Querido Danny

Autora: Gabbie
Status: Em Andamento
Revisada por: Luiza Caminada
Categoria: Hot Fics
Sub-Categoria: Romance, Drama e Ação / LongFic
Comentários:




Querido Danny,
Sei que se passaram alguns anos desde nosso primeiro encontro. Ou devo dizer encontro de nossos filhos, ou alguma coisa do tipo? Enfim. Não quero que ache essa carta uma grosseria porque, afinal, eu lhe mandar uma carta depois de todo esse tempo e depois de tudo que aconteceu e da forma que tudo aconteceu é uma grosseria. Também sei que a essa altura você já deve ter encontrado o noivo ideal para a Jenny, o que eu deveria ter feito a mesma coisa com o David. Mas, por algum motivo, eu ainda prefiro o antigo futuro casal. Na verdade, eu ao menos sei o porquê de estar escrevendo essa carta. Acho que somente para dizer que sou imensamente grata (pelos longos quase cinco anos), a você e à sua filha, que deve estar enorme pelo que imagino, Jennifer Jones. Ou somente Jenny.

Com carinho,
e David Nickhorn.


Cinco anos atrás


Era um dia normal. Na verdade, todos os dias são normais, com pessoas normais, com atitudes normais. Até que acontece uma simples coisa. Uma simples ação, como buscar seu filho na escola, que muda completamente sua vida. A deixa de pernas pro ar, sem o mínimo controle que venha de você. E é claro que você nunca vai saber quando isso vai acontecer. Muito menos como. Uma vez alguém me disse que não dá pra saber qual dia será o mais importante da sua vida. Os dias que você pensa serem importantes nunca atingem a proporção imaginada. São os dias normais, os que começam normalmente que acabam se tornando os mais importantes de nossas vidas.
É como se você fosse lavar o quintal da sua casa e ligasse o jato no mais forte possível e a mangueira saísse por aí, somente a mando da água que jorra com toda força de dentro dela. Sim, como nos desenhos animados. Aqueles que você via quando era criança, num sábado de manhã, que não havia aula. E sempre, sempre que você via aquilo acontecer em desenhos do Tom & Jerry, por exemplo, duvidava que um dia isso pudesse acontecer. Mesmo que fosse num sentido figurado. Você duvida daquilo, como duvida em que o Bob Esponja possa fazer bolhas de sabão, ou uma fogueira debaixo d’água.
Enfim.
Aqui, sua vida é como a mangueira, que procura controlar-se apesar da força que a água tem. E a água, aquilo que vai controlar sua vida a partir daqui, tem nome e sobrenome: Daniel Jones. Ah sim, e um apelido: Danny.

