Inseparable 2

Autora: Biia Haack / Adaptação:Mandy Ponce
Status: Finalizada
Revisada por: Vê Inamonico
Categoria: Danny Fics
Sub-Categoria: Comédia, Romance - LongFic
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Capítulo 1

*Danny's POV

E então dois anos se passaram.
E apesar de tudo pelo o que eu os caras passamos durante esse período, continuava com o meu interior vazio.
Nós lançamos um novo CD há dois meses e agora fazíamos uma turnê pela América do Norte, mas isso não fora suficiente para me preencher.
Nós havíamos conquistado fãs de todo o mundo e recebíamos diariamente tantas cartas que nem cabiam mais nas mãos do Fletch (e olhe que elas eram enormes), mas isso não fora suficiente para me preencher.
Eu até havia arranjado uma namoradinha, mas isso também não fora o suficiente para me preencher.
Nada, resumindo, fora o suficiente para me preencher.
Não me ache depressivo. No meu último relato, sei que era feliz e saltitante como um duende. (que coisa mais gay de se dizer) Convenhamos: 2 anos FAZIAM diferença para um cara.
Principalmente quando ele sentia falta de algo tão importante quanto sua própria vida.
E sim, eu estava namorando, apesar das circunstâncias. Era uma garota que conhecia há poucos meses, Georgia Horsley, e devo dizer que não era a pior das minhas namoradas. Mas ela nunca chegaria aos pés dela. Ah, minha querida . Minha garota perfeita, meu anjo na Terra, minha razão para sonhar e continuar vivendo o meu sonho. Ah, quando voltaria a vê-la?
Sei que parece meloso e gay, levando em conta o meu considerável amadurecimento, mas nada me faria esquecê-la. Ela era inesquecível para mim.
Nem preciso dizer que Georgia MORRIA de ciúmes dela, preciso? Afinal, sem brincadeiras, eu escrevia um caderno inteiro só de músicas para . Quando minha atual namorada descobrira esse caderno ficara feliz no princípio, mas quando descobriu que não era para ela e, sim, para alguém que eu havia conhecido há dois anos... duas palavras para descrever sua reação: ódio mortal. E óbvio que esse ódio mortal era direcionado a .
Os caras não aprovavam meu namoro com Georgia, mas achavam melhor que eu continuasse com a vida, uma vez que ela estava a milhas e milhas de distância.
E provavelmente já se esquecera de mim.
Deixe-me explicar: Ela me dera e-mail e telefone, e quando voltei para os EUA fazia de tudo para me comunicar com ela por esses dois meios de comunicação úteis, e ela também se esforçava. Mas eu possuía muitos showa e afazeres, ela tinha que estudar demais para as provas e mais provas, sem contar o fuso horário. Resultado? Acabamos nos distanciando, conseguindo nos falar quando os dois estavam disponíveis, o que era raro. Com esse distanciamento, sentia que estava me impedindo de viver, e lembro-me de suas palavras perfeitamente.
- Daniel, eu estive pensando… eu sinto muito pelo o que vou dizer, mas acho que deveríamos conhecer… outras pessoas, sabe? Você é famoso e deve estar se sentindo preso por minha causa. Eu sinto muito por isso, mas acho que será melhor se continuarmos só amigos…
- Não, , eu não me sinto preso a você! Eu te amo! – tentei a convencê-la em vão.
- Danny, eu lhe peço que não minta para mim só para me deixar menos…. mal. – Apesar dela tapar o bocal do telefone, pude ouvi-la fungando levemente. Ela estava chorando. – Continuaremos a ser amigos, Danny, e nada mais. Viva sua vida.
Nada do que eu falei para ela, a fez mudar de idéia.
Cada vez que me lembrava dessa situação, sentia um angustiante aperto no peito, seguido de lembranças maravilhosas ao lado daquela que possuía meu coração, e mais agonia.
Mesmo depois do que ela falara, nada me faria esquecê-la.
Fiz o que ela me pedira (muito nas coxas, mas enfim) e continuei minha vida, viajando de cidade em cidade, tocando todas as noites, escrevendo músicas para aquela que realmente amava e encontrando Georgia a cada dois dias. Poderia parecer idiotice e hipocrisia sair com a Horsley, mas infelizmente, a vida era idiota. E injusta também, diga-se de passagem.
- Ai Danny, você está tão calado hoje! – Falou Georgia no meu ouvido, enquanto buscava incessantemente minha mão para segurá-la, como se fosse de ouro.
- Ai Georgia, você está tão perceptiva hoje! – Murmurou Dougie baixinho no ouvido de Harry, imitando o jeito de Georgia falar, e apenas nós dois ouvimos o comentário. – Realmente, sua esperteza me preocupa! Como isso tudo cabe numa cabecinha tão pequena? Ela não ameaça explodir?
Harry não conseguiu se segurar e gargalhou alto, fazendo Fletch e o pestinha do Frankie, se virarem e olharem interrogativamente para ele. Eu me contentei com um sorriso disfarçado, sem olhar Georgia.

Capítulo 2

- Harry, você está bem amor? – Perguntou Georgia olhando para Harry, falsamente preocupada.
- Se estivesse longe de você, com certeza estaria pulando de alegria. – Ele murmurou, e Tom, Dougie e eu rimos baixinho.
- Fala mais alto querido, eu não estou te ouvindo. – Falou Georgia, agora agarrando meu braço com uma proximidade desnecessária. E o que eu mais queria era afugentá-la de perto de mim.
- Estou ótimo. – Ele respondeu, dando um sorriso falso para ela.
Já deu para perceber que, quando estávamos na presença de Georgia, os comentários desnecessários rolavam soltos, né?
Pois bem, continuamos jantando alegremente. Alegremente entre aspas, já que meus pensamentos, para variar, estavam a uma distância considerável daquele restaurante em especial. Deveriam ser umas 8 horas da noite, o céu escuro estava cheio de estrelas e com uma lua cheia começando a subir. Bela noite.
Nossos pratos chegaram e começamos a comer, eventualmente conversando e contando um caso ou outro (Leia-se: Tom e Dougie contavam, eu apenas sorria de vez em quando e concordava com a cabeça). Georgia só largou do meu braço quando teve que usar as duas mãos para comer a carne em seu prato. Salvo pelo steak!)
- “Hey, I'm looking up for my star girl, I guess I'm a stuck in this mad world, the things that I wanna say but you're a million miles away” - era o meu celular, tocando e vibrando em meu bolso.
A única pessoa na minha agenda telefônica com essa música de toque era a mais linda e maravilhosa que eu poderia ter encontrado na face da Terra.
Eu olhei para Tom e Dougie, eles eram os únicos que sabiam que esse era o toque dela.
Felizmente, Georgia não sabia disso.
- Ahn, me dão licença? Eu preciso atender essa ligação. – Eu falei, levantando-me rapidamente. Senti Georgia segurar com força a manga da minha camisa, me impedindo de sair da mesa.
- Ain amor, por que não liga depois? Quem quer que seja, pode esperar. – Ela falou, toda melosa.
Acredite, essa pessoa não poderia.
- Dá licença, Georgia? – falei de um modo mais ríspido, e ela me soltou imediatamente. – Não sou ignorante só porque tenho um pouco de fama, ao contrário de certas pessoas.
Tom e Dougie ficaram soltando gritinhos do tipo “Toma na testa, Georgia” e ela ficou com uma cara de bunda impagável, de acordo com Tom. Eu não fiquei ali por mais de um segundo para ver essa tal cara.
Fui até o banheiro masculino praticamente correndo, atropelando qualquer ser, animado ou não, na minha frente. Mal havia entrado no cômodo, já havia apertado o botão “Atender” no meu celular e o colocado no ouvido.
- Oi, Danny.

Capítulo 3

Eu simplesmente não conseguia comparar a sensação de ouvir a voz dela a nada, nada nesse mundo.
- Olá, . – Eu sorri, sentindo-me mais leve que uma pluma. Gay. – Como você está?
- Estou bem. – Ela falou, e meu sorriso se alargou ainda mais. Eu gostaria de poder ver seu lindo sorriso perfeito. – E você?
- Melhor imposs...
- ! O AVIÃO VAI DECOLAR, DESLIGA A PORCARIA DO TELEFONE.– Gritou alguém ao fundo em português. Óbvio que eu entendi bulhufas.
- Jéssica, calma! – Ela respondeu na mesma língua e suspirou, depois voltando a falar inglês. – Danny, escuta bem o que eu vou te falar. Eu estou saindo nesse exato momento para uma viagem à Flórida, vamos passar uma semana com a tia da minha amiga aqui e iremos visitar a Disney e…
Eu fiquei mudo. Estava simplesmente impossível consegui encontrar minha voz, ela parecia ter desaparecido junto com minha sanidade e capacidade piscar.
- Danny? Danny?! Você ‘tá me ouvindo? – perguntava no telefone.
- Senhorita, por favor, desligue seu celular. – Falou uma voz adulta, aparentemente da aeromoça, em português. Mais uma vez, entendi bulhufas.
- Sim, só um instante. – pareceu um pouco irritada. – Escute Danny, amanhã meu vôo vai chegar às 4h em Dallas, e depois iremos para a Flórida, chegando umas 6h. Quando chegar a Dallas, eu te ligo, ouviu?

CARAMBA, ONDE ‘TÁ A PORCARIA DA MINHA VOZ?!?!

- Senhorita, por favor...
- Ai caramba, você ‘tá mal comida é? Vai encher o saco do piloto! – falou em português e apesar de não ter entendido, não parecia ser coisa boa. – Bom, Danny, é isso. Só avisando para... sei lá, avisar. Tenho que ir agora...
Ela desligou o telefone, e eu não consegui falar uma palavra, sílaba ou fração de sílaba. Fiquei ouvindo o “tu tu tu” do telefone durante uns dez minutos, até que a porta atrás de mim se abriu.
- Hey cara, você ‘tá legal? – Perguntou Harry, colocando a mão no meu ombro.
- Era a , né? E o que ela falou? – Dougie.

Oh meu Deus. OH. MEU. DEUS.

- Danny? – Tom balançou a mão em frente aos meus olhos, mas eu mal parecia notar tamanho o choque em que eu estava.

OH. MEU. DEUS. AO. QUADRADO.

- Deu tilt. – Falou Dougie, negando com a cabeça. Senti que ele pegou meu celular, retirando-o da minha mão e verificando.
– Foi uma conversa relativamente longa. Ela falou alguma coisa importante? – Harry.
- Ela... Ela... ELA...
- Olha Danny, a gente também já tinha percebido que ela era mulher. Agora vamos lá, ela...?
- ELA DISSE QUE ESTÁ INDO PARA A FLÓRIDA! – Eu simplesmente agarrei Tom pelos ombros e o chacoalhei, tamanha minha animação e felicidade. – ELA ‘TÁ VINDO! ELA ESTÁ VINDO!
- Ê meu santo, parece alguém falando “A nave mãe está vindo, ESTÁ VINDO! E VAI NOS PEGAR!” – Dougie comentou, mas eu estava tão animado que nem fiz questão de depreciar tamanha esperteza por parte desse pobre ser. Saí do banheiro correndo, indo em direção à mesa.
- ELA ESTÁ VINDO! – Falei. – FLETCH, FRANKIE, ELA ESTÁ VINDO!!

Capítulo 4

- Quem está vindo? – Georgia, quem perguntou, ainda com cara de bunda. Falava alto, mas por sorte o restaurante estava cheio, então meus gritos desconexos eram abafados. Nem fiz questão de responder, essa aí não precisava saber tão cedo. Já Fletch e Frankie conheciam toda a história.
- Quando ? – Perguntou Fletch.
- Está vindo para cá hoje, e vai chegar umas 4h da manhã em Dallas. Depois vai para a Flórida, chegando lá umas 6h.
- Que bom Danny! – Falou Frankie, sorrindo e demonstrando sincera felicidade por mim.
- Mas, não podemos ir para a Flórida agora. Ainda temos shows por aqui! – Falou Fletch, e Frankie o cutucou forte com o cotovelo. Criança esperta. – A não ser que adiemos alguns shows... é, acho que dá sim... E vocês aproveitam e ficam um tempo de férias…
Harry, que havia sumido um pouco antes desse nosso pequeno diálogo, voltou com uma cara não muito boa, e pegou o final da frase de Fletch.
-Bom, se nós vamos tirar algumas semanas de férias, eu posso voltar para Londres né? A Izzy acabou de me ligar e disse que precisamos conversar. Eu posso ir Fletch?
- Claro, claro. - Esperei eles acabarem de conversar para agradecê-lo.
- Obrigado, Fletch! – Fui até ele e abracei-o com força. Ele ficou um pouco confuso com essa proximidade entre nós, mas retribuiu o abraço, sorrindo para mim.
A felicidade dentro do meu corpo não me permitia ficar quieto em um só lugar. Eu queria andar, pular, voar, saltitar, plantar bananeira, sair correndo, qualquer coisa que fizesse eu me sentir vivo. Porque agora eu estava vivo novamente. Eu veria a razão do meu viver em pouco tempo.
Nós saímos rapidamente do restaurante e fomos arrumar as malas para irmos até a Flórida. Fletch conseguiu uma reserva em um ótimo hotel, e as passagens não foram problema. O único obstáculo foi...
- Eu vou com você, Daniel. – Falava Georgia, insistindo e batendo pé. Que coisa mais irritante, mas não seria essa reação infantil que me deixaria triste. – Não vou deixar você ir visitar sua amiguinha sozinho!
Ela falou a palavra amiguinha com tanto desprezo que, sinceramente? Segurei-me ao máximo para não terminar com aquela ali naquele momento. Afinal, porque eu estava com ela mesmo?
- Georgia, é sério. Não precisa vir comigo, eu posso muito bem me cuidar.
- Você não é o problema dessa viagem... – Ela falou baixo, aparentemente tentando não me fazer ouvir.
Mas por infortúnio meu, eu ouvi.
A imprensa iria cair em cima se descobrisse que, da noite para o dia, o casal queridinho de London Town se separara por causa de uma brasileira. E esse fora o único motivo para não ter terminado com Georgia Horsley.
- Georgia, querida. – Falou Fletch, fazendo o possível para ser simpático. – Você também vai, só que iremos em aviões separados, sinto muito.
- Tá. – Ela respondeu simplesmente, com cara esnobe. Eu partiria para cima dela, mas Tom e Dougie estavam ao meu lado e me seguraram. Eu respirei algumas vezes. Bem fundo.
- Georgia, vou ter que te ensinar a agradecer ou o quê? – Eu perguntei, olhando friamente para ela.
- Obrigada, Fletch. – Ela deu mais um de seus sorrisos falsos e pegou o celular, ligando para alguém. Fletch lhe entregou um papel com as informações do vôo, Georgia apenas assentiu.
Pense na , Danny. Pense na , nos olhos dela… acalme-se.
Como não se acalmar pensando em tamanha perfeição? Ok, era realmente melhor que eu parasse com isso, porque soara mais uma vez, muito, muito gay.

Capítulo 5

havia ligado para mim às 4h, avisando que havia chegado à Dallas. Infelizmente eu não pude atender ao telefone, já que estava dormindo profundamente.
Sim, foi um grande erro meu, mas eu tive insônia até as 2h da manhã, até que Fletch me deu um remédio e eu consegui dormir finalmente. Sonhando com quem? .
Foi Tom quem atendeu e, segundo ele, o vôo de estava um pouco atrasado, mas nada muito diferente do horário antes programado. Harry havia voltado para Londres para aproveitar esse tempo de férias com a família.
- Tom e Dougie, acho melhor levarem o Danny ao aeroporto. – Falou Frankie quando chegamos ao hotel, 6 horas antes. – Meu pai tem que resolver algumas coisas e eu não quero ficar na presença desse ser descontrolavelmente viciado em uma tal garota chamada . Portanto, vão de táxi ou aluguem um carro e mandem um beijo para por mim. - Às vezes esse garoto se comportava como um adulto. Mais adulto que nós quatro juntos.
- Pode deixar que o Danny se encarrega desse servicinho. – Tom e Dougie começaram a rir, eu apenas revirei os olhos.
E aqui estávamos, 6h da manhã, no Orlando Internanal Airport. O portão de desembarque estava previamente definido como o portão 5, o pouso previsto para 6h33.
Eu, para variar um pouco, estava inquieto.

