpada por estar com , como se fosse fosse o traído, que eu tinha que me afastar para tentar respirar melhor. Mas quando eu me sentia culpada por estar com , eu não conseguia me afastar. Ele não deixava, meu corpo não me permitia.
A música já estava no final quando eu desliguei o rádio com violência. havia me dito há três semanas que aquela música descrevia que era como ele se sentia, quando ele me disse que as coisas estavam ficando cada vez mais difíceis para ele. Eu o estava machucando cada vez mais, era como se ele me amasse, me desejasse mais a cada dia ao invés de se enjoar de mim, de começar a me odiar. O problema era que assim como ele me amava cada vez mais, eu também o amava, e a .
Houve batidas na porta e eu dei um pulo para trás, meu coração na boca.

- Amor? – a porta se abriu, revelando . Meus olhos se arregalaram, minha respiração acelerou. Era uma sensação retardada de como se ele pudesse ter ouvido meus pensamentos. – Você está bem? – ele perguntou preocupado.
- Ahn? Ah, estou. – Eu me recompus, sorrindo forçadamente para ele. – Você me assustou, só isso.
Ele riu, entrando no quarto e me abraçando.
-Eu te avisei que ia voltar mais ou menos essa hora.
- Avisou? Ah, , você sabe que eu nunca assimilo nada enquanto não acordo direito. – Recostei minha cabeça em seu peito, sentindo um vazio enjoativo no estômago.
- Os caras estavam querendo sair hoje, mas eu não sei se eu vou.
- Ah, eu prometi ajudar Charlie com uns trabalhos dela, ela tem um gigante que é pra amanhã e não conseguiu fazer nem metade ainda. – É, lá estava eu usando mais uma vez Charlie como desculpa. Eu sempre tinha alguma.
- Sério? – ele tinha uma voz chateada agora, o que me fez abraçá-lo mais forte. – Odeio essa maldita faculdade dela. Quem faz faculdade afinal, você ou ela?
- , ela trabalha o dia todo coitada, mal tem tempo para estudar para as provas. Se não fosse por ela eu não poderia estar morando em Londres, lembra?
Ele bufou irritado.
- Estava querendo fazer alguma coisa com você hoje à noite, um jantar, beber alguma coisa, sei lá. Ficarmos sozinhos um pouco, longe dos caras, essas coisas.
- Own. – Eu passei a mão por sua bochecha e lhe dei um selinho. – Podemos fazer isso amanhã, o que acha?
Ele rolou os olhos.
- Tenho outra opção?
- Aproveite e saia com eles hoje. – Eu sorri tentando ser doce com ele.
- Tá bem. – Ele me deu um beijo na testa.
- Sem mulheres – eu tive que falar. Ele deu de ombros.
- Você é a única pra mim. - Ele encostou os lábios nos meus, acariciando minha língua com a sua por longos minutos, até me dar um selinho e ir embora.

Bom, já estava realmente na hora de tomar um banho, afinal deixar meu cabelo molhado preso o fazia inevitavelmente coçar horrores.
- E aí, vamos comer plástico ou isopor hoje? – brinquei com Charlotte quando adentrei o a cozinha com a toalha na cabeça, meia calça por baixo da calça jeans e sutiã.
- Qualquer coisa que eu faça sai melhor do que o pedaço de pedra que são seus bifes – ela retrucou, destampando uma panela de onde saiu uma grande quantidade de vapor. – me perguntou sobre o que era o meu trabalho.
- O que você respondeu? – questionei sentindo meu coração dar uma guinada.
- Que era sobre as guerras alemãs, espero que você não tenha falado outra coisa, porque ele parecia desconfiado.
Soltei o ar aliviada.
- Não, eu não tinha dito sobre o que era o trabalho.
- Você não vai contar pra ele nunca, né? – Ela se virou do fogão para olhar em meus olhos.
- Pra ele me xingar e me proibir de trabalhar, isso se não terminar comigo? E onde eu vou arranjar um emprego que seja tão flexível e ganhe tão bem? – Eu desviei meu olhar do dela e comecei a separar os pratos e talheres.
- Você que sabe, mas ficar inventando tanto não vai dar certo. Minha faculdade não vai durar pra sempre, sabia?
Um cheiro fraco de algo queimando chegou a minhas narinas.
- Charlie, a comida tá queimando!
Ela deu um pulo assustada e desligou o fogão, fazendo com que nós duas ríssemos.
- Saudade de quando minha mãe cozinhava pra mim – ela desabafou.
- Saudade de quando minha mãe fazia tudo pra mim – eu confessei, e nós trocamos sorrisos cúmplices de saudade.
Nós comemos a comida que parecia borracha e limpamos a cozinha juntas, antes de eu tomar a direção de meus aposentos para terminar de me vestir para sair.

02

Era muito rotineiro o que eu iria fazer hoje mais uma vez: sair, encher a cara e descontar mais uma vez minhas frustrações na primeira gostosa que eu visse.
Eu devia ter visto os sinais para parar há muito tempo, mas tudo o que eu sentia era irrefreável. Era como se toda vez que eu a visse minha mente trabalhasse de um jeito diferente, de modo insano. Entre uma mulher e meus amigos é claro que eu escolheria meus amigos, isso era lógico. Mas com ela nada era lógico, então eu não podia evitar trair meu amigo. Isso era terrível, difícil para mim, eu prezava a amizade mais que tudo, nossa banda era minha família, mas se essa era a condição para poder tê-la em meus braços, eu me subordinaria.
- Dude, a não vai gostar nada de saber que eu estou indo para uma boate dessas – disse repetindo como todas as vezes que íamos para algum lugar daqueles.
, sempre preocupado demais, sempre agindo como certinho até que do nada resolvia esquecer que tinha uma namorada. Me poupe.
- Ela não vai ficar sabendo, como sempre – disse no banco de trás.
Eu me recostei no banco do carona, colocando as mãos atrás da cabeça e relaxando o corpo.
- Igual à , né? – Sim, eu não resistia a cutucá-lo pelo menos um pouco.
- Eu dei a opção dela passar a noite comigo, ela que não quis. – Ele se defendeu.
Eu sorri de olhos fechados, adorava quando ela deixava na mão. Hoje, porém, era uma pena que não fosse por minha causa.
- Por quê? – questionou. Ele estava sentado (esparramado) ao lado de , enquanto dirigia.
- Ia ajudar a prima com um trabalho da faculdade – ele respondeu irritado. – De novo.
- Dude, acho que as duas têm um caso – zombou. – Você não tá dando conta da menina, coitada. Hey, qualquer dia desses eu posso ensinar umas coisinhas pra ela se você quiser. Ouch!
havia lhe dado um tapa na cabeça, eu conhecia aquele som da mão batendo em sua nuca muito bem, de tão frequente que acontecia.
- É, eu nunca vejo a prima dela com nenhum cara, e ela já foi bater na porta algumas vezes puta porque a estava gemendo muito alto. – Todos no carro riram, menos eu, que senti vontade de virar no banco e socar ele. Respirei fundo, ignorando o ódio que esquentava meu sangue. – Mas a não é lésbica. Talvez ela tenha largado a priminha depois que descobriu minhas habilidades.
- Eu ainda acho que foi ao contrário. Você é tão ruim que traumatizou a coitadinha e agora ela prefere passar a noite com a prima do que com você – eu não pude evitar o ciúme em minha voz, mas eles riram, provavelmente nem o notando.
- Eu ainda sei me divertir sem ela – ele disse, achando aquilo ótimo.
Sorte dele então, pois eu já não sabia mais me divertir sem ela.
- Acho que dá pra estacionar aqui. – mudou de assunto, parando o carro próximo ao meio fio.

