Love Hurt

Autora: Jess Oliveira
Status: Em Andamento
Revisada por: Bee
Categoria: Romance / Drama
Sub-Categoria: Part Fic
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Sabe quando você sente que falta alguma coisa? Aquela insistente saudade de coisas que você nunca viveu,
de alguém que você nunca conheceu? Pois é exatamente assim que eu me sinto no momento. E junto com tudo isso minha vida resolve,
que seria divertido me sacanear mais um pouquinho. Eu to cheia de sentimentos confusos dentro de mim, que eu simplesmente não posso ou não quero falar.
Coisas do passado que eu prefiro bloquear já que eu não consigo esquecer. Coisas que machucam demais e eu acho simplesmente melhor não falar.
Coisas do presente que eu não tenho como provar, não posso resolver, não posso ignorar e não posso falar. Eu me sinto completamente sozinha.
No meio de todo esse caos, eu realmente não sei como me apaixonei por ele. Justo quem eu nunca vou poder ter. Eu devo ser Masoquista mesmo.
Há cinco anos atrás eu nunca imaginaria estar sentada no chão do banheiro chorando no escuro...

Capitulo 1: Cinco anos antes.

Northamptom, interior da Inglaterra, situada a 108 km de Londres. Essa foi a cidade onde eu nasci e cresci. É verdade que eu nunca gostei de morar aqui, mas na hora em que eu estava indo embora, eu descobri que eu sentiria falta daquele lugar. Sorri com minha descoberta, isso era uma coisa que eu realmente não esperava sentir.
Estava indo morar em Londres. Meu pai tinha conseguido um emprego como gerente num restaurante de lá. Não tive nenhum problema quando soube da mudança, nunca tive amigos em Northamptom, mesmo.
Pra quem não me conhecesse eu parecia uma garota normal. Mas a verdade é que eu nunca me encaixei em lugar nenhum. Não me preocupo com popularidade, não perco meu tempo lendo revista de fofoca sobre famosos, não sou boa em esportes, gosto de conversar com pessoas bem mais velhas, tipo meus avós. Eu sou realmente uma menina estranha ,eu admito.
Fora meu gosto estranho por músicas antigas. Eu sabia que também não me encaixaria em Londres, mas pelo menos teriam mais lugares pra sair e distrair minha cabeça.

***

Meu primeiro dia de aula finalmente chegou. Tinha pessoas de todos os estilos na London High School, e como já era esperado eu não conseguia me identificar com nenhum grupo dali. Caminhei até as mesinhas do pátio e me sentei sozinha, fiquei observando as pessoas, até que quatro garotos me chamaram a atenção. Um deles usava uma blusa do The Who, na verdade foi isso que me chamou a atenção.
Eu achava que era a única adolescente que gostava de bandas antigas. Pensei em me aproximar, mas lembrei que eu nunca soube puxar assunto com ninguém, então preferi não pagar mico e ficar na minha. Enquanto aqueles quatro garotos conversavam sentados em uma mesinha do outro lado do pátio, uma garota loira e baixinha se aproximou deles, sentou no colo do menino que usava a blusa do The Who.
“Ótimo! Quando finalmente eu acho alguém interessante, ele tem namorada.”– Eu pensei na hora.
O sinal tocou, eu me levantei e peguei no bolso da calça jeans o papel que tinha meus horários anotados. Minha primeira aula era de Literatura com o Sr. Johnson. Pra minha sorte consegui achar minha sala com facilidade. Entrei e como de costume, sentei-me na última carteira perto da janela. Senti uma mão me cutucar e quando olhei reconheci a blusa do The Who.
- Esse lugar é meu. - Ele falou. Aquilo me fez rir, desde quando alguém era dono de carteira de colégio?
- Não to vendo seu nome escrito aqui. – Falei, sorrindo sarcástica.
- Ta legal, dessa vez passa. Só porque você foi a única louca com coragem de me dar um fora. - Ele disse e saiu rindo.
Eu devia merecer aquilo. Quem ele pensava que era? Por um acaso ele era o dono do colégio? E por que as pessoas tinham medo dele? O povo de Londres era meio doido, só pode. Pelo que eu tinha percebido aquele garoto era tão loser quanto eu. Só porque ele tinha três amigos e uma namorada, ele se achava o Maximo? Tudo bem que eu não tinha amigo nenhum e muito menos um namorado. É, talvez eu fosse mais loser que ele, mas isso não vem ao caso.
- Oi! - Uma garota de cabelo preto com mechas vermelho sangue, piercing na orelha e pulseiras pontudas sentou a minha frente e me fez acordar dos meus pensamentos.
- Oi! - Eu respondi.
- Você é nova aqui né? Eu sou . - A menina estendeu a mão pra eu apertar.
- Eu sou . Eu sou nova sim, me mudei pra Londres mês passado.
- Logo vi que você não era daqui, você fala engraçado. De onde você é?
- Eu sou de Northamptom. Poxa meu sotaque nem é tão forte assim! – Eu ri quando ela falou do meu sotaque.
- Isso é você que pensa. Eu sei que não é da minha conta, mas eu vi direito ou você conseguiu expulsar do lugar dele?
- Eu não expulsei ninguém de lugar nenhum. Não tem nome de ninguém aqui indicando posse. – Eu disse, já, irritada. Que droga era aquela que todo mundo tinha que fazer a vontade dele?
- Me deixa só te avisar uma coisinha, ele é filho do diretor. – Ahhhh! Então era isso. Só porque é filho do diretor ele achava que mandava no colégio. Idiota, se ele tava pensando que eu ia puxar saco dele também, ele tava muito enganado.
- Ele podia ser filho até do dono do colégio, que eu teria feito a mesma coisa. Agora vamos mudar de assunto? – Eu já estava de saco cheio de falar daquele idiota. Definitivamente eu iria ter problemas com ele. Eu já sabia, no dia seguinte ele ia querer arrumar briga pra eu sair do “lugar dele” e eu não ia sair de jeito nenhum. Meu primeiro dia de aula numa cidade nova, e eu já tinha arrumado confusão. Bem típico de mim mesmo.
Eu e conversamos bastante naquele dia. Matemática, Física e Biologia eram as únicas aulas que nós não tínhamos juntas. Eu realmente gostei dela, achei incrível o visual. Fora que ela me mostrou umas bandas super legais no MP4 dela. Fiquei feliz de saber que pelo menos uma amiga eu teria. Isso já era muito mais do que o que eu esperava de Londres.
Quando tocou o sinal do intervalo eu e fomos até a cantina comprar alguma coisa pra comer. Quando chegamos lá me apresentou as outras amigas dela, que eram tão estilosas quanto ela. Eu estava destoando ali, mas mesmo assim todas foram muito simpáticas comigo.
- Oi meninas! Gente essa é a , essas são e . – fez as apresentações.
- Olá! Senta aí com a gente. – falou simpática.
- Gente o sotaque dela não é engraçado? Fala alguma coisa pra elas verem. – pediu insistindo em zoar meu sotaque.
- Meu sotaque não é tão estranho assim, é vocês que não estão acostumadas ainda, só isso.
- Realmente ela fala engraçado. – disse rindo e eu rolei os olhos.
Enquanto nós conversamos animadas, quatro garotos se aproximaram de nós. “Merda!” Foi tudo em que eu consegui pensar. Eu tinha certeza que se aquele garoto falasse alguma coisa sobre o lugar dele de novo, nós discutiríamos feio. E eu não queria tomar uma suspensão ou algo assim no meu primeiro dia. Afinal ele não iria sofrer nenhuma punição do papai dele.
- Foi ela. – O garoto falou com um de seus amigos.
- Corajosa a menina, gostei. – Um garoto de cabelos falou fazendo todos rirem. Eu não agüentei e tive que abrir minha boca pra falar alguma coisa.
- Ta achando que eu vou abaixar minha cabeça pra você só porque é filhinho do diretor? Porque se você ta, você ta muito enganado. E se quiser sentar naquela mesa amanhã é bom chegar a sala primeiro que eu, porque se eu chegar primeiro, você vai ter procurar outro lugar pra você.
Quando eu terminei de falar todo mundo na cantina estava olhando pra minha cara. Em outra situação eu poderia ter ficado corada, mas eu não ia dar a ele o gostinho de me ver envergonhada. O garoto ficou me fitando sem mostrar nenhuma emoção. Mas ele tinha o olhar intenso.
Os olhos dele eram de um tom incrivelmente como eu nunca tinha visto antes. E tinha um ar de mistério que me prendia, fazendo com que eu não desviasse o meu olhar do dele. Como ele conseguia aquilo? Quando eu já estava começando a ficar perdida nos olhos do garoto, ele finalmente falou me trazendo de volta.
- Vamos ver quem é o mais rápido, então.
- Dude isso vai virar guerra. Legal! – Um dos amigos dele falou rindo e levando um pedala logo em seguida do outro garoto que estava ao lado dele.
- Cala boca . – O menino que deu o pedala falou.
O sinal tocou, e finalmente desviei meu olhar do dele. Peguei minha mochila e fui pra sala com as meninas. Nas aulas seguintes não consegui pensar em nada que não fosse aqueles olhos. Eu estava tão distante que as meninas até desistiram de conversar comigo. Quando finalmente as aulas acabaram eu corri pra fora da sala. Tudo que eu queria era ir pra casa, porque amanhã começaria uma guerra, como o menino disse.
Eu já estava no portão quando escutei me gritar. Parei , olhei pra traz e vi com e . Eu saí da sala com tanta pressa que até esqueci das meninas.
- Tu mora aonde, preguinha? – perguntou.
- Preguinha? Depois eu que falo engraçado. – Eu ri do jeito que ela me chamou. As três tinham um jeito todo próprio de falar. Eu gostava disso.
- Ta para de enrolar e diz aí onde tu mora?
- É umas duas quadras daqui. É pertinho, da pra ir a pé.
- Ótimo, a gente vai com você então. – falou e nós seguimos pra casa.


Capitulo 2: A Guerra

As meninas só iam me fazer companhia no caminho, mas eu as convidei pra passarem a tarde na minha casa. Quando chegamos em casa, minha mãe estava na cozinha fazendo o almoço. Ela abriu um sorriso maior que o rosto quando viu as meninas junto comigo. Foi até engraçado, uma mistura de susto e felicidade. Apresentei as meninas a minha mãe e depois subimos pro meu quarto. Eu me joguei na cama, sentou na cadeira do computador,
sentou no pufe preto que tinha no canto do quarto e se jogou no chão mesmo. Começamos a conversar animadamente.
- Dude você discutiu com . Ele é doido, nunca mais vai te deixar em paz. – falou como se eu tivesse irritado o chefe da máfia italiana.
- Até parece que eu tenho medo. Mas me falem dos outros três, quais os nomes deles?
- Aquele que te chamou de corajosa é o . O que falou da guerra é o , e o que bateu nele é o . – falou.
- O tal do até que é bonitinho. – Comentei como se aquilo não fosse nada.
- Você ta de sacanagem com a nossa cara, todos eles são lindos e isso é um fato incontestável. – fez questão de enfatizar o quanto eles eram lindos.
Eu realmente não podia negar isso. Mesmo que eu só tenha prestado atenção no tal , eu sabia que os outros também eram lindos.
- Tudo bem, não precisa ficar irritada. Eles são lindos mesmo.
- Ela 'ta assim porque tem uma queda do tipo rolada de precipício pelo . – falou rindo enquanto ficava cada vez mais vermelha.
- Você não pode falar nada . Pensa que a gente não sabe que você é caidinha pelo ? – falou e dessa vez foi que ficou vermelha enquanto nós riamos.
A tarde se passou assim, com muita conversa e brincadeiras. E aquilo foi realmente incrível! Foi a primeira vez que eu passei a tarde com alguém da mesma idade que eu.
Eu, definitivamente, estava feliz por ter me mudado pra Londres.
Bem no final da tarde as meninas foram embora.
Algumas horas depois minha mãe me chamou para o jantar. Como sempre nos sentamos juntas a mesa, que ficava na cozinha. Minha mãe me encheu de perguntas de como tinha sido meu dia, como eu conheci as meninas, se tinha algum professor que eu não gostava, e finalmente se tinha algum garoto interessante no colégio. Não menti em nenhuma resposta, eu apenas omiti as partes desnecessárias. Depois do jantar assisti um pouco de TV, e depois fui dormir. Até a hora em que eu estava acordada meu pai ainda não tinha chegado. Não era a primeira vez que meu pai chegava tarde e dizia que estava trabalhando. Eu tinha minhas duvidas quanto a isso, mas não tinha como provar. Por isso nunca falei nada. Não queria encher a cabeça da minha mãe atoa, eu poderia estar enganada.
Pelo menos eu preferia acreditar nisso.

