Your Hand In Mine

Autora: Anna Leal
Status: Em Hiatus
Revisada por: Hata
Categoria: Mcfly Fics
Sub-Categoria: Longfic - Comédia romântica
Comentários:




E eu precisava dele, eu precisava sentir seu calor, seu cheiro, sua mão na minha me fazendo ser forte. E ao contrário de tudo o que me diziam, dos pretextos que as pessoas arranjavam, eu o amava. E eu sabia que ele não era perfeito, mas eu acreditava que ele também pudesse me amar. Eu precisava dele, eu precisava estar com ele e eu ficaria, e por mais que eu soubesse que aquilo poderia não ser certo, eu arriscaria, porque eu nunca seria eu mesma sem ele.

“Cause the spaces between my fingers are right where yours fit perfectly".



Capítulo 1


- ! - Eu escutava minha mãe gritando sem parar lá em baixo. - Já vou, mãe ... - gritei querendo a matar por acabar com o meu sonho feliz. Levantei e catei meu iPod em algum canto do meu quarto, minha noite não tinha sido nada boa e eu só consegui dormir depois de ouvir a voz do , que era sempre como um alívio para mim.
As cenas da festa da noite anterior ainda passavam como um filme na minha cabeça, o Flávio se agarrando com aquela loira peituda desgraçada e mal comida na frente de todo mundo naquela festa, sei que eu devia saber que ele era um idiota e um galinha, mas mesmo assim era meu namorado, era.
Procurei meu uniforme naquilo que devia parecer um guarda-roupa mas estava mais para um chiqueiro do que para outra coisa, se minha mãe abrir aquelas duas portas sagradas acho que ela ia me fatiar igual ao alface das saladas do Mcdonald’s. E sem tempero, o que é pior. Ok, sal aumenta a pressão, talvez não fosse tão ruim assim.
Coloquei o iPod no volume máximo e entrei no banheiro dançando feito a Lady Gaga com furúnculo e fazendo a escova de cabelos como microfone, a música acabava com o meu mau humor matinal, e me esquecer da noite anterior, que eu passei em claro pensando na minha fama de corna quando eu pisasse nos portões verdes da escola hoje.
Penteei os cabelos, escovei os dentes e vesti o uniforme na maior calma do mundo, era segunda feira e quem quisesse que me esperasse, eu sempre esperava todo mundo.
Eu ouvi minha mãe gritar mais umas 5 vezes, como era costume dela, mas eu fingi que não ouvi, pra que eu iria me apressar para o começo de mais uma seção de tortura semanal ? Minha primeira aula era de Geografia e eu precisava estar controlada e muito, muito calma para não agarrar no pescoço daquela professora de uma vez. E depois ainda ia ter a pressão que eu ia agüentar com toda aquela gente fofocando sobre mim. Mas e daí ? Eu nunca me importei com a opinião deles mesmo.
Quando eu desci, minha mãe já havia saído para trabalhar e me deixou um bilhete bem ameaçador em cima da mesa:
“Preciso conversar com você,
Beijos mamãe xx"

Não comece achando que minha mãe é aquele ser digno de amor e afeto, porque ela não é. Ela sempre fez questão de “me botar na linha" do jeito mais duro que ela conhecia, ou seja, na base da porrada. Sim, é isso mesmo. Ela já havia me feito sofrer tanto, ela sempre me tratou como se eu fosse uma das cachorras dela, e não como a sua filha e eu sempre soube que ela me culpava por não ter tido uma vida realizada, se não era por isso, por alguma coisa ela me culpava. Mas caramba, ela era minha mãe, ela devia me amar acima de tudo, não devia ?
Tomei um copo de Nescau, peguei minha mochila e saí correndo em direção à escola. Se eu fosse suspensa de novo eu tinha certeza que as coisas não iam ficar nada boas para o meu lado. O caminho até a escola não é longo, mas é o bastante para eu conseguir agora, com a cabeça fria, refletir sobre tudo o que eu vi na noite anterior e no fora que eu ainda iria dar no Flávio. Eu sabia que ele ia tentar se desculpar e inventar uma desculpa esfarrapada, mas pelo amor de Deus, tá escrito trouxa na minha testa ? Eu estava lá, eu havia visto.
Eu cheguei a escola e estava ciente dos olhares que estavam todos em cima de mim, não olhei para os lados, só olhei para frente e segui para onde minhas amigas estavam.
- , eu te liguei a noite toda ! Aonde você se meteu ? – Amy começou a gritar com cara de mãe que está em trabalho de parto.
- Meu celular descarregou, amiga – eu disse com a maior calma do mundo – mas eu estou bem, não se preocupem.
- Não se preocupem ? Nós vimos o jeito que você saiu daquela festa ontem, ! – Hanna disse mais nervosa ainda.
- Olha, se vocês pararem de gritar eu vou agradecer – eu disse tentando disfarçar – ninguém precisa saber que eu estou mal ok ? E aliás, eu não estou.
Quando ia abrir a boca pra me dar uma bronca o sinal tocou e eu fui salva pelo gongo.

Eu observava a professora andando de um lado para o outro parecendo uma barata tonta que acabou de receber uma rajada de remédio de mosquito quando eu senti uma bolinha nas minhas costas. Ótima mira, !
“ Se você perdoar aquele infeliz, teremos problemas.
E não, não precisa nem responder (: “

Sinceramente, ás vezes eu tinha medo da . Finalmente o sinal do recreio tocou, e alguns minutos depois que eu sai da minha sala, senti uma mão segurando o meu braço com força.
- Será que você pode me soltar, Flávio?
- Nós precisamos conversar – ele disse afrouxando um pouco o aperto – Eu te amo, eu fiz aquilo sem querer, eu estava bêbado!
Ah não, eu sabia ! Aquele idiota ia ouvir, e ia ser agora, na frente de todo mundo.
- VOCÊ ACHA QUE EU SOU IDIOTA, FLÁVIO? OLHA BEM PRA MIM, VOCÊ ACHA?
- Mas eu achei que você me amasse.
- VOCÊ ACHOU? POIS ACHOU ERRADO!
- SERÁ QUE VOCÊ PODE PARAR DE GRITAR ?
- NÃO, TODO MUNDO NESSA MERDA DE ESCOLA SABE O QUE ACONTECEU ONTEM, E EU QUERO QUE ELES PAREM DE FALAR SOBRE MIM AGOR ! VOCÊ É UM IDIOTA, CRETINO, ESTÚPIDO E EU TE ODEIO, OK?
- Mas ...
- Desiste de mim, esquece que eu algum dia estive na sua vida, seu infeliz – eu disse enquanto puxava o meu braço e dei de cara com a putinha que ele estava agarrando – Aliás, Alzira, pode ficar com ele. Eu não quero alguém que me beije como se estivesse querendo arrancar o meu dente siso de trás – e saí.
Qual é, todo mundo naquela escola precisava saber que ele era bonitinho mas beijava mal pra caramba.
Eu sinceramente odiava ser o centro das atenções, e mais ainda, odiava que as pessoas ficassem com pena de mim. Eu sempre preferi guardar a minha dor e o meu sofrimento para mim mesma, até porque eu nunca fui digna de pena de ninguém.

Aquela semana inteira foi um inferno , as meninas tentavam conversar e eu evitava, as pessoas à minha volta cochichavam e eu sabia que era sobre mim, os dias eram cada vez mais lentos, as horas eram cada vez maiores, e eu não via a hora de chegar em casa e me trancar no meu quarto. Aquilo já estava começando a me irritar, se eu já havia superado o meu rolo com o Flávio, por que aquele povo não? Meu namoro com o Flávio era perfeito, nós havíamos nos conhecido durante uma festa na cidade vizinha e continuamos mantendo contato, depois o Flávio começou a estudar na minha escola e nossos laços foram ficando mais fortes, até que começamos a namorar. Mas ele me traiu, e se existe uma coisa que eu não suporto, é a tal da traição.
Eu estava sozinha em casa como sempre, havia muito tempo desde que eu não falava com a minha mãe devido ao seu trabalho, ela sempre estava fora de casa e eu ainda tinha medo daquela conversa que ela queria ter, porque geralmente minha mãe sempre soltava os cachorros para cima de mim, e não simplesmente conversava.
Era sexta feira e como eu não tinha nada pra fazer, entrei no twitter.
Milhões de replys das meninas que eu fiquei com preguiça de responder até que eu vi um tweet que me chamou a atenção e quase me rendeu um ataque do coração.

@ hello, how are you?

A primeira reação que eu tive foi ler aquele tweet umas 45 vezes, pra ter certeza se era real ou era só fruto da minha fértil imaginação ou era um daqueles meus sonhos que eu vivia tendo quando estava acordada.
Não era possível o ter falado comigo do nada, eu nunca havia falado com ele no twitter já que ele nunca respondia ninguém e além disso, eu raramente tentava alguma coisa com os famosos, eu era geralmente ignorada por todos eles, mesmo mandando spam e enchendo o saco.
Fiquei ali, paralisada durante um bom tempo até perceber que eu estava chorando e tremendo feito uma vara de goiaba em dia de ventania, mas eu não me importei, ainda era surreal aquele tweet que eu tinha recebido ... Como assim , me manda um tweet como se fossemos velhos amigos e me pergunta se eu estou bem?
Pensei um pouco e desliguei o notebook, era impossível, eu só podia estar cansada demais devido as noites mal dormidas.
Deitei na minha cama e esperei a tremedeira passar, até que eu senti o celular vibrar na mesinha e quando eu olhei no visor era a , justamente com quem eu precisava falar.
- Alô? – eu disse meio rouca
- Fala, coelinha da playboy – disse rindo, Deus, ela nunca ia tomar jeito com esses apelidinhos?
- Eu já te pedi pra parar, ou então vou começar a te chamar de cabritinha, vai ser pior – eu disse brincando, não gostava daquele apelido porque o ex namorado dela á chamava assim.
- Tudo bem, eu sobrevivo sem implicar com você, – ela disse irônica – mas me conta, o que houve?
Pensei em contar a sobre o “tweet misterioso", mas pensei que se fosse só fruto da minha imaginação, as meninas iam começar a pensar que eu estava enlouquecendo de vez, porque, vamos destacar o fato de que elas sempre me acharam louca.
- Nada, houve alguma coisa ? – eu disse, tentando manter a boca fechada.
- Foi isso que eu te perguntei, cabeção ... Quando você vai vir aqui em casa estudar Matemática e Física? Você precisa melhorar a sua nota e sabe disso, dona .
- Eu sei disso, mas você sabe que eu sou burra.
- Burra nada, só é uma vagabunda que só vive com essa bunda sentada no sofá assistindo Vampire Diares!
- A culpa não é minha se o Stefan é lindo
! - Ok, ok, o Stefan é lindo, maravilhoso, mas eu prefiro o meu Judd. Ou o meu . Ou até o meu Fletcher.
Quando ela disse isso eu gelei, ok, eu super confio na minha melhor amiga, porque não contar a ela sobre porcaria do tweet?
- , posso te contar uma coisa?
- Fale meu xuxuzinho.
- HAHAHA, morri de rir, – eu disse, também sei ser irônica – Presta atenção porque é importante,quando foi a ultima vez que você entrou no twitter?
Pela primeira vez senti insegurança quanto a , eu sabia que podia confiar nela a qualquer hora e em qualquer situação, mas eu não sabia o que aconteceria se eu contasse aquilo a agora, principalmente sem eu ter certeza do que estava acontecendo.
- Foi ontem, por que?
- É que eu não estou conseguindo entrar no meu ...
- – ela disse respirando fundo – , eu te conheço bem e sei que não era isso que você ia perguntar, você disse que era importante ! Desde quando isso é importante?
- Tudo bem, então ... Quando foi a última vez que você viu um tweet do ?
- Acho que foi ontem, o que tem?
- É que, agora pouco eu entrei no twitter e tinha um tweet dele pra mim ...
- COMO É ?
- É isso mesmo , eu achei que eu estivesse doida ou algo assim, você entrou no twitter dele?
- Espera aí, vou entrar no twitter e já te ligo – ela disse e eu só pude ouvir o “tut tut" do telefone desligado.
Fiquei uns minutos encarando o teto do meu quarto enquanto esperava, eu sabia que podia confiar na pra qualquer coisa e tinha a sensação de que aquele tweet ia mudar a minha vida, ou não, mas pelo menos ganhei mais followers e fiquei mais famosa. Daqui a alguns dias eu poderia até aparecer no Programa do Jô.
Não sei como, eu peguei no sono sem antes falar com a , sei que acordei com o som de panelas na cozinha e uma televisão ligada, e nenhum grito hoje, aleluia! Era sábado. Olhei para o céu pela janela que ficava encostada na minha cama, o céu estava azul e não havia nenhuma nuvem no céu, e eu sabia que àquela altura, a estava puta comigo por não ter atendido o celular ontem e quando eu fui olhar no visor, eu tinha 18 chamadas não atendidas.
É, realmente eu tinha certeza que ela estaria exageradamente e demasiadamente puta comigo. Me levantei com aquela preguiça matinal de todos os fins de semana e entrei no banheiro para tomar meu banho. Com toda aquela história do tweet eu enfim havia esquecido todo aquele episódio com o Flávio, e além disso, se ele não me quer, tem quem queria. Ou não, eu sempre soube que o meu destino era ficar encalhada e virgem. E velha e feia. Ok, parei.
Terminei o banho, escolhi uma roupa qualquer e desci para tomar café.
- Bom dia – eu disse a minha mãe
- , hoje você não vai ficar socada dentro de casa sem fazer nada, primeiro de tudo vai ligar para o seu pai e pedir dinheiro e depois vai ao mercado e fazer almoço pra mim – ela disse em tom autoritário.
- Mas mãe ...
- MAS NADA! EU PRECISO SAIR PRA CONSEGUIR DINHEIRO E COLOCAR COMIDA NA MESA E VOCÊ FICA EM CASA VENDO TELEVISÃO ?
- Não, eu preciso falar com a !
- MERDA NENHUMA, VOCÊ NÃO VAI À CASA DE NINGUÉM!
Eu sabia que discutir com ela não ia adiantar, deixei minha xícara em cima da mesa e subi as escadas ignorando os gritos dela, eu precisava resolver aquilo, precisava das minhas amigas e não agüentava mais aquele inferno que eu vivia com a minha mãe. Eu me sentia cada vez mais sozinha e mesmo sabendo que eu tinha as pessoas especiais do mundo ao meu lado, eu pressentia que algo muito grande e muito ruim estava para acontecer, algo que iria mudar a minha vida para sempre.
Entrei no meu quarto e fiquei lá durante um bom tempo até ter certeza de que minha já havia saído, fiquei tentada a sair e ir a casa da e não fazer merda nenhuma, mesmo estando “proibida" mas eu estava proibida de quê? Eu não tinha feito nada ! Eu poderia passar lá na volta do mercado, afinal, a casa dos era no caminho e eu deveria passar por lá de qualquer maneira, mas eu tive um clique, era sábado e a não estava em casa, ela tinha ido fazer compras de natal com a mãe, como ela tinha me dito a algumas semanas atrás.
Num impulso eu levantei do chão e me joguei na cama com o notebook e entrei no twitter. Ótimo, vasculhei toda a minha página de replys e não sei como tanta gente falou comigo, normalmente eu era ignorada por quase todo mundo, eu sei que eu sou meio chata ás vezes, mas pelo amor de Deus, né? Virar o centro das atenções assim era demais para mim, só por causa de um mísero tweet do ? Qual foi? Fiquei vegetando durante um tempo até que eu decidi ler algumas coisas que as pessoas diziam e vi um tweet estranho.

beatricemmc @ Eu simplesmente adoro o seu irmão, você já se encontrou com ele ?

Mas que merda era aquela? Eu não tinha um irmão!

@beatricemmc Que irmão ? Acho que você me mandou o tweet errado, eu não tenho um irmão.

Tinha que ser um engano, não poderia ser outra coisa, é claro que não, nunca.

beatricemmc @ O seu irmão, aquele do McFLY.

Capítulo 2
beatricemmc @ Ah, me desculpa, você não é a irmã do ?

Respirei fundo e me joguei na cama, irmã daquele cara do McFLY foi demais pra mim, pelo amor de Deus, nunca né? Se eu fosse irmã de um McGuy eu não estaria vivendo esse inferno de vida nesse inferno de cidade, eu estaria em Londres linda e maravilhosa. Eu acho que ando precisando dormir mais ou comer menos bolo de chocolate e parar de fazer muitos exercícios, ou até parar de fumar maconha (maconha ? epa, acho que maconha não. Espera, eu não fumo maconha) porque sinceramente, as coisas não podiam estar certas.
Me levantei num impulso, estava morrendo de sede. Deixei o notebook em cima da cama e fui em direção a cozinha, demorando mais para beber água que o necessário, até eu perceber que estava quase me afogando. Voltei para o computador e mais alucinações, ops, tweets estranhos.

@ your background’s photo is amazing, do you like twilight ?
(a foto do seu background é incrivel, você gosta de Crepúsculo? )

Ah, essa não, agora o estava falando comigo também ? O que era aquilo, afinal? Só podia ser um complô pra me deixarem achando que eram os guys falando comigo, aquela brincadeira ia ter que acabar... Claro, porque só podia ser uma brincadeira! Então eu respondi para ver no que dava.

@ thanks , and yeah, i really like twilight
(obrigada , e sim, eu gosto de Crepúsculo)

Mandei o tweet e esperei, até que a resposta veio :
@ did you watch eclipse ?
(você assistiu Eclipse? )

Nossa, como se o do McFly, quisesse saber se eu havia assistido Eclipse, que diferença ia fazer na vida dele? Eu ia ter que acabar com aquela brincadeira agora.
Ou o resolveu matar as fãs do coração, ou estava encalhado e eu tinha cara de puta de beirada de esquina, porque sinceramente cara, aquilo era totalmente sem sentido.

@ ok, why don’t you stop with this joke who are you?
(ok, por que você não para com essa brincadeira? quem é você? )
@ Joke ? It isn’t a joke, and I’m ! I thought you liked McFLY ...
( brincadeira ? isso não é uma brincadeira e eu sou ! Eu pensei que você gostasse de McFLY)
@ haha, wow, and why are you talking to me? you always ignore me!
(haha, wow, e porque você está falando comigo ? você sempre me ignora! )

Peguei o espertinho na mosca agora, quem esse ser insignificante e desocupado que não arranja uma trouxa de roupa pra lavar acha que é pra me enganar fingindo que é o todo poderoso ? Levou um ano até que ele me respondesse, mas a resposta foi diferente do que eu imaginava ...

@ look, I know u think it is kinda impossible but if you haven’t seen yet, we are following you. Me, , and .
(Olhe, eu sei que você pensa que isso é meio impossível, mas se você não viu ainda, eu, , e estamos seguindo você)

Eu precisava conversar com alguém, aonde estavam as meninas quando eu precisava delas ? Era incrível que elas estivessem sempre no MSN mas nunca quando eu queria falar com elas, eu precisava descobrir que merda era aquela! E eu tinha certeza que tinha armação. Então eu comecei a procurar nos meus followers, mas não achei nada porque aquilo tinha virado uma muvuca, até que eu tive a brilhante idéia de procurar no twitter deles, eu sabia que eles seguiam poucas pessoas.
O primeiro a quem eu fui olhar foi o , o twitter dele continuava a mesma coisa, mais de 100 mil seguidores, a mesma foto e o mesmo background ... Cliquei em “following” com os dedos tremendo, fosse ou não uma brincadeira, aquilo tinha mexido comigo, eu já sabia que não era alucinação, não teria durado tanto, só poderia mesmo ser uma brincadeira.
Levei um choque quando vi, ele realmente estava me seguindo, mas como era possível? Claro, eu sabia que o e o seguiam fãs, mas o ? Nem as namoradas e peguetes dele ele seguia !
Levei algum tempo olhando pra minha foto descabelada naquela página até que resolvi que eu tentaria acreditar naquilo. E é claro, descobrir a razão para aquela loucura.

@ ok, you won, why are you following me? I’m nothing for you, just one fan, i need answers …
(ok, você venceu, porque estão me seguindo ? Eu não sou nada para vocês, só uma fã ! Preciso de respostas )
@ No, you aren’t just one fan, you are special for me and for the other guys, i know that you’re confused, but i can’t answer your questions, not today
(Não, você não é só uma fã, você é especial para mim e para os caras, eu sei que está confusa mas eu não posso responder suas perguntas, não hoje)