Apoiado no balcão do bar, rodei o copo em minha mão, fazendo seu conteúdo girar dentro dele. Todos os outros caras estavam de costas para o bar, olhando as strippers como se nunca tivessem visto mulher antes na vida. Eu apreciava o trabalho delas, mas nos últimos meses eu precisava de muita bebida antes de lhes dar atenção. Os paparazzi já estavam até cansando de me fotografar saindo bêbado ou até carregado de lugares como aquele, isso já não era mais notícia. Frustrado, virei o líquido de uma só vez pela garganta, batendo o copo no balcão com um pouco mais de força que necessário, adorando a sensação de queimação que descia por minha garganta como fogo.
- Mais uma dupla – ordenei ao bartender, que não se demorou a preencher meu copo novamente.
Somente quando minha visão começou a ficar lenta juntamente com meu raciocínio, eu me virei para olhar o lugar, localizando , e sentados quase que no meio do lugar. Eu nem havia percebido que eles haviam ido para longe de mim. Levando o copo comigo, fui até eles, sentando ao lado de , que já parecia meio alterado.
- Não podiam ter sentado em um lugar mais discreto não? – perguntei a eles, ignorando a garota a nossa frente que se esfregava no poste.
apenas balançou a cabeça negativamente, os olhos vidrados na garota, enquanto os outros pareciam nem ter me ouvido.
Recostei-me no sofá e olhei para a garota a nossa frente. Ela tinha cabelos pretos como a noite e uma bela bunda, apesar de não ser muito avantajada na parte superior. Eu não via graça nela, apesar de seus movimentos serem sexy.
Excitado? É claro que aquilo me excitava um pouco, mas ainda assim não tinha graça. Eu sabia que se eu transasse com ela não teria graça. Seria apenas mais uma noite, mais uma garota qualquer. Ela, ou qualquer outra, não conseguiria me satisfazer completamente, não importando quão bêbado eu estivesse. A não ser pela única exceção.
Balancei a cabeça frustrado novamente, virando mais uma vez a bebida goela abaixo. Eu estava em um lugar como aquele para esquecê-la, não para ficar me lamentando. E o fato da garota à nossa frente ser morena não estava ajudando.
- Vou procurar outra – murmurei para , que nem desviou o olhar da dançarina. Ninguém mandou escolher a baranga da como namorada.
Observei a minha volta as outras garotas, mas nenhuma em particular me chamava atenção. Talvez só não fosse dar muito certo hoje, talvez eu devesse procurar outra coisa para fazer. Avistei em um canto escuro – sendo que o lugar já era mal iluminado – um lugar vazio, sem dançarina, sem ninguém, para onde fui atraído. Ao me sentar ali ri sozinho, imaginando que pensariam que eu poderia estar me masturbando, afinal é meio suspeito um cara se isolar em um lugar como aquele. Que se dane.
Fechei meus olhos e recostei a cabeça na quina atrás de mim, tentando organizar meus pensamentos e ao mesmo tempo ignorar a maioria deles. O que estava acontecendo comigo? Desde quando eu me deixava afetar daquele jeito por uma mulher?
Mas não adiantava, seu rosto, suas curvas, seu sorriso, sua voz… Ela não saía da minha mente. Me levantei dali decido a achar uma stripper qualquer, decidido a beber até desmaiar se fosse necessário. Eu já estava na metade do caminho de volta ao bar quando a música aumentou e o lugar ficou com uma iluminação ainda mais fraca, dando destaque ao palco que ficava do outro do estabelecimento. Pedi mais uma bebida e fui para perto do palco, onde seis garotas entravam. e estavam no lado direito, então eu me direcionei ao esquerdo, olhando por cima do ombro para achar com uma gostosa com o curto uniforme de garçonete em seu colo. Eu queria poder tirar uma foto e mostrar a .
A música mudou, e as seis garotas começaram a dançar, parecendo se divertir com aquilo. Elas vestiam curtos shorts jeans colados com a barra esfiapada e babylooks brancas. Não tinha uma ali que não fosse gostosa e fosse bonita, apesar de que a bebida podia estar melhorando alguma coisa, eu não tinha certeza.
Elas se mexiam ao ritmo da música, hora de modo sincronizado, hora de modo aleatório.
Em duplas, elas se aproximaram e passaram as mãos pela outra de modo provocante – o que me trouxe lembranças de uma festa há menos de dois meses atrás – e trocaram de lugar, o que fez com que agora uma garota de cabelos ruivos intensos ficasse a minha frente. Ela tinha uma franja reta que chegava a metade dos olhos, o cabelo com pouco movimento até metade das costas, maquiagem forte preta nos olhos, um batom vermelho chamativo e um corpo esculpido por Deus. Ela tinha os movimentos mais incríveis que eu já havia visto em uma mulher. Não era como qualquer stripper que crescera em um lugar sujo ou fora mimada pelos pais e se revoltara, mas ela tinha movimentos quentes com um toque sutil, elegante. Estava claro que ela sabia o que fazia, levando suas mãos até atrás da cabeça e deslizando pelo pescoço e lateral do corpo, fechando os olhos e abrindo ligeiramente a boca, rebolando de um modo que estava me enlouquecendo. Todas as garotas tiraram a blusa, revelando um top branco, e passaram as blusas por seus corpos, passando-os de forma provocante por entre as pernas, antes de beijar as camisetas e jogá-las para nós. Uma delas foi bem na minha cara, e eu sorri pervertido para a ruiva, mesmo ela não tendo me notado ali.
Durante eternos minutos seguintes, eu achei que iria surtar com aquela garota a minha frente, minha calça estava tão apertada que minha vontade era subir naquele palco e arrastá-la para trás das cortinas, comer ela ali mesmo.
Elas já estavam sem o short, apenas com calcinhas finas e ainda o maldito top, quando em sincronia se jogaram de quatro contra o chão, engatinhando para mais perto da ponta do palco, até que pararam e ficaram de joelhos, passando a mão por seus próprios corpos e a ruiva a minha frente fazia movimentos tão perfeitos e ousados que eu achei que seria capaz de gozar apenas olhando-a.
Dei alguns passos para frente, a luz agora batia diretamente em seu rosto. Ela tinha olhos azuis, cílios excessivamente longos, a pele tão lisa e branca pela maquiagem e os lábios tão vermelhos que teria sido incapaz para qualquer um reconhecê-la. Mas aqueles traços eram familiares demais para mim, eu já os havia observado tanto que seria capaz de desenhar um quadro de sua imagem mesmo com os olhos fechados. Mas a bebida estava me deixando confuso, eu não conseguia ter certeza do que estava vendo.
Até que ela me viu. Nossos olhares se encontraram e eu pude ver toda a intensidade de sua alma mesmo através daquelas lentes azuis. Não, não podia ser ela...

