Light a Candle, It's Xmas!

Autora: Abby
Status: Finalizada
Revisada por: Juh
Categoria: Free Fics
Sub-Categoria: Comédia Romântica - ShortFic
Nota pelo desafio: 9,8
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O chão estava branco, tão claro quanto uma folha de papel. Havia duas ou três crianças correndo pela rua, tentando acertar umas às outras com enormes bolas de neve. Estava frio, mas elas nem mesmo se importavam. Pareciam tão alegres em ver os flocos caírem; as gargalhadas altas que davam deviam estar as aquecendo. E aquela imagem acalorada conseguiu tirar um sorriso sincero da moça preocupada que se escondia por trás da cortina de sua sala. Ela devia estar como seus familiares, todos alegres e festivos – alguns até bêbados, apesar de não passar das dez horas da noite –, mas algo a incomodava e a impedia. Não era o atraso de seu recém esposo, pois sabia que este havia ficado preso no centro da cidade por culpa da neve alta e só depois de horas estava chegando até a casa dos sogros. Também não era sua – maldita seja! – tia avó que se fingia de louca apenas para lhe ofender e dizer que só fazia burradas. Era algo que ia muito além daquela reunião familiar. Talvez nem tanto, já que se tratava de um assunto que interferiria na vida de muitos da família .
hesitou. Seria mesmo necessário contar para todos os presentes, pai, mãe, avós, tios, primos..., algo que nem mesmo estava confirmado? Se fossem os parentes de , tudo bem, eles eram mais compreensíveis e menos espalhafatosos, mas contar para os próprios? Era o mesmo que pedir para ser o pisca-pisca da árvore de natal, pois eles não a ouviriam. Era tão difícil confessar algo a eles, ainda mais se tratando de um assunto tão delicado. Ela precisava de ali, pois nem mesmo Gerard Way e suas reflexivas canções conseguiam acalmá-la.
Sentou-se apenas para não parecer tão ansiosa pela chegada do marido. Sua irmã mais nova corria feliz pela casa, escondendo-se dentro do lavabo enquanto sua prima, também pequena, contava até algum número, virada para a parede. Ela sentiria falta das caçulas correndo e gritando enquanto brincavam. Ou talvez pudesse convidá-las a ir até sua nova casa para passarem um tempo juntas, seria ótimo reviver os tempos de ‘irmã-coruja’ com Tegan. Mas será que ela teria tempo para isso? O novo acontecimento acabaria com suas folgas, ela teria de se dedicar mais que o dobro! suspirou com pesar, jogando a cabeça para trás, apoiando-a sobre o encosto do sofá. A cortina transparente mais uma vez a fez olhar para fora da casa, mas ao contrário das crianças, ela viu o céu e toda sua imensidão azul-escuro. Não havia uma estrela sequer por dentre aquelas nuvens cor de grafite. Pelo visto, ela e teriam que passar a noite apertados no quarto da empregada, pois sua tia louca se apossaria rapidamente do antigo quarto que pertencia à ela. Maldita seja o encosto que era aquela tia velha, solteirona e cheia de manias! Ainda queria lhe exigir um presente! Audaciosa, arrogante, antipática! Que fosse pedir ao Papai Noel, diabo de mulher!
- Vamos, pessoal, vamos acender as velas! – disse Wendy, sua mãe, buscando os parentes pela casa. É claro, as velas!, pensou , Não poderiam me ignorar nesse momento! – Peggy, abaixe esse treco! Não aguento mais esse homem gemendo no rádio! Pelo amor de Deus!
- Se fosse Frank Valli, ela deixava – resmungou Peggy, sua irmã do meio, desconectando seu iPod do aparelho de som.
- Não tira, não! Deixa. – sussurrou, fazendo a garota recolocar o player. – Daqui a pouco ela esquece.
- Duvido, mamãe odeia My Chemical Romance – a menor retrucou; as duas riram baixo, lembrando-se imediatamente das vezes que sua mãe reclamou da “música infernal” que as duas ouviam. – Mas que se dane, eu gosto.
- Nós! – corrigiu a mais velha. – Mas tem alguma mais leve aí? All I want for Christmas is you, de preferência.
