O cara da moto

Autora: Babbie
Status: Finalizada
Revisada por:Bee
Categoria: Harry Fics
Sub-Categoria: Comédia/Romance- ShortFic
Nota pelo desafio: 10
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New York, September 10th, 2004


A chuva torrencial caía como um muito tempo eu não via acontecer. Os outdoors iluminados eram ignorados por um número sem fim de habitantes da grande maçã que seguiam cegamente entre os grossos pingos de água tentando chegar a seu destino com o mínimo de roupas molhadas ou pelo menos sem serem arrastados pela tsunami anunciada por aqueles tais profetas que vagavam, no dia anterior, com cartazes de "O Fim Está Próximo".
< br> Dentro de um apartamento pequeno num prédio de seis andares encravado entre edifícios mostruosos do Upper East Side. O tempo nebuloso combinava perfeitamente com o meu humor.

- ? - eu ouvi meu pai me chamar. Não o segui. - ? - ele repetiu. Ouvi seus passos vindo em minha direção, a gravata preta apertando o pescoço. - ?

- Papai - a voz de Liza, minha irmã dois anos mais velha, tomou conta. - Volte para a sala. Eu cuido da . - ele a obedeceu. Como sempre fazia. - Você tem que entender que agora não temos mais saco para as suas criancices. Quem tinha era mamãe e agora ela não está mais aqui. - disse, grosseira. Eu sabia que mamãe não estava mais ali. Fora eu quem, na noite anterior, gritara por todo hospital, que saíra correndo pelos corredores brancos, frios e impessoais quando a notícia me fora dada. Fora eu que, após ser capturada por seguranças e tacada no táxi com minha irmã, observara a lua que minha mãe tanto gostava e que nunca mais veria. As lágrimas começavam a escorrer pelo meu rosto e a cair no vestido preto. Vestido feito por mamãe que acabou - ironicamente - sendo usado no dia de seu enterro.

London, August 31th 2009


O John F Kennedy dificilmente vira um trio tão incomum embarcando para o outro lado do Atlântico. Na frente, meu pai, Peter, um homem no final da casa dos quarenta, com o cabelo ralo e algumas falhas visíveis no alto da cabeça, carregava duas malas grandes, pretas, sem nada que as diferenciasse de todas as outras milhares de malas pretas do planeta, pegava nossos tíquetes e se assegurava de que todas as dezesseis - é, dezesseis - malas rosa choque de minha irmã estavam sendo embarcadas.

Elizabeth? Essa estava digitando enlouquecidamente no celular tentando ter certeza de que todos em NY fossem lembrados de que ela era a senhorita popularidade e que Londres era apenas uma extensão de seu reinado. Quanto a mim? Eu era a garota do canto, com os bottons de "salvem as baleias" na mochila velha, com uma única mala toda pichada pelas duas meninas que eu poderia chamar de amigas - e papai de delinqüentes. Isso acontecera há algumas horas.

Agora após de passar por refeições com gosto de plástico que somente a classe econômica pode oferecer, filmes terríveis com atores saídos da mais nova modinha da Disney - os que faziam pessoas como a minha irmã suspirar. Por Deus, Zac Efron? Sou muito mais Gaspard Ulliel em Hannibal! - e, para completar o cenário enfadonho, um sujeito gordo, colocado pela afabilíssima Lei de Murphy ao meu lado, começou a passar mal. Ah, como eu adoro essas longas viagens numa lata voadora!

Depois de passar pela fila dos passageiros que só sabiam atrasar a vida alheia, esperar por um século que todas as malas fossem recuperadas e passar por um nem um pouco simpático funcionário da alfândega - que, dava para perceber, se controlava para não rir de nosso sotaque. Cara, não sou eu que falo com um ovo na boca! -, conseguimos pedir um táxi para nos levar de Heathrow a nossa nova casa.

A lua que eu deixara antes de surgir no céu de Nova Iorque, aqui, em Londres iluminava o rio Tâmsia enquanto o taxista nos guiava até a nossa nova residência em Notting Hill - que é, pelo que eu entendi, uma área residencial, Provavelmente como um subúrbio da América - e minha irmã dava gemidinhos, jurando que vira o Príncipe William na outra margem. Pra que mesmo que nós atravessamos um oceano? Para fazer com que minha irmã perdesse a chance de ser a rainha do baile de formatura - o que, aliás, foi a primeira coisa que ela reclamou. Qual é, é só um baile! -? Para fazer com que eu não parecesse tão deslocada socialmente quanto era? "É o meu novo emprego, meninas!", ele dissera. Acho que considerando que o ano escolar começava no dia seguinte, que eu teria que usar uniformes e parecer apresentável estava mais para "vou fazer do seu ensino médio um pesadelo, ".