Meu Deus, que raios eram aquilo que estava acontecendo? Não podia ser verdade, não havia um motivo. Eu nunca fui especial para ninguém, nunca tive ninguém que me amasse, nem ao menos minha mãe, eu sou tratada por ela como um cachorro pulguento e eu daria a vida pra sair dessa casa ... Eu nunca me destaquei em nada, nunca tirei notas altas, nunca fui bonita, eu era só uma menina pacata que gostava de McFLY e mal tinha todos os cd’s ou dvd’s! E além disso, eu já estava começando a ficar com raiva por causa de toda aquela situação. Se tem uma coisa que eu não gosto é da sensação de saber que todos sabem uma coisa menos eu.
Eu desliguei o notebook ainda sem acreditar, até que a campainha tocou e eu fui ver quem era, assim que eu abri a porta, eu vi a imagem de um anjo, de um pássaro, de um avião, do Superman ! Digo, da Emma.
- Emma ! – eu disse e pulei em cima dela, acho que a Emma pelo menos poderia me internar numa clínica de tratamento e eu agradeceria, pelo menos ela é a única que me entende.
- Sai de cima de mim, sua louca – ela disse me empurrando – tive a sensação de que você queria falar com alguém ...
A Emma ás vezes me lembrava uma vidente, ou uma cigana, ou esse povo que tem poderes “sobrenaturais”. Ou simplesmente esse povo que finge saber o futuro para ganhar dinheiro, mas isso não vem ao caso agora.
- Por que não vira vidente, Emma?
- Ok, eu assumo, a ligou pra mim ontem a noite, e ela estava bem preocupada com você.
- Por quê? O que ela te disse?
- Primeiro de tudo, posso entrar ? – oops, me afobei demais, vovó não iria gostar que eu desperdiçasse a educação que ela me deu.
- Er, claro amiga, entra ! – eu disse sem graça.
- Eu sou de casa mesmo, se você não deixasse eu ia entrar mesmo assim – ela disse rindo – que história é essa de , de twitter, de um monte de followers, de ser irmã de um McGuy, me conta ...
- Estão acontecendo coisas estranhas, cara, não sei o que há, uma hora recebo um tweet do , em outra apareço com 9,000 followers e agora me aparece o querendo saber se eu gosto de Crepúsculo, no que isso interessa a ele? Mas essa história de ser irmã de um McGuy era mentira, a menina disse que se confundiu ...
- Você sabia que o tem uma irmã que foi adotada ? – ela disse rindo.
- Claro, todo mundo sabe disso, e o que tem a ver com a história ? – eu não conseguia enxergar a linha de raciocínio dela.
- Você se parece com ele, sabia ? Imagina que lindo isso ia ser, ! Você ia ficar rica e famosa, já estou até vendo seu nome, – ela disse com um ar sério e eu desatei a rir, não acredito que ela considerou aquela possibilidade.
- Você andou cheirando o quê, Emma? Pelo amor de Deus, isso é impossível! Você deveria parar de ler os romances da sua tia encalhada, na boa, isso não está te fazendo bem.
- Não precisa me ofender, ! Eu não estou encalhada, só não gosto de trocar saliva com essa gente que mora nessa cidade, pelo amor de Deus, o povo daqui não tem nem dentes na boca! Você se parece com o sim, pense nisso , e essa história de amizadezinha com o McFLY é muito suspeita ! O tweet é real, seus novos seguidores são reais, e por favor, pare de achar que você está ficando louca, porque sinceramente, isso é ridículo, deve ter uma explicação lógica e nós vamos descobrir, mas por enquanto, relaxa cara! Se fosse comigo eu ia estar super feliz, e não inventando mil e um motivos para achar que é mentira.
Ok, confesso que precisei de um tempo para me recuperar, a Emma me dando esporro era novidade para mim.
- Tá, eu já parei! Mas você me conhece, eu ainda tenho a impressão de que todo mundo sabe de uma coisa, menos eu ...
- O que o disse ? – ela disse me ignorando e eu a olhei torto – Não me olha com essa cara !
- Ele começou a puxar assunto e disse que entendia que eu estivesse confusa, mas que ele não pode me falar nada ...
- Você participou daquela promoção da revista que a Amy levou pra escola ?
- Qual?
- Aquela de conhecer o McFLY, de ir ao show, ou sei lá o que tinha naquilo.
- Sim, mas o que tem a ver?
Eu havia me esquecido completamente da promoção, será que ela estava certa?
- Você acha que eu ganhei? – eu disse com um sorriso no rosto.
- Pode ser oras, porque não? Se ele disse que não pode te contar nada ...
- Não sei ... Nunca tive sorte com essas coisas, eu nem ia participar daquilo, só participei porque vocês ficaram me enchendo o saco.
- Vai ver? Vai que essa é sua hora de conhecer o e vocês se apaixonarem perdidamente, se casam, fazem um monte de zinhos e vivem felizes para sempre, que tal ? – Emma disse com um olhar sonhador, até que seu celular tocou e ela bufou ao ler o nome da irmã no visor.
- Aham ... ok ... tudo bem, eu vou ... sei aonde é ... te encontro ai, beijos – e desligou.
- O que foi? – eu disse indo para cozinha, eu sabia que ela teria que sair.
- Minha irmã quer que eu vá com ela comprar um presente de aniversário para o meu pai, quer ir junto?
- Não posso, preciso fazer o almoço – eu disse murchando.
- Não fica assim , sua mãe quer o seu bem, todas elas querem!
- Claro, claro.
Emma se aproximou de mim e me deu um beijo na bochecha.
- Fique atenta – disse – se for algo da promoção, vai chegar uma carta, ou um e-mail para você, e eu tenho certeza que é isso, , não se preocupe à toa ! E se você ganhar isso, vai me levar, não é? – e me olhou com ar sonhador e sorriu.
- Vou pensar no seu caso – eu disse piscando enquanto ela foi em direção a entrada, batendo a porta logo depois.
Assim que Emma saiu e fui correndo para o meu quarto para tirar aquele jeans velho e ir ao mercado, nunca se sabe se você encontrará sua alma gêmea/seu príncipe encantado no açougue, escolhendo legumes ou comprando cerveja para a festinha do fim de semana ... Ou qualquer coisa assim. Meu Deus, eu não estava tão desesperada para levar um chifre de novo, estava?
Enquanto eu me trocava, pensei naquilo tudo, era óbvio que era a tal promoção! Afinal, como eu fui tão imatura e tão idiota? Fiquei boba com a minha falta de inteligência e balancei a cabeça. O que seria de mim sem minhas amigas que sempre me mostram uma saída mais clara para todas as coisas? Ou pelo menos me forçam a acreditar no que elas acham que está certo, mas enfim. Fui ao mercado tentando esquecer aquela história, se fosse algo sobre a promoção, eu certamente receberia alguma coisa. Comprei tudo o que eu precisava e voltei para casa, nada de açougueiro ou um menino gato comprando cerveja, mas eu fiquei feliz em ter parado de chover, a chuva me assustava quando eu estava sozinha, ainda mais quando estava relampejando.
Quando eu cheguei em casa, logo notei que faltava alguma coisa para eu conseguir abrir a porta, o que era mesmo ? Ah, a chave, eu deixei em cima da mesa e ... A CHAVE ! Tentei abrir a porta e nada, era óbvio que estava trancada, quando ela fechava só dava para abrir com a chave, mesmo que não estivesse trancada com ela. Rodeei a casa tentando achar um lugar que fosse baixo para eu pular, mas a única coisa que estava aberta era a janela da sala, e era alta, bem alta. Joguei todas as sacolas e enquanto eu me preparava para pular, eu senti o meu celular vibrar no bolso de trás. Decidi ignorar enquanto eu não conseguia entrar em casa, porque já estava começando a chover de novo e eu ia acabar ficando ensopada. No momento em que eu finalmente consegui subir no parapeito da janela, o maldito celular começou a tocar de novo, tenha santa paciência com esse infeliz que não sabe esperar, né ?
Com muita luta, consegui pegar o celular no bolso e era um número definitivamente estranho, era o dobro de um número normal. Pareciam códigos e eu soube que era de outro país, porque quando a Amy esteve nos Estados Unidos, o número do telefone era cheio de código também.
Coloquei as pernas em direção a sala para que eu pudesse entrar e coloquei o celular no ouvido.
- Oi? – eu respondi sem saber em que língua falar.
- Hello – uma voz que eu não consegui identificar disse rindo.
- Who are you ?
A partir disso, não consegui distinguir o que estavam falando ou se me responderam, o som da voz da pessoa se misturou ao som de uma guitarra e a muitos gritos, até que o telefone foi desligado. Ótimo, eu pensei bufando de raiva, era só o que me faltava! Um gringo que agora estava me passando trotes.
Finalmente pulei de cima da janela e cai em cima do tapete, menos mal, a minha prática em pular janelas e muros diminui bastante depois que eu caí e quebrei as duas pernas no verão passado. Joguei as compras em cima da bancada da cozinha e escolhi o que eu precisava para fazer uma coisa que pudesse ser chamada de comida, no fim, escolhi fazer lasanha.
Quando eu estava quase no fim, meu celular tocou e eu corri para atender na esperança (não sei porquê) de ser o tal gringo que estava aprendendo a passar trotes, até que vi a imagem da minha mãe na tela e murchei.
- O que é? – eu respondi de má vontade.
- Isso é jeito de atender sua mãe?
- Foda-se,fala logo, o que você quer?
- !
- Fala logo, a lasanha tá queimando, eu to com pressa.
- Eu liguei pra avisar que só vou chegar tarde da noite, surgiu uma reunião e eu não vou poder almoçar em casa.
ÓTIMO, EXCELENTE, MARAVILHOSO ! Eu sabia que já estava vermelha de raiva quando minha mãe disse :
- Com o dinheiro que sobrou você pode comprar algo para você, ou alugar uns filmes, mas agora eu preciso desligar, a reunião vai começar.
- Ok – eu disse seca – tanto faz.
- Se cuide, beijos.
Mal esperei ela terminar de falar e desliguei o telefone, poxa, porque ela não me disse antes ? Se eu soubesse eu tinha comido um hambúrguer. Peguei minha lasanha e uma latinha de coca cola e sentei em frente à televisão, não me lembro do que aconteceu nesse período, mas acho que eu dormi ou fiquei em estado de transe, sei que acordei com o som de um carro tocando uma música alta que passava na rua e fiquei chocada em ver que já estava escuro.
Me levantei, joguei a louça na pia da cozinha e subi para tomar banho e separar uma roupa para ir à locadora alugar uns filmes, eu sabia que minha mãe nunca chegava cedo dessas reuniões.
Terminei de tomar banho, vesti um moletom qualquer com uma calça jeans e meu par de all stars e corri para a locadora, existe um lugar melhor no mundo? Aluguei vários filmes, de romances a dramas, e no caminho parei num daqueles supermercados que ficam abertos 24 horas para comprar pipoca e chocolate, afinal, eu também sou gente né? Percebi que a chuva estava aumentando e comecei a correr. Eu cheguei em casa um pouco molhada e fui colocar os pijamas, deitei na minha cama, liguei a TV e coloquei o primeiro filme que eu havia escolhido, até que o meu celular tocou, de novo.
Cara, quem estava atrapalhando meu momento pós -Garfield? Vasculhei meu quarto até encontrar meu celular e antendi sem olhar o visor :
- Fala – eu disse, com um humor não muito bom.
- Hey – disse uma voz brincalhona e que eu tinha certeza já ter ouvindo antes – Can i talk to ? (Oi, posso falar com a ?)

Então minha visão ficou embaçada, os meus joelhos já não agüentavam mais o meu peso e eu tive que me sentar. Que merda era essa, eu conhecia aquela voz! Não podia ser, era impossível, era o efeito da Coca. Aquela voz não podia ser a do !

Capítulo 3
[n/a : esse diálogo é em inglês, ok ? eu coloquei os anteriores em inglês para ficar mais realista, mas agora eu acho que não há necessidade. ]

Senti como se milhares de formiguinhas estivessem andando pelo meu corpo, meu coração começou a bater rápido demais e minhas mãos começaram a suar, não era possível, aquela voz não podia ser do .
- Sim, sou eu – eu disse tremendo por dentro e por fora.
- Er, oi – ele disse parecendo nervoso também – foi idiotice minha ligar para o seu celular e pedir para falar com você ...
- Ah, não importa – e não me importava mesmo – mas quem é ?
- Olha, deixa eu primeiro te perguntar uma coisa, ou te esclarecer uma ou, tanto faz, foi um amigo que me pediu pra te ligar, er – ele disse parecendo estar confuso – mas enfim, você gosta do McFLY, não é ?
Era ele mesmo, agora eu tinha certeza, perdeu , sou mais esperta do que você.
- Claro, eles são muito bons, o que você tem a ver com o McFLY ? – eu disse me fazendo de boba.
- Er, tudo bem, eu sou o , mas olha, por favor, não me ataque – ele disse rindo – não, brincadeira, mas a questão é, você vai ao show ?
AI MEU DEUS, ME SEGURA, EU VOU GRITAR ! QUER DIZER, VOU CHORAR. OU SURTAR. Ou enfim, tentei manter minha voz controlada porque afinal, eu não sabia de show nenhum e eu sabia que ele ia ficar com medo se eu fosse desesperada demais.
- Desculpa, mas que show ?
- O show que nós vamos fazer no ... Ai meu deus, ninguém sabe disso ainda – ele disse entrando em pânico – olha, não conta a ninguém, mas você vai?
- Er, claro, eu vou dar um jeito, mas por que quer saber?
- Olha, eu juro que gostaria de te falar alguma coisa, mas eu não posso, eu quero te ver lá ok? – ele disse – mas agora preciso desligar, foi um prazer te conhecer!
E desligou na minha cara, antes que eu pudesse ao menos pensar em falar alguma coisa.
Eu olhei em volta, ainda me sentindo meio idiota, afinal por que ninguém me falava nada ? O que estava acontecendo? De uma hora pra outra o me liga, o me manda tweets, o quer saber se eu estou bem, o que ia acontecer agora ? O ia fazer um vídeo em minha homenagem, aparecer na minha janela com um buquê de flores, fazer uma serenata, ou algo do tipo? Tudo isso por que eu achava que tinha ganho uma promoção de uma revista furreca?
Balancei a cabeça ainda apavorada, não podia, era impossível.
Depois daquilo eu não consegui prestar atenção em mais nada. Bella e Edward se beijando? Quem eram eles mesmo? Minha cabeça simplesmente estava girando.
Tentei dormir um pouco mas tudo o que eu consegui foi me irritar ainda mais por não estar conseguindo nem dormir! Dormir era praticamente a minha vida, eu sempre conseguia dormir, não importava a situação. Até dormir em pé numa boate eu já dormi, e não foi uma vez só. Na manhã seguinte eu acordei ainda meio idiota e desci a escada para tomar café, minha mãe estava vendo televisão na sala.
- Oi mãe – eu disse enquanto a via com um envelope grande nas mãos – O que é isso ?
- Chegou para você agora pouco – ela disse me entregando – veio da Inglaterra.
- DA ONDE ?
Meu coração bateu 50 vezes mais rápido quando eu li o endereço, aquele envelope vinha mesmo da Inglaterra, especificamente de Londres :

Universal Music Publishing Ltd.
20 Fulham Broadway
London SW6 1AH United Kingdom
02072405789


Se eu já estava nervosa só com o endereço, imaginem como eu fiquei quando eu abri o pacote e encontrei uma carta e quatro ingressos para a área VIP do show do McFLY, a carta era breve :
Parabéns !
Você acaba de ganhar quatro ingressos para a área VIP para o show do McFLY que será realizado daqui a um mês e meio em sua cidade, considere-se uma pessoa de sorte ! A Universal Music enviará um carro que a levará direto para o local do show e a trará de volta para sua casa em segurança. Em alguns dias um de nossos atendentes entrará em contato com você e lhe solicitará alguns dados importantes.
O meninos do McFLY estão ansiosos para conhecê-la ! Não se esqueça de levar os seus documentos para que possamos identificá-la, ok? Faremos o possível para que se sinta à vontade e totalmente confortável.

Atenciosamente, Elizabeth Troughton.
Dúvidas?
Telefone : (44 020) 7835 5200. Fax: (44 020) 7835 5383


Senti meu coração palpitar e meus olhos se encherem de lágrimas, aquilo era real, eu iria conhecer o McFLY! Pulei e abracei minha mãe, me esquecendo de todas as nossas desavenças.
- MÃE, EU VOU CONHECÊ-LOS MÃE, O MCFLY ! O TOM, O HARRY, O DANNY E O DOUGIE !
- Isso é ótimo querida – minha mãe disse nem um pouco animada – Agora eu preciso ir, tenho muito trabalho a fazer – e então eu fiquei a observando enquanto pegava suas coisas e fechava a porta.
- Meu Deus – eu disse comigo mesma – AS MENINAS PRECISAM ESTAR EM CASA, PRECISO SURTAR COM ELAS, AGORA !
Liguei para cada uma delas mas não disse o motivo, e sendo assim, meia hora depois estavam todas jogadas no chão do meu quarto com expressões ansiosas.
- FALA LOGO, SUA LOUCA – Emma disse e eu senti que elas iriam me bater se eu não falasse, mas estava difícil falar com a Amy e a Hanna fofocando sem parar nem para respirar – E CALEM A BOCA VOCÊS DUAS!
- Certo – eu disse com os olhos brilhando – Adivinhem?
- Você finalmente descobriu que tem talento para trabalhar no circo ? – Hanna disse com um sorrisinho idiota.
- Não Hanna, olha isso – eu disse enquanto jogava o envelope para ela e as outras meninas lutavam para ver o que tinha dentro.
Quando finalmente conseguiram terminar de ler a carta, eu vi o reflexo da minha alegria nas meninas, todas começaram a gritar ao mesmo tempo e aquilo ainda parecia não ser real.
- EU NÃO ACREDITO CARA, NÃO PODE SER – gritava.
- EU VOU CONHECER O TOM E O DANNY – Emma pulava em cima da cama.
- MÃE, EU TE AMO – Amy gritava – EPA.
Eu sorri para elas e as abracei de novo, aquilo era real sim, estava realmente acontecendo e todas nós, nós quatro iríamos realizar o nosso sonho que parecia ser o mais impossível, conhecer aqueles 4 garotos idiotas que roubaram o nosso coração. E coloca idiotas nisso.

Três dias haviam se passado desde a chegada da tal carta, e a minha vida continuava a mesma, exceto pelo fato de que eu não parava de pensar naquilo. Nesse meio tempo, eu havia descoberto algo estranho, a única promoção da qual eu participei foi a da revista e a ganhadora não fui eu, foi uma outra menina chamada Catherine. Eu sabia que não havia participado de promoção nenhuma a não ser aquela, mas eu ainda estava esperando pelo telefonema da universal music para perguntar, não era possível que eles tivessem cometido um engano, aquilo seria demais para mim.
Algumas horas após a escola eu estava estudando para a prova de Geografia jogada no sofá comendo chocolate quando o meu celular tocou e eu atendi sem prestar atenção no visor (como sempre). - Alô ?
- Er, senhorita ? – disse um homem com um sotaque forte.
- Sou eu – eu disse me sentando corretamente no sofá.
- Eu gostaria de confirmar o seu endereço, quem fala é Matthew Lincon da Universal Records.
- Claro, pode falar.
Então ele citou todos os dados que eles tinham sobre mim, eles sabiam até a escola aonde eu estudava, o que era um pouco suspeito.
- Com licença, como vocês sabem tudo isso sobre mim?
Ele pareceu um pouco desconcertado ao responder : - Nós apenas pesquisamos um pouco sobre a senhorita, para sabermos se era seguro para o McFLY.
- Tudo bem – eu disse pouco convencida – Eu só gostaria de fazer uma pergunta, qual foi a promoção que eu ganhei exatamente?
Matthew ficou um pouco incomodando e me pediu um minuto para que pudesse confirmar o nome da empresa, quando voltou ele me disse o nome de uma outra revista, diferente da que eu achava ter sido a ganhadora da promoção.
- Você tem certeza?
- Claro senhorita, tenho sim.
Eu não queria contestar, eles sabiam tudo sobre mim, não poderia simplesmente ser um engano, mas se fosse, e daí ? Ninguém precisava saber.
- Tudo bem – eu respondi – Obrigada Matthew.
- Por nada senhorita – e desliguei o telefone.
Fiquei pensando naquilo por algum tempo até que me lembrei da prova e recomecei a estudar, mas para que eu precisava saber daquilo tudo mesmo? Merda de planaltos, depressões e planícies. Por que eu não conseguia entender nada daquilo? Parecia tão fácil.
Minha cabeça estava rodando e eu estava começando a suar frio, meu estômago começou a rodar e eu senti vontade de vomitar, ótimo, eu pensei comigo mesma, agora eu ia ficar doente. Liguei para a minha mãe e ela me disse que era para eu ir me deitar, eu subi para o meu quarto e quando eu estava entrando no chuveiro, ouvi o meu celular apitar avisando que eu tinha uma nova mensagem e eu corri para ver o que era. Eu já disse que adoro receber mensagens? O número era restrito e a mensagem dizia o seguinte :

“Home is where the heart is, it's where we started, where we belong. I miss you more than you can imagine, my little princess.”
(“Lar é aonde o coração está, é aonde começamos, aonde pertencemos. Eu tenho mais saudades de você do que você imagina, minha princesinha.” )

Minha cabeça rodou mais ainda com aquilo e eu senti que poderia desmaiar a qualquer momento. Tive que me segurar na beirada da cama e me sentar. Eu poderia simplesmente ter achado que aquela mensagem era um engano, mas será que era mesmo? Mandei uma mensagem para a pedindo que ela viesse a minha casa porque eu precisava dela e alguns minutos depois eu recebi outra mensagem, do mesmo número restrito.

“Is it possible to miss someone so much that you would do anything just to hear her voice for one second ?”
(“ É possivel sentir tanta saudade de alguém que você faria de tudo apenas para ouvir a voz dela por um segundo ?” )

E depois recebi mais uma, e nesse momento eu tive certeza que aquilo não era um engano.

“You don't have to carry the weight of the world, I’m with you .”
(“Você não tem que carregar o peso do mundo, eu estou com você.”)

Meia hora depois eu estava sentada com a no chão da sala.
- Você já abandonou alguém em algum lugar ? – me perguntou.
- Hum? De onde você tirou isso?
- Não sei, essa pessoa parece te conhecer bem. Tá melhor ? – Ela se levantou e colocou a mão na minha testa – Nossa, acho que dá pra fritar um ovo ai.
- Obrigada, me ajudou muito – eu disse me levantando – quer alguma coisa da cozinha ?
- O ponto é: – ela continuou me ignorando – Você acha que você tem um admirador secreto ? Isso é ridículo, .
- Pode ser, não pode? Se fosse uma pessoa “não secreta” – eu disse fazendo aspas com as mãos – não teria me mandando uma mensagem restrita.
- Pode ser que sim, pode ser que não. Qual é, você tinha um admirador secreto na 3ª série !
- E o que isso tem a ver ?
- Ai, desisto de você ! Ele deve dar outro sinal, sei lá.
Eu estava discutindo com a sobre as mensagens que eu recebera, as do tal número restrito que eu tentei responder mas não consegui. Ok, eu sempre quis ter um admirador secreto, mas eu não esperava que fosse ser tão angustiante e tão ... idiota ?
- , você tá ansiosa ?
- Para descobrir quem é seu admirador secreto ? Por que estaria?
- Não animal, para ir ao show !
- Ahn, eu até tinha me esquecido disso – ela disse e riu – Claro, mas por quê?
-Como você consegue esquecer isso, ? Eu não sei, eu estou com uma sensação ruim.
- Sensação ruim? Pelo amor de Deus, para de ser negativa ! É só um show, nós vamos conhecê-los, vamos surtar e vamos voltar para casa nos lamentando por não termos agarrado nenhum deles e é isso, nossas vidas vão continuar a mesma merda nessa mesma cidade, e nós vamos crescer e não vamos conseguir passar no vestibular, vamos ser caixas de supermercado, vamos casar com mecânicos e entregadores do supermercado em que vamos trabalhar e vamos ter 7 filhos cada uma e ...
- EI, SE CONTROLA ! Eu não vou ter 7 filhos com ninguém, se eu for ter filhos, vão ser 12, eu quero um time de futebol.
- 12? Seus órgãos vão escorregar de você depois disso né, porque para parir 12 filhos ...
- Ok, chega – eu disse – Eu ainda fico nervosa com a hipótese de não conseguir ser nada na vida.
- Por que não seria ?
- Eu não sei fazer nada, !
- Você sabe cozinhar, e tocar piano. Ok, só tocar piano, você é um fracasso na cozinha, só estou tentando te animar.
- Como se tocar piano fosse sustentar os meus 12 filhos e o meu marido mecânico!
- Sua mãe já não deveria ter chegado?
- Não, ela disse que chegaria tarde hoje.
- Que estranho, o meu pai chegou cedo hoje e disse que eles tiveram que encerrar o expediente mais cedo ...
Ás vezes eu esquecia que o pai da era o chefe da minha mãe.
- Mas a minha mãe me ligou agora pouco – eu disse achando estranho – Que coisa.
- Sei lá, mas por acaso ele comentou que faz tempo que a sua mãe não vai trabalhar e ... – então ela percebeu o que tinha acabado de dizer – caramba, sua mãe não vai trabalhar desde ... Desde o dia que você começou a receber aqueles tweets.
- Como assim, ?
- Naquele dia, meu pai chegou em casa comentando que sua mãe tinha feito muita falta no trabalho e não sei o que, mas eu não dei atenção porque foi a hora que você me ligou, lembra ?
- Isso, e logo de manhã ela acordou irritada e não me deixou sair. Ok, mas o que tudo isso tem a ver?
- Não sei, mas você não acha estranho? Ela está há uma semana fingindo que está saindo para trabalhar, isso não te deixa preocupada?
- Preocupada por quê ? Ela faz o que ela quiser da vida dela e eu não tenho nada com isso.
- Outch, tá certo então, só não diga que eu não avisei.

Naquela noite, a minha mãe chegou em casa bem tarde e a tinha acabado de sair. Eu continuava sentada no sofá esperando a febre baixar e vendo alguma coisa idiota na televisão quando ela entrou na sala.
- , posso falar com você ?
- Fala mãe, o que eu fiz agora?
- Você não vai a esse show do McFLY.

