Love Of Headline
Autora: maarcella
Status: Em Andamento
Revisada por: Juh
Categoria: Danny Fics
Sub-Categoria: Aventura/Humor/Romance - LongFic
Comentários:
Capítulo I - How did this happen to me?
[Danny narrando.]
Nunca fui muito de ficar a fim de famosos, ou até mesmo pessoas que parecem ser famosas. Pra dizer a verdade, a pessoa mais popular que tenho na lista telefônica do meu celular é o Tom. Humilhante, eu sei, mas essa nunca foi a minha praia. Nunca tive essa vontade incontrolável que muitos têm em ficar com algum artista.
Bom, nunca diga nunca. Eu não sou muito de me contradizer, até porque sou muito cabeça dura. Mas hoje eu digo que alguém nesse evento me chamou muita atenção. Não apenas pela menina parecer famosa, Deus me livre! Claro que não. Até porque fama eu já tenho. Ok, falou o nada modesto aqui.
Enfim, eu acho que nunca senti o que senti quando olhei para ela e fui recebido com um sorriso. Meu Deus, e que sorriso. Ta bom, isso soou meio apaixonadinho-platonico-eu-nunca-vou-ter-ela.
- Longa pausa para pensamento –
Eu acho que já ouvi uma música com um tema parecido... Mas como eu estava dizendo, é realmente muito difícil explicar o que aconteceu comigo naquela festa. Senti-me bobo, com as mãos suando e sem saber o que fazer ou como agir. Senti meus joelhos cederem quando ela e seus cabelos esvoaçantes passaram por mim, formando involuntariamente, um sorriso babaca em meu rosto. E não ajudou nada quando ela correspondeu ao sorriso.
Só não sei se ela foi apenas simpática ou é minha fã ou só sorriu para não me deixar muito mal.
Eu tenho um defeito estranho, que me faz passar vergonha às vezes. Distraído. E aposto que você já deve ter percebido isso. Estou aqui dizendo inúmeras coisas sobre o possível amor de minha vida e sequer disse meu suposto nome. Suposto não, pois desse eu tenho certeza.
– Sorriso colgate para essa resposta sem ao menos precisar pensar –
Então vamos recapitular...
Oi, meu nome é Daniel Alan David Jones, mas conhecido como Danny Jones. Tenho 22 anos e sou um dos atuais vocalistas e guitarrista solo na banda pop britânica – que você, com certeza, já ouviu falar – McFLY.
E eu estou com a impressão de que falei, falei e não esclareci nada.
Estamos aqui, em um evento da BBC, onde o McFLY foi convidado para tocar como banda principal, já que estamos lançando CD novo coisa e tal. Até ai tudo normal.
Tocamos, agitamos o público como sempre. Depois fomos dar um giro na festa, porque, claro, nós também gostamos de aproveitar as festas, ok?
Então, nessa social que fomos fazer ao redor da festa, encontrei-me petrificado ao ver certa silhueta, desconhecida por mim. Imagina a cena: Eu, Daniel Jones, parado estaticamente com uma cara totalmente abobalhada olhando para um ponto fixo – no caso, a garota -.
Sabe aquela coisa que todos falam tipo ‘quando você olha muito tempo pra uma pessoa ela olha de volta’. Maldita leizinha. E não é que a menina olhou pra mim? Ela me olhou meio assustada e a única coisa que consegui fazer foi ficar totalmente vermelho e soltar um sorrisinho boboca para ela. E eu repito ainda bem que ela retribuiu, mesmo parecendo estar um pouco assustada.
Mil pensamentos vieram a minha mente. Ela estaria assustada porque a) eu parecia um psicopata estrupador que nunca viu mulher na vida olhando-a; b) ela conhecia o McFLY e pela devida sorte linda do destino, eu era seu ‘McGuy’ preferido; ou c) ela apenas foi simpática com um pobre ser que a estava secando absurdamente, o que não deve ser novidade, pois ela era realmente muito linda.
Até que... Cara, ela ta vindo na minha direção. AI MEU DEUS!
Ta. Ok. Voltamos à quinta série. Controle-se Danny.
Nos segundos que levaram até ela se aproximar, fiquei pensando no que dizer e no que falar.
‘Ah, oi prazer, eutenhoumabanda, qual o seu nome? [sorriso]’; ‘Ah, oi não pude deixar de reparar que nunca a vi por esses lados. Posso saber o nome da princesa?’ - Princesa? Praguejei-me mentalmente.
Nada vinha a minha mente, droga! Até que percebi que ela já tinha passado e apenas deixado seu lindo e perfeito sorriso ao passar pela minha idiota pessoa. – Que bom que eu não disse nada que eu pensei. Coitada da menina.
Sem querer ser naturalmente dramático, mas só faltou eu voar seguindo-a igual aqueles desenhos animados quando o cheirinho da comida está delicioso.
Não que eu esteja comparando-a a comida. Longe disso! Se bem que ela é bem gost... Hey Danny! Que horror. Afaste esse pensamento cafajeste. Bem, mas como eu odeio mentir, ainda mais quando é pra mim mesmo... Ela é realmente gostosa. Pronto falei. Porém ela é mais que isso. Apenas o momento que ela passou – que foram frações de segundos – fez meu mundo parar.
‘Whoa! Your gravity’s making me dizzy’
E eu realmente estou começando a ficar meio assustado.
Não que eu nunca tenha me apaixonado, mas é que... EPA! EU NÃO POSSO ESTAR APAIXONADO POR ELA! Eu nem a conheço, nem troquei uma palavra com ela. Nem sei se a dita cuja fala meu idioma. Nem sei se ela lembra de mim, nem sei se ela sabe quem eu sou. Oh Meu Deus! E se ela não souber quem eu sou? E se ela me acha um idiotinha convencido e considera minha banda uma boyband babaquinha?
Ok. Isso soou gay. Prometo tentar me controlar.
Eu só estou confuso. Muito confuso.
Estou acostumado às menininhas virem cair aos meus pés. Estou acostumado a elas sempre apaixonadas por mim.
E se ela for famosa? Se ela for um socialite super podre de rica que só fica com caras mais velhos e muito bem sucedidos? Meu Deus, to ferrado.
Mas... E se ela for apenas uma pessoa comum que entrou de penetra no evento? Naah. Ela se veste muito bem pra isso. Afinal, quem com um, sobretudo preto DKNY, bolsa Les Best prata e sandália MIU MIU verde-menta de salto 10, não seria pelo menos, rico?
- Longa muito longa pausa –.
Que foi? Não me olhe assim. Semana passada, entregaram um folheto de moda lá em casa por engano. Eu estava entediado.
Depois de minha discussão mental comigo mesmo, me virei a ponto de ver para onde a angelical menina tinha ido. Pronto. Fechei a cara. Ninguém muda essa expressão do meu lindo rosto hoje.
Ela foi a encontro de um cara, que parece ter uns 19 anos no máximo, abraçando-o e dançando a-b-r-a-ç-a-d-i-n-h-o com o mesmo. Idiota!
Hei espera. Idiota sou eu! Ficar aqui, no meio de um evento totalmente ‘elite’ me lamentando por uma garota que sequer sei o nome. Danny, seu idiota. ‘É isso. Vou ir dançar que é o melhor que eu faço’. – pensei.
Sabe depois que eu terminei com a Olívia tenho me sentido um pouco sozinho. Nada que uma companhia pra hoje a noite não resolva, se é que vocês me entendem.
Capítulo II- There are no secrets to be told.
[Você narrando.]
Odeio me perder das pessoas, ainda mais em um evento que ninguém te conhece e você conhece as pessoas, mas elas realmente não sabem de sua existência no mundo. Só vim mesmo porque James disse que seria bom pra nós. Bom vai ser quando formos reconhecidos nesses lugares, droga.
Pareço uma penetra maluca e eu acho que to sendo observada. Maldita sensação. Já olhei pra todos os lados e nada. Epa. To enxergando bem? Danny Jones, um flyer, olhando diretamente pra minha pessoa?
Não, não pode ser. Ele deve ta procurando Dougie, ou outra pessoa mais interessante e mais conhecida do que a baixinha desajeitada aqui. Ele parece meio assustado. E, bem, eu to assustada. Meu Deus, ele sorriu pra mim! O que eu faço? Ok, ok. Respira e expira. Agora sorriso eu-to-te-ignorando-mas-você-não-deixa-de-ser-a-minha-vida. Legal, preciso achar os meninos. Acho que to ficando laranja.
Ai droga! Natie tinha que estar depois de Danny? Droga, droga e droooooooga!
Ta. Ok. Lá vou eu.
Passar por ele sem agarrá-lo não foi tão difícil assim.
E eu finjo que acredito.
Ok. Mentira.
- ‘Cara, tipo assim, diz que eu to sonhando vai. ’ – eu disse entre o aperto do abraço que dava em Nate.
- ‘O que aconteceu?’ – ele desapertou um pouco os braços e se pôs a dançar se balançando de um lado pro outro comigo.
- ‘Daniel Jones estava me olhando e sorriu pra mim!’ – disse com a maior animação, mesmo tentando parecer normal diante aquelas pessoas que nos olhava por não estarmos falando inglês e sim, português.
- ‘Ah, entendi a causa do coração acelerado agora’.
Feels like a heart attack.
- ‘Sem zoar vai. Mas eu nem tenho certeza se ele realmente estava me olhando ou se apenas foi simpático sorrindo. Até porque eu fiquei com uma cara meio de maníaca olhando-o, então ele deve ter ficado com medo de eu tentar arrancar os cachinhos dele como uma groupie maluca e descontrolada e... ’ – só que eu fui, delicadamente, interrompida por Natie.
- ‘Cala a boca bailarina de caixa de música’ – ele sorriu levemente e logo depois gargalhando pela minha expressão ofendida – ‘Você enche muito a paciência com o Danny. Por que não vai lá e joga seu charme infalível nele?’ – ele disse meio que debochando da cara broxante que eu fiz quando ouvi ele dizer aquilo.
- ‘Haha. Passo mal contigo gatinho. ’ – dei língua a ele, que fez uma falsa e super péssima cara de garoto ofendido – ‘Agora vamos parar de falar em português. As pessoas estão olhando e a cara do nosso produtor não ta muito boa quanto a isso. ’ – falei apontando pra James, nosso agente, que estava sentado a frente, no bar.
- ‘Oh, claro. ’ – o menino fez uma careta engraçada e acenou com a cabeça para uma pessoa que estava passando e cumprimentou a nós. – ‘Você acha que seremos como eles algum dia?’ – perguntou o mesmo afastando minha cabeça de seu peito e assim, afastando-me do abraço.
- ‘Eu acredito que seremos grandes. Porém únicos. Então não gosto muito de comparar. ’ – disse olhando em seus olhos verde-esmeralda.
- ‘Penso o mesmo. ’ – disse o garoto simplesmente, voltando a abraçar-me.
Logo depois, nossos outros dois amigos chegaram para ficar conosco.
Juntos somos , Nate, Dave e Peter.
Somos brasileiros, porém estamos agora em Londres tentando nossa grande sorte, nosso grande milagre. O mais novo de nós tem 17 anos e o mais velho, 19 anos.
Tudo começou a partir da internet. Somos populares na mesma, no mundo todo.
Isso nos levou a uma oportunidade no Reino Unido. Nós fazemos música. Música em inglês, por isso nosso vinda para cá. James acha que vamos fazer muito sucesso aqui, diferente no Brasil.
E, bem, pra quem não nos conhece, nós somos a ‘Back To Halls’.
Caso já tenha ouvido esse nome e associado a algo, bom. Caso não, guarde o mesmo, pois ainda vai dar o que falar.
Capítulo III - I should have known much better.
[Danny narrando.]
Domingo. Em minha opinião devia se chamar tedingo. Haha. Oh diazinho tedioso viu.
Ok. Isso foi uma tentativa de trocadilho, ainda estou treinando nisso.
Ainda me sinto um pouco perturbado em relação a minha atitude ontem. Não que eu tenha feito besteira, bem, não que eu me lembre.
Acordei meio com vontade de ficar na cama ainda, pois só de lembrar que amanhã é segunda-feira já fico com preguiça. Não que eu tenha escola ou coisa e tal como você lendo isso aqui, mas segunda-feira é realmente um dia chato. Tomei café e me apossei do sofá aproveitando o meu ‘fazer nada’ do dia, pois tinha combinado perturbar Dougie mais tarde.
- ‘Ta aberta’ – ouvi um grito depois de tocar a campainha da casa de Dougie.
- ‘E se eu fosse um maníaco louco que sempre odiou o McFLY e quisesse tirar um olho teu só para nossas fãs não acharem mais você tão gatinho assim?’ – falei de um modo psicopata meio divertido, terminando a frase de um jeito bem gay.
- ‘Eu sabia que era você, idiota. Você ligou não tem nem vinte minutos pra perguntar se eu já tava acordado. ’ – Dougie fez uma cara entediada do tipo vou-te-matar-por-ser-tão-idiota.
- ‘Ah... É. ’ – soltei uma gargalhada depois de perceber minha idiotice matinal – ‘Mas eu vim aqui porque queria conversar contigo... ’
- ‘Ah. Verdade. O que aconteceu ontem? Você tava, tipo assim, viajando mais do que o normal. Não duvido nada que as fotos que tiraram da gente devem ter saído hi-lá-ri-as por sua conta. ’ – meu querido amigo começou a debochar de minha cara, mas nada que não estivesse acostumado. Olhei-o com uma cara de reprovação, demonstrando parecer algo sério. – ‘Ok. Desculpa. Conta agora vai, parece ser sério. ’
- ‘Você acredita em amor à primeira vista?’ – perguntei simplesmente.
- ‘Ah cara. Se for coisa melosa você sabe que tem que falar com o Harry né. ’ – ótimo. Dia de sacanear o Danny on.
- ‘Se você não quer ouvir o que eu tenho a dizer, tudo bem. Só não tira sarro. ’ – falei fingindo estar ofendido e decepcionado, e fui andando em direção a porta a qual entrei.
- ‘Não. Não. Volta aqui, tava brincando cara. Pode falar, sou todo ouvidos. ’ – ele encostou os cotovelos na bancada de sua sala e juntou às mãos no queixo, fazendo uma cara de compreensivo-apaixonado. Bem gay, digo.
- ‘Sei. Você não se importaria mesmo. ’
- ‘Ok. Parei. Pode falar, você sabe que me importo contigo. O que ta havendo?’ – e o Oscar de drama vai para: Danny Jones. Uhuul! Sempre funciona.
- ‘Ok. Mas antes responde a minha pergunta. ’
- ‘Ah dude, sei lá. Acredito no amor. Mas não sei se consigo acreditar em amar loucamente uma pessoa que você vê do nada, ou que nunca viu na vida. Acho que você passa a gostar de verdade quando passa tempo com a mesma e aproveita momentos bons com ela. ’ – adorei. Minha vez de sacanear.
- ‘Oh amor, não conhecia esse seu lado sensível. ’ – falei apertando as suas bochechas e gargalhando ao mesmo tempo.
- ‘Sacaneia vai. É você que veio perguntar essas coisas do nada e não eu. ’ – ele apenas fez uma cara debochada, que me fez rir mais ainda. – ‘Mas fala, por que isso agora?’ – quando eu ia abrir minha boca para falar alguma coisa, um sorriso maroto soltou dos lábios de Dougie – ‘Não vai dizer que... Está arrependido e vai voltar com a Olívia?’
- ‘WHOA. Claro que não! Ta louco? Bate na madeira. – ninguém reparou como eu sou exagerado, né? – ‘Não tem nada a ver com ela. Desencantei daquela mulher a tempos, mas só agora tive coragem de encarar a realidade e terminar com tudo. ’
- ‘Menos mal. Não gostava muito dela não. ’ – o outro disse meio que segurando o riso.
E bem, digamos que eu quem começou a rir.
- ‘Mas como eu tava dizendo e você já me interrompeu umas quatro vezes... ’ – esperei um pouco apenas fitando-o, esperando uma nova interrupção. Nada. Ok. – ‘Ontem eu realmente gostei de uma menina naquele evento. Pode parecer meio maluquice, ou impulsividade. Você sabe como sou impulsivo né. Mas ela pareceu ser diferente e o sorriso dela, tipo assim, é o mais perfeito que eu já vi em toda essa minha vida. ’ – disse embolando as palavras, soltando um risinho da parte de Dougie. Percebi o riso. – ‘Que foi? To parecendo muito idiota? To né. Eu, um cara de vinte e dois anos agindo como se tivesse no colegial. Patético, eu sei. Nem o nome dela eu tive coragem de perguntar. Mas sei lá. Que... Merda! ’ – falei muito, muito rápido. Daquele tipo que você fala antes da informação processar no cérebro.
- ‘Dude, calma. ’ – Dougie disse apenas, entre risos. – ‘Você ta solteiro e desmiolado por causa do relacionamento passado, então não vejo problema nenhum você ver uma garota e ficar a fim dela, ou sei lá o que esteja passando em sua mente. ’ – ele disse entre um sorriso maldoso – ‘E outra, merece um pesco tapa por nem ao menos ter perguntando o nome da menina. Ai agora fica todo cheio de boiolice se lamentando comigo. Já disse que pra isso vai procurar o Harry. ’ – Dougie disse rindo.
- ‘Eu sei. Eu sei. Arrependo-me por nem ao menos ter perguntando o nome dela... Mas, deixa isso pra lá. Provavelmente a gente nem vai se ver mais. Ela não parecia ser daqui de Londres, sei lá. ’ – disse meio desapontado comigo mesmo. Como eu sou idiota às vezes!
Às vezes?
- ‘Então vamos esquecer essa melancolia indo ao Starbucks e comendo tudo que nossas panças agüentarem. Esse lançamento de CD está realmente me deixando nervoso, o que me leva a... AHH?’
- ‘COMEEER!’ – depois de segundos respondi, o que me levou ganhar mais um pesco tapa de Dougie.
Saímos correndo da casa de Dougie e, claro, quando chegamos à rua andamos como gente normal. Se é que ainda dá pra fazerem acreditar que nós somos normais.
Capítulo IV - Hey, ain't it good to know that you've got a friend?
[Você narrando.]
Ontem foi o primeiro evento com imprensa e celebridades que nós fomos à vida. Divertido, digo. Particularmente, dei muitas risadas. Pessoas sem noção, artistas passados se achando ainda ou escondendo a face por estar com uma roupa parecida.
Pensando bem, me assusta a possibilidade de eu e os meninos passarmos por isso um dia. Fama. É tudo que todos desejam. Foram tiradas fotos de nós, como sendo a próxima banda revelação. Nem precisa dizer que não sabíamos como agir ou falar.
Mas eu não sei se estaria, aos meus 18 anos, preparada pra isso.
- ‘Caraca, você viu o que aquela garota fez? Ela praticamente veio pra cima de mim. ’ – disse Peter, de um jeito assustado-desesperado, arrancando risadas de todos os presentes na sala.
- ‘Isso porque ela estava erm... Bêbada, certo? Ninguém em sã consciência se joga pra cima de você lindinho. ’ – disse Nate debochando da cara de nosso amigo.
- ‘Haha. E tanto faz. Mas ela era realmente bonita... ’ – foi à vez de Dave opinar.
- ‘Quem é realmente bonita? Ah. Ta. Obrigada. ’ – falei entrando na sala e recebendo caras feias e rolamento de olhos em desaprovação ao meu lindo comentário. – ‘Nossa, dormiram com o Bozo hoje é?’
- ‘Cara. Que coisa mais incerta de se falar. ’ – claro Dave tinha que bancar o nerdzinho. - ‘UAHEUSAHUEHSUAHSUAHS ado auehushauehs reei. ’ – já apresentei o idiota do grupo? É Peter e como ele mesmo diz, é surreal conhecer você.
- Olhares do tipo, morra idiota reinaram no cômodo –.
- ‘Ok. Então, o que acharam de ontem?’ – vez de Nate falar, ela parecia meio avoado. Novidade.
- ‘Eu me diverti muito, mesmo me sentindo deslocado. É estranho você estar em um ambiente em que você conhece todo mundo, mas eles nem procuram saber teu nome. ’
- ‘Concordo Dave. Teve uma hora, que você e Peter foram dar uma volta, eu me perdi completamente do anjinho ali, que nem fez questão de me achar. Passei a maior vergonha da minha vida. ’ – e como eu queria passar por isso de novo.
Ah, jura? Não me diga.
- ‘Yey. O que tu fez? Eu sei que você sempre faz as coisas mais surreais, nas horas mais surreais e nos momentos mais surreais, mas podia dar um desconto no evento né? Afinal, primeiro de nossa promissora carreira. E eu acho que nunca falei tanto surreal numa frase só... Surreal. ’ – disse Peter como se estivesse falando pra si mesmo a ultima frase, o que levou o mesmo a sorrir para o próprio. Ainda tenta adivinhar o idiota?
- ‘Bah. Nem fiz nada de mais... Eu só fi... ’ – claro. Tirem à chance da menor de falar.
- ‘Ela simplesmente foi secada por Danny Jones e não fez nada. ’ – Natie e sua linda mania de me interromper. – ‘E ainda, ao perceber isso, veio correndo para os meus braços. – o idiota deu um sorriso extra maroto. – ‘O que comprova a teoria nacional de que eu, Nathaniel Armstrong, sou mais gostoso que Danny Jones. Há!’ – nem preciso comentar a minha cara né?
Que deixe bem claro que nós quatro somos fervorosamente fãs fiéis de McFLY, que são nossa maior inspiração para o que fazemos hoje. Mesmo os garotos se achando mais lindos e fofinhos que eles.
Afinal, o mais velho de nós tem 19 anos, então somos a versão mais nova do McFLY, tirando eu, claro.
Pra tirar a curiosidade alheia eu posso descrever os malucos com quais eu vivo. Ah, sim. Nós moramos juntos numa casa aqui em Londres. Quatro quartos privacidade total. Os meninos me respeitam muito em relação à privacidade e tudo mais. Dave é o mais velho, com 19 anos. Básico loiro dos olhos cinza, cabelo meio arrepiado rebelde, com jeito bem brasileiro-skatista.
Já Peter, que é o mais novo com 17 anos, tem o cabelo preto negro com olhos azul escuro profundo, com aquela bela e gigante franja no cabelo liso e meio bagunçado atrás. Roupas largas, sempre! Ele diz que ajuda seu ‘amigo’ a ser mais feliz diariamente, se é que você me entende.
Nate. Natie. Nem preciso falar que ele é meu preferido. Temos a mesma idade.
Conhecemos-nos desde pirralhos, então ele é pra sempre. Meio alto meio baixo, cabelos castanhos dourados meio desgrenhados jogados numa franja, com olhos brilhantes verde-esmeralda.
Pode dizer agora. Sou ou não sou a pessoa mais sortuda por viver com esses três caras?
- ‘Poupa o momento eu-sou-gostoso de hoje, ok?’ – falei demonstrando meio impaciência.
- ‘Nossa. Não ta mais aqui quem chamou o Danny de menos gostoso. ’ – disse o menino rindo da cara ofendida que eu tentei esconder.
- ‘Como se eu realmente ligasse pra isso. Até porque, o que eu mais admiro nele não é apenas seu rostinho bonito. Isso só ajuda’ – mandei aquela joinha com a mão, bem sarcástico.
- ‘Nossa. Dormiu com o Bozo hoje foi?’ – acho que Peter aprendeu a piada. – ‘Ou será... Hum... Como posso dizer isso sem receber um fora?’ – o mesmo colocou uma mão no queixo e olhou para o teto, fazendo os outros dois meninos copiarem o ato. – ‘ARREPENDIMENTO!’ – disseram os três em uníssono.
Apenas rolei os olhos. Onze horas da manhã e eu ouvindo isso. Fala sério né. Até parece que eu to arrependida.
Amanhã mesmo eu posso esbarrar em Danny, meu McFLY dos sonhos desde sempre, e ter a oportunidade de bater um papo super cabeça tomando um suco geladinho de maracujá para diminuir a excitação do momento. Não literalmente, claro.
Arrã valeu.
- ‘Há!’ – gritou Dave depois de minutos de silêncio da parte do mesmo. – ‘Já sei por que o humor da princesinha. ’ – ele nos disse isso com certo brilho nos olhos e bem, pelo que eu conheço meus meninos, só pode ser uma coisa.
- ‘CO-MI-DA!’ – gritaram os três, jogando almofadas em minha direção. Eu sou lerda. Nem precisa comentar que todas, menos a do caolho Dave, acertaram em mim.
- ‘Mas antes, espera. James ligou?’
- ‘Ah, verdade. Ligou. Quinta-feira, duas e meia da tarde, audição em uma gravadora de Londres para fazermos um teste para abrirmos à turnê de uma banda. ’ – disse simplesmente, escondendo a animação. O que eu, bem, não costumo fazer.
- ‘YEEEY! Qual banda? Ele disse?’ – apenas neguei com a cabeça, revelando certa magia em meus olhos. Afinal, dava prazer em ficar imaginando qual banda iria nos ouvir para seguirmos turnê.
- ‘Oh crianças, vamos que eu to morrendo de fome. ’ – Dave foi até o armário e pegou seu casaco.
Oh, maravilhoso inverno londrino! Eu tenho um sobretudo desde meus 16 anos e finalmente, tenho onde usar. Há mãe! Segura essa. Você não comprou a toa.
Apenas concordamos e seguimos o mais velho. Com pouco tempo na cidade, ainda não aprendi direito os lugares, então raramente saio sozinha.
- ‘E aonde vamos senhor?’ – perguntei fazendo uma reverência meio exagerada.
- ‘Starbucks’.
Definitivamente, surreal.
Capítulo V - Why do you build me up Buttercup, baby?
[Danny narrando.]
Talvez hoje seja meu dia de sorte. Estou no Starbucks com Dougie e até o certo momento ninguém veio nos perturbar. Depois de tantos anos sendo reconhecido, eu fiquei meio paranóico. Toda hora olho para os lados para verificar se há algum paparazzi nos observando quando estamos em algum restaurante, coisa e tal.
Já tem uns vinte minutos que estamos sentados aqui e nem sequer apareceu uma fã pedindo autógrafo. Uhul!
Ta, valeu. Me engana que eu gosto.
Ta. Confesso. To me sentindo meio largado. Por que ninguém veio falar com a gente até agora? Ou vieram e nós ignoramos, pois estamos a exatos dez minutos montando uma fortaleza de cookies na nossa mesa. Não tenho culpa se minha atenção é difícil de prender.
- ‘Estranho isso aqui estar vazio hoje. Mas olhando por um lado é bom, ninguém no nosso pé. ’ – disse Dougie tirando sua atenção dos biscoitos e olhando ao redor do lugar.
- ‘É. E eu não to com muita paciência pra tumulto hoje... ’ – eu disse parando o que estava fazendo, me perdendo em pensamentos. Sabe quando você pára e fica olhando pra um ponto fixo igual a um maluco? Bingo.
Dude, o que ta acontecendo comigo. Ela não sai da minha cabeça.
I'm attracted to you all the more. Escutei algumas risadas altas e uma agitação na mesa ao lado, mas o ponto fixo estava tão gostoso de olhar que consegui controlar minha curiosidade excessiva.
- ‘Cara... Cara. ’ – já disse que eu odeio com todas as minhas forças que me cutuquem? Não to num bom dia.
- ‘Droga Dougie, que houve?’ – eu disse tirando meus olhos do nada e olhando diretamente pra meu amigo. Digamos que, com uma cara não muito boa.
- ‘Nossa que humor... ’ – ele disse fazendo uns movimentos esquisitos acima de minha cabeça – ‘Mas enfim, olha aquela menina ali. Meu Deus. ’ – sabe não são todos os dias que o Dougie diz algo sobre alguma garota, pois ele é bem tímido quanto a isso. Então eu tive que olhar para conferir né.
- ‘Oh Meu Deus dude, tu gostou daquilo?’ – eu disse praticamente gritando e fazendo uma cara assustada super exagerada, o que gerou a atenção toda para nós.
Como se isso fosse novidade.
