She's a Brazilian Girl
Autora: Nine Dias
Status: Em Andamento
Revisada por: Juh Claro
Categoria: McFLY Fics
Sub-Categoria: Romance/Comédia/Drama - LongFic
Comentários:
Capítulo 1
- Eu não ACREDITO que aquele... Aquele... FILHO DE UMA P... AAAAAAAAARRRGHHH! Não acredito que ele terminou comigo, ! Não acredito MESMO! Quem ele pensa que é!? Nós estávamos indo morar juntos! Papai comprou um apartamento LINDO pra gente perto da praia! Eu vou simplesmente afogá-lo! É! ISSO! Vou atrás dele e vou simplesmente... Jogá-lo no mar amarrado a um pedaço de granito numa corrente pra ele NUNCA MAIS conseguir voltar! BASTARDO!
- Mas , como você vai amarrar o granito nele? E levá-lo pro fundo? Você vai dopá-lo? – disse segurando o riso pelo telefone.
- Você ta de sacanagem, não é? Só pode... Você ta tirando com a minha cara! , eu to sofrendo, ta bom? Ele me largou! Você pode me dar um pouco de apoio moral, vir aqui me confortar, trazer um frappuccino maravilhoso e uns brownies de nutella da Combinato e me ajudar com a humilhação? Porque é isso que, geralmente, as amigas fazem!
- Mas ... Você nem ta sofrendo assim! Você ta é fazendo drama porque quer atenção! Eu não acredito que vou dizer isso, mas GRAÇAS A DEUS que o Breno e você terminaram! Você tava um saco, não saía mais pra lugar nenhum, só queria ficar com ele, fazer programa de casal. Ai que saco! Eu e as meninas estávamos sentindo sua falta! Faz 3 anos que você ta nesse estado vegetativo de namorada maravilhosa do cara mais chato do mundo. Argh!
- Não to sofrendo? Como assim não to sofrendo? Ele me largou . O que eu vou fazer agora?
- Amiga, para com isso, ta?! Eu acho que você tava é acomodada! É... Eu acho isso! Você tava acomodada demais com ele. Além do mais, o Breno não é pra você! Ele adora a vida de rock dele, sair com os amigos... Assim como você. Não sei como ele conseguiu ficar três anos e meio sem sair com os amigos dele. Te digo mais, não sei o que te deu na cabeça pra você cogitar morar junto com ele. E outra, você é tão nova amiga! Com 22 anos e já tava indo morar com o seu primeiro namorado?! Fala sério! Esquece isso, ok? Esquece tudo que aconteceu e pensa... Pensa em como nós vamos sair lindas pra comemorar sua nova solteirice! House Club, que tal? Reservo aquele camarote maravilhoso pra gente! Eu, você, e ! Vamos, vai ! Hoje já é quinta... Vamos amanhã?
- , eu não quero comemorar uma atrocidade dessas. Acho que vou me trancar no nosso... Quer dizer, no MEU novo apartamento e pedir uma pizza, comprar umas 3 garrafas de champagne e ouvir Maroon 5 no último som. Preciso de uma fossa!
- Ok então, você é quem sabe! Faça sua fossa ridícula hoje, já que você não trabalha amanhã e nem tem aula na faculdade. Mas amanhã... Aaah querida, amanhã você vai pra House com a gente. Passo pra te buscar às 22h! E isso não é um pedido, é um aviso!
- , você não me ouv...
- Não... NÃO! Eu ouvi sim. Mas eu nã quis escutar. Ouvi barulho de mar enquanto você falava! Agora você me escuta. Amanhã às 22h eu passo aí e te busco... Não tem desculpa. Agora deixa eu ir porque alguém aqui tem que trabalhar. Te amo gata. Alegria, alegria! Beijo e TCHAU! – e desligou.
~:~
Tudo aconteceu tão rápido. Vou explicar, vamos lá. Meu nome é , tenho 22 anos e estou me formando em Publicidade no final do ano e moro no Espírito Santo, um estado litorâneo do Brasil. No meu 3º ano, eu conheci o Breno. Nós ficamos em uma festa de final de ano da nossa escola e desde então não nos largamos. Comecei a faculdade de publicidade na mesma que ele fazia engenharia. Nós éramos muito grudados. De um tempo pra cá ficamos mais ainda e decidimos morar juntos. Bem, eu decidi. E ele aceitou! E então ele me largou.
É. Ele me largou. Abandonou. Na sarjeta. Miserável!
Foi assim: Tirei essa semana para arrumar as coisas. Na terça conseguimos mudar todos os móveis! Na quarta, fui à casa da minha mãe terminar de buscar as roupas e sapatos que lá ficaram, e verificar se eu tinha esquecido mais alguma coisa. Quando cheguei ao apartamento, na hora do almoço, percebi que ele não estava em casa e suas coisas não estavam mais lá. Mas como assim? Quando cheguei na cozinha, vi a única coisa que ele deixou pra trás: um bilhete pregado na geladeira:
",
Sinto muito. Gosto muito de você e esses 3 anos e meio foram maravilhosos! Mas isso tudo é demais pra mim! Estou assustado com as mudanças que aconteceram nesses anos que passamos juntos! Eu não me divirto mais com meus amigos, não tenho meu tempo e quando nos conhecemos... Nós não éramos assim! Você não era assim! Então estou indo embora. Não tinha te falado antes, mas uma empresa de engenharia em São Paulo me convidou para fazer parte do quadro de funcionários deles em Agosto, mas com isso tudo acontecendo, preferi ir mais cedo e me arrumar por lá. Eu espero, sinceramente, que você seja muito feliz! Eu te amo muito e só quero sua felicidade, mas não podemos mais ser quem não somos de verdade. Entendeu? Espero que me perdoe e que algum dia nós possamos conversar sobre isso.
Um beijo, Breno."
E foi isso. Foi esse o bilhete. E eu fiquei tão nervosa! Eu queria arrebentar toda a minha sala, igual acontece naqueles filmes dramáticos. Como ele tinha conseguido um emprego em SP e não tinha avisado? Como assim não se diverte mais com os amigos? Como assim isso tudo é demais para ele? São três anos! Essa situação toda é demais pra mim, isso sim! Eu achei que estava fazendo a coisa certa. Ai meu Deus, o que eu faço agora?
Liguei pra minha mãe e desabei. Chorei litros litros litros, minha cara inchou feito um baiacu. Dormi que nem senti.
Hoje então fui acordada por esse telefonema da , uma das minhas melhores amigas. Eram 14h já. Depois dessa repressão toda, tomei um banho, me arrumei e fui até a casa da . Se não estava me escutando, a com certeza escutaria!
Chegando lá, buzinei e saiu na varanda da casa dela:
- Sabia que você viria aqui. Entra. Mas já vou logo avisando, estou estudando para uma big prova de Bioquímica!
- Nerd.
Entrei e fui direto pro seu quarto. Pelo jeito, tia Aurora estava trabalhando e tio Antônio também.
- ... E agora? O que eu faço? – falei fazendo bico e me jogando na cama dela, em cima de todas aquelas... Almofadas e livros. Meu Deus, como essa menina gostava de estudar!
- , calma amiga. Tudo vai ficar bem. Eu e as meninas estamos aqui pra você!
- Menos a . Ela é muito grossa! Como eu fui ser amiga dela mesmo?
- Hahahahaha! Fale com as nossas mães. Ninguém mandou elas serem amigas desde criança!
- Vou culpá-las mesmo! Ela me acordou hoje e sabe o que aquela cretina falou? Que ta feliz que eu esteja solteira, que eu estava muito chata, que eu só queria saber do Breno, que eu sou dramática demais... Mas , foram três anos! Eu achava que estava fazendo a coisa certa!
- Ah sim. – desviou seu olhar de mim olhando para os pés. Aí vem – , promete que não vai ficar brava comigo?
- Claro que não . O que é? Quer me mandar embora? Precisa mesmo estudar pra essa prova? Se for por isso vou embora, você pode passar lá em casa hoje, vou fazer uma noite de fossa: pizza, champagne e...
- Maroon 5... Já sei. A me contou.
- Ela te ligou? – maldita! Como ela é baixa!
- É, ela ligou. Ligou pra me contar o que vocês conversaram, pra dizer que você planejava fazer isso e que não era pra eu cair na sua de depressão. E que amanhã nós vamos pra House Club.
- Nossa... Como ela é cachorra! Ela nem me deixa falar!
- Mas enfim... Você não precisa ir embora... Você já atrapalhou mesmo... – sinceridade é um ponto forte da , já disse isso? – Então.... , eu acho que a ta certa em algumas coisas. E você também sabe que ela ta. Na verdade, eu concordo com ela em gênero, número e grau. Amiga, você não era assim! Quando estávamos no 3º ano, nós éramos as porras loucas da sala! Sempre nos divertíamos, éramos AS meninas, engraçadas, agitadas! Depois que você conheceu o Breno, você só tinha olhos pra ele, tudo era ele! Você parou de sair com a gente, parou de se divertir... Não é assim! As pessoas tem que ter seu próprio tempo.
- Awww , eu sei mas é que...
- É que nada ! Você sabe o que eu acho... Você fez um milagre com o Breno. Ele era o mais galinha de todos e você o transformou no mais fiel possível! Mas ele também te pegou toda pra ele. Na verdade, acho que vocês dois se perderam nesse relacionamento aí. Perderam algumas características que, principalmente você, não deveriam ter perdido. Tenho certeza que ele se apaixonou pela menina engraçada, simpática, divertida e extrovertida que você é. Sabe, o Breno também mudou muito depois que vocês começaram a namorar. Então acho que depois desse convite super inesperado de morar junto, ele deve ter parado pra fazer um balanço geral da situação e a ficha dele caiu. Breno nunca foi burro, sabe?
- Ele te falou algo? Vocês se falaram depois de ontem? – A era amiga do Breno também. Acho que era a única que ele conversava antes de tudo acontecer... Na verdade, foi a que apresentou a gente.
- Falamos sim. Ele disse que sentia muito. Mas que percebeu que nesse tempo todo vocês tinham se afastado de todos e perderam a identidade de vocês. Que ele gosta muito de você, mas que vocês são muito novos pra assumir um compromisso desses. Ele pretende conversar com você, mas não agora. Dê tempo ao tempo, . Sei que se você pensar bem também vai ver que vocês eram acomodados um ao outro. E eu te conheço muito bem pra saber que você sente falta de ter um tempo seu!
- É... Ai, ! Não sei, eu... É tudo tão complicado! É claro que eu sinto falta, mas eu tinha planos, sabe? Achava que a gente dava certo, que íamos casar... Que eu ia realmente viver meu conto de fadas! Não sei, é confuso pra mim isso! Preciso pensar em tudo direitinho.
- Ok. Pensa então, ta? Faz a sua fossa, se é isso que você quer. Mas nós vamos amanhã na House Club. A já sabe também da boate. Então não adianta fugir. Nós três vamos te buscar. Nós te amamos e queremos você bem. É meio difícil ficar feliz do nada, sendo que é tudo muito recente, mas nós queremos te distrair! – ela sentou na minha frente e me abraçou. Eu queria chorar – Agora melhora, ta? E eu não vou participar da sua noite “All By Myself” porque eu tenho que terminar de estudar esses 5 capítulos pra prova de amanhã. E você já tomou algum tempo precioso de estudo meu. Então vamos lá, levanta e acorda pra vida. Me deixa estudar, amanhã nos vemos!
- Credo , sua grossa! Ok... Eu já vou indo. Vou pensar se vou amanhã. – falei indo em direção à porta do quarto. Ela ia falar algo e se levantar pra me levar até a porta de casa – Não! Não fala nada! E nem precisa levantar, sei o caminho! Obrigada, sabe... Pela conversa toda... E pela hospitalidade! – falei a última palavra fazendo uma voz ácida. Só senti sua almofada sendo arremessada na minha direção e uma risada antes de correr pra porta e gritar uma despedida – Tchau amiga!
~:~
Acho que deu pra entender então o que aconteceu comigo e com Breno. Depois que eu saí da casa da e deixei a nerd estudando, dei uma passada no shopping. No caminho fui pensando em tudo que a me disse. E ela tinha razão. Na verdade, aquela nerd sempre tem! Eu me perdi totalmente e o Breno também nesses anos de namoro. Mas é difícil, foram alguns anos tentando construir algo que por causa de um medo... Se foi. Incrível como esse sentimento destrói várias coisas que podem ser bonitas. Mas de repente, não era pra ser. Afinal de contas, como eu consegui ficar sem meus rocks, me afastar assim das minhas amigas?
Eu, , e fomos criadas juntas! Nossas mães eram amigas desde criança. E então aconteceu. Foi natural compartilharmos tudo juntas. E éramos tão diferentes! Eu era a dramática, adorava uma balada com os amigos, doida de pedra! era a mãezona de todas nós. Levávamos bronca dela pior do que as nossas próprias mães davam na gente! Ê cabeça dura! era muito cabeça dura! era a mongol do grupo, que menina besta! Um pouco lerdinha também. E era nossa nerd. Ô menininha estudiosa! E era ótima com conselhos também!
Mas nós éramos muito unidas! Ninguém podia mexer com uma de nós que as outras se armavam igual pavão! Somos muito protetoras! Adorávamos sair, fazer rock, encher a cara, falar besteira! Choramos juntas, bebemos juntas, rimos juntas... Pagamos mico juntas! fazia Direito, estava terminando Enfermagem e Ciências Biológicas.
Pensando nisso, percebi que eu perdi mesmo muita coisa nesses anos que estava com Breno. E fui ficando revoltada com isso. Eu amava aquele menino, mas perceber que eu tinha perdido tanta coisa, que eu tinha mudado tanto... Argh! Que ódio! De mim mesma!
Chegando ao shopping, estacionei meu carro no subsolo e fui em direção ao elevador quando alguém me gritou:
- , sua piranha! Você ligou pra , pra , mas não pra mim. To esperando minha ligação até agora! Que que é, não sou boa pra conselho não?
Tinha que ser. Pelo escândalo, tinha que ser a idiota da !
- RÁ! Eu vim no shopping, você acha, fazer o que? Falar com você né ! Eu ia te ligar agora!
- Duvido! Você ia é se afogar na Louboutin e na Marc Jacobs. Te conheço. Mas enfim, como você ta? Já esqueceu aquele mané? Ugh! Amanhã vamos quebrar tudo até o chão na House Club!
- Só você, !
- Só eu nada... Nós quatro que vamos! – eu falei, era meio... Mongol.
- Hm. Então, seu turno é agora?
- Daqui uns 30 minutos. Quer tomar um pinkberry?
- Com certeza!
Subimos os elevadores e fomos em direção a Pinkberry. Conversei com a , contei tudo o que tinha pensado no carro. Ela concordou, disse que eu tinha mudado muito, mas que isso acontece, principalmente quando construímos um relacionamento estável com nosso primeiro namorado. Mas que agora eu estava de volta e que deveríamos aproveitar!
- Fala sério amiga! Você se fechou igual uma ostra. Morar com seu primeiro namorado? Seu primeiro tudo? RÁ! Amiga, você tem que dar pra muita gente ainda, para com isso!
O que seria de mim sem minhas amigas, né?
Depois que ela foi trabalhar – ela trabalhava no hospital que ficava ao lado do shopping – eu passei em algumas lojas e fui pra casa da minha mãe.
Chegando lá, mamãe estava no jardim fazendo as unhas. Quando me avistou, lançou aquele olhar de “sinto muito” pra mim. Fui andando em direção à ela.
- Então , como está?
- Como você acha mamãe? Péssima, né? Me sentindo largada... Mas pensando em muitas coisas.
- Para de pensar nisso, minha filha. Esquece aquele... Mal agradecido. Agora vive sua vida! Seu pai ligou e perguntou por você. Ele queria te ver, mas está resolvendo uma coisa muito importante lá na gravadora, por isso não chegou ainda.
Sobre a minha família... Bem, minha família é rica. Muito rica. Meu pai era dono de uma grande gravadora, lançava as bandas mais legais do país! A gravadora dele, Royal Records, é afiliada de uma super gravadora, a Universal Records. Então nós vivíamos bem. Meus pais sempre me deram tudo. Minha mãe era uma perua legítima. Meu pai, um palhaço! Amo minha família!
- Ok então. Vou esperar ele chegar.
Nem precisei esperar muito. Depois de uns 40 minutos ouvindo mamãe falar como eu deveria viajar com as meninas para o Caribe, tomar várias tequilas e sensualizar por aí, papai chegou me salvando de algo mais constrangedor ainda que, com certeza, ela falaria.
- Filha! Você está aqui! E viva! – largou a pasta em cima da mesa e veio me abraçar e beijou o topo da minha cabeça – Sem drama nenhum?
- Nada pai. Passei só pra mostrar que eu estou viva, que não tomei uma overdose de rivotril e nem tentei me enforcar no varal.
- Sabia que faltava aquele toque especial que só minha filha tem – ele me largou e sentou de frente para mim.
- O que você tava resolvendo tão sério na gravadora que demorou a chegar?
- Negócios com uma banda britânica que vai tirar férias agora e queriam ir para algum lugar litorâneo. Então, como nós moramos em um lugar assim, o empresário deles me ligou e eu dei algumas dicas de onde podem ficar. Nada de tão importante.
- Ah sim. Que bom então. Bem, estou indo, só estava esperando o senhor chegar para te ver. Vou passar no supermercado e vou pra casa. Preciso ficar sozinha.
- Minha filha, se cuide, viu? Qualquer coisa, você pode voltar pra cá. Sabe que seu quarto sempre estará aqui – RÁ! Eu com um apartamento novinho vou voltar pra casa dos meus pais? Até parece.
- Ok pai, entendi. Beijos. Fui!
Saí da casa dos meus pais e parei no supermercado pra comprar os champagnes. Até parece que eu ia desistir da minha noite fossa! Peguei um trânsito do caramba até chegar ao apê. Chegando lá, acendi as luzes, olhei pros lados e percebi que aquela seria a minha rotina: morar sozinha.
Então peguei o telefone e pedi minha pizza favorita pra um momento de depressão: quatro queijos. Desliguei o telefone bufando e liguei meu som no último volume. Fui em direção ao chuveiro deixando Maroon 5 acústico pra tocar. Aquela noite seria longa.
Capítulo 2
- Brasil!? – Falaram todos juntos.
- É, qual o problema? Vocês não querem? – Fletch perguntou para os meninos.
- Não é isso, Fletch – disse – É que as fãs no Brasil são um pouco... Doidas. Não to reclamando, eu adoro! Mas se é pra gente descansar... Como vamos fazer?
- Então, essa é a parte boa. – Fletch respondeu com um sorrisinho maroto no rosto – O lugar do Brasil que eu achei não é tão movimentado de fãs como as cidades que já fizeram shows.
- Como assim? É interior? Mas a gente queria tanto ir pra uma praia! – disse.
- Não . Aí é que ta. O lugar é totalmente litorâneo! E é lindo!
- Como assim, Fletch? – disse franzindo a testa.
- Então, eu estava ontem à noite em um telefonema com o Sr. , o dono da Royal Records, uma gravadora afiliada da Universal lá no Brasil. Ele mora em um estado chamado Espírito Santo, que é litorâneo, tem praias lindas e é bem tranquilo. Não to falando que vocês não tem fãs lá, mas é que é bem mais tranquilo do que os outros lugares que vocês já foram. E bem, ele tem uma casa de veraneio em uma cidade de lá que é dentro de um condomínio luxuoso de casas, conhecido como Aldeia, fica na cidade de Guarapari. E ele ofereceu gentilmente a casa para vocês. Falei que estavam pensando em tirar um mês de férias e que gostariam muito de ir para um lugar com praias, e ele logo falou sobre a casa. Acho que vocês vão gostar. O que me dizem?
Os meninos se olharam com sorrisos dominando o rosto de cada um.
- Claro Fletch! Seria maravilhoso! Nós adoramos o Brasil e nunca conhecemos tanto lá. Eu topo totalmente! – Disse super animado.
Logo a sala se encheu de comentários. Os meninos estavam em êxtase! Iriam para o Brasil! Praia, mulheres bonitas, caipirinha!
- Ok então. Vou confirmar com ele! Estamos no meio de junho, no início de julho vocês vão. Vou ajeitar tudo!
- Obrigado Fletch! Vai ser maravilhoso! – disse!
-:- Enquanto isso no Brasil -:-
- Ah! Não acredito que estamos saindo no segundo dia após meu ex-namorado me abandonar. Vocês sabem que não serei uma boa companhia! – disse.
- Aaaaaah! Garota chata e reclamona! – falou entrando no táxi – para de reclamar menina, chega! Já foi. Tenho certeza que depois da primeira dose de vodka você vai arrumar uma delicinha na boate pra você!
- Aliás amiga, você está linda! – disse.
Bem, todas nós estávamos. Eu estava com um vestido roxo e sapatos nude, com um todo colorido e sandálias pretas, com um verde e sapatos azuis e com um de bolinhas e detalhes no peito azul e sapatos pretos.
- Obrigada . Você também está. Todas vocês estão! – cada uma respondeu um "obrigada" juntas que ficou meio embaralhado no final das contas.
- , tudo certo no nosso camarote? Quero só ver, hein? Vamos trocar nossos nomes e falar francês com todo mundo que falar conosco. Ce soir c'est la nuit des filles! (Hoje é a noite das meninas!)
- Tudo certo ! Tenho certeza que depois de hoje alguém aqui vai esquecer que algum dia namorou com um babaca!
- Aiaiai, . Para de falar assim! Não quero pensar nisso hoje, quero TENTAR me divertir, e você ficar tocando nesse assunto não vai me ajudar. – respondi cruzando os braços.
- Ah, vamos lá. Vai ser ótimo! Como nos velhos tempos! Desamarra essa cara ! – disse me balançando.
- Mudando de assunto gente, , você conseguiu suas férias em julho? E você, ? Porque eu consegui as minhas!
- Eu consegui! Consegui sim, sim! – disse toda animada.
- Como é que é? Vocês tão programando tirarem férias juntas e não me contaram!? – virei para trás e perguntei para as três com os olhos arregalados.
- Srta. Drama Queen, nós íamos fazer uma surpresa até a dona aqui estragar! – falou dando um cascudo em – Enfim, nós vamos passar as férias juntas! Você claro que vai também porque já conversamos com seu pai e ele disse que te libera da parte de Comunicação da gravadora por esse mês. Por isso que é bom ser filha do chefe né ? hahahahaha!
- EBA EBA EBA EBA! Então, vamos pra onde? Mamãe falou para irmos ao Caribe! – respondi me animando junto.
- Nós podemos ir ao Caribe... Mas no final do ano! Poxa, sabe o que eu pensei? Pensei em irmos para a casa da Aldeia. Fala com seu pai, ! Faz tanto tempo que não vamos para lá! É ótimo e tão grande! Podemos dar várias festas, fazer o que quisermos. – disse com os olhos brilhando. É, não seria de nenhuma forma uma má idéia.
- Então, seu desejo é uma ordem madame. Sinta-se já atendida! Vamos para a Aldeia mês que vem! Tenho certeza que ele não vai ligar, e eu tenho a chave.
- EBAAA! UHULL! – as três gritaram do banco de trás assustando o motorista.
Com certeza, essas férias serão meu recomeço!
-:- Em Londres -:-
On P.O.V
- Vai ser demais dude! Uma casa só pra gente, praia, bebida, festas! – disse colocando os braços atrás da cabeça e peNsando – tudo o que eu preciso pra esquecer essa confusão toda aqui.
Nem acredito que vamos tirar férias. Tudo, tudo o que precisamos agora são umas boas e merecidas férias. A turnê está ótima e já no final. Vou sentir saudade, mas preciso de um descanso bem longe desse frio de Londres.
- Isso mesmo . Brasil! Nem acredito... Será que onde vamos ficar vai ter mulher bonita mesmo? – perguntou franzindo a testa.
- Dude, é o Brasil! Claro que vai ter! – falou dando um pescotapa em .
- Mal vejo a hora de arrumar as malas! – falou, mexendo em seu celular... Provavelmente no Twitter.
- Eu não preciso nem de malas... Se pudesse, iria do jeito que estou agora! – falou.
- Exagerado! Enfim, vou pra casa. Vejo vocês amanhã na gravadora. – falou se levantando e pegando sua chave. O cara morava do meu lado. e também, só que cada um na sua casa. Ter seus melhores amigos como vizinhos não tem preço. As melhores festas são nossas, com certeza!
- Também vou. Tchau . Qualquer coisa é só pular o muro – disse fazendo voz de mulher e me mandando um beijo. Bicha.
- Claro, claro amor, me espera com aquela sua boxer rasgada no traseiro, que é só eu chegar e não preciso nem te despir – falei piscando o olho esquerdo pra ele. desatou a rir.
- Vai se fuder, !
- Pra que se eu tenho você?
- Ok ok ok. Chega. Vamos. Tchau , até amanhã! – saiu empurrando que erguia o dedo do meio para mim.
Ser do McFly é a melhor coisa do mundo. Trabalhar com seus melhores amigos é com certeza a melhor coisa do mundo. Sempre que um precisa é, literalmente, só pular o muro. Como eu precisei recentemente.
Faz 2 meses que eu terminei um relacionamento. E não estava tão animado pra sair. A sorte é que estávamos em turnê pela Inglaterra e isso ocupava a minha mente 90%. Os outros 10% se dividiam em dormir, comer, beber e jogar Xbox. A única coisa que me animou de longe foram essas férias... Mal vejo a hora!
Eu gostava muito da minha ex-namorada. Mas ela foi morar na Itália. Um relacionamento a distância não rola, né? Ainda mais estando numa banda como eu estou. Se eu mal vejo a minha família que mora no mesmo país que eu porque vivo trabalhando, como vou fazer pra ver uma namorada que mora em outro país?
Pois é... Nós namoramos 6 meses. Nem foi tanta coisa assim. Alexia era maravilhosa, vou sentir muita saudade dela. Sua família se mudou porque o pai foi transferido para uma filial de lá, uma empresa de engenharia. Então o que ficou foi a saudade mesmo.
Enfim, as férias virão num bom momento pra mim. Afinal, o que é melhor pra se distrair do que umas boas férias num país com tanta mulher bonita como o Brasil?
Off P.O.V
-:- De volta ao Brasil -:-
"Preciso voltar pro camarote. Preciso achar o caminho. Cadê aquelas sirigaitas? Meu Deus do céu, olha a bunda desse homem... Quero apertar." – pensei comigo mesma olhando o ambiente e logo depois o traseiro de uma delícia que passou na minha frente.
- Mas mal terminou o namoro e já ta de volta à rotina? Pensei que ia rolar pelo menos um luto. – ouvi uma voz no meu ouvido dizendo. Pensei que era minha consciência me mandando aquietar, mas a minha consciência tem a voz grossa? Quando olhei pro lado...
- Pedro!? Pedro, é você mesmo? Caramba! Quanto tempo eu não te vejo! – Falei me jogando nos braços do meu amigo de looonga data. Na verdade, antes do Breno, eu e Pedro éramos amigos coloridos... Então ele sumiu, né? Porque meu ex-namorado não ia com a cara dele... E eu consigo imaginar o porquê.
- gatinha! Como você ta? E que vestido é esse, hein? Benza Deus! Tá ótima pra quem terminou um relacionamento há... Dois dias?
Peraí. Mas...
- Como você sabe que eu e Breno terminamos? – perguntei desconfiada, já sabendo quem deve ter avisado a ele.
- . Acabei de encontrar com ela na frente do camarote onde ela está. Aliás, você veio com ela?
- Yes! O camarote! Me leva até lá? Eu meio que me perdi. Fui ao banheiro e não sei pra que lado é! – falei, colocando o canudo da minha vodka com Red Bull na boca e sugando o resto da bebida que tinha lá – afinal, preciso de um refil!
- Não muda nada! Vem, vou te levar.
Então ele pegou na minha mão e me levou até as meninas. Fiquei encarando nossas mãos juntas. "A mão dele era grande e bonita. Como não tinha percebido isso antes?"
- Ô sua tapada, o que você ta pensando que ta viajando aí? – Ouvia voz de curiosa.
- Hã? Ah! Chegamos! Obrigada Pedro, você é um amor!
- De nada gata. Quando precisar. Está se sentindo bem?
- Estou sim. Ótima!
- Então Pedro, fica aqui com a gente! Sempre tem espaço pra você! – disse me olhando. A verdade é que adorava ele. Por ela eu casava com ele.
- Não tem problema, né ?
- Claro que não, Pedro! Você é mais que bem vindo! Vem, vamos sentar! – Puxei a mão dele em direção aos bancos do nosso camarote e pedi mais um Red Bull pra misturar com a vodka que ainda restava na nossa mesa.
- Então , como você está? Você sabe, depois do término. – Ele perguntou cauteloso.
- Ah! Sei lá... Eu.... – então eu comecei a desabafar. Meu Deus, por que aquele menino me perguntou isso?
Mas não demorou muito pra me puxar para dançar. Acho que ela percebeu que eu devia estar desabafando com o menino e quis me tirar de lá o mais rápido possível, me carregando para a pista.
- Que isso, ? Ta doida é? Tava bem conversando com o Pe...
- Tava nada, tava é torrando o saco do menino! Por que você não fica com ele logo? Tá na cara que ele quer!
- Porque eu acabei de terminar um relacionamento de três anos e eu não quero...
- Queeeeeee não quer o queeeeee! Quer sim! Claro que quer! Dá uns beijinhos, nada de mais! E para de beber porque você já ta sambando em cima desse salto!
- Hahahahahaha! To nada! Hein, vou ficar com ele não... Para com isso. Vou deixar pra !
- Ah! Fala isso com ela... Ela vai ADORAR! – disse e nós duas caímos na risada. Logo fomos interrompidas.
- Posso dançar com você,k ? – Pedro perguntou. logo se afastou não dando chance para eu responder que não. Não que eu fosse dizer isso.
- Claro xuxu! Vem! – Puxei ele e nós começamos a dançar. A bebida já tava batendo, então eu deveria estar dançando igual uma louca, me esfregando no Pedro. Jesus... Quem sou eu.
Logo percebi que ele me encarava demais, e encarava meus lábios também. Então dei uma desculpa e me afastei.
- Ah, qualé . A gente sempre ficou antes de você namorar... Por que não agora que você terminou?
- Porque eu não quero Pedro. Porque é muito recente! Da licença, por favor.
- Só um beijinho , eu sei que você quer. – ele falou, se aproximando mais de mim ainda.
E eu queria. Oh meu Deus, eu queria! Que safada eu era! Eu era uma bêbada safada! Então eu respirei fundo, olhei nos olhos dele e o puxei. Colei nossos lábios e comecei o beijo, abrindo a boca e já dando passagem para a língua dele. Meu Deus, eu era dada até no beijo. Devia estar parecendo uma menina na seca. Deus me livre!
Pedro me puxou pela cintura para mais perto dele. Subiu uma mão até minha nuca a apertando um pouco. Fiquei tensa. Sabia que se ele continuasse não ia acabar ali.
- Ok. Xuxu, tenho que ir. Vou ficar com as meninas. Sabe como é, prometemos que seria uma noite de garotas.
- Claro , entendo. Mas ó, fica bem ta? Qualquer coisa, você sabe.... Me liga. – ele falou piscando o olho para mim.
- Pode deixar, eu ligo. – falei e dei três selinhos nele e me separei, indo em direção ao camarote.
- Isso aí ! Pegadora. Eu falei que você ainda tinha que dar pra muita gente! Pode começar com o Pedro, já que vocês só ficavam mesmo. Já é de casa! – falou, bêbada, me abraçando de lado.
- RÁ RÁ! Muito engraçada dona . Vem, vamos beber mais!
Falei a puxando para a mesa. Eu estava me sentindo a velha . De certo modo, estava me sentindo leve. Então pedi outro combo com uma garrafa de vodka e vários energéticos.
A noite não tinha acabado. Ainda.
Capítulo 3
A única coisa que eu tenho a dizer é que eu agradeço muito por ter ido a House Club de táxi! Meu Deus, como nós somos impossíveis juntas! Bem, eu não lembro de muita coisa exatamente. Sei que arrastei para beber mais comigo depois de ter dado uns beijinhos no Pedro, subimos na mesa do nosso camarote e dançamos igual umas doidas varridas (que mico!), tomamos uns 2 shots de tequila quando e apareceram, dançamos mais um pouco juntas e... Tá, depois a única coisa que eu lembro é da rindo bobamente e pulando ao som de Pump It do Black Eyed Peas e se esfregando na , que olhava para ela bambando em cima do salto com cara de “alguém tira essa menina de perto de mim antes que eu a chute para o banheiro?”. Eu ria descontroladamente da cena enquanto gritava (“Eeeei, psiu! Benza Deus hein? Vem cá que eu cuido de você, sou enfermeira sabia?”) para algum gatinho que passava fora do camarote e fazia gestos estranhos, tipo jogar beijinho, piscar o olho, assoviar... Quando cansamos, umas 4:30 da manhã, já tortas de bêbadas que estávamos, pegamos o primeiro táxi que passou em frente a boate e fomos conversando com o motorista. Eu tentava de qualquer jeito contar pra ele o quão devassa eu tinha sido essa noite, pegando o Pedro pouco tempo depois de terminar um relacionamento, enquanto insistia que era para eu parar de dar em cima do motorista porque ele tava mesmo é afim da , e que nós devíamos fazer algo sobre isso! Com certeza, fomos motivo de riso para ele.
As três dormiram aqui em casa, largadas em qualquer canto. Quando acordamos, umas 15h, ninguém conseguia falar nada de tanta dor de cabeça. Pedimos comida japonesa e devoramos tão rápido quanto chegou. Se o motoboy deixasse, teríamos comido antes mesmo de pagarmos!
- Ai amiga, sinceramente, ontem foi demais! Dançamos tanto que não consigo sentir os dedos do meu pé. – disse tomando um gole da sua coca-cola.
- É né? Dançamos mesmo, principalmnte você que ficou se esfregando na como se estivesse no cio. Tava tão necessitada que topava com mulher mesmo? – zuei com a cara dela enquanto e riam descontroladamente.
- Há há há! Como você é engraçada, dona ! Era pra dançar comigo e sensualizarmos para tentar fisgar algum macho, mas ela tava tão bêbada que nem em cima dos saltos conseguia ficar! E bem, a afastava qualquer homem que passasse ali com aquelas cantadas de pedreiro que ela gritava. “Vem comigo gatinho que eu vou te examinar!” com certeza foi a pior de todas as baladas que já fomos!
- EU DISSE ISSO??? – arregalou os olhos com incredulidade totalmente presente.
- Você não lembra, ? – disse levantando uma sobrancelha não acreditando no que ela tinha perguntado – Fala sério, você ta me zuando, né?
- Não! Ai meu Deus... Olha só, temos que mudar de boate... Estou totalmente queimada nessa! Aqueles shots de tequila quebraram a firma! – disse comendo o último sushi do seu prato.
- HAHAHAHAHAHA! Vocês são demais! Com certeza, essa noite vai ficar pra história! – Eu disse, recolhendo os pratos e colocando na pia.
- É, vai mesmo, né? Porque alguém deu uns agarros no Pedro e nem contou como foi pra gente! – falou cruzando os braços – Deus do céu, como ele é gato!
- Isso, , é porque você não viu ela desabafando com o cara! – disse começando a lavar os pratos – Tive que arrancar ela do lado dele e levá-la pra pista de dança porque ela ia começar a contar como ela estava depois do término e blábláblá...
- Puta que pariu ! – me deu um tapa no braço que doeu até o outro – Você não tem jeito mesmo, né? A gente te leva pra esquecer o traste e você fica querendo fazer uma biografia pro gato que queria te pegar? Não sei como ele não desistiu!
- Ai , que saco! Ele me perguntou como eu tava e eu ia contar, ué...
- Ainda bem que não contou, porque senão ele tinha corrido de você!
Hunf, o que eu podia fazer se ele tava me perguntando como eu tava depois do término? Eu ia responder, ué!
Enfim, depois do almoço quase jantar eu peguei o carro e as deixei em casa. Como minha casa era nova, não tinha roupa delas lá e tinham que se trocar e tomar outro banho, né? Hora de fazer as trouxinhas e deixarem aqui no quarto de hóspedes, honeys... Afinal, agora vivo SOZINHA.
Passei na locadora e aluguei uns filmes. Falei com as meninas que se elas quisessem voltar, eu não ia sair, mas nenhuma podia. ia rever uns processos, tinha que terminar um artigo sobre alguma matéria muito nerd dela e tinha escala no domingo no Hospital.
Então eu fiquei com meus pensamentos.
O fato é que eu tinha me divertido muito. Eu sempre fui de me divertir muito quando tava solteira. Ainda era muito recente o término todo e doía demais saber que uma pessoa que você amou por tanto tempo tinha te magoado assim... E, bem, não precisava ter sido dessa maneira. Ele poderia ter sido honesto comido desde o início, falando que não tava preparado... E por que ele não fez isso? Toda aquela decepção estava sumindo e dando espaço para a raiva que eu começava a sentir. Eu estava magoada de todas as formas, me sentindo incapaz de ser amada por alguém, mas eu não podia demonstrar isso para as meninas. Claro, eu sei que elas sabiam que eu estava magoada e estavam tentando me distrair, mas ficar chorando pelo leite derramado não vai adiantar nada. Eu vou deixar toda essa dor de lado, ou pelo menos tentar, e me divertir, me focar no trabalho e bem... Nossas férias estavam chegando! Mal posso esperar! Eu vou esquecer de vez do Breno e vou me divertir com todos os turistas possíveis!
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15 dias depois...
On P.O.V.
- Tudo pronto, ? – gritei lá de baixo já com e dentro da van. Nem acredito que estamos indo para o Brasil!
- To aqui dude, tudo prontíssimo! Cadê os outros?
- Tão no carro já, só esperando a mocinha aí...
- Ok, então vamos meu macho! – disse me abraçando de lado. Gay.
Entramos na van e fomos em direção ao aeroporto. Seria uma viagem longa.
- Então, meninos, vai ser um longo vôo e vocês farão escala ainda no Rio de Janeiro. Ninguém sabe que vocês estão saindo de férias hoje. Vamos chegar ao aeroporto pela entrada das cargas, mas só por precaução de alguém reconhecer vocês no saguão. O aeroporto de Vitória não é grande, mas mesmo assim, chegando lá vocês vão sair pela pista também. Do aeroporto até Guarapari, cidade onde vocês vão ficar, dá mais ou menos uma hora e meia de viagem, mas garanto que valerá a pena! Pelas fotos que eu vi até deu vontade de me juntar a vocês! Haverá uma van os esperando assim que saírem do avião. Já está tudo esquematizado!
Mas o Fletch era a eficiência em pessoa!
- Caramba! Ainda bem que meu ipod veio já abastecido pra aguentar essa maratona! – se manifestou.
- O vôo de vocês sai daqui às 21:15h. Vocês vão chegar lá mais ou menos meio dia. - Fletch continuou ignorando o comentário de e nos entregando as passagens – se comportem, não quebrem nada, não engravidem ninguém e não sejam grossos com alguma fã que vocês encontrarem. Cedo ou tarde vão descobrir o lugar em que vocês estão, mas a casa exatamente não tem como eles ficarem perto, já que é um condomínio fechado. Tenho certeza que vocês se divertirão – Ele deu um sorrisinho de lado. Ah, com certeza nós iremos, caro Fletch – e por, por favor , não vá sair correndo pelado e tocando o interfone de ninguém.
A risada foi geral.
- Fletch sempre baba nossa diversão. – disse fazendo bico e cruzando os braços.
Depois disso foi tudo muito chato. Chegamos ao aeroporto de Heathrow, pegamos nosso vôo, dormimos muito, chegamos ao aeroporto de Vitória umas 11:30 do outro dia e entramos na van que nos esperava. Realmente o lugar era pequeno. Conforme íamos passando ao lugar com a van, Richard, um cara que trabalhava na Royal, foi nos mostrando o lugar... Era realmente bonito. Atravessamos uma ponte para sair da capital para outra cidade, do nosso lado direito tinha um convento muito bonito. A vista de lá deveria realmente ser maravilhosa! queria que queria ir até lá e tirar algumas fotos. Ele e essa mania dele.
Depois de mais uma hora e meia de estrada, fomos avisados que tínhamos chegado a Guarapari. O motorista foi indicado para fazer um tour conosco pelas praias. Eram tantas! Richard disse que vinham pessoas de vários estados para cá nas férias. As praias ficavam realmente muito cheias! Mostrou-nos também uma boate muito, muito irada que, segundo ele, possuía vários ambientes dentro, além de vários restaurantes (mexicano, italiano, árabe, japonês), bares e ainda uma casa dentro da boate que só tocava eletrônica. quase surtou quando soube! Tinha um palco também que era pra atração principal, que ficava no meio de todos os ambientes. O nome do lugar era Mais. Com certeza nós iríamos até lá!
Após todo o passeio fomos até o tal condomínio fechado, chamado Aldeia. Já ficamos de cara com a entrada do lugar. Era todo cercado, com uma entrada bem bonita e grande. Fomos registrados e seguimos em frente para a casa do tal Sr. . Tenho que dizer, temos que agradecê-lo. A cada casa que passávamos, nossa boca ia abrindo mais de tão lindas que eram! Eram mansões muito lindas, gigantescas, com jardins, carros hiper modernos nas garagens. Dava pra perceber que muita gente estava chegando hoje, já que vários carros estavam abertos e as pessoas tiravam as malas de dentro e iam cumprimentando os vizinhos. O lugar era foda!
Então nossa van parou em frente a uma casa que... UAU! Era a última do local. Ela era na beirada das pedras que davam para o mar. Magnífico! Diferente das outras que eram próximas das casas ao lado, essa tinha portão, já que era um pouco isolada. O portão era de madeira , haviam cercas e vários coqueiros. Não dava muito para ver a casa de fora...
- Chegamos caras. Sei que vocês não conhecem aqui, mas só uma observação: as melhores casas são as que ficam no final. O Sr. resolveu colocar portão para mais privacidade. – Richard disse, como se nos contasse um segredo.
- Dude, se aquelas casas lá atrás eram fodas, eu to imaginando que vamos ficar no castelo do Rei do Brasil! – disse abismado pela grandiosidade do lugar.
- Seu tapado, o Brasil não tem rei! Aqui é presidente, imbecil! – disse dando um tapa na testa do . Puta que pariu, eu mereço a burrice dos meus amigos.
- Tá, que seja! – disse ignorando o tapa e olhando pelo vidro do carro mais uma vez.
Assim que o portão da garagem foi aberto, a van foi entrando numa espécie de subsolo que, obviamente, era a garagem. Era bem grande e aberta, no fundo tinha uma escada que dava pra parte de cima, que deveria ser a casa. Na garagem ainda tinha uma pajero preta. Ué, será que tinha mais alguém na casa?
- Então meninos, essa pajero aí o Sr. deixou à disposição de vocês, para saírem para a praia ou à boate. O tanque ta cheio e, bem, o volante aqui é do lado esquerdo, mas o Fletch me informou que vocês já tem experiência com isso. – Richard falou. O homem ainda deixou um carro com a gente! Meu Deus do céu! – Vamos, saiam da van que vou mostrar o resto da casa para vocês. Deixem as malas que o Lúcio vai recolhê-las e levá-las para dentro. O Sr. Lúcio é o caseiro do local. A mulher dele, Sra. Márcia, é a cozinheira e estará a disposição de vocês.
Nós agradecemos ao Lúcio que estava em pé do lado de Richard do lado de fora da van e fomos andando em direção à escada.
Quando chegamos na parte de cima, mal podemos acreditar! O lugar era muito gigante! Na beira do mar! Nem acredito! Várias janelas de vidro e um espaço muito grande!
Estou no céu! Cadê minhas virgens?
O lugar era maravilhoso. Richard ia mostrando a parte de baixo e nós estávamos sem palavras. Será que íamos conseguir curtir aquilo tudo em um mês e ainda sair?
Quando chegamos na sala, tive uma das minhas melhores visões! A sala era toda de vidro, dava de frente a uma piscina que ficava perto das cercas que davam no mar. Era lindo demais!
- Cara... Caaaaaaraaa, olha isso, pelamor de Deeeeeeus! – disse deitando em uma das redes que estavam ali. – Isso é o paraíso! Vamos mudar pra cá?
- Gente, isso é demais! To embasbacado dude! – Eu disse me deitando em outra rede – Isso com certeza vai ser uma das melhores férias que já tiramos!
- Nem senta , olha isso aqui atrás! – disse nos puxando para outro lado da casa.
Não acreditei que ainda tinha mais. Uma estradinha ligava a uma outra casa que tinha várias cadeiras, uma churrasqueira, banheiros, sinuca, totó, uma enorme TV LCD e um Xbox! TINHA UM XBOX!
- Vejo que já descobriram o cantinho da filha do dono! – Richard falou se sentando em frente a TV que observávamos – A menina é realmente viciada no tal do Xbox!
Será que além de tirar as melhores férias ainda vou achar a minha alma gêmea?
- Ela gosta, é? – Eu disse me sentando ao lado dele – E quando vamos conhecer a menina? Ela é bonita? É gente boa?
- Bem, não sei se vocês vão conhecê-la. Parece que ela e as amigas estavam programando ir para o Caribe.
- AMIGAS? Poxa... Isso sim seriam férias perfeitas, hein ? A menina é viciada em Xbox e ainda tem amigas!
- Menina que gosta de Xbox? Tem cara de ser nerd ou sei lá... Do jeito que o Richard falou que ela é viciada, vai que é lésbica!? – disse já montando as bolas da sinuca na mesa.
- HAHA! Vocês não conhecem a ! – Ele falou se levantando – vem, vou mostrar os quartos.
Passamos no resto da casa em baixo, conhecemos a cozinha, onde a Márcia estava preparando nosso almoço. A sala de jantar, de TV, de estar e o banheiro. Quando chegamos ao andar de cima, nos deparamos com cinco suítes iradíssimas! Todas com king size, closet e banheira. Cada um escolheu um, deixando apenas um quarto que estava fechado. Richard disse que era o quarto da tal e, bem, deveria ser bem feminino. Ele disse que tinha certeza que nós não íamos querer ficar nele.
Por um momento eu fiquei muito curioso com o lugar.