Capítulo 6

- Danny, agora é sério. A vai chegar logo, logo, você quer que ela o veja assim?
- Não, Dougie, não quero. – Respondi, tentando ficar parado.
Para esperar pela , nos sentamos em um café ali por perto, mas eu não comi absolutamente nada, já que meu estômago parecia reduzir de tamanho a cada minuto que se passava. Eu me sentia um tanto dormente, mas ao mesmo tempo alerta, a cada segundo eu olhava para o telão que anunciava a chegada dos vôos e me decepcionava, percebendo que este não havia mudado.
- Danny, as pessoas vão notar, dá para parar de chamar atenção? – Tom me censurou. Óbvio que nós estávamos disfarçados, com sobretudos pretos, chapéus e óculos.
- Olha quem fala, o cara com um óculos vermelho vivo e chapéu branco! – Eu respondi. Ele realmente estava com esses dois acessórios, e chamavam muito mais atenção do que um rapaz agitado. Sem contar que ele estava muito brega !
- Tá legal, vamos jogar Vinte Dicas. Tom, você começa. - Dougie disse.
- Eu estou pensando em alguém...
- ? – eu perguntei.
- Não, agora são 19. – Dougie sorriu. – É uma mulher…
- ?
- Não, Daniel, não é a . 18. – Ele pareceu pensar um pouco. – Ela é muito chata.
- Sei lá… próxima. – Falei, desinteressado. Certamente não era a .
- Ela é tão irritante que veio até Orlando para nos encher o saco e agora está vindo em nossa direção.
Nem precisei virar para saber quem vinha.
- DANNY! – Ela gritou irritantemente, e metade do aeroporto se virou para ver. Eu suspirei pesadamente, derrotado só com a idéia de ter que aturá-la por mais um segundo. – Amore de mi vida, que saudade!
- Oi, Georgia. – Eu falei, virando para ela. – Será que dá para falar mais baixo? Estamos tentando não ser notados aqui…
- Para que se esconder? – Ela então virou para todo mundo e começou a berrar. – Que o mundo saiba que o namorado de Georgia Horsley, Danny Jo…
- SHIIIU! – Tapei a boca dela com a mão antes que ela terminasse meu nome. Infelizmente, algumas pessoas já pegavam os celulares e se aproximavam sorrateiramente.
- Parabéns, cérebro de ameba, era tudo o que precisávamos. – Falou Tom.
- Aaaain, me descuuulpa! – Ela me abraçou, me dando um selinho fora de hora. – Que droga, parece que agora teremos que ir embora sem receber sua amiguinha…
- Georgia, precisamos convers… - Já não dava para aguentar aquela guria, mas Dougie me interrompeu.
- Danny, olha!
Ouvi Georgia bufar ao meu lado e agarrar meu braço direito como se dependesse disso para viver, mas eu estava pouco me lixando para o que aquela guria estava fazendo.
Olhei na direção que ele apontava e percebi que havia uma movimentação atrás do vidro que separava o portão de desembarque do resto do aeroporto. Havia várias pessoas andando para lá e para cá, pegando malas na esteira rolante e saindo para encontrar parentes e amigos. A princípio não vi nada, mas então senti a felicidade invadir meu corpo novamente.
.

Capítulo 7

Ela estava linda, andando calmamente enquanto puxava um carrinho com duas malas roxas em cima e conversava com uma garota, também bonita. Mas nada comparado à minha . Minha garota perfeita. Arrgh, por mais que fosse verdade, isso foi (MUITO) gay.
Elas pararam no meio do caminho, parecendo procurar por alguém. Percebi com a visão periférica que Tom e Dougie me olhavam, esperando por uma reação. Como eu ainda estava paralisado, nada fiz além de observá-las.
Tom suspirou e começou a acenar para , o que fez mais pessoas virarem as cabeças para o estranho grupo de três garotos e uma garota ao lado da pequena lanchonete. Mais atenção. Ê maravilha.
Além dessas pessoas, a amiga de percebeu, enquanto a própria continuava a procurar entre as pessoas do aeroporto. Sua amiga, que eu supunha ser a tal , cutucou e apontou para nós quatro.
Pude perceber de longe a reação dela. Primeiro, ficou muito feliz, o sorriso que surgiu em seus lábios mal cabendo eu seu perfeito rosto. Eu havia me esquecido de como ela era linda ao vivo, mais linda que em meus sonhos.
Mas sua segunda reação perturbou meu espírito. Ela pousou os olhos na grudenta agarrada ao meu braço e seu sorriso sumiu sem deixar vestígios. Sua expressão foi tomada por uma tristeza repentina.
Tudo isso em um segundo de reconhecimento.
olhou preocupada para a amiga, mas apenas sorriu fraco para a outra. Em seguida, as duas vieram correndo em nossa direção, com um sorriso médio em seu rosto. Mas ela olhava somente Tom e Dougie.
- Meninos! – Ela exclamou quando chegou perto de nós, deixando o carrinho ao lado e os abraçando de uma só vez. Sua voz, seu jeito, tudo continuava como eu lembrava, se não estivessem melhores. – Eu morri de saudades!
- E nós também, pequena! – Eles falaram a última palavra em português, fazendo rir muito.
- Vocês ainda precisam praticar o sotaque, mas a idéia é o que vale. – Ela soltou-os e então virou-se para mim, agora com um meio sorriso nos lábios e uma expressão fria. – Oi, Daniel.
- Oi . – Eu respondi, tentando andar para poder abraçá-la. Mas o ato saiu um pouco desajeitado: Com Georgia ainda pendurada em mim, acabei indo para frente com apenas o lado esquerdo, ficando em uma posição esquisita. Olhei então para minha namorada. – Se importa?
Eu jurava que ela ia dizer sim. Porém, depois de me encarar furiosamente, ela me soltou e cruzou os braços. Eu voltei minha atenção para e estava indo abraçá-la, mas ela já havia recomeçado a conversa com os caras.
Acho que nunca senti tanta raiva de Georgia em toda minha vida.
- Gente, essa aqui é a . – Ela apresentou, sorrindo.
- Prazer, garotos, a falou muito de vocês. – olhou os dois patetas ao meu lado, tomando o cuidado de olhar para mim discretamente e depois voltar sua atenção para eles.
- Espero que tenha sido coisa boa. – Dougie sorriu. Já Tom parecia estar em uma espécie de transe, já que não parava de olhar para a amiga de .
- Que nada, ela me contou uns podres… Meninos do céu! – Ela falou como uma legítima patricinha, fazendo Dougie e Tom rirem.
Eles continuaram conversando, mas percebi que estava extremamente quieta. Ela olhava para o nada e quando alguém lhe dirigia a palavra, ela pedia desculpas por não prestar atenção e pedia para repetirem.
- do céu, o que deu em você? Os ares de Orlando não são bons o bastante para sua presença?
- Ha ha ha, você hilária. Na verdade acho que só estou cansada. – Ela falou, sorrindo fraco para .
- Precisam de carona, gente? – Perguntou Tom.
- Minha tia pediu para ligarmos para ela quando chegássemos, mas acho que aceitaremos. A casa dela é meio longe daqui… - falou.
- Não tem problema, podemos chamar uma limo para nos levar…
- Limo? UMA LIMUSINE? – gritou, animada. – Eu vou andar de limusine? Tá de brincadeira comigo?
- Não, não. – Tom sorriu. – Vamos de limo sim.
ficou festejando e apenas sorria para a amiga sem dizer nada. Apesar de não ter certeza, eu já possuía uma teoria do por que da quietude da minha garota: Ela deveria estar com ciúmes ou se censurando por ter falado aquelas coisas sobre sairmos com outras pessoas há algum tempo. Ou talvez isso tudo fosse presunção minha. Nunca se sabe.
- Já que o Danny não quer me apresentar. – Falou Georgia ao meu lado, entrando na minha frente e estendendo as mãos para . – Muito prazer, sou Georgia Horsley, a namorada do Danny.
Ela deu um beijinho no rosto de cada uma das meninas e depois voltou ao meu lado, agarrando meu braço como antes, mas desta vez eu nem me importei. O estrago já estava feito e já havia tirado suas próprias conclusões. Sabe lá Deus o quão erradas seriam.
Ou talvez corretas.
Acho que nunca fiquei tão confuso em meus próprios pensamentos.

Capítulo 8

- Muito bem, a limo já está chegando. Precisam de ajuda com as malas? – Dougie perguntou, depois de desligar o celular e guardá-lo no bolso.
- Relaxa, temos carrinhos. – sorriu e nós começamos a andar, indo para o local onde táxis e mais táxis estavam esperando. , Dougie e Tom conversavam animadamente enquanto Georgia tentava chamar a atenção de , se esfregando em mim e me dando beijos na bochecha e na boca. Ela infelizmente conseguiu.
A limusine chegou pela rua e quando estávamos indo em direção ao carro preto, alguém berrou:
- É O MCFLY!
- Ótimo. Era o que precisávamos. – Tom suspirou e agarrou pelo braço, puxando-a e levando seu carrinho para a limusine rapidamente.
- Vem. – Dougie fez o mesmo com e entrou no carro. Era eu quem deveria ter feito isso.
- DANNY! – Gritou Georgia, agarrando meu braço – ELAS ESTÃO VINDO!
- Anda logo. – Falei friamente, enquanto puxava Horsley para dentro do carro.
Lá dentro, Tom, e Dougie ocupavam um banco, enquanto estava sentada perto da janela no banco oposto. Ela olhava para fora distraída enquanto mexia em uma mecha de seu cabelo. Não perdi tempo e sentei-me ao seu lado. Infelizmente, Georgia sentou do meu outro lado.
- Para onde? – perguntou o motorista. deu-lhe as instruções rapidamente e ele arrancou, não permitindo que as fãs chegassem perto de seu carro preto.
, Tom e Dougie conversavam e riam constantemente, mas continuava silenciosa em seu canto. Eu suspirei quando Georgia agarrou meu braço novamente, isso já estava virando festa.
Senti algo em meu bolso vibrar. Retirei meu celular e lá dizia que eu possuía uma mensagem nova. Olhei para os três e Tom e continuavam falando animados, Dougie apenas me olhando interrogativamente. É, a mensagem era dele.
“E aí? Vai esperar ela ir embora para dizer alguma coisa?”
Direto ao ponto.
“Acredite, é mais difícil do que parece.”
“Por favor, Daniel, não se faça de vítima. Ela falou sim que vocês deveriam ser só amigos, mas você realmente acha que ela queria ver você aqui, hoje, com uma namorada se esfregando em você depois de dois anos separados? É óbvio que ela ainda gosta de você e está arrependida pelo que falou. É melhor você conversar com ela. E rápido.”
Acredite, meu caro amigo, o que eu mais queria era falar com ela. Mas eu não conseguia formar uma mera sílaba, quanto mais formar frases que fizessem sentido.
- Dannyzinho, o que você tanto digita nesse telefone? – Georgia tentou puxar meu celular, porém fui mais rápido e guardei-o.
- Nada, Georgia. – Eu falei, e em segunda virei para . – O que vocês vão fazer amanhã?
Primeiro eu pensei que ela não tivesse me ouvido, mas ela suspirou e virou para mim, seu olhar gelado e inexpressivo.
- Pergunte para a . Ela é a ‘coordenadora’ da viagem, e não eu. – Sua voz era tão fria quanto seus olhos, com uma pontada de raiva, que eu percebi. Seria raiva de mim?
- Amanhã a gente vai para... – Ela pegou um mapinha na bolsa de mão. - ... Epcot. E eu não sou coordenadora de porcaria nenhuma, dona , você sabe tão bem quanto eu a ordem dos parques.
suspirou, fechando os olhos.
- , o que aconteceu? - perguntou alguma coisa em português. Eu, Dougie e Tom? Boiando legal. Ah, e Georgia também. Mas quem se importava com ela mesmo?
- , conversamos na casa da sua tia. Tenho certeza de que se começar a falar aqui, vou abrir um berreiro com capacidade de encher o rio São Francisco.
- Entendido, câmbio e desligo. – voltou a falar inglês. – Então, vamos brincar de Vinte Dicas?

Capítulo 9

Tom, Dougie e ficaram brincando de vinte dicas, parecendo que nada havia acontecido, mas eu olhava para , tentando decifrar sua expressão. Ela percebeu o meu olhar, já que virou para a janela bruscamente. Notei uma vermelhidão nas maçãs de seu rosto.
- Ah, Danny, eu quero ir para o hotel. – Falou Georgia, melosa como sempre. Ê guria chata. O que eu tava fazendo com ela mesmo?
Espera aí. Eu já não respondi essa pergunta? Ótimo, agora estou perdendo de vez a organização das minhas memórias.
- Quer sair do carro agora ou prefere que eu a jogue pela janela? – comentou baixinho, fazendo Tom e Dougie desatarem a rir.
Dei o endereço do hotel de Georgia ao motorista e lhe pedi que passasse lá antes de irmos à casa da tia de . Em poucos minutos Georgia estava saindo do carro, emburrada e fazendo biquinho.
- Você não vem? – Ela perguntou, fazendo bico.
- Depois eu volto. Tchau. – Georgia, antes de sair, olhou irritada para e me deu um beijo. Lutei contra todos os instintos de afastá-la e simplesmente fiquei parado.
Finalmente, Horsley saiu e fechou a porta do carro. A limusine acelerou e continuamos nossa trajetória, todos no carro silenciosos. retomou a conversa com os dois, tentando reestabelecer o clima amigável de antes.
Eu olhei para , que continuava olhando para fora. O que deveria falar?
Parece que demorei demais formulando alguma coisa, porque quando tive uma idéia, havíamos chegado à casa da tia de .
- Bora , levanta essa bunda daí! – Ela falou, puxando para fora do carro.
Saímos todos do carro, Dougie, Tom e eu fomos pegar as bagagens no porta-malas, que não eram muitas.
- Bem garotos, vocês vão amanhã? – Perguntou , sorrindo para nós. Na verdade, ela parecia estar perguntando especialmente para Tom. Hm, suspeito.
- Com certeza. Qual é o seu celular, ? – Perguntou Tom.
Eles trocaram telefones, e nós marcamos de nos encontrar às 9h30 na frente da grande bola brilhante que era o símbolo da Epcot. Antes de voltarmos ao carro:
- ? Posso falar com você por um instante? – perguntei.
As duas amigas, que andavam lado a lado, pararam e se entreolharam. parecia pedir socorro à colega, mas esta sorriu e virou para mim.
- Ela é toda sua. Eu vou... ahn... tocar a campainha enquanto isso. – E saiu, indo em direção à porta da casa da tia. Vi suspirar e resmungar alguma coisa em português enquanto se virava e vinha em minha direção.
- Sim? – Ela perguntou formalmente, cruzando os braços na frente do peito. Por mais que ela estivesse fria, a beleza em seu rosto continuava estonteante.
- Erm... Como você está? – Eu perguntei. Idiota. Burro. Retardado.
Ela me olhou como se eu tivesse algum tipo de doença e levantou de leve uma das sobrancelhas.
- Depois de dois anos sem nos ver pessoalmente e só conversando por internet e telefone, a única coisa que você tem a me perguntar é “Como você está”? – Sua voz estava carregada de mágoa e desprezo enquanto ela negava com a cabeça. virou de costas para mim, indo para a casa da tia de .