***

Cheguei a escola cedo e encontrei com as meninas no portão. Elas estavam com aquele mesmo visual Rock. Pulseiras pontudas, correntes, maquiagem pesada e camisas de bandas. Cara eu realmente tinha adorado o visual delas e tinha feito elas me passarem todas as bandas que tinham no MP4 delas. Eu sentia que finalmente tinha encontrado meu lugar. Era só uma questão de tempo pra eu começar a me vestir da mesma forma. Não que eu quisesse imitá-las, mas sim porque eu achava realmente legal.
- Oi meninas!
- Oi ! – Elas responderam num coro desorganizado.
- Vamos pra sala? - Eu disse com certa pressa. Afinal eu tinha que chegar antes do .
- Dude essa briga sua com o ta parecendo coisa de criança da 3º serie. – disse rolando os olhos.
- Relaxa aí. O nem chegou ainda! – deu de ombros.
- Isso já me deixa preocupada. Se ele não chegou ainda é porque ta armando alguma coisa. Ele não correria o risco de perder o Lugar dele pra mim assim. – Eu falei “Lugar dele” com uma voz bem enjoada e nojenta.
- Alguém já te disse que você é paranóica, hoje? – disse sarcástica.
- Engraçada você...
Fiquei conversando com as meninas e quando o sinal tocou fui com pra sala. Eu estava estranhando não ter visto o ainda.
Eu não acreditava que ele ia facilitar tanto as coisas pra mim assim. Quando cheguei na sala e parei em frente a mesa eu finalmente entendi. O nome estava escrito enorme no meio da mesa. Eu não consegui dizer nada. Dude ele pichou o próprio nome na mesa da sala só pra não me ceder o lugar. Ele não precisava se preocupar mesmo, afinal o pai dele era diretor. começou a gargalhar enquanto eu ficava cada vez mais vermelha de raiva.
- Olha só que legal Dudes! Tem uma mesa como o meu nome na sala. Incrível né! Bom, acho que esse lugar é meu! – Ele disse com um sorriso falso enquanto os amigos dele riam.
- Vai ter troco ! A guerra só começou!
Saí de perto deles e fui me sentar do outro lado da sala com . Quando o professor entrou na sala , e foram para suas salas. Não consegui ouvir nenhuma palavra do que o professor dizia de tanta raiva que eu sentia.
do outro lado da sala não tirou o sorriso vitorioso do rosto e aquilo estava realmente me deixando louca. As horas foram passando e finalmente tocou o sinal para o intervalo.
Eu e nos encontramos com e no pátio e nos sentamos em uma mesinha.
- SE FERROU! – gritava e ria enquanto contava o que aconteceu na sala.
- Há Há Há! Tão gozadinha você né?
- Nem adianta querer me zuar. Eu te disse que ele não ia te deixar em paz. Você tem que reconhecer que foi engraçado. E você ainda ficou sem resposta! – Ela não conseguia parar de rir.
- Ah, mas vai ter troco. Eu não vou deixar isso barato não!
- Gente mudando de assunto, vocês já viram o dono do colégio? – perguntou.
- Não, eu ainda não vi não. - respondeu.
- O que ele 'ta fazendo por aqui?
- Todo inicio de ano ele passa de sala em sala pra falar das normas do colégio e dar boas vindas aos novos alunos. – me respondeu, e eu não pude evitar um sorriso malicioso.
- Credo garota que cara é essa? – perguntou.
- Vem! Vocês vão me ajudar numa coisa.
- Ah não, se você quer arrumar confusão vai sozinha. – protestou.
- Não vai dar confusão nenhuma não garota, pelo menos não pra gente. Anda, vem logo!
Quando entrou na sala eu e as meninas já estávamos lá. Ele andou até o fundo da sala e parou em frente a mesa. Me olhou desconfiado e eu fingi que não vi. Aquela era a ultima aula do dia. A Professora de História entrou na sala e anunciou que o Dono do colégio Sr. Hilstow ia falar algumas coisas com a turma.
- Boa tarde caros alunos! Hoje como de costume estou aqui para dar as boas vindas a todos vocês e também para esclarecer algumas coisas sobre as normas da escola. A nossa escola é uma das mais conceituadas de Londres. Por isso, não aceitaremos nenhum tipo de comportamento vândalo, tais como: destruição de qualquer objeto pertencente a escola,nenhuma tipo de agressão física ou verbal tanto a professores quanto a alunos, pichações…
Nessa hora eu interrompi o Sr. Hilstow.
- Desculpe interromper, mais o senhor acabou de falar que pichações não serão permitidas. Eu gostaria de saber qual é a punição para esse ato?
- Uma suspensão de uma semana. A senhorita por acaso viu algum tipo de pichação em nossa escola?
olhou pra mim e arregalou os olhos, finalmente entendendo por que a mesa com o nome dele não estava no lugar onde ele havia deixado. Eu me controlei pra não soltar uma gargalhada ali mesmo. A cara de desespero dele era impagável. Eu queria ter podido tirar uma foto daquele momento.
- Na verdade está escrito na minha mesa, senhor.
Na hora em que eu falei abaixou a cabeça completamente desesperado. Ele sabia que dessa vez ele estava realmente ferrado. Mas quem mandou? Eu disse a ele que teria troco. Agora era a minha vez de rir.
- Deixe me ver. – O Sr Hilstow se aproximou da mesa pra olhar, fazendo uma cara assustadora quando viu o nome escrito na mesa.
- Quem é Sra. Mackenzie?
- , Por favor, venha até aqui. – A professora chamou .
- Me acompanhe até a diretoria, rapaz.

***

passou uma semana suspenso. Eu achei que quando ele voltasse ia armar alguma pra mim, que ia começar tudo de novo. Mais quando ele voltou simplesmente não fez nada, não falou nada, nem sequer olhou pra mim. Ele estava com um olhar triste e de alguma forma que eu não sei explicar até hoje aquilo doeu em mim. Aqueles não eram os olhos profundos e intensos que eu achava tão lindos. Aquele Não era o que eu conheci no primeiro dia de aula.
Ele estava calado de mais, pelo que eu havia notado, mal conversava com os amigos e não dava muita atenção pra namorada. Era como se ele estivesse em outro mundo, um lugar completamente inalcansável. A única coisa que eu não conseguia entender era por que aquilo me incomodava tanto. Estava cada dia mais difícil ver ele daquele jeito, então eu resolvi fazer uma coisa que eu não faço com freqüência. Pedir desculpas!
- ! – Eu o chamei um pouco incerta do estava fazendo.
- O que você quer?
- Será que eu posso falar com você um instante? É rapidinho.
- Fala. – Ele deu de ombros.
Eu não queria falar na frente de todo mundo, mas também não ia pedir pra falar com ele a sós. A namorada dele me mataria, com certeza. Resolvi falar logo e acabar com aquilo de uma vez.
- Eu só queria pedir desculpas. Eu exagerei, eu queria te mostrar que eu não tinha medo de você e acabei passando dos limites, então me desculpa 'ta. Era só isso, eu to indo. – Eu me virei e comecei a caminhar pra ir embora.
- Espera! – Ouvi a voz de e então parei e me virei pra ouvi-lo.
- Eu também tenho que pedir desculpas. Eu achei que você fosse igual aos outros, achei que você fosse me tratar diferente igual todo mundo aqui faz. Desculpa por isso.
- O que você acha da gente começar de novo, do zero?
- É uma boa idéia! – Ele deu um sorriso enorme, que a muito tempo ele não dava, e que me fez sorrir junto.
- Eu sou , minhas amigas me chamam de ! Eu vim de Northamptom, to morando aqui há um mês e pouco.
- Eu sou , mais os dudes me chamam de . Sempre morei aqui. – Ele riu de novo, e novamente eu não consegui não sorrir junto com ele. Droga ele tinha um sorriso contagiante e lindo. Não dava pra evitar.
- Eu sou , já que ele é mal educado, eu mesmo me apresento.
- Eu sou e esse é o .
- Eu sou Beth, namorada do . – Ela o abraçou enquanto falava. Aquilo me incomodou um pouco. Eu deixei pra lá. Não estava a fim de pensar nisso.
Algum tempo depois minhas amigas chegaram e eu as apresentei para os meninos. Vi os olhos da brilharem quando apertou a mão do e dar um sorriso tímido pro .
Nós passamos algum tempo ali na frente da escola conversando animados e depois fui embora com as meninas. Eu me sentia tão bem que até esqueci das coisas estranhas que estava sentindo por .
Eu não sabia mais naquele momento ele já era dono de mim. Como nenhum outro cara nunca vai ser. Dono da minha alma e de tudo que eu poderia sentir por alguém. Eu era dele e em pouco tempo perceberia isso.

Capitulo 3 - Segredos

Era mais um dia normal e nós estávamos sentados no pátio conversando como sempre. e Beth não estavam conosco e aquilo estava começando a me incomodar, eles bem que podiam ficar se engolindo em outra hora.