03

Meus olhos se arregalaram imediatamente ao reconhecer aquele rosto, aqueles olhos. E eu soube no mesmo instante que ele me reconhecia também. Maldição, não é possível! O que ele está fazendo aqui? Como ele me achou? Ai meu Deus, será que estava ali também? Eu estava ferrada.
Para minha sorte estava na hora de levantar, e eu aproveitei para escapar para o camarim o mais rápido que pude. É claro que o camarim daquele lugar era dividido com todas as outras dançarinas e não era exatamente luxuoso, mas o lugar não era de todo ruim. Arranquei minha peruca e a joguei contra o espelho, me jogando no desconfortável sofá atrás de mim e afundando meu rosto nas mãos. Inevitavelmente comecei a chorar, sentindo desespero, ódio, medo.
Passei as costas da mão contra meus lábios, querendo me livrar daquela maquiagem. Eu havia estragado tudo. iria achar que eu era uma vagabunda qualquer, nunca mais olharia na minha cara. Eu era um lixo, estava acabada.
Eu podia imaginar a cara de decepção de , apesar de tudo em sua expressão ter apresentado apenas surpresa e confusão. Meu choro aumentou e eu bati minha cabeça contra o sofá, tentando aliviar minha dor interna, o que na verdade não ajudou em nada. A porta do camarim se abriu e fechou com um estrondo, me fazendo pular de susto e me sentar rígida no sofá.
- Que porra você acha que tá fazendo? – sua voz grossa ribombou alta pelas paredes, me fazendo encolher as pernas contra meu corpo.
- Vá embora – eu tentei manter minha voz firme, mas não havia como esconder meu choro. Passei as mãos com força contra os olhos, pouco me importando em como isso borraria drasticamente a grande quantidade de maquiagem escura ali. - Não quero falar com você. - Ele riu ironicamente.
- Você não quer falar comigo? Você faz uma coisa dessas - ele abriu o braço direito em direção à porta - e não quer falar comigo? Como você foi capaz disso? - Havia dor em seus olhos, decepção. Aquilo me rasgou por dentro com força total.
- É um trabalho como qualquer outro, eu só estou tentando ser alguém! – lhe respondi grossamente, me levantando e indo a frente do espelho para me livrar das lentes de contato que irritavam ainda mais meus olhos, assim como aqueles malditos cílios longos.
- Ser alguém? Desse jeito? O que você acha que vai conseguir aqui dentro? Já pensou no quanto isso aqui te afunda , no quanto isto te rebaixa?
- Me rebaixa? – Aquilo estava começando a acordar o ódio dentro de mim. Peguei minha bolsa e guardei minhas lentes na caixinha, enfiando todo o resto dos apetrechos nela sem nenhum cuidado em seguida. Então me virei para ele. – Eu não nasci com a vida ganha, eu nasci em um lugar muito diferente daqui, Daniel, eu já enfrentei muita coisa para chegar onde estou hoje, não preciso de alguém como você me apontando como se eu fosse uma vagabunda qualquer. Ou você acha que eu estaria com vocês hoje se não trabalhasse aqui, se não pudesse pagar o belo apartamento onde moro ou as roupas e sapatos caros que tenho que usar para ir com vocês a estréias, festas e programas que tanto adoramos? Vocês sequer olhariam na minha cara.
Ele me olhou de forma magoada, se aproximando de mim.
- Isso não é verdade, não jogue a culpa para cima de mim. Dinheiro não faz diferença alguma pra mim.
Foi minha vez de rir com descrença.
- Certo. Pra você é fácil dizer, você tem de sobra. Como você acha que eu me sinto vendo as garotas que vocês pegam, que cresceram sustentadas de bom grado pelos pais com suas roupinhas de grifes e vozes enjoadinhas, falando sobre coisas inúteis porque nunca tiveram que aprender as coisas de verdade pelo modo difícil? Eu me cansei de apenas sobreviver , isso daqui é o que eu faço.
- E é por isso que eu te amo – ele disse sério, franzindo as sobrancelhas –, porque você é diferente delas. Você é uma mulher forte e decidida, e eu amo isso em você. Mas por que você tinha que escolher fazer uma coisa dessas? Você não pensou no quanto isso me machucaria? Eu estou pouco me fodendo para suas malditas roupas, para seu maldito apartamento. Eu, eu não entendo...
- sempre me deixou bem claro do quanto aprecia todo esse luxo, e vocês não ficam atrás. , você não entende? – Eu me aproximei ainda mais dele, pousando minhas mãos nas laterais de seu rosto. – É a única coisa que eu sei fazer que pague tão bem.
- Mas... - Ele fechou os olhos e colocou as mãos sobre as minhas. Aquela luz amarelada vindo das lâmpadas empoeiradas me dava senso de realidade, não me deixava esquecer que nada era tão fácil. – Eu sei o quanto você é boa nisso, mas... por favor, , me diz que você não se prostitui – ele abriu os olhos, permitindo então que lágrimas escapassem de seus olhos. – Eu não poderia suportar...
Eu me afastei dele, um tanto espantada.
- É claro que não – eu balbuciei, ofendida. – Como você...? Ora, , vá para o inferno.
Ele respirou fundo, assimilando as informações.
- Mesmo assim. – Ele se aproximou novamente, decididamente com raiva. – Como você consegue fazer uma coisa dessas, como você se deixa ser tão... Vulgar? Isso é ridículo, , você não vê? Você não é assim.
- , eu sou assim! Olhe para minha vida! Eu durmo com dois homens que são melhores amigos apenas pelo fato de não conseguir escolher entre eles! Que diferença faz o que esses homens aí fora estão pensando quando me vêem dançando? Eles não sabem quem eu sou, eles apenas conhecem o que vêem naquele palco. É apenas um trabalho, no qual eu me dou muito bem, no qual eu até me divirto. E o que você está fazendo aqui afinal?
- Estava tentando te esquecer, como sempre – havia irritação em sua voz. – Olhe para mim. – Eu me foquei em seus olhos, me sentindo suja então. Era estranho, mas era como se eu precisasse que ele aprovasse as coisas que eu fazia, como uma filha tentando deixar a mãe orgulhosa. – Você me promete que não vai mais trabalhar aqui? Promete que nunca mais vai fazer esse tipo de coisa?
- Não seja ridículo.
Ele segurou meus braços, próximo a meus ombros, ainda mantendo o contato visual de forma intensa.
- Estou falando sério, você não vai mais trabalhar aqui.
- Eu trabalho em três, às vezes quatro boates diferentes, e ganho muito bem pra isso. Não vou largar isso pra ter uma vida medíocre apenas porque você não se sente confortável com isso.
- Eu arranjo outro emprego pra você – ele disse decidido.
- Com horários tão flexíveis que me permitam treinar e participar das competições de patinação com um pagamento tão alto? Duvido.
Suas mãos aumentaram a força do aperto em meus braços.
- Eu dou um jeito, você tem que me prometer que não vai mais trabalhar nisso.
- Não vou prometer nada. – Eu me sentia ofendida pela forma como ele falava comigo, como se eu estivesse fazendo algo realmente errado.
Ele me apertou ainda mais forte.
- Eu não vou deixar.
- Me solta, – eu disse séria.
- , pare com esse maldito orgulho! Você não pode continuar trabalhando nisso.
- É claro que posso, faço isso há muito tempo. O único abusando do orgulho aqui é você.
- Certo, já que você pensa tanto em como só junto com a banda para cima e para baixo porque tem dinheiro para se acertar com nossos luxos, não pensou em como vai ser quando descobrirem o que você faz?
- Ninguém vai descobrir nada, ninguém sabe nem meu nome por aqui, ninguém nem me vê sem toda essa maquiagem. Acha o que, que algum paparazzo vai me achar em um lugar perdido como esse e me colocar na capa das revistas? Não, , eu sei me cuidar.
Ele ergueu as sobrancelhas, transparecendo uma graça irônica.
- Eu não falei nada sobre paparazzi.
Franzi as sobrancelhas, sentindo a região sob suas mãos começar a formigar.
- Do que você está falando? – Ele continuou me encarando de um modo maligno, até eu me dar conta. – Você não seria capaz!
Ele riu.
- E por que não? Se ele te ama tanto, vamos ver se ele seria capaz de lidar com isso.
- Seu desgraçado! – Eu tentei me soltar de suas mãos, mas ele me segurou com ainda mais força. – Você está me machucando, me solte!
- Prometa! – ele exigiu, me sacudindo.
- NÃO! – eu gritei na cara dele.
- Não seja idiota, apenas prometa de uma vez! – ele exigiu com raiva, me dando mais uma sacudida.
- Eu te odeio, nunca devia ter deixado você chegar perto de mim! ME SOLTE!
- Ótimo, eu vou contar a ele e você que se vire! – Ele me jogou contra o sofá, se direcionando à porta em seguida.
- NÃO! – eu corri para ele e parei em frente à porta, bloqueando seu caminho.
- É sua escolha – ele disse inflexível.
- Daniel, por favor – sim, eu estava implorando. – Não faça isso.
- , sai do meu caminho.
Eu apenas não aguentava mais, desmoronei. Deixei que meu corpo desabasse, ficando de joelhos ao lado da porta, afundando meu rosto entre as mãos e chorando tão alto que era possível ouvir meus soluços no corredor.
- Vocês são tudo o que eu tenho – eu sussurrei antes que a porta se batesse ao meu lado.

04

Eu queria desaparecer dali o mais rápido possível, não queria ver ninguém nem que ninguém me visse, mas tudo que eu conseguia fazer era continuar a chorar aos soluços. E se resolvesse levar até ali? Eu devia desaparecer dali o mais rápido possível, sabia disso, mas não tinha forças suficientes. Eu poderia mentir mais tarde para , acusar de estar mentindo, fazer o que fosse possível. Mas quais seriam as consequências de tudo isso? Eu estremecia só de imaginar.
E, ao contrário do que eu achava que deveria ser, a dor não era por tudo isso. Não era por , pela humilhação ou pelas mentiras. Ela era causada pelo olhar de , pela decepção naqueles olhos que não deixavam minha mente nem por um instante, me acusando. Eu conseguia odiar mais a mim mesma agora do que a ele.
Meu choro estava tão alto e eu estava tão fechada em minha bolha de desespero que dei um pulo ao sentir alguém tocando meu braço. Mas meus olhos não se focaram em uma de minhas colegas de trabalho como eu esperava e pouco desejava, mas sim naqueles olhos . Passei as mãos para desembaçar minha visão, confusa.
Nós ficamos apenas nos encarando enquanto eu procurava com extrema aflição toda aquela decepção de antes, mas tudo o que encontrei foi arrependimento e amor por trás das lágrimas enrustidas. Eu não precisava perguntar por que ele havia voltado, tudo estava muito claro na forma como ele segurava meus braços, dessa vez fazendo um singelo carinho, um pedido de desculpas silencioso por sua violência anterior.
Eu queria lhe falar tanta coisa que minha mente chegava a embaralhar as palavras, mas de minha garganta nada saia além da minha respiração tentando se acalmar. Me dei conta então de que não estava mais soluçando, nem ao menos chorando. Apenas algumas lágrimas restantes escorriam por meu rosto, como se através delas eu pudesse fazer compreender como eu me sentia.
Ele não me beijou desesperadamente como no final da maioria de nossas brigas ou como quando ficávamos muito tempo sem poder nos tocar. Ele apenas me puxou contra seu peito, estando agachado a minha frente, soltando meu cabelo e os afagando. Eu passei meus braços ao seu redor, me emocionando com sua compreensão, sua preocupação. Em resposta ele plantou um beijo em minha cabeça, me apertando ainda mais contra ele, apagando minha dor interna aos poucos, me acalmando docemente. Eu sabia que com ele estava segura de tudo, segura de meu principal inimigo: eu.
Nós passamos alguns minutos assim, até que eu pude sorrir ao inalar seu inebriante perfume masculino, ignorando o ruído da música lá fora, e me afastei um pouco dele, demonstrando que estava bem. Ele selou nossos lábios com calma, sem segundas intenções, apenas um selinho calmo.
Um selinho que eu fiz virar um beijo ainda calmo, mas que me dava choques internos ainda assim, o que resultou em pouco mais de um minuto em um beijo árduo e intenso, nos fazendo perder mais uma vez a noção de tudo o mais que pudesse existir no mundo.
Ele deslizou suas mãos de meu cabelo pela lateral de meu rosto, seguindo uma trilha de beijos por minha bochecha e passando a língua levemente por minha mandíbula, seguindo até meu pescoço e me enlouquecendo com os lânguidos beijos que passou a dar por ali. Passei a agarrar seus cabelos com a mesma vontade com a qual ele sugava e mordiscava meu pescoço entre aquelas lambidas que me faziam perder totalmente a razão.
- Seu ponto fraco é tão sensível – ele sussurrou próximo ao meu ouvido, me fazendo estremecer com sua voz grossa e ligeiramente rouca – que consegue me afetar.
Eu sorri. Eu me sentia ainda mais excitada ao vê-lo excitado, era maravilhoso saber que isso era uma coisa recíproca.
- Meu ponto fraco é você – sussurrei em seu ouvido, passando minhas mãos ela parte interna de suas coxas, apertando.
Ele apertou minha cintura em resposta, me beijando agressivamente, e passou seu joelho por entre minhas pernas, o que me fez cravar levemente as unhas em suas coxas.
Ele fez pressão com o joelho novamente, me fazendo soltar um suspiro em meio ao beijo. Ele aproveitou a deixa para voltar a me torturar pelo pescoço, fazendo pressão novamente com o joelho. Isso era abusar da minha sanidade, qual é.
Subi minhas mãos por seu tórax, sentindo seus músculos deliciosamente trabalhados por baixo da blusa, e o empurrei violentamente para trás pelos ombros, o fazendo perder o equilíbrio e cair com as costas no chão, as pernas ainda dobradas por falta de espaço. Com um sorriso inevitavelmente malicioso no rosto voltei a apertar suas coxas, vendo-o fechar os olhos com meu sorriso preferido nos lábios. Sua camisa estava levemente levantada por causa da pequena queda, deixando um trecho de sua barriga a mostra. Comecei a aplicar beijinhos pela região, apertando fortemente sua perna, o ouvindo apreciar baixinho aquilo.
Vozes repentinamente próximas e escandalosas nos pegaram de surpresa, nos fazendo sentar eretos e assustados, olhando para a porta ainda fechada com os olhos arregalados, já que as vozes vinham de trás delas.
A porta se abriu e eu voltei a respirar aliviada ao ver as outras dançarinas entrarem ali. Três delas me deram atenção, uma com os olhos arregalados e outras duas apenas rindo da minha cara, enquanto as outras três se vestiam pouco se importando com a presença de um homem no quarto.
- Quer dizer que resolveu aprender a ganhar dinheiro de verdade? – Michelle perguntou divertida. Eu sabia que ela tinha cabelos castanhos, mas agora estava com sua peruca loiro-amarelada e pegou suas roupas em cima de um móvel atrás da porta, assim como a Jean, a mulher com falsos cabelos escuros e curtos.
- Você sabe que eles não deixam fazer programa aqui – Jean disse com uma voz um tanto enjoada. – E como é que você sai no meio do show assim? Torça para Klaus não ter te visto.
- Ou para ninguém contar – Michelle disse sugestivamente olhando de soslaio para as outras meninas que se arrumavam.
- Kim, você está bem? – perguntei um tanto preocupada e alarmada com a forma com que a terceira garota ainda encarava .
- Você é Jones! – ela disse com a voz aguda de excitação, mas ainda sem mover um músculo além dos labiais.
Eu a olhei com descrença. Ela tinha que reconhecê-lo agora, aqui? A sala se fez em um silêncio alarmante, todos nos encaravam.
- Kimberly! – Michelle foi a primeira a se pronunciar, ralhando com ela.
Nós tínhamos uma política de nunca demonstrar reconhecimento por ninguém. Não que tratamento VIP não rolasse, é claro, mas isso não vinha ao caso agora. Kim pareceu se lembrar disso então.
- Oh, desculpe – ela pediu encabulada. – É que eu escuto McFly e... Adoro vocês! Desculpe, Hanna. E... - ela me analisou. – Você não tinha os olhos ?
Suspirei aliviada novamente. Por um instante achei que ela iria me reconhecer também.
- Resolvi dar uma variada – eu disse com um sorrisinho. – Vamos? – Chamei a que parecia meio perdido naquilo tudo, além de desviar o olhar a cada dez segundos para os seios de Kim cobertos apenas pela camisa fina. Eu não podia culpá-lo exatamente, ela tinha seios bem chamativos, mas isso me deixavas com uma certa raiva. – Vamos? – repeti enfaticamente.
- Vamos – ele despertou de repente, assimilando as coisas finalmente.
- Michelle, dá uma sondada pra mim se o Klaus me viu? Qualquer coisa eu falo com ele amanhã, está bem? – eu sussurrei para ela após me levantar.
Ela concordou com a cabeça.
- Hanna! – Kim se apoiou em meu ombro, um sorriso infantil na face. – Consegue um autógrafo pra mim depois? – ela sussurrou.
Rolei os olhos.
- Sem problema, darling.

