McHate.com

Autora: Lú Jones e Vê Inamonico
Status: Em Andamento
Revisada por: Vê Inamonico
Categoria: McFly Fics
Sub-Categoria: LongFic - Comédia romântica, Aventura
Comentários:




Capítulo 1.

(Dinamarca)

- Filhinha? - era hora do jantar para a família . levantou seus olhos de seu prato, cuidadosamente decorado pelo chef da família, e os mirou do outro lado da mesa, onde o pai se sentava, sozinho. Fazia anos que sua mãe havia os deixado e ainda assim era estranho para ela ter alguém faltando naquela enorme mesa.
- Sim? - sua voz ecoou pelo salão de jantar. Ela encolheu-se, sem perder a postura.
- Ahm, papai quer conversar com você, sim? - a menina concordou e esperou pelo pai terminar seu jantar. Os dois se levantaram em silêncio e seguiram para a sala da lareira.
Os criados já haviam se recolhido o que Edward, pai de , achava melhor. Ele sentou-se, não sem antes servir-se de um pouco de conhaque, enquanto a filha acomodou-se na poltrona onde a mãe costumava sentar-se e olhava entediada suas unhas recém-pintadas naquela tarde.
- Então, o senhor queria me dizer...? - por mais paciente que fosse, notava que o pai parecia evitar o assunto o quanto conseguia.
- Ah sim, - ele bebeu um gole do líquido marrom em sua taça. - lembra-se daquela viagem que eu fiz há pouco tempo para a Inglaterra?
- Sim, perfeitamente. - ela sorriu, seu pai havia lhe trazido presentes maravilhosos de Londres.
- Pois bem, papai conheceu uma mulher por lá e... - Edward parou, fingindo tomar fôlego. - nos apaixonamos. Vamos nos casar no fim do mês. - ele olhou a filha que de repente ficou estática na poltrona. Sua filha era muito imprevisível, não sabia o que estava por vir, por isso esperou calmamente que a pequena digerisse as informações recém lançadas.
- C-como é? - piscava diversas vezes e o pai reconhecia aquele comportamento, algo de muito ruim estava por vir. - COMO PÔDE PAPAI? DEPOIS DE TUDO O QUE PASSAMOS, QUANDO VANESSA NOS DEIXOU, O SENHOR ACHOU MESMO QUE PODERIA SE APAIXONAR EM UM DIA E CASAR-SE NO OUTRO? - gritou cada palavra, engolindo com muito esforço os nós que se formavam em sua garganta.
- Não foi tão de repente assim, minha querida. Viemos nos contatando por telefone e e-mails. Papai realmente gostou da moça.
- C-como p-pôde? - a mais nova cobriu sua boca com a mão, sentindo as lágrimas lhe percorrerem o rosto.
- Eu achei que seria, - Edward gaguejava, sem saber como continuar. - bom para nós dois. Ela tem dois filhos, você não ficaria mais tão sozinha e eu também não. - ele sorriu paterno para a menina que fez bico.
- Eu vou ter que dividir minhas coisas agora é? - ela se irritou rapidamente.
- Não minha preciosa, vamos nos mudar e...
- MUDAR? PARA LONDRES? - ela agarrou os braços da poltrona e soluçou ruidosamente. - Papai... - ela voltou a cair em lágrimas.
- Minha querida, nós manteremos nossa casa por aqui, poderá vir aqui quando quiser. Eu e temos dinheiro suficiente para comprarmos uma casa tão grande quanto essa ou até maior. - um brilho passou rapidamente pelos olhos da menina com a palavra "maior".
- Então agora o nome dela é ? - perguntou em seguida, retorcendo seu rosto em desdém.
- Sim. E os filhos se chamam e .
- Tão original de ingleses. - desdenhou a mais nova.
- Preciosa, você vai gostar, confie em mim. - Edward bateu em seu colo e rapidamente levantou-se em um salto e sentou-se no colo do pai. - Amanhã vamos a Londres para você conhecer sua nova família, todos são muito gentis, posso lhe garantir. - continuou fazendo bico. - Ora, não se desanime, estamos indo para a terra da Rainha! - ele bateu nas coxas da filha, fazendo-a rir.
- Mas aqui nós também temos uma. - ela mexeu nos botões de sua camiseta Pierre Cardin.
- Não importa, você não sentirá muitas diferenças.
- Promete? - olhou o pai envolvendo seus braços no pescoço do mais velho.
- Eu prometo. - ele beijou os braços da filha e ela levantou-se.
- Certo então, boa noite. - beijou a testa de Edward e subiu, não sem antes ouvir.
- Já pedi para Bárbara preparar sua mala. - virou-se e fez um joinha para o pai, subindo em seguida. - Ufa. - suspirou o homem, já sozinho na sala.
Foi só sumir da vista do pai que subiu as escadas da enorme mansão pisando duro.
- Ele não poderia ter feito isso comigo! Agora vou ter que dividir sua atenção com uma qualquer. - resmungava a garota. Quando entrou em seu quarto, Alice estava sentada em sua cama já pronta. - Ah babá, - ela foi correndo para os braços da velha senhora que cuidava dela desde pequena. - papai já te contou?
- Já sim, meu amor. Não se preocupe, tudo dará certo. - Alice afagava os cabelos da menina ouvindo seus soluços abafados. - Eu estarei aqui sempre de braços abertos para te receber de volta, saiba disso.
- Obrigada. - fungou e sorriu para a babá.
- Agora vá lavar esse rosto, escovar os dentes e já para a cama mocinha, amanhã vocês viajam cedo. - Alice sorriu para a menina que pulou da cama e foi em direção ao banheiro.
- Babá, - colocou a cabeça para fora da porta. - pode se deitar eu vou demorar aqui. - ela sorriu timidamente.
- Sem problemas, boa noite meu amor. - Alice desligou a televisão e se retirou do quarto.
deu um sorriso falso e foi em direção ao seu laptop, ligando-o e de imediato entrando no messenger. Por sorte sua amiga estava online.

s2 Danish_Princess s2 acabou de entrar no messenger.

London-Eye-Girl diz:

Nossa, até que enfim, achei que teria que ficar a noite toda te esperando.
s2 Danish_Princess s2 diz:
Não seja ridícula, meu pai me segurou depois do jantar...
London-Eye-Girl diz:
Bronca ou outro presente?
s2 Danish_Princess s2 diz:
Presente. Mas dessa vez saiu bem caro. Ele vai se casar.
London-Eye-Girl diz:
O_o" Com quem?
s2 Danish_Princess s2 diz:
Uma mulher que ele achou aí em Londres.
London-Eye-Girl diz:
OMG! Quer dizer que você vem para cá? *-*
s2 Danish_Princess s2 diz:
É, mas sem muita animação. ¬¬ Vou por pouco tempo, a princípio. Anyway, alguma novidade dos McLosers hoje?
London-Eye-Girl diz:
Sim, parece que eles vão começar a gravar outro disco, ficaram a tarde inteira trancados com o empresário, parece que é segredo de Estado. Hahahahahaha
s2 Danish_Princess s2 diz:
Hum...interessante. Acho que as fãs gostariam de saber não é mesmo? (66)
London-Eye-Girl diz:
Com toda a certeza. Você posta?
s2 Danish_Princess s2 diz:
Tá bom, tá bom. Vai dormir seu urso.
London-Eye-Girl diz:
To indo mesmo. Bye!

London-Eye-Girl está offline.

revirou os olhos. Desde que conhecera em um chat as duas haviam virado grandes amigas, mas em uma coisa elas concordavam: azucrinar o McFly, banda do primo de segundo grau de , , era muito engraçado! Era por causa dos pais que havia ido parar na gravadora da banda, com a desculpa de querer um emprego para pagar as despesas da faculdade. , por outro lado era só uma riquinha que procurava onça para cutucar com vara curta.
Ela e , insatisfeitas com suas vidinhas pacatas resolveram criar um blog dedicado aos fãs da banda McFly. No começo o blog foi um estouro, fãs, críticos e até mesmo fãs de outros países procuravam saber tudo em primeira mão da banda inglesa. Até os integrantes descobrirem por meio de alguma grouppie que o blog publicava tudo antes mesmo deles declararem oficialmente.
Foi então que os problemas começaram. Ou pelo menos tentaram. Tentaram fechar o blog, mas através de um programa, o blog fingia expirar e a banda sossegava. Logo depois voltava, pedindo aos fãs que não dissessem nada a nenhum integrante da banda. E assim o blog foi pegando cada vez mais espaço na web e era um dos blogs mais visitados por dia. Terminado o post, pôde finalmente dormir com um sorriso satisfeito no rosto, pelo menos alguma coisa havia fluído naquele dia.

Capítulo 2.

(Londres)

- Oh baby you, got nothing to prove, but if we decide to go doesn't mean he's gotta know - dançava e cantava apenas de lingerie preta pela sala da casa de seu TÃO amado priminho. - Oh baby you, got nothing to lose. And we're better off...
- ...when daddy's not around. - surgiu, cantando e sorrindo maliciosamente. - Ela deveria cantar na banda. - mordeu o lábio. - E vestida assim.
- Calado ! - jogou as chaves no amigo. O que sua prima estava pensando?
- Oi amor da minha vida! - a menina mandou um beijo no ar, rindo feito menina sapeca.
- Olha aqui , não começa. - o menino disse ríspido. - Você pode ficar aqui em casa, já que seu apartamento está com infiltração. Mas será que dá pra você usar roupas decentes?
- Por que dude? Ela 'tá bem assim... - a analisou de cima a baixo. odiava o comportamento de sua prima.
- Por que? Porque ela fez nós quatro perdermos as namoradas, porque sempre espanta as meninas que eu trago pra cá dizendo "Hoje é de três, amor?" - ele fez uma voz afeminada, tentando imitar . - e porque vocês ficam parecendo uns macacos peludos babões.
- Acabou com o discurso de "eu-sou-um-desastre-na-sua-vida"? - a menina sorriu divertida, passando as mãos pela cintura.
- !
- Meu nome! - sorriu. a olhou bufando, igual a um irmão mais velho de saco cheio das travessuras da caçula.
- Vamos ensaiar gente. - se virou e começou a andar, mas percebeu que ia sozinho. - Gente? - tentou novamente e nada. - GENTE! - a jugular "saltou" de seu pescoço, assim que ele explodiu sua raiva no grito.
- Hein? - acordou do transe meio perdido.
- Nosso mini estúdio, AGORA! E, , suma daqui.
- Oh baby you, got nothing to prove... - sorriu vitoriosa. -boy estava bravinho. Missão cumprida!
estava predestinada a infernizar . Por motivo até então desconhecido, a garota o atormentava vinte e quatro horas por dia e sete dias por semana. Chegou até mesmo a provocar uma infiltração no próprio apartamento para poder ser como uma pedra, cada vez maior, no sapato de .
Durante a manhã, passava o tempo na faculdade de foto-jornalismo. Gostava muito do que estudava e precisava pagar os estudos, por conta disso, à tarde, ela trabalhava na gravadora do McFly, banda de . A Super Records não era como a Universal, mas o primo a arrastara com ele com a mudança.
Por mais que odiasse , tinha que admitir que a menina era um gênio. Além de dar uma força com melodias e letras, ela sabia mais do que o próprio menino. Para ter o emprego que tinha, era preciso conhecer bem o estilo da banda e os gostos pessoais de cada integrante. Isso ela tirava de letra, conhecendo desde o número de telefone, até números de roupas, nomes das famílias e todos os trabalhos já gravados. Também conseguia ótimos negócios para eles. Era simplesmente...indispensável.
E toda vez que ela aprontava e ameaçava se livrar dela, eles eram lembrados por Fletch, seu empresário, o quão importante ela era. Passara a participar de reuniões que, no começo, ela só assistia do lado de fora da sala. Mas nunca havia deixado de pentelhar.
- Atende... - ela tentava, inutilmente, ligar para o empresário da banda. Precisava dizer a ele que havia uma entrevista pendente com para uma revista australiana que não parava de ligar. Resolveu falar com o próprio garoto para tentar agilizar e saber se ele tinha algum dia disponível. Foi enquanto caminhava até o estúdio que escutou uma conversa muito interessante.
- Como assim a sua mãe vai casar? - a voz de tinha dúvida, mas certo deboche também.
- Ué, simplesmente vai. Dona vai se casar. Disse que conheceu um cara dinamarquês e se... apaixonaram. - franziu o nariz numa expressão de nojo.
- Simples assim? - perguntou, mexendo nas cordas de seu instrumento.
- É. Fim do mês é o casamento. E ela disse que, como ele tem uma filha, ela quer todo mundo interagindo com a "filhinha do papai". - os meninos o olharam sem entender e bufou, olhando para cima. - Morar em casa suas bichas. Morar com a mamãe, padrastro e irmãzinhas. - sorriu sarcástico. Poderia estar feliz pela mãe, mas não engolia a história de ter que voltar a morar com em família.
, ainda prestando atenção na conversa, apertou o roupão que havia vestido no caminho para o mini estúdio. Por que será que aquela história se encaixava tão bem com a de sua fiel amiga?
- O nome do cara é Edward. E a filha dele, é , eu acho.
Ouviu-se um barulho do lado de fora do estúdio e os meninos correram para ver o que era. Encontraram com a faixa de seu roupão na mão e o mesmo aberto, mostrando novamente sua lingerie preta.
- Ops. - encarou a tira de pano em sua mão.
- Ulalá - , e entortaram a cabeça, observando-a.
- Parem de olhar para ela assim seus idiotas. - revirou os olhos. - E o que você está fazendo aqui?
- Ahm, , eu preciso saber quando você pode dar uma entrevista para uma revista australiana. - ignorando o primo como sempre, fechou o roupão para a infelicidade dos três patetas.
- Eu...tenho que ver. - piscou. Sacou seu Iphone do bolso da calça e checou sua agenda eletrônica. - Semana que vem, às três, ok baby?
- Sim, claro querido. Vou avisar à redação da revista. - sorriu e saiu andando. Parou no meio do corredor e mandou um beijo no ar, que os três pegaram e guardaram no bolso.
- Panacas... - pôde ouvir resmungar.
estava certa de que a amiga iria gostar da nova mãe, afinal, ela poderia infernizar de perto, seu novo meio-irmão.
"s2 Danish_Princess s2,
parece que você será uma irmã muito legal para . xx, London-Eye-Girl"

Apertou "Send" e pronto. Logo que a amiga saísse do vôo veria que sua viagem a Londres não seria perda de tempo. Missão cumprida, parte 2.

(Aeroporto de Londres)

Depois de uma longa e cansativa viagem até Londres, havia se arrumado no apertado banheiro de seu jato particular e agora caminhava ao lado de seu pai para a saída. Estava preparada para o frio de Londres, se equipara com uma bota marrom de cano alto até as coxas da Channel, um casaco preto com franjas nas pontas, por baixo uma blusa em decote "V" com lantejoulas, um colar dourado que davam várias voltas em seu pescoço branco e os cabelos soltos. Ligou urgentemente seu celular e sentiu-o vibrar em sua mão. Abriu o flip e viu uma nova mensagem:
"s2 Danish_Princess s2,
parece que você será uma irmã muito legal para . xx, London-Eye-Girl"

Sorriu satisfeita e olhou para frente colocando seus óculos escuros. Acompanhou seu pai que já a chamava um tanto impaciente. Seguiram para a porta do aeroporto atraindo todos os olhares para os dois. Entraram em uma limusine e não conseguia parar de pensar em como sua vinda até a capital inglesa seria de bom proveito.
O que ela não sabia, entretanto, é que um fã, já sabendo do próximo casamento da mãe de ( se encarregara de postar no site logo depois de mandar a mensagem para a amiga) havia tirado uma foto sua quando ela apontara para fora do jato. Ele a enviou para o celular de que começou a apitar.
- Olhem isso! - disse, estavam ela e os quatro garotos na cozinha de . - Parece ser sua nova irmã, . - Mostrou a foto que havia acabado de receber.
- Como você a conseguiu? - perguntou olhando torto para que sorriu sem graça.
- Bom, eu trabalho na gravadora e algum fotógrafo deve ter pego essa foto. - disse ela, mas nenhum dos quatro ouviu.
- Nossa, olha isso, sua irmãzinha é muito gostosa! - foi o primeiro a comentar. - Eu pegava. - levou um peteleco na cabeça.
- Pára com isso, a garota é mimada. - disse emburrado.
- Mas que ela é bonita você não pode negar. - comentou, para a surpresa de . Então ele havia gostado da amiga? Ótimo começo.
- E você , tem uma gostosa na sua casa e nem pega, nem vem falar da riquinha mimada. - rebateu e teve de segurar o riso.
- Cala a boca. - deu um soco no braço do amigo.
- Estou indo pra casa da mamãe receber essa gostosura. - disse numa voz gay e mandou beijos no ar para os amigos.

Capítulo 3.

(Casa dos )

- Onde está seu irmão que até agora não deu o ar da graça? - andava de um lado para o outro da casa, arrumando os mínimos detalhes enquanto estava deitada no sofá encarando as unhas, entediada.
- Sei lá, deve estar ensaiando, daqui a pouco ele aparece.
- Daqui a pouco eles chegam e nem a família eu tenho pra apresentar. - suspirou.
- Relaxa mãe, se o cara te ama mesmo, não vai se importar com isso.
- O problema não é ele, ele mesmo disse que não tinha problema se não os conhecesse hoje, o problema é a filha dele.
- Ah, a tal de não é? - fez uma careta.
- Sim, a , espero que você e seu irmão sejam educados porque eu tenho certeza que ela deve ser uma menina de classe. - fez gestos para a filha se levantar do sofá. - Leve para fora, não o quero pulando em cima da menina quando ela chegar.
- Isso seria incrível. - disse e recebeu um olhar torto da mãe. - Ok, já estou levando.
Um ronco de motor foi ouvido do lado de fora na rua e sentiu uma tremedeira percorrer seu corpo.
- ELES ESTÃO AQUI! - gritou para que em segundos estava ao seu lado. abriu a porta e viu dois seguranças parados ao lado da limusine que levava duas bandeiras da Dinamarca no capô. A porta do carro foi aberta e um homem muito elegante apontou saindo do mesmo.
- É ele? - perguntou, mas ficou no ar, já que sua mãe não tirava os olhos dele. Edward se aproximava sorrindo e beijou a mão da noiva logo em seguida virando para observar sua filha seguir em direção a porta do carro.
recebeu ajuda do segurança para sair do carro e teve que colocar os óculos nos olhos pelo forte sol que a atingia. Londres era famosa pelo seu tempo instável, mas por que o sol resolvera aparecer naquele dia? Olhou para a porta onde seu pai a esperava ao lado da mulher que ela já conhecia. Lá dentro, entretanto estaria sua mais nova irmã; bufou discretamente ainda não acreditava que teria de dividir seu pai com outras duas mulheres.
- Sejam bem vindos. - falou estendendo o braço para também envolver pelos ombros, assim como Edward, mas a garota revidou friamente. - Vamos entrando? - ela continuou sorrindo e Edward retribuiu abraçando sua filha e em seguida soltando-a. Entraram na casa, aproveitou seus últimos momentos de óculos escuros e observou toda a casa, analisando-a nos mínimos detalhes. Por último chegou na imagem de que a olhava de baixo a cima, com os braços cruzados.
Tirou seus óculos Dolce&Gabanna deixando e maravilhadas com seus olhos verde-esmeralda. Deu um sorrisinho cínico e olhou o pai, esperando alguma manifestação e também notando a falta de outra peça chave naquela família.
estacionou o carro de qualquer jeito no gramado de sua casa. Teve poucos segundos para olhar o belo carro parado em frente à casa de sua mãe até correr para os fundos.
- Hey garotão! - , ao abrir o portão deparou-se com , agitado. - Te deixaram pra fora foi? - ele pegou o cachorro e adentrou a casa. - Pronto mãe, já terminei o que havia me pedido. - apareceu no hall, levando , cada vez mais agitado. o olhou de olhos arregalados e começou a balançar a cabeça negativamente.
- , leve lá para fora agora. - disse ela entredentes.
- Pra que mãe, acho que ele também tem que conhecer os seus convidados. - sorriu perversamente olhando que demonstrava tranquilidade quanto a proximidade desastrada do cachorro.
se aproximava incontrolável até que deu uma volta ao redor de e sentou-se ao lado dela.
- Bom menino. - ela acariciou com certo nojo a cabeça do animal e sorriu para arqueando a sobrancelha. suspirou aliviada e deu um beliscão discreto no filho.
- Imagino que estes devem ser e . - Edward pronunciou-se, quebrando o silêncio que se instalara.
- Sim, prazer em conhecê-lo. - estendeu a mão e apertou forte a mão de Edward sorrindo graciosamente.
- É um prazer conhecê-lo. - seguiu os gestos do irmão e sorriu. deu o braço a Edward.
- , está tudo pronto para nossa mudança? - ele perguntou baixinho enquanto continuava observando e com superioridade e desdém.
- Eu acho que não, receio que vão ter de ficar aqui por um tempo.
- O QUÊ?! - ouviu-se o grito histérico de .

(Casa do )

Na cozinha de , pensava silenciosamente em como unir os meninos, ela e na mesma casa. Como?
Sentou-se de frente para e que brigavam por umas panquecas que ela havia feito. Lembrou-se então da viagem a Austrália, e lutando por um resto de cookie, aquilo havia sido deprimente.
E então tudo que precisava ser conectado se ligou em alguns segundos. Como, era a pergunta e Portugal, era a reposta. Mandou um beijo no ar para e , passou por que estava na sala com o violão e correu para seu quarto. Pegou o celular e ligou para Fletch, o tão amado e querido empresário.
- Oi razão da minha vida! - tentou soar de maneira melódica.
- Fala minha gênia! O que queres de mim? - a menina riu. O único que sabia quando ela iria abusar da amizade era Fletch. Deveria ser porque ele era o único que prestava atenção ao modo como ela falava. Assim como , não queria ser enganado pela santa do pau oco, .
- Bom, - começou a menina - eu tive uma idéia genial!
- Adoro suas idéias. - disse rindo - Diga.
- Ahm, eu estive pensando... Os meninos se deram bem nessa nova fase, mas precisamos que não seja só bem, seja excelente! Então, juntei a minha idéia de melhoria com idéias antigas e me lembrei da Austrália. Só que lá, de certa forma, tinham muitas fãs, então pensei em um lugar calmo onde eles pudessem trabalhar, eu e você descansarmos e unir à nova irmã. A menina parece tão introvertida... Eu estou matando vários problemas de uma vez só. E o melhor de tudo, eu sei o lugar perfeito para isso! - ela tinha que convencer Fletch que seria um plano sem erros - A antiga casa dos meus pais. Grande e luxuosa, em um pico em Portugal onde quase ninguém vai. Vamos em segredo, ficamos um mês e voltamos, que tal?
- Okay, quanta informação! Mas eu gostei da idéia. Convença os meninos, compre as passagens para amanhã cedo e te vejo no aeroporto. - um enorme sorriso surgiu em seus lábios. Perfeito.
Convencer e seria fácil. Era questão de fazer um charminho. ela já sabia como, só precisava saber o que fazer com , o primo mala.
Em seu celular apareceu no visor o nome: Danish Girl, bingo!
- Eu preciso da sua ajuda hoje mais à noite!
- Oi pra você também coisa fofa! - respondeu ironicamente. - Eu 'to bem e você? Ah, a viagem foi ótima!
- , deixa de ser estraga-prazeres! Eu tenho um plano, mas preciso que você me dê duas ajudinhas! - respirou fundo, ajeitando o celular no ombro, enquanto trocava de roupa, para convencer os meninos precisava estar muito bem arrumada. - Bom, quando o precisar sair, ajude-o. E quando ele falar de uma viagem, diga que topa. Okay?
- Por quê? - por enquanto seria segredo para a menina , mas quando chegassem em Portugal na linda casa, ela amaria o planinho.
- Eu juro que você não vai se arrepender!
- Se você diz...
- Obrigada, luz da minha vida! Beijos! - desligou o telefone e correu para a sala.
- UOW! - o coro de e fez a menina sentir as bochechas levemente.
- OMFG! - não iria fazer aquilo ficar fácil para eles, não mesmo.

Capítulo 4.

Estava vestida com um baby doll, rosa claro, quase transparente e um conjunto por baixo, de mesmo tom, composto por um sutiã e uma calcinha, estilo shortinhos. Era ou não era de matar?
- Oi meninos... - disse de maneira calma, suave e, ao mesmo tempo, sexy. Tinha algo mais gostoso do que fazer dois britânicos, de tirar o fôlego, pirarem por você? - Um de vocês poderia passar creme na minha perna? Eu acabei de fazer as unhas. - a desculpa fora péssima, mas com um corpo daqueles, usando um baby doll e, ainda por cima, pedindo para passar creme nas pernas nuas, que homem no mundo iria se importar com o que ela falava?
- E... eu! - logo voou para cima dela, pegando o creme e espalhando lentamente sobre as pernas da menina que, sentada no sofá, jogou as mesmas no colo do garoto.
- Que tal uma massagem? - sorriu com as palavras de . Ela não precisava nem pedir que tudo estava à mão, poderia ter uma vida dessas para sempre.
- Eu aceito sim, . - acariciou o rosto de , que se sentou atrás dela e começou a massagear seus ombros, dando alguns beijos em sua nuca. - Sabe meninos, eu andei falado com o Fletch, e propus que nós viajássemos, como nós fizemos ao ir para Austrália, o que vocês acham?
- Quem iria nessa viagem? - perguntou, sem tirar os olhos das coxas de .
- Eu, vocês, Fletch e pensei em convidar a nova irmã do , a . Que tal? Acho que ela precisa conhecer melhor o irmão que vai ganhar e eu terei a companhia de uma moça que vai adorar o destino da viagem.
- E para onde iríamos? - perguntou , já se imaginando no mesmo quarto que e a tal menina dinamarquesa. 'Nada mal, não ?'
- Portugal. - os meninos sorriram, nunca haviam ido a Portugal, e se a patricinha dinamarquesa iria gostar, quem disse que eles não iriam?
- Quando partimos? - sorriso de vitória nos lábios de .
- Amanha de manhã. Só faltava convencer o ...
- Deixa isso com a gente! - Bingo, tudo certo e agora só faltava .
Levantou-se dando um beijo na bochecha de cada menino e voltou para seu quarto. Pegou o celular e, ação!
'Pequeno, 'to com uma saudade de você... Estou tão sozinha aqui... Quando der quero te ver. xx, .'
Joganda a isca, só faltava o peixe pega-lá.

(Casa dos )

- Filha, eu disse que viríamos para Londres. - Edward ficou sem jeito em frente à noiva.
- Disse, mas não falou que nos mudaríamos, ah, como posso dizer? IMEDIATAMENTE! - estava vermelha de raiva. Não, pior. Estava vermelha de ódio.
Todos ficaram em silêncio e o celular de apitou uma música dos Backstreet Boys. o olhou com um sorriso sarcástico e ele tratou de fazer a música parar.
- Ahm...er...é...hum...o ! - ele disse depois de ler a mensagem de . Precisava sair dali.
- Ótimo, filho será que não poderia levar para conhecer os garotos? - disse sorrindo para que ainda encarava como que o desafiando.
- Claro mãe. - revirou os olhos e levou outro beliscão da mãe. - Vamos. - virou-se para e saiu na frente, batendo a porta com força. - Olha aqui, - pegou apertado no braço da menina enquanto caminhavam para o seu carro. - eu não estou nada feliz com tudo isso então será que pode, ao menos, não estragar tudo? - ele abriu a porta do carro e jogou lá dentro, rapidamente seguindo para o lado do motorista.
estava sentada de pernas cruzadas e olhando as unhas. Desviou seu olhar após suspirar.
- Pode deixar... - deu uma curta pausa. a olhou. - Depois da introdução que você acabou de me dar sobre o irmão que terei, eu vou fazer da sua vida um inferno. - ela sorriu enigmática e deu a partida, não se atrevendo a olhar para aqueles olhos verdes hipnotizantes.
chegou à casa de em poucos minutos, desceu do carro e sequer esperou por , precisava encontrar .
- Oi , chegou cedo. - disse desviando a atenção da revista que lia.
- É...hum, onde 'tá a ?
- Estou aqui e... - parou ao pé da escada. Ainda não havia tirado o baby doll. - oh my gosh! - ela sorriu terminando de descer, só que passando reto por . - Você deve ser ! - ela abraçou a menina que franziu o rosto ao ser esmagada por . Precisava parecer que elas não se conheciam.
- É. - disse piscando, tentando se soltar. abafou o riso recebendo um olhar fulminante da garota. - Pode me soltar? - disse ela e a soltou sorrindo.
- Olhem meninos, a nova irmã do ! - ela apresentou animada, e vieram hipnotizados até que sorriu cínica.
- É um prazer conhecê-los. - disse de braços cruzados. Ouviram-se passos vindos do andar de cima e uma figura apontava, pronta para descer.
- Voltou mais cedo. - disse ele.
- É-é... - disse, o que iria dizer agora?
- Ele disse que recebeu uma mensagem sua. - disse com uma pitada de ironia na voz. começou a suar frio. encarou a amiga incrédula, ela era realmente má.
- Não mandei mensagem nenhuma. - disse observando a nova garota dos pés a cabeça.
- Então por que estamos aqui ? - dirigiu-se ao menino que estava paralisado. - Achei que realmente quisesse ensaiar e não apenas se livrar de mim. - fez-se de vítima. , e olharam feio para o amigo.
- E-eu mandei a mensagem do celular do , desculpe. - pronunciou-se antes que a situação piorasse. - , gostaria de ir ao meu quarto? Tenho certeza que vai gostar de me ajudar a escolher algumas roupas. - puxou a menina pela mão e elas subiram as escadas, mas não antes de analisar bem diante dos próprios olhos do menino sorrindo de lado e o deixando bobo ao pé da escada.
- Seu idiota. - deu um pedala em e os meninos dirigiram-se à cozinha.

(Quarto de )

- Você pirou ou o quê? - perguntou, após fechar a porta atrás de si. - , ferrar o tudo bem. Mas me ferrar também?
- Desculpe, não resisti! - sorriu maldosamente. - Qual é! Confesse que a cara do foi hilária.
- De certa forma, sim. - abafou um risinho. - Mas preciso dele para completar meu plano. Agora seja uma boa menina, desça e peça pro subir. Preciso falar com ele, mas diga que é sobre uma música. Faz isso por mim? Por mim? - a menina fez cara de pidona. E se entregando a isso, sem ao menos saber da idéia, recuou.
- Mas que fique claro que é por você! - a menina, com seus lindos olhos verdes, sorriu levemente, indo até a porta. Mas ao encostar na maçaneta, girou o corpo, correndo até e a abraçando fortemente. Ali sozinhas, elas podiam se conhecer. Elas podiam se abraçar. - Amei poder te conhecer! - sorriu a dinamarquesa.
- Eu também. - riu, a olhando nos olhos, e depois a abraçando novamente. - Agora vai meu anjo!
, dessa vez desceu, com cara de poucos amigos.
- Não gostou da , peste? - agiu da forma rude. Odiara o que a nova irmãzinha fizera com ele.
- Na verdade, eu a amei! Poderia me acostumar com ela. - sorriu, hipnotizando . 'Perfeito!' riu, vendo a cara do primo na parte superior da escada. - Er, , ela precisa falar contigo em particular. Algo sobre uma música... - disse com desdém. Agora sim! Tudo seguindo os conformes.
- Filho da Mãe!
- Sortudo! - e resmungavam. - Se bem que... - ele voltou seu olhar para a nova irmã de . - Gostei até... - levantou a sobrancelhas sugestivamente, enquanto ainda pensava em como seria essa mini reunião de com ...


Capítulo 5.

(Quarto de )

subiu as escadas um pouco nervoso. Ela iria agarrá-lo? Iria fazer loucuras com ele? Será que teriam algemas? A pequena cabeça dele se perdeu em pensamentos, que nem percebera que já estava na porta do quarto da menina. Suava frio agora. Mãos trêmulas. Por que tudo isso para, apenas, ver ? Deveria ser porque ela mexia com ele. Ele sempre conseguia quem ele queria sem pedir. E logo essa, que ele tinha certeza de que era apenas questão de segundos, esta levando meses. Ele tinha que acabar com aquilo. Abriu a porta do quarto, ainda nervoso. Colocou-se para dentro, fechando a porta, de costas para o quarto. As luzes se apagaram. O que estava acontecendo?
- ? - a voz um pouco aveludada, que o fazia perder o controle, surgiu na escuridão. Apagão. Vale tudo?
- , o que que houve? Onde você 'tá? - o pequeno sentiu medo. Precisava dela ainda mais.
- Aqui . - se aproximou dele, segurando-o pelo braço. Isso não estava em seus planos.
- O que a gente faz? - a cabeça dela girou com essa pergunta. Como se aproveitar desse medinho? Sorriu, mesmo sem que ele pudesse ver. Pegou as mãos dele e envolveu em seu corpo.
- Me protege. - o coração dele acelerou. Medo ou ? ou Medo? O que seria mais forte?

(Sala)

olhava entediada para a janela, mesmo que estivesse com a cortina "blackout" fechada. Um apagão era o que lhe faltava para completar seu dia infeliz. Estava ela na casa de um famoso, com ele e mais dois malucos, sozinha... Não havia mais ninguém lá, não que isso fosse um problema, ela não precisava de ninguém para se defender.
Ouviu passos. O piso era de madeira, ela ouvia a transferência de peso e ia se aproximando dela. Pela respiração pesada não tinha dúvidas, o perfume também não deixava enganar.
- é melhor se afastar se algum dia quiser reproduzir. - ela virou-se, a expressão vazia e os profundos olhos verdes encarando o rosto do garoto sem ação. - Estou avisando. - arqueou uma sobrancelha e andou na direção do garoto, mas passou reto por ele. suspirou, tão imprevisível quanto .
- Quer alguma coisa... , não é? - perguntou, inquieto. O fato de ter e em um quarto sem luz estava enlouquecendo-o. Por um momento quis ser , para poder tê-la tão perto dele; mas queria era mesmo ser uma mosca para descobrir o que ela tanto queria tratar com . Ele nem era tão importante assim na banda!
- Não, obrigada. - sentou-se no sofá da casa de com a expressão enojada. , que estava parado de frente para a janela como a menina fazia há pouco, puxou a cortina e deixou a claridade tomar conta da sala.
Virou-se e pôde ver a menina com uma das mãos tapando a claridade que lhe atingiam os olhos. Assim que se acostumou, olhou seriamente para , piscando seus doces e perversos olhos verdes. O garoto sentiu seus joelhos vacilarem e apoiou-se à lareira, encarando alguns porta-retratos que ali estavam sem realmente vê-los.
- Então, ... - começou, olhou para que tentava subir as escadas no escuro corredor. - comentou sobre a viagem que estamos prestes a fazer? - não conseguiu segurar a ansiedade e recebeu um olhar torto do amigo. Pigarreou. - Vamos para Portugal!
- O quê?! - e falaram juntos, mas fingiu não perceber.
- Estamos decolando amanhã de manhã! - quase pulava de alegria, só ele e sabiam quem estaria lá.
- Não, o que?! O que está dizendo , bateu com a cabeça foi? Desde quando nos diz para onde e quando vamos? - cuspiu ignorando, por um momento, a presença de no cômodo. "Ela faz muito mais do que isso sem vocês se darem conta" pensou a menina enquanto olhava as unhas.
- Ela já conversou com Fletch e ele pediu a ela que comprasse as passagens... - foi murchando enquanto olhava para os pés. pareceu pensar por breves segundos.
- Está bem. Mas que fique bem claro que ela não manda na gente e se nem todos concordarem nós não vamos, entendeu? - disse e concordou, desviando seus olhos para ver se conseguira chegar ao topo da escada. Mas deparou-se com o amigo agarrado ao corrimão no meio desta. Abafou um risinho e foi sentar-se ao lado de .
- Então... gostou da nova família? - ele puxou assunto e percebeu a atenção de voltada para ele e a menina. Aquilo seria interessante, exatamente como dissera.

(Quarto de )

- Por que 'tá tão escuro? Não é meio dia? - agora estava assustado. Será que era uma bruxa de Salém? Sua cabeça tentava pensar em como se livrar de vampiros no escuro.
- , não sei se você percebeu, mas... - ela pegou as mãos dele, passando por seu corpo. - Eu 'to de baby doll, ainda. - terminou tirando o sobretudo que havia colocado há pouco. A pouca claridade do quarto permitiu o rapaz de ver o conjunto que ela usava. Deixou seu queixo cair levemente. Ela estava abusando do fraco coração dele. - Eu acordei não faz muito tempo.
- Mas você 'tava com a gente... na cozinha... com um blusão... um roupão... - ele falava pausadamente, tentando recuperar o fôlego.
- 'Tava... Por baixo? - ela respondeu meio irônica.
Ele não aguentaria muito tempo. A respiração dela, tão próxima de seu rosto... Ele não conseguia ver direito, o "pacote" completo, mas o pouco de luz que entrava, naquele momento de apagão em Londres, no quarto, tornou a cor avermelhada de seu conjunto uma atração para seus olhos. Sentiu um arrepio em seu corpo. Sorrindo de canto, deslocou uma das mãos, que se situava na cintura de , para as costas da menina, debaixo do baby doll.
- ... ... ... - riu, segurando o rosto dele entre as mãos. Olhos nos olhos dele, aproximando seus rostos. - Você nunca aprende?
- Enquanto você não me ensinar... - ele tentou beija-lá, mas desviou seu rosto, encostando os lábios no pé de seu ouvido.
- Antes, me diz. - ela mordeu a ponta da orelha dele. - Vamos a Portugal? - ele afastou-a, olhando torto. - Calma. - sorriu. - Os meninos, , e Fletch toparam. Embarcaremos amanhã de manhã. Só preciso que você diga sim, por que o vai ser por conta dos meninos. Diz que vai. - ela passou o dedo indicador, pelos traços do rosto do garoto. - Imagina... Eu e você... Na casa onde eu cresci... Onde eu conheço todos os lugares... - mordeu o lábio, rindo por dentro. Será que ele toparia?
- Não sei , e a filhinha do papai? - perguntou, acariciando o rosto da menina. - Ela teria que ir.
- Isso é um problema? - ela riu, aproximando novamente a boca de seu ouvido. - Ela não vai nos atrapalhar. Eu te prometo. - ela cochichou, dando um beijo em seu pescoço. não estava se aguentando. - Como você está tenso. - continuou, passando as mãos no peitoral dele. Ele não podia resistir. Ele não iria resistir.
- Olá Portugal! - ele sorriu, abraçando-a pela cintura. Seu rosto colou no dela, os lábios se selaram. não podia se entregar para , não mesmo. Não por enquanto. Pressionou o corpo dele na parede do quarto, beijando-lhe o pescoço, subindo e descendo pelo mesmo. Ele apertou-lhe mais a cintura, até que as luzes voltaram.
- Acho melhor você descer. - respondeu ofegante, dando agora pequenas mordidas em sua nuca. - Eu já desço. Vou me trocar. - ele sorriu, respirando fundo o aroma adocicado de .
Deixou o quarto, após se olhar no espelho. não podia acreditar na sua sorte. Ele realmente estava na palma de sua mão. Agora, mais do que nunca.

Capítulo 6.

(Sala)

- Não sei, - começou enquanto brincava com seu colar de diamantes, atraindo o olhar de . - passei muito pouco tempo com aquelas pessoas. - ela sorriu um tanto cínica.
- Você vai gostar, tem amigos engraçados. - por mais ridículo que aquilo pudesse parecer, estava falando deles mesmos.
- É, pode ser. - ela preferia manter o silêncio, poderia ser muito mais proveitoso assim. Quando reparou que o tronco de se aproximava de si, levantou-se lentamente do sofá, indo em direção a lareira. - McFly, certo? - perguntou, seguindo na direção de , mas curiosamente, como da última vez, desviou-se da "rota" no último segundo.
- Lá na Dinamarca vocês nos conhecem? - sorriu com o interesse de em sua conversa com . Seu sorriso era enigmático, apenas ela sabia o que se passava em sua cabeça para que fosse forçada a sorrir.
Virou-se bruscamente de frente para que se apoiava na lareira, mais ainda, depois de surpreender-se com o movimento da menina.
- Acredito que não muito, meu professor de música é que falava de seu estilo musical. - era mentira. Ela sabia que era. No colégio não se falava de outra coisa, uma moda que se atribuíra graças a ela, e seu site de fofocas.
- Oh, então você toca algum instrumento? - perguntou e apontou na sala, sentando-se no sofá. Segundos depois surgia com cara de assustado, misturado com cara de bravo.
- Piano, violoncelo e flauta transversal. - começou a menina e vendo o sorriso sarcástico de , pigarreou e acrescentou. - Mas também toco baixo e guitarra. - sorriu para o garoto que arqueou a sobrancelha.
- Por que não toca um pouco para nós? - a olhou com um sorriso maldoso. sabia que ele queria testá-la; estava pronta para o desafio, isso ela não negava, mas preferia deixar a humilhação para outro momento.
- Quem sabe um outro dia, - disse ela arqueando uma das sobrancelhas. - tenho certeza de que adoraria fazer um pequeno recital.
- Vamos cobrar. - disse, cruzando os braços.
- E então, o que queria? - virou-se para .
- Provavelmente agarrá-lo, quem subiu com a camisa certinha e voltou com ela amassada e dois botões abertos realmente ficou entorpecido com o que aconteceu lá em cima. - disse como se fosse a coisa mais normal do mundo. , e a olharam assustados e cerrou os punhos. - Não é mesmo, maninho?
"Essa garota é perversa." pensou enquanto a analisava de cima a baixo. apareceu logo em seguida de jeans skinny e uma bata cinza. Todos os olhares voltaram-se para ela que corou. sorriu irônica e percebeu que havia algo errado.
- Ahm...vou fazer o almoço. - coçou a nuca e se retirou da sala rapidamente. O que havia acontecido com aqueles quatro? Por que a encarava como se estivesse por trás daquela reação? A menina seguia para a cozinha confusa.
- , acho melhor voltarmos para casa. - disse com os dentes trincados. Estava com puro ódio daquela garota, era impossível se conter por mais tempo.
- É, realmente uma ótima idéia. - disse a menina, agora de braços cruzados, começando a caminhar em direção ao garoto.
- Já voltamos, para o almoço, eu espero. - disse enquanto abria a porta da frente e já saía para o sol de fora. Assim que a porta bateu, se colocou em uma das janelas ao lado da porta. Foi o suficiente para que visse agarrando a menina pelo braço, visivelmente irritado.
- A minha vida você pode arruinar, mas nem pense em meter meus amigos nisso, entendeu? - urrou ele de raiva. o ouvia calmamente e desviou seus olhos para a janela dando de cara com . Agiu naturalmente, como se já esperasse e voltou a olhar para o garoto a sua frente.
apertou mais o braço da menina e acabou levando um pisão no pé.
- Não encosta em mim moleque. - apesar de ser mais nova do que ele, sabia que sua idade mental não poderia nem ser comparada com a do novo irmão. Saiu andando em direção ao carro e a seguiu mancando, quase gritando de tanto ódio e dor.

(Casa dos )

O caminho de volta à casa foi tenso, queria dispersar o caminho e deixar em qualquer lugar bem longe da casa de sua família, mas como sua sorte não estava muito em alta, preferiu seguir o caminho certo. Chegaram e encontraram seus pais sentados no sofá.
- Já almoçaram? - perguntou, procurando manter a maior distância possível de .
- Não, estávamos esperando por vocês. - Edward virou-se e sorriu, não sendo correspondido.
- Ótimo. vai fazer o almoço, vamos para a casa do . - ele passou reto por que fez bico.
- , mostre à seu novo quarto. - disse em tom de reprovação.
- Perdão?! - assustou-se e encarou .
- Vamos passar uns dias aqui querida, até que a nova casa esteja comprada. - Edward sorriu e bufou.
- Não se preocupe , você terá um quarto só para você.
- O quê?! - gritou e sorriu.
- vai dormir no seu quarto querido, mas é por pouco tempo. - sorriu delicada.
- MAS POR QUE ELA NÃO DORME COM ELA? - apontou para .
- Eu decidi e é assim que vai ser, não discuta. - 3, 0. - Agora, por favor, mostre à seu novo quarto.
- Claro, por aqui irmãzinha. - ele estendeu os braços na direção da escada e virou-se o olhando vitoriosa. - Você está ferrada comigo. - sussurrou assim que a menina passou ao seu lado. virou-se e piscou, subindo à sua frente.
Chegaram ao corredor do andar de cima e corria de um lado para o outro, tirando suas coisas do quarto e colocando no outro.
- Só mais algumas coisinhas e já estará liberado. - disse como se se desculpasse.
- Não sei porque você se desculpa com essa daqui. - disse atrás de que simplesmente o ignorou.
- Muito obrigada, , é muita gentileza sua. - sorriu para a menina que retribuiu, mostrando a língua para o irmão em seguida.
- Cobra. - sussurrou. virou-se e aproximou-se de , ficando próxima ao seu ouvido.
- Você sequer provou do meu veneno, ainda. - ela sorriu enquanto soltou o ar pesadamente próximo ao ouvido do menino, vendo sua pele eriçar-se. Afastou-se a tempo de surgir novamente, trocando de quartos. continuou estático e olhou a menina de cima a baixo enquanto ela virava de costas.

(Cozinha do )

- Então , agarrar o ? Não sabia que era tão vadia assim. - seu sangue ferveu. Como podia dizer uma coisa dessas?
- Vadia é a sua ex, e eu não agarrei o . Ele trocou uma lâmpada para mim. Se duvida, olha ali a lâmpada queimada. - ela apontou para uma lâmpada queimada em cima da bancada. pensara em tudo. - Que é? Vai falar que ele não fez um esforço?! A escada aqui de casa não é muito boa. Eu deixei no meu quarto e aproveitei que precisava falar com ele sobre o que o Fletch me disse e pedi para ele trocar. Mas a luz não voltava, tivemos que esperar. Nisso ele caiu, por que 'tava escuro meu quarto, janela fechada. - ela suspirou, sentando na frente de um balcão na cozinha. - Duvida ainda de mim?
- Na verdade, não. Eu passei no seu quarto ontem, para checar se estava tudo bem com você, 'tava com um ataque de tosse... - parou, pensando. tinha planejado tudo nos mínimos detalhes.
- Você preocupado com a sua tão odiada prima? - riu, entrando na cozinha e na conversa.
- Imagine se a mamãe sabe que eu deixei minha prima morrer de tuberculose! - entrou rindo, aliviado com a resposta da menina. Ele tinha que fazer algo logo para ter .
- Mas, , o que o Fletch disse?

Capítulo 7.

- Não vamos para Portugal amanhã. - ela disse picando os ingredientes para fazer o seu molho que os meninos tanto gostavam. - Acontece, que ele falou com a , e ela recomendou que nós esperássemos pela casa da . O pai dela disse que é coisa rápida. Quem tem dinheiro pode. - ela sorriu de canto. - 'Tá bom?
fez que sim com a cabeça, saindo da cozinha com uma garrafa de cerveja e também. , ao invés de sair, encostou a porta. olhou para ele, não entendendo ao certo o que ele queria.
- , - começou ele. - eu amo seu macarrão sabia? - ela sorriu, colocando os ingredientes picados no molho de tomate com carne moída, dentro da panela no fogo. - Mas uma coisa mais gostosa, você ainda não fez.
- , eu sempre faço o que vocês pedem. - ela sorriu novamente, não entendendo.
- Sabe... - ele se aproximou, ao lado dela. colocou a panela no fogão, aquecendo a água. Ele, ao lado dela, pegou o macarrão no armário. Esperou em silêncio, com os olhos dela atentos sobre ele. O que queria? Após o silêncio, colocou o macarrão na água, com olhando-o nos olhos.
- O que ?
- Você nunca me deixou experimentar isso. - ele pegou-a pela cintura com um braço e com a outra mão segurou a sua nuca. Ele estava mesmo fazendo aquilo?
- O que você pensa que 'tá fazendo ? - ela disse em um fio de voz. sorriu de canto, selando seus lábios nos dela. E, ao contrário do que ele e ela pensavam, ela entrelaçou seus braços nele, intensificando o beijo.
Seus corações aceleraram, batendo em um ritmo único. lembrou-se que o beijo de não era igual. Ela beijou-o como se fosse um beijo técnico, um trabalho. Mas beijar , era como sentir-se ligada a ele, era sentir seu corpo amolecer, seu sangue ferver, seu mundo perder o eixo, seu chão não existir. Era... mágico. Como aquilo era possível?

(Casa do )

- Vou precisar de um banho. - suspirou já em seu novo quarto enquanto ainda observava o cômodo, mesmo já tendo decorado todos os mínimos detalhes. Pegou toalha, sabonete (ela era alérgica a alguns tipos), xampu, uma nova roupa e saiu para o corredor. Ouviu e discutindo no novo quarto e riu consigo mesma.
- Vai se trocar, querida? - a voz de surgiu no topo da escada assustando um pouco que não deixou transparecer.
- Vou tomar um banho, espero que não tenha problema. - disse arqueando a sobrancelha.
- É claro que não, deve estar exausta da viagem. Pode ir, eu sei que seu pai vai querer também. - a última frase fez com que pensasse em cenas que ela não gostaria de perder seu tempo pensando. Sacudiu levemente a cabeça e acenou com a mesma para antes de seguir para o banheiro. suspirou e entrou no quarto dos filhos sem rodeios.
- Eu quero os dois prontos antes da uma e meia, entendido? - disse ela.
- Mas mãe... - apontou para .
- Sem "mas", vocês vão dividir o quarto até conseguirmos uma nova casa. Andem. - e saiu.
despiu-se lentamente e arrumou tudo sobre a pia de mármore. Pegou sua toalha e a pendurou ao lado do boxe. Abriu o registro e estranhou a água não sair quente daquele chuveiro. Olhou para cima e viu que o chuveiro estava desligado. Era pequena demais para trocar a temperatura, por isso enrolou-se na toalha, pois já estava ficando com frio.
Pensou em chamar seu pai, mas provavelmente viria antes dele com o intuito de que ele não se incomodasse. Pensou em alguém que viria sem ser passado para trás por outro daquela família.
- , é claro. - concluiu ela por si mesma. Estava com os cabelos presos em um coque, seu colo estava bem à mostra e as pernas torneadas também devido à minúscula toalha. Era ele mesmo que ela deveria chamar. - ! - chamou com a voz aflita.
Esperou alguns segundos até o rapaz girar a maçaneta e entrar, teve que esperar (entediada) recuperar-se da visão que tinha da própria menina encostada à parede, segurando a toalha na altura dos seios.
- O que? - ao invés de sair em tom de desprezo saiu em tom mole.
- A temperatura está errada, você pode mudá-la para mim, por favor? - ela apontou para o chuveiro, mordendo o lábio inferior em seguida.
- Claro. - ele esgueirou-se entre a menina e o box, sentindo suas pernas cobertas pela calça jeans (e amaldiçoando-as por estarem assim) roçarem nas nuas dela. Trocou rapidamente a temperatura e saiu, sem tempo de ouvi-la dizer um "obrigado". Ele estava confuso.
Um banho era tudo o que ela precisava. Passou creme Victoria's Secret nas pernas, vestiu sua saia de couro caramelo, uma frente única branca bordada, desembaraçou e secou os cabelos, colocou seus scarpins Channel e saiu do banheiro, deixando o vapor para trás. Deixou as roupas sujas em seu quarto, dobradas, e desceu as escadas passando gloss para dar o toque final.
- Está linda, meu amor. - o pai dela levantou-se do sofá.
- Já estão todos prontos? - perguntou.
- Só faltam e , é que você estava usando o banheiro e... - ele sorriu, desculpando-se com .
- Não há problema nenhum, eles não demoram a se arrumar. - sorriu e olhou para cima, suspirando por desejar que fosse verdade.
- Na nova casa quero um banheiro só para mim, papai. - segredou ao pai que concordou como se recebesse uma ordem.
- Todos terão um banheiro para si, preciosa. - sorriu satisfeita. - Está gostando daqui? - ele colocou o braço envolto nos ombros da filha e a encaminhou para sentar-se ao lado de .
- Adorando, tem amigos bem simpáticos. - sorriu ela, cínica.
- Que bom! Já deve ter ficado amiga de , eu suponho. - disse colocando a mão sobre o joelho da menina e sorriu maternalmente. sacudiu a cabeça ao lembrar-se de sua mãe e olhou para baixo por um instante. Edward reparou na reação da filha e entortou a boca.
- É, gosta muito de falar, quase não tive chance com ela! - sorriu fraco e continuou a encarar o chão.
- Bem, vou ver se consigo apressá-los. - levantou-se do sofá recebendo acenos de cabeça de pai e filha.
- Filha, olha, eu sei que é difícil para você... - Edward ajoelhou-se em frente à . - mas...
- Eu estou bem pai. - a menina o encarou séria e se levantou, saindo da casa e esperando na calçada. Ela não daria o braço a torcer, precisava se concentrar.

(Casa do )

- ... O que foi isso? - afastou o menino, o que foi inútil já que o mesmo voltou para perto dela, alternando em beijos e mordidas em seu pescoço.
- Um ponto alto da minha loucura. - disse, segurando a menina ainda mais perto.
- O que você quer comigo? - ela teve um tanto de receio ao perguntar isso. queria mais, mais do que um beijo quente. Finalmente algo de divertido em trabalhar com o McFly, alguém bom o suficiente para passar o tempo.
- Quero brincar com você... - respondeu recebendo risadas dela em resposta. - Eu quero poder fazer isso... - focalizou-a novamente nos olhos. A cor intensa deles passava uma serenidade muito grande e, ao mesmo tempo, paixão. Beijou-a novamente, desta vez com a mesma calma dos olhos.
- Por quê? - ela o interrompeu, mesmo não querendo.
- Porque eu quero. - pegou uma mecha de cabelo, colocando atrás da orelha. - Mas se você não quiser...
- Não! - não iria perder essa, não mesmo. Tinha algo nele que a fazia querer mais e mais. - Eu quero. - sorriu de forma atrevida, puxando-o pela gola da blusa. Ele a sentou no balcão central da cozinha, ficando entre as pernas dela. E quando iam novamente se beijar...

Capítulo 8.

- ! - a voz de foi ouvida, indo em direção a cozinha. a desceu do balcão, selando seus lábios rapidamente. Ele parou na frente da geladeira, com a porta aberta, ajeitando a blusa, enquanto ela prendeu os cabelos e pegou a colher, mexendo o molho.
- Oi ! - ela respondeu, experimentado um pouco do molho. - 'Tá quase pronto!
- Como você sabe? - ele entrou na cozinha, com um largo sorriso.
- Até parece que eu não te conheço! Sentiu o cheiro e veio atrás da comida! , pega a vasilha transparente ali em cima? - apontou para o armário sobre a pia da cozinha. - Por favor?
- Claro! - disse sorrindo, fechando a geladeira e deixando quatro garrafas de cerveja sobre a mesa. Foi até o armário, pegou a vasilha e deu para . A menina sorriu, agradecendo mentalmente por ter algum juízo na cabeça e não ter feito algo mais complicado com . Colocou o macarrão na vasilha, colocando o famoso molho sobre o mesmo.
- Está pronto! põe a mesa? - sorriu novamente, abrindo a garrafa de cerveja, dando um gole.
- Sim senhora, capitã! - respondeu como se fosse uma criança. ia atrás do garoto que caminhou para a sala de jantar com a toalha em mãos, quando o pegou pelo braço, encostando-o na parede.
- De noite, no meu quarto. - ela não sabia o que estava acontecendo consigo mesma, mas a sensação de fazer algo errado, como uma adolescente, era incrível. Não iria perder essa aventura. - Não se esqueça de colocar mais pratos na mesa, ! - gritou , em seguida. Eles teriam convidados especiais para o almoço.

(Casa dos s)

- Vamos, vamos, já estamos quase atrasados! - apressava-se abrindo a porta. virou-se, já que estava encostada no pilar da varanda e tratou de descer as escadas da frente. Tirou seus óculos Dolce&Gabanna da pequena bolsa que carregava e os colocou.
Edward insistiu para que fossem de limusine e assim seguiram para a casa de . e bisbilhotaram em cada canto do veículo enquanto os olhava com desdém e chamava a atenção deles de dois em dois minutos. Chegaram à casa de e praticamente pulou do carro, colocando uma das mãos na cintura e seguindo em largas passadas em direção à porta da casa.
- Olha como essa garota anda, parece até uma modelo! - cochichou para o irmão que, ao invés de reparar na caminhada da nova irmã, focalizou seus olhos no bumbum da menina que se destacava na justa saia.
- Ela tem classe. - disse em um tom brincalhão e todos seguiram para a porta, onde esperava batendo seus scarpins, impaciente. Seus óculos já estavam prendendo parte de seu cabelo, como uma tiara, e seus olhos verdes ganhavam destaque. passou na sua frente e deu-lhe uma piscadela antes de abrir a porta.
- Chegamos! - ele gritou e entrou, dando de cara com saindo da sala e o fazendo quase tropeçar ao olhar para ela.
- 'Tá na mesa! - gritou de volta e veio receber os convidados. - e , há quanto tempo! - ela abraçou as duas sorrindo.
- Faz tempo mesmo , - sorriu. - quero te apresentar meu noivo e pai da , Edward.
- É um prazer conhecer a senhorita. - Edward pegou a mão da menina e beijou as costas da mesma, deixando maravilhada.
- O prazer é todo meu senhor. - ela sorriu para que apenas a olhou sem emoção. - Vamos? - apontou para a sala de jantar.
e Edward sentaram-se ao lado de que tinha do seu outro lado. Em uma das pontas estava e na outra, . sentou-se entre e , o qual não parava de olhar para suas pernas.
- Então, quando vocês pretendem mudar-se? - puxou assunto depois de longos minutos onde só se ouviam os talheres tilintarem nos pratos.
- Droga. - deixou a colher, com a qual enrolava o macarrão no garfo, cair.
- Aqui, pegue a minha. - ofereceu antes que a menina pudesse se mexer. encarou o talher, não usado ainda, e o pegou dando um sorriso tímido para .
- Obrigada. - murmurou ela, depois se dando conta de que a mesa inteira olhava para os dois.
- Esperamos que o mais breve possível, - Edward disse enquanto tomava um gole de vinho. - precisará se adaptar ao novo colégio e transferir as atividades extracurriculares dela para cá.
- Isso não será difícil, Londres tem ótimas escolas! - sorriu para Edward. - Agora, , comentou com você sobre a viagem que faremos a Portugal?
- Não! - encantou-se. - , você não me conta mais nada, filho! - fez drama o que gerou risos na mesa.
- Pois é, - sorriu para . - e eu estava pensando se Edward deixaria vir conosco. - encarou , aquilo era golpe baixo, sabia que o pai não recusaria tal pedido e cabia à ela concordar com aquela loucura também.
- Não há nenhum problema, ela pode se divertir enquanto cuido das coisas chatas da mudança. - Edward sorriu para a filha que entortou a boca.
- E não se preocupe, vamos ficar na casa onde eu cresci, temos quatorze quartos lá, academia completa, piscina com churrasqueira e mais outros entretenimentos. Ela não ficará entediada. - sorriu para que arqueou a sobrancelha, esboçando um pequeno sorriso no canto dos lábios.
- Sendo assim, não vejo problema em aproveitar enquanto não volto às aulas. - sorriu a menina sem graça.
- Será muito bom para você filha, - Edward virou-se para o resto da mesa. - costumávamos ir a Portugal quando a mã...
- ...quando minha avó ainda era viva. Sempre me divertia por lá com meus primos. - interrompeu o pai, sabendo o que vinha pela frente. Todos ficaram em silêncio e ela afastou sua cadeira da mesa. - Se me dão licença, preciso ir ao banheiro. - levantou-se ainda com o silêncio mórbido que se instalara.
- Final do corredor, à direita. - disse embasbacada com a situação que acabara de presenciar. Então tinha uma mãe?
A situação na mesa do almoço estava meio estranha. Depois das palavras de , Edward tentou se levantar, mas foi barrado por .
- Dê tempo ao tempo. Sim?
Todos na sala permaneceram em silêncio, sendo quebrado por um arroto de .
- Desculpe. - disse sem jeito, causando risos em todos ali presentes.
- Vamos continuar comendo? - quebrou o gelo após as risadas, pegando um pouco mais de macarrão com o garfo. O que dera em para não querer falar da mãe com eles? Para não falar da mãe com a provável melhor amiga? Ouvia-se o som dos talheres batendo nos pratos e até mesmo as respirações dos ali presentes.
- Mas então, eu estava pensando, quando vocês querem viajar? Posso adiantar a obra... - Edward puxou assunto sem jeito ainda com a situação.
E antes que respondesse, Fletch ligou.
- Com licença, trabalho me ligando. - sorriu sem graça, o que Fletch queria agora? - Oi meu amado Fletch, que queres de sua serva desta vez?
- , acho que vocês tem que viajar logo. Eu fui ver umas coisas da banda e depois desse estouro do casamento da , o não terá paz. Sem contar que estão falando do fim de namoro do ... Você tem que sumir com eles, senão não terão paz, nem eu e nem ninguém. - as palavras de Fletch foram digeridas rapidamente pela menina.
- Partimos assim que possível Fletch. Hoje mesmo se eu conseguir.
- "Se"? Não, meu anjo, você vai conseguir. Pela primeira vez isto é uma ordem. - ela engoliu seco. Apenas desligou e voou para a sala. Viu que não estava lá ainda.
- Meninos, preciso roubar vocês um pouco, tudo bem visitas? - sorriu de maneira artificial, sabiam que havia algo de errado, os McGuys a conheciam muito bem. - Amores, temos que ir urgentemente para Portugal, ordens do chefe.
- Mas e as passagens ? - perguntou, coçando a nuca. Se era urgente não tinha discussão.
- Eu dou um jeito. leve sua família para casa e diga que vai viajar. Todos façam as malas e estejam aqui às três horas.
- E a ? - lembrou-se da meia irmã, mas ao olhar para , lembrou-se do que houvera antes da irmãzinha... As imagens se misturaram... ', pare de pensar nisso!' se reeprendeu.
- Eu falo com ela, vão! - eles correram cada um para suas atividades. Mas ao chegar na sala estava lá. A viu saindo com o pai, , e . Pegou o telefone, discando primeiramente para a companhia aérea, confirmando o vôo das cinco horas. E logo em seguida para .
- Atende... Atende... - mordeu o próprio lábio. Será que ela não queria falar com ?

Capítulo 9.

(Limusine a caminho da casa dos )

sentara-se encolhida em um dos bancos do veículo e observava todas as paisagens passarem borradas pelos seus olhos, ela não se permitiria chorar. Viu que seu celular vibrava incansavelmente em sua bolsa, mas não estava afim de atendê-lo, pelo menos não na frente da nova família. Chegaram à casa dos e ela subiu para arrumar sua mala sem dar satisfação a ninguém.
- O que você quer? - atendeu o celular bruscamente assim que ele ousou vibrar, já em seu novo quarto.
- Você está bem? - perguntou receosa do outro lado.
- E isso lhe importa? - dizia andando de um lado para o outro pegando suas coisas. - É só por isso que ligou?
- Erm...bem, sabe que estamos saindo daqui às 15hrs não é? - ela sabia onde queria chegar, mas não lhe daria aquela deixa.
- Sei, mais alguma coisa? - dobrava tudo e acabava por jogar as peças de roupa na mala, irritada.
- Ahm, acho que não.
- Ok então, tchau. - e jogou o celular na cama. Foi até o espelho que havia ao lado do guarda-roupa e olhou seus olhos: vermelhos. Deu de ombros e passou uma camada de rímel antes de jogar a nécessaire na mala e fechá-la com violência. Não sairia do quarto enquanto não a chamasse, não queria correr o risco de ser pega pelo seu pai e suas possíveis desculpas esfarrapadas.
- , você vem ou não? - bateu a sua porta e imediatamente acordou de seu momento de transe, percebendo que já haviam se passado 40 minutos desde que ficara pronta.
- Estou descendo. - disse ela, mantendo o tom de desdém habitual.
Levou as malas sozinha escada abaixo e agradeceu por seu pai não estar ali. Saiu o mais rápido que pôde e fechou a porta do carro de , esperando pelo garoto.
- Nossa, você realmente está com pressa de ir. - ele comentou enquanto tirava o carro da garagem. deu de ombros.

(Casa de )

Na casa de a correria era imensa, malas e malas acumulavam-se na entrada à medida que os meninos iam chegando. Por fim só faltava e .
- , posso falar com você? - perguntou para a menina, que passava lápis na parte superior e inferior dos olhos, terminando de se arrumar. Ela abriu a porta do quarto, fazendo sinal para ele entrar. Ele fechou a porta atrás de si e sentou-se na cama da prima. - Er, eu queria te pedir um favor. - o olhou, boquiaberta.
- Você pedindo um favor para sua prima vadia? Uow, o negócio 'tá feio! Precisa de camisinha e 'tá com vergonha? Você pedia para eu comprar, lembra? - ela desatou a falar, rindo e lembrando-se da época onde eles ainda sabiam conversar sem terminar gritando ou nem ao menos começavam um diálogo.
- , não começa... - o menino jogou uma almofada nas costas dela, que jogou de volta a mesma. - Será que você poderia me deixar sentar ao lado da , no avião? - não pode conter um sorriso. Ele estava interessado pela pessoa certa, na hora certa.
- Por que não? - sorriu, dando um beijo estalado na testa do garoto, deixando a mesma marcada de rosa claro.
Desceu as escadas, vendo que não estava ali.
- Eles chegaram? - perguntou no ouvido de , que estava sentado no sofá da sala, de costas para a escada.
O menino arrepiou-se com sua presença, levantando de maneira rápida. Virou-se para , deixando o queixo cair levemente. Ela usava uma saia rosa bebê que caía até os joelhos, deixando metade das pernas de fora. Sapatos não muito altos, pretos e de bicos um tanto finos. Ele ousou subir o olhar acompanhando cada curva. Avistou um blazer fechado em um botão apenas, que se localizava abaixo dos seios. E por baixo uma blusa com decote em V, bem delicada com um pouco de renda. Como era possível ela ficar mais sexy a cada instante? E seu aroma, oh que aroma. Doce, forte, inesquecível.
- Ahm... Er... Você... - se enroscou com as palavras, fazendo-a rir. Ele parecia um adolescente. - Onde você vai com essa roupa?
- Ver meu lar? Viajar a negócios com a banda que eu tomo conta? Hello? , você precisa entender que eu trabalho pra vocês. - ela sorriu gentilmente, pegando o batom dentro da bolsa que carregava. Foi até um espelho perto da porta de entrada, repassando o mesmo. - Eles não chegaram né? - perguntou novamente.
Mas ao invés de responder, ele se aproximou dela, ficando por trás. Levantou os cabelos que estavam nas costas, podendo ver o pescoço que ele mais gostava no momento. Beijou de leve sua nuca, e deu uma mordida.
- ... - ela respondeu, fazendo-o se afastar. Por que raios ele fazia isso? Como ele fazia isso? Hipnotizá-la com uma palavra, um gesto. Precisava dar a volta por cima. Quem ditava as regras era ela e não ele.
Virou-se de frente para ele, depositando um beijo em sua bochecha.
- Depois... - sussurrou em seu ouvido, passando suas mãos, que estavam na cintura dele, por sua virilha, o que o fez se arrepiar.
- Vamos? - entrou sorridente na casa, com uma se observando no espelho e um muito perdido em pensamentos, olhando para a TV.
- Sim , estou pronta. - ela sorriu, depositando um beijo na bochecha do menino , sussurrando: 'Você 'tá muito sexy hoje'. O menino usava uma calça jeans dois números maior, presa com um cinto grosso e preto. Uma camisa de botões azul clara meio amassada, uma gravata azul escuro quase preta meio frouxa e um sobretudo preto, para manter-se aquecido. E ao invés de tênis, sapato social. Apresentável. sorriu, ao observar que havia ficado rubro por conta dela passar seus olhos pelo corpo dele. - Er, e chegaram? - perguntou para o outro.
- Chegaram, estão no carro esperando. Fletch me ligou e disse que está a caminho do aeroporto. Cadê o ?
- Aqui! - descia com uma mochila nas costas e a mala dele. - 'Tava terminando a mala. Podemos ir já. - ele seguiu para fora, jogando as malas no carro. pegou a mochila do laptop e, seguido de , desceu. A menina por fim ajeitou a bolsa grande no ombro direito. Desligou as luzes, observou a casa por um instante e fechou a porta. Hora de visitar um lugar que ela conhecia melhor do que eles.
No carro de , foram ele mesmo com ao seu lado; e atrás; e no outro carro e a Srta. .
- Portugal que nos aguarde! - sorriu radiante. Estava na hora de conhecer o lugar mais sombrio da vida de .

(Carro do )

- Você está quieta desde o almoço, o que aconteceu? - respirou fundo antes de abrir a boca. Iria tentar se dar bem com , apesar de tudo.
- Nada. - a voz da menina saiu em um tom diferente do que ele já havia escutado até então. Não era firme, não era arrogante... a olhou de esguelha e percebeu que ela mantinha as duas mãos fechadas em punho agarrando o cinto de segurança enquanto ela observava a paisagem urbana ir se distanciando cada vez mais.
- Você está bem? - ele tirou uma das mãos do volante e, driblando a atenção, encostou levemente na perna da menina.
- Estou. - sua voz saiu em um sussurro enquanto ela acenou com a cabeça que estava bem.
- Olha, você não precisa ir a Portugal se não quiser... - ele tentou. Seria, ainda, uma ótima decisão que só cabia a tomar. A menina abaixou os óculos escuros, que até então prendiam seus cabelos, e virou para .
- Eu sei o que está tentando e vou deixar claro: você não vai se livrar de mim tão fácil. - ela sorriu cínica e deu um peteleco na mão de que ainda permanecia em sua coxa. - Esse carro está muito monótono. - ela resmungou ligando o rádio e surpreendendo-se com Green Day.
Seus pés começaram a bater no ritmo de "Know Your Enemy" e a olhou rapidamente.
- Então gosta de Green Day? - perguntou sarcástico.
- Se a sua sugestão era que Madonna estivesse entre as minhas divas, errou feio querido. - ela estalava os dedos também e balançava a cabeça.
- Bom saber. - sussurrou consigo mesmo e continuaram o caminho curtindo o CD, cada um a sua maneira.

Capítulo 10.

Chegaram ao aeroporto e para a surpresa dos meninos não havia fã alguma esperando por eles.
- Ótimo momento para aquele blog idiota postar que estaríamos saindo de Londres. - disse irritado. - São uns amadores mesmo. - e se entreolharam.
Era a primeira vez que viajaria de avião comercial então ela se sentou em um dos bancos de espera enquanto fazia o check-in. Seus olhos percorriam o aeroporto, todas aquelas pessoas ali com um único propósito: viajar. Por qualquer motivo, que ela preferia ignorar, seus olhos estavam assustados e sem perceber ela segurava sua mala, com medo como se sua bagagem fosse sair andando.
- Se ajuda, as chances de um avião cair é de uma em centenas. - ela virou o rosto rapidamente e sentava-se ao seu lado, de touca e óculos escuros, mas ainda sim sorrindo. Era a segunda vez naquele dia que ele a surpreendia.
- Não...não tenho medo. - ela franziu o cenho e ajeitou-se na poltrona, não havia notado que estava escorregando. - É só, é só a minha bagagem. Não a quero extraviada. - disse olhando para a mala preta a sua frente.
- Não se preocupe, as chances dela ser extraviada são mínimas. - sentava-se do seu outro lado, do mesmo jeito que , com touca e óculos. Ela olhou para frente, na direção do balcão de check-in. arrumava a touca de e estava logo atrás deles.
- Próximos? - sorriu ela, mas sem animação alguma.
levantou-se, não sabia o que fazer, ela nunca havia precisado de nada parecido. Sentia falta de sua privacidade já que, por um momento, sentia-se tão...pública.
- Ahn, eu vou com você. - entortou a boca ao ver a expressão confusa e perdida da amiga.
- Obrigada. - disse a menina e colocou o braço em seus ombros, guiando-a para o balcão onde estivera há poucos minutos.
Feito o check-in eles seguiram para o portão de embarque, as malas já haviam sido despachadas e agora era só entrar no avião e aguardar. Nenhuma fã apontara no aeroporto durante o pouco tempo que eles ficaram por lá, deixando os garotos um pouco decepcionados. percebeu que seu assento era ao lado da janela e tratou de sentar-se logo e ficar encarando a janela, tentando esquecer que estava em um vôo público e não particular como havia sido acostumada.
- Opa! Meu assento é aqui. - colocou sua mochila no bagageiro e sentou-se sorridente ao lado de . Aquela sem dúvida seria a melhor viagem de todas. o olhou com a mesma expressão confusa de antes, ainda no aeroporto. - Tem alguma coisa te incomodando? - ele olhou ao seu redor. - Quer trocar de lugar comigo?
- Não, aqui está bom é... - ela fechou os olhos, tentando se concentrar. - eu só estou um pouco cansada. Até agora não consegui descansar da viagem da Dinamarca até Londres. - sorriu amarelo.
- Ah, mas agora você conseguirá. - ele sorriu e aconchegou-se na poltrona dando um chute na poltrona da frente e ouvindo resmungar em seguida fazendo-o rir.
apoiou sua cabeça ao lado da janela do avião, algo lhe dizia que aquela viagem não lhe faria bem algum. Ela só desejava nunca ter saído da Dinamarca. Enquanto tentava tirar um cochilo, se preocupava em não agarrar . Atrás de si, reclamava com o fato de não terem ido de primeira classe.
- Poderíamos ter ido, ué! Ficaríamos lá, teríamos uma viagem magnífica e então... Sairíamos sem ninguém notar! - reclamou, cruzando os braços.
- Er, ... Já parou para pensar que era isso ou um monte de gente te atormentando em Londres? - respondeu, dando um tapinha na testa do amigo.
riu imaginando a confusão que seria. Fora tanta coisa que não conseguira tempo para postar no blog. Percebeu que estava concentrado vendo pela última vez, em um mês, Londres. Mas só tentaria ir ao banheiro postar algo pelo seu Iphone...
- Onde você pensa que vai? - pelo braço, a puxou de volta para seu assento. Aproximou o corpo da menina do seu e cochichou em seu ouvido. - Daqui você não sai mocinha...
- Eu preciso falar com o Fletch... - respondeu em um fio de voz. Estava ficando amolecida pelo menino rápido demais. O que ele tinha que a fazia ficar assim?
- Chega de trabalhar . se senta e relaxa. Você já 'tá fazendo muito pela gente... - continuou aos sussurros, dando uma mordida na orelha dela. "A situação já está ficando fora de controle" pensou a menina, logo planejando como se esquivar.
Relaxou todos os seus músculos, sentou-se direito na poltrona e encostou sua cabeça no ombro de . Virou seu rosto um pouco, dando um beijinho em seu pescoço.
- Pode deixar... - respondeu no mesmo tom que ele usara com ela, tentando voltar ao controle. Será que isso seria sempre assim? Um eterno jogo de liderança? Por incrível que parecesse, na cabeça de ambos, aquilo não era, e nunca seria apenas um jogo. Aquilo teria começo, meio e se possível, sem fim.
A viagem seguiu sem mais delongas. adormeceu assim que o avião saiu do chão. Sem mesmo perceber, sua cabeça se encostou no ombro de , que estremeceu. Sentir o aroma da garota tão perto de si era algo tão... aconchegante. E dormindo, ela parecia tão... inofensiva. Aos olhos do garoto, estava uma menina linda em sono profundo. Não a mimada, cheia de não me toques. olhava o abdômen de subir e descer tranquilamente. Pela primeira vez em muito tempo ele acreditava que aquela seria uma viagem da qual ele poderia aproveitar ao máximo...mesmo que estivesse junto para poder infernizá-lo no que fosse preciso...ele só tinha que conquistar , era a única coisa que lhe importava naquele momento.
por sua vez, estava segurando seus desejos dentro de si. Sua relação, que estava apenas começando, com era quente... ele até conseguia sentir que tudo aquilo iria aumentar cada dia mais. Mas seu coração não sentia apenas seu desejo por aquela 'mulher' tão maravilhosa. Ele pedia por algo mais... algo que talvez ele nunca conseguisse: amor. , por mais que nunca houvesse admitido, sempre tivera uma atração por . O jeito dele, o sorriso dele, o charme... Até mesmo a risada e o choro dele eram sexys, por mais estranho que fosse. Sua vontade era de agarrá-lo, principalmente desde aquele beijo na cozinha. E já havia acontecido uma vez.

*flashback*

- Droga! Por que você não pára de me encher Lyla? Já não entendeu que foi só uma noite? - gritava com a menina no quintal da casa de . Estavam todos lá, comemorando o sucesso do CD Motion In The Ocean, e as coisas entre e mulheres estava meio... transtornadas. Lyla havia sido apenas um beijo que se rendera, mas ele não queria nada com a mesma. Já a loira, queria muito dele.
- Ah ! Diz que não gamou no meu beijo vai? O que eu preciso fazer pra te conquistar? - ela se atirava para cima dele, enquanto ele caminhava para trás. Seus passos não podiam mais continuar por que algo o impedia. Virou-se, e deu de cara com . A menina apenas sorriu, puxou-o pelo colarinho e lhe deu um beijo que, para ambas as partes, seria inesquecível. Vontade, desejo, e ao mesmo tempo, felicidade.
, após muito custo, se soltou de , envolvendo seu braço no corpo da menina, e lhe dando um beijo nos lábios vermelhos.
- Amor, ela 'tá te irritando? - perguntou com um biquinho.
- Ah bebê, sabe como é. Ela é como as outras, acha que estou solteiro.
- Lyla, querida, entenda... está noivo. Ontem foi a despedida de solteiro dele! Agora... loira falsa, vê se vai se ferrar. - sorriu, mandando o dedo para ela, abraçando o menino de lado.
Viram a menina se afastar, bufando e pisando duro.
- Obrigada ... - o garoto sorriu, passando a ponta dos dedos de leve no braço dela.
- Apenas estava te protegendo de uma golpista. Escolhe melhor quem você pega . - sorriu, e voltou para dentro da casa.
se sentou na beirada de piscina, e ficou pensando. sim era a melhor escolha.

*end of the flashback*


Seus olhos intensos focaram-se na menina, que estava com a cabeça longe. Ela estava cada dia mais bonita, ou era só impressão? Ajeitou uma mecha de cabelo dela, que sorriu um pouco envergonhada.
- Você de óculos e gorro fica quase irreconhecível. - comentou , olhando agora nos olhos dele.
- Tanto faz... - ele respondeu com desdém, aproximando-se dela, encostando novamente os lábios na orelha dela. - O que importa é que você 'tá aqui comigo. - ela arrepiou-se com essas palavras. Fechou os olhos e lhe deu um selinho rápido. Deitou sua cabeça no ombro dele, e os dois acabaram dormindo. Respirando o aroma, um do outro.
e passaram a viagem assistindo 'Um Faz De Conta Que Acontece', que passava no avião, rindo muitas vezes e acordando alguns passageiros.
Ao pousar em Portugal, , , e acordaram. Todos os sete, incluindo o empresário Fletch, saíram do avião e os olhos da menina lacrimejaram. Avistou as ruas da cidade portuguesa, não deixando se levar pela emoção. Estar de volta, depois de seis anos, ao lugar onde foi muito feliz e ao mesmo tempo muito triste, era inexplicável. Os aromas, o clima, as pessoas... Tudo exatamente como ela se lembrava.
Fizeram tudo o que precisavam no aeroporto e alugaram um carro grande, parecia uma van. pegou o volante e seguiu até a grande mansão que se localizava no meio do nada.
- Bem Vindos à mansão dos Martins .

Capítulo 11.

Todos os olhares focalizaram a imensa mansão. não havia exagerado com o tamanho da mesma, parecia que uma cidade poderia morar ali dentro. Boquiabertos, entraram pela enorme porta de madeira, agora admirando o interior da casa, rico em detalhes e muito moderna apesar da aparência colonial na parte de fora. Havia belíssimos quadros e o hall era do tamanho da sala de , que era bem grande.
- Bem, à esquerda temos a sala de jantar e depois dela, a cozinha. E à direita temos a sala de estar e ao lado a saída para o quintal, mas vamos para lá depois. Que tal vermos lá em cima? - apontou para uma imensa escada que havia em sua frente, no meio do hall.
Parecia que estavam em um daqueles filmes de casas assombradas, mas belíssimas e invejáveis. Admirando a mesma, todos começaram a subir. Todos, menos .
- Gente? Sabiam que inventaram o elevador? - ela sorriu simpática.
- Pára tudo! Tem elevador? - abriu a boca e deixou os braços ao lado do corpo, apenas olhando para sem piscar os olhos. A menina não pôde deixar de rir da cara de .
- Vocês ainda não viram nada! Vamos! - andou até a sala de jantar e parou em frente a uma parte da parede que se abriu. O elevador era escondido! Tudo estava ficando cada vez mais interessante.
Todos entraram no enorme elevador e subiram um andar. No instante que a porta se abriu, uma senhora passava pelo corredor e paralisou ao ver .
- MINHA MENINA! - a velha senhora abraçou que havia corrido para seus braços. - Como você está linda! Mais do que nunca! - apertavam-se, como se fossem matar as saudades. Era uma cena linda.
- Meninos, , essa é a governanta e babá dessa casa. Cuidou de mim como se fosse uma mãe. Ela e o senhor John. Como está Madeline? - voltou-se para a velha, sorrindo de maneira muito doce.
- Sentindo saudades! Até mesmo o meu Nick sente sua falta! Diz que era bom ter você aqui mocinha! E eu concordo com ele.
- Quem é Nick? - se intrometeu no papo das duas, curioso com o tal menino. Será que ele queria algo com ? Ou talvez com sua nova irmã? Isso não vinha ao caso, para ele poderia se envolver com qualquer um, desde que não lhe causasse problemas. Pensando bem, seria melhor mantê-la longe de problemas, concluiu o rapaz, ainda aguardando a resposta.
Não foi preciso esperar por muito mais, o suposto Nick apontou atrás de sua mãe, bem melhor do que se recordava. Seus cabelos loiros estavam mais compridos e, portanto, mais cacheados, os olhos pareciam mais verdes que o normal, quase do mesmo tom que os de .
- ! - Nick disse surpreso. - Há quanto tempo! - deu duas largas passadas e alcançou a menina abraçando-a com força. fechou o punho involuntariamente e aproximou-se de .
- Saudades! - disse a menina enquanto o abraçava e sentia seu perfume, o mesmo durante todos aqueles anos. - Quero apresentar alguns amigos. Esses são , , e o vocês já conhecem. - ela sorriu apontando para cada um conforme os apresentava. - Ah sim, - bateu levemente em sua testa ao perceber a olhando de braços cruzados e uma das sobrancelhas arqueadas.- esta é , nova meia irmã do .
- É um prazer conhecê-la. - Nick sorriu para a menina que retribuiu.
- Bom, vou continuar mostrando a casa para eles, depois quero saber de tudo hein?! - sorriu. - Venham.
deu uma leve piscadela para o rapaz antes de ser empurrada por , Nick aproximou-se a tempo de segurar a menina pela cintura antes que ela caísse.
- Obrigada. - disse sorrindo e se levantando rapidamente. Assim que retomaram a caminhada, abraçou pela cintura e olhou para trás encarando Nick com o cenho franzido. Foi só virarem o corredor que ela se desvencilhou do abraço de e encarou-o com desprezo.
- Você não tem o direito de fazer isso, principalmente na frente de um desconhecido. - e continuou andando em direção a .
- Se ferrou. - disse com um sorriso sarcástico e recebeu o dedo do meio do amigo.
continuou mostrando a casa, que era cada vez mais surpreendente aos olhos dos meninos. Até mesmo que morava em uma mansão, estava impressionada. Era realmente grande e aconchegante.
No segundo andar, à esquerda havia três salas: uma de TV (que mais parecia um cinema), uma biblioteca e uma sala cheia de DVDs, VHS e até mesmo vinis. À direita, um banheiro com uma banheira de hidromassagem e uma sala de jogos.
O terceiro andar possuía quartos com temas diferentes, o que maravilhou as visitas. - fica no quarto ?Austrália?, no quarto ?Paris?, nos ?Estados Unidos?, pode ficar no ?Irlanda? e no quarto ?Dinamarca?.
- Por que eu fico em ?Paris?? - perguntou curiosa.
- Você vai amar, é um dos meus favoritos. - sorriu de ponta a ponta. A menina definitivamente amaria, principalmente o lindo closet que ele continha. - Bom, as malas já, já sobem e estarão aqui no corredor. O penúltimo andar não é permitido para ninguém. O último é um estúdio, com vários instrumentos diferentes. Se quiserem terão que pegar o elevador. A parte de baixo, o nosso quintal, tem academia, spa, piscina, quadras e outros. Podem fazer o que quiserem, menos ir ao quarto andar. O resto é liberado. - com essas palavras, estendeu a mão e todos correram para conhecer os novos quartos onde ficariam um mês inteirinho.
, assim como os meninos correu para seu quarto e quando voltou, no lugar de , ele viu malas e mais malas. Pegou as suas e colocou no quarto. Observou cada canto, agora com mais atenção ao mesmo. O tema irlandês agradara ao menino. Era um quarto bem vivo e bonito... Com uma cama muito legal, por sinal... Aliás, era cama de casal! Será que queria dizer algo com aquilo?
Abriu as portas do guarda-roupa e se deparou com uma portinha dentro do mesmo. Encostou a ponta do dedo e pôde ver uma passagem secreta ali. Para onde levaria? Pegou o celular e foi iluminando o caminho, passando por várias portinhas iguais às dele. Deveria ser algum plano de fuga ou sei lá. A casa, apesar de moderna, era muito velha de estrutura e com certeza cheia de histórias guardadas.
À medida que andava via algumas coisas escritas nas paredes e parou para ler uma que lhe chamou a atenção. Era meio colorido e grande. Iluminou a antiga escrita e logo descobriu onde estava. Estava no andar proibido na frente da porta do quarto de .
"Para que a minha princesa saiba voltar para seu quarto depois de brincar, essa plaquinha para se lembrar do caminho de volta e do papai."
Sorriu involuntariamente e não pensou duas vezes ao entrar.

