I Couldn't Help Her

Autora: Rav.fletcher
Status: Em Andamento
Revisada por: Isa
Categoria: McFly Fics
Sub-Categoria: Drama, um pouco de Romance - SongFic
Comentários:




"Seus sentimentos ela esconde,Seus sonhos ela não consegue encontrar
Ela está perdendo a cabeça, Ela foi deixada pra trás
Ela não consegue achar seu lugar, Ela está perdendo a sua fé
Ela caiu em desgraça, Ela está por todos os lados..
Ela está perdida por dentro, perdida por dentro"


cap 1 - foi assim que aconteceu.

“—” ...e que tal você começar a cuidar mais da sua vida e esquecer da minha?” — foi a última coisa que eu lembro ter dito à minha mãe enquanto arrastava a mala com as minhas coisas pra fora de casa, lembro de não ter olhado muito pro rosto dela enquanto o fazia, mas eu podia ouvir o choro desesperado dela tentando me impedir de partir. O fato foi que eu nunca me dei muito bem com meus pais e muito menos eles comigo, mas lembro que esse dia foi a gota d’água pros dois lados. No dia anterior eu completei 19 anos, saí com meus amigos e voltei um pouco pior do que sempre. Cheguei pra lá das 3 da manhã, completamente bêbada e eles logo notaram que eu tinha usado drogas novamente, as marcas de seringas no meu braço já estavam começando a sumir, mas naquele dia elas estavam lá, grande borrão roxo nas dobras do meu braço direito. Além do sintoma da droga, é claro. Eu estava totalmente na viagem, falava alto, ria de tudo, isso é o que ela havia me contado, já que não me lembro mais do que duas ou três cenas da noite. Minhas pernas trançavam, não queriam parar em pé e eu parecia nem me importar, eles estavam loucos, gritavam feito loucos frases prontas que eles sempre usavam nessa situação comigo, eu não me importava nem um pouco, até que ele fez aquilo. Eu ria dos dois compulsivamente, não tinha controle algum, somente ria, eu os observava e meus olhos me mostravam dois palhaços vestidos à caráter, estavam realmente hilários, a droga ainda fazia efeito, suas vozes estavam distorcidas mas ainda podia entender alguma das palavras.

Então ele veio até a mim, tirou o cinto das calças e me bateu, acho que com a maior força que pôde, porque eu comecei a sangrar na mesma hora. Eu não me movi, apenas me encolhi um pouco mais para o canto da parede, rindo pelo efeito da droga e chorando pela dor, foi uma das cenas mais bizarras da minha vida, quando aquilo acabou minha mãe ainda gritava para que ele parasse, eu apenas levantei e fui pro meu quarto, chorei até onde eu me lembre, depois a escuridão me tomou. Quando acordei meus ferimentos estavam todos com curativos e eu estava trocada, não fedia mais álcool, eu sabia que aquilo tinha dedo da minha mãe, minha cabeça doía muito, não sei como depois de tanto tempo bebendo meu organismo ainda não tinha se acostumado, e eu ainda tinha ressacas. Minha garganta queimava de tão seca, lembrei da única cena da noite anterior que não havia sumido da minha mente e senti vontade de correr dali, meu cérebro processava a informação, mas minhas pernas não obedeciam de jeito algum, fiquei mais alguns minutos deitada encarando o teto tentando não pensar em nada, quando consegui levantar puxei minha mala de viagem de baixo da cama e comecei a juntar minhas coisas, não queria deixar nada, mas sabia que era impossível levar tudo, acabei pegando só o essencial: minhas roupas, o notebook, minhas coisas de higiene pessoal, meu violão e uma lata que eu guardava minhas economias. Joguei tudo de qualquer jeito na mala, confesso que tive muito trabalho pra conseguir fazê-la fechar, coloquei minha velha calça jeans surrada, uma baby look branca e o meu all-star de sempre.

Com a mala em uma mão e meu violão no outro ombro, estava decidida, respirei fundo, abri a porta do meu quarto e ela estava lá, me encarando, como se soubesse o que eu estava planejando. Ela me olhou por um instante, depois olhou as coisas que eu carregava.
— Aonde você vai? — disse me seguindo com o olhar enquanto eu passava ao lado dela pela porta.
— Vou embora — disse procurando a chaves do meu fusca azul turquesa, eu nunca sabia onde as deixava. Ok. Ele não era o que podia se chamar de carro, mas desde que eu o comprei ele nunca me deixou na mão, sempre fez tudo o que eu quis e quando quis, então está ótimo. Além do mais foi a primeira coisa de grande valor que eu comprei quando comecei a trabalhar no pub. Pois bem, voltando ao meu flashback, eu comecei a procurar minhas chaves por todas as superfícies planas da sala de estar, embaixo da mesinha, em cima dela, por entre os sofás e por ai vai.
— Eu não vou deixar... , eu não vou deixar você terminar de estragar sua vida, se é que isso é possível, se é que ela já não está acabada – ela começou a chorar bem ai, ela gaguejava e falava dando soquinhos nas palavras, eu preferi nem olhar — com toda essas porcarias que você anda usando, essa coisa que você chama de trabalho, essas pessoas que você chama de amigos, isso não é vida, filha! — e então desatou mesmo a chorar, eu admito que eu sempre tive um sentimento engraçado pela minha mãe, sempre fui coração mole, apesar de que quando eu mais precisei dela ela nunca esteve comigo, quando eu era criança ela nunca me deu atenção, estava sempre apressada trabalhando, daí de uns tempos pra cá quando eu já aprendi a me virar sozinha ela quer dar uma de mãe super protetora, não rola.
— É mãe, porra! — eu disse pra ela enquanto continuava procurando as chaves, parecia que de tudo que ela me disse eu só ouvi ela me chamando pelo meu nome. Ok, eu odeio esse nome me sinto uma velha de 80 anos, hoje eu sei que eu fui insensível demais com ela nessa hora, não precisava ter gritado ou pelo menos eu podia ter falado mais alguma coisa, sei lá. Eu sou inconstante.
— Seu nome é tão lindo, não sei por que você não gosta dele... Filha, por favor... — nesse momento eu achei as chaves jogadas embaixo do sofá, não sei como elas aparecem em cada canto bizarro dessa casa. Eu me levantei calmamente e pegava as minhas coisas que eu tinha colocado no canto, enquanto isso ela continuava falando — ... por favor não vai, eu te imploro filha! Eu não vou te deixar acabar com a sua vida, a gente pode pensar em uma clínica de reabilitação e... — ai foi o ponto final pra mim, eu sabia muito bem o que fazer da minha vida, ou ao menos pensava isso com toda minha convicção, comecei a caminhar pra porta da frente e percebia o barulho horrível que ela produzia enquanto chorava, meu coração estava sendo serrado ao meio mas mesmo assim eu estava sólida como uma rocha e soltei aquela frase.
— Reabilitação? Faz o favor né? Que tal você começar a cuidar mais da sua vida e esquecer da minha? — eu disse jogando as coisas no banco de trás do carro e entrei bruscamente, girei a chave o mais depressa que pude e enquanto arrancava me atrevi a olhar ela de canto de olho, estava péssima, provavelmente nem tinha dormido com tudo aquilo. Eu engoli seco e acelerei um pouco mais pensando pra onde eu poderia ir.