- Hey, eu acho melhor voltar pra casa – disse meio sem graça, apertando a fita do sobretudo em minha cintura. Nós havíamos saído pelos fundos e demos a volta no quarteirão para chegarmos à avenida, onde eu poderia pegar alguma condução.
- Você vai ficar bem? – ele perguntou um tanto preocupado. Eu sabia que não adiantava tentar esconder minha tristeza e preocupação dele, ele sempre via através de mim. Respirei fundo, fazendo sinal para um táxi que passava. – Quer que eu vá com você? – Abanei a cabeça, abrindo a porta de trás do táxi. – Hey – Ele segurou meu braço, me fazendo olhá-lo. – Você vai ficar bem? – ele repetiu. Assenti com a cabeça, o olhando ainda com certa mágoa. – Me desculpe – ele disse em um sopro.
- Não se preocupe, só, não... - O olhei fervorosamente. – Só não conte nada ao .
O ódio queimou tão fundo em seu olhar que fez meu coração acelerar agressivamente dentro de mim.
- Vá para o inferno - ele disse entre dentes, soltando meu braço.
Me sentei no banco de trás do carro um tanto atordoada e ele bateu a porta com força antes que eu pudesse bolar algo para retrucar. Parecia que eu continuava a ver seu olhar em mim mesmo quando o carro já estava a três quadras dali. Mesmo quando eu já estava em minha cama tentando dormir.

05

Um buraco dentro de mim estava aberto e toda vez que eu dizia algo parecia que as palavras ecoavam no buraco, batendo nas paredes de carne viva e explodindo em meus ouvidos de dentro pra fora transformadas naquilo que não saía de minha mente. “Vá para o inferno”. Eu estava nele.
Desde a casa noturna eu não via e muito menos conseguia falar com ele. Eu já havia mandado mensagens no celular, ligado, mas nada. Até quando ia encontrar junto ao resto da banda parecia achar um jeito de escapar antes que eu chegasse.
Mas o que estava acabando comigo era ainda pior.
Quando eu estava com era como uma chama flamejante de felicidade, um conforto impagável. Mas eu não podia mais me atrever a olhar em seus olhos: toda vez que fazíamos contato visual os olhos de pareciam queimar em ódio em cima de mim novamente, me dando uma sensação sufocante em nauseante. Era insuportável.
Eu achei que não havia nada pior do que ser ignorada por ele, sinceramente. Mas, quando você é egocêntrica ao ponto de acreditar que não há nada pior do que o que está acontecendo com você no momento ou simplesmente inocente demais para imaginar que Jones vá dar a volta por cima, você se ferra. Não só se ferra sem estar preparada, se ferra pra valer.

- Tem certeza que esse vestido ficou bem? Tenho a impressão de que ele está justo demais.
- , pela última vez, está perfeito, continue andando e pare de mexer nessa porcaria – reclamou mal-humorado.
- Mas eu mal consigo respirar nele e essa meia-calça está me pinicando – eu insisti.
- Você que ficou falando que ia emagrecer antes da festa, ninguém mandou comprar um vestido que você acha apertado – ele sussurrou em meu ouvido, desviando de algumas pessoas que conversavam calmamente com seus drinks em mãos.
- E foi você que ficou falando que eu não precisava emagrecer! Por que eu fui acreditar em você? – eu sussurrei de volta, pois só assim podíamos conversar em meio a tantas pessoas loucas por uma fofoca.
- Hey, não me culpe, você não emagreceu porque não conseguiu, admita.
Eu o fuzilei com o olhar.
- Você devia ter me deixado trocar de roupa antes de vir pra cá, quando ainda estávamos no elevador.
- Ah, claro, pra você demorar mais um século pra se arrumar.
- Pelo menos estaria mais confortável.
- Confortável? Que eu saiba esse vestido é o único que você ainda não usou em uma festa dessas e que presta.
- Eu tenho vestidos muito bonitos se você quer saber.
Ele riu desdenhoso.
- Como se eu não conhecesse seu guarda-roupa. Ou você preferiria estar confortável e ser ridicularizada pelas costas por todos aqui? Você os conhece.
Eu cruzei os braços.
- Ridícula eu já estou com um vestido tão apertado.
- Ele não está tão apertado, pare de reclamar. – Ele olhou para o lado, e meu olhar acompanhou, percebendo um casal vindo em nossa direção. – Venha aqui. – Ele me puxou para perto pelo braço, me fazendo descruzá-los, e me abraçou de lado. – Sorria – ele sussurrou disfarçadamente.
Eu fiz o que ele mandou, sorrindo simpática para o casal que nos cumprimentava. Aqui era assim, todos mecanicamente treinados para atuar em meio a alta sociedade, e isso era uma festa. Festas da elite em geral são maçantes, e é por que há sempre champanhe e outras bebidas alcoólicas sendo servidas a todo o momento. Mas, é claro, você nunca pode ficar realmente bêbada, ou qualquer coisa inconveniente que você fale alto demais pode estar nas capas de revistas de fofocas pela manhã.
É claro que em festa mais fechadas o esquema é outro, mas esse não era o caso por aqui. Apesar de tudo, sempre se dava bem nessas festas, assim como . Os dois tinham uma educação totalmente natural, transparecendo grande conforto com os locais, apesar de por dentro estarem na maior parte do tempo entediados. Apesar de eu achar que gostava de se exibir bastante também.
era o queridinho do grupo, sempre fazendo piadas e flertando um pouco com todas, apenas para compensar as coisas sem noção que ele soltava às vezes.
era um cavalheiro, um conquistador tanto quanto . Ele era divertido e sempre animava a todos, além de sussurrar zombarias sobre todos na festa o tempo todo em meu ouvido, me fazendo rir disfarçadamente todas as vezes.
Mas isso não iria acontecer hoje, eu sabia disso. O buraco dentro de mim parecia estar em algum tipo de movimento, algo doloroso. Mas nada se compara ao que senti ao ver aquilo. Não houve um flash que não os iluminou enquanto entravam e não houve uma célula em mim que não entrasse em curto enquanto os assistia.
Nós nos localizávamos perto das janelas, do outro lado da entrada. Foram barradas diversas vezes por sorrisos falsos e perguntas indiscretas enquanto se caminhavam a nosso encontro, mas eu mal conseguia parar de olhar para eles. O anfitrião da festa falava calorosamente com , mas eu mal conseguia lhe dar atenção, por mais que me esforçasse.
Eu não via há quase um mês e agora ele estava com seu mais belo smoking Armani, provavelmente novo, com uma bela dama ao lado.
Dama não, vadia, por favor.
A vadia vestia um vestido vermelho tomara-que-caia comprido, deixando meu vestidinho preto com detalhes em prata no chinelo. Vaca. E ela não estava gorda para aquele vestido, ele lhe caia perfeitamente na cintura, deslizando minimamente de um lado para o outro como uma segunda pele a cada passo que ela dava. Seus cabelos eram absurdamente lisos e loiros, lhe caindo em cascata em volta do rosto e nas costas como água.
Os meus estavam com baby-liss hoje, minha maquiagem forte para disfarçar as olheiras enquanto a dela estava leve e a pele parecia macia como a de um bebê.
Eu queria morrer. Eu queria quebrar o copo que segurava e cortar meu pescoço para sangrar até a morte. Eu queria voar para cima dela e arrancar cada pedaço de sua carne com meus próprios dentes. Eu queria triturar com Sazón e dar aos vira-latas que rondavam o Albert Memorial para que comessem como carne de pomba.
Eles finalmente chegaram até nós, cumprimentando calorosamente o anfitrião, cujo a vadia parecia conhecer muito bem, em seguida , que também parecia conhecê-la e se esquecera de me contar, e a mim. Ela me cumprimentou como se eu fosse sua amiguinha do jardim de infância. Eu queria arrancar a orelha dela com os dentes.
apenas sorriu cinicamente para a mim, voltando então a ignorar minha existência e dando total atenção àquela vaca.
- Com licença – disse alto o bastante para e o anfitrião me ouvirem, então sussurrei para mim mesma. – Vou ao banheiro vomitar.

