Love Son

Autora: Karolyne Fernandes
Status: Finalizada
Revisada por: Vê Inamonico
Categoria: McFLY Fics
Sub-Categoria: Romance, Drama - LongFic
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Capítulo um.

- Senhorita ? A senhorita tem certeza do que quer fazer? – A enfermeira me perguntava pela milésima vez a mesma coisa – Você é completamente saudável e fértil. Pode, quando casar, ter filhos da maneira normal.
- Eu estou justamente fazendo isso porque não quero me casar, apenas ter um filho, senhora... – Levantei minha cabeça para poder ler o nome da enfermeira que estava ao meu lado na maca -... Stewart.
Eu sei que era saudável, eu sei que era fértil, mas por que as pessoas não entendiam que uma mulher com vinte e cinco anos não podia simplesmente não querer casar e ter um filho independente de qualquer homem? Eu não estava completamente fora do padrão, no mundo de hoje várias mulheres preferiam fazer o que eu estava fazendo, não que eu não gostasse de uma boa noite de sexo, mas não precisava de alguém regulando meu cartão de crédito e muito menos interferindo na criação de meus filhos. Eu estava certa daquela decisão. Havia se passado alguns meses desde que eu decidira fazer uma inseminação artificial e procurara uma clínica que a fizesse.
Minha mãe me chamava de louca, meu pai, ah, meu pai nunca opinara nada em minha vida e não seria agora que ele diria algo. A única que sempre esteve ao meu lado era a minha melhor amiga, Jess. Ela era do tipo que eu podia contar tudo e quando eu disse que iria fazer a tal inseminação, ela se dispôs a cuidar do meu filho quando eu precisasse.
Minha ginecologista, a doutora Amber, adentrou a sala onde eu estava e logo veio em minha direção.

- Como se sente, querida? Logo vamos começar o procedimento. Eu sei que você está nessa há algum tempo, mas...
- Mas se eu tenho certeza? Mesmo se eu não tivesse, das incontáveis vezes que eu já respondi que sim, eu já estaria crédula. – Disse de uma forma engraçada e recebi um olhar um pouco materno demais vindo da minha médica.
- Fico feliz por realizar esse procedimento com alguém tão confiante como você. Nesse caso, dentro de nove meses um serzinho muito especial vai estar junto com você.
- Assim espero, Amber. – Eu disse sorrindo e qualquer pessoa poderia ver um brilho extra em meu olhar.
- É verdade que você não quis saber qual o homem que doou os espermas? – Amber perguntou curiosa.
- Sim. Eu não quero ter nenhuma ligação com quem doou. Só sou grata por ter doado. Mas, acredito que se ele fez isso, não precisa ter ligação com o filho que doou para uma clínica.
- Às vezes eu acho que você é radical demais, ...
- Não sou, sou apenas realista.
- Que seja como você desejar. Está pronta? – Concordei sem hesitar – Então, vamos começar.

Amber mandou a enfermeira me aplicar uma anestesia e depois eu disso não vi mais nada. Acordei algumas horas depois, em uma cama, num quarto completamente branco. Isso me dava pavor. Por que as pessoas faziam dos hospitais ou clínicas, os lugares mais aterrorizantes? Podiam colocar uma cor e eu tenho certeza de que já daria uma animada no lugar. Olhei ao meu redor e notei uma bolsa conhecida. Minha amiga certamente já havia chegado e, como eu estava dormindo, deveria estar dando uma volta por aí. Médicos poderiam ser bem apresentáveis quando queriam. Era o que ela sempre dizia.

- A bela adormecida resolveu acordar, foi? – Jess! Minha fiel escudeira finalmente havia entrado no meu quarto.
- Sim e não faz nem idéia do quanto.
- Eu andei falando com alguns médicos por aqui e... Não, não me olhe com essa cara, você sabe muito bem a quem meu coração pertence. Acho que, sua médica deve estar passando por aqui para ver se você está bem e, se estiver, casa hoje mesmo garotinha!

Isso seria ótimo. Garanto que se eu ficasse mais algumas horas naquele quarto totalmente branco, eu iria pirar. Não deu nem cinco minutos e Amber entrou sorridente.
- Tudo ocorreu muitíssimo bem, . Estou orgulhosa de você. Agora me deixe te explicar como foi... – Ela foi contando tudo detalhadamente e eu nem piscava. -... Implantamos quatro espermatozóides. - Quatro?! – Eu e Jess falamos em uníssono, assustadas.
- Sim, quatro. – Amber sorriu, achando graça certamente de nossas caras de terror – Sempre fazemos desse jeito, . Os espermatozóides não vão sobreviver, não todos eles, entende? Certamente sobrará apenas um. Mas, se sobreviverem os quatro...
- Nem complete a frase. – Eu disse de forma brincalhona, mas no fundo morrendo de medo. Eu sabia desde o início que implantariam quatro espermatozóides, mas restava um fio de esperança para que não fosse no meu caso. – E então, saio hoje? – Eu disse aquilo com um sorriso pidão e ouvi Amber gargalhar.
- Mas é óbvio que não! Você tem que repousar e logo pela manhã, você fará um exame, certificando se há bebês aí dentro, – Amber disse apontando para minha barriga. - e quantos bebês você vai ter. - Fiquei com medo... E se não existissem bebês ali dentro? Ou se tivesse mais de um?

Capítulo dois.

Alguns meses se passaram e, sim, tudo havia ocorrido como eu planejara. Eu estava grávida de apenas uma criança, estava gorda e feliz. Eu estava curtindo cada momento... Toda semana eu ia para lojas de decoração, roupas e derivados apenas para checar as novidades. Realmente estava adorando! Jess não saía do meu pé, havia ido a alguns ultra-sons que fizera e estava comigo quando eu descobri que seria mãe de um menino. Eu teria um homem só para mim. Um homem que iria me proteger, que iria me alegrar, que eu amaria com todas as minhas forças e eu tinha certeza de que seria um sentimento recíproco.

Jess estava em casa comigo nos últimos dias de gravidez, como meus pais moravam em uma cidade ao redor de Londres e trabalhavam, não puderam estar presentes nessa reta final. Eu iria fazer uma cesariana, pois uma das coisas que eu nunca admitiria seria sentir dor, mesmo que eu soubesse que seria melhor para mim e para . Esse fora o nome que eu havia escolhido para o meu príncipe. Chegamos ao hospital no horário combinado, minha ginecologista, que também era minha obstetra, já estava me esperando e logo comecei com todo o processo de anestesia e afins.
Uma enfermeira desavisada de meu caso me fez a seguinte pergunta:
- Onde está o pai, querida? Ele não vai querer assistir ao parto?
- É... Ele anda muito ocupado com viagens e não pôde comparecer. – Disse sorrindo e dando uma piscadela para Amber e Jess. – Mas, minha amiga vai entrar comigo. – Fiz uma cara de “pode?” pegando na mão da mesma.
- Claro que sim. – Disse sem hesitar e logo saiu da pequena sala.
- Desse jeito vão desconfiar que somos um casal lésbico, amiga. – Jess disse em um tom espontâneo, fazendo com que eu e Amber soltássemos uma gargalhada.

Sem mais delongas, fui encaminhada para a sala de parto. Ao entrar naquele quadrado, com luzes fortes e cheio de equipamentos estranhos, eu realmente queria parar com a brincadeira. Aquilo me deu muito medo. Mas, só de ocupar meus pensamentos com “o meu filho logo vai estar aqui” esqueci completamente de onde estava.
Com o efeito da anestesia me pegando de jeito, comecei a ficar um pouco grogue, sem sentir absolutamente nada. Acredito que alguns minutos se passaram e de vez em quando eu olhava para Jess, que acompanhava à risca o trabalho de minha médica. De repente, fui acordada de meus devaneios com um choro de bebê, antes comparado a um barulho horrível, agora era como uma doce melodia. Ele havia chegado! O meu pequeno, que eu havia esperado e planejado tanto, estava ali, mais perto de mim do que nunca.
Alguns segundo depois, Amber veio ao meu encontro na maca com um pequeno embrulho, completamente sujo de sangue.

- Diga oi para a mamãe, ! Amber colocou o pequeno em meu colo, e logo o seu chorinho desesperado cessou. Ele precisava de mim e agora eu tinha convicção de que existia amor à primeira vista. Ele pegou em meu dedo indicador com uma força que eu não sabia da onde vinha e abriu seus olhos para ver de onde vinha a voz que falava com ele. Olhos lindos e . Bom saber que, pelo menos o doador, tinha belos olhos. Seria modéstia demais se eu dissesse que ele era a criança mais linda e perfeita que eu havia visto em toda a minha vida? Não era porque ele era meu filho... Mas eu poderia notar uma beleza indescritível naquele pequeno ser em meus braços. Bem vindo ao mundo, meu amor.

e eu passamos mais um dia no hospital e logo seguimos para casa. Ele era um bebê incrível, não chorava, apenas resmungava quando tinha fome e eu podia ser pequena, mas tinha leite de sobra. Os meses foram se passando, foi crescendo e ficando parecido com alguém que eu não poderia imaginar quem era. A genética era poderosa. Eu apenas sabia de uma coisa: Ele era incrivelmente lindo. Não poderia ser melhor. Como mãe de primeira viagem e sem marido, eu poderia me dar uma nota dez. Nunca deixara de dar as vacinas no período certo, sempre checava se ele estava respirando – morria de medo daquela tal de apinéia -, e nunca o deixara mais de duas horas sem mamar. Quem sabe fosse por isso que, com mais de um ano e pouco, ele estivesse, digamos, fortinho demais.

Capítulo três.

Sexta-feira havia chegado rapidamente. Saí do meu escritório e logo fui pegar na creche que era muito perto de casa. Como saíra mais cedo do que o previsto, vibrei por poder ficar mais tempo com meu príncipe e por fazer tempo que não chegava em casa ainda com a luz do dia. Dei um banho relaxante em e enquanto ele brincava na banheira, eu tomei meu banho. Peguei-o no colo e fomos fazer algumas coisas juntos. adorava ficar no meu colo e me “ajudar” na cozinha, por exemplo. Por um instante, ele me pediu, abanando as mãozinhas, que eu o pusesse na janela. Talvez ele quisesse ver o movimento? É, um bebê de um ano e meio adorava ver o movimento dos carros. Havia muita gente na rua naquele horário e começou a apontar freneticamente para um moço que atravessava a rua. Ele tinha os cabelos castanhos e se vestia normalmente. Eu acreditava que ele deveria ter a minha idade, talvez fosse até mais novo, mas me chamou muito a atenção, pois não sei o porquê, olhou em direção à minha janela e eu pude notar que seus olhos eram extremamente , tais como os de meu filho. Ao ver sorrindo pra ele, o mesmo retribuiu fazendo meu bebê soltar uma gargalhada gostosa. Estranhei, era um pouco fechado... Selecionava muito bem as pessoas ao seu redor e isso ele teria que agradecer a mim.

Um ano depois...

- Hey babes como você está? – Perguntei ao ouvir Jess atender o celular.
- Indo, obrigada por me acordar. – Adorava seu humor matinal em um sábado.
- Vai dizer que a noite com o matemático foi tão boa assim? – Jess namorava nosso ex professor de matemática do terceiro ano, logo depois de formada eles começaram um caso e estavam juntos até hoje.
- Preciso te responder? – Risadinha safada.
- Ainda não sei o que você viu nele... Mas, enfim, não foi para isso que eu liguei. Temos que remarcar nosso almoço de hoje, preciso ir com até o supermercado, comprar algumas coisas que só me dei conta de que estão faltando hoje.
Jess concordou e me disse que logo ligaria para mim e marcaríamos uma nova data. Olhei brincando no tapete da sala, era realmente uma obra-prima.

- Príncipe! Vamos ao supermercado com a mamãe?
- Sim pirilim! Só se eu for no colinho, pode?
- Mas você é tão pesado... E já é um homenzinho.
- Ah mamãezinha...
E quem resistia àquele par de olhos brilhantes e, ainda por cima, fazendo uma carinha daquelas? Dispensei o carrinho e fui com para o supermercado a pé, com ele em meu colo. Eu sabia que era uma missão impossível mantê-lo quieto, mas eu tentaria.
Chegamos rápido e o supermercado não estava assim tão cheio... Peguei uma cestinha e fui pegar algumas coisas.

- ... Mamãe vai te colocar no chão só um instante para procurar uma banheirinha nova pra você, tudo bem? Não saia de perto de mim.
- Sim mamãezinha...

Não deu cinco segundos e saiu em disparada, com os braços abertos.
- ! VEM AQUI! EU DISSE QUE ERA PARA VOCÊ NÃO SAIR CORRENDO! – Eu comecei a andar rápido – leia-se: correndo desajeitada com uma cestinha na mão – atrás do meu filho.
- Vem mamãe! Vamos correr... Vrum! Vrum! – ia correndo, olhando para trás e me chamando insistentemente.
- Bebê cuidado por onde... – Mal pude terminar a frase e esbarrou em um moço alto que se encontrava na fila do caixa -... Anda.
- Hey campeão! Cuidado! Você está bem? Machucou? – Aquele homem falava com o meu filho e o mesmo concordava freneticamente.
- Oh meu Deus, me desculpe, ele é um pestinha, não é mesmo ? – Disse a última frase entre dentes, deixando bem claro ao meu filho que eu não havia aprovado em nada sua atitude. – Nossa, desculpa mesmo... Não sei o que dizer.
- Hey, calma... Não foi nada, não é campeão? – Assim que ele falou, eu passei a prestar atenção naquele ser que estava com meu filho no colo... Eu o conhecia de algum lugar, mas não... Não podia ser... – Meu nome é , ... É, . – É, podia ser.
- Oh! Eu te conheço. – dei uma risadinha sem graça – , mãe do pequeno furacão.

Parei por um instante. Os dois estavam bem próximos um do outro e os olhos eram bem parecidos, ambos com a mesma intensidade. Só então fui perceber que era o moço que havia passado na minha janela um ano atrás. Curioso não? É, eu tinha boa memória. Sinceramente, fora um fato que me marcara... Meu bebê de um ano e meio gargalhando para um estranho na rua! Eu deveria pensar que ele tinha problemas mentais tais como os meus, ou que era algo realmente curioso. No mesmo momento, colocou no chão e ah... Não!
- ! Volta aqui! – Quando eu ia me preparar para correr tudo de novo...
- Espera, deixa que eu pego ele. – saiu e nem esperou por uma resposta minha.
- Mas ele não está acostumado... – Mal completei a minha frase – de novo – e notei voltando com em seus braços, ambos sorridentes. -... A ir com estranhos.
- Parece que ele está te surpreendendo hoje, hein mamãe? – perguntou brincalhão, enquanto brincava com a touca que ele usava.
- Sim, ele me envergonha às vezes... – Disse cabisbaixa. – Ahm, er... , não querendo ser intrometida mas, por que tantas banheiras de criança no seu carrinho?
- Ah! É que... Meu tio me pediu para vir comprar, meus priminhos estão todos reunidos na casa da minha avó e todos os super pais responsáveis esqueceram-se de trazer as banheiras dos bebês.
- Oh... Uau. Eu estava procurando por banheiras, mas pelo visto você comprou as últimas.
- Ah, você quer uma?
- Seria uma gentileza, não cabe mais na dele.
- Eu adoro o seu nome, sabia, campeão?
- Oh yeah titio ! – disse, agarrado ao pescoço de ... Mas, o que eu havia colocado na mamadeira desse garoto hoje?
- É sério, dude. Quando eu tiver um filho eu vou colocar o mesmo nome, você deixa eu colocar o seu nome no meu filho?
- Ai, eu não sei sabe... Você tem que perguntar pra mamãe... Ela quem escolheu, eu só uso ele. – disse da forma mais fofa e madura que alguém de dois anos poderia dizer, abanando suas pequenas mãos, em forma de estar explicando algo muito importante.
- Ah entendi! E então mamãe, posso?
- Ah meu Deus, . Pare com essas coisas! – Eu disse morta de vergonha, estendendo meus braços para que meu pequeno gênio pudesse voltar para meu colo.
- Sabe titio , eu gostei muito de você... Mas, é melhor eu voltar pro colo da mamãezinha porque se não ela vai ficar com ciúmes. – Ele disse colocando sua mão no ombro de e aproximando sua cabeça no ouvido do mesmo – Eu sou o príncipe dela, sabia? – Disse sussurrando, como se estivesse contando o maior dos segredos.
- Oh ! Você é o bebê mais lindo do mundo. Eu definitivamente vou ter que encontrar uma outra namorada para ter um filho como você. – disse olhando diretamente para meu filho.
- Mas por que, titio?
- Minha namorada é muito boba, ela não quer ter filhos...
- Que desperdício... – Eu disse baixinho, quase inaudível. Como uma mulher não queria ter um filho com um homem desses? Imagina se a criança nasce a cara do pai? Eu estaria realizada.
- O que foi que disse? – me perguntou, curioso.
- Ah, eu? Ahm... Nada! Venha , já ocupamos tempo demais do titio ... Dê tchau para ele, querido.
- Tchau titio ... – disse de uma forma muito triste, ele era um grande ator... Ou não.
- Tchau pequeno. Um dia eu te levo para tomar o maior sorvete do mundo, ok? – disse colocando meu filho no chão.
- Palavra de homem, titio? – Ai Deus! Mais essa...
- Palavra de homem, campeão!

Olhei incrédula para . Ele não era o tipo de criança que costumava ter esse tipo de conversa com estranhos.
- Ele é muito legal, não é, mamãezinha?
- É sim, meu filho... – Concordei. Não havia nada que eu pudesse falar, eu estaria mentindo se dissesse que não havia o achado agradável.

Capítulo quatro.

Algumas semanas se passaram e meu filho ainda não tinha parado de falar no tal tio que conhecemos no supermercado. Crianças podiam ser cansativas e chatas quando queriam, sabiam disso?
Estava sendo uma semana cheia para mim no escritório, eu como a editora chefe de uma das mais importantes revistas de cinema de Londres, estava atolada de trabalho.
- Pode falar, qual é o pepino, ? – Jess. Sempre atenciosa e amável.
- Ahm... Estou um pouco envergonhada sobre isso, amiga, mas tenho que te pedir.
- Ah qual é! Fala logo... Você sabe que comigo não tem disso, né?
- Sim...
- Então!
- É que eu estou atolada de trabalho para fazer, tem como você buscar o na escolinha e dar alguma coisa para ele comer? Juro que quando chegar em casa eu peço uma pizza, daquele sabor e pizzaria que você gosta.
- Já estou buscando! Você sabe que eu não resisto a uma pizza do Domino’s.
- Obrigada amiga, não sei como agradecer...
- Pizza, pizza, pizza!

Desliguei o celular rindo. Deus, eu já havia te agradecido pela amiga maravilhosa que eu tinha? Não? Mil vezes obrigada, senhor.

Jess’s POV.

Eu estava esperando pacientemente sair da escolinha e em poucos minutos avistei um protótipo de gente, correndo com a sua mochilinha e a gravata do uniforme balançando.

- , amor da vida da titia!
- Titi! – É, ele me chamava assim. Desde quando aprendera a falar ele me chamava de “Titi” nem que o raio o parta ele conseguia falar o “a” no final da frase. Ô garoto estranho. – Você veio me buscar hoje? Cadê a mamãe?
- Pois é meu super boy, mamãe está comendo papel... Digo, trabalhando muito e me pediu que viesse para te levar pra lanchar. E então? Onde vai ser o nosso super lanche cheio de porcarias?
- Starbucks! – falou batendo palminhas. Essa criança além de estranha tinha um gosto meio caro. Por que não Mcdonalds ou Subway? Titia não era assim montada na grana como sua mãe, moleque.
- Okay, seu projeto de gente com cabeça de repolho. Nós vamos à Starbucks... Como o senhor deseja. – Fiz uma reverência exagerada que fez gargalhar.

Seguimos cantando e rindo até o nosso destino final. era uma criança tão querida, dera muita sorte de ter um filho como ele. Eu poderia xingá-lo, mas o amava com todas as minhas forças.

- Prontinho, pestinha... Chegamos. – Disse colocando no chão, após saltarmos do carro. Notei que, ao abrir a porta, ficou fitando algo com uma expressão séria e depois que eu acho que teve certeza, abriu um sorriso enorme e saiu em disparada.

- TITIO ! – ia correndo na direção de um ser desconhecido e ESPERA AÍ. Ele falou o que? Titio? Com “o” no final? Juro que era hoje que eu matava esse garoto. E espera aí de novo... Quem diabos era ?
- ! Vem aqui seu peste em forma de cabeça de ovo ambulante!
- HEY CAMPEÃO! – O tal de , que eu não havia olhado para a face, disse. – Espera aí, você não é a mãe dele.

Levantei minha humilde cabeça e dei de cara com . , parabéns, você sabia escolher suas amizades, meu caro.

- É, realmente não sou. Sou Jessica Cozza, amiga íntima de e titia emprestada de . – Ah, mas que diabos eu estava fazendo? Contenha-se Jess, ele era só um rockstarzinho de meia tigela, mas bem bonito por sinal.
- Muito prazer, – Oh, como se eu não soubesse quem ele era né? Poupe-me . Depois o tinha que me contar da onde o conhecia e também!
- Então titio, posso me sentar na mesa com você? – perguntou e nem me pediu antes.
- Mas é claro príncipe! Venha você também, Jess, é isso? – Sim, é isso mesmo ... E você acha que eu deixaria o sentar com você sem a minha presença? Sonha Alice.
- Oh, claro, claro. – Eu respondi, pegando na mãozinha de e ajeitando a minha bolsa no ombro.
- Você lembra titio, que você prometeu que ia me levar para tomar o maior sorvete do mundo? – O protótipo de gente disse.
- Mas é claro que eu me lembro, campeão! Pode ser quando você quiser.
- Nesse final de semana? Sim, sim, sim? Pode ser lá em casa, aposto que a mamãe vai adorar ver o titio de novo...
- Ah, eu adoraria ir à sua casa e ver a sua mamãe de novo. – Opa. Liguei meu sinal de alerta. – Mas, é que o titio vai viajar com a namorada nesse final de semana. – disse, me parecendo um pouco triste. Qual é! Ele estava indo viajar com a namorada e aposto que para um lugar muito melhor do que a casa da e faria coisas mais legais do que tomar sorvete com alguém de quase três anos. Homens, nunca iria entendê-los.
- E para onde o titio vai? – Aprenda a ser curioso e metido com o . Mas, pois é... Onde você vai, titio?
- Cardiff. está me enchendo a paciência, querendo um tempo comigo... E nada melhor do que um SPA em Cardiff.
- Cardiff! Adoro esse lugar. – Eu estava começando a ter idéias mirabolantes, mas não tinha realizado quais eram ainda. – Qual é o SPA que vocês ficarão, ?
- Laguna Health & SPA. Você conhece, Jessica?
- Infelizmente esse não está na minha lista, mas depois conte-nos o que achou dele para eu poder conhecer. – Sorri amigavelmente.
- Ah, com certeza!
- , querido... Termine logo seu muffin e vamos para casa. Mamãe já deve ter chegado.
- Mas já titi? – disse e ele definitivamente teria um intensivo de como colocar a letra “a” depois dessa palavra, ainda mais quando eu o vira falando “titio”.
- Sim, querido.
- Titi? – perguntou curioso.
- É, parece que ele não aprendeu a dizer o “a” no final da frase. – Respondi, fitando .
- Ah, sorry, ele me chama de titio. disse debochado. Ah, moleque! riu baixinho e eu o repreendi com o olhar.
- Mas ele vai aprender... – Dei uma piscadela e um “Você vai aprender, né?” no ar.

Demos tchau para e seguimos para casa. não parava um só minuto de falar do seu amigo.

- Sabe titi, acho que o titio e a mamãe podiam namorar.
- Você ‘tá maluco, ? Ele disse que tem namorada e a sua mãe não está pensando nisso agora. – O repreendi.
- Mas a namorada dele é má! – falou num tom como se estivesse ofendido.
- Por que ela seria má, bebê?
- Porque o titio disse... Que ela não quer ter filhos.
- Mas isso é uma opção dela, querido.
- Todas deviam ser que nem a minha mamãe. E eu ainda acho que eles deviam namorar. – disse cruzando os braços, fingindo estar profundamente irritado e isso me fez rir.

Logo chegamos ao apartamento e nem deu oi para .

- Mamãe, mamãe! Sabe quem a gente encontrou na Starbucks agora?
- Calma filho, respira! Agora me diz... Quem?
- O titio !

Notei certo brilho no olhar da minha amiga e percebi que ela não sabia o que dizer.
- Ah, é mesmo querido? E como ele estava... Er, digo, ele estava bem? Conversou com ele?
- Na verdade, não se desgrudaram. – Eu disse me intrometendo.
- Eu não consigo entender essa ligação dos dois. – Ela disse cochichando em meu ouvido. – , vá para o banheiro lavar as mãos que eu já pedi a pizza.
- É impressionante mesmo, amiga. Ele simplesmente saiu correndo quando viu o . Foi assim desde primeira? – Vi concordar com a cabeça no mesmo instante. – Vou aproveitar que o está no banheiro e vou lavar minhas mãos também, já volto babes.

Que estranho. nunca fora assim com ninguém. Ele já estava acostumado comigo e com os familiares, mas com alguém que vira duas vezes?

- , querido... Você gosta mesmo desse seu novo titio, né?
- Sim pirilim!
- E você não acha que a mamãe precisa descansar e que ela anda trabalhando muito? – Sentei-me no vaso sanitário, trazendo para perto de mim.
- Acho... Ela não tem mais tempo para brincar comigo ou me levar ao parquinho! – Ele disse, fazendo um biquinho gostoso.
- O que você acha de férias?
- Oh yeah, titi! – Vi no mesmo instante um sorriso brotar no rosto do meu “sobrinho” preferido.
- E o que você acha de um SPA em Cardiff? – Sorri maliciosa.
- OH YEAH, TITI! – me abraçou de imediato. – MAMÃ...!
- Shhh garoto! Fala com a sua mãe quando eu sair, tá bom? – Concordou com a cabeça sem hesitar. – Agora vamos, ela pode estar desconfiando.

