It Was Better Knowing Nothing
Autora: Babi Lorentz
Status: Finalizada
Revisada por: Juh
Categoria: McFLY Fics
Sub-Categoria: Romance/Drama
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A claridade não poderia estar entrando no meu quarto. Eu havia fechado a cortina, como sempre, antes de dormir. Impossível o sol entrar tão forte assim a ponto de me acordar e, ao mesmo tempo, não me deixar abrir os olhos. Fiquei me perguntando o que estaria acontecendo, o porquê de o sol não me permitir dormir mais. Foi aí que escutei uma voz doce chamar meu nome.
", minha filha... Acorde!"
Parecia a voz da minha mãe. E estava bem baixa, como se ela estivesse sussurrando em meu ouvido. Mas ela não faria isso. Era sábado, meu dia de descanso. O dia que eu podia dormir até mais tarde sem nada me atrapalhar e a mamãe, mais do que qualquer outra pessoa, sabia que eu odiava ser acordada aos sábados. Sábado era o meu dia.
"Meu amor, acorde..."
Ela continuava a insistir. Ainda achava que estava sonhando. Sonhando não, tendo um pesadelo. Ser acordada era algo que eu não gostava. Quando isso acontecia, meu dia era um dos piores para as pessoas que estavam à minha volta: eu ficava mal-humorada e isso definitivamente não era bom.
", por favor, acorde."
Desta vez eu senti uma mão fria tocando meu ombro direito. Por que as pessoas eram tão frias quando tocavam em mim durante a manhã? Ficar embaixo do edredom é tão bom, tão aconchegante, tão quente. Mas sentir algo frio quando eu acabo de acordar não é a melhor coisa do mundo. Principalmente quando este algo frio é a mão de uma pessoa que está tentando me acordar.
Virei-me na cama puxando o edredom para esconder meu rosto. Senti-me reconfortada ao não enxergar mais, mesmo de olhos fechados, os raios de sol vindo em direção ao meu rosto. Sorri. Mas o sorriso não durou muito. Senti novamente alguém tocando em mim. Em meus cabelos. Outra de minhas regras pela manhã: não toque em meus cabelos enquanto eu não arrumá-los. Quando eu não faço isso pessoalmente, eles não ficam do jeito que eu gosto, e isto também me deixa mal-humorada.
"Mamãe, me deixe dormir. Hoje é sábado."
Minha voz saiu um pouco abafada, mas acredito que a mamãe entendera o que eu dissera. Fez-se silêncio no quarto e ninguém mais me tocou. Ou pelo menos era isso que eu achava.
" , levante-se. Seus tios chegam hoje, queremos recebê-los juntos. Seu pai quer que você esteja impecavelmente arrumada em meia hora. Esperamos você no jardim."
Ouvi passos se afastando de minha cama e logo depois minha porta se fechando. Fez-se silêncio mais uma vez. E foi então que percebi o que minha querida mãezinha havia dito. Meus tios chegariam hoje. Meu pai queria que toda a família estivesse impecável ao recebê-los. Eu tinha meia hora para ficar bonita o bastante para receber elogios realmente sinceros. Se eu não o fizesse, não tinha certeza do que seria de mim depois de hoje.
Não esperei mais minuto nenhum embaixo do meu edredom. Levantei-me. Consegui abrir os olhos depois de muito custo enquanto andava em direção ao meu banheiro. Lavei o rosto e escovei os dentes.
Ainda pensava no que minha mãe falara: "Seus tios chegam hoje", será que meu primo também viria? Estávamos falando do lado da família? Acreditei que sim. Meu pai sempre tivera essa "briga" com o tio Anthony: eles achavam que o mais importante era mostrar a beleza e a riqueza da família. Não era algo que eu gostava. Eu apenas estava acostumada e sabia fazer bom uso das coisas que tinha. Enxergo meu pai e o tio Anthony como crianças até hoje. Eles são fúteis. Mais fúteis até que meu irmão mais novo. Este pelo menos pensa como eu: não existem razões para que eles disputem tanto por besteira.
O fato era que as duas famílias eram incrivelmente lindas e cheias de posses.
Entrei embaixo do chuveiro tomando um banho rápido. Quando me senti cheirosa o bastante, saí do boxe, me enrolando na toalha e fui até meu closet. Aquela era a pior parte: escolher o que vestir. Eu tinha roupas maravilhosas e sempre ficava em dúvida quando tinha que me vestir impecavelmente, como meu pai gostava de dizer. Depois de um tempinho – não pude demorar duas horas porque meu tempo estava se esgotando – decidi-me por um vestido que meu pai me dera na semana anterior: era um frente-única branco que, com uma costura abaixo dos seios, fazia com que este "abrisse" ficando bastante rodado. Na barra havia um lindo bordado floral nas cores lilás, roxo, neve e bege. Ele caía perfeitamente e eu deixaria meu pai feliz.
Olhei-me no espelho de corpo inteiro enquanto soltava minha trança – sempre dormia com os cabelos presos, me adiantava de manhã, por isso não gostava que o tocassem enquanto eu não os arrumasse –, peguei meu pente de dentes largos e o escorreguei por meus cabelos, arrumando-os do jeito que eu gostava.
Escolhi uma rasteirinha roxa que caía perfeitamente bem com o meu vestido e parti para os acessórios. O que usar? Como complementar aquilo? Escolhi braceletes finos de prata e brincos de argola, também na cor prata. No pescoço, coloquei um cordão que tinha um pingente de coração. Ah, o pingente. Quando o olhei me lembrei: me presenteara com aquilo no verão passado. Eu prometera que usaria sempre, mas não era bem isso que eu fizera nos últimos meses.
Passei gloss nos lábios e lápis preto nos olhos para finalizar meu visual. Olhei-me de cima a baixo e sorri. Estava pronta. Olhei pro relógio, que não saía do meu pulso para nada e fiquei ainda mais empolgada. Ainda tinha um minuto para descer.
Quando estava chegando ao hall de entrada, escutei a voz de meu pai, ainda que este falasse quase num sussurro.
"Fique de olho em enquanto permanecer nesta casa."
"Sim, senhor."
Não acreditei! Meu pai mandou o segurança dele prestar atenção em mim enquanto estivesse por perto. O tom de desprezo que ele utilizou quando disse o nome de meu primo me deixou enjoada. Ele não era uma péssima pessoa. Ele era apenas o . E eu não queria que um brutamontes, de mais de dois metros de altura, ficasse me seguindo enquanto existissem pessoas de visita em minha casa.
"Papai..." Eu disse quando entrei no campo de visão dele e vi que seus olhos se iluminaram quando percebeu o vestido que eu escolhera. "Gostou?" Sorri e fui abraçá-lo.
"Claro que sim." Ele sorriu e beijou minha testa. "Está fabulosa, minha querida."
"Obrigada, papai..." Mesmo não gostando nada da situação, eu não poderia contrariar as vontades do meu pai. E se ele achava realmente que eu estava fabulosa naquele vestido, eu apenas sorriria para ele da maneira mais sincera.
Apesar de tudo, eu amava meu pai, e amá-lo não significava concordar com tudo que ele falava, eu não gostava de várias coisas que ele fazia. Estava fazendo um grande esforço para não lembrar o que ele falara ao segurança.
"Sua mãe está no jardim. Espere-me por lá também, entendeu, querida?"
"E o Nicholas?"
"Seu irmão já deve estar descendo."
Sorri e saí de casa sem nem pensar em escutar o que papai falaria para o armário em forma de gente que trabalhava em minha casa. Eu sabia que ele passaria mais algumas informações e ordens.
Quando cheguei ao jardim, vi minha mãe sentada em um banquinho branco embaixo do caramanchão. Fui até lá e me sentei ao seu lado.
"Eu só enxergo como você cresceu quando temos estes momentos." Ela me disse com um sorriso no rosto e não consegui entender o que ela queria dizer com aquilo.
"Como assim, mamãe?"
"Você cresceu. E eu passo tão pouco tempo ao seu lado que só consigo perceber como você mudou, como você está mais bonita, quando temos momentos como este." Ela sorriu mais uma vez, mas não tocou em meus cabelos – como imaginei que faria. Ela levava a sério o meu mau humor quando eu era acordada e tentava evitar que eu desse algum ataque. E naquele dia ela sabia que tinha de me manter com a melhor das expressões possíveis.
Olhei para frente e vi meu pai se aproximando com meu irmão ao seu lado. Apesar de ter apenas 15 anos, Nicholas possuía um belo corpo. Conseguia passar por um garoto de 18 sem fazer nenhum tipo de esforço. Ele achava aquilo o máximo.
"Bom dia, Nick!" Eu disse olhando meu irmão. Ele estava lindo assim como meus pais e eu. Acho que papai havia conseguido o que queria: mostrar para o irmão de minha mãe – meu tio Anthony – qual era a família que se vestia melhor e que tinha mais classe.
"Ainda acho isso desnecessário." Nicholas sussurrou em meu ouvido ao abraçar-me e riu. "Você sabe que odeio este tipo de roupa." Completou, ainda baixo o bastante para que apenas eu escutasse, fazendo-me gargalhar.
"Você se acostuma, Nick." Eu falei já em minha voz normal.
"Seus tios devem estar chegando. Vamos?" Meu pai disse olhando-nos.
"Claro, querido." Minha mãe se levantou e acompanhou meu pai.
Eu olhei Nicholas. Reviramos os olhos e fomos atrás deles.
"O papai mandou Zac ficar de olho em mim enquanto estiver aqui." Tentei fazer com que minha voz saísse o mais normal possível ao falar, aos cochichos, com meu irmão.
"Era de se esperar que ele fizesse isso, né, ?" Ele cochichou também e eu ri baixinho sem chamar atenção de meus pais. "Ele não gostou nem um pouco de ter visto o que viu no verão passado."
"Não era pra ele ter visto..." Eu disse com minha voz normal. Meus pais já estavam bem à frente e eu não precisava controlar o volume. "Deu certo durante todo o tempo que a gente esteve no Rio de Janeiro. Nunca me passou pela cabeça que ele nos veria no último dia de férias."
"Agora ele vai ficar de olho em você. Pode começar a se comportar o máximo possível." Ele riu, passou seu braço em volta de minha cintura, me puxando para perto de si, e deu um beijo em minha testa.
Andamos assim até chegarmos de onde havíamos saído: a porta da casa.
"Aí vêm eles!" Meu pai disse sorrindo maliciosamente. "Impecáveis e comportados. Vocês sabem o que tem de fazer." Ele não olhou para mim e não disse nada sobre . Acho que ainda gostava de acreditar que tudo não se passou de um pesadelo para ele. Apesar de saber que tinha realmente acontecido.
Como era de se esperar, meus tios chegaram em dois carros. Anthony e Claire vieram num Nissan GT-R prata que parecia ser tão novo quanto o Mercedes que meu pai comprara na semana anterior. Já chegou num Porsche Cayman preto logo atrás. Ele sempre gostara de Porsches, sempre tivera Porsches. Mas eu sabia que aquele logo em minha frente era um novo agradinho do seu pai. Eu não o conhecia.
Quando vi descendo do carro, não consegui conter o sorriso e tive de me segurar para não correr para seus braços. Eu ansiava por aquele momento. Esperava aquilo como se eu precisasse vê-lo para continuar a viver. E ele estava lindo. Vestia uma calça jeans escura que parecia ser dois números maior do que ele realmente usava, que era segurada por um cinto de rebite branco, e uma camisa social branca de botões, o que quebrava um pouco o seu visual "garoto rebelde". Nos pés, tinha aqueles sapatos de skatista que eu adorava. Os cabelos estavam bagunçados propositalmente com gel deixando-os espetados e, para completar, óculos Ray Ban escuros estilo aviador.
Quando consegui desviar os olhos de , visualizei a cara do tio Anthony e ele não tinha a melhor das expressões no rosto. Fuzilava o filho com um olhar. Provavelmente estava com raiva por ele não ter vestido algo mais apropriado para ocasião. Eu senti orgulho por pensar a mesma coisa que eu e Nick: tudo aquilo era uma grande besteira.
Não consegui olhar mais para meu tio e nem sequer olhei minha tia. Voltei meu olhar para . Ele olhava para mim também e ao perceber que eu fazia o mesmo, sorriu. Sorriu e tirou os óculos deixando seus olhos à mostra. Olhei para baixo envergonhada. E também não queria que meu pai percebesse nossa troca de olhares.
Eles se aproximaram.
"Como vai, Anthony?" Meu pai perguntou cumprimentando meu tio.
"Tudo na mais perfeita ordem, Benjamin." Eles deram as mãos e tinham nos rostos os sorrisos mais falsos que eu já vira na vida. "Courtney..." Fez um gesto com a cabeça na direção da minha mãe já com um sorriso verdadeiro e virou-se para meu irmão e eu. ", minha sobrinha linda." Deu-me um beijo na testa, ainda sorrindo. "Você mudou um pouco..."
"Acho que todo mundo resolveu me dizer isso hoje, tio." Sorri também. "A mamãe acabou de me dizer a mesma coisa."
"Mas não foi só você que mudou." Passou a mão pelos cabelos de Nicholas, bagunçando-os ainda mais. "Veja o tamanho desse molequinho aqui, hein? Não pára de crescer mais não?"
"Acho que ainda tenho um pouquinho pra esticar." Ele brincou fazendo meu tio rir.
"Não venha falar apenas dos meus filhos, Anthony. O também dobrou de tamanho!" Minha mãe disse e eu olhei para novamente. Não, ele não tinha dobrado de tamanho, era exagero de minha mãe. Mas ele realmente crescera mais um pouco. "Mesmo assim não mudou nada. Continua o mesmo garoto de sempre, pelo que posso ver." Ela se referia ao estilo dele. Todos implicavam com as roupas que ele usava. Eu adorava aquilo. Era o jeito que ele tinha de dizer que não gostava das atitudes do pai. Eu o entendia. Aquilo acontecia comigo também. Mas eu não deixava meu estilo falar por mim. O que eu utilizava como defesa eram minhas tantas regras. Ele também me entendia.
Percebi que me olhava e tentei não encarar muito. Sabia que ele iria me cumprimentar, mas não queria dar motivos para meu pai contratar mais seguranças que pudessem ficar de olho na filhinha preciosa dele.
"Você está linda, ." Ele sussurrou enquanto me abraçava. "E eu senti saudades."
"Eu também, ." Concordei tentando controlar meus batimentos cardíacos.
Depois de vários abraços e tantos beijinhos na porta de entrada, meu pai disse para entramos.
"Suas coisas já devem estar nos quartos."
Meu pai separava sempre as melhores instalações da casa para eles. Gostava de mostrar para todos, principalmente para meu tio Anthony, o quão aconchegante era o lugar em que ele vivia com a esposa e seus dois filhos. Minha mãe não dava opinião nenhuma nas decisões dele, apenas aceitava calada tudo o que ele fazia.
"Podemos tomar café agora?" Perguntei fazendo uma careta fofa que meu pai adorava. Ele riu e disse-me para ir com Nicholas e na frente, o que me deixou surpresa, mas percebi que Zac, o segurança, estava perto de nós. Logo eles chegariam à sala de jantar.
"Pensei que eles não nos deixariam sozinhos." comentou rindo.
"E não deixaram." Nick disse olhando para Zac.
"Ele recebeu ordens." Esclareci quando me olhou confuso.
"Que tipo de ordens?" Ele puxou uma cadeira para que eu me sentasse.
"Zac tem de ficar me vigiando enquanto vocês estiverem aqui." Eu me sentei e ajeitou minha cadeira. "Isso significa que eu tenho uma sombra a mais." Ele riu e sentou-se ao meu lado.
"Mas a gente pode dar um jeito." Nick sussurrou e nós rimos. "Zac, avise na cozinha que esqueceram as torradas da ."
Eu entendi o que ele tentava fazer e continuei no joguinho.
"Por favor, Zac. Não como sem minhas torradas."
Acho que minha expressão fez com que ele ficasse com dó porque ele realmente se afastou. aproveitou o momento.
"Você está usando o pingente." Ele pegou no coração que estava no meu pescoço e sorriu. "Tem feito isso sempre? Seu pai não te enche a paciência?"
"Eu não uso sempre, , normalmente fica guardado. Mas hoje tentei não pensar no que meu pai falaria." Falei a verdade e acredito que ele me entendeu.
"Ele tem pegado muito no seu pé?"
"Na verdade não. Ele fica tentando arranjar namorados para mim. É frustrante! Tive que aguentar um encontro com o ." Ele torceu o nariz para a palavra encontro e eu ri. "Foi o pior do mundo, não se preocupe. Ele não faz meu estilo."
"Quem não faz seu estilo?" Parei ao ouvir a voz do meu pai e o sorriso que existia em meu rosto desapareceu.
se afastou de mim, mas permaneceu na cadeira ao meu lado.
"Ninguém, pai." Eu respondi tentando não olhar em seus olhos.
"Onde está o Zac?" De novo meu pai perguntou e, de novo, fez com que eu ficasse estática.
"Foi pegar as torradas da , pai. Ela não come se não tiver torradas." Nicholas respondeu por mim. Eu não poderia querer um irmão melhor do que aquele. Entendia-me e me ajudava em qualquer coisa. Agradeci mentalmente por meu pai nunca tomar café comigo e não saber realmente o que eu comia naquela hora do dia.
Todos se sentaram e voltaram a conversar. Minha mãe não parava de fazer perguntas a Claire. Trocavam receitas e fofocavam sobre os últimos acontecimentos no mundo artístico. Eu não entendia como elas gostavam tanto de falar sobre isso. Meu pai e tio Anthony falavam sobre dinheiro. Cada hora um dizia quais as últimas aquisições fizeram. Não era o melhor assunto do mundo. Aquilo me irritava. Eu permaneci calada, apenas comendo algumas torradas. Nick aproveitou o momento para perguntar ao sobre o novo Porsche.
"Ele é do jeito que eu queria. Papai queria me dar outro, mas eu sabia que era pra ficar falando sobre o que havia comprado e eu bati o pé. Não quis um carro novo. Aquele lá satisfaz minhas necessidades." Ele riu. "Depois você pode dirigir. É só me pedir a chave."
", Nicholas só tem 15 anos!" A " mamãe protetora" entrava em cena. "Ele não pode dirigir ainda."
"Não poder não significa que eu não saiba, ." Nicholas disse abrindo um sorriso.
"Se alguma coisa acontecer, não diga que sua irmã não avisou." Falei com uma expressão bem séria.
tocou meu rosto fazendo-me estremecer.
"Calma, é só uma voltinha, eu vou com ele. Se quiser, pode vir com a gente." Ele olhou em meus olhos.
Como eu amava e ao mesmo tempo odiava os olhos de ! Eram hipnotizantes. Ele conseguia as coisas que queria quando me olhava daquele jeito.
"Talvez..." Suspirei e desviei meu rosto.
Pude ver, por minha visão periférica, sorrindo para Nick. Aquele meio sorriso que sempre aparecia em seu rosto quando conseguia algo que queria. Era mais um de seus sorrisos irresistíveis. Pelo menos eu os caracterizava dessa maneira.
O café da manhã aconteceu na maior calma possível. Apesar de meu pai não gostar do meu tio, eles se comportaram. Acho que papai ainda o respeitava porque era o irmão de sua esposa. Eu fiquei calada a maior parte do tempo. Só comentava sobre alguma coisa ou outra que ou Nick falavam e tentava não escutar as conversas ao meu redor. Tive que comer três torradas para meu pai acreditar na história de que eu nunca tomava café da manhã se não comesse minhas torradinhas. A verdade é que eu nunca fora uma grande fã daqueles pãezinhos crocantes.
Quando terminamos, consegui ir para a biblioteca. Era o meu segundo lugar preferido naquela casa. O primeiro, lógico, era meu quarto. Passei os olhos pelos livros e não consegui achar algum que eu ainda não lera e me que agradasse. Sentei-me em um sofá de dois lugares e fechei os olhos. Aquele não era um lugar que eu utilizava apenas para ler. Descansar ali era algo que eu fazia sempre.
"?"
Senti alguém acariciar meu rosto e abri os olhos lentamente. Quando minha visão se acostumou com a claridade, percebi que não era quem imaginava. não estava ali. Na minha frente, parado, olhando-me acordar, estava Nicholas.
"Eu dormi muito?" Perguntei com uma voz rouca.
"Duas horinhas..." Ele riu e sentou ao meu lado. "E sentada. Se queria mesmo descansar aqui, por que não deitou no divã?" Ele tentou me dar uma bronca, mas o sorriso não deixava sua voz sair do jeito que ele realmente queria. "Seu pescoço dói?"
"Não sei..." Tentei virar a cabeça e senti dor. "Um pouco, talvez. Mas nada que não passe logo." Eu ri e levei as mãos no pescoço massageando-o. "Onde está o ?"
"Na piscina. Pediu que eu te chamasse. Nossos pais saíram, a casa está sob nossa responsabilidade." Ele apontou para o próprio peito e riu.
"Zac?" Perguntei mordendo o lábio inferior.
"Observando-nos. Certas ordens não podem ser mudadas."
"Papai exagerou desta vez. Vou trocar de roupa. Avise o que daqui alguns minutos eu desço."
Subi as escadas correndo em direção ao meu quarto. Quando fechei a porta, já tirava o vestido. Entrei no closet e abri uma gaveta de biquínis. Não demorei pra escolher a peça perfeita. Eu já sabia a preferida de . Era um biquíni no estilo "cortinão" – eu não podia usar cortininha: meus seios eram grandes demais – verde com roxo. Comprara aquele antes de viajarmos pro Brasil, talvez, por este motivo, gostasse tanto da peça. Vesti um short jeans para completar e fui ao banheiro. Eu tinha que escovar os dentes e passar uma água no rosto.
Quando pronta, desci o mais rápido possível. Abri a porta de casa e corri em direção à piscina. estava lá. E ele estava lindo. Quando pensava assim me dava vontade de estraçalhar meu coração. Como eu podia me apaixonar por meu primo? Ele sorriu ao me ver. Saiu da piscina e meu coração começou a palpitar cada vez mais forte. O corpo dele também estava melhor do que da última vez que o vira sem camisa. Ele abriu os braços, quando eu cheguei perto da beira da piscina, e me abraçou. Encharcando-me.
". ." Falei entre dentes, aquela atitude me irritara profundamente. Eu odiava, com todas as minhas forças, a água gelada da piscina. Não tentei me afastar dele porque imaginei que a água estava quente. Por que não ligavam o aquecedor quando precisávamos? "Você está molhado. E gelado!"
"E agora você também está molhada e gelada." Ele riu.
"E com frio." Completei.
"E agora vocês vão cair na piscina!" Nick gritou e me empurrou abraçada a .
Caímos os dois na piscina. A água estava tão gelada que chegava a me cortar.
"Nicholas Benjamin !" Gritei quando consegui voltar à superfície. "Você me paga!"
"Não liga ..." sussurrou. "A gente tem que disfarçar. O armário preferido de seu pai ainda está nos vigiando."
"Isso não significa que Nick precisava me empurrar. Ele sabe que odeio água fria. Mas..." Sorri ao ter uma ideia. "Ei, Zac!" O segurança me olhou. "Você pode olhar o que aconteceu com o aquecedor?"
sorriu ao ver Zac se afastando.
"Até que você sabe inventar motivos para tirar ele de perto." Ele se aproximou ainda mais de mim. Puxou-me pela cintura colando meu corpo no dele e me olhou nos olhos hipnotizando-me. "Por favor, Nick. Avise quando eu tiver que me afastar." Ele falou aquilo alto o suficiente para apenas eu e Nick escutarmos.
Depois fechou os olhos e encostou seus lábios nos meus. Não consegui pensar mais em nada. Entreguei-me ao beijo. Abri meus lábios permitindo que sua língua entrasse em minha boca. Eu sentia falta daquele beijo. Nunca desejara tanto um momento como aquele. Ele acariciava minhas costas e eu estava com as mãos em volta de seu pescoço. Ele mordeu meu lábio inferior e deu-me um selinho finalizando o beijo. Encostou a testa na minha e nós dois abrimos os olhos ao mesmo tempo. Ele sorria. Eu também sorria.
"Ele tá vindo." Nicholas avisou e eu me afastei de .
"Descobriu o que aconteceu?" Perguntei para Zac quando ele se aproximou.
"Não... Não entendo muito daquilo. Acho melhor falar com seu pai. Ele pode chamar alguém para olhar." Zac me respondeu e voltou a ficar parado, apenas olhando para nós.
"Zac, você tem que ficar nos vigiando o dia inteiro?" Nick perguntou, rindo, enquanto batia a mão na superfície, fazendo com que a água chegasse até mim. Aquilo também me irritava, mas eu não reclamei.
"São ordens, Nicholas. Seu pai me paga pra isso."
"Você não acha que é besteira? Quer dizer, ficar o dia inteiro observando o comportamento de três jovens..." Ele continuou conversando com Zac.
Eu nadei para um canto mais afastado na piscina. não me seguiu. Ficou parado onde estava apenas olhando na minha direção. Eu sorri pra ele e fiz um gesto com a mão chamando-o para perto. Não poderíamos nos beijar, mas Zac não poderia nos impedir de conversar. Ele nadou para perto de mim. Não precisei esperar muito para que aparecesse na minha frente.
"Oi!" Ele sorriu ao colocar a cabeça para fora da água.
Como ele ficava lindo daquele jeito. Minha vontade era agarrá-lo ali, sem me importar com Zac, sem me importar com o que meu pai pensaria sobre tudo isto. Mas não o fiz. Continuei parada e apenas sorri sem conseguir desviar meu olhar daqueles olhos .
"Por que meu pai tinha que ter visto aquilo ano passado?" Perguntei com raiva.
"Má sorte a nossa." Ele me respondeu.
"Por que ele não pode aceitar?"
"Não sei... Acho bobagem também. Nunca vi problema algum. Somos primos, não somos irmãos." Ele encostou-se à beira da piscina ao meu lado, apoiando-se nos braços que estavam na borda.
"Odeio isso, ." Eu disse o olhando.
"Eu também, ." Ele abriu os olhos e colocou os braços novamente dentro da piscina. Deu-me a mão em baixo d'água e sorriu. "Não queria que fosse assim. Não posso nem andar sozinho com você. Tenho que pegar sua mão em baixo d'água pra que Zac não veja... É tão chato."
Eu assenti e desviei meu rosto do olhar dele. Senti que uma lágrima ia cair, mas a segurei. Consegui encarar novamente. Ele sorriu.
"Ainda vai dar certo, não vai ser sempre assim, prometo."
Eu não precisei perguntar se ele tinha certeza sobre aquilo. Podia perceber, apenas olhando em seus olhos, que ele falava com o coração e faria de tudo para realmente dar certo.
Ficamos afastados naquele canto na piscina por mais um tempo até meu irmão nos chamar. Ele queria jogar sinuca e nos chamou. disse que sim e acabei indo com eles. Zac nos acompanhou. Apenas assisti ao jogo, nunca soube nem como pegar no taco, quem dirá entender as regras. Pela comemoração quem ganhou foi o Nick. disse que não estava com vontade de jogar, por isso deixara meu irmão ganhar. Eu duvidei. Nicholas sempre fora muito bom naquilo. O hobby dele era chamar os meninos para campeonatos que ele, mesmo sendo o mais novo e o mais zoado da turma, normalmente, ficava em primeiro lugar.
Eles iniciaram mais um jogo e eu subi para meu quarto. Até que tinha vontade de continuar assistindo, mas como Zac não parava de me encarar, senti a necessidade de estar sozinha em algum lugar.
Aproveitei que eles estavam jogando e quis usar o tempo para ligar para , já fazia um bom tempo que não conversávamos e eu tinha muita coisa pra contar. Ela costumava me entender e ficaria feliz em saber sobre o . Ela sempre torceu para dar tudo certo entre nós dois.
O telefone não tocou mais de uma vez. Ela atendera no primeiro sinal.
"Pode falar, ." Disse rindo. Com certeza vira meu nome antes de atender.
"O chegou!" Já fui direto ao assunto, não ficaria enrolando. Havia assuntos para serem conversados.
"E como ficou? Com seu pai...?"
"Meu pai pediu ao Zac para ficar de olho em mim enquanto ficasse aqui. Mas o Nick consegue dar um jeito em tudo..." Eu a interrompi explicando.
"Tinha que ser o Nick mesmo. Já conseguiram conversar?"
"Já, mas foram momentos bem rápidos, dois, três minutos. Nunca fiquei sozinha com ele... O Nicholas tem que avisar se estiver vindo alguém. Mas mesmo assim eu converso com como se o Nick não estivesse perto. Meu irmão me entende, , e me ajuda muito também."
"É, você tem muita sorte de ter o Nick. não pára de me encher a paciência."
era irmão de . O sonho de meu pai era tê-lo na família. Algo que não aconteceria. Eu nunca fui muito fã do . Apesar de lindo era um idiota.
" enche a paciência de todos."
"É verdade. Mas me fala mais do ... Já conseguiram matar a saudade ou não?" Ela riu sem esconder a curiosidade ao perguntar.
"A gente já conseguiu se beijar uma vez. Mas foi tudo cronometrado. Quando o Nick avisou, a gente se separou como se nada tivesse acontecido."
"Zac não percebeu nada?"
"Nada. Nós conseguimos disfarçar bem." Eu ri. "Tem como você aparecer aqui mais tarde? Vem pro almoço, por favor!"
"Mas daqui a pouco o vem pra cá..."
"Ótimo, traga o ! Mas, por favor, venha... Quanto mais gente melhor."
"E se ele não quiser ir?" Ela perguntou rindo.
"Ele vai querer, . Eu conheço o ."
"Tá bom, . Nós vamos pro almoço."
"Ótimo!" Eu sorri. "Sabia que você não me negaria isso."
"Não poderia."
Fofocamos mais um pouco no telefone. Quando desligamos, fui tomar um banho. Demorei meia hora embaixo do chuveiro e mais alguns longos minutos escolhendo a roupa perfeita: uma calça jeans skinny com o cós largo e uma pólo listrada nas cores branco e preto. Calcei meu All Star de couro branco e completei o visual, mais uma vez, com gloss e lápis de olho.
Desci as escadas normalmente, não queria correr de forma alguma, por incrível que pareça, naquele sábado eu não tive pressa para fazer mais nada. Eu realmente achara que ficaria de mau humor naquele dia, mas não foi isso que acontecera. Com em minha casa, consegui esquecer todas aquelas regrinhas que eu mesma fazia para ter uma boa aparência durante o dia.
Quando cheguei à sala, meus pais estavam conversando com meus tios. Minha mãe falava algo tão baixo com tio Anthony que eu não consegui saber o que era. Papai e tia Claire conversavam alegremente, mas não prestei atenção no que falavam. Só acenei e saí de perto. Não gostava de estar no mesmo lugar que eles. E eu poderia procurar .
Fui até a cozinha beber um copo de água e, quando estava saindo, Nicholas entrou.
"O Zac não tinha que estar andando atrás de você?"
"Acho que sim..." Eu disse desentendida.
"Então por que ele não está aqui?" Nick sorriu marotamente.
"O que você fez?" Perguntei rindo.
"Vá pra academia, . O tá lá te esperando."
"Mas e o Zac?" Ainda estava tentando imaginar o que Nicholas fizera.
"Pára de perguntar, e vai logo, . O te explica."
Eu ri e saí correndo. Se era pra encontrar o , a minha pressa voltava.
Quando entrei na academia, estava sentado num canto me esperando. Quando me viu, sorriu maravilhosamente me olhando. Mais uma vez seus olhos fixaram-se nos meus, hipnotizando-me. Eu não sabia o que ele possuía naquele olhar que me deixava inconsciente de tudo ao meu redor.
"Oi." Ele falou, ainda sorrindo, quando eu cheguei mais perto.
"Oi." Respondi da mesma maneira, sentando-me ao lado dele.
Ele passou seus dedos por meu rosto e encostou os lábios nos meus. Continuou acariciando meu rosto enquanto me olhava.
"O que você fez com o Zac?" Perguntei recuperando meu fôlego.
Ele riu.
"Seu pai acha que eu saí. Como sabe que você está em casa deu uma folguinha pro armário."
"Como assim ele acha que você saiu?" Arqueei a sobrancelha afastando meu rosto do toque dos dedos dele.
"Nicholas sabe dirigir." Ele sorriu.
"Mas Nicholas está em casa." Eu revirei os olhos fazendo com que ele risse.
" também sabe dirigir." Ele disse ainda rindo. Como se só por saber dirigir, faria com que a explicação acabasse. Ele reparou que eu não tinha entendido porque minha expressão não tinha mudado e continuou. "Nicholas foi até a casa de com meu carro. A gente só conseguiu despistar porque nossos pais não tinham chegado e quando você subiu, Zac foi atrás pra vigiar a porta do seu quarto..."
"Ele vigia a porta do meu quarto?" Perguntei incrédula, interrompendo-o.