Capítulo 4

Respirei fundo para não voar em cima dela e contei até 10, mas não adiantou. - COMO? POR QUE? NÃO!
- Eu não quero que você vá, e não discuta comigo, eu já disse que não!
- COMO ASSIM VOCÊ NÃO QUER? VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO! VOCÊ NÃO TEM ESSE DIREITO, EU GANHEI A PROMOÇÃO E EU VOU AO SHOW SIM!
- EU TENHO ESSE DIREITO SIM! EU SOU A SUA MÃE E VOCÊ TEM QUE APRENDER A ME RESPEITAR, VOCÊ NÃO VAI A ESSE SHOW, NÃO ADIANTA INSISTIR, CHORAR, FAZER GREVE DE FOME, AMEAÇAR SE MATAR, EU JÁ DISSE QUE NÃO! E ALÉM DO MAIS, VOCÊ NÃO VAI CONHECER O ! – Ela parecia bem nervosa e percebeu que deixou escapar algo.
- O ? O QUE ELE TEM A VER COM A HISTÓRIA ?
Ela me olhou com uma expressão pasma e me deixou falando sozinha enquanto subia as escadas com uma expressão fechada.
- ME DIZ, O QUE O TEM A VER COM ESSA HISTÓRIA DE EU NÃO PODER IR AO SHOW? ME RESPONDE! AGORA!
Eu fiquei na sala falando sozinha e espumando de raiva enquanto a ouvia bater a porta do quarto. Mas o que era aquilo? Ela não sabia o que eu fazia ou o que eu deixava de fazer, ela mal sabia alguma coisa sobre a minha vida e agora ela quer me proibir? Que direitos ela tem? Só por que ela é minha mãe e supostamente ela deveria cuidar de mim, uma coisa que ela não faz? Minha cabeça estava martelando e eu me senti tonta de novo, achei que fosse por conta do meu nariz entupido. Corri para a cozinha e tomei mais remédios para a gripe do que o necessário enquanto eu ouvia barulhos de coisas se quebrando no quarto dela e gritos.
Corri para o meu quarto sentindo uma enorme vontade de chorar. Alguma coisa estava errada, eu sempre soube que ela nunca gostou que eu ouvisse o McFLY, mas simplesmente não dava! Será que algum dia ela ia parar de ser tão egoísta e prestar atenção em mim, prestar atenção nos meus sonhos? Eu duvido muito, muito mesmo. Ela nunca se importou com ninguém além dela, com as vontades dela, com o que ela achava certo. Ela sempre me obrigava a fazer o que ela achava ser bom e isso sempre me machucava, porque o que ela achava ser bom nunca era bom para mim.
Um nó se formou em minha garganta e eu sabia que iria chorar, pronto, era isso, eu me sentia sozinha de novo. Senti as lágrimas vindo com uma velocidade impressionante e me enrolei nos lençóis que estavam largados em cima da cama tentando abafar os meus soluços. Eu sempre quis ter alguém em que eu pudesse confiar, alguém que pudesse me proteger daquele show de horrores em que eu vivia. Alguém com quem eu pudesse compartilhar meus sonhos, alguém que me abraçaria e me diria que tudo ficaria bem. Depois que tudo desse errado, lógico, mas tudo ficaria bem, alguém que pudesse me tirar daqui. Mas que porra era a minha vida? Eu não aguentava mais pensar nela, pensar na minha mãe, eu não aguentava mais pensar, me importar. Tudo parecia tão vazio, tão errado, tão fora do lugar.
As coisas simplesmente nunca davam certo! Agora que eu estava feliz por causa da promoção, do show e de tudo que estava acontecendo, ela achava que ia me deixar infeliz? Não, não dessa vez. Eu não ia deixar que ela me deixasse para baixo, que me rebaixasse como se eu fosse um nada, como ela sempre faz. Eu iria ao show, porque eu sentia que precisava ir, e se ela não queria que eu fosse o problema era dela, ela não tinha esse direito.
Depois de algum tempo tentando processar toda aquela informação, eu me lembrei do que ela havia dito sobre o . O que o poderia ter a ver com aquela história ? Eu achava que nem o nome dos McGuys ela sabia! Pelo menos na minha cabeça, para ela, eles eram todos iguais.
Depois de um tempo tentando processar tudo aquilo minha vista ficou embaçada e eu senti o meu corpo ir amolecendo devido aos remédios que eu havia tomado e quando eu fui perceber, eu já estava dormindo. Eu tive alguns sonhos desconexos durante a noite, vozes, pessoas chorando, um enterro, coisas da qual eu não consigo me lembrar muito bem, mas que não foram sonhos muito bons. Acordei no dia seguinte com o barulho do despertador me sentindo exausta, com palavras sem sentindo martelando em minha cabeça e com o corpo todo dolorido. Fiquei encarando o nada pensando se eu deveria me levantar ou não, ir a escola ou não. Eu não estava com a mínima vontade de fazer nada ou de ver alguém, obviamente eu não queria ir à escola. Me levantei sentindo o meu corpo coberto de suor e fui obrigada a tomar um banho. Eu ouvia o meu celular tocando insistentemente em algum lugar do quarto que eu não consegui identificar e eu fiquei com medo de atender. O que eu faria agora? Como iria contar as meninas que eu fui proibida de ir ao show? Se no último caso eu não pudesse mesmo ir, elas iriam e eu sabia que isso ia me deixar melhor, pelo menos eu não ia estragar o sonho delas. Mas conhecendo-as como eu conheço, eu duvidava muito que fossem sem mim. Mas eu precisava ir, precisava arranjar uma maneira! Não pode ser tão difícil assim fugir de casa, eu já fiz isso tantas e tantas vezes ...
Desci as escadas verificando que eu estava sozinha e quando eu vi, já eram quase 10 horas da manhã e eu me lembrei da prova de História, ok, agora já era. Peguei uma maçã na geladeira e assisti televisão até eu ouvir a campainha tocar.
- Entra Hanna. – eu disse ao abrir a porta – Aconteceu alguma coisa?
- Não, eu só vim ver como você estava. – ela disse me abraçando. – A disse que você estava com febre ontem e hoje você não foi a escola ...
- Eu estou melhor, eu acho. – eu disse voltando a me sentar no sofá.
- Você acha? Me conta o que houve, anda.
Elas sabiam da minha “mania” de não contar os meus problemas para elas para não deixá-las preocupadas, o que me fazia ser obrigada a contar a elas, de certa forma.
- A minha mãe me proibiu de ir ao show. – soltei sem pensar.
- C-C-C-OMO ? – ela gritou. – COMO ASSIM?
- Não grita Hanna, eu tô aqui do seu lado!
- Me desculpa, mas por que? Eu não sei se você sabe, mas ela não pode fazer isso com a gente!
- Comigo você quer dizer, né ?
- Claro que não, , se você não for, nenhuma de nós vai. Não só porque você foi a ganhadora da promoção mas porque nós não vamos nos divertir e te deixar em casa sozinha vendo os filmes toscos que passam na televisão aos sábados a noite, tipo, Todo Mundo Odeia o John.
- Eu pensei que você gostasse de Todo Mundo Odeia o John ... Mas nunca Hanna, eu nunca iria fazer isso com vocês! Se eu não for, vocês vão e está acabado. Não é porque minha vida é um inferno que eu vou estragar a de vocês, e quer saber? Eu nem sei mais se eu acredito em mim, eu já cansei dessa vida. Cansei de ser maltratada pela minha mãe, eu cansei sabe? Acho que eu já deixei de acreditar que a minha vida pode melhorar.
- Amiga. – ela disse olhando nos meus olhos. – Um amigo é uma pessoa que acredita em você mesmo quando nem você acredita em si mesmo. [n/a : frases do tumblr mode on, rs] Nós acreditamos em você, nós te amamos e de jeito nenhum vamos te deixar sozinha, ok? Se você não for, nenhuma de nós vai e eu aposto que as meninas concordam comigo.
- Mas Hanna ... – eu já estava quase chorando a essa altura, odeio quando fazem isso comigo. Quando eu estou mal, quanto mais afeto demonstram por mim, mais eu choro.
- Mas nada, nós vamos bolar um plano e vamos a esse show, e caso isso não aconteça, vamos ficar todas juntas em casa vendo Todo Mundo Odeia o John ou o que estiver passando, certo? Prefiro que seja Todo Mundo Odeia o John, mas qualquer coisa a gente aluga um pornô e ... – ela ia dizendo quando viu a minha cara. - Ou então nós vamos sair e beber até cair para afogar as mágoas.
Eu a abracei e senti que tudo daria certo. Eu confiava na Hanna, confiava nas minhas amigas (apesar dos meus momentos de solidão) e eu sabia que tudo daria certo no final. Sorri para ela e logo depois a Amy, a e a Emma chegaram com o supermercado todo (lê-se 10 barras de chocolate, 9 pacotes de pipoca e 5 refrigerantes de dois litros) e nós ficamos a tarde toda falando besteira e adquirindo celulites e estrias, ou seja, comendo todas as porcarias que elas compraram.
- Por que a não finge que vai dormir e pula a janela? – Amy sugeriu enquanto nós estávamos discutindo o que fazer em relação ao show.
- Como ela vai pular do segundo andar, Amy? Só se a gente deixar de ir ao show para ir ao enterro dela. – perguntou a Amy como se fosse óbvio.
- Ela faz uma trouxinha de lençóis igual a quando os prisioneiros fogem das penitenciarias ! – Ela respondeu como se fosse uma idéia muito brilhante e recebeu um tapa de Emma. – O que foi?
- Isso é impossível Amy, não viaja ! – ela respondeu. – Que tal se ela fosse para a casa de uma de nós?
- Mas o carro vai vir nos pegar aqui na frente. – eu disse. – Eu já tinha pensado nisso, mas não tem como.
- Nós ainda temos um mês para resolver isso gente! – Hanna disse.
- Mas o tempo ruge e a Sapucaí é grande, Hanna. – disse e Amy riu – O que foi?
- Nós por acaso somos uma escola de samba, ? – Amy disse e nós rimos.
- É que o meu pai está com mania de falar isso e eu acabei pegando, isso soou muito pedreiro né? – Ela perguntou e nós afirmamos. – Saco, eu sabia.
- Porque a não diz que vai dormir na casa de uma de nós e na hora combinada a gente vem aqui para frente ? – Emma sugeriu – Daria certo, não?
- Pode ser – Hanna concordou – Mas como vamos chegar aqui tão rápido ? Nós não podemos chegar antes, e obviamente, nem depois.
- Nós podemos ir para a minha casa e depois o meu irmão trás a gente para cá – sugeriu e as outras meninas concordaram – O que você acha ?
- Pode dar certo. – eu disse cogitando a possibilidade.
- Ah , é claro que vai dar certo ! – Amy disse. – Por que poderia dar errado?
- A minha mãe não pode descobrir isso em hipótese alguma, meninas, se ela descobrir ela acaba com a minha vida. – eu respondi, e era verdade, só eu sabia que ela tinha a capacidade de transformar a minha vida em um inferno.
- Não tem como isso dar errado , fica tranquila. – Hanna disse. – Confia na gente!
- Eu confio! – eu respondi. – eu só não confio nela.
- Nós ainda temos tempo para pensar nisso, mas por enquanto a estratégia é essa – disse – Nós vamos para a minha casa com alguma desculpa, nos arrumamos e na hora marcada a gente vem para cá e vai para o Estádio. É impossível nós não conseguirmos fazer isso gente! Nós não somos tão patetas assim.
- Mas e se a sua mãe não deixar você ir para a casa da , ? – Emma perguntou. – E aí?
- Eu dou o meu jeito, não se preocupem. Vai dar certo, tem que dar.
As meninas ficaram conversando durante algum tempo até que tiveram que ir embora porque já estava ficando tarde e eu subi para o meu quarto, pois não queria ver a minha mãe tão cedo.
Eu estava tão concentrada no livro que eu estava lendo que não percebi quando ela chegou em casa e bateu na porta do meu quarto. – Entra – eu gritei desejando o contrário.
- Como você está se sentindo ? – Ela perguntou sentando ao meu lado.
- Por que você está me tratando bem agora? Posso saber? – Eu disse me levantando e jogando o livro em cima da cama. – O que você quer de mim?
- Eu não quero nada de você, só o seu bem.
- O MEU BEM? – Agora já estava subindo para a cabeça. – Como assim o meu bem? Me proibindo de ver as minhas amigas, de fazer o que eu gosto, de ser feliz? É assim que você quer o meu bem?
- Querida, eu sou a sua mãe! – Ela repetia isso como se estivesse afirmando para si mesma, ás vezes eu pensava na razão. – Tudo o que eu faço é para a sua felicidade, embora você não perceba isso.
- Minha felicidade? FELICIDADE? Você tem certeza que é isso mesmo? Tem certeza de que não tem alguma coisa antes, tipo, infelicidade? – respondi dando ênfase no “in”
- Claro, e eu até tenho planos para as suas férias que estão chegando!
- Planos? Como assim planos? Você não vai trabalhar as férias todas como você sempre trabalhou?
Ela se sentou em minha cama e sorriu para mim. – Não, a partir de agora eu vou ficar em casa cuidando de você, eu pedi demissão! Não é ótimo?
Não, não e não. Isso não pode estar acontecendo. Então foi isso que a disse, ela não estava trabalhando.
- Desde quando você pediu demissão?
- Desde a semana passada
- E aonde você esteve quando disse que iria trabalhar?
- Eu estive planejando algumas coisas, acertando alguns detalhes. , olha para mim, me escuta. Eu estive planejando te contar isso desde o dia que eu quis ter uma conversa com você, você se lembra? – Sim, eu me lembrava bem do tal bilhete que eu tanto temi, e no fundo eu sabia que não era coisa boa. – Então, um amigo me fez uma proposta e eu pensei muito antes de aceitar. Pensei se era o melhor para mim e o mais importante, o melhor para você. Pensei e cheguei a conclusão de que é o melhor sim! Nós vamos ficar sempre juntas, vamos ter uma vida mais confortável, você vai conhecer pessoas novas, amigas novas, e vai até arranjar um outro namoradinho! Não vamos mais depender de ninguém para nos sustentar e enfim ... Tudo vai ser como você sempre sonhou minha filha! Você não vive reclamando pelos cantos que odeia a sua vida aqui? Que está cansada, que queria uma vida nova? Essa é a nossa chance ! Teremos tantas novas oportunidades, imagine! A sua nova escola, o quanto você vai aprender lá ... É claro que você vai sentir um pouco de saudades daqui e dos seus amiguinhos, mas não é nada que um telefone não possa resolver ...
Aquilo não podia ser verdade, eu estava entendendo errado. Minha mente ficou nublada enquanto ela terminava de explicar “os motivos” de a nossa vida estar do jeito que é, os motivos das nossas brigas e sei lá quantos outros motivos ela arranjou para justificar o quanto nós brigamos. Até que a ficha caiu.
Nova vida? Novo emprego? Novas amigas? Novo namorado? NOVA CASA? NOVA VIDA?
- VOCÊ NÃO ESTÁ DIZENDO QUE NÓS VAMOS NOS MUDAR, ESTÁ? NÃO, ISSO É MENTIRA, VOCÊ SÓ PODE ESTAR BRINCANDO COMIGO!
- SIM – ela respondeu achando que eu estava empolgada. - Isso não é ótimo? Já está quase tudo pronto, nós só precisamos empacotar as nossas coisas. No mês que vêm nós já vamos estar morando na nossa nova cidade! E esse fim de semana eu vou te levar até lá para que você possa ver a casa que eu escolhi! É linda, e grande. E eu já até conheço os nossos vizinhos ...
Ela continuou lá tagarelando como nós íamos ser felizes e como tudo ia ficar bem durante um bom tempo, mas eu não conseguia prestar atenção no que ela dizia.
Não, era tudo um pesadelo, só podia ser um pesadelo. Não hoje, não agora, não esse mês. Eu vou acordar, eu vou acordar, eu vou acordar, isso é tudo mentira. Então eu pisquei os olhos uma, duas, três vezes. Tentei até me beliscar, mas não acho que eu tenha conseguido acordar do meu pesadelo sem fim. Um filme passou pela minha cabeça enquanto eu pensava em todos os motivos para eu não me mudar. E no show, principalmente no show. As meninas estavam erradas afinal, tinha sim como o nosso plano dar errado, e já tinha dado. De repente eu me sentia cansada, fraca, e muito, muito derrotada.
Não era mentira, não era um pesadelo, era real. Eu ia mesmo me mudar.
E eu sabia que agora não teria mais volta.

Capítulo 5 – From Another Point Of View / ’s POV.

- , eu acho que você deve ligar para ela cara, você não acha que vai doer menos em vocês dois ? Você já não tem o telefone ? – dizia enquanto sentava no sofá ao meu lado. – Do que você tem medo ?
- Eu não quero machucar ela, eu só ... Eu estou com medo de fazer a coisa errada no momento errado, tenho medo de ela não aceitar. Que direitos eu tenho de entrar na vida dela agora e mudar tudo ? Eu não posso, eu estou a um oceano de distância dela, ! E agora que eu a encontrei, eu tenho medo de perdê-la. Medo de que ela possa escorregar pelos meus dedos. Eu não sei o que eu faria se a perdesse de novo, eu levei tanto tempo para conseguir encontrá-la ...
- Eu sei, mas você vai contá-la, certo ? No dia do show ?
- Claro que vou, foi para isso que eu armei esse circo todo, esse show, essa promoção.
- Certo, – ele disse se levantando – eu sei que você não quer fazer com que ela sofra, mas você sabe que isso vai acontecer, só tome cuidado com o que isso está causando em você. Você sabe que pode contar comigo, não sabe ?
- Sei. – eu disse o observando pegar seu celular que estava em cima da mesa e fechar a porta ao sair.
Passei as mãos sobre o meu rosto e comecei a sentir o meu corpo pesado, há quantos dias eu não conseguia dormir mesmo ? Eu estava com fome e precisava de um banho, mas não tinha a mínima coragem de me levantar dali. Observei a minha casa vazia e senti frio, me senti sozinho. Eu não gostava daquela sensação de abandono e o que eu mais queria no momento era tê-la ali comigo. Eu realmente sentia falta da minha menininha, da minha irmã. Aquela que provavelmente estaria feliz em algum lugar no planeta, mais especificamente na América do Sul e que dentro de algum tempo descobriria que não é quem ela pensa que é. Ás vezes isso me cortava o coração, como eu iria simplesmente chegar para ela e falar : Oi, eu sou seu irmão ? Eu queria tê-la perto de mim, como eu queria, mas eu preferia sofrer a ter que fazê-la sofrer, a ter que vê-la chorar. Merda, por que as coisas precisavam ser tão difíceis ? E por que eu estava ficando tão gay ? Meu Deus.
Deitei no sofá e aos poucos meus olhos foram se fechando e eu dormi.

Eu observava aquele cômodo extremamente branco e as pessoas ao meu redor, algumas sentadas, algumas desesperadas, algumas preocupadas e eu simplesmente não conseguia esboçar nenhuma reação. A menina que eu segurava cuidadosamente em meus braços dormia como um anjo e eu sabia que era isso que ela era, o meu anjo. Seu peito subia e descia vagarosamente e ela parecia estar tendo um sonho bom. Eu sabia que deveria cuidar dela, eu deveria protegê-la, proteger a minha irmãzinha, eu só não sabia o quão difícil isso iria ser. Era irônico como eu sempre tive medo de perder o posto do filinho da mamãe quando ela nasceu e agora eu estava ali, destinado a cuidar dela para o resto da vida. O meu anjinho suspirou profundamente e eu parei de prestar atenção nela quando eu ouvi uma porta ser aberta e passos se aproximando. O doutor nos olhava derrotado enquanto tirava a sua máscara e a jogava no chão. Eu sabia, eu sempre soube, desde o começo quando ela me pediu para cuidar da minha irmã e quando ela me disse que iria me proteger aonde quer que ela estivesse que aquilo nunca iria acabar bem. Um soluço escapou pelos meus lábios quando o médico disse o que eu menos queria ouvir mas o que eu tinha certeza que seria inevitável desde a hora que ela entrou naquela sala de cirurgia : - Nós fizemos o que estava ao nosso alcance, mas não foi o suficiente. De repente alguém tomou a minha irmã dos meus braços e eu corri. Ouvi os gritos das pessoas atrás de mim mas não me importei, eu só queria vê-la, eu queria a minha mãe. Empurrei a porta do quarto 405 e lá estava ela, imóvel. Meus soluços foram ficando mais altos e eu a abracei. Ela estava gelada e seu coração não batia, mas mesmo assim sua expressão era doce. Beijei sua testa e deixei que mais algumas lágrimas caíssem, quando ouvi mais vozes próximas a mim, mas eu não queria sair dali, eu queria ficar com ela. Senti alguém me puxando e eu tentava lutar, mas não conseguia me libertar, aquela pessoa era mais forte que eu. As portas do 405 se fecharam na minha frente e eu me joguei no chão derrotado.

Acordei suado com o som do telefone tocando em algum lugar, eu ainda não sabia aonde estava, quando o encontrei, o soquei até que parasse de tocar, que merda era aquela ? Ainda eram uma hora da tarde ... UMA HORA ? COMO EU DORMI ASSIM ?
Levantei correndo e vesti as primeiras peças de roupa que eu achei, peguei a chave do carro e voei até o estúdio. Corri pelos corredores vazios até encontrar a tal porta da sala de reuniões e entrei tentando ser o mais silencioso possível, mas todos os olhares encontraram o meu.
- O que foi ? – perguntei inocentemente.
- Nada. – Fletch, nosso empresário, respondeu.
Me sentei ao lado de enquanto disfarçadamente ele me passava um copo de café da Starbucks. – Obrigado – eu sussurei e ele piscou para mim. Realmente, uma coisa que eu nunca poderia reclamar era sobre os meus amigos.
, e , eram, no sentido literal da palavra, a minha única família.
Ficamos um pouco mais de quarenta minutos naquela sala fingindo estar ouvindo o que o Fletch estava falando, mas eu conseguia ver jogando no celular enquanto e jogavam pedra, papel e tesoura. Me controlei para não rir, quando Elizabeth entrou na sala me olhando com um olhar de ... Culpa ?
- , posso falar com você um minuto ?
- Claro. – eu respondi a acompanhando para fora da sala. – O que foi ? Mais alguma notícia ?
Elizabeth Troughton era da assessoria de imprensa da Univeral Music, foi ela quem me ajudou a descobrir mais sobre a minha irmã, ela vinha me ajudando muito ultimamente, eu até a recompensaria se ela não tivesse idade para ser minha avó.
- Na verdade, eu tenho uma. – ela disse parecendo ponderar se deveria me contar ou não. – Hoje de manhã, uma amiga da ligou para cá pedindo que nós mudássemos o endereço do carro que vai busca-lá para outra cidade, porque ela irá se mudar ...
- ELA VAI O QUÊ ? SE MUDAR ? PRA ONDE ? – Eu gritei enquanto saia da sala e me olhava.
- Ei, calma ai, nós temos o endereço novo, não precisa se preocupar ! – Elizabeth tentava me acalmar.
- O que foi cara ? – perguntou olhando de Elizabeth para mim, – Algum problema ?
Elizabeth me olhou como se perguntasse se eu queria que o soubesse.
- Não aconteceu nada. – eu respondi e sai andando em direção a sala, mas impediu que eu entrasse. – O que foi ?
- Não aconteceu nada. – ele respondeu fazendo uma imitação mal feita da minha voz. – Eu to sabendo que não aconteceu nada, .
- Porra, é sério , não foi nada. – eu disse tentando convencê-lo, ele não precisava saber de todos os meus problemas, precisava ?
- Ela se mudou ? – perguntou enquanto eu olhava para o chão pateticamente e não respondi. – Que bom, e o que você vai fazer ?
- O que você quer que eu faça ? – eu perguntei, que porra ele queria que eu fizesse ?
- Você não vai desistir agora, pelo amor de Deus ! É a sua irmã, s-u-a i-r-m-ã ! – ele repetia vagarosamente como se eu fosse uma criança aprendendo a ler.
- PORRA, EU SEI ! Sei que é a minha irmã, sei que eu deveria fazer alguma coisa, mas ...
- Por que você não vai buscá-la ?
- Você enlouqueceu ? Você realmente acha que eu ...
- A Elizabeth tem o endereço, então, do mesmo jeito ela vai ao show, certo ? – mas porque diabos ele não parava de me interromper ?
- , pensa um pouco. – eu disse tentando ser claro com ele – A Judith não decidiu essa mudança de uma hora para outra, nós temos certeza disso. Isso é sinal de que ela descobriu tudo entende ? Ela nunca teria se mudado assim, do nada, e isso é péssimo. Ela está tentando evitar o nosso encontro, evitar que ela saiba da verdade.
- Faz sentido. – ele disse coçando o queixo. – mas ela disse que quer ir ao show, e isso não conta ?
- Conta, mas não se a “mãe” dela fizer de tudo para impedir. – eu disse fazendo aspas com as mãos – Agora você entende o meu problema ? Ela se mudou mas continua querendo ir ao show, só que se a mamãezinha dela impedir, ela não vai poder fazer nada, porque ela vai ameaçar a menina de todas as maneiras.
- Certo, então só faz o que eu vou te dizer, volta para a sala de reuniões e finja que nada está acontecendo. Eu vou dar um jeito nisso. – ele disse e saiu correndo pelo corredor enquanto eu fiquei lá parado com cara de idiota, até o socar a porta pelo lado de dentro e me mandar entrar porque o Fletch precisava de mim para terminar a reunião.
Então, foram mais 30 minutos de tédio até Chapin, namorada do , bater na porta com um afobado em seu encalço.
- Chapin ? – perguntou surpreso – Você não estava trabalhando ?
- O me pediu um favor. – ela disse sorrindo amarelo – Fletch, será que você pode me emprestar o por um minuto ? Eu preciso de um favor dele.
Chapin e namoravam há 6 meses. Chapin era uma espécie de pau para toda obra, vamos colocar assim. Ela era organizadora de eventos, e sempre que podia, nos ajudava com algumas coisas da banda, como obviamente, nos eventos. No começo do namoro, eu confesso, nós implicávamos bastante com ela, mas depois Chapin foi se mostrando menos tímida e nós passamos a conhecê-la melhor. E paramos de zoar com o nome dela, claro. A mãe dela gostava do Charles Chaplin, qual é o problema nisso, não é mesmo ? Ela só fez uma adaptação no sobrenome do cara.
Voltando a cena anterior, Chapin pediu que fizesse uma ligação para ela e é claro, ele não hesitou em sair daquela sala, aonde ficamos eu e .
Quando Fletch deu a reunião por encerrada, e Chapin estavam me esperando sentados no sofá da recepção.
- O que foi ? – Perguntei quando ambos sorriram para mim. – Odeio quando vocês fazem isso, parecem um casal de macacos, e nem um casal vocês são.
- Bom, – Chapin disse ignorando o meu comentário. – eu e o , com uma pequena ajuda do , já que ele é o único que pode entrar na administração, conseguimos falar com uma das amigas da sua irmã, e ela nos garantiu que ela estará lá, no show, nem que elas tenham que ... O que foi que elas disseram, ?
- Nem que elas tenham que ir voando, acho que foi isso. Ou qualquer coisa assim, mas isso não importa.
Eu ainda não estava acreditando que eles haviam feito aquilo. Mas é claro, vindo de e Chapin, eu não duvidava de nada. Não duvidava nem mesmo que eles tivessem contado a verdade para a garota.
- O que, exatamente, vocês disseram ?
- Bom, como elas já haviam ligado para cá antes, falando sobre essa história da mudança, essa tal de deixou o telefone dela e perguntou o que aconteceria caso a sua irmã se mudasse. Matthew disse que retornaria a ligação, e agora, nós retornamos. Explicamos que a presença dela era necessária e que ela precisava ir, pois ela teria uma suspresa e a falou que vai levá-la de qualquer jeito, e foi isso. – Chapin explicou e sorriu.
- Surpresa ?
- Nós precisávamos de uma desculpa para ela ir, . – disse. – O que você queria que nós dissesemos ? De certa forma, ela vai ter mesmo uma surpresa.
- Você não parece feliz – Chapin observou – O que nós fizemos ?
- Não é nada com vocês. – eu expliquei – É só que, eu tenho medo de que isso possa complicar a vida da . Se a Judith proibiu a de ir ao show, ela pode tentar fugir e a Judith pode descobrir tudo, é bem provável que ela mova o mundo para impedir que eu conte a verdade a ela, e se isso der errado, pode prejudicá-la.
- Nós sabemos , mas precisamos arriscar. Nós já temos a garantia de que ela vai, e isso basta, e depois disso, você vai estar com ela, certo ? – Para mim era novo o tentando tranquilizar alguém, normalmente o nervoso era ele.
- Vou. – eu disse tentando convencer mais a mim mesmo do que a eles.
- E agora, – Chapin disse com uma animação exagerada - nós vamos sair, nos divertir, você vai ficar com algumas meninas e vamos parar com esse chororô. – e saiu saltitando pelo corredor.
Eu ainda não entendi a razão de eu achar tudo tão complicado enquanto eles achavam tudo tão fácil, eu devia mesmo estar ficando louco. Ou só precisava de um banho e de um Big Mac. Ou de mulheres, muitas delas de preferência.