’s POV.

Os dois indivíduos saltitantes voltaram para sala, onde a pizza já havia chegado. Eu estava tão cansada nesses últimos dias que mal tinha tempo para curtir o meu filho. Comemos e conversamos coisas aleatórias, mas logo Jess disse que tinha que ir embora, pois tinha um encontro com Sandro. Eu, às vezes, não acreditava. Ele era a sua paixão de terceiro ano e depois disso, alegou que também era apaixonado por ela e o resultado era esse: Juntos até hoje.
Eu estava na sala, vendo alguma coisa que passava na TV e observei meu filho, sentado na sua cadeirinha, no canto do cômodo, fazendo suas tarefinhas.

- Mamãe?
- Fala meu amor, meu príncipe, meu tudo! – Disse o agarrando, e o enchendo de beijos.
- Pára mamãe! Eca! – Ele disse rindo, limpando o rosto.
- Tá bom, eu paro. Você já está ficando grande e não quer que a mamãe te beije?
- Não é isso mamãe. É porque você me baba inteiro!
Fiz uma cara de ofendida e logo estávamos rolando no sofá, ambos rindo e fazendo cócegas.
- Mamãezinha...
- Fala .
- Me leva pra passear no final de semana?
- Mas meu amor, mamãe está cheia de trabalho acumulado para o final de semana...
- Você nunca tem tempo pra mim... – Ele disse fazendo a sua cara de gatinho do Shrek e eu não resisti. Meu chefe já estava me dizendo que eu trabalhava muito e que preferiria que eu relaxasse, assim, eu produziria mais.
- Oh! Não faça essa carinha... Ok, você venceu. Onde meu galã quer ir?
- Cardiff.
- Cardiff? Mas por que Cardiff, filho?
- Titi Jess me disse que lá é bem bonito e que tem um SPA bem legal e melhor, tem parquinho!

Não acredito que eu estava prestes a dizer ou pensar aquilo, mas é, Cardiff e ainda mais um SPA, podiam ser belas opções para relaxar.

Capítulo cinco.

Acordei na sexta-feira bem cedo, ele havia me convencido de irmos à Cardiff e eu conseguira pegar uma folga nesse dia. O pequeno reclamou um pouco pelo horário, mas logo quando o lembrei para onde iríamos, ele pulou da cama e por pouco já não estava com a sua pequena mala na porta me esperando. Eu não estava entendendo a tamanha animação do meu filho com essa viagem. Não seria apenas pelo parquinho, já que existiam vários em Londres e levá-lo não seria um problema. Será que ele realmente queria ficar com a sua mamãezinha relaxando? Isso seria muito fofo.

Malas devidamente arrumadas e no porta-malas do carro, eu e meu pequeno príncipe estávamos à caminho daquela charmosa cidade que ficava a um pouco mais de duas horas de Londres.

simplesmente capotou assim que o carro começou a se mover e a minha única companhia naquelas duas horas era o meu CD dos The Beatles. Por incrível que pareça, o tempo passou muito rápido e logo eu pude notar que estava chegando ao tal SPA que Jess havia me sugerido – Sugerido ao , na verdade, mas isso não vinha ao caso. – Era um lugar muito bonito e estava fazendo um dia ótimo.

Estacionei meu carro em frente à recepção e só depois de descarregá-lo com a ajuda de um empregado, fui acordar o dorminhoco no banco de trás.

- Baby , chegamos!
- O que? Titio ?
- Acorda meu amor, já chegamos em Cardiff.
Ainda meio sonolento, me acompanhou até a recepção para que assim, pudéssemos fazer o check-in.

- TITIO ! – se desprendeu da minha mão e foi correndo em direção ao balcão onde... Espera! Onde estava? Mas que p... Coisa é essa?
- Hey meu campeão! O que você está fazendo aqui hein? Oi ! – Ele disse quando notou que eu me aproximava muito sem graça.
- Er, oi , como vai?
- Bem! E você? – Ele disse abrindo um sorriso que eu nunca notara que ele tinha e que pudesse ser tão bonito.
- , querido, pode assinar aqui? – Uma voz extremamente enjoada falou e eu pude notar uma coisa vindo falar com .
- Ah claro! Deixe-me apresentar vocês à minha namorada, .
- Oi , prazer, . – Tentei ser simpática.
- Oi. – Ela disse, simplesmente, forçando um sorriso muito mais falso do que eu havia lançado. – Então você que é o famoso ? – Ela disse, abaixando-se e apertando uma das bochechas do meu filho, e logo o mesmo virou o rosto em desaprovação do ato. Boa, filhinho!
- , olha os modos, querido. – Eu tinha que me fazer de mãe educadora, não é mesmo?
- Não se preocupe, .
- É . – Ela que não ousasse errar meu nome mais uma vez. Quem ela pensava que era? Só porque estava em um SPA luxuoso e com um belo homem, simpático, másculo... Tá, parei, com ?
- Bom, já fizeram as apresentações... Mas, me diz , o que fazem aqui? Não que eu não tenha gostado da surpresa. – disse e recebeu um olhar muito ameaçador vindo de sua namoradinha e eu ri por dentro.
- Então, um certo alguém ficou me enchendo a paciência para vir... Alegando que eu não tinha mais tempo para ele, sabe como é né ... – Eu disse num tom engraçado, fazendo carinho na cabeça de .
- Entendo perfeitamente. Mas e então campeão, nós vamos nos divertir esse final de semana hein? Posso até providenciar aquele sorvete! – Mas então ele se lembrava do sorvete que havia prometido ao ? Ponto para você . Eu jamais lembraria.
- Ah , querido... Nós viemos para cá relaxar e não ficar comendo sorvetes! Imagina, vou voltar a Londres gorda e, não, relaxada. – Mas que garota era aquela? Fútil! Notei fazendo uma careta e eu ri por dentro... De novo.
- Mas isso vai ser um programa para homens, querida. – deu uma piscadela, tentando fazer com que seu corte parecesse um pouco mais sutil. Como se ele tivesse dado o tapa e depois assoprado. Mais um ponto para você, dono de um sorriso incrível.

Despedimo-nos do casal vinte e seguimos para a nossa suíte.

- ... Querido, agora pode falar para a mamãe que foi tudo armação. – Eu disse, sentando na cama e batendo no espaço vazio ao meu lado, para que se sentasse.
- Não mamãezinha. Não foi armação, eu prometo! Foi só coinci... Conici... Coini...
- Coincidência? Ah tá... Me engana que eu gosto, espertinho.
- Te juro, mamãezinha. – O pequeno galã disse, colocando suas pequenas mãozinhas em cima de minha perna e me olhando com aqueles olhos indescritíveis.
- Eu vou fingir que acredito, .

Olhei para um relógio digital que havia no criado mudo e certifiquei-me de que eram apenas dez horas da manhã. Convidei para ir à piscina e ele logo concordou. Ao chegarmos lá, notei que estava com a sua super-namorada-pode-me-chamar-de-enjoada-que-eu-sou-mesmo-. Ele acenou de longe e eu olhei para , um olhar um tanto quanto significativo de Se você for lá eu te mato. Imagina o meu filho atrapalhando o momento in love dos dois? Seria uma ótima idéia, mas eu não queria correr risco de vida com a assassina.

Ajeitei-me em uma espreguiçadeira e dei algumas recomendações à . Tais como não andar na borda da piscina. Ele tinha levado alguns brinquedos e estava ali com eles ao meu lado, enquanto eu lia algo de interessante em alguma revista de cinema.

- , sai da borda da piscina.
- Calma, mamãe...
- , vou contar até três... Sai da borda da piscina.
- Ah mamãe... – Ao dizer isso, acidentalmente escorregou numa poça de água que havia se formado na borda da piscina. Na mesma hora eu dei um pulo, mas alguém foi mais rápido do que eu. foi mais rápido do que eu.
- , VOLTA AQUI! – Ouvi gritar ao fundo, mas não liguei para o que aquela voz de taquara rachada estava falando. Meu filho, ele era mais importante do que qualquer outra coisa no mundo.
- CALA A BOCA, ! – gritou de volta – Hey , olha para o titio, você está bem? – Ele parecia muito preocupado, enquanto eu ainda estava agachada na borda da piscina. Dei um pulo adentrando a mesma e pegando meu filho do colo de .
- Bebê... Você está bem? Olha pra mamãe... Nunca mais faça isso, por favor. – Nessa hora, lágrimas já brotavam em meu rosto e notei uma mão tentando delicadamente secá-las.
- Estou bem mamãezinha, desculpa... – começou a chorar desesperadamente, deveria estar muito assustado com tudo o que acontecera.
- , muito, muito, muito obrigada pelo o que você fez. – Eu disse sorrindo amigavelmente.
- É a minha obrigação. – Ele sorriu de volta.
- , eu ouvi bem ou você me mandou calar a boca? – Uma furiosa veio marchando até onde nos encontrávamos.
- , por favor... – Ele disse, dando impulso para sair da piscina, enquanto eu colocava sentado na mesma e também saía.
- Por favor? Essa criança tem mãe! Ela que cuide e salve ele.
- Com licença? Eu ouvi muito bem o que você disse? – Eu me intrometi, já com em meus braços.
- , não ligue para ela. Vamos, vou com você até o seu quarto. precisa se acalmar. – disse lançando um olhar mortal em direção à namorada.
- Não demore , temos que conversar. – Ela disse, com seu ar de superior. Ah, vai aprender a lavar uma roupa suja, vaca.
, eu e seguimos para o meu quarto. O pequeno já havia se acalmado do susto e eu também.
- Obrigada mais uma vez , foi muito importante o que você fez pelo . – Eu disse, eu não sabia como agradecê-lo por aquele ato. Ato heróico.
- Não precisa agradecer, eu faria tudo pelo .
- Eu até hoje não entendo essa ligação de vocês, sabia? – Eu disse, abaixando a cabeça e soltando um risinho.
- Eu também não, só sei que é muito forte.
- Bem , não querendo te expulsar, mas, acho que você tem alguém realmente muito brava com você no quarto.
- É verdade. Não liga para as coisas que ela fala, ‘tá bom? Ela é meio egocêntrica. – Meio? Que bondade a sua. – , campeão... Titio está indo para o quarto... Está tudo bem com você? Se não tiver me fala que eu fico aqui.
- Eu queria dizer que não está, titio... Só para você ficar. Mas, mamãe me ensinou que é feio mentir.
- Você vai me obrigar a dizer que eu já te amo? – disse correndo e abraçando . – Você é meu garoto!
- Você que é o meu garotão, titio!

Eu fiquei observando a cena, escorada na parede. Era bonita. Logo levantou-se e saiu do quarto.

- Por que você gosta tanto dele, filho?
- Eu não sei explicar, mamãe...
- Eu te amo sabia? – Eu disse, abraçando-o fortemente.
- Eu te amo mais, minha rainha!
- Rainha? Da onde você tirou isso?
- Ué... Você me chama de príncipe. Você é a minha rainha, mamãe.

’s POV.

Respirei fundo ao colocar a mão na maçaneta, antes de entrar no quarto. Eu sabia que eu iria ouvir e muito.

- Olha, olha quem resolveu aparecer. Lembrou que tem namorada foi? Ou não? Prefere ainda ficar com a família perfeita composta por um moleque sem juízo e uma mãe irresponsável?
- Cala a boca, você não sabe de nada. – Eu disse sem paciência para as bobagens de .
- Me mandando calar a boca de novo, ? Primeiro você me corta dizendo que era só para homens aquele sorvete. Depois você interrompe um momento nosso, apenas para salvar aquela criatura, coisa que a mãe dele podia ter feito e então, me deixa aqui, esperando por você, enquanto você está fazendo sei lá o que com aqueles dois.
- Primeiro: Eu havia prometido aquele programa ao há muito tempo e se nem a mãe dele irá participar, quem dera você. Segundo: “Apenas para salvar”? Você tem noção do que está falando? Eu salvei uma criança de quase três anos de afogamento. Qualquer uma ficaria orgulhosa de um namorado que faz isso por alguém, mas definitivamente você não fica. E terceiro: Eu vou fazer o que eu bem entender com eles. Eu gosto deles e tenho uma ligação muito forte com o .
- Foda-se você, a sua ligação e aquela merda de criança!
- Você é uma inescrupulosa mesmo. Onde eu estava com a cabeça de namorar alguém como você? Fria e sem coração?
- Ah é? E o que pretende fazer, queridinho? Cair nos braços de seu novo mascotinho que se chama ou para os braços da MÃE SOLTEIRA DELE?
- Você pode falar o que quiser. Você nunca vai me dar o que eu quero mesmo.
- Ah, e o que você quer ? Um filho? Para que? Se você já tem um?
- O que?
- Vai salvar ele de novo, que eu tenho mais o que fazer.
- É, você tem mesmo. Arrumar sua mala e sair daqui.
- Você está louco, ?
- Posso estar. E o que você vai querer com alguém louco e que não dá a mínima para você? Nada, não é? Então pode ir embora.
- Você não pode fazer isso...
- Posso sim, eu que estou pagando essa merda. Vaza.

me olhou incrédula e eu apenas sorri. Por incrível que pareça eu estava me sentindo aliviado em pôr um ponto final naquilo. Mais cedo ou mais tarde eu teria que fazer isso mesmo.

Deixei um bilhete em cima da cômoda com algum dinheiro. Era para o táxi.

Desci até o hall do SPA e procurei alguém que fizesse uma massagem. Eu precisava relaxar, tinha ficado muito tenso com tudo o que acontecera. Bem mais com o quase afogamento de do que a quebra de pratos com a .

Capítulo seis.

’s POV.

Eu estava no meu quarto e observava ver algum desenho na TV a cabo, olhei para o relógio e o mesmo marcava quase oito da noite. Eu pensava em tudo o que havia acontecido hoje, tinha sido um exemplo de homem e isso havia me surpreendido muito. Comuniquei que iria tomar um banho e o convidei para ir junto comigo. Tomamos uma ducha relaxante e brincamos um pouco embaixo d’água também, colocamos roupas básicas e descemos para o jantar. Chegando lá, avistamos sentado numa mesa sozinho... Será que...?
- Vamos lá com ele, mamãe...
- Não , vamos pegar outra mesa para nós... Vai que ele está esperando...
- A ? – falou atrás de mim e me fez dar um pulo. – Não, não estou a esperando. Ela deve já estar em Londres uma hora dessas. – Ele disse, olhando para o relógio de pulso, deixando claro que não estava se importando nem um pouco para isso.
- Ah ... Não sei o que dizer. – Eu falei, envergonhada.
- Mais cedo ou mais tarde isso iria acontecer. Eu devo é agradecer a vocês dois.
- Agradecer? Estragamos seu programa romântico com a sua namorada.
- Ex. Ela era uma pessoa horrível e só agora eu pude notar.
- Se você diz...
- Trust me. – Disse dando uma piscadela. – E então, vocês topam jantar com um jovem solitário?
- Sim pirilim! – disse sorrindo, batendo palminhas.
- Acho que meu filho já falou por mim. – Eu disse, corando.
O jantar correu muitíssimo bem, obrigada. era uma companhia incrível. Ficou nos contando sobre algumas coisas de seu trabalho, incluindo os shows, sessões de autógrafos e estava achando tudo isso um máximo. Chegou a mencionar que queria ser um músico tal como quando crescesse.
O pequeno príncipe logo começou a reclamar, baixinho em meu ouvido, que estava morrendo de sono.
- Mas a mamãe não quer subir agora, meu amor, você não quer ficar lá sozinho, né? – Eu disse cochichando para ele, que estava agarrado em meu braço. O mesmo fez um sinal de negação. – Então... Aguenta mais um pouquinho, campeão.
- O que ele quer, ? – perguntou.
- Ele quer ir dormir... – Eu disse e olhei para , que estava fazendo um bico do tamanho do mundo e estava realmente, com os olhos um pouco vermelhos de sono.
- Hey campeão! Você tem que ser forte, ou como vai sair à noite mais tarde? – disse e eu ri com o seu comentário, mas parece que não adiantou muito... – Ok, então vamos fazer o seguinte. Você deita com a cabeça no colo da mamãe e os pés no meu colo. O que você me diz? Combinados?
fez que sim com a cabeça e o sono tomou conta do seu corpo e, em menos de dois minutos, ele estava dormindo ferrado.
Notei que retirou o pequeno tênis que usava, o colocou do seu lado na mesa e, no instante seguinte, começou a acariciar os pequenos pés do belo adormecido.
- Ele é muito especial para mim e eu não sei nem o porquê. – disse, sorrindo de lado e olhando pra mim.
- Quando ele nasceu, eu já sabia que ele seria especial.
- Queria tê-lo conhecido antes, sabia? Ele é cheio de alegria e não é daquelas crianças chatas e mimadas. Ele realmente é o máximo.
Ouvir alguém falando sobre o seu filho daquela maneira já era um tanto quanto gratificante. Ouvir falar do seu filho, com aquele sorrido bobo-perfeito nos lábios e aqueles olhos estonteantes era, no mínimo, encantador.
- Obrigada .
- Pelo o quê?
- Por tratar meu filho tão bem, por suportar as crises de inteligência e de “Oi sou muito prodígio” que ele tem às vezes.
- Elas são encantadoras, pode apostar. – disse bebendo um pouco de seu suco de melão e sorrindo de lado.
- Eu sei que são, por isso mesmo eu tenho que agradecer, não é todo mundo que aceita isso numa boa.
- Que isso... Eu já mencionei que eu quero ter um filho como ele não é? nunca aceitaria. Ela acha bobagem todo esse lance de ser mãe.
- Nada para estragar seu belo corpo?
- Exatamente.
- Meu Deus...
- Ah relaxa, eu estou bem. Ela não era tão boa assim...
- Tão boa assim?
- É, você me entende, né ...
- Ah er, sim, claro. – Foi impressão minha ou ele acabara de deixar no ar que a sua linda, agora ex-namorada, era ruim de cama? Pode apostar que eu estava dando uma risadinha maléfica por dentro.
- No que você trabalha? – , querido, por que essa pergunta agora?
- Eu? – Não , o Papa. – Eu sou editora-chefe de uma revista de cinema. – Disse e sorri amigavelmente.
- E quantos anos você tem? – Qual é , ficha completa?
- Vinte e cinco. – Corei.
- Uau, você é mais velha do que eu. – E daí? – Tão nova e já separada?
- Separada?
- É, você e o pai do . – Ele me disse, como se fosse óbvio.
- Ah, não, não! Eu e o pai do ... Não.
me olhou como se não estivesse entendendo nada, mas com uma carinha muito fofa.
- Então...? Olha, eu não quero ser metido, mas, eu não entendo como um pai que tem um filho desses não fica grudado com ele vinte e quatro horas por dia. – Ele disse, tentando se justificar, e eu ri.
- Não tem problema , sério... Eu vou te contar, porque depois dessa minha “engasgada” você deve estar achando que eu era uma adolescente complexada que, ao entrar na faculdade, transava com Deus e o mundo e acabou engravidando e que não conhece o pai da criança. Conhecer eu não conheço mesmo...
- Não conhece? – me interrompeu, abismado.
- Não, não conheço. – Sorri.
- Nossa, você deveria estar muito bêbada. – Ele disse e eu dei um tapinha em seu braço, gargalhando.
- Não é nada disso! é fruto de uma inseminação artificial.
- Wow, sério? – Concordei com a cabeça. – Então quer dizer que não teve participação, er, nenhuma do pai da criança?
- No ato? – engasgou-se com o suco. – Fui muito direta?
- S-sim...
- Não, não teve... Eu queria que fosse um fruto só meu, de mais ninguém. Não queria e nem quero uma pessoa regulando-o e interferindo na educação que eu dou.
- Você é radical, mas está certa... Por um lado.
- E qual seria o lado “errado”?
- Você tirou a oportunidade do pai de conhecer e conviver com ele, o que é uma coisa muito ruim.
- Você gosta muito dele, né?
- Sim, não consigo explicar.
- Você vai ser um bom pai, ... Seu amor por crianças é visível.
- Obrigado. Você é boa.
- Boa?
- É... Boa... Mãe! – se atrapalhou nas palavras e eu sorri.

Notei que havia ficado um pouco embaraçado com o que disse, pelo menos ele mexeu de uma forma engraçada no cabelo... Engraçada e linda.
Era impressionante a conexão que ele havia criado com o . O meu pequeno sempre me cobrara a ausência de um pai e desde que conhecera , esse assunto simplesmente desaparecera. Eu não queria que se apegasse a alguém dessa forma, era errado, não tinha que suprir a falta de uma presença masculina e paterna dentro de casa, ele mal o conhecia. Mas, eu devo admitir que eu estava gostando, e muito, dessa proximidade toda. Ele era uma boa companhia.
Conversamos mais um pouco e pedimos a conta e então eu segui para minha suíte com em meu encalço, trazendo no colo.

- Obrigada por trazê-lo até aqui. – Eu sorri, abrindo a porta e dando passagem para que ele pudesse entrar e colocar devidamente deitado.
- Não precisa agradecer, seria injustiça deixar você carregar esse chumbinho. – Ele disse e eu gargalhei.
- Está insinuando que eu sou fraca é?
- Você cuidou de um filho, sozinha, e nunca precisou de ninguém que a ajudasse, de fraca eu não posso te chamar, definitivamente! – disse e eu corei imediatamente. – Bom, vou deixar você descansar e eu vou fazer o mesmo, hoje não foi um dia muito fácil...
- Concordo com você. Boa noite então.
- Boa noite, ... – me deu um beijinho na bochecha e me deixou no quarto.

Capítulo sete.

Sábado de manhã e nós mal havíamos chegado e fortes acontecimentos haviam acontecido naquele SPA. Senti uma pontinha de um dedo muito pequeno cutucando minhas costas e ao virar meu corpo, me deparei com um serzinho, vestindo seu melhor pijama do Bob Esponja e com seu “cheirinho” arrastando no chão.

- Mamãe, não consigo mais dormir...
- Tudo bem, filho, já são quase oito da manhã.
- Cadê o tio ?
- Deve estar na suíte dele, dormindo.
- Quero ver ele...
- , troca o disco amor, daqui a pouco o titio não vai mais aguentar o pirralhinho no seu pé.
- Ele me ama, ‘tá bom? – disse, arregalando os olhos, no seu melhor tom ofendido.
- Eu sei, só estou brincando. Mas, vamos fazer o seguinte? Vamos trocar de roupa e descer para tomar um belo café da manhã?
- Só se você me deixar comer dois ovos. – Mas que menino atrevido!
- Ok, você ganhou... Ovos fritos!

Ao chegarmos na recepção, um belo rapaz veio em minha direção.

- Senhora ?
- Senhorita, por favor. – Sorri amigavelmente.
- Senhorita... deixou esse recado para você.
- Ah, muito obrigada. – Agradeci e peguei o pequeno papel, sorrindo e vendo o recepcionista sair.

“Você e o pequeno aceitam fazer companhia para um cara solitário no café da manhã – pelo menos -? Estou na mesa vinte e três, esperando por vocês. . xxx”

Sorri com isso. Pelo menos não era nem eu e nem procurando por ele. Ah, eu não era orgulhosa, eu só não gostava de parecer chata ou grudenta. Mas já que era ele quem estava convidando...

- Até que enfim vocês chegaram! – levantou-se e nos cumprimentou com o seu magnífico sorriso.
- Se dependesse da mamãe, iríamos demorar mais titio... – disse e eu o repreendi com o olhar e então ele subiu no sofá onde estava sentado e sussurrou em seu ouvido: - Mamãe é muito dorminhoca!
- ! – Eu o repreendi novamente, mas dessa vez rindo. – Você que acordou muito cedo, rapazinho! Ele normalmente não acorda nesse horário, ... – Eu disse, tentando me explicar.
- Ah que isso! Eu só acordei mais cedo para justamente pegá-los no café da manhã... Já estava com saudades do meu campeão! – Ele disse abraçando com força e o mesmo olhou pra mim e mostrou a língua. Aposto que ele estava querendo insinuar um “Viu como ele me ama?”. Crianças...
- Hey campeão! Não mostre a língua para a sua mãe! Além de ela ser a sua mãe, nós homens, nunca devemos fazer isso para uma mulher tão bonita que nem ela.

Imediatamente corei com o comentário de , mas logo sorri com a cara que tinha feito. Ele abriu a boca como se estivesse surpreso e depois soprou um “Entendi...”.

Tomamos um agradabilíssimo café da manhã, fazendo suas gracinhas e rindo delas e vice-versa. Os dois se completavam e eu só analisava. Depois disso, resolvemos passear com o meu pequeno galã – Eu estava falando do , se fosse do não seria meu e nem pequeno. – o lugar tinha alguns bosques e lagoas, tudo com um ar muito família. pagou sua promessa e deu um sorvete realmente grande para , que mal conseguiu comer e eu tive que “matar” o resto. Depois fomos a uma sala de jogos no segundo andar, os dois homens que me acompanhavam me deram um banho na sinuca e no vídeo game. Eu era uma garota, poxa!

Domingo havia chegado e, com ele, a hora de voltar para Londres. Acordamos cedo e encontramos na recepção. Fui chegando perto e ele parecia muito bravo com alguma coisa que acontecera.