Capítulo 10

- Espere! – Eu fui até ela e segurei-lhe a mão, virando-a de frente para mim. Um choque pareceu passar dela para mim, algo quente e inesperado. Ela pareceu sentir também, já que tremeu arrepiada.
Lembrei-me do nosso primeiro beijo, quando aconteceu a mesma coisa.
Puxei-a então para perto de mim, colocando minha outra mão em suas costas e a cabeça dela embaixo de meu queixo. Ela ficou parada, parecendo ter sido pega de surpresa, e eu percebia a resistência que ela apresentava.
- Eu senti sua falta. – Eu falei, fechando os olhos e sentindo o perfume doce que exalava do seu cabelo. Melancia, como antes. Como eu me lembrava. [n/a: não, você não troca de xampu HAHA]
Senti o coração dela acelerar assustadoramente e sua respiração ficar um tanto falha. Ela continuava com um dos braços grudado ao corpo, e o outro eu estava segurando gentilmente. A testa dela estava encostada em meu peito, e eu podia sentir a ponta de seu nariz roçando em minha camisa.
- Eu... eu... – Ela gaguejou, ainda sem reação.
Foi então que ouvi um click por perto.
se desvencilhou rápido, seu rosto tão vermelho quanto um tomate, e abaixou os olhos, olhando para as mãos.
- Eu... tenho que ir, Jones. Tchau. – Ela começou a andar rápido em direção a casa, quase correndo, cruzando novamente os braços em frente ao corpo. Mal ela havia chegado à porta da casa, abriu a porta para ela entrar.
Eu fiquei a observando até que sumiu lá dentro. Suspirei e voltei para o carro, onde Tom e Dougie me esperavam.
- E então, como foi? – Tom perguntou como quem não quer nada. Como se eles não tivessem visto tudo pelas janelas.
- Melhor do que eu imaginava. – Eu falei, suspirando profundamente. Ela continuava linda, maravilhosa e perfeita, como sempre.
- Estão de bem?
- Você acha, né Dougie? – Falou Tom, encostando a cabeça no apoio do banco. – Óbvio que ela vai continuar assim até aquela chata da Georgia levar um pé na bunda. E eu acho que isso vai demorar um pouco, considerando o quanto o Danny é lerdo para essas coisas.
- Não, isso vai acontecer mais rápido do que você imagina, caro Tom. – Eu falei, passando a mão pelo meu cabelo. – E eu tenho dois motivos para você.
Dougie e Tom se entreolharam e se ajeitaram nos bancos, parecendo animados.
- E quais seriam esses motivos?
- Um: Eu não aguento mais a Georgia. – Eu falei, dando de ombros e eles concordaram.
– E dois: Eu ouvi um click suspeito atrás de mim quando abracei .
- Isso significa que... – Dougie olhou para mim, parecendo receoso.
- Que amanhã, a foto de nosso abraço estará na capa de todas as revistas de fofocas dos EUA. Georgia vai ficar sabendo disso mais cedo ou mais tarde, de preferência depois que eu tiver terminado com ela.

(:

- ACOOOOORDAAAAAAA!!!!!
Déjà vu?
- Por que vocês têm que me acordar TODO SANDO DIA desse jeito?
- Porque eu me divirto HORRORES. – Falou Dougie enquanto se sentava na cama, tentando parar de rir. Tom apenas sorria, parecendo ocupado com as roupas de sua mala.
- Fletch e Frankie? – Perguntei.
- Fletch decidiu levar Frankie no shopping. Aparentemente esqueceu-se de colocar blusas suficientes para o pestinha. – Falou Tom, ainda vasculhando sua mala em busca de alguma coisa.
- E a mala veio cheia de quê?
- Bichinhos de pelúcia. – Dougie respondeu, sorrindo. Percebi que Dougie já estava pronto e Tom ainda não havia vestido camisa alguma.
Nós iríamos ao Epcot com e . Cara, parecia que tudo aquilo ontem não passara de um sonho, e não fora um dos melhores. Na verdade, acho que estaria na lista dos piores sonhos que eu já tive.
Mas infelizmente não foi um sonho, foi realidade. estava aqui em Orlando junto com sua amiga (pela qual eu suspeitava de que Tom tivesse uma quedinha) e nós íamos nos encontrar com elas. Só que estava fria comigo. E com parcial razão.
Afinal, quem falou para nos separarmos? Ela.
Não, não estou a culpando por isso tudo. Óbvio que eu deveria ter terminado com a Georgia no exato momento em que soube da vinda da . Mas infelizmente, sendo um McFly, não podoa fazer qualquer coisa sem pensar duas vezes. Se eu começasse a namorar , os tablóides obviamente pensariam o pior: que eu trocara Georgia pela primeira que vi. E seria perseguida para sempre de uma maneira nada agradável.
- Nossa Dougie, desde quando você acorda tão cedo? – Levantei-me da cama e fui até o banheiro, sendo seguido por ele desocupado.
- Desde que Fletch e Frankie decidem ir cedo para o shopping e ME acordar para avisar. – Enquanto eu ia até a pia, ele encostou-se ao batente da porta do banheiro com os braços cruzados. – Desastroso, não?
- Eu me pergunto como eles conseguiram te acordar. - Peguei minha escova e coloquei a pasta dental, começando a escovar meus dentes.
- Não foram eles, foi Will. – Ele negou com a cabeça e sorriu. Se eu não estivesse com a boca cheia de pasta de dente, iria sorrir também. Willian era o nosso guarda-costas que Fletch havia contratado antes de iniciarmos a mini-turnê pela América do Norte. Ele vai para todo lugar que nós vamos e eu simplesmente ADORO vê-lo acordando o Dougie, é bem semelhante ao que meu querido amigo faz comigo, a diferença é que Will é... bom, ENORME.
- Fa-ando o Wi-ian, e-e vai com a ente?
- Primeiro cospe a pasta, Danny. Não entendo nem quando você fala normalmente, imagina assim! – Dougie olhou brevemente para o lugar onde eu supunha que Tom estava.
- Falando no Willian, ele vai com a gente? – Eu perguntei depois de cuspir a pasta de dente na pia.
- Sim, mas ele vai ficar afastado para não chamar atenção para a gente.
- Vamos tomar café? – Tom chegou também no banheiro, vestindo uma blusa listrada azul e branca, que combinava com seus óculos azul marinho.
- Bora, deixa eu só... ME VESTIR, quem sabe?

Capítulo 11

Coloquei uma camisa verde e calças jeans, complementando com um tênis e meus óculos escuros. Descemos rapidamente, cumprimentando Will na porta do quarto, mas quando chegamos ao térreo para tomar café...
- Danny Jones, o que você tem a dizer sobre o abraço de ontem?
- Danny Jones, quem é aquela garota?
- Você oficialmente terminou com Georgia Horsley?
- Danny Jones... Danny Jones!
Sim, repórteres.
Vários e vários repórteres estavam no térreo esperando pela gente, sendo impedidos pelas fitas de segurança que os policiais deveriam ter colocado. Tom e Dougie sorriram, mas eu fiquei pasmo.
Acho que esconder dos fofoqueiros não seria tão fácil quanto eu pensava.
Fomos tomar café rápido, e quando estávamos voltando para nosso quarto...
- DANNY! – Georgia pulou em mim, dando um beijo em minha bochecha. – Como você está meu amor?
- Georgia, acho que a gente precisa conversar...
- Depois, quem sabe, no parque. – Ela deu um sorriso falso, parecendo esconder algo. – Agora eu tenho que fazer... uma coisinha ali. 9h estarei aqui em baixo esperando você. Beijinho!
Ela me deu um selinho rápido e saiu, sem mais nem menos. Olhei para os dois ao meu lado, que pareciam tão confusos quanto eu, e fomos até o elevador. Os repórteres continuaram onde estavam, vendo a cena toda e ficando ainda mais eufóricos. Dei graças a Deus quando as portas do elevador se fecharam, nos permitindo subir em paz para o andar desejado.
- Gente, o que foi aquilo? – Dougie perguntou. – Ela não está nem um pouco ciumenta, escandalosa, chata e irritante! Bem, irritante ela continua... e chata também... mas vocês entenderam! Ela não deu chilique!
- E desde quando Georgia Horsley deixa Danny Jones sozinho por um segundo apenas? – Tom perguntou, arregalando os olhos. – Sério, essa nossa vida está cada vez mais estranha.
- Acho que ela percebeu que a concorrência ‘tá braba. – Falou Dougie, e ele e Tom começaram a rir.
- Não há concorrência, não com a . – Eu falei, sentindo uma pontada dentro de meu peito. ainda não estava falando comigo. – Ela é a única.
- Olha Danny – Tom colocou a mão em meu ombro. – Eu acho que ela acha que você não acha mais que ela é a única.
- Bem confuso, Tom, mas entendo o seu ponto. – Falei, respirando fundo. Ele tinha razão, apesar da confusão de suas palavras. deveria pensar que ela havia sido substituída ou algo parecido.
Chegamos finalmente no andar desejado. Escovamos nossos dentes (nós somos higiênicos) e começamos a nos “disfarçar” para irmos ao parque. Sim, nós teríamos que ir disfarçados, uma vez que não queríamos ser parados a cada cinco minutos para dar autógrafos.
Eu coloquei um piercing de pressão no meu nariz (odiava isso, mas era por uma boa causa), óculos com lentes sem grau e deixei apenas os curtos fios de barba aparecendo. Tom colocou seus óculos sem grau também, só que colocou o piercing de pressão no lábio. Dougie decidiu deixar sua barba por fazer, além de colocar um bigode falso e óculos de lente sem grau também. Agora sim, estávamos prontos. Horríveis, mas prontos.
Mandamos os sósias lá para o andar de baixo (Sim, os mesmos de dois anos atrás. Eles eram iguaizinhos a nós.) e saímos pela entrada dos funcionários com a ajuda de Will. Georgia já conhecia nosso esquema, então saiu conosco pelos fundos.
- Oi, meu amorzinho! – Ela já estava dentro da limusine, e quando eu entrei, agarrou meu braço novamente.
- Oi, Georgia. – Falei, respirando fundo. Eu não terminaria com ela ali, na frente dos caras. Podia ser um tanto besta de vez em quando, mas não era um completo babaca.
Por incrível que pareça, ela apenas colocou a cabeça no meu ombro e... dormiu!
- Realmente, o mundo vai acabar neste exato segundo. Desde quando ela tem sono para dormir ao lado de Danny Jones? – Dougie comentou baixinho, tomando cuidado para não acordar Horsley.
- Acho melhor ficarmos quietos, o dragão adormecido pode acordar a qualquer hora e nos fritar com seu fogo verde! – Tom falou e nós três rimos baixinho. – Bom, eu não duvido que isso possa acontecer.
Apesar de estar feliz por Georgia estar dormindo, era realmente incomum ela estar tão cansada... ela dizia que passava 10 horas dormido só para não ter olheiras, e eu nunca duvidei de sua palavra. Mas agora, ela dormir assim, de repente? Estranho.
Continuamos o trajeto normalmente, Dougie e Tom contando piadinhas sobre Georgia e gargalhando eventualmente enquanto eu aproveitava meus segundos de paz. Como estaria hoje? Será que ela estaria abatida e fria como ontem? Ou ela estaria melhor?
Minhas perguntas se dissiparam quando chegamos ao parque.

Capítulo 12

- Georgia, acorda. – Eu a cutuquei.
- Ahn? Ah Danny, desculpa! – Ela me abraçou forte. – Prometo nunca mais dormir enquanto estiver com você!
- Adeus esperanças! – Tom caiu de joelhos na calçada e Dougie começou a rir. Georgia fez cara de “Cala a boca, idiota” e saiu do carro. Eu saí logo em seguida.
- Hoppusi got no regret right now (I'm feeling this), the air is so cold and low (I'm feeling this)… - O celular de Dougie começou a tocar.
- Manda!... Aham... tá... falou, see ya! – Dougie desligou o telefone, olhando para a gente. – Will avisou que vai estar de olho na gente, caso aconteça alguma coisa imprevista. E mandou avisar que seu óculos está torto, Danny.
- Valeu. – Eu ajeitei os óculos, sendo em seguida agarrado por Georgia. – Vamos logo, as meninas devem estar nos esperando.
Entramos no parque, pagando a entrada rapidamente, e paramos na frente da gigante bola brilhante.
- Vocês estão vendo elas? – Tom perguntou, olhando em volta.
- Ah, talvez elas tenham furado conosco... Que droga! – Georgia falou. Acho que me tornaria um babaca antes do que pensava, já que a idéia de terminar com Horsley na frente de todo mundo não me parecia tão má quanto antes.
- Adotaram o visual radical agora é? – falou perto de nós. Viramos na direção de sua voz e lá estavam as duas amigas. usava uma camiseta regata, uma bolsa pequena e shorts de ginástica. Já usava uma camiseta verde (colada, diga-se de passagem) com um short de tactel. Linda, como sempre.
- Ah, mudar de vez em quando é bom. – Falou Tom, sorrindo um pouco demais para . Esse garoto não tinha jeito mesmo.
- Acho que não combina com vocês, sei lá, meio rebelde. – falou.
A falou.
- Gente, parece que o gato não comeu sua língua, afinal! – Falou Dougie, fazendo rir de leve.
- Ontem eu só ‘tava meio cansada mesmo. – Ela não olhou para mim um só momento. Ah, então essa era a condição: Se ela tivesse que falar, seria só com os dois patetas. E quando olhasse para mim, teria de ser fria e inexpressiva.
- Ai, parem com essa bobagem e vamos logo! – Georgia resmungou, e eu desejei não tê-la trazido. Mais uma vez.
Nós fomos a todos os países do lugar: Almoçamos na Itália, vimos vikings na Noruega, experimentamos Guacamole no México, compramos trocentas coisas na China e Alemanha, vimos como se corta um bonsai no Japão, dançamos em Marrocos (a coisa mais engraçada que eu já vi foi Tom tentando impressionar com sua dança. Pobre ), as garotas compraram perfumes na França, fomos a um falso pub na Inglaterra e vimos um filme no Canadá (aproveitamos para tirar um cochilo).
O dia foi longo, devo admitir, e continuou com seu comportamento atípico. Georgia parecia um pouco mais distante de mim, e isso me deixou feliz e intrigado. O que havia dado nela, afinal? Como se eu realmente me importasse.
No fim do dia, havia um show de lasers e fogos sobre o lago central do parque, e nós ficaríamos ali para assistir. Felizmente, ninguém desconfiou de nosso disfarce bizarro, e conseguimos ficar em paz um dia na vida.
- Como será esse show de fogos? – perguntou enquanto se apoiava na barra de segurança do lago. Ela continuava me ignorando, e a Georgia também.
- Aposto que é lindo. – Falou , olhando para o lago.
- É muito bonito. – Tom falou, se aproximando da amiga de minha amada e olhando para ela. – Eu pelo menos acho, mas vou deixá-las tirarem suas próprias conclusões.
sorriu para Tom durante um tempinho (novamente, mais do que o necessário), e depois voltou sua atenção para a amiga e continuaram a conversar.
- Ai Danny, temos mesmo que assistir esse show de novo? Nós já vimos umas dez vezes! – Georgia reclamou. Pela quinta vez. Durante o dia, parece que ela resolvera me importunar mais do que o normal e, apesar de distante, continuava com seu hábito de ficar se esfregando em mim toda vez que estava por perto.
Eu deveria ser um santo para ter tanta paciência.
- Sim, Georgia, nós temos. As meninas nunca viram, e o show é realmente lindo. – Assim como certa pessoa apoiada na barra de segurança, nem notando que eu estava a admirando.
- Danny, eu estou aqui. – Georgia ficou balançando a mão na frente de meus olhos, me fazendo fechá-los e contar até dez. – Eu sei, você já me falou isso antes...
- Então porque você insiste? – Eu perguntei, olhando pra ela.
- Porque eu achei que a gente poderia dar uma escapulida... sabe? Passar o resto da tarde juntos... – Nossa, como ela estava carente! Gente...
- Não vou deixar minhas amigas na única semana que elas estão nos EUA só para ter uma tarde com você, Georgia. – Eu falei, olhando inquisitivamente pra ela. Ela ficou com MUITA raiva.
- QUER SABER? VOU EMBORA SOZINHA ENTÃO!
- Já vai tarde, monstrenga. – falou alguma coisa em português e deu uma risada.
Por alguns segundos senti-me no céu, vendo tão leve e feliz daquela maneira.
Graciosamente, ela colocou a mão em frente a boca e escondeu o sorriso, virando para o lago novamente.
Mas, como tudo que é bom acaba rápido, Georgia começou a fumegar.
- DO QUE VOCÊ ME CHAMOU, FILHA DE ÍNDIO?
parou de rir instantaneamente e olhou com raiva para Georgia. As duas encaravam minha atual irritante namorada como se fossem matá-la. Na verdade, a idéia não parecia má naquele momento.
- Georgia! – Eu falei tão indignado quanto as meninas. Dougie e Tom também ficaram sérios, mas todos nós nos espantamos quando quase avançou em Georgia, sendo segurada apenas por .
- SUA IDIOTA, FILHA D’UMA PUTA, VAI MORRER AGORA POR INSULTAR MEU PAÍS! SÓ PORQUE VOCÊ NASCEU NO REINO UNIDO ACHA QUE É MELHOR DO QUE NÓS? AH, VOCÊ VAI PAGAR SUA RIDÍCULA SAFADA...
E os xingamentos continuavam enquanto tentava se desvencilhar de , que segurava a amiga com toda a força. Eu e os caras parecíamos paralisados com a cena, não conseguindo mover um único músculo por vontade própria.

