Love music
Autora: Gijoca Z. G.
Status: Em Andamento
Revisada por: Tepy Loyola
Categoria:Hot fic
Sub-Categoria: Long fic/Romance
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CAP I
- Terra chamando , hello! – me deu um pedala e eu gemi de dor.
- Ai, , um dia você vai afundar o meu crânio e furar o meu cérebro com esses pedalas agressivos! – dei leves carinhos em minha nuca enquanto fazia cara de dor.
- Você é sempre tão dramática... – ela revirou os olhos, colocando sua mala na carteira ao lado.
- Isso porque você nunca se deu um pedala para sentir a dor que causa. – balancei a cabeça tentando ignorar a dor constante e voltei a fazer as anotações da aula de Geometria (me esforçando a não me matar durante o processo). Tentando mudar de assunto, perguntei – Mas me diga: por que você resolveu dar o ar da graça somente após a primeira aula?
Ela sorriu, olhando para cima e mordendo o lábio inferior.
- Não fui só eu que chegou tarde hoje. – ela apertou os olhos firmemente.
Franzi o cenho tentando entender a sua linha de pensamento quando eu finalmente me toquei do que ela dizia.
- OMG, sua cachorra! Quer dizer que só porque temos um baterista novo, você já tem que "estreá-lo"? – ela riu com isso, mas ficou totalmente vermelha.
- Ah vá... é gato demais de se jogar fora. E, além disso, ele já está na banda há dois meses.
- É por isso que você não estava atendendo ao telefone... – pensei em voz alta a ignorando completamente – Juro, da próxima vez que fizer uma coisa dessas sem me avisar, eu arranco seus cabelos tingidos e ainda uso de casaco!
- Agora sim estou com medo. – ela fez tom de deboche e nós rimos como loucas até o prof. de História, Mr. Thompson, entrar e dizer com sua voz anasalada para ficarmos quietos, "seus pestinhas fedorentos!".
Nossa como eu sou mal educada! Prazer, meu nome é , mas pode me chamar de ( é só para os íntimos, ok? Beijo me liga ;o). Eu sou o que as pessoas chamariam de "patricinha revoltada", ou seja, uma garota que tem os pais podres de rico (os dois são médicos, então não param em casa), mas não se exibe por aí fazendo milhares de compras e usando somente roupas de grife. E para juntar ao pacote, ainda tenho uma banda de rock. Bem, não é bem de rock, porque cada integrante tem opiniões musicais tão diferentes que temos que misturar todos os estilos nas nossas músicas!
A ( ou para os íntimos como eu e, aparentemente, ) é a back vocal, guitarrista e a tecladista; Camilla (Camii) é a back vocal e guitarrista também; (o nome dele na verdade é , mas ele fica puto quando o chamamos assim, então o chamamos de ou ) é o baterista; () é o vocalista masculino e baixista; e enquanto a moi (mim), eu sou a vocalista feminina e compositora (isso quando não tocamos canções de outros artistas).
Eu e estudamos na mesma escola (3º ano é o pesadelo pessoal de qualquer um, acredite), enquanto Camii estuda em outro colégio no 2º ano e e fazem, pela segunda vez consecutiva, cursinho para tentarem entrar na facul. É mole?
Mesmo sendo meio burrinho (só tô zoando, ok?), ele conseguiu me conquistar com seu jeito fofo e ganhou o título de "namorado da esquisitona" (esta seria eu), o que cria vários suspiros e comentários envolvendo "que desperdício de homem" e "eu mataria aquela vadia se pudesse".
Mas eu não as culpo, porque é realmente O cara. Tipo imagina um deus grego com uma camisa e uma bermuda que marcam todos os seus músculos definidos (conquistados com muito esforço na academia, ele me disse) e um sorriso branco que rouba suspiros por onde passa. Imaginou? Então você acabou de imaginar em pessoa.
- Aposto que está pensando em de novo. – me acordou da brisa praticamente mortal em que me encontrava anteriormente. Acredita que eu "viajo" tanto que eu nem percebo quando a aula acaba?
- Não... – tentei disfarçar sentindo meu rosto queimar – Mas não tente mudar de assunto, mocinha! COMO É QUE FOI?
- Depois sou eu que quero mudar de assunto. – ela riu com gosto. Ela era minha amiga desde que entrara na escola na 4ª série, então nunca mais nos separamos. Meio lésbico, né? – Porém, como eu sou muito boazinha, eu te conto tudo.
Nós estávamos saindo da sala para aproveitarmos os 5 minutos que tínhamos antes da próxima aula começar (Literatura, mas ninguém quer saber disso, não é mesmo?) e para a me contar a história sem fofoqueiros de plantão ficarem escutando, quando alguém esbarrou em meu ombro com MUITA força.
- EI, OLHA PARA ONDE... – comecei a gritar totalmente estressada com a falta de atenção do futuro defunto, mas eu travei quando vi seu rosto. Era um cara, aparentemente, alguns anos mais velho, mas sua blusa preta, seus jeans surrados e All Stars pretos o deixavam parecendo mais jovem (além de deixar transparecer seus músculos totalmente apetitosos); seus cabelos bagunçados e escuros exalavam um cheiro gostoso mesmo para aqueles que estavam a milhares de distância dele (ou era impressão minha?); sua pele era clara e parecia macia; seus olhos, o que mais me chamou atenção, eram intensos e me encaravam com uma expressão preocupada e algo a mais que eu não consegui identificar. O que eu achei estranho, pois eu sempre fora boa em interpretar os olhos das pessoas. Aquele estranho era tão misterioso em tudo que eu já me sentia presa a ele; como se nossos futuros estivessem entrelaçados, de alguma forma.
Peraí. Que merda eu to falando?
- Me desculpa. Eu... Andava distraído. – ele gaguejou levemente e esticou a mão para me levantar (eu já disse que tinha caído no chão com o "golpe"?), a que eu aceitei, apesar de sentir fortes choques elétricos com o contato de sua pele.
- Sem problemas. – minha língua parecia querer se enrolar e eu engoli em seco.
- Bem... Até... – ele levantou uma sobrancelha.
- . – sorri tímida, algo que sempre faço quando conheço alguém novo.
- Prazer. – ele pareceu engolir em seco e sorriu (um pouquinho forçado, pelo que pude perceber), então se virou e foi embora.
Agradeci quando recomeçou a falar; assim ela não perceberia que as minhas pernas tremiam sem parar.
- OMG, você sabe quem acabamos de conhecer? – ela olhava para mim esperando algum tipo de reação meu. Eu somente balancei a cabeça – !
- Quem? – franzi o cenho.
- É o novo professor de música do Ensino Fundamental II. Jorge foi embora. – ela fez uma careta relembrando do nosso antigo professor careca e fedorento - Parece que ele estava dando "aulas particulares" a uma aluna e foi embora – ela fez aspas com as mãos. Eu não me surpreendi por esta notícia: todos sabiam de suas "aulas".
- Mas como você soube desse... ? – só de falar o seu nome meu coração dava piruetas. Eu não sabia se eu deveria gostar ou não deste sentimento.
- A escola inteira está falando nele. Você só não sabe por que não se interessa pelas notícias dessa porcaria de escola... – isso era verdade – Já para mim, é praticamente impossível não saber dessas coisas, já que minha mãe é uma das presidentes daqui. – ela fez outra careta engraçada e eu não pude deixar de rir, mesmo que fracamente.
- O que acaba sendo bem útil, vai... – o que eu dizia era verdade. A banda não tinha um lugar privado para fazer os ensaios, então tivemos que pedir a escola para todos os dias, logo após o término das aulas da manhã, usar o palco de teatro por 2 horas. Logo eles escolheriam algum dos professores para ficar de olho em nós para que não fizéssemos alguma besteira e acabássemos quebrando alguma coisa.
- É verdade. Tem que ver o lado bom das coisas... Se não fosse pela minha mãe, eu provavelmente ainda estaria no mini maternal. – eu não consegui deixar de gargalhar nesta hora.
Quando parei de rir, me contou toda a história, porém eu não consegui prestar a mínima atenção nela. Por mais que ela fosse a minha amiga e eu a amasse, eu não poderia me esquecer (mesmo que quisesse) dos olhos do professor . Sei lá... Eles pareciam como ímãs para mim: não saíam de minha cabeça. E eu sabia que não sairiam tão cedo...
Aliás, eu sentia, com um calafrio em meu corpo, que um desastre estava prestes a acontecer em minha vida. Mesmo assim, eu sorri. Quem sabe esse futuro "caótico" não animasse as coisas um pouquinho?
CAP II
Mais um dia de tortura (leia-se: escola) se passou e eu me encontrei, pela milionésima vez, pensando nos “dotes” físicos do novo professor de música.
“FUCK! Por que eu não consigo tirar ele da minha mente?” me perguntava enquanto balançava a cabeça e fingia escutar decidindo qual seria a próxima cor de seu cabelo.
Nós estávamos sentadas no chão em frente à sala de teatro. O sol, tímido entre as nuvens, iluminava nossos rostos ligeiramente, mas o suficiente para eu franzir os olhos e não conseguir ver quem se aproximava.
- Buh. – sussurrou em minha orelha esquerda. Ele viera por trás de mim e abraçava a minha cintura com certa delicadeza, enquanto suas grandes mãos brincavam com a barra de minha blusa da Abercrombie.
Antes que vocês perguntem, a resposta é não. E para aqueles que não sacaram qual é essa pergunta, é o seguinte: eu ainda sou virgem. Eu só estava com há uns três meses e eu ainda não estava pronta para me entregar a ele ainda.
É nessas horas que eu vejo o quanto ele pode ser carinhoso e paciente.
- Como estão as madames? – perguntou com um sorriso tão grande no rosto que a olhou para o chão parecendo um tomate. Ele carregava a sua habitual mochila desgastada enquanto ele subia os cinco degraus do pátio e cheirava e beijava o meu pescoço. Eu fechei os olhos e gemi bem baixinho.
- Parece que a nunca esteve melhor. – a começou a rir e eu mostrei a minha língua para ela.
- Bobona. – abri os olhos, tirando os braços de e me levantando ao mesmo tempo. Ele fez um biquinho se levantando também e tudo o que pude fazer foi apertar a sua bochecha e rir com gosto.
- Vamos pombinhos? Nós não temos o dia todo. – realmente sabe quando ser chato nas piores horas. Ele mostrou a língua para nós em uma careta, porém quando olhou para , ele sorriu amavelmente. Mais uma vez, minha amiga ficou totalmente vermelha.
- Ei, não estão se esquecendo de alguém não? – nos viramos ao escutar a voz de Camii: ela vinha correndo com a bolsa de escola pendendo ao seu lado e ela ofegava como tivesse corrido na maratona. - Tem que ser mais rápida, baixinha. – só riu quando Camii socou seu ombro. Era lógico que ele estava brincando, afinal: a escola dela ficava praticamente do outro lado da cidade! - Chega de papo e vambora, cambada de preguiçoso! – fui abrindo a sala e entrando enquanto falava; liguei a luz e já me dirigi ao palco.
- Baixou a chefona agora. – tudo o que fiz foi revirar os olhos com o comentário desnecessário.
Coloquei minha mochila em um canto, pegando a pasta com todas as músicas que tocávamos (tanto as compostas por mim quanto as famosas).
- Ok, por qual vocês querem começar? – perguntei enquanto eles ainda pegavam suas pastas de suas devidas mochilas.
- Ah, sei lá. Escolhe uma aí. – balançou os ombros e eu revirei os olhos. Típico de homem agir como se nada fosse mais importante do que o próprio nariz.
Não me levem a mal, mas eu não AMO ele. Eu só gosto, tipo, ele seria um ótimo amigo e tals se ele não fosse tão gostoso e se ele não beijasse bem pra caramba (além de ter A pegada). Então, até chegar o dia que eu vou me enjoar definitivamente dele (tem dias que eu simplesmente não agüento mais ele, mas eu logo me arrependo e tento me esquecer do assunto), eu vou continuar o xingando mentalmente, porém sem deixar de pegá-lo ao mesmo tempo.
- Ok, você que pediu. – se virou para mim sem entender (com a sua expressão fofa de confusão, a qual ele faz praticamente 24 horas por dia) – Podem pegar “Girls Just Wanna Have Fun”, por favor? – eu me deliciei ao vê-lo bufar logo em seguida.
ainda ria enquanto se posicionava no palco com a sua guitarra e o microfone a sua frente. Eu só a encarei com o olhar de “Pois é eu sou demais!”.
(Música: Girls Just Wanna Have Fun – versão da Miley Cyrus)
Quase automaticamente senti a música me preenchendo. Sorrindo, comecei a cantar:
I come home
(Eu chego em casa)
In the morning light
(Á luz do dia)
My mother says
(Minha mãe diz:)
When you gonna live
(Quando você vai viver)
Your life right
(sua vida decentemente?)
Oh mother dear
(Oh mãe querida)
We're not
(Nós não somos)
The fortunate ones
(os únicos afortunados)
And girls
(E garotas)
They wanna have fun
(Elas querem se divertir)
Oh girls
(Oh garotas)
Just wanna have fun
(Só querem se divertir)
Às vezes eu penso que sou louca, sério mesmo (ok, não é “Às vezes”). Quando teve a pausa para os instrumentos tocarem, eu comecei a dançar! Assim, do nada! E olha que não é uma cena muito bonita de se presenciar... Digamos que eu nunca fui uma dançarina do ventre...
The phone rings
(O telefone toca)
In the middle of the night
(No meio da noite)
My father yells
(Meu pai grita)
What you gonna do
(O que você vai fazer)
With your life
(Com a sua vida?)
Oh, daddy dear you know
(Oh, papai querido, você sabe)
You're still number one
(você ainda é o número um)
But girls
(Mas garotas)
They wanna have fun
(elas querem se divertir)
Oh girls just wanna have
(Oh, garotas só querem se...)
Eu mantinha os olhos fechados o tempo todo, sentindo somente a música. Nunca soube direito o porquê, mas sempre achei que os artistas que cantam com os olhos abertos não sentem a música do jeito que deveriam. Por isso eu tento sempre deixá-los fechados, para torná-la mais verdadeira.
(Refrão)
That's all they really want
(Isso é tudo que elas realmente querem)
Some fun
(Alguma diversão)
When the working day is done
(Quando o dia de trabalho está feito)
Girls
(Garotas)
They wanna have fun
(Elas querem se divertir)
Oh girls
(Oh garotas)
Just wanna have fun
(Só querem se divertir)
Cantando, senti algo que eu não deveria estar sentindo: olhares cuidadosos e observadores sobre mim. Ignorei essa impressão, pensando que fosse alguém da banda, então só continuei a cantar e a dançar.
Some boys
(Alguns rapazes)
Take a beautiful girl
(Pegam uma linda garota)
And hide her away
(E a escondem longe)
From the rest of the world
(Do resto do mundo)
I want to be the one
(Eu quero ser aquela)
To walk in the sun
(A caminhar no sol)
Oh girls they wanna have fun
(Oh garotas, elas querem se divertir)
Oh girls just wanna have
(Oh garotas, só querem se...)
(Refrão)
They wanna have fun
(Elas querem se divertir)
They wanna have fun
(Elas querem se divertir)
...
Olha, eu vou te dizer uma coisa: se eu soubesse o que aconteceria depois que eu terminasse de cantar, eu juro que nem teria me levantado da cama naquela manhã!
Eu ainda sorria que nem boba poucos segundos antes de alguém começar a bater as palmas quando os instrumentos pararam de tocar. Estranhando esse comportamento (porque nenhum de nós jamais aplaudia após tocar uma música), abri os olhos e, para o meu horror, eu vi quem eu menos queria ver naquele momento.
.
- Eu não sabia que nessa escola havia artistas de verdade. Estou impressionado. – fitava a todos enquanto falava, porém, no final, seus olhos se fixaram somente em mim e adquiriram um brilho diferente ao me fitarem.
Continuei congelada onde estava.
- E quem é você? - me agarrou pela cintura, assumindo uma voz ameaçadora e anormal.
- Se acalme. – sussurrei com medo do que poderia fazer e sorriu.
- , novo professor de música do fundamental. Fui o sortudo designado a acompanhar os seus ensaios na sala de teatro. – ao contrário do que pensei que teria, não tinha nenhum tipo de sarcasmo em sua última frase. Eu engoli em seco – Felizmente eu não vou ficar com dores de cabeça no final das tardes, pelo visto, pois vocês são realmente muito bons. – ele me fitou novamente – Principalmente você, . Você tem um talento em tanto. Deveria investir nisso.
- Obrigada. – sussurrei, mas me interrompeu.
- Por que você acha que temos uma banda? Para brincarmos de casinha? – sentia seu braço me apertar com mais força – E para você, é Srta. . Entendeu?
Meu Deus, esta seria uma ótima hora para jogar um raio em cima de mim, dá para ser?
- Eu só a chamarei assim se ela desejar. – em nenhum momento ele retirou os olhos de mim – E então?
Por que eles tinham que me encurralar contra a parede? Até parece que eu poderia lhes dizer, neste momento, que ele poderia me chamar até pelo apelido enquanto geme bem próximo ao meu ouvido...
Céus... Eu realmente preciso de terapia.
- Por que agente não deixa de gayisse e se apresenta? – a interrompeu e eu desejei me ajoelhar aos seus pés e agradecê-la eternamente – Meu nome é , mas me chama de . – ela sorriu – A você já conhece, o grandão é o , o baterista é o – ele acenou de onde estava ao ser mencionado – e a baixinha...
- Eu sou a Camilla, mas eu prefiro Camii. – ela sorria e piscava de forma estranha enquanto apertava a mão de . Foi quando eu me toquei:
Todos os dias, por exatamente duas horas, eu estaria na presença daquele que eu não consigo tirar da cabeça nem com macumba (não que eu já tenha tentado, mas você entendeu o espírito da coisa)!
E eu pensava que as coisas não poderiam ficar piores (por que eu nunca acreditei na Lei de Murphy mesmo?)...
CAP III
Eu tentei, eu juro por tudo o que é mais sagrado nessa vida, que eu tentei ignorá-lo. De verdade.
Mas só a presença dele naquele salão já me deixava nervosa. Será que era porque eu sentia o seu olhar detalhista sobre mim? Será que era porque eu conseguia sentir o seu perfume mesmo a vários passos de distância?
E porque eu estou me fazendo tantas perguntas cretinas?
- , você está me deixando preocupada agora. – só acordei de meus pensamentos quando se dirigiu a mim com o cenho franzido. Percebi, enquanto bufava para mim mesma, que eu tinha perdido a minha entrada na música. De novo – O que foi?
- Não aconteceu nada. – sorri amarelo esperando que fosse convincente o suficiente – Eu só estou um pouco cansada. Eu acho que é melhor ir para casa e descansar um pouco.
- Então vamos dar por encerrado por hoje que eu te levo para casa. – fitei com uma expressão incrédula no rosto, já que ele sabia que minha casa não ficava muito longe da escola.
- Não precisa, . E, além disso, você sabe que meus pais não gostam que eu ande de moto... – infelizmente para mim, que amava motos de paixão, essa era a cruel realidade da minha vida.
- E eu não vou deixar você andar sozinha na rua desse jeito. – ele pegou as minhas coisas do chão enquanto arrumava as suas coisas e me encarava decidido. Eu suspirei derrotada.
- Ok, então vamos, né? – Camii resmungou, irritada provavelmente por ninguém ter perguntado a ela sua opinião. Mas eu estava com coisas de mais na cabeça naquela hora para ficar me preocupando com aquilo, apesar de ela ser minha amiga.
Seguindo com para saída, percebi pela primeira vez que não estava ali. Aonde ele havia se metido? Por mais que eu evitasse, meu cérebro trabalhava constantemente, tentando descobrir sobre o desaparecimento do professor .
- Me liga, sua mala! – gritou à distância, já que conversava animadamente com e não parecia disposta a sair dali tão cedo. Ainda iria rolar muita coisa entre esses dois...
- Tá rindo do que? – me estendeu o capacete, já posicionado em sua bela Suzuki.
- Esses dois ainda vão namorar, você vai ver. – peguei o capacete de sua mão e subi na moto, retribuindo o seu gigante sorriso.
- Se segura. – sua voz saiu abafada, mas alta o suficiente para que eu escutasse. Balancei a minha cabeça em sinal positivo, então ele acelerou e logo estávamos fora da escola.
Eu fechei os olhos, percebendo pela milionésima vez o motivo pelo qual eu amava motos. Elas me proporcionavam liberdade; algo que eu não estava acostumada a ter na minha vida. Sentindo o vento bater contra o meu corpo, quase soltei da cintura de e este riu quando eu o apertei com mais força para que isto não acontecesse.
Chegamos a frente ao meu prédio em 5 minutos. Saí da moto, tirando o capacete e entregando em suas mãos.
- Valeu pela carona. – sorri largamente para ele, sem me preocupar se algum conhecido de meus pais (ou eles mesmos) visse a cena.
- Disponha gata. – ele piscou para mim, tirando o próprio capacete e se inclinando em minha direção, colando nossos lábios. Uns segundos depois, ele cortou o selinho, colocando o capacete de volta.
- Me liga quando você melhorar. – sem me dar tempo para responder, ele acelerou e já sumiu de vista, furando uma meia dúzia de sinais vermelhos. Eu só ri da cena, me virando com minha mochila nas costas e entrando no prédio.
“Finalmente, paz.” Pensei com um sorriso discreto brincando em meus lábios, entrando no elevador, coincidentemente, já parado no térreo. Apertei o número do meu andar, esperando o elevador fechar...
... Quando um All Star preto segurou a porta.
Espera. All Star preto?
Eu sei o que vocês vão dizer. Existem milhares de All Stars assim, .
Pois é, não me levem a mal, eu sei que vocês tem razão... Mas quando uma coisa ruim está prestes a acontecer na minha vida, é como se eu tivesse um sexto sentido que me avisasse sobre ela. Eu não tenho culpa.
Sendo assim, acho que vocês já supõem que foi , em carne e osso, que entrou no minúsculo elevador espelhado de meu prédio recém-reformado, não é mesmo?
Ah, e eu já informei que eu estava lá TAMBÉM?
É castigo, só pode...
E o que eu fiz? Só fiquei o encarando com os olhos esbugalhados, sem capacidade mental de dizer uma única palavra.
Pois é. Eu sou uma inteligência muito rara.
- ? – pelo menos eu não era a única surpresa por ali – O que você está fazendo aqui?
Ahn... Dãh?
- Eu... Moro aqui? – disse lentamente para não me embolar nas palavras e, ao mesmo tempo, sem acreditar na pergunta óbvia que ele fizera.
- Ah... – foi tudo o que ele respondeu sem tirar os olhos de mim e continuando parado onde estava.
- Não vai entrar? – levantei uma sobrancelha em sua direção e ele pareceu “acordar” de seus pensamentos. Xi... Parecia eu...
- Claro. – ele sorriu amarelo e se posicionou ao me lado, apertando no botão do andar que...
Isso não podia estar acontecendo. PORQUE NOSSOS NÚMEROS ESTÃO DIRETAMENTE UM ABAIXO DO OUTRO?
Eu simplesmente não conseguia tirar meus olhos esbugalhados (mais uma vez) do painel de controle. Aquilo não podia ser verdade, simplesmente não podia.
E como eu nunca percebi que ele morava no mesmo prédio que eu? Quer dizer, se um cara gostoso como esse morava no mesmo prédio do que eu, eu teria percebido, não é mesmo?
Mas do jeito que eu era desligada, decidi vencer o meu bloqueio mental e físico e conferir este fato curioso com ele.
- Há quanto tempo você disse que mora aqui mesmo? – virei minha cabeça ligeiramente em sua direção.
- Eu não disse. – ele me olhava confuso enquanto um sorriso engraçado brincava em seus lábios cheios.
Nossa... Cada dia mais eu me impressiono com a minha capacidade mental.