- Mas como? Ela levou meu carro? Foi isso que eu entendi? – Ele esbravejava e a recepcionista – muito nova por sinal – tentava acalmá-lo.
- Senhor, não temos culpa. Ela estava hospedada juntamente com o senhor e nos relatou que teria que voltar para Londres e que tinha que pegar o carro.
- E vocês nem para me avisar?
- Desculpe...
- Argh! Eu não acredito nisso!
- ? O que houve? – Eu tinha que perguntar... Será que alguém havia roubado o carro dele?
- levou meu carro! – É, alguém – uma vaca ) – roubara o carro dele.
- E você não tem como voltar?
- Ter eu tenho, eu posso pegar um ônibus ou pagar um táxi até Londres.
- E você está brincando?
- Como assim, ?
- Você acha que eu vou deixar você na mão? Nada disso, . Você volta conosco.
- Não, ! Não quero ser um incômodo.
- Só se for um incômodo para você. Aposto que vai ter alguém que vai adorar, não é mesmo ?
- Sim pirilim! – disse, batendo palminhas em demonstração de alegria.
- E será que a mãe dele vai gostar também?
- Eu tenho certeza que sim. – Sorri e dei uma piscadela.

Problema parcialmente resolvido. Eu não queria estar na pele da quando fosse falar com ela sobre o carro, também não sei se ele falaria alguma coisa, já que ele tinha dinheiro para comprar quantos carros ele quisesse.
Seguimos a viagem até Londres em um clima muito agradável. e não paravam de cantar um minuto, até mesmo quando uma música do McFLY começou a tocar no rádio, meu filho sabia cantá-la, agora que o se apaixonara de vez por ele.

“You don’t have to have Money to make it in this world
You don’t have to be skinny baby, if you wanna be my girl
Oh you just got to be happy, but sometime that’s hard…
So just remember to smile, smile, smile
And it’s a good enough start…”

- Adoro essa música, titio! – disse sorrindo para .
- Eu também gosto, campeão!
- Você não precisa ser magra para ser minha garota? Isso não condiz com a , né? – Eu disse rindo.
- Ah... Pode ter certeza que essa parte não foi eu que escrevi... – disse e eu gargalhei, fazendo me acompanhar.
- Ainda bem que você é magra né mamãe! – disse com a maior inocência.
- ! – Eu o repreendi e gargalhou, me fazendo corar.

Duas horas passaram-se como minutos e logo chegamos a Londres. morava em Chelsea, um bairro caro, que ficava ao norte do rio Tamisa. Ele me deu as coordenadas para chegar até sua casa e assim eu fiz.

- Espera. Aquele ali é meu carro? – disse chamando minha atenção para um carro preto estacionado em frente à sua bela casa.
- Er, como eu posso saber? – Eu nunca havia visto o carro dele, não tinha como saber mesmo.

Foi só eu estacionar o carro e logo um afoito desceu rapidamente.

- EU NÃO ACREDITO! EU VOU MATAR AQUELA VACA! – gritou, dando um pequeno soco na lataria do carro.
- Titio vai o que, mamãe?
- Ele vai caçar uma vaca e vai comê-la, sabe , titio gosta muito de carne... – Tentei disfarçar e logo saí do carro, com em meu encalço. – O que houve ? – Perguntei assustada, parando ao seu lado.
- Veja com seus próprios olhos...

Deparei-me com os quatro pneus furados e a lataria toda arranhada, com uma frase que dizia: “Ask to save you now... Stupid.” . Aquela vaca havia devolvido o carro de , mas também havia feito um belo estrago.

- Que... Vaca. – Eu disse boquiaberta.
- Deixa eu ver mamãe, deixa eu ver! – estava na ponta dos pés, tentando enxergar o que nós tanto olhávamos.
- Hey campeão... Vamos fazer uma coisa? – abaixou-se para ficar na altura de – Você pega essa chave e faz os desenhos que você quiser no carro, enquanto eu também faço os meus... O que você acha?
- Eba! – Não preciso dizer que eu não entendi nada do que ele estava pretendendo?

deu a uma chave e o colocou sentado no capô do carro, enquanto ele fazia alguns desenhos de monstros e carrinhos... O mistério em pessoa do meu lado só me deu uma piscadela e começou a escrever ao lado da porta do motorista.
- você está louco?
- Não, ela que vai ficar quando receber esse belo carro na porta de casa. – Ele riu e eu balancei a cabeça negativamente. Eu não a conhecia, não podia ter certeza que ela era uma pessoa sã... Uma psicopata talvez? Ela não gostava nem de mim e muito menos do meu filho. Ah que se dane, ela merecia e muito.

Fiquei absorta em devaneios quando e pararam, um de cada lado e com sorrisos sapecas no rosto.

- Prontinho!
- Olha mamãe, vai ali olhar meus monstrinhos! Tem um ali que é a cara da ...
- ! – O repreendi.
- Ficou realmente parecido, campeão! – disse, bagunçando o cabelo do pequeno.

“Pedir para o me salvar? Enquanto isso você vê se salva sua alma? Antes só do que mal acompanhado! Aproveite o carro estilizado que eu estou te dando. xoxo .”

- Oh... Meu... Deus! – Eu disse, agora mais boquiaberta do que nunca.
- O que foi? Não gostou? – me perguntou, fazendo uma cara confusa.
- FOI PERFEITO! – Eu disse e por impulso o abracei e ele no mesmo instante, envolveu seus braços fortes em minha cintura. – Ah, er, então... Gostei da frase...
- Ah é... Isso ‘tava entalado aqui na minha garganta, eu tinha que falar e dar o troco, não acha?
- Claro que sim, concordo com você... É, realmente! – Eu sorri sem graça. – Mas, como pretende mandar o carro para ela? Está com os pneus furados.
- Eu sempre soube que seria uma ótima idéia ter o número do guincho no meu celular.
- Você é um gênio, titio!
- É... , querido... Você sabe o que é um guincho? – Eu perguntei, intrigada.
- Não! – Ele disse e soltou uma gargalhada, contagiando eu e na mesma hora.
- Agora... Só tem um problema. – começou e nos olhou. – Eu preciso de companhias para um car shopping. Será que vocês gostariam de me acompanhar?
- ... Você não vai enjoar de nós nunca? – Perguntei num tom engraçado.
- Nunca. – Ele respondeu simplesmente e eu corei... Imediatamente.


Capítulo oito.

’s POV.

Eu, algum dia, já comentei o quanto eu acho a linda? Ela tem um jeito que eu não consigo explicar e isso pode parecer bobagem, eu a conheço não faz nem um mês, eu acho. O mesmo eu não preciso falar sobre o , certo? Eu estou completamente apaixonado por ele e estou lutando com todas as minhas forças para não parecer um adolescente com hormônios à flor da pele, mas acho que tenho uma queda pela mãe dele.
Eu nunca me canso de ver o sorriso e seu lindo e brilhante olhar quando tocam no nome de seu filho como assunto. Ela é completamente diferente de todas as mulheres que um dia eu conheci. Seria uma enorme ofensa compará-la com , por exemplo. Ela era o tipo de mulher que você tinha medo de conquistar, não por ela ser difícil ou amarga, azeda, turrona, ou qualquer coisa do gênero.
Você tinha medo por, talvez, não ter a capacidade de tal feito. Garra, coragem e determinação eram os ingredientes com que fora cuidadosamente feita, aplicados com uma generosa porção de beleza e encanto. É, meu caro . Acho que você bateu seu recorde de “me apaixonei num tempo mínimo”.

Algum tempo se passou e eu mantive a pequena família comigo. Os levei para me ajudar na compra do meu carro novo. me ajudou mais do que sua mãe, que insistia que eu comprasse um carro vermelho. Mulheres...
Tivemos muitos momentos bons juntos e, nesse tempo, não vi sair com ninguém, sempre trabalhando muito.

Um dia em que estava no apartamento dela, enquanto a mesma dava um banho no pequeno para irmos ao cinema, fiz uma coisa muito feia. Abri o caderninho de números importantes ao lado do telefone e peguei o de Jessica. Não, eu não iria dar em cima da amiga de , muito pelo contrário, acho que ela me ajudaria.

Sexta-feira, dez da noite, minha casa.

Depois de mais um programa super agradável com as pessoas mais agradáveis na face da Terra, cá estava eu, em minha casa sozinho. Achei o papel que continha o número do celular de Jessica no bolso da minha calça e logo estava ligando para ela.

- Alô?
- Jessica?
- Sim. Quem está falando?
- Oi, então, aqui é o , amigo da , lembra-se de mim? Daquela tarde na Starbucks?
- Ah, oi , lembro-me sim... Mas, em que posso te ajudar?
- Vou ser bem direto. Quero marcar um encontro com a sua amiga e não tenho a mínima idéia do que fazer.
- Er, com a ?
- Sim, não há outra que eu conheço. – Ri baixo. E mesmo se conhecesse, eu não a queria.
- Acho que você precisa saber de duas coisas: Seja você mesmo e a impressione. São dicas valiosas, hein rapaz?
- Eu vou tentar pensar em alguma coisa para impressioná-la.
- Comece por uma comunicação de jantar, sem pedidos. Aposto que, se você pedir, ela vai negar e colocar a culpa no trabalho, mesmo que isso seja o que ela mais queira no mundo nesse momento.
- E é isso que ela quer no momento? Sair comigo?
- Hey, eu já te dei muitas informações por hoje... Garoto chato!
- Er, ok, obrigado. Mesmo!
- Não faça nada que eu possa me arrepender de ter te dado essas pequenas dicas.
- Yes, man.

Jessica poderia ser bem assustadora quando queria. Mas agora era comigo.
Peguei meu celular e enviei uma mensagem de texto para .

Amanhã, às oito da noite esteja pronta para jantar comigo. Deixe com alguém. Quero uma noite de amigos. . x

Que papo é esse ? . x

É só isso que eu te digo. Se eu chegar aí e você não estiver pronta, você vai ver um muito mais bravo do que quando teve seu carro roubado. . x

Ok mister mysterious. Seja lá o que você estiver armando, que seja muito bem armado. . x

Você não vai se arrepender. Durma bem, Queen. . x

Queen? . x

Coisas que o me ensinou. Nos vemos amanhã e eu mal posso esperar. . x

Durma bem, frog. . x


’s POV.

era um mistério. Eu estava com medo do que aquela mente brilhante estava planejando, mas ao mesmo tempo eu sabia que estando com ele nada poderia ser ruim.
Acordei muito bem disposta naquele sábado e comuniquei ao pequeno príncipe que ele iria dormir na casa da Titia Jessica naquela noite. Quando soube o motivo, não hesitou um segundo sequer e já estava louco que eu me arrumasse para encontrar . Se havia o comprado, pode ter certeza que fora por algo bem caro, se fosse com qualquer outro cara, iria espernear e me proibir de ir. Mas, o que eu estava falando? Parecia que estava indo à um encontro romântico, mas o próprio disse que seria um encontro de amigos, mas não me custava nada sonhar.
Eu tinha que admitir que eu sentia algo diferente por . Ele era um amor de pessoa, lindo, simpático. Mas, não era algo simplesmente físico ou só porque ele tinha salvado a vida do meu filho. Era algo a mais e que eu estava ridiculamente com medo de que fosse paixão.

Banho tomado, cabelo lavado e escovado, maquiagem quase pronta. Abri meu armário e tive certeza do que iria vestir. Finalmente eu colocaria o meu lindo tubinho roxo do Alexander McQueen. Fora uma fortuna, mas ele ficava lindo em mim – modéstia a parte. E, para combinar com ele, nada melhor do que um belo Christian Louboutin. Passei o delineador com muito cuidado e finalmente estava pronta.

- Mamãe, estou indo para a casa da Titi, ‘tá bom? – entrou em meu quarto e eu estava de costas pra ele, arrumando minha bolsa de mão.
- Sim, querido.
- Amiga, deixe-me ver como está seu modelito! – Jess disse adentrando o local.
- Como estou? – Eu dei uma voltinha, dando risada.
- Maravilhosa, mamãe! – disse e eu sorri em agradecimento.
- Não está muito simples? – Perguntei.
- Amiga, um Alexander McQueen juntamente com um Louboutin nunca é simples. – Jessica disse e deu uma piscadela. – Aliás, esse vestido fica um escândalo nesse seu corpinho parece-que-não-tenho-um-filho-beijos.
Ouvimos o interfone tocar e eu tive certeza de que havia chegado. Despedi-me de meu filho e dei a ele mil recomendações e recebi um boa sorte vindo de minha amiga.

Chegando à portaria, estava lindo, como sempre, me esperando na porta.

- Hey! Você está linda!
- Digo o mesmo de você. – Sorri e o fiz corar.
- Então, vamos? – Quando ele disse aquilo, me deparei com uma vespa estacionada na frente do meu prédio.
- Oh ! Uma vespa! Como você sabe que eu adoro vespas? Sabe aquela viagem à Itália que eu te contei no outro dia? Então, eu andava muito de vespas por lá, é tão legal... – Eu disse já montada na vespa, tomando muito cuidado para que nada o que não pudesse ser mostrado, enfim, fosse mostrado, já que eu estava vestindo um vestido – muito – curto e apertado. – Obrigada ! Que surpresa legal! Mas, você sabe dirigir isso ou eu que vou dirigindo?
- Senhor ? – Uma terceira pessoa me interrompeu e eu pude perceber que estava com uma cara confusa e eu olhei pra trás. – A limusine já está os esperando.
- Limusine? – Perguntei abismada.
- É... Então, vamos ? Antes que o dono dessa vespa ache que você estava querendo roubá-la.
- Oh... Gossip Girl episódio número cinco, onde Dan Humphrey chama Serena para um encontro surpreendente e ela acha que ele vai a levar de vespa para um restaurante qualquer. Parabéns , você me pegou.
- Oh droga... Você me pegou!
- Engraçadinho! – Eu disse dando um pequeno soco em seu braço, enquanto ele se acomodava ao meu lado na limusine.
- Mas eu te impressionei?
- Você não precisa fazer esforços para isso.

me levou para jantar em um restaurante realmente incrível, tal como naquele episódio que eu citei de Gossip Girl. Mas, eu estava torcendo para que não precisássemos salvar alguma irmã mais nova dele mais tarde.

- Então, eu te trouxe aqui porque eu preciso de sua ajuda. – começou, logo depois que o garçom trouxe nossos pedidos.
- Ajuda em quê? – Eu perguntei. Eu não sabia por que, mas eu não estava gostando disso.
- Eu estou apaixonado por uma mulher, mas não tenho certeza de como devo agir ou se ela sente alguma coisa por mim também.
Fiquei sem palavras, o homem por quem eu estava sentindo alguma coisa, que eu ficava de pernas bambas quando ele chegava à minha casa com aquele sorriso que Deus foi generoso em dar, estava ali, na minha frente, me pedindo ajuda com a sua suposta nova paixão? Bom, eu tinha que ser coerente pelo menos. Se todos os sinais eminentes foram furados, eu realmente não servia para tentar uma vida com mais alguém além do meu filho. Pensa , pensa. Dê a ele um conselho e vamos acabar logo com isso.
- Oh, er, eu acho que você deve falar para ela dos seus sentimentos, e não tenha medo do que ela possa falar, . O máximo que você vai receber é um não, como resposta, mas você é bonito e muito querido e, se não der certo, tenho certeza de que a sua fila de espera é bastante grande. Tente, você não tem nada a perder e sim, ela. – Eu disse tudo de uma vez só, e depois dei um gole no meu vinho branco. Minha garganta estava trancada.
- Ok, então você acha que eu devo dizer tudo o que eu sinto?
- Sim...
- Você tem certeza? – perguntou. Me olhou nos olhos e eu quase neguei. Ter certeza eu tinha, mas querer era outra história.
- Sim...
- , desde a primeira vez que eu vi você e o pequeno , eu simplesmente me apaixonei pela história de vocês. Com o convívio, eu te descobri aos poucos. Descobri que uma mulher pode ser corajosa, determinada e linda ao mesmo tempo. Descobri que as mulheres podem fazer qualquer coisa sem nós, homens, e que nós é que precisamos de vocês. Descobri o quão grande pode ser o amor materno e o quão preparada você está para defender o bem mais precioso da sua vida que é o . Descobri também que nenhuma mulher pode ser comparada com você, nenhuma! E descobri também que eu adoraria te conhecer profundamente e que eu quero que você saiba o quanto eu estou apaixonado por você.

Cinco segundos processando uma informação. Cinco segundos com a boca entreaberta e a respiração pesada. Cada palavra que saía da boca de soava como uma linda melodia para meus ouvidos. Aqueles olhos pareciam mais a cada frase. foi chegando sua mão e a encostou na minha e eu imediatamente abri um sorriso imenso.
Então era isso. Meus sinais estavam certos e minha intuição que nunca falhara, continuava a funcionar perfeitamente.

- Vo-você não vai dizer nada? – perguntou um pouco desorientado.
- O que eu posso dizer depois de uma declaração como essa? – Eu disse, tomando mais um gole de meu vinho.
- Você tem duas opções. Ou você diz que é melhor eu parar por aqui e a gente continua sendo amigos, do jeito que está ou...
-... Ou eu digo que eu também estou apaixonada por você e tento alguma coisa do seu lado?
-... Ou você diz que... Que? O que você disse?
- É isso mesmo que você ouviu . Quando você começou com todo esse papo de estar apaixonado por alguém, tenho que admitir que o meu pequeno mundo solitário desmoronou e que eu fiquei com muita inveja da suposta mulher que tinha roubado seu coração.
- Então isso é um sim? Você aceita tentar alguma coisa com um cara que tem uma banda, só uma banda? E que se um dia ela não fizer mais sucesso você vai ter que sustentá-lo? Você aceita tentar alguma coisa com um cara que ronca e que não sabe nem lavar uma louça? – ia falando com um sorriso imenso no rosto, chegando sua cadeira perto da minha e pegando com mais força as minhas mãos.
- Eu aceito tentar alguma coisa com esse cara que tem uma banda, várias fãs atrás e uma agenda lotada também. Mas, eu também aceito tentar uma coisa com esse cara que sempre foi tão especial para mim e principalmente para o meu filho, que vai adorar saber que a mãe dele está tentando alguma coisa com esse cara.
- Vamos sair daqui? Eu quero te curtir, não ficar aqui, nesse restaurante que se eu te agarrar e te beijar, do jeito que eu tô com vontade nesse exato momento, as pessoas vão nos olhar feio e vão pedir para que a gente saia fora. Vamos?
- Eu ainda não entendi o porquê desse restaurante tão chique, mas vamos! Até se for para ir a uma barraquinha de cachorro-quente no Hyde Park. Eu quero ir com você. – me olhou sorrindo de lado e beijou minha mão.
- Garçom! Me traz a conta na velocidade da luz, por favor! – suplicou e eu gargalhei.

Como uma cena clichê de filmes românticos, nós saímos do restaurante e deixamos o carro no estacionamento do mesmo. Resolvemos andar um pouco e por incrível que pareça, tinha mesmo um parque – não o Hyde Park – ali perto. colocou seu paletó sobre meus ombros, juntamente com seu braço, me puxando pra perto.

- Obrigada. – Eu disse, quebrando o silêncio.
- Pelo o que, linda?
- Por fazer eu me sentir assim. Faz muito tempo desde a última vez.
- Lembre-me de ligar para o meu tio quando eu chegar em casa?
- Por que, ?
- Para agradecer a ele por ter me obrigado a comprar as banheirinhas naquele dia no supermercado. E ah! Também tenho que ligar para todos os meus outros tios e agradecer por eles serem tão irresponsáveis em não terem trazido as banheirinhas dos respectivos filhos. – falava sério e eu gargalhava.
- Você não existe!
- Existo sim, estou aqui ó! Estou num parque muito charmoso, em um bairro caro de Londres com uma das mais lindas cidadãs britânicas bem a minha frente. – Ele disse, pegando em minhas mãos e me olhando com um sorriso de canto.
- E agora? O que a gente faz? – Perguntei.
- Você eu não sei, mas eu te beijo agora... Posso? – perguntou, colocando um braço em volta da minha cintura e posicionando a mão livre em minha nuca, a acariciando enquanto aproximava nossos corpos lentamente.
- Se você não o fizer nos próximos cinco segun... – Mal terminei a frase e colou seus lábios nos meus, iniciando um beijo calmo e doce. Sua língua pediu passagem e eu logo cedi.
Nossa sintonia era perfeita, como se já tivéssemos feito isso, no mínimo, mil vezes. Sorrimos várias vezes enquanto nos beijávamos e eu estava cada vez mais certa de que ele viera para ficar.
- Vem, vamos sentar ali um pouquinho... – me puxou e logo nos sentamos em um banco, que ficava na frente de um elegante chafariz. Eu coloquei minhas pernas para cima do banco e posicionei meu tronco no de e o mesmo envolveu-me com seus fortes braços, me embalando devagar.
- Eu não sou britânica. – Falei, quebrando o silêncio novamente.
- Oi?
- Eu não sou britânica como você acha que eu sou. – Ri baixinho e inclinei minha cabeça, para que eu pudesse ver a cara confusa que estava fazendo.
- Você é o que então?
- Meus pais são britânicos, nascidos e criados em Manchester, mas quando minha mãe estava grávida de mim, ela foi para um congresso de moda, já te falei que minha mãe é estilista?
- Não... Continua...
- Então, minha mãe é estilista e ela foi para um congresso de moda em Nice, na França e eu nasci lá, por acidente.
- Então quer dizer que você é francesa?
- Sim!
- Isso te deixa mais charmosa e linda do que nunca e é bom saber desses pequenos detalhes sobre você. Conta mais...
- Sou nascida em Nice, França, mas com apenas uma semana de vida fui para Manchester, onde me criei e descobri minha paixão por cinema e resolvi estudar na London Metropolitan University.
- E seu pai?
- Meu pai é dono de um centro comercial. Minha mãe tem uma loja de roupas lá.
- E sua mãe tem uma marca própria?
- Sim. A Chanel.
- O que?
- Estou brincando!
- Engraçadinha. – disse me mostrando a língua, me apertando no mais confortável abraço da face da Terra.

Ficamos mais algum tempo daquele jeito. Fazia alguns anos que eu não me sentia daquele jeito, pelo menos alguns – muitos – anos antes do nascimento de . Eu tinha certa convicção de que era a pessoa certa que cruzara o meu caminho no momento certo. o adorava e para que coisa melhor do que essa?
Com muita insistência, me deixou em casa e partiu para a sua. Graças a Deus Jessica tinha levado meu filho para dormir em sua casa, provavelmente eu teria que dar alguma satisfação pelo meu sorriso bobo e meu jeito flutuante no momento à ela quando eu cruzasse a porta.
Me olhei no espelho e não parava de sorrir, certamente estava parecendo uma adolescente boba quando descobria que o menino mais velho estava afim dela também. Deitei-me em minha cama e não vi mais nada, dormi e tenho certeza de que sonhei coisas maravilhosas naquela noite.


Capítulo nove.

- Mamãe? Mamãezinha...?

Senti algo me cutucar e, ao virar, me deparei com meu filho muito bem vestido, me analisando e logo depois, pulou em cima de mim quando teve certeza que eu havia acordado.

- Oi bebê da mamãe! Como você está, hein? Sentiu minha falta?
- Senti mamãe... Mas, eu sabia que você estava em boas mãos!
- Eu sabia que você estava em boas mãos também, príncipe. E então, se divertiu muito com a titia?
- Sim pirilim! Titi Jess me deu bastante chocolate!
- Cabeça de cebola! Eu disse que não era para contar! – Uma Jessica afoita entrou no meu quarto, jogou sua bolsa na minha poltrona e sentou-se na beirada da cama.
- Ah é? E depois se você tiver dor de barriga, ela vem limpar você?
- Se você quiser eu chamo, mamãe!
- Nada disso, pivete! – Jess disse ofendida e eu gargalhei.
- Como foi o seu encontro, mamãe?
- En-encontro, ? Mamãe só foi jantar com o titio ... Nada demais. – Eu disse me levantando e colocando meu roupão, tentando disfarçar.
- Não aconteceu nada? – me perguntou num tom triste.
- Nada demais, bebê...

Jessica me lançou um olhar de “acredito” e seguimos para a sala. No relógio estava marcando nove horas da manhã. Eu cheguei em casa perto da meia-noite, nove horas de sono... É, me parece bom.
A campainha tocou e eu me deparei com um cheio de sacolas da Starbucks.

- Bom dia princesa! – O mesmo me deu um selinho demorado. Eu fiquei sem ação, com os olhos abertos e completamente dura.
- Bo-bom dia! – Sorri amarelo e sem graça.
- TITIO ! VOCÊ BEIJOU A MINHA MAMÃE? – Ai, merda.
- Desculpa, não pedi sua permissão antes, campeão! – agachou-se para ficar do mesmo tamanho de .
- Estou esperando, mocinho... – Um pequeno ser, muito autoritário disse.
- Senhor , eu posso beijar a sua mãe?
- Podxi! – Meu filho disse, simplesmente. Abriu um sorriso e jogou-se no colo de – Por que não me contou, mamãe?
- Eu ia contar... Mas, o ... O antecipou as coisas! – Eu disse, me colocando ao lado do mesmo, olhando diretamente para e Jess que estava abismada desde a entrada triunfal de .
- Então! Titio é o namorado de sua mamãe, o que você acha ? – perguntou.
- Namorado? – Minha vez de perguntar!
- Sim, não sou eu que sempre antecipo as coisas? – Ele sorriu safado e me beijou na bochecha rapidamente.
- Eu não sou louca de discordar. – Eu cochichei em seu ouvido e o mesmo riu.
- Hey buddy, vamos arrumar a mesa com o titio?
- Vamos!

e seguiram para a cozinha cantando algum dos hits do McFLY, enquanto eu fiquei na sala, sentindo o perigo chegar perto de mim quando notei que Jessica andava em minha direção, com os braços cruzados e um olhar assassino.

- Por que você não me contou antes? – Ela perguntou entre dentes, baixo. - Eu não tive tempo, você viu não é? Vocês chegaram, me acordou, chegou e todo mundo soube. E também, a senhorita não me contou logo de cara o seu lance com o matemático!
- Mas você já sabia que eu era louca por ele!
- Ah Jess, desculpa vai. Você sabe que eu nunca tive ninguém e quando eu tinha, sempre acabava em desastre. Mas agora, olha ali – Eu disse a abraçando de lado e nos voltando para a porta da cozinha, onde dava para observar com no colo, preparando a mesa. – Tem como eu não querer alguém como ele do meu lado? Ao lado do ?
- Você ‘tá certa amiga. Vai fundo porque nele eu boto fé!
- Obrigada, sério.
- Você sabe que pode contar comigo, sempre. – Ela disse e nos abraçamos.