"Vigia. Nick subiu pra te explicar o plano e quando viu Zac parado na porta do seu quarto, desistiu."
"Não acredito que até na porta do meu quarto aquele brutamontes fica." Tentei controlar o volume de minha voz.
"Não é culpa dele, . Ele é pago pra receber ordens. Olha pra mim..." Ele passou os dedos no meu queixo fazendo com que eu o encarasse. "Isso ainda vai acabar, é só ter calma." Eu assenti. "Nick desceu e disse que seria mais fácil do que nós imaginávamos. Zac estava olhando apenas a porta do seu quarto. Você não precisava fazer mais nada. Só continuar lá por muito tempo. E você o fez." Ele sorriu e eu fiz o mesmo. "Eu vim pra academia. Nick disse que você e ele são as únicas pessoas que frequentam este lugar, então não teria complicações. Seu pai não entraria aqui... Então Nicholas pegou meu carro e foi até a casa de , que o trouxe de volta antes de nossos pais chegarem."
"E onde está seu carro?" Perguntei tentando lembrar-me de um Porsche Cayman preto parado em frente de minha casa. Ele não estava lá quando saí. revirou os olhos.
"Na casa de !" Ele me deu dois tapinhas na testa e eu ri. "É tão difícil te explicar as coisas. Pensei que você já tinha entendido o final."
"Acho que eu sou meio devagar." Fiz uma careta.
"Tenho certeza disso." riu.
Eu sorri e fechei meus olhos, encostando meus lábios nos dele. Ele abriu os lábios deixando minha língua entrar em sua boca. Colocou uma mão em minha cintura e a outra na minha nuca, segurando meus cabelos e fixando minha cabeça. Eu subi minhas mãos pros ombros dele enquanto ele me colocava no chão deitando sobre mim. Parti o beijo mordendo o lábio inferior dele. me olhou e sorriu. Passou seu nariz pelo meu, num beijo de esquimó e saiu de cima de mim, deitando-se ao meu lado.
" e chegam daqui a pouco pro almoço." Falei ao recuperar o fôlego. "Você não pode aparecer do nada aqui em casa." Olhei naqueles incríveis olhos enquanto falava. "Como o vai saber que já pode vir pra casa e como você vai sair daqui sem ser visto?"
"Nicholas."
"De novo metendo meu irmãozinho nessas coisas." Ri com a careta do meu .
"Se ele não ajudar, como eu vou fazer pra almoçar? Morro de fome? Você vai mesmo me deixar sem comida, largado numa academia?"
"É até bom que você perde essa barriga." Brinquei. não precisava perder nada. Ele estava ótimo.
"Eu nem tenho barriga, ." Ele riu e fez cócegas em mim.
"Eu. Sei." Falei entre risos. "Gosto... De você... Assim." Completei quando vi que ele não parava com as cócegas. "... Eu... Estou... Ficando sem ar!"
Ele me abraçou, dando-me um beijo no rosto.
"Mas, respondendo sua pergunta... Nicholas vai usar seu carro para ir até a casa de . O que ninguém sabe é que eu vou estar naquele carro com ele. Assim eu volto com meu carro e ele faz hora na casa de . Todo mundo vai continuar achando que eu saí."
"Mas não entendi uma coisa ainda, ... Onde fica o porteiro nesta história? Ele sabe quem entra e quem sai."
"E ele normalmente tem folga nos sábados."
"Como vocês conseguem pensar em todas as coisas, ? Eu fico impressionada."
"Quando eu quero alguma coisa, , eu corro atrás. Eu dou um jeito de tudo dar certo. E o dia ajudou também. Adoro a folga que seu pai dá pro porteiro aos sábados." Ele riu abraçando-me.
Eu não disse mais nada, fiquei apenas acariciando a nuca de enquanto ele me envolvia naquele abraço. sorria me olhando e era impossível eu não fazer o mesmo. Parecia que ele tinha um poder sobre as pessoas. De hipnotizá-las enquanto as olhava. Ou talvez isso acontecesse apenas comigo.
"?" chamou meu nome.
"?" Eu respondi imitando-o e ele riu.
"Quando você começou a gostar de mim?"
"Na minha festa de 16 anos." Eu disse olhando-o nos olhos.
Quando me apaixonei por , eu tinha acabado de completar 16. Comecei a olhá-lo de outra forma em minha festa. Nós dançamos valsa juntos. Ele foi um de meus cavalheiros, assim como , , Nicholas, e Robert.
"Mas você namorava Robert." Ele arqueou uma sobrancelha fazendo-me rir.
"E gostava de você."
Robert era meu namorado na época. e andavam muito com ele, foi assim que os conheci. E foi por minha causa que e começaram a namorar.
"Terminou com ele por minha causa?"
Não tenho nada contra Robert. Não poderia ter nada contra ele. Sempre foi um excelente namorado. Estava presente na minha vida, me ajudava em várias coisas e meu pai nunca gostou dele. Acho que meu pai nunca gosta dos caras que eu gosto. Ficamos juntos durante quase um ano e meio. Terminei com ele realmente por causa de . Eu sentia que estava começando a me apaixonar e não queria ferir o coração de Rob.
"Foi." Sorri.
"Ele ficou com raiva?"
"Nem um pouco, me entendeu na hora."
Eu explicara tudo o que estava acontecendo comigo para Robert. Ele me entendeu e disse que não queria perder minha amizade. Continuou indo até minha casa e me fazendo companhia quase todas as tardes. Virou uma espécie de melhor amigo.
"Sério?"
"Foi! Ele vinha sempre aqui em casa, mesmo depois que terminamos. A rotina dele continuou a mesma quando eu coloquei o ponto final." Ele fez uma cara feia e eu ri. "Eu não fiquei com ele depois que terminamos, . Não faria isso. Eu gostava de você!" Dei um selinho nele e ele sorriu.
Senti meu celular vibrar em meu bolso e afastei-me dos braços de . Verifiquei o número no visor. Era Nicholas.
"Quem é?" perguntou tentando olhar também.
"Nick." Respondi e se levantou. Sentei-me e abri o celular. "Oi."
" chegou. veio com ela." Nicholas explicou a situação.
"Então vem pegar o ."
"Por isso mesmo que eu estou ligando, quero falar com ele."
Passei o celular para .
"Tem como eu sair sem ninguém me ver?" O ouvi perguntando para Nick e logo depois assentindo com a cabeça. "Certo. Vou esperar então." Ele desligou e depois olhou pra mim. "Vou precisar disto emprestado."
"Complicações?" Perguntei.
"Seus pais estão conversando no jardim. Tem como eles me verem saindo."
"Então eu vou até lá falar com a antes que mandem alguém me buscar aqui." me deu a mão e eu consegui me levantar. "O Nicholas te liga quando eles saírem de lá."
Ele abraçou-me e acariciou meus cabelos. Depois encostou os lábios no meu, dando-me um beijo rápido.
"Vá." Ele se afastou de mim e eu saí da academia.
Passei pelo jardim e vi meus pais. Mamãe acenou chamando-me para perto e eu me aproximei dela.
" e chegaram. Estão te esperando na biblioteca."
"Eu to indo pra lá." Sorri e me virei em direção à porta de casa.
"Onde você estava?" Meu pai perguntou.
"Na academia." Olhei para ele quando respondi.
"Com essas roupas?" Ele me olhou de cima a baixo e pude ver que reprovara o estilo que eu adotara para aquela tarde.
"Eu tomei uma ducha e me troquei lá mesmo. Minhas malhas ficam guardadas na academia." Tentei não desviar os olhos dos dele e manter minha voz firme. Realmente minhas roupas ficavam lá, mas eu não tinha feito exatamente o que tinha dito.
"Claro." Ele sorriu. "Seus amigos devem estar te esperando."
"Nicholas está com eles?" Perguntei olhando minha mãe.
"Está sim. Mas acho que daqui a pouco vai até a casa do ."
Eu ri. Achava muito engraçado ouvir meus pais chamando meus amigos pelos apelidos. Eles costumavam ser tão formais!
"Então já vou. Tenho que liberar logo o Nick. Ele já deve estar se perguntando onde eu me meti."
Saí de perto de meus pais sem esperar mais respostas. E torci para que eles saíssem logo dali. Meu irmão tinha que ligar para quando tudo estivesse certo. Se eles não voltassem logo para dentro de casa, meu irmão teria de arranjar uma nova maneira para tirar da academia.
Quando entrei na biblioteca, nem dei oi à e ao . Fui correndo explicar a situação ao meu irmão. Não queria que encontrassem na academia. E meu pai me olhara como se estivesse desconfiando de algo. Não sabia se, com minha desculpa, eu o havia convencido de estar sozinha.
"Nick, dê um jeito de tirar daquela academia agora."
"Como assim, , o que está acontecendo?" olhava para mim e, acredito que vendo como eu estava desesperada, começou a desesperar-se também.
"Eu explico depois, . Só tenho que tirar de lá, antes que meu pai resolva começar a malhar."
", calma." Nick colocou as mãos em meus ombros e olhou-me nos olhos. "Acabei de falar com ele. Ninguém apareceu na academia."
Olhei para .
"É verdade do Nick? Ele tava conversando com o ?"
", calma. Você tá desesperada por besteira. O Nick tava no telefone agora com o sim. Acalme-se." acariciava a mão de e tentava me acalmar.
"Nick..." Eu fixei meu olhar no dele e respirei fundo. "O papai acabou de me perguntar onde eu estava. Eu disse que estava na academia. Sei que ele me viu saindo de lá, não tinha como eu mentir. Se fizesse isso seria pior. Mas acho que ele está desconfiando, Nick... Você sabe como o papai é. Não consigo mentir pra ele. Não sei se gaguejei ao responder, não sei se consegui manter meus olhos nos dele..."
", calma." Nicholas beijou minha testa. "Vou ligar de novo pro ." Ele pegou o celular e pude ver que discava meu número. "Você não esqueceu que ele tá com seu celular, né?" Nicholas tentava descontrair, mas eu não conseguia rir.
Meu desespero era muito grande. Podia até ser por besteira, mas eu não conseguia me controlar. Se meu pai encontrasse na academia, com certeza contrataria mais seguranças, ou, pior, me mandaria pra algum lugar alegando à minha mãe que eu precisava de férias.
Outra coisa que eu não conseguia entender em tudo isso era o porquê de meu pai não dizer nada sobre o que vira no ano anterior para minha mãe. Com certeza, se ela soubesse, já teria conversado comigo sobre isso. E ela não o havia feito.
"Tá tudo bem, ?" Ouvi Nicholas perguntar. "Vou dar uma olhada e te aviso." Tentei ouvir a voz do meu , mas não conseguia. Nick foi até a janela que dava para o jardim. "Tá tudo tranquilo por aqui. Já vou pegar o carro. Eles saíram do jardim e estão vindo em direção à casa." Eu suspirei aliviada. "Quando eu estiver no carro, eu te aviso pra sair." Ele desligou o telefone e me olhou.
"Tá, eu sei. Desesperei-me à toa." Sorri.
"Você não precisava ter feito toda aquela cena, dona ." Ele riu e pegou a chave do meu carro que estava na mesinha de centro. "E eu sei dirigir." Ele riu.
"Eu sei que você sabe, Nick."
Sentei no sofá mais próximo tentando controlar meus batimentos cardíacos mais uma vez naquele dia. se aproximou de mim com ao seu lado.
"Agora a senhorita vai me explicar o que está acontecendo."
Ela não me deixaria quieta até saber de tudo. Por isso expliquei rapidamente a história. Não entrei em detalhes, só a deixei sabendo dos últimos acontecimentos.
"Então o e o Nick conseguiram despistar o cara que tudo vê?" ria.
"Conseguiram. Eles são incríveis nessas coisas."
"Eu sou fã do seu irmãozinho." Ele não conseguia parar de rir.
odiava o Zac com todas as forças. No meu aniversário de 17 anos, Zac o encontrou bêbado na piscina e avisou ao meu pai. A mãe de , apesar de ser a pessoa mais adorável na face da Terra, não ficou muito feliz com isso e cortou a mesada do meu amigo ao meio. ganhava muito, não teve uma grande diferença no orçamento dele, mas só por Zac tê-lo dedurado, começou a sentir uma raiva muito grande do segurança preferido de meu pai.
", por favor, acalme-se." revirou os olhos. "Ele odeia o Zac até hoje."
"A gente percebe isso, ." Comecei a rir também.
achava besteira, mas eu concordava com : Zac era uma pedra em meu sapato e o que eu pudesse fazer para atrapalhá-lo no trabalho eu faria. com certeza me ajudaria se eu quisesse colocar laxante na comida dele. E eu começava a pensar em fazer aquilo.
"Será que deu tudo certo?" perguntou tentando sair do assunto.
Aquilo só fez com que eu me apavorasse.
"Ah, ! Não vá ficar preocupada!" olhou-me parando de rir. "Poxa, , você tinha que lembrar a disso? Agora ela vai ficar com aquela cara apavorada que não me faz bem nenhum."
Ele conseguiu fazer com que eu sorrisse, mesmo que fosse um sorriso amarelo.
"Posso usar seu celular?" Perguntei para .
"Claro." Ele tirou o aparelho do bolso e me entregou.
Disquei para meu próprio número e aguardei um pouco até atender. Ao ouvir a voz dele, suspirei.
"Tá tudo certo com vocês?"
"A gente já tá chegando no . Pode ficar despreocupada, ." disse com a voz mais doce possível.
"Ninguém viu você saindo da academia, então?"
"Não. Deu tudo certo. Daqui a pouco eu chego em casa."
"Que bom que tudo correu bem." Sorri.
"Eu te disse que ia dar tudo certo, ." Ouvi a voz de meu irmão. Eu devia estar na viva-voz.
"Nick?" Perguntei para confirmar.
"Viva-voz, irmãzinha. quis dirigir. E atender ao telefone ao mesmo tempo porque era você. Eu não podia dizer não. Ele é meu primo preferido." Nicholas e riram.
"Que bom que você está dirigindo ." Eu ri. "Não acho que seja certo meu irmãozinho de 15 anos sair por aí fazendo isso."
"Eu sei dirigir muito bem, ." Nick lembrou-me.
"Eu sei que você sabe, Nick. Vou esperar vocês aqui. E faça hora na casa do , Nick. Temos que disfarçar."
"Eu sei o que tenho de fazer também, . Vejo você em casa."
"Até mais, ." Ouvi dizer e sorri ao desligar o telefone.
"Tudo certo então?" perguntou.
"Não havia necessidade de fazer cena. Mais uma vez." Eu disse rindo. "Deu tudo certo. deve chegar em meia hora."
Ouvi alguém abrindo a porta e me virei. Era meu pai.
", ..." Ele sorriu. "Posso pegar emprestada por um momento?" Meu coração foi a mil. Eu assenti e fez o mesmo, mas olhando meu pai. "Estou no meu escritório." Ele avisou e saiu.
"Deu errado." Engoli em seco. ", ligue pro . Não o deixe voltar. Pelo menos não por agora."
Saí da biblioteca e andei o mais devagar que pude até o escritório de meu pai.
Quando entrei, ele estava em pé atrás de sua mesa e me olhava fixamente.
"Feche a porta."
Fiz o que ele mandara e o olhei.
"Você estava sozinha na academia?"
"Lógico, pai." Tentei manter a voz firme.
"Malhando?"
"Obviamente." Rolei os olhos. "O que eu normalmente faço na academia, pai?" Perguntei encarando-o.
"Não me responda com outra pergunta, . E não minta. Você sabe que odeio mentiras." Ele tinha um olhar furioso. "O que você estava fazendo na academia e quem estava com você?"
"Não havia ninguém na academia além de mim e eu estava malhando. Andei um pouco na esteira e fiz abdominais. Nick me ligou pra avisar que e estavam me esperando. Tomei uma ducha, vesti esta roupa e saí. Foi nessa hora que encontrei com o senhor e com a mamãe no jardim." Confirmei minha mentira mais uma vez.
Ele poderia estar tentando achar um jeito de encaixar na história e se fosse isso, eu dificultaria o máximo possível.
"Eu odeio mentiras, . Você, como minha filha, sabe muito bem disso."
"É por isso que estou dizendo a verdade, pai. Eu não mentiria pra você." Tentei mais uma vez continuar na minha mentira. "Posso voltar pra biblioteca? Tenho visitas."
"Sua mãe viu entrando no seu carro com Nicholas. E ele estava saindo da academia."
Meu coração disparou.
"Impossível, pai!" Me fiz de desentendida. "Eu estava lá sozinha. Nem sei onde está. Nicholas me disse que ele havia saído enquanto eu estava no banho."
"Sua mãe não é louca." Ele continuava insistindo.
"Nem eu, pai. Não vi em nenhum lugar da academia."
"Sua mãe não é cega, ."
"Eu também não, pai. Se ele estava lá, se escondeu ao me ver entrar. Depois que você começou a colocar obstáculos, ele começou a se afastar de mim, pai. Odeio te contar essas coisas, mas é verdade. nunca mais foi o mesmo depois de você ter interferido nas nossas vidas. Eu já reparei que você colocou Zac atrás de mim. Pai, tem um cara de mais de dois metros prestando atenção em tudo o que eu faço!" Comecei a jogar algumas verdades. "O senhor não percebe que não tem como eu me aproximar de nem se ele quisesse?" Respirei fundo e abri a porta do escritório. Em momento algum eu saí de perto dela. "Agora que você já sabe que eu sei sobre o brutamontes me vigiando, tenho que ir. Tenho visitas e não vou deixá-los me esperando por muito tempo. Não sou igual o senhor, papai."
Bati a porta quando saí e tentei conter lágrimas que escorriam por meu rosto enquanto voltava para biblioteca. Tive que parar algumas vezes para respirar normalmente; quando me lembrava de meu pai dizendo que minha mãe vira saindo da academia, eu me desesperava e tinha de parar.
Quando finalmente consegui chegar à biblioteca, correu até mim me abraçando. também veio logo atrás dela e fez um carinho em meus cabelos.
"Ligue pro , . Diga que ele já pode voltar." Afastei-me do abraço de minha amiga e limpei meus olhos. "Minha mãe o viu saindo da academia." Expliquei.
"E você fez o quê?" perguntou.
"Menti, . Disse que estava sozinha lá. Que estava malhando. Que não vira na academia."
"Ele acreditou?"
"Não sei. Mas consegui jogar algumas verdades na cara dele e saí de lá sem estar em alguma espécie de castigo ridículo que ele sempre inventa para mim." Sorri, tentando conter as lágrimas mais uma vez. "Ele sabe que eu sei sobre o Zac e que eu não estou nem um pouco satisfeita com isso..."
me abraçou mais uma vez e eu tentei não chorar.
"Preciso lavar meu rosto, tomar uma água..."
"Vou te levar até seu quarto, ." Ela me olhou com um sorriso sincero. "Vai dar tudo certo, pode ficar calma. , já conseguiu falar com o ?"
Eu nem prestara atenção no que estava fazendo. Ele ligara para e eu não tentei, em momento algum, escutar a conversa. Vi que ele confirmou e depois se sentou no sofá.
"Ele já estava aqui perto, deve chegar por agora. Eu o espero aqui."
assentiu e me levou até meu quarto. Consegui passar uma água no rosto e me controlar.
", tem como trazer o aqui?" Perguntei respirando fundo. "Tem que olhar se o Zac tá aqui na porta..."
"Claro, . Vou descer e trazer uma água pra você. Dou um jeito de trazer o também."
Sorri sincera.
"O que seria de mim sem você?"
Ela sorriu também e saiu de meu quarto. Olhou de novo para mim, dizendo que não tinha ninguém lá fora.
Eu aguardei deitada em minha cama e parecia que o tempo não passava. Eu verificava as horas a cada meio segundo. Não conseguia desviar meus olhos de meu relógio de pulso. Tomei um susto quando ouvi a porta de meu quarto se abrindo.
Lá fora estava sorrindo. Seus olhos brilhavam e ele entrou em meu quarto indo até mim e abraçando-me com toda a força que ele tinha.
"Minha mãe te viu saindo da academia, ." Minha voz saiu abafada. Eu estava com o rosto no peito dele. "Meu pai desconfiou." Consegui afastar-me e olhar nos olhos que me hipnotizavam. "Ele deve te chamar até o escritório dele. Eu não disse que você estava comigo. Jurei que estava sozinha malhando. Disse que eu fiz esteira e depois alguns abdominais..."
"Calma, ." Ele acariciou meu rosto e sorriu. "Vai dar tudo certo, eu já sei o que falar se ele me perguntar."
"Mas você tem que saber o que eu disse. A gente tem que continuar com essa mentira, . Ele não pode desconfiar."
"Você vai me explicar o que falou, mas não agora. Se você tocar neste assunto de novo, ... Não quero te ver chorando." Ele limpou uma lágrima que escorria por meu rosto. Eu nem reparara que estava chorando. "Acalme-se um pouco."
Eu respirei fundo e vi que e estavam no meu quarto também.
"A gente não pode ficar lá fora, né, ? Alguém pode ver..." disse revirando os olhos.
"E acabei de me lembrar da sua água. Desculpe..." disse batendo em sua própria testa.
"Sem problemas, ." Sorri pra ela. "E se te procurarem, ?" Perguntei assustada.
"Estou no meu quarto tomando um banho." Ele sorriu.
Eu ficava impressionada com a capacidade que tinha para pensar em tudo antes de fazer qualquer coisa. Não senti a vontade de fazer mais nenhuma pergunta. Apenas permaneci embalada nos braços de enquanto ele me acariciava tentando fazer com que eu me acalmasse.
"Ah, ..." Murmurei depois de um tempo.
"O que foi, ?" Ele perguntou beijando minha testa.
"Pensei que tudo estava perdido." Consegui finalmente olhar em seus olhos. Eles continuavam me hipnotizando.
"Mas não está." Ele sorriu e encostou seus lábios nos meus.
"..." Escutei falar.
"Pois não?" respondeu ainda olhando para mim.
"Não é pra te atrapalhar em nada, mas acho que seu banho tá ficando longo demais." Ela olhou pra que estava parado na porta do quarto. "E acho que arranjamos uma brecha. Zac foi ao banheiro."
sorriu para mim e se afastou depois de, mais uma vez, selar meus lábios com um beijo.
Eu continuei sentada em minha cama vendo-o se afastar.
"A gente se vê no almoço. Não vai demorar" Ele avisou antes de sair do quarto.
foi com ele. Imaginei que isso era necessário. Se alguém estivesse chegando perto, seria melhor se estivesse ao lado dele.
Coitado de . Meu pai iria vigiá-lo ainda mais. Na verdade, coitados de nós dois. Seria pior do que se estivéssemos cada qual em sua casa. Pelo menos assim nós conversávamos mais. Papai não tinha coragem de tirar meu celular de mim. Nem meu computador. E se ele o fizesse, eu me corresponderia com por cartas. Para mim, não havia algum problema. Era até romântico.
Ri com meus pensamentos.
"O que foi?" sorriu ao me perguntar.
"Eu sou uma boba romântica, ."
"Todo mundo sabe disso, . Você foi a última a perceber." Ela fez uma careta. "Vamos descer?"
"Claro."
(n/a: coloque para carregar: Our Time Now – Plain White T's)
Quando eu e chegamos à sala de jantar, todos já estavam nos esperando. realmente tomara um banho. Estava usando uma camisa social preta de manga curta e uma calça jeans larga ainda com o cinto de rebite que usara mais cedo. Ele conseguia ser bem rápido quando precisava. Ou talvez eu demorasse tempo demais para me arrumar.
se levantou para puxar uma cadeira, que estava ao lado de , para que se sentasse. Vi que queria fazer o mesmo, mas eu o entendia. Na frente de tanta gente, ele não poderia fazer nada.
Meu pai me olhou feio quando me sentei ao lado de , na cadeira que Nicholas havia reservado. Eu fingi que aquele olhar não fora para mim.
Dei mais uma olhada na mesa: minha mãe, mais uma vez, conversava animadamente com minha tia Claire. Elas riam e continuavam cochichando como duas adolescentes. Tio Anthony tentava fazer com que meu pai prestasse atenção no que ele tentava contar. Já papai... Papai não tirava os olhos de mim. Sempre tentando achar algum movimento de que mostrasse que ele, realmente, passara a tarde comigo na academia.
Quando o almoço foi servido, meu pai desviou o olhar de mim e eu me senti um pouco mais aliviada. Olhei pro meu prato. Bacalhau. Eu odiava peixe. Qualquer tipo de frutos do mar me deixava enjoada. O cheiro penetrava minhas narinas e meu estômago embrulhava. Já informara muitas vezes aos cozinheiros que quando o prato fosse algo desse gênero, não levassem comida para mim. Mas naquele dia eu não me irritei. Apenas afastei um pouco o prato. Olhei para meu lado direito e vi que fazia a mesma coisa.
"Eu não gosto." Ele falou sem desviar os olhos do prato. Não levantaríamos suspeitas, claro.
Eu sorri.
"Nem eu." Concordei.
"É. Eu me lembro daquela vez no Brasil. Pediram lagosta e não nos avisaram..."
"E nós aproveitamos para sair juntos, apenas os dois..."
Eu olhei pro rosto dele e vi que havia um sorriso. Logo voltei minha atenção ao meu prato.
"Vamos fazer a mesma coisa hoje."
"Mas meu pai nunca nos deixaria sair sozinhos."
"Quem disse que vocês vão sozinhos?" Nicholas falou atraindo minha atenção para o lado em que ele estava sentado. "Eu também posso não gostar de bacalhau." Piscou e sorriu marotamente. "E acho que e também reprovavam a comida."
Olhei de novo para o lado em que estava e sorri ao perceber que e haviam afastado os seus pratos também.
"Mãe..." Eu olhei pra frente sorrindo.
"Sim?"
"Nós vamos procurar um restaurante." Avisei incluindo meu irmão, e meus amigos no nós.
"Como assim?" Papai perguntou olhando-me de esguelha.
"Ora, papai... Eu não como frutos do mar. E acho que essas quatro pessoas não comem também." Fixei meu olhar no dele.
"Claro, filha. Vão." Minha mãe respondeu. "Não vamos deixar os convidados com fome."
"Não, vocês não vão." Meu pai disse fazendo com que parasse de se levantar. "Sentem-se de novo, vou mandar que façam algo que os jovens gostem."
"Não se importe com isso, Benjamin." Tio Anthony disse estranhando a atitude de meu pai. "Deixe-os ir. É bom que tenham um tempo só deles." Ele virou-se para mim e sorriu. "Vá, minha querida. E demorem o quanto quiserem."
Meu pai não encontrou objeção. Não poderia. Se ele falasse mais alguma coisa, as pessoas poderiam desconfiar. Ninguém sabia sobre mim e . Apenas o papai.
conseguiu se levantar sem tomar um susto e se juntou a todos nós.
Quando chegamos à garagem, nos dividimos. , e Nick resolveram ir no carro de para deixar eu e sozinhos por mais alguns minutos.
"Até que seu sogro anda nos ajudando muito." disse rindo enquanto eu colocava o sinto de segurança.
Aquelas palavras fizeram meu coração acelerar.
"Meu sogro?" Perguntei tentando controlar minha respiração.
"Não é isso que meu pai é pra você?" Ele perguntou me olhando nos olhos.
"Seu pai é meu sogro?" Eu sorri ao sentir que aproximava seu rosto do meu.
"Nós estamos namorando, não estamos?"
"Acho que sim." Ele encostou seu nariz no meu fazendo com que eu fechasse meus olhos. "De um jeito bem estranho..." Completei.
riu antes de beijar meus lábios. Mas o beijo não durou muito. Logo ele já estava se afastando de mim e dando a partida no carro. Eu ainda sorria.
Ao sairmos de casa, colocou uma de suas mãos em minha perna. Olhei para ele enquanto dirigia: estava sorrindo e ao mesmo tempo muito concentrado no que estava fazendo.
"Como assim namorando de um jeito estranho?" Depois de um tempo de silêncio ele murmurou.
"Escondido." Rolei os olhos.
"Várias pessoas fazem isso, ." Ele me olhou de esguelha e deu aquele sorriso torto que eu tanto gostava. "Lembra de quando o começou a namorar a Madison?"
"Eles não são primos, ." Falei já com a voz séria.
"Mas namoravam escondido." Ele estacionou com uma facilidade muito grande ao lado do carro de . Depois olhou para mim, fixando aqueles lindos olhos nos meus.
Eu sabia que não resistiria ao que ele falasse.
"E ser primos nunca atrapalhou em nada pra gente."
"Eu sei que não, ." Disse sorrindo. "Nem nunca vai atrapalhar." Completei sabendo que só aquilo não faria um efeito muito grande.
"Nós ainda vamos casar, ." Ele sorriu ao abrir a porta e sair do carro.
Enquanto pegava minha bolsa, ele deu a volta e abriu a porta para mim. Saí e encontrei com todos em pé nos esperando.
"Até que em fim. Quase não consegui resistir ao bacalhau." disse rindo. "O que eu não faço por vocês?"
"Obrigada, ." Eu agradeci com um sorriso no rosto. "Não sei o que seria de nós sem vocês."
"A gente tinha que fazer isso, né, ? Ao ver que era bacalhau eu não pensei em outra coisa. Cutuquei o e empurrei o prato." riu enquanto me contava.
"O deve vir também." Nicholas avisou. "Ligamos pra ele."
"E a Madison?" Perguntei.
"Com certeza vem junto." disse com um sorriso. "Por que a gente não chama a Brianna também?"
"Ah, não!" disse fazendo uma careta. "Se Brianna vier, o vem também e aquela peste já me encheu muito a paciência na sua casa hoje."
Todos riram.
"Como o consegue ser tão insuportável?" perguntou enquanto entrávamos no Outback.
"Não sei..." Respondi sorrindo.
Eu e estávamos de mãos dadas. Na frente de todos, sem precisar esconder. Era o momento que mais gostávamos: quando podíamos ser nós mesmos. Mostrar a todos que éramos um casal feliz. Eu adorava aquilo. também.
Sentamos numa mesa mais afastada. Ninguém se separou ali. Ficamos todos juntos. Nicholas iria ficar sozinho em qualquer uma das mesas então resolvemos continuar em grupo. Madison e chegariam em alguns minutos, então escolhemos uma mesa com vários lugares.
"Nicholas, por que você não sai com minha irmã?" perguntou enquanto esperávamos nossas porções de batatas.
"Com a Peyton?" Nick perguntou levantando uma sobrancelha.
"Qual o problema?" perguntou. "Ela é bem legal!"
"Tem sua idade e está solteira." completou.
"Eu apoiaria um namoro." Sorri encostando a cabeça no peito de .
"É, ela é legal." Nick abriu um sorriso. " e Madison chegaram!" Apontou para duas pessoas se aproximando.
"Oi!" Eles disseram juntos quando se sentaram com a gente.
"Já pediram aquela cebola grande?" perguntou e riu.
"Claro que não! Ninguém gosta daquilo, só você." Madison disse brincando com o namorado.
"A gosta!" Ele apontou para mim e eu assenti. "Não disse que eu não era o único?"
"É, Madison... Eu gosto também. Mas a gente só pediu a batata frita gigante com bacon e cheddar, tá bom assim, ?"
"Tá ótimo!" sorriu.
"?" sussurrou em meu ouvido e eu arrepiei. "A gente pode ir lá fora?"
Eu olhei para ele e assenti.
Ele falou alguma coisa, baixo o bastante com para que apenas ele ouvisse e se levantou pegando minha mão.
"A gente vai ali fora rapidinho." Ele avisou e todos sorriram. "Liga pra Peyton. O coitado do Nick sempre fica sozinho."
Nick fechou a cara e mostrou o dedo do meio para .
"Me respeite, Nicholas Benjamin. Além de seu primo, sou seu cunhado." Ele sorriu triunfante.
"Isso não diz nada, ."
não respondeu. Apenas me guiou para seu carro.
"Não se preocupe. Nós vamos voltar para almoçar."
"Não me importa. Ficaria sem comer o tempo que fosse pra ficar ao seu lado." Sorri.
"Você tem que cuidar de sua saúde também. Não apenas pensar em ficar comigo o tempo inteiro."
"Tenho que aproveitar, . Segunda já não te tenho aqui."
"Mas terá em breve." Ele sorriu marotamente e abriu a porta do carro para mim.
Eu entrei e não demorou muito para ele estar ao meu lado.
"O que quer dizer com isso?" Arqueei a sobrancelha.
"Seu sogro quer se mudar pra cá." Ele sorriu.
Eu abri meu melhor sorriso e avancei para cima dele, que riu desesperadamente.
"Calma, ..."
Eu não deixei que ele continuasse a frase, encostei minha boca na dele e iniciei um beijo. recebeu minha língua em sua boca como já estava acostumado a fazer sempre.
Mordiscava meus lábios em pequenos intervalos e intensificou mais o beijo quando eu consegui subir no colo dele. Ele começou a descer uma mão por minhas costas, colocando-a dentro de minha blusa, o que me fez arrepiar. Arranhei a nuca dele e com isso o beijo acabou. Estávamos ofegantes.