- Eu estou perguntando agora... – senti meu corpo pegar fogo e tentei ignorar as batidas consistentes que meu coração insistia em fazer.
- Bem, acabei de me mudar, na verdade. – ele olhou para o teto (o que ele tinha de especial que eu não tinha? Ok ignorem o momento boból) – Surgiu esta proposta de emprego e este apartamento é mais perto do trabalho. Acabou por ser uma coisa boa, na verdade. – ele disse a última parte mais para si mesmo e meu coração quase saiu pela minha boca.
- Concordo. – putz, será que dá para alguém me internar?
Ele percebeu meu deslize e me fitou com os seus perigosos olhos. Quando estava prestes a tentar consertar a solução, o elevador parou e fitou a porta sorrindo.
- Parece que nos veremos muito então... – ele abriu a porta e quando o elevador estava quase se fechando, o escutei dizer -... Vizinha.
Por que essas coisas só acontecem comigo?
CAP IV (Dedicado à minha Revisora/Best que “lutou” contra o PC dela sem dó para por minha fic no POP! *-*)
Entrei em meu luxuoso apartamento (um duplex, para falar a verdade) com um olhar perdido, pensamentos confusos e minha Husky Siberiano, Sunny, latindo para mim.
- O meu dia não pode piorar... – sussurrava enquanto acariciava minha cadelinha de três meses. Fui para o meu quarto, que ficava no “térreo” e, quando ia me jogar na cama, escutei:
- , vem aqui que quero falar com você. – era a voz de mamãe.
Lei de Murphy idiota.
Praticamente marchei até a sala de jantar, onde minha mãe fitava as unhas (que pareciam postiças) e meu pai lia o jornal despreocupadamente, os dois em silêncio.
- Oi querida! – mamãe exclamou com sua voz enjoativa e eu me sentei no meu lugar de costume – Chegou cedo, o que houve? Finalmente se enjoou daquela bandinha?
Contei até mil antes de responder:
- Eu não me sentia bem, só isso. – sabia que discutir com ela sobre o meu amor pela música era perda de tempo, então não disse mais nada. - Que pena... – sabia que ela se referia ao fato de eu não ter me enjoado da banda. – Bem, isso é só questão de tempo, você vai ver. Eu só espero que quando der esse tempo, não seja tarde demais para você... – ela viu que eu retrucaria, então continuou – Mas não foi por isso que eu te chamei. – ela começou a lixar suas unhas – Eu quero dar o relatório das próximas semanas.
Ela chamava de “relatório” quando ela e/ou papai viajavam para um congresso em outra cidade ou país e eu acabava sozinha. Eu já estava acostumada, então só balancei os ombros enquanto jantava.
- Eu e seu pai iremos para um congresso em Viena amanhã e talvez teremos outro logo em seguida, então não sei quando vamos voltar. – ela sempre falava como se ela fosse muito presente em minha vida... – Espero que não se enjoe de Charlotte tão cedo... – um sorriso cínico se formou em seu rosto plastificado e eu senti vontade de socá-la. Charlotte era nossa empregada desde que eu nascera e sempre foi uma segunda mãe para mim. Quer dizer, a única.
- Não se preocupe que isso não vai acontecer tão cedo. – minha voz saiu carregada de sarcasmo e ela só riu divertida.
- Você é tão sentimental que às vezes me dá pena. Parece tanto com o seu avô... – quando ela citou o meu avô, que sempre fora especial para mim e que morrera quando eu tinha 10 anos, eu tive que contar até mil novamente – Ah, acabei de me lembrar. Claide – este era o meu motorista – vai tirar férias (um motivo bobo como o câncer da mãe ou alguma coisa assim), então um amigo meu de infância vai levá-la e buscá-la da escola, já que ele trabalha lá e acabou de se mudar para cá. Ele começará amanhã.
- Qual seria o nome do indivíduo? – limpei minha boca com o guardanapo.
- .
Eu tive um treco nessa hora.
- COMO É QUE É? – eu praticamente gritei, mas nenhum dos dois ficou chocado com isso.
- Por que esse espanto todo? Você ao menos o conhece? – ela levantou uma de suas sobrancelhas finas em minha direção em sinal de desdém.
- Eu o vi na escola e troquei uma meia dúzia de palavras com ele. Só isso. – tentei demonstrar descaso, balançando os ombros e terminando de jantar, mas eu sabia que não estava enganando ninguém. E só tive mais certeza ainda quando escutei as gargalhadas espalhafatosas de minha mãe biológica.
- Eu conheço esse olhar, . Você acha que eu não sei reconhecer quando alguém está apaixonada? – ela riu mais ainda – Que patética, olhe só para você mesma! Acha mesmo que ele se interessaria por uma adolescente desajeitada e sem graça que nem você? Quando ele já ficou com uma mulher como eu?
Fitei-a incrédula e, logo depois, esperei a reação de papai, porém este parecia nem estar prestando atenção na conversa. POW, A ESPOSA ACABA DE FALAR QUE TRANSOU COM UM CARA (que por acaso agora mora no mesmo prédio que ela) E ELE NÃO REAGE?
Mamãe tomou o resto de sua vodka e disse enquanto se levantava:
- Não se iluda que só vai acabar sendo pior para você. – ela se virou e começou a andar para as escadas – Tenho aula com o personal trainer e já volto. – até parece que ninguém sabia o que eram essas “aulas”. E o pior: meu pai nem se importava.
E para que ele se importaria? Afinal, ele fazia a mesma coisa, só que com as secretárias. Mas, pelo menos, ele podia FINGIR que se importava!
Manti meu olhar de computador travado até que papai recebeu um torpedo em seu Black Berry e se levantou.
- Tenho que voltar para o escritório, surgiu um imprevisto. – ele beijou o topo de minha cabeça sem amor nem carinho algum e saiu de casa.
Eu me sentia vazia e sem emoções à medida que eu arrumava a mesa e levava as coisas para a cozinha (de noite todos os empregados iam para as suas casas, deixando que sobrasse todo o trabalho para eu fazer). Eu achava estranho, afinal, eu teria que estar sentindo e reagindo de alguma forma, não é? Quer dizer, não é o que toda pessoa normal faz?
Só não sabia que esta era a primeira parte do choque. A segunda veio quando eu me joguei, totalmente destruída por dentro, na minha cama.
Enquanto eu chorava rios de lágrimas e não conseguia ver um palmo sequer a minha frente, eu tentava entender o porquê de eu estar deste jeito. Eu sabia que não era por causa das palavras duras de mamãe: eu já estava acostumada com elas. Nem a presença fria de papai: já fazia parte do meu cotidiano também.
Mas o fato de saber que, um dia, transou com minha mãe... Ok, não posso negar que isso me deixava MUITO enjoada, porém o sentimento que eu sentia nas minhas entranhas, arrancando as minhas vísceras uma por uma e a dor mortal que eu sentia em meu coração era muito além daquele fato. Era além de qualquer coisa que eu já tinha sentido em toda a minha vida. E eu temia que eu ficasse a vida inteira sem saber o que era este sentimento; sentindo ele me consumir, pedaço por pedaço, inteiramente.
(Música: Good Riddance – Green Day)
Meus pensamentos foram interrompidos quando um solo de violão começou a tocar. A melodia era linda e a voz que começou a cantar era tão bela que até me fez sorrir levemente.
Another turning point
(Outro momento decisivo)
A fork stuck in the road
(Uma bifurcação cravada na estrada)
Time grabs you by the wrist
(O tempo te agarra pelos pulsos,)
Directs you where to go
(E te mostra para onde ir)
So make the best of this test
(Então tire o máximo proveito desse teste)
And don't ask why
(E não pergunte "porquê?")
It's not a question
(Isso não é uma pergunta,)
But a lesson learned in time
(Mas uma lição aprendida na hora certa.)
It's something unpredictable
(É algo imprevisível,)
But in the end is right
(Mas no final está correto.)
I hope you had the time of your life
(Espero que você tenha aproveitado sua vida)
Enquanto escutava a melodia perfeita, os dedos do artista dedilhando agilmente e sua voz amaciando os ouvidos de qualquer pessoa que pudesse escutá-lo, tive a impressão de que já escutara este timbre em algum lugar...
Foi aí que, como um flash de memória, me toquei que eu conhecia SIM a pessoa que cantava:
.
So take the photographs
(Então pegue as fotografias)
And still frames in your mind
(E as molduras de foto na sua mente,)
Hang it on a shelf
(Pendure isso numa prateleira)
Of good health and good time
(De boa saúde e bons momentos.)
Tattoos of memories
(Tatuagens de lembranças)
and dead skin on trial
(E cicatrizes em julgamento.)
For what it's worth
(Pois aquilo que vale a pena,)
It was worth all the while
(Valeu a pena durante todo o tempo...)
Eu deveria ter colocado algodões em meus ouvidos e tentado me esquecer desta voz são sonora, mas eu fiz justamente o contrário: deixei que ele adentrasse os meus pensamentos como se fosse um parasita. E quer saber? Eu não estava nem ligando. Eu podia escutá-lo pelo resto de minha vida se fosse possível.
(3X)
It's something unpredictable
(É algo imprevisível,)
But in the end is right
(Mas no final está correto)
I hope you had the time of your life
(Espero que você tenha aproveitado sua vida)
Sem perceber, acabei dormido do jeito que estava com os olhos molhados de lágrimas e minha roupa de sair.
Porém, eu dormi com o primeiro sorriso verdadeiro daquele dia. E eu nunca dormi tão bem quanto naquela noite.
CAP V
Acordei no dia seguinte com uma terrível enxaqueca e os olhos totalmente inchados. Eu havia acordado 2 horas antes do horário (não me pergunte o porquê), então aproveitei para tomar um bom banho quente, me trocar e ainda colocar uma maquiagem bem leve, com calma. Pus uma calça jeans surrada, rasteirinha prateada, blusa branca e uma mini jaqueta jeans por cima, ainda prendendo o cabelo em um rabo de cavalo alto, colocando rímel, lápis preto e batom vermelho.
Eu sei o que vocês devem estar pensando... Por que eu simplesmente não ficava em casa, já que seus pais não estão em casa e nem se importam com você? É simples... É porque eu sou uma total idiota, só isso. É aí que vocês me perguntam o porquê... E eu respondo: porque esta idéia nem se passou pela minha mente! Acredita?
Pois é. Nem eu.
Aproveitei que já estava pronta e, comendo uma banana como café da manhã, fui me preparar psicologicamente para meu “encontro” com . O que eu diria? Será que eu conseguiria dizer algo de útil desta vez?
Escutei a campainha de casa tocar e me desesperei: era hora. Respirei fundo, levantando-me do sofá e tentando arrastar Sunny para longe da porta para que ela não “atacasse” o professor.
Abri a porta e quase perdi o ar. Como ele conseguia ser tão gostoso, alguém me explica? Ele usava bermudas jeans, camisa preta colada, o mesmo All Star preto do dia anterior e, é claro, seu meio sorriso.
- Bom dia. – foi só ele dizer isso que eu estremeci. Sua voz era extremamente sexy ou era só eu imaginando coisas?
- Bom dia. – tentei parecer confiante enquanto ajustava minha mochila em meu ombro, saía de casa, trancava a porta e entrava no minúsculo elevador ao seu lado.
- Dormiu bem? – ele perguntou depois de um tempo percebendo que nossa conversa não ia mais para frente.
- Não muito. – isso, esperta, agora ele vai te perguntar por quê!
- Por quê? – eu não disse?
Ele me fitava com um semblante preocupado. Parecia estar com medo que eu não tivesse dormido bem por causa de seu pequeno “ensaio” da noite anterior. Não que ele soubesse que eu sabia que tinha sido ele, mas mesmo assim...
- Coisas demais na minha cabeça, sabe? – mordi o lábio, incerta se deveria dizer o que eu estava pensando – Mas eu dormi melhor quando escutei alguém tocar violão e cantar ontem à noite. Realmente aquilo me relaxou. – o fitei de canto para ver sua reação e parece que eu não me decepcionei, já que parecia que seus olhos brilhavam.
- Verdade? Eu não escutei nada... – ele tentou disfarçar, mas eu sabia que ele estava contente consigo mesmo.
- Mesmo? Acho que era só o rádio então... Mas eu jurava que era alguém do prédio... – ele me encarou por completo e eu o encarei de volta – Alguém que eu conheço, talvez?
Ele entendeu a minha indireta. Bem, pelo menos foi o que me pareceu até ele tentar dizer algo e, do nada, o elevador parar com um solavanco e as luzes ficarem fracas.
- O que aconteceu? – perguntei retoricamente, mas eu sabia exatamente o que acontecera: o elevador havia quebrado.
- Eu não sei. – ele não sabe o que é uma pergunta retórica? – Vou tentar ligar para a portaria.
Eu sentia meus pulmões se contraindo em nervosismo enquanto o fitava pegar o interfone. o colocou no lugar dizendo:
- Está mudo. Você tem sinal?
Peguei meu celular, minhas mãos tremendo levemente.
- Nada. – respondi ao não ver nem um maldito pininho na tela – E você?
- Bem, se meu celular não tivesse descarregado e eu não tivesse o deixado carregar em casa, eu até te diria. – ok, não precisa me dizer que esta frase estava carregada de sarcasmo.
- O que vamos fazer? – perguntei olhando em volta, como se eu fosse achar uma saída de emergência ou algum tipo de botão de chamar os bombeiros em algum lugar.
- Nada.
COMO ELE PODIA FICAR TÃO CALMO?
- Como assim nada? – tentava regularizar minha respiração, mas foi em vão. Principalmente quando ele se sentou no chão do elevador e apoiou a cabeça na parede.
- Não tem o que fazer. Ou você quer ficar gritando por ajuda até alguém perceber que o elevador quebrou? – ele levantou uma sobrancelha.
- Não me parece uma idéia tão ruim. – respondi ao seu olhar de indagação começando a gritar – SOCORRO! ESTAMOS PRESOS!
- Ninguém vai te ouvir. – ignorando-o enquanto ele fechava os olhos, continuei a gritar por socorro.
MEIA HORA DEPOIS
- É melhor parar de gritar, senão vai ficar sem voz. – me avisou pela milionésima vez e tudo o que fiz foi encará-lo com uma careta.
Eu sabia que ele estava certo. Eu só não queria admitir.
- Pelo menos estou fazendo algo de útil além de ficar sentada sem fazer nada... – sussurrei alto para que ele me escutasse.
- Útil? – ele praticamente gargalhou – Se nós estivéssemos sendo “salvos”, essa sua tentativa teria sido...
- QUEM ESTÁ AÍ? – uma voz bem longe ecoou e eu só fitei com orgulho o professor enquanto este me encarava com uma carranca.
- e . – senti calafrios ao escutá-lo pronunciar meu nome inteiro – Quando vão nos tirar daqui? E por que o interfone não funciona?
- Ele quebrou ontem, íamos consertá-lo hoje. E o maquinista chega em algumas horas... Vocês agüentam? – encarei com os olhos esbugalhados.
- É o jeito, né? – bufou, voltando a posição em que estava anteriormente.
- O que fazemos agora? – parecia óbvia a resposta, mas eu realmente não quis ser retórica desta vez.
- Esperar, ué. Daqui a pouco eles nos liberam, você vai ver.
DUAS HORAS DEPOIS
- “Esperar, ué. Daqui a pouco eles nos liberam, você vai ver.” – imitei a voz de enquanto escutava a minha milionésima música.
- Não me culpe pelo que aconteceu, você sabe muito bem que eu não sou adivinho. – ele bufou – Pelo menos você tem um I-touch! E eu, que nem isso tenho?
- É a parte ruim de ser professor, fazer o que? – só ri levemente enquanto senti seu olhar furioso para cima de mim.
Ficamos mais alguns segundos em silêncio antes dele dizer:
- Olha, ficarmos brigando desse jeito não vai nos ajudar em nada há passar o tempo. – eu o encarei curiosa.
- O que você sugere? – desliguei meu I-touch e o coloquei de volta na mochila.
- Vamos fazer um jogo. – ele riu quando eu revirei os olhos – Não é infantil. É simples: é só você responder uma pergunta quando eu te perguntar algo e eu farei o mesmo com você.
- Tipo um jogo de perguntas e respostas?
- Isso. – ele sorriu largamente.
- Não vou ter que pagar nenhuma prenda se eu não quiser responder, né? – foi a vez de ele revirar os olhos.
- Não vou perguntar nada que te deixe desconfortável.
- Promete? – o fitei com desconfiança.
- Eu não acredito em promessas. Você vai ter que confiar em mim. – ele me encarou fortemente.
Alguns segundos depois, só balancei positivamente a cabeça.
- Você começa. – cruzei meus braços esperando pela pergunta.
Ele colocou a mão no queixo fazendo-se de pensativo, algo que me fez rir levemente. Então ele me perguntou:
- Desde quando você canta?
HÁ! Fácil!
- Eu não me lembro de NÃO cantar. – eu sorri – Mas eu só comecei a ter aulas de canto quando tinha... O que, 13 anos? – eu ri – Algo que acho que minha mãe se arrepende até hoje.
- Por quê? – ele franziu o cenho.
- É uma pergunta por rodada, senhor espertinho. – ele riu.
- Ok, então me surpreenda. – era um desafio?
Eu sorri maquiavélica.
- Por que escolheu ser justamente professor? E de música? – ok, é ou não é uma pergunta boa?
Ele coçou sua nuca e fez uma careta.
- Ok, esse não era o objetivo quando decidi fazer Música, eu juro! – eu gargalhei com isso – Então, como os meus planos não deram certo... Tudo o que sobrou foi ser professor de música. A não ser que eu quisesse fazer faculdade de novo. – nós dois fizemos careta – Minha vez. Onde você conheceu o brutamonte?
- O ? – perguntei em meio às risadas escandalosas – Ah, ele é irmão da Camii, que já era minha amiga porque a família dela é amiga da família da . Foi meio inevitável agente se conhecer. Por quê? Ciúmes? – ele não respondeu, então resolvi ignorar a pergunta que tinha feito anteriormente – Como um professor de música consegue comprar um apartamento em um prédio de luxo como este? – eu tentava cessar as risadas de minha garganta.
- Herança de meus pais. Ganhei bastante dinheiro quando eles morreram. – minhas risadas cessaram definitivamente.
- Ai, eu sinto muito... – eu me sentia muito sem jeito e ele percebeu.
- Já faz um tempo, tipo, uns cinco anos. Não precisa ficar assim, está tudo bem, é sério. – ele sorriu confortavelmente e eu não pude deixar de me sentir melhor – Então... Quantos anos você tem?
- Vou fazer 18 no fim do ano, e você? – respondi rápido e ele esbugalhou os olhos enquanto ria.
- Você é a primeira mulher que me responde a esta pergunta tão rápido. – ele continuou a rir.
- Você ainda não respondeu a minha pergunta. – levantei uma sobrancelha com um meio sorriso.
Ele passou a mão pela nuca enquanto olhava para o teto.
- E se eu dissesse que tenho 28? Acreditaria? – ele sorriu culpado.
Fiquei um bom tempo, encarando somente o rosto dele. Só depois que eu “acordei” de meu transe.
- É meio... Inacreditável. – foi tudo o que consegui pronunciar. Quase 11 anos de diferença...
- Pois é, é que eu sou muito gostoso... – bati levemente em seu braço enquanto ríamos que nem dois bobos.
E foi assim por algum tempo. Nós rimos, fizemos piadas... Só que sabe aqueles momentos em que todo o sentido da conversa muda e você não sabe por quê?
Estávamos em um desses momentos agora.
- Por que você acha que sua mãe se arrepende de ter colocado-a nas aulas de canto? – ele fitava os próprios pés e eu suspirei.
- Ela acha que isso me influenciou, já que planejo fazer Música como faculdade e profissão e ainda tenho uma banda. – balancei os ombros – Ela quer que eu seja médica, mas essa não é minha praia, sabe?
- Eu sei. Foi exatamente assim com os meus pais: eles queriam que eu fosse engenheiro. – ele sorriu de lado – Mas a sua mãe sempre foi assim, meio controladora. Ela vai mudar de idéia, você vai ver.
- Eu espero por isso há anos. Não acho que vá acontecer agora. – senti o seu olhar sobre mim, mas não ousei encará-lo de volta – Se ela era assim com você, então ela mudou drasticamente. Ela nunca foi presente... E às vezes fico me perguntando se é culpa minha.
- As pessoas mudam, . Às vezes nem sempre é para o bem. Não é culpa sua. – levantei meu olhar para o seu, que era sério.
- Me chame de . – não sei quem tomou conta de meu corpo para que eu dissesse isso, mas eu me surpreendi por não ter me arrependido.
- Ok... . – o apelido soou tão natural e fácil de seus lábios que meu coração começou a bombear sangue mais rapidamente para as minhas veias. Senti meu rosto queimar, mas mesmo com esta sensação boa me preenchendo, não pude evitar perguntar:
- Quando me vê, você me compara com minha mãe?
Esperava inquieta pela resposta tão demorada. Ele mordeu levemente o lábio inferior antes de perguntar:
- O que você sabe?
Essa não era a resposta que eu estava esperando.
- Só responda, . Um sim ou não já basta. – senti o sangue subir há minha cabeça e meus pulmões se contraírem – Aliás, você sabia que eu era a filha de minha mãe, que já TRANSOU com você, quando me conheceu?- pus ênfase na frase e esperei por sua resposta.
- Só me toquei depois que disse seu sobrenome. – ele disse baixinho – Mas minha intenção não foi...
- Você estava me comparando com ela. – não foi uma pergunta, mas eu esperava que ele negasse. Quando ele ficou quieto, me levantei do chão e gritei – VOCÊ DEU EM CIMA DE MIM SÓ PARA SABER SE ERA BOA DE CAMA COMO A MINHA MÃE OU SE EU ERA MELHOR DO QUE ELA?
Ele riu sarcasticamente bem baixinho.
- Até parece que você não deu em cima de mim também. – ele se levantou e me encarou nos olhos.
- Mas eu não estava te comparando com ninguém. Eu não estava USANDO você. – balancei a cabeça freneticamente enquanto já sentia as lágrimas invadirem o meu rosto – Eu fui tão estúpida. É claro que você é assim, já que até transou com a vadia da minha mãe, que se pudesse, dava até para o Papa. – coloquei meu dedo no queixo – Ou talvez você que tenha ensinado o ofício há ela.
- Não seja infantil, . – ele pronunciou meu nome com tanto desgosto que quase vomitei – Só nos conhecemos há apenas dois dias. Não está exagerando um pouco não?
Foi neste momento que o elevador começou a subir. Fiquei um pouco em silencio, somente encarando seus belos olhos profundos e sérios, então, com o canto do olho, percebi que estávamos no meu andar.
Abri a porta do elevador e disse de costas a ele:
- Eu realmente pensei que você fosse diferente dos outros. – sussurrei alto o suficiente para que ele me escutasse – Mas parece que eu estava enganada afinal.
Saí do elevador e entrei em casa sem olhar para trás.
Era verdade o que tinha dito. Eu não queria admitir, mas quando eu tinha visto pela primeira vez, eu tinha sentido que ele era um cara em quem eu podia confiar pela primeira vez, sabe? Alguém diferente do que eu costumava encarar sempre que chegava em casa ou até na escola, quando passo um tempo com o pessoal da banda e meu namorado (não que eles não sejam confiáveis, mas você entendeu o que quis dizer).
Agora eu nunca vou saber de verdade quem é . E nem quero descobrir.
CAP VI
Eu não vi no outro dia. E nem no outro. Como seria ele aquele que me levaria e me buscaria da escola, eu sempre saia uma meia hora mais cedo de casa para que ele não pudesse fazê-lo e eu ia a pé.
Eu sabia que ele não contaria para minha mãe. Afinal, o que ele diria? Que eu não estou falando com ele porque nós brigamos? Porque ele admitiu que estava me comparando com ela?
Pois é.
sabia do que acontecera, mas prometeu que não contaria nada a ninguém, apesar de eu não ter contado a ela antes sobre a minha “quedinha”. Ela ficou brava comigo por tipo, o que, 5 segundos?