Capítulo 12.

abriu a porta de seu mais novo quarto e percebeu que talvez não tivesse errado em sua escolha. O quarto em si tinha a cor vermelha contrastando com móveis rústicos, mas ainda sim nobres. A cama era redonda e enorme e logo acima dela havia um espelho, a garota não pôde deixar de rir ao notar um pequeno poste dourado que centralizava um pequeno palco mais ao fundo do quarto, cercado por poltronas e um aparelho de som logo depois, acompanhado de uma coleção generosa de CDs. Sem perder mais tempo seguiu até lá, olhando as imagens que decoravam as paredes, fotos da torre Eiffel e o espaço Moulin Rouge, o arco do Triunfo entre outros.
Deu uma breve olhada na seleção de CDs e percebeu que havia um enorme closet com todas as portas de espelhos, um banheiro com pastilhas vermelhas e brancas e uma banheira de hidromassagem. Sentou-se na cama olhando para o teto, tendo sua imagem refletida. Aquele quarto estava perfeito para ela; sorriu satisfeita e levantou-se rapidamente, pretendendo bisbilhotar seu novo "hotel" pelos próximos meses.
Reparou na quantidade de malas que se amontoavam no hall que dava acesso a todos os quartos. Reparou que tentava tirar suas malas de lá, mas as suas, rosa e roxa, o impediam. Seguiu até ele com um sorriso depravado e o empurrou pelo peitoral antes que o menino conseguisse dizer qualquer coisa. Pegou suas duas malas com facilidade da enorme pilha e seguiu de volta para o quarto, largando-as na entrada e fechando a porta em seguida, carregando sua pequena frasqueira Louis Vuitton. Deu uma última analisada em antes de soltar um risinho e descer pelas escadas.
Na sala de TV deparou-se com observando a coleção de DVDs da família de e praticamente babando na televisão de plasma do cômodo. A menina balançou a cabeça e continuou descendo; estava no térreo, saindo da cozinha com um prato e um enorme sanduíche sendo equilibrado enquanto ele tentava andar e comer.
- Quer um pedaço? - ele perguntou, chupando alguns dos dedos sujos de molho. o olhou divertida, arqueando a sobrancelha.
- Não obrigada, prefiro esperar pelo jantar. - e passou direto, sem ao menos esperar que ele respondesse. Ora essa, o jantar ainda demoraria um bocado, mas ela não se importava, queria explorar os confortos e mimos que aquela casa poderia lhe oferecer.
Saindo para o pátio externo, deparou-se com uma piscina de dimensões olímpicas ao lado de um campo de futebol, que ficava mais abaixo. Ao fundo da área de lazer estava uma sala toda envidraçada com aparelhos para musculação e exercícios diversos. À esquerda uma enorme área com churrasqueira e bancos rústicos. À direita a construção chamou a atenção da menina, era colossal, mas indefinida dado um primeiro momento.
seguiu curiosa para a instalação e quando abriu a imensa e pesada porta de metal deparou-se com um ginásio, equipado com área para ginástica olímpica e diversas camas elásticas. Então tinha seu próprio treinador?
Seus olhos brilhavam ao analisar cada detalhe do lugar, ela não ficaria parada em momento algum daquela viagem. Provavelmente teriam muitas coisas a se fazer. Juntou as mãos na altura do peito, ainda maravilhada e deu meia volta pronta para sair quando ouviu movimentação.
- ? - uma voz conhecida ecoou e ela sorriu marota, ainda de costas.
- Nick! - virou-se e assustou-se com a vestimenta do rapaz. Equipado com um macacão branco, uma espada de ponta circular e máscara com uma tela que cobria seu rosto, Nick sorria para ela de maneira inocente. - Você pratica? - referiu-se à espada na mão do rapaz.
- Sim, mas não participo de grandes competições. - disse envergonhado e deu alguns passos em sua direção.
- Se importa de mostrar alguns movimentos que sabe? - olhou-o com carinha de coitada, como se pedisse do fundo do coração, mas ela sabia que tudo aquilo não passava de uma maneira para aproximar-se dele.
- Claro. - ele colocou o capacete e começou a mostrar alguns movimentos.
ainda caminhava em direção à sala de TV com a imagem de em sua cabeça. Quando chegou já havia terminado seu sanduíche o que o fez soltar um gemido de reprovação.
- Já escolheu, ? - perguntou ao amigo, entediado.
- Hum, hum. - o amigo fez um barulho estranho com a boca, negando.
- Acho que vou buscar mais um sanduíche. - olhou o prato vazio.
- Vou com você! - apareceu do nada, fazendo com que desse um pulo de susto.
- Meu Deus, de onde você saiu?! - estava de olhos arregalados.
- Do elevador? - disse em tom de deboche. - Anda, vamos até a cozinha.
- Eu vou também. - pronunciou-se, ainda sem tirar os olhos da estante.
- Então vem. - disse impaciente, na verdade, queria ver onde havia ido.
Os três desceram as escadas em silêncio, na verdade, apostavam corrida para ver quem chegava primeiro. , é claro, chegou primeiro.
- Ahm, vamos dar uma olhada na casa? - sugeriu ele antes que os amigos pensassem em seguir para a cozinha.
- Pode ser. - disse arqueando a sobrancelha.
Por algum motivo, assim que os meninos apontaram para o lado de fora, tudo o que eles mais quiseram foi pular na piscina. Mas tinha que se conter, precisava focar-se em seu objetivo. Começou a andar e como sabia que seus amigos também seriam vencidos pela curiosidade, deixou que acontecesse naturalmente. Com um sorriso de canto seguia para a única instalação fechada, onde ele ?sentia?, não se sabia como, que estava ali.
Abriu a porta do que parecia ser um ginásio e encontrou apenas duas pessoas. Embora estivessem vestidas iguais, sabia que se tratavam de pessoas diferentes, apesar de saber que nenhuma delas poderia ser . "Ela deve estar assistindo", pensou o garoto e procurou com os olhos o lugar todo sem encontrar nenhum sinal da menina. Deveria ter ido ao banheiro.
Sentou-se ao lado de e , que observavam extasiados as duas pessoas em uma acirrada luta de esgrima. A pessoa da direita estava exausta pelo que se podia notar, mas não iria desistir tão cedo. A luta seguiu por longos dez minutos até que o desafiante da esquerda não conseguiu defender um golpe e caiu de costas no tatame.
- Nada mal. - disse, tirando o capacete. Os meninos ficaram boquiabertos, então Nick lutava esgrima? Mas quem seria aquela outra pessoa que ainda apontava a espada para ele, deixando claro a vitória?
- Obrigada. - a pessoa retirou o capacete, deixando seus cabelos tomarem-lhe boa parte das costas. O queixo dos três guys chegou perto do chão.
Aquela era...
- ? - , e disseram em uníssono e a menina desviou sua atenção de Nick para observá-los. Deu um sorrisinho vitorioso e voltou-se para Nick, ajudando-o a se levantar.
- Tricampeã mundial, posso te ensinar alguns truques se quiser. - dizia a menina enquanto caminhava ao lado de Nick em direção aos três garotos ainda embasbacados.
- Seria muito bom. - o garoto sorriu e pararam diante dos espectadores.
- Parece que viram um fantasma! - disse em tom de deboche. - Hello? - estalou os dedos na frente dos três, estáticos.
- Devem estar surpreendidos, como eu fiquei. - disse Nick, galanteador.
- É, acho que não esperavam muita coisa de mim. - fez cara de coitadinha.
- Faça-me o favor. - disse irritado. - Você é uma patricinha, mimada e cheia de 'não-me-toque's. Duvido que tenha ganhado tudo isso mesmo. - cuspiu o menino, sem se importar se estava sendo rude ou não. Nick ficou chocado e não se afetou.
- Quer apostar? - sorriu enviesada, não tinha nada a perder, afinal.
- Pára dude, ela não mentiria sobre isso. - disse apoiando a mão no ombro do amigo.
- Não vou apostar, mas ainda sim não acredito. - recuou e abafou um risinho.
- Querem fazer um lanchinho? Acho que minha mãe deve estar preparando o lanche da tarde. - Nick apontou para a porta.
- Claro, estou faminta. Achei que esperaria até o jantar, mas com esse convite, fica inevitável. - ela abraçou a cintura de Nick e foram todos para a cozinha, com e bufando atrás e interessado demais em analisar os lugares que passavam.
Até agora tudo seguia como havia planejado...

Capítulo 13.

Aquele quarto era o lugar mais incrível no qual já havia estado. Parecia que um conjunto de sentimentos invadia seu peito e sentia-se como se fosse uma criança admirando o quão belo era o mundo. Quer dizer, não era todo dia que se entrava em um quarto tão mágico assim.
As paredes pintadas de diversas cores, uma coleção invejável de guitarras expostas na parede, uma coleção pessoal de livros, CDs, DVDs e discos, um closet de fazer qualquer um - até mesmo - babar, prêmios de várias atividades físicas e culturais e muitos pôsteres autografados ou não.
O quarto de era, sem dúvida, algo inédito. Ela, com certeza, não havia sido uma daquelas meninas que foram criadas a base de bichinhos de pelúcia, barbies e coisas cor-de-rosa. Ela teve opção e soube escolher bem.
Dentro daquele quarto dos sonhos, passava os curiosos olhos por todo lugar, até que encontrou algo muito divertido. O diário de .
Abriu, cuidadosamente em uma página qualquer, repleta de desenhos e coisas coladas.

"16 de Junho de 2001.
Querido Diário,
fico feliz em dizer que nada ruim aconteceu. Mamãe e Papai fizeram desse o melhor aniversário de 15 anos que eu poderia ter! Meu príncipe foi o , claro! Quem melhor para eu confiar esse cargo do que meu melhor amigo e primo? Eu sei que ele nunca irá me deixar sozinha. Ah, Mamãe me deu um lindo colar de família e Papai me deu uma passagem, para passar uns dias com a família em Londres. E disse que vou poder comprar aqueles CDs que faltam para minha coleção.
Finalmente todos os CDs dos The Beatles depois de 8 anos! Mas agora preciso ir! Tenho que correr para não perder meu trem! O 'ta me esperando lá embaixo!
xx, ."


O menino não pôde deixar de sorrir. Que menina mais fofa era! Só que algo ali lhe soou estranho. e eram amigos?
Correu as páginas mais para o fim. Abriu no dia 30 de Setembro de 2007. Percebeu que ali haviam poucas palavras e que a escrita havia sido feita com mais força e agressividade...

"30 de Setembro de 2007.
Para que dizer "oi" se "adeus" está tão próximo? Para que se confiar nas pessoas se elas não estão aqui quando precisamos? Pois é, sabe que dia é hoje diário? Dia dos meus pais pegarem o vôo que se despedaçou no ar devido à falta de pressurização!
Por quê? Por quê? POR QUÊ?"


Raiva, angústia, desamparo, tristeza, cansaço... Tudo isso estava ali. Tudo isso estava marcado bem ali. prestou atenção na data e se pôs a pensar... Ele já conhecia nessa época. E precisava de alguém e ele não estava lá. Então, onde estava?
Mas seus pensamentos não conseguiram continuar, estava escutando passos: estava chegando. Fechou o diário, colocando-o no lugar onde estava. Olhou para todos os cantos do quarto, pensando em onde se esconder. Se ela o pegasse ali, aquilo não iria dar certo. Correu então para debaixo da cama, esperando que a menina não quisesse, de repente, olhar embaixo da mesma.
Seu coração, que batia acelerado com medo que ela o pegasse ali, acelerou os batimentos quando a porta finalmente se abriu. Escutou os passos cansados de pelo piso de madeira. Ela andou até a cama, onde se jogou, bufando em seguida.
- sua burra! Por que diabos tinha que vir pra cá? Ah sim! Você prefere trabalhar para aqueles quatro a cuidar dos seus sentimentos! Que ódio! Vir pra cá foi uma péssima ideia! - a menina brigava consigo mesma, o que causou pequenos risos que teve que segurar. - Agora você vai ter que olhar para tudo na sua própria casa e não querer se matar! E que coisa mais linda, você está falando sozinha! - se calou logo em seguida, apenas sendo possível ouvir sua respiração. não sabia se ela apenas se calara ou se havia dormido. O que ele deveria fazer? Aliás, o que mesmo ele tinha que fazer no quarto dela?
Após 10 minutos de silêncio e de dúvida se se levantava ou não, deu sinal de vida, levantando da cama rapidamente. focou nos pés da menina que, ao lado da cama, se despia. Peça por peça caía ao seu lado no chão. O menino então notou que ela estava nua, e novamente uma dúvida cruel de ficar ali ou agarrá-la.
Seus pés andaram a caminho de uma porta, cuja julgou ser o banheiro ao ouvir o barulho de água caindo. O menino aproveitou para sair do quarto sem que ela o visse. Mas quem disse que sua curiosidade era menor que seu senso, errou. Deitou-se no chão, perto da porta do banheiro, onde olhou sutilmente a água cair pelo corpo da menina . Claro que existia um lindo box de vidro em um modelo esfumaçado, onde o máximo que ele conseguia ver era a sua silhueta. Nada era, de fato, perfeito.
Após algum tempo a observando, percebeu que ela estava acabando o banho e era hora de sair do quarto dela.
desligou o chuveiro, se enrolou na toalha e saiu do banheiro. Mas todos os seus movimentos pararam quando viu parado na sua frente. E por mais uma vez, ela se deixou enfraquecer.
- Vo... Você?! O que você está fazendo aqui ? 'Ta maluco da cabeça é? - suas maçãs do rosto tomaram uma coloração mais avermelhada, enquanto segurava com as duas mãos a ponta da toalha que fazia com que ainda não estivesse nua por completo, receosa com o que aconteceria.
- Vim te ver... - sorriu um maroto, se aproximando dela. Acariciou o braço da menina, que estremeceu e imediatamente largou-se da toalha, agarrando o braço dele. Por sorte uma mão ainda a segurava. - Algum problema nisso? - ele acariciou seu rosto, o que fez com que utilizasse a outra mão para segurar a dele. Ops...
Acho que desta vez estava no controle, não era? Porque... Não era ele que vestia a toalha que estava, agora, no chão.
A cozinha estava repleta de pessoas que, àquela hora, decidiam o jantar. Nick entrou e deu um beijo na testa da mãe que acenou para e os meninos. Embora Nick e ainda estivessem com os trajes de esgrima, não parava de olhá-la com a testa franzida, assim como que bufava de tempos em tempos.
- Então, o que vão querer? - Nick havia vestido um avental e prendido um lenço em seu cabelo. ficou encarando-o tempo demais, talvez o imaginasse sem camisa e de avental...certamente aquilo lhe seria útil.

Capítulo 14.

- O que você tiver para mandar, nós comemos. - , o mais faminto, respondeu.
- Sabe, estive conversando com e acho que seria uma ótima ideia andarmos pela casa à noite... ela disse que há muitas coisas para se procurar. - pronunciou-se e Nick ergueu a cabeça o suficiente para poder olhá-la. Seus olhos estavam confusos.
- É, aqui de noite fica maravilhoso, uma espécie de caça ao tesouro seria incrível! - pronunciou-se animado.
- Undskyld mig? (Como disse?) - disse horrorizada. , e ficaram com cara de paisagem. O que havia sido aquilo que ela dissera? - Desculpem-me.
- Han og plejede at være venner. (Ele e costumavam ser amigos.) - Nick pronunciou-se para o espanto de todos. A única coisa que os meninos haviam compreendido fora o nome de . Então ele falava a mesma língua alienígena que ? A menina arqueou a sobrancelha, a cada minuto Nick ficava mais interessante.
- Insteressant... (Interessante...) - ela sorriu agradecida a Nick e o silêncio voltou a prevalecer.
- Nick og jeg er fra Danmark, Miss . (Nick e eu viemos da Dinamarca, srta. .) - Madeline se pronunciou sorrindo à menina e colocando a mão no ombro do filho.
- Men hvad en stor overraskelse! (Mas que surpresa maravilhosa!) - bateu as mãos na altura do peito sorrindo animada. - Du ved, er der ikke længere tvunget til at lære sproget, men fascineret mig en masse! (Sabe, lá não se é mais obrigado a aprender a língua, mas me fascinou muito!) - explicou-se.
- I sure hope so! (Tenho certeza que sim!) - sorriu a senhora e afastou-se.
- For hvad disse fyre? (Pra que essas caras?) - riu a menina.
- Você pode nos explicar que língua alienígena era essa que estavam falando?! - arregalou os olhos fazendo Nick rir.
- Dinamarquês, é claro. - deu de ombros.
- Eu e minha mãe somos da Dinamarca. - Nick desculpou-se.
- Ah. - e disseram sem emoção. A troca de informações entre e Nick não os havia agradado nem um pouco.
Aquele lanche fora o mais rápido de todos e logo e os meninos seguiam para o andar dos quartos.
- Bom, vou me trocar, vejo vocês por aí. - disse a menina, também seguiu para o quarto, assim como e .
O quarto Paris era, sem dúvida, muito interessante. arrumava suas roupas no closet quando notou uma parte escondida dentro dele que tinha uma trava. Girou-a até escutar a porta se abrir, o que estava lá eram...figurinos de cabaré? Seus olhos brilharam. Cintas acetinadas, meias rastão, saias curtas, espartilhos... aquilo era seu sonho de consumo!
Vestiu um espartilho vermelho com detalhes em preto, amarrou-o, colocou meias sete oitavos e as prendeu com as cintas, vestiu um de seus scarpins, luvas pretas e colocou uma pequena flor no cabelo. Servira perfeitamente. Talvez devesse checar o que pensava daquela roupa. Seguiu até o quarto do meio irmão e bateu à porta.
- Entra. - disse o garoto. Conseguia ouvir-se que ele estava assistindo televisão, mas ele pararia logo, logo.
- Hey , eu queria saber o que você acha. - deu dois passos para dentro do cômodo e fechou a porta. O estrondo do controle remoto caindo foi o mínimo que poderia esperar do garoto, afinal ele focou sua atenção inteiramente nela deixando seu queixo cair. - E então? - ela virou-se de lado, empinando o bumbum precariamente coberto por uma sainha de seda, deixando a mostra sua tanguinha vermelho paixão.
- Nossa... - foi tudo o que ele conseguiu dizer. passou as mãos pelo chicote que segurava (também o havia pegado no guarda-roupa), tornando a virar-se de frente.
- Hey , você viu... - entrou sem avisar no quarto do garoto, fazendo com que apenas virasse a cabeça para encará-lo com um sorriso enviesado. - ah desculpe, não sabia que você estava ocupado.
- Junte-se a nós , sabe, eu queria que o avaliasse, mas já que você apareceu também quero saber sua opinião. - virou-se de frente para , inclinando o quadril para o lado enquanto deixava-se ser avaliada. olhou para que fez uma cara safada e um joinha para o amigo.
- Está muito bom, - ele disse e pigarreou. - mas onde você conseguiu isso?
- Bom, segredo. - mordeu o lábio arqueando a sobrancelha. - Agora que vocês já viram, vou terminar de arrumar minhas coisas. Até mais. - e saiu. Encostou-se à porta do lado de fora e começou a abafar a gargalhada que parecia iminente.
- Dude, o que ela ‘tava fazendo aqui? - aproximou-se da cama. - E por que você está nesses trajes? - referiu-se a boxer e as meias do amigo, únicas peças que ele vestia. - Vocês estavam...? - olhou para a porta depois para .
- , não inventa. - jogou uma almofada nele que a agarrou ainda no ar. - Eu estava aqui assistindo TV quando, do nada, essa maluca entra aqui toda gostosona.
- Então você admite que gostou?! - devolveu a almofada no amigo que foi acertado no rosto.
- Ah qual é, eu sou homem acima de tudo. - defendeu-se e os dois caíram na gargalhada. - E você? Não gostou, sua bicha?
- Claro que eu gostei, achei que tivesse interrompido uma espécie de pole dance entre vocês. - continuava rindo, mas havia parado.
- No dia que essa doida fizer pole dance pra mim eu jogo tudo pro alto e a pego de jeito. - sorriu malicioso.
- Vai sonhando dude. - rebateu com uma pontinha de ciúmes. - Voltando ao que eu tinha pra falar, você viu o por aí? Ele ‘tá sumido desde que fomos para os quartos.
- Ihh cara, nem vi. Vai ver ele 'tá com a , eu também não a vi por aí. - naquele momento sentiu um estalo. e ? Não, aquilo só podia ser coincidência. - Sabe como é né, o se perde fácil nos lugares onde ele não está acostumado. - sorriu o menino sem graça.
continuava a arrumar suas coisas, lembrando-se da cara de e e rindo. Então seria ainda mais divertido se eles realmente fizessem a caça ao tesouro à noite. Muitas coisas poderiam rolar e verdades poderiam escapar. Aquilo sem dúvida seria melhor do que Verdade ou Desafio.
", a caça ao tesouro noturna está de pé. Pronta para brincar? xx, Danish Girl"

Capítulo 15.

Enquanto todos estavam aprontando pela casa, , deitada em sua cama, pensava em tudo que já lhe acontecera. O que fizera com ela era inexplicável, e, como eles haviam concordado, ninguém saberia de nada. Pegou seu celular e respondeu à SMS de .
"Hey baby! Fala pra todo mundo se encontrar na entrada da casa às oito. Eu providencio tudo, ok? xx London-Eye-Girl."
Levantou-se, trocando o jeans surrado e a camiseta velha, por uma calça skinny escura, um par de all star azul claro e uma camiseta xadrez de botões. Desceu até o primeiro piso onde, junto com Madeline, arranjou lanternas para todos.
No horário combinado todos já estavam lá, inclusive .
- Dude, onde você 'tava? - perguntou para o amigo até então sumido. - Achei que tinham te matado!
- Eu me perdi na casa. - sorriu sem jeito.
- Ahá! Eu te disse ! Esse daí se perde até no próprio quarto! - sorriu orgulhoso de si mesmo. - E você ? Onde 'tava?
- No meu quarto, arrumando minhas coisas e organizando a caça ao tesouro! Aliás, vamos lá? Como já 'tá meio tarde, eu fiz uns sanduíches com a Maddie, quem quiser comer, pode pegar! Talvez isso demore muito. Aqui há lanternas para todos! Fiquem a vontade e peguem cada um a sua! - sorriu gentilmente, mostrando onde estava cada coisa, enquanto falava. - Ah sim! Quase me esqueci! A primeira pista esta do lado da piscina, todos deverão ir até lá, leiam as instruções e comecem a procurar o prêmio final! Boa sorte para todos! E só para avisar, quem escondeu as coisas foi o Nick, não me culpem de nada, ok?
Todos riram e se separaram. passou pela cozinha e arrastou Nick consigo pelo braço.
- Hey, nem queira trapacear, não vou abrir a boca. - disse o garoto rindo, enquanto andava com .
- Só quero companhia, - ela fez bico. - além do mais, eu sei me virar sozinha. - lançou-lhe um olhar superior e continuou puxando-o para a piscina.
- 'Tá boooom. - ele continuou rindo e a acompanhando.
- Posso me juntar a você? - sussurrou ao pé do ouvido de que se virou surpresa.
- Seria uma honra. - ela fez uma reverência engraçada e os dois saíram.
- É, parece que sobramos. - disse com o típico olhar de “nerd recusado na véspera do baile de formatura”.
- Vamos lá mostrar quem são os bons. - estufou o peito e os três foram correndo.
- Ah Nick vaaaaamos, você está muito lento hoje. - o puxava pela mão rindo, assim como o garoto.
- Você vai ter que me dar uma motivação porque eu já estou ficando cansado. - Nick parou e cruzou os braços. virou-se para ele, talvez aquilo funcionasse.
- Precisa de motivação é? - dizia a menina enquanto se aproximava cada vez mais dele. - Eu tenho o que você precisa. - sussurrou muito próxima a seu rosto. - Vem me pegar! - gritou ela em tom divertido antes de sair correndo.
- Ah você me paga! - ele disse antes de sair correndo atrás dela.
entrou na mansão, onde acharia a próxima pista, virava os primeiros corredores que achava, ainda ouvindo Nick gritando que iria pegá-la, até que ela parou, já cansada e não ouvindo mais nada. Estava diante de um corredor envidraçado onde era mal iluminado pela luz da lua por conta de seus vidros serem jateados.
- Nick? - chamou, mas tudo que ouviu foi o eco de sua voz. - NICK? - começou a correr quando ouviu barulhos como se alguém estivesse se aproximando lentamente para assustá-la. - AHHHHHH! - gritou estridente quando seu pé falhou e ela se espatifou no chão, vendo sua lanterna ser arremessada para longe. - Droga. - murmurou sentindo seu pé pulsar. - , sua idiota. - encolheu-se com a dor latejante. - E agora?! - murmurava irritada consigo mesma.
- ? - ouviu.
- Aqui! Eu...eu torci meu pé, não consigo levantar. - ela disse atropelando as palavras, temendo quem poderia ser.
- Vem, eu te ajudo. - viu a sombra passar por sua lanterna e chegar nela, a assustando quanto tocou. - Desculpe, não quis assustá-la. - Aquele era...
- ? - perguntou e não conseguiu evitar a arrogância em sua voz.
- Eu! - respondeu o garoto sorrindo. - Calma que eu já te levo pro seu quarto.
- Mas, espera, você sabe onde estamos? - estava confusa, talvez brincar no escuro não fosse sua praia mesmo.
- Claro! Vim na cozinha pegar pilhas pra minha lanterna e escutei seu grito. - ele ajeitou em seus braços e a levantou do chão, não sem antes colocar a lanterna na boca para fazer isso.
- Deixa, eu pego pra você. - ela tirou o objeto da boca de , sem querer tocando nos lábios do menino e arrepiando-se inteira, assim como ele.
- Quer ir para a cozinha pegar um pouco de gelo?
- Não, não! - ela respondeu, como um reflexo. - Só me leve para o meu quarto ok? Eu vou ficar bem. - encolheu-se e concordou antes de começar a andar.
Para deixar a casa mais sombria, todas as luzes haviam sido desligadas, inclusive o elevador, portanto teve que carregar por 2 andares. Ao entrar no quarto de , perdeu-se um pouco observando a decoração que, naquele momento estava em tom avermelhado devido às luzes de emergência acesas. Deitou na cama e percebeu que havia um espelho no teto que os refletia.
- O que aconteceu? te deixou no motel? - ele perguntou segurando a risada.
- Sem graça. - bateu no ombro do garoto e só então pôde sentir o quanto ele era musculoso. Olhou-o nos olhos e percebeu que ele a encarava estranho. - O quê?
- Seus olhos... - engoliu em seco e começou a suar. Sua boca abriu e o ar começou a entrar e sair de maneira apressada. - o que aconteceu?
- Você está em cima do meu pé. - ela fechou os olhos e inclinou a cabeça para trás.
- Oh, me desculpe. - levantou-se entorpecido. - O que eu posso fazer para aliviar?
- Só coloque alguns travesseiros embaixo e já é o suficiente. - a menina pegou sua máscara para dormir na cômoda ao lado, colocando-a. - Ao sair feche a porta, sim? Boa noite. - e deitou-se bruscamente. - E, ah, - sentou-se mesmo não conseguindo enxergar nada. - obrigada. - sorriu levemente e voltou a deitar-se.
Droga de garoto observador, a partir daquele momento teria que ser mais cuidadosa. ficou sentindo seu pé latejar até que o cansaço a vencesse e fizesse com que ela esquecesse tudo o que havia acontecido. Pelo menos até a manhã seguinte.
fechou a porta com cuidado e seguiu para seu quarto pensativo. Talvez houvesse muito de que ele precisasse descobrir ainda.

Capítulo 16.

Amanhecera na mansão dos e parecia que aquela brincadeira noturna não havia dado em nada. e haviam sumido, e também. Nick, e foram os únicos que haviam continuado, mesmo sem desconfiar da falta de concorrência. demorara a pegar no sono e quase não dormira, e , bem... alguns beijinhos e fora tudo.
A hora do café da manhã era rigorosamente cumprida às oito horas da manhã, todos estavam presentes, a não ser por que, convencida de que todos os indivíduos haviam se esquecido dela ou não sabiam de seu paradeiro, haviam a deixado em seu quarto, sem qualquer auxílio. Para mostrar que não precisava de ajuda, fez questão de descer pelas escadas principais. Entretanto, ao chegar aos últimos degraus, ouviu a campainha tocando bem em frente de si.
- Eu atendo! - gritou, já que a sala onde se faziam as refeições não estava muito longe. Ao abrir a porta, no entanto, sentiu como se uma explosão a jogasse para trás, fazendo com que batesse as costas no corrimão da escada e soltasse um grito assustado.
- Oi. - disse o garoto do outro lado da porta com as mãos no bolso e seu típico olhar petulante.
- , o que aconteceu? - Nick chegou correndo e passou um dos braços da menina em volta de seu pescoço, ajudando-a a se reerguer. Mas não desgrudava seus olhos do garoto que estava na porta até que Nick acompanhou seu olhar e sorriu. - Damon! Entre cara. - o garoto finalmente entrou sorrindo pelo canto da boca e cumprimentou o aparente conhecido.
- É bom estar aqui. - disse olhando a casa. - Uau, então é aqui que você trabalha? - voltou a encarar Nick que sustentava pelo ombro.
- É sim, agora entre, estamos tomando café. - Nick chamou com a mão.
- Oh, deixa que eu te ajudo. - Damon fechou a porta e quando ajudaria com , ela se encolheu.
- Não precisa, estou bem. - disse entre dentes, irritada.
- Nossa, você está bem mais irritada desde a última vez que te vi, . - sorriu ele petulante novamente. detestava aquela expressão, fazia com que parecesse que ele estava no comando da situação.
- Eu mudei muito desde a última vez. - voltou a ficar em pé. - Obrigada Nick. - e saiu andando mancando.
- Então você a conhece? - Nick perguntou afobado.
- É, a Dinamarca não é tão grande quanto parece. - Damon deu um abraço no amigo. - Obrigado pelo convite.
ouviu tudo ir se distanciando e não podia acreditar. Será que sua vida não teria sossego um momento apenas?
- , me desculpe, eu deveria ter ido te ajudar. - se levantou da mesa, mas ergueu a mão como sinal para que parasse de falar.
- Você está bem? - sussurrou assim que a menina sentou-se ao seu lado.
- Já estive melhor. - sorriu a menina sarcástica e em seguida Nick e Damon se aproximaram.
- Pessoal esse é o Damon. - Nick chegou conversando alegremente com o garoto. se levantou de súbito, iria dizer algo para Nick, mas deixou isso para depois e sorriu para o novo garoto.
- É um prazer conhecê-lo Damon, eu sou , dona dessa casa. - estendeu a mão ao garoto. - Esses são , , , e acho que a você já deve ter visto.
- Claro. - ele voltou com o mesmo sorriso manipulador.
- Gostaria de se juntar a nós, Damon? - apontou para a mesa.
- Se não for atrapalhar, seria uma honra. - ele disse e foi para o outro canto da mesa, de onde poderia observar todos os outros presentes, inclusive .
Nick e Damon conversavam paralelamente e para a sorte de , Damon não lhe dirigiu a palavra, pelo menos até o término do café da manhã.
- Quer ajuda? - se ofereceu, assim que todos se levantaram da mesa, prontos para fazer alguma outra coisa.
- Não, obrigada. - levantou-se e saiu cambaleando em direção ao elevador. trocou olhares com e finalmente pôde perceber que ele se preocupava com . A menina entrou no elevador, virando-se para fora e tendo seu olhar de encontro com o de Damon que parou com as mãos no bolso e arqueou a sobrancelha. desviou seus olhos e então a porta se fechou.
Seguiu para o seu quarto completamente entorpecida, parecia que seu jeito de agir só exemplificava a maneira como sua vida seguia. Deitou-se em sua cama e ficou observando o teto, esquecendo-se da vida por um instante.
- , preciso falar com você. - disse ainda na sala da família e os dois subiram ao terceiro andar. sabia que a coisa deveria ser séria, pois não entrava naquela parte da casa desde...bem, desde que seus tios ainda estavam vivos.
só tinha uma coisa a fazer. E ela não deixaria aquela oportunidade passar batido.
- Por favor, sente-se. - apontou para a poltrona que ficava ao canto, próxima de sua escrivaninha, lembrava que era a preferida do primo. Sentou-se em sua cama espaçosa e o olhou por um instante. analisava cada detalhe embora já conhecesse aquele quarto de cor e salteado. - ... - começou a menina o olhando. Era agora ou nunca, teria a sua chance para deixar as coisas do jeito que ela sempre sonhara que tivessem sido. precisava saber e ela também precisava saber. O que havia acontecido desde o acidente?

Capítulo 17.

Por cerca de 10 minutos, nenhum dos dois se permitiu falar. estava concentrada arranjando forças para começar aquela conversa na qual ela apenas acreditava ter um lado: o dela. Desde o falecimento de seus pais, a menina nunca mais fora a mesma, o que causava em uma angústia por não poder compreendê-la e ajudá-la.
Ele acrediatava que um dia, depois dela conseguir se recuperar, talvez ele pudesse voltar a ter sua melhor amiga a quem sempre confiou e amou.
- , eu preciso te perguntar uma coisa. - finalmente começou, obtendo como resposta apenas um aceno de cabeça do menino. - Onde você estava quando... Quando meus pais sofreram o acidente? - perguntou com os olhos já cheios d'água. Ele havia esperado tanto tempo para se entender com a prima, que chegou a acreditar que nunca se acertariam.
- , quando aconteceu tudo eu... - ele parou um instante, se levantando da poltrona e sentando-se ao lado dela. - Eu na mesma hora decidi correr até aqui e poder cuidar de você, te dar apoio. Mas eu não pude. - observou que ela olhava para as mãos que apertavam com toda força a roupa de cama. Depositou, então, suas mãos sobre as dela, o que ela não recusou. - Eu tentei, mas não consegui. Londres estava um caos, graças a um temporal, e eu precisava ficar na gravadora para poder terminar de fechar negócio. tentou me arranjar algum meio de chegar até você, mas estava tudo parado. E depois, quando eu finalmente cheguei na sua casa, a Maddie disse que você tinha ido viajar. Você ficou tanto tempo fora e quando voltou estava tão... brava comigo! Eu te escrevia e mandava e-mails, que começaram a voltar. Eu não te achava! Aí mamãe me disse que você viria morar comigo eu fiquei super feliz. Então você começou a estragar a minha vida! - a essa altura, não aguentava mais segurar. Deixou que suas emoções fluíssem e foi quando percebeu estava aos prantos. abraçou-a com carinho, depositando um beijo em sua testa. - Ei, fica calma...
- Sabe... eu... achava que... você não queria... me ajudar! Eu esperei por... dias... e você não... apareceu... Eu... só queria... sumir... e de alguma maneira... estúpida... descontei... minha raiva... em você! - ela falava entre soluços com a voz abafada. Respirou fundo e o encarou nos olhos. - Sabe, eu... Não recebia notícias suas desde quando você tinha me visitado no meu aniversário. Depois você sumiu e... Quando aconteceu tudo eu não sabia a quem recorrer. Ninguém me falou onde você estava e eu fiquei com tanta raiva de você não estar aqui quando eu precisava... Desculpa ... - ela esboçou um biquinho, que fez sorrir. Ele apertou o nariz dela, como fazia quando eram crianças, e ela sorriu então, aliviada.
Após um tempo, onde ambos haviam se recuperado e estavam se entendendo de novo, a pergunta que não queria calar na cabeça de saiu de seus lábios.
- Só uma coisa, por que diabos você veio falar comigo hoje assim? Do nada? - ela mordeu o lábio e sorriu de canto.
- Sabe , acho que eu posso te contar... Foi o . - ela sorriu abobalhada, jogando seu corpo na cama. O menino se deitou ao lado dela, boquiaberto.
- O ? Mas o que que...
- Ahm, , agora não. Mas a gente precisava resolver uma coisa. Eu conversei com você por dois motivos. Um: não aguentava mais essa chata que só queria o pior para você. E Dois: Para eu poder, depois de resolver a minha vida, resolver a da . - virou o rosto para olhar o primo.
- Você também achou aquele tal de Damon... suspeito?
- Suspeito? Dude, ele tem culpa no cartório. Você viu como ele assustou a ? Ele tem alguma coisa com ela... - parou pensativa então focou o primo.
- , odeio quando você me olha assim. Dá medo....
- Ah , admite! Você 'tá super afim da ! - começou a fazer cócegas no primo, que apenas gargalhava.
- ... - segurou as mãos da prima. - Isso não importa agora... Precisamos ver o que aquele cara fez para ela. Acho que podemos espionar! - o menino disse com os olhos brilhando, fazendo lhe dar um tapa na nuca.
- Besta. A gente pode perguntar para ela, que tal?
- Você sempre quer ir pelo caminho menos divertido... - ele revirou os olhos, a fazendo rir. Definitivamente e haviam se entendido e se unido. Agora só faltava resolver um problema: o que diabos acontecia com ?
Enquanto isso, na sala de jogos, , e jogavam Rockband dos Beatles e conversavam.
- Sabe, eu acho que entre as duas meninas disponíveis na casa, a deve ser mais fácil. A tem um gene tão forte... - comentava, tentando se ajustar na função de baixista do jogo.
- E quem te garante que ela 'tá disponivel? - , na bateria, perguntou nervoso. Os dois pararam o jogo e o olharam desconfiados. - O quê? Vocês não acham que... Ela dá muito charme pra gente mas não confessa mesmo... nada?
- É verdade... - os dois retornaram a jogar, pensativos. Ao encerrar a música, abandonou a guitarrinha ao lado de uma poltrona na qual se jogou. - Ei, mas como não há certeza... Eu acho que vou tentar algo com ela;
- Olha o ... Achando que é gente e que pode... Cara, é de mim que ela gosta, pode desistir.
- E quem disse que ela gosta de vocês? Ela já demosntrou algo por vocês? Acho que não...
- Ui, 'tá ficando nervoso. Qual é dude, ela também nunca mostrou nada por você.
- É o que você pensa ...
- Oi? - o menino virou-se para , curioso.
- Nada. Mas o que vocês pretendem fazer?
- Ué, tentar algo com ela. - disse com desdém. - E enquanto isso, gravar o CD que a gente veio gravar, né?
- É... - e nem sabiam o quanto essa conversa havia deixado estressado. Ele finalmente conseguira só para si e agora os amigos haviam decidido tentar algo com ela? Se dependesse de , eles não conseguiriam.
continuava encarando o teto, perdida em memórias. Ao ouvir a porta de seu quarto abrir, não pensou duas vezes antes de...
- Vai embora. - disse sem emoção e sentiu a cama afundar.
- Hey, você está bem? - ouviu a voz de baixa, como se estivesse cautelosa.
- É só isso que quer? - apoiou-se nos cotovelos e arqueou a sobrancelha, petulante.
- Ah não me venha com essa. - se levantou bruscamente e andou até o guarda-roupa olhando-se no espelho. - Desde o momento que você atendeu a porta você está esquisita. O que aquele Damon tem?
- Nada. - sentou-se, o peito esmagado. - Me deixa. - disse friamente.
- Ok, mas saiba que se quiser conversar, eu estarei aqui. - disse mandando beijos no ar para a menina que jogou-se na cama, parecendo entediada.
A casa estava silenciosa, exceto pela sala onde os meninos e disputavam o video game. Damon havia se juntado a eles, assim como Nick e, embora fosse muito educado, não conseguira ganhar a simpatia de . continuava deitada na cama até decidir ir até seu closet. Pegou um biquíni, toalha, protetor solar e foi se preparar. Não era agora que ela deveria parar de viver.
Sua movimentação passou despercebida por todos e então ela pôde descer livremente para a piscina. O sol já estava se pondo e a água estava na temperatura perfeita, mas é claro que a piscina era aquecida. Deu algumas braçadas e saiu para se secar. Estava secando suas pernas quando sentiu uma mão em seu ombro. Virou-se bruscamente e conteve-se para não gritar.
- Já estava ficando com saudades. - Damon acariciou a bochecha de que o olhou assustada. - Por que você foi tão estranha comigo hoje? - desceu sua mão para a nuca da menina e se aproximou.
- Você não me conhece, Damon. - rugiu ela entredentes.
- Ah por favor. - ele revirou os olhos, torcendo a boca para o lado. - Eu sei como você gosta disso... - e encostou seus lábios nos dela, logo pedindo passagem com sua língua, do jeito que gostava... ou pelo menos era assim que ele se lembrava.
impulsionava suas mãos contra o peito do menino que a forçava cada vez mais; chegava à piscina para saber do paradeiro de quando deparou-se com a cena. Por um momento ele não quis acreditar, afinal, havia se assustado com a repentina presença de Damon. Mas, com um tempo maior de observação, reparou que a menina o empurrava com toda a força que tinha.
Retirou-se para contar a última à , sem perceber que no momento em que pôs os pés para dentro da casa, conseguiu se livrar de Damon.
- Não me venha com as suas gracinhas Damon, eu já te superei. - disse a menina irritada e saiu mancando com a toalha enrolada no corpo. Estava conturbada, milhares de lembranças a bombardeavam. Tanto que não reparou quando passou por , entrando direto no elevador. O garoto a ficou observando atentamente, estava pálida, a expressão assustada. A porta do elevador se fechou e subiu as escadas afobado.
- ! - gritou ele ao chegar e o elevador se abriu.

Capítulo 18. [colocar para carregar este vídeo, vocês vão precisar dele mais para frente ;) ]

A sala estava em silêncio, todos esperando pelo elevador que havia acabado de abrir sua porta. havia prendido a respiração e intercalava o olhar entre o primo e o elevador, esperando que ele tivesse um bom motivo para ter gritado. Felizmente, de dentro saía uma enrolada na toalha, assobiando uma música qualquer.
- Estão perdendo a piscina, está realmente gostosa. - disse ela sorrindo cínica e seguiu para seu quarto. deu largas passadas até e o pegou pelo braço.
- Se importaria de me explicar o que foi aquilo que você fez? - cochichou irritada com ele.
- , sério, a não estava assim quando eu a vi entrar no elevador. - olhava para a porta fechada, por onde havia passado há pouco. - O Damon... ele estava beijando a e ela queria se soltar dele... - o menino respirou, pois ainda se recuperava da rápida subida. - ela entrou no elevador completamente pálida e assustada. - terminou seu pequeno relato e se sentou no puff que havia atrás dele.
- Ela não quer que a gente saiba, mas está cada vez mais difícil esconder. - pensou e sentou-se ao lado do primo.
- Você precisa conversar com o Nick, Damon está fazendo mal a , isso vai arruinar nossas férias. - entrelaçou os dedos em seu cabelo, aparentando desesperado.
- E eu vou dizer o que?! 'Tá na cara que ele convidou Damon muito antes de pensarmos em aparecer aqui, não posso fazer isso! - continuava pensando, se a sala ainda estivesse em silêncio, provavelmente seria possível ouvir suas engrenagens funcionando.
- Então vamos ter que protegê-la.
- Ai , deixa de ser tonto garoto, a é bem grandinha e sabe se cuidar, não viu o jeito que agiu há pouco? É óbvio que não precisa de nossa ajuda. - riu batendo no ombro do primo que permaneceu sério.
- Não estou gostando disso. - murmurou e riu mais ainda.
- Relaxa, você não conhece a , ela sempre tem um truque na manga. - os olhos de brilharam, como se admirasse a amiga por um momento. - Mas pra isso, vamos ter que jogar o jogo dela. - sua expressão murchou.
- Jogo?
- Logo você entenderá. - e ela levantou-se seguindo de volta para perto dos meninos que jogavam freneticamente.
Do outro lado da porta, no entanto, estava tomando banho, tentando se livrar das memórias que a perseguiam, jogando-as pelo ralo... como se assim funcionasse. Saiu do banho e ligou seu notebook, estava na hora de colocar as garras de fora.
"Olá blogueiros, sou eu, Demetria.
É, segundo fontes, nossos guys encontram-se enclausurados em uma honorável mansão, mas não posso lhes dizer onde. É claroooo, eles precisam de um tempo, pois estarão produzindo o novo CD, então relaxem! Logo eles darão notícias, mas eu não podia deixar de avisá-los. Agora aproveitem a curiosidade e logo trarei fotos exclusivas. Cheers, xx"

Fechou a janela e deitou-se na cama, estava recuperada e agora nada iria pará-la. O jantar também possuía horário e era servido às 19:30, é claro que ninguém gostaria de perdê-lo. desceu com uma calça skinny, botas de bico fino, uma blusa com babados na gola em "V" e várias pulseiras que espalhavam pelos cômodos o barulho conforme ela caminhava. Até que, quando faltavam apenas alguns passos para ela chegar à sala de jantar, Damon entrou em sua frente. Para variar, ela era a única que faltava à mesa.
- Undskyld mig, du er på min vej. (Com licença, você está na minha frente) - Reclamou a menina encarando Damon dos pés a cabeça.
- Må ikke foregive, at du er en god pige, jeg kender alle dine beskidte hemmeligheder. (Não finja que você é a mocinha, eu conheço todos os seus segredos.) - Damon sorriu. olhou em volta, por sorte Nick não estava por perto.
- Ah não, dinamarquês de novo não! - ouviu-se bater com a cabeça na mesa.
- Det er her du tager fejl. (Aí é que você se engana.) - sorriu a menina. Damon arqueou a sobrancelha, não se lembrava de sua daquela maneira. - Nu exit! (Agora, saia!) - e foi se sentar.
- Então, o que teremos? - , o mais faminto como sempre, pronunciou-se.
- Tudo o que você imaginar e mais um pouco. - sorriu e voltou a olhar a amiga que estava sentada na ponta da mesa, com o queixo apoiado em uma das mãos e o sorriso maquiavélico que ela conhecia muito bem.
- Já viram? Aquele blog tem um novo post. - comentou.
- Até que enfim, já fazia tempo que eu não me irritava com aquele blog, estava com saudades. - disse sarcástico.
- O que diz? - perguntou interessado.
- Diz onde estamos, mas não o lugar, e o que estamos fazendo. Ela ou ele disse que trará fotos inéditas o mais rápido possível.
- Quero só ver. - riu já atacando o banquete. , por outro lado, não se afetou, já ...
- Vamos comer. - disse com o sorriso trêmulo.
- Então... como Damon e se conheceram? - Nick pronunciou-se após um longo tempo de tilintar de talheres.
- Na verdade, foi uma situação inusitada. - Damon sorriu de canto e olhou para que o olhou, ácida. - O Sr. estava dando uma festa de Halloween na mansão e, por obséquio, eu fui convidado, assim como minha família.
- Entretanto ele demorou a reparar em mim, na época eu só tinha treze anos e estava vestida de vampira, ele dava em cima de todas as meninas da festa...
- ... mas isso era para chamar a sua atenção, fofinha. - ele apoiou um de seus braços no braço da cadeira e inclinou o corpo para o lado, na típica pose de galã.
- Claro. - revirou os olhos. - Foi para chamar a minha atenção que Damon me chamou para dançar e me assediou no meio de todo mundo.
- E você gostou. - Damon completou convencido e já se ouviam os risinhos contidos na mesa.
- Basta. - irritou-se, levantando. - Não venha bancar o gostoso Damon porque você e eu sabemos que não foi desse jeito. Foi por isso que meu pai te expulsou da minha casa, você não tinha juízo e duvido muito que tenha criado algum. - voltou a se sentar, já mais calma.
- Uau. - murmurou rindo.
- Tem algo a dizer ? - voltou a atenção da mesa para o meio irmão.
- Nada. Desculpe.
- Resposta certa. - e voltou a sorrir, já mais calma.
- Seu pé está legal? - perguntou assim que todos já haviam se levantado da mesa.
- Melhorando. - a menina sorriu com a boca fechada.
- , vamos fazer uma sessão de filmes? - chamou a amiga que seguia para a área externa da casa.
- Claro, uma ótima ideia! - ela sorriu e voltou a entrar na casa.
- Posso ir também? - apareceu todo empolgado.
- Não não, just for girls! - sorriu debochada e ela e seguiram para a sala no piso superior.

Capítulo 19.

Filme após filme, elas choravam, riam, gritavam, protestavam, se divertiam. O último a ser exibido era "As Panteras Detonando", a cena em que Drew Barrymore, Lucy Liu e Cameron Diaz faziam no bar próximo ao porto chamou a atenção de que passava por ali naquele momento, acompanhado dos outros três guys, todos voltando da academia.
- Duvido que vocês consigam ser tão sexies quanto elas. Ou até mais. - desafiou o menino. entortou o pescoço para trás assim como .
- Quer apostar? - respondeu para a surpresa de todos.
- Nos dê um dia, e mostraremos do que somos capazes. - rebateu sorrindo vitoriosa.
- Claro, amanhã. - arqueou a sobrancelha e as meninas voltaram a assistir o filme e os meninos, por sua vez, foram tomar banho.
e decidiram os detalhes da apresentação logo após o jantar e foram dormir, afinal, o dia seguinte seria o grande dia.
Ele se movia cauteloso pelos corredores, sempre a espreita de qualquer movimentação que o denunciaria. Pegou levemente na maçaneta e a girou, tomando cuidado para que a porta não rangesse. Avistou sua pequena estirada na cama, dormindo tranquilamente e se aproximou, pé ante pé. Tocou sua testa, escorregando os dedos levemente até seu cabelo e aproximou seus lábios dos dela, beijando-a lentamente.
se assustou com o toque e abriu os olhos, afastando-se rapidamente, mas sua nuca permaneceu presa às mãos do garoto que ela não conseguia enxergar. A proximidade a atiçava cada vez mais e quando o misterioso garoto voltou a beijá-la, então ela se rendeu. Seu perfume era irreconhecível, mas seus lábios e sua língua a deixava de pensamentos bagunçados.
Sentindo a mão puxando-a pela cintura, ela sentou-se no colo do misterioso rapaz, apertando seus braços musculosos. A imagem de veio-lhe imediatamente na cabeça e ela pensou em se afastar, mas foi puxada para mais perto, com as mãos o rapaz descendo-lhe as costas. Arfando, ela abandonou seus lábios para descer ao pescoço ouvindo um grunhido baixo de reprovação, para agradá-lo escorregou suas mãos para debaixo da camisa e a levantou lentamente.
O garoto a deitou na cama e terminou de tirar a camisa por conta própria antes que o puxasse de volta, arranhando todo seu peitoral. Ela ofegou em seu ouvido antes de voltar a beijá-lo, podendo sentir, posteriormente sua excitação. A temperatura aumentava enquanto os dois se enrolavam cada vez mais com beijos quentes e mordidas. As mãos passeavam sem nenhum limite, os corpos se esfregavam lentamente e era impossível não perder a respiração. Aos poucos eles se soltavam, diminuíam o ritmo de seus toques e a intensidade dos beijos até que o puxou para deitar-se ao seu lado. Ela não o viu partir assim que pegou no sono, o rapaz vestiu a camisa, arrumou o cinto da calça que havia sido aberto e foi-se do mesmo jeito que havia vindo.
acordou radiante, nunca havia dormido tão bem. Tomou banho e arrumou-se de maneira alegre, desceu as escadas cantarolando e sentou-se à mesa. Dessa vez, havia sido a primeira a chegar. Não se incomodou com a aparente solidão e começou a comer.
- Acordou cedo. - chegou sorrindo e sentou-se ao seu lado.
- É, a noite foi boa. - mordeu um morango olhando pelo canto dos olhos. - E você , sua noite foi boa?
- Ótima, nunca dormi tão bem. - ele espreguiçou-se e pegou algumas torradas. apoiou os braços na mesa e inclinou-se na direção de .
- Algum motivo especial para ter dormido tão bem? - apoiou o queixo em uma mão. - Por exemplo, alguma fantasia realizada?
riu e abriu um sorriso.
- Do que você está falando? Eu, , e ficamos jogando video game até altas horas e depois desmaiei na cama, foi por isso que dormi tão bem, tinha exterminado o crime. - ele sorriu orgulhoso de si. voltou a se sentar na cadeira conturbada. Então quem havia entrado em seu quarto na noite passada? Ainda sobravam cinco opções, mas a que ela melhor aceitaria estava descartada.
Seu pensamento esvaiu-se pelo resto do café da manhã, mal prestava atenção no que os outros conversavam na mesa até que se levantaram e a puxou pelo braço, pelo pouco que havia escutado, estava na hora do ensaio. Então ela se lembrou que a apresentação da cena inspirada no filme das Panteras era hoje e procurou se concentrar, mesmo que fosse a última coisa que ela conseguiria fazer.
- 'Tá tudo bem? - perguntou um pouco confusa. A amiga mantinha uma expressão estranha no rosto, mas apenas sorriu e acenou que sim com a cabeça. - Ok.
As duas sumiram da mesa do café, não apareceram para almoçar e quando já havia dado 18hrs no relógio, Nicholas apareceu na sala de jogos com uma cara engraçada.
- Que houve Nick? - perguntou, concentrado no jogo do Mário Cart.
- Ahm, recebemos um convite. A mandou minha mãe chamar vocês todos para ir para o quarto dela. - todos se entreolharam, achando esquisito, mas apenas se levantaram e foram para o quarto parisiense.
Quando entraram no quarto estava tudo escuro. Eles, com dificuldade, foram até a cama de , sentando-se na mesma. Então... [n/a: hora de ligar a música! tanãnãnãnãnãnã...] o som da música Stripper do Soho Dolls começou a soar em todo o ambiente e algumas luzes se acenderam. Os meninos, boquiabertos, focalizaram o rebolado das duas, sobre o pequeno palco no quarto.
passou lentamente as mãos pelas pernas que estavam cobertas por uma meia 7/8 até a coxa. Usava uma calcinha cheia de babados completamente vermelha, um corpete tomara-que-caia vermelho e preto todo bordado que se fechava na frente com um zíper. Os pés calçavam um alto par de saltos finos e pretos. Seu cabelo estava meio cacheado meio solto, sem contar a cara sexy que fazia. E um detalhes que os meninos não deixaram passar, a liga vermelha em sua coxa direita.
Enquanto isso, usava apenas um sutiã rosa bebê que destacava os seios, já que tinha uma linha vermelha contornando o mesmo, o sutiã ligava-se a uma calcinha que possuía uma espécie de sainha por cima da mesma cor que a parte de cima, uma meia também 7/8 de mesmo tom, que se ligava com a calcinha. O cabelo estava preso num rabo de cavalo apenas com alguns fios soltos.
estava de frente para eles, encostada na barra à sua frente, olhando fixamente para , que se controlava sentado na cama. Já estava de costas para um poste.
- Uni-duni-tê... - comentou, olhando de uma para a outra, mas parando em que estava caminhando lentamente até o canto da sala onde ele, e estavam.
também virou os olhos de para , o que levou a irmã a querer chamar sua atenção. A menina então parou de rebolar e começou a "falar sério". Começou a fazer pole dance, levando o menino voltar a olhá-la. Lembrou-se, então, o que havia dito a , e teve de fechar os olhos. E apenas os abria quando olhava para . A menina estava se sentando no colo de , de frente para ele, lentamente, como se quisesse encaixar-se nele. Deixou então que seus seios chegassem bem perto do rosto de , fazendo o menino ficar completamente paralisado. Ela então levantou-se, indo atrás de , o qual ela lambeu de leve a bochecha, mordendo a orelha em seguida.
- Na na ni na não... Irmão meu não pode ver essas coisas... - cochichou na orelha dele por trás, vendando-o em seguida. Depois abriu as pernas do menino, apenas passando as mãos em suas coxas e saindo, o deixando sem ver nada.
Caminhou até então, onde passou a mão no rosto do mesmo, descendo pelo pescoço e abrindo a camisa dele que era de botões.
O menino estava se aguentando por conta do pequeno respeito que tinha por , mas à medida que a menina se aproximava mais de seu corpo e ela tirava a camisa dele, esse respeito diminuía. Quando ela não existia mais, tentou beija-lá, mas a menina apenas roçou os lábios nos dele e se afastou. Pegou então um chicote que estava perto da barra. Estalou-o aos pés de Nick e Damon, que apenas assistia a cena com cara pervertida. então pegou uma corda e amarrou as mãos de Damon, chicoteando-o bem perto das coxas. Passou por Nick, indo para atrás dele. Passou as mãos em seus ombros, depositando depois um beijo em seu pescoço. Chegou na frente de novamente e o beijou ferozmente. Mordeu o próprio lábio em seguida, olhando de forma sexy para .
Enquanto essa sequência de coisas acontecia, havia saído de perto de e deixou algumas marcas de beijo no pescoço de o que levou-o a tentar agarrá-la, sem sucesso. então voltou-se para e o puxou pela camisa, o jogando em uma cadeira mais separado de todos, e bem na frente do palco, onde a menina começou a dançar de forma muito sexy. Ele então não se aguentou e a puxou pela cintura, começando a beija-lá de forma enlouquecida. logo percebera: já não estava mais tão solteira. Era mais do que óbvio que o jeito que os dois estavam não era coisa de hoje. Ele então voltou a olhar .
Agora todos a observavam, já que a menina estava de novo fazendo pole dance. A música chegava ao final, e ela então teve uma ideia. Saiu da barra, indo novamente até . Puxou-o para ficar de pé, olhou de canto para Damon, depois retornou para os olhos de , e o beijou finalmente.
A princípio, estava parado, com as mãos para baixo, apenas aceitando aquele tão esperado beijo. Mas logo agarrou a cintura da menina com uma mão e segurou seus cabelos com a outra. Encostou com ela em uma parede e começou a se agarrar com ela. Mas algo estava errado... não era o mesmo beijo da noite passada e ela podia sentir isso claramente. Empurrou pelo ombro e olhou para Damon que tinha os braços cruzados na altura do peito.
- Foi você... - ela caminhou até o garoto com a expressão cheia de desgosto. - você invadiu o meu quarto e me agarrou a noite passada. Eu não acredito como pude ser tão burra. - ela olhou para cima antes de voltar a encará-lo. Se sentia suja, usada e irritada. - Passou dos limites Damon. - e saiu do quarto pisando duro.
olhou o garoto de olhos azuis não se afetar e franziu a testa. Teria aquilo sido verdade? Cerrou os punhos, mas antes de qualquer coisa Nick o barrou pelo peito e puxou Damon para fora do quarto. por sua vez, tirou a venda de que ficou perplexo. e ?
- O que aconteceu enquanto eu não via nada? - ele perguntou espantado.
- Muita coisa ... Muita coisa.

Capítulo 20.

- Vamos sair daqui. - disse desamarrando e empurrando levemente o ombro de , pois ele estava paralisado focando a porta.
- O que aconteceu? Cadê a ? - disparou as perguntas.
- Damon armou para ela. - disse, focando o vazio.
- O QUÊ? - cerrou os dentes e as mãos se fecharam.
- É, parece que ele entrou no quarto dela noite passada e a agarrou. - sentou-se no sofá da sala. - A ficou arrasada.
- Eu ouvi a voz dela, é a mesma quando... quando ela está muito triste. - concluiu. Já ouvira aquele tom de voz antes.
- Vou procurá-la. - levantou o pé para começar a caminhar, mas foi seguro por e .
- Agora não dude, dá um tempo para ela se acalmar. - disse. recuou e eles ligaram a televisão, colocando em um canal qualquer.

(Quarto dos Empregados)

- Ficou louco cara? - Nick largou o braço de Damon quando os dois estavam no quarto que dividiam. - O que deu em você? Por que fez aquilo?
- Calma Nick, relaxa. - Damon deitou-se na cama. - Ela precisava de uma boa lição.
- Que história é essa Damon? - Nick cruzou os braços.
- Uma longa, longa história. - Damon sorriu e continuou a encarar o teto em silêncio com o sorriso petulante, fazendo Nick bufar e bater a porta.

(Galpão)

havia se fechado no grande galpão, pouco se importava que estivesse apenas de lingerie, ela só queria distância. Ela deveria tê-lo reconhecido, mas o beijara há tanto tempo e não havia como se lembrar. Mas, também, não podia negar que tinha a pegada forte e determinada, quando ele a beijara não se comparava nem um pouco à pegada de Damon, totalmente ardente, mas sem aprofundamento nenhum.
- ... - ela ouviu ao fundo. Enxugou o rosto e então olhou ao seu redor. Mal percebera que já havia anoitecido e não sabia há quanto tempo estava fechada lá.
- Ele fez tudo de novo. - ela murmurou com a voz rouca.
ficou parado onde ele estava, deixaria que ela falasse se isso a fizesse se sentir melhor e ele descobrisse um pouco mais da garota que estava tomando conta de seu coração.
- Me fez sentir usada. - ela riu amargamente. - Sabe, na festa de Halloween que meu pai deu, ele não estava pegando todas as meninas da festa... estava combinando com elas o melhor momento... - ela respirou fundo. - Então quando ele chegou perto de mim eu fiquei tão feliz em poder dançar com o garoto mais bonito da festa, ele sorria para mim e eu para ele. Até que, - um soluço lhe escapou. - até que ele me agarrou e eu ouvi ao fundo todos gritando, assobiando e dando risada. Vários flashes iluminavam meu rosto e eu não entendia o porque de tudo aqui até que eu abri os olhos e percebi que ele havia pegado... - três soluços dessa vez a fizeram ficar sem ar. - Ele havia pego o coração que minha mãe havia me dado quando ganhara aquela fantasia, ela dizia que traria sorte no amor. - fungou e continuou a encarar o nada. - Damon mostrou a todos o coração e disse que era um amuleto de bruxa. Todo o mundo começou a rir de mim e eu me escondi no meu quarto. Não falei com ninguém por uma semana e quando desci, soube que minha mãe havia nos abandonado. - seu peito parecia ficar livre de um peso enorme, cada vez que ela completava a história.
continuava em silêncio sentindo-se mal por tê-la julgado daquela maneira. Ali ela parecia tão indefesa, parecia aquela criança de 13 anos que havia sido ridicularizada na frente de amigos e colegas pelo seu paquera logo depois de um beijo. O qual era para ser o mais importante de sua vida.
- Depois disso eu deixei a escola, meu pai pagava professores particulares, tudo o que eu precisava. Mal saía da mansão e foi assim ano após ano. - já estava mais calma, sentia-se muito bem, como não se sentia há anos. teve certeza de que ela não falaria mais nada e caminhou lentamente até ela. Passou um de seus braços por debaixo dos joelhos dobrados de e o outro colocou em suas costas, olhando-a nos olhos e erguendo-a do chão gelado.
entrelaçou os braços no pescoço de e apoiou a cabeça no peito do garoto, sentindo suas batidas enquanto ele caminhava com ela em direção à casa. não sabia se e ainda continuavam no quarto de e, por via das dúvidas, levou a menina ao seu quarto. O quarto Dinamarca era exatamente como a terra de onde havia vindo, várias imagens estampavam as paredes com casinhas magníficas e coloridas dando vivacidade para o quarto. a deitou em sua cama, a qual era quadrada, king size e de cabeceira entalhada a mão. Ela o olhava intensamente, diretamente nos olhos, deixando-o um pouco desconfortável. nunca havia se sentido tão atraída por aqueles olhos quanto estava naquele momento.
deu a volta na cama e se sentou ao seu lado, bem próximo para confortá-la. o olhou dos pés a cabeça, demorando mais em seu rosto, principalmente em sua boca. Havia algo para se terminar ali. Ajeitou-se na cama de modo que ficasse na mesma altura que e aproximou-se bem de seu rosto, sempre o olhando nos olhos e então deixou que a emoção a guiasse juntando seus lábios em um beijo profundo. apoiou a mão no ombro da menina, logo deslizando por seu braço e enfim chegando a cintura, onde a trouxe para mais perto de si. pediu passagem com a língua a qual o menino aceitou sem hesitar, inclinou-se um pouco sobre para que pudesse aproveitar mais daquele beijo e deslizou suas mãos até a coxa direita da menina, por onde dedilhava calmamente enquanto com o outro braço apoiava seu peso.
Ela, por sua vez, enroscava seus dedos no cabelo já muito bagunçado do menino e com a outra o puxava pelo ombro para que se encostasse ainda mais nela. Sem dúvida não havia comparação com a agarração da noite anterior, aquilo era muito mais cheio de...carinho, paixão, tanto que podia sentir seu corpo queimar conforme a língua de explorava cada canto de sua boca, depois descendo para o seu pescoço e parando em seu colo. Aquela boca quente em atrito com seu corpo frio estava deixando-a amolecida, fazendo com que ela procurasse pela fonte maior daquele calor todo, os lábios de .
Os braços de desceram e pararam na barra da camiseta do menino, subindo enquanto os botões eram forçados a abrir, vários por vez. O tecido escorregou sobre os ombros largos e definidos de e a menina pôde senti-lo mais próximo do que nunca. O toque de sua pele na dele a enlouquecia em silêncio, era tão bom tê-lo por perto. Com os pequenos dedos abriu o botão da bermuda de e a deslizou por seu corpo com os pés até tirá-la completamente e sentir o tecido da boxer raspando em suas coxas. desistiu de ficar de lado, puxando-a para ficar sobre si, colocou-a sentada em sua cintura, puxando-a para se deitar através de mordidas que dava no lábio inferior da menina.
Assim que inclinou seu corpo sobre o de , ele não perdeu tempo em deslizar suas mãos pelas costas da garota, chegando ao fecho de seu sutiã. Neste momento, seguiu para o pescoço do menino, dando mordidas enquanto deslizava as mãos para seu abdômen. , então, se sentiu atiçado a abrir aquele fecho e acabou por fazê-lo sem cerimônia. A menina, por outro lado, pouco se importou, percebia que estava gostando dos seus beijos e então deixou que ele tirasse seu sutiã, desprendendo-o da calcinha.
se levantou ficando na mesma altura que e deitou-se por cima da garota, depois de virá-la, certificou-se de que ela estava confortável com a cabeça em uma das diversas almofadas que havia na cama e a beijou com vontade, descendo rapidamente para seu pescoço onde passou a explorá-lo ferozmente até descer ao colo e depois para cada um dos seios da menina. mantinha os olhos fechados, não conseguia acreditar no que estava acontecendo, no que estava sentindo. Deixava que as mãos de a acariciassem e que sua boca quente a fizesse se sentir bem. Ótima, na verdade.
estava em seu quarto, ela e já haviam terminado a pegação no quarto de e agora ela estava a procura do que fazer. Com a toalha enrolada na cabeça para não deixar os cabelos pingando, ela zapeava por entre os canais da televisão, atenta a qualquer coisa que lhe chamasse atenção...até que essa "coisa" apareceu. O canal de câmeras de segurança. Nos primeiros quartos não havia nada, os meninos estavam na sala, Maddie na cozinha junto com Nick, a piscina estava limpa, o galpão e a sala de ginástica também, sobrava o...
- Quarto do ? - estranhou a menina selecionando a câmera para dar um zoom. E então ela não acreditou no que viu, e se beijando ferozmente sobre a cama do menino. voltou o video alguns minutos e viu tudo desde o começo. - Isso vai dar o que falar. - pausou no momento que puxa para o lado, onde só dá para ver o rosto parcial do primo. - Perfeito. - transferiu a imagem para o laptop e estralou os dedinhos para começar sua tarefa.
"E aí pessoal, dessa vez é a Letty falando aqui.
Bom, eu sei que minha amiga havia prometido fotos exclusivas da casa onde nossos guys estão enclausurados então aqui vai a primeira delas. Está meio apagada porque veio ah, vocês devem saber de onde veio. E então, conseguem descobrir que é essa que está tomando conta do coraçãozinho de ? Por hoje é isso, xoxo"

Era hora de ver o circo pegar fogo, mas ela queria saber: O que fazia no quarto do primo?

Capítulo 21.

Deitada na cama, se permitiu refletir sobre tudo o que estava acontecendo: fizera as pazes com o primo, estava prestes a descobrir a verdadeira e estava se deixando levar por um certo menino muito... incrível. Tirou a toalha que prendia os cabelos, soltando os mesmo sobre a cama, fechou os olhos e no outro instante estava dormindo. Em sua cabeça várias cenas se misturavam, mas parecia que apenas uma lhe chamava atenção. Bem Vinda ao mundo dos sonhos, .

*flashback*

- ... A gente ‘tá no quarto da ... - ela tentava dizer para . O rapaz estava muito ocupado para prestar atenção no que ela havia dito. Uma de suas mãos deslizava pela lateral do corpo de , enquanto a outra estava parada na nuca dela. Seus olhos estavam abertos olhando cada detalhe da menina. Era tão bom estar com ela. - ... - sussurou no ouvido dele, quando ele parou de encara-lá e estava explorando sua nuca com beijos e mordidas.

*end of the flashback*


se levantou rapidamente da cama, com um olhar assustado. Estava até mesmo sonhando com o que acontecera entre ela e .
Levantou-se, colocou uma regata sobre o sutiã e ficou de calcinha mesmo. Pegou um casaco mais largo e comprido que tinha e foi rumo ao quarto dele pela passagem secreta, a mesma que o levara até ela naquele dia tão... inesquecível.
Chegando ao quarto de , o mesmo dormia completamente jogado na cama, com um sorriso bobo no rosto e só de samba canção. não pode deixar de sorrir quando ele sussurou o nome dela. Tirou seu casaco e se deitou de frente para ele. Ficou ali observando cada detalhe de seu rosto, até que adormeceu novamente.

*flashback*

- Eu te amo. - movimentou os lábios sem emitir qualquer som, fazendo sorrir abobada. Ela estava por cima dele, sentada em sua cintura, passando as mãos em seu peitoral e ele paralisado analisando os traços dela com uma mão em cada coxa.
Ela mordeu o lábio inferior, deitando-se sobre e beijando a ponta de seu nariz. Sentou-se novamente, para que ele pudesse abrir seu corpete finalmente.

*end of the flashback*


acordou novamente, abrindo os olhos e encontrando os de .
- Oi.
- Oi... - ela respondeu de volta.
- Vem cá... - passou os dois braços ao redor do corpo dela, jogando-a para cima de si.
- Eu não disse antes... Mas também de amo. - envergonhada, ela mordeu o lábio novamente.
- Você fica tão linda assim... Indefesa. - ele beijou o topo da cabela dela. Após um tempo nessa posição, os dois voltaram à terra dos sonhos.

*flashback*

Com as pernas entrelaçadas, dois corpos assumindo uma forma só, duas respirações numa mesma sintônia e dois corações batendo simuntâneamente. O que ambos sentiam não era algo como apenas prazer barato, era algo mais forte e mais intenso. Parecia que quanto mais eles avançavam na espécie de relação que eles mantinham, mais próximos eles ficavam. O único segredo entre os dois agora era o blog, que uma hora ou outra descobriria. Ela só esperava que fosse da melhor maneira.
- Quer morar comigo? - ele sussurou em seu ouvido, antes de cair exausto ao seu lado.

*end of the flashback*


Desta vez ela acordou sozinha, deu um selinho em , e saiu de cima dele. Ficou alguns minutos sentada na cama, observando-o dormir. Como todos já sabiam que ela e estavam juntos, ela nem se preocupou em sair para tomar café pelo quarto de .
- Bom dia ! - gritou de sua porta, que ficava um pouquinho longe. - Então, você e o é? - sua voz soara um tanto quanto desapontada.
- Eu... Gosto dele, . De verdade. - ela nem olhou direito para o menino , apenas encarou os pés e desceu as escadas seguida pelo menino.
- VOCÊS VIRAM ISSO? - gritou estressado, sentando na cozinha. - Alguém conseguiu uma foto do ontem! E não acho que ela é das melhores... - nem prestou atenção e foi para a geladeira, pegar coisas para fazer uma bandeja de café para . Pegou para si um copo de leite.
- ESSA FOTO FOI FEITA AQUI NA CASA! - com o grito de , fez de conta que se esgasgara com o leite. Ela correu até o menino e pegou a foto dele.
- É no quarto do ! E essa aqui é a...
- ?????? EU VOU MATAR O ! - aumentou o tom de voz, sendo seguro por .
- Respira! Eu vou ligar para uma empresa de segurança e mandar eles ficarem de olho, ok? E se acalma, 'tá? Vou leva café para o , vocês dois comam também. - a melhor parte de tudo aquilo era que quem estava no controle dele, da casa, da segurança e do blog era ela.
ainda dormia quando se levantou, olhou-a semi nua deitada de bruços e lembrou-se da noite passada. Nossa, quanta coisa vinha acontecendo. Tomou um banho demorado e relaxante, se arrumou e desceu para o café, tinha que salvar alguma coisa para . Encontrou-se no meio do caminho com Damon e segurou-se para não esmurrá-lo ali mesmo, apenas respondeu ao seu cínico "bom dia". Por sorte, estava lá embaixo, junto com e os garotos, todos olharam torto para quando ele chegou.
- Bom dia. - ele sorriu indeciso. Os olhares eram para ele ou para Damon, afinal de contas?
- , você pode me explicar o que é isso? - estendeu a foto impressa para o amigo, cerrou os dentes e abaixou a cabeça.
- Uhhh, parece que alguém já se aproveitou da pequena indefesa. - Damon soltou e só não foi espancado porque eles ainda aguardavam a resposta de .
- É uma foto. - disse sem emoção. Na verdade estava confuso, como haviam conseguido aquela foto? Justo aquela? A sorte é que o rosto de não estava nítido e ela não estava nua... - Olha, eu não sei como isso foi parar no site e...
- Não! A pergunta não é como foi parar lá, - disse assustadoramente calmo. - a pergunta é o que vocês estavam fazendo. - o olhar de era tão penetrante que seria capaz de furar se ele continuasse olhando.
- Eu acho que a já é bem grandinha para tomar suas próprias decisões e eu também não lhes devo satisfação alguma sobre isso. - se irritou e retirou-se, mas não sem antes pegar um potinho de salada de frutas na geladeira. Era melhor que não aparecesse tão cedo. - Hey, . - ele sussurrou bem próximo ao ouvido da menina que ainda dormia, o que a fez acordar com um sorriso. - Trouxe para você. - ele sorriu desajeitado.
- Por que não me acordou antes? Eu teria descido com você para o café. - sentou-se, mantendo o lençol na altura do colo.
- Ahm... acho melhor você não descer tão já. - disse, ajeitando-se na cama, franziu a testa. - É que, sabe aquele blog? - a menina concordou. - Então, eu não sei como, mas publicaram uma foto nossa no quarto ontem a noite. - ele abaixou a cabeça esperando a explosão surtada de . Mas ela só começou a comer a salada, então deu de ombros e fez companhia a ela.
Ela saiu do quarto de e seguiu para o seu, tomou um banho e ligou o laptop. O blog estava bombando em comentários, mas isso não ficaria assim, não mesmo. Olhou detalhadamente a foto e viu que ela vinha de uma das câmeras de segurança. Como toda casa tecnológia, as câmeras deveriam ter um canal comum na televisão, por isso ligou a sua e saiu em busca do tal canal. Até que o achou e escolheu a câmera de seu quarto, era hora da revanche.
Voltou até o momento da pole dance e começou a rodar o vídeo, até parar na parte que queria. Sorriu e transferiu a imagem para o laptop, era uma imagem mostrando e ao canto de seu quarto, os dois se beijando com ela no colo dele e mãos em lugares inapropriados. Mal conseguia acreditar na sorte que tivera.
"É, parece que Letty se empolgou demais com a minha proposta e passou a perna em mim. Mas... como promessa é dívida, aqui está a minha foto da casa, a qual logo será a mais vigiada de todo o país. que o diga. Enjoy, xx"
Olho por olho, dente por dente.

Capítulo 22.

colocou uma calça de tactel bem folgada, deixando aparecer um pedaço da calcinha que possuía elástico branco e estava escrito "LOVER" ao redor; colocou uma regata branca bem levinha e entrou no elevador, apertando o botão que dizia "Sótão". não havia comentado nada sobre aquela parte da casa, então ela resolveu seguir até lá e verificar por si mesma. Abriu a porta do quartinho depois de um pequeno corredor que tinha suas paredes inclinadas, seguindo o telhado da mansão. Lá dentro havia todos os tipos de aparelhos eletrônicos que se pudesse imaginar. Máquinas de dança, karaokê, pinball entre outras, aquilo era um paraíso de jogos eletrônicos. Seguiu até o karaokê e começou a escolher uma música, era hora de causar naquela mansão, se é que vocês me entendem.
- Chato, chato, chato, brega, chato, não, não, de jeito nenhum... - ela dizia enquanto deslizava pela lista de músicas. - ... perfeito! - ela pressionou 'Ok' e começou a bater o pé, calçados com caríssimos tênis de corrida feitos sob medida, no ritmo da batida. - Oh-oh-oh-oh-oooh! / Oh-oh-oooh-oh-oh! / Caught in a bad romance ...
O barulho da música chamou a atenção dos meninos que estavam no estúdio do andar de baixo.
- Lady Gaga? Quem é o louco que está ouvindo isso? - resmungou.
- Acho melhor dizer quem é a louca que está cantando! - disse prestando mais atenção.
- Vai lá . - empurrou o amigo.
- Por que eu? - o menino se fez de ofendido.
- Porque você foi o último a falar. - os outros três riram dele e ele saiu da sala emburrado.
- I want your love / Love-love-love / I want your love ...
- Eu mereço. - resmungava enquanto esperava o elevador abrir as portas. - Nossa, será que a pessoa é surda? - tapou os ouvidos devido à altura da música. Abriu a porta e seu queixo caiu, estava cantando? E desde quando ela tinha a voz tão afinada assim? Fechou a porta atrás de si, tentando lidar com o alto volume e ao mesmo tempo se concentrando no comportamento da menina. segurava o microfone em uma das mãos enquanto inventava coreografias e se agachava, apoiando-se no pedestal do microfone.
- Rah-rah-ah-ah-ah! / Roma-roma-ma! / Ga-ga-ooh-la-la! / Want your bad romance. - deixou o microfone como um pêndulo depois que a música acabou. - Vamos ver... - pegou novamente o controle e vagou pela lista de músicas disponíveis. permanecia em silêncio, já que não havia sido notado. - Ótimo!
- Ooouuh ohhh / When I`m with you baby, I go out of my head / (I just can`t get enough, I just can`t get enough) - O garoto paralisou, ela tinha a voz exatamente como a de uma de suas ex...
A maneira como ela se movimentava conforme seguia com a música deixou , por um momento, abalado. havia acabado com seu namoro, era verdade, mas isso não dava o direito de criar antipatias com . Pelo menos era assim que sua confusa cabeça pensava naquele momento, havia lhe contado durante o ensaio tudo o que soubera sobre , deixando os guys mobilizados. Por esse motivo, não conseguia mais ver aquela menina fútil à qual ele fora apresentado algumas semanas atrás, ele só via a garotinha reprimida que havia achado um jeito de devolver na mesma moeda coisas que, às vezes, as pessoas nem haviam feito a ela.
- Just can`t get enough / I just can`t get enough / I just can`t get enough - riu quando terminou e deixou que o aparelho escolhesse por ela, já que havia alcançado a pontuação máxima pela segunda vez consecutiva. ainda continuava parado no mesmo lugar, suas pernas já começavam a doer, mas assim que ouviu a introdução da música, sabia que naquela teria que cantar. - You have so many relationships in this life / Only one or two will last / You go through all the pain and strife / Then you turn your back and they're gone so fast - durante sua juventude havia escutado aqueles três irmãos que faziam sua irmã delirar. Ele gostava daquela música e, pelo jeito de dançar, também era uma de suas preferidas. Deu dois passos em direção ao outro microfone, mas parou, será que ela desistiria de cantar ou inventaria um motivo para ridicularizá-lo? Só saberia se tentasse. Deu mais um passo e travou novamente. Ele só sabia cantar o refrão. Esperou mais um pouco, quando tinha certeza de que o refrão se aproximava, deu os passos que faltavam e segurou no microfone com força, era agora ou nunca.
- Mmmbop, ba duba dop / Ba du bop, ba duba dop / Ba du bop, ba duba dop / Ba du - A voz dos dois se misturou de tal forma que o olhou de canto e tudo o que fez foi sorrir, para o alívio de .
O garoto tropeçava na letra o que provocava risos, às vezes fazia coreografias exageradas, mas aos poucos eles se sincronizavam, deixando que a diversão fluísse durante a música. Quem diria que, algum dia, e estariam cantando Hanson e rindo juntos? Pois é, aquele dia havia chegado.
- Também é fã de Hanson? - sentou-se em um dos puffs atrás da máquina de karaokê.
- Não, mas minha irmã gostava e eu acabei decorando algumas músicas à força. - riu o garoto e ficou encarando-a. - Sabe , a gente não teve um tempo pra poder se conhecer e muito do que eu sei acabou por vir de outras pessoas e não de você mesma. - ele sentou-se de frente para a menina que mantinha um sorriso sereno. - me contou o que disse a ele.
- Não quero que se preocupe comigo, eu sei como me vingar...
- ...é esse o problema! - a interrompeu. - Você vive para se vingar das pessoas que sabem um pouco mais sobre você.
- Isso não é verdade. - franziu as sobrancelhas.
- É, é verdade sim, você deve deixar as pessoas te conhecerem e não deixá-las com rancor pelo o que você faz.
- Não é assim que funciona! - ela protestou. - E eu não quero ter essa conversa, sabe, está tudo muito ruim na minha vida e eu não quero que ela fique pior, por favor. - se aproximou, sem perceber, de .
- Tudo bem, - ele sorriu. - mas quero saber de tudo quando estiver pronta. - beijou a testa da menina que sorriu.
- Pode deixar maninho. - os dois riram. Mas é claro que, antes de assinar um "acordo de paz" com o McFly ela tinha mais uma coisa a fazer. E, para isso, teria que jogar com a confiança de , mas ela sabia que era uma emergência... das bem grandes.
Reparou que havia uma pequena mesa de centro no meio da sala de estar que ficava ao lado da sala de jantar. Naquela sala não havia televisão, portanto, ninguém a incomodaria, a não ser alguém que ela realmente quisesse. Pegou uma garrafa geladinha de vodca e dois copos, um balde de gelo para mantê-la gelada e sentou-se em uma das pontas da mesa, preparou as duas doses, deixando uma de frente para si e a outra no lado oposto. Cruzou as pernas, sentada no chão e se permitiu esperar até ouvir os primeiros passos que fizeram com que um sorriso estampasse seu rosto.
- Olá Damon. - ela disse sorrindo olhando para o garoto que arqueara a sobrancelha interessado.

Capítulo 23.

- . - ele disse sorrindo, inclinando o corpo levemente para trás enquanto colocava as mãos no bolso. Estava com a jaqueta de couro que a menina, por muito tempo, achava uma graça.
- Não quer beber comigo? - ela disse virando uma dose e depois batendo o copo na mesa. Piscou fortemente e sorriu.
- E como poderia recusar? - tirou a jaqueta, ficando apenas de camiseta preta com decote em "V", estava tudo seguindo como havia planejado.
- Sabia que eu adoro você de preto? - ela apoiou a cabeça em uma das mãos, sorrindo.
- Bom saber. - deu uma piscadela e virou a primeira dose que esperava por ele. - Muito bem, o que será? - lambeu os lábios e pegou a garrafa, servindo mais uma dose para cada um.
- Verdade ou desafio. - disse entornando outra dose.
- Só com duas pessoas? É meio sem graça. - Damon fez cara de tédio, entortando a boca e acompanhando na segunda dose.
- Garanto que não. - ela ergueu o copo pedindo por mais. Damon não hesitou em atendê-la.
Uma...duas...três...quatro doses viradas e já as sentia como água. Damon estava um pouco alterado e trocava algumas letras, provocando risos em que havia tirado o tênis, as meias e a calça, ficando apenas de regata e calcinha. Damon estava sentado ao lado de e os dois riam como bobos, continuando com o “verdade ou desafio”. Ele mantinha uma das mãos sobre a coxa da menina, alisando-a com o polegar. sorria para ele, virando outra dose de vodca, a garrafa já estava no fim, mas a conversa estava muito boa para ser interrompida. Por incrível que pareça, não se sentia nem um pouco bêbada já que havia comido antes de se sentar na mesa. Porém, ela tinha um plano, e ele estava funcionando até agora.
Quando Damon ameaçou pegar a garrafa de vodca para entornar mais uma dose ela segurou fortemente sua mão, o que o fez olhá-la espantado. sorriu enviesada e puxou a mão do garoto para o seu colo, bem próximo à sua cintura. Mantendo seu rosto bem próximo ao dele, sentou-se sobre Damon, guiando as mãos do garoto por seu corpo.
- Sabe Damon, - ela disse na voz rouca e manhosa que fazia quando queria conseguir o que planejava. - eu estou precisando de um homem pra me satisfazer. - ela segurava o riso enquanto aproximava os lábios da orelha de Damon. O menino estava tão alterado que todos os seus sentidos estavam mais fortes, logo, não foi preciso muito tempo para que suas mãos trouxessem para mais perto e seus lábios gelados grudassem nos quentes da menina. Não se demorou ali, desviando logo para o pescoço, uma área onde poderia explorar melhor. encenava pequenos gemidos, agarrando-se aos fios de cabelo do garoto enquanto sorria satisfeita por seu plano estar dando certo.
estava à procura de pela casa, já havia procurado no sótão, nos quartos, no galpão... quando voltava para o interior da mansão ouviu alguns barulhos vindos da sala de estar, aproximou-se lentamente para que não fosse visto e que não interrompesse o que quer que fosse. Quando percebeu que estava ali, de olhos fechados e sorrindo enquanto alguém, que não era ele, estava beijando-lhe o pescoço, seu sangue ferveu. Então, tomou conhecimento de que a pessoa sobre a qual estava sentada era Damon, sentiu seu sangue ferver ainda mais, pois ele estava puxando a calcinha da menina para baixo enquanto a beijava no pescoço.
Saiu de fininho, entrando no elevador, e apertou o terceiro andar da casa, iria ajudá-lo. Entrou no quarto sem bater na porta, pouco se importava se a prima estaria com ou não, chutou-a para fechar e o olhou da cama onde estava deitada.
- Então você já viu. - disse ela sem emoção comendo alguns marshmallows.
- Como ela pôde? Eu achei que tivéssemos uma ligação depois do desabafo dela e do amasso de ontem, mas não! - ele disse sem olhar para a prima, andando de um lado para o outro.
- Hey, , - engatinhou até a borda, onde conseguiu segurar a mão do primo. - bem-vindo ao jogo. - foi o que disse.
- Perdão? - franziu o cenho, sacudindo a cabeça.
- Eu te avisei , a sabe se virar, mas tem que ser do jeito dela. - o acompanhava com os olhos.
- E como eu sei que ela não voltou atrás com ele? - perguntou com uma voz diferente, parecia magoada, realmente atingida.
- , - se levantou, parando de frente para o primo. - é vingativa e não burra! Quem lhe fez tamanho mal não cai tão fácil assim nas graças dela, confie em mim!
- Qual será o próximo passo então? - olhou que se afastou e colocou no canal de segurança, selecionando o zoom da sala de estar.
- Humilhação pública, ela sabe que estão sendo filmados. - sorriu a garota perversa.
- Garotas, quem as entende. - riu sem graça, fazendo companhia para a prima na cama enquanto dividiam os marshmallows.
No estúdio, dedilhava notas de uma música que não lhe saía da cabeça.
- "I will write you a song, that's how you'll know that my love is still strong. I will write you a song, and you'll know from this song that I just can't go on without you." - sorriu ao terminar de cantar o refrão, vendo que estava ficando bom o cover do Plain White T's. Mirou então uma bateria escondida no canto do estúdio, e foi até ela. Passou os dedos de leve nos pratos, observando quão linda era sua cor.
- Sabe que a nos mandou não ir aí. - interrompeu , que só então percebeu que havia passado pela porta que havia dito como 'pessoal'. - Se bem que para ver uma beleza dessas aí é tão raro que acho que não tem problema.
- Raro? Por que ? - o menino perguntou curioso.
- Você não sabe? Essa bateria era do Ringo Star. Beatles, do you know? Ali do lado, é a do Phill Collins e atrás de você , a do Travis Baker. O papai tinha uma filha bem carinha. - ele riu.
- Como você sabe que são deles? - perguntou ainda mais curioso.
- Um: já tinha ouvido falar que a família possuía valiosas peças do mundo da música. Dois: 'tá autografado, . - apontou para as assinaturas nos bumbos. - Mas o que você 'tá fazendo aqui ? A gente já terminou os ensaios por hoje.
- Eu 'tava trabalhando numa coisa pra .
- Uhh... Vocês 'tão assim, firmes mesmo? - perguntou, de certa forma decepcionado, mas feliz pelo amigo.
- Não sei, vamos descobrir.

Capítulo 24.