- Jeffrey! Pare de beliscar o peru! – Adelle, irmã de Wendy, berrou para o marido. – ainda não chegou, só vamos fazer a ceia quando ele estiver aqui.
- E vocês acham mesmo que ele vem? – Elke, a louca, falou. Andou até o centro do cômodo, não deixando de segurar seus óculos fundo de garrafa sobre o rosto miúdo que tinha. – Eu sempre digo que aquele ali é um cafajeste, mas ninguém nunca me ouve! Deve estar com uma vagabunda loira enquanto a idiota da fica aqui esperando!
fechou os olhos, sentindo o sangue ferver. Peggy murmurou palavras tranquilizantes para a irmã, mas esta se encontrava surda de raiva demais para ouvi-la. Levantou-se do sofá em um pulo, apontado o dedo para a senhora.
- Cafajeste é aquele que um dia fingiu te amar quando só queria seu dinheiro, velha burra! – bradou, fazendo os olhos da tia se arregalarem. – Cafajeste não, inteligentíssimo! Porque ninguém aguentaria viver sob o mesmo teto que você!
- !...
- Você esqueceu o , mamãe – Tegan alertou, voltando para a sala ao lado de Aideen, sua prima.
- Além do mais, eu não sou como você, incapaz de ser amada! – continuou , ignorando sua mãe e toda a casa. – não é como os homens que você comprou durante a vida e eu não sou como você! Então não nos compare, muito menos nos julgue!
- , chega! – Wendy finalmente gritou, ultrapassando o tom de voz de sua filha, que a olhou, irada e assustada. Elke continuava com os olhos quase pulando para fora de seu rosto, incrédula com a reação da sobrinha.
- Vocês viram como ela me tratou? – perguntou, fazendo-se de vítima. Lesley, a matriarca da família com seus oitenta e dois anos, chegou enfim à sala, olhando a todos com o rosto franzido. – É uma mal-criada! E é tudo culpa sua, Wendy!
- Cala essa boca, Elke – disse ela, atraindo as atenções para si. Os homens da família preferiam não se pronunciar, como em todas as brigas da família. Era perigoso demais se meter em uma briga entre o lado feminino dos . O último que tentou, teve o dedo amputado. – Todo mundo aqui bem sabe que você pediu.
- Vai defender essa ninhada de cobras? – Elke continuou, aumentando o ódio de e a frustração de Wendy por uma noite calma e alegre de Natal.
- É claro – afirmou Lesley em tom de obviedade –, elas não estão bêbadas como você!
Então os olhares caíram sobre a louca, que mais uma vez arregalou seus olhos, dando a abominável imagem assustada que tinha. Estavam tão espantados quanto ela, alguns sentindo raiva, outros apenas achando graça da revelação. O cômodo se tornou tão silencioso por parte dos presentes que só se ouvia parte da canção que tocava no rádio “There is just one thing I need. I don’t care about the presents underneath the Christmas tree. I just want you for my own, but didn’t you could ever know. When my wish comes true, baby all I want for Christmas is you.”
Wendy sentia o estômago embrulhar, tamanha a fúria e a vergonha que tinha. Ela só queria uma noite calma e agradável ao lado de seus familiares, e tudo o que teve foi uma briga. Todo o seu trabalho jogado fora por causa de uma velha bêbada, que apenas aumentou e dobrou seu estresse. Depois de tanto se dedicar aos preparativos daquela noite de véspera, seu humor havia sido estraçalhado e jogado no chão. Mas ela não demonstrou sequer um pingo de tristeza, pelo menos não na frente de todos.