No dia em que não fui para a escola por causa do acidente no elevador, soube que ficou me ligando que nem um condenado e eles cancelaram o ensaio. Quando soube disso, fiquei me sentindo meio mal, sabe... Como se eu realmente o tivesse traído.
Mas enfim.
Não posso negar que fiquei, digamos, “ansiosa” para encontrar o professor . Sim, estou me limitando a chamá-lo somente assim, sem relações pessoais...
Onde estava? Ah sim... Eu olhava compulsivamente para os lados toda oportunidade que tinha para ficar nos corredores da escola ou no Hall do prédio. Sabia que não podia agir desse jeito, tipo... Insano. Esses dias estava realmente sendo insuportável exatamente por causa disso.
- Tem mesmo certeza que não quer que eu dê uma sumida no pra você ficar a sós com ? – ela ergueu uma sobrancelha e eu somente a fuzilei com o olhar – Foi só uma idéia, não me julgue por achar o cara gostoso!
- Eu vou começar a te ignorar, que tal essa idéia? – começara a frase rindo, mas ela foi sumindo à medida que via ... Quer dizer, professor saindo da sala dos professores.
“Não me veja, não me veja, não me veja...” rezava internamente enquanto tentava forçar a minha amiga a andar mais rápido, mas eu realmente carrego uma cruz, porque não é possível! - , posso falar com você, por favor? – droga, droga...
- Já estamos atrasadas para a aula. – disse com a voz mais fria que eu consegui fazer e eu estava quase comemorando internamente quando ele parecia desistir, mas vocês sabem o que dizem: para que servem as amigas?
- Eu posso falar para o professor que você tava falando com outro, . – ela percebeu que eu a fuzilava (mais uma vez) com o olhar, mas ela só me encarou de volta com o olhar do tipo “Você precisa resolver essa solução, sua lunática!” – Te vejo daqui a pouco. – e antes que pudesse protestar, ela foi embora.
“Que amiga maravilhosa eu tenho...” pensei sarcasticamente enquanto professor me arrastava para um corredor vazio. Tentava, durante o processo, não ficar o encarando e, conseqüentemente, prestar atenção nos seus mínimos detalhes, mas tudo isso foi em vão.
Não tinha percebido até aquele momento a falta que me fazia ficar observando o rosto e a aura angelical que aquele homem exalava. Meu coração acelerou só de observar a sua expressão obstinada olhando sempre para frente, mas ao mesmo tempo com a mente longe dali. Ele vestia (para o meu azar ou sorte minha) uma blusa social preta bem colada ao corpo, calça jeans surrada, o costumeiro All Star preto (descobri que ele só usava aquilo... eu realmente precisava fazer umas comprinhas para ele) e um delicioso perfume que reconheci como sendo da Dior. Seus cabelos estavam curtos e bagunçados, alguns fios grudados à sua testa por causa do suor (não pude deixar de pensar em como isso o deixava sexy); seus olhos pareciam transmitir várias informações ao mesmo tempo, dando a impressão de confusão; sua boca estava em linha reta, mas me deixava com vontade de beij...
EU NÃO IA DIZER “BEIJÁ-LO”, TÁ LEGAL?
No corredor, nenhum de nós pronunciou alguma palavra. Somente o som de nossas respirações descompassadas podia ser ouvido; os tambores de meu coração estavam bem barulhentos também, pelo menos em minha opinião. Mordi o lábio inferior e olhei para meus próprios pés antes de abrir a boca para quebrar aquele silêncio constrangedor quando ouvi a voz do belo homem à minha frente dizer:
- Eu sinto muito, tá legal?
Arregalei os olhos em sinal de choque. Primeiro porque aquela frase soou totalmente infantil e clichê. E segundo por que... Bem, nunca esperei um pedido de desculpas dele. Não quando “ele” era .
Tá dando para entender o meu raciocínio?
- Pelo que? Por querer me comparar com a minha mãe na cama ou por ter dado em cima de mim para isso? – não sei o que me fez responder desta maneira tão gelada, mas quando percebi as palavras já saltavam de minha boca como se tivessem vida própria. Manti a pose só para que ele não percebesse que eu não sabia me controlar adequadamente.
Seu olhar, amortecido quando confessou as desculpas, voltou a tornar-se duro com o meu sarcasmo.
- Estou me esforçando aqui, dá para ser? – não pude deixar de rir com o pedido patético.
- Olha, você é um professor que deu em cima de uma aluna para ver se era boa de cama que nem a mãe dela. Eu poderia te colocar na cadeia por causa disso, sabia? – senti meu coração congelar quando ele sorriu de lado e se aproximou de mim rindo.
- Você não vai fazer isso e sabe muito bem disso. – ele estava tão próximo de mim e de meu corpo que eu podia até escutar o seu batimento cardíaco. Sua respiração batia em minha testa e não pude deixar de inspirar o seu maravilhoso perfume.
- Como pode ter tanta certeza disso? – como se ainda fosse possível, nossos corpos se aproximaram ainda mais e eu estava a ponto de ter um ataque cardíaco.
- Porque você se sente atraída por mim desde o momento que colocou os olhos em mim. – estava a ponto de retrucá-lo grosseiramente quando ele completou – Que nem eu quando pus meus olhos em você.
Minha cabeça virou automaticamente para cima. Pude ver claramente seus olhos, brilhando de expectativa em minha direção. Ele estava falando sério ou dizia isso para todas? O seu olhar dizia que era a primeira opção, mas não sabia se isso era truque de minha mente ou ainda de seu próprio perfume.
- Você é muito convencido, não acha? – minha voz saiu falha e senti seus lábios encostarem-se a minha testa quando fechei os olhos para senti-lo melhor.
- Eu preciso ser quando se trata de você. – voltei a abrir os olhos – É um modo de defesa... Para não acabar me magoando.
- Como pode se magoar se nem me conhece? – meus olhos começaram a se encher de lágrimas e eu não sabia exatamente por que... Talvez fosse pelo fato de meus pais, que sempre viveram comigo, nunca terem se importado comigo ou me amado, e agora aparecia um homem que só conhecia a menos de uma semana e já me tratava como se...
- Conheço o suficiente. – com isso, não deu mais para evitar: seus lábios já estavam nos meus.
No começo eu me assustei um pouco, fazendo minhas mãos pararem em seu tórax em um movimento de defesa. Calmamente, como se já estivesse acostumado com isso, pegou as minhas mãos e as colocou para cima, deixando meus braços levantados e meu corpo totalmente grudado na parede. Seus lábios eram tão macios e quentes quanto aparentavam ser e eu me vi subitamente me rendendo ao beijo, dando uma brecha em minha boca. Sua língua me invadiu, me deixando extasiada; o seu gosto era extremamente viciante. O seu corpo estava me dando calores que até aquele momento eram desconhecidos por mim, mas já sabia o que significavam. Já sentira algo semelhante com , porém não era nada comparado ao que sentia agora.
Minhas mãos conseguiram se livrar das de , se enroscando em seu pescoço e aproximando ainda mais nossos rostos. Para aproximar nossos corpos, levantei uma de minhas pernas, colocando-a na cintura de .
Mas aquilo tudo não era suficiente.
Uma de suas mãos se posicionou na minha bunda e ele a apertou, um sinal de que ele estava gostando daquilo e queria que continuasse naquela posição. Sua outra mão foi parar em minha cintura, fazendo pequenas e poderosas correntes elétricas passarem por todo o meu corpo.
Porém, todo mundo sabe que um dia temos que voltar para a realidade.
O sinal da escola tocou o que significava o final das aulas. Alunos de todas as séries e idades invadiram os corredores e nós dois nos separamos instantaneamente.
Senti meu rosto ficar vermelho de vergonha, raiva e indignação. Porra, como eu podia ter sido tão fraca, tão ingênua? Apontei meu dedo indicador até seu rosto e disse entre dentes:
- Isso nunca aconteceu. – e me virei para sair dali.
- Mas... – antes que dissesse mais alguma coisa, sai praticamente correndo dali, chegando até a sala de aula, pegando minha mochila e andando rapidamente até a sala de teatro.
No meio do caminho, me encontrei com e a culpa me atingiu em cheio. Eu o tinha traído e isso era imperdoável. Se eu quisesse, algum dia, me livrar desta culpa dilacerante, eu tinha que fazer alguma coisa para recompensá-lo, mesmo que ele não soubesse o porquê daquilo. Bem, pelo menos foi o pensamento que me ocorreu naquele momento...
Percebi que, para recompensá-lo, eu tinha que lhe dar algo que ele queria, algo que ele ansiava há muito tempo...
E eu sabia exatamente o que era.
Não lhe dei nenhuma chance de falar; já “pulei” para cima dele, beijando-o ferozmente. Sem hesitar, suas mãos pararam em minha bunda, as apertando de acordo com sua “animação”. Cortei o beijo por um breve segundo e sussurrei em seu ouvido:
- Me segue.
Me virei e comecei a andar, me seguindo fielmente. Deixamos nossas coisas para trás, mas sabíamos que elas seriam inúteis, de qualquer maneira.
No banheiro feminino, esperei que entrasse para que eu trancasse a porta.
Provavelmente não iríamos querer ser interrompidos agora.
O banheiro era grande, com paredes cor de rosa e um cheiro quase agradável. me virou em sua direção, já prensando meu corpo contra uma das paredes e invadindo minha boca com sua língua quente.
Felizmente, me esqueci do porque de eu estar fazendo aquilo, me concentrando inteiramente no momento. conseguia me deixar louca; já sabia onde me tocar, onde me beijar, de que jeito eu gostava das coisas... Ele sabia de todos os meus pontos “fracos” e era exatamente por isso que ele sempre me conquistou.
O empurrei contra a pia, tirando a minha blusa com certa rapidez. Seus olhos devoraram meu corpo seminu, meus seios cobertos somente pelo meu sutiã preto da Victoria Secret e minha barriga torneada (santo regime!), fazendo-o sorrir maliciosamente e lamber os lábios. Eu sorri da mesma forma.
- Tá esperando o que? – o provoquei e, como resposta, escutei um som gutural sair da garganta do meu namorado.
Mais uma vez, ele prensou meu corpo contra a parede, mas tirando sua própria blusa ao invés de me beijar. O comi com os olhos também, passando minhas mãos em torno de seu tórax bem definido e fechando os olhos quando começou a beijar e chupar o meu pescoço.
Um gemido sôfrego saiu de minha garganta e senti seu membro prensar ainda mais entre as minhas pernas. Uma excitação percorreu todo meu corpo, me fazendo tirar os sapatos de qualquer jeito e arrancar minhas calças jeans em um movimento quase jedai. Sim, gosto de Star Wars, algum problema?
- Gostosa, hoje eu te pego de jeito... – antes que pudesse retrucar, dois de seus dedos adentraram o meu corpo, fazendo meus olhos se revirarem de prazer. Minhas unhas arranhavam suas costas, o incentivando ainda mais; meus pés quase não tocavam o chão com a força que introduzia para levantar meu corpo e ajudar no “processo”.
Seus movimentos ora eram rápidos, ora devagar. Eu miava quando ele desacelerava, ele ria baixinho em meu ouvido e acelerava mais uma vez.
Não digo que, pouco tempo depois, era o meu primeiro orgasmo. Eu já tinha tido outros, tanto quando sozinha ou quando nós dois extrapolávamos os “limites”. Mas pareceu o primeiro, fazendo-me tremer dos pés a cabeça.
- Agora é a minha vez. – eu ainda estava meio trêmula, mas consegui empurrá-lo contra a pia.
Ele sorria malandro enquanto andava calmamente até ele, beijando-o lentamente na boca e abrindo o zíper de sua calça. Beijando-o na clavícula e descendo meus beijos pela extensão de seu corpo, eu abaixava sua calça jeans, mostrando sua Box branca e o seu volume acentuado. Eu mordi meu lábio inferior, deixando escapar um suspiro alto.
- Você quer? – sua voz saiu tremida e espremi meus olhos em sua direção.
- Não mais do que você. – beijei-o mais uma vez na boca antes de arrancar sua Box.
Nunca gostei de retribuir sexo oral; em minha opinião era muito nojento. Mas eu tinha que fazê-lo, era parte do processo.
Não me dei tempo para pensar em como aquilo ia contra todos os meus princípios feministas e humanistas e envolvi seu membro com minha boca. Escutava seus gemidos e sons guturais enquanto fazia os movimentos de vai e vem; ele massageava fortemente minha cabeça para que eu não parasse.
Senti seu corpo estremecer e já sabia que ele estava no ponto. Me levantei, invadindo sua boca com minha língua de um jeito quase animal; entrelacei minhas duas pernas em sua cintura e ele segurou em minha bunda para me carregar.
Sentando-me na pia, estava pronto para me invadir (pela primeira vez, devo lembrar) quando perguntei em um sussurro fraco:
- Trouxe a camisinha?
Sabia que sua hesitação não era um bom sinal.
- Tem que estar aqui... – ele revirou suas peças de roupas de modo frenético, abrindo sua carteira e deixando todo seu conteúdo cair no chão para ajudá-lo. Engoli em seco quando ele me fitou com um olhar arrependido e bravo.
- Eu não sabia que você estava pronta, eu... – ele balbuciou meio sem jeito e a culpa me invadiu mais uma vez.
- Tudo bem, . – me levantei da pia, o beijando na bochecha e começando a me trocar.
- Não está nada! – ele praticamente gritou e, com as mãos trêmulas, passou a mão no cabelo – Imagina o que eu poderia ter feito? E, porra, seria a primeira vez!
Sorri levemente para ele, o abraçando pela cintura.
- Nós teremos outras oportunidades, amor... – seu corpo não relaxou e foi quando tive a idéia – Ei, que tal passar mais tarde lá em casa? Agente pode continuar de onde paramos, que tal? – o abracei mais forte – Vai ser mais romântico assim, de qualquer maneira.
Ele se virou para mim, retribuindo o abraço.
- Certeza? – sorri mais largamente.
- Claro. – olhei para cima e nos beijamos calmamente – Passa em casa umas onze da noite. Até lá, vai estar tudo pronto.
- Não vou me esquecer da camisinha desta vez. – nós dois rimos.
Depois de nos vestirmos, destranquei a porta do banheiro e nos dirigimos a sala de teatro. Eu sai dali com uma sensação de que algo importante estava prestes a acontecer...
CAP VII
Estava tudo pronto.
Eu mal podia acreditar que eu arrumara a casa inteira em tão pouco tempo. Sim, podem bater palmas! Eu mereço!
Ok, chega de egocentrismo.
Faltava umas duas horas para chegar, então aproveitei para jantes antes.
Afinal, eu precisaria de muita energia para aquela noite.
Bem, se você soubesse o quão nervosa estava naquele momento, acho que adivinharia que eu não pude comer nem um terço do meu prato. Meu estômago dava reviravoltas só de pensar no que aconteceria em poucas horas...
A casa estava em silêncio total; o único som era o da torneira ligada enquanto limpava meus talheres e pratos usados. Sunny estava na casa da vizinha e nos empregados já tinham ido para suas respectivas casas.
Ou seja: privacidade total.
Meu coração deu um pulo quando escutei a campainha tocar. Não era para vir tão cedo, não era!
Corri até a porta, mas não antes de dar uma checada no visual. Meus cabelos estavam perfeitamente encaracolados, meu rosto estava limpo (sem maquiagem, pois sabia que ela só atrapalharia depois) e, para completar, meu corpo usava um corpete rosa e preto, como se fosse um espartilho.
Só esperava que não estivesse exagerando.
Respirei fundo e abri a porta com um sorriso largo. Porém, ele foi se afrouxando à medida que percebia que o visitante não era quem estava esperando.
- Boa noite, . – parecia meio sem graça ao reparar no meu traje, mas não conseguiu disfarçar seu olhar sob meus seios ressaltados.
Cruzei os braços para fazê-lo ficar no lugar certo: meu rosto. Meu subconsciente gritava de desespero, ódio e... Desejo.
Merda.
- O que quer, ? – meu olhar, inevitavelmente, foi parar sobre os seus lábios. Tão carnudos, provocantes e convidativos...
“Se concentra, !”
- Eu perdi a chave de casa e o chaveiro só chega em duas horas. – ele sorriu torto – Preciso de um lugar para ficar enquanto isso. Posso entrar ou estou atrapalhando alguma coisa?
Engoli em seco. Eu e ? Juntos por duas horas?
Isso não ia prestar.
- Eu... Er... – vários tipos de respostas se passaram por minha mente e muitas pareceram realmente boas... Mas quando eu fitava os seus olhos e me perdia naquela imensidão misteriosa, era simplesmente impossível me concentrar inteiramente em expulsá-lo. Suspirei derrotada – Entra, vai.
Sorrindo, ele nem se deu ao trabalho de hesitar, roçando seu corpo de frente ao meu no processo.
Como eu disse: isso não ia prestar.
- Senta. – apontei para o grande sofá de veludo da sala. O professor sentou, olhando para os lados com grande curiosidade.
- Cadê seus pais? – perguntou fitando a mim novamente (em certos lugares que me deixaram vermelha de vergonha) enquanto me sentava em outro sofá ao lado dele.
- Foram viajar, como sempre. – revirei os olhos em descaso – E meus empregados já foram para casa, então... – quando meu coração começou a palpitar muito mais forte ao perceber que eu estava dando em cima dele, completei rapidamente – Quer beber alguma coisa? Um vinho... – me levantei depressa para praticamente fugir dali, porém segurou meu pulso delicadamente, me fazendo incapaz de sair.
- Estou bem, obrigado. – seus olhos brilhavam e eu mudei a direção dos meus.
Ele estava fitando nos lugares certos agora e era exatamente isso que me preocupava.
Sentei-me novamente no mesmo lugar, cruzando as pernas e tamborilando meus dedos com impaciência. Como poderíamos ficar juntos e sozinhos por duas horas inteiras? Quer dizer, não era pelo fato de chegar e nos ver juntos, já que ele chegaria depois desse tempo, mas era pelo simples fato de tudo naquele homem de 28 anos me chamarem a atenção: seu rosto, o jeito como fitava os quadros da sala, o jeito como batia o pé impacientemente e parecia fazer um esforço enorme para não me fitar...
Algo que também estava tentando fazer, mas sem muito sucesso.
O estopim final foi o odor de seu perfume. Reconheci como sendo da Calvin Klein masculino (um dos meus favoritos para homens) e o perfume parecia fazer questão de rondar o meu nariz como se fosse um predador prestes a atacar sua presa...
E sinceramente? Estava conseguindo.
- ... – o som saiu quase inauditível para mim, mas o jeito como ele disse o meu nome, meigo e calmo, fez com que eu finalmente perdesse o controle.
Quando percebi, já me encontrava sentada em seu colo, beijando sua boca furiosamente.
Sua língua se entrelaçou quase instantaneamente na minha, formando correntes elétricas por toda minha pele. Suas mãos foram parar na minha cintura, dando pequenos apertos nela quando eu parava de acariciar seus cabelos com os dedos.
E eu estava amando isso.
Em um dado momento, minhas mãos passaram por todo o seu tórax, abrindo os botões de sua camisa social um por um.
Eu tinha perdido o censo de certo e errado; no momento, tudo o que eu queria era que aquele maravilhoso Deus Grego me possuísse, sem regras nem preconceitos, e que nós fossemos um só pelo menos por um pequeno espaço de tempo.
Para mim, estávamos sós no mundo.
Finalmente consegui lhe arrancar a camisa, o que me fez o encarar demoradamente enquanto este beijava o meu pescoço. O corpo dele era exatamente como eu pensava: bem definido e musculoso.
Agora sim estava realmente curiosa sobre a parte debaixo...
- Por que está usando esta porcaria? – voltei à realidade quando rugiu de frustração ao se deparar com o meu corpete.
Eu ri com gosto, bêbada de prazer.
- Os laços são falsos, meu bem. – sussurrei em seu ouvido – Existem feixes disfarçados embaixo deles – mordi o lóbulo do mesmo.
Gemendo baixinho, finalmente achou os feixes e abriu-os em uma velocidade espetacular. No fim, tudo o que me restava era a calcinha, enquanto o belo homem à minha frente ainda estava de calça e All Star.
- Você é tão perfeita quanto eu imaginava. – seus olhos se embebedavam pela imagem de meus seios à mostra. Eu estava realmente orgulhosa por deixá-lo assim, tão vulnerável.
Eu me sentia poderosa.
Voltei a beijar a sua boca, mas com mais desejo e paixão do que antes. Logo, pude sentir minhas costas deitar-se em algo meio áspero: o tapete.
O fiz rolar para o lado, ficando em cima dele. Mordendo o lábio inferior, abri o zíper de sua calça e a joguei junto com seus sapatos e meias para o lado.
Estávamos quase quites agora.
Brinquei um pouco com a barra de sua Box preta enquanto mordia o queixo dele. De repente, ele me deixou em baixo dele novamente, sussurrando em meu ouvido e me causando arrepios:
- Hoje sou eu que vou te proporcionar o prazer.
Não tive forças para recusar. E nem queria.
Senti minha calcinha sendo arrancada com brutalidade, algo que me deixou ainda mais louca. Logo, escancarei a boca e apertei bem os olhos ao sentir dois dedos grossos e grandes me invadirem.
Ele estava me levando ao êxtase e nós nem havíamos começado ainda.
- Geme meu nome... – me implorou em um timbre sexy e descontrolado.
- ... – o som quase não saiu de meus lábios, mas conseguiu me escutar, se acariciando ao fazê-lo.
- De novo. – me implorou mais uma vez e eu sorri de lado enquanto estava quase no meu clímax.
- ... Possua-me que eu sou toda sua. – não sei de onde arranjei forças para dizer tudo isso, pois eu estava até me contorcendo enquanto estava a ponto da hora H.
Mas antes que isso pudesse acontecer, ele retirou seus dedos de mim e se ajoelhou, tirando a Box.
E olha, vou lhe dizer... Não fiquei nem um pouco decepcionada.
Eu o fitava sem vergonha e descaradamente enquanto ele pegava sua calça e rasgava o pacote da camisinha com pressa.
Como ele se lembrou de fazer isso?
Homens são um mistério...
- Seu pedido é uma ordem. – sussurrou antes de colocar uma de minhas pernas em seu ombro e me invadir por completo.
Nunca senti tanto prazer e dor ao mesmo tempo em toda a minha vida.
Gritei de dor com todas as minhas forças e me deu alguns segundos para assimilar o que estava acontecendo. Acenei com a cabeça para que continuasse e ele me obedeceu bem lentamente no começo; algo que, reparando, estava quase o matando, já que ele queria acelerar.
- Oh... ... – de acordo com meus gemidos, ele acelerava mais e mais, para a alegria de nós dois.
A dor foi se transformando em algo que tenho a felicidade de chamar de... Mistério. Por que eu chamei aquele sentimento maravilhoso e perfeito assim?
Pois chamá-lo de prazer é um elogio muito fraco comparado ao que estava sentindo. Era simplesmente... Indescritível demais para ser chamado assim.
Soei maluca? Provavelmente.
Mas quem disse que ligo? Ou que ligava justo naquele momento?
Pois é.
Céus, só de me lembrar daquilo já me dá calores, você não tem noção! Ele se movia com destreza para dentro e para fora de mim e eu jurava que podia sentir sua pulsação de acordo com a minha. Eu passava a mão pelo meu corpo e de vez em quando apertava meus próprios seios para pelo menos amenizar aquela “agonia” (algo que não dava muito certo). me via fazendo aquilo e isso só o deixava mais... Digamos... “Inspirado”.
Também costumava arranhar seu peitoral às vezes, o que o fazia enlouquecê-lo. Em um dado momento, ele se agachou até meu rosto, dando um selinho demorado e desajeitado em minha boca e mordendo meu lábio inferior no final.
Eu já disse que eu achei isso extremamente sexy?