- ‘Não aquela. Fala sério né. ’ – e ele repetiu a minha cara de enojado/assustado. – ‘Aquela. ’ – ele simplesmente apontou pra menina, que estava de costas para a gente, fazendo-a estar de frente ao balcão, provavelmente escolhendo o que pedir. Uns dois meninos que estavam na mesa ao lado meio que nos olharam de rabo de olho e deram uns risinhos.
Legal, era o que faltava. Um bando de pirralhos rindo de mim.
Eu meio que fitei a menina de cima a baixo. Seus cabelos estavam soltos e formavam ondas sobre a blusa branca de gola alta. Já comentei que amo o inverno só porque as mulheres ficam lindas em roupas de frio? Voltando. A menina era não muito alta nem muito baixa. Digamos que o tamanho essencial.
Continuei olhando-a, para conseguir ver seu rosto quando a mesma virasse.
Nada. Já estava começando a ficar super impaciente. Odeio esperar! Por que com ela não funciona a parada de você ficar secando e a pessoa vira?
Apenas grite: Meu nome é Danny Jones e vamos ver quem não vira.
Virei a minha atenção de novo para a comida, tomando um gole de meu frappuccino, com creme claro. Nesse momento senti uma cutucada de Dougie e quando eu já ia soltar os cachorros nele por o mesmo me cutucar, reparei que ele estava querendo dizer alguma coisa. Ta ok. Mas precisa cutucar?
- ‘Olha. Ela. ’ – Dougie disse a sussurros. Já vou avisando que não sou bom com sussurros.
- ‘O QUÊ?’ – eu disse quase gritando, o que fez Dougie abaixar a testa até a mesa e permanecer com a mesma lá. – ‘O que você disse?’ – falei baixinho, depois de ter percebido a porcaria que tinha feito.
- ‘A garota que eu te falei. Ta na mesa do lado, um pouco mais atrás de nós. ’ – ele disse subindo um pouco a cabeça, mas falando baixo ainda.
- ‘Ah ta. Ela ta olhando pra cá? Por que eu não quero pagar outro mico olhando descaradamente para trás.
Como se não fosse lei Daniel Jones pagar mico.
- ‘Ela ta com aqueles garotos que deram risada da gente. ’ – Dougie falou em um tom normal. Ele gosta de provocar as pessoas tanto quanto o mestre aqui. – ‘Idiotas. ’
- ‘Ah então eu vou aproveitar que eu vou ao banheiro e vejo se eu aprovo viu, delícia?’ – eu disse levantando-me e fazendo uma voz bem gay para meu amigo. Yey! Primeiro ‘vai se foder, Danny’ do dia.
Levantei-me da mesa, dei um girinho e remexi meu bolso, tinha alguma coisa me incomodando.
Ah. Um papel. ‘Dannyboy minha vida a você. Te amo! E dessa vez, não esquece de me ligar. Xoxo, Taylor’. Há. Conta com isso minha filha.
E como um bom atrapalhado, eu deixei o papel cair no chão. Quando estava abaixando pegando o papel, notei que o lugar ficou tipo assim, no maior silêncio.
- ‘Que merda que ta havendo?’ – pensei ainda agachado no chão. Cara, linda cena. Só faltou eu levantar com as mãos pro alto dizendo ‘Não fui eu! Não fui eu!’. Ok. Hora de encarar os fatos.
Percebi que estava parado a frente da mesa que Dougie disse. Droga. Passando mais um vexame com outra garota em menos de um dia! Tratei de levantar-me logo e quando fiz tal ato, meus lindos olhos azuis foram de encontro com os olhos mais perfeitos que eu já vi até hoje. Meu coração acelerou.
Não é possível!
Era ela. A garota do evento. Eu tive vontade de raptá-la para podermos compartilhar nossos dias andando de mãos dadas pelo resto de nossas vidas, fazendo piqueniques, olhando o luar, restaurantes românticos e...
COMO É QUE É?
Ok. Isso foi megaboga gay. Mais veja pelo lado bom, pelo menos eu não tive nenhum pensamento cafajeste.
- Excesso de tosse mental –
Bem, não que eu tenha dito.
O Starbucks inteiro estava em silencio, tirando um zumbidinho atrás de mim. Acho que perceberam nossa presença lá. Fiquei alguns segundos apenas encarando a menina, que fazia o mesmo. Os garotos da mesa dela apenas nos olhavam meio como quem dizia ‘que porra é essa?’.
Sem comentários pirralhos, porque o gostosão aqui chegoooou!
Arrã. Vai nessa.
Um barulho chamou minha atenção a olhar para os lados. Percebi então que muita gente me observava e pude ver algumas câmeras fotográficas sendo escondidas. Alguns caras de pau continuaram com seu lindo vídeo, ou sei lá que outra porra qualquer eles estavam fazendo.
Youtube, lá vamos nós!
Meu cérebro recebeu um estalo com o momento e eu olhei para trás, vendo Dougie conversar com algumas meninas. Uma delas estava com uma blusa do McFLY e estava apontando pra mim. Apenas sorri e fiz um sinal de que já voltava. Quando virei meu rosto pude notar que aquele grupo da mesa a frente ainda estava me olhando, todos assustados. Posso jurar que o garoto mais a frente da mesa estava ficando verde.
Meus olhos se encontraram com os dela de novo e resolvi não ser idiota e ficar apenas encarando como um maníaco psicopata.
Dei um mega sorriso simpático e pisquei meu olho direito, passando andando pela mesa. Pude ver que ela retribuiu o meu sorriso. Por isso a piscadela, ok?
Fui à direção do banheiro e estava determinado a falar com a linda menina quando voltasse. Claro né. Vamos checar os dentes, o hálito e o cabelo. Não que eu precise disso, mas tudo bem.
Pronto. Decidido. Quando eu coloco algo na cabeça, é muito difícil de tirar.
Eu ia saber o nome da menina e ia convidá-la para fazer algo mais tarde, ou seja, lá quando ela pudesse. Respira, expira. Ok. Só não posso esquecer-me de continuar.
Sai do banheiro, indo à direção a mesa da minha menina. WHOOA. MINHA menina? Oh Meu Deus. Isso ta realmente me assustando.
Logo depois de sair de minha briga mental, percebi que estava rodeado de meninas com blusas do McFLY pedindo autógrafos e fotos. Elas praticamente acabaram com a minha determinação. Eu ia fazer algo histórico! Ta, não tão histórico assim. Eu sou meio puto às vezes... Nada que não dê pra consertar.
Fui extremamente simpático e atendi a todas as meninas, como sempre. Algumas delas eram até bonitinhas, mas como vocês sabem, fã é fã. Temos uma barreira pra isso.
Espera. E se a menina, cuja está a um metro de distancia de mim agora, for minha fã? Não. Acho que não. Ela nem tentou me agarrar.
Não ainda.
Enquanto eu estava com as fãs em uma rodinha, não parava de olhar para a mesa da menina. A minha vontade era de pegar a mais gordinha entre elas, fazer um strike nas outras e correr para minha linda boneca, salvando-a daqueles garotos idiotas em sua volta.
Hei. Garotos a sua volta? Eu não tinha notado. Idiotas sortudos!
Eu já estava me preparando para sair da rodinha, puxar Dougie, a menina até então de nome desconhecido e sair correndo desse lugar. Até que percebi que o pessoal da mesa do lado, a mesa de minha menina estava se levantando para ir embora. Uhul! Eu vou conseguir. É agora ou nunca. Um raio não cai no mesmo lugar mais que duas vezes.
- Pausa para pensamento –
Ou seria o ditado de outra forma? Enfim, dei um passo para frente e então a menina que há segundos atrás eu ia fazer de bola de boliche me abraçou. Abraçou não. Agarrou-me, literalmente. AAAH. Sai daqui balofa!
E enquanto eu me debatia para sair daquele literal aperto (lê-se: poço de banha), percebi que a menina já estava perto da porta de saída.
NÃÃÃÃO.
Gritos/xingamentos/pragas contra a balofa on.
Eu fiz uma cara de desesperado e olhei-a indo à direção a porta. Ela apenas se virou, me olhou nos olhos e soltou um sorriso tímido meio desapontado. Eu conheço esse tipo de sorriso, pois era o mesmo que eu fazia para ela agora. E OH MEU DEUS, que sorriso.
Não faz assim que eu me descontrolo menina. Não faz docinho pra mim que eu... Erm... Esquece.
Eu estava determinado. Não ia deixar a menina escapar assim de novo!
Foi muita coincidência eu encontra - lá assim, do nada de novo. Não que eu acredite em destino. Eu ia gritar. Ia gritar algo do tipo: ‘Apenas me diga seu nome para que eu possa dormir em paz. ’; E quando tomei fôlego entre o aperto da baleinha aqui um dos garotos que estavam com a menina desconhecida, chamou-a o que fez a mesma apenas piscar o olho para mim e soltar um sorriso divertido no rosto ao se virar e indo para a rua, de encontro com os mesmos meninos.
Pude ver pela janela a mesma pulando nas costas do mais alto e ambos correndo de um lado pro outro. Engraçado, eles parecem conosco mais jovens. Tirando a linda garota, claro.
Liberdade! A rolha de poço me soltou. Apenas dei um sorrisinho sem graça e fui correndo até nossa mesa, pegando Dougie pela camisa e arrastando-o para fora do estabelecimento e daquela nuvem de fãs loucas e alteradas.
Eu realmente acho que nossas fãs bebem. Nada contra. Talvez, quando eu chegar em casa, eu dê uma olhada no vidro de perfume para ver se tem o elemento ‘álcool’ na composição.
- ‘Obrigado. Vamos dar o fora daqui. ’ – disse Dougie começando a andar em direção à rua principal. – ‘Eu vi a balofinha te agarrando, desculpe não ajudar e... ’ – ele disse gargalhando ao mesmo tempo. Eu apenas continuei parado na calçada. Ele notou minha falta ao seu lado. – ‘Erm... Você não vem?’
Apenas olhei para meu amigo com um brilho divertido nos olhos.
- ‘Era ela Dougie. ’ – eu pude sentir as famosas borboletas destruidoras de estomago quando disse isso.
- ‘OH MEU DEUS! A BALEINHA? Dude, você já se respeitou mais. Tudo bem. Nada contra as não-magrinhas, mas MEU DEUS e. ’ – gritos e mais gritos.
- ‘WHOA TA LOUCO? Se afoga no asfalto. - ele apenas me olhou não entendendo sobre quem ou o que eu falava – ‘A menina que você tentava me mostrar. É ela. ’
Dougie apenas soltou um sorriso sincero. E me surpreendeu.
- ‘Você não vem? Temos alguém para seguir. ’ – ele disse virando-se e apontando para um grupo de amigos pulando e fazendo o maior fuzuê mais na nossa frente.
Apenas sorri, com meu corpo enchendo de expectativa.
Realmente, hoje é meu dia de sorte.
Capítulo VI – Yeah you know it’s just my luck.
[Você narrando.]
Sorte. Uma palavra muito conhecida por todos nós, mas nem sempre, todos nós a possuímos. Em nossas vidas, nós vivemos de altos e baixos. E a sorte conta muito nesse aspecto. Mas eu só não sei se realmente acredito nisso, pois uma hora você pode estar se sentindo com a maior sorte e na outra, o maior azarado.
Sem querer me gabar, mas meu período de sorte está em alta.
Acabamos de chegar aqui no Starbucks. O estranho é que está vazio, mas melhor assim. Odeio filas! Tiramos zerinho ou um pra saber quem ia fazer os pedidos no balcão e, como sempre, sobrou pra menor aqui.
E ainda se diz sortuda?
Mas tudo bem. Gastemos meu período de sorte com coisas mais importantes. Até porque Peter pediria tudo errado, e não to a fim de me irritar com os meninos hoje.
- ‘A gente quer o mesmo de sempre. Não esquece do creme. ’ – Dave. Mandão de mais pro meu gosto.
- ‘O mesmo de sempre? A gente só veio aqui duas vezes. ’
- ‘Ah. Você entendeu. Não estraga a magia de estar aqui, ok?’ – ok Peter, eu concordo com essa magia.
- ‘Ta. Ta. Vão sentar logo. ’
Fui à direção do balcão principal para pedir a montanha de comida pros esfomeados que respondem como meus amigos. Não que eu não coma pra cacete também, mas isso a gente fala depois, hoje é domingo e não tem dieta.
Dei vários pulinhos ridículos para ver o que tinha, fazendo os garotos rirem de mim, o que me fez instantaneamente virar para trás. Cena hilária: Pessoal rindo de mim, eu me viro, olho pra eles, olho pro lado faço uma cara totalmente pálida e assustada e me viro bruscamente de volta para o balcão.
Na mesa:
- ‘Cara, será que aconteceu alguma coisa? Parece que ela viu um fantasma. ’ – que bonitinho. Natie é sempre o primeiro a se preocupar comigo.
- ‘Ah, tu conhece a princesinha né. Ela não deve ter gostado da gente rindo da cara dela. ’ – disse Dave, simplesmente.
- ‘Ou ela viu alguma coisa totalmente surreal na mesa ao lado e se virou bruscamente para não pagar mico. ’ – Peter disse com o tom mais natural, fazendo os meninos olharem para a mesa ao lado, um pouco mais atrás de onde os mesmos estavam.
Minuto de silêncio entre eles.
- ‘Cara... É... São... Meu Deus!’ – Dave falou sussurrando, ainda não acreditando em quem estava ao seu lado.
- ‘Dude, que coisa gay. Não é só porque eles são nossos ídolos que você precisa gaguejar. Eles ainda são homens. ’ – Peter é idiota exagerado, mas em horas de pressão e excitação ele é sempre o mais calmo. Vai entender.
- ‘É e parece que eles nos notaram aqui. Ta vendo Dougie olhar para ? – ainda vou descobrir porque Nate fala assim do McFLY em relação a mim. Será que... Naah, impossível.
‘Oh Meu Deus dude, tu gostou daquilo?’
- ‘Porra. Ouviram o que Danny disse?’ – Natie ficou indignado.
‘Não aquela. Fala sério né. Aquela. ’
Os meninos se entreolharam e deram risinhos, ao ver que Dougie apontava disfarçadamente para , no caso, eu.
- ‘Que houve? Do que estão rindo?’ – falei chegando à mesa, com todos os pedidos cobrindo quase a minha visão toda. Oh gente pra comer viu. Não literalmente. Eu acho. Erm... Deixa pra lá.
- ‘Ah. Nada, nada. ’ – Peter tava ficando verde de tanto rir. – ‘Ah droga ! Meu cookie cadê e... ’
- Silêncio na mesa e em todo o Starbucks –
- ‘Vai lá cara, cumprimenta teu ídolo. ’ – disse Dave à meia voz, num sussurro quase inaudível, cutucando o braço do amigo ao lado.
- ‘Eu não, cumprimenta você e... ’. – Peter já ia questionando quando se deram conta que Danny estava olhando-me descaradamente. E bem, eu fazia o mesmo.
Não é possível! Danny Jones na minha frente, me olhando do mesmo jeito que me olhava ontem. Então eu não estava maluca! OH MEU DEUS. O que eu faço? Acho que vou ter um ataque do coração. Haha. Minha teoria do suquinho tava certa! Segura essa loosers. Eu tenho o olhar de Danny pra mim e...
Arrã. Vai nessa.
Parei com minha dançinha mental e pude perceber que Danny desviou o olhar para o resto do local, ficando com uma expressão meio assustada. Algumas pessoas tiravam foto do mesmo, ou filmavam sei lá. Ao perceber isso, o mesmo virou para trás, o que me fez acompanhar o olhar do mesmo para a mesa de trás. Ele olhava para Dougie, que agora estava cercado de meninas histéricas pedindo para abraçá-lo.
Eu não tinha os visto antes. Como eu não consegui vê-los? Meu Deus.
Pra ficar bem claro, na hora em que eu virei no balcão rapidamente era porque eu tinha batido meu cotovelo e deu aquele choquezinho sabe?
Sem comentários.
Mas voltando. O que eu faço?
Opa. Pera. Ele ta se virando de volta. Conheço aquela cara sapeca que ele ta agora.
OH MEU DEUS. MORRI. Ele sorriu pra mim.
Ok. Respira. Pronto agora um sorriso simpático. Oh Meu Deus como ele é charmoso dude.
Cara pára tudo! Aquilo foi tipo assim, uma piscadinha de olho para a minha pessoa? Um ser insignificante como eu, recebeu uma piscadela de Daniel Jones? Uma topeira cega com um braçinho amputado como eu? Um peixinho barrigudinho, cocozinho de cabra, água de salsicha, e um...
Ok. Eu acho que já deu pra entender.
Após sua piscadinha de olho, que deu vontade de agarrá-lo e guarda-lo no meu armário para sempre, ele foi andando em direção ao banheiro. É eu o segui com os olhos, ok?
Quem não secaria... Ops. Seguiria?
- ‘Ta. Ok. O que foi isso?’ – falei olhando para um ponto fixo, pasma ainda com a situação.
- ‘Eu acho que ele gosta de você. ’ – Peter disse simplesmente. Achando seu cookie entre todos os pedidos e comendo-o. – ‘Ahá! Aqui está você. - as palavras dele nos fizeram olhar bruscamente para o mesmo, que apenas nos encarou como se o que ele acabara de falar fosse uma coisa óbvia. – ‘Que foi? Ah fala sério né . Quem não gostaria de você?’ – ele continuou comendo seu cookie, deixando nós totalmente assustados. – ‘Você é , do tamanho ideal, tem um corpo que dá inveja a todas essas londrinas aqui, sua voz é maravilhosa, suas roupas são sempre bonitas e arrumadas e seu cabelo está sempre perfeito. ’ - Pude perceber que Nate ficou meio corado. Será que... Não! De novo, impossível.
- ‘Ficou louco Peter? E... Obrigada, eu acho. ’ – foi apenas o que consegui dizer, soltando um sorriso para meu amigo depois de ouvir tudo o que ele disse.
- ‘Nada. E eu só liguei os fatos. ’ – ele disse fazendo uma cara nerd e meio que cuspindo cookie pra todos os lados, tipo quando a gente come paçoca e grita FA-RO-FA- FO-FA. Bons tempos. – ‘E ele estava te encarando descaradamente. Pude vê-lo ficar sem ação. ’
- ‘Isso não quer dizer nada, ele apenas podia estar assustado conosco porque estávamos o encarando também. Vai ver ele ficou com medo de a gente dar uma de gay e pular em cima dele, pedindo autógrafos e a aqui tentar arrancar um olho dele pra sua coleção secreta de celebridades e... ’ – Natie estava meio impaciente e falando rápido. E falando besteira, claro. Todos nós o olhamos ficando mais assustados ainda.
- ‘O que foi isso cara?’ – Dave finalmente pronunciou algo.
- ‘Nada. Eu só não to bancando o fã babaquinha. Vocês estavam quase se estapeando ai pra ver quem ia cumprimentar o cara. Ele é uma pessoa normal. Só tem o fato de que é uma de nossas inspirações que é mundialmente conhecido e estava parado nos observando. ’ – grosso.
E até parece que é realmente isso que te incomoda, honey..
- ‘Cara, saca só. Ta enchendo isso aqui. Acho que perceberam que Danny e Dougie estão aqui. ’ – só Dave para mudar de assunto tão rápido. Ele disse olhando ao redor, fazendo nós três acompanharmos seu olhar. – ‘Droga. Queria um autógrafo. ’
- ‘Eu também, mesmo faltando mais dois deles. ’ – Peter coleciona autógrafos. Mesmo até agora a gente só tendo encontrado três artistas. Quem sou eu pra estragar a diversão de uma criança?
- ‘Ah, e segundo que ele nunca daria chance a uma fã. Eles mesmos dizem isso. ’ – falei com certo receio por voltar ao assunto. Que porra é essa? Eu esperando uma chance de Danny Jones? Gerente! Tem drogas nesse frappuccino.
- ‘Não será somente fã quando a gente for lançado oficialmente. ’ – Dave tava certo. A gente poderia ser artista tão quanto ele. Na verdade somos, porém ninguém aqui em Londres sabe disso. Nós somos conhecidos na internet. Mas parece que o pessoal daqui não sabe ainda quem nós somos.
Ainda, babe, ainda.
- ‘Tanto faz, isso é maluquice. Ele nem perguntou meu nome. ’ – disse tentando desconversar o assunto que eu mesma comecei. – ‘Se por falta de neurônios da parte dele, ele pelo menos tivesse perguntado meu nome, tudo bem. Mas nada a ver. Às vezes ele é maluco e gosta de observar as pessoas. ’ – disse fazendo uma cara de maníaca, que fez todos em volta da mesa rir.
- ‘Ih cara! Olha a hora. A gente tem que ir correndo pra casa se arrumar pra ir pro estúdio. James vai matar a gente. ’ – Peter disse se desesperando, como normal. Enfiou todos os cookies que restavam na mesa dentro da boca e se levantou bruscamente.
- ‘MEU DEUS. Verdade corre galera, corre. ’ – Natie se levantou e foi praticamente correndo em direção a porta.
- ‘Somos os únicos normais nessa banda, Dave?’ – perguntei com um sorriso divertido, enquanto ele passava o braço sobre meus ombros.
- ‘Naah, princesinha. Você também não é nem um pouco normal. ’ – fiz uma cara feia pra ele que deu uma risada gostosa. – ‘Ok. Mas pensa bem, você é mais normal que o Mr. Surreal ali. ’ – ele disse apontando pra Peter, que colocava seu casaco correndo. Ambos demos risada.
Paramos para pegar os casacos pendurados no cabideiro diante a porta de entrada. Dave continuou seguindo e eu apenas parei, colocando meu sobretudo e virando-me para trás, a ponto de localizar Danny. Ele estava sendo abraçado, ou agarrado, por uma menina engraçadinha. Ri da situação.
Meus olhos se encontraram com os lindos olhos azuis brilhantes do menino de novo.
Minha vez de sorrir primeiro, lindo.
Apenas dei um sorriso tímido, meio desapontado. Queria muito que ele tivesse falado pelo menos ‘oi’ comigo. Será que se ele o pudesse falaria? Será que algum dia ele vai falar comigo? Ou até mesmo... Por que ele não me cumprimentou quando estava de frente comigo? Isso me chateou um pouco.
Mas por um lado, eu também poderia ter tomado à iniciativa. Mas sei lá. Não sei como são os meninos britânicos ao certo ainda. Vai que ele, meu ídolo, me acha uma atirada? Seria meu pior pesadelo se realizando.
Nate gritou meu nome, tirando-me do meu mar de pensamentos. Infelizmente, eu tinha que ir. Estávamos mesmo atrasados. Respirar fundo. Foi o que fiz. Dei uma pequena piscadela de olho para Danny e sai correndo, pulando nas costas de Dave, enquanto os outros meninos iam um pouco mais a frente, correndo e pulando. Nós somos idiotas, mas somos felizes. Muito felizes.
- ‘Por que você não foi lá, como fã mesmo, e falou com ele?’ – Dave me perguntou enquanto eu estava em cima de suas costas.
- ‘Não sei. É estranho, mas parece que não está na hora de falar com ele... Não sei explicar. ’ – é um sentimento confuso. Parece que ainda tem muito que acontecer, pensei mentalmente.
- ‘Ah. Então quer dizer que amanhã mesmo você pode esbarrar com ele DE NOVO e ter a oportunidade de falar ou não com o mesmo?’ – ele disse sorrindo. Dave me ajuda muito pondo sempre meu astral para cima, talvez por ser o mais sério de todos.
- ‘É. Talvez. ’ – eu disse sorrindo e pulando de suas costas, correndo então a encontro dos outros dois a nossa frente.
É você sabe, é simplesmente a minha sorte.
Capítulo VII - And she keeps playin' me around
[Danny narrando.]
- ‘Eu... Não... Acredito... !’ – foi só o que saiu de minha boca. Estou paralisado até agora.
Eu e Dougie seguimos a minha menina e seus ‘coleginhas’ até o final da rua. Para não dar chance de eles verem que estávamos seguindo-os, nós paramos na última esquina e ficamos apenas observando. Até que nos tocamos que era uma rua conhecida. Pior. Era nossa rua! Mesmo nos mudando da McHouse, nós continuamos na mesma rua.
Continuamos seguindo-os com os olhos, super sem ação. Não é possível! Eles... Eles...
A casa é deles agora! Nesse momento eu começo a questionar o fato de eu não acreditar em destino...
- ‘Nem eu dude. ’ – Dougie também estava sem ação. Nossa antiga casa tinha novos hóspedes.
- ‘Eu não sabia que tinha um grupo novo na nossa ex-casa. ’
- ‘Nem eu dude. ’
- ‘Será que... ’
- heeeeeeeeeeeeeeeeeeeeere’s another song for the radio! Tum ta na –
Porque propaganda é tudo.
- ‘Alô?’ – só pra constar, era meu celular. – ‘Ah. CACETE. Ok. A gente ta na rua já, estamos chegando. ’
- ‘Quem era?’ – Dougie continuava fitando a casa de longe. É realmente são muitas lembranças boas naquele lugar.
- ‘Tom. Arrumaram uma entrevista de última hora pra nós. Vamos, corre. ’ – com independência total, por falta de uma gravadora nos enchendo, nós ainda estamos perdidos nessas coisas de agenda, coisa e tal. O bom é que nem preciso me preocupar com academia para manter o físico de Mr. Gostosão aqui, porque eu vivo correndo igual a um louco o dia todo por falta de costume com tudo isso ainda.
Vire-me para o lado e percebi que eu corria sozinho. Porra Dougie. Eu sou egocêntrico, sabe? Eu necessito de atenção especial senão faço birra.
Há. Torce pra certa pessoa gostar de birrinha.
- ‘Erm. Dougie?’ – chamei meu querido amigo calmamente.
- ‘Ah... Oi... Fala dude. ’ – ele me respondeu calmamente, ainda concentrado no que estava observando, ou seja, não dando a mínima pro pobre Jones aqui.
- ‘Ah dude é só que... ’ – falei pausadamente e em um tom absurdamente calmo – ‘NÓS ESTAMOS ATRASADOS PORRA!’ – pronto. Além de dramático eu faço escândalos. Pacote completo, ok?
Dougie acordou com o susto e deu um pulo, resmungando apenas um ‘vai se foder Danny’, mas nada que eu não esteja acostumado a ouvir.
- ‘Será que a donzela pode andar logo pra dar tempo de ir pro estúdio? Tom vai simplesmente matar, esfaquear, estapear, montar em cima de nós, esquartejar a gente, abusar de nós com um pedaço de pau e... ’ – ok, talvez eu tenha exagerado um pouco.
Um POUCO?
Mas ai você se pergunta – ou não – o porquê de eu ter parado de vomitar aquelas coisas sem nexo enquanto o desespero tomava conta de mim por estar atrasado.
Tipo, eu comecei a ficar com medo de Tom e Harry depois da última vez que me atrasei. Agradeço até hoje por ter encontrado aquele patinete largado no meio do caminho. Nesse CD novo terão agradecimentos especiais para ‘Fluffy – O Patinete Salvador’. Ai, ai. Bons tempos. Enfim, retornando. Finalmente olhei o que Dougie tanto secava e se contorcia todo para ver no fim da rua.
Há. O que eu esperava! Bem, na verdade eu não esperava nada, só o Harry ou Tom chegando com uma espingarda para nos fuzilar. Isso fuzilar! Faltava isso na fala acima. Ok. Prometo tentar parar com as interrupções mentais.
Voltando ao ponto. O pessoal – minha doce menina e seus coleguinhas melequentos – estavam saindo da nossa antiga casa. E adivinha. Eu olho para frente e vejo Dougie andando, como se nada tivesse acontecendo. Hoje realmente é o dia de me deixar surtando sozinho.
- ‘Hey dude. Nós não estávamos atrasados? Vamos logo, antes que eles liguem de novo. ’ – Dougie virou-se para trás e falou com a maior calma.
- ‘Cara. Você ta de sacanagem né? Não viu a garota ali?’ – falei com uma cara totalmente desesperada, fazendo uns gestos exagerados com as mãos.
- ‘E? Ela morde por acaso?’ – ele perguntou com uma cara entediada.