Naquela noite eu sai com o e , já que o decidiu ficar em casa com a Chapin. Eu nunca fui uma pessoa baladeira, mas eu sentia que estava precisando de um porre. Enquanto e competiam em quem fazia a dancinha mais ridícula, eu enchia a cara no bar. Algumas pessoas me olhavam estranho, mas quem se importa ?
Depois de algumas (lê-se muitas) doses de vodca, eu já não estava me sentindo bem. A boate começou a rodar e eu sentia que poderia vomitar a qualquer momento. Me levantei tentando chegar ao banheiro e as pessoas ao meu redor pareciam girar, aliás, tudo parecia girar.
Ouvi as vozes do e do me chamando, mas por que diabos eles estavam tão longe ? Ouvi outra voz me chamando, mas era uma voz diferente, era a voz dela. Andei mais um pouco e a vi, no meio de todas aquelas pessoas, mas ela estava assustada. Andei até ela e senti minhas pernas formigarem, mas eu não consegui parar, precisava chegar até ela. Ouvi gritando o meu nome e me virei para ver o que ele queria, a boate rodou de novo. Ela aparecia em todos os lugares, e parecia estar me chamando também. , eu precisava protegê-la, precisava chegar até ela. Consegui chegar ao banheiro e a vontade de vomitar aumentou, a música fazia muito barulho e todas aquelas luzes estavam me dando dor de cabeça. Quando finalmente cheguei ao banheiro, não consegui mais sustentar o meu peso e desabei no chão imundo.
Senti as lágrimas chegando aos meus olhos e eu não consegui controlar, solucei como uma criança sentado naquele banheiro sujo e encardido.

- Deixa que eu fico aqui com ele. – eu ouvia vozes vindo de longe.
- Tem certeza ?
- Eu também quero ficar.
- Você acha que ele está bem ?
- O nunca foi de beber assim.
Algo gelado tocou a minha testa e eu me arrepiei.
- ? – Sussurei sem saber o que estava falando, abri os olhos e vi Chapin me olhando preocupada.
- Infelizmente é a Chapin, bonitinho. – ela disse sorrindo e afagando os meus cabelos.
- Minha cabeça. – eu resmunguei tentando tapar a claridade que vinha de algum lugar.
- ? – disse chegando perto de mim – Como se sente ?
Subitamente senti um nó em minha garganta e engoli a vontade de gritar.
- Bem. – eu menti mas ele não pareceu se convencer.
- Deixa que eu cuido dele, . – Chapin disse enquanto eu virava de lado e tapava o rosto com o travesseiro.
Ouvi o barulho de passos e a porta batendo, e senti a mão de Chapin delicadamente tirando o travesseiro do meu rosto.
- Tirando a ressaca, como se sente realmente ? – Ela perguntou enquanto segurava as minhas mãos.
- Péssimo. – eu disse me levantando e analisando aquele cômodo, casa do , quarto de hóspedes.
- Certo, quer conversar ?
- Por que ela não está aqui, Chapin ? Por que tudo precisa ser tão difícil ?
- , você precisa ser forte ! Você nunca foi assim, desde que eu te conheço, nunca sequer eu te vi bêbado. Você precisa confiar em si mesmo, confiar em nós. Eu nunca te vi tão abalado por tão pouca coisa. Não que isso seja pouca coisa, mas você não precisa se preocupar tanto.
Eu me encolhi, não conseguia pensar em mais nada, me sentia sozinho.
- Não sei se eu consigo. – confessei e suspirei pesadamente – Sinceramente, eu não sei.
- , – ela disse me abraçando – me escuta. Eu não sei exatamente o que aconteceu com a sua família, mas falta só um mês e alguns dias ! Você vai conversar com ela, vocês vão se entender e vai ficar tudo bem. Você não precisa ficar tão abalado com isso, você a ama e de alguma forma, ela te ama também. Agora que você a achou, você deveria ficar mais tranqüilo ! Nós sabemos para onde ela vai se mudar,sabemos os endereços das amigas dela, não pode ser tão difícil assim. Se ela for uma pessoa doce e sensível como eu tenho certeza que ela é, ela vai parar, vai te escutar e vocês vão resolver tudo isso. Por que é tão difícil acreditar no que nós estamos te dizendo, ? Você é forte, corajoso. Vai superar tudo isso, você vai ver ! Tudo isso vai passar e daqui a alguns dias nós vamos estar rindo de tudo isso. Agora, por favor, não tome outro porre assim, você nos assustou. Assustou até o e o que ficam bêbados praticamente todo santo dia e já viram bêbados de todas as espécies, o achou que você estivesse em coma.
- Certo. – eu disse a abraçando mais forte. – Me desculpe por isso, prometo não fazer de novo.
- Espero que sim, mocinho. Você anda muito desobediente ultimamente, acho que vou te deixar de castigo.
Fiquei conversando com Chapin durante algum tempo até ela me deixar sozinho e alegar que eu precisava dormir. Encarei o teto durante algum tempo e logo depois adormeci.

Capítulo 7

Me joguei na cama exausta e olhei para a janela que ficava em cima da minha cama. A noite estava clara e cheia de estrelas, como se alguém tivesse jogado purpurina sobre um fundo azul-marinho. Fechei os olhos e respirei fundo, já era sexta feira e eu nem tinha percebido. Um dia, eu só tinha 24 horas e ainda não tinha decidido como chegar até o lugar combinado.
Tentando não pensar mais nisso, liguei o iPod no aleatório e a música era Therapy, do All Time Low.
- In a city of fools I was careful and cool, but they tore me apart, like a hurricane. A handful of moments I wished I could change, but I was carried away – cantarolei e achei aquilo um pouco irônico. - give me therapy, I'm a walking travesty but I'm smiling at everything. Therapy, you were never a friend to me and you can keep all your misery. *
Na verdade eu estava confusa, não sabia o que eu estava sentindo. Era um misto de medo, ansiedade e curiosidade, e eu tinha medo do que eu poderia descobrir. Nunca pensei em minha mãe guardando segredos de mim, nunca desconfiei que ela me escondesse nada. E ela parecia tão agressiva com aquele assunto ! Não, eu ainda não havia me esquecido do telefonema dela. Eu sabia que sair da cidade não ia ser fácil, mas eu estava achando cada vez mais impossível.
Meu celular tocava insistentemente na mesinha mas eu não estava com vontade nenhuma de me levantar e atender, eu não queria falar com ninguém. Ás vezes eu me sentia melhor sozinha, e esse era um dos momentos. Alguns minutos depois ouvi um barulho no quintal, uma risada e alguma coisa atingindo a minha janela, me ajoelhei na cama e ri quando vi Steve.
- O que você está fazendo ?
- Vim te buscar ! – ele respondeu rindo.
Steve estava em pé em cima algumas caixas vazias que desabaram quando ele tentou se mecher e ele riu mais ainda.
- Você está bem ? – eu gritei de volta – Se machucou ?
- Não se preocupa, eu estou bem – ele disse se levantando e tirando a grama da calça. – Vem , eu estou te esperando.
Peguei o celular e a chave e desci correndo, tranquei a porta e vi Steve encostado em um carro.
- É seu ?
- Não, é do meu pai ! Ele viajou de ônibus e eu fiquei com o carro, não é demais ?
- Claro Steve, isso é ótimo.
Entramos no carro e Steve ligou o rádio.
- PINCH ME, IS THIS REAL ? I’M ON A ONE WAY OUT OF LOSERVILLE, NOW I’M OFF THE SOCIAL FLAT LINE, THINGS ARE SO GOOD THAT I’M TAKING DOWN UM STAR TREK SHRINE AND YOU’RE MORE THAN JUST MY VALENTINE, YOU’RE MY TICKET OUTTA LOSERVILLE ! – Cantamos juntos e rimos. Costumávamos ouvir Son Of Dork e eu vivia implicando com o Steve por causa do Steve Rushton.
- She gives me butterflies, says I'm not like all the other guys. Doesn't care what car I drive, she still enjoys the ride – ele cantou olhando para mim e eu corei. Era impressão minha ou estava rolando um clima ?
- Para onde está me levando, Steve ? – Eu perguntei tentando mudar de assunto.
- Para a praça. – ele disse e eu assenti, que diabos estava acontecendo com Steve ? Ele parecia nervoso.
Steve estacionou o carro e nós fomos em direção ao parque e nos sentamos no balanço.
Falamos sobre algumas coisas até que eu decidi perguntar o que estava acontecendo.
- Steve, aconteceu alguma coisa ? Você parece nervoso.
- Erm, ... Eu queria te dizer uma coisa, mas não sei se devo.
- Fala Steve, pode falar.
- Sabe, desde que você chegou eu tenho sentido alguma coisa especial por você, é como se você tivesse trago a alegria de volta para a minha vida sabe ? Eu, eu nem queria te dizer isso, mas estava me deixando sufocado . Eu acho que estou gostando de você.
Ah não, essa agora não.
- Steve – eu disse respirando fundo. – Uau, eu nunca pensei que um dia você fosse me falar isso. Mas é que você sabe o quanto eu sou complicada ! Eu não quero te magoar Steve, então pelo seu bem, não me leve a sério, ok ? – Steve abaixou a cabeça e eu me senti culpada.
- Sinto muito, muito mesmo – eu o abracei e ele me deu um beijo na bochecha.
Eu não queria ver Steve triste, mas eu era mesmo uma pessoa bem complicada. Eu sabia que se desse esperanças a ele, ele sofreria mais e isso acabaria comigo.
Segurei seu rosto entre as minhas mãos e lhe dei um selinho carinhoso, aquele tipo de selinho que você dá em alguém para demonstrar carinho e nada mais e ele pareceu entender o recado. Nos levantamos e fomos para a lanchonete, aliás, era isso que nós fazíamos a noite.
Cheguei em casa tarde e encontrei a minha mãe sentada no sofá com cara de poucos amigos.
- Aonde você estava ?
- Eu sai com o Steve, ele queria falar comigo.
- , você tem noção de como eu fiquei preocupada sua irresponsável ?
- Mas mãe, eu ...
- MAS NADA ! Você simplesmente sumiu ! Você tem me trazido muitos problemas e eu só me mudei pra cá e trouxe você comigo para ver se eu conseguia dar um jeito em você, mas parece impossível. Eu não agüento mais a sua falta de responsabilidade ! Você não sabe o quanto você tem arruinado a minha vida, ela é assim por culpa sua ! Eu não tenho dinheiro, não tenho um namorado, não tenho família e a culpa é sua ! A culpa é toda sua.
Tentei falar alguma coisa mas ela não deixou, como sempre.
- Agora você vai subir para o seu quarto agora e só vai sair a hora que eu mandar.
Respirei fundo e sai pisando duro para o meu quarto, abri a porta e bati com força e segurando as lágrimas que estavam entaladas em minha garganta. Será que aquilo poderia ficar pior ?

’s POV.

- Calça jeans, camiseta, baquetas – eu dizia em voz alta conferindo as coisas que estavam dentro da minha mala. – sutiã ? não, isso não – e joguei o maldito no chão, de quem era aquilo ?
A ansiedade só crescia dentro de mim, faltavam um pouco mais de 12 horas para eu embarcar para a América do Sul. Fechei a mala e a deixei em um canto do quarto, eu sabia que teria que conferir de novo depois porque eu sempre esquecia alguma coisa, da ultima vez eu não levei cuecas e tive que passar uma semana usando a mesma, sim, foi nojento.
- , entrou no quarto me assustando.
- Oi , as palavras campainha e bater na porta não te dizem nada ?
- Toc toc – ele acrescentou e se sentou na minha cama. – Preparado ?
- Ansioso.
- Espero que você tenha colocado as cuecas dessa vez ...
- Eu coloquei, . O que você veio fazer aqui ?
- Nossa , quanta delicadeza com o seu coleguinha ! Eu vim te avisar que é pra você não se atrasar, o vôo sai ás 19:00 em ponto.
- Obrigado , mais alguma coisa ?
- Nossa, o que aconteceu com você ? Que mau humor, puta que pariu.
- Não aconteceu nada – eu disse bagunçando os cabelos – só a mesma coisa de sempre.
- Ansiedade, nervosismo e medo ?
- Sim, só o de sempre. Nós vamos ganhar um Xbox de novo ? Eu ainda não acabei com a raça do no Tekken 6.

Verifiquei o relógio e constatei que já eram quase 19:00, puta que pariu, não ia dar tempo.
- Escuta, será que não dá pra ir mais rápido ? – perguntei ao taxista e ele negou com a cabeça.
Encostei a cabeça na janela e observei o vai e vem das pessoas nas ruas de Londres quando o meu celular tocou.
- Oi ? – atendi.
- , cadê você ? Não vai dar tempo de fazer o check-in.
- Eu estou preso no trânsito, . O que você quer que eu faça ?
- Alguma coisa, ! Vem a pé, você já está perto ?
- Estou, faltam só duas quadras.
- Então, pega a sua bagagem e vem andando, mas não demora, já são 18:35.
Suspirei pesadamente, paguei ao motorista e fui andando para o aeroporto, depois de 10 minutos eu já estava lá e avistei encostado em uma pilastra enquanto tomava alguma coisa em um copo de plástico.
- Cadê o ? – Perguntei assim que cheguei perto deles.
- Está guardado um lugar pra você na fila do check-in, corre lá.
Fiz o check-in, pegando a minha passagem e despachando minha bagagem, que eram só roupas, já que o nosso empresário já tinha despachado os nossos instrumentos no vôo anterior. Fui em direção aos portões de embarque e conferi em qual embarcaríamos. Me sentei em um dos bancos que estavam ali e sentou ao meu lado.
- Ansioso ? – Perguntou e eu confirmei com a cabeça.
Alguns minutos se passaram até que vi uma atendente da companhia aérea checando os vôos e se aproximando do microfone para anunciar o nosso vôo.
- Passageiros do vôo 0547 rumo ao Brasil, favor se dirijam ao portão 4.
Respirei fundo e senti o meu coração apertado, faltava pouco, depois de esperar 15 anos, agora faltavam apenas 12 horas.
A atendente anunciava o vôo novamente e e se levantaram, enquanto vinha correndo de algum lugar. Passamos pelos portões de embarque e logo estávamos dentro do avião.

- Estou ficando enjoado – disse na cadeira atrás de mim e , que estava ao meu lado, fez uma careta.
- , faz alguma coisa – resmungou e nós nos viramos para tentar acalmar o .
Depois de alguns minutos, parecia estar cada vez mais verde até que passou uma aeromoça “bem dotada” e subitamente se levantou dizendo que ia até o banheiro.
- Esse é o nosso garoto. – eu disse enquanto gargalhava e sorria torto.
Encostei a cabeça na janela observando as nuvens e não sei quanto tempo depois, adormeci com a imagem da em minha cabeça, estou chegando para te salvar, pensei e o meu coração pulou dentro do meu peito.

Acordei algum tempo depois com o pescoço duro por ter dormido em uma posição ruim e roncava ao meu lado, o cutuquei para que ele parasse e me levantei a fim de ir ao banheiro, passando pelos acentos de e que estavam vazios. Continuei meu percurso até o banheiro e encontrei na metade do caminho.
- Cadê o ? – Perguntei e ele riu.
- Digamos que a aeromoça gostosa gostou dele – ele respondeu e eu entendi.
Segui em direção ao banheiro e quando voltei, me sentei ao lado de já que estava no sétimo sono. estava assistindo Marvin e Eu e eu ri da cara de choro dele.
- Vai chorar com isso ? – Perguntei e ele negou com a cabeça.
- Entrou alguma coisa no meu olho – ele respondeu e eu ri mais ainda – O que foi ?
- Nada, zinho, nada.
Ficamos prestando atenção no filme por algum tempo até que acordou e começou a reclamar de fome.
Já eram quase 5 horas da manhã quando eu voltei para o meu acento e me acomodei para tentar dormir mais um pouco, afinal, eu não teria outra oportunidade. Coloquei os fones de ouvido e cantei a música que tocava.
- You're gonna make me, make me love you, nothing at all, nothing that I do. The promise I made, the promise I made, is starting to fade, starting to fade, babe – eu cantei The Promise das Girls Aloud e riu. - You're gonna make me, make me love you, nothing at all that I cannot do. The promise I made, the promise I made is starting to fade, starting to fade ** – cantei mais empolgado e logo já estava vermelho de tanto rir.
- Para, porra – ele disse e eu continuei, até que o homem que estava sentado a nossa frente nos olhou com uma expressão nada amigável e eu parei.
- Deveríamos fazer um cover disso – disse e eu concordei.
- Gosto delas, são gostosas.
Ficamos em silêncio durante algum tempo até que um de cabelos bagunçados, roupas amassadas e lábios inchados apareceu no corredor e se sentou ao lado de novamente.
- That uniform you're wearing, so hot I can't stop staring, you're putting on an awesome show, the cabin pressure's rising, my coke has got no ice in now – cantou baixinho e eu gargalhei. - Air hostess, I like the way you dress, though I hate to fly but I feel much better occupied my mind writing you a love letter – ele continuou e foi ficando mais vermelho. - I messed my pants when we flew over France will I see you soon in my hotel room for a holiday romance ? Air hostess. ***
bateu no braço de e colocou o pequeno travesseiro que estava ali no rosto.
- Não fica com vergonha, disse – Estamos orgulhosos de você.
O bom de zoar o era que ele sempre pegava pilha e sempre ficava com vergonha, por isso ás vezes nós exagerávamos na dose.
Fiz o mesmo que esperando que a hora passasse rápido e quando percebi, estava dormindo. Acordei algum tempo depois com alguém cutucando o meu braço e resminguei, logo, tirou o travesseiro dos meus olhos.
- Acorda dude, já chegamos – ele disse e eu levantei em um pulo – Opa.
Todos os passageiros estavam descendo do avião e quando eu finalmente pisei na pista de pouso e vi todas aquelas pessoas gritando pelo McFLY eu sorri. Acenei para algumas, dei alguns autógrafos e sorri para uma menina que parecia perdida e tentou agarrar o , como sempre. Logo estávamos indo para o hotel, agora faltavam só algumas horas, e eu finalmente a veria de novo.

*Em uma cidade de tolos, eu era cuidadoso e indiferente aas eles arrancaram uma parte de mim, como um furacão. Um punhado de momentos eu desejei poder mudar, mas eu fui levado para longe (...) Me dê terapia, eu sou uma farsa ambulante, mas eu estou sorrindo para tudo. Terapia, você nunca foi uma amiga pra mim, e você pode continuar com toda sua miséria.

**Porque, você me faz, me faz amar você, nada de nada, nada que eu faça. A promessa que eu fiz, a promessa que eu fiz, começou a desaparecer, começou a desaparecer, babe (...) Você me faz, me faz amar você, nada que eu não possa fazer, a promessa que eu fiz, a promessa que eu fiz, começou a desaparecer, começou a desaparecer.

*** Esse uniforme que você está vestindo, tão sexy, não consigo parar de olhar, você está fazendo um autêntico show, a cabina de pressão está quase a rebentar, minha coca-cola já não tem gelo (...) Aeromoça, eu gosto da sua maneira de vestir, sabe eu odeio voar mas eu me sinto tão melhorao ocupar minha mente escrevendo a você uma carta de amor (...) Eu me caguei quando voamos pela França mas vou vê-la em breve, no meu quarto no hotel para uma noite de romance? Aeromoça.

Capítulo 8

A claridade me incomodava e alguma coisa em algum lugar fazia um “zun zun” irritante. Coloquei o travesseiro no rosto a fim de tapar a claridade que vinha da maldita janela aberta e de abafar o barulho, mas não adiantou de nada. Meti a mão na mesinha que estava ao lado da minha cama e derrubei tudo para que o barulho passasse e logo após percebi que era o meu celular vibrando, levantei correndo e o procurei, logo o achei caído no chão no meio das minhas roupas da noite anterior.
- Fala. – resmunguei esfregando os olhos e voltando a me sentar na cama.
- Já resolveu? – Emma perguntou do outro lado da linha e eu bufei.
- Nada Emma, ainda não sei o que fazer.
- Eles chegaram hoje de manhã, você precisava ver a loucura amiga ! Tinha tanta gente no aeroporto cara, e a Amy se perdeu lá no meio daquele monte de gente e foi parar perto do , acredita ?
- Sério ? – eu ri imaginando a cena, tinha que ser a Amy.
- Aham, e pra completar ela até agarrou ele, mas os seguranças tiraram ela de lá e ela deve estar chorando até agora.
- Coitada, pelo menos conseguiu tirar uma casquinha.
- Ela que é feliz. Se você não conseguir carona ou qualquer coisa assim até as 17:00, você nos liga e nós tentamos fazer alguma coisa, mas resolve isso logo.
- Vou fazer o que eu puder, Emma – eu disse e desliguei.
Passei as mãos pelo rosto e pelo cabelo, que estava uma bagunça. Desisti de tudo e deitei de novo. Me assustei quando olhei para o lado e o relógio marcava 16:00 horas. Levantei correndo, coloquei um vestido qualquer e uma boina, calcei meu all star e fui correndo até a rodoviária checar os horários dos ônibus.
Xinguei baixinho quando via a tabela que dizia que o último ônibus que ia para a minha cidade já tinha saído. Fui até a lanchonete para colocar algo no estômago pois eu não sabia se teria o que comer em casa e quando estava voltando, ainda sem esperanças para casa, passei pela rua de Steve e tive uma idéia.

- Steve, Steve ! – Eu batia nervosamente na porta da casa azul de Steve ao mesmo tempo que enviava uma mensagem para a e a Emma dizendo que eu já sabia como chegaria até a entrada da cidade.
- Tudo isso é amor ? – Steve perguntou abrindo a porta sorridente e eu corei.
- Na verdade é, um pouquinho ... – eu disse. – mas preciso de um favor seu.
- Entra, – ele disse dando espaço para que eu entrasse e eu me sentei no sofá, tirando a boina e prendendo o cabelo em um coque frouxo. – Então ?
- Steve, – eu disse respirando fundo, havia me esquecido de tudo o que acontecera ontem e estava começando a me sentir mal por estar me aproveitando disso. – será que você pode me levar até a entrada da cidade ?
- Pra quê ? Digo, não é meio longe não ? O que você vai fazer lá sozinha ... ? – Me encheu de perguntas e eu o olhei, fazendo com que ele parasse.
- É que o show do McFLY é hoje, lembra que eu te disse que não poderia ir ? – murmurei e ele assentiu. - Minhas amigas pediram para que o motorista da Universal viesse me buscar, mas ele só pode vir até a entrada da cidade para que a minha mãe não descubra.
- Olha ...
- Steve, por favor ! Eu não estaria te pedindo isso se eu não estivesse desesperada, o carro vêm ás 18:00 ! Por favor, eu te imploro. Você sabe o quanto eu ficaria feliz em ir a esse show e o quanto eu ficaria decepcionada se não for.
Steve passou as mãos nervosamente pelos cabelos e sorriu um pouco sem graça para mim. Meu coração bateu forte na esperança da resposta.
- Eu nunca negaria nada do que você me pedisse, . Mesmo estando proibido de ir até a estrada de carro, mas eu acho que posso fazer isso por você.
- Mesmo ? – perguntei com os olhos brilhando.
- Claro. – ele respondeu e eu senti o abracei em um impulso.
Steve beijou a minha testa e eu sorri.
- Mas agora, – ele disse olhando as horas em seu relógio de pulso – acho melhor você ir se arrumar, porque te conhecendo como eu conheço, você vai levar horas e horas na frente do espelho.