- Então caras, conheceram o lugar, se instalaram... Já vou indo! Qualquer coisa falem com a Márcia, ela sabe inglês e pode nos ligar qualquer coisa. Espero que aproveitem bastante esse mês que ficarão aqui! – Richard disse nos cumprimentando e se despedindo.
- Po cara, brigadão por tudo aê. Adoramos o lugar, agradeça imensamente ao seu chefe por nós! – Eu disse em nome de todos que já estavam dispersos na cozinha perguntando a Márcia o que cheirava tão bem.
Depois da despedida fomos cada um pro nosso quarto. Como o lugar fazia um calor infernal, tirei meus agasalhos e coloquei uma bermuda bege, um all star branco, uma regata também branca e meu Ray-ban preto. Desci e encontrei já com o violão na mão sentado numa das mesas do lado de fora.
- Dude, esse lugar é sem palavras. Dá até vontade de compor!
- Nossa , já chegou nas férias querendo compor? – perguntou sentando-se ao meu lado também já de bermuda e regata.
- O que eu posso fazer, é maior do que eu!
- Dudes, a Márcia ta chamando pra almoçar já! Ela fez uma tal de moqueca capixaba! Disse que é um prato daqui de peixe com umas coisas lá que eu não entendi, mas o cheiro ta maravilhoso! – apareceu também de bermuda, mas com uma blusa de manguinha e chinelos.
- Tudo pra me deixar feliz! Adoro peixe! – Levantei hiper feliz e fui em direção ao cheiro. Já estava me sentindo em casa.
Off P.O.V.
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On P.O.V.
- Andem meninaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaas! Nem acredito que estamos indo para a Aldeia! Quanto tempo que eu não vou lá! Pena que não vamos almoçar a comida deliciosa da Márcia! – disse passando a mão da barriga como uma esfomeada.
- Nossa , seu espírito de gordo está aflorado hoje! – Eu disse passando a mão na cabeça dela, que estava sentada no meu sofá esperando as meninas juntarem as coisas – Você acabou de almoçar e já ta pensando na comida da Márcia?
- Ah ... É maior do que eu – ela disse me fazendo bico.
- É, eu sei, a Márcia deve ter ganhado o Top Chef em alguma edição que eu não sei... puta que pariu, a torta de limão dela é a melhor que eu já comi! – eu disse fechando os olhos tentando lembrar o gosto – Chegando lá é a primeira coisa que vou pedir pra ela fazer!
- Pronto meninas, vamos descer... Tudo arrumado, empacotado e preparado pro nosso mês de férias! – e apareceram na sala com suas bolsas.
- Então vamos lá! – Eu disse abrindo a porta e saindo em direção ao corredor.
Chegamos na garagem e apertamos nossas malas no meu carro, sentou do meu lado na frente, e atrás. Colocamos os cintos e eu conectei meu iPod no rádio e demos a partida indo em direção a Guarapari. Julho ia ser pequeno pra quantidade de coisas que íamos aprontar!
Já liguei o som alto em “Like a G6” e fomos cantando e fazendo gestos e tentando dançar sentadas. Menos eu que me continha, pois estava dirigindo.
- Meninas, quero me perdeeeeeer no meio daquela Mais esse mês! A programação ta incrível, vocês viram? – Eu perguntei para as meninas.
- Noooooossa! É mesmo, nem tinha me lembrado da Mais, juro por Deus... Só estava pensando na quantidade de gatitos que vamos levar pra sua casa nas nossas crazy parties! – disse me lembrando o quão loucas eram nossas festas na Aldeia. Muito bom a casa ser isolada das outras!
- Hahahahaha, nem lembra! Da última vez a estava debruçada nas cercas que dão pro mar com a atrás dela imitando a pose de Titanic e cantando My Heart Will Go On. Foi hilário e meus ouvidos doem até hoje só de ouvir essa música! – disse nos fazendo rir demais da recordação!
- Ah para! Para porque aquela festa você também não ficou pra trás não, ok? – disse, eu já até sabia o que ela ia recordar da – Se eu não me engano, metade da festa bebeu body shot de tequila em você! Incluíndo MENINAS!
- Golpe baixo ! – disse olhando pra trás e rindo disfarçadamente – Foi meu primeiro porre de Martini e eu nunca mais quero sentir o cheiro daquela bebida de novo!
- Também, você vomitou o banheiro do seu quarto TODO! E tava pegando um gatíssimo que te abandonou lá. Ninguém merece também, né, beijar com gosto de Martini vomitado! – Eu falei rindo mais alto ainda!
Então pelo caminho fomos nos recordando de todos as lembranças das festas que fizemos lá. Os aniversários, os Natais, Ano Novo então... Meu Deus!
Já eram 16h e estávamos na entrada do condomínio. Quando começou a tocar uma das minhas músicas favoritas!
- AAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH EU AMO ESSA MÚSICAAAA! – Eu gritei animando as meninas e as fazendo gritar também. Adoramos McFly! Começamos a cantar juntas e dançar.
Now let's party (agora vamos festejar)
The clock hit 12, as she entered the room (O relógio bateu às doze, ela entrou na sala)
But if looks could kill then we all would be doomed (Mas se beleza matasse nós estariamos condenados)
After just one kiss you're not able to move (Depois de apenas um beijo, você não pode se mover)
From her venomous lips and her poison perfume (De seus lábios venenosos e seu perfume tóxico)
Passamos por várias casas de vários amigos meus e fomos cantando e cumprimentando todos. Sem perder o entusiasmo! Chegamos na porta de casa e eu buzinei para avisar que chegamos.
She starts swaying so sexy (Ela começou a dançar tão sexy)
And looking at me (E olhando para mim)
And it got me, caught in her mind control (E me pegou em um controle mental)
This place is prison (Este lugar é prisão)
I'm chained up (Eu estou acorrentado)
I give up and (Eu desisto e)
I'm at her mercy (Estou a sua mercê)
She wouldn't let me go (Ela não me deixaria ir)
Fomos descendo do carro e continuamos dançando. Eu me movimentava de costas para a escada, ia até o chão e voltava, as meninas se apoiavam no carro tentando fazer poses sexys. enfiava a mão nos cabelos e os puxava parecendo uma louca e descia até o chão, deslizava as mãos passando por cima dos seios, ia para a cintura, segurava e rebolava até o chão, virava de costas pra mim, olhando para o portão ainda aberto e empinava a bunda enquanto subia, se abraçava, depois levantava as mãos e as girava como se estivesse acorrentada e eu... Bem, eu pulava como uma louca, dava um tapa na bunda, apoiava nos joelhos, passava as mãos nos cabelos e cantava alto igual uma doida. Todas nós parecíamos recém saídas do manicômio. Ouvimos passos atrás de nós e nem nos importamos. Deviam ser Lúcio e Márcia que vieram ver nosso surto... Mas eles já estavam acostumados, então continuamos.
She said she likes to dance all by herself (Ela disse que gosta de dançar sozinha)
'Cause she's a party girl (Porque é uma menina de festa)
She don't care for nobody else (Ela não se importa com ninguém)
She's in her own world (Ela está em seu próprio mundo)
I love this little party girl (Eu amo essa pequena menina festeira)
I love this little party girl (Eu amo essa pequena menina festeira)
Foi tudo muito rápido... No final do refrão as meninas foram virando e rindo em direção à escada, provavelmente para cumprimentar o casal que deveria estar ali, e eu continuei ainda. Elas foram perdendo a cor, abrindo a boca, todas juntas, foi abaixando o som logo no final do refrão. Tinha algo errado. Então fui virando dançando ainda cantando o finalzinho em alto e claro som:
- “She's such a little party... - Então eu parei na última palavra do refrão quando vi o que elas encaravam. Não era possível! – girl”.
Na nossa frente estavam, quem diria, os quatro integrantes da banda que nós ouvíamos naquele exato momento. , , e nos encaravam com confusão e diversão ao mesmo tempo e eu não sabia o que pensar. Foi, com certeza, o mico do século.
Capítulo 4
On P.O.V.
- Nossa... Dude! Que comida maravilhosa essa! – eu disse passando a mão pela barriga que estava ligeiramente estufada. Essa tal de moqueca realmente era um manjar dos deuses! - Fala sério, poderia passar esse mês todo só comendo isso.
- Nem diga, acho que essa cozinheira quer engordar a gente pro Natal. – disse meio baixo, como se contasse um segredo para nós, que estávamos sentados perto da piscina já descansando após o almoço. Tínhamos almoçado tarde e agora só nos faltava decidir o que fazer numa cidade que não conhecíamos. Fazer amizade com os vizinhos seria bom, né?
- Cara, nem sei se consigo sair hoje. Eu to uma bola, comi demais. – disse levantando a blusa e olhando pra barriga. Exagerado.
- Cala a boca . Você ta é colocando desculpa pra não sair de casa, mas eu não te culpo, olha o tamanho disso! Tem tudo que queremos! Podemos passar a noite jogando vídeo game, eu não me importo! – disse deitando em uma espreguiçadeira ao meu lado.
Tudo estava calmo, ouvíamos o barulho da água batendo nas pedras que estavam na beira da casa. A casa era quase em cima do mar, já disse isso? Sensacional!
“She starts swaying so sexy and looking at me...”
Opa! Conheço essa música!
“... And it got me, caught in her mind control. This place is prison I'm chained up I give up and I'm at her mercy...”
- Hey! Meninos, é nossa música! – Eu disse me levantando meio abobado já seguindo em direção à garagem, que era da onde o som vinha.
- Vamos lá olhar! – foi correndo me seguindo. e vieram logo atrás.
Descemos a escada que dava para a garagem e paramos... Petrificados no que víamos.
“She said she likes to dance all by herself, 'cause she's a party girl...”
Quatro meninas dançando e cantando a NOSSA música. Pelamor de Deus e que meninas! Elas nem se tocaram do quão desajeitadas – e fala sério, muito sexys – estavam e eu me segurava para não rir e acabar com a diversão delas. De soslaio reparei que os meninos também se seguravam e secavam demais cada uma delas.
É oficial: Adoro a alegria brasileira!
Tão rápido como chegamos três delas viraram e nos viram ali. Pararam de rir, os olhos se arregalaram e a pele empalideceu um pouco. Elas abriram a boca num sinal de surpresa e eu percebi um sentimento de incredulidade parar no rosto de cada uma. Eram muito bonitas!
Mas ainda faltava uma. Qual delas deveria ser a tal ?
Uma delas abaixou o som como um sinal para a outra perceber que nós estávamos ali. A menina que restou foi virando, ainda cantando o final da música.
Foi aí que eu percebi que o melhor sempre vem no final.
Off P.O.V.
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On P.O.V.
Eu arregalei os olhos e, com certeza absoluta, não acreditei que aquelas quatro delícias estavam na minha frente. Aaaahh, não mesmo! Mas não tive nem tempo de pensar direito:
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHH! OH MEU DEUS! OH MEU DEUS! OH MEU DEUS! – gritava colocando as mãos nas bochechas e pulava como uma criança que acabara de receber um enorme pirulito em um parque de diversão – Me belisca ! Me belisca se aquele ali não for o ! – disse, agora baixo como se cochichasse para , fazendo eu e rirmos da reação da menina. Não que eu não estivesse com vontade de sair correndo e me jogar neles. Não, que isso! Eu tinha que me controlar!
- AI! , falei pra você me beliscar se NÃO fosse ele, e eu sei que é ele! – disse esfregando a mão onde nossa amiga tinha beliscado – mas eu ainda não acredito nisso!
- Eu sei! Mas você reagiu tão histericamente que eu belisquei do mesmo jeito! Ou era isso ou um tapa na cara. E eu não quero assustar eles!
Então eu me toquei que nós falávamos em português na frente deles que não entendiam bulhufas do que falávamos. Percebi isso pelo olhar estranho que eles lançavam para nós, apesar do sorrisinho no rosto. Nessas horas eu agradeci por duas coisas: ter feito curso e intercâmbio com as meninas e ter realizado esse diálogo com as meninas em português!
- O que vocês estão fazendo aqui?! – foi o melhor que eu consegui pensar.
- Oi... Menina estranha! – disse me olhando e soltando uma risadinha – Nós é que perguntamos, quem são vocês?
- Bem, eu sou dona dessa casa!
- E nós somos o McFly! – veio andando na minha direção com a mão estendida para me cumprimentar. Que fofo!
- Nós sabemos quem vocês são... Óbvio. – disse cruzando os braços e olhando para com uma cara de “acha que moramos na roça?”
- , menos né? – disse para ela antes de voltar a olhar para os meninos – Afinal, como vocês vieram parar aqui?
- Bem, nós precisávamos de férias e queríamos um lugar legal para ficar... Então fugimos de Londres e arrombamos sua casa. – disse fazendo uma cara de como se ele fizesse aquilo sempre. Me deu medo.
- Engraçadinho – disse o olhando desafiadoramente – vamos ligar para seu pai . Vamos ver o que aconteceu!
- Seu pai? Então você é a menina do Xbox e do quarto misterioso? – disse se direcionando a mim.
- MEU XBOX? VOCÊS NÃO O QUEBRARAM NÉ? PELO AMOR DE DEUS DIGAM QUE NÃO! EU TROUXE VÁRIOS JOGOS NOVOS PARA TESTAR E...
- Calma, nem encostamos nele! Só perguntei! – ergueu os braços em sinal de rendição.
- Oh! Ok então – fiquei nervosa a toa, mas eu já estava nervosa né? - Mas sério, o que aconteceu? Como vieram parar aqui?
- Seu pai ofereceu a casa para passarmos um mês de férias. Acabamos de chegar. – disse fazendo uma cara de inocente. Juro que quis apertar suas bochechas!
- MEU PAI? DESDE QUANDO MEU PAI CONHECE VOCÊS? – ele ia me pagar por isso!
- Não conhece... Mas ele conversou com o Fletch e ofereceu... Então aqui estamos! – disse.
Fletch, claro! Ai meu Deus! E agora?
- Vou ligar pra ele. Ele tinha que ter me avisado que vocês ocupariam a casa e...
- , que mal lhe pergunte... Você avisou para ele que viríamos? – perguntou fazendo cara de desconfiada. Outch!
- Ahhnnn... Não – as meninas bufaram –, mas poxa gente, ele sempre avisa quando vem! E ele não avisou nada!
- Mas você é uma cabeçuda mesmo, né?
Não sabia o que fazer. E agora? Quando que nos meus mais ocultos sonhos eu ia imaginar que meu pai ia liberar a casa para o McFly? Respirei fundo.
- Ok... A única coisa a fazer é ir embora. Desculpem meninos... Se meu pai liberou eu... Eu sinto muito por atrapalhar as férias de vocês!
- Antes de irmos podemos tirar uma foto e pegar autógrafo? – disse com os olhos brilhando.
Nós a olhamos incrivelmente sem graça e demos, cada uma, um tapa na sua cabeça.
Os meninos riram.
- Qual é o nome de vocês? – perguntou olhando para mim – O seu eu sei que é .
- Como você sabe? – me arrepiei toda. Omg, ele sabia MEU nome!
- Richard falou quando nos veio trazer aqui.
- Ahw – merda! – OK. Bem... Meu nome é , essas são , e – apontei para cada uma devidamente. deu um tchauzinho para eles. – Mas podem nos chamar de , , e .
- , , e – ele disse e apontou para cada um. Até parece que não sabíamos.
- Prazer meninos, sinto muitíssimo pelo incômodo. Espero que se divirtam, Guarapari é bem legal! – falei já meio entrando no carro. Será que dava tempo de comprar as passagens pro Caribe ainda?
- Não! Esperem! – falou um pouco mais alto, nos fazendo olhar para ele estranhando o gesto – Sabe o que é... O negócio é que nós não sabemos o que fazer. Nós não falamos português, não temos ninguém que pode nos acompanhar aqui que conhece o lugar e bem... A casa é sua . Por que vocês não ficam? Tem cinco quartos e tenho certeza que nós podemos nos dividir e dá pra todo mundo ficar, né? Aliás, sua casa é iradíssima e muito grande! Dormimos na sala se quiser, mas fiquem. Vai ser legal conhecer gente nova! Que tal?
Eu, pessoalmente, nem preciso pensar para responder. Maaas... É claaaaro que temos que fazer um charme né?
- Não meninos, que isso! Não vou fazer vocês dividirem quarto! São as férias de vocês! Não se preocupem... Podemos arrumar outro lugar para ir e...
- Fiquem meninas. Vai ser legal! Nós não nos importamos. Bem, eu só não quero dividir o quarto com o , ele peida bem fedorento, sabe? – disse fazendo todos nós rir e deixando o menino sem graça.
- O que vocês acham me...
- Eu super topo! – disse já me interrompendo. Ela não sabe enrolar.
- Por mim tudo bem. – disse sorrindo.
- Por mim está ótimo! Falando sério, não quero ir pro Caribe... Eu quero ficar e fazer várias festas como antigamente. Se eles aceitam, por que não? Desde que eu não tenha que, em algum momento, dividir o quarto com o ... - sacaneando o menino, olha só!
- Hahahaha! Colocamos o pra dormir com ele, relaxa ! – disse.
- Então.... Nós ficamos! EBA EBA! Vamos subir porque eu to morrendo de fome! – Eu disse já me encaminhando para a escada – Vocês já almoçaram?
- Ahan! Uma tal de Me... Meque... – tentou falar o nome da comida e eu não entendi – Ah! Um negócio com peixe e um monte de coisa num negócio grande e preto...
- OH MEU DEUS NÃO ACREDITO QUE A MÁRCIA FEZ MOQUECA!!!
Subimos a escada juntos e rindo da histeria que a fez quando foi revelado, finalmente, o que Marcinha tinha feito para o almoço. Quando chegamos à sala, Márcia e Lúcio nos cumprimentaram e nos abraçaram. Logo após toda a recepção, Lúcio saiu para pegar nossas malas. Deixamos nossas bolsas em cima do sofá e fomos em direção a cozinha. Márcia já estava lá colocando a mesa. Após comermos, fomos para a sala conversar.
- Como vocês querem dividir os quartos? – perguntou.
- Bem... Eu fico no meu, se as meninas quiserem se manter lá, por mim tudo bem! Já cansamos de dividir aquele quarto nós quatro. Ele é meio que feito para nós quatro – olhei para elas, já trocando um olhar meio... Incomodado. Eles não tinham idéia de como era.
- Podemos dividir em duplas também. Vocês que sabem! – se manifestou.
- Acho que podemos manter assim. As meninas no da , e vocês ficam cada um em um. Não é nenhum incômodo na verdade – se manifestou.
- E ainda tem o puxadinho lá atrás pra quem conseguir a sorte na festa! – troquei um olhar secreto com elas e um sorriso traiçoeiro.
- Puxadinho? Que isso? – perguntou.
- Um quarto isolado, lá fora... Junto com a casa anexa – se manifestou, olhando as pontas dos cabelos.
- Por mim pode ser assim a divisão dos quartos, não ligo! – disse se levantando e olhando a estante de cd’s – Uau! Quantos cd’s você tem aqui !
- Gosto de música! – sorri forçado para ele pensando “Oh Deus, não olhe pro canto direito da estante, não olhe.”
- Tem os nossos? – perguntou se levantando indo em direção ao exato canto direito da estante – É, tem... Tooodos os nossos! Olha isso !
e rapidamente se levantaram e se juntaram onde todos os meus cd’s do McFly estavam, observando a ordem cronológica no qual eu os arrumei.
- Caramba , seu pai traz todos os cd’s que ele ganha da gravadora pra cá? Por isso você tem tantos? – virou para mim e perguntou. As meninas estavam sem graça também.
- Na verdade verdadeira... Bem, meu pai pediu para o Fletch, provavelmente, que vocês assinassem cada cd desse e me mandasse... Desde o ROTTF até o ATN. Eu meio que sou fã de vocês... Desde sempre? – disse rindo sem graça – não só eu claro, as meninas também! – disse apontando para elas. Se eu fosse pro inferno, iria arrastá-las também.
, e que até então estavam olhando os cd’s, viraram para nos encarar meio inquietos.
- Sério? Vocês são nossas fãs? – perguntou desconfiado – Porque sabe, eu poderia dizer que a era nossa fã, porque você sabe, as fãs brasileiras meio que... São doidinhas... E julgando pela reação dela quando nos viu... Bem, mas vocês? Impossível!
Nós olhamos pra e rimos. Ela realmente era doida.
- Mas a é surtada desde sempre... A mãe dela costuma dizer que teve que arrancá-la de dentro da barriga com 7 meses porque ela era muito hiperativa e a própria mãe não aguentava mais todo o remelexo da doidinha aqui na barriga dela! – confessou rindo.
- HÁ HÁ! Nada a ver ok? – ela reclamou cruzando os braços - Mas se vocês duvidam que somos fãs, é só olhar o quarto da .
Obrigada . Obrigada mesmo.
- O que tem no seu quarto? – me perguntou curioso se sentando ao meu lado.
- Nada.
- Nada? Duvido! – levantou puxando minha mão para ficar em pé também – Vamos, abra seu misterioso quarto. Eu to curioso para ver desde quando eu cheguei! Eu falei que devia ser bem feminino, o Richard disse que nós não íamos querer ficar nele!
- RÁ! Não vão querer mesmo! – Eu disse, desviando meu olhar dele para a sua mão que segurava a minha. Eu vou desmaiar. Juro.
- Abre , pra gente ver! – disse também vindo para perto de mim e de , seguido pelos outros dois.
- É ... Abre pra eles verem! – disse. Eu sempre soube que ela adora me ver em saia justa.
- Cala a boca !
- Ah abre... Que que tem? Duvido que eles nunca viram nenhum quarto com posters e dvd’s e fotos e... – foi enumerando... Puta que pariu!
- Cala a boca !
Então soltou a risada mais gostosa que eu já ouvi na minha vida.
- Oh! Agora você vai abrir mesmo! – e subiu me puxando. Paramos todos em frente a minha porta. Eu sei que eles iam ver cedo ou tarde mas... Não queria que fosse tããão cedo!
- Prometem que não vão me zombar? Eu não venho aqui faz tempo e... Poxa, eu to na faculdade, ! Precisava ser tão idiota de me esparrar assim? – cruzei os braços e fiz bico.
- Ah! Nem é vergonha ter poster no quarto... Fala sério, tem do Bob Esponja até hoje no quarto dele! – disse.
- Ok , chega né? O foco é a – deu um olhar atravessado para ele.
- Você então tem um poster do Bob Esponja, ? – é agora... Eu desvio o assunto de mim!
- Nanão dona ... Pode abrir... Estamos todos aqui querendo ver!
É, não deu.
Suspirei, dei as costas, peguei a chave no meu bolso da frente da calça jeans e destravei a porta.
- Não empaca aí ô paca! – disse me empurrando pro lado e abrindo a porta.
A última coisa que eu vi antes de colocar minhas mãos no rosto foi a expressão surpresa no rosto de .
Off P.O.V.
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On P.O.V.
O que eu vi ali com certeza absoluta me deixou surpreso.
O quarto de era feminino... Ele era todo lilás, no canto esquerdo tinha uma cama king size de frente para uma TV enorme, com um dvd e um wii conectado! O quarto era muito grande! Mesmo! Perto da cama tinham duas portas, deduzi que uma era o banheiro e a outra o closet, só podia ser. Do lado direito, era um pouco mais alto, com uma mesa de madeira branca embutida de fora a fora pela parede. Em cima tinha suas caixas de som – provavelmente para ligar o ipod – mais uns dvd’s – reparei que todos do McFly estavam ali – um computador Mac bem grande, um mural com fotos e mais fotos, em cima da mesa ainda tinha vários álbuns – certeza que ali estavam as fotos que a disse de nós – e vários puffs espalhados pelos cantos, como se aquela parte alta do quarto fosse uma pequena sala dentro do quarto. Tinha um espelho enorme que ocupava quase uma parede inteira. Entre a TV e a parte alta, tinha uma porta que dava para a varanda espaçosa que estava meio aberta com uma cortina branca balançando por causa do vento. Tinha bastante informação no quarto. Perfumes expostos, maquiagens, essas coisas femininas.
Não tinha entendido o que Richard quis dizer com aquilo de não querer ficar nele. Não entendi a vergonha também. Apesar de ser todo bem feminino, se ele fosse mais masculino, com uns pôsteres do The Who, Blink 182, New Found Glory ali eu com certeza morava nele. Claro, com um frigobar e várias cervejas também.
- HOHOHOHOUUU! olha isso aqui! – me chamou da parte alta do quarto.
Então eu entendi o porquê do Richard dizer aquilo.
Na parede ao lado do espelho, que não dava para ver do ângulo que eu tinha parado por estar na parte mais alta, tinham vários pôsteres.
Mas não era qualquer banda.
Eram pôsteres nossos! DO McFLY!
- Oh! Entendi o porquê do Richard dizer que não iria gostar de ficar aqui. Quem gostaria de dormir ou se vestir com o te olhando?
As meninas caíram na risada e abraçavam , que estava morrendo de vergonha.
- Caramba, o seu quarto é bem maneiro ! Juro, se fossem pôsteres só de mim aqui eu juro que te expulsava dele e dormiria aqui! – disse se jogando em um puff preto em um dos cantos.
- Ok. Esqueçam isso! Eu sou fã sim, mas não sou histérica. Eu me contenho né? Me comportei direitinho quando vi vocês.
- Tirando a dança estranha... - disse segurando a risada.
- Oh, não vou assumir a culpa toda sozinha! Essas três doentes aqui também são! Já cansamos de ir nos shows de vocês! – as outras três riam do tom avermelhado de vergonha que a anfitriã estava – E se vocês não pararem de rir eu vou contar o preferido de cada uma! – ela disse se virando para as meninas e cruzando os braços. Essa é uma pergunta que eu definitivamente tenho que saber a resposta.
Então o lugar foi tomado por um constrangedor silêncio.
- Aaaaaaaaaaaaaahhh... Ficaram caladinhas, né? Ah sim! É bom mesmo! Então, mudando de assunto, vamos nos arrumar? Vocês com certeza vão querer sair à noite. Que tal darmos um pulo lá no clube perto da reserva florestal, no final da praia? Hoje tem uma festa de abertura do verão e o pessoal aqui da Aldeia todo sempre vai. Ótimo jeito de começar o verão!
O quarto foi preenchido de palavras afirmativas e alguns gritinhos femininos. Não sabia se os gritos vinham do ou das meninas mesmo... Estranho.
Cada um tomou seu rumo. As meninas pegaram suas malas e foram em direção aos banheiros da casa e os meninos foram para os seus quartos. Quando percebi, estava sozinho no quarto dela. Acho que me distrai com as nossas caras mongóis dos pôsteres... Como alguém consegue dormir com isso?
Percebi uma movimentação na varanda e fui até lá. estava sentando em uma das almofadas muito grandes que tinha em um tapete no canto da sua varanda. Percebendo que eu estava ali, ela olhou pra mim.
- Olá, quer sentar? Desculpa por toda a confusão... Eu nem sabia que vocês estariam aqui, mesmo! Não quero que pensem que sou uma stalker ou algo do tipo...
- Nada , relaxa. Eu que agradeço, essa casa é maravilhosa! Tenho certeza que vamos descansar bastante e aproveitar muito aqui. E vocês vão estar conosco, nos apresentando a cidade... Isso é legal! Fazer amizades em outro país...
- É... – ela disse, olhando para suas próprias mãos. Depois de alguns segundos de silêncio, me levantei e apoiei na varanda puxando um assunto.
- Então. Ouvi falando de “fazer festas como antigamente”. Como são as festas aqui do Brasil? – perguntei olhando para ela.
- Oh! Não queira saber! Na verdade, nem eu me lembro direito... Faz tempo que não participo de uma dessas... Eu estava em um relacionamento complicado, então era difícil eu sair.
- Hmmm... Entendo. Bem, eu também estava em um relacionamento que também era um pouco complicado... - eu estava falando quando ela me interrompeu.
- É... Mas esquece isso! Não vamos falar disso agora! Vamos nos arrumar! Fique bem bonito, cheiroso e charmoso para as brasileiras! Você vai adorá-las! Nós vamos fazer e ir em festas que vocês jamais conseguirão esquecer! Agora vou para o banho. Vá se aprontar também! – disse me empurrando para fora do quarto e parou comigo na porta – Será um verão inesquecível! – dizendo isso, piscou o olho para mim e fechou a porta.
Já estava sendo terrivelmente inesquecível para mim.
Capítulo 5
Pra mim, isso tudo ainda era um sonho. Um sonho bem estranho. Quem diria, imaginaria, cogitaria a hipótese da banda que você adora estar na mesma casa que a sua... Na sua casa? Pois é, eu não.
- Whooooo's gona saaaaaaave the wooooorrrllldddd toniiiiighhhttt. – cantava em alto som acompanhando o iPod que tocava. Ela estava calçando seu sapato sentada na cama. estava na frente do espelho, provavelmente olhando os invisíveis pneus que ela pensava ter pela barriga. se maquiava no banheiro e eu estava com ela, sentada no vaso olhando minhas unhas.
- Dá pra acreditar nisso tudo, ? – me perguntou enquanto passava o rímel. – aquelas delícias estão na mesma casa que nós!
- Com certeza não dá. Meu Deus, tem noção que vamos ver eles em roupas de verão? Tomando banho de piscina? Acordando? OMG, é muito pra minha cabeça.
Batidinha na porta.
- Ei meninas! Estamos prontos! Oh, adoro essa música! – disse colocando a cabeça pra dentro do quarto.
- Pode entrar , nenhuma menina seminua por aqui – disse ficando de costas pro espelho e o encarando.
Saí do banheiro quando ouvi alguém falando um “Que pena!”. Certeza que foi . Encontrei já dentro do quarto e os outros três parados na porta. E eles estavam maravilhosos e cheirosos!
- Vocês estão muito lindas, meninas – disse olhando pra que estava com um vestido branco e scarpins porpurinados, que estava com um vestido tomara que caia e sapatos pretos e depois pra mim, que vestia um vestido tomara que caia também e ankle boots pretos. Frio na espinha. Aquele sorriso me mata.
- Obrigada , muito gentil da sua parte. – eu disse sentando na cama ao lado da – só estamos esperando a terminar de se maquiar e vamos.
- Então podem se levantar – Ela disse saindo do banheiro vestindo uma saia de cintura alta e blusa branca pegando sua bolsa em cima da cama – ! Esquece de procurar o que não tem e vamos embora, por favor. Antes que eu acabe fazendo um estrago nessa sua linda face caucasiana.
olhou pra ela com a cara fechada e cruzou os braços.
- Como vamos fazer pra nos dividir nos carros? Os meninos em um e nós no outro? – perguntou ainda com os braços cruzados.
- Não, vamos nos dividir. É melhor. Dois vão ter que ficar sem beber pra dirigir né? Bem, eu não ligo de ficar hoje.
- Ok então. dirige e mais quem? – perguntou se levantando.
- Nada mais justo que um de nós ficar sem beber. Eu posso dirigir essa noite – disse dando de ombros.
- Resolvido! , vai no carro dos meninos pra guiar o até o clube. Um dos meninos vem com a gente. – Disse olhando pra ela, que me deu aquele olhar arregalado. É, uma pequena vingancinha por ter me dedurado. Sei muito bem que ela tem um pequeno abismo pelo , por isso terá que fazer o esforço de ir com ele pra guiá-lo. Hehehehe! As meninas perceberam o que eu estava fazendo e meio que seguraram a risada.
- Eu vou com vocês então, se não se importam! – se prontificou e saímos em direção à garagem.
No carro fomos conversando várias besteiras com . Ele com certeza era divertido! Nos contou cada história de bastidores de shows, principalmente do Brasil! Realmente eles deveriam ter esperado uma reação maior do que a nossa quando soube que éramos fãs, como existe gente doida nesse mundo! veio na frente, deixando e atrás. Bem propício, não?
Nós quatro nos damos bem até para dividir a banda. Na nossa época adolescente cada uma de nós tinha seu favorito, e, graças a Deus, nenhuma tinha o mesmo. era o da , o da e o da era o . Então, o meu eu nem preciso dizer.
- O que a disse mais cedo hoje... Então vocês também tem cada uma seu favorito? – perguntou divertido, soltando uma risada quando começou a rir, tossir e ficar vermelha, tudo ao mesmo tempo – Sem brincadeira, quero saber! Quem eu tenho que embebedar para descobrir as respostas?
- Oh! Isso é tipo, ultra secreto ! Não podemos contar! – Eu disse, fazendo a curva e pegando a avenida que beirava a praia.
- Oh, isso eu duvido! Alguém deve ser a boca solta daqui! Uma hora vamos descobrir... Se bem que eu acho que todas vocês me preferem! – ele disse passando o braço por trás da rindo e fazendo a menina ficar estática.
Eu ri da resposta e da reação dela.
- Tenho que concordar! No momento você é... Menos da né, que não está no carro.
- É... Ela deve preferir o no momento. Ele que está dirigindo o outro carro e bem, o e o são muito estúpidos. Ninguém prefere eles!
Eu e nos olhamos e começamos a rir, muito histericamente. Não sabia se era por ele ter falado que a preferia o ou por falar que ninguém prefere o e o .
- Se você acha. Tenho que concordar... Acho que a prefere o , since always.
Ele nos olhou confuso enquanto ríamos, agora tinha se juntado ao grupo.
- Nós éramos adolescentes. Isso já passou. Nem existe isso mais.
Logo estacionei e mudei de assunto. estacionou logo atrás de mim. Fui andando em sua direção e peguei seu braço, o arrastando para a entrada do clube. Os outros nos seguiam e riam de algo que o contava para eles.
- Pronto para ficar sem beber na primeira festa das férias? – perguntei a ele.
- Não. Lembre-me de pegarmos um táxi da próxima vez... Isso é um saco! Mas pelo menos terei uma boa companhia, né? – ele disse piscando pra mim.
- Espero ser uma boa companhia pra você. As meninas dizem que eu não sou muito legal quando estou sóbria.
- Ah, para ! Nós rimos bastante dentro do carro. – se meteu na conversa – você até falou que vocês me preferem a eles.
- Mentira? Você disse isso mesmo, ? Obrigada por subir o ego já inflado do , vamos ter que ouvir ele se gabar disso o tempo todo agora – disse – e como assim vocês preferem ele do que eu? Ele é tãão chato!
- Bem, ela só me afirmou que as três me preferiam. A foi cortada da história porque ela não estava lá para se defender. De repente você consiga ela te preferir... Se bem que elas disseram que ela prefere o . Eu acho isso uma burrice.
- Espera... O QUÊ VOCÊ DISSE? – me perguntou alto.
- Ah amiga... Eu só disse que você deveria preferir o porque ele estava dirigindo e você deveria estar se enturmando mais com ele – olhei pro segurando a risada enquanto ele me olhava curioso. e seguraram o riso. Elas sabiam que eu estava tirando com a cara da .
- Aham, quem não te conhece te compra, né?
Entramos no clube e estava cheio! Vi vários dos meus vizinhos lá, além de alguns amigos em comum do Breno e dos meus pais. Escolhemos uma mesa e sentamos. Os meninos logo se serviram de cerveja, as meninas pegaram uma taça de champagne cada uma. Eu e ficamos na coca cola. Deprimente.
Começamos a conversar e parecíamos amigos antigos. Isso era legal! Do meu lado direito estava , do lado dele , depois , , , e , que automaticamente estava do meu lado esquerdo.
Logo a música começou a tocar e animar o lugar. Todos se levantaram e foram dançar. Eu aproveitei e fui cumprimentar algumas pessoas que eu conhecia. Depois de mais ou menos uns quarenta minutos, fui em direção a minha mesa e estava sentado lá.
- Até que enfim! Pensei que minha companhia ia me dar bolo!
- Jamais daria bolo em um McGuy!
- Espero que não! Então, gostando da festa? Os meninos estão se acabando na pista.
- Nem dá pra dizer que estamos aproveitando a festa, mas ta legal! Gostando do lugar?
- Oh! Adorando! Mesmo, esse lugar é lindo.
- É mesmo... Gosto muito daqui. Tenho várias lembranças boas...
Então começamos a conversar. é muito comunicativo e conversamos sobre várias coisas. No meio disso tudo surgiu o assunto do meu ex e eu acabei contando a história. Ele me contou algumas histórias dele também e os assuntos fluíam naturalmente. Inclusive contei da nossa conversa com sobre os favoritos no carro, e ele morreu de rir!
Olhamos para a pista e eu vi dançando com . e rindo de algo que eu percebi ser e dançando que, naquele momento, tinha olhado pra mim e pra com uma cara curiosa. Eu sorri para ele instintivamente.
Então ele retribuiu e eu senti um calor instantaneamente. Até interromper o momento que eu esperei a minha adolescência inteira:
- ... Se eu te perguntar uma coisa, promete me responder sinceramente? – ele virou pra mim e perguntou meio sério. Ai meu Deus, será que ele percebeu a troca de olhares e ia me questionar algo do ? Então olhei de novo para a pista procurando o olhar dele. Não achei. – ?
Então olhei pra ele e me toquei da pergunta. O que eu estava fazendo encarando daquele jeito? Do lado do amigo dele?
- Cla... Claro, ! Manda ver!
- A tem namorado?
Arregalei meus olhos pra ele e olhei para minha amiga que conversava com um de nossos vizinhos que tinha se aproximado dela. O que eu faria? Eu tinha que pensar numa resposta para dar sobre a pergunta.
Quer saber? A poderia me agradecer depois disso, ou me matar... Mas o cara ta me perguntando e eu não vou mentir. E se um cara pergunta isso, pode ter certeza que algum interesse tem.
- Por que você quer saber?
- Curiosidade ué... Uma menina bonita como ela, sabe como é, né?
- Hum... Não, não tem.
- Oh! Isso é bom! – ele olhou para sua blusa e eu vi suas bochechas corarem – Sei que chegamos aqui há algumas horas, mas ela é muito gata, e eu me interessei. Ainda mais sabendo que eu sou o fave dela, né? – ele olhou pra mim e piscou cúmplice.
Eu ri da brincadeira.
- Ok, entendi! Bem, ... Vá em frente! Tenho certeza que ela não vai negar. – pus a mão sobre a dele em cima da mesa – Você sabe que toda brincadeira tem um fundinho de verdade, né? Essa história do fave, bem... Você realmente era o dela. Mas não conte pra ela que eu te afirmei isso, ta? Ela vai me matar se ela souber! – e pisquei de volta para ele.
- Ajudaria se eu dissesse que eu também achei que ela é minha fave?
Oh. Isso foi fofo!
- Hahahaha! Adorei! Chame-a pra dançar então!
Ele arregalou os olhos e soltou um resmungo.
- Ahhh... Sou péssimo em danças... Não podemos apenas conversar?
- Deixa de ser bobo, ! Chame-a pra dançar! Sei lá... Faz alguma coisa, porque eles estão vindo pra mesa.
sentou ao meu lado com um sorriso meio... Bêbado. sentou do lado dela rindo com o braço passado pelo ombro de , que ria histericamente. estava entre e .
- Pode falar, , que eu também sou seu preferido! , e já admitiram, só falta você. Quero ganhar essa!
- Cala a boca ! Você consegue ser mais enjoado quando quer! – disse dando um chute nele por baixo da mesa.
- Você não é o favorito dela , eu sou! – disse e eu o olhei assustada – eu que dirigi o carro onde ela estava. E não se fala mais nisso. Quero dançar, vem comigo minha fã? – ele perguntou pra que arregalou os olhos por causa do convite.
- Eu? Dançar com você?
- É ué... Qual o problema? Sou seu favorito, dirigi pra você, pode pelo menos dançar comigo pra agradecer? – ele disse se fingindo magoado – Vamos , estou tentando ganhar uma fave, o já tem muitas, me ajuda aqui, né? – ele disse piscando pra ela. Ela corou. Safada.
- Você é muito cara de pau! – ela disse rindo e se levantando – vamos!
Fácil. Eba! Juntando meu primeiro casal!
- Hey! Como fez isso? – disse sentando na cadeira que o tinha deixado vazia ao meu lado – chamando uma menina pra dançar é tipo... Épico.
- Hum... Vamos dizer que eu dei umas dicas pra ele. – olhei pra sentindo um calafrio gostoso – vamos dizer que essa história de favorito tenha um fundo de verdade.
- Sério? Porque eu achei que você e o estivessem... Ficando próximos. Piscando um pro outro, acariciando a mão um do outro.
Olhei pra ele que me encarava curioso.
- Eu e ? Não! Somos só amigos! Estávamos apenas conversando algumas coisas, nos conhecendo melhor! Não! Nada a ver! Hehehe!
Por que, Senhor, eu respondi tão desesperadamente negando tudo?
- Hmm... Isso é bom – ele desviou o olhar de mim e encarou a pista de dança. O que ele quis dizer com aquilo? E que calor era esse!?
Então olhei pra onde ele encarava. Tocava uma música lenta e os dois dançavam coladinhos.
- Então, quer dançar?
Olhei pra e percebi que ele sorria ao me perguntar isso.
- Cla... Claro! Claro, por que não?
Ele pegou minha mão e me conduziu para perto de e . conversava animado com na mesa e e falavam algo um no ouvido do outro... Eles estavam bêbados e ela estava aproveitando da situação! Boa!
Voltando minha atenção para a pista, percebi que sorria enquanto falava algo no ouvido de . Então me abraçou e eu perdi meus sentidos.
Seu cheiro era tão bom. Nossos rostos estavam próximos e eu percebi seus olhos me fitando com atenção, como se admirasse algo. Começamos a nos mexer e eu sorri automaticamente com isso. Ele sorriu também e não consegui parar de encarar aquela carreira branca de dentes. Uma das minhas mãos, que estava em sua nuca, puxou alguns fios do seu cabelo. E eram macios demais! Meu Deus, eu estava dançando com ! E passando a mão no seu cabelo.
- Hmmm... Isso é bom.
- O quê?
- Você mexendo no meu cabelo. Isso é bom.
Então eu fiquei sem graça e tirei a mão de lá, voltando pro pescoço. E mudei de assunto.
- Gostando da festa?
- Muito mais agora.
Fiquei vermelha. Mudei de assunto, de novo.
- e fazem um bonito casal, né?
- Sim, eles fazem. Ele é realmente o favorito dela?
- Não sei do que você ta falando – respondi soltando uma risadinha de “como assim?”
- , não sou besta. Vocês quatro são nossas fãs desde o início, pelo que eu pude perceber pelos CDs e pôsteres, e eu sei que sempre tem um favorito. Eu, por exemplo, minha spice girl favorita era a Victoria, tão sexy. Isso acontece né?
Soltei uma risada descontroladamente alta e ouvi me acompanhar. Então nos encaramos e eu me perdi. Não sei por que, mas, naquele momento, percebi que eu podia confiar nele. Era uma coisa engraçada... E estranha. Como assim confiar numa pessoa que você acabou de conhecer. É como se fosse... O destino.
- Ele é, não é? – me perguntou novamente.
Ah, foda-se. Eles já estavam dançando agarradinho mesmo.
- É, ele é sim. E isso é legal, ele estar afim dela porque eu sei que ela ficaria com ele, obviamente. E ele é muito fofo! Ficamos conversando ali e parece que eu já o conheço a muito tempo.
- Hmm, percebi... Então, você juntando casais, não sabia que era cupido.
- Não sou. Foi apenas sorte!
- Suponho que cada uma de vocês tenha um favorito, já que tem o dela... Qual é o seu?
Sabia que essa pergunta ia surgir uma hora ou outra.
- Pra que quer saber?
- Curiosidade apenas. Alguma tem o mesmo fave da outra? Porque isso quer dizer que alguém sobraria do nosso lado, e eu espero sinceramente que não seja eu! – ele fez um bico que me deu uma vontade enorme de mordê-lo.
Oh, , se você soubesse.
Olhei para a mesa, e então percebi que cada uma de nós estava vivendo seu sonho. Estávamos cada uma com seu guy favorito desde novas, e isso era ironicamente bom! sorria para mim com a cabeça apoiada no ombro de , e estavam no deck conversando apoiados na varanda, cada um com uma bebida na mão. Acho que já tinham bebido demais. e estavam na mesa conversando e os olhos dela brilhavam com expectativa... E eu estava dançando com . Perfect!
- Então, qual é o seu?
- O meu? – respondi retoricamente encostando a cabeça no seu ombro também – Quem sabe um dia eu te conto?
Depois de algumas horas, resolvemos ir embora. e estavam tortos de bêbados e praticamente não conseguiam ficar em pé sem se escorarem um no outro. e flertavam como se não houvesse mais ninguém em volta. estava conversando com ainda e de vez em quando soltavam uma risada alta. tomava um whisky no bar e tinha três... TRÊS meninas conversando com ele.
Obrigada Senhor por facilitar SEMPRE a minha vida.
- , vamos levar esse povo embora. Daqui a pouco e o resolvem tirar a roupa e subir na mesa para fazer um strip tease.
- Ok, vamos sim. Chama o pra mim? Eu e vamos levar o resto.
Respirei fundo e segui em direção ao bar. Porque eu tinha que ficar com a pior parte?
- Hey , vamos embora. A galerinha 100% está bem bebinha e já foram em direção ao carro – estava olhando para meu vestido alisando como se estivesse amarrotado – pediu para eu vir chamar vo...
- Olha se não é a herdeira .
Eu conhecia aquela voz. Aquela estridente voz de passarinho desafinada. Quando levantei o olhar pude reconhecer quem eram as três meninas que estavam na frente dele. O trio parada dura de todas as festas!
- Serena, Taylor e Maryane, como não imaginei que vocês estariam aqui, na festa de abertura das férias, ainda mais todas em volta de um cara só. Típico. – falei com uma voz de desprezo que nem eu sabia que eu tinha.
Eu odiava as três, mas tinha que aturá-las. Todas eram filhas de grandes empresários amigos do meu pai, então nós sempre nos encontrávamos em eventos, festas e essas porcarias sociais. Sempre houve uma rixa enorme, principalmente entre mim e Serena. As outras eram apenas cheiradoras de rabo dela.
O fato é que, para me irritar, quando eu namorava Breno, todas elas davam em cima dele. Já chegaram a embebedá-lo uma vez e nós brigamos muito feio. Quase saí no tapa com elas, se a festa não fosse da gravadora do meu pai.