"Eu gostei disso." Ele disse ainda acariciando minhas costas.
"Eu também." Tentei controlar minha respiração. "Por que parou?" Sorri marotamente.
"Porque estamos num carro e este não é o momento. Não te chamei aqui pra isso, ."
Eu saí do colo dele e me acomodei no banco do carona.
"Como você conseguiu subir no meu colo? Eu não entendi até agora."
"Não sei, também estava com os olhos fechados." Eu fiz uma cara de pensativa e sorri para ele. "Trouxe-me aqui para o que então?"
"Conversar na frente de todo mundo não é bem o que eu queria."
"Conversar?" Perguntei arqueando a sobrancelha.
"É, ." Ele sorriu. "A gente nunca consegue conversar direito. Onde paramos mais cedo?"
"Falávamos sobre o Rob... Eu acho."
"Não. Falávamos sobre nós. O Robert entra nisso como consequência."
Eu ri.
"Você não me disse quando começou a gostar de mim."
"Não, não disse." Ele assentiu. "Pensei que já soubesse."
"Não faço ideia." Tentei me lembrar de algo do passado que me mostrasse algo do tipo, mas não veio nada em minha mente.
"No aniversário da sua mãe... Um pouco depois de sua festa de 16 anos."
"Eu ainda estava com o Robert, não tinha arranjado uma maneira de terminar ainda." Falei tentando me lembrar de mais alguma coisa daquela festa. "E você tinha uma acompanhante."
"Qual era o nome dela?" Ele me perguntou rindo.
"Não sei, . A acompanhante era sua, não minha." Fiz uma careta e liguei o som.
"Plain White T's." Ouvi falar. "Conhece?"
"Conheço." Assenti.
"É uma das bandas que eu tenho escutado ultimamente. Algumas músicas me lembram você. Presta atenção nessa." Ele passou algumas até chegar na que queria. "Our Time Now."
(n/a: coloque a música pra tocar agora.)
Eu sorri ao perceber qual era a música. Também costumava ouvir enquanto me lembrava de .
There will be no rules tonight
If there were we'd break 'em
Nothing's gonna stop us now
Let's get down to it.
Nervous hands and anxious smiles
I can feel you breathing
This is right where we belong
Turn up the music
"Eu também me lembro de você quando escuto." Assumi.
Ele aproximou seu rosto de mim e mordeu meu lábio inferior.
"Eu sinto tanto a sua falta, ." Colocou sua mão em meu rosto acariciando-o. "É tão bom ter você perto de mim."
"Oh, ." Eu sorri. "Eu também gosto muito disso."
Ele selou nossos lábios.
"Mas não fuja do assunto, espertinho. Por que começou a gostar de mim no aniversário de minha mãe?"
Ele se ajeitou no banco dele, deitando a cabeça no encosto e virando-a para me olhar.
"Eu sempre te enxerguei como prima antes disso. Nada mais. Mas naquele dia não havia como não olhar pra você. Acho que você e tinham acabado de voltar daquelas férias em Cancun..." Ele fechou os olhos e virou o rosto. Fiquei fitando seu perfil. "Você estava com uma cor irresistível. E usava um vestido amarelo que realçava muito. Seus seios também estavam bem maiores do que a última vez que eu tinha te visto." Ele sorriu e eu fiquei vermelha. "É verdade, não vou mentir. Todos os caras olham. Eu não tenho ciúmes porque você é minha namorada e sei que não daria papo pra nenhum deles, mas fico sem graça quando alguém comenta comigo sobre como seu corpo é maravilhoso..."
"Quem comenta sobre isso com você?" Meu rosto estava quente. Com certeza eu estava muito mais vermelha do que antes.
"Seus outros primos." Ele riu. "Nenhum deles imagina que nós namoramos."
Eu fiquei calada enquanto ele olhava meu rosto.
"Mas quando te vi aquele dia, ... Esqueci da minha acompanhante. Esqueci de olhar qualquer outra menina na festa. Não conseguia tirar meus olhos de você. E pra completar você ainda correu em minha direção para me dar um daqueles abraços, lembra?"
"Claro!" Corei mais uma vez e ele sorriu. "Quando comecei a gostar de você, eu te abraçava muito daquele jeito. Gostava de sentir seus braços em volta de mim." Assumi.
Ele me puxou para perto de si e me abraçou bem forte. Deu um beijo em minha testa e eu fechei os olhos.
"Foi aquele abraço e seu sorriso que fizeram eu me apaixonar por você."
continuou acariciando meus cabelos enquanto eu continuava de olhos fechados e sorria.
"?" Ele perguntou depois de um tempo.
"Oi, ." Abri os olhos e me ajeitei mais uma vez.
Ele pegou minhas mãos e olhou em meus olhos. Mais uma vez naquele dia eu me senti hipnotizada pelos maravilhosos que meu possuía.
"Eu te amo." Ele falou ao encostar sua testa na minha.
Aquela fora a primeira vez que escutei dizendo tal frase para mim. Ele me amava. Agora eu tinha a certeza que queria por tanto tempo.
Eu amava também. Mas nunca achava uma situação perfeita para falar aquilo com todas as letras para ele. Coloquei em minha cabeça que só falaria aquilo quando ele me dissesse também.
"Eu te amo também." Cumpri a promessa que fizera para mim mesma e sorri. Não apenas com os lábios para que ele visse. Meu coração também estava sorrindo.
acariciou meu rosto com toda a leveza que pôde e encostou sua boca na minha. Mais uma vez nossos lábios se encontraram numa sintonia perfeita. Meu coração batia cada vez mais forte. Até a música, que ainda tocava, eu parei de escutar. Só conseguia pensar no homem que estava em minha frente e nas três palavras que ele falara para mim antes de me beijar daquela forma.
Sim, aquele fora um beijo diferente. Com mais amor do que antes. Sempre sentia amor nos nossos beijos, mas desta vez foi totalmente diferente. Havia uma certeza por trás daqueles sentimentos que eu apenas imaginava existir.
Ficamos no carro aproveitando o momento por mais alguns minutos e voltamos pro Outback assim que percebemos que o CD já estava se repetindo.
Quando entramos, vi que todos já estavam comendo e que Peyton estava na mesa também. Ao lado de Nick. E parecia que haviam pedido mais duas porções de batatas.
"Vocês não enjoam?" Perguntei quando eu e nos sentamos, um ao lado do outro, como estávamos antes. "Toda vez que a gente vem aqui pede batata."
"Mas não é o legal do Outback?" perguntou arqueando a sobrancelha e mordendo a batatinha que colocava na frente da boca dele.
"Existe a cebola também." disse sorrindo. "Só que nunca nos escutam, . Sempre querem batata, batata e mais batata. Eu gosto da cebola, você também"
"Mas só nós dois, ." Fiz um biquinho.
Olhei pro lado e vi que conversava com da mesma maneira que fizera antes de sairmos. Encostei meu rosto no ombro dele e senti seus dedos acariciando minha cintura. Sorri.
", me acompanha até o banheiro?" tentava olhar pra mim e riu consigo mesma: e estavam entre nós.
Assenti e me levantei.
"Já venho, ." Beijei a testa dele e acompanhei .
Quando entramos no banheiro, sorriu marotamente.
"O que foi?" Me fiz de desentendida.
Eu sabia que queria que eu contasse o que eu e estávamos fazendo.
"Onde vocês estavam?"
"No carro do ." Sorri.
Antes que pudesse continuar com as tantas perguntas que ela já tinha na ponta da língua, a porta do banheiro se abriu.
Madison e Peyton entraram.
"Onde vocês estavam?" Madison já foi perguntando sem esperar a porta bater.
Eu ri.
"Vocês me impressionam. Eu ia contar tudo quando chegássemos em casa, suas apressadas! me levou pro carro dele."
"Ele se aproveitou de você?" Peyton perguntou cobrindo a própria boca e abrindo bastante os olhos.
"Não, Peyton! Claro que não, o nunca faria isso." Ri mais uma vez. "A gente só aproveitou o momento pra conversar. Quase nunca conseguimos um tempo pra nós dois..."
"Sei, ... Conversar!" rolou os olhos. "Por favor, vocês já são adultos. Pra onde ele te levou?"
"Lugar nenhum!" Abri a boca tentando falar mais alguma coisa, mas nenhum som saiu. Fiquei impressionada demais com o que elas estavam achando. "Olha, eu cheguei a subir no colo dele enquanto nos beijávamos. O clima esquentou um pouco entre nós, mas ele disse que não tinha me chamado no carro pra fazer aquilo. Queria apenas conversar!" Expliquei ainda incrédula.
"Quer dizer que você e nunca...?" Peyton franziu a testa.
"Não, Peyton. Nós nunca transamos."
"E pelo visto, também não foi dessa vez." disse desapontada.
"Não vai acontecer assim, ..."
"Mas você não é mais virgem. Ou é?" De novo Peyton perguntou.
Ela era a que menos sabia sobre minha vida.
"Não... Eu e o Robert tivemos uma vida sexual bastante ativa." Corei enquanto falava aquilo.
Costumava contar sobre minha vida apenas para Madison, e Brianna. Parecia que finalmente mais uma garota entraria na nossa pequena roda de amigas.
"Então por que até hoje não teve nada com o ?" Madison perguntou.
Eu prometera que explicaria tudo aquilo um dia, mas ainda não era a hora.
"Acho que falta uma pessoa aqui que também quer saber disso, né? Não vou explicar nada agora." Usei Brianna como desculpa.
"Claro, a Brianna..." assentiu. "Hoje você não nos escapa." Ela riu.
"Posso voltar pro lado do meu namorado então?" Fiz biquinho mais uma vez.
"Como assim namorado?!" Madison gritou e eu ri. "Ele te pediu? Oficialmente?"
"Ele falou sobre meu sogro."
Lembrei da conversa que tivera mais cedo com e contei a elas sem esconder nenhum pedaço.
Voltamos para a mesa e eu me aconcheguei nos braços quentes de mais uma vez. Ele acariciava minha cintura e beijava minha cabeça.
"Você não comeu nada..." Sussurrou em meu ouvido.
"É que eu fico tentando adiar o momento de voltar pra casa." Virei meu rosto na direção do dele e sorri olhando em seus olhos.
"E quem disse que nós vamos voltar pra casa?" Ele sorriu e seus olhos brilharam.
"O que você pensou dessa vez, ?" Perguntei arqueando uma sobrancelha.
"Festa na casa do ." Ele riu e colocou uma mecha dos meus cabelos atrás de minha orelha.
"Mas e se meu pai mandar Zac pra casa do ?" Perguntei franzindo a testa.
"Nós vamos sair daqui e ir direto para a casa dele. Só vamos avisar seu pai que estamos lá um pouco antes da festa começar. E se, mesmo assim, Zac aparecer, não o deixará entrar, a festa também é da mãe dele, na verdade é da irmã dele, mas... Enfim, temos tudo sob controle." Ele sorriu.
"Mas e a tia Megan? Vai nos ver?"
"Ela já sabe sobre nós." Ele sorriu. " explicou tudo e ela apoia nosso namoro. Quer que dê tudo certo, não vê problema nenhum."
Olhei pra e vi que ele sorria. Com certeza escutara minha conversa com .
"Minha mãe é liberal pra essas coisas. E ela tem uma quedinha por romances impossíveis. Sempre pronta pra ajudar." Ele colocou a língua pra fora fazendo uma careta.
"Tinha que ser sua mãe mesmo." Sorri e senti apertando minha mão na dele.
Ficamos mais algum tempo no Outback esperando Peyton terminar de discutir com , mais uma vez sobre aquele assunto ridículo de decidir se a cebola era melhor que a batata ou se a batata era melhor que a cebola. Como eu não quis entrar na briga apoiando , Peyton saiu vitoriosa.
Chegamos à casa de um pouco depois das três da tarde. A mãe dele já esperava por nós com a casa parcialmente pronta para uma festa. Eu sabia como a tia Megan adorava uma farra, por isso não assustei quando vi o quão animada estava.
"Eu me pergunto como não consegui descobrir sozinha..." Ela franziu a testa fitando e eu de mãos dadas.
"Ah, tia Megan, meus amigos provaram mais uma vez que sabem guardar um segredo." Sorri sincera ao abraçá-la. "Se soubesse que você aceitaria tão bem como eles, eu mesma já teria te contado há mais tempo."
Ela me olhou sorrindo e depois voltou seu olhar a . Foi quando ela fechou a cara e fez o papel de minha segunda mãe.
"Trate bem dessa menina porque ela merece. Entendeu, ?"
"Claro, tia Megan. Eu nunca faria mal algum à ela. A é tudo na minha vida."
"Não começa a deixar tudo melado demais, !" gritou da cozinha.
Escutei risadas vindo de lá. Provavelmente todos o acompanharam deixando eu e conversar com a tia Megan. E eu já podia imaginar o que eles estavam fazendo. Bom, pelo menos o devia estar procurando mais alguma coisa pra comer.
"Não vá sujar minha cozinha, !" Tia Megan falou no mesmo tom que o filho. Depois se virou para mim e . "Vou ligar pro Benjamin avisando que já estão aqui."
"Mas..." Comecei a falar e fui interrompida.
"Seu segurança nunca vai entrar nesta casa, eu não permitiria!" Ela piscou para mim, pegou seu celular e saiu da sala, deixando-me apenas com .
"Você sabe que seu pai não conta sobre nós para ninguém, ." Ele pegou meu rosto entre suas mãos fazendo com que eu encarasse aqueles olhos hipnotizantes que só ele tinha. "Se ele não quiser que você fique, a tia Megan vai querer saber os motivos e ele não vai ter como explicar. E se ele resolver mandar o Zac..." revirou os olhos e eu ri. "Ela provavelmente vai falar que é um absurdo, que nunca houve problema algum nas festas que ela deu e todo aquele blá, blá, blá de sempre..."
"Parece que você sempre pensa em tudo..." Eu disse ainda o encarando.
"Nah..." Ele fez uma careta fofa. "Seu pai que é bem previsível!" Rolou os olhos mais uma vez, antes de puxar meu rosto em direção ao dele e beijar meus lábios. Escorregou as mãos por meu corpo até minha cintura e colou meu corpo ao dele acabando com o espaço entre nós. Eu tinha os braços em volta de seu pescoço e meu coração batia cada vez mais acelerado em meu peito. Sorri durante o beijo e ele se afastou um pouco olhando nos meus olhos. "O que foi?" Ele abriu um meio sorriso acariciando minha cintura.
"Nada, ... Eu só estou feliz." Expliquei acariciando a nuca dele. "Pelo menos a tia Megan apoia nosso namoro."
"Eu também tô feliz, ." Ele encostou a testa na minha e sorriu fechando os olhos. "E quero aproveitar nosso momento a sós." Voltou a selar nossos lábios e recomeçou o beijo que eu interrompera.
's POV:
"A gosta!" apontou para a e pude ver que ela assentiu. "Não disse que eu não era o único?"
"É, Madison... Eu gosto também. Mas a gente só pediu a batata frita gigante com bacon e cheddar, tá bom assim, ?" perguntou olhando pro .
Ele sempre insistia em entrar nessa briga por causa de gosto de comida. Prometi a mim mesmo que nunca mais voltaria ao Outback com ao meu lado. Ele costumava ser insuportável quando o assunto era batata contra cebola.
"Tá ótimo!" Ele sorriu idiota.
Olhei pro lado e vi sussurrando no ouvido da , ele devia estar chamando-a para dar uma volta e eu poder contar o plano para os demais presentes. Eu sempre ficava com a parte difícil. Isso não era legal!
Depois que a fez que sim com a cabeça com aquele olhar meio apreensivo dela, se aproximou de mim.
"Vou levar a lá fora um pouco. Faz o que a gente combinou agora, ela não vai se importar..."
Apenas assenti e vi que estava ouvindo a conversa. O sorriso naquele rosto perfeito dela se abriu quando ela percebeu sobre o que estávamos falando. A ideia, claro, saíra da cabecinha da minha linda nenenzinha.
"A gente vai ali fora rapidinho." avisou pra galera. "Liga pra Peyton. O coitado do Nick sempre fica sozinho."
Hilário e verdade! Nicholas sempre sobrava na nossa roda de amigos, eu já começava a ficar com dó do coitado.
Ele fechou a cara e mostrou o dedo do meio para .
"Me respeite, Nicholas Benjamin. Além de seu primo, sou seu cunhado." Pude apenas ouvir respondendo. Já estava pegando meu celular e mostrando pra qual o número pro qual eu ligaria assim que eles saíssem: minha mamãe.
"Isso não diz nada, ."
saiu deixando Nicholas com raiva na mesa. E aquilo não foi muito bom para mim. O mais difícil seria convencer Nick de que o mais certo a fazer era aquilo.
"Se vocês quiserem que dê tudo certo pra e , é melhor escutarem a ideia." explicou e eu senti um alívio por não precisar começar aquela conversa.
"Ideia?" Nick perguntou arqueando a sobrancelha.
" conversou sobre isso só com nós dois." Comecei a explicar. "Na verdade, foi a que pensou em tudo." Fechei os olhos e respirei fundo. "Vou contar... Sobre os dois. Pra minha mãe." Falei entre espaços.
"Tá louco, ?" Nick me olhou com raiva. " já sabe disso?"
"Não... Ela não me deixaria falar se soubesse..."
"Então você não vai falar nada. Tô aqui pra defender a opinião da minha irmã."
Nicholas conseguia ser um pé no saco quando queria.
"Ela vai mesmo ficar morrendo de raiva." Madison disse mordendo o lábio inferior.
"Ou não!" disse e eu respirei aliviado. Pelo menos ela estava ao meu lado e saberia fazer a cabeça daquelas pessoas. "Vocês conhecem a Megan. Sabem como ela é mais do que qualquer um quando o assunto é romance... Quem ajudava vocês no início do namoro?" Isso! Agora ela pegou no ponto fraco de e Madison, eles eram eternamente gratos à minha mãezinha por causa disso.
"Tia Megan... Mas isso não vem ao caso, . Nós não somos primos." respondeu.
"Como se isso fosse um grande problema..." Rolei os olhos. "Minha mãe não se importa com isso. Eu conheço a dona Megan, sei como ela é. Adora ajudar casais que se amam, e quando isso é impossível ela fica mais eufórica ainda."
"O que isso vai ajudar?" Nick me perguntou.
"Primeiro: lugar para que eles se encontrem. Segundo: motivos para tirar seus pais e seus tios de casa. Terceiro: um jeito de fazer Zac ficar o mais distante possível da ..." Comecei a enumerar as consequências daquilo.
"Tá, vai em frente, faz o que você achar melhor." Ele se rendeu.
Apertei o send no meu celular e o coloquei no ouvido esperando minha mãe atender.
"Oi, filho!" Escutei a voz de dona Megan.
"Mãe, preciso..."
"Onde você está?" Ela perguntou sem eu poder começar o discurso.
"Outback. O almoço na ..."
"Eu estou aqui perto com a Peyton. Vou passar ai pra te ver então, ."
Olhei para todos na mesa enquanto fechava o slide do meu celular. Todos me olharam sem entender nada.
"Ela tá aqui perto com a Peyton. Já devem estar entrando." Revirei os olhos e olhei pra . "Típico!"
riu e encostou a cabeça em meu ombro. Coloquei meu braço em volta de sua cintura e a puxei mais pra perto.
Não passaram nem dois minutos e minha mãe entrou, acompanhada por minha irmã. Foi até a mesa e deu um beijo no meu rosto.
"Oi, galera!" Ela riu e acenou para todos. Mais uma coisa típica de minha mãe.
"Senta aqui, Peyton!" Nicholas mostrou o lugar vago ao seu lado e sorriu. Eu sabia que aquele garoto tinha uma quedinha pela minha irmã.
"Do que você disse que precisava mesmo?" Minha mãe me perguntou enquanto se sentava ao meu lado no lugar de .
"Eu não disse, mãe. Você não deixou." Eu fiz uma careta e logo sorri ao vê-la bagunçando meus cabelos.
"Então diga agora."
Comecei a contar tudo sobre e , desde o início até hoje, de um jeito bem resumido e ela me ouviu atentamente só abrindo a boca para soltar alguns "ah..." e outros "não acredito!". Expliquei tudo em um minuto e meio. Eu sabia que não tinha muito tempo.
"Então eu só preciso ajudar aqueles dois a esconder tudo?" Ela abriu um sorriso, assim como eu já imaginara que faria. "Mas é claro que eu ajudo! Nada como um romance proibido!"
Rolei os olhos. Minha mãe conseguia exagerar em tudo.
"Hoje farei uma festa lá em casa. A Peyton veio na rua me ajudar com os preparativos. Na verdade a festa é pra ela, mas eu gosto de falar que eu vou dar a festa. Então todos vocês podem ir. Seus pais não vão, Nick. Podemos acobertar a e o ."
Claro que ela já tinha ideias. Era minha mãe... Eu a conhecia perfeitamente bem para saber que nos ajudaria desde o início.
Ela explicou o que devíamos fazer naquela tarde e depois se despediu de todos nós, deixando Peyton aproveitar nosso almoço. Tivemos que pedir mais duas porções de batatas porque minha mãe fizera a festa por ali também. E e ainda não haviam comido nada.
Depois de uns dez minutos que minha mãe saiu, pude vê-los voltando.
"Vocês não enjoam?" perguntou assim que se sentou com ao lado dela. "Toda vez que a gente vem aqui, pedimos batata."
"Mas não é o legal do Outback?" Arqueei a sobrancelha e perguntei pra quando colocou uma batatinha perto de minha boca. Dei uma mordida na pontinha dela.
"Existe a cebola também." Com certeza era o falando, ele tinha uma paixão incondicional por aquela cebola que até hoje eu não entendi. "Só que nunca nos escutam, . Sempre querem batata, batata e mais batata. Eu gosto da cebola, você também."
"Mas só nós dois, ." Pude ouvir falando.
Senti me cutucando e me virei para conversar com ele. Mais uma vez ele veio com aquele tom baixo de voz para que apenas nós dois escutássemos.
"Conseguiu conversar com sua mãe?" Ele perguntou.
", me acompanha até o banheiro?" Antes que eu pudesse responder qualquer coisa, chamou a . Que bom que ela entendera o que eu e queríamos fazer.
Vi se levantando e logo depois falando alguma coisa com que não pude ouvir. Provavelmente falando que não demoraria.
Quando elas se afastaram, expliquei para as ideias de minha mãe e deixei claro que ela não via problema algum. Que apoiaria o namoro dos dois e que faria de tudo para ajudá-los a passarem mais tempo juntos.
Nem vi quando minha irmã e Madison se levantaram. Só percebi que elas não estavam na mesa quando Nick e entraram na conversa.
Não pudemos falar muito porque as meninas já estavam voltando, mas conseguimos explicar tudo para .
(n/a: coloque para carregar: Yellow – Coldplay)
Eu e continuamos abraçados na sala. Estávamos sozinhos e ele acariciava minha cintura enquanto eu descansava a cabeça no peito dele.
"Que gracinha..." Escutei a voz de Brianna e sorri ao ver minha amiga ali. "Quem foi o inteligente que teve a ideia de contar pra tia Megan?"
"Oi! Acho que me chamaram..." entrava na sala com uma taça de sorvete nas mãos. "Só poderia ter sido eu, né? Óbvio!" Ela rolou os olhos e colocou a colher na boca.
"Acho que você podia oferecer, né, ?" Fiz uma cara de cínica olhando o sorvete.
"Ah, ... Nem vem! Vai à cozinha que tem pra todo mundo. E não me olha com essa cara, ." Virei um pouquinho o rosto e vi que meu pesadelo estava ali também. "Não é porque eu sou sua irmã que tenho que te oferecer ou dividir alguma coisa com você."
"Poxa, . É só um pouquinho!" Ele se fez de coitado e abraçou Brianna. "Briga com minha irmã, minha tortinha de limão."
Prendi o riso e escondi minha cara no peito de . Senti que ele também tentava parecer indiferente ao apelido. Mas não conseguimos permanecer assim por muito tempo, escutara aquilo e entrou na sala gargalhando.
"Que apelido é esse, ? Tortinha de limão?!"
Não consegui me segurar. Comecei a rir e vi que todos faziam a mesma coisa. Com exceção de e Brianna. Obviamente. Estes ficaram apenas nos olhando com suas típicas caras de bunda.
"..." Pude ver fazendo uma cara de sério enquanto olhava minha amiga. "Se algum dia eu te chamar de tortinha de limão ou de qualquer apelido ridículo, por favor, termine comigo..." Ele começou a gargalhar novamente. "Nunca me deixe te chamar dessas coisas."
beijou minha testa quando conseguiu se controlar.
"Faço minhas as palavras do ." Sussurrou no meu ouvido e riu baixinho.
Olhei pra Brianna e que continuavam nos olhando sem achar graça do que falara.
"Ah, por favor, né, Brianna? Olha do que o te chamou!" Eu disse já com minha voz normal. Sem rir.
"Eu acho fofinho!" Ela fez biquinho enquanto olhava o namorado. "Ele ama torta de limão, então eu sou a tortinha de limão dele, assim como ele é meu doughnut."
Eu rolei os olhos e fiquei calada. Por que não me lembrei antes que era o casal e Brianna que estava na nossa frente? Aquilo era bem típico deles.
"E onde está a Madison?" Escutei Brianna perguntar depois de um tempo.
"Na cozinha com o ." respondeu enquanto terminava de tomar seu sorvete. "Se vocês ainda quiserem isto aqui," apontou pra sua taça, "acho melhor irem pra lá logo."
"Vamos lá, amor?" me perguntou sorrindo.
Eu assenti e fomos de mãos dadas.
"E quem vem nessa festa?" Escutei meu irmão perguntar.
"Só algumas pessoas da minha escola. E vocês, claro." Peyton respondeu.
Então já estavam conversando assim? Eu já imaginava que meu irmãozinho tinha uma quedinha pela Peyton. Assim como Peyton, com certeza, não pensava em meu irmão apenas como um amigo. Apesar de nunca terem muito contato, de estudarem em escolas distintas e não frequentarem os mesmos lugares, eles costumavam se ver sempre que acontecia algum evento importante em minha casa ou aqui mesmo, na casa do . E eu já percebera o jeito que meu irmão olhava para Peyton. Havia desejo nos olhos dele. E eu achava aquilo engraçado.
"Ninguém que conheça os pais da , certo?" perguntou, enquanto colocava uma colher cheia de sorvete na boca da Madison - que gracinha!
"Nah..." Peyton colocou a língua pra fora, fazendo uma careta e arrancando uma risada de Nick. "Não sabem nem quem é a . Mas tem uma coisa, o também vem, tem algum problema?"
"Não..." Eu entrei na conversa e me sentei na bancada da cozinha com ao meu lado. "Ele vai ficar calado, posso garantir."
Apesar de todos acharem uma peste, ele namorava a Brianna. Era apaixonado pela Brianna e não queria pensar na possibilidade de perdê-la. Ela também amava aquele menino e, por isso, nós deixávamos participar do nosso círculo de amigos. Brianna era o motivo de ser aceito. Nós apenas estávamos esperando que ele melhorasse um pouco aquele jeito estúpido que ele tinha para que participasse mais de nossas vidas. E ele até que estava se mostrando uma pessoa melhor. Depois de cinco meses com a Brianna, já se esperava alguma mudança. Ele ficou sabendo de mim e um mês depois de ter começado a namorar a Brianna. E nunca contara sobre aquilo pra ninguém. Ela disse para ele guardar segredo e foi isso que ele fez.
Acredito que eu e , além da Brianna, éramos os únicos que, no fundo, ainda acreditávamos que, um dia, seria bem aceito por todos. Nem , que era irmã, acreditava em alguma mudança da parte do irmão. Eu achava aquilo engraçado. Ultimamente eu achava muitas coisas engraçadas.
"Se você diz..." Nick comentou enquanto terminava com sua taça de sorvete. "E por falar na peste..." Ele abafou um riso enquanto entrava na cozinha com a Brianna.
e vinham logo atrás e pude ver uma tia Megan sorridente se aproximando também.
"Peyton, seus convidados começaram a chegar! Acho bom ir recebê-los, querida!" Tia Megan disse para a filha e depois veio em minha direção. "Liguei pro seu pai... Ele gaguejou um pouco, disse que só deixaria você permanecer aqui se Zac viesse, mas eu dei um jeito em tudo!" Ela sorriu.
"O que você disse?" perguntou.
"O que nós tínhamos combinado. Disse que era um absurdo, que nunca tivemos nenhum problema em nossas festas e que eu não entendia o motivo pra colocar um segurança para vigiar a filha tanto assim... Disse que dentro da minha casa eu mantenho os olhos abertos e não preciso de outras pessoas para vigiar meus filhos e seus amigos. Que ele podia confiar em mim."
"E ele não teve como te contrariar..." Falei vitoriosa.
"Se ele fizesse isso, teria que me contar sobre vocês dois... E acho que ele não quer mesmo que as pessoas saibam disso. Benjamin tem umas atitudes tão estranhas às vezes..." Ela ia falando quando eu a abracei, arrancando risadas daquela mulher que eu tanto amava.
"Tia Megan, você é, definitivamente, a melhor pessoa do mundo!" Dei um beijo estalado em sua bochecha. "Muito obrigada por fazer isso por nós."
"De nada, minha querida. Você sabe que eu faria qualquer coisa por você. E nós estamos falando de um caso de amor... Eu tenho quedas por essas coisas!" Ela riu.
"Obrigado mesmo, tia Megan. De coração. Se não fosse por você..."
"Não precisa agradecer, . Só cuide muito bem desta garotinha aqui. Ela merece."
Nós três sorrimos.
"Agora vamos lá pra fora... As pessoas já estão chegando, a festa vai começar!" Ela falou para todos.
Eu e estávamos sentados na beirada da piscina com os pés na água. Quem olhava a cena achava que éramos duas crianças. Mas era assim que eu me sentia ao lado de : como se eu pudesse fazer o que quisesse. E era exatamente isso que ele demonstrava. Eu me sentia protegida ao lado dele, me sentia amada.
Minha calça estava puxada até os joelhos – assim como as dele – e nossos all star estavam ao meu lado. Eu ficava mexendo as pernas e, de vez em quando, fazia um movimento brusco tentando molhar , que ria e fazia a mesma coisa.
(n/a: coloque a música pra tocar agora.)
Escutei os primeiros acordes de Yellow do Coldplay tocando e sorri quando olhei pra , que fez o mesmo. O sorriso mais lindo que eu podia esperar de alguém. Ele colocou a mão em minha nuca, olhando em meus olhos, enquanto aproximava seu rosto do meu. Continuou me encarando por um tempo. Podia ver o que ele queria dizer apenas me olhando. Havia palavras de amor em seus olhos e aquilo fazia com que eu me arrepiasse. tinha um poder muito grande sobre mim. Era como se eu necessitasse dele para viver. Lembrei de respirar antes de fechar meus olhos ao ver que ele aproximava sua boca da minha, foi nesse momento que a voz de Chris Martin entrou em meus ouvidos.
Look at the stars
Look how they shine for you
And everything you do
Yeah, they were all yellow
I came along
I wrote a song for you
And all the things you do
And it was called yellow
So then I took my turn
Oh, all the things you've done
And it was all yellow
Your skin, oh yeah, your skin and bones
Turn into something beautiful
Do you know, you know I love you so?
You know I love you so...
quebrou o beijo, mordendo meu lábio inferior e sorriu quando percebeu que eu fazia o mesmo. Fiquei com cara de boba enquanto ele acariciava meu rosto e arrumava meu cabelo atrás de minha orelha.
"Eu te amo, ." Ele sorriu mais uma vez e eu encostei minha cabeça em seu peito, enquanto ele acariciava meus cabelos. Ficamos assim, calados, apenas aproveitando aquele momento que era nosso.
Era difícil arranjar um tempo para nós dois e quando isso acontecia, tínhamos que aproveitar da nossa maneira. E era isso que gostávamos de fazer. Quando estávamos juntos parecia que não havia mais nada à nossa volta.
I swam across
I jumped across for you
Oh, what a thing you do
'Cause you were all yellow
I drew a line
I drew a line for you
Oh, what a thing you do
And it was all yellow
Your skin, oh yeah, your skin and bones
Turn into something beautiful
Do you know for you I'd bleed myself dry?
For you I'd bleed myself dry...
riu e eu tirei minha cabeça do peito dele.
"O que foi, amor?"
"Parece que tudo tá finalmente começando a dar certo pra gente, . Pelo menos aqui... A tia Megan já sabe e apoia..."
Eu sorri.
"Mais cedo ou mais tarde a gente vai ter que enfrentar a fera." Falei arrancando uma risada de .
"Vai dar certo! Eu já te disse, , a gente ainda vai casar."