Apesar do real enjôo que sentia, eu não vomitei, apenas continuei a encarar minha imagem no espelho, o ódio queimando tão forte dentro de mim que eu sentia vontade de chorar. Como ele podia estar fazendo isso comigo?
- Olá – uma voz fina feminina cantarolou a meu lado.
Pelo reflexo do espelho vi seu rosto sorridente, desejando imediatamente poder socá-lo contra o vidro. Até já podia sentir minhas mãos embrenhadas em seus cabelos empurrando sua cabeça com toda minha força contra ele, os gritos ecoavam em minha cabeça...
- Olá – foi ao que me contive.
- Você deve ser a namorada do , certo? – ela perguntou alegre, se juntando a mim no espelho e alisando o cabelo com as mãos, como se precisassem ficar mais lisos. Concordei com a cabeça, sorrindo por fora e me sentindo depressiva por dentro ao comparar nossos reflexos. – me falou muito sobre você.
Me virei para ela com a testa franzida.
- É? E o que ele disse?
- Bom... - ela parecia incerta. – Ele disse que você era maluca, mas eu discordo dele, você não me parece maluca. – Estava claro para mim que ele não havia falado apenas isso sobre mim. Ele havia me xingado muito, pode apostar. E esse foi o motivo pelo qual meu sorriso se alargou sem esforço. Ele havia falado de mim. Mesmo que mal, havia falado muito de mim.
- Não se preocupe querida, eu não sou maluca. É com ele que você devia tomar cuidado.
Ela me olhou confusa.
- Como assim?
- Bem, ele não é exatamente um tipo de homem com quem você vá querer desfilar mais de uma vez, não é? – eu disse como se aquilo fosse óbvio. – Ou vai me dizer que não ouviu as histórias sobre ele ainda?
- Histórias? Não. – Eu a olhei com dó, dando-lhe um sorrisinho triste e me virando novamente para o espelho para ajeitar o cabelo. – Conte.
- Há quanto tempo vocês se conhecem, ou estão saindo? – perguntei fingindo indiferença.
- Três semanas, eu acho – ela disse pensativa e eu senti uma porrada no estômago.
- Ah, então ainda está cedo. Espere quando completarem um mês, ele vai começar a aprontar como sempre. – Ela me olhou assustada. – Oh, não que ele já não esteja aprontando agora. – Dei uma risadinha. – Como semana passada, já há bastantes pessoas sabendo. Quanto mais o tempo passa mais ele fica descuidado e é só questão de pouquíssimas semanas para que chegue a seus ouvidos também. É claro, todas fingem que não vêem, é assim que ele leva. Ele vai te iludir e quando se der conta, você está no buraco, todos rindo de você. Isso sempre acontece.
Dei de ombros de um modo triste. Ela parecia chocada.
- Mas... Ele me parecia tão... Oh! O que ele faz? – ela começou a mexer nas próprias mãos, entregando seu nervosismo.
Rolei os olhos.
- Você sabe, sempre bêbado por aí, indo a boates estranhas, se drogando, pegando a primeira vagabunda que aparece. Ele já foi para uma casa de recuperação uma vez se não me engano, mas ele sempre acaba voltando para as drogas. Pelo menos agora que ele ganha tanto dinheiro fazendo música, parou de vender. Não acha triste o modo como crianças de doze anos hoje em dia podem conseguir droga tão facilmente? Eu realmente não entendo o que tem para as mulheres gostarem dele. Talvez elas gostem de ser usadas. É o que dizem.
Ela estava hiper-ventilando.
- Pelo menos ele aprendeu a não levar mais garotas de dezessete anos pra casa depois que foi preso. Oh! Eu não devi ter contado isso! – Coloquei uma mão na testa, abaixando tristemente a cabeça, como se tivesse feito uma burrada. – Você está bem querida? - Coloquei a mão em seu ombro.
- Eu... Sim... - Ela desamassou o vestido, que nem amassado estava, e voltou a mexer freneticamente as mãos. – Eu não tinha idéia... Obrigada. O que eu faço agora? - Como assim o que você faz agora? Oh meu Deus, vai ficar uma fera comigo. – Fiz uma careta. – Por favor, não conte nada do que te contei, finja que não sabe de nada.
- Fingir que não sei de nada? Como eu posso continuar ao lado dele? E o que vão dizer de mim agora?
Eu queria sorrir totalmente, estava quase difícil de controlar esse impulso.
- Continue com ele até o fim da festa, apenas dê uma desculpa quando ele te levar pra casa e suma depois, assim ninguém vai se machucar.
- Machucar? – Seu olhar estava arregalado.
É, eu queria que ela nunca mais chegasse perto de . Nunca.
- É que ele pode ser meio violento, às vezes. – Ela colocou as mãos na boca. – Relaxe, não é sempre.
- Bom... Eu vou pensar no que fazer. – Ela me olhou nos olhos, mostrando sinceridade. – Obrigada.
Eu segurei suas mãos com firmeza.
- Eu só acho que você não é o tipo de pessoa que merece se envolver com alguém como ele, entende? – Eu sorri fraco. – Melhor eu voltar lá pra fora. Até daqui a pouco. Não se desespere, está bem?
Mandei um beijo no ar e saí do banheiro, deixando a vadia totalmente atordoada.
sabia jogar? Eu também sabia. E ninguém lhe mandou escolher um peão tão bem esculpido, mas tão fácil de empurrar para fora do tabuleiro. Ela tinha a cabeça fraca, e eu tinha criado uma mente quase calculista.

No corredor, uma mão grande segurou meu braço enquanto eu sorria para o chão, distraída. Olhei surpresa, dando de cara com Daniel. Aqueles olhos penetraram em minha mente. “Por que está tão feliz?”, era uma pergunta clara em seu olhar, mas sua boca não se moveu. Nem a minha.
Nós continuamos a nos olhar intensamente, qualquer um dos dois incapazes de se mover. ainda tinha aquele ódio no olhar, e tudo o que eu fiz foi devolvê-lo, até que uma fina voz feminina nos sobressaltou absurdamente, o fazendo soltar meu braço automaticamente.
- Está tudo bem? – ela perguntou apreensiva.
Estava até você chegar. Vaca.
Nós nos recompomos.
- Está – respondeu com indiferença, estendendo seu braço a ela.
Ele agora a olhava, ignorando novamente minha existência. Eu aproveitei a deixa para esfregar o local onde ele havia segurado, fazendo uma leve careta, fingindo dor. A loira engoliu em seco.

06

O resto da noite se passou em uma paz admiravelmente reversa ao nervosismo que eu havia passado desde a chegada de . Eu tinha de desviar o olhar para toda vez que queria sorrir, pois eu tinha vontade de fazê-lo cada vez que via a loira – que eu havia descoberto se chamar Bridget – tentando esconder o quanto se sentia desconfortável perto de , se distanciando dele a cada oportunidade que não lhe parecesse rude.
? É claro que ele estava adorando se exibir. Ele a tentara beijar umas duas vezes, e eu teria arrancado a língua dele fora se não fosse por ela se afastar delicadamente. Eu podia ver o quanto ela queria ser beijada, mas o medo em seus olhos estalava toda vez que ele encostava em seu braço. Apesar de eu estar adorando a rejeição que eu estava lhe causando, eu não podia deixar de me sentir na fossa. Era a minha raposa que estava tentando beijar outra garota. Ele era meu, por que não podia simplesmente me pedir desculpas e me beijar em frente de todos, me exibir? Que injusto!