Preferi não pensar naquilo e começar a prestar atenção no assunto que estava sendo discutido na mesa, porque afinal de contas isso não era da minha conta.
- Dude é serio a gente precisa ensaiar! - falou um pouco irritado.
- Mas cara o falou que não vai poder, não da pra ensaiar se faltar alguém. - respondeu.
- Ele vai ter que dar o jeito dele, depois ele fica todo boladinho quando o pai dele chama ele de irresponsável. Nesse ponto eu tenho que concordar.
- Desculpa me meter na conversa de vocês, mas espera aí, vocês tem uma banda? - Eu perguntei com certo espanto, já faz 2 semanas que nós andávamos juntos e eu não sabia disso!!
- Temos sim, o nome é McFly. Mas tem quase um mês que a gente não ensaia porque o reizinho do não tem tempo. - revirou os olhos.
- Como assim ele não tem tempo?
- Ele 'ta ocupado com a Beth. Desde que ele começou com essa garota ele não tem mas tempo pra banda, não sai com a gente. Na real eu acho que ela nem vai com a nossa cara. - se manifestou pela primeira vez na conversa.
- E vocês vão ensaiar hoje?
- Se o mané ali quiser, a gente vai.
- Posso ir ver? Em diz que sim!! - Falei com mais empolgação do que deveria. me olhou assustada por causa do berro que eu dei.
- Ta, pode sim. Quem sou eu pra dizer que não depois dessa. - respondeu rindo e eu senti meu rosto ficar quente.
Nessa hora e Beth chegaram a mesa. sentou ao meu e Beth como sempre sentou no colo dele. Eu já não ia muito com a cara dela, depois do que os meninos tinham dito, eu ia menos ainda.
olhou sério pra e nessa hora eu percebi que o clima ia pesar. Das duas uma, ou eles iam brigar feio, ou eles iam sair dali com o ensaio marcado.
- Dude vamos ensaiar hoje? - perguntou.
- Hoje? Putz vai depender da hora.
- Nem vem com essa porque tem quase um mês que a gente não ensaia. Tem uma monte de musica nova pra passar e eu to arrumando um show pra gente na semana que vem.
- Qual é, eu não tenho culpa se tenho compromisso, você só me avisa essas coisas em cima da hora.
- Te aviso em cima da hora porque você nunca tem tempo pra gente conversar e eu te avisar antes.
- Nem vem com essa cara, deixa de ser chato.
- Eu chato? Você que não tem responsabilidade com nada, nisso seu pai 'ta certo. - levantou bruscamente, quase derrubando Beth no chão e começou a gritar.
- Não coloca meu pai nessa história, se você não tem nada que presta pra falar então não fala merda, não fala do que você não sabe. Idiota! - Ele deu um soco na mesa e sai chutando tudo que via pela frente.
Eu e as meninas ficamos paralisadas, nós não entendemos nada do que estava acontecendo. Ver o nervoso daquele jeito assustou todas nós incluindo a Beth. Mas os meninos pareciam nem ter ligado, parecia que tinha sido uma conversa normal.
- Da pra explicar o que aconteceu aqui? - perguntou.
- Não esquenta, daqui a pouco ele volta mais calminho, é sempre assim. - falou dando de ombros.
- Vocês sempre brigam assim? - Dessa vez perguntou.
- Só depois que ele começou a namorar essa daí que 'ta querendo afastar ele dos amigos de verdade. - se levantou da mesa e saiu.
- Eu querendo o que? Vocês piraram? Eu sempre sou bem que vocês não gostavam de mim e enchiam a cabeça do , mas isso já é de mais.
- Nem vem se fazer de vitima que isso só cola com o otário do . - falou.
Depois disso todos ficaram em silêncio. O tempo foi passando e o sinal finalmente tocou. Todos nós levantamos pra ir para as nossas salas. Aquele clima tenso estava realmente me incomodando, ia ser insuportável aquele silêncio o dia inteiro. Eu tinha que fazer alguma coisa pra resolver isso, eles não poderiam ficar brigados, e eu também queria entender por que o ficou tão nervoso quando falou do pai dele.
Eu tinha que dar um jeito naquilo. Fingi que ia no banheiro antes de entrar na sala e fui procurar , eu tinha que falar com ele. Rodei todos os cantos onde as pessoas geralmente ficavam pra matar aula e não o achei. Tentei me lembrar se alguma vez ele tinha falado alguma sobre onde ele gostava de ficar e lembrei do jardim de inverno que ficava atrás do colégio. Uma vez ele disse que ia lá pra pensar porque ninguém costumava ir lá pra incomodar.
Fui correndo em direção ao jardim, tomando todos os cuidados pra não ser vista pelos inspetores, eu não podia tomar uma advertência e arrumar mais problemas com meu pai. Quando finalmente cheguei no jardim, parei subitamente com a pontada que senti no peito. Vi sentado num canto perto de uma fonte chorando baixinho com o rosto entre as mãos. Senti meus olhos encherem d'agua mas me segurei, não podia chorar ali,
mesmo que vê-lo daquele jeito doesse em mim. E a verdade é que nem eu sei porque aquilo doía tanto em mim. Caminhei lentamente até parar ao lado dele, devagarinho me sentei ao seu lado e passei a mão por seus cabelos.
- Você ta bem? - perguntei quase que num sussurro.
- To legal, vai pra sala vai. - respondeu enxugando o rosto.
- Não vou deixar você aqui assim. Não posso te deixar sozinho.
- Claro que pode, e alias como você me achou aqui?
- Lembrei que você disse que vinha pra ca pra pensar, eu 'tava preocupada com você.
- Então é melhor mesmo você ir embora, se preocupar comigo não deve ser uma coisa boa já que ninguém faz isso com freqüência.
- Da pra me explicar o que aconteceu? Eu não vou deixar de me preocupar com você.
- A Beth quer que eu fique o tempo todo com ela, e quando não é isso é meu pai enchendo o saco. Só que os dudes não entendem isso.
- Eles me disseram que você dava mas atenção pra banda antes de começar a namorar com a Beth. Você não acha que eles tem um pouco de rasão em ficar chateados? Eu entendo que você ta cheio de problemas,
mas ja pensou que pode ser isso que a Beth quer, fazer vocês brigarem?
- Eu já não quero saber de mais nada, quero mais que todo mundo se exploda. Só sabem me cobrar, querer que eu faça tudo certo. Cacete eu sou humano, eu erro, não da pra ser perfeito.
Mas vai explicar isso pro Sr. . Ele só pensa em manter o nome e puxar saco do Senhor Hilstow.
Depois que eu fui suspenso então, ele joga na minha cara toda hora que quase perdeu o emprego por causa de mim. Minha casa 'ta um inferno, meus pais brigam toda hora. E meu pai não entende que eu quero ser musico, ele quer que eu seja advogado ou coisa assim. Pra ele é o fim do mundo ter um filho musico, é desonrar o nome da família.
E alem de tudo isso, ele dificulta ao máximo pra eu não ter como ensaiar com a banda. Só que o otário do nem quer saber disso, já vem querendo falar merda, ele não sabe nada do que 'ta acontecendo.
- Mas agora eu sei, e sempre que você precisar desabafar pode falar comigo. Eu te entendo porque o meu pai faz a mesma coisa comigo. La em casa as coisa também esta uma droga, minha mãe ta com depressão e eu acho que meu pai ta traindo a minha mãe,
mas eu prefiro acreditar que é coisa da minha cabeça. Eu não tenho como provar nada mesmo.
- Ok, nós dois podemos dar as mãos e ir pra merda juntos - riu sarcástico.
- Acho que valeu a pena vir aqui contar minha desgraça, já consegui te fazer rir. - Eu também dei um sorriso.
Ficamos ali até a hora da saída conversando. Era incrível como ele me fazia sentir bem e como era bom saber que eu também fazia ele se sentir bem. No meu primeiro dia de aula eu nunca iria imaginar que tinha tanto em comum com ,
mas nossas vidas eram praticamente iguais. Depois que o sinal tocou levei pra conversar com , também tinha ido falar com
pra tentar entender o que tinha acontecido. Depois que e conversaram com calma e fizeram as pazes nós seguimos pra casa e o ensaio ficou marcado pro dia seguinte.
Mas uma vez eu sai da escola com sentimentos e sensações estranhas e inexplicáveis, mas que eu estava adorando ter.

***

Cheguei a escola e encontrei os meninos sentados em baixo de uma arvore. Caminhei ate eles, disse um rápido "Oi" e me sentei no chão também. chegou perto de mim, passou o braço sobre meus ombros, me deu um beijo no rosto e disse:
- Oi preguinha!
- Você 'ta bem? Ta com febre ou alguma coisa assim? Não me diz que você 'ta fumando alguma coisa? Ja sei cheirou shampoo de novo! Ja não falei pra você que é feio fazer essas coisas? - Perguntei em tom de brincadeira, mas eu estava realmente achando estranho. nunca me tratou daquele jeito.
- A gente não pode nem tentar ser simpático que a pessoa já vem com 15 pedras na mão.
- Na verdade o ditado certo são 4 pedras na mão.
- Mas você vem com 15, porque você é foda! - Ele deu aquele sorriso perfeito e lá estava eu sorrindo junto.
- Vou encarar isso como elogio tá.
, e estavam se matando de rir da nossa conversa. Definitivamente eu acho que esses meninos tomam alguma coisa, deve ser aquele café da Starbucks ou então o Muffin. Mas deixa pra lá.
As meninas chegaram logo depois de mim, e eu pude reparar numa certa troca de olhares entre e . Com certeza as conversas de ontem mudaram muita coisa, só que ainda não dava pra saber exatamente como isso iria afetar a amizade entre nós.
- A gente pode assistir o ensaio de vocês hoje? - ja chegou perguntando.
- Oi pra você também, bom dia, como vai? - falou.
- Oi seu chato, agora me diz a gente pode ou não?
- Claro que pode, eu já não tinha dito isso ontem?
- Você disse isso pra , não pra gente.
- É uma animal mesmo, eu disse pra ela porque ela perguntou, mas vocês já estavam automaticamente convidadas.
- Muito obrigada pelo animal.
- De nada, volte sempre.
- A conversa de vocês é tão produtiva... Até me da vontade de chorar com o coteudo filosófico. - falou.
- Deixa as duas crianças se divertirem , num acaba com a graça deles não. - Dessa vez foi que zoou.
- Não to vendo nenhuma criança aqui. Você 'ta vendo alguma ?
- Também não to vendo nada.
O sinal tocou e nós fomos pra sala, estávamos ansiosas pra ver os meninos tocando. Era a primeira vez que eu veria uma banda ao vivo, ta eu sei que não era nenhum show e nem era nenhuma banda famosa. Mas era o ensaio dos meus amigos e isso já fazia toda a diferença.
As aulas passaram se arrastando, mas finalmente estávamos na ultima aula do dia. A Sra. Mackenzie estava falando sobre a Crise de 29, mas nenhum de nós estava prestando atenção, pra minha sorte eu sempre fui boa em História e poderia estudar em casa sem problemas.
Desde ontem eu ainda não tinha conversado com pra perguntar o que ela e tinham conversado. Resolvi aproveitar que , e estavam distraídos conversando sobre o ensaio pra falar com .
- !!
- Fala.
- Fala baixo, é que eu queria te perguntar uma coisa. Tipo ontem você foi atras do pra conversar e hoje eu notei uma troca de olhares entre vocês. Pode me dizer o que aconteceu ontem? - Perguntei com um sorrisinho maldoso.
- Não viaja garota, a gente conversou muito, ele me contou alguns problemas dele e eu tentei dar alguns conselhos mas foi só isso. Num teve troca de olhares nenhuma. Agora nem vem querendo me zoar porque você também foi atras do , pode dizer o que aconteceu.
- Nada muito diferente de você, quer dizer eu encontrei ele chorando. Aí ele m contou dos problemas que ele tem com o pai dele e de que tem um monte de coisas dificultando pra ele ensaiar com a banda. Nós somos muito parecidos, acho que ficamos mais amigos ontem.
- Own que bonitinho!!! também ta com uns problemas em casa, mas nada muito serio. Ele tava um pouco estressado ontem e admitiu que pegou pesadão com o . Mas no fim acho que eu e ele também ficamos mais amigos ontem.
- Own que lindo!!! Só que você quer mais que amizade que eu sei, e o jeito que ele te olhou hoje denunciou tudo!!! Que bonitinho, o primeiro casal do grupo começando a se formar!!! - Para com isso garota! E como assim o primeiro casal do grupo?
- Ainda falta a com o , pensa que eu esqueci deles? Não não, ainda vou juntar aqueles dois.
- E você e também? - disse com um sorrisinho malicioso.
- Ele tem namorada e como eu disse a gente é amigo.
- Da pras duas aí pararem de cochichar porque a aula ja acabou e a gente tem ensaio hoje. - se meteu na conversa me dando um susto.
Saímos da escola e fomos pra casa do andando. Todos nós morávamos razoavelmente perto da escola. foi de braços dados com ) e foi perturbando ) o caminho todo. e foram em silencio, até porque eles não eram de falar muito mesmo.
foi andando do meu lado e o mais estranho de tudo foi Beth nem ter aparecido na escola hoje. Mas eu achei melhor não perguntar. Não queria estragar o clima legal que estava entre nós oito.
Nesse momento eu tinha certeza que nada nem ninguém poderia nos atingir, muito separar. Nós oito éramos como um só.