Ele selou meus lábios num beijo rápido e depois encostou minha cabeça mais uma vez em seu peito. Ficamos assim por mais um tempo. tinha seus braços em torno de mim e eu fechei meus olhos apenas me sentindo protegida com o homem que eu amava. Senti as mãos de em meus cabelos. Eu amava quando ele fazia aquilo. Ele beijou minha testa e sussurrou em meu ouvido: "Olhe como elas brilham para você!"
Ele apontou pro céu e eu olhei.
Nunca tinha visto um céu tão estrelado quanto o daquela noite. Não sei se foi por causa de não ter muitas luzes ali perto da piscina ou por algum outro motivo. Só sei que fiquei impressionada com a quantidade de estrelas que havia no céu. Sorri admirando tudo aquilo enquanto sentia as mãos de acariciando minha nuca. Olhei para ele, ainda sem conseguir tirar o sorriso que ele colocara em meu rosto.
"Eu te amo, ." Sussurrei sentindo uma lágrima escorrendo por meu rosto.
Ele passou um dedo em meu rosto, limpando a lágrima que escorrera e beijou levemente meus lábios.
"Não falei isso com intenção de te fazer chorar, então, por favor, não chore." Eu estava de olhos fechados, mas sentia que estava me olhando, daquele jeito que sempre me hipnotizava.
"Não é tristeza, . Eu não poderia estar triste." Abri os olhos e tive a certeza de que ele me olhava daquela maneira. "Eu nunca vou ficar triste. Não enquanto eu estiver ao seu lado."
Mais uma vez senti os lábios de sobre os meus e me deixei levar pelo momento. Recebi a língua de em minha boca, como sempre fazia e senti que ele não aumentaria a intensidade daquele beijo. Aquele era mais um de tantos que ele já me dera quando não tinha resposta para as coisas que eu falava. Ele era assim, e eu achava aquilo incrível na personalidade dele. Ele não tentava dizer coisas bonitas quando achava que não conseguiria me impressionar, ele apenas me beijava de um jeito tranquilo e apaixonado. Na verdade, qualquer coisa que ele me dissesse me impressionaria porque ele era imprevisível. Eu nunca sabia o que ele iria dizer, o que iria fazer... Ele sempre me impressionava. Mesmo conhecendo essa ideia que ele tinha, de me beijar quando não sabia o que dizer, conseguia me impressionar.
E, a cada segundo que eu passava ao lado dele, só conseguia fazer com que o amor que eu sentia, se multiplicasse.
Depois de aproveitar um tempo juntos, fomos até a mesa em que estavam todos juntos. Até mesmo e Brianna estavam lá. Era de se esperar que isso aconteceria. Nós – garotas – amávamos a Brianna e gostávamos de passar o tempo ao lado de nossa amiga. Por mais estranha e louca que ela fosse, ela era importante para nós. Não era por causa do namorado que ela escolhera que nós nos afastaríamos.
"Por que vocês não continuam longe da gente?" Escutei perguntando enquanto eu me sentava no colo de e o sentia passando o nariz por meu pescoço.
"Nossa, muito obrigado, ! Se quer que a gente volte pra lá, a gente volta, não é, amor?" se afastou subitamente do meu pescoço quando começou a soltar aquelas palavras para .
Eu apenas ria da situação.
"Eu não quis dizer isso, bobão!" tentou se explicar. "Mas vocês têm a noite inteira pra aproveitarem o tempo juntos. Só os dois. Por que vir pra cá?" Ele levantou uma sobrancelha.
Senti ajeitando o corpo embaixo de mim e antes que ele abrisse a boca, comecei a explicar.
"Não podemos aproveitar um tempinho junto com nossos amigos?" Vi revirar os olhos. "Ah, por favor, né, ? A gente também gosta de compartilhar nossa felicidade."
"Estão certinhos... Prefiro pensar que minha irmã está longe de ser levada pra cama pelo próprio primo." Nicholas comentou e fez-se silêncio na mesa.
Todos voltaram seus olhares para meu irmão e ele nem percebera o que havia falado. Continuou bebendo a cerveja que tinha em seu copo.
"Er, desculpa, Nicholas... Mas acho que não tem nada a ver se isso acontecesse..." Quando ouvi aquela voz, virei meu rosto para minha esquerda e tive a certeza – e a surpresa – de que quem estava nos defendendo era . "Quer dizer, uma hora ou outra isso vai acontecer... Eles estão num namoro. É um relacionamento... Sério?" Ele voltou o olhar na minha direção e eu assenti com a cabeça. "Não precisa pensar que sua irmã vai ser virgem pra sempre..." Senti meu rosto queimar.
Nicholas percebeu, finalmente, a besteira que havia falado e começou a corar.
"Desculpa, ... Desculpa, . Não foi... Não foi essa minha intenção. Desculpa, mesmo. Falei com intenção... Quer dizer... Eu sou o irmão dela, . Acho que é isso que irmãos têm que fazer. Quer dizer... Tô apenas..."
"Entendemos, Nick." falou tentando acalmar meu irmão. "E valeu pelo toque, ."
"De nada." Escutei a voz baixa de enquanto olhava meu irmão batendo em sua própria testa.
"Mas pra mudar um pouquinho o assunto e melhorar o clima..." Escutei a voz de Madison, pela primeira vez em muito tempo naquela noite, tentando amenizar as coisas. "Que tal um joguinho?"
"Ih, lá vem a Madison e seus joguinhos..." Brianna comentou fazendo uma careta.
"Ah, Brianna!"
"A Madison costuma ter umas ideias bem interessantes..." comentou e, ao perceber o tamanho da besteira que falara, colocou a mão na cabeça, fechou os olhos e sorriu engraçado enquanto ficava com as bochechas vermelhas.
"Que tipo de ideia interessante a Madison tá tendo, hein, ?" perguntou com um tom de malícia.
"Porra, cara!" riu e, quando olhei pro rosto de Madison, vi que minha amiga também corava. Com certeza estavam se divertindo de maneiras inusitadas.
"Tá, mas eu gostei da ideia. Vamos... Algum joguinho, quem escolhe?" Perguntei tentando mudar o rumo da conversa.
"Verdade ou desafio!" deu a ideia.
Incrível! Aquele garoto realmente estava tentando manter uma conversa razoável conosco aquela noite.
"Boa ideia!" Peyton concordou e pude ver que ela estava sentada ao lado de meu irmão, que ainda me olhava arrependido pelas coisas que falara.
" ... O que aconteceu com você, irmãozinho?" perguntou, dando um tapa na cabeça dele.
"Ai, !" Ele passou a mão no lugar onde o acertara. "Menos força, mulher... Teria o mesmo resultado."
"Só estou assustada..." Ela disse rindo da cara do irmão.
"Nós vamos jogar ou não?" perguntou me abraçando pela cintura.
"Vamos!" Peyton e disseram juntos.
Começamos a nos levantar e fomos para a piscina. Sentamos alí perto em círculo e esperamos chegar com uma garrafa de vodka vazia nas mãos. Ele a colocou no centro e nos olhou.
"E quem começa?" Ele perguntou antes de dar um selinho em e acariciar os cabelos dela.
"Posso?" perguntou esperançoso.
Eu afirmei e ele pegou a garrafa, girando-a.
"Hm, Peyton..." Ele sorriu ao ver que a garrafa apontava para a irmã de meu amigo. "Verdade ou desafio?"
"Verdade..." Ela falou e sua voz saiu um pouco baixa. Ela parecia ter medo do que perguntaria.
"Hm, interessante... O que está rolando entre você e Nicholas?"
Vi os olhos de meu irmão se arregalarem de susto.
"Eu... Eu e a Peyton... A gente não... Não! Não tem nada!" Ele falou enquanto sacudia as mãos e olhava assustado pra Peyton.
"Eu perguntei pra Peyton, Nicholas..." falou tentando esconder a risada.
"É..." Vi Peyton abaixar a cabeça. "A gente não tem nada." Ela falou com calma e percebi que ela estava desapontada com a atitude de meu irmão.
"E como vocês explicam o beijo que eu vi na cozinha?" falou vitorioso e foi a minha vez de arregalar os olhos assustada.
"Teve beijo na cozinha?! Que porra é essa?!" perguntou fechando a cara pro meu irmão que tentava, desesperada e inutilmente, explicar a situação.
"Uma pergunta de cada vez, gente... E nem vem reclamar sobre isso, espertinho. A gente sabe que você queria que isso acontecesse. Você disse que ia gostar disso enquanto esperávamos a batata no Outback mais cedo." Eu falei antes que algo ruim acontecesse. "Peyton, gira a garrafa."
Peyton pegou a garrafa sem olhar pra e girou.
"Verdade ou desafio, ?" Ela perguntou quase que num sussurro quando a garrafa parou.
"Hm... Desafio!" bateu palminhas e olhou feliz para que continuava com a cara fechada.
"Dá um selinho no ." Peyton riu com o que falara e fechou a cara.
"Ele é meu irmão, Peyton!" Ela parecia desapontada com o desafio criado. "Não vale, é incesto."
"Ah, ... É um selinho... Um encostar de lábios... Coisa pouca." Peyton disse.
"E você aceitou a brincadeira!" Completei.
"Mas ela é minha irmã!"
"Mas ela é irmã dele."
Ouvi e falarem ao mesmo tempo.
"Não vale!" completou, mais uma vez.
"Vocês não sabem brincar." Peyton balançou a cabeça negativamente.
"Tá. Mas será imperceptível a olho nu!" disse e eu ri. "E pare de rir, gracinha... Queria ver o que você faria se te mandassem beijar o Nicholas." Ela fechou a cara e eu escondi meu rosto na curva do pescoço de que também se divertia com a situação.
"Ahh!" Escutei e exclamarem juntos após alguns segundos.
Como estava de olhos fechados não vi como ocorreu, só sei que ambos estavam cuspindo e limpando as bocas. Pareciam duas crianças de jardim de infância. Aquilo estava engraçado. olhou desesperada pra , que apenas limpava a boca dela com as mãos como se estivesse suja a ponto de não sair nem se lavassem. Eu ria enquanto acariciava meus cabelos.
", sua vez de girar a garrafa." Brianna disse enquanto ria do namorado limpando sua boca com água da piscina.
nos fuzilou com seu olhar, pegou a garrafa e girou-a.
", minha linda amiga!" Falou com sarcasmo na voz e eu sorri. "Verdade ou desafio?"
"Verdade." Dei de ombros.
"Por que você e ainda não transaram?"
Eu abri a boca repetidas vezes enquanto todos me olhavam. Alguns sem acreditar no que dissera, alguns incrédulos pelo que ela dissera e outros sentindo vergonha pelo que eu teria de responder. Eu podia perceber isso no olhar de cada um que estava na roda.
Olhei para e engoli em seco.
"Não acho que isso é assunto pra se tratar num jogo de verdade ou desafio." Falei fitando meus pés.
"Eu tive que beijar meu irmão! E você não ajudou a impedir." disse com raiva. Aquilo realmente a machucara.
"E se eu não responder?"
"Você aceitou a brincadeira!" Ela repetiu minhas palavras e eu corei.
"Então vocês nunca transaram?" perguntou.
"Não..." respondeu acariciando minhas costas. "Ela tem os motivos dela... Não vou pressionar minha namorada a fazer o que ela não quer."
Achei lindíssima a atitude do meu , mas ainda devia uma pergunta à minha amiga. Eu a "obriguei" a beijar o próprio irmão. Teria que dar a explicação.
"Eu amo o ..." Comecei a explicação, ainda fitando meus pés. "Eu amo o mais que tudo, é verdade!" Olhei pra e vi que ele escutava minhas palavras com toda a atenção. Ele também não sabia o motivo e aquela era a hora da verdade para todos. Até mesmo para mim. Às vezes nem eu conseguia entender meus motivos bobos. "A gente já chegou longe várias vezes." Mordi meu lábio inferior e continuei fitando os olhos de meu namorado. "Mas eu não consigo continuar... Eu travo. Por mais que eu queira..." Senti acariciando meu rosto. "É verdade. Eu quero muito... Já tô pronta pro e isso não é de hoje. Mas... Não sei o que acontece. O porquê de eu travar... Nem eu entendo!" Fechei os olhos. "Parece que no fundo meu inconsciente me trava porque eu sei que nós somos primos..." Reabri os olhos e vi que sorria fraco.
Ele encostou seus lábios nos meus e depois fez meu rosto se encostar à curva de seu pescoço mais uma vez naquela noite. Ficou acariciando meus cabelos e beijou minha testa.
Não sei quanto tempo passou depois daquilo. Nem sei se a brincadeira continuou enquanto eu permanecia ali encostada em . Não faço ideia se todos escutaram o que eu dissera. Toda a explicação que eu consegui, finalmente, colocar pra fora. Só sei que quando consegui desencostar de , não havia mais ninguém por perto.
"Você... Você me desculpa?" Perguntei e senti meus olhos se encherem de lágrimas.
"Ei, ei, ei... Que besteira é essa, ?" Ele limpou as lágrimas que escorreram e beijou meus lábios mais uma vez. "Pra que se desculpar, meu amor? Já não deixei claro que sexo não é a coisa mais importante pra gente agora?" Ele sorriu tentando me acalmar. "Quando você estiver preparada, vai acontecer."
"Eu amo você, !" Escutei as palavras saindo de minha boca sem nem mesmo ter pensado em dizê-las. Parecia que elas ficavam em meu pensamento sem eu nem mesmo pensar. Eu amava , tinha certeza daquilo.
"E eu amo você, ." Ele sorriu enquanto acariciava meu rosto. "Mas agora a quer falar com você."
Ele beijou minha testa e se levantou deixando se sentar no lugar em que ele estava. Abaixei a cabeça e esperei que ela começasse a falar alguma coisa.
"Desculpa..." disse quase que inaudível. "Eu tava fora de mim, não queria ter dito aquilo. Se pudesse, eu voltava atrás. Desculpa!"
Eu levantei a cabeça e olhei nos olhos de minha amiga. Fiz que sim com a cabeça.
"É sério, , por favor?" Ela não conteu as lágrimas. "Eu não consigo viver sem você. Só de saber que te machuquei, tenho vontade de fazer o mesmo comigo." soluçava enquanto me pedia desculpas e eu já tinha lágrimas nos olhos também. "Me desculpa, ? Por favor? Eu fui burra! Eu não pensei nas consequências..."
"Cala a boca, !" Abracei minha amiga enquanto as lágrimas rolavam por meu rosto. "Lógico que eu te desculpo. E de certa forma, obrigada..." Ri um pouquinho e me afastei de . Limpei as lágrimas que ela tinha em seu rosto e sorri. "Eu te amo, . Se não fosse por essa pergunta, nem eu entenderia o que se passa em minha cabeça. Acho que eu só precisava falar aquilo em voz alta." Ela me olhava sem conseguir dizer nada. Percebi que o queixo dela tremia. "E não precisa chorar mais. A gente só cresce com essas conversas. Lembra que isso já aconteceu? E que na outra vez eu que estava no seu lugar?" Tentava acalmar minha amiga. "Você fez exatamente isso que eu tô fazendo. E disse que com essas conversas nossa amizade só se fortalecia. A gente tem a capacidade de perdoar e isso é bonito na amizade."
sorriu e eu, finalmente, me senti aliviada por ter minha amiga de volta na minha frente.
"Que bom que a gente resolve tudo com esses diálogos, ."
"Que bom que nós temos essa ligação tão forte, . E que bom que nada consegue abalar o que uma sente pela outra."
Alguns anos antes, estava afim de um garoto enquanto passávamos férias na Suíça. Eu encontrei um conhecido e comentei sobre o "garoto rosa" que ela estava afim. Com toda a minha vontade de ajudar, só consegui atrapalhar o andamento da coisa... queria se resolver sozinha, sem a ajuda de ninguém. Ficou com raiva de mim por eu ter perguntado aquilo pro meu conhecido e saiu de perto com a cara fechada. Meu maior medo naquele momento foi perder a amizade de . Mas ela provou que aquilo só serviu para fortalecer nosso laço perfeito. Quando se acalmou, veio conversar comigo e eu, realmente, estava como ela ficou com esse assunto da pergunta sobre minha relação com o . apenas me olhou depois de eu pedir infinitas desculpas e disse exatamente aquilo que eu repeti para ela. Nunca me esqueci daquelas palavras e achei o momento perfeito para usá-las.
Eu e estávamos rindo da situação de alguns jovens que estavam na festa. A quantidade de pessoas passando mal era incrível. Por mais que tia Megan não gostasse de ver bebendo, ela não se importava em distribuir bebidas em suas festas. O álcool era totalmente liberado contanto que a culpa da bebedeira não caísse para cima dela. E a situação era um tanto cômica.
"Eu nunca fiz esse tipo de cena, né?" Perguntei pra enquanto apontava com o queixo para uma garota que rebolava em cima de uma mesa com uma garrafa de whisky na mão.
"Não, . Fica tranquila." Ele piscou um olho para mim e pegou minha mão. "Eu nunca deixaria você fazer uma cena dessas, de qualquer forma." Encostou seus lábios em meus dedos antes de dar uma mordida neles.
", vem cá!" Me levantei e comecei a puxá-lo pelo braço sem nem mesmo pensar no que estava fazendo ou para onde eu estava indo.
"Tudo bem... Mas posso saber pra onde?" Ele me perguntou enquanto me seguia.
Eu já me via entrando em casa e ainda não tinha consciência do que fazia.
"Também não sei." Falei parando perto de uma porta. levantou uma sobrancelha. "E não faça essa cara." Sorri antes de entrar para o que percebi ser um banheiro.
"Você tá passando mal?" me perguntou preocupado enquanto eu fechava a porta. "Você bebeu no máximo duas taças de..."
Antes que ele terminasse com o clima, eu encostei meus lábios nos deles iniciando um beijo calmo que logo foi ganhando intensidade. Uma de minhas mãos estava na nuca de enquanto a outra descia rapidamente por seu peito, chegando ao cós de sua calça. Voltei a subir minha mão, mas agora por dentro da camisa de , tocando sua barriga. Ele mordeu meu lábio inferior, quebrando o beijo, e me olhou nos olhos.
"Essa eu não esperava." Ele falou assustado, ainda com as mãos em minha cintura e mordeu o próprio lábio inferior enquanto encarava meus olhos.
"Não posso querer um momento sozinha com meu namorado?" Desabotoei dois botões da camisa dele e senti seu corpo enrijecendo.
"..." Ele segurou minha mão que tentava abrir sua camisa e deu um beijo nela. "A gente acabou de falar sobre isso e você tem seus motivos." Ele continuou fitando meus olhos. Maldita mania de me hipnotizar! Será que ele sabia sobre o poder que seus olhos tinham sobre os meus?
"Eu preciso descobrir se o que faltava para me fazer querer continuar era falar o motivo em voz alta." Expliquei ainda imóvel sem conseguir desviar o olhar de .
"E por causa disso me trouxe pro banheiro? Tem certeza que nossa primeira vez juntos vai acontecer num banheiro? E no banheiro da casa do ?" Ele sussurrou a última parte com uma careta fazendo com que eu risse baixinho.
"Você sabe que eu não me importo com escolha de lugar e essas coisas... Eu não sou virgem, , não é como se eu idealizasse demais esse momento." Quando terminei de explicar, vi abrindo a boca tentando dizer algo. "E nem vem. Você já sabia sobre eu não ser virgem."
"Mas..." Ele fechou a cara e largou minha cintura, cruzando os braços na frente de seu corpo. "Não é por causa disso que eu tô assim..." Ele tentou se afastar de mim com uma cara de criança emburrada. "Quer dizer que você não... Não idealiza a nossa primeira vez juntos? Obrigado, ."
Comecei a rir e peguei o rosto de entre minhas mãos.
"Bobinho! Me expressei mal! Quero que seja perfeito, claro. Mas não fico pensando em escolher o lugar mais lindo do mundo. Seria... Na verdade será perfeito em qualquer que seja o lugar. O que vai fazer com que seja o melhor momento de minha vida é que será com você, . Eu te amo! Não importa se acontecer embaixo da ponte, será perfeito e inesquecível!" Percebi um brilho tomando conta do olhar dele antes de sentir seu hálito quente perto de minha boca.
(n/a: coloque para carregar: Whatever it Takes – Lifehouse)
Acordei, naquela manhã de Domingo, com ao meu lado, na cama do quarto que eu tinha na casa do . Sorri ao ver que ele respirava calmamente com um de seus braços embaixo de meu pescoço. Fiz carinho em seu queixo e dei um beijo em sua bochecha antes de me levantar, sem fazer barulho, e ir até o banheiro.
Passei água no rosto e escovei os dentes. Depois parei para analisar meu estado pós-festa no espelho e fiz uma careta. Arrumei meus cabelos num coque frouxo e tentei, inutilmente, tirar minhas olheiras com água. Enquanto tentava melhorar minha aparência, senti um corpo forte me prensar na bancada e um beijo em meu pescoço.
"Bom dia, meu amor." falou com uma voz rouca de sono enquanto pegava minha escova de dentes e colocava pasta nela. "Eu sei que é a sua, mas não tenho uma aqui, né?" Ele disse me encarando pelo espelho.
"E eu, por acaso, reclamei de você usar?" Sorri e me afastei quando ele colocou a escova na boca me livrando daquele abraço. Ele deu de ombros.
Eu saí do banheiro pegando alguma roupa no closet: um short jeans de alfaiataria, uma meia calça fio 70 na cor cinza e uma blusa branca de alcinha finas que colava na corpo. Escolhi uma bota preta e, quando estava vestida, voltei para o banheiro. continuava lá se olhando no espelho e tentando arrumar seus cabelos.
"Pra que se arrumar tanto?" Ele me olhou de cima a baixo.
"Por que ainda não vestiu uma roupa?" Perguntei fazendo o mesmo que ele e me deliciando na visão de boxers. "Se bem que eu gostei de te ver assim." Mordi meu lábio inferior enquanto trocava olhares com . Vi que ele corou e sorri. "Deixa eu arrumar isso pra você." Me aproximei dele e baguncei um pouco seus cabelos deixando-os do jeito que eu gostava.
"Eu não tenho mais roupas aqui, . Só as de ontem." Ele falou, enquanto eu dava um beijo em seu nariz.
"Tudo bem, eu pego algumas roupas do pra você."
"Do ?" Ele fez uma careta. "Você já viu o tipo de roupa que ele usa?" Comecei a rir e dei um tapa em sua cabeça. "Isso doeu." Ele estava com os olhos fechados e massageava o lugar em que eu batera.
"Já venho." Avisei antes de me afastar.
Saí do meu quarto e bati na porta ao lado.
", eu sei que a noite foi longa... Pude escutar muita coisa, mas você pode abrir a porta? É sério!" Perguntei depois de já ter batido por mais de um minuto.
Escutei alguém pular da cama e logo depois a porta ser destrancada. Eu estava sorrindo quando um descabelado, sonolento e nervoso abriu a porta.
"O que foi, porra?"
"Bom dia pra você também, gostosão!" Passei os olhos pelo corpo de e tampei os olhos ao perceber que ele estava pelado. "Porra, ! Você esqueceu de vestir suas boxers!" Senti a porta batendo em minha cara, escutei alguns palavrões que murmurava enquanto, provavelmente, procurava suas boxers e, logo depois, a porta se abrindo.
"O que é?" Ele perguntou, corando.
"Preciso de alguma roupa pro ." Expliquei e vi arquear a sobrancelha. "Não vou deixá-lo usando a mesma de ontem..." Rolei os olhos.
"Entra." Ele abriu mais a porta e eu vi puxando o edredom para esconder o rosto. Como se eu não soubesse que aquilo acontecia. "Mais rápido, por favor... Preciso dormir."
"Claro." Ri da situação e fui até o closet.
Como não conseguia achar algo que parecesse com , optei por uma calça jeans escura e uma camisa xadrez social de manga cumprida azul e branca.
"Isto não parece nada com meu namorado." Passei por enquanto saía, deixando claro o que eu pensava e senti, mais uma vez, a porta batendo em minha cara.
"Acabei de conhecer o Junior!" Entreguei as roupas para que me olhou arqueando a sobrancelha. "Ele tava pelado quando abriu a porta do quarto."
"Hm... E o que achou?" riu enquanto vestia a camisa.
"!" Dei um tapa no braço dele que logo fez uma careta.
"Só foi uma pergunta." Ele riu mais uma vez enquanto abotoava a camisa. "Arruma as mangas daquele jeito que eu gosto?" Ele mexeu o braço direito. "Pra dar uma quebrada no estilo ..." Rolou os olhos e eu ri.
"Arrumo. Mas vista a calça antes." Apontei pras jeans que ele deixara em cima da cama e esperei.
"Claro." Rolou os olhos mais uma vez e riu antes de vestir.
Quando terminou de abotoar e puxar o zíper da calça, estendeu o braço direito em minha direção.
"Sua vez." Ele piscou docemente enquanto me olhava.
Eu fui até ele e dobrei as mangas deixando-as como se fossem ¾ e ele me agradeceu com um selinho.
", você já decidiu que curso vai fazer na faculdade?"
"Jornalismo..." Franzi a testa. "Que tipo de pergunta aleatória é essa, ?"
Ele fez bico.
"Você podia fazer um curso sobre como cuidar de . Não que você precise... Você já cuida de mim muito bem. Mas você se formaria rápido e a gente poderia se casar logo!" Ele sorriu enquanto me dava um beijo na testa.
Quando chegamos à cozinha, senti meu celular vibrando em meu bolso. Atendi sem nem mesmo verificar quem era.
"Volte para casa. Agora!" Ouvi meu pai dizer antes de desligar o telefone em minha cara.
"Quem era?" perguntou franzindo a testa enquanto eu fechava meu telefone.
"Benjamin." Disse com raiva e vi o corpo de enrijecer.
"Ele não nos dá sossego?" Perguntou entre dentes e esmurrou a porta da geladeira. Permaneci calada. "Quer fugir?" Ouvi perguntando e quando olhei para ele, vi que a pergunta era séria.
"Mas... , minhas aulas... Como a gente vai se sustentar? Eu tenho que fazer faculdade..." Perguntei, incrédula, fitando os olhos dele.
"Não tô falando agora... Mas até o final do seu ano letivo, se ele não aceitar o namoro... Quer fugir?" Ele repetiu a pergunta e eu sorri.
"Queria que fosse tão fácil assim..." Falei acariciando a nuca dele.
"Eu arranjo um emprego, a gente dá um jeito de continuar pagando a minha faculdade e pagar a sua. Vai dar certo, acredita em mim!" Ele me garantiu.
"Se conseguirmos, eu fujo com você." Falei sorrindo verdadeiramente.
"Mas o que seu pai queria?" Ele passou os braços em volta de minha cintura me puxando para um abraço.
"Que eu voltasse para casa agora."
"Então eu vou te levar. Mas depois que tomarmos café." Ele falou sorrindo. "E ai dele se reclamar da demora. Não é porque é domingo que não pode haver trânsito."
"Aonde vamos agora, então?" Perguntei quando ele afrouxou o abraço e tirou uma das mãos de minha cintura para pegar as chaves no bolso.
"Starbucks, meu amor!" piscou e eu sorri.
Deixei um bilhete na porta da geladeira avisando sobre nosso sumiço repentino e agradecendo a estadia, e acompanhei até o Porsche Cayman que eu tanto amava.
"Quero um desses no meu próximo aniversário." Comentei quando já estava ao meu lado no carro e o vi arqueando a sobrancelha.
"Meu amor, estamos pensando em fugir! Eu não vou ter tanto dinheiro assim no início da nossa vida de casados."
Nós dois rimos e ele deu a partida no carro colocando a mão em minha perna.
Passamos o caminho inteiro escutando e cantando algumas músicas que tocavam na rádio.
Meu celular vibrou mais uma vez antes de entramos na Starbucks e, quando o tirei do bolso, percebi que era .
"Já sentiu minha falta, ?" Perguntei em tom de brincadeira.
"Queria poder brincar, mas Zac acabou de chegar aqui dizendo que seu pai mandou ele te buscar."
"O quê?!" Parei na porta da cafeteria e vi me olhando confuso.
"Minha mãe tá lá embaixo tentando fazer hora, mas você sabe quem é o Zac."
", a gente tá na Starbucks! Não tem como eu voltar pra sua casa em cinco minutos! É mais fácil ir pra casa."
"O que aconteceu, ?" me perguntou baixinho ainda, segurando a porta e esperando eu entrar.
", fala com o ." Ignorei qualquer coisa que ele dizia e entreguei o celular para meu namorado, entrando na Starbucks.
Pedi dois cappuccinos para viagem e tentei não prestar atenção no que combinava com . Quando peguei o que pedira, ele desligou o telefone e eu entreguei o dele. Ele me puxou pela mão, depois de pagar, me levando até o carro.
"Vou te levar pra casa. Meus pais e sua mãe estão lá também. Tenta não ficar sozinha com seu pai. Sobe logo pro seu quarto, troca de roupa e vai pra biblioteca. Eu vou ficar lá. Se Benjamin tentar conversar com vocês a sós, não vou deixar que aconteça. E tia Megan já tá mandando o Zac pra casa sem você."
", nós estamos falando do meu pai. Do meu pai! No que você acha que ele não dá um jeito?" Falei reparando em como ele bebia um gole do seu cappuccino enquanto dava a partida no carro.
"Você realmente acha que ele vai fazer uma cena? Ele esconde nosso namoro, . Ele tem mais medo do que nós temos de que alguém saiba."
Respirei fundo antes de beber mais um pouco, tentando me acalmar.
"Só faz o que eu estou te falando. Confia em mim que tudo vai dar certo."
"Você tá indo embora hoje, . Ele vai conversar comigo sobre isso, tenho certeza." Fechei os olhos e senti beijando meu rosto. Provavelmente estávamos parados em algum semáforo.
Ele ligou o som e passou algumas músicas. Percebi que alguma de Lifehouse que eu não lembrava o nome na hora, começou a tocar.
(n/a: coloque a música pra tocar agora.)
A strangled smile fell from your face
It kills me that it hurts you this way
The worst part is that I didn't even know
Now there's a million reasons for you to go
But if you can find a reason to stay
I'll do whatever it takes
To turn this rounds
I know what it is take
I know that I've hurt you down
And if you give me a chance
Believe it, I can change
I'll keep us together whatever it takes
"Só fica calma, tudo bem?" falou em meu ouvido antes de acelerar mais uma vez.
Fechei os olhos ainda com o cappuccino em minhas mãos, escutando a música que ele colocara: Whatever it Takes. Como ele sempre escolhia as músicas certas para cada momento, eu ainda não entendia. Só agradecia por ele conseguir me acalmar.
She said if you go, will make this work
You've got to let me inside even though it hurts
Don't hide the broken parts that I need to see
She said like it or not it's the way it's got to be
You've got to love yourself if you can ever love me
I'll do whatever it takes
To turn this rounds
I know what it is take
I know that I've hurt you down
And if you give me a chance
And give me a break
I'll keep us together
I know you deserve much better
"Tudo bem, ." Disse com um sorriso enquanto o olhava dirigindo. "Eu vou ficar calma."
"E eu já to voltando pra morar aqui, amor." Ele sorriu. "Mesmo que meus pais não venham..." Ele sorriu ainda prestando atenção nas ruas. "Eu não queria te dizer antes, mas já estava olhando um apartamento pra mim."
Abri a boca vendo tomar mais um pouco de Cappuccino e sorrir para mim quando parou em outro semáforo.
"Sério, ?" Abri um sorriso e ainda estava incrédula.
", eu pedi transferência pra Cambridge. Achei um loft perfeito lá perto. Você vai gostar! É a sua cara!"
Continuava sorrindo e mordi meu lábio inferior antes de receber um selinho de .
"Eu faço qualquer coisa pra te ver feliz, . E eu vou fazer de tudo pra nos manter juntos." Ele falou encarando meus olhos, da maneira que sempre fazia quando queria me hipnotizar. Depois voltou sua atenção ao trânsito.
Continuei quieta, apenas bebericando meu cappuccino.
Antes de entramos em casa, ele parou o carro bem longe da visão do porteiro e me olhou.
"O que foi?" Sorri.
"Isso..." Ele pegou meu rosto e encostou os lábios nos meus num beijo rápido e doce. Com sabor de cappuccino.
Sorrimos mais uma vez antes de ele voltar a dirigir e entrar em casa.
Meu pai nos esperava sozinho na garagem. Abriu a porta do carona assim que estacionou.
"Vá pro seu quarto." Consegui ver que ele tinha a cara fechada.
"Qual o problema, tio Benjamin?" Escutei perguntando, já fora do carro, enquanto saía com o olhar apreensivo. "A gente namora. É tão ruim assim? Só somos primos!" Ele bateu a porta do carro com força e foi até mim. Segurou minha mão. "É tão importante pra você manter as aparências?" Ele riu debochando enquanto batia a minha porta e ativava o alarme, me puxando com ele.
"! Volte aqui! Deixe a ir para o quarto dela!" Papai alterou a voz enquanto caminhávamos para longe dele.