Naquela manhã, uma energia muito boa rodeava a casa, algo que era completamente inexplicável, mas que estava para afetar a emoção de todos. acordou empolgado com uma melodia nova na cabeça. estava de excelente humor, sorrindo até para o nada. fora acordado por , que o fizera levantar ao som de Blink 182, só para animá-lo. E a mesma acordara cedo, fizera uma leve caminhada rindo e cantando sozinha, também de humor mais do que ótimo. e haviam passado a noite juntos vendo filmes e comendo pizzas e mais pizzas, ele fizera questão de acordá-la com beijos na nuca. Ambos levantaram sorrindo de ponta a ponta. Damon e Nick? Haviam saído às quatro da manhã para passar o final de semana pescando. Até mesmo a amiga e governanta estava inspirada e fizera um café da manhã invejável. Estava tudo tão bem...
- Bom dia meus amigos tão amados! - entrou na sala, com nas suas costas de cavalinho, rindo alto.
- Bom dia twins! Quando nasceram colados que eu não vi? - riu de si mesmo, fazendo todos o olharem com dúvida, mas depois rirem também. Enquanto continuava sem expressão.
- Então, já que o dia está assim, maravilhoso, que tal uma festinha na piscina? - sorriu com todos os dentes, esperando um 'sim' como resposta.
- Claro, por que não? - sorriu , um pouco malicioso.
- ! Você já viu essa daí como veio ao mundo e ainda assim fica animado em vê-la seminua? - fez uma voz gay, causando risadas até no tão quieto .
- Vai ver se eu 'to na esquina ! - revirou os olhos, jogando em seguida um pãozinho na cabeça de .
- Por quê? Se você estiver, vai trair a comigo? - mordeu o dedo, fazendo uma pose engraçada, imitando um modelo-gay, o que causou mais risos em todos.
Após o café, todos se vestiram e foram aos poucos para a piscina. Os meninos estavam todos de bermuda apenas, cada um de uma cor. de azul, de verde, de laranja e de vermelho. Já estava com um modelo de biquíni que era uma espécie de shortinhos bem curto e uma parte de cima normal com bojo {n/a: gente, lembrete idiotas mas... BOJO não é enchimento! É o que deixa o biquíni/sutiã durinho, tá? .-.}. E usava um modelo de maiô com decote nas costas, ele seguia em formato meio circular, deixando as laterais do corpo completamente expostas, cobrindo apenas a linha do umbigo, de cima até embaixo onde ficaria a calcinha do biquíni.
Todos entraram na água para "brincar" com a grande bola de plástico na piscina. Quando os 'grupos' foram separados, acabou ficando do mesmo lado de e , mas preferiu ficar fora da piscina, apenas tocando um pouco o seu violão já que estava com uma melodia na cabeça.
- Ok então... Somos eu e desse lado contra a , e ! Força dos irmãos! - gritou, fazendo um hi-five com o irmão e apenas revirou os olhos, bufando em seguida. "Rídiculos..." pensou o menino.
E assim começou o jogo que e haviam inventado. Era basicamente jogar a bola um para o outro com o objetivo de ver quem espirrava mais água.
A brincadeira levou praticamente a manhã toda, então todos começaram a beber um pouco e não comer nada. Logo, estavam todos com fome. Um pouco antes da brincadeira parar para comerem a enorme lasanha que Madeleine havia preparado, ocorreu que, quando foi jogar a bola para , quis tentar pega-lá, dando um impulso com os pés e um grande susto em todos. A menina acabou escorregando após agarrá-la, batendo a nuca na borda da piscina. engoliu um pouco de água, e por uns 10 segundos todos ficaram imóveis sem saber o que fazer. estranhou o silêncio repentino e o barulho de algo caindo na água.
Desviou os olhos do violão para a direção que que olhava... em baixo d’ água. No mesmo segundo ele levantou desesperado, mas levantou-se inteira e sorrindo.
- Peguei! - disse ela, normalmente. Mas mesmo assim todos ainda estavam paralisados.
- Você... ‘Tá bem? - quebrou seu 'voto de silêncio', causando espanto em .
- Sim, só doeu um pouco, mais nada. - sorriu fracamente, sem olhar para . - Vamos almoçar? - perguntou a todos.
- Claro! - demorou a responder, mas, por fim, o disse. Deu uns petelecos em e para ambos saírem da água.
Era só impressão de ou todos haviam prestado total atenção nela sem que precisasse falar algo? Algumas ideias malucas pulsaram sua cabeça, mas nada fez. Apenas balançou a cabeça, como se isso fizesse tais pensamentos saírem de sua mente e foi almoçar na belíssima mesa do lado de fora da casa, com todos.
- Maddie, pegue um pouco de gelo, por favor? - sorriu para a amiga que era abraçada pelos ombros por mantendo a toalha em volta do corpo de .
- Eu já disse que estou bem. - insistiu.
- Só para garantir que não fique inchado, ok? - disse tirando uma mecha do pesado cabelo da menina que pingava.
- Ok. - fez bico, mas em seguida riu.
Após o almoço, puxou pelo braço, ao invés de deixá-la voltar para a piscina.
- Tenho uma coisa para você. - ele sussurrou em seu ouvido, tapando seus olhos. Conduziu-a até atrás do ginásio de esportes, onde havia um pequeno e charmoso quiosque que o mesmo havia enfeitado com flores, com a ajuda de Maddie. - O que você acha disso? - tirou as mãos os olhos de , fazendo-a abrir os olhos e se deparar com um pequeno conto de fadas. Aquilo era realmente verdade?
- ! - ela sentia tantas emoções ao mesmo tempo, que não sabia mais o que dizer, além de repetir seu nome. - ...
se perdeu observando tudo atenta. Desde as flores em todo o lugar até a pequena mesinha com uma caixinha em cima. Olhou curiosa para frente, foi quando se virou para atrás de si, com um violão nas mãos.
- Mas o que...? - no mesmo momento ele encostou os dedos nos lábios dela, apontando em seguida a cadeira para ela se sentar. Ele se sentou em um pequeno banquinho e começou a dedilhar as primeiras notas de "Write You A Song", fazendo a menina começar a lacrimejar de leve. - ...

"I don't know how to make lots of money
I got debts that I'm trying to pay
I can't buy you nice things, like big diamond rings
But that don't mean much anyway."


Cada palavra que ele cantava soava tão docemente. não parava de sorrir como uma boba apaixonada, que era exatamente como ela era. Com uma rosa que pegara, com a boca, da mesa, levou a mesma até , que tirou-a e o abraçou delicadamente.

"I can't give you the house you've been dreaming
If I could I would build it alone
I'd be out there all day, just hammering away
Make us a place of our own."


Conforme ele cantava, mais parecia que ela se envolvia com a letra. Plain White T's sempre a emocionava, mas nunca pensara que um cara como iria cantar assim tão romanticamente para ela. Era simplesmente um sonho.

"I will write you a song
That's how you'll know that my love is still strong
I will write you a song
And you'll know from this song that I just can't go on without you."


Nessa última frase, ele deu uma paradinha e beijou a mão de , gentilmente, fazendo-a corar involuntariamente.

"I don't know that I'd make a good soldier
I don't believe in being violent and cruel
I don't know how to fight, but I'll draw blood tonight
If somebody tries hurting you."


fez uma carinha triste e imitou-se chorando de brincadeira na primeira estrofe. Então uma cara de indignação, seguida de uma pose como se estivesse se apresentando no exército e depois cara dramática, interpretando o que ele cantava.

"I will write you a song
That's how you'll know that my love is still strong
I will write you a song
And you'll know from this song that I just can't go on without you."


Nesse segundo refrão, deixou algumas lágrimas caírem, se deixando levar cada vez mais pela emoção. se aproximou, sem parar de tocar, e beijou o topo de sua cabeça.
- Agora você canta a segunda voz, sem chorar viu? - sorriu e ela concordou com a cabeça.

"Now that it's out on the table (it's out on the table)
Both of us knew all along (knew all along)
I've got your loving and you've got my song."


Ele permaneceu nessa parte, após cantá-la com , parado olhando a menina, a qual havia roubado seu coração desde sempre. Aquele jeito único de quem não se importava com os outros, quem tomava atitudes sempre, escondera essa menina frágil que estava esperando alguém para ajudá-la a se libertar às vezes.

"I don't know how to make lots of money
I don't know all the right things to do
I can't say where we'll go, but the one thing I know
Is how to be a good girl to you
Until I die that's what I'll do."


Então antes que ele pudesse abrir a boca para cantar, enxugou as lágrimas e cantou essa parte, olhando diretamente para ele, de pé. Ele sorriu, mordendo o lábio em seguida. Ela sempre o surpreendia, não?

"I will write you a song
That's how you'll know that my love is still strong
I will write you a song
And you'll know from this song that I just can't go on without. "


Então, cantou junto dela o refrão, e assim se seguiu até o final da música, ambos sorrindo.

"I will write you a song (I will write you a song)
That's how you'll know that my love is still strong (love is still strong)
I will write you a song
And you know from this song that I just can't go on without you."


, então, virou o violão para trás, e assim ficando corpo a corpo com , beijando-a delicadamente. Puxou-a, sem desgrudar os lábios, um pouco para trás. Quando ela chegou à mesinha, ele se separou dela, pegando a caixinha e ajoelhou-se.
então arregalou os olhos, e logo previu o que estava por vir.
- , quer namorar comigo? - ele sorriu, abrindo a caixinha que possuía duas alianças de prata. Ela sorriu de ponta a ponta, e fez depois cara de pensativa.
- Uhm... Claro que sim! - ela disse abaixando-se na altura dele, beijando-o sem ao menos precisar pensar ou se esforçar. Aquilo era tão saudável e bom!
Ele colocou a aliança nela, e ela, nele. Quando se levantaram, tinha os olhos brilhando como uma criança conhecendo a praia pela primeira vez. Então pulou sobre , que a rodou no ar. O amor era lindo não?

Capítulo 25.

, e haviam voltado para a piscina sob os protestos de Maddie, pois ela achava que não teriam uma boa digestão. voltou para o seu violão e tentou ignorar a preocupação que ainda fazia seu coração palpitar.
- , afaste-se da borda. - disse enquanto pegava a bola e entrava novamente na piscina.
- Ok, ok. - ela foi mais para o meio.
- Então, o que faremos agora? - perguntou com cara de entediado.
- Guerrinha de água. - deu um caldo no garoto que assustou-se e acabou aspirando um pouco da água, fazendo-o tossir.
- Ah é? - ele ajeitou-se na piscina e foi para trás de . encheu as mãos de água e pegou um desavisado.
- Mas que diabos... - disse o garoto atordoado enquanto e riam sem parar. - Agora vocês vão ver. - a menina saiu gritando enquanto aumentava a gargalhada. Por outro lado, parecia submerso em um mundo só dele, bem, só dele até que um caldo o encharcou por completo, molhando seu violão e parte de seu caderno de letras. Ele levantou-se de súbito, procurando pelo autor daquela infantilidade.
- Desculpe. - se pronunciou afastando-se para poder encará-lo sem a interferência do sol batendo em seus olhos. O garoto nada disse, mas seu olhar frio e penetrante foi o suficiente para que quisesse se afogar ali mesmo, saiu pisando duro e bufante.
- Não liga pra ele, - se aproximou da menina vendo sua expressão chateada. - fica pior que mulher de TPM quando ‘tá compondo. - caiu na gargalhada e não demorou para que ele e fizessem o mesmo.

*Flashback**

- É uma pena... - disse, ainda sobre Damon, puxando os cabelos do garoto para trás. - que você tenha mudado tão pouco em tanto tempo. - suspirou a menina revirando os olhos. - Mas não se preocupe, - sorriu de canto. - é isso que acontece com pessoas como você, Damon, ansiam tanto para acabar com a vida alheia que se esquecem de olhar para a própria. - mordeu o próprio lábio ao ver que o garoto estava inconsciente de tão bêbado. Saiu de cima dele e pegou sua roupa, vestindo-a rapidamente. Sentia-se suja, mas com a sensação de dever cumprido.
Entrou no elevador e encostou-se em uma das paredes, depois de apertar o andar dos quartos, com os braços cruzados. Não se sentia feliz, mas ao menos se sentia aliviada. Ter Damon longe de seu pé significava lacrar seu passado obscuro de uma vez por todas.

*End of the Flashback**


- Quer ir ao estúdio? - ouviu perguntar depois de seu leve mergulho ao dia anterior.
- Claro, por que não? - sorriu a menina apoiando as mãos na borda da piscina para impulsar sua saída da mesma. Enrolou a toalha no corpo e vestiu os chinelos para que não escorregasse.
Seguiu e para o elevador e encostou-se da mesma maneira que o havia feito na noite anterior.

*Flashback**

Parou de frente à porta a qual ela sabia que daria para o quarto de , mas não se permitiu bater. Simplesmente ficou encarando a madeira envernizada a sua frente e suspirou, ele algum dia a perdoaria? Sim, ela sabia que estava a vendo, quem não saberia? Andou algumas portas a frente e bateu duas vezes antes de abrir.
- ? - olhou estirado na cama enquanto assistia a qualquer canal na televisão.
Mordeu o lábio sentindo um nó forte no estômago levar sua voz embora. Piscou diversas vezes, mas tudo o que via estava se embaçando, gradativamente. Deu passos incertos em direção à cama onde a tateou antes de se sentar. Olhou para baixo, mexendo sem jeito no lençol e piscou mais uma vez, dessa vez deixando que algo caísse, solitário. O silêncio pairava, mas ela sabia que estava à espera do momento certo para abrir a boca. Num movimento brusco levantou a cabeça e abraçou o garoto fortemente, soltando um soluço esganiçado, talvez fosse essa a hora de deixar tudo de lado.

*End of the Flashback**


- Vamos pegar alguns violões e fazer improvisos. - disse animado enquanto abria a porta do estúdio. , por outro lado, ia e voltava de seus devaneios sem ao menos perceber o que acontecia a sua volta. Aceitou o violão que estendeu e pegou uma palheta que havia em cima de uma mesinha de centro, a qual cercava duas poltronas e um puff largo. Sentou-se ao lado de no puff e dedilhou um pequeno solo, como se estivesse testando o instrumento.
- Você sabe tocar? - perguntou boquiaberto.
- Acho que você não estava na sala quando eu disse isso, - olhou para que pareceu parar e tentar lembrar-se do momento assim como ela. - toco baixo e guitarra, além de alguns instrumentos clássicos. Então, é, eu sei tocar violão. - sorriu.
- Toca aí então. - disse sorrindo e olhou para , talvez tentando adivinhar qual seria a música que a menina tocaria.
- Go on, go on, go on/ go on, go on, go on/ go on, go on, go on/ go on, go on, go on... - deu a introdução no violão enquanto fechava seus olhos e tomava uma longa inspiração. – I've been doing this my way, your way, our way/ I can't make it work/ When all I have is not enough. - e quase não respiravam para prestar atenção em cantando. Era algo doce, mas que emanava verdade por entre os versos que ela pronunciava com uma voz maravilhosa. - I've been doing all I can, my plan, your plan/ And all I get is hurt/ This game we're playing has to stop. - talvez ela não estivesse só cantando, não, ela estava interpretando a música.

*Flashback**

- O que houve? - passou sua mão levemente sobre o cabelo de que havia aninhado em seu peito.
- Está tudo acabado agora, , ele nunca mais vai me perturbar. - disse a menina com a voz abafada e chorosa.
- Quem, ? - ele ficou confuso por um momento.
- Meu passado. - soltou-se dele para olhá-lo, mesmo com os olhos vermelhos e inchados. - Ele nunca mais vai me machucar. - sorriu fraco, mas não conseguia parar de chorar. Na verdade, aquelas eram lágrimas de alegria e de alívio. - Mas... - ela voltou a olhar para baixo, dessa vez sentindo seu estômago revirar.
- Mas? - perguntou atento.
- Acho que perdi o . - soluçou repetidas vezes até conseguir retomar o fôlego.
- Você não o perdeu. - segurou as mãos da meia irmã, solidário. - Garanto que ele vai te ouvir se explicar tudo o que aconteceu. - sorriu.
- Eu acho que não, , ele viu tudo... deve estar muito puto comigo agora. - fungou a menina.
- Vai dar tudo certo, nós vamos começar de novo, não é mesmo? - se aproximou dela.
- É. - sorriu fraco e voltou a abraçá-lo.

*End of the Flashback**


- I got you stuck in my head/ And all you do is breaking me/ I can't continue taking this/ I tried my best to understand/ But I cannot make sense of you/ I've got to take a stand now baby. - Os olhos de lentamente se enchiam de lágrimas, mas sua voz permanecia lá... inalterável. - I don't want to waste another day/ I don't want to live my life this way/ I'm tired/ I Just want to lay back down and/ I don't want to waste another night/ I don't want to keep on chasing lights/ So go on, go on, go on/ go on, go on, go on/ Bye Bye.
Do lado de fora, havia acabado de sair do elevador e se dirigia ao estúdio para fazer uma pequena demo de sua nova música, entretanto, parou ao ouvir a doce voz que saía de lá de dentro e resolveu escutá-la com mais atenção.
- I remember I met you/ Let you get your way in everything/ You took complete control of me/ I remember you lying/ Crying, trying to get away with it/ But now I know cause now I see. - continuava tocando o violão enquanto lutava para que sua voz permanecesse intacta e o vinha fazendo muito bem. Talvez aquele fosse o momento em que a música Chasing Lights das The Saturdays finalmente deixaria de ter um significado triste para ela para, então, ser apenas mais uma música. - I believed all that you said/ I never questioned any lies/ I never opened up my eyes/ All your words got me mislead/ Now I am standing/ I'm alive/ I never had you on my side/ Oh. - olhava pela fresta da porta, embora enxergasse apenas as costas e o cabelo de , podia sentir tudo o que ela sentia naquele momento, enquanto aliviava sua voz nas notas tristes que tocava. - I don't want to waste another day/ I don't want to live my life this way/ I'm tired/ I Just want to lay back down and/ I don't want to waste another night/ I don't want to keep on chasing lights/ So go on, go on, go on/ go on, go on, go on/ Bye Bye. - a música já apresentava leves traços da voz falha de , mas ela estava determinada a seguir até o final, até a última nota.

*Flashback**

O menino estava tão alterado que todos os seus sentidos estavam mais fortes, logo, não foi preciso muito tempo para que suas mãos trouxessem para mais perto e seus lábios gelados grudassem nos quentes da menina. Não se demorou ali, desviando logo para o pescoço, uma área onde poderia explorar melhor. encenava pequenos gemidos, agarrando-se aos fios de cabelo do garoto enquanto sorria satisfeita por seu plano estar dando certo.
- Então, Damon, - começou ainda de olhos fechados, o sorriso vitorioso iminente. - eu tenho uma coisa para você. - disse separando o garoto de seu pescoço para que pudesse encará-lo melhor.
- O que é? - perguntou ele, os olhos brilhando.
- Isso. - pegou do bolso de sua calça um pequeno pingente em forma de uma cruz celta pendurado em uma correntinha de prata. Damon arregalou os olhos e tentou pegá-lo. - Na-não, - ela sorriu afastando a correntinha do alcance do garoto. - pelo visto você quer de volta. - viu Damon concordar, extremamente desconfortável. - Pois não é isso que vou fazer. - arremessou a correntinha para longe dos dois.
- É da minha mãe, , devolva. - disse sério, os olhos cerrados.
- Mas que coincidência Damon! - disse a menina em falso tom de surpresa. - Porque aquele pingente que você pegou de mim no baile também era da minha mãe e adivinha só, - ela se aproximou de seu rosto, puxando fortemente os cabelos do menino para trás. - você não me devolveu. - disse com os dentes trincados.
- Ah por favor, vai me dizer que ainda guarda rancor daquela época? Eu era um pirralho, não media as consequências. - Damon rebateu, começando a ficar inquieto.
- Não, Damon, eu não guardo rancor, eu apenas dou o troco. - aproximou bem seu rosto do garoto. - Achei que todo mundo iria adorar saber que o garanhão do Damon guarda uma correntinha de moleque entre seus pertences. Lembro-me bem quando sua mãe te deu, eu estava lá e olha só, também era para te dar sorte! - a encenação de estava a destruindo por dentro, mas ela não via outra maneira. - Então, querido, é melhor tomar cuidado da próxima vez que for fazer algo a alguém, porque a vingança pode ser inevitável.

*End of the Flashback**


Lágrimas escorriam pelo violão no que fora o retorno mais doloroso ao dia anterior. Mas ela não seria mais aquela pessoa, não mesmo.
- I've been doing this my way, your way, our way/ It doesn't work. - Suas mãos tremiam e suavam, mas a música já chegava ao fim e, ao menos, ela se sentia mais aliviada. e estavam sem palavras, mal piscavam diante da pequena apresentação que lhes era fornecida naquele momento. Ver frágil daquele jeito era algo muito, muito estranho, mas ao mesmo tempo era incrível. - I don't want to waste another day/ I don't want to live my life this way/ I'm tired/ I Just want to lay back down and/ I don't want to waste another night/ I don't want to keep on chasing lights/ So go on, go on, go on/ go on, go on, go on/ Bye Bye... - ela finalizava de olhos fechados enquanto segurava o violão que ainda mantinha suas cordas vibrando. Ao som de pequenos aplausos ela ousou abrir seus olhos vermelhos e marejados e sorriu agradecida.
, do lado de fora, havia colocado seu violão no chão e acompanhado tudo de perto. Ele estava com o coração na mão quando viu que havia se levantado para abraçar , seus olhos foram direto para o rosto vermelho da menina e nele ele pôde ver. Uma nova estava para nascer.

Capítulo 26.

havia descido para a cozinha para se recompor. Estava com um pouco de fome e talvez Maddie preparasse algo especial para ela. Entretanto, ao chegar à porta da cozinha deparou-se com vasculhando a geladeira, não pôde deixar de notar a circunferência prateada ofuscante que circundava o dedo anelar da mão direita da amiga, com a qual ela segurava a porta da geladeira.
- Hummmm, temos uma compromissada nessa casa. - disse a menina assustando enquanto se sentava na bancada. - Desde quando essa jóia ofuscante brinca no seu dedo que eu não estou sabendo? - cruzou os braços fazendo cara de ofendida.
- É recente, eu juro. - riu boba. - Ai , ele é tão fofo! - saltitou para o lado da amiga e mordiscou uma cereja que havia tirado do potinho que tinha em mãos.
- Estou vendo. - sorriu revirando os olhos. - Depois você me conta tudo hein? Agora vai pra lá que eu vou assaltar a geladeira. - empurrou pelos ombros para fora da cozinha e fechou a porta. Talvez "assaltar" não fosse o termo correto, já que ela precisava anunciar algo antes. E isso não poderia esperar. Pegou o celular que estava na sala depois de sair pela outra porta que havia na cozinha e abriu o flip deixando à mostra o teclado. Fez o login e começou um breve post:

"SPOTTED!

e acabam de firmar compromisso, com direito a aliança e tudo! Nossas saudações ao novo casal, só esperamos que ele dure mais do que os antigos a que se submeteu.

Beijinhos, Demetria"


Desligou o celular e sorriu, agora sim ela poderia se empanturrar de guloseimas.

foi direto para a sala de jogos, onde os meninos, , e , jogavam Rock Band dos Beatles no Wii.
-“ I am the egg man! They are the egg men! I am the warlus!” - cantava, empolgado, enquanto estava no baixo e na bateria. se sentou ao lado de , e depois começou a cantar junto com .
- Eu sempre esqueço o quanto é legal cantar "I am The Walrus" com você, ! - riu ao terminar a música, bagunçando os cabelos da menina, que fez careta.
- Eu sou uma ótima Paul McCartney, ok? - ela sorriu, e se jogou no sofá ao lado de . - Que tal um pouco de... “Here Comes The Sun”? - levantou as sobrancelhas, como o menino ao seu lado fazia, causando risos nos outros dois.
- Hey! Não é assim que eu faço! É bem mais sexy, sabe? - então levantou as sobrancelhas. - É assim que se faz!
- Ok ok... Deixando isso de lado, coloca aí "Here Comes the Sun", oh Mr. Sexy. - jogou uma das baquetas na cabeça de , fazendo-o reclamar, mas selecionar a música. conectou o outro microfone, e, antes que pudesse começar o solo inicial de guitarra, seu celular apitou.
Pegou seu Blackberry na mão, estranhando, e viu então a notícia. Por uns instantes, não acreditava que tivesse feito aquilo. Jogou seu celular no colo de e marchou até o elevador.
Ele, sem entender, pegou o celular e viu o blog aberto. Após ler a notícia, pegou o aparelho, pediu licença aos meninos e foi atrás de .
- Ei! Qual o problema? Acha que o Fletch vai te demitir? - corria pelo corredor, para chegar ao elevador antes que ele se fechasse.
Quando a porta estava se fechando, ele colocou a mão na pequena abertura, conseguindo, então, entrar.
- , eu te amo. - ela resmungou, cabisbaixa. - Mas não queria que as pessoas soubessem da gente, assim, do nada! - fez um pequeno bico. Ela tinha que disfarçar sua raiva excessiva, senão ele poderia desconfiar de que ela sabia de algo mais.
- ... - ele começou, apertando o botão para travar o elevador. - Eu não me importo de como a mídia vai saber. O que eu quero é que as pessoas saibam que eu estou com você! Porque eu também te amo! Aliás, amo MUITO! E quanto mais cedo, melhor. Quando voltarmos, com o CD novo, todos já estarão sabendo do por que ele saiu tão bom assim. Porque eu tinha, aliás, tenho, você para mim. Eu sou seu, para sempre. E o que a gente sente é o que importa, não o que os outros pensam. Além do mais, - ele segurou em seu queixo, levantando-o. - não tem como alguém não gostar de você! Minha família te adora! Você é perfeita para mim, como eu espero ser para você. - ela então deixou uma lágrima rolar, abraçando-o fortemente.
- Você é mais do que perfeito. Você, agora, é meu. E eu sou sua. - de repente ele conseguiu, mais uma vez, fazer com que tudo fosse perfeito. A raiva? A irritação? A preocupação? Haviam sumido. Naquele momento, só existia os dois.
entrou na cozinha distraído, mal notando a presença de que fez questão de ignorá-lo. Aproveitou que ele se escondera atrás da porta da geladeira e caminhou silenciosamente ficando atrás do garoto. Quando ele virou-se, por pouco não deixou cair a bandeja que segurava.
- Então, Sr. , algum motivo em particular para estar me ignorando? - o olhou sorrindo petulante. a encarou sem palavras, o que a fez se sentar na alta bancada de mármore.
- Não é nada. - ele balançou a cabeça colocando a bandeja sobre o mármore que cercava a pia.
- Faça-me rir. - murmurou ela pegando uma cereja do potinho que havia pegado mais cedo. - Ninguém me trata mal sem ter um motivo específico. Se o faz, eu o obrigo a achar um. - ela continuou despreocupada.
- Me deixa em paz. - ele saiu em direção à porta, mas já tinha a resposta na ponta da língua.
- Ótimo, vá embora, mas quero deixar claro que, o que acontecer a mim daqui para frente será total e inteiramente culpa sua, fui clara? - ela virou o rosto em direção ao garoto que permaneceu de costas para ela. , entretanto, nada disse, seguindo em frente e saindo da cozinha em silêncio. sorriu triste e sentiu um arrepio na espinha, mal sabia ela que estava confuso demais e tudo o que ele mais queria era perdoá-la e abraçá-la, tendo-a junto de si para o resto de sua vida.
Será que as coisas estavam longe de se acertarem de uma vez por todas?

Capítulo 27.

- Don't tell me that you're done as far as we go, you need to have a sit down with your ego - era o que cantarolava toda vez que passava próxima a , deixando-o furioso e chateado ao mesmo tempo.
Foram todos dormir rapidamente naquele dia, pois no dia seguinte teriam que começar a treinar as novas músicas e gravar pequenas “demos” para Fletch. Damon e Nick haviam voltado tarde da noite e haviam ido direto para a cama. No dia seguinte, o sol nasceu brilhando e o aroma de bolo de chocolate havia despertado todos naquela casa. Desceram rapidamente para o café e, em seguida, os meninos seguiram para o estúdio, voltava para seu quarto, seguia para a piscina e Damon e Nick ajudariam Madeleine com as louças.
estava desatento enquanto dedilhava seu violão, tanto que não conseguia se concentrar no que seus companheiros de banda diziam. estava encarando, da janela de seu quarto, a amiga que cantarolava sozinha na borda de piscina, de costas para ela. Embora ela e seu primo ainda não tivessem se entendido, ela acreditava que isso não se demoraria muito, tinha quase certeza de que o primo amava sua melhor amiga e só poderia torcer para que tudo desse certo. Suspirou e foi se deitar para assistir a qualquer programa matutino, sua cama estava tão aconchegante.
perdia seu olhar na paisagem enquanto olhava para a grande piscina de vez em quando, sem parar de murmurar vários versos de músicas. Para ela, não estava fazendo nada bem aquele jogo de provocações com , queria que ele viesse logo falar com ela, queria que tudo se acertasse. Viu uma flor cair na piscina, desprendendo-se de uma das árvores que havia ao redor. Era uma linda flor púrpura, deu alguns passos sem deixar de olhá-la, mas, quando estava prestes a se abaixar, sentiu duas mãos se espalmarem em suas costas, na linha dos ombros, e a empurrar com toda a força para frente, não dando tempo para que ela amortecesse a queda e, assim, batesse a cabeça na quina da piscina, caindo desacordada na mesma. A pessoa que estava atrás de se assustou, não esperava que ela caísse tão próxima à piscina. Saiu correndo sem olhar para trás e se escondeu na casa.
disse aos companheiros de banda que daria uma volta, o fato era que não aguentava mais, precisava falar com . Seguiu para o quarto da menina, mas nada encontrou, desceu e procurou no andar de baixo, também nada. Chegou no hall e ainda não havia sinal de , então lembrou-se de que havia a visto seguir para a piscina e foi procurá-la lá. Ao fechar a porta de vidro, entretanto, deparou-se com uma cena horrível. Caminhou apressadamente até a borda onde, minutos antes, se encontrava em pé.
tirou os chinelos que calçava e pulou rapidamente na piscina. estava boiando um pouco distante da borda, com um filete de sangue a rodeando. O menino a deitou rapidamente no chão de tábuas de madeira, deixando que a água de seu corpo pingasse sobre o inerte de , seus lábios estavam roxos e na testa havia um corte profundo. Massageou o peito da menina três vezes antes de tocar seus lábios gélidos, assoprando todo o oxigênio que sua respiração falha permitia. Repetiu o ato quatro vezes até que a menina começasse a cuspir enormes quantidades de água. Seus lábios estavam pouco arroxeados, mas a palidez e inconsciência haviam voltado depois do refluxo de água.
Ele, então, carregou nos braços, e seguiu com as pernas bambas para o interior da casa.
- UM MÉDICO! - gritou com a voz rouca. Seguiu até a parede ao lado do interfone onde havia um botão de pânico, o qual ele sabia que acionaria a ambulância.
e apareceram no topo da escada, dando de cara com um , de costas, ajoelhado no chão gelado do hall de entrada com um corpo pálido sobre seu colo.
- Vai ficar tudo bem, vai ficar tudo bem... - repetia o garoto enquanto mantinha a cabeça de erguida e balançava seu corpo para frente e para trás.
- ? - e disseram em coro, assustados.
- Eu já chamei a ambulância. - murmurou ao que ouviu as sirenes se aproximando. A porta da mansão foi escancarada e se levantou de prontidão. Colocaram na maca e a guiaram até o veículo com em seu encalço. e o seguiram ainda sem entender nada. - Avise a , a gente se encontra no hospital. - disse enquanto fechava a porta do carro com cara de assustado.
O carro saiu em disparada e os dois garotos só conseguiram se encarar, totalmente confusos. Adentraram a mansão, ainda calados, e subiram para contar a macabra novidade, seria o mais sensato para falar com .

- Pressão despencando, mais oxigênio. - um dos paramédicos dizia enquanto a sirene deixava todos apreensivos na rua.
observava enrolada em uma manta térmica, sendo examinada pelos médicos; de repente, ele sentiu como se fosse um carinho em seu joelho desnudo por conta da bermuda, pensou ser apenas a maca esfregando-se nele conforme os sacolejos da ambulância que seguia a toda velocidade. Entretanto, ao olhar para baixo, para tentar parar com a carícia incômoda, tudo o que viu foram dedos pálidos e enrugados esgueirando-se por entre as grades da maca para tocá-lo. Seus olhos se arregalaram e ele se concentrou no rosto de , que tinha seus olhos cerrados.
- Ela está consciente. - um dos médicos anunciou pegando uma pequena caneta com luz e examinando os olhos inexpressivos de ; sorriu involuntariamente e segurou na mão da menina que retribuiu, mesmo que fracamente, seu aperto, antes de soltá-la completamente. Foi quando percebeu que algo estava errado, um zumbido o incomodava e então decidiu focalizar-se novamente no rosto da menina.
- Parada cardíaca, desfibrilador, rápido! - gritou o médico para o outro. - Carregando... - disse enquanto era descoberta. - afastem-se. - e o corpo da menina curvou-se alguns centímetros diante do choque.
- Tenho pulso. - murmurou o outro médico.
- Estamos de volta. - disse, voltando a cobri-la com a manta.

, em seu quarto, havia estranhado o barulho de ambulância rondando sua casa; ligou no canal de segurança e conseguiu ver o desespero do primo ao colocar... no carro? Ajeitou-se na cama e selecionou a câmera da piscina, onde havia visto a amiga pela última vez. Seu coração estava apertado, o que havia acontecido?
Observou tudo voltando, com no colo, a ressuscitação, o corpo da amiga boiando na piscina e parou quando sumiu do quadro. Seus olhos lacrimejavam e o nó na garganta apertava dolorosamente. Ela tinha medo de voltar a fita ainda mais e descobrir o que havia acontecido, na verdade, parte dela dizia que aquele momento era propício para um post em McHate.com, mas não, ela não poderia fazer aquilo com a amiga e, principalmente, com o primo. Mas uma pontada a incomodava, algo que sua emoção seria incapaz de superar. Sentindo-se a pior pessoa do mundo, ela selecionou duas imagens das câmeras de segurança, uma de boiando na piscina inconsciente e outra focada no rosto assustado de antes de fechar a porta da ambulância, colocou as fotos lado a lado e as editou em escala de cinza.
Soluçando e com lágrimas lhe escorrendo pelos olhos começou um novo post.

"Nunca confie no Cel. Mostarda...

Olá leitores, adivinhem a bomba que acaba de explodir na casa onde o McFly está hospedado?! Pelas fotos que recebi, algo de muito estranho aconteceu na piscina da mansão deixando um corpo boiando no meio dela. Ao lado, uma foto do assustado enquanto levava a aparente amada para o hospital. Peguem suas lupas, detetives, os dados foram lançados.

xoxo, Letty."


Fechou o laptop empurrando-o longe enquanto se permitia chorar inconsolavelmente, não sabia o por que, mas não queria mais aquele tipo de vida para ela. Que espécie de pessoa tirava proveito da desgraça alheia para conseguir atenção? O tipo perdedora pensou ela. Agarrou-se a uma das muitas almofadas presentes em sua cama e se encolheu, chorando enquanto pensava na amiga.
- ! - entrou de supetão no quarto do amigo.
- Deus do céu, o que houve? - ele se levantou da escrivaninha, onde mantinha os pés apoiados.
- A-A , foi pro hospital. - gaguejou pálido.
- Você precisa falar com a , eu não...eu não consigo! - disse com a expressão suplicante.
- Ok, ok, vão preparar o carro que nós já vamos, rápido! - bateu palmas para fazer os amigos se mexerem. Andou em largas passadas até o elevador e apertou o botão do andar "proibido". Caminhou pelo pequeno corredor, nervoso, e bateu algumas vezes na porta. Como não obteve resposta, abriu-a devagar. - ? - chamou.
- Entra . - ela sorriu em meio às lágrimas.

sentia-se como se estivesse submerso em uma grande piscina, concentrado em focar o vazio, ele deixava que sua audição não captasse nada além do silêncio de seu transe. As lágrimas pingavam em direção ao chão, enquanto ele mantinha sua cabeça baixa. O que ele passara há alguns minutos atrás (ou teriam sido horas?) só descarregava sobre ele naquele momento. Quando braços o envolveram pelos ombros, tudo o que conseguiu fazer foi retribuir, sabia que a prima compartilhava da mesma dor que ele e não havia ninguém melhor para abraçar naquele momento.
- Eles vão perguntar como ela está. - disse a voz da menina abafada, enquanto lágrimas quentes a atingiam no ombro, onde o rosto de se apoiava.
- Eu nunca deveria tê-la deixado. - murmurou o garoto com a voz abafada e mole, seu corpo parecia ter se desligado de sua cabeça.
- ? , fica comigo ok? - agachou-se na altura do rosto do primo que tinha os olhos semi-abertos. - , me escuta, você não pode fazer isso agora, fica comigo, ! - ela dizia impaciente enquanto o garoto curvava-se para encostar-se à cadeira, ainda chorando.
- A recepcionista disse que a está na ala de trauma, provavelmente deixando a cirurgia, fica do outro lado do prédio, vamos. - aproximou-se afobado.
- Me ajudem com o . - suplicou, a abraçou e tentava ampará-la enquanto e carregavam um muito grogue pelos corredores.
Chegaram à outra sala de espera mais vazia, colocaram sentado em uma das poltronas enquanto escorregou para outra, atordoado, e aproximou-se de uma clara-bóia onde havia algumas plantas e uma pequena mureta de mármore, na qual havia se sentado. Cinco minutos se passaram parecendo horas e o toque dos cinco celulares presentes os despertou de seus próprios mundos. Abriram os aparelhos e não havia nada de diferente, a não ser um post do blog. começou a chorar, soluçando, bufou irritado, fechou o celular com violência, não disse nada, apenas contorceu a face em dor. Já ...
- Eu vou processar a porra desse blog! Onde já se viu? Ninguém se aproveita da minha irmã pra armar barraco, elas vão se arrepender! - disse o garoto tentando controlar o tom de sua voz para que não incomodasse os demais.
sentiu sua visão escurecer e seu corpo ficou pesado, a segurou antes que caísse no chão. Agora tudo desmoronaria de uma só vez?

Capítulo 28.

- ? - murmurou enquanto piscava os olhos para se acostumar à claridade.
- Hey. - sorriu. - Está bem? - ele a ajudou a se sentar.
- Acho que sim, o que aconteceu? - passou a mão por seu cabelo o arrumando.
- Você desmaiou. - sorriu acariciando a bochecha de .
- Onde estão os outros? - perguntou ainda com a voz meio grogue.
- está ao lado da porta da UTI, está com ele e foi pegar alguma coisa para comermos.
- E a ? - ela já havia se levantado da maca onde estava e seguia para fora da salinha com a ajuda de .
- Na UTI. - suspirou. - Ela precisa ficar um tempo lá. está pagando por um leito particular.
- Mas... - o olhou, pronta para protestar.
- Não o confronte, ele se sentiu um pouco melhor fazendo isso. - sussurrou visto que já se aproximavam dos meninos.
- Hey, peguei isso para você. - estendeu um copo de frapuccino para sorrindo.
- Obrigada. - observou e sorrindo com pena. Ambos estavam em silêncio, abalados.
Mais algumas horas se seguiram, estava encostado em uma das paredes com entre suas pernas e a abraçava, beijando o topo de sua cabeça de tempos em tempos. Um médico saiu da ala da UTI chamando a atenção dos cincos jovens.
- Srta. , é bom vê-la por aqui. - ele sorriu, lembrando-se da última vez que a vira, no funeral de seus pais. - Vamos removê-la para um quarto e vocês estão autorizados a ficar com ela. - se permitiu sorrir, mesmo que fracamente. - Por favor, me acompanhem. - ele estendeu o braço na direção do corredor e os jovens o seguiram em silêncio.
Para a surpresa de todos, já se encontrava no quarto, com um respirador e a cabeça enfaixada. correu para ficar ao seu lado e passou levemente a mão trêmula no rosto desacordado da menina.
- Descansem, ela terá de ficar alguns dias aqui no hospital. - o médico disse otimista e pediu licença para se retirar. caminhou até e segurou sua mão livre, entrelaçando os dedos.
- Vá dormir um pouco meu amor. - ela passou a mão no cabelo do primo que, novamente, deixava as lágrimas escorrer. - Ela não vai a lugar algum e eu prometo tomar conta dela. - ela sorriu esfregando as mãos nos braços do primo, reconfortante. Ele nada disse, apenas concordou e seguiu para um sofá que havia no canto do quarto. Não demorou muito até que ele pegasse no sono. caminhava de um lado para o outro do quarto até perceber que o primo finalmente havia dormido, seguiu até um dos armários que havia lá, à procura de uma coberta. Cobriu-o e voltou-se na direção de que a acompanhava com o olhar.
estava sentado com as pernas abertas na ponta de outro sofá, alerta. estava ao seu lado, mexendo em algo no celular. seguiu até que a puxou para sentar-se em seu colo.
- Eu te amo, sabia? - ele sussurrou em seu ouvido, fazendo-a sorrir, boba.
- Sabia, porque eu também te amo. - ela envolveu seus braços ao redor do pescoço de tocando seus lábios levemente.
As horas passavam, ou melhor, se arrastavam, principalmente madrugada adentro. Estava próximo à hora do almoço, já no dia seguinte, quando o médico voltou a aparecer na sala, ainda dormia, para a surpresa de todos, se mantinha na mesma posição, já , e conversavam baixinho.
- Queiram me acompanhar, por favor. - ele sorriu e os guiou para uma pequena sala, que julgaram ser a do próprio médico. - A partir da tarde, nós vamos acordar . - ele sentou-se, depois que os meninos já estavam acomodados.
- O que você quer dizer com acordar? - se pronunciou confuso.
- Ela está em coma induzido, para passar o pior da dor e se recuperar da cirurgia. - ele explicou, levantando-se e seguindo para um painel de luz, onde fixou duas radiografias. - Quando chegou aqui ela estava com um corte bem profundo na parte frontal da testa, o suficiente para ter atingido o crânio, na região do lobo frontal. Tivemos de fazer uma pequena incisão para que o sangue não se acumulasse no cérebro. Ela levou alguns pontos e ficou um tempo na UTI, para se estabilizar.
Todos o escutavam atenciosamente, esperavam que no final das contas ele tivesse uma solução.
- Ainda não podemos saber os efeitos colaterais da pancada e com a parada cardíaca a caminho do hospital temos de ser cautelosos, por isso vamos acordá-la. E é por essa causa que eu os chamei aqui. - ele voltou a se sentar, entrelaçando as mãos sobre a mesa. - Quando a despertarmos, precisaremos que o quarto esteja vazio, para que ela não se agite. Vamos fazer alguns exames e então, dependendo do resultado, a sua estadia aqui poderá diminuir ou aumentar. Mas estamos otimistas. - ele sorriu.
- Quais são os efeitos que vocês estão esperando? - se viu perguntando, ela apertava a mão de , tentando controlar seu nervosismo, em vão.
- Pela região que foi atingida estamos esperando mudanças de humor e personalidade, até perdas de memória. - o médico disse. - Mas não se preocupe, ela também pode não ter sequelas. - sorriu. - Agora estão liberados, apenas deixem o quarto na hora do almoço e tudo ficará bem! - ele garantiu os guiando até a porta.
- Duro vai ser tirar o de lá. - concluiu.
- Vamos fazer de tudo, a não pode se agitar. - disse.
- Nós vamos conseguir. - disse determinada e voltaram para o quarto.
Eles chegaram ao quarto em silêncio, onde só havia uma enfermeira que sorriu e se retirou. andou até e sorriu com pena ao ver o rosto sereno do primo, os olhos inchados. Lembrou-se de como ele sempre a protegia... agora estava na hora de retribuir. Quando o ponteiro apontou meio-dia o médico passou do lado de fora fazendo sinal afirmativo e eles se levantaram.
- ? ? - mexeu levemente no primo que despertou lentamente. - Hey, vamos almoçar?
- Eu não estou com fome. - ele olhou diretamente para .
- Então só nos faça companhia. - ela sorriu agachando-se para ficar na mesma altura que seu rosto.
- Não quero deixá-la. - ele se sentou coçando os olhos ainda um pouco inchados.
- Vai te fazer bem , uma enfermeira vai estar aqui e vai nos avisar de qualquer novidade, vamos! - ela puxou o menino pelas mãos que se viu sem outra opção. Mal eles deixaram o quarto, seguindo para a lanchonete, os médicos adentraram.

(Lanchonete)

- Boa tarde, o que vão querer? - a atendente sorriu. havia sido o primeiro da fila, mesmo contra a vontade.
- Olá, ele vai querer um X-salada com refrigerante e batatinhas. - sorriu aparecendo ao lado de , ignorando a cara de reprovação do primo. Fizeram seus pedidos indo sentar-se à mesa.
- Não se preocupe dude, o cheiro está tão bom que você não vai resistir. - disse já atacando seu sanduíche. sorriu fraco e desembrulhou seu X-salada. Ficou olhando para o lanche perdido em pensamentos.
não estava muito diferente, ele intercalava os olhos entre sua bandeja e a expressão de . Por que ele não havia lhe contado que havia...bem, havia morrido, mesmo que por alguns segundos? Sua mente trabalhava rapidamente, ela não havia morrido, só desmaiado, convenceu-se balançando a cabeça e voltando a comer. Às vezes sua imaginação poderia ser nauseante.

(Quarto)

- Pode injetar, todos atentos. - o médico deu sinal afirmativo e ficou atento aos movimentos da enfermeira que injetou no cateter do soro de a substância que a faria acordar. A garota mexeu levemente a cabeça de um lado para o outro, apertando os olhos ainda fechados. Quando ela finalmente abriu os olhos começou a tossir por causa do tubo em sua garganta. - Acalme-se , é normal você sufocar, está respirando por conta própria. – o médico aproximou-se para remover o tubo de sua garganta e ela passou a língua nos lábios. - Por favor, siga meu dedo sem mexer a cabeça. - ele esticou o dedo indicador e movimentou-o de um lado para o outro, sendo acompanhado pelos olhos recém-despertos de . - Como se sente? Sabe em que ano estamos?
- 2011. - ela murmurou levantando a mão para tocar o curativo.
- Oh, não, não. - o médico a impediu. - Não toque, certo? - anotou algumas coisas em sua prancheta. - Sabe o que aconteceu com você?
- Eu estava na piscina da casa da e aí alguém me empurrou, depois eu estava em uma ambulância eu vi o ... - ela parou. - eles sabem onde eu estou? - ela voltou a olhar o médico.
- Sabem, foram comer alguma coisa. Vamos fazer alguns exames para ver como você está ok? - a menina concordou e suspirou. Ao menos estava viva.

Capítulo 29.

Fizeram uma tomografia, exames de sangue, além de alguns testes de reflexos, apenas para ter certeza de que estava tudo em ordem. Devolveram a menina ao quarto a tempo dos meninos voltarem para ele.
- ! - disse sorrindo abertamente seguindo para o lado da cama. - Como se sente?
- Bem, obrigada. - ela disse e olhou para o médico.
- Eu volto mais tarde com o resultado dos exames, com licença.
- Exames? - perguntou confuso.
- É, . - sorriu para o primo. - O que importa é que está bem, não é mesmo? - ela sorriu e todos concordaram.
se aconchegou na cama hospitalar, todos se aglomeraram ao seu redor, pegou uma cadeira e sentou-se sem largar a mão da amiga, sentou-se na borda da cama, e ficaram em pé ao pé da cama e se apoderou da outra mão livre de , precisava sentir o toque da menina, mesmo sem saber por quê.
- Então, o que aconteceu com você? - não pôde segurar as lágrimas, apressou-se em passar os dedos levemente sob os olhos para secá-las antes que caíssem.
- Alguém me empurrou na piscina. - disse, a voz baixa, porém calma. - Eu não consegui parar a queda com as mãos porque foi muito rápido e aí eu apaguei. Depois eu só me lembro de estar na ambulância, - ela encarou que tinha a cabeça baixa. - uma dor horrível na cabeça e o do meu lado, todo molhado, mas preocupado. - ela sorriu, seus olhos enchiam-se lentamente de lágrimas. - Então eu senti como se, sei lá, tivesse sido puxada de algum lugar, eu fechei os olhos e não senti mais nada. - ela fungou baixinho, já soluçava ao seu lado, a mão livre na boca, abafando os soluços.
- Você teve uma parada cardíaca. - murmurou baixinho.
- Eu tinha morrido? - franziu as sobrancelhas, os olhos cheios d'água.
- Sim, mas você voltou pra gente. - sorriu, também emocionado.
Embora o clima estivesse triste e pesado no quarto, não havia mais motivo para se chorar. , tendo esse pensamento em mente, enxugou rapidamente as lágrimas e beijou a testa da amiga, sussurrando um "Eu te amo, tá?" e depois se afastou, indo abraçar que não hesitou em confortá-la. ainda mantinha sua mão atada à de , fazendo-lhe carinho com o polegar, quem olhasse para ela agora, jamais poderia imaginar a menina que ele conhecera. Ela estava tão, sincera, serena, tão... humilde, pensou ele. Agora que estava acordada, sentia receio de se aproximar dela, talvez fosse porque ele se ressentia das provocações que ela havia lhe feito poucas horas antes de sofrer o acidente, mas isso não seria motivo para afastá-lo dela, não. Ele havia salvado sua vida e havia provado a si mesmo que, não importava o que houvesse, habitava seu coração naquele momento e tudo o que ele mais queria era seu bem, sua proteção.
beijou as costas da mão da meia irmã quando viu uma bandeja enorme de comida chegar ao quarto e ser colocada de frente para a menina. A deixaria comer em paz. Os outros se esparramaram pelo quarto enquanto assistiam com alegria a mais nova se alimentar sorrindo, vendo que tudo o que havia lá era de seu gosto. sorria de canto, estava mais calmo agora, embora ainda precisasse conversar com ela, colocar o preto no branco.
Algumas horas se passaram e se aproximava do pôr-do-sol quando o médico adentrou o quarto carregando uma prancheta e alguns envelopes. Todos se levantaram ansiosos, sem saber se eram boas ou más notícias.
- Muito bem, - disse ele parando ao lado de que o olhava atentamente. - estou com os resultados dos exames, devo dizer que você teve muita sorte, mocinha. - ele sorriu e respirou fundo, aliviada. - Passará mais essa noite aqui no hospital e pela manhã repetiremos os exames e então você estará liberada. - todos festejaram e sorriram largamente. - Bom, acho que é só isso, qualquer problema é só me chamar, ficarei de plantão hoje. - ele sorriu e se retirou. abraçou e as duas riram, felizes, beijou a bochecha da menina sorrindo delicado e piscando para ela, voltando a se sentar no seu já tão conhecido sofá. e fizeram um hi-5 em cada uma das mãos de deixando a menina rindo sozinha e por fim havia sobrado .
Ele olhou para ela, ela olhou para ele, ali não seria uma boa hora, então apenas sorriu e se afastou fazendo com que desmanchasse o sorriso e virasse o rosto na direção oposta, sorrindo fraco para o irmão que tentou reconfortá-la com o olhar, sem muito sucesso. A menina logo adormeceu, estranhava o fato de não conseguir se concentrar muito em uma coisa, estava cansada demais e sua mente pedia paz. Enquanto todos seguiam os mesmos passos de , adormecendo aos poucos, mantinha-se acordado, ele a havia decepcionado naquela tarde.
Aproveitou que estava virada de costas para ele e se aproximou lentamente, depois de se certificar de que todos ali dormiam, subiu cautelosamente na cama, ficando de frente para as costas da menina. É claro que ela havia percebido e se virou lentamente para ver o que era. Franziu o cenho quando viu ao seu lado, mas deixou a confusão de lado quando ele sorriu e disse:
- Hey. - ele sussurrou sorrindo, deixou que ele passasse o braço por debaixo de seu pescoço e se aconchegou de frente para ela.
- Nós precisamos conversar. - ela sussurrou o olhando intensamente nos olhos. Ah, como aqueles olhos acalmavam , vê-los abertos e tranquilos ainda mais.
- Eu sei, mas não agora, não aqui. Eu só quero dizer que te amo. - ele tocou-lhe o rosto, fazendo-a fechar os olhos.
- Eu também. - ela sorriu e voltou a encostar a cabeça, só que dessa vez no ombro de onde os dois finalmente puderam adormecer tranquilamente.
Várias coisas passaram pela cabeça de naquela noite, tudo rodava como um filme intermitente, era o centro na maioria deles, provocando agitação no garoto. Ele, várias vezes, havia acordado e checado para ver se estava bem e ela, de fato, estava, não havia se mexido nem um pouco e o monitor continuava a mostrar seus sinais vitais completamente normais. Então ele sorria e voltava a se aconchegar para entrar novamente no mundo dos sonhos. Às vezes se perguntava por que estava demorando tanto para a noite terminar, queria que as coisas se acertassem entre ele e , queria poder tê-la em seus braços e beijá-la como fizeram na noite do pole dance.

Os primeiros raios de sol apontavam na janela do imenso quarto, os meninos acordavam aos poucos, deparavam-se com e juntos e sorriam involuntariamente; tinham esperanças de que agora tudo se encaixasse de vez. O café da manhã chegou para logo após a bateria de exames a que foi submetida pela segunda vez. Não reclamou, afinal, aquilo indicava a sua saída direto para o conforto da casa de e, também, a conversa definitiva com . Todos haviam saído para comer e, antes de voltarem, foram surpreendidos pelo médico que os chamou para a sala, alegando ter os resultados dos exames.
No quarto, estava entediada, olhou para a mesinha que havia ao lado de sua cama e sorriu ao ver que deixara o celular. Abriu-o e entrou no blog se assustando com a quantidade de comentários que lá haviam. Exatos 2011 comentários, isso sem contar as 112 pessoas online naquele momento. Era um recorde! Mas aí ela se concentrou no último blog e sua expressão se fechou, ela era o motivo de todo aquele bafafá. Gostava de ser o centro das atenções, isso ela não negava, mas que fosse para uma coisa boa e não pela tragédia pela qual passara. Ignorando completamente o último post, apressou-se em escrever um novo, afinal, não sabia quando os meninos e voltariam.

"Olá pessoal, Demetria no comando!

Depois dessa incrível bomba que estourou na 'Mansão McFly' venho informar que a acidentada, , está bem. Ela bateu forte com a cabeça, segundo fontes, e corre o risco de até perder a memória! D: Pobre , deve ter ficado chocado com a notícia, se bem que, ele nunca foi com a cara da nova meia-irmã mesmo. Agora, esse acidente unificará os moradores daquela casa ou os separará definitivamente? Os dados ainda estão rolando...
E mais uma coisa, está de rolinho com a , sim, agora só resta saber se a cara de assustado foi por causa de alguma besteira que ele fez ou se foi pela chance de perder a namoradinha.

Até a próxima."


Capítulo 30.

Era o post perfeito. Com junto aos meninos e no hospital ninguém poderia suspeitar delas. Ainda mais com o tom maquiavélico e sarcástico contido no post, era infalível. Deixou o celular do mesmo jeito que encontrara e voltou a encarar o nada. Dentro de alguns minutos os celulares dos meninos estariam alertando sobre a nova fofoca no blog. Não havia mais nada a se fazer a não ser esperar.
- Então doutor, ela vai para casa? - perguntou inquieto com o silêncio que acabara de se instalar no consultório.
- Vai sim, sr. , mas deverá ficar sob rigorosa vigilância. - o médico colocou uma radiografia no quadro de luz. - Estão vendo esta área aqui? - ele circulou uma pequena área na parte frontal do cérebro de . - Essa foi a área da pancada, notam como ela está levemente inchada? - ele comparou com uma outra imagem que estava ao lado. - Pois bem, essa é a área emocional o que significa que ela pode ter mudanças significativas de humor. Eu vou receitar um remédio para desinflamar. - ele voltou a se sentar depois de ter desligado o quadro de luz.
- E isso vai afetar em algo mais sério doutor? - se ajeitou na poltrona, a mão de repousava confortável em seu ombro.
- Não, não, ela só ficará mais sensível. Em um momento pode estar feliz e no seguinte completamente triste. Terão de ser pacientes com ela. - ele sorriu e puxou um bloquinho começando a escrever. - Aqui está, estão preparando para sair, vocês estão liberados. - ele apertou a mão de cada um, finalizando com um beijo na testa de e um abraço.
- Obrigada doutor. - ela disse antes de fechar a porta e suspirou ao lado dos garotos.
- Para casa, finalmente. - disse animado e antes que virassem o corredor, apareceu empurrada numa cadeira de rodas por uma enfermeira.
- Esqueceu isso no quarto. - ela balançou o celular sorrindo para e sentiu o mesmo vibrar, assim como os outros celulares que apitavam.
- O que...? - desbloqueou seu iPhone e abriu a nova mensagem que havia acabado de receber, sendo seguido pelos outros garotos. Todos murmuraram palavras incompreensíveis, menos para que sabia o texto.
- , - ajoelhou-se para ficar na mesma altura que a irmã que permanecia com a expressão confusa. - não é verdade ok? Eu me importo e muito com você tá? - ele a abraçou e depois se levantou. Todos escondiam o horror e a raiva por terem lido o último post do blog, mas sabia, e muito bem, o que eles sentiam e tudo o que conseguia era sorrir por dentro. Ela estava de volta.

O caminho de volta para a casa de foi silencioso, apesar de um ou outro comentário sobre a paisagem portuguesa; mantinha próxima ao seu corpo enquanto estava sentado de seu outro lado. De lado um ia e do outro, e conversavam baixinho. A limusine estacionou de frente para a casa e todos desceram, pegou a cadeira de rodas do porta-malas enquanto tirava do carro sob os protestos da menina de que estava bem.
Assim que atravessou a porta de entrada, lá estavam Madeleine e Nick, esperando sorridentes por que sorriu em resposta, agradecida pela preocupação. Mas ela reparou que havia outras pessoas na sala, pessoas com as quais e conversavam.
- Pai? - sentiu seu coração subir até a boca e depois voltar a seu peito. Da última vez que o vira, estava irritada demais, tanto que sequer havia se despedido dele antes de embarcar para Portugal. O homem olhou em sua direção e ela deu um leve sorriso. - PAPAI! - ela disse animada e Edward deu alguns passos, ajoelhando-se para abraçar a filha. - Eu senti tanto a sua falta. - disse, começando a chorar.
- Eu também minha princesa, eu também. - ele disse calmamente abraçando a filha apertado. Estava feliz por ela estar feliz em vê-lo, achava que ela o rejeitaria, que não gostaria de falar com ele.
- Me-me desculpe. - ela soluçou, ainda com a cabeça escondida no ombro do pai. pediu licença a e e se aproximou de e Edward, começando a fazer carinho no cabelo da menina que não o recusou.
- Está tudo bem, filha. - o homem disse no mesmo tom de voz tentando acalmar a menina que ainda chorava, inconsolável.
- O que o médico disse? - se aproximou de , , , e que observavam a cena em silêncio.
- Ela bateu bem forte com a cabeça, está com uma parte inflamada. - começou baixo para que não ouvisse.
- Ela estará mais sensível por esses dias porque afetou a região emocional, mas com o remédio logo, logo vai ficar boa. - completou sorrindo serena e olhando a amiga.
- E... - a menina se aproximou ainda mais, sendo acompanhada pelos garotos e . - já sabem quem foi o autor? - disse em voz quase inaudível.
- Não, eu estou subindo agora mesmo para verificar as gravações das câmeras. - disse e olhou para que apenas concordou com a cabeça, entendendo o pedido silencioso de companhia.
- Como, como souberam do acidente? - cruzou os braços. engoliu seco.
- Eu sei que você não gosta e que eu deveria fazer o mesmo, mas vocês não ligavam e...
- Onde, ? - ele disse, praticamente já sabendo da resposta.
- McHate.com - ela olhou para baixo e abafou o riso. Então aquela era sua fonte de notícias? Bem plausível.
- Hum. - fez um barulho estranho com a boca.
- Eu também vi sobre a e o , mas eu não mostrei nada ao Edward. - ela disse ao que viu perder a cor da face.
- Eu fico com vocês enquanto e vão ver as gravações e leva para o quarto, ok? - abraçou a irmã pelos ombros e olhou confiante para que concordou.
- Eu também! - disse feliz indo falar com . já estava mais calma e agora conversava baixinho com o pai.
- Vá descansar um pouco minha filha, estarei aqui quando acordar. - Edward disse assim que viu sorrir para ele enquanto pegava nas costas da cadeira de rodas.
- Eu te amo, pai. - ela disse enquanto era empurrada em direção ao elevador.
- Eu também, minha filha. - ele acenou e a porta se fechou. Dentro do elevador, começou a enxugar as lágrimas e permaneceu em silêncio. Manteve-se assim ao entrar no quarto e ao deitar a menina na cama. Empurrou a cadeira para longe, colocando-a em um canto do quarto.
- Your climbing the stairs unaware that she's hurting/ Bad and lying very still on the floor by the door... - cantarolou e parou na metade do caminho a encarando assustado. - Nunca pensou que uma de suas músicas se concretizaria um dia, não é mesmo? - ela mexia nos botões de sua blusa sorrindo fraco.
- É. - foi tudo o que ele conseguiu dizer ao se sentar na borda da cama. - Você sabe quem foi, não sabe?
- Tenho minhas suspeitas. - ela desviou seu olhar para ainda mantendo o sorriso. - Mas o que eu não suspeito é de como você começou a me odiar da noite para o dia. - seu sorriso se transformou em um único traço nude.
- Você sabe o porquê. - rebateu .
- , me escute, Damon não tinha o direito de acabar com a minha vida daquele jeito. Eu precisava me vingar. Colocar o preto no branco. - ela se ajoelhou na cama para tentar alcançar o menino que havia se levantado e andado para o meio do quarto.
- Desde que ele pôs os pés aqui você não tirou os olhos dele. - murmurou de costas para .
- Eu, eu não tive escolha. , eu te amo, por que mentiria para você? - ela engatinhou mais um pouco para, finalmente, poder encostar-se a um dos braços do menino.
- Por que você não pôde simplesmente deixar pra lá? - questionou o garoto virando-se de frente. estremeceu quando viu seus olhos, estavam transparentes de sinceridade e fúria.
- Não é assim que eu penso . - disse chorosa. - Já passou, já se foi, por que não podemos esquecer disso e seguir em frente? - as lágrimas apontavam no canto de seus olhos. permaneceu em silêncio, talvez passar a história a limpo não tivesse sido uma boa ideia. Os olhos de eram serenos, embora apresentassem certa dose de mágoa. Ela finalmente estava pronta para ser dele, para ser a sua .

"...and she's calling, about a broken heart
And I don't know what I should say 'coz she's crying..."


Capítulo 31.

Ao entrarem no quarto, e se jogaram na cama da menina, suspirando em seguida. Havia sido uma aventura e tanto tudo o que ocorrera em menos de 48 horas.
- Nem acredito que tudo isso aconteceu com a gente. - disse de olhos fechados. - Nem parece que somos as mesmas pessoas que éramos, meses atrás!
- O que, na verdade, é ótimo, já que agora eu tenho você só para mim. - ele virou a cabeça para poder olhar que sorriu, ainda de olhos fechados. - E agora... De volta à vida real. Hora de ver essas gravações!
- Ahhh ! - se sentou na cama, fazendo bico. - A gente tem que relaxar um pouquinho... - ele a fitou, mas voltou a observar o computador na escrivaninha da menina.
- Eu preciso ver as gravações, lembra? - ele disse, já longe da cama.
apenas murmurou algo e voltou a se deitar. Ficou parada escutando o menino resmungando com o computador que não colaborava com ele.
Após algum tempo, ela se levantou da cama ao escutar o grito do namorado.
- Que diabos ? - ela perguntou assustada.
- Achei! - ele sorriu satisfeito, enquanto ela revirava os olhos se levantando da cama.
- E eu achando que você tinha cansado de fazer isso e atenderia ao meu pedido...
- E que pedido seria esse?
- Ahm... - ela começou, mordendo o lábio - Você sabe, tomar um banho...
- Ué, vai!
- ! Eu queria que você fosse comigo. - ela fez cara de pidona - Qual é?! Você já achou a cena, não? Deixa tudo aí, vamos para o banho, relaxamos um pouco e depois a gente assiste, que tal? - falando isso, passou as mãos delicadamente pelas pernas nuas, já que usava um vestido que ia até a altura dos joelhos.
- Eu acho melhor... - pena que o menino não conseguiu terminar a frase. estava retirando o vestido lentamente, sentada na cama de pernas cruzadas. Jogou a peça ao lado da cama e se levantou.
- Bom, eu vou para o banho... - ela parou na porta do cômodo, retirou a parte de baixo, deixando-a no chão. - Me ajuda aqui ? - ela apontou para o sutiã, fazendo-o se contorcer.
O menino se levantou com dificuldade, andando até ela, mas quando removeu o sutiã, seu corpo inteiro estremeceu e ele sentiu a necessidade de agarrá-la. E assim o fez. Caminharam esbarrando até a banheira enorme de seu banheiro, deixando uma trilha com as roupas de .
Ao retornarem do banho, o casal se sentou na cama de , meio apreensivos para ver as imagens. então tomou a iniciativa e foi pegar o laptop, mas parou de frente para o aparelho e ficou olhando. A lateral onde se colocava os discos estava aberta e não havia DVD algum lá.
- Baby, temos só um probleminha. Onde 'ta?
- Como assim? Deixei aí dentro! - ele respondeu, se levantando e indo até . O laptop ainda estava conectado à televisão, mas não mais no mesmo lugar.
- Se era para estar aí e não está, quem entrou no quarto e pegou? - eles se entreolharam. Lá vinha mais um mistério para a coleção.
- Dudes, temos um problema! - desceu as escadas com uma bem preocupada. - O DVD sumiu! A e eu, nós... Nos distraímos e aí PUFT!
- Que PUFT ? - , que estava com e na sala, perguntou.
- Er... Sumiu. - suspirou pesado, cabisbaixa.
- COMO VOCÊS DEIXARAM ISSO ACONTECER? - levantou a voz para e a defendeu.
- , todos estamos cansados com tudo o que vem acontecendo. Pegamos no sono enquanto o DVD voltava para hoje de manhã. - mentiu o menino. - Qualquer um pode ter entrado lá!
- eu não sou tão burro assim, voltar um DVD não leva nem dez segundos! - pressionou a têmpora e a irmã o abraçou.
- Ow, , não tem câmera no seu quarto não? - perguntou, ao lado de , tentando acalmar o irmão.
- Tem sim! Façamos assim, eu vou sozinha ver o que as minhas câmeras pegaram e vocês tentem saber onde todos estavam nos últimos 20 minutos! - e todos assim o fizeram.
Enquanto isso, Edward e estavam descansando em um quarto da casa e e no quarto dela. O casal estava em silêncio, havia alegado dor de cabeça e estava com a cabeça debaixo do travesseiro. De vez em quando seu corpo se mexia, indicando que ela havia pegado no sono e estava sonhando. Então, a acordava com leves toques e ela voltava a deitar-se normalmente o encarando em silêncio.
Estavam de poucas palavras, mas os olhares os entregava, eram olhares ressentidos e tristes, às vezes até surgia um pouco mais amigável, mas isso era até a cabeça da menina latejar e ela voltar a resmungar.
- Quer que eu pegue uma aspirina? - se ofereceu, deveria ser pelo menos a décima vez que gemia de dor, impaciente sobre a cama. Tocou os ombros da menina com as mãos quentes, mas percebeu que ela estava ainda mais quente. - Você está bem? - preocupado, colocou as costas da mão sobre a testa da menina e esta o observou.
- Fora a dor lacerante, acho que sim. - disse em um muxoxo enquanto a dor fazia com que os olhos se mantivessem fechados.
- Você está com febre, . - disse com uma voz rouca.
- Deve ser impressão sua. - murmurou a garota com uma leve pontada de desdém.
- pare de me tratar assim. - disse firme embora lá no fundo doesse. - Você não está passando bem e eu só quero te ajudar.
- Tá bom, tá bom. - disse bufando em seguida. - Tem um termômetro no banheiro.
levantou-se rapidamente e seguiu para o banheiro da suíte não se demorando muito para voltar com a caixinha que continha o termômetro.
- Levante o braço. - ele disse enquanto sacudia o pequeno instrumento de vidro.
- Está brincando? Não pode colocar por cima de minha blusa, vai dar diferença. - riu sarcástica levantando a blusa em seguida, engoliu seco ao se deparar com o sutiã preto rodeado por rendas de . - Vai, agora sim. - apontou com a cabeça para a axila e o menino pigarreou colocando ali o termômetro. Quando tirou sua mão, entretanto, não pôde evitar tocar um de seus seios o que a fez suspirar.
- Por que está fazendo isso? - perguntou ela enquanto ainda esperavam pelo termômetro.
- Porque eu gosto de você. - disse um pouco tímido.
- Acho que já deu o tempo. - desconversou levantando o braço. pegou o termômetro e o olhou com cuidado.
- 38º, é, você está com febre. Vou buscar alguma coisa, não se mexa. - disse com a voz um pouco triste e deixou o quarto. suspirou.
, em seu quarto, olhava a câmera atentamente até que chegou à cena que tanto queria. Apenas alguns minutos depois de ela e terem entrado no chuveiro, um homem de gorro entrou em seu quarto, pegou o DVD do laptop e saiu. Ela, antes de analisar todos os passos do tal homem, tirou uma cópia da imagem e publicou no blog:

"Olá meninas!
Faz poucas horas desde que o acidente aconteceu, mas digamos que está tudo bem. Os pais de e chegaram à mansão, acompanhados de . Estão todos atrás do culpado. E nós não ficaríamos de fora das investigações. Então, aí vai uma foto exclusiva do provável culpado roubando a gravação onde ele tentava matar a . Quem será? O professor Black ou a Srta. Rosa?
xx, Letty."


Acabado o post, continuou acompanhando os passos do ladrão e quando finalmente viu sua face congelou. Precisava falar com , mais do que nunca.

Capítulo 32.

- ! Graças a Deus! - ergueu os braços ao que, saindo de seu quarto, encontrou o primo fazendo o mesmo do quarto de . O garoto parecia assustado e triste, mas o que ela tinha a dizer era tão escandaloso que preferiu ignorar sua expressão confusa. - Eu sei quem foi!
- Quem foi o que? - perguntou o menino não entendendo nada. - Olha , a ‘tá com febre, se importa de irmos andando? Preciso pegar uma aspirina para ela. - disse com a voz levemente triste e a prima concordou apreensiva.
- Roubaram o DVD do dia do crime, mas eu já sei quem foi. - comemorou a garota enquanto desciam a escada. - Sabe, eu posso ligar imediatamente para a polícia e pedir a interceptação dele, mas quero que todos saibam antes que eu tome alguma providência.
- E, enquanto isso, o cara tem tempo de destruir o DVD. - disse frio e o olhou com uma das sobrancelhas arqueadas.
- Ele não vai destruir, é muito orgulhoso para isso. Quer ter uma prova do circo que armou. - suspirou a menina passando a mão pela nuca e erguendo os cabelos que a estavam incomodando naquele momento. - Ela está instável, não está? - perguntou com cautela enquanto via se debruçar sobre o armário de remédios. Ouviu o garoto bufar e fechar a porta de vidro com duas cartelas de comprimido nas mãos.
- Você não faz ideia do quanto. - disse simplesmente voltando a subir com a menina em seu encalço.
- Pare de se torturar desse jeito , não vale a pena. - o segurou pelo braço no meio da escada.
- Não faz ideia de como foi pra mim, vê-la naquele estado, . - suspirou o garoto, a voz falhando.
- Eu sei , eu sei. Mas dê um tempo a ela, antes que você enlouqueça. Você sabe que a não está fazendo de propósito. - ao dizer isso, já haviam chegado à porta do quarto parisiense. Sem dizer nada em resposta, entrou seguido da garota. estava dormindo, talvez finalmente tivesse pegado no sono.
- , acorda, eu te trouxe o remédio. - cutucou a menina levemente, mas ela não acordou. - , hora de tomar remédio, acorda. - insistiu, dessa vez um pouco mais forte. Aproximou-se de seu rosto sereno e pôde ver gotículas de suor acumuladas em sua testa. Contorcendo a expressão, colocou as costas de sua mão sobre a testa suada da menina e quase teve um baque. Estava fervendo. - ? - sacudiu levemente que ainda não respondia. - , vai até o banheiro e enche a banheira de água, rápido. - disse ele, a voz e as mãos trêmulas tentavam, em vão, acordar a menina que parecia em sono profundo.
Ao ouvir a água escorrer, corrente, de dentro do banheiro, não pensou duas vezes antes de arrancar todas as peças de roupa que vestia, deixando-a apenas de calcinha e sutiã. Pegou-a no colo, seu corpo todo estava queimando e andou apressado até o banheiro. Lá, abria todas as torneiras possíveis para que a banheira enchesse mais rápido, estava tão assustada quanto o primo. Sem que houvesse tempo para verificar a temperatura, assim que a água atingiu um bom nível, colocou imediatamente na banheira fazendo com que parte da água transbordasse para fora. Entretanto, ele não a segurou de imediato, fazendo com que seu corpo afundasse e, quase que imediatamente, a fizesse se debater de dentro da água.
deu um sobressalto e correu para o armário em busca de toalhas, debruçou-se sobre a banheira e retirou rapidamente, trazendo-a para seu colo, assim que ele se jogou no chão. Seus olhares se encontraram e tudo pareceu congelar ao seu redor. Os olhos assustados de enquanto ela ainda desengasgava da água que havia engolido, o olhar protetor de pairava sobre ela, dando-lhe uma sensação boa. Ela, então, abraçou-o pelo pescoço, colocando o queixo trêmulo apoiado sobre o largo ombro do garoto. também a abraçou de volta, encostando o rosto em seu cabelo molhado e fechando os olhos. envolveu a amiga com toalhas, ajudando-a a se aquecer novamente.
No silêncio do banheiro, tudo o que se ouvia eram os soluços baixos de por cima do ombro esquerdo de que a apertava instintivamente contra si. Havia levado um pouco de tempo para que percebesse o que havia perturbado tanto sua amiga. A água. Estar imersa na água a havia deixado desesperada, como da outra vez. A diferença era que, na primeira, ela fora perdendo a consciência lentamente, ao contrário do que acabara de acontecer. Era como se tivessem jogado um balde sobre seu rosto.
sentiu as lágrimas quentes rolarem por seu rosto e prensou o dedo indicador e o polegar sobre o canto de seus olhos, próximo ao canal lacrimal. Estava emocionalmente exausto e só se dava conta naquele momento. desencostou-se da borda da banheira e ficou na mesma altura que o rosto do primo, enxugou-lhe o rosto com um sorriso reconfortante. Talvez fosse melhor não contar para nenhum dos dois quem havia feito tudo aquilo, era bom deixá-los descansar e se recuperar.
- Vem, eu te ajudo a se vestir. - tocou nos ombros da amiga com a voz suave para não assustá-la. a soltou devagar e antes de qualquer coisa, os dois se olharam nos olhos e trocaram um selinho demorado. O garoto, então, acenou com a cabeça para que, aceitando a ajuda de , ficou em pé, com as toalhas cobrindo suas costas. Elas saíram do banheiro em silêncio e o garoto se recompôs rapidamente para também poder trocar de roupa.
Deixou o quarto sem olhar para os lados para dar um pouco de privacidade à e seguiu para o seu dinamarquês desejando não encontrar ninguém no caminho. E parecia que suas preces haviam sido atendidas. Conseguiu entrar e trocar de roupa, mas antes de sair, deitou-se rapidamente na cama, onde adormeceu inesperadamente.
- Prontinho, esse é para a dor de cabeça e o outro é para a febre. - estendeu os dois comprimidos para a amiga junto com um copo d'água e a garota os engoliu de uma só vez. Estava novamente na cama, só que dessa vez com um pijama confortável.
- , - a menina chamou e a amiga se virou de imediato, sorrindo serena. - já sabe quem foi? - a olhou com pena, estava na ponta de sua língua a resposta, mas simplesmente não poderia perturbá-la com mais essa.
- Não, meu anjo, ainda não consegui ver as gravações. - ela sentou-se na borda da cama olhando para a amiga que suspirou. - Mas eu prometo que assim que descobrir eu te falo, ok? - a menina concordou, então a menina deu-lhe um beijo na testa e deixou o quarto carregando os comprimidos. - Onde estão os outros? - perguntou ao se deparar com andando sozinho no corredor.
- e foram chamar e Edward, está vendo a gravação e o eu não sei. - disse o garoto bagunçando os cabelos. - Como está a ?
- Ela vai ficar bem. - limitou-se a dizer. - Só não quero que ela e saibam quem foi, eles estão muito abalados com isso tudo. - o garoto concordou e juntos desceram para a sala de TV onde , , Edward, e já se encontravam.
- Então, como está? - perguntou levantando-se ao que se aproximou.
- Acabei de dar a ela comprimidos para dor de cabeça e febre, deve ficar boa logo. - ela sorriu e todos suspiraram aliviados.
- Por que você está molhada? - a analisou de cima a baixo, fazendo-a corar levemente.
- Um pequeno incidente, nada demais. - disse apenas.
- Então , descobriu quem foi? - Edward perguntou, parecia inquieto. A menina concordou e todos os olhares estavam voltados para ela.
- Antes de qualquer coisa, não quero que vocês contem a ou ao , não quero que eles se machuquem ainda mais.
- Está bem. - concordaram baixinho. O silêncio parecia impenetrável, respirou fundo e finalmente acabou com o suspense.
- Foi o Damon.

Capítulo 33.

- E o que vamos fazer agora?
- Não sei não, . Eu só sei que eu vou matar aquele Damon. - fechou as mãos em punho, com os olhos semicerrados.
- , acho que não é hora de liberar toda a sua raiva. Vamos nos concentrar em pegá-lo. - começou. - Edward, acho melhor você ligar para a polícia.
- Já estou ligando. - disse o mais velho, com o celular na mão.
- , você 'tá bem? - puxou a namorada no canto.
- Estou sim. Só estou decepcionada comigo mesma. Como pude deixar entrar em minha casa alguém assim?
- Gente, e o ?
- Ah , ele 'tava bem cansado e foi dormir um pouco. Muita emoção para um dia só!
- E a ? - perguntou preocupada.
- Dormindo. - respondeu novamente.
- Ok, muito obrigado, vou estar esperando. - Edward desligou o celular e a atenção da sala virou-se para ele.
- E então? - pronunciou-se, inquieta.
- Estão preparando uma equipe para esperá-lo quando ele sair do avião, não tem como Damon escapar. - sorriu de canto e todos suspiraram aliviados.
acordou e só então percebeu que havia dormido sentada. Checou sua temperatura e estava consideravelmente mais baixa. A dor de cabeça também havia ido embora. Sorriu aliviada e se levantou, procurando por uma roupa confortável para vestir. Abriu a porta de seu quarto e seguiu para o elevador apertando o térreo em seguida. Não encontrou ninguém.
Mas ela sabia do que precisava, o que queria fazer. Abriu a porta que dava para a área externa da casa e seguiu com passos lentos através da piscina. O sol estava se pondo no horizonte e a temperatura dali estava agradável. Deitou-se em uma das espreguiçadeiras e deixou que seu olhar vazio divagasse pela casa, depois pela piscina...perdendo a noção do tempo.
- ? Está tudo bem, sou eu. - sentiu seu corpo ser levemente cutucado e então abriu os olhos. Estava escuro e alguns holofotes ao redor da piscina estavam acesos. Nem havia percebido que caíra no sono. À sua frente, a olhava preocupado. - Como veio parar aqui? - a respiração de ainda estava acelerada, já que tomara um susto com o cutucão do meio irmão.
- Eu vim andando. - disse engolindo seco.
- Você está bem? Aconteceu alguma coisa? - mas a garota nada disse, apenas o abraçou, chorando. Ah, as mudanças repentinas de humor, como isso atrapalhava. - Venha, vamos entrar, está ficando frio. - ele a pegou no colo e contornou com cautela a espreguiçadeira.
- O que é isso? - viu algo passar como um borrão ao lado dela e de e agarrou-se ao pescoço do garoto. - É um bicho. É UM BICHO, TIRA ELE DAQUI! - ela começou a espernear, mexendo-se compulsivamente sobre o colo do meio irmão, assustada. Ele não conseguia mantê-la assim como não conseguia acalmá-la. Sem que percebesse, estava dando passos para trás a fim de estabilizar a meia irmã em seu colo, mas percebeu tarde demais, quando os dois caíram com tudo na piscina ao som dos gritos estridentes de .
Ela não suportava a ideia de estar embaixo d'água mais uma vez, mexeu os braços inquieta até que conseguiu alcançar a superfície e nadou até a borda desesperada. Enquanto tossia a pequena quantidade de água que havia engolido, apoiou-se para sair de uma vez por todas daquele lugar. Não demorou muito para que também saísse e se ajoelhasse à frente dela.
- , eu sinto muito. Você está bem? - toda a água que escorria de caía, em parte, sobre . Ela apenas concordou com a cabeça, ainda assustada e então ouviu-se a porta que dava acesso à casa ser aberta. , , , , Edward, e saíram como um batalhão, aproximando-se dos dois. se pôs de pé, já esperando pela bronca. , Edward, , e pararam diante dele, as caras eram nada amigáveis. e foram acudir .
- O que deu em você? - para a surpresa de todos, estava esbravejando diante do filho mais velho.
- Mãe, foi um acidente, eu juro que tentei evitar. - tentou se explicar.
- Do jeito que ela estava gritando? Isso está me soando como mais uma de suas brincadeirinhas sem graça. Você podia tê-la machucado. - a mulher estava furiosa, nenhum dos outros ali próximos ousaria abrir a boca.
- Ela está bem. - disse, mas pareceu ser ignorada. - , olhe para mim, está tudo bem não está? - resolveu checar a menina antes que viesse tirar satisfações com ela. apenas concordou e elas ouviram um estalo. e se viraram para ver com a mão na bochecha esquerda, a qual estava extremamente vermelha. bufava, mas agora era amparada por Edward e os dois entraram na casa.
- Uau. - disse chocado e foi repreendido pelos amigos. - Não se preocupe dude, mães sempre se arrependem. - ele deu um tapinha no ombro de e todos voltaram para dentro da casa.
- . - assim que recebeu uma toalha de Maddie para se secar, ela foi atrás da mais velha para tentar se explicar. Seu pai estava com ela, ouvindo seus lamentos. Ele sorriu terno para a filha e levantou-se, deixando as duas sozinhas, embora estivessem na sala, onde todos os outros estavam. - Foi minha culpa, só estava tentando me levar para dentro, só que eu me assustei com um inseto e o fiz perder o equilíbrio. - explicou rapidamente.
- Está tudo bem querida. - a mulher se levantou e passou a mão sobre os cabelos molhados de , beijando sua testa em seguida. - Está tudo bem agora. - sorriu e seguiu para a cozinha junto com Maddie. , no canto do cômodo pareceu indignado. Então ele apanhava enquanto a meia irmã recebia um sorrisinho? Até onde se lembrava ELE era o filho e ELA a intrusa.
- Acho que vou ter que ficar dodói também para ganhar beijinho da mamãe. - disse em tom afetado. revirou os olhos segurando o riso enquanto , e jogavam almofadas nele. Algumas delas, por estarem rasgadas, soltaram o forro, o que fez o garoto ficar cheio de espuma e penas, já que seu corpo ainda estava molhado. Todos na sala riram e pareceram relaxar. As coisas teriam que se acomodar.

Capítulo 34.

- Vem, vamos para o quarto, você precisa se trocar. - aproximou-se discretamente de , colocando seu braço ao redor dos ombros da menina que concordou em silêncio. Ambos seguiram para o elevador sem que ninguém notasse ou que assim fingissem. Chegaram ao andar dos quartos em segundos e, ainda calados, pararam diante da porta do quarto parisiense. girou a maçaneta e deu um passo adentro, mas percebeu que ficou.
- Não vai entrar? - virou-se para o garoto que estava com as mãos entrelaçadas nas costas.
- Não, vou deixar você se trocar. - disse ele evitando um pouco os olhos intensos da menina.
Em um movimento quase que involuntário, agarrou-lhe a camisa branca que vestia e o puxou de encontro a si, acabando com a distância entre seus corpos e, consequentemente, entre seus lábios. viu-se paralisado, os lábios quentes da garota sobre os seus, era como se uma corrente elétrica percorresse cada milímetro de seu corpo. Instintivamente colocou sua mão direita na nuca da menina, servindo-lhe de apoio e empurrou-a para entrarem em seu quarto, fechando a porta em seguida. Tirou a toalha que ainda envolvia o corpo de e foram se direcionando para a cama da menina.
Caíram deitados sobre a bagunça de tecidos que ali estava, mas eles não se importaram. A única coisa era que seus lábios não poderiam se separar. Nunca. A sensação era ardente e excitante, sustentava seu peso com um dos braços enquanto com o outro ia descendo pela lateral do corpo de . A menina havia se entregado, e até agora não havia do que se arrepender. Puxou-lhe a camisa, já úmida, para cima, tirando-a rapidamente. Grudaram suas testas olhando para baixo, as respirações ofegantes, arranhou-lhe o peito chegando ao cós de sua calça. O garoto protestou em um murmúrio. Puxou a blusa que a garota vestia de uma só vez e desceu os beijos para o seu pescoço.
voltou a fechar os olhos e entrelaçou os dedos no cabelo do garoto, puxando-o delicadamente conforme ele descia cada vez mais. Seu ar chegou a faltar quanto tocou-lhe o cós do short que vestia, abrindo-o e jogando-o em qualquer parte do quarto. Então eles se separaram, o garoto sentou-se, abrindo a calça e livrando-se dela em seguida. Sorriu voltando a sentir sua pele queimar ao se encostar com a de e acariciou-lhe o rosto, juntando seus lábios.

- Estão com ele, pegaram Damon, ligue o laptop na televisão, vão transmitir o interrogatório para nós. - Edward entrou de supetão na sala de televisão, onde todos estavam, distraídos. Com o celular equilibrado em um dos ombros, ele sentou-se no sofá e tratou de correr pegar seu laptop. Entregou-o ao Sr. e, enquanto ele entrava onde a pessoa do outro lado da linha o instruía, tratava de conectar os cabos à TV de plasma.
- DESGRAÇADO, VOCÊ QUASE MATOU A MINHA IRMÃ! - foi a primeira coisa que se ouviu na sala quando a imagem de Damon apareceu na tela.
- , filho, comporte-se. - o segurou pelos ombros, massageando-os levemente. Todos encaravam a TV aflitos.
- Tem permissão para começar. - Edward disse ao celular e, por fim, o desligou, focando-se única e exclusivamente à televisão.

abaixou a boxer de lentamente enquanto ele tentava desabotoar seu sutiã. A temperatura do quarto e de seus corpos estava quase que insuportável, gotículas de suor se acumulavam em seus rostos, mas eles não conseguiam parar. Não. Tinham que ir até o final, era isso o que eles queriam, desde o começo...

- Estamos colocando a fita que estava em poder de Damon. - um dos homens que o acompanhava disse. - Alguma coisa que queira dizer antes de colocarmos? Talvez uma confissão? - perguntou à Damon.
- Não, acredite, tudo o que vocês precisam está aí. - Damon sorriu sarcástico e manteve-se em silêncio.

finalmente pôde passear seus lábios livremente por todo o colo de , a mais nova já agarrava o lençol que estava ao alcance de sua mão livre enquanto ele se dirigia para a última peça restante entre os dois: a calcinha de .