Estacionei o carro na porta da escola. Meus olhos procuravam atentos em meio a todas aquelas crianças, meu filho, David. Eu era mãe solteira, 27 anos e pra completar, eu era delegada. Sim, eu trabalho no 39º Distrito Policial da cidade de Londres. E não, ao contrário do que todo mundo pensa, eu não consigo ser uma mãe severa, mulher severa, que age friamente. Eu sou a pessoa mais sensível que já conheci. Sempre estou chorando. Se eu prendo alguém, eu choro. Se vejo alguém morrer, choro. Se atiro em alguém, choro. Me sinto tão covarde por isso. Talvez por saber que essa pessoa, que é presa, que está morrendo, sendo criminosa ou não, ou a pessoa que estou atirando, é um ser humano. Com sentimentos. Iguais aos meus.
Levantei o olhar lembrando-me de David e olhei novamente à procura dele quando meus olhos, então, encontraram o “pouca sombra”. Era esse o apelido de David na família, pelo fato dele ser pequeno. Ele nada tinha do pai. Aliás, o pai dele é uma das pessoas que eu passei a ignorar e desprezar completamente. Eu era adolescente, que rima bem com inocente, e acabei me envolvendo com um drogado. Sim, dos pesados. E desse amor lindo ato irresponsável nasceu o David. Lembro bem do dia em que contei a meus pais do bebê que se formava tão inocentemente dentro de mim. Lembro das faíscas que saíam em minha direção de seus olhares frios e insensíveis. Meu pai já fora delegado também. O que me incentivou mais a tomar a mesma carreira que a dele.
Acordei de meus devaneios quando meus olhos finalmente encontraram os de David. Ele saía da escola com as mãos entrelaçadas a uma garota baixinha, um pouco menor que ele, algumas sardas espalhadas pelo rosto, cabelos castanhos e cacheados, olhos azuis. Meu coração por um momento pareceu parar e a respiração me faltou. David. Garota. Sardas. Dez anos.
- Oi, mãe! – Ele acenou e se aproximou de mim junto à garota e logo em seguida depositou um beijo em minha bochecha. Observei-o brincar com os dedos da pequena criatura ao seu lado antes de respondê-lo.
- Oi, querido, como foi sua aula?
- Foi ótima, mãe. E como foi seu dia? – Ele desviou o olhar dos dedos que agora estavam em meu rosto calmo.
- Foi normal, meu amor. Normal. – Respondi a ele, ainda esperando que ele pudesse me apresentar a garota. Porém, em vão.
Em segundos, um silêncio amedrontador se instalava entre nós. Apesar das inúmeras crianças saindo, empurrões e buzinas de carros que eram apertadas a todo instante por pais impacientes e outros alheios a tudo aquilo. Durante alguns segundos, nossos olhares eram trocados e neles havia vergonha, medo, quem sabe até um pouco de amor, e eu não sabia. Como seria estranho ver David namorando. Meu Deus. Eu faria o papel de mãe. E de pai. Isso é um tanto quanto constrangedor.
Meus pensamentos sumiram como num piscar de olhos quando um cara apareceu em nossa direção. Um cara alto, eu diria aí um metro e oitenta e cinco, ombros largos, quero dizer, largos mesmo. Cabelos escuros, mas não muito. Olhos azuis. Às vezes azul piscina, às vezes azul puxado pro avelã. Às vezes penetrando como um raio em minha alma.
Brincadeira.
Ele tinha algumas sardas como as da garota. Ou eram sujeiras? Enfim. O cara de quem eu estou falando é o pai da garota que acompanhava David.
- Ah, Jenny, você está aí! Estava te procurando, filha. - Ele sorriu abertamente para a garota, vindo em nossa direção. Ele se aproximou lentamente da menina e depositou suas mãos debaixo dos braços da mesma. A garota empurrou o chão com os pés, num impulso, e logo a pequena estava em seus braços.
- Pai! – Ela disse, sorrindo, depositando um beijo no seu rosto e logo voltando com os pés no chão – Este é o David, meu colega de classe. E essa é a senhorita Nickhorn, mãe do David.
- Olá, senhorita Nickhorn. – O homem imitou o modo como Jenny havia falado, e sorriu – Eu sou o senhor Jones, mas pode me chamar de Danny. Sou pai da Jennifer.
- Delegada Nickhorn. Muito prazer. – Disse, apertando firme a mão de Danny.
Danny sorriu encarando meus olhos severos e profundamente frios; e num ato rápido me puxou para junto dele colando nossos corpos em um abraço apertado, como se nos conhecessemos há anos. Safado. Se me perguntassem quanto tempo ficamos abraçados, eu diria, se não estivesse num momento de pura lucidez devido ao perfume de Danny. Não que eu seja uma policial destreinada, terrível e que se apaixona pelo primeiro homem gostoso, que anda com um perfume que me deixa como se eu tivesse fumado trocentas folhas da pior erva existente. Mas eu tenho algumas desconfianças que ele tem alguns poderes sobre mim. Tanto o Danny, como esse seu perfume idiota.
- Espera... Você disse que é delegada? – Ele nos separou muito mais rápido do que quando me abraçou. Balancei a cabeça me livrando dos meus devaneios e processando a pergunta de Danny.
- É... Sou sim. Delegada Nickhorn.
- Não diga que é do 39º Distrito.
- Sim. Sou do 39º Distrito Policial da cidade. Por que a pergunta, senhor Jones?
- Eu já passei pelo 39º - Ele disse, enquanto passava as mãos pela nuca em sinal de vergonha.
- Por quê? – Disse, com um tom de desespero, fazendo um barulho com a boca em seguida, em tom de reprovação – Quero dizer, o que o senhor fez para ir parar na delegacia?
- Eu sou fotógrafo. Fui um mau fotógrafo. Andei fotografando em lugares proibidos.
- Ah, sim. E como nunca nos conhecemos?
- O pessoal já me conhece. Andei pagando algumas multas. – Ele disse, soltando um riso abafado.