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Sete da manhã e eu já estou na sala da diretora. Não que eu nunca tenha estado na sala da diretora - acho que posso afirmar com convicção de que é provavelmente um dos lugares que eu freqüentei na minha existência - mas acontece que normalmente a diretora já estava lá. Mas não, nessa terra onde ainda há uma Rainha, onde se dirige do lado errado, onde se usam uniformes para ir ao colégio. Você, no seu primeiro dia de aula, descobre que a sua irmã já tem todos os horários e você não. E que o seu destino é ficar das sete da manhã até as sete e vinte e três sozinha numa sala empoeirada. Sozinha porque, exatamente as sete horas, vinte e três minutos e sete segundos, você escuta o ronco de uma moto. As sete horas, vinte e quatro minutos e doze segundos, você vê o que parece ser a diretora - acho que mesmo nessa terra do contra a diretora usa um penteado que parece mais um animal morto em sua cabeça - com um garoto, gritando com ele. É, algumas coisas nunca mudam!

- Nada de motos no estacionamento escolar, você sabe muito bem disso! - ela esbravejou, logo percebendo que eu estava aqui. Dava pra ver muito bem em seu rosto a expressão de desaprovação dela quando viu a mim. - Ah, você deve ser a senhorita - disse, sorrindo falsamente, como quem recita uma ficha. Percebi que essa era a hora de levantar, embora estivesse um tanto quando assustada pelo fato de ter interrompido o que parecia ser o momento de réplica do cara da moto.

- Sim sim, senhora.

- E você veio aqui para? - para dançar conga é que não foi! Por Deus, essa mulher acha que eu vim fazer o que aqui? Um tour e me perdi? "Aqui a sua direita temos o laboratório de biologia. Na esquerda, o escritório da diretora. Sintam-se livres para explorar!"?

- Acho que ela veio pegar os horários, Susan - o Cara-da-Moto tomou a palavra de mim, aparentemente percebendo por quais palavras minha mente passava para responder a estúpida pergunta.

- Senhora Pritz, eu já lhe disse!

- Enfim - o Cara-da-Moto que, devo salientar, é até bonitinho de uniforme, revirou os olhos. Segurei uma risada. Para um delinqüente - e britânico - até que ele tinha um senso de humor compreensível pelo resto da raça humana, ao contrário de seus conterrâneos. - É o que ela quer.

- Ah sim, os horários! - a tal Pritz colocara a mão na testa, como que se tivesse se lembrado de algo. Não diretora, eu quero saber onde é a lojinha de souvenirs! - Devo tê-los deixado em algum lugar! - e então ela se embrenhou no meio das estantes entupidas de papel, um verdadeiro paraíso de traças.

- Olá - o Cara-da-Moto se aproximara de mim e dissera. Confesso que dei um pulo de susto. - Ora, não é preciso tanto, americana! - ele sorriu.

- Não esperava que viesse falar comigo, Cara-da-Moto - eu respondi, ficando na ponta dos pés para tentar ver alguma parte da cabeleira cor de burro quando foge da diretora, mas em vão. O Cara-da-Moto levantou uma sobrancelha, como quem avaliava o que eu acabara de dizer e depois riu. Ótimo, agora eu me tornara a palhaça. Já expressei o meu amor por essa ilhazinha européia?

- Judd. Harry Judd. - ele disse, estendendo a mão. Juro que tive que me controlar para não cair na gargalhada. Quem ele achava que era, James Bond? Ninguém se apresenta dessa forma, cara. Por via das dúvias, apertei a mão dele.

- - respondi, firme.

- Então, ... - Harry-Cara-da-Moto-Judd começou - De onde você é? - ele parou para me encarar. Pressentindo que um "Estados Unidos, idiota!" estava prestes a sair de meus lábios, completou - Quero dizer, de que parte da América?

- New York City

- A cidade que nunca dorme¹? - Certo. Ele devia ter o que, uns dezessete, dezoito anos? E conhecia Sinatra? Definitivamente subiu no meu conceito. Talvez eu até possa me referir a ele como Judd ao invés de Cara-da-Moto ou Senhor-Sou-Muito-Gato-Mesmo-Com-Essa-Blusa-Branca-Essa-Gravata-Verde-E-Essa-Calça-Jeans. Ai deus, estou falando que nem a minha irmã. Alguém me dê um tiro!