A webcam foi direcionada para um pequeno televisor da sala, onde a gravação da casa de passou a ser transmitida. O silêncio era mórbido em ambas as salas, todos estavam nervosos para saber o que viria a seguir. Finalmente, avistaram a silhueta de caminhar em direção à piscina e ali parar. inclinou a cabeça para o lado, tentando entender o que acontecia com a amiga para ficar parada ali. Passaram-se longos segundos de filmagem, até que, rapidamente, alguém apareceu enquanto ela se abaixava para pegar uma flor que caíra na piscina, e a empurrou em direção à borda, fazendo com que batesse a cabeça. O corpo de , Edward e tremeu com o impacto da mais nova sobre a piscina. A tensão era indiscutível no cômodo, assim como do outro lado da webcam. Damon, apesar de tudo, estava com a expressão relaxada.
- Você pode voltar isso para mim, por favor? - Edward pareceu acordar de um longo transe e recebeu uma afirmação do outro lado. O vídeo foi voltado lentamente para o momento em que a segunda pessoa chegavam. - Dê um close. - pediu mais uma vez o homem e assim foi feito.
- Esse não é o...

esticou seu braço direito em direção à cômoda ao lado da cama, abrindo a primeira gaveta e buscando impaciente por algo lá. Quando finalmente tirou, ergueu seu rosto, que estava traçando uma trilha de beijos próximo à virilha da menina e sorriu malicioso. A garota o chamou com o dedo e ele se sentou na cama ao seu lado. rasgou o pacote de preservativo e colocou-o no garoto lentamente, provocando gemidos de protesto. Ele, então, a puxou delicadamente pelas costas e eles voltaram a se deitar, novamente com ele por cima.

- NICK! - gritou descendo as escadas pisando duro. Dava para ver nitidamente o garoto naquela fita. Ele havia empurrado na piscina! , e a seguiam, igualmente furiosos. e Edward haviam ficado no andar de cima, acompanhando o resto do interrogatório.
- Srta. , algum problema? - Madeleine apareceu assustada enxugando suas mãos no avental da roupa de governanta.
- Tem sim, Maddie, onde está Nicholas? - estava quase vermelha de tanta raiva e a empregada pôde perceber isso, apontando para o quarto do filho sem hesitar.

Deixou que sua cabeça pendesse para trás e um suspiro de prazer se desprendesse de sua garganta quando seus corpos se uniram. manteve-se no pescoço de enquanto começava com os movimentos de ida e volta. Ela agarrava-se a tudo que conseguia alcançar, as sensações que estava tendo pareciam muito mais do que ela podia suportar, então, abraçou pelos ombros e fez seus lábios encontrarem-se com os dele para que ele soubesse o que ela estava sentindo.

- Oi , algum problema? - Nick estava sentado em uma das camas, lendo um mangá. Ele sorriu ao vê-la, mas rapidamente o desfez quando viu logo atrás dela.
- Como você pôde? - os olhos de se encheram d'água.
- Eu não estou te entendendo... - ele franziu as sobrancelhas e deixou o livrinho de lado.
- Você nem a conhece, que direito você tinha? - ela continuou, dando passos em direção ao garoto, pronta para explodir. - VOCÊ QUASE A MATOU! - gritou a plenos pulmões e o garoto finalmente pareceu entender. - Bastardo. - ela levantou a mão, pronta para lhe estapear em cheio a face quando ele foi mais rápido e pegou seu pulso, girando-a e prendendo-a contra seu corpo através de uma chave de braço. Antes que pudesse pensar em pisar na direção aos dois, ele tirou um canivete suíço de seu bolso, apontando-o contra o pescoço de .
- Um passo e eu corto a garganta dela. - ameaçou ele.

Capítulo 35.

- Nick, o que está fazendo? Perdeu a cabeça? - Maddie parou na porta do quarto com a mão sobre o peito, estupefata.
- Não mamãe, estou evitando que a senhora seja ainda mais humilhada.
- Do que está falando, filho?
- Você é boa demais para trabalhar para essa gente. - ele ralhou ainda mantendo próxima a seu corpo.
- Eles são boa gente, Nick, pare com isso.
- Por que quis matar ? - perguntou.
- Ela é só mais uma mesquinha como vocês que acham que nós, criados, estamos na última categoria. - Nick pressionou um pouco o canivete. Maddie recuou sem que o filho percebesse e correu até a cozinha, onde, sob a bancada de mármore havia um botão de alarme silencioso.

e estavam deitados na cama trocando carinhos enquanto ainda normalizavam as respirações. Não tinham ideia de quanto tempo havia se passado, mas sabiam que não poderiam demorar muito. levantou-se para tomar uma breve ducha e, quando saiu, já estava de banho tomado e vestido. Desceram juntos para a sala, não encontrando ninguém. Surpreendentemente já estava amanhecendo, o que explicava que eles haviam passado a madrugada toda ali. Entretanto, sentiram uma agitação vinda da cozinha e apertaram o passo.
- O que aconteceu? - cutucou que estava mais atrás, embora tenso.
- Nick surtou, ele, e estão lá dentro, está fazendo a de refém.
- Mas por quê? - perguntou confusa. suspirou.
- Pegaram Damon e assistimos a fita, foi o Nick que tentou te matar. - rapidamente o punho de se fechou e ele ameaçou entrar no quarto.
- Está louco? Ele pode machucar a ! - o barrou. - Eu vou entrar lá.
- Agora a louca é você, não faça isso, Maddie já chamou a polícia.
- Quem disse que eu vou entrar pela porta? - a garota perguntou como se fosse óbvio.
- Não posso permitir que você faça isso. - a segurou pelo braço e a menina sorriu acariciando-lhe o rosto.
- Está falando com a campeã mundial de esgrima, lembra? Eu sei como acabar com isso, confie em mim. - e ela dirigiu-se à porta dos fundos, dando a volta pela parte externa da casa até chegar à janela do quarto de Nick.
Felizmente o garoto se encontrava de costas para a janela e a mesma estava aberta. fez sinal de silêncio para e e ela finalmente entrou no quarto leve como uma pluma. Posicionou-se atrás de Nick, embora fosse um pouco menor, sabia que conseguiria. E então, como se tivesse dois pratos orquestrais nas mãos, espalmou as duas contra as orelhas de Nick, deixando-o desnorteado e fazendo-o cair ao chão.
- Venha . - a chamou com a mão e ela correu em sua direção, fazendo pressão com os dedos no pequeno corte que havia em seu pescoço.
- Eu sinceramente acho melhor você ficar no chão, colega. - sentou-se sobre as costas de Nick, imobilizando-o.
- Tire a máscara, vadia. Eu sei muito bem do que você é capaz. - murmurou o garoto.
- O que foi? Eu não ouvi. - ironizou a menina.
- Ou você pensa que eu não sei que você e a são as donas do McHate.com? - olhou para . - Opa, acho que era segredo. - foi a vez do garoto ironizar.
- E que provas você tem? - manteve a pose, mas o clima já estava muito balançado naquele quarto. , , e haviam entrado assim que imobilizara Nick.
- Cômoda à direita, primeira gaveta. Todo o histórico do computador de que eu pedi ao Damon para checar. Está tudo aí, todas as suas entradas para postar no blog. foi até lá e pegou um maço de folhas de papel, folheou-os rapidamente, passando para e com o olhar incrédulo sobre e .
- Sabe Nick, você está se mostrando um perfeito marginalzinho, me diga, com quem aprendeu tudo isso? - disse, mas então se separou dela para ver a pilha de papeis.
- Sempre alerta. Foi assim que eu aprendi. - ele disse com um sorriso enviesado.
- Isso tudo é verdade? - perguntou acusador.
- E por que você acreditaria nele? - tentou disfarçar o nervosismo, mas a interrompeu.
- É, é verdade sim. E o que vão fazer agora? Nos prender? Não fizemos nada de errado! - ela levantou-se, mas não sem antes amarrar Nick com o lençol da cama. - Tudo o que postamos naquele blog foi a mais pura verdade e vocês sabem disso, só ficavam irritados porque mexíamos demais com a vida pessoal de vocês, novidade: tablóides são piores.
- Vocês não tinham direito algum de fazer isso. - tomou a frente, extremamente irritado.
- Qualquer fã poderia fazer isso. - rebateu . - Não está feliz que não mentimos sobre nada?
- Feliz? Nos apunhalou pelas costas, - gritou. - eu quero ir embora daqui. - deu as costas, voltando à sala.
- Vem , eu cuido disso para você. - se prontificou, abraçando a amiga pelos ombros.

- O que deu em você? Confessou o blog na frente dos meninos! Agora, eles nunca mais vão olhar na nossa cara. - a garota esperou chegar ao seu quarto para se desmanchar em lágrimas. - Eu não tive escolha. - também estava chorando. - O blog foi descoberto, seria pior se não contássemos. Foi com dignidade que o blog acabou e é com essa dignidade que ficamos. Ainda temos uma à outra. - se aproximou e a amiga correu abraçá-la.
- O que vai ser de nós agora? - disse abafado pelo ombro de .
- Não sei, , não sei. Mas olha, não vamos deixá-los nos entristecer. Eu sei que meu pai e vão nos entender, nós só precisamos, só precisamos de uma boa base. - ela disse e a amiga concordou. - Vai ficar tudo bem. - voltou a abraçá-la.
Mais tarde, e seguiram para a sala de reunião, chamando Edward e para que se juntassem a elas. Ao que parecia, os meninos estavam vendo com Fletch as passagens de volta à Inglaterra. Nick havia sido preso naquela manhã sob a acusação de dupla tentativa de homicídio.
- Acho que vocês já devem conhecer o blog McHate.com que fala sobre o McFLY. - disse se sentando na cadeira próxima à ponta da mesa.
- Sim, o blog que e vivem reclamando. O que tem ele? - estava sentada ao lado de Edward, ambos atenciosos.
- Somos as donas. - se pronunciou olhando janela afora.
- E agora os meninos não olham mais na nossa cara. - engoliu o nó na garganta que havia se formado.
- O fato é que, papai, , - virou-se para eles, apoiando ambas as mãos na mesa de vidro. - o blog não diz nada além da verdade. Nós não mentimos em nada, sabemos que era errado falar sobre a vida pessoal, mas nós também nos incluímos no blog.
- Os fãs gostam de notícias e nós as tínhamos. Não foi por maldade. - disse.
- Papai, o senhor me conhece, sabe que eu não fiz por mal, eu só queria dar às fãs de McFLY, assim como eu, mais informações e... - ela foi interrompida pela mão de Edward que subiu na altura do peito, indicando que ela parasse.
- Está tudo bem, princesa, já entendemos. Eu e já entramos no blog e a única coisa que achamos de ruim foi a acidez dos posts, nada mais. Vocês não tinham a intenção e dá para perceber isso no rosto de vocês.
- Agora, queridas, nós não podemos intervir nos meninos. Eles foram os mais afetados nessa história e também acho que eles não nos escutariam. - sorriu terna. - Mas não se preocupem, uma hora vocês conversarão e tudo se resolverá.
- Espero que assim seja. - disse, mais aliviada agora. - Obrigada por tudo. - abraçou o pai e a madrasta.
- Obrigada Sr. , Sra. . - os abraçou e então elas saíram, sentindo-se bem mais aliviadas.
- Eu não disse que tudo ficaria bem? - abraçou a amiga de lado e as duas foram sorridentes para os quartos arrumarem as malas. Poderia ser uma forma de fazer com que a amizade delas ficasse ainda mais forte.

Capítulo 36.

Todos no avião. e em poltronas lado a lado e, três fileiras atrás, os garotos todos juntos. Edward e haviam ficado para resolver o caso de Nick e Damon e seguiriam para a Inglaterra o mais rápido possível. Como imaginado, o McFLY vinha ignorando e como se ignorava a morte. Mas elas não se importavam, tinham uma a outra e o certo já estava feito. Depois da reunião com e Edward, elas haviam feito seu último post no blog:

"Caros leitores,
É com pesar que venho dizer que o blog está sendo fechado. Com os últimos acontecimentos, a situação saiu de controle e o McFLY descobriu quem nós éramos. Então, para evitar maiores problemas, McHate.com está, a partir de hoje, fechado.
Obrigada a todos os fãs e todo o apoio e informações que vocês nos deram. Realmente sem vocês o blog não seria do tamanho que é hoje. Então... a gente se vê por aí.

Caso tenha ficado a dúvida sobre quem nós somos, aqui estão duas fotos. Sim, nós somos e . Desculpe se nós os desapontamos."


E então elas não haviam visto mais nada relacionado ao blog. havia terminado com , e não se falavam, o mesmo se repetia com . Embora a relação da garota continuasse normal com , notava-se que a convivência naquela casa ainda estava longe de ser pacífica.

Uma semana depois...

- Princesa, temos uma coisa para lhe mostrar. - Edward entrou no quarto que dividia com . Ele e haviam decidido por adiar o casamento em alguns meses. Mas a procura pela nova casa continuava.
- O que é papai? - a menina levantou-se da cama de prontidão.
- Venha comigo. - Edward acenou sorrindo e entrelaçou a mão com a da filha, tapando em seus olhos em seguida.
- Ah pai, não tem graça. - protestou a pequena, mas o mais velho apenas riu. Longos minutos se passaram dentro do carro que seguia para onde a menina não fazia ideia.
- Espero que goste. - depois de um longo passeio de elevador e uma chave na maçaneta, Edward colocou as mãos sobre os ombros da filha e retirou-lhe a venda que havia colocado pouco antes de entrarem no carro.
- Oh meu Deus, papai, é lindo! - sorriu largo para o novo apartamento. Era um duplex enorme, assim como sempre quisera.
- Venha, vou lhe mostrar os cômodos. - o pai puxou a filha pela mão pelo apartamento. - Essa é a sala. - branca e bem clara, a sala tinha uma enorme TV de plasma; havia dois sofás brancos, um de cada lado do cômodo e uma mesinha de vidro no centro, as janelas eram cobertas por delicadas persianas e o ambiente era confortável. Andaram mais um pouco e chegaram à cozinha. De armários brancos e mármore preto, a cozinha era espaçosa, mas com certeza, um lugar que evitaria ficar. Próxima parada foi seu quarto, o tão esperado quarto. Ele era enorme e com uma sacada de ponta a ponta. Havia uma cama de casal bem no meio do cômodo, com uma parede aberta logo atrás de onde vinha o closet.
- Gostou? - Edward sorriu. girou seu corpo para que pudesse olhar cada canto do quarto e sorriu maravilhada.
- É lindo, obrigada! - ela pulou no colo do pai, rindo, divertida, mas foi interrompida pelo seu celular. - Ahm, papai, pode me dar licença? - ela apontou para o aparelho gritante e o mais velho assentiu. - Oi, o que aconteceu?
- Ele descobriu....
- Descobriu o que, mulher? - sentou-se na cama ao ouvir a voz de , chorosa.
- Do meu antigo caso com o . - ela fungou.
- Você estava tendo um caso com ? - franziu o cenho.
- Longa história, coisa de chantagem. - explicou ela rapidamente. - disse que nunca mais vai olhar na minha cara.
- Calma, vai ficar tudo bem. Ele vai se arrepender disso.
- Eu acho que não. - ofegou e bufou.
- , relaxa ok? Se você quiser eu falo com ele.
- Não! Está louca? Estamos pior do que no filme "A Morte Pede Carona" - ela murmurou e riu.
- Acalme-se, tudo vai se resolver ok? E, hey, se quiser diversão pode vir para o meu novo apartamento, papai acabou de me apresentá-lo, você vai amar!
- Posso mesmo? - pela voz, sabia que os olhos da amiga brilhavam.
- Mas é claro. Agora preciso desligar e não chore ok? Te vejo mais tarde. - e desligaram. suspirou. As coisas realmente estavam longe de ficar bem, era como se uma conspiração houvesse formado ao redor delas e, embora ainda tivesse pessoas com as quais elas pudessem falar, aquelas que carregavam seus corações estavam frias como mármore.

Os dias que ia à gravadora fazer companhia para eram extremamente tensos. Tirando a secretária e Fletch, ninguém falava ou dirigia o olhar a elas. McHate.com estava fechado, ninguém mais falava nele e muito menos em suas proprietárias, as novas músicas já estavam sendo trabalhadas, todos estavam seguindo em frente. Mas eles não podiam dizer que estava sendo fácil.
Havia dias em que não conseguia dormir, passava horas a fio com seu caderno de letras aberto ou então só olhando pela janela de sua casa. Ele simplesmente não conseguia ignorar , partia seu coração tê-lo que fazer, tanto com ela como a prima; os meses que ele passara brigado com não poderiam se repetir.
, parecia um zumbi ambulante. Não dormia direito sequer uma noite e não estava mais falando com . Desde que descobrira que ele e haviam se envolvido, aquilo havia o abalado ainda mais. Basicamente, as conversas com eram uma das poucas coisas que o mantinham focado na banda. Estava cada vez mais difícil ignorar na gravadora sem aquele desejo massacrante de abraçá-la e beijá-la, perguntar como ela estava e dizer que a amava.
McFLY estava em crise, o coração de seus integrantes estava em crise. Restava muito pouco a se fazer, mas ninguém poderia desistir...ou seria o fim.

Capítulo 37.

[Coloque para carregar Leiam com a música, é muito importante!]

Dois meses se passaram. O CD estava em seus toques finais e a correria era tremenda. estava seguindo para a gravadora, a pedido de , entregar um recado a . Ela sabia que seria difícil, mas precisava tentar.
- Olá Rose, pode chamar o para mim, por favor? - a menina sorriu delicada para a secretária que acenou com a cabeça e pegou o telefone, pedindo por na recepção.
- O que quer? - ele apareceu e disse ríspido.
- Não me trate assim, eu vim porque sua mãe pediu. - disse calma, já havia percebido que brigar e gritar com sobre suas grosserias só o faria pior.
- Minha mãe? Arranje outra mentira, ande, não tenho muito tempo. - um nó se formou na garganta de , mas ela forçou-o garganta abaixo.
- Ela só queria que eu te dissesse para... - então ela travou. O que havia lhe dito mesmo? Ela não conseguia se lembrar de maneira alguma e o olhar acusador de sobre si não ajudava em nada.
- Seu tempo acabou, vá para casa e não volte, eu ligo para minha mãe depois. - disse ele e a menina concordou em silêncio. Sorriu fraco para a secretária e saiu com as mãos no bolso do casaco. Voltou a colocar os fones do iPod.

[Coloque para tocar]

Caminhou até o elevador e apertou o térreo, deixando que uma solitária lágrima deixasse seus olhos.

Everybody sees it's you
[Todo mundo vê que é você]
I'm the one that lost the view
[Eu sou quem perdeu a visão]
Everybody says we're through
[Todo mundo diz que é o fim]
I hope you haven't said it too
[Espero que você não tenha dito isso também]

Chris Brown tocava enquanto as luzes indicando os andares se moviam lentamente. Seu peito mais fundo não poderia ficar, estava sem ninguém para ampará-la e isso só fazia da ferida ainda pior.

So where do we go from here
[Então pra onde a gente vai daqui]
With all this fear in our eyes
[Com todo esse medo em nossos olhos?]
And where can love take us now
[E aonde o amor pode nos levar agora?]
We've been so far down
[Nós estivemos profundamente distantes]

Deixou o crachá na portaria e saiu por afora. estava próximo à entrada do local, falando ao celular. preferiu evitar vê-lo para não piorar seu mal-estar, então apenas abaixou a cabeça e continuou a andar. Mas ele a notou. Sabia que seguia para o outro lado, onde o carro de seu pai a esperava, pronta para levá-la para casa.

We can still touch the sky
[Nós ainda podemos tocar o céu]

If we crawl
[Se nós rastejarmos]
'Till we can walk again
[Até podermos andar de novo]
Then we'll run
[Então vamos correr]
Until we're strong enough to jump
[Até que nós estejamos fortes o suficiente para saltar]

A rua em que a gravadora ficava era relativamente calma, então não havia semáforos. Bastava uma olhada e você poderia atravessar tranquilamente. Mas não naquela tarde. olhou para a rua e viu que estava livre, mas não . Ele continuou olhando e reparou quando um carro virou a esquina em alta velocidade. Ele não iria parar, não parecia.
De repente a voz da pessoa do outro lado da linha pareceu sumir; só havia ela.
- , cuidado! - ele gritou, mas ela não o ouviu. É claro que não. Com aqueles fones, quem ouviria?

Then we'll fly
[Então vamos voar]
Until there is no wind
[Até não ter mais vento]
So lets crawl
[Portanto vamos rastejar]
Crawl, crawl
[Rastejar, rastejar]

Back to love, yeah
[De volta pro amor, yeah]
Back to love, yeah
[De volta pro amor, yeah]

Dedos fortes apertaram seu braço com força e seu corpo deu um solavanco para trás um milésimo de segundo antes do carro atravessar logo a sua frente em alta velocidade. Com o movimento, seu iPod caiu.

Why did I change the pace?
[Porque eu mudei o ritmo?]
Hearts were never meant to race
[Corações nunca foram feitos pra correr]
I always felt the need for space
[Eu sempre precisei de espaço]
But now I can't reach your face
[E agora não posso alcançar seu rosto]

So where are you standing now
[Então onde você está agora?]
Are you in the crowd of my fault
[Você está na platéia do meu apoio?]
Love, can't you see my hand?
[Amor, você consegue ver minha mão?]
I need one more chance
[Eu preciso de mais uma chance]

- ... - a virou para si, mas a garota não deu-lhe tempo para olhá-la nos olhos. Agarrou seu pescoço desatando a chorar, assustada. - Shhhh, vai ficar tudo bem. - ele acariciou-lhe o cabelo. sentiu as pernas fraquejarem e apertou ainda mais envolta do pescoço do garoto que a sustentou com os braços. - Vem, vamos entrar.

We can still have it all
[Nós ainda podemos ter tudo]

So we'll crawl
[Se nós rastejarmos]
'Till we can walk again
[Até podermos andar de novo]
Then we'll run
[Então vamos correr]
Until we're strong enough to jump
[Até que nós estejamos fortes o suficiente para saltar]

Then we'll fly
[Então vamos voar]
Until there is no wind
[Até não ter mais vento]
So lets crawl
[Portanto vamos rastejar]
Crawl, crawl
[Rastejar, rastejar]

Back to love, yeah
[De volta pro amor, yeah]
Back to love, yeah
[De volta pro amor, yeah]

- Rose, um copo de água com açúcar rápido. - entrou na gravadora com apoiada sobre os ombros. - Sente-se aqui, pronto. - Colocou a menina sentada em um dos sofás da recepção e agachou-se à sua frente. - Shhhhh, está tudo bem agora, calma, calma. - ele segurou o rosto de enquanto ela ainda chorava copiosamente.
- Aqui está senhor . - Rose estendeu-lhe um copo d'água o qual ele pegou e entregou à . Sentou-se ao seu lado segurando sua mão esquerda enquanto com a outra ela segurava o copo trêmula.
- Obrigado. - ele virou-se para a mulher que sorriu calma. - Vamos, beba. - acariciou uma das bochechas de , tirando o rastro de lágrimas que ali havia.

Everybody see's it's you
[Todo mundo vê que é você]
Well I never wanna lose that view
[Bem, eu nunca quero perder esse ponto de vista]

So we'll crawl
[Se nós rastejarmos]
'Till we can walk again
[Até podermos andar de novo]
Then we'll run
[Então vamos correr]
Until we're strong enough to jump
[Até que nós estejamos fortes o suficiente para saltar]

- O que houve? - apareceu, seguido de e .
- Ela quase foi atropelada. - murmurou.
- Ela está bem? - aproximou-se dos dois.
- Assustada, mas bem. Consegui pegá-la a tempo. - sorriu para a menina a sua frente que ainda tentava beber a água sem tremer o copo.
- Leve-a para casa. - disse frio.
- Como pode dizer isso, ela é sua irmã e você não quer nem saber se ela está bem? - virou sua cabeça na direção do garoto.
- Tanto faz. - disse ele e o soluço de colocou todos em silêncio.
- Shhhh, está tudo bem. - trouxe sua cabeça para descansar em seu ombro. - Shhhhh, vai ficar tudo bem.

Then we'll fly
[Então vamos voar]
Until there is no wind
[Até não ter mais vento]
So lets crawl
[Portanto vamos rastejar]
Crawl, crawl
[Rastejar, rastejar]

So we'll crawl
[Então nós rastejaremos]
'Till we can walk again
[Até podermos andar de novo]
Then we'll run
[Então vamos correr]
Until we're strong enough to jump
[Até que nós estejamos fortes o suficiente para saltar]

desceu com até a garagem onde ambos entraram em seu carro e seguiram para a casa de menina. A cada semáforo em que eram obrigados a parar, tirava uma das mãos do volante para segurar a de que ainda tremia.
Pela primeira vez em muito tempo sentiu seu peito se aquecer e um sorriso brotar de seus lábios, ainda que tímido. Ele ligou o rádio para quebrar um pouco do silêncio. Chris Brown estava no final de sua música Crawl o que fez estremecer, pois era exatamente essa música que ela ouvia antes de tudo acontecer.

Then we'll fly
[Então vamos voar]
Until there is no wind
[Até não ter mais vento]
So let's crawl
[Portanto vamos rastejar]
Crawl, crawl
[Rastejar, rastejar]

Back to Love
[De volta pro amor]

- Está tudo bem, eu estou aqui com você. - disse segurando sua mão mais uma vez e então não a largando mais pelo resto do trajeto. permaneceu em silêncio, mas mais calma, fechou os olhos. Seu coração batia aquecido pela primeira vez em meses...

Capítulo 38.

- Olá ... oh não, o que houve? - abriu a porta da casa. - , você está pálida! - olhou para o rosto da garota, embora estivesse quase escondido no ombro de .
- Ela quase foi atropelada, - explicou. - tem algum lugar que eu possa levá-la? - a mulher concordou e apontou para o andar de cima. - Venha. - ele abraçou e ambos subiram para o seu quarto.
- Obrigada, . - ela disse assim que estava sentada sobre sua cama, confortável.
- Não há de que, você está bem? - ele ajoelhou-se diante da menina, segurando seu rosto para que pudesse olhá-la.
- Eu não...eu não sei. - ela piscou várias vezes. - Mas obrigada de qualquer jeito, vou ficar bem.
- Cuide-se. - o garoto beijou-lhe a testa e ia seguindo em direção à porta.
- ? - olhou-o, esperando que ele se virasse e assim o fez. - Eu sinto sua falta. - ela mordeu o lábio tentando segurar o choro. Ele sorriu fraco.
- Eu também linda, muito. - ainda segurava a maçaneta, mas a verdade era que não queria ir embora. Queria ficar ali, com ela, protegê-la e nada mais.
- Sinto muito. - sussurrou ela abaixando o olhar. Algo em seu corpo tremia, e não eram as mãos. Concentrando-se melhor no silêncio do cômodo, percebeu que era seu coração palpitando dentro do peito, inquieto. Instintivamente ela colocou a mão sobre o peito, como se quisesse aquietá-lo.
- Eu também. - sussurrou de volta e então deixou o quarto. Desceu as escadas passando por e se despedindo. O que havia sido aquilo?
- Prontinho, querida, um chá para você se acalmar. - sentou-se ao lado de que estava deitada encolhida na cama.
- Eu não consegui entregar o recado para o , ele não quis me ouvir. - ela disse ainda deitada.
- Está tudo bem, . Depois eu falo com ele. Agora tome isso, vai melhorar.
- Obrigada. - pegou a xícara e bebeu todo o chá de camomila que havia. Deitou-se e, quase em seguida, caiu no sono.

- Como ela está? - perguntou assim que chegou à gravadora.
- Melhor, está cuidando dela. - disse, mas não desgrudou os olhos de . - E você, trate de melhorar seu relacionamento com a .
- Olha quem fala. - retrucou o garoto, fingindo estar extremamente entretido com o instrumento que limpava.
- Não sou eu que fez a garota sair chorando do prédio e ficar tão perturbada que quase foi atropelada.
- Está dizendo que a culpa foi minha por ela não ter olhado a rua? – deixou o instrumento de lado e andou até , encarando-o raivoso.
- Não , estou dizendo que você maltratá-la a está deixando machucada. Pensa que tudo o que ela chorou ali foi por causa do susto?
- E não foi? - arqueou a sobrancelha, confuso.
- É claro que não! Foi só o causador dessa reação em cadeia. Acho que ela estava tão arrasada que se viu no momento certo para descarregar. E não a culpo. - deu as costas e foi para o outro canto da sala.
- Ok, então o que você quer que eu faça? - abriu os braços, se rendendo.
- Você ainda tem tempo de fazer as coisas certas, , então faça. - ele disse de costas e a sala voltou a ficar em silêncio.

Aquela rua estava deserta. Ela olhou de um lado e depois do outro, estava livre para caminhar. Quando pisou na faixa, entretanto, viu que um carro se aproximava e parou, esperando que ele passasse. Assim que o veículo estava prestes a passar pela faixa, alguém a empurrou fortemente pelas costas, jogando-a na frente do mesmo. Rapidamente ela abriu os olhos, se sentou na cama, gritando de susto e de encontro a algo macio.
- Pronto, te peguei. - ela ouviu um sussurro enquanto começava a chorar. Braços fortes a envolveram e passaram a fazer carinho em suas costas. - Shhhh, está tudo bem , calma. - ela reconheceu que era .
- Ele, ele me empurrou. - ela soluçou abraçando-o com força enquanto descansava seu rosto sobre o ombro direito do mais velho.
- Quem ? Quem te empurrou? - ele a separou de si, segurando eu seu rosto, tentando acalmá-la.
- O Nick. - fungou, comprimindo as pálpebras para que sua visão ficasse mais nítida. - , ele quer me matar.
- Ele não pode te machucar , eu estou aqui para te proteger ok? - voltou a abraçá-la segurando sua cabeça e acariciando seu cabelo. - Eu estou aqui, shhhhh.
- , não me deixa. - pediu ela.
- Eu não vou. Vem. - ele a puxou para se deitar com ele, colocando-a sobre seu peito. - Agora ninguém mais pode te machucar. - ficou lhe fazendo carinho até que ela caísse no sono.
- E então, o que aconteceu? - Edward, que havia acordado com o grito de , perguntou assim que voltou ao quarto.
- Um pesadelo, está lá com ela agora.
- ? Achei que estivessem brigados. - o homem franziu o cenho e sorriu sentando-se ao lado dele na cama.
- Eu sei, mas depois do que aconteceu hoje...desde que chegou não saiu do quarto de . Foi como se previsse aquilo. - ela perdeu o olhar sorrindo orgulhosa. - Nunca vou me perdoar por tê-la mandado à gravadora, ela poderia ter se ferido.
- Está tudo bem, , foi o anjo dela hoje. - Edward a puxou para abraçá-lo.
- Acho que as coisas se resolveram entre eles também. - riu a mulher. - Ele até a trouxe para casa e a levou para o quarto.
- é um bom garoto, ele faz bem à . Agora vamos dormir. - ele beijou-a nos lábios e apagaram a luz.

- Bom dia , , . Em que posso ajudá-los? - Edward atendeu à porta logo de manhã apertando a mão dos meninos.
- Olá senhor , estamos procurando pelo . Ele não apareceu no ensaio de hoje. - explicou.
- Oh sim, por favor, entrem. - ele abriu espaço para que os meninos entrassem. - Fiquem à vontade, ele deve descer a qualquer momento.
- Espere, ele ainda não acordou? - franziu a testa.
- Não, passou a noite com . Talvez não queira deixá-la sozinha. - Edward disse pensativo.
- Ela está bem? - perguntou e todos puderam notar o desespero em sua voz.
- Teve uma noite difícil, mas está bem. - o homem sorriu. - Por favor, sentem-se, eu vou dar uma espiada nos dois e venho lhes dizer.
- Certo. - disse jogando-se no sofá, totalmente relaxado.
Edward subiu calmamente para o andar de cima do apartamento e seguiu para o quarto da filha, batendo levemente na porta e entrando em seguida. Como pensava, estava acordado, mas com ainda adormecida sobre ele.
- , seus amigos estão aqui. - ele sussurrou se aproximando da cama.
- Será que pode pedir a eles para terem paciência? Eu não quero deixá-la. - ele passou a mão sobre o cabelo um pouco bagunçado de e Edward sorriu.
- Claro, não se preocupe. - ele bateu levemente sobre o ombro do rapaz e beijou a cabeça da filha, saindo em seguida. - Ele já acordou, mas vai esperar pela . Pediu para vocês terem paciência.
- Ok. Ahm...será que podemos assistir TV, sabe, para passar o tempo?! - arriscou e recebeu um aceno afirmativo de Edward.
- Rock Band? - sugeriu e eles pegaram os instrumentos, começando a jogar para passar o tempo.

Capítulo 39.

- Bom dia, dorminhoca. - sorriu ao ver a meia irmã se mexendo sobre si.
- Oi . - ela olhou para cima e deitou ao seu lado. - Te atrapalhei muito?
- De jeito nenhum, acho que você até dormiu melhor. - gabou-se ele e a menina riu.
- Estou com fome. - cogitou, pensativa.
- Eu te faço o café. - o garoto ofereceu.
- , temos uma cozinheira só para isso.
- Eu se fosse você não desperdiçaria essa chance. Não é sempre que eu preparo café da manhã para as minhas irmãs. - brincou ele.
- Tá booooom, você sabe do que eu gosto. Agora xô! - ela empurrou o garoto que saiu rindo de seu quarto. Mas antes foi até o banheiro escovar os dentes e arrumar o cabelo. Por sorte o fez, já que descendo as escadas, deu de cara com os meninos jogando Rock Band.
- O que eu perdi? - perguntou ele franzindo a sobrancelha.
- Como ela 'tá? – perguntou, largando as baquetas do Rock Band. Estava mais do que evidente que o menino estava inquieto para ver de novo.
- Ela 'tá bem. Só teve um pesadelo com o Nick. – ao ouvir as palavras de , sentiu um arrepio na espinha. Esse nome lhe trazia tantas lembranças.
- Você fez as pazes com a , ? – perguntou inseguro sobre a resposta dele. Será que teriam de conviver com as meninas de novo? Será que ele teria de olhar para e falar com ela?
Mas antes que ele respondesse, a campainha tocou. atendeu a porta e, por ela entrou uma pessoa encapuzada soluçando.
- A... está? – foi tudo que a pessoa conseguiu dizer. Tirou o sobretudo e o gorro, mostrando sua face corada pelo frio. tinha os olhos inchados, cansados e os cabelos pareciam sem vida. – Des... Desculpa atrapalhar. – continuou ela para , sem ver que os meninos a olhavam abismados.
Aquela era a mesma que chamava a atenção de todos os caras, em todos os lugares? Aquela que sempre estava de bem com a vida? Pois diante dos olhos de todos, aquela não era ela e, sim, uma completa estranha.
- , minha querida, está tudo bem? - perguntou cautelosa, desviando de leve o olhar para os meninos. então os notou e sentiu as bochechas enrubrecerem mais ao ver a encarando com cara de dúvida.
- Er... Sim. A , por favor? – ela perguntou de novo com certa urgência, os ignorando. Era melhor assim.
- Ela está dormindo. – respondeu para a prima, querendo que ela o olhasse. E quando ela o fez, perguntou-se se aquela seria a mesma dos dias após o acidente dos seus tios.
- Ah. Eu... Vou indo então. – abaixou a cabeça. Colocou seu sobretudo de volta, aproveitou e colocou os óculos escuros para esconder os olhos e a touca. Precisava sair de lá o quanto o antes. Aquele clima a estava sufocando.
- ? – a voz de ecoou na sala, e todos olharam para a menina. – Está tudo bem?
apenas olhou para a mais nova e acenou que sim com a cabeça. Sorriu fraco e caminhou até a amiga.
- Depois eu volto, tá? Agora não é uma boa hora. – sussurrou, querendo que os meninos não a ouvissem.
- Você é da casa querida, fique a vontade. – respondeu, saindo da sala em seguida.
- Sobe lá para o meu quarto, já estou indo. - disse olhando para o irmão ainda paralisado na sala. Por isso ele estava demorando tanto com seu café da manhã.
- Tem... Certeza? – agarrou as mangas do sobretudo e mordeu o lábio inferior. Estava ficando nervosa com aquela situação.
- Absoluta. – a mais nova sorriu, tirando os óculos e o gorro da amiga para que pudesse olhá-la diretamente nos olhos.
subiu as escadas, enquanto os meninos a observavam.
- Ela não pode ficar aqui, . – se aproximou da irmã, cochichando para a mesma.
- Por que não? Dê-me um bom motivo, . – ela esperou, e o menino não lhe respondeu. - Eu vou subir e ver o que a quer. - mas antes que ela se virasse novamente para subir a escada, deu largas passadas em sua direção e a abraçou com força. fechou os olhos respirando fundo e retribuiu o gesto timidamente, sorrindo antes de voltar ao andar superior da casa.
- Eu não fico mais aqui. Até mais tarde. – que, até então estava mudo, apenas observando, abriu a porta e saiu do apartamento. Precisava respirar novos ares.

- , você 'tá bem? – entrou no quarto, vendo a amiga em pé, de frente para a janela. Aproximou-se dela e viu o que a outra observava: .
- Ele me odeia. – disse baixo, quase sussurrando.
- Eu acho que não, senão ele não teria ficado te encarando o tempo todo. – foi até sua cama onde sentou-se, pensativa. – A maneira como ele te olhou hoje foi praticamente a mesma com a qual ele te olhava antes.
- , o 'tava falando com você? – a menina mudou de assunto, mas continuou olhando para a janela, observando entrar e sair do carro várias vezes. O que ele estava fazendo?
- Voltamos a nos falar. me salvou de um quase atropelamento e acho que ele conversou com o . Pelo menos é a unica coisa que me veio à cabeça para aquele cabeçudo do meu irmão falar comigo por livre e expontânea vontade.
- Deve ser... – finalmente se voltou para a amiga, já que finalmente resolvera entrar no carro e ir embora. – Ahm, andei pensando. Acho melhor sair da gravadora. Não aguento mais eles fingirem que não me conhecem.
- Logo isso vai passar. Precisa passar. Senão eles mesmos vão enlouquecer. – a mais nova riu, abrindo os braços para receber em um abraço reconfortante. – Vai dar tudo certo.
- Espero que sim...
- Se você quiser, eu posso te acompanhar todos os dias na gravadora. - disse depois de um tempo em silêncio.
- Não sei se é uma boa ideia.
- E por que não? É uma boa opção para eu continuar a trabalhar nessa reaproximação e começar com a sua. - a garota se levantou da cama, seguindo até a janela.
- Acha mesmo que isso vai acontecer? - disse descrente.
- É claro que vai! Você precisa acreditar nisso!
- Certo, então... eu aceito! - a menina sorriu fraco e ouviram alguém bater à porta.
- Entre.
- Trouxe seu café. - apareceu com uma bandeja lotada de frutas, uma jarra de suco e pãezinhos.
- Oh, obrigada . - a menina sorriu.
- Tenho que ir para a gravadora ok? Volto mais tarde, tchau . - ele deixou a bandeja na cama e beijou a cabeça da irmã, seguindo até a porta.
- Ahm, ? - o chamou com uma das sobrancelhas arqueadas. O garoto virou-se, já com a mão na maçaneta. - também está no quarto. - cruzou os braços e o garoto engoliu seco.
- Desculpe, tchau . - ele disse e acenou para a irmã que imediatamente voltou a sorrir.
- Até logo . - acenou mesmo de costas para o garoto.
- Estamos no caminho certo. – concluiu sorrindo e passou a dividir seu café da manhã com . Precisava animar a amiga e, por isso, convidou-a a passar a manhã toda consigo em casa. Nada melhor do que uma boa sessão de filmes e muitas guloseimas para levantar o astral.

Capítulo 40.

acabou por aceitar o convite de e almoçou na companhia de , ao menos agora estava mais calma e sorria por conta do último filme que haviam assistido. É claro que alguns minutos depois ela já estaria de volta ao normal, mas não queria ficar assim.
- Vamos lá? Estou levando alguns marshmallows para mergulharmos no chocolate. - disse animada abraçando o saco de marshmallows que emanavam um cheiro delicioso.
- Ahm, desculpa , mas acho que vou indo. Eu preciso dar as caras na gravadora.
- Quer que eu vá com você? - fez menção de subir as escadas, mas foi impedida por .
- Pode deixar, eu vou ficar bem.
- Ok então. Mas qualquer coisa me liga hein? - sorriu abraçando a amiga, junto com os marshmallows o que a fez rir.
- Claro, até mais. Tchau , obrigada pelo almoço.
- Até logo querida. - a acompanhou até a porta e fechou-a em seguida suspirando.
- Marshmallow? - ofereceu sorrindo.
- Só se vier acompanhado de algum clássico. - sorriu de volta e as duas seguiram para a sala, começando uma nova maratona de filmes.

- Boa tarde, Rose. – disse , entrando mais uma vez naquele lugar que a causava enjoo. Ela sempre chegava antes de todos os meninos, um jeito de não ter que cumprimentá-los, e sempre saía depois que eles já haviam partido. Mas não precisava fazer isso naquele dia. Os meninos haviam saído para o almoço e provavelmente voltariam quando ela já tivesse partido.
A caminho de sua sala, foi parada. John, o rapaz que trabalhava na área de gravações, chamou-a e pediu por sua ajuda.
- , acontece que o ia passar aqui depois do almoço para me ajudar. Eu estou ajustando meus programas, por causa do probleminha que deu semana passada. Mas ele não atende ao celular. Será que você... Poderia cantar alguma coisa para mim? - a menina sorriu sem jeito.
- Eu? Tem certeza John? Não quero te causar dor de ouvido. - sabia que tinha certo talento vocálico, mas tinha um pouco de vergonha.
- Eu duvido disso. Vamos lá! Escolha uma música que eu baixo o playback. - ele sorriu para ela.
A menina mordiscou o lábio, pensando em algo que a motivasse a cantar. Seu coração apertou ao lembrar-se de Remembering Sunday, do All Time Low. Uma música que a refletia por completo no momento. Escolheu a mesma, acreditando que a canção a ajudaria, talvez, a aliviar um pouco todo aquele stress.
- Procura um tom acima, eu não consigo cantar no tom original. - comentou, deixando a bolsa em uma cadeira do lado de fora da sala de som. Entrou, posicionando-se à frente do microfone.
Em minutos, a melodia que ela sabia de cor começou a tocar. Ajeitou uma mecha atrás do cabelo, olhando seu reflexo no vidro que dividia o lugar.
- He woke up from dreaming and put on his shoes/ Started making his way past/ Two in the morning/ He hasn't been sober for days. Leaning now into the breeze/ Remembering Sunday, he falls to his knees/ They had breakfast together/ But two eggs don't last/ Like the feeling of what he needs. - com os olhos fechados, em sua mente uma mistura de lembranças a deixava confusa. A ideia de que sua vida vazia e amargurada havia conseguido ter algum sentido com e, por causa de suas escolhas erradas e impensadas, ela perdera tudo, fazia sentir-se só.
- Now this place seems familiar to him/ She pulled on his hand with a devilish grin/ She led him upstair/ She led him upstairs/ Left him dying to get in. - respirou fundo e abriu os olhos. A letra da música refletia o que ela sabia que estava acontecendo a . Ela queria ajudá-lo e que ele olhasse em seus olhos. Essa seria a única maneira de ambos estarem completos e felizes. Mas aqueles sentimentos negativos que passara sobre si para ele talvez nunca passariam.
- Forgive me, I'm trying to find my calling/ I'm calling at night/ I don't mean to be a bother/ But have you seen this girl?/ She's been running through my dreams/ And it's driving me crazy, it seems/ I'm gonna ask her to marry me. - o reflexo mostrava para os olhos de , uma pessoa que lhe dava nojo: ela mesma. Seus pais sofreriam em ver essa pessoa em que sua filha havia se tornado. 'Eu mudei', ela repetia para si mesma. E de fato, ela mudara. Se fosse como era antes, nada do que aconteceu teria feito ela se sentir mal.
- Josh! Desculpe o atraso eu... - entrara correndo no estúdio. Havia se esquecido do que combinara com o amigo. Mas sua voz se calou, ao ver quem estava ali com ele. não podia vê-lo, nem ouvi-lo.
- Even though she doesn't believe in love/ He's determined to call her bluff/ Who could deny these butterflies?/ They're filling his gut. Waking the neighbors, unfamiliar faces/ He pleads though he tries/ But he's only denied/ Now he's dying to get inside. - ele sentia falta dela. Falta de poder olhá-la, falta de ouvi-la. Por mais que doesse, ele não conseguia não admirá-la. Ele queria ficar ali, a observando. Ela parecia mais angelical, mais dócil. Como ele nunca de fato vira.
- Forgive me, I'm trying to find my calling/ I'm calling at night/ I don't mean to be a bother/ But have you seen this girl?/ She's been running through my dreams/ And it's driving me crazy, it seems/ I'm gonna ask her to marry me. - ele então prestou atenção na letra. Notou que de fato conhecia. Era uma daquelas músicas que ele ouvia e lembrava-se dela. Ele se sentia como o 'personagem' dela. Começou de leve a cantarolar junto com ela. Era tão bom fazê-lo, pois estava fazendo com ela.
- The neighbors said she moved away/ Funny how it rained all day/ I didn't think much of it then/ But it's starting to all make sense/ Oh, I can see now that all of these clouds/ Are following me in my desperate endeavor/ To find my whoever, wherever she may be. - a voz de foi sumindo, e percebeu que havia outra voz, bem baixinha cantando. Josh havia deixado o microfone externo ligado, fazendo com que escutasse, no fundo, a voz de . Ele a estava observando?
- I'm not coming back/ I've done something so terrible/ I'm terrified to speak/ But you'd expect that from me/ I'm mixed up, I'll be blunt/ Now the rain is just washing you out of my hair/ And out of my mind/ Keeping an eye on the world/ From so many thousands of feet off the ground/ I'm over you now/ I'm at home in the clouds, towering over your head. - ao notar que ele havia parado de cantar, cantou com todo o seu coração essa parte. Ela dizia exatamente como se sentia. Mas ela queria voltar. Ela não se esqueceria dele. Ela nunca colocaria um fim na história deles, pois ela não se arrependia nem um minuto do que passara com ele.
- I guess I'll go home now/ I guess I'll go home now/ I guess I'll go home now/ I guess I'll go home. - com lágrimas nos olhos, olhou para baixo, mordiscando o lábio. Respirou fundo e saiu do estúdio. Sem olhar para o ex, pegou sua bolsa.
- Como me saí? - perguntou inqueita.
- Muito bem. - respondeu. Ela levantou o rosto e encarou aqueles olhos que ela tanto sentia falta. Ele estava de fato falando com ela? - Você sabe que tem uma belíssima voz.
- Ahm, depois nos falamos Josh. Adeus, Sr. . - disse rapidamente, saindo correndo para sua sala.
encostou-se na parede do estúdio e respirou fundo. 'O que deu em mim para falar com ela?', se perguntou. Mas a resposta era mais óbvia do que ele imaginava: ele precisava dela, por mais que ele não quisesse admitir isso.

Capítulo 41.

chegou às pressas em casa. Largou o casaco em qualquer lugar e seguiu em largas passadas até a sala. O dia na gravadora havia sido agitado, embora curto, mas mesmo assim queria checar como a irmã estava.
- Mãe! - beijou a bochecha de , mas esta fez um gesto de silêncio. - O que aconteceu? - olhou para baixo e viu deitada, a cabeça no colo de sua mãe.
- Ela tomou remédio para dor de cabeça e não faz muito tempo que pegou no sono, não a acorde. - sorriu a mulher voltando a fazer carinho nos longos cabelos da enteada.
- Posso levá-la para o quarto? - sorriu e recebeu o aceno afirmativo da mãe.
- Ah, mais uma coisa. - ela segurou o filho pelo braço, antes mesmo de alcançar . - Ela chamou pelo umas duas vezes enquanto dormia.
- É mesmo? Acha que ela está sonhando com o que aconteceu ontem? - ajeitou um dos braços de ao redor de seu pescoço.
- Não sei, mas se quiser passar a noite com ela de novo, acho que não faria mal algum. - sorriu beijando o filho na testa e depois a bochecha de , despedindo-se dos dois enquanto seguiam escada acima.
subia cautelosamente, observando cada degrau com cuidado enquanto também olhava para , certificando-se de que ela não acordaria. Por fim chegou ao seu quarto. Não estava mais cheio de tigelas e doces, como estava naquela manhã, a faxineira já havia limpado tudo, o que facilitou em andar e deixar a meia-irmã delicadamente sobre a cama. Enquanto a ajeitava, puxando a coberta para cima dela, ouviu-a virar-se, sonolenta, e murmurar.
- ... - logo em seguida ela voltou a afundar o rosto no macio travesseiro. mordeu o lábio, será que ele era a pessoa certa a passar a noite com a irmã? Sacou o celular e apostou na discagem rápida.
- ? Hey dude, escuta, quer passar a noite aqui em casa? - ele virou-se de costas e caminhou para fora do quarto para que pudesse falar. Acreditava estar fazendo a coisa certa tanto para o seu amigo quanto para sua irmã.
revirou-se pela centésima vez naquela noite, só que foi de encontro a algo macio e quente, que não era seu edredon.
- ? - balbuciou, sabia que havia pegado no sono antes que seu irmão chegasse em casa, mas não sabia que ele estava dormindo com ela novamente.
A resposta, entretanto, foi inesperada. Lábios quentes e carnudos foram de encontro aos seus, pegando-a de surpresa. Seu corpo foi jogado para o lado, permitindo que o rapaz ficasse por cima. Suas mãos subiram pelos braços nus do garoto e pararam na nuca, enquanto uma de suas mãos acariciava seu cabelo, logo percebeu de quem se tratava: . O que ele fazia em sua cama?
Ela não queria saber, era como se fosse o fim do mundo ou como soubesse que algo de ruim fosse acontecer, a beijava com vontade, aliviando a tensão que havia passado todos os meses longe da garota por quem seu coração batia diferente. Ter seu corpo sob suas mãos, deslizando sob seus dedos, seus lábios de encontro aos seus, aquele perfume que sempre emanava dela. Era uma sensação incrível.
se perguntava naquele momento como é que conseguira viver sem todo aquele tempo, porque agora que estavam ali, se beijando, todo esse tempo parecia impossível de ter sido vivido. atreveu-se a desprender da nuca de e desceu por seu tronco, descobrindo que ele estava sem camisa. Mais uma dúvida que a deixava inquieta: o que ele estava fazendo seminu?
separou-se de para poder encará-la sob a fraca luz da lua que atravessava a janela do quarto. desenhou todo o contorno do rosto dele com a ponta dos dedos, finalmente acreditando que era realmente .
- Me diz que isso não é um sonho. - sussurrou ela o olhando e deixando uma pequena lágrima escapar pelo canto dos olhos.
- Hey, hey, o que foi? - sentou-se na cama trazendo-a para perto de si.
- Desculpe, é que... - soluçou abafado, enxugando os olhos. - Passei tanto tempo sonhando com isso, mas depois... cada vez que você me olhava torto, doía tanto. - seu rosto escondeu-se na curva entre o pescoço e o ombro de que fechou os olhos, almadiçoando-se mentalmente. - Então eu me restringi aos meus sonhos...
- Esteja certa de que isso é real, porque eu não vou a lugar algum. Pelo menos, não sem você. - beijou-lhe a cabeça.
- Me perdoa , eu não consigo mais viver com essa culpa me assombrando. - voltou a olhá-lo, o garoto acariciou-lhe o rosto.
- Está acabado, , isso é passado. Você é outra pessoa e posso ver claramente. Agora fique calma, eu estou aqui. - trouxe o corpo de para que se deitasse sobre o dele. Enquanto a menina ficava fazendo desenhos aleatórios sobre o peito do rapaz, ele a observava com calma.
, em seu quarto, sorriu de canto. Sabia que havia ajudado a ficar ainda melhor. Sentou-se na cama, sem sono. Algo o atormentava. Ligou o laptop, aproveitando para limpar alguns arquivos que estavam pesando e encontrou um vídeo que ele havia gravado com os meninos, quando estava se mudando para o apartamento de .

*Flashback **

- ! ! Para de correr! - ria e corria atrás do primo.
- , acho que teremos que atacar a ! – a voz de , que segurava a câmera, soou, com um tom de ironia.
- Sargento , hora de atacar! – gritou, pegando no colo. Jogou-a no sofá, fazendo cócegas, na companhia dos outros.

*End Flashback **


As gargalhadas de fizeram rir. Ele sentia saudades daquele jeito infantil dela. Assistir a um daqueles pequenos momentos de paz entre eles era de se fazer pensar em como eles seriam agora. Com e amigos seria muito mais fácil momentos como aquele se repetirem. E não seria um pequeno erro que ameaçaria esses outros momentos.
Na hora soube qual era o próximo passo. Sabia que sua mais nova missão era tentar ajudar seus amigos que pareciam completamente perdidos.
- ? Sou eu. Sei que 'tá meio tarde, mas preciso da sua ajuda. – nada como alguém que enxergasse a luz na escuridão. Será que ele conseguiria ajudar e como ajudara e ?

O dia amanheceu ensolarado, dando a todos a inspiração para acordarem sorrindo. e tomaram café juntos, trocando carinhos, brincava com enquanto as deliciosas panquecas sumiam aos poucos da grande mesa dos e . Assim que terminaram, e saíram para a gravadora, saiu para o trabalho e restaram apenas e que se distrairiam arrumando a casa. subiu e pôs-se a arrumar seu quarto, que não estava lá aquelas coisas.
- , seu celular está tocando! - disse do andar de baixo e riu.
- Já vou atender , obrigada. - ela pegou o aparelho na mão e franziu o cenho ao ver um número desconhecido no visor. Apertou o botão para atendê-lo.
- Olá, filha.

Capítulo 42.

Edward andou apressado para fora do elevador em direção à porta envidraçada da gravadora. Passou pela secretária sem ao menos responder à sua saudação.
- , arrume suas coisas e venha, rápido. - ele abriu a porta onde saberia que o garoto estaria.
- Certo. - o garoto pensou em perguntar o que estava acontecendo, mas pela cara do padrasto coisa boa não deveria ser.
- Mas, Sr. , era nossa carona para casa. - disse como se desculpando.
- Venham todos, tem espaço no carro. - o homem disse andando de um lado para o outro. Além de inquieto parecia extremamente desconfortável. Rapidamente os garotos se arrumaram e desceram todos no elevador em silêncio. Entraram no carro de Edward, no banco do passageiro e, diante do silêncio que ficaria ele resolveu tirar suas dúvidas.
- O que aconteceu, Edward? - ele já previa o pior, mas talvez as palavras do homem o acalmassem.
- ligou, saiu do controle. - os garotos se olharam de sobrancelhas franzidas. Que parte da história eles haviam perdido? estava bem há dois dias, é claro que estava triste pela amiga e pelo quase acidente, mas nada que realmente indicasse um limite prestes a ser ultrapassado.
O caminho seguiu em silêncio e isso só fez com que a tensão e a curiosidade de todos no carro aumentasse ainda mais. Apressaram-se em descer do carro e seguiram para a recepção, onde uma moça um pouco nova demais para estar ali, os atendeu.
- Posso ajudá-los? - sorriu.
- Oi, eu queria saber o quarto de , por favor. - Edward aproximou-se do balcão. , , e já estavam nervosos demais, eles não sabiam o que estava acontecendo e o fato de estarem em um hospital só diminuía suas espectativas.
- Segundo andar, quarto 14. - a moça olhou em uma prancheta e todos seguiam para o elevador, quando os parou.
- Espera, você tem certeza? - sua expressão foi a pior possível e resolveu perguntar.
- O que foi?
- Segundo andar é a ala psiquiátrica. - disse o garoto com uma expressão sombria no rosto.
- É isso mesmo, segundo andar. - a moça conferiu mais uma vez para ter certeza.
- Minha nossa, vamos logo. - Edward praticamente implorou enquanto segurava o enorme elevador para os meninos entrarem. Ao virarem à esquerda, já no segundo andar, estava sentada mais à frente, conversando com uma enfermeira.
- Mãe! - chamou correndo até ela.
- Onde está ? - observou ao ver que a menina não estava ali com ela.
- Lá dentro. - ela apontou com a cabeça através da janela envidraçada, a qual estava ao seu lado. Dentro do quarto, havia apenas uma maca solitária com alguns monitores e .
- Por que ela está amarrada? - franziu o cenho e pôde reparar melhor.
- Os médicos quiseram previnir, não sabem o que pode acontecer quando ela acordar. - suspirou triste.
- Estão a tratando como um animal! - protestou apontando para dentro enfurecido.
- Querido, ela agiu como um. - a mulher disse calmamente, ansiando pela reação do mais novo.
- O que exatamente aconteceu? - Edward, agora mais calmo por ver que sua filha ao menos estava bem, resolveu saber.
- Oh Edward, eu não sei por onde começar! - passou as mãos pelo cabelo e sentou-se em uma cadeira que havia ali. - Antes que eu me esqueça, - ela revirou os bolsos da calça e tirou algo de lá. - isso foi o que sobrou. - entregou a Edward o aparelho celular de .
- O que sobrou? - repetiu horrorizado.
- Ela destruiu o quarto todo. - a mulher lamentou-se.
- Comece do começo, por favor. - Edward sacudiu as mãos, tentando ordenar seus pensamentos.
- Bem, estávamos arrumando a casa, estava no quarto dela. Depois de um tempo o celular tocou, eu me lembro de ter dito a ela para que atendesse.
- E então o que aconteceu? - estava inquieto, ele também queria entender o que estava acontecendo.
- Passaram-se uns dez minutos e eu ouvi a primeira coisa quebrar. Achei que tivesse sido um acidente, mas aí mais coisas começaram a se quebrar e ela começou a gritar de um jeito enraivecido, em uma língua estranha. Então fui checar o que estava acontecendo. - perdeu seu olhar, parecia estar voltando para o momento. - Quando abri a porta o quarto estava todo virado de cabeça para baixo, tudo o que era vidro estava quebrado, as coisas todas jogadas no chão e ainda assim gritava. Eu tentei dizer a ela que se acalmasse, mas ela simplesmente jogou um dos vasos na porta.
- Você se machucou? - Edward tocou-lhe o ombro.
- Só alguns arranhões, nada demais. - ela sorriu fraco olhando o noivo. - Eu decidi chamar socorro, porque eu sei que ninguém conseguiria tranquilizá-la. Alguns minutos depois eles chegaram. Foi um sufoco segurá-la, foi horrível. A pobrezinha não parava de se debater e gritar, tiveram que sedá-la e a trouxeram para cá. Nunca havia visto uma coisa assim.
- Ela ficava gritando alguma coisa, te disse alguma coisa? - o Sr. indagou tentando juntar as peças, mas nada fazia sentido.
- Não. Ela ficou assim depois de atender o celular.
- Deve estar aqui então. - Edward abriu o slide do celular e procurou pelas últimas chamadas recebidas. Dentre os tantos números conhecidos, havia um não identificado que chamou sua atenção. Apertou para discar e esperou com os braços cruzados.
- , é você? - uma voz de mulher, do outro lado da linha, o fez franzir a expressão. Ele reconhecia aquela voz.
- Vanessa. - disse sério e todos o olharam. Quem era Vanessa?
- Oh Edward, o que aconteceu com ? Ela está com você? Está bem? - ele esperava que ninguém dali o estivesse ouvindo.
- Você ligou para a nossa filha? - disse entre dentes, extremamente irritado. Ora, mas que ousadia!
- Eu precisava falar com ela. - justificou-se com uma voz calma. - Sinto a sua falta.
- Não era isso que parecia quando você nos deixou há alguns anos. - aquela conversa o estava deixando desconfortável. - De qualquer maneira, fique longe de minha filha. Eu vou mudar o número e você não tente nos procurar de novo, entendeu? - e desligou.
- O que aconteceu? - quis saber e o homem engoliu seco.
- A mãe de que ligou. Agora eu entendo a sua reação.
- São os pais de ? - foram interrompidos pelo médico, que se aproximou, muito simpático.
- Sim, e o senhor é? - Edward abriu espaço para que os meninos também o olhassem.
- Meu nome é George Huang, sou psiquiatra. - ele apertou as mãos de e Edward. Parecia bem humorado e tranquilo, todos gostaram de cara dele.
- O senhor tem alguma notícia dela? - quis saber.
- Na verdade, eu vim aqui para saber melhor de seu paradeiro, parece que, - ele analisou sua prancheta. - a Sra. era a única com a paciente no local, certo?
- Sim.
- Alguma ideia do que pode ter causado isso? Ela tem algum histórico? - a voz do médico conseguia acalmar a todos, o que era bem melhor para que eles pensassem.
- Não, ela nunca teve nenhum episódio parecido. Ela recebeu uma ligação da mãe hoje; faz alguns anos que ela nos deixou e acho que desde então vem suprindo ódio por ela. - Edward explicou com os braços cruzados enquanto teimava em transferir o peso de um pé ao outro, impaciente.
- Certo. - Huang anotou em sua prancheta. - O senhor já conversou sobre isso com ela?
- Ela nunca quis tocar no assunto, sempre foi uma concha quanto aos sentimentos. - ele lamentou-se.
- Interessante.
- Então, o doutor sabe o que aconteceu? - interferiu. George sorriu.
- Só vou saber melhor quando ela acordar, mas pode demorar um pouco. Foi preciso muito sedativo para que ela pudesse descansar. Talvez ainda durma por algum tempo. Em todo caso, se ela acordar, mande me chamar imediatamente, mas não entrem no quarto ok? - todos concordaram e ele se retirou.
- Gostei dele. - declarou com um sorriso tímido.
- Eu também, me passou tranquilidade. - encostou-se à cadeira.
- Deveríamos comer alguma coisa, ele disse que vai demorar. - observou, enquanto encarava o quarto e, posteriormente, .
- Eu vou ficar. - disse determinado.
- Mas ele disse para ninguém entrar no quarto. - contrapôs.
- Ela não corre o risco de acordar, por favor. - virou-se para e Edward que se entreolharam.
- Tudo bem , mas se ela acordar, saia imediatamente, ok?
- Certo. - o rapaz concordou e entrou no quarto, aproximando-se da cama. Seu coração estava apertado. Ver a garota amarrada à cama era como a cena de um filme de terror.
Chegando mais perto, notou os pequenos arranhões que cobriam seus braços e sentou-se ao seu lado, em uma cadeira. Atravessou os dedos pela grade da maca e tocou sua mão, segurando-a e deixando que seus pensamentos se perdessem.

Capítulo 43.

- Você está bem mãe? - perguntou ao notar que não havia tocado em seu lanche.
- Eu só não me conformo. - disse a mulher batendo na mesa, indignada. - Estão a tratando como louca!
- É para o próprio bem dela, . - Edward a abraçou pelos ombros.
- Eu deveria ter atendido para ela. - passou a mão pelo rosto, visivelmente exausta.
- Você não sabia quem estava ligando, não foi sua culpa. - se intrometeu, recebendo acenos afirmativos dos outros presentes na mesa.
- O que importa é que está bem. - concluiu e todos passaram a comer em silêncio.
Vinte minutos depois e todos voltavam ao corredor onde estava, ao repararem que estava do lado de fora, presumiram que a menina havia acordado.
- O sedativo não fez efeito pelo tempo esperado, já chamei o Dr. Huang. - justificou-se o garoto ao ver as expressões confusas dos amigos.
Todos, então, passaram a olhar através do vidro, esperando e observando enquanto e o Dr. Huang conversavam.
- Olá , sou o doutor George Huang, sou psiquiatra. - ele disse enquanto puxava uma cadeira para se sentar ao lado da menina. - Como está se sentindo?
- Um pouco dolorida, será que podem tirar as amarras? - ergueu levemente os braços, já que ambos doíam.
- Infelizmente não, querida, é para a sua própria segurança. Ok? - sua voz novamente era de bom impacto sobre a menina que, calmamente, aceitou ficar presa. - Então, me fale sobre o que aconteceu.
- Eu não me lembro direito. - desconversou.
- Vamos, deve ter algo de que se lembra. - ele gentilmente pressionou.
- A voz da minha mãe. - a jovem disse amargurada.
- E como essa voz a faz se sentir? - Huang sorriu, estavam fazendo algum progresso.
- Com nojo, raiva. - a voz de choro era iminente. Ela se lembrava perfeitamente antes de desmaiar com a medicação. Seu quarto...
- O que sua mãe fez a você?
- Ela abandonou a mim e ao meu pai. - sua voz rapidamente tornou-se rude, trincada.
- Como você se sentiu sobre isso?
- Horrível, parecia que eu havia feito algo de errado e jamais pudesse consertar.
- Você entendia o que estava acontecendo na época?
- Entendia, eu sentia meu sangue borbulhando.
- Você se sente culpada pelo o que aconteceu na sua casa antes de vir para cá? - Huang fez mais algumas anotações.
- O que? Ter destruído o meu quarto? Era para eu me sentir culpada? - agitou-se.
- Não, não, não foi isso o que eu quis dizer. - o Doutor se adiantou. voltou a encostar sua cabeça sobre o travesseiro e pressionou os olhos com força.
- Você pode segurar a minha mão? - pediu ela inesperadamente.
- Faz com que você se sinta melhor? - Huang deu um sorrisinho interessado.
- Sim. Por favor? - ela o olhou com sinceridade.
- É claro. - ele tirou uma das mãos da prancheta e segurou a amarrada de . - Agora, , como é sua relação com seu pai?
- É tranquila, eu acho. Ele sempre faz tudo o que eu peço, me dá as coisas que eu quero. Ele sempre procura me fazer feliz.
- E você acha que o magoou quando quebrou as coisas de seu quarto?
- Eu... - franziu o cenho. - eu não sei. - ela olhou para a janela, onde conseguia ter uma boa visão do pai.
- Está tudo bem , eu tenho certeza de que ele vai entender.
- Posso ficar com o meu irmão agora? - perguntou ela e Huang ergueu uma sobrancelha.
- Pode sim. Mas, antes, só mais uma pergunta está bem?
- É claro. - aconchegou-se melhor na maca, tentando ignorar as amarras que a incomodavam.
- Você se sente mais leve agora que descarregou a raiva de sua mãe? - ele deu um sorriso de canto, tentando confortá-la.
- Nossa, foi como se tivesse tirado um peso das minhas costas. Melhor do que qualquer sessão de massagem ou esgrima. - sorriu .
- Muito bem, eu volto mais tarde está bem? Cuide-se.
- Ok, obrigada Dr. Huang. - ela sorriu vendo-o se distanciar e voltou seu olhar para a família.
- E então, doutor, como ela está? - apressou-se em perguntar.
- Pela experiência que eu tive há pouco ela aparenta estar um pouco confusa. Ela teve algum acidente recentemente?
- Há alguns meses. - Edward começou.
- Ela bateu a cabeça na borda da piscina. - continuou, sentindo um calafrio percorrer seu corpo.
- Certo. - Huang anotou em sua prancheta. - apresentou desequilíbrio emocional ou perda significativa de memória?
- Apenas nas duas primeiras semanas o humor dela ficou instável, o médico disse que seria normal, pois o lobo frontal estava um pouco inchado. - lembrou-se.
- Entendi. Bem, eu vou pedir uma tomografia apenas para me certificar de que tudo esteja certo. Em todo caso, devo receitar um psicotrópico para controlar o humor, só por precaução.
- Ok, muito obrigado doutor. - Edward despediu-se do médico e, quando ele começou a andar, virou-se novamente.
- Ah sim, , ela quer vê-lo. - sorriu.
- Obrigado. - o garoto murmurou entrando rapidamente no quarto. - Hey, como você está? - andou rapidamente até a cama.
- Acho que bem, essas amarras que são incômodas. - resmungou, mas depois sorriu. - Como vieram parar aqui? - ela referiu-se aos meninos do lado de fora.
- Seu pai foi me buscar na gravadora depois que minha mãe ligou, e eles resolveram vir junto.
- Já estou há tanto tempo assim aqui? - gemeu inconformada.
- Algumas horas, sim. - sentou-se ao seu lado.
- Me dá um abraço? - pediu a menina assustando-o.
- Mas você... ok. - ele levantou-se e a abraçou cuidadosamente. ainda tentou estender os braços, mas estes foram impedidos de se erguerem. - Por que você não descansa? Aproveite que você está livre de qualquer responsabilidade. - brincou o garoto.
- Vai estar aqui quando eu acordar?
- Pode contar com isso, pequena. - ele beijou-lhe a testa e voltou a sentar-se ao seu lado.
- Canta para mim?
- Claro, meu amor. - acariciou o cabelo de olhando-a com um sorriso fraco. E começou a cantarolar baixinho Bigger, dos Backstreet Boys. - First off I cant keep a promise / I'm no one to count on at all / Add on that I'm a coward / To scared to return your calls / But you don't care / You keep sticking around / While I'm acting a clown / You're bigger / Lalala / Cuz you're still here / Your feet stuck to the ground / Despite how silly it sounds / You're bigger / Than me / Lalala
beijou a testa da irmã e deixou o quarto sorrindo tranquilo. Ela ficaria bem.

Capítulo 44.

Sentado do lado de fora do quarto de , e tentavam confortar . Mesmo sabendo que a menina ficaria bem, todos ainda estavam meio tensos com a situação.
- , vem cá um pouco. – chamou o amigo no canto, deixando com e Edward. – Você não acha que seria bom para o e para a chamar...
- ...A ? Seria ótimo. Você não se incomoda, né? – completou, pegando seu celular. deu de ombros, com um sorriso de felicidade, por saber que iria vê-la, escondido.
- ? – a voz de soou estranha para os ouvidos de .
- Ahm, oi Sr. . Em que posso ajudá-lo? – ela imaginou que a ligação fosse a trabalho. Por que razão mais ele ligaria para ela?
- Para com isso, baixinha. Olha só, preciso que você me encontre naquele café que fica ao lado do hospital.
- O hospital? Aquele na rua da casa da ? O que aconteceu ? – seu coração apertou com medo de que algo tivesse acontecido com ou .
- Só venha para cá, ok?
- Ok. Em dez minutos chego aí. – desligou o celular. – Táxi! – assoviou. – Hospital Van Der Hooks, por favor.
E em exatos dez minutos, entrava correndo no local onde havia combinado com o amigo. Ele fez sinal para a mesma, sentado em uma das mesas.
- Ahm, oi. – disse meio tímida.
- Olha , eu já falei. Para com isso. – ele sorriu de canto. – Você me conhece, não gosto de brigar com ninguém. Muito menos contigo. Aliás, eu acho que entendo o que você fez. Sei lá... – coçou a cabeça, levantando e segurando a amiga pelos braços.
- Me dá um abraço, ? – sorriu, agradecendo por ter alguém em quem confiar, de novo. – Saudades de você, grandão.
- E eu de você, baixinha. – ele riu, abraçando-a. – Mas o que eu tenho para te falar é sério. – a sua expressão mudou, sentando-se novamente na cadeira.
sentou-se também, pedindo antes uma água para ela e para ele.
- A recebeu uma ligação da mãe dela e surtou. Quebrou o quarto todo e nos deixou muito preocupados. – disse , tomando em seguida um gole da água.
- Ai meu Deus! Mas como ela 'tá agora? – , com os olhos arregalados, perguntou, quase pulando da cadeira e correndo ao encontro da amiga.
- Mais calma. Colocaram-na presa em uma maca. Dá muita pena vê-la assim, mas o médico falou que era melhor.
- Eu... Preciso vê-la. Eu só vou passar no banheiro antes. Pode ir indo lá. Só me diga o quarto.
- Quarto 14, segundo andar. – ele sorriu, levantando-se. Depositou um beijo na testa da menina, e seguiu de encontro aos amigos.
- Cadê ela? – , ansioso, perguntou a que riu na hora.
- Abaixa esse rabinho aí . Ela foi ao banheiro e já vem. Se quiser ir lá falar com ela...
- Acho que não tem problema eu esperá-la... Né? – o amigo sorriu, vendo o outro correr em direção ao banheiro perto da lanchonete. Mas seu sorriso sumiu ao ver que a menina estava acompanhada.
- Dr. Lestrange, muito prazer. – o médico alto e bonito se apresentou a ela, antes que ela tivesse a chance de entrar no toalete.
- . – sorriu de leve, já querendo se livrar do rapaz.
- O que uma belíssima senhorita faz aqui? – perguntou galanteador. Enquanto isso, , ao notar a feição de , resolveu ficar e assistir a cena que o divertia.
- Tratamento. Estou na ala psiquiátrica. Sou uma serial killer. – sorriu a menina, friamente. – Eu faço caras se apaixonarem por mim, depois os corto vivos em pedaços e dou para os meus cães famintos. – os olhos do médico se arregalaram, e ele apenas se afastou.
Pelo menos ler e assistir ao seriado Dexter havia lhe dado um instinto assassino bom para despistar maus partidos.
- Impressionante... Você nunca tentou me matar. – sorriu, chegando por trás, sem a menina ver.
- Acho que não tive a chance. – respondeu, ainda sem olhá-lo. – Com licença, preciso ir ao banheiro.
- Sem pressa, estarei te esperando. – estar com ela fazia esquecer tudo que ele sofrera. Sentia que o motivo da separação deles não era maior do que o que ele sentia por ela.
Após um tempo, a menina saiu do banheiro e, acompanhada pelo ex, chegou até onde os outros estavam.
agora dormia, e estava do lado de fora, com os outros.
- Gente... – chamou a atenção de todos, que ficaram felizes ao ver ali.
- Eu não sabia ao certo se iria atrapalhar... Se preferirem, eu me vou.
- Não! – levantou-se, falando um pouco mais alto. – Fique, por favor. – ele olhou nos olhos da prima, o que a fez derramar algumas lágrimas. O primo havia sofrido tanto de uns tempos para cá. Ele correu até sua direção, e ela o envolveu com seus braços.
sorriu satisfeito. Havia feito o que era correto. e se entre olharam. O plano deles até que estava funcionando bem. Quando as coisas se acalmassem com , ele seria o próximo a falar com . Precisava da amiga de volta, tanto quanto os outros. E precisava uni-la a , até porque a pessoa que fora mais contra em voltar a falar com as meninas, havia sido ele.
- Precisamos conversar ainda. - afirmou, sentando-se com o primo em um sofá da sala. - Mas hoje não é o dia, nem a hora, ok? - sorriu, afirmando com a cabeça. - Qual o estado atual dela?
- Agora a está descansando, bem mais calma. Mas o doutor ainda não sabe exatamente. - respondeu, ainda se sentindo um pouco culpada pela reação explosiva da mais nova.
- Apenas sei que precisamos de ajuda para arrumar o caos que ficou o quarto dela. - completou. - Devo imaginar que o estrago foi grande, não? - concordou. - Eu vou mais tarde lá, alguém se habilita a ir comigo? - olhou para , esperando que ela pegasse a deixa dele.
- Eu adoraria lhe ajudar, . - pediu, sem pensar duas vezes. Sentia que era o correto a fazer.
- E nós ficamos aqui, com a . - se pronunciou. - Qualquer coisa, ligamos. A casa fica aqui na rua mesmo.

Por um tempo, ficaram todos sentados, conversando às vezes e comentando coisas alheias. estava em sono profundo e não havia nada para se fazer por enquanto. A presença de causava certo conforto em todos, já que na maior parte das vezes, desde quando ela começara a trabalhar para eles, ela sempre resolvia tudo. Claro que dificultando quando o assunto era . Mas muito prestativa com os outros.
- Obrigado por estar aqui. - cochichou no ouvido da menina. estava sentada em um sofá, onde dormia em seu colo e , do outro lado, em seu ombro.
- De nada. - respondeu ela, um tanto quanto envergonhada. - Você sabe que eu faria qualquer coisa para vê-los bem. - sorriu, olhando de canto para , que estava atrás dela. Não queria mover o pescoço para não acordar .
- , depois que você ajudar o e que a estiver em casa, você deixa eu te ligar? - ele se sentiu bobo por falar aquilo, mas sentia que devia a ela algo que não sabia explicar. Devia uma chance a ela de se redimir.
- Eu creio que sim. - ele sorriu com a resposta. Ia beijar-lhe a cabeça, mas achou melhor se segurar. Apenas sentou-se no outro sofá, com . Estavam todos começando a se sentir leves novamente. Só precisavam, agora, que a amiga, que dormia na sala ao lado, acordasse bem.

Capítulo 45.

Estar amarrada não era pior do que sentir-se impotente. E era assim que se sentia. Estava em uma galeria, escura, mas iluminada pela luz da lua. Havia música vindo de uma das várias portas. Ela foi até uma delas, mesmo não sentindo seus braços e pernas livres para isso. Duas grandes portas brancas se abriram, dando para um enorme salão. Várias mesas aconchegavam pessoas que ela não conhecia, mas chegando mais perto, pôde notar que sua família estava ao centro do salão. Todos estavam virados em uma única direção; quando ela se aproximou finalmente, percebeu o olhar assustado com que todos olhavam para um ponto fixo.
Seguindo-o, deu de cara com sua mãe em pé, em um palco, ela segurava um microfone e olhava para ela fixamente. Não conseguia ouvir o que ela falava, mas boa coisa não deveria ser. Quando voltou a olhar a sua volta, estava sozinha e o lugar, escuro. A sensação era absurdamente fria e triste, ela chamou por seu pai, por , por , mas ninguém respondeu. Então ela começou a gritar, estava quente, as amarras cada vez pressionando mais seus pulsos e tornozelos. piscou mais uma vez e conseguiu enxergar o quarto de hospital. Ao redor dela estavam , , seu pai, e , os olhares perturbados e cansados.
- , está tudo bem. - pronunciou-se, tocando-a no ombro.
- Eu acho que tem alguma coisa errada com o meu pulso. - gemeu ela olhando para o pulso direito.
- Vou pedir por uma enfermeira. - Edward anunciou, saindo do quarto.
- Foi um pesadelo, não foi? - acariciou seu cabelo, desgrudando alguns fios de sua testa suada.
- Eu... acho que sim. Mas parecia tão real.
- Qualquer que tenha sido, estamos aqui para você agora, não se preocupe. - sorriu, mas podia notar seus olhos inchados de cansaço.
- Acordei vocês não foi? - perguntou ela em tom de culpa.
- Que é isso , estávamos aqui te esperando de qualquer forma. - sorriu apreensivo.
- Voltem a dormir eu vou ficar bem. - disse em tom de desacaso sorrindo.
- Nem pensar, precisamos ver o que esse pulso tem. - Dr. Huang irrompeu no quarto, aproximando-se com uma enfermeira. - Vamos soltar a amarra bem devagar ok?
- Ok. - respirou fundo. Foi tortuoso e lento o processo de soltura do pulso.
- Eu vou pedir uma radiografia, mas acho que você deslocou o pulso. Chega de amarras por agora, está bem? - George analisou e olhou bem para que apenas concordou.
Antes de ser levada para a sala de radiografia, pediu a para que fosse descansar; embora o garoto tenha recusado veemente, logo que ela estava de volta, ele havia caído no sono. Como Huang havia dito, era só um deslocamento, mas não foi fácil colocá-lo no lugar. ficou com o braço imobilizado e, não conseguindo dormir por medo dos pesadelos, tratou de observar todos que estavam à sua volta e se preocupavam com ela. Tinha medo de estar ficando louca.

A caminho da casa dos -, caminhava silenciosa. pensava no que iria dizer, mas as palavras estavam fugindo de sua mente. Então, mais uma vez, ela o surpreendeu.
- Eu sei que vocês não fizeram por mal. – começou, andando agora cabisbaixa. – Mas eu também não fiz. Sei que parece idiotisse, mas se você pensar bem, a única coisa que eu fazia era adiantar as notícias. Deixar as fãs mais ligadas a vocês do que o normal das bandas. A gente às vezes criticava, mas qualquer um pode criticar vocês. Eu e a conseguíamos algo maior do que isso. Atenção para a banda. – ela parou e respirou. – Notou que o site só aumentava suas vendas? Suas fãs? – parou de andar, olhando para o horizonte. Ela tinha razão.
O problema de tudo era que ele só estava olhando para o lado negativo da coisa que, perto do positivo, era quase nada. Muitas de suas fãs que nem gostavam da banda antes, aprenderam a ouvi-la com as críticas das meninas. Elas, na verdade, os havia ajudado.
- Você sabe que eu odeio isso, mas você ‘tá sempre certa, né ? – ele sorriu de canto, abraçando a amiga e entraram no prédio.

- Espero que goste srta. . - a enfermeira sorriu colocando uma bandeja de comida em frente à .
- Obrigada. - ela sorriu e esperou a mulher deixar o quarto para suspirar. Pegou o potinho de gelatina vermelha e começou a comer devagar; se havia uma coisa de que ela gostava, era gelatina!
- Como está se sentindo ? - ela ouviu pronunciar com a voz rouca enquanto se levantava de um dos sofás do quarto esfregando o rosto.
- Metade funcional. - ela ergueu o braço enfaixado por conta do pulso. - Mas pelo menos ainda consigo comer gelatina. - ela raspou o potinho colocando a última colherada na boca. Colocou o potinho na bandeja e a empurrou de lado.
- Não vai comer? - ele havia se sentado na borda da cama e a olhava, agora, mais desperto.
- Ah não, eu não sou muito fã de comida de hospital. Mesmo lá em Portugal, eu só comi a gelatina. - sorriu a menina. riu levemente e olhou em volta percebendo que todos ainda dormiam. Foi desperto de seus devaneios pela mão de que pousava em seu joelho. - Eu já passei por tanta coisa, . - dizia ela enquanto subia lentamente os dedos pela coxa esquerda de olhando para a mesma, evitando os olhos profundos do rapaz.
- Eu sei , no seu lugar eu já não teria aguentado. - carinhoso, ele colocou sua mão sobre a dela, cobrindo-a quase totalmente. A menina sorriu.
- Mas eu nunca me senti próxima o bastante de você. Ou do . - continuou ela, parecendo ignorar o comentário anterior de . - Eu não sei se a já contou, mas um dos motivos para começarmos o blog foi o de nós sermos grandes fãs da banda. E eu sempre amei vocês quatro, embora eu tenha mentido quando nos encontramos na casa do , lembra?
- Lembro. - riu baixinho voltando no tempo. havia mudado tanto com eles. Antes ela era só uma riquinha mimada, grosseira e metida a dona da verdade, agora ela era apenas...ela.
- Vocês sempre foram a minha banda preferida, - olhava o nada, perdida em pensamentos. - e quando eu descobri que meu pai se casaria com a mãe do , eu não consegui me conter de felicidade. - seus olhos brilhavam. - Ainda me lembro de quando estávamos na casa do e você tentou se aproximar de mim. - ela finalmente fixou seus olhos, antes verdes-esmeralda por causa das lentes de contato, e agora apenas da cor que eles eram, nos de .
- Eu estava encantado por você. - lambeu os lábios também se lembrando. Sua mão soltou a de e ela se sentiu livre para continuar subindo, cada vez mais próxima à virilha do rapaz. - E estou de novo... - Seria tão fácil assim? Pensou o olhando intensamente. Ela se sentou mais próxima a ele, continuou subindo a mão, chegando ao cós da calça.
Ela não está com o , não há quem trair. Pensava ele enquanto olhava da delicada mão de para o seu rosto. adentrou sua camisa e começou a inclinar a cabeça na direção da dela. Eles se olhavam, as respirações entrando em sincronia; quando chegou ao tórax de , ele se permitiu encostar seus lábios nos dela. O beijo tinha gosto de gelatina de morango, fazendo querer sorrir, mas o deixava sem concentração. Principalmente enquanto ela arranhava de leve seu peitoral por debaixo da camisa, fazendo-o querer intensificar o beijo.
Uma de suas mãos seguiu para a cintura de enquanto eles movimentavam as cabeças sincronizadamente, as línguas deslizando sobre a extensão uma da outra. tocou uma das bochechas da garota, deslizando os dedos para o longo cabelo dela, enquanto puxava seu rosto para mais perto do seu. sorriu enquanto descia tortuosamente o indicador lentamente pelo tronco de , logo atingindo o botão da calça que usava e, agilmente, o abrindo. Desceu o zíper lentamente e deslizou os dedos por dentro, circundando o elástico da boxer que ele vestia.
Desviou-se dos lábios carnudos do rapaz e seguiu para o seu pescoço, não demorou até que ouvisse a respiração descompassada e falha dele, controlando-se para não gemer, pelo o que supunha.
- ... - ele a segurou pelos ombros levemente a afastando de seu pescoço. Sua testa estava levemente brilhante e os lábios estavam secos. - Vamos nos acalmar ok? - arqueou uma sobrancelha, voltando atrás tão rápido? - Eu te quero, muito, mas vamos esperar você receber alta do hospital, certo? Assim eu fico mais tranquilo.
- Ok, como quiser. - ela sorriu dando-lhe um último selinho. Ele assentiu para o nada e se levantou, seguindo para o banheiro. encostou-se à maca novamente, também normalizando sua respiração. E então uma onda de culpa a acometeu.