Capítulo 13

Quando os xingamentos passaram do inglês para português, aí que a coisa ficou complicada mesmo. e falavam em português muito rápido, minha amada tentando acalmar a amiga que xingava muito. As pessoas ao redor estavam começando a olhar até que tapou a boca de e sussurrou algo em seu ouvido. parou de se debater e voltou sua atenção para o lago, como se nada tivesse acontecido.
- Hoppusi got no regret right now (I'm feeling this), the air is so cold and low (I'm feeling this), Let me go in her room (i'm feeling this), I love all the things you do (i'm feeling this)... - o celular de Dougie começou a tocar novamente. Depois de algum tempo tocando a música ele atendeu, ainda meio paralisado.
- Manda... sim, está tudo bem, foi só a Georgia... tá, tomaremos mais cuidado. Tchau. – Ele desligou o celular rapidamente e olhou para mim, como se esperasse que eu fizesse alguma coisa com Georgia.
E eu sabia exatamente o que fazer.
- Georgia, você perdeu a razão ou o quê? Que coisa mais ridícula! – Eu falei, indo até minha futura ex-namorada.
- Ain Danny, eu sinto muito... – Ela falou enjoada – Mas o que eu posso fazer se certas pessoas não aceitam a verdade sobre...
Ela não pôde terminar a frase, já que havia vencido rapidamente a distância entre nós e dado um soco (bem dado, por sinal) no nariz de Georgia.
- A VERDADE É QUE VOCÊ É UMA NOJENTINHA QUE SÓ FICA AÍ, SE APROVEITANDO DA FAMA DO NAMORADO PARA APARECER UM POUCO, SUA METIDA FALSA...
Mais xingamentos bilíngues e antes que pudesse dar outro soco em Georgia, Tom e Dougie já a seguravam e a levavam para longe de Horsley.
- AAAAAAAAAI MEU NARIZ! – Georgia gritou, colocando as mãos no rosto. – DANNY, OLHA O QUE ELA FEZ COM O MEU NARIZ!
- Estou vendo, e acho melhor você procurar um hospital. Deve estar quebrado. – Tive vontade de elogiar o soco de , mas acho que ainda não era a hora certa para isso.
- VOCÊ NÃO VAI COMIGO? – Ela perguntou com a voz ficando histérica.
- Anda logo, Georgia, óbvio que eu não vou perder o show de fogos. Você não disse que queria ir embora? Aí está a sua desculpa perfeita.
Ela saiu resmungando enquanto limpava o sangue do nariz, mas eu não me preocupei. Virei-me para os outros e fui na direção deles.
- Ai minha mão, como essa guria tem ossos duros! – reclamou, fazendo Tom, Dougie e rirem. – Mas acho que não quebrei nada.
- , você é meu ídolo a partir de hoje! – Tom ficou de joelhos e começou a reverenciar , que riu dele. – Você fez o que nenhum de nós pôde fazer por mais de dois meses!
- Eu sei, eu sei... eu sou demais. – sorriu. – Então, esse show vai começar logo ou não? Eu preciso lavar minha mão, deve estar infectada com Georgiacoccos.
Ficamos esperando à beira do lago, o clima entre todos nós estava bem melhor e mais relaxado agora que Georgia havia ido embora. Começou a escurecer e, em pouco tempo, estavam anunciando que o show começaria em alguns minutos.
Nos posicionamos perto da barreira da seguinte forma, da esquerda pra direita: eu, , , Tom e Dougie.
parecia ter implorado para trocar de lugar com ela, porém manteve-se firme em seu lugar. Ela e Tom conversavam bastante, até demais para o meu gosto. Só amigos? Não durante muito tempo.
simplesmente se recusava a encostar nem que fosse um dedo em mim. Ela estava grudada na barreira e sempre que eu me mexia, ela parecia se mexer junto, se afastando de mim novamente. Eu suspirei. A música de fundo começou a tocar, e podíamos ver um barco do outro lado do lago, se aproximando lentamente. Enfim, começou.
Os lasers coloridos dançavam no céu, iluminando o ambiente com cores e formas que se deformavam quando chegavam às nuvens. Alguns fogos de artifício foram soltos, iluminando o rosto de cada espectador daquele show maravilhoso, que surpreendia e emocionava a todos.
Os fogos variavam de cor e forma, algumas vezes sendo apenas um fiozinho no céu, e outros formando aqueles gigantes pontos iluminados.
e ficavam ocasionalmente soltando ‘ohs’ e ‘ahs’, surpresas com a beleza da apresentação.
- É lindo! – falou, se aproximando inconscientemente de Tom. Ele hesitou brevemente, mas em seguida passou seu braço pelos ombros de , puxando-a para perto. Como ele era apressadinho... – Meu Deus, eu poderia olhar para isso a noite inteira.
- Realmente, é maravilhoso. – falou , sua voz estava carregada de emoção. Ela virou o rosto de leve, me olhando sorrateiramente, mas quando percebeu que eu a observava virou a cabeça rápido. Eu tinha certeza de que ela estava corada. Percebi ela suspirar profundamente.
- Eu sabia que vocês gostariam. – Eu falei, ainda observando o show de fogos à minha frente.
Pude perceber que abaixou a cabeça devagar, parecendo olhar para o lago. Não entendi sua reação, já que estava ao meu lado, até que vi uma gota cair de seus olhos e pousar na barreira.
Meu coração pareceu ter se espremido até ficar do tamanho de uma ervilha. Tudo o que eu mais queria era passar meu braço por seus ombros, aconchegá-la em meu peito e beijar-lhe os lábios, acalmando-a de uma vez por todas.
Queria dizer-lhe que a amava e que tudo ficaria bem. Queria dizer-lhe que não era preciso chorar. Queria passar minha mão em suas bochechas, limpando as lágrimas que agora caíam com mais freqüência. Queria olhar em seus olhos e sorrir, recebendo seu sorriso divino como resposta.
Infelizmente, nem tudo na vida era como nós queríamos.
notou alguns minutos depois de mim e se desvencilhou cuidadosamente de Tom, voltando sua atenção para a amiga e abraçando-a.
- Calma, . Vai ficar tudo bem. – falava baixinho, apenas para ouvir. Ela me olhou por um momento, como se quisesse dizer algo, mas então se virou para Dougie e Tom. – Eu vou ao toalete com a , já estaremos de volta.
Antes que eles pudessem ver o porquê da decisão repentina, já estava andando rápido com ao seu lado na direção do banheiro feminino. Não sabia que era possível, mas senti meu coração se apertar ainda mais.
- O que aconteceu? – Dougie perguntou confuso.
- Eu fui um idiota lerdo. – Falei enquanto apoiava meus cotovelos na barreira de segurança.
- Nós já sabíamos disso há muito tempo, Danny. – Tom respondeu, chegando perto de mim e apoiando seus cotovelos na barreira da mesma maneira que eu. – A diferença é que agora, além de estar magoando seus próprios sentimentos, você está magoando os de outra pessoa.
- Apesar de não gostar de ouvir isso... é a mais pura verdade.
- E que conclusão você tira dessa situação? – Perguntou Dougie, juntando-se a nós dois.
- Que eu tenho que terminar com a Georgia. – Respondi, ainda olhando para os fogos de artifício e os lasers. – E tenho que reconquistar a .
- Uau Danny, que dramático. – Dougie revirou os olhos. – Falar é fácil, maninho, difícil é fazer.
- Plantou vento, colhe tempestade. – Tom sorriu.
- Parem com essas frases de caminhoneiro, fazendo o favor? Estão me dando dor de cabeça. – Reclamei, abaixando a cabeça e olhando minhas mãos.

Capítulo 14

Continuamos em silêncio até que e voltaram do banheiro, a segunda com os olhos meio inchados e vermelhos. Ninguém fez perguntas.
Quando o show acabou, eu e os caras esperamos pelo táxi que levaria e de volta à casa onde estavam hospedadas. Apesar do acontecimento de antes, ainda possuía os indícios de estar feliz e animada: Não se dirigiu a mim pelo resto da noite, mas conversou bastante com Dougie, Tom e com sua amiga.
Isso certamente me magoava, mas não podia reclamar: Eu fiz a besteira, e agora eu consertaria tudo.
Bom, tecnicamente a havia feito a besteira... mas eu havia começado a sair com Georgia. Apesar de não parecer uma daquelas grandes besteiras, para mim era. Afinal, se eu tivesse me mantido firme e não saído com ninguém, nada disso estaria acontecendo.
E eu estaria com aquela que eu realmente amava.
Depois que as garotas foram embora, voltamos para nosso hotel e fomos para o salão de jogos enquanto esperávamos por nossos pais e Frankie para irmos a um restaurante.
E no dia seguinte, eu pretendia terminar com Georgia Horsley.

:)


- DANNY! – Uma voz irritante, chata e melosa berrou no meu ouvido.
- Fala sério, já basta os caras me acordando assim... – Eu resmunguei enquanto virava o rosto para o colchão e colocava o travesseiro sobre minha cabeça. – O que é?
- É que ontem você nem foi me dar um beijo de boa noite... – Georgia reclamou, retirando o travesseiro do meu rosto e se ajoelhando no chão para ficar da minha altura. Percebi que sobre seu nariz, havia uma gaze branca presa com dois pedaços de fita crepe.
- Desculpe, Georgia. – Cara, acho que meu cérebro não estava funcionando direito. Eu não conseguia me lembrar... eu tinha algo muito importante para fazer hoje, mas o que era?
Sentei-me na cama e percebi que Tom e Dougie estavam com os travesseiros sobre as cabeças, aparentemente tentando dormir. E as cortinas escuras, que supostamente deveriam bloquear a luz solar, estavam semi-abertas. E não havia claridade alguma para bloquear.
- Não acredito. – Resmunguei indignado, colocando minha cabeça entre as mãos. – Georgia, que horas são?
- 5h32, por quê? – Ela perguntou inocentemente.
- Ah nada, são só cinco e meia da manhã e eu estou sendo acordado pela minha namorada porque ela não ganhou um beijo de boa noite. – Eu olhei para ela enquanto passava a mão no cabelo.
- Onde você quer chegar, amorzinho? – Ela perguntou, colocando a mão no meu braço. Eu esfreguei meus olhos fortemente, desejando que isso fosse um sonho. Ou um pesadelo, no caso.
Levantei-me devagar, sendo observado constantemente por Georgia e ouvindo comentários desnecessários. Escovei meus dentes e molhei minha nuca, tentando me refrescar. Orlando era realmente quente, principalmente naquela época de verão. Abri a mala de Dougie e peguei seu notebook, ligando-o em seguida. Com isso, Georgia pareceu agitada.
- O que foi agora? – Eu perguntei quando ela veio até mim e tentou chamar minha atenção de qualquer maneira.
- Ai amor, sinto sua falta... – Ela me abraçou pelo pescoço e me puxou para longe do aparelho eletrônico. Eu me desvencilhei de seu abraço da melhor maneira possível.
- Me deixe só dar uma olhada nos meus e-mails e a gente conversa. – O notebook apresentou a página de entrada e eu digitei a senha. Em segundos, eu fui até o ícone da Internet e cliquei nele.
- Daniel! Eu estou passando mal! – Georgia começou a fazer um drama, se agarrando aos meus ombros e dobrando as pernas como sinal de fraqueza. Eu revirei os olhos.
- Por favor, né Georgia. Que coisa mais ridícula.
Foi então que a ficha caiu. Eu tinha algo importante para fazer hoje. Eu tinha que terminar com Georgia Horsley. E eu tinha que reconquistar , meu verdadeiro amor.
Bom, foi aí que certo desastre aconteceu. Eu explico: O Dougie tem uma mania meio sem noção de ficar visitando sites de fofocas para ver o que falam da gente e ficar “por dentro” dos assuntos mais interessantes. Por isso, a página oficial da internet do Dougie era um site de fofocas chamado Oceanup [n/: existe. Não tem nada do McFly, mas existe.], bem atualizado e até divertido.
Mas o desastre não seria o fato de Dougie ter como página inicial um site de fofocas (apesar de ser estranho), e sim a primeira reportagem do dia.
Se bem que algo assim não deveria ser chamado de desastre, e sim uma graça. Um milagre. Uma bênção.
A foto do post era uma garota, que eu identifiquei como sendo minha atual namorada, beijando um cara que parecia ser o salva-vidas do hotel onde estávamos. E o título era: “Adeus, Danny Jones?”
Abaixo vinha um pequeno texto, mas não me importava com isso. No momento, acho que eu me sentia mais feliz que nunca, como se um grande peso tivesse sido retirado das minhas costas.
- Ah, que interessante, Georgia. – Eu falei, olhando para ela com um sorriso irônico para ela. – Agora eu tenho mais um motivo para terminar com você.
- Não, Danny! Isso é uma montagem, não vê?
- Óbvio que não é Georgia, ‘tá me achando com cara de idiota? É você sim e mesmo que não fosse, isso não atrapalharia o que eu estou para fazer.
- Daniel, não ouse...
- Ouso com todas as células de meu corpo desejando isso. – Eu falei, levantando-me da cadeira onde estava sentado e olhando para ela. – Georgia Horsley, eu estou terminando com você.
- NÃO, DANNY! – Ela me abraçou, mas eu a afastei rapidamente. – NÃO, VOCÊ É O AMOR DA MINHA VIDA! FOI UMA BESTEIRA! EU ESTAVA COM RAIVA DAQUELAS SUAS FOTOS COM A BRASILEIRA, DAÍ EU ENCONTREI ESSE AÍ... FOI TOTALMENTE SEM SENTIMENTO, NÃO SIGNIFICOU NADA PRA MIM!
- Por favor, Georgia. Nada disso significou algo para você, nosso namoro era só para te dar fama. Isso não é algo que eu faria, mas considerando tudo o que você fez para a minha família e meus amigos, eu direi com o maior prazer: Eu estou pouco me lixando para você.
Ela ficou horrorizada, primeiro, e depois seu rosto se transformou em uma máscara de ódio.
- ÓTIMO, VÁ FICAR COM SUA BRASILEIRINHA, SEU IDIOTA, EU NUNCA QUIS FICAR COM VOCÊ MESMO! SÓ FIZ ISSO POR PENA DE VOCÊ, PENA DO SEU ESTADO DEPLORÁVEL NAQUELA ÉPOCA!
- Uau, agora estou magoado. – Falei friamente. Depois fui até a porta e a abri. – Se importa em ir embora de uma vez? Eu preciso me arrumar, afinal, eu, Dougie e Tom vamos sair para comemorar essa data memorável.
Georgia parecia espumar de tanta raiva. Ela saiu pisando duro, me fuzilando com os olhos de tal forma que senti medo. Depois dessa, temia que tivesse de aprender a dormir de olhos abertos.
Fechei a porta na cara da Horsley sem dó e desliguei o notebook. Agora sim eu poderia ter um sono leve e sem preocupações. Por que agora, nada me impediria de reconquistar .
- Daniel, você está bem? – Fletch me perguntou do quarto dele.
- Melhor, impossível.