- Calma , querida. Só estávamos dando as boas vindas ao aqui – ela se debruçou sobre ele colocando suas patas imundas sobre seu peitoral – e o convidando, claro, pra festa de amanhã lá em casa. Ele me disse que está com mais amigos hospedado na sua casa. Que sorte, hein? Como está Breninho? Ou melhor, como está você depois do chute fenomenal que ele te deu?
me encarou surpreso e meio amedrontado com a minha reação.
Cheguei bem perto dela e fiquei a centímetros do seu rosto. Ela arregalou os olhos.
- Se eu fosse você, media as palavras comigo, sua vaca. Não me faça te bater logo na primeira festa, ou vai passar as férias com roxos lindos ao redor dessa sua cara medonha, o que já é muito tentador pra mim, visto que essa é minha vontade há anos.
me puxou em direção a ele e me afastando delas.
- Calma , vamos embora. O pessoal deve estar esperando a gente lá fora.
- Não esquece de amanhã . Chame seus amigos e as meninas também, claro. Você também está convidada , apesar da agressividade sem explicação – meu sangue ferveu com aquilo. Ela estava se fazendo de santa para ele!
- Ok. Pode deixar Serena. Tchau meninas, vamos .
E saiu me puxando em direção à porta. Eu ainda encarava as três que me olhavam com olhares superiores a mim. Como se elas fossem!
Virei em direção à porta e comecei a andar mais rápido. Me soltei da mão de – estávamos de mãos dadas até então – e fui em direção ao meu carro. Chegando lá não encontrei ninguém, e faltava um carro. Abri minha bolsa, peguei meu celular e liguei para .
- Onde vocês estão?
- Em casa já. queria que queria vir pra casa, então apertamos ela, , e atrás e eu e viemos na frente. Estavam tão bêbados que eu quis vir embora logo. Por quê?
- Acabei de chegar no estacionamento e não os encontrei. Já estou indo então.
- O que acont... – desliguei o celular no meio da pergunta de .
- Entra no carro. Eles já estão em casa. Vamos. – falando isso sentei no banco do motorista e liguei o carro. Logo sentou ao meu lado e colocou o cinto de segurança.
- É estranho porque pra mim eu to sentando no banco do motorista! – ele disse tentando aliviar o clima e soltou uma risadinha tímida.
Olhei pra ele e sorri com a boca. Acelerei o carro e ouvi o barulho dos pneus no asfalto. Eu estava possessa.
Senti que ele me encarava. Quando eu olhava pra ele, ele desviava o olhar pra janela. Bufei. Isso estava chato. Então eu comecei a pensar no caminho até em casa o porquê da raiva. Com certeza Serena sabia do que tinha acontecido pelo pai dela, que ficou sabendo pelo meu. E bem, cidade pequena, notícia corre rápido, ainda mais no mesmo círculo social. Eu já devia estar preparada pra isso, sabia que ela tiraria com a minha cara, mas eu estava me divertindo tanto que ela ter falado o que falou foi um balde de água fria na minha cabeça. Agravou mais ainda ela estar conversando com um dos meus motivos de felicidade.
Eu sabia que Serena faria o que fosse possível, e duvidava que até o impossível, para me ver pra baixo. Ela sempre teve inveja de mim e das coisas que eu tinha. Éramos amigas quando crianças, e bem, deixamos de ser quando a mãe dela morreu e ela se afastou de nós. Quando voltou, era amarga e ignorante. Só ferrava com as pessoas. E seu alvo favorito era eu.
Meus olhos encheram de água quando me lembrei do que ela fez comigo no ensino fundamental. Eu e as meninas ficamos uns 3 meses sem nos falar por causa das mentiras que ela inventou, nos colocando umas contra as outras. Funguei com a péssima recordação e me encarou.
- Você está chorando? O que aconteceu? – Ele me perguntou colocando a mão no meu ombro.
- Nada... Esquece. Me desculpe pela grosseria... – tínhamos chegado em casa. Puxei o freio de mão e tirei o cinto de segurança. Peguei minha bolsa e abri a porta do carro descendo logo em seguida.
- , espere!
Bati a porta e subi as escadas rapidamente. Ouvi a porta batendo e passos vindo logo em seguida.
Quando cheguei na varanda perto da piscina, me esperava com o celular na mão andando de um lado para o outro.
- Que porra foi aquela? Por que você desligou o telefone na minha cara? – estava ao seu lado. e estavam sentados perto na rede nos olhando e dormia encostada em , e vice-versa. Se eu estivesse com bom humor, teria rido da cena.
Não falei nada, apenas encarei mais um pouco os dois dormindo. Virei para e disse:
- Não esquece de tirar várias fotos desses dois. Eles não vão se lembrar de nada amanhã e precisamos de recordações desses momentos – ri forçadamente para ele tentando aliviar um pouco o clima pesado – vou subir. Estou com sono e cansada. Boa noite meninos, boa noite , boa noite . – disse andando em direção às escadas indo em direção ao meu quarto.
Precisava me acalmar. Se respondesse a pergunta de íamos discutir, eu ia chorar... E era o que eu menos queria nessas férias.
Elas tinham que ser perfeitas.
Capítulo 6
Quando abri os olhos pela manhã, , e estavam ao meu redor com uma bandeja de café da manhã. Espreguicei-me lentamente, estalei os dedos, bocejei e então me manifestei:
- O que foi gente? Aconteceu alguma coisa?
- Aconteceu – disse – aquela... Coisa de ontem aconteceu. , eu estava tão puta com você que...
- , calma, eu posso explicar. É que quando fui chamar o ele...
- Eu já sei o que aconteceu. Quer dizer, eu imagino o que aconteceu. me contou o que tinha acontecido com você quando você foi chamá-lo. Serena, Taylor e Maryane né? Meu Deus, essas meninas não desistem nunca?
- Pois é. Mas enfim, já passou. Coitado do , ele não deve ter entendido nada! Eu saí o tratando mal, chorei na frente dele... Ele deve ter achado que eu sou desequilibrada ou algo assim! – tirei meu edredon de cima de mim e fui levantando, ignorando a bandeja de café da manhã, as meninas e o pijama curtíssimo e devasso que estava usando – preciso descer e me explicar. Preciso dizer o que aconteceu e tudo mais.
- Relaxa amiga, nós já contamos. Contamos tudo que já aconteceu entre a gente e aquelas três vacas mal amadas – disse me puxando novamente para a cama, me fazendo sentar desengonçadamente – agora come, vai! Temos um dia cheio pela frente!
Me acomodei e coloquei a bandeja na minha frente. Vi que as três olhavam pra mim com meios sorrisos no rosto. O clima estava estranho.
- Não me digam que foi a que fez as panquecas... Ela nunca sabe a medida certa.
Levei um pescotapa e todas nós começamos a rir. Então eu comecei a comer.
- Então meninas, o que exatamente está acontecendo entre vocês e os guys? Sabe, ontem eu estava bem sóbria e vi várias coisas interessantes – passei o guardanapo de pano pela boca e olhei diretamente para a que desviou o olhar – como uma tal de bebinha da silva com um igualmente assim, dormindo um escorado no outro, eram só sorrisos...
e fizeram “uuuhhhh”. ficou roxa de vergonha.
- Mas bem, não preciso nem dizer sobre uma tal de , que era só segredinhos com um tal de . Juro que achei que era um castiçal enorme! Parecia que não tinha ninguém em volta! – abriu a boca num espanto falso. riu da reação.
- Isso sem comentar sobre uma tal de , que ganhou dança, segredinhos ao pé do ouvido... Segundo minhas fontes, um tal de dificilmente toma alguma decisão dessa de chamar uma garota para dançar... Então isso foi algo muito grande! E estava sóbrio, hein? – ela fechou a cara por um pequeno instante. Logo depois, levantou a sobrancelha, cruzou os braços e disse:
- Mas sabe, teve uma tal de também que, apesar do final da noite de ontem, teve um tal de a secando de longe o tempo todo. Além de também ter a tirado pra dançar! E se eu não me engano, trocaram carícias ainda no pescoço e tudo mais hein? Quem diria, quem diria...
Estava tomando meu suco de uva naquele momento e quase o cuspi inteiro na cama. Márcia me mataria se isso acontecesse! Como a piranha da reparou naquilo tudo? Ela tinha bebido!
Ok, não foi nada de mais. Acalme-se .
- RÁ! Eu diria que você está imaginando coisas. Nada aconteceu entre o e eu. Só dançamos, afinal, sobramos nesse circo todo né?
- Ahan, ahan que ele só dançou com você porque você sobrou! – disse rindo incredulamente do meu argumento.
- Parem vocês! Parem! – coloquei as mãos tampando o meu rosto – Imaginem se isso ia acontecer!
- Por que não ? Você é linda e uma idiota... Igual a ele! Vocês combinam, sabe? – tirou a bandeja da cama e se deixou – acho isso incrível! Imagina cada uma de nós com cada um deles. Meu Deus, eu pegar um Mcguy? Mata-me do coração!
Todas rimos e contamos as fofocas da noite anterior. disse que foi incrivelmente cavalheiro com ela. Conversou sobre coisas amenas, perguntou da profissão, da família, como nos conhecemos... Nada relacionado a ela e a banda. disse que bebeu muito com e ambos riram e falaram muita besteira. Típico. Disse que eles se abraçavam toda hora e que ele era um fofo-mongol. O tipo que ela adora. Aquele cara que te faz rir o tempo todo! disse que é muito misterioso. Ficaram a maioria do tempo na troca de olhares, nas indiretas cochichadas, as carícias nas mãos... Um verdadeiro príncipe. Pra quem adorava uma conquista, ele seria um desafio.
Acabou que eu contei para sobre o que eu e conversamos. Disse que falei com ele que ela o preferia e, antes que ela me matasse, ressaltei que foi por causa dessa conversa que ele a chamou para dançar. Então ela ficou quieta com um pequeno vermelho nas bochechas. Ela estava feliz pela conversa afinal. Ok Deus, obrigada por manter meus cabelos inteiros! Se ela não tivesse gostado, poderia encomendar já uma peruca porque ela ia arrancar cada fio.
- Isso é tipo, surreal! Os preferidos de vocês na adolescência dando mole pra cada uma... Sem confusão. Até quando esse conto de fadas vai durar? – eu disse enquanto fazia uma trança no meu cabelo. As três suspiraram zombando da minha cara.
- E não adianta se focar só na gente. E você e o ? Nada aconteceu? – me perguntou.
- Ah, que eu tenha reparado, nada. Não fiquei perto dele muito tempo, só aquela dança e conversei um pouco na mesa...
- Pelo amor de Deus , quando você vai começar a reparar nas coisas? Eu de onde estava ontem percebi umas olhadas dele em você! – disse.
- Bem, mas eu não reparei! – Tá, eu meio que senti um clima na dança, mas eu não vou ficar falando isso... Vai que não foi nada e...
- Só quero saber onde vai dar, ainda temos muuuuuuitos dias de férias pela frente! – retrucou.
- Tenho uma pergunta – todas nós olhamos pra quando ela disse isso – caso role um créu velocidade máxima, como vamos nos distribuir, já que todas estamos no mesmo quarto?
Foi demais pra minha cabeça. Todas nós caímos na gargalhada! A cara dela estava pensativa quando ela perguntou isso... Ela perguntou sério! Ela estava levando isso em conta! Como essa menina é dada, Jesus do céu! Mal beijou e já ta pensando em dar!
- Mas que espírito de piranha foi esse que baixou em você, criança? – eu disse entre as risadas. Peguei meu travesseiro e meti na cara dela – você é muito baixa ! Deixa de ser piriguete!
Logo todas nós estávamos rindo e batendo o travesseiro uma na outra. Algumas penas voaram. Eu estava em cima da cama em pé, estava ajoelhada, o que facilitava minhas travesseiradas em sua cabeça, e estavam de pé. Então ouvimos batidas na porta e ela se abrindo.
Os meninos estavam ali. Quando eles viram o que era, logo se misturaram. pulou em cima de , a derrubando na cama e caindo deitado em cima dela. Oh God. tomou o travesseiro de e revidava em , gritando para ele sair de cima de . Eu batia em e ele tentava se proteger com os braços, pegou os travesseiros do quarto dele e logo deu um pra e pra . tentou subir na cama, mas deu-lhe uma que a derrubou no chão. Puxei sua mão, nós nos entreolhamos e batemos em . se meteu no meio para defendê-la, logo o derrubamos e abaixou para ajudá-lo a levantar. Mas não antes de eu gritar:
- MONTINHOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!
Então saiu de cima de , finalmente, e pulou em cima de . e foram logo depois, em seguida eu, e . ficou tentando tirar todo mundo de cima do , gritando que ele estava sufocando.
Caímos todos desgovernados pelo chão após um empurrão sinistro de . Todos estavam misturados e eu estava com a parte do meu corpo da cintura pra baixo em cima de uma pessoa.
- Hey, você não é pesada, mas ta amassando um lugar muito importante pra um homem – sussurrou no meu ouvido, me fazendo arrepiar e logo levantar. Acertei meu minúsculo short e minha blusa justa verde (da Heineken, só que no lugar do nome da marca, estava escrito haduken, com a mesma fonte da marca de cerveja. Amo essas blusas divertidinhas!) e estendi minha mão para ajudá-lo a se levantar. Mas ele não percebeu minha mão, estava ocupado demais encarando minhas pernas.
- ! Levanta! Machucou?
- Não, relaxa... To legal. – aceitou minha mão e eu o puxei. Me desequilibrei um pouco, então voltei em direção a ele, que me segurou pela cintura antes que nossos corpos se chocassem.
Nos encaramos e eu senti aquela descarga elétrica percorrer todo o meu corpo.
- Nossa! Vocês no Brasil são animados até pra acordar. O precisa aprender algo com vocês porque ele é muuuuuuito mal humorado quando acorda! – disse enquanto empilhava os travesseiros na cama. Ou o que sobrou deles.
Sorri para , que até agora me encarava e virei de costas, dando atenção ao resto da trupe que estava ali.
- Não ache que é assim todo dia. Estamos de férias e bem... Sem ressaca!
- Fale isso por você – disse se jogando na cama.
- Você é um caso a parte. Me diz quando que você não acorda de ressaca! – disse, passando por mim e se sentando ao lado de , que estava ao lado de .
- Então pessoal, novo dia e hoje é sáááábadooo! – se manifestou dando pulinhos e palminhas como uma foca. imitou uma, aliás, só para irritá-la – cala a boca ! E aí? Vamos fazer um churrasquinho aqui hoje?
- Esqueceu que Serena vai dar um churrasco na casa dela hoje? – eu disse encarando minha blusa num interesse infundado – se formos fazer um churrasco aqui, ninguém virá. Apenas nós.
- Hey, não precisamos de mais ninguém! – disse se levantando e vindo em minha direção – vamos fazer um churrasco só nós oito, quer dizer, dez porque tem a Márcia e o Lúcio, e vamos bater papo, beber umas cervejas, falar besteira... Nos conhecer melhor! Ontem nós saímos e tal, mas nem passamos muito tempo em grupo.
- Pois é... Não foi minha culpa se vocês formaram casais! – eu disse fingindo um bico filho da puta. Logo uma almofada voou em minha direção – AI!
- Errr... Então vamos preparar as coisas! – disse levantando – vou lá embaixo avisar a Márcia da nossa bagunçinha aqui hoje.
Logo todos foram se dispersando. Eu entrei no banheiro, tomei um banho ao som de The Offspring e mudei de roupa. Quando estava terminando de me maquiar, ouvi alguém batendo na porta.
- Ei, posso falar com você? – era – Queria saber se você está bem, sabe... Com tudo que aconteceu ontem e a bagunça de hoje de manhã, não tive tempo de saber então... Aqui estou eu! – enquanto ele falava isso, ele entrou e fechou a porta, escorando metade do corpo na parede e cruzando os braços. How cute is that?
- Eu to bem , relaxa. Inclusive eu queria falar com você também – falei enquanto sentava na cama e calçava meu all star branco – Sei que você já sabe de todo o ocorrido entre mim e as pernas de pau lá. Só queria te pedir desculpas pela minha reação de ontem. Te tratei muito mal e você não merecia. Na verdade, não tinha nada a ver com você – será? – então... Me desculpa. É que essa confusão toda é muito recente ainda, e bem... É complicado. Não sou uma dama que reage muito bem a certas provocações. – dei uma risadinha nervosa para tentar descontrair.
- Relaxa , nada a ver. Eu não sabia realmente se eu tinha feito algo ontem à noite, mas eu entendi o que aconteceu quando chegamos em casa. Estou feliz que você esteja bem.
E então veio... Aquele silêncio inquieto.
Olhei para ele, que estava em pé na minha frente. Minhas pernas bambearam com aqueles olhos profundos me encarando, sorte minha eu estar sentada. Aquele olhar, aqueles olhos. Uma das minhas partes favoritas que me fizeram o escolher como meu favorito na adolescência. Olhos, boca... Cabelo. Minha tríade.
Engoli seco quando percebi o tempo que o seu olhar estava sobre mim e a intensidade. Era como se ele pudesse enxergar a cor da minha calcinha e do meu sutiã. Ele me despia, despertava... Desejo em mim, como percebi haver nele também.
Ou será que estava delirando?
- Hey! Vamos jogar uma partida de vídeo game enquanto Lúcio vai até o supermercado comprar as coisas? – invadiu o quarto, fazendo com que eu e ele déssemos um pulinho de susto – Ah! Me desculpem! Não sabia que vocês estavam... Hum... É...
- Conversando! Nós estávamos conversando ! E sim! Vamos jogar sim, já estou descendo, só vou passar meu perfume e já desço! – sorri ainda assustada para ela. Pelo espelho colado na parede, percebi que estava vermelha. Ai meu Deus, o que ele vai pensar de mim?
- Bem... Eu super topo uma partida de vídeo game! Na verdade, eu to secando aquele Xbox desde quando chegamos aqui! – disse passando as mãos na bermuda e enfiando, logo depois, as mesmas dentro dos bolsos – Estou descendo, espero vocês lá embaixo! – ele disse olhando pra e logo depois para mim. Um olhar mais demorado.
- Hum... ”Não está acontecendo nada, você está enxergando coisas ! Não percebi nada sabe como é, né... Sou uma tapada!” – repetiu minha fala com uma voz totalmente fininha e debochada.
- Cala a boca ! Sai daqui antes que eu exploda você!
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Quando desci, todos estavam no puxadinho tentando decidir o que jogaríamos.
- Eu voto em guitar hero! – querendo ganhar de lavada, né?
- Fala sério, nem tem graça nenhuma jogar guitar hero com 4 meninos de uma banda! – disse cruzando os braços mostrando seu descontentamento.
- Então vamos jogar Crash! – disse.
- Não! Vamos jogar Call of Duty! – violenta eu, não?
- Meu Deus do céu... Que confusão. Tem Mário? – questionou babando toda a discussão.
- Sai ! Mário não... A gente sempre joga Mário... Vamos jogar algo mais... Competitivo! – e meus olhos brilharam.
- Já sei! Cadê seu tapete de dança, ? Quero ver esses meninos se embaralharem! – disse apontando para – ouvi dizer que você é um péssimo dançarino!
Montei o tapete e começamos a dançar. Logo todos estávamos rindo de como era atrapalhado e um verdadeiro... Esmagador de pés. Deve ser horrível dançar com ele. Ui!
Já e se saíram bem. Até demais, pelo menos pro que a gente esperava.
- Sempre soube que você tinha um talento oculto! – brinquei com .
- Apenas um de muitos... Sou um menino muito talentoso! – e piscou pra mim.
Ok. Ele piscou pra mim. Eu vi isso agora.
Sorri meio sem graça, passei a mão pelos meus cabelos e olhei para meus pés. Unhas interessantes...
- Cheguei pessoal. A carne, as cervejas e aquelas garrafas caras estão lá na churrasqueira. Já acendi e to esperando esquentar pra colocar as carnes – Lúcio apareceu e nos deu a notícia – Márcia está fazendo um arroz, feijão tropeiro, farofa e vinagrete.
- Ah! Que saudade eu tinha do churrasco brasileiro. Não tem nada de hambúrguer, salsicha... É carne carne carne! – suspirou batendo as duas mãos na barriga lisa (tanquinho fdp) como se estivesse morto de fome.
- Pois é, e vocês não comeram o do Lúcio ainda! Vamos! Vamos tomar umas cervejas.
Então seguimos pra área da piscina, onde colocamos um isopor com as cervejas quentes dentro e pegamos algumas geladas que estavam na geladeira dentro de casa. Só colocamos ali pra não precisarmos ficar entrando e saindo... Até porque e se quisermos entrar na piscina?
Ficamos falando besteira, besteira, besteira até dizer chega. E cerveja vai, cerveja vem, carne vai, carne vem... Eu cansei de tomar cerveja.
Fui lá dentro, na adega subterrânea climatizada da casa, onde nós deixávamos todos os vinhos e as outras bebidas e peguei uma das absoluts que tinha lá. Eu era viciada na de pêra e bem, era difícil encontrar no Estado. Eu devia ter umas três garrafas daquela guardada ali, e uma de cada um dos outros sabores. Papai sabia que eu adorava e sempre que viajava trazia uma nova pra mim. Além de ser bem mais barato fora do país do que aqui.
Só tomava a de pêra em ocasiões especiais e bem... Aquilo era uma ocasião especial. Peguei-a e voltei ao térreo, peguei outros copos e rumei em direção ao pessoal.
- Ui! Absolut de pêra!? Para tudo que tem algo errado! – estava sentada ao lado de e disse isso quando eu apareci na área, cortando o menino na tora em algo que ele contava.
- Por quê? – perguntou.
- Porque essa aí, só abre as de pêra em ocasiões especiaaaaaaaais! – disse já meio mole – Que ocasião especial é hoje? Esquecemos algo? Não é seu aniversário, é?
- Não... Não é. Apenas... Ah! Vocês estão aqui, ok? – eu disse com a cabeça inclinada pra baixo, abrindo a garrafa e depositando um pouco em cada copo com gelo. Na verdade, estava tentando esconder um pouco a vermelhidão que, com certeza, estava no meu rosto – E isso é especial pra mim. E vocês são ótimos e eu tenho certeza, não falo só por mim, nós adoramos ter vocês aqui! E olha que só passamos um dia juntos!
As meninas fizeram um “aaaaawwww” e os meninos começaram a assoviar. Isso ajuda muito a vermelhidão a passar, sabe?
Mordi a boca e olhei para o mar logo atrás da gente. O sol estava se pondo.
- Ei! Tive uma idéia. Vamos, levantem-se e me sigam! Quero mostrar algo a vocês!
Os meninos me olharam esquisito, mas se levantaram. Peguei a garrafa e fui andando em direção a um portãozinho que tinha ao lado da churrasqueira, que dava acesso a uma pedra que ficava entre a casa e o mar. Não tinha areia. Era apenas a beirada da casa que dava acesso diretamente ao mar. Sentei ali e olhei pra trás com um sorriso bobo no rosto. Eles olhavam encantados o sol se pondo. O colorido que formava no céu era incrível!
Eles foram andando até a beirada para ver mais de perto o encontro do mar com a pedra e claro, o sol sumindo. olhou para trás e percebeu que eu ainda estava sentada ali, com a garrafa na mão e meu copo. Então ele sorriu e veio andando em minha direção com as mãos no bolso e os óculos rayban de armação preta, tão incrivelmente delicioso. Eu tomei o resto da vodka do meu copo inteiro e senti minha garganta queimar e meus olhos quererem lacrimejar. Então ele se sentou do meu lado, apoiando seu corpo nos seus braços que estavam para trás e disse:
- Isso é lindo. Nunca tive uma visão tão privilegiada de algo – e olhou pra mim – definitivamente não.
Oh dear.
- Sabe, não sei nem se as meninas conhecem essa história, mas quando papai veio olhar essa casa, eu vim com ele. Mamãe não estava na cidade e ele queria surpreendê-la. Chegamos aqui na Aldeia mais ou menos nesse horário e então eu presenciei isso – e apontei com meu copo em direção ao sol - Foi a primeira coisa que eu olhei, além do caminho até aqui. Não vi nem como a casa era dentro. Então eu sentei aqui por vários minutos e fiquei olhando o céu – suspirei e abri a garrafa, colocando mais no meu copo e no dele que também estava vazio – Meu pai ficou doido me procurando pela casa até que ele olhou de lá da área e me viu sentada aqui. Sabe, isso não é uma coisa que estamos acostumados a ver todo dia. Cidade com prédios altos, indústrias que poluem o céu e nos tiram o privilégio de ter isso é o que estamos acostumados. Nem quis olhar o resto da casa.
Terminando de dizer isso, olhei pra frente e encarei mais uma vez o céu alaranjado.
- Obrigada por nos ter deixado ficar na sua casa, principalmente, obrigado por ter me deixado ficar e me dar a honra de assistir a algo assim com você por perto – ele recolheu as mãos atrás do seu corpo e as apoiou nos seus joelhos – é muito bom poder ter a oportunidade de conhecer as meninas e você, pode ter certeza que não falo só por mim mas, especialmente por mim.
Olhei para ele e percebi que ele olhava pra mim. Eu sabia que eu não ficaria mais vermelha por nada por causa da bebida. Amém!
- De nada , é muito bom conhecer os meninos, principalmente você.
Ele riu meio sem graça e passou uma das mãos no cabelo. Depois mordeu a boca e fez uma coisa que eu não esperaria nunca que ele fizesse.
Ele pegou na minha mão.
Ele quer me enlouquecer não quer?
- ! Isso é incrível! – chegou nos pegando de surpresa fazendo tirar a mão de cima da minha. Não sei como, sendo que eles estavam na nossa frente e nós veríamos eles vindo na nossa direção. Obrigada por me tirar do meu estado normal de viver – nunca tinha visto algo assim!
- Que isso , posso dividir meu lugar favorito do mundo com você!
- Oh, you’re sooo sweet darling! – ele respondeu fazendo voz de mulher e colocando uma das mãos no peito. Eu morri de rir daquilo! Não só eu, claro. O resto dos meninos e as meninas vinham logo atrás e ouviram o guinchado do da onde estavam.
- Obrigado , mesmo – disse baixo se levantando e batendo as mãos na bunda para limpar a bermuda.
Oh querido, se você quiser mais mãos para ajudar, estou a disposição!
fez cara de quem não entendeu nada e fez uma cara feia pra ele, tipo de menino emburrado.
- Amiiiiiiiiiiiiiiigaaaaa, vamos pegar seu ipod e colocar lá na área da piscina? Queria ouvir umas músicas beem dançantes que tem na sua listaaaaa! – disse já me abraçando.
- Claro amiga. Vamos subir.
Me levantei e fui andando em direção à escadinha. Quando chegamos lá na área da piscina, sentamos e reabastecemos nossos copos. Ô bebida que acaba rápido!
- Bem que você disse que ela só bebe essa em ocasiões especiais, nunca tinha bebido uma dessa! Muito boa! – , que tinha acabado de colocar a bebida em seu copo, virou a dose de vez e já encheu outra, se sentando ao lado de e rindo a toa. Ela, boba que é, jogou as pernas pro colo dele e ficou as balançando lá.
Atiradinha do inferno.
Olhei pro lado e vi encostada na divisão da área com a pedra, olhando ainda pra onde o sol estava praticamente escondido. chegou ao lado dela com dois copos, entregando-a um e encostou seu ombro ao dela. Na mesa onde eu havia deixado a garrafa estavam e conversando algo que eu não sabia o que era, mas o último falava algo com uma cara não muito boa. tinha ido ao banheiro. Bexiguinha solta.
Então, percebi que estava sobrando e sozinha.
- Hei! – gritei fazendo todo mundo olhar pra mim, inclusive e olharam pra trás num susto como se tivessem fazendo coisa errada. Oh oh – Vou pegar o som! – dizendo isso saí em direção ao meu quarto.
Subi as escadas numa animação estranha e sentindo um formigamento engraçado na minha língua. Quando cheguei ao meu quarto, juntei as caixas de som e o ipod e, quando ia saindo, parei em frente ao espelho e me olhei.
Profundamente.
Eu estava com o cabelo bagunçado devido ao vento na pedra. Me sentia um pouco mais corada, com certeza devido à Absolut e às cervejas. Meu short jeans, minha bata verde caída em um ombro só e meu tênis no devido lugar. Minha make com delineador, rímel e um pouco de brilho na parte de dentro dos olhos ainda estavam lá. Meu blush (artificial) e o gloss tinham sumido.
Eu não era feia.
Muito pelo contrário. Eu era muito bonita!
A verdade é que, depois que o Breno me deixou eu comecei a me sentir a pessoa mais ridícula do planeta. Achava que nenhum homem enxergaria algo em mim, que sempre existiriam mulheres mais bonitas e bacanas no m² a minha volta. Morreria solteira e sem filhos no meu pensamento.
Só que naquele momento, eu não estava me sentindo mais assim. Eu estava me sentindo bonita. Eu achava completamente possível o cara dos meus sonhos dar em cima de mim, porque EU ERA HOT!
Porque era isso o que tinha acontecido lá na pedra. tinha dado em cima de mim. tinha acariciado minha mão!
E eu tinha que parar de ignorar todos esses sinais que ele estava me dando. Porque eu conhecia eles muito bem. Era exatamente assim quando um cara queria dar uns pegas numa garota. Ele te elogia, toca em você, fala olhando nos seus olhos, fica sem graça, morde a boca... Te olha o tempo todo nos olhos. Não que eles não olhem pra outra parte do seu corpo, mas isso não é a prioridade e nem acontece quando ele está conversando com você.
Pois bem, eu era gata e tinha um rockstar dando em cima de mim. Lide com isso, !
Cambaleei um pouco pro lado, me firmei no chão novamente, tombei a cabeça pro lado ainda olhando pro espelho, coloquei a língua pra fora e a mordi.
Até fazendo careta eu era gata pra caralho!
- Ei, aconteceu alguma coisa? Você subiu e está demorando, achamos que já estava vomitando no vaso! – apareceu na porta do meu quarto meio rindo quando eu dei um pulo de susto ao ouvir aquela voz deliciosa com aquele sotaque britânico que me fazia ir às nuvens e voltar. Ele tinha vindo atrás de mim. ELE veio. Não , nem ... ELE – Mas não, você está apenas se olhando no espelho. Que legal! – e fez dois joinhas para mim.
- Só estava vendo se minha roupa estava no lugar. Vem, vamos descer! – pisquei um olho pra ele e passei na sua frente – a noite ainda vai começar!
Vi ele engolir em seco quando eu disse isso. Era bom mesmo isso acontecer.
Porque de agora em diante, eu iria retribuir todos os sinais que me dava.
Capítulo 7
POV.
Eu não sei o que estava acontecendo comigo. Mesmo!
Acabei de conhecer essa menina... DOIS DIAS! Apenas dois dias...
E ela já me põe doido assim.
Na festa de abertura do verão a vi conversando com . Bem, é meu amigo e tava de olho na , então tranks. É, mas e quando ela estava cumprimentando todas aquelas pessoas?
Tive que a seguir com o olhar em todos os cantos. É sério, eu tive! Não é como se eu tivesse controle sobre coisas desse tipo. Eu não conseguia olhar pra outra coisa porque... Sei lá por quê dessa merda! E eu espero mesmo que ninguém tenha reparado.
Então chegaram três meninas pra conversar comigo e bem, isso me ajudou a espairecer. Um pouco. Aí ela me chega e quase voa em uma das meninas! Eu não queria me meter naquilo. Se tem uma coisa que minha mãe me ensinou é não se meter em briga de mulher!
Eu não tava entendendo nada, e fiquei com medo de perguntar, sério... Fiquei assustado em como a reagiu. Ela ficou possessa, mas ao mesmo tempo muito contida até.
E isso me deixou com muito tesão.
Estranho, eu sei.
Chegamos em casa e ela logo subiu pro quarto dela. Quando ela virou as costas eu comecei a andar atrás dela pra saber se precisava de alguma coisa.
- Não, dude. Deixa ela. Não vai. Deixa a esfriar um pouco a cabeça – segurou meu braço e me impediu de ir atrás dela.
- Meu Deus! O que aconteceu com essa garota? Por que ela me tratou daquele jeito? Ela é doida? – disse enquanto se sentava olhando pro nada.
- Eu também não entendi nada. Ela saiu possessa da festa depois de discutir com uma menina que estava conversando comigo e mais duas amigas. Mas eu não fiz nada, eu...
- Como é que é? – levantou e veio na minha direção, deixando olhando pro nada – Que meninas?
- Uma se chamava Serena e tinham mais duas que eu não to me lembrando bem o nome...
- Maryanne e Taylor. Mentira que aquelas piranhas estavam lá! Como não percebemos antes? – disse olhando pra – vou subir e ver como ela está.
- Não , deixa ela. Ela precisa descansar – fez a mesma coisa que fez comigo e impediu de subir – se rolou realmente um stress entre elas é melhor nós conversamos com ela amanhã cedo.
- Ok então. Mas vou entrar porque ta ficando meio frio. , me ajuda a levar a e o lá pra dentro? Esses dois daqui a pouco vão dormir um em cima do outro e vão acordar congelados!
- Claro ... Mas antes... ! Bate umas fotos dos dois! Vamos fazer o que a pediu, pra não estressar mais ela... Deus me livre!
Depois das fotos, e se retiraram com e . Só ficamos eu, e .
- , o que aconteceu? Me conta o que aconteceu lá na festa.
- Eu estava no bar, e as três chegaram pra conversar. Achei que eram fãs, então fiquei conversando de boa. Logo chegou pra me chamar falando que vocês estavam indo embora. Então a tal da Serena perguntou como ela tava depois do término com o tal do ex-namorado dela, alegando que ele tinha chutado ela. Na hora ficou muito perto, quase batendo na cara dela, falou umas poucas e boas, então eu intervi e a tirei de perto.
- Oh meu Deus. Eu vou matar aquela vara pau! – ficou de pé – como ela ousa a falar isso depois de tudo. Ela realmente é uma baixa! Ah, mas se eu pego eu quebro aquele nariz plastificado dela!
- Hey , calma – WTF, pegando na mão da ? – vem, senta, não vai adiantar nada. Não vamos estragar nossas férias por isso – então ela sentou ao lado dele ainda bufando.
- Mas, o que aconteceu? Por que essa confusão toda? – perguntei.
- Essa piranha costumava ser nossa amiga. A mãe dela morreu e tudo mudou. Uma vez, na escola, ela inventou a maior coisa lá e nós, eu, , e , nos afastamos. Ela nos colocou uma contra as outras. Nós nunca tínhamos ficado separadas! Nós somos amigas desde... Nossas mães eram amigas quando eram crianças, ! Foi muito ruim, nós andávamos sozinhas na escola... Cada uma de um lado... Nem procuramos interagir com o resto do pessoal. Mas com o passar do tempo nós resolvemos sentar e resolver isso e acabamos descobrindo que era tudo invenção.
- Uow... Isso é complicado – disse.
- Pois é, e foi ficando pior. Ela perseguia a gente, sempre. Principalmente a . Os pais delas são amigos então ela sempre fica sabendo das coisas. E faz algo né?
- E isso do ex-namorado dela? O que aconteceu? – perguntei curioso. Era a parte que eu mais queria chegar.
- Bem, eles namoraram uns bons anos, desde nosso 3º ano... Isso faz uns 4 anos mais ou menos. Éramos da mesma sala. Então mês passado eles iam morar juntos, e o cara simplesmente deixou um bilhete falando que não dava, que era muito pra ele. E foi embora! E a Serena, em um evento uma vez da gravadora do pai da , meio que embebedou o Breno. E se esfregava nele sinistramente. Aquele dia os dois discutiram feio, quase terminaram.
- Que babaca! – não acredito nisso! Como ele fez isso com ela?
- Pois é. Ele era mesmo. Eu não gostava dele. Ela sabe disso. Ela se fechou totalmente quando começou a namorar. A sempre foi uma pessoa muito extrovertida, saía sempre, muito alegre! Ele tomou isso tudo, na verdade, os dois se fecharam, porque ele também era bem saidinho. – e bufou após isso. Pelo jeito o cara era galinha – Minha amiga era outra. Não gosto nem de lembrar, ainda bem que eles terminaram. Mas é difícil pra ela ouvir isso ainda, eu imagino. Não tem muito tempo, e aquele apartamento com certeza ainda lembra ele, por mais que eles não tenham morado juntos lá, foi um presente dado pelo pai dela pra eles dois. É foda, mas...
- E então... Agora ela ta bem?
- Olha , ta né? Na medida do possível. se envolve muito com as coisas, ela se entrega de cabeça, coração e alma... Eu sei que ela ta passando por isso, mas ouvir a Serena provocar ela com certeza é um retrocesso. E também, consegue muito bem esconder quando ela ta triste. Consegue sorrir, se divertir por fora, enquanto por dentro ela ta um caco. A gente conhece ela, então a gente sabe... Mas às vezes é difícil até pra gente, imagina pra quem não conhece, entende? Eu sei que ela ta se remoendo toda lá em cima por causa das possíveis coisas que a Serena falou, ta revivendo na cabeça dela coisas com o Breno e tudo mais... Mas ela tem que aprender a lidar com isso sabe? E nós estamos aqui, pra fazer ela passar por isso tudo! Viemos pra nos divertir, e é isso que vamos fazer!
- Com certeza ! Pode contar com a gente também pra divertir a . Gosto muito dela, pelo pouco que a conheço, mas conversei muito com ela na festa, e ela é muito doce – disse. Sai seu viadinho! – uma pessoa incrível! Se depender de mim, essas meninas nem chegam perto!
- É , pode contar comigo também. Não quero nem saber mais dessas meninas!
Não queria, mesmo. Quero curtir minhas férias com meus amigos, minhas novas amigas e, bem... A .
- Desculpa , mas eu tenho que perguntar... Eu vi você olhando ela na festa... Você ta afim da ?
Ops! Pelo jeito eu não fui muito discreto.
- Ham... Sabe que que é, ...
- Olha , na verdade, não quero saber ainda a resposta dessa minha pergunta. Só te digo uma coisa... A sofreu muito. Assim, agora ela ta percebendo tudo que ela perdeu quando estava com o Breno. E não foi pouca coisa! Os shows de vocês que aconteceram nesses 4 anos aqui no Brasil, nós não fomos em nenhum! O Breno morria de ciúmes dessa... Obsessão que ela tinha pelo McFly – obsessão? Como assim? – E nós não iríamos sem ela, foi ela que nos apresentou a música de vocês. Tudo foi por causa da sabe? Pôsteres, cds, DVDs, shows, viagens... Você acha porque que ela deixa tudo aqui na casa de praia? Porque lá, ela não podia assistir. Ele morria de ciúmes! Ela sonhava em casar tocando All About You e ele falava que se ela fosse casar com ele, essa música não tocaria nem no enterro! Ela queria dar o nome da filha dela de Joanna por causa da música e ele nunca aceitou. Além das aulas de , - wtf? Aulas de ? – do curso de inglês... Tudo foi motivado pelo McFly. Então isso tudo foi morrendo dentro dela, esses sonhos, ele foi destruindo os sonhos da . Por isso eu sou feliz de ter acabado, homem que é homem, deixa a mulher ter seus sonhos. O que é uma banda na vida de alguém sabe? Pô, na época, nós nunca imaginávamos que íamos conhecer vocês, ou seja, pra quê ter ciúmes de famosos saca? É foda. Não é como se ela fosse largar ele do nada e fugir atrás de vocês!
Uow...essas revelações são... Interessantes. Mas mesmo assim...
- Não to entendendo onde você quer chegar...
- O que eu quero dizer , seu tapadinho, é que como sua fã na adolescência, eu sei da sua fama de garanhão, pegador e o escambau a quatro. Eu sou super a favor da se divertir e esquecer essa confusão de vez... Só não quero que você a magoe, afinal – ela se virou para – vocês vão embora no final do mês – e voltou a olhar pra mim – Vai com calma, como eu disse, a é muito sentimental. Deixa bem claro que isso é rock, curtição e vê se é isso que vocês dois querem, em comum... Não vão engatar uma coisa que não vai dar futuro.
- Engatar?
- , posso te falar uma coisa? Não é por ser minha amiga, mas a é apaixonante! Ela é amiga, espontânea, todo mundo gosta dela, ela se encaixa em qualquer lugar. Tem uns gostos esquisitos às vezes... Além de ser linda! O que eu quero dizer é: cuidado pra vocês não se apaixonarem.
- Ok, tudo bem. Entendi, eu acho...
- Então ta, vamos subir. Vamos dormir porque amanhã o dia vai ser cheio – levantou falando – ainda temos muito tempo de férias pra frente, fala sério, só tem 2 dias que chegamos!
- É, pois é... Parece que já tem bastante tempo – disse olhando pra , bem nos olhos – parece que te conheço há anos...
Tossi.
- Ok, ok ok... Vou subindo então... Fiquem por aí, ou sei lá... Tchau, hein!
Saí de lá antes que mel começasse a escorrer em mim. Argh!
Quando cheguei no quarto, fiquei pensando em muitas coisas. Principalmente sobre a . Ela me fixava de uma forma que não tinha como. O corpo dela, o sorriso, tudo aquilo me deixava encantado. Ouso dizer que nunca me encantei assim. Realmente essas brasileiras...
Pelo jeito a era realmente fã do McFly. E as meninas começaram a gostar por causa dela! E ela fez aula de e tinha todos aqueles sonhos... Meu Deus! Como que um cara consegue diminuir uma mulher a tal ponto? Não era nada difícil realizar aquelas coisas... Se fosse eu...
Se fosse eu. Ai meu Senhor, eu já tava me colocando no lugar do babaca lá! Não precisou nem da fazer nenhum esforço, foi tipo... À primeira vista! Eu já tava me imaginando com tudo e com ela.
, calma, diminui a velocidade. Vamos curtir as férias! Tem tanta coisa ainda pra acontecer!
No outro dia, quando acordei, desci para encontrar o resto do povo e percebi que só tinha os meninos. Acho que as meninas deviam estar conversando com a no momento.
Me imaginei lá, acalmando ela.
Logo ouvimos umas risadas e subimos para ver. Quando abrimos a porta elas estavam numa guerra de almofada. Claro que nos metemos né? Depois de toda a confusão, ela acabou caindo sentada em cima de mim... Com aquelas pernas de fora. Oh meu Deus!
Depois daquilo tudo, decidimos fazer um churrasco. Mas eu ainda não tinha conversado com a depois da confusão da festa de ontem. Então fui atrás dela no seu quarto e qual foi a minha surpresa quando percebi que ela ouvia Blink 182.
Sério. É ou não é a garota dos sonhos?
- Ei, posso falar com você? – bati na porta dela e perguntei – Queria saber se você está bem, sabe... Com tudo que aconteceu ontem e a bagunça de hoje de manhã, não tive tempo de saber então... Aqui estou eu! – falei meio sem graça jogando as mãos pro alto e as colocando no bolso da bermuda logo após.
- Eu to bem, relaxa. Inclusive eu queria falar com você também – ela me disse enquanto sentava na cama e calçava o tênis – Sei que você já sabe de todo o ocorrido entre mim e as pernas de pau lá. Só queria te pedir desculpas pela minha reação de ontem. Te tratei muito mal e você não merecia. Na verdade, não tinha nada a ver com você então... Me desculpa. É que essa confusão toda é muito recente ainda, e bem... É complicado. Não sou uma dama que reage muito bem a certas provocações. – enquanto ela falava, fui me aproximando dela.
- Relaxa, nada a ver. Eu não sabia realmente se eu tinha feito algo ontem à noite, mas eu entendi o que aconteceu quando chegamos em casa. Estou feliz que você esteja bem.
Após dizer isso, um silêncio gigantesco se apossou do quarto. Eu estava em pé na sua frente e ela olhava pra mim com aqueles olhos... Doces. Não conseguia parar de encarar, era como se ela me puxasse pra ela, como um ímã. Senti que comecei a suar frio e meu coração acelerou. Depois de longos segundos nos encarando, invadiu o quarto nos convidando pra jogar vídeo game. Me esquivei e desci, não sem antes dar uma olhada mais demorada em .
Encontrei os meninos com e na sala. Passei reto e entrei na cozinha. Bebi um copo de água para tentar me acalmar.
- Hey cara, você ta bem? – perguntou – passou com uma cara assustada, achei que estava passando mal!
Olhei para todos os lados, percebi que não tinha ninguém, que todos ainda estavam lá na sala. Eu precisava falar com alguém!
- Cara, não to não. Eu to pirando eu acho sabe? Eu não consigo tirar os olhos da ! Ontem na festa, hoje no quarto... E isso ta me assustando!
- Dude, relaxa. – ficou um pouco vermelho e olhou para trás em direção à porta que ligava a cozinha até a sala – eu também não consigo tirar meus olhos da . Eu to afim dela. E pelo que a me disse, ela também ta de mim.
- É, a me disse ontem uma coisa parecida com isso.
- Pois é! A mim também! Então eu resolvi investir sabe? Sei lá, é totalmente diferente, eu to fazendo algo em relação a ela porque eu sei que ela ta afim de mim também! Então é mais fácil. Agora você... Sei lá , você quer ficar com ela mesmo? Então investe. Só lembra do que a te falou...
- Pois é... Eu entendo, é proteção de amiga e tudo mais... Mas a sabe que vamos embora no final do mês. A meio que me assustou depois de falar aquilo. Eu não preciso ficar controlando e propondo as coisas pra ela, ela é adulta, sabe o que quer e sabe o que vai acontecer! Isso de ficar conversando antes e combinando... É coisa de boiola!
- Hahahahahaha! Relaxa dude, investe então ué! Se você quer... Ontem quando a falou aquelas coisas da ser obcecada no McFly... Uma coisa me chamou atenção.
- O que?
- disse que ela fez aula de . Por que ela fez aula de ? Se ela era obcecada por McFly... Ela só pode ter feito por causa do preferido dela! Que seria então...
Ohhhhh...eu estava entendendo onde ele queria chegar!
- Você acha cara? Você acha que ela fez por causa de mim?
- Ah , deixa de ser mané! Só pode ser, né? Se ela fez aula do instrumento na época de “groupie” dela, só pode ser por causa do favorito dela pô! Acorda mané! – me deu um pescotapa que alterou até a posição do meu cérebro!