- Amor, você está bem? – me despertou, abrindo a porta do carro para mim.
- Ahn? – Pisquei duas vezes, só então me dando conta de que estava olhando descaradamente conversando com Bridget a caminho de seu próprio carro. – Estou, estou ótima – aquilo saiu quase como um rosnado.
Era por isso que não me agarrava na frente de todos e me beijava com uma paixão imensurável como nos filmes: porque eu já tinha meu príncipe encantado bem ao meu lado. E esse príncipe era seu melhor amigo. Meu Deus, talvez eu fosse a bruxa da história, não a princesa.
fechou a porta e deu a volta no carro. Ele só abria a porta pra mim na frente dos outros, nunca quando estávamos sozinhos, mas eu podia conviver com esse incômodo.
- Você parece... Preocupada? – ele arriscou, dando partida no carro. Pisquei novamente. – Você estava tão feliz lá dentro.
Feliz? Não, querido, apenas sorridente. Nem um pouco feliz.
- Ah, você sabe como eu fico distraída quando estou com sono, é só isso.
- Certo – ele murmurou me espiando pelo canto dos olhos. – Eu gostei da Bridget, ela parece ser legal. Acho que encontrou alguém finalmente. Será que eles duram?
Eu estreitei os olhos para ele, sentindo o sangue correr mais rápido em meu corpo em resposta a fúria.
- Você está brincando, ? Ela é uma completa idiota! Como você pode ter achado ela legal? Isso é ridículo. Você a achou gostosa, como todos os malditos homens daquela festa. Ela não tem nada de especial, é pura plástica e maquiagem. Ela e não tem nada a ver! Ele vai tentar comê-la e a jogaria fora antes mesmo de amanhecer se ela quisesse chegar perto daquele porco maldito! Aposto que você deve estar querendo entrar na filhinha também.
Somente quando ele falou em seu tom baixo foi que me dei conta de que eu havia gritado, e agora estava vermelha, apertando minhas unhas contra meus braços cruzados.
- Você está sendo ridícula, ! – Ele me olhou como seu eu fosse alguém muito esquisita, uma mendiga maluca. – Eu só estava comentando. Você estava parecendo se dar bem com ela lá dentro. E de onde veio esse repentino ódio todo pelo ? Ele te fez alguma coisa?
Eu fui pega de surpresa, correndo para a estratégia de desviar de assunto.
- Eu só estava tentando ser educada com ela, não tem nada de me dar bem com ela nisso. Homens são sempre uns babacas mesmo. Se eu passasse metade de toda aquela maquiagem e pudesse ter um vestido tão fino vocês logo estalariam seus olhos para mim. São todos uns cães sanguinários que não podem ver sequer um pedaço de carne.
É, eu não estava falando coisa com coisa, mas eu estava realmente cansada, a mente exausta e embaralhada, e estressada.
- Você fala como se não usasse o dobro de maquiagem que ela. E o seu vestido é lindo, você fica sexy de qualquer jeito. Pare de implicar com a coitada da garota só porque está com inveja e na TPM.
Meus olhos se estreitaram e minha boca se abriu, apesar de nenhum som conseguir atravessar minha garganta. Eu estava totalmente indignada. podia me ofender várias vezes, mesmo que fosse verdade na maioria das vezes, mas agora ele tinha ido longe demais. Ele não podia ter falado aquilo.
- Você... Retire o que disse agora mesmo.
- Ora, , já está na hora de você crescer um pouco, não acha? Parar de ter toda essa insegurança e infantilidade, isso já esta me irritando.
- , pare esse carro – eu ordenei. Ele riu zombeteiro. – Estou falando sério, para essa porra de carro, eu quero descer.
- Não seja ridícula. Você vai fazer o que, ir pra casa a pé?
- Estamos na cidade, eu posso muito bem pegar um táxi. Eu quero descer.
- Eu vou te levar pra casa, pare com isso.
- , eu vou descer de um jeito ou de outro! – Eu tentei abrir a porta, mas ela estava trancada. Claro, o carro não abre enquanto estiver em movimento. Merda.
gargalhou.
- PARE A DROGA DO CARRO SEU DESGRAÇADO, EU QUERO DESCER!
- PARE COM ESSE DRAMA, PORRA! – ele estava nervoso em um estalo. – Dá pra parar de gritar e não encher o saco?
- Eu vou falar apenas mais uma vez, . Eu-quero-descer.
- Você quer? – Ele deu uma freada brusca, fazendo o carro de trás reclamar com a buzina ao ter que desviar de repente. – Ótimo, desça. Vá em frente, ande desse jeito pela rua. Se tiver sorte vão apenas te assaltar enquanto você espera um táxi. – Ele destravou o carro.
- Com sorte você consegue o telefone daquela vaca loira e come ela – Eu saí do carro como um furacão e bati a porta com força. Ele odiava que batessem a porta de seu carro favorito, e eu sabia disso muito bem.
Ele arrancou com o carro violentamente, e eu comecei a andar pela calçada com a raiva ainda tomando conta de mim. Eu não queria nem me atrever a ir pra casa, aquilo não me faria bem algum. Sentir minha cama vazia... Apenas o cheiro dele no travesseiro vizinho. Isso me fez perceber o quanto eu havia sido irracional, e agora eu estava me arrependendo amargamente de ter brigado com ele. Pois não era com ele que eu devia ter brigado, não havia motivo para isso. Eu brigara com a pessoa errada. Eu queria sentar no meio-fio e chorar.
Caminhei com a cabeça e os ombros baixos por mais duas quadras, até avistar um bar ligeiramente elegante com um letreiro rosa escrito “Pink & Blue”. Bebida, isso me faria bem. Minha boca chegou a salivar; pior era difícil ficar.
O lugar era ligeiramente obscurecido, de um modo romântico com suas luzes rosas e azuis, e eu não prestei atenção nos casais dali. Eu apenas caminhei até o balcão do bar, me sentando em uma cadeira no canto mais vazio. Ali era bem movimentado, o que tornava mais fácil ser ignorada. Havia música soando pelos alto-falantes, mas não era nada muito mais alto do que as conversas e risadas que dominavam o lugar.
- O que vai querer, senhorita? – perguntou o barman. Ele era jovem e bonito, com luzes loiras em seu cabelo castanho escuro, mas havia algo de diferente, estranho nele.
Eu olhei as prateleiras de garrafas, procurando algum rótulo conhecido ou algo que simplesmente parecesse forte.
- Hmm, pode ser aquele ali – eu apontei para uma garrafa que continha um liquido amarelado.
- É um pouco forte, se você quiser eu posso fazer uma mistura deliciosa pra você, querida – ele usava uma voz fina demais para seu porte e sorriu simpático. Como uma amiga conspirando. Ele era gay.
- Está bem. Com o que vai misturar?
- Que tal uma surpresa? – Ele tinha uma expressão cúmplice. Eu devolvi seu sorriso, assentindo, e imaginando que se Lady Gaga começasse a tocar ele iria dançar como uma bicha louca. Isso me fez rir comigo mesma.
- E aí, querida, me conta – Ele me entregou um copo com uma bebida azul, colocando os cotovelos no balcão. Havia mais um homem e uma garota de gravata borboleta trabalhando atrás do balcão, além dos que serviam nas mesas, então ele não parecia preocupado com os outros clientes. – Há quanto tempo tá nessa?
- Nessa o quê? – perguntei confusa.
- Ai, deixa disso e desembucha gracinha. – ele continuou inabalável com sua voz afinada, como se eu estivesse brincando com ele. – Adoro as histórias de como os outros se descobriram, são sempre tão excitantes! – Seus olhos cintilaram.
- Se descobriram? Descobriram o que?
Como se estivesse perdendo algo, olhei em volta, confusa. É, definitivamente eu estava perdendo algo. Algo como os casais teoricamente invertidos. Mulheres que beijavam mulheres, homens que beijavam homens. Mulheres que pareciam homens sendo um pouco mais ousadas com as mulheres femininas e homens que queriam ser mulheres pegando homens tanto masculinos quanto afeminados. Não que estivessem todos selvagemente se agarrando ali, mas era possível distinguir vários casais, paqueras rolando e até mesmo grupos de amigos.
Provavelmente era por isso que o lugar se chamava “Pink & Blue”, e por isso que minha bebida era azul e a dos homens no local eram rosa.
- Oh, entendi.
Ele riu.
- Não tinha notado que era um bar GLS? - Ele estava se divertindo com a minha cara, mas não sendo grosseiro, de modo que eu não pude deixar de rir levemente junto. - Então talvez hoje seja o dia de você se descobrir. - Ele piscou para mim.
Eu não pude evitar meu sorriso travesso.
- Na verdade... Seus olhos faiscaram novamente.
- Oh, conte! - Ele pediu empolgado.
- É tudo meio complicado... Tem o meu namorado, e aí tem o melhor amigo dele...
- Eles são um casal? Vocês são tipo um triângulo amoroso? Atoron triângulos amorosos! – Ele estava quase batendo palminhas e dando pulinhos.
Eu gargalhei.
- Não, não. Quero dizer, mais ou menos. Eu sou o centro da coisa, mas é claro que meu namorado não sabe disso. E ele nunca iria imaginar sobre essa noite com eles...
- Eles? – Ele perguntou empolgado. – Oh, Meu Deus, conta logo garota!
Eu contive a vontade de mandá-lo calar a boca para que eu pudesse lhe contar de uma vez. Logo isso não foi mais um problema, assim que ele passou a se entreter na história. Nós parávamos apenas para pequenas piadinhas e meus goles na bebida, o que logo esvaziou o copo.
- Ai, querida, você é uma vadia! – Ele disse alegre, e aquilo soou na verdade como um elogio. – Arrasou! – Ele abriu a mão e eu bati nela, rindo. – Quer outra bebida?
- Quero sim – respondi.