- ‘Eu espero que sim... ’ – comentei em um sussurro quase inaudível, completando com o melhor sorriso safado que só Danny Jones consegue fazer.
Dia ‘Eu me acho gostoso’ on.
- ‘Haam?’ – resmunguei um simples ‘nada, nada’ e Dougie quase gritou me mandando andar logo, pois ele não queria levar a culpa depois. Já eu, estou acostumado com isso.
Fomos andando em direção a rua que o pessoal estava. Mas, de qualquer jeito, nós não íamos passar em frente a nossa antiga casa, pois onde morávamos agora, em casas separadas, ficava na rua debaixo. Antes de descer a rua, fitei o que o pessoal um pouco perto estava fazendo. A menina e os garotos estavam entrando em um carro, bem bonito por sinal e parece ser bem caro.
E... PERA AI! Eu não raciocinei uma coisa!
Só uma?
Ela mora ali? Ela mora com três caras? Aonde esse mundo vai parar Meu Deus? Ok.
Isso foi broxante. Pois eu mesmo queria morar com ela. Nossa... Yey. Sem pensamentos ou comentários cafajestes hoje.
Enfim, os quatro entraram em um carro conversível prata que, por sinal, eu invejei. E olha que isso é raro ok? A última coisa que eu invejei foi quando eu fui ao Burguer King e o cara da fila ao lado tinha conseguido o último sachêzinho de ketchup.
Maldito!
Enfim. Quando nós estávamos virando na esquina, o carro deles também estava. A linda menina estava usando óculos de sol maior que a cara, que a deixava mais entorpecente ainda.
Ao passar por nós, pois eu já havia corrido e ficado ao lado de Dougie, a menina olhou nos meus olhos e soltou um sorriso divertido. Eu retribui o sorriso e acompanhei o carro com os olhos, ainda andando/correndo. Nem preciso comentar que fiquei com um sorriso totalmente abobalhado no rosto. ELA CONTINUA DANDO MOLE PRA MIM!
Eita docinho. Já avisei que... Erm... Não vale a pena comentar nesse horário.
Eu me senti diferente dessa vez. Senti-me motivado. Eu estou decidido a fazer alguma coisa! Eu meio que tive um estalo em minha mente e reparei em uma coisa no carro.
Tinha um adesivo escrito ‘Back To Halls’ e embaixo o logotipo da BackstageBround Records. O que eles estariam fazendo em um carro de uma gravadora? Seria só jogada de marketing? A menina e seus amigos seriam podres de ricos e sócios da tal gravadora? E o que seria ‘Back To Halls’? Ser ou não ser?
Ok. Isso não teve graça.
Mas de qualquer forma, é estranho. Acho que já ouvi esse nome em algum lugar...
E me deu uma louca vontade de chupar bala agora... Não sei de onde veio isso.
- ‘Quando vai parar de bancar o pseudo-apaixonadinho de quinze anos e ir finalmente falar com ela?’ – Dougie disse tirando-me de meus profundos pensamentos. – ‘Você já sabe onde ela mora. Não tem motivos para enrolar agora, caro amigo. Você precisa realmente de uma mulher logo. Você ta meio psicopata e eu não vejo você com alguém desde quando você chutou a baranga lá. ’ – ele disse rindo do que ele mesmo tinha dito.
- ‘Quinta-feira. Nesse dia temos o dia todo livre. ’ – dei um sorriso divertido e sonhador para meu amigo, enquanto entrávamos no carro para seguir até o estúdio – ‘Vou convidá-la para sair. ’
- ‘Por favor. E deixa de ser gay. ’ – dei um soco em seu ombro que o fez rir mais ainda de minha cara – ‘Ou eu mesmo vou lá e convido-a por você. ’
- ‘Há. Você NUNCA faria isso. ’ – debochei da cara do mesmo - ‘E, meu amigo, use suas palavras com você e vá procurar uma mulher urgente! Você tem andado viajando muito. Nada que um pouco de perversão na sua noite não ajude. ’ – eu disse gozando da cara de Dougie e batendo a palma de minha mão em sua cabeça, como se ele fosse um cachorrinho, enquanto o mesmo dirigia. Dougie também está solteiro desde que terminou com a Louise, mas digamos que ele se arranja e eu não. Então, de volta à estaca zero.
Preciso dizer o que ele disse a seu favor? Imaginável, certo?
‘Vá se foder Danny. ’
Capítulo VIII - Life isn't fair for the people who care
[Você narrando]
Estacionamos na calçada das portas da gravadora. Não íamos ficar muito tempo, então nos poupamos de tentar uma vaga no estacionamento privativo.
Uma coisa é engraçada quando vamos a gravadora ver algo. Sempre nos vestimos bem. Não que a gente se vista mal, mas a gente tenta caprichar um pouco mais. É eu sei. Broxante por um ponto de vista. Mas nós somos crianças ainda e gostamos de aparecer. Ainda mais a banda toda sendo super egocêntrica.
Huuumm.
Peter estava com uma calça jeans Colcci dois números maiores que ele e uma camiseta pólo Brooks Brothers azul bebê listrada em branco que eu escolhi. Natie usava uma calça jeans by Coca-Cola Clothers começando na metade da bunda e larga também, claro, com uma jaqueta preta Diesel por cima da blusa branca básica. Já Dave estava de bermuda Cavalera xadrez verde com uma camiseta pólo Levi’s branca. Todos meus meninos usam a gola levantada. Bem sexy ok?
Ai chegou minha hora. Eu não gosto e nem sei me descrever ainda mais em roupa. Então vou repetir o que Peter disse com sua melhor voz gay:
‘ está vestindo um lindo short de seda preto True Religion, com uma meia calça... Mescla. Isso. Meia calça mescla da Socks. Com uma blusa branca de manga caindo nos ombros de alguma parte da Harrod’s e seu adorável all star cinza de cano curto. ’
Eu sou do tipo de garota que adora rock. Toco guitarra. Adoro preto. Uso all star. Porém, nada disse me bloqueia de ser totalmente apaixonada por salto alto. Pode parecer maluquice, mas eu canto numa banda de pop/rock e adoro maquiagem, roupas da moda e principalmente scarpin – eu tenho uma coleção desde meus quinze anos.
Eu realmente acho idiotice esse negócio de só porque você faz rock, você não pode gostar de se arrumar. Se todos têm esse atraso mental e irão me achar uma poser ‘patricinha’ eu não posso fazer nada.
Eu realmente não me importo. Se eu não gostar de mim, quem vai gostar?
Opa, taxa de egocentrismo elevada.
- ‘Eu vi o sorrisinho para o Jones, ok?’ – disse Peter rindo da careta que eu fiz ao escutar a frase do mesmo – ‘To falando pequena. Isso ainda vai dar em alguma coisa. Guarde as palavras que o Mr. Peter ‘A Voz’ Brandom disse um dia. ’ – ele continuou fazendo palhaçada, parando olhando para o céu e fazendo uma cara totalmente de paisagem.
- ‘Cala a boca, idiota. ’ – eu disse rindo da pose do mesmo.
- ‘Há. Você diz isso agora. Porque mais tarde quando você estiver casada com Danny Jones você vai chegar para mim e dizer ‘uaau Peter além de super gostoso você também sabe das coisas... Surreal’. – o mesmo disse com uma voz super estridente, no caso, tentando imitar o jeito que eu falo.
- ‘YEY! Ta querendo dizer que minha voz é assim? De taquara rachada?’ – eu tinha que desconversar aquilo, ok? E bem, como uma boa menina de dezoito anos, que mora com três caras lindos-de-morrer que são considerados seus irmãos e que os mesmos acham que por linda sorte do destino você em breve terá uma chance com nada mais nada menos que seu ídolo desde sempre, Daniel Jones, eu também sou dramática.
- ‘Hei! Quem disse que a voz da princesinha ai é feia?’ – disse James, nosso produtor, chegando à sala que estávamos. – ‘Diz que eu bato . ’ – o mesmo disse sorrindo e eu o recebi com um abraço.
- ‘Oh carequinha, só eu chamo de princesinha, ok?’ – Dave fez como se estivesse ofendido, fazendo uma cara cômica depois que James percebeu o ‘carequinha’.
- ‘Vou ignorar o apelido fofo que você me deu, ok Sr. Turner?’ – James assusta a gente quando nos chama pelo sobrenome. Fomos seguindo-o para a sala de audição, ver como estava o processo das faixas de nosso primeiro álbum.
Sabe muita gente ao nos ver, pode pensar que é o máximo ter uma banda e que nós temos muita sorte por estar aqui hoje. Bem, e temos mesmo. Mas somos somente nós. Não temos amigos aqui, não confiamos em ninguém a nossa volta; A única coisa que temos é nós mesmos juntos, agora.
Foi muito difícil sair da casa de nossos pais para vir morar do outro lado do oceano. Eu sai de casa com 17 anos, pois não faz nem dois meses que eu completei dezoito.
Foi realmente difícil deixar minha família agora. Agora que eu estava virando melhor amiga de meu irmão mais velho. Deixei meus amigos, minha melhor amiga inseparável.
Aqui em Londres, nós quase não tivemos contato com ninguém praticamente. Nesses seis meses que estamos aqui, passamos o tempo gravando o CD e, de vez em quando, indo a alguns eventos em que ninguém nos nota e que ninguém fala conosco, ou que só há gente fútil ao nosso redor.
Basicamente, nós percebemos que ter uma banda não é só ter fama, ‘dinheiro fácil’, fãs e diversão. Ter uma banda é sinônimo de amadurecimento. Nós não temos ninguém para cuidar de nós, só apenas para cuidar de nosso trabalho. Não temos ninguém aqui para nos fazer continuar de cabeça erguida quando estamos para baixo ou quase surtando. É isso. Nossa banda nos fez amadurecer muito rápido.
Hoje nós nos importamos com coisas de maior valor, por isso que quando chegar uma crítica bem fútil ou até mesmo, tentando nos abalar, nós apenas iremos dizer ‘não nos importamos’.
Não posso negar que é totalmente maravilhoso morar num país diferente do qual você nasceu e, ainda mais, só com seus melhores amigos. Temos uma sorte também, porque nunca brigamos desde que chegamos aqui. Mas eu sinto falta de uma companhia feminina ao meu lado, sinto falta das coisas que estão no Brasil.
Eu nunca pensei que pudesse ser tão ligada a pessoas como sou ligada aos meninos hoje. Talvez por eu ser um pouco cética demais até. É divertido saber que o resto de nosso futuro será junto e nós fizemos um tipo de pacto. Nós estaremos juntos para sempre e nada, nem ninguém, irá nos separar. Aqui, cada um cuida do outro. Essa é a nossa nova família.
E vou contar um segredo. Todos os sábados, desde que moramos em Londres, temos algo a fazer. Sim. Sábado é o dia em que nós falamos com nossos pais e irmãos no Brasil. Na maioria das vezes somos nós que ligamos por causa da tarifa ser muito cara, mas às vezes nossos pais ligam de madrugada, diminuindo a despesa para os mesmos.
Confesso que todo o sábado, após ouvir a voz de amigos e parentes, eu pego as fotos antigas em um mini baú que tenho e choro escondida. Não tão escondida, pois tenho certeza que os meninos sabem. Pois, todo sábado eu passo na porta de cada um e escuto choros abafados vindo da mesma.
Talvez isso tudo por sermos muito criança ainda, temos muito o que amadurecer ao longo dessa experiência.
Todos os dias antes de dormir, nós nos juntamos e agradecemos por essa oportunidade.
Afinal, somos apenas nós, certo? É o nosso milagre e estamos aqui, juntos, para sempre.
Capítulo IX – I’ts not always easy, but I’m here forever.
[Danny narrando]
CACETE! Mudei de idéia! Hoje realmente não é o meu dia.
Justo quando eu fico decidido, o que é meio raro sabe, porque eu vivo em cima do muro, me acontece uma coisa dessas!
Ah, uh, desculpe. Você não deve estar entendendo os meus pensamentos. Mas é que eu realmente tenho vontade de pegar uma agulha enferrujada e enfiar no pé de alguém agora, só para todos serem infectados com tétano.
E tétano se transmite pelo ar? Por favor, né Jones o_o.
Tipo, quinta-feira, como eu tinha dito, seria nosso dia livre. YEY!
Yey o #$%@$... merda.
Arrumaram uma audição para nós nesse dia. Só porque eu ia pegar meu lindo cavalo branco, torcer para ele não cagar a rua toda e para não cair do mesmo, e convidar a misteriosa menina até então para sair. Ou apenas perguntar o nome da criatura!
Bem, criatura não. Danny Jones não se apaix... Se INTERESSA por criaturas.
- ‘Dude não dá pra mudar o dia disso não? Que droga tipo, eu tenho mais o que fazer e... ’ – falei desesperadamente, mas aparentemente, como sempre, ninguém prestava muita atenção no meu escândalo. Talvez se eu apenas ficasse quieto eles perguntariam se eu estava bem.
- ‘É só uma audição Danny. E é melhor a gente fazer isso logo, nossa turnê de arena já ta chegando. ’ – Harry disse tentando me acalmar, o que foi em vão.
- ‘E além do mais, não estamos a fim de escutar outra turnê você enchendo a porra do saco dizendo que o artista de abertura é uma droga. ’ – completou Tom. É eles tem razão. Eu iria reclamar se fosse escolhido sem passar por nós, ou melhor, por mim. Da ultima vez. MEU DEUS DO CÉU. A abertura era uma merda, nem um velhinho banguela agüentava.
- ‘Ok vocês tem razão... Mas tem que ser quinta-feira? É nossa folga... ’ – falei abaixando a voz e logo me sentindo conformado, completando com uma cara de lombriguinha-dançante-com-fome que ninguém resiste.
- ‘Não dá dude. Eu sei que é nosso dia vago depois dessa correria, mas a banda que vamos ouvir também ta na maior correria pelo que eu sei. ’ – droga tinha me esquecido que essa carinha só funciona com mulheres.
- ‘É Harry tem razão. Disseram-me que eles estão gravando o primeiro álbum, por isso vamos ouvi-los quinta. E se gostarmos iremos dar uma chance não só de se apresentar para as arenas, mas também de se promover no mundo da música.’ – disse Tom completando o que Judd tinha dito. Fletcher e sua mania de completar o que os outros dizem.
Eu apenas suspirei alto, em forma de conformação. Eu teria que adiar o plano infalível que tinha bolado.
- ‘Mas então... O que vai fazer de tão importante na quinta-feira?’ – disse Harry, terminando de comer seu sanduíche.
- ‘Ah, nada demais... É... É que... ’ – eu estava tentando desconversar oras! Eu não sou bom quando atuo sob pressão. – ‘Hmm... É que quinta é dia do cachorro quente! Isso. Eu vou comer cachorro quente no vizinho. ’ – putaquepariu Jones! Comer, cachorro-quente e vizinho em uma só frase? Respira, pois ai vem o começo da zoação do dia.
- ‘COMO É QUE É?’ – gritaram os três de uma vez só, fazendo Dougie que estava calado até então, cuspir toda a sua cerveja no lindo carpete verde vomito.
- ‘HAUEHUSAHUEHSAUS. Ta de UAHSUAHSUAH sacanagem né?’ – Vai Judd, continua. Sua hora ta pra chegar.
- ‘Meu Deus, por que você iria COMER cachorro-quente no vizinho? Ainda mais DO VIZINHO. ’ – Tom completou a zoação. Eu ainda mato o Fletcher por ficar completando os outros. Maldito!
Mas eu concordo, onde eu tava com a cabeça? Comer o cachorro-quente do vizinho?
Nessa eu exagerei, vai pro meu caderno de idiotices.
Ah! Os meninos pediram para eu sempre escrever as piores idiotices em um caderno. Quem sabe um dia não vira um livro? Ok. Parei por hoje.
Dougie percebeu que eu não sabia o que dizer e nem qual desculpa inventar na hora.
Droga de pressão!
- ‘Ele... Hmm... Iria convidar uma garota para sair nessa quinta. ’ – disse Poynter simplesmente, esclarecendo meu desespero de minutos atrás.
- ‘Ah ta. Por que não disse logo dude? Melhor do que a gente ficar pensando que você realmente ia hmm... Lanchar na casa do vizinho. ’ – disse Harry fazendo uma cara bem safada ao pronunciar o ‘lanchar’. Sem comentários ok?
- ‘É cara. Mas diz, quem é?’
- ‘Ah Tom... É que... ’ – eu disse meio enrolando. Eles iam me zoar muito quando eu disser que não sabia nem o nome da garota. Droga.
- ‘É que nosso amigo cabeça de vento aqui não sabe nem o nome da menina. Pronto, falei’ – disse Dougie se escondendo atrás da bandeja onde havia sanduíches enquanto eu lançava um olhar mortal para o mesmo.
- ‘Ah fala sério né. Cadê o garanhão da banda?’ – disse Tom em um tom de voz cômico, claro, me sacaneando.
- ‘Fica quieto Tom que você não pega ninguém também, só o Judd aqui. ’
- ‘Como você pode dizer uma coisa dessas se Tom tem namorada e erm... Você também trouxa?’ – é Dougie ta certo. Eu não to tão mal assim.
- ‘GENTE!’ – eu gritei antes que a ‘discussãozinha’ continuasse. Yeah! Escândalos sempre. – ‘Será que em vez de vocês discutirem quem pega mais, mesmo tendo namorada, vocês poderiam ser menos narcisistas e me ajudar?’ – eu disse em um sorriso fraco.
Ainda me sinto esquisito quando falo sobre relacionamentos. Por isso ainda não convidei você-sabe-quem para sair. Sinto-me inseguro, passei muito tempo com uma pessoa só; O que significa que de ruim minhas cantadas passaram para péssimas.
Eu sinto como se tivesse desperdiçado um bom tempo de minha vida. Eu sinto como se precisasse de uma motivação nova. Uma pessoa nova. O problema é que parece que agora eu tenho um bloqueio invisível que suga toda a minha confiança na hora de conversar com uma mulher que eu realmente me sinto atraído.
Em outras palavras, tem sido uma época difícil. Eu estou na seca.
Os três pararam com o fuzuê e se viraram para mim.
- ‘Desculpa dude... ’ – Harry disse olhando para Dougie e Tom, logo voltando o olhar para mim. – ‘Nós tínhamos conversado sobre isso outro dia. ’ – apenas franzi minha testa.
Eles conversavam sobre mim? Eu não estou tão mal assim. Eu pareço mal? Que droga. Gostaria de ser um pouco cético às vezes.
- ‘É. E nós achamos que ultimamente você tem andando muito pra baixo, mas não queríamos tocar no assunto. Você sabe que sempre quando você quer conversar é você que vem até nós, senão levamos patada. ’ – Tom completou. Até que enfim completou algo decente né? É verdade. Eu não gosto que fiquem me perguntando sem parar como que estou. Odeio quando as pessoas ficam insistindo.
- ‘Ah... Obrigado. Mas não é nada demais. ’ – eu disse dando um suspiro fraco e cansado. – ‘Eu acho que é a pressão desse álbum novo só, vai passar. ’ – dei um sorriso fraco, era o melhor que eu pude fazer na hora.
O álbum novo tem nos consumido muito e eu não consigo deixar isso de lado. Sinto-me esgotado desde a hora que eu levanto de minha cama. Sinto-me um fracassado por ter jogado um tempo aproveitável fora com um relacionamento que não deu certo. Sinto-me deslocado para sair com os caras, porque eu agora sou o único solteiro.
A única coisa que me faz querer levantar todos os dias são meus amigos, pois mesmo meu dia estando uma bela merda, elas vão saber de alguma forma, torna-lo bom.
- ‘Ah cara. Vai ficar tudo bem, você sabe. ’ – disse Dougie me puxando para um abraço de irmão. – ‘Você sabe que irmãos estão aqui para tudo não é?’ – após completar a frase Dougie olhou para Harry e Tom. É minha gente. Sem eles eu não sou nada.
- ‘Obrigado, de verdade. ’
- ‘E nós vamos terminar aquela audição na quinta-feira bem rapidinho para você poder ir falar com a tal garota, ok?’ – disse Tom batendo de leve no meu ombro.
- Isso! Afinal, você é Danny Jones, certo? O Rei do queijo e da palhaçada. ’ – Harry disse rindo do próprio comentário, fazendo nós três darmos risadas. – ‘Gostamos de ver você assim, ok? Rindo e falando porcaria sempre. ’ – Harry me puxou para um abraço protetor, como ele sempre faz.
- ‘Isso. Se concentra ai pra falar só porcaria nessa entrevista de agora. ’ – Tom disse rindo e todos o acompanharam na risada.
Repito. Sem eles eu não seria absolutamente nada.
Não é sempre fácil, mas eu estou aqui para sempre.
Capítulo X – I'm having a good time
[Você narrando.]
- ‘One, two, one, two, three, four!’ – Nate gritava e batia as baquetas.
É totalmente indescritível a sensação de estar gravando um álbum. Mas, por um lado, nossa vida social é totalmente destruída. Nós não saímos de noite para balada desde que chegamos a Londres! Dá pra acreditar? O máximo que eu consegui foi beber um suco em um PUB perto da gravadora, às seis da tarde.
Enfim hoje, terça-feira, nós finalizamos nossa última música. Isso é realmente excitante dude!
[n/a: Lembrando que a história começou em um sábado e os capítulos acima foram contados até domingo, ok?].
Semana que vem nós vamos pra não-sei-onde fazer a arte do CD, ou seja, nosso primeiro photoshoot. Nem precisa dizer que já estou treinando minhas expressões e meu melhor sorriso no espelho todos os dias.
- ‘Ótimo! Nossa. Parabéns crianças. ’ – James parecia emocionado. Ih. Duvidei.
- ‘Cara eu não acredito que finalmente está pronto. ’ – Dave disse com os olhos brilhando.
- ‘Quase meninos. ’ – James me fitou e percebeu a cara broxante que eu fiz. – ‘E menina. ’ – sorriso colgate por – ‘Agora só falta o pessoal mixar e vocês fazerem as fotos para o encarte e o CD single. ’
- ‘YEY! Vai ser tão divertido cara. ’ – Peter praticamente pulava em cima da gente. – ‘Aonde que vai ser o local das fotos?’
- ‘Huumm... ’ – o idiota do nosso produtor fez uma cara misteriosa/divertida/assustadora ao mesmo tempo. Bem, eu achei mais assustadora.
Outro dia eu conto o porquê.
- ‘Ah não. Começou termina!’ – quer me matar de raiva? Comece algo e não termine.
- ‘Ok. Ok. Mas antes tirem o Peter de cima de mim. ’ – ele lançou um olhar totalmente gelado pro mesmo. Resultado? Silêncio por todos.
- ‘Ta. Diz ai agora. ’ – Nate parecia entediado com tudo isso.
- ‘Nós estávamos pensando em fazer no estúdio mesmo... ’ – emburramos na hora – ‘Mas... ’ – palavra encantadora – ‘Achamos um local no centro da cidade mesmo que ficaria perfeito!’ – olhos brilhando – ‘Ai vocês podem escolher qual acharem melhor’ – ataque do coração – ‘Tem um parque meio abandonado aqui perto. Seria legal pela grama, coisa e tal. E tem também um prédio na Rua do Domino’s Pizza. É bem legal, pois ta abandonado. ’
- ‘Seria legal um photoshoot na grama. ’
- ‘Concordo Dave. Mas seria legal também um photoshoot no terraço de um prédio. ’ – eu sempre quis tirar aquelas fotos em que o cabelo voa saca?
- ‘Yeah. Difícil dude. ’ – Peter fazia uma cara exagerada e pensativa.
- ‘A gente não pode... Humm... Fazer nos dois locais?’ – Natie, Natie.
- ‘Eu realmente pensei que vocês não iam se tocar disso. ’ – James começou a rir de nós. Silêncio de novo. – ‘Gente. É um encarte de CD! Podemos fazer fotos até na vala se vocês quiserem. ’ – Ata. Foi engraçadinho por dois segundos.
- ‘AAH TÁ. Saquei. ’ – risadas histéricas da parte de Peter.
- ‘Mas agora se mandem e vão procurar algo produtivo pra fazer. Vocês estão liberados essa semana. ’
- ‘YEEY! Vida social de volta!’ – dei um pulinho e todos me seguiram.
- ‘Nós vamos passear e sair de noite toda essa semana!’ – Nate dançava junto comigo agora.
- ‘Isso! Isso! Nós podemos comprar balões, encher de água e brincar no meio da rua. Ou em casa mesmo. ’ – Dave andava de um lado pro outro, tentando organizar todas as idéias malucas para nós fazermos.
- ‘E podemos depois disso escorregar no sabão!’ – Peter pulava feito uma criança.
- ‘Tchau gente. ’
- ‘E depois a gente se esfrega na purpurina e... ’ – que foi? Se for pra fazer estrago, vamos lá.
- ‘Tchau gente. ’
- ‘E depois a gente corre, pula um em cima do outro e rolamos na grama!’ – Natie, Natie.
- ‘Ok. Tchau tchau para todos.’ – James já expulsava a gente pela quarta vez. – ‘Façam o que quiserem. Apenas aviso que não vou responder processo na justiça por ninguém e nem buscar certas pessoas na cadeia. ’ – ele disse tentando ficar sério, mas soltando um risinho com o canto da boca.
Eu não brinquei quando disse que ainda somos crianças. O que são dezoito anos?
- ‘Ok. Não precisa enxotar também. Estamos indo pra Harrod’s fazer comprar, qualquer coisa. ’ – falei na maior animação. Compras animam qualquer um! Ta, talvez nem todos. Percebi eles me olharem totalmente feio – ‘Ok. Vamos tomar um suco então. ’ – disse meio assustada pelos olhares malvados quando eu disse ‘compras’.
Quando chegamos a Londres, Nate me pôs de cabeça pra baixo e Dave e Peter me fizeram cosquinhas.
Pra quê? Ah. Fizeram-me prometer não mencionar a palavra ‘compras’ mais de duas vezes na semana.
- ‘Ok. Vamos embora pessoal. Temos uma semaninha inteira para curtir e ficar com a bunda pro ar. ’ – Dave disse segurando o elevador. Todos nós entramos.
- ‘Não esqueçam a audição daqui a dois dias na quinta-feira!’ – James gritou enquanto a porta do elevador se fechava.
- ‘Impossível. ’ – dizemos os quatro ao mesmo tempo.
- ‘Gostei da purpurina. Alguém a fim?’ – Nate deu sei melhor sorriso diabólico.
Risadas e mais risadas.
Capítulo XI - The first time that I saw her she stole my heart.
[Danny narrando.]
- ‘Vai lá dude. ’ – Tom disse baixinho. Sorte que eu ouvi.
- ‘Ok. To indo. Me dá cobertura ai.’ – eu disse com a maior cara de mafioso.
Terça-feira. São exatamente onze horas da noite. Tom está esparramado no gramado igual uma merda, Dougie do outro lado da rua esperando minhas coordenadas e Harry encostado em uma árvore achando tudo isso uma idiotice e nos filmando para usar tudo isso contra nós um dia.
- ‘Vai dude. Você consegue. ’ – Dougie disse pelo rádio.
Tom pegou um binóculo de visão noturna e olhou para a casa. Fez um sinal de ‘ok’ para Harry, que só revirou os olhos.
Sai rastejando pela grama em frente a casa. Parei embaixo do peitoral da janela que dava para a sala de estar. A TV estava acesa. Usei um espelho e vi um garoto louro passando. Droga!
- ‘Houston! We gotta problem! Melequeiros em casa! Repito. Melequeiros em casa!’ – passei um rádio para Tom.
Tom fez um sinal para eu prosseguir na minha jornada. Respirei fundo e passei pela segunda janela. A sorte é que as janelas da frente da casa são do mesmo cômodo.
Escorreguei até o começo da entrada da casa. A porta fez um barulho.
Merda!
Wow. Literalmente merda! Pisei na bosta. Porra meu tênis novo. E epa! Tem alguém saindo. Tomei um impulso não sei de onde, abri meus braços e cai igual geléia na moita. Anotar no caderninho de idiotices: ‘Nunca dar uma barrigada fora d’água.’