Capitulo 4 - Nunca Sozinho
(ponha pra carregar Not Alone http://www.youtube.com/watch?v=7iK9kkOzxuw)

Beth's P.O.V On

Acordei as 10:00 H da manhã sem a menor vontade de levantar da cama. Eu sabia que minha mãe ia reclamar de eu não ter ido à escola hoje, mas definitivamente eu não queria ver a alegria dos amiguinhos do indo com ele pro ensaio. Eu nunca vou entender porque o gosta tanto daqueles Três losers, e pra completar agora tem 4 mocréias pra encher o saco também.
desmarcou nosso encontro hoje pra ensaiar com aquela banda nojenta dele. Como ele podia fazer isso comigo? Sem contar que ele contrariou completamente o pai dele fazendo isso. Tem horas que eu acho o tão estupido! Mas tudo bem, eu não ia deixar isso barato mesmo.
Levantei da cama e fui ate o banheiro lavar o rosto e escovar os dentes. Saí do banheiro e fui enfrentar minha mãe e suas estupidas reclamações! Hoje a manhã seria longa, com certeza.
Ja eram 2:00 da tarde e minha mãe finalmente havia calado a boca. Estava na hora de colocar meus planos em ação. Sentei no sofá e peguei o telefone, disquei o numero que eu havia pegado no celular do .
- Alô! - Uma voz masculina atendeu o telefone e eu deduzi que fosse o pai da . Ótimo, eu ja tinha visto ela falar que não se dava bem com o pai mesmo.
- Alô, eu poderia falar com a ?
- A ainda não chegou, quem está falando?
- Ela ja deve ter ido pro ensaio então, Eu sou Beth estudo com ela, mas eu não fui pra escola hoje.
- A sonhorita poderia me dizer que história é essa de ensaio?
- Ah sim, nossos amigos têm uma banda e vão ensaiar hoje, eu achei que poderia ir com ela, mas ela deve ter ido com eles depois da aula. Tudo bem, eu encontro com ela la. Obrigada!!
O pai dela nem sequer me respondeu, depois que acabei de falar ele simplesmente bateu o telefone na minha cara. Parece que alguém vai ter problemas hoje.

Beth's P.O.V Off

Os meninos estavam passando a última musica. Eles definitivamente eram muito talentosos! Eu nunca vou conseguir entender como era possivel que o pai de não quisesse que ele fosse musico?
Como um pai pode querer que o filho desperdice tanto talento? Bom, meu pai também não é o melhor pai do mundo. Acho que ja não se fazem mais pais como antigamente!!
- Agora, a gente tem que decidir a setlist do show - disse depois que a musica acabou.
- Que setlist? A gente só tem essas musicas! - disse sarcastico.
- Eu escrevi uma ontem, ainda não trabalhei muito nela, então não sei se está boa o suficiente pra gente tocar no show. - falou.
- Simples, toca ela que a gente descobre. - falou, pra ele as coisas eram sempre tão óbvias que chegava a ser engraçado.
pegou um violão, que estava encostado num canto da garagem e começou a tocar a musica.
(Coloque pra rolar a Not Alone)

Life is getting harder day by day
(A vida tem ficado difícil dia após dia)
And I, I don't know what to do what to say, yeah
(E eu, eu não sei o que fazer, o que falar, sim)
And my mind is growing weak every step I take
(E minha mente está enfraquecendo a cada passo que eu dou)
It's uncontrolable now they think I'm fake Yeah
(É tão controlável, agora eles pensam que sou uma farsa Sim)

Quando começou a cantar eu podia ver a verdade por traz de cada palavra que ele cantava. A vida dele não estava nada fácil e eu sabia disso, ele tinha confiado em mim para contar.
Eu tinha conquistado a confiança dele e agora eu sentia que poderia ler qualquer pensamento e sentimento nos olhos dele e ele nos meus!! Estavamos conctados.

'Cause I'm not alone ( no, no, no )
(Porque eu não estou sozinho não, não, não)
But I'm not alone ( no, no, no)
(Mas eu não estou sozinho não, não, não)
I'm not alone
(Eu não estou sozinho)

Quando começou a cantar o refrão, senti todo o meu corpo se arrepiar. não estava sozinho, ele sabia disso, e eu também sabia. Ele tinha a mim, tinha os meninos e tinha a Beth.
Só restava saber de quem ele falava na musica. Senti uma pontada no peito quando a possibilidade dele ter feito aquela musica pra Beth passou pela minha cabeça.
Mas que droga! Porque eu estava sentindo essas coisas ultimamente? Porque tinha esse efeito sobre mim? O que estava acontecendo comigo?

And I, I get on the train on my own
(E eu, eu pego o trem sozinho)
Yeah, My tired radio keeps playin' tired songs
(Sim, meu rádio cansado continua tocando músicas cansadas)
And I know thats there's not long to go, oh
(E eu sei que não falta muito para chegar)
And all i wanna do is just go home
(Tudo que eu quero é apenas ir pra casa)
'Cause I'm not alone ( no, no, no )
(Porque eu não estou sozinho não, não, não)
But I'm not alone ( no, no, no)
(Mas eu não estou sozinho não, não, não)
I'm not alone
(Eu não estou sozinho)

People rip me for the clothes,
(As pessoas me criticam pelas roupas)
I wear, yeah yeah
(que eu visto, sim, sim)
Every day seems to be the same
(Todo dia parece o mesmo)
They just swear, yeah
(Eles apenas falam palavrões, sim)
They just don't care
(Eles apenas não se importam)
They just don't care
(Eles apenas não se importam)
They just don't care
(Eles apenas não se importam)

Eu só consegui pensar em uma resposta pra todas as perguntas que se passavam na minha cabeça, e não gostava dela. Eu não podia estar apaixonada por , não ele! Eu definitivamente gostava de sofrer só podia ser isso.
nunca seria meu e mesmo assim eu havia entregado meu coração a ele sem nem ao menos me dar conta disso. Senti meus olhos se encherem d'água e em meu peito parecia que algo havia esmagado meu coração.

I'm not alone
(Eu não estou sozinho)

terminou de cantar e eu limpei o rosto na esperança de que ninguém tivesse visto.
- Dude a música ta otima!!! É só a gente fazer alguns ajustes e dividir os vacais que ta perfeito! - falou empolgado.
- A não sei. Talvez a gente devesse esperar um pouco mais pra tocar essa.
- Ta de sacanegem né?! A musica ta otima, fez ate a chorar. - falou enquanto apontava pra mim. Otimo, ele me pagaria por essa.
- Você gostou ? - perguntou um pouco sem graça.
- É linda! É impossivel ficar mais perfeita. - Falei sinceramente e mantivo os olhos fixos no chão. Senti meus rosto esquentar quando terminei de falar. Provavelmente eu estava roxa de vergonha e as meninas me zoariam por isso.
Um silêncio constrangedor se instalou no ar.
- Err... Vamos passar a música nova então? - quebrou o silencio. Dessa vez ele ta perdoado.
passou a música com os meninos umas duas vezes, e eu ainda estava tentando disfarçar meus olhos marejados sem nenhum sussesso. Quando eles terminaram, nós fomos pra sala da casa de pra ver De Volta Para o Futuro de novo.
Sentei no chão com as costos encostda na sofá. e estavam sentadas no sofá de 2 lugares, , e estavam sentados no sofá de 3 lugares. Depois que todos ja estavam sentados colcou o DVD.
- Espera a gente!! - gritou da cozinha.
- Que que vocês tão fazendo aí? - gritou de volta.
e entraram na sala cada um com uma vazilha cheia de pipoca. se jogou em cima de , e , e sentou ao meu lado no chão.
- Você gostou mesmo da música? - Ele sussurrou em meu ouvido.
- Eu amei a música.
- Bom saber! - Ele deu um sorriso de lado e por um instante achei que o ar tinha sumido.
Depois que o filme acabou todos fomos pra casa, ja era de noite e a rua estava um pouco escura então os meninos se ofereceram pra nos levar em casa. O óbvio aconteceu, levou em casa, levou , foi com ) e comigo.

***

Eu e chegamos a minha casa e paramos na frente do portão.
- Ta entregue.- disse rindo.
- Obrigada.
- Na verdade eu que tenho que agradecer, além de me ouvir ontem, você ainda me inspirou uma música. Então acho que eu te devo uma.
Nessa hora o mundo parou pra mim. Não era possivel, era de mim que a musica falava. Era eu a escolhida pra todas as vezes que ele precisasse, era em mim que ele confiava.
- eu... eu não sei o que dizer - Eu gaguegei.
- Só me diz que gostou da música e que não vai me deixar sozinho, porque eu não vou te deixar sozinha.
- Eu amei a música, eu nunca vou te deixar sozinho e eu preciso muito de você.
- Então é só me chamar que eu venho te buscar. - Ele me deu um beijo no rosto e foi embora. Eu não consegui esconder o sorriso no meu rosto.
Entrei em casa e encontrei meu pai sentado no sofá e minha mãe estava na cozinha.
- Oi pai, oi mãe.
- Onde você estava? - Meu pai perguntou, sério.
- Estava na casa de um amigo da escola, tava todo mundo lá.
- E por acaso esse seu amigo tem uma banda?
- Tem sim, eles ensairam hoje, por quê? E pera como você sabe disso?
- Em primeiro lugar, eu não quero você com esses roqueiros imundos, muito menos enfiada na casa de um deles. Segundo é que não importa como eu sei, o que importa é que você vai me obdecer e a partir de agora só vai sair se eu deixar. E terceiro, você vai me dizer agora o que você estava fazendo com .
- Isso é absurdo !Eles não são imundos, você não conhece eles. Você não pode me proibir de ter amigos. E o é meu amigo.
- Eu sei muito bem quem são seus amigos. Todos eles ja foram suspensos, o tal ja foi detido por invadir a escola pra dar festinhas. E o seu amiguinho ja foi suspenso por vandalismo.
É com esse tipo de gente que você quer andar? É assim que você quer ficar, uma criminosa, uma vandala, uma depravada?
- Eu não sou depravada, olha as besteiras que você ta falando, pai! Você acha que conhece eles, você não sabe nada sobre eles. Você nem ao menos conhece a sua filha, agora você acha que pode falar dos outros? Você não pode fazer isso comigo, não pode estragar a minha quando ela começa a dar certo.
Não concegui segurar e deixei que as lagrimas decessem pelo meu rosto. Era da minha vida que estavamos falando, eram os meus amigos. Droga era o !
- Abaixe o tom de voz pra falar comigo, garota. Eu não vou deixar você acabar com reputação da nossa familia por causa de caprichos adolescentes.
- É só nisso que vocês pensam, na merda da reputação da familia. Se você acabar com a minha vida não importa né! Não esquece que quem acaba com o nome da família é você com essas putas que você pega na rua.
Eu nem ao menos vi, apenas senti o tapa que meu pai deu em meu rosto. Minha bochecha ainda ardia quando ele voltou a gritar comigo.
- Cala a sua boca! Você não sabe do que esta falando, você não sabe nada da vida.
Meu pai me pegou pelo braço e praticamente me arrastou pelas escadas até chegar no meu quarto, depois me empurrou em cima da cama.
- Você não vai mais sair daqui até que eu te ponha em outra escola. Você agora só sai se eu deixar.
Meu pai pegou a chave da minha porta e a trancou pelo lado de fora. Eu levantei e tentei correr antes que ele saisse, mas não deu tempo. Agora eu era uma prisioneira na minha casa.
- ME TIRA DAQUI! VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO COMIGO, ME DEIXA SAIR! - Tentei gritar e bater na porta pra que ele me tirasse de lá, mas nada adiantou.
- MÃE ME TIRA DAQUI! POR FAVOR, MÃE ME AJUDA!
Eu ja estava há quase uma hora gritando e socando a porta, já estava ficando rouca e ele nem ao mesnos se encomodou em me mandar ficar quieta. Quando eu finalmente desisti, eu escorrei devagar pela porta até me sentar no chão.
Ja não conseguia ver mais nada por causa das minhas lagrimas e minhas mãos estavam vermelhas de tanto bater na porta. Quando voltei minha atenção pra realidade, ouvi minha mãe chorando no andar de baixo enquanto meu pai gritava.
- A culpa é sua. - Ele gritou com minha mãe.
- Foi você que deixou ela ficar assim.
- Você não pode me culpar, você nunca esteve presente pra criar sua filha. Você nunca esteve presente pra ficar comigo. Eu cuidei dessa famiíia sozinha.
- cala a boca!
- É assim que você reage toda vez que ouve a verdade. Você não admite que esta errado. Eu devia ter escutado meus pais antes de casar com você.
Nessa hora eu ouvi o barulho de um tapa e tudo ficou em silêncio. Não bastava bater em mim ele, agora, ia bater na minha mãe também. Isso eu não podia permitir.
- PARA COM ISSO! NÃO ENCOSTA NELA SEU CACHORRO! DEIXA A GENTE EM PAZ! VAI EMBORA! - Eu peguei a cadeira do computador e joguei na porta.
- CALA A SUA BOCA AÍ DENTRO! FICA QUEITA PRA NÃO SER PIOR!
Depois daquela ameaça eu não podia fazer mais nada a não ser ouvir minha mãe chorar. Eu estava de mãos atadas. Deitei em minha cama segurando meus joelhos sentindo como se estivesse sangrando por dentro.
Cada pedaço meu doía e eu podia sentir minha alma se esvaindo com cada lagrima que caía do meu rosto. Como podia uma noite começar tão bem e acabar tão mal?
Olhei pro chão do meu quarto e vi minha mochila caída. Na mesma hora uma frase me veio a cabeça "Então é só me chamar que eu venho te buscar." Corri até minha mochila, peguei o celular no bolso da frente e diquei o numero de .