cap. 2 -é pra lá que eu vou.

Eu comecei a vagar com o carro por algumas ruas familiares, estava próximo ao Brightside, pub onde eu trabalho como bartender de segunda à sábado. Por ali eu sabia que havia muitos prédios com aluguéis hiper barato e tals, eu nunca ganhei muita coisa mas a partir daquele momento eu ia ter que me virar, parei em um prédio razoavelmente legal do lado de fora, resolvi entrar pra dar uma olhada, ele ficava umas duas quadras do pub estava ótimo, se me disserem que tem chuveiro com água quente eu já fechava negócio na hora, até porque o aluguel não podia ser muito caro o prédio era jeitoso mas não era grande coisa. Deixei minhas coisas no carro afinal não dava pra saber se ia ter lugar ou não, me aproximei da humilde mesinha do porteiro e notei o rapaz que também pedia informação, ele não era muito mais alto do que eu tinha cabelos negros completamente bagunçados propositalmente e uma barba mal feita, provavelmente do dia anterior pois estava bem rala, parecia uma pessoa normal, calça jeans, uma camisa social azul clara aberta com uma regata branca por baixo, até que era bem jeitoso.
— E então vai ficar com o apartamento garoto? — perguntava o porteiro enquanto tentava sintonizar o radinho de pilha na estação e não no chiado infernal que ele fazia.
— É pelo que eu vejo não, o apê até que é legal, mas fica um pouco pesado pra eu ficar com as despesas só pra mim, parece que não vai rolar. – o cara dizia enquanto fitava seus pés. O porteiro finalmente conseguiu sintonizar algo no rádio, uma espécie de forró com uma letra desconexa, não prestei muita atenção nisso.
— Aññ.. ei! — eu falei entre os dentes enquanto abanava a mão tentando parecer amigável — eu também to querendo um lugar.. você quer dividir o apê comigo? — sim eu fui completamente direta, eu tava precisando ok? Também não ia conseguir ficar com o apê sozinha, muita coisa pra pagar e pouca gente pra ajudar, e também ele não me parecia nem um maníaco do parque. Quando eu falei ele se virou pra mim, parecia me medir dos pés a cabeça, eu sorri de canto.
— ele estendeu a mão pra me cumprimentar todo sorridente. Puf, homens se deixam levar por tão pouco, basta um belo par de pernas.
— eu respondi apertando a mão dele enquanto dava um beijo em sua bochecha – eu posso entender isso como um sim ? — sim eu disse o nome dele com um tom de voz diferente, não me pergunte porque, continuei rindo.
— Se considere minha companheira de apê — ele riu junto e nos viramos para o porteiro pra acertar toda a papelada.

cap 3 - reconhecendo o local.

Algum tempo depois eu me vi pegando uma das chaves da mão do porteiro e me virei pra , sorri fracamente, fomos pegar nossas coisas do lado de fora do prédio, ele riu quando viu meu fusquinha humilde e eu ri de volta quando ele me disse que não tinha carro. Lógico, era melhor meu velho de guerra do que andar no caos da cidade com as próprias pernas. Apertamos o botão do 3° andar no elevador precário e subimos até lá passando por um corredor completamente mal iluminado, procurei pelo número 213 dentre as portas e quando o avistei coloquei a mão na maçaneta girando-a para abrir, fiquei empacada na porta quando notei o pigarreando para que eu desse passagem pra ele, arrastei meu corpo um pouco pro lado e larguei as malas no assoalho de madeira ainda sem tirar os olhos analisando aquele lugar.
Não era um apartamento grande, obviamente, mas não era também um cubículo de lugar, a sala era junta com a cozinha, só sendo separada por uma bancada que seria o lugar em que se faz as refeições, nada de grandes mesas de jantar ok, até uma coisa despojada de ser, o que seria a sala do apê não tem nem ao menos um sofá nem tv nem nada, somente um quadradinho vazio que dava em direção à porta de entrada, ainda sem despertar do meu transe continuei andando alem da cozinha, pela direita havia um outro quadrado com um tanque de lavar roupas e mais a diante ainda na cozinha um pequeno corredor com três portinhas uma de cada lado e a ultima no fim daquele corredor, logo deduzi que eram dois quartos, abri a porta de um deles, ridiculamente minúsculo, sem ao menos uma cama, percebi que no próximo era idêntico a esse, caminhei devagar até a ultima porta já imaginando que era um banheiro igualmente apertado como os outros cômodos da casa. Abri a porta ainda em meio ao transe e avistei ali urinando em pé na privada. Eu arregalei os olhos e soltei um “Putaqueopariu, foi mal” enquanto fechava a porta de novo, encostei na parede ao lado do batente, recapitulando a cena. Eu estava tão entretida na minha analise do apartamento que nem senti falta dele, eu ri sozinha, eu tinha tido uma visão privilegiada, não posso negar, fui até a sala e peguei minhas malas jogadas levando até um dos quartos.

cap 4 - Lullaby.