Cheguei em casa abrindo a porta rapidamente e subi correndo para o meu quarto, jogando tudo o que eu precisava dentro da minha bolsa. Entrei no banheiro, tomei um banho bem demorado e só sai do chuveiro quando eu me sentia limpa o suficiente. Mandei uma mensagem para a dizendo que eu estava tudo certo e tirei todas as roupas do armário procurando alguma coisa que fosse bonita e confortável, por que eu ficaria horas e horas em pé naquele estádio. Quando finalmente achei a minha roupa, calcei meus sapatos e chequei o relógio, eu ainda tinha 15 minutos até Steve vir me buscar. Desci as escadas para beber água e comer uma maçã, não havia nenhum sinal da minha mãe e eu fiquei feliz com isso, afinal ela nunca iria me deixar sair de casa, principalmente hoje, no dia do show. Corri de volta para o banheiro para passar um gloss e um rímel e a buzina de Steve fez o meu coração disparar.
Resolvi deixar um bilhete para minha mãe dizendo que eu estava saindo e que não demoraria, eu só não sabia se aquilo era verdade. Fechei a porta rapidamente chutando a chave para debaixo do tapete e avistei Steve encostado na porta do carro e sorrindo para mim.
- Wow. – ele disse assim que me viu. – Você está linda, pretende se casar ainda esta noite ?
- Bobão. – eu disse batendo de leve em seu braço. – Vamos ?
- Como quiser, madame.
Entrei no carro e logo depois Steve entrou. Ficamos algum tempo em silêncio até que eu decidi tocar naquele assunto.
- Steve?
- Hmm ... – ele respondeu fazendo um barulhinho com a boca.
- Me desculpa? – pedi com o coração na mão e ele me olhou parecendo confuso.
- Te desculpar ?
- Eu ... Você é o melhor amigo que alguém pode ter Steve, mesmo. Eu não quero te ver sofrendo e saber que é por minha causa, mesmo sabendo que você é muito menos emocional e sentimental do que eu. Obrigada por estar me ajudando com isso, mesmo, eu não sei o que seria de mim sem a sua ajuda agora.
Steve sorriu e segurou uma de minhas mãos.
– Não se preocupe , não aconteceu nada, ok ? – ele disse e piscou, me fazendo sorrir. – Somos amigos, vou estar sempre aqui para te ajudar e fim da história.
- Obrigada – disse sinceramente e ele apertou a minha mão.
- Não há de que.
- Posso ouvir Son of Dork ? – perguntei rindo e ele concordou.
Se passaram quase 30 minutos até que nós chegamos a entrada da cidade, lá havia uma placa dizendo : Bem Vindos a Gramados.
Agora sim eu entendia porque a cidade se chamava Gramados.
Esperamos alguns minutos até que eu avistei faróis ao longe e meu coração bateu forte. Olhei para Steve que estava olhando para o nada e um Honda Civic Preto se aproximou. Uma de shorts, meia calça preta, uma blusa listrada de azul marinho e uma jaqueta da mesma cor desceu do carro e veio correndo em minha direção.
- ! – Ela gritou assim que me viu e me abraçou forte. – Senti sua falta, sua vaca.
- Eu também amiga – eu respondi rindo e beijando sua bochecha.
Ela também abraçou Steve e correu de volta para o carro. – Anda logo , estamos atrasadas. – gritou e fechou a porta.
Steve sorriu para mim me dando forças e eu o abracei, não precisávamos de muitas palavras. Segui correndo para o carro preto que estava a minha espera e ele gritou um “bom show”. Abri a porta de trás do carro e me sentei ao lado de , que conversava animadamente com o motorista.
- Então você é a ? – Perguntou o velinho simpático e eu disse que sim – Você é muito especial para muitas pessoas, sabe. Pessoas que moveram o mundo para que você fosse a esse show hoje.
- Eu sei, – respondi sorrindo. – eu também faria tudo por minhas amigas. sorriu para mim apertando minhas mãos e eu retribui o gesto.
- Mas eu não estou falando sobre suas amigas, – o motorista disse e eu fiquei confusa – você logo vai descobrir querida.
Olhei confusa para e ela deu de ombros, levantando suas mãos e me mostrando que estavam tremendo.
- Nervosa ? – Perguntei e ela afirmou com a cabeça. – Não é só você.
- Eles estavam tão lindos no aeroporto hoje, , você não faz idéia ! O me deu um autógrafo, acredita ? – ela disse retirando um pedaço de papel da bolsa aonde eu pude ver um rabisco indefinido. – E depois me deu um beijo na bochecha !
- Nossa, imagina como você não vai ficar quando nós encontrarmos eles no camarim.
- E você, sua idiota ? Você deveria estar mais nervosa do que eu ! A ganhadora da promoção foi você, você tem mais privilégios !
- O que você quer dizer ? Que é hoje que eu pego o de jeito ?
- Deveria ser, – ela respondeu rindo. – Acho melhor você armar uma estratégia ai.
Ficamos conversando durante algum tempo e eu contei a ela as novidades, contei sobre Steve, sobre o telefonema da minha mãe, sobre a nova cidade. Ela concordou com tudo o que eu contei a ela e me apoiou por não ter ficado com Steve só por estar me sentindo sozinha naquela cidade. Era bom ver a minha amiga depois dessas semanas que foram tão longas que pareceram anos.
Por incrível que pareça, o tempo passou rápido e quando eu percebi, já estávamos perto da casa da .
- Que horas são ? – Perguntei me sobressaltando. – Nós voamos !
- Já são 20:30 horas. – ela respondeu rindo da cara que eu fiz.
- Tudo isso ?
- Uhum – ela concordou com a cabeça e logo pediu ao motorista que passasse nas casas da Amy, da Emma e da Hanna, o explicando o caminho.
Passamos para pegar cada uma delas, e sinceramente, se eu fosse homem teria pegado todas.
Elas sorriram para mim e me abraçaram como se não me vissem há anos, e não há algumas semanas. Fomos até o estádio cantando e eu fiquei enchendo o saco da Amy por causa do episódio com o .
- Eu não agarrei ele, calúnia ! – Ela dizia tentando se defender enquanto Emma ria. – Você é uma mentirosa, Emma.
- Nós vimos, Amy ! – disse e Amy já estava ficando roxa. – Não nega, vai.
- STILL WANNA BE, CORRUPTED – Hanna gritou de repente e nós rimos, como eu sentira falta delas.

Roger (o motorista) parou em frente ao estádio e a minha freqüência cardíaca aumentou consideravelmente, e não parecia ser só eu, as meninas também estavam com expressões sôfregas. Roger saiu do carro e abriu a porta para nós, encarei o estádio iluminado a minha frente e senti minhas pernas fraquejarem. Desci vagarosamente tentando não cair e sorriu para mim, parecia que o show já estava quase começando porque a gritaria naquele lugar estava fora do normal. Roger pediu que esperássemos e alguns minutos depois surgiram vários seguranças GRANDES e FORTES e eles nos acompanharam até a parte de trás do estádio. Os seguranças checaram os nossos passes Vips e logo entramos por uma porta que dava a um longo corredor branco e com vários outros seguranças igualmente grandes e fortes, meu coração estava batendo tão forte e tão rápido que eu fiquei envergonhada, tive medo que alguém pudesse ouvi-lo. Amy e Emma vinham conversando animadamente e mexendo com os seguranças que nem davam bola para elas enquanto passava as mãos nervosamente nos cabelos e fazia uma cara engraçada. Hanna falava com alguém no celular e eu estava simplesmente tentando parar de tremer e não pensar na vontade de sair correndo dali. Havia várias portas que levavam a outros corredores e eu sabia que se eu estivesse sozinha eu ia me perder facilmente ali, isso seria bem a minha cara, mas acho que eu ficaria feliz se eu por acaso me perdesse e fosse achada por um dos meninos, epa, foco . Paramos em frente a uma porta na qual estava escrito “McFLY”, os seguranças bateram na porta e alguém gritou um “entra”, então eles nos deixaram e seguiram pelo corredor enquanto eu as meninas nos olhamos.
- Abre a porta, . – Amy disse com a voz falha e eu não conseguia me mover – Você está bem ?
- Estou – respondi respirando fundo e tentando controlar minhas emoções.
- Você está verde, . – Hanna disse rindo.
As coisas ao meu redor estavam começando a rodar e eu comecei a suar frio, enquanto minha cabeça começava a doer.
- Anda , eu estou nervosa – Emma disse tentando ajeitar os cabelos.
Amy pegou um espelhinho de dentro de sua bolsa para ver seu rosto, e passou a mão nas bochechas falando palavras incompreensíveis enquanto eu via duas s passando gloss.
- Ei, vocês estão ouvindo ? – Amy cochichou – A voz deles.
Elas pararam um pouco de falar e conseguimos ouvir alguns ruídos vindos de trás da porta.
- Acho que o está mais perto - Amy disse encostando a orelha para ouvir.
Meu estômago estava revirando e eu não sabia se conseguiria ficar em pé por muito tempo, então eu apoiei minha testa na porta.
- Anda logo , estou tendo um ataque do coração. – Emma disse e várias coisas aconteceram ao mesmo tempo.
A hora que eu decidi abrir a porta e girei a maçaneta, alguém do lado de dentro abriu também e eu caí por estar apoiada nela e ter ficado sem equilíbrio. Logo depois tudo foi ficando preto e eu acho que desmaiei.

Capítulo 9

”There are things that we don’t want to happen but have to accept, things we don’t want to know but have to learn, people we can’t live without but have to let go and unkown people we have to trust.”
(Existem coisas que nós não queremos que aconteçam mas temos que aceitar, coisas que não sabemos mas temos que aprender, pessoas que não podemos viver sem mas temos que deixá-las ir e pessoas desconhecidas que devemos confiar.)


Acordei sentindo uma superfície macia abaixo de mim e tudo estava silencioso, eu ainda não sabia ao certo aonde eu estava e o que havia acontecido mas eu sentia minha cabeça latejando. Alguém estava sussurrando alguma coisa que eu não entendia e quando eu abri meus olhos me dei conta que estava em uma espécie de ... camarim ?
Me levantei para poder olhar ao redor e alguém me forçou a deitar de novo e eu quase enfartei quando vi que era o .
- ? – Perguntei e minha voz saiu falha.
- Oi, – ele disse sorrindo torto e eu tive que me segurar para continuar acordada. – você ainda não pode levantar, fica ai quietinha.
Show. McFLY. Camarote. Porta. Passando mal. Desmaiar.
Olhei para os lados e vi , , Amy e Emma sentados em um enorme sofá branco do outro lado do cômodo enquanto Hanna comia um salgadinho encostada na parede. Logo que as meninas viram que eu estava acordada as atenções foram voltadas para mim e segundos depois, estavam todas quase me sufocando.
- VOCÊ ESTÁ BEM ? – Amy e Hanna gritavam e faziam uma zona danada enquanto tentava tira-las de perto de mim.
- Será que vocês podem se acalmar ? – perguntou enquanto as meninas o olhavam fazendo caretas.
- A gente não deveria chamar o Ha ... Médico ? – perguntou ainda sentado no sofá.
- Mas a gente não pode sair daqui. – respondeu e eu olhei para as meninas esperando descobrir alguma coisa. - Acho que não precisamos de um médico, como você se sente ? – ele perguntou se abaixando perto de mim e ficando ao lado de .
- Eu estou bem, eu acho. – Respondi e logo notei que a não estava ali. – Cadê a ?
e se entreolharam e logo depois a porta foi aberta revelando uma apavorada e um tenso. Logo que viram que eu estava acordada eles correram em minha direção e me abraçou forte.
- O que houve, ? – Perguntei e ela negou com a cabeça e sussurrando que não era nada.
Vi Amy e Hanna se entreolharem e suspirar baixo, enquanto se levantava e cochichava alguma coisa em voz baixa com o . Olhei para e ele sorriu para mim e piscou, pelo menos alguém ainda estava agindo normalmente.
- , – finalmente falou, mas sua voz estava fraca. – como você está se sentindo ?
- Eu estou ótima ! – eu estava, tirando a minha dor de cabeça.
- Tem certeza ? – Emma perguntou e eu concordei, me levantando um pouco rápido demais e quase caindo em seguida.
- Dá pra ver que você está bem.– disse ironicamente.
- Mas eu estou ! – insisti enquanto tentava ficar em pé novamente, até que eu consegui e sorri para eles feito uma criança teimosa.
- , – falou comigo pela primeira vez e se aproximou hesitando um pouco. – o que você está sentindo, de verdade ?
Não sei o que deu em mim, mas eu não consegui mentir para ele, saiu sem que eu pensasse.
- Minha cabeça está doendo. – reclamei mordendo os lábios.
- Certo, vou chamar um médio. – ele disse e antes que eu pudesse responder, já estava indo em direção a porta.
Ele voltou alguns minutos depois com um médico em seu encalço e o mesmo me examinou, mexeu daqui e dali e disse que a minha cabeça só estava um pouco dolorida por causa da pancada. Ele me fez tomar um remédio para dor e eu tomei, logo eu não estava sentindo mais nada.

Faltavam 15 minutos para o show, os meninos estavam se preparando e eu continuava sentada no sofá, apesar de não estar sentindo mais nada, só porque eu estava sendo obrigada. Eu ainda estava tentando me acostumar com a idéia de estar no mesmo cômodo que o , quer dizer, no camarim do McFLY. estava sentada ao meu lado no sofá e parecia que ia chorar a qualquer momento, Amy mexia nos cabelos incontrolavelmente em sinal de nervoso, Emma conversava com outra fã que estava ali e Hanna parecia não se importar com nada, ela continuava concentrada no pacote de batatas. Eu queria chamar a em um canto e perguntar o que estava acontecendo, mas eu não conseguia encontrar uma maneira, eu sabia que ela nunca estaria assim tão “mal” só por causa do McFLY. - Eu vou ao banheiro – eu disse me levantando e desejando com todas as forças que ela entendeu o recado.
- Eu vou com você – e ela entendeu.
Caminhamos pelo corredor até chegar ao banheiro e logo que entramos, eu perguntei a ela : - Você não está assim tão nervosa por causa do show, está ? Ela hesitou um pouco antes de responder. Passou a mão pelos cabelos, arrumou a roupa e retocou a maquiagem.
- Claro que estou , larga de ser paranóica.
- ... – eu disse tentando ser firme ou pelo menos, controlar a vontade de gritar com ela e dizer que estava mentindo. – , eu te conheço desde quando mesmo ? Ah sim, desde quando você nasceu. Eu sei tudo sobre você, até que você beijou aquele garoto que vivia cheio de meleca na 5ª série. E sei também que você só fica nervosa quando é alguma coisa extremamente importante. Será que você quer mesmo mentir pra mim ?
- E você acha que esse show não é importante amiga ? É a oportunidade das nossas vidas! Isso nunca mais vai acontecer, você não fica nervosa só em pensar nisso ?
- Eu fico, mais é que ...
- Eu nunca esconderia nada de você, , nada mesmo ! Você sabe que desde os primeiros meses nas barrigas das mamães nós somos amigas, então pelo amor de Deus, confia em mim – ela disse me abraçando forte. – eu te amo, eu só quero o seu bem, então por favor, confia em mim amiga.
- Eu confio – sussurrei e sorri para ela.
Voltamos para o camarim e logo que chegamos, eles já estavam quase entrando no palco. , e subiram correndo as escadas e que ficou por último, fez algo que eu não entendi. Ele se aproximou de mim e um pouco vacilante me abraçou forte, e logo depois saiu correndo atrás dos outros. Meu coração batia forte e as minhas mãos estavam um pouco trêmulas. Olhei para as meninas e só Emma me olhava estranho, logo chegou alguém da produção e nós fomos levadas para um camarote bem perto do palco.

Logo que a introdução de Party Girl ecoou pelo estádio, a gritaria começou e eu senti algo que a algum tempo não sentia, felicidade. Fechei os olhos com força tentando de qualquer maneira, me lembrar daquele momento para sempre. Logo em seguida começaram Nowhere Left To Run e If U C Kate.
- IF YOU LEAVE ME, I WOULD DIEEEEEEEEEEE – eu e as meninas cantávamos (lê-se berravamos) em coro e caíamos na gargalhada logo depois.
Então eles cantaram That’s The Truth e Transylvania. Em Lies, uma das minhas favoritas, muitas vezes eu tive a impressão de ver o olhando para mim, mas no final eu achei que fosse só paranóia minha mesmo, afinal, eu tinha batido a cabeça né ? Não poderia estar lá tão normal.
Logo vieram Corrupted, Falling in Love e I Need A Woman.
Meus ouvidos quase explodiram quando cantou “I, I need a woman, not any woman but a woman who needs me too, so how about you ? e é claro que eu também quase morri com a expressão sexy que ele fez.
Ainda faltavam algumas músicas para o show acabar e eu não aguentava mais falar, minha garganta doía e meus pés também, o sapato estava os esmagando.
Amy e Emma já haviam bebido todo o tipo de bebida alcoólica que nos serviram e não estavam mais tão lúcidas, se abraçavam e caiam na gargalhada sem nenhum motivo aparente. continuava séria mas tentava disfarçar ao máximo e Emma tinha um olhar sôfrego como eu. Sorri para elas e fiz sinal de que ia ao banheiro e já voltava, era uma pena ter que perder uma parte de End Of The World por causa disso, mas eu já não estava agüentando. Corri o máximo que pude, fiz minhas necessidades em velocidade recorde e logo eu já estava de volta ao nosso camarote.

’s POV

Observei a correndo desajeitadamente até o banheiro e o peso em minha consciência quase me esmagou, me deixou sem ar. Bem, deixem-me explicar antes de começarem a julgar e dizer que eu sou uma traidora, porque eu jamais trairia a confiança da minha melhor amiga.

Flashback on – Alguns minutos antes.

- gritou desesperando enquanto carregava a minha amiga desmaiada até o sofá. Ele parecia estar a beira de um colapso e eu não entendi muito bem, até que gritou e pediu para alguém tirá-lo dali. Como eu era quem estava mais perto, puxei pelo braço até o corredor onde estávamos a alguns minutos atrás antes de abrir a porta e desmaiar. se jogou no chão com força e eu não sabia o que fazer, então me sentei ao lado dele e ofereci uma garrafa de água que estava dentro da minha bolsa para que ele se acalmasse. Ele bebeu tudo em uma rapidez impressionante e eu já não sabia mais o que fazer.
- – ele sussurrou meu nome e eu me assustei ao saber que ele sabia qual era.
- Sim ? – respondi vacilante.
- A estava passando mal antes de chegar aqui ? – perguntou com os olhos fechados.
- Ela disse que estava um pouco tonta ...
- Mas isso já aconteceu antes ?
- Ela costuma passar mal quando ela está nervosa, .
Ele pareceu se acalmar um pouco quando eu disse isso, mas ainda estava com uma postura tensa.
- – eu comecei sem saber o que dizer – quer conversar ?
Ele me olhou por um instante e pareceu ponderar se poderia me contar o motivo daquela preocupação. Acho que ele concluiu que sim, porque minutos depois ele já estava me contado tudo. Quando ele terminou de contar eu estava sem reação, eu tinha a sensação de que estava em um livro, ou em uma coisa muito irreal.
- Você só pode estar brincando. – eu disse sentindo todo o meu corpo tremendo e ele riu amargamente.
- Como eu queria que isso fosse uma brincadeira.
- ... Eu não sei o que te dizer. – e eu não sabia mesmo.
- Não diga nada, , não precisa tentar me consolar.
- Mas eu quero, quero te ajudar. Como você pretende contar isso a ela?
- Você quer mesmo me ajudar? – ele perguntou parecendo surpreso e eu assenti. – Eu não sei como posso contar isso a ela.
- A é uma das pessoas mais doces e sinceras que eu conheço . Não sei se ela vai te ouvir e acreditar em você, mas você precisa tentar. Você não sabe o quanto ela sofre, , o quanto a “mãe” dela a faz sofrer. Acho que ela ficaria bem mal se descobrisse tudo isso, mas com algum tempo ela deve aceitar. E não se preocupe, você é um dos ídolos dela, acho que a última coisa que ela vai fazer vai ser te odiar.
- Você acha ?
- Claro que sim, , eu tenho certeza.
- Vou contar a ela depois do show, então. Obrigado, . Não só por ter me acalmado e por ter me dito isso, mas obrigado também por ter cuidado da minha menininha durante todo esse tempo.

Flashback Off

Engoli o nó que se formava em minha garganta e tentei disfarçar ao máximo toda a minha preocupação durante o show inteiro. O confiou em mim me contando tudo aquilo e eu não podia decepcioná-lo.