Capitulo 5 - Cumprindo a Promessa

's P.O.V. On

Eu estava na casa de jogando video game, todos os meninos voltaram pra casa dele naquela noite. perdeu mais uma rodada de Fifa pra mim.
- Você rouba muito ). - Ele falou e jogou o controle no sofá.
- Você que é noob. - Eu disse, rindo.
- Mas, eu tenho mais jeito com as garotas que você.
- Tem tanto que ainda num percebeu que a é doida por você.
- Olha quem fala! Você também não percebeu que a é apaixonada por você.
- Num viaja . A é minha amiga.
- Você vai me desculpar , mas eu tenho que concordar com o . Tipo o que foi aquilo hoje no ensaio "Impossível ficar mais perfeita" - se meteu na conversa e tentou imitar a voz da .
- Vocês tão vendo coisa onde não existe. Ela gostou da música, só isso.
- Aham, e eu sou o Papai Noel. HO HO HO - deu uma de intrometido também.
- Por que a gente não volta pro foco, que era o e a ?
- Ta fugindo do assunto ?
- Cala a boca .
- Agora é sério , se você só gosta da como amiga então toma cuidado, porque ela ta gostando de você e todo mundo já percebeu. Vê se num vai brincar com os sentimentos da garota.
- Eu to ligado , e pra falar a verdade eu não sei o que eu sinto por ela. Tipo, quando ela ta perto de mim é como se não faltasse nada sabe. Só que tem a Beth, e putz, dude eu não sei o que fazer.
- Po, será que só eu enxergo o óbvio aqu?. É muito simples: você gosta da Beth? Se a resposta for sim então com a é só empolgação ou coisa parecida. Aí é melhor você ficar na sua. Se a resposta for não então da um pé naquela chata e fica com a que é muito mais legal!
- As coisas não são tão simples . Eu gosto da Beth, mas eu to cansado das palhaçadas dela. Eu gosto da , mas não quero brincar com ela. Ta dando pra entender minha situação?
Nessa hora meu celular tocou. Quando olhei e vi o numero da , sem que eu quisesse um sorriso apareceu no meu rosto.
- É a ! - disse rindo. Fingi não ter ouvido esse comentário e atendi o celular.
- Oi !
- me ajuda!! - Ela pediu num sussurro e com a voz embargada, parecia estar chorando. Eu me desesperei!
- O que aconteceu? Você ta bem?
- Meu pai me trancou no meu quarto, ele me proibiu de ver você e os meninos, falou que vai me mudar de escola. Eu preciso sair daqui. - Agora ela já não segurava mais o choro, mas ainda sussurrava no telefone.
- Fica calma! A janela do seu quarto ta aberta?
- Ta sim.
- Então me espera que eu to indo te buscar.
- Espera , meu pai não pode te ver.
- Fica tranqüila, eu sei o que eu vou fazer. Agora se acalma e para de chorar, eu disse que ia te buscar lembra? Nunca sozinhos.
Ouvi murmurar um uhum do outro lado da linha e então nós desligamos telefone. Os meninos estavam olhando pra minha cara como se esperassem uma explicação. Eu não podia envolver eles nisso, quanto menos gente melhor. Eu teria que tirar ela de lá, sozinho.
- Você não percebeu ainda que a gente ta esperando você dizer o que aconteceu? - falou.
- Eu tenho que ir buscar a só isso.
- E você quer que a gente acredite que é só isso depois do surto que você deu no telefone? - perguntou sarcástico.
- Olha só depois ela explica pra vocês ok? Eu tenho que ir buscar ela urgente.
- A gente te ajuda.
- Nem precisa levantar , quanto menos gente melhor. Deixa que eu vou sozinho mesmo. Mas, eu vou precisar de uma escada emprestada e um carro.
- Escada tem na garagem e o pode emprestar o carro dele. - falou.
jogou a chave pra mim e eu agradeci. Corri pra garagem, peguei a escada e a coloquei amarrada no teto do carro. Dirigi rapidamente pra casa da , não era longe, mas eu tinha que ser o mais rápido possível.
Estacionei o carro na esquina e peguei a escada e fiquei esperando até que todas as luzes se apagassem e a casa estivesse totalmente silenciosa. Depois de mais ou menos uma hora, finalmente tive certeza de que não havia mais ninguém acordado na casa.
Bem devagar e com muito cuidado pra não ser visto fui até perto da janela do quarto da . Subi pela escada e entrei no quarto, encontrei a toda encolhida deitada na cama ainda chorando. Foi como se alguém tivesse dado um soco no peito. Aproximei-me sem fazer barulho dei um beijo na testa dela.
- Eu to aqui. - Sussurrei em seu ouvido.
Ela me abraçou forte e eu sabia que ela não ia conseguir dizer nada tão cedo.
- Vem a gente precisa sair daqui.
Ajudei a se levantar e fomos a direção a janela, descemos pela escada e corremos pro carro. Eu não fazia idéia de pra onde eu a levaria, mas pra minha casa que não podia ser. Depois da casa das meninas seria o primeiro lugar onde iriam procurar.
Eu precisava pensar em algum lugar em que pudesse ficar. Algum lugar em que ela estivesse segura.
- Conta direito o que aconteceu. - Tentei puxar assunto antes de pensar em alguma coisa.
- Quando eu cheguei meu pai me encheu de perguntas, disse que não queria que eu visse mais. Nem você, nem os meninos e as meninas, falou que ia me mudar de colégio e que só poderia sair de casa se ele deixasse. Depois me trancou no meu quarto. Minha mãe tentou me defender, mas não deu muito certo.
Nós passamos perto de um poste e eu pude ver que os olhos dela estavam cheios d'água de novo. Além disso ela tinha marcas nos braços e um grande arranhão no rosto.
- Foi seu pai que fez isso com você, né? Por que você não me contou ...
- Isso foi só porque ele me puxou com força . Não foi nada. - me interrompeu.
- E esse arranhão no seu rosto?
passou a mão pelo rosto, provavelmente ela ainda não tinha visto. abaixou a cabeça e tentou esconder o rosto.
- Eu caí!
Com certeza o pai dela tinha batido nela, eu não era idiota de acreditar que ela tinha caído. Aquele imbecil ia pagar por ter feito isso com ela, eu ia dar um jeito de o fazer pagar. Eu estava tão perdido nos meus pensamentos que nem me dei conta de pra onde estávamos indo. Quando voltei a prestar atenção no trânsito vi que estávamos perto da casa onde morava quando era criança.
A casa estava abandonada e ficava um pouco distante de onde morava. Era o lugar perfeito.
Andei um pouco mais e entrei numa rua sem saída, estacionei o carro em frente a casa e saí do carro. Andei ate o outro lado e abri a porta pra que saísse.
- Onde a gente ta?
- Na casa que o morava quando era criança.
- Por acaso ele vai me deixar ficar aqui?
- Ta todo mundo preocupado com você porque eu saí da casa do sem dizer nada do que aconteceu, eu tenho certeza que ele não vai se importar até porque essa casa ta abandonada mesmo.
- E como a gente vai entrar?
Andei ate a entrada, puxei o vidro pra abrir a janela e entrei, depois consegui destrancar a porta, abri e entrou na casa.
- Tem certeza que não vai dar problema, ?
- Confia em mim.

's P.O.V. Off

***

Eu não podia contar pro que meu pai tinha me batido, muito menos que ele tinha batido na minha mãe. Eu sei que ele não acreditou quando eu disse que caí, mas o que eu poderia fazer? Se eu contasse a verdade ele ia querer voltar e brigar com meu pai e isso eu não podia deixar.
e eu entramos na casa, não tinha nada lá, mas era melhor do que ficar na rua. Subi as escadas e fui até onde seria um quarto, provavelmente o antigo quarto de . Tinha 2 almofadas azuis e um colchonete velho jogados no chão. Pelo menos eu não ia dormir no chão gelado.
- Eu tenho que ir. Tenho que avisar ao pessoal que você ta aqui, trazer colchão, cobertores e comida pra você e devolver o carro ao .
- Você vai voltar amanhã?
- Com certeza. - sorriu e me deu um beijo na testa.
Ele era a única pessoa que me fazia sentir que tudo ia ficar bem. Eu o amava e não podia mais negar isso. Só que eu não podia dizer nada, pelo menos não enquanto ele estivesse com a Beth. Era o meu destino, amar em segredo. Ajeitei as almofadas e o colchonete, fechei a janela por causa do frio e deitei.
A noite seria longa e eu não sei se conseguiria dormir, mas pelo menos agora eu estava a salvo e voltaria pra me ver. Isso era tudo que importava agora. Fechei os olhos e quando o sono e o cansaço começaram a dominar meu corpo senti algo quentinho ser colocado em cima dos meus braços e ouvi de longe uma voz dizer.
- Dorme bem meu anjo.