:)


Capítulo 15

- Agora tudo vai se resolver, como num romance! – Tom falou, rindo em seguida. Estávamos no carro nos dirigindo para o Magic Kingdom, onde iríamos nos encontrar com as garotas, e eu havia acabado de contar o que acontecera naquela manhã. – Daqui a pouco vocês estarão indo para o castelo da Cinderela...
- Literalmente. – Falou Dougie.
- Não sou só eu, né senhor Tom? – Eu falei, levantando uma sobrancelha. – Aposto que tem mais alguém que vai para o castelo da Cinderela...
- Não sei do que você está falando, Jones. – Tom revirou os olhos. – Sei que hoje, eu e Dougie esperamos que você e se resolvam de uma vez, já que finalmente a Georgia-cara-de-bunda-Horsley saiu do seu caminho.
- Eu também espero, mas do jeito que as coisas estão meio tensas, tudo pode acontecer. – Suspirei. – Ou não.
O esquema de segurança seria o mesmo do dia anterior: Disfarces e Will nos vigiando de longe. Pagamos nossas entradas e entramos no parque, indo até o jardim que ficava em frente a uma construção semelhante a uma mansão, com o nome “Magic Kingdom” na parte frontal.
Esperamos poucos minutos, até que vimos duas garotas visivelmente perdidas na multidão que passava pelas catracas e adentrava o parque.
- Perdidas, mocinhas? – Tom perguntou quando nos aproximamos delas.
- Na verdade, sim... – começou a falar, até ver a pessoa que lhe dirigia a palavra. – Sem graça, e eu pensava que era um ser gentil e amável que nos ajudaria nessa muvuca.
- Assim você até me ofende, sabe. – Tom fez cara de cachorrinho abandonado. – Acho que vou pra o hotel e chorar um pouco.
- Se quiser, eu te empresto uns lencinhos. – respondeu, e os dois riram.
- Sou só eu ou estamos os três sobrando aqui? – Perguntou Dougie, e e eu concordamos.
- Ah, cala a boca. – Tom deu um leve empurrão em Dougie com o ombro e corou um pouco. – Vamos logo, talvez aqueles dançarinos estejam se apresentando agora.
Nós andamos durante um bom tempo, e Dougie, Tom e conversavam sem parar. Eu e ficamos mais para trás, deixando o silêncio pairar desconfortavelmente entre nós.
- Então, o que vocês fizeram antes de virem para cá? – perguntou, olhando para mim e para com o canto dos olhos.
- Ah, eu e o Tom dormimos antes de levantar para nos arrumarmos. – Dougie respondeu enquanto observava algumas casas a nossa volta. Estávamos chegando ao jardim central do parque, que ficava de frente para o castelo da Cinderela.
- E o Danny resolveu dar o fora na Horsley. – Tom deu de ombros.
Antes disso, andava ao meu lado tranquilamente, mantendo seu olhar no chão e ocasionalmente olhando em volta. Mas quando Tom falou isso, ela levantou a cabeça repentinamente e olhou para meu irmão, esperando que ele continuasse.
- Sério? E como isso aconteceu? – continuou. Pelo tom dela, percebi que ela, Tom e Dougie tinham planejado toda essa conversa.
- Acho que ele finalmente resolveu ouvir o coração. – Tom fechou o punho e levantou-o, como alguém determinado a fazer algo [n/a: influência de desenhos japoneses. Abafem]. Óbvio que era uma grande zoação.
- Essa foi profunda. – Dougie comentou, dando um risinho.
- É verdade, Danny? – começou a andar de costas, olhando para mim com um sorriso estranho no rosto. – Você terminou mesmo com a Georgia?
- Pode apostar. – Respondi, sorrindo para ela. – Georgia Horsley agora é passado.
- Legal. – olhou de relance para e voltou a andar normalmente. – Então, tem algum filme decente passando no cinema esses dias?
Apesar de tudo, para mim não parecia ter mudado o humor. Ela voltou a olhar para os pés enquanto caminhava, parecendo mais avoada que antes. Parecia ser frustração. Mas com o quê?
Chegando ao enorme castelo, ficamos assistindo a apresentação dos personagens da Disney, que dançavam e cantavam no palco em frente ao monumento. Em minutos, o show havia acabado e estávamos andando para a Adventureland.
- O que tem aqui para fazer? – perguntou. Ela agora andava entre e Dougie.
- Você gosta de Piratas do Caribe? – Perguntou Tom.
- Sim, por quê?
- Acho que você vai gostar então.
Nós fomos a uma espécie de excursão por alguns cenários de Piratas do Caribe, chegando a andar em um barquinho no fim. Os bonecos que representavam os atores eram bastante reais, alguns semelhantes a pessoas de verdade. As garotas ficaram fascinadas pela apresentação, tirando muitas fotos e filmando algumas partes.
parecia estar se divertindo, apesar do seu jeito avoado e aparentemente frustrado. Ela sorria regularmente, mas não era o sorriso que eu amava. Era um sorriso fraco, sem vida, sem ânimo. Algo vazio.
Depois de Piratas No Caribe, fomos até o Frontierland, onde havia um brinquedo chamado Splash Mountain. Acho que pelo nome já dava para perceber que tinha água no meio.
- Deixa eu ficar na frente? – pedia incessantemente.
- Mas daí você vai se molhar mais que todo mundo. – Advertiu Dougie.
- Isso é o divertido! – Tom respondeu, passando seu braço pelos ombros de . – Se você vai num brinquedo de água e não se molha, não vale à pena!
- Vocês dois vão na frente então. – Eu falei, sorrindo para eles. – E divirtam-se ficando encharcados pelo resto do passeio.
- Só não vale reclamar depois. – complementou.
- Sem problemas. – respondeu, dando de ombros. – Eu não estou de blusa branca e vim de biquíni por baixo da roupa. Além de estar usando esse short de ginástica, que nem vai ficar molhado por muito tempo.
Tom olhou para ela, cauteloso. Ele não havia tomado tais precauções, uma vez que usava uma blusa branca e calças jeans escuras. Mas parecia que para ele pouco importava seu estado após o brinquedo, desde que ficasse ao seu lado.
- Eu não quero me molhar de maneira alguma. – falou, cruzando os braços. – Como o carrinho é de 6 pessoas, eu vou no último banco.
- Eu também. Eu vim de camiseta branca e ao contrário do Tom, não quero me expor dessa maneira. – Eu respondi, fazendo todos, menos Tom, rirem.
- Eu vou no meio só para molhar um pouco. Nada muito exagerado. – Dougie falou.
E assim, fomos no brinquedo.
A distribuição dos lugares foi a seguinte: Tom na cadeira frontal direita, e na cadeira frontal esquerda. Atrás de , Dougie estava sentado sozinho, com o banco ao seu lado vago. Atrás do tal banco vazio, eu estava sentado, e ao meu lado estava .
parecia estar travando uma luta interna. Quando íamos nos sentar nos bancos, ela hesitou em se sentar ao meu lado, mas depois consentiu, parecendo resignada.
- Não quer estragar a chapinha? – Eu perguntei quando nos sentamos na última fileira e colocamos os cintos.
- É mais pelo fato de ter que ficar o dia inteiro com roupa molhada. – Ela respondeu sem olhar para mim.
- Medo de pegar gripe? - Também. Eu fico doente muito fácil. – continuou sem olhar para mim.
- Somos dois então. – Eu sorri para ela, sem receber resposta. Suspirei e voltei a ficar quieto.
Quando o “barco” começou a se mover, Dougie começou a conversar com Tom e sobre qualquer coisa inútil. Eu já estava pensando no que fazer quanto a .
Afinal, o que ela queria mais de mim? Eu acabara de terminar com a Georgia simplesmente para ficar com ela e mesmo assim ela continuava me ignorando como se eu fosse um garoto qualquer. Será que eu era um garoto qualquer para ela? O que ocorreu há dois anos não passara de curtição?
Simplesmente não pude me segurar.

Capítulo 16

- Afinal, , o que você quer de mim? – Eu perguntei, frustrado, e ela pareceu ter sido pega de surpresa.
- Como?
- O que você quer de mim, ? – Eu virei meu rosto para ela. Seus olhos estavam fixos nos meus e sua expressão parecia perplexa e, ao mesmo tempo, receosa. – Eu acabei de terminar com a Georgia e você continua me ignorando. Por quê?
- Er... Eu não estou te ignorando, Daniel. Não sei do que você está falando.
- Ora, , é claro que sabe.
- Não, não sei. – Ela voltou a olhar para frente. Percebi vagamente que o barco estava subindo. – Ultimamente, a única coisa de que eu tenho certeza é o fato de que somos amigos. E nesses últimos dias, esse fato me pareceu a mais pura verdade.
Ela falou amigos com tanta amargura...
- E de onde você tirou isso? – Cara, às vezes eu gostaria de pensar um pouco mais antes de falar qualquer coisa.
- Lembra-se, Daniel? Eu estava te prendendo, e não venha falar que é mentira. – Ela virou-se para mim ríspidamente. – Falei para sermos só amigos. A maior merda que já falei em toda a minha vida. Somos só amigos, você continuou vivendo sua vida, como eu falei. – então completou baixinho. – Acho que fui burra demais pensando...
- Pensando...? – Perguntei.
- Pensando que, quem sabe, você não me ouviria. Você me esperaria. Mas eu não te culpo, Daniel. – Ela olhou para mim. – Eu é que fui ingênua demais. Para variar um pouco.
Ingênua?
- Pelo amor de Deus, . Você não foi ingênua. Eu não ficaria com ninguém, não ia realmente te ouvir. – Eu falei a mais pura verdade. Estava na hora de deixar tudo isso sair. – Eu ficaria te esperando pelo tempo que fosse. Mas infelizmente... eu não sei explicar. Eu não sei por que eu comecei a sair com a Georgia. Eu não consigo explicar.
Ela ficou apenas me observando. Droga, por que ela tinha que ficar tão calada?
- Mas o que realmente importa é o agora, .
- Não, não é, Daniel. – Ela suspirou. – O futuro também importa.
- Como assim, ? – Eu perguntei. Realmente não havia entendido direito o que ela quisera dizer com isso. Ela virou-se para frente e ficou olhando para suas mãos.
- Lembra-se que em 4 dias eu vou voltar para o meu país? Lembra-se que moramos em países diferentes? A milhas e milhas de distância? E vou sofrer mais do que qualquer outra pessoa nesse mundo? Tudo porque eu tinha que ter me apaixonado por alguém tão impossivelmente perfeito quanto você?
Seus olhos começaram a se encher de lágrimas, seu nariz começou a ficar avermelhado e ela agora mordia o lábio inferior quando parava de falar.
- O futuro também importa, Danny. Porque, para nós, não há futuro.
Aquilo me acertou como uma facada.
- Realmente acha que quem vai sofrer mais será você? , óbvio que você não vai sofrer mais! Eu sou a causa da nossa separação, lembra? Você acha que toda noite antes de dormir eu não penso nisso? Não penso que se eu fosse normal, eu poderia continuar com você? Eu teria, assim, um futuro com você? É óbvio que eu penso nisso!
- Esse não é o ponto, Danny. – Ela negou com a cabeça. – E se você fosse normal, Daniel, nunca teríamos nos conhecido.
- Mesmo assim, , se eu fosse normal teríamos sim futuro...
- E daí? De qualquer maneira, você não é normal, Daniel. E ficando ou não juntos, eu voltarei para o Brasil e você para a Inglaterra. E tudo de novo. – Mais lágrimas descendo por suas bochechas. – Toda a angústia. Toda a tristeza. Todas as feridas que antes eu havia lutado para curar agora vão se abrir, formando novamente a cratera em meu coração que me aterroriza todas as noites antes de dormir.
Senti algo molhado descer pela minha bochecha também. Droga, eu estava chorando, por que tudo isso tinha que ser tão complicado?
- Eu não quero perdê-lo novamente, Daniel. – Ela abaixou a cabeça, acenando negativamente. - Perder alguém uma vez já é horrível, mas duas vezes? É tortura.
- Mas ...
Infelizmente, antes que eu pudesse falar qualquer coisa mais, o carrinho desceu a uma velocidade incrível. E para a minha incrível sorte, Thomas se abaixou na hora em que estávamos incrivelmente caindo, fazendo uma incrível quantidade de água espirrar em (adivinha em quem?) mim.
levou um susto quando começamos a descer e por reflexo agarrou minha mão, que estava apoiada no braço do assento. Quando nossa pele se tocou um arrepio correu por meu braço, e percebi que pelo dela também. Mais uma vez.
Com isso, nem me importei com o fato de estar totalmente encharcado por culpa do Tom.
havia tocado minha mão, e mais uma vez a sensação de sua pele contra a minha era incomparável. Durante toda a descida, a mão dela continuou apertando a minha sem ao menos vacilar, ela parecia ter sido surpreendida pela queda repentina.
Quando o carrinho voltou a andar em linha reta, e Dougie olharam para mim e começaram a rir.
- Ah... brilhante Tom! – Falou , colocando os braços na barriga. Ela estava rindo muito.
- Eu sei. – Ele levantou-se e começou a examinar a própria roupa, procurando por algum sinal de água. – Ótimo, estou intacto.
- Que bom, Thomas, porque EU NÃO ESTOU. – Eu respondi, os fazendo rir ainda mais. O barco finalmente parou e antes que eu pudesse terminar o que ia dizer para , ela já havia soltado o cinto e ido embora.
- ! – gritou enquanto soltava o cinto e foi atrás da amiga.
- De novo Danny? Você não cansa de fazer a garota chorar não? – Dougie perguntou enquanto soltava o cinto também. Saímos do barquinho rapidamente e fomos caminhando na direção de uma barraca de sorvete.
- Você não ouviu nada, Dougie? Não ouviu o que ela falou? – Eu perguntei. Havia um lado bom em estar molhado dos pés a cabeça: não parecia mais que eu estava chorando.
- Ouvi tudo, mas preferia ouvir de você.
- Eu não ouvi, então pode ir falando. – Reclamou Tom enquanto nos sentávamos em uma mesa do quiosque de sorvetes. Óbvio que ele não ouviu, estava ocupado demais dando em cima da .
Resumi rapidamente para eles o que eu e havíamos conversado.
- Definitivamente você foi um idiota. – Tom falou, cruzando os braços.
- Mas...
- Não venha dizer que a culpa foi da ! – Dougie me reprimiu, e eu fiquei quieto. Era exatamente o que eu ia fazer.
- Não é bem isso... a tem culpa, mas não inteira. – Tom comentou. – Mas afinal, Danny, você não conhece as mulheres? Elas quase sempre não querem dizer o que falam!
- Nossa Tom, esses dias suas escolhas de palavras estão ótimas...
- Ele quis dizer que a pode ter falado aquilo, mas ela não estava falando de verdade. – Dougie tentou explicar. – Quando ela falou para vocês só serem amigos, ela não queria isso, mas falou para não se sentir culpada por “tomar sua vida”, entende?
- Obrigado pela tradução, Dougie. – Falei baixinho enquanto passava a mão pelo meu cabelo.
Ótimo, além de ficar com a calça molhada pelo resto do dia, ainda ficaria com essa blusa branca encharcada, deixando à mostra meu tórax [n/a: EU QUERO \O/] e com frio.
Maravilha.
- Danny, não adianta. Já está feito. Agora a única coisa que você pode fazer é reparar seu erro.
- Pode apostar, Tom, eu vou reparar. Nem que seja a última coisa que eu faça.
- Larga de se achar o herói da história, Danny. – Dougie revirou os olhos, fazendo Tom rir baixo.
Vi ao longe uma pessoa correndo em nossa direção, e em poucos segundos reconheci a . Infelizmente não veio junto com ela.
- Cadê a ? – Perguntou Dougie quando a garota chegou ao nosso lado, arfando.
- Ela... ainda... tá... ufa... no banheiro. – Ela levantou a cabeça e colocou as mãos na cintura. – É impossível tirá-la de lá. Ela falou que só sai quando um milagre acontecer.
- Parece que esse milagre vai vir mais cedo do que ela planejou. – Tom respondeu, sorrindo. – Nós vamos falar com ela.
- No banheiro feminino? – levantou uma sobrancelha.
- Por incrível que pareça. – Dougie suspirou e depois virou-se para mim. - Está vendo, Danny, o sacrifício que a gente faz por você?
- O mínimo que o senhor podia fazer é facilitar nosso trabalho. – Tom reclamou, depois deu as costas e, junto com Dougie, foi até o banheiro feminino.
- Eu me pergunto como esses dois vão entrar naquele banheiro. – Comentei, fazendo sorrir por um momento. Logo depois ela ficou séria novamente, me olhando dentro dos olhos. – O quê?