- Bom, é o que dizem. - eu dei de ombros, tentando parecer legal. Acontece que dar de ombros quando você está carregando pelo menos oito quilos de material escolar nos ombros não faz você parecer legal. Pelo contrário, faz você perder o eqüilíbrio e cair no chão a menos que um cara te segure. Antes de rir da sua cara. Aí você vai querer dar um soco na cara dele, mas vai pensar duas vezes antes de estragar aquele nariz bonito. Ok, eu não reparei em nariz algum. Respira, , respira!

- Oh, senhorita !! - a senhora Pritz vinha arfante com um papel amarelado nas mãos - Aqui está o seu horário! - ela sorria. - Agora acho que vocês dois já deviam estar na aula não? - Deus sabe o que me impediu de dar uma resposta mal educada! Bom, na verdade o que me impediu foi Harry-James-Bond-Judd, me empurrando para fora da sala da mulher - aproveitando-se do que eu esperava ser alzheimer temporário da mesma - e me impedido de retrucar que a única culpada por me fazer perder meu primeiro tempo era ela. Ah, espere. Meu primeiro tempo é física. Eu já falei que amo essa mulher?

- Então... - Por deus, será que ele não sabia começar uma frase com alguma coisa diferente que então?

- Sim? - eu o encarei. Não ia entrar em sala agora. Primeiro porque é falta de educação, depois que, por favor, até parece que alguém ia sentir prazer em assistir vinte minutos de física! Parece que ele conseguia ler meus pensamentos e simplesmente sorriu.

- Você não me parece entusiasmada com física

- Alguém fica? - respondi, mau-humorada. Aparentemente o efeito "sai de mim, vê se me erra, vaza cara" que eu pretendia causar falhara, já que o Cara-da-Moto começou a dar uma gargalhada colossal. Tá, tá, riam da americana, eu já entendi!

- Alguém já te disse que você é bem engraçada? - Mr Bond indagou, ainda com um leve sorriso no rosto.

- Se você considerar delinqüente, maníaca, psicopata e cínica como engraçada... - dei uma leve pausa, como quem pára para pensar - Ô se já me chamaram! - ele sorriu mais uma vez. Bom, se nada der certo nessa escola pode deixar que eu abro meu próprio circo! É melhor do que a alternativa (me prostituir até que um cara tipo o Richard Gere se perca e acabe me contratando e dando um banho de loja em mim e se apaixonando pela minha pessoa e tal), né? A conversa rolou - aqui um eufemismo para "qualquer coisa que eu dizia ele ria porque ele supostamente achava o meu sotaque engraçado embora eu deva lembrá-lo mais uma vez que é ele quem fala com um ovo na boca" - e acabou que os vinte minutos se passaram numa velocidade voraz, quase que como o Speedy Racer no final de corrida. Era ele que corria, né? Enfim, passou bem rápido.

- Química... - ele resmungou pra mim, num claro tom de quem diz "por Deus, eu mereço uma aula tão desgastante e inútil de uma matéria que eu só vou usar na minha vida se eu for.. ah sim, um professor de química!". Eu sorri de volta - afinal, o que mais faria? - e então consultei meu horário. Biologia, Literatura, Espanhol, Artes, Literatura de novo... Pois é, meus horários não combinavam em nada com os de Harry-Sou-Sexy-Mesmo-Falando-Com-Um-Ovo-Na-Boca-Judd, como o mesmo constatou após se intrometer entre o pedaço de papel e a minha pessoa.- Nos vemos no almoço, é. Você vai ter Bio... Tente sentar no fundo! Porter é do tipo que grita enlouquecidamente os nomes mais bizarros e cospe. Quando o sinal do almoço tocar eu devo estar na sua turma... A sala de literatura ainda é a 309. É, até - ele monologou, me deixando para trás, atordoada. Palavras de mais, ovos inquebráveis na boca... E UMA AULA DE BIOLOGIA! Deixei meus pés me guiarem - lê-se as placas que indicavam para onde os novatos como eu deveriam seguir - e consegui um lugar no meio da classe, onde eu esperava ser longe o bastante da mira salivar do tal Porter. E eu estava certa. Ou quase.