Bem, como tudo o que é bom tem que acabar em algum momento, este também deveria obedecer a esta lei. Pude sentir com exatidão meu corpo tremer involuntariamente e eu gemi mais alto ao me esvair.
Uns segundos depois e me seguiu, caindo levemente sobre mim depois. Ele não era exatamente pesado e a posição não era desconfortável: era exatamente o oposto. Um sorriso bobo se formou em meu rosto enquanto acompanhava com os ouvidos nossos batimentos cardíacos acelerados e respirações de acordo. Estava meio fraca e zonza, mas não deixei de ficar extremamente feliz com o que acabara de fazer. Provavelmente era um erro pensar daquele jeito, porém naquele momento não era.
Comecei um carinho lento com a ponta dos dedos no cabelo de . Ele gemeu baixinho, estando de acordo com o que eu fazia, e isso me fez alargar ainda mais o sorriso.
- Vai ficar muito chateada se eu te disser que eu menti para você? – sussurrou fraco, mas eu pude escutar muito bem.
Como ainda estava meio “bêbada”, só ri com a pergunta.
- Provavelmente este é o melhor momento para me falar a verdade. Não tem jeito de eu ficar zangada agora. – ele riu fraquinho.
- Eu não tenho 28 anos. – rolei os olhos.
- Logo imaginei, já que você deve ter transado com a minha mãe quando os dois estavam no ensino médio e ela tem 35... Você tem a mesma idade, não é? – ele pareceu ficar surpreso. - Então você já sabia? – ri mais uma vez.
- Posso ter 17 anos, mas de boba não tenho nada. – fechei os olhos com um sorriso de lado – Quero te perguntar uma coisa.
- Fala rápido antes que eu durma. – sorri mais largamente ao escutar sua voz sonolenta.
- Que é melhor? – ele sabia do que eu me referia.
- Olha, eu perdi a virgindade com a sua mãe... – tive vontade de lhe dizer que há informações desnecessárias e das quais eu não preciso saber, mas permaneci em silêncio – Porém você ganha dela de longe.
- Não está dizendo isso só para me agradar, né? – o senti rir.
- Se estivesse, você provavelmente saberia.
Eu me contentei com a resposta e continuei a acariciar sua nuca sem pensar em absolutamente nada pelos belos próximos 5 minutos.
Foi aí que escutei a campainha tocar e me desesperei.
- . – sussurrei e entendeu o que quis dizer.
Ele saiu de cima de mim e nós dois procuramos nos arrumar o mais rápido possível, quando vi uma coisa que me fez arregalar os olhos.
- O tapete!
O tão querido tapete de minha mãe estava encharcado de sangue. Sangue MEU, ainda por cima!
Ok, provavelmente estou exagerando, mas você entendeu o que quis dizer!
- Me ajuda a enrolar o tapete. – sussurrei para e logo gritei – Já vou, amor!
Em uma rapidez incrível, colocamos o tapete no lixo da vizinha (não poderia dar a entender que eu era a causadora deste acidente) e voltei a tempo de mandar ir embora pela porta de trás.
- Agente se vê depois. – ele sussurrou enquanto Emm continuava a tocar a campainha incessantemente, me dando um selinho e indo embora.
Sem perder tempo, abri a porta da frente com um sorriso amarelo estampado no rosto. E foi aí que me toquei do que havia feito.
- Por que demorou tanto? – meu namorado perguntou enquanto eu ficava na ponta dos pés para lhe dar um selinho.
- Você demorou e fui tirar uma soneca para recuperar minhas energias. – fiz o biquinho que sabia que ele nunca resistiria e observei satisfeita enquanto seu sorriso se alargava.
entrou me segurando pela cintura enquanto beijava lentamente meu pescoço e eu fechei a porta com o pior sentimento que já sentira em toda a minha vida:
Culpa.
E foi com esta sensação que passei o resto da minha primeira noite.
CAP VIII
Acordei no outro dia com as luzes da manhã passando pelas frestas da janela do meu quarto... Espera, como eu havia chegado lá?
Me espreguicei onde estava, me sentando logo depois e sentindo tonturas por causa disso. Fitei a mim mesma e percebi que estava nua.
- What the... – comecei a me perguntar enquanto coçava a minha nuca, quando vi um pedaço de papel escrito na mesa de cabeceira.
Era de .
“Bom dia, flor do dia! XD
Você estava dormindo tão pacificamente que não quis te acordar. Desculpe-me por não poder ficar o dia inteiro agarradinho com você: tenho simulado segunda-feira e tenho que estudar.
Beijos na sua boca gostosa,
PS: gamei na noite passada, deveríamos repetir! :P
PS2: o que você fez com o tapete da sala?”
-... Fuck. – finalmente terminei de falar, me lembrando do que acontecera na noite anterior e me tacando na cama.
Eu perdi a virgindade. E não foi com o meu namorado.
Senti-me um lixo no mesmo instante que esta frase entrou na minha cabeça. O sentimento de traição era tão forte em meu peito que fez meus olhos se aguarem. Porém, a imagem de sorrindo para mim, me olhando com seus olhos brilhantes e intensos com desejo me vieram à mente também. E eu percebi uma coisa:
Apesar de tudo, esta experiência foi, provavelmente, a melhor coisa que já me aconteceu. E percebi também, com gosto e desgosto ao mesmo tempo, que eu não desistiria dela assim tão fácil.
Eu precisava repeti-la.
Com este pensamento em mente, me levantei, escovei os dentes, coloquei somente um vestido branco por cima do corpo e praticamente quebrei a porta de casa ao sair dela.
Tamborilavam meus dedos impacientemente enquanto esperava pelo elevador. O que eu fazia era errado e eu sabia disso, mas meu desejo pelo corpo de era muito mais forte do que a razão.
Eu necessitava dele desesperadamente assim como eu necessitava de ar para sobreviver.
Saltei para dentro do elevador assim que ele parou no meu andar e apertei o botão do andar vizinho. A velhinha de chapéu esquisito na cabeça e seu chiwawa nos braços me fitavam como se eu fosse uma espécie de alien.
Até parece.
Quando saí do elevador, a escutei dizer ao cão:
- Estes jovens estão cada vez mais perdidos, Blitz.
Juro por D’us que eu a teria xingado se o elevador já não tivesse ido embora. Quer dizer, quem ela pensava que era com aquele chapéu parecendo um pássaro morto? E o cão em suas mãos que parecia estar sendo sufocado?
Francamente.
Toquei a campainha esperando a minha raiva passar e batendo o pé incessantemente no chão de mármore, quando a porta se abriu e eu, mais uma vez, me esqueci de tudo e de todos.
Céus.
estava descabelado e somente de bermuda, deixando a mostra seu peitoral bem definido. Ele sorriu de lado e se apoiou no batente da porta com os braços cruzados.
- Sabia que você viria. – sussurrou alastrando o sorriso perfeitamente branco. Convencido.
- Cala a boca. – respondi e saltei para cima dele.
Literalmente.
Enrosquei minhas pernas em sua cintura, sentindo seu membro já latejar em um quase-contato com minha entrada, e me dependurei nele enquanto beijava sua boca fervorosamente e puxava seus cabelos com certa força.
não deu sinais de rejeição.
Colocando as mãos em minha bunda para me dar sustentação, me prensou contra uma parede próxima, retribuindo minhas “carícias”. Ele sorriu ao perceber que eu me encontrava sem calcinha e sutiã.
É eu sei. Só falta alguém escrever “PUTA” na minha testa para isso ficar ainda mais evidente.
Sua boca se deslocou até meu pescoço, deixando marcas por toda a extensão do mesmo, e minhas pernas se apertaram mais em sua cintura, tentando aproximar mais nossos corpos.
Aquilo não era o suficiente. Não para mim.
- Oh ... – gemi baixinho em seu ouvido, algo que sabia que o enlouqueceria.
me fitou brevemente e foi possível enxergar o fogo em seus olhos tão profundos e intensos. Suas mãos percorreram meu corpo logo depois, deixando uma trilha de correntes elétricas pelo mesmo, e tiraram meu vestido, me deixando nua em seu colo.
Seu autocontrole (isso se ainda existia àquela altura do campeonato) se esgotou naquele exato instante.
Em um movimento rápido e preciso, mais uma vez sua boca se deslocou, mas desta vez para o meu seio. A sensação que me veio ao sentir sua língua roçar em meu bico era simplesmente inebriante...
Abracei sua cabeça com força, o incentivando a continuar o que estava fazendo e arrancando alguns fios de cabelo no processo. Movida pelo desejo, minha cintura começou a se mover em atrito com a sua, podendo sentir seu membro se enrijecer ainda mais e ouvir uma espécie de rugido escapar de sua garganta.
- Assim você me enlouquece, garota. – sorri largamente com seu gemido sôfrego.
- E não é este o objetivo? – ri após lhe responder, mas tive que parar no mesmo segundo por causa de seus dedos se movendo para dentro e para fora de mim.
Gemia alto e continuamente como se não transasse há séculos. Quando não agüentei mais, me esvai em seus dedos e minhas pernas fraquejaram, porém continuou a me sustentar. Levando os dedos melados aos próprios lábios, o observei provar de mim mesma e esta visão me fez entrar em estado de êxtase. Mordi meu lábio inferior com o intuito de me conter.
- Tão doce... – sussurrou consigo mesmo e beijou meus lábios para que eu pudesse me provar também.
Não sei explicar direito o porquê, mas aquilo me deixou ainda mais excitada. - Por que ainda tá me enrolando, ? – mordi e chupei o lóbulo de sua orelha.
- As camisinhas estão no escritório. – ele respondeu beijando meu pescoço.
- Então vamos lá. – sorri maliciosa e quando ele ameaçou me soltar para que eu andasse, recomecei a mover meu quadril.
Ele suspirou impaciente.
- Estou velho demais para isso... – o ouvi dizer enquanto o sentia se locomover.
- Ainda bem que você não demonstra isso. – respondi na minha voz mais sensual, mordendo seu queixo e o lambendo em seguida.
Tive a sensação de sentir seu sorriso se alastrar com o comentário. Mas eu não tive muito mais tempo para pensar sobre isso.
me sentou em sua mesa de vidro e se inclinou sobre meu corpo para alcançar a gaveta com camisinhas. Aproveitei o momento e comecei uma trilha de beijos em seu tórax, fazendo-o gemer com isso.
- Você é impossível. – sua voz saiu zangada e sexy. Sorri quando ele forçou com agressividade minhas pernas a se abrirem mais para ele poder se encaixar com mais facilidade.
- Me mostra do que é capaz, . – o provoquei mordendo meu lábio inferior e passando a ponta de meus dedos sob os bicos de meus seios.
Isso pareceu surtir o efeito que esperava.
Quando percebi, seu corpo já se encaixava no meu. Não doeu tanto quanto na primeira vez; na verdade, não doeu nada.
Só queria que ele continuasse logo com aquilo e parasse de me torturar.
Seus movimentos já não eram tão contidos; ele já se movimentava com agilidade e agressividade. Eu gemia de acordo, agarrando seus cabelos com força e tentando colar ainda mais nossos corpos.
- Mais rápido, ! – comandava de vez em quando e ele bufava com isso.
- Eu não sou uma máquina, . – ele respondia com aquele tom de autoridade que sempre me fazia tremer da cabeça aos pés e isso o fazia me obedecer de imediato.
Um tempo já havia se passado, mas para mim parecia que o tempo havia sido congelado. O suor em nossos corpos era evidente e nossa exaustão também, porém nenhum dos dois estava disposto a parar agora.
Ele apertava minha cintura de acordo com o ritmo e eu sabia que ficariam marcas no local. Nós dois estávamos arfando, mas sorrindo ao mesmo tempo.
Internamente, quero dizer.
Senti meu corpo tremer e meus dedos dos pés se contraíram. Gemi mais alto e sussurrou:
- Agüenta só mais um pouco... – como assim “só mais um pouco”?
- Não... Dá... – disse com dificuldade antes de esvair finalmente.
Abracei a cabeça de tentando recuperar o fôlego enquanto ele continuava a se movimentar para ter seu próprio prazer. Sorri finalmente ao sentir seu corpo tremer também e ele se esvair logo em seguida: era a melhor sensação do mundo.
Ele me abraçou pela cintura e colocou a cabeça no meu pescoço.
- Você não existe, garota. – disse tentando respirar.
Sorri de olhos fechados.
- Então você transou com a própria imaginação? – o senti rir fracamente.
- Por que veio? – sua voz saiu mais séria.
- Não é óbvio? – ele me fitou.
- ... – ele me repreendeu e eu o interrompi.
- Olha, eu não vou fingir que sou santa, ok? Isso nunca fez parte de mim. – disse severamente – Sempre quebrei as regras e vou continuar a fazer isso não importa o que digam. – pausei para respirar – Sei que traí e sei que isso foi errado, mas fazer o que? Ele assumiu os riscos. Nunca prometi lealdade a ele ou algo do gênero. – passei a mão na testa para tirar o excesso de suor.
- Não o ama? – levantei uma sobrancelha.
- Não, . E não sei se vou realmente amar alguém um dia; isso nunca fez parte de mim também.
Silêncio.
- O que faremos agora? – ele me perguntou suspirando baixinho.
- Eu vou te dizer o que EU quero e vou fazer. – o fitei intensamente – Eu vou continuar com , porque não é justo com ele terminar tudo por nenhum motivo, ele é um fofo comigo e eu ainda não me enjoei dele. – suspirei – E também vou continuar a transar com você, porque por algum motivo tosco, eu não consigo te tirar da cabeça. E você é bom demais também para se jogar fora. – seu sorriso se alastrou – Bem, é isso que vou fazer. Só se você não quiser ser meu “amante”. – fiz aspas com os dedos – Mas não creio que vá desistir de mim tão fácil. – ele revirou os olhos – Agora só depende de você. – sorri de lado – E aí?
Ele riu por um tempo e disse:
- Você sabe realmente convencer alguém, .
Eu só sorri.
CAP IX
- Quantos namorados você já teve? – perguntou em dado momento e fiquei extremamente surpresa com esta pergunta. Estávamos ainda em seu apartamento, deitados nus em sua cama king-size e, entre nós, havia um pote repleto de morangos com chantilly.
É, eu sei.
- Deu crise de ciúmes, ? – ri descaradamente enquanto comia mais um morango, lambendo o chantilly que havia em volta do mesmo.
sempre parecia ficar hipnotizado quando eu fazia isso.
- Só curiosidade. – balançou os ombros fingindo descaso.
- Vou fingir que acredito. – enfiei o morango inteiro na boca e antes que ele começasse a retrucar, respondi – Por volta de dez caras, eu sei lá. Perdi a conta. – era a minha vez de balançar os ombros em descaso, mas o meu gesto era mais verdadeiro do que o de .
- Alguém que eu conheça além do diota? – dei um tapa em seu braço enquanto ria.
- Para, o é um doce... – não pude deixar de rir também.
- Mas não é homem o suficiente para você, . – retrucou em um tom sexy, empurrando o pote para o lado e subindo lentamente em cima de mim – Por que acha que se rendeu ao meu charme, senhorita?
- O simples fato de você ser bom de cama não basta? – estava ficando sem ar por estarmos tão perto um do outro, seu corpo viril prensando o meu no colchão.
- Sou eu aquele que te dá prazer, . – o modo como sussurrava meu sobrenome ao pé de meu ouvido fazia meu corpo inteiro tremer e arder de desejo. Ele beijou minha clavícula e a mordeu logo em seguida – Eu posso te levar ao paraíso e trazê-la de volta sem muito esforço e você sabe disso. – sorrindo maliciosamente, abaixou seu rosto para o meu pescoço, onde deu um chupão que me fez gemer alto o suficiente para comprovar o que dizia – É o MEU nome que você geme quando transamos; é em MIM que pensa quando está ardendo de excitação. – agarrei as cobertas com força quando mordeu levemente o bico de meu seio – Conheço mais o seu lindo corpinho do que todos os namorados que teve. Sei onde te tocar, onde te beijar... – ia lembrá-lo de , mas minha linha de raciocínio se rompeu quando mordeu o bico do outro seio – Faço você sentir coisas que ninguém jamais fez você sentir antes, .– pausou para rir, me causando arrepios – E é exatamente por isso que você me quer. – sorrindo mais uma vez, terminou – Só admita que não consiga mais viver sem mim. – riu convencido. O sonho acabara com aquelas palavras.
- Não consigo, é? – o desafiei levantando uma de minhas sobrancelhas. Troquei de lugares, parando em cima de seu corpo (já excitado, percebi orgulhosa) – Eu me virei muito bem antes de você chegar, . E eu poderia continuar fazendo-o por muitos e muitos anos... – mordi seu lábio inferior e senti seu corpo estremecer – Agora, por que você acha que quis me seduzir, para começo de conversa? Pelo que me lembro, foi você o primeiro a dar o passo. – fui tamborilando meus dedos pelo seu corpo viril até chegar na “área baixa”, fazendo-o engolir em seco – Eu te digo por quê: na verdade, é VOCÊ que não consegue mais viver sem mim. – sorri diabolicamente antes de envolver seu membro com minha mão. Escutei um gemido sôfrego escapar de sua garganta – Só admita, . Você que me imagina realizando seus fetiches 24 horas por dia... Mesmo que eu não esteja com você, ainda me visualiza assim, sorrindo maliciosamente, gemendo seu nome... – arranhei seu tórax com brutalidade e senti seu braço segurar meu pulso como se pedisse para acabar com seu sofrimento. Mas ah, estava longe de realizar seu pedido – Porém, você está enganado. – me aproximei de sua orelha, sussurrando - Sou eu aquela que te dá prazer. Eu posso te levar ao paraíso e trazê-lo de volta sem muito esforço e você sabe disso. É o MEU nome que você geme quando transamos; é em MIM que pensa quando está ardendo de excitação. Sei onde te tocar, onde te beijar... Faço você sentir coisas que ninguém jamais fez você sentir antes e é exatamente por isso que você me quer. – repeti suas próprias palavras com certo sarcasmo antes de morder o lóbulo de sua orelha.
Isso bastou para que ele perdesse o controle.
Trocando brutalmente de lugares mais uma vez, , subiu sob meu corpo, beijando minha boca furiosamente. Sua língua, enroscada na minha, dizia o que eu mais queria ouvir: Eu sou todo seu.
Pois é. Eu havia conseguido novamente.
Passou-se uma semana desde que eu perdera minha virgindade com . Na escola, quando nos esbarrávamos “sem querer”, nossos olhares eram suficientes para que soubéssemos que estávamos ansiosos para ficarmos entre quatro paredes a sós novamente.
Deu para perceber que esta semana não havia sido monótona, não é? percebera que eu estava mudada, mas não ousei dizer nada até aquele momento. Eu e havíamos concordado que, quanto menos pessoas soubessem, melhor.
Mas era difícil esconder algo tão grande da minha melhor amiga.
- E quando vocês vão sair novamente? – perguntei tentando mudar o rumo de meus próprios pensamentos. Era uma Sexta e ela estava dizendo sobre como estava sendo maravilhoso sair com .
- Nós vamos para a casa de praia dele amanhã – ela disse toda sonhadora e maliciosa ao mesmo tempo – Vamos ficar por todo o feriado e só voltaremos na outra semana.
- Sua sortuda! – bati levemente no braço dela – não está nem me levando para a esquina de casa esses dias. – disse fingindo ressentimento – Ele está dando duro dessa vez para entrar na faculdade, mas isso está praticamente nos tornando estranhos um para o outro...
- Dá um tempo para ele, . Aposto que esta sendo tão difícil para ele quanto para você. – antes que pudesse concordar escutamos o alto falante anunciar:
- Todos os alunos e professores na sala de teatro imediatamente.
- O que ela quer agora? – revirei os olhos. só balançou os ombros e logo estávamos sentadas nas cadeiras do grande salão.
A diretora estava no palco, e mais um professor que não reconheci estavam com ela. Senti que me fitava calorosamente e o fitei da mesma maneira.
- Bom dia. – a diretora começou a dizer – Como todos sabem, no final do ano passado, foi recolhido os seus nomes a fim de sortearmos 20 para viajarem até Veneza este ano. – burburinhos se espalharam pelo salão neste momento – Bem, eles foram escolhidos. Os professores e Dumpings serão aqueles que acompanharão os alunos semana que vem nesta viagem. Aqueles escolhidos deverão se apresentar aqui na escola amanhã de manhã mesmo, sendo dispensados hoje para fazerem suas malas, e voltarão de viagem somente domingo que vem. Alguma pergunta? – o silêncio permaneceu – Então prosseguiremos.
Um a um, os nomes foram saindo. Devo admitir que estivesse sim querendo ir e nem era por irmos para Veneza (já havia viajado para lá inúmeras vezes), mas sim por certo professor que nos acompanharia...
-... ... – quase não a escutei dizer, mas quando percebi, dizia: - Sua sortuda! Vai para Veneza! Você não pode se esquecer de... – e seu discurso do que eu deveria comprar e do que eu deveria fazer continuou, porém eu não a escutei.
continuava a me encarar, um sorriso malicioso, mas discreto, em seus lábios carnudos. Uma de minhas sobrancelhas estava levantada em sua direção e, em meu rosto, um sorriso torto e safado estava estampado.
Esta viagem não ia prestar. Mas no melhor sentido da palavra.
- Vou sentir sua falta. – me dizia enquanto me abraçava fortemente. Estávamos no aeroporto, minhas três grandes malas já haviam sido despachadas e eu estava meio enérgica para sair logo dali.
- Eu também vou sentir sua falta, docinho. – minha voz saiu abafada pelo seu corpo musculoso. Inclinando-se sobre mim, senti seus lábios encostarem-se aos meus e lhe devolvi o beijo da mesma forma.
Por que eu não sentia mais a mesma excitação que antes?
- Quando voltar, vou fazer uma festa particular para nós dois. – sussurrou sensualmente e senti meu corpo estremecer, porém não era da mesma forma que me sentia antes de aparecer em minha vida.
“Deixe disso, !” me ordenei mentalmente.
- Vou esperar ansiosamente. – sorri abertamente, enroscando meus braços em volta de seu pescoço e beijando sua boca ardentemente, tentando resgatar algum resquício que fosse daquela sensação gostosa que sentia quando beijava ...
Uma de suas mãos apertou meu seio e uma apertou minha bunda. Ah, ali estava ela! Deixei escapar um gemido sôfrego de minha garganta e senti meu corpo começar a se “acender”.
- Como vou sentir falta disso. – sussurrou em um gemido no meu ouvido antes de morder o lóbulo de minha orelha. Suspirei de acordo.
- Pelo menos não vai se arrepender de tirar o atraso quando eu voltar. – retruquei em um sorriso sacana.
- Tem certeza que não temos um tempinho antes de você ter que entrar? – com o brilho de seus olhos de encontro com os meus, eu quase cedi.
Eu disse QUASE.
- Tenho que entrar agora. – fiz um biquinho e dei mais um selinho em sua boca apetitosa. - Me liga! – o ouvi dizer enquanto me afastava e, antes de passar definitivamente pela polícia federal, mandei um beijo no ar em sua direção.
- Não gosto de ver você assim com ele. – estremeci ao escutar a voz de atrás de mim tão próxima.
- Acostume-se. Ele é meu namorado. – essas palavras quase não saíram de minha garganta, mas suspirei aliviada quando saíram.
- Não precisava ser assim e você sabe disso. – ele apertou minha bunda e gemi baixinho quando grudou minhas costas em seu corpo.
- Para que me satisfazer com um se tenho dois? – retruquei baixinho – Agora me solta. Estamos em público e não queremos chamar atenção.
- Isso ainda não acabou. – ele me soltou logo depois de terminar, me deixando com calor até demais e um pouco desnorteada.
Céus. Aquela viagem ia ser quente.
n/G: sorry pela demora, vocês sabem... Escola, cursinho e tals. Enfim, sei que este cap é curto, mas já começei o próximo, e sei também que provavelmente não tenho mais leitoras, mas espero estar enganada. APROVEITEM, FLORES! Bjxxx
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- Terra chamando , hello! – me deu um pedala e eu gemi de dor.