Capítulo 17

- Não sei. – Ela respondeu sarcástica, suspirando. Ela então se sentou à mesa, cruzando os braços sobre a mesma e pousando sua cabeça.
- O quão mal ela está? – Eu perguntei depois de me sentar.
- Já a vi pior. – Ela respondeu, levantando a cabeça e dando de ombros.
- Como assim? – Havia algum jeito de ela estar pior do que aquilo?
- Ah, Danny, Danny, Danny. – balançou a cabeça negativamente. – Realmente você não entende, não é? A realmente sofreu muito durante esses dois anos. Muito mesmo.
Peguei uma pequena parte da minha blusa e a torci, deixando algumas gotas de água caírem no chão. Eu tinha a impressão de que ouviria algo que não seria agradável. Nada agradável.
- Quando você foi embora... cara, foi a pior época. De todos os anos que eu a conheço, nunca a vi tão mal. – continuou. – Ela passou a primeira semana basicamente se recusando a comer qualquer coisa, por sorte eu consegui enfiar alguns doces pela goela daquela louca.
“Na segunda semana, ela estava um pouco melhor, mas só porque você havia ligado para ela e tal. Aos poucos foi melhorando, mas eu sempre percebi que, quando ela via algum pôster ou ouvia uma música de vocês, seus olhos se enchiam de lágrimas e ela cruzava os braços, apertando-os com as mãos.”
Senti como se meu estômago estivesse se revirando dentro da minha barriga, uma sensação já conhecida. Era como eu me sentia quando acabava de falar com ao telefone, na internet. Era a angústia, velha companheira.
- Daí a partir do 3º mês ela voltou à rotina, e posso dizer que os pais dela ficaram super aliviados. – deu um meio sorriso. – fazia de tudo para não chorar na frente de ninguém com exceção a mim. E ela se esforçava para voltar a sorrir, a sair comigo e com nossos amigos de antes, a estudar novamente. Ela foi forte.
“Foi então que em abril do ano passado, ela começou com uma história de ‘O Danny está preso a mim, ’ e ‘Eu me sinto mal por isso, estou impedindo-o de viver a vida dele’ e esses blás blás blás. Não sabia o que dizer a ela, até que um dia ela me ligou chorando, dizendo que havia terminado com você. Eu me senti impotente, afinal, ela é a minha melhor amiga e eu não podia fazer nada por ela.”
Lembrei-me da tristeza que senti ao ouvir aquelas palavras de . Como aquilo doeu em mim, como me fez sofrer e ficar dias depressivo a ponto de ter que cancelar três shows. Lembro dos caras tentando me consolar e me ajudar. Lembro de como foi difícil.
- Foi praticamente a mesma coisa de quando você foi embora, a única diferença mesmo foi que ela tinha que continuar a estudar, afinal, ela tinha que passar no vestibular para entrar em uma escola super boa lá no Brasil. – encostou o queixo nos braços cruzados sobre a mesa. – E ela passou no meio do ano.
“Com a faculdade ela não tinha muito tempo para ficar triste, e eu sinceramente agradeci por isso. é uma pessoa forte, mesmo sendo chorona do jeito que é.”
sorriu e eu apenas meneei com a cabeça.
Lembrei-me de nossos últimos momentos, há dois anos atrás, quando ela chorou pela maior parte do tempo.
- E, graças a Deus, ela não soube do seu namoro com a Georgia Horsley. – comentou. – Estava tão ocupada com a faculdade que não tinha tempo para ficar de olho em fofocas e essas coisas. Mas foi um choque tremendo quando ela te viu com a Georgia no aeroporto, eu podia sentir que ela queria simplesmente sair correndo e voltar para o Brasil.
- Mas por que ela me avisou que viria afinal? Porque você a deixou fazer isso? Se ela estava sofrendo tanto antes? – Perguntei. – Porque a deixou continuar a falar comigo como “amigos”?
- Eu não posso controlá-la, Danny. – deu de ombros. – Ela é realmente alguém imprevisível e eu não tenho autoridade alguma para mandar nela. Sou apenas uma amiga, que está lá nos momentos difíceis e dá conselhos.
Eu entendia perfeitamente o que falava.
- O que você sugere que eu faça? – perguntei enquanto esfregava meus olhos.
- O óbvio: fale com ela. Só não faça promessas vazias, pelo amor dos céus. – sorriu para mim. – Apesar de ter te xingado algumas vezes em pensamento por ter feito minha amiga chorar tanto... você é um cara legal.
- Obrigado, eu acho. – Sorri de volta para a garota. – Você também é legal. Te acho uma ótima pretendente para o Tom.
- Ah, cala a boca! – ficou vermelha e me deu um tapa de leve no braço. – Agora vamos, acho melhor irmos procurar os outros. – Ela abaixou seu olhar para minha blusa molhada e sorriu. - A propósito, belo tanquinho.
Depois de ficar vermelho e fazê-la rir um pouco, nos levantamos da mesa e começamos a andar em direção ao banheiro, mas antes de chegar o celular de começou a tocar.
- Alô?... Oi, Tom... Aham... O QUÊ??? – Ela gritou de repente, o que me assustou de verdade. – Ah... Ah tá... Tom, não me mata assim de susto!... Tá... Okay, bye. – Ela desligou o telefone. – A já foi para a casa da minha tia.
- Ótimo, vamos lá que eu vou falar com ela. – Eu respondi, recomeçando a andar, mas parou na minha frente com os braços abertos, impedindo minha passagem. – Você sabe muito bem que eu posso te atropelar, né?
- Mas não vai. – Ela levantou uma sobrancelha. Novamente. – Você vai encontrar com seus amigos na porta do banheiro feminino e vocês vão para o hotel. Amanhã ela vai estar mais calma, daí sim você fala com ela, entendeu?
- Sim, senhora. Mais algum desejo? – Eu bufei, fazendo-a sorrir. Tudo o que mais queria era falar com a , ficar de bem com ela de uma vez por todas. Eu sentia falta de sorrir ao lado dela, de beijá-la e abraçá-la. Droga, estava ficando meloso demais [n/a: sei que sou melosa, tá...].
- Além disso, você ‘tá encharcado. Vai logo para o hotel se trocar, dude. – Ela colocou a mão no meu ombro, depois a retirou rápidamente e a secou discretamente no short. – Eu vou indo. Vejo você amanhã.
- Até lá. – Eu respondi enquanto saía correndo na direção da saída do parque. Mas antes que ela desaparecesse, ela se virou para mim.
- E toma cuidado aí, alguém pode querer lavar roupa nesse tanque!

Capítulo 18

Depois de ficar vermelho mais uma vez e observar a amiga de minha amada sair do parque rindo bastante, fui andando em direção ao banheiro feminino e pensando em alguma maneira de fazer uma surpresa para .
Fazer uma música? Não, já fizera isso. Uma serenata? Também já havia feito. Subir na janela dela? Vão pensar que sou ladrão. É, realmente teria que fazer do jeito tradicional.
Chegando ao banheiro, Dougie e Tom estavam conversando com um homem alto com roupas de policial. Eles realmente haviam entrado no banheiro feminino e, pelo jeito, haviam sido surpreendidos por um policial que deveria ter ouvido algumas garotas comentarem algo sobre “garotos no banheiro feminino”. Dessa eu riria eternamente, mas só quando estivesse bem de espírito. Agora eu tinha coisas mais importantes com o que me preocupar.
- ...E além disso, eu posso muito bem prendê-los – Falava o policial, seu rosto já vermelho.
- Não senhor, não será preciso! Já estamos indo embora. – Eu falei, colocando a mão no ombro do policial. – Esses dois estavam apenas ajudando minha amiga, mas agora já está tudo bem. Vamos, Tom, Dougie?
Nem permiti o policial continuar com o discurso, já puxando eles dois, espertos em pessoa, para a entrada do parque.
- Cara, nem tenho como te agradecer. – Tom respondeu, dando uns tapinhas nas minhas costas. – Ele ainda ia ficar uma hora ali falando abobrinhas sobre direitos das mulheres e blá, blá, blá.
- Tem sim. Liga para a empresa de táxi, limusine, whatever. Vamos voltar logo para o hotel.
- O que, ‘tá com vergonha da barriguinha exposta? – Dougie perguntou e eu senti minhas bochechas queimarem levemente. Eu havia praticamente me esquecido da camisa branca que me expunha desagradavelmente.
- Você é que deveria ficar com vergonha, acabou de ser pego entrando no banheiro feminino! – Isso o fez ficar quieto.
Continuamos caminhando para fora do parque, só que agora eu estava com os braços cruzados em frente ao peito tentando manter uma pequena parte coberta. Tudo isso por culpa de Tom. Pegamos um táxi normal e voltamos para casa, onde Fletch e Frankie esperavam por nós. - Hey, como foi o parque... DANIEL, PORQUE VOCÊ ESTÁ TODO MOLHADO? – Fletch reagiu melhor do que eu imaginava. - Pergunte ao meu querido amigo Thomas. – Eu respondi, dando de ombros. – A culpa é toda dele. Agora, se me dão licença, estou me sentindo muito cansado... Acho que vou dormir.
- Mas ainda nem almoçamos! – Fletch exclamou, parecendo preocupado. Ele sabia muito bem que na nossa idade, quando chegava a hora do almoço nós mal aguentávamos esperar pela comida.
- Estou sem fome. Vou para o quarto, quando voltarem me avisem. – Eu falei baixo, me sentindo mais cansado do que o normal. Estranho, eu não estava sentindo tanto cansaço assim mais cedo. Agora eu estava até ficando arrepiado por causa das correntes de ar que vinham ao encontro do meu corpo molhado!
Pedi as chaves do quarto e subi rápido pelo elevador. No quarto, tomei um banho quente e troquei minhas roupas encharcadas por roupas secas e, a meu ver, quentes. Mas mesmo assim continuava com frio, e o ar condicionado nem estava ligado.
Fui para a cama, onde fiquei deitado durante um tempo embaixo dos cobertores para tentar me aquecer. Por incrível que pareça, eu continuava me sentindo cansado. O que estava acontecendo comigo, afinal?
Mas só quando eu espirrei pela primeira vez que eu entendi. Eu estava ficando doente, coisa que acontecia frequentemente depois de tomar banho de água gelada. Tudo o que eu precisava naquele momento.
Os resfriados, apesar de não ser surpresa para mim, não chegavam tão depressa quanto esse. Acho que eu já estava ficando doente antes de hoje, mas a água gelada acelerou bastante o processo.
Tudo o que eu fazia para melhorar desses resfriados era simplesmente tomar chá e dormir. Não havia muito que fazer, uma vez que resfriado não tinha cura.
Eu não podia ficar doente! Como eu poderia falar com amanhã? Os meus resfriados geralmente duravam uns quatro dias ou mais, o tempo praticamente exato que a ficaria aqui!
Não havia jeito, eu teria que me arrastar até a casa da tia da amanhã para falar com minha amada. Além de estar muito cansado hoje, a me advertiu para não ir até lá. Droga.
Entre um ou outro espirro, finalmente consegui dormir.
Mas, para variar um pouco, meu sono não foi pesado e tranquilo, e sim leve e perturbado. A cada dez minutos eu tinha que acordar para espirrar e umas sete vezes alguém entrou no quarto e me chamou para fazer alguma coisa. Apesar de não entender nada, eu havia sido meio acordado.
A partir de certo horário eu consegui dormir melhor, tendo até um ou dois sonhos.
Quando acordei novamente, senti minha garganta latejar e meu nariz estar meio entupido.
Esse resfriado estava mais forte do que qualquer outro.
Olhei a minha volta e nas duas camas ao meu lado, não havia uma alma viva. Levantei-me devagar, sentindo o cansaço voltar e um calafrio percorrer minha espinha. Como estava frio aquele quarto! Levei o cobertor junto comigo e desliguei o maldito ar condicionado. Ótimo, isso deve ter piorado muito mais meu resfriado.
- Aleluia acordou! – ouvi a voz de Frankie atrás de mim. – Já era hora, né Danny?
- Como assim? Que horas são? – perguntei, desnorteado.
- Meio dia. – Frankie respondeu enquanto entrava no quarto e sentava na cama de Tom. – Você praticamente dormiu durante um dia inteiro. Tom e Dougie foram até a cobertura do hotel enquanto meu pai foi sei lá onde.
- E você não foi por quê? – Eu perguntei.
- Papai me mandou ficar de olho em você. – O pirralho se levantou da cama e foi para o outro quarto, que era conjugado ao nosso. – Além disso, estou assistindo desenho.
- Tinha que ser... Espera aí. Meio dia?! – Droga. Eu passei o dia anterior inteirinho dormindo, além da manhã inteira. Eu tinha que ir até a !
Apesar dos meus pés estarem congelando assim como a maior parte do meu corpo e o cansaço extremo que sentia, fui até minha mala e peguei algumas roupas para poder me trocar. Óbvio que roupas de frio.
- Cheguei! – Droga, Fletch chegou, o que tornava minha fuga impossível. Ele era o primeiro a perceber quando estava doente. – Franklin, Daniel já acordou? - Já, ele ‘tá trocando de roupa. Pai, vem ver o desenho comigo? – Franklin! Traístes teu próprio irmão? Bom, isso só seria possível se ele fosse meu irmão, então nessas circunstâncias. AH chega ! - Daniel! – Fletch chamou quando entrou no quarto. – Por que você está trocando de roupa? - Eu... vou sair. – Mentir para ele nunca dava certo mesmo. Bom, na maior parte das vezes que eu tentava ele descobria. – Tenho que ir ver a .
- Nada disso! – Ele entrou no banheiro quando eu estava abotoando minha camisa. – Oh meu Senhor, como você está pálido! Nem pense em sair doente do jeito que está!
- Pálido? – Fui até o espelho e me olhei. Realmente, eu estava pálido e havia algumas gotas de suor se formando no topo da minha cabeça. Suando frio. – Que isso Fletch, eu nem estou tão pálido assim.
- Pensa que eu nasci ontem, é? Você não vai sair para nada, vai ficar de cama o dia inteiro! – Ele me arrastou de volta para a cama e me cobriu novamente com vários cobertores.
- Mas a ...
- Sem mais nem menos e nem meio termo. Você vai ficar. – Ele me olhou sério. – Eu vou pedir para prepararem um chá de ervas para você, daqui a pouco Tom e Dougie voltam para te fazer companhia. Infelizmente, eu tenho que sair de novo mais tarde, preciso resolver algumas coisas com a gravadora.
Ele foi andando até o outro quarto, mas antes de sair parou e se virou para mim.
- E nem pense em sair, nem que seja para ver o Papa. – Fletch me encarou sério por pouco mais de um segundo e depois saiu do quarto.
Geralmente eu me sentiria muito, mas muito mal por estar enganando ele. Mas dessa vez a causa era urgente e nobre.