- Cara... Então é isso! Eu vou investir! O máximo que vai acontecer é eu levar um fora! – disse sorridente. Não acredito que eu tinha realmente chances! Não tava acreditando!
Então deixamos a cozinha e fomos pro puxadinho. Depois de uma briga mundial para decidir qual jogo íamos finalmente jogar, ficou decidido o de dança. Por sorte, eu mandava muito bem nesse!
- Sempre soube que você tinha um talento oculto! – ela brincou comigo. Era agora que eu ia revidar de jeito!
- Apenas um de muitos... Sou um menino muito talentoso! – e pisquei pra ela.
Vi sorrir meio sem graça para mim antes de Lúcio nos avisar que tudo estava pronto. Fomos em direção à churrasqueira.
Nós bebemos. Arrumado!
sumiu por um momento e voltou com uma garrafa de Absolut de pêra. Carol disse que ela só tomava isso em ocasiões especiais. Depois da fazer uma pequena declaração, assoviamos dando apoio e rimos demais. Vi que ela estava um pouco alterada já.
- Ei! Tive uma idéia. Vamos, levantem-se e me sigam! Quero mostrar algo a vocês! – ela disse e foi em direção a um portãozinho que dava acesso a um... UOW! UOW! UOW!
Eu nunca tinha visto um lugar como aquele. O portão dava acesso à pedra onde parte da casa da tinha sido construída, depois dela era o mar. Sem areia, sem nada! E ao fundo, o sol se pondo. O céu estava nas cores mais lindas que eu já vi. Nunca tinha visto algo assim na Inglaterra!
Olhei pros lados tentando achá-la e ela não estava ali. Quando olhei pra trás, estava sentada com a garrafa na mão e seu copo. Sorri pra ela e fui em sua direção.
- Isso é lindo. Nunca tive uma visão tão privilegiada de algo – disse e olhei pra ela inevitavelmente – definitivamente não.
Então ela me contou a história sobre como foi pra comprar a casa... E eu só conseguia olhar pra sua boca enquanto ela falava, falava e falava. A vontade de calá-la com um beijo e morder aquele lábio era muito grande. Senti algo remexer em mim, me impulsionando em direção a ela. Mas eu me controlava.
- ... estamos acostumados. Nem quis olhar o resto da casa – ela terminou de falar.
- Obrigado por nos ter deixado ficar na sua casa, principalmente, obrigado por ter me deixado ficar e me dar a honra de assistir a algo assim com você por perto – apoiei minhas mãos nos joelhos me concentrando no que faria logo a seguir – é muito bom poder ter a oportunidade de conhecer as meninas e você, pode ter certeza que não falo só por mim, mas especialmente por mim.
Ela me olhou enquanto eu olhava pra ela. Aquela eletricidade de novo.
- De nada , é muito bom conhecer os meninos, principalmente você.
Eu não esperava aquilo. Sorri sem graça. O que ela falou com certeza me deu força pra me aproximar dela. Respirei fundo e coloquei minha mão em cima da dela. A pele dela era tão macia! Pena que durou apenas alguns segundos.
logo nos interrompeu. Maldito. Minha mão latejava pelo movimento que eu tinha feito. Eu queria mais, aquilo com certeza não era o suficiente!
- Obrigado , mesmo! – disse desgostoso enquanto limpava minha bermuda. Ele me pagaria!
Logo todo mundo se juntou a nós e voltamos para a área da churrasqueira.
Quando percebi, e estavam sentados muito próximos um do outro. e conversavam na beira da área e tinha ido fazer xixi. se aproximou de mim:
- Qualé daquele chilique lá na pedra? – ele perguntou.
- Po cara. Mó empata foda você! – disse enquanto colocava mais vodka no meu copo.
- Hei! – gritou fazendo com que todos nós olhássemos pra ela – Vou pegar o som! – e saiu subindo em direção ao seu quarto.
- Empata foda? Você e a estavam ficando? – perguntou arregalando os olhos – para dude! Você seria muito sortudo! Com certeza ela seria a menina mais gata que você já pegou!
- Não, a gente não tava ficando... Mas eu tava tentando me aproximar dela né, mané? Mas nós nunca ficamos sozinhos... Isso é um saco! Eu tinha acabado de pegar na mão dela quando você chegou.
- Que isso ? Você nunca foi tão boiola pra pegar mulher assim. Qualé desse lance seu com a ? – ele me perguntou franzindo a testa e cruzando os braços.
- Olha cara, eu não, sei. Eu sei que eu to afim dela... Assim como você ta afim da – eu disse, fazendo ele ficar vermelho e coçar a cabeça – é, deu pra perceber.
- Então chega nela ué!
- Mas eu to tentando!
- Não idiota, seja o pegador! Pega ela de jeito! Não fica com essa boiolice de pegar na mão e o escambau a quatro.
- Mas eu não quero assim. Só para de me atrapalhar!
respirou fundo, vendo se aproximar e eu percebi um sorriso surgir no rosto dele.
- Então o que você ta fazendo aqui ? Vai atrás dela, não fica aí parado. É verão, temos rock todo dia... Um dia ela não vai ta mais sozinha e aí vai ser complicado – ele disse, piscando o olho e saindo em direção a me deixando sozinho com a idéia.
É , seu animal... O que você ta fazendo aqui ainda? O que eu tava fazendo conversando com o idiota do ? Eu tinha que ter ido atrás dela!
Larguei meu copo em cima da mesa e subi em direção ao quarto da . Parei em frente a sua porta e respirei fundo. O que eu ia falar? Posso falar que ela tava demorando pra pegar um rádio né? Bem, vamos lá.
Abri a porta e encontrei uma um pouco vermelha e descabelada se olhando no espelho com a cabeça tombada um pouco pro lado segurando o som. Muito linda.
- Ei, aconteceu alguma coisa? Você subiu e está demorando, achamos que já estava vomitando no vaso! – apareci na porta do quarto meio nervoso – Mas não, você está apenas se olhando no espelho. Que legal! – como eu era estúpido. Da onde surgiu aquela frase e aqueles joinhas?
- Só estava vendo se minha roupa estava no lugar. Vem, vamos descer! A noite ainda vai começar!
Engoli em seco quando ela disse isso e piscou pra mim. Ela estava me provocando, e isso era bom. Afinal, quem não gostava de uns joguinhos? Se ela queria brincar... Let’s play.
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POV.
Senti vindo atrás de mim. Agora ele não ia escapar.
O sol já tinha se posto e todos estavam reunidos juntos da mesa onde estava a vodka. Coloquei o som num canto e liguei numa música enquanto ia em direção à mesa colocar mais absolut no meu copo.
Who’s That Boy da Demi Lovato feat. Dev começou a tocar.
É CLARO que eu coloquei de propósito!
I wanna get you by yourself
(Eu quero pegar você sozinho)
Yeah, have you to myself
(Yeah, Ter você só para mim)
I don't need nobody else
(Não preciso de mais ninguém)
Don't want nobody else
(Não quero mais ninguém)
He's special, I know
(Ele é especial, eu sei)
His smile, it glows
(Seu sorriso brilha)
He's perfect, it shows
(Ele é perfeito, dá pra ver)
Let's go (Vamos lá)
cuspiu a bebida quando ouviu que música era e começou a rir. Descontroladamente.
- Oh! Isso é uma direta BEM direta!! – ela disse enquanto enxugava a lágrima que escorria de tanto rir.
Sorri pra ela e olhei pra ele.
I've been starin' at ya
(Eu estou olhando para você)
And I could do it all night
(E posso fazer isso a noite toda)
You're looking like an angel
(Você parece um anjo)
With that kind of body it needs a spotlight
(Com esse tipo de corpo que merece holofotes)
me olhava e sorria discretamente enquanto tomava sua vodka e ouvia a letra da música. Continuei encarando ele enquanto ia andando em sua direção, confesso, a bebida estava me dando forças de fazer aquilo tudo. Coloquei meu copo em cima da mesinha à sua frente:
- Dança comigo? – perguntei piscando o olho e mordendo a boca.
Ain't nobody know your name
(Ninguém sabe o seu nome)
But looking like you do could be fame
(Mas com esse seu rosto, poderia ser famoso)
I could see us making ways
(Eu poderia nos imaginar de inúmeras formas)
From the back of the club
(Desde o fundo de uma balada)
To a bed in the shade
(Até uma cama em um lugar escuro)
Ele arregalou os olhos não acreditando no que eu estava fazendo, ou na música que tocava. Colocou seu copo em cima da mesa também, se levantou puxando um pouco sua camisa pra baixo, pegou minha mão e me levou um pouco mais perto do som. Então ele parou na minha frente me olhando e eu continuei a encará-lo. Sorri de lado e virei de costas me encostando nele e rebolando e descendo um pouco. colocou as mãos na minha cintura e começou a dançar comigo. Ele tinha ritmo, isso eu sabia, mas o que eu não sabia era que nossos corpos se encaixavam tão bem. Ele soltou o ar como se aquilo fosse muito pra ele.
Now I don't know who you are
(Eu não sei quem você é)
But you look like a star
(Mas você parece uma estrela)
And everybody here be thinkin'
(E todo mundo aqui está pensando)
Who's that boy?
(Quem é esse cara?)
Wanna take you home
(Quero te levar para casa)
And get you all alone
(E te pegar sozinho)
And everybody here is thinkin'
(E todo mundo aqui vai ficar pensando)
Who's that boy?
(Quem é esse cara?)
Ouvi os meninos e as meninas arrastando as cadeiras e indo dançar também. Mas foi como um ruído, eu estava mesmo concentrada no que eu e fazíamos, nos nossos movimentos tão sincronizados.
Virei de frente pra ele, passei meus braços pelos seus ombros fazendo minhas mãos se encontrarem em sua nuca, encaixei uma perna minha no meio das suas e continuei rebolando no ritmo da música enquanto ele me acompanhava.
- Essa música é muito sugestiva sabe? E eu vou começar a achar que você está querendo fazer coisas obscuras comigo.
- Entenda como quiser. Mas pra mim, essa interpretação está boa.
- ... Me provocando desse jeito... Você não espera que eu não faça nada, não é? – ele disse no meu ouvido.
- Muito pelo contrário – respondi sussurrando no seu ouvido e mordendo sua almofadinha da orelha.
Senti tremer.
Oh he got me
(Ah ele me conquistou)
No, I never see
(Não, eu nunca vi, não)
No one like him
(Ninguém como ele)
Damn ,he's everything
(Caramba, ele é tudo)
Girls they want him
(As garotas querem ficar com ele)
Guys they want to be
(Os caras querem ser como ele)
Who's that boy, who's that boy
(Quem é esse cara? Quem é esse cara?)
Ele passou as mãos pelas minhas costas, me acariciando de cima a baixo, parando na base em cima da minha bunda e apertando ali. Eu tinha arrepios em quem fazia carinho, apertasse aquela região.
You could say that I'm distracted
(Você poderia dizer que me distraí)
But ah you got me so attracted
(Mas você me deixou tão atraída)
But boy I'll tell you what the fact is
(E garoto eu vou te contar os fatos)
Is no one else in this room
(Ninguém mais nesse lugar)
Looking like like you, you, you
(Parece com você, você, você)
Logo ele subiu uma de suas mãos e colocou na minha nuca, puxando um pouco os cabelos ali. Em reação ao que eu fiz com ele, também mordeu minha orelha, dando um beijo logo depois. Após isso beijou minha bochecha quatro vezes em lugares diferentes dela. E aquilo me causou um enorme arrepio. Nunca ninguém tinha sido tão carinhoso assim comigo, apesar do momento pedir algo com terceiras intenções. Abri os olhos e reparei que o resto do pessoal também dançava mais afastado.
Continuamos a dançar quando o refrão chegou. tentou me puxar mais perto pela cintura, como se isso fosse possível. Estávamos muito grudados! Eu conseguia sentir seu coração batendo como se fosse voar pelo peito.
Everybody in the club turn around and say
(Todo mundo na balada vira e diz)
Who's that, who's that
(Quem é esse, quem é esse?)
Beautiful boy with them big brown eyes, tell me
(Cara lindo com grandes olhos castanhos, me diga)
Who's that, who's that
(Quem é esse, quem é esse?)
Quando essa parte da música passou, eu sabia que a próxima a cantar seria Dev. E aquela parte, eu cantaria pra ele. Então puxei um pouco seus cabelos e coloquei minha boca em sua orelha cantando:
I got my eyes on this boy
(Estou olhando só para esse cara)
Can't get him off my mind
(Não consigo parar de pensar nele)
He's one of a kind
(Ele é único)
The cherry to my pie
(A cereja no meu bolo)
I just wanna get him close
(Quero trazê-lo para perto)
Wanna make him mine
(Quero torná-lo meu)
Come hold my hand and dance away the night
(Venha, segure a minha mão e dance a noite toda)
Abracei-o pelos ombros e encostei minha testa na sua fazendo nossas bocas roçarem enquanto cantava o resto da música:
Give me the green light
(Me dê o sinal verde)
Kiss my lips
(Beije meus lábios)
Who's that boy watching my hips?
(Quem é esse cara olhando o meu quadril?)
I- I- I wanna know who you are
(Eu, eu, eu quero saber quem você é)
My name is Dev and you can be my star
(Meu nome é Dev e você pode ser a minha estrela)
sorriu malicioso enquanto eu cantava essa parte e me olhou nos olhos. Eu o encarei e sorri também, mordendo a boca. Não precisei dizer mais nada, afinal, foi a deixa pra ele fazer o que eu queria e, com certeza, ele também.
Ele, com uma mão entrelaçada na minha cintura e a outra na minha nuca, me puxou e me beijou.
Eu fui ao céu e voltei, suspirando fundo. Logo dei abertura para ele aprofundar o beijo e nós ficamos nos sentindo por um tempo, nos beijando calma e lentamente.
O que durou muito pouco, pois ele logo me puxou mais pela nuca me envolvendo num beijo de tirar totalmente a vontade de respirar só ficando ali, pelo resto da eternidade.
O refrão continuou a tocar enquanto ele aumentava um pouco mais a velocidade do beijo. Ele parava de vez em quando e ia mais devagar, passando a língua pelo meu lábio e o mordendo. Aquilo me deixava doida! Eu mordi também seu lábio, depositando logo após um selinho onde tinha mordido.
Voltamos a nos beijar e parecia um ritual. Era tudo muito... Delicioso! Após toda afobação, pude me concentrar em sentir finalmente o gosto dele. Menta, pêra e álcool. Era maravilhoso o que aquelas gostos despertavam em mim. Calor, frio, animação, exaustão. Tudo ao mesmo tempo.
Fomos parando com selinhos. Abri os olhos para espiá-lo enquanto ainda nos beijávamos e percebi que ele também me espiava. Nós começamos a rir enquanto ainda nos beijávamos até cessarmos os carinhos. Ele me puxou, me abraçando e beijando minha bochecha.
- Isso foi intenso. Você é muito...gostosa de beijar.
Comecei a rir e bati no ombro dele.
- Tinha uma coisa mais romântica pra falar não?
- Acredite, qualquer coisa romântica que eu tentar falar aqui agora não vai combinar com o momento... Porque você é realmente gostosa de beijar, abraçar e cheirar.
Nos afastamos e eu olhei pra ele envergonhada.
- Obrigada... Pelo elogio um tanto quanto... Diferente. Você também é todas essas coisas, além de ter uma bundinha bem gostosinha de apertar também – falei enquanto dei uma apertadinha nela e pisquei pra ele. Nós dois começamos a rir.
- Sua safada! – ele disse pegando minha mão e me puxando – vem, vamos sentar um pouco.
Sentamos no bangalô que tinha mais afastado do pessoal e ficamos abraçados olhando, agora, a lua que estava no céu. Começamos a conversar sobre coisas nada a ver e rir delas. Estávamos meio altinhos já.
- Ouvi uma coisa bem interessante sobre você ontem à noite. – de repente disse, enquanto passava a mão pelos meus cabelos.
- Ah é? O que?
- Você fez aulas de , eu ouvi dizer – congelei com aquilo – então acho que eu sei quem é seu preferido, não?
- Quem te disse isso? – Levantei e olhei pra cara dele – Não! Nem precisa dizer! Foi a né? Que vadia fofoqueira! – ele riu.
- Acha que pode me dar umas aulas? Sempre sonhei em ter uma professora de música... Isso é bem sexy – ele disse me puxando de volta enquanto eu escondia meu rosto entre as mãos morrendo de vergonha – calma ! Nada a ver você ficar assim... Isso é bem bonitinho.
- Não é nada! O que você vai pensar agora? Que eu sou uma groupie! – me desencostei dele rapidamente e tentei me explicar – Olha , eu não dei em cima de você hoje só porque eu sou fã de vocês não, ta? Nada a ver isso! Não! Quer dizer... Eu sou fã de vocês mas... Não é só por isso, entende? Não pense que eu vou sair correndo contando pra alguma revista que eu te beijei ou inventar algo... Isso não é da minha índole! – eu falava e gesticulava enquanto tentava ser o mais clara possível. Quando olhei pra ele, percebi seu olhar divertido sobre mim e a risada que ele segurava me deixou mais sem graça ainda. – Que é? Você ta achando isso engraçado é? – bati nele e o ouvi soltar um “Outch!” um pouco alto – isso não é legal! O que eu to querendo dizer é...- então o olhei enquanto ele terminava de rir e me encarava – não vou fazer você passar vergonha entende?
- Hmmm... Entendo – ele disse colocando a mão embaixo do queixo – sabia que você fica muito bonitinha dando uma explicação que não tem nada a ver com o que ta acontecendo?
Então nós dois caímos na risada. Estávamos sentados um ao lado do outro, então coloquei minhas pernas em cima das suas, o fazendo parar de rir. Sua mão logo as envolveram, fazendo um carinho gostoso enquanto uma brisa batia em nós, bagunçando todo o meu cabelo. Com a outra mão, ele pegou um pouco dos fios que estavam no meu rosto e colocou atrás da minha orelha, me puxando logo em seguida e me dando outro beijo. Esse foi mais calmo e paradinho, como dois adolescentes apaixonados se beijando. E eu tinha que tirar esse pensamento da minha cabeça.
- Sabe...- ele disse enquanto me dava selinhos – eu estive pensando em como era beijar você desde o momento em que vi você dançando naquela garagem. Você não tem noção do que aquela dança pode causar em alguém ? – falou me olhando sério – quase morri do coração!
- Bem, posso dizer que eu, desde os meus 16 anos, sonhava em como era beijar você? – disse sentindo minhas bochechas ficarem vermelhas – ou seja, isso são seis anos... Ganhei! – falei jogando os braços para o ar como se comemorasse um gol.
- Olha... Parece então que eu tenho seis longos anos pra compensar em um mês de férias. Me perdoe então se eu parecer um pouco... Beijoqueiro demais – e me beijou novamente. Como não derreter com isso, gente?
- Hey pombinhos! – disse se sentando ao lado de – awww... Finalmente hein ! Sabia que aquela tensão sexual entre vocês ia dar nisso – e apontou para nós dois sentados juntos enquanto bebia um pouco do que estava no seu copo – eu tenho um sexto sentido pra essas coisas né amiga?
disse isso e continuou sentada do nosso lado olhando pra frente, como se apreciasse a vista. Empata foda! Ela não tinha entendido que ela tava sobrando?
- Ham... querida, cadê o ? Por que você não vai procurar ele? – perguntei cruzando os braços e balançando a cabeça pro lado, como se tivesse mostrando o caminho pra ela – tá sobrando aqui, não acha não? - Ela ficou nos olhando como se não tivesse entendido o que eu falei, até que uma luz veio.
– AH! MEU DEUS! ME DESCULPA AMIGA! – Ela levantou ficando na nossa frente, nos fazendo rir – Já estou indo! É só que... Eu tinha algo pra falar... Ô ! Vem aqui um pouquinho? – chamou o outro que logo apareceu – o que era pra eu dizer mesmo?
- Putz! ... As meninas tão perguntando se vocês não querem ir pra lá jogar...
- JOGAR BARALHO! ISSO, LEMBREI! – gritou assustando nós três – Vamos? – perguntou como se fosse uma criança ansiosa por algo.
- Nossa! Que susto ! Ok... Então vamos! – Eu disse tirando minhas pernas de cima de e ficando de pé, o puxando pela mão para ele levantar também.
Fomos andando abraçados. Chegando perto do pessoal vi sentada no colo de , aos beijos! Meu Deus! Cutuquei e apontei os dois.
- Hmmm... Sabia que ia dar em algo! – ele disse.
- Sabia? Como assim? Eu apostava em e !
- é meio lerdo... Sabe? – ele olhou para onde os dois estavam, de mãos dadas, um sentado de frente pro outro, conversando algo que não dava pra saber o que era.
- Não que você seja a pessoa mais rápida do mundo né querido? – disse o provocando – não foi bem você que provocou essa situação aqui – falei apontando pra nós dois e ri.
- Ahhh... Mas fui eu que te beijei, né? Então ambos somos responsáveis! – e fizemos um hi Five! Pelo amor de Deus, em que época eu vivia? O quão mongol isso era.
Rimos da situação e sentamos perto de e .
Os únicos que até então só pensavam em beber, beber, beber...
Então todos se juntaram e começamos a jogar buraco. Era cada coisa que saía que as risadas foram indispensáveis. Bebemos e rimos o resto da noite. Dançamos mais um pouco depois de jogar umas partidas. E claro, eu e beijamos um pouco também. Hehehehehe!
- Gente, to cansada, vou subir e dormir – disse, se levantando e espreguiçando. – Vocês vem ?
Olhei pra , que me encarou sorrindo. E que sorriso!
- Quer subir ? Pode ir... Amanhã podemos nos ver mais, não é como se não estivéssemos dormindo no mesmo lugar, né? – e piscou pra mim.
Oh , dormir no mesmo lugar pra mim seria você na minha cama!
Antes de me pronunciar e falar alguma besteira, levantei e me espreguicei também. Vi fazer a mesma coisa e, logo após, se levantou e a abraçou. Ele era realmente lerdo.
foi a única que não levantou, continuando a jogar pedra, papel e tesoura com . Olhei pra como se dissesse “vamos tirar ela dali antes que ela comece a falar merda e difamar todas nós”. Fomos até , e falamos como se fossemos suas mães e ela uma adolescente:
- Se despeça do , . Nós vamos dormir agora – disse cruzando os braços. Ouvi todos rirem em volta.
- Hã? Mas já... Ah não ... Vamos ficar mais um pouco, tá tão legal!
- Anda . Amanhã você brinca mais com o seu... Amiguinho – disse chegando perto – agora despeça-se do rapaz. Boa noite querido – ela ainda disse dando leves tapinhas em sua cabeça como se o acalmasse.
Todos perceberam a brincadeira... Menos os dois.
Também, bêbados igual um mendingo!
bufou, levantou e nos surpreendeu: os dois se beijaram como se isso fosse normal, logo após se abraçarem. Todos nós paramos de rir e olhamos como se aquilo fosse o fim do mundo. Os dois olharam pra gente como se questionassem o porquê de todo mundo estar encarando.
- Que é? Vocês acham que somos lerdos iguais a vocês, cheios de nhenhenhé e tal? – ela disse fazendo cara de esperta – tão é muito enganadinhas queridas. Agora vão embora!
E passou pela gente indo em direção a casa, subindo as escadas.
Todos olhamos pra que deu de ombros.
- Nós nos beijamos ontem... Mas ela não lembrava.
Então eu ri. Típico de !
se despediu de com um beijo e eu com outro no . Abracei os meninos e subi acompanhada das duas. Chegando no quarto, estava no banheiro tomando banho.
- Dá pra acreditar? Isso é muito típico dela mesmo, né? – eu disse sentando em um dos puffs do quarto e apontando pra porta do banheiro.
- Novidade! E você , o que que tá acontecendo? – perguntou.
- Acho que nada... Acho que eu e somos apenas... Amigos – ela disse fazendo cara de triste – ele não faz nada... Só fica sendo muito carinhoso comigo... Mas não chega em mim!
- Faz alguma coisa – eu disse – não fica esperando acontecer.
- E o que deu em você , pra chamar o garoto pra dançar daquele jeito? – perguntou divertida – sabe, aquela música é muito “oi, me pega”.
- E foi o que ele fez – eu disse dando de ombros – eu não ia perder meu tempo... Ele tava de olho em mim que eu reparei. Lá na pedra ele pegou na minha mão inclusive. Então só dei mais abertura... Provoquei e ele me beijou. E que beijo Jesuuuuuuuuuuus do céu!
Então começou a contar como ela e tinham se beijado.
- Na hora que você subiu pra pegar o som, fui andando em direção onde ele estava conversando com o . Então ele veio na minha direção e me beijou, assim, do NADA! Falou que não ia perder mais tempo, sendo que ele queria fazer aquilo. Foi tipo... O melhor beijo da minha vida!
saiu do banheiro e realmente confirmou a história de :
- Ué gente, eu não lembrava! Como eu ia contar algo que eu não lembrava?
Nós quatro rimos.
Aquilo tava bom demais pra ser verdade!
Entrei no banheiro pra tomar banho e, quando tirei minha blusa, senti o cheiro de impregnado ali. Sentei no vaso e me fiquei pensando em como aquilo tudo, apesar de programado, não era esperado. Aquele encaixe na dança, o beijo, o gosto, a vontade... As risadas! me fazia rir demais, e por besteira. Adoro homens que me façam rir!
Ri sozinha lembrando do toque das mãos dele na minha pele. Ainda sentia seu gosto, como se fizesse parte de mim.
Quando ele disse que tinha um mês para compensar aqueles anos em que eu me imaginava o beijando... Minha espinha gelou. Por dois motivos: pelos incontáveis beijos que daríamos, já que era pra compensar, tinha que ser bem compensado. E pelo tempo... Um mês. Eu só tinha um mês com .
Era como ter uma coisa que você gosta muito com prazo de validade.
Aquilo não me agradava, fato. Mas era o que eu tinha.... E eu tinha que aproveitar!
Eu só não podia me apaixonar por ele.
NÃO! Isso não ia acontecer! Eu não ia deixar acontecer!
Tomei meu banho, coloquei meu pijama e deitei na minha cama e fiquei pensando ainda em como aquela noite tinha sido surreal. Mordi minha boca tentando gravar todos os movimentos feitos ali.
Fechei os olhos e vi o rosto dele sorrindo pra mim. Deitei de lado e sorri... Aquilo era muito mais do que algum dia eu imaginei.
Dei boa noite às meninas, que agora já estavam cada uma em sua cama... Mas senti falta de algo. De um cheiro especial.
Levantei-me e fui até o banheiro, onde deixei a roupa que tinha acabado de tirar. Peguei minha blusa e a levei pra cama. Cheirei-a. Era o que faltava. Respirei fundo e cheirei de novo, absorvendo a essência dele, tão boa, me trazendo tranquilidade para dormir.
E então adormeci abraçada à minha blusa... Abraçada às lembranças que aquele cheiro me trazia da noite mais especial da minha vida.
Até agora.
Capítulo 8
Eu tava tendo um sonho tão bom! Não queria acordar! Então senti uma mão passando no meu cabelo... Sorri com o carinho e voltei a relaxar. Logo, a mesma mão foi descendo pelas minhas costas – estava deitada meio de lado – passou pela minha cintura deixando ali um pequeno aperto... E não a senti mais. Não passou nem cinco segundos e senti um carinho na batata da minha perna, indo em direção ao meu pé. Aquilo era bom... Respirei fundo e senti o perfume de ... Ainda estava abraçada à minha blusa do dia anterior que, incrivelmente, ainda mantinha o cheiro dele. Eu estava no céu!
- Hm...se continuar dormindo desse jeito, juro que vou deitar do seu lado e deixar de aproveitar o dia lindo que está lá fora.
Arregalei os olhos olhando pra trás e encontrando ele, que tinha sussurrado aquelas palavras no meu ouvido. E dizem que pessoas novas e saudáveis não sofrem ataque cardíaco! Estava prestes a ter um ali, agora!
- Que susto, ! Como entrou aqui?
- As meninas falaram pra eu vir te acordar. Bom dia, ! – dizendo isso, abriu um sorriso maravilhoso e me deu um selinho. Argh!
- Paraaaa... Nem escovei os dentes ainda! – o abracei. Se não podia beijá-lo, pelo menos abraçar pode, né? – Hmm... Isso é bom... Bom dia, , dormiu bem?
- Relativamente bem... E você, como passou a noite?
- Muuuuito beeeem.
- Ah, tão bem assim? Achei que tinha sentido minha falta...
- "Pode ir dormir... Não é como se não estivéssemos dormindo no mesmo lugar, né?" – eu repeti as palavras dele de ontem à noite tentando imitar sua voz – como se você tivesse sentido a minha, já que me despachou ontem! – falei brincando e fiz um bico.
- Você não sabe o quanto me arrependi – sussurrou no meu ouvido e me deu um beijo na bochecha. Por que ele faz isso? Pra me fazer ter uma convulsão?
Me separei do abraço e olhei meio sem graça pra ele, que me encarava como se quisesse me pedir desculpas, que tinha se arrependido. Ahhh, suspiros!
Sorri pra ele e me espreguicei fechando os olhos, como sempre faço, ainda sentada na cama.
- Por que você ta com essa blusa na mão, sua doida?
Congelei.
Abri os olhos exageradamente olhando para minha mão que estava parada no ar. Enquanto me espreguiçava, mantive a minha blusa com o cheiro de nela... O que fez ele reparar. Ai. Meu. Deus.
- Por que você dormiu com essa blusa? Você não a usou ontem?
- Errr... Sabe o que é...
Ele deitou na cama rindo um pouco com as mãos no rosto, deixando um pedaço da sua barriga deliciosa à mostra. Céus!
Então pegou a blusa da minha mão e cheirou, reconhecendo seu próprio perfume. Comecei a olhar pra ponta dos meus cabelos, como se a quantidade de pontas duplas fosse bastante interessante.
- Você não dormiu com ela só porque tinha meu cheiro não, né? – ele disse me olhando sorrindo. Presunçoso!
- HAHAHAHA, ta de brincadeira que você ta pensando isso! Sério? Pfff! – dei um tapinha em seu ombro fingindo descaso – Fala sério , por que eu faria isso? Que coisa mais... Infantil! Hehehehe – eu tenho certeza que nas minhas bochechas agora dominavam tons de vermelho que até Gerhard Richter desconhece.
- Então por que você ta vermelha assim? – ele perguntou cruzando os braços e me olhando como se tivesse me pegado no flagra – Hmm.. Eu ia achar uma graça, nada infantil. Isso só mostra que você sentiu minha falta como eu senti a sua essa noite.
Awww... Ele me amoleceu. Suspirei, coloquei minhas mãos no rosto novamente e voltei a deitar com a cara enfiada no travesseiro:
- Ahhh... Que vergonha ! Não era pra você ter entrado aqui... As meninas me pagam, elas são umas jararacas, ficam me fazendo passar vergonha na sua frente toda hora – virei de barriga pra cima e encarei ele que agora ria de mim – Paraaaaa... Para de riiirrr poxaaaa! Que que tem que eu dormi com a blusa... Foi... Sei lá... Reflexo. Precisava de algo pra tampar o rosto da claridade!
- Tá, vou parar de rir, mas só se você levantar e se arrumar pra descer. Ainda temos que tomar café e nós queremos saber o que vamos fazer hoje! – Ele disse me puxando pelos braços pra eu sentar e me levantar – anda preguicinha, levanta! Senão vou ficar com ciúmes dessa cama e não vou deixar mais você vir dormir – Ele tentava me levantar, mas eu insistia em ficar deitada, fazendo peso contrário pra ele não conseguir... Mas ele é homem, né? – Ahh, não vai levantar não? – dizendo isso, direcionou suas mãos à minha cintura subindo em direção aos meus braços fazendo cosquinhas. Dei um pulo e comecei a rir muito alto.
- Ai ! Hahahahahaha paraaaaa, eu sinto cosquinhas paraaaaa! – me contorcia e ria demais, eu era muito sensível pra isso.
Quando ele parou ficamos nos olhando e rindo, esperando minha crise passar. Éramos dois bebês, pelo amor de Deus! Olhei pra ele e pisquei, deitando de lado e batendo na cama chamando-o pra deitar ali. Impulso. Ele logo veio e deitou virado pra mim, passando as mãos nos meus cabelos e mantendo os olhos fixos nos meus. Eu não conseguia manter o contato, eu desviava e voltava a encará-lo. Pra evitar ter que ficar olhando pra ele, encostei minha cabeça em seu peito e o abracei, sentindo seus braços me envolverem também.
Nem parecia que tínhamos ficado pela primeira vez ontem. Estávamos mais pra um casalzinho de namorados de longa data. Essa comparação me assustou um pouco. Rápido demais. Mas era tão bom! Eu sentia como se o conhecesse há anos, como se fossemos amigos há décadas e que essa... Coisa entre a gente já rolasse há tempos. Não sei se essa minha antiga obsessão pelo McFly e, principalmente, pelo na minha adolescência me ajudou a chegar a essas conclusões, mas era complicado. Eu quero aproveitar isso tudo e eu vou! Só não quero ter que me aproximar demais dele, com esses carinhos íntimos e essas declarações de “senti sua falta”, “você não sabe o quanto!”, “dormi abraçada com minha blusa que tinha seu cheiro essa noite”, sendo que... Bem, nós não nos conhecemos direito – sabemos que eu ser fã dele não quer dizer nada. O verdadeiro eu não conhecia, e ele então... Não sabia quase nada de mim – e que, outro fator importante, nós moramos a milhares de quilômetros de distância. Então gata, levanta e acorda pra vida, porque isso aqui não tem futuro!
Incomodada com meu pensamento suspirei pesado e me afastei, sentando na cama de costas pra ele, que ainda estava deitado. Senti seu olhar em mim e o olhei, dando um mínimo sorriso. Ele se sentou ao meu lado me abraçando pelos ombros e continuou me olhando.
- O que foi? Resolveu levantar, é? – que bom que ele pensa ser só isso.
- É... Como você disse, o dia ta bonito lá fora. Vou tomar um banho e mudar de roupa – me levantei indo em direção ao meu ipod e procurando uma música para tocar enquanto me arrumava para entrar no banheiro e tomar banho – já vou descer, pode esperar lá embaixo – continuei falando sem o olhar.
- Tudo bem então. – logo o senti atrás de mim, me abraçando pela cintura e beijando meu pescoço – Tem certeza que está tudo bem?
- Claro , por que não estaria? Só vou me arrumar... E desço – virei e dei um selinho nele, esquecendo que eu ainda não tinha escovado o dente – Eca! Eu ainda não escovei os dentes, me desculpa! – me separei rápido colocando a mão na boca e rindo um pouco.
- Você sabe que eu não me importo – disse e me puxou em sua direção. Antes que eu pudesse protestar, ele estava me beijando de verdade, ignorando minha falta de higiene matinal. Como eu poderia pensar direito com ele fazendo isso comigo? É sério, não rola! Qualquer menina não resistiria, então eu retribui, dando passagem à sua língua, o abraçando pelo pescoço. Céus, era tão bom não resistir ao ! Senti suas mãos me trazerem mais para perto, me abraçando pela cintura e fazendo carinho ali.
Isso estava ficando perigoso.
- Hmmm – ele disse me dando vários selinhos e parando de me beijar – é melhor nos separarmos, antes que você decida não se arrumar e não descer. Não que eu me importe realmente de ficar aqui, mas todo mundo deve ta dando um treco lá embaixo porque estamos demorando.
Nós rimos juntos da situação.
- RARAM! Desculpa MESMO incomodar os pombinhos aí – nos assustamos e olhamos em direção à porta, vendo parada de braços cruzados olhando suas unhas – mas nós estamos esperando as majestades para comermos e decidirmos o que faremos hoje! Então , pode descer e deixar a se arrumar, você é uma grande distração!
- Oh, desculpe mamãe. Já estou descendo – ele disse se curvando como se ela fosse uma rainha, me fazendo rir da situação.
e eu nos separamos e ele foi andando até a porta sussurando um “te vejo lá embaixo”. então fez língua para ele e fechou a porta, ficando dentro do quarto e me olhando curiosa.
- Pelo amor de Deus, achei que vocês estavam se engolindo aqui. Pelo jeito, as coisas estão mais interessantes entre vocês.
- É... Estão – disse indo em direção ao closet escolher uma roupa para usar – é gente boa.
- Hm... E você ta bem? Parece desanimada por ele ser uma pessoa gente boa. Aconteceu algo?
- Não, não aconteceu nada . Eu to bem, estamos todos bem. Só estou concentrada escolhendo uma roupa.
- Até parece que eu não te conheço né ? Pelo amor de Deus, o que aconteceu? Deu crise de consciência agora?
Suspirei fundo. me conhecia mais do que eu mesma me conheço.
- Não é isso . É que... Sei lá. Não existe “as coisas entre mim e ele”. Mas o pouco que existe, está ótimo. Mesmo. Só estou com medo disso tudo... Não quero me magoar novamente.
- E você não vai. É só não levar isso a sério, como ele não está levando!
- Não está? Hmmm... Bem, ele veio me acordar hoje, foi todo carinhoso, um fofo, disse que sentiu falta de mim à noite, me beijou mesmo eu estando com bafo matinal, depois deitou comigo abraçadinho. Qualé , é muita intimidade pra quem ficou ontem pela primeira vez! Eu sinto como se o conhecesse há muito tempo e ele ta me tratando... Até melhor do que Breno me tratava! Então isso é estranho pra mim.
- Hm, mas relaxa . Curte o momento. Às vezes ele ta sendo carinhoso assim porque ele é carinhoso! Não se deixa levar por aquela voz adolescente dentro de você dizendo que seu sonho está se realizando... Esse era nosso sonho quando novas, agora eles são caras diferentes! Você pode ta se sentindo assim por isso... Dê tempo ao tempo, amore. Vocês ficaram ontem. Ainda tem o resto das férias... E você sabe que ele vai embora de qualquer forma...
- É, eu sei. Deve ser bobeira da minha cabeça. Vou me arrumar... Você ta linda nessa roupa!
- Obrigada amiga... Mas... Tá tudo bem mesmo?
- Tá, ta sim. Relaxa. Vou tentar levar tudo na esportiva e curtir o momento.
- Se você acha que é um terreno perigoso... Dá um jeito, demonstra que você tá levando tudo na esportiva, na pegação/diversão... Só não se apaixona. Não quero te ver magoada... Não por ser canalha ou algo do tipo, mas... Nunca se sabe! Ele vai embora no fim do mês e isso não vai dar certo, pelo menos não dessa forma.
- Aham, . Ok, eu entendi. Agora vou tomar banho, daqui a pouco to lá embaixo.
Falando isso, entrei no banheiro e tranquei a porta rapidamente, encostando na mesma e escorregando até o chão. Eu tremia de nervoso. tinha razão. Total razão. Eu estava me deixando levar pelos momentos fofos entre mim e . Isso tinha que acabar.
Ao som de Who’s That Chick, do David Guetta, eu me arrumava depois de um banho rápido. Coloquei minha roupa e desci.
- Finalmente você apareceu! To quase comendo a inteira aqui de tanta fome! – se levantou do sofá já indo em direção à mesa da varanda enquanto eu descia às escadas.
- Hm... Isso tem duplo sentido, querido , você sabe disso, né? Não duvido nada que você NÃO precise estar com fome pra comer a !
- Você entendeu o que eu quis dizer ... Não vou discutir com você porque eu to morto de fome. Vamos , deixa essa sua amiga má pra lá e vamos comer aquelas delícias que a Márcia fez! – disse ele de nariz empinado puxando minha amiga pela mão. Percebi que já estava arrumada e também. Realmente, só faltava eu.
- Nem demorei tanto. Vocês é que acordam muito cedo – disse enquanto me sentava à mesa e servia um copo de suco de laranja pra mim – Márcia faz pra mim aquele misto quente de peito de peru e cheddar? Vou te agradecer imensamente!
- Claro . Alguém mais quer?
- Eu quero Marcinha! – disse enquanto levava sua xícara de café à boca – faz pra essa cambada toda, tenho certeza que esses esfomeados comem!
- Ok então. Já trago. Mais alguma coisa?
- Se não for muito incômodo, eu gostaria de dois ovos mexidos, Márcia, pode ser? – perguntou olhando pra ela fazendo uma cara de acanhado. Meu Deus... Vou morrer!
- Que isso , pode pedir... A Márcia é a melhor no café da manhã! – disse colocando minha mão sobre sua perna, ele estava sentado ao meu lado – Aliás, Márcia, faz logo umas panquecas também. Você sabe como são esses europeus, né?
- Como assim você sabe como esses europeus são? – perguntou cruzando os braços e olhando pra mim em desafio, ele estava sentado do meu lado também.
- Ah... O café da manhã de lá é bastante diferente do daqui, né? Bem gordinho...
- Gordinho? Tá chamando a gente de obeso, ? – me perguntou do outro lado da mesa.
- Nã... Não é isso... HAHAHA
- Ah eu sou mesmo, ou vou me tornar... Depois da ter feito a gente esperar esse século pra colocar essa roupa mixuruca, eu vou é comer pra caramba! – disse, passando a mão na barriga.
- Como é que é? Roupa mixuruca? Eu to muito bem arrumadinha Sr. ! Pode parar de falar assim senão eu suspendo seu café! – disse enquanto tomava meu suco.
- Oh, você não faria...
- Ah... Faria sim, , fica quietinho porque você não conhece essa peste! – disse enquanto tampava a boca dele com a mão.
Todos nós rimos da situação. Continuamos conversando um pouco mais, falamos de ontem, principalmente de e , que nos surpreenderam no final. Depois de um tempo eu comecei a viajar, olhando pra um ponto qualquer e mantendo minha cabeça vazia, apenas me desliguei da conversa. Até alguém me cutucar.
- Hey , ta tudo bem? Você ta viajando aí, sozinha. Aconteceu alguma coisa? – me cutucou e perguntou baixinho, enquanto os outros ainda conversavam e brincavam uns com os outros.
- Ah , ta tudo bem... – disse olhando para as minhas mãos que estavam cruzadas no meu colo.
- Não, não ta não. É algo relacionado ao ? Quer ir lá fora conversar?
Levantei meus olhos e encarei a mesa. nos encarava como se perguntasse o que eu tava falando com ele. conversava animadamente com e e e se beijavam. Eu não tinha nada pra fazer ali e era uma pessoa de fora, além de ser amigo de . Por que não?
- Tá, por mim tudo bem.
Dizendo isso nós nos levantamos. O trio parou de conversar. Senti me encarar em confusão.
- Err... Vamos ali e já voltamos. Pede pra Márcia chamar a gente quando a comida chegar, ok?
confirmou. Foi o único que eu encarei, logo depois abaixei minha cabeça e fomos pro bangalô onde eu e ficamos ontem. Isso me fez suspirar.
- O que ta acontecendo?
- Não é nada demais ... sei lá. É só, coisas da cabeça de uma menina!
- É, isso é complicado, principalmente pra cabeça do aqui – ele disse apontando pra ele mesmo – mas pode falar, prometo tentar te ajudar, principalmente porque sei que tem o dedo daquele cabeça de bagre lá.
- Não, não tem. é um amor comigo. E é esse o problema.
- Não consigo ver onde isso seria um problema.
- Sabe o que que é , eu saí de um relacionamento agora. E muito conturbado, sofri pra caramba no final. Na verdade, ainda tem algo aqui dentro de mim que não me liberou de vez. Então eu chego aqui e dou de cara com vocês, a banda que eu mais sonhei em conhecer na vida! E bem, com o , meu sonho de consumo teen – senti ficar vermelha e sussurrar um “que sonho de consumo pobre” e rir logo após – em apenas dois dias nós já nos divertimos pra caramba... Eu adoro a companhia de vocês e bem, ontem nós ficamos. E ele é muito carinhoso comigo. Hoje ele foi me acordar e foi todo fofo comigo, deitou na minha cama, me fazendo carinho, me beijou, falou umas coisinhas bonitas. E eu tenho medo, sabe? Medo de começar a gostar e bem... Você sabe que não vai dar certo. Tem a distância e bem, como eu posso levar em consideração algo que tem apenas dois dias? Meio que conversei com a e ela me aconselhou a levar isso na esportiva, pegação de rock e tal. Mas eu tenho medo de não conseguir e acabar embaralhando tudo. Então por isso eu to agindo um pouco mais distante... Sei lá, to confusa!
- Calma , eu te entendo. Pelo que você me contou do seu ex-namorado lá e toda a história, você tem todos os motivos pra ficar assim... Principalmente se for o . Você sabe o quão galã da turma ele é, né? Claro que sabe... Mas ainda é muito cedo e precipitado esse seu pensamento. Concordo com a , deixa acontecer naturalmente, não fica grilada. Você tem que se divertir e se concentrar em esquecer essa história toda. é um ótimo cara, muito divertido, tenho certeza que vocês vão se dar bem... Mas não leva a sério. Tem isso de que só vamos ficar um mês aqui, claro que vamos manter contato quando formos embora, vocês tem que ir nos visitar! Por enquanto... Atenha-se ao hoje, não pensa no futuro! Se diverte e aproveite as férias! Você precisa, .
- É... Mas você sabe né? Cabeça de menina é meio grilada. Já pensou se eu me apaixono por ele? Ah, ok, entendi! Esquece , vive o agora! – eu disse falando comigo mesma.
- Puxa, você é meio doidinha, né? Fala até sozinha...
- Hahaha , bastante engraçado isso! – dei um tapinha leve em seu braço e logo acariciei no mesmo lugar – obrigada, mesmo. É bom ouvir você, que é amigo dele e é, querendo ou não, uma pessoa de fora. Obrigada , você é demais! – e o abracei.
- De nada , quando precisar, você sabe. Só me procurar. Minha companheira de festa não bêbada.
- Hahahaha! Pode deixar, você a mesma coisa... Aliás, todo mundo desencalhou ontem, por que não rolou nada entre você e a ?
- Ah... Sei lá. Eu sou meio tímido. Eu disse que eu ia chegar nela, mas... Eu sou tímido. Eu tento, mas tenho medo dela me cortar na tora.
- Fala sério ! Eu te disse que fica com você e você não faz nada? Bundão!
- Bundão nada! Você vai ver quem é bundão aqui! – e veio pra cima de mim fazendo cosquinhas. Eu ria e pedia pra ele parar gritando muito alto.