Olhei em volta por alguns segundos vendo David e Jenny correndo em nossa volta. Sorri baixo olhando nossos filhos e voltei meu olhar para Danny, que acompanhava tudo que eu olhava, com seus olhos.
- Mamãe! – David gritava e corria ofegante até nós. Jennifer vinha atrás dele. – Mamãe, Jenny pode ir brincar comigo hoje?
- Bom, David, você tem que perguntar ao Danny. – Coloquei meu olhar em Danny com um sorriso na canto de minha boca.
- Talvez outro dia, David. – Ele se agachou diante dele e sorriu – Está tarde agora e mais tarde Jenny vai ver a mãe dela. Mas, quem sabe outro dia? Vocês combinam e eu a levo, pode ser?
- Sim, senhor Jones. Mas, onde a mãe dela está?
- Ela... Ela morreu David. Ela está com papai do céu, agora.
- Ah, senhor Jones, eu não sabia. Me desculpe. Eu vou indo... Tchau, Daniel, até mais, Jenny! – David sorriu e andou até o carro.
- Eu sinto muito. - Disse, vendo David se afastar.
- Já faz tempo.
- Tudo bem. Leve-a mesmo. Ficaremos esperando.
- Eu levo. – Eu assenti e ele sorriu segurando a mão de Jenny.
- Adeus, senhora Nickhorn! Até mais! – Ela acenou com a mão, enquanto Danny a arrastava para o carro. – Dê um beijo no David por mim.
- Tchau, Jenny! E pode deixar, eu darei. – Acenei de volta e me dirigi até o carro, onde David já estava à minha espera.
Liguei o carro rapidamente na espera de que David começasse alguma conversa animada, como sempre fazia assim que saía da escola. Mas não. Ele não fez isso. Ele simplesmente pegou os fones de ouvido e um iPod, que eu havia dado de presente para ele no natal passado, encostou a cabeça no banco do carro enquanto apreciava os prédios da cidade. Como um adolescente apaixonado. Sorri comigo mesma ao ver a cena de David. Ou será que era por todos os pensamentos que passaram por minha mente nos míseros segundos que meu corpo esteve colado ao do pai da garota em que neste momento David está pensando?
Ah, claro.
A melhor coisa pra mim agora era me apaixonar por um completo estranho. Depois de todos esses anos.
- Não vai me contar como foi sua aula hoje, filho?
David não disse nada. Talvez o som estivesse alto demais, e estivesse profundamente conectado nos seus pensamentos. Olhei para trás e ele permanecia olhando fixo para as ruas, pela janela escura do carro. Eu não sei se vou me acostumar com o David apaixonado. Ele só tem nove anos e é tão pequeno pra isso... Eu não quero que David passe por tudo que eu passei.
Não mesmo.
Estacionei o carro na garagem assim que chegamos em casa. David desceu rápido e mal esperou eu abrir a porta para subir as escadas correndo a caminho de seu quarto. Coloquei meus pertences sobre a mesa da cozinha e subi devagar as escadas, fazendo o mesmo trajeto que David tinha feito anteriormente. Parei na porta de seu quarto, depositei algumas batidas sobre a mesma e respirei fundo antes que ele a abrisse.
- Aconteceu alguma coisa, mamãe?
- Não, meu filho. Eu vim saber se você está bem. Você não me disse nem como foi sua aula hoje.
- Eu estou bem sim, mamãe. E quanto a aula, foi normal. Como todos os dias. – Ele se sentou sobre a cama e me olhou novamente – Estou só cansado.
- Por que você não toma um banho e descansa? Podemos assistir alguma coisa mais tarde.
- Eu vou assistir um pouco de desenho e já vou me lavar. Pode? – Ele sorria com um sorriso no canto da boca. Eu me aproximei e depositei um beijo em sua testa já seca do suor que escorria mais cedo.
- Está bem. Não demore a ir para o banho, você correu muito hoje, pequeno.
David estava diferente. Talvez estivesse só cansado, como havia dito. Desci as escadas e me dirigi até a cozinha para preparar o jantar. Já passavam das seis da tarde e, provavelmente, mamãe viria jantar aqui. Como todas as noites de sexta-feira. Liguei a televisão da cozinha para que eu pudesse ouvir algum jornal, enquanto preparava o jantar. Não demorou muito para que eu ouvisse a água do chuveiro escorrendo no andar de cima, e então deduzi que David já havia saído do banho. É incrível a capacidade dele sempre deixar o chuveiro pingando. Não vejo nenhuma dificuldade em fechar toda a torneira. Corri até o banheiro e a fechei, enquanto já ouvia os gritos dos meus pais no andar de baixo.
- Querida, você está aí?
- Já estou descendo, mamãe. Um segundo.
- Meu Deus, , como você demora! – Mamãe dizia aos pés da escada. Papai estava ao seu lado.
- Olá, papai. Como vai, mãe? – Disse, depositando um beijo na bochecha de ambos – O jantar está quase pronto, quer me ajudar?
- Ai, , você tem que ter mais responsabilidade com o horário. Vamos que eu te ajudo. – Ela dizia, enquanto caminhava até a cozinha, logo atrás de mim.
- Mamãe, não são nem sete horas ainda. Se acalme.
- , onde está o meu neto? – Papai já berrou da sala perguntando por David. Meus pais me deixam doida as vezes.
- Ele está lá em cima, pai. No quarto dele. – Coloquei a cabeça pra fora da cozinha e gritei para meu pai – Ele acabou de sair do banho. Deve estar trocando de roupa.
- Tudo bem, querida. – Papai falou, dando uma piscadinha para mim.
Voltei à cozinha e recebi alguns olhares de reprovação de minha mãe ao pegar uma panela errada. Eu nunca tive facilidade com a comida. Pra dizer a verdade, nunca gostei de cozinhar. Eu ainda preferia pegar em uma arma, apontá-la para um bandido qualquer, fazendo com que ele se rendesse e assim eu pudesse dar umas boas cacetadas nele quando o prendesse. E claro, eu adoraria o ver sendo abusado por todos aqueles caras que nós temos prendido.