***

Senti a luz incomodar meus olhos e com muita dificuldade tentei abri-los. Aos poucos fui me acostumando com a claridade. Foi na hora que me dei conta que o casaco de estava em cima de mim. Então eu não tinha sonhado, ele voltou e me cobriu com seu casaco. Não pude evitar um sorriso bobo. Levantei peguei as almofadas e desci até a sala. Joguei as almofadas no chão e sentei.
Não tinha nada pra fazer e meu estomago estava fazendo uma rebelião dentro de mim exigindo por comida.
Levantei e fui conhecer o resto da casa. A cozinha era pequena e tinha uma janela que dava pros fundos da casa. O banheiro ficava no andar de cima do lado de onde eu acho que era o quarto dos pais de . A sala também era pequena e tinha uma lareira, o antigo quarto do ainda tinha as paredes pintadas de azul claro. Com uma boa arrumação aquela casa ficaria bem aconchegante.
Eu olhava o quintal dos fundos pela janela da cozinha, quando escutei um barulho na sala.
- Você tem que aprender a trancar a porta, se não qualquer um pode entrar aqui - disse rindo.
- E com que chave eu faço isso. - Falei também rindo e dando um abraço nele.
- Com essa chave que eu trouxe pra você. Cadê, eu num ganho abraço também não? - falou se fingindo indignado e eu o abracei também.
- Homem carente é uma tristeza - entrou rindo.
- OMG veio todo mundo mesmo. Bando de matador de aula. - Fingi uma cara de reprovação.
- Nem adianta fazer essa cara, se a gente repetir a culpa é sua. A gente só matou aula pra te ver. - falou.
- Não sei se fico feliz ou com medo por isso! - Falei rindo.
- Para os esfomeados de plantão eu trouxe STARBUCKS – disse, e ele entraram na casa cheios de sacolas.
- Ótimo, porque meu estomago já tava me xingando de coisas que eu nem nunca ouvi. - , sempre exagerada.
Sentamos no chão e comemos entre risadas e ouvindo as besteiras que os meninos diziam. Depois as meninas foram buscar produtos de limpeza que estavam no carro do pra limparmos a casa. Passamos a manhã inteira arrumado tudo. Quando finalmente terminamos veio falar comigo.
- , o seu pai foi atrás de você na escola, hoje. Ele falou um monte de besteiras e falou que se você estivesse com a gente ele ia descobrir. Ele deu queixa do seu "desaparecimento" na policia. Uma hora ele vai te achar.
Eu não respondi nada, era óbvio que ele ia vir atrás de mim, e eu tinha que dar um jeito de não ter que voltar pra casa com ele.
- Eu faço 18 no mês que vem, eu só preciso que vocês me ajudem a ficar escondida um mês. Depois que eu for maior de idade eu posso arrumar um emprego e não vou ser obrigada a morar com ele de novo.
- Eu acho que um mês da. Você tem certeza de que é isso que você quer né?
- Tenho sim. Eu não posso voltar pra aquela casa.
me deu um abraço e nós voltamos pra perto do resto da galera. Em um mês eu teria minha liberdade, em um mês eu poderia voltar e tirar minha mãe daquele inferno.

Capitulo 6 – Preciso socar você

Duas semanas haviam se passado, eu não agüentava mais ficar dentro daquela casa vinte e quatro horas por dia. A galera estava fazendo revezamento pra ir me ver. Cada dia um ia, e eles nunca iam em horário de aula pra não levantar suspeitas e não correrem o risco de serem seguidos. Segundo e , não havia contado a Beth sobre o que aconteceu e isso só estava piorando as coisas entre os dois.
Beth não era idiota, ela sabia que ele estava me ajudando. E do jeito que ela me adorava, com certeza estava fazendo tudo pra dificultar as coisas pra ele. Saber que eu estava causando problemas a me deixava triste, mas naquela altura do campeonato eu não podia fazer nada pra ajudar. Eu era uma completa inútil que estava dando trabalho pra todo mundo.
Eu precisava de ar fresco, precisava sentir o vento gelado de Londres bater no meu rosto ao mesmo tempo que o sol mostrava seus tímidos raios brilhando entre as nuvens. Eu estava tentando me concentrar no fato de que meu aniversario estava perto. Eu não sabia se isso daria certo, mas eu precisava tentar. Mas nem mesmo minha esperança de liberdade estava me fazendo esquecer o quanto eu queria sair daquela casa. Se eu passasse mais um dia inteiro sozinha trancada ali, eu enlouqueceria!!
Decidi, por impulso, sair e dar uma volta no bairro, eu não tinha nada a perder, estava longe de casa e ninguém na vizinhança me conhecia. Peguei meu casaco e sai da casa sentido o frio cortante bater no meu rosto e agradecendo mentalmente por isso.
Comecei a andar sem rumo pelo bairro, acabei achando uma padaria e parei pra comer alguma coisa. Logo em seguida continuei andando e encontrei um pequeno parque onde algumas crianças brincavam. Sorri tentando imaginar pequeno correndo por ali. Sentei-me em um baquinho e fiquei observando as crianças. Era estranho ver como elas estavam sorridentes enquanto corriam, ou brincavam no balanço. Eu não tive uma infância assim, geralmente ficava em casa estudando ou ouvindo as histórias dos meus avós.
Eu queria que meu pai tivesse me levado pra brincar, ou que pelo menos tivesse deixado minha mãe fazer isso, mas ele sempre foi manipulador e às vezes parecia que só ele tinha o direito de viver.
Eu estava totalmente perdida em meus pensamentos quando por acaso bati meus olhos em uma figura conhecida loira e baixinha. Levei um susto ao reconhecer Beth e corri pra me esconder atrás de uma árvore antes que ela me visse. Não pude resistir e fiquei espiando o que ela estava fazendo, será que ela havia me descoberto?
Beth estava parada perto do balanço, ela batia os pés no chão impacientemente, parecia estar esperando alguém. Dez minutos se passaram e ela continuava lá, em pé e impaciente. Afinal de contas o que ela estava fazendo ali?
Vi Beth abrir um sorriso quando um homem se aproximou e a abraçou. Aquela vadia estava traindo o ! Demorei alguns minutos até conseguir ver o rosto do o homem que estava com Beth, e quando finalmente consegui ver, me arrependi profundamente.
Senti as lagrimas surgirem e queimarem meu rosto como fogo. Aquele era o MEU PAI!
O ódio crescia dentro de mim a cada troca de caricias entre os dois. Eu não podia deixar barato, eu precisava socar a cara daquela piranha colegial.
Sem ao menos pensar nas conseqüências saí de trás da arvore e fui a direção de Beth e meu pai. Parei atrás dos dois e aplaudi fazendo com os dois me olhassem.
- Linda cena, o casal está de parabéns.
- ! – Meu pai pareceu assustado ao me ver.
- Não precisa se preocupar, eu não quero incomodar os pombinhos.
- O que você ta fazendo aqui, garota? – Beth perguntou sem mostrar nenhuma surpresa com a minha presença.
- Sou eu que tenho que fazer essa pergunta, eu encontro você com o meu pai e você quer saber porque eu estou aqui? Você é ridícula!!
- Você roubou algo de mim e eu roubo algo seu, parece justo pra mim. E eu sempre gostei de homens experimentes mesmo.
A raiva tomou conta de todo o meu corpo e eu já não pensava mais, simplesmente agia por instinto. Sem nem ao menos dar tempo pra que Beth pensasse, acertei um soco em seu rosto, fazendo com que ela caísse no chão. Logo em seguida subi em cima dela e comecei a socá-la freneticamente. 1, 2, 3, 4 socos e senti alguém tentar segurar meu braço. Não olhei quem era, simplesmente me virei e soquei a pessoa que tentou me segurar.
Voltei minha atenção para Beth e continuei socando-a sem parar. Ela tentava reagir puxando meu cabelo, me arranhando e tentando afastar o rosto pra que eu não a acertasse, mas todas as suas tentativas foram frustradas.
Novamente senti alguém me segurar dessa vez pela cintura e me tirar de cima de Bath. Soquei, dei cotoveladas, esperneei até que finalmente me dei conta de que quem me segurava era .
Parei de me debater e comecei a gritar.
- me solta, eu vou matar essa garota!
- Cala a boca , olha a besteira que você ta falando. – falou ainda me segurando.
- você vai voltar comigo pra casa agora. Isso já passou dos limites. – Meu pai falou autoritário, como sempre.
- Quem passou dos limites foi você. Você é um covarde, você destruiu a vida da minha mãe, destruiu a minha. Você acha que pode tudo, acha que tem o direito de controlar a vida dos outros, mas você não pode!! Eu não vou deixar você controlar a MINHA vida. Eu estava com tanta raiva que não chorava mais. Ver meu pai aos beijos com a Beth! De todas as garotas do mundo ele escolheu justo a Beth. E o pior de tudo é saber que ela só fez isso pra me provocar.
Meu pai me olhou com ódio, se abaixou a ajudou Beth a se levantar. Ela estava com o nariz sagrando muito, com certeza tinha quebrado. Meu pai estava com uma mão no olho esquerdo, provavelmente foi ele que tentou me segurar primeiro.
- Vamos sair daqui. – falou e nós fomos embora.

***

Chegamos a casa e eu não agüentei, comecei a chorar. me abraçou pra tentar me acalmar.
- Agora você pode me dizer por que você saiu daqui?
- Eu não agüentava mais ficar aqui sozinha, eu só queria dar uma volta.
- Agora seu pai vai vir te procurar, uma hora ele vai descobrir onde você ta, .
- Eu sei, eu preciso sair daqui.
- Não, você precisa ir pra casa, contar o que aconteceu pra sua mãe. Você não pode a deixar ser enganada assim.
- Se eu voltar pra casa vai ser um inferno.
- Mas você precisa voltar, sua mãe tem que saber.
- Como eu vou contar isso pra ela?
- Eu não sei, na verdade eu também não sei como eu vou contar isso pro .
Nós ficamos ali parados olhando pro nada por um bom tempo, depois juntamos as minhas coisas e me levou pra casa.
Parei e olhei a porta da frente por um bom tempo, respirei fundo pra tomar coragem e abri a porta. Era tudo ou nada agora.

,Capitulo 7 – A verdade pela 1º vez

Abri a porta e dei de cara com meu pai na sala andando de um lado para o outro e minha mãe sentada no sofá. Quando me viu, minha mãe correu e me abraçou, meu pai apenas me olhava serio, enquanto eu sustentava o seu olhar com ódio.
- Ta na hora de contar a verdade nessa casa, pelo menos uma vez. – Eu disse seca assim que minha mãe me soltou do abraço.
- Você vai destruir essa família . – Meu pai falou engolindo seco as minhas palavras.
- A única pessoa que destruiu alguma coisa aqui foi você.
- Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui? – Minha mãe perguntou.
- Seu marido gosta de garotas com idade pra serem filhas dele. A senhora não sabe a cena deprimente que eu presenciei hoje, mãe. Ele aos beijos com a namorada do . Eu juro que não sei de qual dos dois eu tenho mais nojo.
Minha mãe não disse nada, e eu também não quis ficar pra saber se ela diria. Peguei a mochila com as minhas coisas e subi para o meu quarto. Ele estava exatamente do jeito que eu havia deixado, até mesmo a cadeira do computador caída no chão. Fui em direção ao meu rádio e pus System Of A Down pra tocar no ultimo volume. Eu não estava prestando a mínima atenção na musica, eu só não queria escutar os gritos vindos da sala da minha casa.
Sentei na beira da cama e fiquei lá por horas, a musica já havia acabado e eu nem havia me dado conta. Eu estava completamente perdida, me sentia entorpecida pela dor.
Eu precisava saber como minha mãe estava, com certeza as conseqüências do que eu disse haviam sido desastrosas. Eu duvidava que dessa vez minha mãe perdoasse meu pai.
A muito custo eu reuni forças e saí do meu quarto. Passei em frente ao quarto dos meus pais e pude ouvir minha mãe chorando mais uma vez, desci as escadas e pude ver meu pai, também chorando pra minha surpresa, com suas malas saindo de casa.
Eu não fazia a menor idéia de como as coisas seriam dali em diante, eu só sabia que ia sobrar pra mim. Minha mãe com certeza não teria estrutura pra enfrentar isso sozinha, nem eu, mas tínhamos uma a outra e eu teria que ser forte.
Sentei no sofá e deixei todas as lágrimas lavarem meu rosto, eu precisava daquilo, colocar tudo pra fora. Não sei por quanto tempo fiquei ali chorando, mas quando me dei conta já era tarde. Levantei e subi em direção ao meu quarto novamente, quando passei em frente ao quarto da minha mãe estava tudo em silencio, abri um pouco a porta e a vi dormindo. Ela precisava mesmo descansar.
Entrei no meu quarto e fui a direção do banheiro, tomei um longo banho quente e fui dormir também. Amanhã seria um dia longo.