- Ei, o que ta acontecendo aqui? Vocês estão bem? Você ta chorando ? – perguntou franzindo a testa e cruzando os braços – o que vocês tão fazendo aqui fora?
- Hey, calma budy! – levantou com os braços pra cima – eu e só estávamos conversando. Ela que me chamou de bundão e eu tive que atacá-la.
- Não que você não seja um bundão, mas.. Vamos entrar, Márcia já colocou a comida na mesa.
- Ok então, vamos entrar! – disse estendendo a mão para me ajudar a levantar – temos que programar nosso dia ainda!
- É, o que será que vamos fazer hoje? Praia? Quiosque? Caminhada na reserva? Hmmm, tanta coisa! – disse indo em direção à e o abraçando pela cintura – o que você quer fazer hoje?
- O quê vocês quiserem fazer eu to dentro – e me deu um beijo na testa.
- Vamos comer e colocar as idéias na mesa. Assim todos votamos!
- Menos o , ele sempre tem as piores idéias – disse e concordou.
Fomos pra varanda e nos sentamos. me encarou como se quisesse saber o que eu tinha ido fazer lá, eu apenas sorri e comecei a comer. Os meninos se empanturraram de panqueca, ainda dei um pedaço do meu misto pra -guloso-. Não deixei barato e comi duas de suas panquecas. Nós rimos e conversamos amenidades. Nós, meninas, contávamos histórias de rocks que fomos e nossos micos, e eles histórias de shows. Durante a conversa, senti a mão de envolver a minha por baixo da mesa. Olhei pra ele e sorri, apertando sua mão de volta. Ele continuou fazendo carinho na minha enquanto conversávamos com o grupo. Passaram-se horas e já estávamos no horário do almoço:
- Então, domingo, dia de programinha light. O que vocês querem fazer?
- Ah , a gente podia almoçar fora, vocês meninas podiam nos apresentar um lugar legal pra almoçar. E depois podíamos passear em algum lugar. Ou vir pra casa e assistir filmes! – Danny disse feliz.
- Tenho que dizer , aquilo que você disse sobre não ter boas idéias... Tenho que discordar agora, porque ele teve uma boa! A primeira vez na vida dele! Vamos gente, uma salva de palmas pro nosso amigo ! – e todos começaram a bater palmas e assoviar. O menino ficou vermelho e meio puto na verdade por duvidarem dele. Logo todos começamos a rir e concordamos com a idéia de . Como nós já estávamos arrumadas, só subimos pra nos maquiar um pouco. Estávamos no quarto nós quatro, então contei para as meninas tudo o que eu tinha pensado hoje sobre e o que eu tava sentindo. Aproveitei, e contei que conversei com , tranquilizando , inclusive a parte de que ele era tímido e que tava afim dela. Vamos ver se assim ELA faz alguma coisa e desagarra essa situação de uma vez. Enfim, todas elas acharam que eu tinha um motivo no final das contas de estar me sentindo assim, mas todas disseram a mesma coisa: deixa acontecer. O que tiver que vir vai vir.
- Mas meninas... E se, por acaso, surgir um gatinho pra ficar comigo em alguma festa que formos, sem ser o , o que eu faço?
- Simples: pegue ele e aproveite sua solteirice! – disse.
- NÃO! – e gritaram, fazendo eu e rirmos do susto que tomamos sendo seguidas por elas.
- Mas sério , se você ta na dúvida disso de ficar só com nas férias, espera alguma menina chegar nele e vê se ele vai ficar com ela. Se ele ficar, o caminho ta livre pra você também fazer a mesma coisa. Não que vocês não fiquem mais, mas de repente ele quer ficar com você, mas ficar com outras também. E se ele pode você também pode! – falou. É, ela tinha razão.
- E se ele não ficar?
- Então você vê o que você faz: ou conversa com ele e esclarece de uma vez como vocês serão: exclusivos, podem ficar com outros, mas continuam ficando ou só ficaram de rock e não vão ficar mais. Eu, particularmente, prefiro que você já converse logo com ele e esclareça as coisas ao invés de ficar esperando ele tomar alguma atitude. Vai que ele ta esperando você fazer algo pra fazer algo, entende? – disse.
- Entendo.
- Na verdade... Acho que tem uma pergunta que você tem que fazer a si mesma – disse me deixando confusa – VOCÊ tá preparada se ele ficar com outra menina?
Silêncio.
Não tinha pensado nessa parte. Na verdade, nem queria pensar!
- É... Não sei. Sei lá! Não tinha pensado nisso.
- Enfim, eu acho que ta muito cedo pra você conversar com ele sobre alguma coisa – disse – por isso, deixa tocar. Se surgir um gatinho que você quer ficar, enrole, dê umas olhadas pra ele e vê como ele reage. É melhor.
- Vocês são as melhores amigas do mundo, sabiam? Obrigada! – disse e corri para abraçá-las em grupo – agora vamos descer e encontrar nossos preferidos!
Já passava de uma hora da tarde quando saímos de casa. Fomos todos na Pajero, eu dirigindo, do meu lado e o resto atrás espremido. e estavam no colo de e , enquanto e se mexiam desconfortáveis.
- Anda logo , senta no meu colo que é melhor. Assim folgamos pra todo mundo.
Pra quê foi dizer isso? Todos começamos a zoar, chamá-los de gays e brincar que estavam namorando, gritávamos e fazíamos a maior baderna. abraçava e fazia bico, como se fosse beijá-lo, e ele o afastava. Esse não entra na brincadeira, né?
- Então meninos, vou levá-los pra almoçar em um lugar beeeeeem legal! – disse enquanto fazia a curva e pegava a praia de Meaípe, perto do restaurante – sei que vocês comeram moqueca ontem, mas a daqui é especial! Eu amo esse restaurante! É delicioso, já vieram várias personalidades brasileiras famosas aqui. Não tem só isso, claro, mas é a especialidade da casa.
- Hmmmm, eba! Já sei onde é! – disse – é maravilhoso mesmo! O único lugar que despenca a moqueca da Márcia!
- Eba! Peixe, eu adoro peixe ! – disse feliz.
- Então ta explicado porque ela escolheu esse lugar – disse com malícia na voz, fazendo os outros soltarem um “hmmmm” sonoro, me fazendo ficar sem graça.
- Nem é, seus bobões! É só que vir conhecer Guarapari e não almoçar no Curuca é um pecado capital! A moqueca de banana deles é maravilhosa, a de lagosta também! Fora que tem umas mesas que ficam na areia, então é bem praiano mesmo. Eu já liguei, lá de casa, reservando uma mesa mais tranquila pra gente. Vai que aparece algumas fãs, ou muitas, não sei. Só por precaução.
- Ih, olha lá o lado ciumento da aparecendo! Cuidado hein, ? – Danny disse fazendo todo mundo rir, brincando com a minha cara. Mas aquilo estava me irritando.
- Já disse, não é isso. É só pra vocês almoçarem em paz. Se aparecer uma fã, vocês podem atender, normal, não ligo. Eu também sou fã, gostaria de ser atendida.
- Tá... Primeiro traz a gente pra comer peixe, que é a comida favorita de . Segundo, pede uma mesa afastada pra ninguém atrapalhar. Quer que nós deixemos você sozinha com ele? Vai que a gente atrapalha o clima e...
Não aguentei. Aquilo tinha me irritando demais! Freei o carro fazendo os pneus cantarem, estacionando-o em uma vaga já perto do restaurante, fazendo com o que quer que fosse dizer, morresse ali mesmo.
- Dá pra parar? Eu não fiz isso pra afastar ninguém, muito menos por causa do ! Eu não tenho nada com ele, NADA! Nós ficamos, foi legal, mas vocês tão me irritando com isso! Eu só quis agradar vocês. Como se vocês também não estivessem ficando entre si, né? RÁ, fala sério. Por que tem que todo mundo pegar no meu pé? – puxei o freio de mão com força e desci do carro batendo a porta com mais força ainda. Coloquei meu óculos escuros e ajeitei minha bolsa no ombro. Percebi que ninguém desceu do carro, todos estavam lá dentro me olhando como se eu fosse um monstro. Abri a porta de novo - O QUÊ? Vocês vão ficar aí dentro agora? Ninguém mais vai almoçar? – perguntei irritada. Dois segundos depois todos eles desceram rapidamente ainda com os olhos arregalados pelo esporro/gritaria/nervosismo meu, que estava um pouco mais afastada deles. Respirei fundo mentalizando tudo que eu tinha falado... Que merda! Pra que brigar assim por uma coisa boba? Agora eles vão se tocar que eu me importo!
- , olha só, eu não quis... Só estávamos brincando com você. Não precisa ficar nervosa. – disse vindo em minha direção deixando o resto para trás – me desculpa se eu brinquei de uma forma que você não gostou, eu não sabia...
- Não, não . Eu – suspirei – eu to meio nervosa hoje. Desculpa. Relaxa, eu to bem! – disse pra ele sorrindo – desculpa, mesmo, eu só... Não devia ter descontado em você.
- Algo que eu possa ajudar?
- Eu só não gosto quando surgem essas brincadeiras relacionadas com o , sabe? Depois ele acha que eu to pegando no pé dele, que eu to prendendo ele nas férias... E eu não quero isso poxa! Sabe, ele é solteiro, desimpedido, nós só ficamos de rock. Não é nada sério. Ele pode ficar com quem ele quiser, eu não ligo. Não é como se tivéssemos algum compromisso ou algo assim...
- Ahhnnn... Ei, . Vamos entrar? – disse olhando pra alguém atrás de mim que, pela fala, era ele. Olhei pra trás e o vi me encarando como se eu tivesse falado um absurdo.
- É, vamos, estou com fome. Vamos entrar. – ele disse olhando pro amigo e me ignorando.
- O... O que foi? Falei algo de errado?
- Não sei, mas eu acho, , que o e você estão sentindo coisas diferentes no momento. Vamos entrar então! – ele disse me abraçando de lado. Fomos seguidos pelos outros enquanto esperava na porta do restaurante. Entramos e seguimos para a nossa mesa. Fizemos os pedidos das comidas e das bebidas e ficamos jogando conversa fora. O pedido demorou um pouco pra chegar, visto que o restaurante estava cheio, mas quando chegou, faltou voarmos em cima das panelas de barro. Comemos tudo. As iscas de peixe, as moquecas de lagosta, os camarões extras e a famosa moqueca de banana. Estava tudo delicioso!
- Ai meu Deus... Não consigo respirar! Preciso abrir minha bermuda! – disse , que estava sentado na minha frente olhando pra baixo e levantando um pouco sua blusa e desabotoando a bermuda. Ui!
- O lugar é maravilhoso, né? – perguntei enquanto bebia minha coca-cola. Estava dirigindo.
- É sim , obrigado por ter trazido a gente! – disse , que estava sentado do meu lado, dando um beijo na minha testa e outro no da , que estava do outro lado dele – vocês são demais!
- Ei! Eu e vamos escolher o lugar da sobremesa, vocês tem que nos agradecer também! – disse já se levantando – vamos! Acho que vão gostar!
Todos entramos no carro no mesmo momento em que questionava se iríamos caber depois de toda aquela comilança. Coubemos de uma forma mais apertada. e assumiram a frente enquanto eu e fomos atrás, ela no colo de e eu no de , apesar dele não ter dirigido a palavra pra mim até a orla da praia, onde paramos pra tomar:
- Milk shakes! – gritou do banco da frente – lembra daqui, ? 100 sabores de milk shake! Isso é o paraíso do sorvete + leite! Sério, vocês vão amar. A gente vinha sempre aqui paquerar os meninos da praia!
- 100 sabores? Verdade? – perguntou.
- É... Cada um mais delicioso que o outro! – respondi olhando pra ele que logo desviou o olhar e passou a mão nos cabelos, respondendo com um “hmmm” baixo. Pensando bem, não foi pra mim a palavra, né?
Descemos do carro e todos foram andando. Estranhei a postura de comigo e o parei puxando sua mão:
- , qual o seu problema? Você passou o almoço inteiro sem falar comigo, agora sequer falou direito, no carro você nem disse nada também. Fiz alguma coisa?
- Não , você não fez nada. Relaxa. – ele disse com uma voz cansada.
- Foi por causa do que eu falei no carro? Você sabe que não fiz com a intenção de deixar você puto comigo. Só não quero ninguém pegando no nosso pé por a gente ter ficado né? A gente não tem nada sério... Você sabe... Tudo o que eu falei foi verdade e...
- Eu entendi ! Já entendi! Vamos tomar sorvete logo e ir pra casa.
E saiu.
Ele saiu e me deixou sozinha! SOZINHA!
Fiquei besta com isso. O que eu tinha feito?
, e olhavam pra mim dos degraus da sorveteria. Dei de ombros demonstrando que não entendi a reação dele. E fui andando até eles:
- Dá pra entender? Eu não fiz nada!
- Deixa pra lá ... Vamos tomar nossos milk shakes, depois você conversa com aquele mané.
Entramos e fizemos nossos pedidos. Tive que tomar um de cappuccino, meu preferido! Continuamos conversando e contando mais casos das nossas vidas. até então estava normal, menos afastado. Ria, perguntava algumas coisas pra mim... Dá pra sacar a dele? Não! Não dá!
Assumi o volante para casa. No carro fomos conversando sobre o que fazer à noite. A idéia dos filmes ainda estava de pé. Eram apenas 16h ainda e a cidade estava vazia. Chegamos lá, escolhemos alguns filmes novos (os meninos queriam assistir Star Wars e eu não sei porque eu não escondi a coleção do papai, que era viciado!), mas as meninas bateram pé e resolvemos assistir um de ação. Colocamos Rede de Mentiras no aparelho e começamos a assistir. e dividiam o sofá maior com e . Eu estava no chão com e , estava no sofá menor. E aquilo estava me corroendo, não conseguia nem prestar atenção no filme, que tinha o lindo Leonardo DiCaprio nele. Só conseguia pensar em como tinha sido grosso comigo e tudo mais.
- Alguém quer pipoca? – ele perguntou. Todos responderam que sim e ele levantou e foi em direção à cozinha. , que estava com a cabeça no colo de , me cutucou sussurrando um “essa é sua chance, vai lá ver o que aconteceu e me conta tudo!”. Sem pensar duas vezes, me levantei e fui até a cozinha encontrando em frente ao microondas colocando a pipoca lá. Quando ele virou, deu de cara comigo o encarando.
- Veio me ajudar? Coloca os copos com o gelo e os refris pra gente levar pra lá. Vou abrir outro saco enquanto esse termina de estourar.
- Tá, te ajudo sim, mas antes me responde uma coisinha: o que aconteceu? O que eu te fiz pra você me tratar daquele jeito? Poxa , você não precisava ter falado daquele jeito.
- Você queria o quê? Depois daquela gritaria dentro do carro, depois a conversa com o na porta do restaurante.
- É por causa daquilo? Mas como você pode ficar chateado com aquilo? Eu só disse a verdade! Nós não temos nada! Não somos namorados nem nada... Nós ficamos ontem! Nos conhecemos há dois dias!
- Eu sei, mas o jeito que você falou me irritou. Parece que ficar comigo não foi o que você queria, que você não gostou, que não quer mais. Eu entendi, se você não quer ok. Mas não precisava ter falado como se fosse a pior coisa do mundo! – ele disse dando as costas pra mim e trocando o saco de pipoca do microondas.
- Não foi isso ! Não foi isso que eu quis dizer! É claro que eu gostei de ficar com você! O negócio que eu quis dizer é que você não tem nada sério comigo! Eu não quero te segurar, não quero te prender nessas férias... Você pode ficar com quem você quiser. Não vou ficar te controlando... Não quero isso.
- Eu entendi ... Tudo bem, eu entendi. Já esqueci isso... Relaxa, eu também não posso te convencer a fazer nada que você não queira – ele chegou perto de mim e me abraçou. Retribui em confusão – não encana com isso. Estamos nos divertindo, vamos aproveitar as férias, como você disse, ninguém deve nada a ninguém. Eu só fiquei meio chateado pelo jeito que você colocou as coisas... Mas passou. Nem precisávamos ter essa conversa aqui – a pipoca apitou quando ficou pronta, fazendo ele se afastar de mim e colocar o último saco – vai, coloca logo os gelos nos copos e pega o refri, vamos pra sala – ele disse passando por mim e dando um beijo no meu rosto – e esquece isso. Somos amigos, não precisamos brigar por isso. Vem, Leonardo DiCaprio está te esperando na sala – e foi embora.
Bufei e fui pegar os oito copos, colocando gelo neles e os colocando numa bandeja. Enquanto pegava o refri pensei em tudo que disse. É, eu realmente parecia uma surtada, louca da peruca gritando aquilo. Gente, achava que eu não tinha gostado de ficar com ele... Fala sério, é claro que eu tinha gostado e queria mais e...
Oh. Meu. DEUS!
Eu queria mais... Mas ele NÃO ENTENDEU ISSO!
Claro , quem entenderia? Você falou que não tinha nada com o menino, que não ia segurar ele... Você simplesmente deu carta branca pra ele e sumiu do radar! Ou seja: ele acha que você não quer mais ficar com ele, depois de tudo que você falou e de como você falou. E não é bem isso...
Bem que a falou pra eu conversar com ele sobre isso e resolver antes de tudo... Agora tudo deu errado. Se eu não tivesse dado esse showzinho todo, poderia até ter feito o que a disse! Agora eu tenho que correr atrás do prejuízo porque bem... Eu quero ficar com ele. Muito!
MAS QUE BURRA EU SOU!
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POV on
Tudo o que tinha dito dentro do carro e pra na porta do restaurante ainda martelava na minha cabeça. Ela não parecia não querer ficar mais comigo hoje pela manhã, quando fui acordá-la. Fiquei tão feliz em ver aquela blusa ao lado dela na cama, ainda mais sabendo que estava ali para ela sentir meu cheiro. Como uma menina faz isso e depois não quer mais nada? Que garota doida!
Os sinais que ela me dava eram todos confusos. Eu fiquei puto, claro! Aquelas palavras ferem o ego de qualquer macho!
Mas eu tinha uma idéia. E eu ia colocar em prática agora!
O filme já tinha terminado e nós estávamos na sala de TV ainda conversando.
e soltavam arrotos gigantescos. Na verdade, todos nós estávamos meio que brincando de uma disputa de arroto. Delícia, não?
- Ah gente, cansei de ficar em casa! Não tem nada mesmo que possamos fazer hoje por aqui? Vamos à uma boate! – disse, tentando fazer meu plano funcionar.
- Eba! Boate! Vamos, vamos? Diz que sim meninaaasss! – me deu apoio. Isso que é amigo!
- Eu nem sei se tem algo hoje aqui acontecendo – disse enquanto fazia um coque alto em seu cabelo, deixando sua nuca exposta. Oh God!
- Claro que tem, amiga! Com certeza! A galera tá de férias! – disse também animada – Topo de irmos à Daikiri hoje! Com certeza tem algo acontecendo lá!
Depois de muita conversa subimos cada um pro seu quarto, as meninas no de para se arrumarem. Nem quero ver como aquela garota vai estar linda quando sair daquele quarto!
Uns 15 minutos depois, , e entraram no meu quarto.
- E aí cara, tá pronto? – perguntou.
- To só arrumando meu cabelo, entra aí.
- Viadinho, não sei pra que precisa arrumar tanto isso! – disse, sentando na cama ao lado de .
Saí do banheiro juntando minha carteira e coloquei meu celular para carregar. Nem sei porque, mas vai que Fletch tenta falar com a gente ou minha mãe liga. Importante isso.
- , que mal lhe pergunte, o que foi aquele estresse lá na porta da sorveteria hoje? – perguntou. Eu sabia que esse assunto ia surgir.
Contei tudo pra eles. Sobre como eu tinha entendido o que a disse dentro do carro, como foi quando eu a acordei hoje pela manhã e o que ela tinha dito pra que eu tinha escutado.
- Eu acho ela meio doidinha e esquentada, mas eu gosto dela. Ela é divertida! – disse – Não acho que ela tenha dito no lado de não querer mais ficar com você. De repente ela não quer colocar esperanças demais na situação.
- Bem que eu tinha reparado na hora da entrada no restaurante que você tinha ficado meio chateado. Mas cara, não acho que ela tenha falado aquilo pra não ficar mais com você. Como eu disse à ela, vocês tão sentindo coisas diferentes no momento, eu acho pelo menos. – disse.
- Como assim? – respondi puxando uma cadeira e sentando de frente pra eles, que estavam sentados na cama.
- Acho que ela não quer que você ache que ela tá te colocando pressão pra você ficar com ela as férias inteiras. Que só porque você ficou com ela ontem, você tem que ficar até o final. Não é que ela não queira dude, acho que ela tá deixando o caminho livre pra você chegar nela e falar o que você quer, ou demonstrar.
- Mas eu fui acordar ela, fui todo carinhoso... Se eu não quisesse, eu não ia fazer isso, vocês sabem – percebi que era o único que não tinha falado nada. Lembrei de hoje quando ele e saíram pro bangalô – , o que vocês conversaram hoje? Por que não falou nada até agora? – ele suspirou e olhou pra mim.
- Sabe o que eu acho, ela tá doida pra ficar com você. Acho que se depender dela, ela fica o resto das férias. Só que é complicado pra ela, . Você sabe o que aconteceu entre ela e o ex-namorado, ela tem medo de se machucar. Como eu te disse, foi apaixonada por você na adolescência, por que ela negaria essa pegação logo agora? Eu sei que as pessoas mudam, mas sei lá. Ela quer deixar o caminho livre pra você decidir o que fazer. Só que cuidado cara, já pensou se essa menina se apaixona por você? Nós vamos embora no daqui umas semanas, não é algo que vai durar, mas que vai machucá-la se isso acontecer! Já pensou se você se apaixona por ela também? Vai devagar! Deixa bem claro pra ela que é rock e tal... Não a magoe.
- Não é isso que eu quero fazer, jamais magoaria ela! – não intencionalmente, pensei – E eu não vou me apaixonar por ela, como você disse... Vamos embora daqui umas semanas! – mas e se acontecer o que eu faço? – Será dude? Será mesmo que ela ainda quer ficar comigo? Não sei... Ela é meio confusa... Por isso, hoje eu vou descobrir, lá na boate, realmente o que ela quer! – disse, me levantando e indo em direção à porta. Os meninos levantaram e vieram andando atrás de mim.
- E como você vai descobrir isso, ? – perguntou.
- Simples – sorri pra eles – Vou ficar com outra garota na frente dela.
Capítulo 9
POV on:
Estávamos todas nos arrumando para ir à Daikiri. Eu precisava fazer algo lá pra ficar com o de novo. Ou pra pelo menos termos uma conversa decente!
já estava com seu vestido rendado, com um vestido lindo e com um vestido azul claro. Todas já estavam vestidas, assim como eu. Colocamos Dynamite para tocar enquanto nos maquiávamos. soltou uma risada alta fazendo todas nós olharmos pra ela.
- Que foi, sua doida?
- Os meninos já fizeram cover dessa música – e começou a dançar e cantar. Nós rimos também e nos juntamos a ela dançando um pouco. fez como se tocasse guitarra, lembrando o cover e nós rimos mais uma vez.
- Então , o que vai fazer hoje? Vai finalmente conversar com ? – perguntou enquanto ia para o espelho continuar a passar o lápis no olho. Bem, eu tinha contado tudo pra elas, tudo o que eu pensava e o que tinha acontecido. Contei inclusive o que eu queria fazer: ficar com ele aquela noite e o resto do verão.
- Bem, eu pretendo né ? Resta saber se ele vai me ouvir... Ou dar bola pra mim, porque eu tenho certeza que ele pensa que eu não quero mais ficar com ele. Ele interpretou tudo errado, aquele... Músico de quinta!
- Algo me diz que essa noite promete! – falou enquanto passava seu gloss.
- Sem despirocar hoje hein. meninas? Temos que provar que somos damas! Nada de dar PT! – advertiu, fazendo rir.
- RÁ! Fala sério ! Até parece que esses doidos não enchem a cara!
Nós rimos do quão mãezona era. Deus do céu!
Já prontas descemos e não encontramos os meninos lá embaixo. Resolvi subir e procurá-los. Fui ao quarto de e ninguém estava lá. Ouvi uma conversa no quarto de e fui em direção a porta dele. Ia bater quando ouvi meu nome. Bem, eu era curiosa, claro que eu ia escutar o que eles estavam falando!
Percebi que eles estavam falando de mim e de , e de toda a confusão daquela tarde. Sorri quando percebi a preocupação de relacionado a mim. Até que ouvi a voz dele, aquela voz que fazia minhas pernas tremerem sem eu perceber... Até aquele momento:
- Será dude? Será mesmo que ela ainda quer ficar comigo? Não sei... Ela é meio confusa... Por isso, hoje eu vou descobrir, lá na boate, realmente o que ela quer!
- E como você vai descobrir isso, ?
- Simples – sorri pra eles – Vou ficar com outra garota na frente dela.
Aquilo que falou me fez arregalar os olhos chocada com a revelação. Ele pretendia ficar com outra APENAS pra saber se eu ia sentir ciúmes? Era isso o que ele quis dizer? Era isso mesmo que eu entendi?
O quão IMATURO aquilo podia ser?
Ouvi de novo um burburinho lá dentro me fazendo esquecer meus pensamentos e prestar atenção de novo no que falava:
- Tem certeza ? Tem certeza que é isso que você quer? Que você vai fazer? Porque cara, e se não der certo? não é qualquer pessoa, você sabe disso.
- , é o único jeito... O que eu posso fazer? Eu quero saber o que ela quer comigo!
- E por que você simplesmente não pergunta?
É , por que você simplesmente NÃO ME FAZ A PORRA DA PERGUNTA?
De repente eu senti uma raiva se instalar dentro de mim. Por que ele não me perguntava? Por que ele não ia pelo caminho mais fácil? Ele queria me irritar, era isso?
Bem, sem ele precisar fazer, ele já tinha me irritado. Então querido , suspenda seu plano! Não precisa fazer isso... Me fazer passar um papelão desse e...
E?
Bem, eu não ia passar papelão nenhum... Nenhum que ele não possa passar também!
Era isso! Se ele queria agir com imaturidade, eu ia revidar na mesma moeda!
Um sorriso sapeca surgiu no meu rosto. Hora de interromper a conversa.
Ergui a mão para bater na porta e, no mesmo momento, abriu a porta olhando pra mim com curiosidade. Sorri pra ele.
- Ei. Vim chamar vocês. Por incrível que pareça, nós já estávamos impacientes esperando vocês lá embaixo. Acho que trocamos os papéis hoje.
- Uow! Você tá linda ! – disse me abraçando, dando um beijo no meu rosto e sussurrando no meu ouvido – alguém vulgo hóspede desse quarto vai se morder hoje. Não quero nem ver como a está – sorri com aquilo.
- Não queira, minha amiga tá uma gata. Se eu fosse lésbica eu pegava! – disse me separando dele.
- Nossa Senhora! Abriram as portas do céu! – disse me olhando de cima a baixo. Ri com aquilo.
- Vamos arrasar hoje hein, ? Dançar até o chão!
Olhei pra trás dele e vi e . passou por mim e me deu um beijo no rosto falando que se ele não estivesse com a ele ia jogar todo o charme dele em mim. Sorri, mas não respondi. Concentrei-me apenas naquela pessoa linda, dono daquele quarto me encarando. Seu perfume me dominou por um momento, esquecendo tudo o que eu ouvi atrás daquela porta e tudo o que eu tinha planejado naquele minuto. Mas assim como todos aqueles pensamentos foram embora, eles voltaram: rápido. Dei um sorriso de lado pra ele e me virei em direção aos meninos e à escada.
- Vamos. Temos uma noite muito loooonga pela frente! E divertida demaaais da conta!
Desci com ao meu lado e os meninos atrás. Encontramos com as meninas e, após vários elogios e beijos trocados por e , fomos andando até o portão de casa. Pedi a Lúcio para chamar um táxi daquele grande, que coubéssemos todos nós juntos.
- Isso tudo é pra matar o do coração? Porque se for, acho que ele vai infartar – me disse, andando entre mim e . Os outros vinham atrás conversando.
- Não... Nada disso é pra ele. Isso tudo é pra mim, pretendo me divertir muuuuuuito essa noite – olhei pra ele e pra minha amiga do outro lado que me olhou confusa e pisquei – apenas uma resolução de último momento, após ouvir uma certa idéia atrás de uma porta com quatro meninos dentro.
arregalou os olhos.
- Você ouviu nossa conversa?
- Que conversa? – perguntou.
- Apenas o final... Se é imaturidade que ele quer, imaturidade ele vai ter !
- O que você pretende fazer? – Ele disse cruzando os braços e sorrindo de lado.
- Espere e verá. Não vou deixar essa... Idiotice passar. Pode saber.
- Que idiotice? Me conta, cacete! – perguntou e eu contei o que eu ouvi. concordou com essa parte, apenas me atualizando rapidamente do que tinham falado antes. Após agradecer por ter me defendido, afirmei novamente que não ia deixar passar aquilo em branco. Ia fazer ele comer na minha mão. No final da noite, ele ia achar que tinha ganhado na loteria do inferno, e que ia receber o prêmio das mãos do próprio capeta.
gargalhou muito alto, chamando atenção de quem estava atrás.
- O que vocês tão rindo aí hein? Quero saber! – perguntou.
- Oh... Nada amiga – respondeu – apenas estamos ouvindo os planos da dona pra essa noite.
- Opa! Quero participar! – disse, parando ao meu lado como uma criança feliz sendo convidada pra uma festa cheia de doces.
Oh , você seria o prato principal!
POV on:
Ver naquele vestido estava fazendo com que minhas calças ficassem apertadas.
E ela estava com um olhar... Aquele olhar de criança que ia aprontar muito essa noite... E como eu queria fazer parte daqueles planos.
E lá estava eu, caindo na sedução dela de novo! E esquecendo meus planos! Como pode uma pessoa assim ter tanto poder sobre mim?
Entramos no táxi e chegamos à boate. Linda e gigantesca! Entramos rápido, pelo jeito, tinha seus contatos. Subimos e fomos em direção a uma mesa grande que continha uma placa escrito o nome dela.
- Essa boate é demais! E está lotada! – disse com os olhos brilhando em direção à pista – Vamos dançar ? – olhou pra amiga como se tivesse segundas intenções.
- Não precisa nem pedir de novo! – deu um selinho em que sorriu assustado e deu a mão para a amiga, indo em direção à escada que dava na pista. Olhamos pra mesa e lá se encontravam um recipiente com gelo e uma garrafa de whisky dentro, outra com uma absolut de açaí (que as meninas falaram na sorveteria ser algo típico aqui do Brasil) e energéticos junto. A noite prometia.
- É, não vai ser fácil hoje não – resmunguei enquanto colocava whisky em meu copo.
- Não vai mesmo, você viu como a está linda? – perguntou enquanto colocava a bebida no copo dele também.
- ? Eu não consegui olhar pra nenhuma das meninas ainda – disse enquanto balançava a cabeça fazendo um não. Eu não tinha jeito.
- É... A está realmente espetacular. – disse enquanto tomava um pouco do líquido – acho que isso faz com que você desista de uma vez daquela besteira e vá atrás dela, não?
- Não sei... Vamos ver.
Olhei pra pista. O whisky desceu difícil e amargando minha garganta quando encontrei dançando com . As duas estavam uma virada pra outra rebolando. estava com uma mão na cintura e a outra na nuca e de olhos fechados. Minha perdição ia até o chão como se não existisse mais ninguém em volta. riu de algo fazendo ela abrir os olhos e olhar pra amiga. logo chegou perto delas dizendo algo, fazendo concordar com a cabeça e sorrir. Deu alguns pulinhos e alguns passos abrindo um pouco mais de espaço pra outra amiga que chegava ali, já dançando a música que tinha começado a tocar. , que tinha acabado de chegar, entregou um copo à que logo virou e sorriu. As outras três fizeram um barulho alto, tipo uns gritinhos, chamando atenção de algumas pessoas que estavam em volta. Alguns HOMENS em volta. Fiquei tenso com essa idéia.
- Por que as inglesas não tem esse rebolado? – perguntou se juntando a mim e a , que olhávamos para a pista encantados com elas.
- Simples: só o Brasil tem isso! – disse apontando com a cabeça pras meninas dançando na pista – e isso aqui! – falou agora apontando pra bebida na sua mão: caipirinha – meu Deus, eu to NO PARAÍSO!
Nós rimos e concordamos, brindando àquele momento.
Ficamos conversando sobre algumas coisas aleatórias. Após fazermos mais algumas observações, as meninas voltaram pra perto da gente. logo abraçou beijando seu pescoço e falando algo fazendo a menina rir. puxou , que a abraçou pela cintura, pra perto de um garçom e pediu duas tequilas, puxou pra mesa, abastecendo os copos e pegando na sua mão, o levando pra pista. não era muito bom nisso de dançar. E então... Bem, nada. Ela não chegou perto de mim. Olhei para os lados a procurando e a encontrei no balcão do bar, com uma Heineken na mão e conversando animadamente com o barman. Os dois sorriam como se não existisse ninguém perto. Senti minha cabeça esquentar e meus punhos cerrarem. O barman logo a entregou um copinho de tequila com um líquido transparente e uma... Jujuba verde dentro? O que era aquilo?
Senti ela olhar pra trás em minha direção. Ela sorriu de lado, bateu três vezes no banquinho perto dela e cruzou as pernas.
Minhas calças se apertaram mais uma vez. Que pernas!
Fui em sua direção com meu copo de whisky na mão e sentei ao seu lado:
- O que é isso que você está bebendo? – perguntei.
- Adivinha? Absolut de pêra! – ela levantou o copinho como se brindasse e virou o líquido, deixando apenas a jujuba. Logo pegou a balinha dentro do copinho com aquelas unhas longas vermelhas e colocou na boca, olhando pra mim – Hmmm, a jujuba é doce, dá um gosto maravilhoso na boca. Quer ver? – disse se aproximando do meu rosto e olhando diretamente para a minha boca.
- Claro – falei baixo me aproximando um pouco também, olhando sua boca carnuda e rosada. Logo, ela não estava mais tão perto, me fazendo sair daquele transe.
- Então... Fernandinho! Faz o favor e faz uma dose dessa pro meu amigo aqui? – ela disse chamando o garçom que sorriu com o que ela tinha feito – vou descer pra pista de novo... Aquele lugar está fervendo! – falou dando um beijo no meu rosto – quem sabe eu te encontro lá, não é ? – sussurou no meu ouvido e saiu andando. Segui seu rebolado com o olhar enquanto ela ia em direção aos nossos amigos, parando pra falar algo com e , que riam de algo.
- não é fácil não! – voltei a olhar pro balcão avistando minha dose de absolut e jujuba quando ouvi aquela frase vinda do barman – ela sempre pede essa dose, sabe? Quando ela vem, sempre me liga pedindo pra trazer as jujubas. Só ela mesmo!
- Você a conhece?
- Claro! Ela vem sempre com as meninas aqui. É um mulherão e tanto!
Virei a dose e logo depois coloquei a jujuba na boca... Realmente aquilo era bom. e sua tara por absolut de pêra.
Agradeci ao barman, levantei-me e fui em direção ao pessoal. Ela já não estava ali.
- , , cadê ?
- Desceu . Ela não consegue parar quieta um minuto! – falou enquanto bebia vodka com energético. Fui em direção à beirada do camarote e olhei pra baixo, encontrando .
Dançando com outro cara.
- É cara, acho que o feitiço virou contra o feiticeiro – falou, batendo no meu ombro e também olhando pra baixo.
POV on:
Se era me fazer "ciúmes" o que ele queria, era o que ele ia ter em troca.
Não dei tempo nem de chegar, nem de beber e colocar o planinho idiota dele em prática. Coloquei o meu antes!
Eu dançava animadamente ao som de Club Can’t Handle Me enquanto um cara, muito gato por sinal, chegou em mim me cumprimentando e me puxando pra dançar. Eu não hesitei. Ele era gato e bem, eu ia usá-lo para fazer ciúmes em , que eu sabia que me encarava lá de cima. O nome dele era Justin e era alto, forte e loiro dos olhos verdes. Ui, que delícia!
Nós começamos a dançar e eu rebolava olhando pra ele. Depois de um tempo, em outra música, ele me pegou pela cintura e eu fiquei de costas pra ele, dançando colada com minhas costas em seu peito. Olhei pra cima e percebi que e não estavam lá, e se beijavam e e estavam olhando pra mim. olhou para outra direção como se fizesse para eu olhar também. Eu sabia o que era. não estava lá em cima também... Com certeza era ele. Virei de frente para Justin o abraçando pelo pescoço e olhei para o lado onde minha amiga tinha olhado. estava lá. O puto estava com uma loira de cabelos platinados, um vestido menor que seu tronco quase e sapatos de travesti. Aquilo me irritou profundamente. Ela estava de costas pra ele, como eu estava antes com o Justin, e ele estava beijando seu pescoço. Eu diminuí meu ritmo com o choque da cena. Aqueles beijos deveriam ser em mim, pensei.
- Tudo bem, ? – ouvi Justin perguntar.
- Claro querido, apenas perdi o passo – olhei pra ele e sorri, voltando a dançar mais colado e rebolando mais. Olhei para o lado e vi que me encarava. O encarei de volta. Sorri maliciosa pra ele e encostei minha cabeça ao lado do rosto de Justin e mordi a almofadinha da orelha dele. Vi apertar a cintura da menina e senti Justin apertar a minha, tentando me trazer mais pra perto, como se fosse possível. A piranha, pelo aperto dele, jogou a bunda pra trás, fazendo ele roçar mais ainda nela. Biscate!
sorriu com aquilo e beijou mais o pescoço da menina, mantendo o olhar sobre mim, passando a língua pelo local e envolvendo a cintura da menina com seus braços. Meus olhos cerraram o encarando. Se eu fosse o ciclope, ele já estaria destruído e queimando no mármore do inferno. Desgraçado!
Era guerra? Beleza então.
Olhei para Justin e encostei nossas testas. Mordi meu lábio e encostei também nossos narizes. Com minha mão direita, joguei meus cabelos para o lado direito também, tampando a visão de . Logo após, fiz um carinho no pescoço de Justin e envolvi seus cabelos com minha mão, puxando um pouco como se estivesse com tesão pela situação, fazendo o menino soltar um gemido de aprovação. O problema é que aquela situação não me dava tesão nenhum, não com aquele menino.
- Com licença – sorri com aquela voz perto da gente. Consegui hahahaha! – , o pessoal tá chamando lá em cima. Precisamos de você lá – olhei pra ele com inocência, como se não estivesse fazendo nada e ele me olhou com fúria, como um pai advertindo a filha – agora.
- Mas... Tem que ser agora, ? Não pode ser tipo... Daqui uns... Cinco minutinhos? – pisquei várias vezes em direção a ele fazendo um bico. Ele mordeu o lábio e me puxou em direção às escadas. Olhei pra trás pra um Justin confuso e gritei um "Desculpe-me! É meu amigo, ele é doido! Volto daqui a pouco!" em português. não ia entender mesmo.
Ele segurava minha mão com força enquanto me puxava em direção à escada. Subimos rapidamente, mas não fomos em direção ao pessoal.
- , pra onde você tá me levando?
Ele não respondeu, apenas olhou pra mim e parou no caminho.
- O que você pensa que estava fazendo quase sendo comida ali? – disse com raiva na voz.
- Eu? Quase sendo comida ali? E você com aquela piranha loira? Volta pra lá e vai distribuir beijo no pescoço da mãe dela, vai! – disse tentando me soltar da mão dele.
- Ah não... Você acha que vai ficar assim? Não vai mesmo! – ele disse voltando a me puxar, agora percebi, para o banheiro. Será que ele ia me prender lá e não ia deixar eu sair mais?
- O que você acha que vai fazer? Vai me trancar no banheiro? Me solta ! Agora! E volta pra sua biscate com meio metro de pano lá embaixo!
Já estávamos dentro do banheiro e o vi trancar a porta.
- Você vai me pagar . Vai sim!
Dizendo isso ele me empurrou em direção à porta recém trancada e me beijou.
Meu corpo era um choque total, mas eu retribuí. Era o que eu queria no final das contas, não era?
- Você vai me pagar por aquela mordida na orelha daquele idiota – ele sussurrou no meu ouvido mordendo minha orelha também – por aquela puxada de cabelo na nuca – sussurrou de novo colocando sua mão na minha nuca e puxando um pouco dos cabelos ali, me fazendo suspirar forte com o toque – por aquela proximidade com aquele imbecil – encostou sua testa na minha, roçando nossos narizes e mordendo meu lábio inferior – e principalmente, por aquelas reboladas que deveriam ser dadas apenas pra mim – dizendo isso ele me beijou novamente, passando sua língua pelos meus lábios, me fazendo gemer e abrir a boca dando passagem a ele. Nos beijávamos com força e tentávamos a todo tempo trazer um ao outro pra mais perto, como se fossemos adolescentes cheios de hormônios dando seu primeiro beijo. passou a mão pelas minhas costas e colocou-as na minha bunda a puxando pra cima, fazendo com que eu envolvesse minhas pernas em sua cintura. Ele me desencostou dali, me abraçando mais forte e puxando um pouco mais meus cabelos com uma mão, enquanto a outra apertava minha bunda com desejo. Eu ia derreter ali, nas mãos dele, e não me importava.
Arranhei suas costas e gemi um pouco com o toque que ele dava em mim. Ele me encostou novamente na parede ao lado da pia e passou as mãos pela minha barriga, me fazendo arrepiar. Logo após uma de suas mãos foram passando pela minha perna e subindo por ali por dentro do meu vestido, me arranhando com prazer. Suspirei com aprovação pela carícia.
Foda-se que estávamos no banheiro.
Puxei sua blusa pólo pra cima e arranhei suas costas um pouco acima da bunda. me apertou e me puxou colando mais seu corpo no meu e me carregou me colocando sentada na pia.
- Você me deixa tão... Doido!
- E você me deixa tão... Doida!
Nós rimos e voltamos a nos beijar. Ele agora passava as mãos pelas minhas pernas, subindo por dentro do vestido, me fazendo arrepiar cada vez que ele chegava mais perto da minha virilha. Meu Deus! Eu estava fervendo!
Não aguentando mais aqueles toques, puxei sua camisa pra cima, o fazendo tirá-la rápido e soltar uma risadinha travessa.
- , estamos no banheiro.
- Como se você ligasse, né?
O puxei mais pra perto e arranhei seu peito. O senti arrepiar e suspirar mais forte, puxando minha cintura mais pra perto, me fazendo apoiar um braço atrás de mim na pia e com o outro, puxar seu pescoço mais pra perto, aprofundando mais o beijo. Mordia sua boca e puxava um pouco seu lábio, logo depois abria e dava espaço para sua língua brincar com a minha. Eu sentia meu coração ir à garganta e voltar. Sentia que ia parar de respirar... Mas não ligava. era muito bom, muito melhor do que qualquer homem que eu já tinha ficado... Inclusive Breno. Aquele pensamento me fez estremecer um pouco, mas logo senti uma de suas mãos chegando à barra da minha calcinha, alisando ali, me fazendo estremecer mais ainda.
Precisava beber algo, precisava respirar. Fui descendo minha boca pelo seu queixo, pescoço, trilhei seu maxilar, fui até a orelha e mordi um pouco ali, fazendo sua mão que estava na minha virilha apertar o local, me fazendo estremecer toda. Desci mais um pouco e fui beijando seu ombro.
- Hmm, realmente valeu a pena te tirar de lá. Você tava me enlouquecendo sabia? Achava que não tinha como ficar mais louco do que eu estava, mas isso aqui é a prova que você, dona , consegue me surpreender. – ele disse e puxou meus cabelos pra trás, colocando sua boca no meu pescoço.
- Eu sabia que aqueles beijos naquela sirigaita eram para ser dados em mim, que é o que você tá fazendo aqui agora. Nada mais certo que isso. – sussurrei enquanto ele distribuía beijos no meu colo.
As coisas estavam esquentando. Eu estava esquentando.
era meu ponto de ebulição! Apertei mais seu abdômen e o senti passar o dedo por cima da minha calçinha. Automaticamente minha mão foi para cima da sua calça e apertou sua ereção, que deixava o jeans um pouco mais alto. Ele gemeu e apertou mais o dedo em mim, me fazendo ofegar. Ofegamos juntos com nossos toques. Estávamos indo longe demais, sabíamos disso. Mas não ligávamos. Céus, não ligávamos mesmo!
Ele me puxou mais, me fazendo depositar o peso do meu corpo mais para trás, encostando minhas partes na dele. Apertei mais minhas pernas em volta da sua cintura o fazendo rebolar, roçando mais em mim, me deixando mais excitada do que eu já estava.
Ele ia fazer aquilo. Ele ia me fazer transar com ele no meio do banheiro.
Ficamos nos esfregando mais. Joguei minha cabeça pra trás e gemi. Uma das mãos dele foi pra um dos meus seios e o apertou. Mordi minha boca e o olhei. Ele me encarava com tanto desejo! Será que ele percebeu que eu estava queimando de desejo também?
Sorri safada em sua direção e levei uma das minhas mãos à região dele, sentando um pouco melhor na pia. Comecei a passar a mão pra cima e pra baixo, como se o masturbasse. fechou os olhos e jogou sua cabeça para trás, apreciando o momento. Enquanto eu passava a mão nele, às vezes apertava um pouco, o fazendo ofegar e se movimentar como se pedisse para eu aumentar a velocidade. Fiz o contrário. Demorei mais. Ele me olhou suplicando e eu fiz bico como se não soubesse o que ele estava pedindo. Ele meio que rugiu e veio me beijar.
- Esse bico seu. Você sabe que consegue o que quer com ele, né?
- Não sei do que você está falando – o olhei e pisquei várias vezes. Enquanto isso, fui abrindo o botão da calça dele. Agora as coisas iam borbulhar.
sentiu o que eu fazia e ia afastando minha calcinha para o lado também...
- HEY! Dá pra abrir o banheiro? Tem gente querendo usá-lo!
Pulamos e arregalamos os olhos um pro outro. Há quanto tempo estávamos lá dentro?
Olhei pra baixo e encarei a ereção de com um biquinho de tristeza.