Dois meninos saíram da casa rindo e o mais alto girava um molho de chaves na mão. Rezei até Ave Maria para eles não terem carro, senão iriam descobrir todo meu plano maléfico.
Ufa. Susto um passado com sucesso.
Quando eu ia começar a andar novamente para onde eu estava antes de me estatelar atrás da moita, ouvi a janela se abrir e uma voz feminina gritar.
- ‘Não esquece do sorvete!’ – foi o que a voz doce disse.
Ai. Uma coisa em comum já. Eu também adoro sorvete.
Sem comentários.
A janela foi fechada e eu pude retornar o que ia fazer a segundos atrás. Engatinhei até a entrada e colei na parede. Fiz meu melhor olhar de águia e conferi todo o local.
- ‘Ratman, perigo à sua esquerda. ’ – Dougie disse pelo rádio.
- ‘Ok. Vou checar Delícia69. ’ – porque não basta apenas vestir roupas pretas, engatinhar na grama e usar walk-talk. É preciso codinomes também.
No mesmo momento que eu olhei para a minha esquerda, uma coisa peluda voou pra cima de mim. Um gato! AAAH. EU ODEIO GATOS! Eles são extremamente malvados.
Comecei a me embolar com o gato, mas não no sentido de sacanagem, claro. Eu to na seca, mas também não vamos atingir os extremos.
- ‘Rat! Rat! Quer ajuda dude?’ – Tom dizia pelo rádio.
Não cara. Tudo isso é pura putaria. Eu to de sacanagem aqui.
Se eu tivesse uma mão livre eu teria dito isso.
Maldito! Grudou na minha camiseta. Comecei a esbofetear o bichano, até que... Putaquepariu! Maldito comedor de lixo na vala. O filho do demo me arranhou! Dei um tabefe nele, que fez o mesmo voar. O gato parou perfeitamente sobre suas quatro patinhas do mal.
Encaramos-nos.
Ele miou. Eu rosnei. Ele afiou as unhas. Eu lati.
Ta. Eu sei que latir não foi uma coisa que ajudasse muito nessa hora de perigo, mas melhor que nada.
Quando eu estava me preparando para fazer meu ‘ca-me-ra-me-rá’ e tacar uma pedrinha perto dele para ele se mandar, – porque nem mesmo gatos desse tipo merecem ser judiados – o bichano correu na velocidade da luz e grudou no meu lindo, perfeito e cacheado cabelo. Há meu filho. Agora a coisa ficou pessoal.
Cena hilária: Eu, Daniel Alan David Jones, correndo e gritando de um lado para o outro, com um gato grudado na minha linda cabeça.
Os caras vieram correndo me ajudar. Bem, apenas Dougie e Tom, pois Harry estava caído no chão de tanto rir daquela cena. Tomara que ele não tenha filmado tudo.
Dude, às vezes eu me odeio.
A gritaria foi tão grande que vinham pessoas olhar pela janela, pra ver se tinha alguém morrendo. Os caras conseguiram tirar a coisa do mal dos meus lindos cachinhos e eu cai no chão com o impacto. Nossa. Esse foi o momento mais tenso da minha vida.
Lembra da gritaria? Bingo. As luzes da varanda da casa se acenderam e nós escutamos um barulho de chave girando, seguindo da maçaneta virando. Parece que tudo ficou em câmera lenta. Eu, Dougie e Tom nos olhamos rapidamente, meio desesperados.
Seriamos descobertos! Corremos o mais rápido que pudemos e os três pularam para o cercado do vizinho. Harry só ria, pois já tinha feito isso quando eu comecei a gritar e acordar todo mundo.
A menina saiu meio correndo de casa, com um garoto baixinho e moreno ao seu tira-colo. Nós observávamos detrás da cerca do vizinho. Não sei se são meus olhos, mas ela parecia estar brilhando... Parecia purpurina. Talvez seja natural.
Arrãããm. Ok!
Ela olhou para todos os lados. Parecia confusa. Também né. Quem não estaria? Eu grito bem alto mesmo, perceba isso nos shows. O menino fez um sinal de ‘ok’ para a garota e ela entrou ainda mais confusa na casa.
Ufa! Susto dois passado com sucesso.
- ‘Daniel, Thomas e Dougie. Acabou a palhaçada agora. Vamos para o bar tomar alguma coisa. ’ – Harry falou sério, mas meio entediado com tudo isso.
- ‘Não é Dougie. É Delícia69. ’
- ‘Cala a boca Poynter. Não dá mais corda pro cabeça de vento ai. ’ – adivinha pra quem Judd apontou?
- ‘Mas... Mas... A gente ainda pode conseguir. ’ – eu olhei para eles com uma cara super triste.
Touché.
- ‘Ok. Se você realmente quer fazer isso, faça como um homem de verdade. ’ – Harry tinha razão. Que patético eu sou.
Dougie e Tom concordaram com a cabeça. Aquilo tudo tinha sido a nossa pior idiotice. Não sei como eles toparam fazer aquilo.
To cheio de cocô - que eu rezo para ser de cachorro – no meu tênis novo, to com um arranhão gigante no meu braço esquerdo que ta doendo pra cacete e, por fim, perdi um cachinho depois de brigar com um ser inferior a minha espécie. Sem contar na vacina que eu vou ter que tomar. Eu tenho medo de agulhas.
Em outras palavras, estou derrotado.
Fazer a coisa simples e direita era o que restava. Por que eu sempre tenho que complicar tudo o que é perfeitamente e basicamente simples?
Nós fizemos tudo isso apenas para eu conseguir entregar um presente e uma carta para a menina. A menina do evento e do Starbucks sabe? Aquela que não sai dos meus pensamentos. Bem, é mais para saber se ela tem namorado ou não. Idiota, eu sei.
Peguei o embrulho e o envelope. Andei até a varanda da casa e subi as escadinhas, sem me importar se tinha gente vendo ou não. No estado que eu estou nada mais importa. Coloquei o embrulho e o envelope vermelho no tapete de entrada. Pronto. Por que não fiz isso antes?
Respirei fundo, toquei a campainha e sai correndo igual a um louco.
Que foi? Eu disse que tenho a compulsividade de dificultar as coisas.
- ‘Você ficou louco porra?’ – Tom gritava enquanto corríamos já virando na esquina.
- ‘Cara. Da próxima avisa o que vai fazer antes. ’ – Harry gritava também.
- ‘Não posso fazer nada se sou imprevisível. ’ – dei meu melhor sorriso colgate, já parando de correr, pois tínhamos virado a esquina, não tinha mais como verem a gente.
Só torço para ninguém ter visto a gente correndo.
Paramos e respiramos, entrando em um bar em seguida. Todos que freqüentam esse bar nos conhecem, então sem azaração aqui.
Sentamos no balcão e pedimos uma rodada de cervejas. Uma mulher que, mas parecia um travesti, piscou e mandou um beijinho para mim. Fiquei olhando assustado enquanto os outros três riam da minha cara.
Nossa essa foi a pior. Preciso mesmo de um banho.
- ‘Como você vai saber que ela recebeu?’
- ‘Tom tem razão. Como você vai fazer isso dude?’
- ‘Ah Dougie. Eu tenho meus métodos infalíveis. ’ – dei um gole na cerveja e fiz meu melhor sorriso perverso.
- ‘Chega de planos infalíveis, ok?’ – Harry disse encostando a mão no meu ombro.
Nós quatro rimos ao lembrar do acontecimento a minutos atrás. Onde eu estava com a cabeça? Ou melhor, onde NÓS estávamos com a cabeça?
- ‘Há. Sei lá. Um dia, quem sabe, eu descubro se ela recebeu o presente e a carta... Ou não. ’ – eu disse simplesmente, fazendo todos me olharem assustados. – ‘Que foi?’ Eles me olharam novamente e soltaram apenas um ‘Naaaada. ’
- ‘O que você escreveu no envelope, já que você nem sabe o nome dela?’ – fazia totalmente sentido o que Tom perguntou.
- ‘Para minha linda menina. ’
Eles riram da cara patética que eu fiz após falar isso.
Agora só resta ela ler e saber quem é.
Se bem que não será muito difícil se ela sacar de primeira com o conteúdo do presente.
Capítulo XII - Oh! That's enough to get me through the night
[Você narrando]
- ‘MEU DEUS! Isso foi hilário dude!’ – Peter, como todos nós, não conseguia mais parar de rir.
São exatamente onze horas da noite. Nossa casa ta um lixão agora. Bem, eu definiria como uma mistura de tinta a guache, água, sabão, brigadeiro, pipoca de microondas, meias, filmes, colchões e hum... Purpurina.
Nós passamos a tarde toda conversando, rindo, comendo porcaria e vendo filmes. Até que Dave quis colocar nossa bagunça completa em ação. Daí sai o resultado que estamos agora: todos molhados e brilhando. Depois de dois tombos quase fatais e várias corridas pela casa, nós quatro finalmente desabamos no sofá e ligamos a TV. Que fique claro que isso é só um intervalo para pensarmos em mais alguma genial ou uma autêntica merda.
Temos a semana todinha livre para aproveitarmos. Porém, hoje, decidimos curtir nosso tempo em casa, pois estamos meio cansados pelos últimos ajustes que fizemos para o álbum hoje.
- ‘Eu tenho uma teoria gente. ’ – Peter disse olhando pro teto.
- ‘Eu sei que irei me arrepender muito brevemente disso, mas, hm, diga. ’ – Dave e suas falas ‘difíceis’. Bem, uh, pelo menos para nós depois de tantos balões estourados na face.
- ‘Espera. Seria uma teoria que nós usaríamos um dia?’ – perguntei admirando uma formiguinha, que levava nosso restinho de pizza para suas amiguinhas fofinhas.
Mentira. Abomino formigas.
- ‘E também depende se nós ganharíamos dinheiro com isso um dia. ’ – preciso dizer quem foi o ser superficial que disse isso?
- ‘Depende meu caro Nathaniel. ’
- ‘Ok Pete. Mas poderia ser usado como uma regra da casa?’ – eu perguntei cautelosa. Algumas maluquices que eles inventam ou cismam que existe, vira regra na casa.
- ‘Talvez pudesse ser uma regra geral ... ’ – pensou Nate junto comigo.
- ‘É princesinha, o maluco ali sempre inventa regras absurdas para a casa. Lembra aquela do segundo dia morando aqui? Meu Deus. Quase matou a todos nós. ’ – ele disse rindo, arrancando risadas e gargalhadas de mim e de Nate. Percebeu que, a risada de sempre, ficou de fora?
- ‘Porra gente, me escuta né. ’
- ‘E também teve aquela semana do ovomaltine. HAHA. Milk-shake de ovomaltine, sorvete com ovomaltine, neston com ovomaltine, sopa de ovomaltine, geladinho de ovomaltine, e...
- Será que dá pra vocês três prestarem atenção em mim, porra?’ – Peter disse com uma cara totalmente brava. Ih. Duvidei.
- ‘Porque o ‘porra’ no final da frase sempre parece mais sério?’ – eu perguntei meio assustada com a cara de Pete, ele sempre ta rindo sabe?
- ‘Porque usando no final da frase, demonstra autoridade. É diferente, é mais forte. ’ – disse Mr. Surreal já mudando sua expressão malvada para uma totalmente oposta.
Três Ypi Ypi Uhá para as mudanças constantes de humor!
- ‘Isso eu concordo. ’ – disse Natie fitando o teto novamente.
- ‘Mas diz o que você ia dizer minutos antes. ’ – eu sou muito curiosa e detalhista. Minha mente é meio fraca, mas se você começa a falar e não terminar, eu tenho um treco interno.
- ‘Eu não lembro mais, mas indo para outro assunto, outro dia eu estava imaginando, tipo, será que vão fazer aquelas perguntas engraçadas e totalmente idiotas para a gente? Tipo, numa entrevista quem sabe. ’ – Peter falou rindo do próprio comentário.
- ‘Tipo: Ooooh BTH. Aqui estão as suas ‘Big Ones’. Passo mal’
- ‘É. E tipo princesinha, duvido que você faria as coisas absurdas que pedem nesses programas.’ – Dave começou a rir de mim.
- ‘Ah gente, eu to mandando meu recadinho pra cá porque eu amo muito o Davezinho só que eu to com uma dúvidazinha. Dave, seu nome é Dave mesmo ou é David?’ – Natie perguntou com uma voz totalmente psicopata. Mau gosto, pois nós também somos fãs. Não fãs idiotas a ponto de perguntar uma babaquice dessas pra algum ídolo nosso, maaaaas.
- ‘É David, querida fã. Pode dormir tranqüila agora. ’ – ele disse fazendo a maior cena, fazendo todos nós cair na gargalhada. Acho que fiquei surda agora.
- ‘Vocês viajam muito. Eu não imagino as coisas assim. Acho que se a gente conseguir ser reconhecido por nossa música... Sei lá, e. ’ – eles apenas me encaravam. – ‘Ta. Ok. Talvez tenha alguns casos, mas mesmo assim é muito convencimento pensar essas coisas. ’ – eu admito. Eles são lindos. Isso provavelmente vai acontecer, se tudo der certo.
- ‘A gente sabe né pequena. Estamos só, hm, sonhando acordado.’ – Natie respondeu rindo e me abraçando – ‘Vai dizer que você não imagina as vezes como seria legal e estranho ao mesmo tempo um monte de caras gritando e jurando amor eterno a você, sendo que você nem ao menos sabe da onde aquele cara saiu?’ – ele disse rindo. Bem, que atire a primeira pedra quem nunca teve esse ‘pequeno’ devaneio em sua cabeçinha pelo menos uma vez.
- ‘Qual a coisa mais absurda que você já fez Peter?’ – eu perguntei entrando na brincadeira de antes.
- ‘Eu já segui um rastro de cocô de pombo. ’ – ele disse com uma mega sorriso do tipo eu-sou-esperto e super convencido. Eu sempre me esqueço que com Pete é meio foda perguntar essas coisas, afinal, ele dá as respostas mais surreais possíveis.
- ‘E por que você faria isso cara?’ – Nate perguntou meio assustado.
- ‘O que você achou no final do rastro?’ – os olhos de Dave brilhavam.
Opa. Acho que o queijo da pizza chegou ‘brilhando’ à purpurina no cérebro agora.
- ‘Eu prefiro não comentar. ’ – Pete fez uns gestos estranhos, que só nós irmãos, conseguimos entender. Por que eu ainda insisto em perguntar essas coisas?
- ‘Badabada... ’ – eu, como sempre, comecei a cantoria, só que daquele jeito bem desafinado sabe?
- ‘Tchutchuru-ru-ru’ – os três disseram juntos.
- ‘To com fome. Que porra gente’ – fiz uma cara totalmente triste e afetada.
- ‘Qual seu passatempo preferido Nathaniel?’ – Peter perguntou de sacanagem com a voz mais nasal, fina e gay, que eu já ouvi.
- ‘Ah. Isso depende. ’ – Nate me olhou com o canto do olho, com uma cara totalmente malvada.
Uma quebradinha de quadril para a esquerda que ai tem coisa.
Os três me olharam e começaram a fazer dançinhas exageradas. Olhei totalmente assustada para todos os lados e depois para eles, que já havia me cercado. Sem escapatória. Droga. Já sei o que me espera.
- ‘Vocês não vão fazer isso né?’ – fui me encolhendo cada vez mais no sofá, enquanto eles me olhavam com o sorriso mais maldoso que eu já vi.
Mais alguém ai sentiu que chegou àquela hora especial de correr igual uma louca sem olhar para trás?
Quando eu ia começar a correr, o meu Sidekick LX começou a tocar Change Your Mind, do The All-American Rejects. Uhul! Literalmente, salva pelo gongo.
Eles pararam com a ameaça e soltaram um ‘você não escapa mais tarde’. Que medo viu. Dessa vez eu não sei mesmo o que eu fiz.
Corri igual uma retardada até a mesinha da sala e olhei o nome no visor. Não acredito! Atendi o celular na maior euforia.
- ‘AAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHH MY HEEEART!’ – os garotos olharam na mesma hora assustados e curiosos.
- ‘CRIAAAANÇA LINDA DO MEU CORAÇÃOZINHO!’ – , minha melhor amiga desde sempre, gritava no celular comigo. Agora entende o porquê da gritaria, certo?
- ‘Oh GOSH! Como você ta pentelha?’ – os meninos agora pulavam em cima de mim para saber quem era no bendito celular.
- ‘Eu to ótimaa! E você trouxa?’
- ‘Muito bem! Aconteceu alguma coisa? Hoje é terça-feira. ’ – Peter agora tentava escutar a conversa colando o ouvido no aparelho celular.
- ‘Eu sei, é que tipo... Cara que gritaria é essa ai? Manda o idiota do Peter calar a boca.’ – disse rindo e enfatizando as palavras ‘Peter’ e ‘idiota’. Digamos que, minha amiga e meu caro amigo aqui, têm uma ‘história’.
- ‘São todos gritando ao mesmo tempo agora, é que eles estão tentando saber quem é. Você sabe como esses garotos são fofoqueiros, coisa e tal... ’ – pude ver a expressão deles de excitação e divertimento brochar na hora.
- ‘É, mas deixa eu te falar, porque senão a conta aqui vai vir um absurdo e... ’
- ‘PUTAQUEPARIU GENTE! É a PORRA. ’ – dei ênfase à última palavra e os três ficaram quietos na hora. Wow. Não é que funciona? – ‘Que outra pessoa eu grito desse jeito em português no telefone?’ – eu disse com uma cara totalmente malvada e eles continuaram quietinhos.
Um minuto de silencio pairou pelo cômodo.
Nate e Dave gesticularam dizendo que iriam comprar algo para comer. Nossa, funciona mesmo. Peter sentou no sofá, apenas me fitando. Ele sempre fica muito atento quando eu estou falando com . Ai – ainda - realmente tem coisa.
sentiu que era o momento para continuar.
- ‘?’ – então percebi que a ligação tinha caído. Droga. Odeio ficar na curiosidade.
Acordei de meus pensamentos e corri até a janela, abrindo-a.
- ‘Não esquece do sorvete!’ – gritei para Nate e Dave, que agora se encontravam no meio da rua. Eles apenas riram.
Fechei a janela e pulei no sofá onde Peter estava esparramado. Em momentos normais, ele reclamaria ou pularia em cima de mim, só por vingança. Percebi algo errado.
Tirei um dos fones de seu ouvido e coloquei no meu, olhando depois a música que tocava em seu iPod Touch. Ah, pelo menos não era nada melancólico. Tocava Poppin' Champagne da banda All Time Low.
Comecei a cantar – gritar – desafinando de propósito. Peter fez uma careta. Ele adora desafios e adoro mostrar como se faz a coisa de verdade; Se é que você me entende. Peter canta na banda comigo. Ou seja, eu sou vocal solto e ele toca baixo e faz a segunda voz. Não uma segunda voz como backing vocal; Dave é quem faz essa parte. Em certas músicas e covers, o Peter canta junto. E ele tem a segunda voz mais bonita que eu já ouvi em toda a minha vida.
Não me pergunte à primeira; Seria sarcasmo.
- ‘Você está bem?’ – perguntei. Ele começou a cantar, animadamente. Isso sempre era um sim. O barulho dos fones era muito alto e nós cantávamos mais alto ainda. Só que meus ouvidos sentiram uns gritos de longe. Que porra é essa? Estou criando alucinações agora.
Parei de cantar e fiquei séria. Ao fazer isso, Peter também parou com a gritaria e tirou os fones de ouvido, confirmando a possível criação da minha mente fértil. Ele fez uma careta meio assustada.
- ‘Tá ouvindo gritos ou sou só eu?’ – ele perguntou.
- ‘Eu queria dizer que não. ’ – disse cautelosa.
Corremos até a porta principal, acendendo antes, a luz da varanda.
Coloquei a mão na maçaneta, e logo depois, na chave. Peter parou.
- ‘Você ficou louca?’ – ele perguntou assustado. – ‘E se for assalto? Ou até mesmo, algo pior?’ – eu não tinha pensado nisso.
- ‘Mas pode ser alguém precisando de ajuda. ’ – perguntei com tremor na voz.
Um espirro totalmente involuntário saiu de meu ser.
- ‘Você não pode ficar se agitando assim, sabe muito bem disso. ’ – ele me repreendeu.
- ‘Então vamos ver logo o que é. ’ – ele pareceu concordar. Girei a chave e a maçaneta logo depois, correndo para fora da casa.
Nada. Não havia nada lá fora. Peter ficou parado ao meu lado, com uma cara totalmente assustada – idêntica a minha expressão. Peter andou mais um pouco e olhou nosso jardim. Tudo perfeitamente igual e vazio. Ele fez um sinal de ‘ok’ com as mãos e logo nós voltamos para dentro da casa. Seria alucinação?
Um minuto de silêncio aconteceu entre nós. Que fique bem claro que nós morremos de medo do escuro e, hm, de ficar sozinhos em casa – ainda mais em uma enorme como essa. A campainha tocou. Olhei ao redor, dando falta de Peter; Ele deve ter ido ao banheiro, pensei. Morrendo de medo, corri até a porta, olhei no olho mágico e a abri.
De novo, não havia ninguém, mas o nada agora era uma palavra que eu não podia utilizar. Havia um embrulho e um envelope vermelho na soleira da porta principal. Carteiro há essa hora?
Olhei ao redor e a rua era um silencio perturbador. Peguei o tal embrulho e fechei a porta. Para minha linda menina – dizia o envelope vermelho preso ao mesmo.
Que porcaria é essa? Nem vem com essa de admirador secreto, porque eu realmente não acredito que fariam isso por mim algum dia. E se fosse um maníaco maluco?
Ah. Que se dane. Eu adoro presentes e, bem, eu sou a única garota nessa casa, então aquilo provavelmente seria para mim.
Meu telefone tocou de novo. Corri para atender ao mesmo tempo em que rasgava o embrulho prateado.
- ‘Eles estão vindo . Finalmente. ’ – sua voz tinha uma emoção inconfundível. Como eu não sabia disso? Não é possível. Justo agora que eu estou tão perto – e tão longe. Finalmente. Finalmente... Um choro incontrolável invadiu minha expressão.
Olhei para o conteúdo sobre o papel rasgado. Meus olhos brilharam, com certeza. A excitação predominou meu corpo e vibrou dentro de minhas veias.
Peguei o objeto duvidoso nas mãos, tentando adivinhar quem me daria algo do tipo.
- ‘Aproveita. O quanto você puder. Eu não sei como é ainda, mas o pouco que vi, já é inesquecível. ’ – dei uma risada super animada.
Ela pode não ter entendido, mas sorriu de volta.
Capítulo XIII - Won't you tell me, do you love me?
[Danny narrando]
Quarta-feira... Quarta é meu dia preferido, pois combinamos de ser o dia de ensaio máster para a turnê e depois não fazemos nada o dia todo. Sente a dureza de estar numa banda mundialmente famosa?
Enfim, acordei agora, às onze da manhã, e estou com a maior dor de cabeça. Acho que passamos da conta ontem no bar, mas nada que não tenha acontecido antes. Levantei-me rapidamente da cama, mesmo querendo continuar totalmente estatelado na mesma.
Eu estava a preparar algo para comer quando ouvi um barulho de porta abrindo e fechando. MEU DEUS. Olhei para todos os lados e a única coisa que eu vi que poderia ser usada contra um ataque, foi uma frigideira. Bem, hm, tinham facas no balcão principal da cozinha, mas sabe como é eu acabei de acordar e posso adquirir machucados não-recuperáveis a essa hora da manhã. Sabe, eu não funciono muito bem após acordar ou huum, de ressaca.
Não me diga?
Peguei a frigideira mesmo e fiz a posição de ataque que sempre imagino para caso algum dia esse momento tenso acontecesse. Fiquei em silencio e percebi que a casa toda estava em silencio. Me caguei agora dude, tinha um CD do Springsteen tocando e eu não to ouvindo mais a porra da música. Colei na porta da cozinha, que é giratória, e rapidamente dei um salto totalmente bisonho em direção à sala, me desequilibrei no meu próprio pé direito e bati minha mão na quina do móvel fazendo-me largar a frigideira. Tomei um susto quando vi quem era e dei aquele famoso mergulho de cara no chão, sendo acompanhado pela frigideira que fez um estrondo horrível para alguém de ressaca a essa hora da manhã.
- ‘PUTAQUEPARIU. Ficou louca porra?’ – gritei o mais alto que meus pulmões e minha enxaqueca deixaram.
- ‘Nossa Jones, isso é jeito de tratar sua irmã mais velha?’ – Vicky tentava segurar o riso. Levantei-me e a cumprimentei com um abraço bem apertado seguido de um beijo estalado em sua bochecha.
- ‘Desculpe, mas você mereceu. ’ – dei uma risada pela cara afetada que minha irmã fazia – ‘O que faz por esses lados de Londres? Aconteceu alguma coisa? Ou você ta devendo a alguém? Acho que você não viria me ver por menos. ’ – ergui minha sobrancelha esquerda, fazendo uma cara totalmente pensativa e questionadora.
Ta, mentira. Só vai ser pensativa e questionadora quando eu aprender a levantar uma só sobrancelha. Eu venho praticado nisso.
- ‘Nossa Daniel. Fala sério né. Eu só vim ver como meu irmão preferido está passando. ’ – ela deu um sorriso enorme. Fala sério digo eu. Eu conheço esse sorriso mercenário.
- ‘Ok Vicky. Me engana que eu to adorando.’ – eu disse indo em direção ao sofá e me jogando no mesmo. Vicky fez o mesmo e ligou a TV nas noticias locais.
- ‘E ai maninho, novidades em sua vidinha de ‘popstar’? – é impressão minha ou isso foi uma resposta bem sutil a tudo que eu falei pra ela hoje?
- ‘Bah, nada de novo. Só o CD e blá blá, tudo que você já sabe ou deve saber pelos meios de comunicações. Porque, sabe como é né, me abandona e não volta pra ver como a criança aqui ta. ’ – fiz a maior cara de ‘eu-tenho-doze-anos’ seguido de um beicinho extremamente fofo, porém malandro ao mesmo tempo, que só Daniel Jones sabe fazer.
Ela apenas respondeu um ‘Huumm’ sem tirar os olhos da TV. Ai tem coisa.
- ‘E como anda a sua vida mulher?’ – ela me olhou com uma cara totalmente estranha e eu apenas gargalhei daquele jeito que deixa os outros surdos.
Outch! Minha dor de cabeça.
- ‘Vou ignorar suas piadinhas lerdas matinais ok? Tinha me esquecido como sua idiotice é abrangente quando você acaba de acordar e... ’ – Vicky parou e fitou-me com um sorriso divertido nos lábios – ‘Perái. Eu te acordei?’
- ‘Acordou. ’ – fiz uma cara totalmente entediada para minha irmã.
- ‘HAHAHAHA. Ta ai o troco daquela vez que você colocou o rabinho do peixe dentro do meu nariz para me acordar!’ – nossa. Eu nem me lembrava disso. Bom, pelo menos a vingança não foi ao mesmo nível. Ou será que foi? Afinal, o que Vicky ta fazendo aqui? Eu quero dormir de novo porra.
- ‘Vicky irmã querida. ’ – tentei virar a atenção de minha irmã para a minha pessoinha – ‘Você sabe que eu te adoro muito né? E que eu não poderia ter uma irmã melhor, coisa e tal. Mas pode me dizer o porquê da visita tão cedo? Eu tenho ensaio mais tarde e panz. E eu tipo, ainda nem comi nada. ’ – disse sorrindo delicadamente. Delicadamente? O que estão fazendo comigo?
Minha irmã apenas assentiu e deu um sorriso confortante e compreensivo que só irmãos sabem dar uns para os outros.
- ‘Eu vim te contar uma novidade seu bobo. Não conseguiria contar por telefone. ’ – ela disse totalmente animada.