Foi assim o começo de tudo, e eu começamos no apê do zero, não haviam muitos móveis lá, também quando compramos foi só o básico: dois colchões, um pufe pra sala e coisas pra cozinha. De cubículo o apê parecia gigantesco sem tantas coisas pra enchê-lo, nós dois nos demos muito bem, parecíamos velhos conhecidos, ele era muito engraçado, costumávamos ficar até tarde jogando truco e bebendo, até depois de alguns meses comprarmos uma TV, daí passávamos o tempo livre assistindo alguns filmes e programas toscos enquanto fazíamos comentários escachados.
Depois de algum tempo uma colega minha me indicou para tocar um domingo no “Lullaby”, uma espécie de barzinho aconchegante em que aos domingos se apresentavam alguns artistas, ela conhecia o dono do lugar e parece que eles estavam querendo algum talento “fixo”, que fosse marca da casa, uma espécie de marca registrada em meio aos artistas convidados que eles sempre traziam. Então ela me indicou, sabia que eu tinha um talento musical, sempre gostou das minhas composições, eu fiquei meia em dúvida se ia ou não, mas depois de muita insistência por parte dela e de acabei aceitando ir lá ver no que ia dar, vou contar isso com mais detalhes porque foi uma parte bem interessante dessa nova fase da minha vida.
Cheguei ao bar num domingo qualquer que tínhamos acertado com o tal de Diego, dono do lugar. Parei na porta olhando atentamente todos os cantos do lugar, era um barzinho bem aconchegante, cheio de mesinhas por todos os lados e um palco bem no centro no fundo do bar, sorri sozinha me sentindo em casa, – sim aquela amiga que me indicou - e estavam bem atrás de mim também apreciando o lugar, quando alguém se aproximou de nós.
— Diego! — senti falar atrás de mim enquanto abraçava calorosamente aquele homem que tinha se aproximado de nós. Eu e o nos entreolhando enquanto sorriamos de canto ao mesmo tempo, só por aquele abraço caloroso dava pra ter certeza que eles tinham alguma coisa a mais, ou se não tinham iam ter. Eu ri baixo sozinha pelo nível que os meus pensamentos tinham me levado, os dois ainda falavam coisas bem baixo, as quais eu não conseguia ouvir — e nem fazia questão — por causa da música alta que tocava ao fundo, algo como Dude do Aerosmith. Estava fora de órbita cantando o refrão quando senti um peso sobre meu ombro esquerdo. Era que tinha passado seu braço por cima de meu ombro e agora me olhava sorrindo. Um fato importante: Eu e o nos tornamos grandes amigos, mas como dois adultos normais quando não tínhamos mais o que fazer a gente se dava uns pegas pra matar o tédio, mas nada que nos impedisse de continuar a amizade e viver nossas vidas normalmente.
Vi o tal de Diego parando de conversar com e se virando pra nós dois com um sorriso imenso rasgando seu rosto, ele era um tanto charmoso, mas não fazia muito meu tipo. Por que? Loiro, com cabelos raspados e bombado demais pro meu gosto, seu pescoço chegava a sumir de tantos músculos o sufocando. Já nunca fui muito com loiros, ainda de cabelo raspado? Hey, aonde meus dedos iam se enroscar a noite? E os músculos então, blá prefiro nem comentar antes que eu fique com enjôo.
— Bem é isso.. você é a , certo? — ele me disse um pouco alto devido a música e me despertando do transe que eu estava com aquela analise mental. Eu apenas assenti que sim com a cabeça. Qual é? A música estava alta eu não queria gritar, se eu tinha que cantar preferia poupar minha voz ao máximo. — Bem então é isso... me siga até o palco, eu vou te apresentar e você canta uma ou duas músicas, vamos ver como você se sai com isso! — ele se aproximou um pouco mais de mim, e disse a ultima frase no meu ouvido pra não ter que continuar gritando feito louco, depois saiu em direção ao palco.
Eu me virei em direção ao que me encarava com um sorriso idiota, eu sorri de volta e ele me deu um beijo no topo da cabeça enquanto sussurrou um: “Eu sei que você vai se sair bem”, eu pisque pra ele enquanto me afastava em direção ao palco, subi por uma pequena escadinha e percebi que o tal de Diego estava ali já me esperando.
— Você precisa de alguma coisa? — Ele disse me encarando enquanto me via tirar meu violão da capa, eu pensei por um instante, já que ele tava perguntando..
— Um amplificador pra eu ligar meu violão... e já que você está perguntando.. uma vodka com bastante gelo. — eu soltei um riso baixo enquanto passava a mão pela minha testa tentando afastar a franja que insistia em atrapalhar minha visão da “platéia”. Ele ria de volta e soltou um “Já volto” saindo em seguida. Eu olhei pro lado e ri comigo mesma quando avistei o amplificador bem do meu lado, conectei o cabo do violão e o deixei no canto esperando o cara voltar, finalmente olhei pra frente e encarei umas.. centenas (?) de mesas cheias de gente conversando, engoli seco. Não que eu estivesse realmente nervosa, eu sabia o que estava fazendo, sabia que era boa se não em hipótese alguma estaria em uma situação dessa, mas eu nunca havia cantado para um público tão grande. Meu estômago girou, eu precisava mesmo de uma bebida, e de uma bem forte, bem nessa hora que avistei Diego voltando com o copo de uma dose dupla de vodka, eu o peguei de suas mãos com um sorriso, enquanto eu dava uma golada grande avistei no meio das mesas e ao seu lado, Teco percebendo que eu havia os encontrados acenou a mão com um sorriso no rosto. Ok, eu sabia que isso ia dar certo, se não desse eu não estava me importando muito, não depois de beber meio copo da vodka.
— Vou te anunciar — Diego sorriu pra mim e eu assenti, deixando o copo já vazio em uma mesinha na entrada do palco, ele acompanhou meus movimentos — .. depois eu mando alguém trazer mais pra você — disse se referindo à vodka.
— Valeu, vamos? — É eu queria acabar logo com aquilo, suspense nunca foi minha praia. Ele fez um gesto pra mesa de som próximo dali e um rapaz de um sorriso simpático balançou a cabeça afirmativamente e desligou o som. Diego entrou em cena em meio ao silêncio e pegou o pedestal com o microfone, puxou o banquinho alto que estava ali próximo e começou a falar.
— Boa Noite pessoal! Sinto muito interromper o papo animado de vocês, mas acharam que eu ia deixar passar? — ele soltou um risinho solitário — Hoje é domingo, dia de show, e eu sei que muitos de vocês vêem aqui por causa disso, nada melhor do que uma boa música ao vivo não é? Então sem delongas, hoje eu tenho alguém novo que quero apresentar à vocês e tenho certeza de que vão adorar — Ele se virou pra mim ao canto do palco.. — querida.. por favor uma salva de palmas pra nossa . — e ele mesmo começou as palmas que foram seguidas pelo resto das pessoas, eu peguei meu violão já conectado no amplificador, andei até lá e me sentei no banquinho, ajeitando o violão na posição enquanto ele saía de cena.
— Boa Noite gente! — eu comecei enquanto puxava o pedestal com o microfone pra mais próximo de mim.. — só queria agradecer a atenção de vocês, espero que ninguém perca a audição quando eu começar a cantar.. — risinhos baixos dos espectadores puderam ser ouvidos naquela hora, eu sorri instantaneamente — .. só peço pra que se não gostarem dêem um desconto porque é minha primeira vez aqui nessa joça.. — puxei minha palheta do bolso dos jeans e passei levemente pelas cordas do violão tentando se ele estava corretamente ligado, um som pôde ser ouvido, estava tudo certo — .. bem vamos começar logo com isso, eu vou cantar algo meu, uma música que eu compus a pouco tempo, quando minha vida tomou um novo rumo, o nome dela é Nobodys Home. — passei minha mão direita pela testa colocando a franja atrás da minha orelha e comecei a soar os primeiros acordes da introdução, um silêncio enorme se apoderou daquele local que até a pouco estava muito barulhento, tentei não olhar muito para platéia, mas podia sentir todos os olhares me encarando naquele momento, só quis sentir a música e nada mais.