Minha mãe sempre disse que eu era macho-fêmea. Enquanto todas as garotas amavam rosa, brincavam de bonecas, escutavam músicas de patricinha ou qualquer coisa do tipo, eu andava por aí com roupas de homem, brincando com armas de brinquedo e escutando o velho e bom rock britânico. Uma vez, quando eu era mais nova, minha tia me perguntou se eu era de fato uma garota. É claro que eu era. Apesar de todas essas coisas, eu ainda tive a capacidade de me apaixonar por vários garotos. E ainda mais além: transei com um que acabou mudando toda a minha vida. Quando descobri que estava grávida, senti como se tivessem tirado meu chão. Hoje se me tirarem o David, eu juro que não sobrevivo. Uma mulher pode ter a profissão mais dura que seja, mas se lhe tirarem um filho, ela perde toda a frieza que existe dentro dela.
- Mamãe, dá um jeito no meu avô, por favor? – David entrou na cozinha correndo seguido por meu pai, que lhe enchia de cócegas, me fazendo acordar.
- Vocês parecem duas crianças, pai. – Disse em sinal de reprovação a meu pai.
- E você está parecendo sua mãe, querida.
- Está me chamando de rabugenta, Sebastian?
- Não, Genevieve. Eu só disse que está parecendo uma velha.
- Então me chamou de velha?
- Não, Genevieve, eu quis dizer que...
- Não se explique. Está só piorando as coisas. - Mamãe disse ao meu pai e levou os olhos até mim. Eu ria da situação. Meu pai sempre se enrolava com minha mãe. - E você, do que está rindo?
- Desculpe, mãe, é incontrolável não rir. Vocês dois parecem dois adolescentes apaixonados. - Disse, balançando a cabeça em sinal negativo.
- Que bom que tocou no assunto. - Ela me olhou novamente e eu senti que sabia qual era o assunto. - Quando vai arrumar um genro para mim e um pai para o David?
- Um PAI? Como um pai? Ele tem um pai.
- Você nem deixa ele conviver com o pai, querida. Ele precisa de uma figura masculina dentro de casa. E bom, digamos e convenhamos que seu pai já não tem lá tanto argumento para um garoto de nove anos. Sem contar que ele já está crescendo, , e daqui a pouco ele vai descobrir coisas novas. Eu tenho certeza que você não quer que o mesmo caminho que você traçou na adolescência seja traçado por David. Não é mesmo? - Ela disse calma e segura. Eu pude sentir meu corpo se arrepiar todo com cada palavra dita por minha mãe.
- Mãe, eu não posso sair na rua perguntando quem quer ser o pai de um garoto de nove anos de idade.
- Eu sei que você vai encontrar alguém, . Só não quero que meu neto seja mais feminino do que minha própria filha, se é que você me entende. - Eu concordei, fazendo sinal positivo com a cabeça, e ela me abraçou em seguida. - Agora, por que não vai chamar os meninos para jantar? Já vou servir.
- Tudo bem, mãe.
Andei até a sala de televisão, onde David e meu pai estavam, e os avisei que o jantar já estava sendo servido. Enquanto todos riam loucamente de cada piada que meu pai dizia ao longo do jantar, meus pensamentos estavam a mil. Tudo que minha mãe havia me dito percorria todo meu célebro, me fazendo pensar numa solução decente. Mas todas davam em Danny, Danny, Danny e por fim, Danny. Porque na verdade ele parece ser um ótimo pai. E quanto a David, iria adorar ser um meio irmão de Jenny.
Eu sinto um frio estranho em relação ao Danny. É como se tudo que eu passei com o Nhicollas (meu ex-amor e futuro ex-pai do David. Como se fosse possível) estivesse vindo à tona agora. Todas os arrepios e borboletas no estômago que eu senti com ele, eu senti quando Danny me abraçou. Parece que as coisas se encaixam perfeitamente. Como duas peças de quebra-cabeça que estavam perdidas há anos e, agora, se encontraram. Bom, isso na minha cabeça, porque eu nem sei a história dele com sua ex-mulher. Eu sei que ela está morta, e tudo mais, mas tem pessoas que não se desapegam fácil. A noite ocorreu sem maiores delongas. Papai e mamãe voltaram para casa, eu e David arrumamos a louça do jantar e sim, estávamos mortos de sono.
- Boa noite, filho. Durma com Deus. - Sorri e depositei um beijo demorado em sua testa fria - Eu te amo.
- Mamãe, espera. - David segurou minha mão forte me impedindo de levantar de onde eu estava sentada, ao seu lado na cama.
- O que foi?
- Você... Você já se sentiu estranha?
- Aconteceu alguma coisa?
- Eu... Eu não sei. Eu me sinto feliz, mas me sinto triste. E eu sempre escuto músicas chorosas, e quando eu estou com a Jenny...
- Tudo melhora. Não é?
- Como sabe?
- David, isso é amor. Você está descobrindo uma coisa nova. É... amor. Você sempre querer estar perto da Jenny, sempre achar que quer só brincar com ela, e... - Eu soltei um riso abafado e mordi o lábio inferior procurando alguma coisa decente para falar pra David - Eu estou feliz por você, querido. E um pouco triste sabendo que agora vou dividir você com a Jenny.
- MÃE!
- O que foi?
- Não quero que conte isso pra ninguém. Nem pra vovó, nem o vovô, nem para o Danny.
- Eu não ia contar.
- Ia.
- Tá bom, eu ia.
- E você? - Ele perguntou, e sorriu logo em seguida. - Quando vai começar a namorar o senhor Jones?
- O quê? Eu? Namorando o Daniel? Meu filho, eu o conheci hoje! E além de tudo, não vou namorar o Danny. - Respondi, simplesmente, e me levantei da cama, dirigindo-me até a porta, apagando a luz em seguida.
- Eu ia gostar.
- Boa noite, querido. - Disse, e sorri ao sair do quarto.
Fui para meu quarto, que ficava ao lado do quarto de David, e me troquei. Fiz minha higiene, como todos os dias depois do jantar, e me deitei. Os meus pensamentos demoraram a me abandonar. Dormi uma meia hora depois.