’s POV

Quando eu retornei ao camarote End Of The World já estava acabando e continuava fitando o nada. Decidi parar de me preocupar, pois era só isso que eu fazia a vida toda, eu me preocupava, mas essa noite era especial. Eu e Amy fizemos uma dancinha engraçada em Smile e eu chorei tanto em Star Girl e Five Colours In Her Hair que eu sentia que não havia mais água nenhuma no meu corpo. Quando eles tocaram All About You e pediram que nós abraçássemos quem estava ao nosso lado, eu e as meninas nos abraçamos e ficamos assim até o final da música. Assim que eles anunciaram que The Last Song seria a última música eu queria voltar no tempo.Queria voltar aquele mês, aquela semana, aquele dia. É sempre assim ? As coisas boas sempre acabam tão rápido ?
Quando a música acabou, os seguranças que estavam na porta não nos deixaram sair e 10 minutos depois eles voltaram cantando One For The Radio, The Heart Never Lies e Shine A Light. As lágrimas em meus olhos continuavam a cair, mas agora eram de felicidade. Eu me sentia leve, realizada e completa. Aquela fora uma das melhores noites da minha vida, e eu gostaria de nunca mais poder esquecê-la, de nunca esquecer aquela sensação.
10 minutos depois um dos seguranças veio nos buscar para nos levar de volta até o carro, minha garganta ainda ardia e meus pés formigavam. Mas ele não nos levou de volta ao carro, mas sim de volta ao camarim, o que me deixou um tanto surpresa.
Dessa vez as meninas não deixaram que eu abrisse a porta, ou batesse, elas simplesmente foram entrando como se já fossem íntimas.
estava jogado no sofá vendo um canal de clipes que passava na televisão, estava deitado no chão com uma expressão de dor, estava bebendo água e andando para lá e para cá sem camisa ... Epa, sem camisa ? Quando reparei que ele estava com a barriga amostra eu me perdi olhando para ele, até que Hanna sussurrou em meu ouvido para que eu fechasse a boca (é, ela estava aberta) e eu me dei conta de que estava olhando por tempo demais e ele estava olhando para mim. Logo que eu acordei do meu transe ele sorriu e piscou e eu desviei o olhar sentindo o rosto queimar, eu tinha que pagar um mico.
Quando fiz isso vi que conversava algo com em voz baixa e ela tinha uma expressão desesperada. Assim que ela viu que eu estava olhando, ela balançou a cabeça e se sentou ao lado de , que agora estava jogando vídeo game.
Sorri para que estava me olhando com a sobrancelha arqueada e ele sorriu de volta, vindo sentar ao meu lado.
- Está se sentindo melhor ?
- Estou, obrigada . – agradeci e ele piscou para mim.
Fiquei olhando para ele durante um tempo e reparando que ele era realmente parecido comigo, só os meus olhos eram um pouco mais escuros.
- Estou com fome ! – disse passando a mão pela barriga. – Quero pizza.
- Gordo ! – brincou e riu alto.
- Droga,se eu disser que também estou fome eu também vou ser gorda ?– Emma gemeu e eu ri. – Tá rindo de que, ? Eu não comi a dispensa inteira antes de sair de casa.
- E eu não comi ! – respondi ofendida – Comi a sua, mas isso não conta.
Eles riram e eu fiquei com vergonha, eu nunca fui de comer muito, só quando eu estava ansiosa.
- Então a faz parte do time que só não engorda de ruim ? – perguntou em de brincadeira e eu sorri amarelo. – Bem vinda ao clube.
- Ei, eu não como tanto assim – reclamei. – a Emma é muito exagerada.
- EU ESTOU COM FOOOOOOOOOOOOOOME – gritou de novo.
- Cara, para de reclamar, isso é falta de educação. Parece até que você não tem comida em casa ! – disse.
- Mas eu não tenho casa ... Não aqui.
- Será que dá para nós irmos logo ? – disse e todos saíram, menos eu.
- ? – chamou e eu neguei com a cabeça.
- Eu não sei se eu posso ... – respondi e eles olharam para mim.
- Por que não ? – perguntou e as meninas olharam para mim.
- Ela nem deve ter sentido a sua falta ainda, – Amy disse entendendo o porque de eu não querer ir.
- Ela quem ? – perguntou de novo, agora chegando mais perto.
- A minha mãe. – respondi pesarosa.
- Ela não sabe que você está aqui ? – perguntou e eu neguei com a cabeça.
- Você fugiu ? – Foi a vez de perguntar e eu assenti com a cabeça de novo.
- Bom, – disse chegando perto de mim e passando o braço pelos meus ombros – acho que nós podemos dar um jeito nisso depois. Você quer ir ?
- Quero. – respondi simplesmente. Eu não sabia de onde vinha essa confiança que eu tinha nele mas sinceramente, eu não queria saber.
- Então vamos. – ele disse e me puxou pela mão.
Eu fui com , , e Emma em um carro e , , Amy e Hanna foram em outro. Eu e tentamos explicar a , que estava dirigindo, o caminho mas era quase impossível com a gritaria de Emma e cantando The Verve.
- CAUSE IT’S A BITTERSWEET SYMPHONY THIS LIIIIIIIIIIFE – Os dois cantavam e como eu estava sentada entre eles no banco de trás do carro, eu já estava quase surda.
- SERÁ QUE DÁ PRA PARAR ? – gritou de repente e tudo ficou silencioso. – Obrigado.
- Vire a direita, . – orientou e ele obedeceu. – Agora vire a esquerda.
Senti o meu celular vibrando no bolso da frente e a voz do John O’Callaghan começou a cantar Don’t Stop Now. Meu coração disparou e eu prendi a respiração.
Com as mãos tremendo eu peguei o celular no bolso e li o visor. É claro que era ela, e é claro que a essa altura ela já havia sentido a minha falta e estava pirando.
- ... – a chamei com a voz falha e baixa, e não sei como, ela me ouviu.
e Emma trocaram um olhar de pânico e eu respirei fundo tentando não chorar ou jogar o celular pela janela para que algum carro passasse por cima.
- Atende, . – Emma sugeriu e eu neguei com a cabeça. – Vai ser melhor.
- Não vai Emma ! – respondi e ela insistiu – NÃO DÁ PORRA, ELA VAI ACABAR COM A MINHA VIDA !
me olhou aflito mesmo sem estar entendendo a situação e estendeu a mão para mim.
- Me dá o celular. – ele ordenou com a voz grave e eu o olhei. – Anda , me dá o celular.
Olhei para Emma e vi que ela estava tão confusa quanto eu, mas sorriu para mim e assentiu com a cabeça, então eu o entreguei o celular.
- Boa noite. – ele atendeu e eu tremi por dentro e por fora. – Ah, me desculpe, a está ocupada no momento, quer deixar recado ? – ele disse e depois desligou.
Olhei para ele fazendo careta e ele sorriu para mim com uma expressão calma. Passei as mãos no rosto e fiquei olhando as pessoas que passavam na rua pela janela do carro, até que ele parou em frente a pizzaria e nós descemos.
, , Amy e Hanna já estavam lá e eu sorri para elas tentando parecer calma, elas sorriram de volta.
Nos sentamos em uma mesa afastada porque haviam muitas pessoas olhando para nós e fizemos o pedido. Meu coração ainda batia forte e minhas mãos estavam trêmulas, eu sabia o que me esperava quando eu chegasse em casa. Suspirei alto e joguei a cabeça para trás tentando não chamar minha atenção, mas é claro que que estava ao meu lado viu.
Ele olhou para mim e eu via a preocupação em seus olhos, e antes que ele pudesse perguntar eu respondi em voz baixa : - Eu estou bem.
Ele não pareceu acreditar mas mesmo assim concordou com a cabeça. Logo que as pizzas chegaram Amy, Hanna e Emma já estavam íntimas dos meninos, por incrível que pareça. Só eu e estávamos caladas e ás vezes eu pegava olhando para mim com curiosidade. Meu celular tocou mais algumas vezes em cima da mesa e a cada vez que ele tocava o meu desespero aumentava e conseqüentemente, meus batimentos cardíacos. Eu não sabia o que fazer, mas eu não queria voltar para casa porque eu sabia que seria a minha sentença de morte.
me olhou agoniada quando o celular tocou pela 6ª vez e eu devolvi o olhar a ela, quando se levantou de repente e pediu que eu o seguisse.
Saímos da pizzaria e ficamos encostados na parede. Eu observava os carros passando pela avenida movimentada enquanto conversava energeticamente com alguém ao telefone, ele falava tão rápido que o meu inglês não era capaz de traduzir, mas ele parecia estar brigando com alguém. Ele desligou, olhou para mim com uma expressão que eu não consegui decifrar e sorriu. Seus olhos eram confiantes e brilhavam, ele parecia feliz.
- , – ele falou enquanto guardava o celular no bolso – você vai para casa ?
-Eu não sei – respondi. – pode ser pior se eu for, mas de qualquer jeito, um dia eu vou ter que chegar em casa, não posso dormir na casa da para sempre.
Ele me olhou por um tempo e pareceu estar pensando, até que perguntou : - Você pode dormir com a gente no hotel, se você quiser ... Mas só se você quiser, certo ? Você e as meninas ...
- Você não entende. – sussurrei sentindo as lágrimas em meus olhos. – A minha mãe nunca vai me perdoar por ter desobedecido ás ordens dela. Ela vai me humilhar, vai pisar em mim e vai me dar um castigo que eu nunca vou esquecer em toda a minha vida, e isso se ela não me expulsar de casa de novo ...
- Ela já te expulsou ? – sua expressão mudou, ele parecia chocado.
- Já, – respondi sentindo que uma lágrima cairia em breve. – e não foi só uma vez.
Eu mal havia terminado de falar e ele me abraçou forte. Sim, ele me abraçou.
Respirei fundo contra o seu peito sentindo seu perfume e a minha lágrima teimosa caiu, deixando um pontinho molhado em sua blusa preta. Qual é, eu conhecia o há menos de 24 horas e já estava contando os dramas da minha vida para ele. Ele só não era um estranho porque eu era sua fã, mas quem me garantia que ele era uma pessoa confiável? Senti um aperto no coração ao pensar nisso, é claro que ele era confiável. Se ele não fosse, não estaria aqui comigo, me ouvindo e me chamando para dormir no hotel dele. Ou então ele era um pedófilo e ... Ok, parei. Eu o soltei quando vi que os outros estavam saindo. Amy, Hanna e Emma me olharam apavoradas e sorriu para mim, parecendo aprovar o que eu estava fazendo. sussurrou alguma coisa no ouvido de que negou com a cabeça, enquanto e já estavam do outro lado da rua entrando no carro.
- E então ... ? – perguntou e eu sorri para ele, o que ele entendeu como um sim.
- O quê ? – Amy perguntou tentando disfarçar sua curiosidade.
- Vocês vão dormir no hotel com a gente. – respondeu e as meninas deram pulinhos de alegria.
- Sério ? – Emma perguntou e concordou com a cabeça.
Logo Amy e Hanna saíram correndo atrás de e , enquanto eu, Emma e íamos atrás de e . Emma, e entraram no carro, e logo depois eu pedi a que me deixasse ficar na janela, e ele concordou rindo.
- Caramba, o lado sem infância da voltou. – brincou e eu dei língua.
- , – disse do banco de trás – coloca The Used.
- Eca ! – eu disse e olhou para mim como se eu fosse um ET.
- Não gosta ? – Ele perguntou e eu neguei com a cabeça, com um sorriso sapeca.
- Mentira, – Emma disse rindo alto. – ela ama.

Capítulo 9 - Parte 2

(Coloque para carregar Because Of You – Kelly Clarkson )

Seguimos para o hotel e logo que chegamos lá havia um pequeno tumulto e várias meninas gritando e chorando, e eu confesso que fiquei com pena dos meninos, porque elas eram muitas e muito escandalosas. e nos ajudaram a correr até a porta do hotel e voltaram para terminar de falar com as fãs, mas ficou com a gente.
- Não vai lá falar com elas? – Amy perguntou e ele negou.
- Alguém precisa tomar conta de vocês ...
- E esse alguém é você ? – Emma perguntou na maior cara de pau.
- Acha que eu não dou conta ? – ele perguntou e depois disso eu não prestei mais atenção na conversa.
Uma mulher de blusa vermelha entrava no hall do hotel gritando muito e por alguns instantes eu fiquei assustada. Ela parecia estar muito brava e dizia que ia matar alguém ... Seu cabelo era preto e quando eu pude ver seu rosto, estava vermelho de raiva. Aquela mulher me lembrava alguém e quando eu a vi vindo em minha direção eu me dei conta de quem era. É pessoal, era a minha mãe.
Dei um passo para trás tentando fugir mas não havia nada além da parede atrás de mim, de um pequeno sofá e uma mesa de vidro. olhava a cena perplexa e antes que eu pudesse perceber, ela já estava na minha frente.
- Então, ai está você. – ela disse com a voz transbordando malícia e o meu coração batia a mil.
- É, parece que sim. – eu disse calculando se daria tempo para eu correr e antes que eu pudesse pensar, ela me bateu.
Senti meu rosto arder e cambaleei para trás, caindo no chão e batendo a cabeça na mesinha de vidro que estava ali ao lado do sofá. Amy e me ajudaram a levantar enquanto ficava na minha frente. Senti uma coisa quente escorrendo pelo meu couro cabeludo e pelo meu rosto e quando passei a mão, estava sangrando.
- COMO VOCÊ PÔDE FAZER ISSO ? – gritava em um inglês rápido demais para mim e avançava para cima dela.
Emma tentou segurá-lo mas foi impossível, já que ele tinha o dobro de força.
- E VOCÊ, SEU BASTARDO, QUE ROUBOU A MINHA FILHA DE MIM ?
- EU ROUBEI A SUA FILHA DE VOCÊ ? NÃO FOI VOCÊ QUE ROUBOU A MINHA IRMÃ DE MIM ?
Minha visão estava turva e eu não entendia nada do que eles falavam, eu estava a ponto de gritar de tanta dor. Quem era a irmã do ?
- EU NÃO ROUBEI NADA DE NINGUÉM, !
- VOCÊ ME ROUBOU A !
- O que ? – tentei gritar mas tudo o que saiu foi um gemido de dor indefinido.
Cambaleei um pouco mais para o lado e antes que Emma me segurasse, me abraçou de lado e eu pude ver sua camisa ficando toda manchada de sangue, eca.
- VOCÊ NÃO CONTOU A ELA ? AINDA NÃO ? – Minha mãe perguntou e eu fechei os olhos com força.
- Contou o quê ? – tentei perguntar de novo e agora o gemido de dor saiu um pouco mais definido dessa vez.
- ESCUTA, POR QUE VOCÊ NÃO SOME ? VOCÊ JÁ NÃO TEVE TUDO O QUE QUERIA ? – gritava furiosamente e eu vi , e se aproximarem correndo. – VOCÊ JÁ NÃO TEVE TODO O DINHEIRO DA MINHA MÃE ?
- SUMIR ? SE EU TIVESSE SUMIDO HÁ ALGUM TEMPO ATRÁS, EU APOSTO QUE A SUA IRMÃZINHA ESTARIA EM UM ORFANATO JUNTO COM VOCÊ !
- PELO MENOS ELA ESTARIA FELIZ !– Ele respondeu e olhava para mim desesperada. fez sinal para um grupo de seguranças que estavam parados na porta e logo eles vieram em nossa direção.
- E ELA NÃO É FELIZ ?
- VOCÊ QUER MESMO QUE EU RESPONDA ? – parecia a ponto de explodir a qualquer momento até que os seguranças pegaram a minha mãe pelo braço e a levaram embora, mas não antes de ela me fazer uma ameaça.
- E você, queridinha – ela disse apontando o dedo na minha cara. – não pense que vai ser feliz para sempre, porque você não vai. Eu vou acabar com a sua vida, e vou te seguir até o inferno se for necessário. – e então ela foi levada embora.
Olhei ao redor e todos pareciam ter parado para prestar atenção àquela cena.
Alguns flashes vinham do lado de fora e todos me olhavam apreensivos, talvez esperando que eu fosse atrás dela ou então que eu socasse a cara do .
- ? – Ele me olhava com os olhos apreensivos.
Eu não sabia o que dizer. Eu não sabia direito sobre o que eles estavam falando, mas eu tinha certeza que era sobre mim. Minha cabeça doía alucinadamente e eu não conseguia pensar direito.
- Me explica. –pedi aos sussurros a ele, que assentiu.
me puxou pela mão e me levou até o elevador. Subimos em silêncio até o 7º andar e andamos por um longo corredor cheio de seguranças (para variar).
Paramos em frente ao quarto 709 e ele abriu a porta para mim. O quarto era algumas vezes maior do que a minha casa, mas eu não me importei muito com isso, na verdade eu já imaginava, eles não dormiriam em uma birosca qualquer.
- , você não quer cuidar desse corte primeiro? Não está te incomodando ?
- Não, eu estou bem. – murmurei.
- Certo. – ele disse sentando-se na cama de casal que estava ali e fazendo sinal para eu sentar ao seu lado. – Eu só preciso que você me ouça, certo ? Você não precisa gostar de mim ou não, na verdade eu não quero te forçar a nada, eu só preciso que você saiba.
- Tudo bem – respondi passando as mãos pelo rosto tentando me livrar das lágrimas e do sangue.
Ele respirou fundo e continuou : - Minha mãe era uma violoncelista em uma famosa orquestra de Londres e o meu pai era vocalista de uma banda chamada Nasa. Eles se conheceram em uma noite e acredite ou não, na outra já estavam casados. O meu ... avô, foi contra esse casamento e expulsou a minha mãe de casa, e assim ela foi morar com o meu pai em uma casinha de 2 quartos em Essex. Eu posso dizer que durante um tempo eles foram felizes, é claro. Um ano depois desse casamento eu nasci, e cinco anos depois nasceu a minha irmã. Enquanto isso, a minha mãe retomou a brilhante carreira e isso subiu á cabeça do meu pai. Ele ficou nervoso porque a minha mãe sempre foi dona de uma herança inestimável que o meu avô deixara para ela e ele não tinha nada. Então ele começou a beber, a usar drogas e a bater na minha mãe. É claro que a minha mãe nunca se importou com isso, com esse maldito dinheiro, porque ela nunca ligou para bens materiais ... Mas meu pai ligava, ele era egoísta. – nesse momento, eu jurei ver uma lágrima percorrendo seu rosto, mas ele logo a secou. - Há 15 anos atrás, minha mãe descobriu que tinha câncer. Ela não hesitou em contar ao meu pai e quando fez isso, ele largou tudo e deixou a minha mãe lá, sofrendo e sozinha. Alguns meses depois eu descobri que ele tinha uma amante, mas isso não importa agora ... Minha mãe se sacrificava para cuidar dos filhos e não tinha a ajuda de ninguém. Só alguns vizinhos nos ajudavam, e um amigo do meu pai da banda que sempre foi muito próximo. Ela cuidava da casa, dos filhos e fazia o que podia para conseguir dinheiro, já que o meu avô disse que nunca mais ela veria um centavo do seu dinheiro e agora ela não conseguia mais trabalhar. 3 anos depois, ela morreu. – falava isso e olhava para o nada, como se estivesse revivendo aquele momento. Eu era capaz de ver a dor em seus olhos. – Eu nunca sofri tanto em toda a minha vida. As pessoas ao meu redor me falavam que era melhor, que ela iria descansar, mas eu não achava tudo isso tão fácil. Eu era só um moleque de 7 anos, com uma irmã de 2, sem ninguém no mundo e com muita responsabilidade nas costas. Alguns dias depois do enterro, creio que uma semana depois, meu pai reapareceu com a nova esposa dele. Eles levaram a minha irmã, e me mandaram para um colégio interno, que era quase como um orfanato mesmo, só que eu não poderia ser adotado, porque eu tinha um pai vivo. Logo depois eu soube que o meu pai se separou da tal mulher e ela ficou com a minha irmã, a levando para longe de mim. – me olhou e sorri docemente. – E depois disso, eu dediquei a minha vida a encontrá-la. 10 anos depois eu entrei para o McFLY e as coisas começaram a andar mais rápido do que eu imaginava, sabe, quando você fica rico e famoso, as coisas começam a ficar mais fáceis. Então eu descobri que a minha irmã estava viva, e isso foi como uma luz na minha vida. Tudo o que eu fazia era por ela, para poder encontrá-la. Descobri que ela morava no Brasil, e que por incrível que pareça, gostava do McFLY. – antes que ele pudesse terminar, eu interrompi.
- A amante do seu pai era a ... – acho que até esse momento estava óbvio que a irmã dele era eu.
- Era, era aquela que você achava que era sua mãe.
Por um momento eu prendi a respiração e deixei que a cascata de lágrimas finalmente caísse. Eu ainda não sabia o que fazer, eu não sabia se deveria chorar ou sorrir. Então eu corri.
Corri do , corri de todas aquelas revelações, e de tudo aquilo que parecia mentira. Corri da minha vida, ou da minha nova vida, daquilo que eu achava certo e do que eu achava errado.
Abri as portas do elevador com pressa e torcendo para que não viesse atrás de mim, mas no fundo eu sabia que ele não viria. Passei pelo hall do hotel ciente de todos que estavam lá e corri até a entrada, ou no caso, a saída. Alguns flashes me deixaram cega por um momento mas eu não liguei, eu precisava sair dali, precisava pensar, colocar a cabeça em ordem.
Corri pela avenida movimentada com o vento gelado bagunçando meus cabelos e quando já não me restava fôlego algum, parei um taxi e pedi para que ele me levasse para algum lugar. Eu não sabia para aonde ir, eu não tinha mais casa, não tinha mais família. Minha cabeça ainda doía e o frio que entrava pela janela do carro me dava sensação de solidão e a escuridão da noite parecia vazia.
Quando eu finalmente pedi para que ele fosse para minha antiga casa, paguei ao motorista com o dinheiro que estava em meu bolso e desci. A casa ainda estava a mesma coisa de 3 semanas atrás, mas eu ainda não sabia como entrar sem a chave e eu tinha medo de que a Judith me achasse aqui, mas eu não tive escolha. Andei pelo quintal procurando alguma coisa que fosse capaz de quebrar o vidro da janela da sala, a minha velha amiga, e quando achei uma pedra grande o suficiente, a joguei com toda força contra o vidro, que se espatifou em mil pedacinhos. Me impulsionei para dentro e logo, eu já estava dentro de casa. Tudo estava escuro e alguns móveis ainda estavam ali, como o sofá que agora estava rasgado em alguns lugares, a geladeira que não continha nada dentro e o colchão da minha antiga cama, que estava encostado na parede da sala e todo empoeirado. Decidi não ligar luz alguma para que não causar suspeitas em quem passasse na rua, afinal, todos sabiam de nossa mudança.
Peguei o colchão e o arrastei escada acima, o colocando no meu antigo quarto e indo ao banheiro para ver como estava a minha situação.
Minha maquiagem estava borrada, meu rosto ainda estava sujo de sangue e os meus cabelos estavam parecendo feno. Joguei um pouco de água no rosto e voltei ao quarto, sentando no colchão e quase morrendo asfixiada com a quantidade de poeira que ele tinha.
Encostei a cabeça cuidadosamente na parede e as palavras de vieram a tona com mais força do que antes.
“Eu posso dizer que durante um tempo eles foram felizes, é claro. Um ano depois desse casamento eu nasci, e cinco anos depois nasceu a minha irmã.”
“Há 15 anos atrás, minha mãe descobriu que tinha câncer. Ela não hesitou em contar ao meu pai e quando fez isso, ele largou tudo e deixou a minha mãe lá, sofrendo e sozinha.”
“Eu era só um moleque de 7 anos, com uma irmã de 2, sem ninguém no mundo e com muita responsabilidade nas costas.”
“Eles levaram a minha irmã e me mandaram para um colégio interno.”
“Meu pai se separou da tal mulher e ela ficou com a minha irmã, e a levou para longe de mim.”

Solucei alto e enfiei o rosto no colchão imundo. Eu era adotada, eu nunca fora filha de verdade da minha mãe. Ela tinha ficado comigo quase por obrigação e era por isso que ela parecia me detestar tanto, ela só queria ficar comigo para ficar com o dinheiro que um dia foi do meu avô e da minha mãe, mas agora era meu e do . Ao longe eu conseguia ouvir Because of You, da Kelly Clarkson tocando. Era incrível como eu sempre me identificara com aquela música. (Coloquem para tocar !)
I will not make
Eu não cometerei
The same mistakes that you did
Os mesmos erros que você
I will not let myself
Eu mesma não me deixarei
Cause my heart so much misery
Causar tanto sofrimento ao meu coração

Meus soluços estavam ficando incontroláveis e eu já não conseguia respirar direito. Os momentos que passei com a minha mãe vieram em minha memória muito rápido, e não foram só os momentos felizes. Sua voz vinha em minha cabeça e eu me sentia tonta, eu poderia vomitar a qualquer momento.

I will not break
Eu não vou me permitir
The way you did, you fell so hard
O jeito que você fez, você se machucou profundamente
I've learned the hard way
Eu aprendi da maneira difícil
To never let it get that far
a nunca me deixar chegar até esse ponto

Me lembrei de todas as vezes que ela me machucara, que me humilhara. Quase todos os dias, eu tinha medo de sair de casa e não saber o que encontraria quando eu voltasse, em alguns momentos ela era uma e em outros, ela era uma pessoa completamente diferente. Eu nunca deixara que ninguém soubesse disso, muito menos que me ajudassem, eu sabia que a dor era minha, então eu devia cuidar dela sozinha.

Because of you
Por sua causa
I never stray too far from the sidewalk
Eu nunca ando muito longe da calçada
Because of you
Por sua causa
I learned to play on the safe side so I don't get hurt
Eu aprendi a jogar do lado seguro assim eu não me machuco
Because of you
Por sua causa
I find it hard to trust not only me, but everyone around me
Eu acho difícil confiar não só em mim, mas em todos a minha volta
Because of you I am afraid
Por causa de você eu tenho medo

Respirei fundo tentando me controlar um pouco e observei a lua.
Minha vida era uma mentira, eu não era quem eu sempre achara que fosse e eu me sentia fraca. Me sentia inútil, sentia medo. Eu queria ser protegida, queria ter alguém com quem eu pudesse contar, alguém que não me deixaria com medo, alguém que não me bateria ou me expulsaria de casa porque ela simplesmente estava “infeliz”.

I lose my way
Eu perco meu caminho
And it's not too long before you point it out
E não leva muito até você mencionar isso
I cannot cry
Eu não posso chorar
Because I know that's weakness in your eyes
Porque eu sei que isso é fraqueza nos seus olhos

Eu sempre fora fraca, nunca tive forças para lutar. Passei as mãos pelos cabelos que caiam em meu rosto e a imagem de veio a minha mente. Lembrei de tudo o que ele passou para poder me ver de novo e o meu choro ficou cada vez mais forte. Eu queria ser forte, e eu queria poder aceitar, mas não era tudo assim tão fácil. Eu era egoísta e racional demais, eu nunca pensei no sofrimento dos outros, só no meu. Ele não merecia uma irmã como eu, ele merecia alguém melhor, alguém que fosse cuidar dele.

I'm forced to fake
Eu sou forçada a fingir
A smile, a laugh, every day of my life
um sorriso, uma risada todos os dias da minha vida
My heart can't possibly break
Meu coração não pode quebrar
When it wasn't even whole to start with
Quando não estava inteiro para começar

Eu sempre fui tão maltratada, sempre apanhei tanto da vida e nunca precisei depender de ninguém para me virar, eu aprendi a não ser doce e amável e na maioria das vezes, eu nem sabia como tratar as pessoas. E agora eu não tinha mais casa, e nem uma mãe, apesar de a Judith nunca ter sido minha mãe. Não entre todos aqueles gritos e aquelas ameaças, entre todos aqueles machucados, tanto internos quanto externos. Chorei ainda mais quando me lembrei daquilo tudo, de como era a minha vida até a noite passada.