Capítulo 46.

deixou o banheiro e notou que havia voltado a dormir. Coçou a nuca um pouco confuso, o que diabos havia acontecido entre os dois? Ele a queria, não podia negar, mas também se perguntava se estava sendo justo com e . Mas aí se lembrava de que e nunca haviam ficado juntos oficialmente e que era seu amigo, ele entenderia se, mais tarde, resolvesse contar. Era tudo uma questão de tempo.

estava conversando com e no quarto quando, de repente, o Dr. Huang apareceu, chamando sua atenção.
- , tem uma visita para você. - embora a voz calma e suave a expressão do médico era séria.
Logo atrás dele, surgiu a pessoa que ela menos queria ver. Sua mãe.
- Jamais deixem o quarto. - sussurrou ela para e que concordaram, quase tão tensos quanto ela. - Hvad laver du her? (O que você está fazendo aqui?) - perguntou ela em dinamarquês, o desdém aparente em sua voz. Huang deixou o quarto em silêncio.
- Er ikke dine venner gonna ferie? (Seus amigos não vão sair, não?) - Vanessa se aproximou lentamente da cama. Era isso que a garota mais odiava em ser parecida com a mãe: petulância.
- De er min kæreste OG min halvbror, er de ingen steder. (São meu namorado E meu meio-irmão, eles não vão a lugar algum.) - deu uma breve olhada para os dois que estavam parados cada um de um lado da cama.
- Hvad nu? De er din personlige værger? (O quê agora? Eles são seus tutores?)
- Hvad vil du? (O que você quer?) - interrompeu a menina, com raiva.
- Jeg vil gerne snakke. (Eu quero conversar.)
- Der er intet at snakke om. Er det alt? (Não há nada para se conversar. Isso é tudo?) - revirou os olhos entediada.
- Du har ingen idé om, hvor meget ondt at se min baby i dette hospital, sindssyg. (Você não faz ideia do quanto dói ver minha filha no hospital, louca.)
- Hold kæft, du ved ikke, hvad der sker her! (Cala a boca, você não sabe o que está acontecendo!) - ergueu o tom de voz.
- Må jeg ikke? (Não sei?) - Vanessa riu sem humor. - Er jeg den eneste grund til du står her? (Eu sou mesmo a única razão pela qual você está aqui?)
- Ja, og du bør aldrig kom op her. (Sim e você nunca deveria ter vindo aqui)
- Jeg er din mor ... (Eu sou a sua mãe...)
- Du var min mor. er min mor nu, og jeg elsker hende så meget som jeg elsker min bror og søster. (Você ERA minha mãe. é minha mãe agora e eu a amo tanto quanto amo meu irmão e minha irmã.)
- Du behøver kun elsker dem, fordi de er berømte, en ting du aldrig være. (Você só os ama porque são famosos, algo que você nunca será.)
- SHUT UP! Forsøg ikke at lære mig, hvad er kærlighed, fordi du ikke på det, ok?Kan du ikke se vi lykkeligere uden dig? Bare lad os alene, er den bedste ting at gøre. (CALA A BOCA! Não tente me ensinar o que é amor porque você já falhou, ok? Não percebe que estamos mais felizes sem você? Apenas nos deixe em paz, é o melhor a se fazer.)
- Hvorfor gør du det for mig? (Por que está fazendo isso comigo?) - Vanessa colocou a mão sobre o peito, o olhar baixo.
- Nej, spørgsmålet er: Hvorfor gjorde du det for os? Du troede, jeg ville glemme, ikke? Men jeg plejer, vil jeg aldrig glemme det. Nu kan du, lad mig være i fred. Jeg er glad, hvor jeg er, med de mennesker, jeg er med. (Não, a pergunta é: Por que está fazendo isso conosco? Você pensou que eu esqueceria, não é? Mas eu não vou, eu nunca me esquecerei disso. Agora, por favor, me deixe em paz. Estou feliz onde estou e com as pessoas com quem estou.)
- Jeg ville bare dig til at tilgive mig. (Eu só queria que você me perdoasse.) - Vanessa deu mais um passo, olhando de esguelha para .
- Jeg vil aldrig tilgive dig Vanessa, du ikke og du aldrig var min mor. (Eu nunca vou te perdoar Vanessa, você não é e nunca foi a minha mãe.) - dito isso começou a chorar, mesmo que timidamente.
- Please, datter, tilgiv mig. (Por favor, filha, me perdoe.) - a mulher disse em um tom mais alto, meio desesperado.
- Bare at komme ud af her. (Apenas saia daqui.) - encostou a cabeça no travesseiro e comprimiu a expressão de choro.
- Acho melhor você sair. - disse sério. - Por favor.
- Jeg elsker dig baby. (Eu te amo bebê.) - ela sussurrou antes de se retirar do quarto.
- Shhhhh, acabou, 'tá tudo bem. - colocou-se na frente de .
- O que ela queria com você? - , que até então encarava a porta certificando-se de que Vanessa sairia, perguntou olhando para a irmã.
- Queria o meu perdão. - passou uma das mãos no rosto, estava sem a tala. Achou estranho. - Eu não dei.
- Você teve os seus motivos, ninguém está te culpando.
- Eu, eu preciso dormir. - murmurou entre um soluço e outro.
- Claro, meu amor, descanse. - beijou-lhe a cabeça e trouxe-a para se apoiar em seu peito.

abriu os olhos e encarou cinco pares de olhos preocupados e pálidos sobre si.
- Ela acordou, ah querida você está bem? - perguntou, os olhos estavam vermelhos e lacrimejando.
- O que aconteceu? - passeava os olhos confusos pelos familiares sem entender.
- O Dr. Huang trouxe Vanessa para conversar com você. - Edward começou, a expressão de choro evidente. - Depois que ela saiu e você dormiu, nós fomos comer alguma coisa... - ele parou, pressionando os olhos com força.
- Quando voltamos ela estava saindo do seu quarto, deixando uma seringa na bandeja do lado de fora, ela disse... - , que havia continuado para seu pai também parou, parecendo perdido em pensamentos.
- Disse que se ela não podia ser perdoada pela filha, então ela não deveria viver. - respirou fundo. - Assim que ela terminou você entrou em colapso dentro do quarto. - então ele não conseguia continuar.
- As pessoas começaram a correr de um lado para o outro, médicos tentando te reanimar, seguranças pegando Vanessa, nós sem saber o que fazer. - apoiou-se em Edward. - Foi horrível.
- Eu não entendo, eu só dormi. - disse a menina provocando risos fracos.
- Ela te deu um coquetel de tranquilizantes, você não sentiu nada. - Edward sorriu.
- Pelo menos você está viva. - pela primeira vez se pronunciou. - Oh maninha, eu nunca deveria ter deixado o quarto.
- Não foi sua culpa. - sorriu. - Vai ficar tudo bem agora.
- Vai sim. - concordou beijando-a na testa.

piscou fortemente e gritou, encolhendo-se na cama ao ver que todos haviam sumido, exceto por , que estavam de um lado da maca.
- O que aconteceu? - ela se ouviu perguntar com a voz rouca.
- Você dormiu. - disse naturalmennte sorrindo de leve.
- Então minha mãe não... - ela se interrompeu. Ele fez-lhe carinho na cabeça.
- Não , seu pai a mandou ficar longe de você ainda por celular. - O que você sonhou pequena? - olhou preocupado para . Então ela se viu contando, aos prantos, tudo o que se passara em seu subconsciente. Desde a conversa com a mãe, depois o cochilo e quando acordou e acabava de ter saído de uma tentativa de assassinato arquitetada pela própria mãe.
- Eu deveria saber que era um sonho, mesmo quando vocês disseram que eu havia entrado em colapso, eu conseguia me ver através do vidro, como se observasse tudo de fora.
- não se preocupe ok? Não vou deixar ninguém te ferir. - fungou concordando. Tudo ficaria bem, ela não estava enlouquecendo, definitivamente não.

Capítulo 47.

Entraram na casa e deixaram os casacos na sala, seguindo para o andar superior. abriu a porta lilás e delicada do quarto da irmã, e se deparou com uma devastação. Sua mãe havia dito que o quarto estava destruído, mas nem ele ou sabiam que ela fora generosa na descrição. Havia pedaços de vidro pelo quarto todo. A cama havia sido completamente revirada e as fotos, que antes estavam nas paredes, estavam rasgadas. O quarto parecia uma arte rebelde (bem rebelde) e sem sentido nenhum.
- Babe, vamos ter um trabalho e tanto! – o menino coçou a nuca, olhando para que tinha os olhos bem arregalados, ele só não sabia se eram de pânico ou terror. – Ahm... Primeiro passo?
- Traga uma cesta de lixo tamanho família, sacos de sanito e vassouras. Eu vou ver o que pode ser resgatado aqui. – “O que, por acaso, deve ser nada.” Completou em pensamento.
Enquanto conversavam assuntos aleatórios, um bom tempo se passou recolhendo tudo o que seria jogado fora.
- Restou apenas o colchão, o laptop, as roupas e algumas fotos que saíram ilesas. Acho que já é alguma coisa.
- Posso te fazer uma pergunta? – se pronunciou, mudando o rumo da conversa.
- Acho que sim, se eu puder responder. – a menina sorriu de leve.
- Você ainda gosta do , não é? – gelou por um momento. Temia por essa pergunta às vezes, porque gostar não era exatamente o que ela sentia por . Na verdade...
- Gostar chega a ser pouco. Eu definiria mais como um amor que, cada vez mais, preenche meu coração, por mais clichê e brega que isso soe. – continuou seus pensamentos em voz alta, fazendo soltar um risinho baixo, mas não o bastante para ela não ouvir. – What?
- Você consegue soar menos melosa do que ele. – ela se espantou com . “Como assim?” – Ele meio que escreveu umas poesias sobre você. E algumas músicas... Sem tirar as mil e uma fotos que ele tem de você no celular e as caras que ele faz toda vez que ele te vê ou quando fala de você.
- Uau. – foi a única coisa que ela deixou escapar.
- Na boa, meu conselho? Eu o vi falando com você no hospital. Você deveria sair com ele logo. Deixe esse rolo com a , comigo, está bem? – ele sorriu. Caminhou até a amiga, dando-lhe um abraço. – Vamos acabar isso aqui e depois você ligue para ele. Marque com ele na sua casa, na dele, não sei.
- Sabe o que mais? – sorriu, pegando o celular no bolso traseiro da calça jeans. – ? Você vai se encontrar comigo daqui a uma hora na minha casa. Não aceito ‘não’ como resposta, está certo? – o menino do outro lado da linha apenas sorriu e respondeu que sim.
- Essa é a por quem eu e os meninos brigávamos para ter como nossa. – sorriu, bagunçando os cabelos da amiga. Nada como um empurrãozinho, não?
chegou em casa meia hora antes do combinado com . Sentou-se no sofá, pensando sobre o que realmente aconteceria ali. Não fazia ideia do que falar ou fazer perto dele.
Certamente falaria sobre o caos que acabara causando e que sentia muito. Isso bastava.
Tinha mais outro pedaço mal resolvido. A parte sobre amá-lo. sentia que não era correto cair em seus braços assim, sem mais nem menos. Então sabia que isso era mais um tópico na lista de assuntos a serem discutidos.
Deixou o corpo cair de lado no sofá, e respirou fundo. O que faria até ele chegar? "Um banho, seria uma boa." pensou. Caminhou até o banheiro, despiu-se e, dentro do box, deixou que a água passasse em todos os cantos de seu corpo. Enxaguou os cabelos e ensaboou-se. Saiu do chuveiro, se enrolando na toalha, e parou de frente para o espelho do banheiro. Respirou fundo e repetiu para si mesma que conseguiria fazer aquilo.
Foi até seu quarto onde se secou e trocou de roupa. Sua escolha foi uma camiseta de gola em "V" azul marinho, seus jeans rasgados, e uma sapatilha preta, lisa. Prendeu os cabelos em um rabo de cavalo, e passou nos lábios apenas a manteiga de cacau. Pensou em trocar seu conjunto íntimo de corações fofos por uma lingerie, mas trocou foi de ideia. Ele teria que gostar do que ela estava oferecendo. Simplesmente ela.
- ? - percebeu que ele estava tocando a campainha e batendo à porta. Sua voz soou doce e baixa para ela que estava no quarto. Correu até a porta e a abriu. Ele havia mudado de roupa também. Usava uma camisa branca lisa, uma jaqueta de couro, jeans meio justo e um sapato social.
- D-Desculpa a demora. Estava no quarto. - ela mordeu o canto do lábio inferior, abrindo mais a porta. passou ao seu lado com um sorriso escondido. Sentou-se no sofá e ao lado dele.
- Eu devo falar ou deixar você falar? - perguntou sério.
- Eu queria pedir desculpas. Eu sei que o que fiz foi errado. Mas é como eu disse para o hoje, eu queria afetar o por causa daquela coisa toda dos meus pais. O site não era de todo ruim, vocês vendiam mais CDs depois que o site falava mal da banda do que quando o site não existia. - ela parou e respirou fundo. - E eu te amo . Mais do que eu gostaria, confesso. Sei que vai demorar a sermos um casal novamente, mas... - os fortes braços de a envolveram num forte abraço.
- Como senti falta dos seus ataques. Quase me esqueci do quanto você fala. - ele cochichou em seu ouvido. Ela deixou que um sorriso de felicidade e alívio se formasse em seus lábios e retribuiu o abraço. - Eu te desculpo . Mais do que óbvio isso. Além disso, tenho uma ideia. - ela se soltou dele e o observou pensativa.
- Que ideia?
- Vamos começar de novo. - ele sorriu. Estendeu-lhe a mão com um sorriso adorável. - Oi, eu sou , amigo do seu primo, . E você? - ela soltou uma risada alegre e brincalhona.
- . Mas pode me chamar de . - sorriu. Parecia que tudo voltava lentamente ao normal.
- O que acha de jantarmos? Nos conhecermos melhor?
- Com algumas condições.
- Como assim? - ele fez uma pausa, olhando-a engraçado. Ela sorriu de ponta a ponta. - Tudo bem. Quais?
- Eu vou trocar de roupa antes de sairmos. O restaurante você escolhe. E nada de 'quer entrar?' na porta da casa de nenhum dos dois. - ele fez biquinho.
- Acho que posso me controlar.

- Oi, cheguei! - apontou com a cabeça para dentro do quarto de fazendo a menina sorrir de imediato. - Sentiu minha falta? - ele entregou à irmã uma rosa branca o que a fez suspirar, envergonhada.
- Muita. - reforçou ao balançar a cabeça e o puxou para um abraço. - Tive sonhos ruins, . - se separaram e o garoto torceu a boca, sem jeito.
- Quer me contar sobre eles? - ela negou veemente. - Quem sabe outra hora não é? - sorriu agradecida.
- E aí dude, como foi lá? - chegou seguido de , ambos com copos de café fumegante nas mãos.
- Cansativo, mas conseguimos deixar tudo pronto. Agora só falta ele voltar a ser habitado. - ele piscou para .
- Não sobrou muita coisa, não é? - lamentou-se a garota.
- Isso não é problema, podemos voltar a enchê-lo rapidinho! - disse animado. - Do que você gosta? Bichos de pelúcia? - sentou-se na borda da cama, sendo acompanhado pelos outros amigos.
- Eu amo bichos de pelúcia! - sorriu .
- Vou comprar um montão deles para você! - riu sendo seguido por e que também se prontificaram a comprar os bichinhos.
- A não veio me ver ainda? - perguntou ela de repente. Eles já estavam se acostumando com suas mudanças repentinas.
- Claro que veio meu amor, só que você estava dormindo! - disse calmo.
- Vocês não a trataram mal, não é? - receosa, cruzou os braços, temendo pela resposta.
- De jeito nenhum! Ela até me ajudou a arrumar seu quarto, pequena!
- Que bom! - ela sorriu, sentindo-se mais calma.
- Vamos ver como está a nossa garota? - Dr. Huang adentrou o quarto sorridente. - Vou fazer uma tomografia e se tudo estiver certo, você sai daqui ainda hoje! - os quatro pularam de alegria. - Se nos derem licença. - ele destravou as rodinhas da maca de e ela foi levada para a sala de exames.
- Alô? - pegou o celular do bolso ao senti-lo vibrar e franziu o cenho quando viu o nome no visor. - Pai? O que aconteceu?

Capítulo 48.

Com as mãos na cintura de , a conduziu até uma mesa do Burger King. A menina riu, sentando-se à mesa.
- Acho que é por isso que eu vou me casar com você. - ele a olhou, curioso, não entendendo. - Só sabe que eu não quero um restaurante chique. Só ele sabe que eu adoro um bom cheeseburguer com bacon do BK.
- Nosso segredo, baby. - ele piscou de canto, segurando sua mão e acariciando-a suavemente. - Vamos pedir?
Após algum tempo, ambos haviam lanchado e se olhavam um tanto quanto sem assunto. brincava com o sunday que havia pedido e ele a admirava. A risada de escapou por entre seus lábios, causando reação de espanto na menina.
- Pois não? - perguntou, indignada por ele rir, assim, dela.
- Você se sujou toda, pequena. - ele amenizou o riso, passando o dedo em seu rosto, mostrando o dedo com calda de chocolate. - Viu?
A menina riu, correndo até o banheiro. Observou seu reflexo no espelho e riu um pouco mais. Jogou água em seu rosto, limpando-se, e abriu a porta do toalete.

O silêncio predominava no quarto, depois que voltara rindo do "passeio de maca" como ela gostava de chamar, seu sorriso rapidamente murchou ao ver a palidez de , que andava de um lado a outro no cômodo.
- ? - a despertou de seus devaneios quando a tocou de leve no braço. Ela piscou rapidamente e o olhou tranquilamente. Já fazia algum tempo que esperavam ansiosos pelos resultados dos exames em silêncio. - Eu queria falar uma coisa a você. - Isso não soava bem aos ouvidos de , o que poderia dar errado quando faltavam apenas algumas horas para ela ser liberada do hospital?
- Claro, o que foi? - ela sorriu trêmula com medo do que viria a seguir.
- É que eu vou ter que passar alguns dias no interior, sabe, problemas de família. - Ah, que bonitinho, pensou , ele estava se justificando! - Desculpe por não conseguir ficar mais tempo e te ajudar.
- Está tudo bem , vá tranquilo. vai cuidar bem de mim! - ela sorriu pegando em sua mão. estava sentado no canto do quarto, os observando.
- Eu vou só esperar a sua alta e já vou para lá. - ele a beijou na testa, em seguida a abraçando. retribuiu o abraço sorrindo de olhos fechados, estava quente e gostoso, não queria soltá-lo.
- Não vai dirigindo não é? - perguntou ela preocupada. - Você está muito nervoso, não quero que se machuque. - voltou a olhá-lo nos olhos e sorriu fraco.
- Eu vou de trem, e a vai comigo. Pode ficar tranquila. - acariciou o cabelo de e beijou-lhe os lábios. A expectativa e ansiedade voltaram a dominar o quarto.

Do lado de fora, a esperava. No momento que ela tentou abrir a boca para falar, ele a empurrou de volta para o banheiro, entrando em uma das cabines. Beijou-lhe os lábios ferozmente enquanto pressionava sua cintura contra a parede. , contra seu corpo que pedia por mais daquele toque, se separou dele por um instante.
- ... - ela começou. Ele olhou confuso para ela, que não o olhava nos olhos. A menina levou uma das mãos até a tranca da porta, travando-a. Ele sorriu de lado, e deixou ser agarrado para perto dela. - Menos barulho. - disse, mordendo o lábio dele, que estremeceu. Definitivamente, ela continuava a mesma.
deslizou as mãos pela lateral do corpo da menina, parando com uma na coxa esquerda da mesma e a outra no fecho do sutiã de . Ela, por sua vez, puxava os cabelos do rapaz e arranhava suas costas, sem desgrudar de seus lábios por um segundo sequer.
Por sorte, era uma noite muito parada na lanchonete, liberando o banheiro para a maior privacidade do casal, que já havia se esquecido um pouco da ideia de pouco barulho. soltava gemidos enquanto ele passava as mãos embaixo de sua camiseta. Inevitável era não se sentir completamente em casa com aquela sensação de que compartilhavam.
- Uuuh, olá amiguinho. - a menina soltou quando sentiu algo vibrar. Para sua infelicidade, não era apenas ''. - , se isso não for importante eu juro que te castro! - disse ela entre dentes, com um muito desgostoso a encarando.
- Desliga logo! - ele sibilou, enquanto passava as mãos nas costas da menina indo até a barriga e depois até o cós de sua saia. - O quê? A gente tem que ir hoje? Não pode ser, sei lá... Amanhã? - perguntou indignada, recebendo um olhar torto do ex-futuro. - Ok , estou indo para casa.
- Como é? - ele não podia acreditar.
- Babe, a minha tia passou muito mal e está no hospital. Preciso ir com o para o interior...agora.

- Hey pequena, já está pronta para dormir? - abriu a porta do quarto de logo após dar uma leve batida.
- Claro, mas... será que você pode passar a noite comigo? - colocou de lado o livro que observava fechado.
- Ahm... - o garoto hesitou e depois olhou para trás.
- Quem está aí com você? - ela inclinou-se para a esquerda, tentando ver quem estava logo atrás do irmão.
- Sou eu! - ouviu uma voz familiar e, em seguida, apontou na porta.
- Ah, oi ! - ela sorriu animada, talvez desse certo. - Por que vocês dois não passam a noite comigo? Um de cada lado, venham, tem espaço para todo o mundo aqui. - ela bateu ao seu lado na cama. arqueou a sobrancelha dando um sorrisinho de canto.
- Tudo bem para você, dude? - , surpreendentemente, virou-se para o amigo que deu de ombros. sorriu e se ajeitou na cama.
- Outch , você está gelado! - ela gemeu em protesto quando sentiu o irmão aconchegar-se às suas costas, completamente frio em relação à ela, que estava debaixo das cobertas.
- Não reclama. - ele se ajeitou abraçando-a pelas costas e colocando sua cabeça entre o ombro e o pescoço de . - Boa noite maninha. - ele a beijou na bochecha e logo voltou a se ajeitar.
Não foi preciso nem dez minutos para que se ouvisse o primeiro ronco de ; , por outro lado, continuava a encarar o teto do quarto enquanto seus dedos alisavam a borda do lençol que o cobria. o observava pela fraca iluminação que vinha da rua enquanto seus olhos ainda se acostumavam com a escuridão. Sabia que não demoraria até que desistisse de abraçá-la e virasse para o lado oposto, mas não poderia demorar tanto, afinal, ela não poderia deixar que pegasse no sono. Não mesmo.
Então ela resolveu agir, esticou seu braço levemente até encontrar com a camiseta de e o sentiu virar a cabeça levemente. Como eles estavam muito próximos, logo sentiram a respiração um do outro bater em seus rostos. parou de brincar com o lençol e tocou o rosto dela com a ponta dos dedos. finalmente afrouxava seu braço ao redor de , agora eles podiam se aproximar. A menina puxou sua camisa para cima enquanto colocava-se sentada sobre o quadril de , roçando seu baby-doll preto com bordado na barra em seu tórax já nu. Ele escorregou as mãos até chegarem às coxas da menina e adentrou o baby-doll enquanto ela beijava seu peito lentamente, provocando-lhe vertigens.
mordeu o lábio tentando controlar um suspiro alto e se aproximou de seu rosto, mordendo o lábio inferior do garoto e o puxando para perto dela, depois desceu para o pescoço. não se controlou, pegou fortemente na nuca de e a puxou de encontro a seus lábios, ambos sentando-se na cama. ajeitou-se sobre o colo do mais velho, fazendo-o murmurar ainda com os lábios grudados.
- ... - ele sussurrou ofegante, separando seus lábios. - ... a gente não pode continuar aqui. - revirou os olhos, outra vez refreada não poderia ser!
- E onde você quer fazer isso ? O não vai acordar nem se uma bomba atômica explodir. - ela apontou para o garoto encolhido no outro lado da cama de casal. Mas o que ela não sabia é que ele estava acordado. Bem acordado.
- Na gravadora amanhã? Só eu e você? - ele a puxou novamente para perto de si, já que ela havia se separado para poder olhá-lo.
- Por que na gravadora? - ela sorriu desafiadora.
- Não tem tara por escritórios? - percebeu que ele também sorria enquanto beijava seus lábios e desabotoava o baby-doll, descendo as alcinhas.
- Eu tenho tara por tudo, desde que você esteja incluído. - ela sussurrou e sorriu. Beijou-lhe os ombros despidos enquanto eles se sentavam na cama.
- Então combinado. Amanhã, eu e você na gravadora, às dez da noite. - ele intercalava as palavras com beijos que seguiam pelo ombro até o pescoço da menina que afundava as unhas nas costas de . - Adorei o baby-doll. - ele murmurou e a garota deu um risinho baixo, puxando-o para outro beijo. não pôde se conter e avançou, sentindo seu sangue borbulhar de prazer cada vez mais. Ela sorria entre os beijos, sentindo o garoto lutar para se controlar, mas como isso seria possível se nem ela mesma estava conseguindo se policiar?
soltou um gemido abafado enquanto ajeitava-se novamente sobre o colo de , dessa vez sentindo sua excitação. não tinha coragem de se virar, mas ouvia a conversa, um tanto quanto embasbacado.
- Eu vou te fazer gemer muito, muito alto. - sussurrou provocante ao pé do ouvido da menina o que a fez rir.
- Anda assistindo muitos filmes pornôs . - ela o repreendeu brincando e sentiu as grandes mãos do rapaz deslizarem sobre sua virilha, ainda por debaixo do baby-doll, enfim raspando sua intimidade por cima da lingerie. De imediato, ela mordeu o próprio lábio e inclinou a cabeça para trás, cravando as unhas nos ombros despidos de e o ouviu rir.
- Duvida da minha capacidade? - ele sussurrou com a voz rouca e ela voltou a olhá-lo. estava em um dilema: os surpreenderia, ou não? Optou por ficar escutando. Como assim estava de gracinhas com ?
- Talvez um pouco, , mas eu preciso senti-la. - ela deslizou a mão direita por entre as pernas, chegando ao volume que havia sob a calça folgada de pijama de . - Por que não me deixa aliviá-lo para você? - sussurrou de forma sexy, saindo de cima de seu colo e abaixando a calça junto com a boxer, lentamente. Voltou a sentar-se sobre o colo de e empurrou a lingerie para o lado agilmente enquanto sentava-se sobre a ereção do mais velho. Ambos fecharam os olhos, a sensação era uma loucura completa em seus corpos.
- Acho melhor continuarmos isso aqui e agora. - ele segurou fortemente nas coxas de , mas ela inclinou a cabeça para trás, soltando um risinho.
- Nem pensar. Primeiro porque eu não transo com garotos sem camisinha, - ela apoiou os braços sobre os ombros másculos de . - segundo, eu prometo que você pode pegar pesado comigo amanhã, - ela desenhou um círculo imaginário sobre o peito dele. - e terceiro, bom, eu não quero acordar o . - ela inclinou a cabeça na direção do irmão que ficou tenso. Será que ela havia reparado? Não, não poderia ser.
- Por mim tudo bem, - ele sorriu sacana. - contanto que você esteja apertadinha como eu te sinto agora. - seus corpos se grudaram e o empurrou pelos ombros, com uma cara esquisita.
- Menos pornografia , não se esqueça que eu não sou tão fácil assim. - ela ajeitou-se na cama, virando-se de frente para ele. ainda mantinha o sorriso cafajeste no rosto.
- Você é quem manda, . - disse colocando os pés para fora da cama.
- Aonde vai? - ela franziu o cenho, com medo de ter dito algo que o magoara.
- Aliviar a pressão a que você me submeteu. - ele apontou para o meio das pernas, fazendo-a soltar um risinho sapeca.
- Quer ajuda?
- É melhor não, . - disse rapidamente. - Pode acordar o e acho que não seria a melhor cena para ele assistir. - os dois riram. - Fique tranquila que eu vou ao banheiro e prometo não fazer nenhum barulho. - seus lábios estalaram ao encontro e seguiu para o banheiro da suíte, tendo a visão de um sorriso safado da mais nova antes de fechar a porta.
deslizou para o lado de , que estava de costas para ela. Tirou-lhe algumas mechas do cabelo que caíam desajeitadamente em sua testa e sorriu. Beijou-lhe a bochecha delicadamente e passou seu braço esquerdo por debaixo do dele, que descansava sobre a lateral do corpo, abraçando-o por trás. Arrumou um espaço em seu travesseiro e deixou que o rosto descansasse logo atrás do cabelo de , os lábios tocando levemente a nuca do irmão mais velho. Adormeceu...
E enquanto isso voltava a pensar em tudo o que havia escutado. Será que a mais nova estava realmente disposta a trair com um de seus melhores amigos?

Capítulo 49.

Era um castelo, frio e escuro, as paredes rústicas dos corredores pareciam de altura interminável. Ao lado dela, caminhava tão cauteloso quanto, mas tudo parecia soar mais alto do que o necessário. Logo a frente, à direita, havia uma porta de madeira maciça e com entalhes a mão, ela a empurrou e deram de cara com apenas um cômodo vazio. A princípio, pelo menos, estava vazio. Depois de varrê-lo com os olhos, havia um espelho bem no meio dele e, logo atrás, o quarto se estendia por metros, parecendo infinito. Não era a ela e que o espelho refletia, mas uma banheira grande e branca, os pés dourados, trabalhados a mão e dentro dela, havia uma moça loira, os cabelos cacheados escorrendo pelas costas.
desviou os olhos, ao contrário de que continuou encarando a peça espelhada, hipnotizado, aproximando-se dela. Ela resolveu olhar para trás, não havia nada além de paredes e a porta, não havia nenhuma loira na banheira.
- ... - tentou segurá-lo pelo braço, mas foi em vão, suas mãos fecharam-se no ar. Uma melodia de piano invadia o cômodo, ecoando por sua extensão.
De repente ela via a si mesma, de um outro ângulo, como se estivesse atrás de uma parede de vidro. Ela via que alguém se aproximava dela, mas não conseguia fazer nada para impedir. E isso a estava deixando inquieta. continuava a caminhar em direção ao espelho e agora ela desaparecera. gritava através da parede de vidro, mas nada acontecia. Ouviu um baque logo atrás de si e se virou, dando de cara com seu corpo, a garganta dilacerada.

levantou-se olhando levemente para trás. não estava mais na cama, mas ainda dormia, os braços esticados à frente abraçando o vazio. Suspirou tirando o cabelo dos olhos, ainda tentava absorver o que havia escutado na noite passada. Simplesmente não era possível.
Seguiu para o seu banheiro do outro lado do corredor e tomou um banho relaxante. Desceu quase que em seguida a , já que o garoto encontrava-se ao pé da escada.
- Bom dia dude. - não pôde deixar de sentir o sangue borbulhar. Quanta cara de pau a do Sr. !
- Bom dia. - ele soltou um sorrisinho forçado.
- Eu já estou indo para casa, obrigado pela noite. - disse tranquilamente, mas não evitou cerrar os punhos.
- Por que não fica até o almoço? Tenho certeza de que ficará feliz. - ele se amaldiçoou logo em seguida por ter feito o convite.
- Ok então, obrigado. - o rapaz sorriu e o outro retribuiu, será que ao menos suspeitava que ele havia escutado toda a conversa?

- , amor, por que não vai para casa descansar um pouco? - remexia no primo adormecido encolhido em um dos sofás do quarto do hospital. A mãe de já estava melhor, mas ainda precisava passar algum tempo em observação. Segundo o médico, havia sido apenas uma intoxicação alimentar, agravada pelo stess.
- Alguém me ligou? - ele acordou assustado, seu rosto estava levemente amassado e avermelhado.
- Só o . - disse pausadamente. - Mas ele queria falar comigo. - sentiu suas bochechas corarem levemente e o garoto suspirou triste. - , não fique assim, vá descansar! - ela o incentivou.
- Eu já descansei. - protestou ele levantando-se e seguindo para o banheiro que havia no quarto. Seu pai não estava lá, mas sua mãe sim, ainda adormecida. não queria assumir, mas estava prestes a explodir. Eram tantas coisas em sua cabeça, tantas coisas que ele queria fazer. E ? Ah , como estaria ela?

Seus olhos se abriram com força junto com o grito de horror que deixou seus lábios. Em seu campo de visão, estava sentado na borda da cama, segurando sua mão. começou a chorar e ele acariciou seu rosto.
- Por que não me conta do sonho? - perguntou ele calmamente.
- Foi horrível... - murmurou ela entre os soluços. Sentou-se trêmula e foi aconchegada no peito do mais velho, viu-se contando sobre todo o pesadelo que tivera.
acariciava os longos e bagunçados cabelos de enquanto ela tremia entre seus braços, ouvindo tudo, os mínimos detalhes e tentando visualizar o que ela havia visto. Era uma cena de horror e ele se perguntava de onde ela havia tirado todos aqueles detalhes. olhava a cena do lado de fora, apoiado no batente da porta, não conseguia acreditar que a mesma provocante do dia anterior era, agora, a frágil e assustada garota que chorava sobre a cama. Talvez fosse melhor eles cancelarem o encontro.
- Vamos descer está bem? Podemos cantar, dançar, comer um monte de porcarias. Eu e o vamos ficar à sua disposição hoje ok? - disse depois de respirar fundo ao que a meia irmã havia terminado de contar seu sonho. se separou dele e enxugou o rosto com as costas das mãos sorrindo de boca fechada. Concordou levemente com a cabeça e desceu da cama, seguindo para o banheiro.
bagunçou os cabelos olhando o lençol sob si. Levantou-se e seguiu para baixo onde encontrou com sentado no sofá, olhando distraído para o lado de fora. Sentou-se ao seu lado e trocou um sorriso simples, permanecendo em silêncio. Logo, se juntava a eles.

encarava o teto sorridente, os braços entrelaçados por detrás da cabeça e as pernas cruzadas o faziam se sentir bem. Não conseguira dormir à noite, em tudo o que pensava acabava nela. . Como aguentara ficar longe daquela menina? Aquela que ele odiara com todas as forças quando ela terminara com seu relacionamento, quando descobriu que era ela quem expunha sua vida pessoal para outras pessoas lerem. Agora? Nada disso fazia sentido. Odiá-la não tinha sentido algum quando o amor que ardia em seu peito era mais forte. Bem mais forte. O momento que eles haviam tido dentro daquela pequena cabine de banheiro dizia por si só: eles estavam voltando.

- Let's get physical, physical, I wanna get/ physical, let's get into physical/ Let me hear your body talk, your body talk, let/ me hear your body talk - e cantavam no meio da sala, fazendo caras e bocas engraçadas enquanto se divertia sentado no sofá. Segundo ele, cantar não estava em seus planos naquele dia.
- Gente, acho melhor eu ir para casa. - pronunciou-se ele depois de e sentarem-se de volta no sofá, rindo e extremamente cansados. Ambos o olharam.
- Ah, que é isso dude, fica mais um pouco! - agitou a mão no ar provocando risos em .
- Não, sério, preciso arrumar algumas coisas lá em casa. Vou aproveitar essa tarde de folga! - levantou-se.
- Se você insiste. - deu de ombros e levantou-se, acompanhando o amigo até a porta.
- Obrigado por tudo dude. Tchau , - ele olhou por cima do ombro de e focalizou a menina em pé, virada em sua direção. - até... - ele fez uma pausa. - mais! Até mais. - sorriu ao que a menina piscou marota em sua direção, entendendo o recado.
- Próxima música? - sorriu animado e pegou o controle na mão, colocando em Vogue, de Madonna.

Capítulo 50.

desceu para a rua e chamou um táxi, não demorou muito até que chegasse à gravadora. O prédio comercial estava praticamente escuro e havia só um segurança na portaria. Já eram quase dez da noite. Enquanto caminhava por lá, assegurou-se de que os flashes dos papparazzi não a incomodassem, usando um óculos escuro de armação branca, que combinavam com seu vestido branco e as sandálias de tiras. É claro que eles estariam lá, havia passado por eles mais cedo.
Tomou o único elevador em funcionamento e seguiu até o andar em que a gravadora dos meninos ficava. A porta da frente estava aberta, mas logo depois que ela passou, trancou-a com a chave. Havia apenas uma luz acesa e era a da sala de reuniões. Seguiu até ela, abrindo a porta e dando de cara com um sentado em uma das pontas da mesa, ao lado, uma garrafa de champanhe.
- Hey. - sorriu encostando a porta, virou-se de frente para ela sorrindo um tanto nervoso. Ela se aproximou dele e o beijou nos lábios. segurou em suas bochechas, desviando de sua boca e traçando um caminho até o pescoço de . Os cabelos da menina desciam em cascata pelas costas enquanto ela inclinava sua cabeça, deixando o pescoço cada vez mais livre para . Soltou um murmúrio de satisfação e o garoto se separou.
- Quer champanhe? É sem álcool porque eu sei que você está tomando remédio. - ele sorriu sem jeito servindo uma taça para .
- Eu aceito sim. - ela pegou a taça e ficou entre e a mesa, sentando-se sobre a grande peça de mogno. - Agora que estamos aqui sozinhos e sem ninguém para nos interromper, que tal...? - o olhou safada. retribuiu tocando-lhe a perna esquerda, que balançava inquieta num movimento de vai e vem pelo vão entre a mesa e o chão. Subiu-a na altura de seu rosto e começou a distribuir leves beijos, começando do tornozelo branco da menina e subindo até o joelho. Desviou seus olhos carregados de luxúria para os de que não estavam muito diferentes e sorriu, a menina brincava com a borda da taça de champanhe, deslizando os lábios de um lado a outro.
levantou-se e a puxou pelo bumbum para ficar mais próxima à borda da mesa, onde seus corpos se tocaram, ele ficando entre suas pernas. Adentrou um pouco o vestido de , fazendo subir até a altura da cintura enquanto eles se beijavam ferozmente. fez pressão com seu corpo fazendo-a se deitar sobre a mesa e a garota achou que era melhor se desfazer da taça de champanhe que ainda mantinha em mãos. desceu para o seu pescoço enquanto desabotoava vestido, deixando seu colo todo à mostra. , por outro lado, desabotoava sua camisa enquanto o mantinha por perto entrelaçando as pernas em seu quadril. Ele afastou-se um pouco da menina para poder puxar sua calcinha para baixo.
Com a inquietação crescendo, a pegou no colo e a prensou contra a parede mais próxima, logo atrás de um armário cheio de arquivos. Não importava que eles estivessem praticamente vestidos, haviam esperado muito por aquele momento e não podiam perder um segundo sequer. Sustentando-se com as pernas envoltas nele, soltou as mãos de , que já estava com o vestido tomara-que-caia mais do que torto e aberto, e abriu a calça. Abaixou a boxer levemente e voltou a beijar com urgência. A blusa, agora desabotoada, escorregava por seus ombros e ele finalmente se desvencilhou dela. Dessa vez ele viera preparado, evitando perder tempo, já havia colocado a camisinha antes que chegasse.
A primeira investida foi prazerosa, os dois soltaram suspiros satisfeitos e subiu suas mãos pelo peito de , entrelaçando-as em sua nuca. Ele investiu mais uma vez, agora mais forte e adquirindo um ritmo. A sensação era extasiante, os dois mantinham-se próximos, ofegando, os lábios para se tocarem. fechou os olhos inclinando a cabeça levemente para trás enquanto descia para o seu pescoço. As grandes mãos do rapaz entrelaçando em seus cabelos, mantendo a cabeça inclinada para que ele tivesse livre trânsito no lado direito de seu pescoço. Os gemidos eram entrecortados, conforme o ar lhe escapava e não conseguia voltar a seu pulmão. O calor na sala estava praticamente insuportável, sentia as gotas de suor lhe escorrer pela nuca, por debaixo do cabelo enquanto aumentava seu prazer, chupando o pescoço.
Faltava pouco, ambos sentiam isso, movimentar-se rapidamente já não era mais o suficiente, eles precisavam de mais. E mais, e mais...
- Eu posso saber o que significa isso? - ouviram uma voz ecoar atrás deles, assustando-os. virou-se de supetão, liberando a visão para de um com irritação contida. a deixou descer de seu colo enquanto ambos corriam para se arrumar.
- ... - começou, mas parou quando o viu pegar a garrafa de champanhe.
- Álcool, ? - ele olhou-o com a testa franzida. - Ela está sob medicação! - puxou pelo braço, colocando-a atrás de si.
- Dude, eu sei disso, por isso é sem álcool. - ele explicou-se rapidamente, ajeitando o cabelo que pingava suor.
- O que vocês dois estão fazendo aqui na gravadora a essa hora? - perguntou ainda sério.
- Nos divertindo? - disse cruzando os braços, desgostosa.
- Não importa, vamos para casa. - ele puxou a irmã pelo braço que acenou para meio sem graça enquanto sibilava um "desculpa" mudo.
Já dentro do elevador o clima ficava denso e silencioso. olhava para o molho de chaves que tinha em mãos, sem saber o que dizer. A verdade era que, por um momento, acreditara que eles não fariam exatamente o que haviam combinado na noite anterior.
- Onde estava com a cabeça ? Isso vai virar notícia! - ele disse em tom de bronca enquanto seguiam para o lobby do edifício. Alguns fotógrafos tentavam burlar o segurança. colocou os óculos escuros e o braço de a envolveu pelo ombro, fazendo-a andar rápido para acompanhar seus passos, para longe dos fotógrafos.
- Não vai, McHate.com não está mais aí para isso. - disse ela em tom desafiador e um tanto quanto emburrada.
- Por que está fazendo isso? Essa não é você. - resolveu quebrar o silêncio no primeiro sinal em que pararam.
- Eu sei que não . - ela disse em tom baixo e o olhou, seus olhos ficaram marejados. - Eu estou perdida dentro de mim, - sua voz vacilou. - não consigo me controlar, está tudo tão confuso. - se abraçou, encolhendo-se no banco enquanto as lágrimas deixavam seus olhos.
- Hey, não chore. Você vai ficar boa, ok? - acariciou a bochecha da meia irmã e os dois seguiram em silêncio de volta para casa.

Festinha particular na gravadora?

Neste sábado flagramos e a mais recente agregada da família , , em um encontro às escondidas na gravadora da própria banda McFly. A festa, pelo o que pareceu, exigia poucas roupas, já que a jovem chegou com um vestido branco e curtinho. Mas não durou muito, pouco tempo depois, seu meio irmão, chegou e, aparentemente, acabou com a festa dos pombinhos, tirando uma vermelha e um pouco desajeitada do prédio. Mas o melhor de tudo ainda não contamos, notaram a marca arroxeada no pescoço branquinho da pequena ? (foto acima) É, meninas, ainda é o garanhão da banda. Quem aqui não gostaria de se enroscar nele não é mesmo?

virou na cama mais uma vez. As imagens de seu sonho não lhe saíam da cabeça. Não estava na gravadora, mas agora no quarto de sua irmã. Ele entrava para ver como ela estava e encontrava sobre ela, os dois nus, os dois suados, os dois gemendo. Seu choque fora tanto que agora sonhava com a cena. havia lhe explicado e ele conseguia enxergar que era verdade. Ela não havia feito por mal. Tudo o que precisava agora era de atenção e carinho e, não, uma bronca!
Levantou-se da cama resolvendo checar a irmã. havia parado de chorar antes mesmo que chegassem em casa, mas ainda assim ele estava preocupado. Caminhou lentamente através do corredor e abriu a porta do quarto de com cautela, não queria acordá-la. Foi se aproximando da cama e notou que havia algo de errado com ela. A face estava distorcida em medo, seu rosto brilhava de suor e as mãos estavam fechadas em garras ao redor do lençol.
sentou-se na borda da cama e tocou-lhe a mão que descansava sobre o peito, embora tensa. acordou em um baque, encolhendo-se um pouco longe de onde estava. franziu o cenho sentindo pena. Outro pesadelo.
- O que aconteceu? - ele perguntou suavemente esperando não assustá-la.
- A mesma música , ela tocava enquanto eu estava em uma sala vazia e escura. Eu sangrava tanto, tanto. - ela balançava a cabeça, tentando se esquivar dos pensamentos.
- Está tudo bem agora, eu estou aqui. - seus olhos piscaram, um pouco pesados pelo cansaço, mas ele se manteve forte.
- Eu não fiz aquilo por mal, . - desculpou-se a menina sentando-se na cama. Ajeitou o cabelo que grudava em seu rosto e pescoço e aproximou-se do meio irmão.
- Tudo bem , eu sei, você me explicou. Acredito em você. - acariciou-lhe o rosto enxugando o suor que havia se acumulado ali. - Vai ficar tudo bem, venha cá. - ele a chamou para deitar em seu colo e assim permaneceram, acordados noite adentro, digerindo tudo o que havia acontecido.

Capítulo 51.

e haviam seguido para a casa dos a fim de descansarem um pouco. Mas não conseguia pegar no sono, enquanto ele olhava a prima calmamente adormecida, seu pensamento voava para longe. não havia ligado para ele. O que estava acontecendo? Será que ela estava bem? Será que todos estavam bem?
Afogado em dúvidas acabou por dormir, nem de longe estava apto a descansar totalmente.

levantou naquele dia decidido a fazer uma visita à família. Talvez ainda fosse demorar um pouco com , e como ele, e não conseguiriam ensaiar, nada melhor do que alguns dias livres. Visitaria sua irmã, já estava com saudades dela. E sua mãe, meu Deus, como sentia falta dela! Pensava o garoto enquanto arrumava uma pequena mochila e deixava a casa logo em seguida. Com sorte, pegaria o próximo trem para o interior. Quem sabe não fosse visitá-lo e ele já poderia apresentá-la formalmente à família?

- Pequena, eu estou indo para a gravadora ok? Fletch me ligou e disse que precisa de mim para ensaiar alguns solos. - apareceu no quarto arrumando a gola da camisa. ainda estava deitada, mas encarava o teto, os olhos despertos, porém com aparência cansada.
- Ok. - respondeu simplesmente continuando a alisar a gola do pijama que vestia.
- Fique bem, ok? - inclinou-se para beijar a testa da irmã que sorriu e se despediram.

- O que ele está fazendo aqui? - disse surpreso, mas sem resquício nenhum de raiva na voz. estava tão assustado quanto ele.
- Eu os chamei aqui por causa disso. - Fletch deslizou um exemplar de uma revista até a ponta oposta da mesa em que e se encontravam. - Podem me explicar o que foi que aconteceu? - sua voz era fria, mas autoritária. Não demonstrava raiva, mas eles sabiam que Fletch queria explicações.

- MENINA, A CORRESPONDÊNCIA CHEGOU! - ouviu a faxineira gritar do andar de baixo e suspirou levantando-se, descendo até a sala onde a mulher segurava um pequeno amontoado de papeis.
- Obrigada Zara. - sorriu ela pegando os vários envelopes. Mas um em especial lhe chamou a atenção. Era a nova edição da “Famosos”, revista fuxiqueira de Londres. Ela e estavam na capa.
Subiu rapidamente até seu quarto, não queria que a empregada ficasse bisbilhotando, finalmente abriu o plástico que envolvia a revista e folheou até a página da matéria. Seus olhos se encheram de lágrimas, eles não tinham o direito de especular daquela maneira! Quem havia liberado a história? Ela estava recebendo algo em troca ao ter sua imagem manchada?
- não pode ver isso, não pode ver isso... - começou a repetir para si mesma arremessando a revista de encontro a uma parede. Seu rosto foi de encontro ao travesseiro, a culpa lhe tomava lenta e dolorosamente.

- Cheguei. - anunciou fechando a porta de entrada, debaixo do braço trazia um exemplar do jornal que, de quebra, estava dando um exemplar da revista “Famosos”. não era muito fã daquela revista, afinal, a banda já sofrera muito em suas mãos. Seguiu até a sala dando de cara com o primo sentado no sofá. O cabelo desarrumado e os olhos fundos indicavam que ele não havia tido uma noite boa.
Sorriu sem graça ao vê-lo encará-la e resolveu se distrair olhando para a revista que estava no meio do jornal. Seus olhos se arregalaram e ela sentiu como se uma bigorna caísse sobre a cabeça, como em um desenho animado. Ela olhou novamente para o primo que agora a estudava, parecendo curioso sobre sua repentina mudança de expressão.
- ... - sua voz morreu logo em seguida ao que deu o primeiro passo em direção à revista, colocando os olhos na capa.

"Maybe it's true that I can't live without you
Maybe two is better than one
There's so much time to figure out the rest of my life
And you've already got me coming undone
And I'm thinking two is better than one
Yeah, yeah"


desligou o aparelho de som, mas ela não se mexeu. Suspirou e caminhou em direção à cama, sentando-se perto de , a qual mantinha o rosto virado para o travesseiro, abafando os soluços. Olhou logo à frente e deparou-se com a revista largada desajeitadamente sobre o rodapé, como se tivesse sido jogada. Ela sabia.
- ... - ele tocou-lhe a cabeça, fazendo carinho.
- Eu o perdi para sempre . Agora não tem mais volta. Não mais. - murmurou ela rapidamente, o choro fazendo com que suas palavras se atropelassem.
- Não vou dizer que eu avisei porque eu sei que não foi por mal, já tivemos essa conversa. - ajeitou-se na cama e cutucou o ombro de para que ela se virasse. Quando ela o fez, seu rosto estava quase roxo de tanto chorar. - O que você precisa agora é pensar em como vai conversar isso com o . Se esforce, eu vou te ajudar. Se ele não quiser te ouvir eu converso com ele, prometo ok?
- Ok. - ela disse num murmúrio e logo em seguida começou a chorar. - Cada vez eu fico mais confusa , eu estou me perdendo. - jogou-se nos braços de chorando copiosamente. O garoto, então, passou a se perguntar se o remédio que a irmã estava tomando estaria fazendo algum efeito. Ela estava extremamente desequilibrada emocionalmente, não era a que ele havia conhecido meses atrás!

- Eu não posso acreditar... - olhava espantado para a revista. Como tinha coragem de fazer aquilo? E ainda por cima se expor de tal forma?
- Você sabe como são essas revistas... Elas sempre mentem... - não sabia o que fazer. Perguntava-se o que falar para ajudar, mas a única coisa que lhe vinha em mente era que a amiga realmente estava maluca, só podia.
- OLHA ISSO! Ela com esse vestido... Saindo da gravadora de madrugada com o e toda vermelha! E essa marca de chupão? O que você acha? Ela estava aprendendo a tocar alguma música nossa? - disse irritado e machucado. - Eu deveria saber que ela me trocaria. Por que ela ficaria comigo? Todo mundo a quer.
- Eu que não posso acreditar! me dizendo que ele não é desejado? PRIMO! Você pode conseguir quem você quiser! Por isso, eu acho que você deveria ir para casa e falar com ela!
- Pode ter milhões de pessoas me desejando, mas a única que me interessa é ela, ! Agora, como você quer que eu volte para casa e converse como se nada tivesse acontecido? - o rapaz olhou a prima. Queria saber de onde ela tirava tanta força. De onde saía tanta bondade. E, o mais importante, por que diabos mesmo ele havia dificultado tudo entre eles?
- Ué, você espera as coisas esfriarem, apenas observe. Quando tiver a chance, fale com ela. Simples assim. - a menina sorriu, abraçando-o de lado. - Então? Vamos para casa ou não?

- Quase me esqueci, - levantou-se da cama, deixando sentada nela, o olhando em dúvida. - te comprei uma coisa. - sorriu ele indo até a escrivaninha da menina de onde pegou um embrulho retangular de papel verde.
- O que é? - a menina sorriu fraco enxugando as lágrimas já quase secas que haviam escorrido durante toda aquela tarde sofrida.
- Por que não abre? Eu vou lhe explicar. - ele a encorajou. - Nesses dois dias que você teve os pesadelos, eu pensei que, talvez, se você escrevesse sobre eles, nem que fosse uma linha ou nos mínimos detalhes, você poderia aliviar esse medo e essa dor que você sente. - sorriu ao ver a reação de felicidade e entusiasmo da irmã.
- Oh, obrigada ! - ela o abraçou e depois segurou o delicado caderno de capa dura e vermelha entre os braços. - Prometo não me esquecer de escrever nele!
- Acho bom mesmo. - ele a puxou para perto de si e por um momento a nostalgia pareceu se afastar deles.

De volta ao hospital, e estavam dentro do quarto de recuperação da Sra. , contando a ela o motivo da volta repentina para Londres.
- Não se preocupem! Voltem em paz. Eu já estou bem melhor, e ver vocês dois se entendendo novamente me deixa mais tranquila. - a mais velha sorriu, e os primos se abraçaram. Uma família que estava em crise, agora se resolvia.
- Uh, preciso atender essa mãe. Já volto. - correu para fora, estranhando o porquê de ligar em seu celular. já estava com o celular carregado e ligado. - Fala cara.
- Eu preciso da sua ajuda! A 'tá por perto? - a voz do companheiro de banda era quase inaudível, de tão baixa.
- Não, pode falar.
- Vou fazer uma surpresa para ela. Vai me ajudar? - fez sua melhor voz de pobre coitado, recebendo uma risadinha de volta.
- Qualquer coisa que faça minha prima feliz, eu 'to dentro.
- Vamos ? - saiu do quarto da tia, tocando o ombro do primo.
- Vamos! Então Fletch, me manda um e-mail, tá? Tchau! - desligou, completando em pensamento: "Espero que o tenha entendido."

Capítulo 52.

- Eu vou buscar algo para comermos, o que vai querer? - levantou-se da cama, puxando consigo.
- Que tal uma comida tailandesa, só para variar? - sorriu ela prendendo os cabelos em um coque desajeitado. Ainda estava com o pijama de mangas compridas, mas não se importou em trocar de roupa. Desceram para a sala e se despediu da irmã, vestindo o casaco e saindo em seguida para buscar o jantar.
sentou-se no sofá deixando seu olhar se perder na tela escura da televisão desligada. Tentava não pensar, não deixar que a negatividade a cercasse, seria muito difícil afastá-la naquele momento já que estava sozinha. Dois minutos de silêncio e ela era desperta de seu transe por quatro batidas na porta. Olhou assustada para a entrada da casa e levantou-se.
- Esqueceu a chave ? - disse alto quando estava a alguns passos de tocar a chave para destrancá-la. Girou o molho duas vezes e puxou a maçaneta para baixo, abrindo a porta e deixando o sorriso sumir, dando lugar à surpresa. - ?
estava parado do outro lado da porta, carregava um buquê de lírios brancos enquanto uma das mãos descansava no bolso da calça jeans. Seus olhos também estavam um pouco assustados, não sabendo se decidir entre encarar os de ou fixá-los em outro lugar. Antes que pudesse pensar em algo para dizer, eliminou a distância entre eles o abraçando com força, os olhos umedecidos. Ele retribuiu o abraço, apoiando a bochecha no topo da cabeça da menina soltando o ar devagar. Pelo menos ela não estava brava com ele.
- Entra. - se separou, passando a mão sob os olhos, disfarçando as lágrimas que nem haviam começado a cair.
- São para você. - ele disse lhe estendendo o buquê e, antes que ficasse algo por demasiado mecânico, adicionou: - Como um pedido de desculpas pela revista. - sorriu fraco.
- Não foi culpa sua. - a menina aceitou o buquê e ele finalmente adentrou a casa. - Foi só uma história publicada pela imprensa. Mais uma. - suspirou ela deixando as flores em cima da mesa que havia perto da entrada e o seguiu até a sala. - É, só que essa é verdade. - virou-se levemente para encará-la. concordou com a cabeça e gesticulou para que ele se sentasse. Acabaram por sentar-se lado a lado, de frente para e permaneceram em silêncio.
Não se podia dizer que o clima estava tenso, porque não estava, mas era um tanto incômodo que eles, antes tão íntimos, agora mal conseguiam puxar assunto. Disposta a quebrar um pouco o gelo, pegou o controle e ligou a televisão deixando em um canal qualquer de música. Undisclosed Desires, do Muse, acabava de começar. [coloque para tocar se quiser, é só uma música de fundo! ;)] encarou a tela, parecendo prestar atenção na letra e no clipe, suas sobrancelhas se arquearam e ele olhou que fazia o mesmo, só que olhando diretamente para ele. Rapidamente a menina pegou uma almofada e jogou-a no colo do rapaz, deitando sua cabeça sobre ela em seguida e olhando-o de baixo ainda em silêncio. sorriu, parecendo aliviado, e acariciou-lhe o cabelo. Agora o silêncio entre eles não mais importava, e aproveitava para deixar o cansaço lhe tomar aos poucos.
- Sobre a noite passada, eu, eu me saí bem? - perguntou de repente e ouviu um risinho baixo vindo de .
- preocupado com sua performance? - ela perguntou com a voz já um pouco arrastada. - Você foi ótimo, baby, pena que não tivemos tempo de chegar . - bocejou esfregando de leve o rosto. sorriu satisfeito e ajeitou-se melhor no sofá.
- Uma pena mesmo. Primeira e última vez. - ele disse brincalhão, mas quando olhou para baixo, percebeu que a menina pegara no sono. Abaixou o volume da TV e continuou com o carinho na cabeça dela, perdido em pensamentos.
Longos minutos se passaram enquanto a observava dormir, ele ouviu movimentação do lado de fora e logo em seguida a porta era aberta.
- ...você não trancou a porta, ? - chegou com duas sacolas e tirou a chave da fechadura, empurrando a porta com o pé e finalmente olhando na direção em que estava. - O que está fazendo aqui? - a reação imediata de seria levantar, mas ele lembrou-se que estava adormecida em seu colo, então permaneceu parado.
- Dude, eu só vim pedir desculpas a ela. - ele apontou ao que se aproximava dos dois, o olhar dele seguiu para a mais nova, virada com o rosto na direção do abdômen de . - Ela acabou dormindo.
- não dormiu noite passada, vem, eu te ajudo a levá-la para o quarto. - o rapaz, muito mais calmo, deixou as sacolas na cozinha, voltando em seguida para "escoltar" o amigo pela escada. se saiu bem, tomando cuidado de não acordá-la e nem derrubá-la e por fim deitou na cama. Ele e , entretanto, não deixaram o quarto. sentou-se na borda da cama enquanto puxou uma poltrona que ali havia para perto. Ficaram em silêncio, ambos encarando a mais nova adormecida calmamente.
- Como ela está lidando com isso tudo? - resolveu quebrar o silêncio incômodo. Não queria ficar assim com , ele era seu melhor amigo afinal de contas!
- Eu sinceramente não sei. Ela está instável, tendo esses pesadelos horríveis. Não sei o que posso fazer para mantê-la segura.
- Você acha que é por causa do remédio? - olhou para o amigo que suspirou, passando a mão pelo cabelo.
- Sinceramente eu não faço ideia. Ainda acho que é por causa do que ela vivenciou recentemente, mas não sei. Eu quero levá-la de volta ao Dr. Huang, mas tenho medo dela se apavorar.
- Por que não tenta? Ou faça suas perguntas a ele, evite ao máximo envolvê-la. - sugeriu o rapaz enquanto pensava em outras opções.
- Vou ver. - ele sorriu agradecido. - Por que vocês transaram? - perguntou ele, de repente. tossiu, pego de surpresa.
- Não sei bem explicar, mas vou tentar. - adiantou-se ele antes que o silêncio durasse por mais tempo. - Quando você apareceu com a lá na casa do , lembra? Que você tinha que conversar com a ...
- Sim, me lembro. - sentiu um calafrio percorrer seu corpo. . Há quanto tempo não pensava nela daquela maneira.
- Eu fiquei muito atraído pela . Só que com o lance de Portugal, ela e o , não sei... foi meio que esquecido esse meu interesse.
- Certo. - procurava manter-se calmo, não poderia demonstrar-se duro ou irritado, ele realmente queria ouvir o que tinha a dizer.
- E quando estávamos no hospital, há alguns dias atrás, ela meio que, sei lá, reascendeu essa minha queda por ela. A gente se beijou e depois quando passamos a noite juntos eu fiquei louco. - bagunçava o cabelo de maneira nervosa e olhava para intercaladamente. - Ontem de manhã eu pensei em cancelar, por causa do pesadelo que ela tivera, mas achei interessante continuarmos, para ver até onde ia. E deu no que deu.
- Entendi. - monossilábico estava deixando nervoso, o que o fez completar rapidamente.
- Olha, dude, eu não usei a sua irmã se é o que está pensando. Eu não me aproveitei dela, nem nada. Foi um deslize que eu cometi e me arrependo.
- Está tudo bem , você é meu melhor amigo e eu sei que não faria isso com alguém tão importante para mim. - desgrudou os olhos de para encarar o amigo que suspirou aliviado. - E como você já pediu desculpas à , acho que está tudo bem agora. Nosso único problema pendente é o . - engoliu seco.
- Ele nunca mais vai querer olhar na minha cara. - murmurou o rapaz.
- Tudo a seu tempo. Vamos com calma nisso, tenho certeza de que vocês só precisam conversar e... - Mas foi interrompido por , que acordava naquele momento, gritando a plenos pulmões enquanto sentava-se à cama, os olhos lacrimejando.

Capítulo 53.

- Ei, ei shhhh, calma. - segurou os braços de enquanto ela tapava os ouvidos, chorando. - , olha para mim. , olha aqui. - ele a chamava enquanto estava petrificado, havia tomado um susto e tanto. - Shhhh, foi só um pesadelo. - ele a abraçou percebendo o corpo tenso da mais nova.
- Eu não quero queimar . - murmurou ela ainda de ouvidos tapados. - Eu não gosto da dor. - negou com a cabeça enquanto ainda tapava os ouvidos, querendo se livrar da música que estava sempre presente em seus pesadelos.
- Rihanna. - disse e o olhou bravo.
- Rihanna, ? - perguntou com o rosto distorcido em incompreensão.
- É, a Rihanna que tem uma música que fala isso. - o garoto dizia, seguro de si. - Love The Way You Lie. Essa música estava tocando lá na sala quando você chegou.
- É mesmo. Mas, por que essa música estaria no pesadelo dela? - separou de si e finalmente conseguiu que ela destapasse os ouvidos.
- Será que você pode abrir a janela, por favor? - olhou para que teve pena, seu rosto estava inteirinho molhado e vermelho. Concordou em silêncio e seguiu para as janelas que havia quase ao lado da cama. - Eu não quero queimar. - completou para o irmão que concordou sorrindo fraco.
- Você não vai, meu amor, eu estou aqui. - acariciou-lhe o rosto enxugando-o e virou-se para . - Se cantarmos uma música, vai se sentir melhor? - tentou com um sorriso cúmplice para o amigo. olhou para os dois e concordou com um sorriso infantil nos lábios.
começou a marcar o compasso da música batendo a mão sobre a coxa e sentou-se ao seu lado. Ainda não havia descoberto que música ele cantaria, mas não precisaria esperar mais, o amigo começava a cantar a letra:
- Little Joanna's got big blue eyes / Coconut cream on coffee coloured thighs / I could die lying in her arms / Where castles are made of sand / We start to dance, but only the music is bleating / When crickets replace the band... - sorriu. Adorava aquela música, tão calma e tão relaxante assim como sem nexo algum. Era perfeita para o momento, por isso, passou a acompanhar .
- She will always be my sun kissed trampoline / She's goes up and down in my heart / Turned into jelly beans / And I'm starting to believe that dangers never near / When Joanna is here - Era tão bom ver sorrindo, se divertindo com os dois que cantavam para ela. A melodia afastava qualquer pensamento ou lembrança ruim que ela tivesse, estava funcionando como um calmante.
- Eu vou buscar o nosso jantar, deve estar com fome. - colocou o cabelo de atrás da orelha e a olhou nos olhos. Por um momento viu os olhos de uma criança, carente de atenção e carinho. Desceu as mãos para o rosto dela, úmido e avermelhado, e aproximou-se lentamente, depositando um selinho sobre seus lábios um pouco ressecados. Era exatamente assim que fazia com quando a mesma era pequena. sorriu de olhos fechados e os dois grudaram as testas, respirando fundo.
fechou a porta do quarto sob o olhar confuso e intrigado do amigo que deixara o quarto em silêncio depois de se despedir de .
- Certo, não quero explicações. Vou para casa, me ligue caso precisar de alguma coisa. - ele bateu nos ombros de e deixou a casa.
ouviu seu celular tocar no bolso da calça e o sacou rapidamente vendo o nome de no visor. Sua respiração se prendeu, agora era a hora.

e já estavam no carro há alguns minutos em completo silêncio. De vez em quando, se pegava batucando inquieta na perna, então ela olhava para o primo, mas o mesmo se mantinha concentrado na estrada, inflexível. Sacou o celular e pensou em ligar para , mas àquela hora ele já deveria estar dormindo. Por vezes não acreditava que a viagem demorava tantas horas assim, eles chegariam a Londres apenas na manhã seguinte.
Acessou os contatos recentes e selecionou o número de . Esperou por três longos toques até ouvir a voz do amigo do outro lado. Parecia exausto.
- Hey , como está? - imediatamente ela viu o primo apertar as mãos ao redor do volante e se encolheu no banco do carro. Que ele não causasse um acidente!
- Oi , ah, estou indo e você? ? - notou o ânimo forçado na voz de e teve vontade de abraçá-lo.
- Estamos bem, voltando para Londres agora. - olhou rapidamente para . - E , como está? - novamente um gesto brusco de chamou a atenção da menina.
- Ah , ela está péssima. Desde que saiu do hospital tem tido esses pesadelos e essa música que ela diz sempre acompanhá-la...
- É mesmo? - concordou ela realmente intrigada.
- ...É. E depois desse lance com o , nossa, ela está desesperada de ter realmente perdido o . Você sabe, ela o ama, mas está confusa.
- Entendo, entendo. Olha , se precisar de qualquer coisa, pode me ligar ok? E cuide bem da nossa pequena para que ela não sofra mais do que já está. - ela murmurou mais algumas concordâncias e se despediu do amigo.
Não disse nada a , na verdade, nem foi preciso, o garoto freou bruscamente o carro, direcionando-o ao acostamento da estrada. colocou a mão sobre o peito, assustada.
- Você pode dirigir um pouco? Estou cansado. - ele disse sem encará-la e saiu do carro para dar a volta. Ainda trêmula, passou para o banco do motorista, por dentro do carro mesmo e, enquanto ajustava o espelho retrovisor viu, pela iluminação dos faróis dos carros que passavam na estrada àquela hora, o primo levar as mãos à cabeça olhando para cima. Chutou o ar e esfregou o rosto violentamente. Deu mais alguns passos confusos do lado de fora antes de retornar ao carro e não encarou a garota ao seu lado.
- ... - ela tentou, mas foi cortada imediatamente por ele em uma voz falha e rouca.
- Apenas vá. - apoiou o cotovelo na porta do carro e encostou a testa no vidro, observando a paisagem que passava borrada diante de seus olhos úmidos.

- Com fome? - apareceu no quarto segurando uma bandeja com a comida que havia ido buscar. sorriu deixando o caderno que seu meio irmão lhe dera de lado, no qual antes escrevia freneticamente.
- Sempre. - ajudou-o a subir na cama e equilibrar a bandeja e começaram a comer. Entre uma ou outra brincadeirinha, tentava distrair a mais nova, cantarolava canções alegres com o intuito de que ela pensasse nelas quando fosse dormir. Preferiu omitir a ligação que recebera de pouco tempo antes de subir de volta ao seu quarto, não queria que o sorriso no rosto de se perdesse.
- Vá escovar os dentes, eu vou levar isso aqui na cozinha e aproveito já escovo os meus e volto ok? - desceu da cama assim como a menina e ambos seguiram em direções opostas.
Sem que fosse necessário, sabia que desejaria que ele passasse a noite com ela, por isso arrumou-se e foi para o quarto da mais nova onde a mesma já o esperava na cama, fazendo últimas anotações em seu caderno novamente, o qual ela deixou de lado para recebê-lo. o abraçou pela cintura, deitando a cabeça sobre o peito do mais velho, murmurou um "boa noite" e quase em seguida perdeu-se no mundo dos sonhos.
, curioso em saber o que a menina tanto dera de escrever em seu novo caderno, alcançou-o com um dos braços livres e o abriu cuidadosamente, já na quinta página do mesmo onde a caligrafia fina e corrida, expressava os sonhos de . Começou a ler.

"Era horrível a sensação. Aquela música, aquele piano tocando ao fundo enquanto tudo o que eu enxergava eram chamas. O calor insuportável, já quase não conseguia pegar na maçaneta do carro para tentar abri-lo. Estava tudo lacrado, eu nem sabia como ainda estava viva. As chamas subiam, cada vez mais altas, do lado de fora pensei ter visto , mas não, não poderia ser. Ele nunca me deixaria queimar não é?
Tentei mais uma vez abrir a porta do carro; por que eu estava no banco de trás mesmo? Não havia mais ninguém ali, a música rolando, a melodia me entristecendo, me enfraquecendo. Uma das janelas explodiu com a pressão e o calor e eu acordei assustada. estava logo à minha frente e ao meu lado estava . Tenho pena dele, sempre tão desperto quando tenho um pesadelo, pronto para me amparar. Me sinto uma louca, nunca tive pesadelos tão reais. Não seriam alucinações?
Espero que um dia eles me dêem uma trégua, não aguento mais toda a dor que sinto cada vez que acordo aos gritos secos de minha garganta. Chega a ser cruel; seria o meu castigo? O castigo por ter sido tão má com eles de início? Será tudo por causa daquele maldito blog? parece me amar tanto agora, ou ele só está com pena. Sinto que o importuno, ele já faz por mim mais do que eu mereço...
Me sinto cansada, talvez devesse dormir, mas... como lidar com o meu medo de fechar os olhos e me ver, mais uma vez, nesse circo de horrores? Talvez chegue um dia em que eu não consiga mais dormir, fique acordada até morrer de cansaço. Isso é, ao menos, possível? É, melhor eu dormir mesmo. Já estou pensando absurdos. Night. xxx"


Capítulo 54.

Após um bom tempo no volante, se pegou pensando em novamente. Como resolver aquela bagunça que ela nem sabia como havia começado? Espiou o primo, já acordado, olhando fixamente para frente. Não sabia como estava, mas queria poder ajudá-lo.
- , você acha que ela chegou, ao menos, a gostar de mim? - o rapaz lhe perguntou, cabisbaixo.
- Isso eu posso te garantir, com certeza ela gostou. E ainda gosta. Só está meio confusa, perdida com essa história da mãe dela. - disse, apertando a mão do primo, como um encorajamento. - Vai ficar tudo bem.
- É... Pode ser... - sorriu fraco e sentiu o celular vibrar. Pegou o mesmo e viu o e-mail que tinha ficado de lhe mandar. Xingou-se em pensamentos e pensou em alguma desculpa rápida para pegar no volante. Viu uma placa que mostrava que o retorno para a cidade de era no próximo quilômetro. - , me deixa dirigir um pouco. Você precisar descansar. Para aí no acostamento para trocarmos. - a menina, por sorte, apenas fez o que ele lhe pediu, sem questionar.
Cinco minutos depois, quase perto do retorno, o mais velho notou que dormia profundamente. Também, dirigira quase a noite toda.
- Oi! Em vinte minutos eu 'to aí. - apenas murmurou um 'uhum' e desligou. No fim, tudo estava dando certo. Pelo menos para um dos .

desvencilhou-se delicadamente da mais nova e desceu da cama. Não conseguira dormir, passou a noite toda ponderando o que havia escrito no caderno; não era a toa que ela acordava tão aterrorizada. Felizmente ele havia apaziguado seus pesadelos balançando-a levemente e murmurando palavras de conforto quando ela começava a se mexer inquieta na cama. Pelo menos um deles parecia ter dormido tranquilamente.
- Aonde você vai? - ele a ouviu murmurar sonolenta cerrando os olhos um pouco inchados.
- Me arrumar, tenho que ir à gravadora. - ele virou-se sorrindo fraco. Suas pálpebras estavam pesadas.
- Não pode ficar aqui comigo? - sentiu o peito apertar.
- Receio que não pequena. Mas por que não se arruma e vai comer alguma coisa? - sugeriu ele aproximando-se da cama e tirando o cabelo do rosto de que sorriu. - Eu te encontro lá embaixo. - beijou-lhe a testa e deixou o cômodo desfazendo o sorriso e curvando os ombros com o peso do cansaço.
Dez minutos se passaram, não se sentia exatamente renovado com o banho que tomara, mas definitivamente havia enganado temporariamente o cansaço. Desceu as escadas do apartamento ajeitando o gorro do casaco e aproximou-se da meia irmã que encontrava-se de costas para ele no sofá.
- Eu já estou indo para a gravadora. Por que não tenta ligar para o ? Marcar um lugar para vocês se encontrarem e discutirem tudo isso? - sorriu fraco para que encarava a televisão desligada na sala. Ele estava se empenhando para que fizesse as pazes com , já estava tudo bem entre , e ela, mas ainda não sabia qual seria a relação de e dali para frente.
- Eu vou tentar, prometo. - sorriu e abraçou o irmão que saiu logo em seguida. Zara apontou na sala sorridente anunciando que o café estava na mesa. sorriu, talvez um pouco de comida a animasse de qualquer forma.
De estômago cheio e sentindo-se nova em folha após um banho relaxante, pegou seu celular e saiu do quarto decidida a passar o dia na sacada. A vista de lá era fabulosa e provavelmente a ajudaria a pensar.
- Zara, estou indo ficar na sacada. Não quero ser interrompida, está bem? - ela disse calmamente para a mulher que concordou e sorriu.
Desceu as escadas e deparou-se, na mesa de jantar, com uma caixa de cigarros e, ao lado, um isqueiro.
- ... - murmurou para si mesma. Com certeza Zara havia descoberto isso no quarto do meio irmão enquanto o limpava e jogaria fora. Ela sabia o quanto a mulher era intolerante com cigarro. Talvez até mostrasse a e Edward, já que ela nunca vira fumando pela casa. Arqueou uma sobrancelha, ele não daria pela falta de alguns. Talvez as milhares de substâncias que existiam neles a ajudasse a falar com . Quem sabe? Pegou o maço e o isqueiro e seguiu para a sacada de uma vez por todas.

- ? - cutucou a prima quando o carro já estava estacionado em frente à casa de . - , chegamos. - ele insistiu ao receber um resmungo da menina em resposta.
- Tá bom, já estou acordando. - ela esfregou os olhos enquanto se endireitava no banco e soltou-lhe o cinto de segurança. - Espera... não estamos em Londres.
- Não, quase lá. - o rapaz sorriu perante a cara perdida da prima. - Está entregue, ande, pule do carro que eu ainda vou dirigir para lá.
- O quê? Não, eu vou com você! Que negócio é esse, vai me largar num lugar desconhecido é?
- , olhe melhor, você conhece esse "lugar desconhecido"! - riu e debruçou-se sobre ele para poder olhar a casa mais detalhadamente.
- Espera, essa não é... - não houve tempo para que ela terminasse a frase, a porta principal se abriu e dela saiu ninguém menos do que . - ! - disse olhando para que segurava o riso cúmplice. - Ok, estou descendo e te vejo em Londres. - rapidamente a menina beijou a bochecha do primo e saltou do carro indo de encontro ao rapaz que sorria largamente.
- Obrigado , faça uma boa viagem! - ele abriu os braços para receber a menina e acenou para o amigo que devolveu com um aceno de cabeça e continuou sua jornada até Londres.
- Você é realmente doido, não é? - disse próxima ao rosto de com o sorriso tão largo quanto o dele.
- Só se for por você. - ele colocou o cabelo atrás da orelha dela e tocou-lhe os lábios.
- Clichê. - ela riu enquanto encaminhavam-se para o interior da casa, mal sabia o que a esperava lá dentro.

"Essa é a rádio BBC1 tocando o melhor para você."

aumentou o som do carro na esperança de que uma música animada tocasse e assim ele pudesse sobreviver ao resto da viagem. Mas quando ouviu os primeiros acordes de guitarra, sua cabeça tombou levemente para trás em um sinal de inquietação.

"I'm coming out of my cage
And I've been doing just fine
Gotta gotta be down
Because I want it all"


É, talvez a música tivesse algum significado, ele precisava ser otimista naquele momento. Respirou fundo enquanto batucava os dedos no volante ao som de Mr. Brightside, olhou rapidamente para fora, o sol se erguia cada vez mais forte anunciando um dia de céu claro e sem chuva. Assim que chegasse a Londres precisaria de um bom descanso...
Seu pensamento foi interrompido pela letra, suas mãos apertaram o volante, muitas lembranças o invadiam. Fazia pouco tempo que ele descobrira que o havia traído, será que ele estava preparado para perdoá-la? Ou, pior, ouvir a história saindo de sua própria boca?
No banco de trás do carro, ao fundo da mochila de , seu celular tocava insistentemente. Uma pessoa muito importante queria falar com ele.

Capítulo 55.

- Então, o que eu estou exatamente fazendo na casa da sua mãe? - perguntou, entrando na casa dos . Sentou-se no sofá, ao lado de e o observou curiosa.
- Minha querida! Que bom que veio! Estava louca para revê-la! - a Sra. correu até a mais nova, abraçando-a calorosamente. - Principalmente agora.
- É sempre um enorme prazer revê-la. A senhora parece mais jovem! O que andou aprontando? - sorriu, olhando para .
- Ver meus filhos felizes sempre me deixa mais revigorada. Mas minha juventude se dá pelas aulas de hidromassagem. São fantásticas!
- O almoço está ponto, mãe? - interrompeu quando sentiu seu estômago roncar.
- Sim meu querido. Por que não vamos nos sentar?
Seguiram todos para a mesa que já estava devidamente posta e muito convidativa. ainda se sentia meio sem jeito, a verdade era que não sabia se sua inquietação era pela proximidade com , com a sua família, ou pela preocupação que alimentava pelo primo.
- , sirva-se mais! Você está muito magrinha!
- Oh, fico agradecida, mas estou satisfeita. - se levantou pegando os pratos e os levando até a cozinha.
- Deixe que eu e arrumaremos tudo. Suba, tome um bom banho e durma um pouco. Você viajou muito até aqui. - sem pestanejar, a menina subiu para o quarto de . Quando estava indo até o mesmo, lembrou-se de que não havia pegado toalhas. Desceu novamente e acabou, sem querer, ouvindo a conversa entre mãe e filho.
- Adorável! , cada vez mais me convenço de que você tomou uma belíssima decisão. é, sem dúvida, uma menina adorável. Tê-la como nora será uma honra. - sorriu, voltando a subir as escadas. Era tão bom estar ali com ele e ainda ser tão bem recebida pela futura sogra.
Abriu a porta do quarto do namorado, entrando no cômodo. Observou cada detalhe dele, sorrindo sozinha. Ele havia crescido ali, isso tornava aquele espaço um lugar sagrado para ela. Sua atenção foi voltada a um bilhete, junto a toalhas em cima da cama, que dizia:
"Hoje a noite seremos só eu e você. Nada vai nos atrapalhar. ."
sorriu, pegando as toalhas e seguiu para o banheiro de . Despiu-se e tomou um banho relaxante e um tanto quanto demorado. Saiu do box, enrolando-se em uma toalha e se observou por alguns momentos no espelho. Ao segurar uma ponta da toalha perto dos seios, lembrou-se da primeira vez que e ela realmente haviam ficado juntos. Naquele dia ele invadira seu quarto, tirara-lhe a toalha por acidente e então as coisas entre eles começaram a dar certo.
Deixou as lembranças de lado e tratou de se arrumar. Secou os cabelos e colocou a única lingerie limpa que estava em sua bolsa. Ela não havia se preparado para encontrar antes de passar no apartamento com , logo seu conjunto era branco com corações vermelhos. Riu por dentro ao imaginar o que o rapaz lhe diria ao ver um conjunto tão infantil. Colocou a mini saia rodada e uma camiseta lisa azul bebê.
Desceu as escadas novamente, pois sono nenhum ela tinha e encontrou a casa vazia. Foi até a cozinha e avistou o namorado de costas. O abraçou e cochichou em seu ouvido um "Bu" bem rouco.
- Minha mãe já saiu. - ele respondeu, virando-se de frente para ela. o abraçou forte, sorrindo. - Mas como achei que você estava dormindo, ficaria vendo futebol.
- Aonde sua mãe foi?
- Saiu com as amigas. Vai jogar baralho e beber vinho a noite toda, por isso vai dormir na casa da Melissa.
- Quer que eu veja o jogo com você?
- , acho que temos coisa muito melhor a fazer. - a menina sorriu sapeca e pulou na cintura dele, que segurou suas coxas. Roçaram lábios, enquanto ele ia até a escada. desceu de seu colo e subiu os degraus correndo, o chamando com o dedo.
- Vem! - Agora sim, nada iria pará-los.

- ? - fechava a porta de correr, já do lado de fora do apartamento. Conseguira ser liberado mais cedo do ensaio para checar a mais nova. Nem sinal de ou , o que o deixara apenas com e, realmente, não havia muito que eles pudessem fazer.
estava deitada em uma espreguiçadeira que havia na sacada, mas de costas para ele. foi se aproximando dela, até que viu seus olhos lacrimejando. Havia um cinzeiro ao seu lado, lotado de cinzas enquanto, do seu dedo indicador e médio, pendia uma bituca de cigarro. O celular da mais nova estava na outra mão, também pendurada sobre um dos braços da espreguiçadeira.
A tela indicava 'Últimas Chamadas Efetuadas' de onde só se podia ver um nome: " " e, logo do lado, um número entre parênteses: 135. havia ligado para 135 vezes. A caixinha de Malboro estava entre o cinzeiro e o isqueiro, com apenas dois cigarros sobrando. reconheceu como sendo sua caixinha e balançou a cabeça negativamente, virando pelo ombro. Ela fedia a cigarro da cabeça aos pés, os olhos estavam vermelhos e mal se mantinham abertos de tanto que estavam inchados pelo choro.
- Ele não atendeu. - ela disse com a voz rouca, tossindo em seguida. sabia o quanto seu corpo deveria estar devastado, todas aquelas substâncias, inaladas durante grande parte do dia, agora circulavam pelo frágil corpo de , deixando seu coração acelerado e uma sensação falha de bem-estar. Definitivamente ela não estava bem.
- Eu sinto muito, meu amor, - ele a puxou para um abraço. - eu sinto muito. - o segurou pelos ombros voltando a chorar, seu coração batia tão rápido e tão alto que ela achava impossível também não escutá-lo. Não seria nada fácil voltar ao normal, ela se sentia extremamente agitada, mas ao mesmo tempo a dor excruciante de ter sido ignorada o dia inteiro a deixava sem forças.
beijou a cabeça de , triste, não seria nada fácil trazer de volta.

chegou em casa e largou a mochila sobre o sofá, arrastou-se até o andar de cima, largando as peças de roupa pelo caminho. Dirigiu-se ao banheiro que havia em seu quarto e encarou-se no espelho. Coçou o queixo, os fios de barba por fazer arranhavam seus dedos. Os olhos fundos mostravam muito do que se passava com ele naquele momento: embora estivesse decepcionado com , simplesmente não conseguia esquecê-la.
Ela também estava passando por uma fase difícil com o reaparecimento da mãe e os problemas de personalidade. Ao mesmo tempo nada lhe justificava a traição, ela sabia o que estava fazendo e com quem. Por um momento, desejou apenas entender o que se passava com a menina, algo que explicasse tudo, que mostrasse que nada havia sido verdade. E então ele estaria pronto para perdoá-la.
Balançou a cabeça ainda se encarando no espelho e deu as costas para o cômodo, voltando ao quarto. Jogou-se de bruços na cama, apenas de boxers e não demorou muito a pegar no sono. Talvez no dia seguinte fosse tirar aquela história a limpo. Talvez não.

Capítulo 56.

Com as mãos na cintura de , a puxou para perto. Com os narizes encostados e as respirações ofegantes, ela entrelaçou os braços ao redor do pescoço dele. a pegou no colo e a deitou sobre sua cama.
- Eu preciso falar uma coisa. - disse , enquanto ele se posicionava sobre ela. - Eu te amo.
Ele sorriu, beijando os lábios da outra de maneira demorada e lenta. Finalizou com um selinho e inverteu posições com ela.
- Eu também te amo. Muito.
O rádio ligou sem querer e a música Need You Now começou a tocar. acariciou o rosto de , roçando seu nariz no dele e deu-lhe mais um beijo. Levantou o tronco, com cada uma das pernas de um lado do corpo dele, e tirou a camiseta mostrando o sutiã juvenil. Ele riu divertido, passando as mãos na barriga dela. Com apenas a ponta dos dedos desceu até as coxas e desenhou corações sobre elas.
se sentou, ficando com o rosto novamente próximo de . Sorriu de canto, enquanto tirava a camiseta, e a beijou. Segurando suas costas nuas, ambos exploravam todas as sensações possíveis que aquele beijo lhes causava.
Após essa pequena brincadeira, deitou sobre , passando as mãos por seu abdômen. Distribuiu mordidas e beijos pelo pescoço do menino, que puxava de leve os cabelos da outra. então tirou a calça de e a sua. Ele inverteu novamente de lugar com ela, passando as mãos por seu corpo. Ela sorria divertida, mordendo o lábio inferior. Os corpos, colados agora imóveis, liberavam pequenos choques por conta do contato com o outro. e apenas se olhavam, tentando capturar cada sentimento que sentiam. Era explosivo e os fazia querer mais.
Logo pararam com o romance. agarrou a cintura de e a beijou com vontade. A menina retribuiu arranhando as laterais do corpo dele. Mordidas e beijinhos foram distribuídos. Arranhões e apertões em todo o corpo dos dois.
Quando perceberam, já estavam completamente nus. soltou um gemido baixo no ouvido dele quando finalmente ocorreu a penetração. Havia certo tempo desde que eles não se aproveitavam tão bem. sorriu com os barulhos que a parceira emitia. O calor era tanto que ambos suavam, mas não podiam parar. repetiu os movimentos várias vezes até mudar de posição com . A pressa anterior se transformou em algo mais sensível e delicado. Lentamente subiu sobre o rapaz, fazendo o prazer aumentar. Pressionou as mãos sobre o abdômen de e passou os dedos sobre a pele macia e branca, dando pequenos chupões em seu corpo em seguida.
- Eu te amo. - disseram juntos, quando a menina havia chegado aos lábios dele. Sorriram e se beijaram no mesmo ritmo que movia seu quadril. Ele mordeu o lábio inferior dela e a abraçou quando ela desabou nele. Cansados, adormeceram com largos sorrisos nos lábios e a satisfação que duraria até a manha seguinte.