Levantei obrigada pelo celular que tocava enfurecidamente sobre o criado mudo, ao lado de minha cama. Passavam das duas da manhã. Eu odeio ser acordada no meio da noite. Mas tinha que me contentar, justamente pelo trabalho que havia escolhido. Olhei a tela do celular e logo reconheci o número. Era um ramal da delegacia.
Não disse?
- Delegada Nickhorn. - Disse, como sempre fazia ao atender o telefone. Era um tipo de identificação entre nós.
- Delegada? Aqui é o Sargento Reese. Desculpe acordá-la, mas, aconteceu um acidente na Manchester com a Blandford. - Ele disse, com a voz tensa demais para meu gosto.
- Um acidente grave, não é mesmo? Porque, pela sua voz, não parece nenhum pouco tranquilo.
- Um sequestro. - Ele disse e eu engoli a seco. Dei um pulo no mesmo instante, já com minhas roupas na mão.
- Chego aí em, no máximo, quinze minutos, Reese.
Desliguei o celular e me troquei rapidamente. Passei pelo quarto de David e me despedi, dando um beijo no mesmo. Desci as escadas, peguei as chaves do carro e da casa, e a tranquei. Eu sabia o quanto era tenso um sequestro. Minutos eram preciosos. Como se houvesse uma luta entre morte e vida no local. Nós, a vida. O seqestrado, a morte. Uma luta rápida e objetiva. Se nós éramos pacientes, conseguimos. Se quem estava prendendo uma vida fosse apressado e nada calmo, os policiais perdiam. Uma vida.
Em alguns minutos eu já estava quase chegando, mesmo porque nossa casa fica na Westway. Cheguei no local do acidente e fui recebida por Paul, que logo me informou os dados do pequeno incidente, para minha surpresa.
- Delegada, o sujeito está armado dentro do prédio, com a vítima.
- Me passe os dados dos dois, sargento. - Respondi, já pegando um laptop que estava dentro de um dos carros da polícia e digitando algumas coisas sobre o mesmo com a mão tremendo um pouco.
- Sequestrado: Phillip Symmington, 24 anos e trabalha no London Theny Journal. Sequestrador: Nhicollas Campbell, 29 anos, desempregado, tem 4 passagens pela polícia desde seus 18 anos.
- Nhicollas Campbell? - Perguntei, sentindo meus olhos arderem com algumas lágrimas que eram formadas no mesmo. Minhas pernas falhavam mesmo sentada. Minhas mãos já não paravam quietas e todas as palavras digitadas na tela do computador tinha alguma coisa errada. Meu pensamento ia a mil, minha cabeça doía de leve. E me faltou ar por milésimos de segundos.
Eu estaria diante dele.
De novo.
Depois de todos esses anos.
E da pior forma existente.
- Sim. Algum problema? - Ele respondeu, estendendo o colete à prova de balas para mim.
- Nenhum. - Respondi, balançando a cabeça, saindo da transe.
Coloquei o colete sobre minha camiseta preta da polícia e peguei a Colt, que estava atrás de minhas costas, um pouco dentro das calças, me aproximando dos outros policiais que já estavam ao redor da casa. O silêncio só era quebrado pelas palavras que Nicollas gritava de dentro da casa, e pelo policial que negociava a liberação do refém. Me aproximei do policial e fiz um pedido com as mãos para que ele se afastasse e deixasse que eu falasse com Nhicollas. Assim fez o policial, e eu cheguei mais perto da porta com a Colt e um escudo em minha frente.
- Nhicollas Campbell, aqui quem fala é a Delegada... - Disse firme, me deparando então com a grande dificuldade de dizer meu nome à ele. Na verdade, eu não tinha mais o que esperar dele. Tudo era possível nesse momento. Respirei fundo antes de dizer, abaixei a cabeça, mas logo em seguida a levantei novamente com firmeza. - Aqui é a delegada Nickhorn. Solte o refém, ou nós vamos invadir.
- ? Nickhorn? A velha garota indefesa? - Ele deu agumas gargalhadas e eu vários suspiros antes de ele continuar. - Você nunca conseguiu nem matar uma barata, ! Acha mesmo que eu vou acreditar nesse seu papo furado de delegada?
- Eu não estou brincando, Campbell! Abre logo a porra da porta!
- Quer mesmo que eu abra? Ok, eu vou abrir. - Ele deu alguns passos e esmurrou a porta com força. O que me fez assustar de leve com o barulho repentino.
Novamente meu celular começou a tocar. Olhei na tela: David. Suspirei várias vezes antes de atender, e então levei o telefone até a orelha.
- Mamãe? Mamãe, onde você está? - Assim que atendi o telefone, ouvimos exatos quatros disparos de dentro da casa onde Phillip e Nhicollas estavam. David também pôde escutar. - Mãe? Onde você está? Eu tô com medo, responde, mãe!
- Eu tô bem, meu filho, se acalme. - Respondi, segurando as lágrimas na porta de meus olhos ao ouvir David já chorando - Eu te amo, tá? Eu estou bem, filho. Eu tenho que desligar. Eu te amo.
- Eu te amo, mãe. Volta logo.
Desliguei o celular e pude sentir uma lágrima gelada descer por meu rosto quente ao falar com David. Me recompus de novo antes de ver Nhicollas e Phillip. Entrei na casa e Phillip estava sobre um sofá já manchado de sangue. Morto. Nhicollas estava sendo levado para o camburão, com as algemas. Ele parou em minha frente e cuspiu em mim.
- Se é isso que você tem para me dar, Nhicollas, eu sinto muito. Cada um dá o que tem.
- Vadia, linda, manda um beijo para meu filho, ok? Diz pra ele que um dia ele vai ser igual a mim, e que eu vou buscá-lo quando esse dia chegar. Porque se você se esqueceu, ele carrega meu sobrenome. As coisas não vão ficar por isso mesmo, Nickhorn. Não vão.
Nhicollas foi empurrado para dentro do camburão assim que disse as últimas palavras. Virei as costas em direção ao carro e saí dali o mais rápido que pude.