- Peggy, leve sua tia para o quarto e tranque a porta, por favor – pediu, aprisionando sua exaustão e decepção, torcendo para que não lhe notassem a voz embargada. Seria tão embaraçoso se, depois de toda a confusão, vissem-na chorando. Mas, ao mesmo tempo, era tão insuportável chegar ao limite. Ultrapassá-lo daquela forma, então... – Vou até a cozinha ver como estão as sobremesas, me chamem quando chegar.
viu sua mãe dar as costas sem esperar respostas de ninguém. Jeffrey, seu tio, continuava a beliscar o peru até que conseguisse tapear seu estômago de dragão; Peggy segurou um dos braços de Elke, forçando-a a andar enquanto murmurava repreensões à senhora. Tegan, que seguia sua mãe, foi seguida por Brooke, sua prima; Carl, irmão de Brooke, continuava, como no início daquela reunião, conversando com sua namorada pelo celular, decidindo quem desligaria primeiro antes que voltassem a mais um assunto aleatório. Lesley caminhou até a poltrona de couro branco ao lado da árvore, sentando-se em seguida; ficou ali, parada como uma pedra enquanto sentia o sangue deixar de correr em alta velocidade. O que havia feito? Ou melhor, por que havia feito? Aquela velha desgraçada tinha razão naquela única vez, havia feito mais uma babaquice. E agora, como que cara contaria o que se passava em sua mente? As palavras tinham acabado de lhe fugir!
- Vem se sentar, ! – sugeriu Lesley, sorrindo para a neta como se afirmasse à ela que tudo estava bem. A jovem assentiu, caminhando vagarosamente até o sofá onde estivera minutos atrás. Sentiu o estômago formigar, embrulhar e chacoalhar, o refluxo que sentiu foi suficiente para levá-la correndo ao lavabo. Estava nervosa demais, só podia estar! Não, não podia, tinha que ter calma para revelar a todos uma mudança drástica em sua vida.
Depois de trancada a porta, os embrulhos cessaram. sorriu, satisfeita, voltando seu olhar para o espelho. Estava tão pálida, precisava aprender a controlar melhor seus ânimos. Ultimamente, no entanto, era impossível se fazer isso. Equilibrar sua carreira e seu casamento era difícil, mal tinha tempo para si mesma. Agora ela sabia como sua mãe se sentia e dava-lhe toda a razão por se magoar naquela noite. Wendy ainda cuidava de tudo sozinha, coitadinha, não podia mais contar com o falecido , seu marido. Oh, céus, e se um dia perdesse , o que faria?! Como imaginaria viver longe dele?! Era absurdo! Só de pensar, já...
- , você tá bem? – perguntava alto, ainda que abafado, do outro lado da porta, girando a maçaneta diversas vezes na vã tentativa de conseguir adentrar o lavabo. – Querida, abre a porta!
- Já vou! – respondeu ela, abrindo a torneira, deixando o mármore impecavelmente branco ser lavado. Roubou um pouco daquela água para tirar de sua boca o gosto azedo do vômito.
- Meu bem, abre a porta, por favor! – seu marido tornou a falar. – Tô preocupado contigo!
Ela fitou seu reflexo mais uma vez, ensaiando um sorriso convincente. Fechou a torneira, secou seu rosto rapidamente e abriu a porta, mostrando feições suaves. Não queria preocupá-lo de forma alguma, o trabalho já o consumia demais.
- Eu tô bem, bebê – riu baixinho. Ele odiava que o chamasse de “bebê” ou apelidos diminutivos na frente de qualquer um. – Só um mal-estar.
- Mesmo? – mas daquela vez ele não se importou. Segurou o rosto da esposa, certificando-se que não era uma mentira, mesmo que essa fosse para poupá-lo.
- Você sabe como eu fico nessas épocas – disse , fazendo questão de sorrir francamente –, sempre como e me estresso demais. – Não estava mentido, quando ansiosa, comia por dois e se estressava por três. E nos anos de namoro e meses de casamento, já havia aprendido a lidar com a situação. E ainda que não estivesse, sua mulher não daria chances para que contestasse. Ela precisava logo acabar com o martírio que era guardar seu segredo. Não era de sua natureza guardar informações, não seria diferente depois de adulta. – Agora, vamos chamar minha mãe, ela tá só te esperando pra começar a ceia e aquela tradição estranha de acender velas.

***

- Como tá sua tia? – Wendy murmurou para Peggy, que a ajudava a servir o jantar. O restante da família se encontrava entretido demais com seus próprios assuntos para perceberem a pequena conversa.