[n/a: aconselho colocarem pra carregar esse vídeo aqui: Nobodys Home - Acoustic Version]

I couldn't tell you
Why she felt that way she felt it everyday
And I couldn't help her
I just watched her make the same mistakes again

(Eu não poderia te dizer
por que ela se sentiu daquela maneira, Ela sentiu isso todos os dias
E eu não pude ajuda-la
Eu só a ví cometer os mesmos erros novamente
)
What's wrong, what's wrong now?
Too many, too many problems
Don't know where she belongs, where she belongs

(O que está errado, o que está errado agora?
Muitos, muitos problemas
Eu não sei de onde ela veio, de onde ela veio
)

Eu havia chego ao refrão e nenhuma vaia até ai, eu estava indo bem, eu estava cantando com o coração, ainda mais essa música que bem ou mal me traduzia por completo, eu estava me entregando completamente aquela canção e neste momento eu já me permitia encarar a platéia enquanto voltava a cantar.

She wants to go home, but nobody's home
that's where she lies, broken inside
With no place to go, no place to go
To dry her eyes broken inside
(Ela quer ir pra casa, mas não há ninguém lá
É onde ela se encontra, arrasada por dentro
Não há lugar pra ir, não há lugar pra ir secar suas lágrimas
Arrasada por dentro
)
Open your eyes
And look outside find the reasons why
You've been rejected
And now you can't find, what you left behind
Be strong, be strong now
Too many, too many problems
Don't know where she belongs, where she belongs
(Abra os seus olhos
e olhe ao seu redor, encontre as razões
Você foi rejeitada,
e agora você não consegue encontrar o que deixou pra trás
Seja forte, seja forte agora
São tantos, tantos problemas
Eu não sei de onde ela veio, de onde ela veio
)

Pude avistar me olhando orgulhoso com um sorriso imenso no rosto, eu não consegui evitar de sorrir nesse instante, olhei ao redor as pessoas também sorriam, outras com lágrimas nos olhos, mais algumas balançavam ao ritmo da música.

She wants to go home, but nobody's home
that's where she lies, broken inside
With no place to go, no place to go
To dry her eyes broken inside
(Ela quer ir pra casa, mas ninguém está em casa
É onde ela se encontra, arrasada por dentro
Sem nenhum lugar pra ir, sem um lugar pra secar seus olhos
arrasada por dentro
)
Her feelings she hides
Her dreams she can't find
She's losing her mind
She's fallen behind
She can't find her place
She's losing her faith
She's fallen from grace
She's all over the place, yeah, oh oh oh
(Seus sentimentos ela esconde
Seus sonhos ela não consegue encontrar
Ela está perdendo a cabeça
Ela foi deixada pra trás
Ela não consegue achar seu lugar
Ela está perdendo a sua fé
Ela caiu em desgraça
Ela está por todos os lados
)
She wants to go home, but nobody's home
that's where she lies, broken inside
With no place to go, no place to go
To dry her eyes broken inside
She's lost inside, lost inside... oh oh
She's lost inside, lost inside... oh oh yeah.
(Ela quer ir pra casa, mas ninguém está em casa
É onde ela se encontra, arrasada por dentro
Não há lugar pra ir, não há lugar pra ir secar suas lágrimas
arrasada por dentro
Ela está perdida por dentro, perdida por dentro
Ela está perdida por dentro, perdida por dentro
)

Quando acabei a música recebi uma salva de palmas animada, algumas pessoas ficaram de pé, outras assoviavam com força, avistei fazendo as duas coisas ao mesmo tempo e não pude deixar de sorrir largamente. Agradeci timidamente e depois de pedidos calorosos toquei mais uma canção que não me recordo muito bem qual foi, algo do The Used. Depois daquele dia passei a tocar todos domingos no Lullaby, dia que devia ser minha folga, mas eu não ligava, estava fazendo algo que eu gosto demais.

cap 5 - a hora é agora.