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Se Porter falar mais uma palavra sobre cloroplastos eu juro que levanto e dou na cara dele. E não vai ser divertido. Bom, ao menos não pra ele.

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Eu amo literatura, amo sim! Finalmente uma aula na qual eu não me sinto uma total e completa inútil e que eu entendo mais do que "bom dia" e "dever de casa". Mas será que o professor precisa fazer o tempo passar tããão lentamente enquanto cita o programa desse ano?

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Yo odeio español. Por que essa professora tem que gritar que nem uma gralha? Não precisa tentar quebrar o vidro da janela não, tá? Nós estamos a um metro e meio de distância de você, não uma milha e meia, fica a dica!
Acho que ela vai me deixar surda. Ao menos assim não precisarei ouvir Lizzie cantando Jonas Brothers. Talvez espanhol não seja taaaanta perda de tempo assim.

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Querida professora de Artes... Não sei se a senhora percebeu, mas acontece que todos nesta sala possuem quinze ou dezesseis anos e, não sei se é incapacidade sua ou loucura mesmo, não temos mais idade de pegar uma revista e recortar coisas para formarem uma cena, trabalhando com diferentes cores, texturas e também fazendo uso de sombra. Isso eu fazia aos quatro. Tá, sem a parte de trabalhar com algo que fizesse nexo, mas mesmo assim! A cara de tédio de todos é visível, assim como os olhares de peixe morto para o enorme relógio pregado na parede. É, serão os minutos mais longos da minha existência.

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Não tenho problemas de auto-estima. Acontece que eu simplesmente acho uma perda de tempo chegar na frente da classe e me apresentar, aula após aula. Acho um saco quando seu professor cospe em você ao pronunciar seu sobrenome - seria algo tão complicado de se falarsem expelir, sei lá, cinco litros de saliva? - e um saco maior ainda quando todos te tratam como a estranha por vir do outro lado do Atlântico. Acredite, eu me sinto como aqueles pandas para os quais milhares de criancinhas ficam apontando e rindo e assistindo enquanto ele faz as suas necessidades básicas. Só que sem a parte de me seguirem pro banheiro, seria estranho. E invasão de privacidade. Mas enfim, foi força de expressão. O que importa é que depois de tantas horas de estômago vazio - é Lizzie, obrigada MESMO por pegar as últimas barrinhas de chocolate! - eu literalmente contava os segundos para o último tempo de literatura acabar. Duzentos e quarenta segundos e ele citando algum poema muito legal. Cento e doze segundos e o poema não acaba. Por deus, é A Odisséia²? Cinqüenta e seis segundos e os livros já estão jogados nas mochilas, os lápis batucando as carteiras de madeira. Tudo exatamente como em ...Baby One More Time³. Vinte segundos e o professor não pára de falar. Chegamos a contagem regressiva. Dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um...

- E então para a semana que vem eu quero um resumo de A Megera Domada* e uma resenha sobre qualquer poema de Shakespeare! - o professor disse, acabando junto com o soar do sinal. Se eu já não tivesse lido essa peça - que, por sinal, me deixou com uma impressão extremamente machista do Billy S. Digo, William. - eu torcia o pescoço do mestre. Ou não. Enfim. Naquela situação a única coisa que eu queria era correr para o refeitório e comer nachos, tacos ou seja lá o que esses britânicos comem no almoço. Saí aos tropeços, desvencilhando-me do olhar de "quero-falar-com-você-nova-aluna-americana-que-só-deve-ler-a-Vogue-e-olhe-lá" do mestre e, na soleira, tropecei em algo quente e macio. Uma almofada, eu esperava. Mas não. Lembra da Lei de Murphy? A almofada eram os braços do Cara-da-Moto. Os braços eram muito bons. Ok, vou me dar um tiro em breve. Agora seria um excelente momento para incluirem a mim nas estatísticas de Aluno Morto Misteriosamente. Ou talvez eu pudesse iniciar essa categoria.

- Ora, ora! - o Cara-da-Moto disse, sorrindo - Não precisa se apressar, americana!

- Não. Me. Chame. De. Americana. - eu respondi, irritada. Eu estava com fome, com sono e no colégio. Ah, e era uma segunda! Não estava exatamente no melhor dos meus dias! Ele sorriu. Eu fechei a cara. -

- ! - ele disse, sorrindo. Suspirei, derrotada. - Vamos almoçar.- e então ele estendeu o braço como um cavalheiro. Ele saiu do século XVII ou coisa do tipo, só pode! Se bem que eu duvido muito que em 1600-e-vovô-criança tinham Harley-Davidsons ou coisas assim, logo dificilmente ele sairia de lá.