- Ai, , um dia você vai afundar o meu crânio e furar o meu cérebro com esses pedalas agressivos! – dei leves carinhos em minha nuca enquanto fazia cara de dor.
- Você é sempre tão dramática... – ela revirou os olhos, colocando sua mala na carteira ao lado.
- Isso porque você nunca se deu um pedala para sentir a dor que causa. – balancei a cabeça tentando ignorar a dor constante e voltei a fazer as anotações da aula de Geometria (me esforçando a não me matar durante o processo). Tentando mudar de assunto, perguntei – Mas me diga: por que você resolveu dar o ar da graça somente após a primeira aula?
Ela sorriu, olhando para cima e mordendo o lábio inferior.
- Não fui só eu que chegou tarde hoje. – ela apertou os olhos firmemente.
Franzi o cenho tentando entender a sua linha de pensamento quando eu finalmente me toquei do que ela dizia.
- OMG, sua cachorra! Quer dizer que só porque temos um baterista novo, você já tem que "estreá-lo"? – ela riu com isso, mas ficou totalmente vermelha.
- Ah vá... é gato demais de se jogar fora. E, além disso, ele já está na banda há dois meses.
- É por isso que você não estava atendendo ao telefone... – pensei em voz alta a ignorando completamente – Juro, da próxima vez que fizer uma coisa dessas sem me avisar, eu arranco seus cabelos tingidos e ainda uso de casaco!
- Agora sim estou com medo. – ela fez tom de deboche e nós rimos como loucas até o prof. de História, Mr. Thompson, entrar e dizer com sua voz anasalada para ficarmos quietos, "seus pestinhas fedorentos!".
Nossa como eu sou mal educada! Prazer, meu nome é , mas pode me chamar de ( é só para os íntimos, ok? Beijo me liga ;o). Eu sou o que as pessoas chamariam de "patricinha revoltada", ou seja, uma garota que tem os pais podres de rico (os dois são médicos, então não param em casa), mas não se exibe por aí fazendo milhares de compras e usando somente roupas de grife. E para juntar ao pacote, ainda tenho uma banda de rock. Bem, não é bem de rock, porque cada integrante tem opiniões musicais tão diferentes que temos que misturar todos os estilos nas nossas músicas!
A ( ou para os íntimos como eu e, aparentemente, ) é a back vocal, guitarrista e a tecladista; Camilla (Camii) é a back vocal e guitarrista também; (o nome dele na verdade é , mas ele fica puto quando o chamamos assim, então o chamamos de ou ) é o baterista; () é o vocalista masculino e baixista; e enquanto a moi (mim), eu sou a vocalista feminina e compositora (isso quando não tocamos canções de outros artistas).
Eu e estudamos na mesma escola (3º ano é o pesadelo pessoal de qualquer um, acredite), enquanto Camii estuda em outro colégio no 2º ano e e fazem, pela segunda vez consecutiva, cursinho para tentarem entrar na facul. É mole?
Mesmo sendo meio burrinho (só tô zoando, ok?), ele conseguiu me conquistar com seu jeito fofo e ganhou o título de "namorado da esquisitona" (esta seria eu), o que cria vários suspiros e comentários envolvendo "que desperdício de homem" e "eu mataria aquela vadia se pudesse".
Mas eu não as culpo, porque é realmente O cara. Tipo imagina um deus grego com uma camisa e uma bermuda que marcam todos os seus músculos definidos (conquistados com muito esforço na academia, ele me disse) e um sorriso branco que rouba suspiros por onde passa. Imaginou? Então você acabou de imaginar em pessoa.
- Aposto que está pensando em de novo. – me acordou da brisa praticamente mortal em que me encontrava anteriormente. Acredita que eu "viajo" tanto que eu nem percebo quando a aula acaba?
- Não... – tentei disfarçar sentindo meu rosto queimar – Mas não tente mudar de assunto, mocinha! COMO É QUE FOI?
- Depois sou eu que quero mudar de assunto. – ela riu com gosto. Ela era minha amiga desde que entrara na escola na 4ª série, então nunca mais nos separamos. Meio lésbico, né? – Porém, como eu sou muito boazinha, eu te conto tudo.
Nós estávamos saindo da sala para aproveitarmos os 5 minutos que tínhamos antes da próxima aula começar (Literatura, mas ninguém quer saber disso, não é mesmo?) e para a me contar a história sem fofoqueiros de plantão ficarem escutando, quando alguém esbarrou em meu ombro com MUITA força.
- EI, OLHA PARA ONDE... – comecei a gritar totalmente estressada com a falta de atenção do futuro defunto, mas eu travei quando vi seu rosto. Era um cara, aparentemente, alguns anos mais velho, mas sua blusa preta, seus jeans surrados e All Stars pretos o deixavam parecendo mais jovem (além de deixar transparecer seus músculos totalmente apetitosos); seus cabelos bagunçados e escuros exalavam um cheiro gostoso mesmo para aqueles que estavam a milhares de distância dele (ou era impressão minha?); sua pele era clara e parecia macia; seus olhos, o que mais me chamou atenção, eram intensos e me encaravam com uma expressão preocupada e algo a mais que eu não consegui identificar. O que eu achei estranho, pois eu sempre fora boa em interpretar os olhos das pessoas. Aquele estranho era tão misterioso em tudo que eu já me sentia presa a ele; como se nossos futuros estivessem entrelaçados, de alguma forma.
Peraí. Que merda eu to falando?
- Me desculpa. Eu... Andava distraído. – ele gaguejou levemente e esticou a mão para me levantar (eu já disse que tinha caído no chão com o "golpe"?), a que eu aceitei, apesar de sentir fortes choques elétricos com o contato de sua pele.
- Sem problemas. – minha língua parecia querer se enrolar e eu engoli em seco.
- Bem... Até... – ele levantou uma sobrancelha.
- . – sorri tímida, algo que sempre faço quando conheço alguém novo.
- Prazer. – ele pareceu engolir em seco e sorriu (um pouquinho forçado, pelo que pude perceber), então se virou e foi embora.
Agradeci quando recomeçou a falar; assim ela não perceberia que as minhas pernas tremiam sem parar.
- OMG, você sabe quem acabamos de conhecer? – ela olhava para mim esperando algum tipo de reação meu. Eu somente balancei a cabeça – !
- Quem? – franzi o cenho.
- É o novo professor de música do Ensino Fundamental II. Jorge foi embora. – ela fez uma careta relembrando do nosso antigo professor careca e fedorento - Parece que ele estava dando "aulas particulares" a uma aluna e foi embora – ela fez aspas com as mãos. Eu não me surpreendi por esta notícia: todos sabiam de suas "aulas".
- Mas como você soube desse... ? – só de falar o seu nome meu coração dava piruetas. Eu não sabia se eu deveria gostar ou não deste sentimento.
- A escola inteira está falando nele. Você só não sabe por que não se interessa pelas notícias dessa porcaria de escola... – isso era verdade – Já para mim, é praticamente impossível não saber dessas coisas, já que minha mãe é uma das presidentes daqui. – ela fez outra careta engraçada e eu não pude deixar de rir, mesmo que fracamente.
- O que acaba sendo bem útil, vai... – o que eu dizia era verdade. A banda não tinha um lugar privado para fazer os ensaios, então tivemos que pedir a escola para todos os dias, logo após o término das aulas da manhã, usar o palco de teatro por 2 horas. Logo eles escolheriam algum dos professores para ficar de olho em nós para que não fizéssemos alguma besteira e acabássemos quebrando alguma coisa.
- É verdade. Tem que ver o lado bom das coisas... Se não fosse pela minha mãe, eu provavelmente ainda estaria no mini maternal. – eu não consegui deixar de gargalhar nesta hora.
Quando parei de rir, me contou toda a história, porém eu não consegui prestar a mínima atenção nela. Por mais que ela fosse a minha amiga e eu a amasse, eu não poderia me esquecer (mesmo que quisesse) dos olhos do professor . Sei lá... Eles pareciam como ímãs para mim: não saíam de minha cabeça. E eu sabia que não sairiam tão cedo...
Aliás, eu sentia, com um calafrio em meu corpo, que um desastre estava prestes a acontecer em minha vida. Mesmo assim, eu sorri. Quem sabe esse futuro "caótico" não animasse as coisas um pouquinho?
CAP II
Mais um dia de tortura (leia-se: escola) se passou e eu me encontrei, pela milionésima vez, pensando nos “dotes” físicos do novo professor de música.
“FUCK! Por que eu não consigo tirar ele da minha mente?” me perguntava enquanto balançava a cabeça e fingia escutar decidindo qual seria a próxima cor de seu cabelo.
Nós estávamos sentadas no chão em frente à sala de teatro. O sol, tímido entre as nuvens, iluminava nossos rostos ligeiramente, mas o suficiente para eu franzir os olhos e não conseguir ver quem se aproximava.
- Buh. – sussurrou em minha orelha esquerda. Ele viera por trás de mim e abraçava a minha cintura com certa delicadeza, enquanto suas grandes mãos brincavam com a barra de minha blusa da Abercrombie.
Antes que vocês perguntem, a resposta é não. E para aqueles que não sacaram qual é essa pergunta, é o seguinte: eu ainda sou virgem. Eu só estava com há uns três meses e eu ainda não estava pronta para me entregar a ele ainda.
É nessas horas que eu vejo o quanto ele pode ser carinhoso e paciente.
- Como estão as madames? – perguntou com um sorriso tão grande no rosto que a olhou para o chão parecendo um tomate. Ele carregava a sua habitual mochila desgastada enquanto ele subia os cinco degraus do pátio e cheirava e beijava o meu pescoço. Eu fechei os olhos e gemi bem baixinho.
- Parece que a nunca esteve melhor. – a começou a rir e eu mostrei a minha língua para ela.
- Bobona. – abri os olhos, tirando os braços de e me levantando ao mesmo tempo. Ele fez um biquinho se levantando também e tudo o que pude fazer foi apertar a sua bochecha e rir com gosto.
- Vamos pombinhos? Nós não temos o dia todo. – realmente sabe quando ser chato nas piores horas. Ele mostrou a língua para nós em uma careta, porém quando olhou para , ele sorriu amavelmente. Mais uma vez, minha amiga ficou totalmente vermelha.
- Ei, não estão se esquecendo de alguém não? – nos viramos ao escutar a voz de Camii: ela vinha correndo com a bolsa de escola pendendo ao seu lado e ela ofegava como tivesse corrido na maratona. - Tem que ser mais rápida, baixinha. – só riu quando Camii socou seu ombro. Era lógico que ele estava brincando, afinal: a escola dela ficava praticamente do outro lado da cidade! - Chega de papo e vambora, cambada de preguiçoso! – fui abrindo a sala e entrando enquanto falava; liguei a luz e já me dirigi ao palco.
- Baixou a chefona agora. – tudo o que fiz foi revirar os olhos com o comentário desnecessário.
Coloquei minha mochila em um canto, pegando a pasta com todas as músicas que tocávamos (tanto as compostas por mim quanto as famosas).
- Ok, por qual vocês querem começar? – perguntei enquanto eles ainda pegavam suas pastas de suas devidas mochilas.
- Ah, sei lá. Escolhe uma aí. – balançou os ombros e eu revirei os olhos. Típico de homem agir como se nada fosse mais importante do que o próprio nariz.
Não me levem a mal, mas eu não AMO ele. Eu só gosto, tipo, ele seria um ótimo amigo e tals se ele não fosse tão gostoso e se ele não beijasse bem pra caramba (além de ter A pegada). Então, até chegar o dia que eu vou me enjoar definitivamente dele (tem dias que eu simplesmente não agüento mais ele, mas eu logo me arrependo e tento me esquecer do assunto), eu vou continuar o xingando mentalmente, porém sem deixar de pegá-lo ao mesmo tempo.
- Ok, você que pediu. – se virou para mim sem entender (com a sua expressão fofa de confusão, a qual ele faz praticamente 24 horas por dia) – Podem pegar “Girls Just Wanna Have Fun”, por favor? – eu me deliciei ao vê-lo bufar logo em seguida.
ainda ria enquanto se posicionava no palco com a sua guitarra e o microfone a sua frente. Eu só a encarei com o olhar de “Pois é eu sou demais!”.
(Música: Girls Just Wanna Have Fun – versão da Miley Cyrus)
Quase automaticamente senti a música me preenchendo. Sorrindo, comecei a cantar:
I come home
(Eu chego em casa)
In the morning light
(Á luz do dia)
My mother says
(Minha mãe diz:)
When you gonna live
(Quando você vai viver)
Your life right
(sua vida decentemente?)
Oh mother dear
(Oh mãe querida)
We're not
(Nós não somos)
The fortunate ones
(os únicos afortunados)
And girls
(E garotas)
They wanna have fun
(Elas querem se divertir)
Oh girls
(Oh garotas)
Just wanna have fun
(Só querem se divertir)
Às vezes eu penso que sou louca, sério mesmo (ok, não é “Às vezes”). Quando teve a pausa para os instrumentos tocarem, eu comecei a dançar! Assim, do nada! E olha que não é uma cena muito bonita de se presenciar... Digamos que eu nunca fui uma dançarina do ventre...
The phone rings
(O telefone toca)
In the middle of the night
(No meio da noite)
My father yells
(Meu pai grita)
What you gonna do
(O que você vai fazer)
With your life
(Com a sua vida?)
Oh, daddy dear you know
(Oh, papai querido, você sabe)
You're still number one
(você ainda é o número um)
But girls
(Mas garotas)
They wanna have fun
(elas querem se divertir)
Oh girls just wanna have
(Oh, garotas só querem se...)
Eu mantinha os olhos fechados o tempo todo, sentindo somente a música. Nunca soube direito o porquê, mas sempre achei que os artistas que cantam com os olhos abertos não sentem a música do jeito que deveriam. Por isso eu tento sempre deixá-los fechados, para torná-la mais verdadeira.
(Refrão)
That's all they really want
(Isso é tudo que elas realmente querem)
Some fun
(Alguma diversão)
When the working day is done
(Quando o dia de trabalho está feito)
Girls
(Garotas)
They wanna have fun
(Elas querem se divertir)
Oh girls
(Oh garotas)
Just wanna have fun
(Só querem se divertir)
Cantando, senti algo que eu não deveria estar sentindo: olhares cuidadosos e observadores sobre mim. Ignorei essa impressão, pensando que fosse alguém da banda, então só continuei a cantar e a dançar.
Some boys
(Alguns rapazes)
Take a beautiful girl
(Pegam uma linda garota)
And hide her away
(E a escondem longe)
From the rest of the world
(Do resto do mundo)
I want to be the one
(Eu quero ser aquela)
To walk in the sun
(A caminhar no sol)
Oh girls they wanna have fun
(Oh garotas, elas querem se divertir)
Oh girls just wanna have
(Oh garotas, só querem se...)
(Refrão)
They wanna have fun
(Elas querem se divertir)
They wanna have fun
(Elas querem se divertir)
...
Olha, eu vou te dizer uma coisa: se eu soubesse o que aconteceria depois que eu terminasse de cantar, eu juro que nem teria me levantado da cama naquela manhã!
Eu ainda sorria que nem boba poucos segundos antes de alguém começar a bater as palmas quando os instrumentos pararam de tocar. Estranhando esse comportamento (porque nenhum de nós jamais aplaudia após tocar uma música), abri os olhos e, para o meu horror, eu vi quem eu menos queria ver naquele momento.
.
- Eu não sabia que nessa escola havia artistas de verdade. Estou impressionado. – fitava a todos enquanto falava, porém, no final, seus olhos se fixaram somente em mim e adquiriram um brilho diferente ao me fitarem.
Continuei congelada onde estava.
- E quem é você? - me agarrou pela cintura, assumindo uma voz ameaçadora e anormal.
- Se acalme. – sussurrei com medo do que poderia fazer e sorriu.
- , novo professor de música do fundamental. Fui o sortudo designado a acompanhar os seus ensaios na sala de teatro. – ao contrário do que pensei que teria, não tinha nenhum tipo de sarcasmo em sua última frase. Eu engoli em seco – Felizmente eu não vou ficar com dores de cabeça no final das tardes, pelo visto, pois vocês são realmente muito bons. – ele me fitou novamente – Principalmente você, . Você tem um talento em tanto. Deveria investir nisso.
- Obrigada. – sussurrei, mas me interrompeu.
- Por que você acha que temos uma banda? Para brincarmos de casinha? – sentia seu braço me apertar com mais força – E para você, é Srta. . Entendeu?
Meu Deus, esta seria uma ótima hora para jogar um raio em cima de mim, dá para ser?
- Eu só a chamarei assim se ela desejar. – em nenhum momento ele retirou os olhos de mim – E então?
Por que eles tinham que me encurralar contra a parede? Até parece que eu poderia lhes dizer, neste momento, que ele poderia me chamar até pelo apelido enquanto geme bem próximo ao meu ouvido...
Céus... Eu realmente preciso de terapia.
- Por que agente não deixa de gayisse e se apresenta? – a interrompeu e eu desejei me ajoelhar aos seus pés e agradecê-la eternamente – Meu nome é , mas me chama de . – ela sorriu – A você já conhece, o grandão é o , o baterista é o – ele acenou de onde estava ao ser mencionado – e a baixinha...
- Eu sou a Camilla, mas eu prefiro Camii. – ela sorria e piscava de forma estranha enquanto apertava a mão de . Foi quando eu me toquei:
Todos os dias, por exatamente duas horas, eu estaria na presença daquele que eu não consigo tirar da cabeça nem com macumba (não que eu já tenha tentado, mas você entendeu o espírito da coisa)!
E eu pensava que as coisas não poderiam ficar piores (por que eu nunca acreditei na Lei de Murphy mesmo?)...
CAP III
Eu tentei, eu juro por tudo o que é mais sagrado nessa vida, que eu tentei ignorá-lo. De verdade.
Mas só a presença dele naquele salão já me deixava nervosa. Será que era porque eu sentia o seu olhar detalhista sobre mim? Será que era porque eu conseguia sentir o seu perfume mesmo a vários passos de distância?
E porque eu estou me fazendo tantas perguntas cretinas?
- , você está me deixando preocupada agora. – só acordei de meus pensamentos quando se dirigiu a mim com o cenho franzido. Percebi, enquanto bufava para mim mesma, que eu tinha perdido a minha entrada na música. De novo – O que foi?
- Não aconteceu nada. – sorri amarelo esperando que fosse convincente o suficiente – Eu só estou um pouco cansada. Eu acho que é melhor ir para casa e descansar um pouco.
- Então vamos dar por encerrado por hoje que eu te levo para casa. – fitei com uma expressão incrédula no rosto, já que ele sabia que minha casa não ficava muito longe da escola.
- Não precisa, . E, além disso, você sabe que meus pais não gostam que eu ande de moto... – infelizmente para mim, que amava motos de paixão, essa era a cruel realidade da minha vida.
- E eu não vou deixar você andar sozinha na rua desse jeito. – ele pegou as minhas coisas do chão enquanto arrumava as suas coisas e me encarava decidido. Eu suspirei derrotada.
- Ok, então vamos, né? – Camii resmungou, irritada provavelmente por ninguém ter perguntado a ela sua opinião. Mas eu estava com coisas de mais na cabeça naquela hora para ficar me preocupando com aquilo, apesar de ela ser minha amiga.
Seguindo com para saída, percebi pela primeira vez que não estava ali. Aonde ele havia se metido? Por mais que eu evitasse, meu cérebro trabalhava constantemente, tentando descobrir sobre o desaparecimento do professor .
- Me liga, sua mala! – gritou à distância, já que conversava animadamente com e não parecia disposta a sair dali tão cedo. Ainda iria rolar muita coisa entre esses dois...
- Tá rindo do que? – me estendeu o capacete, já posicionado em sua bela Suzuki.
- Esses dois ainda vão namorar, você vai ver. – peguei o capacete de sua mão e subi na moto, retribuindo o seu gigante sorriso.
- Se segura. – sua voz saiu abafada, mas alta o suficiente para que eu escutasse. Balancei a minha cabeça em sinal positivo, então ele acelerou e logo estávamos fora da escola.
Eu fechei os olhos, percebendo pela milionésima vez o motivo pelo qual eu amava motos. Elas me proporcionavam liberdade; algo que eu não estava acostumada a ter na minha vida. Sentindo o vento bater contra o meu corpo, quase soltei da cintura de e este riu quando eu o apertei com mais força para que isto não acontecesse.
Chegamos a frente ao meu prédio em 5 minutos. Saí da moto, tirando o capacete e entregando em suas mãos.
- Valeu pela carona. – sorri largamente para ele, sem me preocupar se algum conhecido de meus pais (ou eles mesmos) visse a cena.
- Disponha gata. – ele piscou para mim, tirando o próprio capacete e se inclinando em minha direção, colando nossos lábios. Uns segundos depois, ele cortou o selinho, colocando o capacete de volta.
- Me liga quando você melhorar. – sem me dar tempo para responder, ele acelerou e já sumiu de vista, furando uma meia dúzia de sinais vermelhos. Eu só ri da cena, me virando com minha mochila nas costas e entrando no prédio.
“Finalmente, paz.” Pensei com um sorriso discreto brincando em meus lábios, entrando no elevador, coincidentemente, já parado no térreo. Apertei o número do meu andar, esperando o elevador fechar...
... Quando um All Star preto segurou a porta.
Espera. All Star preto?
Eu sei o que vocês vão dizer. Existem milhares de All Stars assim, .
Pois é, não me levem a mal, eu sei que vocês tem razão... Mas quando uma coisa ruim está prestes a acontecer na minha vida, é como se eu tivesse um sexto sentido que me avisasse sobre ela. Eu não tenho culpa.
Sendo assim, acho que vocês já supõem que foi , em carne e osso, que entrou no minúsculo elevador espelhado de meu prédio recém-reformado, não é mesmo?
Ah, e eu já informei que eu estava lá TAMBÉM?
É castigo, só pode...
E o que eu fiz? Só fiquei o encarando com os olhos esbugalhados, sem capacidade mental de dizer uma única palavra.
Pois é. Eu sou uma inteligência muito rara.
- ? – pelo menos eu não era a única surpresa por ali – O que você está fazendo aqui?
Ahn... Dãh?
- Eu... Moro aqui? – disse lentamente para não me embolar nas palavras e, ao mesmo tempo, sem acreditar na pergunta óbvia que ele fizera.
- Ah... – foi tudo o que ele respondeu sem tirar os olhos de mim e continuando parado onde estava.
- Não vai entrar? – levantei uma sobrancelha em sua direção e ele pareceu “acordar” de seus pensamentos. Xi... Parecia eu...
- Claro. – ele sorriu amarelo e se posicionou ao me lado, apertando no botão do andar que...
Isso não podia estar acontecendo. PORQUE NOSSOS NÚMEROS ESTÃO DIRETAMENTE UM ABAIXO DO OUTRO?
Eu simplesmente não conseguia tirar meus olhos esbugalhados (mais uma vez) do painel de controle. Aquilo não podia ser verdade, simplesmente não podia.
E como eu nunca percebi que ele morava no mesmo prédio que eu? Quer dizer, se um cara gostoso como esse morava no mesmo prédio do que eu, eu teria percebido, não é mesmo?
Mas do jeito que eu era desligada, decidi vencer o meu bloqueio mental e físico e conferir este fato curioso com ele.
- Há quanto tempo você disse que mora aqui mesmo? – virei minha cabeça ligeiramente em sua direção.
- Eu não disse. – ele me olhava confuso enquanto um sorriso engraçado brincava em seus lábios cheios.
Nossa... Cada dia mais eu me impressiono com a minha capacidade mental.
- Eu estou perguntando agora... – senti meu corpo pegar fogo e tentei ignorar as batidas consistentes que meu coração insistia em fazer.