Alguns meses mais tarde...

Oi, meu nome é e eu sou a mulher mais feliz da Inglaterra, quiçá do mundo inteiro. Meu namorado, nossa, quanto tempo eu não chamava alguém assim, mas, que seja, meu namorado é o homem mais incrível que eu podia ter conhecido. Obrigada Senhor, mil vezes obrigada por ter colocado no meu caminho, ou no caminho do quando ele esbarrou nele, que seja de novo, obrigada tá?
Eu já era oficialmente a nova namorada do e isso estava estampado em todas as revistas existentes na banca e, sinceramente? Eu não ligava nem um pouco. O acompanhei em vários shows, sempre levando comigo e tivemos muitas músicas dedicadas à nós.
“Uma quase família perfeita. Avistamos hoje pela manhã, o belo com a sua bela namorada e o pequeno , indo à uma loja de artigos para festas infantis. Parece que tem alguém de aniversário naquele trio e tenho certeza de que não são os mais velhos. Você não concorda com o The Sun que eles ficariam mais lindos e perfeitos se fosse o filho de ? Aliás... Quem diabos é o pai da pequena criança? Estamos oferecendo cem libras para quem nos der a informação. Está valendo!”

Isso era extremamente ridículo. Usar o nome do meu filho em uma revista de fofoca, seguir nossos passos e ainda estavam querendo fuxicar a vida do meu pequeno príncipe? Bom, eles que dessem as cem libras para qualquer idiota que aparecesse por lá. Nunca saberiam, se nem eu mesma sabia.
A festa de três anos de chegou e os preparativos tinham acabado, resultando numa bela festa de criança. Claro que vários paparazzis tentaram se infiltrar, mas segurança foi algo que eu gastei dinheiro para contratar.

- Tá tudo muito lindo amiga! Parabéns! – Jessica se juntou a mim e à e o mesmo pigarreou.
- Você deve parabenizar ao , amiga, não à mim. – Eu disse, o abraçando de lado, enquanto ele exibia a sua melhor face de modesto. – Ele que escolheu tudo, junto com o .
- Então, parabéns !
- Obrigado Jess. Eu diria que ficou bonito sim, mas eu estaria sendo modesto...
- Nããão! – Eu e Jess dissemos em uníssono e logo gargalhamos.
- Bom, eu vou lá chamar o Sandro para vir beber um pouco comigo, ele não sai da piscina de bolinhas. – Minha amiga falou indo em direção ao namorado maluco dela.
- Acho que está tudo sob controle aqui, né?
- Acho que sim, por que ?
- O que você acha de irmos para o seu quarto? Eu estou tão cansado...
- !
- Vem, ninguém vai sentir a nossa falta.

Eu senti seu olhar malicioso e concordei. Eu mal fechei a porta e um atrevido veio para cima de mim e começou a beijar meu pescoço.

- Hey, acalme-se big boy! Existem milhares de crianças na minha sala de estar agora, você sabe disso!
- E daí?
- E daí que se alguma delas entrar aqui achando que é o banheiro, por exemplo, nós podemos ser processados por atentado ao pudor de menores!
- Nossa , eu estou tão mal assim? – Ele disse olhando seu reflexo no espelho.
- Não amor, você continua sendo muito gostoso, nada que eu não possa aproveitar depois. – Eu disse, o abraçando por trás e ele rapidamente virou-se de frente pra mim.
- Ah, depois?
- Sim, depois e não faça esse biquinho! Você aprendeu com o né?
- Aham. E sabe o que eu estou aprendendo com ele também? – disse apoiando sua cabeça no meu ombro e sussurrando.
- O que você aprendeu com ele?
- A te amar incondicionalmente.
- Eu te amo!
- Não mais que eu!
- Para .
- Então casa comigo.
- Você ‘tá doido?
- Ué, por que estaria?
- , estamos namorando há alguns meses. É muito cedo para sequer pensar em casamento.
- Ah...
- Vem cá vem.

tinha cada idéia mirabolante.
Estávamos ali, namorando quando Jessica entrou no quarto alegando que estava reclamando de sono e que queria cantar parabéns logo. Certifiquei-me que eram quase oito da noite e que realmente havia passado muito tempo no meu quarto com o doidinho de pedra que era meu namorado.

Cantamos parabéns, o pessoal aos poucos foi indo embora e somente eu, e ficamos no meu apartamento. Pedi que colocasse o aniversariante para dormir enquanto eu tentava deixar a minha sala um pouco mais habitável. Dez minutos se passaram e eu achei que já dava de olhar. Respirei fundo, notando o quão cansada eu estava e fui verificar se estava tudo bem com .
Ao chegar na porta do quarto, avistei o meu pequeno príncipe dormindo angelicalmente e um dormindo visivelmente desconfortável na pequena cama. Os dois ficavam lindos juntos.

- Amor? Vem deitar ali comigo, você ‘tá todo torto aqui... – Eu disse sussurrando, com medo de acordar .

Chegamos ao meu quarto e eu liguei a televisão bem baixinha, enquanto eu trocava de roupa. ficou deitado, apenas de boxer me assistindo colocar minha camisola de seda.

- Sabia que cada vez que eu olho pra você eu te acho mais linda?
- Sabia que cada vez que você me elogia eu tenho vontade de te morder?
- Vem aqui então!
- , você ‘tá impossível hoje. Não estava com sono?
- E quem disse que eu vou deixar você escapar depois da promessa de “mais tarde” que você me fez, hein? As paredes são testemunhas, não são paredes? – Um apenas de roupa íntima estava em pé, em cima da cama, falando com as paredes – literalmente – brancas do meu quarto.
- , desce daí! – Eu disse oferecendo minha mão para que o mesmo pegasse e sentasse, mas ao invés disso, ele deu um impulso e me puxou, me fazendo ficar em pé ao seu lado na cama.
- Vem amor, vamos dançar.
Na televisão um clipe qualquer passava, enquanto eu e meu namorado dançávamos sobre os cobertores.
- Dancing on the white blankets, it’s all about you… - fez uma pequena paródia com uma música deles e eu gargalhei.
- Você não existe e eu não me canso de repetir!
- Vou te mostrar como eu existo. – Dizendo isso, nos derrubou na cama e aconteceu o que estava previsto durante o dia inteiro. Eu me sentindo realizada nos braços de alguém como ele. Adorava essa sensação e adorava causá-la milhares de vezes por semana, muito obrigada.

Capítulo dez.

Mais alguns meses depois...

- Happy birthday to us, happy birthday to us… - Abri lentamente meus olhos e avistei um deixando uma linda bandeja de café da manhã ao meu lado e distribuindo beijinhos por meu pescoço e ombros.
– Feliz um ano de namoro, minha princesa.
- Que venham muitos anos, não é assim que dizem?
- Deus te ouça. Vou ser o homem mais feliz do mundo se eu tiver você por mais, ou até melhor, infinitos anos!
- Eu te amo! – Puxei e o beijei com vontade – O que temos aqui? – Eu disse analisando a bandeja ao meu lado.
- Tudo o que você mais gosta: Torradas com creme de salmão, suco de laranja e um delicioso bolo de chocolate.
- Obrigada, é o melhor aniversário de namoro da minha vida! – Brinquei.
- Pelo que eu saiba esse é o primeiro. – revidou.
- Ouch! Você me pegou.
- Ó! Bonitinha... – Ele disse rindo do bico que eu fiz e então me roubou um selinho. – O que pretende fazer hoje?
- Jessica me convidou para ir ao shopping, mas eu estou pensando seriamente em dizer não. Oras, é meu aniversário de namoro, eu tenho que passá-lo com você.
- Acho uma boa ideia você ir ao shopping com ela, amor.
- Mas por que ? Você não quer passar o dia comigo?
- Você vai ter uma surpresa hoje de noite e para ser uma surpresa, eu preciso trabalhar nela e para eu trabalhar nela, você tem que estar ocupada.
- Hey! Você está planejando contra mim?
- Você vai amar, eu tenho certeza. – disse levantando-se da cama e me lançando uma piscadela. Mas o que será que eu teria de noite?

Durante aquela manhã eu tentei fazer com que dissesse algo sobre a surpresa de hoje à noite, mas foi impossível. Tentei subornar , mas parece que o suborno de fora maior e mais irresistível do que o meu.
Logo eles saíram, me deixando sozinha em casa. Procurei em todos os cantos algum vestígio e nada encontrei. Mas que saco! Odiava surpresas bem feitas.
Tentei – eu disse tentei – relaxar e pensar em outra coisa e então já estava quase na hora de ir ao shopping me encontrar com a Jess.
Chegando lá, a encontrei na praça de alimentação e então comemos um belo McDonald’s, como belas botas que somos.

- Por que você está me olhando assim? – Perguntei. Jess estava me olhando e soltava umas risadinhas e isso estava me irritando profundamente.
- É porque eu tô analisando a sua cara. Ela vai ficar muito engraçada quando ver a surpresa que o tá preparando para você.
- O QUÊ? Você também sabe?
- Claro, eu sou a sua melhor amiga, ele é exatamente nada sem mim.
- Ah você vai me contar. AGORA!
- Não vou não e não me olhe com essa cara. Nem por mil pizzas do Domino’s eu vou te contar.
- Ah Jess, o que custa?
- Custa muito! Agora vamos. me deu uma missão.
- Mi-missão? Vocês estão loucos?
- Vem comigo e para de reclamar.

Jessica literalmente me pegou pela mão e estava me arrastando para um setor do shopping que continha apenas as lojas mais caras do planeta.
- Tá. Dolce&Gabbana. O que isso tem a ver com essa tal missão?
- Vamos entrar e você logo vai ver.
Ao entrarmos na loja, logo uma atendente daquelas que vem cheia de sorrisos achando que você vai comprar a coleção inteira, mas que no final você não compra nem um alfinete e ela te enxota, veio nos atender.

- Vocês devem ser e Jessica Cozza, certo?
- É, por incrível que pareça, nós somos sim... E você é... – Olhei no pequeno broche que continha o nome da moça – Lisa, certo?
- Sim e estou muito feliz por receber vocês aqui.
- Obrigada – Dissemos em uníssono.
- Encomenda do senhor , certo?
- Certo. – Jessica respondeu sem hesitar e eu a encarei sem entender.

A moça saiu e entrou numa porta que deveria ser uma sala de reservas e então, surgiu em nossa direção carregando uma caixa enorme.
- Aqui estão nossas belezinhas. Um vestido, um sapato, um par brincos e a mini bolsa. – Ela disse abrindo a tal caixa e quando eu olhei o conteúdo da mesma eu quase caí pra trás. Aquele visual deveria custar uma fortuna! Quase o meu salário e eu tinha quase certeza daquilo.
- Mas, er, o que quer dizer isso? – Eu estava boquiaberta.
- Parece que alguém vai ter uma grande noite hoje. – Lisa disse com um de seus melhores sorrisos. – esteve aqui ontem à noite com a sua amiga e reservou para hoje e, claro, já deixou pago.
- É isso amiga – Jess, traidora! Ela vem com escolher essas coisas maravilhosas e nem me diz nada? – Pode mandar empacotar, Lisa.
- O que significa isso, Jessica?
- O que significa eu não sei, eu te juro. Eu não sei ao certo o que o está planejando, só sei que fui convidada e você vai vestir-se totalmente de Dolce&Gabbana hoje à noite.

Quer me deixar mal? Me deixe curiosa. Sério, eu tenho vertigens. Eu odeio ficar curiosa e saber que alguém ‘tá planejando uma surpresa para mim, poxa. Eu queria saber, queria ajudar.
Cheguei em casa com as sacolas da loja e fiquei olhando a roupa em cima da minha cama. Me deparei com um bilhete de no criado-mudo e rapidamente peguei pra ler.

“Princesa, espero que goste do que eu comprei para você no shopping. Jessica me ajudou e não fique brava com ela por ela também não te falar nada, eu apenas paguei um preço muito bom por seu silêncio. está comigo, tire o resto da tarde para relaxar e descansar. Venho buscar você às nove em ponto. Nunca esqueça o quanto eu amo você.”

Respire fundo . é o homem mais surpreendente que você conhece e ele não vai te decepcionar. Com esse pensamento, relaxei um pouco assistindo TV e fui tomar um belo banho de banheira.
Me arrumei sem pressa, fiz uma maquiagem impecável. Olhos negros e um brilho labial, perfeito. Olhei no relógio e o mesmo marcava oito e cinqüenta e quatro. era pontual então, fiquei sentada no sofá esperando os seis minutos passarem. Feito mágica, no horário combinado, o meu interfone tocou, me avisando da chegada de .
Ao me deparar com ele me esperando no hall de entrada, pude notar o quão bonito ele é e estava nessa noite. Vestindo uma calça social preta, uma camisa branca com uma gravata fina e uma charmosa jaqueta de couro pra finalizar, esse era o meu homem.

- Você está lindo.
- Você está linda. Vamos? Está pronta?
- Eu não sei se estou pronta para o que está escondendo...
- Não adianta amor, você só vai saber na hora.
- Eu tentei...

Entramos num táxi que nos aguardava e logo seguimos o caminho do lugar desconhecido. Durante o percurso, ficou alisando a minha mão e sussurrando o quão bonita e impecável eu estava naquela noite.
Fomos chegando perto e eu fui identificando o lugar. Estávamos chegando ao London Marriot Hotel em Grosvenor Square. Esse hotel era um dos mais caros da cidade e era famoso por suas suítes diferentes uma das outras e o seu gigantesco centro de eventos.

- London Marriot Hotel, ?
- Você não viu nada ainda.

apoiou sua mão nas minhas costas e foi me guiando para dentro do hotel. Ele era luxuoso e cada detalhe que ele continha, eu ficava maravilhada. me parou na frente de uma enorme porta de madeira e eu pude ler a sua placa indicando que ali era o famoso centro de eventos. Mas que diabos estava para acontecer?

- Pronta?
- Eu nasci pronta.

Aos poucos ele foi abrindo a porta e luzes de todas as cores cercavam o lugar. Era realmente enorme e eu não conseguia enxergar bem as coisas, devido à quantidade delas. Era muita informação para uma pessoa só.
Estava tudo bem decorado e uma música tocava de leve no fundo.
aproximou-se de mim e disse em meu ouvido:

- Essa é a nossa festa de aniversário. Separei as coisas por stands e cada um deles tem uma coisa que você ama e outro, alguma coisa que eu amo. Tudo foi milimetricamente pensado em nós dois.
- , isso é incrível!
- Você pode olhar ali, estão seus colegas de faculdade, no stand de cinema. Onde existem os cartazes dos filmes que você mais ama e existem dois convidados especiais.
- Quem? – Eu perguntei sem hesitar.
- Se você olhar bem você vai achar ali um tal de Leonardo DiCaprio e uma moça chamada Kate Winslet – foi me aproximando do tal stand e eu fui cada vez ficando mais boquiaberta e sem palavras. – Como o Titanic é seu filme preferido, nada mais justo do que dois convidados especiais para esse lugar, não acha? – Eu não conseguia dizer uma palavra sequer, estava atônita, sem reação.
- Feliz aniversário de um ano! – Kate e Leonardo disseram em uníssono e eu corri e abracei os dois. Eram meus ídolos.
- Continuando... – me abraçou de lado e foi me levando para ver os outros stands – Aqui é um dos meus lugares e uma das coisas que eu mais gosto. Aqui é o lugar do McFLY – disse e eu pude ver , e acenando para mim e sorrindo muito e eu fui lá e cumprimentei cada um deles. Eu adorava esses meninos! Também notei várias fotos da banda colocadas na parede. Fotos de shows, álbuns e tudo mais – Quem sabe a gente não faz um showzinho depois, hein dudes? Bem amor, mais aqui na frente, podemos ver um stand de música. Aqui estão todos os CDs e DVDs musicais que você mais gosta e também um convite especial para o seu cantor preferido.
- Quem? – Perguntei sem hesitar novamente.
- Eu! – disse batendo no peito e soltou uma gargalhada gostosa. – Brincadeira. Por que você não vai lá e dá oi para o John?
- John?
- É, o John Mayer!
Eu não pensei duas vezes e fui logo abraçar o meu cantor preferido.
- , ele é demais!
- Er, então John... Acho melhor você procurar a Jennifer, sabe... Essa aqui é minha! – disse dando uma piscadela e John Mayer gargalhou.
- ! Você é o melhor do mundo. Eu te amo muito, isso tudo é maravilhoso e eu não tenho palavras para agradecer. – Eu disse me agarrando a seu pescoço e lhe dando beijos por todo o rosto e o mesmo ria muito.
- Amor, você ainda tem surpresas para hoje.
- Mais? isso é mais do que perfeito, eu não preciso de mais. Na verdade eu nunca precisei de mais nada além de você e do e agora eu tenho certeza disso. Falando no ... Cadê ele?
- Vem, vou te mostrar o lugar mais importante dessa festa.

foi me puxando e atravessamos o salão, pude ver que vários de meus amigos, até alguns que há anos eu não via estavam ali. Jessica estava com seu namorado e só acenou de longe e disse um “Feliz um ano!” que eu pude ler em seus lábios.

- E aqui, está o stand mais importante para mim e para você. O stand da coisa que nós mais amamos e que nos deixa cada dia mais felizes.
Ao dizer isso, eu olhei e vi sentado numa poltrona, no meio do stand que tinha me posicionado na frente. Ele sorriu e veio correndo me abraçar e então, eu o peguei no colo. Ele disse no meu ouvido o quanto me amava e eu o enchi de beijos. Ali havia muitas fotos do , desde o seu nascimento até as atuais. mandou fazer um banner de uma foto de nós três, tirada no aniversário de três anos do , na qual estamos os dois beijando ao mesmo tempo o pequeno.
Era realmente uma foto linda.

Coloquem para carregar

- Vem amor! Vamos dançar um pouquinho. – disse, tirando o copo de Martini de minhas mãos e me puxando para o meio do salão. – Hey John! Toca aquela que a gente combinou! – Ele falou como se tivesse a maior intimidade com o John Mayer e isso me fez gargalhar.
- “Aquela que a gente combinou”? E qual é? – Perguntei curiosa.
- Tudo para você hoje é surpresa. Venha dançar comigo e você vai descobrir.

me puxou e colou nossos corpos e uma grande roda de pessoas se formou. Pude avistar John Mayer se posicionar num banquinho e pegar seu violão.

- Bom, essa música eu vou dedicar, é claro, para o casal aniversariante de hoje. e .

Ouvi os primeiros acordes de Half Of My Heart serem tocados e apenas fechei os olhos para sentir o embalo e o cheiro de que me deixavam cada minuto mais hipnotizada.

I was born in the arms of imaginary friends
Free to roam, made a home out of everywhere I've been
Then you come crashing in
Like the realest thing
Trying my best to understand all that your love can bring


Eu nasci nos braços de amigos imaginários
Livre para perambular por aí, fiz uma casa em todos os lugares por onde estive
Então você veio de encontro
Como a coisa mais verdadeira
Tentando o meu melhor para entender tudo o que seu
Amor pode trazer

Oh, half of my heart's got a grip on the situation
Half of my heart takes time
Half of my heart's got the right mind to tell you that
I can’t keep loving you
Oh, half of my heart


Oh, metade do meu coração tem o controle na situação
Metade do meu coração leva tempo
Metade do meu coração tem a mente certa para dizer a você
Que eu não posso continuar te amando
Oh, metade do meu coração

I was made to believe I'd never love somebody else
I made a plan, stayed the man who can only love himself
Lonely was the song I sang
'Til the day you came
Showing me a better way and all that my love can bring


Eu fui feito para acreditar que eu nunca amaria
ninguém
Eu fiz um plano: continuar sendo o homem que ama
apenas a si mesmo
Sozinha foi a canção que eu cantei
Até o dia que você apareceu
Mostrando-me um melhor caminho e tudo o que meu amor pode trazer

Oh, half of my heart's got a grip on the situation
Half of my heart takes time
Half of my heart's got the right mind to tell you that
I can’t keep loving you
Oh, half of my heart
with half of my heart


Oh, metade do meu coração tem o controle na situação
Metade do meu coração leva tempo
Metade do meu coração tem a mente certa para dizer a você
Que eu não posso continuar te amando
Oh, metade do meu coração
Com metade do meu coração

Your faith is strong
But I can only fall so far so long
Time to hold, later on
You will hate that I never gave more to you
than half of my heart
But I can't stop loving you
But I can't stop loving you
But I can't stop loving you


A sua fé é forte
Mas eu posso apenas cair até agora, até mais
Tempo para esperar, mais para a frente
Você vai odiar que eu nunca dei mais para você
Do que metade do meu coração
Mas eu não posso parar de amar você
Mas eu não posso parar de amar você
Mas eu não posso parar de amar você

e eu cantávamos um para o outro, sussurrando no ouvido a única coisa em que tínhamos certeza de que nunca aconteceria: O amor acabar e nós pararmos de amar um ao outro.

With half of my, half of my heart
Oh, half of my heart
Half of my heart's got a real good imagination
Half of my heart's got you
Half of my heart's got a right mind to tell you
That half of my heart won't do


Com metade do meu coração, metade do meu coração
Oh, metade do meu coração
Metade do meu coração tem uma imaginação realmente muito boa
Metade do meu coração tem você
Metade do meu coração tem a mente certa para te dizer
Que metade do meu coração não vai ser suficiente

Half of my heart is a shotgun wedding to a bride with a paper ring
Half of my heart is the part of a man who's never
trully loved anything

Oh, half of my heart
Oh, half of my heart
Half of my heart
Oh, half of my heart
Half of my heart
Oh, half of my heart
Half of my heart


Metade do meu coração é um casamento forçado de uma noiva com um anel de papel
Metade do meu coração é a parte de um homem que nunca realmente amou coisa alguma

Oh, metade do meu coração
Oh, metade do meu coração
Metade do meu coração
Oh, metade do meu coração
Metade do meu coração
Metade do meu coração
Oh, metade do meu coração

cantou a música inteira com nossas testas coladas e seus olhos fixados em mim. Minha perna estava bamba e nem parecia que eu estava com ele há um ano. Eu estava sentindo sensações novas, mas eu já deveria estar acostumada. Com era assim, cada dia que passava você descobria uma coisa nova nele e no seu jeito perfeito de ser.

- Está na hora da última surpresa da noite, meu amor.
- Mais uma ?
- Vem, essa é especial.

Saímos à francesa da festa, onde todos provavelmente iriam ficar por mais algumas horas. falou algo que eu não ouvi com o recepcionista do hotel e então ele lhe entregou uma chave. Seguimos para o décimo quinto andar, apenas trocando olhares apaixonados.

- Espero que você goste do que eu fiz.
Ao dizer isso, abriu lentamente a porta da suíte e eu me deparei com uma decoração muito bem pensada, iluminada apenas com várias velas espalhadas pelo quarto. Algumas fotos nossas em lindos porta-retratos e uma cama enorme, coberta por um jogo de cama branco e pétalas de rosas, também na mesma cor.
- Olha, eu pretendo fazer com que esse momento seja o mais especial de todos que nós já tivemos. Foram vários, mas esse tem que ser especial. – ia falando e me virando. Encostou minhas costas no seu tronco e começou a beijar meu ombro. - Eu te amo muito , eu amo tanto que chega a doer aqui dentro – Ele pegou minha mão e a posicionou no meu peito, meu coração batia acelerado e minha respiração estava falha. – Amo ficar olhando enquanto você dorme, amo o sorriso que você me dá quando acorda, amo o jeito que você aninha o no sofá quando ele não aguenta ver algum filme e dorme no seu colo, eu amo o seu jeito de encarar as coisas e eu amo o jeito que você me faz te amar. Eu quero te amar hoje como eu nunca amei e como eu vou amar para sempre.

Uma lágrima brotou em meu rosto e ela foi rapidamente seca pelas mãos carinhosas de . Eu não tinha palavras para descrever o momento que eu estava vivendo. Tudo era tão especial e intenso. Eu quero ficar assim pra sempre.

- Você me faz a mulher mais feliz do mundo.
- E eu amo poder dizer que isso é recíproco.

Cuidadosamente foi abrindo o zíper do meu vestido e conforme ele o abaixava, beijos eram depositados em minha pele, traçando um caminho. Ele ficou em minha frente, tirando meus brincos e os colocando em cima de uma cômoda que ali estava. Soltou meu cabelo, formando ondas naturais que ele tanto amava. Passou sua mão, fazendo um carinho gostoso em meu rosto que me fez fechar os olhos e apenas tirar os pés que estavam dentro do vestido, agora no chão. Tirei sua jaqueta, desamarrei sua gravata e fui desabotoando vagarosamente sua camisa.
Quando seu colo já estava à mostra, deitou-me na macia cama e assim, se pôs em cima de mim.
Em alguns segundos depois, não restava mais nada que pudesse nos impedir de nos amarmos do jeito que sempre fazíamos. Eu adorava me sentir protegida no abraço dele. Como sempre, fui ao céu e voltei, repousando minha cabeça em seu tronco, coberta apenas por um leve e macio lençol branco.