Capítulo 2
(N/A: coloquem Heratless – The Fray pra carregar. A tradução da música foi levemente modificada.)

Levantei da cama com uma dificuldade visível de abrir os olhos. Caminhei meu olhar até o relógio que ficava no criado-mudo. Passavam das nove da manhã. Calcei minhas pantufas e, com elas, joguei o roupão verde sobre meu corpo, ainda com dificuldades para caminhar até o banheiro. Num momento, flashes da noite anterior invadiram meu pensamento de modo que me lembrei de David, e toda sua dificuldade em lidar com meu trabalho. Fiz minha higiene em alguns rápidos minutos e, assim, meus pés me levaram até o quarto dele. Abri a porta sussurrando seu nome, dando em conta que ele já não estava mais ali. "Vadia, linda, manda um beijo para meu filho, ok? Diz pra ele que um dia ele vai ser igual a mim, e que eu vou buscá-lo quando esse dia chegar. Porque se você se esqueceu, ele carrega meu sobrenome. As coisas não vão ficar por isso mesmo, Nickhorn. Não vão." Só então me lembrei das duras e medonhas palavras de Nhicollas. Meu olhos, numa fração de segundos, começaram a arder devido as inúmeros pensamentos que vagavam involuntariamente em minha cabeça naquele instante. Desci as escadas em direção a cozinha à procura de David e dei de cara somente com vários pratos na pia do café da manhã. O que aumentou mais o meu medo das palavras frias que passaram pelos meus tímpanos na noite anterior. Caminhei até a sala de televisão, passando pela sala de estar. Quanto mais perto eu chegava, mais meus ouvidos conseguiam ouvir mais vozes além da voz de David. Em alguns instantes, meu coração parecia se comprimir milimetricamente por baixo de minha pele já gelada. Até que pude, então, reconhecer as vozes vindas da sala. Não, eu não podia estar vendo aquilo. Assim que entrei na sala, David sorriu e se levantou em seguida abraçando-me e depositando um beijo em uma de minhas bochechas.
- Bom dia, mamãe! - eu apenas assenti, tentando processar a cena que eu acabara de ver. - Você demorou a acordar, então liguei para o senhor Jones, para que ele trouxesse Jenny aqui. Então, ele disse que só sairia daqui quando a senhora levantasse, porque era perigoso demais para que eu e...
- Eu entendi. - sorri, devolvendo o beijo. - Bom dia, pequeno.
- Olá, delegada. - Danny se levantou, estendendo sua mão para mim - Como tem passado?
- Não me chame de delegada, por favor, Daniel. Meu nome é .
- Tudo bem, . Mas só se você me chamar de Danny. - eu assenti, e sorri de leve.
- Bom dia, senhora Nickhorn. Como vai?
- Bom dia, Jenny. Eu estou ótima! - respondi, com um sorriso agradável no rosto - Bom, acho que eu preciso me trocar.
- Eu nem tinha percebido! - Danny riu dele mesmo, ao mentir sobre meu roupão.
Ri junto a ele antes de voltar a meu quarto para me trocar, coisa que eu fiz em um tempo recorde. Nove minutos e quarenta e sete segundos. Sorri de mim mesma por contar os minutos que fiquei longe daquele belo par de olhos azuis, e de todos aqueles músculos que eu já tinha visto nas exatas duas vezes que nos encontramos. Ah, e claro, pelo fato também de eu contar quanto tempo fiquei sem aspirar uma única vez aquele perfume inigualável de Daniel. Devido a tudo isso que disse agora, estou me sentindo uma cadela no cio.
Nota mental: ficar o mais longe possível do Jones, para que eu possa estar devidamente sóbria quando estiver longe dele. Voltei à sala, quando fui surpreendida por David e Jenny.
- Mamãe, o senhor Jones disse que nós iríamos à sorveteria quando a senhora acordasse, porque não está fazendo tanto frio e...
- Ah, David, eu preciso antes passar na delegacia. E, eu preciso conversar com você.
- Ai, meu Deus, , eu vim aqui e nem te perguntei se podia. - ele disse, ao perceber que eu estava tensa e séria durante minhas últimas palavras a David.
- Não, não tem nenhum problema. - sorri, e pensei no que ele acabara de dizer. "". Quase ninguém me chamava assim. - Espera, o que você acabou de dizer? Digo, do que me chamou?
- ? - ele sorriu um pouco envergonhado, passando a mão em sua nuca e encarando seus sapatos. - Me desculpe. Foi tão ruim assim?
- Não mesmo, Danny. - disse, frisando o apelido dele.
Por uma fração de segundos meu olhar se prendeu nele e em cada detalhe do seu belo corpo. Cada sorriso que ele lançava em minha direção, ou até mesmo seu sorriso envergonhado, eu me arrepiava e sentia que todas as coisas que passei com todos os homens até hoje não se comparavam a tudo que eu sentia quando ele sorria. Seu senso de humor cativante, o amor incondicional que ele demonstrava a cada gesto com a filha. Tudo se juntava e causava uma explosão de choques elétricos dentro de mim. Parecia que todo o amor que eu havia negado a todos os homens, desde Nhicollas, estava prestes a sair daqui de dentro e ser depositado em uma só pessoa. Danny. Eu sei que às vezes eu ajo como uma adolescente do colegial, de dezesseis anos, que está se precipitando em relação a um garoto da faculdade. Mas, não era isso que eu sentia quando ele dirigia a palavra a mim.
- Quer que eu vá na delegacia com você? - Danny perguntou, e logo em seguida balançou a cabeça negativamente como se tivesse dito algo errado. Ele fez um barulho com a boca tentando firmar a voz antes de continuar. - Quer que nós vamos até a delegacia, antes de irmos para a sorveteria com os garotos?
- Ah, é que eu precisava conversar com o David antes. É realmente sério.
- Olha, , se você não quiser, ou não puder ir, eu não ligo. Isso nem é um encontro mesmo. - Danny fez cara de que mais uma vez teria dito algo que não devia. Ele logo fechou os olhos e fez uma cara envergonhada com alguns suspiros fortes. - Não era exatamente isso que eu ia dizer.
Não pude conter o riso com o que Danny havia acabado de dizer. Danny conseguia me fazer rir mesmo tento a dura missão de contar toda a verdade para David. E falando em David e Danny, os dois tinham a mesma proesa de se enrolarem ao falar. Quando estavam apresados, envergonhados, felizes, enfim. E pra falar a verdade, eu amo isso.
- Tudo bem, Danny. Eu nem reparei. Eu acho que posso deixar minha conversa com David pra depois. Mas antes, só vou dar uma passada na delegacia pra ver uns assuntos mal resolvidos de ontem. - falei, me lembrando do sequestro, das palavras de Nhicollas e do choro de David ao telefone, que me causou arrepios.
- De ontem?
- Sequestro.
- Ah, sim, eu pude ver na TV hoje cedo. - ele disse, com um pouco de medo de falar algo de não devesse. De novo.
- Tem alguma coisa a ver com o David?
- O sequestrador, Nhicollas Campbell, é o pai do David. E esse é o assunto importante. - falei, sentindo Danny segurar minha mão, e levantar meu rosto, assim como meu olhar, para ele.
- , você é uma profissional maravilhosa e eu sei que é muito melhor mãe do que imagina. Você vai conseguir contar para ele. Fique despreocupada, ok?
- Obrigada, Danny. Você é um ótimo amigo. - sorri sincera, e ele depositou um beijo em minha testa.
- Então vamos?
- Vamos! - David e Jennifer disseram em uníssono.
Eu queria tirar um pouco da cabeça tudo que me aconteceu ontem, mas eu também tinha que passar na delegacia. E se eu iria lá, eu iria ver o traste do Nhicollas, e então, relembrar todos os maus momentos que passei. Quero mais é que ele passe um bom tempo atrás das grades. Nhicollas Campbell, de 18 a 30 anos em regime fechado. Eu odeio pronunciar esse nome, mas essa frase foi ótima para meus ouvidos. Apressei as crianças para que entrassem no carro rápido, com a ajuda de Danny. Em menos de quinze ou vinte minutos estávamos parados em frente à delegacia. Respirei fundo e olhei para a porta. Nunca foi tão difícil passar por aquelas portas antes. Danny segurou minha mão, que antes estava sobre o freio, e me lançou um olhar apreensivo.