"Eu não obedeço nem ao meu pai, Benjamin! Não obedeceria a você." Ele riu mais uma vez e apertou minha mão, apressando o passo, fazendo com que eu corresse um pouco para acompanhá-lo.
"Fica aqui comigo, não sobe pro seu quarto. Você não precisa trocar de roupa. Não saia do meu lado, tá entendendo?" perguntava entre dentes.
"Sim..." Afirmei com a cabeça e continuei andando com ele ao meu lado.
Paramos na biblioteca, assim como já tínhamos combinado. Ele passou os olhos pelas prateleiras e sorriu, pegando um livro.
"Lembra?" me mostrou a capa e eu sorri.
"Claro..." Dei duas pequenas batidinhas no divã ao meu lado pedindo que ele se sentasse. Ele estava com Alice no País das Maravilhas, um livro que nossa avó costumava ler para nós quando éramos mais novos.
"Você sempre falava que queria ir pra Wonderland. Era até engraçado!" Ele riu e passou as primeiras páginas. "Vovó, eu tenho medo da Rainha de Copas!" Ele fez uma voz fina, tentando imitar o jeito que eu falava quando criança.
"Nem vem, ! Você também era louco com Wonderland. Quando a vovó perguntava qual livro que a gente queria que ela lesse, você nem me dava direito de escolha. Começava a gritar: Alice no País das Maravilhas, vovó!" Ri um pouco. "Você era muito retardado, amor."
", vá pro seu quarto." Escutei a voz de meu pai perto de nós e virei meu rosto enxergando o semblante sério que ele tinha.
"Não, ela não vai subir." disse fechando o livro sem nem mesmo olhar para meu pai.
"Eu sou o pai dela, ." Ele respondeu, olhando bravo para mim.
"Por que não conta logo para todos que estamos juntos?" se virou para meu pai e segurou minha mão. "Se achar melhor, eu mesmo conto."
", largue a mão de minha filha e não pense em falar sobre isso porque não é verdade."
"Pai, coloque na sua cabeça de uma vez por todas que estamos juntos. J-u-n-t-o-s!" Senti apertando minha mão e controlei minha respiração. "Quer que eu abra o jogo com o senhor? Então vai ser aqui mesmo, com ao meu lado. Se achar melhor, chamamos a mamãe e meus tios. É até bom que esta história se esclareça para todos de uma vez por todas. Não aguento mais mentir, não consigo mais pensar em motivos para esconder que..."
"Esconder o quê, ? Se não há nada acontecendo entre vocês?" Ouvi um tom de petulância na voz de meu pai. Balancei a cabeça e ri com aquele comentário.
"Nós estamos namorando, papai. Estamos juntos desde o ano passado. Antes mesmo de irmos pro Brasil." Falei, sentindo acariciar minha mão, me dando forças para fazer aquilo. "Não entendo o porquê de o senhor não nos deixar em paz."
"Vocês são primos. Um namoro como esse não pode acontecer. Não me dê desgosto, !" Meu pai falou e, quando olhei em seus olhos, pude ver que ele suplicava pelo fim de nosso namoro. "Assim que for embora, teremos uma conversa, senhorita." Papai avisou.
"Esquece isso, Benjamin." abriu um meio sorriso que percebi por minha visão periférica. "Você faz alguma coisa com a e nós espalhamos as boas notícias."
"Isso por acaso é algum tipo de ameaça?" Meu pai torceu o nariz enquanto perguntava.
"Se você vê como tal..." beijou minha cabeça enquanto acariciava minha mão.
Vi meu pai sair nervoso em direção ao seu escritório e percebi um sorridente ao meu lado.
"Sabe o que eu lembrei agora?" Fiz uma careta quando ele arqueou a sobrancelha. "Ontem eu disse pro meu pai que você tava se afastando de mim." Ele me deu um selinho e sorriu. "Eu fiz um escândalo por causa disso." Ri.
"Agora não precisamos mais mentir se ele perguntar sobre a academia de novo. Por favor, me prometa uma coisa?" Ele olhou em meus olhos sorrindo.
"Claro, amor, qualquer coisa!"
"Se ele voltar com esse assunto, diga que nos agarramos, e muito, bem embaixo do nariz dele dentro da academia aquele dia."
Rimos juntos enquanto eu afirmava com a cabeça.
Com certeza eu falaria aquilo se meu pai perguntasse. Agora que eu e tínhamos o "controle" da situação, eu faria o que quisesse para me sentir bem novamente.
"Em breve eu tô aqui com você." Ele sorriu e cheirou meu pescoço. Arrepiei.
"Mal posso esperar." Fiz um carinho na nuca dele e ele me olhou nos olhos. "Amo você." Falei como se fosse a coisa mais comum do mundo para nós. Depois que começamos a soltar esta frase, nos acostumamos bem rápido com a utilização dela.
"Eu também amo você, ." Escutei dizer antes de me beijar mais uma vez.
(n/a: coloque para carregar: Always You – Amber Pacific)
"E você vai que horas?" Perguntei para quando entramos em meu quarto sem, por incrível que pareça, Zac na minha cola.
"Não sei, ... Isso só meu pai pode te responder." Ele fechou a porta e me olhou com as sobrancelhas arqueadas.
"O que foi?" Perguntei, com um sorriso maroto nos lábios, ao ver se aproximando.
"Enquanto isso a gente se despede, certo?" Ele perguntou, terminando de trancar a porta enquanto me olhava.
Mordi a ponta da minha língua, ainda olhando para ele com meu sorriso maroto.
Ele se aproximou de mim, me puxando pela cintura, fazendo com que nossos corpos se colassem. Coloquei meus braços em volta de seu pescoço e olhei fixamente em seus olhos. Ele mordia o lábio inferior, enquanto fixava, também, seu olhar nos meus. Fechei os olhos ao perceber nossa proximidade. Senti morder meu pescoço de leve e depois começar a beijá-lo. Brinquei com seus cabelos enquanto era empurrada para a parede mais próxima de nós. Antes mesmo de ser encostada nela, se virou, encostando-se na parede, sem parar de beijar meu pescoço.
Senti suas mãos subindo por dentro de minha blusa, tocando cada parte de minhas costas até chegar ao sutiã.
me olhou, como se pedisse permissão para fazer o que eu imaginava que ele faria. Afirmei com a cabeça e senti meu sutiã se abrindo.
Logo, desci a mão pelo corpo dele. Nos separamos bem pouco enquanto tirava sua camisa.
Mordi meu lábio inferior enquanto sentia me levando até a cama.
Ele deitou cuidadosamente sobre mim e sorriu antes de iniciar mais um beijo doce e cheio de amor, que foi logo criando uma intensidade.
Ele desabotoou meu short e deslizou as mãos para minha cintura, descendo-as até o cós do mesmo fazendo com que eu arqueasse meu corpo para que ele pudesse tirar o resto de roupa que eu ainda vestia, deixando-me apenas de calcinha.
"Tem certeza, ?"
"Não poderia esperar uma situação melhor que esta, ." Sorri.
Ele continuou subindo suas mãos por minhas pernas e coxas.
Consegui tirar o cinto que ele usava, fazendo suas calças caírem - ele tinha uma mania de usar dois números maiores que o normal, o que me arrancava risadas. Sorri marota e puxei pela nuca, fazendo nossos corpos se colarem mais uma vez, sentindo toda a excitação dele.
Conseguimos nos livrar das últimas peças que ainda nos impediam de fazer o que queríamos e, ao sentir entrando em mim, tive a certeza – mais uma vez – de que o queria para sempre em minha vida.
Eu o amava e ele era o perfeito para mim. Ele era a pessoa que me completava, que me fazia bem, que me fazia sorrir. Só ele sabia melhorar meu dia apenas me olhando, apenas estando presente.
Se eu tenho que escolher um final de semana para ser o mais perfeito de minha vida, posso dizer que, com certeza, é este. Porque, mesmo com meu pai tentando nos atrapalhar, mesmo com todas as coisas nos mostrando que não era para dar certo, nós estávamos mais juntos do que nunca.
Eu amava e me amava também. Aquela era a única certeza que eu precisava ter em minha vida. O amor que ele sentia por mim era tão real quanto tudo o que eu sabia sentir por ele. E eu queria que aquele momento durasse para sempre. Porque era real!
"Eu vou amanhã." me disse, sentado em minha cama apenas de boxers.
"Por que não me disse antes?" Perguntei, terminando de vestir a camisa de que usou mais cedo.
"Porque decidi agora." Ele sorriu e me puxou pela cintura, fazendo com que eu me sentasse no colo dele. Depositou um beijo em meu pescoço e eu me arrepiei automaticamente como já era de se esperar.
"E por que decidiu agora?" Perguntei com a voz manhosa.
"Porque dormir na mesma cama que você é a melhor coisa do mundo e eu não troco isso por nada." Ele disse com a voz rouca enquanto acariciava minha barriga e distribuía mais beijos por meu pescoço.
"E como a gente vai dormir na mesma cama, espertinho? Esqueceu que estamos em minha casa?" Virei meu rosto até encarar aqueles olhos e pude ver que tinha um sorriso safado no rosto enquanto arqueava a sobrancelha.
"Estamos em sua casa. Conseguimos transar e não conseguimos dormir? Me poupe, ." Ele riu e eu o repreendi batendo em seu braço. "Já disse que isso dói."
"Amanhã a gente acorda juntos e vamos tomar café da manhã com meu pai, que tal? Ah, melhor... Você passa por ele na cozinha, dá um bom dia, prepara um café da manhã e traz pra mim. O que acha da ideia?" Ironizei.
"E quem disse algo sobre dormir em sua casa?"
"Vamos pra um motel então... Que legal!" Rolei os olhos.
"! Confia em mim." Ele segurou meu rosto com as duas mãos e selou meus lábios. "Confia?"
"Confio." Como se eu fosse falar que não confiava... Ele tinha aquele poder de me hipnotizar. Era só olhar em meus olhos para conseguir o que queria.
(n/a: coloque a música pra tocar agora.)
Não entendia todo aquele suspense. Nós íamos para um hotel, ele já me informara aquilo enquanto arrumávamos minhas coisas e pegávamos a mala dele. Por que ele insistia em vendar meus olhos?
"..." Alertei quando senti que ele soltava meu braço.
"Já estamos dentro do carro, . Não vai acontecer nada. E eu preciso de minhas mãos para dirigir."
"Ainda não entendi tudo isso." Falei depois de soltar o ar pela boca.
"É uma surpresa, amor." Ele tocou levemente meu rosto. "Calma!"
"Não me peça calma, . Vou acabar me estressando por causa disso." Respirei fundo. "E não role os olhos. Eu sei que você tá fazendo isso agora."
"Como você sabe?"
"Eu te conheço, . Mais do que você imagina." Sorri. "E você está sorrindo agora."
"Como você adivinha essas coisas e não consegue descobrir pra onde eu estou te levando?" Ele perguntou, provavelmente arqueando as sobrancelhas do jeito que eu gostava.
"Porque isso é imprevisível." Ele riu e eu levei a mão até a venda. "Por favor, ? Você sabe que eu tenho medo de escuro."
"Já estamos chegando. Sossegue, ."
"Como se fosse muito fácil." Ele permaneceu em silêncio e eu cantarolei a música que estava tocando.
And I can't sleep without you
And I can't breathe anymore
Good times last forever
I'll keep my heart with yours
For every minute I am gone
Swear you'll never leave me
I'll be there every time
In your heart and in your eyes.
I'll give it up this time again
Somethings are better left unsaid...
"Pode parar, . Chegamos." desligou o carro e eu sorri.
"Posso tirar isso agora?" Apontei para a venda.
"Ainda não, apressadinha." Com certeza ele sorria. "Qual vai ser a graça se você tirar essa venda agora? A surpresa não vai ser mais surpresa."
O escutei saindo do carro e fechando sua porta e logo depois a minha se abrindo.
"Vamos. Me dê a mão." Ele encostou a mão na minha e, quando pensei que fosse me ajudar a sair do carro, ele me pegou no colo.
"Pra que tudo isso, ?" Me agarrei ao pescoço dele.
permaneceu calado. Fechou a porta do carro e depois escutei o alarme sendo ativado. Ele me carregou por um tempo até me colocar no chão de novo.
"Amém! Terra firme sob meus pés!" Brinquei e escutei a risada estridente de .
"Você é uma boba. Vamos?" Ele juntou nossas mãos e me puxou para algum lugar. "Er, estamos em um elevador. Acho melhor você não largar minha mão."
Eu morria de medo de elevadores e sabia daquilo. Por que ele me levava para um lugar daqueles? Era fechado. Eu tinha claustrofobia. Tudo bem que tenho uma boa lembrança de um elevador: meu primeiro beijo com foi dentro de um – e foi engraçado. A gente nem pensava em ficar, eu gostava dele, eu queria, mas não pensava que aconteceria daquela forma. Mas o elevador deu problema e nós ficamos presos. Eu sou claustrofóbica. Ele tentava me acalmar e no meio de tudo aquilo, o beijo aconteceu. Mas eu ainda não conseguia me sentir bem dentro daquilo.
Tratei logo de abraçar , que fez um carinho em meus cabelos antes de beijar minha testa.
Ouvi aquele barulhinho que me aliviava de quando o elevador para e abre a porta. Soltei o ar que eu havia prendido quando soube onde estava e senti meu corpo ficar mais leve.
desamarrou a venda e eu pisquei até me acostumar com a claridade.
"O que achou?" A voz rouca que apenas ele possuía penetrou meus ouvidos e logo depois senti um beijo em meu pescoço. Me perguntei se eu teria esquecido base e pó em casa ou se eles estavam na minha nécessaire.
"Que lugar é este, ?"
"Nosso apartamento."
O choque da palavra nosso fora tão intenso que fiquei um bom tempo sem conseguir abrir a boca para comentar algo sobre o fato. A única coisa que eu conseguia fazer era olhar para , provavelmente com cara de boba que tinha dúvidas, e tentar dizer algo enquanto abria a boca e não ouvia palavras sendo ditas.
"Nosso apartamento, ." riu e acariciou meu braço. "Se lembra de quando eu te disse sobre me mudar para Londres?" Ele me olhava nos olhos. Eu fechei os olhos e afirmei com a cabeça. "Se lembra de quando disse que estava olhando um apartamento?" Mais uma vez, mexi a cabeça de cima para baixo, agora com os olhos abertos. "Pois agora você está dentro dele. No nosso apartamento." Ele acariciou meu rosto e sorriu. "Ande, meu amor. Diga alguma coisa!" Ele riu.
"Uau!" Escutei, mais uma vez, a risada que eu tanto amava.
"O que achou?"
"Uau, ! Eu não... Eu não esperava isso tudo. Essa surpresa. Eu pensei que estávamos indo passar a noite num hotel e você me traz pra cá... É de se deixar uma pessoa meio passada, sabia?" Tagarelei. "Quer dizer, você tá escondendo isso de mim já tem quanto tempo? Porque a última vez que você veio aqui... Eu me lembro que você não saiu de perto de mim, . Então... Eu tô meio confusa. Como você olhou esse apartamento? Como você sabia que eu iria gostar? Como..."
"Ei! Uma pergunta de cada vez, amor. Eu olhei na última vez que vim pra cá. Antes de ir pra sua casa. Resolvi tudo por telefone. Já fechei negócio, o apartamento já é nosso. Então, quando a senhorita sair de casa, vamos vir para cá. Entendido, mocinha?" Ele sorriu e eu não pude deixar de fazer o mesmo. O sorriso de era contagiante. "Eu sabia que você ia gostar porque isto aqui é sua cara. O apartamento é perto de tudo. Tem até uma Starbucks aí na frente. Lógico que você ia gostar... E nem coloquei nada no apartamento ainda. Só escolhi nossa cama, o resto vai ser por sua conta."
"!" Sorri e o abracei pelo pescoço, juntando nossas bocas num rápido beijo. "Você é o melhor namorado do mundo." Falei com a voz manhosa, olhando-o nos olhos.
"Só sou o melhor porque tenho a melhor namorada do mundo na minha frente. Eu te amo, ."
"Eu te amo também, ."
’s POV:
Doía em mim deixá-la para trás. Deixá-la sozinha, longe de mim. Doía muito ficar sem ela, sem a companhia da pessoa que mais me fazia feliz. Mas eu sabia que aquilo era temporário, que duraria um tempo, e que logo estaríamos juntos novamente. E mais juntos do que nunca.
Mesmo assim, ter voltado para Essex era algo inaceitável para mim. Eu queria estar em Londres ao lado da minha pequena, da minha . Às vezes me pergunto o porquê de ter me apaixonado. Eu parecia um besta pensando apenas em uma pessoa, vivendo minha vida em função de apenas um alguém. Mas seria inacreditável se eu não me apaixonasse por ela. Era engraçado eu ter namorado tantas garotas e apenas ter me prendido. Se aquilo aconteceu, era para acontecer. Tenho a certeza de que ela é a garota certa para mim.
Não tem como eu sentir algo mais forte por alguém, porque amo tanto a que chega doer.
Apenas uma semana, menos que sete dias, pra falar a verdade, e eu volto para meu apartamento. De sábado não passa. Eu vou deixar todo mundo sabendo sobre o nosso namoro. Quero mais é que tudo se exploda. Que todos saibam que estamos juntos e que vamos continuar assim por muito tempo. Por um tempo indeterminado, pra dizer a verdade. Porque eu quero a comigo pelo resto de nossas vidas.
Se era preciso passar por tudo isso, era porque no final teríamos algo muito bom nos aguardando. Acho que passamos por essas coisas para aprendermos a dar valor. Porque tudo o que a gente faz e que leva algum tempo para conseguir, tem algum motivo. Mesmo que esteja escondido de todos nas entrelinhas da vida.
Aquela ideia, como já disse, estava na minha cabeça e ninguém conseguiria mudar a minha opinião. Sábado estava se aproximando e, com minha ida pra Londres, algo naquela cidade mudaria. E não seria apenas se mudando para outro lado da cidade para viver ao meu lado em nosso apartamento. Não. Aquilo era pouco pra toda a mudança que estava para acontecer. já me falara que eu poderia contar com a ajuda dele quando resolvesse pelo melhor momento de dizer a verdade a todos. E eu pensava que o melhor momento seria naquele sábado.
Todas as ideias fluíam em minha mente com a mesma velocidade e frequência que meu sangue corria por minhas veias. De sábado não passaria.
’s POV:
Louco! só poderia estar louco!
Tudo bem que eu concordava com a ideia de contar sobre o namoro, de deixar todos sabendo sobre algo que já deveria ser público.
Mas a parte teórica é fácil. O foda é a parte prática. E eu não estava nem um pouco a fim de tentar aquilo. Algo daria errado e tudo acabaria mal (não que eu realmente desejasse que tudo desse errado, mas era só pensar pelo lado lógico: Benjamin nunca liberaria o namoro daqueles dois).
E não entrava em minha cabeça a razão de fazer aquilo sem deixar a saber. Quer dizer, ele poderia contar pra ela, fazer com que ela se sentisse preparada, deixar que ela apoiasse aquela decisão, mas não! Ele apenas pensou “Vou contar pra todo mundo” e não quer saber de escutar opiniões alheias.
Como eu vou conseguir guardar um segredo desses? Não consigo nem esconder quando quero rir de alguma coisa (grande novidade!). Se eu ficar calado demais durante a semana, todos vão desconfiar que alguma coisa está se passando por minha cabeça.
Se eu vou me aguentar? Óbvio que não! Com certeza mais alguém vai saber da ideia maluca que não consegue tirar da cabeça.
’s POV:
Louco! só poderia estar louco!
E eu pensava da mesma maneira que o .
Afinal, ele podia muito bem conversar com a e dizer pra ela o porquê de ele achar que contar sobre o namoro era o certo. Eu achava simplesmente errado ele tomar uma decisão, sozinho, sobre algo que envolvia duas pessoas.
Por favor! Até parece que a não pensa, que a não tem voz no relacionamento dos dois.
Eu precisava conversar com , e precisava conversar sério!
Mas, infelizmente, sempre há algo para impedir. Foi quem me contou. E uma das coisas que o tapado do pediu para ele, assim que terminou de falar sua ideia, foi que ele não contasse aquilo para ninguém. Que era tudo uma surpresa. Que ele queria ver como a reagiria.
Ótimo, um namorado que não sabe como a namorada pensa. Por que, hein? Ele parecia ser tão sincronizado com a . Nunca me passou pela cabeça que ele queria tomar uma decisão importante sem a opinião dela.
Eu só podia pensar que na primeira oportunidade que tivesse, falaria com sobre isso.
Nick’s POV:
Eu só podia rir de como eles estavam desesperados por causa daquele assunto.
Será que ninguém percebeu que a e o são tão ligados a ponto de um não precisar da opinião do outro para resolver alguma coisa?
Será que só eu via isso? Só eu?
Tudo bem que eu sou o irmão, convivo e convivi com os dois por mais tempo que qualquer um, mas, mesmo assim, não pensava que eles pensariam dessa maneira.
A opinião da me impressionou, a do , mais ainda. E a do ? Ah, só fiquei com vontade de dar uns cascudos nele. Por que, em vez de me procurar para pedir ajuda, foi logo correndo pro ?
Eu tenho um coração mais aberto e gentil que o dele. E penso da mesma forma que o .
Peyton’s POV:
Se não fosse pelo Nick, eu nunca saberia da maior fofoca que estava rolando.
Quer dizer, será que ainda não confiavam em mim para me falar sobre aquilo?
Até parece que ninguém ficaria sabendo, né? contou pro meu irmão, lógico que todos saberiam de tudo até o dia em que ele fosse contar para todo mundo sobre o namoro.
Eu achei uma boa ideia. Na verdade, eles já deveriam ter feito aquilo há mais tempo.
Eu vivia me perguntando o motivo de Benjamin não liberar o namoro dos dois. Quer dizer, eles eram primos, mas isso não podia ser algo para atrapalhar que pudessem ficar juntos. Quantos primos não namoram? Quantos primos já não se casaram e têm filhos?
Quer dizer, nada poderia impedir. Isso era um motivo besta. Se ele achava que era algo que faria com que os dois pudessem viver separados, ele estava muito enganado. Terrivelmente enganado. E eu não queria saber o que ele faria para impedir, já que ele não aceitava, de maneira alguma, o namoro de sua filha com seu sobrinho.
Brianna’s POV:
Na verdade, não sei bem o que pensar sobre isso. Certo, e namoravam há algum tempo escondidos. Benjamin sabia da história, proibia e, mesmo assim, não deixava ninguém saber nada daquele assunto. estava voltando pra Londres no sábado, decidido a contar tudo para qualquer pessoa que quisesse ouvir.
nem imaginava que aquilo aconteceria. E nem saberia de nada até que ele chegasse.
Bom ou ruim?
O pessoal estava fazendo tempestade em copo d’água, ou Peyton e Nick tinham razão? Complicado pensar em alguma coisa.
Eu só tinha a certeza de que o que mais queria era vê-los felizes por completo.
’s POV:
Nunca entendi o motivo de não gostarem de mim. Mas eu sabia que e , além de Brianna, minha tortinha de limão, viam algo de bom em mim. Eu consegui provar que não era um chato e que me importava com as pessoas e, agora, parecia que me aceitavam.
Brianna me contou sobre o que pretendia fazer. Quer dizer, ela é minha namorada e me conta qualquer coisa, mas ela veio me falar sobre algo que aconteceu na turma particular dela. Coisa que ela não fazia. Por serem assuntos particulares deles. Coisa que eu não precisava fazer. E que nem nunca tinha feito questão de saber.
Mas depois desse fim de semana, parece que muitas coisas mudaram. E se aquilo era pra melhor, eu me sentia extremamente feliz.
Minha opinião sobre o que o quer fazer?
Vá em frente e faça.
Mas saiba arcar com as consequências!
(n/a: coloque para carregar: Only When I Sleep – The Corrs)
Naquele sábado acordei com um sorriso no rosto. E não foi algo forçado. Sonhar com me fazia incrivelmente bem.
Enrolei por um bom tempo na cama, pensando em como passaria um final de semana longe dele. A única parte difícil em namorá-lo era a distância que precisávamos aguentar. Ter que esconder o namoro não era empecilho algum. Quer dizer, lógico que seria legal se disséssemos tudo de uma vez por todas! Na verdade, nem sei o motivo de não termos gritado tudo aquilo ainda.
Estendi minha mão até meu criado, pegando meu celular. Assustei-me ao ver as horas. Sete e meia da manhã? Eu acordei cedo num sábado e não reclamei?
. . Só ele poderia ser a razão para aquilo acontecer sem que eu me importasse.
Sorri, sacudindo minha cabeça de um lado para o outro, enquanto discava o número de .
Coloquei o aparelho no ouvido e meu sorriso se transformou numa careta ao escutar que o celular estava desligado ou fora da área de cobertura.
“Merda.”
Levantei-me, a contragosto, indo até meu banheiro. Parei em frente ao espelho, consertando meus cabelos. Eu não estava parecendo um leão, como era de se esperar. Escovei os dentes e entrei embaixo do chuveiro, tomando um banho rápido, apenas para tirar minha cara de sono e me refrescar um pouco.
Quando saí do banheiro, enrolada em minha toalha, tomei um susto ao escutar meu celular tocando – ele não era nem um pouco escandaloso – em cima da minha cama.
Because days come and go, but my feelings for you are forever...
“Oi.” Disse assim que me sentei em minha cama, com o celular já pendurado em minha orelha.
“Que horas posso te buscar?” Escutei , no outro lado da linha.
Sorri. Claro que ele me ligaria. Depois daquela terça, no dia em que nos falamos quando ligara para ele, me disse que eu só precisava fechar os olhos para senti-lo ao meu lado; repetíamos aquilo sempre. Era o momento em que eu mais me permitia pensar em .
Porque pensar nele quando ele não estava falando comigo ao telefone era realmente doloroso. A saudade sempre apertava, uma dor iniciava e eu não conseguia conter lágrimas de saudade.
“Ai, meu amor, que saudade!” Falei, fechando meus olhos e deixando que meu corpo desabasse em minha cama.
“E como você acha que eu me sinto? Tem como me dizer quando posso te buscar?” Eu sabia que ele falava aquilo com um lindo sorriso no rosto.
“Agora! Se quiser, prendo minha respiração pra que você venha mais rápido!” Soltei uma risada boba.
“Então tá. Prepare-se! Estou chegando.”
Disto isso, desligou o telefone.
E eu fiquei com cara de tacho. Franzi minha testa, enquanto encarava o telefone. Permaneci assim por algum tempo. Nem consegui ligar para .
O celular vibrou em minhas mãos. Era uma mensagem dele. Ainda com a testa franzida, cliquei em “ler”.
O que você tá esperando?
Anda. Tô aqui embaixo. Longe do portão.
Vem logo.
“?” Abri bem os olhos, enquanto sentia um sorriso se formando em meu rosto.
Corri pro closet, pegando o primeiro short jeans e a primeira pólo que encontrei em meu caminho. Calcei meus chinelos e saí de meu quarto, com o celular em mãos, correndo e tentando acertar, mais uma vez, meus cabelos.
Não havia ninguém na sala. Empregado nenhum. Nem mesmo Zac, a pessoa que ficara em minha cola no final de semana passado, estava ali.
Atravessei o jardim, correndo, passando pela piscina e, finalmente, pelos portões.
Sábado. Folga do porteiro. Meu pai tinha cada ideia...
Parei de correr, controlando minha respiração. Abri meu celular, digitando uma mensagem rápida:
Já estou no portão. Me pega aqui?
Antes mesmo de fechá-lo, pude sentir que ele vibrava, mais uma vez, em minhas mãos.
Não se mova.
(n/a: coloque a música para tocar agora)
E não passou muito tempo até eu vir aquele Porsche preto parando ao meu lado. Superando as expectativas de , abri a porta dele.
“Acho melhor você desligar este carro.”
E então entrei, colocando uma perna em cada lado de seu corpo, sentando-me em seu colo.
“...”
Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa que me contrariasse, juntei nossas bocas e mordi o lábio inferior dele. Mas logo senti que ele tentava colocar algum espaço entre nós.
“O que foi?” Perdi o ânimo, olhando-o nos olhos. “Não gostou?” Fiz bico, enquanto brincava com a gola de sua camisa.
“Calma, é só pra eu estacionar em algum lugar que não nos vejam.” Ele sorriu, acariciando meu rosto.
Eu ri, saindo do colo dele, e sentando onde deveria estar desde o início.
deu a partida no carro e andou um pouco, até encontrar um desvio no meio do caminho. Durante este trajeto, permanecemos em silêncio e, enquanto eu encarava seu perfil, podia ver um meio sorriso aparecendo naquele rosto. Imitei a expressão automaticamente. Era impossível olhar e não fazer o mesmo. colocou sua mão em minha coxa, apertando-a, assim que o carro já estava estacionado e desligado.
Aproximou-se de mim, encostando seus lábios no lóbulo de minha orelha. Seu hálito quente arrepiou cada centímetro de meu corpo e, ao sentir seus dentes de encontro a minha pele, não contive um gemido.
subia suas mãos por minhas coxas descobertas, até encontrar a barra de meu short, enquanto distribuía beijos por toda a extensão de meu pescoço. Ele correu as mãos por meu corpo, puxando minha camiseta, afastando-se de mim apenas para vê-la longe de meu corpo.
Ele não dizia nada, apenas me olhava. Aqueles olhos com puro desejo, amor, saudade. Uma vontade que eu reconhecia ter também. E sabia que, naquele momento, ao olhá-lo nos olhos, ele podia enxergar, nos meus, a mesma coisa que eu via nos dele. Porque nosso desejo era mútuo.
Fiz o mesmo que ele, puxando sua camisa para cima, vendo-a sair daquele corpo ao qual, definitivamente, não pertencia. E eu sabia que quando estivesse nu, estaria ainda mais bonito do que jamais esteve. Eu precisava me lembrar de agradecer tia Claire e tio Anthony pela inspiração que tiveram ao fazer o monumento que estava em minha frente.
Espalmei minhas mãos em seu peito, empurrando-o para seu banco. Voltei à minha posição inicial dentro daquele carro: no colo de . Ele fez o banco deslizar para trás, dando-nos um pouco mais de espaço. E sorriu ao encarar-me. Encostei minha boca em seu pescoço, distribuindo beijos e mordidas. Arranhei sua barriga, próximo à barra de sua calça, e ouvi um gemido rouco saindo de sua garganta. Desabotoei seu cinto, ainda às cegas, enquanto chupava o pescoço dele.
Senti que ele levantava o quadril e fiz o mesmo, para que ele pudesse tirar as calças, arrancando as boxers junto a elas. Sorri para ele, depois mordi meu lábio inferior, ao encostar minhas mãos em seu membro, excitado o bastante a ponto de fazê-lo fechar os olhos e morder os lábios, tentando reprimir mais um gemido ao meu toque.
“Não vale. Eu tô... em desvantagem.” E puxou meu short, sem nem desabotoá-lo. Minha calcinha? Saiu da mesma forma que as boxers dele deixaram seu corpo. A urgência em unir nossos corpos ainda mais era imensa.
“Camisinha, .”
“Porta-luvas.” Ele segurava minha cintura, olhando cada centímetro de meu corpo.
Eu sorri, sentindo-me cada vez mais desejada. Gostava de ser vista assim por ele. Como se eu fosse a mulher mais perfeita do mundo.
Abri o porta-luvas, procurando alguma camisinha desesperadamente. Alguns segundos, que pareceram horas, foram o necessário para que eu a encontrasse e a colocasse no membro de .
Acariciei-lhe a barriga e o peito, apoiei minhas mãos em seu ombro e, ao mesmo tempo, senti que ele segurava mais forte em minha cintura, guiando-me.
Mais uma vez, confirmávamos como era necessário ficarmos juntos.
Ao mesmo tempo em que ele fazia com que eu me sentisse uma mulher amada e desejada, enquanto distribuía beijos e carícias e dizia palavras de amor ao pé de meu ouvido, fazia como que eu me sentisse uma menina, quando me mimava e me protegia.
Escutei meu nome saindo pelo boca de numa voz rouca, deixando claro que ele atingira o ponto máximo. Depois de alguns segundos, senti um prazer imenso invadindo-me e logo desabei sobre o corpo dele.
Ele acariciava minhas costas levemente, enquanto beijava minha testa. Puxou meu queixo levemente, fazendo com que eu o olhasse e, ainda com a respiração descompassada, fixou os olhos nos meus, transmitindo toda a sinceridade com aquele ato.
“Senti sua falta.” Disse, sem desviar o olhar.
Eu sorri e distribuí beijos por seu rosto.
Sua testa suada mostrava o quão cansado e satisfeito ele estava.
“Eu também.”
Juntei nossos lábios, num beijo terno, sem malícia, sem desejos maiores que confirmar, carinhosamente, nosso amor.