- Gostou da surpresa?
- Você só pode estar brincando, . Foi a melhor de toda a minha vida.
- Sabe , eu não consigo mais me imaginar sem você.
- Eu também não. – Eu disse, virando minha cabeça um pouco para cima, para poder olhar e notei que um sorriso bobo estava estampado em sua face.
- Ficaria melhor se você aceitasse logo se casar comigo não é, senhorita?
- Ah , a gente já conversou sobre isso. Um passo de cada vez, por favor? – Eu o olhei suplicante. Não que eu não quisesse me casar com ele um dia, mas tudo tinha o seu tempo.
- Tudo bem, eu aguento.
- Como você é dramático! – Eu disse, rindo.
- Amor, quais são os seus planos? – Ele me perguntou sério.
- Me casar com você em alguns anos, comprar uma casa maior para os nossos filhos.
- Espera – sentou-se rapidamente e me encarou sério – Você está falando sério? Quer mesmo ter filhos comigo?
- É claro que sim. É uma pena que eu não tenha te conhecido há uns três anos e que não seja seu filho.
- Mas se ele fosse meu filho, ele não seria o . Bem, seria porque eu amo esse nome e você também. Mas, não seria ele, entende?
- Entendi sim, mas você não precisa ser o pai dele, ele te ama do mesmo jeito.
- Mas, então, você quer ter mais ou menos quantos filhos comigo, hein?
- Hm, mais uns quatro tá bom!
- Ainda bem que eu tenho um bom dinheiro guardado na poupança.
- !
- Estou brincando amor, você também está né?
- Em que parte? – Eu ri com a pergunta dele.
- Na parte dos quatro filhos...
- Sim pirilim! – Eu imitei e gargalhou. – Quero ter uma menina com você, para ser a nossa princesinha.
- Olha que eu topo, hein?
- Você topa, é? – Eu disse, beijando-o no pescoço.
- Que tal treinarmos agora?
- Agora, ? – Olhei abismada.
- I’m a sex machine ready to reload! cantou a parte de Don’t Stop Me Now e me fez gargalhar. E bem, o que nós fizemos agora eu não vou narrar novamente.


Capítulo onze.

Três anos mais tarde...

Depois de três anos, a minha vida não mudou muita coisa, ela continuava trabalhando no mesmo ritmo, na mesma intensidade. estava crescendo cada vez mais rápido e estava se tornando um lindo menino, agora com seis anos de idade. e eu estávamos namorando ainda e pelo visto ele finalmente realizaria o que tanto vinha me pedindo, desde o nosso primeiro ano de namoro. Mas isso era um segredo que eu não diria a ele ainda.
Meu trabalho continuava o mesmo, a revista vinha ficando cada vez mais importante e isso resultava em muitos papéis e eu chegando em casa muito cansada no final do dia. McFLY vinha trabalhando em um novo projeto e isso vinha ocupando muito a pobre cabeça do meu namorado...

- Hey baby, você vai poder sair para almoçar hoje? perguntou-me, em uma de suas pontuais ligações matinais para o escritório.
- Hoje não amor. Meu chefe me entupiu de resenhas e coisas do tipo. Você pode pegar o na escola?
- Era isso mesmo que eu ia ver com você. Ia chamar todo mundo para almoçar fora hoje, mas como você não pode, vamos só eu e ele então. Vou aproveitar que o Fletch me deu a tarde de folga hoje e vou dar uma voltinha com ele, algum problema?
- Nenhum!
- Tá comigo, tá com Deus, você sabe né?
- Tenho certeza! Te amo e cuidem-se.
- Amo você mais. Beijos.

Vamos lá pequena , um mundo de papéis te espera!

’s POV.

Eu estava no meu carro esperando que saísse. O sinal bateu e eu notei que ele estava saindo com a sua professora.

- Sr. ? – Sra. Elisabeth disse, pedindo que eu abaixasse o vidro do carro.
- Em que posso ajudá-la? Oi campeão! – Eu perguntei e cumprimentei , que entrava no banco de trás.
- anda muito estranho ultimamente. Eu gostaria de conversar com a um dia desses, se fosse possível.
- anda muito ocupada nesses últimos dias, e eu também estou. Mas, se a senhora não se importar, nós podemos conversar agora, eu relato tudo para ela mais tarde em casa.

A senhora Elisabeth concordou com a cabeça e pediu que eu a acompanhasse. estudava em uma escola tradicional de Londres, daquelas que pareciam um castelo mal-assombrado e que os alunos tinham que andar com terno e gravata. Isso não tinha saído de moda não? Deixei brincando numa salinha e fui até a sala dos professores. Realmente, ele estava muito quieto hoje. Será que tinha aprontado alguma coisa?

- Pode falar senhora Elisabeth. Sou todo ouvidos.
- Durante as aulas que eu tive na sala de essa semana, notei que ele anda muito quieto, o que normalmente ele não é. Sempre é uma criança ativa, falante, mas ele não vem se comportando dessa forma. Noto que ele anda muito abatido e sem ânimo algum.
- Isso é realmente muito estranho, eu vou passar a notar esse comportamento e também vou conversar com a sobre isso. Muito obrigado!
- Não há de que, querido. foi aluna dessa escola por muitos anos, eu tenho um imenso carinho por ela e também por . Qualquer problema que vocês tiverem e que estiver ao meu alcance...
- A senhora será informada. Muito obrigado mesmo. Qualquer novidade nós entraremos em contato. Agora, se me der licença, deve ter alguém com muita fome na outra sala.

Deixei a sala dos professores e então, fui ao encontro do . Fiquei parado na porta o observando por alguns segundos. Ele não transmitia nenhuma emoção ou vontade de estar ali brincando e isso não combinava nem um pouco com ele.

- Hey buddy. O que está acontecendo?
- Oi titio... Eu não sei o que está acontecendo comigo...
- Hey! Você já um homem. Macho que nem eu, não é? – Vi concordar com a cabeça sem hesitar – Então, eu sei o que eu passo, você tem que saber, pelo menos os sintomas. Você já tem seis anos! – Eu tentei falar da forma mais engraçada o possível, mas não adiantou muito.
- Eu ando muito cansado, sem vontade de fazer nada, titio...
- E isso não se resolve com um belo sorvete no parque depois do almoço? Quem sabe você não me mostra mais de suas habilidades naquele treco que fica de cabeça para baixo?
- Só se for agora!

Sorri com a animação dele, e mesmo sabendo que não era mais nenhum bebezinho, não resisti e o peguei no colo, fazendo o caminho de volta para o carro.
Almoçamos em um restaurante italiano perto do parque que ele mais gostava de brincar e pelo menos ele se alimentou bem. Meio contra a vontade, mas eu meio que o obriguei.

- Eu não tenho certeza se eu estou com forças o suficiente para encarar esse brinquedo. Vamos fazer assim, eu fico aqui sentado descansando, como um belo cara de quase trinta anos faz e você me mostra o que sabe fazer nele, ok?
- Feito. – Observei seguir caminhando lentamente até o brinquedo. Ele subiu a escada lateral e com cuidado, colocou suas pernas para que pudesse ficar com apoio e então, conseguiu ficar de cabeça pra baixo.
- Esse é meu garoto! – Eu disse me levantando e o aplaudindo, bem babão mesmo.
Percebi que não respondeu nada e ficou parado, quieto e cada vez mais branco.
- ? Tá tudo bem? – Quando dei meu primeiro passo, vi desmoronar de lá de cima e cair no chão com força. – ! Hey campeão, o que houve? Fala comigo!
- Ahn? Titio, eu... Eu est-estou vendo dois de você...
- Calma, deve ter sido a pancada. Vem, vamos nos sentar ali. – O peguei no colo e ele reclamava muito de dor na cabeça e nas costas. – Que belo tombo hein cara! – Já sentado e com no meu colo, eu verificava se estava tudo bem com ele. – O que aconteceu? Bobeou, foi?
- Não... Eu fiquei meio tonto e não consegui me segurar ali, foi só isso titio.
- Isso que dá a gente ter vindo logo depois de almoçar. Não conte pra sua mãe sobre esse detalhe, senão ela me mata.
- Certo. – concordou no meio de algumas risadas.
- Você me deu um susto...
- Desculpa, eu não tive a intenção.
- Campeão, campeão! Vou falar para a colocar mais ferro na sua comida. Agora vem, vamos para casa.

’s POV.

Só porque eu não pude aproveitar a tarde com os meus amores, o meu trabalho fluiu e eu cheguei mais cedo em casa. Não passaram-se nem vinte minutos e abria a porta do apartamento com um adormecido nos braços.

- dormindo essa hora? Cinco da tarde? – Perguntei logo de cara.
- Também achei estranho amor, quando cheguei na garagem notei que ele havia dormido. Espera aí, vou ali colocá-lo na cama e volto pra conversar com você.

Alguns segundos se passaram e então juntou-se a mim no sofá.

- Sra. Elisabeth veio conversar comigo hoje.
- Sra. Elisabeth? Professora do ? – Perguntei confusa.
- A própria. Veio dizer que anda meio desanimado nas aulas...
- Só nas aulas? Ele ‘tá na idade, né amor...
- Não. Aí é que tá. Hoje depois do almoço, eu o levei no parque e ele continuava com esse desânimo todo. Chegou até a perder a concentração e cair de um brinquedo.
- Cair de um brinquedo? Como?
- Ele ‘tava literalmente pendurado de cabeça para baixo e, do nada, ficou branco e desmoronou.
- , você está me assustando! – Eu disse e num impulso já estava de pé.
- Ele apenas reclamou de tontura. Calma, amor, deve ser um começo de gripe ou algo parecido. Tá começando o inverno e o sempre fica doente nessa época do ano.
- Tomara que você esteja certo.
- E vou estar. Ele vai ficar com febre, reclamar horas e horas de dor de garganta, você vai preparar milhares de copos com leite quente e mel pra ele tomar e o resultado vai ser um fungando a noite toda no meio da nossa cama.
- É, você está certo. Obrigada por ter pegado ele, eu estava atolada, mas consegui finalizar tudo e até cheguei em casa cedo!
- E eu mando o coro de aleluia cantar quando?
- Ah, bobo! Vem, vamos para o quarto?
- Hoje eu vou ter que ir para casa, minha princesa. Combinei com os rapazes, processo de álbum novo e isso resulta em noites e noites em claro escrevendo músicas! Mas amanhã bem cedo eu vou estar aqui.
- Tudo bem então. Qualquer coisa que eu precisar com o , posso te ligar?
- Você deve me ligar! Amo você. – disse já de pé, beijando a ponta do meu nariz e eu roubei um selinho, então ele seguiu para a sua casa.

Capítulo doze.

Segui até o quarto de e o mesmo dormia como um pequeno anjo, como ele realmente parecia com um. Caminhei lentamente e sentei-me na sua cama.

- Hey sweetheart, não queria te acordar, volte a dormir...
- Hey mamãe.
- Você não quer me contar o que está acontecendo? Sua gripe anual está chegando? – Eu disse, fazendo carinho em sua cabeça.
- Se ela está chegando, tá vindo muito forte.
- Nós vamos acabar com ela!
- Sempre fazemos isso, né mamãe?
- Sim. Agora durma, vou fazer o mesmo. Qualquer coisa que você precisar, é só me cutucar, você sabe disso.
- Ok, eu te amo mamãe.
- Eu também filho, mais do que tudo no mundo.

Como num passe de mágica, ele voltou a dormir e eu fui para o meu quarto.

- Cadê o meu filho?
- Alguém a segure, por favor?
- Eu quero ver o meu filho!
- Você não vai poder vê-lo agora!
- , por favor segure e tire ela daqui.
- , meu amor, vamos... Não vai adiantar em nada isso.
- ! O que está acontecendo com ele? Alguém me responde! AGORA!
- EU JÁ DISSE PARA TIRÁ-LA DAQUI!
- , me solta!
- Vem , por favor!
- , !

- !

Acordei assustada, suando e chorando. Olhei para o lado e estava tudo normal, minha cama vazia, minha porta fechada, somente o som do radinho de pilha da minha empregada estava no ar.

- Bom dia Srta. , já preparei seu café da manhã. – Jane disse assim que eu cheguei à cozinha.
- E ? Não acordou ainda? – Estranhei. Normalmente ele sempre acordava antes que eu.
- Não. Eu fui até o quarto dele assim que eu notei que o pequeno não havia acordado ainda. O chamei, mas ele apenas abriu os olhos e virou-se de lado voltando a dormir. Achei estranho, sempre tão ativo. Às vezes até acordado quando eu chegava.
- Nem me fale Jane, ele anda muito estranho. Bom, eu vou até o quarto dele. Já volto para o café.

Jane concordou e eu segui até o quarto do meu filho, que realmente estava dormindo profundamente.

- Hey little, é hora de acordar e ir para a escola, mocinho... – Disse me sentando na cama e fazendo cafuné em sua cabeça.
- Nã... Não consigo mamãe...
- Preguicinha amor? Vamos campeão. Hora de levantar. – Dizendo isso, fiz carinho em suas costas, até que intencionalmente levantei um pouco sua blusa, notando algumas manchas roxas, pequenas no lugar. – Hey baby, o que foi isso aqui? Parece estar machucado, foi do tombo de ontem? ?

estava pálido e não conseguia reagir aos meus chamados. Saí correndo do quarto e pedi que Jane colocasse uma roupa nele e que o fizesse rápido, enquanto eu ligava para .

- Hey amor, bom dia... Já estou saindo de casa e indo para a sua.
- Me encontre no hospital, lá eu explico.

Dirigi o mais rápido que eu pude até o hospital e sempre olhava para trás, continuava na mesma, abatido e isso estava me preocupando muito.

- Bom dia Srta. , vim o mais rápido que eu pude – Dr. Paul disse, ele era o pediatra desde que nascera e no meio do caminho eu o telefonara, dizendo que era uma emergência. – O que está acontecendo com o garotão aqui?
- Sem apetite, sem ânimo, palidez, tonturas e algumas manchas estranhas nas costas, o que eu acredito que tenham sido causadas pelo tombo que ele levou ontem.
- Pode me acompanhar? Quero examiná-lo.
- Hey baby! Cheguei a tempo! – Um completamente sem fôlego chegou correndo.
- Estamos entrando, o Dr. Paul vai examinar o , vem... – pegou do meu colo, me deu sua mão, um olhar confiante e seguimos até onde o Dr. Paul nos indicara.

- Parece que o pequeno campeão pode estar com anemia, mamãe... – O médico disse, checando algumas coisas em . - Anemia? Crianças nessa idade não têm mononucleose, né? – Eu perguntei parecendo bastante assustada e Dr. Paul deu uma risadinha baixa.
- Fique calma, nós vamos precisar de alguns exames de sangue.

Logo que saímos da sala do médico, eu e levamos para fazer os exames. Queríamos que isso acabasse logo e que realmente fosse uma "anemia qualquer".

Uma semana se passou até que os resultados ficassem prontos e não mostrava nenhuma melhora, mesmo ficando em casa, se alimentando – de um modo forçado – bem e descansando muito. No meio da manhã, e eu fomos até o hospital onde Dr. Paul estava atendendo e deixamos com Jessica, com muitas recomendações.

- Vamos ver o que esses papéis podem nos dizer. – Dr. Paul abriu os resultados e ficou uns dois minutos analisando minuciosamente os exames que tinha em mãos.
- Er, o senhor está vendo alguma coisa de anormal aí? Pela demora... – Eu resolvi dizer, eu estava muito agoniada com a situação e ele também não estava ajudando em nada.
- A taxa de glóbulos brancos está muito baixa. – Dr. Paul finalmente disse alguma coisa e a sua expressão estava séria, preocupada.
- E o que isso pode significar? - Perguntei aflita.
- Bom, o laborátorio pode ter errado. Só um minuto.

Ele levantou-se e eu olhei para com desespero. Afinal, o que aquilo significava? Em poucos minutos, o médico retornou à sala trazendo consigo um homem que eu nunca tinha visto na vida. Entregou à ele os exames e começou tudo de novo. Os dois estavam no canto, conversando e eu não conseguia ouvir nada.

- Srta. ? Vocês podem me acompanhar até minha sala?
- Claro! Dr...
- Dr. Gregory, desculpa se não me apresentei, vamos? – Eu e concordamos e então o seguimos.
- Então doutor, eu estou realmente confusa com tudo o que está acontecendo, nunca ficou desse jeito, desanimado, tonto, sem fome, pálido. O Dr. Paul me disse que a taxa de glóbulos brancos dele estava muito baixa e eu realmente não sei o que isso quer dizer. – Eu desabafei, estava ao meu lado, repousando sua mão no meu quadril, me passando segurança.
- A senhorita não gostaria de sentar?
- Não, a única coisa que eu quero é que o senhor me explique logo o que está acontecendo com o meu filho.
- Senhorita , nesse exame de sangue diz que o seu filho apresenta 12% de promielócitos e 5% de blastos.
- E o que diabos isso significa? Por favor, seja mais específico, não foi em medicina que eu me formei.
- Calma, amor...
- Isso quer dizer senhorita , que, o seu filho está num quadro leucêmico.
- Leucêmico? – Perguntei, pedindo que não fosse verdade o que eu estava pensando.
- Câncer. – Dr. Gregory disse, simplesmente. – Vou deixar vocês dois aqui sozinhos, qualquer coisa que precisarem, eu estarei na sala dos médicos.

Eu nunca havia me sentido daquele jeito antes. Parecia que eu tinha acabado de levar uma facada e que nada nem ninguém poderia estancar a dor. estava estático, assim como eu. Ninguém falava nada, ninguém se olhava. Tudo era muito dolorido, tudo era muito difícil de ser feito.

- E... Agora? – pronunciou-se, eu o olhei, meus olhos eram pura água, fiz um movimento com os ombros querendo dizer um “não sei” e desmoronei.
- Você ouviu o que ele disse? O meu filho... A coisa mais preciosa do mundo está doente, ele pode morrer de câncer. , o que a gente vai fazer agora? Por favor, tem que ter alguma solução. O meu bebê, não, não pode... – Eu ia dizendo coisas sem nexo, derrubando milhares de lágrimas e senti os braços de me envolver.
- Calma, calma... Shhh. A gente vai dar um jeito nisso. Tudo tem solução. Câncer também tem...
- ... O é uma criança de seis anos. Eu não quero vê-lo sofrer, eu não sei o que fazer... Meu Deus, por favor, me ajuda!
- Hey, você é forte, lembra? Você sempre encarou tudo sozinha, mas agora pode contar comigo. Nem tudo está perdido, tem que saber que está doente, até pra ser mais fácil o tratamento. Por favor, meu amor, você precisa ser mais forte do que nunca agora.

estava certo, era uma batalha a ser vencida e eu iria vencer. Levantei minha cabeça, enxuguei minhas lágrimas e pedi a ele que me levasse para casa.
Chegando lá, ao ver meu pequeno príncipe eu tive uma vontade louca de abraçá-lo, chorar, mas dizer que tudo ficaria bem. me olhou fazendo com que eu tomasse coragem e eu concordei com a cabeça. Peguei no colo, o abracei o mais forte que eu pude e segui com ele para o seu quarto.
- Oi mamãezinha – disse, já deitado, brincando com os dedos de minha mão.
- Quanto tempo que você não me chama assim...
- Fiquei com vontade. Você e o titio voltaram do médico? – Concordei com a cabeça – E... Eu tô doente? Como todo ano?
- Amor, esse ano vai ser um pouco mais difícil. Um bichinho muito feio entrou no seu corpo sem ser convidado. É por isso que você tá sentindo tudo isso, essa dor no corpo, esse cansaço, tonturas...
- E a gente vai ter que expulsá-lo logo, né mamãe?
- Sim. Mas para isso, eu acho que seria melhor a gente se mudar temporariamente.
- Para onde?
- Dr. Paul disse que tem um quarto pra você lá na clínica dele, com aquelas camas que você pode subir e descer todo o tempo.
- Eu acho legal essas camas... Acho que pode ser divertido.
- Vai ser, a gente vai rir disso depois. Agora você vai prometer pra mamãe que vai deixá-los cuidar de você direitinho tá bom?
- A mamãe promete que eu não vou sentir dor?
- Prometo meu amor, eu prometo.

Algumas semanas se passaram desde a descoberta da doença e estava se acostumando com o quarto do hospital. Eu havia decidido que era melhor mantê-lo perto de médicos do que em casa. Estava fazendo de tudo para protegê-lo.
Dr. Gregory passou a cuidar do caso, já que era sua especialidade como oncologista. Sempre estava presente, fazia visitas diárias e me mantinha informada de qualquer novidade.
sempre estava comigo também, apesar de eu nunca querer ir para casa, ele me obrigava alegando que para eu cuidar de , eu tinha que estar bem. Era uma segunda-feira chuvosa, e o frio estava tomando conta de Londres, somente eu e naquele quarto de hospital. Ele dormia e eu estava lendo alguma coisa nos jornais.

- Senhorita ?
- Hey Dr. Gregory, tudo bom?
- Sim e como vai o nosso campeão?
- Do mesmo jeito. Continua fazendo aquele tratamento via oral que o senhor receitou, mas, eu não consigo ver melhoras nele.
- É justamente sobre isso que eu quero conversar com você. Eu vou chamar uma enfermeira para ficar aqui, caso o acorde e não tenha ninguém e assim, podemos ir conversar em minha sala? – Concordei e olhei para que dormia feito um anjo. Eu não sei se eu estava preparada para qualquer coisa que pudesse ser dita naquela sala.

Segui o médico em silêncio, entramos na sua sala e o mesmo começou.
- Então, eu vou ser direto com a senhorita.
- Pode falar doutor, estou ouvindo.
- Onde está o pai da criança?
- O que isso pode interferir agora?
- O que isso pode interferir? Isso pode interferir em tudo. O seu filho não está reagindo à medicação oral, o seu quadro só piora a cada dia que passa. Ele vai precisar de um transplante de medula óssea o mais rápido possível e temos que achar um doador compatível.
- Eu posso ser compatível!
- Eu estou realmente rezando para que você seja, caso o contrário, querendo ou não, a senhorita vai ter que procurar o pai dessa criança ou o seu filho vai morrer. - Por que o senhor tem que dizer as coisas desse jeito? - Eu estou dizendo a verdade senhorita , eu não sou pago para enganar as pessoas e sim para tentar curá-las. E eu realmente quero curar o seu filho, mas para isso, a senhorita vai ter que me ajudar e ajudar a ele também.
- Quando eu posso retirar o material da medula para o teste de compatibilidade?
- Pode tirar agora, se você quiser. Faço o mesmo com o .
- Vamos então.

Eu estava determinada a salvar o meu filho. Eu nunca precisara de ninguém para criá-lo e eu tinha que salvá-lo sozinha, o meu sangue tinha que ser compatível.

Quase duas semanas depois o resultado do exame saiu, e eu não fiquei nem um pouco feliz. Meu sangue não era compatível para o transplante. E agora o que eu iria fazer? Todos estavam me dizendo que eu era obrigada a procurar o pai de , ver se ele era compatível e se não fosse, provavelmente eu teria que tentar ter um filho com ele e ver se o mesmo iria nascer podendo doar o sangue para o irmão. E as chances disso acontecer? Nulas. Eu mal sabia por onde começar a procura. A clínica depois de seis anos, podia ter deletado ou jogado fora os dados do doador dos espermas. E se eu o achasse? Ele poderia estar casado, com filhos e me achar uma louca. Estava no seu direito.

- Mamãe?
- Oi filho, tá sentindo alguma coisa?
- Você me prometeu...
- O que, bebê?
- Que eu não ia sentir dor...
- Está doendo muito? – Vi concordar e deixar cair uma lágrima.
- Se eu pudesse trocar de lugar com você, eu preferiria mil vezes a te ver assim, meu príncipe.
- Shush mamãe. Você precisa viver e casar com o titio .
- Eu não vou viver sem você.
- Eu vou cuidar de você, mamãe.
- Sabe que, toda vez que eu olho em seus olhos, eu consigo ver um pedação do céu neles? E toda vez que eu olho para eles, eles me passam segurança e uma alegria indescritível.
- Deve ser porque você consegue se ver dentro deles. Você me transmite a mesma coisa, mãe.
- Eu vou estar sempre do seu lado, eu não vou deixar nada de ruim acontecer com você, tá me ouvindo?
- Só não chora, mãe... Por favor.
- Por que você sempre foi maduro? Enquanto eu ‘tô aqui, parecendo sua filha. Eu ‘tô parecendo ter seis anos, enquanto você parece mais adulto do que eu.
- Você me ensinou bem mamãe.
- Eu te amo, muito!
- Eu te amo também, minha rainha.

Capítulo treze.

’s POV.

Olhei em meu relógio e o mesmo marcava seis da tarde. Eu estava saindo de uma reunião na gravadora, cuja eu não havia prestado a mínima atenção. Minha cabeça só conseguia pensar em e em naquele hospital e vivendo tudo aquilo. Peguei meu carro e como sempre em Londres naquela hora, tinha um engarrafamento dos diabos. Tentei ligar para o celular de , mas este estava desligado. Depois de tortuosas horas no trânsito, consegui chegar ao hospital.

- Jessica? O que está fazendo aqui? Cadê a ?
- Ah oi . Ela me ligou há algumas horas dizendo que precisava sair daqui e me pediu que ficasse com .
- E ela foi pra onde?
- Ela não disse. Só disse que precisava ficar sozinha e pensar.
- Alguma coisa de errado?
- Ela fez o teste de compatibilidade de medula e deu negativo.
- Ah droga! Eu vou atrás dela, esteja onde ela estiver.

dormia profundamente e nem notou minha presença no quarto. Beijei o topo de sua cabeça e me despedi de Jess.
O carro de estava estacionado na frente do apartamento, era um ótimo sinal, ela não estava por sei lá Deus sabe onde.

- Baby? Onde você está?
Adentrei o apartamento e tudo estava fechado, olhei para o chão e pude notar algumas garrafas de vodca espalhadas e desmaiada no mesmo lugar.
- ! Por favor, fala comigo, por favor!
- Ahn? ? – Ela mal conseguia falar meu nome. Rapidamente a peguei no colo e levei para o quarto.
- Ah , por que você fez isso? Quer se matar? Vem, eu vou te dar um banho.
Enchi a banheira, mas antes, a coloquei embaixo do chuveiro para uma ducha realmente gelada.