- Bem, acabei de me mudar, na verdade. – ele olhou para o teto (o que ele tinha de especial que eu não tinha? Ok ignorem o momento boból) – Surgiu esta proposta de emprego e este apartamento é mais perto do trabalho. Acabou por ser uma coisa boa, na verdade. – ele disse a última parte mais para si mesmo e meu coração quase saiu pela minha boca.
- Concordo. – putz, será que dá para alguém me internar?
Ele percebeu meu deslize e me fitou com os seus perigosos olhos. Quando estava prestes a tentar consertar a solução, o elevador parou e fitou a porta sorrindo.
- Parece que nos veremos muito então... – ele abriu a porta e quando o elevador estava quase se fechando, o escutei dizer -... Vizinha.
Por que essas coisas só acontecem comigo?
CAP IV (Dedicado à minha Revisora/Best que “lutou” contra o PC dela sem dó para por minha fic no POP! *-*)
Entrei em meu luxuoso apartamento (um duplex, para falar a verdade) com um olhar perdido, pensamentos confusos e minha Husky Siberiano, Sunny, latindo para mim.
- O meu dia não pode piorar... – sussurrava enquanto acariciava minha cadelinha de três meses. Fui para o meu quarto, que ficava no “térreo” e, quando ia me jogar na cama, escutei:
- , vem aqui que quero falar com você. – era a voz de mamãe.
Lei de Murphy idiota.
Praticamente marchei até a sala de jantar, onde minha mãe fitava as unhas (que pareciam postiças) e meu pai lia o jornal despreocupadamente, os dois em silêncio.
- Oi querida! – mamãe exclamou com sua voz enjoativa e eu me sentei no meu lugar de costume – Chegou cedo, o que houve? Finalmente se enjoou daquela bandinha?
Contei até mil antes de responder:
- Eu não me sentia bem, só isso. – sabia que discutir com ela sobre o meu amor pela música era perda de tempo, então não disse mais nada. - Que pena... – sabia que ela se referia ao fato de eu não ter me enjoado da banda. – Bem, isso é só questão de tempo, você vai ver. Eu só espero que quando der esse tempo, não seja tarde demais para você... – ela viu que eu retrucaria, então continuou – Mas não foi por isso que eu te chamei. – ela começou a lixar suas unhas – Eu quero dar o relatório das próximas semanas.
Ela chamava de “relatório” quando ela e/ou papai viajavam para um congresso em outra cidade ou país e eu acabava sozinha. Eu já estava acostumada, então só balancei os ombros enquanto jantava.
- Eu e seu pai iremos para um congresso em Viena amanhã e talvez teremos outro logo em seguida, então não sei quando vamos voltar. – ela sempre falava como se ela fosse muito presente em minha vida... – Espero que não se enjoe de Charlotte tão cedo... – um sorriso cínico se formou em seu rosto plastificado e eu senti vontade de socá-la. Charlotte era nossa empregada desde que eu nascera e sempre foi uma segunda mãe para mim. Quer dizer, a única.
- Não se preocupe que isso não vai acontecer tão cedo. – minha voz saiu carregada de sarcasmo e ela só riu divertida.
- Você é tão sentimental que às vezes me dá pena. Parece tanto com o seu avô... – quando ela citou o meu avô, que sempre fora especial para mim e que morrera quando eu tinha 10 anos, eu tive que contar até mil novamente – Ah, acabei de me lembrar. Claide – este era o meu motorista – vai tirar férias (um motivo bobo como o câncer da mãe ou alguma coisa assim), então um amigo meu de infância vai levá-la e buscá-la da escola, já que ele trabalha lá e acabou de se mudar para cá. Ele começará amanhã.
- Qual seria o nome do indivíduo? – limpei minha boca com o guardanapo.
- .
Eu tive um treco nessa hora.
- COMO É QUE É? – eu praticamente gritei, mas nenhum dos dois ficou chocado com isso.
- Por que esse espanto todo? Você ao menos o conhece? – ela levantou uma de suas sobrancelhas finas em minha direção em sinal de desdém.
- Eu o vi na escola e troquei uma meia dúzia de palavras com ele. Só isso. – tentei demonstrar descaso, balançando os ombros e terminando de jantar, mas eu sabia que não estava enganando ninguém. E só tive mais certeza ainda quando escutei as gargalhadas espalhafatosas de minha mãe biológica.
- Eu conheço esse olhar, . Você acha que eu não sei reconhecer quando alguém está apaixonada? – ela riu mais ainda – Que patética, olhe só para você mesma! Acha mesmo que ele se interessaria por uma adolescente desajeitada e sem graça que nem você? Quando ele já ficou com uma mulher como eu?
Fitei-a incrédula e, logo depois, esperei a reação de papai, porém este parecia nem estar prestando atenção na conversa. POW, A ESPOSA ACABA DE FALAR QUE TRANSOU COM UM CARA (que por acaso agora mora no mesmo prédio que ela) E ELE NÃO REAGE?
Mamãe tomou o resto de sua vodka e disse enquanto se levantava:
- Não se iluda que só vai acabar sendo pior para você. – ela se virou e começou a andar para as escadas – Tenho aula com o personal trainer e já volto. – até parece que ninguém sabia o que eram essas “aulas”. E o pior: meu pai nem se importava.
E para que ele se importaria? Afinal, ele fazia a mesma coisa, só que com as secretárias. Mas, pelo menos, ele podia FINGIR que se importava!
Manti meu olhar de computador travado até que papai recebeu um torpedo em seu Black Berry e se levantou.
- Tenho que voltar para o escritório, surgiu um imprevisto. – ele beijou o topo de minha cabeça sem amor nem carinho algum e saiu de casa.
Eu me sentia vazia e sem emoções à medida que eu arrumava a mesa e levava as coisas para a cozinha (de noite todos os empregados iam para as suas casas, deixando que sobrasse todo o trabalho para eu fazer). Eu achava estranho, afinal, eu teria que estar sentindo e reagindo de alguma forma, não é? Quer dizer, não é o que toda pessoa normal faz?
Só não sabia que esta era a primeira parte do choque. A segunda veio quando eu me joguei, totalmente destruída por dentro, na minha cama.
Enquanto eu chorava rios de lágrimas e não conseguia ver um palmo sequer a minha frente, eu tentava entender o porquê de eu estar deste jeito. Eu sabia que não era por causa das palavras duras de mamãe: eu já estava acostumada com elas. Nem a presença fria de papai: já fazia parte do meu cotidiano também.
Mas o fato de saber que, um dia, transou com minha mãe... Ok, não posso negar que isso me deixava MUITO enjoada, porém o sentimento que eu sentia nas minhas entranhas, arrancando as minhas vísceras uma por uma e a dor mortal que eu sentia em meu coração era muito além daquele fato. Era além de qualquer coisa que eu já tinha sentido em toda a minha vida. E eu temia que eu ficasse a vida inteira sem saber o que era este sentimento; sentindo ele me consumir, pedaço por pedaço, inteiramente.
(Música: Good Riddance – Green Day)
Meus pensamentos foram interrompidos quando um solo de violão começou a tocar. A melodia era linda e a voz que começou a cantar era tão bela que até me fez sorrir levemente.
Another turning point
(Outro momento decisivo)
A fork stuck in the road
(Uma bifurcação cravada na estrada)
Time grabs you by the wrist
(O tempo te agarra pelos pulsos,)
Directs you where to go
(E te mostra para onde ir)
So make the best of this test
(Então tire o máximo proveito desse teste)
And don't ask why
(E não pergunte "porquê?")
It's not a question
(Isso não é uma pergunta,)
But a lesson learned in time
(Mas uma lição aprendida na hora certa.)
It's something unpredictable
(É algo imprevisível,)
But in the end is right
(Mas no final está correto.)
I hope you had the time of your life
(Espero que você tenha aproveitado sua vida)
Enquanto escutava a melodia perfeita, os dedos do artista dedilhando agilmente e sua voz amaciando os ouvidos de qualquer pessoa que pudesse escutá-lo, tive a impressão de que já escutara este timbre em algum lugar...
Foi aí que, como um flash de memória, me toquei que eu conhecia SIM a pessoa que cantava:
.
So take the photographs
(Então pegue as fotografias)
And still frames in your mind
(E as molduras de foto na sua mente,)
Hang it on a shelf
(Pendure isso numa prateleira)
Of good health and good time
(De boa saúde e bons momentos.)
Tattoos of memories
(Tatuagens de lembranças)
and dead skin on trial
(E cicatrizes em julgamento.)
For what it's worth
(Pois aquilo que vale a pena,)
It was worth all the while
(Valeu a pena durante todo o tempo...)
Eu deveria ter colocado algodões em meus ouvidos e tentado me esquecer desta voz são sonora, mas eu fiz justamente o contrário: deixei que ele adentrasse os meus pensamentos como se fosse um parasita. E quer saber? Eu não estava nem ligando. Eu podia escutá-lo pelo resto de minha vida se fosse possível.
(3X)
It's something unpredictable
(É algo imprevisível,)
But in the end is right
(Mas no final está correto)
I hope you had the time of your life
(Espero que você tenha aproveitado sua vida)
Sem perceber, acabei dormido do jeito que estava com os olhos molhados de lágrimas e minha roupa de sair.
Porém, eu dormi com o primeiro sorriso verdadeiro daquele dia. E eu nunca dormi tão bem quanto naquela noite.
CAP V
Acordei no dia seguinte com uma terrível enxaqueca e os olhos totalmente inchados. Eu havia acordado 2 horas antes do horário (não me pergunte o porquê), então aproveitei para tomar um bom banho quente, me trocar e ainda colocar uma maquiagem bem leve, com calma. Pus uma calça jeans surrada, rasteirinha prateada, blusa branca e uma mini jaqueta jeans por cima, ainda prendendo o cabelo em um rabo de cavalo alto, colocando rímel, lápis preto e batom vermelho.
Eu sei o que vocês devem estar pensando... Por que eu simplesmente não ficava em casa, já que seus pais não estão em casa e nem se importam com você? É simples... É porque eu sou uma total idiota, só isso. É aí que vocês me perguntam o porquê... E eu respondo: porque esta idéia nem se passou pela minha mente! Acredita?
Pois é. Nem eu.
Aproveitei que já estava pronta e, comendo uma banana como café da manhã, fui me preparar psicologicamente para meu “encontro” com . O que eu diria? Será que eu conseguiria dizer algo de útil desta vez?
Escutei a campainha de casa tocar e me desesperei: era hora. Respirei fundo, levantando-me do sofá e tentando arrastar Sunny para longe da porta para que ela não “atacasse” o professor.
Abri a porta e quase perdi o ar. Como ele conseguia ser tão gostoso, alguém me explica? Ele usava bermudas jeans, camisa preta colada, o mesmo All Star preto do dia anterior e, é claro, seu meio sorriso.
- Bom dia. – foi só ele dizer isso que eu estremeci. Sua voz era extremamente sexy ou era só eu imaginando coisas?
- Bom dia. – tentei parecer confiante enquanto ajustava minha mochila em meu ombro, saía de casa, trancava a porta e entrava no minúsculo elevador ao seu lado.
- Dormiu bem? – ele perguntou depois de um tempo percebendo que nossa conversa não ia mais para frente.
- Não muito. – isso, esperta, agora ele vai te perguntar por quê!
- Por quê? – eu não disse?
Ele me fitava com um semblante preocupado. Parecia estar com medo que eu não tivesse dormido bem por causa de seu pequeno “ensaio” da noite anterior. Não que ele soubesse que eu sabia que tinha sido ele, mas mesmo assim...
- Coisas demais na minha cabeça, sabe? – mordi o lábio, incerta se deveria dizer o que eu estava pensando – Mas eu dormi melhor quando escutei alguém tocar violão e cantar ontem à noite. Realmente aquilo me relaxou. – o fitei de canto para ver sua reação e parece que eu não me decepcionei, já que parecia que seus olhos brilhavam.
- Verdade? Eu não escutei nada... – ele tentou disfarçar, mas eu sabia que ele estava contente consigo mesmo.
- Mesmo? Acho que era só o rádio então... Mas eu jurava que era alguém do prédio... – ele me encarou por completo e eu o encarei de volta – Alguém que eu conheço, talvez?
Ele entendeu a minha indireta. Bem, pelo menos foi o que me pareceu até ele tentar dizer algo e, do nada, o elevador parar com um solavanco e as luzes ficarem fracas.
- O que aconteceu? – perguntei retoricamente, mas eu sabia exatamente o que acontecera: o elevador havia quebrado.
- Eu não sei. – ele não sabe o que é uma pergunta retórica? – Vou tentar ligar para a portaria.
Eu sentia meus pulmões se contraindo em nervosismo enquanto o fitava pegar o interfone. o colocou no lugar dizendo:
- Está mudo. Você tem sinal?
Peguei meu celular, minhas mãos tremendo levemente.
- Nada. – respondi ao não ver nem um maldito pininho na tela – E você?
- Bem, se meu celular não tivesse descarregado e eu não tivesse o deixado carregar em casa, eu até te diria. – ok, não precisa me dizer que esta frase estava carregada de sarcasmo.
- O que vamos fazer? – perguntei olhando em volta, como se eu fosse achar uma saída de emergência ou algum tipo de botão de chamar os bombeiros em algum lugar.
- Nada.
COMO ELE PODIA FICAR TÃO CALMO?
- Como assim nada? – tentava regularizar minha respiração, mas foi em vão. Principalmente quando ele se sentou no chão do elevador e apoiou a cabeça na parede.
- Não tem o que fazer. Ou você quer ficar gritando por ajuda até alguém perceber que o elevador quebrou? – ele levantou uma sobrancelha.
- Não me parece uma idéia tão ruim. – respondi ao seu olhar de indagação começando a gritar – SOCORRO! ESTAMOS PRESOS!
- Ninguém vai te ouvir. – ignorando-o enquanto ele fechava os olhos, continuei a gritar por socorro.
MEIA HORA DEPOIS
- É melhor parar de gritar, senão vai ficar sem voz. – me avisou pela milionésima vez e tudo o que fiz foi encará-lo com uma careta.
Eu sabia que ele estava certo. Eu só não queria admitir.
- Pelo menos estou fazendo algo de útil além de ficar sentada sem fazer nada... – sussurrei alto para que ele me escutasse.
- Útil? – ele praticamente gargalhou – Se nós estivéssemos sendo “salvos”, essa sua tentativa teria sido...
- QUEM ESTÁ AÍ? – uma voz bem longe ecoou e eu só fitei com orgulho o professor enquanto este me encarava com uma carranca.
- e . – senti calafrios ao escutá-lo pronunciar meu nome inteiro – Quando vão nos tirar daqui? E por que o interfone não funciona?
- Ele quebrou ontem, íamos consertá-lo hoje. E o maquinista chega em algumas horas... Vocês agüentam? – encarei com os olhos esbugalhados.
- É o jeito, né? – bufou, voltando a posição em que estava anteriormente.
- O que fazemos agora? – parecia óbvia a resposta, mas eu realmente não quis ser retórica desta vez.
- Esperar, ué. Daqui a pouco eles nos liberam, você vai ver.
DUAS HORAS DEPOIS
- “Esperar, ué. Daqui a pouco eles nos liberam, você vai ver.” – imitei a voz de enquanto escutava a minha milionésima música.
- Não me culpe pelo que aconteceu, você sabe muito bem que eu não sou adivinho. – ele bufou – Pelo menos você tem um I-touch! E eu, que nem isso tenho?
- É a parte ruim de ser professor, fazer o que? – só ri levemente enquanto senti seu olhar furioso para cima de mim.
Ficamos mais alguns segundos em silêncio antes dele dizer:
- Olha, ficarmos brigando desse jeito não vai nos ajudar em nada há passar o tempo. – eu o encarei curiosa.
- O que você sugere? – desliguei meu I-touch e o coloquei de volta na mochila.
- Vamos fazer um jogo. – ele riu quando eu revirei os olhos – Não é infantil. É simples: é só você responder uma pergunta quando eu te perguntar algo e eu farei o mesmo com você.
- Tipo um jogo de perguntas e respostas?
- Isso. – ele sorriu largamente.
- Não vou ter que pagar nenhuma prenda se eu não quiser responder, né? – foi a vez de ele revirar os olhos.
- Não vou perguntar nada que te deixe desconfortável.
- Promete? – o fitei com desconfiança.
- Eu não acredito em promessas. Você vai ter que confiar em mim. – ele me encarou fortemente.
Alguns segundos depois, só balancei positivamente a cabeça.
- Você começa. – cruzei meus braços esperando pela pergunta.
Ele colocou a mão no queixo fazendo-se de pensativo, algo que me fez rir levemente. Então ele me perguntou:
- Desde quando você canta?
HÁ! Fácil!
- Eu não me lembro de NÃO cantar. – eu sorri – Mas eu só comecei a ter aulas de canto quando tinha... O que, 13 anos? – eu ri – Algo que acho que minha mãe se arrepende até hoje.
- Por quê? – ele franziu o cenho.
- É uma pergunta por rodada, senhor espertinho. – ele riu.
- Ok, então me surpreenda. – era um desafio?
Eu sorri maquiavélica.
- Por que escolheu ser justamente professor? E de música? – ok, é ou não é uma pergunta boa?
Ele coçou sua nuca e fez uma careta.
- Ok, esse não era o objetivo quando decidi fazer Música, eu juro! – eu gargalhei com isso – Então, como os meus planos não deram certo... Tudo o que sobrou foi ser professor de música. A não ser que eu quisesse fazer faculdade de novo. – nós dois fizemos careta – Minha vez. Onde você conheceu o brutamonte?
- O ? – perguntei em meio às risadas escandalosas – Ah, ele é irmão da Camii, que já era minha amiga porque a família dela é amiga da família da . Foi meio inevitável agente se conhecer. Por quê? Ciúmes? – ele não respondeu, então resolvi ignorar a pergunta que tinha feito anteriormente – Como um professor de música consegue comprar um apartamento em um prédio de luxo como este? – eu tentava cessar as risadas de minha garganta.
- Herança de meus pais. Ganhei bastante dinheiro quando eles morreram. – minhas risadas cessaram definitivamente.
- Ai, eu sinto muito... – eu me sentia muito sem jeito e ele percebeu.
- Já faz um tempo, tipo, uns cinco anos. Não precisa ficar assim, está tudo bem, é sério. – ele sorriu confortavelmente e eu não pude deixar de me sentir melhor – Então... Quantos anos você tem?
- Vou fazer 18 no fim do ano, e você? – respondi rápido e ele esbugalhou os olhos enquanto ria.
- Você é a primeira mulher que me responde a esta pergunta tão rápido. – ele continuou a rir.
- Você ainda não respondeu a minha pergunta. – levantei uma sobrancelha com um meio sorriso.
Ele passou a mão pela nuca enquanto olhava para o teto.
- E se eu dissesse que tenho 28? Acreditaria? – ele sorriu culpado.
Fiquei um bom tempo, encarando somente o rosto dele. Só depois que eu “acordei” de meu transe.
- É meio... Inacreditável. – foi tudo o que consegui pronunciar. Quase 11 anos de diferença...
- Pois é, é que eu sou muito gostoso... – bati levemente em seu braço enquanto ríamos que nem dois bobos.
E foi assim por algum tempo. Nós rimos, fizemos piadas... Só que sabe aqueles momentos em que todo o sentido da conversa muda e você não sabe por quê?
Estávamos em um desses momentos agora.
- Por que você acha que sua mãe se arrepende de ter colocado-a nas aulas de canto? – ele fitava os próprios pés e eu suspirei.
- Ela acha que isso me influenciou, já que planejo fazer Música como faculdade e profissão e ainda tenho uma banda. – balancei os ombros – Ela quer que eu seja médica, mas essa não é minha praia, sabe?
- Eu sei. Foi exatamente assim com os meus pais: eles queriam que eu fosse engenheiro. – ele sorriu de lado – Mas a sua mãe sempre foi assim, meio controladora. Ela vai mudar de idéia, você vai ver.
- Eu espero por isso há anos. Não acho que vá acontecer agora. – senti o seu olhar sobre mim, mas não ousei encará-lo de volta – Se ela era assim com você, então ela mudou drasticamente. Ela nunca foi presente... E às vezes fico me perguntando se é culpa minha.
- As pessoas mudam, . Às vezes nem sempre é para o bem. Não é culpa sua. – levantei meu olhar para o seu, que era sério.
- Me chame de . – não sei quem tomou conta de meu corpo para que eu dissesse isso, mas eu me surpreendi por não ter me arrependido.
- Ok... . – o apelido soou tão natural e fácil de seus lábios que meu coração começou a bombear sangue mais rapidamente para as minhas veias. Senti meu rosto queimar, mas mesmo com esta sensação boa me preenchendo, não pude evitar perguntar:
- Quando me vê, você me compara com minha mãe?
Esperava inquieta pela resposta tão demorada. Ele mordeu levemente o lábio inferior antes de perguntar:
- O que você sabe?
Essa não era a resposta que eu estava esperando.
- Só responda, . Um sim ou não já basta. – senti o sangue subir há minha cabeça e meus pulmões se contraírem – Aliás, você sabia que eu era a filha de minha mãe, que já TRANSOU com você, quando me conheceu?- pus ênfase na frase e esperei por sua resposta.
- Só me toquei depois que disse seu sobrenome. – ele disse baixinho – Mas minha intenção não foi...
- Você estava me comparando com ela. – não foi uma pergunta, mas eu esperava que ele negasse. Quando ele ficou quieto, me levantei do chão e gritei – VOCÊ DEU EM CIMA DE MIM SÓ PARA SABER SE ERA BOA DE CAMA COMO A MINHA MÃE OU SE EU ERA MELHOR DO QUE ELA?
Ele riu sarcasticamente bem baixinho.
- Até parece que você não deu em cima de mim também. – ele se levantou e me encarou nos olhos.
- Mas eu não estava te comparando com ninguém. Eu não estava USANDO você. – balancei a cabeça freneticamente enquanto já sentia as lágrimas invadirem o meu rosto – Eu fui tão estúpida. É claro que você é assim, já que até transou com a vadia da minha mãe, que se pudesse, dava até para o Papa. – coloquei meu dedo no queixo – Ou talvez você que tenha ensinado o ofício há ela.
- Não seja infantil, . – ele pronunciou meu nome com tanto desgosto que quase vomitei – Só nos conhecemos há apenas dois dias. Não está exagerando um pouco não?
Foi neste momento que o elevador começou a subir. Fiquei um pouco em silencio, somente encarando seus belos olhos profundos e sérios, então, com o canto do olho, percebi que estávamos no meu andar.
Abri a porta do elevador e disse de costas a ele:
- Eu realmente pensei que você fosse diferente dos outros. – sussurrei alto o suficiente para que ele me escutasse – Mas parece que eu estava enganada afinal.
Saí do elevador e entrei em casa sem olhar para trás.
Era verdade o que tinha dito. Eu não queria admitir, mas quando eu tinha visto pela primeira vez, eu tinha sentido que ele era um cara em quem eu podia confiar pela primeira vez, sabe? Alguém diferente do que eu costumava encarar sempre que chegava em casa ou até na escola, quando passo um tempo com o pessoal da banda e meu namorado (não que eles não sejam confiáveis, mas você entendeu o que quis dizer).
Agora eu nunca vou saber de verdade quem é . E nem quero descobrir.
CAP VI
Eu não vi no outro dia. E nem no outro. Como seria ele aquele que me levaria e me buscaria da escola, eu sempre saia uma meia hora mais cedo de casa para que ele não pudesse fazê-lo e eu ia a pé.
Eu sabia que ele não contaria para minha mãe. Afinal, o que ele diria? Que eu não estou falando com ele porque nós brigamos? Porque ele admitiu que estava me comparando com ela?
Pois é.
sabia do que acontecera, mas prometeu que não contaria nada a ninguém, apesar de eu não ter contado a ela antes sobre a minha “quedinha”. Ela ficou brava comigo por tipo, o que, 5 segundos?