Já fazem uns 6 meses que eu sai de casa, depois daquele dia eu nunca mais tive notícias dos meus pais e acredito que nem eles de mim. Mas eu não me importo muito, tenho certeza que isso é o melhor, cada um no seu canto, sem atrapalhar a vida alheia.
Nesses meses eu tive dois namorados, arg. Que palavra é essa? Nunca acreditei nessas baboseiras de namoro, afeto, amor, carinho, são palavras que não existem no meu dicionário. O mais perto que eu cheguei disso tudo até hoje é o que eu tenho com o , é o que justamente se define como “compromisso nenhum” ou amizade colorida se preferirem assim chamar, ficamos quando queremos, quando não queremos não ficamos, saímos com outras pessoas, com a gente não tem essa de ciuminho idiota nem nada. Então resumindo, ao invés de namoro, vamos dizer que foram dois rolos mais longos, ok?
Então é isso já contei todos os fatos que aconteceram de importante nesses últimos meses, acho que agora podemos sair do flashback e apertar o play dessa bagaça. Maldito despertador! Que horas são? 6 da manhã? Mas que porra!
! — eu resmunguei ainda com o rosto enfiado no travesseiro, sacudindo o do outro lado do colchão. É ele dormiu aqui na noite passada, a gente se pegou e ele acabou ficando por aqui mesmo. Mas o que eu não entendia é o porque de eu ter que escutar essa droga de despertador se eu não preciso acordar cedo? O fato é: ele coloca o despertador pra não perder a hora do emprego na livraria, mas nunca acorda... Homens, tsc.
, porra! Eu não sou sua mãe não! — gritei mais uma vez, ele dorme feito uma pedra, nunca vi alguém igual! Bati duas vezes com a travesseira nas costas dele ainda sem olhá-lo.
— Já vou, já vou, que droga ! — ele resmungou enquanto levantava do colchão, virei meu rosto pra encara-lo, dei de cara com um nu andando pelo quarto, provavelmente procurando suas roupas que estavam jogadas por ali. Levei uma das mãos coçando meu olho direito e a outra apontei pra uma calça jeans em cima do meu violão.
— Valeu. — ele falou rindo enquanto vestia a boxer e carregava o resto das roupas embaixo do braço. Eu sorri vendo aquela cena, seus cabelos completamente bagunçados e aquela cara de sono.
— Bom dia pequena — ele veio até a mim e me deu um beijo na testa. Eu ri baixo enquanto ele saia do quarto.
— Tem que aprender a controlar esse seu despertador cara — disse enquanto levantava do colchão e o seguia pra fora do quarto. Meu estômago roncou, posso comer alguma coisa antes de voltar a dormir.
— Ele nunca funcionou comigo, preciso sempre de uma forcinha humana — ouvi uma voz um pouco distante seguida por um riso baixo. Eu fiz uma careta enquanto ia até o espelho do banheiro.
— Repito: Não sou sua mãe nem sua babá, vou começar a cobrar.. — eu respondi séria enquanto observava meu reflexo no espelho, parecia a volta dos mortos vivos.
Uma garota toda descabelada, com várias tatuagens espalhadas pelo corpo, vestida com um shortinho e uma regata branca, logicamente não dava pra não notar as duas grandes olheiras que se destacavam no meu rosto. Eu fiz uma cara feia, arrumei o cabelo num coque frouxo, joguei água no rosto e escovei os dentes, segui me arrastando para cozinha e avistei ainda de boxers fuçando nos armários. Me sentei no banquinho, apoiando meu braço na bancada.
— Não vai tomar banho antes de trabalhar não Cascão? — avistei uma maçã verde na minha frente, peguei-a na mão dando uma mordida em seguida.
— Do jeito que eu to morto de fome é capaz de eu desmaiar no banho — ele riu, retirando um pacote de Sucrilhos do fundo do armário, eu dei mais uma mordida na maçã — Isso aqui ta as moscas, a quanto tempo não vamos às compras? — perguntou me olhando enquanto guardava o leite e dando uma colherada no cereal.
— Sei lá, uns duzentos anos — eu respondi em meio a um bocejo enquanto finalizava minha maçã jogando-a logo em seguida no cesto de lixo, aquilo não era uma piada, fazia muito tempo mesmo, quando não comemos fora sempre pedimos alguma comida por delivery.
— Hun, precisamos fazer algo a respeito.. — ele disse com a boca cheia. Estava recostado na pia, com a tigela e a colher na mão me olhando. Eu assenti que sim, estava com sono demais pra raciocinar direito, havia trabalhado no Brightside até as 4 da manhã como de costume, eu estava com os olhos quase fechando quando ele completou a frase — .. você podia ver isso hoje né ? — eu abri os olhos na hora, pisquei algumas vezes pra me manter acordada.
— O que? — eu não estava ligando o nome a pessoa.
— Você podia ir às compras hoje — ele me disse raspando o fundo da tigela.
— Há-há — eu ri, ele disse uma coisa realmente engraçada.
— Eu preciso trabalhar .. — ele me encarava com uma expressão indecifrável.
— E eu preciso dormir, acabei de chegar .. — eu olhei pro relógio com formato do gato Félix sobre a velha geladeira vermelha — são 9 da manhã agora, cheguei as 5 e a gente ainda ficou rolando antes de dormir, tô um caco. — completei bufando no fim.
— Ok, ok. Mademoseile. — ele me fez uma reverencia e se aproximou me abraçando pela cintura, abriu um sorrisinho idiota — vamos fazer assim: você vai dormir agorinha e quando eu voltar nós vamos juntos, tudo bem enfezadinha do oceano? — eu balancei a cabeça afirmando que sim, estava com ela afundada em seu peito. Definitivamente ele anda vendo “Procurando Nemo” demais, tenho que esconder aquele DVD.