- Pronto, amanhã você toma banho e escova os dentes, tenho certeza de que uma noite apenas não fará mal. - tirou o braço de de seus ombros e a colocou deitada na cama, semi-desperta. - Vamos tentar uma coisa diferente hoje? - ele recebeu um aceno leve da meia irmã e prosseguiu. - Vou colocar um rádio aqui, bem ao seu lado, se você estiver sentindo qualquer coisa, eu vou conseguir ouvir e venho correndo ok?
- Você não quer dormir com alguém fedendo a cigarro, não é? - murmurou a menina, trocando algumas sílabas.
- Não é nada disso, meu amor, eu só quero ver como você se sai essa noite. Não quer tentar lutar contra esses pesadelos?
- Eu quero , quero muito. Mas eu tenho medo.
- Medo de quê? - colocou o cabelo da menina atrás da orelha, vendo seus olhos marejados.
- De que você não chegue a tempo. - soluçou, comprimindo a face.
- Não se preocupe com isso, eu vou correr o mais rápido que puder, você não vai ficar sozinha, eu prometo.
- Ok então.
- Vou pegar a babá eletrônica, já volto. - beijou-lhe a testa e deixou o quarto seguindo para um mais ao fundo do corredor, uma espécie de despensa, onde se guardava todas as roupas e eletrônicos que não usavam mais. Tirou os dois walkie-talkies, da época em que Jazzie era pequena, e ligou-os, certificando-se que ainda funcionavam.
Voltou ao quarto da irmã mais nova e percebeu que ela já havia caído no sono mais pesado. Andou em silêncio até colocar um dos rádios na mesinha de cabeceira, virado na direção dela. Depois a cobriu e saiu em direção ao seu quarto. Provavelmente uma boa noite de sono o aguardava.

foi atender à porta, não passava de oito horas da manhã, quem poderia ser?
- ? - ele precisou se certificar, já que não reconhecia o amigo. Estava com olheiras profundas e o rosto abatido, além da barba já relativamente grande, apoiado no batente da porta. - O que aconteceu com você? Entre. - abriu espaço para o rapaz entrar, mas ele não foi muito longe, parou no hall de entrada e virou-se para .
- É verdade , o que eles diziam na revista? Ela transou com o ? - ele perguntou em tom desesperado e mordeu o lábio. Teve pena de .
- Eu gostaria de dizer que não, mas eu vi com os meus próprios olhos e... - foram interrompidos pelo chiado do pequeno rádio que carregava consigo. A noite toda havia sido silenciosa, não lhe admirava que agora estivesse tendo pesadelos.
- Espera, isso é uma babá eletrônica? - franziu a sobrancelha.
- Longa história, venha, eu te conto depois. - disse já caminhando rapidamente em direção às escadas, subindo de dois em dois degraus.
Ao entrar no quarto de , percebeu que havia outro comunicador, posicionado na cabeceira da cama da menina e, desviando o olhar um pouco mais para o centro, a viu deitada, a expressão retorcida. Estava frio naquele dia, estava coberta, mas seu rosto possuía gotículas de suor e seus lábios estavam ressecados e entreabertos, de onde saíam curtos gemidos.
parou ao pé da cama, mas sentou-se na borda da mesma, tocando uma das mãos de que apertava com força o edredom que a envolvia.
- Há algum tempo ela tem tido esses pesadelos. - começou a explicar enquanto via uma maneira de acalmá-la. - Diz que tem uma música que toca em todos eles, a aterroriza, ela tem acordado todas as noites aos gritos, tremendo. Quando vai dormir e fica quieta a noite inteira, estes são os piores pesadelos; mas quando começa a gemer e murmurar, eu consigo acalmá-la e parece que param. - suspirou ele ao ver que seu carinho não estava adiantando de nada. - Apenas ontem eu tive a ideia de colocar a babá eletrônica, não sabia mais o que fazer.
O rapaz ficou em silêncio, havia um nó na garganta que o impedia de falar qualquer coisa. Pensou que seria fácil olhar friamente para , ter uma conversa séria, mas no estado em que ela se encontrava, seria mais do que difícil, chegava a ser maldoso. Os gemidos que saíam de seus lábios eram gritos de socorro aos ouvidos de que ansiava em deixar o quarto, mas simplesmente não podia. Era ela que precisava de ajuda.
- Acorde-a , ela está sofrendo. - não se importou que sua voz saísse em um tom de choro, ele só queria acabar com o sofrimento dela. não o olhou, começou a cutucar levemente pelo ombro até que ela abriu os olhos.
- Ela me acertou. - murmurou ela descobrindo o abdômen e pressionando-o na altura do estômago. - Bem aqui, o ferrão entrou por completo. - inclinou a cabeça para o lado. estaria enlouquecendo?
- Quem, meu amor? - , por outro lado, parecia calmo, acostumado com as loucuras que a mais nova dizia.
- A raia. Nós estávamos no mar, e eu fui mergulhar, ela estava logo à minha frente e me ferroou. Está bem aqui. - ela apontou para o abdômen chorando.
- Posso ver? - perguntou ele calmamente e a menina concordou mordendo o lábio. desabotoou a blusa do pijama de lentamente até chegar à altura do busto; como era de se esperar, não encontrou nada.
Entretanto, fingiu analisar a região, tocando levemente com a ponta dos dedos. Aproximou seu rosto e depositou os lábios na área, abrindo a boca em seguida e assoprando com força, fazendo um barulho engraçado. riu e foi acompanhada por .
- Já saiu? - perguntou sorridente e fez o barulho de novo provocando mais risos na mais nova.
- Eu acho que já. - disse ela em meio aos risos, se contorcendo na cama pelas cosquinhas.
- Que bom. - ele disse firme e voltou a cobri-la com a camiseta. - Agora vá tomar um banho e se aprontar para tomar o café, ok? - concordou e levantou-se da cama. Para o alívio de , ela parecia não ter percebido que ele estava ali, evitando olhares constrangedores e que poderiam afetá-la.
Assim que ela se movimentou pelo quarto um cheiro forte de tabaco o acometeu, tendo o estômago revirado de imediato. Mas não mais forte que o seu mal estar foi o desespero que o tomou, ela já estava recorrendo ao cigarro?
- Vamos. - seus pensamentos foram interrompidos por que começou a caminhar para deixar o quarto. o acompanhou rapidamente, entrando em sua frente antes que ele descesse pelas escadas.
- Ela andou fumando? - teve que pigarrear para aliviar o nó na garganta que, cada vez mais, se mostrava apertado.
- Isso foi ontem à tarde, quase um maço inteiro. - ele não pareceu surpreso ao contar para o amigo, o que irritou .
- E como você permitiu isso? - também se irritou.
- Olha , eu tive que ir para a gravadora e sugeri a ela que te ligasse para que vocês pudessem se resolver. Quando eu voltei, ela já estava dopada e com 135 chamadas para você não atendidas. - empurrou o amigo levemente pelo ombro, como se quisesse acordá-lo.
- Do que você está falando? Eu não recebi... - ele parou no meio da frase lembrando-se que deixara o celular no fundo da mochila. - Merda.
Sentaram-se à mesa, que já estava posta com uma grande variedade de alimentos. Ficaram em silêncio por um bom tempo, se martirizando por não ter atendido ao telefone.
- Se você quiser, ela pode passar a noite comigo. Assim você dorme um pouco. - sugeriu quebrando o clima tenso que se instalara entre eles.
- Tem certeza dude? Você não está muito bem e está chateado com ela.
- Não tem problema, pode cuidar de . Ela chega agora à tarde do interior com , as duas vão ficar juntas. Sem nenhum problema. - deu de ombros. acabou por concordar, precisava mesmo de uma boa noite de sono. - Leve-a lá para casa mais ou menos às sete horas, estaremos com tudo pronto.

Capítulo 57.

adentrou o quarto de para encontrá-la sentada atrás de sua escrivaninha, bisbilhotando alguma coisa no laptop; parou por um momento e a analisou. As olheiras haviam sido escondidas debaixo de uma leve maquiagem, a boca parecia mais saudável pintada com um batom cor-de-rosa e um gloss incolor. Os cabelos estavam presos em uma trança lateral e a roupa que vestia era simples, mas lhe dava um ar mais leve do que todo aquele pijama. Por um momento se perguntou se aquela menina era a mesma frágil e assustada que ele vira durante todos aqueles dias. O que as aparências não faziam? Tudo o que ele sabia é que não passava de uma fachada, uma pena, já que a irmã lhe parecia estonteante logo que se conheceram.
- Está aí há muito tempo, o que está aprontando? - murmurou ela sem tirar os olhos da tela do computador. Até o tom de voz se parecia com o da velha . Estaria sonhando?
- Nada, só estou olhando-a. Faço mal? - perguntou ele aproximando alguns passos. Seus olhos se encontraram, ali dentro, em um canto, encontrou a verdadeira . Seu coração se acelerou e ele caiu em si, ela ainda estava ali.
- já foi embora? - ela desviou de sua pergunta fazendo-lhe outra. Abaixou a tela do laptop e foi de encontro ao garoto, abraçando-o.
- Sim, ele quer que você vá passar uma noite na casa dele. - franziu o cenho. - Ele acha que você precisa respirar novos ares, acha que pode ajudá-la. - seu rosto logo se apagou. Então não era que a queria naquela casa, ele só a estava empurrando para a prima.
- A que horas? - ela sorriu, tentando se animar em passar um tempo com a melhor amiga.
- Às sete. - ele procurou por seus olhos.
- Então eu estarei pronta. - beijou-lhe a bochecha e desceram para a sala.

(Casa dos )

- fique pronta, vamos receber gente hoje. - disse adentrando a casa e procurando começar a ajeitá-la. Por um lado estava nervoso em receber , depois de tanto tempo sentia-se como um garotinho apaixonado.
- Quem? - ele ouviu do andar de cima.
- . - o nome deixou seus lábios e ele se viu ecoando o som em sua mente. Só se dava conta naquele momento do quanto precisava dela, não só dela em si, como também a queria bem. Já bastava de sofrimento para todos eles. Não era justo.
- Está bem, eu fico com o andar de baixo e você pega os quartos. - gritou depois de um longo tempo em silêncio, ela também ponderava o que o primo estava aprontando ao chamar para dormir em sua casa naquela época tão difícil de suas vidas.

Às sete horas o carro de parou diante da casa de e ele olhou para . A menina ainda estava estonteante, embora tivesse gritado com ele enquanto tentavam arrumar sua mochila. É claro que eles haviam rido, muito mais do que ultimamente, o que ajudara a aliviar a atmosfera da casa um pouco. Mas quando se aproximava da noite, tudo parecia assustar e ficava impotente, sem saber como ajudá-la.
- Eu venho te buscar amanhã de manhã. Divirta-se. - ele sorriu beijando-a na bochecha e a menina concordou deixando o carro. Subiu as escadas que levavam à porta principal e virou-se para acenar para o irmão logo depois de tocar a campainha. atendeu a porta deixando a menina muito mais aliviada.
- Entre, estávamos te esperando. - ela abriu espaço na porta e a abraçou fortemente deixando uma ou duas lágrimas lhe escapar dos olhos. - Hey, também senti sua falta. - sorriu serena e devolveu o abraço ainda mais fortemente, fazendo as duas rirem.
avistou parado ao pé da escada e sorriu fraco para ele. Aproximou-se lentamente, como se tudo ocorresse em câmera lenta. Ele lhe estendeu a mão para tomar-lhe a mochila e ela conseguiu pronunciar algumas palavras, embora estivesse com a garganta apertada em um nó.
- Obrigada pelo convite. - disse antes que ele se virasse para subir.
- Espero que você consiga ter uma noite tranquila. - disse sincero. concordou e foram se juntar à mesa.
conduziu a conversa naquela noite, mantendo os amigos entretidos com seu entusiasmo. Mas ela sentia que havia algo de muito errado e que logo ela não conseguiria evitar o clima estranho entre o primo e a amiga. Puxou para lhe ajudar com a louça e logo as duas subiam rindo para o quarto.

pegou uma camisola emprestada de e, embora tivesse um quarto só para si, não se sentia confortável. já havia se retirado para dormir, talvez ... não, estava bravo com ela e ela entendia. Mas precisava tentar. Bateu levemente na porta do quarto dele e abriu uma fresta, dando de cara com lendo um livro. Ele desviou os olhos lentamente e os arregalou brevemente.
- Posso dormir com você? - É, ela havia começado a conversa da maneira errada.
- O que aconteceu? Seu quarto não está bom? - embora a frieza da pergunta, abriu espaço para ela na cama. Ele a estava tratando como uma hóspede. Nada mais justo, pensou enquanto se colocava debaixo das cobertas.
- Não é isso, eu só... - ela respirou fundo. - meu irmão tem dormido comigo, eu não consigo ficar mais sozinha, parece que a música chega mais rápido até mim. - justificou-se enquanto acomodava a cabeça em um dos muitos travesseiros que tinha na cama.
- Eu entendo, bom, qualquer coisa é só me chamar ok? - aconchegou-se debaixo das cobertas, de frente para , e fechou os olhos.
- ? - mordeu o lábio, se arrependendo por um momento de tê-lo chamado.
- Sim? - ele respondeu de olhos fechados.
- Me desculpe pelo o que aconteceu com o . - apertou mais o lençol contra si.
- Não tem problema. - os olhos dela ficaram marejados, ele não se importava.
- Tem sim, eu não deveria ter feito aquilo, é só que... - ela se aproximou de , mas ele manteve os olhos fechados. - desde que eu bati a cabeça, eu sinto como se uma parte dela estivesse fora do lugar e tudo estivesse uma bagunça. - ela tocou-lhe o rosto e ele finalmente abriu os olhos a encarando. - Eu não consigo mais dormir sozinha, choro por qualquer coisa, me assusto fácil, fico interessada pelas pessoas erradas, e tem essa música... - conseguia enxergar a sinceridade e a culpa nos olhos de , havia também confusão neles, como se ela estivesse presa a algo.
- Mas você está em tratamento e o exame deu normal. - ele virou-se de costas para ela. O que estava acontecendo? Ouviu suspirar trêmula.
- O meu tratamento é você. - Ela se aproximou do ouvido de . - Eu quero que você vá dormir e acorde comigo todos os dias, que me abrace durante a noite, só quero os seus lábios contra os meus, quero você, e apenas você, me corrompendo. - ela sussurrou engolindo os soluços. sentiu-se arrepiar da cabeça aos pés. - Eu te quero , porque você é o único que faz com que eu sinta minha cabeça no lugar. E eu sinto muito ter te traído com o seu amigo, mas eu estava e ainda estou perdida em mim mesma. Por favor, me ajude a sair dessa. Eu só consigo com você. - ela beijou-lhe o ombro despido e o molhou com suas lágrimas.
nada disse, virou-se bruscamente, beijando-a de forma intensa. Girou as posições ficando por cima e mal conseguia se conter em apenas beijar seus lábios, precisava de mais e ele sentia que também necessitava. Enquanto o arranhava de leve pelo peito, sentindo a barba do rapaz arranhá-la levemente por onde passava, já ficava evidente que eles não poderiam se separar, a temperatura aumentava e eles precisavam de mais. pegou os braços de que circulavam sem parada pelo seu corpo e os prendeu sob suas mãos, o empurrando para se deitar e poder ficar por cima dele.
- Eu nunca consigo ter o suficiente de você. - ofegou ela enquanto deslizava as mãos pela extensão dos braços de e encaixou suas mãos nos pulsos dele, prendendo-o na cama. Mordeu o lóbulo da orelha de e começou a descer em direção ao pescoço, em seguida alcançando o peito. Ele inclinou a cabeça para trás e soltou um suspiro pesado. riu e continuou a descer, ainda observando a boca semi aberta de , por onde passava o ar, e os olhos semi cerrados dele enquanto as mãos cerravam-se em punhos, demonstrando como estava gostando. Por fim, decidiu liberá-lo e suas mãos seguiram diretamente para as coxas seminuas dela.
Logo, sua camisola estava na borda da cama e só havia a boxer de e sua lingerie os separando. sentou-se, espalmando as mãos em suas costas e decidiu por beijá-la no pescoço, sendo a vez de de suspirar, com o ar lhe faltando. Ele continuou deslizando as mãos por seu corpo escultural, cada vez mais sentindo-se pegar fogo. Girou novamente, ficando por cima e puxou a calcinha dela para baixo com rapidez, o olhou com brilho nos olhos, a respiração entrecortada. Ao arrancar-lhe a boxer, suas unhas rasparam levemente na pele de , fazendo-o se arrepiar. Inverteram as posições e esticou um dos braços em direção à cômoda, mas o segurou, beijando-o no pescoço e sussurrando.
- Esqueça. - ela estava pronta para sentar-se em seu colo quando ele trocou as posições mais uma vez, debruçando-se efetivamente sobre a menina para alcançar a primeira gaveta do criado mudo.
- Não podemos correr riscos. - ofegou ele enquanto vasculhava o local. - É uma situação delicada demais, não podemos arriscar de você engravidar. - finalmente encontrou o preservativo e rasgou o pacote trêmulo. Colocou rapidamente e se inclinou sobre ela, trazendo uma de suas pernas na altura da cintura.
- Só você sabe o que eu quero. - murmurou ela com um sorriso delicado no rosto, se viu na oportunidade perfeita de dar a primeira investida. Ambos gemeram em uníssono. Começou-se uma série de movimentos que davam ao casal tudo o que eles estavam procurando e até um pouco mais. sentia seu corpo formigar e era a única que dava essas sensações a ele. Ela ficou por cima mais uma vez, beijando-o no tórax antes de subir para o pescoço, movimentando-se lentamente sobre ele, trouxe-o para se sentar e, enquanto subia e descia sobre o colo de , seus lábios voltaram a se unir, famintos.
cravou suas unhas nos ombros de , o momento estava se aproximando, era como um furacão que se remexia dentro de si, era o único que a fazia se sentir de tal forma. Tão viva e incrivelmente feliz. Ela não conseguia mais se segurar, parecia mais forte do que ela, gemer não era o suficiente, tudo o que fazia não parecia suficiente. sentia o mesmo, era muito maior do que ele. Puxou para deitar-se sobre si e então eles chegaram, o ápice havia sido atingido ao mesmo tempo pelas duas partes. Eles estavam felizes, aliviados e satisfeitos. Ela deitava, agora, ao seu lado, as mãos entrelaçadas jaziam sobre o peito de que descia e subia freneticamente.
- Então isso é de verdade? - ela ouviu pronunciar e o olhou. Ele encarava o teto, mas desistiu dele por ela quando percebeu o olhar sobre ele.
- Sim, é verdade. - sorriu e o beijou. - Nada mais pode me separar de você . - ela murmurou apoiando a cabeça sobre seu peito.
- Nem se eu quisesse eu poderia ficar longe de você. - rebateu ele a abraçando carinhosamente.
- Jeg elsker dig (Eu te amo) - a menina acariciou de leve o rosto de olhando-o bem fundo nos olhos.
- Jeg elsker også dig (Eu também te amo) - sorriu fazendo a menina sorrir largamente e aproximar ainda mais seus rostos, os narizes se tocando.
- Naughty boy. - sussurrou ela e o beijou sutilmente nos lábios.

Capítulo 58.

e adormeceram. Mas parecia que, no mundo dos sonhos, a tranquilidade e a felicidade de davam lugar ao terror. Não havia como pará-lo, ele seguia como um filme repugnante com uma trilha sonora triste, a qual ela sempre escutava. Era insuportável, mas não havia controle sobre ele, como se ela estivesse amarrada, sem qualquer outra alternativa, a não ser vivenciar o horror.
E, como sempre, acordava assustada, os gritos deixando sua garganta seca, torturando-a. Embora já acordada, a música ainda tocava em sua cabeça, fazendo-a tapar os ouvidos, nervosa. Como em câmera lenta, sentiu os braços de a envolverem e, em seguida, ele tentou fazer com que ela afrouxasse o aperto nas orelhas, que chegavam a machucar sua mão.
- , por favor, me ouve. Está tudo bem... - ele dizia repetidas vezes enquanto a balançava para frente e para trás. Sentiu uma de suas mãos úmidas e, quando deixou a cabeça de , sua testa se franziu. - ? O que é isso?
Ambos olharam para a mão do rapaz que refletia um tom carmim por entre os dedos. agarrou o antebraço de escondendo seu rosto no peito do rapaz soluçando repetidas vezes antes de sussurrar, trêmula.
- Eu estou morrendo ... - fez uma breve pausa para apertar os olhos, mais lágrimas caíam. - exatamente como o anjo disse.
- Que anjo? - ele tentava fazê-la olhá-lo, mas não obtinha sucesso.
- O anjo que me sussurrou enquanto eu estava em um beco. Ele disse que eu morreria.
- Não, , isso é mentira. Você não vai morrer, vai ficar tudo bem. - ele atropelava as palavras, era a primeira vez que vivenciava um dos episódios de terror da mais nova e nunca havia imaginado o quão perdido ele poderia ficar. - ! - gritou , por fim, estava nervoso e preocupado. Só conseguia olhar para os dedos manchados de sangue, já quase secos. - ! - chamou de novo ao perceber que, talvez, a prima não tivesse o escutado.
- Eu estou morrendo ... - murmurou ela novamente enquanto tentava respirar fundo e pensar em algo para lhe dizer. conseguia ouvir os batimentos cardíacos acelerados dele.
- Não está meu amor. - ele disse em voz baixa e trêmula para ela e, depois para si sussurrou: - Por favor, meu Deus, não.
irrompeu no quarto atônita e, ao deparar-se com a amiga, sua boca se escancarou. Ela parou de andar, as mãos erguendo-se lentamente. olhou de para , a expressão perdida se parecendo com a enojada de . A amiga estava em completo pânico.
- Calma, calma, , - ela ajoelhou-se na cama, aproximando-se da amiga. - deixe-me ver isso, vamos. - tocou a bochecha encharcada da menina, virando seu rosto levemente para o lado.
- Quer que eu chame a ambulância? - perguntou tentando se afastar para alcançar o celular, mas os dedos de afundaram em seu bíceps.
- Isso não será necessário. - disse avaliando melhor. - Ela se arranhou de tal forma que abriu um corte, por isso o sangramento. Só preciso de mercúrio e algodão. - ela olhou para o primo que concordou, mas impotente, deu instruções para a prima de onde estava o que ela precisava. - , precisamos achar um jeito de você parar com esses pesadelos, já está se machucando inconscientemente. - disse ela com urgência e a menina concordou, levemente atordoada.
- Pronto. - observou acalmar-se, começando a cuidar do pequeno corte. - Isso dói? - ela perguntou para o primo referindo-se ao aperto de em seu braço.
- Não. - mentiu ele. A verdade é que as unhas da mais nova afundavam em sua pele provocando uma dor aguda e fazendo com que seu braço começasse a formigar.
- E... tudo certo. - colocou o quadrado de esparadrapo com algodão no corte e ajuntou os algodões sujos de mercúrio e sangue para jogar no lixo. - Descanse meu anjo, nenhum pesadelo agora vai te assustar ok?
concordou lentamente com a cabeça e mexeu-se na cama sentindo todo o corpo doer pela tensão. Sua mão descolou-se do antebraço de e ela tapou a boca, intercalando o olhar entre ele e as marcas que havia deixado.
- Me desculpe! - ela disse levemente histérica, mas ele sorriu tranquilamente.
- Nem se preocupe, daqui a pouco volta ao normal. - ele ajeitou o travesseiro para que ela deitasse. - Agora, vamos, descanse um pouco. Vou ficar aqui, velando o seu sono.
- Por favor, me acorde se eu apertar a sua mão? - pediu ela ajeitando-se no travesseiro e pegando a mão direita de , entrelaçou seus dedos e as pousou sobre seu peito.
- Com certeza. - ele beijou-lhe os lábios e esfregou seu nariz no dela fazendo-a sorrir levemente.
- Eu te amo, . - sussurrou já com os olhos quase fechados.
- Eu também te amo, . - prometeu ele apoiando a cabeça com a mão livre e colocando-se a observá-la cair no sono.
adentrou o quarto novamente e parou por um momento para observar a cena com um sorriso contido. Em seguida, parou ao lado de , mas seus olhos se dirigiram para o primo.
- Eu vou chamar o , fique com ela. - disse baixo evitando acordar a amiga que já havia pegado no sono.
- , só o espere acordar ok? não tem tido muitas noites de sono. - sugeriu à prima, que concordou e saiu em seguida do quarto. Ele voltou a observar com um sorriso fraco estampado em seus lábios ainda levemente trêmulos. - Looking in your eyes/ Hoping they won't cry/ And even if they do/ I'll be in bed so close to you - cantarolou ele baixinho próximo ao ouvido de que pareceu esboçar um sorriso inconsciente. - To hold you through the night/ And you'll be unaware/ But if you need me/ I'll be there - beijou-lhe o ombro coberto com a sua camiseta que chegava até quase metade da coxa da menina, onde por baixo só ele sabia que estava apenas de calcinha.
não havia notado o primo só de boxers e muito menos a camisola de jogada em um canto qualquer do quarto, pensava , isso era bom. Pelo menos não teriam que lhe dar explicações.

Capítulo 59.

e estavam deitados um de frente para o outro, ela o acariciava no rosto mantendo um sorriso triste nos lábios que combinavam com a tristeza e o vazio de seus olhos. também se sentia assim, triste, com o peito pesado. Mas não se lembrava bem do por que estar se sentindo assim. Ele e estavam juntos agora e haviam prometido um ao outro que seria assim para todo o sempre. Então o que havia de errado? Por que aquilo se parecia com uma despedida?
- Eu deixei o que restava da minha sanidade com você. - murmurou a menina ainda com o mesmo sorriso triste. estava ficando louco.
- Vou cuidar dela, não se preocupe. - não entendia o que estava dizendo, aquilo não poderia ser um adeus.
- Eu sei que vai. - suas mãos delicadas pararam em suas bochechas, os polegares contornaram os lábios do rapaz. - Agora eu posso ir em paz. - as mãos de escorregaram lentamente até o pedaço de colchão que os separava e seus olhos se fecharam em uma expressão serena. Ela havia partido.


sentou-se na cama de supetão, ofegante. Olhou a seu lado e não havia ninguém perto dele, nenhum sinal de . Uma mão o tocou nas costas e ele olhou assustado para o lado.
- Ei, calma, sou só eu. - sentou-se na borda da cama e sorriu. - me pediu para que ficasse aqui até você acordar, é como se soubesse que você acordaria assustado.
- Dessa vez fui eu quem tive pesadelo. Ela...ela está bem? - sua mão esfregou o rosto amarrotado e ele se endireitou na cama.
- Está. veio buscá-la não faz muito tempo, ela quis deixá-lo dormindo. - se levantou e deu a volta na cama. - Não se esqueça de que tem reunião na gravadora em uma hora. - ela sorriu.
- Está bem, obrigado. - voltou a jogar-se na cama.
- Agora posso perguntar, - um tom de excitação infantil tomou conta da voz de que se abaixou ao lado da cama e ergueu um pedaço de pano. o identificou como sendo a camisola da prima quando olhou de esguelha. - será que posso saber como a minha camisola veio parar aqui? - É claro que ela já sabia a resposta, pensou revirando os olhos.
- Estava larga demais. - resmungou ele colocando um travesseiro no rosto para disfarçar as bochechas coradas. Que coisa de marica!
- Vocês fizeram sexo de reconciliação. - ela disse despreocupadamente enquanto dobrava a peça sobre um dos braços. - Te admiro muito primo, finalmente deixou as frases românticas de lado e pegou a menina de jeito. - gargalhou com a própria voz, propositalmente mais grossa para imitar um dos amigos de . - Enfim, estou feliz que vocês tenham se resolvido, espero que assim a recupere a sanidade. - a menina disse com um suspiro triste.
- Acho que ela precisa de um médico. - disse sério e não houve protestos pela parte de . Era isso, conversaria com assim que chegasse à gravadora. - Bem, vou tomar um banho e depois que voltar, quero saber de tudo o que rolou entre você e o porque é capaz daquele gay não me contar nada. - disse em uma voz afetada fazendo ambos rirem.

Coloque para tocar.

adentrou o local de ensaio da banda depois de um breve passeio aos redores da gravadora, tempo suficiente para que a reunião com os meninos terminasse segundo . Cumprimentou John e sentou-se no sofá que havia logo atrás da mesa com os controles de som. Observou e enquanto e permaneciam sentados. Prestou atenção, então, na melodia que saía do piano e a reconheceu de imediato. Um arrepio lhe subiu pela espinha e a respiração ficou descompassada.
- I'm so tired of being here / Suppressed by all my childish fears - ouviu a voz de começar a cantar. Mas é claro, aquela era a música de seus sonhos. My Immortal. O piano era praticamente inconfundível e tão doloroso quanto. - And if you have to leave, I wish that you would just leave / 'Cause your presence still lingers here and it won't leave me alone. - Naquele momento se lembrava lentamente de cada sonho singular e horripilante que tivera desde aquela noite no hospital.
- These wounds won't seem to heal / This pain is just too real / There's just too much that time cannot erase - a voz de invadiu seus ouvidos, mas as mãos da menina seguiram para o topo de sua cabeça. Era tanto para se lembrar, tantas coisas dolorosas, ela não sabia aonde acudir: seu coração ou sua cabeça que pareciam querer explodir.
- When you cried I'd wipe away all of your tears / When you'd scream I'd fight away all of your fears / And I held your hand through all of these years / But you still have all of me - ela já não conseguia distinguir quem cantava, sua dor era muito maior que isso, o grito silencioso que deixava seus lábios era muito pior do que qualquer outro barulho naquele lugar. A garganta se fechava em um nó enquanto os braços cruzavam-se sobre seu peito em uma tentativa falha de se reconfortar. Como não havia reconhecido? Era como se estivesse lendo seu caderno de pesadelos novamente, revivendo cada detalhe, cada sensação. De perda, principalmente.
- You used to captivate me by your resonating light / Now I'm bound by the life you've left behind / Your face it haunts my once pleasant dreams / Your voice it chased away all the sanity in me - As palavras lhe doíam como nunca, mais do que qualquer outra decepção ou acidente pelo qual passara em sua vida. Era um caminho lento e tortuoso pelo qual se via obrigada a atravessar para se libertar de uma vez por todas dessa melodia entristecida. Pelo menos era assim que pensava.
- These wounds won't seem to heal / This pain is just too real / There's just too much that time cannot erase - Por que eles estavam fazendo um cover daquela música? Evanescence parecia tão longe de seu estilo musical. Talvez precisassem treinar alguns vocais, mas por que usar Amy Lee como modelo? Eram todos homens, afinal de contas. - When you cried I'd wipe away all of your tears / When you'd scream I'd fight away all of your fears / And I held your hand through all of these years / But you still have all of me - sua cabeça pesava, o peito estava formigando. Por sorte John não havia a visto ainda e, então, não poderia parar a música pela metade para que os meninos a viessem socorrer. Estava cansada de ser um peso para eles.
- I've tried so hard to tell myself that you're gone / But though you're still with me / I've been alone all along - os joelhos estavam dormentes agora que suas mãos os apertavam com força para conter os soluços. Tinha certeza de que sua face não era das melhores naquele momento, mas de uma coisa ela estava certa: elas demonstravam todo o terror e a angústia de ter aquelas memórias reavivadas em sua cabeça.
- When you cried I'd wipe away all of your tears / When you'd scream I'd fight away all of your fears / And I held your hand through all of these years / But you still have all of me - tentou se recompor, pelo bem do irmão e de ; não suportaria vê-los tristes e desesperados tanto quanto ela estava naquele momento.
- , você pode vir aqui fora um pouco? Tem alguém que quer falar com você. - estremeceu, então John havia visto tudo.
- Quem? - ele abriu a porta surpreso, mas logo deixou o baixo para trás e sentiu o sofá ao seu lado afundar. - , está tudo bem? O que aconteceu?
- É...é...essa a música. - gaguejou ela sem conseguir conter o choro. - É essa a música que eu ouço todas as noites.
- Ah meu Deus. - ele a puxou para um abraço. Seu olhar se direcionou para a porta, onde o olhava preocupado. - , eu sinto muito eu... eu não sabia.
- Descobrimos a música, não é? - suspirou triste e recebeu um aceno afirmativo de .
- Vem, vamos nos acalmar na outra sala, eu vou te fazer um chá. - envolveu a cintura da irmã e a impulsionou para que se levantasse. Mas as pernas de fraquejaram e ela desmaiou. - Ok, já chega. - esbravejou ele alcançando sua mochila em um canto da sala. - você vem comigo, ligue para o Dr. Huang e peça uma consulta de emergência, ela não pode mais sofrer assim.
ficara assustado com a autoridade de , mas também entendia que aquele sofrimento não poderia continuar. Não mais, não com a sua . Saíram em disparada da gravadora para o hospital, com sorte, tudo seria esclarecido ainda naquele dia.

Capítulo 60.

- Doutor Huang? É . Tudo bem sim, será que você poderia atender a ? É urgente. Não, não, ela está bem sim, só queremos esclarecer algumas coisas. Certo, muito obrigado, até mais. - desligou o celular e olhou para que esperava uma resposta apertando o volante nas mãos. - Assim que chegarmos ao hospital é para pedir na recepção para chamá-lo que ele vai vir dar uma olhada nela. - ele olhou de relance para o banco de trás onde estava deitada, ainda inconsciente.
- Acha que ela vai se assustar? - perguntou o rapaz em um suspiro. deu de ombros, mas resolveu esclarecer.
- Temos que estar preparados para tudo, já que vamos fazer isso sozinhos.
Mais algumas quadras e eles estacionaram de frente para o hospital, tirou do banco de trás e a carregou sem maiores problemas até a recepção. Por sorte, o Dr. Huang já os esperava.
- Por aqui, meninos. - ele apontou o elevador atrás de si e todos entraram. - Por que não começamos do começo? - ele disse em sua voz calma fazendo com que os corações de e se desacelerassem.
- Ah doutor, foram semanas difíceis. - suspirou passando a mão pelos cabelos. - esteve muito instável, teve medo de dormir sozinha, tinha esses pesadelos horríveis que a faziam acordar gritando todas as noites. Ela e brigaram e eu não sei se isso piorou ou só deixou do jeito que estava. Eu dei a ela um caderno para escrever os pesadelos, - ele abriu sua mochila e tirou de lá o diário que havia dado a . Huang aceitou e começou a dar uma breve olhada, ainda prestando atenção no que dizia. - ela sempre disse que havia uma música que embalava os pesadelos e hoje, sem querer, nós estávamos ensaiando exatamente a música que ela ouvia. Eu a encontrei chorando na sala de espera e ela desmaiou quando se levantou. Resolvi trazê-la para cá, porque eu não sei quanto mais ela, eu e todos podemos aguentar.
- Muito bem, - Huang suspirou. - eu lamento que tenha chegado a este ponto, mas eu prometo que vamos resolver isso tudo agora mesmo. - A porta se abriu e ele a segurou para que passasse primeiro. - Por aqui. - ele apontou para uma porta, quando a abriram estava escuro e confortável.
Huang acendeu a luz revelando uma espécie de quarto, havia uma cama de casal, vários travesseiros, e o lençol estava limpo e arrumado. De frente para a cama, na parede oposta, havia um vidro escuro e ao lado, outra porta. Pelo chão escapavam alguns fios que se conectavam a máquinas. e se entreolharam, mas o doutor tratou logo de explicar.
- Vamos avaliar o sono da , lá dentro, - ele apontou para a saleta atrás do vidro. - poderemos ter uma noção do que acontece com seu cérebro durante o sono e então eu conseguirei pedir os exames corretos. Pedi um neurologista por conta do histórico da batida na cabeça, mas não se preocupem, vamos fazer o que for possível para curá-la.
- Olá, - uma enfermeira simpática adentrou o quarto. - pode colocá-la na cama. - apontou para o colchão atrás de si. - Ela está desmaiada há muito tempo? - seus dedos finos checaram a pulsação de .
- Uns dez minutos. - olhou para o relógio que havia no quarto, perto da mesinha de cabeceira.
- Eu vou acordá-la, - ela olhou para George que acenou com a cabeça. - peço que não se assustem, ela vai estar um pouco agitada.
- Agora, meninos, enquanto estivermos na sala de exames eu vou lhes fazer algumas perguntas. vai demorar um tempinho para adormecer, mas teremos que ficar de olho.
- ... - ouviram a voz chorosa de e o rapaz deu um sobressalto.
- Eu estou aqui meu amor. - ele sentou-se na borda da cama enquanto a enfermeira seguia até uma cômoda e de lá tirava alguns fios com plugs.
- Onde eu estou? - ela apertou a mão do rapaz.
- Está no hospital, - tentou manter a calma e a voz tranquila. - você vai fazer um exame agora e depois eu prometo que vamos aonde você quiser ok?
- Olá . - o Dr. Huang apareceu na borda da cama, logo atrás de .
- Dr. Huang me ajude, por favor, eu não quero enlouquecer. - ela soluçou apertando o coração de .
- Vai ficar tudo bem, nós vamos fazer alguns exames e vamos achar o que está te fazendo tão mal ok? - a menina concordou mordendo o lábio enquanto as lágrimas caíam.
- O que eu tenho que fazer? - disse enquanto a enfermeira colocava adesivos por toda a sua testa e tórax.
- Você vai me mostrar como os pesadelos chegam até você. Você vai dormir e todos esses fios vão me mostrar o que está acontecendo enquanto você dorme.
- Sozinha? - suspirou tentando não chorar, mas segurou-se ao pensar que tudo daria certo e que o que estavam fazendo era para o seu bem.
- Não se preocupe, vamos estar atrás daquele vidro ali, prontos para te acudir. - Huang disse com um sorriso sereno no rosto e a garota concordou.
- Agora descanse pequena, dessa vez não vamos deixar os pesadelos saírem ganhando. - beijou-lhe a mão e se levantou. foi mais além, aproximou-se da cama e tocou-lhe os lábios levemente com os seus.
- Bons sonhos, meu amor. - sussurrou ele sorrindo em seguida. respirou fundo e puxou o lençol para cobrir seu corpo, por sorte a roupa que usava era confortável o suficiente para que a deixassem ficar com ela.
- Estamos prontos. - Huang disse da cabine para que ouvisse e pudesse relaxar. - Muito bem, , , - ele desligou o microfone e virou-se para os garotos. - que outros comportamentos estranhos a apresentou?
- Bem, - olhou de esguelha para e suspirou. - parece que ela está sendo dominada por alguém. Ela age de maneiras completamente diferentes simultaneamente. Em uma hora está chorando e assustada e na outra está bem. Recentemente ela se envolveu sexualmente com um amigo nosso, . Mas depois de ter feito ela se sentiu extremamente culpada e desesperada, quero dizer, ela ama o , por que faria isso com ele?
- Certo, entendi. - ele anotou em seu caderno sem demonstrar qualquer confusão ou repulsa. - E esses pesadelos, como exatamente eles chegam até ela?
- Tenho dormido com a desde que ela saiu do hospital, ela dorme depois de chorar muito, passa a noite inteira se mexendo e incomodada. Mas só na manhã seguinte, ou de madrugada, ela acorda aos berros, chorando ainda mais e muito perturbada. Eu acho que ela sente os pesadelos de tal maneira que acham que são reais.
- Elias, - Huang virou-se para o outro médico que observava atentamente o monitor. - acha que pode ser alguma infecção ou inchaço?
- Dado o histórico dela que você me passou, George, - ele levantou algumas folhas da prancheta. - talvez o cérebro dela esteja inflamado em algumas regiões desde a batida. Só vou saber depois que fizermos uma ressonância.
- E você, , como se sentiu sobre a traição? - entortou a boca discretamente, não queria conversar com um psiquiatra sobre seus sentimentos. Mas se era para o bem de , então deveria dizer tudo.
- Eu fiquei chocado e muito irritado. Eu e minha prima estávamos no interior visitando a minha mãe que estava no hospital com intoxicação alimentar. Soube quando estava quase para voltar.
- Você a confrontou sobre o ocorrido? - Huang não anotou nada.
- Não, ela me ligou um dia, mais de cem vezes, mas eu não estava com meu celular na mão.
- E nesse mesmo dia ela fumou quase um maço inteiro de cigarros. - acrescentou rapidamente.
- Ela nunca fumou antes?
- Não. - responderam em uníssono.
O silêncio permaneceu assim que o neurologista anunciou que ela havia pegado no sono e todos estavam concentrados. estava nervoso e continha a ansiedade. Havia dois monitores na sala, um mostrava as ondas cerebrais e o outro os batimentos cardíacos. Longos minutos transcorreram e os garotos estavam impacientes, ao contrário dos médicos que pareciam completamente entretidos e ocupados intercalando os olhares entre os monitores e o vidro.
Lá no quarto, mergulhava nas profundezas de seu subconsciente. Relembrava os fatos que lhe haviam ocorrido naquele dia, mas quando chegou à música, seus pensamentos tomaram uma direção completamente diferente. De repente, ela estava sentada em um carro, no banco de trás, bem ao meio. À sua direita estava , mas ela não enxergava quem se sentava do outro lado. estava no banco do carona, na frente, e ela não reconheceu, a princípio, o motorista. Estavam atravessando uma estrada, parecia ser tarde da noite, a única iluminação era o farol do carro e a lua cheia que jazia sobre suas cabeças.
Aproximavam-se de uma pequena ponte, ao longe, conseguia ouvir o barulho de água corrente. Não entendia como aquele som estava chegando até ela visto que a ponte atravessava um desfiladeiro profundo e negro. O carro oscilou para os lados, mas logo voltou para a estrada, ouviu o motorista soltar um palavrão e de imediato o reconheceu: era Nick.
Ela se agitou no banco de trás, tentando dizer a eles que deveriam descer do carro imediatamente, mas a música que tocava no rádio parecia abafar a sua voz. Ela tentou tocar , mas ele não se mexia, estava adormecido. Seus olhos foram para frente novamente, estavam entrando na ponte. Ela parecia ser de madeira, o carro tremia, as paredes de contenção estavam pintadas de brando e pareciam frágeis. Em um movimento súbito, o carro mudou de direção e foi diretamente de encontro com a parede à direita da ponte, rompendo as ripas de madeira sem qualquer esforço. Começaram a cair no abismo sem fim, mas parecia a única a notar e tentava gritar para que se salvassem. Tão rápido quanto a queda, o carro espatifou-se de frente no chão.
e Nick estavam com os rostos apoiados no painel amassado do carro, ao seu lado estava com o pescoço para trás e sangrava muito. Mas ela sentiu uma dor excruciante, não por ser a única acordada naquele carro como, aparentemente, a única sobrevivente. Olhou para sua perna e viu que estava atravessada por uma viga de metal que se desprendera do carro. A coxa estava partida ao meio pelo metal e sua calça jeans mostrava os pedaços de pele que haviam se rasgado com o impacto. Ela não conseguia mais respirar, a visão estava ficando turva. Piscou mais algumas vezes e o carro havia sumido. À sua frente não estavam mais e Nick, mas sim um apavorado.
Sua perna estava imobilizada e doía horrores, a respiração entrecortada adicionava peso a seu peito. A voz havia sumido, mas sua boca estava aberta como se estivesse gritando. Não conseguia distinguir as vozes que soavam logo atrás do meio irmão, mas seus lábios também se movimentavam.
- Aguente firme. - seus lábios mudos diziam. Sua cabeça se inclinou para trás quando a dor foi maior e ela finalmente conseguiu ouvir o poder de sua voz voltar com rapidez.
- , mantenha-a estável ela está entrando em estado de choque. - reconheceu como sendo a voz do Dr. Huang.
- A minha perna. - ela murmurou com a voz abafada pelo nó em sua garganta ou seria pela máscara de oxigênio que tomava seu nariz e boca? - Tem uma viga na minha perna. - disse novamente.
- Já vai passar, já vai passar. - a voz de chegou a seus ouvidos e ela estava chorosa. Reparou novamente em seu rosto e ele emanava lágrimas que desciam até seu queixo trêmulo.
- Vou aplicar um sedativo, essa câimbra está muito forte. - sentiu uma agulha grossa perfurar sua perna e seus olhos se arregalaram. Todo o seu corpo imediatamente ficou mole.
- Não me deixe morrer. - ela tentou agarrar o braço de , mas sua visão se escureceu.

Capítulo 61.

caiu sentado sobre a cama, chocado, suas mãos cobriram o rosto vermelho e choroso, abafando seus soluços.
- Calma , já passou, ela está bem. - Huang disse com a voz calma e inalterada. sentiu uma mão forte, porém trêmula, em seu ombro e soube que estava logo atrás de si.
O monitor havia começado a demonstrar as ondas cerebrais de forma extremamente incomum para um paciente que estava dormindo profundamente. Em pouco tempo, se remexia sobre a cama e os batimentos cardíacos se aceleraram vertiginosamente. A área responsável pela dor no cérebro foi ativada assustando aos médicos. O Dr. Huang pediu que a enfermeira acordasse imediatamente, mas a situação saiu do controle quando ela deixou a perna à mostra e ela mostrava contrações. , e George saíram da sala rapidamente, enquanto segurava as pernas de , o Dr. Huang as mantinha esticadas para que pudesse avaliar a contração. Tratava-se de uma câimbra forte que não desistia de deixar com dor. ficou à sua frente, tentando conseguir a atenção da menina que parecia mais aterrorizada do que nunca.
Eles estavam assustados e, pior, desesperados. nunca havia demonstrado tal comportamento o que só os preocupava ainda mais. O doutor Huang chamou duas enfermeiras que transportaram sedada para uma maca e deixaram o quarto.
- Vamos fazer uma ressonância, - George disse com o outro médico a seu lado. - vão tomar alguma coisa e se acalmar, está estável agora. - ele suspirou e acompanhou os meninos para o lado de fora e, em seguida, caminhou pelo corredor alcançando a maca.
escorregou em um sofá da sala de espera completamente atônito, suas mãos tremiam sobre seu colo e ele estava aquém de tudo o que acontecia em volta. sentou ao seu lado, parecendo mais calmo, mas seu olhar fixava-se ao chão.
- Quer que eu chame e Edward? - ouviu a voz de soar fraca e derrotada.
- Não, eles não precisam saber o que aconteceu aqui. - respondeu determinado.
Os minutos se arrastaram, pensava que poderia desmaiar a qualquer momento enquanto se segurava para não gritar. Estavam destruídos emocionalmente, chocados e com medo. Precisavam confiar no médico e precisavam torcer para que voltasse a ser o que era. Ela estava frágil e desequilibrada, talvez precisasse de um tratamento rigoroso. Talvez até precisasse de uma cirurgia.
O doutor Huang adentrou a sala, vazia a não ser pelos meninos, e sentou-se em uma cadeira de frente para eles. Murmurou que o seguissem e foram até sua sala, onde ele acendeu um painel luminoso e colocou os exames neurológicos de .
- Estão vendo essas regiões? - ele circulava com uma caneta as áreas frontais do cérebro e periféricas que estavam com uma cor um pouco mais densa. e concordaram em silêncio. - Isso são inflamações, justamente nas áreas do cérebro que controlam as emoções, o equilíbrio e os sonhos. não está louca, ela está doente. Vamos fazer um tratamento rigoroso que a livrará de todo esse terror de uma vez por todas. - os ombros de relaxaram.
- E como isso vai funcionar? - entrelaçou os dedos e os apoiou sobre as pernas inquietas.
- O doutor Elias receitou um antiinflamatório. - ele estendeu o papel de uma receita. - Vou logo avisando que este remédio é muito forte e dá sono, então ele deve ser ministrado à noite, próximo a hora de se deitar. Quando vocês me seguirem até o quarto onde ela repousa eu vou lhe dar o primeiro comprimido, vai demorar um pouco para fazer efeito, talvez no caminho para casa ela adormeça no carro. Não se preocupem em acordá-la, ela vai dormir a noite inteira tranquilamente.
- Sem pesadelos? - quis saber, inseguro.
- Nenhum pesadelo. - garantiu o médico. - O remédio vai agir nas regiões inflamadas, mas deve ser tomado todas as noites sem exceção. É normal ela sentir enjôo e dor de cabeça de manhã, mas não se preocupe, ela ficará bem. Suspendam o psicotrópico que eu receitei da última vez e façam-na beber bastante líquido. Quando esta caixa acabar, - o Dr. Huang balançou a caixa que tinha uma cartela com vinte comprimidos. - o tratamento estará finalizado e ela pode voltar para uma revisão.
- Está bem, muito obrigado doutor. - e acenaram e apertaram a mão do médico, mais aliviados.
- Agora me sigam, vamos ver a paciente. - o médico sorriu satisfeito e eles caminharam pelo corredor.
Adentraram o quarto e mantinha apenas um cateter de oxigênio embaixo do nariz e os olhos estava distraídos com as persianas que havia nas poucas janelas de seu quarto fechado. Ela os observou com um sorriso sereno e aliviado, mas não disse nada.
- , eu vou lhe dar esse comprimido. - George estendeu à menina um comprimido e um copo de água, o qual ela aceitou sem maiores problemas. - Você vai se sentir sonolenta, mas é completamente normal. Já expliquei ao seu irmão e ao seu namorado tudo o que eles devem fazer e vão explicar a você quando estiver pronta, ok?
- Ok. - ela sorriu mostrando os dentes. - Obrigada Dr. Huang, mesmo. - ela abraçou o médico que respirou, aliviado.
- Você já está liberada, mocinha. Nos vemos no mês que vem. - ela concordou com a cabeça se desvencilhando do cateter e pegando seus tênis para calçá-los. Desceu da maca com a ajuda de e saiu abraçada pelos dois rapazes, rumo ao carro.
- Nem acredito que está tudo resolvido. - respirou, aliviado, no primeiro sinal que eles pararam.
- É, agora tudo pode voltar ao normal. - sorriu olhando pelo retrovisor e vendo que observava a paisagem com brilho nos olhos. – Certo, pequena?
- Certo. - ela concordou e logo em seguida soltou um bocejo. - Obrigada meninos. - ela disse estendendo as mãos até os bancos da frente e apertando os ombros de cada um. sorriu e continuou a dirigir enquanto pegou sua mão e a beijou levemente.
O resto do caminho se seguiu em silêncio e, quando chegaram à casa de , já estava dormindo. a carregou até em casa e a deixou confortável em sua cama, tendo a ajuda de para colocar-lhe o pijama. Desceram, dando de cara com Edward chegando àquela hora em casa, aproveitaram a curiosidade no olhar do homem e contaram tudo o que havia acontecido.

- Bom dia papai! - disse radiante do meio da escada, virando-se para observar a sala de jantar no andar de baixo, onde o pai estava, atulhado de papeis. Mas alguém mais virou o rosto para encará-la. - ! - ela terminou de descer os degraus e pulou sobre o rapaz que a recebeu de braços abertos.
- Bom dia meu amor. - Edward disse com um sorriso quando focalizou os olhos de sua filha por cima do ombro do rapaz.
- Bom dia linda, dormiu bem? - a colocou de volta no chão e beijou-lhe a boca, deixando-a envergonhada pela presença do pai.
- Melhor do que nunca! - disse fazendo gestos largos com o braço. - Papai, eu queria ver aulas de dança para mim. - ela disse rapidamente pegando Edward e de surpresa.
- Aulas de dança? - Edward repetiu para se certificar de que havia ouvido direito.
- Sim! Acho que seria uma boa opção para eu ocupar minha cabeça! - deu de ombros.
- São boas notícias, definitivamente! - o homem comemorou arrancando risos dos dois jovens. - Então vamos fazer assim, vocês dois tomam café comigo e depois podem sair em busca das escolas de dança.
- Tudo bem. - concordou.
Sentaram-se à farta mesa de café da manhã que havia sido posta na sacada da casa a pedido de Edward. ainda estava adormecido e havia saído cedo para resolver alguns detalhes sobre sua antiga casa. e divertiam o homem com detalhes de sua viagem à Portugal que, desde a volta e os problemas, não havia sido revelados. se sentia excepcionalmente bem, a noite havia sido tranquila e todo o episódio do dia anterior parecia esquecido em algum lugar de sua cabeça, a qual ela se recusava a tocar.
estava ao seu lado, tão feliz quanto ela se lembrava de tê-lo visto todo aquele tempo em que estivera na Dinamarca e o observava através de vídeos e entrevistas na internet. Isso, por um lado, a aliviou e a deixou ainda mais feliz ao ver que toda a felicidade tinha um motivo: ela. Frequentemente ela o pegava olhando para ela de canto de olho enquanto conversava com Edward o que, consequentemente, a fazia ruborizar.
- Espero que não esteja atrapalhando os seus planos para hoje. - ela disse enquanto desciam até a garagem do prédio onde havia estacionado seu carro.
- De maneira alguma. Eles incluíam você de qualquer jeito. - sorriu de canto e as portas se abriram. O carro estava aberto e eles entraram. - Mas o que... - ele tocou a ignição onde não encontrou chave nenhuma.
Olhou para e percebeu que ela segurava um chaveiro na ponta do polegar enquanto olhava despreocupadamente para as unhas. Seu sorriso diabólico o deixou surpreso com a rapidez com que ela tirara as chaves. Seu corpo estava esparramado pela porta, o mais longe que conseguia ficar de . Mas não por muito tempo. se esgueirou por sobre o banco e tentou alcançar as chaves, mas ela o impediu. Então ele desviou de seu objetivo para atacar seus lábios com um beijo suave. Suas mãos foram de encontro à cintura de e ela deixou que as chaves caíssem no chão, para poder envolver o pescoço de com seus braços.
A língua de tocou-lhe os lábios pedindo passagem, a qual ela deu sem hesitar. As respirações entrecortadas só deixavam o ambiente do carro cada vez mais quente, os vidros embaçavam lentamente enquanto se beijavam ferozmente. Apoiado no freio de mão, trouxe para se sentar em seu colo logo depois que ele ajustou o banco para que ficassem mais confortáveis. As curvas do corpo de eram detalhadamente analisadas pelos dedos macios e quentes de que só deixava ainda mais enlouquecida.
- Sabe, - ofegou ela soltando-se brevemente dos lábios do rapaz, mas logo voltando a beijá-lo por curtos espaços de tempo para que pudesse continuar a falar. - eu nunca fiz sexo em um carro. - ela sorriu quando soltou um risinho.
- Gostaria de tentar? - perguntou ele inclinando um pouco o banco para trás de modo a trazê-la mais para cima de seu corpo.
- Um dia, talvez, - confessou ela. - mas não aqui e nem agora. - rompeu o beijo nos lábios de descendo por seu pescoço e por fim descansando a cabeça sobre o peito do rapaz a fim de se deliciar com as batidas frenéticas que seu coração dava.
encarou o teto com um sorriso bobo nos lábios, estava voltando para ele e, dessa vez, não a deixaria escapar. Nunca mais.

Capítulo 62.

- O que acha de dormir em casa hoje? - perguntou a caminho da primeira escola de dança.
- Mas o que os homens de lá acharão disso? - fez uma curva à esquerda e recebeu um soco no braço.
- Está querendo dizer o . Não tente me enganar. Eu sei que meu pai não tem problemas quanto a isso e é seu amigo. - deu de ombros colocando a mão que havia socado em sua coxa. - Se você se sentir intimidado pode dormir no quarto de hóspedes. - ela continuou com seu tom indiferente e eles pararam em um semáforo.
- Eu quero passar todo o tempo possível com você, eu aceito. - ele sorriu.
- E você sabe que eu vou querer me divertir um pouco também. - escorregou a mão em direção à virilha de que respirou fundo e apertou as mãos no volante.
- Mas você está sob medicação. Você não quer que eu transe com você enquanto estiver apagada, quer? - brincou ele e levou um tapão na nuca.
- Ok, Sr. você está muito engraçadinho hoje. - fez bico. - Fazemos sexo antes e eu tomo o remédio depois. - disse despreocupadamente.
- E se você esquecer? Porque eu sei que você fica meio doidinha depois que a gente faz amor.
- Ah, mas você fica tão lindo quando fala assim. - ela apertou a bochecha de de maneira engraçada o que o fez fechar a cara.
- Eu te amo sua boba. - esticou o braço e bagunçou os cabelos da menina que soltou um gritinho derrotado.
- Eu também te amo. - disse dando-lhe um sorrisinho de canto e ligando o rádio distraidamente.

- Hey sou eu, está tudo bem? - equilibrava o telefone sobre um dos ombros enquanto dobrava as roupas recém-tiradas da secadora.
- Está sim, princesa. Por que pergunta? - a voz de soava relaxada do outro lado da linha.
- Eu não sei. - ela suspirou e continuou. - não conversou muito comigo desde que ele saiu pra gravadora há dois dias. Tem alguma coisa que eu não esteja sabendo?
- Ah , eu sinto muito. - respirou fundo. - Achei que ele já tivesse te contado.
- Me contado o que, ? - ficou séria.
- Eu vou até aí para conversarmos, me espera?
- É claro, pode vir. - sorriu e desligou. Bufou, irritada por um momento. Por que estava tão estranho com ela? Alguma coisa estava acontecendo com ele e não tinha ideia do que era. Odiava isso, odiava ficar por fora dos acontecimentos.
Não demorou meia hora para que estacionasse em frente à casa e viesse até a porta com seu jeito despojado balançando as chaves do carro. Ele esperou pacientemente que abrisse a porta e o olhasse com olhos apaixonados. sorriu e a puxou pela cintura para um beijo intenso, não a soltou mesmo depois que seus lábios se separaram. Encararam-se por um momento, até que suspirou.
- Eu quero saber de tudo. - ela o puxou pela mão para que adentrassem a casa. Sentaram-se na sala de estar, a puxou para perto de si, a conversa que teriam não era séria a ponto de precisarem encarar-se nos olhos. Por isso podiam aproveitar melhor a presença um do outro, o rapaz segurou uma das mãos de enquanto o braço a envolvia pelos ombros.
- Depois que saiu pra gravadora naquele dia, resolvemos fazer um cover inédito, sabe, para treinar os vocais. - começou relaxado, inclinando a cabeça até encostar-se às costas do sofá. - Só que não sabíamos que a estava do lado de fora e... bem, acabou que a infeliz música era a dos pesadelos que ela estava tendo.
- Oh não, - sentou-se ereta. - o que aconteceu?
- Josh chamou o para o lado de fora e clareou o vidro da sala de modo que pudéssemos ver. saiu logo atrás dele, ela estava chorando muito, pálida, tremendo. Quando o conseguiu convencê-la a ir para outro lugar para ela descansar, desmaiou assim que levantou.
- Imagino que o deve ter ficado louco da vida. - cruzou os braços, começando a entender o silêncio de no jantar.
- Na verdade ele não ficou, foi o que ficou possesso. - A sobrancelha de se levantou de incredulidade.
- Como é? - um sorriso divertido surgiu em seus lábios e sorriu de canto alisando sua bochecha e roubando-lhe um selinho.
- Ele começou a gritar com o e os dois saíram às pressas para o hospital. Lá, segundo o que os dois me contaram depois, ela passou por exames de sono. Teve de ser sedada porque estava entrando em colapso nervoso e foi enviada para mais exames. - sentiu o peito apertar. Sabia como agia quando acordava assustada, era uma cena de horror. - Deu uma inflamação em algumas regiões do cérebro e agora ela está tomando medicação. Tudo vai ficar bem depois que a cartela de comprimidos acabar. - sorriu por fim bagunçando os cabelos.
- E como ela está lidando com tudo isso? - encolheu as pernas para trás de si no sofá e se inclinou para mais uma vez.
- disse que ela está bem, o remédio é tão forte que a faz dormir a noite inteira.
- Fico mais aliviada de saber disso. - ela suspirou e descansou a cabeça no ombro do rapaz que vestia apenas uma camiseta branca básica em conjunto com jeans rasgados nos joelhos.
- Eu sinto a sua falta, gata. - ele disse despreocupadamente.
- Faz poucos dias que voltamos do interior, . É normal. - ela riu e o abraçou na altura do tórax. - Se quiser, pode passar a noite aqui, comigo. Eu sei que o não vai se importar. - deu um sorriso sapeca e o puxou para um beijo.
ficou sobre no sofá e a tomou em seus braços enquanto seus lábios ardiam ao se esfregar com ansiedade, as línguas se enrolavam e as mãos traçavam caminhos tão bem conhecidos que podiam fazer quase automaticamente. desceu os lábios em direção à clavícula de e ela suspirou pesadamente. Arrancou as almofadas que estavam atrapalhando jogando-as longe e se acomodaram melhor. O dia estava só começando para eles.

- Edward, você viu a ? - parou na metade da escada onde, mais cedo, sua meia irmã havia feito o mesmo.
- Ela saiu cedinho com para ver aulas de dança. - o homem disse com um sorriso.
- Aulas de dança? - ele terminou de descer as escadas e parou na poltrona da sala, onde Edward estava sentado.
- Exato. Ela estava bem feliz quando acordou, a primeira vez que eu a vi assim foi há anos, logo depois de nos mudarmos na Dinamarca.
- Então realmente ela passou a noite bem. - refletiu consigo mesmo.
- Sim, ela passou a noite muito bem. Foi por isso que ela não o acordou, queria que você tivesse a mesma oportunidade que ela. - Edward sorriu sereno.
- Muito bem. - ele pigarreou. - Bem, eu vou sair um pouquinho, arejar as ideias, se precisar de qualquer coisa estarei no celular.
- Pode deixar, . - Edward acenou e saiu de casa. Andou por algumas quadras até se deparar com uma Starbucks. Enviou uma mensagem de texto à , estava na hora de voltar à sua velha rotina.

e chegaram à Pineapple Studios, estava ansiosa e não parava de balançar os joelhos enquanto conversavam com a recepcionista e checavam a disponibilidade de turmas e horários.
- ? - ambos ouviram às suas costas. virou-se primeiro e deparou-se com uma mulher alta e elegante, parada com uma toalhinha em um dos ombros e um squeeze em uma das mãos.
- Desculpe, mas, nos conhecemos? - ela sorriu aproximando-se.
- Ah, mas é claro, me desculpe. Eu sou Sheila Sangster, professora de jazz. - ela estendeu a mão à qual aceitou, animada. - Eu conheço seu antigo professor de ballet, Damen. Ele sempre me falou muito de você. - sorriu ainda mais, parecendo animada.
- Você conhece Damen? Isso é ótimo!
- E por conhecê-lo sei que você tem potencial para encarar as minhas aulas. - a mulher sorriu de canto. - É jazz que você está procurando, não?
- Com toda a certeza, ballet clássico não é mais para mim. - riu e olhou na direção de que as olhava. - Ah, perdoe-me, Sheila este é , meu namorado.
- É um prazer conhecê-la. - ele estendeu a mão e cumprimentaram-se.
- , do McFly. Vejo que você está sendo um sucesso. - ela apontou com a cabeça um vidro espelhado onde algumas garotas se espremiam e acenavam para ele. - De qualquer forma, o que acha de um teste, ?
- O que a senhora tem em mente? - arqueou a sobrancelha encarando o desafio interessada.
- Ah, por favor, sem formalidades. - Sheila agitou as mãos no ar. - Não sei, que tal uma música qualquer e você me mostra do que é capaz?
- Acho perfeito. - ela concordou animada e olhou para , garantindo seu apoio com um aceno de cabeça.
- E você, Sr. , acho melhor ficar aqui mesmo senão minhas meninas vão colocar a escola abaixo. Pode observar sua namorada por esse vidro mesmo, ela estará de volta logo, logo.
deixou a bolsa ao lado da cadeira onde estava em pé para que pudesse observar o interior da sala. Acenou para algumas meninas histéricas e deu um selinho em antes que ela adentrasse a sala. Lá, se sentou ao chão, onde Sheila lhe ofereceu sapatilhas pretas, ela se livrou de seus tênis e as calçou rapidamente.
- O que acha de Lady Gaga? - a mais velha mexia no aparelho de som avidamente, com vários CDs em uma case.
- Para mim, qualquer coisa que não seja lenta está boa. - ela sorriu alongando os braços lançando-os para frente e para trás.
- Consegue se movimentar nessa sua calça skinny? - perguntou Sheila meio cética.
- Ah eu consigo sim. - ela riu e se preparou no meio do grande salão. Vários alunos ajuntavam-se na sala com o intuito de saber o que acontecia e os murmúrios só aumentavam.
mantinha-se do lado de fora, ansioso ao ver sua menina ali, o centro de todas as atenções como ele se lembrava de que ela gostava de ser. De vez em quando ele acenava para as fãs que ficavam histéricas ao saberem que ele estava ali. Ria, se divertindo, mas a sua atenção se voltava para que estava se aquecendo. Perguntava-se como ela conseguia se flexionar usando jeans, mas era melhor deixar as perguntas de lado. Torcia para que ela desse um show.

Capítulo 63.

Violinos foram ouvidos saindo da caixa de som do salão meio tímidos, até que Sheila aumentou o som. Todos ficaram em silêncio, a expectativa crescia sobre a mais nova que parava sobre o centro do tablado. Ela estava em uma pose. Depois da fala inicial de Gaga, começou a mexer os ombros e a se aproximar do espelho que cobria uma das paredes da sala do teto ao chão. Ela fazia movimentos ora suaves ora bruscos, bem marcados, dando sensualidade e leveza à coreografia improvisada.
fazia bom aproveito do espaço que tinha e seus movimentos pareciam extremamente bem ensaiados, a flexibilidade das pernas se refletia quando elas eram se erguiam em saltos e depois escorregavam até o chão em um spacatto.
não tirava os olhos da menina que dançava com o coração, ele sabia disso. Seu sorriso iluminava o rosto, mas a sobrancelha se ergueu em surpresa quando os movimentos dela ficaram mais sexys conforme a música avançava. estava se saindo muito bem, ela cativava a todos com seus movimentos, agora especialmente mais agressivos.
trocou o peso entre os pés, inquieto conforme os rapazes se eriçavam dentro da sala, até mesmo quando chamou um deles para que a carregasse em um momento.
A plateia ovacionou quando se posicionou onde havia começado a coreografia e ela sorriu enquanto tentava normalizar a respiração. Até mesmo , do lado de fora, aplaudiu avidamente, orgulhoso de sua menina ter arrasado tanto.
- Devo admitir , você é uma dançarina e tanto! - Sheila estava de braços cruzados com o controle do som na mão. Sorria satisfeita assim que a menina se aproximou, enrolando os cabelos nas pontas dos dedos.
- Obrigada, foi incrível como eu senti a dança fluir em mim. - sorriu olhando em volta. - E eu só percebi agora que havia garotos me observando também. - suas bochechas coradas não poderiam ser culpadas pela vergonha de ter meninos a observando dançar de maneira sexy além de seu próprio namorado.
- Pessoal, - Sheila se dirigiu a todos os que estavam presentes. - acho que encontrei a bailarina perfeita para o número solo de nosso próximo festival. - todos comemoraram e franziu o cenho sem desmanchar o sorriso. - Meus parabéns, , posso dizer que você entrou para a Pineapple com classe. - ela abraçou a menina que sorriu.
- Muito obrigada! - começou a caminhar para fora da sala recebendo muitos elogios dos alunos e comentários sobre ser seu namorado.
- Noá, por favor, marque horário especial para a Srta. . Ela foi a escolhida para o solo de nossa apresentação. - Sheila sorriu de para . - Deve estar orgulhoso dela!
- Muito! - a abraçou pela cintura.
- Então nos vemos na... - olhou para o papel que a secretária lhe estendera. - quinta-feira? - confirmou.
- Exatamente. Vou contar a novidade a Damen, ele vai ficar tão orgulhoso! - Sheila disse e logo em seguida se despediram, voltando a seus afazeres.
- Para onde agora? - apertou o volante com as mãos, parecendo se preparar para uma corrida de maneira divertida.
- Não vai me dar nem um beijo para recompor minhas energias? - perguntou manhosa.
- Você foi extraordinária, minha linda, meus parabéns. - ele se inclinou sobre o freio de mão e a beijou delicadamente nos lábios. - Agora que tal uma Starbucks para refrescar as ideias?
concordou com um sorriso e os dois deixaram a Pineapple Studios para finalmente aproveitar o dia juntos.

- Então, como estão as coisas? Eu sei que só faz uma noite que a começou a tomar o remédio, mas como ela está? - dava mordidas em seu terceiro muffin de blueberry. mexia o frapuccino com um sorriso.
- Ao que parece ela dormiu bem e acordou animada, saiu com para procurar aulas de dança antes que eu acordasse. - ele disse suavemente.
- Então você não a viu ainda? - pareceu surpreso por um momento, mas logo depois deu um gole em seu expresso, ele mudou para uma expressão de satisfação.
- Não, eu realmente precisava de uma noite de sono, fui praticamente arrastado para o inconsciente. - deu de ombros.
- Logo poderemos voltar para a agenda de shows. Andamos meio parados ultimamente. - parecia realmente interessado em trabalho, mas não estava disposto a deixar o assunto morrer.
- E como estão as coisas entre você e ? - tomou mais um gole do frapuccino franzindo o cenho quando um pedaço de gelo passou direto por sua garganta.
- Sinceramente não sei te explicar. Acho que ele e estão bem agora, então não tem por que eu sentir medo. - deu de ombros fazendo uma piada.
- Eles, com toda a certeza, transaram quando ela passou a noite na casa dele. - , por um momento, se sentiu mal por violar a privacidade da meia irmã, mas também precisava desabafar com alguém. Sentia falta de suas conversas com . - Quando cheguei lá eles estavam na mesma cama, abraçados. A camisola da tava jogada em um canto e a tinha só uma camisa comprida, que era do .
- Não pode culpá-los por ser esse o jeito que escolheram para voltarem. - parecia interessado, embora não demonstrasse muita animação.
- Mas é que não combina com a , sabe? Eu vi o rosto dela, estava manchado de lágrimas, ela tinha acabado de acordar de um pesadelo. Ela até se arranhou. - bagunçou os cabelos em sinal de frustração. Não conseguia se esquecer dos episódios de terror, mesmo que quisesse.
- Eles devem ter conversado antes, eu sei lá. - pareceu levemente irritado. - O que importa é que tudo está voltando ao normal agora, está bem e isso já basta para a nossa satisfação plena. - ele sorriu. concordou, a peça mais importante de seu quebra-cabeça estava finalmente de volta ao lugar.

suspirou, a cabeça deitada sobre o peito nu de . Abaixo deles, um emaranhado de lençóis os cobria da cintura para baixo. O ar condicionado do quarto da menina estava ligado, de forma que de vez em quando um arrepio lhes atravessava a pele suada e avermelhada. gemia de tempos em tempos enquanto se ajeitava no lençol branco da cama de casal de , a menina ria meio sem jeito.
- Acho que não fui delicada com as suas costas. - ela disse de maneira dengosa apoiando o queixo bem no centro do peito de , o observando inclinar a cabeça para trás em uma risada gostosa.
- É só o lençol que fica raspando e meio que arde, vou ficar bom logo. - se sentou e virou-se para ele com uma expressão autoritária.
- Deixe-me ver. - fez biquinho, mas virou-se de bruços agarrando o travesseiro como uma criança e descansando seu rosto ali, olhando para o lado oposto ao de . Os dedos de deslizaram delicadamente pelas marcas avermelhadas paralelas que ocupavam toda a extensão das costas de .
Em alguns pontos havia pequenos pontinhos avermelhados, indicando que havia sangrado. A menina engoliu seco ainda analisando os arranhões que ela dera em enquanto ele estava sobre si, em seu momento íntimo. Ela só notava agora como a pele das costas dele eram finas e delicadas, mas os músculos que se definiam por baixo davam uma aparência muito mais forte a ele.
- Você me deixa louca, sabia? - ela disse enquanto se levantava, cobrindo o corpo com o robe de seda preto que jazia ao lado de sua cama. - Não se mexa. - ela disse em tom de aviso quando ameaçou se levantar. seguiu até seu banheiro, pegou uma toalha de rosto e encharcou-a no chuveiro com água gelada. Voltou com a toalha torcida nas mãos. - Isso vai aliviar um pouco. - ela estendeu a toalha por toda a extensão das costas e ouviu soltar um silvo enquanto respirava fundo.
- Não se culpe por isso, - ele disse com a voz meio abafada por causa do travesseiro onde repousava a bochecha. A expressão se assemelhava com a de um menino cada vez mais. - você estava gostando, é só isso que importa.
- Eu sei. - riu baixinho. - Estávamos na nossa quarta vez; a casa deve estar uma bagunça. - sussurrou para si mesma, lembrando do caminho percorrido por ela e , a começar pela sala. Passaram pela cozinha, subiram as escadas e pararam no corredor e por fim terminaram no quarto da menina.
- Vamos arrumar antes que volte. - murmurou ele respirando com alívio ao perceber que as costas estavam mais frescas. Foram interrompidos pelo toque insistente do celular de . Ela o pegou e abriu para visualizar a nova mensagem.
"Vou passar a noite na casa da . Comporte-se, xx "

- É, acho que vamos ter a casa para nós essa noite. - sorriu maliciosa e tirou a toalha de cima das costas de . Seus lábios repousaram na pele gelada do rapaz e começaram a traçar uma linha em direção à lombar dele. suspirou pesado ao sentir o contraste da pele fria com os lábios quentes de , pegou-a pela nuca e trouxe-a para se deitar sobre ele, beijando-se apaixonadamente.

- E quando ela entrou na sala, toda a escola começou a se aglomerar em volta dela, todos curiosos para saber o que se passava. - contava animado à mesa de jantar para Edward, , e enquanto a mais nova o olhava envergonhada. - Ela interpretou Alejandro muito melhor do que a Lady Gaga eu diria. - deu mais uma garfada no jantar delicioso que estava comendo.
- E depois Sheila disse que eu ganhara o papel para fazer um solo na apresentação da escola daqui a algumas semanas. - se emperiquitou na cadeira, animada feito uma garotinha.
- Daqui a algumas semanas, mas como você vai conseguir...? - Edward não conseguiu completar a frase, gesticulando para que entendessem do que ele estava falando.
- Ah não se preocupe, papai, recebi um horário especial para treinar. E será daqui a uns dois meses, não se preocupe.
- Ainda me parece pouco tempo. - Edward tomou a taça de vinho nas mãos e a ergueu. - Mas isso merece um brinde. - todos ergueram suas taças, a de era a única que continha água. - Um brinde à minha querida filha, minha preciosa, que está se reerguendo finalmente depois de tempos nefastos. - as pessoas na mesa riram com a escolha de palavras do mais velho, mas todos brindaram.
e se retiraram da mesa e subiram para o quarto da menina. já havia se retirado há algum tempo e era a melhor oportunidade para que eles pudessem ficar sozinhos. Como havia dito, Edward não se importara com a ideia de sua filha dividir a cama com o namorado.
- Por que não vai tomar banho, eu vou depois de você. - ela disse enquanto se desvencilhava dos sapatos. sorriu de canto.
- Não quer vir comigo? - disse sedutoramente próximo à orelha de que sentiu-se arrepiar.
- Não amor, pode ir, eu vou arrumar a cama para nós. - ela piscou e o rapaz seguiu para o banheiro. Assim que a porta se fechou atrás dele, deu uma fugida para o quarto do meio irmão. Deveria ter algo que servisse em .

Capítulo 64.

Bateu na porta, mas não obteve resposta, então entrou sorrateiramente. O quarto não era uma completa bagunça, mas também não estava completamente limpo e arrumado. Ela viu que a porta do banheiro estava fechada e um facho de luz aparecia pelo vão inferior, então precisaria procurar por si mesma, afinal, não queria incomodar .
Abriu o guarda-roupa dele e começou a procurar por uma prateleira, onde ela sabia que a empregada deixava as roupas lavadas e dobradas. Pegou uma camiseta preta, sabendo que aquela ficava grande em e deixou o quarto com habilidade.
Quando fechou a porta de seu quarto, deixava o banheiro com uma toalha enrolada na altura do quadril e outra usando para enxugar os cabelos. Ele parou e sorriu ao ver que balançava sobre os pés, uma expressão meio envergonhada meio maliciosa enquanto mordia o lábio inferior. achava aquilo um charme. Aproximou-se lentamente e a ouviu prender a respiração.
- Peguei no quarto do . - ela lhe entregou a camiseta.
- E uma cueca? - sorriu divertido.
- Fica sem, - piscou, enviesada. - se quiser, procura nas minhas gavetas de lingerie, às vezes eu gosto de dormir com uma. - deu de ombros. - Minha vez. - disse por fim chegando para o banheiro e fechando a porta.
Escovou os dentes e tomou um longo banho, deixando que o suor e as dores de seu alongamento mais cedo naquele dia se esvaíssem. Estava relaxada enquanto tirava os nós de seus cabelos encharcados, enrolada em um roupão lilás e felpudo. Olhou-se no espelho e finalmente enxergou o que realmente havia lá: uma garota feliz com sua vida de volta aos eixos. Deixou o banheiro para trás e voltou para o quarto. estava esparramado em sua cama, sem a camisa e com uma boxer de patinhos amarelos. riu e ele abriu os olhos com um sorriso encantador. - A camisa não serviu. - ele disse despreocupadamente, parte do cabelo lhe caía sobre os olhos. - Acho que você terá menos trabalho para me despir. - os dois riram e ela se sentou sobre o colo do rapaz na cama.
- Eu estou sem nada. - provocou afundando o queixo no decote do roupão, fazendo uma cara sapeca conforme a toalha deslizava em suas bochechas. Ela sentiu segurar em sua cintura.
- Você não deveria me provocar assim. - ele sentou-se e seus rostos estavam próximos. segurou no rosto de e eles finalmente se beijaram, as mãos dele adentraram seu roupão e deslizaram por sua coxa primeiramente depois subiram até que a tira se afrouxasse e o pedaço felpudo caísse na borda da cama. gemeu quando sua pele se chocou com a já fresca de , ele apenas soltou um murmúrio abafado, mas parecia satisfeito. Os cabelos molhados dela escorreram em suas costas enquanto os dedos grandes do rapaz se enrolavam neles e a aproximavam ainda mais dele.
Inverteram as posições e ele desceu lentamente com os lábios, passeando-os pela pele ainda morna de . Estava nua sob o corpo másculo de enquanto tentava lhe alcançar as boxers, a respiração acelerada e a cabeça se revirava sobre o travesseiro, soltando murmúrios de satisfação. Seu braço direito se esticou até tatear a mesa de cabeceira, ela se inclinou para o lado e observou de relance a caixa com os comprimidos e um copo d'água ao lado. Desceu a mão tateando a gaveta e a abriu. Procurou avidamente por um preservativo, mas só encontrou outros apetrechos.
- ... - ela sussurrou, ele gemeu em resposta. Estava traçando uma trilha de beijos em direção à sua virilha. - , eu não tenho camisinha. - ela arqueou as costas quando ele arranhou com os dentes a parte interna, bem próxima a sua intimidade.
- Eu devo ter uma. - disse com a voz rouca e ela o sentiu se afastar enquanto ele pegava a calça jeans esquecida em um canto do quarto. Vasculhou os bolsos em busca da carteira, mas quando a abriu sua expressão ficou vazia. - Eu também não tenho nenhuma.
- Vou ver se o tem. Ele não vai se importar, já que devem estar quase apodrecendo mesmo por falta de uso. Me espera aqui, já pronto. - ela vestiu um robe de seda e se virou para o rapaz que sorria como um bobo.
atravessou o corredor cruzando os braços sobre o peito para esconder os mamilos enrijecidos. Aquela não seria a melhor hora para encontrar qualquer um de sua família. Adentrou o quarto do meio irmão e ele ainda estava com a porta do banheiro fechada. Ajoelhou-se até uma pequena cômoda que ele tinha ao lado da cama, procurou na primeira gaveta, mas não encontrou nada, então seguiu para a segunda. A porta do banheiro se abriu e um de toalha parou na soleira, olhando-a com curiosidade. Ela rapidamente se levantou, um pouco envergonhada.
- Precisa de alguma coisa? - ele perguntou tirando algumas mechas de cabelo molhado da testa.
- Ahm, será que você teria uma camisinha para me emprestar? As minhas acabaram e não tem nenhuma. - ela desabafou de uma só vez sentindo as bochechas queimarem. A expressão de se fechou.
- Você quer uma camisinha emprestada, para transar com o meu amigo que, por sinal, está na porta do outro lado do corredor? - trilhou a história enquanto concordava. - Eu não acredito nisso.
- , você nem as usa, o que custa me dar uma? - ela apertou mais o robe contra o corpo. - Eu não estou tomando pílula por causa do remédio pra cabeça.
- Está se ouvindo? - parecia furioso, o que fez recuar ainda mais.
- Tá bom , se não quiser emprestar tudo bem. - ela explodiu. - Eu e o nos arranjamos em um 69. - o sorriso malvado tomou conta dos lábios dela e se alarmou. Ele andou rapidamente até sua escrivaninha e da primeira gaveta tirou um pacotinho metálico.
- Ok, vai. Mas fique sabendo que você deu sorte, se fosse o eu quebrava a cara dele... - ele foi dizendo enquanto a menina caminhava para fora do quarto, batendo a porta antes que ele pudesse terminar.
Ela respirou fundo, mais aliviada e caminhou em direção ao quarto. Abriu a porta e encontrou distraído, o lençol escorregando desajeitadamente pelo seu corpo largado sobre a cama. balançou o pacotinho no ar e sorriu, desatou o robe e deixou-o cair a seus pés. Viu os olhos dele brilharem enquanto analisava seu corpo que caminhava em direção à cama. Ela ajoelhou-se de frente para ele e tirou o lençol que já se levantava em um volume surpreendente, se inclinou para frente rasgando o pacote com os dedos. afagou-lhe os cabelos, incentivando-a a continuar e colocou-lhe a camisinha, dando uma lambidinha da base até a ponta.
- Está pronta? - a mão deslizou até a cintura da menina, colocando-a embaixo de si. soltou-se dos lábios dele e mordeu o seu próprio enquanto o olhava nos olhos.
- Sempre. - sussurrou de uma maneira envergonhada e alisou os cabelos úmidos de entre os dedos.
O corpo de tremeu quando ela sentiu a proximidade íntima entre eles, as mãos espalmadas em suas costas deixavam-na perto dele enquanto as costas musculosas se arqueavam para que ele pudesse beijar seu corpo e, ao mesmo, tempo entretê-la com os movimentos que alternavam entre bruscos e suaves.

- Nossa eu nunca percebi o quanto eu ficava com sede. - entornou o copo de água depois de engolir o comprimido.
- É que você sempre tem algo melhor para fazer depois que a gente chega nos finalmente. - a acomodou sobre seu peito. - Está confortável?
- Aham. - ela disse com um bocejo e ouviu o peito de se contrair com uma risadinha. - Sabe, disse que se você tivesse ido até o quarto dele ele teria quebrado a sua cara.
- Ele é tão ciumento assim? - beijou-lhe o topo da cabeça e abraçou-lhe o tórax se aconchegando melhor. Logo ela caía no sono pesado.

Capítulo 65.

- você vem, ou não? - estava parado à porta da casa de , as chaves rodando entre os dedos, ora ou outra batendo as pontas nas mãos dele fazendo-o franzir o cenho com a dor incômoda.
- Já estou indo! - gritou de dentro, correndo de um lado para o outro. Mal dava para acreditar que estava voltando para a gravadora, para o seu trabalho que, por tanto tempo, ela sempre amou fazer. Agora que tudo estava se acertando, sentia-se no dever de voltar e dar uma mãozinha a Fletch, colocando-o a par de tudo o que acontecera.
Por mais doloroso que fosse relembrar o passado, ela tinha quase plena certeza de que o empresário só imaginava o que deveria estar por trás do comportamento estranho deles desde que ainda estavam em Portugal. Isso deu certo desconforto nela, pensar em Portugal era difícil, parecia como algo que havia acontecido há uns vinte anos ou mais. O blog havia sido descoberto, quase morrera e todos da banda havia lhe dado as costas.
Havia sido momentos nefastos, mas ela estava disposta a discorrer sobre eles o mais rápido possível para que pudessem voltar para a caixinha trancada à chave que era onde eles deveriam estar.
Apontou na porta vestindo jeans, sapatilhas e uma regata. Um casaco branco estava em sua mão e ela usou a outra para trancar a porta da frente. já descia, indo em direção ao seu carro, pois já estavam atrasados. A noite deles havia sido o suficiente para que todas as dúvidas e questões não esclarecidas fossem postas em seu devido lugar e eles estavam orgulhosos de agora não guardar segredo algum.
- Vou contar ao Fletch exatamente tudo o que aconteceu desde que chegamos a Portugal. - ela rompeu com o silêncio do carro em um suspiro pesado. a olhou de soslaio e apertou a mão no câmbio, tenso.
- Tudo? - perguntou com uma voz levemente afetada. Será que ele também pensava que aquilo não era uma boa ideia? Ponderou enquanto apenas concordava com a cabeça sem desviar o olhar da rua.
- Eu acho que ele merece uma explicação para o comportamento estranho de todos nós nos últimos meses. Quero dizer, é claro que ele sabe das partes mais horríveis como o acidente de e o lance com o McHate.com, mas há ainda muita coisa. Muitos fatos nas entrelinhas que precisam ser esclarecidos.
- Imagino que terá de passar o dia inteiro lá, então. - disse levemente chateado, mas o olhou com curiosidade.
- Já tinha outros planos? - ela sorriu e não se conteve em pensar o quanto se sentia bem ao fazer isso, como os músculos pareciam relaxar enquanto seu rosto se iluminava em um sorriso. a olhou com uma expressão desconfiada, mas apenas riu, balançando a cabeça.
- Recebi uma mensagem do , parece que ele e o querem fazer uma visita surpresa à na Pineapple Studios. Ela vai passar o dia inteiro lá, ensaiando para o solo que foi escalada a interpretar.
- É mesmo? - bateu palmas e pulou um pouco sobre o banco, embora o cinto de segurança tenha a segurado de maneira brusca. - Isso é ótimo! Tenho certeza de que ela se sairá muito bem, mal posso esperar pelos lugares privilegiados na plateia para assistir à apresentação. Desde que nos conhecemos, ela só me mostrou alguns vídeos que estavam no YouTube. - ela disparou a falar, mas depois parou subitamente. - , mas eu não vou poder ir. Realmente preciso ter essa conversa com Fletch.
- Como quiser, minha linda. - ele descolou uma das mãos do volante e tateou, às cegas, até encontrar com a mão de e fez carinho sobre a palma com as pontas dos dedos. - Pode deixar que eu digo a ela que mandou um beijo enorme e um abraço maior ainda. - os dois riram e continuaram o caminho conversando de tudo um pouco.

- Valeu pela carona, , mas achei que nunca chegaríamos. - saltou do carro e deu a volta para acompanhar o amigo em direção ao elevador que os levaria até a gravadora.
- Não reclama, o trânsito de Londres não estaria muito melhor se você estivesse dirigindo. - ele zombou e recebeu um soco no braço. - Foi mal, só estava brincando. - ele se esgueirou entre o amigo e o painel e apertou o botão do andar.
- Então, já combinou com os outros sobre nossa visita surpresa? - escorou-se sobre a parede do elevador e começou a mexer no zíper da jaqueta distraidamente.
- Achei que você tivesse ficado responsável pelo , eu já avisei o . - deu de ombros, torcendo levemente o nariz quando mencionou o outro companheiro de banda.
- Ainda de picuinha com ele? - o olhou seriamente e cruzou os braços. Daquela conversa, não escaparia tão facilmente.
- Não é bem isso. - tentou se esquivar, mas apertou o botão de emergência do elevador e o mesmo estagnou.
- Ande, temos tempo para isso. Me diga o que falta? - ele obstruiu a passagem até o painel de botões, o qual tentava alcançar. - Desista , estamos em um momento para começar de novo, então porque não se abre comigo? Poxa cara somos amigos há anos! - ele disse indignado e se encolheu.
- Ele dormiu com a minha namorada. - disse levemente ressentido, mas totalmente inseguro sobre se o que estava falando era território seguro para envolver o amigo.
- Não, foi isso que aconteceu: estava fora de si, ela seduziu o , eles se encontraram na gravadora, fizeram sexo, mas eu cheguei a tempo de impedir que concluíssem o ato. Foi isso. - disse com uma calma forçada. A verdade era que ele não queria tratar daquele assunto de modo tão frio e calculista porque, afinal, surpreender sua irmã e seu amigo juntos, tão íntimos havia sido a pior parte de tudo aquilo.
- Você diz como se fosse simples como dois mais dois. - encolheu os ombros e afundou ainda mais na parede do elevador.
- , pensa bem, a não fez por mal e eu tenho certeza de que ela não disse em momento algum que amava o . Foi puro prazer carnal não tinha nada do que vocês dois têm. Pode confiar em mim quanto a isso. Você precisava ver o quanto ela ficou mal quando viu que havia saído na revista, ela estava apavorada que você fosse deixá-la e que nunca mais a perdoaria. Ela se arrepende disso, me surpreende que vocês não tenham tido essa conversa ainda. - encolheu o corpo como se recebesse um soco no estômago. Sim, eles já haviam tido aquela conversa.
- Ela me explicou tudo quando passou a noite lá em casa e depois... depois que fizemos amor ela disse que me amava. - suas bochechas estavam vermelhas agora, ele nunca se sentira tão mal por pensar errado de .
- Está vendo? Foi exatamente o que eu disse. - gesticulou largamente. - Agora larga essa marra com o , ele só teve um momento de fraqueza e, devo dizer, eu também teria tido. - o olhou com a expressão fechada e logo percebeu que havia falado mais do que deveria. - , se você quiser, depois eu explico detalhadamente o que aconteceu enquanto você esteve longe, mas, por favor, por favor, acredite que isso não fará bem algum a você, só colocará dúvidas desnecessárias em sua cabeça. está tomando remédios, ela está de volta a si, vai interpretar um solo e eu tenho certeza de que se sairá perfeitamente bem, ok?
- Ok. - se afastou e apertou o botão vermelho novamente, fazendo com que o elevador voltasse a funcionar.
Chegaram à gravadora e todos os outros os esperavam. Depois de Fletch explicar o que os aguardava naquele dia, ele se retirou com para a sala dele e fecharam a porta, junto com todas as persianas que cobriam sua sala cheia de janelas. Eles trocaram olhares, mas depois deram de ombros quando explicou com o que eles estariam lidando. Foram para a sala de reuniões onde se espalharam pelas cadeiras, mas observou ficar levemente desconfortável ao se acomodar na ponta oposta à que ele estava e, assim que virou seus olhos na direção de , notando o desconforto do amigo ele se ligou: aquele era o lugar onde e haviam feito sexo.
Foi a vez de se encolher na cadeira, a náusea o tomando por completo. Ele precisava sair dali, precisava ir atrás de e ouvir da boca dela que aquele momento não havia passado de um grande erro. Mas como poderia? E por que estaria disposto a desenterrar aquele fato se ele corria o risco de deixar a namorada chateada? Não, ele precisava enfiar todas as perguntas e a insegurança goela abaixo, pelo menos enquanto não decidisse contar a ele tudo o que saiba.