- ‘E como você tem a chave da minha casa? Tão distribuindo por ai?’ – interrompi minha irmã e pensamentos totalmente absurdos entraram em minha cabeça – ‘Todo mundo entra nessa droga de casa sem tocar a campainha e sempre eu... ’ – Percebi que Vicky me observava enquanto eu conversava comigo mesmo, com uma cara totalmente entediada. E opa! Ela disse novidade? Eu adoooro novidades. Gosto mais quando são comigo né maas... - ‘Novidade? Que novidade?’ – meus olhos brilhavam como se minha irmã fosse tirar um pote de Neston com açúcar do bolso e me dar de presente.
- ‘Eu vou gravar um álbum Danny! Eu nem acredito ainda!’ – eu escutei certo? Minha irmã está realizando o sonho de sua vida?
- ‘OH MEU DEUS! Deus, parabéns idiota. Nem acredito também. Que felicidade dude. ’ – eu dei um abraço mega apertado na minha irmã. Eu sei muito bem como ela sempre quis isso.
- ‘E eu queria te pedir uma coisinha Danny. ’
- ‘AHÁ! Eu sabia que você ia me extorqui de alguma forma. ’ – comecei a fazer uma dançinha totalmente sem noção, ainda sentado no sofá.
- ‘Se te chamar para ser o produtor de algumas músicas é explorar de você, tudo bem, eu não peço nada não. ’
- ‘WOW. Como é? Nem precisa perguntar duas vezes! Eu até me ofenderia se você não pedisse. ’ – eu tenho ‘estudado’ o assunto sabe? Se eu não fosse músico, eu seria ou jogador profissional de futebol, ou produtor musical. Decidi me dedicar um pouco à produção de músicas, pois para jogar futebol eu tenho o SoccerSix. Haha.
- ‘Que bom que aceita. Aumentou minha felicidade umas quinhentas mil vezes mais que antes!’ – ela me deu um sorriso sincero e eu devolvi o mesmo.
Eu resolvi curtir um pouco a felicidade de minha irmã e com isso, meus pensamentos começaram a se expandir de modo que eu fiquei em um mundo paralelo. Até que...
- ‘MEU DEUS DO CÉU! O QUE FIZERAM CONTIGO?’ – Porra. Se a versão masculina dos irmãos Jones já grita pra cacete, imagina a feminina?
- ‘O que houve?’ – eu perguntei assustado e logo colocando a mão no meu precioso cabelo para ver se ele continuava lá e inteiro. Ufa.
- ‘Isso no teu braço. Não vai dizer que foi aquela ‘mulherzinha’ que te agrediu né?’ – ela apontou para um machucado no meu braço. Droga, agora que ela lembrou disso começou a arder. Gato Maldito! Vicky fazia uma cara totalmente revoltada. Acho que minha irmã sofre de transtorno bipolar.
- ‘WHOA. Claro que não. ’ – eu disse totalmente assustado pela hipótese dela. Até parece. Eu tenho orgulho próprio e Olívia pegou meu péssimo hábito de roer unhas. Então, sem chance – ‘Isso foi um besteira que eu e os guys fizemos ontem... ’ – dei uma risada ao lembrar da noite passada. Foi desastrosa, porém perfeita.
E agradeça a Deus por ter uma mente fraca.
- ‘Putaquepariu você não perde uma chance de manchar nosso sobrenome né? Você é o lerdo e idiota da família e eu sou taxada assim também. ’ – Vicky fez uma cara totalmente revoltada – ‘Mas HAHAHAHA. O que tu fez dessa vez jegue?’ – ela disse agora interessada e rindo. E depois eu que mancho o nome de nossa família com a minha lerdeza. Dois a zero para o transtorno bipolar.
- ‘Segredo. Você iria me zoar muito. Não to a fim disso hoje. ’ – eu já comentei que posso ser extremamente grosso e cretino quando quero? Yeah! Viva as oscilações de humor.
- ‘Nossa Danny, não ta mais aqui quem falou né... ’ – ela olhou para os lados, com certeza, fazendo uma careta horrível para a minha pessoa, até que... – ‘AAH!’ – eu aposto que ninguém, a não ser nós mesmos e minha adorável mamãe, agüentaria nós dois juntos por muito tempo – ‘Lembrei que você disse que não comeu ainda. Vem almoçar comigo hoje? Pra gente comemorar, coisa e tal. ’ – Vicky deu uma risadinha pela cara assustada que eu fiz pelo seu grito depois de cinco segundos passados.
Ooooh maravilhosa e constante lerdeza matinal.
- ‘Ta querendo fugir das minhas surreais especialidades na cozinha?’ – tentei novamente erguer minha sobrancelha esquerda. Hm. Acho que vou deixar o charme alheio continuar ser de Harry nesse ponto.
- ‘Nãããão! Que isso querido irmão totalmente-especialista-na-cozinha. ’ – arrãm. Esse tom de voz é velho e fui eu quem ensinou a ela.
- ‘Vou ignorar isso, até porque eu sou realmente péssimo na cozinha, e te levar para almoçar em algum lugar que só venda porcaria para comer madame.’ – fiz uma reverencia exagerada e minha irmã apenas riu – ‘Vou colocar uma bermuda e uma blusa, já volto.’ – eu disse indo em direção ao meu closet.
- ‘Cara que nojo Danny. Você ta fedendo a cerveja e cama, vai tomar um banho que eu te espero. ’ – Vicky me lançou aquele olhar o-que-você-tá-fazendo-seu-idiota, sabe? Eu tenho medo daquele olhar. E, hum, eu to mesmo fedendo a cerveja. Acho que a noite foi boa ontem. Acho...
Huuuuuuuuuuuuuuuuummmmmmmmmmm.
Tomei uma ducha rápida apenas, sequei um pouco meus cabelos na toalha e coloquei uma roupa qualquer aqui, porque, como eu, Vicky também não gosta de esperar. Dirigi-me até a porta de entrada de minha casa e fiz um sinal com a cabeça para minha irmã vir. Fomos andando mesmo. Andar faz bem pra saúde! Ainda mais quando você vai comer em um lugar totalmente o contrário.
- ‘Aonde vamos é muito longe? Porque eu não vim de carro pra cá. ’ – ela perguntou enquanto eu fechava a porta de minha casa.
- ‘Nah. É depois daquela rua ali. ’ – apontei para o horizonte – ‘É que aqui perto todos já conhecem a gente, daí nós podemos conversar sem ninguém atrapalhando, entende?’
- ‘Ah, uh, Ok. ’ – minha irmã esbanjou um sorriso para a minha pessoa.
Chegamos até o tal restaurante. É meio-dia ainda, mas eu to realmente morrendo de fome. O lugar estava bem vazio até, sorte a nossa. Sentamos à mesa em que a toalha era laranja e pegamos os cardápios. Eu sinceramente nem preciso olhar aquele cardápio, pois eu e os caras estamos aqui sempre que dá.
Pedimos nossas refeições e esperamos conversando sobre coisas banais.
- ‘Ah Dan, terminei com meu namorado. ’ – ela falou dando um sorriso meio fraco e abaixando a cabeça.
- ‘Sério?’ – fiz uma cara assustada. Poustz será que meu período ‘difícil’ pega?
- ‘Não Daniel, eu to de sacanagem contigo aqui. ’ – ela disse me olhando cinicamente. Ta essa foi idiota. Eu também odeio quando perguntam ‘sééério?’
- ‘Nossa, desculpe. Mas por quê? Vocês pareciam tão bem juntos. ’
- ‘Ah sei lá Danny. Simplesmente perdeu a graça. ’ – conheço MUITO bem isso. – ‘Eu só sinto que ta na hora de aproveitar entende? Conhecer pessoas novas, sair mais, coisa e tal. ’ – ela disse com um sorriso mágico nos lábios.
- ‘Nossa que medo de você agora. ’ – ela fez uma cara de quem não entendeu merda nenhuma – ‘É que eu também penso assim agora, tipo, desde que eu terminei com a Olívia. É um sentimento estranho, diferente. Parece que essa é à hora de viver. ’ – só faltou eu abrir meus braços e sair pulando igual a um periquito para a coisa ficar mais gay.
Vicky apenas riu e concordo com a cabeça. Nossos pratos chegaram e começamos a comer. Tivemos um papo agradável e... Agradável? Desde quando eu falo essas palavras? Oh Gosh. Bem, hum, tivemos uma conversa ‘maneira’, até que ela tocou no ponto megaboga fraco.
Um a zero para você querida irmã.
- ‘Não vai me contar se tem uma nova ‘vítima’ eu seu caminho Dannyboy?’ – droga. Ela sabe mesmo como me afetar.
- ‘Para a sua informação tem sim. ’ – deu um sorriso vitorioso. Um a um.
- ‘E eu posso saber quem é? Você precisa de minha autorização depois da última, sabe como é né. ’ – ela deu um sorriso meio escandaloso. Sem pontuação nessa porque eu concordo com a Vicky.
- ‘Pra tudo tem há sua hora querida irmãzinha. ’ – dei um super sorriso eu-fiz-branqueamento-dental. Pura farsa. Já viu meus dentes?
- ‘Ok então, Senhor Misterioso. ’ – ela deu um sorrido divertido. Eu conheço esse sorriso. Ela não acreditou em mim. E, hum, digamos que vai acreditar menos ainda quando eu disser que nem o nome da garota eu sei.
- ‘Se tudo der certo eu te apresento, pode deixar. ’
- ‘Vou cobrar. ’
Nós terminamos de almoçar e logo depois pedimos duas taças gigantes de sorvete com cobertura de chocolate. O que? Eu tenho um ensaio puxado mais tarde. Quando terminamos de nos empanturrar, pedi a conta e, como um bom cavalheiro, eu paguei a conta toda. Mamãe ensinou direitinho, ok?
Claro, quando se trata da irmã é fácil falar...
Nós saímos do restaurante e Vicky disse que iria aproveitar para visitar uma amiga que mora aqui perto.
Mulheres. Esperou eu pagar tudo para dar o fora. Ok, brincadeira. Eu não sou pão-duro. Muito pelo contrario, pois vivo gastando dinheiro com coisas inúteis e que talvez eu nunca use ou jogue fora no dia seguinte.
Andamos até a estação mais próxima de metrô e eu deixei minha irmã lá.
- ‘Vê se aparece mais vezes ok?’ – falei dando um abraço em Vicky – ‘Você faz falta. ’
- ‘Você também. ’ – ela me deu um beijo demorado na bochecha. – ‘Vamos marcar um fim de semana que você esteja livre para irmos à Bolton visitar mamãe, ok? Daí você leva os meninos também. Mamãe e eu estamos com saudades deles. ’
- ‘Aham. Pode deixar. Me liga para dar mais informações das gravações ok?’ – ela apenas sorriu e concordou com a cabeça, indo à direção à roleta do metrô.
Um estalo enorme veio a minha cabeça.
- ‘Te contei que vamos ao Brasil?’ – ela sorriu ao ver a excitação em meus olhos.
- ‘Se cuida pateta!’ – ela gritou do outro lado da estação.
- ‘Você também linda’ – acenei com a mão e me virei indo em direção à saída do metrô.
Saí do metrô olhando as coisas em volta. Eu simplesmente adoro quando minha irmã vem me visitar, mesmo que seja assim inesperado. Eu sinto falta da minha família. Minha mãe não quis se mudar de nossa cidade natal, então geralmente, nós que a visitamos.
Bom, eu já almocei, comi sorvete e já tomei o banho do dia. HEUISHAUIHS.
Brincadeira, antes do ensaio eu vou tomar um novo banho. Andei igual uma mosca morta nas ruas em direção à minha casa. Porém uma coisa me chamou a atenção. E nem foi a piscadinha que eu recebi de uma mulher morena extremamente linda. É que eu estava passando em frente à loja de discos e li um flyer anunciando um show do The Killers na cidade. Nossa, os caras vão pirar. [n/a: Pra quem não sabe, flyer são aqueles panfletos de festas e shows que entregam nas ruas].
Entrei na loja para perguntar onde seria e tal, pois no anúncio as letras estavam muito pequenininhas. Tipo, eu preciso saber onde é, dai arrumo área VIP. Ooooh difícil vida de celebridade.
Logo ao entrar, fui direto ao balcão. Senti olhares me acompanhando. Eu sei que sou gostoso, mas eu fico encabulado com olhares desse jeito.
A menina que estava no balcão parecia meio desconcertada e eu fiquei super sem graça. Perguntei se ela podia me dar um anúncio daquele que estava na porta e ela apenas disse que ‘sim’ com a cabeça e foi procurar pela loja ou arrancar o próprio lá da frente.
Enquanto eu esperava, fiquei me olhando em um espelho que tinha em frente ao balcão. Uau. Eu to parecendo um poodle. Sabe quando você seca seu cabelo no vento intenso? Bingo.
Enquanto a tal moça não chegava, duas meninas vieram a minha direção e perguntaram-me se eu podia tirar fotos com elas. Dei meu maior sorriso e logo depois assinei alguns papeis que estavam nas mãos delas. A atendente chegou e me deu um flyer daqueles.
Sorri e respondi um ‘obrigado’, já me virando para a saída. Um grupinho que eu não faço idéia de quem seja acenou para mim tirando a minha atenção, enquanto eu andava em direção a porta da loja. Bem, como a educação manda, eu acenei de volta.
Sabe quando tiram a sua atenção e você não olha para onde está indo?
- ‘AAI. ’ – uma voz feminina gemeu. Droga. Trombei com alguém.
- ‘Me desculpe, eu não estava olhando. Você está bem?’ – eu disse pegando as coisas da garota no chão, sem olhar para ela.
- ‘Ah, tudo bem. Eu é que sou ditrai... ’ – nossos olhos se encontraram e ela não terminou sua frase. Ficamos nos olhando por um tempo, sem reação.
Eu já disse que não acredito em destino? Eu realmente começo, de verdade, a questionar isso.
Eu e minha lerdeza esbarramos em quem eu mais queria ver em todo esse mundo.
Era ela cara.
Dessa vez vai ser diferente. Ela não vai me escapar tão fácil.
Ao encarar seus lindos olhos decidi em fazer a coisa do jeito certo dessa vez.
- ‘Oi. ’ – eu disse dando um sorriso gigante, ainda olhando eu seus olhos.
Houve aquela pausa gigante e intimidadora. Eu fiz algo errado?
- ‘Oi. ’ – resposta encantadora.
Ela sorriu de volta.
Capítulo XIV – ‘Cause baby I just wanna know
[Você narrando]
Há segundos antes eu estava gastando meu tempo livre comprando e olhando besteiras como o novo poderoso tira-manchas que passa na TV – digamos que a noite do cachorro-quente fez mais estrago do que o normal. E agora, nesse exato momento, eu estou sentada em um café junto com Danny. É, é esse Danny mesmo. O Danny que as menininhas gritam histericamente, o Danny que a Inglaterra toda deseja que ele fale um simples ‘oi’, o Danny que eu sou completamente – e platonicamente – apaixonada.
Nós nos esbarramos em uma loja de CDs e o mesmo me cumprimentou educadamente, beijou minha mão esquerda e me fez juras eternas de amor.
Ok. Ok. Vou tentar pensar sério agora.
Nós demos um esbarrão na loja da Virgin Store, no qual ele derrubou todas as minhas coisas no chão. Gentilmente ele se desculpou e pegou minhas coisas. Eu só fui perceber que era Jones quando olhei eu seus olhos azuis profundos diretamente. Eu não sei nem como explicar a sensação que eu tive naquele momento; Foi algo altamente surreal.
Seu sorriso é idêntico o qual eu sempre vi no youtube e na televisão. Sua simpatia é altamente verdadeira e seu cabelo tem mesmo um aspecto, hm, diferente e, provavelmente, macio; Eu não coloquei a mão né.
Não ainda.
Eu nunca tive a oportunidade de encontrar com um ídolo de verdade para mim; Daniel é o primeiro – e eu agradeço a Deus por isso.
Voltando ao pensamento anterior, nós estamos sentados em um café na esquina da rua da loja de CDs. E... Pera ai. Como nós chegamos aqui mesmo? Ah é! Depois de a gente se esbarrar quase fatalmente na entrada da loja – ele saindo, eu entrando – eu comprei quatro ingressos para o show do The Killers, e eu posso jurar que vi os olhos de Danny brilharem com esse meu ato. Ele esperou ansiosamente na porta da loja, o que me fez ficar muito surpresa. Meu pensamento na hora foi: ‘Porra. Eu peguei algo dele que caiu no chão junto com minhas coisas? Eu devolvo ou não?’. E, logo depois, ele começou a puxar um assunto super louco sobre o show – eu gostei.
Fomos andando até a esquina, aonde eu, muito tristemente, iria me despedir, uma vez que os meninos esperavam ansiosamente que eu comprasse o doce do dia: três barras de chocolates, pirulito, pudim e duas latas de leite condensado para EU fazer brigadeiro. Que fique bem claro que a única coisa que eu sei fazer na cozinha é miojo-sem-gosto, brigadeiro e ovo mexido salgado.
Então, como meu pensamento estava dizendo, eu estava prontinha para sair correndo e não olhar para trás, típica cena dramática sabe? Assim o arrependimento ocorre menos rápido. Até que Danny me surpreendeu mais uma vez. Daí meu pensamento foi: ‘Putaquepariu! Hoje é dia de ‘sacaneie a fã com câmeras escondidas’. Nem preciso dizer que ainda estou fitando todos os cantos para ver se tem câmeras escondidas, sim? Ele simplesmente pediu para eu ‘acompanha-lo’ até tal lugar, que eu não entendi muito bem pelo seu sotaque de Bolton. Gente, se já é difícil para os ingleses entenderem, imagina para uma brasileira?
Enfim, eu sorri e fui andando né. Ele falou, falou e falou. Isso foi legal, porque deu para eu entender um pouco mais seu sotaque absurdamente puxado. Agora eu vejo como é real; Não tem o botão do youtube para você voltar e entender tudo que ele fala de novo e de novo.
Até que ele entrou em um café, absurdamente perto de minha casa, e eu apenas o segui. Eu posso ser considerada como ‘porra-louca’, mas isso só com quem eu conheço. E aqui estamos nós! Eu estou exatamente agora olhando ele falar e comer um biscoito, que eu experimentei e achei horroroso por sinal. Eu estou me controlando para não deixar a baba escorrer aqui, estou tentando manter a respiração calma e estou tentando não esquecer de piscar.
Agora ele está gesticulando algo, mas eu não estou prestando atenção em uma só palavra que ele diz. Até que... Opa! Ele parou de falar e está me fitando agora. O que eu faço? OH MEU DEUS. Eu acho que ele me perguntou algo. Concentra .
Busque fundo nos seus neurônios.
Eii. Ele estalou os dedos em frente ao meu rosto. Eu acordei do transe. Não gostei disso Daniel. Daniel, Daniel, Daniel, ooooh Daniel... Ele sorriu pelo movimento engraçado que eu fiz com a cabeça ao me assustar com seu estalar de dedos. Tá perdoado.
- ‘Estou te chateando?’ – ele perguntou fazendo um beicinho totalmente... Deixa pra lá. Eu dei meu melhor sorriso.
- ‘Claro que não Danny. É que eu estava pensando em uma coisa. ’ – eu fiz uma careta – ‘Me desculpe. ’ – eu abanei o ar exageradamente com a mão esquerda.
- ‘Nah, tudo bem. Eu sei que falo demais às vezes mesmo. Eu nem me lembro do que estava falando!’ – ele gargalhou e eu agradeci até Nossa Senhora por ele não lembrar o que era.
Sabe eu já li muita fic, então banquei e banco, até o momento, a fã passional. Então, quem sabe, ele não vai com a minha cara e assim nós viveremos uma linda, perfeita e romântica história de amor com todos nossos amigos em casais... Pera. Eu não tenho amigas aqui em Londres. Droga! Preciso arrumar algumas amigas para essa fic feliz.
- ‘Mas então, eu acho que finalmente vou saber seu nome, sim? Porque eu estou na desvantagem. ’
- ‘Ah. É! Pode me chamar de... ’ – fui interrompida.
- ‘ESPERA!’
- ‘QUE HOUVE?’ – olhei para todos os lados, com os olhos arregalados. Seria uma lagartixa? Me preparei para fazer O escândalo. Talvez Danny me defendesse.
- ‘Nada. Só quero me preparar para isso. ’ – ele disse com a maior calma.
- ‘Para isso o quê?’ – a imagem da lagartixa voadora surgiu novamente na minha mente.
- ‘Para saber seu nome. Quero que seja épico. ’ – se não fosse tão bonitinho, eu teria dado um murro nele. Nunca brinque com lagartixas quando o assunto é comigo! Se bem que ele nem falou nisso... Mas tudo bem. Fica o aviso.
- ‘Hãm? Quando eu soube seu nome não fiz tanto fuzuê assim. ’ – debochei.
Whoa. Cutuque mesmo. Você sempre consegue o que quer.
Diz o que eu quero ouvir Daniel Jones.
- ‘Mas é que eu gosto de saber o nome das pessoas. ’
Resposta errada.
- ‘E eu venho esperando saber o seu há muito tempo. ’ – ele me olhava intensamente nos olhos. Whoa. Ficou aquele silêncio mortal e eu só senti minhas bochechas queimarem na hora. Droga!
Ele riu do jeito que eu reagi.
- ‘É como um desejo se tornando realidade. ’
- ‘Então pergunte direito’ – entrei na brincadeira. Eu sei jogar ok? E já aviso que sou muito competitiva; Em todos os pontos.
- ‘Oh. Ok. Tudo do começo de novo. ’ – ele sorriu magnificamente lindo, e torto – ‘Quer que eu seja bruto de novo e esbarre em você?’
- ‘Nah. Pula essa parte. ’ – fingi uma cara de ofendida, esfregando a palma de minha mão esquerda no meu braço direito. Isso não foi mentira; Doeu.
Ele riu de novo. Senti-me tonta.
Não pense que foi com a clareza do sorriso colgate dele, porque isso seria pura farsa. - ‘Hey gatinha. Qual o seu nome princesa?’ – ele disse com um gingado muito esquisito. Fiz uma cara altamente broxante, gargalhando logo em seguida.
- ‘Vou continuar sendo a anônima se você não perguntar direito. ’ – OPA! Eu, euzinha, , estou chantageando emocionalmente Daniel Alan David Jones?
Nossa. Que orgulho. Eu me abraçaria agora só que, provavelmente, Danny acharia isso uma atitude super esquisita.
[Danny narrando]
Tá. Ok Daniel. Respira fundo. Está tudo sob controle.
Você é gostoso, lindo e cheiroso. Suas piadas estão fazendo-a rir e você está totalmente galanteador e sexy hoje. Mantenha o foco.
Mantenha o foco e pare de conversar com você mesmo Jones!
Oh meu Deus. Ela tá fazendo charminho pra mim? Daniel Jones? Ok parei com o momento eu-tenho-auto-estima-e-sou-demais. Linda.
Linda, perfeita... Hey! Eu não consigo pensar em mais nada! Oh Meu Deus! E agora? Ela tá falando algo que não faz o menor sentido pra mim; Apenas palavras aleatórias vêm a minha mente. Rocambole. Rego. Bunda.
Ela perguntou alguma coisa? Quem mandou ficar tagarelando Danny? Agora ela deve achar que eu quero que ela faça o mesmo.
Ela sorriu. Ela sorriu!
O que eu estava pensando mesmo?
Peido.
[Você narrando]
Ele deve estar me achando uma louca psicótica. Ele não pára de me olhar esquisito.
Percebi que comecei a tagarelar sozinha e então fiquei quieta. Droga. Sabe aquele grande e constrangedor silêncio? Fato. Posso sentir minhas bochechas queimando agora. Ele está me olhando intensamente nos olhos e, hum, bem, não é apenas ele que pratica esse ato agora.
WOW! Elemento chave número um: Reciprocidade. HAHAHA. Ta foi engraçadinho.
O que é isso agora? Senti que ele mexeu os lábios. Ele vai dizer alguma coisa! Que puta frio na barriga.
- Sleeping through the day 'cause I work all night,
Get out the way things are coming a-live -
Porra. Ele sacudiu a cabeça em um movimento engraçado, voltando a Terra – ao que parece. Olhei sem graça, ao perceber que o interrompi.
- ‘Me desculpe. ’ – ele apenas concordou com a cabeça.
Percebi agora que o que tocava era ‘Friday Night’. Fiquei totalmente sem graça. Apertei o ‘Send’ do meu Sidekick LX.
- ‘Alô?’ – eu sabia quem era só não queria assustar ele.
- ‘, onde você tá?’ – voz conhecida.
- ‘Nate? O que tá fazendo com o celular do Peter? Pensei que ele tinha esquecido na pizzaria semana passada. ’
- ‘Ele já achou há séculos! E não enrola. Onde você tá? A gente tá preocupado, sabia? Você tá demorando muito! A gente não pediu algo tão difícil. E estamos COM FOME, lembra?’
- ‘Hãm? Não grita!’ – falei tirando o celular do ouvido. – ‘Eu sei que to demorando né. ’ – rolei os olhos e fiz um gesto totalmente irônico para o celular, tirando-o da orelha novamente em seguida, debochando e dando língua para o aparelho.
Danny parecia confuso, mas dava risada agora.
Repeti vários ‘blá-blá-blá’ para o aparelho, fazendo careta ainda. Até que percebi que Nate não falava/gritava mais. Coloquei o celular no ouvido novamente.
Danny assistia a cena, se divertindo.
- ‘Nate?’ – falei cautelosa.
- ‘É o Peter agora. Nate se irritou porque você tava debochando dele. ’ – Pete deu risada. Pude ouvir resmungos perto do telefone.
- ‘Hãm? Claro que eu não tava debochando dele, Pete!’ – me fingi de desentendida. – ‘Tá. Ok. Haha. ’
Nós demos risada.
Olhei com o canto dos olhos para Danny. Ele não disfarçava nem um pouco ao me olhar. Estou sendo muito ridícula?
Vamos testar?
Dei um sorriso para ele, pedindo desculpas baixinho. Ele apenas sorriu de volta e fez um ‘ok’ com a boca, rindo lindamente logo em seguida. Ponto.
- ‘? ?’ – percebi que tinha me desligado novamente com aquele sorriso torto. Balancei a cabeça, voltando ao meu estado normal. Hum.
- ‘Ah. Oi. Desculpa. Fala Pete. Tão me perturbando por quê? To na rua. Não! Na rua não. Em um café. Com um amig... ’ – desespero.
Danny riu.
- ‘Diz que tá com um amigo. Depois te levo em casa. ’ – Danny disse, sorrindo.
Daniel, Daniel. Não faz isso.
- ‘Com um amigo! Daqui a pouco eu to chegando em casa. Eu sei que vocês estão com fome. Prometo não demorar muito. ’
- ‘Com um amigo? UHHHHHHHH. tá com um amigo, pessoal!’
Gritaria. Ouvi uns AE AE AE no fundo.
Homens.
- ‘Vão se ferrar! Tchau e fiquem com fome. Beeeijo!’ – falei rapidamente, desligando o telefone logo em seguida. Minhas bochechas estão rosas agora.
Por que as pessoas não acreditam na amizade de um homem e uma mulher? Eles são meus amigos, meus irmãos; Não era pra eles ficarem desse jeito.
Aham. Tá.
Danny mais uma vez me olhava; Agora com uma expressão confusa e divertida.
Devolvi o olhar, mas eu acho que pareceu mais uma careta mal feita.
Eu o faço rir. Ganhei meu dia, minha vida.
Ele sorriu pra mim.
- ‘O que você falou? Foi maravilhoso!’ – seus olhos brilhavam.
Droga. Falei em português.
[Danny narrando]
Fiquei super sem graça com o toque do celular dela. E depois ela começou a falar tudo numa língua máster estranha no final da conversa.
Perguntei o que ela tinha falado. Ela ficou meio sem ação e super vermelha.
Resolvi desconversar.
- ‘Seu sotaque... Ele é super diferente. Acho que nunca ouvi nada parecido. E tenho mais certeza ainda que você não é daqui depois de ouvir você falando no telefone. Haha. ’
- ‘Ah! Desculpe por isso. É que eu não sou mesmo de Londres. ’
- ‘Interior?’
thinking: Interior? Qual é? Eu tenho cara de caipira?