- Ah ! Você está louco?
- Não! Você é que está, agora vem, entra aí na banheira.
- Hey, por favor, não sai, fica aqui comigo...
- , o que deu em você? Por que isso agora?
- Eu só queria me esquecer de tudo o que ‘tá acontecendo agora. – encostou a cabeça na borda da banheira e começou a chorar. – Eu fracassei, , eu fracassei.
- Do que está falando, amor?
- Eu fracassei como mãe. Eu tinha tudo planejado na minha cabeça. Eu tive o sozinha, eu nunca precisei de ninguém que me ajudasse a criá-lo, a educá-lo, eu sempre fiz tudo sozinha! Nem mesmo a ajuda dos meus pais eu precisei e olha para mim agora! Acabei de me embebedar, para afogar a minha derrota.
- Do que exatamente você ‘tá falando?
- Eu preciso de alguém para salvar a vida do meu filho. Alguém que eu nem sequer conheço! Eu não sou compatível para doar a medula, eu preciso procurar o pai dele ou ele morre, você ‘tá entendendo? Ele pode morrer se eu não fizer isso.
- Amor, aconteça o que acontecer, e qualquer decisão que você tomar, eu vou te apoiar. Agora vem, vamos sair dessa banheira e colocar uma roupa quente.

Esperei que saísse do banheiro e isso demorou uns cinco minutos. Eu a esperava na sala, minha vontade era de chorar e colocar tudo o que eu estava sentindo para fora, mas nem mesmo ela que costumava ser dura feito uma rocha estava conseguindo, eu definitivamente tinha que ser forte agora.

- Está se sentindo melhor? – Eu perguntei, fazendo carinho na cabeça dela, que estava deitada no meu colo.
- É para falar a verdade?
- Não precisa dizer nada, se você não quiser...
- A única coisa que eu quero agora é ter o meu filho de volta. Aquele que corria nesse apartamento quase quebrando os móveis. Aquele que te atropelou no supermercado. O que falava pelos cotovelos, que não gostava da sua ex-namorada e que até destruiu seu carro quando você pediu. Eu o quero saudável de novo e acordar desse pesadelo que eu ‘tô vivendo agora.
- Eu não quero parecer que estou te obrigando a fazer alguma coisa, mas, você sabe muito bem por onde começar.
- A começar a tentar salvá-lo? – Ela me perguntou e eu concordei com a cabeça lentamente. – Você ‘tá certo. Eu definitivamente notei que eu não posso querer agarrar o mundo com os meus braços e eu vou parar de ser orgulhosa.
- Você quer dizer que...
- Eu quero dizer que eu vou sim, procurar o pai dele.
- Na situação que nós nos encontramos amor, é a melhor decisão a ser tomada. Eu te apoio cem por cento.
- Obrigada . Qualquer outro homem no mundo já teria deixado o barco há muito tempo.
- Não eu, e não quando esse barco tem você e dentro.

’s POV.

estava sendo meus braços e minhas pernas naquele momento. Se não fosse ele me estimulando e dizendo para continuar, eu já teria desistido há algum tempo. Sentia-me extremamente envergonhada pela cena que o fiz passar ao me achar bêbada, desmaiada na minha sala, tentando fugir de tudo aquilo que estava me perseguindo.
Eu tinha que pensar em . Eu sempre pensei nele e não era hoje nem amanhã que eu pararia. Se essa fosse a única chance que ele tinha, eu ia agarrá-la com todas as minhas forças. Se o pai dele tivesse algo contra, eu poderia até dopá-lo e fazer com que ele doasse o que precisava à força, mas eu ia salvá-lo e não era nem meu instinto materno que estava falando, e sim, meu instinto de sobrevivência, sem eu não conseguiria viver e isso eu descobri na primeira vez que eu o vi em meus braços.

- Amanhã de manhã eu vou fazer meu teste de compatibilidade com o disse, fazendo carinho em meus cabelos.
- Tem certeza disso, amor?
- Nós não podemos desperdiçar nenhuma chance.
- Obrigada... – Eu me sentei, olhando para ele. – Eu não sei o que seria de mim sem você nesse momento.
- Você seria o mesmo que eu, nada.

Os médicos decidiram isolar em um quarto onde ele não poderia mais receber visitas, para a minha angústia. Ele estava cada dia pior e cada minuto que se passava era perdido.
Acordei no outro dia de manhã cedo e fui procurar a minha médica.

- Dra. Amber? Sua paciente deseja vê-la. – Ouvi a secretária dizer e então a mesma pediu que eu entrasse.
- ! Quanto tempo você não aparece por aqui, só nas suas consultas anuais. O que houve? Algum problema?
- Sim. E eu preciso muito de sua ajuda.

Expliquei tudo, desde o início e ela parecia bem chocada. Pedi a ela que me acompanhasse até a clínica de fertilização, como ela estava comigo durante todo o processo, poderia ser mais fácil do que eu chegar e pedir tudo sozinha. Sozinha, é engraçado isso né? Eu que sempre fizera tudo sozinha, agora estava precisando do mundo inteiro praticamente.
Ficamos uma meia hora tentando convencer o pessoal da clínica. Falamos com médicos responsáveis, vice-diretores, diretores. Se fosse necessário eu falaria até com Deus. Depois de um pequeno tumulto, eu e Amber saímos com um envelope que continha o endereço do doador e seu nome, cujo eu não quis ver.

- , para que isso agora? – Amber perguntou.
- Amber, eu estou indo lá, não estou? Eu vou olhar para a cara dele daqui a pouco, nós vamos conversar, eu vou explicar tudo e eu vou saber o nome dele. Eu não quero abrir esse envelope, – Eu disse mostrando o envelope a ela – ver o nome dele e ficar imaginando alguém que o meu filho sempre foi parecido e eu não conheci.
- Que seja como você quiser.
- Se fosse, se eu tivesse o dom de determinar as coisas, pode ter certeza que eu não iria fazer isso.
- Seja forte, amiga. – Amber disse, me abraçando. Ela chamou um táxi, eu anotei mentalmente o endereço e segui meu caminho até o lugar.

149, Old Park Lane W1K 1QZ. Esse era o endereço do pai do meu filho. Ele morava num lugar movimentado em Londres, do lado do Hard Rock Café.
Tomara que ele não seja um bêbado maluco e drogado. Tomara? Ele salvando a vida do meu filho ele pode ser o que quiser.

Era um edifício pequeno, apenas quatro andares e bem acabado. Olhei novamente a ficha e apertei o interfone no apartamento trezentos e três.

- Hello? – Uma voz de pessoa mais velha atendeu. Será que ele morava com os pais ainda? Ou será que ele pode ser essa pessoa velha?
- Er, hello, eu sou , eu gostaria de conversar com o dono desse apartamento.
- Você é da polícia?
- Não.
- Você é promotora de justiça?
- Não meu senhor, eu não sou nada que possa prejudicá-lo. Sou apenas uma editora de revistas e uma mãe desesperada. Será que eu posso subir?
- Nesse caso, pode sim.

O homem abriu a porta para mim e eu subi rapidamente. Apenas duas batidinhas na porta e ele me recepcionou.

- Em que posso ajudá-la, moça?
- Eu estou procurando o dono deste apartamento.
- Está falando com ele. – Ai meu Deus...
- Não mora mais ninguém com o senhor?
- Não minha jovem, minha esposa morreu há dois anos e meus filhos moram em Sheffield.
- Sinto muito por sua mulher... Mas, então. Já que o senhor é o dono deste apartamento, eu vou logo ao assunto.
- Estou ouvindo moça...
- O senhor por um acaso, doou espermas para uma clínica de fertilização há mais de seis anos atrás?
- Mas eu o que? Que diabos é isso minha querida? Fertilização? Doei espermas? Não! Eu nunca fiz isso na minha vida. – Ao ouvi-lo dizer isso, meu coração perdeu as esperanças.
- É, fertilização em vitro. O senhor não doou seus espermas para uma fertilização em vitro? – Insisti na pergunta.
- Não, minha jovem, eu sou da época que filho a gente faz do modo tradicional. Mas, espera aí. Você falou de clínica e doação de espermas, certo?
- Sim, foi só do que eu falei desde que cheguei.
- É aquilo que te pagam para você doar?
- Agora eu não sei, mas teve uma época, perto desse período que eles pediam doadores e davam certa quantia em dinheiro sim.
- Agora estou me lembrando... – O senhor começou.
- Que doou? – Eu o interrompi.
- Não... Mas o antigo morador desse apartamento fez isso. Ele mudou-se daqui há muito tempo e quando eu negociava a compra desse imóvel, ele comentou comigo que tinha acabado de fazer isso aí que a moça está me dizendo. Usou a grana para comprar a sua primeira se eu não me engano.
- E o senhor sabe quem é ele? Sabe onde eu posso achá-lo? Um telefone, endereço, qualquer coisa serve!
- Ah, vai dizer que você não conhece ele? – Ele me perguntou como se fosse óbvio.
- Não, eu não conheço. Deveria?
- Toda a Inglaterra o conhece, moça. , aquele que toca naquela banda, o McFLY. Moça? Moça, você tá bem? Tá branca, mulher!
- Ah, er, é que eu não esperava um nome assim, tão importante quanto o dele. Se o senhor me der licença, eu preciso ir agora. Muito obrigada.

Saí correndo daquele apartamento. Eu precisava de ar, eu precisava de ar.
Entrei no carro e encostei minha cabeça sob o volante.

- Vamos . Aquele homem pode não estar certo, pegue aquele envelope e leia o nome do pai do seu filho. – Eu disse a mim mesma, respirando fundo e pegando – com medo – o envelope.
Abri cuidadosamente e estava tudo lá.
Nome:
Altura: 1,80cm
Peso: 80 kg

Tudo o que sempre esteve estampado na minha cara, agora se mostrava da pior forma o possível. era o pai de e só. Por que ele não me disse que em algum dia de sua vida ele se prestou a doar espermas para a mesma clínica que eu fizera a inseminação? Por que ele não me contou quando soube que não era fruto de um modo tradicional? E o mais importante... Por que ele não me contou quando nós descobrimos que estava com leucemia e precisava achar o seu pai? Essas perguntas estavam martelando a minha cabeça e uma raiva imensurável estava tomando conta de mim. Por que sempre eu tinha que pensar em tudo? As pessoas não podiam nem sequer pensar um pouco e tirar o peso das minhas costas por apenas um instante? Eu podia estar pirando de vez, mas isso não era justo comigo.
Meu celular começou a vibrar do meu lado e vi o nome de no visor.
Apenas ignorei. Fui para o hospital ver como o meu filho estava, e tudo continuava na mesma. Como eu não podia mais ficar com ele, resolvi ir para casa, tomar um banho e tentar comer alguma coisa.
Depois de três horas, olhei meu celular novamente e tinham algumas ligações perdidas e mensagens, todas vindo de .

Hey baby, estive pensando o dia inteiro em você. Fique sabendo que eu já tirei o material para o exame e dei uma passadinha pra olhar o . Como foi a busca? Quero detalhes. Eu amo você.” Options – Delete message – Ok.

Por que você não está me atendendo? Aconteceu alguma coisa? Me ligue assim que puder.” Options – Delete message – Ok.

Eu ia deletando tudo o que eu havia recebido de . Até que a ouvi a porta sendo aberta.

- Oi amor! Fiquei preocupado com você. Não me ligou, nem respondeu minhas mensagens, e aí, como foi? – veio em minha direção, eu deixei o celular na mesinha de centro e ele tentou me dar um selinho, e eu virei o rosto. – O que houve, amor? Não conheceu o pai do ?
- Eu soube o nome dele. Mas, continuo sem o conhecer. – Falei seca, com as mãos no bolso do moletom que eu usava.
- O que você quis dizer com isso, ?
- Por que você não me contou que doou espermas há mais de seis anos, para a mesma clínica que eu fiz a minha inseminação artificial?
- Porque isso é irrelevante amor. Eu fiz isso para comprar a minha primeira .
- Isso NÃO É irrelevante ! Na situação que EU e MEU filho nos encontramos, isso NÃO É irrelevante porcaria nenhuma!
- Hey, o que houve? Por que você ‘tá falando comigo desse jeito?
- Hoje eu descobri a coisa que sempre esteve escancarada na minha frente. TODO O TEMPO. Você é o pai do .
- Eu o QUÊ?
- Isso mesmo que você ouviu , você é o pai do . Você foi o doador dos espermas que foram implantados em MIM, gerando o meu filho que hoje precisa de uma esperança que poderia estar com o pai dele, que SEMPRE esteve do nosso lado.
- Eu... Eu não sei o que dizer... – estava pálido e não conseguia falar coisa com coisa.
- Eu também não sei o que dizer.
- Amor isso é... – veio e aproximou-se de mim, tentando me abraçar.
- Não toca em mim.
- , mas... Eu não fiz nada de errado.
- Justo eu, que achava que sabia tudo sobre você, cada detalhe... Cada pensamento e cada atitude já tomada. Você não foi capaz de me contar sobre isso ! Sobre uma coisa que eu estou há dias sem dormir e só fico pensando. Justo eu, que nunca quis saber nada relacionado ao pai do meu filho, estava dormindo com ele, contando TUDO o que aconteceu e acontece na minha vida e na vida do meu filho e que finalmente estava começando a pensar em me CASAR COM ELE!
- Espera , isso... Isso é uma loucura, você tem que entender.
- Eu não tenho que entender nada, mais nada. Eu já entendo e penso demais. Agora, sai.
- O que?
- Sai daqui e me deixa sozinha, como eu sempre fui e nunca deveria deixar de ter sido.

Um silêncio se instalou naquela sala e eu ouvi os passos lentos de deixando meu apartamento. Pensando em tudo o que foi dito, eu caí no sofá, suspirando. A porta foi escancarada e uma Jessica apressada entrou.

- Meu Deus, o que houve? Encontrei o lá embaixo e ele tava com uma cara péssima, o que a sua não está tão diferente...
- é o pai do .
- Então, como eu ia te dizer, hoje o ... O QUÊ? O que você disse?
- É isso mesmo o que você ouviu. E eu só descobri agora, no meio desse tumulto.
- Tá, o já sabia?
- Não, claro que não!
- E então... Por que você está com essa cara? Cadê a que sempre dizia por aí que o sonho da vida dela era que o fosse o pai do ? Amiga, o sonho se realizou e você ‘tá assim, desse jeito? – Ela me perguntou, me olhando confusa e me apontando, sentada no sofá.
- Não é assim tão simples. – Eu disse, olhando para o nada.
- Ai cara, que mania besta, chata e irritante essa que você tem de tornar as coisas mais complicadas do que elas são.
- Você não entende? Por que raios ele não me contou que havia doado espermas para a mesma clínica que eu fiz a inseminação? Nunca sequer tocou no assunto!
- E você acha que ele fez isso de propósito. Oh! Ele pode ter feito isso de propósito sim, quem sabe até ter se aproximado de você e de porque ele já soubesse... Fingir estar comprando banheiras infantis me parece bem convincente. – Jessica disse, colocando sua mão no queixo.
- Será que...? – Eu a olhei e perguntei, assustada.
- Ah não! Você definitivamente não ‘tá achando isso, né? Para! Para de ser burra, pelo amor de Deus! Ele é o homem da sua vida, que você demorou tanto para achar e que por um milagre divino, é o pai do SEU filho e que pode curá-lo. Você precisa de mais o quê? Ah, claro, de um belo tapa para ver se acorda. – Eu escolhi meu melhor “não-amigável” olhar e o lancei para Jessica – É, entendi o recado. Eu vou para a minha casa, tomar um banho e relaxar. Você deveria fazer o mesmo e pensar em tudo o que aconteceu. Qualquer coisa me liga.

Capítulo quatorze.

Os raios do sol ainda não perderam a mania de me acordar. Abri meus olhos lentamente e passei a mão pelo lugar vazio ao meu lado, além do lugar, senti um vazio também no meu coração. Eu estava começando a achar que eu sempre fui severa demais com as minhas atitudes e decisões. Eu nunca voltava atrás no que eu dizia e nunca fui acostumada a me arrepender.

- Hey campeão! A gente vai ter que fazer isso, ok? – disse, tentando acalmar em cima da cama do hospital.
- É meu amor, não vai doer nada e é melhor rasparmos logo a sua cabeça. Você vai ficar lindo, o homem mais lindo do mundo!
- Confie na sua mãe príncipe, o titio só não raspa também porque não fica assim tão bonito como você vai ficar.
- Seria engraçado ver o titio com a cabeça raspada! – disse em meio às risadas. As lágrimas já estavam secas e ele estava concordando com a idéia.
- É, mas para eu não correr o risco de a sua mãe me deixar, vai só você, ‘tá bom? – disse, suplicando para e eu ria.
- Tá bom! Não tem jeito de eu ficar feio mesmo e a mamãe quem disse!
- E eu estou certa, não estou?
- Sim! Você sempre está certa! – Os dois disseram em uníssono e caímos todos em gargalhadas.


_

- Mãe, quando você e o titio vão se casar?
- Por que essa pergunta agora, senhor ?
- É porque eu gosto muito dele e quero que ele venha morar com a gente!
- Você quer que ele seja, tipo, o seu pai?
- Ah mamãe! Isso eu não preciso nem querer né, ele já é!


Algumas lembranças vieram em minha mente enquanto eu ainda estava deitada em minha cama, acolhida pelos meus lençóis brancos. Meus lençóis, minhas paredes, se vocês pudessem falar...

- Hey sweetheart, como você está se sentindo hoje? – Depois de muita insistência, roupas de proteção e uma máscara, eu consegui entrar onde estava literalmente isolado. Eu tive que certificar de que não estava com nenhuma doença, gripada e algo parecido.
- Hey mammy, eu estava com saudades de você.
- Pois é bebê... Mamãe não podia passar dessa porta, mas ficava te espiando de longe. Você anda dormindo muito, hein rapaz?
- O tempo passa mais rápido e fica mais perto de eu ir para casa. – Era o que eu mais queria, ter meu filho de volta em casa.
- Logo, logo você vai sair daqui!
- Achou meu papai, mãe? – me perguntou e eu na mesma hora gelei.
- Não! – Falei sem hesitar e sem verdade. – Mas, quando eu tiver alguma novidade eu vou te contar.
- E o titio ?
- O que tem ele, amor? – Senti um frio na barriga ao ouvir o nome de .
- Ele não veio mais aqui, estou com saudades dele também. Ele sempre me trazia um muffin de chocolate. Os médicos me deixam comer um, sabia, mãe?
- Ah, é mesmo filho? E você quer um agora?
- Ah, eu quero!
- Vou descer e comprar um para você, príncipe! Já volto.

O desejo de sempre foi uma ordem. Ao descer do prédio do hospital, vi que existia um supermercado atravessando a rua, e foi para lá mesmo que eu segui.

- Oi, boa tarde. Pode me ver um muffin de chocolate? – Pedi educadamente à moça que me atendia.
- Ora, ora, olha quem eu encontro aqui. – A última voz do mundo que eu queria ouvir, dirigiu a palavra à mim. – Como vai, senhorita-eu-roubo-o-namorado-das-outras-?
- Boa tarde para você também, .
- Como anda o meu querido ? – Ela me perguntou, com os braços cruzados e aquele ar metido que eu tanto odiava.
- Anda muito melhor do que quando estava com você. E isso eu posso garantir.
- É, aposto mesmo que ele deve estar se divertindo com o seu filho.
- Meu filho não está em condições de brincar com ninguém no momento, e se me der licença, eu estou ocupada cuidando dele no hospital e tenho que levar algo para ele comer.
- Ah, hospital, é? Coitadinho do pequeno monstro. não conseguiu salvá-lo dessa vez, foi?
- Olha aqui seu projeto de Barbie da pior qualidade, se eu não tive a oportunidade de lhe dar um belo tapa na sua cara, pode ter certeza que eu estou muito perto disso! – Eu disse, largando a minha sacola com o muffin na bancada e me virando pra ela.
- Eu não tenho medo de você, mãe solteira. Seus homens não estão aqui para te defender, e nem você pode defender a si, já que nem cuidar e deixar que seu filho ficasse doente à ponto de ir para um hospital... Bela mãe você é!

Meu sangue ferveu e eu perdi completamente a razão. Dois segundo depois e eu estava atracada com no chão do estabelecimento, até eu sentir um par de mãos me pegarem pelos ombros. Justo agora! Que eu tinha conseguido arrancar alguns fios daquele cabelo horroroso.

- ! O que deu em você? – Ah não. e o circo ficou completo.
- ! Controle essa sua namorada louca! – Ouvi uma toda descabelada falar, enquanto mantinha suas mãos em meus ombros.
- Eu devia é deixar ela te bater mais, sua ridícula!

Desvencilhei-me de e saí do supermercado às pressas.

- Hey, o que deu em você? Você nunca foi de brigar. – veio correndo atrás de mim.
- Não ouse me seguir. Não fiz aquilo por você e sim pelo meu filho.
- Você deveria pensar no que deve realmente fazer pelo seu filho! – gritou, enquanto eu atravessava a rua.
- Infelizmente, ele já não é somente meu! – Eu gritei de volta, cada um em um lado da rua. – Cabe a você decidir alguma coisa. – Eu falei e segui para o hospital, deixando sem resposta.

Alguns dias se passaram e eu fazia visitas diárias para o meu filho. Às vezes eu ficava o dia inteiro em pé, o olhando pelo vidro do quarto. O dia em que eu pude entrar foi raro e não se repetia com tanta frequência.
No dia anterior, eu havia saído no final da tarde, minhas pernas já estavam cansadas e eu realmente notei que eu precisava de uma cama. Acordei tarde, quase onze horas. Quando eu estava me arrumando para voltar ao hospital, eu recebi uma ligação, vindo do mesmo, dizendo que eu precisava me deslocar até lá no momento. Meu coração foi a mil e mesmo que eu não quisesse pensar em coisas absurdas, elas insistiam em ficar na minha cabeça.

- Dr. Gregory! O que houve? Me ligaram e eu fui até o quarto do e ele não está lá, onde ele está?
- Se preparando para o transplante.
- Oi? O senhor pode repetir? – Eu perguntei o seguindo, ele não parava de andar.
- Isso mesmo que a senhorita ouviu, o pai da criança veio nos procurar, com o documento que comprova a sua compatibilidade para a doação e nós vamos fazer o mais rápido possível.
- Era por isso que vocês estavam aplicando a quimioterapia nele? Para prepará-lo? E vocês não me dizem nada? Afinal, eu ainda sou a mãe dele!
- Olha, a senhorita deduziu algo sozinha sem me perguntar nada, belo progresso.
- Se o senhor não estivesse salvando a vida do meu filho nesse exato momento, eu iria mandá-lo para um lugar não tão agradável.
- Duas coisas. – O médico finalmente parou de andar e olhou sério para mim – Primeiro, quem está salvando a vida de seu filho é outra pessoa. Segundo, eu também adoro a senhorita.
- Filho d’uma...
- Acho melhor você vir comigo, se quiser ver o seu filho antes de começarmos o processo.

Chegamos em uma sala, onde já estava anestesiado e estava sendo preparado.

- ... Você... – Eu comecei.
- Eu decidi, . – Ele me interrompeu.
- Decidiu?
- Eu vou salvar a vida do nosso filho. Não foi isso que você disse que eu tinha que decidir? – falou ríspido, me lembrando de alguns dias atrás.
- Mas, eu não quero que...
- Que o que, ? O que você não quer agora? – Ele falou e levantou-se rapidamente, me fazendo o olhar assustada.
- Senhor , acalme-se. Não pode ficar nervoso assim. – Uma enfermeira falou, pedindo que ele se deitasse novamente.
- Eu estou fazendo isso porque eu quero fazer, porque ele é meu filho e não tem mais nada nesse mundo que você possa fazer para mudar isso.
- Venha , não há mais nada para ser conversado aqui. – Dr. Gregory apoiou suas mãos em meus ombros e pediu que eu me retirasse.

nunca havia falado comigo daquele jeito. Eu podia enxergar no seu olhar que ele estava decepcionado, triste com as atitudes que eu havia tomado.
Mesmo com o pedido para que eu saísse, me levantei lentamente do sofá da sala de espera e fui até a porta onde e estavam. Através da pequena janela na porta, pude ver os dois, um deitado ao lado do outro. Tão parecidos, tão lindos juntos. Voltei a me sentar no sofá e lá, acabei adormecendo.

- Senhorita ? – A enfermeira cutucou de leve meu ombro, me fazendo despertar.
- Ah, oi, desculpa... Eu acabei cochilando. – Eu falei me ajeitando melhor no sofá.
- Não tem problema, você deve estar muito cansada mesmo – eu concordei com a cabeça – Só para avisá-la que o senhor já está liberado, para ele não é tão complexo, levou apenas meia hora.
- E o ? Como ele está? – Perguntei no mesmo instante.
- Como eu disse, para o senhor não é tão complexo. terá que ficar mais algumas horas, poucas, umas duas... Mas, se a senhorita desejar ver o senhor , ele está no quarto duzentos e quatro.
- Acordado?
- Não. O efeito da anestesia ainda não passou, ele está desacordado. Desculpe...

Talvez eu não desejasse que estivesse acordado mesmo. Eu não sei como iria encará-lo depois da maneira que as nossas últimas palavras foram ditas. Segui o caminho até o quarto onde a enfermeira me indicou.
Abri a porta e pude notar deitado naquela cama, com o lençol o cobrindo até um pouco acima da cintura, desacordado.