Capítulo 19

Passei a tarde inteira sendo vigiado por Fletch e o pirralhinho, até que, no fim da tarde, Tom e Dougie chegaram vermelhos como camarões e brancos na área em volta dos olhos. Muito comédia.
- Aleluia vocês chegaram! Passei a tarde inteira ouvindo o Frankie rir de algum desenho! – Eu reclamei, fazendo os dois darem um meio sorriso.
- Sei que nós somos muito importantes, mas a culpa é sua se você ‘tá todo dodói! – Tom deu uns tapinhas na minha cabeça, o que me irritou levemente. – E aí, o que vai fazer quanto a você sabe quem?
- Preciso da ajuda de vocês. – Murmurei apenas para eles dois ouvirem. – Fletch vai sair daqui a pouco junto com o Frankie, daí a gente pode ir até a casa da tia da ...
- Mas cara, você ‘tá doente. Como você vai até lá se mal se aguenta de tanto frio? – Dougie me perguntou baixinho.
- Cara, eu não estou bem, mas vocês sabem que o terceiro dia é sempre o pior para mim e hoje já é o segundo. Se eu mal me aguento hoje, amanhã eu não aguentarei mesmo! Eu tenho que ir hoje ou a vai embora e nós vamos ficar assim. Eu não posso mais aguentar isso.
Tom e Dougie ficaram em silêncio e depois de um momento concordaram com a cabeça. Antes que pudéssemos planejar como iríamos à casa da tia da , Frankie apareceu na porta.
- Creio que eu tenha uma informação que possa interessá-los, senhores. – Frankie falou, deixando a mim e aos bobocas do meu lado de queixo caído. Desde quando aquele pirralhinho falava daquela maneira?
- Qual sua proposta... Frankie? – Dougie perguntou depois de se recuperar dessa cena, no mínimo, estranha. Frankie veio até nós com as mãos cruzadas atrás das costas e um meio sorriso no rosto.
- Eu posso muito bem contar para papai o que vocês vão fazer hoje. – Nossa, não sabia que Franklin tinha uma mente tão malfeitora. Ele estava prestes a estragar a única possibilidade do amigo conseguir reconquistar o amor da vida dele e mesmo assim parecia não se importar. – Mas eu não vou.
- E você veio nos contar isso por que...? – Tom perguntou.
- Porque eu só não vou contar com uma condição... – Ele cruzou os braços em frente ao peito e olhou principalmente para mim. – Eu quero ir com vocês.
- Não. – Tom, Dougie e eu respondemos juntos, na lata. Óbvio que ele não iria, afinal, o que ele faria no meio daquele rolo todo?
- PAAI! – Ele gritou para a porta e Tom pulou em cima dele, tapando sua boca. – MmmMmmM MMmmMm...
- Frankie? – Fletch apareceu no quarto e Tom soltou o pirralhinho rápido. – O que aconteceu?
- Ah Fletch, a gente só ‘tava brincando com o nosso querido mascotinho. – Tom levantou Frankie e apertou suas bochechas, fazendo Dougie e eu rir. – Não há nada acontecendo de errado.
- Não é v...
- Aceitamos, Franklin! – Eu falei antes que ele terminasse.
- Aceita o que, Daniel? – Fletch olhou para mim com desconfiança.
- Aceito brincar com nosso mascotinho querido. – Sorri. Às vezes, penso que eu deveria me dedicar mais à minha carreira de ator, se eu conseguia enganar Fletch... conseguiria enganar até um leitor de mentes.
- Ah... bem, desde que você permaneça embaixo dos lençóis, tudo bem. – Ele deu de ombros e saiu do quarto. Eu e o resto soltamos o ar repentinamente, aliviados.
– Muito bem, seu aprendiz de Poderoso Chefão, conseguiu o que quer. Mas pode me explicar o porquê dessa idéia de jerico? – Perguntei.
- Quero conhecer a . Eu tenho que aprová-la para você. – Frankie era realmente maléfico, cara. Sinistro. – Além disso, se eu ficar aqui com papai, acabarei indo às reuniões chatas.
- Tudo bem então. E qual seria a informação super secreta da qual você falou? – Dougie perguntou, sentando-se na minha cama e cruzando os braços.
Frankie se aproximou de mim e de Dougie, sendo seguido por Tom, e nós fizemos uma espécie de rodinha.
- Papai pediu ao recepcionista para ficar de olho em vocês três. Ele vai ligar para ele se vir vocês tentando sair do hotel. – Frankie parecia aquelas crianças que acabaram de descobrir o maior tesouro do mundo e estavam se gabando para todo mundo.
- Nossa, nem imaginávamos mesmo. Parece que estamos cercados de mentes malignas. – Tom sorriu para Frankie. – Valeu por nos contar, pirralho.
- Tudo bem, eu quero mesmo conhecer a . E também essa tal de da qual você tanto fala, Tom. – Frankie voltou para o outro quarto, nos deixando a sós para podermos bolar um pequeno plano de fuga. Mas eu sabia que, com a mente de Dougie, nós poderíamos passar facilmente para o lado de fora. Esse cara era brilhante para planos de fuga.
As mentes malignas da máfia McFly. Definitivamente se um dia eu ficasse velho demais para fazer parte de uma banda (se bem que, hoje em dia, você pode ter 70 anos na cara que ninguém liga...), vou lançar um livro com esse título. Aposto que vai se tornar um best-seller mundial!

(:

- Estarei de volta mais tarde. Comportem-se. – Fletch falou (ironicamente o final da frase) enquanto saía. Engraçado como ela olhava especialmente para mim, não?
- Vai com fé, Fletch. – Dougie sorriu para ele. Como ele podia estar tão calmo?
Além de estar preocupado e nervoso com tudo isso, sentia-me mais fraco que antes, todos os músculos do meu corpo doloridos e minha cabeça latejando, fora a garganta arranhando e o nariz entupido. Uma linda visão, não?
E dez mil vezes meus irmãos me perguntaram se eu não queria desistir por causa do meu estado de saúde. Óbvio que eu respondi não; Eu não desistiria da por uma simples gripe, resfriado, whatever.
- Então Danny, tem certeza de que você quer fazer isso? Você sabe tão bem quanto eu como Fletch vai ficar se descobrir. – Tava demorando para alguém perguntar.
- Dude, você ‘tá praticamente acabado com esse resfriado. A gente pode esperar até amanhã, daí você vai estar melhor e tal... – Dougie tentou me convencer. Mais uma vez.
- Gente, eu já falei. Assumo os riscos com Fletch porque a vai embora em 3 dias, e os meus resfriados geralmente ficam muito piores no terceiro dia, vocês sabem muito bem disso. Vamos logo.
Quando me sentei na cama, vi o quarto girar e me senti tonto. Dougie, que estava ao meu lado, colocou a mão nas minhas costas para me apoiar e ia começar um discurso sobre minha irresponsabilidade, mas o calei com um olhar.
Ele me ajudou a levantar e fui então trocar de roupa, colocando calças jeans, um suéter com uma blusa branca por baixo, sapatos sociais e óculos escuros que esconderiam minhas olheiras. Apesar de ter dormido bastante, as olheiras debaixo dos meus olhos pareciam se recusar a desaparecer.
- Venha, Frankie, vamos logo. – Tom chamou meu irmão mais novo enquanto nos dirigíamos para a porta. Cada passo que eu dava, sentia que ia desmoronar. Nunca havia me sentido tão cansado, nem quando terminávamos um show e muito menos com um resfriado.
Como William estava de folga hoje, seria mais fácil executar o plano de Dougie. Teríamos que ir pela garagem e subir pela rampa de acesso, evitando ser vistos por qualquer um. Lá fora, chamaríamos um táxi e iríamos para a casa de .
Simples e fácil.
Na teoria.
O que não esperávamos era que o recepcionista tivesse posto um vigilante na porta do elevador do nosso andar, apenas para vigiar nossos passos. Droga.
- Frankie, agora você vai ter que nos ajudar, pestinha. – Dougie chamou o pirralho. Ele explicou a Frankie um novo plano para podermos passar pelo vigilante, coisa que o garoto adorou.

Capítulo 20

- Como num videogame? – ele perguntou, animado.
- Exatamente. Agora vai lá!
É o seguinte: O andar onde estávamos era em formato de ‘T’, onde o risco vertical ( de baixo para cima) era o local do elevador e o risco horizontal (da esquerda para a direita) era o corredor dos apartamentos. [n/a: confuso, eu sei...]
Pois bem, nós estávamos em um desses corredores de apartamento, perto do ponto de encontro dos dois riscos. Frankie então saiu correndo em linha reta, passando por esse ponto e indo até o outro lado. Chegando lá, ele se sentou.
- AAAAAI! – Nosso irmão mais novo gritou. – Meu pé!
O vigilante não hesitou e correu para ajudar o pequeno, nem notando os três garotos que esperavam pacientemente atrás de uma pilastra. Quando o vigilante virou de costas para nós, andamos sorrateiramente até o elevador e apertamos o botão. No visor onde mostrava os andares, dizia que o elevador logo estaria perto.
- Garotinho, você ‘tá bem? – Ouvimos o vigilante perguntar, parecendo genuinamente preocupado.
- Acho que machuquei meu pé, tio. – Frankie também deveria pensar na carreira de ator. O garoto era bom.
Quando o elevador chegou, Dougie fez sinal positivo para Frankie enquanto entrávamos. - Bem tio, acho que já estou legal. – Nosso irmão mais novo levantou-se rápido e saiu correndo, entrando no elevador conosco. O vigilante ficou ali parado, apenas observando o garoto correndo em direção ao elevador aparentemente vazio.
Apertamos o botão e o elevador desceu, permitindo-nos voltar a respirar normalmente. A descida não demorou, e quando percebemos já estávamos caminhando pelo estacionamento sem nada com o que nos preocupar.
Apesar do meu sofrimento com todo esse movimento, eu não me permitia parar. Meu único objetivo em mente era encontrar e dizer-lhe o que deveria ter dito há dias atrás, beijar-lhe os lábios e saber que poderíamos ficar juntos novamente. Oh yeah, ser meloso rules!
Chegamos à parte externa e chamamos um táxi que passava ali perto por pura sorte. Entrando no carro amarelo, o motorista perguntou:
- Para onde?
Tom deu o endereço da casa da tia da e o carro recomeçou a andar, parando ocasionalmente em sinais e acelerando em pistas retas e não tão cheias.
- Cara, você deveria ligar para a . – Falou Dougie. Eu estava com a cabeça encostada no encosto da poltrona e com os olhos fechados, pensando na . Minha . Em pouco tempo, seremos só nós dois novamente.
- Para quê? – Tom perguntou.
- Ué, para avisá-la que estamos indo. Imagina se ela resolve sair com a ! Tanto risco e esforço para nada. Além disso, é bom que a saiba para nos ajudar com esse caso todo.
- O Danny tem razão, Dougie, você realmente serve para alguma coisa nesse mundo. – Tom piscou para ele e pegou o celular.
concordou totalmente em nos ajudar, inclusive iria armar a situação perfeita para mim e para :
Minha amada estava no quarto ouvindo música e deitada na cama, e faria o possível para mantê-la ali.
- Muito bem, Danny, vamos descobrir, afinal, se você é homem mesmo. – Tom comentou. - Aí está sua chance perfeita, não vá desperdiçá-la.
- Pode ter certeza de que não irei. – Eu murmurei. Não falei baixo porque estava falando comigo mesmo e sim porque isso tudo estava realmente acabando comigo. Minhas pernas latejavam assim como minha cabeça, sentia-me fraco e a garganta estava seca. O único fio que me segurava era .
Acho que devo ter dormido no meio do caminho, porque quando abri os olhos novamente estávamos entrando na rua onde a tia de morava Em poucos minutos, estávamos na frente da tal casa.
Dougie pagou o taxista e nós quatro saímos do carro, indo para o jardim da tia de . Quando Frankie ia tocar a campainha, apareceu e tapou o pequeno aparelho com a mão.
- vai descer se ouvir a campainha. – Ela explicou. – Entrem.
Cumprimentamos nossa amiga com um beijo, sendo Tom único que recebeu um abraço. Prefiro não gastar minha preciosa e escassa energia pensando nesse rolo.
- Esse é o famoso Frankie? – perguntou e se abaixou, ficando da altura do pirralho. - Muito prazer em conhecê-la, senhorita . – Frankie estendeu a mão. ignorou-a e deu um abraço no pequeno.
- Fala como gente grande, que precoce! – Ela falou quando o soltou. Frankie pareceu até feliz com o abraço: Mais um caindo na ladainha dessa .
- Mentes precoces são o que não faltam na minha familia. – Dougie respondeu com cara de convencido.
- Na minha, o que mais temos são mentes não-precoces. Um desastre. – respondeu rindo.
- Ah , não é assim. – Ouvimos uma voz feminina vinda da cozinha e uma mulher entrou na sala. – Não somos todos burros, a não ser meu irmão que por acaso é seu pai.
- Gente, essa é minha tia. Tia, esse é o McFly: Dougie, Danny, Tom e o mascotinho deles Frankie. – apontou para cada um na ordem, e nós apertamos brevemente a mão da tal tia.
- Desculpem-me pela falta de educação, mas infelizmente estou de saída. Tenho uma emergência no trabalho e não posso ignorá-la. – Ela sorriu. – Adeus, garotos. Foi um prazer.
A mulher saiu, deixando-nos sozinhos na sala.
- Ela é médica, por isso teve que sair assim de repente. – Explicou e depois olhou para mim. – Você não tem algo a fazer não?
- Sim, sim... – Eu respondi. – Onde fica o quar...
- Segundo andar, terceira porta à esquerda. – respondeu. Depois se virou para Dougie e Tom. – Ficar vermelho do sol e deixar a área em volta dos olhos branca é moda?

Capítulo 21

Fui até as escadas e as subi, tendo que parar no topo para recuperar meu fôlego. Conforme caminhava na direção do tal quarto, sentia meu coração bater furiosamente contra minhas costelas, minha boca ficou mais seca do que antes e minhas mãos começavam a suar frio.
Nervosismo? Mais que isso.
A porta do quarto era de madeira branca e cheia de desenhos esculpidos. Antes de bater, ouvi uma bela música que parecia vir do quarto atrás de mim.

“Can’t even feel your eyes on me
Want to know if you’ve forgotten at all
Can’t even feel you wanting to see
See my shape, my face, my eyes in nightfall”

Eu conhecia muito bem essa voz...

“Can’t even feel your hands holding mine
Want to know if you’ve forgotten at all
Can’t even feel your eyes’ old shine
Glowing my empty road so again I won’t fall”

Coloquei o ouvido na porta e ouvi uma fraca melodia de violão.

“Did I lose you once at all
As a falling star on the dark sky
Passes once and never shall be back
I can’t see it again passing by

I wish you were the sun, bright
So you could warm me with your smile
But you could never disappear at night
To stay with me for more than a while”


Abri a porta vagarosamente, tentando ao máximo não fazer barulho e fechei-a atrás de mim.
Sentada em um banquinho de costas para mim e perto de uma janela, estava sentada com um violão em seu colo. Ela continuava tocando.

“Will I ever feel your eyes on me again?
Want to know if you’ve forgotten at all
Can’t even feel you wanting to see
See my shape, my face, my eyes in nightfall”


Aproximei-me dela sorrateiramente.

