James ao Contrário

Autora: Babi Lorentz
Status: Em Andamento
Revisada por: Babi Lorentz
Categoria: Harry Fics
Sub-Categoria: LongFic - Comédia, Romance
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PRÓLOGO

Escola é tudo igual. Eu já estive em várias delas para afirmar isso com plena certeza. E o lugar no qual reparamos isso é sempre no refeitório.
A escola se divide sempre em: nerds (grupo pequeno de quatro – no máximo – pessoas que se vestem como nossos avós e comem livros – a última parte é metaforicamente falando, claro. Não há nada além de cadernos, livros e derivados na mesa deles. Nem mesmo comida. É sério!), patricinhas (três meninas que só sabem usar rosa e seguem a rainha, que senta sempre no meio delas. Não sabem falar de outra coisa que não seja a banda – ou cantor ou coisa parecida – do momento, o que ultimamente tem sido Justin Bieber e/ou Robert Pattinson, maquiagem, moda e outras conversas fúteis. Sempre se dão mal na escola e sempre ficam atrás dos nerds para conseguir alguma nota.), caras do futebol (que normalmente são os mais conhecidos, já que jogam defendendo o time da escola na qual estudam – pelo menos é assim que enxergo as coisas – não apenas de futebol, mas de basquete e baseball, dependendo da temporada do esporte, não sei bem como essas coisas funcionam. No centro da mesa sempre senta o mais conhecido da escola, que sempre namora com a mais conhecida da escola – geralmente uma líder de torcida.), líderes de torcida (como disse, a namorada do cara do futebol sempre senta no centro – até hoje não entendo porque ela não pode sentar na mesma mesa do namorado – de todo o grupo. Elas sempre usam a mesma roupa, tipo, todos os dias. Nunca as trocam, e eu não entendo o porquê disso. Parece que é um orgulho para cada uma delas estar nesse grupinho tão fechado das líderes de torcida. E me esqueci de falar que elas sempre estão com o cabelo preso num rabo de cavalo.), góticos (pessoas que se vestem de preto. A gente não consegue distinguir homens de mulheres. Eles são iguais até no cabelo e na maquiagem.), wanna be (são aquelas garotas que imitam algum grupo. Nessa escola são três meninas de rosa: cópia das patricinhas.) e os NSE - Aqueles que Não Se Encaixam.
É nesse último grupo que eu sempre acabo ficando. Conheci três pessoas nessa escola que se sentam sempre comigo na mesma mesa: , que ama comer e, principalmente, dormir, mas entende tudo de computador e sabe nos falar sobre todas as coisas que andam acontecendo no ambiente escolar – fofocas e todas essas coisas, , que quando não está falando sobre o livro que está lendo, fala sobre as últimas piadas que seu pai inventou sobre a condição de ele ser careca, e o Harry, que está sempre batucando em qualquer coisa que esteja em sua frente. E eu, bem, eu sou o James ao Contrário. Quer dizer, meu nome é Semaj, mas todo mundo me chama de James. James ao Contrário.

CAPÍTULO UM


- A Montanha e o Rio, de Da Chen. Conta a história de uma mulher que se apaixona por dois caras. O que ela não sabe, nem eles sabem, é que os dois são irmãos. – já falava e mostrava o livro pra gente quando me sentei à mesa com minha bandeja em mãos.
- Você vai comer seus nuggets? – perguntou pro Harry, que fez uma careta e continuou batucando seus dedos na mesa.
- Mas fica com os dois, ? – Harry tentava mostrar interesse no livro da .
Eu apenas me concentrei nas minhas batatas fritas.
- O Kelvin terminou com a Alison hoje durante o treino das líderes de torcida. – disse e bocejou, terminando de comer o que roubara de Harry.
Alison era uma líder de torcida, mas não era a mais popular, apenas uma das melhores amigas da tal. E o Kelvin, bem... Kelvin jogava futebol. Já era de se esperar. Líderes de torcida sempre namoram jogadores de futebol. É o normal. Seria engraçado se uma líder de torcida namorasse um nerd.
- Como você descobre essas coisas se só sabe dormir? – perguntou.
deu de ombros.
- Você ainda não terminou de me falar sobre o livro, . – Harry disse.
Rolei os olhos. Ele definitivamente estava a fim dela.
- Eu ainda não terminei, mas é bem interessante. A história se passa na China...
E lá foi a resenha sobre o livro que ela nem ainda havia terminado de ler.
- Posso encostar-me ao seu ombro, James ao Contrário?
Antes mesmo de eu dizer que tudo bem, já estava cochilando.

CAPÍTULO DOIS


- Eles ficam juntos no final?
Foi o que escutei Harry perguntando pra quando me sentei à mesa no outro dia.
- Não sei, Harry. Mas me parece que sim. Quer dizer... Não sei.
- Qual é o livro da vez? – Perguntei pra .
- O Chalé, da Daniele Steel.
- Ah!
bocejou e se encostou ao meu ombro, como vinha fazendo há algum tempo.
- Sabe o que meu pai falou ontem? – nos perguntou.
Eu dei de ombros.
- Algo sobre a careca dele. – Harry disse, rindo.
- Aham! Como você sabia? – sorriu.
- Talvez porque ela só fale sobre livros e sobre a careca do pai. – Sussurrei pra .
- Acredite ou não, ela sabe falar sobre outros assuntos. – Ela me respondeu, acomodando sua cabeça em meu ombro. Eu ri, acariciando-lhe os cabelos.
- Ontem a gente foi buscar a mamãe no salão, aí o papai pediu pra cabeleireira marcar um horário pra ele fazer uma chapinha!
Escutei a risada dos dois e tomei um gole do meu suco.
- Seu pai é demais! – Harry disse, por fim.