(n/a: coloque para carregar: On My Own – The Used)
Passamos a manhã juntos. Minha mãe me ligou, falando sobre uma festa que iria à noite e me perguntando onde eu estava. Respondi que eu e resolvemos sair de última hora e que almoçaríamos juntas, ela não precisaria se preocupar com meu paradeiro. Mamãe disse que tudo bem, mas me pediu para dormir em casa, porque no final de semana eu já havia dormido na casa de . Combinamos que ela me ligaria quando saísse de casa para que eu terminasse meu “dia com ” e voltasse.
E assim foi.
Eu só não estava com .
Ficamos a manhã inteira em nosso apartamento. me disse que já havia decidido tudo e que contaria para todos que estávamos namorando. Se não aceitassem, poderíamos viver em nosso cantinho feliz – na verdade, mesmo que aceitassem, toda a mudança (dele) já estava pronta, então mudar pro nosso apartamento já era algo decidido.
Precisávamos apenas contar sobre o namoro para vivermos finalmente juntos.
queria fazer aquilo no sábado, mas eu pedi que contássemos no domingo porque queria aproveitar nosso tempo juntos sem me preocupar com outras coisas. Ele aceitou na hora, apenas encostando sua boca na minha e prendendo-me na parede para recomeçarmos o que fizéramos no carro mais cedo.
Depois que minha mãe ligou, avisando que já estava a caminho da festa com meu pai, pudemos enfim voltar pra minha casa. Não que isso fosse realmente necessário, já que seria muito melhor se ficássemos em nosso apartamento. Eu até disse para que preferia ficar por lá, mas ele insistiu no fato de que precisava relembrar da semana passada.
“Vai dizer que não sentiu minha falta em sua cama durante a semana?”
Eu ri, antes de voltar a beijá-lo.
Beijar era algo que eu podia fazer o dia inteiro sem nem ao menos ficar cansada. Eu não precisaria de mais nada se o tivesse para mim sempre. Da maneira que ele estava hoje, próximo a mim, fazendo-me feliz.
Acho que nasci para ele, assim como ele deve ter nascido pra mim. Nunca tive tanta certeza de almas gêmeas existirem, mas depois de tanta coisa que já passei com , acho digno afirmar que ele é minha alma gêmea, aquela pessoa que precisa estar ao meu lado para eu estar completa.
Porque se me tiram dele, se fazem com que não fiquemos juntos, se nos separam, eu sinto um vazio imenso e não consigo ouvir meu coração bater de outra forma que não seja “”.
Na verdade o comum dos batimentos do meu coração é exatamente isso: “”.
Ao chegarmos à minha casa, estacionou o Porsche ao lado do meu carro e conseguimos subir pro meu quarto sem ninguém perceber.
A casa parecia estar deserta. Estaria deserta se não fossem os cachorros (que normalmente ficavam presos no canil), e um empregado ou outro. Agradeci por eles nunca se importarem com nada que acontecia naquela casa – diferente de tantos outros empregados que vemos em todos os lugares, os nossos eram, digamos, discretos. E eles com certeza não ganhariam nada contando para alguém que me viram chegar em casa com o . Não, aquele não era o perfil dos nossos empregados.
Ao entrarmos em meu quarto, foi automático o meu fechar a porta e olhá-lo de cima a baixo, enquanto mordia meu lábio inferior. Ele entendeu na hora o que eu queria - ele queria aquilo também. Quinta vez no mesmo dia? Realmente escolhemos o dia para tirar o atraso.
encostou sua boca em meu pescoço enquanto já fazia minha blusa subir rapidamente por minha cintura.
"Quanta urgência, !" Eu ri, quando minha blusa foi jogada em algum canto. Ao mesmo tempo minhas mãos procuravam pela barra da camisa dele.
"Quanta urgência, !" Ele repetiu minhas palavras, afastando-se para tirar sua própria camisa.
Pegou-me pela cintura, jogando-me carinhosamente em minha cama. Veio para cima de mim, apoiando-se em seus braços enquanto me fitava com aqueles olhos .
"Linda." Sussurrou, passando o indicador em meus lábios. Deu-me um selinho sem urgência, ainda com os olhos fixos aos meus e voltou à sua posição original. "Como eu posso explicar tudo o que sinto?" Deslizou seus dedos por meus lábios, descendo até meu queixo e pescoço, alcançando meus ombros e, finalmente, meu braço, onde ele ficou fazendo um carinho delicioso, arrepiando cada pedacinho que tocava. "Como você pode ser tão perfeita pra mim?" Ele voltou seus olhos para os meus depois de algum tempo e presumi que queria uma resposta.
"Eu sempre me pergunto algo parecido... Como você pode ser tão perfeito pra mim?" Meus olhos viajaram por cada pedacinho de seu rosto. Parecia que eu tentava memorizar cada pedacinho dele no fundo de minha cabeça. Era como se em meu interior aquele momento soasse como algo que eu devia aproveitar. "Eu te amo, ." Soltei as palavras com as quais eu já estava acostumada. "Não importa o que aconteça, não importa nada nem ninguém, não importa... Eu sempre vou te amar, . Aconteça o que acontecer." Parecia certo dizer aquilo naquele momento tão único. Num momento tão mais íntimo e pessoal que o tão esperado e gostoso ato de fazer amor. "Eu sempre vou te amar. Você vai ser sempre o amor da minha vida."
Ele enfiou seu rosto na curva de meu pescoço, abraçando-me ternamente.
E eu entendi o que ele queria dizer com aquele simples e, para muitos, bobo ato de me abraçar. Eu sinto o mesmo, , era o que estava claramente dito com suas palavras não pronunciadas.
continuava espalhando beijinhos por meu pescoço até que resolveu mudar um pouco, começando com mordidas que viraram chupões enquanto suas mãos exploravam meu corpo. Ele me conhecia bem o suficiente para saber que suas mãos me deixavam louca apenas com o simples toque em minha pele e aproveitava essa minha fraqueza. Ele também sabia o quanto eu enlouquecia quando elas começavam a demorar demais na parte interna de minhas coxas.
Ajudei-o a terminar de tirar suas calças e sorri ao sentir sua excitação em minha mão. Acariciei o membro dele ainda por sobre a cueca e escutei-o arfando próximo ao meu pescoço.
E foi aí que tomei um susto quando escutei a porta se abrindo e logo depois a voz de meu pai ecoando em meu quarto.
“, no meu escritório, agora. , vá pra casa e não pise mais aqui.”
Meu coração acelerou e olhei assustada para . Ele me olhou da mesma forma.
Afastei-o de mim. Não precisei fazer muita força porque ele já havia entendido o que precisávamos fazer naquele momento. Colocar todo o assunto a par do meu pai. Dizer para ele que estávamos mesmo namorando e que eu sairia de casa.
Levantei da cama, vestindo minha blusa o mais depressa que pude. Olhei para , quando já estava pronta. Ele não conseguia se mexer, estava ainda sentado na beirada de minha cama, apenas de boxers. Parecia tentar entender o que estava acontecendo. A ficha dele, provavelmente, não havia caído.
", vista sua roupa e vá pra sua casa. Eu resolvo isso com ele e te ligo assim que conseguir controlar tudo." Disse e entreguei a camisa dele em suas mãos.
Afastei-me por um momento, tentando encontrar forças para falar o que eu não pensei que teria de dizer tão cedo para meu pai. Aquilo me assustava bastante.
"Calma, amor... Vai dar tudo certo." me abraçou, tentando me acalmar. "Você não acha melhor eu resolver isso com ele, ? Você tá tremendo."
Olhei para minhas mãos e percebi que eu realmente tremia.
"Não, . Você ouviu meu pai. Ele quer falar comigo... Se você for lá tentar fazer isso... Acho que pode acontecer coisa pior. Faz o que ele mandou. Vá pra sua casa. Assim que eu conseguir resolver tudo, te ligo." Aquelas malditas lágrimas que sumiram por quase um dia inteiro de mim, voltaram a se juntar. Eu odiava chorar, ainda mais por causa daquilo – mais uma vez.
Ele encostou seus lábios no meu e rapidamente se afastou.
"Boa sorte então, minha pequena. Eu venho te buscar quando você me ligar."
Assenti com a cabeça e saí de meu quarto, fechando a porta em seguida.
Tentei andar o mais devagar possível por todo aquele corredor que levava até o escritório do papai. Se tinha um lugar que eu não gostava naquela casa, era o escritório. Parecia que ele sempre usava aquele lugar para brigar com as pessoas. Não podia dizer que estava tranquila, porque na verdade eu não estava. Sabia que contaria para meu pai que eu e estávamos juntos, mas não esperava que tivesse que acontecer daquela maneira. Com ele nos vendo juntos, com ele sabendo sobre o que fazíamos juntos. Com ele nos flagrando daquela forma. Era ridículo e me dava um medo que não conseguiria explicar.
Abri a porta do escritório e fitei as costas de meu pai. Ele estava de frente para a lareira, com as mãos nos bolsos de sua calça. Virou-se assim que escutou a porta se abrindo.
“Eu não vou te pedir uma explicação porque eu não sou tolo. Sei muito bem o que estava prestes a acontecer se eu não tivesse chegado.”
Engoli em seco, enquanto olhava para ele.
“Mas eu não quero você namorando o . Não quero e espero não precisar repetir essas coisas pra você. Pensei que já tivesse deixado claro...”
“O problema é o sexo?” Soltei uma risada nasalada, enquanto revirava os olhos.
“Você é minha filha e eu zelo por seu bem-estar.”
(n/a: coloque a música para tocar agora)
"Será que não percebeu que a nenenzinha não existe mais?!" Joguei aquelas palavras na cara de meu pai. "Eu já tenho 18 anos, papai!" Cuspi a última palavra como se aquela fosse a mais repugnante que algum dia eu já falara. "Por que não falou antes que o problema todo no meu namoro com era sexo?" Olhei pra cima tentando conter as lágrimas de nervoso que rolavam por meu rosto. "Agora que o senhor já sabe e já viu o que eu faço com , pode parar de tentar controlar?" Encarei meu pai e ele estava calado, com uma expressão de terror no rosto. “Zelar por meu bem-estar? Não percebeu que esse meu bem-estar se resume a uma pessoa? E que essa pessoa é o ?” Continuei, sem deixá-lo me interromper. "Nem Zac, nem nenhum outro segurança vai conseguir fazer com que eu pare de me encontrar com ele, entendeu? Agora eu vou voltar pro meu quarto porque eu tenho mais o que fazer."
", volte aqui, eu ainda não terminei!" Quando eu comecei a me afastar, papai segurou meu braço com toda a força que pode e eu não pude mais sair.
"Quer soltar meu braço, por favor?" Falei com os olhos fechados e com o rosto virado para a direção oposta à qual ele estava. "O senhor está me machucando."
"Olhe para mim." Ele puxou meu rosto sem diminuir a pressão que fazia em meu braço.
"Me solta!" Abri os olhos e o encarei.
"Ainda não." Ele me empurrou até uma cadeira e soltou meu braço quando eu já estava sentada contra minha vontade e colocou o dedo na minha cara. "Você só sai deste escritório quando entender a gravidade da situação."
"Gravidade da situação..." Rolei os olhos e soltei uma risada de deboche. "A minha vida com é assunto meu e de mais ninguém."
"A sua vida com é assunto meu sim, porque eu sou o pai de vocês dois."
“Era o que me faltava, Benjamin!” Continuei rindo com deboche. “O senhor não acha que eu já não estou muito acostumada com as coisas que você inventa para sempre se dar bem? Como pode sequer cogitar a ideia de que uma mentira mal dita dessas me convenceria a terminar com meu namorado?”
“Eu sabia que não seria tão fácil.”
Ele rolou os olhos e foi para trás de sua mesa, abrindo, pelo que pude ver, sua primeira gaveta – aquela que sempre era trancada por uma chave que apenas ele possuía – e tirou de lá alguns papeis. Entregou-me um envelope e olhou nos meus olhos.
“Vá em frente e abra.”
Engoli em seco, enquanto abria o envelope e tirava de lá o resultado de um teste de DNA. Eu nunca gostei muito de biologia, nunca entendi muito da parte de genética, mas aquela palavrinha na folha não me deixou dúvidas. Senti minha garganta secando, senti lágrimas se acumulando em meus olhos, senti minhas mãos tremendo. Positivo. Então era realmente meu irmão. Não, não era. Aquilo não podia ser verdade.
"Como assim?" Continuei encarando os papeis e ouvi minha voz saindo entrecortada e falhando no final da pergunta.
" é meu filho assim como você é minha filha..."
"Cala a boca!" O fitei e me levantei da cadeira, indo em sua direção. Comecei a estapear seu peito, sem conseguir olhar em seu rosto. "É mentira sua!" Percebi que já estava soluçando. “Isso não pode ser verdade.” Praticamente sussurrei.
"Não é mentira minha. Por que você acha que eu nunca aceitei o namoro? Se vocês fossem apenas primos, não teria problema algum." Pude ouvir aquelas palavras enquanto gritava que era mentira. Ele segurou meus braços me impedindo de bater nele. "Mas vocês são irmãos e isso é incesto, não é um relacionamento aceitável. De forma alguma. E você concorda neste ponto comigo. É como se você namorasse o Nicholas."
Aquilo não podia ser verdade. não podia ser meu irmão. O único irmão que eu tinha era Nicholas. era meu primo. Apenas meu primo.
Tentei me livrar das mãos do meu pai, mas eu não tinha forças. Eu não conseguia mais conter as lágrimas. Elas rolavam por meu rosto com mais facilidade do que nunca.
" é meu primo, apenas meu primo..." Também não tinha mais forças para gritar, as palavras saíam como sussurros.
Meu pai me abraçou e o choro começou a sair mais alto de minha garganta.
’s POV
Dois meses se completaram desde que Benjamin flagrara a mim (seu sobrinho) e (sua filha e, consequentemente, minha prima) numa situação não muito agradável para seus olhos de pai/tio. Nesse meio tempo, não respondeu aos meus telefonemas, e-mails, mensagens de texto e, até mesmo, cartas. Ela não saía de casa e nem recebia amigos.
Nicholas me disse que tem medo de a irmã estar em depressão. E isso me preocupou. Posso até dizer que também desconfio. Afinal, nem mesmo , sua melhor amiga, conseguia conversar com ela.
No dia que aconteceu nossa “separação”, tentei telefonar e até voltei à sua casa quando percebi que ela não me ligaria. Fiquei com medo de que Benjamin tivesse feito algo com ela. Mas me surpreendi ao ser recebido pelo próprio, que me levou até o quarto de para que ela me dissesse o que ele já havia me dito: que ela não queria mais me ver. E ela o fez, olhando em meus olhos, antes de fechar a porta em minha cara.
E aquilo doeu.
Todos tentaram descobrir o que estava havendo. Nick também contou que tia Court estava arrasada e que ultimamente recebia visitas de seu ex, Robert.
Engraçado pensar que dentre vários amigos que conviviam diariamente com ela, ela fosse escolher receber visitas do ex, quem há muito tempo não via.
Mas era melhor assim. Pelo menos ela não continuava sozinha em seu quarto. Pelo menos recebia uma pessoa. Conversava. Possuía (mesmo que minúsculo) um vínculo social.
Robert não falava muito sobre o que conversavam. Dizia apenas que ele percebia certa melhora, que já havia visto um pequeno sorriso no rosto dela. E saber daquilo me fez vibrar de felicidade.
Nick me contava tudo. Vinha diariamente ao meu apartamento para conversarmos. Os rapazes também. Até !
Ele chegou ao ponto de aparecer sozinho uma vez, nem mesmo Brianna o acompanhava, apenas para assistir a um jogo do Arsenal comigo.
Posso afirmar que aquele garoto estava mudado.
Minha vida, diferente da de , não mudou drasticamente. Eu não me tranquei em meu apartamento e parei de sair ou ir à faculdade, apesar de estar bastante machucado pelo fim do namoro.
Eu tentava me afastar dela para não sofrer. Tentava tirá-la da cabeça. Precisava me acostumar à ideia de que havíamos terminado, mesmo que ela não tivesse me dado oportunidade para tentar não deixar aquilo acontecer. Mesmo que todos pensassem que fôssemos nos casar.
Quando alguém que você ama diz, mesmo que sem palavras, que não o ama mais, que não o quer mais, machuca. Mas o que fazer? Obrigá-la a me amar? Obrigá-la a voltar pra mim? Obrigá-la a ficar comigo?
Eu prefiro vê-la feliz.
Mas o que mais anda me machucando nisso tudo é saber que ela terminou e entrou em depressão. Eu deveria ter entrado em depressão, porque fora ela quem terminara comigo. Não foi ao contrário.
Várias perguntas rodeavam a minha cabeça. Eu ainda não conseguia entender nem acreditar no fim. Porque não parecia ser o fim. Não havia motivos aparentes.
Depressão. Tudo indicava depressão. E vê-la nessa situação também me machucava.
disse que ela não ia mais à escola. No dia que foi, dormiu o tempo inteiro.
Eu me preocupava e não podia fazer absolutamente nada. E por me sentir tão inferior, tentava me desligar.
Nada conseguia tirar essas preocupações da minha cabeça. Eu já havia tentado de várias formas, mas tudo me fazia lembrar-me dela. Tudo me fazia pensar nela. Tudo era sobre .
E foi aí que comecei a escrever e tocar. Eu ainda pensava nela, mas parecia uma válvula de escape. Eu pensava nela, mas conseguia me concentrar em mim.
se afastou de tudo e todos.
Eu me agarrei à música.
Aliás, nessas tantas visitas que eu recebia diariamente de , , e Nick, até nos arriscávamos a escrever em conjunto. E posso dizer que algumas coisas prestavam.
Quem mais se divertia era Nick. Colocava lenha na fogueira, mandava-nos escrever e tocar. Dizia ser o empresário da mais nova banda em Londres! O que era engraçado, pois nem mesmo uma banda éramos.
Um baterista, um baixista e dois guitarristas. E daí?
se empolgava. Mas apenas porque já tocava em bares. Ele já tinha uma banda, de qualquer forma, não precisava de mais uma.
E nessas horas eu conseguia encontrar paz. Nessas horas, não sei o porquê, conseguia pensar que tudo se esclareceria e que, mais cedo ou mais tarde, tudo voltaria a ficar bem.
Porque tudo terminava bem.
Porque eu não acreditava num final desgraçado.
’s POV
“Tira essa ideia da cabeça, Nicholas.” Entreguei-lhe sua xícara de café, antes de voltar minhas atenções a uma folha em minha frente.
Ele continuava tentando fazer com que nós (eu, , e ) formássemos uma banda.
“Eu não sou músico, nunca pensei em tocar profissionalmente, nunca quis ter uma banda. Nem eu, nem nenhum dos caras. Nem mesmo o !”
“O tem uma banda.” Ele me interrompeu.
“Mais um motivo!” Permaneci com meu olhar sério, larguei a caneta e o encarei. “Ele tem uma banda. Ele é feliz com a banda que tem. A gente não precisa acabar com a felicidade de um amigo, Nick. Deixe-o tocando feliz numa banda que ele sabe que tem futuro. Quer ser empresário de alguma banda? Ótimo! Te dou o maior apoio, priminho, mas procura a banda que o já formou...” Tomei um gole de meu café e voltei a mexer a caneta entre meus dedos. “Life will be harder tomorrow... (A vida ficará mais difícil amanhã...) Não. Muito ruim.” Balbuciei, enquanto riscava o que acabara de escrever.
Queria dar por encerrado aquele assunto, por isso procurava mostrar pro Nick que eu queria me concentrar em outra coisa.
“Você sempre arranja maneiras de cortar um assunto, . Odeio quando isso acontece! Mas o que eu quero dizer, garoto, é que, ao contrário do que você pensa, não...”
“Life is getting harder day by day! (A vida tem ficado mais difícil a cada dia!) Isso, ! Eu sabia que você pensaria em algo bom!” Interrompi Nick quando consegui pensar em algo interessante.
“Podemos voltar à discussão principal agora, ?”
“Não, Nicholas. Eu não quero fazer parte de uma banda, muito obrigado. Quero apenas escrever para ocupar minha mente. E não quero que volte nesse assunto. Fim.”
“... Escrever pra guardar? Pra estocar letras que podem virar sucessos? Na boa, você tá tendo a oportunidade de formar uma banda com seus amigos! Da qual eu serei o empresário! Não precisa me dar a resposta agora. Mas pense nisso! As músicas estão ficando boas, vocês tocam bem e não está satisfeito com a banda dele. Pense! E me dê a resposta depois.”
Ele continuou me encarando quando terminou o discurso. Eu rolei os olhos e balancei a cabeça de um lado pro outro sorrindo.
“Eu vou pensar, Nick.” Prometi, antes que ele continuasse a insistir no assunto, e voltei a me concentrar na canção que escrevia.
No outro dia, acordei com meu celular tocando ao meu lado. Era Nick.
“Garoto, se você ligou pra falar da banda, desista! Eu preciso de mais tempo pra pensar. Sete da manhã não é uma boa hora.” Minha voz saiu rouca e eu forçava meus olhos a se abrirem direito. Era difícil me acostumar à claridade, uma vez que sempre dormi com cortinas e ainda não as tinha no novo apartamento.
“ saiu do quarto.” Ele praticamente cuspiu as palavras.
Sobressaltei-me ao perceber o que ele dissera e o que aquilo significava, mas não consegui fazer comentário algum.
“, saiu do quarto. E ela trocou de roupa.”
Meu coração batia acelerado em meu peito. Aquilo indicava que ela estava melhorando. Se Nick disse que ela trocara de roupa, então ela não estava mais enfiada no mesmo pijama, toda desgrenhada e andando como um zumbi pelos corredores quando era obrigada a ir até a cozinha e comer alguma coisa.
Ela não comia, não tomava banho, não sorria, não se arrumava, não conversava com ninguém. Apenas chorava e dormia. E gritava durante o sono.
“Co... Como ela tá?” Perguntei. Minha voz já estava normal e eu me sentia totalmente desperto.
“Parece bem. Quer dizer, ela pelo menos trocou de roupa e nos desejou bom dia. O papai se assustou... Já te disse que ele começou a tomar café comigo e com a mamãe desde que ficou assim, né?”
“Sim, você me disse.” Acho que eu parecia vago em minhas respostas, mas até então, não conseguia elaborar nada muito complexo pra falar. “Pelo menos ela saiu do quarto por conta própria.”
“O Robert tem ajudado bastante... Eu não sei o que ele faz, mas mesmo se ele estiver usando técnicas de lavagem cerebral eu não me importaria. Minha irmã tá melhorando!”
“É... A gente tem que agradecer bastante ao Robert.”
“Não fique chateado com ele...”
“Não estou. Mas não nego que sinto ciúmes. De certa forma, eu a coloquei nessa situação e ele a está deixando mais forte. Está aí, ajudando-a quando ela mais precisa. Eu queria ser a base, a ajuda, não a causa para colocá-la em depressão.” Confessei.
“Ei! A culpa não é sua, ! Você nem sabe o motivo pra ela ter terminado com você! Ela quem terminou, lembra disso? Ela disse que não queria mais te ver, ela fechou a porta na sua cara! Ninguém sabe o motivo pra ela ter entrado em depressão depois disso. Todos saberiam o motivo se você tivesse entrado em depressão. Mas ela ter entrado... Isso é uma incógnita!”
“Acho que não entrei em depressão porque estava preocupado com a situação dela.”
“Você ama minha irmã, não ama?” Ele perguntou, depois de respirar fundo.
“Amo.”
“Um dia tudo vai se resolver, acredite em mim.”
“Eu tento acreditar.”
“Você precisa acreditar.” Ele retrucou.
Eu soltei um riso nasalado.
Depois daquilo, mudamos o foco da conversa. Ele me perguntou como ia a música de ontem e eu disse que já tinha adiantado boa parte dela. Disse-me, antes de desligar, que apareceria por aqui no final da tarde pra dar uma olhada e conversar sobre a banda.
Garotinho insistente!
Quando voltei da faculdade, me esperava com Madison ao seu lado em minha sala.
“Eu disse pra usar a chave em caso de emergência e pra aparecer sozinho, amor.” Brinquei com , e Madison riu.
“Não consegui despistá-la. E não conte sobre nosso caso!” Ele fez uma voz afeminada, entrando na brincadeira.
“Quis visitar meu amigo e descubro que ele é o amante de meu namorado.” Ela fez bico, e a abraçou.
“Mas e aí?” Perguntei.
“E aí o quê?” retrucou.
“Er, o que os traz ao meu apartamento?” Rolei os olhos.
“Reunião, ensaio... Essas coisas que a gente tem feito todos os dias desde que você liberou o apartamento pra ser nossa, digamos, garagem...”
“Claro! É engraçado porque uma reunião tá pra acontecer aqui e eu acabei de descobrir.”
“, esses garotos gostaram mais do seu apartamento do que você.” Madison me informou.
“Isso eu já tinha percebido.” Comentei.
Pedi licença e busquei três cervejas na geladeira. Pelo menos isso eu poderia oferecer.
Na verdade era a única coisa que eu poderia oferecer. E eu nem mesmo comprava toda aquela bebida.
Depois que meu apartamento virou a nossa, como o disse, garagem, eles têm aparecido muito por aqui. Praticamente todos os dias, senão todos. E muito homem num apartamento implica em cerveja. Digamos que vivíamos em festa e fossa todos os dias.
Quando voltei para buscar a terceira rodada, as “visitas” chegaram.
Acabamos nos reunindo na cozinha mesmo, como sempre fazíamos, para escrever. Madison nos ajudou em alguns detalhes e sempre que ela dava algum palpite, mesmo que este não fosse aceito, batia palmas e dava beijos na namorada.
No fim da tarde, “Not Alone” estava pronta.
Começamos a musicá-la no violão e depois fomos inserindo os outros instrumentos.
Não deixamos a música finalizada, mas trabalhamos bastante nela.
E quando todos foram embora, ela, , retornou aos meus pensamentos. Me fez rir e sonhar com o dia em que todo aquele pesadelo acabaria.
“Cause I’m not... Alone... (Porque eu não estou... sozinho...)”
Sorri antes de fechar os olhos e adormecer.
Acho que a intenção deles de aparecerem todos os dias em minha casa é porque eles sabiam que quando eu estava empolgado com algo, saía um pouco de minha mente e eu me sentia feliz. Eles sabiam que o fim do namoro tinha acabado comigo e, como não podiam ajudar também, porque ela não queria ser ajudada por nenhum de nós, apenas pelo Robert, dedicavam-se totalmente a mim. Para que eu não me sentisse culpado, para que eu não caísse naquele poço fundo como ela havia caído. Eles estavam me ajudando a superar. E essa ajuda foi criando um laço muito forte entre nós.
Essas aparições dos caras em meu apartamento-garagem (eu já não o chamava mais apenas de apartamento desde que me dissera sobre ser nossa garagem) sem eu estar presente continuavam acontecendo. Cada dia eu me surpreendia com alguém em minha sala. Certa tarde, estava em cima da mesinha de centro trocando a lâmpada. Noutro dia, Brianna estava assando biscoitos. Uma vez entrei e dei de cara com e se amassando em meu sofá.
E depois de quase três meses de visitas diárias e de sempre receber notícias sobre a melhora de , surgiu o McFLY.
Nick continuou insistindo no assunto por um tempo e, depois de afirmar que não estava mesmo satisfeito com a banda dele porque os caras eram péssimos, todos aceitaram formar uma nova.
Deixamos Nicholas radiante ao dizermos que sim, ele seria o empresário e escolhemos o nome pra banda depois que escutamos uma confusão vinda da sala: Brianna, Madison, Peyton e haviam encontrado meus DVDs de Back to the Future e não paravam de gritar sobre aquilo.
Sorrimos todos ao mesmo tempo ao percebermos que a ideia era a mesma na cabeça de cada um. E comprovamos aquilo ao dizermos em uníssono:
“McFLY!”
Eu ainda ria e me perguntava se minha sanidade havia escapado.
em uma banda. Quem poderia imaginar?
Primos. Éramos primos.
Tudo bem… A quem estou tentando enganar?
Éramos irmãos e nunca poderíamos ter um relacionamento que não fosse o que tínhamos antes de começarmos a gostar um do outro.
Eu não estava com nenhum pingo de vontade de cometer um crime, apesar de ainda desejar que tudo aquilo não passasse de um sonho ruim e do qual eu logo acordaria.
Machucava-me pensar nele. Pensar em nós. Pensar em nós como um só. E depois lembrar-me do que meu pai me dissera. Mas aquelas palavras pareciam não querer sumir da minha cabeça.
Eu precisava me acostumar com aquele fato. Eu precisava aceitar que os melhores momentos de minha vida teriam de ser apagados da minha mente para que eu não afundasse mais.
O torpor parecia não chegar. Era apenas dor. Dor, dor e mais dor. Era pior até que dor física. Porque parecia que não passaria...
Lembro-me de quando quebrei a perna ao cair de uma árvore. Doeu. Lembro-me de quando pisei num prego enferrujado e tive que ser levada para o hospital e tomar uma vacina antitetânica. Doeu. Lembro-me de quando precisei arrancar meus dois sisos inferiores no mesmo dia. Doeu.
Mas nenhuma daquelas dores poderia ser comparada à que eu sentia desde aquela revelação.
Dizem que a dor do parto dói. Eu duvido que doa tanto quanto essa.
Eu não tinha vontade de sair, comia bem pouco e quando era obrigada, só tomava banhos quando eu mesma não me aguentava. Não queria me divertir de forma alguma. Nem assistindo televisão, nem ouvindo música, nem lendo...
Eu, que vivia na biblioteca de minha casa, que chamava aquele lugar de meu refúgio, não queria mais saber de encostar num livro.
Era chato pensar, porque sempre me lembrava dele. A vontade de acabar com tudo aquilo era constante. Várias vezes passaram pela minha cabeça ideias de suicídio. Tinha vontade de me afogar na banheira, de cortar meus pulsos, de pular da varanda do meu quarto... E essa vontade aparecia porque eu queria fazer aqueles pensamentos acabarem! Porque eu não aguentava mais tanta dor! Eu não conseguiria aguentar por mais tempo...
Eu não gostava de me lembrar dele, porque os momentos alegres, os momentos de paixão e de amor por nós compartilhados, haviam sido transformados em pesadelos. Em cenas que me davam vontade de gritar. Era ruim pensar naquilo, porque todos aqueles momentos haviam sido compartilhados com um irmão.
Irmão. Nunca pensei que essa palavra fosse tão difícil de pronunciar.
Eu amava meu irmão, o Nick. E era fácil pronunciar a palavra irmão ao lado do nome dele.
Mas era repugnante pensar em como meu irmão.
Às vezes eu sentia nojo de mim.
Nojo do meu corpo.
Nojo das minhas atitudes.
Nojo das minhas palavras.
Mas ao mesmo tempo, não conseguia. Porque eu sabia que, no fundo, aquilo não podia ser verdade! Era um amor muito bonito para que fosse interrompido desta forma tão feia. Deus não faria aquilo conosco, porque eu sei que Ele é bom.
Ainda teimava com a verdade ao tentar enfiar em minha cabeça que Nicholas era meu único irmão.
Todos os dias eu escutava batidas em minha porta. Pessoas me chamavam, me pediam para sair do quarto, para tomar um banho, comer alguma coisa... Perguntavam-me se estava tudo bem, se eu precisava de algo... Mas eu não queria! Minha cama estava aconchegante. Eu precisava apenas daquilo ali. Do meu sono. Porque, pelo menos quando eu dormia, não pensava em todas aquelas coisas que me faziam tão mal.
Mas, um dia, aquela voz me chamou. E, Deus, como eu sentia falta daquela voz! Tanto tempo sem escutá-la fez com que eu pulasse da cama ao mesmo tempo e me deparasse com um cara de 1,87m e com aqueles olhos castanhos me fitando. Robert. Ele voltara. E era inacreditável! Ele continuava o mesmo. As mesmas pintas paralelas próximas à sobrancelha direita. As mesmas covas que apareciam ao que ele sorria. O mesmo jeito chato de franzir a testa ao tentar arquear apenas uma sobrancelha. Era o Robert. O meu ex-namorado e eterno amigo Robert.
Ele conseguiu me ajudar. Ele conseguiu começar a me tirar do fundo do poço. A cada dia, ele ia tentando algo novo para ir me puxando pra fora dele. Perguntava-me tudo! Pedia que eu contasse todos os detalhes dos últimos acontecimentos. Amparava-me quando eu começava a chorar e me lembrava que eu precisava terminar de dizer tudo.
Ele me dizia que depois que eu dissesse tudo, eu poderia chorar o quanto quisesse. Um dia, dois dias, uma semana... Não importava! Eu poderia chorar durante um ano, mas apenas quando terminasse de contar.
E que, depois do choro, eu ganharia um presente.
E sabe qual foi esse presente? Sabe quem me deu esse presente?
Eu mesma.