“Will I ever feel your hands again holding mine?
Want to know if you’ve forgotten at all
Can’t even feel your eye’s old shine
Helping, so I won’t get lost under the nightfall”


Parei quando estava a centímetros de minha amada, podia sentir seu perfume àquela distância e o calor exalando de seu corpo. Pensei em abraçá-la pela cintura, eu necessitava tocá-la novamente, mas não podia fazê-lo: ela se assustaria.
- Desde quando você está aí, Daniel? – Ela parou de tocar repentinamente.
Oh céus. Ela me descobriu. Como?
- Apesar de ser transparente, a janela também pode servir como um espelho. Bem fraco, mas serve. – Ela até respondeu minha pergunta mental.
- , essa música é linda. – Eu comentei, colocando as mãos para trás e respirando fundo.
- Você não respondeu minha pergunta. – Ela revidou. – Há quanto tempo?
- Pouco. – Respondi baixo, sentindo minha cabeça latejar um pouco mais. – eu vim aqui porque...
Parei por um instante para olhá-la. Ela havia colocado o violão na capa e havia voltado para perto do banquinho, agora me encarando o tempo todo. E foi naqueles olhos onde achei a força e a coragem para falar tudo.
- , eu sinto muito por tudo isso. Sinto muito por tê-la feito sofrer tanto durante esse tempo.
- Mas você não sabe...
- Sim, eu sei. A me contou. – Eu a cortei sem agressividade. – Sinto muito por ter feito você passar por tudo aquilo com aquela nojenta da Georgia, sinto muito por tê-la envolvido nisso, sinto muito por distanciar-me de você, sinto muito por não te amar como deveria...
- Não, Danny. Você continuou sua vida.
- , , . – Eu sorri para ela. – Como ficar com a Georgia seria continuar minha vida...
Ela levantou o olhar e me encarou, seus olhos desta vez não estavam cheios de lágrimas.
- ... Se minha vida é você?
Ela continuou me olhando, percebi suas mãos apertando furiosamente seus braços e sua respiração ficar mais acelerada.
- Daniel, eu fiz uma grande besteira. Eu...
- Você falou para eu continuar com minha vida. E daí? Eu fiz duas besteiras enormes.
- E quais seriam elas? – me perguntou, deixando seus braços penderem ao lado de seu corpo.
- Uma foi ter começado a namorar a Horsley...
- E a outra?
- Não ter feito isso até agora.
E apesar do meu estado doente, do meu cansaço e da minha dor de cabeça, eu andei rápido até e a beijei.
Acho que esse sim foi o melhor beijo que já tive em minha vida. Nossos lábios se completavam com harmonia, passando de um ritmo lento para um mais apressado, necessitado. Era exatamente o que descrevia o beijo: nós dois necessitávamos disso mais que nunca.
Coloquei minhas duas mãos na cintura de , apertando-a contra meu corpo e acabando finalmente com a distância entre nós. Ela passou as mãos pela minha nuca, brincando com o cabelo daquela região.
Não sei quanto tempo passamos ali, aproveitando finalmente algo que nós dois queríamos há tanto tempo, mas sei que em um momento, o sol estava se pondo, e eu podia vê-lo pela janela do quarto.
Cortamos o beijo devagar, às vezes voltando a nos beijar entre sorrisos. Quando paramos de uma vez, encostei minha testa na dela.
- Você não sabe o quanto eu precisava disso. – Eu murmurei, fechando os olhos e concentrando-me na sensação da pele dela contra a minha. - Roubou as palavras da minha boca. – sorriu para mim e me deu um breve beijo. Ela então retirou uma das mãos da minha nuca e passou na minha bochecha e...
- POR DEUS! VOCÊ ESTÁ QUEIMANDO DE FEBRE! – Ela se distanciou de mim e colocou a mão na minha testa. Sua mão parecia estar fria. – COMO VOCÊ PODE PENSAR EM VIR AQUI DOENTE DESSE JEITO?
- Ai , eu estou bem... – Senti uma leve tontura provavelmente causada pelo esforço, e tentou servir de apoio para mim.
- Tom! Dougie! Venham aqui agora! – Ela gritou e eu teria rido por causa de seu tom se não me sentisse cansado demais até para respirar. Ela tentou me levar até o quarto ao lado, onde supostamente era seu quarto. Havia uma escrivaninha, uma cama e um armário. Não pude observar mais nada, já que quando caí na cama de , eu já estava dormindo.
O primeiro sonho que veio foi estranho. Parecia que estava conversando com minha mãe sobre algo, e Tom ficava rindo do que as duas diziam. Daí meu pai chegava com cachorros quentes e todo mundo começava a dançar.
O segundo sonho do qual eu me lembro era melhor. Eu estava no quarto onde havia dormido, e tudo estava escuro, sendo iluminado apenas por uma luz branca que vinha de fora da janela. Eu me levantei da cama olhando em volta, e meus olhos encontraram os de . Ela sorriu para mim e eu sorri de volta como um bobo apaixonado. Talvez eu fosse um mesmo.
Ela segurou minha mão e me levou para perto da janela, onde me mostrou as estrelas e a lua. Minha amada encostou a cabeça no meu ombro e eu a abracei, realmente feliz depois de dois anos.
Depois sonhei com outra coisa bem estranha. Eu e estávamos andando em um jardim de uma casa, e na frente da tal casa havia um casal adulto parado e olhando para meu amor.
soltou minha mão e correu até eles, abraçando-os forte. Ela olhou para mim e me chamou.
Quando fui na direção deles, a mulher me recebeu com um abraço, porém o homem me olhava com uma cara feia. Ele começou a falar algo, parecendo brigar comigo e com . discutia com ele, e em instantes tudo desapareceu em um piscar de olhos.
Então eu voltei a sentir tudo ao meu redor. Não ouvia nada à minha volta, mas sentia que em cima de mim estava um cobertor quente e pesado demais.
Devagar, abri os olhos e vi somente o teto do quarto de . Óbvio que eu me lembrava de tudo, como poderia esquecer?

Capítulo 22

Apoiei-me nos cotovelos e percebi que estava sem camisa alguma, só de calças e meias. Okeeeey, alguém me despiu. Espero que tenha sido minha mãe.
Esfreguei meus olhos e olhei para frente, não encontrando ninguém, mas quando olhei para o resto do quarto notei que havia alguém sentado em uma cadeira ao lado da minha cama. Era .
Meu coração bateu mais rápido ao vê-la e senti-me mais feliz que nunca. Nós havíamos nos reconciliado. Estávamos juntos novamente.
Coloquei as pernas para fora da cama e fiquei ali sentado, observando-a dormir serenamente, seus olhos fechados com leveza e sua respiração calma e estável. Ela havia encostado a cabeça na parede atrás de si e cruzado os braços em frente ao corpo. Fiquei apenas analisando cada pedaço de seu perfeito e maravilhoso rosto. Ela era linda.
- Vai continuar me observando mesmo?
- Não, agora vou tentar descobrir como você consegue ver coisas que estão às suas costas e quando você está de olhos fechados. – Eu respondi.
- Ninguém vai conseguir descobrir, eu tenho um dom sobrenatural – Ela sorriu e abriu os olhos. O maior espetáculo que eu poderia apreciar: seu verdadeiro sorriso estampado em seu lindo rosto, com os olhos combinando com o sentimento. Felicidade genuína.
- Eu vou fazer um esforço. - Ela levantou-se da cadeira e sentou-se na beira da cama, me observando. – O que foi?
- Você fica muito mais lindo quando está sorrindo de verdade, sabia? – sorriu para mim mais uma vez. – E não um sorriso “Finjo que estou bem”.
- E você não imagina o quão estonteante fica quando tem um sorriso estampado no rosto. – Sorri para ela e ficamos nos encarando. Dois idiotas apaixonados.
Finalmente eu a puxei gentilmente pela nuca e a beijei com calma. Agora nós teríamos todo o tempo do mundo, nada iria nos separar.
- Por favor, parem com isso, acho que vou vomitar.
A não ser Dougie Poynter. - O que foi, Dougie? – Perguntei pacientemente.
- Ah nada, só vim ver meu amigo praticamente em coma. – Ele colocou a cabeça para fora do quarto. – ELE ACORDOU!
- Adeus paz. – Eu murmurei, fazendo sorrir e se levantar, vindo se sentar ao meu lado. Acho que eu poderia passar a eternidade admirando seu sorriso, seu rosto, seus gestos.
- Ei eu estou aqui. Não vão começar a se beijar de novo. – Dougie reclamou enquanto vinha até nós e colocava uma bandeja de comida na mesa de cabeceira ao lado da cama. – Para de olhar a garota como se ela fosse um... sei lá... uma comida deliciosa.
- Vou tomar isso como um elogio, Dougie. – sorriu para ele e pegou um pão, partindo-o ao meio. – Vai querer, Danny?
Meu estômago roncou: não havia percebido que estava com tanta fome.
- Acho que isso é um sim. – riu baixinho e entregou-me um pão inteiro, que ataquei sem dó nem piedade. Em pouco tempo, todos os habitantes da casa estavam entrando no quarto.
- Danny! – Fletch gritou quando viu que eu estava acordado e veio correndo ao meu lado. – Graças a Deus, você finalmente acordou! Está se sentindo bem? Sente fraqueza? Tontura? Dor de garganta? – Ele colocou a mão na minha testa. – Ainda com um pouco de febre, mas acho que passa logo... - Jesus, parece que esse homem vai ter um troço.
- Pai, fica calmo. – Frankie puxou levemente seu pai, fazendo-o sair de cima de mim. – Ele já está melhor, deixe-o respirar.
- Eu avisei para ele não sair... – Tom começou.
- Nem pense nisso, Thomas Fletcher. Você não vai escapar do seu castigo tão cedo. – Fletch ralhou com ele e depois virou-se para mim e para Dougie. – E isso vale para vocês dois. - Falow mamãe.
- Eu mereço. – Comentei, fazendo todos na sala se surpreenderem. – Gente, eu falei que eu mereço e não que eu me arrependo de ter feito isso.
- Bom mesmo. Do jeito que esse cérebro de minhoca aqui – apontou para . – não saiu desse quarto durante esses dois dias, não ficar arrependido seria o mínimo a fazer.
- Óbvio que eu não estou arrependido. – Eu falei, pegando a mão de e sorrindo para ela, fazendo-a corar. E então raciocinei algo. – Espera aí. Dois dias?
- Oh yeah bro, dois dias inteirinhos dormindo e matando Fletch de preocupação achando que ia ter que arrumar um novo integrante para o McFly. E obviamente, nossa querida aqui.
- Ai gente para... – colocou as mãos no rosto. – Assim vocês me deixam sem graça!
- Essa é a intenção, darling. – Tom começou a rir. – Tá vermelha, tá vermelha, lá lá lá...
- Chega, todo mundo fora daqui. – A tia de interveio. – Deixem o garoto em paz.
- Ah, só porque eu estava me divertindo... – falou, fazendo Dougie e Tom rirem. Fletch e Frankie também saíram do quarto, deixando apenas e Dougie.
- DOUGIE, VEM AJUDAR NO JANTAR ! - Tom gritou lá de baixo.
- Uuuh, comida. – Ele pegou a bandeja vazia em cima da mesinha e foi saindo. Antes de sair, falou o clássico. – Juízo.

Capítulo 23

Eu e a rimos juntos e em seguida ela pegou minha mão direita, entrelaçando nossos dedos e deitou sua cabeça no meu ombro. Eu gentilmente soltei meus dedos dos dela e passei meu braço por seu ombro, abraçando-a, e pousei meu queixo em cima da cabeça dela gentilmente.
- Finalmente, só nós dois. – Ela suspirou. Ficamos um tempo assim, aproveitando a companhia um do outro, eu podia sentir seus ombros se elevando e abaixando sutilmente com sua respiração.
- Então meu amor, quando vai gravar sua música? – Eu perguntei. levantou o rosto e percebi que suas bochechas estavam vermelhas. – Oh, não me diga que não havia pensado nisso. - Na verdade eu não pretendia fazer nada com essa música, simplesmente deixá-la aí, parada. – Suas maçãs do rosto ficaram ainda mais vermelhas. – Nem está tão boa assim.
- Prefiro não comentar. – Sorri para minha amada e dei-lhe um beijo. – E para quem foi a música?
- Daniel! – levantou-se e olhou para mim, agora mais vermelha do que um pimentão. Eu levantei-me também e percebi o olhar de descer brevemente para minha barriga, para depois desviar para outro lado e permitir que as bochechas de minha amada ficassem mais vermelhas, se é que isso fosse possível.
Comecei a rir da vergonha dela e fui vasculhar o quarto à procura de uma camiseta qualquer. me cutucou, ainda vermelha, e estendeu a mesma blusa que eu usava no dia em que praticamente desmaiei.
- Obrigado, mas não precisa ficar envergonhada. – Eu ri novamente e dei-lhe um beijo na testa. Depois vesti o suéter. – E então, você ainda não respondeu a minha pergunta.
- Realmente você ama me deixar vermelha, né? – cruzou os braços e torceu a boca, ficando tão linda...
- Você fica parecendo uma bonequinha. – Passei minhas mãos por sua cintura e fiquei abraçado com ela, olhando-a nos olhos. – Então?
- Sabe, eu me inspirei numa pessoa... – Ela passou as mãos pelos meus braços até chegar à minha nuca, onde entrelaçou seus dedos. – Eu a admiro muito sabe.
- Aham...
- É uma pessoa realmente linda, sabe. E muito boa, simpática... – Ela sorriu para mim.
- Sei. – Eu levantei uma sobrancelha.
- É a pessoa que eu mais amo nesse mundo. – Ela ficou me olhando. – E realmente é perfeito.
- Tamanha perfeição eu só conheço uma. – Tom entrou no quarto. Que pessoa mais inconveniente.
- Definitivamente não é você, Tom. – deu a língua para ele.
- Você não tem que ir dar em cima da , não? – Perguntei descaradamente.
- Ah ta bem, seus chatos. – Tom saiu do quarto, fechando a porta atrás de si. Ignorei a conversa que estávamos tendo e beijei novamente, eu não conseguia me cansar de fazer isso. Era tão surreal, certos momentos eu até pensava que tudo isso fora um sonho e eu ainda estava no restaurante com os caras e minha ex namorada irritante.
- POMBINHOS APAIXONADOS, O JANTAR TÁ PRONTO! – Ouvi Dougie gritar para nós. – PAREM QUALQUER COISA QUE ESTEJAM FAZENDO E DESÇAM! NÃO ME OBRIGUEM A SUBIR, POR FAVOR!
Nós dois rimos e descemos as escadas, não soltando nossas mãos por um momento sequer.
Acho que não precisava dizer o quão feliz estava por estar com a , né? Feliz era pouco. Cara, eu tava alegre, feliz, nas nuvens, rindo à toa, exultante, qualquer adjetivo para ‘mais que feliz’ que você puder encontrar. Eu me sentia bem, completo, leve.
- Ainda bem que vocês desceram, eu não queria subir para ver alguma coisa e vomitar. – Dougie reclamou e Tom deu-lhe um pedala. A mesa da sala, onde estávamos, era grande o bastante para acomodar todos nós e ainda sobrarem dois lugares.
Sentei-me ao lado de e percebi que Tom e estavam lado a lado. Porém, ao invés de conversarem tão animados que fariam até uma pedra aprender a falar, Tom olhava para a comida e estava comendo sem interrupção, procurando olhar para qualquer lugar menos para Tom.
- Quando os dois se pegaram? – Perguntei baixinho para .
- Eles não se pegaram. – Dougie foi quem respondeu. – Mas agora pouco, antes de vocês descerem, a tia dela perguntou se os dois estavam namorando. Todo mundo ficou fazendo brincadeirinhas e agora os dois tão nesse doce aí.
- Que gay. Depois ele fala que eu não sou homem. – nós três rimos, mas fomos interrompidos pela tia de que batia em um copo de vidro com uma colher.
- Quero fazer um brinde. – Ela falou e todos levantaram os copos. – À saúde de Danny e a esse jantar que Tom e eu preparamos!
- Heeey, eu também ajudei. - Dougie falou com cara de emburrado.
- Claro que ajudou. A comer enquanto ainda não estava pronto. - A tia de retrucou.
- Tin tin! – Todos falaram juntos e bateram os copos uns contra os outros, rindo bastante.
- Ao nosso amor. – Eu falei no ouvido de , fazendo-a sorrir.
- Ao nosso amor. – encostamos nossos copos e demos um rápido beijo. Apenas um entre os milhares que pretendíamos dar um no outro.
E mesmo estando a milhas e milhas de distância, ela ainda estaria guardando meu coração.




FIM



n/a: Heeeey pessoinhas. Eu sumi né? D= Tuuudo culpa da viagem que me obrigaram a fazer ! Alias, FELIZ NATAL E ANO NOOVO \O/ (atrasado) Espero que tenham ganhado muitos presentinhos, porque eu não ganhei nenhum. '-' Ounti' I2 acabou . Ela vai fazer falta *chora* Maaaaaas eu tenho um presente pra vocês.. Eu e a Bia Haack (=O) vamos fazer juntas uma Inseparable 3 !!! YEEY \O/ Eu só não prometo que vai ser rápido mandar pro site, porque ainda estamos na fase "ter ideias" . Mas vai ter sim uma I3. =D Well, acho que eu não tenho muito mais o que dizer aqui, só agradeceer a vocês que acompanharam I2 até o fim e que naao me mataram pela demora das att's. Vocês fazem de mim uma pessoa melhor, sério =') taparey. UHAUH' Xx .

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