Cap 6 - sou errada, sou errante.

Um barulho de algo metálico caindo um pouco longe me acordou de um sono tranqüilo. Que diabos! Bocejei preguiçosamente ainda na cama e estiquei meus braços a fim de ver se estavam ainda ali. Cocei meus olhos vagarosamente com toda a preguiça de levantar da cama, abri um olho e olhei de canto o rádio relógio que estava na minha cabeceira. 5:15. já devia ter chegado, então ele que estava causando aquele estrago na cozinha, arrastei minhas pernas pra fora da cozinha e sentei na cama, com alguma dificuldade andei até o pequeno armário e procurei uma roupa qualquer.

Peguei minha camiseta customizada do Ramones, como eu adorava aquela camiseta, não só aquela mas como todas as minhas de bandas de rock, eu sempre comprava um número maior e as cortava na gola pra caírem sobre o ombro e também na barra pra ficarem um pouco curta, assim ficavam perfeitas. Estiquei um pouco mais a mão e apanhei meu short jeans, uma calcinha de caveiras e me dirigi ao banheiro ainda no meu estado de sonambulismo.

Entrei no banheiro e tomei uma ducha rápida, deixei com que a água levasse toda a minha preguiça embora pelo ralo, lavei meus cabelos com certo cuidado passando meu creme pra deixá-los com os cachos perfeitos que eu adorava, desliguei o chuveiro e me enrolei na toalha que estava ali por perto, rapidamente me vesti com a roupa que eu havia separado a pouco, sequei os cabelos com a toalha pra deixá-los apenas úmidos e passei pouca maquiagem, somente pra não assustar ninguém no caminho do supermercado. Em seguida abri a porta do banheiro enquanto calçava meu bom e velho All Star companheiro de guerra.

Saindo do banheiro escutei o rádio ligado tocando algo como Ignorance do Paramore, soltei um sorriso, adorava aquela música. Caminhei seguindo o som da música que vinha da sala enquanto cantarolava o trecho em que tocava “Well it's nice to meet you sir, I guess I'll go, I best be on my way out..”. que estava sentado no puf com o nootbook me olhou sorrindo.
— Hey, olha só! A Hayley Williams acordou! — me falou em meio a um risinho besta.
— Há, quem me dera, fala sério — sorri sarcasticamente enquanto me sentava ao lado dele no chão.
— Sério, eu sempre te digo você nunca acredita, quando eu te vi pela primeira vez te achei muito parecida. Cabelos vermelhos, meio maluca, bem descolada — ele me sorriu torto enquanto me dava um beijo na bochecha.
— Ok ok, então vou sair daqui e fazer um cover. Vamos deixar isso de lado e falar do que interessa — soltei um sorriso enquanto o olhava mexer no computador. Ele me olhou com um sorriso malicioso e afundou o rosto no meu pescoço o mordendo de leve, homens. Eu o afastei delicadamente.
— Eu to falando do supermercado, ô máquina sexual. — Eu disse com a sobrancelha arqueada como se fosse a coisa mais simples do mundo. Ele me olhou sério, abriu e fechou a boca algumas vezes e abriu um sorriso infantil.
— A sim claro, o supermercado — bateu com a mão na própria testa como se tivesse se reprovando — Vamos lá? — Sorriu se levantando enquanto esperava a minha resposta, eu levantei logo em seguida.
— E você acha que eu estou assim vestida maravilhosa pra que? — eu ri sarcasticamente.
— Pensei que era só pra eu tirar depois — me respondeu sério. Eu fiz uma careta, como homens são tão bestas, acham que não existe mais nada pra se fazer no mundo a não ser sexo. Eu avistei as chaves do carro em cima da bancada da cozinha, as peguei e segui até a porta do apê.

Entrei no meu fusca sorridente, estava com saudades de dirigir aquela lata velha, sentou no banco do passageiro e logo em seguida ligou o som do carro, tocava Help! dos Beatles e eu arreganhei um sorriso logo nos acordes da introdução, eles eram demais. Fomos o caminho todo cantando enquanto eu batucava com os dedos na direção, quando avistei a entrada do supermercado diminui a velocidade e parei o carro na vaga mais próxima, logo em seguida saltamos e fomos andando até a porta de entrada.

foi pegar um carrinho para as compras e eu encostei na pilastra o esperando voltar. Enquanto fazia isso dois rapazes passaram por mim me olhando fixamente com um sorriso nos lábios. Eu sorri de volta; como eu adorava esse tipo de coisa. fucei minha bolsa enquanto me aproximava deles, notei um de cabelo castanho pouco comprido, olhos verdes, ombros largos, o outro era bem parecido com ele só que tinha olhos castanhos e um pouco mais baixo. Eram tão parecidos que podiam ser irmãos. Eles perceberam minha aproximação e sorriram ainda mais.
— Hey rapazes! — Soltei meu melhor sorriso quando já estávamos os três cara a cara — Sabe, hoje vai ter um DJ gringo no Brightside onde eu trabalho, vai ser bem legal — Eu disse enquanto entregava dois flyers de propaganda pra eles.
— Isso é um convite? — O de olhos verdes me perguntou com um sorriso torto brincando no rosto enquanto pegava os folhetos da minha mão.
— E por que não? — Eu respondi sorrindo — Vai ser legal, eu vou estar lá de qualquer jeito.. — eu ri comigo mesmo nessa hora — .. melhor ainda se tiver gente bonita por lá. — É eu sou muito cara de pau mesmo, eu não ligo, falo na lata. Os dois se entreolharam rindo.
. — Continuei, já me apresentando e dando um beijo no rosto de cada um.
— Leo — O de olhos verdes me disse sorrindo.
— Edu — O mais baixo continuou.
? — Uma terceira voz masculina surgiu por trás de mim. — Então a gente se vê garotos. — Me despedi enquanto me afastava em direção ao , quando me aproximei soltei um sorriso convencido.
— Você é rápida! — Ele riu empurrando o carrinho para dentro do supermercado.
— Eu tenho que ter alguma distração pra hoje a noite, oras. — sorri da forma mais infantil possível.