CAPÍTULO TRÊS


O fato era que só nos encontrávamos no refeitório. Nossas aulas nunca batiam. Quer dizer, às vezes eu tinha uma aula com o Harry, outra com a e outra com a , mas era quase impossível de isso acontecer. De qualquer forma, foi no refeitório que nos conhecemos e era no refeitório que nos reuníamos – os quatro juntos – e por isso nossas conversas eram sempre no intervalo.
O Harry tava falando pra que queria montar uma banda de uma pessoa só. E essa uma pessoa só seria ele. Exatamente! Uma banda de um só. O engraçado era que Harry era baterista e, apesar de tocar muito bem, ele não tinha voz. Nem sabia tocar guitarra e baixo. E eu, pelo menos, acho engraçado e sem noção uma banda com apenas um baterista. Queria desesperadamente entender como ele faria aquilo.
- Ele vai conseguir. – disse, antes de deitar no meu colo.
- Você pode chamar meus pais pra falar sobre a careca dele pra abrir seus shows! – deu a ideia ao Harry.
- Até que seria legal! – Ele deu de ombros. – O que você acha, James ao Contrário?
- Eu não acho nada. Mas desejo-lhe sucesso.
- Obrigado. , e o livro?
- Ah! Tá ficando melhor do que eu imaginava, Harry!

CAPÍTULO QUATRO


Mais uma vez no intervalo, eu, , e Harry estávamos na nossa mesa de sempre. Eu, como meu normal, apenas observava enquanto eles conversavam. E tomei um susto ao escutar falando sobre algo que não fosse livros ou sobre a careca de seu pai, afinal, já fazia 6 meses que lanchávamos juntos e eu nunca havia presenciado uma conversa em que ela falasse sobre outros assuntos.
- Harry, se lembra daquela banda que você tava escutando ontem enquanto voltávamos para casa?
- Lembro sim, , por quê?
- Eu queria saber qual era pra eu poder baixar.
- Relaxa, , eu mando pra você hoje.
- Então tudo bem. - Ela sorriu e eu olhei pra , franzindo minha testa.
- Como assim? - Sussurrei.
- O quê? - Ela perguntou, desentendida.
- A falando sobre algo diferente?
- Super normal, James ao Contrário! - Ela sorriu com o canto dos lábios e voltou sua atenção para o celular que estava em suas mãos.

CAPÍTULO CINCO


Não sei como aquilo começou, só sei que, enquanto eu saía da escola, várias pessoas se aproximaram de mim, fechando-me num círculo. Levantei minha cabeça, já que estava andando olhando para o chão, e encarei todos à minha volta. As líderes de torcida e o pessoal do time me olhavam com cara de deboche.
- Com licença. - Falei, tentando passar por uma brecha. Dois deles se juntaram, não me deixando sair. Dei meia volta e tentei sair por outro espaço, sendo fechado mais uma vez. - Qual o problema?
- Problema? Com nós, nenhum. - Respondeu uma das líderes de torcida.
- Então posso passar? Preciso ir pra casa. - Pedi.
- Ei, garoto! - Olhei para trás, encarando um grandão qualquer. - Qual seu nome?
- Semaj. Mas pode me chamar de James ao Contrário. É assim que meus amigos costumam me chamar. - Eu disse, encolhendo os ombros.
Todos riram em coro, deixando-me sem entender coisa alguma.
- Não bastava andar com os esquisitos! - Gritou um deles. - Tinha que ser esquisito também! Quem em sã consciência e que não seja esquisito responde o nome e já fala que o apelido é tão ridículo quanto?
Eu só escutava risadas e mais risadas, além de pessoas me chamando de esquisito. E, para todos que eu olhava, enxergava a boca aberta num sorriso de deboche.

CAPÍTULO SEIS


- Ei, ei, ei! Esperem aí! O que tá acontecendo aqui? - Escutei a voz da entrando na roda. - É exatamente isso que vocês estão dizendo? Têm certeza disso? Eu escutei direito? - Ela respirou fundo, olhando pra cada uma das pessoas que estavam em volta de nós, já que ela entrara na roda - Não, na boa... Calem as suas bocas! Por que eu, a , o Harry e o James ao Contrário somos esquisitos? Porque eu durmo nas aulas e sei tudo de computador? Porque o Harry batuca demais em qualquer coisa? Porque a gente chama o Semaj de James ao Contrário? É por isso que somos esquisitos? Por que vocês nos chamam de excluídos? Pois fiquem sabendo que não, nós não somos excluídos, temos uns aos outros. E, outra coisa... - Eu apenas piscava e olhava do Harry pra e da pra enquanto esta discursava, praticamente gritando, na frente de toda a escola - Eu acho que esquisito é a Shannon namorar o Matthew e passar mais tempo na casa da Alison. Sabe? Não que seja estranho ser bissexual, mas se você diz que tem um namorado... Acho que você devia passar mais tempo com ele. Ou assumir de uma vez que, na verdade, você tem uma namorada e que o nome dela é Alison. Esquisito é o pai do Bob ser apaixonado pelo pai do Richard. Esquisito é a Taylor sempre falar maravilhas de todos os países que visitou, sendo que, na verdade, o lugar mais longe pro qual foi é a cidade onde nasceu, que é bem pertinho daqui. Depois de tudo isso, acreditem, é bem normal ser chamado de James ao Contrário. - Ela abriu um sorriso olhando pra mim. - Vamos! Nós temos mais o que fazer. Ficar aqui perto desses esquisitos é perda de tempo.




CONTINUA





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