- Você consegue, . - ele disse, com um sorriso encorajador, e eu balancei a cabeça negativamente. Qual é, ? Vai se mostrar a garota indefesa logo agora? - Quer que eu vá com você?
- Tanto faz. - respondi, indiferente, antes de levar meus olhos até David.
Desci do carro rapidamente e abri a porta de David o tirando de lá e me agachando para que eu ficasse da altura dele. Meu olhos lacrimejaram antes de dirigir uma palavra se quer a ele. Eu sabia que teria que fazer aquilo. Mamãe estava certa. Eu não podia negar que David tinha um pai, por mais que idiota e ignorante que ele fosse, e muito menos bloquear a convivência deles. Mas eu não queria, nunca, que ele se tornasse igual a Nhicollas. E pra ser sincera, nunca algo me doeu tanto como pensar nessa hipótese.
- Mamãe, você está bem? Aconteceu alguma coisa? - demorei para assimilar o que David havia dito e assenti com a cabeça, limpando as lágrimas fujonas em minha face.
- Você lembra do seu pai? - ele balançou a cabeça em sinal de afirmativo e depositou as mãos em meus ombros tensos. - E você lembra de tudo que aconteceu ontem de madrugada? Do sequestro e tudo mais?
- Lembro, mãe.
- Então. Seu pai foi o chefe desse sequestro, meu filho. Ele que... Ele que comandou tudo. E acabou que Phillip, o refém, morreu com três tiros. - disse de uma vez só, ainda com alguma dificuldade.
- E ele está preso?
- É. Ele está. - suspirei, dando uma pausa de alguns segundos em minha fala ao perceber o olhar triste de David. - Eu quero que você entre lá, e fale com ele. Porque ele é seu pai. Mas eu quero que me prometa, David, que não vai se apegar a ele. Nunca.
- Eu prometo, mamãe.
- Tudo bem. - disse, me levantando e depositando um beijo cheio de ternura no topo de sua cabeça, entre seus cabelos.
Olhei novamente as portas da delegacia e respirei fundo. Entrelacei meus dedos aos de David e caminhei em direção a mesma. Dei um sorriso forçado para Suzan, e ela sorriu de leve, compreendendo meu desespero. Eu e Suzan sempre fomos amigas. E quando eu digo sempre, é sempre. Nossas mães eram amigas e nossos pais trabalhavam na polícia. Sempre estudamos juntas, saíamos juntas, namorávamos os mesmos caras e quando não eram os mesmos, eles eram amigos. Quando eu fiquei grávida, ela foi a primeira a saber. Na verdade, ela descobriu antes mesmo de mim. Quando eu decidi seguir a carreira do meu pai, o medo de nos separarmos foi tão grande, que seguimos os mesmos caminhos. Ela é a melhor pessoa que eu já encontrei. Sorri com meu pensamento alheio ao momento e segui com David até chegar à cela onde o vagabundo do pai do meu filho, o qual se nomeia Nhicollas. Lancei um olhar para ele, que continuava com a mesma cara do verdadeiro assassino que fora visto na noite anterior.
Agora eu penso: como fui pra cama com um homem desses? Como pude sequer sentir algo por esse desgraçado? Me arrependo de todos os segundos que passei com esse idiota! Mas de uma coisa eu jamais vou me arrepender. David.
Foi com o traste do Nhicolas que o tive. Ao menos ele me deu algo que eu realmente amo.
Passei pelas celas, até que cheguei à maldita cela onde o desgraçado estava. Meus olhos faiscavam de raiva. Uma raiva incontrolável. Uma raiva de ter que trazer David aqui. Raiva da minha mãe pela pressão com essa coisa de “figura masculina”. Uma raiva do Nichollas por ser tão irresponsável e imaturo a esse ponto. Apesar de que se você mata uma pessoa, você não é tão imaturo assim.
- Nickhorn. David, meu filho. Eu já estava com saudades. Quanto tempo nós não nos vemos. Parece que sua mãe tem impedido que isso acontecesse, não é? – a voz de Nichollas saiu como um sussurro. Mesmo não tendo forças, ele iria me provocar. Até o final.
- Cale a boca, Nichollas. Antes que eu o leve daqui.
- Vai sair correndo, como fez ontem? Como uma adolescente?
- Parem os dois. Você está parecendo um adolescente, pai. A mamãe só quer me proteger. O que eu acho totalmente certo depois do que fez ontem. Mesmo eu sabendo me cuidar. – David pronunciou de uma só vez. Como se estivesse cansado de tudo aquilo. Enfim, David, somos nós dois.
- Desculpa, , mas você precisa buscar a ficha do vagabundo no fórum pra que ele seja transferido para a prisão municipal. – a voz de Suzan entrou em minha mente, interrompendo a forte tensão entre nós. Olhei para ela pensativa, assimilando cada palavra dita há segundos atrás, e assenti.
- Tudo bem. Eu vou pedir ao Danny para que dê uma olhada no David, e você também. É bom que eu dou um pulo até lá e não preciso ficar ouvindo essa ladainha do Nichollas.
- Eu olho o David. Fique tranquila, minha amiga. – ela disse com ternura, como se pudesse me envolver somente com aquelas palavras.
Puxei David até o carro para avisá-lo aonde iria e com quem ele ficaria. Deixei as devidas instruções de mãe, como sempre, e disse para ele se cuidar. Coisas monótonas. O de costume.
- Você não se importa de ficar com ele não é, Danny? Eu prometo que será rápido.
- Tudo bem, . Vá tranquila. Eu cuidarei do David. E a Jenny vai me ajudar. Não é mesmo, Dave? – Danny disse, entre um sorriso e outro, e David assentiu devagar.
- Eu te amo, mãe.
- Eu também te amo, pequeno. E Danny, não tire os olhos dele.
- Pode deixar, .
Assenti e me dirigi ao carro. Minutos depois, eu estava parada em frente ao fórum para que eu pegasse a papelada da transferência do Nichollas. Fui recebida por uma garota bem nova. Alguma aprendiz, creio eu, que rapidamente organizou os papeis que já estavam prontos desde o decreto da prisão de Nichollas.
- Aqui está, delegada Nickhorn. A papelada de transferência do preso Nichollas Campbell, acusado de desacato à autoridade, cárcere privado e homicídio doloso, está pronta. Confere? – a garota disse, simpática.
Segundos depois, creio que milésimos de segundos, meu pensamento se voltou para David. Meu coração doía um pouco. De preocupação talvez. Ou só de raiva do Nichollas.
- Exatamen... – falei, quando fui interrompida pelo celular que tocava furioso no bolso da jeans que eu usava. – Um instante. – disse a garota. Era da delegacia.
- Delegada Nickhorn. – soltei as duas palavras de sempre, como o de costume.
- , corre para a delegacia agora!
- O quê? – as palavras simples de Suzan, porém duras, ecoaram nos meus pensamentos por alguns segundos. – Delegacia? Agora? O que aconteceu, Suzan?
- Você precisa vir pra cá agora, . Eu não estou brincando! – a cada palavra meu coração se acelerava mais. E mais. E mais. Agora meus ouvidos eram cheios por um tipo de alarme. Uma sirene. Meu coração se dissolvia conforme a batida e um nó se formava em minha garganta.
- Isso... Isso é uma sirene, Suzan? O que está acontecendo? – perguntei, com o pouco de coragem que me restava, enquanto meus pés, involuntários, caminhavam em direção ao carro.
- , é melhor você vir. Aqui a gente conversa. – e antes que eu pudesse revidar, ela já tinha desligado a droga do celular.
Andei até o carro sem nem me preocupar com os papeis e com a moça que havia me atendido. Uma ligação pode mudar sua vida. Ou pelo menos parte dela. Dirigi o mais rápido que pude até chegar à esquina da delegacia. Já dava pra ver alguma movimentação. Jenny sentada no meio fio, derramando lágrimas e sendo acolhida por Suzan. E o David? E o Danny? Balancei a cabeça, desligando o carro rapidamente e indo em direção a Suzan. Seu olhar de reprovação tomou conta da minha mente. Não. Não era coisa boa.
(N/A: coloquem a música pra tocar)
- Onde está o David? – disse, com os olhos cheios de lágrimas e com o coração mais apertado do que nunca, à Suzan.
- No hospital.
- NO HOSPITAL?
- Nichollas estava com uma arma dentro da cela. – ela respondeu, ainda de cabeça baixa.