Because of you
Por sua causa
I never stray too far from the sidewalk
Eu nunca ando muito longe da calçada
Because of you
Por sua causa
I learned to play on the safe side so I don't get hurt
Eu aprendi a jogar do lado seguro assim eu não me machuco
Because of you
Por sua causa
I find it hard to trust not only me, but everyone around me
Eu acho difícil confiar não só em mim, mas em todos a minha volta
Because of you I am afraid
Por causa de você eu tenho medo

Eu queria mudar, eu queria ser feliz. Mesmo sabendo que a vida de ninguém era como um conto de fadas, eu não teria escolha. Eu ficaria com o , se ele me quisesse, e tocaria a minha vida, e me esforçaria para algum dia ser boa o suficiente para ele. Eu queria que ele se orgulhasse de mim, já que ninguém nunca fez isso em toda a minha vida, eu sempre fora a errada, a diferente, aquela que nunca fazia as coisas do jeito certo e que só arrumava problemas. Pelo menos agora eu já sabia da verdade, eu já sabia quem eu realmente era.

I watched you die
Eu assisti você morrer
I heard you cry every night in your sleep
Eu ouvi você chorar toda noite no seu sono
I was so young
Eu era tão jovem
You should have known better than to lean on me
Você deveria saber mais do que apenas contar comigo
You never thought of anyone else
Você nunca pensou nos outros
You just saw your pain
Você só viu sua dor
And now I cry in the middle of the night
E agora eu choro no meio da noite
For the same damn thing
Pelo mesmo maldito motivo

Me lembrei de todas as vezes que eu a via trancada, chorando em seu quarto e eu era obrigada a ter que agüentar tudo aquilo. Era eu quem a ajudava, quem pagava as contas, quem cuidava da casa, e depois, ela só me agradecia me deixando com medo, me deixando desesperada. Ela nunca pensara na minha dor, nunca pensava no quanto eu sofria a vendo daquele jeito. Agora eu não sabia se o que ela sentia era arrependimento, ou por ter cuidado de mim ou por ter me tirado da minha “família”. Ou aquilo tudo poderia ser simplesmente um teatrinho, para me fazer perder a cabeça.

Because of you
Por sua causa
I never stray too far from the sidewalk
Eu nunca ando muito longe da calçada
Because of you
Por causa de você
I learned to play on the safe side so I don't get hurt
Eu aprendi a jogar do lado seguro, assim eu não me machuco
Because of you
Por sua causa
I try my hardest just to forget everything
Eu dou o meu melhor, apenas para esquecer tudo
Because of you
Por causa de você
I don't know how to let anyone else in
Eu não sei como deixar alguém se aproximar de mim
Because of you
Por sua causa
I'm ashamed of my life because it's empty
Eu estou envergonhada da minha vida, porque ela está vazia
Because of you I am afraid
Por sua causa eu tenho medo

Eu queria esquecer aquilo tudo, queria começar uma vida nova. Queria superar, deixar para trás e deixar as pessoas se aproximarem. Minha vida estava vazia agora, sem sentindo, e eu precisava achar um sentindo para ela urgentemente, antes que eu desistisse de mim, o que estava acontecendo. Sabia que era normal eu me sentir confusa, mas queria superar aquilo. Eu daria sim uma chance ao ... Talvez não só uma, mas todas, porque eu sabia que agora eu não teria mais volta, só ele iria conseguir me consertar, a não ser que eu não tivesse mais conserto.

Because of you (x2)
Por sua causa (2x)

Eu já estava parando de chorar, finalmente. Meus músculos doíam, minha boca estava seca, meus olhos estavam inchados e meu coração estava acelerado. Tudo doía, até respirar. Minha mente revivera automaticamente todos os meus momentos ruins e aquela dor antiga me deixava assustada. O corte em minha cabeça estava ardendo e eu já não sentia o meu corpo. Era tudo tão irreal, parecia um livro, um filme ou uma série de televisão. Sorri amargamente ao pensar nisso, antes fosse, pelo menos o meu final feliz estaria garantido.
Passei as mãos pelo rosto tentando enxugar, em vão, minhas lágrimas, que agora caiam sem ao menos um motivo.

A chuva estava começando a cair forte do lado de fora e vários raios cortavam o céu.
Respirei pesadamente sentindo o peito doer e me levantei, decidida a fazer aquele chuveiro funcionar e quando a água finalmente começou a cair dentro do box, eu entrei rapidamente sem pensar em nada. A água fria bateu em minha pele quente e eu me arrepiei, mas eu precisava tirar toda aquela sujeira, de dentro e de fora.
Me lavei apenas com a água, pois não havia shampoo ou sabonete e saí, me secando com uma toalha encardida que estava esquecida ali. Prendi o cabelo pois não havia a menor condição de penteá-los, e vesti a roupa que estava comigo antes. Voltei para o quarto e o meu estômago roncou, droga, eu não havia comido nem meio pedaço da pizza.
Desci correndo para a cozinha torcendo para conseguir encontrar alguma coisa e enquanto eu vasculhava os armários, um barulho vindo da sala me sobressaltou.
Pareciam ser passos e eu tremi só em pensar que poderia ser a Judith e no que ela poderia fazer. Me escondi ao lado da geladeira quando a pessoa parecia estar chegando perto de onde eu estava e me encolhi quando acenderam a luz.
Tentei me encolher um pouco mais, até que esbarrei em alguma coisa que estava atrás de mim e um grito ficou preso em minha garganta quando puxaram o meu braço e eu fiquei frente a frente com a pessoa.

Capítulo 10 (Coloquem para baixar Too Close for Comfort e Shine a Light (acústicas no piano))

- PORRA ! – gritei e ele riu.
Safado, cachorro, como ele me assusta assim ?
- O que você está fazendo aqui ? – perguntei e coloquei as mãos no coração tentando me acalmar.
- Estou tomando conta de você – ele respondeu simplesmente.
- Tomando conta de mim, ?
- É, quando você saiu correndo do hotel, ninguém foi atrás de você. Então, como você não voltou mais, eu perguntei a aonde você poderia estar e aqui estou eu.
- E como você entrou aqui ?
- Pela porta – ele respondeu desconfiado – Por quê ?
- Estava aberta ? – escutei passos se aproximando de onde nós estávamos e alguém bateu palmas.
- Que cena bonitinha, o amiguinho salvando a menininha em apuros. - a voz de Judith fez com que eu me arrepiasse. - Jurava que ia ser o irmãozinho idiota que ia estar aqui, mas nunca me passou pela cabeça o amiguinho estúpido querendo agradar a garotinha indefesa. - encostou-se no batente da porta com um sorriso irônico em seu rosto.
- O que você está fazendo aqui ? – perguntei.
-Tome cuidado garota, ele só quer te levar pra cama. - seu olhar cínico passava de mim para - Mas eu não acho que ela não vá se importar com isso . – completou em um tom decepcionado. [n/a : créditos a , rs]
Olhei incrédula para e ele riu.
- Talvez ela se importe, Judith. Mas agora, se você quiser nos dar licença, nós já estamos de saída.
- Ah, não. – ela disse e bloqueou a passagem. – a festa ainda nem começou !
se colocou na minha frente e em um golpe rápido, ela o empurrou e ele bateu a cabeça na pia atrás de mim urrando de dor. Tentei ajudá-lo a levantar, mas eu não era forte o suficiente. Em pânico, vi que havia algo preso a sua cintura. Era uma pequeno, preto e tinha o formato de uma ... arma ?
- Merda – eu xinguei baixinho quando ela viu que eu estava olhando.
- Ah, então você descobriu meu novo brinquedinho ? – ela perguntou levanto as mãos a cintura. – Sabe, foi um pouco de ingenuidade sua achar que viveria feliz para sempre. Que você fugiria de mim para o resto da vida, mas como sempre, você está enganada. Eu te acho, pirralha, eu sempre te acho.
- Claro, você é uma psicopata. – soltei sem pensar.
- Psicopata ? – Ela fez uma careta – Dificilmente.
- Bem, se você escolheu infernizar minha vida nos últimos 17 anos só porque você não gostava da minha mãe, você é sim.
- Ah, ... Tão burrinha, tão inocente, tão previsível ... Tão comum ! Você não aprende mesmo, não é ? Não aprende que nem todos são como você ? Nem todos querem o bem das pessoas, nem todos lutam para salvar os golfinhos, nem todos se importam com o aquecimento global ? Cresça, garota.
Ela se aproximou mais um pouco de onde nós estávamos e estava quase encostando em mim. Cheguei um pouco para a direita, assim ele estaria atrás de mim, e ela não poderia machucá-lo de novo. Não havia nada que pudesse me defender, ou defender , que era a minha prioridade. Eu poderia morrer, mas não ele, ele não tinha nada a ver com a história, ele me conhecia há 24 horas !
Ela pegou a arma na cintura e girou-a entre seus dedos. Eu engoli a seco e avistei um conjunto de facas que ficava em cima da pia e calculei se eu era rápida o suficiente para pegá-las.
- Vá lá e pegue a porcaria da faca ! Se você quer tanto assim sair daqui viva, é claro. Mas ande logo, eu não tenho todo o tempo do mundo. – seus lábios se retorceram e por um instante, eu vi todo o mal que ela guardava dentro de si.
Quando eu tentei me esticar para pegar a faca, em um movimento rápido ela me empurrou e eu perdi o equilíbrio, caindo de costas contra a geladeira e perdendo o ar. Logo, ela estava em cima de mim e me estapeou com força. - Olha, eu disse que não tinha todo o tempo do mundo. Então, , por que não desiste logo e vai se juntar a sua mamãezinha, lá no céu ? Não há mais nada que te interesse aqui.
Tentei me levantar mas ela me empurrou de novo e puxou meus cabelos. Urrei de dor e fechei os olhos, tentando reencontrar o ar em meus pulmões.
Olhei para em pânico e vi que algo brilhante reluzia em suas mãos. Ele sorriu para mim e eu vi que era a arma de Judith que ele segurava, mas como ?
Em fração de segundos ele a puxou pelos cabelos e a jogou contra a parede. Ela o olhou estupefata e logo a puxou de novo.
- É a que você quer ? – Perguntou em um tom ameaçador.
Ele a empurrou e eu mal acredito quando ela atravessa a porta de vidro da cozinha. Logo ela ressurge suja de sangue e com a blusa rasgada. Logo, já a segurava de novo e eu avistei uma tábua de carne jogada no chão. Pisquei para ele e ele pareceu entender, já que a apertou mais e sussurrou algo em seu ouvido.
Quando eu já estava perto o suficiente para poder golpeá-la na cabeça, ela se virou um pouco e eu sorri.
- Até mais, – e a golpeei.
Ela caiu no chão desacordada e uma lágrima escorreu pelo meu rosto.
- ? – me chamou e me abraçou. – Calma, acabou.
- E agora ? – perguntei. – eu não matei ela, matei ?
- Deveria. – ele disse rindo. – mas não, ela ainda está respirando.
Gemi e ele me olhou.
- O que foi ? Tá doendo ? – ele perguntou enquanto me analisava e eu neguei – O que foi então ?
- Eu não queria ter feito isso. Quer dizer, eu não queria machucá-la.
Ele me olhou sorrindo e balançou a cabeça.
- Só você mesmo.
- Me empresta seu celular ? – pedi e ele assentiu, me entregando.
Liguei para a emergência do hospital e pedi que viessem buscar Judith, eu não queria deixá-la ali.

O sol já estava nascendo e me olhava curiosamente enquanto nós caminhávamos de volta para o hotel de onde eles estavam hospedados, e eu já estava ficando envergonhada.
- O que foi ? – perguntei enquanto passava as mãos pelo rosto – Tô feia ?
Ele riu e me abraçou de lado.
- Não, eu só ... Fiquei curioso. Por que você não queria machucá-la, e por que você chamou a ambulância se ela já te fez sofrer tanto ? Digo, ela quis te matar !
- Eu sei, mas eu nunca a faria mal por isso, . Ela já sofreu tanto, e se não fosse ela, eu provavelmente estaria na rua. Apesar de tudo, ela cuidou de mim, e só isso já está bom.
Ele me olhou por um tempo e sorriu. – Agora eu acho que sei porque você é tão especial para tanta gente.
- Eu não sou especial.
- É sim.
- Não sou.
- É sim, e vamos parar por aqui.
Ficamos andando em silêncio durante mais algum tempo até que avistamos o hotel.
- Caramba – eu murmurei e riu.
Haviam quase 300 pessoas em frente ao hotel, entre fotógrafos e fãs. Todos pareciam querer uma casquinha do McFLY e eu tremi.
- A gente entra por trás – me tranqüilizou.
Andamos entre os arbustos que estavam no canteiro e entramos no estacionamento escondidos atrás de um carro.
- Estou me sentindo um agente do FBI. – disse e eu ri.
- Como se você nunca tivesse feito isso, . A porta de trás do hotel estava aberta e havia um grupo de seguranças ali, sorriu para eles e agradeceu, e nós entramos no hotel.
- ! – gritou e correu para me abraçar (lê-se, sufocar).
- , você tá me amassando. – eu resmunguei e ele me soltou.
- Desculpe, – e sorriu amarelo. – ela te machucou ?
Olhei de soslaio para , ele conversava com e .
- Você contou a ele. – eu acusei.
Ele levantou as mãos e disse : - Culpado.
- Aonde estão as meninas, ? – perguntei, eu não havia visto nenhuma delas desde que eu chegara no hotel.
- Foram para casa da , elas não quiseram ficar aqui.
- Não quiseram ? – perguntei chocada – Por quê ?
- Não sei – ele deu de ombros – vem, você precisa descansar.
- Preciso de comida, o atrapalhou a minha refeição. – eu disse e riu.
- Ah, claro. Se eu não tivesse atrapalhado, a uma hora dessas a refeição seria você. - Precisa ficar jogando na cara, ? – murmurei ofendida e ele riu. Maldito.
- PODEMOS COMER AGORA ? – gritou.
- Você já não comeu ? – perguntou e deu de ombros – Gordo.
- Será que vocês podem parar de me chamar de gordo ? – murmurou. – Que saco.
- Tadinho, – eu disse apertando suas bochechas e ele sorriu para mim – deixem o gordinho quieto.
- Caramba, ela é má. – disse e eu dei língua. – e o achando que você ia defendê-lo.
- Era só o que faltava, mais uma para implicar comigo. – disse e eu o abracei de lado. - Eu sou boazinha, zinho.
- Vamos ? – perguntou e nós o seguimos até o restaurante.

Algumas horas depois, eu estava sentada no chão da sacada do quarto de observando o movimento lá em baixo. , e saíram para resolver os últimos detalhes do show em uma cidade próxima e haviam deixado o , sei lá porque, e sendo assim, eu estava morgando sozinha olhando as fãs enlouquecidas gritando o nome dele. Eu estava sentindo falta das minhas amigas, mas eu não sabia se queria vê-las ou não, eu ainda estava tentando me adaptar.
Eu estava tão distraída que me assustei quando sentou ao meu lado.
- Se eu soubesse que você estava aqui sozinha eu não teria ficado jogando bolinhas de papel no teto por mais de duas horas, sabe. Achei que você estivesse com o .
- Eu não quis ir, eu ia atrapalhar.
- Que bom que você não foi, é chato.
Ficamos em silêncio durante algum tempo, até que perguntou :
- Dói ? – disse apontando para o curativo na minha cabeça e para as raladuras em minha barriga.
- Não muito – respondi.
Respirei fundo e olhei para o céu, o sol estava quase se pondo.
- Você não precisa esconder os seus sentimentos, . Não de mim, – o olhei sem entender – acho que eu sou seu amigo, certo ?
- Eu ainda não sei o que fazer – assumi. – eu não vou ter opção a não ser ir para Londres, então ... mas obrigada , eu nem sei quem são meus amigos mais, eu não sei nem quem eu sou. – eu disse e ri – estou confusa.
Ele pegou minha mão e brincou com os meus dedos.
- Não acho que você seja a única, sabe. Todos ficamos confusos de vez em quando, mas com o tempo tudo vai ficar bem.
- Eu sei que vai, mas eu ainda não sei o que fazer da vida.
- Faz o que você achar certo. O nunca vai te obrigar a fazer nada que você não queira, então, se você não quiser ir para Londres, você não vai.
Olhei para ele, seus olhos eram calmos e confiantes.
- Eu não vou deixar o sozinho, não vou decepcioná-lo – prometi mais para mim do que para ele.
- Eu sei – ele disse e sorriu.
se deitou no chão duro ao meu lado e eu o olhei com curiosidade.
- Que foi ? – perguntou.
- Nada, eu to cansada de não fazer nada.
- O que quer fazer ?
- Você joga vídeo game ?
Logo, eu e estávamos sentados em frente a televisão e xingando um ao outro com freqüência.
- AH, SEU IDIOTA ! – eu gritei quando ele me ganhou pela 3ª vez no Tekken. - Desculpa querida, mas eu sou melhor do que você.
- Ah, não é mesmo !
Jogamos mais alguns "rounds" e logo, eu já havia o derrotado 4 vezes.
- AH NÃO, PARA CARA, VOCÊ É UMA GAROTA !
- E daí ? Garotas também jogam vídeo-game, em que mundo você vive, ?
- No mundo em que garotas jogam vídeo-games, não no mundo que garotas jogam vídeo-games e ganham.
- Machista – resmungei e ele riu.
- Desculpa, é que as meninas que eu conheço só se importam com o peso e com a maquiagem, e não com jogos de luta.
- Bem, a não ser que você não me considere uma garota, – eu disse e ele riu – eu jogo vídeo-game e estou te ganhando.
Alguns minutos depois, nós já estávamos nos xingando de novo quando abriu a porta.
- Olá crianças – ele disse e eu e demos língua. – O que foi ? Dava para ouvir vocês gritando lá de baixo.
- Exagerado – murmurou e eu ri. sentou entre nós no chão e pegou o controle da mão de .
- Posso ? – Perguntou e assentiu.
Logo, já estava rindo do meu desespero.
- Merda, – eu murmurei chorosa – não precisa humilhar.
Ele riu de mim e me abraçou de lado.
- Ai – disse se levantando. – Eu e a vamos sair.
- Vamos ? – perguntei levantando uma das sobrancelhas.
- Pensei que você estivesse reclamando por não ter nada para fazer, sabe. Você não vai querer ficar ai perdendo para o , vai ?
- Você não vai sair com a minha irmã, seu irresponsável. – disse e eu ri. – Eu também vou, chama o e o lá.
- Tá. – ele disse caminhando em direção a porta. – Te pego ás 10, docinho – e saiu.
Olhei para e ele parecia confuso.
- O que vocês fizeram enquanto eu estive fora ? – ele perguntou e eu ri.
- Nada que você possa saber, fofo – eu disse e ele fez cara de bravo.
- Não se engraça, . – ele murmurou e entrou no banheiro.
Me joguei na cama e fiquei olhando para o teto durante algum tempo. Não estava sendo ruim como eu imaginava, eu iria me acostumar com aquilo, eu queria me acostumar.
Um celular tocou em algum lugar e eu o vi na mesinha, era o celular do .
- – gritei – seu celular tá tocando.
- Atende ai pra mim – ele gritou de volta, parecia estar tomando banho.
Me estiquei para pegar o celular e fiquei com medo de atender. Respirei fundo e o coloquei no ouvido.
- Alô ?
- Quem fala ? – Uma voz feminina perguntou e eu fiquei com medo de ter feito merda.
- – respondi ser saber ao certo o que dizer.
- ? Sério ? Uau – a voz disse. – Que bom poder falar com você, . Mas escuta, o está ?
- Ele está no banheiro – respondi.
- Humm, certo. Você viu o por ai ?
- Olha, eu acho que ele está no quarto dele – eu respondi e no exato momento, abriu a porta. – espera, ele chegou aqui. Estendi o celular para ele e ele fez sinal perguntando quem era.
- Não sei – respondi e ele pegou o celular.
- Oi meu amor – ele respondeu e eu deduzi que fosse a namorada dele, a do nome esquisito que eu nunca sabia qual era.
Alguns minutos depois um de cabelos molhados e sem camisa apareceu e entraram no quarto.
- Uau, que gato – disse e fez uma expressão sexy.
fez sinal para que eu entrasse no banheiro e eu me lembrei de uma coisa, eu não tinha roupas. Eu ainda estava com a mesma roupa que eu usara no show.
- Tem sim – disse me entregando uma mochila que estava no chão do quarto e parecia ser minha. – trouxe para cá.
- Aonde ela conseguiu isso ? – perguntei olhando tudo que estava lá, eram roupas que eu não via há muito tempo.
- Estavam na casa dela, eu acho. Ela achou que você fosse precisar. Aliás, quer chamá-la para sair com a gente ?
- Pode ser – eu disse dando de ombros e entrando no banheiro.

Saí do banheiro alguns minutos depois com uma calça jeans e uma blusa xadrez que estava dentro da mochila. falava no celular, bebia qualquer coisa alcoólica, olhava pela sacada e acenava algumas vezes e estava sentando na cama.
- Já ? – ele perguntou e eu ri. – Nossa, é o tempo recorde de uma garota.
- Por que vocês estão duvidando tanto de mim hoje ? – perguntei e ele não entendeu. – O disse que eu não era uma garota porque eu jogava vídeo game.
- Provavelmente ele disse isso porque estava perdendo – disse e eu concordei. – o não curte perder no vídeo game.
- Só para o ? – Perguntei e eles riram.
- Cara, ninguém ganha o em nada. – respondeu e desligou o telefone.
- Veremos – eu disse e deu língua.
- Vamos ? – perguntou e nós seguimos para a garagem do hotel.
Nos dividimos em dois carros e seguimos para a casa de , onde nós iríamos buscar ela e a Amy.

- Para onde nós vamos ? – perguntou enquanto dirigia em direção ao centro.
- Vamos ao Lodge ! – sugeriu.
O Lodge era um bar no maior estilo pub, onde pequenas bandas tocavam e qualquer um podia subir ao palco e cantar, até que era bom.
Logo que chegamos, havia uma quantidade de pessoas impressionante lá dentro. Uma mulher cantava desafinadamente uma música desconhecida e eu ri quando fez uma careta. Nos sentamos em uma mesa um pouco escondida das demais e, algumas horas depois, , , e Amy já não estavam tão normais ... subiu ao palco com a cara e a coragem e nós a aplaudimos, ela parecia feliz. Ela escolheu cantar Shine A Light e eu ri quando e vaiaram. Cara, eles estavam vaiando a própria música ! Ela cantou animadamente se enrolando em algumas partes e eu e Amy acompanhamos, mas no final ela tinha que me aprontar uma.
- Agora, – ela disse olhando em nossa direção – eu gostaria de chamar uma amiga minha para tocar piano, caso vocês não se importem.
Só Amy parecia saber que era eu, mas eu fiquei na minha até ela soltar um : - , vem aqui !
Senti todos os olhares vindos na minha direção e o sangue subindo até minhas bochechas, senti que elas estavam queimando.
- Você toca ? – me olhava incrédulo.
- Muito ! – Amy respondeu antes que eu tivesse a chance de negar.
- VEM AMIGA, ANDA – gritou de novo lá em cima.
Tive vontade de me enfiar debaixo da mesa e nunca mais sair, mas fui obrigada a me levantar por e senti que até o meu cabelo estava vermelho de vergonha. Caminhei até o palco olhando para frente e o senhor que estava lá me guiou até um piano vertical que parecia ter a idade da minha avó, de tão velho. Me sentei na banqueta e respirei profundamente tentando escolher uma música que eu pudesse tocar sem errar. Eu morria de vergonha de tocar em público, e as pessoas sempre me faziam passar por isso.
Escolhi tocar Too Close For Comfort, que sempre fora uma das minhas favoritas.
Olhei para as pessoas que me observavam mais uma vez, estalei os dedos, posicionei as mãos nos lugares certos e comecei. [n/a: Play :B]
As teclas fluíam sobre meus dedos com uma facilidade impressionante pelo tempo que eu não tocava e alguns minutos depois eu já nem me lembrava das pessoas me observando. ainda estava no palco e ás vezes ela cantava junto comigo.
Terminei a música e as pessoas aplaudiram. Agradeci e quando eu ia descer, me puxou pelo braço e anunciou no microfone que eu iria tocar mais uma.
- Ah, não – eu resmunguei e fiz careta, ela já estava forçando a barra.
- Ah, sim ! Toca Shine a Light.
- Mas eu nunca toquei Shine a Light na vida !
- Dane-se, você vai tocar, e vai tocar agora – então ela me empurrou e eu cai sentada na banqueta do piano, de novo.
Xinguei baixinho e olhei para a nossa mesa.
e sorriram para mim e subiu na cadeira e soltou um "você é foda" e eu ri.
Encarei as teclas do piano a minha frente e suspirei, não era tão difícil assim.
Repeti um "você pode fazer isso" para mim mesma algumas vezes e me lembrei que havia trago seu iPod. Pedi a ela que me entregasse, procurei Shine a Light e dei play. [n/a : PRAY DE NOVO ! RS]
Comecei pela introdução e segui tocando a música. Algumas vezes precisei bater os pés no ritmo para não acelerar demais e olhei para os lados algumas vezes, vendo sorrir. Alguns minutos depois, terminei a música e me levantei, seguindo para a mesa com a . Chegando lá fui amassada por , e Amy.
- Cara, ela pode ser nossa tecladista – disse e o olhei assustada. – O que foi ?
- Tenho pânico de muita gente olhando para mim. – eu disse e ele riu.
- O também era assim, só agora ele se conformou.
Conversamos por algum tempo e notei que estava quieto. - O que foi ? – perguntei encostando nele, eu estava cansada porque o dia fora cheio, meus olhos já estavam quase fechando.
- Nada – ele respondeu beijando o topo da minha cabeça.
- Me diz – eu insisti, não gostei de vê-lo triste, doeu.
- É que ... você me lembra a minha mãe – ele disse e suspirou.
O abracei de lado e ele passou os braços pelos meus ombros.
- Er, desculpe ? – ele riu.
- A culpa não é sua em ser parecida com a sua mãe, sabe. – por um momento eu havia me esqueci daquilo.
Dei de ombros e bocejei.