- Dormindo como um urso – a filha respondeu. – E roncando como um também – acrescentou, rindo e fazendo sua mãe a acompanhar. Voltaram a suas tarefas, instalando silêncio entre as duas mais uma vez. – E como você tá, mãe?
- Bem – a mulher forçou um sorriso, falhando na tentativa de convencer a adolescente, que apenas arqueou a sobrancelha, descrente das palavras que ouvira. – Que foi?
- Sou mais nova que você, mas te conheço muito bem, dona Wendy – repreendeu a garota, cerrando os olhos castanhos que puxara do pai. Wendy viu no rosto da filha a lembrança do falecido, não conseguindo conter a languidez que seu sorriso tomou. Ele estaria ao seu lado em cada pequeno detalhe.
- É saudade – disse para a filha. – Esse é o primeiro Natal que passamos sem seu pai, sinto imensa falta dele nesses momentos.
- Precisam de ajuda? – indagou , levantando-se e se pondo ao lado delas.
- Não se preocupa, , já estamos acabando – respondeu sua mãe, abanando uma das mãos.
- Mamãe sente falta do papai – delatou Peggy, voltando ao assunto interrompido. mostrou-se imediatamente triste e novamente a lembrança de sua informação veio à tona. E se, como seu pai, ela se tornasse distante de sua mãe? Como poderia deixá-la sozinha?
- Creio que todos sentimos. – Porém, não havia muito o que fazer. Já tinha escolhido seu caminho e ele se distanciava de sua família. Não poderia viver debaixo das asas da mãe para sempre.
- Verdade – a mais nova concordou. Outra vez se fez o silêncio entre as . – Podíamos acender uma vela pra ele!
- Temos que ver se há mais alguma sobrando... – alertou a mais velha, animando-se com a ideia. – Mas quem falaria algo por ele?
- Você, ué – falou a do meio em tom de obviedade. – Ninguém melhor que a pessoa que ele passou a vida junto, mãe.
Wendy tirou segundos para refletir. Olhou para , que ansiava uma resposta positiva com suas expressões; olhou então para Peggy, que assentiu, sorrindo com vivacidade. Foi questão de um piscar de olhos até que não houvesse mais hesitações e seu semblante se tornasse iluminado.
- Tá, tudo bem, eu falo – concluiu, recebendo abraços desajeitados das filhas em aceitação à sua atitude. Então voltaram para suas tarefas pela última vez naquela noite, servindo cada prato a seu respectivo dono. correu para a cozinha, buscando as velas de cor vermelho-sangue que seriam acesas durante o jantar. Uma tradição inusitada, imposta por sua mãe, que não deixava de lado o ato apelativo de aproximação da família. Cada parente sentado à mesa deveria acender uma vela e aquela seria a única luz que teriam até a meia noite, pois no exato momento que a data mudava, tudo se apagaria. Uma espécie de “renascimento” a cada véspera de Natal. E nesse renascimento, deveria ter uma promessa a ser cumprida para o ano que vem. Talvez fosse besta fazer desejos no Natal e não no Ano Novo, mas era Wendy quem havia criado a mania, então ela decidia como procederia.
Na embalagem havia apenas mais uma vela de sobra. Uma vela reservada a pelo destino. Acaso, talvez? Não importava, importava apenas que a memória de um dos mais importantes pilares daquela família seria renovada naquela noite. sentiu os olhos arderem, carregados de saudade de seu pai. Era um homem tão alegre, não merecera o fim que teve. Tinha um coração sempre bondoso e justo por ele fora traído. A jovem sacudiu a cabeça, esquecendo-se da nostalgia que a afligia. Equilíbrio era o que deveria ter, pelo menos na frente de sua mãe.
Ela voltou para a sala segurando firmemente a vela que encontrara, gerando confusão nos demais presentes. Entregou o objeto à sua mãe, que o acendeu e o pôs ao seu lado esquerdo, próximo à ponta em que o senhor costumava se sentar. Não foi necessário explicar nada a ninguém, aquela ação dizia por si. E sem mais perguntas a serem feitas, as luzes foram apagadas e todos iniciaram sua ceia.