- Então , estou surpreso de vê-la aqui no escritório hoje, tantas coisas aconteceram que eu pensei que você tivesse desistido. - Fletch acomodou-se em sua cadeira reclinável e olhou de lado para que se mantinha sentada ereta em sua cadeira, do outro lado da mesa.
- Eu achei que já era hora de contar a você tudo o que vem acontecendo, não só comigo, mas com todos nós. - ela respirou fundo antes de soltar um suspiro pesaroso. Estava se tornando cada vez mais difícil desenterrar aquelas feridas, os meses passados. - É injusto que você pense que uma onda de loucura nos acometeu desde que chegamos a Portugal, mas eu te garanto que as circunstâncias foram muito mais graves.
Então ela contou sobre sua relação com desde o começo, a amizade que dera origem ao McHate.com, como elas conseguiam as informações exclusivas. Quando ela chegou à Londres, pois seu pai se casaria com a mãe de , a repentina viagem à Portugal, o interesse de seu primo na amiga, o seu interesse em . O acidente, a descoberta do blog, os meses que passaram sozinhas e ignoradas, o quanto definhava com a doença na cabeça, e sofrendo, ela e sofrendo. A volta da mãe de e como isso foi a gota d'água para tudo. Os pesadelos, as pazes, o remédio e tudo o mais até chegarem à atual data e ela escorregar pela cadeira, sentindo-se cansada e ainda com as lágrimas entaladas na garganta.
- Bem , eu fico muito chocado em ouvir toda a história e agora compreendo o comportamento de todos vocês. Nossa, você não faz ideia de como tudo faz sentido agora. - Fletch arregalou os olhos enquanto arrumava os cabelos negros com as duas mãos pelo o que deveria ser a milésima vez. - Mas quanto ao McHate.com, se você tivesse me contado... eu, eu teria lhe dado as informações sem hesitar, você sabe disso. - ele suspirou, levemente derrotado.
- Mas Fletch, você deve entender que eu e não queríamos que os visitantes soubessem quem nós éramos, era isso que fazia o blog ser tão visitado e comentado. - disse com orgulho na voz, os olhos brilhando ao se lembrar de todo o mérito das milhares de visitas que o blog acumulara em seu longo tempo de funcionamento no anonimato. - Mas quando o Nick descobriu, quando ele... quando ele tentou matá-la, - sua voz falhou por um momento e ela balançou a cabeça tentando se recompor. - eu sabia que havíamos ido longe demais com tudo isso. E depois que ele anunciou para os rapazes, eu mal pude suportar os olhares que eles nos mandavam. Foi como ser traída pelo próprio experimento, sabe? e eu, nós... nós ficamos desnorteadas por um tempo. Eu até pensei em largar meu trabalho aqui e voltar para Portugal, mas... ela precisava de mim sabe? Meu primo precisava de mim também porque ele a amava e estava sofrendo com a traição, sofrendo por querê-la tanto.
- Eu realmente não fazia ideia disso tudo , mal consigo imaginar o quanto vocês todos sofreram durante os últimos meses. Depois que e voltaram a se falar, eu percebi que ele estava mais feliz, mas ao mesmo tempo estava com um olhar assustado, como se estivesse perdido. E quando você disse que a mãe dela voltou, então tudo desbarrancou de uma só vez, todos vocês ficaram assustados, eu até mesmo diria apavorados. Ficava difícil dizer se algum de vocês estaria prestes a pular da janela ou fazer alguma coisa estúpida.
- Mas nós fomos fortes, isso é o que importa. E agora as coisas estão finalmente voltando ao normal então... - ela esfregou as mãos. Aquela era a que o empresário conhecia. - Quando retomamos a agenda da banda?

Capítulo 66.

- Onde você disse que era a escola mesmo? - tomava o caminho à esquerda pela quinta vez, se esquecendo de que era o errado. bufou, inquieto no banco do carona, assim como e , que resmungaram no banco de trás.
- Por que eu deixei você dirigir mesmo? - bateu na cabeça do amigo, o fazendo frear o carro bruscamente.
- Mas que droga, ! Eu disse que você dirige feito mulherzinha, agora me diz logo como chegar à Pineapple Studios. - esbravejou, batendo no volante.
- É , fala logo, senão vamos perder o ensaio da ! - protestou , cruzando os braços, desgostoso.
- Tá bom, tá bom! - gritou . - Assim que você sair daqui, já que é a quinta vez que você pega o caminho errado, siga reto por duas quadras, pegue o retorno para a rua principal, onde estávamos e pegue a DIREITA até chegar à avenida e pronto. Estaremos lá. - ele socou as costas de volta ao banco.
- Ahhhhh agora sim, - engatou a ré e pisou fundo no acelerador. - vamos começar de novo então. - ele voltou para a rua principal, deixando seus amigos assustados.
- Ficou louco? Poderíamos ter batido. - pronunciou-se agarrado à porta.
- Bobagem. - balançou a mão no ar em descaso. - Agora, , me explica direito a porra desse caminho.
revirou os olhos e explicou detalhadamente conforme seguiam em frente, parecendo até um GPS programado. Em quinze minutos eles apontavam dentro da Pineapple Studios, dando sorte de pegar ainda ensaiando. A secretária os liberou para adentrar a sala, dizendo que não haveria problema, mas eles não gostaram nada do que viram no momento em que pisaram lá dentro.
Rihanna cantava em alto e bom tom pelos alto falantes a música Only Girl (In The World) e a treinadora de permanecia em pé, ao lado do aparelho de som e de costas para a parede de espelhos que cercava um dos lados da sala. No centro da mesma, movimentando-se em sincronia estavam a mais nova e um rapaz de cabelos negros, vestindo calças largas e uma regata branca, deixando à mostra seus delineados músculos tanto dos braços quando do abdômen. Ele e se entretinham com os movimentos, mais parecendo que ele a dominava como se fazia a uma boneca sem vida. O corpo leve e esguio de dançava por entre as mãos do homem, a intimidade entre eles chegando a chocar .
A música parou e não foi porque ela havia terminado, Sheila apertara algo no controle remoto e agora ela parecia apenas um murmúrio saltando das caixas de som. e o misterioso rapaz sorriram um ao outro e trocaram um selinho rápido. O queixo dos integrantes do McFly foi abaixo, simplesmente não dava para acreditar no que estavam vendo. Ele ainda segurava a garota pela cintura, seus rostos suados muito próximos. cerrou os punhos, queria muito socar quem quer que ele fosse.
- Ainda não acredito que você está aqui, senti tanto a sua falta. - abraçou o rapaz pelo pescoço, praticamente pendurando-se nele.
- Eu sei, eu sei querida. Quando Sheila ligou para mim e me contou as novidades eu mal pude me conter, precisava vir vê-la. - respondeu ele, a voz um pouco rouca e ofegante pelo cansaço.
- Sabia que ele seria de grande ajuda por aqui, - a moça havia se aproximado dos dois e conversavam em um tom normal, dando para ser ouvidos pelos quatro rapazes petrificados próximos à porta da sala. - quero que ele me ajude a treiná-la. Ninguém a conhece melhor do que você, Damen.
- Ficarei honrado Sheila, vamos fazer da nossa menina a estrela que queremos para esse solo. - ele disse fazendo dar uma voltinha, o sorriso da menina tornando-se envergonhado.
- Já tem uma música em mente? - ela perguntou a Sheila, voltando a se agarrar à cintura de Damen.
- Claro, mas primeiro vou mantê-la em segredo, vamos treinar melhor suas habilidades, será um trabalho muito detalhista. - a mulher disse em tom de suspense fazendo a mais nova soltar um gemido de desgosto.
- Damen, depois você vai me contar. - ela intimou o rapaz cutucando-lhe o peito e ele jogou a cabeça para trás, dando uma risada.
- Só em sonho, pequena, deixe de ser curiosa. - ele a soltou e começaram a caminhar para o canto oposto ao que os meninos estavam. Lá, alcançou a toalhinha e a garrafa d'água, recompondo-se. Finalmente, ela teve o primeiro vislumbre de que tinha plateia. Uma plateia bem chocada, diga-se de passagem.
- Venha, quero que conheça algumas pessoas. - ela disse sorrindo enquanto puxava Damen pela mão, aproximando-se dos quatro que se apressaram em disfarçar as caras espantadas e irritadas. - Damen, estes daqui são meus amigos: é o meu meio irmão, papai vai se casar com a mãe dele; - o rapaz soltou um murmúrio de compreensão e esticou a mão na direção de o qual, mesmo relutante, a pegou e cumprimentou-o. - é o meu namorado, ele é primo da , lembra-se dela? - ela continuou animada enquanto Damen cumprimentava a , concordando que se lembrava da Srta. . - Esse é o , ele é o namorado da e aquele é o , sem títulos especiais a não ser o de amigo de todos nós. - ela sorriu um pouco sem jeito enquanto Damen cumprimentava a . - Meninos, esse é o Damen, meu tutor de ballet desde que eu era pequena. - ela o abraçou de lado sorrindo orgulhosa.
- Nem preciso dizer que você não mudou nadinha não é? Sempre a garota agitada e risonha que eu conheci. - ele a beijou na bochecha fazendo-a rir envergonhada.
- E você sempre me dava uma bicota para chamar a minha atenção para você. - revirou os olhos ainda rindo. - Mas eu não tinha culpa que as aulas de ballet fossem tão monótonas.
- Não eram monótonas! - ele protestou, fazendo-se de ofendido. - Não aprendeu nada com o Jullian nas aulas de piano clássico? - rebateu ele.
- É, nisso você tem um pouco de razão. - ela concordou, derrotada. - Falando nisso, como ele está?
- Ainda com os alunos particulares, mas foi chamado para lecionar na orquestra da Dinamarca. - Damen disse animado.
- Isso é ótimo! - por um momento, havia se esquecido de que os meninos ainda estavam lá, deixando-os completamente de lado e aquém sobre o que eles conversavam. - Eu disse a ele que um dia seria chamado para lá.
- Você estava certa, devo admitir. - o rapaz sorriu mais uma vez. - Bem, mas agora temo que seus amigos vieram te buscar. Nos vemos amanhã? - ele direcionou o olhar à Sheila.
- Amanhã, às três, estejam dispostos! - avisou ela.
- Estaremos! - Damen e disseram juntos.
- Foi um prazer conhecê-los, garotos McFly. - ele disse sorrindo acenando com a cabeça. - Até amanhã querida. - despediram-se com dois beijinhos na bochecha e deixou a sala com os quatro rapazes em seu encalço.
Entraram no carro no mais profundo silêncio. foi no banco do carona e estava ao volante, , e se espremeram no banco de trás. A menina estava estranhando o silêncio mórbido, por isso resolveu olhá-los e ver o que acontecia. Acabou por encontrar quatro pares de olhos fulminantes sobre ela. E tudo o que fez foi rir. Sim, rir, porque ela sabia exatamente o que os estava deixando tão bravos. Era o ciúme.
- Eu não acredito que vocês estão com ciúmes do Damen. - a exclamação foi mais direcionada a e que pareciam os mais infelizes daquela história. - Meninos, ele é meu instrutor de ballet desde que eu me conheço por gente. - os rapazes soltaram um "hum" insatisfeitos e cruzaram os braços. - Ele é gay. - ela disse lentamente e recebeu "hum"s de compreensão, um pouco mais aliviados. - E está casado com o meu tutor de música, Jullian. - dessa vez os "hum"s foram de pura compreensão e alívio, arrancando ainda mais risos da menina. - Não sejam tolos, - ela disse descontraída voltando a olhar para frente. - eu nunca beijaria um homem casado sem ter algo a mais com ele. - o silêncio instalou-se no carro e encolheu os ombros antes de olhá-los, tão irritados e fulminantes quanto estavam antes. - Ele é gay, pessoal, gay. Não gosta de mulheres, não gosta de garotas como eu ok? Argh, será que podemos ir? - ela revirou os olhos e cruzou as pernas, apoiando a cabeça sobre o encosto do banco e olhando na direção oposta à dos garotos, evitando seus olhares enciumados.
e já haviam ficado em suas casas quando , e adentraram a cobertura de Edward . O homem estava à mesa de jantar, cercado de papeis e com o celular pendurado em um dos ombros. Parecia mais uma daquelas conversas chatas de negócios das quais preferia passar longe. e ainda estavam emburrados pelo episódio de Damen e ela queria, de uma vez por todas, esclarecer que tudo não passava de uma brincadeira.
- Papai, - ela chamou assim que Edward desligou o telefone, chamando a atenção dele para si. - quer, por favor, explicar a esses dois a minha relação com Damen?
- Damen está em Londres? - ele franziu o cenho, surpreso.
- Chegou hoje, - começou animada. - ele vai me ajudar no solo da Pineapple Studios. - ela deu alguns pulinhos, mas logo se lembrou dos dois rapazes postados atrás de si.
- Damen é um amor de pessoa. - Edward deu de ombros sem saber muito bem como explicar. - Foi que juntou ele e Jullian. Fomos ao casamento, um casal muito simpático. - ele sorriu na direção da menina.
- Eles ficaram incomodados porque Damen e eu trocamos um selinho. - disse em tom de deboche, rindo. Edward encarou bem e que estavam ficando constrangidos.
- Ah com isso vocês não devem se preocupar, faz isso desde que tinha cinco anos de idade. - ele deu de ombros. - E a única coisa que Damen espera de uma mulher é alguém com quem possa discutir sobre bolsas, sapatos e roupas da moda. - ele riu olhando para a filha. - Não fiquem assim meninos, Damen não irá interferir nos assuntos de vocês.
Terminada a conversa, puxou para o andar de cima. A empregada já havia passado por lá, portanto estava tudo em seu lugar depois da noite que tiveram juntos. Ela fechou a porta e segurou-o no rosto, tocando seus lábios nos dele. Mal o beijo começou, virou a cabeça na direção oposta, mas ela não desistiu, descendo os lábios úmidos na direção do pescoço dele... até que ele se afastou.
- Eu já sei, estou toda suada, vou tomar um banho e depois nós podemos... - começou ela, apontando sobre o ombro na direção do banheiro, um pouco sem jeito pelo descaso de .
- O que exatamente aconteceu entre você e o ? - disse sem desgrudar os olhos das janelas do quarto da menina, sua voz séria e com um toque de nervosismo ecoando nela.
caiu sentada sobre sua poltrona de leitura, pega de surpresa. Para ela, eles já haviam superado aquele momento de sua vida, mas parecia que não. estava mesmo querendo saber o que havia acontecido entre ela e desde o momento em que ele se retirara para o interior. Aquilo não poderia ter vindo em hora mais oportuna.

Capítulo 67.

girou a chave e adentrou a casa escura tentando equilibrar sua enorme bolsa em um ombro e as pastas e cadernos em um dos braços. Largou o chaveiro sobre a mesinha que havia no hall de entrada, tirou os sapatos e ajeitou o tapete em que pisava, o qual estava com a ponta dobrada para dentro. Por último, acendeu a luz. Tentou não pensar que estava sozinha em casa, aquilo só serviria para assustá-la. O fato era que adorava ter a casa cheia e sentia falta da época em que o McFly vivia por lá, mesmo porque a casa de seu primo era a maior de todas.
Agora lá estava ela, sozinha, e no mais completo silêncio, ainda segurando as pastas do trabalho enquanto encarava a sala vazia. Tratou de balançar a cabeça afastando aqueles pensamentos e desceu os dois degraus que separavam o hall da sala de estar, largou as pastas sobre o sofá e pegou o controle para ligar a TV de tela plana. Colocou em um canal qualquer de música e aumentou o volume até que a voz de Hayley Williams ecoasse por todo o andar térreo da casa e seguiu para a cozinha, mas não sem antes ligar os abajures de leitura que ficavam ao lado do sofá.
Pela primeira vez não sabia o que gostaria de comer para o jantar. Estava com preguiça de cozinhar algo, mesmo que fosse só para colocá-lo no micro-ondas ou no forno, por isso seguiu até uma das gavetas da bancada e caçou pelo cardápio de comida chinesa. Abriu-o e passou os olhos rapidamente pelas opções, sem nada interessar-lhe. Bufou, frustrada, e resolveu buscar outro cardápio, quem sabe o de uma pizzaria. Só que o da pizzaria ficava na mesinha do telefone que, por sua vez, ficava na sala...
- Ai meu Deus! Quer me matar ? - deu um sobressalto, jogando o menu acima da cabeça para, com uma das mãos tapar os olhos e com a outra pousar sobre o peito. - Quer acabar com o crânio rachado é? Porque eu sei me defender. - ela disse ainda histérica com a respiração descompassada. estava parado, os olhos piscando em sua direção como duas bolas inexpressivas.
- Calma, pensou que fosse quem? Jack, o Estripador? - disse ele achando graça enquanto cruzava os braços e apoiava-se na parede de azulejos da cozinha. fechou os olhos e respirou fundo.
- Como entrou aqui? - perguntou ela, endireitando-se, tentando não parecer rude.
- Você não trancou a porta. - ele apontou por cima do ombro na direção da porta de entrada. - Seu primo me deixou em casa depois do ensaio, mas eu resolvi vir para cá te esperar chegar da gravadora. Eu ia tocar a campainha, mas primeiro verifiquei a porta e ela estava aberta. Aí eu entrei, como nos velhos tempos. - deu de ombros, por fim.
- Como foi o ensaio? - passou ao lado dele e saiu em direção à sala, acendendo as luzes para iluminar o ambiente.
- Foi estranho. - franziu a expressão lembrando-se do que havia visto. - Tinha esse cara, o Damen, acho que era esse o nome dele, ele e a estavam muito íntimos.
- Oh, então você conheceu Damen?! - virou-se para o namorado com o olhar radiante.
- Ah não, até você? O que ele tem de tão especial, afinal de contas? - disse com a expressão emburrada. Na verdade não tinha nada contra Damen, só ainda achava estranho que ele e tivessem uma relação tão... íntima. E, ao que parecia, agora também parecia conhecê-lo melhor do que ele esperava.
- Nada em especial, ele só é super simpático e atencioso! - deu de ombros, tentando se esquivar da expressão desgostosa de . - Ele fez muito bem a quando a mãe dela foi embora e acho bom que esteja ajudando-a no novo solo, vai contribuir para sua recuperação. - o sorriso que a menina deu foi o suficiente para derreter a marra de e ele também sorriu.
- Você sente falta dela, não é? - observava enquanto a menina ainda estava à procura do cardápio de pizza.
- Às vezes eu sinto como se ainda não tivéssemos saído do computador. - ela suspirou. - Mas ela está se recuperando de uma longa fase conturbada, não a culpo se não tivemos oportunidades de ir ao shopping ou simplesmente nos sentar e passar a tarde toda comendo e assistindo televisão.
- Uma hora vocês terão tempo, não se preocupe. - incentivou ele. - Quem sabe quando e Edward marcarem a data do casamento vocês não consigam passar horas juntas em lojas de vestidos, doces, bolos e salões de beleza?
riu, finalmente encontrando o que procurava. Tirou o cardápio da Domino's e abriu-o procurando por um sabor que a agradasse. Não demorou muito e sentiu a cabeça de se empoleirar em seu ombro para poder acompanhar com ela a escolha dos sabores.
- É, talvez você tenha razão. - disse ela fechando o cardápio e alcançando o telefone para fazer o pedido.

- Então foi isso o que aconteceu. - , debruçada sobre as pernas, os cotovelos apoiados nos joelhos, juntou as mãos diante do rosto e respirou fundo. estava sentado diante de si, na borda da cama e encarava o chão.
Ao contrário do que a menina havia pensado, conseguira contar tudo o que havia lhe pedido sem cair aos prantos, podendo lhe entregar todos os detalhes e esclarecer de uma vez por todas aquela parte de sua vida. a ouvira do começo ao fim, ora ou outra lhe olhando nos olhos, por vezes os desviando para um ponto fixo do quarto. Conversaram como adultos, não teve a intenção de esconder nenhum detalhe e ele não se recusou a ouvir.
- Eu vou tomar um banho agora e deixar você absorver tudo, ok? - ela se levantou, tocou-lhe o ombro levemente e ajuntou uma muda de roupas antes de seguir para o seu banheiro sem receber uma única resposta de .
Ao fechar a porta do banheiro atrás de si, respirou fundo piscando longamente. Despiu-se das roupas de ensaio que ainda estavam meio úmidas de suor e abriu o chuveiro, ajustando-o a uma temperatura nem muito quente e nem muito fria. Queria, depois de deixar o banho, se envolver em roupas quentes e confortáveis, se sentar na sala com seu meio irmão e assistir a um programa de televisão qualquer. tinha quase certeza de que deixaria seu quarto enquanto ela estivesse ali, debaixo d'água e, por mais que aquilo doesse, talvez fosse melhor.
Agora com ambas as mãos apoiadas logo acima dos registros e a cabeça abaixada, deixando que o cabelo molhado pesasse sobre seu rosto, notava que havia mais água caindo e que esta vinha diretamente de seus olhos. Tratou de endireitar suas costas rapidamente e deixar seu corpo todo debaixo d'água. Fungou e passou as mãos sobre o cabelo para tirá-lo de seu rosto, inclinando a cabeça para trás. Enquanto deixava a água morna lhe tomar o rosto, sentiu sua cintura ser envolvida por braços secos e fortes. Colocou as mãos sobre os antebraços e deixou que seu tronco grudasse ao peito nu e seco que estava logo atrás dela. Os olhos direcionaram-se para baixo, bem como o queixo que encostou ao peito enquanto a cabeça se encostava ao ombro do outro.
virou-se de frente e observou o rosto de bem em frente ao seu, os cabelos ainda secos e uma cortina de vapor entre eles. deixou uma de suas mãos pousadas sobre o quadril de e a outra subiu em direção à sua bochecha molhada. Ela inclinou a cabeça na direção do toque, fechando os olhos e se deixando voltar a chorar. nada disse, apenas puxou-a para fora da ducha e deixou que seu rosto descansasse em seu ombro nu, seu corpo se umedecendo com as gotículas que deixavam o dela.
- Está tudo bem. - ele disse passando a mão sobre os longos cabelos molhados de . - Vamos deixar isso para lá, não vale a pena.
Quando tremeu, se corpo já frio por estar fora do chuveiro, decidiu que deveriam voltar para debaixo d'água e assim os guiou para frente, também molhando-se. Tomaram banho juntos, sem nada a dizer, mas os olhares que trocavam diziam muito mais: tudo estava bem entre eles, finalmente. Sem ressentimentos.
- Nossa, que demora, achei que tivesse ido tomar banho lá no Japão. - resmungou enquanto via a meia irmã sentar-se ao seu lado no sofá. Ela vestia calças de moletom e um cardigan confortável. Os cabelos não pingavam mais, mas não estavam completamente secos. , que sentou ao seu lado, tinha algumas pontas de seu cabelo grudadas na testa e que também estava molhado. - Oh, agora vejo porque demoraram. - torceu o nariz e encostou-se novamente no sofá.
- , acho melhor parar com essa crise de ciúmes boba. - disse enquanto o cutucava, sabendo que ele tinha cosquinha pelo tronco. - Você sabe que eu te amo e que não trocaria um tempo com você por nada nesse mundo. - agarrou o bíceps desenvolvido do mais velho e escondeu seu rosto ali, rindo.
- Tem algum filme bom passando? - sem que percebessem, havia roubado o controle remoto e passava por entre os canais impaciente.
- Ali! Para! - gritou, agarrando a mão de que segurava o controle.
- "O Amor Não Tira Férias"? - resmungou com a voz sofrida. - Você já não assistiu esse filme, sei lá, umas cem vezes?
- Façamos dessa a centésima primeira então! - sorriu, procurando apoio nos olhos de .
- Eu vou fazer a pipoca. - ele disse com um sorriso enquanto lhe devolvia o olhar.
- Obrigada. - ela movimentou os lábios sem fazer som algum.
- Eu vou pegar cerveja, vou precisar de um porre para passar por esse filme. - resmungou também se levantando do sofá e seguindo para a cozinha.
- Não se esqueçam da manteiga na pipoca e o refrigerante! - gritou enquanto juntava todas as almofadas da sala e as colocava ao seu redor, fazendo uma espécie de forte confortável. Era assim que ela costumava fazer quando tinha visitas em casa, embora agora não se tratasse de visitas, mas sim, de sua própria família.

Capítulo 68.

- Deixa que eu levo. - disse baixinho enquanto enrolava a manta ao redor de e se preparava para carregá-la até o andar de cima. Não fazia muito tempo que ela pegara no sono, pelo menos desde que os meninos concordaram em assistir De Volta para o Futuro, de novo.
- Não se esqueça de que ela tem que tomar o remédio. - lembrou-lhe enquanto ajeitava nos braços.
- Ok, vou acordá-la assim que chegarmos ao quarto. - e assim seguiu até as escadas, pisando lentamente e verificando, a todo o momento, se a menina não se chocaria em alguma coisa.
Empurrou a porta do quarto com o pé, visto que ela se encontrava levemente encostada, e partiu para a cama. Com o movimento do mesmo pé, conseguiu puxar a borda do lençol que caía quase até o chão e a deitou sobre o colchão, ajeitando a manta para que não lhe cobrisse o rosto. Afastou-se lentamente para observá-la, estava com pena de despertar algo tão belo e que parecia dormir pela primeira vez sem o auxílio de remédios e, para a surpresa dele, sem acordar aos gritos pouco tempo depois. O remédio estava realmente fazendo efeito e era por isso que deveria acordá-la em primeiro lugar.
- ? - ele tocou-lhe o ombro levemente, sabia que sua mão estaria gelada em relação ao corpo da garota e esperava que assim ela logo despertasse. - , acorda. - tentou de novo, dessa vez lhe sacudindo um pouco. A menina cerrou os olhos, mas não pareceu surpresa em vê-lo ali.
- Que horas são? - perguntou levando as mãos à cabeça para tirar algumas mechas de cabelo que lhe caíam sobre o rosto.
- Pouco mais de meia noite. - ele respondeu enquanto alcançava a jarra com água e servia um copo. - Você precisa tomar o remédio. - pegou a cartela de comprimidos e entregou-lhe, já que havia se sentado.
- Não quer passar um tempo comigo? - perguntou ela tomando um gole de água, mas recusando o remédio por ora.
- Eu adoraria, meu amor, mas amanhã você não tem ensaio? - quis saber o rapaz, voltando a se sentar na borda da cama. Tocou-lhe a mão.
- Só às três. - deu de ombros. O silêncio prevaleceu por alguns segundos. - Então está tudo bem entre nós? - quis saber enquanto um brilho lhe tomava os olhos. Não, não queria que ela chorasse novamente.
- Está. - garantiu ele enquanto acarinhava o rosto da mais nova enxugando as lágrimas que deixavam-lhe os olhos. - Não chore. - pediu um pouco incomodado. respirou fundo e olhou para cima, agora as próprias mãos enxugando o rosto.
- Tem razão, desculpe. - fungou e apertou as mãos do namorado com as suas, úmidas. - É só que... eu não suportaria perdê-lo de novo por um erro que cometi. - sua voz deu uma leve balançada e ela fungou mais uma vez.
- Você estava doente, eu não lhe culpo. Foi só uma curiosidade sórdida de minha parte, nada mais. Agora já passou. - lhe massageava as mãos enquanto seus olhos intensos mantinham os de presos a ele.
- Acho que nunca conseguirei parar de pedir desculpas. - riu a menina usando o dorso de uma das mãos para enxugar o rosto novamente.
- Não faça isso consigo mesma, precisa se perdoar uma hora ou outra. - ele sorriu um pouco sem jeito. falando sobre perdoar quando ele mesmo havia relutado em perdoá-la. A vida poderia ser cretina às vezes.
- Farei isso. - ela garantiu. - Você também deveria tentar. - alfinetou ela, sem querer.
- Pode acreditar, estou trabalhando nisso. - riu do conselho. Ele, definitivamente, estava tentando. - Agora, por favor, vamos esquecer isso ok? Eu não quero mais vê-la chorando, - ele passou os polegares sob os olhos úmidos de , acabando de vez com suas lágrimas. - não quero mais vê-la triste, - beijou-lhe a testa enquanto massageava os longos cabelos da menina com as pontas de seus dedos. - e principalmente quero vê-la feliz, porque eu te amo, - beijou-lhe os lábios demoradamente. - e você será destaque em uma apresentação de dança e seu instrutor de ballet estará ao seu lado. Ok? - sorriu ele, grudando suas testas.
- Ok. - respondeu e se separaram. Ela finalmente aceitou o comprimindo, engolindo-o no primeiro gole de água. - Te vejo amanhã? - quis saber, o olhar um pouco manhoso.
- Talvez, - brincou fazendo cara pensativa, porém não segurando a expressão séria por muito tempo. - é claro que sim. Vou dar um jeito de lhe buscar na academia, já que o parece ser uma negação no que diz respeito a novos caminhos. - ambos riram e despediram-se com um beijo que, quando começou a avançar o sinal, precisou ser interrompido, pois bocejava. - Até amanhã, amor. Durma com os anjos.
desceu as escadas chamando a atenção do amigo que havia mudado de canal. Estava tentado a ficar e velar pelo sono da amada, mas precisava voltar para casa e conversar com a prima. Algo lhe dizia que aquela conversa com Fletch não havia sido mera coincidência.
- Estou indo nessa , nos vemos amanhã no ensaio. - ele pegou as chaves do carro e ajeitou o casaco sobre os ombros.
- Falou. - respondeu acenando com a cabeça, mas logo voltando a prestar atenção na mudança de canais. Ele não demoraria a pegar no sono.

estranhou ao se deparar com a porta da frente destrancada, ainda mais quando já passava da uma da manhã. Adentrou a casa em silêncio, deixando os tênis debaixo da mesinha que havia no hall e caminhou lentamente até a sala, de onde provinha a luz da televisão ligada. Ia abrir a boca para falar com a prima, mas parou ao perceber uma cabeça a mais na sombra projetada pela TV. Então estava com , concluiu.
Estava pronto para começar uma conversa, mais uma vez, mas foi interrompido ao ouvir o suave, porém notável, ronco do amigo ecoar calmamente pela sala e teve de segurar o riso. Caminhou nas pontas dos pés até o sofá em que eles se encontravam e os achou, ambos dormindo, com a cabeça sobre o ombro de e o mesmo com a cabeça apoiada no encosto do sofá. Sua boca estava levemente aberta. Uma caixa de pizza jazia quase vazia na mesinha de centro e aproveitou para roubar um pedaço, sempre amando comer pizza fria. Desligou a TV e, surpreso, deixou o casal ainda adormecido na sala, seguindo para o próprio quarto.
Definitivamente precisaria conversar com a prima na manhã seguinte. Isso se ela notasse que ele sequer havia voltado para casa.

deslizou a porta de vidro que dava para a sacada. Estava um dia nublado, porém um pouco abafado, ela notava isso já que vestia leggings pretas até o tornozelo e um longo e grosso moletom na parte de cima, tanto que as mangas lhe cobriam as mãos. Encontrou o meio irmão ali, largado sobre uma das espreguiçadeiras mexendo em algo no celular. Procurara por ele em toda a casa e, ao constatar que as chaves de seu carro ainda estavam ali, resolvera procurar no último lugar onde esperaria encontrá-lo: a sacada.
- Oi. - disse ele levantando os olhos da tela brilhante do celular. - Dormiu bem?
- Dormi. - respondeu ela enquanto fechava a porta atrás de si. Caminhou lentamente na direção dele e aproveitou as pernas abertas de para se aconchegar entre elas, aninhando-se em seu peito largo e coberto por uma simples camiseta verde.
- Está tudo bem? - quis saber ele afagando-lhe os cabelos. há muito não se parecia fragilizada como estava naquele momento.
- Estou com um pouco de cólica. - murmurou a menina, um dos braços envolvendo o abdômen e o outro seguindo em direção ao rosto, para que ela pudesse colocar o polegar entre os lábios, mordendo a pele distraidamente.
- Quer faltar ao ensaio hoje? Eu posso ficar com você, se quiser. - sugeriu ele, envolvendo-a em um abraço leve. aproveitou para se encolher.
- Não precisa, eu tomo um remédio antes de ir. - disse com a voz baixinha e levemente dolorida. - Só quero passar esse tempo com você.
Sem que se dessem conta, pouco tempo depois ambos caíam no sono. , à procura de para ter sua opinião sobre os novos esmaltes que viera testando, deu um leve sobressalto ao encontrar ambos os irmãos adormecidos do lado de fora do apartamento. Com todo o barulho de cidade grande, ela achou estranho que eles pudessem descansar diante de tanto caos. De qualquer forma, deixaria as perguntas a mais nova para mais tarde.
- e estão dormindo na sacada. - comentou ela para e Edward que se encontravam à mesa da cozinha, tomando o café da manhã. Os adultos se entreolharam surpresos, mas apenas sorriram para a jovem que se juntou a eles na mesa. Mais tarde, pegou uma manta e seguiu para a sacada, deixando-a escorregar levemente sobre e , cobrindo-os para caso sentissem frio.
Era quase uma da tarde quando despertou, assustada e desnorteada. Havia perdido a noção do tempo. Sentou-se, deixando a manta escorregar até sua cintura e observou o rosto adormecido de . Por quanto tempo eles haviam dormido? Esticou-se para pegar o celular do meio irmão e se deu conta do horário, precisava se aprontar para o ensaio e , pela quantidade de mensagens e chamadas não atendidas, para o ensaio na gravadora.
- . - ela o chamou balançando seus ombros. - acorde, você precisa ir para a gravadora.
O rapaz deu um sobressalto, fungando e limpando o traço de saliva que lhe escorria pela lateral da boca com as costas da mão.
- Que horas são? - quis saber enquanto esfregava os olhos, ainda sonolento.
- Quase uma da tarde, acho que perdemos o almoço. - refletiu ainda sentada entre as pernas do mais velho.
- Ainda está com cólica? - acariciou-lhe as costas, preocupado.
- Não, já passou. - sorriu. - Parece que você tem poderes curativos. - brincou ela, se levantando rapidamente e estendendo-lhe a mão. - Vamos?
- Já estava mais do que na hora. - ele disse se levantando. Precisariam "caçar" o almoço.

Capítulo 69.

- E cinco, seis, sete, oito. - Sheila batia palmas para marcar o tempo enquanto esticava o corpo e o levava pela classe, demarcando os movimentos com uma careta. - Ok, ok. - ela pausou a música e foi de encontro a mais nova que bufava irritada, entrelaçando as mãos à nuca. - Você está bem?
- Estou, só um pouco limitada fisicamente hoje; acha que podemos trabalhar um alongamento ao invés de movimentos marcados? - quis saber olhando para a porta assim que Damen a atravessou.
- O que você acha? - Sheila virou-se para o rapaz que deu de ombros.
- Por mim, acho necessário que ela treine, vai precisar para os movimentos. - ele cruzou os braços sobre o peito.
- Que tipo de movimento vocês esperam que eu faça? - a mais jovem intercalou os olhares, levemente assustada.
- No momento certo saberá, pequena. - Damen sorriu a tranquilizando enquanto apertava seus ombros de forma relaxante. - Dormiu em uma posição desconfortável, foi? - resolveu saber enquanto ouvia os murmúrios de protesto da menina que sentia os músculos sendo postos no lugar.
- Espreguiçadeira. - ela disse. - Acabei apagando, usei meu meio irmão de travesseiro.
- Aquele bofe que esteve aqui ontem, foi? - Damen apoiou o queixo sobre o ombro da menina.
- Ih, pode ir tirando os olhos brilhantes dele, você já tem dono. - a menina sorriu. - Já o apresentou à Sheila, por acaso? Ele é um charme. - segredou à treinadora com um risinho.
- Ele estava planejando trazê-lo para cá na semana que vem, quando o Conservatório entrar de férias. - Sheila riu também observando os dois que mais pareciam duas crianças.
- Se ele conseguir, bem capaz que traga a orquestra para tocar na festa de casamento de seu pai, o que acha? - sugeriu Damen virando para si.
- Acho uma excelente ideia! - disse como se só se desse conta naquele momento de que seu pai ainda estava para casar. - Te aviso dos detalhes quando tivermos uma data marcada.
- Sem problemas, agora, de volta aos movimentos. Vamos, eu te acompanho. - Sheila sacudiu o controle remoto deixando que Damen e começassem a sessão de alongamento.

- Acorda . - chegou por trás no sofá e acertou o amigo em cheio com uma bofetada na nuca, fazendo-o pender a cabeça para frente, acordando de imediato.
- ? - disse ele esfregando a pele ardente enquanto pressionava os olhos, grudados de sono.
- Não, mesmo. Minha prima foi mais esperta que você e se deitou na cama.
- Como é? - olhou para cima para poder encarar ainda com os olhos semi abertos.
- Meu Deus, , vá jogar uma água nesse rosto e escovar os dentes, seu bafo afugenta até alguém sem olfato. - revirou os olhos seguindo até a cozinha e dando de cara com a prima encostada a pia com uma xícara enorme e fumegante aos lábios.
- Não precisava ter sido tão duro com ele. - disse ela desconfortável.
- Ele está acostumado e você sabe disso. - se esticou para pegar os cereais no armário, mas parou ao ver que o encarava. - O que foi?
- Ainda me pergunto o que minha amiga viu em você. - tomou um gole de café para esconder o riso e escapar ao olhar fuzilante do primo.
- Por favor, hoje não. - ele revirou os olhos ao pegar uma tigela e derramar um pouco do cereal sabor mel. - Eu precisava conversar com você.
- Pode dizer, seja lá o que for, consigo ótimos escritórios de planejamento familiar e posso até ocultar da imprensa que você e a estão fugindo para se casar na Dinamarca.
- , já disse, hoje não. - reforçou o primo arrancando uma colher do escorredor e seguindo até a geladeira em busca de um pouco de leite. - O que você tanto teve para falar com o Fletch ontem?
- Eu só o coloquei a par de tudo o que vem acontecendo conosco.
- O que você quer dizer com "tudo"? - ele levou uma colherada à boca, mastigando ruidosamente.
- Ora, tudo. O meu rolo com o , o seu rolo com a , o blog, o acidente em Portugal, as brigas, as traições. Tudo.
- Você falou sobre a minha vida particular com o Fletch? - pareceu ofendido, a testa franzida até que suas sobrancelhas quase se unissem.
- Quando você namorava aquelazinha, ele até sabia os dias em que ela lhe recusava sexo. - alfinetou parecendo indiferente.
- Quem recusava sexo? - entrou na cozinha fazendo o sangue de borbulhar. Afinal, o que estava acontecendo com ele naquela manhã?
- Ninguém! - e responderam em uníssono.
- , sério, o que está acontecendo com você? - se aproximou dele, debruçando-se sobre a bancada de mármore que ficava no centro da cozinha para poder tocar sua mão. - É a ? Vocês brigaram de novo?
- Não. - suspirou, desviando o olhar. se postou ao lado da menina, abraçando-lhe a cintura. - A gente tá bem. Eu só... quissaberoqueaconteceucomo. - abaixou o tom de voz até um murmúrio, juntando as palavras.
- Quis o quê? - coçou o topo da cabeça.
- Saber o que aconteceu entre ela e o . - os olhou por entre os longos cílios, sem saber o que esperar da reação do casal à sua frente.
- Mas que droga ! - bateu sobre o mármore. - É masoquista por acaso?
- É dude, por que raios quis saber o que eles fizeram? - fez um barulho estranho com a boca, mais parecido com um resmungo.
- Eu sei lá, só queria ouvir da boca dela o que aconteceu. - deu de ombros enchendo a boca de cereal para que não precisasse falar por um bom tempo.
suspirou dando a volta para que pudesse apertar o ombro do primo. Ela e trocaram olhares de compaixão, mas a verdade era que ninguém sabia o que dizer ao certo.
- Vá buscá-la na academia hoje e diga apenas que a ama. - segredou para o primo, como costumavam fazer quando pequenos e arquitetavam planos diabólicos para por em prática na grande casa da menina. - Vai curar essa sua preocupação.
- Está bem, mas antes preciso ir até a gravadora falar com o . - lançou um olhar tenso à menina.
- Eu também vou, se precisar apartar alguma coisa. - ele disse rapidamente fazendo com que revirasse os olhos.
- Eu não vou brigar com ele, vamos apenas conversar. Precisamos colocar isso para trás de uma vez por todas. Você já conseguiu nossas próximas datas de shows? - quis saber ele mudando de assunto antes que eles o deixassem louco.
- Vou confirmá-las hoje e aviso. - deixou a caneca na pia.
- Bem, vamos logo então, não quero me atrasar. - colocou as mãos nos bolsos, balançando sobre os pés.
pegou as chaves do carro e saiu rapidamente sendo seguido pelo amigo e pela prima. Entraram nos carros e seguiram até a gravadora. O dia começava a partir da metade para eles, já estava na hora do almoço.

Quando deram cinco horas, a cidade de Londres se encontrava um caos. Filas e mais filas de carro se estendiam pelas ruas provocando ruídos enlouquecedores de buzinas e freadas bruscas de motoristas desatentos. estava naquele inferno há, pelo menos, meia hora e já não aguentava mais. Ligara e desligara o rádio inúmeras vezes, inquieto, olhara no espelho retrovisor, avaliara o celular, jogando alguns jogos distraidamente e até buzinara.
A pergunta que não queria deixar sua cabeça em paz era se ele chegaria a tempo para buscar no ensaio. Tudo havia se resolvido com durante o tempo que passaram na gravadora, na sala de ensaios. Felizmente, pensava , ele não possuía nenhuma imagem do ocorrido que poderia pipocar em sua mente nos momentos de tédio. Para ele, e agora não passavam de conhecidos, amigos no máximo. E ele havia recuperado seu amigo. Precisava confessar que estava aliviado.
Depois de uma hora e meia no trânsito, as luzes da cidade começavam a acender. estacionou na Pineapple Studios e acenou para a recepcionista; não precisou ir muito longe, entretanto, o esperava na sala de espera ao lado da recepção. A bolsa a tiracolo, as pernas cobertas por uma calça pantalona de algodão, o cabelo cuidadosamente preso por presilhas e elásticos. Ele parou de caminhar para poder admirá-la, parecia uma garotinha esperando pelo pai em sua primeira aula de ballet.
- Desculpe a demora. - disse assim que desviou o olhar da revista que folheava calmamente e recebeu da mais nova um sorriso.
- Trânsito? - quis saber levantando-se e lhe dando o braço.
- Não faz ideia do caos que é essa cidade. - ele suspirou, ambos acenando à secretária e deixando a escola para o ar levemente frio da noite londrina. - Hey. - segurou pela mão, fazendo-a se virar e encostar-se ao carro. se aproximou ainda segurando sua mão e, com a outra, acariciou a bochecha manchada de vermelho. - Eu te amo, ok?
encolheu os ombros, o rosto procurando por mais daquele toque delicado, porém um pouco áspero, de seus dedos que há tanto tempo tocavam instrumentos. A bolsa lhe escorregou do ombro indo de encontro ao asfalto ainda quente dos raios de sol e o puxou para mais perto pelos passadores de cinto da calça jeans que vestia. Seu rosto ficou escondido entre a gola da camisa pólo e a pele clara de , aspirando por seu perfume antes que pudesse deslizar os lábios até os do rapaz. Beijaram-se lenta e amorosamente.
- É muito bom ouvir isso. - disse assim que se separaram, os narizes tocando-se e os lábios roçando enquanto falavam. - Eu também amo você.
respirou fundo, aliviado, e abriu a porta do carro para a amante entrar. encostou a cabeça sobre o banco acompanhando com os olhos dar a volta pela dianteira do carro e entrar em seguida, o ar gelado deixando o clima do carro mais ameno. Antes que qualquer um deles pudesse pensar em colocar o cinto de segurança, foi como se um estalo os acometesse ao mesmo tempo. Eles se olharam, as faíscas deixando o carro extremamente carregado. O choque inicial foi o encontro dos lábios dos dois de forma intensa.
Permaneceram ali, sem que nenhum deles avançasse para um dos lados do carro. Por mais que estivesse bom, não se esquecia de que estava com o resquício de suor do ensaio impregnado na pele e isso a lembrava de que precisava de um banho.
- Acho melhor irmos, preciso de um banho. - sussurrou acariciando uma última vez os lábios inchados do rapaz com os seus e voltando a se sentar direita no banco.

Capítulo 70.

Chegaram em casa para encontrá-la cheia. Todos os rapazes estavam lá, incluindo , , e Edward. Todos rindo e falando alto, acomodados na sala e, as mulheres, próximas à sacada, cochichando e rindo. se desvencilhou da mão de , à qual estava entrelaçada e subiu rapidamente a seu quarto, acenando de longe para o pai. O rapaz seguiu para a sala e, passadas as zoações pela demora, logo se sentiu enturmado na conversa. O cheiro de comida, de vez em quando, os assolava em cheio, indicando que havia uma cozinheira naquela noite na casa. Os meninos conversavam sobre negócios, carros e música enquanto as mulheres se distraíam com dicas de beleza. O típico papo dos sexos.
entrou em seu banheiro e observou a imagem refletida no espelho. A pele de seu rosto estava brilhante pelo suor, mas o cansaço de seus olhos era evidente. Depois de tanto tempo parada, seus músculos começavam a mostrar a fadiga do ensaio daquele dia. A conversa com Damen a levara a refletir sobre como havia ido parar onde estava. Tudo começara pelo desejo de seu pai em se casar com aquela mulher. E o que os impedia de estarem vivendo uma vida de casados com alianças douradas nos dedos? Ah sim, ela.
Seus transtornos e egoísmos haviam adiando os planos do pai de ser feliz e só agora ela se dava conta daquilo. É claro que não era sua culpa ter sido violentamente jogada contra a piscina e os transtornos psicológicos que se seguiram. Mas se ela não tivesse mostrado resistência e sua aparente mesquinhez, se ela apenas tivesse se fechado pelo ressentimento que ainda a acometia pelo o que acontecera, talvez as coisas tivessem sido diferentes.
Suspirou, soltando os cabelos de seu rabo bem preso sentindo a dor de cabeça aliviar, despiu-se e entrou na ducha morna, quase fria. Ela odiava estar naquele período do mês, tornava-se mais bipolar do que gostaria. Em um momento ela estava feliz por ver que tudo estava bem entre ela e , no outro estava quase às lágrimas por ter infringido tanto sofrimento ao seu pai enquanto o impedia de ser feliz. Fechou o registro e apertou o roupão contra o seu corpo, uma leve tontura a acometera pelo excesso de vapor acumulado no banheiro, porém, um arrepio lhe percorreu o corpo ao adentrar o espaço gélido de seu quarto. Escolheu uma calça de moletom folgada e uma camisa de botões branca, deixando os três últimos abertos revelando uma regata que colocara embaixo.
Sabia que estava com visitas em casa, mas seu físico pedia por conforto se ela teria de abrigá-las por, pelo menos, mais algumas horas. Quando ela desceu a escada, foi como se voltasse no tempo. Todos os olhares se voltaram para ela e o silêncio predominou a sala, como se ela fosse uma rainha aguardada por seus súditos. Ela sorriu levemente aos presentes e seguiu, dengosa, para os braços da melhor amiga, como se lembrava de necessitar um abraço da mesma.
- Como foi o ensaio hoje? - perguntou ao que o falatório recomeçou, vários tons abaixo do que estava antes. Pareciam todos contidos em respeito ao cansaço da mais nova.
- Foi puxado, se alongar feito chiclete quando se está com cólica não é a melhor opção. - resmungou enquanto tinha parte de seu peso apoiado em .
- Ninguém merece essa época do mês, não? - a menina resmungou em sua costumeira revolta com o sofrimento das mulheres. - Soube que Damen está te ensaiando. - seu tom de voz ficou animado de repente.
- O que me lembra, - se endireitou, olhando para com a mesma animação retirada da amiga. - o marido dele, Jullian se ofereceu para trazer a orquestra da Dinamarca e tocar no casamento de vocês.
- Oh, mas isso seria incrível! - os olhos de brilharam com a possibilidade, ela buscou o noivo com os olhos e acenou para que se aproximasse. - Edward, ouviu isso? Poderemos ter a orquestra da Dinamarca no nosso casamento!
- Jullian poderá vir? - Edward se aproximou, interessado e a filha concordou.
- Damen só precisa saber a data e dirá a ele para se programar.
- Seria uma honra. Vamos discutir as datas, precisaremos encaixar a agenda da banda e suas apresentações. - Edward analisou olhando de para que concordaram.
- Eu estou com ela aqui, vocês podem ter uma ideia de como serão os próximos meses. - gesticulou para sua bolsa que estava em um dos sofás da sala.
- E as datas da apresentação serão apenas três dias, é fácil. - deu de ombros.
- Quero que ela seja nossa dama de honra, Edward. - se aproximou, pegando em ambos os ombros de que trocou olhares com o pai e a madrasta, desconfiada.
- Achei que escolheriam um de seus sobrinhos, são pequenos, não são? - quis saber. Até onde se lembrava, damas de honra costumavam ser crianças com seus vestidos brancos rodados e bordados e enfeites de cabelo que as deixavam feito princesas.
- Não vejo porque não tê-la, madrinha é um papel muito adulto para você. - seu pai contrapôs, a expressão pensativa.
- Muito bem, então, se serei a criança da cerimônia quero, pelo menos, escolher minha roupa. - determinou.
- Está decidido. Não vou querer nada tradicional mesmo. - deu de ombros. - Pode escolher a cor que quiser para o seu vestido, o comprimento e o modelo. Só me avise para não chegarmos no dia e parecermos peças completamente opostas.
- Está bem, já consigo imaginar o que gostaria de usar.
- Compartilhe esse pensamento comigo depois, hein? - inquiriu dando-lhe uma cotovelada sutil nas costelas.
- Pelo. Amor. De. Deus. Cuidado com essa região, Damen tem me erguido nos ensaios e usado como apoio as costelas, tenho dois belos hematomas. - gemeu, encolhendo-se.
- Oh, céus, me desculpe! - tapou a boca aturdida.
- Não tem problema, você não sabia. - a menina disse ainda com a expressão de dor.
- Que tal nos sentarmos? - Edward sugeriu gesticulando para a sala de jantar que estava elegantemente posta para nove.
As conversas foram retomadas conforme os lugares eram tomados. Os casais optaram por se sentarem uns de frente para os outros, Edward ficou à ponta da mesa, à sua esquerda e ao seu lado, à sua direita com e finalmente . Em seguida estava e, de frente para as duas, e , respectivamente. apoiou o cotovelo sobre a mesa para sustentar seu queixo, estava tão exausta que seus olhos batalhavam para se manterem abertos. A conversa com era a única coisa que a impedia de cair no sono.
- Você está bem? - ouviu a voz de cortar todas as outras e se direcionara exclusivamente a ela.
- Estou, por que a pergunta? - ela desencostou a bochecha da mão, fungando e passando a manga da blusa sobre o buço. Notou que o tecido saiu molhado.
- Está pálida, até um pouco esverdeada eu diria. - a atenção de toda a mesa se voltou a ela que se encolheu, envergonhada.
- Ela está suada, tem certeza de que não está sentindo nada? - virou o rosto de para si e a analisou com os olhos apertados de desconfiança.
- Só um aperto no estômago. - ela murmurou ainda encolhida. Durante a conversa ela sentira seu estômago diminuir ao tamanho de uma ervilha, um enjôo lhe tomar as entranhas. Mas ela concluíra que só poderia ser o cansaço, seu esforço em tentar se manter acordada.
- Deve ser pressão baixa, vou pegar um pouco de sal. - se levantou da mesa, a expressão de se contorcendo em vergonha e desconforto.
- Não precisa, acho que é só cansaço. - gemeu com toda a atenção que estava recebendo, ela podia notar o olhar pesado e quase desesperado de sobre si.
- Quer ir se deitar? Eu peço a Zara que leve algo mais leve para você comer. - Edward ofereceu com tranquilidade.
- Eu acho que vou aceitar sim. - afastou a cadeira, fechando os olhos para se esquivar da tontura. - Perdoem a minha indelicadeza. - disse em um pigarro, ouvindo um "tudo bem" coletivo. - Boa noite.
Retirou-se rapidamente e subiu ao quarto, livrando-se da roupa que já se apresentava como um incômodo. Colocou o pijama mais confortável que encontrou e afundou-se nos diversos travesseiros, se lembrando num último momento de que precisava tomar o remédio e, depois de tê-lo feito, não se demorou a pegar no sono profundo.

- Muito bem, sei que não devemos discutir negócios à mesa, mas , você teria as datas dos shows aí com você? - Edward resolveu dar uma agitada na mesa depois da saída repentina da filha. Ele podia perceber que e estavam se segurando para não sair ao socorro da menina desde que ela apresentara sinais de fraqueza. Só ele entendia o quanto ela ficava frágil nessa época.
- Estão bem aqui. - empurrou seu prato um pouco de lado para dar espaço à enorme agenda, cheia de panfletos, cartões e marcadores em toda a sua extensão deixando-a duas vezes maior que o seu tamanho. - Os shows começam daqui a duas semanas e será cinco datas, cada uma em uma casa de show aqui em Londres.
- Então serão shows pequenos? - perguntou do outro lado da mesa enquanto limpava a boca com o guardanapo.
- O primeiro será em uma arena, os outros sim. Os ensaios começam amanhã e seguirão todos os dias, com exceção aos domingos.
- O dia inteiro? - foi a vez de , pensando em como chegaria em casa morto de cansaço. Por mais que fosse difícil de acreditar, ele e os companheiros de banda estavam enferrujados. Os problemas enfrentados nos últimos meses os havia afastado da música e dos ensaios e eles nem sabiam mais como era tocar com garra, com alegria. Era como se, desde o lançamento do último CD, eles tivessem passado a tocar de modo mecânico.
- Pausa para o almoço, se isso te deixa mais confortável. - arrancou risos dos mais adultos.
- E quem vai buscar a nos ensaios? - quis saber, a expressão preocupada.
- Eu posso buscá-la, sem problema algum. - disse.
- Quando você não puder, me ligue, eu farei isso também. - deu um sorriso para a mãe e o padrasto.
- Então está combinado. Eu ligarei para a Sheila amanhã e pedirei para rever esses horários de ensaio, ela está voltando muito cansada. - Edward observou.
Ninguém mais comentou sobre percebendo que só ficariam ainda mais curiosos para saber o que havia acontecido com ela para que se retirasse mais cedo da mesa. Discutiram os ensaios e até ouviram as sugestões de , Edward e para compor a setlist. Eles sabiam, entretanto, que Fletch colocaria seu dedo na lista de músicas e, por que não pensar que seus fãs também? Afinal, eles sempre tinham ótimas sugestões e pedidos de músicas muito especiais.
- Amanhã começam os ensaios, espero que estejam dispostos. - disse animada já se despedindo de todos. aproveitou a deixa e se juntou à menina, tomando-a pelos ombros e também se despedindo.
foi o próximo e, seguido de um relutante , deixaram o apartamento dos -. e ainda conversaram um pouco com os pais e sentaram-se para ver um filme. Zara já havia voltado do andar de cima dizendo que dormia e trazia consigo a bandeja que havia preparado para a menina. Edward agradeceu e a empregada recolheu-se para seus aposentos. O homem subiu para dar uma olhada na filha e também para ver se ela havia tomado o remédio. Sorriu aliviado ao constatar que a cartela chegava a sua metade e, sentado na borda da cama, tocou a cabeça de acariciando-lhe o cabelo. O dia seguinte seria cheio para todos eles.

Capítulo 71.

- O Dr. Huang, por favor. - ele enrolou o fio do telefone no dedo indicador e olhou para a agenda que mantinha aberta à sua frente. Dissera a si mesmo que seria a primeira coisa a fazer no dia seguinte, pelo bem de todos. - George, é Edward. Não, está tudo bem sim, eu só queria tirar algumas dúvidas. Sim, sim, já chegou na metade. É, eu sei, estou feliz que esteja funcionando, mas... - Edward respirou fundo. - estava lendo a bula do remédio e nela dizia que exercícios físicos estavam proibidos. Eles podem ter alguma influência no tratamento? Aham, entendo. Não, está bem, eu vou conversar com ela. Está bem, muito obrigado doutor.
Ele riscou o primeiro item da lista de afazeres, apareceu bem no momento em que ele procurava pelo telefone da Pineapple Studios na lista telefônica.
- Oi amor, está tudo bem? - a mulher perguntou ao notar o olhar levemente assustado no rosto do noivo.
- Está sim, só procurando o telefone da escola de dança para conversar com a Sheila. já acordou? - quis saber enquanto ainda folheava as páginas de maneira inquieta.
- Passei por lá antes de descer e ela ainda está dormindo. Edward, está tudo bem mesmo? Tem alguma coisa errada com ela? - sentou-se de frente para ele, fazendo-o parar de folhear a lista.
- Eu só liguei para o Huang porque li a bula ontem à noite e nela dizia que exercícios intensos não poderiam ser praticados. A pressão sanguínea na cabeça faz com que o remédio faça efeito rápido demais e a deixe mais cansada nos horários errados. Estou preocupado , será que eu assinei a sentença da minha própria filha? - ele se virou para ela, o olhar levemente esbugalhado. - Ela estava tão feliz em fazer algo novamente e depois com esse papel de solo, eu não...
- Edward, ela só estava se sentindo bem depois de meses sofrendo. É normal que quisesse dar uma agitada na sua vida.
- Com que cara eu vou ligar para a Sheila e dizer que ela não poderá mais comparecer todos os dias e que os ensaios serão mais leves? Eu não entendo nada disso, pode arruinar a apresentação dela.
- Amor, não há nada pior do que a vida de ser arruinada. Um solo é só um solo, a saúde dela não tem volta, precisamos cuidar enquanto há tempo.
- Ok, desculpe, estou te atrasando. Pode ir, eu cuido disso e fico com ela para conversar.
- Está bem, me ligue se precisar de alguma coisa. - levantou-se e beijou a testa do noivo carinhosamente antes de deixar a cobertura.

- Mas então o que ele disse? - deixou a cabeça despencar sobre seu travesseiro macio e fofo enquanto seus punhos eram seguros na altura da cabeça e os dedos entrelaçados aos de . Ela deixou uma trilha de beijos ao redor de seu pescoço antes de responder à pergunta.
- O problema é que eu dei um passo muito grande, os ensaios estavam tão intensos que o cansaço me dominava. Meu pai ligou para o dr. Huang e ele explicou que os exercícios físicos estavam vetados durante o tratamento. - deixou os joelhos dobrados, um de cada lado das costelas de , a saia de seu babydoll formava um círculo perfeito sobre o tórax nu dele.
- Então quer dizer que você não vai mais dançar? - revirou os olhos, acariciando os cabelos da menina enquanto ela escondia seu rosto na curva de seu pescoço, mordiscando a pele perfumada.
- Uma vez por semana, uma hora e meia. Sinceramente acho que consigo dar conta. Qualquer coisa para que os pesadelos não voltem.
- Não poderia estar mais de acordo. - o rapaz sorriu tomando-lhe os lábios travessos e sedosos pelo batom hidratante que a vira passar no caminho até a casa dele.
- O jantar está pronto! - ouviram o grito de no andar de baixo, subir ecoando pela casa.
pegou desavisada e inverteu as posições, tendo a sua vez de mergulhar na fragrância delicada e feminina da menina enquanto sentia a respiração dela batendo no lóbulo de sua orelha.
- Desse jeito você me deixa sem fome. - ela ofegou enquanto subia a perna, acariciando o elástico da boxer preta que ele vestia com a panturrilha. - Vamos terminar isso agora. - deslizou os dedos para os botões frontais de sua pequena camisola deixando que os lábios sedentos do rapaz deslizassem pelo espaço entre seus seios.
- Não sabia que o remédio aumentava sua libido. - ele deu-lhe uma breve olhada.
- E quem precisa de libido quando tem alguém como você? - ela sorriu sentindo as alças finas de algodão deslizar por seu ombro.
- Acho melhor nós descermos, a vai ficar brava. - sentou-se na cama, mantendo as pernas de entre seus joelhos dobrados.
- Mas antes precisamos dar conta disso. - riu olhando para a boxer extremamente justa do namorado que deixou as bochechas corarem. - Deixa eu te aliviar, rapidinho. - resmungou a garota manhosa, ajoelhando-se de frente para ele, seus rostos ficando na mesma altura.
- A gente não deveria ter subido para o quarto, - gemeu desgostoso enquanto tentava impedir os dedos finos e ágeis da garota de alcançarem seu ponto de tensão. - você é irresistível. - riu com o elogio e se afastou dele.
- É só a que está lá embaixo? - quis saber voltando a abotoar o babydoll.
- Só, até onde eu sei. O tinha compromisso hoje à noite. Acho que ia visitar o amigo dele. - coçou a nuca não conseguindo tirar os olhos de quando ela se levantou da cama.
- Então vamos. - ela lhe estendeu a mão, a olhou sem entender.
- Está maluca? Vamos nos vestir. - disse ele ainda constrangido pelo volume aparente na boxer.
- Qual é, ! Estamos entre família! - riu, caminhando em sua direção até que conseguisse sentir a pele dele em sua bochecha. - Por muito tempo, eu e passamos noites do pijama lá em casa, fofocando sobre tudo o que estava acontecendo. - suspirou ela, lembrando dos meses anteriores. - Ela sabe do meu gosto levemente sutil para roupas de dormir. Na verdade, ela amava minha coleção de pijamas, dizia que era a mais colorida e variada que ela já havia visto.
riu feito uma menininha, deixando que o queixo se apoiasse sobre um dos ombros enquanto virava para olhar .
- , alguém mais já te viu assim? Alguém além de... bom, você sabe. - ficou sem jeito em pé, parado ao lado da cama, seus olhos pressionados de maneira esquisita na direção de .
- Apenas uma vez. - ela disse, adquirindo um tom sério. - Eu e Damon, não lembro direito quando foi. Por que me pergunta isso? Pensei que tivéssemos deixado a insegurança e as mágoas para trás.
- Eu sei, - bufou olhando para cima em um gesto de frustração. Ele sempre conseguia acabar com o momento. - é só que... eu não aguento pensar que alguém tenha lhe feito se sentir especial antes de ficarmos.
- Ele só fez eu me sentir especial, - se aproximou de o olhando com pesar. - porque eu pensei que era você. - segurou o rosto branco do rapaz entre as mãos finas e delicadas. - Ninguém nunca será capaz de me fazer sentir o que eu sinto quando estou com você. Jamais. - envolveu-lhe em um abraço, apoiando a bochecha sobre o ombro nu de . - É uma espécie de cócegas lá no fundo, não sei explicar. Uma coisa boa, dá uma sensação de paz, de alegria. Eu amo você.
- Eu também te amo. - ele respondeu deslizando as mãos por seus braços finos e delineados, beijando-lhe desde os bíceps até os lábios rosados da menina.
Se separaram, ainda mantinha o olhar envergonhado, mas não se deixou abater. Gostava que ele se interessasse em seu passado, que não mantivessem questões não resolvidas. Para ela, lhe trazia paz saber que nunca mais lhe seria tirado e que, mesmo com tudo o que acontecera, estaria lá para passar por cima dos erros, tendo em vista fazer novos acertos.
- O que temos hoje? - desceu os últimos degraus da escada, uma mão no corrimão e a outra segurando a de . Virou-se para a esquerda e encontrou uma enfurecida, tentando arrumar a mesa perfeitamente.
- Burritos. - sorriu ela finalmente desistindo de arrumar e adentrando a cozinha novamente.
- Madame. - puxou a cadeira para que ela se sentasse e ambos esperaram calmamente que retornasse, dando início ao jantar encomendado.

- Meu bem? - teve a visão do pai e da madrasta sentados no sofá e que viraram o rosto na direção dela assim que adentrou o apartamento.
sorriu, como estava fazendo desde que acordara naquela manhã, envolvida pelos braços do namorado depois de uma noite de amor. Aproximou-se do casal um pouco hesitante, será que estava escrito na sua testa que havia feito sexo na noite anterior?
- Tem algo que eu não esteja sabendo? - ela perguntou diretamente, depois fechando os olhos por ter soado rude e estabanada. Qualquer que fosse a notícia, seu pai estava fazendo suspense justamente para deixá-la nervosa.
- Eu disse para não fazer esse suspense todo. - riu nervosa enquanto dava uma leve batida no ombro do noivo.
- Está bem, está bem. Sei que não gosta de surpresas, querida, por isso vou direto ao ponto. - inclinou a cabeça para o lado, o sorriso dando uma vacilada. Do que eles estavam falando? - Vamos nos casar dentro de três meses.
sentiu uma palpitação diferente em seu peito, que a fez se encolher. Casar? Por que aquela palavra lhe soava tão estranha? Quando haviam decidido marcar a data do casamento? Por que tinha de ser tão perto de sua apresentação? Na verdade, seria na mesma semana que sua apresentação se suas contas estivessem certas.
- Então, o que me diz? - Edward a olhou com um sorriso de canto a canto para a filha que parecia levemente em choque.
- Ótimo. - pressionou os lábios em uma linha fina para disfarçar o quanto estavam tremendo. - Eu só... só vou ligar para a . Vamos começar a ver os vestidos para a festa. p-precisa de alguma coisa?
- Queria que as moças me acompanhassem em todos os detalhes, eu, você, e faremos com que tudo saia perfeito! - juntou as mãos sobre o peito com o olhar sonhador.
- Filha, está tudo bem? - Edward franziu o cenho, levantando-se para se aproximar dela.
- Cl-claro. - ela sorriu. - Só não esperava que fosse tão perto de minha apresentação. - dessa vez, não conseguiu esconder o olhar de assombro sobre como estaria acontecendo tudo ao mesmo tempo em sua vida.
- Ah, com isso não se preocupe. Marcamos para duas semanas depois da apresentação, assim você poderá descansar um pouco. - e Edward notaram quando a menina respirou fundo, parecendo menos assustada.
- Muito bem, então eu vou... - ela apontou para a escada atrás de si. - ligar para a e arrastá-la para cá depois do expediente na gravadora. - foi se afastando até alcançar o corrimão e subiu correndo.
Fechou a porta atrás de si e mandou rapidamente uma mensagem de texto para a amiga. Seguiu para sua poltrona de leitura e lá permaneceu, o peito subindo e descendo rapidamente enquanto seu coração pulava, agitado. Deslizou os dedos pelas bochechas molhadas de lágrimas e se encolheu, abraçando os joelhos. Seu pai deixaria de ser apenas seu pai para se tornar o pai deles. Ela ganharia uma mãe, com sorte uma mãe que não a abandonaria novamente, mas ainda assim ela não seria sua mãe de verdade.
havia se acostumado com a não relação dela com , mas agora estava cada vez mais inevitável. Enquanto rapidamente se transformara em um irmão para ela, ter alguém tomando o lugar de sua mãe e, o pior, o seu lugar de única filha agora parecia uma ideia absurda. Sentiu o celular vibrar em seu colo e fungou, observando o visor. estava ligando e parecia não querer desistir tão rápido. pigarreou e fungou mais uma vez, tentando fazer a melhor voz quando atendeu à chamada.

Capítulo 72.

- Você não deve se culpar sobre isso. A relação de seu pai e de teve que esperar porque você estava passando por um momento difícil. - Huang disse em sua voz serena, enquanto estava sentado na borda da cama de . Depois de ela ter falado com e combinado o horário para se encontrarem, ela ligara para o psiquiatra e pedira por ajuda. - Não pense que este atraso no casamento foi egoísmo seu. Você e ele tinham uma vida e de repente você se viu acuada, ameaçada por essa mudança brusca. Sua mãe lhe deixou com uma impressão amarga, você só se protegeu como achou certo.
- Mas tudo o que aconteceu depois. O acidente, as minhas mudanças de comportamento, a descoberta do blog, todos me odiavam. - estava com os joelhos dobrados em direção ao peito e chorava em silêncio. - Eu acho que foi meu egoísmo que acabou atraindo essas coisas.
- Ninguém desejaria o seu mal por você ser o que é, . - o Dr. Huang contrapôs com um sorriso terno no rosto. - Foram apenas acidentes que coincidiram com o seu estado de espírito instável e a situação que estava vivendo. Mas nada disso é culpa sua, , pode ter certeza de que não é. Seu pai só quis esperar para poder cuidar de você e se certificar de que você estivesse bem. Ele é seu pai, é notável que colocasse tudo de lado para dar atenção à filha. Não há nada de anormal nisso.
- Então por que eu me sinto tão mal? - mordeu o lábio inferior, a face distorcida pelo choro. George aumentou imperceptivelmente o sorriso.
- Você está de volta ao seu estado defensivo. Lembrou-se de como se sentia quando ficou sabendo que ele se casaria. Não há problema algum em se sentir assim, . Tudo o que você viveu até hoje explica seu comportamento da maneira como deveria ser. É claro que nem todos agem do mesmo jeito, mas você sempre foi filha única, os problemas com sua mãe permaneceram não resolvidos e seu pai sempre foi a única pessoa em quem podia confiar. - fechava os olhos para deixar as lágrimas caírem. Estava gostando de ouvir o Dr. Huang discursar sobre sua opinião, de certa forma aquietava seus pensamentos. - Ter uma nova família não estava nos seus planos de início, então você teve problemas e precisou da ajuda de como nunca teve antes, não é? - ela concordou em silêncio, fungando. - Isso os aproximou de tal forma que a fez se esquecer da ligação que teriam segundo as leis. Esqueceu-se de que seria seu meio irmão, enteado de seu pai. Para você, era seu porto seguro e só isso. Não o imaginava como filho de seu pai de forma alguma. E é isso que a está assustando agora, não é?
- Pensar neles como a família do meu pai me incomoda. - confessou ela. - tomando o lugar da mamãe, e sendo filhos de meu pai tanto quanto eu.
- Você precisa colocar algo em sua cabeça, - George chamou a atenção da mais nova para si. - precisa dizer a si mesma que, não importa o afeto e o carinho que seu pai tenha por eles, você ainda será a filha dele. Isso nenhum documento é capaz de mudar. Seu pai não vai mudar porque se casou de novo, ele continuará sendo o seu pai, como antes. A única diferença será que você terá mais pessoas com quem contar. Já viveu tempo suficiente com eles para perceber que não são pessoas más, certo? , você sabe que pode contar com eles, que tem para cuidar de você, que tem para ser uma amiga, que tem para te ajudar no que for precisar.
- O doutor tem razão. - suspirou. - Eu só estava com medo de ter meu lugar tomado, mas me esqueci que já os conhecia. Não sei bem explicar, é como se eu tivesse voltado no tempo. - ela coçou a testa e olhou para o psiquiatra.
- Isso é um bom sinal. - garantiu o Dr. Huang. - Significa que este estado de personalidade alterada está sumindo de você, que você está recuperando seu verdadeiro eu. Isso é ótimo, , você finalmente voltará a ser quem era.
- Obrigada doutor Huang, muito obrigada por vir aqui e me ouvir. - ela segurou as mãos do médico e sorriu entre as lágrimas.
- Não seja por isso, . Estou orgulhoso em vê-la se recuperando tão bem! Estamos na reta final agora, mais dez comprimidos e você poderá dizer que está curada. Chega de sofrimento, você terá sua vida de volta.
- Obrigada. - ambos se abraçaram e guiou o médico para a saída do apartamento, acenando enquanto o via entrar no elevador.

fechou a porta e a trancou, deixando o chaveiro tilintar. Deixou a carteira e as chaves do carro sobre o aparador ao lado da porta e observou o ambiente ao seu redor. A luz da sala estava apagada, mas a televisão estava ligada em um canal qualquer. Sua irmã havia viajado junto com Edward e para decidirem a locação para a festa do casamento, portanto a casa seria só dele e de por dois dias. Era provável que a mais nova estivesse assistindo a um filme, por isso ele se aproximou, parando nas costas do sofá.
Estava com a boca aberta para fazer algum comentário sobre o reality show que passava quando reparou que a menina dormia tranquilamente. Estava com uma roupa folgada, os cabelos espalhados sobre uma almofada na qual apoiava a cabeça. Por quanto tempo ela estaria lá, toda largada e torta, adormecida? Ele não conseguiria estipular. Puxou a calça jeans para cima antes de curvar-se sobre a menina e tomá-la nos braços com jeito. Seguiu, no escuro mesmo, pela escada com o cuidado de prestar atenção em cada degrau por demorados segundos antes de tomar um passo adiante.
Empurrou a porta do quarto de com a ponta do tênis e seguiu para a cama dela, deixando-a confortavelmente deitada, a cabeça apoiada sobre o travesseiro. Ela murmurou palavras ininteligíveis e respirou fundo. sorriu e puxou o lençol até a linha dos ombros da meia irmã, certificando-se de que ela estava tranquila e se afastou um passo para poder olhá-la. Ouviu-a respirar profundamente só que, dessa vez, quando soltou o ar, sussurrou uma frase.
- Promete que não vai me deixar sozinha? - reparou que ela ainda estava dormindo, os olhos fechados e a expressão angelical se mantiveram.
- Eu nunca vou te abandonar. - ele respondeu, sentando-se na borda da cama e acariciando os cabelos da mais nova que suspirou.
abriu os olhos, piscando lentamente como se acordasse àquela hora. Segurou a mão de em seu rosto, sentindo o atrito de sua pele áspera, de tanto tocar, com a sua suave, de menina. Sentou-se na cama, para que pudessem se encarar de igual para igual. Ela devolveu o toque em seu rosto, deslizando primeiramente sobre o queixo dele, entrando em contato com os fiapos ásperos da barba por fazer, depois seguiu para sua bochecha, contornando o osso da maçã do rosto. Colocou uma mecha do cabelo curto dele atrás da orelha e continuou deslizando, os dedos se enroscando no cabelo de até pararem na nuca dele.
Seus rostos estavam tão próximos que ela conseguia sentir o hálito de menta da bala que o meio irmão sempre chupava na volta para casa. Eles estavam calmos e em silêncio, sem saber o que exatamente dizer um para o outro, mas gostando da proximidade, como vinha acontecendo há meses. também já havia se esquecido que ele e não eram oficialmente meio irmãos, mas com o anúncio da data do casamento, tudo voltara a ficar claro para ele. Ela seria sua pequena irmã, aquela que ele viera protegendo durante todos aqueles meses e que desprezara por tantos outros.
Os lábios dos dois se encontraram de súbito e se perguntou se não havia se deitado ao lado da irmã e pego no sono, agora divagando pelo inconsciente. Mas foi só sentir o arrepio percorrer a espinha, fruto do cafuné que lhe fazia na nuca, que teve certeza, aquilo estava realmente acontecendo. E conforme suas línguas entrelaçavam, descobrindo o desconhecido, experimentava o estômago dar estalos e voltas de um jeito reconfortante. O carinho desferido em sua nuca o estava derretendo aos poucos e, por um momento, o fez se esquecer de quem ele estava beijando.
Ela se separou do rapaz, deslizando os lábios inchados pela linha do maxilar e, em seguida, desceu em direção ao pescoço dele onde, depois de um dia de ensaios, ainda apresentava resquícios do perfume que significava segurança para ela. Seus dedos ainda brincavam com o cabelo de na nuca dele, fazendo movimentos circulares enquanto seus lábios ainda se desgrudavam da pele quente dele. Suas respirações estavam descompassadas. se manteve abraçada a ele por mais um tempo antes de voltar a pensar, principalmente no que havia acabado de fazer. também parecia divagar, o que era estranho.
Ao mesmo tempo em que se sentiam anestesiados pelo ocorrido, sentiam-se como se fosse algo inevitável, que mais dia menos dia, acabaria por acontecer. Seus corações, agora, batiam na mesma velocidade e inspiravam todo o ar que conseguissem ao mesmo tempo. não sabia o que poderia dizer que explicasse suas atitudes e ela sabia que se sentia da mesma forma. Lembrou-se de quando seu pai havia lhe dito que ficariam na casa de , junto com seus filhos e ela fora tomar banho. Conseguia visualizar, como um filme, o momento em que se enrolara na toalha e chamara por para mudar a temperatura do chuveiro. Via como se insinuara para o corpo do rapaz, o sorriso inevitável estampado no rosto.
ainda o acariciava na nuca enquanto mergulhava no passado, embora só naquele momento sentisse que completara uma missão. Depois do beijo, era como se tivesse posto um ponto final em um comportamento que começara na forma de provocação sob a situação em que seu pai a colocara. Não se importava que ele fosse o terceiro integrante do McFly que ela beijava, embora soubesse que nunca beijaria , era apenas a sua forma de deixar as questões mal resolvidas para trás.
- Você sabe que podemos ficar juntos. - sussurrou, com medo de estar quebrando o silêncio da forma errada. - Não há problema nisso, se você quiser. - pontuou ele e ronronou, afundando seu rosto em seu peito para abafar a vontade de rir.
- Foi só uma forma de lhe agradecer por tudo o que tem feito por mim, . Do meu jeito. - eles se separaram. sentia que precisava daquele contato visual para dar crédito a sua explicação. - Sempre soube que não haveria nada que eu pudesse fazer para retribuir todas as noites que passou comigo, em claro, lidando com um problema que nem mesmo você entendia. Eu via em seus olhos o quanto estava sofrendo, mas nunca tive a coragem de dizer o quanto estava agradecida por tê-lo ao meu lado. Você foi a melhor pessoa que eu poderia esperar nesses últimos meses. - sorriu, fechando os olhos por um breve momento.
- É errado se eu disser que gostei do beijo? - coçou a nuca, esbarrando sem querer nos dedos quentes e delicados da meia irmã.
- Não. - ergueu um pouco o queixo, como se entendesse do assunto. - Eu também gostei e faria de novo. - riu um pouco pensando na reação de ao saber, embora aquilo não lhe parecesse nada bonito. - Mas temos outras pessoas em nossas vidas e elas merecem respeito e confiança. Eu estou colocando um ponto final na parte instável e cheia de personalidades da minha vida. Serei apenas a que eu era antes.
- Quer dizer, sem a arrogância e a irritabilidade, não é? - sorriu.
- Exatamente. Vocês já conheceram esse meu lado, mas estava camuflado pelos problemas e as inseguranças. Eu era como estou hoje, antes de tudo na minha vida desmoronar, antes de mamãe ir embora. Não era aquela pessoa mesquinha e arrogante, eu tinha amigos. - sem que se desse conta, deixava as lágrimas rolarem, lembrando-se de seu passado. - Então tudo aconteceu e eu me vi isolada, presa em uma torre que eu mesma construí. Nunca quis ser aquela pessoa que vocês conheceram, mas agora que estou curada, posso dizer que ela foi libertada e está pronta para se mostrar à sociedade, acompanhada de um príncipe e circundada pela família.