No dia em que não fui para a escola por causa do acidente no elevador, soube que ficou me ligando que nem um condenado e eles cancelaram o ensaio. Quando soube disso, fiquei me sentindo meio mal, sabe... Como se eu realmente o tivesse traído.
Mas enfim.
Não posso negar que fiquei, digamos, “ansiosa” para encontrar o professor . Sim, estou me limitando a chamá-lo somente assim, sem relações pessoais...
Onde estava? Ah sim... Eu olhava compulsivamente para os lados toda oportunidade que tinha para ficar nos corredores da escola ou no Hall do prédio. Sabia que não podia agir desse jeito, tipo... Insano. Esses dias estava realmente sendo insuportável exatamente por causa disso.
- Tem mesmo certeza que não quer que eu dê uma sumida no pra você ficar a sós com ? – ela ergueu uma sobrancelha e eu somente a fuzilei com o olhar – Foi só uma idéia, não me julgue por achar o cara gostoso!
- Eu vou começar a te ignorar, que tal essa idéia? – começara a frase rindo, mas ela foi sumindo à medida que via ... Quer dizer, professor saindo da sala dos professores.
“Não me veja, não me veja, não me veja...” rezava internamente enquanto tentava forçar a minha amiga a andar mais rápido, mas eu realmente carrego uma cruz, porque não é possível! - , posso falar com você, por favor? – droga, droga...
- Já estamos atrasadas para a aula. – disse com a voz mais fria que eu consegui fazer e eu estava quase comemorando internamente quando ele parecia desistir, mas vocês sabem o que dizem: para que servem as amigas?
- Eu posso falar para o professor que você tava falando com outro, . – ela percebeu que eu a fuzilava (mais uma vez) com o olhar, mas ela só me encarou de volta com o olhar do tipo “Você precisa resolver essa solução, sua lunática!” – Te vejo daqui a pouco. – e antes que pudesse protestar, ela foi embora.
“Que amiga maravilhosa eu tenho...” pensei sarcasticamente enquanto professor me arrastava para um corredor vazio. Tentava, durante o processo, não ficar o encarando e, conseqüentemente, prestar atenção nos seus mínimos detalhes, mas tudo isso foi em vão.
Não tinha percebido até aquele momento a falta que me fazia ficar observando o rosto e a aura angelical que aquele homem exalava. Meu coração acelerou só de observar a sua expressão obstinada olhando sempre para frente, mas ao mesmo tempo com a mente longe dali. Ele vestia (para o meu azar ou sorte minha) uma blusa social preta bem colada ao corpo, calça jeans surrada, o costumeiro All Star preto (descobri que ele só usava aquilo... eu realmente precisava fazer umas comprinhas para ele) e um delicioso perfume que reconheci como sendo da Dior. Seus cabelos estavam curtos e bagunçados, alguns fios grudados à sua testa por causa do suor (não pude deixar de pensar em como isso o deixava sexy); seus olhos pareciam transmitir várias informações ao mesmo tempo, dando a impressão de confusão; sua boca estava em linha reta, mas me deixava com vontade de beij...
EU NÃO IA DIZER “BEIJÁ-LO”, TÁ LEGAL?
No corredor, nenhum de nós pronunciou alguma palavra. Somente o som de nossas respirações descompassadas podia ser ouvido; os tambores de meu coração estavam bem barulhentos também, pelo menos em minha opinião. Mordi o lábio inferior e olhei para meus próprios pés antes de abrir a boca para quebrar aquele silêncio constrangedor quando ouvi a voz do belo homem à minha frente dizer:
- Eu sinto muito, tá legal?
Arregalei os olhos em sinal de choque. Primeiro porque aquela frase soou totalmente infantil e clichê. E segundo por que... Bem, nunca esperei um pedido de desculpas dele. Não quando “ele” era .
Tá dando para entender o meu raciocínio?
- Pelo que? Por querer me comparar com a minha mãe na cama ou por ter dado em cima de mim para isso? – não sei o que me fez responder desta maneira tão gelada, mas quando percebi as palavras já saltavam de minha boca como se tivessem vida própria. Manti a pose só para que ele não percebesse que eu não sabia me controlar adequadamente.
Seu olhar, amortecido quando confessou as desculpas, voltou a tornar-se duro com o meu sarcasmo.
- Estou me esforçando aqui, dá para ser? – não pude deixar de rir com o pedido patético.
- Olha, você é um professor que deu em cima de uma aluna para ver se era boa de cama que nem a mãe dela. Eu poderia te colocar na cadeia por causa disso, sabia? – senti meu coração congelar quando ele sorriu de lado e se aproximou de mim rindo.
- Você não vai fazer isso e sabe muito bem disso. – ele estava tão próximo de mim e de meu corpo que eu podia até escutar o seu batimento cardíaco. Sua respiração batia em minha testa e não pude deixar de inspirar o seu maravilhoso perfume.
- Como pode ter tanta certeza disso? – como se ainda fosse possível, nossos corpos se aproximaram ainda mais e eu estava a ponto de ter um ataque cardíaco.
- Porque você se sente atraída por mim desde o momento que colocou os olhos em mim. – estava a ponto de retrucá-lo grosseiramente quando ele completou – Que nem eu quando pus meus olhos em você.
Minha cabeça virou automaticamente para cima. Pude ver claramente seus olhos, brilhando de expectativa em minha direção. Ele estava falando sério ou dizia isso para todas? O seu olhar dizia que era a primeira opção, mas não sabia se isso era truque de minha mente ou ainda de seu próprio perfume.
- Você é muito convencido, não acha? – minha voz saiu falha e senti seus lábios encostarem-se a minha testa quando fechei os olhos para senti-lo melhor.
- Eu preciso ser quando se trata de você. – voltei a abrir os olhos – É um modo de defesa... Para não acabar me magoando.
- Como pode se magoar se nem me conhece? – meus olhos começaram a se encher de lágrimas e eu não sabia exatamente por que... Talvez fosse pelo fato de meus pais, que sempre viveram comigo, nunca terem se importado comigo ou me amado, e agora aparecia um homem que só conhecia a menos de uma semana e já me tratava como se...
- Conheço o suficiente. – com isso, não deu mais para evitar: seus lábios já estavam nos meus.
No começo eu me assustei um pouco, fazendo minhas mãos pararem em seu tórax em um movimento de defesa. Calmamente, como se já estivesse acostumado com isso, pegou as minhas mãos e as colocou para cima, deixando meus braços levantados e meu corpo totalmente grudado na parede. Seus lábios eram tão macios e quentes quanto aparentavam ser e eu me vi subitamente me rendendo ao beijo, dando uma brecha em minha boca. Sua língua me invadiu, me deixando extasiada; o seu gosto era extremamente viciante. O seu corpo estava me dando calores que até aquele momento eram desconhecidos por mim, mas já sabia o que significavam. Já sentira algo semelhante com , porém não era nada comparado ao que sentia agora.
Minhas mãos conseguiram se livrar das de , se enroscando em seu pescoço e aproximando ainda mais nossos rostos. Para aproximar nossos corpos, levantei uma de minhas pernas, colocando-a na cintura de .
Mas aquilo tudo não era suficiente.
Uma de suas mãos se posicionou na minha bunda e ele a apertou, um sinal de que ele estava gostando daquilo e queria que continuasse naquela posição. Sua outra mão foi parar em minha cintura, fazendo pequenas e poderosas correntes elétricas passarem por todo o meu corpo.
Porém, todo mundo sabe que um dia temos que voltar para a realidade.
O sinal da escola tocou o que significava o final das aulas. Alunos de todas as séries e idades invadiram os corredores e nós dois nos separamos instantaneamente.
Senti meu rosto ficar vermelho de vergonha, raiva e indignação. Porra, como eu podia ter sido tão fraca, tão ingênua? Apontei meu dedo indicador até seu rosto e disse entre dentes:
- Isso nunca aconteceu. – e me virei para sair dali.
- Mas... – antes que dissesse mais alguma coisa, sai praticamente correndo dali, chegando até a sala de aula, pegando minha mochila e andando rapidamente até a sala de teatro.
No meio do caminho, me encontrei com e a culpa me atingiu em cheio. Eu o tinha traído e isso era imperdoável. Se eu quisesse, algum dia, me livrar desta culpa dilacerante, eu tinha que fazer alguma coisa para recompensá-lo, mesmo que ele não soubesse o porquê daquilo. Bem, pelo menos foi o pensamento que me ocorreu naquele momento...
Percebi que, para recompensá-lo, eu tinha que lhe dar algo que ele queria, algo que ele ansiava há muito tempo...
E eu sabia exatamente o que era.
Não lhe dei nenhuma chance de falar; já “pulei” para cima dele, beijando-o ferozmente. Sem hesitar, suas mãos pararam em minha bunda, as apertando de acordo com sua “animação”. Cortei o beijo por um breve segundo e sussurrei em seu ouvido:
- Me segue.
Me virei e comecei a andar, me seguindo fielmente. Deixamos nossas coisas para trás, mas sabíamos que elas seriam inúteis, de qualquer maneira.
No banheiro feminino, esperei que entrasse para que eu trancasse a porta.
Provavelmente não iríamos querer ser interrompidos agora.
O banheiro era grande, com paredes cor de rosa e um cheiro quase agradável. me virou em sua direção, já prensando meu corpo contra uma das paredes e invadindo minha boca com sua língua quente.
Felizmente, me esqueci do porque de eu estar fazendo aquilo, me concentrando inteiramente no momento. conseguia me deixar louca; já sabia onde me tocar, onde me beijar, de que jeito eu gostava das coisas... Ele sabia de todos os meus pontos “fracos” e era exatamente por isso que ele sempre me conquistou.
O empurrei contra a pia, tirando a minha blusa com certa rapidez. Seus olhos devoraram meu corpo seminu, meus seios cobertos somente pelo meu sutiã preto da Victoria Secret e minha barriga torneada (santo regime!), fazendo-o sorrir maliciosamente e lamber os lábios. Eu sorri da mesma forma.
- Tá esperando o que? – o provoquei e, como resposta, escutei um som gutural sair da garganta do meu namorado.
Mais uma vez, ele prensou meu corpo contra a parede, mas tirando sua própria blusa ao invés de me beijar. O comi com os olhos também, passando minhas mãos em torno de seu tórax bem definido e fechando os olhos quando começou a beijar e chupar o meu pescoço.
Um gemido sôfrego saiu de minha garganta e senti seu membro prensar ainda mais entre as minhas pernas. Uma excitação percorreu todo meu corpo, me fazendo tirar os sapatos de qualquer jeito e arrancar minhas calças jeans em um movimento quase jedai. Sim, gosto de Star Wars, algum problema?
- Gostosa, hoje eu te pego de jeito... – antes que pudesse retrucar, dois de seus dedos adentraram o meu corpo, fazendo meus olhos se revirarem de prazer. Minhas unhas arranhavam suas costas, o incentivando ainda mais; meus pés quase não tocavam o chão com a força que introduzia para levantar meu corpo e ajudar no “processo”.
Seus movimentos ora eram rápidos, ora devagar. Eu miava quando ele desacelerava, ele ria baixinho em meu ouvido e acelerava mais uma vez.
Não digo que, pouco tempo depois, era o meu primeiro orgasmo. Eu já tinha tido outros, tanto quando sozinha ou quando nós dois extrapolávamos os “limites”. Mas pareceu o primeiro, fazendo-me tremer dos pés a cabeça.
- Agora é a minha vez. – eu ainda estava meio trêmula, mas consegui empurrá-lo contra a pia.
Ele sorria malandro enquanto andava calmamente até ele, beijando-o lentamente na boca e abrindo o zíper de sua calça. Beijando-o na clavícula e descendo meus beijos pela extensão de seu corpo, eu abaixava sua calça jeans, mostrando sua Box branca e o seu volume acentuado. Eu mordi meu lábio inferior, deixando escapar um suspiro alto.
- Você quer? – sua voz saiu tremida e espremi meus olhos em sua direção.
- Não mais do que você. – beijei-o mais uma vez na boca antes de arrancar sua Box.
Nunca gostei de retribuir sexo oral; em minha opinião era muito nojento. Mas eu tinha que fazê-lo, era parte do processo.
Não me dei tempo para pensar em como aquilo ia contra todos os meus princípios feministas e humanistas e envolvi seu membro com minha boca. Escutava seus gemidos e sons guturais enquanto fazia os movimentos de vai e vem; ele massageava fortemente minha cabeça para que eu não parasse.
Senti seu corpo estremecer e já sabia que ele estava no ponto. Me levantei, invadindo sua boca com minha língua de um jeito quase animal; entrelacei minhas duas pernas em sua cintura e ele segurou em minha bunda para me carregar.
Sentando-me na pia, estava pronto para me invadir (pela primeira vez, devo lembrar) quando perguntei em um sussurro fraco:
- Trouxe a camisinha?
Sabia que sua hesitação não era um bom sinal.
- Tem que estar aqui... – ele revirou suas peças de roupas de modo frenético, abrindo sua carteira e deixando todo seu conteúdo cair no chão para ajudá-lo. Engoli em seco quando ele me fitou com um olhar arrependido e bravo.
- Eu não sabia que você estava pronta, eu... – ele balbuciou meio sem jeito e a culpa me invadiu mais uma vez.
- Tudo bem, . – me levantei da pia, o beijando na bochecha e começando a me trocar.
- Não está nada! – ele praticamente gritou e, com as mãos trêmulas, passou a mão no cabelo – Imagina o que eu poderia ter feito? E, porra, seria a primeira vez!
Sorri levemente para ele, o abraçando pela cintura.
- Nós teremos outras oportunidades, amor... – seu corpo não relaxou e foi quando tive a idéia – Ei, que tal passar mais tarde lá em casa? Agente pode continuar de onde paramos, que tal? – o abracei mais forte – Vai ser mais romântico assim, de qualquer maneira.
Ele se virou para mim, retribuindo o abraço.
- Certeza? – sorri mais largamente.
- Claro. – olhei para cima e nos beijamos calmamente – Passa em casa umas onze da noite. Até lá, vai estar tudo pronto.
- Não vou me esquecer da camisinha desta vez. – nós dois rimos.
Depois de nos vestirmos, destranquei a porta do banheiro e nos dirigimos a sala de teatro. Eu sai dali com uma sensação de que algo importante estava prestes a acontecer...
CAP VII
Estava tudo pronto.
Eu mal podia acreditar que eu arrumara a casa inteira em tão pouco tempo. Sim, podem bater palmas! Eu mereço!
Ok, chega de egocentrismo.
Faltava umas duas horas para chegar, então aproveitei para jantes antes.
Afinal, eu precisaria de muita energia para aquela noite.
Bem, se você soubesse o quão nervosa estava naquele momento, acho que adivinharia que eu não pude comer nem um terço do meu prato. Meu estômago dava reviravoltas só de pensar no que aconteceria em poucas horas...
A casa estava em silêncio total; o único som era o da torneira ligada enquanto limpava meus talheres e pratos usados. Sunny estava na casa da vizinha e nos empregados já tinham ido para suas respectivas casas.
Ou seja: privacidade total.
Meu coração deu um pulo quando escutei a campainha tocar. Não era para vir tão cedo, não era!
Corri até a porta, mas não antes de dar uma checada no visual. Meus cabelos estavam perfeitamente encaracolados, meu rosto estava limpo (sem maquiagem, pois sabia que ela só atrapalharia depois) e, para completar, meu corpo usava um corpete rosa e preto, como se fosse um espartilho.
Só esperava que não estivesse exagerando.
Respirei fundo e abri a porta com um sorriso largo. Porém, ele foi se afrouxando à medida que percebia que o visitante não era quem estava esperando.
- Boa noite, . – parecia meio sem graça ao reparar no meu traje, mas não conseguiu disfarçar seu olhar sob meus seios ressaltados.
Cruzei os braços para fazê-lo ficar no lugar certo: meu rosto. Meu subconsciente gritava de desespero, ódio e... Desejo.
Merda.
- O que quer, ? – meu olhar, inevitavelmente, foi parar sobre os seus lábios. Tão carnudos, provocantes e convidativos...
“Se concentra, !”
- Eu perdi a chave de casa e o chaveiro só chega em duas horas. – ele sorriu torto – Preciso de um lugar para ficar enquanto isso. Posso entrar ou estou atrapalhando alguma coisa?
Engoli em seco. Eu e ? Juntos por duas horas?
Isso não ia prestar.
- Eu... Er... – vários tipos de respostas se passaram por minha mente e muitas pareceram realmente boas... Mas quando eu fitava os seus olhos e me perdia naquela imensidão misteriosa, era simplesmente impossível me concentrar inteiramente em expulsá-lo. Suspirei derrotada – Entra, vai.
Sorrindo, ele nem se deu ao trabalho de hesitar, roçando seu corpo de frente ao meu no processo.
Como eu disse: isso não ia prestar.
- Senta. – apontei para o grande sofá de veludo da sala. O professor sentou, olhando para os lados com grande curiosidade.
- Cadê seus pais? – perguntou fitando a mim novamente (em certos lugares que me deixaram vermelha de vergonha) enquanto me sentava em outro sofá ao lado dele.
- Foram viajar, como sempre. – revirei os olhos em descaso – E meus empregados já foram para casa, então... – quando meu coração começou a palpitar muito mais forte ao perceber que eu estava dando em cima dele, completei rapidamente – Quer beber alguma coisa? Um vinho... – me levantei depressa para praticamente fugir dali, porém segurou meu pulso delicadamente, me fazendo incapaz de sair.
- Estou bem, obrigado. – seus olhos brilhavam e eu mudei a direção dos meus.
Ele estava fitando nos lugares certos agora e era exatamente isso que me preocupava.
Sentei-me novamente no mesmo lugar, cruzando as pernas e tamborilando meus dedos com impaciência. Como poderíamos ficar juntos e sozinhos por duas horas inteiras? Quer dizer, não era pelo fato de chegar e nos ver juntos, já que ele chegaria depois desse tempo, mas era pelo simples fato de tudo naquele homem de 28 anos me chamarem a atenção: seu rosto, o jeito como fitava os quadros da sala, o jeito como batia o pé impacientemente e parecia fazer um esforço enorme para não me fitar...
Algo que também estava tentando fazer, mas sem muito sucesso.
O estopim final foi o odor de seu perfume. Reconheci como sendo da Calvin Klein masculino (um dos meus favoritos para homens) e o perfume parecia fazer questão de rondar o meu nariz como se fosse um predador prestes a atacar sua presa...
E sinceramente? Estava conseguindo.
- ... – o som saiu quase inauditível para mim, mas o jeito como ele disse o meu nome, meigo e calmo, fez com que eu finalmente perdesse o controle.
Quando percebi, já me encontrava sentada em seu colo, beijando sua boca furiosamente.
Sua língua se entrelaçou quase instantaneamente na minha, formando correntes elétricas por toda minha pele. Suas mãos foram parar na minha cintura, dando pequenos apertos nela quando eu parava de acariciar seus cabelos com os dedos.
E eu estava amando isso.
Em um dado momento, minhas mãos passaram por todo o seu tórax, abrindo os botões de sua camisa social um por um.
Eu tinha perdido o censo de certo e errado; no momento, tudo o que eu queria era que aquele maravilhoso Deus Grego me possuísse, sem regras nem preconceitos, e que nós fossemos um só pelo menos por um pequeno espaço de tempo.
Para mim, estávamos sós no mundo.
Finalmente consegui lhe arrancar a camisa, o que me fez o encarar demoradamente enquanto este beijava o meu pescoço. O corpo dele era exatamente como eu pensava: bem definido e musculoso.
Agora sim estava realmente curiosa sobre a parte debaixo...
- Por que está usando esta porcaria? – voltei à realidade quando rugiu de frustração ao se deparar com o meu corpete.
Eu ri com gosto, bêbada de prazer.
- Os laços são falsos, meu bem. – sussurrei em seu ouvido – Existem feixes disfarçados embaixo deles – mordi o lóbulo do mesmo.
Gemendo baixinho, finalmente achou os feixes e abriu-os em uma velocidade espetacular. No fim, tudo o que me restava era a calcinha, enquanto o belo homem à minha frente ainda estava de calça e All Star.
- Você é tão perfeita quanto eu imaginava. – seus olhos se embebedavam pela imagem de meus seios à mostra. Eu estava realmente orgulhosa por deixá-lo assim, tão vulnerável.
Eu me sentia poderosa.
Voltei a beijar a sua boca, mas com mais desejo e paixão do que antes. Logo, pude sentir minhas costas deitar-se em algo meio áspero: o tapete.
O fiz rolar para o lado, ficando em cima dele. Mordendo o lábio inferior, abri o zíper de sua calça e a joguei junto com seus sapatos e meias para o lado.
Estávamos quase quites agora.
Brinquei um pouco com a barra de sua Box preta enquanto mordia o queixo dele. De repente, ele me deixou em baixo dele novamente, sussurrando em meu ouvido e me causando arrepios:
- Hoje sou eu que vou te proporcionar o prazer.
Não tive forças para recusar. E nem queria.
Senti minha calcinha sendo arrancada com brutalidade, algo que me deixou ainda mais louca. Logo, escancarei a boca e apertei bem os olhos ao sentir dois dedos grossos e grandes me invadirem.
Ele estava me levando ao êxtase e nós nem havíamos começado ainda.
- Geme meu nome... – me implorou em um timbre sexy e descontrolado.
- ... – o som quase não saiu de meus lábios, mas conseguiu me escutar, se acariciando ao fazê-lo.
- De novo. – me implorou mais uma vez e eu sorri de lado enquanto estava quase no meu clímax.
- ... Possua-me que eu sou toda sua. – não sei de onde arranjei forças para dizer tudo isso, pois eu estava até me contorcendo enquanto estava a ponto da hora H.
Mas antes que isso pudesse acontecer, ele retirou seus dedos de mim e se ajoelhou, tirando a Box.
E olha, vou lhe dizer... Não fiquei nem um pouco decepcionada.
Eu o fitava sem vergonha e descaradamente enquanto ele pegava sua calça e rasgava o pacote da camisinha com pressa.
Como ele se lembrou de fazer isso?
Homens são um mistério...
- Seu pedido é uma ordem. – sussurrou antes de colocar uma de minhas pernas em seu ombro e me invadir por completo.
Nunca senti tanto prazer e dor ao mesmo tempo em toda a minha vida.
Gritei de dor com todas as minhas forças e me deu alguns segundos para assimilar o que estava acontecendo. Acenei com a cabeça para que continuasse e ele me obedeceu bem lentamente no começo; algo que, reparando, estava quase o matando, já que ele queria acelerar.
- Oh... ... – de acordo com meus gemidos, ele acelerava mais e mais, para a alegria de nós dois.
A dor foi se transformando em algo que tenho a felicidade de chamar de... Mistério. Por que eu chamei aquele sentimento maravilhoso e perfeito assim?
Pois chamá-lo de prazer é um elogio muito fraco comparado ao que estava sentindo. Era simplesmente... Indescritível demais para ser chamado assim.
Soei maluca? Provavelmente.
Mas quem disse que ligo? Ou que ligava justo naquele momento?
Pois é.
Céus, só de me lembrar daquilo já me dá calores, você não tem noção! Ele se movia com destreza para dentro e para fora de mim e eu jurava que podia sentir sua pulsação de acordo com a minha. Eu passava a mão pelo meu corpo e de vez em quando apertava meus próprios seios para pelo menos amenizar aquela “agonia” (algo que não dava muito certo). me via fazendo aquilo e isso só o deixava mais... Digamos... “Inspirado”.
Também costumava arranhar seu peitoral às vezes, o que o fazia enlouquecê-lo. Em um dado momento, ele se agachou até meu rosto, dando um selinho demorado e desajeitado em minha boca e mordendo meu lábio inferior no final.
Eu já disse que eu achei isso extremamente sexy?
Bem, como tudo o que é bom tem que acabar em algum momento, este também deveria obedecer a esta lei. Pude sentir com exatidão meu corpo tremer involuntariamente e eu gemi mais alto ao me esvair.