***

Acordei com o barulho do meu celular, não olhei, apenas estiquei o braço e peguei o aparelho escandaloso.
- Alô – Falei com a voz rouca de quem acabou de acordar.
- Você ta bem? – A voz de parecia preocupada. Provavelmente ela já sabia de tudo.
- Acho que sim.
- Você não pode achar que esta bem , você tem que ter certeza. Agora me diz o que aconteceu ontem?
- Eu quebrei o nariz da Beth, depois o me trouxe pra casa, eu contei tudo pra minha mãe e agora meu pai foi embora. Não sei se vai ficar tudo bem, não sei se a depressão da minha mãe vai piorar. Agora sou só eu pra cuidar dela.
- A verdade é que sempre foi só você. – Nisso tinha razão, sempre fui só eu pra tudo.
- E já sabe? – Eu não agüentei e perguntei, eu precisava saber como ele estava.
- O contou pra ele ontem, a gente teve que segurar ele, pra que ele não fosse aí bater no seu pai. Mas um pouco a gente ia ter que amarrar ele.
- Ótimo, ele realmente ama aquela estúpida.
- você esperava o que? Mesmo que ele não gostasse dela, ele foi traído! Se ele não ficasse com raiva eu ia achar que o tem problemas mentais.
- Esquece , eu só pensei alto de mais.
- Você gosta dele. – não precisava perguntar nada. Ela simplesmente sabia tudo antes mesmo que eu falasse pra ela. Das meninas ela era minha melhor amiga.
- Me responde uma coisa, sinceramente? – Perguntei um pouco insegura.
- Claro!
- Você acha que o gosta da Beth?
- Acho que ele já tinha cansado dela, mas tava tendo fazer as coisas darem certo mesmo assim. Isso só foi a desculpa que ele tava procurando pra terminar com ela.
- Isso é bom ou ruim?
- Vamos esperar pra ver. Agora eu preciso ir, você vai pra escola hoje?
- Vou, vejo você e o resto da galera lá então.
- Ok! Beijocas!
Levantei da cama e fui para o banheiro fazer minha higiene matinal, tomei um banho e peguei a primeira roupa que vi no armário, uma calça jeans rasgada nos joelhos e uma baby look dos Beatles. Peguei minha mochila e desci em direção a cozinha. Encontrei minha sentada na mesa da cozinha encarando a xícara de café, coloquei minha mochila a cadeira e depois abracei minha mãe.
- Agora vai ficar tudo bem, mãe! A gente vai cuidar uma da outra.
- Vamos sim, meu amor! – Minha mãe forçou um sorriso triste e eu tentei retribuir sem maior sucesso que ela.
- Senta e toma seu café. Hoje quando você chegar é provável que eu não esteja em casa, vou sair pra procurar emprego. – Meu pai era o único que trabalhava em nossa casa, agora eu e minha mãe teríamos que dar um jeito de nos sustentar.
- Eu posso procurar emprego também, posso ajudar nas despesas da casa.
- Não você vai estudar. Deixa que isso é assunto de adulto.
- Mãe você fala como se eu tivesse 8 anos de idade. – Eu ri da forma como ela falou, parecia que eu era um bebê.
- Você vai ser sempre uma criança pra mim. Isso é coisa de mãe. – Dessa vez ela deu um sorriso de verdade, as coisas pareciam estar começando a se encaixar.
Terminei meu café e me despedi de minha mãe. Quando sai de casa dei de cara com sentado na calçada da minha casa me esperando. Assim que me viu levantou e me abraçou. Não falamos nada, apenas fomos abraçados pra escola.
- Pronta pra enfrentar os olhares de pena? – falou assim que chegamos na escola.
- E você ta pronto?
segurou forte a minha mão, nós respiramos fundo e entramos na escola juntos.

Capitulo 8 – O Primeiro beijo
(Coloque Elvis Presley - The wonder Of You pra carregar) Assim que pisamos no pátio da escola absolutamente todos os pares de olhos se voltaram para nós. Parecia uma cena de filme adolescente, do tipo que a garota loser um dia aparece totalmente linda e todo mundo se assusta com isso.
Mas, eu continuava sendo a garota loser de sempre, e definitivamente não estava linda, e essa era a pior parte. Eu comecei a prestar atenção e tentar decifrar o olhar daquelas pessoas. Alguns pareciam pensar “Antes eles do que eu.” e outros “Tadinhos, tenho pena deles.”
Apenas 6 pares de olhos não nos olhavam de maneira estranha, eles nos olhavam com encorajamento, como se dissessem “Vai ficar tudo bem , nós estamos aqui!” Eu me pergunto como sobrevivi tanto tempo sem amigos, na verdade a pergunta era como eu sobrevivi tanto tempo sem ESSES amigos?
Quando chegamos perto, os olhares encorajadores se transformaram em olhares curiosos, e eu me preparei para a pergunta inevitável.
- Vocês poderiam me dizer o que é isso? – perguntou apontando pras nossas mãos.
- É óbvio! – falou.
- Sem Beth e sem Pai ditador... – falou.
- É igual problema resolvido! – completou.
- Um dia eles vão aprender a ver as coisas de uma maneira mais simples e parar de achar que sempre existe algo nas entrelinhas. – falou fazendo cara de intectual e concordou com um aceno de cabeça.
Antes que eles pudessem dizer mais alguma coisa que me deixasse ainda mais vermelha do que já estava, eu tive uma idéia pra mudar o foco da conversa.
- PARA TUDO! Desde quando vocês concordam em alguma coisa? Ou melhor, desde quando vocês conversam tempo suficiente pra concordar em alguma coisa? – Perguntei com um sorriso vitorioso vendo que tinha conseguido fazer corar.
Era a primeira vez que eu a via corar desde que a conheci. Tinha que aproveitar aquele momento, não sabia quando ia acontecer de novo.
- É verdade, vocês só brigam! – falou com um sorriso malicioso. Ótimo eles esqueceram de mim.
- A gente conversa, só que o nosso jeito de conversar é um pouco mais intenso. – tentou se defender, mas acabou piorando.
- Mas intenso? HÁ, esse é meu garoto! – sempre com comentários desnecessários e fora de hora, fez ficar ainda mais vermelha e todos nós rirmos!
Eu estava feliz de não precisar fingir nada perto dos meus amigos, por mais que tenha sido tudo muito doloroso, parecia que finalmente as coisas estavam nos lugares certos. Tudo parecia certo pra mim.

***

Nós estávamos sentados em baixo da arvore que tinha no pátio da escola. ainda estava zuando e , e eles tentavam ignorar na esperança de que ele calasse a boca. Quando finalmente conseguiu mudar de assunto.
- Dudes a gente tem show no fim de semana e não ensaiou ainda.
- É verdade, a gente podia ensaiar hoje à noite. – disse.
- Dessa vez eu vou!! – Eu falei empolgada.
- É né, da outra vez você não foi! Poxa, você perdeu, foi super. Tinha garota dando em cima do lá. E Dude, ela era gostosa! – contou gesticulando exageradamente com a empolgação.
- Aquela garota tava dando em cima de todo mundo que tinha banda naquele pub. Eu vi ela praticamente se jogando em cima daquele amigo de vocês. – falou visivelmente mal humorada.
- Acho que o James a pegou. – disse.
- Aquela ridícula tava atirando pra todos os lados, eu vi ela jogando beijinho pro quando ele tava tocando. – falou irritada.
- E o pior é que ela tava se achando. Ninguém merece, Beth o Retorno. – Foi a vez de .
- Ótimo, então ela deu em cima de todos vocês? – Eu perguntei ainda mais chateada por não ter ido. Eu teria ido se não estivesse escondida do meu pai enquanto ele dava uns pegas na garota que eu mais odeio no mundo.
- É impressão minha ou vocês estão com ciúme? – perguntou rindo.
- Não tem niguém com ciume aqui. A gente só não gosta de garotas dadas. – disse.
- Eu acho que vocês tão morrendo de ciúmes da gente, mas não esquentem não, porque vocês ainda são nossas fãs preferidas. – falou e apertou as bochechas de .
- Me solta . E será que da pra vocês pararem com a palhaçada não tem ninguém com ciúme aqui, caramba.
- OMG que fãs possessivas nós fomos arrumar! – fingiu drama enquanto todos os meninos riam.
O sinal finalmente tocou e eu e as meninas demos graças a Deus. Mas antes de chegar na sala o inspetor me chamou.
- Senhorita , pode me acompanhar atá a diretoria por favor? – Ele pediu.
- Galera encontro vocês na sala.
Assim que cheguei na sala da diretora ela me disse que minha mãe estava no telefone querendo falar comigo. Peguei o telefone achando aquilo extremamente estranho, minha não ligaria pra escola a menos que fosse algo grave.
- Oi mãe.
- OI filha, escuta eu já falei com a diretora e ela te liberou, eu preciso que você venha até o The Royal London Hospital agora.
- O que?! Você ta bem mãe, aconteceu alguma coisa?
- Eu estou bem filha, não é comigo. Seu pai sofreu um derrame, ele esta internado, mas não corre risco de vida. Ele disse que quer te ver. – Ouvi minha suspirar do outro lado da linha. Minha cabeça já estava rodando. Droga será que a vida não pode me dar um tempo? Só um pouquinho de tranquilidade?
Respirei fundo e consegui responder.
- Eu to indo.
Peguei minha mochila e dei um sorriso fraco pra diretora e o inspetor antes de sair. Corri em direção a minha sala e pelo vidro da porta fiz sinais pra . Ela inventou uma desculpa e saiu da sala vindo falar comigo.
- Olha só, avisa pra galera que eu tive que ir ao The Royal London Hospital porque meu pai sofreu um derrame e cismou que quer me ver.
- Mas ta tudo bem ?
- Ta sim. Ele só ta fazendo drama. Minha mãe disse que ele não corre nenhum risco de vida mas ta internado.
- Ta eu aviso pro pessoal. E quando você sair de lá, encontra a gente na casa do .
- Ta, pode deixar.
Me despedi de e fui em direção a saída da escola. Com certeza esse dia seria longo.
Cheguei ao Hospital e minha mãe estava me esperando na recepção. Tentei decifrar a expressão de minha mãe, mas ela não passava nenhuma emoção. Na verdade ela parecia entediada.
- Oi mãe.
- Oi ). Seu pai ta no quarto, vem ele quer ver você.
- O que ele quer mãe?
- Fazer drama. – Minha mãe respondeu fazendo uma careta.
Cheguei na porta do quarto onde meu pai estava. Parei e respirei fundo, eu ja conhecia muito bem os dramas do meu pai, e as chantagens emocionais dele já não funcionavam mais comigo. E pelo que eu vi nem com a minha mãe.
Abri a porta e entrei devagar no quarto. Meu pai me olho nos olhos e eu senti meu corpo estremecer. Ele nunca me olhava nos olhos. Fingi não me abalar com a nova tática do meu pai pra me sensibilizar e permaneci o encarando também.
- Pode dizer o que você quer.
- Eu só queria pedir desculpas. Eu sei que você não vai me perdoar, então não vou tentar te convencer. Só queria que você soubesse que eu me arrependi de verdade dessa vez.
- Era só isso? – Eu disse seca.
- Sim.
- Então tchau e melhoras pra você. – Virei as costas e saí do quarto, senti um nó na garganta, mas prometi pra mim mesma não me deixar abalar por isso. Encontrei minha mãe no corredor e fui falar com ela pra nós irmos embora.
- Falou com ele. – Minha mãe perguntou.
- Falei, e pra variar o drama dele não me comoveu. Vamos embora agora Mãe? Eu odeio Hospitais. – Falei me sentindo estranha. Hospitais tem um atmosfera pesada e isso me incomodava.
- Você pode ir, eu vou ficar. Ele pode ser o que for, mas ainda é o pai da minha filha e eu prometi que era até que a morte nos separe.
- Você as vezes é boa de mais.
- Um dia você vai me entender.
Dei de ombros e logo em seguida me despedi da minha mãe e saí do Hospital. Eu estava parada no ponto de ônibus e as palavras de minha não saiam da minha cabeça. “Até que a morte nos separe.” Não deveria existir esse tipo lealdade a alguém como meu pai.
Porque a única explicação que eu conseguia encontrar era essa, lealdade. Era melhor do que acreditar que minha mãe ainda amasse meu pai depois de tudo que ele fez.
Mas dizem que o amor perdoada tudo né? Eu espero nunca precisar entender como!
Quando cheguei na casa de os meninos estavam na metade do ensaio.
- E aí , o que aconteceu? – perguntou após a musica acabar.
- Meu pai queria fazer drama, só que comigo não cola mais.
- Deixa isso pra lá, a gente fez uma musica nova. Ta afim de ouvir?
- Ahhhh quero sim!!!! – Eu disse com uma animação exagerada e riu.
- Ta então começa estalar os dedos.
- Pra que?
- Cala boca e faz o que ele ta falando, é legal você vai ver! – brigou comigo.
Nós começamos a estalar os dedos e a musica começou.