- ‘Nah. Brasil. ’
- ‘Brasil? Que máximo. ’ – acho que meus olhos brilharam dude. Eu to falando com uma brasileira porra! – ‘Mas você fala inglês tão bem! Eu tenho muita vontade de conhecer seu país. ’
thinking: Me senti ‘a garota’ de intercâmbio agora Danny, por favor né. Whoa conhecer o Brasil? Fica a vontaaaaade. Me belisca, to sonhando.
- ‘É que desde menor do que eu sou hoje, eu já falo inglês. ’
- ‘Pensei que você falava uma língua diferente sei lá, mas era daqui. ’ – falei sorrindo.
- ‘Não. Cem por cento brasileira. Ah! Deixa eu te perguntar antes que minha mente apague tudo. Fiquei sabendo que ‘vocês’ têm show marcado lá, é verdade?’
Como ela sabe disso? Já gostei das brasileiras.
- ‘É sim. ’ – sorri com sinceridade – ‘Você está aqui de férias?’
Por favor, diga o que eu quero ouvir. Droga. Acho que to fazendo cara de quem faz força.
thinking: Há. Ele é mais estranho pessoalmente.
- ‘Hmm. Não. Eu vim para morar aqui. ’
Nossa. Minha respiração até parou agora.
- ‘Whoa. Legal. Ta gostando de Londres?’ – ela fez uma cara para a minha pergunta. – ‘Desculpa. To parecendo um guia turístico né? – ela gargalhou. Linda. – ‘Mas... Se bem que não seria uma má idéia! Já conhece os lugares secretos e especiais de Londres?’
Ela sorriu e fez que ‘não’ com a cabeça.
- ‘Ótimo! A gente marca e eu te levo pra conhecer tudo isso aqui. Você vai adorar. ’
thinking: Alguém me belisca de novo, please?
- ‘Estamos aqui há seis meses apenas. Muita correria, daí nem deu para aproveitar ainda, sabe? Sempre foi meu sonho morar aqui. Mas, sem problemas ainda há muito tempo. ’ – ela sorriu.
Reparei o ‘estamos’.
- ‘Outro dia te vi com alguns amigos. Mora com eles?’ – será que estou sendo intrometido?
- ‘Sim. Moro aqui com três amigos. É divertido!’ – ela sorriu com sua própria resposta. É eu sei bem como é divertido.
- ‘São bons tempos morar com amigos. Haha. ’
thinking: Ele não vai perguntar o que eu faço da vida?
Eu devo perguntar o que ela faz ou isso é me gabar?
To confuso. A sua presença me deixa super desconcertado. Dude, isso é estranho. Eu to muito nervoso. Respira Danny.
Fiquei envergonhado pelo silêncio que reinou entre nós. E não ajudava nada ela me olhado. Haha. Eu devia estar acostumado com isso.
Talvez funcione se eu soltar a conversinha, tipo: ‘vai chover hoje né?’. É, é isso que eu vou fazer agora. Encenação agora. Vou olhar para a janela. Pronto.
Pera. Algo errado.
Uma pessoa passando com a blusa do McFLY. Ah, tudo bem, super normal.
Duas pessoas agora. Tudo bem. Relaxa Jones, podem ser best friends forever.
Três, quarto, cinco.
Porra. Arregalei meus olhos.
thinking: Ele não vai parar de fazer essa careta fofa e perguntar meu nome de novo? Só falta ele me chamar de ‘colega’. Seria broxante Danny, dica.
Não pensei em outra coisa.
Segurei a mão da menina e puxei-a, saindo correndo agachado em seguida.
- ‘O que ta fazendo?’ – ela perguntava assustada. Droga, eu não acredito que a assustei.
- ‘Apenas não solte minha mão. ’
- ‘Eu sabia! Há. Mereço dez reais por isso, hmm?’ – ela falou fazendo uma cara super óbvia ‘eu-já-sei-de-tudo’, levantando-se logo em seguida. E o que é dez reais?
- ‘Shiiiiu! Abaixa menina. ’ – falei, aterrorizado ao vê-la se levantar.
- ‘Bem, foi melhor do que ‘colega’. ’
- ‘Hmm?’ – perguntei olhando a janela frontal por um espelho que se encontrava a parede.
- ‘Daniel, o que ta havendo? Cadê as câmeras?’ – percebi que ela ainda tava de pé. Puxei-a para o chão.
- ‘Eiii. Whooa!’
Ela caiu em cima de mim.
Belo começo Danny. Continue assim e nem um ‘oi’ você consegue mais.
- ‘Desculpe. ’ – disse já vermelho.
Que papelão Jones. Você, um cara bem sucedido, um cara de vinte e dois anos, fazendo esse vexame? Ta. Ok. Nem é novidade isso.
Ela começou a gargalhar. Hãm? Essa é uma situação delicada, ok?
Não que eu não queira falar com fãs ou que eu tenho ‘medo’ delas. É só que não seria nada legal ver minha foto e de minha doce menina estampada na próxima capa das revistas de fofoca. Seria lindo: Perguntariam-me o nome dela e eu ficaria tipo ‘hããm?’. Típico Daniel Jones. Dói ouvir isso, sim?
Ela ainda gargalhava sem parar.
- ‘Você ta ficando laranja. ’ – eu disse assustado.
- ‘Que bom! Adoro essa cor. ’ – ela disse rindo mais ainda e logo saindo de cima de mim. Ela não ficou com vergonha? Bem, pelo menos eu fiquei né. E acho que todo mundo percebeu.
É todo mundo. Eu não preciso nem comentar mentalmente aqui entre eu e você, querida consciência, que ta todo mundo olhando de canto de olho totalmente assustado para nós dois, certo? É uma coisa super óbvio, então me poupo do trabalho.
- ‘Vem comigo. ’ – sai engatinhando para os fundos.
- ‘Já que é assim né. ’ – ela meio que resmungou, gargalhando em seguida. Perfeita. – ‘Eu to bem atrás de você, ok? Seja gentil. ’
Eu não pude evitar rir com as palavras dela. Gostei. Ela é cara de pau.
Seriamos uma bela dupla.
SERIAMOS? Não, não. Vamos ser.
Que foi? Otimismo sempre.
Chegamos a porta dos fundos e logo me levantei rapidamente, puxando-a pela mão. Saímos direto na rua, sem olhar. Só consegui ouvir a freada.
Para melhorar tudo, eu quase matei a garota.
Ela soltou um grito e logo depois sentou no chão e começou a chorar. Não do tipo que vocês estão pensando; Ela ta chorando de rir.
- ‘Vo-você ta bem?’ – perguntei segurando meu riso.
A risada dela é muito contagiante. HAHAHA. Ta vendo? Ok. Parei.
- ‘HEUIHUIAHEUISHAUIHS. Isso foi HAIUHSAUIHS hilário!’ – ela se levantava agora. – ‘Maior diversão dude. ’
Eu ri pelo jeito que ela falou.
O pessoal que tava dentro do carro saiu correndo, batendo portas.
- ‘Vocês estão bem?’
- ‘Sim. Desculpe por isso, nós saímos sem sair.’
O tal garoto me fitava agora, meio que com um olhar perturbado. Olhou para o lado, para minha menina.
- ‘?’ – . Então era esse o nome dela.
Ou não.
- ‘Dave?’ – Ou sim.
Ela se levantou, recuperando o fôlego.
- ‘Garota, nós estávamos preocupados! Não faz isso de novo, que droga. ’
- ‘Desculpa. É que esbarrei com Danny no meio do caminho e ele me seqüestrou. ’ – eu olhei assustado quando ela disse aquilo, eu não sei o que dizer. – ‘Foi hilário! Você devia ter visto. ’
- ‘Não foi bem assim vai!’ – cocei a cabeça, super sem graça.
O menino veio a minha direção. Ele parecia meio assustado. Ou eu to vendo coisas, ou minha blusa ta suja.
- ‘Prazer, muito prazer. David. ’
- ‘Danny. ’ – sorri em resposta.
- ‘Dave é um dos amigos que moram comigo Danny. E acho que ele veio me resgatar de você. ’ – ela sorria para mim. Não faz docinho vai . Já pensei em como esse nome é lindo? Bem, não parece muito um nome, mas tudo bem.
- ‘Te devo uma tarde melhor então, ok?’ – falei olhando-a seriamente, rindo logo em seguida.
- ‘Melhor só se nós fossemos seguidas por aquele batalhão ali com blusas do McFLY. ’ – ela disse séria.
Olhei para onde ela apontou e arregalei meus olhos, fazendo-a gargalhar.
Eu a faço rir. Lalala. Eu a faço rir.
Ela me deu um beijo na bochecha, sorriu e saiu correndo para dentro do conversível prata que eu invejei no capítulo... Bem, eu não me lembro qual capítulo. Seu amigo, David, apertou minha mão e sentou no banco do motorista logo em seguida.
Pensei rápido.
Quem dizer milagre sentirá a fúria do rato.
- ‘Posso te ligar ?’
- ‘Como? Se nem sabe meu nome?’
- ‘Er... ? ’
- ‘Vai procurar ‘’ na lista telefônica?’
Cocei a cabeça. Ela sorriu.
- ‘. . ’ – ela piscou. – ‘E você ta me devendo um tour, com mais emoção dessa vez, ok?’
O carro deu partida. Apenas deu tempo de acenar com a cabeça e soltar um sorriso estupidamente bobo que permanece em meu rosto até o certo momento.
Literalmente, eu ganhei meu dia.
Pode não ser importante para qualquer um, mas eu, Daniel Jones, sei o nome dela.
>Capítulo XV - I fell in love with the girl/boy at the rock show
[Danny Narrando.]
- ‘Que mega sorriso é esse Danny?’ – acordei de meu devaneio.
- ‘Que dia é hoje?’ – perguntei fitando a parede marrom cocô ainda.
- ‘Hmmm. Treze, acho. Ou vinte e um. Não sei bem. ’ – Dougie coçou a cabeça.
Bufei. – ‘Dia da semana, anta. ’
- ‘Ah. Quinta. ’
Um estalo veio rapidamente a minha cabeça. F-i-n-a-l-m-e-n-t-e! Quinta-feira, quiiiiiiinta-feira! Eu poderia pular feito uma gazela feliz aqui, mas me contive apenas com a dança do esquilo gelatina.
Abracei Dougie, pulando.
- ‘Pára porra. Ficou louco?’
Harry chegou e nos deparou nessa cena linda: eu pulando em cima do Poynter.
- ‘Eu sempre desconfiei de vocês. ’ – ela passou por nós, indo à direção da cozinha, lançando-me um olhar de cima a baixo. – ‘Em casa nós vamos resolver isso Sr. Poynter!’ – Harry gritou lá da cozinha, fazendo uma imitação de voz dramática. Pra variar, bem gay.
Percebi que ainda estava em cima do nosso pequeno polegar. Dei um passo pra trás.
- ‘Obrigado. ’ – ele disse com uma cara de tédio.
- ‘Pronto, Danny?’ – Harry disse chegando à sala.
- ‘Sim. Vamos logo. ’ – levantei-me, indo à direção da porta.
- ‘Até daqui a pouco guys. ’ – Dougie disse esparramado no sofá.
- ‘Não precisa passar em casa?’
- ‘Acabei de chegar de lá Harry. ’ – fiz uma cara de tédio. Ele olhou para a minha camiseta. É a de sempre mesmo e daí? Eu gosto de vermelho e azul xadrez.
- ‘Antes de a gente chegar, escuta o primeiro single deles. Eles vão lançar ainda, disseram que estão terminando de gravar o álbum e tal. ’ – Disse Harry, colocando um CD gravado no mp3 do carro, com a música da tal banda que iríamos escutar daqui à uma hora. – ‘Eu realmente gostei, a vocalista tem uma voz linda. ’
- ‘Nossa, se você gostou é realmente bom. Yeey. ’ – eu disse totalmente sem animação. Eu realmente odeio fazer coisas em dias de folga. E eu realmente queria que tudo isso acabasse muito rápido, para poder ligar para e convidá-la para fazer algo. Wow. Meu estômago se revirou quando eu disse o nome dela, mesmo aqui, em pensamento.
- ‘É! Realmente me surpreendi comigo mesmo!’ – ele fez uma cara de orgulhoso e colocou sua mão no peito. Eu apenas ri da cara cômica que meu amigo Judd fazia. Pelo menos ele não ia implicar comigo e sim, me fazer rir.
Ele colocou uma faixa do CD para tocar. Se chamava ‘Born for This’. Legal, curti. Para um primeiro single, muito otimista até digo.
A música começou a tocar e eu realmente me surpreendi também. O instrumental daquela banda era realmente sensacional para uma banda que estava sendo lançada agora. Parece ser uma mistura de Blink 182, Beatles e até mesmo... McFLY. Até que a voz da suposta vocalista começou a ecoar em minha mente. Que voz linda. A melhor que já ouvi até agora.
Ok. Pausa para eu limpar a minha baba aqui. Eu não sabia quem era, mas tinham me feito gostar da banda deles na hora. A música era cheia de atitude e era puxada num pop/rock bem contagiante.
- ‘Nossa... Tem razão. A voz dela é, tipo assim, maravilhosa... ’ – eu disse lentamente, ainda prestando atenção na letra da música.
- ‘E tipo, eu acho que eles não são daqui. O sotaque é muito diferente. ’ – eu apenas concordei com a cabeça, ainda anestesiado por aquela linda voz.
Eu acho que conheço aquele tipo de sotaque, mas não lembro onde.
Nossa eu realmente preciso de alguém, eu babo por qualquer coisa agora. Não que a suposta voz seja qualquer coisa, mas vamos dizer que eu não estou muito a fim de ouvi-los hoje. Dia de folga esqueceu? Dia de conhecer direito a .
- ‘Eu preciso pegar umas coisas lá em casa, então vamos passar lá antes de ir pra gravadora, ok?’ – Harry perguntou antes de ligar o carro.
- ‘Ok. ’ – respondi com a cara mais entediada possível. Dia de folga e ainda tinha que entrar no chiqueiro do Harry. E eles ainda disseram que iam andar rápido com isso. YEY! Dia maravilhoso on.
Ou seria ‘Dia do sarcasmo?’
[Você narrando]
- ‘CACETE NATE SAI DESSA DROGA DE BANHEIRO!’ – eu gritava enquanto socava a porta junto com Dave.
- ‘OOOH Miss UK sai daí. A princesinha quer se arrumar também. ’ – tipo, nós temos quatro banheiros, só que o chuveiro do Nate ta queimado, então nós quatro fomos tentar concertar ontem... E, erm... Bem, nós quebramos o encanamento. Então aquela noiva ta usando o MEU banheiro.
- ‘Natiiiie! Daqui a pouco nós estamos atrasados, vai. ’ – exatamente uma hora para a nossa audição. Posso ver nossas cabeças rolarem quando avistarmos James.
To tensa. Droga. Um, dois, três: espirro! Ê maravilha. Era o que faltava hoje. Dave me fitou por um momento, preocupado. Dei de ombros.
Depois de meu grito histérico, Nate abriu a porta do banheiro, deixando sair àquela fumaça com cheiro de banho-quente-sabonete-e-shampoo/desodorante Nívea/anticéptico bucal Listerine/Carolina Herrera 212 for men. Hum. Pelo menos valeu a demora. Espirrei de novo.
- ‘AEE! Vai princesinha, corre. ’ – Dave deu um pedala em Natie, que apenas correu para a cozinha, buscando, obviamente, algo para comer.
Entrei no banheiro, tomei uma ducha rápida, pois já tinha arrumado o meu cabelo enquanto alugavam meu querido banheiro. Arrumei-me rapidinho, pois já tinha escolhido a roupa do dia. Não está fazendo muito frio nesses dias, então aproveito para usar shorts. Coloquei um short xadrez cinza e branco Carmim, uma blusa branco-preta básica Abbey Dawn by Avril Lavigne e um all star de cano curto cinza com rosa. Eu não gosto muito de rosa mais adoro esse tênis. Minha primeira escolha tinha sido um Manolo salto nove xadrez, mas nós temos que fazer O show hoje, então nada de saltos para dificultar meus pulinhos. Deixei meu cabelo solto, como sempre, deixando cair de leve a minha franja ao rosto. Passei uma maquiagem leve, apenas com um pouco de blush e delineador Sephora e uma camada de brilho ice MAC.
Nós não somos ricos, mas com esse negocio de banda + gravadora, ganhamos roupas. E bem, sim. Eu sou vaidosa.
Estamos em Londres! HELLOOOOU!
- ‘Whoa. Ta linda vida. ’ – disse Nate quando cheguei à sala. Todos já estavam prontos e Peter já esperava dentro do carro gritando e se descabelando com a gente, como sempre.
- ‘Obrigada. Vocês também. ’ – disse sorrindo, olhando de Natie para Dave. Nate estava com uma calça jeans meio surrada Doc Dog, tênis Adidas e uma camiseta pólo verde-água Lacoste, combinando com seus olhos verde-esmeralda. Já Dave estava com uma bermuda cinza Hurley, tênis quadriculados Vans e camiseta básica Element. Eu escolhi a roupa de Peter, então sei o que ele está vestindo mesmo ele estando pulando igual a um macaco no cio dentro do carro. Eu acho Peter o mais charmoso, mesmo sendo o mais novo, do tipo que qualquer coisa fica boa: Calça jeans escura Seven, tênis branco e preto QIX e camiseta xadrez vermelho e branco de botões Cavalera.
Ta. Não sou só eu que sou vaidosa.
E eu espero que só isso seja semelhante.
- ‘Vamos logo antes que o Peter nos amarre e nos carregue até o carro. ’ – dei uma risada e fui à direção à porta principal da casa.
- ‘Todo mundo põe a mão pro alto!’ – Peter, idiota. Lindo, mas idiota.
- ‘Vai fazer contagem agora topeira?’ – Dave ta aprendendo a ser, hum, engraçadinho.
- ‘Vou ignorar a ofensa porque hoje a magia do dia está totalmente ultra power surreal. É o NOSSO dia gente. PÕE A PORRA DA MÃO PRO ALTO!’ – ah ata. Todos fizeram uma expressão ‘Agora entendi’.
Nós quatro gritamos e colocamos as mãos para o alto, com a energia, ansiedade e expectativa vibrando em nossos corpos. Dave ligou o carro e Nate colocou um CD demo nosso para tocar.
- ‘Vamos ouvir o próximo single da banda revelação 2008 mais foda da Inglaterra?’ – Nate fez uma cara hilária com mistura de super convencida. Apenas ‘UHUL’ foram ditos.
Tem razão. É o NOSSO dia.
Coloquei meus óculos escuros, cantando nossa música junto com os meninos.
- ‘Mas então princesinha. Desde ontem nós queremos saber como, quando e por que você estava com Danny Jones em um café. ’
- ‘Huuuum?’ – acordei de meus pensamentos quando o nome ‘Danny’ foi dito por Dave.
Droga. Vai começar o interrogatório.
- ‘Você tinha dito que estava com um amigo. ’ – Peter fez uma cara sacana.
- ‘Ele que falou para eu dizer isso. Nem vem!’
- ‘Desde quando o Danny do McFLY te diz o que fazer? Nem eu consigo isso!’ – Nate resmungou.
- ‘Ele é um pouco arrogante. ’ – disse pensativa.
- ‘Arrogante?’ – Nate ergueu a sobrancelha direita.
- ‘Ele parecia estar bem sem graça com a tua presença. ’ – Dave riu do próprio comentário e buzinando logo em seguida.
Fiquei vermelha.
- ‘Droga de trânsito!’ – Dave resmungou.
- ‘É, tipo, ele nem perguntou o que eu faço. Sei lá. ’
- ‘E só soube seu nome quando estávamos indo embora. ’
- ‘Ah, pra isso tem desculpa. ’ – dei um sorriso lembrando da tarde anterior.
- ‘Ele tava correndo das fãs?’ – Peter.
- ‘Eu sei lá! Se for, ele é ainda mais maluco do que aparentou. Haha. E ele ficou super surpreso quando eu falei que era brasileira. ’
- ‘O que você queria? Você gritou em português com a gente. ’
- ‘Ele parece ser meio descontrolado, mas muito simpático. ’
- ‘Eu também sou simpático. ’ – Nate.
- ‘Mas você não é o Danny e nem qualquer outro integrante do McFLY. ’ – Dave disse rindo e depois reclamando com o motorista de frente. – ‘WOW! Você viu o sinal verde? Nós não temos o dia todo!’ – buzina.
- ‘E a não tem um amor platônico por você. ’ – Peter.
- ‘Há há há.’ – pude ver o rosto de Nate ficar escarlate.
- ‘Mentira deles. Você sabe que eu te amo. ’ – dei um beijo na bochecha de Natie. – ‘E pode ser maluquice, mas eu não senti nada demais. Foi como estar com vocês, entre amigos, entende?’
- ‘Você nos enche o saco desde a formação do McFLY, falando sem parar como o Danny é lindo, toca bem, blábláblá e não tira nem uma casquinha da situação? Quando eu estacionar esse carro, prepara pra correr. ’ – Dave disse fingindo frustração.
- ‘Passou pelo teste groupie . ’
Eu dei risada. – ‘Ele pode ser uma boa amizade pra nós. ’
Todos me olharam, inclusive Dave, aproveitando o sinal vermelho.
- ‘Que foi?’ – perguntei assustada.
[Danny narrando]
Chegamos ao estúdio e percebi que Tom e Dougie já estavam lá. Olhei com uma cara feia para Harry, que apenas deu de ombros.
- Agora nos conte a razão do seu sorriso idiota.
- O sorriso dele sempre foi idiota Dougie.
- Há há há. Super engraçado. – revirei os olhos.
- É que hoje é dia de comer cachorro-quente no vizinho, lembra? – Harry disse segurando o riso.
Se eu não estivesse tão feliz por dentro eu criaria caso com a gracinha deles hoje.
- Não que vocês mereçam a minha atenção, mas eu falei com a menina ontem.
- Whoa. Serio?
- Não dude, to de sacanagem aqui. – falei irritado.
- Ta bem hoje hein.
- Desculpe só to nervoso.
- Por quê?
- Não quero ouvir banda nenhuma hoje.
- Deixa de ser escroto Danny. – revirei os olhos.
- Ninguém te chamou na conversa Dougie. – o mesmo passou por mim, batendo em minha cabeça.
Respirei fundo e resolvi ignorar a chateação deles. Com certeza tudo isso é de propósito.
- Ela é incrível. – acho que meus olhos brilharam.
- Seus olhos brilharam dude. – Tom falou gargalhando. Não pude deixar de sorrir junto.
[Você narrando]
- ‘Corre, corre, corre! CORRE CAMBADA!’ – enquanto Dave estacionava, todos nós pulamos do carro e saímos correndo para dentro do prédio. Maldito trânsito. Quinze minutos para a nossa audição. QUINZE MINUTOS! James vai ficar louco. Eu posso sentir a veia de pulsação de longe já.
Dude, a gente não sabe nem qual andar que é e nem vai dar tempo de perguntar; Bendita mania de deixar tudo pra cima da hora .
Como eu sou a menor, passei correndo por todo mundo, por debaixo das pernas mesmo. Apertei o botão de todos os elevadores que tem aqui. E adivinha? Um no décimo segundo andar, outro no nono, outro do vigésimo. Cacete. Existe estúdio em prédio tão alto? Vai pra porra! Nós temos quinze minutos... Quatorze e meio agora! Para procurar a sala em vinte e três andares com cinco salas cada um. Acho que to ficando laranja.
Dave chegou correndo, tropeçando em tudo. Um cachorro latiu pra ele.
Cachorros aqui dentro?
- ‘James acabou de ligar gritando com a gente. Pelo menos ajudou dizendo que é no décimo terceiro andar. ’
- ‘Que sala?’
- ‘Só tem uma sala, ou melhor, o estúdio. ’
Respirei mais aliviada. Vai dar tempo! Uhul.
Eu poderia fazer a dança do gambá agora, mas não temos tempo para isso.
O elevador abriu a porta e nós saímos correndo e entrando ao mesmo tempo. As pessoas nos mandaram uns olhares do tipo “nunca-viram-um-elevador-antes”. Me poupa; Tenho uma audição importante a fazer. Mas, pera. Uma coisa que não paramos pra pensar direito até agora. Pra que porra de banda a gente ia se apresentar? Eles têm que ser muito sacanas para nos fazer vir pra cá meio dia e meia. Sabe, no Brasil, essa hora é sagrada, ok? Almoço, sobremesa, sonequinha depois. Fala sério!
Eu sei que minha consciência está muito rabugenta hoje, mas releve, eu tenho uma audição importante a fazer. Ta ok. Parei.
Mas não deixa de ser super importante. Nossa vida entende? Ta. Fim.
Entramos e logo apertamos o botão com número treze. Quando a porta estava se fechando e nossos sorriso brotando (rima, oi), uma mão gigante impediu a porta de se fechar. Ê merda. Entraram mais três pessoas. Um baixinho gordinho que me olhou de cima a baixo, apertou o botão nove. Por favor, que sejam todos no mesmo andar. Entrou também uma mulher e uma criança, que parece ser seu filho, aparentando mais ou menos doze anos. A tal mulher acabou de apertar o botão oito. Relevante.
A porta se fechou. A criança, sorrateiramente, apertou todos os botões do elevador.
- ‘NÃÃÃÃÃO!’ – Peter gritou.
A criança riu maleficamente para ele. Peter deu o “dedo feio” e eu dei língua. Dave fez careta e Nate um gesto muito obsceno que até então eu nem sabia que existia.
Sim não deu outra. Agora, nesse momento, além de nós estarmos parando em todos, eu disse TODOS os andares, aquele capeta em corpo de criança quase-adorável está chorando. Maravilha. Ainda bem que nossa gangue tá em maior número, quero ver a mulher tirar satisfação.
Peter começou a bagunçar o cabelo, nervoso. Nate respirava fundo. Dave tirou um suquinho de uva do bolso e começou a tomar. Como ele conseguiu aqu... Ata. Os olhos da criança brilharam. Entendi a maldade agora.
Terceiro andar. Quarto andar. Quinto andar. Sexto andar. Tinha gente na porta agora.
- ‘TÁ CHEIO!’ – gritamos nós quatro juntos, assustando todos dentro do elevador e fora também.
Sétimo andar. Falta pouco. Muito pouco! Doze minutos!
- cadamhargubcabruuumkaaplam! –
Opa. Isso não pode ser bom. Olhei para o visor que indica os andares. Sétimo ainda.
Puta que pariu todos nós aqui dentro. Era o que faltava.
O elevador parou.
[Danny narrando]
- Esses são os instrumentos deles? – eu perguntei com os olhos arregalados.
- Parece que sim. – Harry disse surpreso também. – Essa bateria é incrível. E olha que eu acho a minha a melhor de todas, fato.
- Um baixo laranja! – Dougie praticamente babou.
- Não é aquele que você queria Dougie? – Tom disse, andando em volta de uma Rory Gallagher Tribute Stratocaster, que eu tenho igualzinha e usei no clipe de ‘Friday Night’.
- Sim, mas só tinha azul. E eu queria muito um baixo novo.
- Impressionante. – disse Tom.
- É uma garota que canta certo? – Dougie perguntou.
- Sim. – eu e Harry respondemos ao mesmo tempo.
- Microfone laranja legal.
- Eles devem gostar bastante de laranja. – eu ri. Isso me lembra alguém.
Mas... Quem?
[Você narrando]
- ‘CARA! O que a gente vai fazer? Ahh porra! O caralho do celular não pega dentro dessa bosta fedida e remelenta. Que ódio!’ – Nate ‘andava’ de um lado pro outro.
- ‘Quem vota por matar o pestinha ali?’ – Dave falou com um olhar psicopata.
A criança, a mãe e o baixinho gordinho que não tirava os olhos de mim se encolheram no canto do elevador. Eu ri.
- ‘Dude, tinha um cachorro no prédio. ’ – todos nós olhamos pra Peter.
- ‘Nós não estamos em um filme Peter. ’ – Nate disse bravo.
- ‘E ele não é o super-cão. ’ – Dave falou, entediado.