Uns segundos depois e me seguiu, caindo levemente sobre mim depois. Ele não era exatamente pesado e a posição não era desconfortável: era exatamente o oposto. Um sorriso bobo se formou em meu rosto enquanto acompanhava com os ouvidos nossos batimentos cardíacos acelerados e respirações de acordo. Estava meio fraca e zonza, mas não deixei de ficar extremamente feliz com o que acabara de fazer. Provavelmente era um erro pensar daquele jeito, porém naquele momento não era.
Comecei um carinho lento com a ponta dos dedos no cabelo de . Ele gemeu baixinho, estando de acordo com o que eu fazia, e isso me fez alargar ainda mais o sorriso.
- Vai ficar muito chateada se eu te disser que eu menti para você? – sussurrou fraco, mas eu pude escutar muito bem.
Como ainda estava meio “bêbada”, só ri com a pergunta.
- Provavelmente este é o melhor momento para me falar a verdade. Não tem jeito de eu ficar zangada agora. – ele riu fraquinho.
- Eu não tenho 28 anos. – rolei os olhos.
- Logo imaginei, já que você deve ter transado com a minha mãe quando os dois estavam no ensino médio e ela tem 35... Você tem a mesma idade, não é? – ele pareceu ficar surpreso. - Então você já sabia? – ri mais uma vez.
- Posso ter 17 anos, mas de boba não tenho nada. – fechei os olhos com um sorriso de lado – Quero te perguntar uma coisa.
- Fala rápido antes que eu durma. – sorri mais largamente ao escutar sua voz sonolenta.
- Que é melhor? – ele sabia do que eu me referia.
- Olha, eu perdi a virgindade com a sua mãe... – tive vontade de lhe dizer que há informações desnecessárias e das quais eu não preciso saber, mas permaneci em silêncio – Porém você ganha dela de longe.
- Não está dizendo isso só para me agradar, né? – o senti rir.
- Se estivesse, você provavelmente saberia.
Eu me contentei com a resposta e continuei a acariciar sua nuca sem pensar em absolutamente nada pelos belos próximos 5 minutos.
Foi aí que escutei a campainha tocar e me desesperei.
- . – sussurrei e entendeu o que quis dizer.
Ele saiu de cima de mim e nós dois procuramos nos arrumar o mais rápido possível, quando vi uma coisa que me fez arregalar os olhos.
- O tapete!
O tão querido tapete de minha mãe estava encharcado de sangue. Sangue MEU, ainda por cima!
Ok, provavelmente estou exagerando, mas você entendeu o que quis dizer!
- Me ajuda a enrolar o tapete. – sussurrei para e logo gritei – Já vou, amor!
Em uma rapidez incrível, colocamos o tapete no lixo da vizinha (não poderia dar a entender que eu era a causadora deste acidente) e voltei a tempo de mandar ir embora pela porta de trás.
- Agente se vê depois. – ele sussurrou enquanto Emm continuava a tocar a campainha incessantemente, me dando um selinho e indo embora.
Sem perder tempo, abri a porta da frente com um sorriso amarelo estampado no rosto. E foi aí que me toquei do que havia feito.
- Por que demorou tanto? – meu namorado perguntou enquanto eu ficava na ponta dos pés para lhe dar um selinho.
- Você demorou e fui tirar uma soneca para recuperar minhas energias. – fiz o biquinho que sabia que ele nunca resistiria e observei satisfeita enquanto seu sorriso se alargava.
entrou me segurando pela cintura enquanto beijava lentamente meu pescoço e eu fechei a porta com o pior sentimento que já sentira em toda a minha vida:
Culpa.
E foi com esta sensação que passei o resto da minha primeira noite.
CAP VIII
Acordei no outro dia com as luzes da manhã passando pelas frestas da janela do meu quarto... Espera, como eu havia chegado lá?
Me espreguicei onde estava, me sentando logo depois e sentindo tonturas por causa disso. Fitei a mim mesma e percebi que estava nua.
- What the... – comecei a me perguntar enquanto coçava a minha nuca, quando vi um pedaço de papel escrito na mesa de cabeceira.
Era de .
“Bom dia, flor do dia! XD
Você estava dormindo tão pacificamente que não quis te acordar. Desculpe-me por não poder ficar o dia inteiro agarradinho com você: tenho simulado segunda-feira e tenho que estudar.
Beijos na sua boca gostosa,
PS: gamei na noite passada, deveríamos repetir! :P
PS2: o que você fez com o tapete da sala?”
-... Fuck. – finalmente terminei de falar, me lembrando do que acontecera na noite anterior e me tacando na cama.
Eu perdi a virgindade. E não foi com o meu namorado.
Senti-me um lixo no mesmo instante que esta frase entrou na minha cabeça. O sentimento de traição era tão forte em meu peito que fez meus olhos se aguarem. Porém, a imagem de sorrindo para mim, me olhando com seus olhos brilhantes e intensos com desejo me vieram à mente também. E eu percebi uma coisa:
Apesar de tudo, esta experiência foi, provavelmente, a melhor coisa que já me aconteceu. E percebi também, com gosto e desgosto ao mesmo tempo, que eu não desistiria dela assim tão fácil.
Eu precisava repeti-la.
Com este pensamento em mente, me levantei, escovei os dentes, coloquei somente um vestido branco por cima do corpo e praticamente quebrei a porta de casa ao sair dela.
Tamborilavam meus dedos impacientemente enquanto esperava pelo elevador. O que eu fazia era errado e eu sabia disso, mas meu desejo pelo corpo de era muito mais forte do que a razão.
Eu necessitava dele desesperadamente assim como eu necessitava de ar para sobreviver.
Saltei para dentro do elevador assim que ele parou no meu andar e apertei o botão do andar vizinho. A velhinha de chapéu esquisito na cabeça e seu chiwawa nos braços me fitavam como se eu fosse uma espécie de alien.
Até parece.
Quando saí do elevador, a escutei dizer ao cão:
- Estes jovens estão cada vez mais perdidos, Blitz.
Juro por D’us que eu a teria xingado se o elevador já não tivesse ido embora. Quer dizer, quem ela pensava que era com aquele chapéu parecendo um pássaro morto? E o cão em suas mãos que parecia estar sendo sufocado?
Francamente.
Toquei a campainha esperando a minha raiva passar e batendo o pé incessantemente no chão de mármore, quando a porta se abriu e eu, mais uma vez, me esqueci de tudo e de todos.
Céus.
estava descabelado e somente de bermuda, deixando a mostra seu peitoral bem definido. Ele sorriu de lado e se apoiou no batente da porta com os braços cruzados.
- Sabia que você viria. – sussurrou alastrando o sorriso perfeitamente branco. Convencido.
- Cala a boca. – respondi e saltei para cima dele.
Literalmente.
Enrosquei minhas pernas em sua cintura, sentindo seu membro já latejar em um quase-contato com minha entrada, e me dependurei nele enquanto beijava sua boca fervorosamente e puxava seus cabelos com certa força.
não deu sinais de rejeição.
Colocando as mãos em minha bunda para me dar sustentação, me prensou contra uma parede próxima, retribuindo minhas “carícias”. Ele sorriu ao perceber que eu me encontrava sem calcinha e sutiã.
É eu sei. Só falta alguém escrever “PUTA” na minha testa para isso ficar ainda mais evidente.
Sua boca se deslocou até meu pescoço, deixando marcas por toda a extensão do mesmo, e minhas pernas se apertaram mais em sua cintura, tentando aproximar mais nossos corpos.
Aquilo não era o suficiente. Não para mim.
- Oh ... – gemi baixinho em seu ouvido, algo que sabia que o enlouqueceria.
me fitou brevemente e foi possível enxergar o fogo em seus olhos tão profundos e intensos. Suas mãos percorreram meu corpo logo depois, deixando uma trilha de correntes elétricas pelo mesmo, e tiraram meu vestido, me deixando nua em seu colo.
Seu autocontrole (isso se ainda existia àquela altura do campeonato) se esgotou naquele exato instante.
Em um movimento rápido e preciso, mais uma vez sua boca se deslocou, mas desta vez para o meu seio. A sensação que me veio ao sentir sua língua roçar em meu bico era simplesmente inebriante...
Abracei sua cabeça com força, o incentivando a continuar o que estava fazendo e arrancando alguns fios de cabelo no processo. Movida pelo desejo, minha cintura começou a se mover em atrito com a sua, podendo sentir seu membro se enrijecer ainda mais e ouvir uma espécie de rugido escapar de sua garganta.
- Assim você me enlouquece, garota. – sorri largamente com seu gemido sôfrego.
- E não é este o objetivo? – ri após lhe responder, mas tive que parar no mesmo segundo por causa de seus dedos se movendo para dentro e para fora de mim.
Gemia alto e continuamente como se não transasse há séculos. Quando não agüentei mais, me esvai em seus dedos e minhas pernas fraquejaram, porém continuou a me sustentar. Levando os dedos melados aos próprios lábios, o observei provar de mim mesma e esta visão me fez entrar em estado de êxtase. Mordi meu lábio inferior com o intuito de me conter.
- Tão doce... – sussurrou consigo mesmo e beijou meus lábios para que eu pudesse me provar também.
Não sei explicar direito o porquê, mas aquilo me deixou ainda mais excitada. - Por que ainda tá me enrolando, ? – mordi e chupei o lóbulo de sua orelha.
- As camisinhas estão no escritório. – ele respondeu beijando meu pescoço.
- Então vamos lá. – sorri maliciosa e quando ele ameaçou me soltar para que eu andasse, recomecei a mover meu quadril.
Ele suspirou impaciente.
- Estou velho demais para isso... – o ouvi dizer enquanto o sentia se locomover.
- Ainda bem que você não demonstra isso. – respondi na minha voz mais sensual, mordendo seu queixo e o lambendo em seguida.
Tive a sensação de sentir seu sorriso se alastrar com o comentário. Mas eu não tive muito mais tempo para pensar sobre isso.
me sentou em sua mesa de vidro e se inclinou sobre meu corpo para alcançar a gaveta com camisinhas. Aproveitei o momento e comecei uma trilha de beijos em seu tórax, fazendo-o gemer com isso.
- Você é impossível. – sua voz saiu zangada e sexy. Sorri quando ele forçou com agressividade minhas pernas a se abrirem mais para ele poder se encaixar com mais facilidade.
- Me mostra do que é capaz, . – o provoquei mordendo meu lábio inferior e passando a ponta de meus dedos sob os bicos de meus seios.
Isso pareceu surtir o efeito que esperava.
Quando percebi, seu corpo já se encaixava no meu. Não doeu tanto quanto na primeira vez; na verdade, não doeu nada.
Só queria que ele continuasse logo com aquilo e parasse de me torturar.
Seus movimentos já não eram tão contidos; ele já se movimentava com agilidade e agressividade. Eu gemia de acordo, agarrando seus cabelos com força e tentando colar ainda mais nossos corpos.
- Mais rápido, ! – comandava de vez em quando e ele bufava com isso.
- Eu não sou uma máquina, . – ele respondia com aquele tom de autoridade que sempre me fazia tremer da cabeça aos pés e isso o fazia me obedecer de imediato.
Um tempo já havia se passado, mas para mim parecia que o tempo havia sido congelado. O suor em nossos corpos era evidente e nossa exaustão também, porém nenhum dos dois estava disposto a parar agora.
Ele apertava minha cintura de acordo com o ritmo e eu sabia que ficariam marcas no local. Nós dois estávamos arfando, mas sorrindo ao mesmo tempo.
Internamente, quero dizer.
Senti meu corpo tremer e meus dedos dos pés se contraíram. Gemi mais alto e sussurrou:
- Agüenta só mais um pouco... – como assim “só mais um pouco”?
- Não... Dá... – disse com dificuldade antes de esvair finalmente.
Abracei a cabeça de tentando recuperar o fôlego enquanto ele continuava a se movimentar para ter seu próprio prazer. Sorri finalmente ao sentir seu corpo tremer também e ele se esvair logo em seguida: era a melhor sensação do mundo.
Ele me abraçou pela cintura e colocou a cabeça no meu pescoço.
- Você não existe, garota. – disse tentando respirar.
Sorri de olhos fechados.
- Então você transou com a própria imaginação? – o senti rir fracamente.
- Por que veio? – sua voz saiu mais séria.
- Não é óbvio? – ele me fitou.
- ... – ele me repreendeu e eu o interrompi.
- Olha, eu não vou fingir que sou santa, ok? Isso nunca fez parte de mim. – disse severamente – Sempre quebrei as regras e vou continuar a fazer isso não importa o que digam. – pausei para respirar – Sei que traí e sei que isso foi errado, mas fazer o que? Ele assumiu os riscos. Nunca prometi lealdade a ele ou algo do gênero. – passei a mão na testa para tirar o excesso de suor.
- Não o ama? – levantei uma sobrancelha.
- Não, . E não sei se vou realmente amar alguém um dia; isso nunca fez parte de mim também.
Silêncio.
- O que faremos agora? – ele me perguntou suspirando baixinho.
- Eu vou te dizer o que EU quero e vou fazer. – o fitei intensamente – Eu vou continuar com , porque não é justo com ele terminar tudo por nenhum motivo, ele é um fofo comigo e eu ainda não me enjoei dele. – suspirei – E também vou continuar a transar com você, porque por algum motivo tosco, eu não consigo te tirar da cabeça. E você é bom demais também para se jogar fora. – seu sorriso se alastrou – Bem, é isso que vou fazer. Só se você não quiser ser meu “amante”. – fiz aspas com os dedos – Mas não creio que vá desistir de mim tão fácil. – ele revirou os olhos – Agora só depende de você. – sorri de lado – E aí?
Ele riu por um tempo e disse:
- Você sabe realmente convencer alguém, .
Eu só sorri.
CAP IX
- Quantos namorados você já teve? – perguntou em dado momento e fiquei extremamente surpresa com esta pergunta. Estávamos ainda em seu apartamento, deitados nus em sua cama king-size e, entre nós, havia um pote repleto de morangos com chantilly.
É, eu sei.
- Deu crise de ciúmes, ? – ri descaradamente enquanto comia mais um morango, lambendo o chantilly que havia em volta do mesmo.
sempre parecia ficar hipnotizado quando eu fazia isso.
- Só curiosidade. – balançou os ombros fingindo descaso.
- Vou fingir que acredito. – enfiei o morango inteiro na boca e antes que ele começasse a retrucar, respondi – Por volta de dez caras, eu sei lá. Perdi a conta. – era a minha vez de balançar os ombros em descaso, mas o meu gesto era mais verdadeiro do que o de .
- Alguém que eu conheça além do diota? – dei um tapa em seu braço enquanto ria.
- Para, o é um doce... – não pude deixar de rir também.
- Mas não é homem o suficiente para você, . – retrucou em um tom sexy, empurrando o pote para o lado e subindo lentamente em cima de mim – Por que acha que se rendeu ao meu charme, senhorita?
- O simples fato de você ser bom de cama não basta? – estava ficando sem ar por estarmos tão perto um do outro, seu corpo viril prensando o meu no colchão.
- Sou eu aquele que te dá prazer, . – o modo como sussurrava meu sobrenome ao pé de meu ouvido fazia meu corpo inteiro tremer e arder de desejo. Ele beijou minha clavícula e a mordeu logo em seguida – Eu posso te levar ao paraíso e trazê-la de volta sem muito esforço e você sabe disso. – sorrindo maliciosamente, abaixou seu rosto para o meu pescoço, onde deu um chupão que me fez gemer alto o suficiente para comprovar o que dizia – É o MEU nome que você geme quando transamos; é em MIM que pensa quando está ardendo de excitação. – agarrei as cobertas com força quando mordeu levemente o bico de meu seio – Conheço mais o seu lindo corpinho do que todos os namorados que teve. Sei onde te tocar, onde te beijar... – ia lembrá-lo de , mas minha linha de raciocínio se rompeu quando mordeu o bico do outro seio – Faço você sentir coisas que ninguém jamais fez você sentir antes, .– pausou para rir, me causando arrepios – E é exatamente por isso que você me quer. – sorrindo mais uma vez, terminou – Só admita que não consiga mais viver sem mim. – riu convencido. O sonho acabara com aquelas palavras.
- Não consigo, é? – o desafiei levantando uma de minhas sobrancelhas. Troquei de lugares, parando em cima de seu corpo (já excitado, percebi orgulhosa) – Eu me virei muito bem antes de você chegar, . E eu poderia continuar fazendo-o por muitos e muitos anos... – mordi seu lábio inferior e senti seu corpo estremecer – Agora, por que você acha que quis me seduzir, para começo de conversa? Pelo que me lembro, foi você o primeiro a dar o passo. – fui tamborilando meus dedos pelo seu corpo viril até chegar na “área baixa”, fazendo-o engolir em seco – Eu te digo por quê: na verdade, é VOCÊ que não consegue mais viver sem mim. – sorri diabolicamente antes de envolver seu membro com minha mão. Escutei um gemido sôfrego escapar de sua garganta – Só admita, . Você que me imagina realizando seus fetiches 24 horas por dia... Mesmo que eu não esteja com você, ainda me visualiza assim, sorrindo maliciosamente, gemendo seu nome... – arranhei seu tórax com brutalidade e senti seu braço segurar meu pulso como se pedisse para acabar com seu sofrimento. Mas ah, estava longe de realizar seu pedido – Porém, você está enganado. – me aproximei de sua orelha, sussurrando - Sou eu aquela que te dá prazer. Eu posso te levar ao paraíso e trazê-lo de volta sem muito esforço e você sabe disso. É o MEU nome que você geme quando transamos; é em MIM que pensa quando está ardendo de excitação. Sei onde te tocar, onde te beijar... Faço você sentir coisas que ninguém jamais fez você sentir antes e é exatamente por isso que você me quer. – repeti suas próprias palavras com certo sarcasmo antes de morder o lóbulo de sua orelha.
Isso bastou para que ele perdesse o controle.
Trocando brutalmente de lugares mais uma vez, , subiu sob meu corpo, beijando minha boca furiosamente. Sua língua, enroscada na minha, dizia o que eu mais queria ouvir: Eu sou todo seu.
Pois é. Eu havia conseguido novamente.
Passou-se uma semana desde que eu perdera minha virgindade com . Na escola, quando nos esbarrávamos “sem querer”, nossos olhares eram suficientes para que soubéssemos que estávamos ansiosos para ficarmos entre quatro paredes a sós novamente.
Deu para perceber que esta semana não havia sido monótona, não é? percebera que eu estava mudada, mas não ousei dizer nada até aquele momento. Eu e havíamos concordado que, quanto menos pessoas soubessem, melhor.
Mas era difícil esconder algo tão grande da minha melhor amiga.
- E quando vocês vão sair novamente? – perguntei tentando mudar o rumo de meus próprios pensamentos. Era uma Sexta e ela estava dizendo sobre como estava sendo maravilhoso sair com .
- Nós vamos para a casa de praia dele amanhã – ela disse toda sonhadora e maliciosa ao mesmo tempo – Vamos ficar por todo o feriado e só voltaremos na outra semana.
- Sua sortuda! – bati levemente no braço dela – não está nem me levando para a esquina de casa esses dias. – disse fingindo ressentimento – Ele está dando duro dessa vez para entrar na faculdade, mas isso está praticamente nos tornando estranhos um para o outro...
- Dá um tempo para ele, . Aposto que esta sendo tão difícil para ele quanto para você. – antes que pudesse concordar escutamos o alto falante anunciar:
- Todos os alunos e professores na sala de teatro imediatamente.
- O que ela quer agora? – revirei os olhos. só balançou os ombros e logo estávamos sentadas nas cadeiras do grande salão.
A diretora estava no palco, e mais um professor que não reconheci estavam com ela. Senti que me fitava calorosamente e o fitei da mesma maneira.
- Bom dia. – a diretora começou a dizer – Como todos sabem, no final do ano passado, foi recolhido os seus nomes a fim de sortearmos 20 para viajarem até Veneza este ano. – burburinhos se espalharam pelo salão neste momento – Bem, eles foram escolhidos. Os professores e Dumpings serão aqueles que acompanharão os alunos semana que vem nesta viagem. Aqueles escolhidos deverão se apresentar aqui na escola amanhã de manhã mesmo, sendo dispensados hoje para fazerem suas malas, e voltarão de viagem somente domingo que vem. Alguma pergunta? – o silêncio permaneceu – Então prosseguiremos.
Um a um, os nomes foram saindo. Devo admitir que estivesse sim querendo ir e nem era por irmos para Veneza (já havia viajado para lá inúmeras vezes), mas sim por certo professor que nos acompanharia...
-... ... – quase não a escutei dizer, mas quando percebi, dizia: - Sua sortuda! Vai para Veneza! Você não pode se esquecer de... – e seu discurso do que eu deveria comprar e do que eu deveria fazer continuou, porém eu não a escutei.
continuava a me encarar, um sorriso malicioso, mas discreto, em seus lábios carnudos. Uma de minhas sobrancelhas estava levantada em sua direção e, em meu rosto, um sorriso torto e safado estava estampado.
Esta viagem não ia prestar. Mas no melhor sentido da palavra.
- Vou sentir sua falta. – me dizia enquanto me abraçava fortemente. Estávamos no aeroporto, minhas três grandes malas já haviam sido despachadas e eu estava meio enérgica para sair logo dali.
- Eu também vou sentir sua falta, docinho. – minha voz saiu abafada pelo seu corpo musculoso. Inclinando-se sobre mim, senti seus lábios encostarem-se aos meus e lhe devolvi o beijo da mesma forma.
Por que eu não sentia mais a mesma excitação que antes?
- Quando voltar, vou fazer uma festa particular para nós dois. – sussurrou sensualmente e senti meu corpo estremecer, porém não era da mesma forma que me sentia antes de aparecer em minha vida.
“Deixe disso, !” me ordenei mentalmente.
- Vou esperar ansiosamente. – sorri abertamente, enroscando meus braços em volta de seu pescoço e beijando sua boca ardentemente, tentando resgatar algum resquício que fosse daquela sensação gostosa que sentia quando beijava ...
Uma de suas mãos apertou meu seio e uma apertou minha bunda. Ah, ali estava ela! Deixei escapar um gemido sôfrego de minha garganta e senti meu corpo começar a se “acender”.
- Como vou sentir falta disso. – sussurrou em um gemido no meu ouvido antes de morder o lóbulo de minha orelha. Suspirei de acordo.
- Pelo menos não vai se arrepender de tirar o atraso quando eu voltar. – retruquei em um sorriso sacana.
- Tem certeza que não temos um tempinho antes de você ter que entrar? – com o brilho de seus olhos de encontro com os meus, eu quase cedi.
Eu disse QUASE.
- Tenho que entrar agora. – fiz um biquinho e dei mais um selinho em sua boca apetitosa. - Me liga! – o ouvi dizer enquanto me afastava e, antes de passar definitivamente pela polícia federal, mandei um beijo no ar em sua direção.
- Não gosto de ver você assim com ele. – estremeci ao escutar a voz de atrás de mim tão próxima.
- Acostume-se. Ele é meu namorado. – essas palavras quase não saíram de minha garganta, mas suspirei aliviada quando saíram.
- Não precisava ser assim e você sabe disso. – ele apertou minha bunda e gemi baixinho quando grudou minhas costas em seu corpo.
- Para que me satisfazer com um se tenho dois? – retruquei baixinho – Agora me solta. Estamos em público e não queremos chamar atenção.
- Isso ainda não acabou. – ele me soltou logo depois de terminar, me deixando com calor até demais e um pouco desnorteada.
Céus. Aquela viagem ia ser quente.
CONTINUA
n/G: sorry pela demora, vocês sabem... Escola, cursinho e tals. Enfim, sei que este cap é curto, mas já começei o próximo, e sei também que provavelmente não tenho mais leitoras, mas espero estar enganada. APROVEITEM, FLORES! Bjxxx