Eu não sei pra que existem fila pra tudo quanto é coisa, as pessoas podiam simplificar as coisas chatas de se fazer na vida, como ir ao supermercado, ao banco, ao médico, essas coisas, ao contrário só complicam. Tô na fila do caixa há uns 20 minutos só porque uma velinha insistia que o caixa passou o preço errado do produto. Tive vontade de dizer que eu pagava a diferença do preço dessa bendita areia pra gatos só pra ela sair logo dessa fila e ir pra casa cuidar dos 300 gatos que ela deve ter. Bufei mais uma vez me apoiando no carrinho distraidamente, nem o agüentou essa droga, ele foi buscar mais suprimentos de chocolates e tenho certeza que encontrou alguma distração no caminho.
Peguei uma revista na prateleira pra me distrair enquanto esperava, mais precisamente a Rolling Stones, estava lendo sobre mais um vexame da diva Amy Winehouse quando senti alguém me observando. Ok, você pode achar muita loucura minha ou coisa de filme, mas eu me senti realmente incomodada enquanto lia a revista, resmunguei baixo e abaixei a revista procurando alguém me olhando. Pode parecer neura mas podia jurar que um gato de olhos fingiu ler um rótulo de absorvente quando eu o olhei. O que um cara faria lendo as composições de um absorvente íntimo? Ah, droga, falando nisso esqueci de pegar meu ob. Pedi para uma senhora atrás de mim olhar meu carrinho enquanto eu fui até a prateleira e peguei uma caixa, no caminho de volta avistei com cara de criança segurando vários pacotes de chocolate, eu sorri.
— Até que enfim, achei que ia comer tudo aqui mesmo — falei com ele enquanto colocávamos as coisas no carrinho.
— Não conseguia me decidir entre chocolate crocante ou com passas, então decidi trazer os dois — me respondeu enquanto mostrava as barras, eu ri mordendo sua bochecha de leve.
— Ok criança, agora não saia daqui pra que eu não morra de tédio na fila. — eu disse em meio a uma careta.

Cap 7 - what the hell are you doing?

Guardei o último pacote que restava das compras no armário e observei sentado no puf assistindo um episódio de Bob Esponja, enquanto comia Cup Nudles. Ele era muito infantil cara, nunca vi um homem de barba gostar tanto de desenho animado. Me aproximei do puf o olhando atentamente, ele nem piscava.
— Hey , você vai sair hoje a noite ou vai esperar eu voltar do Pub? — eu disse o encarando de pé próximo a ele. Ele nem se mecheu, nada além da boca dele mastigando se mechia.
? — Eu repeti um pouco sem paciência, sabia muito bem que ele nem estava me escutando. Parei na frente dele, o encarando seriamente.
! — Eu disse com uma cara emburrada, odiava quando ele não prestava atenção no que eu dizia.
— Hey! , malz.. — Ele finalmente me olhou — Eu tava vendo a TV, é um episódio que eu nunca vi e ... — Eu o interrompi.
— Quer dizer... — Eu disse me sentando no colo dele, posicionei uma perna em cada lado do seu corpo e fixei um sorriso malicioso nos lábios — que o desenho é mais importante do que eu, criança? — completei sussurrando a última parte enquanto mordiscava o lóbulo da sua orelha.
Ele soltou um gemido baixo, com seu corpo respondendo ao meu toque.
— Você sabe que isso é mentira — ele disse com alguma dificuldade, suas mãos passeavam pelo meu corpo com vontade e não se decidiam entre minha cintura e minhas coxas. Eu mordi seu lábio inferior de leve enquanto minhas mãos se perdiam em seu cabelo bagunçado. As mãos dele passeavam por debaixo da minha blusa então passei minha língua por seus lábios quentes pedindo passagem, sua boca abriu vagarosamente, senti seu hálito se misturando ao meu. Nossas línguas se encontraram. acariciava minhas pernas com rapidez, assim que senti seus dedos no cós da minha calça puxei levemente seus cabelos separando nossas bocas. Ele me olhou com uma expressão confusa, eu soltei um sorriso largo.
— Vou trabalhar! — disse animadamente enquanto me levantava de seu colo. Ele bufou alto e eu ri disso.
— Odeio quando você provoca e me deixa assim.. — Ele resmungou em um tom quase inaudível enquanto atirava seu corpo no sofá.
— Você quem pediu. — Eu ri baixinho — ... vai me esperar hoje? — Eu perguntei enquanto socava meu celular na bolsa.
— Depende.. talvez eu vá dar uns pegas na Alice. — Ele disse fitando o teto.
— Ok! Hoje é dia de Alice, então não me espere, beijos gato! — completei soltando beijinhos, enquanto caminhava até a porta.

O Pub estava abarrotado de gente, acho que nunca houve uma noite em que eu preparei tantos Sex on the beach’s. O DJ gringo, um tal de Thompson estava mesmo dando resultado. O Brigthside estava borbulhando, era 1hra da manhã e a fila da entrada só aumentava.
Eu estava de costas para o balcão preparando um Martini quando ouvi uma voz masculina.
— Que tal uma vodka com bastante gelo e uma música comigo gata? — uma voz grave pôde ser ouvida ao fundo da música alta.
— Desculpe, não posso dançar com clientes! — Eu respondi rapidamente o que eu já havia dito umas duzentas vezes só naquela noite, quando me virei dei de cara com olhos conhecidos me encarando, não pude deixar de sorrir.
— Hey! — Eu falei um pouco alto devido a música ao fundo enquanto entregava o Martini pro senhor do lado e começava a preparar a Vodka. Era o... qual era mesmo o nome dele? O cara do supermercado, justamente o gato dos olhos verdes — A sua Vodka, por minha conta! — eu sorri enquanto entregava o copo a ele.
— O que? De jeito nenhum! — ele deu um risinho sínico e logo em seguida uma golada no liquido do copo. Eu sorri.
— Hun, então Ok. Ao invés disso, eu danço com você.. — disse já saindo por debaixo do balcão, ele acompanhou todos os meus movimentos com os olhos.
— E aquela história de “eu não danço com clientes?” — Ele me perguntou quando nos dirigíamos para a pista de dança, passando por entre as pessoas, eu ri um pouco alto, já havia bebido algumas coisas.
— Se eu for dançar com todo cara que me pede eu não trabalho — Ele sorriu quando me ouviu dizendo isso. Começamos a dançar no ritmo da batida agitada da música. Quando dei por mim nossos corpos já estavam muito próximos e nossas línguas se entrelaçando velozmente.