Ele me auxiliou a sair do poço. Porque eu fiz a maior parte da força. Voltei algumas vezes. Escorregava. Não conseguia manter minhas mãos firmes na corda que me ajudava a sair dali. Mas eu me lembrava que permanecer dentro do poço seria o fim. Eu precisava sair. Libertar-me.
E consegui.
Esse foi o presente que eu me dera.
A brisa voltou a bater no meu rosto. Não havia mais água gelada nem escuridão ao meu lado. Eu estava fora do poço. Estava caminhando sobre a grama, sentindo a maciez dela sobre meus pés.
Lembrar-me de todo o tempo ruim era inevitável, claro! Eu não era totalmente livre, porque ainda não conseguia me fazer livre. Ainda tinha aqueles pensamentos por perto. Mas eu estava caminhando pra liberdade.
Foi um caminho que fiz pé ante pé. Um passinho de cada vez. Mas fui alcançando os lugares aos poucos e da maneira correta. Era como reaprender a andar.
Tomar café-da-manhã na mesa, cumprimentar as pessoas com um “bom dia” amigável, conversar nos jardins com Robert, dirigir o meu carro. Dar uma volta, passando por meus lugares favoritos em Londres. Voltar para a escola.
O mais difícil foi voltar para a escola. Encarar todas as minhas amigas, vê-las se assustando com a minha presença... Elas não falaram comigo na primeira semana. E eu não as julgava.
Até que um dia a se aproximou de mim e me disse que estava feliz em me ter de volta. Ela tinha um brilho inexplicável nos olhos ao me dizer aquilo e me abraçar em seguida. Disse-me que não queria mais ter de passar por aquilo. Que era para eu não passar mais nenhum tipo de susto nelas, porque elas se importavam e se preocupavam comigo.
Elas se preocupavam comigo porque me amavam.
Elas sentiram a minha falta.
E mesmo depois daquele afastamento social sem motivo aparente, elas não me fizeram nenhum tipo de pergunta. Aceitaram-me de volta apagando a parte ruim da memória.
Robert continuava me ouvindo e sabia de tudo o que acontecia.
Ele não me dava conselhos, mas deixava que eu chorasse no seu ombro quando precisava. E eu sempre precisava. Como disse, ainda não era totalmente livre.
Depois de alguns dias, disse que precisava me levar ao cabeleireiro e ao shopping porque eu precisava de um novo visual. E de um novo visual completo!
“Você está acabada! Vamos mudar um pouquinho e levantar sua autoestima!”
Disse que agradecia muito ao Robert por ter me ajudado, mas que precisava dar mais algumas dicas para ele. A mulher precisava de uma mudança no visual quando saía de um momento ruim. Fazia bem pra alma! E ele parecia ter matado a aula em que aquilo fora explicado.
Portanto, numa tarde de sexta-feira, eu, Peyton, , Brianna e Madison, sem Robert por perto, fomos ao shopping dar uma revigorada no meu ser.
A fatura do meu cartão de crédito naquele mês seria capaz de causar um infarto em meu pai. E, de verdade, eu tinha medo que ele xingasse o carteiro, quando este o entregasse a correspondência. A cena se formava em minha cabeça e me fazia rir.
Ele tinha dinheiro o suficiente para pagar a reabilitação social da filha.
A qual ele causara.
Quando cheguei ao meu quarto e encarei toda a decoração, decidi na hora que tudo aquilo também iria mudar.
Uma com um novo guarda roupa e um novo visual poderia, sim, ter um novo quarto.
E, ao me olhar no espelho e ver que eu estava a caminho de me sentir totalmente livre, percebi que para aquilo acontecer, eu precisava contar a verdade para a outra pessoa que se interessava por aquilo.
Porque, ao terminar, eu não dei explicações.
Mas a hora das explicações estava se aproximando.
E as explicações seriam feitas até o fim da próxima semana.
(n/a: coloque para carregar: The Diary Of Jane – Breaking Benjamin)
Então uma semana se passou. E eu acordei no meu novo quarto – sem pesadelos ou sonhos impossíveis.
Na noite anterior eu apenas dormira. Fechara meus olhos e dormira. Dormira profundamente, sem nada que pudesse me atrapalhar de ter uma ótima noite de sono.
Acordei na hora certa, sem nem a necessidade de um despertador. Eu sabia que aquele era o dia, e eu precisava fazê-lo o mais cedo possível. Não queria passar mais momento algum com toda aquela merda guardada. Precisava contar para a pessoa que queria saber os motivos do relacionamento ter acabado de maneira tão súbita.
Ele saberia.
E saberia por mim.
Sem intermediários.
Apenas eu e ele.
Apenas nós dois.
Eu abriria o jogo, afinal, ele merecia saber da verdade.
Meu pai era pai dele. E confesso que sentia um nó se formando em minha garganta ao pensar nisso.
Ao entrar no carro, antes mesmo de colocar o cinto, enviei uma mensagem para dizendo que precisava vê-lo e, logo em seguida, desliguei o celular, com medo de que a resposta dele me atrapalhasse no trânsito.
Sim, eu estava em processo de "reabilitação" não fazia muito tempo, mas acreditava que precisava encarar minha droga hora ou outra. era minha droga. E eu precisava encará-lo e dizer o que precisava ser dito.
Cheguei à escola com vinte minutos, como era o comum de se acontecer quando não tínhamos muitos carros por aí. E, assim que cheguei, liguei meu celular. Lá estava a mensagem dele:
O mais depressa possível, por favor, . Almoço hoje?
Respirei fundo, sentindo um aperto no coração. A hora se aproximava e eu ficava cada vez mais nervosa. Mas eu chegara até ali, precisava continuar o meu caminho, terminar com toda essa conversa de uma vez por todas. Tirar aquilo de mim, porque eu não aguentava mais!
Sentia-me como Atlas, carregando o céu nas costas.
A diferença era que meu céu era o meu problema. E meu problema não era lenda.
Digitei um "OK!" e enviei como resposta.
O almoço estava marcado.
’s POV
Assim como combinamos por mensagem, apareci na porta do colégio dela um pouco antes de o sinal bater. Fiquei esperando por ela, encostado em meu carro.
Fiz um grande esforço de não ir até quando a vi descendo as escadas da frente do seu colégio. Ela estava totalmente diferente da de algumas semanas atrás. Era uma nova mulher, uma nova pessoa. Mas ainda parecia ser a minha – apenas com um cabelo e postura diferentes.
Ela parecia ter saído de uma batalha a qual vencera.
Na verdade, ela realmente passara por aquilo.
, a minha , disse que precisava me ver.
Eu estava aqui realizando mais um de seus desejos.
Confesso que este desejo também era meu: vê-la. Resolver o deixado para trás.
E eu me perguntava sobre o que ela pensava em me dizer. Minha cabeça trabalhava a mil a cada passo que eu a via dando.
Até que seu olhar parou em mim, fazendo com que ela também parasse de andar.
End Of ’s POV
(n/a: coloque a música para tocar agora)
Quando meu olhar caiu em cima de , quando reparei que era realmente o meu me esperando em frente ao colégio, a minha primeira vontade foi de correr até ele e abraçá-lo com força, dizendo que tudo aquilo havia sido um pesadelo, de que não precisávamos e nem iríamos mais passar por nada parecido com tudo o que passamos, que fora apenas um sonho ruim e que nada mais ia nos separar. Mas a voz de meu pai dizendo-me que éramos irmãos soou mais forte em meus ouvidos, fazendo-me parar de andar e apenas fincar meu olhar nele.
" é meu filho assim como você é minha filha..."
E a frase insistia em martelar em minha cabeça seguindo as batidas de meu coração. E posso dizer que ele estava bem acelerado.
Quando já não havia quase ninguém ali fora, ele veio em minha direção, já que eu não conseguia sair do lugar onde estava, parando em minha frente depois de alguns segundos.
"Eu não sei como me comportar ao te cumprimentar..." declarou, sem tocar num fio de cabelo meu, depois de um tempo calado apenas encarando meus olhos.
" é meu filho assim como você é minha filha..." As palavras saíram de minha boca antes que eu pudesse controlá-las. Depois de tanto tempo martelando em minha cabeça, não havia como, ao abrir a boca, falar outra coisa.
"Como?" Ele arqueou a sobrancelha, olhando-me sem entender o que eu havia dito.
"A gente precisa conversar." Minha sanidade voltou e eu consegui falar algo coerente.
"Eu também acho que a gente precisa conversar. Vamos?" Ele estendeu sua mão para mim, esperando que eu o acompanhasse, mas, ao ver que ele estava de carro, lembrei-me que o meu estava no estacionamento da escola.
"Eu tô de carro, ."
"Eu te deixo aqui depois, vamos."
"Você não vai querer me levar nem até a esquina depois que conversarmos, ." Soltei uma risada nasalada.
"A gente não conversou, eu não sei do que se trata, então você não pode ter tanta certeza de que eu não vou querer te dar uma carona." Ele disse e aquela frase doeu em mim.
", quem é seu pai?" Perguntei, sem mais enrolar. Aquilo precisava ser dito antes que me machucasse cada vez mais.
"Ora! Que tipo de pergunta é essa, ? Meu pai é o Anthony, seu tio." Ele revirou os olhos enquanto dizia.
Realmente parecia uma pergunta retardada, com uma resposta meio óbvia.
"Não, , seu pai não é o Anthony. Seu pai se chama Benjamin." Falei, olhando-o nos olhos.
"Que tipo de brincadeira é essa, ?"
"Não é brincadeira, . Eu vi o resultado de DNA. O papai me mostrou, depois que nos viu. Você realmente acha que eu terminaria com você por nada, ? Você realmente acha que eu te deixaria se não fosse por um motivo tão forte quanto este?"
Eu já sentia as lágrimas caindo pelo meu rosto.
E lágrimas caindo pelo meu rosto já estavam me enchendo a paciência.
Eu não aguentava mais chorar!
Não conseguia mais olhá-lo ao perceber que ele tentava abrir a boca várias vezes, sem obter sucesso algum. Parecia estar tentando me responder alguma coisa, dizer o que achava e, ao mesmo tempo, tentando processar as idéias.
"Não é verdade." Ele murmurou.
", você tá falando a mesma coisa que eu falei. Você ta tentando acreditar na mesma coisa em que eu queria acreditar. Juro que não queria ser sua irmã, mas pareço não ter escolha alguma. Parece que tudo está se voltando contra a gente. Parece que a gente..."
"Não pode ser verdade!" gritou, segurando meus braços com força. "Olha pra mim, . Isso não pode ser verdade!" Levantei meu olhar pro seu rosto, encarando seus olhos que agora já se mostravam vermelhos por causa das lágrimas acumuladas. "Eu te amo." Sussurrou a última parte, arrepiando cada pelo de meu corpo.
"Eu também te amo, ." Se antes meus olhos derramavam lágrimas, não conseguiria explicar a situação na qual me encontrava ao declarar aquilo. "Eu te amo, mas nós não podemos continuar com algo assim."
"Você é a mulher da minha vida. Não pode ser minha irmã."
Nossos olhares estavam encarados um no outro. Não conseguíamos nos mexer, não havia como sair daquele olhar. Ele me hipnotizava. E parecia que eu também fazia aquilo com ele.
Depois de um tempo, ele me abraçou. E tudo que estava em nossa volta pareceu sumir enquanto eu me sentia, depois de muito tempo, protegida nos braços do homem que eu amava.
Já fazia algum tempo desde nosso abraço na porta de minha escola. Não nos víamos com frequência e nem comentávamos nada sobre a verdade com nossos amigos. Quer dizer, não posso dizer se comentara ou não com os garotos, mas pelo fato de nenhum deles ter corrido até mim e me perguntado o que estava havendo, parecia que as únicas pessoas a saberem da verdade continuavam sendo eu, Robert, papai e .
Eu andava mais com e de qualquer forma, e, naquele dia, recebi um convite para uma festa, que na verdade seria uma reunião de amigos, na casa dele. Dentre esses amigos estava, é claro, o . Não me importei, afinal, mais cedo ou mais tarde, teríamos de voltar a nos encontrar socialmente. Éramos irmãos e irmãos se gostam. Eu precisava aprender a gostar de da mesma maneira que gostava de Nicholas.
disse que eu precisava chegar às 9h na casa dele, então às 8h30, ao terminar de me checar pela milésima vez no espelho, reparava em meu vestido – saia, blusa (eu o chamava assim porque quando o vi no catálogo, pensei realmente que era uma camisetinha cinza com uma saia alta estampada) e arrumando meus cordões no pescoço.
Quando passei pela sala de TV, lá estava meu pai, mudando os canais.
"Aonde você vai?" Ele perguntou, ainda escolhendo algo para assistir.
"Na casa do ." Respondi, parando subitamente, enquanto balançava a chave de meu carro entre meus dedos, torcendo para que não houvesse objeção quanto ao meu passeio.
Papai tirou os olhos da TV e me encarou.
"Hm... Fazer o quê?"
Rolei os olhos.
"Pai!"
Ele riu de leve. Mas continuou esperando uma resposta.
"Vou me encontrar com meus amigos. Talvez eu durma por lá mesmo, porque não sei se vou beber..."
Ele fez uma careta.
" estará lá?"
Meu coração gelou.
"Provavelmente sim. Você sabe... Ele é amigo do e de todo o pessoal. De qualquer forma, papai, já tenho consciência sobre o que o senhor me falou. Sei o que posso e o que não posso fazer. Sei que já..." Engoli em seco. "Sei que já namoramos e que já tivemos um relacionamento, digamos... íntimo, mas mesmo sabendo da verdade, acho que seria radical demais acabar com uma amizade entre nós dois e..."
"Tá bom, filha. Olha, eu não vou te impedir de ver o . Desculpe por aquilo. Desculpe por não ter te dito antes, acho que se o tivesse feito, teria evitado esse sofrimento pelo qual você passou. Acho que eu fui o criança com medo de sua reação. Acabei vendo uma reação que eu nunca quis realmente ver." Eu continuava encarando-o enquanto ele dizia aquelas palavras. "Eu via em seus olhos o quanto você o amava, não sei o porquê de não ter te dito antes. Eu fui tão medroso!"
Calei-o com um abraço.
"Não precisa dizer mais nada, papai. Eu o perdoo. Não devia ser fácil me ver com meu irmão e ter medo de dizer alguma coisa. Acho que você pensava no que eu poderia falar pra mamãe..."
"Você não vai falar nada, vai?"
"Não, não! Não vou. Na verdade, nem gosto de pensar sobre este assunto."
"Me desculpe."
"Tudo bem."
Ele deu-me um beijo na testa e falou para eu ter juízo na festa.
Quando cheguei à casa de , todos já estavam lá. Até Nicholas, ao lado da Peyton. Pelo visto o relacionamento andara.
Quando saí para a área da piscina, depois de abraçar e consolar a tia Megan pelo fim do meu namoro com o , reparei quatro pessoas em cima de um mini-palco improvisado. O som de uma guitarra soou, dando início a um show. Apenas quando a voz de Tom saiu pelas caixas de som, foi que eu percebi que aqueles quatro eram , , e .
O que eu havia perdido?
"E aí, maninha, o que achou da banda?" Nick perguntou em meu ouvido. "Conheça o McFLY!"
Então afastou-se, deixando-me com cara de boba, admitindo que finalmente eles haviam conseguido fazer algo que prestasse – e que prestasse mesmo! – juntos. Com no meio.
Tocaram três músicas que eu nunca antes havia escutado, mas que as meninas sabiam muito bem cantar, não apenas o refrão, mas a música toda, no meio de alguns covers de Beatles e Queen.
"!" foi ao microfone, gritando meu nome. Fiz cara de nojo ao perceber quão suado o meu melhor amigo estava. , ao meu lado, tinha a mesma expressão que eu no rosto. "O que achou do McFLY?" Ele abriu os braços, apontando para si e para os outros três. "Você perdeu alguma coisinha, mas, bem... Bem-vinda de volta à vida! Esta aqui é pra você."
"O que escreveu." soltou, fazendo a expressão em meu rosto ir de feliz à tensa em um segundo.
"O nome dela é ‘Not Alone’." disse.
Life is getting harder day by day
And I, I don't know what to do what to say
And my mind is growing weak every step I take
It's uncontrolable now they think I'm fake
Saí correndo ao escutar a primeira frase da música. Nem consegui ficar ali por algum tempo, mostrando que estava tudo bem. Na verdade, tudo estava péssimo. Segui em direção ao meu quarto, jogando-me na cama, após bater a porta, e escondendo meu rosto no travesseiro.
Uma música para mim. Era mesmo o que faltava.
Será que ele não entendia o que eu dissera quando falara que éramos irmãos?
"Merda!" Gritei contra o travesseiro, dando um soquinho no colchão.
A música havia parado.
Alguém bateu em minha porta, mas eu não respondi.
Mesmo assim ela se abriu. Quando me virei para ver quem era, dei de cara com fechando a porta. Ele usava calça jeans, daquelas que eu gostava, camisa preta da Hurley e all star nos pés. Da maneira que eu gostava. E seus olhos cintilavam.
"Desculpe, tá legal?" Ele não se aproximou. Eu não o interrompi. "Escrevi antes de saber aquela droga de verdade!" Ele respirou fundo. Mais uma vez, não o interrompi. "É impossível, , impossível te ver e não te desejar. Te encarar aqui e não querer te abraçar, te acariciar, te beijar, fazer amor com você..." Eu respirava fundo também. "Desculpa se você é minha irmã. Eu não pedi por isso. Se amar você for um crime, desculpe-me, mas... Vou cometê-lo."
Ele se aproximou de minha cama calmamente, sentando-se ao meu lado. Olhou em meus olhos, acariciou meu rosto, fazendo-me fechar os olhos e suspirar ao seu toque. Deslizou seu nariz pelo meu, encostando sua testa na minha.
"Eu quero você..." Falamos juntos, antes de sentirmos nossos lábios se tocando, dando início a um beijo que, eu tinha certeza, não só eu, como ele também, desejávamos desde o dia em que ele saíra correndo de minha casa.
Naquele momento não pensei em como meu irmão. Eu estava nos braços do homem da minha vida, isso bastava.
"Eu aceito a sentença." Foi a última coisa que ele dissera na qual eu prestara atenção.
intensificava nosso beijo cada vez mais. Deitou-se sobre mim, roçando sua ereção em minha intimidade ainda por cima de nossas roupas. Foi nesse instante que eu puxei seu cabelo e separei nossas bocas, afastando-o de mim.
“Não podemos, .”
Ele piscou, olhando pra mim. Olhando em meus olhos, hipnotizando-me. Forcei-me a não deixá-lo que me fraquejasse.
“Mas eu já disse que aceito...”
“Você aceita a sentença, . Mas não é questão de aceitar. É questão de fazermos a coisa certa. Ficarmos juntos não é certo, . Desculpe-me. Eu...” Fechei os olhos para conseguir continuar a frase. “Não posso fazer isso.”
“Não acha certo que nos amemos?”
Fiz que não com a cabeça e senti um peso saindo de minha cama. Ouvi passos se afastando, a porta se abrindo e, por fim, fechando-se.
Ele não estava mais no quarto.
“A gente não pode, .”
Tentava argumentar, enquanto passeávamos pelo shopping que estava, por mais incrível que possa parecer, vazio naquela tarde, com algumas sacolas já penduradas nos nossos braços.
“Ele te ama, .”
“Mas ele não pode. Acredite em mim.” Balancei a cabeça de um lado para o outro, ainda olhando para frente. “Ele simplesmente não pode.”
Assim como eu também não podia.
“, eu não entendo! Vocês estavam super bem e, de repente, puff, acontece alguma coisa que os força a se separar, você se prende em seu quarto, cai numa depressão profunda e agora me diz, simplesmente, que vocês se amam, mas que esse amor não pode acontecer? Sério, eu pensava que você acreditava no amor.”
“, não poder amá-lo não significa que eu não acredite no amor.”
Continuei meu caminho e parei na Starbucks, escolhendo um milkshake de frapuccino. pediu cupcakes e um café simples. Sentamo-nos numa mesinha afastada de tudo e começamos a bebericar e beliscar nossos pedidos.
“Ainda não consigo entender, . Só queria que você me explicasse para que eu compreendesse. Porque eu gosto muito de vocês juntos para aceitar uma separação assim tão sem nexo.”
“...” Respirei fundo. “Eu sei que você é minha melhor amiga. Sei que há anos não preciso te pedir o que eu vou te pedir agora. Não pense que eu não confio em você ou algo parecido, porque eu confio, e muito, mas isso não é só sobre mim. Envolvem mais pessoas e é um assunto muito, muito sério!”
“Você tá tentando me dizer para não falar nada para ninguém, certo?” Fiz que sim com a cabeça. “Mas o que isso tem a ver com o ?”
Respirei fundo.
“Um pouco antes de eu nascer, papai se envolveu com a tia Claire.” Prendi a respiração, mas, não tendo reação da parte da , continuei. “Esse envolvimento não era apenas beijos e abraços. Rolava sexo. Na verdade eu acho que sempre foi tudo sobre sexo. Numa dessas, ela engravidou. Nove meses depois nasceu um menino de olhos como os da mãe – para alívio dela e do papai – que ganhou o nome de , mais conhecido como .”
A xícara estava parada na mão de , que tinha a boca aberta e os olhos da mesma forma. Ela devia estar tentando absorver a informação ainda.
“, é meu meio-irmão. Por isso nós não podemos nos envolver, por isso não podemos namorar, por isso não poderemos casar como planejávamos. É errado, é um crime...”
“Então vocês! Ai, meu Deus!” Ela colocou a xícara no pires e cobria a boca com uma das mãos. “Vocês são irmãos e vocês...”
“, por favor, não diga ao .”
“, o já sabe disso? Porque eu acho que você deveria contar!”
“Sim, ele já sabe. Eu contei já faz um tempo.”
“Mas ontem...”
“, ontem foi um erro que nós cometemos. Às vezes a paixão, ou o amor... Na verdade tenho certeza que é o amor, misturado ao momento, deixa as pessoas sem nexo, fazendo-as cometer coisas as quais vão se arrepender mais tarde.” Eu disse aquilo tentando-me fazer entender que era assim que eu via as coisas.
Quando falamos em voz alta, é mais fácil para aceitar, para achar que aquilo é certo, por mais que saibamos que não é daquela maneira.
“Ai, meu Deus, eu não consigo... Eu não consigo acreditar nisso, !” Como se eu conseguisse... “Vocês são bonitos demais juntos para que isso seja verdade. Teste de DNA?”
“Papai me mostrou no dia que me contou sobre nossa condição de irmãos.”
mexia a cabeça de um lado para o outro como se fazendo isso ela me ajudaria a não ser mais a meia-irmã do .
“, ele fez músicas para você!”
“, fazer músicas não faz com que ele não seja meu irmão. Ele não sabia disso quando as escreveu. Eu contei depois.”
“Parece que você não se importa, !”
Coloquei as mãos nas laterais do meu rosto e fechei os olhos.
“Eu tô tentando me conformar. Seria legal se você me ajudasse não insistindo neste assunto, . Por isso mesmo eu não queria contar nada para você. Te conheço. Sabia que você falaria essas coisas, agiria assim, me faria continuar com ele na cabeça. Eu tô em processo de esquecimento. Você pode me ajudar a esquecê-lo ou não?”
“Posso tentar.” Ela piscou algumas vezes e voltou a bebericar seu café.
’s POV
Então e não eram primos, como todos pensavam ser. Eles eram irmãos por parte de pai. Há um tempo, tio Benjamin “pulara a cerca” e engravidara tia Claire, que teve nove meses depois.
Eu ainda tentava processar toda a informação recebida em apenas uma tarde, mas aquilo não parecia ser tão fácil assim. Acho que não fora fácil para escutar aquilo do pai e nem tão fácil para o saber daquilo pela .
Era estranho e difícil me acostumar à idéia de que eles não podiam ficar mais juntos.
Bati na porta do apartamento de , esperando que ele a abrisse enquanto toda aquela informação ainda passava por minha cabeça.
“?”
“Ah, oi, ! Posso entrar?” Fiz um gesto com a cabeça e ele se afastou, deixando-me passar. “A me contou.” Disse, antes que conseguisse me segurar.
Ele fechou a porta num baque e virou-se para mim.
“Olha, , eu acho que deve ser difícil para você falar sobre esse assunto, mas eu realmente acho que tem algo estranho acontecendo porque, sei lá, vocês são perfeitos demais para que isso esteja acontecendo e...” Escutei-o respirando fundo e me calei por um tempo. “Eu só não acredito que vocês sejam irmãos, tá legal?”
“Eu também não acredito, .”
“Teste de DNA?”
“Ela acredita no que já foi feito. , algo não tá bem explicado e eu não sei o que é!” Ele enfiou as mãos no cabelo e andou de um lado para o outro na sala. “Eu amo a ! Não podemos ser irmãos, simplesmente não podemos. Ela não é nem um pouco parecida comigo, !”
“E você acha que precisa me dizer isso, ?”
Ele sorriu para mim.
“Me ajuda a encontrar a solução?” Perguntou-me.
“Farei o possível.” Abracei-o com força. “Eu quero ver meus melhores amigos felizes, e vou tentar, juro que vou, descobrir o que há de errado na história.”
Eu não encontrava o significado de vida. E, não, eu não havia entrado na depressão mais uma vez, estava apenas tentando me acostumar. Não era fácil. Nem um pouco fácil. Eu amava e ele era meu irmão. É crime, não é? Amar um irmão da maneira que eu amava ? Afinal, por que ele era meu irmão?
Minha vida já tava toda pronta. Pensada e pronta. E eu não conseguia mais ver meu futuro sem ao meu lado. Desde meus 15 anos eu o queria ao meu lado. E o que eu sentia por ele era, definitivamente, amor. Paixão dura três anos. Dessa fase eu já havia passado. Definitivamente.
Definitivamente.
Não sei se ter contado pra fora uma boa ideia, uma boa coisa, não sei se fizera a melhor opção, mas pelo menos pude desabafar com alguém que não fosse o Robert.
Claro, o Robert era um bom amigo, o Robert me dera o empurrão necessário para que eu saísse daquele poço fundo chamado depressão, mas eu sentia falta de contar tudo que me acontecia para a . Também morria de saudades de contar tudo pro . Queria ter coragem para contar-lhe meus assuntos, mostrar-lhe meus medos, ser abraçada por meu melhor amigo e ouvir, dele, que tudo ficaria bem.
“?” A porta de meu quarto se abriu e meu irmão, Nicholas, colocou a cabeça pra dentro. “Posso entrar?”
“Claro, Nick.” Sorri pra ele, enquanto me sentava em minha cama e ele fechava a porta.
Sentou-se ao meu lado e permaneceu em silêncio. Ele parecia querer me dizer alguma coisa, pois sua expressão me mostrava aquilo.
“Desembucha!” Falei.
Ele sorriu.
“Sinto falta da minha irmã.” Ele olhou pra mim e soltou a frase palavra por palavra.
“Eu tô aqui, Nick.” Ele rolou os olhos.
“, você mudou.” Ele disse. “Olha, eu me lembro de quando você tava com o e aquilo era legal pra caramba, tá? Aquela é minha irmã. Depois da separação de vocês e daquela depressão, você deixou de ser a -minha-irmã.” Ele respirou fundo. “Meu aniversário é na semana que vem e o que eu mais quero é a minha irmã de volta, tá legal?”
“Vem cá, Nick.” Puxei-o pela mão e o abracei. “Vou fazer o possível pra trazer a -sua-irmã de volta pra você, pirralho.”
Ele riu e o senti respirar fundo em meu pescoço.
“Eu amo você.” Ele disse.
“Meu sentimento por você é recíproco.”
Nick riu e me soltou, encarando-me os olhos.
“Sabia que eu e a Peyton estamos namorando?”
Abri bem os olhos e ri.
“Como se ninguém soubesse que isso ia acontecer algum dia!” Rolei os olhos. “Fico feliz por vocês.”
“Obrigado.” Ele falou, todo cortês.
“Você parece querer me perguntar mais alguma coisa, Nick.” Eu disse, já que ele estava meio estranho.
“Eu sou seu irmão e me preocupo com você, você sabe.” Confirmei com a cabeça, esperando mais alguma coisa. “Eu ainda não entendi o que aconteceu contigo quando, bem, você entrou em depressão... Eu pirei, ! Só queria saber o porquê do fim repentino e de tudo isso...”
“Parece que quando a gente conta o motivo pra uma pessoa, começa a tomar coragem para contar pra qualquer pessoa que se preocupa com a gente e nos pergunta...” Comecei, olhando para qualquer ponto do quarto que não fosse Nicholas.
“Alguém já sabe o motivo?” Ele perguntou.
Fiz que sim com a cabeça antes de prosseguir.
“O Robert, a , o papai e o .” Falei.
“O papai?” Ele franziu a testa.
“Foi ele quem me contou.”
“E o que ele te contou? Não, espera! Como você acredita em algo que a pessoa que mais os queria ver separados diz?” Ele me perguntou, calmamente, ainda com a testa franzida.
“Porque ele me mostrou a prova...”
“ te traiu?” Nick me interrompeu.
“Deixe-me terminar de contar!” Eu ri, tentando descontrair. “Mas, não. não me traiu. Há traição na história, mas pela parte do papai, que teve um caso com a tia Claire antes de nós dois pensarmos em nascer. é nosso meio-irmão.”
Vi a boca de Nick se abrir e se fechar numa infinidade de vezes antes de ele balbuciar:
“Como é que é?”
“Eu já falei para o . Você não precisa e nem pode falar nada pra mamãe, tá legal?”
“! Aquele cara traiu a mamãe!” Nick bagunçava seus cabelos. “Você entrou em depressão por causa de um erro que aquele filho da puta, que vovó me desculpe pelo termo, cometeu no passado!”
“Nick...” Repreendi-o.
“Mas é verdade!” Ele gritou de volta.
Eu apenas o olhei, esperando que ele me entendesse.
“Eu não te entendo, !” Ele me olhava, nervoso. “O cara que você ama é seu irmão e você perdoa o papai por não ter te dito nada sobre isso antes que esse sentimento se tornasse amor? Ainda mais você, , que sempre me disse que o amava, que sempre me disse que tinha certeza sobre seus sentimentos por ! Você sofreu, ... Você amou e ainda ama, e saiu disso profundamente ferida. Você o perdoa? Você o perdoa pelo rombo que ele deixou no seu coração, ? Tem certeza?”
“Ele é meu pai.”
“Isso não justifica.”
Nick se levantou e me deixou sozinha em meu quarto depois que bateu a porta com força.
“Merda, Nick!” Gritei, afundando-me em minha cama.
Se antes eu não me arrependia de ter dito para alguém sobre minha condição de meia-irmã do , agora eu faria qualquer coisa pra voltar no tempo e não ter dito nada pro Nick.
Escutei alguém batendo em minha porta.
“Se for pra jogar mais merda em minha cara, prefiro que você não entre, Nicholas.”
“Já que é com o Nicholas o seu problema, eu tô entrando.” Escutei a voz do papai.
“Ah, entra, pai.”
Ele fechou a porta e se sentou onde antes Nick estava.
“Você contou pra ele.” Papai afirmou.
“Ele é meu irmão e me perguntou. Ele se preocupa comigo. Achei que não teria problema. Desculpe.”
Ele sorriu e acariciou meus cabelos.
“Você não precisa me pedir perdão. Eu é que te devo vários pedidos de desculpas. Você ama o , não ama?”
Mexi-me desconfortável pela pergunta.
“Não é tão fácil esquecer uma pessoa com quem você passou seus últimos 3 anos e meio. Mas não é como se eu não estivesse me esforçando, pai. Eu queria esquecer.”
“Eu não vou garantir pra você que um novo teste daria negativo, mas, se você quiser, a gente pode fazer um novo teste de DNA pra garantir o que eu te falei. Como eu disse, não garanto que isso vá dar negativo. Não quero alimentar suas esperanças de que com um novo teste vocês poderiam ficar juntos. Desculpe por não ter falado no início. Imaginei que fosse algo que passasse num piscar de olhos, mas não foi. E eu apenas te machuquei com essa história. Desculpe.”
Eu o abracei, pensando na possibilidade de um novo teste.
Eu tinha dó da mamãe por não saber da história. E do papai por se lamentar. Por se lamentar de não ter me contado antes. Acho que eu tinha passado da fase do chororô e entrado na de choque. Estado de choque. Era engraçada a sensação. Só sei que, no fundo, eu ainda desejava de volta pra mim. Meu de volta.
Talvez foi por esse motivo que telefonei pra ele assim que meu pai me deixou sozinha em meu quarto e falei sobre um novo teste de DNA. Apenas para termos certeza de que ele era filho do meu pai. De que ele era meu irmão. Ou saber que aquilo era mentira.
aceitou na hora. Disse que queria mesmo que aquilo fosse confirmado. Mas queria ainda mais que aquilo fosse apenas uma mentira. Disse ainda que me queria de volta, que não aguentava mais me ter longe dele, que não gostava nem um pouco da história de sermos irmãos, porque com aquilo ele só sofrera. Menos que eu, ele confessava, por não ter entrado em depressão, mas sofria tanto quanto eu porque o que ele mais queria era estar comigo.