- Poxa, logo agora? – e olhei pros olhos dele. Ele olhou pra mim do jeito que eu estava, de pernas abertas, a mão dele na minha virilha.
- Sempre tem alguém pra acordar a gente dos nossos sonhos – ele disse, tirando a mão da onde estava, passando pelas minhas pernas e apertando-as – bom demais pra ser verdade.
- Quem sabe a gente não termina isso em casa, hum? – disse mordendo seu lábio e começando a beijá-lo.
- HEY! ABRE AQUI!
Urrei e me separei de , arrumando meu vestido e jogando a blusa, que estava do meu lado na pia, para ele vestir.
- Não vai cheirar essa também não? – ele perguntou, me fazendo dar um tapa no seu ombro – Ai! To brincando ! – nós rimos e demos um selinho. Arrumei meu cabelo, respirei fundo e abri a porta.
A loira biscate estava ali, parada nos encarando. Empata foda.
- RÁ! Era só o que me faltava! – disse cruzando os braços.
- O que vocês tão fazendo aqui? – ele perguntou como se não estivesse entendendo o que se passava ali - , o que você tá fazendo aqui com ela? Eu tava te esperando lá embaixo, mas aí me deu vontade de ir ao banheiro e...
- Poupe-me da sua explicação gracinha e entra logo pra usar o banheiro – dei espaço pra ela passar e entrar ainda nos encarando. Meu Deus, só uma loira com o cérebro tão minúsculo como o vestido dela pra perguntar O QUE eu tava fazendo com o dentro do banheiro, apenas NÓS DOIS, trancados! Peguei a mão dele e o puxei para fora – Ah! Não precisa esperar mais ele lá embaixo como você disse, nem em qualquer outro lugar. Obrigada por servir como distração enquanto a gente não se acertava – saí o puxando pra fora, não antes de voltar e falar – E se eu fosse você, usava aquela outra pia, e não essa aqui da ponta – apontei pro local, a fazendo olhar pra lá e nos olhar com interrogação – Muita informação pra você – disse baixo, como se contasse um segredo – Beijinhos!
Sai bufando e ainda puxando atrás de mim. Senti ele gargalhar e logo após me abraçar pela cintura.
Não sabia que você era tão possessiva assim – sussurrou em meu ouvido – isso me deixa com mais tesão ainda – e beijou minha orelha, me fazendo suspirar.
- É, tive que dispensar seu planinho pra cima de mim, já que você não o fez.
- Como assim meu planinho?
Parei e olhei pra ele.
- Eu sei tá, ? Eu sei o que você pretendia fazer hoje. Eu ouvi atrás da porta quando fui chamá-los hoje lá em cima – disse, fazendo-o arregalar os olhos – eu não ouvi porque eu quis, eu cheguei pra chamar vocês e ouvi meu nome, então fiquei e escutei.
- Oh! Então...
- Me desculpa tá? Mas eu não fiz por querer. Bem, você não precisava planejar aquilo tudo apenas pra saber se eu quero ficar com você ou não. Era só você ter falado comigo!
- Mas você ficou tão estranha depois que eu te acordei...
- É, eu tava achando tudo muito bom. Nunca me senti bem assim com ninguém... Nem com... Bem, você sabe! Eu me forcei a me afastar um pouco de você porque eu não queria que você achasse que, sei lá, eu tava apaixonadinha, pegando no seu pé... Eu queria que você curtisse suas férias sem ficar pensando "que garota chata fica no meu pé querendo ficar comigo enquanto eu to querendo curtir", sabe ? Você tem todo direito disso! Mas bem, depois que eu ouvi aquilo eu resolvi me vingar também – dizendo isso soltei uma risadinha.
- Se vingar? Mas como? – ele olhou pra mim cerrando os olhos – não me diga que aquele loiro azedo era sua vingança!?
- Loiro azedo ? E aquela loira piriguete que você arrumou? É, ele era minha vingança sim! E você não tem nenhum direito de me discriminar, você tava fazendo a mesma coisa!
- Mas , você ouviu atrás do quarto, você sabia que eu queria ficar com você, por que não veio falar comigo? Eu não sabia que você queria! Você me tratou mal, falou aquelas coisas no carro. Isso é injusto!
- Eu queria que você provasse da sua própria criancice tá legal? – disse falando um pouco mais alto e cruzando de novo os braços. O puxei para um canto mais calmo e continuei – eu sei que retribuí com a mesma moeda, e falam que isso não é legal, mas você é muito cafajeste ! Viu!? Viu como é legal fazer isso com as pessoas? Você imagina como eu ia me sentir se eu visse você com aquela oxigenada não estando com alguém pra te mostrar como é? Eu ia estar, provavelmente, bêbada em algum canto, pensando no quão idiota você é pra não perceber que eu quero sim ficar com você! – disse mais alto o fazendo arregalar os olhos – você entendeu tudo errado o que eu disse lá no carro e em qualquer outro lugar. Eu só queria que você percebesse que eu não ligo! Que eu não estava te pressionando a nada! Eu queria que você tomasse sua própria decisão, fazendo você se sentir bem e curtir suas férias. Não quero ser culpada de acabar com as férias de ninguém!
- Eu também quero ficar com você, é claro que eu quero! Você acha que eu ia ao seu quarto, te acordar do jeito que eu fui? Que eu ia atrás de você quando você estava conversando com o lá na sua casa porque eu estava com ciúmes? – ele estava com ciúmes do ? – tá que o tá afim da , mas ele é homem, oras!
- , você é tão... Tão idiota! Não sei como eu fui querer ficar com você! Ou porque eu decidi que você fosse meu preferido quando eu era adolescente! – disse sorrindo e balançando a cabeça de um lado pro outro – Mas você é tão gostosinho que compensa isso tudo. Sua idiotice e tudo mais... – e o puxei dando um selinho.
- E você dona , você é muito esquentadinha e vingativa... Além de ser uma barraqueira de primeira! – ele disse me abraçando e puxando para outro beijo – mas é tão deliciosamente provocativa que me prende demais.
Nos beijamos em meio a sorrisos.
- Espero que esteja tudo explicado então. Eu quero ficar com você, você quer ficar comigo, então vamos ficar! – disse jogando os braços pro ar como se estivesse fazendo algum esforço pra isso o fazendo rir – Mas não é compromisso, então não pega no meu pé! E eu não pego no seu!
- RÁ! Até parece que eu vou deixar você ficar com algum loiro azedo por aí!
- E até parece que eu vou deixar você ficar com alguma imitação da Xuxa por aí!
Nós rimos e demos as mãos, caminhando em direção aos nossos amigos.
Chegando lá encontramos e conversando. Eles nunca iam parar de conversar e partir pro fight não?
- Esses dois não vão sair da conversa não? – perguntou pra mim. Além disso agora ele sabia ler os meus pensamentos?
- Eu tava pensando isso agora! – olhei pra ele e o beijei – HEY! Vocês dois! – gritei fazendo e nos olharem – façam igual a gente aqui, ó – disse mostrando nossas mãos entrelaçadas aos dois – e desempatem esse lance, porque tá foda! – e , que estava beijando naquele momento, riram muito alto chamando atenção de e que olharam pra gente. ficou vermelho e abaixou a cabeça, enquanto olhava pra mim com os olhos arregalados. Olhei pra ela e gesticulei "Vamos lá amiga, ele quer, beija ele! Você não vai se arrepender!", piscando o olho.
sorriu e olhou pra . Que a encarou como se pedisse desculpa pelos amigos.
- Para de me olhar desse jeito e me beija logo, você já perdeu tempo demais com esse doce todo. – ela disse puxando ele pra um beijo desentupidor de pia, fazendo nós gritarmos de alegria e rir ao mesmo tempo. a abraçou e aprofundou mais o beijo, se é que tinha como, mas lá estavam os dois, os únicos que até agora não tinham ficado, se agarrando.
Olhei pra e pra , que olharam pra enquanto ela beijava o e me olharam de volta.
Eu entendi aquele olhar: descrença total das nossas atuais situações.
Capítulo 10
Noite IN-SA-NA!
Simplesmente isso.
Depois daquela agarração toda do e da , nós nos juntamos e cumprimentamos o novo casal.
Continuamos a beber as garrafas que ainda estavam na mesa. Eu já estava alteradinha demais! Fomos todos até Fernando porque eu queria que queria beber mais absolut de pêra com jujuba. Eu e as meninas fomos na frente chamando por ele. Sabe como? Quando chegávamos perto sempre gritávamos o nome dele “Fernaaaaaaaaaaaaaaaandooooooooo...” e começávamos a cantar o refrão de Alejandro da Lady Gaga. E morríamos de rir! já estava daquele jeito né? Bem, eu e ela estávamos! e não estavam muito atrás! Mas a sabia me acompanhar nas bebedeiras! Sempre éramos as que faziam mais merda.
Cheguei já sentando em cima do balcão e puxando comigo, o encaixando entre minhas pernas e rindo.
- Do que você tá rindo, maluca?
- Não sei... Acho que essa situação é muito estranha – disse enquanto passava a mão em sua blusa. Vi Fernandinho chegando perto e virei pra ele – Fernandito queridito, pode nos trazer mais... – olhei pra todos e todo mundo riu – mais oito doses daquela absolut de pêra deliciosa? E jujubas, claro! Coloca uma vermelha agora na minha? Obrigada querido! – e mandei um beijo pra ele.
- , você tá dando em cima do garçom? – me perguntou meio rindo.
- Estou? NÃO! Não estou! – olhei abismada pra ele e logo após virei para que estava ao meu lado encostada com as costas no balcão e na frente dela – Eu não estou né ?
- Não, não está. Ela sempre fica sensualizando com o Fernando... E mesmo se tivesse, não se preocupe , ele é gay. Muito gay!
- Não estou preocupado. Longe disso! Mas isso tá engraçado... Vocês são acostumadas a beber assim?
- Beber assim como, querido?
- Assim... Doidas desvairadas!
Rimos todos do jeito que falou, balançando os braços pra cima, como se realmente fosse doido!
- Bem, pode esperar o pior. Porque nós quatro aqui, bebemos como os irlandeses! – disse dando um beijo no rosto de – se não mais!
Tomamos nossos drinks e depois daquilo, coloquei minha jujuba na boca e puxei pra outro beijo. O gosto dele era viciante!
Nos juntamos na pista, dançamos até meus pés começarem a doer e eu ficar com vontade de tirar o salto. Mas isso não aconteceria! Não vou descer do salto jamaaais!
Logo eram cinco da manhã e fomos pra casa. Chamamos um táxi daqueles grandes e quando passamos pela segurança da entrada da Aldeia eu me aconcheguei mais ao peito de e suspirei.
- Isso é tão injusto! Tá cedo! Eu não quero ir pra casa! Eu não quero dormir!
Ele riu e passou a mão pelos meus cabelos. Joguei minhas pernas em cima dele, como na primeira vez que ficamos. Minha posição favorita. Nos beijamos mais até o táxi parar em frente à minha casa. Assim que chegamos, eu tirei o salto e fui direto pra cama, deixando o banho e qualquer higiene pessoal pra quando eu acordasse.
Segunda-feira é o dia oficial da ressaca. Então, era como eu estava!
Só acordei umas três da tarde. Parecia que tinha uma galocha na minha boca. Horrível!
Olhei pros lados e vi que nenhuma das meninas estavam ali.
Fui pro banheiro, tomei meu banho, escovei meus dentes e coloquei meu pijama. Eu quero ficar de pijama o dia todo hoje! Então fui até a varanda e olhei pra baixo.
Então não era um sonho. Que mania eu tinha de sempre achar que eu estava sonhando!
Os meninos realmente estavam lá, eu já devia me acostumar com isso! Mas era ainda o quarto dia! Mesmo assim, eu não estava sonhando! Eles estavam todos na piscina com as meninas.
- Como assim piscina e ninguém me chama? – gritei da varanda.
- Mas olha só, a princesa acordou! – gritou de volta abrindo os braços, como se estivesse esperando eu pular – desce logo ! A água tá tão boa!
- Eu espero que você tenha passado protetor nele , senão teremos camarão para o almoço! – senti minha barriga roncar – Por falar em almoço, o que a Marcinha fez?
- Vamos fazer outro churrasco. O Lúcio tá na churrasqueira fazendo – me respondeu. Olhei pra ele, que estava em uma das espreguiçadeiras, e sorri largamente. Como ele era lindo! – Desce ! Desce que eu to te esperando. – ele disse, levantando o óculos e piscando. Senti minhas pernas amolecerem.
- Ahh, mas eu acabei de tomar banho e de colocar meu pijama... E... Aaahhh.
- Deixa de ser preguiçosa sua porquinha que foi dormir sem tomar banho! – disse.
- Duvido que vocês tomaram!
- Deeesce logo ! – gritou – Não me faça subir aí e te trazer pelos cabelos, e de pijama mesmo!
Sorri forçadamente pra todo mundo e entrei no quarto. Escolhi um biquíni e fui para o banheiro me trocar. Quando abri a porta fui logo puxada e beijada. Sorri com aquilo. Surpresas assim me agradavam muito!
Quando comecei a retribuir, se afastou e me olhou de cima a baixo. Corei.
- Se tem uma coisa que eu adoro nas brasileiras, definitivamente é o biquíni!
Dei um tapa nele e me soltei, colocando meu pijama em cima da cama e colocando a saída de praia que estava ali.
- Ah não! Ah não! Fica sem, é melhor! Beeem melhor!
- Você é muito safado, ! De qualquer forma, eu terei que tirar na piscina. Leve isso como um pseudo strip tease pra você. – disse chegando perto e beijando ele novamente, envolvendo meus braços pelo seu pescoço.
- Pra mim e pra mais três marmanjos, né? Nada disso, desce de pijama mesmo! – ele disse me abraçando e me cheirando. Arrepios mode on.
- Já passou protetor ? Não quero meu branquelo como camarão também!
- Estava esperando você pra passar em mim – ele disse fazendo um bico – e se você não descesse, eu ia pedir pra uma das suas amigas gatas lá embaixo. Meu Deus, que biquínis são esses de vocês, é de matar qualquer homem!
Bati nele novamente.
- Você estava secando minhas amigas?
- O que você quer que eu faça! Eu tive que reparar nos biquínis! São minúsculos!
Eu ri e me virei, indo em direção à escada para descer e encontrar com o resto.
- Você não tem jeito mesmo! Vamos!
Descemos rindo um do outro. Encontrei Márcia na cozinha fazendo algo.
- Não vai lá pra fora Marcinha?
- Estou terminando sua sobremesa favorita : torta de limão!
- AI MEU DEUS! SUA TORTA! NÃO ACREDITO! – Corri em direção à ela e a abracei e enchi de beijos! – É minha preferida, apenas quando você faz! Obrigada amor!
Me virei e dei de cara com encostado na porta da cozinha de braços cruzados e sorrindo pra mim. Cheguei perto dele e peguei sua mão o puxando delicadamente para fora, não antes de beijá-lo novamente. Eu nunca mais ia perder uma chance de beijá-lo!
- Você é muito amável quando não é barraqueira.
Ri da brincadeira dele. Quando chegamos onde todo mundo estava, dei olá e sorri.
- Já estão bebendo? – perguntei pra e .
- É o único jeito de curar a ressaca: beber mais! – ela disse enquanto erguia a long neck como se fizesse um brinde.
- Ou nunca parar de beber né ? – repetiu o movimento.
- Ele não dormiu ainda, acredita? – disse da piscina – Nós tentamos de tudo, mas fomos dormir porque não somos movidos a álcool como essa bicha é!
Arregalei os olhos e olhei pra .
- Você ficou bebendo com ele? Porque eu lembro de você deitada lá em cima no quarto.
- Não. Eu dormi... Umas seis horas. Mas acordei com me cutucando na cama me chamando pra beber com ele, porque ele estava sozinho e não aguentava mais. Reclamava que os amigos dele não eram seus amigos de verdade, porque amigo mesmo não abandona o outro! Então eu to aqui, desde meio-dia bebendo com ele – ela sorriu.
- Mas é por isso que eu te amo ! Eu vou montar uma banda só com você! – ele disse beijando ela, que riu da situação.
Na verdade, todos nós rimos.
me puxou pra espreguiçadeira que ele estava antes e me entregou o protetor solar. Comecei a passar nele e aproveitar, né? Não era de ferro. Cada passada de mão com protetor eu sorria me deliciando com seus músculos, não gigantescos e nem pequeninos, mas na medida certa. Suas costas, seus furinhos em cima da bunda... Eu adorava aqueles furinhos. Depois seu peitoral, sua barriga... Ele era perfeito.
- Pelo amor de Deus ! Essa sua esfregação e esse olhar faminto no tá me fazendo querer vomitar! – disse, fazendo todo mundo rir – larga logo o menino que ele já tá bezuntado de protetor solar!
Corei violentamente. me olhou malicioso e me beijou.
- Sua danadinha! – ele disse batendo com o dedo indicador no meu nariz – Cuido de você mais tarde – sussurrou no meu ouvido antes de me dar uma mordidinha gostosa ali.
Ri com a brincadeira e passei um pouco no rosto dele. Quando terminei, dei um selinho nele e me afastei. Sorri maliciosa e puxei minha saída de praia. me olhou incomodado.
- Você faz pra provocar, né?
- O que ? O que eu fiz? – perguntei fazendo bico. Peguei o protetor e entreguei nas mãos dele – Passa em mim... Querido?
Ele não perdeu mais um segundo. Virei de costas pra ele e puxei meu cabelo pra cima. É claro que ele aproveitou também.
- Não sabia que você tinha uma tatuagem nas costas. O que tá escrito aqui?
- Minha inicial e dessas piranhas presentes no recinto! – disse – Deve ser porque meu cabelo fica sempre solto e a tampa... Mas eu já tenho faz tempo.
- Hmm... Isso é legal! Tem mais?
- Tenho – corei – Não em algum lugar que você possa ver...
- Ohh, então você tem uma escondida? Hmm, tentador...
- Nada de tentador. Pode ir parando por aí!
Ele ainda passava protetor em mim e depositava uns beijos no meu pescoço quando...
- Meu Deus! Vocês tão parecendo atores de filme pornô nessa masturbação toda de corpos aí! – disse rindo logo em seguida.
Virei de frente pra ele e o vi corar.
- Não vai continuar ? – soltei meus cabelos e o olhei, esticando meus braços. É claro que eu podia muito bem passar ali, mas eu não ia perder a oportunidade de provocar ele. Ele sabia disso.
Depois de tudo passado, dei um selinho nele e corri pro chuveiro, depois pulei como uma bomba na piscina, espirrando água pra todos os lados, inclusive na e no .
- Obesa. – disse e deu um gole na cerveja dele.
Não preciso nem dizer que caímos na gargalhada. Joguei mais água nele, o fazendo largar a cerveja e pular na piscina, todo desgovernado. Ele estava muito bêbado!
Também não preciso dizer que ele e foram a atração da tarde!
Senti me abraçar por trás, colocando seu queixo no meu ombro, não antes de depositar um beijo ali. Suspirei rápido. É, eu devia ainda estar sonhando! Impossível não estar!
Continuamos a conversar sobre a boate de ontem e sobre assuntos aleatórios. Eles contaram mais coisas sobre a banda, nós contamos coisas das nossas faculdades e tudo mais. Só desconsiderávamos o que e falavam! SÓ BESTEIRA!
Logo Lúcio nós chamou pra comer.
Sentamos em uma das mesas ali de fora e comemos muito. Quando terminamos, o casal de bêbados se retirou. Ele estava quase babando no ombro da minha amiga e ela não estava tão acordada. Ela deu umas chacoalhadas nele e disse que ia subir pra dormir um pouco e que iam tomar banho. Brincamos falando que iam tomar banho juntos, mas com certeza isso não aconteceria. estava muito apagado pra qualquer coisa assim. E se tomassem, aposto que ele não ia reparar em nada! Bêbado é foda.
Então, eu, , , , e continuamos ali conversando. Depois de um tempo, Márcia trouxe a torta maravilhosa dela. Eu não conseguia comer mais nada, mas eu não ia deixar passar aquele manjar dos deuses.
- Sério, nunca provei algo igual na minha vida! Que delícia! Agora sei porque a é doida por essa torta! – disse enquanto repetia.
- É muito bom mesmo Márcia! Uma delícia – disse.
Ela agradeceu e foi em direção ao marido, dando um beijo nele. A segui com o olhar e fiquei pensando na reviravolta que a minha vida deu.
Há pouco tempo eu estava prestes a formar uma família com alguém que, do nada, me abandonou. Quando eu via os dois juntos, eu pensava no quanto eu queria que alguém me amasse de uma forma arrebatadora, até o fim dos dias, que envelhecêssemos juntos e tivéssemos filhos, pra correrem pelo quintal, brigarem... Mas aquilo tudo desmoronou de uma hora pra outra. Na verdade, o sonho ainda continuava ali, no meu peito, esperando a pessoa certa. Apesar de ser difícil ainda alimentar algo quando você é quebrada de alguma forma, eu ainda sabia que tinha esperanças pra mim. Eu era tão nova! Só então eu me toquei que, provavelmente, eu tinha aqueles sonhos com o cara errado. Como Breno poderia ter sido o cara certo pra mim? Aquilo parecia tão distante... Acho que realmente estava superando aquela mágoa toda... Eu estava ficando com raiva! Raiva dele por ter feito o que fez. Era tão injusto! Enfim, cada um com seu caminho.
- Nine? Você tá bem?
Então olhei pra . Quatro dias. Apenas quatro dias que eu o tinha conhecido... Pessoalmente. Claro que eu sabia cada ex-namorada que ele teve, sua data de nascimento, onde nasceu, sua história com a banda, seus gostos musicais... Eu era fã do McFly. Mas conhecer o verdadeiro ... Ah, isso a vida se encarregou de me arrumar! E cada vez mais eu estava me encantando! Ele era um fofo e um safado! Homens, por favor, sejam safados! Não com todas, você sabe, mulher gosta de homens safados com elas... Na intimidade.
Nos olhávamos com intensidade. Senti que me admirava de alguma forma profunda. Será que ele estava tendo os mesmos pensamentos que eu tinha?
- O que foi? Tá perdida em pensamentos, é? – interrompeu meu contato visual com ele.
- Não. É que... Bem, sei lá. Só me veio umas coisas na cabeça agora. Deixa pra lá – suspirei – Então, querem fazer algo hoje?
Todos se entreolharam e me encararam.
- Estávamos falando isso aqui agora, ô maluquinha – disse – acho que hoje vamos ficar em casa e relaxar, honrando verdadeiramente o espírito preguiçoso da segunda-feira! Já acordamos tarde, são quase cinco horas... Acho que podemos curtir um pouco e dormir... Sei lá. Amanhã podemos levar eles na praia da reserva! E também, e já devem estar no centésimo sono lá em cima. Ou não, né?
- Duvido! estava quinhentos graus alcoólicos a mais do que qualquer um aqui ontem à noite – disse abraçando – eu concordo. Vamos subir, ou jogar um vídeo game, assistir um filme, ou simplesmente relaxar no quarto – e deu um selinho em , que corou.
- RÁ! Duvido que você vai querer “relaxar no quarto” com ela ! – disse apontando pra minha amiga corada ao seu lado – é a última coisa que você vai fazer, afinal, você não está bêbado.
- Cala a boca dessa menina , por favor? – disse olhando pra pessoa ao meu lado – que menina inconveniente!
Rimos e nos levantamos, indo em direção ao andar de cima.
- Vai tomar banho? – me perguntou.
- Sim, e você? Espero que sim! – rimos.
- Claro né ? Mas, depois... Vai dormir?
- Não to com sono assim...
- Quer ir lá pro quarto? – ele perguntou e eu olhei pra ele com os olhos arregalados. Direto ao ponto! – Não precisamos fazer nada, só conversar e talvez dormir, podemos jogar vídeo game talvez... Sei lá! Para de me olhar assim!
Ri da reação nervosa dele e claro que aceitei. Despedi-me com um selinho e entrei no quarto. pegou sua roupa e foi em direção ao quarto do .
- Piranha! – falei baixo quando ela passou por mim. Ela riu nervosa e me deu um tapa – Ai! Isso dói, tá?
- Piranha é você, musa do protetor solar! – dizendo isso rimos e ela saiu do quarto. Entrei no banheiro e tomei meu banho. Quando saí, estava lá esperando pela sua vez.
- Cuidado amiga, use camisinha, tá? – ela disse enquanto entrava no banheiro e fechava a porta. Ri e mandei ela tomar naquele lugar. Ouvi a risada dela lá de dentro.
Mudei de roupa e fui em direção ao quarto do . Antes, passei no de para ver como ele estava. Claro que a estava lá, eu não a tinha visto no meu quarto. Os dois dormiam abraçadinhos. Imagina o bafo de cerveja. Eca!
Fechei a porta e bati na de . Que abriu a mesma logo em seguida. Ele estava com uma bermuda, sem camisa e passava a toalha pelos cabelhos, o enxugando.
- e estão dormindo como dois anjinhos bêbados. Imagino o bafo de cachaça que um tá jogando no outro! – disse enquanto entrava e sentava na cama.
- Eu vi. Fui lá assim que subimos.
Ele entrou no banheiro e voltou logo em seguida sem a toalha e com os cabelos todos bagunçados. Puxou a cadeira de um canto do quarto e a colocou na minha frente, fazendo carinho na minha perna e me olhando, com um sorriso tímido no rosto. Levei minhas mãos ao seu cabelo tentando arrumar a bagunçinha ali. Ele riu e me deu um selinho.
- Gosto dele bagunçado. – eu disse.
- Então por que tá tentando arrumar?
- Não to, não totalmente – ri – Que é? Não posso fazer um carinho em você, seu grosso?
- Claro que pode! Não só pode como deve!
Nos rimos e ele me beijou. Um beijo gostoso, sabor pasta de dente de menta. Refrescante! Como ele estava parecendo pra mim agora. estava um pouquinho corado embaixo dos olhos, efeito do sol dessa tarde. E aquela visão grega meio praiano pra mim me deixava doida. O cheiro do sabonete que emanava dele era como o melhor cheiro do mundo! O puxei e nos deitamos na cama. Nada pervertido, apenas nos beijando e aproveitando a companhia um do outro.
POV on
Quando eu abri a porta, tive a visão que qualquer homem gostaria de ter. era diferente de qualquer garota que eu já conheci na vida. Ela conseguia ficar extremamente sexual com aquela blusa larguinha e o shortinho de pano. Parecia que as roupas eram grandes, como se fossem de um homem. Logo a imaginei com uma blusa minha. Visão dos deuses!
Nos beijávamos deitados na cama e eu me sentia esquentar. Ela provocava essa sensação em mim, dentre várias outras!
Liguei a televisão em um canal qualquer e ficamos assistindo. Assistindo de vez em quando, né? Na maioria do tempo nos beijávamos ou ríamos de algo.
Em determinado momento, lembrei lá de baixo, quando ela ficou pensativa do nada. Com medo de ser algo parecido com o que a fez se afastar de mim antes, quis saber o que era:
- , o que aconteceu lá embaixo hoje que você viajou em algo? – me afastei um pouco dela e perguntei. Senti ela olhar pra baixo e depois olhar por sobre o meu ombro. Logo ela se aproximou e me abraçou, depositando um beijo ali.
- Nada , apenas estava pensando. Eu sou assim, viajo com qualquer coisa!
- E você vai começar a contar a verdade agora? – evitando falar do problema. Eu já a conhecia. Não sabia como.
Ela suspirou e olhou pra mim, passando a mão pelos meus cabelos. Aquilo era muito bom!
- Apenas estava olhando Lúcio e Márcia, e como eles são felizes juntos. Pensei em tudo aquilo que eu achei que estava construindo e, na verdade, não estava.
Ela falava do ex-namorado dela, eu sabia. E aquilo me deixou desconfortável.
- É, eu imagino que você tenha sofrido por um tempo, mas hey! Se você não tivesse se separado, nós não teríamos nos conhecido, e isso eu agradeço muito àquele idiota! – disse dando um selinho nela.
- É, eu sei. Eu também agradeço muito a ele – senti ela suspirar – Sabe, por mais de três anos eu pensei que estava construindo aquilo que o Lúcio e a Márcia hoje tem, ou que o meu pai e minha mãe tem. Mas hoje eu sinto que fui enganada e bem... Eu só acho agora, depois de muito pensar, que eu estava querendo construir uma vida com a pessoa errada. Eu sou tão ingênua às vezes que me dá raiva! Mas como eu ia saber? Nós namoramos muito tempo... É normal do ser humano construir toda essa história, né? – ela disse olhando pra barra da sua blusa – Você me disse quando chegou que também estava em um relacionamento e, bem, tenho certeza que você planejou um futuro com ela também. Nós planejamos quando queremos ficar com a pessoa... E quando isso é tomado da gente, ficamos sem chão. Ele era meu primeiro namorado, meu primeiro tudo, sabe? – ela corou – Então o baque foi maior. Mas graças a Deus eu tive as meninas e bem, o resumo é que eu acho que eu sei o que eu quero da vida. Acho que eu to amadurecendo um pouquinho – ela riu – E eu quero isso um dia, uma família e tal, mas acho que eu, hoje, lá embaixo, percebi que sou muito nova pra pensar nisso... E que não encontrei a pessoa certa ainda, mas vou encontrar algum dia. Assim como você! – terminou de falar e sorriu pra mim um pouco sem graça, passando a mão pelo meu rosto.
Aquele assunto me incomodou.
Me incomodava demais ver que alguém que não a merecia tinha provocado a tristeza da . Que babaca!
Me incomodava saber que ela tinha todos aqueles planos e alguém o destruiu, como o vento destrói um castelo de cartas.
Me incomodava mais ainda saber que ela pensava que vai encontrar a pessoa certa pra ela... De certa forma, me incomodava. Não sabia o quanto ainda.
Mas isso não era o que mais me incomodava.
O que martelava na minha cabeça era sobre o que ela disse, sobre o meu relacionamento com a Alexia. “Você me disse quando chegou que também estava em um relacionamento e, bem, tenho certeza que você planejou um futuro com ela também.”
O negócio é que eu não planejei nada com a Alexia. Nem passou pela minha cabeça, nesses meses que fiquei com ela, que eu poderia ter uma família, filhos e sei lá... Casamento.
Não! Deus do céu! Não passou mesmo.
Não me leve a mal, eu gostei muito dela, nós nos víamos sempre, era divertido... Mas não cheguei a esse nível.
E ali, olhando pra enquanto estávamos deitados, eu tinha planejado isso por um certo momento.... Com ela.
Sabe quando sua vida passa em um flash na sua cabeça? Você tendo filhos, casando (coisa que eu nunca pensei), brigas, acertos, viagens em família... Tudo aquilo tinha me passado naquele momento. Ali, com ela nos meus braços.
E isso era impossível! Como eu consegui imaginar essas coisas com a e com a Alexia... Nada?
Balancei a cabeça e deixei isso pra lá. As pessoas planejam, certo? E essas coisas vem do nada, a gente não escolhe. E foi só um lampejo... Apenas algo que eu pensei porque ela tocou nesse assunto.
- Mas deixa isso pra lá! Isso não é assunto de se conversar – ela disse me beijando novamente – Acho que estou um pouquinho sonolenta, vamos tirar um cochilinho? – ela disse sussurrando enquanto se acertava mais no meu travesseiro. Sorri com o denguinho dela. A abracei e beijei seu ombro por cima da blusa.
Desliguei a televisão e a puxei para meu peito. Ela misturou nossas pernas e riu.
- Seus pés estão gelados ! Ai! – disse sentindo o choque das temperaturas.
- Posso pedir uma coisa?
- Não vou pegar outro pedaço de torta de limão pra você! E eu não sei fazer massagem!
- Não, seu besta! – ela riu – posso... Virar de costas? Dormir de conchinha é tão gostoso!
Ela corou e mordeu o lábio. Daquele jeito eu não ia deixá-la cochilar!
- Não precisa nem pedir! Mas antes tem a tarifa!
Puxei-a em direção ao meu rosto e a beijei. Calmamente, como se estivesse me despedindo. Nossas línguas brincavam uma com a outra, o gosto da pasta de dente nos refrescava e não me deixava parar de beijá-la! Fomos finalizando o beijo, mesmo não querendo. Senti-a depositar vários selinhos em mim e sorri. Aquilo era bom! A boca dela era macia e gostosa. Se eu pudesse, dormiria com nossas bocas encostadas apenas pra ficar a sentindo. Beijei suas bochechas, sua testa, seu nariz e seu queixo. Depois dei outro beijo em seu pescoço, sentindo o arrepio que tinha causado nela, além das suas unhas me aranhando a nuca. Como parar depois daquilo.
Ela se separou, me olhou nos olhos e sorriu.
- Você não presta, né? Eu aqui querendo cochilar e você me atiçando!
Sorri e senti um beijo no nariz. Logo depois, ela virou de costas e se aconchegou a mim. Depositei um beijo ali e sussurrei em seu ouvido:
- Dorme , não vou deixar ninguém mais te magoar, prometo!
Não sei por que tinha prometido aquilo, mas era uma necessidade minha: não deixar ninguém magoá-la. A senti sorrir, mesmo estando de costas para mim. Sorri também e me aconcheguei mais pra perto dela, como se fosse possível, sentindo o cheiro dos seus cabelos jogados por cima do travesseiro e seu coração batendo acelerado, tendo certeza que teria bons sonhos aquela noite.
Capítulo 11
Acordar nos braços de é realmente o que qualquer mulher precisa para levantar de bom humor... Até se estiver na TPM. Mas... Não era qualquer mulher que tinha... SÓ EU!
Passamos terça juntos, quarta, quinta... Num grude só. é um legítimo cavalheiro! O que complicava as coisas mais pra mim. Sabe como é, tentar manter os pés no chão com um deus grego daquele ao meu lado... É pedir pra ser vegetariana numa churrascaria!
Falando em fome... Nossos amassos estavam ficando mais sinistros a cada dia que passava. Estávamos muito íntimos e bem, eu já não aguentava mais e tenho certeza que ele também não! Mas mesmo assim, eu queria que fosse especial! Queria planejar algo legal, tipo... Sei lá, arrumar o quarto, tirar esse bando de marmanjo e amiga piriguete de casa... Dar folga ao Lúcio e à Márcia...
Tá vendo como é difícil, menina? Pra quê Senhor amado eu preciso organizar uma coisa dessas sendo que o NÃO ERA MEU NAMORADO??? HEIN? ME EXPLICA?
Oh céus, oh vida...
Mas isso não quer dizer que eu não consiga arrumar algo bacana pra fazer...
Idéia. Bingo!
Estava no meu quarto lendo um livro. Não sabia onde estava. Ele tinha saído daqui há uns 10 minutos em direção ao seu quarto depois de, bem, mais um amasso sinistro entre nós. Tomar banho talvez?
Enfim, as meninas estavam pela casa e eu precisava delas... Mesmo!
Peguei minha bolsa que continha minha carteira e chaves do carro e desci as procurando pela casa.
- Hey, hey, hey ! DESGRUDA do e vem comigo – disse chegando na sala de televisão cortando o beijo dos dois e já puxando minha amiga pela mão – preciso de você right now! Anda , levanta daí!
- Ai, mas que menina CHATA! CHAAAATA! O que você quer? Tem que ser muito importante pra me tirar daqui! – ela disse sentando de volta ao lado de , dando um selinho nele e se aconchegando em seus braços. Será que ela não entendeu que era pra ela desgrudar do e me ajudar?
- Ô tapada, levanta! Preciso de você e das outras meninas. Vamos ao centro da cidade! Comprar umas coisas...
- Opa! Não precisa falar duas vezes pra isso! Estava precisando realmente ir lá. Acho que os outros dois casais estão jogando vídeo game. Vai lá enquanto pego minha bolsa e das meninas lá em cima.
Fomos andando em direção à porta até ouvirmos alguém pigarrear:
- Oi? Alguém me esqueceu aqui? – disse cruzando os braços.
- O quê? Você não pode ir com a gente. Daqui a pouco voltamos. Fica aí, faz companhia pros outros três, componham algo, tomem banho... Sei lá! – olhei pra ele cruzando os braços – mas nem pensar você vai agora!
- Nossa! Deve ser muito importante mesmo! – ele disse já se levantando e vindo na nossa direção – mas eu não queria ir, sua mal educada, eu só queria um beijinho de despedida – e fez biquinho pra ela.
Fala sério. Esse drama todo pra isso?
- Awww , que fofo – ela respondeu jogando os braços em volta do pescoço dele e enchendo seu rosto de beijos – já volto, viu? Não sinta muita falta.
- Hmmm – ele disse de olhos fechados apreciando todo o carinho de – já tá difícil, viu? – sussurrou no ouvido dela e, logo após, deu um beijo de novela.
Tudo isso na minha frente.
Com um pensamento perverso, enfiei meu dedo entre a boca dos dois, fazendo eles pularem de susto e gargalhar. Apenas me olhou raivosa.
- Que é? Não quero ver pornô agora não! Precisamos ir, anda logo! Tchau – empurrei ele em direção à sala – Tchau , te vejo na garagem! – empurrei ela em direção à escada. Ela bufou e subiu.
- Mas que mal criadinha... – virei e fui em direção ao vídeo game, sendo seguida pelo .
- Mas você também, né? Empata foda do caramba!
- Que nada! Você a terá de volta rapidinho! – o empurrei de leve com o ombro – HEY! , , soltem seus respectivos casos de verão e venham! Estamos indo no centro e vocês vão com a gente!
As duas pularam dos sofás em que estavam enquanto os meninos, concentrados no vídeo game, nem falaram nada. foi andando e sentou ao lado deles soltando um “O próximo que perder eu entro!”.
logo chegou e fomos até o carro. Saímos da garagem e, quando estávamos já na portaria da Aldeia, perguntou:
- Por que vamos lá mesmo?
- Preciso de ajuda para comprar umas coisas... – disse.
- Que coisas? – perguntou, enfiando a cabeça pelo corredor do carro. Corei com a pergunta. Antes que eu pudesse responder, meu celular tocou. Era lá da Aldeia. Coloquei no viva voz, pois estava dirigindo:
- Alô?
- ?
- ?
- O que aconteceu? Onde você está?
- Estou no carro com as meninas. Estamos indo no centro olhar umas coisas.
- Por que não me chamou pra ir com você? Sabe que eu não negaria!
Ai que fofo! Ai que fofo!
As meninas me viram corar e suspirar, então, pra não perder a piada, todas disseram juntas “AAAAAAAAWWWWWWWW” e logo depois riram, me fazendo corar mais ainda e rir de nervoso. ficou mudo e logo depois falou:
- , eu estou no viva voz?
- Hahahahaha! Tá sim!
- Ahhh , como você me deixa exposto assim pra suas amigas? Agora a vai começar a me preferir ao , aquele brutamonte sem delicadeza e cavalheirismo nenhum! – e riu.
- Nos seus sonhos , seu gay! – gritou pra ele.
- Ok então. Se você garante...
- Então! – gritei cortando o papo – Por que ligou mesmo?
- Pra saber onde você estava, ué! Eu saí do seu quarto e quando voltei você não estava mais lá. Te procurei na casa toda...
- Mas eu fiquei no quarto um tempão... Você que demorou!
- Isso não vem ao caso... – ele falou baixo – Então... Onde vocês estão?
- Você falou com um dos meninos? Nós avisamos!
- Ah tá! Até parece que você não sabe do mundo paralelo que os meninos entram quando estão jogando vídeo game...
- Oh, esqueci disso. Bem, estamos indo no centro. Precisamos comprar algumas coisas.
- Tá... Então tá.
- Ok então, nos falamos depois. Não vamos demorar.
- ?
- Oi xuxu.
- Não demora. Beijo. – e desligou.
Meu coração foi a mil.
era tão fofo!
- Mais gay do que vocês impossível! – disse – mas então, o que vamos comprar?
- Então... – É, hora de contar meus planos pra hoje à noite – Seguinte...
Depois de tudo comprado, várias risadas da minha cara, conversas idiotas e dicas bem estranhas da e, claro, as combinações, voltamos pra casa.
Subimos eu, e correndo pro meu quarto e escondemos as coisas. Não sabíamos onde os meninos estavam, provavelmente ainda jogando vídeo game. Mandamos atrás deles para segurá-los onde quer que eles estivessem.
- Você tem certeza, ? – perguntou me olhando nos olhos quando chegamos ao meu quarto – Não quero que você tome decisões precipitadas. E não esquece do que eu te disse... Os meninos...
- Eu sei , eles não vão ficar aqui pra sempre, ok? Que saco! Para de me lembrar isso! Toda hora você joga essa “desculpa” pra cima de mim! Eu sei que eles não vão ficar aqui pra sempre, tá? Mas eu quero aproveitar, eu quero me dar uma chance! Que droga, parece que você fica repetindo isso só pra me encher o saco!
- , calma! – disse – a só não quer que você se magoe novamente! Na verdade, nenhuma de nós quer!
- Eu sei ok? EU SEI! E eu agradeço muito por isso! Mas eu vou, por causa do Breno, deixar de me arriscar toda vez que eu quiser só por medo de me magoar? Eu sei que eles vão embora, eu sei que não vai durar pra sempre. Mas e daí?
- Você é uma grossa mesmo! – disse – eu só quero que você enfie isso na sua cabeça e não sofra depois!
- Sabe o que eu acho ? Eu acho que você fica repetindo isso pra enfiar essa idéia na sua cabeça, porque se você não percebeu, você tá se arriscando da mesma forma que eu. Na verdade, todas vocês estão! – dizendo isso saí batendo a porta e deixando as duas sozinhas. Desci as escadas e parei na cozinha, pegando uma cerveja e indo em direção ao lado de fora da casa, onde ficava o vídeo game. Chegando lá não encontrei ninguém. Ouvindo o som de um violão perto da piscina, segui para lá. Encontrei os meninos e cantando alguma música dos Beatles que, na voz da minha amiga, parecia mais Backstreet Boys. Desafinada que só.
- Hey, como foi a tarde sem nós? – perguntei sentando-me ao lado de , o cumprimentando com um selinho. Logo minha cerveja já não estava nas minhas mãos – Hey ! Devolva!
- Eu não, cerveja dá barriga, você não pode tomar! – disse tomando um generoso gole me fazendo salivar.
- Ah, é? – perguntei me levantando e parando em frente a ele – então acho que já passou da hora de você parar. O que acha de fazer uma academia durante as férias? Tá precisando já. – disse beliscando o inexistente pneu da barriga dele. Os meninos começaram a zoar. Aproveitei o momento para tomar posse novamente da minha cerveja e sentei ao lado de .
- Ô , não acha que tá na hora de domar essa sua fera aí não?
- O quê? E perder toda a diversão? Adoro mulheres que sabem se defender sozinhas, independentes... – ele disse me apertando mais em seus braços e beijando minha orelha – me dá muito mais alegria de viver... – sussurrou no meu ouvido. Sei, alegria... Sei que era essa a palavra que ele queria usar!
Ri do comentário dele e comecei a beija-lo. Acho que me perdi ali, naqueles lábios macios, porque quando vi, senti um dedo no meio de nossas bocas.
- ! – disse raivoso – O que você pensa que está fazendo?
- Ela fez isso comigo e com a hoje... Só estou retribuindo o... Favor! – ele respondeu. Só então percebi que e tinham chegado ao local, trazendo mais cervejas num cooler e sentando ao lado dos meninos. Olhei para elas e logo senti uma coisa triste em mim... Culpa. Acho que eu tinha falado coisa que eu não devia. Elas não me encaravam, ao contrário, procuravam não olhar pra mim. beijava , mexia nos cabelos de e, quando não estavam fazendo isso, conversavam com a , que era a única que olhava pra mim. Não sei quanto tempo fiquei ali.
- ? Você tá bem? Tá meio tensa... – pegou na minha mão e a acariciou, me fazendo suspirar.
- Discuti com as meninas. – soltei antes mesmo de pensar em alguma coisa.
- Como assim discutiu? Algo sério? Você tá bem? – ele se virou totalmente na minha direção e franziu a testa preocupado. Suspirei tentando recobrar minha consciência e não soltar o motivo da briga porque, de alguma forma, ele era o motivo.
- Espero que não seja nada sério... Bem, a gente se acerta... Fica tranquilo – disse dando outro selinho nele que, após o gesto, passou a mão no meu rosto, acariciando minha bochecha. Fechei os olhos para sentir a sensação.
- Não fica triste... Não gosto de te ver assim – ele disse baixo me dando um beijo logo depois. Nos separamos e, quando eu abri os olhos e sorri pra ele, vi alguém parado logo atrás dele.
- Podemos conversar? – perguntou. Olhei pra ela e procurei com o olhar. Ela não estava ali. Suspirei e acenei que sim com a cabeça, me levantando e indo em direção a , que seguia para a cozinha. – ! Estamos na cozinha! – gritou informando onde estaríamos. – Sabe ... Foi meio estranho o que aconteceu lá em cima... – ela disse, parando no meio do caminho e virando para mim – eu sei como você se sente, sei mesmo! Sinto meu coração afundar quando olho pro e vejo que ele tem uns 20 dias aqui. Gosto da companhia dele, das risadas, dos carinhos, dos amassos... Ficar com o é muito mais do que eu sonhei quando eu era adolescente, sabe? Sei que você pensa do mesmo jeito em relação ao . – ela disse e suspirou – mas eu entendo o que a disse... Ela não quer te impedir de se divertir com ele, sabe? Ela só não quer que, de alguma forma, você se magoe quando ele for embora... Que você se apaixone por ele!
- Hmm... , eu entendo isso, mas a tem que entender que eu não preciso ser lembrada disso toda hora. Poxa, precisava falar isso depois da surpresa que eu estou programando? Sei lá, eu sei que é verão e tal, que os meninos vão embora, mas a amizade vai continuar! E daí, cara? Só porque eu sofri uma vez quer dizer que agora eu não posso aproveitar? Vou ter que sempre ficar com medo de arriscar?
- É... Eu sei, eu entendo. Só que você sabe como a é. Mãezona e tudo mais...
- Pois é... E ela não ta percebendo que ela ta se envolvendo com o da mesma forma! É como se ela não quisesse que eu me divertisse, mas ela pode!