In the night, I hear 'em talk,
(Na noite em que ouvi eles contarem)
The coldest story ever told
(A história mais fria já contada.)
Somewhere far along this road, he lost his soul
(Em algum lugar ao longo dessa estrada ele perdeu sua alma)
o a woman so heartless...
(Para uma mulher tão sem coração...)
How could you be so heartless?
(Como você pode ser tão sem coração?)
Oh... How could you be so heartless?
(Oh... Como você pode ser tão sem coração?)

Meu sangue era bombeado com mais força, meu ouvidos não queriam ouvir aquilo, minha cabeça girava, meu coração era milimetricamente forçado a se comprimir e suportar uma dor tão grande como aquela. Era como se minha vida acabasse a partir dali. Eu não me perdoaria nunca se tivesse acontecido algo de grave com ele. E acima de tudo, nunca perdoaria o Nichollas. Desgraçado.

How could you be so, cold as the winter wind when it breeze, yo
(Como você pode ser tão frio, como o vento de inverno quando venta em você)
Just remember that you talkin' to me though
(Só se lembre que você está falando comigo.)
You need to watch the way you talkin' to me, yo
(Você devia ver o jeito que fala comigo.)
I mean after all the things that we've been through
(Digo, depois de tudo o que passamos.)
I mean after all the things we got into
(Digo, depois de tudo que fizemos.)
Hey yo, I know of some things that you ain't told me
(E eu sei de algumas coisas que você não me contou.)
Hey yo, I did some things but that's the old me
(E sei que fiz algumas coisas, mas aquela era a antiga eu.)
And now you wanna get me back and you gon' show me
(E agora você quer me devolver esfregando na minha cara.)
So you walk around like you don't know me
(Você anda por aí como se não me conhecesse.)
You got a new friend, well I got homies
(Você tem novos amigos, bem eu tenho os meus)
But in the end it's still so lonely
(Mas no fim das contas, ainda me sinto sozinha.)

Caminhei até o carro, e dirigi o mais rápido do que nunca. David precisa de mim. Precisa de mim como nunca precisou. Precisa da minha alma, do meu coração, da minha mente, perto dele. Ao seu lado. Dando-lhe forças. Porque se tem um amor que suporta tudo é amor de mãe. E isso eu tenho de sobra. A única coisa que eu posso oferecer a ele. Porque ele sim é minha âncora. O que me deixa de pé. O que me faz acordar todos os dias, e perceber que nenhuma das dificuldades que eu passei foi em vão.

In the night, I hear 'em talk,
(Na noite em que ouvi eles contarem)
The coldest story ever told
(A história mais fria já contada.)
Somewhere far along this road, he lost his soul
(Em algum lugar ao longo dessa estrada ele perdeu sua alma)
To a woman so heartless...
(Para uma mulher tão sem coração...)
How could you be so heartless?
(Como você pode ser tão sem coração?)
Oh... How could you be so heartless?
(Oh... Como você pode ser tão sem coração?)
Balancei a cabeça de leve para que os meus pensamentos se desvairassem enquanto saía do carro e batia a porta com força. Corri até a entrada e senti meus olhos arderem quando eu passava pelas portas do hospital correndo e empurrando qualquer um que estivesse em minha frente, até que meus olhos pudessem encontrar os de Danny.

How could you be so Dr. Evil,
(Como você pode ser tão "Dr. Mau")
You bringin' out a side of me that I don`t know...
(Você está mostrando um lado de mim que eu não conheço...)
I decided we weren't gon' speak so
(Eu decidi que não iríamos mais falar sobre isso.)
Why we up 3 A.M. on the phone?
(Por que estamos ao telefone às 3 da manhã?)
Why does she be so mad at me fo'?
(Por que ele tem que ser tão mau comigo?)
Homie I don`t know, she's hot and cold
(Cara eu não sei, ele é muito temperamental)
I won't stop, won't mess my groove up
(Não vou parar e estragar meu som)
'Cause I already know how this thing go
(Porque eu já sei como isso termina.)
You run and tell your friends that you're leaving me
(Você corre e conta para os seus amigos que vai me deixar.)
They say that they don't see what you see in me
(Eles dizem que não sabem o que você vê em mim.)
You wait a couple months then you gon' see
(Só espere uns meses, então você verá.)
You'll never find nobody better than me
(Que você nunca vai achar ninguém melhor que eu.)

Corri em sua direção mais rápido do que qualquer outro momento e o envolvi num abraço apertado, sem me conter, e deixando todas as minhas lágrimas caírem sobre sua camisa preta, que em poucos segundo já tinha ficado um tanto quanto molhada. E assim eu fiquei, por incontáveis minutos, esperando a coragem voltar para que eu pudesse saber notícias de David.

In the night, I hear 'em talk,
(Na noite em que ouvi eles contarem)
The coldest story ever told
(A história mais fria já contada.)
Somewhere far along this road, he lost his soul
(Em algum lugar ao longo dessa estrada ele perdeu sua alma)
To a woman so heartless...
(Para uma mulher tão sem coração...)
How could you be so heartless?
(Como você pode ser tão sem coração?)
Oh... How could you be so heartless?
(Oh... Como você pode ser tão sem coração?)

- , fica calma. O... – ele pigarreou antes de continuar, devido a sua voz falha - O David levou um tiro no ombro, mas não foi nada tão grave assim. Os médicos já o levaram pra sala de cirurgia pra retirar o projétil, parece que não foi fundo, então não causou muitos estragos. Nossa sorte foi que ele não desmaiou na hora. Ele não bateu a cabeça no chão nem nada disso.
Danny afastou meu rosto de seu ombro e o limpou com as costas da mão com todo cuidado, indeciso entre limpar minhas lágrimas e acariciar minha bochecha.
- A pressão dele está normal e os batimentos também. Como eu falei, não foi nada grave. Mas você tem que se acalmar, estamos num hospital, mas não precisa ter um derrame pra complicar mais as coisas - ele riu nasalado e minha irritação foi só aumentando. Por Deus! Estávamos num hospital com o David ferido e ele ainda tinha coragem de fazer piadas?

CONTINUA

N/A: Opa. Olha eu dando as caras aqui de novo! Bom, não sei fazer N/A’s direito então, só vou agradecer pelas boas críticas e pela ajuda da Rayssa e da Bruna que me ajudaram em algumas partes aleatórias da fic. Agradecer à Luiza, de coração, mais uma vez, por ter betado a fic. E, à todas as lindas que estão acompanhando a fic. Enfim. Ah, e quero todo mundo comentando ok? Beijos, Gabi x @umbigodotom @gabidotom

Volte ao topo para comentar!


Fechar a janela para voltar ao POP