Nick’s POV
20 anos de mentiras. Isso se não fosse mais de 20. 20 anos que eu soubesse. Que já havia sido confirmado. Papai era um filho da mãe, um mulherengo, um traidor. Mamãe não o merecia. Isso era um fato que não havia como ser mudado.
Minha cabeça ficava a mil pensando no que fazer. me pedira para não dizer nada para a mamãe. Para manter aquele segredo como ela mantivera por algum tempo e como pretendia continuar mantendo, mas eu não achava nem um pouco justo a mamãe ser a última a saber.
sabia, eu sabia, e sabiam. Era certo contar para quem fora traída. Era certo contar para a mamãe.
Eu queria contar, mas não queria fazer fofoca. Eu também me lembrava da me pedindo para guardar aquele segredo e não conseguia ir até a mamãe e contar aquilo.
Levantei-me num súbito de minha cama com a ideia fixa de conversar com meu pai e pedir que ele me falasse sobre aquilo.
Cheguei ao escritório, respirei fundo e bati na porta.
“Entre.” Escutei a voz do papai vinda de dentro.
Quando entrei, ele me olhou, tirou seus óculos e fez sinal para que eu fechasse a porta e me sentasse.
Eu o fiz.
“Sua irmã te contou.” Ele começou falando. Afirmei com a cabeça, esperando que ele dissesse mais alguma coisa. Faltava-me coragem para começar a falar o que estava entalado em minha garganta. “Eu já sabia que ela faria isso e já te esperava aqui. Confesso.”
“Então já deve imaginar o que eu vim dizer.”
“Quer que eu conte para sua mãe.”
“Claro! Ela merece saber. Você foi um canalha com ela. Eu tenho um meio-irmão e nem fazia ideia disso, Benjamin!” Falei, com asco. Eu gostava do , mas era meio difícil tirá-lo da imagem de primo e colocá-lo como meu irmão. Agora eu entendia a depressão da .
“Eu sei, Nicholas... Mas já faz tanto tempo que tudo isso aconteceu. Não acho que deva puxar esse assunto à tona. Sua mãe não merece passar por isso.”
“Minha mãe merece saber a verdade!” Bati com o punho fechado na mesa, fazendo-o piscar e virar o rosto. “Você vai contar toda a merda que fez pra mamãe até o dia do meu aniversário. Se isso não acontecer, eu mesmo vou até ela contar o que sei. E eu tô falando sério, papai.”
Ele pareceu se contentar, já que mexeu a cabeça para cima e para baixo e não disse nada.
“Seu prazo é domingo.”
“Nick...” Olhei para trás, já abrindo a porta. “Eu vou fazer um novo teste de DNA. Já falei com sua irmã, que se ela quisesse, eu faria. Mas eu já falei que não posso dar certeza de que esse vai dar negativo. Você sabe que o teste é quase 100% confiável quando dá positivo. É meio impossível errar.”
“Eu sei, pai. Obrigado por isso.” Saí do escritório, fechando a porta e respirando fundo. O que eu precisava fazer, já estava feito.
Nick's POV
16 anos. Não sabia se era melhor pensar que era meu aniversário ou que seria naquele dia que mamãe saberia de toda a verdade.
devia estar nervosa comigo. Acho que só pensando assim eu conseguiria entender o motivo de ela não ter falado comigo nos últimos dias. Confesso que fui eu quem saiu do quarto dela com raiva, mas a gente nunca tinha ficado tanto tempo sem se falar. Sei lá... Éramos irmão e, praticamente, melhores amigos. Era estranho não falar com ela.
Assim que terminei de vestir uma polo, Peyton entrou em meu quarto, depois de bater na porta.
"Oi, minha linda." Cumprimentei-a com um selinho.
Ela sorriu e me deu a mão, quando viu que eu já desligava a luz para sairmos do quarto.
"Sabe, a me contou o que houve... E me contou suas exigências. O que você pediu pro seu pai fazer..."
"É o certo, Peyton."
"Eu sei, Nick, mas..."
"Por falar nisso, preciso falar com ele. Me espere lá fora com o pessoal?"
"Claro." Ela respondeu e saiu, cabisbaixa.
E eu procurei me acalmar, antes de aparecer no escritório do papai.
"Entre, Nick." Escutei papai me respondendo e entrei, fechando a porta em seguida.
"Pai, eu quero saber se você vai contar o que tá havendo pra mamãe ou se eu vou precisar falar."
"Contar o que pra mim, Nick?" Mamãe saiu do banheiro, surpreendendo-me.
"Eu a chamei aqui exatamente pra isso. Court, nós temos que conversar." Papai disse, desviando o olhar de mim para mamãe.
"E eu posso saber sobre o que é?" Ela perguntou.
"Sobre o ." Papai disse.
"O que tem o ?"
"Com licença." Falei, saindo do escritório para que eles conversassem melhor.
End of Nick's POV
Sempre gostei de festas em minha casa. Era legal ver todo o ambiente arrumado e todas aquelas pessoas em volta da piscina dançando, bebendo, se pegando e conversando.
Nick sabia dar festas e conhecia muita gente. A festa lotou antes mesmo de ele aparecer. Eu acabei tendo de cumprimentar todo mundo por ele. A Peyton me deu aquela ajuda, já que sabia o motivo de minha apreensão.
Assim que Nicholas apareceu, fui para perto do palco onde os meninos tocariam. Não sei porque, mas sentia necessidade de falar algo com o antes de eles começarem a tocar.
"Ei!" Aquela voz que eu podia reconhecer em qualquer lugar disse e eu me virei, encarando seus lindos olhos .
"Ah, oi, ." Respondi, sorrindo envergonhada.
Ele sorriu também e logo abaixou sua cabeça. Acho que ele também se sentiu incomodado.
"Eu..." Aproximei-me dele, tocando-lhe o braço.
"O quê?" Harry olhou-me novamente.
"Boa sorte." Falei, sem coragem de assumir que sentia sua falta.
"Obrigado" Ele me abraçou, sem jeito, e foi pro palco e, logo depois, passou correndo por mim, enfiando um cachorro quente em sua boca, seguido por e , que riam do coitado.
O "do do do do do doo" começou e eu fui pra perto das meninas, que riam acompanhando a letra da música.
"Quem escreveu isso?" Perguntei, tentando acompanhar.
"A ideia foi do , mas o colocou no papel." disse-me.
"Isso explica." Rolei os olhos e ri com elas.
"Gente!" Brianna gritou, depois de virar um copo de alguma coisa que tinha em mãos. Olhei pra ela, franzindo a testa. "! Olha seu irmãozinho pegando a Peyton!" Ela apontou para frente e eu olhei, arregalando meus olhos ao ver meu pequeno Nick beijando a namorada. As meninas riram e zoaram com minha cara até que, do palco, gritou:
"Assim que se faz, Nicholas!"
Nick mostrou-lhe o dedo do meio e continuou beijando Peyton.
"Tinha que ser o pra fazer esse escândalo!" Madison disse.
"Se o não tivesse feito, o faria!" retrucou, mostrando a língua para a amiga.
E assim a discussão continuou. Enquanto o show rolava, cada uma babava em seu namorado. Eu me desliguei completamente do barulho ao meu redor, prestando atenção em apenas um ponto do palco. Na verdade, em dois pontos, já que eu olhava para dois lindos olhos que também não desviavam de mim.
O parabéns foi cantado no palco, com os meninos nos instrumentos.
Robert apareceu por lá para dar um abraço em Nick e acabamos por nos falar por algum tempo. Ele apenas me perguntou se eu estava bem, se eu precisava conversar com alguém... Esse tipo de coisa. Também me fez prometer que eu não me esqueceria de procurá-lo caso algum dia eu precisasse conversar. Lembrou-me que ele sempre estaria ali por mim.
No fim da festa, quando já não havia mais ninguém e o som que poderíamos escutar era apenas o dos empregados limpando o local, fui para a beira da piscina, lembrando-me bastante da festa na casa do há algum tempo. Naquela em que eu e nos sentamos lado a lado na beira da piscina e fizemos brincadeiras bobas, beijando-nos ao som de Yellow do Coldplay. A cena era basicamente a mesma, mas faltava alguém ao meu lado. Cometi o grande erro de olhar pra cima e encarar o céu.
O silêncio, naquela hora, pareceu ter se instalado ainda mais por ali. Nem mais o barulho de minha perna brincando na água eu escutei. Eu apenas conseguia olhar o céu. E eu olhava o céu porque ele parecia o mesmo daquele dia. No dia em que me dissera para ver como elas brilhavam para mim. Elas continuavam brilhando da mesma maneira. E, me lembrar daquilo, numa situação tão próxima àquela, apenas me machucou.
’s POV
Eu a vi sentada na beira da piscina e me lembrei de alguns meses atrás. Fiquei com receio em chegar perto. Fiquei com medo de que ela se levantasse de lá ao perceber minha presença. Apenas fiquei sentado de longe, reparando nela. Por ela, eu aceitaria a sentença e ela sabia daquilo. Eu aceitaria e faria qualquer coisa para tê-la de volta à mim. Era difícil pensar nela como irmã. Uma garota que eu amava como um homem deve amar uma mulher.
E então ela olhou pro céu. Aquilo fez meu coração pular em meu peito porque eu me lembrava ainda mais daquela cena na casa do . Olhei pro alto também. Elas brilhavam da mesma forma. Brilhavam para a .
Não entendi como, mas sei que no segundo seguinte a esse pensamento, eu já estava lá, sentando-me ao lado dela. Reparei que ela fechou os olhos assim que eu peguei sua mão e a trouxe na direção de meus lábios, dando-lhe um rápido beijo. Fechei meus olhos. Aquele momento, nós sabíamos, não precisava de palavras. Nós sabíamos que ambos sofríamos. Que nenhum de nós queria que aquilo fosse verdade.
Courtney’s POV
"Contar o que pra mim, Nick?" Perguntei ao meu filho, assim que saí do banheiro, já que o escutei conversando com o pai.
"Eu a chamei aqui exatamente pra isso." Benjamin falou para o filho e depois olhou para mim. "Court, nós temos que conversar."
"E eu posso saber sobre o que é?" Perguntei, franzindo a testa.
"Sobre o ." Respondeu-me.
"O que tem o ?" Franzi ainda mais a testa.
"Com licença." Nick pediu-nos, saindo do escritório.
"Então... O que tem o ?"
Benjamin nada disse, apenas me encarou por alguns segundos antes de ir até sua mesa e tirar alguns envelopes de uma gaveta.
"Eu tenho em mãos dois resultados de testes de DNA." Ele disse. Eu apenas dei-lhe um tempo para continuar. "Desculpe-me. Há 22 anos eu comecei a ter um caso com a Claire." Ele olhou em meus olhos antes de continuar. “Nós continuamos nesse caso por muito tempo, até que ela engravidou. Nós precisamos fazer um teste para saber se o filho era meu e, bem, o resultado... É esse aqui.” Ele apontou para um dos envelopes na mesa. Eu apenas afirmei com a cabeça, esperando que ele continuasse a explicação. “Deu positivo. Semana passada nós fizemos mais um. O já tinha consciência disso, por isso resolvi fazer. Também pela ... Enfim, mais uma vez, deu positivo.”
“E por que você só me conta isso agora?” Perguntei.
“Porque você precisava saber.” Disse-me.
Respirei fundo por uns instantes, recompondo-me.
“Sabe, Bem... Eu não acredito que você esteja me contando isso apenas porque eu precisava saber, mas porque o nosso filho disse a você que, se não me contasse, ele mesmo me contaria.” Comecei. “De qualquer forma, isso que você me contou não é novidade alguma para mim. Desde quando você e a Claire começaram a ter este caso, eu me fazia de cega para não entrar em conflito com você porque eu sempre te amei demais. Pensei que aquela fase de traição passaria. Eu não sabia, de fato, que era seu filho, mas isso não muito me impressiona, já que sei que, na época em que ela engravidou, vocês ainda estavam tendo um caso. Eu sei também, Benjamin, que o seu caso com ela só acabou quando eu engravidei da nossa filha.” Respirei fundo, antes de continuar com o que eu tinha de falar. Ele apenas olhava-me, engolindo em seco. “Na hora do parto houve algumas complicações e nossa filha não sobreviveu.”
“Co... Como assim?”
“A não é nossa filha. Uma garota de 15 anos estava em trabalho de parto no quarto ao lado do meu. Ela não tinha como manter uma criança e, sabendo da minha história, pediu que me entregassem a . Ela já veio para mim com nome, por isso insisti tanto para que você não inventasse algum...” Molhei meus lábios, mordendo meu lábio inferior. “Eu fiz isso, Benjamin, porque eu não queria te perder. Eu queria apenas que começássemos a nossa família. Sem mais traições.”
Ele se aproximou de mim, abraçando-me.
“Perdão por esconder isso de ti por tanto tempo, mas eu tive tanto medo de te perder, Ben. Tive tanto medo de te perder para a Claire, que acabei fazendo o que fiz.”
“Mas por que você aceitava a minha traição?”
“Porque eu sempre fui submissa, Ben. Era assim por amor. Aliás, foi por amor que fiz o que fiz ao adotar a . Eu te amo tanto, Ben, que acabo aceitando essas suas brigas por conta de dinheiro com o meu irmão.” Senti que ele se afastava de mim e olhei em seus olhos. “Eu não sou uma boa mãe porque não consigo prestar atenção nas crianças. Presto tanta atenção em você, para perceber se você está ou não está fazendo algo de errado, que nem paro para olhar as crianças. Esses dias eu olhei a de perto e só assim consegui ver como ela tinha crescido! Hoje mesmo, Benjamin! Hoje é o aniversário de 16 anos do Nicholas. 16 anos!”
“Você não tem que me pedir desculpas, Court. Isso cabe apenas a mim. Eu tenho que lhe pedir perdão, porque eu errei. Se você cometeu um erro, eu cometi maiores.” Ele ainda olhava em meus olhos profundamente. “Mas agora, depois de saber sobre a , eu preciso te contar outra coisa.”
“Que coisa?” Perguntei.
“Quando estávamos no Rio de Janeiro, passando férias com seu irmão, eu vi a e o se beijando no hotel. Aquilo me assustou porque eu sabia, quer dizer, pensava, que os dois eram irmãos. Desde então, comecei a tentar colocar um fim, a atrapalhar que eles se vissem, para que eu não precisasse contar isso para você. Porque eu sabia que se contasse para ela, teria de contar a você. Mas os encontros dos dois não acabaram. Quando o chegou aqui naquele final de semana, eu pedi ao Zac que ficasse de olho nos dois. Que prestasse atenção no que eles faziam, para que os intimidasse. Eu sabia que ela perceberia aquilo. Não apenas ela, como o também. Assim, eles teriam mais um obstáculo nesse namoro. Mas foram surgindo obstáculos para que eu os observasse. A festa na casa da Megan foi o primeiro deles. Eu sabia que teria de contar para a sobre o ser irmão dela.” Ele respirou fundo, antes de continuar. “Até que no dia que saímos e que eu tive de voltar em casa, flagrei os dois a ponto de transar no quarto dela. Foi naquele momento que eu soube que precisaria contar tudo. E foi depois de eu dizer toda a verdade para ela, depois de mostrar o resultado de DNA que ela entrou em depressão. Court, eu a coloquei em depressão.” Ele fechava os olhos, provavelmente lembrando-se de como ele se sentira quando aquilo acontecera. Eu também me lembrava e sabia que também sofrera com aquilo. Apesar de não ter saído de meu ventre, em momento algum ela deixou de ser minha filha.
“Então entrou em depressão por culpa nossa?” Perguntei, tentando ser forte e não derramar lágrimas.
“Culpa minha, Court. Minha.” Ele disse, já sem conseguir segurar as lágrimas dele.
“Claro que não, Ben! Nossa. Se eu tivesse dito antes... Se eu não tivesse escondido isso de você, ela não teria passado por tudo que passou.”
Ele me abraçou forte, pedindo que eu também não chorasse, já que as lágrimas também já caíam pelo meu rosto.
“A parte difícil era olhar para os dois e perceber como eles se gostavam, como eles se amavam, como eles se completavam. E eu, simplesmente, não podia deixar aquilo acontecer. Não sei como aguentei ficar calado por tanto tempo e não contar para eles a verdade de uma vez por todas.” Ele respirou fundo. “De certa forma, não me leve a mal, é tão bom escutar que ela não é nossa filha, Court.”
“Eu o perdôo.” Disse, em meio às lágrimas, em seu ouvido e o senti abraçando-me, mais uma vez, com força.
End of Courtney’s POV
Era bom sentir a mão de segurando com força a minha. Eu continuava sentindo-me protegida ao lado dele. Eu não sabia o porquê, mas sentia que o que havia entre nós não acabara e nem acabaria. Era forte, intenso. Mais do que paixão, era amor. Era amor e nós dois tínhamos plena certeza disso.
Courtney’s POV
Interessante era tentar entender o que eu havia perdido. O motivo de eu nunca ter imaginado que e estavam juntos há tanto tempo. Quer dizer, eu sabia que sempre fui uma mãe ausente, mas, mesmo assim, era difícil ter essa certeza. Vendo-os juntos, lado a lado, de mãos dadas na beira da piscina, era possível perceber o que Benjamin dissera sobre o que eles sentiam um pelo outro. O olhar dele para ela era incrivelmente intenso. Vê-lo beijar a mão de minha filha foi o suficiente para me fazer sorrir.
Narração em terceira pessoa.
deitou, depois da festa, sozinha em sua cama. O que passou em sua cabeça foi apenas como a olhava durante toda a noite e sobre como ela sentia falta dele. Dormiu com o celular ao seu lado, porém desligado. Talvez por esse motivo não o atendeu quando ele resolveu ligar, depois de tanto pensar em fazê-lo. Dormiu um sono tão pesado e tão profundo que nem ouviu a mãe batendo na porta de seu quarto querendo, logo, conversar com a filha. não percebeu o sol nascer. Não percebeu a manhã passando. Abriu os olhos após o meio dia.
Ao acordar, viu em seu quarto e achou que estivesse dormindo. Principalmente quando seus lábios se uniram num pequeno beijo.
soubera da notícia pelo Benjamin, seu pai. Soubera logo pela manhã, ao estranhar vê-lo parado em sua porta. Ben contara-lhe tudo o que acontecera, pedira-lhe desculpas, conversou respondendo todas as dúvidas do filho. Disse-lhe que fosse atrás de , que a fizesse feliz, que mostrasse-lhe tudo o que ela quisesse ver, que desse-lhe tudo o que ela quisesse ter. A única vontade de Benjamin era ver ser tratada como uma princesa, como a princesa que ela sempre fora. E era o único capaz de fazer aquilo.
Benjamin sentira muito medo ao ver o mal que estava fazendo aos dois. Por isso fez o segundo teste de DNA. Infelizmente, só soube que eles poderiam ficar realmente juntos depois que Court disse-lhe sobre tê-la adotado no hospital, longe dos olhos dele.
Aquela adoção aconteceu porque Courtney pensava que, sem uma filha, perderia Benjamin. O que ela sentia pelo Benjamin era forte. Infelizmente, ele percebeu que a amava apenas quando passou a se arrepender do que fazia. Quando percebeu que, continuando com aquela vida, não seria feliz. Porque a felicidade dele, e ele descobriu isso bem tarde, se resumia em sua família: sua mulher e filhos – mesmo que estes não fossem legítimos.
Há certos hábitos que nem o tempo apaga. E, por isso, aquelas briguinhas de poder entre Benjamin e Anthony continuavam acontecendo constantemente.
Anthony não saberia da traição. Benjamin e Courtney conversaram e acharam melhor não contar nada, porque aquela era uma decisão que cabia à Claire. Se Claire quisesse contar sobre , então ela contaria.
Mas sabia. E agora sabia que não era irmão de .
Dizem que o sol sempre sai da tempestade. E pensava daquela maneira.
Observou por um longo período da manhã. Ligou para e para Robert para contar a novidade. Ambos desejaram felicidades aos dois, porque sabiam que eles ficariam juntos, já que estava tudo sendo resolvido. Contou para porque sabia que ela era a melhor amiga de . Contou para o Robert porque ele merecia saber, já que ele fora uma peça fundamental na melhoria de , quando ela estava em depressão.
Continuou quieto por um tempo ao lado de sua apenas esperando que ela abrisse os olhos. E, quando viu que ela acordava, não pensou duas vezes antes de beijar-lhe os lábios.
“Eu disse que não desistiria de você.” Ele falou, olhando-a ainda abrir seus olhos. Ela apenas se espreguiçou e virou de lado, fechando seus olhos em seguida.
tirou os tênis e deitou ao lado de , abraçando-a com força.
“A pior parte do sonho é quando a gente acorda.” murmurou.
“Que sonho, ?” perguntou, beijando seu pescoço.
“Você vai desaparecer quando eu acordar. Então continue me abraçando assim. Porque eu sinto falta.”
“Você não precisa mais sentir falta disso, meu amor.”
Ela se virou de frente para ele, aconchegando-se no abraço que mais gostava no mundo.
“Você vai aparecer todos os dias nos meus sonhos?” Ela sorriu.
“Melhor que isso.” Ele falou, também sorrindo.
“O que poderia ser melhor que isso?”
“Acordar todos os dias ao seu lado.” Ele arrumou uma mecha de cabelo dela, que caía sobre seu rosto e lhe sorriu mais uma vez.
“Você é tão perfeito quanto o real, sabia?”
“, sinto-lhe informar, mas eu sou o . Você não tá sonhando.”
Ela soltou um riso nasalado antes de juntar seus lábios aos de . Desta vez não foi ela quem os entreabriu para a passagem da língua dele, mas ele o fez para receber a língua dela em sua boca.
Ao mesmo tempo em que o beijo era intenso, ele tinha aquele sabor de saudade. Demonstrava amor. Demonstrava, talvez, até mais que amor.
Mas não durou por muito tempo. se afastou dela, olhando-a nos olhos.
“Eu te amo, . E você não tá sonhando.”
“Posso te falar uma coisa, ? Tá ficando cada vez mais difícil pra eu acreditar em você.” Ela respondeu.
levantou-se da cama e começou a andar em direção à porta. Antes de sair, ele olhou mais uma vez para a garota.
“Então assim que você acordar, me procure no escritório de seu pai. Sua mãe, ele e eu queremos te falar uma coisa.”
fechou os olhos com força e escondeu seu rosto no cobertor, tentando voltar a sonhar com . Por que ele saíra de seu quarto? E o que significava aquele pedido? Como assim, conversar com seus pais e com ele ao mesmo tempo? Aquelas palavras não faziam o menor sentido para ela. Mas, ao abrir os olhos e perceber que não estava sonhando, como pensava estar, começou a achar ainda mais estranho a presença de em seu quarto. Mais estranho ainda era o fato de eles terem se beijado. E, mais estranho que esses dois fatos juntos, era o fato de ela saber que ao chegar no escritório de seu pai em alguns minutos, veria sua mãe, seu pai e seu primo-irmão e ex namorado juntos.
Aquilo era difícil demais para ela tentar entender sozinha.
Benjamin e Courtney tomavam chá, enquanto apenas escutava música em seu iPod, esperando pela hora que finalmente contaria toda a verdade para . Ele deu um pulo do sofá quando percebeu a presença dela ali.
estava acanhada. Estava com vergonha do beijo e com cara de desentendida para a situação que via em sua frente.
Benjamin foi de encontro com a filha e a abraçou, pedindo-lhe que os escutasse e que os perdoasse após toda a conversa que teriam. Ela fez uma cara engraçada de “alguém pode me explicar o que está havendo aqui?”, que fez sorrir em seu interior. Ele amava aquela e não podia esperar pelo momento que a receberia de novo em seus braços.
“, você se lembra dos resultados dos testes de DNA que eu te mostrei há algum tempo aqui nesta mesma sala?” Benjamin começou.
“Claro, papai.” Ela fitou o chão, mordendo o lábio inferior.
“Aqueles testes são verdadeiros, o realmente é meu filho.” Enquanto ele dizia, não movia um músculo sequer. “Mas ontem, ao conversar com sua mãe sobre essa situação, eu soube de mais um fato que vai ser essencial na vida de vocês dois.”
“Minha filha...” Court começou, chegando mais perto de . “Eu sabia de tudo. De toda a traição. De tudo o que aconteceu. Eu sempre soube. Eu desconfiava sobre a gravidez da Claire. Sobre o filho que ela estava esperando ser do Benjamin. Alguns anos depois eu engravidei de uma garotinha...” Court soluçou, deixando a sala num profundo silêncio por alguns instantes. já fitava a mãe, esperando que ela terminasse de contar o que quer que fosse. “Mas essa garotinha não era você.”
“Como assim?” Ela perguntou.
“Eu não sou sua mãe. Benjamin também não é o seu pai.” Courtney disse de uma vez. “Desculpe por só dizer isso a você agora, mas eu nunca imaginei que seria necessário.”
“Eu não... Não entendo.” disse, franzindo a testa.
“, a sua mãe biológica era uma adolescente. O bebê da Court morreu durante o parto. Como a Courtney precisava de uma filha e como havia uma garota no hospital querendo dar uma, ela a adotou. Você era esse bebê do hospital, filha da adolescente desesperada.” disse, com o rosto de em suas mãos. “Você não é minha irmã.” Sussurrou a última parte, ainda olhando nos olhos dela. “Eu acho que você pode começar a querer saber sobre sua mãe biológica, mas eu posso te garantir que essa mãe aqui, que tá aqui te falando tudo isso, vai ser a melhor que você possa pensar em encontrar. Ela te contou toda a verdade da vida dela porque te ama, .” dizia, vendo os olhos de começarem a lacrimejar. “Ela sabe que a gente se ama e não quer nos ver separados.”
o abraçou com força, deixando as lágrimas começarem a rolar por seu rosto e molharem a camisa de . Permaneceu assim por muito tempo. Ninguém tinha coragem nem vontade de dizer coisa alguma. Alguns soluços eram escutados ali dentro. chorava, assim como Benjamin e Courtney. tentava, de todas as maneiras, manter as suas lágrimas em seus olhos. Tentava não deixá-las cair. O que, por incrível que pareça, ele conseguia.
“Mãe...” Court escutou a voz de sua filha, abafada pela camisa de .
“Sim, querida?” Ela respondeu, tentando abrir um sorriso no rosto ao ver que ainda a chamava de mãe.
“Então isso quer dizer que eu e ...” Ela olhou para o garoto que a abraçava. “Isso quer dizer que a gente pode voltar a ficar juntos?” Reprimiu um soluço com um sorriso.
“Sim, minha filha.” Court disse, chorando e sendo amparada por Benjamin.
“Sem mais Zac nos atrapalhando, papai?” Ela olhou para Ben.
“Sem mais Zac atrapalhando vocês, meu amor.” Ele confirmou.
e se olhavam nos olhos, já com grandes sorrisos nos rostos.
“Sabe, Benjamin...” Ela prosseguiu, olhando para o seu pai. “Acho que eu preciso pedir a mão do seu filho em namoro.”
Os quatro sorriram, vendo Benjamin dizer que ela poderia seguir em frente. colocou as mãos nas bochechas de e puxou levemente o seu rosto para que pudesse, enfim, selar seus lábios num beijo sem mais medo algum de mostrar para todos que eles estavam juntos.
FIM
nota final da autora: Acho que eu preciso respirar fundo antes de começar a minha última nota em It Was Better Knowing Nothing.
Se não me engano, comecei a postá-la em março de 2009 (no até então FFADD), e, ao conhecer novos sites de fics, fui enviando também (POP, DS, ATF, adaptada para All Time Low, e, agora, começando a enviar pro PFics). Então foi um caminho bem longo e gostoso.
Eu acho engraçado porque, quando comecei a pensar nessa fic, a minha ideia inicial era de uma shortfic restrita sobre romance entre primos, bem, aprimorei o pensamento e deu no que deu, né?
IWBKN não é a minha primeira fic. Eu tinha outra estória na cabeça que acabei nem postando, por ser meio clichê demais. IWBKN foi meu primeiro amor de fic.
Eu me lembro de muita coisa que passei com essa fic. Até comentários eu perdi quando aquela mudança do Haloscan aconteceu - acho que aquilo deixou muita gente mal, heim? Eu demorava muito com as atualizações - esse pode ser um momento para pedir perdão para minhas autoras desesperadas? -, troquei de beta várias vezes no FFOBS (Primeiro pra Táh, depois eu mesma betava, depois a Carol e, por fim, a Bê), e deixei minha bebê nas mãos de pessoas maravilhosas: No POP com a Juh, no DS com a Nat, no ATF com a Any e no PFics com a Karol. Li resenhas maravilhosas que só me deixavam ainda mais orgulhosa do que eu escrevia. Me emocionei com comentários lindos que várias pessoas faziam. IWBKN foi fic do mês no FFOBS - e eu ainda nem consigo acreditar nisso, de tanto que sonhei com esse momento - afinal, qual autora não deseja ver sua fic reconhecida? Passei por momentos maravilhosos e conheci pessoas maravilhosas apenas por causa de uma fic.
Ao escrever a palavra fim na página 79 do word, eu percebi que meu trabalho com essa fic, apesar de ter um fim escrito, apenas começou. Agora preciso revisar mais uma vez, dar uma boa modificada na estória, mudar os nomes das personagens, implantar o título em português, enviar pra editoras e ver minha neném virando livro, como sempre sonhei que acontecesse.
O caminho até aqui foi longo, mas, posso dizer uma coisa? Valeu muito à pena.
A felicidade por terminar é grande, assim como a tristeza de não mais pensar nas continuações dela.
Enfim, agradeço a todas que acompanharam minha fic até aqui. Agradeço a todas que persistiram para descobrir o fim. Agradeço a todas que choraram com a fic, a todas que indicaram a fic para amigos... Agradeço mesmo com todo o meu coração. Vocês foram essenciais para que a fic continuasse.
Agradeço, mais uma vez, à Bê, à Juh, à Nat, à Any, à Karol, à Carol, à Táh e à Aly, por terem feito parte do time de betas de IWBKN. Vocês foram peça fundamental no meu trabalho, meninas!
Agradeço à Grazi, por sempre me cobrar as atualizações de IWBKN quando eu ia na loteria pagar alguma conta pra minha mamãe.
Obrigada, Lilá, por sempre deixar comentários elogiosos e encorajadores.
Obrigada, Mari, por me importunar e me apressar com essas atualizações, seja por e-mail, seja por msn e até por mensagem.
Obrigada, Renatinho, por me deixar sem graça ao dizer naquela mesa lá no Bodega's que o meu livro seria o primeiro que você leria na sua vida.
Obrigada, pai, por abrir o arquivo de IWBKN no meu computador, sem o meu consentimento, ler até o capítulo 3 e dizer: "Bau, tá muito bom!"
Obrigada, Lih, por ter me apresentado ao mundo maravilhoso das fanfics e fazer com que eu me apaixonasse ainda mais pela leitura e pela escrita.
Obrigada a todas que, até aqui, fizeram parte da minha história.
Agora eu preciso me focar nas outras em andamento e inventar tantas outras shortfics pra continuar colocando sorrisos nos rostos de vocês, né?
Por favor, não abandonem a leitura das minhas fics, hahaha.
Xx;
Twitter ; Formspring ; All About Fics ; Blog.
N/r: Ai, que emoção. Uma das primeiras fics que eu reviso que é finalizada. E que fic, né? Sou totalmente apaixonada por essa história, tão linda, criativa e envolvente. Não tenho nem o que falar, porque se elogiar muito, estraga! HAHA Adoro as outras fics da Babi e é isso que me alivia, sabendo que essa aqui chegou ao fim: terei outras pra continuar lendo.
Parabéns, Babi, você tem muito, muito talento, mesmo, e quero que continue assim, e, se for pra mudar, que seja pra melhor!
E não tem que agradecer por ser sua revisora, foi um prazer!
xx Juh.
nota da intrusa: O que eu faço com essa desgraçada? Dou um beijo por ter me feito se emocionar demais com uma fiction tão bem construída. Eu sou, uma pessoa extremamente ansiosa e só Babi sabe o quanto eu surtei com o final de cada capítulo, com cada xingamento e tudo mais. Quem diria, o Dougie filho dos nossos pais e nós uma filha vinda de outra mulher, de uma outra concepção. Eu não acreditei quando ela me disse (eu forcei ela a me dizer, não aguentei), e me impressionei por mesmo sabendo ainda ter ficado encantada. Bato palmas para essa história, que amoleceu o coração de cada leitora que acompanhou, e estamos todas esperando é claro, quando ela tiver um nome em português com uma capa dura na estante das livrarias mais próximas, rs.
xx Mari Grape