Alguns minutos se passaram enquanto nós conversávamos mais e eu tive que ir ao banheiro.
- Já volto. – eu disse me levantando.
Fui ao banheiro, ajeitei o cabelo que já não estava no lugar e quando eu já estava quase chegando na nossa mesa, alguém esbarrou em mim e entornou um líquido vermelho. Olhei para minha blusa que estava ficando transparente por causa do tecido fino e quando eu vi quem era, minha vontade de matar a pessoa quase chegou ao limite.
- Flávio, que bom te ver por aqui – eu disse irônicamente.
- Me desculpa , eu ...
- Não, tudo bem, eu acho que posso sobreviver.
Ele me olhou por um momento e estendeu a mão para tocar o meu rosto. Afastei sua mão sem delicadeza alguma e o olhei friamente.
- A Alzira já cansou de você ? – perguntei sinicamente e ele ficou quieto. – Ótimo querido, é bom para você aprender a dar valor ao que você tem.
- Mas eu dava valor a você ! Foi você que se cansou de mim.
- Dá um tempo, Flávio. – eu disse me virando, pronta para ir embora quando ele segurou meu braço. O olhei friamente esperando que ele me soltasse, mas ele não o fez.
- Será que você pode, por favor, me soltar ?
Ele me puxou um pouco mais para perto e eu abri a boca pronta para gritar quando uma voz vinda de trás de mim me fez tremer.
- Solta ela, agora – disse e Flávio me soltou imediatamente. – Muito bem, eu só não te deixo com um olho roxo porque não é o tipo de coisa que eu goste de fazer.
Segurei a vontade de rir enquanto eu observava Flávio saindo com o rabinho entre as pernas e eu me virei para .
Sinceramente eu não sei como ele conseguiu meter medo no Flávio, já que ele não estava conseguindo nem ficar em pé, mas mesmo assim.
- Obrigada – eu disse e ele riu. – Eu preferia que você deixasse ele com um olho roxo, mas mesmo assim.
- Caso você não tenha percebido, tá difícil raciocinar. Mas fica para a próxima, certo ?
- Eu vou cobrar – respondi rindo e voltei para a mesa.
e Amy me olhavam com expressões engraçadas.
- Qual foi a parte do quebra a cara dele que o não entendeu ? – me perguntou e eu dei de ombros.
- Ele mal está parando em pé, . Ele ia acabar batendo em mim !
- Você deveria ter quebrado a cara dele, murmurou.
- Vamos ? – disse se levantando.
Caminhamos em direção a saída e eu percebi que não estava ali.
- Cadê o ? – perguntei a , que estava mais perto de mim. O mesmo olhou para trás e disse que iria procurá-lo.
Esperamos do lado de fora e alguns minutos depois surgiu carregando .
estava verde e mal agüentava ficar em pé sozinho. e se entreolharam e colocou no carro.
- , leva as meninas em casa por favor ? – pediu. – Antes que o vomite em tudo ?
- A gente vai de taxi, . – disse.
- Não , o leva vocês – disse e concordou.
Entrei no carro com e me sentei na parte de trás com , ele parecia mesmo muito mal.
deu a partida no carro e eu olhei para . Ele estava com a cabeça encostada na porta e os olhos fechados.
- ? – o chamei e ele olhou para mim. – Tá muito ruim ai ?
Ele riu e concordou com a cabeça.
- Abre a janela, melhora um pouco.
Danny obedeceu e voltou a fechar os olhos.

Chegamos ao hotel e logo que chegamos ao nosso andar, saiu correndo para o quarto dele. Olhei para e ele balançou a cabeça, e logo nós entramos no quarto.
Coloquei meu pijama e me joguei na cama de casal macia de . Conversamos durante algum tempo e quando eu percebi, já estava dormindo.

Capítulo 11

Acordei de repente com o corpo suado e uma sensação muito ruim. Ainda estava tudo escuro, olhei para o relógio que estava ao lado da cama e constatei que eu só havia dormido uma hora. dormia profundamente ao meu lado e eu estava preocupada com .
Num impulso, me levantei cuidadosamente e caminhei silenciosamente até a porta, para não acordar . Andei pelo corredor silencioso e parei em frente a porta do quarto de .
- Mas que porra eu to fazendo. – Murmurei para mim mesma e abri a porta cuidadosamente.
A cama estava vazia e a luz do banheiro estava acesa.
- ? – chamei e quase me virei para ir embora, quando um com os cabelos bagunçados e só de calça jeans apareceu na porta do banheiro.
- , - Sua voz rouca fez os pelos da minha nuca se arrepiarem. – aconteceu alguma coisa?
- Não eu só ... vim ver como você estava, eu fiquei preocupada. – eu já estava quase correndo de volta para o meu quarto, minha nossa senhora, o que deu em mim?
- Eu estou bem , não precisava se preocupar.
- Tem certeza? – Perguntei me aproximando um pouco mais, ele estava coberto por uma camada de suor.
olhou para minhas pernas descobertas durante alguns segundos e eu corei.
- Eu vou tomar um banho, você me espera? – Perguntou voltando a olhar para o meu rosto e eu assenti.
Me sentei de indiozinho no grande sofá bege que estava ali, exatamente igual ao do quarto de . Alguns minutos depois, saiu do banheiro só de boxer e com os cabelos molhados, e pelo amor de Deus, será que alguém pode colocar o ar de volta naquele cômodo, por amor a minha vida?
Ele se sentou ao meu lado e eu o olhei.
- Cara, acho que vomitei todos os meus órgãos.
- Que nojo ! Bati de leve em seu braço e ele me abraçou.
- Você ainda tá bêbado?
- Não, por quê?
- Por que está me abraçando?
- Não sei, eu gostei de você. Não posso te abraçar?
- Pode, só não vomita em mim.
me soltou e eu ri. - Quer dizer que você queria vomitar em mim? Cachorro!
Ele ficou em silêncio durante algum tempo e eu fiquei com medo de ele não ter entendido a brincadeira.
- , eu estava só brincando.
- Ele te traiu? – ele perguntou e eu não entendi. – O magrelo?
Olhei para ele por alguns minutos e assenti.
- Você amava ele?
- Não – eu respondi rindo – eu já deixei de acreditar no amor faz tempo, .
Ele me olhou curiosamente e eu continuei : - , eu vivi a vida toda sendo humilhada e tratada como um nada. A única amostra de amor que eu conheci na vida veio das minhas amigas. Eu já fui sim, aquele tipo de garota que acreditava em contos de fadas, mas eu cansei de esperar o meu príncipe sabe? Quando o Flávio me traiu, eu simplesmente virei a página. Eu fui criada na base da porrada, então uma hora eu cansei de acreditar que tudo daria certo.
Ele me olhou e eu continuei :
- Eu não quero um príncipe encantado, , e nem um amor para a vida toda como 97% das meninas quer. Não quero alguém que me faça chorar, ou uma pessoa que me faça fazer papel de coitadinha para que as pessoas ao meu redor me consolem. Eu quero alguém que não me largue, que não tenha motivos para ir embora, que não me faça ficar falando sozinha ou bater o telefone. Eu já fiz isso com tantos outros, já quebrei tantos corações e já quebraram o meu milhares de vezes, eu só quero alguém diferente.
- Então é isso? – ele perguntou quando eu terminei de falar e eu assenti. – Você é realmente diferente do que eu imaginava.
- Na maioria das vezes eu sou.
Ele deitou a cabeça no meu colo e eu fiquei sem reação no começo, mas depois eu fiquei brincando com seus cabelos.
- Se eu fosse você, eu pentearia o cabelo mais vezes, .
- Eu penteio – ele murmurou ofendido – mas para todos os efeitos, eu estou bêbado.
- Então, isso tudo é por que você quer tirar uma casquinha de mim só porque está bêbado?
- Exatamente, mas não conte a ninguém.
- Abusado! – Eu murmurei e ele riu. – Eu vim ver como você estava e você fica se aproveitando de mim.
- Ok, não vou mais me aproveitar de você, mas não negue que você gostou.
Ficamos em silêncio durante algum tempo e eu pensei que ele estivesse dormindo. - ? – O chamei e ele fez um barulho estranho com a boca. – Acho que vou voltar para o quarto.
- Que quarto? – ele perguntou me olhando.
- O do .
- Vai me deixar aqui sozinho, bêbado e passando mal?
O olhei por um momento e fiz que sim com a cabeça, ele gargalhou.
- Então vai, da próxima vez eu deixo o seu ex namorado anoréxico te agarrar.
- O me salva, da próxima vez. Quando eu já estava quase chegando na porta, ele segurou o meu braço. Sua pele quente na minha me fez ficar arrepiada.
- Fica aqui comigo, por favor.
Eu queria ficar. Ele sabia que eu queria.
- Mas e o ?
- Eu te acordo antes de ele sentir a sua falta, eu prometo.
Sorri para ele e ele me abraçou.
- Obrigado – Ele murmurou. – por ter se preocupado comigo.
- Disponha.
Ficamos conversando durante algum tempo e eu tinha que me controlar para não gargalhar alto demais, sabia ser idiota. Eu estava deitada olhando o teto quando levantou de repente e correu para o banheiro. Fiquei sem saber o que fazer e fui atrás dele.
estava de joelhos em frente ao vaso e de vez em quando fazia barulhos com a boca, enfiava o rosto no vaso e vomitava. Me aproximei querendo ajudar, eu nunca havia visto ninguém nessa situação antes, na verdade, eu havia visto poucas pessoas bêbadas.
- , precisa de alguma coisa? – perguntei me aproximando e passando a mão em seus cabelos.
- Não,– Ele murmurou com a cabeça dentro do vaso. – eu estou bem.
- Bem? Daqui a pouco você vai sumir de tanto vomitar, vai evaporar no ar.
- Não se preocupa, , volta pra lá – Ordenou e eu obedeci, voltando para o quarto.
Me sentei na beirada da cama e de vez em quando, eu ouvia xingando alto no banheiro e meu coração se apertava. Que droga, eu queria fazer alguma coisa!
Alguns minutos depois ele saiu do banheiro e encostou no batente da porta, me olhando com uma expressão chorosa.
- Tem certeza que não quer nada, ? Eu posso chamar o , ou o , ou até o ...
- – Ele me impediu de continuar. – fica calma, eu estou bem.
Suspirei me dando por vencida e o observei se aproximando da cama onde eu estava.
- Na verdade, - Ele confessou com cara de cachorro sem dono. – acho que preciso de uma coisa.
- Pode falar. – Murmurei vacilante, senhor, o que estava acontecendo comigo?
Ele chegou um pouco mais perto de mim e sorriu.
- Me dá colo? – pediu e fez um bico do tamanho do mundo, e eu lá, quase morrendo, para variar.
- Aham – murmurei e cheguei um pouco para trás, encostando as costas na cabeceira da cama.
deitou ao meu lado e colocou a cabeça em meu colo. Afaguei seu cabelo distraidamente e vi que ele me olhava.
Corei e ele riu.
- Pára – Eu resmunguei e bati de leve em seu braço.
- Ná, isso é bom, acho que eu não me sentia confortável assim há algum tempo. O olhei confusa e ele sorriu fraco.
- Não adianta estar rodeado de pessoas que teoricamente te amam quando você sabe que elas só querem se aproveitar. As pessoas sempre esperam que eu seja assim, que eu faça isso ou faça aquilo, mas ninguém nunca liga para o que eu estou sentindo.
- E o que te garante que eu não quero tirar uma casquinha de você?
- Eu confio em você.
- , você não me conhece nem há uma semana.
- Eu sei, é só que... Eu acho que se fosse outra pessoa, não estaria aceitando essa situação tão bem assim.
- Eu não estou tão bem quanto parece, eu ainda não sei o que fazer da vida.
- Sabe sim. – Ele acusou. – No fundo você sabe o que deve fazer.
- Não sei se estou pronta para me mudar para o outro lado do mundo e deixar tudo aqui, eu morei aqui durante a minha vida inteira e agora, simplesmente, eu vou para outro país onde eu não conheço ninguém.
- Você me conhece, conhece o , o , e o , olha, já são quatro pessoas.
- Eu não quero deixar as minhas amigas – Confessei em voz baixa. – é a única coisa que me prende aqui. Eu não tenho mais família, não tenho pai e nem mãe, então eu não hesitaria em ir para Londres, mas eu não quero deixá-las. Elas são a família que eu nunca tive, . Foram elas que cuidaram de mim quando eu precisei, elas me acolheram ! Eu não posso simplesmente chegar para elas e falar : Olha, eu to indo pra Londres, mas algum dia eu vejo vocês de novo. Não dá, eu não consigo.
Encarei o lustre que balançava no teto branco e se levantou, se sentando na minha frente.
- Você faria isso por mim? – ele perguntou.
Eu precisei de um momento para entender o que ele queria dizer. - Por você?
- É , por mim. Você iria para Londres por mim?
- Iria, eu acho.
- Foi o que eu imaginei – ele disse e sorriu – , presta atenção. Para de pensar no que os outros querem, para de pensar no que eu quero ou no que o quer, ou no que as suas amigas querem. O que você quer?
- Eu quero ir. – Respondi sem hesitar.
Ele sorriu de novo e deitou ao meu lado.
- Parabéns, agora você sabe o que quer fazer, agora você sabe que precisa parar de ter medo sobre o que pode dar errado e pensar no que pode dar certo.
- Acho que eu sempre soube o que eu queria – Confessei.
Afundei a cabeça no travesseiro e fechei os olhos com força. Então eu estava convencida, iria para Londres. Iria largar o que restou da minha vida aqui e iria começar tudo de novo lá, com o meu irmão. Não poderia ser tão impossível, certo?

Ouvi várias batidas e resmunguei, tentando voltar ao meu sonho. Mais algumas batidas e eu resmunguei e cutuquei , até que um grito me acordou.
- DANIEL, ABRE ESSA PORTA!
- Merda! – gritei e me sentei rapidamente na cama – , acorda !
estava completamente esparramado na cama ao meu lado, ou seja, dormindo feito uma pedra.
Olhei para o relógio na cabeceira da cama e ele marcava 10:00 da manhã.
- Merda, merda, merda – resmunguei e o sacudi – Acorda , por favor.
Ele abriu um olho, depois o outro e me olhou parecendo confuso.
- O – eu sussurrei – tá batendo na porta.
Ele levantou em um pulo e vestiu a blusa que estava jogada no chão.
- O que eu faço? – sussurrei, o ia me matar se me encontrasse ali.
- Vai para o banheiro – ele sussurrou de volta e eu entrei no banheiro, fechando a porta.
- A está ai? – perguntou e eu me encolhi.
- Não, eu não a vejo desde ontem á noite. Por quê? – respondeu.
- , você está procurando a ? – Uma outra voz surgiu e eu identifiquei o . – Eu a vi lá em baixo, perto da piscina.

Alguns minutos depois, abriu a porta e nós caímos na gargalhada.
- O que foi isso? – perguntei e nós começamos a rir de novo.
-Vocês estão bem? – perguntou fazendo uma careta estranha. – Certo, eu acho melhor você voar até lá em baixo, , antes que o ache que eu estou mentindo.
- Certo, obrigada – agradeci e corri até o elevador.
O elevador estava ocupado, então eu corri em direção ás escadas e alguns minutos depois, avistei do outro lado da piscina. Corri até uma espreguiçadeira que estava vazia perto do gramado e me joguei sem dó nem piedade.
Fingi estar olhando para as minhas unhas e alguns segundos depois, eu ouvi um estalo, a espreguiçadeira quebrou, me fazendo cair de bunda no chão. Olhei ao redor e algumas pessoas pareciam não estar prestando atenção, então eu me levantei e acenei para , que gargalhava alto.
Assim que ele chegou perto de mim eu sorri amarelo e ele me abraçou.
-Machucou? – perguntou beijando a minha testa.
- Só mais um arranhão para a minha coleção recém adquirida – brinquei.
- Já tomou café? – ele perguntou enquanto eu tentava limpar a grama que estava grudada na calça do meu pijama.
- Ainda não, – murmurei – por quê?
- Achei que você estivesse acordada há muito tempo.
- Não, é que eu perdi o sono e quis descer, mas não faz muito tempo.
Fomos em direção ao hall do hotel e um sonolento estava sentado em um dos sofás da recepção.
- Bom dia flor do dia – ele cantarolou e eu ri. – o e o pediram para vocês esperarem eles, por que o está procurando um remédio para a dor de cabeça.
- Eu to com fome, eles parecem duas moças – resmungou.
Nos sentamos ao lado de e eu fiquei observando as pessoas que passavam por ali, enquanto conversava animadamente com ele sobre futebol, ou alguma coisa assim.
Algumas meninas passaram e olharam feio para mim e eu me encolhi.
- – chamei. – Posso subir ?
- Por quê ?
- Esse povo não gosta de mim, eles ficam me olhando como se eu fosse um ET. - Deve ser porque elas estão com inveja de você – comentou.
- Claro, deve ser, eu sou tão especial – murmurei irônica.
ia responder quando chegou correndo e pulou em cima da gente.
- BOLINHOOOOOOOOOOO – ele gritou e eu fui amassada em baixo de .
- AH, EU VOU MORREEEEEEEER – eu gritei quando pulou em cima de nós também. e contaram até três e levantaram, fazendo com que eu, e fossemos parar no chão.
- Sobrou pra mim também ? – eu perguntei me levantando.
- Coitada, é o segundo tombo que ela leva hoje – disse me abraçando de lado – Desculpa.
- Segundo ? – Tom perguntou.
- É, o tombo que ela levou quando a espreguiçadeira quebrou foi hilário. – disse e eu olhei feio para ele. – O que foi ?
- Vai colocar no jornal ? – perguntei e riu alto.
- Ela não é fofa ? – ele disse apertando as minhas bochechas.
- É, mas não é para o seu bico – disse e saiu me arrastando em direção ao restaurante. , e nos seguiram e nós nos sentamos para tomar café.
- Pega pra mim ? – eu pedi fazendo manha quando se levantou. – Por favor !
Ele suspirou.
- O que você quer ? – ele perguntou e eu ri.
- Nescau – respondi e ele foi buscar.
Ficamos só eu e na mesa, enquanto e brigavam por alguma coisa perto de onde nós estávamos.
- Você contou a ele ? – perguntou.
- Contei o quê ?
- Que você passou a noite no meu quarto ...
- Eu não, quer morrer ? Você não ouviu o que ele te disse agora pouco ? Ele vai achar que nós estamos tendo um caso.
- Você deveria ir se acostumando, as namoradas do sofrem com o ciúme dele.
Quando eu abri a boca para responder, voltou e eu fiquei quieta.

- , como ela era ? – eu estava sentada na cama do quarto de enquanto ele procurava alguma coisa dentro da mala.
- Quem ? – ele perguntou jogando tudo no chão.
- A sua ... minha mãe.
Ele me olhou com curiosidade e eu dei de ombros.
- Você disse que eu era parecida com ela, então ...
- Você não se lembra de nada ? Nada mesmo ?
- Não, eu já tentei, mas não consigo me lembrar de nada.
Ele sentou no chão e fez sinal para que eu me sentasse ao seu lado.
- Ela tocava na London Symphony Orchestra *como eu te disse, tocando violoncelo. Mas você é exatamente igual a ela, só que o cabelo é um pouco mais escuro e mais curto.
Ela era a pessoa mais bondosa que você pode imaginar, viva ajudando ás outras pessoas e nunca sequer levantou a voz para alguém, – ele respirou fundo. – eu sinto falta dela.
O abracei de lado e ele sorriu para mim.
- Ela me amava ? – perguntei em um sussurro.
-Mais do que a própria vida – ele respondeu no mesmo tom, como se estivesse contando um segredo. – Logo que você nasceu, todo mundo só paparicava você, eu até ameacei fugir de casa algumas vezes.
- Eu não imagino você como um menor abandonado, , com uma trouxinha nas costas e morando em baixo de pontes.
- Para, não destrói meus sonhos – ele disse e eu gargalhei.
voltou a fuxicar suas coisas e eu o olhei curiosa.
- Quer ajuda ? – perguntei enquanto ele jogava tudo para o alto.
- Não – ele respondeu e voltou a enfiar tudo na mala. – Na verdade eu quero, pede um analgésico ao pra mim ?
- Aham – murmurei.

Bati na porta impacientemente e nada do antender.
- , abre a porta – eu berrei e alguns minutos depois ele abriu. – Até que enfim.
- Vai tirar a mãe da forca ? – ele perguntou rindo e eu o olhei séria. – Desculpa.
- O pediu um analgésico.
- Engraçado ele querer você perto de mim agora – ele falou para si mesmo mas eu ouvi. – Entra.
- O serviço de quarto não te visita ? – perguntei quando vi que haviam vários pacotes jogados pelo chão.
- Acho que eles esqueceram de mim hoje.
Me joguei de barriga para baixo em sua cama e esperei até que ele achasse o tal analgésico.
Ele voltou com uma cartelinha nas mãos e me olhou pasmo.
- , o que é isso nas suas costas ?
- Tem alguma coisa aqui ? – eu perguntei tentando achar – Não tem nada, .
- Você se machucou quando caiu da espreguiçadeira ?
- É só um arranhão, .
- UM ARRANHÃO ? ISSO AI TÁ QUASE TE PARTINDO NO MEIO !
- , eu não estou nem sentindo.
- Senta aqui, anda – ele ordenou apontando para o sofá – Agora, ! [n/a : ui, tigrão ! AHUAHUAHUAHUA]
- Calma, eu to indo chefe – eu murmurei e sentei no sofá de costas para ele. – Pronto ?
- Deixa eu ver isso direito – ele disse levantando um pouco a minha blusa.
- , você vai me deixar pelada – eu resmunguei e ele riu alto. – Pára , é sério, eu to sentindo cócegas.
- Caramba , para de se mexer !
- É sério , agora você tá me machucando, quer parar com isso ?
- Espera porra, eu to tentando colocar no lugar certo !
- Merda, você é muito lento. – eu disse e em resposta, ele espirrou mais remédio do que o necessário – AAAAAAH, TÁ ARDENDO, TIRA, TIRA!
- Calma, eu to quase lá.
- Anda, eu não to aguentando.
Quando finalmente conseguiu terminar de colocar remédio no meu corte, eu ouvi a porta batendo e um com cara de poucos amigos.
- QUE MERDA É ESSA?




CONTINUA


N/a: Esse capítulo é meio muito idiota sabem, queridas leitoras? HAUAUHAHUAHUAHU Surgiu em uma conversa com a May ou a Bells, não lembro, nós estávamos falando sobre coisas com duplo sentido e saiu assim, do nada :) Mas eu ri muito com ele depois HUAHAUUAHUAHU ;B Mas o começo foi bem fofo, vai? Se você e o seu Guy já estão nessa intimidade, imagina daqui a alguns capítulos como vai ser... Acho que seu irmão não vai ficar nada feliz HUAHUAHUAHUAU Enfim, obrigada por continuarem lendo e comentando essa modesta fanfic e fazendo essa modesta autora que vos fala muito feliz ;) Sentiram o apelo emocional né? AUAHUUAHUAHUAHU
Até a próxima xx
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