- Hey... – Eu falei baixinho, me sentando ao seu lado na cama, como se ele pudesse me ouvir – Eu acho que está na hora de eu dizer um muito obrigada. Eu sinto muito por tudo o que eu disse para você, não deveria ter sido daquele jeito, afinal, a coisa que eu sempre quis depois que Deus te colocou na minha vida se realizou, mas eu estava tão cega que eu não consegui nem agradecer. Eu espero que depois que você acordar, você possa me perdoar por tudo. Você que sempre foi tão gentil e perfeito comigo e com o nosso filho, que me aceitou do jeito que eu sou sem reclamar ou sequer brigar comigo. Eu acho que eu não mereço alguém como você... – Eu ia dizendo e as lágrimas que tinham se instalado em meus olhos, começaram a cair, lentamente. – Sabe , você foi o primeiro homem que eu amei e que eu ainda amo com toda a intensidade que eu possa amar alguém... O primeiro em toda a minha vida.
- , eu... – abriu os olhos lentamente e eu percebi que ele havia escutado tudo o que eu tinha falado.
- Hey, você está bem? – Eu perguntei afoita.
- Sim, estou... Muito melhor agora, depois do que eu ouvi. – Ele abriu um sorriso leve, de canto.
- Você sabe o quanto eu te amo, não sabe? Eu não queria que tivesse sido tudo daquele jeito. Eu nunca ouvi ninguém e para mim, você estava se escondendo de propósito. – Eu falei, pegando em suas mãos, e lágrimas caíam de meus olhos.
- E agora você sabe que não é verdade, né? Eu nunca faria alguma coisa contra você ou , nunca mentiria para você, meu amor.
- Eu sei, e eu prometo que eu vou melhorar essa minha mania de não escutar ninguém. Eu tenho um grande débito contigo. Você salvou a vida do nosso filho e eu não sei o que fazer para te agradecer.
- Você sabe muito bem, .
- Me fala ... Por favor. – Eu disse acariciando o seu rosto, onde senti uma lágrima cair.
- Está na hora de você aceitar se casar comigo.
- E por que não?
- Eu sabia que você ia dizer que... O que você disse? – me olhou assustado.
- Eu disse que sim, por que não me casar com o homem mais incrível que eu já conheci em toda a minha vida e que fez o que era mais importante para a minha vida e para a vida de agora? Você , é com quem eu quero passar o resto da minha vida, juntinho, até ficarmos velhos.
- Eu vou poder acompanhar o crescer e se tornar um homem.
- E eu desejo que ele seja exatamente como você, seria um orgulho duplo!
- Se ele ficar bonito que nem eu...
- Ah convencido! Mas, isso eu tenho que admitir. Eu o carreguei por nove meses aqui dentro – Eu disse apontando para a minha barriga – E ele nasceu a sua cara! Imagina para mim, quando eu o olhei e notei que era parecido com alguém que eu não conhecia?
- Aposto que você pensou Nossa, como ele é bonito, obrigada Deus por eu ter escolhido um belo doador mesmo sem o conhecer! disse com seu ar de modesto e me fez gargalhar, como sempre fazia.
- Na verdade eu agradeci por ter seus olhos, os mais lindos que eu já vi.
- Eu fui muito burro em não notado nossa semelhança.
- Vamos esquecer o passado, eu quero construir uma família com você. Eu sei que já somos uma, mas eu quero mais. Não pense que eu me esqueci dos quatro filhos que você vai me dar.
- Ai meu Deus...

Ficamos conversando e rindo por mais algum tempo, nem parecia que tínhamos passado por uma turbulência no nosso relacionamento e em nossas vidas, particularmente falando. tinha o poder de me fazer esquecer os problemas apenas com o seu jeito de olhar para mim e de me acariciar.

- Senhorita ? – Uma enfermeira adentrou o quarto e chamou minha atenção.
- Sim?
- Seu filho acordou, ele está bem, mas... Está pedindo para ver a senhorita.
- Claro! – Eu levantei com um sorriso que mal cabia em meu rosto e dei um beijo leve em .
- Quando você vai contar a ele? – me perguntou, antes de eu sair do quarto.
- Você ainda não contou? – Estranhei. Quando eu cheguei mais cedo, era ele quem estava com antes do transplante.
- Claro que não amor. Eu nunca faria isso sem você por perto, e, quando eu cheguei, estava dormindo e então lhe aplicaram a anestesia.
- Eu vou fazer isso agora. – Disse confiante.
- Eu realmente estou com medo... – soltou os ombros, decepcionado ou com medo de qualquer reação de .
- Hey... – Eu disse me aproximando rapidamente e me sentando na cama – Não é hora de ter medo agora. sempre quis que você fosse o pai dele, e o seu maior desejo realizou-se, você acha que ele não vai ficar feliz?
- Não é isso , eu tenho medo dele achar que estávamos mentindo ou algo do gênero.
- Mas nós não estávamos. E isso é o que importa. Na verdade, o que realmente importa é que agora nós somos uma família, querendo ou não e o que nos resta é ser feliz.
- Acho melhor você sair logo e ir contar, ou senão eu não te deixo mais ir e te agarro aqui mesmo!
- Ei, segura esse teu fogo aí para os quatro que virão... – Eu disse me levantando e soltando uma gargalhada que me acompanhou.
- Gostosa! – falou um pouco mais alto, fazendo com que eu o olhasse em reprovação, mas rindo logo depois.
- Tchau ! Volto com boas notícias.

Eu estava levando na brincadeira, mas tinha razões de estar preocupado. A situação era um pouco complicada, mas eu tentaria resolvê-la da melhor forma possível.

- Cadê meu príncipe mais lindo do universo?
- Aqui! Aqui! – abriu um sorriso do tamanho do universo quando me viu entrar em seu quarto.
- Como você está se sentindo, meu amor? – Perguntei, sentando-me ao seu lado e beijando o topo de sua cabeça.
- Posso dizer normal? – Eu concordei sem hesitar – Eu estou me sentindo normal, mamãe. Sem dor e feliz.
- Feliz, amor? Que bom!
- Sim, nós conseguimos enxotar o bichinho ruim que ‘tava aqui dentro, né?
- Sim! Conseguimos!
- Mãe... – começou, pegou minha mão e olhou dentro de meus olhos – Quem foi que me ajudou? Foi meu pai?
- Foi sim, filho. – Eu disse, soltando um suspiro.
- E quem é ele? Ele é legal? Eu pareço com ele? – me bombardeou de perguntas e eu sorri de leve.
- Ele é uma das pessoas que você mais ama na vida.

Como se uma luz tivesse acendido na cabeça do meu filho, seus olhos se abriram e me mostraram um brilho imenso. Ele sorriu e deixou uma lágrima escapar, me abraçou forte, com a força que ele estava podendo fazer no momento.
- Obrigado mamãe! – falou, quebrando o silêncio do seu abraço, e várias lágrimas agora caíam em seu rosto.
- Pelo o que meu amor? – Eu também não consegui me controlar e então, estava chorando junto a ele.
- Por ter escolhido o pai que eu sempre quis ter. – Ao ouvir essas palavras, o abracei forte e deixei toda a emoção fluir. Era um dos momentos mais felizes da minha vida. Ter a certeza de que meu filho estava são e salvo, e que mesmo não querendo o dividir com mais ninguém, eu estava apta a fazer isso agora e com a pessoa que eu também estava pronta para dividir o resto da minha vida.

No dia seguinte, já estava se sentindo muito bem e quando eu cheguei ao hospital, ele estava no quarto de , dormindo na poltrona.

- Eu tentei dizer que ele não podia ficar ali, está no isolamento, qualquer problema, o mínimo que seja, pode se tornar muito grande. – Uma enfermeira muito apavorada me abordou, assim que eu cheguei ao hospital.
- Calma, nós somos os pais e no caso dele, o médico disse que podíamos ficar no quarto com ele. – Eu expliquei da maneira mais agradável o possível e então fui ver meus dois amores.
Chegando lá, notei acordado, um pouco sentado na cama, lendo um livrinho infantil e dormindo – e babando – na poltrona ao seu lado.
- Oi amor! Papai está aqui há muito tempo? Nossa, que estranho eu chamar o assim – Eu disse sussurrando, para não acordá-lo.
- Quando eu acordei, ele já estava aqui e dormindo, mamãe.
- Então vamos acordá-lo? – concordou sem hesitar e eu disse algumas palavras em seu ouvido.

’s POV.

- Papai? Papai? – Eu só podia estar sonhando. Ao abrir lentamente meus olhos, no meu campo de visão estavam e , sentados na cama do hospital.
- Do que você me chamou, campeão? – Eu perguntei surpreso e me levantando lentamente da poltrona.
- De papai, ué! Você é meu papai e não mais meu titio. – Eu sorri abertamente e vi fazer o mesmo.
- E... Você ‘tá feliz com isso? – Perguntei com medo. Não tinha falado com depois de sua conversa com .
- Você ‘tá brincando, pai? Tudo o que eu pedi ao papai do céu se realizou e você virou meu papai!
-... E você meu filho! – Eu disse indo em sua direção, e o abraçando. Senti algumas lágrimas se formarem e olhei para que fungava. – Vem aqui, amor! – A chamei e estávamos lá, os três. Eu realmente era o homem mais sortudo do universo.
- Ai que droga esse cisco que entrou no meu olho – disse fazendo com que eu e gargalhássemos.
- Cisco é? Sei... – Eu a contrariei.
- É, ó! Não para de sair lágrimas! – Ela disse revoltada.
- Pára de chorar, mamãe! E beija o papai logo! – disse de uma forma engraçada e fez unir seus lábios nos meus. – Tá, agora pode soltar... Ew! Isso é nojento!
- Até parece que você nunca vai beijar, né campeão? – Eu disse, lançando uma piscadela para meu filho.
- ! Mal chegou e já ‘tá ensinando coisa errada?
- Uma coisa errada que você adora né? Ouch! Ok, isso é muito feio, meu filho. Tudo tem o seu tempo, agora fala para a mamãe que o beliscão dela dói muito?
- Olha a bagunça aí! – Uma enfermeira mal-humorada colocou a cabeça na porta e nos avisou.
- Desculpa! – foi a primeira a falar e desculpou-se.
- Desculpa nada! – Eu me meti – Estamos aqui celebrando a nossa união e a saúde do nosso filho, agora pode sair? Aqui é um isolamento e só nós, os pais podemos ficar aqui. Beijos!
- ! – me repreendeu de novo, enquanto só ria.
- Papai é meu herói!
- Fala de novo, filho – Pedi, ficando ao lado da cama, de olhos fechados e braços abertos – Repete campeão!
- PAPAI, PAPAI, PAPAI!
- Isso é que me dá energia de agora em diante. Isso e um café, você quer amor? – Eu disse roubando um selinho de e vendo em seu semblante alguém muito feliz com o momento que estava sendo vivido. Ela então concordou e pude ler em seus lábios um Eu te amo e saí do quarto.

Capítulo quinze.

Um mês depois...

’s POV.

Hoje seria um dia bem movimentado na minha casa. Com a ajuda de Jessica, preparei uma pequena festinha em comemoração a volta de . Um mês havia se passado desde o transplante que salvara a sua vida e de seu isolamento. Seria apenas um jantar... Isso resultava apenas em minha pessoa, , , Jessy e seu namorado engraçado, e os meninos da banda.

- Amiga, o que você acha disso? – Jess falou, abrindo sua gigantesca bolsa e tirando de lá, um Welcome todo em azul marinho, que era a cor predileta de . – Eu comprei no caminho para cá, acho que vai ficar legal se pendurarmos ali na parede.
- Ótima idéia, gênio!

Como seriam poucas pessoas, fiz um jantar simples, uma lasanha que sempre foi a minha especialidade. Olhei para o relógio e eram quase seis da tarde, hora de buscar no hospital.
Fizemos o caminho de casa na maior alegria possível, estava dirigindo e então eu pude bagunçar bastante com ele. Chegamos em casa e por incrível que pareça, todos já estavam lá, inclusive , que sempre reclamava de atrasado. nos trouxe um vinho da melhor marca possível, trouxe chocolates para , diversos sabores e que certamente trariam diversos tipos de cáries. Tudo bem, eu tentaria não ser assim, tão preocupada.

Estávamos todos à mesa, comendo, bebendo e nos divertindo muito. adorava ficar no meio de adultos, acho que poderia ser isso um dos motivos por ele ser tão esperto e “prodígio”. Eu ria de algo de Jess havia cochichado em meu ouvido, quando notei levantar e pigarrear, anunciando um discurso.

- Bem, acho que esse momento é o mais perfeito para eu poder oficializar uma coisa.
- Só não assume nosso romance agora porque eu não quero ver a chorar! – disse brincalhão e eu lhe mostrei a língua, sendo acompanhada por .
- É, isso depois eu tenho que contar com calma... Shhh ! – levou na brincadeira, mas logo continuou – Eu venho pedindo há muito tempo uma coisa e só agora eu tive a resposta e, não fiquem surpresos, principalmente você Jess... Mas, ela – Ele apontou para mim – disse SIM!
- Não acredito! – Jessica levantou e me olhou boquiaberta – Você tem certeza de que está falando dela? – Foi a vez de minha amiga apontar para mim – Minha amiga nunca falaria sim!
- Mas ela falou! – disse colocando as mãos na cintura e sorrindo satisfeito.
- De que sim você está falando, ? – perguntou, bebericando o vinho.
- Bem, se vocês não acreditam ou nem sabem do que eu estou falando... – Ele veio em minha direção e se ajoelhou ao meu lado na cadeira – , você aceita se casar comigo e se tornar oficialmente Mrs. ?
- Sim, sim, sim e... Sim pirilim! – Eu disse fazendo com que ele se levantasse e o beijei, cruzando meus braços em seu pescoço.
- Isso merece um brinde! – Jessica falou levantando sua taça – Ou melhor... Isso merece foguetes! , ligue para o cara dos foguetes, , ligue para o cara da boate mais cara de Londres... Temos que celebrar! , chame todo mundo que você conhece.
- E eu? – Sandro, o namorado de Jessica pronunciou-se... Finalmente.
- Você ‘tá na hora de tomar coragem e fazer o mesmo que o boca mole do acabou de fazer! – Minha amiga falou e todos nós gargalhamos.
- Eu te amo... – Eu disse, sob o efeito que podia ter em mim.
- Eu te amo mais! – Ele respondeu de imediato.
- Me diz uma coisa, por que você me ama? – Perguntei.
- Você quer realmente saber? – disse me olhando sapeca.
- Com toda a certeza, senhor.
desvencilhou-se de meu abraço e chamou a atenção de todos quando subiu na mesinha de centro da minha sala.

- Quero a atenção aqui! – Ele disse, entrando na pele de um político em dia de comício.
- De novo? – reclamou.
- Cala a boca, ! – Dissemos, em uníssono.
- A senhorita acabou de me perguntar do porquê eu a amo e eu vou responder, aqui e agora.
- Ah , corta essa!
- Cala a boca, !
- Não existo mais aqui... – disse, sentando-se no sofá.
- Bom, eu te amo , porque eu te amo. Simplesmente amo.
- Se você não quiser falar mais nada... – Eu disse, o interrompendo e recebi olhares feios vindos dos nossos amigos e me cutucou, fazendo um sinal de “fique quieta, mamãe!”.
- É por causa disso. Porque eu gosto quando você me interrompe e digamos que isso acontece frequentemente. – disse fazendo todos rirem e eu corei imediatamente. – Eu te amo porque você não tem que se desculpar por ser exatamente assim, como você é. Linda, inteligente e extremamente sexy.
- Sexy? – questionou.
- Você vai aprender isso depois, pequeno... – disse em seu ouvido e logo ele voltou a sua atenção para em cima da mesa.
- Você está me deixando envergonhada! – Eu disse, tentando dar a mão para que ele descesse, mas aconteceu exatamente como alguns anos atrás, quando ele me puxou para cima da cama e dançamos alegremente.
- Essa é outra razão, mocinha! – fez exatamente o que eu previa, me puxou e então pude ficar em cima da mesinha com ele. – Você não tem a mínima noção do efeito que tem em mim. – Ele disse me abraçando de lado e eu mergulhei em seus olhos, ouvimos um pigarro e ele, então, continuou. – Você também não tem noção que ri igual a uma criança de quatro anos – Dizendo isso, ele me fez gargalhar – Assim, desse jeito mesmo! E eu te amo porque... Pode estar com alguém como eu e ainda ter como melhor amiga essa coisa chamada Jessica Cozza! Quem vai entender?
- Panaca! – Jess disse em tom de ofensa e jogou uma almofada em .
- E juntando tudo isso... Até você ser amiga dela, isso te torna a pessoa mais incrível que eu já conheci na minha vida e você não tem noção do quão feliz eu me sinto por poder construir uma família ao seu lado.
- Mamãe? – me acordou dos devaneios e me fez olhar para baixo. Ele estava apoiando suas mãozinhas na mesa e me olhando sério.
- O que houve, amor? – Perguntei.
- Por que você não beijou o papai ainda?

Olhei sorrindo para e então para . Nossos amigos começaram a bater de leve os talheres nas taças, informando que queriam ver um beijo. Não pensamos duas vezes e como sempre, caprichou.

Uma semana depois...

- Amor, vou passar aí para buscar você e o . Quero mostrar algo a vocês.
- Ok, mas... Para que tanto mistério? O que seria?
- Para de ser curiosa! Vai descendo que eu já estou virando a rua. disse e então desligou o celular.

Chamei , o enchi de roupas e então descemos.

- Hey baby... Hey filhão! – me cumprimentou com um selinho e com um High Five.
- Agora o senhor pode me dizer aonde estamos indo?
- É naquele lugar, papai? – perguntou, ficando no meio de nossos bancos.
- É um complô? – Eu perguntei abismada.
- É sim! – Os dois responderam em uníssono.

Eu cruzei meus braços e pude ouvir os dois indivíduos no mesmo carro que eu ainda gozarem da minha cara. Fiquei analisando o caminho por onde percorríamos e não me era muito estranho, nem tampouco longe da minha casa. parou o carro na frente de uma linda casa, na verdade, era uma verdadeira mansão. Eu o olhei sem entender absolutamente nada.

- E então? Gostou, amor? – Ele me perguntou, olhando para fora do carro.
- É linda! Quem mora aqui?
- Família .
- Oi? Algum parente seu que eu não conheço?
- É, você disse que queria ter quatro filhos a mais, né? Você ainda não os conhece mesmo, mas eu sou e esse é , prazer.
- Oi?
- , amor. Você não disse que queria ter mais quatro filhos? – perguntou, apoiando suas mãos em cada lado do meu rosto.
- S-sim...
- Então, eles precisam de espaço!
- , eu estava brincando sobre os quatro filhos.
- Que seja! Nós precisamos de espaço. Nós precisamos de um lar somente nosso, para que a gente possa criar nosso filho e viver a nossa vida mais do que perfeita.
- Então... Essa casa... É nossa?
- BINGO! – gritou e fez rir.
- Acertou em cheio, princesa. – Ele disse, beijando meu rosto que estava obtendo uma expressão de surpresa, mas muito feliz.

Capítulo dezesseis.

Alguns meses mais tarde...

’s POV.

- Papai? PAPAI! Acorda!
- Ahn? O quê? Fogo?
- Pai! Você dormiu demais, está atrasado! – Virei-me na cama e pude avistar , com uma roupa normal, me olhando muito feio.
- O que houve campeão? – Perguntei, eu não estava entendendo o porquê daquela gritaria comigo àquela hora da manhã.
- PAI! Se a mamãe te ouve falar isso... Você está atrasado. Mamãe já saiu faz horas com a Titi Jess para o cabeleireiro e costureira, se você se atrasar mais um pouco, ela desiste de casar com você!

Meu casamento! Como eu pude esquecer? Culpem o , eu não mandei me acordar daquele jeito. Meu cérebro já não funcionava muito bem de manhã e ainda mais com o meu filho me chacoalhando do jeito que fez.

- Pegadinha do malandro! Papai não esqueceu não, só falei aquilo para ver se você estava ligado! – Eu disse, fazendo cócegas em .
- Aham, me engana que eu gosto.
- Tá, vai me ajudar ou não?
- Claro que vou. Você acha que eu vou permitir que você deixe minha mãe esperando? – Ele me perguntou sério. Quantos anos ele tem mesmo? Vinte?
- Então vamos, senhor mandão.

’s POV.

Estávamos eu e Jess entrando no ateliê mais caro da Inglaterra, acredito eu. fizera questão e como eu também não queria fazer feio no meu próprio casamento, aceitei. O meu estilista era... Er, um rapaz muito alegre, sabe? E logo de cara fiz amizade com ele, até o convidei para o meu casamento, mas a bicha, er, o rapaz ficou maluco, falando que se não estivesse arrumado o suficiente, a culpa seria minha.

- Jenny, amor, cheguei! – Eu anunciei minha chegada e logo ouvi os passos de alguém muito afobado vindo em minha direção.
- Ai sua louca. Estava te esperando e você está... – Jen disse olhando para o seu relógio super-cheguei-de-pulso – quinze minutos e dezesseis, dezessete, dezoito, dezenove...
- Jenny! Eu sei que estou atrasada, mas é que o trânsito em Londres é infernal. Mas, vamos ao que interessa?
- Não sei se vou deixar você ver assim tão fácil... É uma das minhas obras mais primas, queridinha!
- Bicha má! – Eu e Jessica dissemos em uníssono e logo fomos puxadas por Jen até o andar de cima.

Jenny me deu o vestido completamente tapado, Jessica não conseguiu ver, e então, infiltrou-se comigo no provador.

- Ai calma Jen, você ‘tá me sufocando!
- Não reclama, seu casamento é hoje, não temos muito tempo! Não mandei você comer demais ontem. Se você não parar de reclamar, eu te coloco num Louis Vuitton qualquer, hein?
- Tá... Ai, tá bom!
- Jessica, querida, você está preparada para a mais bela coisa, epa, coisa não. O mais belo vestido em que você já colocou os olhos? – Jenny disse, fazendo a voz mais afeminada que ele poderia naquele momento.
- Claro que estou! Faz horas que eu ‘tô aqui do lado de fora esperando vocês... Vamos!
- Tchanam! – Jen abriu a cortina rapidamente e a boca de Jess foi ao chão.
- E então amiga, como eu estou? – Perguntei aflita. – Jessy! Responde! - Eu nunca vi uma coisa tão linda em toda a minha vida. – Ela respondeu boquiaberta.
- Obrigada pelo “... Tão linda em toda a minha vida”, mas pode retirar o “coisa” – Jenny respondeu, fitando minha amiga e posicionando-se ao meu lado.
Virei-me para um imenso espelho que o lugar possuía e fiquei analisando a verdadeira obra de arte que meu estilista havia feito. Um trabalho árduo e muito bem pensado. Vestido, sapatos e jóias. Tudo estava tão perfeito que eu mal podia acreditar que estava vestindo tudo aquilo. Realmente, um traje digno de princesa.

- Obrigada Jenny, seu trabalho ficou incrível, perfeito. Eu não tenho palavras para agradecer e explicar o quão feliz eu estou. – Eu disse, meus olhos estavam levemente umedecidos.
- Querida... Não precisa me agradecer. Agora, tire esse vestido e trate de ir para o cabeleireiro. Você tem um noivo, muito lindo por sinal, lhe esperando em poucas horas numa igreja. O que ainda faz aqui? E eu ainda tenho que ficar linda e maravilhosa para o seu casamento.
- Uh Lady Gaga! – Eu, Jess e Jen fizemos uma dancinha ridícula então seguimos cada um o seu rumo.

Minha amiga me acompanhou até o cabeleireiro e as horas passaram voando. O medo estava finalmente tomando conta do meu corpo. Eu ainda não sei se era medo. Afinal, eu não podia descrever aquela sensação, eu nunca tinha feito aquilo antes na minha vidinha. Mas, só de pensar que a partir de hoje, eu, e seríamos uma pequena grande família e que eu poderia dormir e acordar todos os dias do lado dele, fazia meu coração palpitar e eu ter mais certeza de que era isso que eu queria.
Eu estava pronta. Dentro de uma limusine que me levaria até a igreja para que eu pudesse dizer sim ao homem que sempre quis me ouvir dizer isso. Eu não estava me gabando e vamos e convenhamos que para uma pessoa como eu, dizer o “sim” era um pouco difícil, né?

Chegando à igreja, eu pude avistar , e do lado de fora. A porta já estava fechada. e eu havíamos combinado que nosso casamento não seria tão tradicional assim e que não teríamos padrinhos e madrinhas, um de cada lado e sim, que os três homens que eram nossos melhores amigos, seriam os padrinhos – ou madrinhas, como vocês desejarem – juntamente com a minha melhor amiga. Os quatro em somente um lado do altar, nos abençoando e desejando a nossa felicidade. Realmente não iríamos achar pessoas melhores como eles.
entraria comigo, levando as alianças e ao seu lado, uma prima de , que era apenas um ano mais nova que o nosso filho.

- Você está maravilhosa, . vai se orgulhar quando te ver entrar! – , fofo como sempre, me disse.
- Obrigada ! E como ele está? Lindo como sempre, né?
- Er... Então...
- Ai, ele ‘tá um escândalo de lindo, meu Jesus! – falou, apoiando-se nos ombros de e nos fazendo gargalhar.
- Ele eu não sei, mas você ‘tá um escândalo mesmo, ... – Jenny, meu estilista afeminado disse, fazendo parar imediatamente com as brincadeiras “alegres”.
- Jen! Entre já! Não quero que você perca minha entrada triunfal. – Eu pedi e então, por incrível que pareça, ele me obedeceu.
- Quem é esse cara? – perguntou.
- Sentiu o perigo de perto, hein buddy? – disse divertido, tirando um sarro da cara do amigo.
- Eu hein, sai pra lá!
- , ... Acho melhor você parar com essas suas brincadeiras, ou as coisas vão ficar sérias para você! – Eu disse no meio de gargalhadas.
- Amiga, está pronta? – Jessica nos interrompeu, perguntando.
- Ai, acho que sim! – Eu disse e fiz uma careta nervosa.
- ‘Tá na hora! – Ela disse e me abraçou. – Você vai se casar antes de mim, sua maldita.
- Vê se pega o buquê hoje na festa, então. Dê mais um sinal ao matemático de que você quer amarrá-lo, digo, casar-se com ele.
- Engraçadinha!
- Filha, está pronta? – Meu pai me fez a mesma pergunta e eu concordei freneticamente.
- Onde está a mamãe? – Perguntei.
- Seu casamento pode não ter padrinhos normais, mas sua mãe entrou do jeito que tem que ser, atraindo as atenções. entrou com ela. – Papai me respondeu, oferecendo seu braço para que eu pudesse me posicionar.