- ‘Eu também vi. ’ – sussurrei para Peter. Ele sorriu. – ‘Quero um igual aquele, ok?’ – pisquei o olho direito. Ele riu mais alto. Tapado.
- ‘Vocês podiam fazer alguma coisa também né?’
- ‘Você mesmo disse que a gente não está em um filme Nathaniel. ’ – basta eu falar o nome inteiro que fodeu.
- ‘Você não quer que nós quebremos a porta do elevador com um peteleco e depois escalemos os cabos de aço, né?’ – sarcasmo on.
- ‘Tá muito engraçadinho hoje Peter. ’ – vez de Dave se irritar.
- ‘Ei. Ei. EEEEIII! Todo mundo cala a boca. É um dia especial. Vai dar tempo. Relaxem. ’
Todos os outros presentes no elevador, olhavam assustados para a nossa ‘ceninha’.
- ‘Viu? Conseguiram o que queriam? Tem gente olhando pra nós! Nós nem fomos contratados ainda e já estão falando de nós pelas costas! Tá vendo? Bando de lesados. ’ – falei, repreendendo eles e apontam pros demais no recinto. O pessoal se assustou mais ainda.
- ‘Cara de pau. ’ – Nate resmungou entre uma risada.
Eu fiz de propósito tá?
- ‘Em dias e situações normais nós não somos assim, ok?’ – eu disse sorrindo para as pessoas desconhecidas no elevador.
- ‘Chega . Desculpem-nos. ’ – Dave disse aos demais, me puxando pra longe de todos. Como se isso fosse possível em um elevador.
- ‘Tem alguém ai?’ – uma voz chamou.
- ‘AEE AEE!’ – gritamos juntos. - ‘O que você acha?’
- ‘Ah! Um segundinho só. Ou mais. Acho que a coisa tá feia aqui galerinha. ’
- ‘O que você quer dizer com ‘a coisa tá feia’’? – Peter.
- ‘Revertério, meu caro amigo. ’
- ‘Revertério?’ – Peter repetiu, olhando para mim confuso.
- ‘Qual o problema do elevador dude?’ – Dave.
- ‘HAAAM?’
- ‘Eu acho que ele não ouviu. ’ – falei na inocência.
- ‘Puta que pariu. Aquele cara tá tirando uma com a nossa cara, não é possível. ’
- ‘Me senti na periferia agora Nate. Manera ai. ’ – olhar congelante para mim. Calei.
- ‘Qual o problema dude?’ – Dave repetiu a pergunta, gritando
. - ‘Ah! Eu to melhor obrigado. O frango fez um pouco mal, mas ficou super tranqüilo depois de escorregar o moreno. ’
- ‘PORRA SEU DESGRAÇADO. CALA A BOCA E CONCERTA ESSA MERDA AGORA!’ – Nate explodiu.
Isso não vai dar certo.
Elevador. Pouco ar. Estresse. Falta de respiração. Minha e dele.
- ‘Nate, menos. Tá me assustando. ’ – falei ofegando junto com ele.
- ‘E-eu esqueci meu remédio na outra calça. ’
- ‘O quê?’ – meus olhos se arregalaram. Eu acho que chegou minha vez de gritar com o cara do frango.
Nate tem asma. E um humor super volátil.
- ‘Nate, relaxa dude. Senão vai ser você e passando mal aqui. ’ – Dave.
- ‘Eu to achando o ar muito comprimido aqui. Tá sentindo algo ?’ – Peter.
- ‘Um pouco de tontura, só. ’ – isso é algo normal.
- ‘Natie?’ – por favor, diga que não.
- ‘To bem. Deixe-me sentar só. ’ – nós abrimos o pouco espaço que tinha e ele sentou entre nossas pernas.
Sete minutos.
- ‘Gente, não é por nada não, mas eu acabei de lembrar que tenho claustrofobia. ’ – todos nós olhamos para Peter.
[Danny narrando]
Ouvimos o CD demo da banda novamente. Comemos nosso lanche. Harry já saiu pra passear uma vez, Tom duas. Estou morgando aqui no sofá do estúdio, enquanto Dougie atualiza o nosso myspace.
- Que demora! – suspirei.
- Será que eles desistiram?
- Por que fariam isso?
- Não sei Danny. O que eu escrevo no final desse post?
- Está falando sobre o que?
- Nossa ida ao Brasil.
- Diz a verdade. Que estamos ansiosos e muito felizes.
- Isso eu já escrevi três vezes. – ele coçou a cabeça.
[Você narrando]
- ‘Até que enfim! Vocês têm noção da falta de responsabilidade que cometeram?’ – James disse super, hiper, extra, bravo.
- ‘Nós estamos aqui há quinze minutos já! Um piralhinho apertou todos os botões do elevador, daí o elevador parou e um cara que comeu frango estragado e corre o risco de pegar salmonela foi tentar consertar e... ’ – Peter explicou tudo muito rápido, ainda se recuperando da crise claustrofóbica. Essa palavra existe?
- ‘Eu não quero saber! Entrem logo, entrem!’ – James disse empurrando a gente contra a porta do estúdio.
- ‘Espera. Espera!’ – eu gritei. Todos pararam de correr, olhando pra mim. Eu apontei pra Nate, que estava sentado no chão, ofegando. – ‘A gente precisa do remédio do Nate antes, senão não dá pra tocar. ’ – todos concordam. James bufou.
Sentei do lado de Nate, passando minhas mãos delicadamente em seu rosto e pedindo para que ele se acalmasse.
- ‘Como você esquece isso? Eu vou providenciar. Não sumam! A banda ta toda impaciente já, não piorem as coisas. ’
- ‘Dude, ouviu o que ele disse? A banda que nos tirou a sonequinha depois do almoço está furiosa conosco!’
- ‘Shiiiu Peter. Eles podem nos ouvir. ’ – eu falei sussurrando.
Natie se acalmava um pouco agora, controlando a falta de ar.
- ‘Hei mocinho. Você ta devendo quinze libras ao Jack-resmungão pelos palavrões de hoje. ’ – ele riu.
[Danny narrando]
- ‘Ouviu essa correria?’
- ‘Você ta ficando paranóico dude. ’ – Harry falou girando uma baqueta no ar.
- ‘Eu to falando sério! Fala mais baixo. ’ – falei sussurrando agora, encostando minha orelha esquerda na porta gigante de madeira que nos separava do corredor.
Dougie veio atrás e fez o mesmo.
- ‘Parece que tem alguém morrendo lá fora. ’
- ‘Pelo menos tem alguém lá fora né. Que demora. ’ – Tom resmungava enquanto discava um número qualquer no seu Nokia N-95. – Eu acho que eles levaram a sério a hora e vão chegar meio dia e meia certinho. ’
- ‘Parece mesmo dude. Será que nós devemos ver o que ta havendo?’ – eu perguntei intrigado.
- ‘Tomara é que abram a porta do nada e vocês fiquem com um olho roxo, isso sim! Saiam daí. ’ – Harry disse entediado. – ‘Se eles estão demorando, deve haver uma justificação. Nós não temos mais o que faz hoje mesmo. Chega até ser um passatempo. ’
Eu mandei um olhar muito malvado na direção de Judd.
- ‘Ok. Sr. ‘eu-tenho-um-encontro-inadiável.’ – ele rolou os olhos. – ‘Apenas mais dez minutos. ’
Dez minutos a mais e eu vou estar bem longe daqui, caso eles não cheguem.
[Você narrando]
James chegou correndo, entregando o remédio de Nate em minhas mãos. Dei o objeto para o mesmo, que inalou profundamente.
- Melhor? – falei levantando-me do chão.
- Muito. – Peter o ajudou a se levantar.
- Dá pra tocar agora Natie? Ou quer esperar um pouco?
- Vocês ficaram loucos? A banda tem compromissos! Eles devem estar mais loucos ainda lá dentro. – James arrancava os poucos cabelos que tem.
- Nossa. Que insensíveis. – reclamei.
- Quando a gente entrar, a gente explica o que houve. Eles irão entender. Ou não. – Peter disse pensativo.
- Eu to bem. Não foi nada demais. Vamos lá. – Nate disse andando em direção a porta do estúdio.
Respirei fundo. Assenti com a cabeça positivamente para Dave e Peter.
- Vamos lá garotos.
- Acho que vou vomitar.
- Não comece Peter.
Abrimos a porta do estúdio, indo direto para o local dos instrumentos.
O local é super iluminado e um vidro nos separa do controle de sons, aonde provavelmente a banda que irá nos ouvir deve estar.
Não consegui olhar, fui direto ao meu microfone, olhando para o chão. Tomara que alguém tenha passado o som nisso tudo aqui, porque eu to tremendo muito. Se não começarmos agora, eu saio correndo.
Posso sentir agora olhares curiosos do vidro. Eu não vou olhar. Não vou.
Olhei para trás. Nate encarava a bateria, concertando o seu banco e respirando fundo. Olhei para o lado esquerdo e vi Peter ajeitando seu microfone. Virei-me para a direita e Dave estava olhando para mim com os olhos brilhando.
Eu me pergunto o que houve. Sorri para ele.
Juntamos-nos em um círculo, de costas para o vidro. Uma voz vinda da outra cabine anunciou que nós podíamos começar quando quiséssemos.
Respiramos fundo.
[Danny narrando]
Ouvi a porta principal do estúdio se abrindo, porém não movi um músculo.
- Aee. Até enfim! – Tom pulou da cadeira que estava sentado, indo mais para frente do vidro que nos separa da sala de áudio. Harry que tinha acabado de sair do banheiro, fez o mesmo.
- Eles parecem nervosos. – Harry observou.
- Eles não encaram a gente aqui. Que divertido. – Tom disse rindo.
- Eles estão rezando? – pude ver Dougie se esticando da mesa para ver o pessoal da banda.
- Dougie e Danny? – Harry chamou.
- Prontinho. MySpace atualizado. – Dougie sorriu satisfeito consigo mesmo e se levantou.
Bufei.
- Deixa de palhaçada Danny e vem logo. – Dougie parou na minha frente.
A tal banda começou a falar.
- Primeiramente, nós queríamos pedir desculpas por nosso atraso. O trânsito estava horrível e... Nossa. Essa desculpa não cola nem mesmo pra mim. – o pessoal riu. – Eu vou ser rude, mas vou contar a verdade. Um pirralhinho, que eu espero que não seja nada de nenhum presente, apertou todos os botões do bendito elevador. Então... O elevador parou! – seu tom de voz era divertido. – Foi uma aventura super louca, pois eu lembrei de minha claustrofobia e nosso amigo baterista se exaltou um pouco o mais do que agüenta. Mas vocês não estão nem um pouco interessados nisso, posso apostar. Mas o problema é que eu tagarelo demais quando estou nervoso e estou esperando algum desses que eu chamo de companheiros de banda me interromper.
- Sem mais delongas. – uma nova voz se apresentou. – Queríamos agradecer a oportunidade.
Cheguei mais a frente, ainda não encarando a tal banda.
O que parecia ser o produtor deles se pronunciou.
- Nate Armstrong na bateria, Peter Brandom no baixo e na segunda voz, Dave Turner na guitarra e nos backing vocals e no vocal solto.
Como que é?
Sai correndo, quase dando de cara com o vidro.
Olhei pra Dougie assustado, que me olhava com a mesma expressão.
Ela assentiu para os amigos, como se pedisse permissão.
Eu estou drogado ou é realmente a minha menina?
Ela finalmente olhou para frente, nos encarando. Seus olhos encontraram os meus e a expressão dela era totalmente assustada. Ela balançou a cabeça.
- Muito prazer, nós somos a Back To Halls.
E o primeiro acorde de seu primeiro single começou a ecoar na sala.
Não é possível.
Capítulo XVI - Goin' crazy from the moment I met you
[Danny narrando]
WTF? COMO ASSIM?
To morrendo ainda aqui. É dela aquela voz maravilhosa? Como eu não percebi antes?
- OH MEU DEUS. Vocês estão vendo a mesma imagem que eu?
- O que tem dude? – Harry perguntou assustado. – Tudo bem, a menina é linda, mas você está me assustando. Precisa de alguém.
- Eu vou te ignorar só porque é uma coincidência absurda!
- O que é coincidência? – Tom balançava a cabeça junto com o ritmo da música deles, nos ignorando em seguida.
- É ela mesma né Danny? – Dougie perguntou.
- Sim. – falei ainda paralisado.
- Ela quem? – Harry perguntou perdido.
- A menina. A . A garota que eu sonho há dias. A garota que eu conversei ontem. A menina do evento.
- Nossa, ela gostou de você então.
- Por que diz isso? – perguntei incrédulo para Harry.
- Ela está te seguindo oras! – ele gargalhou.
- Agora tudo faz mais sentido.
- Eu tava brincando Danny. – Harry se assustou.
- Não isso né. Fala sério. Eu quis dizer que faz sentido eles morarem juntos, faz sentido ela naquele evento, faz sentido aquele símbolo de gravadora no carro deles.
- Nossa, espionou ela mesmo hein. – Harry continuou tirando sarro.
- Cala a boca vocês, eu to tentando ouvir a banda se você não se importam. – Tom resmungou. – Depois não reclama se a gente escolher e você não gostar Danny.
- ÔH, com certeza ele já gostou Tom. – Dougie disse rindo.
Tom se virou na minha direção. – Nem pense em tentar pegar a garota.
Eu arregalei meus olhos. – Me dê um motivo. - Ele revirou os olhos.
- É ela Tom. Não me peça uma coisa dessas.
- A mesma garota que você fala sempre? A que você saiu ontem? – ele ficou super surpreso. Assenti com a cabeça. – Nossa. Bom gosto.
- Né! Pela primeira vez Danny. – Dougie falou batendo a palma da mão em minha cabeça.
- Agora nós temos que ver se ela é legal. – Harry pareceu pensativo.
Resolvi não prestar mais atenção no que eles falavam e apenas me focalizar nela. Sua banda é realmente boa, a música que nós ouvimos é muito melhor ao vivo. O pessoal começou a aplaudir. Acordei dos meus pensamentos.
- Muito obrigada. – ela disse ao microfone. – Eu confesso que nós não sabíamos quem ia nos escutar hoje. Estamos honrados. – ela fez uma reverência exagerada, fazendo o pessoal rir. Linda. O baterista começou a contagem chocando as baquetas. Mais uma música deles.
O pop-rock deles é mais puxado que o nosso e mais pesado. Não é só porque é a banda dela, mas eu realmente gostei. Eu estou super embasbacado aqui porque eu simplesmente amo mulheres de atitude assim. A coisa só vai melhorar se eu souber que ela toca alguma coisa.
Seus movimentos enquanto canta perfeitamente a música são incríveis. Eu imagino aqui como deve ser isso em um palco grande; parece prender a atenção do público. Não só por sua incrível beleza, mas também por sua presença e atitude. Incrível. Nunca fiquei tão chocado com alguém em toda a minha vida.
A música parou e eles logo puxaram outra. Seus cabelos brilhavam mais do que nunca, se mexendo junto com o ritmo da nova música. Ela parece ter mania de cantar jogando a franja. E dançando.
Linda. Mas eu acho que já pensei isso. Os meninos estão encarando a minha reação. Acho que meus olhos estão brilhando. Droga! Percebi que estou colado no vidro, quase em cima da mesa de som. Como eu cheguei aqui?
- Olha o jeito como ela sorri quando canta. – resolvi me pronunciar em voz alta.
-‘Danny, você está me enjoando. – Dougie disse fazendo cara de tédio.
- Enojando. – Harry o corrigiu.
- Harry, agora você está me enjoando. – o menino deu ênfase à última palavra.
- Eles são realmente bons, mas temos um problema. – Tom coçou a cabeça.
- QUAL? – praticamente gritei, tirando minha atenção da banda. E a de todos também.
- Você. – ele disse e os outros concordaram.
Droga, eu não tinha pensado nisso.
E não tinha pensado em outra coisa também. Ela é brasileira, logo os outros amigos também. Como eles conseguiram vir pra cá gravar um CD? Não tem outra explicação do que eles serem famosos, mas não aqui em Londres. Eu realmente não sei se suportaria isso. Já chega a minha vida que todo mundo toma conta. Imagina a banda de sendo o próximo sucesso britânico? Nós não teríamos uma vida normal nunca. YEY. O que eu estou pensando? Eu nem sai com ela ainda, cruzes.
Mas vamos concordar que não deve ser legal namorar alguém famoso.
[Você narrando]
A cada olhar meu que encontra com o dele vira uma nova tortura interna. Como é terrível. Eu ainda não to acreditando no que estou vendo; McFLY como a suposta banda que nós podemos abrir a turnê todinha pela Inglaterra?
Eu to morrendo de vergonha. É como se o nosso pequeno brilho fosse ofuscado totalmente pela irradiação pseudo-diamante deles. Será que Danny ainda lembra de mim? Só espero que isso não modifique a decisão deles;
Nós paramos a segunda música e puxamos a terceira. Minha preferida, então eu acho que está na hora de dar o show. Peter que escreveu então ele canta junto comigo. Passei os olhos pela sala separada pelo vidro, do outro lado. Eu nunca gostei muito de ser o centro das atenções, mas digo que isso é bem legal. O que foi? São meus ídolos, o que você queria? Ou isso é uma pegadinha de muito mau gosto ou nossa bunda nasceu virada para Lua.
E eu escolho a segunda opção.
[Danny narrando]
- Eu tenho minha decisão. Três músicas foram suficientes para mim. – Dougie deu de ombros, quebrando o silencio que havia ficado entre nós.
- Er, por mim tudo bem também. – Harry.
- Eu também estou com minha escolha feita, mas ouvir eles é impressionante. Eu ficaria aqui o dia todo. – todos nós olhamos para Tom.
- Como é?
- Já tá com ciúmes Danny? Eu não disse nada demais. – Tom revirou os olhos.
- Não foi isso que eu quis dizer.
- Sei.
- Tanto faz!
- O que a gente faz agora? – Dougie se jogou na poltrona.
Pelo canto do olho eu pude ver que a menina derrubou o microfone laranja no chão, fazendo o maior estrondo. Todos olharam inclusive eu.
- Er, desculpe. – ela disse sem graça. – A gente só gostaria de finalizar com uma influência nossa. Pode ser?
Por mim você pode fazer o que quiser. Ok parei.
Apertei o botão do som. Era uma boa hora para falar com ela, caso ela não tenha percebido que eu estava lá. Será que ela percebeu?
- Hei, fica a vontade. Será um prazer ouvir mais uma música. – eu disse sorrindo, se é que dá pra ver, por causa das luzes refletidas no vidro da cabine.
E o que foi isso que eu disse? Meu Deus, que vergonha!
Ela sorriu e meio que sacudiu a cabeça de uma forma engraçada. Não pude deixar de sorrir.
- Ok. Ok. Nós queríamos agradecer novamente e deixar bem claro que isso aqui não será para puxar saco de alguns de vocês, certo? – ela sorriu.
Se eles tocarem McFLY eu tenho um treco.
- ‘The Rock Show’, Blink 182.
Dougie deu um pulo da poltrona, colando no vidro junto comigo.
O que ela quis dizer com ‘não será pra puxar saco’? Eu gosto de Blink 182, mas essa é a banda preferida do Dougie. Se ela quisesse me impressionar, estaria cantando Springsteen.
Tá, ok. Estou ficando paranóico. Mas... Será que ela tá de olho no Dougie? Ou ele pode ser o preferido dela, sei lá. Eu sei que ela é fã, isso pode acontecer.
Que péssimo.
- Tá aprovada dude. – Dougie disse sem piscar.
Após alguns minutos, senti Tom e Harry me cutucando.
- Danny? Acorda cara, vamos lá falar com a banda. – Harry me balançava agora.
- Como é? Falar com a banda?
- É. Nós vamos conversar para saber mais sobre eles, saber suas influências e dizer que eles com certeza irão abrir a nossa turnê nas arenas. – Tom disse simplesmente.
- Já decidiram sem a minha opinião? Eu pensei que eu fosse o motivo dessa audição! – fingi indignação. Chantagem emocional sempre funciona.
- Sua baba já nos deu a confirmação. – Harry falou em um tom zombeteiro.
- Pensei que isso era um problema. – continuei a cena eu-to-ofendido.
- O que de mais aconteceria? Se você quer sair com ela, saia! Mas isso não é bom só para nós, é ótimo para eles. Não querendo me gabar, mas é como aconteceu conosco. Seria uma espécie de Busted com o McFLY abrindo. Só vocês sabem o quão isso foi importante para a nossa aceitação de primeira e tão rápida. – Tom explicava tudo calmamente.
Então nós poderíamos lançar essa banda? Isso realmente seria o máximo.
- Ok. – eu não sei nem o que dizer depois disso.
- Você precisava desse passa-fora. – Tom revirou os olhos.
Os meninos riram. Fiz careta. – Vamos logo! Eles estão esperando e devem estar morrendo também pela espera. – Harry dizia enquanto caminhava até a outra sala, que ficava do lado da sala de áudio. A banda já estava lá.
É estranho, mas eu me sinto intimidado pela presença deles.
Talvez um pouco de inveja. Não só pelo fato de eles terem , mas pelo fato de eles estarem passando por tudo aquilo que nós passamos. Tom tem razão, só nós mesmos sabemos o quão maravilhoso e especial isso é. Eu não mudaria nada do nosso passado.
Respirei fundo e entrei na sala de cabeça erguida.
Os capítulos ‘Danny Jones conquista’ começam aqui. Isso foi terrível, ok.
Todos estavam sentados em sofás e poltronas espalhados pela pequena sala. Será que eu perdi alguma coisa? Ah sim, minha coragem e talvez uma fralda agora não fosse uma escolha tão idiota a se fazer. O que? Eu to tremendo cara. Parece que eu tomei vinte e três copos de café e não dormi dois dias. Não que eu já tenha feito essa experiência. Hei! Esquece tudo isso! Voltamos do ponto ‘Danny Jones conquista’. Foco Daniel, foco. Mantenha a mente aberta, siga seus instintos. Caminhei até o pessoal, super confiante, eu to fazendo pose dude.
Droga. Tropecei em um fio. Ainda bem que ninguém notou.
Devo usar minha invisibilidade para o bem ou para provocar o mal? Hmm.
Pelo menos isso serviu para acordar os meus ouvidos. O moreno mais baixinho estava apresentando novamente eles.
- Nate. – ele apontou para o menino de cabelos dourados. – Dave. – o mais alto de todos. – Peter – ele apontou para ele mesmo. – e . – dessa vez ele teve seu dedo direcionado para a minha menina.
Então é assim que fala o nome dela? Maldito sotaque legal do Brasil! Preciso treinar.
- Vocês são mesmo brasileiros? – Harry já começou o interrogatório.
- Sim. – todos assentiram sorrindo.
- Nós temos shows marcados lá. Vai ser o máximo. – Dougie deu corda.
- Nós esperamos o mesmo. – os quatro sorriam com os olhos brilhando.
- Fascinante. Como vocês saíram do Brasil para gravar um CD aqui? – os olhos de Tom brilhavam.
- Nossa banda tem um ano e meio. Não, dois. Isso. – Dave parecia pensativo.
- Sim, dois. – sorriu para ele. – No começo era tudo brincadeira, sabe? Nós nunca nos importamos de gravar CD e tal, mas a oportunidade surgiu.
- Yeah, nós estávamos tocando em um meeting, que por sinal era de vocês, e um cara da gravadora nos chamou para conversar. – Dave.
- Então praticamente vocês receberam um convite para vir pra cá? – Tom.
- É. Mas tipo, nós fechamos contrato com o Brasil. Só que nós escrevemos e cantamos em inglês, sempre foi assim.
- Como surgiu essa idéia? – Harry perguntou.
- Tudo culpa de nosso amigo baterista. Nate é descendente de americanos, seu pai é dos Estados Unidos; Mas ele nasceu no Brasil. – disse sorrindo.
- E tipo, nós fazíamos shows por todo Rio de Janeiro. E usamos até hoje a internet como divulgação máxima de nossa musica, é tudo muito legal. – Peter.
- Uhum. Nossa musica já chegou ao Japão. – .
- Whoa, sério? – minha vez de ficar surpreso. Eu nunca ouvi falar deles antes.
- Sim. – ela sorriu pra mim. Acho que morri. – Não só no Japão. Em toda a América do Norte, menos aqui, na Europa. – entendi agora.
- E daí, a gravadora do Brasil achou melhor nos colocar em um país onde a língua falada fosse o inglês, porque lá no Brasil nós não faríamos tão sucesso quanto eles queriam. – Dave revirou os olhos.
- E como nós temos fortes influencias britânicas... – sorriu torto.
- Mandaram vocês pra cá. – completei, sorrindo para ela.
- Estamos aqui há uns oito meses. – continuou. – Apenas gravando o CD. Nós só usamos uma musica antiga. Ainda não nos acostumamos com Londres.
- Aposto que é muito diferente do Brasil. – Tom pareceu pensativo.
- Muito! – Peter exclamou. – Principalmente o clima.
O interrogatório continuava. Pude ouvir os caras perguntando sobre os brasileiros, mas o brilho dos olhos de falando animadamente me tiraram do ar. Gay?
Tem períodos do mês em que eu fico um pouco mais sentimental.
- Já gravaram o primeiro videoclipe? – Tom perguntou.
- Não, só segunda. E a música vai pra rádio logo em seguida. – Nate explicou.
- Vocês moram junto? Como a gente morava?
- Sim! É muito divertido. É legal morar com amigos. – Dave completou.
- É legal quando eles não acordam você com cabeção de nego e pegam suas meias. – fez uma cara afetada.
- Nós já nos desculpamos! – os três falaram ao mesmo tempo.
- Isso não faz a meia, agora 42, voltar a ser 34! – deu língua. Linda. Os quatro riram. São exatamente como nós: brigam, falam idiotices e depois caem na gargalhada. Amizade legal é amizade assim.
- Nós costumávamos fazer muita besteira quando morávamos juntos. – Harry se pronunciou depois da encenação de briga deles.
- Às vezes nós temos guerras de bolas d’água e maria-mole. Só que a gente parou um pouco, o açúcar gruda feio no cabelo da . – Peter deu de ombros, divertido. Resolvi ignorar essa sessão sofrimento de minha amada.
Fui chegando de mansinho perto de Dougie. Minha capa de invisibilidade foi ativada novamente, sabe? Ok.
- Dougie. Faz um favor dude?
- Depende, e muito.
- Pergunta se um deles são namorados.
- Hã?
- Pergunta Dougie. – cochichei baixinho.
- Não! Ficou louco? Que vergonha.
- Desde quando você ficou com vergonha de ser cara de pau?
- Eu tenho meus dias em que me preservo.
- Me poupa e anda logo.
Ele bufou. – Ta me devendo uma.
Dougie sorriu e olhou para e depois para Nate.
- Vocês são namorados? – ele interrompeu a conversa deles e fingiu confusão.
- Nós? – perguntou incrédula. E depois caiu na gargalhada. Os três repetiram o gesto. enxugou as pequenas lagrimas e respirou fundo.
Nem preciso comentar das nossas caras ao ataque de riso dos quatro, hm?
- Desculpe, mas é que é realmente estranho me perguntarem isso. Nós fomos criados juntos, Nate é como um irmão. Todos nós somos como irmãos uns para os outros. – e ela deu um longo sorriso.
Meu coração bateu mais forte, e sem a agonia de antes. Pelo menos namorado ela não tem. Eu acho que não agüentaria isso.
- E ai, o que vão fazer agora? – Tom perguntou divertido, provavelmente querendo fugir daquela gafe horrenda que eu fiz Dougie cometer.
- Nós vamos requebrar a noite toda! – Peter gritou.
- Requebrar? – revirou os olhos.
- Sacudir o esqueleto, dançar um rebolation. – Nate continuou a brincadeira, segurando entre um abraço e girando-a no ar. Ela desfez a cara emburrada com um lindo sorriso. Não gostei.
- Eu não tenho mais suposições. – Dave deu de ombros.
- A gente pode ir naquele em que nossos olhos brilharam quando passamos!
- Qual? – Peter, a animação em pessoa.