- Não é bem assim – logo chegou e me interrompeu. Ela tinha ouvido minha última frase pelo que percebi – eu sei que eu to me envolvendo com o , mas eu não consigo segurar! É mais forte que eu! Só que eu sei como isso vai acabar. A questão é: você sabe como vai ser depois? Porque não sou eu que to programando toda uma noite com alguém. Isso é coisa de gente apaixonada! Sei lá! – suspirou e me olhou – Eu só não quero que a história se repita, ou melhor, piore! Afinal de contas, são nossos desejos de consumo tocando ali e cada um deles, milagrosamente, resolveu ficar com uma de nós, coincidentemente, a que preferia cada um deles quando era adolescente. É um sonho, sabe? Só quero que você consiga colocar os pés no chão depois disso tudo.
Eu entendia. EU SEI, TA LEGAL? Mas é tão difícil.
- Ok amore, me desculpa tá? Eu não devia ter explodido assim. – nos abraçamos e sorrimos umas pras outras, sabendo que se algo acontecesse com uma de nós, as outras estariam lá pro que der e vier, incluindo , que não estava ali, mas sabíamos que seria da mesma forma. – Ok. Vamos lá em cima. Preciso ver umas coisas...
POV
estava demorando com as meninas. Será que estava tudo bem? Espero que ela se acerte com as garotas. Apenas estava entre nós e, agora, ela queria que tocasse uma música do Legião Urbana. Que que é isso?
- , eu não sei que banda é essa! – falava.
- Como não ? É uma banda brasileira com letras ótimas! Você é um sem cultura mesmo! – Ela respondia bebendo outra cerveja.
Já estávamos ali há uns 15 minutos.
- O que vamos fazer hoje? É sexta, gente! – disse abrindo outra cerveja – Podíamos sair!
- Eu ouvi dizer que um vizinho da vai dar um churrasco, e ele é bem legal! O Pedro! – disse.
- Por mim, podemos ir, o que você acha ? – perguntou.
- Eu topo, se a topar... – dei de ombros.
- Ai Jesus, que grude! – disse abraçando – Não entendo esses meninos , fala sério, que grude né? – e deu um selinho nela, que riu.
Logo as meninas voltaram lá de dentro rindo e se juntaram a nós.
- Finalmente! Onde vocês estavam? – perguntou – Por que eu sempre fico pra trás?
- A gente te falou onde estaríamos, você que não nos seguiu! – disse sentando no colo do .
- Ok... Então! – bebeu mais um gole da cerveja. Essa é uma pé de cana sinistra! – Vamos no churrasco do Pedro hoje?
Vi arregalar os olhos e olhar pra . Por quê?
- Annn, do Pedro? Como você sabe do churrasco, ? – ela perguntou.
- Ué, eu também conheço ele! Vamos, vai ser legal! Provavelmente o condomínio todo estará lá!
- Por mim tudo bem. Vou dispensar o Lúcio e a Márcia já que não ficaremos aqui. Ligo pra ele e confirmo nós oito lá – foi em direção à cozinha, provavelmente falar com Márcia.
Depois de um tempo todo mundo se dispersou para tomar banho e trocar de roupa. O churrasco era logo mais. Subi as escadas e vi as meninas conversando dentro do quarto. Mas eu não entendia nada, provavelmente falavam em português!
Bati na porta e a abri, dando de cara com as quatro ali.
- Ei meninas. – eu não sabia o que falar. Merda!
- Ei ! – respondeu vindo na minha direção até a porta e me puxando para dentro – O que está fazendo aqui? Não vai se arrumar pro churrasco? – me deu um selinho e me abraçou pelo pescoço. Senti arrepios nos braços. Aquilo era bom.
- Hmmm – disse beijando um pouco seu pescoço – passei aqui só pra ficar um pouco com você. Me arrumo rápido... E os meninos ainda nem tomaram banho. – disse dando um beijo nela um pouco pervertido, sendo que as meninas ainda estavam lá.
- Claro ! Não se incomode com a gente! Nós já estamos de saída, ok? – disse sendo um pouco sarcástica com a situação. Um pouco...
- Pensei que não iam perceber ! – disse, recebendo um tapa na cabeça da mesma – Ai! ! Olha isso! Me agredindo!
- Saaai ... Senão vou encher o de porrada! – e então deu língua pra ela, como se fosse uma criancinha. Isso me afetava de uma forma que você não faz idéia...
As meninas saíram rindo da situação e foi atrás delas para fechar a porta. A segui e a abracei por trás, sentindo o cheiro dos seus cabelos e depositando beijos e mordidas suaves em seu pescoço e ombro direito.
- Sabe, quando você faz isso, me defender como uma criancinha, você não tem noção do que desperta em mim.
- Hmmm, pode ter certeza, eu sei. Nada tão diferente de mim.
Então ela virou de frente pra mim e me beijou com tanta vontade que me fez cambalear pra trás. Senti meu estômago revirar e continuei andando em direção à cama, me sentando ali. sentou no meu colo virada para mim, com suas pernas ao meu redor, uma de cada lado do meu corpo. Senti seu pequeno peso na minha cintura, me fazendo arfar com a proximidade que estávamos. Oh meu Deus, aquilo era muito bom!
Segurei seus cabelos para trás com uma mão enquanto a outra a puxava para mais perto pela cintura. Como se fosse possível. Ouvi arfar, provavelmente com a proximidade dos nossos corpos e se movimentar em cima de mim, despertando algo que já estava um pouco acordado. Puxei um pouco seus cabelos para trás e beijei seu pescoço, descendo para o colo e parando um pouco acima dos seus seios.
- Você me provoca... Me provoca tanto que eu não consigo segurar! É demais pra mim! – disse e puxei um pouco sua blusa para baixo, expondo seu seio esquerdo, tão redondo e rosado. Suspirei e depositei um beijo no bico, a ouvindo suspirar e gemer com o contato. Envolvi-o com minha mão e apertei um pouco, sentindo sua pele arrepiar com o contato. Olhei para ela, que estava com os olhos fechados e a cabeça jogada para trás e sorri. Ela era tão linda!
Girei nossos corpos, a deitando na cama e ficando por cima dela, que com o giro, apertou suas pernas em volta da minha cintura, me mantendo ali. Seus cabelos se espalharam pela cama. Ela ia dizer algo, mas eu a beijei, apertando ainda seu seio e me movimentando em cima dela, fazendo nossas partes baixas se aproximarem e se afastarem lentamente. Quando próximas, eu demorava mais, apertando um pouco mais forte. Senti rebolar com a proximidade, me deixando mais extasiado ainda. Essa mulher ainda me matava do coração! Suas mãos envolveram meu cabelo, o apertando com um pouco mais de força. Parei de beijá-la e fui descendo em direção ao seu seio ainda descoberto. Quando suas pernas me apertaram mais pela cintura, abocanhei seu seio e puxei com um pouco mais de força pelo que eu sentia. Tesão. Ela me deixava à flor da pele com cada movimento que fazia.
- ... – a ouvi gemer, dizendo meu nome entre o ruído. Aquilo era muito bom! Suguei mais uma vez seu seio e a ouvi gemer meu nome de novo – ... – passei a língua no bico um pouco mais rápido, vendo erguer um pouco as costas e nos aproximando mais. Passei uma mão pela sua cintura e a trouxe mais pra perto.
De repente, não sei como, algo aconteceu, porque eu não estava mais tão próximo de . Ela estava sentada e consertava sua blusa, um pouco descabelada e vermelha. Suas mãos trêmulas ajeitavam o cabelo.
- O... O que aconteceu? – perguntei a ela – Por que você fez isso?
Ela me olhou com um pedido de desculpas implícito nos olhos e disse:
- Temos que nos arrumar. O churrasco é daqui a pouco e nós... Temos que ir!
O QUÊ?
Ela interrompeu a gente por causa do churrasco?
Bufei não acreditando na desculpa que ela tinha arrumado e passei uma mão nos meus cabelos com rapidez. Eu estava frustrado. Meu Deus, como eu estava frustrado!
- Fala sério ! Você parou o que estávamos fazendo por causa do churrasco? Acha que eu sou de ferro?
Ela arregalou os olhos com surpresa, provavelmente pela minha reação. O que ela queria, que eu passasse as mãos no seu rosto e dissesse que está tudo bem? NÃO ESTÁ TUDO BEM!
- Calma ! É só que tá todo mundo se arrumando e nós temos que nos arrumar também. Daqui a pouco as meninas entram no quarto pra mudar de roupa e vê a gente assim?
- E daí? Acha que é fácil pra mim começar uma coisa... Uma coisa dessas e simplesmente parar? Eu não sou de ferro ! Se não quer, não começa uma coisa que não vai terminar!
Ela cerrou os olhos na minha direção e se levantou da cama.
- Você é um babaca mesmo né ? Eu não estou fazendo de propósito! Eu me deixei levar e bem, nós não podíamos fazer isso aqui agora sendo que vamos sair e... Bem, as meninas iam entrar!
- Você trancou a porta , como elas iam entrar? – perguntei cruzando os braços.
- Elas iam bater e eu ia ter que levantar pra abrir da mesma forma!
- Sempre uma desculpa. Cansei de sempre ficar na mão! – Literalmente, né?
Ela suspirou e me olhou, magoada:
- Então é isso ? Você quer que eu transe com você e apenas isso? Muito maduro da sua parte reagir assim se é só isso que você quer... Porque se você não sabe, não é assim que eu vou te liberar alguma coisa! – ela falou alto indo em direção ao banheiro e se fechando lá dentro.
Argh! Que menina chata!
Fui em direção à ela e bati na porta, pedindo para ela abrir. Ela não respondeu.
- Olha só, você pregando maturidade! Corre e se tranca no banheiro como uma menininha que estão obrigando a tirar a virtude. Cresce ! Vem aqui conversar comigo!
Ela abriu a porta e me olhou raivosa.
- Olha ... Se você quer conversar, vá tomar seu banho, esfrie sua cabeça e depois nós conversamos. Eu não to aqui pra ouvir desaforo de alguém que só porque não transou quer colocar a culpa em mim! Eu tenho meus motivos e razões! Agora, quer maturidade, esfrie a cabeça e conversamos depois! – ela disse e bateu a porta. NA MINHA CARA!
Bufei e fui em direção à porta do quarto, a destrancando e dando de cara com , e ali, me olhando surpresas.
- Que é? Nunca me viram não?
Disse e passei por elas, chegando ao meu quarto e batendo a porta.
Eu e já estávamos chegando naquele ponto há muito tempo! Mas nunca avançava... E pô, eu sou homem! Isso me frustra! Me deixa nervoso e ansioso! Nunca fiquei assim! Eu geralmente tinha meninas querendo transar comigo o tempo todo... E ainda tenho!
Olhei pra baixo e reparei que eu estava de barraca armada.
LEGAL! Provavelmente as meninas viram tudo aquilo... Inclusive .
Banho... Eu precisava de um banho. Eu precisava acalmar meus nervos!
POV.
era tão... TÃO esquentadinho! Pelo amor de Deus, isso era coisa pra se falar!?
Me senti uma dessas fãs dele que ele comia dentro do tour bus e depois nunca mais ouvia falar! Eu não sou assim, queridinho!
Suspirei embaixo do chuveiro e pensei em toda a situação daquela tarde. É claro que eu entendia como se sentia! E eu sei que não se faz isso com homens, principalmente aqueles que sempre tem quem quiser pra dar pra eles! Só que eu não queria estragar meus planos de hoje à noite! Por isso as desculpas, por isso o interrompimento no meio do... Quase ato.
E eu tinha que acertar as coisas porque não ia acontecer nada hoje à noite se continuássemos brigados daquela forma! Eu não sabia que ele ia reagir assim! AFF!
Saí do banheiro e dei de cara com as meninas se arrumando. Provavelmente elas tinham tomado banho no banheiro dos meninos. Já estavam vestidas e se maquiavam e arrumavam o cabelo. estava com um vestidinho branco, sandália alta, um top e um cinto laranja, combinando com a make dos olhos. estava com um vestidinho azul que também combinava com a sombra nos olhos. estava de branco, com um peep toe alto rosa bebê. Eu, já vestida, estava toda coloridinha e pensando no que faria nos olhos. Provavelmente uma make rosa clara.
- Podemos saber o que aconteceu aqui dentro? Vimos o sair...
- E ele estava todo armado... Literalmente! – completou o que perguntava.
Dei uma risadinha de lado e contei para elas... Que riram da situação.
- Mas você vai falar com ele, né? Sei que você tá programando aquilo pra hoje à noite e por isso deu a desculpa, mas é foda pra homens se segurarem nessa situação! Ele provavelmente falou aquelas coisas só porque estava com raiva! Ou frustrado pelo momento.
- É claro que eu vou procurar me acertar com ele, senão nada rola hoje à noite. E acreditem, não é só ele que está frustrado com essa situação. – Bufei enquanto elas riam.
Já arrumadas descemos e encontramos e lá.
- , cadê o ? – perguntei só pra ele ouvir.
- Ele... Bem, ele já foi pro churrasco. – respondeu coçando a nuca.
- O quê? Como assim? Por quê?
- Ele saiu frustrado com... A situação de hoje à tarde e puxou e falou que estava indo pro churrasco e que ia perguntar onde era a casa desse tal Pedro pro Lúcio. Desculpa , ele me contou o que aconteceu, mas só pra mim.
Suspirei. Olhei pra que procurava .
- Amiga, foi com já pro churrasco. Ele o carregou pra lá.
- É, ele queria te esperar , mas o carregou praticamente pra lá.
Olhei pra ela me sentindo culpada pelo que aconteceu. Ela deu de ombros.
- Não se preocupa , chegando lá eu vou vê-lo. Vamos todos! Não é porque meu macho já foi que eu vou deixar ele sozinho com aquelas piriguetes!
Todos riram e foram em direção à porta. Não íamos de carro porque era muito perto a casa de Pedro.
Sim, aquele Pedro!
Esse com certeza foi o motivo de eu ter ficado desconfortável quando os meninos se animaram de ir. não sabia quem era Pedro. Claro, ele era um amigo pra mim. Apenas isso.
Chegamos à festa encontrando bebendo uma cerveja no canto, sozinho. Sem .
Procurei com o olhar e o vi conversando com o anfitrião da festa. Olhei pras meninas e me incentivou a ir até lá.
Fui andando e quando estava chegando perto dos dois, estava de costas pra mim, Pedro me avistou:
- Mas olha só, quem é vivo sempre aparece! Minha vizinha! – Pedro disse me abraçando de lado e dando um beijo na minha bochecha.
- Ei Pedro, como estão as coisas?
- Tudo certo. To aqui conversando com seu amigo-hóspede. é gente boa!
Olhei pra ele que me encarou sarcástico e tomou um gole da sua cerveja.
- Estava falando pra ele que ele escolheu um ótimo lugar pra passar as férias! Sol, muita cerveja, mulheres bonitas... Se bem que com você em casa eu não pensaria em outras mulheres né, ?
Corei com o que ele disse e sorri forçado. Voltei a encarar que me olhava sarcasticamente.
- Estava te procurando. Você saiu de casa sem esperar todo mundo. Preciso falar com você. – Disse chegando perto dele e falando baixo, para Pedro não escutar.
- Bem, você me achou, mas não sei se quero conversar. Quer dizer, até quero. Me diga, você e Pedro ficam há muito tempo?
Minha espinha gelou.
Olhei para trás e vi que ele já não estava mais lá. Procurei com o olhar o anfitrião do local e ele já cumprimentava minhas amigas e os meninos. Encarei de volta.
- Não é isso. A gente não fica! Para com isso , eu preciso conversar outra coisa com você. Sobre hoje antes de virmos pra cá... Olha, me desculpa ta? Eu sei que é difícil pra você, mas é pra mim também. Só tenha um pouco mais de paciência...
- Paciência? Não, tudo bem... Eu entendi o porquê de não rolar nada mais que amassos entre a gente. Pelo jeito, você ainda tá na do anfitrião da festa né? Que idiota eu sou...
- Não... Não é isso! Eu e o Pedro ficamos antes do Breno existir e ficamos uma vez depois que bem, nós terminamos. Mas só! Não é nada de mais!
- Ah sim, claro! E era evidente sua animação para vir pra cá. Tanta animação que resolveu parar lá no quarto e nos interromper para virmos pra cá. Ansiedade talvez de vê-lo?
- Para ! Eu to tentando me acertar com você e você não tá me escutando! Eu não interrompi por isso. Eu tinha outros motivos que, se você parar de idiotice, vai descobrir mais tarde... Mas por favor, vamos parar com isso! Eu... Eu to ficando com você. E eu quero ficar com você. Me desculpa por hoje. É sério... Eu...
Ele suspirou e me olhou:
- Olha . Eu entendo e é claro que eu te desculpo... – ele tomou outro gole de cerveja – Eu falei coisas que eu não deveria falar porque eu estava frustrado. Na verdade, eu ainda estou! É muito difícil pra mim essa situação toda sabe? Mas vai passar... Só... Me desculpe também pelo que eu falei... Eu não queria...
Ele não chegou a terminar o que ia dizer... Porque alguém nos interrompeu.
- Ei lindinho! – ela deu um beijo no rosto de demorado – desculpa a demora, eu só fui buscar uma cerveja e... Oh! Olha só quem encontramos aqui! e todo seu glamour, deu o ar nessa festa! Como está querida?
A encarei como se aquilo fosse uma visão enviada pelo demônio para me atormentar. Eu não acredito. Não acredito que ele teve coragem de fazer isso! Senti meus olhos úmidos e soltei uma risada sarcástica balançando minha cabeça de um lado pro outro. Não acreditava que ele tinha feito isso comigo.
- Serena, você por aqui. E logo com quem! É gostar muito de correr atrás das pessoas próximas a mim, principalmente aquelas que se envolvem comigo. Era de se imaginar que você não ia desistir... Só não esperava que iriam ceder – olhei pra ele, queria que ele visse o quão machucada eu estava só com um olhar – não mesmo!
engoliu seco e ia falar algo, mas...
- Tá tudo bem ? – e as meninas se aproximaram.
- Mas olha só, se não é o quarteto fantástico! Vieram dar outro vexame como já fizeram algumas vezes? Porque se sim, podemos arrumar um palquinho.
- Olha aqui garota, acho melhor você manter sua boca fechada e seus comentários pra sua pequena mente medíocre se não quiser apanhar – disse entrando na minha frente – a única coisa que vamos fazer aqui vai ser arrebentar sua cara no meio... Isso sim seria um show de palco que, com certeza, ia dar muito ibope!
Eu prestava atenção com os ouvidos, mas meus olhos só encaravam uma pessoa: .
- , não é nada disso que você...
- Poupe-me do que você vai inventar .
Ele me encarava de volta como se quisesse falar algo, mas eu não estava com vontade de ouvir. De repente ele me puxou mais para o lado:
- Mas não é isso! Eu não fiz nada! Eu só estava conversando com o Pedro até ela chegar e entrar na conversa. E eu fiquei com tanta raiva quando ela disse que você já ficou com ele e eu continuei a conversar, mas só! Eu nunca faria...
- Oh , nunca faria o que? Ficar com ela? Até parece! Eu posso ser o que for, mas não sou cega! Além do mais... Nós não somos exclusivos, não é mesmo? – quando disse isso ele me soltou – Você pode ficar com quem você quiser... Eu não estou te prendendo! Não somos namorados nem nada, não é mesmo? – disse e fui me aproximando dele e falando mais baixo – É tudo o que você queria . Sexo, não é? Pode ter certeza, com ela você vai conseguir!
Meus olhos se enchiam mais. Quando senti que uma lágrima ia rolar, passei meus dedos pelo rosto e limpei rapidamente.
- Pelo jeito é tudo o que você queria também, não é? Caminho livre pro Pedro, o anfitrião! – ele disse cerrando os olhos. De tudo o que ele poderia dizer, essa foi a coisa mais cretina que eu ouvi.
- Rá! Claro! Agora coloca a culpa em mim! Fui eu que armei isso tudo! Se você tivesse me esperado em casa, poderia ter sido diferente... Mas não! Tão ansioso em arrumar um rabo de saia que libere facilmente pra você... Bem, você achou um. Divirta-se. Não é como se essa situação não tivesse acontecido comigo antes, não é mesmo? Só obrigada por revivê-la pra mim.
Virei as costas e fui andando em direção aos meninos, que nos observavam e conversavam com Pedro ainda.
- , espere! – senti sua mão segurando meu braço.
- Me solta ! ME SOLTA! – puxei meu braço o fazendo me soltar – Curte suas férias. Vou curtir as minhas. Pode deixar que agora eu vou te dar razão pra tudo isso! – virei pra ele e o puxei, colando minha boca no seu ouvido e sussurrei – Sabe por que eu não transei com você hoje lá no meu quarto? Porque eu planejava algo especialmente pra você – disse passando minha mão pelo seu braço direito – fui até no Centro comprar umas lingeries, umas coisas... Diferentes. Ia ser uma loucura! Não queria estragar a festa antes do momento sabe? – senti seu corpo se arrepiar. Agora ele ia ver o que ele perdeu! – Provavelmente iámos passar a noite toda juntos e só Deus sabe mais quanto tempo! Mas, como sempre, seu espírito escroto atrapalhou tudo! Então hoje quem perde é você – me afastei e o olhei, que mantinha os olhos fechados. – Mas pode deixar... – ele abriu os olhos me encarando, olhei pra trás em direção aos meninos e Pedro me deu um tchauzinho - Alguém hoje com certeza vai ganhar essa recompensa!
Sorri sarcasticamente e saí em direção ao bar, peguei uma cerveja e fui me encontrar com os meninos. Meu coração estava em frangalhos... Mas eu não ia deixar ele perceber isso.
Eu ia fazê-lo sofrer como ele estava me fazendo agora.
POV.
Merda, merda, MERDA! O que eu fui fazer? Por que eu fui dar ouvidos à essa história? A verdade é que eu estava me corroendo de ciúmes! Eu não sabia que Pedro e tinham ficado já, ela não me falou nada!
Também, pra que ela ia me falar?
Quando cheguei na festa e conversei com ele, logo Serena se aproximou e eu sabia que era perigoso! Eu sabia que ela não gostava das meninas, mas, quando ela disse aquilo, que os dois já tinham ficado, eu não aguentei. Continuei dando conversa à ela. Nós não ficamos, mas não foi por falta dela investir! Eu sabia que se eu fizesse aquilo não ia ter volta.
Então chegou e eu queria descontar toda a minha frustração de hoje. Ela pediu desculpas e eu amoleci... Era , afinal. Eu sabia que se conversássemos íamos nos acertar. Quando eu estava pedindo desculpas pelas coisas horríveis que disse, o demônio em forma de mulher apareceu e ficou possessa! Com razão. Eu não sabia a gravidade do que eu estava fazendo.
Eu só me dei conta quando ela jogou aquelas coisas todas na minha cara. Como eu ia imaginar que ela estava planejando tudo aquilo? Quando ela me chama de imaturo, eu tenho que concordar.
Mas não foi só isso que me incomodou...Foi como ela simplesmente me deixou pra lá e seguiu em direção aos meninos... Como se eu não tivesse significado nada pra ela!
Eu sabia que eu a tinha magoado. Muito. Mas achei que ela fosse sair da festa, chorando, que ela ia me xingar... Era afinal. Surpreendente! É claro que ela não ia fazer isso! Ela não é como as outras! Aff, idiota!
Eu ainda pensei em ir atrás dela, mas não deixou.
- Parabéns , você é realmente um babaca!
- Com tanta mulher aqui, logo a Serena, ? – perguntou.
- Não, vocês não tão entendendo. Eu não fiquei com ela! Nós só estávamos conversando e...
- Claro, quanta intimidade pra quem acabou de se conhecer! Só torce , torce pra não estar chorando por aí, porque se estiver, você é um homem morto! – disse e saiu puxando as meninas em direção ao bar. Eu nunca tinha visto raivosa desse jeito.
Bufei e afastei Serena quando ela se aproximou novamente. Saí e encontrei , e sozinhos.
- Onde está ? Vocês viram ela?
- O que aconteceu ? O que você fez dessa vez? – perguntou – as meninas passaram aqui nervosas e disseram que não era pra deixar você se aproximar da porque você já tinha esculhambado demais!
Expliquei o que aconteceu. Tudo, desde o quarto, poupando detalhes, até agora o que tinha falado pra mim e a confusão toda.
- Ah! Parabéns ! Logo quem? Você é doido? – disse nervoso – deve estar possessa com você. Na verdade, não tiro a razão dela. A menina tinha programado tudo e você, com essa fome toda, não soube esperar!
- Mas eu não fiz nada, dude!
- Mas teria feito!
- Mas eu não fiz!
- Calma vocês dois! – interrompeu, nos afastando um do outros – Você fodeu com as coisas , isso é fato. Mas ele não fez nada , então ele pelo menos não foi encontrado pela com a Serena em algum quarto. Agora você tem que acertar as coisas. E se comportar na festa! Conversa com a em casa! Vocês dois são tipo cão e gato quando...
Eu não prestei atenção em mais nada do que ele falava, focava-me numa cena que acontecia no píer: e Pedro conversavam animadamente! Ele tinha colocado uma garrafa de absolut de pêra na mesa e ela feliz agradecia. Junto com o quê? Um pacotinho de jujubas.
Que otário!
Com raiva, fui andando em direção aos dois, não ouvindo o que e falavam. Quando cheguei perto, me encarou esperando eu falar algo. Mas nada saía.
- O que você quer aqui ? Perdeu a Serena? Não é difícil de achar... Procure pela menina mais pelada por aqui que você a encontrará.
- Vamos pra lá .
- Quê? – ela me encarou com incredulidade – Se você não vê, eu estou conversando com um amigo. Agora se me dá licença...
Segurei sua mão e a senti arrepiar. Suspirei.
- Vamos conversar . Você sabe que não é nada disso do que você tá pensando. Nada aconteceu! Por favor...
- Algum problema, ? – Pedro interrompeu.
- Fique fora disso. – respondi entre dentes para ele.
- Isso tudo foi só porque te contei dos planos ? Hahahahahaha! O quão idiota você é se acha que eles ainda são uma opção na minha cabeça. Estamos bebendo e conversando, se não se importa... Me largue.
- Não.
- ... Algum problema? Posso tirá-lo daqui da minha casa se quiser.
- Não Pedrinho, não se preocupe! – Pedrinho? Que merda é essa? – O já vai me largar... Não é, ? – ela tirou sua mão da minha e enfiou no bolso do menino à nossa frente, pegando um maço de cigarros e um isqueiro. Acendendo, devolveu os dois pro bolso e me olhou sugestiva, demorando mais em tirar a mão dali de dentro. – Quer beber com a gente ? Não me importo se você quiser ficar aqui segurando vela... Não se você não se importar!
A olhei nos olhos e balancei a cabeça de um lado pro outro.
- Você é inacreditável . Não acredito que está fazendo isso. Me provocando, sério? Como se já não tivessem feito isso alguma vez antes comigo. Eu te conheço...
- Oh oh, você não me conhece . Você chegou há oito dias, como pode me conhecer? Acho que ficou bem claro que eu não te conheço também, apesar de ser muito previsível! Agora me deixe em paz! – ela disse tragando o cigarro e soltando logo depois – Vamos nos sentar naquela espreguiçadeira maravilhosa que sua mãe comprou Pedrinho? Ótimas lembranças de lá! Além de ser muito confortável também! Vamos – disse pegando a garrafa nas mãos e colocando mais no seu copo, enquanto Pedro carregava as jujubas e o balde com gelo – daqui a pouco encontra uma companhia legal pra passar o dia... Ou a noite, quem sabe? É o que ele quer mesmo... Sexo casual e sem compromisso. Certeza que a Sereninha não vai negar!
E saiu piscando pra mim, me deixando totalmente surpreso e estático com toda a situação.
Capítulo 12
POV.
estava muito fodido na minha mão! Ah se estava! Ele me deixou falando sozinho, saindo de uma forma repentina em direção a como se eu não estivesse aqui. EM DIREÇÃO A LOGO QUEM!
Outro motivo por ele estar fodido comigo: o que ele fez com a . Sério, ele sabia que essa menina – a tal da Serena – só queria provocá-la, por que deu corda?
Vi toda a discussão deles no píer e, após uns minutos, saiu com Pedro deixando parado lá. Confesso, me deu pena. Mas logo passou, porque vi , depois da cara espantada, provavelmente por algo que ela disse, franzir o nariz e cerrar os olhos. Eu conhecia aquela cara dele: vingança.
Olhei pra e , que também observavam tudo, e fiz um movimento com a cabeça, mostrando nosso amigo. Entendendo, fomos todos em direção a ele.
- Você ta bem, cara? – .
- Se eu to bem? Eu to ótimo! acabou de me dispensar, falando que nós não tínhamos compromisso nenhum e que eu tinha o direito de ficar com quem eu quiser... Assim como ela!
- Você procurou por isso, – disse a ele.
- Dá pra parar de me criticar e me ouvir pelo menos um minuto? Você é amigo de quem afinal? De quem há mais tempo? Eu não fiz N-A-D-A. Eu apenas conversei com a Serena! Isso não é pecado capital!
- Cara, ok, eu entendo, mas por que se aproximou dela? Você sabe que se fosse qualquer uma... Mas a Serena... Pô, não precisava apelar! – disse.
suspirou. Olhou para trás de novo, pro mesmo lugar em que há alguns minutos haviam discutido e passou a mão no cabelo, nervoso. Ok, chega.
- Relaxa, cara – disse batendo em seu ombro – só está nervosa... Conversa com ela em casa. Eu entendo você, me desculpa por te julgar... É claro que eu sou mais amigo seu, mas a , ao meu ver, acabou se tornando uma irmã e bem... Ela é muito importante pra , e ela é pra mim então... Não queria ela magoada. É nossa anfitriã, além de ser uma ótima pessoa... Não merece sofrer! Então tenta falar com ela em casa!
- Tentar falar com ela em casa? Tem certeza, ? – olhou pra mim e bufou, olhando pra onde e Pedro estavam sentados conversando – Até parece que ela vai querer falar comigo. Puta que pariu, que merda! Aquela menina me irrita de uma forma inexplicável!
- Deve ser porque você tá gostando dela, cara. – disse.
- Gostando dela? Você quer dizer... HAHAHAHAHA NÃO! Sério que você pensa isso?
- Não só ele ... Todos nós achamos! – disse cruzando os braços. bufou e cruzou os braços também, como uma criança!
- Ok, eu vou admitir que eu sinto algo pela , mas... Não é nessa profundidade! Eu curto ficar com ela, na verdade, gosto pra caralho, ela me faz rir e é espontânea! Mas eu não estou apaixonado! mora aqui, eu moro em Londres... E nós nunca daríamos certo porque ela é muito esquentada e... Meu Deus, imagina só! Não mesmo !
falava tão rápido e não parava nem pra respirar. É claro que ele estava com ciúmes e gostava dela. Só dele admitir e se embolar com todas aquelas palavras eu já percebi. Na verdade, desde quando ele a viu dançar naquela garagem...
- Ninguém falou de você estar apaixonado . – comentou.
E ele achava que enganava a gente.
- Ok então, mate. Você não gosta dela a esse ponto, mas gosta. E se gosta e quer ficar com ela o resto das férias... Você tem que se comportar e conversar com a depois. Enquanto isso, se comporte!
- E se ela não se comportar? – perguntou olhando pra mim.
e me olharam como se procurassem a resposta para aquela pergunta. Dei de ombros. Eu não sabia o que falar.
, e chegaram perto da gente e completamente ignoraram o . Abracei de lado e ela me deu um sorriso lindo, trazendo uma cerveja a mais e a entregando pra mim. Sorri e beijei levemente sua boca sussurrando um “Obrigado”. Aquela menina me tirava do eixo!
bufou, provavelmente por ser ignorado e por ver nós três com as garotas, e foi em direção ao bar. olhou pra ele e balançou a cabeça de um lado para o outro.
- Escroto. – ela disse baixo e tomou um gole de cerveja.
- ... – disse, fazendo ela olhar pra mim e sorrir. Como dizer aquilo... – Olha... O ... – seu sorriso foi fechando – Ele... Ele é legal, sabe? E eu acredito nele. Nós conversamos aqui e ele disse que não aconteceu nada. Jurou de pé junto! Ele ta puto da vida, provavelmente morrendo de ciúmes! Claro que eu disse pra ele que ele exagerou. Ele explodiu com a lá no quarto, veio pra festa e acabou descobrindo que a ficava com o Pedro, porque o menino disse pra ele que eles AINDA ficavam! Aí ele quis fazer um ciuminho nela... Mas ele disse que a tal da Serena chegou perto deles quando os dois conversavam e deixou pra lá. Ele já estava puto com a história toda, mas ele não fez nada.
- Como você tem tanta certeza disso ? Sabe... É o ! O garanhão e tal. A está tipo... MUITO magoada! Pelo jeito que a porcaria da Serena chegou perto do , com tanta intimidade... Ela ta bem puta também. O problema é que só quer saber do próprio umbigo! Ele não pensou em como ela ficaria?
- – disse. Percebi que todos estavam parados e prestavam atenção na nossa conversa. –, o ta gamado na ! Será que vocês não percebem? Desde quando vocês dançaram aquela música maravilhosa na garagem – rimos todos – ele não tira os olhos dela. Até parece que ele ia fazer isso com ela e...
Ouvimos um barulho num canto da casa e olhamos para saber o que estava acontecendo.
Meus olhos arregalaram e meu queixo caiu.
estava em cima da mesa de granito com dois meninos em volta dela, fazendo uma dança bem sensual. Ela gargalhava e bebia, provavelmente a tal Absolut de pêra. Engoli em seco e olhei pro bar, procurando meu amigo, para saber se ele já tinha visto a confusão que acontecia ali.
Não demorou muito. vinha andando na nossa direção tomando uma Heineken. Seus olhos estavam em nós, mas vacilaram em direção à mesa, provavelmente querendo saber o porquê do barulho todo naquela região. Ele olhou rápido e voltou a nos olhar, ainda andando. Ele não tinha visto quem era que estava lá.
Então, de repente, ele parou. Parou o caminho que fazia em nossa direção e olhou novamente para a mesa. Fixando seus olhos na menina dançando, vi meu amigo ficar vermelho de raiva. Respirei fundo, larguei e fui em direção a ele. Apertei seu ombro, fazendo ele perceber que eu estava ali e me olhar.
- Ela só está querendo te provocar . Ela quer chamar sua atenção. Você sabe... Vai pra casa, toma um banho e logo vai parar e vai atrás de você...
- Ah claro! E deixar ela aí, se agarrando com todos essas caras! – ele apontou pra ela, falando alto comigo, fazendo com que as pessoas ao nosso redor nos encarassem, inclusive os caras e as meninas – Quer saber, foda-se! Ela pode se divertir, eu também posso! Afinal, não estávamos ficando sério, não é? Na verdade, nem ficando nós estamos mais! – disse, jogando os braços pra cima. Sua respiração estava rápida e fora do ritmo. Ele olhou novamente para a mesa e eu segui seu olhar.
nos encarava parada em cima da mesa, mordendo o lábio inferior. Ela olhava pra mim, depois para , e fez isso várias vezes. Olhei pro meu amigo e ele a encarava com os punhos fechados. Logo, seu sorriso sarcástico surgiu em direção à ela. Ele me olhou de volta, ignorando , que ainda estava parada em cima da mesa nos encarando, e disse:
- Pode ficar tranquilo , não vou me meter mais com a sua amiguinha. Isso é, já que ela não liga, ela não vai se importar se eu me divertir... Como ela ta fazendo. – e saiu para os fundos da casa. Suspirei e olhei pra novamente, que agora descia da mesa e ia para o píer, direção oposta da que tinha ido.
- , o que o disse pra você? – me perguntou – Fala ! O que aconteceu!?
- Essa festa está um caos! – falei mais alto colocando as mãos na cabeça e encarei – Vou lá falar com ela.
E parti em direção a . Se esses dois não se controlassem eles iam colocar fogo na festa!
POV.
“Na verdade, nem ficando nós estamos mais!”
Acho que bebida nenhuma no mundo me faria esquecer a voz de naquele momento, dizendo aquelas palavras. Tanta raiva!
É verdade, nós não tínhamos compromisso nenhum. Como ele pode ter algo com a Serena, sabendo o que aconteceu comigo? Ele prometeu não me magoar. Prometeu! E eu levo muito a sério promessas!
Acendi outro cigarro. Eu só fumava quando estava estressada, ou preocupada, ou ansiosa. Qualquer situação que eu precisasse relaxar eu acendia um e pensava... Mas nesse momento, minha cabeça estava uma bagunça sem tamanho, nem o cigarro me ajudava a organizar os pensamentos, que só iam para uma pessoa: .
Virei outra dose de vodka. Não sabia que número era aquela. Depois de muito insistir, Pedro desistiu de tentar ficar comigo. Eu disse a ele que não rolava, que ele era meu amigo e só. Eu não tinha cabeça pra outro problema.
Senti meus olhos umedecerem. Respirei fundo e olhei pra cima, tentando equilibrar as lágrimas que teimavam em se formar no canto dos meus olhos. Mordi meu lábio e, não aguentando mais, pisquei, fazendo com que duas rolassem, morrendo em meus ombros. Puta que pariu, não acredito que eu estava chorando por causa de homem... De novo.
- Hey, não fica assim. Tudo vai acabar bem, você vai ver.
Olhei pro lado ao mesmo tempo em que limpava os vestígios do meu rosto. Como se isso adiantasse algo! Eu sabia que meu nariz deveria estar um tomate e minhas bochechas coradas.
- Eu to bem ... Só, me deu vontade de espirrar.
- Ah, fala sério ! Vai querer mentir pra mim agora? – ele sentou ao meu lado e passou um dos braços por trás de mim – Hey, sei que você ta magoada... Mas, você sabe... Ele gosta de você. E no fundo, você sabe que ele não fez nada, mas ta orgulhosa demais pra admitir. E você exagerou ali em cima – disse apontando pra mesa, onde algumas pessoas dançavam – ele ficou furioso!
- Furioso por quê? Eu e ele não temos nada, eu não sou nada dele, nem ele meu! Ele pode se divertir com quem ele quiser, eu não me importo. Não mesmo!
virou pra mim como se dissesse pelos olhos “pode ser franca comigo!”. Aquilo me derreteu. Suspirei e desabafei:
- Por que ? Por que ele fez isso comigo? Sabe, ele podia ter ficado com qualquer outra menina... Eu não ia ligar... Mas...
- Ah, qualé ! Até quando você vai se enganar? Na verdade, até quando vocês vão se enganar? – olhei pra ele com confusão nos olhos – você sabe do que eu to falando – mordi os lábios. É, eu sabia. – Todos nós sabemos que vocês tão se gostando pra caramba. Se vocês tão tentando enganar a gente, esqueçam! Só se essa birra toda estiver adiantando pra enganar vocês mesmos!
Suspirei e encostei minha cabeça no ombro dele. Ele me afagou e continuou falando:
- Sabe, o também teve uma desilusão recentemente. Você acha que ele não tem medo de se envolver? Por isso ele fica negando sempre que tá caidinho por você. Na verdade, hoje ele admitiu que ele gosta pra caramba de ficar com você e nós sabemos que você dele. Então por que vocês não param de brigar e se entendem de uma vez?
- Porque não é fácil assim ! – disse, me levantando e ficando de frente pra ele, falando um pouco mais alto e nervosa. Bêbada provavelmente. – Você acha que é fácil pra mim, admitir que eu tô afim do ? Tem UMA SEMANA que vocês estão aqui! Eu tento, juro que tento viver um dia após o outro, mas não dá, e você também sabe disso! – olhei pra ele e ele também sabia do que eu tava falando.
Do que a gente tava falando?
Dos míseros dias que nos conhecemos e a confusão de sentimentos que estava a cabeça de cada um em relação aos nossos pares.
É claro que é isso.
Nós suspiramos e ele levantou e me abraçou. Nesse momento, eu me senti uma fracassada, que estava triste e chorando por alguém que também estava afim de mim. Ou seja, chorando por nada! Porque era só ele parar com essa cabeça dura e eu também e nós nos resolvermos!
- Aliás, esquece isso da Serena. Do mesmo jeito que você tentou atingir ele em cima daquela mesa dançando, e por sinal conseguiu, ele tentou te atingir com ela, mas ele não ficou. Ele só estava conversando e me garantiu isso.
Suspirei e funguei novamente, deixando lágrimas rolarem livremente. Não sei por quê, acho que por reconhecer o quão idiota eu estava sendo. afagou minha cabeça e ficou ali até eu parar com essa cena toda. Realmente, muito drama Queen.
Nos separamos e eu percebi que estava meio tonta. Claro, eu tinha bebido igual uma porca! Olhei pra e sorri.
- Onde ele está?
- Bem... Isso é uma questão difícil. Antes da mesa, falei pra ele ir pra casa e esperar você lá que eu ia te convencer a voltar... Mas agora... – ele suspirou – É uma boa pergunta.
Sabia que não ia deixar pra lá. Ele é homem, repetindo, não éramos sérios e bem, é solteiro. Assim como eu. Eu não vou correr atrás dele. Ele provavelmente estava se divertindo com alguma piriguete da festa por aí.
- Ok, deixa pra lá. Ele é adulto e sabe o que faz. Provavelmente é melhor assim mesmo. Eu não vou ficar correndo atrás dele, logo ele que me fez passar tanta raiva! Onde estão as meninas? E e ? Vamos lá! – peguei o resto da garrafa de Absolut – vamos nos divertir! Beber até cair!
riu e me puxou, em direção onde, provavelmente, estava o pessoal.
Chegando lá as meninas me abraçaram e eu meio que resumi toda a conversa e todo o caso, claro que o me ajudou. As palavras já estavam embolando na minha boca. Continuei a beber.
Não tinha visto desde quando ele me viu na mesa. Na verdade, eu também não estava querendo vê-lo. Sabia que ele estava se divertindo... Não ia atrapalhar, eu ia me virar e me divertir!
”Em pensar que eu poderia estar em casa agora, provavelmente fazendo um strip tease, sentindo aquelas mãos... Pff!“
- , vou sair, não vou voltar com vocês, tá?
Meus pensamentos foram interrompidos por aquela voz que me fazia arrepiar toda. No susto, virei minha cabeça em sua direção tão rápido que fiquei tonta. me segurou e perguntou baixinho se eu estava bem. Respondi com a cabeça que sim, tomei o resto da minha bebida e o encarei.
Ele não me olhava. Estava ao lado de , que estava na minha frente.
- Ah é? Assim como não veio, né?
- É, vou dar uma saída, encontro vocês em casa.
Uma saída?? Com quem? Por quê?
- Saída? Como assim, você veio na festa hoje e já vai sair?
- É, não me esperem tá? – ele virou e olhou para e – tchau caras, amanhã a gente se fala.
E saiu.
Senti meu coração acelerar e meu sangue subir à cabeça. Eu não ia falar nada, não era nada meu, e estava me irritando. Vai lá querido, se divirta! Espero que se divirta bastante!
As meninas olharam pra mim como se perguntassem se eu estava bem. Os meninos a mesma coisa. Sorri pra eles como quem não sabia de nada:
- O quê? O que eu fiz? – e soltei uma risadinha, bebendo mais.
- Nada, você está bem?
- To sim , relaxa! Não é como se eu fosse morrer ou algo assim. O pode se divertir o quanto ele quiser, não foi por isso que vocês vieram? Fériaaas! – disse a última palavra cantando praticamente.
- Nossa, preciso de uma tequila! Alguém me acompanha?
- Opa! Eu, ! Vamos lá! – saí a puxando em direção ao bar. – Vamos meninas! Quero dançar também! Adoro essa música!
Tocava We Found Love e isso realmente despertava minha vontade de extravasar!
E eu ia...ô se eu ia!
POV.
Eu não aguentava mais ficar naquela festa! Olhar e saber que ela tinha deixado tudo pra lá... Me irritava! Foi quando:
- Hey , espero que ainda se lembre de mim!
Olhei pro lado... Era a loira da boate de outro dia.
- Ei...
- Ashley, meu nome é Ashley.
- Claro que eu lembro de você. Da boate aquele dia né? Só não lembrava realmente seu nome.
- Não, sem problema! Você conhece o Pedro?
- Não. Na verdade, conheci aqui. Ele é amigo de uma amiga minha.
- Aquela louca que saiu te puxando da boate?
- É, dela.
- Achei que vocês eram namorados. Não são? – ela perguntou, se aproximando de mim.
- Não, ela apenas está me hospedando na casa dela. Eu e meus amigos.
- Nesse caso, o que você acha de darmos uma volta?
Por que não?
- Acho uma idéia maravilhosa! Só espere, vou avisar os caras que vou sair.
Fui em direção a eles e avistei ali, e, pela cara, já meio bêbada. A ignorei e avisei aos meninos, saindo logo após com Ashley para algum barzinho perto da praia.
Nós ficamos ali bebendo e flertando. Depois de algumas horas, já alegres o suficiente pra falar muita besteira, começamos a nos agarrar. Ashley me provocava sempre passando a mão pelo meu peito e me arranhando, o que me deixava bastante excitado. Ela me beijava e mordia meu lábio inferior, me acariciava na nuca e sorria safada. Deus, eu estava ficando realmente apertado por ali. Ela só não me deixava mais doido do que a...
Esquece! Puta que pariu!
Afastei Ashley de mim que me olhou mordendo o lábio.
- O que foi? Aconteceu alguma coisa?
- Não, nada. Vamos sair daqui?
- Quer ir lá pra casa? – ela perguntou, beijando meu maxilar e passando a mão na minha região baixa por cima da calça.
- Com certeza! – e saí a puxando para fora do bar.
POV.
Graças a Deus chegamos em casa! e as meninas estavam rindo horrores de algo que eu não sei o que era. Nós não estávamos diferentes, mas eu, pelo menos, estava conseguindo discernir algumas coisas.
Era mais ou menos umas 4 horas da manhã. Ficamos no pátio conversando e bebendo mais, principalmente e , que não pararam nem um minuto.
Quando deu umas 6 horas, apareceu. Sim, e sumiram da festa. eu sabia que tinha saído, provavelmente com alguma menina que conheceu por lá, e ... Bem, essa daí despirocou total. Além de encher a cara e levar as meninas junto com ela, de uma hora pra outra ela desapareceu de lá. Sério, procuramos e nada. Enfim, as meninas falaram pra deixar porque ela conhecia muita gente, provavelmente foi parar na casa de algum vizinho.