Ao saber que havia conduzido minha mãe até o seu lugar no altar me deu certo alívio. Pelo menos ele não havia fugido e estava lá, me esperando. Firmei-me na frente da gigantesca porta de madeira da igreja, ao lado de meu pai, que sorria o tempo todo. estava na minha frente, dizendo o quão linda eu estava. O meu pequeno vestia um smoking detalhadamente feito para ele, estava realmente um charme.
Acho seriamente que a priminha de não resistiria aos encantos do meu príncipe.
Ouvi o ranger da porta ao abrir e, para a minha surpresa, não foi a marcha nupcial que estava tocando e sim, She Falls Asleep, uma música instrumental do McFLY de muito bom gosto. E por que eu tinha certeza de que aquilo era uma obra de ?
Ao dar o meu primeiro passo adentrando a igreja, todos os olhares voltaram-se para mim, mas eu só conseguia enxergar uma coisa em meu campo de visão. Lá estava ele, lindo, muito bem vestido e com um sorriso imenso no rosto. A música tocava no fundo e deixava aquele momento cada segundo mais bonito e inesquecível. Meu pai entregou minha mão à , olhei para minha mãe, que me ofereceu um olhar orgulhoso e cheio de amor, retribuí.

- Eu te amo – sussurrou, antes que o padre pudesse começar a cerimônia.
- Eu te amo – Respondi. Ninguém podia medir o amor que eu sentia por ele, e um “eu te amo também” não seria uma frase correta para ser dita.

Olhei para o lado e todos choravam com as sábias palavras que o padre estava a dizer naquele momento. prestava atenção em cada detalhe, cada palavra e sempre acariciando minha mão que estava colada na dele desde o início.

- , você aceita essa bela jovem como sua legítima esposa? Prometendo amá-la e respeitá-la, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe?
- Sim! – disse sem hesitar e todos riram.
- E você, , deseja se tornar a esposa deste elegante rapaz?
- Padre, não pergunta muito não, por favor... – Jessica interrompeu, fazendo tal pedido e todos riram novamente.
- Como querida? – O padre perguntou. Acho que ele não tinha entendido a piada...
- Acho melhor prosseguirmos! – tomou a palavra e eu o olhei sorrindo de lado, concordando.
- Como eu ia dizendo... E você, , deseja se tornar a esposa deste belo...
- Elegante.
- Como?
- O senhor tinha dito elegante da última vez.
- Cala a boca, ! – disse sussurrando.
- Ah sim, sim... – O padre ajeitou os óculos de grau e continuou – Você aceita esse rapaz elegante que está aqui presente, para ser o seu legítimo esposo? Prometendo amá-lo e respeitá-lo, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe?
- Sim!
- Não acredito cara! – Foi a vez de Jessica sussurrar boquiaberta, recebendo um cutucão de .
- Até que enfim, digo... Eu vos declaro marido e mulher! – ao ouvir essas palavras vindas do padre, me olhou e no mesmo instante, colou nossas bocas, num beijo doce e calmo. – Eu ia dizer que ele podia beijar a noiva, mas...
- Não liga não seu padre, papai sempre foi apressado! – pronunciou-se pela primeira vez na cerimônia.

Seguimos para um grande salão onde aconteceria a festa. Havíamos convidado muitas pessoas e apenas um lugar como aquele suportaria a quantidade.
Eu estava conversando com a Jess, enquanto brincava com algumas crianças e os meninos estavam sabe Deus onde.
- Er... Um, dois, testando... – Olhei em direção ao enorme palco e vi testar o microfone, mas o quê...? – Bom, o nos pediu para fazer isso, então, eu peço encarecidamente para que a banda contratada nos dê licença, porque agora o palco é nosso!
Ouvi alguns gritinhos e olhei sorrir sapeca enquanto ele colocava um microfone sem fio. Todos os meninos estavam se posicionando em seus devidos instrumentos, quando pude ouvir as primeiras notas de All About You serem tocadas.

- Me concede a honra dessa dança, senhora ? – fez uma reverência exagerada que me fez gargalhar.
- Com certeza! Mas, como é mesmo? Meu marido?
sorriu de lado, depositando sua mão em minha cintura, me puxando para perto, fazendo com que nossos corpos se encostassem por completo.
- Acho que conheço essa música... Essa banda... – Eu disse divertida.
- Quatro panacas. Dizem que o melhorzinho tá dançando com a mulher mais linda da festa agora, mas eu não ‘tô achando... – disse baixo, fingindo estar procurando algo no salão. Eu dei um tapinha de leve em seu ombro e o fiz rir.
- Você não ‘tá achando a mulher mais linda da festa? – Perguntei fazendo um bico do tamanho da Terra.
- Não, eu não estou achando o cara melhorzinho. A mulher mais linda desse lugar está nos meus braços agora. Espera! Então eu sou o melhorzinho? Ó que coisa, não?
- Eu te amo, panaquinha! – Eu falei dando um selinho nele.
- Mal casou e já ‘tá xingando, amor? Espera aí... ! É contigo buddy. – disse para , enquanto arrancava o microfone sem fio que havia colocado há pouco tempo. – Não dá para fazer duas coisas ao mesmo tempo... – Ele sorriu e me beijou. Um beijo delicado, e eu tinha certeza de que era um dos primeiros dessa nova vida, mas nem um pouco perto de ser um dos últimos.

Capítulo dezessete.

Eu e , depois do casamento, fomos direto viajar em lua de mel. Deixamos nosso filho com Jess e junto com ele, uma lista gigante de recomendações. optou por me levar ao Caribe, eu jamais havia atravessado o oceano, apenas tinha viajado pela Europa. Adorei o lugar, a praia, as pessoas e as comidas. Tudo perfeitamente planejado e não tinha como sair errado. Passamos duas semanas no lugar, literalmente de pernas para o ar, bebendo água de coco.
Quando voltamos para Inglaterra, teve que fazer uma pequena viagem para a Bélgica e terminar o CD novo do McFLY. Eu fiquei em casa curtindo minhas férias remuneradas e meu filhote, que cada vez mais estava as fuças do pai.

- E então amiga, como está sendo a vida de casada? – Jessica me perguntou, enquanto tomávamos café na Starbucks, depois de um dia de compras no shopping.
- Está sendo melhor do que eu imaginava. Apesar de eu estar de férias e o ficar correndo para cima e para baixo com o CD novo... – Eu disse um pouco triste. Se havia uma pessoa que sentia falta dele nesse mundo, era eu; poderia até ganhar de mim, mas a casa não era a mesma sem e sua alegria contagiante por perto.
- Ah, vocês dois têm a vida muito louca. Agora que a senhorita, ops, senhora deu uma sossegada, né? Porque antes era ligada no 220 direto. – Jess disse de uma forma engraçada. – O que foi? Por que ‘tá fazendo essa cara de enjoada? Não vem com essa para cima de mim não hein, feiosa.
- É porque eu ‘tô enjoada! Ui, vamos sair daqui... Rápido! Pega minha bolsa e paga a conta, esse cheiro de doughnut de chocolate e mochaccino ‘tá me dando embrulhos no estômago! Te espero lá fora... Se eu ficasse mais um segundo dentro daquela Starbucks, eu jurava que vomitaria, mas como eu era classuda, eu preferia correr que nem uma louca a dar um vexame desses.
- Olha, se estivéssemos alguns anos atrás, e que eu soubesse que a sua vida sexual não andasse tão ativa o quanto está agora, eu diria que isso é frescura e é da sua natureza ser enjoada – Jess disse, de uma forma bem amigável, diga-se de passagem – Mas, como eu sei que você, erm, anda dando pra caramba, no modo mais sutil da palavra, claro... Isso só pode significar uma coisa, amiga.
- Ah, não venha você dizer que eu estou grávida. – Eu a interrompi.
- Não venha me dizer você! Não venha me dizer que vocês transam com camisinha. , ele é seu marido, vamos e convenhamos que chupar a bala sem o papel é bem melhor!
- Oi?
- Transar sem camisinha! – Ela disse sussurrando, sendo, numa das raras vezes, discreta.
- Ok, eu tenho que admitir que eu e não temos o costume de erm, usar camisinha. Isso é feio, errado e eu sei que a gente deve se proteger, mas é que... Às vezes não dá tempo! – Eu disse tentando me justificar.
- Então você está grávida!
- Não!
- Sua menstruação? ‘Tá certinha?
- Não! – Eu disse aflita.
- E são raros os enjôos?
- Não!
- E então você ‘tá grávida mesmo?
- Ai... Sim.

’s POV

Segunda semana na Bélgica, dentro de um estúdio com três machos.
O lugar perfeito para um cara recém-casado como eu ficar, não é mesmo? Definitivamente não. Eu estava sentindo falta da minha casa, da minha mulher, do meu filho, do nosso quarto, da nossa cama, do meu travesseiro que tinha o cheiro dos cabelos da minha mulher, eu sentia falta até de uma plantinha feia que a cismara em comprar para “enfeitar a pia do banheiro”.

- Dudes, quando é mesmo que a gente vai embora? – Perguntei, jogado no sofá.
- É sobre isso que eu vim conversar com vocês! – Fletch, nosso empresário entrou no estúdio, animado.
- E...? – Dissemos em uníssono.
- Dallas me ligou ainda há pouco, falando que as músicas estão praticamente prontas e que só estava faltando a parte que nós conseguimos mandar hoje pela manhã. Então, isso quer dizer que, o trabalho é com ele a partir de agora.
- E...?
- E que estamos liberados. Pegamos o nosso rumo para casa amanhã de manhã cedo.
Aquilo soou como uma doce melodia para os meus ouvidos. Então eu estaria de volta em poucas horas. Já disse o quanto eu sentia falta da minha casa, da minha mulher, do meu filho, do nosso quarto...
estava há duas semanas falando que havia uma surpresa para mim quando eu chegasse em Londres. Eu tentava arrancar alguma coisa dela, mas nada consegui. Cheguei até ligar para Jessica, mas aquilo quando era cúmplice de algo ou alguém, nem com ameaça de morte. Mas felizmente, esse suspense todo estava prestes a acabar. London, here I come.

O dia amanheceu bonito em Bruxelas, mas eu não queria ficar mais um minuto ali. Acordei cedo e fiquei esperando – impacientemente – o horário para voltarmos. Eu tinha ligado para na noite anterior, a informando dos horários e certificar de que ela estaria me esperando em casa.

Eram dez da manhã no meu relógio de pulso, quando eu abri a porta da van da banda e pisei em chão inglês, na frente de casa. Respirei fundo, sentindo o ar gélido típico da minha cidade e caminhei sorridente. Se não fosse por berrar, eu nem teria dado tchau para os caras. Que cabeça a minha.
Ao chegar na frente da porta principal, notei que tinha, delicadamente, colado um bilhete na mesma, sua letra inconfundível dizia:
“Estamos sozinhos em casa. Você tem as chaves, para me encontrar é só seguir os bilhetinhos.”
Eu estava realmente gostando dessa brincadeira. Será que minha mulher me esperava com a sua melhor lingerie vermelha, em cima da nossa confortável cama para matarmos as saudades? Adentrei a sala e tudo estava em paz. Olhei para a mesinha central e achei outro bilhete.
“Lembra do que eu te disse no nosso aniversário de um ano de namoro?”
Ela havia falado tantas coisas... Eu estava envergonhado, mas podia não estar lembrando bem ao certo o quê no momento. Caminhei mais um pouco e existia mais um bilhetinho, colocado em cima do primeiro degrau da escada.
“Eu acho que você não se lembrou, não é? Como eu te conheço. Vem, sobe as escadas e abre a primeira porta a sua direita! Ps: Eu te amo.”
Primeira porta a minha direita? Mas o quê ela estava fazendo lá? Era apenas um quarto que usávamos para guardar as coisas que não couberam nos outros cômodos e que ela insistia em não jogar fora. Na porta dessa quarto, tinha mais um bilhete que dizia:
“Abre a porta, mas não vai poder abrir o presente agora”
Ah! Como não? Fiquei decepcionado, poxa. Lentamente abri a porta do quarto e pude avistar minha mulher parada na janela, de costas pra mim. Ela estava usando uma calça de moletom cinza, daquelas bem felpudas por dentro e um sutiã preto. Seus cabelos estavam soltos. Eu não via mais nada, somente ela. Acho que eu estava cego de saudades, só podia ser.

- Amor? – Eu disse baixinho e pude vê-la se virar lentamente. Sua barriga estava coberta de palavras, que no momento eu não consegui identificar ou entender. sorriu meigamente e veio andando em minha direção.
- Você é mesmo um lerdo, né? – Ela disse brincalhona e eu não entendi. Fiz uma cara confusa e ela me apertou as bochechas.
- Cadê o presente? – Perguntei.
- Tá aqui. – Ela disse, apontando as duas mãos para sua barriga e então, eu pude ler e identificar o que estava escrito.
“Não pode ser aberto antes de nove meses.”
Eu fiquei paralisado e então, depois de metade da ficha cair, comecei a olhar em minha volta. Aquele quarto havia se transformado no mais perfeito quarto para um bebê.
- E... ent... então, erm, eu vou ser p-pai?
- É o que parece, né? – disse divertida e eu a abracei com força. Não com tanta força, já que podia machucar o bebê, né? Ou não?
- Oi guti guti, eu sou o papai, oi! Você ‘tá bem aí dentro? – Eu disse e fiz com que gargalhasse ao ponto de mexer com a barriga – Calma amor! Não chacoalha assim não! ‘Tá doida?
- Ai ! Para! ‘Tô vendo que você vai ser bem neurótico, huh?
- Eu não, imagina... Capaz! Ai amor, eu tô tão feliz, mas tão feliz que eu quero fazer isso! – Ao terminar a frase, peguei e a beijei, bem daquelas cenas de cinema mesmo, de colocá-la em meus braços e a sustentar.
- Calma, não me tenta, pelo amor de Deus. – Ela disse tentando recuperar o fôlego. – Acho que a gente tem que ir com calma... Né?
- Papai promete que não vai machucar você! – Eu disse, olhando na direção da barriga da minha mulher, a fazendo rir e então, a peguei no colo e a levei para nosso quarto. Precisávamos matar o que estava nos matando.

Eu e estávamos deitados em nossa cama larga, meus braços rodeavam seus ombros, enquanto ela acariciava minha mão.
- Seria muito clichê se eu dissesse que eu sou a mulher mais completa e feliz desse mundo? – levantou-se, me fitando com um olhar meigo e um sorriso de canto.
- E seria muito clichê se eu dissesse que eu sou capaz e estou disposto a te manter nessa felicidade até os últimos dias de nossas vidas? – Eu disse, fazendo carinho em sua bochecha e observando-a fechar os olhos.
- Você não precisa me prometer nada...
- Não é uma promessa, é a minha meta e a minha razão de viver.

Capítulo dezoito.

’s POV.

Três anos mais tarde...

, casada, mãe de dois filhos. Eu nunca iria imaginar falando de mim mesma com essas características. Na minha mente, no começo disso tudo, seria somente eu e , mas eu realmente deveria agradecer as reviravoltas que a minha vida dera nesses nove anos que se passaram ao todo. foi o par de pernas mais certo que atravessou no caminho do meu filho, quando ele era apenas um bebê e eu mal sabia o que estava por vir. Eu nunca imaginei que esse par de pernas estava sustentando o homem mais perfeito que eu poderia encontrar e que, por um milagre divino ou científico, é também o pai da criança que eu quis gerar e criar sozinha. Não me arrependo de nada. A convicção que eu tinha esses anos todos atrás se apagou como fumaça e eu mal podia me lembrar que um dia existiram. Hoje eu sou feliz, assim. Eu tinha um marido, um filho maravilhoso de nove anos e uma princesa, chamada Ellie, de apenas três anos de idade.

- Ellie, amor, faz o pezinho de bailarina que nem a mamãe te ensinou! Se não, fica difícil para a meia-calça entrar... – Eu dizia ajoelhada na frente do meu sofá da sala, com Ellie sentada no mesmo, enquanto eu terminava de arrumá-la.
- Mamãe, vai ter crianças para eu brincar lá?
- Não sei se vai ter do seu tamanho, princesa! Mas, seu irmão já ‘tá lá esperando a gente, você vai se comportar? – Eu disse, terminando de colocar a bendita meia-calça rosa.
- Como eu sempre fui!
- Amor, vocês estão prontas? A Jessica acabou de ligar, ela já chegou à escolinha do e ele ‘tá todo nervoso porque não chegamos ainda.
- Ai meu Deus, cuida da Ellie aqui, que eu só vou pegar a minha bolsa e nós já vamos!

Era dia das mães, e como sempre, havia alguma festa na escola onde estudava. Ele estava nervoso porque seria a primeira vez que ele iria discursar. Apesar de sua pequena irmã ter apenas três anos, não dispensou de jeito algum a ajuda de Ellie para fazer o “misterioso discurso para a mamãe”. Como todos sabem, meus subornos nunca eram bons o suficiente e então, nada consegui arrancar dos meus filhos.
dirigia calmamente fazendo o caminho até a escola, enquanto eu e Ellie cantávamos algumas musiquinhas infantis no carro.

- Não vai contar nada para a mamãe, não? – Perguntei, fazendo a minha última tentativa.
- Não mamãe... Me desculpa. me prometeu uma coisa muito legal para eu ajudar e eu não posso contar a você.
- Boa, princesa! – celebrou e eu o olhei de canto. Então ele também sabia?
- Como é senhor ? O senhor também está metido nisso?
- Não amor, juro que não. Eles me disseram que é uma surpresa para o papai também, não é pequena? – Vi Ellie balançar a cabeça confirmando e então resolvi apostar minhas fichas em . – Seria sem graça eu saber antes e também, eu não sou assim tão... Curioso como você!
- Vai dizer que você não ‘tá se mordendo para saber o que é? – Perguntei.
- Eu vou saber daqui a pouco! Para quê eu vou me morder agora? Se eu posso guardar minhas mordidas para os meus filhos?
- Papai vai me morder? Deixa não, mamãe! – Ellie pronunciou-se.
- Ah deixo sim! Se vocês me fizerem chorar, eu juro que eu vou morder você e o seu irmão, assim, todinhos! – Ao dizer isso, me virei para trás e comecei a fazer cócegas na minha princesa.

estudava numa escola tradicional de Londres. Ele sempre foi a criança mais inteligente de sua turma, sempre falou o inglês da forma mais correta o possível, e eu nunca tive problemas ao corrigi-lo. Se ele mesmo estivesse escrevendo seu discurso, não me restava dúvidas de que estaria saindo de lá um grande amontoado de belas palavras. Podem chamá-lo de criança prodígio. Como um menino de nove anos poderia colocar tanta confiança numa mãe? E eu em alguma parte dessa história disse que ele era burro ou sem capacidade?

- Hey campeão! ‘Tá pronto para botar tudo para quebrar em cima daquele palco? – chegou e começou a desarrumar o cabelo do pequeno, até que eu dei um leve tapa em sua mão e o fiz parar.
- Ai pai, não fala assim, ‘tô muito nervoso! Com medo de gaguejar ou falar alguma palavra errada.
- Vai dar tudo certo, meu amor. Você não tem com o quê se preocupar. – Eu disse de uma forma confortante e me abraçou.
- É maninho! Faz tudo como a gente combinou. – Ellie disse dando uma piscadela para o irmão e o mesmo apertou sua bochecha.

Quando estávamos nos dirigindo aos assentos, avistei Jessica e seu namorado. Certamente já havia guardado nossas cadeiras.
Cumprimentamos-nos rápido, pois a diretora da escola já estava entrando no palco.

- Mamãe? – Ellie me cutucou levemente no braço, me chamando a atenção.
- O que foi princesa? – Eu disse sussurrando.
- Posso te dar o primeiro presente da noite? – Ela respondeu, no mesmo tom que eu.
- Claro, meu amor!
- Mostra para o papai também, tá? Eu demorei bastante tempo para fazer... – Ellie dizia, abrindo a pequena bolsa cor-de-rosa que estava ao seu lado – Oh... Toma mamãe!
Ellie me entregou um pequeno papel dobrado, e aos poucos que fui abrindo, notei que era um lindo desenho de uma criança de três anos. Meus olhos se encheram de lágrimas, eu era certamente a pessoa mais sortuda do mundo.
- Olha papai, o que a nossa princesinha fez! – Eu cutuquei e ele abriu um sorriso enorme quando eu o mostrei a obra de arte de Ellie.
- Você é a menina mais linda do mundo! – lançou um beijo e apertou a bochecha da pequena, a fazendo gargalhar.
Fomos acordados de nossas brincadeiras, quando a diretora da escola anunciou que o nosso pequeno campeão estava entrando no palco.
Quando surgiu, levantamos, assim como toda a platéia de pais e convidados e o aplaudimos de pé.

- Bem, quando a tia Rachel disse que teríamos uma festa especial de dia das mães na nossa escola, eu logo disse que queria fazer alguma homenagem, não só para a minha mãe e sim, para o meu pai também. Quando eu tinha apenas seis anos de idade, eu sofri de uma grave doença, mas por causa da coragem da minha mãe e da vontade do meu pai, eu estou aqui hoje. – ia falando e lágrimas brotavam em meu rosto. pegou em minha mão e a apertava de vez em quando. – Mãe, obrigado por ter lutado todas as batalhas que eu enfrentei e mais obrigado ainda, por ter vencido todas elas. Obrigado por sem nem ao menos saber, ter escolhido o melhor pai do mundo para mim e obrigado por ter me dado uma irmã como a Ellie. Eu amo todos vocês. Eu gostaria de chamar meus pais e a minha irmãzinha ao palco agora.
Falando isso, a atenção do local ficou completamente voltada a nós.
Levantamo-nos lentamente e então seguimos para o palco.
- Mãe, pai, eu e a Ellie escrevemos um pequeno poema sobre vocês dois e eu vou lê-lo agora.
chamou Ellie com a mão, a pequena posicionou-se ao lado do irmão e então, ele retirou do bolso traseiro de sua calça um papel dobrado e o abriu, começando a ler.

“Ela via o mundo, ele via o mundo, viam sob a mesma luz, isso é tudo e era tudo que havia entre os dois em comum, se conheceram no inverno de dois mil e dois, do vento um prelúdio do que viria depois. Do frio, desculpa se fez para ele estender seu casaco nos ombros dela. O inverno, então se desfez, quando ela em troca lhe deu com o olhar um abraço. Ele era um aspirante a poeta, ela era a inspiração e para ele qualquer coisa nela despertava uma canção. Ela que sempre buscava em tudo um porquê, com ele bastava estar, sentir e viver. O tempo voava pros dois e nem todo o tempo do mundo seria o bastante, os dias vividos a dois provavam que a eternidade é só um instante. Ela já quis ser de tudo e até sonhou em ser piloto de avião, finalmente alcançou o céu no momento em que ele lhe pediu a mão, três letras, ela respondeu e a mais linda música se transformou sua voz. Enfim... Não haveria mais qualquer fragmento de vida vivido a sós.”*

Desde a primeira frase dita por , eu estava chorando como uma criança. Eu não merecia tanto. Eu olhei para e até ele estava emocionado, como todos que estavam naquele local. tiinha um semblante tranquilo, como de missão cumprida. As mães que estavam sentadas, rapidamente se levantaram, aplaudindo meus filhos de pé e estavam todas no mesmo estado que eu. Ao descer do palco, a maioria veio nos cumprimentar e elogiar dizendo o quão maravilhosos os meus filhos eram.
Era final de tarde, o dia estava lindo em Londres e como isso era uma coisa rara de se acontecer, eu e pegamos Ellie e e os levamos ao parque. Sentamos na grama para ver o sol se pôr.

- Valeu à pena. – Eu disse baixinho, para somente me escutar.
- Valeu?
- Sim. Teve um momento da minha vida em que eu desejei nunca ter te conhecido ou até mesmo ter seguido com a minha idéia maluca de inseminação, mas agora... Nada mais além de vocês importa e eu digo que valeu à pena seguir o meu rumo contra todo o mundo quando eu era mais nova, eu teria feito milhares de vezes, tudo de novo, se eu soubesse que eu acabaria assim.
- Acabaria, amor? Como assim?
- Se depender de mim, eu vou ficar para sempre com você, porque amor eu tenho o suficiente.
- Eu tenho amor o suficiente até para as nossas outras vidas.




FIM



*A "poesia" lida por seu filho, é na verdade a letra de uma música da Sandy, que se chama: Ela/Ele.

Nota da autora: Último capítulo. Resolvi postar no dia do amigo e agradar todos os meus amigos que eu fiz durante essa fiction. Eu quero agradecer cada um de vocês que leram e comentaram e que, principalmente, entraram nessa história. Eu leio cada comentário com muito carinho e fico muito feliz quando eu vejo que recebi um novo! Obrigada mesmo gente, sem vocês essa fic não seria nada.
Queria agradecer também as minhas amigas lindas: Jessica, Bruna, Anna Luiza, Bells, Cams, Babi, Kakis, que me apoiaram firmemente na tragetória da fic e que cada linha que eu escrevia, era uma festa! Obrigada por tudo, meninas. Quero agradecer também, todos os meninos que leram a Love Son! É muito legal e importante pra uma autora de fictions voltada para as meninas saber que existem meninos lendo! E o menino mais importante do mundo para mim, e que leu ou tá lendo ainda, Nico :)
E sim, a Love Son vai ter continuação. Logo, logo vocês vão poder começar a leitura de Love Son II.
E o que mais?! Desculpa se o final não foi como vocês esperaram, eu realmente enrolei muito pra terminar, é como hum... Deixar um filho sair de casa? Eita comparação horrível, mas... é!
Beijos pra todos. Eu AMO vocês!

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