Eu havia lhe contado tudo, o mais resumidamente possível, desde que eu começara a ficar com os dois até porque eu estava ali. Era delicioso ter alguém para desabafar, poder contar alguns detalhes sórdidos para variar.
- Alguma sugestão do que eu devo fazer? – Eu pedi ao receber meu copo.
- Claro, querida, eu sou ótima com conselhos. – Ele segurou uma de minhas mãos e me olhou nos olhos. Gays podem ser mais dramáticos do que eu, dica. – Quando tiver que escolher, escolha o que é melhor de cama.
Nós gargalhamos juntos.
- Ou você pode tentar alguém novo – uma voz feminina sugeriu ao meu lado, chamando minha atenção. Sua voz não era fina e irritante, era doce e firme.
É claro que isso me levou a olhar seus lábios, vermelhos e bem desenhados. Seus cabelos pretos eram compridos e ligeiramente ondulados, mas lisos em cima, e faziam uma perfeita combinação com seus olhos escuros e contraste com sua pele branca.
- Acho que é minha deixa – Ricky, o barman, piscou para mim e se afastou, voltando ao trabalho.
- Eu sou Lexy – ela se apresentou, me dando um beijo na bochecha.
- . – Eu sorri.
- E então, o que uma garota como você faz aqui? – ela puxou assunto.
- Como eu? – perguntei, sem realmente entender.
- Parece que você foi a um Oscar ou coisa do tipo. – Ela riu.
- Ela tem razão, você parece uma deusa entre os plebeus – Ricky se intrometeu.
Minhas bochechas esquentaram, mas meus ombros se ergueram automaticamente como resposta ao elogio.
- Ricky! – ela usou um tom bravo, mas era claramente uma brincadeira. – Pare de prestar atenção na conversa e me dê o de sempre para beber.
- Ui, diva, me desculpe – ele brincou, pegando uma garrafa grande de bebida.
- Eu estava em uma festa cheia de gente metida e chata – eu contei.
- Uma verdadeira novela – Ricky comentou.
- Ricky! – Lexy e eu falamos juntas, rindo em seguida.
- Mas ele tem razão, você parece uma deusa entre todos daqui – ela disse baixinho, passando os dedos frios por meu maxilar e bochecha.
Eu tentei esconder meu arrepio, apenas sorrindo de volta e a olhando nos olhos. Eu sabia que era só questão de tempo até ela me beijar. Eu não estava realmente ligando por ela ser uma garota. Quero dizer, os homens estavam acabando comigo, então por que não ter um pouco de diversão com ela? Alguns beijos não iam fazer mal a ninguém, sem contar que o que Ricky havia me dado era forte, e eu estava um pouco bêbada.
Lexy se aproximou um pouco mais, levantando meu queixo, e traçou o contorno de meus lábios com a língua. Eu deixei que nossas línguas começassem a ter contato, aprofundando aos poucos o beijo. Para minha sorte, ela beijava bem. Para meu azar, menos de dois minutos depois, seu celular tocou.
- Porcaria – ela xingou, conferindo o visor do celular. – Vou ter que atender, você se importa?
- Claro que não, tudo bem.
Ela sorriu e se apressou para fora do bar para atender.
Voltei a meu copo, mexendo o liquido ali dentro antes de levantá-lo. Mas antes que chegasse aos meus lábios, ele foi tirado de mim. Demorei alguns instantes para assimilar o individuo ao meu lado bebendo o que era para estar em minha boca.
- Isso é forte – ele disse, colocando batendo o copo no balcão. – Noite difícil? – Seus olhos encontraram os meus. Não havia raiva, não havia confusão ali. Apenas faíscas.
- Mais do que você imagina – confessei, pegando o copo vazio.
- Então somos dois.
- Ricky! – eu chamei.
- Vai querer outro? – Ricky perguntou. – Onde está Lexy?
- Foi atender o celular – respondi. – Pode ser mais um do mesmo, eu gostei.
- Notei. E se a Lexy foi atender o celular, ela já deve estar indo embora. É sempre assim. E você, delicia, desceu do Monte Olimpo também? – ele se dirigiu a .
- Eu quero uma coca – ele disse, mas sem realmente ser grosso com Ricky, apenas não dando corda.
Eu estranhei. não era do tipo que pedia coca, a não ser que isso viesse misturado com alguma coisa com alto teor alcoólico. Ele conseguia beber cerveja até no almoço.
- Eu não concordo com ela – continuou casualmente. – Você não parece uma deusa apenas entre os que estão aqui. Você sem dúvida era a garota mais linda daquela festa, e de qualquer lugar aonde vá.
- Não era isso que você parecia achar enquanto estava exibindo aquela vaca – eu disse acidamente.
- É que você estava ocupada, sendo exibida pelo seu namorado, me desculpe. – Ele sorriu cinicamente.
- O que foi, a vadia te dispensou e você veio aqui procurar seu par gay perfeito?
- Não pense que eu não sei o que você fez – ele disse, pegando o copo que Ricky havia acabado de colocar na minha frente e o trocando pela lata de coca.
O olhei surpresa e assustada, enquanto ele dava um gole na bebida azul.
- Você... Mas... Por que você...? – eu gaguejei.
Ele me olhou profundamente, me fazendo estremecer por dentro.
- Não se preocupe, eu não estou bravo com você. – Ele estalou os lábios, uma de suas manias. – Na verdade, eu estou de certa forma feliz.
Eu o observei com cara de nada por algum tempo, abri minha lata sem reclamar e rejeitei o copo, pedindo canudinhos.
- Feliz por eu ter arruinado sua maravilhosa noite de sexo com a garota perfeita? Acho que não estou entendendo.
Ele sorriu.
- Não há nada de perfeito nela como há em você. Apenas mais uma garota na minha cama. – Estreitei os olhos para ele, e ele revirou os dele. – É claro que ela é gostosa e tudo mais, mas essa noite não teria realmente nada de especial, porque minha cabeça estaria em outro lugar, em outra pessoa. – Então sua voz virou um sussurro quase abafado pelas diversas vozes do local. – Uma pessoa que estaria com outra pessoa.
Ele estalou os lábios novamente, desviando o olhar. Aquilo me cortou o coração dolorosamente.
- Mas essa pessoa não está com outra.
Ele deu um meio sorriso, indicando com a cabeça para o meu outro lado.
- Querida, eu já tenho que ir embora – Lexy disse, se aproximando. – O que você acha de ir comigo? – Ela sorriu sedutoramente.
Mas com logo ao meu lado, eu não via mais graça nela. Eu não via graça em mais ninguém.
- Desculpe – eu disse com um sorriso triste. – Vou ficar por aqui.
- Está bem. – Ela se aproximou, levantando meu queixo novamente e me beijando. Eu correspondi sem muita emoção, o que encurtou o beijo. – A gente se esbarra. – Ela deixou uma nota no balcão pela bebida. – Tchau Ricky. – Ela acenou e se afastou.
- O que foi? – perguntei perplexa ao notar brincando com o copo, parecendo chateado.
- Você não virar lésbica, vai? – ele perguntou com uma careta.
- Você não vai continuar saindo com essas vadias loiras, vai? – retruquei, igualmente chateada.
Ele achou graça.
- Agora aquela pessoa não está mais com outro.
Eu ri, mas voltei a ficar confusa em seguida.
- Hey, eu ainda não entendi por que você não está gritando comigo.
- Vai ver eu estou bêbado – ele levantou o copo, dando mais um gole, me fazendo rir.
- Você grita ainda mais alto quando está bêbado, .
- Certo – ele revirou os olhos. – Estou cansado de brigar. Estou cansado de toda essa merda.
- O que você quer dizer exatamente?
- , sabe como você se sentiu hoje, quando eu estava com Bridget? – Ele me encarou, embaralhando minha mente. Eu assenti, sabendo que era idiotice fingir qualquer coisa para ele. – É assim que eu me sinto todos os dias. Eu achei que ia me acostumar com isso, achei que era só o calor do momento. Mas... Só está piorando.
Eu engoli em seco.
- Desculpe – foi tudo o que pude sussurrar.
Ele se aproximou, selando docemente seus lábios nos meus por alguns segundos.
- Eu tinha te ligado, eu queria gritar com você até te deixar surda – ele continuou. – Mas você esqueceu seu celular no carro do . É claro que eu inventei que o celular dele estava dando fora de área e era com ele que eu queria falar. Ele me contou o que aconteceu.
- E o que ele disse? – perguntei com uma careta.
- Que você estava totalmente irracional aos berros com ele pra sair do carro, implicando com a Bridget e me xingando. Ele perguntou se eu tinha feito algo pra você. Disse que não entendia por que você estava tão furiosa. – Ele sorriu torto. - Você não enxerga o que está acontecendo, ? – O olhei confusa. – Você não está mais aguentando. Você não está mais conseguindo esconder de seus problemas comigo. O que quer dizer que você não está atormentada por minha causa, não é a culpa por estar comigo. Você sente culpa por estar com ele, no final das contas. Você me defende, mas não se importa tanto de jogá-lo nos braços de outra. É comigo que você quer estar.
- E quem disse que eu quero estar com você? Não seja tão presunçoso.
Ele riu, divertido.
- Eu não estou sendo presunçoso. Com quem é que você está agora?
- Estou com – respondi, confusa.
Ele entrelaçou uma mão em meus cabelos, segurando firmemente em minha nuca e me puxando para um beijo ardente. Eu resisti durante os primeiros cinco segundos. Os gostos de bebida e coca se misturaram em nossas bocas, e ele mexeu os dedos em minha nuca, me fazendo quase gemer baixinho. Só ele conhecia esse meu ponto fraco, e só ele sabia como me enlouquecer em menos de um minuto.
Ele seguiu com beijos por minha mandíbula até chegar a meu ouvido:
- Com que você está agora?
Eu entendi a pergunta então. Ele se afastou e olhou em meus olhos.
- Com você – respondi firmemente, apesar de estar com a respiração irregular.