Enfim, quando ela apareceu, vários gritos de “Aleluia!”, “Finalmente!”, um “Trouxe mais bebida?” da e outro “Onde você tava sua piranha?” da invadiram o local. Ela sorriu, se aproximou cambaleando, deixou seu sapato perto de e sentou em seu colo, beijando seu rosto.
- Eu estava na casa do... Ahnn... Não sei! Esqueciiii amiga o nome dele, Jesus do céu! Era algum amigo do Pedro. Sei que eu encontrei com o gatíssimo do Justin lá e nós ficamos e rolou uns amassos e...
- HEY! EU NÃO PRECISO FICAR SABENDO DESSES DETALHES! – gritou interrompendo elas.
- Nem eu! – disse.
- Nem eu, ! – respondi também, fazendo elas rirem.
- Ah! Calem a boca! Deixa a menina falar! Liberdade de expressão! Conta amiga, você deu pra ele? – perguntou.
- AH PELO AMOR DE DEUS! – disse, levantando e indo em direção à cozinha, provavelmente pra pegar mais bebida.
- Não, né ! Mas ele é uma delicinha. E bem, nós fomos lá na praia, vimos o sol nascer e ele me convidou pra passearmos de iate com uns amigos e os pais dele! Por isso vou subir e tomar um banho que daqui a pouco ele volta pra me buscar! – ela disse levantando – Beijos e bye bye! – e saiu andando pra dentro da casa.
Sem sono, continuamos a conversar e beber. Viramos a noite ali e uma coisa me atormentava: tinha chegado e não. Já passou das 7 horas e nada. Só me faltaria sair daqui a pouco e encontrar com ele chegando! O clima ia ficar tenso se eles se encontrarem. Continuamos ali, bebendo e falando besteira. Eu já tinha pegado o violão e cantávamos algumas músicas e ríamos de tudo. Também, estávamos sem dormir até agora!
Como que atendendo meus pensamentos (ou não), ele surgiu no portão, com a camisa na mão, andando em nossa direção. Os meninos começaram a zuar com ele e as meninas ficaram quietas.
- Aê garanhão! Se deu bem hein?
- Isso é hora , meu amor? Eu estou te esperando acordado! Com quem você estava? Quem é a sirigaita? – disse, se levantando e colocando a mão na cintura, imitando, provavelmente, a mulher dele.
riu sem graça, coçou a nuca e sentou na cadeira perto da gente.
- Saí por aí.
- Com quem?
- Uma garota que eu conheci lá na festa. Na verdade, eu já a conhecida. É aquela loira lá da boate, lembram? Ashley o nome dela.
- Hmmm, então sobe e vai mudar de roupa e tomar um banho que...
Fui diminuindo minha voz ao perceber quem estava saindo de casa e chegando perto da gente.
vinha toda arrumada, de óculos escuros e roupa curta . O silêncio tomou conta do lugar.
- Não precisam parar de falar porque eu cheguei gente, que horror! Só vim buscar meu sapato que deixei aqui ontem pra guardar. Puta que pariu, que ressaca... Eu precisava de no mínimo umas 10 horas de sono pra me recuperar! – ela disse, enquanto voltava para dentro da casa e guardava os sapatos.
Olhei pra que encarava a própria perna com olhos arregalados. Provavelmente tinha visto ela chegando e... Ela tava muito gata!
voltou e sentou no braço do banco do lado de e passou o mão nos cabelos dela.
- Amiga, já vai? Quando você falou que ia sair cedo não sabia que ia ser tão cedo assim! – olhou pra e disse – Que horas o Justin vem te buscar?
Ela era maldosa.
- Daqui a pouco, isso se ele já não estiver aí.
- Quem diria, muita coincidência você encontrar com o carinha da boate ontem. Traz ele aqui depois! – falou. Provavelmente maldosa também, mas não sabia, ela estava muito bêbada.
levantou o olhar e encarou .
- O cara da boate? Aquele loiro?
- Não que isso tenha algo relacionado a você, mas sim, ele mesmo. – ela respondeu cruzando os braços.
- Que coincidência! Encontrei a Ashley também, aquela da boate lembra? - ele disse, cruzando os braços e olhando pra ela com olhar de desafio.
- Não, não lembro. – ela respondeu, olhando para as unhas. – Sinceramente , não fico reparando nas meninas que você pega ou não. Nem seipor que você...
Então Corrupted começou a tocar de algum lugar da bolsa dela.
- Ei Justin, já está aqui? – Ela perguntou virando de costas pra gente, como se quisesse privacidade. – Ok, já estou saindo! Não! Deus do céu, ficar sem dormir não é pra mim não! Espero que tenha uma cama ou um sofá bem confortável pra eu tirar um cochilo! Acho que ainda estou bêbada! HAHAHAHAHA! Tá, to saindo e a gente conversa, deixa eu despedir do pessoal aqui. Beijos! – terminou e virou pra gente.
- Tem certeza que você vai ? Não pode remarcar ou algo assim? – perguntei.
- Não! Que isso! Remarcar por quê? A noite é uma criança, assim como a manhã, a tarde e a noite! Eu sou solteira e desempedida! E ele ta lá fora me esperando já.
- Vamos sair hoje quando você voltar ou algo assim?
- Ah , sabe o que é, não sei. Não sei que horas eu volto... Eu ligo qualquer coisa! Beijo pessoal! Não me esperem acordadooosss! – e saiu andando em direção ao portão.
Suspirei e olhei pra , que seguia enquanto ela saía da casa.
- Então cara, vai lá tomar um banho e descansar! Na verdade, acho que todo mundo deveria fazer isso. Viramos a noite toda e nem percebemos, vocês bebem pra caralho! – todo mundo riu, menos .
- To subindo. Mais tarde a gente se fala galera. – disse e saiu andando.
Suspirei e olhei para , que sorria maldosa.
- Sabe , acho isso muito palha da parte de vocês. Ficar provocando ele assim. O é meu amigo, como vocês reagiriam se eu fizesse isso com a ?
arregalou os olhos e me encarou como se não acreditasse no que eu estava dizendo.
- O que você ta falando ? O sacaneou ela!
- Não, ele não sacaneou. Ele jurou que não fez nada, mas agora, depois daquela confusão da mesa e tal, ele resolveu deixar pra lá e curtir! Assim como fez, se vocês não perceberam! Eu só acho que ELES se meteram nessa confusão e ELES deveriam sair dessa, sozinhos. Eles se gostam , e você sabe disso! Para, por favor, de colocar pilha contra! Se for pra falar algo, ajuda, não atrapalha!
Ela ficou me olhando assustada e eu encarei as meninas.
- Acho que isso serve pra vocês também. O gosta muito de vocês meninas, mas assim não dá né? Ficar vendo vocês fazerem isso com ele é foda, deveriam saber disso! Vocês sabem que eles tão se provocando porque estão com ciúmes um do outro! E eles vão se resolver, vocês vão ver.
Levantei e subi. Fui em direção ao quarto de . Bati e entrei, encontrando-o sentado e olhando pra janela, perdido em pensamentos.
- Hey cara, tá tudo bem?
- Hmm, tá sim.
- Se divertiu hoje lá com a garota?
- Foi legal. – deu de ombros.
Fiquei olhando pra ele e ele pra mim. Depois de um tempo suspirei e disse:
- Pode perguntar, cara. Você sabe que pra mim você pode perguntar.
- Como ela encontrou com esse cara?
- Não sei. Assim que você saiu, arrastou as meninas pra beber e dançar e depois sumiu. Só apareceu aqui um pouco depois que o sol nasceu.
- E ela foi pra onde com ele tão cedo ?
- Parece que iam andar de iate com amigos e a família dele, não sei direito.
- Ela ficou com ele?
Olhei nos olhos dele, suspirei e balancei a cabeça afirmativamente.
- Digo, ficou... Ficooooou?
- Não. Ela falou que não.
Ele suspirou, passou as mãos no cabelo, fechou os olhos e perguntou:
- O que eu faço cara? O que eu faço com essa confusão? Eu queria tanto sair e socar a cara desse... Justin!
- Dude, vocês brigaram por uma besteira, e vão se acertar. Só que, não vai adiantar nada ficar um provocando o outro. Puxa ela pra conversar e se acertem pelo amor de Deus! As meninas tão todas putas, apesar deu ter dado uma prensa nelas. Sei que você não ta errado, mas, se você quiser curtir sua viagem com a , vai atrás dela. Ela não vai atrás de você, acho que você sabe disso. Agora se quiser passar os outros 20 dias piranhando por aí bem, você ta no caminho certo!
- Não acredito que ela saiu com esse Justin! – ele disse se jogando na cama.
- Você não queria que ela ficasse em casa chorando mágoas né, , por favor! Você não faria isso, por que ela deveria?
- Porque ela é menina!
Nós dois rimos com o argumento dele.
- Ok dude, vai dormir. Descansa e daqui a pouco vocês conversam, ou sei lá. Vamos ver o que vai acontecer.
- Eu espero, sinceramente, que nada aconteça.
Afirmei com a cabeça, mostrando que tinha entendido o que ele quis dizer e saí do quarto, desejando com todo o meu pensamento que a não demorasse.
Capítulo 13
É claro que minha vontade de ficar e dormir até tarde e desmarcar aquele passeio mongol de iate com o tal do Justin existia, mas eu não ia fazer isso. Se podia se divertir, sair e comer aquela loira peituda plastificada, por que eu não posso dar pra quantos caras eu quiser?
Ok. Exagerei.
Eu sabia que eu não ia transar com o menino, eu mal o conhecia! Eu tinha aceitado sair com ele porque... Eu queria me divertir! De quebra ainda provocar , mesmo não sabendo se estava dando certo.
Saí de casa quando ele chegou. Eu tinha perdido todo o meu sono depois de vê-lo chegando sem blusa, da janela do meu quarto. Tratei de me arrumar rapidamente e desci, pegando-os de surpresa. Ele nem olhou pra mim, até as meninas falarem do Justin, que foi quando eu percebi que algo estava o incomodando. Fiquei feliz!
Justin era um cara legal, a saída foi bem proveitosa, conheci alguns amigos dele no iate e os pais, que são bastante divertidos. É claro que ele me apresentou como uma amiga dele apenas, sem pressão nem nada.
Depois que eu estava lá, eu não queria mais sair. Confesso que fiquei com medo de voltar pra casa e encontrar lá, provavelmente com a piriguete, e de encarar minhas amigas. Eu as estava evitando, por isso a fugida da festa. Elas sabiam que eu tinha me afetado com a saída de e com o que ele falou, jogando na minha cara que eu deveria ter previsto que isso ia acontecer, afinal, era o . Então eu não queria mais ouvir aquelas coisas, estavam me confundindo mais ainda! Eu estava chateada, puta, magoada e queria chorar. Sentimentos de bêbado, né? Saí de perto delas e acabei esbarrando em Justin, que me tirou dali.
Acabei descobrindo novas pessoas lá no iate, até legais, que me chamaram pra fazer mais coisas naquelas férias. Eu estava topando tudo, quanto mais melhor, para me manter fora de casa e longe dos meus amigos. Eu não ia conseguir sustentar uma máscara boa o suficiente quando visse a Barbie de horrores com o . E eu também não queria levar Justin pro meu círculo de amigos, apesar de ter sugerido isso. Ele até poderia ir uma vez lá durante essas férias, apenas para provocação.
Eu sorria e tomava muitas e muitas taças de champagne. Aquele sentimento de alegria me dominava cada vez mais. Dançava com as meninas, jogava cartas com os meninos, conversava com os pais de Justin e até aprendi a dirigir um pouquinho o iate. Justin insistia em sempre me beijar e aquilo me incomodava. Almoçamos em alto bordo, mergulhamos, os meninos tocaram violão e eu revelei saber tocar . Eles ficaram surpresos, claro!
- Uow! Uma menina que sabe tocar ! Isso é difícil de encontrar. Essas meninas de hoje em dia só sabem tocar a campainha e fazer compras. Legal! – disse um dos meninos.
- Bem, meu pai é do ramo musical, né? Eu sempre gostei de música e sempre quis aprender algum instrumento!
- E por que logo ?
- Não sei – eu não ia dizer o verdadeiro motivo – acho que foi aleatório, mas eu sei tocar um pouco de violão também!
Continuamos conversando e depois eu acabei pegando o violão e tentando arranhar algo. Bebinha do jeito que eu estava, acho que não saiu muito legal.
Depois daquele dia, o nono dos meninos lá em casa, eu continuei saindo com Justin e seus amigos. Era o quarto dia que eu praticamente ia pra casa, dormia, acordava e saía. Eu já não via , os meninos, as meninas, muito menos . Na quarta-feira, resolvemos andar de iate de novo.
Já no iate, depois de um tempo fora de casa, senti meu telefone tocar e me afastei do grupo para atender.
- Aaaaalô, quem fala? – atendi rindo.
- Mas a festinha aí deve estar muito boa pra você não dar notícia nenhuma para nós! Esqueceu que tem hóspedes em casa, querida?
- Quem ta falando?
- É o , sua cabeçuda! Poxa ! Estamos aqui, solitários, sem diversão nenhuma e você aí, com esse babaca bebendo todas, pela sua voz, e rindo! Já faz quatro dias que não te vemos direito! Queremos você de volta em casa! Agora!
- Hahaha! Você é um imbecil!
- Como está aí? Já vomitou no mar? Tá balançando muito?
- Eu estou tomando caipirinha, tocando violão, conversando com meus companheiros de bom bordo... Tanta coisa!
- Já deu também? Porque só falta você me falar isso!
- Não! Nem vou! Eu acho...
- PARA! Eu não quero saber! Então, que horas você volta?
- Que isso, ? Por que você ta me controlando? É meu namorado agora?
- São 15h já ! Deixa de ser enjoada garota! Eu só to com saudade de você aqui e... Ah, ! Vem pra gente fazer uma festinha aqui! Eu quero beber, caralho!
- Você não precisa de mim pra fazer uma festa! As meninas estão aí, podem se organizar!
- Mas a casa é sua!
- Mas podem fazer sem mim! Eu chego na parte boa!
- Ok então. Agora pode ficar aí. Tudo o que eu queria saber você já me respondeu: que eu posso dar uma festa na sua casa!
- RÁ! Você só quer que eu volte por causa da festa? Você é um idiota!
- Na verdade... – ele disse falando mais baixo e eu ouvi uma porta batendo – Acho que tem alguém aqui que está inquieto por você ter sumido todos esses dias.
Meu coração deu um solavanco.
- é fogo! Ela não consegue ficar um tempinho sem mim, não? – ri sem graça.
- Você sabe de quem eu estou falando. E não é a .
Outra pausa. Falta de ar.
- Ah ... Para com isso!
- Não, é verdade . Quando você está em casa, é só pra dormir! A gente nem se fala mais... E você só ta com esse Justin! É claro que ele vai ficar inquieto! Ele ta querendo conversar com você desde aquele dia da festa e...
- Eu estou aí todos os dias – o interrompi – não vejo o tentando falar comigo nem nada. Se ele quisesse, ele poderia falar. Não sou inacessível.
- Você chega bêbada todos os dias em casa, como você quer que ele converse com você?
- Isso é mentira!
- Ontem você dormiu no sofá! que te levou pro quarto! E você resmungava algo em português, como uma música. As meninas falaram que era um sertanejo, algo tipo “Chora, me liga, implora meu amor de volta”.
Ri daquela observação.
- Bem que eu fiquei me perguntando como fui parar no quarto.
- Agora é sério ... Vem pra casa mais cedo hoje. Dá a oportunidade para ele conversar com você! Você sabe que...
Então ouvi o barulho da porta se abrindo rapidamente por lá e duas pessoas falando algo.
- Peraí. – disse e colocou a mão no bocal do telefone, provavelmente tentando abafar a conversa.
“É ela ? Você ta falando com a ?”
“Não eu...”
“Deixa eu falar com ela!”
“Não, não é ela!”
“Você não sabe mentir ! Me passa o telefone!”
“, ela não quer falar com você! Espera ela chegar em casa cara!”, ouvi a voz de falar.
E a discussão continuou, mas eu fiquei viajando naquelas palavras, até finalmente minha ficha cair.
estava ali e queria falar comigo.
Naquele momento, meus pés gelaram em cima do salto, meu coração acelerou e meu ar faltou. O que eu ia falar com ele? O que ele queria falar comigo?
- , ta aí ainda?
- Tô... . Olha só, vou desligar porque o sinal não ta muito legal e...
- Ok, mais tarde a gente se... EI! DEVOLVE O TELEFONE!
- , preciso falar com você. Que horas você chega em casa? – ouvi a voz de dizer – Sem enrolação agora. Preciso mesmo falar com você.
- Olha, não sei que horas eu chego em casa, ...
- Para com essa onda de , , ! Volta pra casa agora! Não sei como você vai fazer isso... Vem nadando! Estou indo te buscar na praia.
- Quer falar o quê comigo hein ? – disse mais uma vez, sabendo que estava irritando-o – A spice girl pink te deu um pé na bunda?
- É, é sobre ela que eu quero falar com você, sua pé no saco! – suspirou – Até quando você vai ficar jogando merda na minha cara esperando que eu não responda? Eu quero falar com você , e agora é pra valer.
A voz dele séria me assustou ao mesmo tempo que me arrepiou inteira. Sexy. Eu não tinha noção do que ele queria falar comigo, mas eu não estava a fim de conversar com ele.
- Eu não estou a fim de sair daqui agora. Estou me divertindo e, se eu fosse você, faria a mesma coisa. Não sei que horas vou chegar, nem sei se chego hoje! – disse, tentando ser malvada, deixando segundas intenções brotarem na cabeça dele – Não me liga e não enche o meu saco! – dizendo isso, desliguei.
Eu tremia, tremia de nervoso e de medo. Não que ele fosse fazer algo contra mim, mas medo do que ele queria conversar comigo. Eu sabia que uma hora ou outra o que quer que ele queira me dizer eu ia ficar sabendo... Afinal, uma hora eu ia parar em casa, né? Eu chegava bêbada sempre com o intuito de não conseguir conversar, além de querer afogar qualquer sentimento que eu tinha por ele.
Só que aquela situação estava me sufocando já. Eu, apesar de gostar de sair com Justin e seus amigos, não aguentava mais ficar longe das minhas garotas e dos guys. E eu estava saindo muito com ele, deixando os pais dele pensarem que o que estava acontecendo entre a gente estava se tornando sério, sendo que NADA estava acontecendo... Apenas uns beijinhos.
Suspirei e segui para dentro do iate, encontrando os meninos tocando outra música e cantando juntos. Me sentei e fiquei pensando naquela vontade que estava de conversar comigo e meu coração parou de novo por um momento. Eu também tinha muita coisa a dizer, mas eu não ia arriscar falar, chorar e ainda passar por uma garota mimada e apaixonadinha.
Porque, na verdade, eu sentia algo bem forte por . E eu sabia disso.
Eu poderia negar o que fosse, mas aquilo era sério. era muito carinhoso comigo, quando passamos tempo juntos. Nós gostamos de coisas bem parecidas, rimos de tudo, fazemos piada de tudo... Apesar de sermos diferentes em outros pontos.
Quando eu fechava os olhos e os momentos bons daquelas férias vinham na minha mente, o rosto de sempre estava incluído. Meu coração acelerava e uma pequena falta de ar me atingia quando eu lembrei do momento no quarto dele em que apenas dormimos juntos, e no banheiro da boate, onde quase transamos, se não fosse a Penélope-nada-charmosa lá. Um sorriso invadiu meu rosto quando eu lembrei dele com ciúmes de mim. Ele era tão lindo... Ele era perfeito pra mim! Como meus sonhos de adolescente se realizaram em treze dias de férias? Só Deus sabe!
Mas do mesmo jeito que o sorriso veio, a aflição chegou. Mordi meu lábio e lembrei dos vacilos. Meu pequeno ataque de pelanca dentro do carro quando o pessoal implicou falando que estávamos juntos, nossa discussãozinha na boate, ele com a Serena... Suspirei. Eu confiava em . Se ele dizia que eles não fizeram nada, eu acredito. Na verdade, no fundo, eu sabia que não tinha ficado com ela. Eu confiei nele quando ele disse... Mas meu orgulho não me deixou aceitar tão fácil. Era a Serena ali, minha confiança não era abalada por ele, mas eu sabia o que ela poderia fazer, assim como ela fez com Breno. Ela me provocava sempre com qualquer homem que aparecesse no meu caminho, e eu tinha medo dele ter sido mais um alvo. Aquela menina era impossível! Minha vontade de joga-la dentro de um barril de ácido era enorme!
- Hey, ta tudo bem?
Abri os olhos e vi Justin na minha frente com uma cara de preocupado. Continuei o encarando. Ele era bonito, simpático e não ficava colado no meu pé. Sua família era de boa índole e ele me tratava muito bem, mas eu não conseguia sentir nada por ele, nada mais forte.
Nem 1% do que eu sentia por .
Deus, por que eu tinha que estar apaixonada por um sex appeal como o , que morava do outro lado do mundo, que podia ter qualquer mulher que ele queria, que tinha uma banda maravilhosa?
Eu não podia me apaixonar pelo normal, sem sal e mauricinho do Justin?
Bem, eu não sabia, mas estava na hora de encarar meus verdadeiros sentimentos.
Eu estava apaixonada por . Aqueles treze dias, de brigas, discussões, carinhos e risadas despertaram toda aquela paixão teen que eu tinha por ele e a transformou em paixão desenfreada e loucamente inexplicável.
Estava perdida, não sabia como ia lidar com aquilo.
- Eu estou bem, Jus. Vamos pra lá? – me levantei e segurei sua mão.
- Claro, mas tem certeza que ta tudo legal? Tá ficando enjoada?
- Não, na verdade, achei que poderíamos beber mais! Cadê o pessoal? Vamos jogar baralho com shot de tequila!
Eu precisava beber e chegar mais um dia em casa louca pra não encarar aquela delícia na minha frente e falar o que eu sentia. Ou fazer o que eu não devia.
Duas horas depois...
Eu não sabia o que balançava mais: eu ou o barco.
Que horas já são? Como eu vou voltar pra casa?
Eu estava saindo melhor do que a encomenda: queria ficar bêbada, mas acho que fiquei TRIbêbada! HAHAHAHAHAHAHA
- Então, aquela música do gato... Daquele seriado! Gente eu adoro aquele seriado! – eu dizia com o violão na mão tentando pensar no seriado nerd com a loira gostosa – Eu queria tanto aprender a tocar aquela música! – falei ficando triste de uma hora pra outra.
- Calma ! Calma que você vai aprender, peraí... – um dos meninos disse pegando o celular do bolso – vou jogar no Cifras Club e nós vamos aprender! Mas qual o nome da música mesmo?
- Eu não sei! Qual é Justin? – perguntei pra ele e me lembrei de uma brincadeira – Justin, seu nome é igual o do Bieber! – eu disse, começando a rir – JUSTEN! – gritei, fazendo o movimento com a cabeça, jogando o cabelo pro lado, como o Justin Bieber faz.
- Nada engraçado queridinha, vem aqui me dar um beijinho – Ele disse, vindo na minha direção.
Acho que beijei o nariz dele no lugar da boca.
Nós ríamos de qualquer coisa! Se falassem pra gente que alguém deu um infarto e morreu, nós iríamos rir de tão bêbados que estávamos! Os amigos de Justin tinham levado, cada um, um baseado. Então... Explicado o motivo da risada incessante.
De quem foi a idéia mesmo de jogar baralho com shot de tequila?
Logo, quando o barco chegou a uns dez metros da areia, Justin resolveu “brincar” comigo. Ele tentava me agarrar mais safadamente e eu o afastava. Como que por vingança, eu estava beijando-o, quando ele riu, se afastou um pouco de mim e disse “PENSA RÁPIDO!”
E então ele me empurrou na água.
Eu gritei e senti uma pressão gelada bater nas minhas costas, que logo dominou meu corpo inteiro. Bêbada do jeito que estava, o desespero me dominou e eu comecei a sentir água entrar pela minha boca e nariz. Nadava pra cima, buscando a superfície e ar. Quando cheguei, tossi e cuspi água, sentindo meu nariz queimar e alguém me agarrar pela cintura:
- Você está bem? Tá conseguindo respirar? – alguém falava e me balançava, mas eu não conseguia me concentrar na voz, porque minha garganta queimava e eu ainda buscava ar. Se for o idiota do Justin eu vou virar a mão na cara dele e o afogar ali mesmo! – , pelo amor de Deus responde! Você ta consciente?
Cocei meus olhos e encarei a pessoa que me segurava e nadava comigo para a areia.
- ? O que você ta fazendo aqui? – perguntei, o encarando.
- O que você acha? Eu disse que ia vir te buscar! Que eu precisava falar com você... Mas isso não importa agora! Você está bem? – eu afirmei com a cabeça – Que babaca idiota! Como ele pode jogar você na água?
- Acho que era pra ser uma brincadeira! – disse e ri. Na verdade, gargalhei.
- Você ta rindo? Tá rindo de quê? De quase ter se afogado? Não tem graça . PARA DE RIR!
Quando ele gritou essa última frase, eu me calei. E de súbito, uma raiva me dominou.
- Me larga. ME LARGA! Quem é você pra vir aqui!? Eu disse que não era pra vir me buscar que eu não sabia que horas eu ia embora! Eu não quero você aqui! Volta pra sua... Sua... Sua Britney Spears da Tailândia! – disse e me desvencilhei dos braços dele, indo em direção a um banco ali perto e torcendo minha blusa, cambaleando de um lado para o outro. – Cadê a minha bolsa? Puta que pariu, era tudo o que faltava! – Olhei pro barco e vi que o pessoal já tinha saído e vinha na minha direção rindo. – Não teve graça nenhuma Justin! – disse, quando cheguei perto dele, rindo também. Eu estava rindo por que mesmo?
- Ah, que isso ! Para de ser besta! Então, vamos sair amanhã? – ele disse, me abraçando de lado.
- Não, ela não vai sair com você, seu idiota! – disse, chegando perto e praticamente gritando com ele. – Você a empurrou na água, quase a afogou! Fique longe dela! – ele disse, empurrando Justin em forma de provocação.
- Ela vai sair se ela quiser, você não tem nada a ver com isso, maricas! – Justin respondeu e o empurrou de volta.
Eu não conseguia seguir com o olhar a discussão. A única coisa que vi foi socando o nariz dele. Eu estava ficando enjoada, por causa da bebida e do sangue que tinha visto, e tentava falar para eles pararem, mas minha voz saía muito baixa. Logo senti uma tonteira e cambaleei para o lado. Senti dois pares de braços me segurarem, um de cada lado. A ânsia de vômito aumentou, me fazendo desvencilhar e correr pra um canto indefinido da praia e vomitar tudo o que eu tinha bebido. Outras mãos seguraram meu cabelo. Abri os olhos e percebi que era quem estava ali. Respirei fundo pra logo depois voltar a vomitar.
- Coloca tudo pra fora , vai te fazer melhor.
Enquanto eu vomitava, ouvia uns barulhos e a discussão longe.
- , pede... Pede pro parar. Vamos... Vamos embo... – e voltei a vomitar.
- ACABOU, PODE SEPARAR! ACABOU A PALHAÇADA! QUE QUE É ESSE BANDO DE HOMEM GRITANDO E SE BATENDO AQUI? – ouvi a voz de falar – SEGURA ELE ! NÃO SOLTA! Agora olha aqui, querido Justin, não quero saber de você perto da NUNCA MAIS, ENTENDEU? Pois bem, eu espero mesmo que esteja entendido! Ninguém empurra minha amiga pra água, sabendo que ela tinha bebido e sabe-se lá mais o quê vocês fizeram! Ela podia ter morrido seu imbecil! NÃO LIGA, NÃO APARECE NA CASA DELA NEM NADA MAIS TÁ LIGADO? – ouvi um estalo logo após. – Isso é pra você aprender que não se abusa de uma mulher indefesa! Agora separa, vamos embora! , PARA DE TENTAR AFOGAR ESSE MENINO PELO AMOR DE DEUS!!
Logo, apareceu com uma garrafa plástica com água e me deu, fazendo eu me lavar.
- Já estou com sua bolsa . Vamos embora.
As meninas me levaram pro carro. Eu via vultos à minha volta e procurava alguém que eu não conseguia identificar.
- Ei amiga, calma, já vamos pra casa ok? – ouvi dizer – , vamos no carro eu, você, e...
- Cadê o , ? – eu perguntei baixo.
- O quê amiga? O que você disse? – perguntou baixo.
- Coloca o no carro, ele disse que queria conversar comigo e...
- Não! Você não vai conversar com ninguém agora. Você vai descansar e, quem sabe, amanhã você fala com ele!
- Não amiga, eu quero o no carro... Comigo.
Um silêncio tomou conta do lugar.
- É claro que eu vou com você . – ele disse, chegando perto de mim e me dando um beijo na testa – Na verdade, eu não vou pra lugar nenhum sem você.
Eu olhei pra ele, com meus olhos marejados e balancei a cabeça afirmativamente. Eu não conseguia ver direito o que ele estava fazendo, pois tudo estava embaçado, mas eu acho que ele sorria, pois vi uma carreira branca se formar no deformado rosto dele.
- , eu tenho que te dizer uma coisa...
- Amiga, você conversa com o depois. Senta aqui na janela, caso te dê vontade de vomitar. – disse.
- Tá, então senta do meu lado! – eu disse, puxando a mão dele e o fazendo sentar comigo.
O carro começou a andar e eu senti meu estômago balançar, me enjoando de novo. Respirei fundo e soltei o ar, ainda de olhos fechados. Minhas pálpebras pesavam muito.
- ? Você está bem? Levanta a cabeça, não fica olhando pra baixo. – ele sussurrou.
- ...
- Fala...
- Você tem um listerine? Ou um chiclete?
Ele riu e eu senti ele se mexer um pouco, me fazendo abrir os olhos. Olhei pro lado, perdidamente, e vi que ele levantava a cintura, pegando algo no bolso traseiro de sua bermuda. Mas eu encarava outro lugar naquela região. Um sorriso safado brotou no meu rosto e eu continuei ali, encarando o pênis dele, como se fosse um doce.
- ? – Levantei a cabeça e encarei o rosto de , que me olhava com curiosidade e uma pastilha halls nas mãos. – O que você está fazendo?
- Eeeeeu? Nada! Por quê? Você quer que eu faça algo? – eu disse, ainda mantendo o sorriso e pegando o doce. Ele riu alto, o que fez minha cabeça doer. – Para de rir! Não tem graça! Você me tirou a concentração. Droga!
- Você é uma figura!
- Que horas são ? Ainda vai ter festa lá em casa? O falou que ia fazer uma festa sem mim... Bastardo! Eu vou expulsar ele de lá! Ele vai dormir no puxadinho, e sem a . – eu falava com a voz mole.
- Não, não teve festa. Nós viemos todos te buscar, gatinha. – disse, virando pra trás. – A festa vai ser só amanhã, quando você se recuperar dessa cachaçada e desse cheiro de maconha que te domina!
- IXI! É mesmo amiga! Eu tenho que te contar uma coisa! – eu disse, chegando perto do banco da frente. – Eu sei que eu prometi que nosso primeiro baseado a gente ia fumar junto... Mas eu fumei sem vocês! Não conta pra e nem pra . Deixa elas acharem que eu não fumei ta? – eu disse, balançando a cabeça de um lado pro outro.
- Ah é? Muito bonito Srta. ! Mas você me magoou sabe? Eu já sei que você fumou antes da gente, isso é trapaça!
- Nããããããão amigaaaa, não é trapaça nããão! – disse me encostando no banco de trás – Nem conta porque eu não lembro... Então a gente faz de novo e eu finjo que nunca fumei e que não sei como faz... Eu até posso pegar o cigarro ao contrário pra disfarçar!
, que estava dirigindo, soltou uma gargalhada alta por causa da minha resposta.
- Que que é? Vocês ouviram? Não contem pras meninas!
Cinco minutos depois chegamos em casa. As meninas subiram comigo pro quarto e eu tomei banho. Gelado! me trouxe um remédio para enjôo e um lanche, que eu negava comer. Tomei o remédio com um copão de suco de laranja natural, provavelmente que Márcia tinha feito pra mim, e deitei na cama, com a cabeça no colo de , que passava as mãos no meu cabelo. A cachaça já estava passando. Eu já estava consciente, apenas me sentia mole.
- Você está melhor?
- Eu acho que sim. Estou tonta ainda e com vontade de rir.
- Logo você come o lanche. Vai te dar larica... Eu acho. – disse.
- Ah ! Você contou pra elas? – perguntei indignada, levantando minha cabeça de seu colo.
- Não precisa né sua demente! Você ta cheirando a marijuana! É quase um baseado humano! – falou, fazendo a gente rir.
- Que horas são? Que horas vocês chegaram lá pra me buscar?
- Bem, são 19h agora. Chegamos lá era umas 15:30. Você chegou umas 18h.
- QUÊ? Por que esse tempo todo?
- Ué, não sei. Quando você desligou o telefone, ficou enfezado e queria ir pra praia te esperar lá. Ele queria falar com você antes de você dar alguma outra desculpa e evitar a gente, então ele queria ir logo pra lá!
- Ahn...
- Você vai conversar com ele?
- É... Acho que sim. Amanhã, quem sabe.
- Ele não fez nada, você sabe né? – perguntou – Nós o tratamos igual um idiota no dia da festa. Mas depois deixamos pra lá. Vimos que ele não fez nada.
- Sabe, ele não saiu mais com a menina da boate durante esses dias que você esteve ausente. Ele sempre esperava você chegar e você sempre chegava doidona. – falou.
Eu não sabia disso. Pra mim, estava saindo com ela sempre e o que ele queria conversar comigo era algo como “eu te odeio, mas estou hospedado na sua casa então vamos ser amigos!”. Aquilo me deixou bem derretida.
Eu sentia que tinha me afastado das meninas e dos garotos praticamente à toa!
- Desculpe meninas! – eu disse, fungando – Eu não queria me afastar de vocês. Mas ver o saindo aquele dia da festa e chegando aquela manhã sem blusa me deixou desorientada! Eu não queria encará-lo. Então eu fiquei com medo dele trazer aquela Ashley com ele pra cá, ou ficar saindo com ela... Então eu resolvi sair mais e não ficar em casa. Desculpem meninas, mas eu gosto dele! – eu disse chorando – Eu sei – falei me virando para ela – que você disse pra eu não me deixar levar e tudo mais... Mas eu acho que... – falei mais baixo e suspirei – que eu estou apaixonada pelo .
As meninas ficaram em silêncio me olhando. Depois de uns segundos, elas começaram a rir.
- O que foi? Não tem graça, tá legal?! Parem de rir da desgraça alheia! – falei, deitando na cama e enxugando os olhos.
- Ô ... Sério que você só percebeu agora que você ta apaixonadinha pelo ? – falou. – A gente já desconfiava, mas essa sua reação de se afastar, só confirmou. A gente te conhece sabe amiga? 20 anos de amizade não é pouca coisa não!
- E você não vai brigar comigo não Srta. ? Você que taaaanto me avisou, brigou pra eu tomar cuidado...
- Olha , se você ta preparada pra assumir que essa relação pode vir a ter consequências... Então por mim tudo bem. Eu já disse, não quero que você se magoe. Você sabe, você nem conversou com ele ainda! Não sabe se esse sentimento é recíproco, o que vocês vão fazer depois das férias...
- Se bem que, pelo que o me fala, o ta bem caidinho em você também, amiga. – disse, me tranquilizando mais na parte “Não sabe se esse sentimento é recíproco”.
- Pois é... Eu não sei o que fazer até conversar com ele, mas eu pretendo passar minhas férias grudada nele o máximo possível... Isso se ele estiver a fim também, né? E depois... Bem, eu não sei o que vai acontecer depois. Provavelmente nós não vamos nos ver mais, ou eles podem vir visitar a gente de tempo em tempo, como nós podemos ir lá também, mas sei lá! Eu não sei... Eu to com sono, não sei se to falando coisa com coisa e eu to começando a ficar com fome!
Elas riram e me passou o sanduíche que trouxe.
Logo elas saíram e me deixaram descansar um pouco. Quando eu virei pro lado e fechei meus olhos, depois de tanto pensar, ouvi batidas na porta.
A cabeça de apareceu pela fresta sorrindo timidamente. Logo ele entrou e fechou a porta, sentando do meu lado e colocando a mão na minha cabeça, me fazendo carinho.
- Melhorou? Você estava muito engraçada no carro hoje!
- É... Muito engraçado o Sr. rindo de uma bêbada pouco drogada que caiu do barco. – falei de olhos fechados e apreciando o momento.
- Caiu não, foi jogada por aquele idiota!
- É, mas não tem problema, meu príncipe do cavalo-marinho branco foi me salvar. – disse, percebendo parar de passar a mão no meu cabelo. Congelei pelo que eu disse. – Quer dizer, que bom que você me tirou dali né? Eu poderia ter engolido aquela água toda! Ia ser totalmente nada divertido! – falei, me sentando na cama, dobrando as pernas e arrumando meu cabelo.
- ...
- ...
Nos encarávamos profundamente esperando alguém começar a falar. Mordi o lábio e ele soltou o ar. Era agora ou nunca:
- Sinto muito por tudo que aconteceu. Eu fiquei muito irado por saber que você já tinha ficado com Pedro aquele dia! Eu sei, eu não tinha por que ficar daquele jeito. Eu tinha você e ele era passado! Mas você se animou de ir pra festa e... Bem, deu no que deu. Eu quero que você saiba que não fiquei com a Serena, apenas conversei com ela! E foi pra te provocar também! - ele disse se levantando e andando de um lado para o outro dentro do quarto – Eu tive que ir embora mais cedo, eu não aguentava te ver dentro da festa longe de mim! Em cima daquela mesa dançando... Céus! Aquilo me deu uma vontade de te arrancar de lá e mostrar pra todos aqueles urubus que você... – ele suspirou e parou olhando pra mim, que ainda estava sentada na cama – Que você é minha. Mas você não é minha! Você estava comigo e eu estraguei tudo! Fiz você correr pros braços daquele idiota e se afastar daqui e de todas as meninas, que ficaram bem putas comigo e os meninos também!
- ...
- Não, deixa eu falar! E aí eu encontrei a Ashley e ela me chamou pra sair e nós saímos e... Eu não quero te esconder nada . Eu fiquei com ela sim e nós transamos e...
- É, eu imaginei. Mas tudo bem , eu...
- Não, não ta tudo bem! E não venha me dizer que nós não tínhamos nada porque você sabe que não é bem isso! Eu só quero que você saiba que eu não gosto dela e eu não me encontrei mais com ela! Ela não é você.
Ele se sentou na minha frente depois de falar aquelas coisas e me encarou, colocando suas mãos uma em cada lado do meu rosto.
- Eu quero ficar com você . Eu quero você as férias inteiras! Me desculpe por falar aquelas coisas idiotas antes da festa. É difícil para um homem segurar qualquer impulso sexual perto de uma mulher como você, totalmente linda, divertida, sensual, sexual e ao mesmo tempo menina. Você me encanta demais, eu não consigo pensar em outra mulher desde quando pisei os pés naquela garagem e vi você dançando!
Meus olhos se encheram d'água novamente e eu abaixei o rosto, olhando para minhas pernas.
- Por favor, não diga que não sente nada por mim ou que eu não sou correspondido se você sente a mesma coisa! Mas, se realmente você não me quiser como eu te quero, eu vou embora e deixo você viver sua vida tranquilamente.
Levantei minha cabeça rapidamente e o encarei, assustada pelo que ele tinha dito. Eu sabia que eu tinha que dizer toda a verdade, eu não perderia mais um minuto sem perto de mim.
- Eu não te quero desse jeito ... – disse bem baixo perto dele, que mordeu os lábios e olhou pra baixo, soltando o ar pela boca – eu te quero muito mais do que você possa imaginar! – ele me olhou novamente com uma cara desentendida. – Desculpa pela minha reação com a Serena e todo o resto com o Justin. – disse, segurando suas mãos no meu colo – Eu fiquei muito irada por ver vocês juntos e tomei conclusões precipitadas. Mas é que aquela piranha sempre faz algo pra me afetar e eu pensei o pior, mesmo sabendo que assim eu estava duvidando de você. Desculpe-me pelo show na mesa, por ter tratado você mal na festa e por ter me afastado esses dias. Eu não queria, mas eu me obriguei a isso! Eu não aguentaria te ver nos braços daquela modelo de sexshop! – ele riu – E eu queria te provocar também! A verdade ... – disse chegando mais perto dele – É que eu te quero muito! – peguei suas mãos e coloquei no meu coração – Eu te quero tanto que chega a doer! Eu sempre fui apaixonada por você desde nova por causa da banda, e esses treze dias me fizeram perceber que essa paixão adolescente amadureceu e... Eu sou apaixonada por você, pelo homem que você é, pelo que você me faz sentir! Então, não acho que seja justo eu dizer que eu te quero do jeito que você me quer, porque eu acho que eu te quero muito mais do que você sequer possa imaginar!
Ele me olhou incrédulo com os olhos brilhando e um sorriso enorme no rosto. Chegou mais perto de mim e roçou seu nariz no meu:
- Você sabe a saudade que eu senti de você? Você sabe o quão preocupado eu fiquei quando te vi caindo daquele barco? O quão pequeno meu coração ficava quando eu te via chegar todos esses dias bêbada em casa e sem sequer olhar na minha cara? Nunca mais faça isso comigo . Você me deixou desesperado e a única coisa que eu quero agora, é você perto de mim o resto dessas férias! Sem sair um segundo pra nada! Esses dias parecem tão pouco, mas tem uma coisa muito louca acontecendo dentro de mim e... Eu quero seguir o meu coração! E ele me diz, nesse momento, que meu lugar é com você.
Nossas bocas se tocaram como veludo. Demos vários selinhos e rimos no meio deles. Logo eu entrelacei minhas mãos em sua nuca e aprofundei o beijo, sentindo seu gosto maravilhoso se misturar com o meu. Não satisfeita com esse contato, passei minhas pernas pela sua cintura e sentei em seu colo, sentindo todo o seu corpo tensionar com o meu. Eu estava com saudade daquilo. Do cheiro dele, dos seus cabelos, das suas mãos... Do seu beijo.
Interrompi o beijo, cheirei seu pescoço e depositei outro beijo ali. O abracei com toda a força que eu consegui, não querendo que ele saísse dali nunca mais, pois ali era o lugar ao qual ele pertencia. Eu sabia disso. Eu sentia isso.
- Você deve estar cansada, né? Encheu a cara esses dias todos e dormiu pouco.
- É, acho que essa moleza que eu to é porque tá esse sono todo acumulado e...
- Aham, dona ... Sono acumulado! Não foram as bebidas e os baseados que você fumou não, né?
- Juro por Deus que eu não fumei tanto baseado assim! Na verdade, acho que eu só experimentei... Eu acho!
Nós rimos e nos beijamos novamente. Depois de um tempo, senti a mão de por baixo da minha blusa acariciando minhas costas. Quando ela chegou na minha barriga e passou perto do vão dos meus seios, eu sabia que eu tinha que parar.
Não porque eu não queria transar com ele, mas porque eu acho que não conseguiria chegar até o final.
Já pensou se no meio do rala e rola eu durmo? Que vergonha!
- – disse me afastando dele com selinhos – acho melhor a gente parar. Eu to com sono e...
- Não precisa me explicar, eu entendo. – ele disse, olhando bem fundo nos meus olhos. Fiquei com um pouco de vergonha do seu olhar intimidador. Mordi o lábio e ele sorriu, vindo de repente me dar um selinho bem demorado e apertado, de surpresa! Aquilo me fez rir.
- Você fica tão linda quando tá vermelhinha com vergonha!
- Quem disse que eu estou com vergonha? Eu só estou com blush!
- Tá, ok senhorita corada, vou deixar você dormir. – ele levantou e deu um beijo na minha testa – durma bem, amanhã a gente se vê. – ele disse, já saindo pela porta.
- Espera! Você vai dormir agora?
- Não, por quê?
- Bem... – olhei pra ele que me encarava tão fofamente – Você pode ficar aqui comigo? A gente pode conversar um pouquinho e você pode ficar até eu dormir... Ou se quiser dormir aqui... Não tem problema! Mas só se você quiser sabe, e...
- Nem precisa pedir duas vezes! Seu desejo é uma ordem! – Ele disse, tirando os chinelos e já deitando do meu lado, que apoiei minha cabeça em seu peito.
Enquanto conversávamos besteiras e ele me atualizava desses dias que eu fiquei fora, entre beijinhos e apertões, senti o sono me dominando...
E eu não podia pedir travesseiro melhor aquela noite.
CONTINUA
N/a: N/A: Eeeeeeeeee mais um capítulo!
Desculpem a demora galera! Mas acontece tá?
Tá BEEEEM movimentado aqui... Final de TCC e tudo mais! Logo serei uma publicitária! :D
Vamos lá: desde a última atualização, muita coisa aconteceu!
Meu aniversário de 23 aninhos (que teve bolo do MCFLY *-*), minha operação (gente, fiz bariátrica e já se foram 16 Kg! =D) e o show lindo e maravilhoso da Demi (em BH, que eu a conheci. ELA É LINDA OMG!)
Cheeeia de novidades! Espero que vocês também estejam!
O cap. 14 já está pronto! Vou revisar e enviar pra Juh. Não sei como vai ser depois... Tenho 1 mês e meio pra terminar meu TCC então... Pode ser que fique parado um pouco... Pode ser que não! :)
Um beijo e qualquer coisa, vocês sabem meu twitter (@nineslife).
Tenho uma shortfic que também está aqui no Pop: Implicâncias Geram Consequências. Se quiserem ler... Fiquem à vontade ;)
Escrevi outra (Don't Say Yes) que entrou semana passada, então leiam e comentem também! =]
Beijos e quero saber o que vocês estão achando! ;*
N/R: Quero pedir milhões de desculpas pela demora pra revisar/enviar esse capítulo pra cá. Me enrolei toda e acabei atrasando a Nine e vocês, leitores. Enfim, aí está um capítulo muito bom!
Qualquer erro, favor enviar um email para juhclaro@popfics.com.