No refeitório, ele não se contentou em colocar nossas mochilas numa mesa para dois. Não, ele pegou minha bandeja e meu prato e os talheres, ele sugeriu que eu deveria escolher o frango grelhado no lugar da estranha posta de salmão, escolheu o sabor do meu refrigerante - embora, como eu disse para ele, POP parece mais marca de chiclete do que de refrigerante -, me convenceu que queijo ralado por cima do frango não era ruim - tem gosto pra tudo, né? - e ainda pagou minha conta!

- Eu posso muito bem pagar minha comida, tá? - eu reclamei, colocando a minha refeição na mesa. Ele simplesmente me ignorou, pegando meu refrigerante - POP de morango. É sério, isso não é nome de marca de bebida! Eu ainda estava esperando uma bola de chiclete sair da latinha, mas num é que era líquido mesmo? - e dando um gole. - HEY!

- Ah, . Eu bebi o refrigerante porque paguei por ele. Agora come - e então simplesmente começou a comer. Ele acha que eu sou o que? Escrava dele? No way in hell! Vim da América, cara. A terra da liberdade. A gente tem até uma estátua disso! Antes que eu pudesse dar início a mais um discurso interminável, ele colocou uma garfada de frango com queijo na minha boca. - Come, . - ele disse, de novo. E, dessa vez, eu o obedeci. Enquanto eu comia, ele apenas me observava. - Você sabe que não tem aula de tarde hoje, né? - ele comentou, quando eu estava quase no fim do prato. Eu engasguei. Só tinha um pensamento na cabeça, que consistia em o nome da minha irmã mais uma expressão de baixo calão. E ela dizendo que tinha aula! - Bem, como eu ia dizendo... - Cara-da-Moto-Que-Eu-Nunca-Vou-Chamar-Pelo-Nome-Enquanto-Eu-Viver retomou o assunto. Não sei que assunto era, mas que retomou retomou! - Hoje vai ter uma festa na casa do Smithers. - ele me encarou e eu encarei de volta, como quem diz "e eu com isso?" - E você vai comigo. Te pego as sete. - e então saiu, sem se dar ao trabalho de esperar a minha resposta.

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- Papai, papai! - Elizabeth descera as escadas da nossa nova casa fazendo um estardalhaço - ? - indagou, vendo-me vestida como gente - lê-se algo diferente das minhas roupas surradas, vulgo jeans apresentável, tênis limpo e uma pólo preta - sentada na mesa da sala. Às seis e quarenta. - Onde você pensa que vai, garota? - eu levantei os olhos do livro que estava lendo, vulgo A Megera Domada, e a encarei, simples.

- A uma festa. - ela riu

- E quem te chamaria para uma festa? - desdenhou

- Harry Judd - a cor rosada escapou do rosto de Lizzie. Mal consegui me controlar para não deixar transparecer um sorrisinho cínico.

- Repete

- Harry Judd me chamou para uma festa

- Hoje? - ela levantou uma sobrancelha.

- É.

- Quando você diz Harry Judd você quer dizer Harry Judd do último ano? - o choque dela era simplesmente hilariante.

- É. - eu disse, ouvindo um cantar de pneus. - Ih, olha, ele chegou. Diz pro papai que já fui. Beijo, Liza - e então eu peguei minhas chaves e bati a porta. Do lado de fora, ele sorria para mim. Talvez, no final das contas, eu não fosse tão azarada assim. Talvez da próxima vez você consiga me atrapalhar, Murphy. Mas agora eu tenho que ir. Sabe como é, quando um sujeito como o Cara-Da-Moto está no seu portão parado de uma maneira extremamente sedutora ao lado do seu veículo, você não pode simplesmente deixá-lo lá. Você tem que ir com ele. Afinal, convenhamos, Harry Judd sempre será Harry Judd. E sua irmã sempre morrerá de inveja.





¹ - Referência a música New York New York de Frank Sinatra I wanna wake up in a city that doesn't sleep no original.

² - Um dos dois principais poemas épicos da Grécia Antiga, atribuídos a Homero. Grande. Mesmo.

³ - Clip antigo da Britney

* - Uma das primeiras comédias escritas por William Shakespeare, tendo como tema principal o casamento, a guerra dos sexos e as conquistas amorosas.




FIM




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