Capítulo 73.

sentou-se na cama em um sobressalto, a respiração estava acelerada e os olhos, marejados. Não podia ser, pensava ela. Olhou para a mesinha de cabeceira e lá estava a prova iminente, havia tomado o remédio na noite anterior, então por que tivera um pesadelo? Ela pensou que aquela parte de sua vida já havia sido deixada para trás, só que dessa vez tudo parecia tão real.
Saiu cambaleante da cama, desenroscando o pé do lençol no último minuto antes de cair com a face no chão. Todas as suas extremidades tremiam, ela precisava contar a alguém o que havia visto. Tentou chamar por , mas ninguém respondeu, entretanto, ouviu movimentação no andar de baixo e seguiu correndo até lá.
- ? - pareceu decepcionada em encontrá-lo, mas, pelo menos, era alguém em quem podia contar. - Onde está o ?
- Já foi para a gravadora há duas horas, só vim aqui porque ele me ligou e disse que tinha esquecido uma coisa. - ele disse.
- O estava na gravadora? - ela perguntou.
- Não, ainda não tinha chegado.
- E a ? - tentou de novo.
- Ela estava, desde de manhã. - fechou os olhos e as lágrimas escorreram. - Ei, o que foi?
- É que eu tive um sonho ruim com ele, e estou achando que realmente aconteceu. Ligue para o , agora. - implorou e viu o rapaz sacar o celular rapidamente do bolso.
- Mas o que foi que você sonhou? - perguntou ele, mas antes que pudesse responder, atendeu. - Ei cara, me diz uma coisa. O está aí com vocês? Não? Tá, espera só um pouquinho. - ele tapou o bocal do celular e virou-se para . - O que foi que você sonhou? - perguntou ele tentando esconder o pavor na voz.
- Que ele tinha sofrido um acidente de carro. - se abraçou, mantendo uma das mãos tapando a boca e abafando o soluço.
- É o seguinte, , tenta contatar o urgente.
- Por quê? - ele gritou do outro lado da linha.
- Porque sua irmã acha que ele sofreu um acidente de carro. Vai cara, anda logo, ela está histérica aqui do meu lado. - eles desligaram e respirou fundo, tentando se convencer de que havia sido apenas um sonho. - Vá se arrumar, eu te levo pra gravadora ou para o hospital, ok?
concordou e saiu correndo, voltou a seu quarto, lavou o rosto e penteou rapidamente os cabelos, colocou uma calça jeans, camiseta vermelha com gola em V e calçou sapatilhas pretas, voltando a descer correndo para o andar de baixo. não estava com a melhor expressão.
- O celular do não atende. Tem alguma ideia para que hospital ele pode ter sido levado? - perguntou ele já rodando as chaves do carro nas mãos, inquieto.
- Quer tentar aquele em que eu estava? - perguntou um pouco insegura. Não se lembrava daquele detalhe em seu sonho, mas a última coisa que havia visto fora o rosto de caído sobre o volante do carro.
Ambos saíram apressados de casa, entraram no carro e seguiram rapidamente para o hospital que não ficava muito longe. Aparentemente, não havia nada de diferente na atmosfera do lugar, mas sabia que, quanto mais se aproximavam da recepção, pior ela se sentia.
- Por favor, - apoiou-se no balcão para disfarçar as mãos trêmulas. - vocês receberam uma vítima de acidente de carro com o nome ?
Os segundos seguintes, enquanto a recepcionista procurava no sistema e nas pranchetas foram de extrema agonia. sentia como se fosse vomitar e já não conseguia mais controlar o choro.
- Sim, paciente , deu entrada há quarenta e cinco minutos depois de uma colisão. Ele está na área de pronto atendimento, recebendo os primeiros socorros. - abafou o soluço e foi amparada por antes que perdesse o chão.
- Calma, calma. - ele disse baixo, abraçando-a pelo ombro. - Você sabe me dizer se o estado dele é grave? - deixava que agarrasse sua camisa enquanto tentava abafar o choro para não chamar tanta atenção dos demais que estavam ali.
- Não sei dizer senhor, desculpe. Mas se vocês seguirem por esse corredor, vão dar direto no pronto atendimento. A outra vítima do acidente foi fatal, então só há ele lá. - perdeu o chão e tentou segurá-la. - Precisamos de uma cadeira aqui. - a recepcionista inclinou-se em direção ao corredor ao lado do balcão e logo apareceram com uma cadeira de rodas.
foi sentada e, enquanto segurava sua mão, ambos seguiam para a área de pronto atendimento, onde havia alguns médicos circulando. Ele parou o primeiro e perguntou sobre o paradeiro de . Embora seus nervos tivessem sido acalmados ao dizer que fora apenas escoriações no rosto e uma costela trincada, parecia aquém de tudo o que acontecia ao seu redor. interpretou aquilo como um déjà vu.
Era como quando ela havia sofrido o acidente em Portugal, só que ao invés de chorando, agora era a própria . O médico e o enfermeiro que estava empurrando a cadeira de se afastaram, alegando que precisavam de alguns últimos exames, pois encontrava-se inconsciente. sacou o celular e deu a notícia a , para repassar aos demais. Depois se sentou ao lado de e ficou observando-a de tempos em tempos, mas ela nada dizia, apenas chorava em silêncio.
Os dois tentavam entender como tudo havia acontecido. Por mais que buscasse em sua memória, agora o sonho era só um borrão, ele havia se perdido como se fosse uma memória distante. se perguntava como havia se envolvido em um acidente, já que o amigo era um dos melhores motoristas entre os quatro. Será que a enfermeira havia dito certo quando explicara que a outra vítima do acidente morrera? Aquilo tudo estava muito mal explicado.
, e chegaram vinte minutos depois e precisaram de um tempo para processar. ainda estava sentada sobre a cadeira de rodas, as costas curvadas para frente e a cabeça tão baixa que quase tocava seus joelhos. Eles mal conseguiam ver os espasmos de seus soluços, mas notavam que ela chorava muito. Algo que ela e tinham em comum, mas agora estavam com os papeis invertidos. Nunca imaginariam ver em um hospital como paciente e vítima de um acidente.
- Já sabem o que aconteceu? - perguntou.
- Ouvimos no rádio a caminho daqui, foi em um cruzamento, deu blecaute nos semáforos e os carros dispararam. Junto com o carro do tinha mais três e uma moto. O motoqueiro morreu na hora, os outros três sofreram arranhões e foram liberados. O foi tirado do carro inconsciente. - explicou passando os olhos de para .
- Disseram que ele só sofreu alguns cortes no rosto e tem uma costela trincada, só que foi posto em observação por estar desacordado. Os exames neurológicos vão sair em algum momento.
- Não deve ter sido nada grave, o carro estava muito bem equipado com air-bags e eu sei que ele nunca dirigia sem o cinto. - disse em tom calmo e sereno, gesticulando com um dos braços cruzados sobre o peito.
- Como foi que você soube o que aconteceu? - agachou-se de frente para a irmã e tentou acalmá-la esfregando os braços que estavam com os pelos eriçados.
- Eu sonhei. - sussurrou, algumas lágrimas pingando da ponta de seu nariz. - No começo eu achei que fosse só um pesadelo, mas parecia tão real, era como se eu estivesse lá. Então eu desci e encontrei o , perguntei pelo , mas ele disse... - tapou a boca e respirou fundo, chorando mais forte. - disse que não estava com vocês. Então eu logo soube que tinha acontecido.
- Ele está bem, não precisa ficar assim. - tentou tranquilizá-la.
- Mas eu pensei que eles tivessem parado por causa do remédio. - ela murmurou, escondendo os olhos com as mãos.
- Não podemos chamar o que você teve de pesadelo. - interviu com a voz doce, para não assustar a amiga. - Foi mais uma premonição do que um pesadelo.
- É, nisso ela tem razão. - concordou. - Não se preocupe, foi só um susto. está bem.
- Eu nem me lembro mais do que eu vi. - disse ainda de olhos tapados.
- Isso é bom, pelo menos não vai ficar te perseguindo mais. Já passou. - lhe acariciou os cabelos.
- Foi assim que ele se sentiu quando eu estava no hospital? - quis saber a menina os encarando com seus olhos vermelhos e inchados, o rosto todo molhado e de expressão sofrida.
- Ele se sentiu muito pior, - explicou, lembrando-se. - ele te tirou da piscina, fez com que você voltasse a respirar, depois ficou lhe segurando nos braços até a ambulância chegar. No caminho, viu você morrer por alguns segundos e depois voltar à vida. Vocês estavam brigados e ele achava que era culpa dele. sofreu muito mais porque o que aconteceu com você foi terrível e...
- pare com isso, está fazendo com que ela se sinta pior. - lhe deu um tapa atrás da cabeça e mordeu o lábio, as lágrimas praticamente escorrendo como um rio infinito.
- O que ele quis dizer é que você está só assustada porque viu o que aconteceu com o enquanto ele não entendia o que estava acontecendo com você. - consertou rapidamente o que o namorado havia dito e deu um leve sorriso para a amiga que apenas respirou fundo.
- Doutor, tem boas notícias? - se levantou assim que viu o médico com quem havia conversado caminhar na direção em que eles estavam.
- Sim, eu tenho. - ele sorriu, a expressão aliviada. - O exame neurológico deu normal, foi só um desmaio que ele teve. Estará liberado para ir para casa quando acordar, só não pode fazer esforços por causa da costela, mas fora isso está tudo bem com o nosso rapaz.
Todos respiraram aliviados, mas não demonstrou nenhuma mudança na expressão. Apenas continuou com as costas curvas e o olhar direcionado às mãos que tremiam. estendeu-lhe a mão para levantar e seguirem ao leito onde descansava em observação, mas ela não conseguiu ficar em pé por mais de dois segundos, sem que sucumbisse ao nervosismo.
- Está tudo bem, ela só está assustada. - garantiu enquanto pegava a irmã no colo. - Vai ficar tudo bem.
dormiu pouco depois de se acomodarem no leito e foi posta na maca ao lado para descansar. Ela só queria deixar a mente divagar e esperava que, quando acordasse, já estivesse bem, afinal, havia sido só um susto. observava a meia irmã adormecida e não evitou o riso baixo, logo se virando para compartilhar com os amigos.
- De todas as coisas eu nunca pensei que ela pudesse desenvolver poderes paranormais. - os outros riram, parecendo mais aliviados. Definitivamente, agora nada poderia atrapalhá-los

Capítulo 74.

acordou à tarde, era pouco depois das seis. era o único no lugar, mas estava de olho na meia irmã, ainda adormecida. e estavam em algum lugar do hospital e havia ido para casa.
- ? - chamou o rapaz baixinho. Ele sorriu, ajeitando a coberta sobre os ombros da menina, deu a volta na maca para se aproximar do amigo.
- Como se sente?
- Um pouco zonzo. O que aconteceu com ela? - ele ajeitou a alça da tipoia no ombro e bagunçou os cabelos com a mão livre.
- Dormiu o dia todo, estava assustada.
- Vocês estão aqui desde manhã? - franziu o cenho, embora a pele estivesse ardendo com os curativos.
- Então você se lembra da hora do acidente? O que aconteceu, cara? A me contou, mas...
- ...ow, ow, a te contou o quê? Como ela soube do acidente, em primeiro lugar? - balançou a cabeça, incrédulo. Como ela soubera?
- Ela sonhou. - suspirou. - Contou ao que estava em casa naquela hora pegando uma coisa que eu tinha esquecido e eles vieram para o hospital, confirmando a história.
- Deve ter ficado aterrorizada. - ele ajeitou-se novamente sobre a cama, olhando em direção à garota.
- Ficou, ficou bem preocupada. Ela quis saber se foi desse jeito que você tinha se sentido quando o acidente em Portugal aconteceu. Em resumo, ficou um caco, ela saiu de casa sem comer porque tinha acabado de acordar e, com o nervosismo, optou por dormir.
- Droga, não estava nos meus planos me acidentar hoje. Foi tudo tão rápido, quando o sinal apagou, eu não sei o que deu nas pessoas, acho que pensaram que havia aberto e todo mundo acelerou. Aquele, aquele motoqueiro que quis passar na frente de todo o mundo?
- Morreu na hora. - suspirou e piscou, focando o nada.
- Poderia ter sido eu.
- Dude, não fique remoendo isso, o que importa é que está bem e poderá ter alta agora mesmo. Por que não passa a noite em casa? Tenho certeza de que a vai se sentir melhor.
- É, eu acho que aceito. De qualquer forma, preciso deixar minha prima e o sozinhos um pouco.
- Vou chamar o médico, já volto.
se afastou do leito e saiu no corredor em busca de alguém. Quando virou sua cabeça para o lado, encontrou o observando, o rosto escondido debaixo da coberta, toda encolhida e um pouco sonolenta. Ela sorriu, sem dizer nada, e se levantou indo ao seu encontro com a manta ao redor dos ombros. Tocou-lhe o rosto, tomando o cuidado de não encostar nos cortes ainda não cicatrizados e em seguida esfregou seu nariz contra a bochecha do rapaz enquanto enrolava os dedos em seu cabelo.
- Tem certeza de que quer passar a noite lá? - perguntou abraçada à cintura de . estava buscando o carro enquanto segurava na parte de trás da cadeira de rodas em que estava sentado.
- Tenho sim, aproveitem a casa enquanto podem, mas fiquem longe do meu quarto! - brincou ele com a voz um pouco rouca.
- Ok, cuide bem dele então. - beijou a amiga no rosto e a olhou fundo nos olhos. - E me avise na próxima vez em que tiver uma premonição. - riu.
- Fiquem bem. - abraçou e acenou quando eles se afastaram. colocou sua mão sobre a de que jazia em seu ombro.
Eles o levaram para casa, mas esta estava vazia. ajudou a sentar sobre um dos sofás e o ajeitou para que ficasse confortável.
- Bem, eu vou preparar o quarto de hóspedes para você. - ela disse depois de entregar o controle remoto a , arrancando olhares de estranhamento dele e do meio irmão.
- Vocês não vão dormir juntos? - parecia em choque, intercalando o olhar entre e . A menina pareceu constrangida.
- Acho melhor o passar a noite sozinho, eu não quero bater nele sem querer durante o sono, não quero nem imaginar o incômodo que é.
- Ela tem razão, não se preocupe, eu vou ficar bem. - ele sorriu e se retirou.
virou-se para quando já havia desaparecido no segundo andar.
- Essa história está muito mal contada, . O que aconteceu exatamente? - disse desconfortável.
- Teve, sim, algumas coisas que não te contei. - o rapaz suspirou. - Quando ela perguntou sobre como você havia se sentido, o falou coisas um pouco pesadas.
- Que tipo de coisas? - franziu o cenho.
- Sobre a sua dor, como você sofreu muito mais por estarem brigados e aquela parada cardíaca a caminho do hospital. Ele basicamente colocou os fatos de forma muito dura. Disse que você a viu morrer...
- Ele colocou dessa forma? - sentiu um arrepio e viu o amigo concordar. - Mas ela está muito frágil...
- Eu sei, eu sei. Estávamos nervosos, ela mais ainda por ter visto o que aconteceu. Mas o não fez por mal.
- Eu vou lá falar com ela. - ele apoiou o punho fechado ao seu lado no sofá e impulsionou sua saída.
- Precisa de ajuda para subir? - debruçou-se sobre o sofá para ver o rapaz caminhar em direção à escada.
- Não, estou bem. Valeu dude. - sorriu apoiando a mão boa no corrimão e subiu.
Virou no corredor, onde ficavam os quartos de hóspedes e encontrou ajeitando os lençois da cama. Seu olhar estava baixo e abatido e suas mãos, pálidas, afofavam os travesseiros. Não demorou para que ela percebesse sua presença, erguendo o rosto e lançando um sorriso vazio na direção dele.
- Já está quase pronto. - ela anunciou. - Conseguiu subir a escada sozinho? - ele concordou com a cabeça. Alguns segundos de silêncio passaram até que resolveu quebrá-lo.
- Por que está agindo assim? - perguntou suavemente.
- Assim como? - ergueu a cabeça mais uma vez, mas ele percebeu quando o olhar ficou assustado e as mãos começaram a tremer.
- Parece assustada, perturbada, triste. Não me beijou hoje na boca.
- Seus lábios estão cortados. - ela esquivou-se, fungando imperceptivelmente.
- Está assim por causa do que o disse?
- O que ele disse? - tremeu um pouco no final da frase, as palavras de voltando a ecoar com força total em sua cabeça.
- , pare de me responder com outras perguntas. - poderia ter sido um choque se não tivesse controlado a voz, tirando o tom agressivo de suas palavras.
A menina parou, jogando as almofadas no meio da cama e caindo sentada sobre a calçadeira de couro que havia nos pés da mesma. As costas das mãos enxugavam o rosto vermelho e ela respirou fundo antes de falar.
- Eu estou cansada, . - disse com dor na voz. - Cansada de me sentir impotente, assombrada, castigada. Estou cansada das coisas me atingirem com mais força do que deveriam, da minha instabilidade emocional. Eu achei que os pesadelos tivessem acabado, sabe? Que os nossos problemas estivessem resolvidos. Não aguento mais ser frágil e precisar de consolo. Eu não suporto mais ser fraca! - esbravejou com amargura no olhar, as lágrimas escorrendo como grossos pingos de chuva.
- Você não é fraca, ! - sentou-se ao seu lado. - Você já passou por tanto, foi vítima de tantas coisas. O acidente, nossos problemas, aqueles meses que te ignoramos por causa do blog, o contato com sua mãe. Você pode achar que é fraca, mas não é. Olhe quantos problemas já superou! Se não foi com a nossa ajuda, foi sozinha!
espantava as lágrimas com raiva, mas lhe tomou as mãos e enxugou seu rosto com delicadeza. Se apenas pudesse ver o quanto vinha sendo forte.
- Muitas pessoas no seu lugar, tendo esses pesadelos, já teriam tentado se matar. Você sonhou tantas vezes com a morte, a dor e o sofrimento e, ainda assim, nunca cortou os pulsos, tomou todo o frasco de comprimidos ou tentou pular da sacada. Você é forte, . Suportou tudo isso e agora vai ficar melhor, estamos caminhando para isso, não é? Estamos juntos, namorando, te ama, assim como a , o e o . Seu pai e a , a também. Tantas pessoas, mesmo com a família por perto, colocaram um fim na vida. Mas você não, você decidiu lutar e conseguiu vencer a guerra.
Ela respirou fundo, olhando para a janela, a noite estava sem nuvens, mas não havia lua. Os prédios nos arredores estavam acesos formando imagens belíssimas, dignas de uma fotografia. alisava suas mãos com os dedões, relaxando-as enquanto as poucas lágrimas restantes pingavam em seu colo.
- Não tem problema você chorar. Deve ter sido como você encontrou forças para continuar. Se tivesse guardado toda essa mágoa, essa angústia para você, talvez tivesse sucumbido ao medo. Mas estamos aqui, agora, vivos e felizes. Isso é o que importa. Eu te amo e sempre estarei aqui para você poder chorar quanto precisar. E, se você quiser, eu choro com você, por você.
A menina não respondeu nada, olhou nos olhos dele e teve a sensação de que estava voltando no tempo, olhando para a primeira foto de , ainda na Dinamarca. Aqueles mesmos olhos pelos quais se apaixonara e que, agora, a olhavam com mesma intensidade, o amor queimando em suas íris e a felicidade refletida em suas pupilas. se aproximou dele, olhos fixos nos lábios judiados e rachados de . Seus narizes se tocaram por milímetros enquanto ela umedecia sua boca, pronta para se juntar à dele.
não se lembrava quando havia sido o primeiro beijo deles, mas ela guardara na memória todos eles, como se fossem primeiros beijos. E, daquela vez, não seria diferente, as mesmas sensações explosivas e aterradoras disputando espaço em seu estômago, o formigamento atravessando a corrente sanguínea e o êxtase dando-lhe calma e transmitindo o amor que sentiam.
- Precisa de ajuda para tomar banho? - perguntou ela quando se separaram, um pouco ofegantes.
- Não, vou ficar bem. - mordeu de leve o lábio inferior dela e sorriu. - Vai voltar antes de ir dormir, não é?
- Claro! - fechou os olhos, esfregando seu nariz no dele. - Se precisar de alguma coisa, chama o . Vou demorar um pouco mais no banho.
- Alguma coisa especial para jantar? - bateu à porta com um sorriso ao que o casal se separou.
- Pizza? Comida chinesa? Tailandesa? - intercalava os olhares.
- Pizza está ótimo para mim. - levantou-se e parou ao lado do meio-irmão. - Peça umas cinco.
- Cinco pizzas? - arregalou os olhos balançando o cardápio.
- Quero variedade de sabores. - deu de ombros e seguiu para o quarto.
- Melhor pedir dois sabores em casa pizza, então. - riu sendo acompanhado pelo amigo.

- Será que, algum dia, teremos um momento livre de conflitos? - disse alto tirando a chave da fechadura e acendendo as luzes da casa. seguia logo atrás dela rindo, com as mãos no bolso. - Ah , a vida é assim mesmo? Parecia tão sem graça quando eu administrava o McHate.com e a ainda morava na Dinamarca. Isso é que é viver?
- Já diziam os filósofos: viver é sofrer. - jogou-se no sofá e colocou os pés sobre a mesinha de centro. – Mas, de forma alguma, estar com você é um sofrimento. É a melhor coisa que aconteceu na minha vida.
- , pare de me paparicar, não faz bem o seu estilo. - parou diante dele, ambas as mãos na cintura em pose defensiva.
- Não, , mas é verdade. Nossa vida tem girado ao redor de , , e , esquecemos de nós mesmos e eu nunca disse convictamente que você é a mulher da minha vida. Que eu nunca deveria tê-la deixado, mesmo com a descoberta do blog.
- , não tínhamos nenhum problema sério, todo nosso apoio deveria ter ido mesmo para eles. Um problema de saúde é muito pior do que um problema conjugal. Não foi culpa da ser jogada na piscina por um empregado revoltado. É verdade que ela nunca foi um exemplo de garota simpática, mas seus problemas começaram há muito tempo. Só acho que fomos bons amigos os apoiando, não posso me arrepender.
- E agora, mesmo com o acidente do , acho que finalmente podemos nos sentar e falar da gente, só para variar. - bateu no espaço ao seu lado e se sentou, arrumando alguns fios de cabelo que caíam sobre seus olhos.
remexeu no bolso e ficou alisando uma caixinha de veludo preto nas mãos. o olhou com curiosidade, seu corpo sendo tomado rapidamente por uma ansiedade inquietante. Ele não ousou abri-la, parecia chateado com alguma coisa, algo que o impedia de abrir e revelar seu conteúdo. Longos minutos de silêncio se seguiram enquanto decidia se seguia em frente ou não.
- , há muito tempo a gente se gosta e, apesar de todas as dificuldades, foi ótimo passar esses últimos meses ao seu lado. Eu nunca mais suportaria ficar longe de você, te ignorar ou sequer te olhar torto. Para mim já deu, eu quero que fiquemos juntos, então... , você quer casar comigo?
estava tão concentrada nos lábios de se movendo que ela mal percebeu quando ele abriu a caixinha delicadamente, mostrando um solitário com um diamante lapidado e tão brilhante que parecia havia vários deles incrustados. Seu sobressalto se tornou ainda maior quando ouviu a palavra "casar". Ela esperava um pedido de namoro formal e uma aliança de prata, mas acabou ganhando muito mais do que isso. Ela olhou da caixinha para os olhos expressivos e ansiosos de , depois voltou a olhar o anel.
- Mas , não é... muito cedo? - piscou afastando as lágrimas de alegria e viu a emoção no rosto do rapaz afrouxar um pouquinho.
- Se você quiser esperar, tudo bem. Eu sei que está tudo se assentando ainda, mas podemos ser noivos não é? Existem tantas pessoas que ficam noivas por anos até se casarem definitivamente. Eu pensei em te comprar uma aliança de prata, mas quando entrei na joalheria e vi esse solitário eu simplesmente soube que tinha de ser seu. - derramou de uma só vez, parecia tão nervoso quanto jamais o vira. Ela sorriu, explodindo de felicidade por dentro e com vontade de sair dando pulinhos pela casa vazia.
- Eu aceito , aceito esperar e ser sua definitivamente. - ela disse grudando sua testa na dele e alisando-lhe as bochechas enquanto seus lábios grudaram-se com paixão e necessidade.

Capítulo 75.

anunciou no dia seguinte para os amigos e a imprensa que ela e estavam noivos. A surpresa tomou conta da casa de Edward e e da gravadora também e marcaram uma comemoração em um bar para aquela noite. Mas antes precisariam resolver muitas coisas. tinha ensaio e pedira ao pai que apenas o motorista da família a levasse e a buscasse, pois, segundo ela, a coreografia já começara a ser ensaiada e gostaria de manter em segredo.
e , por outro lado, precisavam sair para provar o bolo e os docinhos do casamento, Edward fecharia os contratos para a locação do hotel para a grande festa do casamento e iria até a gráfica verificar os convites. Os meninos, é claro, teriam mais um dia de ensaio, afinal o grande show na arena era naquele final de semana. Embora estivesse praticamente proibido de fazer seus movimentos ao tocar, ele participaria do evento, pois todos eles tinham uma surpresa para as meninas. Algo muito especial.

[Dois dias depois]

- Boa noite Londres! - ajeitou o ponto na orelha diante do grande retorno dos fãs. A arena estava uma loucura completa, os ingressos haviam esgotado poucas horas depois de postos a venda. e arriscaram uns acordes levando a plateia à loucura.
e estavam em pontas opostas do palco, no backstage, animadas com o barulho e com os sorrisos largos travados nos rostos. Elas haviam passado o dia inteiro com os meninos, correndo atrás das pessoas da organização e apenas de turista, caminhando atrás em silêncio para não atrapalhar a concentração. Às vezes se afastava do grupo para trocar algumas palavras com ela, carinhos e beijos, mas nada que durasse mais que alguns minutos, visto que Fletch adentrava qualquer que fosse o lugar em que estivessem para apressá-los a algum compromisso. Passagem de som, fotos, entrevistas, encontros com as fãs.
obviamente não queria se intrometer, por isso ficava o tempo todo olhando para a tela do celular, sem conseguir esconder as saudades da época de glória do McHate.com, quando mensagens e replies chegavam para ela a todo momento. Ela sentia-se feliz pela amiga e no dia em que soubera da grande notícia, segurara-se ao máximo para não ir até o blog e contar para todos os seguidores que ainda restassem.
Mas não, McHate.com era passado, assim como muitas coisas em sua vida, principalmente os problemas que ainda eram recentes. Ela nunca se imaginara estar sentada no camarim do McFly, mesmo que estivesse sozinha, todas as coisas dos meninos jaziam ali, organizadas em pequenas divisórias de um armário embutido na parede sem as portas. O perfume deles ainda tomava o ar, alguns mais presentes do que outros, como o de e . Era o sonho de toda fã, de toda leitora de seu blog.
- Hoje, temos duas convidadas aqui que eu acho que vocês devem conhecer. e , por favor, apareçam! - gritou ao microfone, indicando com cada um dos braços as pontas opostas do palco.
travou ao ouvir seu nome e colocou a mão sobre o peito sem saber direito como prosseguir, riu e entrou saltitando no palco arrancando gritos das fãs enlouquecidas.
- McHate! McHate! McHate! - gritava a plateia intercalando com palmas, o som rapidamente tomando conta de todo o lugar e, puxada delicadamente pelo namorado, adentrou o palco com o sorriso ainda mais largo.
- Temos grandes leitoras por aqui, estou vendo. - tomou o microfone do, agora, noivo e ergueu as mãos para o alto, animando ainda mais a plateia. - Eu sei, eu sei, o blog faz falta! - encenou ela arrancando risos de todos. - Por favor, uma salva de palmas para minha grande amiga e guerreira, !
Os olhos de todos se voltaram para que, até então, mantinha-se timidamente postada ao lado de que sorria tanto quanto os demais da banda. A menina acenou com uma das mãos enquanto a outra cobria a boca tentando conter o grito de animação. Ela inclinou-se para frente em uma reverência, agradecendo pelos aplausos, depois se virou para e apontou para ela. A plateia obedeceu, batendo mais palmas.
- Obrigada a todos que tornaram o McHate.com o blog mais visitado relacionado a McFly de todos os tempos. Vocês são ótimos! - disse, mais contida, no microfone e todos gritaram animados. - Agora eu sei que vocês estão aqui por outras pessoas, por favor, McFly, reassumam o palco!
As duas amigas ficaram no centro, deram as mãos, erguendo-as acima da cabeça antes de curvarem-se, dando o agradecimento final. Em seguida, afastaram-se um pouco até ficarem próximas à bateria, mas não tiveram tempo de "escapar", pois foram surpreendidas pela voz de .
- Essa é para duas garotas muito especiais que viraram nossas vidas de cabeça para baixo. Party Girl. - os primeiros acordes ecoaram e todos pularam ao som da música. e aproveitaram para dançar ao som da letra que as descrevia com sutileza, praticamente tudo o que haviam vivido desde que McHate.com ficara famoso.
A partir dele, o complexo de fãs da banda teve a chance de receber notícias exclusivas em primeira mão, postadas pelas pessoas mais próximas a eles, mas que nunca seriam suspeitas. jamais imaginara que um dia ficaria no mesmo palco que o McFly e menos ainda que duas pessoas muito importantes para ela estavam, naquele momento, sendo impulsionadas pelo carinho dos fãs. Carinho que servira de alimento para suas ambições no passado, esse mesmo sentimento que agora inundava seu coração, vindo de tantas direções diferentes.
e riam com e , circulando pelo palco enquanto Party Girl ainda ecoava. piscou para , um pouco mais contido por causa da costela, mas aproveitou a deixa e lambeu a bochecha de , arriscando sua cabeça e a dela com as fãs. Afinal, quem gostava de ver seus ídolos comprometidos?
- Essa se chama Foolish. - anunciou no microfone e piscou para a meia-irmã que, naquele momento, se afastava de volta para o backstage. O ensaio daquele dia havia sido um pouco puxado e passar quase doze horas correndo atrás da banda não era mais para ela, principalmente com o tratamento chegando ao final.
Ao chegar na parte de trás do palco, encontrou-se com a amiga que riu e murmurou algo como "você viu? eles ainda se lembram da gente!", abraçaram-se e desceram juntas a escada que levaria até o camarim. Naquela noite, pela primeira vez, haviam combinado suas vestes que consistiam em: calça jeans skinny, ankleboots pretas de couro, camisetas que cobriam parte do cós da calça e trench-coat propícios para a noite fria de Londres. Jogaram-se no sofá e ficaram em silêncio, só curtindo o pouco som que chegava até aquela sala. Ora ou outra se pegavam rindo sozinhas, com os pensamentos a mil.
- Sabe, - começou. - estive pensando sobre o blog.
virou-se de lado no sofá, sua expressão um misto de curiosidade e alegria.
- Eu também, sinto falta de toda a repercussão. - olhou de relance para o celular, de onde muitas vezes postara as notícias mais quentes sobre a banda.
- Mas não teria a mesma graça, agora que sabem quem somos. - encolheu os ombros, parecendo arrasada.
- O blog também não trouxe nada de bom para nós quando teve repercussão demais. - sentiu o corpo tremer com um calafrio. - Meu Deus, não quero nem me lembrar daqueles meses.
- Você tem toda a razão, é melhor deixar do jeito que está. Pelo menos as pessoas não ficaram com um gosto amargo na boca como nós ficamos.
- É, eles sempre se lembrarão do blog como a melhor fonte do McFly já vista. - sorriu de canto, mas não aguentou muito e riu. - A fama não era como esperávamos.
- E como isso tudo não é fama, ? - bateu sobre o sofá, colocando as mãos na cintura.
- Certo, isso é fama. É fama desde que papai decidiu se casar com , é fama desde que seu primo entrou para o McFly, é fama desde... - parou comprimindo os lábios, incerta sobre continuar ou não.
- ...desde que meus pais morreram e eu me mudei para ajudá-los. Eu sei. - sorriu sem mostrar os dentes. - Isso tudo é nosso agora, quem poderia imaginar?
concordou e deixou a cabeça tombar sobre o ombro da amiga. Tudo estava, finalmente, acertado, como deveria ter sido desde o começo. Ou será que ainda não?

Capítulo 76.

- Me diga, de novo, por que estamos aqui? - se virou para a mãe inquieto. Balançava para frente e para trás, afundando cada vez mais em seu disfarce para que pudesse permanecer irreconhecível diante de um aeroporto lotado como se encontrava o de Heathrow naquela tarde.
- Eu não entendo, papai já deveria estar voltando. - foi a vez de virar-se para , também inquieta. Fazia pouco mais de uma hora que esperavam entre pessoas apressadas e lotadas de malas que passavam de um lado para outro com seus carrinhos e praticamente não os notavam. Edward havia sumido na multidão fazia vinte minutos, no mínimo.
- Mamãe, se importa? - chamou a atenção, um pouco mais irritado. o olhou de cara feia e e trocaram olhares. Por que ele estava tão inquieto?
- Querido, apenas espere mais uns minutos, não faça assim. - ela puxou o gorro do rapaz mais para baixo e foi para seu lado o abraçando.
- Você queria estar no ensaio, não é? - perguntou com a cabeça apoiada no ombro do meio-irmão.
- Não, tudo bem. Eu só estou ficando irritada com esse gorro, está quente aqui dentro e meu couro cabeludo está coçando. - ele coçou com fúria o topo da cabeça e riu. - Ah, é super engraçado mesmo, não é você que precisa parecer um clandestino em pleno local público.
- Alguém aqui está de TPM hoje. - zombou e as mulheres riram. - Se acalme pirralho, Edward já está voltando, olhe! - ela apontou na mesma direção em que o homem desaparecera há alguns minutos.
- Ah meu Deus! - tapou a boca sentindo os olhos lacrimejarem. Edward sorria largamente olhando para a filha. - Babá! - ela disparou na direção de Alice, a empregada que seu pai carinhosamente pedira para vir diretamente da Dinamarca e acompanhar seu casamento de perto.
- Babá? - e disseram em uníssono, olhando desconfiados em direção à e a senhora que agora abraçava a menina, emocionada.
- Quietos vocês dois. Ela é como uma mãe para , Edward me disse que toma conta dela desde que era uma criança. - disse sorridente, dando um passo a frente para cumprimentar Alice. - É um prazer conhecê-la!
- Oh, Edward me falou tão bem de você , eu é que fico honrada em conhecê-la. - Alice disse mantendo próxima a si. - E estes são os seus? e , não é?
- Muito prazer. - se aprumou e estendeu a mão para a senhora que sorriu.
- Olá. - sorriu um pouco sem graça e apertou a mão de Alice.
- Bem, agora podemos ir. - Edward os guiou para fora do aeroporto e, finalmente, puxou o gorro para fora, sacudindo a cabeça para ajeitar os cabelos.
- Babá, você trouxe o que eu pedi? - enganchou o braço no de Alice que sorriu cúmplice.
- É claro querida. - elas adentraram no banco de trás da pick-up.
- Ótimo. - sorriu e deixou que o pai as levasse de volta ao apartamento. Os preparativos do casamento, para ela, estavam oficialmente iniciados.

saía do provador pela décima quinta vez, desde que havia começado a contar. De todos os vestidos que provara, por mais que combinasse com seu tom de pele, o formato de seu corpo, os sapatos que desejava usar na ocasião, sempre encontrava um defeito que, na opinião da amiga, não era válido. Ela só queria impressionar , isso sim.
- Esse está perfeito e sem mais discussões. - se apressou em se levantar do banco que circundava uma coluna que ficava no meio da sala de prova. Caminhou até e a forçou a vir até o principal espelho. - Olhe o tom sério e sensual, a cor já diz tudo, você é uma mulher determinada, que gosta de marcar presença, mas que, ao mesmo tempo, não chamará mais atenção do que a noiva.
sorriu ao ouvir o elogio e deslizou as mãos com unhas recém feitas sobre o vestido justo vermelho com um detalhe sobre o ombro direito. Se fizesse um penteado que brincasse com suas mechas, então estaria tudo perfeito.
- Está bem, eu vou levar este. Combina perfeitamente com minhas sandálias. E se eu fizer alguns cachos, colocar pontos de luz no cabelo, ficará ótimo! - virou-se para que também sorria animada. - E quanto a você? Não gostou de nenhum daqui? - deu mais uma olhada para o espelho, se certificando de que o vestido ficara perfeito.
- Ah não, já tenho escolhido. Essa parte, para mim, já está resolvida. - ergueu as mãos para o alto, demonstrando alívio.
- E você está planejando me mostrar, não está? - arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços sobre o peito.
- De jeito nenhum, assim como será uma surpresa para todos, será para você também. - a jovem se sentou no banco e sorriu sarcasticamente.
- Isso é tão injusto! E se não for bonito? - aquilo era golpe baixo e sabia. Mas ela não poderia se render, seu vestido seria único, como ela estava acostumada a ser.
- Não fale assim ! Você sempre elogiou meu gosto para moda e não será agora que me deixará insegura. Ele será maravilhoso. - riu, escorregando sobre o banco. - Agora tire isso e vamos pagar, tenho ensaio daqui a pouco. Por falar nisso, já sabe o que vai usar na minha apresentação?
- Ah, eu vou com um dos que tenho em casa. Alguns vestidos ainda estão com etiqueta, por quê?
- A imprensa estará lá. O primeiro show será aberto e as matérias ajudarão a divulgar o espetáculo. Terá até tapete vermelho. - ajeitou seus cabelos em um rabo ao olhar para um dos diversos espelhos que alcançavam sua visão através das portas dos provadores abertos.
- Uau, que chique amiga! Vai tirar uma foto conosco, não é?
- Mas é claro! E já posso adiantar que vocês terão outra surpresinha no espetáculo.
- Ah! O que é? - choramingou sentando-se ao lado da amiga.
- Espere e verá. - se levantou e empurrou de volta para o provador escutando seus resmungos irritados pelo suspense todo.
Saíram da loja e caminharam por duas quadras na movimentada Londres a fim de se encontrarem com e Alice, que estavam em busca do buffet para o almoço. A cerimônia seria em um hotel de Blackpool, no litoral da Inglaterra. precisava fechar mais e mais contratos para garantir que tudo fosse transportado para a cidade sem maiores problemas. A locação do espaço para a festa ainda era um problema, havia muitos hotéis próximos à praia, mas nenhum deles possuía um salão de eventos grande o suficiente e com vista para o mar. Aquela estava sendo uma missão quase impossível.
Mais um dia terminava, , e Alice voltavam para casa exaustas e encontraram-se com Edward no elevador. A casa estava silenciosa, exceto por um quarto no andar de cima, de onde escapavam grossas risadas masculinas, além de um pouco de música. se retirou para o quarto junto com Alice, os treinos estavam ficando cada vez mais frequentes e puxados, Damen não a estava perdoando.
- Seu encontro está marcado para amanhã às duas, querida. - Alice sussurrou assim que terminaram de subir as escadas.
- Perfeito babá, obrigada. Boa noite. - ela acenou para a senhora e bateu à porta do quarto do meio irmão.
Quase sem surpresa, encontrou os quatro rapazes esparramados pelo quarto, rindo à toa com garrafas de cerveja já vazias sobre o carpete fino. Ela riu e apoiou-se na porta de braços cruzados, como se esperasse por uma explicação, mas , , e olharam para ela e continuaram a conversar normalmente.
- Opa, a chefe chegou. - levantou-se em um pulo quando viu que não se mexera e foi para perto dela, lhe dando um beijo.
- Você está bêbado. - ela confirmou o que já suspeitava.
- Mas você pode me deixar sóbrio. - ele sorriu debilmente e abraçou, segurando fortemente em sua cintura.
- Nem pense nisso, você não vai vomitar na minha cama. - ela riu e foi acompanhada dos outros três. fez bico. - Oh amorzinho, espero que não fique todo manhoso amanhã quando estiver de ressaca tá?
, e não perderam a oportunidade e deixou o quarto puxando consigo. A menina ainda gargalhava quando foi posta entre ele e a parede, as pernas ficando entre as de . Então o riso cessou e ele a beijou ferozmente, pressionando as mãos por todo o seu corpo e puxando-a para subir em seu colo, as pernas se entrelaçando ao redor da cintura.
- Só preciso de você para ficar sóbrio. - sussurrou e caminharam às cegas até o quarto da jovem, onde passaram a noite agitada.

Capítulo 77.

sentiu o corpo enrijecer, a respiração ficou falha, era como se alguém a estivesse empurrando contra uma piscina funda e densa. Tentava erguer as mãos acima da cabeça para livrar-se do aperto incômodo, queria ver quem estava tentando matá-la, mas não conseguia. Quando já parecia imersa o suficiente, uma luz forte piscou sobre seus olhos e ela arqueou as costas, tomando fôlego. Piscou lentamente, focalizando o teto do próprio quarto, a pele suada grudava no lençol que lhe cobria por inteiro. Aliviou a pressão que suas mãos faziam ao agarrar o lençol e virou a cabeça lentamente para o lado, estava sozinha.
- Te acordei? - perguntou equilibrando-se para vestir a calça. Fechou o botão, mas deixou o cinto aberto, aproximando-se da cama. - Você está bem? Parece exausta. - ele espalmou uma das mãos frias, porém suaves, sobre a testa quente e molhada da menina.
- Foi só um pesadelo. - murmurou tentando encontrar a voz que pensava estar normalizada. - Foi só um pesadelo. - disse novamente, parecendo tentar se convencer daquilo.
- Ah, meu amor. - ele se sentou na borda da cama e a abraçou, deslizando os dedos por suas costas nuas. - Não foi como os que você tinha, não é?
- Não, foi... mais normal. - respirou fundo, parecendo feliz por um momento. - Foi como aqueles sonhos em que estamos caindo. Mas eu estava afundando, sendo empurrada, na verdade.
- Por isso você tremeu agora há pouco. - murmurou mais para si mesmo.
- Foi tão visível assim? - parecendo envergonhada, ajeitou o lençol que cobria os seios e puxou os cabelos para trás. riu.
- Não se preocupe, você passou a noite tranquila, isso é o que importa. Eu é que estou com uma dor de cabeça terrível. - procurou apoio sobre o ombro nu de , parecendo manhoso.
- Por que não toma um banho? Vai melhorar pelo menos um pouco. - ela sugeriu fazendo pequenos rodamoinhos com os dedos nos cabelos de .
- Porque eu tenho certeza que a sua babá não vai gostar. Ela já está me olhando com uma cara nada amigável. - murmurou ele ainda com o rosto escondido e , pela primeira vez, olhou por sobre seu ombro forte, tendo a visão de Alice com cara de poucos amigos enquanto escorava-se na porta. Como uma mãe descontente com a travessura da filha.
- Babá! - ela puxou o lençol mais para cima, parecendo realmente envergonhada. - Desculpa, não vi que estava aí. - ela afastou de si e abaixou os olhos, sem saber o que dizer. Suas roupas estavam espalhadas pelo chão e havia um pacote aberto de preservativo na cômoda ao lado da cabeceira.
- Acho melhor eu ir, vou passar em casa e tomar um banho. Nos vemos à noite, para o jantar? - quis saber finalmente fechando o cinto e abotoando a camisa rapidamente.
- O que você fez com a camisinha? - sussurrou a menina quase entrando em pânico. inclinou-se, envolvendo seu rosto vermelho feito um pimentão com uma das mãos, enquanto os lábios deslizavam por sua bochecha e se aproximavam do ouvido.
- Joguei no lixo, oras. Amo você. - beijou-lhe os lábios e sorriu, aliviado de que finalmente a havia acalmado.
- Também te amo. Até mais tarde. - deslizou os dedos ainda gelados pelo queixo do rapaz e o deixou partir.
- Bom dia, Alice. - disse baixo, passando por ela como um foguete.
- Babá, olha... - começou, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha ainda sem encará-la diretamente.
- Seu pai sabe disso? - quis saber ela com a voz ainda impassível.
- Sim, ele sabe. também.
- Então está tudo bem. Só me preocupo com você, ele é seu namorado? - Alice adentrou o quarto e começou a pegar as roupas de do chão e jogar em um cesto.
- É, estamos juntos há alguns meses. - ela dobrou as pernas e puxou o lençol para mais perto do corpo.
- Alguns? - a senhora pareceu repreender a ideia.
- Tivemos problemas, mas nos amamos e estamos juntos, dessa vez, definitivamente.
- Só quero que seja feliz, querida. E eu sei que as coisas mudaram desde o meu tempo, então, por favor, me dê um tempo para absorver a ideia.
- Claro. Eu... vou tomar um banho, aquele encontro está se aproximando.

levantou sentindo a cabeça pesada. Estava com uma dor tenebrosa no pescoço e, ao deslizar seus dedos pelo rosto, sentiu o cotovelo bater em algo macio. Quando olhou para baixo, deparou-se com uma cascata de cabelos e costas bem torneadas que seguiam até a borda da coberta que os cobria no sofá.
- . - ele murmurou, gemendo em seguida ao que o som de sua voz retumbou dentro de sua cabeça de forma irritante e dolorosa.
- Já são oito horas? - ela despertou em um salto, o cabelo armado feito uma juba de leão. - Ah , mas que droga! - ela bateu na testa ao resgatar o smartphone da mesa de centro.
- , será que poderia não falar alto, eu não estou me sentindo muito bem. - ele esfregou a testa, pressionando-a levemente.
- É claro que não. Você me liga ontem, no meio da noite, completamente bêbado e eu vou te buscar para impedir que faça alguma bobagem e depois terminamos transando no sofá. Realmente não é um bom momento para me dizer o que fazer. Estamos atrasados e eu não quero nem pensar em...
Ela foi interrompida pelo barulho da porta se escancarando e lançou um olhar para ao que ele gemeu, tapando os ouvidos.
- Ah meu Deus. - revirou os olhos parando na passagem que dava para a sala. - Belos trajes, prima. - zombou ele, mas sua face desvaneceu quando viu se levantar com cara de quem havia passado uma péssima noite. - No meu sofá? Sério mesmo? Argh, eu não acredito!
- Não se preocupe, eu compro um novo. Agora anda, estamos atrasados. Os três. - jogou as roupas em cima de e puxou a coberta ao redor do corpo, passando feito um jato por e subindo.
- Dude, precisa se impor alguns limites. - falou enquanto cruzava os braços e arqueava uma sobrancelha, parecendo se divertir ao ver a miséria do amigo.
- Agora não , sua voz parece uma bigorna na minha cabeça. - resmungou já de boxer e colocou a mão na boca ao que se sentiu enjoado.
- Pro banheiro, pro banheiro! - apontou para uma porta que ficava debaixo da escada e bateu palmas para avisar o amigo que ali não era lugar para vomitar. - É hoje. - disse em um suspiro, subindo finalmente para o quarto em busca de um bom banho.
- Por que vocês beberam ontem? - perguntou ao primo assim que o viu sair do banheiro. Ela estava usando o espelho do corredor para se arrumar enquanto ainda tomava banho.
- Sei lá, pura besteira. - deu de ombros esfregando a toalha sobre a cabeça em movimentos rápidos. - Fazia tempo que não nos divertíamos tanto. - sorriu enquanto se lembrava das besteiras e dos bons momentos que haviam desenterrado na noite anterior no quarto de .
- E você não passou a noite aqui, dormiu lá na ? Ou seria melhor dizer com a ? - debochou a menina não segurando o riso logo em seguida.
- Acho que não preciso responder. - apareceu na porta com uma camiseta de Star Wars, calça jeans e all stars enquanto ainda arrumava o cabelo com a pomada na mão. Seguiu até o espelho e parou do lado da prima. - Fui surpreendido pela babá, ainda bem que não deixei a camisinha em qualquer lugar quando terminamos.
- Eca!!!!! Detalhes de sua vida amorosa não me interessam. Argh, podia ter ficado sem essa. - estremeceu teatralmente. - Mas e aí? A Alice te expulsou do quarto a chineladas?
- Não e ainda bem que ela não o fez. acordou logo em seguida, tinha tido um pesadelo. - a expressão de ficou preocupada e ela olhou para pelo reflexo do espelho.
- Ela está bem? - se apoiou na parede ao lado e olhou para o primo com pesar.
- Está, foi só um pesadelo, como nós temos. Mas eu não sei , ela estava toda suada, gelada, o corpo dela arqueou e enrijeceu pouco tempo antes de acordar. Estou com medo. - confessou ao limpar as mãos na calça sem realmente prestar atenção no que estava fazendo.
- Ela gritou, chorou? - ele negou com a cabeça. - Então talvez tenha sido só um pesadelo. Nós temos de vez em quando, não é verdade? está voltando ao normal. - disse, mas de forma como se tentasse convencer a si mesma do que dizia.
- sonhou que estavam tentando afogá-la... em uma piscina. - disse pausadamente, seu olhar preocupado refletindo-se no da prima.
- Provavelmente não deve ter sido nada. É. - ela disse depois de um silêncio constrangedor. - Vamos ao trabalho que à noite estaremos na cada dos -. Vai dar tudo certo.

- Oi? Eu cheguei! - disse quando abriu a porta às oito horas. Por incrível que pareça, todos estavam lá, menos ela. Ela não queria ter que cumprimentar todo mundo, embora conhecesse e dispensasse formalidades.
- Meu bem, o que aconteceu com a sua testa? - Edward tomou a dianteira com o olhar assustado e logo atrás dele apareceram , e . olhou cada um deles sem entender, ajeitou a mochila no ombro e passou a mão casualmente na testa. Olhou os dedos borrados de vermelho e engoliu seco.
- Droga, achei que já tivesse parado. - esbravejou, garantindo o resto da atenção dos presentes na sala. Quando tirou o lenço cheio de sangue do bolso da calça bailarina os olhares ficaram apavorados.
- Filha, quem fez isso com você? - Edward se aproximou e afastou alguns fios que haviam escapado do coque da filha analisando o corte de perto.
- Não foi quem pai, mas o quê. - ela disse um pouco irritada. e trocaram olhares desesperados. - Tive um problema com o equipamento lá na Pineapple, foi só um acidente.
- Meu amor, mas o Derek não estava perto ou a Sheila? O que aconteceu? - Edward gesticulou para Zara e ela adentrou um dos banheiros da casa. O silêncio era mortal.
- Eu estou bem pai, não é como se eu fosse de vidro. - deu de ombros cruzando os braços.
- Por que seus pulsos estão roxos, , o que aconteceu? - Edward estava ficando cada vez mais inquieto. O que havia acontecido que sua filha não estava querendo contar?
- Foi só um teste. Faz parte da surpresa. - ela disse baixo, respirando fundo para controlar as lágrimas. Tentara ignorar a dor de testar o aparelho pela primeira vez, mas Derek e Sheila já haviam concordado que não daria certo.
- Faz parte da surpresa você se machucar desse jeito? Filha, bateu muito forte em sua cabeça? - ele a inclinou para trás e para os lados.
- Não bateu nada, papai, só escapou e cortou, nada demais. Eu estou bem, não estou tonta e não está doendo, só ardendo. Os pulsos estarão melhores amanhã, só preciso de um pouco de aerosol. É sério, eu estou bem. - ela se virou para o resto dos presentes, mais constrangida do que o necessário. - Droga. Vou me limpar, babá você me ajuda? - e tão rápido quanto havia entrado, subiu pisando duro para o seu quarto.
- Querida, tem certeza de que está tudo bem? - Alice encostou a porta e foi pegando do chão as roupas que deixava até chegar ao banheiro.
- É sério babá, foi só um acidente. O pino escapou sem querer e bateu no meu rosto, tive sorte de não ter o olho furado. - sorriu sem humor e entrou no box abrindo o chuveiro.
- Melhor tomar cuidado com seja lá o que estiver para dançar. Você nos deixou preocupados.
- O problema babá, é que passei por momentos muito delicados e difíceis e agora, toda vez que tenho algum problema, é como se tudo fosse voltar. Eles tem medo que eu tenha uma recaída.
- E você acha que terá? - tentou a senhora, levemente preocupada.
- Não, eu estou me sentindo super bem com o remédio, mas acho que as pessoas meio que deixaram de viver por minha causa. Eu fico desconfortável com os olhares de pena, como se a qualquer momento eu fosse tentar alguma estupidez.
- Eles ainda estão se recuperando, querida. Não foi só você que sofreu nos últimos meses, seus pais, seus irmãos e seus amigos também. - sorriu ao que Alice não mencionou como seu namorado. - É muito difícil quando alguém que amamos está sofrendo.
- Está tudo bem, eu entendo. Só queria que não ficassem alertas cada vez que eu dissesse ou fizesse alguma coisa. Sinto-me como aqueles suicidas em potencial!
- Bem, tome seu banho, vou pegar com a Zara os curativos e deixo tudo certo em cima da sua cama, ok?
- Obrigada babá.
- E o encontro, como foi? - ela disse antes de se virar de volta para o quarto, lembrando-se.
- Foi ótimo. Está tudo certo, ele vai fazer pelo preço combinado. Será maravilhoso. - animou-se a menina e depois ficou sozinha com seus pensamentos e um sorriso nos lábios. A apresentação que se aproximava estaria espetacular e ela até poderia tirar proveito de seus machucados para a atuação. Tudo estava perfeito e ela não iria fraquejar, não mais.

Capítulo 78.

, , e desceram do carro diretamente no tapete vermelho, sendo rapidamente circundado por diversos fotógrafos e jornalistas. Prepararam os sorrisos, e deram as mãos e caminharam na frente, foi atender algumas fãs e esperou que , , e Edward descessem do carro que havia parado atrás do seu. já estava no teatro há horas, na verdade, ele nem havia falado com ela naquele dia. E estava assim desde o dia em que ela aparecera machucada em casa pois, aparentemente, não havia gostado da preocupação crescente que eles demonstraram.
Mas o que poderia fazer? Ela não quisera explicar que tipo de incidente havia acontecido o que só os deixara ainda mais nervosos. Não que ela fosse uma suicida em potencial, como ela gostava de se auto-declamar toda vez que os pegava olhando em sua direção, mas tinham suas próprias preocupações.
Naquela noite, no entanto, não havia mais porque ficar assim. Ela estava bem, se encontrariam no tapete vermelho para algumas fotos e depois seguiria para o backstage novamente. Só que desse, eles não participariam, não como em um show normal da banda, o que era uma novidade. Estar, pela primeira vez em muito tempo, na platéia era algo a que o McFly se desacostumara. E quando eles adentraram a recepção do teatro, o burburinho ficou ainda mais alto.
Em meio à multidão de bailarinos e familiares, de fotógrafos e recepcionistas, e acotovelavam a todos em busca de . Finalmente a encontraram, estava entre Sheila e Derek e sorria largamente a todos que vinham cumprimentá-la. Quando se deu conta de que a família a esperava, direcionou seus doces olhos a eles, já levemente delineados com maquiagem. O corte de algumas semanas atrás era apenas um minúsculo risco cor-de-rosa no topo de sua testa e os pulsos estavam enfaixados de branco. Sua postura estava impecável e ela se comportava mais cordialmente do que eles jamais haviam visto.
deixou que todos a cumprimentassem e ficou por último, dando-lhe um beijo nos lábios e grudando suas testas. Não disseram nada, apenas sorriram e posaram para algumas fotos. Derek sussurrou algumas coisas a , que começou a rir, e o pai lhe desejou boa sorte, juntamente com o meio-irmão.
- Vejo vocês do palco. - a mais nova piscou se despedindo deles e, tão logo lhe deram as costas, ela desapareceu de volta para o camarim. Tinha muito trabalho pela frente.

estava inquieto, sentado entre e ele torcia o programa de papel fino pela décima vez por entre os dedos suados e pálidos. Olhava ao redor e só se sentia mais acanhado ao ver que a plateia lotava, estavam na primeira fileira e os jornalistas sentavam-se do outro lado do corredor, preparando as máquinas fotográficas profissionais e os bloquinhos de papel. , por outro lado, parecia inabalável, sorria para as cortinas fechadas como se sentisse falta de algo, o que, de fato, sentia. Estar ao menos uma vez do outro lado do grande show a fazia se sentir levemente vazia, como se estivesse por fora. Mas ela sabia que sabia se virar bem e que, qualquer coisa, Derek estaria lá por ela.
perguntava a o horário a cada dez segundos, deixando a garota irritada e fazendo com que ela já ficasse com o celular em mãos, apenas para pressionar o botão que acenderia a tela e lhe daria as horas. e Edward analisavam o programa atentamente, olhando os nomes das coreografias e os respectivos bailarinos e professores, por mais que custassem a acreditar, seria a primeira a se apresentar com o solo e Edward se sentia nervoso pela filha. Tanto tempo sem ser o centro das atenções, talvez isso tivesse, de alguma forma, mexido com ela, por isso estava tão misteriosa quanto ao que ela e Derek vinham aprontando.
, sentado no extremo do corredor, trocava alguns comentários com e observava as pessoas ao redor, acenando para um ou outro fã que os reconhecia ao longe. Ele se sentia à vontade, sem a pressão por ter tido algum histórico com . Parecia que, por um momento, a imprensa havia se esquecido daquilo tudo e as perguntas à que ele respondera, não passaram de curiosidade sobre os próximos shows e quem ele estaria prestigiando naquela noite.
O primeiro sinal tocou, avisando a todos para que tomassem seus lugares. O burburinho ainda era um pouco alto, mas algumas pessoas caminhavam lentamente para suas poltronas, fosse no camarote ou nas fileiras atrás de onde eles estavam. Logo o segundo tocou, o terceiro e, finalmente, o quarto, com as luzes diminuindo lentamente, até que o teatro se encontrasse no mais perfeito silêncio. As cortinas se abriram e uma leve bruma tomou conta do palco, mostrando um vulto bem ao seu centro. Não haveria introduções, muito menos agradecimentos, o espetáculo da Pineapple Studios começaria imediatamente, apresentando a mais bela e talentosa estrela da noite: .
Quando a música começou, a doce batida de Undisclosed Desires, do Muse, um foco começou a se acender lentamente sobre onde se encontrava. Demonstrou, primeiro, seus suaves movimentos, mas, de certa forma, travados, calculados; depois, puderam vislumbrar cordas que pendiam do teto e terminavam em seu corpo esguio, que se movimentava com cuidado. A luz de fundo, azulada, deu uma atmosfera melancólica à cena e deu seus primeiros passos, então, as luzes da frente se acenderam e tiveram uma visão completa do cenário.
ao centro, presa por cordas que terminavam em sua vestimenta simples e desgastada de boneca marionete. Os olhos estavam brilhantes, cílios cuidadosamente pintados para destacar os postiços. As bochechas coradas pelo blush forte e a boca com duas linhas descendo paralelas, desde os cantos até a ponta do queixo, dando a ideia de um boneco ventríloquo. Seus movimentos pareciam comandados por alguém que estava escondido sobre o palco, alguém que estivesse com o controle total. Mas isso até que a música chegasse ao refrão. Nela, o foco se apagava e o palco era todo iluminado uniformemente, onde fazia movimentos mais livres, como se estivesse fora do controle da marionete. Ela erguia as pernas, deslizava, fazia movimentos graciosos com os braços e seu sorriso deixava de ser mecânico, algo limitado. Ela parecia sentir a música e deslizar por ela, um sonho de menina.
Porém, era só Undisclosed Desires voltar a sua letra que o palco se apagava e o foco retornava, assim como seus movimentos de boneca. Embora só tivesse olhos para a menina, que estava interpretando maravilhosamente bem, todos na plateia se encontravam do mesmo jeito. O autocontrole e o carisma de eram suficientes para prender a atenção de todos, medindo seus movimentos, analisando sua interpretação mais que magnífica. O refrão, mais uma vez, chegava e se libertava, como uma borboleta de seu casulo e percorria o palco mostrando que, naquele momento, as cordas que a prendiam não seriam a limitação de alcançar seu sonho.
A plateia logo compreendeu que o enredo da coreografia tratava-se de uma boneca marionete que queria ser livre, não gostando de ser controlada e queria ser dona da própria vida, tendo a dança como forma de se libertar. Edward sorria involuntariamente enquanto analisava a performance de sua menina, definitivamente, não poderiam encontrar ninguém melhor para o papel, modéstias a parte. , e pareciam hipnotizados, jamais poderiam imaginar que todo o esforço e preocupação de haviam sido canalizados para aquele show particular que ela estava lhes proporcionando. Até o corte na testa ela utilizara como parte da maquiagem, reforçando-o com lápis preto para que se parecesse com um remendo. A beleza e o brilho vítreo, que tomavam conta de seus olhos era como o de uma verdadeira boneca, mas depois, quando aquilo tudo derretia e a velha boneca se transformava em uma menina, toda a atmosfera ao seu redor parecia mudar junto.
Quando a ponte da música chegou, o momento em que a batida predominava e antecipava o refrão mais uma vez, deslizou as mãos sobre os pulsos e, com força encenada, livrou-se das cordas que a prendiam. Depois se inclinou e soltou os pés. Nos poucos segundos que antecederam a entrada do último refrão, as cordas laterais foram puxadas e, com o movimento, sua roupa de boneca se rasgou, como um símbolo de que sua fragilidade e submissão haviam acabado e ela estava livre. De top e shortinho cor da pele, deslizou como uma pena pelo palco, percorrendo todos os cantos com o olhar maravilhado, como se ansiasse por aquele momento há tempos. A imagem da boneca liberta e dona de si encantou a todos na plateia e o sorriso da menina não podia ficar mais largo. Dançou como nunca, com o coração, com os movimentos bem marcados e intensos como se sua vida dependesse daquelas sequências...
Até que o final se aproximava e as luzes diminuíam progressivamente, os olhos de perdiam o brilho e o sorriso vacilava. Os movimentos da antiga boneca estavam ficando enfraquecidos, ela não tinha mais controle sobre seus membros, estava ficando claro de que precisava das cordas para se manter em pé, para viver. E agora ela estava se arrastando sobre o palco, a felicidade e o sonho destruídos por uma limitação que nem ela conseguira vencer. Desiludida, já prevendo que não aguentaria muito mais por si só, terminou a coreografia e a música como uma perfeita boneca sem vida, caindo sentada sobre o palco e o mesmo olhar vítreo do início, exceto pela tristeza em suas feições que o último feixe de luz deixou mais do que claro.
A platéia foi à loucura, muitas pessoas aplaudiram de pé, inclusive aqueles oito seres que se encontravam na primeira fileira. Jamais esperavam uma apresentação que os deixasse sem palavras, a adrenalina corria solta pelo corpo, estavam felizes pela sua pequena, ela era um sucesso! As luzes se acenderam e deu um passo à frente, inclinando-se para agradecer, o sorriso doce estampava o rosto e ela o alargou assim que focalizou sua família, lançando um piscar de olhos. Abaixou a cabeça em reverência e esperou que o palco escurecesse para poder sair em direção à coxia.
, , , , , , e Edward voltaram a se sentar estupefatos, as mãos ainda formigavam dos aplausos e tremiam de emoção. pode, finalmente, relaxar sobre a poltrona, mas o sorriso permaneceu. deu sua mão a ele e a apertou, animada. Ela, e trocaram murmúrios de parabéns, embora eles só fossem direcionados a uma pessoa: .
As quatro coreografias que se seguiram foram belíssimas, apresentações de jazz, ballet e dança contemporânea que arrancaram aplausos animados da plateia, mas todos estavam de acordo em uma coisa: a introdução havia sido bárbara! E o próximo do programa também prometia grandes emoções, afinal, uma apresentação de street dance era sempre cheia de surpresas e acrobacias bem calculadas. Por isso, quando Yeah 3x de Chris Brown começou a tocar, as luzes desceram sobre o palco em um jogo de cores e sequências, dando profundidade à animada melodia.
Nos primeiros acordes, dois bailarinos entraram correndo em diagonal, seguindo para pontas opostas do palco, mas chegando até lá com dois mortais de frente. A plateia aplaudiu a movimentação e os dois abaixaram os capuzes. e Derek trocaram olhares sorridentes e o queixo daqueles na primeira fileira caiu bruscamente. Edward não podia acreditar, mas tinha um fundo de certeza de que as antigas aulas de esgrima da filha a haviam deixado corajosa para treinar saltos arriscados. O que ele poderia fazer, já que estava mais do que feliz com o resultado? Ela estava arrasando mesmo no street dance. E Derek parecia a motivação de tudo aquilo, afinal, durante a coreografia inteira, em meio a outros doze dançarinos entre homens e mulheres, eles pareciam se divertir mais do que qualquer um deles.
Depois de sequências envolvendo agilidade e atitude, mais alguns saltos ousados com a ajuda dos outros dançarinos mais fortes, Edward e entendiam todo o comportamento misterioso que a menina vinha mostrando desde que se acidentara nas últimas semanas. As cordas, os cabos que a sustentariam no solo deveriam ter sido a causa do corte na testa e as munhequeiras haviam deixado seus pulsos machucados. No final das contas era tudo pela arte e, embora esse não fosse o preço justo a ser pago, havia suportado tudo extremamente bem, como uma verdadeira adulta. Edward só poderia sorrir e balançar a cabeça, ainda incrédulo de tudo o que estava acontecendo naquela noite. E quando se deu conta de que seus devaneios já estavam indo longe demais, a música de encerramento já havia começado e era Born This Way, de Lady Gaga.
Os bailarinos foram entrando na ordem reversa, da última coreografia até a primeira. Quando o palco já estava mais do que cheio e repleto de dançarinos animados, engatados pela batida e todos na plateia acompanhavam em pé com palmas espaçadas, entrou sozinha, em largas passadas até o centro do palco aonde recebeu os aplausos com breves acenos acima da cabeça e um sorriso maravilhoso. Curvou-se em agradecimento e gesticulou abertamente para os lados de onde surgiram Derek e Sheila, ambos dando-lhe as mãos e agradecendo em conjunto. E ela permaneceu ali enquanto todos faziam uma pequena coreografia de encerramento aproveitando os acordes restantes de Lady Gaga e estava mais claro do que nunca que, naquela noite, era o centro das atenções. Não só pela posição no palco, como pela forma com que todos a haviam recebido nos aplausos. Era como se o McFly estivesse presenciando um show, mas eles não eram a banda principal.
Esperaram pacientemente o teatro esvaziar e, finalmente, ouviram passos apressados descendo pelo corredor. praticamente pulou diante deles, os cabelos presos em um impecável rabo de cavalo, e ela se encontrava com as mesmas roupas que haviam visto na entrada: collant e calça bailarina. Ao lado dos pés, calçando tênis flexíveis, a bolsa de dança estava estufada com os dois figurinos e a frasqueira de maquiagem, mas é claro que ninguém estava notando nada disso.
- Então, o que acharam? - ela perguntou estupefata, o sorriso mais largo que já haviam visto.
- Foi... - Edward começou, mas não sabia qual palavra poderia usar para descrever como se sentia.
- ... incrível...
- ... estupendo...
- ... sensacional...
- ... o paraíso... - todos falavam ao mesmo tempo e ela intercalava os olhares entre eles, parecendo levemente confusa.
- Foi tudo isso e mais um pouco. - finalizou com um sorriso relaxado. - Você estava linda.
- Obrigada. - ela a abraçou com força e deu alguns pulinhos de alegria.
Pouco a pouco o torpor de ver ali desaparecia e ela recebia os cumprimentos dos parentes. Seu pai estava emocionado e parecia hipnotizada. Ela estava se deleitando com os elogios, mas faltava um que gostaria de ouvir. Assim que eles se separaram, olhou para com um sorriso tímido e entrelaçou as mãos na frente do corpo, balançando-se para frente e para trás. Lentamente, eles foram se afastando, Edward pegou sua bolsa e disse que a esperaria lá fora. e avisaram que estavam indo pegar o carro e , e disseram que veriam se a imprensa ainda estava à espreita.
- E então...? - quebrou o silêncio sentindo-se mais nervosa do que quando estava sendo preparada pelos técnicos com os cabos de marionete. Ela percebia o brilho nos olhos de e isso quase a fazia querer chorar, seu coração batia tão forte que chegava a ser ensurdecedor. Por que ele não falava nada?
- Você... - ele começou, a voz fraquejando o forçando a pigarrear. - foi maravilhosa. Eu não poderia estar mais orgulhoso. - ele abriu os braços e afundou o rosto em seu ombro, finalmente respirando fundo e calmamente. - Foi a melhor surpresa que eu já tive na minha vida.
- Que bom, não sabe como estou aliviada em ouvir isso. Por um momento pensei que todos os testes de equipamento e os ensaios haviam sido em vão. Eu não podia imaginar que as pessoas gostariam tanto, achei que elas não entenderiam...
- Mas entenderam. Mais do que todas as outras coreografias, você nos atingiu, fez com que pensássemos. Foi lindo.
- Obrigada. - subiu nas pontas dos pés e roubou-lhe um beijo. O brilho de sua maquiagem ficou nas bochechas de e ela riu, abraçando-o na cintura e direcionando-se para o corredor central, que os levaria até o lado de fora.
Mais uma parte de sua missão estava cumprida e ela só conseguia se sentir mais leve e aliviada, vendo que tudo havia ocorrido da forma como tinha planejado. Agora só tinha mais um plano pela frente: o casamento de seu pai.

Capítulo 79.

Não entendia o que estava fazendo, o que estava vendo. Tudo de que se lembrava era de ter dobrado o corredor e depois empurrado a porta do quarto de . E ele estava lá, sentado em uma poltrona que havia em um canto. Ela não se lembrava daquela poltrona, muito menos do namorado passar algum tempo que fosse sentado nela.
Atravessou dois trechos de penumbra até se aproximar para poder ver melhor. Havia uma mulher em seu colo, de costas para ela, e estava nua. Os longos cabelos de ébano dela lhe escorriam sobre a pele brilhante de suor. Soltavam grunhidos abafados, mas o movimento estava claro para ela, enquanto dava as costas e ouvia-os se distanciando...


- Filha! - ouviu ao longe, mas parecia imersa em uma bolha, estava tudo tão abafado. - Querida, chame a ambulância!
Edward atravessou o quarto em largas passadas, desperto ao primeiro grito da filha. Ela não dizia qualquer coisa que fizesse sentido, mas chorava copiosa, quase desesperadamente. Os irmãos haviam parado ao pé da cama, estava estupefato, com medo de que os velhos dias houvessem retornado. levava uma das mãos à boca, chocada.
- Meu bem, o que está sentindo? - quis saber o pai ao tirar os fios de cabelo grudados em sua testa. - Você está ardendo em febre.
- 'Tá doendo pai, tá doendo muito. - soluçou ela, engolindo com a garganta praticamente fechada.
- Eles já estão vindo, avisei o porteiro para deixá-los subir. - adentrou o quarto com o telefone nas mãos. - Edward, o que está acontecendo?
- Não sei, ela só diz que dói, mas não diz onde. Está queimando.
- Faz isso parar, papai, por favor. Faz parar. - implorou como uma criança que não queria ficar de castigo. O pranto preenchia todo o quarto, enquanto engasgava nos soluços.
Zara, que havia acordado com a confusão, abriu a porta para que os médicos subissem. Sem fazer muitas perguntas, colocaram a jovem sobre a maca e desceram rapidamente.
- Vão com o carro, eu faço companhia a ela. - Edward determinou saltando dentro da ambulância, que saiu em disparada.
- Como está a temperatura? - perguntou um deles à única enfermeira ali, que verificava o termômetro.
- 41ºC - disse com pesar.
- Senhor, ela disse aonde dói? - o médico virou-se para Edward, que tinha a mão espremida pelo desespero e medo da filha.
- Não, só disse que está muito forte.
- Na cintura... lado direito. - ofegou ela, puxando a máscara de oxigênio de lado.
- Ligue para lá e peça a sala de cirurgia. - o mais velho determinou.
- Cirurgia? O que está acontecendo? - quis saber o pai aflito.
- Sua filha está com o apêndice inflamado e precisa ser operada imediatamente.
- Papai... - suplicou assustada.
- Vai ficar tudo bem, querida.
Em menos de cinco minutos eles estacionaram no pronto-socorro. ainda não havia se acalmado, mas mal percebeu quando a maca foi tomando distância de seu pai, barrado no meio do corredor.
- Faz isso parar, por favor. - choramingou ela para rostos estranhos, embora compadecidos.
- Já vai acabar , fique calma. - a enfermeira que tinha a prancheta nas mãos e atualizava a equipe de seu estado, disse.
O ambiente mudou de luzes sequenciais em um teto branco para um disco iluminado e uma sala escura. Embora estivesse vestida, ao ser transferida para uma superfície dura e fria, seu pijama foi cortado. Bem distante, ela sentiu o dedo ser pressionado pelo prendedor, marcando seus batimentos cardíacos, enquanto o braço foi espetado pela agulha do soro e o oxigênio era substituído por um gás de cheiro engraçado.
- Conte até dez, , e respire bem fundo. - anunciou uma moça de voz suave e relaxante.
- Um, dois, tr... - seus olhos se fecharam, derramando as últimas lágrimas e os lábios permaneceram entreabertos, inalando o gás anestesiante.

- Edward, o que aconteceu? Onde ela está? - perguntou ao avistá-lo, saindo em disparada. e apressavam-se logo atrás.
- Na sala de cirurgia. - suspirou o homem. O rapaz empalideceu rapidamente e procurou algum lugar para se sentar. - Estão removendo o apêndice inflamado.
- Essa era a causa da dor, então? Ela vai ficar bem, não é? - quis se certificar disso.
- Se a bolsa não tiver estourado, vai sim. - ele ainda não parecia completamente relaxado.
- Por quê? O que acontece se o apêndice estourar? - a jovem intercalou o olhar entre os demais, ficando nervosa.
- A infecção se espalha pelo corpo todo e ela morre em alguns dias. - completou com amargura e viu a filha escorregar ao lado de seu rapaz.
- Vou ligar para o . - disse atônito e, tremendo muito, discou o número do amigo.
Quarenta e cinco minutos depois, os passos rápidos e cambaleantes de um de rosto amassado, cabelo desgrenhado, olhos inchados, vestindo um moletom velho, jeans surrados e all star, surgia pelo corredor.
- O que está acontecendo? É outra crise nervosa? O Dr. Huang já apareceu? - disparou a perguntar, coçando os olhos meio sem jeito.
- Felizmente aconteceu algo mais corriqueiro, que poderia ter acontecido a qualquer um de nós. - Edward disse calmamente.
- Mas ela estava bem quando nos falamos de manhã. - justificou , sem entender.
- Apendicite não é previsível, . Mas é urgente, ela precisou ser operada às pressas.
- Mas ela vai ficar bem, não é? - respirou fundo apoiando-se na parede que havia às suas costas.
- Vai sim. Já devem estar acabando. - o homem sorriu, mas voltou a olhar o chão, as mãos entrelaçadas diante dos lábios.
Duas horas e meia após a entrada de no hospital, o médico apareceu, mas optou por conversar com Edward a sós.
- A operação foi um sucesso. - sorriu o homem, tirando a máscara que pendia no pescoço. - Conseguimos remover sem maiores problemas. Ela já foi transferida para o pós-operatório, onde ficará até que passe o efeito da anestesia e o restante da febre abaixe e depois será acomodada em um quarto, onde deverá ficar em observação por uns três dias.
- E quanto à dor? Ela vai sentir alguma dor quando acordar? - perguntou cruzando os braços.
- Vai sentir um desconforto, normal da cirurgia, mas nada comparado à dor que ela chegou sentindo.
- Ok, doutor, obrigado. - Edward se despediu do médico e voltou aliviado ao corredor em que todos esperavam. - Está tudo bem, correu tudo certo. Ela já está na sala de recuperação e depois vai para um quarto. Deve ficar mais três dias em observação.
- Graças a Deus. - suspirou e sorriu. e afundaram no sofá mais relaxados e sorriu largo. Só mais um susto, pensaram todos.

- ? - levantou os olhos do próprio corpo, esparramado sobre a cama, para observar o noivo arrumando o cabelo diante do espelho. - E se eu estivesse grávida?
Não era um fato, como também não era uma suspeita. Mas desde que a pedira em casamento, ela se perguntava como seria se estivesse esperando um bebê.
- O quê? Não, não poderia ser verdade. - o rapaz disse sem desviar os olhos do espelho e dos fios de cabelo que bagunçava com as mãos.
- Por quê? - quis saber a jovem, surpresa com a reação negativa.
- Porque... porque, ora, veja bem. Estamos no auge da carreira, , como poderia dar conta disso e de um bebê? Você o levaria para a gravadora e me deixaria cuidando dele enquanto fizesse os agendamentos? E nos shows? Quem tomaria conta? É muito cedo para pensarmos nisso, você acabou de fazer 22 anos. Vamos com calma. Primeiro nos casamos e depois decidimos quando teremos um filho.
deu a conversa por encerrada, se aproximou da namorada e beijou-lhe a testa enquanto terminava de fechar a camisa, saindo logo em seguida. não sabia que tipo de expressão poderia habitar seu rosto naquele momento. Será que estava certo?


acordou estupefata e se levantou, procurando saber onde estava. Felizmente, estava na casa de , dormindo ao lado dele como ela começava a se lembrar de tê-lo feito. Ajeitou as alças da camisola meio desabotoada, tirou as cobertas de cima e calçou os chinelos, caminhando até o corredor e, em seguida, descendo até a cozinha. Tirou um copo do armário e pegou um pouco de água do bebedouro, respirando fundo enquanto dava longos goles. Inesperadamente, começou a rir.
Não sabia por que, mas o sonho que tivera era tão típico: , a voz da razão, e ela, uma boba sonhadora. Por que sempre insistia em inverter os papéis no seu subconsciente? Estava mais do que claro que nunca reagiria de tal forma ao saber da possibilidade de uma gravidez. Ele era bem o tipo aventureiro, gostava de se arriscar. Mas uma coisa que haviam discutido, de fato, era de se pensar: ainda estava muito cedo para pensar na maternidade. O McFly ainda era uma banda no auge da carreira e ela mesma mal dava conta de toda a agenda dos meninos, ainda mais com o casamento de se aproximando. Talvez devesse discutir com mais tarde sobre a possibilidade.
Isso mesmo, concordou em silêncio, ligaria para a amiga e marcaria de se encontrarem em seu horário de almoço para discutirem um pouco mais sobre suas dúvidas. Ainda aproveitariam para combinar o que fariam no dia de spa que estava programando para todas elas. Deixou o copo na pia e subiu lentamente as escadas, acomodando-se atrás de e o abraçando, beijando-lhe a nuca antes de voltar para o mundo dos sonhos.

A enfermeira caminhava com passos leves e rápidos pelo corredor. já contabilizava ser a oitava que passava por eles, era o único modo de se distrair quando tudo parecia rodar em câmera lenta.
- Qual de vocês é ? - curiosamente, a mulher havia parado no meio deles e olhava de um lado para o outro, parecendo exausta. e trocaram olhares e se apressou em se levantar.
- Sou eu. - disse um pouco rápido demais. Estava nervoso, o que poderia ser?
- Venha comigo, ela não para de te chamar. - suspirou a enfermeira e começou a caminhar do mesmo jeito apressado e silencioso de antes, só restando a segui-la. - Ela ainda está sob efeito do anestésico, então pode falar coisas sem sentido, mas acho que precisa de companhia. - explicou ela, virando no corredor e entrando em uma sala repleta de macas enfileiradas. Grande parte delas estavam ocupadas por pacientes em estado muito pior que o de . Por isso pode respirar, aliviado, ao ver a namorada apenas com a máscara de oxigênio e uma bolsa de gel repousada sobre a testa.
Ficou surpreso ao perceber que pouco dava para se identificar do que ela dizia, , na verdade, balbuciava.
- ... - pediu de olhos fechados, como se o estivesse procurando há muito tempo.
- Fique à vontade. - a enfermeira gesticulou para uma cadeira de plástico ao lado da cama e ele se sentou, tomando de leve a mão da garota.
- Estou aqui, meu bem, estou aqui. - ele disse baixo, tocando-lhe o rosto com as pontas dos dedos. Imediatamente ela pareceu relaxar, respirando fundo e afundando um pouco mais na cama. - Fique calma, já está tudo bem. - ergueu-lhe a mão para beijá-la nas costas e não a soltou mais. Ao contrário do que enfermeira havia dito, para as palavras de faziam todo sentido: eu te amo. Logo depois dela balbuciar tais palavras, caiu em sono profundo.

Capítulo 80.

Água. Havia muita água e estava turva. Agitava-se quase em forma de redemoinho, levando-a para cima e para baixo, mas não havia peso algum. O ar saía rapidamente, mas não parecia voltar, mesmo que ela puxasse com toda a força. Aquilo era um rio? Seria o meio de uma tempestade?
estava quase pegando no sono quando ouviu o suspiro assustado de ao seu lado. Seu corpo contraiu-se para dentro e a mão que descansava ao lado de sua cabeça no travesseiro, aproximou-se do rosto, protegendo-o. O outro braço abraçava a própria cintura, descansando sobre o curativo da cirurgia. Ele levantou-se da poltrona confortável que havia no quarto em que ela estava descansando e a tocou de leve nos cabelos.
- ? - sussurrou, tentando não assustá-la. Ela se mexeu levemente, ainda incomodada, mas não abriu os olhos. - Meu amor, acorde. - deslizou os dedos trêmulos pelo braço da jovem, respirando fundo e piscando com força. se retraiu um pouco mais e abriu os olhos rápida e avidamente, assustando-o.
- ! - disse preocupada ao se deparar com a expressão cansada dele e tentou se levantar, mas uma pontada de dor a surpreendeu. - Ai.
- Não, não se mexa. Ainda está sensível. - ele colocou sua mão sobre a da garota, fazendo uma leve pressão no curativo para aplacar o desconforto. - Estava tendo sonhos ruins?
Isso pareceu lembrá-la de algo, pois seus olhos piscaram rapidamente e ela se encolheu. Não era agradável se lembrar, mas todos os seus sonhos tinham água, pesadelos ou os terrores do tempo em que ela ficara doente. Finalmente ela entendia que era implicação de tudo o que havia passado na piscina, consciente ou inconscientemente. , por outro lado, parecia aterrorizado, com medo de que tudo estivesse voltando. A menina o entendia, também achara que estivesse ficando definitivamente louca.
- A água. Sempre água e eu me afogando. - acomodou a cabeça sobre o travesseiro, olhando-o em silêncio. - Acho que precisamos de um psicólogo.
- Precisamos? - ele se sentou na borda da cama e a olhou, estranhando ela o estar incluindo.
- Vejo em seus olhos toda vez que isso acontece. Você fica apavorado, com medo de que eu esteja doente de novo. Foi você que me tirou daquela piscina e ficou comigo até eu ir ao hospital. Nós dois passamos por muita coisa, , estamos fragilizados. - ela balançou a cabeça esfregando as mãos do namorado e respirando fundo.
- Tem razão. - ele assumiu depois de um tempo em silêncio. - Estou sempre com medo, medo de te perder.
- Não vai me perder. - ela sorriu, por mais que aquilo lhe fizesse cócegas no abdômen, onde antes a dor pinicava. - Estou bem agora, fisicamente. Mas precisamos de ajuda, conversar sobre isso com alguém que não tenha vivido todo esse inferno, que não nos conheça e, mais importante, que saiba nos ajudar, é necessário. Podemos ver se aqui no hospital podem nos ajudar, acho que não precisaremos de muito tempo. E é isso, poderemos ser felizes e tranquilos.
- Eu te amo, sabia? - sorriu e finalmente pareceu extravasar todo o cansaço.
- Sim. E é por isso que você está exausto. - alisou seu rosto e ele lhe beijou a palma da mão. - Descanse um pouco, eu vou ficar bem. Você sabe se mais alguém está por aqui?
- Talvez ou seu pai, mas não tenho certeza. Eu vou... - ele começou a se levantar, mas ela o segurou.
- Fique. Descanse. É uma ordem. - os dois riram. o puxou pela nuca e o beijou lentamente. - Vamos ficar bem , eu prometo. - grudou sua testa na dele e depois deixou que ele se afastasse e fosse para um sofá-cama, dormir.

- Para onde você disse que eles foram, mesmo? - apoiou os cotovelos e fez uma careta, virando-se na direção de em seguida. O restaurante estava levemente cheio, mas o mezanino era só deles. era o único que faltava para se juntar a eles, parecia desconfortável e prestes a saltar da mesa como um kamikaze, embora a prima quase não o reconhecesse mais. Ele estava mais tranquilo, alegre, parecia o que há muito brincava com ela, quando seus pais ainda eram vivos.
- Dinamarca, parece que eles precisavam assinar alguns papeis. - bebericou o refrigerante e sorriu, limpando os lábios com o guardanapo. Ela decidira dar aquele jantar para relembrar os momentos de família que o McFly, há muito, deixara de ter, embora todos concordassem que Edward e faziam falta. - Coisa rápida, amanhã eles devem estar de volta.
trocou olhares com ; depois da cirurgia de apendicite, não falava sobre outra coisa que não fosse a volta à sua terra natal e isso, de certo modo, os assustou. Talvez porque pensassem que, chegando lá, ela poderia não querer voltar. Era um medo bobo, que eles estavam aprendendo a administrar com a ajuda das visitas à psicóloga, mas ainda não eram bons o suficiente.
- Desculpe o atraso, mas o trânsito estava aquele caos. - tirou o cachecol e o casaco e o pendurou na cadeira. demorou o olhar sobre ele, mas depois o desviou para o prato vazio. Ele também vinha trabalhando as memórias da traição de com seu amigo. A médica havia dito que era normal que ele se recusasse a esquecer, tratando como se fosse qualquer outra traição, mas aconselhou que ele deveria levar em conta o fato de ela estar muito doente e psicologicamente desequilibrada. Não era sua culpa ou dele o que acontecera e ele deveria se concentrar no presente, na sua relação, agora, estável.
Mesmo assim ele não conseguira evitar olhar para . Como ele deveria ter se sentido ao transar com sua namorada? Culpado? Depois ele teve a certeza de que o amigo ficou arrependido, mas e durante? Anotou mentalmente as perguntas e as inseguranças que haviam surgido e as exporia na sessão do dia seguinte.

(Dinamarca)

*Flashback**

- Não se preocupe, querida, a mamãe vai estar sempre aqui para você. - Vanessa alisou as cobertas sobre o pequeno corpo da filha e, com um sorriso, ergueu seu queixo para que ela a olhasse. - Eu prometo. - beijou-lhe a testa.
- Mamãe, - começou, voltando a olhar para as próprias mãos. - não quero nunca que você vá embora. - fungou baixinho.
- De onde você tirou essa ideia, meu bem? - a moça sorriu incrédula, mas não sendo correspondida, pegou a filha no colo. Ela só tinha cinco anos, mas já convivia com os medos de todas as crianças: o de ficar sozinha. Ela deu de ombros, em resposta à pergunta da mãe e ficou mexendo no cabelo dela. - Eu nunca poderia ir embora sem você, meu amor. Jamais. - garantiu alisando os cabelos da menina e beijando-lhe o rosto. - Eu te amo, filha.
- Te amo mamãe. - abraçou-a no pescoço e deixou-se pegar no sono em seus braços.

*End of the flashback**


- Vai ficar bem? - Edward sentou-se na borda da cama, certo de que andara chorando. Ela deslizou os dedos pelo rosto e confirmou com a cabeça, não confiando em sua voz.
- Pai? - depois de um tempo em silêncio ela ergueu a cabeça. Edward permanecia no mesmo lugar. - A mamãe alguma vez te disse por que nos deixou?
- Estava pensando nela... - ele pareceu responder a uma pergunta interna, balançou a cabeça e suspirou. - Não, filha, ela nunca me deu satisfações. Você sente falta dela, não é?
- Apesar de tudo, ela ainda é a minha mãe. - sua voz falhou e ela soluçou um pouco sem fôlego. - Mesmo que um dia eu tenha sonhado que ela me matava, não posso deixar de amá-la.
- Você tem razão, tem toda a razão. - Edward se aproximou e a abraçou com força. - E eu desejei que tivesse sido diferente. Mas Vanessa escolheu tomar um rumo diferente do nosso e eu não tenho ideia do que ela te disse naquele dia pelo celular... - ele viu que ela se manifestaria e a cortou. - e não precisa me dizer isso agora. Sei que ela te ama, mas não faz mais parte de nossas vidas e precisamos seguir em frente.
- Eu posso dormir no seu quarto? - perguntou não mais tão segura de que conseguiria dormir sozinha sem se lembrar da mãe.
- É claro. Eu tenho mesmo uma coisa para te dar. - Edward a ajudou a se levantar e transportou em um braço os travesseiros da filha enquanto com o outro a abraçava pelo ombro, dando-lhe um beijo na testa.

(Londres)

- Falta muito ainda? - sentou-se no chão e cruzou as pernas feito índio. Ele mal dormira aquela noite, pensando na meia-irmã que, desde que deixara Londres, nenhuma vez telefonara.
- Ah, pelo amor de Deus, se eu tiver que ouvir você perguntar isso mais uma vez, não respondo pelos meus atos! - bufou, mas acabou se sentando ao lado do irmão, emburrada.
- Acalmem-se, crianças, eles devem pousar a qualquer momento. - disse de forma calma e sorridente, passando a mão sobre o cabelo de .
- Claro, vieram de jatinho. - sorriu e bocejou quando viu que fazia o mesmo. Os dois riram.

(Jato da família )

"Apertem os cintos, estaremos pousando em Heathrow, Londres, dentro de alguns instantes. Horário local: nove horas e quarenta e cinco minutos. Tenham um bom dia."

se espreguiçou em seu assento e olhou pela janela, o sol brilhava em Londres e o vento agitava a biruta de um lado para outro no alto da torre de comando. A aeromoça estava passando para recolher sua coberta e a venda para os olhos, ela sorriu em agradecimento e virou-se para o pai, sentado do outro lado do corredor, ajeitando a gravata.
- Lar, doce lar. - ela disse tocando a corrente que pendia em seu pescoço.
- Lar, doce lar. - reforçou o homem com um sorriso cúmplice.
Assim que o avião pousou na pista e, logo depois, parou, a menina se levantou em um salto, estava com saudades de sua nova família. Cumprimentou o piloto e a pequena tripulação correndo e logo parou na porta do pequeno jato particular, observando logo abaixo; estavam todos lá.
Lembrou-se da primeira vez em que descera naquele mesmo lugar, estava de mau humor, era respondona e não conseguia pensar em um ponto positivo que fosse daquela união maluca de seu pai com a mãe de um dos McFly. Chegava a soar absurdo. Mas agora, com todas aquelas pessoas ali, esperando por ela, sorrindo e segurando faixas de boas-vindas, não poderia se sentir mais em casa.
Tocou o pingente frio que jazia sobre sua pele suave, tirou os óculos escuros e abriu o maior sorriso que poderia deixar escapar, acenando animadamente. Desceu rapidamente os poucos degraus, mas foi pega no colo pelo namorado, que a rodopiou no ar e beijou-lhe a bochecha demoradamente.
- Senti tanto a sua falta. - sussurrou, sem querer deixá-la sair de seus braços. respirou fundo e engoliu as lágrimas que apareceram de súbito em seus olhos; quando descera ali pela primeira vez, nunca havia se sentido tão sozinha.
- Eu também. - sussurrou de volta, afundando o rosto em seu pescoço. Logo acima do ombro de , ela pode ver o meio-irmão com um sorriso tão largo quanto o dela e mal se aguentando de ansiedade para alcançá-la. - É melhor me entregar para o antes que ele passe por cima de você! - todos riram e , embora relutante, deixou ser praticamente arrastada para o abraço de urso do amigo.
- Nunca mais vá viajar e me deixe esperando com o celular na mão todo o tempo! - ele disse meio abafado, fazendo com que a menina risse descontroladamente.
- Meu Deus, você está muito dependente. Quem sabe uns meses longe, na Dinamarca, o conserte. O que você acha, ? - piscou para a garota que concordou, fazendo cara de misericórdia.
- Mas, por favor, que seja ele o viajante. Se meu irmão ficar aqui, acho que cometerei um crime! - todos riram, formando um círculo ao redor de e , ela mal se aguentava de tanta felicidade.
- Não liga pra ela, esqueceu de tomar o remedinho hoje. - o rapaz disse mostrando a língua para a irmã, que teria avançado, se não fosse pelo aperto gentil que dava em seu braço, segurando-a.
- Ok, meninos, acalmem-se. Deixem-me passar! - abriu espaço entre os filhos conflituosos e chamou a enteada para um abraço. - Seja bem-vinda de volta, querida.
- Obrigada . - e assim passou de abraço em abraço até, finalmente, voltar para , que esperara pacientemente.
Assim que todas as malas haviam sido descarregadas do pequeno avião, todos se dividiram em carros, pois tinham reservas em um restaurante próximo à casa da família -, prontas para que comemorassem as poucas semanas que separavam a união definitiva de e Edward.
- Essa noite você é minha. - anunciou logo depois de fechar a porta do carro e deixar a chave na ignição. o olhou com surpresa. - Não se preocupe, já avisei seu pai e o , caso ele tente te persuadir a passar a noite na sua casa. - ele riu, se aproximando até ficar a poucos centímetros dos lábios de sua pequena.
- Eu mal posso esperar. - sussurrou já meio sem fôlego com a proximidade e, sem paciência para jogos de sedução, acabou com o pouco espaço que restava. Beijaram-se intensamente, como os dois jovens apaixonados que eram, trocando carícias maliciosas, mordidas... até que se lembraram de onde estavam. - Sabe, aquela minha vontade de inaugurar o carro ainda não passou. - riu maliciosa e ofegante, apoiando a cabeça sobre o ombro do namorado.
- Também estou começando a considerar a ideia... mas não aqui, nem agora. - rebateu determinado, suas bochechas, antes clarinhas, estavam vermelhas e ele arrumou os fios de cabelo fora do lugar no espelho retrovisor, afivelou o cinto e deu partida no carro, mas não sem antes olhar de esguelha e lançar uma piscadela para a menina, que se encolheu com o arrepio que percorreu seu corpo.

- Reparou naquele colar em que ela estava usando? - disse assim que manobrou o carro para fora do estacionamento do aeroporto.
- Qual? Aquele vermelho? Você nunca tinha visto? - olhou pelo retrovisor para certificar-se de que estava sendo seguido por e .
- Você já? - virou-se para ele desconfiada.
- Não. Mas achei que ela já o tivesse usado ou, pelo menos, mostrado a você. - ele deu de ombros, mas levou um soco de leve.
- Seu bobo, aquele colar é novo. Notou como ela não tirava a mão dele? Queria que todos nós o notássemos. - ela sorriu sapeca, como se tivesse descoberto a resposta para a pergunta de um milhão de libras. - Boa jogada, conseguiu o que queria. Vou perguntar sobre ele na mesa do almoço.
- ... - disse em tom de aviso.
- O quê? Vai me dizer que também não ficou curioso pelo colar? - deslizou uma de suas mãos pela coxa do noivo e terminou a frase bem próxima a seu ouvido.
- Quer sofrer um acidente, sua louca? - ergueu o ombro e jogou-se para a porta do carro sem, é claro, tirar as mãos do volante e os olhos da estrada. Pigarreou e retomou a postura de motorista cauteloso enquanto ria descontroladamente. - E não, não fiquei curioso sobre o colar. Isso é coisa de mulher. - estralou o pescoço, firmou as mãos sobre o volante e manteve os olhos fixos na estrada.
Mas a verdade é que ele estava morrendo de vontade de saber o que havia por trás daquele colar vermelho que, mesmo de longe, parecia custar muito mais do que seu salário e de todos os seus amigos juntos.




CONTINUA



N/a: Olá, tudo bem? Prazer, eu sou a Verônica! Lembram-se de mim? Por favor, digam que sim!!!! Eu sei, evaporei no ar mais rápido que água, mas prometo voltar e não deixá-las nunca mais! Isso se vocês já não tiverem desistido da McHate.com, né? Espero que não... Já estão sentindo o gostinho de final? Pois é, esse ano, ainda no primeiro semestre, já estaremos preparados para dar adeus à McHate.com, não? Não, né? Eu entendo... Mas prometo não abandoná-las nem decepcioná-las, ok? Não deixem de comentar para que eu saiba que ainda estão vivas aí! xx, V

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