***

Faltava pouco para meia noite. A família inteira, inclusive a falsa louca, estavam sentados à mesa, aguardando o momento certo para dizerem seus votos e irem dormir. Brooke e Tegan mal se aguentavam acordadas, tamanho cansaço que suas brincadeiras haviam lhes trazido; Peggy se divertia ouvindo piadas de Carl; Jeffrey, Lesley, Adelle e Wendy conversavam; Elke apenas resmungava, tão bêbada de sono quanto de álcool; e se resumiam em um momento tranquilo, onde se sentiam felizes apenas em observar a felicidade dos outros. Estavam sentados lado a lado, ele com o braço em torno dos ombros dela, ela com sua mão entrelaçada a dele. Queriam mais feriados como aquele, com a família reunida e a alegria estampada no rosto de cada um, mesmo que o inferno tivesse acontecido meses atrás. Queriam ter uma vida como a de Wendy e , que admiravam por sua história. estava feliz por seguir os mesmos passos que a mãe e conseguir seu maior sonho: uma família; estava feliz por fazer parte dos sonhos e planos de sua esposa. E agora parte de sua vida e de seus parentes também. Estava tudo perfeito.
- Já vai dar meia noite, mãe – Carl finalmente se anunciou em alto e bom som. Todos se puseram a postos, segurando seus castiçais.
- Quem vai falar? – indagou Lesley a Wendy, que olhou para , sugerindo à ela que iniciasse a tradição, mudando assim os planos que fizeram.
- Tudo bem, eu – pronunciou-se a jovem, deixando de segurar os dedos do esposo. Envolveu o castiçal em suas mãos, olhando apenas para a mesa ao tempo que respirava fundo. Aquele era o momento. – Nesse ano que acaba, senti emoções que não me lembrava ter sentido antes. A euforia de finalmente entrar para uma universidade, a realização de um sonho... – olhou para , sorrindo a ele. – E também a dor de uma perda – então olhou para sua mãe com tristeza, implorando desculpas por voltar a tocar no assunto com somente o olhar. – Mas, dentre todas essas emoções, surgiu uma totalmente inesperada. – só faltava mais um pouquinho, algumas palavrinhas e tudo estaria terminado. Aquela notícia não poderia ser tão má assim, poderia? – O amor materno.
Wendy arregalou os olhos, surpresa. Imediatamente abriu um sorriso exuberante, realmente sincero. Os familiares entenderam a notícia de a partir da reação de sua mãe, abrindo em seguida sorrisos parecidos com o da mulher. Aliviada pela reação, a jovem continuou:
- E, no ano que vem, quero que essa seja a mais importante emoção que eu sinta. Quero ser para esse bebê como um dos presentes nessa mesa, quero ser a pessoa mais importante da vida dele. E quero apoiá-lo em todos os momentos de sua vida enquanto eu tiver forças. – deixou de segurar o castiçal para segurar as mãos de e Wendy. Seus olhos transbordavam alegria, brilhavam de comoção. – E quero que os dois estejam comigo para testemunhar cada acontecimento do mais novo . Tudo que eu quero nesse Natal são vocês – afirmou, deixando que sua voz finalmente saísse tremida, indicando o choro de felicidade que vinha. Olhou para sua barriga, sorrindo abertamente. – E essa criança linda, é claro.
- Como que eu vou poder falar alguma coisa depois desse discurso lindo? – indagou Adelle, enxugando suas lágrimas, fazendo os outros rirem. novamente observou cada pessoa sentada à mesa e em cada rosto pôde ver uma única expressão: felicidade. Exceto por Elke, que havia caído no sono novamente, mas era melhor que fosse assim, pelo menos de boca calada a velha ficava. Agora sim estava tudo perfeito. Naquele instante era sim o renascimento da família. E o surgimento do mais novo integrante, que por hora preencheria o lugar que estava vago. E que seria dono daquela vela acesa minutos atrás, que teoricamente não tinha nenhum. O proprietário, na verdade, apenas trocava de lugar. Aqueles seus bobos parentes que não percebiam. nunca os deixara, apenas se ausentara. Mas agora voltava para os braços de quem lhe queria bem.




FIM

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