Cap 8 - The devil has his eye on you, girl.

Uma luz muito forte me incomodava, mesmo de olhos fechados. Eles doíam tanto que por mais que eu quisesse não conseguiria abri-los. Me mexi na cama, abracei o travesseiro com toda a força que pude, tenho certeza de que se ele pudesse fundir com meu corpo essa seria a chance correta pra que isso acontecesse. Minha cabeça girava e doía insistentemente, eu precisava de uma aspirina, mas que diabos!
Respirei um pouco mais fundo tentando me recordar da noite anterior, ou de qualquer coisa que pudesse me explicar como eu tinha parado ali, ali.. aonde? Eu lembro que fiquei com o gatinho do supermercado enquanto a gente dançava. Depois que acabou meu horário nós ficamos na porta do Brigthside com um grupo de pessoas que tinham um estoque legal de todo o tipo de drogas. Depois que a droga fez o efeito na minha corrente sangüínea eu não me lembro mais de nada. Hum, será que eu to no meu apê? Acho que não, se não o bendito despertador do já teria tocado.
Tomei coragem e abri um olho bem vagarosamente, não faz idéia de como esse simples movimento me doía até a alma. Aquela luz infernal vinha de uma janela enorme que pegava quase o quarto todo, as cortinas brancas esvoaçavam com o vento. É. Definitivamente esse não é o nosso apê. Eu resmunguei qualquer coisa bem baixo tentando relaxar meus músculos doloridos, afundei a cara no travesseiro, que merda. Se fosse uma pessoa normal estaria morta de preocupação de aonde estava, com quem estava, o que tinha acontecido, mas eu não. Eu nem estava ligando, por mim eu poderia estar até em Marte se isso fizesse minhas dores sumirem, já estava acostumada com essa rotina de “aonde estou e com quem”.
Senti a cama mexer e passos pelo quarto, pensei em abrir os olhos só pra checar quando ouvi um barulho e um palavrão, eu não deixei de rir, rir bastante e muito alto, acho que a droga ainda estava no seu efeito. Enquanto não parava de rir me virei e vi o cara do supermercado peladão segurando seu pé direito e falando vários palavrões que não precisam necessariamente serem repetidos. Ele devia ter batido o pé na quina da porta, aquilo era realmente engraçado, ao menos pra mim era. Fui parando de rir aos poucos enquanto ele catava sua boxer preta e a colocava vagarosamente, ao menos eu não era a única completamente acabada, ele se jogou de novo na cama fitando o teto, eu o imitei.
— Desistiu? — eu murmurei, não sei como isso saiu, na verdade eu tinha apenas pensado, mas quando eu dei por mim eu havia falado, bem baixo mas acho que ele escutou.
— Aham. — ele resmungou afirmando com a cabeça — já comecei com o pé esquerdo não vai ser um bom dia. Nós rimos a partir daí, os dois juntos, feito bestas.

Girei a maçaneta fechando a porta com certa preguiça, joguei a bolsa no canto da sala e caminhei até a cozinha. Avistei um Post-It amarelo com a letra do Teco colado na porta.

Bonito ein! Dormindo fora de casa? Só porque hoje é o seu dia de folga acha que pode abusar!? Ok gata, fui com uns caras resolver umas coisas de uma banda, acho que vai rolar ein? Finalmente. Na volta trago algo da Starbucks pra você, Beijos ;)


Haha. Só ele pra me fazer rir a essa hora da manhã. E olha que eu nem sei que horas são. sempre me fazia rir com essa de parecer meu pai, meu irmão ou algumas vezes até meu namorado, a gente passava horas rindo de alguém que por acaso disse na rua: “Ai com licença o casal quer que eu traga algo pra beber” ou “Que lindos aqueles namorados”, era sempre engraçado.
Mas finalmente! Acho que não disse, desde que eu conheço o ele toca , ele tinha uma banda mas brigaram feio ou coisa do tipo, não me lembro o motivo deve ter sido uma garota, homens sempre brigam por causa disso, desde então ele tem procurado gente pra uma banda nova mas até hoje nada, ou os caras eram metaleiros demais, emos demais, punks demais, Beatles demais, nada na medida certa.
Quando dei por mim estava pensando tudo isso com a porta da geladeira escancarada, ri sozinha eu sou muito desligada, peguei a caixa de suco de laranja e bebi um pouco da própria embalagem a preguiça é muita pra pegar um copo, me arrastei até o Puf da sala e puxei o nootbook pra perto de mim, enquanto eu o esperava ligar, tamborilava com os dedos uma melodia qualquer, fiquei fuçando em Myspace’s alheios até quando ouvi a porta se abrir.
— Buenos dias chica! — sorria largamente, ainda por cima falando espanhol? É tinha dado tudo certo mesmo. Eu sorri de volta.




CONTINUA


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n/a: Crianças e ai o que estão achando da fic? Eu sei que as coisas andam um pouco devagar mas são pro bem da história, é tudo uma questão misteriosa, que no rolar da trama vocês vão entender.. haha. Bem seu maior gato já vem ai preparem o coração! Mas as coisas não vão ser faceis já aviso logo! Haha, bem ai vai aonde vocês podem me encontrar:
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