- Todos fizeram nossos olhos brilharem princesinha. – Dave. Princesinha? WTF?
- Droga. – pareceu chateada. – Já sei! A gente vai pro primeiro que gostar. – por dois segundos.
Harry cutucou o meu braço com o cotovelo.
- Ela é hilária dude. – ele disse sorrindo.
- E tão sem noção quanto você. – Tom completou.
- Então vamos indo galerinha, porque temos uma noite toda para comemorar e a galerinha do McFLY deve ter mais o que fazer. – Peter disse e todos eles assentiram com a cabeça, indo à direção a porta de saída.
- WHOA. Esperem! – eu não pensei em nada, mas gritar sempre chama a atenção.
- O que houve Danny? – ela dirigiu a palavra a mim e sorriu. Oh my Gosh.
- É que... É que... – cocei a cabeça. – Ajuda porra. – cochichei com Dougie.
- Nós não temos mais o que fazer e provavelmente iremos a um PUB que vamos sempre. Como vocês não sabem e, aparentemente, nunca foram a um, sem ofensas, o nosso amigo Danny teve a brilhante idéia de levar vocês para conhecer o nosso local preferido de diversão. O que acham? – Dougie pareceu não ter respirado e nem piscado. Todos ficaram olhando para Dougie durante um minuto.
- O que foi isso dude? – Harry olhou assustado.
- E ai, querem sair com a gente? Tomar uma cervejinha. – Dougie continuou mudando o tom de voz.
O pessoal continuou encarando.
- Melhor? – Dougie perguntou.
- Melhor ficar quietinho Dougie. – Harry falou em um tom entediado.
- Er, - foi a primeira a se pronunciar. – A gente não bebe, mas seria muito legal. Obrigada. – e terminou com um largo sorriso.
Tom escreveu rapidamente o endereço do PUB em um papel e entregou a .
Eles já iam saindo novamente, quando eu – novamente – chamei a atenção de todos.
Dessa vez eu não gritei. Só dessa vez.
- Um segundo. – eu disse e todos olharam para mim.
Adeus poder de super herói, olá centro das atenções.
- Algum problema? – Harry perguntou.
- Sim.
- Diga.
Me virei para os que já estavam indo embora e dei meu lindo sorriso torto meu-cachorro-adora-doguitos. O que eu disse?
- Vocês não vão perguntar se nós aceitamos vocês?
- Isso seria uma ótima idéia Danny. – pareceu pensativa e meu estômago deu um 360º quando ela disse o meu nome.
- Então? – Dave se pronunciou e pude ver os olhos dos quatro brilhando.
- Nós nos vemos na turnê. – dei um sorriso sincero.
Eles se abraçaram e nós apenas ficamos vendo a cena.
- Na verdade, a gente se vê daqui a pouco. – Dougie disse pensativo.
- Você acabou de arruinar minha fala final.
O pessoal da BTH se despediu depois de nós marcarmos a hora dentro do PUB. Seria divertido, não seria? Eu quero realmente acreditar que sim.
Hoje é quinta, lembra? E quinta é o meu dia de tomar alguma atitude.
- Er, Danny? – Tom chamou lentamente, interrompendo meu pensamento para descrever o jeito como ele me chamou. Hã?
- Hum? – eu percebi que estava olhando para um ponto fixo muito gostoso desde quando saiu da sala.
- Você não queria ir embora desde quando chegou? Bem, agora nós queremos.
- Ok. - humm, mais uma vez. Para ser um final bonito e para que eu não fique sozinho na gravadora pensando nisso.
Hoje é quinta, lembra? E quinta é o meu dia de tomar alguma atitude.
Capítulo XVII – Take Me on the Floor
[Você narrando]
Ok. O que foi isso que aconteceu hoje de tarde?
Nós ficamos conversando até umas seis horas da noite. Foi bem divertido e produtivo. Foi legal conhecer o verdadeiro McFLY. É como se não existisse mais aquela mascara que a minha imaginação de fã pos em cada um deles. Agora eu sei como eles são, ou pelo menos tenho uma ligeira idéia.
Ficou bem mais fácil admirá-los mais ainda agora.
Como combinado, são onze e meia da noite e nós estamos parados em frente ao PUB do endereço que Tom me deu. O restante de nossa tarde foi muito bom, com direto a muito sorvete e muita risada. Não sei por que, mas meu pressentimento de que Londres ainda guarda algo grande para nós aumenta cada vez mais.
Quando deu dez e meia, por ai, nós resolvemos nos arrumar e comer algo de verdade antes de sair.
Tomei um banho rápido. Coloquei um short jeans Burberry, junto com uma meia mescla e uma blusa roxa grande Coca-Cola caindo nos ombros, junto com um scarpin preto envernizado de salto nove.
Ser pequena não é muito fácil, mas nada que um Manolo não resolva. Ok, isso soou muito wanna-be-Paris-Hilton.
- É aqui mesmo? – Peter perguntou.
- O que você acha? – Natie resmungou.
- Nossa, desculpa.
- Por que todos estão nos olhando estranho? – olhei instantaneamente para nós quatro, vasculhando se tinha algo errado como um grande rombo no meio de nossas calças.
- Eu disse que a camiseta verde limão do Peter ia chamar atenção! – Dave disse seco.
- O que é dessa vez? Essa camiseta é linda!
- A luz néon vai ficar com inveja lá dentro.
- Pelo menos é melhor que a do ‘miojo eu cê fazê.’ – Nate observou.
- Foco gente. Onde fica a entrada disso? – meus olhos vasculhavam o local. Muita gente, fila para entrar. Estamos ferrados para não dizer outra coisa.
- Não tinha um lugar mais fácil?
- Esse é realmente o tipo de lugar em que nós não vamos ser muito bem aceitos. – Dave parecia chateado.
- Por que diz isso? – perguntei incrédula.
- Simples. Tem muita gente famosa aqui. – ele disse dando de ombros.
Oh claro.
- O que isso tem a ver? E não vi nenhum rosto conhecido ainda. – revirei os olhos.
- Ninguém vai falar com a gente e sempre vai surgir aquela pergunta linda na atmosfera: ‘que porra são eles’?
- Como se a gente realmente se importasse. – Peter resmungou.
- Como se a gente realmente quisesse que viessem falar conosco. – rebati.
- E... – Nate abriu a boca, mas no mesmo momento a fechou. Sabe quando você vai falar e esquece? Pareceu exatamente isso.
- E o que? – Dave perguntou.
- O que o que? – Natie o olhou sem entender.
- Você quem começou caralho! – Dave explodiu.
- Hei! Silêncio. Ouviram isso?
- O que? Tem muito barulho aqui .
- Exatamente. A porra da pista de dança esperando a gente lá dentro. Cara, vocês tem noção ainda do que aconteceu com a gente hoje? – eles pararam tudo o que estavam fazendo. – Vocês perceberam o quão maluco foi nosso dia? A gente tem contrato com o McFLY!
- Não era pra gente estar em pé de guerra hoje. – Nate foi o primeiro a realizar com a situação. Eu sei tocar o coração dos outros quando eu quero.
Ok. Nossa.
- Ainda mais porque os dias difíceis começam quarta que vem. – Dave parecia pensativo.
- Ah não cara. Já? Esse negócio de TPM vem muito rápido! – Peter coçou a nuca, chateado.
- Calem a boca. – revirei os olhos e resolvi ignorar o que os imbecis falaram. - E tem a diferença hoje: nós conhecemos o McFLY e eles nos conhecem.
Oh claro, eu precisava me gabar com isso. Mas prometo me conter da próxima, não gritando, por exemplo.
- Ok, então o primeiro passo é achar a entrada. – falei impondo ordem na porra toda.
Pura farsa.
- Er, seria ali? – Natie apontou para um lugar super iluminado, onde tinha o inicio das filas. É, pode ser ali.
Andamos até o local iluminado para obtermos informações. Aquela fila gigante era porque a parte de cima do PUB foi fechada para comemorar uma festa de aniversario e a lista ainda não havia chegado. Isso é realmente muito bom, pelo menos não vamos agüentar essa puta fila ai.
O segurança que tirou nossa dúvida foi super simpático e nos disse que ao lado era o local de entrada para a pista inferior. Pista inferior? Ok, eu realmente pensei que PUB era um local onde você tomava cerveja e tal. Oh, maravilhosa Londres.
Não, eu não falo MARA. Eu gosto de terminar as palavras.
Um grande cara gordo, careca e com um bigode gigante vermelho vestido igual a um pingüim desbotado estava parado atrás de uma corda vermelha, como nos filmes.
Reparei em um casal entrando. Você ganha um cartão no qual coloca tudo o que consumir lá e depois fecha sua conta quando for embora – ou quando expulsarem você do local. O que? Pode acontecer.
- Boa noite senhores.
- Boa noite. – falamos em coro.
- Identidade dos quatro. – Dave entregou a sua primeiro e Natie logo depois. Fiz um olhar fuzilante aos dois. Peter tremeu do meu lado e entregou a sua identidade junto com a minha, enquanto o tal segurança verificava se as identidades dos meninos eram verdadeiras e se eles tinham idade para entrar, claro. Nosso acordo era o seguinte: Nathaniel entrar primeiro, depois o Peter ir junto no embalo e eu seguir depois dele, deixando o mais velho por último. Assim Peter não correria o risco de ficar, hm, barrado.
- Você pode entrar. – ele apontou para Dave. – E você também. – dessa vez ele falou com Natie. Ambos sorriram para mim.
- Você... – apontou para Peter. – Desculpe você está abaixo da faixa etária.
- HÃ? Eu faço dezoito daqui a um mês! – Peter se revoltou.
Oh claro. Primeira dica para você que é menor de idade, não vive no seu país e nunca entrou em um lugar desses há essa hora: não se revolte com o segurança.
- Desculpe. Regras são regras.
- Eu tenho dezenove, eu posso ser responsável por ele. – Dave fez uma cara falsa de responsável.
Segunda dica: mande seu amigo mais velho-porém-não-mais-maduro fingir que irá tomar conta de você.
- Para isso você teria que ter vinte e um.
- Droga! Esqueci que não estamos no Brasil. – Dave reclamou em português e o segurança olhou feio.
Terceira dica: nunca fale sua língua natural para os seguranças. Eles acham primitivo e bem, são eles que controlam as portas da boate.
- E você. – ele apontou para mim, com a minha identidade nas mãos, olhando-me de cima a baixo. – Você também não tem idade para entrar.
Esquece essa porra toda. Chuta o balde!
- O QUE? Eu tenho dezoito woow! – falei incrédula. Era só o que faltava.
- Você nunca que tem dezoito com essa carinha. – ele disse impaciente.
- Olha, obrigada pela parte que me toca, mas eu tenho dezoito anos! – coloquei as mãos na cintura, revoltada.
- Não me convenceu docinho, isso aqui não é verdadeiro.
Bufei. – Não me chama de docinho.
- Prefere como? – ele sorriu. Que nojo.
- SEGURANÇA! – eu gritei.
- Hei. – ele estalou os dedos. Olhei instantaneamente e ele apontou para a palavra “segurança” escrita na blusa dele.
- Droga! – sai batendo o pé. – REUNIÃO! – eu gritei. Nate, Peter e Dave foram atrás de mim.
Fizemos uma rodinha
- Droga! E agora, o que a gente faz? – Peter cochichou.
- Eu não faço idéia! Ele não quer deixar nem a entrar. – Nate disse assustado.
- Esse cara é louco! A gente precisa arrumar um jeito. – Dave.
- Mas se um de nós não entra ninguém entra. A gente pode ir fazer outra coisa. – Nate suspirou.
- Vou tentar uma coisa aqui, esperem. – eu disse já me afastando deles e chegando perto do segurança.
Joguei meu cabelo para o lado, segurando uma mecha fina com as pontas dos dedos. Tombei minha cabeça para lado. Mordi o lábio inferior.
- Tem certeza que não vai me deixar entrar? – dei meu melhor sorriso.
- Você pode o que quiser docinho.
- E o meu amigo? – dei um sorriso com o canto dos lábios.
- O que eu perco com isso docinho? – o segurança sorriu, olhando-me de cima a baixo.
- Bom, se ele não entra, eu não entro também.
- Isso já não é problema meu. – ele riu. ELE RIU NA MINHA CARA.
- Hei, eu tenho idade para entrar seu brutamonte! – me irritei.
- Me prove. – ele me encarou. Aaaaarrrggghhh! Como eu odeio que duvidem de mim!
- WFT? Eu acabei de te mostrar a minha identidade!
- Mas é falsa. – ele deu de ombros.
- Falsa é o seu... – antes de completar, Nate me puxou para longe daquele idiota.
Teremos um problema hoje.
Voltamos para a nossa rodinha.
- Eu tentei.
- Porra , aprende a seduzir alguém. – Dave resmungou.
- Desculpe por eu não saber bancar uma vadia descente.
- Eu teria deixado você entrar. – Peter disse pensativo.
- Eu também. – Nate concordou.
- Tá, eu também teria deixado. – Dave rolou os olhos, dando-se por vencido. Ahá!
- Tá perdoado. – ele sorriu. – O que a gente faz agora?
- A gente pode tentar entrar pelos fundos. – Peter arriscou um palpite.
- Mas se virem a gente, além de estarmos barrados aqui para sempre, vão nos expulsar pela porta da frente, nos jogando na calçada, daí todo mundo vai rir da gente e...
- Cala a boca David. – revirei os olhos.
- Eu voto por a gente fingir ser alguém famoso.
- Ótima idéia Nate! – praticamente gritei, fazendo os olhos dele brilharem. – Se você tivesse falado isso antes de eu partir pra cima do Leôncio ali. – revirei os olhos novamente.
- Você também hein , não dá uma dentro.
- A gente pode arriscar falar a verdade. – Dave disse e todos nós nos olhamos.
- Pode dar certo. – falamos em coro.
Andamos até o idiota leão-marinho do segurança e paramos na frente dele.
Ele nos olhou com um cara de tédio, já pegando o rádio para, provavelmente, chamar “reforços”. Me poupa.
- NÃO! Espera. – eu gritei e ele parou o que estava fazendo.
- O que vocês querem agora?
- Nós queremos contar a nossa situação. – o segurança revirou os olhos.
- Nós começamos mal. – Dave falou. – Prazer, David. – ele esticou a mão, porém o segurança não mexeu um músculo.
- Olha crianças, se vocês não se importam, eu estou trabalhando. – o segurança disse com um tom de tédio. Olhei melhor para ele; Um crachá! Joseph.
Maldito Joseph. Se não fosse tão legal de gritar esse nome, eu já teria feito piadinha.
- Joseph, certo? – ele me olhou. Os meninos me olharam assustados. – O que foi? Tá no crachá idiota dele! – Joseph me olhou de cara feia. – Vou te mandar a real parceiro. – ele fez uma carranca pior ainda. – Nossa, parei. Mas estou com uma vontade incontrolável de falar Joseph o tempo inteiro. Joseph!
- Cala a boca . – Peter me puxou.
- Falando sério agora. Nós somos novos na cidade, viemos do Brasil. – Nate tentou.
- Brasil? Eu tenho parentes lá. – os olhos de Joseph brilharam.
- Whoa, sério? Que legal! Vai os deixar entrar então?
- Nop.
- Droga! – Nate deu um soquinho no ar.
- Voltando. – vez de Dave. – É nossa primeira noite na cidade, entende? É a primeira vez que nós estamos saindo assim de noite aqui.
- E nós temos que entrar, mesmo. – Peter.
- Me dê um bom motivo para alguém querer vocês lá dentro.
- Isso doeu Joseph. Mas é que tem uma banda esperando a gente lá dentro. – dei de ombros.
- Ah é? Qual banda?
- McFLY.
- E eu sou o Bozo.
- Essa piada é minha! – revoltei.
- Não vai os deixar entrar mesmo? – Nate disse já esgotado.
- Não.
- Sem problemas. – Dave disse.
- Isso, sem problemas, porque eles estão comigo.
Olhei para trás, só faltou uma luz branca aparecer em sua volta e aquele suspiro básico ‘ooooooooh’. Nada mais, nada menos que Daniel Jones.
Meu estomago deu um loppin duplo carpado com um mortal na seqüência.
Joseph ficou super sem jeito e eu gargalhei, na CARA DELE! HAHAHA.
- Toma essa Joseph! HIUEHSUIAHUIEHSAUIHI. Na sua cara, n-a s-u-a c-a-r-a! – eu disse dançando e apontando para ele.
Joseph abriu a cordinha, para que pudéssemos passar, com muita má vontade, dica. Olhei para ele de cima a baixo, dando língua depois. Danny riu.
Só agora percebi que não tinha cumprimentado ele. Dei meia volta e sorri para ele.
- Obrigada. – ele sorriu de volta.
- Conta sempre. – e piscou para mim.
Uma bolha fez ‘ploc’ no meu estômago. O quê?
Os meninos agradeceram e Danny pediu para nós o seguíssemos.
O lugar é bem grande até, pouco iluminado e cheio daquelas luzes psicodélicas. Gostei. E está bastante cheio, com muita gente empoleirada nos bares e na pista de dança central. Uma música eletrônica está tocando e eu estou realmente me segurando para não ir dançar.
[Danny narrando]
Cheguei à boate na hora que o pessoal marcou. Eu nem posso negar e nem dá pra não dizer que eu to MUITO nervoso. Credo parece que eu to indo fazer uma prova de vestibular. Ok, exemplo infeliz. Hum, parece o dia da nossa audição! Isso; Eu fico com essa.
Enfim, dei uma olhada pelo local e cumprimentei alguns conhecidos. O lugar tá lotado. Péssimo dia para tentar alguma coisa. Droga.
WOW. Nada disso.
Vim sozinho, pois Tom e Harry foram buscar as namoradas e, bem, Dougie já deve ter arrumado alguém para trazer. Eu e minha maldita boca grande! Por que Daniel? Por que dizer que você ia tentar algo com a garota hoje? Vai ser lindo se eu ficar de vela.
Sim, esses foram os meus hormônios masculinos abundantemente concentrados por meses falando.
Hei. O que seria aquela pequena movimentação ali na porta de entrada?
OMFG.
Ok, isso tudo tá muito gay e eu realmente preciso de uma cerveja.
Dei uma olhada panorâmica pela entrada e logo avistei lindos cabelos . Eu sinto que já poderia morrer toda vez que presencio isso. E não que eu tenha uma tara por cabelos e sinto vontade de cortar um longo pedaço do dela para abraçar de noite antes de dormir. O que?
Isso agora foi o álcool ingerido muito rápido seguido de um movimento violento de ‘chacoalhar’ com a cabeça. Parei.
- Não vai os deixar entrar mesmo?
- Não.
Peraê. Estão barrando eles?
Sem chance.
[Você narrando]
Legal. Nem me senti. Ou melhor: nem to me sentindo. O Danny foi todo gostosão e másculo nos botando pra dentro. Desculpe, eu só quis começar o meu ponto de vista de uma forma diferente. E confesso que o ‘nos botando pra dentro’ foi bem estranho.
Enfim, ao entrarmos pegamos uma mesa que, por acaso, tinha o nome do Danny.
Ê maravilhosa vida de celebridade hm?
Logo em seguida os meninos do McFLY foram chegando e se sentando conosco. Peter e Dave já haviam dado um perdido na gente e apenas Nate ficava grudado ao meu lado.
- Eu não vou te largar sozinha aqui.
- Me poupa Nathaniel. Não estou sozinha! – disse apontando para os meninos que conversavam animadamente.
- Eu acho que vou procurar eles sabe.
- Oh claro e você nem tava querendo ir a uns vinte minutos atrás. – falei sorrindo para ele. Ganhei um beijo na bochecha e logo Natie sumiu no meio do povão super animado que estava concentrado na enorme pista de dança.
Sabe uma coisa engraçada? Bem, não tããão engraçada.
Danny não falou comigo. Eu fiz algo errado? Tem algo nos meus dentes? Pera, com certeza deve ter algo nos meus dentes! Que idiotice Marcella.
Dei uma viradinha com a cabeça e percebi que eles ainda conversavam entre si, menos Danny. Ele tá me observando. Há quanto tempo será que ele está me olhando? Perfeito , perfeito! Agora ele tá vendo você tirar algo do dente que nem existe! Isso realmente é um bom começo.
- Er, Danny?
- Hum? – ele pareceu acordar.
- Tá tudo bem? – seu rosto ficou vermelho na mesma hora.
- Oh tá sim.
- Você tava me assustando já. Morgando ai sozinho.
- Oh desculpe. – suas bochechas coraram mais um pouco. Como se isso fosse possível.
Nossa. Eu não presto.
- Tudo bem.
- Não quer mesmo ficar lá em cima?
- Não, to bem. – sorri com sinceridade. A parte superior tava muito cheia, talvez ele não gostasse. Diferente de mim, claro. Go go povão!
Ele pareceu pensar e refletir e questionar mentalmente o que dizer.
- Mas diz ai ... Posso te chamar assim? – bom começo Daniel, bom começo.
Parei. O que eu to fazendo? Isso não significa que eu tenha uma chance com ele. E isso não significa que eu queira algo. Ahá.
- Claro! – sorri.
- Então , por que o segurança não deixou vocês entrarem? – ele gargalhou.
- Ele disse que minha identidade é falsa. – revirei os olhos, tomando um gole de meu refrigerante. Danny percebeu.
- Refrigerante? – ele fez uma cara engraçada.
- Sim, por quê? – perguntei sem entender.
- Nada, nada. – ele riu. – E é falsa?
- O que?
- Sua identidade.
- Claro que não!
- Whoa dude, que susto.
- Por quê? – ergui a sobrancelha esquerda.
- Por um segundo eu pensei que tinha colocado um menor de idade para dentro desse mar de bebidas aqui. – ele sorriu. – Não que eu me importe. Nem um pouco na verdade. Eu apenas ri.
- Pareci um cachaceiro né? – ele pareceu pensar. Gargalhei.
- Mas você colocou. Peter é menor de idade. – dei de ombros.
- O QUE? – ele gritou, se engasgando com a cerveja.
- Isso pode causar problemas para você? – eu perguntei preocupada.
- Não, não. Eu estava de brincadeira. Só me assustei com o fato de ele ser menor de idade.
- Não parece? – ele negou com a cabeça. – Ele tem dezessete.
Ele pareceu assustado. – E os outros? – Danny perguntou cauteloso.
- Dave tem dezenove. – sua expressão ficou mais calma. – Nate tem dezoito... E eu também. – sorri para ele, que se engasgou de novo.
- Como é? – sua voz saiu falha, porque ele se engasgou né. Sabe quando você come paçoquinha e gruda na sua garganta? Ou quando você bebe água muito rápido e te dá aquela máster vontade de espirrar. Isso sempre acontece comigo e...
Voltando.
- Não parece? – fiz beicinho.
- Que isso amor, só me assustei, de novo. – e eu me assustei com a forma que ele me chamou.
- O que disse?
- Na-nada. – ele bagunçou os cabelos, aparentando estar nervoso. – Que-quer dançar ?
Fitei Danny por alguns segundos. Abri um enorme sorriso.
- Até que enfim alguém me chamou para dançar! – ele sorriu, pegando minha mão e me levando até a pista de dança.
[Danny narrando]
O que eu posso comentar? Ela é perfeita!
A gente conversou, eu pisei na bola e chamei-a pra dançar depois. Eu percebi uma coisa muito legal: ela adora estar rodeada de pessoas.
Eu não sou muito romântico e nem tenho aquela paciência de ficar grudadinho só com aquela pessoa, mesmo que essa seja a . Eu gosto de gente me rodeando, um grupo inteiro de vinte e seis pessoas com a atenção só pra mim.
Interessante.
A cada dia mais eu vejo o quanto isso pode dar certo.
Nossa dança foi ridícula e arrancamos varias risadas no local. Já me viram dançando? Vejam o Danny’sDisco que você saberá a minha situação. tentava me imitar e nenhuma vez em nenhuma parte de nenhuma música eu encostei nenhuma parte minha nela. Isso é ser legal né? Ou é demonstrar que você é um bosta rala que tem uma insegurança maldita?
Parabéns Daniel. Parabéns.
Quando estávamos na pista, percebi que uma parte do andar superior tinha umas cadeiras vagas. Puxei pela mão e a levei até aqui em cima. E aqui estamos nós!
Eu sinto a necessidade de saber mais sobre ela.
- Você vai pegar a mania de me raptar? – ela sorriu.
- Só quando você quiser. – sorri, piscando o olho direito.
- E qual foi o momento que eu deixei você fazer isso agora? – ela me encarou séria.
Ai. Ui. Whoa. Heeei. E todas as outras onomatopéias que não vieram a minha mente agora. OMG. Volta a fita. Por favor? Outch.
explodiu em uma gargalhada.
- Idiota. – fiz minha cara quando eu estou puto. Ninguém deve conhecer, eu to sempre sorrindo.
- Desculpa, não resisti. – ela enxugou as lágrimas.
Sentei na cadeira em frente a que ela havia sentado.
Ela me encarou com uma cara engraçada.
- Você não ligou. – ela disse mordendo o lábio inferior.
Meu coração começou a bater em um ritmo mais acelerado.
- N-não precisei. – maldita falha na voz.
- E se essa coincidência absurda não tivesse ocorrido?
- Nós estaríamos aqui do mesmo jeito. – dei de ombros.
- E por que tem tanta certeza disso?
- Eu nunca deixaria de te ligar. Se eu prometi, eu cumpro.
- Bom saber. – ela abriu um sorriso gigante. – Me promete uma coisa então?
- O que?
- Promete que vai sempre prometer as coisas? – engasguei. Ela gargalhou.
- Haamm?
- Eu te deixo nervoso.
- M-muito. Por que será? – ela continuou dando risada.
- Eu sou cara de pau, me desculpe por isso. – ela tentava segurar o riso.
- Não, tudo bem. Eu gosto quando as pessoas falam a verdade.
- Bom saber. – ela sorriu torto.
Uh, pera pára tudo! Você é um homem ou um rato Daniel?
Ok. Exemplo infeliz de atitude.
ELA está te cantando. Bem, er, hum, eu acho que isso tá acontecendo. Ou ela pode simplesmente ter um distúrbio; Ou talvez ela participe da comunidade ‘Sou legal. Não to te dando mole. ’
Ou talvez ela queira apenas aumentar sua rede de amigos.
Maldito myspace.
- E eu também posso ser cara de pau.
Veja e aprenda.
- Tente.
- E-eu queria saber se...
Calma, a experiência chega aos poucos. Sabe como é. Ser inocente.
Aham. Ok.
- Huumm.
- Não atrapalha .
- Desculpe!
- Tudo bem. Eu fui rude, me desculpe.
- Não, tudo bem.
- É que eu to nervoso. – baguncei meus cabelos freneticamente.
Eu literalmente sou um rato.
Não, eu não posso ser o rato. Essa idéia me agrada; Até demais.
- Então desculpe por isso também. De novo.
Nós rimos.
- Quer sair comigo um dia desses?
- Um encontro? – ela ergueu a sobrancelha esquerda, parecendo surpresa.
Droga.
- O-ou não. Pode ser apenas um encontro de amigos, velhos amigos. Não, pera! A gente não se conhece há tanto tempo e er, na minha cabeça só vem algo romântico e olha que eu nem sou tão assim e tudo pode ser diferente... er, sei lá. A gente pode apenas sentar no telhado... Não. Não! Café. Isso. A gente pode tomar um café e depois comer aquele biscoito que eu tenho certeza que você odiou porque tava terrível, só Jesus! Mas também podia ser um encontro, er... Sei lá. Deixa o vento levar. A brisa soprar... Você não vai me interromper com um sim?
Ela riu da minha situação e dos gestos nervosos que eu fazia.
Dude. Deixa o vento levar e a brisa soprar? Que porra é essa? Que vergonha!
- Claro que sim – ela sorriu. – Claro que eu gostaria de sair com você. Desde que não esteja chovendo, por causa do telhado, sabe? – não consegui conter o riso. Acho que meu peito pode explodir de emoção a qualquer momento.
Meu Deus, eu to tremendo!
Rato, rato, rato.