You don't have to have money
To make it in this world
You don't have to be skinny baby
If you wanna be my girl
Oh you just got to be happy
But sometimes that's hard
So just remember to smile, smile, smile
And that's a good enough start


tinha razão era realmente legal acompanhar a musica estalando os dedos. O ensaio seguiu e depois todos fomos embora. Eu não estava com um humor dos mais agradáveis hoje, apesar de ter passado o dia bem. Ainda tinha algo que me incomodava e eu não sabia como resolver.
Eu disse que nunca seria meu enquanto ele tivesse a Beth. Mas como e disseram, não tem mas Beth. Mas o não falou nada, na verdade nem tentou.
Ele ainda deve estar chateado com essa historia toda, afinal ele descobriu isso ontem!
Mas se ele gostasse de mim ele teria tentando alguma coisa, não teria? Como as coisas podem ser tão simples pra alguns e tão difíceis pra outros? E por que EU tinha que estar no grupo dos complicados?
Eu nem tinha reparado que já estava chegando em casa até ouvir alguém me gritar. Me virei pra ver quem era, e vi correndo pra me alcançar.
- Você tem que ir pra casa agora? – perguntou assim que me alcançou.
- Não necessariamente, porque?
- Ta afim de da uma volta?
Senti meu coração disparar com a pergunta. Eu estava perdida em pensamentos, tentando descobrir porque ele não tinha falado nada e agora ele estava me chamando pra sair. Ok Deus, o senhor existe eu sei!!!
- Ta, vamos. – Foi a única coisa que eu consegui dizer. Se tentasse mais alguma palavra, provavelmente gaguejaria.
Nós começamos a caminhar na direção oposta a minha casa e um silecio desconfortavel se instalou.
- Posso fazer uma pergunta? – quebrou o silencio.
- Você já ta fazendo uma pergunta, mas vai, pode sim! – Falei rindo.
- Ta bom, engraçadinha. Vou deixar passar essa.
- Você disse a mesma coisa quando a gente se conheceu.
- É verdade, então na próxima eu não vou deixar passar só porque você roubou meu lugar. – Ele disse rindo com a lembrança de 2 mês atrás.
- Eu não roubei seu lugar, mas vamos deixar isso pra lá.
- Eu por instante achei que você ia falar que não tinha meu nome na mesa. – dessa vez ele gargalhou.
- Vamos deixar isso pra la.
- Há, agora você ta querendo mudar de assunto né, só porque você ficou toda sem graça quando viu meu nome na mesa. – começou a fazer cosquinhas em mim enquanto eu gagalhava e tentava em vão faze-lo me soltar.
- PARA , ME SOLTA!
- Nem pensar, só depois que você admitir que roubou meu lugar.
- ME SOLTA, EU TO FICANDO SEM AR!!
- Então admite!
- TA, TA!
Ele parou de fazer cócegas em mim e as risadas foram cessando aos poucos. me encarou por alguns segundos que pareceram eternos e eu senti minhas pernas estremecerem.
- Você ainda não fez a pergunta. – Eu disse tentando disfarçar a voz fraca.
- Você já beijou alguém antes?
Nessa hora eu fiquei sem ar. Será que ele sabia que eu nunca tinha beijado ninguém?Será que estava estampado na minha cara “Oi tenho quase 18 e nunca beijei ninguém!” continuou fitando meus olhos enquanto esperava pela minha resposta e eu senti tudo a minha volta rodar.
- Po-po-por que você quer saber isso?
- Me responde, vai!
- Não. – respondi engolindo seco.

(Coloque a música pra tocar)

abriu um sorriso que eu não consegui decifrar. Os olhos dele estavam mais intensos do que nunca e aquilo estava me deixando cada vez mais tonta.
- Fecha os olhos. – Ele pediu.
Eu não consegui falar nada, apenas fiz o que ele mandou. Eu comecei a me sentir um pouco tonta por causa da falta de ar e minhas mãos suavam frias. Meu coração parecia que ia sair fora do peito de tão forte que batia.
Eu já não escutava e não via mais nada. Eu nunca tinha sentido aquelas coisas antes. Como ele conseguia fazer aquilo comigo, Tomar conta dos meus sentidos e bagunça-los daquele jeito?
O rosto de estava a centímetros do meu, e ele começou a se aproximar ainda mais. Lentamente eu sentia a respiração dele bater mais forte no meu rosto, uma corrente elétrica começou a passar por todo o meu corpo me fazendo arrepiar quando eu senti a boca dele encostar levemente na minha.
Meu coração já estava quase explodindo de tão desesperadamente que batia.
- Eu vim aqui hoje pra te dizer que eu não sei porque, mas você me faz sentir coisas que ninguém nunca me fez sentir antes e eu gosto disso. Eu não sei o que ta acontecendo comigo, mas eu sinto que preciso de você cada dia mais. - sussurrou sem desgrudar os lábios dos meus.
Assim que terminou de falar começou a aprofundar o beijo lentamente. O beijo lento e suave em pouco tempo se tornou mais desesperado, como se estivesse esperando a muito tempo pra acontecer e agora quisesse resgatar o tempo perdido. Nossas línguas brincavam uma com a outra e eu podia sentir nossos gostos se misturarem.
Passei meus braços em volta do pescoço de e ele me apertou contra seu corpo. As mãos de passeavam pelas minhas costas e eu entrelacei meus dedos em seus cabelos. Naquele momento eu não precisava de mais nenhuma resposta.
Não importava mais nada, eu só precisava saber que ele se sentia do mesmo jeito. Eu só precisava senti-lo perto de mim e tudo ficaria bem. Eu só precisava dele e isso bastava pra mim.




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N/A Olaa amores!!! Como vcs estão? Bom esse capitulo foi meio pra enche linguiça. Mas eu espero que vcs tenham gostado!!! XD
Vc deixou a e o sem graça!! hahaha Menina esperta, consegiu algo quase impossivel e ainda se safou da conversa!!
Mas será que tem alguma coisa rolando entre os dois???? Veremos nos proximos capitulos. (ficou tão frase de locutor de novela haha)
O é MUITO fofo!!! Esse beijo foi uma das primeiras coisas que eu escrevi, mas era num contesto totalmente diferente. Só não vou contar como era pq pretendo usar as coisas que escrevi mas pra fernte!! XD
Ahh espero que vcs tenham curtido a musica do Elvis!! Nossa eu amo essa musica, acho ela linda e romantica de mais!! Fora a voz do Elvis que é TUDO!!
Será que o pedido de desculpas do seu pai foi verdadeiro? Ou foi mais um truque pra manipular vc e sua mãe? Alguém tem um palpite?
E a Beth que não apareceu na escola heim? Será que ela não queria mostrar seu nariz quebrado em publico, ou será que ela ta aprontando mais uma?
Vou parar pq ja deixei vcs com um monte de duvidas hahahaha
Bom eu não vou responder os comentarios hoje porque ja são 00:27 e eu não tenho muito tempo pra ficar aqui no Pc, prometo que na proxina N/A eu respondo todos XD
Quero aproveitar que falei dos comentarios e mais uma vez agradecer a todos vcs pelos comentarios lindos e divos!! Vcs são D+++ XD
Me desculpem pela demora nas ATTs, mas eu estou enrrolada com trabalho, aulas de violino (me preparando pro vestibular de musica ^^) e curso de Inglês!!!
Me desejem sorte!!! XD
Agora alguns assuntos OFF: >SPOILER DO FILME ECLIPSE< AHH fui na estreia de Eclipse, eu tava cheia de espectativas pq esse é meu livro preferido e foi por causa dele que eu me tornei fã da Rose e do Jasper.
Acabou que a historia deles foi super mal contada, fora as lendas Quileutes que tbm foram mal contadas. E eles nem citaram os Denali, ou seja, eles vão cair de paraquedas no proximo filme né?! ¬¬
Enfim, me decepcionei com o filme :'( Mas ainda assim sou fã da Saga!!! XD >FIM DO SPOILER HAHA< Agora outro assunto super divo, os meninos estão gravado clipe novo WOO HOO XD E pelo que parece eles vão estar super sexys com estilo Bad Boy!!! hahaha
Vou babar litros hahaha Mas serio gente, eu to tão ansiosa pelas musicas novas *O* Vou ter um treco se não lançarem logo!!!
E por falar em musicas novas, o nosso querido Bourne, James Bourne voltou com tudo!!! Deem uma olhadinha no site James Bourne BR pra ver os videos do 1º show do nosso Future Boy (que pegou a loira oferecido no show que vc perdeu pq tava fugindo do seu pai haha)
Demorei tanto pra ATT que esses comentarios off ja deixaram de ser novidade a muito tempo hahahaha
Bom agora eu me vou amores pq minha N/A ja virou quase um livro hahaha
Se quiserem me sigam no twitter @JessBritish
Beijocas e See Ya!!! =**



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