07

Nós não conseguimos chegar até a casa dele ou a minha, então estávamos em uma rua escura e sem saída próxima da minha casa.
Nós estávamos parados ali não há muito tempo e eu já podia sentir sua excitação cada vez mais explícita dentro da calça. Eu simplesmente não me cansava de lhe provocar mais e mais, só para ver um doce e obsceno sorriso em seu rosto; eu não tinha como negar, aquele era meu sorriso favorito. Meu coração parecia a ponto de enfartar toda vez que eu o via. Era como uma bela pintura, uma música preferida e atemporal, da qual você sabe que nunca vai enjoar, impossível de se esquecer uma vez que se conhece, pois ela é bela e extasiante demais. Agora eu já havia me livrado de seus sapatos, smoking, gravata e sua camisa social estava aberta.
- – ele choramingou. – Por favor.
Ele continuava a tentar subir meu vestido, mas eu adorava torturá-lo.
- Não, , estamos na rua!
- Estamos dentro do meu carro, não tem ninguém vendo. Por favor – sua voz grossa era baixa, ficando ainda mais rouca, parecendo acariciasse meus ouvidos.
- Alguém pode passar e nos ver! – insisti.
- É por isso que estamos em uma rua sem saída, ninguém vem aqui. Os vidros são tão escuros que não dá pra ver nem nossa sombra. Vai .
- Nã-não, .
Eu desci minha boca até seu pescoço, dando-lhe languidos beijos ali enquanto desci minha mão por seu corpo.
- Por que você me tortura tanto, garota? – ele disse como um pensamento externado.
- Porque eu adoro te ouvir implorar – respondi com um sorriso safado.
Eu não devia ter dito isso. Ele inverteu nossas posições no banco de trás no mesmo instante, ficando por cima de mim. Seus olhos brilhavam perversamente.
- Implorar? Eu vou te fazer implorar para tirar esse vestido então. – Seu sorriso malicioso era enorme. Lindo. Eu nunca conseguia deixar de admirar o quanto ele era lindo. E gostoso.
Eu respirei seu perfume enquanto ele me beijava ferozmente, passando uma das mãos pela minha nuca, a pressionando para aprofundar o beijo. Meu corpo se arrepiou por inteiro enquanto ele descia os beijos para meu pescoço, lambendo cada pedaço de pele que encontrava pelo caminho. Gotas de água começaram a bater contra a lataria e a calçada. Ele apertou minha cintura com a outra mão, se pressionando contra mim.
Deslizei minhas mãos por suas costas, deixando que uma fosse para sua nuca e seus cabelos, repuxando-os. A outra continuou a sentir os músculos de suas costas que constantemente se retraíam contra minhas unhas.
A mão que estava em minha cintura agarrou minha coxa, adentrando meu vestido em seguida, e acariciando a região entre minhas pernas. Sem nenhum pudor, ele adentrou minha calcinha, me fazendo gemer no mesmo instante.
Eu não era uma garota sensível a toques. Eu era uma garota sensível a ele.
- Você quer tirar seu vestido? – ele perguntou em meu ouvido, me fazendo estremecer.
Ele sequer me esperou responder, me invadindo com seus dedos, o que me fez gemer vergonhosamente alto. Ele repetiu o ato mais algumas vezes, sem parar de beijar meu pescoço, até que eu o empurrei para poder tirar aquela porra de vestido.
Ele segurou minhas mãos, me impedindo.
- Há, eu não vou te deixar tirar esse vestido tão facilmente. – Ele sorriu pervertido.
Mas eu já estava ensandecida demais para formular uma resposta além de “Cala a boca” e o empurrar para trás, sentando em seu colo. Eu mordi seu pescoço e lambi em seguida, abrindo seu cinto e enfiando minha mão por dentro de suas calças e cueca. Desci meus beijos por seu tórax, movimentando minha mão tanto quanto sua calça permitia. Com a outra mão agarrei sua coxa, a apertando. Ele gemeu alto, começando a arrancar meu vestido na mesma hora e o lançando para qualquer lado. A chuva do lado de fora aumentou, fazendo um barulho estrondoso.
Eu voltei a beijar seu tórax, descendo e descendo, assim como fiz com suas calças. Ele terminou de tirá-la com os pés, se inclinado contra a janela. Eu desci até sua barriga, que se contraía. Arranhei suas coxas, apenas para ouvi-lo gemer baixinho novamente, antes de abaixar sua cueca com os dentes. Ele também terminou de tirá-la, e eu segurei firmemente em seu pênis, fazendo alguns movimentos antes de passar a língua por sua extensão.
Ele gemeu novamente, agarrando meu cabelo. Por que eu tinha que ser tão sensível na minha nuca mesmo?
Suguei-o uma vez, passando minhas unhas por sua coxa novamente com minha mão livre. Eu aumentava meus movimentos apenas para ouvi-lo gemer ainda mais alto, até que ele ergueu meu queixo, me chamando para cima.
Ele me beijou, tentando me engolir, e eu correspondi da mesma forma, me jogando em seguida contra o banco e se deitando sobre mim, arrancando minha calcinha e meu sutiã. Ele me provocou com movimentos rápidos de sua mão antes de me invadir com seus dedos novamente. Ele não só entrava e saía, mas fazia movimentos dentro de mim, me fazendo gemer e gemer, dificultando acompanhar seu beijo.
Entrelacei minhas pernas em sua cintura, puxando sua mão molhada para cima, levando um de seus dedos a minha boca e o chupando com os olhos fechados. Ele apertou minha cintura, ficando sobre os joelhos.
Ao abrir os olhos pude ver as chamas em seu olhar crepitando, assim como em seu sorriso. Eu era apenas um espelho de sua feição. Ele me puxou pela cintura, e eu apoiei as pernas atrás dele, sentindo-o me penetrar com certa violência.
Eu apertei suas coxas, o incentivando a continuar imediatamente. Ele me penetrou outra vez, me arrancando um gemido alto. Eu já não me interessava pelo meu nome ou por qualquer outra coisa no mundo. Nada era mais importante do que ele dentro de mim.
- Troca comigo? – ele pediu, se abaixando para me beijar.
Minha mente mal assimilou o que ele disse, mas meu corpo obedeceu, ficando por cima dele, que se sentou no banco. Me sentei em seu colo, forçando minhas pernas a me movimentar para cima e para baixo, tão rápido quanto conseguia.
É claro, ele era melhor nisso, se deitando no banco e me levando com ele. Minha cabeça descansou um pouco acima de seu ombro, e ele começou a me penetrar tão rápido que eu não conseguia mais respirar sem gemer absurdamente alto. Ele me acompanhava um pouco mais baixo, diminuindo seus movimentos, tentando se conter.
Eu apertei suas coxas novamente, implorando para que ele não parasse, e ele começou a dar fortes estocadas, uma de cada vez. Eu não fazia idéia se isso me fez gemer ainda mais alto – se é que era possível –, mas eu com certeza estava fincando minhas unhas em sua pele com mais força.
- Isso, é... - eu sussurrei, mas ele deu mais uma estocada, me fazendo perder o ar entre as palavras – Realmente bom.
Ele pareceu recuperado o bastante ao me abraçar, e voltou a meter sem nenhuma calma, voltando a me acompanhar nos gemidos conforme aumentava mais uma vez absurdamente sua velocidade. Eu não sabia como ele conseguia ser tão bom, só sabia que ele era. Tudo no que eu conseguia pensar em falar, além de gritar, era para implorar que ele continuasse, mas nada conseguia sair da minha garganta que não fossem os gritos que eu tentava controlar em vão. Mas é claro que eu não precisei pedir nada, ele não ia desistir até me matar.
Eu afundei mais uma vez minhas unhas em sua carne, chegando ao clímax quase ao mesmo tempo em que ele.
Nós largamos o corpo, mal dando conta de respirar. acariciou meu cabelo, até conseguir ter ar para sussurrar.
- Acho melhor sairmos daqui antes que a polícia apareça.
Minhas bochechas só não esquentaram porque meu corpo inteiro ainda estava em processo de esfriar.
- Desculpe – eu murmurei sem graça. - Acho que eu sou meio escandalosa.
Ele riu baixinho.
- Tudo bem, eu adoro isso em você.




CONTINUA


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